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A nova NBR 5419

Um guia que lhe auxiliará a


adequar a sua empresa
João Gilberto Cunha

A nova NBR 5419


Um guia que lhe auxiliará a adequar a sua empresa

1ª Edição

São José dos Campos – SP


Edição do Autor
2017
A NOVA NBR 5419
Editor: João Gilberto Cunha
www.miomega.com.br

Todos os direitos reservados. Proibida a reprodução no todo em partes, por


qualquer meio, sem autorização do editor.

Cunha, João Gilberto.


A nova NBR 5419: Um guia que lhe auxiliará a adequar a
sua empresa / João Gilberto Cunha - São José dos Campos, 2017.
52 p.

ISBN 978-85-910927-4-1

1. Descargas atmosféricas 2. Riscos e cuidados 3. Prevenção de acidentes


3

CDD – 551.5632

Índice para Catálogo Sistemático


1. Descargas atmosféricas – riscos e cuidados
A NOVA NBR 5419

INTRODUÇÃO
A norma NBR 5419, que trata de SPDA – Sistemas de Proteção contra Descargas Atmosféicas, foi revisada e
publicada em 2015. A pergunta mais comum de ouvir é: mudou muita coisa? A resposta é: sim. Depois vem
a segunda pergunta: o que mudou? Pode-se dizer que a maior mudança foi a filosofia do projeto. A norma
agora é mais abrangente, considera todos os efeitos das descargas atmosféricas. Até a edição de 2005 a
norma considerava somente o efeito das descargas sobre as estruturas, pelo impacto direto do raio. Na
edição de 2015 a norma passou a considerar os efeitos das descargas para as estruturas (nesta parte as
mudanças não foram tão grandes), para pessoas e para os equipamentos. Devido a este aumento de
escopo, pode-se dizer que com a revisão nasce o profissional PDA – Proteção contra Descargas
Atmosféricas. 4
Outra mudança foi a introdução da análise de risco para a decisão sobre a necessidade de adotação de
cada parte do PDA. O termo »medida de proteção« passa a ser adotado na norma, ficando claro agora
que é necessária a adoção de medida de proteção quando na análise de risco for encontrado um risco
maior que o risco tolerável. É certo que isto é um fator de complicação, mas é certo também que esta
metodologia é muito mais rigorosa que a metodogia adotada até a edição de 2005.
Outra pergunta que é muito frequente refere-se à obrigação do eletrodo de aterramento ter resistência
máxima de 10 Ω, e a resposta para é: nunca foi obrigatório que a resistência do eletrodo de aterramento
fosse no máximo 10 Ω. Para certificar-se desta afirmação, basta fazer uma leitura cuidadosa no item 5.1.3.1.2
da norma de 2005.
Este Ebook apresenta de forma condensada as quatro partes da edição de 2015 da ABNT NBR 5419. Se
durante a leitura surgir alguma dúvida, não hesite em contatar-nos!.

Eng.º João Cunha


joao@miomega.com.br
A NOVA NBR 5419

Índice

Introdução 4

Capítulo 1 – Proteção contra descargas atmosféricas 6

Capítulo 2 10

Capítulo 3 – Inspeção 17 5

Capítulo 4 – Adequação 41
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1. A NOVA NORMA NBR 5419

A edição de 2015 foi publicada pela ABNT no dia 22/05/2015


e, diferentemente da edição anterior de 2005, possui quatro
partes, agora alinhada com a norma internacional (norma IEC
62305), inclusive na forma de edição.

Organização da NBR 5419 - Proteção contra


descargas atmosféricas

 Parte 1: Princípios gerais;


 Parte 2: Gerenciamento de risco;
 Parte 3: Danos físicos a estruturas e perigos à vida
 Parte 4: Sistemas elétricos e eletrônicos internos na
estrutura
A NOVA NBR 5419

PARTE 1
Apresenta as regras e diretrizes para a proteção
contra descargas atmosféricas, fornecendo os
PARTE 3
subsídios necessários para a aplicação das demais
Apresenta os requisitos para proteção de uma estrutura
partes na proteção contra descargas atmosféricas.
contra danos físicos por meio de um SPDA – Sistemas de
Proteção contra Descargas Atmosféricas – e para proteção
de seres vivos contra lesões causadas pelas tensões de
PARTE 2 toque e passo nas vizinhanças de um SPDA. Estes
Apresenta os requisitos para análise de risco em requisitos são aplicáveis a projeto, instalação, inspeção e
7
uma estrutura devido às descargas atmosféricas manutenção de um SPDA para estruturas sem limitação
para a terra, fornecendo um procedimento para a de altura e a medidas para proteção contra lesões a seres
avaliação dos riscos. A partir da quantificação do vivos causadas pelas tensões de passo e toque
risco e sua comparação com o limite superior provenientes das descargas atmosféricas.
tolerável, este procedimento permite avaliar se as
medidas de proteção adotadas reduzem o risco
ao limite ou abaixo do limite tolerável. PARTE 4
Fornece informações para o projeto, instalação,
inspeção, manutenção e ensaio de sistemas de proteção
elétricos e eletrônicos (Medidas de Proteção contra
Surtos - MPS) para reduzir o risco de danos
permanentes internos à estrutura devido aos impulsos
eletromagnéticos de descargas atmosféricas (LEMP).
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1.1 TERMINOLOGIA

A NBR 5419 sempre utilizou o termo estrutura, que é um termo genérico que define um elemento a
ser protegido pelo SPDA. São exemplos de estrutura: edificações, prédios, árvores e massas metálicas
(antenas, guarda corpos, etc.).

Neste Ebook é mantida esta mesma terminologia para manter a generalidade da aplicação
dos conceitos da NBR 5419, embora em muitas aplicações o termo edificação fique mais claro.
2 EFEITOS DAS DESCARGAS
A descarga atmosférica é uma descarga elétrica de origem
atmosférica entre nuvem e terra, podendo ter um ou mais
componentes. A descarga pode ser:
 Descendente, quando a descarga atmosférica iniciada por um
líder descendente de uma nuvem para terra, ou
 Ascendente, quando a descarga atmosférica iniciada por um
líder ascendente de uma estrutura aterrada para uma nuvem

As descargas, quando atingem a terra, podem ser perigosas para 9


as estruturas, equipamentos elétricos (através das linhas de
energia e de sinal) e aos seres vivos (pessoas e animais). Os
perigos podendo resultar em:
 Danos à estrutura e ao seu conteúdo;
 Falhas aos sistemas eletroeletrônicos associados,
 Ferimentos a seres vivos dentro ou perto das estruturas.

