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Punção em lajes lisas de concreto armado apoiadas em pilares parede

PUNCTURE IN FLAT SLABS SUPPORTED ON CONCRETE WALL PILLARS

Vitor Amadeu da Silva Feitoza(1); Ricardo Jose Carvalho Silva (2)

(1) Bolsista PIBIC - CNPq, Departamento de Engenharia Civil, Universidade de Fortaleza


(2) Professor Doutor, Departamento de Engenharia Civil, Universidade de Fortaleza
e-mail: vitorfeitoza@hotmail.com

Resumo
Nesse trabalho foram analisadas, através do programa computacional SAP2000, a
distribuição das tensões principais que dão início a formação do cone de ruptura da
punção em uma laje lisa, apoiado em pilares com diferentes retangularidades (C1/C2 =1,
C1/C2=4 e C1/C2=8). Verificou-se que as ligações laje-pilar com alta retangularidade
concentram as maiores tensões principais nas extremidades do pilar, criando um cone de
ruptura que é completamente diferente do modelo recomendado pela ABNT
NBR6118:2003 e esse fenômeno é agravado quando influenciado pelo momento
desbalanceado.
Palavra-Chave: Punção, Laje Lisa

Abstract
That work has analysed, by computer program Sap 2000, the distribution of principal
stresses which begin the formation of punching cone in a flat slab on the columns with
differents retangularity ratio (c1/c2 =1, c1/c2=4 e c1/c2=8). It was realized that slabs with
high retangularity ratio have high stresses in the ends of columns, making an irregular
punching cone, it is completely different of what ABNT NBR6118(2003) recommends and
it is agraved when there is unbalanced moment in the slab.

Keywords: Punching Shear, Flat Slab

1 Introdução

O sistema estrutural de lajes lisas possui algumas vantagens em relação às lajes


apoiadas em vigas, como exemplo: a redução do pé direito requerido, economia de
fôrmas, mais rapidez na montagem das fôrmas e redução de custos. Por outro lado,
também esse sistema mostra algumas desvantagens, tais como: a ocorrência de flechas
maiores que as encontradas em lajes de mesmo vão apoiadas sobre vigas, maiores
deslocamentos horizontais da estrutura com relação ás forças horizontais e a
possibilidade de uma ruptura por punção na região da ligação laje-pilar.

A punção é uma ruína causada por cisalhamento que ocorre nas regiões próximas a
forças concentradas ou em pequenas áreas carregadas, como é o caso da ligação laje-
pilar, onde a reação do pilar causa a perfuração da laje. Esta forma de ruína se
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caracteriza pelo fato da laje romper formando um tronco de cone e outro fator importante
é o da armadura de flexão não atingir o seu limite de escoamento, provocando uma ruína
que não fornece qualquer aviso prévio, sendo portanto, uma ruína do tipo frágil.

Kinunnen & Nylander (1960) criaram um modelo mecânico para a ruptura da laje, sem
armadura transversal, por punção de pilar circular no qual a ruína ocorre a partir deste
com o deslocamento de um sólido interno (figura 1). Esse sólido tem a forma aproximada
de um tronco de cone, com a superfície inclinada entre 25º e 30º em relação ao plano da
laje. Na zona contígua ao tronco de cone, a laje é dividida em elementos rígidos iguais,
limitados pela superfície inclinada e por fissuras radiais. Cada elemento rígido produz um
trabalho decorrente da rotação em torno de um ponto chamado “centro de rotação” CR,
como mostra a (figura 2) Esse ponto é o limite entre dois estágios ideais de fissuração: as
fissuras que limitam a superfície inclinada, bem como as fissuras radiais, são formadas
antes da ruptura da laje, e a fissura localizada entre a periferia do pilar e o CR somente é
formada no instante da ruptura da laje. Eles mostraram que com o aumento das cargas na
laje, há o aumento das tensões principais e o aparecimento das fissuras radiais e fissuras
de puncionamento (fissuras tangenciais) criando um cone de punção. Porém, como o
modelo estudado por KINNUNEN e NYLANDER foi realizado em pilares circulares,
quando se tenta estender essa teoria para formas quadradas ou retangulares, a
formulação fica pouco confiável.

