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Contratualismo: Hobbes - Locke - Rousseau

(Resumo preparado pelo Prof. Antenor Celloni)

ESTADO DE NATUREZA ⇒ CONTRATO SOCIAL ⇒ESTADO CIVIL


HOBBES1: 1588-1679 LOCKE: 1632-1704 ROUSSEAU: 1712-1778

 Defesa do Estado Absolutista  Defesa do Estado Democrático


 Defesa do Estado Liberal2
 ª
Leviatã: 1 ed. e, 1651  Defesa do individualismo (o indivíduo precede o Estado)
 Os "Dois tratados" foram escritos provavelmente em 1679-80 e
publicado em 1690
1. Natureza Humana  Os homens soam bons, livres, independentes, iguais, pacíficos e  Os homens são bons, livres, espontâneos, moralizados e
 Os homens são maus, egoístas; o homem lobo do homem seguros felizes
 Estado de guerra de todos contra todos  Estado de paz e harmonia, cada homem é juiz em causa própria  Bom selvagem inocente
2. Propriedade Privada / Armas  Para se protegerem uns dos outros  A propriedade já existia no Estado de Natureza e não pode ser  No início, tudo era de todos
violada pelo Estado  A propriedade privada é o início dos males na sociedade
 No início, tudo é de todos. Quando há disputa pela posse, há a luta e a  É pelo trabalho sobre a terra que o homem adquire a propriedade,  O desentendimento e as misérias humanas começaram
guerra. A propriedade é criada pelo Estado-Leviatã (soberano) 3, para mas ainda é limitada quando se implantou a primeira cerca ...
preservar a paz.  Com o surgimento da moeda, a propriedade pode ser adquirida pela  O homem nasceu livre e, por todo parte, encontra-se a
 Assim como a criou, o Estado pode suprir a propriedade dos súditos compra e adquire caráter ilimitado ferros
 Qual a natureza do poder legítimo resultante do consenso? Que tipo de
soberania resulta do pacto?
3. Contrato Social4  Para superar o Estado de Natureza, Estado de Guerra de todos contra todos  Preservar o estado de liberdade natural (sentido muito amplo: "tudo o  Garantir a liberdade civil (através das leis)
(Do Estado de Natureza para que pertence" ao indivíduo, sua vida, sua liberdade e seus bens)
a sociedade civil)  Funda a soberania5  Todos os homens são proprietários
 Preservar o direito natural à propriedade
 Estabelece a distinção entre público e privado6
4. O modo do Pacto estabelecido  Direito natural
no contrato social  Direito natural7  Pacto de sociedade: tendo perdido a liberdade natural, que
 Pacto de consentimento: os membros da sociedade preservam seus possam ganhar a liberdade civil
 Da comunidade para a sociedade direitos inalienáveis à vida, liberdade e aos bens, protegendo sob o  Estabelecendo leis para si mesmo (através do respeito à
amparo das leis (não permitindo a arbitrariedade do governante) VONTADE GERAL), o homem continua tão livre quanto
 Pacto de submissão: transfere toda sua liberdade, voluntariamente, ao
antes
ESTADO-LEVIATÃ, que passará a agir em nome de todos
5. O Estado Civil  É o Estado-Leviatã, onde o soberano tem poder absoluto, ilimitado e  "Segundo tratado": um ensaio sobre a origem, extensão e objetivo do  Deve ser democrático, com respeito pela Vontade Geral
irrevogável governo civil  Só a Vontade Geral do Povo é a soberania

