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EXCELENTÍSSIMA SENHORA JUIZA DE DIREITO DA 1ª VARA ESPECIAL DE VIOLÊNCIA

DOMÉSTICA E FAMILIAR CONTRA A MULHER DA COMARCA DE SÃO LUÍS/MA.

Processo nº: 901-75.2015.8.10.0005 (21752014)

Acusado: JOSÉ MARCELO RODRIGUES NETO

JOSÉ MARCELO RODRIGUES NETO, devidamente qualificado nos autos da Ação Penal que
lhe move o Ministério Público, processo sob o número em epígrafe, vem, respeitosamente, à
presença de Vossa Excelência, através do Advogado que a esta subscreve, nos termos do
artigo 403, § 3º, do Código de Processo Penal(CPP), apresentar suas ALEGAÇÕES FINAIS
NA FORMA DE MEMORIAIS, em virtude dos fatos e fundamentos jurídicos a seguir:

I – DOS FATOS

Conforme consta da Denúncia de fls. 58/62, o acusado está sendo processado porque, no
dia 12.12.2017, por volta das 18h40min, na Rua Mortalha, nº 684, Residencial Angico, Bairro
Calabouço, nesta cidade, teria, em união de desígnios com o corréu Matheus e mediante grave
ameaça exercida com emprego de arma, subtraído diversos bens das
vítimas Antônio, Marileude e Iago, mantendo ainda tais vítimas em seu poder durante a
empreitada criminosa, restando, portanto, incurso no artigo 157, § 2º, incisos I, II e V, do CP.
2 – Após regular tramitação do processo, o Ministério Público Estadual, por meio de sua
representante legal, ofertou alegações finais orais, conforme certidão de fls. 230 dos autos,
oportunidade em que propugnou pelacondenação dos acusados exatamente nos termos da
denúncia.
3 – Entretanto, verifica-se que a representante do parquet estadual não age certeiramente
quando pugna pela condenação do acusado Anderson dos Santos Gomes. Na verdade,
estamos diante de clara hipótese de absolvição deste acusado, com fundamento no artigo 386,
incisos V e VII, do Código de Processo Penal, sob o manto do favor rei.
Veja-se:

II – DO DIREITO
a) Da Nulidade dos Reconhecimentos Fotográficos Realizados em Sede Administrativa.
Da violação ao artigo 226, do Código de Processo Penal.
4 – Após análise dos autos, verifica-se que estamos diante de hipótese de declaração de
nulidade dos reconhecimentos pessoais produzidos em sede inquisitiva, eis que não atenderam
aos ditames do artigo 226, do CPP, devendo-se, por corolário, desentranhá-los do processo,
conforme mandamento irrevogável do artigo 157, caput, do CPP.
5 – Bem sabido que, para que uma prova seja considerada legal, ela deve ser produzida de
acordo com o ordenamento jurídico vigente, a fim de que o magistrado possa proceder à sua
avaliação e valoração dentro do cotejo probatório sob o manto do livre convencimento motivado
(artigo 155, caput, do CPP).
6 – O reconhecimento pessoal, de coisas ou até mesmo fotográfico (não previsto no
ordenamento processual penal [meio de prova anômala]), para surtir efeitos endoprocessuais,
deve estrita obediência à legalidade, neste caso, ser realizado sob o procedimento previsto no
artigo 226, do CPP, que funciona da seguinte forma:
Artigo 226, caput, CPP – Quando houver necessidade de fazer-se o reconhecimento de
pessoa [ou coisa], proceder-se-á da seguinte forma:
Inciso I – a pessoa que tiver de fazer o reconhecimento será convidada a descrever a pessoa
que deva ser reconhecida;

