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Apontamentos de História – 5.

º Ano – Portugal nos séculos XV e XVI

De Portugal às Ilhas Atlânticas e ao Cabo


da Boa Esperança

Motivações e condições para a expansão marítima portuguesa


No século XIV Portugal ficou marcado pelas pestes, fomes e
guerras.
No entanto no século XV, depois de assinar a paz com Castela,
João I, rei de Portugal, procurou afirmação e prestígio internacional,
assim como a solução para os problemas sociais e económicos que
afectavam Portugal.
Para isso era preciso obter metais preciosos, cereais,
matérias-primas e mão-de-obra e todos os grupos sociais tinham os
seus interesses:
- A nobreza – tinha interesse para obter novos cargos e mais
terras;
- O clero – tinha interesse em espalhar a fé cristã, o cristianismo;
- A burguesia – tinha interesse em ter acesso a novos mercados e
produtos para poder aumentar a sua fortuna;
- O povo – esperava poder melhor as suas condições de vida.

Como Portugal não podia alargar o seu território para Castela, a


solução que encontrou foi a expansão marítima. Para isso, Portugal já
reunia um conjunto de condições favoráveis:
- Uma localização geográfica privilegiada – estamos no extremo
ocidental da Europa, relativamente perto do Norte de África, e temos
uma costa marítima grande e com bons portos naturais.
- Uma tradição marítima – os portugueses já tinham experiência
no mar devido à actividade piscatória (pesca) e ao comércio de longa
distância.
- Progressos na construção naval – os portugueses criaram a
caravela que ajudou á navegação contra o vento devido à utilização das
velas triangulares.

Explicação da Xana 1
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- Condições técnicas e científicas – os portugueses já


conheciam instrumentos como a bússola (indicava o norte magnético), o
astrolábio e o quadrante (que orientavam os navegadores em alto mar,
medindo a altura do sol ou da estrela polar), a balestilha (que media a
altura que une o horizonte ao astro) e as cartas náuticas (mapas
desenhados para a navegação marítima, onde estavam assinalados os
portos, o relevo costeiro e as linhas de rumo).

Conhecimento do Mundo
Nesta altura, os portugueses apenas conheciam o Norte de
África até ao cabo Bojador e sabia-se da existência da Ásia, porque
os muçulmanos tinham trazido de lá várias riquezas.
O continente americano e a Oceânia eram totalmente
desconhecidos.
Os mercadores e os viajantes aventureiros contavam muitas
lendas que descreviam monstros, perigos e fenómenos naturais que
provocavam medo nas populações europeias.

A conquista de Ceuta
A conquista da cidade de Ceuta, em 1415, marcou o início da
expansão portuguesa. A primeira expedição foi organizada pelo rei
D. João I e pelos seus filhos mais velhos: D. Duarte, D. Pedro e D.
Henrique.
Os portugueses interessaram-se por Ceuta, por ser um
importante centro de comércio e porque os campos à sua volta
eram ricos em cereais. Para além disso, a sua localização é junto ao
estreito de Gibraltar, entre o mar mediterrâneo e o oceano Atlântico, o
que ajudava os portugueses a controlar o comércio que por aí
passava.
Apesar de ter sido um êxito militar, não foram alcançados os
objectivos iniciais porque os muçulmanos desviaram as suas rotas
comerciais para outras cidades e os campos de cultivo passaram a
ser constantemente atacados e destruídos.

Explicação da Xana 2
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Depois deste fracasso económico, as políticas de expansão


portuguesa seguiram rumos diferentes: começamos a tentar conquistar
cidades estratégicas para o comércio no Norte de África e definimos a
exploração marítima ao longo da costa africana.

A política de descobertas no tempo do Infante D. Henrique


O Infante D. Henrique é considerado o grande responsável
pela expansão portuguesa, devido às descobertas que promoveu no
oceano Atlântico e à exploração do continente africano. Por isso, este
período de tempo, ficou conhecido como o período henriquino (1434 a
1460).

O arquipélago (conjunto de ilhas que se encontram perto umas


das outras) da Madeira e algumas ilhas do arquipélago dos Açores já
eram conhecidos pelos navegadores portugueses, mas ainda eram
despovoados. Por isso, D Henrique mandou ocupá-las, para que assim
não fossem ocupadas por povos estrangeiros.