1
Conviveu com a nobreza, de que recebeu apoio e condições para estudar, e defendeu ferrenhamente o poder absoluto, ameaçado pelas novas tendência liberais. Teve contato com Descartes, Francis Bacon e Galileu. Preocupou-se, entre outras coisas, com o
problema do conhecimento, tema básico das reflexões do século XVII, representado a tendência empirista." Ver em: ARANHA, Maria Lúcia de Arruda e MARTINS, Maria Helena Pires. Filosofando: introdução à filosofia. 2ª ed., São Paulo: Ed. Moderna, 1997,
p. 210.
2
As revoluções lideradas pela burguesia na Inglaterra no século XVII, "A primeira foi a Revolução Puritana, em meados do século em questão, culminando com a execução do rei Carlos I e a ascensão de Cromwell. Mas a liquidação do absolutismo se dá mesmo
com a Revolução Gloriosa, em 1688, quando Guilherme III é proclamado rei, após Ter aceito a Declaração de Direitos que limitava muito sua autoridade e dava mais poderes ao parlamento. Ficava, portanto, o poder executivo subordinado ao legislativo."
Filosofando, p. 216.
3
O Soberano de Hobbes: "O Soberano pode ser um rei, um grupo de aristocratas ou uma assembléia democrática. O fundamental não é o número dos governantes, mas a determinação de quem possui o poder ou soberania. Esta pertence de modo absoluto ao
Estado, que por meio das instituições públicas, tem o poder para promulgar e aplicar as leis, definir e garantir a propriedade privada e exigir obediência incondicional dos governantes, desde que respeite dois direitos naturais intransferíveis: o direito à vida e à paz,
pois foi por eles que o soberano foi criado. O soberano detém a espada e a lei; os governados, a vida e a propriedade dos bens." Para Rousseau, "o soberano é o povo, entende como vontade geral, pessoa moral coletiva livre e corpo político de cidadãos. Os
indivíduos, pelo contrato, criaram-se a si mesmos como povo e é a este que transferem os direitos civis. Assim sendo, o governante não é o soberano, mas o representante da soberania popular. Os indivíduos aceitam perder a liberdade civil; aceitam perder a posse
natural para ganhar a individualidade civil, isto é, a cidadania. Enquanto criam a soberania e nela se fazem representar, são cidadãos. Enquanto submetem às leis e à autoridade do governante que os representa chamam-se súditos. São, pois, cidadãos dos Estado e
súditos das leis." Ver em: CHAUI, Marilena. Convite à filosofia. 9ª ed., São Paulo: Editora Ática, 1997, p. 400-401.
4
O contrato é a abdicação das vontades individuais em favor de um homem ou de uma assembléia de homens, como representantes de suas pessoas.
5
"Pelo qual os indivíduos renunciam sua liberdade natural e à posse natural dos bens, riquezas e armas e concordam em transferir a um terceiro - o soberano - o poder para criar e aplicar as leis, tornando-se autoridade política. O contrato social funda a soberania."
Ver em: CHAUI: 1997, p. 400.
6
"Assim, o poder político não deve, em tese, ser determinado pelas condições de nascimento, bem como o Estado não deve intervir, mas sim garantir e tutelar o livre exercício da propriedade, da palavra e da iniciativa econômica." Filosofando, p. 218.
7
"Por natureza, todo indivíduo tem direito à vida, ao que é necessário à sobrevivência de seu corpo, e à liberdade. Por natureza, todos são livres, ainda que, por natureza, uns sejam mais fortes e outros mais fracos. Um contrato ou um pacto, dizia a teoria jurídica
romana, só tem validade se as partes contratantes forem livres e iguais e se voluntária e livremente derem seu consentimento ao que está sendo pactuado." Ver em: CHAUI: 1997, p. 400.
2
 Leis promulgadas pelo soberano  A finalidade do governo é a conservação da propriedade
 Apenas os que possuem fortuna podem ter plena cidadania (têm
pleno interesse na propriedade e compromisso com a razão)
 O legislativo é o poder supremo (subordina o executivo quanto o
poder federativo, este responsável pelas relações exteriores)
