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XPortuguês

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Paroxítonas - são acentuadas as paroxítonas terminadas em:

ditongo crescente - começa fraco e termina forte.

Ditongo - nunca se separa um ditongo crescente.

Terminadas em "ã, ãs,ão, ãos"

 Obs: Til não é acento. é uma relação nasal.

Terminadas em “Ei, Eis”

Jóquei, Pônei, Fósseis, Úteis.

Terminadas em “I, Is”

Táxi, Biquíni, Lápis, Júri, Íris.

On, Om, Ons

Nélson, Próton, Nêutrons

L, N, R, X, PS

Sensível, Hífen, Caráter, Tórax, Bíceps

Um, Uns, Us

médiuns, ônus, Álbum

Não se acentuam os vocábulos paroxítonos, terminados em EM, ENS, e ditongo aberto (Oi, Eu,
Ei) - Item, hifens, homens, assembleia, heroico, ideia, jiboia, paleozoico, paranoia,
onomatopeia.

Ditongo aberto –Heroico (ditongo aberto

Oxítonas – São acentuadas terminadas em A, E, O (Seguidas ou não de “S”) EM, ENS, ditongo
aberto.

Sofá, café, cipó,você, herói, chapéu

Monossílabos

A, E, O (S)

Hiato

(sempre separamos um hiato)


Ele é cheio de regras, princpalmente o I e o U, quando tônico, quando formam sílabas
sozinhos ou com “S”, e vem precedidos de vogal.

Não se acentuam o I e o U quando seguidos de NH.

Trema somente é usado em nomes estrangeiros.

Acento diferencial – diferenciar as classes de palavras.

- Pôr (por do verbo colocar) por

- Pôde (relação de tempo) Pode

Ele tem/vem

Eles têm/Vêm

Verbos Derivados

Ele mantém

Eles mantêm

Ortografia

Os porquês

Por que
Por qual motivo/ Por qual razão / O motivo pelo qual/ pela qual

(sem acento)

Por que não me disse a verdade?

Gostaria de saber por que não me disse a verdade.

As causas por que discuti com ele são sérias demais.

Por quê = Por que


Mas sempre bate em algum sinal de pontuação

Você não veo por quê?

Não sei por quê.

Por quê? Você sabe bem por quê!


Porque
Tem o sentido de “pois“

Ele foi embora, porque foi demitido daqui.

Não vá, porque você é útil aqui.

Porquê – Substantivo
Antecedido de artigo, pronome ou numeral.

Ele sabe o porquê de tudo isso.

Quantos porquês existem na língua portuguesa?

O artigo irá definir se será “por quê” ou porquê”.

Porquê acentuado – Ele sabe o porquê.

OBS:

Não sei por quê

Não sei o porquê.

Homônimos e Parônimos
Homônimos perfeitos

Cedo – ato de ceder

Cedo – (Advérbio), de ser cedo.

Homônimos imperfeitos (hererógrafos)

Vocâbulos com pronúncia igual (Homófonos) mas com grafia diferente


(Heterógrafos)

Cessão – ato de ceder

Sessão – Corte, subdivisão, parte de um todo.

Sessão – espaço de tempo em que se realiza um evento.

Parônimos – Vocábulos ou expressões que apresentam semelhança de grafia e


pronúncia, mas que diferem no sentido.
Acessório – Pertences de qualquer instrumento, que não é o principal.

Assessório – Diz respeito a assistente, adjunto ou assessor.

Descriminar – inocentar

Discriminar – distinguir, diferenciar

Eminente – Excelente

Iminente – sobranceiro, que está por acontecer.

Espectador – o que observa um ato

Expectador – o que tem expectativa.

Incipiente – que está no começo, iniciante.

Insipiente – Ignorante.

Mandado – Ordem judicial

Mandato – Período de permanência no cargo

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Apenas a título de aprendizado:

Prescinde – não precisa

Imprescinde – Precisa

Tachar – censurar, notar, defeito em, pôr prego em

Acerca de – Sobre, a respeito de.

A cerca de - A uma distância aproximada de

Há cerca de – Faz aproximadamente.

Ao encontro de – A favor, para junto de,

De encontro a – contra as medidas vêm de encontro aos interesses.


Uso do hífen
Sempre se usa o hífen diante de H:

Sub- habitação

Anti-higiênico

Proto-história

Sobre-humano

Prefixo da última letra igual a primeira letra – separa

Exemplos:

Contra-ataque, semi-interno, Micro-ondas, Inter-racial, Sub-bibliotecário, Super-


romântico, Inter-regional

Letras diferentes – junta.

Antieducativo, autoescola, infraestrutura, socioeconômico, semiárido,


agroexportador, coautor, semianalfabeto, subúmido

Prefixo terminado em vogal e a palavra começada por R ou S, juntar e dobrar estas


letras.

Contrarregra, Antirrugas, etc.

Com os prefixos circum e pan, usa-se o hífen diante de palavra iniciada por M, N e
vogal.

Circum-navegação, Pan-americano

Com os prefixos ex, sem, além, aquém, recém, pós, pré, pró, e vice, usa-se sempre o
hífen

Ex-aluno, Sem-terra, Além-túmulo, além-mar,recém-casado, pós-guerra,pró-euro,


vice-rei, pós-graduação, pré-vestibular.

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Semântica.
Semântica – estuda o significado usado por seres
humanos para se expressar através da linguagem.
Polissemia – É o fato de uma determinada palavra ou expressão
adquirir um novo sentido além de seu sentido original,
guardando uma relação de sentido entre elas.

- Eu adoro comer laranja.

- pintei a parede de laranja.

- Esse era o laranja do grupo.

Sinonímia – é a palavra que tem significado idêntico ou muito


semelhante ao de outra.

Antonímia – É a relação que se estabelece entre duas ou mais


palavras, que apresentam significados diferentes, contrários O
importante aqui é saber que significados são opostos, ou seja,
excluem-se. É um sinônimo de antônimo.

Tenho muita esperança com esse concurso!

Tenho muita descrença com esse concurso!

Só escuto verdades no discurso dele.

Só escuto falsidades/fantasias no discurso dele.

Ambiguidade – aqulo que pode ter mais que um sentido ou


significado. É aquilo que apresenta indecisão, hesitação,
imprecisão, incerteza, indeterminação.
Papa abençoa fies do hospital

Edgar encontrou a esposa em seu carro

A cachorra da minha colega é linda

Os alunos viram o incêndio do prédio ao lado.

Morfologia – Classe de Palavras

Semântica – sentido

Morfologia – Palavra (classificação)

Sintática – Oração (função) verbo

Morfologia – agrupada em dez classes.

- Substantivo, Artigo, adjetivo, numeral, pronome, verbo, advérbio,


preposição, conjunção e interjeição.
(estudar figura de linguagem)

Substantivo (nome)
Tudo o que existe é ser e cada ser tem um nome. Substantivo é a classe
gramatical de palavras variáveis, as quais denominam os seres. Além de
objetos, pessoas e fenômenos, os substantivos também nomeiam:

-Lugares;

-Sentimentos: Amor, ciúmes.

Estados: Alegria, fome

Qualidades: Agilidade, sinceridade


Ações: Corrida, leitura.

Substantivos podem ser concretos ou abstratos.

Concreto – os que indicam elementos reais ou imaginários, com existência


própria, independentes dos sentimentos ou dos julgamentos do ser
humano.

Deus, Fada, Espírito, mesa, Pedra.

Abstratos

Os que nomeiam entes que só existem na consciência humana, indicam


atos , qualidades ou sentimentos.

Vida (estado) Beleza (qualidade) Felicidade (sentimento), (ação)

Dor, saudade, beijo, pontapé, chute, resolução, resposta.

Artigo – é a palavra que, vindo antes de um substantivo [nome] indica se


ele está sendo empregado de maneira [definida]> {a, o, as, os} ou
[indefinida] {uma, um, umas, uns} Além disso, o artigo indica, ao mesmo
tempo,o gênero e o número dos substantivos.

-Substantivação

Quando um artigo preceder uma palavra, este(a) sofrerá um processo de


substantivação.

Os milhões foram desviados dos cofres públicos.

[artigo definido]

Não aceito um não de você.

Art. Indefinido

 O artigo é facultativo diante de nomes próprios.

Cláudia não veio/ A Cláudia não veio.

 Artigo é facultativo diante dos nomes possessivos.


A nossa banca é fácil.
Nossa banca é fácil.

Adjetivo

A palavra que expressa uma qualidade ou característica do


ser e se “encaixa” diretamente ao lado de um substantivo.
- O querido médico nunca chega no horário!
- O aluno concurseiro estuda com o melhor curso.

Morfossintaxe do adjetivo:

O adjetivo exerce sempr funções sintáticas relativas aos


substantivos, atuando como adjunto adnominal ou como
predicativo (do sujeito) ou do objeto.

- [Os/ concurseiros/ dedicados] estudam comigo


[artigo/sujeito/adjetivo]
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(análise sintática)
- [Os concurseiros] são dedicados.
[sujeito] [verbo de ligação] [predicativo do sujeito]

Locução adjetiva
Preposição + substantivo = Adjetivo.

Carne de porco = suína


[loc. Adj.]
Curso de tarde = vespertino
[loc. Adj.]
Energia do vento = eólica
[loc. Adj.]
Arsenal de guerra = Bélico
[loc. Adj.]
Pronomes

Os pronomes pessoais classificam-se em retos e oblíquos, de


acordo com a função que desempenham na oração.
Retos – Assumem na oração as funções de sujeito ou
predicativo do sujeito
Oblíquos – assumem as funções de complementos, como o
objetivo direto, o objeto indireto, o agente da passiva, o
complemento nominal.

Me, mim, comigo


Te, ti, contigo
Se, si, consigo
O, lhe.

Reto =sujeito
Oblíquo = complemento.

Indefinidos

Algum material pode me ajudar(afirmativo)

Material algum pode me ajudar (negativo)

Pronomes demonstrativos

 Espaço – este, esta, isto – perto do falante


 Esse, essa, isso – perto do ouvinte
 Aquele, aquela, aquilo – longe dos dois

 Tempo – este, esta, isto – presente/futuro


 Esse, essa, isso – passado/breve
 Aquele, aquela, aquilo – passado distante
Pronomes Possessivos

Aqui está a minha carteira. Cadê a sua?

{pronome adjetivo} [Pronome substantivo]

Fica ao lado do substantivo Fica no lugar do substantivo

Verbos – Formas nominais.

Infinitivo – ar, er, ir

Gerúndio – ando,

Particípio – ado, ido, ito.

Não apresentam flexão de tempo e modo.

Modo indicativo – possui seis tempos verbais:

Presente, pretérito perfeito,pretérito imperfeito e pretérito mais-que-


perfeito, futuro do presente e futuro do pretérito.

Advérbio

É a classe gramatical das palavras que modificam um verbo, um adjetivo


ou um outro advérbio. É a palavra invariável que indica as circunstâncias
em que ocorre a ação verbal.
Advérbio pode estabelecer uma ideia de lugar, de tempo,de modo,de
negação, de dúvida, intensidade ou afirmação. Os advérbios são sete,
sempre os mesmos.

Preposição = palavra invariável que liga dois elementos da oração,


subordinando o segundo ao primeiro, ou seja, o regente e o regido.

Regênca verbal: Entregamos aos alunos nossas apostilas no site.

Regência nominal: Somos favoráveis ao debate

Regência e concordância é a mesma coisa.

Quando o verbo pede a preposição, é regência verbal. Quando é o nome


que pede, é regência nominal.
Resenha “ A ética protestante e o espírito do capitalismo”, Max Weber, Flavio Pierucci

: o caráter predominantemente protestante dos proprietários do capital e empresários, assim


como das camadas superiores da mão-de-obra qualificada, notadamente do pessoal de mais
alta qualificação técnica ou comercial das empresas modernas. ' Não só nos lugares onde a
diferença de confissão religiosa coincide com uma diferença de nacionalidade e, portanto, com
um grau distinto de desenvolvimento cultural, como ocorre no Leste da Alemanha entre
alemães e poloneses, mas em quase toda parte onde o desenvolvimento do capitalismo [na
época de sua expansão] esteve com as mãos livres para redistribuir a população em camadas
sociais e profissionais em função de suas necessidades — e quanto mais assim se deu, tanto
mais nitidamente esse fenômeno aparece estampado em números na estatística religiosa. Está
claro que a participação dos protestantes na propriedade do capi29 ta l,4 na direção e nos
postos de trabalho mais elevados das grandes empresas modernas industriais e comerciais,5 é
relativamente mais forte, ou seja, superior à sua porcentagem na população total, e isso se
deve em parte a razões históricas6 que remontam a um passado distante em que a pertença a
uma confissão religiosa não aparece como causa de fenômenos econômicos, mas antes, até
certo ponto, como conseqüência deles.

“la maioria das cidades ricas, haviam se convertido ao protestantismo já no século xvi, e os
efeitos disso ainda hoje trazem vantagens aos protestantes na luta econômica pela existência’.