Não há como saber se foram mostradas às vítimas fotografias de pessoas semelhantes ou não ao acusado. ainda que involuntária. assim entendidas as obtidas em violação a normas constitucionais ou legais”. 11). 8 – Ocorre que são vários os vícios detectados no presente processo quanto aos reconhecimentos fotográficos realizados pelas vítimas Antônio (fls. 10 – Este proceder demonstra caráter indutivo. Há nos autos. mormente no reconhecimento fotográfico (que ante a pacificada jurisprudência não goza de credibilidade probatória autônoma). devendo ser desentranhadas do processo. b) colocação da pessoa a ser reconhecida com outras que com ela tiveram semelhança e. 9 – Nota-se claramente. estando a pessoa inclusive utilizando boné. não diga a verdade em face da pessoa que deve ser reconhecida. 12 – Assim. caput. que estes não se mostraram estritamente obedientes ao procedimento previsto na norma. O inquérito para apurar um crime de roubo não pode ser presidido de tal maneira. a pessoa a ser reconhecida será colocada ao lado de outras que com ela tiverem semelhança. durante o procedimento. que reclama do reconhecedor concentração e a utilização de características específicas para individualizar a pessoa que se pretende reconhecer. 31) e Iago (fls. Inciso III – Se houver razão para recear que a pessoa chamada para o reconhecimento. simetricamente. O espirito deste comando é justamente o de atribuir maior carga valorativa ao reconhecimento. 14 – Sobre a prova ilícita.Inciso II – a pessoa. se possível. por efeito de intimidação ou outra influência. cujo reconhecimento se pretender. altura. O artigo 157. quais os requisitos que revestem de legalidade o ato de reconhecimento: a) descrição. . quando possível. (grifos nossos) 7 – Ve-se claramente da leitura acima. ao lado de outras que com ela tiverem qualquer semelhança. convidando-se quem tiver de fazer o reconhecimento a apontá-la. o que no caso dos autos. por parte do reconhecedor. tão somente repousa nos autos foto isolada do acusado. Trata-se de procedimento indutivo e em total desacordo com as comezinhas regras processuais previstas no ordenamento processual penal pátrio. a autoridade providenciará para que esta não veja aquela. Veja-se que o inciso II do artigo 226 ordena que. a qual não se sabe a origem. É prova ilegal e deve ser desentranhada do processo. por certo. c) lavratura de auto pormenorizado. somente uma foto isolada do acusado. 13 – Conclui-se. eis que não há nos autos o conjunto das fotos que foram exibidas aos reconhecedores. pelos termos de reconhecimento acima apontados. será colocada. diante do exposto. que os procedimentos de reconhecimento fotográfico realizados pelas já citadas vítimas são absolutamente nulos. até porque a vítima Igor tinha apenas 12 (doze) anos de idade na data do reconhecimento. as provas ilícitas. no processo. etc. no caso de reconhecimento fotográfico. que “são inadmissíveis. razão porque tais procedimentos devem ser considerados absolutamente nulos e ilegais. pela pessoa chamada para proceder ao reconhecimento e por duas testemunhas presenciais. da pessoa (coisa) a ser reconhecida. em seu artigo 5º. 11 – Nesta senda. também esclarece: “são inadmissíveis. imperioso que exista nos autos as fotos que foram mostradas aos reconhecedores a fim de que este juízo possa aferir se houve ou não indução. cor de cabelo. as provas obtidas por meio ilícitos”. inciso LVI. fora negligenciado. reza a Constituição Federal. subscrito pela autoridade. dever-se-ia a autoridade policial proceder com estrita obediência ao passo a passo reclamado ao ato. Não servem de prova no presente processo. do CPP. com características físicas e faciais similares. Inciso IV – do ato de reconhecimento lavrar-se-á auto pormenorizado. eis que inibe justamente a segurança que reclama o ato de reconhecimento pessoal. reclamando maior cautela do investigador no procedimento.