FIGURA 1 – Modelo mecânico de KINNUNEN e NYLANDER (1960)

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FIGURA 2 – Esquema da fissuração inclinada e da rotação dos segmentos da laje

A ruptura por punção nem sempre ocorre de maneira simétrica como demonstraram
Kinnunen & Nylander. Pois quando o carregamento não é distribuído simetricamente
ocorre a transferência de momento fletor resultante, da laje para o pilar, na pratica isso é
devido a falta de simetria entre os espaçamento dos pilares. Esse momento
desbalanceado tende a aumento a tensão cisalhante sem que haja um acréscimo de
carga na laje.

A literatura apresenta diversos trabalhos que estudam o comportamento da ligação lajes


lisas com pilares de seção transversal quadrada, sendo a pesquisa com pilares
retangulares em menor número, como os trabalhos de OLIVEIRA (2003) e SILVA (2003)
apesar da sua utilização prática ser mais freqüente. O presente trabalho aborda a análise
da punção de lajes lisas apoiadas em pilares paredes influenciadas por momentos
desbalanceados, analisando e discutindo as recomendações para a verificação da
resistência a punção da ABNT NBR6118:2003.

2 Relevância da pesquisa

A motivação para realização dessa pesquisa veio porque mesmo alguns pesquisadores
mostrando experimentalmente que pilares paredes têm o fenômeno da punção diferente
do convencional, a ABNT NBR6118:2003 trata a punção de pilares quadrados ou pilares
paredes de maneira igual.

3 Trabalhos importantes na área

As pesquisas realizadas sobre as ligações de lajes com pilares retangulares ainda não
resultaram em um modelo de dimensionamento à punção capaz de satisfazer a todas as
perguntas e duvidas em relação a essas ligações. Embora algumas pesquisas
recomendem à inclusão de alguns parâmetros a norma para calculo de resistência a
punção.

OLIVEIRA (2003), analisou 15 lajes de concreto armado de alta resistência, com ƒc em


torno de 60 MPa, apoiadas em pilares com índices de retangularidade variando entre 1 e
5. O principal objetivo foi verificar a influencia da relação entre os lados do pilar e o
comportamento a flexão das lajes. O autor observou que para pilares do tipo parede,
pilares com índice de retangularidade C1/C2 ≥ 5, o comportamento de punção era
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diferente dos outros pilares com índices menores, pois as tensões principais máximas da
ligação laje-pilar parede se localizam nas extremidades do pilar parede e isso faz com que
não haja a formação de um único cone de ruptura e sim dois meio-cones nas
extremidades do pilar parede.

SILVA (2003), estudou a influência da utilização de furos, armadura de cisalhamento e


pilares retangulares na resistência à punção de lajes lisas. Ensaiou doze lajes com
dimensões de 1800 mm x 1800 mm x 130 mm. Onde sete dessas lajes foi destinadas ao
estudo de variação das dimensões dos pilares e furos. O autor concluiu que, com o
aumento de uma das dimensões do pilar, ocorre um acréscimo na carga de ruptura,
porém, na medida em que se aumenta a relação entre os lados do pilar, o acréscimo na
carga de ruptura vai sendo menor. Verificou também que quando à existência de furos
adjacentes aos menores lados dos pilares diminui em até 20% em relação à laje sem furo
com o mesmo pilar.

TENG, KUANG E CHEONG (1999), testaram 5 lajes quadradas de 2200mm de lado e


150mm de espessura, com variação de relação entre os lados do pilar, permanecendo a
menor dimensão constante, e carregamento diferenciado nas direções x e y da laje. Os
valores médios para resistência à compressão do concreto e tensão de escoamento do
aço foram 40 MPa e 460 MPa, respectivamente. Foi utilizados pilares com índice de
retangularidade C1/C2 de 1, 2 e 3. O autor dividiu as lajes em dois grupos, em um dos
grupo as lajes foi submetido a carregamento simétrico nas quatros bordas e o outro grupo
foi submetido a carregamento diferentes nas bordas. Os autores observaram que todas as
lajes romperam por punção. A primeira fissura formou-se na borda superior da laje sob a
carga em torno de 15% da carga última. As fissuras radiais se propagaram em direção às
bordas e surgiram também as fissuras tangenciais com o aumento da carga. Quando se
aproximou da carga de ruptura, houve um aumento nos deslocamento, obtendo-se assim
uma ruptura abrupta. Eles verificaram que a variação do tipo de carregamento teve
influencia na resistência à punção. No caso da força aplicada paralela ao menor lado do
pilar ter sido 1,6 vezes superior à aplicada no maior lado, houve uma diminuição em torno
de 10% na resistência à punção em relação à outra posição. Os autores apresentaram as
recomendações das normas do ACI 318 (1995), BS 8110 (1985) e EUROCODE 2 (1992)
para o cálculo de lajes sem armadura de cisalhamento. Todas essas normas tratam o
efeito do índice de retangularidade, exceto a BS 8110 (1985). Os pesquisadores
propuseram recomendações especiais para o cálculo de lajes cogumelo com pilares
retangulares para a norma da BS 8110 (1985). Eles propuseram a redução do perímetro
de controle, de maneira similar à do EUROCODE 2 (1992), resultando em um perímetro
menor que o da norma.