“A Reforma significou não tanto a eliminação da dominação eclesiática sobre a vida de. modo
geral, quanto a substituição de sua forma vigente por unia outra. E substituição de uma
dominação extremamente cômoda, que na época mal se fazia sentir na prática, quase só
formal muitas vezes, por uma regulamentação levada a sério e infinitamente incômoda da
conduta de vida como um todo, que penetrava todas as esferas da vida doméstica e pública
até os limites do concebível] 30 A dominação da Igreja católica — “que pune os hereges, mas é
indulgente com os pecadores”, no passado mais ainda do que hoje — é suportada no presente
até mesmo por povos de fisionomia econômica plenamente moderna [e assim também a
agüentaram as regiões mais ricas e economicamente mais desenvolvidas que a terra conhecia
na virada do século xv]. A dominação do calvinismo, tal como vigorou no século xvi em
Genebra e na Escócia, na virada do século xvi para o século x v i i em boa parte dos Países
Baixos, no século x v i i na Nova Inglaterra e por um tempo na pró pria Inglaterra, seria para
nós a forma simplesmente mais insuportável que poderia haver de controle eclesiástico do
indivíduo”

“Mas vamos em frente: se, como foi dito, a maior participação dos protestantes na
propriedade do capital e nos postos de direção na economia moderna pode ser em parte
compreendida como simples conseqüência da superioridade estatística de seu cabedal
patrimonial historicamente herdado, ainda assim se observam fenômenos nos quais, por outro
lado, a relação de causalidade não 31 se entrega de forma tão indubitável.[Desses fazem
parte, só para mencionar alguns: primeiro, a flagrante diferença generalizada, em Baden como
na Baviera ou ainda na Hungria, entre pais cató licos e pais protestantes quanto à gspécie^de
ensino superior que costumam proporcionar a seus filhos”

é a ele que se deve recorrer para explicar, por sua vez, o reduzido interesse dos católicos pela
aquisição capitalistaj De modo ainda mais marcante, uma outra observação ajuda a
compreender a reduzida participação dos católicos entre o operariado qualificado da grande
indústria moderna. É conhecido o fenômeno de a fábrica recrutar uma grande parte de sua
mão-de-obra qualificada entre a nova geração de artesãos, deixando assim a eles a formação
de sua própria força de trabalho para daí subtraí-la uma vez completada a formação,
fenômeno que se mostra com freqüência substancialmente maior entre os camaradas
artesãos protestantes do que entre os camaradas católicos. Noutras palavras, os camaradas
artesãos católicos mostram uma tendência mais acentuada a permanecer no artesanato,
tornando-se portanto mestres artesãos com freqüência relativamente maior, ao passo que os
protestantes 32 afluem em medida relativamente maior para as fábricas para aí ocupar os
escalões superiores do operariado qualificado e dos postos administrativos^ Nesses casos, a
relação de causalidade repousa sem dúvida no fato de que apeculiaridade espiritual inculcada
pela educação, e aqui vale dizer, a direção conferida à educação pela atmosfera religiosa da
região de origem e da casa paterna, determinou a escolha da profissão e o subseqüente
destino profissional.

tal como ocorrera com os huguenotes na França sob Luís xiv, com os não-conformistas e os
quakers na Inglaterra e — last not least— tem ocorrido com os judeus há dois milênios

por último mas não menos importante,

a.j[Resta, isso sim, o fato de que os protestantes (em particular certas correntes internas, que
mais adiante serão tratadas especificamente), seja como camada dominante ou dominada,
seja como maioria ou minoria, mostraram uma inclinação específica para o racionalismo
econômico 33 que não pôde e não pode ser igualmente observada entre os cató licos, nem
numa nem noutra situação. ' J A razão desse comportamento distinto deve pois ser procurada
principalmente na peculiaridade intrínseca e duradoura de cada confissão religiosa, e nãa
[somente] na [respectiva] situação exterior histórico-política.12

Ora, numa consideração superficial feita a partir de certas impressões modernas, poderíamos
cair na tentação de formular assim essa oposição; que o maior “estranhamento do mundo”
próprio do catolicismo, os traços ascéticos que os seus mais elevados ideais apresentam,
deveriam educar os seus fiéis a uma indiferença maior pelos bens deste mundo. Esse modo de
explicar as coisas corresponde de fato ao esquema de julgamento popularmente difundido nas
duas confissões. Do lado protestante, utiliza-se essa concepção para criticar aqueles ideais
ascéticos (reais ou supostos) da conduta de vida católica; do lado católico, replica-se com a
acusação de “materialismo”, o qual seria a conseqüência da secularização de todos os
conteúdos da vida pelo protestantismo. Também um escritor moderno houve por bem
formular o contraste que aparece no comportamento das duas confissões religiosas em face
da vida econômica nos seguintes termos: “O católico (...) é mais sossegado; dotado de menor
impulso aquisitivo, prefere um traçado de vida o mais possível seguro, mesmo que com
rendimentos menores, a uma vida arriscada e agitada que eventualmente lhe trouxesse
honras e riquezas/Piz por gracejo a voz do povo: ‘bem comer ou bem dormir, há que escolher’.
No presente caso, o protestante prefere comer bem, enquanto o católico quer dormir
sossegado”.13 De fato, com a frase “querer comer bem” é possível caracterizar, embora de
modo incompleto mas pelo menos em parte correto, a motivação daquela parcela de protes34
tantes mais indiferentes à Igreja na Alemanha de hoje. Só que no passado as coisas eram
muito diferentes: como se sabe, os puritanos ingleses, holandeses e americanos se
caracterizavam, como adiante veremos, justamente pelo oposto da “alegria com o mundo”,
sendo isso a meu ver um de seus traços de caráter mais importantes. Já o protestantismo
francês, por exemplo, conservou por muito tempo e de certo modo conserva até hoje esse
caráter que por toda parte foi a marca das igrejas calvinistas em geral e sobretudo daquelas
“sob a cruz” na época das guerras de religião. Isso não obstante — ou precisamente por isso,
como haveremos de nos perguntar em seguida? — ele ter sido, como se sabe, um dos
principais portadores do desenvolvimento industrial e capitalista da França, e assim
permaneceu nos estreitos limites que a perseguição permitiu. Se quisermos chamar de
“estranhamento d o' mundo” essa seriedade e o forte predomínio de interesses religiosos na
conduta de vida, os calvinistas franceses foram então-, e são, pelo menos tão estranhos ao
mundo quanto, por exemplo, os cató licos do Norte da Alemanha, para os quais seu
catolicismo é indubitavelmente um sentimento tão do fundo do coração como para nenhum
outro povo na face da terra.

(...) “um íntimo parentesco entre estranhamento do mundo, ascese e devoção eclesial, por um
lado, e participação na vida de aquisição cap italistay.par outro”.

De fato é notável— para começar a mencionar alguns aspectos totalmente exteriores — que
grande número de representantes precisamente das formas mais internalizadas da piedade
cristã tenha vindo dos círculos comerciantes. É o caso em especial do pietismo, que deve a
essa procedência um número notavelmente grande de seus adeptos mais convictos. Aqui se
poderia pensar numa espécie de efeito contrário que o “mamonismo” provoca em naturezas
introvertidas e pouco afeitas a profissões comerciais e, com certeza, como no caso de
Francisco de Assis e de tantos daqueles pietistas, foi assim que o mais das vezes o
acontecimento da“conversão” se apresentou subjetivamente ao próprio convertido,

do qual Cecil Rhodes é um exemplo — , a saber, que dacasa de pastores tenhamnascido


empresárioaxiapitalistasjje grande estilo-camo-uma reação contra a educação ascética
recebjda enxsua juventude

6 Jásabiam os espanhóis que “a heresia” (ou seja, o calvinismo dos Países Baixos) “fomentava
o espírito comercial” [e isso corresponde perfeitamente às opiniões que avançou Sir W. Petty
em sua discussão sobre as razões da escalada capitalista nos Países Baixos|. (iothein ' tem
razão quando designa a diáspora calvinista como o “viveiro em que floresceu a economia
capitalista”.18 Alguém poderia aqui considerar que o fator decisivo foi a superioridade da
cultura econômica francesa e holandesa, da qual se originou majoritariamente essa diáspora,
ou ainda a poderosa influência do exílio e do desencaixe das relações vitais tradicionais.19
Ocorre, porém, que na própria França, como atestam as lutas de Colbert, a coisa era
exatamente a mesma no século xvii. A Áustria mesmo — para não falar de outros países — vez
por outra importou diretamente fabricantes protestantes. [Nem todas as denominações
protestantes, porém, parecem ope1 rar com a mesma força nessa direção.,O calvinismo, ao
que parece, fez o mesmo também na Alemanha; no Wuppertal como noutras partes, a
confissão “reformada”,20 em comparação com outras confissões, parece que favoreceu
francamente o desenvolvimento do espírito capitalista/Mais do que o luteranismo, por
exemplo, é o que parece ensinar a comparação feita no conjunto e no pormenor,
especialmente para o Wuppertal.21 Para a Escócia, Buckle e, entre os poetas ingleses,
notadamente Keats, enfatizaram essas relações.22

O antigo protestantismo_de Lutero, Calvino, Knox, Voêt, ligava pouquíssimo para o que hoje ;
se chama “progresso”. Era inimigo declarado de aspectos inteiros | da vida moderna, dos
quais, atualmente, já não podem prescindir os seguidores mais extremados dessas confissões.
Se é para encontrar um parentesco íntimo entre [determinadas manifestações d’]o antigo
espírito protestante e a cultura capitalista moderna, não é em sua (pretensa) “alegria com o
mundo” mais ou menos materialista ou em todo caso antiascética que devemos procurá- lo,
mas sim, queiramos ou não^ em seus traços puramente religioj o j , — Montesquieu diz dos
ingleses (Esprit des lois, livro xx, cap. I r 38 7) que “foi o povo do mundo que melhor soube se
prevalecer dessas três grandes coisas: a religião, o comércio e_a liberdade”. Terá havido
porventura uma conexão entre sua superioridade no campo dos negócios — e, num outro
contexto, seu pendor para instituições políticas livres — e esse recorde de devoção que
Montesquieu reconhece neles?

No título deste estudo emprega-se o conceito de “espírito do capitalismo”, que soa um pouco
pretensioso. O que se deve entender por isso? (...) Se é que é possível encontrar um objeto
que dê algum sentido ao emprego dessa designação, ele só pode ser uma “individualidade
histórica”, isto é, um complexo de conexões que se dão na realidade histórica e que nós
encadeamos conceitualmente em um todo, do ponto de vista de sua significação cultural.

(...) tendo em vista seus objetivos metodológicos, não tentar enfiar a realidade em conceitos
genéricos abstratos, mas antes procurar articulá-la em conexões [genéticas] concretas, sempre
e inevitavelmente de colorido especificamente individual.

Lembra-te que — como diz o ditado — um bom pagador é senhor da bolsa alheia. Quem é
conhecido por pagar pontualmente na data combinada pode a qualquer momento pedir
emprestado todo o dinheiro que seus amigos não gastam

Isso pode ser de grande utilidade. A par de presteza e frugalidade, nada contribui mais para
um jovem subir na vida do que pontualidade e retidão em todos os seus negócios. Por isso,
jamais retenhas dinheiro emprestado uma hora a mais do que prometeste, para que tal
dissabor não te feche para sempre a bolsa de teu amigo

“Do gado se faz sebo; das pessoas, dinheiro”

No fundo, todas as advertências morais de Franklin são de cunho utilitário: a honestidade é útil
porque traz crédito, e o mesmo se diga da pontualidade, da presteza, da frugalidade também,
e ép or isso que são virtudes: donde se conclui, por exemplo, 45 entre outras coisas, que se a
aparência de honestidade faz o mesmo serviço, é o quanto basta, e um excesso desnecessário
de virtude haveria de parecer, aos olhos de Franklin, ura desperdício improdutivo condenável.
E de fato: quem lê em sua autobiografia o relato de sua conversão” a essas virtudes29 ou
então suas considerações sobre a utilidade de manter estritamente as aparências de modéstia,
de discrição proposital quanto aos méritos pessoais quando se trata de obter reconhecimento
de todos,30 necessariamente há de concluir que essas, como todas as virtudes aliás, sójão
virtudes para Franklinna medida em que forem, in concreto. úteis ao indivíduo, e basta o
expediente da simples aparência, desde que preste o mesmo serviço: uma coerência
efetivamente inescapável para o utilitarismo estrito. Isso parece surpreender inflagranti aquilo
que os alemães comumente sentem como “hipocrisia” nas virtudes do americanismo. — Só
que as coisas não são tão simples assim. Não apenas o caráter pessoal de Benjamin Franklin,
tal como vem à luz na sinceridade entretanto rara de sua autobiografia, mas também a
circunstância de que ele atribui o fato mesmo de haver descoberto a “utilidade” da virtude a
uma revelação de Deus, cuja vontade era destiná-lo à virtude, mostram que aqui nós estamos
às voltas com algo bem diverso de um florilégio de máximas puramente egocêntricas. Acima
de tudo, este é o summum bonum dessa “ética”/ganhar dinheiro e sempre mais dinheiro, no
mais rigoroso resguardo de todo gozo imediato do dinheiro ganho, algo tão completamente
despido de todos os pontos de vista eudemonistas ou mesmo hedonistas e pensado tão
exclusivamente como fim em si mesmo, que, em comparação com a “felicidade” do indivíduo
ou sua “utilidade”, aparece em todo caso como inteiramente transcendente e simplesmente
irracional.31 O ser humano em função do ganho como finalidade da vida, não mais o ganho
em função do ser humano como meio destinado a satisfazer sua&necessi.dades.materiais.

(...) Se alguém pergunta: p or que afinal é preciso “fazer das pessoas dinheiro”, Benjamin
Franklin, embora fosse ele próprio de confissão palidamente deísta, responde em sua
autobiografia com um versículo bíblico do Livro dos Provérbios (Pr 22,29) que seu pai,
calvinista estrito, conforme ele conta, não se cansava de lhe pregar na juventude: “Vês um
homem exímio em sua profissão? Digno ele é de apresentar-se perante os reis”.32

(...) Para se impor, o espírito capitalista^ no sentido que até agora emprestamos a esse
conceito, teve de travar duro combate contra um guindo de forças hostisAJma disposição
como a que se expressa nas passagens citadas de Benjamin Franklin e que obteve o aplauso de
todo um povo teria sido proscrita tanto na Antigüidade quanto na Idade Média,34 tanto como
expressão da mais sórdida avareza quanto como uma disposição simplesmente indigna, e
ainda hoje essa suspeita normalmente se verifica entre aqueles grupos sociais menos
envolvidos na economia capitalista especificamente moderna ou a ela menos adaptados. E isso
não porque “o impulso aquisitivo” ainda fosse coisa desconhecida ou pouco desenvolvida em
épocas pré-capitalistas —- como se tem dito tantas vezes — nem porque a auri sacra fam es, a
cobiça, naquele tempo — ou ainda hoje — fosse menor fora do capitalismo burguês do que
dentro da esfera especificamente capitalista, que é como a ilusão dos modernos românticos
concebe a coisa. A diferença entre “espírito” capitalista e pré-capitalista não reside neste
ponto, não: a cupidez do mandarim chinês, do aristocrata da Roma antiga, do latifundiário
moderno resiste a toda comparação.

(...)por séculos a fio vigorou como um artigo de fé que salários baixos eram produtivos”, que
eles aumentavam o rendimento do trabalho e que, como já dizia Pieter de la Cour — em plena
concordância, nesse ponto, com o espírito do antigo calvinismo, conforme veremos: o povo só
trabalha porque é pobre, e enquanto for pobre.

Por exemplo, a repulsa e a perseguição que os operários metodistas no século xvm sofreram
da parte de seus colegas de trabalho não visavam somente ou principalmente às suas
excentricidades religiosas — destas a Inglaterra tinha visto muitas, e mais estranhas: como já
sugere a destruição de suas ferramentas, tantas vezes mencionada nos relatos da época — ,
elas visavam especificamente à sua “boa vontade para o trabalho”, como se diria hoje.

conjunto dos costumes e hábitos fundamentais, no âmbito do comportamento


(instituições, afazeres etc.) e da cultura (valores, ideias ou crenças), característicos de
uma determinada coletividade, época ou região

Ethos - conjunto dos costumes e hábitos fundamentais, no âmbito do comportamento


(instituições, afazeres etc.) e da cultura (valores, ideias ou crenças), característicos de
uma determinada coletividade, época ou região.

- parte da retórica clássica voltada para o estudo dos costumes sociais.

Significado de auri sacra fames

Maldita fome de ouro. Expressão pela qual Virgílio condena a ambição


desmedida.

Esta é uma forma abreviada de uma citação aparentemente de São Jerônimo:. "Um
homem que é um comerciante dificilmente ou nunca agrada a Deus" Homo
mercator vix aut numquam potest Deo placere.

Característica, estado, comportamento de torpe; que demonstra baixeza.Ação ou


procedimento de ignóbil, vergonhoso, sórdido.Que demonstra indecências ou
obscenidades.Qualidade do que é nojento ou repugnante.

(...) O “racionalismo” é um conceito histórico que encerra um mundo de contradições, e


teremos ocasião de investigar de que espírito nasceu essa forma concreta de pensamento e de
vida “racionais” da qual resultaram a idéia de “vocação profissional” e aquela dedicação de si
ao trabalho profissional tão irracional, como vimos, do ângulo dos interesses pessoais
puramente eudemonistas — , que foi e continua a ser um dos elementos mais característicos
de nossa cultura capitalista. A nós, o que interessa aqui é exatamente a origem desse
elemento irracional que habita nesse como em todo conceito de “vocação”.

