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Arquitetura residencial voltada para a terceira idade

Déborah Myrian Martins Roberto – arquideborah@gmail.com
Master em Arquitetura e Iluminação
Instituto de Pós-Graduação - IPOG
João Pessoa, UF, data completa (dia, mês e ano)

Resumo
Seguindo ritmo acelerado de envelhecimento da população mundial, o Brasil segue caminhando
para se tornar um país de idosos. Nesse contexto de grandes mudanças sociais, culturais e de
alterações na configuração dos arranjos familiares, a questão da moradia voltada para a terceira
idade têm assumido uma nova importância. Buscando oferecer uma infraestrutura mais digna e
deixando para trás os moldes asilares, as residências voltadas para a terceira idade vem
modificando-se, abraçando os preceitos da acessibilidade e do desenho universal. Partindo desse
pressuposto o presente trabalho busca investigar o atual estado da arquitetura residencial voltada
pra maturidade no país. Esta investigação, se deu através de duas etapas. A etapa de
fundamentação teórica tratou de esclarecer as tipologias de habitações voltada para idosos,
apresentar os preceitos do desenho universal e pontuar as diretrizes projetuais inerentes a esta
arquitetura. Na fase analítica, foram investigados dois empreendimentos habitacionais públicos
projetados especificamente para idosos, o Villa Dignidade, em São Paulo e o Cidade Madura, na
Paraíba. Através das análises desses condomínios foi possível constatar que a arquitetura voltada
para o idoso tem caminhado para além do “simples habitar” e incorporado em seus programas
instrumentos que geram confiança, segurança e domínio do espaço. Por fim, concluiu-se que a
que conceber bons projetos, é o ponto de partida inicial para promover moradias dignas ao
idosos, dai a necessidade de se fomentar e promover e estudos acerca do nicho de arquitetura
residencial no meio acadêmico e profissional.

Palavras-chave:Terceira Idade, Arquitetura da maturidade, Condominio para idosos.

1.0 Introdução
Como consequência do rápido crescimento da população idosa no mundo, nas últimas
décadas, a qualidade de vida na terceira idade tem ocupado um lugar de destaque nos debates
promovidos pelo poder público e sociedade. Como aponta a previsão da Organização Mundial de
Saúde (OMS), em 2025, existirão cerca de 1,2 bilhão de pessoas com mais de 60 anos no planeta,
sendo que o “muito idoso “, de 80 anos ou mais, constitui a faixa etária de maior crescimento
(MESSORA, 2006).
Nesse contexto, a população brasileira também tem envelhecido. De acordo com o CENSO
realizado pelo IBGE em 2000, o número de idosos no Brasil era de 14,5 milhões (8% da população
total), já no último CENSO do ano de 2010, esse valor aumentou para 18 milhões de pessoas acima
de 60 anos de idade, o que representou um crescimento 12%.

ou. ou desacompanhado de seus familiares. Aprovado em setembro 2003. o que representará 18% da população brasileira.01:Previsao de crescimento populacional do Brasil em 2050. o crescimento na expectativa de vida é estimado em 81. à saúde. Fonte: IBGE Neste contexto de grandes mudanças sociais e econômicas. quando assim o desejar. como por exemplo. Esse mecanismo legal dispõe sobre papel da família. a efetivação do direito à vida. Art. correspondente ao aumento do número da população idosa. que passará a ter a base estreita. em instituição pública ou privada”. ao trabalho. o Estatuto do Idoso é considerado um marco na garantia dos direitos dos cidadãos com idade acima de 60 anos. no Estado ou na iniciativa privada para dividir as responsabilidades do cuidado com os idosos. característica que faz o país caminhar em direção a um perfil demográfico cada vez mais envelhecido. da comunidade. ainda. Ainda segundo o IBGE. à dignidade. a participação da mulher (tradicional cuidadora) no mercado de trabalho. destacam-se: as Instituições de Longa Permanência para idosos (ILPIs). significando diminuição da taxa de natalidade. em função das mudanças sócios-culturais ocorridas nas últimas décadas. da sociedade e do Poder Público de assegurar ao idoso. o crescimento significativo da população idosa no Brasil.29 anos em 2050. anteriormente chamado de asilos. à cultura. ao esporte. e o ápice mais largo. 37: “O idoso tem direito à moradia digna. à alimentação. as repúblicas para Idosos e os Condomínios Residenciais para a terceira-idade. Fig. Dentre as alternativas existentes. cada vez mais. à cidadania. à educação.7 milhões de idosos. reestruturando a pirâmide etária da população brasileira. cerca de 13. as famílias têm-se amparado. com absoluta prioridade. tem gerado demandas próprias e transformado as formas de cuidado à população idosa. ao respeito e à convivência familiar e comunitária. De acordo com o Estatuto do Idoso. ao lazer. . Entretanto. à liberdade. no seio da família natural ou substituta.