Os efeitos consequentes dos danos e falhas ocorrem na estrutura


que recebeu a descarga ou no seu interior, mas podem ser
estendidos às vizinhanças da estrutura ou podem envolver o
meio ambiente.
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2 EFEITOS DAS DESCARGAS

Considerando o ponto de impacto de uma


descarga atmosférica e o seu potencial de
causar danos, elas podem ser divididas em:

 Direta à estrutura,
 Próxima à estrutura, 10

 Diretas às linhas conectadas (linhas de


energia, linhas de telecomunicações) ou
 Próxima às linhas conectadas.
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Qualquer tipo de descarga atmosférica pode causar falhas dos sistemas eletroeletrônicos
devido às sobretensões resultantes do acoplamento resistivo e indutivo destes sistemas
com a corrente da descarga atmosférica. Mas somente as descargas atmosféricas diretas à
estrutura ou a uma linha conectada à estrutura podem causar danos físicos (ao
patrimônio) e perigo à vida.

A norma classifica os três tipos de danos, da seguinte forma:


• Os danos físicos são os danos causados a uma estrutura (ou a seu conteúdo) devido
11
aos efeitos mecânicos, térmicos, químicos ou explosivos da descarga atmosférica;
• Os danos aos seres vivos são ferimentos, incluindo perda da vida, em pessoas ou
animais, devido a tensões de toque e de passo causadas pelas descargas atmosféricas.
• As falhas de sistemas eletroeletrônicos são os danos permanentes causados nos
sistemas eletroeletrônicos devido aos LEMP (queima dos equipamentos).

O mau funcionamento dos sistemas eletroeletrônicos não é coberto pela ABNT NBR 5419, mas pela ABNT NBR 5410.
A norma considera como ferimentos a seres vivos apenas os risco devido ao choque elétrico, embora se saiba que
os seres vivos possam se ferir de outras maneiras.
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2. RISCOS DAS DESCARGAS


A norma brasileira considera uma descarga atmosférica como um evento perigoso, seja ela direta ou próxima à estrutura
ou direta ou próxima de uma linha conectada à estrutura. Isto porque este evento tem uma probabilidade de causar
danos às pessoas ou aos bens na estrutura ou no seu interior. Este dano é quantificado pela norma como perda.

Um parâmetro importante na escolha do PDA adequado é o risco, que é definido pela norma como “o valor da
perda média anual provável (pessoas e bens) devido à descarga atmosférica, em relação ao valor total (pessoas e bens)
da estrutura a ser protegida”. A metodologia para quantificação deste risco é a análise de risco apresentada na Parte 2
da norma. 12

Este risco deve ser sempre inferior ao valor máximo do


risco que pode ser tolerável para a estrutura a ser
protegida, denominado na nova norma como risco tolerável.
Para reduzir o risco, e consequentemente as perdas devido às
descargas atmosféricas, podem ser necessária a adoção de
medidas de proteção, que são apresentadas nas Partes 3 e 4
da norma .
A NOVA NBR 5419

2. RISCOS DAS DESCARGAS

O risco depende de:


 O número anual de descargas atmosféricas A extensão dos danos e dos efeitos que podem ocorrer como
que influenciam a estrutura; resultado de uma descarga atmosférica (denominado pela norma
 A probabilidade de dano por uma das como perdas) podem ser reduzidos com a adoção de medidas de
descargas atmosféricas que influenciam; proteção adequadas, definidas na norma nas partes 3 e 4.
 A quantidade média das perdas causadas. 13
A analise de risco é a ferramenta que aponta a necessidade ou
A probabilidade de danos devido à descarga não de adoção de medidas de proteção, em uma estrutura e no
atmosférica depende: seu interior, mas a decisão de se adotar as medidas de proteção
 Da estrutura, contra descargas atmosféricas pode ser tomada
 Das linhas conectadas, independentemente do resultado da análise de risco, onde este
 Das características da corrente da descarga risco não é desejável.
atmosférica,
 Do tipo e da eficiência das medidas de
proteção efetuadas.

AS MEDIDAS NÃO ANULAM OS EFEITOS DAS DESCARGAS, MAS REDUZEM O SEU POTENCIAL DE DANO.
A NOVA NBR 5419

Na análise de risco a norma decompõe o risco em componentes, que depende da fonte e do tipo de dano,
da seguinte forma:
 perda de vida humana (incluindo ferimentos permanentes);
 perda de serviço ao público;
 perda de patrimônio cultural;
 perda de valores econômicos.

COMPOSIÇÃO DOS COMPONENTES DE RISCO

Os componentes de risco a serem considerados para cada tipo de perda são os seguintes: 14

R = RA + RB + RC + RM + RU + RV + RW + RZ

Onde:
RA - componente de risco de ferimentos a seres vivos por uma descarga na estrutura
RB - componente de risco de danos físicos na estrutura por uma descarga na estrutura
RC - componente de risco de falha dos sistemas internos por uma descarga na estrutura
RM - componente de risco de falha dos sistemas internos por uma descarga perto da estrutura
RU - componente de risco de ferimentos a seres vivos por uma descarga na linha conectada
RV - componente de risco de danos físicos na estrutura por uma descarga na linha conectada
RW - componente de risco de falha dos sistemas internos por uma descarga na linha conectada
RZ - componente de risco de falha dos sistemas internos por uma descarga perto da linha
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Procedimento para avaliar a necessidade de proteção
Valores típicos de risco tolerável RT
Quando se tratar das perdas de: vida
humana (incluindo ferimentos permanentes),
serviço público ou patrimônio cultural, a
definição do valor do risco tolerável deve ser
feito por alguma autoridade, com
competência para esta definição. Em casos
onde não existir estas definições, a norma
apresenta alguns valores representativos de
risco tolerável RT.
Tipo de perda 𝑹𝑻 (𝒚−𝟏 )
15
Perda de vida humana ou ferimentos
10−5
permanentes
Perda de serviço ao público 10−3
Perda de patrimônio cultural 10−4

Para a perda de valor econômico, a


metodologia a ser seguida é a usual de
custo/beneficio, ou seja, a comparação
custo de implantação de medidas de
proteção com o benefício que estas medidas
produzem. Para situações onde os dados
para esta análise não são disponíveis, a
norma fornece um valor representativo de
risco tolerável, que é RT = 10–3.
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Procedimento para avaliar a eficiência do custo da proteção

Procedimento para avaliar o custo da proteção


Além da necessidade da proteção contra descargas
atmosféricas da estrutura, pode ser muito útil a
verificação dos benefícios econômicos da instalação
das medidas de proteção devido ao risco de perda
de valor econômico em uma estrutura.