Ética. Doutrina que acredita ser a busca da felicidade (na vida) a principal causa dos valores
morais, considerando positivos os atos que levam o indivíduo à felicidade.Ciência (doutrina)
que, se baseando na procura pela felicidade ou por uma vida feliz, leva em consideração
tanto o aspecto particular quanto o global e caracteriza como benéficas todas as
circunstâncias ou ações que encaminham o indivíduo à felicidade.Sistema de moral que tem
por fim a felicidade do homem: o epicurismo e o estoicismo são eudemonismos.

(...) Não dá para não notar que já na palavra alemã Beruf, e talvez de forma ainda mais nítida
no termo inglês calling, pelo menos ressoa uma conotação religiosa— a de umalmissão dada
por Deus — , e quanto mais enfaticamente acentuamos a palavra num caso concreto, mais ela
se faz sentir. E, a acompanharmos a palavra ao longo da história e através das línguas de
diferentes culturas, constata-se em primeiro lugar que os povos predominantemente católicos
ignoram uma expressão de colorido análogo para aquilo que {em — -r alemão} chamamos
i3mí£(no sentido de uma posição na vida, de um ramo de trabalho definido), tal como a
ignorou a Antigüidade clássica,53 ao passo que ela está presente em todos os povos
predominantemente protestantes. Constata-se, ademais, que aí não se acha implicada
nenhuma peculiaridade etnicamente condicionada das respectivas línguas, como por exemplo
a expressão de um “espírito do povo germânico”, mas que a palavra., em seu sentido atual,
provém das traduções da bíblia (...)Na tradução luterana da bíblia, parece que ela foi usada
pela primeira vez numa passagem do Èclesiástico (1 1 , 20-2 1) no exato sentido que hoje lhe
conferimos.55 Não tardou desde então a assumir seu significado atual na língua profana de
todos os povos protestantes, sendo que antes disso não se notava na literatura profana
nenhum indício de semelhante sentido léxico, nem mesmo na prosa dos pregadores, com a
única exceção, ao que parece, de um dos místicos alemães cuja influência sobre Lutero é
conhecida. E assim como o significado da palavra, assim também — como é amplamente
sabido — a idéia é nova, e é um produto da Reforma (...)Uma coisa antes de mais nada era
absolutamente nova: avalorização do cumprimento do dever no seio das profissões mundanas
como o mais excelso conteúdo que a auto-realização moral é capaz de assumir/ Isso teve por
conseqüência inevitável a representação de uma significação religiosa do trabalho mundano
de todo dia e conferiu pela primeira vez ao conceito de B eru f esse sentido. No conceito de
Beruf, portanto, ganha exptessão aquele dogma central de toda s a s denominações
protestantes que condena a distinção católica dos imperativos morais em “praecepta”e
“consilia” e reconhece que o único meio de viver que agrada a Deus não está em suplantar a
moralidade intramundana pela ascese monástica, mas sim, exclusivamente, em cumprir com
os deveres intramundanos, tal como decorrem da posição do indivíduo na vida, a qual por isso
mesmo se to m a a su a “vocação profissional”

(...) Em Lutero,56 essa idéia se desenvolve no decurso da primeira década de sua atividade
reformadora. De início, em concordância com a tradição medieval predominante, conforme
representada 72 por Tomás de Aquino,57 por exemplo, o trabalho mundano, embora querido
por Deus, a seu ver pertence ao reino das criaturas, é a base natural indispensável da vida de
fé, moralmente indiferente em si mesmo como o comer e o beber.58 Mas à medida que a
idéia de solafid e se lhe torna mais clara em suas conseqüências e vai ficando cada vez mais
aguçada sua conseqüente oposição aos “conselhos evangélicos” do monacato católico
enquanto conselhos “ditados pelo diabo”, aumenta a significação da vocação numa profissão.
Sola fide (do Latim: por fé somente), também conhecida, historicamente, como
doutrina da justificação pela Fé, é a doutrina que distingue denominações protestantes
da Igreja Católica Romana, Igreja Ortodoxa e outras.

Isso porque a luta contra os pnvilé- giosde fato ou de direito de algumas grandes companhias
mercantis nos séculos xvi e xvii pode muito bem ser comparada à campanha hodierna contra
os trustes, e esta não menos que aquela é, em si mesma, expressão de uma disposição
tradicionalista. Contra estes, contra os lombardos, os “trapezitas” os monopolistas, os grandes
especuladores e os banqueiros favorecidos pelo anglicanismo, pelos reis e pelos parlamentos
na Inglaterra e na França, puritanos e huguenotes moveram uma luta encarniçada.64 Após a
batalha de Dunbar (setembro de 1650), Cromwell escreveu ao Longo Parlamento: “Vamos
abolir os abusos de todas as profissões, e havendo uma que a muitos faça pobres para tornar
ricos uns poucos — ela não presta para a comunidade” — e dele já se podia dizer, por outro
lado, que estava imbuído de um modo de pensar especificamente “capitalista”. - Em
compensação, nas incontáveis declarações de Lutero contra a usura e a cobrança de juros em
geral, se confrontadas com a escolástica tardia, emerge como francamente “retrógrada” (de
um ponto de vista capitalista) sua representação da natureza do lucro capitalista.“
Particularmente ele retoma aí o argumento da improdutividade do dinheiro já refutado, por
exemplo, por Antonino de Florença. Mas nós não precisamos entrar em detalhes aqui,
sobretudo porque a idéia de “vocação” em sentido religioso, nas suas conseqüências para a
conduta de vida intramundana, era suscetível de configurações muito diversas. [O feito
propriamente dito da Reforma consistiu simplesmente em ter já no primeiro momento inflado
fortemente, em contraste com a concepção católica, a ênfase moral e oj>rêmio religioso para
o trabalho intramundano no quadro das profissões/O modo como a idéia de “vocação”, que
nomeou esse feito, foi posteriormente desenvolvida passou a depender das subseqüentes
formas de piedade que se desdobraram dali em diante em cada uma das igrejas saídas da
Reforma.] A autoridade da Bíblia, da qual Lutero julgava ter tirado a idéia de Beruf, no
conjunto pendia totalmente para uma orientação tradicionalista^ Especialmente o Antigo
Testamento, que nos livros propriamente proféticos e mesmo em outras partes jamais
recomendou que a moralidade intramundana devesse ser suplantada de algum modo, só
conhecendo isso em rudimentos embrionários totalmente esporádicos, formulou uma idéia
religiosa bastante análoga ao tradicionalismo em sentido estrito: contente-se cada qual com
seu “sustento” e deixe que os ímpios se lancem ao lucro — é este o sentido de todas as
passagens que tratam diretamente da faina mundana/ Só o Talmude irá fincar-se parcialmente
— mas não fundamentalmente — em terreno diverso. A posição pessoal deQesws jé
caracterizada em sua pureza clássica na prece típica do antigo Oriente: “O pão nosso de cada
dia nos dai hoje”, e o impacto da radical rejeição do mundo expressa no “m am onâs tês
adikías” excluiu qualquer possibilidade de vinculação direta da idéia moderna de vocação
profissional67 com sua figura pessoal.

Na tradução luterana da bíblia, parece que ela foi usada pela primeira vez numa passagem do
Èclesiástico (1 1 , 20-2 1) no exato sentido que hoje lhe conferimos (BERUF)

Antes de tudo, é escusado lembrar que não tem cabimento atribuir a Lutero parentesco íntimo
com o “espírito capitalista”, seja no sentido que até agora associamos a essa expressão ou de
resto em qualquer outro sentido.
(...) o próprio Lutero com certeza teria rejeitado rispidamente qualquer parentesco com uma
disposição mental como a que vem à luz em Franklin. Claro que não cabe aduzir aqui como
sintoma suas queixas contra os grandes comerciantes, os Fugger63 e que tais. Isso porque a
luta contra os pnvilé- gios de fato ou de direito de algumas grandes companhias mercantis nos
séculos xvi e xvii pode muito bem ser comparada à campanha hodierna contra os trustes, e
esta não menos que aquela é, em si mesma, expressão de uma disposição tradicionalista.

s Fugger foram uma importante família germânica de banqueiros e mercadores,


durante o período do Sacro Império Romano-Germânico, entre o final da Idade Média
e o início da Idade Moderna, incluindo o Renascimento.

(...) Após a batalha de Dunbar (setembro de 1650), Cromwell escreveu ao Longo Parlamento:
“Vamos abolir os abusos de todas as profissões, e havendo uma que a muitos faça pobres para
tornar ricos uns poucos — ela não presta para a comunidade” — e dele já se podia dizer, por
outro lado, que estava imbuído de um modo de pensar especificamente “capitalista”. - Em
compensação, nas incontáveis declarações de Lutero contra a usura e a cobrança de juros em
geral, se confrontadas com a escolástica tardia, emerge como francamente “retrógrada” (de
um ponto de vista capitalista) sua representação da natureza do lucro capitalista.

(...) A autoridade da Bíblia, da qual Lutero julgava ter tirado a idéia de Beruf, no conjunto
pendia totalmente para uma orientação tradicionalista^

contente-se cada qual com seu “sustento” e deixe que os ímpios se lancem ao lucro — é este o
sentido de todas as passagens que tratam diretamente da faina mundana/ Só o Talmude irá
fincar-se parcialmente — mas não fundamentalmente — em terreno diverso. A posição
pessoal deQesws jé caracterizada em sua pureza clássica na prece típica do antigo Oriente: “O
pão nosso de cada dia nos dai hoje”, e o impacto da radical rejeição do mundo expressa no “m
am onâs tês adikías” excluiu qualquer possibilidade de vinculação direta da idéia moderna de
vocação profissional67 com sua figura pessoal. A era apostólica do cristianismo, trazida por
escrito no Novo Testamento, especialmente em Paulo, em virtude de expectativas
escatológicas que locupletam as primeiras gerações de cristãos, encara a vida profissional
mundana com indiferença ou, em todo caso, de forma essencialmente tradicionalista: já que
tudo aguarda a vinda do Senhor, que cada qual permaneça na posição social e no ganha-pão
terreno no qual o “chamado” do Senhor o encontrou e que trabalhe como antes: pobre, ele
não é um fardo aos irmãos — e breve sim é o tempo que ainda falta.fLutero lia a Bíblia através
das lentes de seu estado de espírito no momento, e esse, ao longo de sua evolução entre
aproximadamente 1518 e 1530, não só permaneceu tradicionalista, como tradicionalista foi
ficando cada vez mais.

(...) Ora, a conduta de vida monástica é encarada não só como evidentemente sem valor para
a justificação perante Deus, mas também como produto de uma egoística falta de amor que se
esquiva aos deveres do mundoJ l'm contraste com isso, o trabalho profissional mundano
aparece como expressão exterior do amor ao próximo, o que de resto vem fundamentado de
maneira extremamente ingênua eem oposição quase grotesca às conhecidas teses de Adam
Smith/ 9 em particular quando aponta que a divisão do trabalho coage cada indivíduo a
trabalhar para outros. Trata-se, como se vê, de argumento essencialmente escolástico que
logo é abandonado, cedendo o passo à referência cada vez mais enfática ao cumprimento dos
deveres intramundanos como a única via de agradar a Deus em todas as situações, que esta e
somente esta é a vontade de Deus, e por isso toda profissão lícita simplesmente vale muito e
vale igual perante Deus.

(...) Nos primeiros anos de sua atividade reformadora, a visão de profissão que prevalecia em
Lutero, uma vez que a ela dispensava apreço apenas de criatura, era algo intimamente
aparentado com a escatológica indiferença de Paulo pela espécie de atividade intramundana,
como no capítulo 7a da Ia Epístola aos Coríntios {versí culos 20-24}:69 pode-se alcançar a bem-
aventurança eterna em qualquer estamento social, seja ele qual for; a peregrinação desta vida
é curta e não faz sentido ficar dando importância à espécie da profissão que se exerce. E a
ambição de um ganho material que exceda à necessidade pessoal deve ser por isso mesmo
considerada sintoma de ausência do estado de graça e, posto que lucrar só parece mesmo
possível às custas dos outros, merece ser condenada sem mais/' Entretanto, com o crescente
envolvimento de Lutero nos negócios do mundo vai de par seu crescente apreço pela
significação do trabalho profissional. Simultaneamente, a profissão concreta do indivíduo lhe
aparece cada vez mais como uma ordem de Deus para ocupar na vida esta posição concreta
que lhe reservou o desígnio divino. E quando, na seqüência de suas lutas contra os “espíritos
fanáticos” janabatistâs} e as revoltas camponesas, a ordem histórica objetiva na qual o
indivíduo foi inserido por Deus se torna sempre mais aos olhos de Lutero uma emanação
direta da vontade divina,71 a ênfase agora cada vez mais forte 76 no que advém da
Providência, mesmo em se tratando de acontecimentos isolados da vida, leva-o
progressivamente a uma tendência tradicionalista correspondente à idéia de “destinaçãQ”:|o
indivíduo deve permanecer fundamentalmente na profissão e no estamento em que Deus o
colocou e manter sua ambição terrena dentro dos limites dessa posição na vida que lhe foi
dadaj Se o tradicionalismo econômico era de início resultado da. indiferença paulina, mais
tarde é emanação da crença72 cada vez mais intensa na Providência, crença que identifica a
incondicional obediência a Deus73 à aceitação incondicional da situação dada.^)esse modo
Lutero não chegou a estabelecer uma vinculação do trabalho profissional com os princípios
religiosos fundada em bases radicalmente novas ou baseada em princípios.

(...) Mas também com o luteranismo não é maior a congenialidade, tal como se nota, por
exemplo, nos corais de Lutero e de Paul Gerhard. No lugar dessa sensação indefinida, deve-se
estabelecer aqui uma form ulação conceituai um pouco mais precisa e perguntar pelas razões
intrínsecas dessas diferenças. Invocar o “caráter de um povo” não só não passaria de mera
confissão de ignorância em geral, mas seria também, em nosso caso, algo totalmente
enganoso. Atribuir aos ingleses do século x v i i um “caráter nacional” uniforme seria
simplesmente uma incorreção histórica. “Cavaleiros” e “cabeças redondas” não se sentiam
pura e simplesmente como dois partidos, mas como duas espécies humanas radicalmente
diferentes, e o observador atento há de lhes dar razão.81 E por outro lado: descobrir um
contraste caracterológico entre os merchantadventurersingleses e os mercadores da antiga
Liga hanseática é tão pouco plausível quanto levantar qualquer outra diferença marcante
entre a peculiaridade inglesa e a alemã no fim da Idade Média que não se deixe explicar
diretamente por seus destinos políticos diversos.H2/só o poder dos movimentos religiosos —
não somente ele, mas ele em primeiro lugar — criou as diferenças que sentimos hoje.
jse portanto, para a análise das relações entre a ética do antigo protestantismo e o
desenvolvimento do espírito capitalista partimos das criações de Calvino, do calvinismo e das
demais seitas “puritanas”, isso entretanto não deve ser compreendido como se esperássemos
que algum dos fundadores ou representantes dessas comunidades religiosas tivesse como
objetivo de seu trabalho na vida, seja em que sentido for, o despertar daquilo que aqui
chamamos de “espírito capitalista”. Impossível acreditar que a ambição por bens terrenos,
pensada como um fim em si, possa ter tido para algum deles um valor ético. E fique registrado
de uma vez por todas e antes de mais nada: programas de reforma ética não foram jamais o
ponto de vista central para nenhum dos reformadores — entre os quais devemos incluir em
nossa consideração homens como Menno, George Fox, Wesley. Eles não foram fundadores de
sociedades de “cultura ética” nem representantes de anseios humanitários por reformas
sociais ou de ideais culturais. A salvação da alma, e somente ela, foi o eixo de sua vida e ação.