tornando estes ambientes prejudicais para tanto para a convivência quanto para socialização dos seus residentes. possui especificidades e demandas diferenciadas e por isso necessita de uma compreensão diferenciada. a serem observados em todo o território nacional. Diante destes fatos.0 Metodologia O processo de elaboração deste trabalho foi divido em duas etapas. qualidade e eficiência no atendimento aos idosos. Com isso espera-se fomentar a pesquisa e aprofundar os conhecimentos acerca do tema. Esta pesquisa justifica-se por lidar com uma questão atual. nas quais foram aplicados diferentes instrumentos metodológicos. contendo dados técnicos como ano de construção. que implica em uma mudança no modo de morar de uma faixa etária da população. que nestas análises serão observados os aspectos projetuais relativos a moradia. 1º Etapa: Fundamentação Teórica: Com enfoque em três temas . que se deu através de livros. sendo de fundamental importância para realização da fase de análises. consultando normas e legislação vigente. localização e área 1 Aprova normas e os padrões para o funcionamento de casas de repouso. de modo a garantir que esses abrigos cumpram regras de acessibilidade. será feita uma revisão bibliográfica e em seguida de dois estudos de casos. esta etapa consistiu na realização de uma revisão bibliográfica.portaria 810/89 1do Ministério da Saúde -. bem como. revistas. “Desenho Universal” e “Aspectos projetuais da arquitetura para idosos” -.“Espaços de Moradias para Idosos”. Complementar à pesquisa bibliográfica. de forma a cumprir os objetivos estabelecidos. a respeito da arquitetura residencial para idosos. ainda são comuns a presença de erros de projeto. nesta etapa foram observados as técnicas e critérios utilizados por outros atores na avaliação deste nicho projetual. Visando aprofundar os conhecimentos e técnicas projetuais relativas as edificações voltadas para a acomodação e cuidado de pessoas idosas. clínicas geriátricas e outras instituições destinadas ao atendimento de idosos. 2. Além de cumprir o objetivo de investigar o tema. analisar projetos nacionais de instituições brasileiras dedicadas ao acolhimento de idosos. A legislação brasileira determina algumas normas para o funcionamento dessas instituições para idosos . que embora seja classificado como arquitetura residencial. bem como. em razão da falta de falta estudos específicos sobre a relação do idoso X espaço nesse tipo de edificação. 2º Etapa: Apresentação e Análise de Projetos: Esta fase foi centrada na realização de estudo analítico do projeto de duas tipologias residenciais para idosos localizadas no território brasileiro. É valido destacar. . artigos. que em breve será a maior no país. Primeiramente foi realizada uma apresentação formal das duas edificações. também realizou-se uma pesquisa documental. periódicos e demais publicações acerca da temática de moradia para idosos. as decisões arquitetônicas com repercussões positivas para a saúde física e mental do idoso. o presente trabalho tem por objetivo investigar a arquitetura residencial voltada para idosos. No entanto.