MOE (1961) foi uns dos pioneiros em pesquisas experimentais sobre o assunto de
transferência de momento de uma laje lisa ao pilar. Em meio a sua extensa investigação
sobre lajes lisas, experimentou doze lajes de concreto variando apenas as
excentricidades dos momentos. Baseado em seus experimentos, concluiu que a seção
critica para o cisalhamento estava localizada diretamente adjacente ao perímetro do pilar.
Para conexões laje-pilar submetidas à combinações de cisalhamento e transferência de

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momento da laje para o pilar, a tensão vertical de cisalhamento, V1, foi definida pela
seguinte expressão (equação 1).
V K  Mc
 sd   1 (equação 1)
Ac Jc

4 Análise teórica-computacional

Nesse trabalho foram analisados 3 modelos de lajes apoiadas em pilares internos com a
relação C1/C2 (figura 03) de 1, 4 e 8. As lajes analisadas tinham altura de 20 cm, altura
útil média de 16,4 cm, resistência media à compressão do concreto de 49 MPa e taxa de
armadura a flexão de 0,65%. Todas as lajes tinham uma carga de reação de apoio no
pilar de 300 kN, variando apenas o momento desbalanceado com valores de 0kNm e
50kNm.

Figura 03 – Retangularidade da seção do pilar

Inicialmente com a intenção de identificar as tensões principais máximas, tensões estas


que definem a região onde aparecem as fissuras radiais e fissuras tangenciais que
causam o início do mecanismo da punção, foi modelado, no programa computacional
SAP2000, 3 lajes com dimensões de 6,0 m x 6,0 m e 20 cm de altura, apoiadas sobre
pilares com dimensões de 20 cm x 20 cm, 20 cm x 80 cm e 20 cm x 160 cm, localizados
no centro da laje. Todas as lajes foram analisadas com carregamento de 300kN. Para
representar o momento foram aplicadas força verticais, em sentido contrario, de módulos
iguais, nas bordas das lajes (figura 4), de maneira que apenas o momento foi transferido
para o pilar, sendo este momento perpendicular ao menor lado do pilar.

Figura 4 – Forças inversas iguais aplicadas nas bordas das lajes


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Em seguida foram calculadas as tensões de cisalhamento atuantes (equações 2 e 3) e
tensões de cisalhamento resistentes (equação 4), apenas para o perímetro crítico c’,
utilizando as formulações sugeridas pela ABNT NBR 6118:2003.

Utilizando-se as equações 2 e 3 , calcularam-se as tensões solicitantes.

FSd
 Sd  (Equação 2)
ud

FSd K  MSd1
 Sd   (Equação 3)
ud W p1  d

onde:
-  Sd é a tensão solicitante de cálculo;
- FSd é a reação de apoio de cálculo, FSd = 1,4 FSk;
-u é o perímetro do contorno crítico C`, definido pela ABNT NBR 6118:2003 conforme
apresentado na figura 05. u = 2( a + b) + 4πd

Figura 05 – Contorno crítico C’ (ABNT NBR 6118:2003)

-d é a altura útil da laje (figura 6)

dx  d y
d
2

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Figura 6 – Determinação da altura útil

-K é o Coeficiente que fornece a parcela de momento que é transmitida ao pilar por


cisalhamento, depende da relação C1/C2 do pilar, sendo C1 a largura do pilar na direção
paralela ao momento e C2 a dimensão do pilar na direção perpendicular ao momento
(Tabela 1);

Tabela 1 – coeficientes K fornecidos pela ABNT NBR 6118:2003.