Este procedimento permite ao usuário avaliar o


custo da perda econômica com ou sem as medidas
de proteção adotadas 16

Neste caso são considerados os seguintes


componentes do custo:
CL - Custo anual das perdas totais na ausência de
medidas de proteção
CRL - Custo anual de perdas residuais
CPM - Custo anual das medidas de proteção
selecionadas
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3. PROTEÇÃO OFERECIDA POR UM PDA

A edição de 2015 da NBR 5419 inovou com o conceito de PDA -


Proteção contra descargas atmosféricas. O PDA é um sistema
completo para proteção de estruturas contra as
descargas atmosféricas, incluindo seus sistemas internos e
conteúdo, assim como as pessoas.

IMPORTANTE
O conjunto de medidas de proteção quem compõem o sistema 17
completo de PDA é o seguinte:
As medidas de proteções consideradas na
 medidas de proteção para reduzir danos a pessoas devido a ABNT NBR 5419 são comprovadamente
choque elétrico eficazes na redução dos riscos associados às
 medidas de proteção para redução de danos físicos descargas atmosféricas.

 medidas de proteção para redução de falhas dos sistemas


Não há dispositivos ou métodos capazes de
elétricos e eletrônicos
modificar os fenômenos climáticos naturais
a ponto de se prevenir a ocorrência de
descargas atmosféricas.
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O PDA é o sistema completo para


proteção de estruturas contra os
perigos associados às descargas
atmosféricas, incluindo seus sistemas
internos e conteúdo, assim como as
pessoas.
Em geral o PDA consiste de SPDA e
MPS.

SPDA - sistema de proteção contra 18


descargas atmosféricas (em inglês
lightning protection system – LPS)

MPS - medidas de proteção contra


surtos causados por LEMP (em inglês
LEMP protection measures)
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3.1 SISTEMA DE PROTEÇÃO CONTRA


DESCARGAS ATMOSFÉRICAS
A NBR 5419 considera que a principal e mais eficaz medida de
proteção para minimizar os danos físicos causados por descargas
atmosféricas em uma estrutura é o sistema de proteção contra
descargas atmosféricas – SPDA.

Geralmente, o SPDA é composto por dois sistemas de proteção:


 sistema externo 19
 sistema interno.

O SPDA externo é destinado a:


 interceptar uma descarga atmosférica para a estrutura (por meio do
subsistema de captação),
 conduzir a corrente da descarga atmosférica para a terra de forma
segura (por meio do subsistema de descida),
 dispersar a corrente da descarga atmosférica na terra (por meio do
subsistema de aterramento).
O SPDA interno é destinado a reduzir os riscos com centelhamentos
perigosos dentro do volume de proteção criado pelo SPDA externo
utilizando ligações equipotenciais ou distância de segurança (isolação
elétrica) entre os componentes do SPDA externo e outros elementos
eletricamente condutores internos à estrutura.
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NÍVEL DE PROTEÇÃO

O nível de proteção define a eficiência de um SPDA, indica a probabilidade com a qual um SPDA protege a
estrutura contra os efeitos das descargas atmosféricas ou a taxa de redução do risco de danos físicos
provocados por uma descarga em uma estrutura. O nível de proteção também garante o dimensionamento
adequados dos valores especificados em projeto.
O nível de proteção indica também a classe do SPDA e ambos têm a seguinte codificação: I, II, III ou IV.
A probabilidade de uma descarga causar danos físicos a uma estrutura, em função da classe do SPDA (ou do
nível de proteção) é dada pela tabela a seguir:
20

.
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A classe de SPDA é um conjunto de regras de construção usada para o adequado


dimensionamento do sistema, para garantir que os valores especificados em projeto
não estão superdimensionados ou subdimensionados quando da ocorrência de uma
descarga atmosférica.

As regras podem ser dependentes ou independentes do nível de proteção, como a


mostrado a seguir:
a) dados dependentes da classe de SPDA:
 parâmetros da descarga atmosférica;
 raio da esfera rolante, tamanho da malha e ângulo de proteção;
 distâncias típicas entre condutores de descida e dos condutores intermediários; 21
 distância de segurança contra centelhamento perigoso;
 comprimento mínimo dos eletrodos de terra.
b) fatores não dependentes da classe do SPDA:
 equipotencialização para descargas atmosféricas;
 espessura mínima de placas ou tubulações metálicas nos sistemas de captação;
 materiais do SPDA e condições de uso;
 materiais, configuração e dimensões mínimas para captores, descidas e eletrodos de
aterramento;
 dimensões mínimas dos condutores de conexão.
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COMPONENTE NATURAL DO SPDA

Componente condutivo não instalado especificamente para proteção contra descargas atmosféricas, mas que pode ser
integrado ao SPDA ou que, em alguns casos, pode prover a função de uma ou mais partes do SPDA. São exemplos de
componentes naturais:
 captor natural (estrutura e telhas metálicas);
 descida natural (perfis metálicos configurando os pilares de sustentação);
 eletrodo de aterramento natural (armaduras do concreto armado providas de continuidade elétrica).
22
A NBR 5419-3 estabelece no item 5.1.3 que os componentes naturais feitos de materiais condutores, os quais devem
permanecer dentro ou na estrutura definitivamente e não podem ser modificados, por exemplo, armaduras de aço
interconectadas estruturando o concreto armado, vigamentos metálicos da estrutura etc., podem ser utilizados como
componente natural do SPDA, desde que cumpram os requisitos específicos da norma. Outros componentes metálicos
que não forem definitivos à estrutura devem ficar dentro do volume de proteção ou incorporados complementarmente
ao SPDA.