(CRIVO MEU – Segundo o autor, os reformadores não tiveram o desejo de mudar o rumo
ético das sociedades que estavam inseridos, e sim, ansiavam pela salvação da alma).

(...) Por isso temos que admitir que os efeitos culturais da Reforma foram em boa parte —
talvez até principalmente, para^ nossos específicos pontos de vista — conseqüências
imprevistas e mesmo indesejadas do trabalho doa reformadores, o mais das / yp7ps hpm
longe, 011 mesmo ao contrário, de tudo o que eles próprios tinham em mente. 1

P A R T E II A ID É IA D E PROFISSÃO [ * ] D O P R O T E S T A N T IS M O A S C É T IC O

Os portadores históricos do protestantismo ascético (no sentido em que a expressão é usada


aqui) são essencialmente de quatro espécies: l^ò calvinismo; na form a que assumiu nas
principais regiões [da Europa ocidental] sob sua dominação, particularmente no decorrer do
século xvn; 2.jo pietismoj 3.jo metodisrpo; 4. as seitas nascidas do movimento ^nabatista]1
Nenhum desses movimentos se achava absolutamente isolado dos outros, e nem mesmo era
rigorosa sua separação das igrejas protestantes não ascéticas.

(...) O metodismo só surgiu em meados do século xvni no seio da Igreja estatal da Inglaterra e,
no intento de seus fundadores, não era para ser uma nova Igreja, mas sim um novo
despertamento do espírito ascético dentro da antiga, e foi só na seqüência de seu
desenvolvimento, notadamente ao ser levado para a América, que ele se separou da Igreja
anglicana.

O pietismo brotou de início no solo do calvinismo na Inglaterra e especialmente na Holanda,


permaneceu ligado à ortodoxia, passando por transições imperceptí veis até que, ao final do
século xvn, sob o influxo de Spener fez seu ingresso no luteranismo, revisando para tanto, mas
apenas parcialmente, s11d fundamentação dogmatica. Manteve-se como um movimento no
interior da Igreja, e só a corrente fundada por Zinzendorf, condicionada por ecos de influências
hussitas e calvinistas que persistiam na fraternidade dos irmãos morávios

)Calvinismo e anabatismo enfrentaram-se rispidamente no começo de seu desenvolvimento,


mas tornaram-se muito próximos um do outro no seio do movimento batista do final do século
xvn, sendo que já no início daquele mesmo seculo, nas seitas dos independentes na Inglaterra
e na Holanda, o trânsito religioso entre um e outro se fazia de forma gradual
 O calvinismo foi a fé6 em torno da qual se moveram as grandes lutas políticas e
culturais dos séculos xvi e xvii nos países capitalistas mais desenvolvidos — os Países
Baixos, a Inglaterra, a França. E é por isso que nos ocupamos dele em primeiro lugar.
Considerava-se na época e de modo geral se considera ainda hoje a doutrina da
predestinação como o mais característico dos dogmas do calvinismo. O que tem sido
debatido é se esse dogma era o “mais essencial” da Igreja reformada ou se era uma
“tendência”. Ora, juízos sobre a essencialidade de um fenômeno histórico, ou são
juízos de valor, ou são juízos de fé — notadamente quando se tem em mente aquilo
que nele por si só “tem interesse” ou que por si só “tem valor” duradouro. Ou quando
se tem em mente sua significação causal em virtude de sua influência sobre outros
processos históricos: trata-se então de juízos de imputação histórica.

 Capítulo ix (da livre vontade), nB 3 :0 homem, por sua queda no estado de pecado,
perdeu por inteiro toda a capacidade de sua vontade para qualquer bem espiritual que
o leve à salvação. Tanto que um homem natural, estando totalmente afastado desse
bem e morto no pecado, não é capaz, por seu próprio esforço, de converter-se ou de
preparar-se para tanto. Capítulo ui (do decreto eterno de Deus), nPor decreto de Deus,
para a manifestação de Sua glória, alguns homens...) são predestinados
(predestinated) à vida eterna, e outros preordenados (foreordained) à morte eterna,
n" 5: Aqueles do gênero humano que estão predestinados à vida, Deus, antes de
lançar o funda91 mento do m undo, de acordo com Seu desígnio eterno e imutável,
Sua secreta deliberação e o bel-prazer de Sua vontade, escolheu-os em Cristo para Sua
eterna glória, por livre graça e por amor, sem qualquer previsão de fé ou de boas
obras, ou de perseverança numa e noutras, ou qualquer outra coisa na criatura, como
condições ou causas que O movessem a tanto, e tudo em louvor da Sua gloriosa graça,
n2 7: Aprouve a Deus, segundo o desígnio insondável de Sua própria vontade, pela
qual Ele concede ou nega misericórdia como bem Lhe apraz, deixar de lado o resto dos
homens para a glória de Seu poder soberano sobre Suas criaturas, e ordená-los à
desonra e à ira por seus pecados, para louvor de Sua gloriosa justiça. Capítulo X (da
vocação eficaz), n2 1: Todos aqueles que Deus predestinou à vida, e somente esses,
aprouve-Lhe chamá-los eficazmente (...) por Sua palavra e Seu espírito, na hora
apontada e aprazada, retirando-lhes o coração de pedra e dando-lhes um coração de
carne; renovando-lhes a vontade e, por Sua onipotência, determinando-os para o que
ébom (...). Capítulo v (da Providência), n26: Quanto aos homens maus e sem fé, a
quem Deus, justo juiz que é, cega e endurece por seus pecados passados, a esses Ele
não apenas sonega Sua graça, pela qual poderiam ter sido iluminados em seus
intelectos e expandidos em seus corações, cativados, mas também às vezes lhes retira
os dons que possuíam e os expõe a objetos que sua corrupção transforma em ocasião
de pecado e, além do mais, abandona-os à própria devassidão, às tentações do mundo
e ao poder de Satã: pelo que se dá que eles próprios se endurecem, até por aqueles
meios de que se vale Deus para enternecer a outros.10

(...)Em sua fase de extrema genialidade religiosa, na qual Lutero esteve à altura de
escrever sua Freiheit eines Christenmenschen {Liberdade de um cristão}, também ele
demonstrou a mais firme convicção de que era o “misterioso decreto” de Deus a fonte
absolutamente única e inexplicá vel de seu estado de graça religioso.12 Mais tarde ele
não chegou a abandonar formalmente essa idéia, só que ela deixou de ocupar posição
central em sua obra, sendo relegada cada vez mais ao segundo plano quanto mais
ele,como político eclesiástico responsável, se via obrigado a se dobrar
h“Realpolitik”lMe\anchthon deliberadamente evitou incluir essa doutrina “perigosa e
obscura” na Confissão de Augsburgo, e para os pais fundadores da Igreja luterana era
dogma assente que a graça pode ser perdida (amissibilis = perdível) e pode ser
recuperada com a humildade penitente e a confiança cheia de fé na palavra de Deus e
nos sacramentos. Exatamente o contrário foi o processo em ÇalyioQ,13 com um
sensível aumento da significação dessa doutrina ao longo de suas polêmicas com
alguns adversários em matéria de dogma. Plenamente desenvolvida ela só se encontra
na terceira edição de sua Institutio {1543}, mas ela só passa a ocupar sua posição
central 93 [postumamente] nos grandes Kulturkämpfen a que buscaram pôr T " T ;!’ dC
Dordrecht e Westminster. Em Calvino o «decretu m h orn U e nãoévrvido {erlebt}
como em Lutero, ele é cogitado {erdacht}, e por isso cresce em sua significação à
medida que aumenta sua coerência conceituai na direção de seu interesse religioso
focalizado unicamente em Deus, não nos seres humanos.“ £âIâ^âÍYlQo, não é Deus
que existepara os seres humanos^ mas os e todo acontecimento _ incluindo pois a! o
fato para ele indubitável de que só uma pequena parcela dos humanos é chamada à
bem-aventurança eterna - pode ter sentido exclusivamente como um meio em vista
do fim que e aautoglorificaçao da majestade de Deus

(...) lsso se vê, por exemplo, na admoestação tantas vezes repisada na literatura
puritana inglesa 96 contra toda confiança na ajuda e na amizade dos homens.25 Pro
funda desconfiança dos amigos, inclusive do amigo mais próximo, é o que aconselha
até mesmo o bondoso Baxter, e Bailey recomenda abertamente não confiar em
ninguém e não confidenciar a ninguém nada de comprometedor: “homem de
confiança”, só Deus mesmo.

(...)Ora, que o trabalho profissional mundano fosse tido como capaz de um feito como
esse[— que ele pudesse por assim dizer ser tratado como o meio apropriado de uma
ab-reação dos afetos de angústia religiosa — ] encontra sua explicação nas profundas
peculiaridades da sensibilidade religiosa cultivada na Igreja reformada {calvinista}, cuja
expressão mais nítida, em franca oposição ao luteranismo, está na doutrina da
justificação pela fé.

(...) A suprema experiência religiosa a que aspira a piedade luterana, tal como se
desenvolveu notadamente no curso do século xvii, é a unio mystica com a
divindade.50 Como já sugere a própria expressão, que nesses precisos termos é
desconhecida da doutrina reformada, trata-se de um sentimento substancial de Deus:
a sensação de uma real penetração do divino na alma crente, qualitativamente igual
aos efeitos da contemplação à maneira dos místicos alemães e caracterizada por um
cunho de passividade orientada a preencher a saudade do repouso em Deus e por um
estado interior de pura disponibilidade. [Ora, em si mesma, uma religiosidade
misticamente orientada— conforme ensina a história da filosofia — não só é
perfeitamente compatível com um senso de realidade 102 marcadamente realista no
plano do dado empírico, mas também muitas vezes, em conseqüência de sua rejeição
das doutrinas dialéticas, chega a ser para este um suporte direto.

(...) E indiretamente a mística também pode, por assim dizer, trazer benefícios à
conduta de vida racional. É claro, porém, que a esse seu modo de relação com o
mundo falta a valoração positiva da atividade externa.] Além do mais, no luteranismo
a unio mystica se combinava com aquele sentimento profundo de indignidade
decorrente do pecado original, que devia manter o crente luterano na poenitentia
quotidiana destinada a curti-lo na humildade e simplicidade indispensáveis ao perdão
dos pecados.

(...)A penetração real do divino na alma humana estava excluída pela absoluta
transcendência de Deus em relação a tudo o que é criatura: finitum non estcapax
infiniti {o que é finito não é capaz de infinito}

(...) fé precisa se comprovar por seus efeitos objetivos a fim de poder servir de base
segura para a certitudo salutis: precisa ser uma fidesefficax’3 [e o chamado à salvação,
um effectual calling (term o da Savoy Declaration)]. Ora, se perguntarmos: em quais
frutos o reformado {o calvinistal é capaz

(...) A Declaração de Savoy sobre Fé e Ordem é uma confissão de fé redigida pelos


independentes ingleses no ano de 1658. Wikipédia

(...) numa condnção da vida pelo cristão que sirva para aumento da glória de Deus. Eo
que leva a isso é deduzido de sua divina vontade diretamente revelada na Bíblia ou
indiretamente manifestada nas ordens do mundo criadas segundo fins (lex naturae)

(...) Além do mais, no luteranismo a unio mystica se combinava com aquele


sentimento profundo de indignidade decorrente do pecado original, que devia manter
o crente luterano na poenitentia quotidiana destinada a curti-lo na humildade e
simplicidade indispensáveis ao perdão dos pecados. Já a religiosidade específica da
Igreja reformada, em compensação, de saída se colocou [contra a fuga quietista do
mundo defendida por Pascal bem como] contra essa forma luterana de piedade
sentimental voltada puramente para dentro.

(...) Ora, se perguntarmos: em quais frutos o reformado {o calvinistal é capaz de


reconhecer sem sombra de dúvida a justa fé, a resposta será: numa condnção da vida
pelo cristão que sirva para aumento da glória de Deus. Eo que leva a isso é deduzido
de sua divina vontade diretamente revelada na Bíblia ou indiretamente manifestada
nas ordens do mundo criadas segundo fins (lex naturae).

É possível controlar seu estado de graça comparando em especial seu próprio estado
de alma com aquele que segundo a Bíblia era próprio dos eleitos, dos patriarcas por
exemplo.55 Só quem é eleito possui a verdadeira fides efficax,56 só ele é capaz, por
conta do seu renascimento (regeneratio) e da santificação (sanctificatio) da sua vida
inteira, de aumentar a gló ria de Deus por meio de obras boas realmente, não apenas
aparentemente boas.

(...) o sinais da eleição.61 [Elas são o meio técnico, não de comprar a bem-aventurança
mas sim: de perder o medo de não tê-la.] Nesse sentido, de vez em quando elas são
designadas diretamente como “indispensáveis à salva104 ção”,62 ou a possessio
salutis é vinculada a elas.63 Ora, em termos práticos isso significa que, no fim das
contas, Deus ajuda a quem se ajuda,64 por conseguinte o calvinista, como de vez em
quando também se diz, “cria” ele mesmcf - sua bem-aventurança eterna — em rigor o
correto seria dizer: a certeza dela — , mas esse criar não pode consistir, como no
catolicismo, num acumular progressivo de obras meritórias isoladas, mas sim numa
auto-inspeção sistemática que a cada instante enfrenta a alternativa: eleito ou
condenado?

(...) Não foi por acaso que o rótulo “metodistas” colou naqueles que foram os
portadores do último grande redespertar de idéias puritanas do século xviii, da mesma
forma que aos seus antepassados espirituais do século xvii fora aplicada, com plena
equivalência de sentido, a designação de “precisistas”.73 Pois só com uma
transformação radical do sentido de toda a vida, a cada hora e a cada ação,74 o efeito
da graça podia se comprovar como um arranque do status naturae rumo ao status
gratiae. A vida do “santo” estava exclusivamente voltada para um fim transcendente, a
bem-aventurança, mas justamente por isso ela era racionalizada [de ponta a ponta]
em seu percurso intramundano e dominada por um ponto de vista exclusivo: — jamais
se levou tão a sério a sentença omnia in majorem Dei gloriam. (para maior glória de
Deus )75 E só uma vida regida pela reflexão constante podia ser considerada
superação do status naturalis: foi com essa reinterpretação ética que os puritanos
contemporâneos delpescartes adotaram o cogito ergo sum.1(' Essa racionalização
conferiu à piedade reformada seu traço especificamente ascético e consolidou tanto
seu parentesco íntimo77 quanto seu antagonismo específico com o catolicismo.