ou por meio de fotografias. PROVA RECONHECIMENTOS. PROVA VALIDADE. determinando o seu imediato desentranhamento dos autos. situando-se em um plano probatório complementar e não prima facie (. CPP). conforme exemplificam os julgados abaixo: Apelação Crime nº 70035614999. 17 – Portanto. inciso IV. caput. portanto. nada lhe haver sido subtraído e somente ter presenciado a subtração ocorrida no interior do local onde estava.. 11). II – DO DIREITO b) Da Absolvição do acusado (art. 2. Os demais fatos delituosos (primeiro. todos do CPP. de modo a não haver identificação automática do imputado. segundo e terceiro).15 – Reza também o artigo 564. em face dos empecilhos no estabelecimento da correspondência entre o sujeito e a fotografia. do CPP que ocorrerá nulidade quando se constatar omissão de formalidade que constitua elemento essencial do ato. requer a este r. inciso LVI.05. artigo 8º. 11). não ocorreu. Juízo que se digne em declarar a nulidade dos reconhecimentos realizados pelas vítimas Antônio dos Santos Aleixo (fls. credibilidade e seriedade satisfatórias para dar supedâneo a um juízo condenatório. (grifo nosso) -/ /- A produção de provas na fase inquisitorial deve observar com rigor as formalidades legais tendentes a emprestar-lhe maior segurança. DJ 11/12/2006). não podendo. Além disso. O reconhecimento fotográfico há de obedecer. Sexta Turma. da CADH e artigo 564. do CPP.2010 Ementa: APELAÇÃO CRIMINAL. Rel. na esteira dos precedentes dos Tribunais superiores. com base nas disposições constantes do artigo 386. pela inobservância do procedimento mandamental do artigo 226. 3. 16 – Sobre dito reconhecimento.HC 56. do Código de Processo Penal. da CF/88. verifica-se que estes não podem ser utilizados como meio apto a fornecer segurança ao julgador sobre a autoria. tendo em vista . 1. ser admitido como ato probatório autônomo. Quando o suposto ofendido afirma. do CPP. sob pena de completa desqualificação de sua capacidade probatória. a jurisprudência também alberga a tese alhures defendida. V e VII. as regras contidas no artigo 226 do Código de Processo Penal. não se sustentaram em lastro probatório com aptidão suficiente para afastar o estado de inocência. 31) e Iago (fls. o que. Julgado em 27.). na medida em que os acusados não foram suficientemente identificados pelas vítimas. 31) e Iago Alves da Costa (fls. REQUISITOS E CAUTELAS LEGAIS. O reconhecimento em juízo há de guardar as cautelas. 18 – Após estudo acurado do processo. 386. tendo em vista que não há provas suficientes aptas a demonstrar que este teria participado da empreitada criminosa.723. Sexta Câmara Criminal do RS. No presente caso a formalidade essencial apontada é a estrita observância dos requisitos do artigo 226. PRECEDENTES DOUTRINÁRIOS E JURISPRUDENCIAIS. Não há previsão legal ao reconhecimento fotográfico. ante as razões expostas. c/c artigo 226 e 157. 19 – Em que pese a existência de reconhecimentos fotográficos realizado em sede administrativa pelas vítimas Antônio (fls. o reconhecimento não ofereceu segurança. incisos V e VII. motivo por que se parte da premissa de que a identificação por fotografia não é substitutiva da identificação pessoal. (STJ . Ministro Paulo Medina. verifica-se que o acusado merece ser absolvido. não há como imputar aos agentes a prática da infração penal (quarto fato). categoricamente. Da aplicação da regra in dubio pro reo/favor rei. inciso IV. O reconhecimento fotográfico. não guarda o mesmo valor probatório do pessoal. conforme sobejamente demonstrado. tudo com fundamento e sob pena de violação do artigo 5º..

