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CÓDIGO/DESIGNAÇÃO DA UNIDADE

7223 / PRINCÍPIOS DE ERGONOMIA E PREVENÇÃO DE ACIDENTES E


DOENÇAS PROFISSIONAIS

CARGA HORÁRIA 25 HORAS

FORMADOR/A INÊS MENDES

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Objetivos e conteúdos …….…………….……………………………………………………………………………….………………………..3
Introdução …………………………………………………………………………….………………………………………………………..……..4
1. Ergonomia…………………………………………………………………………………………………………………………..……..….5
2. Aplicação da Ergonomia na Área dos Posicionamentos…………………………………………………………………. 22
3. Acidentes e Doenças Profissionais Decorrentes da Atividade do Técnico Familiar e de Apoio à
Comunidade ………………………………………………………………………………………………………………………………..28
4. Prevenção de Lesões Músculo-Esqueléticas ………………………………………………………………………………... 29
5. Meios Auxiliares no Posicionamento,Mobilização e Transferência ……………………………………….………………32
6. Ajudas Técnicas de Apoio à Mobilização e à Marcha ………………………………………………………………….. 38
Conclusão …………………………………………………………………………………………………………………………………………….46
Referências Bibliográficas …………………………………………………………………………………………………………………….47

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OBJETIVO GERAL
 Identificar os conceitos e princípios fundamentais sobre ergonomia e prevenção de acidentes e
doenças profissionais.
 Identificar os principais acidentes e doenças profissionais decorrentes da atividade do técnico
familiar e de apoio à comunidade.
 Identificar técnicas de prevenção de lesões músculo-esqueléticas.
 Caracterizar os meios técnicos auxiliares de apoio à mobilização e marcha.
 Reconhecer o papel dos meios técnicos auxiliares e das ajudas técnicas na prevenção de
acidentes e doenças profissionais.

CONTEÚDOS PROGRAMÁTICOS
 Conceitos básicos de ergonomia
o Conceito de ergonomia
o Conceito de postura de trabalho
o Riscos relacionados com a postura de trabalho
o Ergonomia e a sua aplicação nas tarefas do técnico familiar e de apoio à comunidade
 Ergonomia e a sua aplicação na área dos posicionamentos
o Risco ocupacional na manipulação de cargas
o Riscos relacionados com a postura de trabalho
o Princípios ergonómicos a respeitar
 Principais acidentes e doenças profissionais decorrentes da atividade do técnico familiar e de apoio à
comunidade
o Riscos associados às tarefas
o Riscos associados ao indivíduo/utente
o Riscos associados ao ambiente
o Outros riscos
 Técnicas de prevenção de lesões músculo-esqueléticas
o Na mobilização
o No posicionamento
o Na transferência e transporte
 Papel dos meios auxiliares no posicionamento, mobilização e transferência
o Pequenos e grandes meios auxiliares, suas características e funcionalidades
o Regras de utilização
 Utilização de ajudas técnicas de apoio à mobilização e marcha e suas funções
o Andarilho
o Canadianas
o Bengalas e pirâmides
o Muletas axilares
o Cadeira de rodas

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INTRODUÇÃO

A Ergonomia existe desde que o homem procura adaptar utensílios e ferramentas (no trabalho ou no
lazer) às suas características.
O termo Ergonomia deriva do grego: ergo = trabalho + nomos = leis. Etimologicamente, ergonomia
significa a ciência do trabalho, o que está para além de uma perspectiva redutora da criação de leis
que regem o trabalho.
A primeira referência à utilização do termo Ergonomia data de 1857, altura em que Jastrzebowski,
estudioso polaco, se lhe refere numa das suas obras «Précis d’Ergonomie or de la Science du Travail
basée sur de verités tirée dês sciences de la nature», ficando depois esquecido durante anos.
Após a 2ª guerra mundial assistiu-se a um novo impulso no desenvolvimento da Ergonomia, em
particular através de um engenheiro inglês, Murrel, que em 1949 contribui para a criação da primeira
sociedade de ergonomia, a Ergonomic Research Society. A partir de 1950 a
Ergonomia expande-se e assiste-se à criação de associações e sociedades de Ergonomia, tanto na
Europa como nos EUA. Em 1957 foi criada a Human Factors Society, nos EUA, e ainda hoje o termo
Factores Humanos continua a ser utilizado, sendo naquele país muitas vezes tido como sinónimo de
Ergonomia. Na Europa, a criação da SELF acontece apenas em 1963 e está relacionada com a
Ergonomia da Atividade Humana centrada na necessidade de adequar as condições de trabalho às
características dos operadores.
Segundo Wisner (1972), a Ergonomia é o conjunto dos conhecimentos científicos relativos ao homem
e necessários para conceber ferramentas, máquinas e dispositivos que possam ser utilizados com o
máximo de conforto, de segurança e de eficiência.
A Ergonomia pode ser vista como a ciência que estuda o trabalho humano, no sentido de adaptar o
trabalho, a forma como está organizado e os elementos constituintes do seu envolvimento, ao
indivíduo, de acordo com as suas características físicas, fisiológicas, psicofisiológicas, biomecânicas
e psicológicas.
A análise e intervenção ergonómicas têm como objetivo a obtenção de níveis ótimos de conforto,
segurança e saúde de quem trabalha, visando contribuir para a obtenção de melhores resultados no
que respeita à qualidade do trabalho e à produtividade, ao mesmo tempo que procuram promover a
redução de riscos e danos provocados pelo trabalho.

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1. Ergonomia

Conceito de Ergonomia

A Ergonomia é um termo que deriva do grego “ergon”, que significa “trabalho” e “nomos”, que
significa “leis ou normas”. Esta designa a ciência que estuda a adaptação do individuo ao seu local de
trabalho.

e a eficiência do sistema produtivo.

A ergonomia aborda as regras que devem ser adotadas no local de trabalho de forma a minimizar os
impactos prejudiciais de posturas menos corretas.
O principal objetivo da ergonomia é desenvolver e aplicar técnicas de adaptação do Homem ao seu
trabalho e formas eficientes e seguras de o desempenhar visando a otimização do bem-estar e,
consequentemente, o aumento da produtividade.

Objetivos da Ergonomia:

• Aumentar a eficiência organizacional (ex: produtividade e lucro);


• Aumentar a segurança, a saúde e o conforto do trabalhador.

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A ergonomia envolve fatores anatómicos, fisiológicos e psicológicos.
Esta considera o comportamento humano, as suas capacidades e
limitações.
Com estes estudos a ergonomia proporciona um
conjunto de soluções para um melhor desempenho, mais seguras e
mais amigáveis para o utilizador.

Esta acrescenta ao trabalho, eficiência, produtividade e maior conforto. Um elevado número de


enfermidades são decorrentes da ausência de medidas ergonómicas apropriadas.

A ergonomia, como trabalho preventivo, faz uma grande diferença em termos de qualidade de vida
dos colaboradores. Quando se encaram os desafios existentes na forma de realizar o trabalho,
procurando e corrigindo as situações causadoras de afastamento, de dor, de desconforto, de
dificuldade e de fadiga excessiva, melhoramos enormemente a qualidade de vida dos trabalhadores,
evitamos doenças e consequentemente aumentamos a produtividade.

Dois dos temas cruciais no âmbito da ergonomia são a segurança no trabalho e a prevenção dos
acidentes laborais, e por isso, sugere-se a criação de locais adequados e de apoios ao trabalho, de
métodos laborais e sistemas de retribuição de acordo com o rendimento (valorização,
estudo do trabalho).

Esta determina horários de trabalho, assim como a sua nacionalização, e contempla tudo através de
uma perspetiva humanitária da empresa e das relações que se estabelecem nela.

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O conceito de ergonomia aplica-se à qualidade de adaptação de uma máquina ao seu operador,
proporcionando um eficaz manuseamento e evitando um esforço extremo do trabalhador na
execução do trabalho.

Objetos de estudo alvo de análise pela ergonomia com o objetivo de diminuir os perigos e prevenir
erros e acidentes:
• Posturas adotadas pelos trabalhadores;
• Movimentos corporais efetuados;
• Fatores físicos ambientais que enquadram o trabalho;
• Equipamentos utilizados.

