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A REPÚBLICA POPULISTA (1946-1964)

1. Contexto histórico.
Com o fim da segunda guerra mundial, o espaço geopolítico passou a ser disputado pelas duas
superpotências vencedoras da guerra – EUA e URSS. Como o Brasil houvera lutado ao lado dos aliados,
principalmente devido a pressões norte-americanas, após o fim do Estado Novo, o alinhamento ao bloco
estadunidense se tornou mais nítido. Devido também ao contexto de guerra fria, o Brasil estava sob a influência
da doutrina Truman, que visava reprimir toda influência socialista no bloco americano. Isso acabou por gerar
uma polarização muito grande na sociedade, além de uma forte pressão estrangeira que poderia afetar a
governabilidade nacional.
2. Características:
• Governos democráticos
• Líderes de grande apelo popular
• Desenvolvimentismo
• Trabalhismo
• Polarização e tentativas de golpes de estado
3. O que é populismo?
O populismo é uma forma de governo baseada na dicotomia povo e anti-povo. Sendo o povo o depositário
de todas as virtudes nacionais e o elemento chave da sua política de governo. Entretanto a ideia de povo é mais
um ente abstrato do que uma captação racional do conceito, geralmente se prende a tipos comuns como
camponeses, operários, trabalhadores urbanos, descamisados etc. Já o anti-povo seria tudo o que for externo a
essa miscelânea, os setores industriais, os americanos, o FMI. Da mesma forma que povo é um conceito
indefinido, o anti-povo também o é, sendo a instrumentalização desses conceitos para manipulação das massas.
No Brasil, o governo populista por excelência foi o governo Vargas, sendo os demais influenciados por
ele, embora tendo diferenças de abordagem entre eles. Entretanto, é preciso ter cuidado pois, como fenómeno
histórico, o populismo teve uma época delimitada (1930-1964).
4. Os governos Populistas.
• Governo Dutra (1945-1950)
O fim do Estado Novo não significou o fim da influência de Getúlio Vargas. Nas eleições de1945, o
candidato apoiado por Vargas, Eurico Gaspar Dutra, ganhou as eleições com 55% dos votos válidos, contra 35%
do candidato da oposição e 10% do candidato do PCB, que havia voltado à legalidade.
O governo Dutra caracterizou-se por um forte alinhamento ao bloco americano, com repressão às
esquerdas e ruptura de relações com a URSS. Foi no seu governo que foi assinado TRATATO
INTERAMERICANO DE ASSISTÊNCIA RECÍPROCA (Tiar), onde qualquer ataque a um país americano
deveria ser considerado um ataque a todos os demais.
No Plano econômico, Dutra lançou o plano SALTE (Saúde Alimentação Transporte Energia), que visava
desenvolver certos setores da economia nacional. Um dos feitos desse programa foi a inauguração da rodovia
Rio-São Paulo (Dutra) além da hidrelétrica de Furnas. Ao mesmo tempo, Dutra abriu o mercado brasileiro ao
capital estrangeiro, entretanto as medidas econômicas não tiveram o fim desejado e no fim o governo teve de
rever o plano em si.
No âmbito político, o Governo Dutra foi responsável pela promulgação da constituição de 1946.
• A volta de Vargas.
Vargas foi eleito com 48,7% dos votos contra 29,7% de Eduardo Gomes, da UDN. No entanto, a volta
dele gerou desconfiança aos setores liberais, com medo de uma nova ditadura. É notória nessa época a oposição
ferrenha do Carlos Lacerda, que defendia abertamente que se Getúlio fosse eleito, não deveria tomar posse e se
tomasse posse, deveria ser derrubado.
No âmbito econômico, Vargas procurou implementar um plano econômico nacionalista, visando um
desenvolvimento mais autônomo. Esse modelo, porém, sofria oposição dos setores que defendiam uma maior
abertura ao capital estrangeiro e controle orçamentário da economia, esses setores eram chamados de entreguistas.
Destaca-se nesse embate a campanha do “O petróleo é nosso” e a criação da Petrobras.
Entretanto, a polarização decorrente da Guerra fria acabou por gerar oposições maciças a Vargas,
principalmente por parte de Carlos Lacerda. A isso aliou-se a inflação, a falta de reajuste do salário mínimo e o
descontentamento dos setores conservadores. Em 1 de maio de 54, o ministro do Trabalho, João Goulart, decretou
aumento de 100% do salário mínimo, o que mais uma vez gerou polarizações absurdas.
A crise política, porém, teve seu clímax com o atentado contra Carlos Lacerda perto de sua residência, no
qual o major da aeronáutica Rubens Vaz, saiu morto. Ao se constatar que o autor dos disparos havia sido Gregório
Fortunato, segurança do palácio do Catete, as suspeitas recaíram sobre o presidente que foi obrigado a renunciar.
