You are on page 1of 4

Comparativo de tecnologias de tratamento de esgoto.

[Em menos de cinco anos, a ETE Água Vermelha teve sua vazão e carga
orgânica ampliadas em mais de 100%]

A principal função de uma estação de tratamento de esgoto (ETE) é a de remover
a matéria orgânica presente no esgoto a tal ponto que seu efluente possa ser
lançado no meio ambiente, respeitando sua capacidade de suporte em
conformidade com os padrões de qualidade estabelecidos pelas legislações
estaduais e federal.

Assim, antes mesmo de se definir a tipologia de tratamento a ser empregada,
deve-se observar a carga orgânica efluente, sua possível evolução ao longo do
tempo, a possibilidade de reúso do efluente e a capacidade de suporte do meio
ambiente (capacidade que o meio possui para receber determinada carga poluente
atendendo a padrões mínimos de qualidade), para aí estimar a eficiência mínima
da ETE.

O presente artigo trata da reformulação da ETE Água Vermelha que, em menos de
cinco anos, teve sua vazão e carga orgânica ampliadas em mais de 100% devido
ao desenvolvimento econômico da localidade onde fora instalada, excedendo a
capacidade de tratamento da ETE, cuja eficiência era da ordem de 75%, e da
capacidade suporte do corpo d'água.

A ETE localiza-se em um distrito do município de São Carlos (SP), tendo como
corpo receptor o córrego das Araras, enquadrado como Classe 2 segundo o
Decreto Estadual 10.755/77, com vazão mínima decenal com permanência de sete
dias consecutivos (Q7,10) de 30,0 l/s e capacidade suporte para autodepuração de
30 kgDBO5,20/ dia no ponto de lançamento, verificada por estudo de autodepuração
do corpo d'água.

A Estação de Tratamento era formada por dois conjuntos de lagoas de
estabilização dispostas segundo o Sistema Australiano, ou seja, uma lagoa
anaeróbia seguida por uma lagoa facultativa, projetada para vazão nominal de 4,2
l/s e carga orgânica de 108,8 kgDBO5,20/ dia. Com a instalação de uma indústria no
pequeno distrito, a vazão média de esgoto passaria a 8,7 l/s, com picos de vazão
de 15,0 l/s, e carga orgânica média de 233,7 kgDBO5,20/dia.

Além dessa situação, a ETE não possuía área para ampliação e a solução a ser
implementada deveria considerar a operação das lagoas durante a reforma de
ampliação. Assim, optou-se por reconsiderar a concepção original da ETE Água
Vermelha, de maneira a obter eficiência global, em termos de remoção da DBO 5,20,
da ordem de 87%, efluente com DBO5,20 de 39 mgO2/l.

à esquerda. e na regularização da vazão afluente ao UASB. as lagoas de estabilização foram aterradas.000 NMP/100 ml. Panorama mostra. como pela inexistência de área para ampliação das lagoas. .20 do efluente estarem acima do limite estabelecido (39 mgO2/L). o esgoto afluente proveniente do distrito foi desviado para uma das lagoas anaeróbias sendo então distribuído pelas duas lagoas facultativas existentes. à direita. optou-se pela instalação de unidade de desinfecção por ultravioleta (UV) para redução do número de coliformes termotolerantes para valor abaixo de 1. a UV. poço pulmão Foi realizado estudo técnico-econômico entre três tipologias para o tratamento de esgoto. A vista geral da ETE. Já a opção UASB + Lodos Ativados convencional. Durante a obra de ampliação da capacidade de tratamento da ETE Água Vermelha. cujas características estão resumidamente apresentadas na tabela a seguir: A alternativa UASB + Lagoas facultativas foi descartada não somente pelos valores comumente observados da DBO5. embora permitisse atingir efluente com qualidade desejada. a combinação de UASB + BAS. Durante a concepção da ETE Água Vermelha optou-se pela reforma e conversão de uma das lagoas anaeróbias em poço pulmão. no caso da falta de energia elétrica. Dessa maneira. foi também descartada pelos valores obtidos para produção de lodo e pelo consumo médio mensal de energia elétrica em comparação com os demais sistemas analisados. A fim de atender ao padrão de qualidade do corpo receptor. Ao final da ampliação. ilustra o layout da unidade. com as unidades de tratamento pré e pós-ampliação. o qual permitiria o armazenamento temporário do esgoto afluente. e. optou-se pela alteração da concepção de tratamento do esgoto UASB + Biofiltro Aerado Submerso (BAS). Ao centro. destacada a parte.

ETAPAS DE RECUPERAÇÃO Os serviços para conversão da lagoa anaeróbia em poço pulmão .

Instalação de drenos de gases junto ao fundo da Nivelamento do fundo da antiga lagoa lagoa anaeróbia para posterior impermeabilização anaeróbia com mantas PEAD (2 mm) Vista da lagoa anaeróbia convertida em poço pulmão .