Tipos de intervenção da ergonomia:


• Conceção de postos e métodos de trabalho, ferramentas, máquinas e mobiliário;
• Correção de problemas identificados através de metodologias próprias;
• Sensibilização, informação e formação sobre os métodos e técnicas mais adequadas para
realizar as suas tarefas.

Áreas da Ergonomia:

 Ergonomia Cognitiva
A ergonomia cognitiva está relacionada com um conjunto de
processos mentais, entre eles a perceção, atenção, cognição,
controlo motor e armazenamento e recuperação de memória.

A ergonomia cognitiva pretende analisar o impacto que esses


processos têm na interação do ser humano e outros elementos dentro de um sistema. Algumas áreas

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específicas são: carga mental de trabalho, vigilância, tomada de decisão, desempenho de tarefas, erro
humano, interação humano-computador e treino.

 Ergonomia Organizacional

Também conhecida como macroergonomia, a ergonomia organizacional parte do pressuposto de que


todo o trabalho ocorre no âmbito da organização.

A ergonomia organizacional pretende potencializar os sistemas existentes na organização, incluindo


a estrutura, as políticas e os processos da organização.

Algumas das áreas específicas são: trabalho por turnos, programação de trabalho, satisfação no
trabalho, teoria motivacional, supervisão, trabalho em equipa, trabalho à distância e ética no
trabalho.

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Conceito de Postura de Trabalho

A Postura de Trabalho pode ser considerada como a posição


relativa dos vários elementos do corpo de um indivíduo em relação
ao tipo de atividades que desenvolve.

As posturas adotadas no desenrolar das tarefas (especialmente


aquelas que envolvem grandes pesos) constituem a principal
causa de problemas de coluna. Isto acontece porque na maioria dos
casos, aquando do levantamento e transporte de cargas, os
trabalhadores mantêm as pernas retas e dobram a coluna vertebral.

Pode ainda ocorrer outra situação ou movimento perigoso. A rotação excessiva do tronco, aquando
da movimentação, levantamento ou abaixamento da carga.

O corpo humano nunca adota posturas perfeitamente estáticas – como corpo vivo que é, realiza
reajustamentos constantes que lhe permitem a manutenção de uma determinada postura corporal.

A postura corporal poder-se-á então definir como sendo a capacidade que um determinado corpo
possui, para manter um certo alinhamento intersegmental (entre os diversos segmentos corporais)
sem consequências nocivas para a saúde ou segurança.

A postura corporal envolve duas variáveis distintas:

As características anatómicas e fisiológicas do indivíduo;


Tipo de atividade.

As posturas incorretas resultam de diversos tipos de tarefas mais ou menos frequentes em muitos
sectores de atividade, desde a indústria pesada, passando pelo setor da saúde, hotelaria, restauração,
comércio e serviços.

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Quando os trabalhadores executam permanentemente tarefas num posto de trabalho mal
dimensionado ou que os obrigue a adotar posturas incorretas, em muitos casos, começam a surgir
precocemente sintomas de fadiga física, lesões, ou outros traumatismos.

São exemplo de lesões dorso lombares: contusões, feridas, fraturas, cortes e sobretudo lesões
diversas de ordem músculo-esqueléticas.

As lesões dorso lombares podem originar hérnias discais, assim como fraturas vertebrais devidas a
esforços muito grandes associados a posturas incorretas.

A OIT (Organização Internacional do Trabalho) referiu que a movimentação


manual de cargas associadas às posturas inadequadas nos locais de trabalho é uma
das causas mais frequentes de acidentes de trabalho com uma percentagem de
sensivelmente 20 a 25% do total dos acidentes de trabalho.

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As posturas são normalmente adotadas em função de alguns parâmetros ou exigências, tais como:

 Visuais;
 Precisão de movimentos;
 Força necessária para desenvolver a tarefa;
 Espaço onde atua o trabalhador;
 Ritmo de execução da tarefa.

É necessário termos sempre presente que quando se adota uma postura ou se realiza um simples
movimento, entram em ação um grande número de músculos, ligamentos e articulações em
simultâneo.

Para além das tensões musculares, alguns movimentos ou posturas incorretas obrigam a um
dispêndio energético muscular excessivo e a uma sobrecarga pulmonar e cardíaca.

Para se obter uma boa postura é necessário que três áreas se encontrem enquadradas:

a) Fisiologia e Anatomia

A anatomia (anatome = cortar em partes, separar) refere-se ao estudo da


estrutura e das relações entre estas estruturas.

A fisiologia (physis + lógos + ia) é a ciência que estuda a relação e as


funções das diferentes partes do corpo e o seu funcionamento.

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b) Antropometria

A antropometria e a ergonomia são indissociáveis. Estudam a


interação do homem com os espaços, construções, instrumentos de
controlo, utensílios e meio envolvente. A antropometria estuda as
medidas do corpo humano para posterior classificação antropológica
(ex. sob a forma de tabelas).

Os dados referentes às dimensões variam de pessoa para pessoa e de país para país. No geral, as
dimensões dos indivíduos variam também com o decorrer do tempo: variam ao longo das diferentes
idades, mas também cronologicamente (de geração para geração).

Os principais aspetos do binómio ergonomia–antropometria estão relacionados com as medidas dos


segmentos do corpo, forças musculares, posturas, movimentos e padrões motores de
manuseamento, uma vez que, interferem diretamente com o conforto, a segurança e a funcionalidade.

c) Biomecânica

Em termos de definição, é comum dividir-se a palavra


biomecânica em duas partes. No prefixo “bio”, de biologia, ou
seja, relativo aos seres vivos e, mecânica. Logo, a partir da
análise morfológica da palavra, a biomecânica será a aplicação
dos vários princípios da mecânica aos seres vivos, mais
concretamente ao corpo humano.

O objeto de estudo da biomecânica é o movimento. Este estudo


dos movimentos consiste na análise da interação do corpo, que
realiza uma determinada ação, com o meio envolvente.

Com as análises e estudos realizados no âmbito da


biomecânica pretende-se:

 Aumentar a eficiência técnica dos indivíduos em


diversas atividades e profissões;
 Diminuir a probabilidade de se verificarem lesões, do
tipo crónico ou agudo, decorrentes da atividade física
realizada pelos indivíduos.

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É importante que no decorrer das suas tarefas, os trabalhadores tentem manter os diferentes
músculos, ligamentos e articulações em posições confortáveis. Adicionalmente, as curvaturas
naturais da coluna devem ser respeitadas durante a execução do trabalho.

Posturas anómalas ou movimentos bruscos podem lesar os discos intervertebrais, as articulações, os


ligamentos e nervos, provocando dor ou outras perturbações.

Riscos Relacionados com a Postura de Trabalho

Uma má postura ou postura incorreta pode ser definida como sendo aquela que possibilita o
aparecimento de uma incapacidade, determinada dor ou patologia.

É necessário ter em consideração que os diferentes indivíduos possuem também diferentes


suscetibilidades de contrair as diferentes patologias.

A postura é determinada pelo sistema locomotor. Este é responsável pelo deslocamento e pelos
diferentes movimentos do corpo no espaço. Todo e qualquer movimento, por menor que seja, requer
a participação do sistema locomotor, mesmo em repouso ou numa posição estática.

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Sintomatologia Derivada das Posturas e Movimentos Incorretos ao:

 Longo do Tempo

Estádio 1

Sensação de peso, adormecimento (sensação de formigueiro) e desconforto em áreas específicas.


Podem ocorrer dores ocasionais, durante as atividades mais intensas (no trabalho ou fora dele).
Regra geral, este tipo de sintomas cessa após descanso de horas ou dias.

Estádio 2

Neste estágio a dor é mais persistente e localizada. Geralmente, a dor torna-se mais intensa durante
períodos de atividade mais intensos. Mesmo com períodos de descanso, a dor pode permanecer ou
reaparecer inesperadamente. Apesar disso, o quadro clínico ainda não é considerado muito grave,
por exemplo: dores nos pulsos ou início de tendinites.