C1 / C2 0,5 1,0 2,0 3,0
K 0,45 0,60 0,70 0,80

Obs.: como a norma não fornece valores de coeficientes k para relações de C1/C2
maiores que 3 (três), neste trabalho estes valores foram estimados.

-MSd1 = Momentos desbalanceado de cálculo


- WP  parâmetro referente ao perímetro crítico u, definido como módulo de resistência
plástica do perímetro crítico. Pode ser calculado desprezando a curvatura dos cantos do
perímetro crítico
u
WP  
0
e d

d = comprimento infinitesimal no perímetro crítico u


e = distância de d ao eixo que passa pelo centro do pilar e sobre o qual atua o
momento fletor MSd.
Para um pilar retangular (equação. 5):
2
c (Equação 5)
W p  1  c1 c2  4 c2 d  16 d 2  2 d c1
2

Calculo da tensão resistente

 20 
  100    f ck 3
1
 Sd ,ef   Rd 1  0,13  1  (Equação 4)
 d 
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Onde:
-  Rd 1 é a tensão de cisalhamento resistente na superfície crítica C’
- d é a altura útil da laje;
- f ck é a resistência característica do concreto à compressão, em MPa;
-  é a taxa de armadura de flexão aderente.

Nesse trabalho também foi sugerida uma maneira alternativa de cálculo da tensão
solicitante, onde se usa a mesma fórmula da ABNT NBR 6118:2003, mas utiliza um novo
contorno crítico sugerido (figura 07), que representaria melhor a tensão solicitante na hora
de uma possível ruptura por punção.

Figura 07 – Contorno crítico C’ sugerido nesse trabalho

5 Analise dos resultados

Após analisar as lajes lisas sobre pilares de seção 20 cm x 20 cm, 20 cm x 80 cm e 20 cm


x 160 cm, verificou-se que o pilar com a relação de retangularidade C1/C2 = 1, sem a
influencia do momento desbalanceado, apresenta tensões principais com valores iguais
nas faces horizontais (paralela a C1) e verticais (paralela a C2) do perímetro C’ (Figuras
08) Indicando que a possível formação do cone seria como prevê o tradicional modelo de
Kinnunen e Nylander (1960), porem quando é acrescentado o momento, essa
configuração muda fazendo com que haja um aumento em umas das bordas
perpendicular ao momento (figura 08) chegando a ter um acréscimo de tensão de 15%
em relação ao mesmo pilar sem momento.

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Figura 08 – Tensões principais no topo da laje lisa apoiada no pilar de 20 cm x 20 cm sem momento e com
momento respectivamente– C1/C2 = 1

As lajes com a relação C1/C2 = 4 e C1/C2 = 8 sem a influência do momento


desbalanceado, apresentaram as tensões principais nas extremidades dos pilares
paredes maiores que as tensões principais nas laterais dos pilares. Esse fenômeno se
agrava quando os pilares com relação C1/C2 = 4 e C1/C2 = 8 estão influenciados por
momento desbalanceado. Na figura 9 e 10 podem-se identificar essa nova configuração
de tensões quando aplicado o momento, pois há duas zonas distintas, em que uma esta
sendo descomprimida e outra esta sendo mais comprimida como identifica a figura 11.

Figura 09 – Tensões principais no topo da laje lisa apoiada no pilar de 20 cm x 80 cm ,sem momento e com
momento, respectivamente– C1/C2 = 4

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Figura 10 – Tensões principais no topo da laje lisa apoiada no pilar de 20 cm x 160 cm ,sem momento e
com momento, respectivamente– C1/C2 = 8

Figura 11 – Tensões principais na face inferior da laje em contato com o pilar

Na tabela 2 podemos verificar o aumento e a redução das tensões principais no perímetro


de controle, para o momento de 50kN.m, em relação ao mesmo pilar sem momento.

Tabela 2 – porcentagem das tensões das zonas comprimidas e descomprimidas


Tensões principais
Pilar
zona comprimida zona descomprimida
20 cm x 20 cm 15% -23%
20 cm x 80 cm 9% -18%
20 cm x 160 cm 4% -19%

Como se verificou que pilares com a relação de retangularidade C1/C2 alta formaria o
cone de ruptura diferente do perímetro crítico sugerido pela norma ABNT NBR 6118:2003,
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entende-se que para esses pilares não seria racional calcular a tensão de cisalhamento
atuante utilizando o perímetro C’ sugerido pela ABNT NBR 6118:2003. Por esse motivo,
foram calculados as tensões resistentes, solicitantes segundo a ABNT NBR 6118:2003 e
solicitantes com o novo perímetro sugerido aqui, para as 3 lajes lisas com as 3 relações
de retangularidades (C1/C2) diferentes (Tabela 3).