As primeiras viagens marítimas ao longo do litoral africano


foram feitas por cabotagem, ou seja, sem perder de vista a linha da
costa.
Contudo, ao caminharem para Sul, os portugueses foram
obrigados a estudar os ventos e as correntes marítimas. O uso da
caravela e domínio dos instrumentos de navegação astronómica
(navegação em alto mar cuja orientação era feita através dos astros)
foram fundamentais para o êxito obtido.
O primeiro grande obstáculo que os portugueses tiveram de
superar foi a passagem do cabo Bojador. Mas ao passá-lo, acabaram
com os mitos e lendas sobre a existência de monstros.
Em 1460, morreu o Infante D. Henrique e os portugueses já
tinham chegado à Serra Leoa.

Explicação da Xana 3
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A política de conquistas de D. Afonso V


A morte do Infante D. Henrique fez com que as descobertas
marítimas abrandassem, porque o rei D. Afonso V interessou-se mais
pela conquista territorial no Norte de África.
Assim, em 1469, o rei arrendou a um mercador, chamado Fernão
Gomes, a exploração da costa africana, pelo prazo de 5 anos. Por isso,
entre 1469 e 1474, Fernão Gomes e os seus navegadores chegaram
até Santa Catarina.

A política expansionista de D. João II


Depois de D. Afonso V, foi o seu filho D. João II que, em 1481,
subiu ao torno e mandou prosseguir com as viagens ao longo da costa
africana com o objectivo de chegar à Índia por mar.
Para isso, organizou duas expedições:
- Por mar, enviando o navegador Diogo Cão, que avançou para
sul ao longo da costa africana
- Por terra, mandando os emissários Pêro da Covilhã e Afonso
Paiva para recolherem informações sobre o comércio e a navegabilidade
do oceano Indico.

Depois de algumas tentativas falhadas, foi Bartolomeu Dias, em


1488, que conseguiu contornar o cabo das tormentas. Como este
cabo fica situado no extremo sul de África e permite a ligação entre o
oceano Atlântico e o oceano indico, passou a chamar-se o cabo da boa
esperança, porque depois de o contornar, já havia esperança de
chegar à índia por mar.

Contudo, havia muitas rivalidades entre Portugal e Castela


sobre o domínio das terras descobertas.
Por isso, o Papa teve que interferir, levando os dois monarcas a
assinarem, em 1479, o tratado de Alcáçovas. Este tratado definiu que
o Mundo ficava dividido em dois hemisférios, a partir de um
paralelo.

Explicação da Xana 4
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Com o reinado de D. João II houve novamente um grande conflito


entre Portugal e Castela, pois Cristóvão Colombo, ao serviço de
Castela, descobriu as Antilhas (pensando que tinha chegado à Índia)
que estavam em área portuguesa. Como Cristóvão Colombo estava a
mando de Castela e descobriu as ilhas em área Portuguesa, gerou-se
novamente um conflito que obrigou o Papa a intervir novamente.
Então em 1494, os dois reinos assinaram o Tratado de
Tordesilhas. Com este tratado, o Mundo ficou então dividido em dois
hemisférios a partir de um meridiano que passava a 370 léguas a
ocidente do arquipélago de Cabo Verde.

A viagem de Vasco da Gama


D. João II tinha o objectivo de chegar à Índia por mar mas
morreu, em 1495, sem o conseguir alcançar.
No entanto, o seu sucessor, D. Manuel I, deu continuidade a esse
objectivo e escolheu Vasco da Gama, com apenas 28 anos, para
comandar a armada (conjunto de forças navais de um país) para
tentar chegar à Índia.
Assim, em Julho de 1497, partiram de Lisboa 4 naus da armada
de Vasco da Gama.
Nesta altura, foram escolhidas as naus, porque eram
embarcações muito maiores do que as caravelas. Visto as viagens
serem longas, com estas naus podiam levar mais alimentos,
mercadorias, homens e peças de artilharia.
Esta armada fez a primeira paragem em Cabo Verde, na ilha de
Santiago, e chegou a Calecute (Índia) em Maio de 1498. Por isso, Vasco
da Gama, demorou 10 meses a chegar à Índia.