(...) Tornara-se um método sistematicamente arquitetado de condução racional da


vida com o fim de suplantar o status naturae, de subtrair o homem ao poder dos
impulsos irracionais e à dependência em relação ao mundo e à natureza, de sujeitá-lo
à supremacia de uma vontade orientada por um plano,78 de submeter
permanentemente suas ações à auto-inspeção e à ponderação de sua envergadura
ética, e dessa forma educar o monge — objetivamente — como um operário a serviço
do reino de Deus e com isso lhe assegurar— subjetivamente — a salvação da alma.
Esse [— ativo — ] domínio de si, meta visada pelos Exercícios espirituais de Santo
Inácio e, de modo geral, pelas formas mais requintadas das virtudes monásticas,79 foi
também o ideal de vida prático decisivo do puritanismo.*° No profundo desdém com
que os relatos dos interrogatórios dos mártires puritanos contrapõem ao barulhento
falatório dos nobres prelados e funcionários81 a reserva serena e calma de seus fiéis,
já se nota aquele apreço pelo autocontrole reservado que ainda hoje caracteriza os
melhores tipos do gentleman inglês e anglo-americano mesmo dos dias de hoje

(...) John Wesley, o grande talento organizador do movimento, fosse partidário da


universalidade da graça, só que o grande agitador da primeira geração metodista e seu
mais coerente pensador, Whitefield, assim como o círculo à volta de Lady Huntingdon,
que numa certa época foi muito influente, eram partidários do “particularismo da
graça”. Dotada de formidável concatenação, foi essa doutrina que, na época fatídica
do século xvii, sustentou nos aguerridos defensores da “vida santa” a idéia de serem
ferramenta de Deus, executores de seus desígnios providenciais,104 e evitou seu
precoce colapso em uma forma de santificação pelas obras puramente utilitária, de
estrita orientação mundana, que em última análise jamais teria sido capaz de motivar
sacrifícios tão inauditos por metas irracionais e ideais.
(...) A gratia amissibilis luterana, que a todo instante podia ser recuperada com o
arrependimento e a penitência, não continha em si, obviamente, nenhum estímulo
àquilo que aqui nos importa como produto do protestantismo ascético: uma
sistemática conformação racional da vida ética em seu conjunto

Amência – Loucura,

Questões respondidas.

1) Um casal que enfrenta problemas de esterilidade e não consegue


procriar, foi procurar aconselhar-se com um Capelão Militar. Esse
Presbítero, fiel ao magistério da Igreja, os aconselhou a:

R - Adotar legalmente uma criança.

2) As três formas de administração ou governo da igreja mais comuns entre


os evangélicos são:

-> Episcopal, Presbiteriano e Congregacional.

(...)O desenvolvimento do pietismo alem ão em terreno luterano — associado aos nomes


deSpener, Francke, Zinzendo rf— afastanos desde logo do terreno da doutrina da
predestinação. Mas sem que necessariamente se desviasse ela própria daquelas linhas de
idéias de cujo conjunto foi uma coroação lógica, como atesta especialmente a influência do
pietismo anglo-holandês sobre Spener, por ele mesmo reivindicada de voz própria e
promovida, por exemplo, na leitura de Bailey em seus primeiros conventículos.” 9 /Seja como
for, do nosso ponto de vista específico, o pietismo significou unicamente a penetração da
conduta de vida metodicamente cultivada e controlada, isto é, da conduta áe vida ascética, até
mesmo em zonas de religiosidade não-calvinista
(...) Mas a cada vez que no pietismo o elemento ascético-racional mantinha predominância
sobre a parte do sentimento, as concepções que do nosso ponto de vista são decisivas
pleiteavam seu direito, a saber: 1 ) o desenvolvimento metódico da Simtida de. pessoal em
crescente solidez e perfeição, controlada a partir da Leu era sinald o estado de graça;'252Itera
aProvidênda_dg £eus, ^ le “ naqiieleív-qu^assknseaperfeiçoayam, e.osinal trabalho
profissional, também aos olhos de A. H. Francke, era o meio ascético par excellence]'27 tanto
ele, quanto — assim veremos — os puritanos estavam firmemente convencidos de que era o
próprio Deus que abençoava os seus com o sucesso no trabalho. E como sucedâneo do “duplo
decreto” o pietismo produziu para si representações que, de maneira essencialmente idêntica,
se bem que mais tênue, estabeleciam uma aristocracia dos regenerados pela graça particular
de Deus,128 com todas as conseqüências psicológicas acima descritas a propósito do
calvinismo.

sucedâneo
adjetivo substantivo masculino
1. 1.
diz-se de ou qualquer substância ou produto que pode substituir outro por
apresentar aprox. as mesmas propriedades; substituto.

(...) a hipó- 121 tese predominante - segundo a qual a “irrupção” {da graça} só podia ocorrer
em circunstâncias específicas, únicas e peculiares, sobretudo quando antecedida de uma
“batalha penitencial”. 13' M as como, aos olhos dos próprios pietistas, nem todos estavam
predispostos a essa experiência, aquele que por ela não passasse apesar de haver instruções
de método ascético destinadas aprovoca la, permanecia aos olhos dos regenerados uma
espécie de cristão passivo. Por outro lado, com a criação de um método destinado a provocar
essa “batalha penitencial”, o acesso mesmo à graça divina se tornava, de fato, objeto de
institucionalização humana racional. Mesmo as reservas acerca da confissão auricular
manifestadas não digo por todos os pietistas - não por Francke, por exemplo mas com certeza
por muitos deles, até mesmo pelos curas de alm as pietistas, como demonstram as
interpelações volta e meia endereçadas a Spener, reservas essas que contribuíram para
solapá- la até no próprio luteranismo, originaram-se desse aristocratismo da graça: o efeito
visível que a graça obtida através da penitência exercia sobre a conduta santa é que devia
afinal decidir quanto à viabilidade da absolvição, e sendo assim era impossível concedê-la
contentando-se com uma simples “attritio” [ “contritio”].

(...) A auto análise religiosa de Zinzendorf se bem que oscilasse dependendo dos ataques qUe
lhe movesse a ortodoxia, desembocava sempre na representação de si como “ferramenta”. De
resto, é difícilatinarinequivocamentecomopontodeapoioconceitual desse surpreendente
“diletante da religião” como o chama Ritschl.133 Ele próprio se disse, repetidas vezes,
representante do “tropo pauhno-luterano” contra o “tropo jacobista-pietista”, que
permanecia apegado à Lei. Entretanto, a própria comunidade dos irmãos hernutos e sua
práxis, as quais ele acabou por admitir e que fomentou apesar do seu luteranismo explícito,
profissão de fé que recorrentemente fazia,»* adotavam j á em seu protocolo notarial de 12 de
agosto de 1729 uma posição que, em muitos aspectos, correspon122 |U perfeitamente à
aristocracia calvinista dos santos.135 A discutilUsima atribuição do cargo de decano a Cristo,
em 12 de novembro de 1741, ilustrava expressamente algo parecido, inclusive no tipecto
externo. Dois dos três “tropos” da fraternidade, além do Uais, o calvinista e o morávio,
orientaram-se desde o início pela Itica profissional calvinista. Zinzendorf ele mesmo retorquiu
a fohn Wesley, bem ao modo puritano, que, se nem sempre o pró prio justificado era capaz de
reconhecer sua justificação, outros ;om certeza poderiam fazê-lo pela espécie de sua conduta.

(...) Por jutro lado, no entanto, o fator sentimento ganhou plano de proeminência na devoção
especificamente hernutense, e Zinzendorf pessoalmente procurou sempre mais, digamos,
interceptar em íua fraternidade a tendência à santificação ascética em sentido puritano137 e
infletir a santificação pelas obras para moldes luteranos.138 Desenvolveu-se ademais sob o
influxo da condenação dos conventículos e da manutenção da prática da confissão, uma
ligação de inspiração essencialmente luterana com a mediação sacramental da salvação. Isso
porque o próprio princípio especificamente zinzendorfiano, segundo o qual a infantilidade do
sentimento religioso era marca de sua autenticidade (assim como, por exemplo, o recurso à
leitura da sorte como meio de revelação da vontade divina), agiu com tal veemência contra o
racionalismo da conduta de vida que, no conjunto, até onde alcançava a influência do
conde,139 os elementos anti-racionais, sentimentais, prevaleceram na espiritualidade da
comunidade de Hernhut muito mais do que no resto do pietismo, aliás. O vínculo entre
moralidade e perdão dos pecados na idea fidei fratrum de Spangenberg é tão frouxo141
quanto no luteranismo de modo geral. A rejeição zinzendorfiana da busca da perfeição ao
estilo metodista corresponde — aqui como em tudo o mais— a seu ideal no fundo
eudemonista de permitir aos homens, já no presente,142 experimentar
sentimetitalmenfeabem-aventurança eterna (a“felicidade”, como ele diz), em vez de instruí-los
a adquirir pelo trabalho racional a certeza de ir 123 gozá-la no Outro Mundo.1

(...) E de fato, uma vez que o metodismo se pautou desde o início pela missão entre as massas,
nele a Sentimentalidade— e nisto John Wesley teve influências hernutoluteranas — assumiu
forte caráter em ocional, especialmente em solo americano. Uma batalha penitencial que às
vezes se exasperava até os êxtases mais espantosos, e que na América se consumava de
preferência numa reunião pública conhecida como “banco dos angustiados” {anxious’ bench},
levava à fé na graça de Deus como dom imerecido e, ao mesmo tempo, à consciência imediata
da justificação e da reconciliação. Ora, essa religiosidade emocional, não sem poucas
dificuldades internas, acabou por estabelecer um vínculo [peculiar] com a ética [ascética] de
uma vez por todas marcada com o selo racional do puritanismo. Primeiro, em contraste com o
calvinismo, que reputava como suspeito de ilusão tudo quanto pertencesse ao sentimento,
afirmava-se em termos de princípio, como único fundamento incontestável da certitudo
salutis, uma certeza absoluta puramente sentida pelo agraciado como se emanasse
diretamente de um testemunho do Espírito — e cuja irrupção, normalmente ao menos, devia
ocorrer num dia determinado e com hora marcada.

Certitudo Salutis

Uma vez salvos , salvos para sempre

_—• Para nós, os reformados, a graça de fato reina em nossos corações, mas para outros
grupos, ela reina num dia sim , no outro não e tudo está totalmente dependente de suas
forças e humor. — Mas como disse Martyn Lloyd-Jones : “Tudo é pela graça na vida cristã, do
início ao fim”.— Mas se essas palavras não são suficientemente convincentes para vocês,
vejam o que disse o apóstolo Paulo: E estou plenamente convicto de que aquele que iniciou
boa obra em vós, há de concluí-la até o Dia de Cristo Jesus. (Filipenses, 1. 6). E esta é a nossa
certitudo salutis — A Segurança da Salvação! _—/Mas, como também bem disse Russell
Shedd: "É possível perder a salvação? Bom, isso depende. Depende de que te salvou, se foi
Cristo quem te salvou então é impossível, pois Ele assegurou que "E dou-lhes a vida eterna, e
nunca hão de perecer, e ninguém as arrebatará das minhas mãos” (João 10.28). Agora se foi
outro quem te salvou então sim, é possível perder a salvação." — O deus que não mantém os
seus a salvo é baal, mas quanto ao meu Deus, Ele de fato me salvou para sempre ! Haja o que
houver , Ele não me perderá dentre às suas mãos, nem que para isso seja preciso me castigar
como um pai castiga o seu filho amado. (cf. Hebreus 12. 6_8) — Como está escrito: Eu lhes
darei um coração capaz de conhecer-me e de compreender que Eu Sou Yahweh, o SENHOR.
Serão o meu povo e Eu serei o seu Deus, pois eles se voltarão para mim de todo o coração (cf.
Jeremias, 24. 7)

(...) Quando, em sua época, Wesley combatia a justificação pelas obras, estava na verdade
reavivando a velha idéia puritana de que as obras não são a causa real do estado de graça, mas
apenas a causa do conhecimento desse estado e, mesmo isso, com a condição de que elas
sejam realizadas exclusivamente para a glória de Deus. A conduta correta p or si só não era
suficiente, isso ele sabia por experiência própria: havia que acrescentar o sentimento do
estado de graça. Ele próprio chegou certa vez a designar as obras como uma “condição” da
graça; na declaração de 9 de agosto de 1771158 ele ressaltou que quem não realiza boas obras
bom crente não é [e os metodistas desde sempre enfatizaram que da Igreja oficial da
Inglaterra eles se diferenciavam, não pela doutrina, mas pela maneira de mostrar devoção.
Para fundamentar a significação que atribuíam ao “fruto” da fé, o mais das vezes recorriam à
passagem da Ia Epístola de João 3,9, e com isso a mudança do fiel era apresentada como sinal
inequívoco da regeneração], Apesar de tudo isso, surgiram dificuldades.159 Para aqueles
metodistas que seguiam a doutrina da predestinação, deslocar a certitudo salutis, de uma
consciência da graça que está constantemente sendo comprovada na própria conduta de vida
ascética, para o sentimento imediato da graça e da perfeição160 — pois afinal a certeza da
perseverantiaprendia-se agora ao caráter único da batalha penitencial — significava que das
duas uma: ou bem, no caso das naturezas fracas, a interpretação antinomista da “liberdade
cristã”, portanto liil 128 colapso da conduta de vida metódica, — ou bem, no caso de ;cusa a
tirar essa conseqüência, uma autoconfiança do santo que tingia alturas vertiginosas:161 uma
exacerbação do tipo puritano ela via do sentimento. Ante os ataques dos adversários, por um
lado buscou-se fazer frente a essas conseqüências conferindo ínaior ênfase à validade da
norma bíblica e à indispensabilidade da comprovação.

(...) mas na seqüência, por outro, elas levaram a um fortalecimento, no interior do


movimento, da corrente anticalvii Ilista de Wesley, que professava a amissibilidade da graça.
As fortes f influências luteranas a que Wesley estivera exposto por intermé dio das
fraternidades hernutenses163 reforçaram essa evolução e f Intensificaram o caráter
indeterminado da orientação religiosa da moralidade metodista
a·mis·sí·vel

adjetivo de dois gêneros

Que pode perder-se.

(...) Por exemplo, a seita à qual Menno Simons foi o primeiro a dar, em seu Fondamentboek de
1539, uma doutrina mais ou menos coerente, apresentava-se, do mesmo modo que as demais
seitas anabatistas, como sendo a verdadeira e irrepreensível Igreja de Cristo: composta, a
exemplo das comunidades primitivas, exclushamente daqueles a quem Deushavia
pessoalmente despertado e vocacionado. Os regenerados, e somente eles, são irmãos de
Cristo, porque assim como Cristo eles foram gerados diretamente pelo Espírito de Deus.177
Rigorosa evitação do “mundo” ou scia, de todo comércio com as pessoas do mundo que não
fosse estritamente necessário, junto com a mais estrita bibliocracia com vistas à imitação da
vida exemplar da primeira geração de cristãos — foi o que resultou para as primeiras
comunidades anabatistas; e o princípio da evitação do mundo, enquanto permaneceu vivo o
espírito inicial, jamais desapareceu por completo/ 78 Desses temas dominantes em seus
primerios tempos, permanente patrimônio, as seitas anabatistas retiveram aquele princípio
que — com fundamentação algo diversa — já chegamos a conhecer no calvinismo, e cuja
importância fundamental não cansará de vir à tona: a condenação incondicional de toda
“divinização da criatura ” enquanto desvalorização do respeito devido s o m e n te a De u s.