Tabela 3 – Verificação das tensões resistentes e tensões solicitantes segundo a ABNT NBR6118:2003 e
segundo sugestão desse trabalho

sem momento com momento


seção do pilar W Perímetro Perímetro C' Rd Sd Sd Sd Sd
(cm)
K C' (cm)
sugerido NBR6118
(cm²) (cm) (MPa) NBR6118 sugerido NBR6118 sugerido
(MPa) (MPa) (MPa) (MPa)

20 cm x20 cm 0,6 8276,1 286,0884 286,0884 0,775142 0,89517 0,89517 1,72744 1,72744
20 cm x 80 cm 0,9 18658,6 406,0884 377,2884 0,775142 0,63064 0,67878 1,18438 1,23252

20 cm x 160 cm 1 38101,9 566,0884 377,2884 0,775142 0,4524 0,67878 0,7537 0,98008

Podemos verificar que para os pilares com índice de retangularidade C1/C2 = 4 e C1/C2 =
8, sem a influencia do momento desbalanceado, não teria problemas com punção mesmo
quando utilizado o perímetro C’ sugerido.

A figura 12 apresenta o gráfico das tensões resistentes e solicitantes, com momento


desbalanceado de 50kNm, utilizando os perímetros da ABNT NBR 6118:2003 e o
sugerida aqui. Pode-se observar que a para a relação C1/C2 = 8 a tensão solicitante
(ABNT NBR 6118:2003) fica menor que a tensão resistente, o que indicaria que a laje não
teria possibilidades de romper por punção. Acontece que essa tensão solicitante da ABNT
NBR 6118:2003 vinha reduzindo porque o perímetro crítico C’ ia aumentando, mesmo
sem representar de forma real o cone de ruptura. Utilizando a tensão solicitante com o
perímetro crítico sugerido, a tensão solicitante decresce com uma taxa de variação menor
porque o cone começa a se forma somente nas extremidades do pilar parede e para
esses casos analisados, em todas as relações C1/C2, a tensão resistente foi menor que a
tensão solicitante, indicando que seria necessário aumentar a resistência da laje, seja
aumentando a altura, seja utilizando armadura de cisalhamento etc.

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Figura 12 – Tensões de cisalhamento (resistente e solicitante) x Relação C1/C2.

6 Conclusão

Conforme as análises feitas no programa SAP2000, pode-se concluir que quando o pilar
aumenta o índice de retangularidade, as maiores tensões principais passam a se
concentrar nas extremidades do pilar, agravando o fenômeno quando influenciado pelo
momento desbalanceado, podendo causar o aparecimento de fissuras radiais e fissuras
tangenciais somente nas regiões de tensões principais máximas e, com isso, a formação
do cone de ruptura por punção inicia-se de maneira assimétrica, diferenciando-se do
modelo proposto pela ABNT NBR 6118:2003, quando recomenda a verificação em todo o
perímetro de controle.

Também, pode-se concluir que calcular as tensões solicitantes, para lajes lisas com
pilares paredes (C1/C2 = 8), utilizando o perímetro crítico sugerido nesse trabalho parece
mais racional.

O uso do perímetro de controle recomendado pela ABNT NBR 6118:2003 para lajes sobre
pilares com alto índice de retangularidade pode informar uma resistência irreal, ficando o
cálculo da laje contra a segurança, mas para comprovar isso é preciso uma confirmação
experimental.

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7 Referencias

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 6118:2003 – Projeto de


Estrutura de Concreto – Procedimento. Rio de Janeiro, 2003

INSTITUTO BRASILEIRO DO CONCRETO – IBRACON. Comentários técnicos e


exemplos de Aplicação da NB-1 (Publicações Especiais IBRACON). Ibracon. São
Paulo, 2007.

KINNUNEN, S. & NYLANDER, H. Punching of concrete slabs without shear


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OLIVEIRA, D.R.C. Análise Experimental de Lajes Cogumelo de Concreto Armado


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construction. 30 August 1985

COMPUTERS AND STRUCTURES, INC. (2004). SAP2000: Introductory Tutorial. 47p.

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