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Sou brasileiro, natural do Rio de Janeiro, onde moro e tenho meu ateliê.

Comecei a estudar pintura e desenho aos oito anos de idade na Sociedade Brasileira de
Belas Artes com o Prof. Antenor Finatti, um pintor de cenas de cais e marinhas. Seus
quadros de tons fortes com linhas marcando os contornos e largas áreas de tinta espessa
foram minhas primeiras referências.
Aos doze anos descobri a pintura moderna e seus movimentos. Os Impressionistas, o
Surrealismo, e principalmente o Cubismo passaram a exercer grande influência sobre
mim nessa época. Picasso, Miró, Klee, Braque passam a ser minhas referências,
especialmente Klee e suas aquarelas.
De 1977 a 1979 volto a estudar desenho na Sociedade Brasileira de Belas Artes.
A partir de um desenho de 1977, intitulado “O Pintor Vestido de Arlequim”, nasce um
personagem chamado de “O Pintor” ou apenas “O Personagem” que se torna um alter
ego, através do qual inicio uma pesquisa sobre a linha e o traço descrevendo meus
estados emocionais e energéticos. Nessa linha de pesquisa, surge um tipo de escrita
automática, que chamei de “Caligramas” que passaram a fazer parte dos desenhos,
acrescentando novas camadas de significado e dialogando com as figuras principais.

Os trabalhos desse período são basicamente desenhos a nanquim, algumas aquarelas e


quadros a óleo. Nos dois anos seguintes participo de meus primeiros salões.

1985 – Escola de Artes Visuais do Parque Lage – EAV.

Aos 25 anos entro para a Escola de Artes Visuais do Parque Lage no curso de pintura,
com o Prof. Charles Watson, que viria a ser meu principal professor nesse período. Nas
aulas éramos levados através de uma série de estratégias a nos tornar conscientes de
nossos vícios de pintura. Os primeiros dias de aula foram destinados a aprendermos a
fazer um chassi desde o zero. Não por acaso, no decorrer desse ano, acabo entendendo o
espaço pictórico como algo que é construído.
Estimulado pelos textos dados no curso, pela descoberta de novos artistas e pela própria
linha de trabalho do meu professor, surgem pequenas esculturas pintadas feitas de
madeira e em seguida, esculturas maiores.
Com o quadro “Solid State”, tem início uma nova figuração, voltada para construção do
espaço pictórico através do uso de formas básicas de desenho. Essa figuração começa a
refletir nos objetos de madeira, nas esculturas e na sobreposição de planos das
assemblages.
Artistas como Frank Stela, Kurt Schwitters, Philip Guston se tornaram referências
importantes, contribuindo para a concepção dessa ideia de um espaço construído, que
vai além da superfície da tela.
Foram seis anos de estudos na EAV, vários salões, coletivas e três exposições
individuais. A produção dessa época transitava entre telas em acrílico, esculturas em
isopor, esculturas em madeira e assemblages.

Em 1992 fiz minha última exposição individual na Pequena Galeria do “Centro Cultural
Candido Mendes” na Praça XV – Rio de Janeiro, chamada “Retrospectiva 1984 –
1993”.
A pintura continuou sendo importante, e eu iria retomá-la um dia.
A partir de 2013 passei a fazer experiências com pintura digital, e em 2016 me
matriculo em um curso sobre crítica de arte no Centro Municipal de Artes Hélio
Oiticica, como uma forma de me reaproximar da discussão artística e de voltar o olhar
para meu próprio trabalho.
Que questões em meu trabalho permanecem relevantes hoje? O que ainda é relevante
para mim? O suficientemente relevante para me fazer pintar novamente?
Meus trabalhos recentes são uma tentativa de descobrir isso. Transitam por questões
ligadas à pintura e escultura e ao que acontece quando a fronteira entre essas duas
práticas começam a se romper. Algumas vezes o desenho sai da tela e acaba se
concretizando como escultura, por outro lado, meu interesse pela manipulação digital de
imagens, me levou a trabalhar sobre fotos dos objetos que construo, fazendo o percurso
inverso, quando um objeto ou escultura é levado para dentro de um suporte
bidimensional e vira pintura.
O diálogo entre esses espaços, pictórico e escultórico, me permite continuar
investigando questões que me interessavam em meus trabalhos anteriores e descobrir
seus desdobramentos possíveis no momento atual.
I'm Brazilian, from Rio de Janeiro, where I live and have my own studio.

I started studying painting and drawing at the age of eight at “Brazilian Society of Fine
Arts” with Professor Antenor Finatti, a painter of pier and marine scenes. His paintings
with strong tones, lines marking the contours and wide areas of thick paint were my first
references.
At the age of twelve I discovered modern painting and its movements. The
Impressionists, Surrealism, and especially Cubism came to exert great influence on me
at that time. Picasso, Miró, Klee, Braque became my references, specially Klee and his
watercolor paintings.
From 1977 to 1979 I turned back to study drawing at “Brazilian Society of Fine Arts”.
From a 1977 drawing, entitled "The Painter Dressed as Harlequin", a character called
"The Painter" or just "The Character" is born, and it would become an alter ego through
which I would start a research on the line itself and the describing of my emotional and
energetic states. In this line of research there is a kind of automatic writing - which I call
"Caligramas" - that became part of my drawings, adding new layers of meaning and
dialoguing with the main figures.

The works of this period are basically drawings in China ink, some watercolor and oil
paintings. In the following two years I took part in my first art exhibitions.

1985 – School of Visual Arts of Parque Lage – EAV.

At the age of 25 I joined the painting course at “School of Visual Arts of Parque Lage”
with Professor Charles Watson, who would become my main teacher in this period. In
class we were led through a series of strategies to make us aware of our vices of
painting. The first days of class were intended to teach us how to make a chassis from
scratch. Not by chance, during the course of that year, I finally understood pictorial
space as something that is constructed.
Encouraged by the texts given in the course, by the discovery of new artists and by my
teacher's own line of work, small painted sculptures made of wood and then larger
sculptures came up.
With the painting “Solid State”, a new figuration begins, focused on the construction of
the pictorial space through the use of basic forms of drawing. This figuration began to
reflect on the wooden objects, the sculptures and the overlapping planes of the
assemblages.
Artists such as Frank Stela, Kurt Schwitters, Philip Guston have become important
references contributing to the conception of this idea of a constructed space that goes
beyond the canvas surface.
There were six years of “Parque Lage” studies, several collective exhibitions and three
individual exhibitions. The production of this time transited between acrylic on canvas,
Styrofoam sculptures, wood sculptures and assemblages.

In 1992 I had my last solo exhibition in the Small Gallery of “Candido Mendes Cultural
Center” at Praça XV - Rio de Janeiro, called "Retrospective 1984 - 1993".
The painting continued to be important, and I would take it up one day.
From 2013 I began to experiment with digital painting, and in 2016 I enrolled in a
course on art criticism at “Hélio Oiticica Municipal Arts Center”, as a way to get closer
to the artistic discussion and to turn my eyes to my own work.
What issues in my work remain relevant today? What is still relevant to me? Relevant
enough to make me paint again?
My recent work is an attempt to figure these questions out. They go through issues
related to painting and sculpture and what happens when the border between these two
practices begins to break. Sometimes the drawing leaves the canvas and ends up being
concretized as sculpture. On the other hand, my interest in the digital manipulation of
images, led me to work on photos of objects I construct, making the reverse course,
when an object or sculpture is taken inside a two-dimensional holder and turns
paintwork.
The dialogue between these spaces, pictorial and sculptural, allows me to continue
investigating questions that interested me in my previous works and to discover their
possible unfolding in the present moment.