programa de necessidades. Os resultados . o que corresponde a 218 instituições. Casa-lar: Instituição mantida por órgãos governamentais e não governamentais.Como apontam Camarano e Kanso (2010). às necessidades do idoso e diferenciam-se pelo tipo de assistência oferecida e/ou pela quantidade de leitos disponíveis. atividades culturais entre outros. aspectos ergonômicos e relação exterior x interior. integrada por idosos. refletindo sua origem. os governos municipais estão direcionando programas de assistência. com ou sem suporte familiar. tendo por objetivo a promoção do bem-estar e da autonomia do idoso. garantindo seus direitos básicos como saúde. 3.construída e natureza (pública ou privada) da instituição. viabilizada em sistema de autogestão.2%) são de natureza filantrópica. 2016:4) As tipologias acima descritas buscam satisfazer. Também surgem empresas e instituições de caráter privado com atividades semelhantes. com número de moradores previamente estabelecido. República: vem atender ao idoso em estado de vulnerabilidade social. organizados em grupos. Além disso é um modelo já tradicional de moradia para a sociedade como um todo (VINAGRE. com capacidade máxima para 12 (doze)residentes. distribuídas de forma vertical ou horizontal em terreno comum. O serviço tem por objetivo proporcionar condições para que os idosos se organizem e encontrem uma alternativa habitacional diferente da institucionalização nos moldes asilar.6% são públicas.0 Referencial Teórico 3. Apenas 6. cujo público alvo são as pessoas acima de 60 anos. Em seguida. Condomínio: Conjunto de unidades residenciais autônomas. com base no conhecimento adquirido na etapa anterior. com o objetivo de melhorar a qualidade de vida dessa população idosa. podendo ser gratuito ou não. classificando as em quatro tipologias: Repúblicas. que possuam recursos financeiros próprios. Vinagre (2016) investigou estas modalidades de moradias e como elas se configuram. o IPEA (Instituição de Pesquisa Econômica Aplicada) realizou um estudo sobre as condições de operacionais e de infraestrutura das ILPI instaladas no Brasil. Instituição de longa Permanência (ILPI) e Condomínios. com condições de liberdade e dignidade. com predominância das municipais. Instituição de longa permanência: Instituição mantida por órgãos governamentais e não governamentais. forma analisados aspectos projetuais. sob sistema participativo. obedecidas às prescrições para condomínio de acordo com a legislação federal em vigor. a maioria das instituições brasileiras que oferecem moradia para idosos (65. Em 2011. tais como: acessibilidade. em caráter residencial com ou sem suporte familiar. objetivando o cuidado e amparo ao idoso. Casa-lar.1 – Espaços de moradia para idosos Com o grande crescimento de idosos no país. É alternativa de residência para idosos independentes. de forma gratuita ou mediante remuneração. de forma mais específica. destinada a proporcionar atenção integral em caráter residencial.

Enquanto a região nordeste dispõe de apenas 8.além de moradia.aferidos demostraram que o número de instituições no Brasil é relativamente baixo. aqui serão analisadas as recentes iniciativas públicas voltadas para atender idosos com baixo poder aquisitivo. Entretanto é comum que seus residentes recebam . É valido destacar. as tipologias acima descritas não são estabelecimentos voltados à clínica ou à terapêutica. Por se tratar de uma modalidade ainda pouco difundida no país.2 Desenho Universal A concepção de espaços planejados com foco nos idosos é uma ferramenta imprescindível à promoção da segurança e do conforto desses usuários.548 instituições. que apesar de serem comumente confundidas com instituições de saúde. O papel dessas atividades é o de estimular algum grau de integração entre os residentes. são 3. Normalmente ligados a iniciativa privada. alimentação e vestuário - serviços médicos e medicamentos. na sua máxima extensão possível. 2. Equiparação nas possibilidades de uso: o desenho universal é elaborado para conseguir atender pessoas com diferentes capacidades. mental ou sensorial dos usuários. preferências e habilidades e. esses conjuntos residenciais são reconhecidos por oferecerem uma excelente infraestrutura e proporcionarem uma ótima qualidade de vida para os seus residentes. que abrigam apenas 0. diz respeito a distribuição dessas instituições no território nacional. bem como de suas dificuldades. bem como o estimulo a atividades de lazer. Contemplar os conceitos do desenho universal não consiste em uma tarefa simples. para que as soluções projetuais sejam eficientes.5% da população idosa do país. dessa forma. o que denota a escassez dessas instituições fora do eixo sudeste do país. ajudá-los a exercer um papel social. e até mesmo. que propõe a criação de ambientes e produtos que podem ser usados por todos. Deste modo. São eles: 1. a tipologia de condomínios foi escolhida para abordagem dos estudos de casos. 2007). . Outro dado constatado. os preceitos do desenho universal (universal design) desenvolvido pelo americano Ron Mace. tornando os ambientes iguais para todos. a região sudeste concentra mais da metade das instituições do país (63. Sendo assim. Com o objetivo de promover uma sistematização do desenho universal. devem ser levados em conta na hora de projetar para a maturidade (CAMBIAGHI. o Center for Universal Design estabeleceu sete princípios que devem ser considerados em qualquer projeto que busca a acessibilidade plena.5% do total de instituições. Também é comum a oferta de atividades que geram renda e/ou cursos diversos. na medida em que é preciso considerar aspectos muito mais amplos que envolvam as necessidades ambientais para todos os usuários. independentemente da capacidade física. 3.5%). Flexibilidade no uso: o desenho universal atende a uma ampla gama de indivíduos. os ambientes e produtos devem ser adaptáveis para qualquer uso. torna-se indispensável possuir pleno conhecimento das necessidades humanas em sua diversidade. Entretanto.