A viagem de Pedro Álvares Cabral


Apesar de os portugueses terem sido bem recebidos quando
chegaram à Índia, com o passar do tempo, os muçulmanos

Explicação da Xana 5
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aperceberam-se que os seus negócios estavam a ser afectados com


a concorrência comercial portuguesa no comércio de especiarias.
Por isso e para garantir o domínio português, D. Manuel I
enviou para a Índia uma armada comandada por Pedro Alvares
Cabral.
Esta armada, teria que seguir a mesma rota que Vasco da
Gama, contudo, por razões desconhecidas, junto a Cabo Verde, as
embarcações foram desviadas e em Abril de 1500, chegaram ao
Brasil. Ou seja, Pedro Alvares Cabral, em 1500, descobriu o Brasil.

Explicação da Xana 6
Apontamentos de História – 5.º Ano – Portugal nos séculos XV e XVI

Questões:
1. Dá três exemplos de instrumentos de orientação utilizados no mar e
já conhecidos pelos portugueses antes da expansão marítima.
2. Por que razão a caravela foi tão importante para a expansão
portuguesa?
3. Quais as dificuldades económicas que Portugal enfrentava no início
do século XV?
4. Quais os interesses da burguesia, do clero, da nobreza e do povo na
expansão marítima?
5. Portugal tinha condições favoráveis para a expansão marítima.
Enumera-as.
6. Indica as regiões do Mundo conhecidas pelos Europeus no século
XV.
7. Que acontecimento marcou o início da expansão portuguesa?
8. Quais os nomes dos organizadores da expedição ao Norte de África,
em 1415?
9. Quais os motivos que levaram os portugueses à conquista de Ceuta?
10. Por que razão não foram alcançados os objectivos iniciais que
levaram os portugueses à tomada de Ceuta?
11. O que é um arquipélago?
12. Porque é que D. Henrique mandou ocupar a Madeira e os Açores?
13. Quem foi o grande responsável pela expansão portuguesa?
14. Qual o significado da passagem pelo cabo Bojador?
15. Em 1460 faleceu Infante D. Henrique. Onde tinham chegado os
portugueses?
16. O tratado de Alcáçovas dividia o mundo em duas partes através
de um paralelo ou de um meridiano? E o tratado de Tordesilhas?
17. Qual a política expansionista defendida por D. Afonso V?
18. A quem entregou D. Afonso V a continuação da exploração da
costa africana?
19. Qual o objectivo de D. João II ao prosseguir com as viagens de
exploração da costa?

Explicação da Xana 7
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20. Quem e quando é que conseguiram passar o cabo da boa


esperança?
21. Qual a importância da passagem do cabo da Boa Esperança?
22. A que se deveram as rivalidades entre Portugal e Castela, no
século XV, que levaram a assinar o tratado de Alcáçovas?
23. Mais tarde, houve novamente rivalidades entre Portugal e Castela.
A que se deveu essas rivalidades?
24. O que ficou decidido no Tratado de Tordesilhas?
25. Qual a diferença entre a caravela e a nau?
26. Quem comandou a primeira armada em direcção à índia?
27. Quantos meses demorou a viagem de Vasco da gama?
28. Qual a diferença entre a rota seguida por Vasco da Gama e a rota
que levou algumas naus de Pedro Alvares Cabral para a América do
Sul?
29. Explica a reacção dos mercadores muçulmanos à presença dos
portugueses na Índia.
30. Qual o objectivo de D. Manuel I ao enviar uma nova armada para
a Índia?

Explicação da Xana 8
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O Império Português no Século XVI


Devido à expansão marítima, no século XVI, Portugal detinha um
grande império que se estendia desde os arquipélagos atlânticos até aos
territórios africano, asiático e americano.

O arquipélago da Madeira
- Colonização, recursos naturais e actividades económicas
O arquipélago da Madeira já era conhecido em 1419, mas ainda
não tinha sido reclamada a sua posse por nenhum reino. Como era
despovoado, D. Henrique organizou a sua colonização a partir de 1425.
Ordenou a divisão das ilhas em capitanias, entregando a sua
gestão aos seus “descobridores” que passaram a ser os capitães-
donatários. Estes tinham a obrigação de promover o povoamento e
explorar os recursos naturais existentes.
Na madeira, os primeiros colonos eram na sua maioria algarvios e
minhotos. Mais tarde, também apareceram estrangeiros como os
flamengos, ingleses e genoveses.