(...) Daí que, no fim das contas, aquilo que Deus revelou aos profetas e aos apóstolos não era
mesmo tudo o que ele podia e queria revelar. Pelo contrário: a perpetuação da palavra, não
como um documento, escrito, mas como uma potência do Espírito Santo atuante na vida diária
do crente falando diretamente ao indivíduo que quiser ouvi-la, era, segundo o testemunho das
comunidades primitivas, o único signo de reconhecimento da verdadeira Igreja — como já
ensinava Schwenckfeld contra Lutero e mais tarde Fox contra os presbiterianos. Dessa idéia de
uma revelação continuada resultou a célebre doutrina, mais tarde desenvolvida de forma
coerente pelos quakers, da significação em última instância decisiva do testemunho interior do
Espírito na razão e na consciência. Com isso se punha de lado, não a validade da Bíblia, mas
sim sua autocracia e, no mesmo passo, iniciava-se uma evolução que varria radicalmente todos
os resquícios da doutrina da salvação por via eclesiástica e, finalmente com os quakers, sumia
com o batismo e a santa ceia. 181i [As denominações anabatistasj.ao lado dos
predestinacianos e sobretudo dos calvinistas estritos, consumaram a mais radical
desvalorização de todos os sacramentos como meios de salvação e assim levaja m o
“desencantamentò)’ religioso do mundo.

(...) Por sua vez, a regeneração que o Espírito suscita, se perseveramos em sua espera e a ele
nos entregam os interiormente,pode,porquanto obra de Deus, conduzir a um estado de
superação tão completa do poder do pecado184 que as recaídas ou mesmo a perda do estado
de graça se tornam de fato impossíveis, embora, como mais tarde no metodismo, o acesso a
esse estado não fosse uma regra geral, uma vez que o grau de perfeição do indivíduo era
passível de evolução. Todas as comunidades anabatistas, porém, queriam ser
comunidades^puras’’ no sentido de uma conduta imaculada de seus membros.
(...)Obtê-la por mérito não se podia, posto que dom da graça divina, mas somente àquele que
vivia segundo sua consciência era lícito considerar-se regenerado. As “boas obras”, nesse
sentido, eram causa sine qua non. Já se vê: estas últimas linhas de argumentação a que nos
ativemos praticamente se igualam em Barclay à doutrina reformada {calvinista} e certamente
foram desenvolvidas ainda sob influência da ascese calvinista, com a qual depararam as seitas
anabatistas na Inglaterra e nos Países Baixos, e cuja apropriação internalizada, levada a sério,
tomou conta da pregação de G. Fox em toda a primeira fase de sua atividade missionária.

Quiliasmo. substantivo masculino Doutrina segundo a qual os predestinados, depois do


julgamento final, ficariam ainda mil anos na Terra, no gozo das maiores delícias; milenarismo

(...) Enquanto os líderes do movimento anabatista dos primódios haviam sido de_um
radicalismo brutal em seu divórcio do mundo, é natural que já 11a pri meira geração a conduta
de vida estritamente apostólica nãamais fosse considerada necessariamente por todos como
indispensável gara dar prova de regeneração. A essa geração já pertenciam elementos
burgueses endinheirados e, mesmo antes de Menno, que fincou bem o pé no terreno da
virtude profissional intramundana e na ordem da propriedade privada, p estrito rigor moral
dos anaJbatistas. já se havia v oltado em termos práticos a esse leito, aberto gela ética
reformada {calvinista},^justam ente porque desde Lutero. a quem nes^e ponto até os
anabatistas seguiram, estava 135 fo ra de cogitação caminhar para a forma monástica de
ascese, exíramundana, porquanto não-bíblica e assimilada à santificação pelas obras.

(...) Veremos então — para antecipar ao menos isto — que a forma específica que essa ascese
intramundana assumiu entre os anabatistas, especialmente os quakers,Í88 a juízo do século x v
i i já se manifestara na comprovação prática daquele importante princí pio da “ética”
capitalista que se usa formular assim: honcsty is the best policy {hQoestiíkde
éâmejhorpQiítiça}189 e que, aliás, encon.CQ^Em contrapartida, cabe supor que os efeitos do
calvinismo foram mais na direção de soltar a energia aquisitiva no campo da economia
privada: pois apesar de todo o apego do “santo” à legalidade formal, no frigir dos ovos o que
para o calvinista vigorava era o mais das vezes a máxima de Goethe: “O homem de ação não
tem consciência, consciência só tem aquele que contempla”.120

- RESUMO IMPORTANTE

https://medium.com/@victoroliver/ascese-e-capitalismo-287fcf2b975

Richard Baxter
Richard Baxter foi um líder do puritanismo inglês, um sacerdote e escritor, como
conhecido como “o chefe dos protestantes intelectuais da Inglaterra”.

Devido sua grande importância Weber o utiliza como principal base de análise
acerca da mentalidade ascética do puritanismo inglês. Nas palavras de Weber:
“Richard Baxter destaca-se entre muitos outros propagadores literários da ética
puritana por sua posição eminentemente prática e irênica, bem como pelo
reconhecimento universal que seus trabalhos tiveram já em seu tempo, sempre com
repetidas reedições e traduções.”

Baxter foi de grande contribuição para a visão ascética com sua concepção religiosa
que enxergava no prazer e no acúmulo de riquezas práticas que afastavam de Deus,
diferente da concepção calvinista clássica que enxerga o acúmulo como legítimo.
“A riqueza como tal é um grave perigo, suas tentações são contínuas, a ambição por ela
não só não tem sentido diante da significação suprema do reino de Deus, como ainda é
moralmente reprovável.”

Entretanto, a noção métodica e a dedicação ao trabalho como valor em si mesmo,


tendo como objetivo a glória de Deus, estão presentes em Baxter. Essa posição
controversa foi um dos principais elementos na criação de uma ética de trabalho
que favorece a economia burguesa.

Ascese intramundana
a vida ascética dos puritanos ainda que em essência tivesse a mesma ideia e se
pautava nos mesmos objetivos que os ascetas monásticos católicos, se destacava e
se diferenciava no que tange ao método utilizado e a aplicação dessa ascese no dia a
dia. Como consequência das objeções da reforma, a ideia de que a igreja católica era,
de alguma forma, detentora institucional do monopólio das relações com Deus e
que somente atuando através dela se glorificava a Deus é quebrada e no meio das
seitas protestantes se forma uma nova noção sobre como glorificar a Deus com suas
ações.

Essa noção pode ser representada de forma eficaz em um diálogo que Lutero tem
com um cidadão comum, onde o cidadão chega e pergunta a Lutero o que ele
poderia fazer para glorificar a Deus, e Lutero responde com uma pergunta: ele
pergunta ao homem qual era sua profissão, o homem responde dizendo ser
sapateiro e Lutero diz que ele deveria então ir por em prática sua tarefa profissional
da forma mais eficaz possível, dando a entender que assim ele iria glorificar a Deus.
Não era mais necessário o exercício de uma chamado específico e que se restringia
ao trabalho clerical, mas no cerne da mentalidade protestante a glória de Deus pode
ser encontrada até nas mais minuciosas ações cotidianas do homem.

Essa noção de que há a capacidade de se fazer a vontade de Deus nas relações


seculares é muito importante para entendermos o fenômeno da ascese nesse
contexto puritano e também sua relação com o capitalismo e o trabalho, como
enxergamos numa citação do Weber já no fim do livro:
“Pois a ascese, ao se transferir das celas dos mosteiros para a vida profissional, passou a
dominar a moralidade intramundana e assim contribuiu [com sua parte] para edificar
esse poderoso cosmos da ordem econômica moderna.”

A predestinação e a ascese
É importante também entendermos o que está por trás de todo esse alarmismo
ascético dos puritanos e o por que que eles vieram a adotar um cotidiano e uma
mentalidade diferentes de outros grupos protestantes. A razão disso, na verdade, se
encontra na perspectiva teológica que a visão calvinista tem acerca da soteriologia.

O que é soteriologia? É o estudo do fenômeno da salvação na teologia cristã - o


estudo sobre como Deus executa o plano de salvação, elemento importantíssimo
para a cosmovisão cristã. Na soteriologia calvinista há uma ênfase na doutrina
da predestinação e eleição e na negação do livro árbitro, ou seja, eles
acreditam que Deus antes da fundação do mundo elegeu alguns homens para
serem posteriormente salvos e que todo o processo de salvação ocorre
somente nos que foram eleitos. Toda essa visão é resumida nos cinco pontos
do Calvinismo que é conhecido como Tulip.

Enriquecimento textual

Um teólogo holandês chamado Jacob Hermann, que viveu de 1560 a 1609, era
melhor conhecido pela forma latinizada de seu último nome, Arminius. Ainda que
educado na tradição reformada, ele se inclinou para as doutrinas humanistas de
Erasmo, porque tinha sérias dúvidas a respeito da graça soberana (de Deus),
como era ensinada pelos reformadores. Seus discípulos, chamados arminianos
ou sectários de Arminius, disseminaram o ensino de seu mestre. Alguns anos depois
da morte de Arminius, eles formularam sua doutrina em cinco pontos principais,
conhecidos como Os Cinco Pontos do Arminianismo.
Pelo fato de as igrejas dos Países Baixos, em comum com as principais Igrejas
Protestantes da Europa, subscreverem as Doutrinas Reformadas da Bélgica e as
Confissões de Heidelberg, os arminianos resolveram fazer uma representação ao
Parlamento Holandês. Este protesto contra a Fé Reformada, cuidadosamente
escrito, foi submetido ao Estado da Holanda, e, em 1618, um Sínodo Nacional da
Igreja reuniu-se em Dort para examinar os ensinos de Arminius à luz das Escrituras.
Depois de 154 calorosas sessões, que consumiram sete meses, Os Cinco Pontos do
Arminianismo foram considerados contrários ao ensino das Escrituras e declarados
heréticos. Ao mesmo tempo, os teólogos reafirmaram a posição sustentada pelos
Reformadores Protestantes como consistente com as Escrituras, e formularam
aquilo que é hoje conhecido como Os Cinco Pontos do Calvinismo (em honra do
grande teólogo francês, João Calvino).

Ao longo dos anos, a estudada resposta do Sínodo de Dort às heresias arminianas


tem sido apresentada na forma de um acróstico formado pela palavra TULIP. Daí o
nome deste pequeno livro.

Os Cinco Pontos do Calvinismo são:

T Total Depravity Depravação Total

U Unconditional Election Eleição Incondicional

L Limited Atonement Expiação Limitada

I Irresistible Grace Graça Irresistível

P Perseverance of Saints Perseverança dos Santos

Uma vez que vamos examinar, pormenorizadamente, aquilo que os teólogos


reformados de Dort querem dizer com os Cinco Pontos cio Calvinismo, retro
referidos, consideremos primeiro, sumariamente, os Cinco Pontos do
Arminianismo.

1.VONTADE LIVRE : O primeiro ponto do arminianismo sustenta que o homem é


dotado de vontade livre.
1.1. Os reformadores reconhecem que o homem foi dotado de vontade livre, mas
concordam com a tese de Lutero — defendida em sua obra “A Escravidão da
Vontade” —, de que o homem não está livre da escravidão a Satanás.

1.2. Arminius acreditava que a queda do homem não foi total, e sustentou que, no
homem, restou bem suficientemente capaz de habilitá-lo a querer aceitar Cristo
como Salvador.

2.ELEIÇÃO CONDICIONAL

2.1. Arminius ensinava também que a eleição estava baseada no pré-conhecimento


de Deus em relação àquele que deve crer.

2.2. Em outras palavras, o ato de fé, por parte do homem, é a condição para ele ser
eleito para a vida eterna, uma vez que Deus previu que ele exerceria livremente sua
vontade, num ato de volição positiva para com Cristo.

3.EXPIAÇÃO UNIVERSAL

3.1. Conquanto a convicção posterior de Arminius fosse a de que Deus ama a todos,
de que Cristo morreu por todos e de que o Pai não quer que ninguém se perca, ele e
seus seguidores sustentam que a redenção (usada casualmente como sinônimo de
expiação) é geral. Em outras palavras:

3.2. A morte de Cristo oferece a Deus base para salvar a todos os homens.

3.3. Contudo, cada homem deve exercer sua livre vontade para aceitar a Cristo.

4.A GRAÇA PODE SER IMPEDIDA


4.1. O arminiano, em seguida, crê que uma vez que Deus quer que todos os homens
sejam salvos, ele envia seu Santo Espírito para atrair todos os homens a Cristo.

4.2. Contudo, desde que o homem goza de vontade livre absoluta, ele pode resistir à
vontade de Deus em relação a sua própria vida. (A ordem arminiana sustenta que,
primeiro, o homem exerce sua própria vontade e só depois nasce de novo.)

4.3. Ainda que o arminiano creia que Deus é onipotente, insiste em que a vontade de
Deus, em salvar a todos os homens, pode ser frustrada pela finita vontade do
homem como indivíduo.

5.O HOMEM PODE CAIR DA GRAÇA

5.1. O quinto ponto do arminianismo é a conseqüência lógica das precedentes


posições de seu sistema.

5.2. O homem não pode continuar na salvação, a menos que continue a querer ser
salvo.

O CONTRASTE

Quando contrastamos estes Cinco Pontos do Arminianismo com o acróstico TULIP,


que forma os Cinco Pontos do Calvinismo, torna-se claro que os cinco pontos deste
são diametralmente opostos aos daquele. Para que possamos ver claramente as
“linhas de batalha” traçadas pelas afiadas mentes de ambos os lados, comecemos
por fazer um breve contraste entre as duas posições à base de ponto por ponto.

PONTO 1
1.1.O arminianismo diz que a vontade do homem é ‘livre’ para escolher, ou a
Palavra de Deus, ou a palavra de Satanás. A salvação, portanto, depende da obra de
sua fé.

1.2.O calvinismo responde que o homem não regenerado é absolutamente escravo


de Satanás, e, por isso, é totalmente incapaz de exercer sua própria vontade
livremente (para salvar-se), dependendo, portanto, da obra de Deus, que deve
vivificar o homem, antes que este possa crer em Cristo.

PONTO 2

2.1.Arminius sustentava que a ‘eleição’ é condicional, enquanto os reformadores


sustentavam que ela é incondicional. Os arminianos acreditam que Deus elegeu
àqueles a quem ‘pré-conheceu’, sabendo que aceitariam a salvação, de modo que o
pré-conhecimento [de Deus] estava baseado na condição estabelecida pelo homem.

2.2 Os calvinistas sustentam que o pré-conhecimento de Deus está baseado no


propósito ou no plano de Deus, de modo que a eleição não está baseada em alguma
condição imaginária inventada pelo homem, mas resulta da livre vontade do
Criador à parte de qualquer obra de fé do homem espiritualmente morto.