independentemente das condições ambientais ou capacidade sensorial deste. Dimensionamento de espaços para acesso e uso de todos os usuários: o desenho universal estabelece dimensões e espaços apropriados para o acesso. Mobiliário. No Brasil. Ao considerar o ser humano em sua diversidade. englobando tantos membros da terceira idade quanto pessoas portadoras de necessidade especiais. Mínimo esforço físico: o desenho universal tem o objetivo de proporcionar a utilização de forma eficiente e confortável. tornando-o capaz de atender uma vasta demanda de usuários. os critérios projetuais devem entender o modo de vida dos idosos e suas prioridades. ou nível de concentração. No tocante aos idosos. Informação perceptível: o desenho universal tem o objetivo de transmitir informações. Tolerância ao erro: o desenho universal é previsto para minimizar os riscos e possíveis consequências de ações acidentais ou não intencionais. também são 2 Norma de Acessibilidade a Edificações. o alcance. como por exemplo dimensões para o deslocamento das pessoas com necessidade especial. como visão e audição. os idosos também podem apresentar diminuição dos sentidos. 7. entendendo as suas carências e limitações. conhecimento. Além disso. 5.3. faz-se necessário estudar as medidas antropométricas dos idosos. da inclinação e também pela diminuição do tamanho do corpo. com um mínimo de esforço. . Nesse sentido. Partindo deste princípio. Além de limitações para alcançar objetos ou mesmo para abaixar. de forma a atender as necessidades do usuário.3 Aspectos Projetuais de uma Arquitetura para Idosos Os espaços concebidos para a terceira idade devem atender tanto às necessidades físicas quanto as psicológicas dos seus usuários. 6. deve ser considerado o uso de acessórios como bengalas. andadores e cadeiras de rodas. Espaços e Equipamentos Urbanos definida pela Associação Brasileira de Normais Técnicas (ABNT). como também. 3. o desenho universal tende a deixar o ambiente construído mais inclusivo e acolhedor. habilidades de linguagem. Daí a necessidade de arquitetos e designers de não só entender. Uso simples e intuitivo: o desenho universal tem o objetivo de tornar o uso facilmente compreendido independentemente da experiência do usuário. aplicar os preceitos do desenho universal na hora de projetar. 4. a manipulação e o uso. da postura ou mobilidade do usuário. independentemente do tamanho do corpo. a NBR 90502 atua como um guia norteador e estabelece dimensões referenciais para que se atinja um nível de acessibilidade desejado. que se diferenciam das dos jovens nas medidas das curvaturas. aliando estética a usos e funções.

São eles: . 03: Dimensões da cadeira de rodas e módulo de referência Fonte: NBR 9050 Se tratando de uma literatura mais específica.disponibilizadas informações que auxiliam no processo de projeto. 02: Dimensões referenciais para deslocamento de pessoa em pé. o livro Casa Segura: uma arquitetura para a Maturidade (2000) da arquiteta Cybele Barros trata da concepção de ambientes residenciais voltados para a terceira idade. Fonte: NBR 9050 Fig.03 (apresenta as dimensões referenciais para cadeiras de rodas manuais ou motorizadas e o módulo de referência ocupada por uma pessoa utilizando uma cadeira de rodas. andador). Na Fig. 02 são indicadas as dimensões para deslocamento de pessoa em pé ou com algum tipo de apoio (bengalas. Ao longo do livro. Barros (2000) pontua critérios específicos direcionados a torna cada cômodo mais acessível e adequado aos idosos. Fig. Já a Fig.