A NBR 5419 cita mais de um vez que o uso de componentes naturais devem ser estimulados e
priorizados, evidentemente desde que atendidas as condições estabelecidas na norma.
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Continuidade da armadura de aço em estruturas de concreto armado


Quando é usado um componente natural um aspecto muito importante a ser considerado
é a continuidade elétrica no seu interior. No caso de uma estrutura metálica a continuidade
é quase evidente, mas quando é usado concreto armado, a ferragem está embutida no seu
interior e a continuidade é menos evidente.
A armadura de aço dentro de estruturas de concreto armado é considerada pela
normalização brasileira como eletricamente contínua, quando pelo menos 50% das
conexões entre barras horizontais e verticais sejam firmemente conectadas. Estas conexões
entre barras verticais podem ser soldadas, ou unidas com arame recozido, cintas ou
grampos. As barras devem ser trespassadas com sobreposição mínima de 20 vezes seu
diâmetro.
Para estruturas utilizando concreto com armadura de aço (incluindo as estruturas pré- 23
fabricadas), a continuidade elétrica da armadura deve ser determinada por ensaios elétricos
efetuados entre a parte mais alta e o nível do solo. A resistência elétrica total obtida no
ensaio final não pode ser superior a 0,2 Ω e deve ser medida com utilização de
equipamento adequado para esta finalidade. Este procedimento está estabelecido no
Anexo F da NBR 5419-3, que é normativo, portanto de caráter obrigatório.

No caso de estruturas de concreto armado pré-fabricado deve ser realizada uma ligação
entre os elementos de concreto pré-fabricado adjacentes, para garantir a continuidade
elétrica de o conjunto.

IMPORTANTE
Para estruturas novas medidas complementares, visando garantir essa continuidade elétrica desde o início da obra,
podem ser especificadas pelo projetista do SPDA em trabalho conjunto com o construtor e o engenheiro civil.
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3.2 SPDA Externo
O sistema de proteção contra descargas atmosféricas externo é a parte do SPDA que
tem a função de interceptar, conduzir e dispersar a corrente da descarga atmosférica
na terra, para realizar esta função, o sistema é composto de:
 subsistema de captação
 subsistema de descida e
 subsistema de aterramento

IMPORTANTE
Um SPDA não atrai a descarga atmosférica, também não impede a ocorrência das descargas
atmosféricas. ele intercepta a descarga com o subsistema de captação.
24

A norma classifica o SPDA externo, quanto a sua integração elétrica com a estrutura,
como:
 isolado ou
 não isolado.

O SPDA é isolado quando os subsistemas de captação e de descida estão


posicionados de tal forma que não há contato elétrico com a estrutura, e com isto, a
estrutura não faz parte do caminho da corrente de descarga. Para que esta isolação
seja eficaz a distância entre os componentes e a estrutura deve ser tal que não haja
ocorrência de centelhamento perigoso entre o SPDA e a estrutura protegida.
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O SPDA é não isolado quando os subsistemas de captação e de descida tem contato


elétrico com a estrutura, isto é, a estrutura pode fazer parte do caminho da corrente
de descarga, ainda que seja por meio de centelhamento.

Escolha de um SPDA externo


Na maioria dos casos, o SPDA externo pode incorporar partes da estrutura a ser
protegida, ou seja, a circulação da corrente pela estrutura não causa nenhum perigo
adicional. Pode se dizer que esta é a forma mais fácil de se implementar um SPDA
externo, garantir a isolação dos componentes do SPDA com a estrutura é um
complicador que só será usado em caso de necessidade.

25
Quando a circulação de corrente pela estrutura causar um perigo adicional, como é o
caso de estruturas com paredes ou cobertura de material combustível e de áreas com
risco de explosão e fogo, deve ser considerado a instalação de um SPDA externo
isolado. Normalmente nestes casos os efeitos térmicos e de explosão no ponto de
impacto, ou nos condutores percorridos pela corrente da descarga atmosférica,
podem causar danos à estrutura ou ao seu conteúdo, por isto os componentes do
SPDA externo devem ser colocados fora da área de risco.
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3.2.1 SUBSISTEMA CAPTAÇÃO


O subsistema de captação é a parte do SPDA externo que utiliza elementos
metálicos dispostos em qualquer direção, que são projetados e posicionados
para interceptar as descargas atmosféricas.

Um subsistema de captação convenientemente projeto, isto é, em


conformidade com a norma reduz a probabilidade de penetração da corrente
da descarga atmosférica na estrutura. Nenhum sistema pode assegurar 26
proteção absoluta de uma estrutura. Esta redução está associada ao nível de
proteção selecionado.

Não são admitidos na normalização brasileira quaisquer recursos artificiais


ou captor “especial” com a finalidade de aumentar o raio de proteção dos captores.
São exemplos de tais recursos: captores com formatos especiais, ou de metais de alta
condutividade, ou ainda ionizantes, radioativos ou não.
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3.2.1 SUBSISTEMA CAPTAÇÃO


Um subsistema de captação que incorpora elementos naturais, tais como estrutura e telhas metálicas, é sempre a
melhor opção tanto do ponto de vista técnico, estético e econômico. Como regra geral pode-se dizer que as partes das
estruturas que não suportam o impacto direto do raio, sem se danificar, devem ser mantidas dentro do volume de
proteção e as partes das estruturas que suportam o impacto direto do raio, sem se danificar, devem ser incorporadas ao
sistema de proteção.

Quando não é possível ou desejável usar elementos naturais, o subsistema de captação pode ser composto por
qualquer combinação dos seguintes elementos:
27
 hastes (incluindo mastros);
 condutores suspensos;
 condutores em malha.
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O volume de proteção da estrutura é determinado pelo posicionamento do


subsistema de captação com os seus elementos captores. A normalização
brasileira aceita os seguintes métodos na determinação da posição dos captores:
a) método da esfera rolante;
b) método das malhas;
c) método do ângulo de proteção;

Os métodos da esfera rolante e das malhas são adequados em todos os casos.

- Método de proteção
Máximo afastamento dos 28
Raio da esfera rolante – R Ângulo de proteção
Classe do SPDA condutores da malha
(m) α°
(m)
I 20 5x5
II 30 10 x 10
III 45 15 x 15
*
IV 60 20 x 20

IMPORTANTE
Embora o ângulo de proteção ainda seja considerado na normalização a sua utilização deve ser restringido a casos
excepcionais, além de sobredimensionar a instalação este método é desprovido de significado físico.
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MÉTODO DO ÂNGULO DE PROTEÇÃO MÉTODO DA ESFERA ROLANTE

A posição dos captores é determinada de O posicionamento dos captores aplicando-se este


forma que a estrutura a ser protegida fique método é feito de tal forma que nenhum ponto da
situada totalmente dentro do volume de estrutura a ser protegida pode entrar em contato
com uma esfera fictícia rolando ao redor e no topo
proteção provido pelo subsistema de
da estrutura em todas as direções possíveis.
captação. O ângulo de proteção depende da Podendo entrar em contato somente com o
classe do SPDA. subsistema de captação. O raio da esfera rolante
depende da classe do SPDA. 29
A NOVA NBR 5419

MÉTODO DAS MALHAS

Uma malha de condutores é considerada pela norma brasileira como método de captação
adequado para proteger estruturas (tipicamente edificações) horizontais e planas. São exemplos
desta aplicação os galpões. As dimensões de malha depende da classe do SPDA.