-Recursos naturais e actividades económicas


Os colonos começaram por aproveitar a madeira e a riqueza das
suas águas (peixe em abundância). Devido ao clima ameno e à
abundância de água, introduziram as culturas de cereais, da vinha, das
plantas tintureiras e da cana-de-açúcar.
A produção de açúcar tornou-se rapidamente a actividade mais
lucrativa para Portugal.

O arquipélago dos Açores


- Colonização, recursos naturais e actividades económicas
O arquipélago dos açores também era despovoado. D. Henrique
foi o responsável pela organização da sua colonização a partir de 1439,
ordenando a divisão do arquipélago em capitanias.
Os primeiros colonos nos açores eram, na sua maioria, das do
Minho, do Algarve e das Beiras. Mais tarde, também apareceram
estrangeiros, principalmente flamengos.
- Recursos naturais e actividades económicas
As terras nos Açores eram férteis para a produção de cereais e de
plantas tintureiras, muito procuradas nos mercados europeus.
A humidade dos solos permitiu o crescimento dos pastos onde se
desenvolveu a pecuária e, em consequência, a produção de lacticínios,
ainda hoje uma tradição açoriana.
Tanto a Madeira como os Açores representaram um importante
papel no decurso da expansão marítima através da sua estratégica

Explicação da Xana 9
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posição geográfica. Ao longo dos séculos XV e XVI serviram de apoio à


navegação atlântica e de local de abastecimento das embarcações.

1. Quais as acções levadas a cabo pelo Infante D. Henrique para


colonizar o arquipélago da Madeira?
2. Refere as principais culturas introduzidas pelos colonos nas ilhas do
arquipélago da Madeira.
3. O que é a colonização?
4. Explica de que forma a humidade que se faz sentir no arquipélago
dos Açores influencia as actividades económicas.

Os territórios em África
Os portugueses encontraram África no início do século XV, que já
era povoada por pessoas de raça negra que viviam do aproveitamento
dos recursos naturais. Os povos africanos tinham um modo de vida
diferente dos portugueses, tinham diferentes etnias, costumes e
dialectos.
Ao longo dos séculos XV e XVI, o comércio constituiu para
Portugal o principal objectivo nos contactos com o continente africano.
Por isso, foram construídas junto à costa, fortalezas e fundadas
feitorias, onde se comercializavam produtos como o ouro, o marfim
(presas de elefante), a malagueta e principalmente, escravos.
Os portugueses estabeleceram relações pacíficas com os chefes
locais, contactos que viriam a favorecer o desenvolvimento comercial,
fazendo destas zonas pontos de apoio á navegação no Atlântico e no
Indico.
A fixação de alguns portugueses nas áreas litorais e nas ilhas deu
lugar à troca de culturas, facto que se faz sentir ainda nos nossos dias:
vários países africanos da actualidade falam português e as suas
populações seguem a religião católica.

- Cabo Verde e S. Tomé e Príncipe – entrepostos do tráfico


negreiro
Também Cabo Verde e S. Tomé e Príncipe foram divididos em
capitanias e a sua colonização entregue a capitães-donatários.
Os solos secos de Cabo Verde e as doenças tropicais que atingiam
sobretudo os Europeus, dificultaram o seu rápido aproveitamento
económico. Por isso, o povoamento destas ilhas, foi realizado com o
recurso a escravos comprados ou capturados na costa africana.
O facto de estas ilhas estarem entre África e a América, fez com
que estas ilhas fossem importantes para o tráfico de escravos, que era
um dos negócios mais rentáveis da expansão.

Explicação da Xana 10
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5. Refere um dos negócios mais rentáveis para os portugueses em


África.
6. Quais os produtos comercializados pelos portugueses em África?
7. Justifica a necessidade de construção de feitorias por portugueses
na costa africana.
8. O que dificultou o aproveitamento económico dos arquipélagos de S.
Tomé e Príncipe e Cabo Verde?

Os territórios em Ásia
No século XVI os portugueses encontraram no Oriente usos,
costumes e religiões bastantes diferentes e exóticos, mas com um
desenvolvimento técnico superior ao europeu em várias áreas. Entre
estas brilhantes culturas, salientamos a indiana, a chinesa e a
japonesa.