3. fixada no chão ou na parede. os caminhos devem estar bem marcados. O Quarto Destinado ao descanso.3. devem ser vencidos por rampas. 3. . arejado e confortável. com largura de 190 cm a 200 cm entre as paredes. A cama deve ter uma altura de 45 cm para o idoso independente e de 85 cm para aquele que necessita de atenção constante. com boa iluminação e ventilação. Os armários não devem ter alturas superiores a 140 cm ou inferiores a 40 cm. Suas dimensões devem estar de acordo com as necessidades de um cadeirante.4.2. garantindo conforto térmico. evitando a aparência de um ambiente hospitalar. com uso de quadros e outros elementos decorativos. Os corredores não devem ter obstáculos e possuir desníveis. e caso houverem.3. A cama não deve ser muito estreita. deve proporcionar boa visualização do conjunto. Deve-se evitar os desníveis. ser de material antiderrapante e estar bem iluminadas. Os pisos das escadas devem ter entre 28cm e 32 cm e os espelhos entre 16 cm e 18 cm. esse ambiente deve ser amplo. Escadas e Rampas Escadas e rampas devem ter corrimãos em ambos os lados. Os patamares devem ter dimensões de forma que o idoso faça pausas no trajeto. devem ser previstas luzes internas para facilitar a visualização.33 %.3. evitando barreiras. Os acessos devem ser fáceis. e deve possuir cabeceira que permita o idoso se encostar. Passagens e Corredores As passagens e os corredores devem ser utilizados de forma temporária. através do plantio de hortas e jardins. Deve ser previsto uma área de manobra para a utilização de uma cadeira de rodas. estarem bem arborizados. 3. Deve-se evitar a monotonia. 3.1 Áreas externas É essencial que o idoso tenha contato com áreas verdes. Os espaços externos devem possuir áreas para caminhada. Esse espaço deve ser alegre e organizado. A mesa de cabeceira deve ter uma altura 10 cm acima da cama com bordas arredondadas. As rampas devem ter inclinação máxima de 8. Os pisos devem ser mais escuros que as paredes e estas devem estar protegidas dos impactos das cadeiras de rodas. a fim de evitar acidentes. para que o idoso não caia quando precisar apoiar-se nela para levantar. prevendo áreas de descanso a cada 9 m. e 190 cm entre os corrimões. melhorando sua qualidade de vida. ligando um local a outro da edificação. A vegetação deve ser usada como terapia. Esse contato traz grandes benefícios a sua saúde.3.3.

deve-se considerar uma pessoa com cadeira de rodas. para facilitar o uso de pessoa em cadeira de rodas e a descarga deve ser de fácil manuseio. que facilita o manuseio. deixando 67 cm de espaço livre sob as mesmas.com. Para o banho deve-se usar preferencialmente a ducha tipo telefone.3. . Recomenda-se que o vaso sanitário deve estar a uma altura de 48 cm.3. O espelho deve ter uma inclinação de 10° e os objetos devem estar ao alcance do idoso. Na figura 04 observa-se os principais itens para a concepção de um banheiro adaptado. As paredes devem ser em alvenaria com resistência suficiente para a instalação de barras de segurança fixadas por buchas.5. O Banheiro Fig. Para o devido dimensionamento deste ambiente. As cubas devem estar suspensas a 85 cm do chão. possibilitando um raio de giro no interior do espaço. O uso de cortinas deve ser inibido e o revestimento do piso deve ser do tipo antiderrapante. Essas barras de apoio devem estar próximas ao chuveiro e ao vaso sanitário para facilitar a transferência do idoso. com apoios laterais. 04: Modelo de Banheiro Adaptado Fonte: www.br O banheiro é o local onde ocorre o maior número de acidentes com idosos.casaadptada.

A mesa deve ter cantos arredondados e preferencialmente ser do tipo com apoio central.7. é indicado o uso de iluminação uniforme. e livre de obstáculos.3.3.0 Estudos de Casos 4. Recomenda-se que as paredes tenham cores claras com diferentes texturas para estimular o idoso. precisam necessariamente estar adaptadas ao uso de cadeira de rodas.6. anti-ofuscante e três vezes mais forte que o normal para compensar as dificuldades visuais. As bancadas devem manter o fluxo preparo-processamento-cocção. não prejudicando as pernas daqueles que utilizarem cadeiras de rodas. 4. São Paulo Figura 05: Ficha técnica Villa Dignidade Fonte: www. A cozinha A cozinha. permitindo ao idoso o contato com as diversas atividades realizadas na casa.1 Villa Dignidade – Avaré.org. deve ser dimensionada para o uso de cadeiras de rodas. com espaço para manobras.cbca-acobrasil. A sala de estar Recomenda-se que a sala permita o contato visual com às outras áreas da residência.br (editado pelo autor) . Como os demais ambientes. Além disso. principalmente móveis baixos que podem provocar acidentes. assim como os outros ambientes. 3.3. Os armários superiores não devem ser muito altos e os inferiores devem prever uma área livre para movimentação das pernas no caso de uso de cadeira de rodas.