30
A NOVA NBR 5419
Componentes naturais
Desde que atendam as condições estabelecidas pela NBR 5419, as seguintes
partes de uma estrutura podem ser consideradas como captores naturais e
partes de um SPDA:
 chapas metálicas cobrindo a estrutura a ser protegida (telhados e coberturas)
ou componentes metálicos da construção da cobertura (treliças, ganchos de
ancoragem, armadura de aço da estrutura etc.), abaixo de cobertura não
metálica,
 partes metálicas que estejam instaladas de forma permanente, tais como:
ornamentações, grades, tubulações, coberturas de parapeitos;
 tubulações metálicas e tanques na cobertura. 31

Espessura t Espessura t’
Classe do SPDA Material
(mm) (mm)
Chumbo - 2,0

Aço (inoxidável,
galvanizado a 4 0,5
quente)
I a IV
Titânio 4 0,5
Cobre 5 0,5
Alumínio 7 0,65
Zinco - 0,7
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3.2.2 SPDA Externo - Descida


Um subsistema de descida é a parte de um SPDA externo projetado e instalado para
conduzir a corrente de descarga desde o subsistema de captação até o subsistema de
aterramento.

Esta corrente de descarga deve ser conduzida com segurança, reduzindo a


probabilidade de danos, inclusive por centelhamento entre a descida e a estrutura,
para isto os condutores de descida devem ser dispostos de forma que se tenha:
a) diversos caminhos paralelos para a corrente elétrica; 32
b) o menor comprimento possível do caminho da corrente elétrica;
c) a eqüipotencialização com as partes condutoras de uma estrutura.

IMPORTANTE
Quanto maior for o número de condutores de descida, instalados a um espaçamento regular em volta do perímetro
interconectado pelos anéis condutores, maior será a redução da probabilidade de descargas perigosas facilitando a
proteção das instalações internas.
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Na distribuição dos condutores de descida deve ser considerado sempre que:


 o número mínimo de condutores de descida é dois;
 utilizar o espaçamento mais uniforme possível entre os condutores de
descida ao redor do perímetro;
 um condutor de descida deve ser instalado, preferencialmente, em cada
canto saliente da estrutura, além dos demais condutores impostos pela
distância de segurança calculada;
 utilizar condutor em anel, que é um condutor formando um laço fechado ao
redor da estrutura e interconectando os condutores de descida, para
melhorar a distribuição de corrente pelos condutores de descidas.
33
Os valores das distâncias entre os condutores de descida, estabelecidos pela
norma, em função da classe do SPDA são dados na tabela a seguir.

Distâncias
Classe do SPDA
(m)
I 10
II 10
III 15
IV 20
NOTA É aceitável uma variação no espaçamento dos condutores de descidas
de ± 20%.
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No caso de um SPDA isolado, o posicionamento das descidas deve considerar o


seguinte:
a) se os captores consistirem em mastros separados (ou um mastro) é necessário para
cada mastro pelo menos um condutor de descida. Não há necessidade de condutor de
descida para mastros metálicos ou interconectados às armaduras;
b) se os captores consistem em condutores suspensos em catenária (ou um fio), pelo
menos um condutor de descida é necessário em cada suporte da estrutura;
c) se os captores formam uma rede de condutores, é necessário pelo menos um
condutor de descida em cada suporte de terminação dos condutores.

IMPORTANTE 34
.

Quando são usados cabos de descidas, e não


componentes naturais, nas proximidades do
solo, deve ser instalado uma caixa de junção,
onde o condutor de descida pode ser
interrompido por um sistema de conexão
antes da ligação com o eletrodo de
aterramento. Esta conexão tem a finalidade de
ensaio e deve ser instalada em cada
condutor de descida
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3.2.3 SPDA EXTERNO - ATERRAMENTO


O subsistema de aterramento é a parte de um SPDA externo que é destinada a conduzir e dispersar a
corrente da descarga atmosférica na terra.

O eletrodo de aterramento é a parte ou conjunto de partes do subsistema de aterramento capaz de


realizar o contato elétrico direto com a terra e que dispersa a corrente da descarga atmosférica na
terra.

O termo eletrodo de aterramento está relacionado ao condutor ou conjunto de condutores enterrados 35


no solo e eletricamente ligados à terra, para fazer um aterramento, e não a um tipo especifico de
componente, por exemplo, a haste. Um conjunto de cabos nus interligados a hastes é um eletrodo
único, tanto o cabo quanto a haste são componentes do eletrodo e os dois realizam a função de
aterramento.

Um aspecto importante a ser lembrado é o esforço que as várias comissões de estudo da ABNT estão
fazendo para estabelecer que o eletrodo de aterramento é único para todas as instalações.
Vale lembrar que na edição de 2014 a NBR 5410 declarou que o eletrodo de aterramento é uma
infraestrutura da edificação e não da instalação, e a NBR 5419 que o eletrodo deve ser comum e
atender à proteção contra descargas atmosféricas, sistemas de energia elétrica e sinal
(telecomunicações, TV a cabo, dados etc.)
A NOVA NBR 5419

O eletrodo de aterramento podem ser divididos em dois grandes


grupos:
 naturais e;
 não naturais

O eletrodo de aterramento natural mais usado é a própria armadura


do concreto das fundações, que é uma parte condutora enterrada no
solo embutida no concreto. Preferencialmente esta armadura deve ser
na forma de um circuito fechado, e que tem continuidade elétrica
garantida. Este eletrodo é o preferencial e a melhor solução em termos
de infraestrutura de aterramento para o caso de uma edificação. 36

O eletrodo de aterramento não natural deve ser formado por um


condutor em anel fechado ao redor da estrutura, em contato com a
superfície ou abaixo do solo, (enterrado) ou o uso de fitas, barras ou
cabos metálicos, especialmente previstos, imersos no concreto das
fundações.