1. o reconhecimento informal tem valor probante. (. PEDIDOS DE ABSOLVIÇÃO POR INSUFICIÊNCIA DE PROVA OU DE REDUÇÃO DAS PENAS E ISENÇÃO DE MULTA 1.que não gozam de força probatória autônoma -inclusive tendo sido objeto de tese declaratória de nulidade e desentranhamento conforme julgados abaixo transcritos: TJ-RS .O reconhecimento fotográfico somente deve ser considerado como forma idônea de prova. . Rel. este reclama alguma corroboração na restante prova. e assim ocorre também com o reconhecimento fotográfico. . De sorte que policiais civis não podem atuar como peritos. sob pena de completa desqualificação de sua capacidade probatória. tenham ou não exercido funções no inquérito policial.Nulidade do auto de avaliação Aos peritos se aplicam os impedimentos previstos no artigo 252 mais os previstos no artigo 279 do CPP. DJ 11/12/2006). ORDEM CONCEDIDA. requerimento para realização de reconhecimento pessoal do acusado por parte das vítimas. por meio de impulso acusatório. sejam observadas as formalidades contidas no art.A produção de provas na fase inquisitorial. quando acompanhada de outros elementos aptos a caracterizar a autoria do delito. AUSÊNCIA DE CONFIRMAÇÃO JUDICIAL. Rel.1 . Sexta Turma. deve observar com rigor as formalidades legais tendentes a emprestar-lhe maior segurança.. Ministro Paulo Medina.. -/ /- PENAL E PROCESSO PENAL. 226 do Código de Processo Penal (HC 136. Entretanto. FASE INQUISITORIAL. (STJ .HC 56.723. o qual não pode ser desconsiderado. imperioso que o reconhecimento por meio de fotografia não pode ser. HABEAS CORPUS. RECURSO DEFENSIVO. 21 – Sobre o tema.) RECURSO PROVIDO. apenas impede a sua utilização como meio de prova. ARGUIÇÕES DE NULIDADE DO AUTO DE AVALIAÇÃO INDIRETA E DE INVALIDADE DO RECONHECIMENTO FOTOGRÁFICO. estejam ou não subordinados à autoridade policial que o preside. NULIDADE DA SENTENÇA. meio de prova autônomo apto a embasar sentença condenatória. Ministro Arnaldo Esteves Lima. não contamina o feito. ROUBO QUALIFICADO. 20 – Como se vê do entendimento jurisprudencial. Exigia-se. quando realizado de acordo com a lei. mas desde que. não há nenhuma providência neste sentido nos autos. salvo se por outro motivo estiver preso. DJe 03/11/2009).147. no entanto. ainda que menos.2 Nulidade do reconhecimento fotográfico Pelo princípio da liberdade dos meios de prova. Todavia. do que não se dispõe. FURTO. A nulidade declarada do auto de avaliação indireta. em Juízo. . . é entendimento pacífico por parte do STJ que é possível o reconhecimento do acusado por meio fotográfico. 5ª Turma.Ordem CONCEDIDA para anular o acórdão recorrido e determinar a imediata soltura do Paciente. CONDENAÇÃO FUNDAMENTADA EM RECONHECIMENTO FOTOGRÁFICO. no mínimo.Apelação Crime ACR 70050354299 RS (TJ-RS) Data de publicação: 08/02/2013 Ementa: APELAÇÃO CRIMINAL.