2.3 Dever-se-á notar ainda que a segunda posição de cada um destes partidos
(arminianos e calvinistas) é expressão natural de suas respectivas doutrinas a
respeito do homem. Se o homem tem “vontade livre”, e não é escravo nem de
Satanás nem do pecado, então ele é capaz de criar a condição pela qual Deus pode
elegê-lo e salvá-lo. Contudo, se o homem não tem vontade livre, mas, em sua atual
situação, é escravo de Satanás e do pecado, então sua única esperança é que Deus o
tenha escolhido por sua livre vontade e o tenha elegido para a

salvação.

PONTO 3
Os arminianos insistem em que a expiação (e, por esta palavra, eles significam
‘redenção’) é universal. Os calvinistas, por sua vez, insistem em que a Redenção é
parcial, isto é, a Expiação Limitada é feita por Cristo na cruz.

3.1. Segundo o arminianismo, Cristo morreu para salvar não um em particular,


porém somente àqueles que exercem sua vontade livre e aceitam o oferecimento de
vida eterna. Daí, a morte de Cristo foi um fracasso parcial, uma vez que os que têm
volição negativa, isto é, os que não a querem aceitar, irão para o inferno.

3.2. Para o calvinismo, Cristo morreu para salvar pessoas determinadas, que lhe
foram dadas pelo Pai desde toda a eternidade. Sua morte, portanto, foi cem por
cento bem sucedida, porque todos aqueles pelos quais ele não morreu receberão a
“justiça” de Deus, quando forem lançados no inferno.

PONTO 4

4.1.Os arminianos afirmam que, ainda que o Espírito Santo procure levar todos os
homens a Cristo (uma vez que Deus ama a toda a humanidade e deseja salvar a
todos os homens), ainda assim, como a vontade de Deus está amarrada à vontade
do homem, o Espírito [de Deus] pode ser resistido pelo homem, se o homem assim
o quiser. Desde que só o homem pode determinar se quer ou não ser salvo, é
evidente que Deus, pelo menos, ‘permite’ ao homem obstruir sua santa vontade.
Assim, Deus se mostra impotente em face da vontade do homem, de modo que a
criatura pode ser como Deus, exatamente como Satanás prometeu a Eva, no jardim
[do Éden].

4.2. Os calvinistas respondem que a graça de Deus não pode ser obstruída, visto que
sua graça é irresistível. Os calvinistas não querem significar com isso que Deus
esmaga a vontade obstinada do homem como um gigantesco rolo compressor! A
graça irresistível não está baseada na onipotência de Deus, ainda que poderia ser
assim, se Deus o quisesse, mas está baseada mais no dom da vida, conhecido como
regeneração. Desde que todos os espíritos mortos (alienados de Deus) são levados a
Satanás, o deus dos mortos, e todos os espíritos vivos (regenerados) são guiados
irresistivelmente para Deus (o Deus dos vivos), nosso Senhor, simplesmente, dá a
seus escolhidos o Espírito de Vida.

No momento em que Deus age nos eleitos, a polaridade espiritual deles é mudada:
Antes estavam mortos em delitos e pecados, e orientados para Satanás; agora são
vivificados em Cristo, e orientados para Deus.
É neste ponto que aparece outra grande diferença entre a teologia arminiana e a
teologia calvinista. Para os calvinistas, a ordem é: primeiro o dom da vida, por parte
de Deus; e, depois, a fé salvadora, por parte do homem.

PONTO 5

511. Os arminianos concluem, muito logicamente, que o homem, sendo salvo por
um ato de sua própria vontade livremente exercida, aceitando a Cristo por sua
própria decisão, pode também perder-se depois de ter sido salvo, se resolver mudar
de atitude para com Cristo, rejeitando-o! (Alguns arminianos acrescentariam que o
homem pode perder, subseqüentemente, sua salvação, cometendo algum pecado,
uma vez que a teologia arminiana é uma “teologia de obras” — pelo menos no
sentido e na extensão em que o homem precisa exercer sua própria vontade para
ser salvo.) Esta possibilidade de perder-se, depois de ter sido salvo, é chamada de
“queda (ou perda) da graça”, pelos seguidores de Arminius. Ainda, se depois de ter
sido salva, a pessoa pode perder-se, ela pode tornar-se livremente a Cristo outra
vez e, arrependendo-se de seus pecados, “pode ser salva de novo”. Tudo depende de
sua contínua volição positiva até à morte!

5.2. Os calvinistas sustentam muito simplesmente que a salvação, desde que é obra
realizada inteiramente pelo Senhor — e que o homem nada tem a fazer antes,
absolutamente, “para ser salvo” —, é óbvio que o “permanecer salvo” é, também,
obra de Deus, à parte de qualquer bem ou mal que o eleito possa praticar. Os eleitos
‘perseverarão’ pela simples razão de que Deus prometeu completar, em nós, a obra
que ele começou. Por isso, os cinco pontos de TULIP incluem a Perseverança dos
Santos.

Os cinco pontos do Calvinismo


Weber não adentra de maneira tão profunda neste capítulo em uma análise sobre
os pontos específicos da soteriologia calvinista, mas aqui decidi explicar o conceito
da Tulip para que a noção do que de fato representa a predestinação, uma termo
deveras vago e controverso, na visão dos puritanos ascéticos.

1. Depravação Total: o homem, contaminado pelo pecado original, nasce pecador e


completamente afastado de Deus.
2. Eleição Incondicional: Deus, elege incondicionalmente alguns homens para
serem salvos de sua condenação ao inferno, os predestinando para o céu.
3. Expiação Limitada: Deus envia Cristo para morrer por aqueles, e somente
aqueles, que foram eleitos.
4. Graça Irresistível: a graça advinda do sacrifício de Cristo chega ao homem eleito
de maneira que ele é incapaz de negar o evangelho.
5. Perseverança dos Santos: os eleitos com a ajuda do Espírito Santo preserveram
até o fim dos dias e são efetivamente salvos.

A problemática dessa visão vem do fato de que o homem não tem domínio algum
sobre o processo de salvação o que faz o homem ter incerteza de seu próprio
destino após a morte. Afinal, se Deus elegeu alguns para a salvação como eu saberei
se sou de fato eleito? Porém, os puritanos acreditavam que havia sim a capacidade
de se obter uma certeza da salvação através do atestado de suas ações. Mas não era
tão simples. Como assim? Eles acreditavam que o eleito deveria dar sinais de sua
própria eleição e que somente assim ele teria consciência de sua própria salvação.
Essa visão, inclusive, tem como base a própria passagem bíblica que diz que dos
frutos conhecereis a árvore.

Diferente dos Calvinistas tradicionais, os puritanos ascéticos encontram na vida


reclusa uma forma de lidar com o elemento da salvação. Isso foi mais um dos
aspectos que contribuíram para a criação de uma rotina racionalizada.

Em suma, entendendo a mentalidade religiosa por trás do homem asceta nós


podemos compreender a origem de seu ascetismo. Estar constantemente vivendo
uma vida métodica, racionalizada e de sacrifícios, rejeitando prazeres, e se
dedicando de maneira constante a tudo o que de alguma forma agrade a Deus era a
forma como eles entendiam que poderiam testar a própria salvação. Se na visão
deles a salvação vinha da eleição e a eleição precisava ser testada, o homem eleito
precisaria estar o tempo todo demonstrando os sinais de sua eleição o que fazia
com que esse modo de vida ascético se tornasse importantíssimo para a consciência
espiritual dos puritanos e dos religiosos que Weber analisa no capítulo Ascese e
Capitalismo.

Ascese e vocação
A noção de ascece é crucial também para entendermos a visão acerca da vocação na
perspectiva puritana. Tanto na tradição Luterana quanto na tradição calvinista
existe o entendimento de que Deus pode ser adorado através do exercício da
vocação. Isso por si só já traz uma noção de trabalho que tende a elevar o valor do
exercício das relações econômicas. A coisa intensifica quando nós analisamos o fato
de que na tradição calvinista existe um elemento peculiar na noção de vocação que
explica muito do modo de vida racionalizado e metódico que estes homens e
mulheres que compartilhavam de tal visão cultivavam.

Enquanto na perspectiva luterana existe o entendimento de que a vocação é uma


manifestação de seu destino natural designado por Deus através da própria
natureza e que o exercício da vocação é simplesmente se conformar diante sua
própria identidade, o que já é visto também como algo positivo, na perspectiva
calvinista existe uma ênfase na noção de vocação como mandamento. A sua
profissão e sua vocação não são meros detalhes de sua natureza, mas uma ordem
direta do próprio Deus para com o homem. A princípio, pode parecer que não haja
tanta diferença, mas essa presença divina mais direta e pessoal no entendimento da
vocação acaba por trazer consequências psicológicas significativas para o
desenvolvimento da noção de trabalho no contexto puritano.

Em suma, a vocação deixa de ser um detalhe de sua vida que pode ser
instrumentalizado para gloficar a Deus, a vocação se torna, na verdade, um
exercício da ascece. Pois ao enxergar o trabalho como mandamento, cumpri-ló se
torna um dever espiritual e uma forma de não apenas se aproximar de Deus, mas de
não pecar contra ele instigando sua ira.

O racionalismo métodico, a divisão do trabalho, a vocação como sinal de eleição e


o Espírito do Capitalismo
Ao analisarmos a noção teológica de salvação dos religiosos ascéticos puritanos, e
entendermos como eles compreendiam a vocação nós podemos finalmente
encontrar o paralelo entre os pontos e compreender de uma maneira mais clara o
modo de vida métodico e racionalizado e a relação disso com o trabalho. Os
puritanos ascéticos tinham como maior dever gloficar a Deus em cada ação, em
cada ato. O exercício de tal coisa seria nada mais nada menos do que colocar em
prova sua eleição.

Eles que viviam uma vida de rejeição ao prazer, ao gozo, a tudo o que de nenhuma
forma trouxesse sacrifico e gerasse resultados racionais, mas que tivesse como
finalidade o agrado do homem e não a glória de Deus, enxergavam nesse estilo de
vida a chance de demonstrar os sinais da salvação. Afinal, tudo se resumia em ter
consciência ou não de sua salvação. Aspecto que vem da noção soteriológica que
eles adotavam.

Quando nós entendemos o conceito de vocação como mandamento nós


automaticamente podemos encontrar a relação que o trabalho tinha com a salvação.
O trabalho era para os ascéticos uma das formas de atestar a própria salvação. Isso
explica o porquê do trabalho ser tão valioso.

Nós podemos compreender como que toda a mentalidade religiosa ascética foi peça
fundamental para o desenvolvimento do capitalismo. O capitalismo necessitava de
uma ética que ligasse o homem ao novo sistema econômico criando um novo
“homem economico”. A própria noção de vocação que os ascéticos possuíam era
semelhante a divisão do trabalho que Adam Smith expõe na sua obra A Riqueza das
Nações. A ideia de que você deve se dedicar a uma vocação específica e que isso irá
ser essencial para uma produção métodica que irá favorecer o bem comum e, no
caso, irá glorificar a Deus.

O capitalismo precisava de uma ética de trabalho, algo que trouxesse sentido a ideia
de que produzir era valioso, e foi dessa fonte religiosa que o capitalismo conseguiu
beber para se estabilizar de uma maneira sólida. A Ética Protestante ascética
elevava a noção da produção capitalista a um nível acima da ideia do lucro por si,
mas da ideia da produção como um valor em si mesmo. O religioso ascético nem se
quer via no acúmulo um valor em si mesmo e enxergava o uso da renda para fins
prazerosos como um pecado, o que Weber ainda analisa como um paradoxo que já
era apontado por John Wesley, porém a relação da ação produtiva com o próprio
Deus se tornou peça fundamental para se formar uma ética do trabalho que
trouxesse um significado transcendental para o capitalismo. Trabalhar não era visto
como uma necessidade econômica, uma forma de sobreviver, uma obrigação social.
Trabalhar havia se tornado uma obrigação moral, e quanto mais se trabalhava mais
certo ficava o homem de sua salvação. Essa mentalidade deu base para o que, até
hoje, podemos chamar de Espírito do Capitalismo.

sempre foi a concepção do 138 pStado de graça” religioso, encontradiça em todas as


denominações, precisamente como um estado (status) que separa o homem do estado de
danação em que jaz tudo quanto é criatura,194 ou seja, lepara do “mundo”, mas cuja
posse só se pode garantir — seja lá Como tenha sido obtida, e isso depende da
dogmática da respecti;v a denominação — [não por um meio mágico-sacramental de
qualquer espécie, nem pela descarga na confissão nem por obras pias isoladas, mas
somente] pela comprovação cni uma condutade tipo específico, inequivocamente
distinta do estilo de vida do i homem “natural.

Richard Baxter destaca-se entre muitos outros propagadores literários da ética puritana
por sua posição eminentemente prática e irênica, bem como pelo reconhecimento
universal que seus trabalhos tiveram já em seu tempo, sempre com repetidas reedições e
traduções. Presbiteriano e apologeta do sínodo de Westminster, mas paulatinamente se
desvencilhando — como tantos dos melhores espíritos da época — da posição
dogmática do calvinismo original, no íntimo um opositor da usurpação de Cromwell,
porque avesso a toda revolução, ao sectarismo e sobretudo ao zelo fanático dos
“santos”, mas de grande magnanimidade no tocante a especificidades de superfície,
objetivo em face do adversário, orientou seu campo de ação essencialmente na direção
do fomento prático à vida moral religiosa e — sendo um dos mais bem-sucedidos curas
de almas que a história já viu nascer — em prol desse trabalho se colocou à disposição
do governo parlamentar bem como de Cromwell e da Restauração,195 até que, sob esta
última— antes já da Noite de São Bartolomeu— exonerou-se do cargo. Seu Christian
Directory é o compêndio mais abrangente de teologia moral puritana, sempre orientado
pelas experiências práticas de seu próprio ministério na cura de almas.

(...) Relativamente condenável em termos morais era, nomeadamente, o descanso sobre


a posse,202 o gozo da riqueza com sua conseqüência de ócio e prazer carnal, mas antes
de tudo o abandono da aspiração a uma vida “santa’/E é só porque traz consigo o perigo
desse relaxamento que ter posses é reprovável._Q “descanso eterno dos santos” está no
Outro Mund()j na terra o ser humano tem mais é que buscar a certeza do seu estado de
graça, “levando a efeito, enquanto for de dia, as obras daquele que o enviou”. Ócio e
prazer, não;,isáserve a ação/, o agir conforme a vontade de Deus inequivocamente
revelada a fim de aumentar sua glória.203 A perda de tempo é, assim, o primeiro c em
princípio p mais jjrave de todos os _pecados.

(...) Perder tempo com sociabilidade, com “conversa mole”,204 com luxo,205 mesmo
com o sono além do necessário à saúde206 — seis, no máximo oito horas — é
absolutamente condenável em termos morais.2
(...) Além do que, domingo existe é para isso mesmo, e, de acordo com Baxter, são sempre os
ociosos em sua profissão que não acham tempo para Deus nem sequer quando é hora.211 '
Uma pregação percorre a obra maior de Baxter, uma pregação repisada a cada passo, às vezes
quase apaixonada, exortando ao trabalho duro e continuado, tanto faz se corporal ou
intelectual.212 Dois motivos temáticos confluem aqui.213 Primeiro, o trabalho é um meio
ascético há muito comprovado, desde sempre apreciado.