1. conservando a área interna para convívio entre os moradores. Esta vila foi concebida no intuito de oferecer não só as moradias. Feita de forma periférica e pavilhonar com pátio central (Cf. mas também. Ocupando uma área de aproximadamente. sendo entregue no ano de 2010.160 m². além de descanso. O público deste residencial é composto por idosos a partir dos 60 anos. Localizada na cidade de Avaré.06) esta configuração permite que as unidades habitacionais se adequem ao formato do terreno. com renda de até dois salários mínimos. Os beneficiados são indicados pelo Conselho Municipal de Idosos. um espaço de convivência social paras os idosos.com . Fig. Esse conceito de unir lazer e convivência ao cotidiano dos idosos. recebem assistência social e participam de atividades socioculturais e de lazer (CAIRES. que vivem sozinhos ou com o cônjuge e possuam autonomia para realizar atividades diárias. Figura 06: Implantação Villa Dignidade Fonte::interessepublicocoletivodanielevalim1sem2011. 2016). este condomínio horizontal é composto por 24 unidades habitacionais. manifesta-se na própria forma de ocupação do espaço.wordpress. a Vila Dignidade é um projeto idealizado pela Secretaria da Habitação e Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano de São Paulo. interior de São Paulo. um salão de convivência e três áreas externas para atividades como jogos e exercícios físicos.

as áreas comuns foram dotadas de rampas com inclinação de até 8. a praça ao ar livre foi dotada de cadeiras com pedais. onde sala e cozinha foram integradas. Na análise da planta baixa (Cf. Figura 07 e 08: Áreas comuns da Villa Dignidade Fonte:interessepublicocoletivodanielevalim1sem2011. Seguindo as normas da ABNT 9050. capaz atender idosos que. como sugere Barros (2010) a sala está situada na porção central da casa.wordpress. uma vez que. serviço) foram pensados de forma a permitir a circulação de cadeirantes. De forma a estimular o convivo e a atividade física dos moradores. facilitando o contato visual do idoso não só com os demais ambiente. a residência pode ser facilmente adaptada. privilegiando a entrada de luz natural no ambiente. 09). foi possível identificar que todos os ambientes (dormitório. Além disso. Este fato indica que o projeto seguiu os princípios do desenho universal.com As unidades habitacionais foram concebidas de forma geminada (duas a duas).33% e corrimãos. como também com a área externa. cozinha/sala. eventualmente. de modo a facilitar a circulação e garantir a integridade física dos moradores. equipamentos para fisioterapia. precisem utilizar a cadeira de rodas. mesas de damas e equipamentos de ginástica. Fig. .

br Outro ponto destaque se dá no arranjo interno dos mobiliários. que permitem a passagem de cadeirantes e evitam a ocorrência de acidentes domésticos. livres de obstáculos. o que resulta na conformação de corredores amplos.com. Como é visto na figura abaixo (Cf. Figura 10: Vista interna de residência da Villa Dignidade Fonte: http://hospitalarquitetura. Fig.br . 10) os móveis foram posicionados rente as paredes da edificação.com. Figura 09: Planta baixa unidade habitacional da Villa Dignidade Fonte: hospitalarquitetura.

o condômino é organizado de forma periférica. banheiros acessíveis e até um redário. Cidade Madura – João Pessoa. Paraíba Figura 11: Ficha técnica Villa Dignidade Fonte: CEHAP-PB (Editado Pelo autor) Inaugurado em 2014 na cidade de João Pessoa. quando um residente desiste da casa ou falece. alugá-las ou cedê-las por conta própria. os moradores não podem modificá-las. com as unidades habitacionais circundando a área comum situada no centro do terreno.2. 2006). o condomínio conta com 40 casas adaptadas de 54 m². esse tipo de arranjo estimula o uso dos equipamentos de lazer (como a praça. Da mesma forma. a horta comunitária e a academia da terceira idade). horta comunitária. elevando o nível de qualidade de vida dos seus moradores . não existe a possibilidade da casa ser passada como herança para alguém da família do idoso (CAIRES. Dispondo de uma grande área verde. Os selecionados pelo programa estatal pagam apenas uma taxa de condomínio e podem viver lá pelo tempo que desejarem. centro de convivência com salão. além de oferecer posto de saúde. de TV e de fisioterapia. Além de favorecer a socialização. O complexo residencial atende idosos a partir dos 60 anos com renda de até cinco salários mínimos. o programa Cidade Madura é uma iniciativa do governo da Paraíba destinada a idosos de baixa renda. Como as casas pertencem ao Estado. salas de aula. que morem sozinhos ou apenas com os cônjuges e possuam autonomia para realizar atividades diárias. copa. Assim como o exemplo anterior.4. pista de caminhada. academia ao ar livre.

