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Detectando o senso ideológico e/ou nível de consciência

Para que se separe a ideologia da consciência, o discurso individual deve ser analisado através de suas próprias
palavras, esgotando-se todos os significados possíveis, tanto do que está contido nele, quanto no que está
escondido, no que se encontra nas entrelinhas. Várias técnicas são utilizadas para que haja esse entendimento,
como a AAD (Análise Automática do Discurso) de Pecheux e diversas outras menos estruturadas, sendo importante
partir da síntese precária para um entendimento mais completo. Com esse procedimento, a cada nível de análise o
problema pode ser reformulado, considerando a ação do indivíduo e a forma como o discurso foi formulado.
Portanto, esse procedimento parte do específico dentro de uma totalidade, sendo a análise feita dentro de aspectos
significativos, que emergem da análise individual.

O ato de pesquisar é também uma práxis, pois parte da ideia, que se teoriza, que altera a ideia, que se teoriza e
assim por diante, portanto as lacunas em um problema seriam de extrema importância para a tentativa de
resolução. O pesquisador também acaba por ser importante para o fato estudado em função de ser uma parte
material da realidade do estudo e por ter seu papel institucionalizado através da ideia pré-definida da sociedade de
obter um caráter dominante, de ser detentor de saber. Deve haver então extrema cautela para que seus
procedimentos não sejam manchados por estas ideologias.

Conhecer a ideologia ou o nível de consciência implica também conhecer as relações grupais, a adoção de papéis, a
ideologia dominante e, as relações de dominação e suas contradições. Seria necessária a análise das atividades
desenvolvidas pelo grupo, assim como o discurso de seus membros. O confronto do nível do discurso e da ação é
essencial para a compreensão do indivíduo como reprodutor da ideologia, para assim, chegar à análise do nível de
consciência. Por menor que seja a participação do pesquisador, as suas características não podem ser ignoradas no
estudo.

Como pontos-chave para a metodologia de Pesquisa Social temos:

1) As definições e conceitos apriorísticos são dispensáveis, quando não restritivos para a atividade de pesquisar;
(todas as ideias existentes que sejam infundadas devem ser desconsideradas a menos que sejam necessárias para a
pesquisa)

2) por outro lado, categorias que nos remetem aos vários níveis de análise permitem chegar à materialidade do
fato, ao concreto que está sob o empírico aparente; (é através da categorização que podemos chegar a um fato
material, provável, que se encontra envolto pelo empírico)

3) a pesquisa como “práxis” implica, necessariamente, intervenção e acumulação de conhecimentos; (por não
haver um conhecimento fixo, a intervenção é necessária e a acumulação de conhecimentos poderá implicar futuras
comparações e talvez a geração de um conhecimento novo e mais completo)

4) as lacunas no conhecimento são tão importantes quanto o conhecido, se não mais, pois são elas que
permitirão aprofundar e rever as análises já realizadas. (as lacunas de conhecimento que impulsionarão a busca
pelo conhecimento completo e revisão do que já é conhecido)