- O domínio económico do oceano Índico


A descoberta do caminho marítimo para a Índia possibilitou aos
portugueses a exploração comercial das especiarias e dos produtos de
luxo asiáticos.
Para garantir a presença dos portugueses no oriente e facilitar a
organização política e militar destes territórios, o rei D. Manuel I criou o
cargo de vice-rei ou governador-geral que o representasse nessas terras
distantes e que garantisse o controlo português sobre o comércio.
O primeiro vice-rei da Índia foi D. Francisco Almeida que
governou de 1505 a 1509. O seu substituto no cargo, Afonso de
Albuquerque, era um homem destemido que traçou um objectivo claro
para o controlo do Índico: dominar importantes cidades situadas em
pontos estratégicos do Oriente. Assim, conquistou Goa, em 1510,
Malaca, em 1511, e Ormuz, em 1515.
De Malaca, enviou uma frota até às ilhas da Indonésia, que
possibilitaram explorar as ilhas Molucas e descobriu Timor em 1515.
Os portugueses estenderam na época as suas relações comerciais à
China que nos concede Macau, em 1557.
Portugal trazia do Oriente: especiarias (canela, pimenta e noz-
moscada), pedras preciosas, sedas, perfumes, madeiras exóticas e
porcelanas.
E levavam para o Oriente: moedas em ouro e prata, cobre e
chumbo.
Com o objectivo de converter os povos orientais à fé cristã, foram
missionários que seguiam nas naus da carreira da Índia. S. Francisco
de Xavier, da Companhia de Jesus, destacou-se pela sua acção
evangelizadora e de missionação. Estes missionários, construíram

Explicação da Xana 11
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igrejas e escolas e acabaram por te rum papel muito importante na


transmissão de conhecimentos entre a Europa e a Ásia.

Os territórios na América
Quando foi descoberto em 1500, o Brasil era um território com
densas florestas, povoadas por índios organizados em tribos que se
dedicavam à agricultura, á caça, à pesca e à recolecção.

- A colonização do Brasil
Inicialmente, o rei português não achou interessante a
colonização do Brasil. Contudo, em 1534, durante o reinado de D. João
III, deu-se a divisão do território em 15 capitanias, entregues a
capitães-donatários que estavam obrigados a defender, a povoar e a
aproveitar os recursos naturais do solo brasileiro.
No entanto, houve rivalidade e conflitos entre os vários capitães-
donatários, o que obrigou o rei a abandonar o sistema de colonização.
Em 1549, foi criado o Governo-geral do Brasil e nomeado Tomé de
Sousa como governador-geral, com poderes políticos e militares sobre
as capitanias. Foi nesta altura que os portugueses fixaram a primeira
capital do Brasil na cidade de S. Salvador da Baía.

- Os recursos naturais e as actividades económicas


Os primeiros produtos a serem comercializados para a Europa
foram o pau-brasil (usado em tinturaria) e os animais exóticos.
As características do clima e do solo brasileiro permitiram, mais
tarde, o cultivo da cana-de-açúcar, que passou rapidamente a ser o
principal produto do comércio.
Como era necessária muita mão-de-obra para a produção do
açúcar, foram trazidos escravos africanos para trabalharem no cultivo e
fabrico do açúcar.
Também foram enviados missionários para o Brasil, como o Padre
António Vieira, que se dedicou à transmissão da fé cristã, ao ensino e à
protecção dos indígenas contra a escravatura.

9. Dá exemplo de três especiarias comercializadas pelos Portugueses


na Ásia.
10. Refere o papel dos missionários.
11. Como foi organizado o controlo sobre o comércio no oceano
Índico?
12. Refere os nomes dos primeiros vice-reis da Índia.
13. Como estavam organizados os povos que habitavam o Brasil à
data da sua descoberta pelos portugueses?
14. Qual o sistema de colonização adoptado após 1549 no Brasil?

Explicação da Xana 12
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15. Refere os produtos brasileiros que inicialmente foram


comercializados para a Europa.
16. Por que razão foram levados escravos africanos para o Brasil?