. que recebeu uma altura suspensa adequada a realidade do idoso. o conjunto conta com a presença de uma horta comunitária. arbustos e vegetação nativa. Figura 12: Implantação Condomínio Cidade Madura Fonte: CEHAP-PB Seguindo as recomendações de Barros (2000). o Cidade Madura estimula o contato de idoso com a natureza. o paisagismo é constituído de árvores. Com área verde distribuída em toda sua extensão. Além disso. para que este não se incline.

50 para a manobra da cadeira de rodas exigidos pela NBR 9050. banheiro e a cozinha. o acesso as casas se dá por uma rampa levemente inclinada e dotada de corrimão para apoio dos residentes. cozinha. Seguindo as normas da NBR 9050. todos os banheiros do “Cidade Madura” seguem precisamente as normativas e são dotados de barras de apoio. Figura 14: Banheiro adaptado Condomínio Cidade madura Fonte: REIS(2014). área de serviço. com exceção do banheiro. bancos de assento para banho. Figura 13: Horta Comunitária acessível Fonte: REIS (2014) Novamente as unidades habitacionais foram distribuídas em blocos formado por duas casas geminadas. piso antiderrapante. os demais ambientes (quando mobiliados) não oferecem o diâmetro livre de 1. ou seja. . Entretanto. pia em boa altura com barra de apoio e porta larga que possibilite a entrada de cadeira de rodas (Cf. Não obstante. Fig. como aponta Reis (2014). varanda e um banheiro. Cada uma das 40 unidades é dotada de uma sala. a angulação central da sala permite que o idoso visualize todas as entradas para sua mobilidade. A sala é centralizada com acesso ao quarto. ausência de divisórias por cortinas ou boxes. um quarto. Essa característica acaba por dificultar o deslocamento de idosos que sofram eventuais perdas de mobilidade e necessitem do auxílio da cadeira de rodas para locomoverem-se dentro de casa. 14).

através da análise de dois conjuntos habitacionais voltados para a maturidade (Villa Dignidade e Cidade Madura) foi possível traçar um pequeno panorama a respeito dos caminhos que este nicho de projeto residencial tem percorrido no Brasil. Além disso. . a tarefa de analisar projetos nacionais de instituições brasileiras dedicadas ao acolhimento de idoso. enfim. bem como. Através de uma extensa revisão bibliográfica o presente trabalho buscou esclarecer conceitos.0 Considerações Finais Com crescimento vertiginoso da população idosa do país. motivando os idosos a vencerem os limites da idade. Diante do exposto. apresentar normativas e apontar diretrizes arquitetônicas voltadas para a moradia da terceira idade. que o trabalho contribua para o fortalecimento e difusão da pesquisa sobre a arquitetura residencial para idosos no brasil. representam um avanço no que diz respeito às políticas públicas habitacionais para idosos no país e possuem aspectos que os diferenciam de instituições asilares. É válido destacar que. esses projetos buscam promover a autonomia dos seus moradores. garantindo a maior independência e segurança dos idosos na realização de suas atividades de vida diária. Figura 14: Planta baixa unidade habitacional Condomínio Cidade Madura Fonte: REIS (2014) 5. e atente para o papel do arquiteto na construção de espaços que promovam um envelhecimento saudável e ativo. acredita-se que a pesquisa alcançou o objetivo de aprofundar os conhecimentos e técnicas projetuais relativas as edificações voltadas para a acomodação e cuidado de pessoas idosas. a discursão acerca das condições das residências voltadas para a terceira idade vem ganhado destaque na sociedade e gerando uma nova demanda no campo construtivo. ainda que contenham imperfeições. Espera-se. os dois casos estudados. Dotados de uma arquitetura consciente das necessidades do usuário.

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