afirmou. por conseguinte. Nota-se. tatuagem no braço e no dia do crime trajava boné vermelho. não há. Durante seu depoimento. olhos pretos. a própria descrição fornecida pela vítima em sede policial é contraditória em si. porquanto afirmado pelas testemunhas Rosiane e Catiane que o acusado. ouvida em juízo. a todo momento indicado pela vítima como sendo louro. 24 – A vitima Antônio. razão pela qual não poderia estar presente na cena do crime que ocorreu nesta comarca. oportunidade em que a vítima assevera que teria reconhecido o “louro”. eis que tão somente tentam fazer ecoar o viciado reconhecimento fotográfico realizado em sede policial. em juízo. 32 – Catiane. no dia referenciado. 27 – É confuso crer que a vítima disse ser o acusado louro sendo que este utilizava boné no dia dos fatos. que o acusado sempre morou em porto velho. magro. . portanto. tão somente o fazendo por meio fotográfico. Em juízo. explicou como fora feito o “reconhecimento” fotográfico na delegacia.22 – Além dos parcos reconhecimentos (que por óbvio. A vítima narrou a dinâmica do evento e. nada mais há nos autos que demande certeza sobre a autoria do acusado no crime sub judice. e que no dia dos fatos o acusado não estava em Rio Branco. tendo certeza absoluta que este teria lhe assaltado. 99/105 e 140. baixo. estava em Porto Velho no dia do evento delituoso. assevera que não fez reconhecimento do acusado. o acusado. 31 – Por outro lado. loura (pois nesta foto também utiliza boné). no estado de Rondônia. Que no dia do evento o acusado passou em sua casa indo vender salgados. verifica-se que nela não se pode perceber a presença de uma pessoa branca. nada falou que incriminasse o acusado Nome do Acusado. em momento algum. asseverou ter reconhecido o assaltante moreno. que seria Nome do Acusado. asseverou que o acusado. 28 – Sobre a foto utilizada no reconhecimento. desde o início do processo afirma que na data dos fatos estava residindo em porto velho. cavanhaque. ora acusado. cavanhaque. 26 – Extrai-se que a descrição fornecida pela vítima em sede policial (fls. estava em Porto Velho-RO. 29 – Quanto à vítima Marileude. que era Matheus. na data dos fatos. Narra também como se deu o “reconhecimento” realizado na delegacia. Veja-se que assim se manifestou nas fls. 23 – A versão produzida em juízo pela vítima Iago não traz certeza absoluta acerca da participação do acusado na empreitada criminosa. 73/80. que não se pode extrair dos autos evidência certa e segura da participação do acusado no delito em voga. dentes separados e tatuagem no braço. Afirmou que veio de Porto Velho para a presente comarca porque sabe que o acusado é inocente. 25 – Interessante pontuar que Anderson. desde 2013. dentes separados. verifica-se a fragilidade dos depoimentos das vítimas. Além disso. não tendo certeza absoluta sobre a autoria por parte dele. não gozam de força probatória autônoma). 06) é de que Anderson é branco. veja. Também afirma nunca ter realizado tal reconhecimento “pelo vidro”. além de ter mantido sua versão em sede judicial. Não há provas suficientes que indiquem ser o acusado Anderson autor do delito ora sob julgamento. indene de dúvidas. em sua foto utilizada em reconhecimento está utilizando boné. Em sede policial. 33 – Rosiane. 30 – Assim. 34 – Resumindo. vendo-o passar próximo de sua pessoa no momento aproximado do delito. inclusive já questionada a sua ilegalidade em sede preliminar. Asseverou que não se lembra do acusado. cabelo loiro. feito em computador. Rondônia. esta também não traz informações precisas sobre a autoria do delito. declaração precisa e indubitável que comprometa o acusado. na mesma direção.