(...) Mas ainda por cima, e antes de tudo, o trabalho é da vida o fim em si prescrito por
Deus.218 A sentença de Paulo: “Quem não trabalha não coma” vale incondicionalmente e vale
para todos.219 A falta de vontade de trabalhar é sintoma de estado de graça ausente.

(...) Clara se revela aqui a divergência com relação à doutrina [ou melhor: postura] medieval.
Também Tomás de Aquino tinha interpretado essa máxima. Só que, segundo ele,221 o
trabalho é necessário apenas naturali ratione {por razão natural} para a manutenção da vida
do indivíduo e da coletividade! Na falta desse fim, cessa também a validade do preceito.

-Última parte lida - ordem histórica objetiva, torna-se ela própria uma emanação direta da
vontade divina e, portanto, vira uma obrigação religiosa para o indivíduo perm anecer na
posição social e nos limites em que Deus o confinou.2 (Pag. 75)

irênico: Designativo dos livros destinados a apaziguar discórdias entre os cristãos dos
primeiros séculos. Pacífico, apaziguador.

ascese
substantivo feminino
1. 1.
fil na filosofia grega, conjunto de práticas e disciplinas caracterizadas pela austeridade e
autocontrole do corpo e do espírito, que acompanham e fortalecem a especulação teórica em
busca da verdade.
2. 2.
rel no cristianismo e em todas as grandes religiões, conjunto de práticas austeras,
comportamentos disciplinados e evitações morais prescritos aos fiéis, tendo em vista a
realização de desígnios divinos e leis sagradas.

TEOLOGIA SISTEMÁTICA
_______________________________________________________________________________________________

Eclesiologia - Incorpora três divisões - A verdadeira igreja, o corpo de Cristo,A igreja visível ou
organizada, a vida e o serviço dos que são salvos nesta dispensação.

Teologia natural - a teologia natural designa uma ciência que é baseada somente naqueles fatos
concernentes a Deus e seu Universo que estão revelados na natureza.

Teologia Revelada - Este termo designa uma ciência que está baseada somente naqueles fatos
convernentes a Deus e seu Universo que estão revelados nas escrituras da verdade.

Teologia Bíblica - A teologa Bíblica designa uma ciência que tem como alvo investigar
averdade a respeito de Deus e seu Universo comseu desenvolvimento divinamente ordenadoe o
ambiente histórico, como está demonstrado nos vários livros da Bíblia. Ela não é um substituto
para a Teologia doutrinária ou ética, mas é a sua contraparte histórica. Ela é a consideração
histórica da verdade bíblica como foi originalmente dada em sua proclamação profética.

Teologia propriamente dita ( Teontologia) este termo designa uma ciência limitada que
contempla somente a pessoa de Deus - pai, filho e Espírito Santo, e sem referência às obras de
cada uma delas.

Teologia Histórica - Uma ciência que traça o desenvolvimento histórico da doutrina e e stá
preocupada, também, com as variações sectárias dstintas e com os desvios heréticos da verdade
Bíblica que tem aparecido durante a era cristã.

Teologia Sistemática - Ciência de Deus. Um sumário da verdade religiosa organizada


cientificamente, ou como um digesto filosófico de todo conhecimento religioso" Dr.w. Lindsay

Dr. Strong - Teologia sustemática - Ciência de Deus e das relações entre Deus e o universo.

Hodge - "Teologia Sistemática tem como seu objeto, sistematizar os fatos da Bíblia e averiguar
os princípios ou verdades gerais que esses fatos envolvem.

Dr. Thomas - Ciência é a expressão técnica das leis da natureza, teologa é a expressão técnica
da revelação de Deus. É a área da Teologia que examina todos os fatos espirituais da revelação,
que estima o valor deles e que os dispõe num corpo de ensino.

Shedd define a Teologia Sistemática como uma ciência que está preocupada tanto com o infinito
quanto com o finito, tanto com Deus quanto com o universo.

Agostinho - Denota a Teologia como "uma discussão racional a respeito da divindade.

Termo - Teólogos -> Em seu original, denotaria alguém que fala por Deus(modo ativo)mas se
usado passivamente, se referiria àquele a quem Deus fala.

-> Teólogo - Biblicista, não somente considera a Bíblia como a única regra de fé e prática,mas
como a única fonte confiável de informação nas esferas das quais a revelação divina fala.

Métodos para lidar com a verdade da palavra de Deus - o Dedutivo, pelo qual um tema é
expandido em seus detalhes de expressão, um método que pertence amplamente ao campo da
homilética, o indutivo, pelo qual as várias declarações sobre um assunto são reduzidas a uma
afirmação harmoniosa e todo abrangente = o indutivo é distintamente o método teológico. As
induções podem ser imperfeitas ou perfeitas.

Indução imperfeita - Quando alguns ensinos, mas não todos, tornam-se a base de uma afirmação
doutrinára.
Indução perfeita - Quando todos os ensinos da escritura,de acordo com o seu significado exato,
se torna a base de uma afirmação doutrinária.

->Este Conselheiro, ou Paracleto, é Deus, o Espírito Santo, a terceira pessoa da Santíssima


Trindade que tem sido "chamado a fim de que esteja para sempre convosco." Ele é um ser
pessoal e habita em cada crente.
Rm.8:4
1Co 2:15

Racionalismo - a atitude racionalista para com a escritura, é sujeita a uma divisão dupla:

-> Extremo - o racionalismo extremo nega qualquer revelação divina e representa as crenças ou
descrenças dos infiéis, ateus e agnósticos.

-> Moderado - Admite uma revelação, mas aceita somente partes da Bíbla que a razão pessoal
aprova.

-> Misticismo - Sujeito a uma classificação dupla:


- Misticismo falso - Teoriza que a revelação divina não é limitada a palavra escrita de Deus, mas
que Deus concede uma verdade acrescida às almas que são suficientemente despertadas pelo
Espírito de Deus para recebê-la. O misticismo falso inclui todos aqueles sistemas que ensinam a
identidade entre Deus e a vida humana - panteísmo, teosofia e a filosofia grega (...) os
fundadores e promotores de muitos desses cultos apelam para uma revelação especial de Deus
sobre a qual o sistema deles está construído.

Misticismo espiritual extremo - Quietismo, que propõe a morte ao eu, desconsidera os atrativos
do céu ou as dores do inferno e acaba com as petições na oração ou ação de graças para que o eu
não seja mais encorajado.

Misticismo verdadeiro - afirma que todos os crentes são habitados pelo Espírito e, assim,estão
na posição de serem iluminados diretamente por Ele,mas que há uma revelaçãocompleta, que é
concedida e que a obra iluminadora do Espírito será confinada à revelação das escrituras para a
mente e o coração.

Bibliologia - uma consideração dos fatos essenciais a respeito da Bíblia


Teontologia - Uma consideração dos fatos a respeito de Deus - Pai,filho e Espírito, à parte das
obras deles.
Angelologia - Uma consideração dos fatos a respeito do ser humano.
Soteriologia- Uma consisderação dos fatos a respeito da salvação.
Eclesiologia - Uma consideração de todos os fatos a respeto da igreja;
Escatologia - Uma consideração de tudo na escritura que foi preditivo no tempo em que foi
escrito.

Cristologia - Uma consideração de tudo qu a escritura diz a respeito do Senhor Jesus Cristo.
Pneumatologia - Uma consideração das escrituras a respeito do Espírito Santo
Sumário Doutrinário - Uma análise de cada doutrina importante em seu caráter individual,
inclusive os vários aspectos importantes que, por causa do caráter independente deles, não
aparecem nem mesmo num tratamento completo da Teologia Sistemática.

Bibliologia

O teólogo deve ser um Biblicista - aquele que não somente é um erudito na Bíblia, mas tambem
um crente no caráter divino de cada porção do texto da Bíblia.

Supremacia peculiar da Bíblia - vista no fato de ela revelar a verdade a respeito do Deus
infinito, de sua infinita santidade, do infinito pecado do homem e de sua redenção infinita.

É razoável concluir que a Bíblia em si mesma é infinita

Bíblia - livro antropoexcêntrico


Deus é mostrado na Biblia como aquele que exerce autoridade impregnadora e absoluta sobre as
esferas física, moral e espiritual e como Aquele que dirige as coisas para um fim de modo que
elas possam redundar para a sua glória.

-> Deus - pai de toda criação, o Pai do Filho eterno.

Os períodos de tempo na Bíblia

1) Primeiro período da História humana, ou de Adão a Abraão – é


caracterizado pela presença na terra de uma linhagem ou povo – os gentios.
2) Segundo período, de 2000 anos da história humana, ou de Abraão a Cristo, é
caracterizado pela presença na terra de duas divisões na humanidade – o
gentio e o judeu.
3) Terceiro período da história humana, ou desde a primeira vinda de Cristo
ao seu segundo advento, é caracterizado pela presença na terra de três
divisões na humanidade – o gentio, o judeu e o cristão.
4) Quarto peródo, de Mil anos (AP.20.1-9 – ou desde o segundo advento de
Cristo até o julgamento do grande trono branco e a criação do novo céu e da
nova terra, é caracterizado pela presença de apenas duas classes de pessoas
na humanidade sobre a terra – o judeu e o gentio.

Dispensações.

Uma medida de tempo, um período que é identificado por sua relação a algum
propósito particular de Deus.

1) Dispensação da Inocência – se estendeu desde a criação até a queda de


Adão.
2) Dispensação da Consciência – Se estendeu desde a queda de Adão até o
Dilúvio, em que a era da consciência era, evidentemente, o aspecto
dominante da vida humana sobre a terra e a base do relacionamento do
homem com Deus.
3) Dispensação do governo humano – que se estendeu desde o Dilúvio até a
chamada de Abraão, é caracterizado pela entrega do autogoverno aos
homens, e é a introdução de um novo propósito divino.
4) Dispensação da promessa, que é continuada desde a chamada de Abraão e
vai até a doação e a aceitação da lei mosaica no Sinai.
5) Dspensação da lei – Se estendeu desde a doação da Lei de Jeová a Moisés e
sua aceitação por Israel no Sinai, terminando com a morte de Cristo.
6) Dispensação da Graça – Se estende da morte de Cristo até seu retorno.
7) Dispensação do reino – Continua desde o segundo advento de Cristo por mil
anos e termina com a criação do Novo céu e da nova terra.

- > Considerações sobre o livro de Lewis a respeito da Teologia Sistemática:

- Durante quinze séculos, o Judaísmo vindo de Deus, esteve debaixo do favor


divino. O evangelho quebra este monopólio.

A Bíblia é uma coleção de 66 livros, que foram escritos por 4º autores – reis,
camponeses, filósofos, pescadores, médicos, estadistas, eruditos, poetas e
lavradores., que viveram em vários países e não tiveram uma conferência para
entrar em acordo um com o outro,e num período não menor que dezesseis séculos
da história humana.

Baseado em condições óbvias, um homem poderia dar um “chute” acertado em


termos de vaticínio com respeito aos acontecimentos do dia seguinte, mas a
profecia Bíblica desconsidera o elemento tempo.

O Salmo 22 é uma previsão da morte de Cristo.

Máxima de Möhler – “Sem Moisés, os profetas e Cristo, Maomé é simplesmente


inconcebível, pois o significado essencial do Alcorão é derivado do antigo e novo
testamentos.

Os livros do Antigo Testamento estão classificados como históricos – Gênesis


a Ester, Poéticos – Jó e Cantares de Salomão, Proféticos – Isaías a Malaquias

Os livros do Novo Testamento são classificados como – Históricos- Mateus a


Atos, Epistolares – Romanos a Judas, e profético – Apocalipse.

No que se refere a pessoa de Cristo – que é o tema central de todas as escrituras, o


Antigo Testamento é classificado como preparação, os quatro evangelhos como
manifestação, os Atos como Propagação, as epístolas como Explicação, o
Apocalipse como consumação.

Com respeito a origem dos gentios, os mesmos tem a sua linhagem em Adão e a sua
liderança natural está nele. São participantes na queda e embora sejam objetos da
profecia que declara que eles ainda compartilham, com um povo subordinado, com
Israel em seu reino de glória que está por vir.

Os pactos e promessas realizados entre Deus e Abraão, tornaram sua raça tão
distinta (o autor cita o termo “antípodas” para declarar a diferença entre o povo de
Deus (descendentes de Abraão) e os gentios, ou as demais nações. Cinco sextos da
Bíblia se referem direta ou indiretamente aos judeus.

Romanos 3:9 narra que não há qualquer diferença entre judeus e gentios com
respeito a necessidade de salvação deles.

Divisões relacionadas a humanidade

(1) Primeiro período da história humana, ou de Adão a Abraão, é caracterizado


pela presença na terra de uma linhagem ou povo – os gentios.
(2) Segundo período, de 2.000 anos da história humana, ou de Abraão a Cristo,
é caracterizado pela presença na terra de duas divisões na humanidade – o
gentio e o judeu.
(3) Terceiro período da história humana, ou desde a primeira vinda de Cristo
ao seu segundo advento, é caracterizado pela presença na terra de três
divisões na humanidade – o gentio, o judeu e o cristão.
(4) Quarto período, de mil anos (Ap.20.1-9, ou desde o segundo advento de
Cristo até o julgamento do grande trono branco e a criação do novo céu e da
nova terra, é caracterizado pela presença de apenas duas classes de pessoas
na humanidade sobre a terra – o judeu e o gentio.

Os pactos.

Deus estabeleceu vários pactos. Estes também são bem definidos:

Pacto da redenção - cada uma das pessoas da trindade antes da criação do


tempo, assumiu a sua parte no grande plano da redenção – o pai envia o
filho, o filho oferece-se sem mácula ao pai como sacrifício eficaz e o Espírito
Santo administra e habilita a execução desse plano em todas as suas partes.

Pacto das Obras – A designação teológica para aquelas bênçãos que Deus
ofereceu aos homens e condicionou ao mérito humano. Antes da queda,
Adão relacionou-se com Deus por um pacto de obras, até ser salvo, o
homem está debaixo da obrigação inerente de ser em caráter igual ao seu
Criador e de fazer a vontade dele.

Pacto da Graça – Usado para indicar todos os aspectos da graça divina para
com os homens em todas as épocas. A frase “pacto da graça” não é
encontrada na Bíblia e, como presentemente apresentada pelos mestres
humanos, está longe de ser uma concepção escriturística.

Pacto Edênico – Que é declaração de Jeová, a qual incorpora sete aspectos


que condicionaram a vida do homem não caído sobre a terra.
Pacto Adâmico – que é também dividido em sete partes e condições da
vida do homem sobre a terra após a queda. Muita coisa deste pacto é
perpétua através das gerações, até que a maldição seja retirada da criação.

Pacto Abraâmico – Tem sete divisões ou objetivos divinos. Esse pacto


garante as bênçãos eternas sobre Abraão, sua posteridade e sobre as
famílias da terra.

Pacto Mosaico – tem três partes, a saber – os mandamentos, os juízos e as


ordenanças, que por sua vez, governavam a vida moral, social e religiosa de
Israel e impunham penalidades para cada pecado.

Referências Bibliográficas.

http://www.monergismo.com/textos/arminianismo/cincopontos_arminianismo.h
tm