Estádio 3

O quadro clínico correspondente a este estádio é bastante grave. A doença pode prolongar-se por
vários meses ou até anos. Caracteriza-se pelas dores crónicas que por vezes não cessam com o
repouso ou através de medicamentos; a dor é espontânea e mais ou menos permanente. Geralmente
pode haver perturbação do sono.
As dores sentidas pelos pacientes podem tornar-se insuportáveis e provocar pontadas, choques,
perdas de força, etc.

Estádio 4

Este estádio é caracterizado por dores agudas e constantes. Por vezes, as dores tornam-se
insuportáveis atingindo outras partes do corpo. Os trabalhadores perdem a força e o controlo de
determinados movimentos.

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Localização das Patologias no Organismo Humano de Acordo com as Diferentes Posturas
Inadequadas Adotadas

Postura Localização da
Patologia
Em pé Pés e pernas (varizes)
Sentado sem apoio da coluna Músculos extensores das costas
Assento alto Parte inferior das pernas
(gémeos),
joelhos e pés
Assento baixo Coluna vertebral e pescoço
Braços muito esticados Ombros e braços
Pegas inadequadas nas ferramentas Antebraços e mãos
e objetos

Problemas Derivados da Falta de Ergonomia

A adoção de medidas menos corretas na utilização dos equipamentos, tais como computadores e os
seus aplicativos, podem originar, entre outros, os seguintes problemas:

 Dores nas Costas

A coluna tem a capacidade de armazenar traumas ao longo do


tempo, sem apresentar nenhum sintoma. O facto de não se apoiar
as costas no encosto da cadeira, pode originar dores lombares, que
resulta da posição incorreta da coluna vertebral, podendo causar
lesões na estrutura da coluna.

 Lesões Musculares

As lesões musculares são um dos problemas que decorrem da falta de


ergonomia na utilização dos computadores no local de trabalho. Algumas
lesões musculares que podem decorrer do uso inadequado do
computador são: as tendinites (inflamações nos tendões), cãibras
(contração involuntária e dolorosa do músculo), ou contraturas
musculares (bloqueio constante das fibras musculares numa zona
específica).

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 Fadiga

O facto de se adotar posturas inadequadas na utilização do computador pode originar


fadiga/cansaço, podendo também se manifestar com dores de cabeça.
Como pudemos observar, existem algumas atividades que exigem movimentos repetitivos, força
excessiva, posturas estáticas ou inadequadas, que podem originar problemas de saúde.

Isto pode refletir-se em:

Má concentração: Erros, perda de produtividade;


Má produtividade: Mau desempenho; atritos com chefia;
Alterações da saúde física: Dores musculares;
Alterações da saúde mental: Stress, irritabilidade, etc.

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Comportamentos a Adotar que Permitem Minimizar os Impactos de um Trabalho Repetitivo:

 Olho: Para garantir o conforto visual, mantenha o seu monitor entre 45 e 70 cm de


distância e regule a sua altura no máximo, até à sua linha de visão. Isto pode ser feito através
de um suporte de monitor, ou pela utilização de mesas dinâmicas.
Sempre que possível deve-se procurar descansar a vista, olhando para objetos e paisagens
a mais de 6 metros.

 Punho: A altura do monitor e teclado devem ser ajustadas até que fiquem ao nível dos seus
cotovelos. É muito importante que o punho fique reto ao digitar. O teclado deve ser mantido
na posição mais baixa e deve-se digitar com os braços suspensos ou com um apoio de punho.

 Pés Apoiados: As pessoas devem trabalhar com os pés no chão. As cadeiras devem
possuir rodas. Se a cadeira não permite apoiar os pés no chão, então a solução é adotar um
apoio para os pés, que serve para relaxar a musculatura e para melhorar a circulação
sanguínea nos membros inferiores.

 Costas: Com exceção de algumas atividades, as cadeiras devem possuir um encosto de


tamanho médio. Uma maior superfície de apoio garante uma melhor distribuição do peso
corporal, e um melhor relaxamento da musculatura. É recomendável ainda, que as cadeiras
tenham braços.

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Ergonomia e a sua Aplicação nas Tarefas do Técnico Familiar e de Apoio à
Comunidade

 Trabalhos Realizados de Pé

A posição de pé é bastante fatigante porque exige muito trabalho estático por parte dos músculos
envolvidos para manter essa posição. O coração está sujeito a maiores dificuldades para bombear o
sangue para as diferentes extremidades do organismo.

Os indivíduos que executam trabalhos dinâmicos em pé, geralmente apresentam menores níveis de
fadiga relativamente aos que permanecem numa posição estática ou sujeitos a pouca movimentação.

A postura bípede está intrinsecamente associada a trabalhos que exigem utilização de forças
consideráveis e ainda deslocamentos do corpo. A manutenção desta postura implica a utilização
constante dos músculos dorsais e do conjunto de músculos que controlam a posição da bacia.

A permanência em pé durante períodos de tempo muito longos pode provocar diversas patologias,
como por exemplo, dores nas costas, inflamações e inchaço das pernas, diversos problemas de
circulação sanguínea e cansaço muscular.

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Recomendações para Evitar ou Minorar os Riscos Associados às Tarefas:

 O piso do local de trabalho deverá estar sempre limpo, desimpedido de obstáculos e nivelado;
 Quando as características do trabalho ou tarefa especificamente obrigam o trabalhador à
permanência em pé, deve dotar-se o posto de trabalho de um tapete anti-fadiga;
 O corpo do trabalhador deve permanecer direito permitindo liberdade de movimentos;
 No horário de trabalho devem estar calendarizados pequenos intervalos ou pausas durante
as quais os trabalhadores possam descansar na posição de sentados;
 Colocação nos postos de trabalho de amparos verticais. Este tipo de apoio permitirá ao
trabalhador encostar-se ligeiramente ao longo da realização das suas tarefas e, em
simultâneo, reduzir a pressão exercida sobre as pernas e coluna vertebral (ainda que por
curtos períodos de tempo);
 O raio de ação dos movimentos executados pelos braços dos trabalhadores deve estar
próximo do seu tronco de modo a evitar que haja necessidade dos trabalhadores se
debruçarem e curvarem a coluna;
 O raio de ação das mãos deverá estar compreendido a sensivelmente entre 20 a 30 cm do
tronco;
 O calçado de trabalho reveste-se de grande importância. Este deverá ser extremamente
confortável e não possuir saltos;
 Será importante que a bancada de trabalho se possa ajustar às diferentes alturas dos
trabalhadores. Caso esta condição não se verifique (e caso haja necessidade), deve facultar
aos trabalhadores um estrado ou pedestal – para elevar o trabalhador ou a bancada de
trabalho (consoante a necessidade);
 A altura dos objetos e ferramentas deve também ser adaptada à tarefa que o trabalhador
realiza.

Quando se Dimensiona a Altura da Bancada (Superfície de Trabalho) Devem-se ter em


Consideração os Seguintes Fatores:

 A posição dos cotovelos relativamente


à bancada de trabalho;
 Distância dos olhos à tarefa ou objeto de trabalho;
 Especificidade do tipo de trabalho ou tarefa;
 O tipo de ferramentas e utensílios utilizados.

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 Trabalhos Realizados na Posição Sentado

Esta posição exige uma atividade muscular bastante intensa por parte da coluna vertebral e do
abdómen. O consumo energético nesta posição é inferior relativamente à posição de pé.

A maior parte do peso do corpo é suportado pelas nádegas e coxas. Os assentos e cadeiras devem por
isso possibilitar pequenas mudanças na postura adotada de modo a retardar o aparecimento da
fadiga.

Na posição de sentado, o peso das pernas deve ser transmitido à superfície de apoio no solo através
dos pés.

Hoje em dia são inúmeros os trabalhos que implicam o trabalho na posição sentado. Esta posição de
trabalho é normalmente adaptada em trabalhos que não necessitam de grande força física e podem
ser realizados numa área limitada (normalmente secretária, balcão ou bancada de trabalho).

Regra geral, a posição de sentado é mais confortável e bastante menos


cansativa para os trabalhadores. No entanto, a permanência nesta
posição por longos períodos de tempo também não é benéfica para os
trabalhadores, sobretudo para a coluna que sofre normalmente uma
ligeira curvatura e para as pernas que se encontram fletidas e isentas
de movimento. Desta forma, facilmente se conclui que, se possível os
trabalhadores que habitualmente trabalham sentados devem alterar
de posição.