CONTRA O PARECER – RECURSO DESPROVIDO. (grifei) 38 – Além disso. Editora Nova Letra. inciso LIV e LV. seja declarada a nulidade dos reconhecimentos realizados no correr da persecutio. 2. mas. A palavra da vítima está isolada nos autos e defronta-se com a credibilidade da versão do réu e da testemunha presencial. em sua obra Processo Penal.8. pugna pela aplicação do instituto de suspensão condicional da pena.12. como uma equação algébrica. sob pena de violação ao princípio da correlação. 36 . 42 – Quanto ao disposto no artigo 387. Da pena restritiva de direitos. A dúvida sabidamente é sempre levada pela direção mais benéfica ao réu pelo princípio do favor rei.Sobre a incerteza do fato e sua autoria. IV– DOS PEDIDOS Ante o exposto. Não há elementos suficientes para comprovar a ocorrência da contravenção penal de vias de fato. o Professor Feu Rosa.Afastou-se a Insigne Promotora de Justiça da certeza imanente ao julgamento penal. afirmando que apenas discutiu com a vítima e foi agredido pelo filho de sua ex-esposa. via de consequência. expendidos no artigo 5º.0001 (TJ-MS) Data de publicação: 27/07/2015 Ementa: APELAÇÃO CRIMINAL – VIOLÊNCIA DOMÉSTICA – VIAS DE FATO – FALTA DE PROVAS PARA CONDENAÇÃO – APLICAÇÃO DO PRINCÍPIO DO FAVOR REI – ABSOLVIÇÃO MANTIDA – NÃO PROVIDO. bem como aos princípios da individualização. do CPP. 37 . exemplifica-se a aplicação da máxima favor rei. seja . caso este juízo entenda pela condenação dos acusados. CF/88. na falta de. Do valor mínimo para reparação de danos. a absolvição é medida que se impõe. por ser medida mais adequada ao caso concreto. preliminarmente. uma vez que ao ser interrogado judicialmente o réu negou as acusações. de onde. da CF/88. no mérito. III – SUBSIDIARIAMENTE a) Dos cálculos de Pena. com breve julgado abaixo: TJ-MS . Ainda. do Código Penal. incisos V e VII. do CPP. previstos no artigo 5º. segundo o princípio secular: in dúbio pro reo". sim. ou seja. proporcionalidade e razoabilidade da pena. do CP. o Parquet Estadual não se atentou para as disposições de Nosso Código de Processo Penal. impõe-se a absolvição do réu. inciso IV. a verdade real. sob pena de violação aos artigos 59 e 68. 40 – Subsidiariamente. que determina seja decretada a absolvição do réu. Do Sursis da pena. no caso de dúvida sobre o fato e a sua autoria. 41 – Outrossim. desentranhando-os do processo. 39 – Assim. inciso XLVI.Apelação APL/MS 0015826-05. pág. ou mesmo quanto a questões de direito e sua interpretação. do CP. Da fixação de regime inicial. ou que seja a pena privativa de liberdade substituída pela restritiva de direitos.35 – Assim. desde que o Juiz reconheça (V) não existir prova de ter o réu concorrido para a infração penal. O JUIZ DEVE DECIDIR A FAVOR DO ACUSADO. já que na justiça penal tudo deve ser claro e preciso. bem como as circunstâncias do delito são normais à espécie. cabe ao Estado provar sua culpabilidade. requesta-se pela fixação de regime inicial condizente com as regras contidas no artigo 33. requer a defesa a não fixação de valor mínimo para reparação de danos. vol. requer. previsto no artigo 77. bem como contraditório e ampla defesa. tendo em vista que as condições pessoais lhes são favoráveis. bem como. tendo em vista que não houve pedido devidamente confeccionado pela acusação quando do oferecimento da Denúncia. nos termos do artigo 386. especialmente aos comandos constantes do artigo 386. 252. ambos do CP. inciso IV.2013. E. tendo em vista a disposição contida no artigo 44. a defesa requesta pela aplicação da pena no mínimo legal em favor de todos. registrou em oportuna síntese: "Nunca se deve esquecer que não é o acusado que deve provar sua inocência.

além de concessão do sursis da pena ou substituição da pena privativa de liberdade por restritiva de direitos. pugna-se pela sua não fixação. Pede e espera deferimento. em razão de ausência de pedido ministerial neste sentido. Nestes termos. em sede de alegações finais. Quanto ao valor mínimo para reparação de danos. requesta-se pela fixação de pena no mínimo legal. eis que não há prova nos autos de ter o mesmo concorrido para a infração penal (artigo 386. Fernando Henrique Schicovski Advogado OAB/AC nº 4. incisos V e VII. Subsidiariamente. 07 de junho de 2017.AC.improvida a pretensão Ministerial. CPP). Rio Branco .780 . e desta forma seja decretada a ABSOLVIÇÃO do acusado. bem como pela fixação de regime inicial de cumprimento de pena na modalidade “semiaberto”.