No entanto, no dia 24 de agosto, Vargas se suicida, deixando uma carta-testamento. “Saio da vida para entrar na
história”.
• Governo JK
Os anos JK são marcados pelo nacional-desenvolvimentismo. Tendo em vista o desenvolvimento de
indústrias de bens de consumo não duráveis com o apoio de capital privado e estrangeiro. Para que isso fosse
possível, Juscelino Kubitschek, contraiu altos empréstimos ao FMI, o que elevou em muito a dívida externa
brasileira. O grande mote do governo era “50 anos em 5”.
Devido à popularização do rádio, foi nessa época que a cultura radiofônica do Brasil atingiu grandes níveis
e cantores se tornaram bastante famosos. Foi também o período em que o Brasil ganhou a sua primeira copa do
mundo, revelando jogadores como Pelé, Garrincha, Vavá etc... porém o feito mais notório do Governo foi a
construção e transferência da capital federal para Brasília em 1960.
Entretanto os altos empréstimos acabaram levando o Brasil a um processo de endividamento altíssimo,
chegando a uma inflação de 30% ao ano.
• O governo Jânio
Jânio governou apenas sete meses, pois renunciou em 25 de agosto de 1961. Durante este breve período,
tomou medidas polêmicas de pouca importância, sofreu duras críticas e não conseguiu estabelecer uma relação
harmônica com o Congresso Nacional. Na economia sem um projeto eficiente para resolver os principais
problemas econômicos do país, Jânio viu sua popularidade cair em função do aumento da crise econômica,
caracterizada pelo crescimento da dívida externa e da inflação (heranças do governo JK). As medidas econômicas
tomadas por seu governo surtiram pouco efeito. Na política interna Jânio buscou afastar-se das tradicionais forças
políticas do país. Acredita que assim teria mais liberdade para governar, pois não teria compromissos com
partidos políticos. Desta forma, as negociações com o Congresso Nacional ficaram difíceis e, muitas vezes,
conflituosas.
Na área externa, Jânio procurou romper com a dependência dos Estados Unidos. Aproximou-se dos
movimentos nacionalistas e de esquerda.
- Buscou reaproximar diplomaticamente o Brasil da União Soviética (país socialista).
- Enviou o vice-presidente, João Goulart, em missão oficial para a China (país que seguia o socialismo).
- Criticou a política dos Estados Unidos com relação a Cuba.
- Condecorou, com a ordem do Cruzeiro do Sul, Che Guevara (uma das principais figuras revolucionárias
comunistas do período).
Esta política externa desagradou muito os setores conservadores da sociedade brasileira, os políticos de
direita e também as Forças Armadas do Brasil.
• Governo Jango
Antes de Goulart conseguir voltar ao Brasil, a chefia do país foi confiada a Ranieri Mazzilli, então
presidente da Câmara dos Deputados. Nessa ocasião, houve a chamada “Batalha da Legalidade”, isto é, enquanto
alguns ministros militares, contrários à posse de Jango, queriam vetar sua volta ao Brasil, outros militares, como
o general Machado Lopes, queriam garantir a posse. Leonel Brizola (à época governador do Rio Grande do Sul
e cunhado do presidente) articulou-se com militares que também queriam a posse de Jango, criando um esquema
de proteção em torno da figura do presidente. A solução para esse impasse foi dada pelo Congresso Nacional, ao
transformar o regime presidencialista em parlamentarista.
O governo de Goulart procurou compor um quadro administrativo com nomes como San Tiago Dantas,
Celso Furtado, Almino Afonso e Amauri Kruel. Com essa organização, o governo procurou promover um plano
trienal para combater a inflação e acelerar o crescimento econômico. Entretanto, o governo enfrentava também
outros problemas, como as ondas de greves e as insubordinações militares. Além disso, houve a tentativa de
promoção das Reformas de Base, como a Reforma Agrária, tentativa essa que atraiu a atenção das camadas
revolucionárias da esquerda, que viam nas reformas a possibilidade de radicalização. Atraiu também a atenção
de militares e civis conservadores que se colocavam veementemente contra.
O mês de março de 1964 foi crucial. No dia 13, Goulart proferiu o famoso discurso na Central do Brasil,
comprometendo-se, diante de uma população de 150 mil pessoas, a cumprir o programa de reformas proposto.
No dia 19, houve a Marcha da Família com Deus pela Liberdade, que reivindicava uma reação militar contra uma
iminente revolução comunista no Brasil. Essas posições intensificaram-se nos dias seguintes, inclusive dentro
das próprias Forças Armadas. Havia os setores do exército que estavam dispostos a defender o governo e aqueles
que pretendiam alijar Goulart do cargo de presidente. No dia 1 abri de 1964, deu-se o golpe civil-miliar e
começava a ditadura militar.