O layout, equipamento/ferramentas e mobiliário, tem neste tipo de


trabalhos um papel muito importante na prevenção e minimização de
riscos profissionais.

Projetos inadequados de máquinas, assentos ou bancadas de trabalho


obrigam o trabalhador a adotar posturas inadequadas. Se estas forem
mantidas ao longo do tempo, podem provocar fortes dores
localizadas em todos os músculos solicitados na conservação dessas
posturas.

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A conceção do posto de trabalho no que concerne aos trabalhos na posição de sentado deve por isso,
obedecer a uma série de requisitos, nomeadamente:

 O trabalhador deve poder conseguir alcançar todos os objetos e ferramentas de que necessita
para executar as suas tarefas (do inicio até ao fim do ciclo de produção) sem ter que efetuar
movimentos bruscos ou efetuar grandes extensões dos braços ou mãos;
 Os trabalhadores deverão adotar uma posição que permita que a coluna vertebral se
mantenha numa posição reta relativamente às coxas;
 A mesa (bancada ou superfície de trabalho) deve ser concebida de modo a estar mais ou
menos nivelada pelos cotovelos e antebraços, de modo a evitar pressões desnecessárias;
 Caso haja necessidade de utilização de eletricidade, a mesa ou bancada de trabalho devem
possuir tomadas de modo a evitar a passagem de fios através do chão;
 A posição da cabeça deve ser neutra: ereta (a flexão ou extensão podem provocar diversas
lesões no pescoço, cabeça e coluna) enquanto o trabalhador está a olhar para a tarefa que
realiza;
 Os ombros não devem estar sujeitos a pressões;
 A cadeira deverá ser bastante confortável. Deverá permitir a regulação dos apoios dos braços,
costas e assento;
 Deve evitar-se uma postura incorreta muito comum, ou seja, o deslizamento anterior da bacia,
que provoca uma curvatura na coluna, e consequentemente, aumento da tensão nos
ligamentos espinais posteriores;
 Evitar a concentração de pressões excessivas causadoras de desconforto nas zonas apoiadas
nas cadeiras (coluna vertebral, nádegas e coxas) – estas podem provocar dificuldades

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2. Aplicação da Ergonomia na Área dos Posicionamentos

Risco Ocupacional na Manipulação de Cargas

Considera-se manipulação de cargas as atividades de transportar, agarrar, suster, empurrar, puxar


ou deslocar uma carga, por um ou mais trabalhadores.
Esta operação faz com que o instrumento de trabalho do trabalhador seja o seu próprio corpo,
estando por isso sujeito a vários perigos e riscos inerentes a esta atividade (Agência Europeia para a
Segurança e Saúde no Trabalho, 2007).

Por um lado, constitui um risco o esforço físico que é exercido pelo trabalhador no ato de movimentar
a carga e as posturas incorretas adotadas que comprometem a sua resistência física, força muscular
e até a oxigenação sanguínea, que com a frequência que são executadas ao longo do tempo sofrem
uma declinação natural própria do organismo, o que conduz ao surgimento de doenças.

Além disso, a movimentação manual de cargas pressupõe alterações no centro de gravidade do


trabalhador devido às características da carga em si, como o seu peso, dimensão e geometria
podendo provocar perda de equilíbrio, mas também a redução da capacidade de visão do meio
envolvente, o que potencia o risco de queda e de colisões por parte do trabalhador, ou seja um
acidente de trabalho.

A movimentação manual de cargas é uma tarefa que acomete o trabalhador a uma diversidade de
riscos, adjacentes ao esforço físico despendido pelo trabalhador para movimentar as cargas, entre
outros, sendo os principais fatores de risco a considerar, os seguintes:

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Características da carga:
 Tamanho e forma da carga;
 Peso da carga;
 Distribuição do peso;
 Tipo de preensão.

Características da tarefa:
 Distância de preensão relativamente ao corpo;
 Alturas iniciais e finais de preensão;
 Tempo de sustentação;
 Frequência de levantamento.

Práticas de trabalho:
 Método de levantamento;
 Posturas corporais;
 Adequação das pausas;
 Ajudas mecânicas utilizadas.

Características individuais:
 Idade, forma física (altura e peso);
 Condições de saúde.

Características do ambiente de trabalho:


 Natureza do pavimento irregular ou escorregadio;
 Espaço livre insuficiente;
 Nível de iluminação;
 Distância de transporte;
 Condições climáticas desfavoráveis (temperatura, humidade).

Os principais perigos que a manipulação de cargas comporta para o trabalhador são


principalmente:
 Sobre-esforço do trabalhador;
 Posturas inadequadas;
 Lesões músculo-esqueléticas;
 Queda do trabalhador;
 Esmagamento de membros (pés e mãos);
 Entalamento.

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Transporte de Cargas

Sempre que possível deverá:


 Manter as costas direitas;
 Manter a carga o mais próximo possível do corpo, à altura da cintura;
 Distribuir as cargas equilibradamente, mantendo os braços esticados junto ao corpo;
 Rodar os pés e não o tronco.

Regras para o Levantamento de Pesos

 A carga deve ser segura e levantada com as costas direitas, os joelhos dobrados e com a ajuda
da força das pernas;

 A carga deve ser levantada a mais próximo possível do corpo, segurando, sempre que possível,
a carga entre os joelhos, com os pés em posição apropriada (os pés separados e com um
ligeiramente adiantado em relação ao outro);

 O início do levantamento deve ser, sempre que possível, na altura dos joelhos, já que a força
máxima de levantamento ocorre na altura entre 50 e 75 cm do chão;

 Quando o levantamento começa na altura dos joelhos, a carga pode ser facilmente levantada
até uma altura de 110 cm. Se o levantamento começa na altura do cotovelo, a carga pode ser
facilmente levantada até aos ombros;

 Enquanto o levantamento ocorrer, deve evitar-se a rotação simultânea do tronco;

 Para o manuseamento de cargas usar sempre que possível carrinhos, rodízios ou dispositivos
de levantamento mecânico.

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Princípios Ergonómicos a Respeitar

Regras de Boas Práticas para Melhorar a Atitude Postural:

 Fortalecimento da musculatura abdominal e dorsal através do exercício físico;


 Exercícios posturais;
 Adequação do peso atendendo ao índice de massa corporal recomendado para os diferentes
indivíduos;
 Formação e informação dos trabalhadores relativamente à movimentação manual de cargas
e tipos de movimentos adequados ao seu trabalho;
 Se necessário utilizar acessórios, como por exemplo, uma cinta de proteção lombar.

Regras de Boas Práticas para Melhorar e Corrigir Determinadas Posturas:

 Pés: São os principais responsáveis pela locomoção e equilíbrio do nosso organismo. Deve
procurar-se uma boa base de forma a obter-se o equilíbrio e consequentemente maior
segurança e firmeza na postura do corpo. Os trabalhadores (se possível) devem procurar
alternar entre as posições de sentados e de pé. Quando o tipo de trabalho obrigar à
permanência da posição de pé durante muito tempo, o ideal é variar a sustentação do peso
entre os dois pés, mas não de forma prolongada, para evitar fadiga e tensão. Não se deve
colocar o peso apenas sobre os calcanhares ou sobre os dedos;

 Pernas: São muito importantes para ajudar a fixar e a sustentar o corpo. As pernas nunca
sofrem um relaxamento completo. No entanto, elas devem ficar flexíveis, nunca
completamente rígidas, de modo a estarem constantemente prontas para o movimento. Não
se deve apoiar todo o peso do corpo somente numa perna, pois haverá uma forte tendência
para o desequilíbrio. Para ajudar a resolver a tensão nas pernas e pés, podem-se fazer alguns
exercícios, como por exemplo, pequenos alongamentos nesta região;

 Quadris: Devem estar equilibrados, evitando que um lado esteja mais elevado do que o outro.
Porém, uma leve alternância ou movimentação ajuda a relaxar esta região, pois não é
desejável que esteja completamente rígida e estática;

 Abdómen: O abdómen deverá encontrar-se numa posição neutra (não deve estar
exageradamente projetado para dentro ou para fora). Devem-se evitar tensões excessivas
neste local, pois a musculatura desta região é de extrema importância para controlar a
respiração, imprescindível para o bom desempenho das tarefas;