Soluções mistas usando partes de elementos naturais e parte não


naturais também podem ser usadas, em especial quando a fundação Para que o eletrodo de aterramento na
não é contínua. Para isto pode se usar de fitas, barras ou cabos fundação tenha eficácia o projetista de
metálicos interligando as partes da fundação de modo obter um anel. instalações elétricas e PDA deve ter uma
participação no projeto e execução das
fundações da estrutura.
A NOVA NBR 5419

Existem situações onde não é possível o aproveitar as armaduras das fundações ou


fazer o aterramento enterrado no entorno da estrutura. Deve ser consideradas somente
situações onde não é possível e não situações onde esta solução aumenta o custo ou a
dificuldade no trabalho, são exemplos destas situações, locais de valores históricos,
edificações antigas onde parte estão germinadas com outras edificações.

Para estas condições, e somente para estas condições, a norma apresenta uma solução,
que é um arranjo consistindo em condutor em anel, externo à estrutura a ser protegida,
em contato com o solo por pelo menos 80 % do seu comprimento total, ou elemento
condutor interligando as armaduras descontínuas da fundação (sapatas). Estes eletrodos
de aterramento podem também ser do tipo malha de aterramento. Embora 20 % do
eletrodo convencional possa não estar em contato direto com o solo, a continuidade 37
elétrica do anel deve ser garantida ao longo de todo o seu comprimento.

A norma estabelece que “quando se tratar da dispersão da corrente da descarga


atmosférica (comportamento em alta frequência) para a terra, o método mais
importante de minimizar qualquer sobretensão potencialmente perigosa é estudar e
aprimorar a geometria e as dimensões do subsistema de aterramento. Deve-se obter a
menor resistência de aterramento possível, compatível com o arranjo do eletrodo, a
topologia e a resistividade do solo no local”.

IMPORTANTE

A nova edição da norma não estabelece mais nenhum número como referência de resistência de aterramento.
Diferente do que muitos acreditam o valor máximo da resistência de aterramento nunca foi estabelecido em
nenhuma edição da norma.
A NOVA NBR 5419

3.3 SPDA INTERNO


O SPDA interno deve evitar a ocorrência de centelhamentos perigosos dentro do volume de proteção e da
estrutura a ser protegida devido à corrente da descarga atmosférica que flui pelo SPDA externo ou em outras
partes condutivas da estrutura, como:
 as instalações metálicas
 os sistemas internos;
 as partes condutivas externas e linhas conectadas à estrutura.

IMPORTANTE

38
Em uma área classificada, com risco de explosão, um centelhamento é sempre perigoso. Nesse caso, são
necessárias medidas de proteção adicionais.

O centelhamento perigoso entre diferentes partes pode ser evitado por meio de:
 ligações equipotenciais (SPDA não isolado), ou
 isolação elétrica entre as partes (SPDA isolado).

IMPORTANTE

As ligações equipotenciais são realizadas de tal forma a evitar o


centelhamento perigoso, colocando duas ou mais parte no mesmo
potencial. Deve ser considerado a transferência de potencial que ocorre
nesta ligação.
A NOVA NBR 5419

A equipotencialização (do inglês equipotential bonding) para fins de proteção contra


descargas atmosféricas é a ligação ao SPDA de partes condutoras separadas, direta ou
indiretamente, para reduzir diferenças de potencial causadas pela corrente da descarga
atmosférica.

A equipotencialização é obtida por meio da interligação do SPDA com:


 instalações metálicas,
 sistemas internos,
 partes condutivas externas e linhas elétricas conectadas à estrutura.

39
Os meios de interligação podem ser:
 direto: condutores de ligação, onde a continuidade elétrica não seja garantida pelas
ligações naturais;
 indireto: dispositivos de proteção contra surtos (DPS), onde a conexão direta por
meio de condutores de ligação não possa ser realizada;
 indireto: centelhadores, onde a conexão direta por meio de condutores ligação não
seja permitida.

IMPORTANTE

Devem ser considerados os efeitos causados quando uma equipotencialização é estabelecida com sistemas
internos para fins de proteção, pois uma parte da corrente da descarga atmosférica pode fluir por tais
sistemas. Em razão disto no passado se preferia manter alguns sistemas internos em aterramentos separados.
A NOVA NBR 5419

O barramento de equipotencialização do SPDA deve ser interligado e coordenado com


outros barramentos de equipotencialização existentes na estrutura. No primeiro nível de
coordenação, esse barramento deve ser sempre o BEP.

No caso de estruturas extensas, em qualquer direção (horizontal ou vertical), deve ser


considerada a possibilidade de instalar barras de equipotencialização local (BEL) ao longo
da estrutura

As dimensões mínimas dos condutores que interligam diferentes barramentos de


equipotencialização (BEP ou BEL) ou que ligam essas barras ao sistema de aterramento
40

Área da seção reta


Nível do SPDA Modo de Instalação Material
(mm²)
Cobre 16
Alumínio 25
Não enterrado
Aço galvanizado a
50
fogo
I a IV
Cobre 50
Alumínio Não aplicável
Enterrado
Aço galvanizado a
80
fogo
A NOVA NBR 5419

4. MPS
As descargas atmosféricas são fenômenos de altíssima energia, podendo liberar
centenas de megajoules. Quando comparadas com os milijoules que podem ser
suficientes para causar danos aos equipamentos eletrônicos sensíveis em sistemas
eletroeletrônicos existentes nas estruturas, fica claro que medidas adicionais de
proteção são necessárias para proteger alguns destes equipamentos.

Estas descarga causam danos permanentes nos sistemas eletroeletrônicos, através de


impulso eletromagnético, por meio de: 41
 surtos conduzidos ou induzidos transmitidos pelos cabos conectados aos sistemas;
 os efeitos dos campos eletromagnéticos irradiados diretamente para os próprios
equipamentos.

Os surtos na estrutura podem ser originados de fontes externas ou internas à própria


estrutura:
 surtos com origem externa à estrutura são criados por descargas atmosféricas que
atingem as linhas entrando na estrutura, ou o solo próximo a elas, e são
transmitidos aos sistemas elétricos e eletrônicos dentro da estrutura por meio
destas linhas;
 surtos com origem interna à estrutura são criados por descargas atmosféricas que
atingem a própria estrutura ou o solo próximo a ela.
A NOVA NBR 5419

ZONAS DE PROTEÇÃO CONTRA RAIOS (ZPR)

A proteção contra surtos de origem atmosférica é baseada no conceito de zonas de


proteção contra raios (ZPR).

Neste conceito os volumes no interior da estrutura são relacionados à severidade dos


surtos. A proteção é feita quando os equipamentos colocados no interior destes
volumes tem a suportabilidade compatível com a magnitude dos surtos.