Explicação da Xana 13
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A Vida Urbana No Século XVI – A Lisboa


Quinhentista

O crescimento da cidade de Lisboa


Durante o século XV e XVI a cidade de Lisboa sofreu grandes
transformações.
A permanência da Corte na cidade, o crescimento do comércio
marítimo e a chegada e partida de barcos que transportavam produtos
de todos os cantos do mundo, originaram a construção de novos
edifícios, ruas, armazéns e cais para os barcos atracarem.
A localização geográfica sempre foi favorável ao comércio
marítimo, por estar situada nas margens do Tejo e junto do oceano
Atlântico.
Antigamente, no século XII, D. Afonso Henriques conquistou a
cidade de Lisboa aos mouros que era defendida por um castelo
circundado por muralhas, chamadas Cerca Moura ou Cerca Velha. Com
este grande crescimento de Lisboa, teve que se construir novas
muralhas que a população cada vez mais numerosa.
No século XIII, D. Dinis, mandou construir uma nova muralha – a
Cerca Nova Fernandina – que só terminaria um século mais tarde, no
reinado de D. Fernando.
Com o desenvolvimento do comércio marítimo no século XVI, a
planta da cidade de Lisboa não parou de crescer em direcção do rio Tejo
e ao longo da zona ribeirinha, ultrapassando as muralhas. Por esta
altura, a cidade passou a contar com duas importantes praças: o Rossio
(onde se construiu o Hospital Real de Todos os Santos) e o Terreiro do
Paço (junto do qual passou a viver o rei, num edifício que era conhecido
por Paço da Ribeira).

- A população
Durante o reinado de D. Manuel a população de Lisboa cresceu
imenso. Este crescimento deveu-se:

Explicação da Xana 14
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- A um grande movimento interno de migração (movimento de


pessoas dentro do próprio país) de pessoas do interior do país para a
capital, à procura de melhores condições de vida.
- À chegada de mercadores estrangeiros de todos os lugares do
Mundo, que imigravam (entrada de pessoas de outro país) para Lisboa,
já que se tinha tornado um dos principais centros económicos da
Europa no século XVI.
- À chegada de escravos vindos de África.

No entanto, enquanto uns chegavam a Lisboa, também muitos


portugueses emigravam (sair do próprio país para outros países) para
os arquipélagos atlânticos, para os continentes africanos e asiáticos e
para o Brasil, com o objectivo de os povoar, desenvolver, defender ou
apenas praticar comércio nestes novos territórios.

1. Indica os dois movimentos de pessoas que contribuíram para o


aumento da população de Lisboa.
2. Justifica a emigração de muitos portugueses durante o século XVI.
3. Refere algumas das transformações que a cidade de Lisboa sofreu
nos séculos XV e XVI.
4. Quais os factores que contribuíram para o crescimento da cidade de
Lisboa?
5. Por que razão se diz que Lisboa tinha uma localização geográfica
para o comércio marítimo?
6. Escreve o nome das duas principais praças existentes em Lisboa no
século XVI.

O porto de Lisboa e o comércio marítimo


O porto de Lisboa, no século XVI, era um dos mais movimentados
do Mundo. Chegavam diariamente barcos carregados de pessoas e
mercadorias.
Este comércio marítimo era monopólio do rei, ou seja, o rei tinha
o direito exclusivo de compra e venda de alguns produtos.
A grande afluência de mercadorias muito lucrativas vindas do
Oriente, levou à criação da Casa da Índia, que era um armazém onde o

Explicação da Xana 15
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rei se fazia representar por um feitor, que controlava e administrava o


comércio oriental.

7. O que significa “monopólio do comércio marítimo”?


8. Porque foi criada a casa da Índia? E para que servia?

A corte e as manifestações culturais


- A corte de D. Manuel I
O reinado de D. Manuel I ficou conhecido pela riqueza e pelo luxo.
A corte portuguesa era frequentada pelas mais importantes famílias
nobres da Europa e ainda por pintores, escritores, poetas e músicos.
O rei procurava demonstrar toda a sua riqueza, organizando
festas e oferecendo banquetes onde os convidados utilizavam talheres
de prata e ouro.
Os pratos eram condimentados com especiarias vindas do Oriente
e muitas vezes juntavam açúcar por o consideravam um produto de
luxo. Aproveitavam também para exibir vestidos de seda e veludo,
colares e brincos feitos com as mais variadas pedras preciosas, e
chapéus enfeitados com penas de aves raras que chegavam do Brasil.
Cada vez que saía do Paço da Ribeira, o rei era acompanhado por
uma comitiva constituída por nobres, artistas, músicos, numerosos
criados e escravos e ainda animais vindos de África e do Oriente, como
o Elefante, as onças e os rinocerontes.
Estas demonstrações de poder e riqueza espantavam e deliravam
a população, e serviam ainda para impressionar todos os estrangeiros
que diariamente chegavam a Lisboa.