 Costas: Os trabalhadores deverão manter a coluna direita de forma não muito rígida
favorecendo a sua saúde e o bom desempenho da estrutura óssea, tendões e articulações. A
manutenção de coluna numa posição vertical melhora ainda as condições da expansão do
tórax, e consequentemente, auxilia todo o processo de respiração. Independentemente do tipo

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de atividades que são desenvolvidas, as costas devem permanecer equilibradas, sem
inclinações exageradas;

 Tórax: Deve procurar-se manter o tórax numa posição relaxada, evitando-se assim, qualquer
contração muscular excessiva de modo a facilitar a respiração e os movimentos cardíacos;

 Ombros: Os ombros devem estar descontraídos, isentos de fontes de tensão. Qualquer rigidez
nesta região pode comprometer a ação dos músculos do tórax e pescoço, interferindo
diretamente na coluna e consequentemente na capacidade de movimentos do trabalhador. Os
ombros deverão encontrar-se numa posição neutra (nem voltados para frente, nem para trás,
nem para baixo e muito menos para cima). A rigidez local pode comprometer toda a postura
e provocar alguns distúrbios. Para se evitarem algumas lesões (especialmente quando o
trabalho envolve posturas estáticas) devem ser feitos alguns exercícios de relaxamento para
os ombros e coluna;

 Braços e Mãos: Devem estar caídos livremente ao longo do corpo ou sobre a bancada de
trabalho (consoante o tipo de atividade) de forma natural e relaxada; deverão estar tão livres
quanto possível. Devem ser evitados movimentos desnecessários, como por exemplo: colocar
os braços atrás das costas, ou ainda movimentar as mãos torcendo-as. Este tipo de
movimentos causa uma grande tensão nos braços e no tórax acabando por interferir na ação
dos restantes músculos do corpo. Deve-se ter sempre o cuidado, de manter os ombros e
braços relaxados, para evitar tensões no pescoço e cabeça.

Na realidade, as mãos são essenciais em quase todos os tipos de trabalho. Desta forma há que ter em
conta ainda as seguintes recomendações:

 Reduzir ao máximo a distância entre a tarefa e o tronco do


trabalhador;
 Remover obstáculos existentes na bancada/
posto de trabalho que possam impossibilitar o
movimento normal das mãos dos trabalhadores no
decorrer das diferentes tarefas;
 Colocar sempre os utensílios e ferramentas de trabalho
numa posição bem acessível para os trabalhadores de
modo a evitar movimentos bruscos quando for necessário
alcançá-los;
 Disponibilizar aos trabalhadores
ferramentas/utensílios ergonómicos e versáteis.

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 Cabeça: Deve estar centrada e em posição de equilíbrio (relativamente aos ombros e coluna).
O olhar do trabalhador deve fixar-se na direção da tarefa que está a executar, e o queixo deve
estar em ângulo reto com a cabeça. Quando as pessoas cravam a cabeça no tórax ou alongam
o pescoço para cima, dificultam os movimentos da nuca e pescoço, causando naturalmente
tensões que se podem transmitir à coluna.

Fatores de que Depende a Estabilidade de um Corpo:

 Tamanho da base de apoio;


 Peso do corpo;
 Altura do CG (centro de gravidade) relativamente à base de apoio;
 Localização da linha de gravidade em relação aos limites da base do corpo.

Estratégias Ergonómicas a Utilizar no Local de Trabalho:

 Mantenha o Pescoço Direito: Para tal, mantenha os ombros relaxados, o monitor ao nível
dos olhos, evitando curvar o pescoço para visionar o mesmo. O ecrã deve estar ajustado, de
forma a evitar brilhos (ângulo de 20º), sendo que o monitor deve estar a 50/70 cm de
distância.
 Punho em Posição Neutra: O punho deve estar em posição neutra, isto é, as mãos no teclado
devem estar paralelas, evitando levantar as mãos ou apoiar o pulso no teclado, para
escrever. Mantenha os ombros relaxados com os cotovelos junto ao corpo.
O teclado deve estar diretamente à sua frente com o rato ao mesmo nível, e evite bater no
teclado com muita força.
 Ombros e Quadris Alinhados: Para que os ombros e os quadris estejam alinhados é
necessário que o encosto esteja adaptado à curvatura da coluna, sendo que as costas devem
estar apoiadas no encosto da cadeira, mantendo o cotovelo junto ao corpo e não projetado
para a frente.
 Manter os Pés Apoiados no Chão: Os pés devem estar apoiados diretamente no solo, e o
espaço abaixo da mesa deve estar desobstruído. Ao manter os pés apoiados no chão, ajudará
a diminuir a pressão das costas

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3. Acidentes e Doenças Profissionais Decorrentes da Atividade do Técnico
Familiar e de Apoio à Comunidade

Existem vários fatores que tornam as atividades de mobilização de doentes perigosas e aumentam o
risco de lesão.
Esses fatores de risco estão relacionados com diversos aspetos da mobilização de doentes:

Riscos Associados à Tarefa:


 Força: O esforço físico necessário para executar a tarefa (como levantar corpos pesados, puxar
e empurrar) ou para assegurar o controlo de equipamentos e ferramentas;
 Repetição: Executar o mesmo movimento ou série de movimentos de forma contínua ou
frequente ao longo do dia de trabalho;
 Posições incorretas: Assumir posições que exercem tensão sobre o corpo, tais como inclinar-
se sobre uma cama, ajoelhar ou rodar o tronco ao mesmo tempo que se efetuam movimentos
de elevação.

Riscos Associados ao Doente:

 Os doentes não podem ser levantados como cargas, pelo que as regras de elevação segura nem
sempre são aplicáveis:
 Os doentes não podem ser seguros junto ao corpo; Os doentes não possuem pegas;
 Não é possível prever o que acontecerá ao mobilizar um doente; Os doentes são volumosos.

Riscos Associados ao Ambiente:

 Riscos de escorregar, tropeçar e cair; Superfícies de trabalho desniveladas;


 Limitações de espaço (salas pequenas, presença de muitos equipamentos).

Outros Riscos:

 Nenhuma ajuda disponível; Equipamento inadequado;


 Calçado e vestuário inadequados;
 Falta de conhecimentos ou formação.

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4. Prevenção de Lesões Músculo-Esqueléticas

A execução de trabalhos com movimentos repetitivos ou que exigem um elevado esforço físico são
fatores de risco que podem levar à ocorrência de lesões incapacitantes e de grande desconforto para
o trabalhador (lesões músculo-esqueléticas relacionadas com o trabalho, ou lesões por esforços
repetitivos).

De acordo com dados da União Europeia, mais de 45% do total de doenças profissionais está
relacionado com Lesões Músculo-Esqueléticas (LME) a nível das cervicais e dos membros superiores.
Estar consciente dos riscos existentes e das lesões que podem ocorrer é fundamental para que o
trabalhador se possa proteger e prevenir potenciais doenças.

nervos, músculos e tendões).

A repetição de movimentos, a postura incorreta e o excesso de força podem obstruir a circulação


sanguínea, impossibilitando a irrigação de estruturas importantes como as artérias e os nervos e
desencadeando processos inflamatórios nos músculos.

Outros fatores que originam o aparecimento das LME são os psicossociais, que passam por uma falta
de organização do trabalho, má divisão das tarefas, e/ou pressão no ambiente de trabalho (stress),
entre outros.

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Principais Sintomas:

 Dor, a maior parte das vezes localizada, mas que pode irradiar para áreas corporais;
 Sensação de dormência ou de formigueiros na área afetada ou em áreas próximas;
 Sensação de peso;
 Fadiga ou desconforto localizado;
 Sensação de perda, ou mesmo perda, de força.