As sucessivas zonas (no interior da estrutura) são caracterizadas por significativas


42
mudanças na severidade da magnitude dos surto.

A mudança de uma zona para outra, ou a fronteira de uma ZPR, é definida pelas
medidas de proteção empregadas para a redução da severidade do surto.

A fronteira entre as zonas de uma ZPR não é necessariamente uma fronteira física (por
exemplo, paredes, chão e teto). Mas são medidas capazes de reduzir surtos
conduzidos nas linhas que adentram as zonas de proteção contra os raios (ZPR), como
por exemplo, instalação de um sistema coordenado de DPS e/ou blindagem
eletromagnética.

As zonas de proteção contra raios (ZPR), em relação a estrutura, são divididas em:
 zonas externas e
 zonas internas.
IMPORTANTE
A NOVA NBR 5419 Podem ser definidas ZPR adicionais em função da
suportabilidade dos equipamentos protegidos, incluindo
As zonas externas, pertencentes ao grupo ZPR 0, são divididas zonas internas localizadas (por exemplo, Rack e invólucros
em: metálicos dos equipamentos).
 ZPR 0A zona onde a ameaça é devido à descarga atmosférica
direta e a totalidade do campo eletromagnético gerado por
esta descarga;
 ZPR 0B zona protegida contra as descargas atmosféricas
diretas, mas onde a ameaça é causada pela totalidade do
campo eletromagnético.

As zonas internas são divididas em:


 ZPR 1: zona onde a corrente de surto é limitada pela 43
distribuição das correntes e interfaces isolantes e/ou por DPS
ou blindagem espacial instalados na fronteira das zonas.
Blindagens espaciais em formas de grade podem atenuar
significativamente o campo eletromagnético;
 ZPR 2…n: zona onde a corrente de surto pode ser ainda mais
limitada pela distribuição de correntes e interfaces isolantes
e/ou por DPS adicionais nas fronteiras entre as zonas mais
internas. Blindagens adicionais podem ser usadas para
atenuação adicional do campo eletromagnético gerado pela
descarga atmosférica
A NOVA NBR 5419

Na terminologia brasileira até o ano de 2004, o termo


aterramento era usado genericamente causando muita
confusão. No entanto, nas novas edições das normas de
o termo aterramento foi
instalações elétricas
substituído por dois termos: aterramento e
equipotencialização.
Importante:
Esta diferença que norteou a mudança na edição de 2004 da
NBR 5410 do nome do barramento TAP – terminal de 44
aterramento principal para BEP – Barramento de
eqüipotencialização principal.

Aterramento é usado exclusivamente para o subsistema


que conduz e dispersa as correntes da descarga
atmosférica para o solo, ou seja, a parte sob a
superfície do solo ou enterrada.

Equipotencialização é usado para a rede de condutores


acima da superfície do solo, que minimiza as
diferenças de potencial e pode reduzir o campo
magnético.
A NOVA NBR 5419

O termo equipotencialização não pode ser visto no sentido


estrito, como eliminação das diferenças de potenciais, visto
que não é aplicável às componentes de frequências mais altas das
correntes das descargas atmosféricas. O termo deve ser visto num
sentido mais amplo, como o efeito de redução de tensão entre os
pontos onde a ligação equipotencial é feita, contanto que essa
ligação seja curta (por exemplo, não mais que poucas dezenas de
centímetros para condutores cilíndricos de seções nominais usuais
em instalações elétricas).

Equipotencialização é definida como o conjunto de medidas 45


que visa a redução das tensões nas instalações causadas
pelas descargas atmosféricas a níveis suportáveis para essas
instalações e equipamentos por elas servidos, além de reduzir
riscos de choque elétrico.

As medidas usuais de equipotencialização consistem


tipicamente em ligações entre partes metálicas das
instalações e destas ao SPDA, direta ou indiretamente (por
meio de DPS), envolvendo massas metálicas de
equipamentos, condutores de proteção, malhas de condutores
instaladas sob ou sobre equipamentos sensíveis, blindagens
de cabos e condutos metálicos, elementos metálicos
estruturais, tubulações metálicas entre outros.
A NOVA NBR 5419

Uma ligação equipotencial eficiente deve ser de baixa


impedância, para que se cumpra o objetivo que é
minimizar as diferenças de potencial perigosas entre
todos os equipamentos dentro da ZPR e reduzi-las a
valores aceitáveis. Para se conseguir uma baixa
impedância a forma do condutor é fundamental, no
caso do cabo, a área da seção transversal não tem uma
influência tão significativa na impedância quanto a
redução do comprimento, que é o fator mais
importante para se obter o objetivo desejado.

Para a realização da equipotencialização dos 46


equipamentos, isto é, a ligação dos invólucros
condutoras (por exemplo, gabinetes, caixas, armários) e
o condutor de proteção (fio terra) pode se usar uma
das seguintes topologias:
 S - configuração estrela básica
 M - configuração em malha básica
 SS - configuração em estrela, integrada em um
ponto “estrela”
 MM - configuração em malha integrada em uma
malha
A NOVA NBR 5419

Barramentos de equipotencialização
Os barramentos de equipotencialização são componentes físicos onde são
realizados a função de reduzir a diferença de potencial que podem aparecer em
uma estrutura, a eles normalmente são ligados:
a) os condutores de energia e sinal que adentram uma ZPR (diretamente ou por
meio de DPS adequados);
b) o condutor de proteção PE (fio terra);
c) componentes metálicos dos sistemas internos (por exemplo, gabinetes,
invólucros, racks);
d) a blindagem magnética da ZPR na periferia e dentro da estrutura.
47
A realização dos barramentos de equipotencialização não é tratada pela NBR
5419, ela pode ser uma barra protegida ou exposta fixada diretamente na
estrutura ou pode ser ainda a barra terra de um painel ou quadro de
distribuição.