9. Explica por que razão o reinado de D. Manuel I ficou conhecido pela


sua riqueza e luxo.
10. Qual o objectivo dos cortejos do rei quando saía do Paço da
Ribeira?
As manifestações culturais
Os portugueses deram a conhecer ao Mundo outros lugares,
gentes, animais, novos produtos e diferentes culturas, o que fez com
que se deixasse de levar a sério os relatos fantasiosos e assustadores
sobre terras distantes.

Explicação da Xana 16
Apontamentos de História – 5.º Ano – Portugal nos séculos XV e XVI

Assim, assistiu-se no século XVI, a um grande desenvolvimento


cultural, científico e artístico, em consequência dos contactos
estabelecidos com diferentes povos durante a expansão marítima.

- Na literatura
A literatura foi muito influenciada pela expansão marítima. São
desta época:
- Os relatos das viagens com descrições dos locais, dos povos, dos
usos e costumes, de forma a dar a conhecer ao rei todos os pormenores
considerados importantes. Pêro Vaz de Caminha descreveu a chegada
ao Brasil; Álvaro Velho relatou a viagem de Vasco da Gama á Índia e
Fernão Mendes Pinto contou as suas viagens pelo Oriente.
- Os textos poéticos que descreviam os grandes feitos portugueses
na expansão marítima. Luís Vaz de Camões, em versos, contou a
história de Portugal, desde as origens até á sua época, nos Lusíadas.
- Os textos teatrais, onde Gil Vicente (considerado o fundador do
teatro de Portugal) criou obras onde criticava o humor da sociedade, o
luxo da corte e os vícios do clero.

- Nas ciências
As viagens marítimas portuguesas também influenciaram e
desenvolveram muitas ciências:
- Duarte Pacheco descreveu pormenores dos contactos com
outros povos e culturas e fez excelentes descrições de fauna e flora,
contribuindo para o desenvolvimento da geografia.
- Garcia da Orta fez pesquisas sobre plantas medicinais, que
foram fundamentais para o desenvolvimento da medicina e da botânica.
- Pedro Nunes, que desenvolveu e aprofundou os estudos na
matemática e na astronomia.

A cartografia e a zoologia também tiveram um grande


desenvolvimento científico nesta altura.

- Manifestações artísticas
Na época de D. Manuel I é visível as influencias das viagens da
expansão marítima. A originalidade da arquitectura, da ourivesaria e do
mobiliário, os temas retratados na pintura e na tapeçaria levaram os
historiadores a chamar-lhe Arte Manuelina.

Explicação da Xana 17
Apontamentos de História – 5.º Ano – Portugal nos séculos XV e XVI

Nesta arte Manuelina, são utilizados elementos decorativos nas


portas, nas colunas e nas janelas, relacionados com a Natureza, com
barcos e o com o mar. A estes ainda se juntam símbolos nacionais,
como o escudo real, a esfera armilar e a cruz de Cristo.
Deste período destacam-se: o Mosteiro dos Jerónimos e a Torre de
Belém, em Lisboa, e a janela do Convento de Cristo, em Tomar.
Na pintura, as principais obras associam aos temas religiosos
personagens de negros e índios, que representavam os povos com os
quais os portugueses contactavam.
Na época, a ourivesaria também se desenvolveu devido às
quantidades de ouro e pedras preciosas que chegavam a Portugal.
Algumas das obras mais excepcionais encontram-se expostas nos
museus portugueses, nomeadamente no Museu Nacional de Arte
Antiga, em Lisboa.
11. A literatura foi muito influenciada pela expansão marítima.
Explica como e em que aspectos.
12. Qual o nome da obra poética mais importante da época dos
descobrimentos?
13. Quais as obras que influenciaram e desenvolveram muito as
ciências?
14. Caracteriza a arte Manuelina.
15. Refere dois exemplos de arquitectura manuelina.

Explicação da Xana 18