Estágios das Lesões Músculo-Esqueléticas

1. 1º Estágio: A dor aparece durante os movimentos e é difusa, ou seja, não é possível definir
exatamente que parte do corpo está a doer;
2. 2º Estágio: A dor é mais persistente, contudo o quadro clínico ainda não é preocupante,
podendo-se reverter se as condições de trabalho forem alteradas;
3. 3º Estágio: A doença passa a ser crónica, tornando-se irreversível. Há perturbação durante o
sono e as inflamações tornam-se um processo degenerativo que pode afetar os nervos e os
vasos sanguíneos de forma prejudicial. Neste estágio, a dor é sentida em pontos definidos e
não cede mesmo durante períodos de relaxamento e repouso, aparecendo sobre a forma de
pontadas e choques;
4. 4º Estágio: Os processos infeciosos podem causar deformidades, como quistos, inchaços e
perda de força. A dor pode tornar-se insuportável e atividades comuns da vida diária, como
escovar dentes ou pentear, tornam-se impraticáveis.

Técnicas de Prevenção de Lesões Músculo-esqueléticas

Mobilização

 Aumentar o grau de liberdade para a realização das tarefas, reduzindo a fragmentação e a


repetição;
 Ter em consideração que a capacidade produtiva de uma pessoa pode variar intra e inter
individualmente;
 Estabelecer pausas durante a jornada de trabalho e permitir a livre movimentação sem
aumento do ritmo de trabalho ou da carga de trabalho.

Posicionamento

• Os móveis devem permitir posturas confortáveis, devem ser adequados às


características físicas do trabalhador e à natureza das tarefas, e devem permitir a
liberdade de movimentos;
• Ferramentas e instrumentos de trabalho devem ser adequados ao seu operador;

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• Conhecer e utilizar corretamente as máquinas, aparelhos,
substâncias e equipamentos postos à disposição;
• Deixar no sítio adequado os dispositivos de segurança
próprios das máquinas e das instalações e utilizá-los
corretamente;
• Adotar posturas corretas;
• Comunicar imediatamente à entidade patronal ou aos
responsáveis, toda e qualquer situação de trabalho que
represente um perigo grave ou imediato para a segurança e
saúde, bem como qualquer defeito nos sistemas de proteção.

Transferência e Transporte

• Avaliar o peso das cargas antes do transporte manual.

Condições de trabalho adequadas contribuem para a segurança e a saúde do trabalhador, bem como
para um aumento na produtividade das empresas, sendo um fator importante a organização do
trabalho em função da relação entre o homem e a máquina (adaptar o trabalho ao Homem).

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5. Meios Auxiliares no Posicionamento, Mobilização e
Transferência

As lesões relacionadas com o trabalho constituem um grave problema entre os funcionários


hospitalares, em especial, os técnicos auxiliares de saúde. As lesões dorso-lombares e as lesões nos
ombros constituem as principais preocupações, podendo ser ambas extremamente debilitantes.
A profissão de técnico auxiliar de saúde tem-se revelado como uma das profissões de maior risco no
que respeita a dores dorso-lombares. A causa principal está relacionada com as tarefas de
mobilização de doentes, como o levante, a transferência e o posicionamento de doentes.

Posicionamento, Mobilização e Transferência de Doentes

Entende-se por mobilização de doentes as ações de levantar, baixar, sustentar, empurrar ou puxar
doentes.
Os métodos aplicáveis à mobilização, posicionamento e transferência de doentes podem ser
divididos em três categorias, de acordo com as diferentes formas de execução:

1. Métodos de Transferência Manual

São executados por um ou mais prestadores de cuidados que


utilizam a sua força muscular e, sempre que possível, a
eventual capacidade residual de mobilização do doente
envolvido.

2. Métodos de Transferência, Utilizando Pequenos Meios


Auxiliares de Mobilização de Doentes

São técnicas de mobilização de doentes executadas através de


meios auxiliares específicos, tais como lençóis deslizantes em
tecido de baixa fricção, cintos ergonómicos, estribos
rotativos, uma barra de trapézio fixada por cima da cama, etc.

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3. Métodos de Transferência, Utilizando Grandes Meios Auxiliares de Mobilização de Doentes

Estas técnicas de mobilização são executadas através de equipamentos de elevação eletromecânicos.

A determinação da técnica adequada de mobilização de doentes envolve uma avaliação das


necessidades e capacidades do doente envolvido.

A avaliação do doente deve incluir o exame de determinados fatores:

 Nível de Assistência Exigido pelo Doente


Por exemplo, um doente não cooperante (um doente tetraplégico, uma pessoa de idade
acamada, um doente sob anestesia geral ou em coma, a resistência do doente à mobilização,
etc.) necessita de uma elevação mecânica, enquanto um doente com capacidade e vontade
de suportar parcialmente o seu próprio peso pode ser capaz de se movimentar da cama para
uma cadeira utilizando um dispositivo que o ajude a levantar-se.

 Tamanho e Peso do Doente


Por exemplo, um doente pode ser demasiado pesado para ser levantado pelo prestador de
cuidados sem ajuda mecânica.

 Capacidade e Vontade do Doente em Compreender e Cooperar

 Condições Clínicas que Possam Influenciar a Escolha dos Métodos de Levante ou


Posicionamento - Por exemplo, feridas abdominais, contracturas, presença de tubos ou
gravidez aumentam o risco das tarefas de transferência ou posicionamento.

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Deve ter-se em consideração que a mobilização manual de doentes aumenta o risco de lesões para
os técnicos auxiliares de saúde:
• Os corpos dos doentes possuem uma distribuição assimétrica do peso e não
possuem áreas estáveis para agarrar. Por conseguinte, torna-se difícil para o
técnico de saúde sustentar o peso do doente junto do seu próprio corpo;
• Em algumas situações, os doentes podem estar num estado de agitação, rebeldia,
não reação ou podem oferecer graus de cooperação limitados, aumentando o risco
de lesão;
• O ambiente físico e/ou estrutural dos cuidados pode exigir posições e posturas
incorretas que aumentam a suscetibilidade de desenvolver uma lesão músculo-
esquelética.

O levante manual de doentes deve ser minimizado em todos


os casos e evitado quando possível. A utilização de grandes
meios auxiliares de mobilização de doentes deve ser sempre
incentivada.

Princípios Básicos Aplicáveis às Técnicas de Mobilização de Doentes Adequadas

Qualquer tipo de operação de mobilização com recurso a meios auxiliares de mobilização de doentes
envolve vários princípios básicos:

1. Procurar sempre a ajuda de assistentes quando necessário

As operações de mobilização que envolvem doentes imobilizados devem ser executadas por vários
prestadores de cuidados (no mínimo dois) e, se necessário, com recurso a um lençol colocado por
baixo do doente ou, melhor ainda, utilizando meios auxiliares específicos, tais como lençóis
deslizantes.

2. Antes de iniciar qualquer tipo de atividade de mobilização, o prestador de cuidados deve


posicionar-se o mais perto possível do doente, colocando o joelho na cama deste, se
necessário.

Deste modo, não será necessário inclinar-se ou estender-se sobre a cama durante a operação de
levante e transferência do doente, nem fazer os esforços físicos necessários enquanto as
costas estiverem fletidas ou torcidas.

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3. Antes de iniciar qualquer tipo de operação de mobilização, explique o procedimento ao doente
e incentive-o a cooperar o máximo possível no decurso da atividade de mobilização

Esta atitude é vantajosa para ambos:


o Para o doente, porque poderá melhorar o seu tropismo muscular;
o Para o prestador de cuidados, uma vez que o doente, sendo capaz de se movimentar,
mesmo que ligeiramente, poderá executar ele próprio algumas operações, bastando ao
prestador de cuidados orientar os seus movimentos.

4. Manter uma postura correta durante as operações de mobilização de doentes

Mais especificamente, antes de iniciar o levante ou a transferência do doente, o prestador de cuidados


deve posicionar-se com as pernas ligeiramente afastadas e um pé colocado ligeiramente à frente a
fim de assegurar uma base de apoio mais ampla.
Durante o levante do doente, devem ser utilizados preferencialmente os músculos das pernas e das
ancas em vez dos músculos da parte superior do corpo, primeiro fletindo e
depois estendendo lentamente os joelhos ao levantar o doente.

A coluna vertebral deve ser mantida numa posição de acordo com a sua curva natural, tendo o
cuidado de evitar sobrecargas ao alongar ou fletir. Além disso, o prestador de cuidados deve sempre
tentar deslocar o seu peso de acordo com o movimento que está a executar.