No caso particular de uma edificação, a NBR 5410 estabelece, em consonância


com a NBR 5419, no item 6.4.2.1.3 que o barramento de eqüipotencialização
principal (BEP) devem ser instalado junto ou próximo do ponto de entrada da
alimentação elétrica. Este ponto, estabelecido pela norma de baixa tensão, é o
cruzamento das linhas elétricas com o eletrodo de aterramento.
A NOVA NBR 5419

PLANO DE GERENCIAMENTO DE MPS


A nova edição da norma criou um plano de gerenciamento de
medidas de proteção contra surtos, que começa com uma análise
inicial de risco para determinar as medidas de proteção necessárias
para reduzir os riscos para um nível tolerável. Em seguida devem
ser definidos as zonas de proteção contra raios, especificas para
cada estrutura.
O plano de gerenciamento deve ter os seguintes passos:
a) Fornecimento de um sistema de aterramento, compreendendo 48
uma interligação para equipotencialização e um subsistema de
aterramento;
b) Equipotencialização das partes metálicas externas e linhas
metálicas entrando na estrutura ou por meio de DPS;
c) Integração dos sistemas internos em uma interligação para
equipotencialização;
d) Implementação de blindagens espaciais combinadas com o
roteamento e blindagens das linhas;
e) Recomendações para a coordenação de DPS;
f) Determinação das interfaces isolantes adequadas;
g) Medidas especiais para estruturas existentes, se necessárias.
Após a definição destas medidas, a relação custo-benefício das medidas selecionadas deve
ser reavaliada e otimizada utilizando, para isto, novamente o método de análise de risco.
A NOVA NBR 5419

5. INSPEÇÃO DE UM SPDA
A norma estabeleceu inspeções no SPDA com o objetivo de
assegurar que:
 O SPDA esta de acordo com projeto realizado em
conformidade com norma;
 Todos os componentes do SPDA estão em boas condições e
são capazes de cumprir suas funções; que não apresentem 49
corrosão, e atendam às suas respectivas normas;
 Qualquer nova construção ou reforma que altere as condições iniciais
previstas em projeto além de novas tubulações metálicas, linhas de
energia e sinal que adentrem a estrutura estão incorporadas ao SPDA
externo e interno.
Para que o objetivo das inspeções seja alcançado, a norma estabeleceu inspeções que devem ser realizadas em uma
intervenção (construção ou manutenção) no SPDA:
 durante a construção da estrutura;
 após a instalação do SPDA, no momento da emissão do documento como construído “as built”;
 após alterações ou reparos, ou quando houver suspeita de que a estrutura foi atingida por uma descarga atmosférica
A NOVA NBR 5419

A norma também estabeleceu inspeções durante a vida do SPDA, para garantir que ele
continua cumprindo o objetivo que dele se espera:
 inspeção visual semestral apontando eventuais pontos deteriorados no sistema;
 periodicamente, realizada por profissional habilitado e capacitado a exercer esta
atividade, com emissão de documentação pertinente, em intervalos determinados,
assim relacionados:
• um ano, para estruturas contendo munição ou explosivos, ou em locais expostos à
corrosão atmosférica severa (regiões litorâneas, ambientes industriais com
atmosfera agressiva etc.), ou ainda estruturas pertencentes a fornecedores de
serviços considerados essenciais (energia, água, telecomunicações etc.);
• três anos, para as demais estruturas. 50

Durante as inspeções periódicas, é particularmente importante checar os seguintes


itens:
 deterioração e corrosão dos captores, condutores de descida e conexões;
 condição das equipotencializações;
 corrosão dos eletrodos de aterramento;
 verificação da integridade física dos IMPORTANTE
condutores do eletrodo de aterramento para
os subsistemas de aterramento não naturais. A norma não menciona mais a medição da resistência de aterramento.
• A resistência de aterramento não é um parâmetro adequado para indicar o
estado do eletrodo de aterramento
• Não existe mais um número de referência.
A NOVA NBR 5419

6. DOCUMENTAÇÃO DE UM SPDA
A norma estabelece a documentação técnica que deve ser gerada no projeto, atualizada na
execução e mantida na manutenção, que é composta de:
 verificação de necessidade do SPDA (externo e interno), além da seleção do respectivo nível de
proteção para a estrutura;
 desenhos em escala mostrando as dimensões, os materiais e as posições de todos os componentes
do SPDA externo e interno;
 quando aplicável, os dados sobre a natureza e a resistividade do solo; constando detalhes relativos à
estratificação do solo, ou seja, o número de camadas, a espessura e o valor da resistividade de cada 51
uma;
 registro de ensaios realizados no eletrodo de aterramento e outras medidas tomadas em relação a
prevenção contra as tensões de toque e passo. Verificação da integridade física do eletrodo
(continuidade elétrica dos condutores) e se o emprego de medidas adicionais no local foi necessário
para mitigar tais fenômenos (acréscimo de materiais isolantes, afastamento do local etc.),
descrevendo-o.

IMPORTANTE

Esta é a documentação que deve fazer parte do


prontuário elétrico, estabelecido na NR-10.
A NOVA NBR 5419

Sobre o autor:
Engenheiro Eletricista (UFU - 1981);
Mestre em Engenharia Eletrônica (ITA -1988);
Diretor da Mi Omega;
Coordenador da Comissão da ABNT responsável pela norma NBR 14039 "Instalações elétricas de média tensão de 1,0 a
36,2 kV";
Coordenador da Comissão da ABNT responsável pela elaboração da norma de subestações pré-fabricada de alta tensão;
e coordenador de grupos de trabalho da Comissão da ABNT responsável pela norma NBR 5410 "Instalações elétricas de
baixa tensão";
Membro da Subcomissão Técnica de Instalações Elétricas de Baixa Tensão do Comitê Brasileiro de Avaliação da
52
conformidade, na elaboração da Regra específica da certificação das instalações elétricas no Brasil;
Professor da matéria de Legislação e Normas Técnicas do curso de Especialização em Instalações Elétricas Prediais da
UFG;
Palestrante da ABNT para divulgação da norma de instalações elétricas de baixa tensão NBR 5410;
Elaborou os comentários das Normas Brasileiras de instalações elétricas de baixa e média tensão, respectivamente: a NBR
14039: 2003 e a NBR 5410:2004;
Colaborador e colunista da Revista Eletricidade Moderna;
Autor de diversos trabalhos técnicos na área de instalações elétricas de baixa e media tensão.

Sobre a empresa:
A Mi Omega é uma empresa de projetos de engenharia que iniciou suas atividades em outubro de 1993, na área de
instalações elétricas, passando em 2008 a atuar nas diversas áreas da engenharia.
Uma empresa que possui o know-how tecnológico e as competências necessárias para atender plenamente as necessidades
dos clientes, dando sempre a certeza de uma boa solução.
Uma empresa que possui o know-how tecnológico e as competências
necessárias para atender plenamente as necessidades dos clientes, dando
sempre a certeza de uma boa solução.

miomega.com.br