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5. Segurar firmemente durante as operações de mobilização de doentes

Nunca agarre um doente apenas com os dedos; utilize toda a mão e tente identificar as zonas que
permitem segurar firmemente. Agarre o doente envolvendo a zona pélvica, a cintura ou as
omoplatas; nunca agarre o doente pelos braços ou pelas pernas.
Para segurar com mais firmeza, alguns prestadores de cuidados poderão necessitar de agarrar as
calças de pijama do doente ou, melhor ainda, utilizar meios auxiliares específicos, por exemplo, cintos
com pegas.

6. Usar calçado e vestuário adequados

É importante usar calçado com boa aderência; assim, não se recomenda o uso de sapatos de salto
alto, socas ou chinelos. O vestuário não deve restringir os movimentos do prestador de cuidados.

Características da movimentação manual de cargas que podem comportar risco de


lesão dorso-lombar (Anexos I e II da Diretiva Europeia 90/269/CEE) e elementos de boas
práticas em matéria de mobilização manual de doentes.
Anexos I e II – Diretiva 90/269/CEE do Boas práticas
Conselho
A carga é posicionada de tal modo que deve ser mantida Posicionar-se o mais perto possível do doente.
ou manipulada à distância do tronco ou com flexão ou
torção do tronco.

A carga é muito volumosa ou difícil de Segurar firmemente.


agarrar.

O esforço físico é efetuado com o corpo Manter uma postura correta.


em posição instável.

O local ou as condições de trabalho não permitem ao Ajustar a altura da cama.


trabalhador movimentar as cargas a uma altura segura
ou numa
postura correta.

O trabalhador possui conhecimentos ou Implementar programas de formação e


formação insuficientes ou inadequados. educação.

O trabalhador usa vestuário, calçado ou Usar calçado adequado.


outros objetos pessoais inadequados.

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Transferência Manual
Um prestador de cuidados

o Ajuste adequadamente a altura da cama em função da sua própria altura;


o Divida o processo de transferência em três partes: pernas – cintura – ombros;
o Arraste o peso do doente utilizando o seu próprio peso. Utilize preferencialmente
os músculos das pernas e das ancas em vez dos músculos da parte superior do corpo;
o Peça ao doente que olhe para os pés. Desta forma, aumenta a tensão muscular
abdominal do doente, permitindo maior cooperação.

Dois prestadores de cuidados

o Ajustem adequadamente a altura da cama em função da vossa própria altura;


o Contrabalancem o peso do doente com o vosso próprio peso;
o Os movimentos dos prestadores de cuidados devem estar sincronizados ao
executar a transferência do doente. A comunicação entre ambos os prestadores de
cuidados é muito importante.

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6. Ajudas Técnicas de Apoio à Mobilização e à Marcha

As Ajudas Técnicas são equipamentos auxiliares de reabilitação que visam reduzir as consequências
do aparecimento de incapacidades motoras ou melhorar a qualidade do apoio prestado à pessoa.
São exemplos disso: o andarilho, as canadianas, as bengalas, as muletas e a cadeira de rodas.

As ajudas técnicas podem não compensar todas as incapacidades mas associadas ao apoio humano,
são um bom promotor da independência física das pessoas.
O tipo de equipamento de reabilitação selecionado para cada utente depende das suas limitações
físicas.

As muletas e as canadianas são apropriadas para indivíduos com uso total e força suficiente nos
membros superiores e que tenham funcionamento nos membros inferiores limitado.

As bengalas, tripés ou pirâmides de base alargadas são apropriadas para utentes com fraqueza ou
paralisia de um dos lados do corpo, incluindo os que sofreram AVC.

Os andarilhos são a opção para pessoas com fraqueza generalizada dos membros superiores e
inferiores e são utilizados por pessoas de idade mais avançada com artrite generalizada, fratura da
anca ou doenças neuromusculares.

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Por norma, é o fisioterapeuta que tira as medidas ao utente em relação a cada peça do equipamento
auxiliar, selecionando-o de acordo com o peso, altura e necessidades específicas de cada indivíduo.

Existem algumas indicações que deverão ser informadas ao utente antes de utilizar os equipamentos:
 Cuidados com o equipamento e dispositivos;
 Como chegar à posição de pé;
 Treino de marcha efetivo;
 Como enfrentar as escadas e curvas;
 Como regressar à posição de sentado;
 O que fazer após uma queda: como retomar a posição de sentado ou de pé.

Andarilhos

Os andarilhos são um bom sistema de apoio da marcha, para pessoas com


fraqueza generalizada dos membros superiores e inferiores. Os
andarilhos variam conforme a estrutura e o objetivo.

O utente capaz de manter o equilíbrio e levantar o andarilho pode usar um


que seja leve e ajustável. Os andarilhos mais pesados e não ajustáveis são
recomendados para os utentes que se podem desequilibrar e cair para
trás ao levantar um andarilho normal.

Os andarilhos com rodas possibilitam uma marcha natural contínua e


conferem ao utente um maior grau de mobilidade independente.
O andarilho sem rodas necessita de ser levantado durante a marcha,
criando um momento de instabilidade ao utente, pois fica sem qualquer
ponto de apoio.

O comprimento do andarilho de uma pessoa é igual à distância do seu grande trocânter ao chão.
Um andarilho com a medida adequada possibilita ao utente ficar de pé com os cotovelos ligeiramente
fletidos quando o andarilho está apoiado no chão.

Como Utilizar: O padrão de marcha com o andarilho de levantar consiste em avançar o andarilho,
dar um passo em frente com uma perna de cada vez, manter os passos iguais, recuperar o equilíbrio
e repetir, avançar o andarilho.
Uma forma de andar alternativa consiste em avançar o andarilho, dar um passo com o pé direito,
avançar o andarilho, dar um passo com pé esquerdo e continuar, repetindo este padrão.
É importante lembrar o utente para não andar quando o andarilho não está pousado no chão.

Cuidados a Ter: Não apressar a marcha, não colocar o andarilho à frente da marcha, levar o membro
ferido sempre à frente, estar atento a rampas e escadas.

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Canadianas

As canadianas são objetos utilizados como apoio para o corpo


humano. Foram desenhadas com o propósito de auxiliar uma
pessoa a caminhar quando uma das extremidades inferiores
requer suporte adicional durante o deslocamento, geralmente
quando o utente sofre algum tipo de incapacidade para
deambular.
Algumas canadianas podem ser ajustadas em tamanho e
flexibilidade segundo as necessidades do utente.

No caso de se utilizar apenas uma deve ser usada no lado


contrário do membro lesionado. Há também aquelas projetadas
especificamente para crianças.
O comprimento das canadianas de uma pessoa deve estar de
modo a que o apoio do antebraço fique logo abaixo do cotovelo
e a pega deve encontrar-se ao nível do grande trocânter.
Canadianas com a medida adequada possibilitam ao utente ficar
de pé com os cotovelos ligeiramente fletidos quando as
canadianas estão apoiadas no chão.

Consoante as capacidades individuais do utente, os profissionais de


saúde prescrevem a marcha a quatro pontos alternados, dois pontos ou
oscilação passo a passo.

A marcha a quatro pontos alternados usa-se para pessoas com força


muscular limitada ou equilíbrio questionável. Sendo um padrão de
marcha muito seguro e estável, a marcha a quatro pontos é também um
método de deambulação muito lento.

O padrão de marcha a quatro pontos é o seguinte:


 Canadiana direita;
 Perna esquerda;
 Canadiana esquerda; Perna direita;
 Repetir até atingir o destino.

A marcha a dois pontos assemelha-se mais a um padrão de marcha normal. Embora mais rápida
que a marcha a quatro pontos exige um maior equilíbrio, porque em cada momento são apenas dois
pontos de contacto com o chão. O utente começa por ficar de pé na posição inicial, depois desvia o
peso de modo a avançar a perna direita e a canadiana esquerda simultaneamente, seguindo com a
perna esquerda e a canadiana direita e repetindo o padrão até atingir o destino.

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A marcha de oscilação passo a passo o utente parte da posição inicial nas canadianas, sem carga
no membro afetado. Ambas as canadianas são levantadas e movidas para a frente em bloco enquanto
o utente sustenta o peso no membro não afetado, depois o peso é transferido para as canadianas. O
utente dá então um passo para as canadianas e repete o processo.

No método balanço rápido o utente também parte da posição inicial, mais uma vez ambas as
canadianas são colocadas 10 a 15 cm à frente como um bloco único enquanto o utente suporta o peso
no membro não afetado. Mas agora, quando transfere o peso para as canadianas, a perna não afetada
é impelida até ficar numa posição avançada em relação à outra, pousando à frente das canadianas. O
processo repete-se até cobrir a distância desejada.

Cuidados a Ter: Verificar se a borracha de apoio não está gasta, verificar se o apoio do punho está
ao nível do quadril, usar sempre as duas canadianas, não apressar demasiado a marcha.

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Bengalas e Pirâmides

A bengala é um instrumento muito utilizado para pessoas com problemas de


locomoção ou com uma deficiência visual.
Ela serve para ajudar a pessoa a se locomover em ambientes desconhecidos,
ou em ruas e calçadas.
As bengalas podem ajudar a redistribuir o peso de um membro inferior fraco
ou doloroso. Além disso, aumentam a base de suporte e fornecem informação
tátil ao usuário a respeito do piso para que este aumente o equilíbrio.
Existem vários tipos de bengalas disponíveis, variando desde a parte onde se
pega até onde ocorre o apoio no chão.

Caraterísticas:
 Podem ser de madeira ou de alumínio; Auxiliam o equilíbrio;
 Poupam o membro lesado;
 Compensam o défice de força; Aliviam a dor;
 Diminuem 20% a 25% do peso descarregado em um membro;
 São utilizadas, na grande maioria, na mão contra lateral ao membro afetado; O seu uso vai
depender das limitações e objetivos de cada paciente.

Tipos de Bengalas

 Bengala Tradicional ou Standard


Bengala tradicional para problema no quadril, artrose e fraturas.
A bengala tradicional ou bengala reta é geralmente feita de madeira ou alumínio, sendo
de custo menor e leve. As bengalas de madeira devem ser feitas conforme o tamanho
do paciente, já as de alumínio são em geral ajustáveis.

 Bengala com Dobra ou “Offset”


Bengala com curva para artrose e fraturas da bacia e quadril e fêmur.
Estas bengalas são feitas de alumínio e com comprimento ajustável. Em geral são melhores do que
as bengalas tradicionais para pacientes que precisam apoiar o peso do corpo na bengala, por exemplo
em pacientes com artrose do quadril e joelho.

 Bengala com Quatro Apoios


Bengala com quatro apoios para problemas no quadril.
Bengalas com múltiplos apoios (três ou quatro) aumentam a base de suporte e permitem uma
descarga de peso maior. Outra vantagem é que estas bengalas ficam em pé sozinhas quando não
utilizadas, o que libera as mãos para outras funções. A principal desvantagem é a necessidade de
todos os apoios tocarem o chão simultaneamente, e isto pode ser difícil ou impossível para algumas
pessoas, especialmente aquelas que caminham mais rápido.

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Muletas

As muletas são úteis para os pacientes que necessitam de usar os braços para apoio e propulsão, e
não somente para equilíbrio. Dependendo da maneira usada, as muletas podem retirar a carga de
ambos os membros inferiores ou de um, em variadas quantidades.
Entretanto, as muletas requerem um substancial gasto de energia e força no braço e no ombro, sendo
geralmente difíceis de serem usadas por idosos mais fracos.
As muletas são classificadas em axilares e de antebraço (ou muletas canadenses).

Muletas Axilares

As muletas axilares utilizam-se para problemas no quadril, fraturas no


fêmur e artroses.
As muletas axilares são geralmente baratas e propiciam andar sem apoio
nos membros inferiores, porém são geralmente incômodas e difíceis de
usar.
O apoio incorreto destas muletas na axila pode causar compressões
nervosas ou de vasos.

Muletas de Antebraço ou Canadenses

As muletas canadenses servem para fraturas do quadril e doenças no quadril,


artroses.
Estas muletas também proporcionam a retirada do apoio do membro inferior
afetado. As muletas canadenses possuem uma espécie de “algema” que permite
que a mão fique livre sem retirar a muleta do antebraço. Estas muletas são
geralmente
menos incômodas que as axilares.

Cadeira de Rodas

As cadeiras de rodas são uma ajuda técnica importante para a mobilização de utentes incapacitados
ou aqueles que permanecem muito tempo sentados por outra qualquer incapacidade.
Quando usadas 9 horas por dia, a duração média de uma cadeira de rodas é de cerca de dois anos, a
maioria é utilizada muito para além desse período de tempo.
Em muitos países as cadeiras de rodas são um bem escasso e pouca atenção é dada às suas condições

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As barreiras arquitetónicas, o terreno citadino ou rural, a construção social para os incapacitados e
o custo são alguns dos fatores que, em muitos países, limitam as pessoas que utilizam a cadeiras de
rodas.
As cadeiras de rodas são tão diversas como as pessoas que
as utilizam. A prescrição da cadeira de rodas, muitas vezes,
enumera recomendações de modificações de acordo com as
necessidades do utente. A altura e a largura da cadeira de
rodas baseiam-se nas dimensões físicas do utente, sendo o
objetivo conseguir uma boa postura quando o utente está
sentado.
As costas e o assento da cadeira de rodas podem ser
modificados de modo a acomodar dispositivos anti-pressão
e acrescentar suportes de posicionamento. Existem
cadeiras de rodas com costas altas, costas reclináveis entre
outras, para pessoas que necessitam de um suporte de
cabeça e pescoço ou que toleram dificilmente a posição de
sentado direito.

Como Sentar: Os travões devem estar acionados; os apoios


de pés devem estar rebatidos ou virados para o lado; a
cadeira deve estar estável; as rodas da frente pequenas,
devem estar alinhadas para a frente; depois de sentado,
deve-se colocar os apoios de pés no sítio e colocar lá os pés.

Como Sair: Encostar a cadeira a uma parede; alinhar as rodas para a frente; acionar os travões; o
utilizador deve inclinar-se ligeiramente para a frente. Os pés devem estar colocados no chão
ligeiramente afastados. Os joelhos a 90º graus. O utente deve apoiar-se nos braços para fazer a
elevação.

Benefícios Físicos: Alcançar lugares mais altos, como prateleiras de


supermercados, estantes de bibliotecas, armários de quarto e cozinha, etc;
Posicionar-se melhor diante de balcões de lojas, lavabos, pias, etc; Utilização
de telefones públicos, caixas de correio e outros equipamentos públicos não
adaptados; No caso de usuário masculino, permite a utilização de qualquer
banheiro sem necessidade de acompanhante.

Benefícios Fisiológicos: Melhoria da circulação sanguínea; Melhoria do


trânsito intestinal; Diminuição da fadiga; Diminuição da ocorrência de
feridas provenientes da permanência por longos períodos em uma mesma
posição; Diminuição da ocorrência de osteoporose; Evita formação de
desvios da coluna vertebral; Facilita a utilização de sondas (na posição
deitada), evitando manipulação excessiva ou transporte do paciente.

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Benefícios Psicológicos: Melhor integração do utente com a sociedade; Possibilita uma maior
igualdade de condições nas relações do utilizador com outras pessoas; Diminui inconveniências de
uma conversação em níveis diferenciados de altura; Melhoria da autoestima do utilizador, que se
sente mais independente.

Autopropulsão: Colocar as mãos no aro das rodas traseiras o mais atrás possível. Os polegares
devem estar virados para cima. Deve fazer um impulso forte para a frente e largar de imediato.

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CONCLUSÃO

A forma como o trabalho está organizado pode determinar melhores ou piores desempenhos, na medida em
que pode potenciar as capacidades de cada colaborador e servir como fator motivador ou, pelo contrário, pode
provocar índices elevados de sub-rendimento e gerar desmotivação.
Entre as causas relativas à organização do trabalho encontram-se a duração do trabalho diário e semanal, as
pausas de trabalho, a organização e dimensionamento físico do posto de trabalho, de tarefas e funções. A
postura e a posição assumidas durante a realização das tarefas, como por exemplo no levantamento de cargas,
podem conduzir a fadiga precoce.

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o AA VV, Alimentação adequada. Faça Mais pela sua saúde!, Ed. Associação Portuguesa dos
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