 O governo é controlado pela sociedade
6. Direito de resistência  Só é possível para defender o direito à própria vida e a integridade física.  É possível a resistência, se o governante foge à lei  O povo pode resistir sempre, se sua liberdade e vida
Mesmo assim, vale a lei do mais forte (o soberano, que acaba vencendo) estiverem sendo ameaçadas e se os governantes na
estiverem respeitando a Vontade Geral
Thomas Hobbes8 propriedade privada não existia no estado de natureza, onde todos
têm direito a tudo e na verdade ninguém tem direito a nada." Ver em:
ARANHA e MARTINS: 1997: 212.
 Sejamos o lobo do lobo do homem (Caetano Veloso)  É possível encontrar no pensamento hobbesiano alguns elementos que
denotam os interesses burgueses. "Por exemplo, a doutrina do direito
 Durante o tempo em que os homens vivem sem um poder comum
natural do homem é uma arma apropriada para ser utilizada contra os
capaz de os manter a todos em respeito, eles se encontram naquela direitos tradicionais da classe dominante, ou seja, a nobreza. Da
condição a que se chama guerra; e um guerra que é de todos os mesma forma, a defesa da representatividade baseada no consenso
homens contra todos os homens. (Hobbes) significa a aspiração de que o poder não seja privilégio de classe.
 E os pactos sem a espada não passam de palavras, sem força para Além disso, o Estado surge de um contrato, o que revela o caráter
dar qualquer segurança a ninguém. Portanto, apesar das leis de mercantil, comercial, das relações sociais burguesas. O contrato surge
natureza (que cada um respeita quando tem vontade de respeitá-las e a partir de uma visão individualista do homem, pois, de acordo com
quando pode fazê-lo com segurança), se não for instituído um poder essa concepção, o indivíduo preexiste ao Estado (se não cronológica,
suficientemente grande para nossa segurança, cada um confiará, e pelo menos logicamente), e o pacto visa garantir os interesses dos
poderá legitimamente confiar, apenas em sua própria força e indivíduos, sua preservação e sua propriedade. Se no estado de
capacidade, como proteção contra todos os outros. (Hobbes) natureza 'não há propriedade, nem domínio, nem distinção entre o
 "O absolutismo, atingindo o apogeu, encontra-se em vias de ser meu e o teu', no Estado de soberania perfeita a liberdade dos súditos
ultrapassado, e enfrenta inúmeros movimentos de oposição baseados está naquelas coisa que o soberano permitiu, 'como a liberdade de
em idéias liberais. Se na primeira fase (Inglaterra de Isabel e França comprar e vender, ou de outro modo realizar contratos mútuos; de
de Luís XIV) o absolutismo favorece a economia mercantilista, pois cada um escolher sua residência, sua alimentação, sua profissão, e
as indústrias nascentes são protegidas pelo governo, já na segunda instruir seus filhos conforme achar melhor, e coisas semelhantes'.
fase o desenvolvimento do capitalismo comercial repudia o Portanto, o Estado se reduz à garantia do conjunto dos interesses
intervencionismo estatal, uma vez que a burguesia ascendente agora particulares." Ver em: ARANHA e MARTINS: 1997: 212.
aspira à economia livre." Ver em: ARANHA e MARTINS: 1997:  "Como vemos, mesmo que Hobbes defenda o Estado absoluto, já são
210. perceptíveis em seu discurso alguns dos elementos que marcarão o
pensamento burguês e liberal daí em diante: o individualismo, a
 "A partir da tendência de secularização do pensamento político, os garantia da propriedade e a preservação da paz e segurança
filósofos do século XVII estão preocupados em justificar indispensáveis para os negócios." Ver em: ARANHA e MARTINS:
racionalmente e legitimar o poder do Estado sem recorrer à 1997: 212.
intervenção divina ou a qualquer explicação religiosa. Daí a
preocupação com a origem do estado." Ver em: ARANHA e
MARTINS: 1997: 210. John Loke
 "O que há de comum entre os filósofos contratualistas é que eles
partem da análise do homem em estado de natureza, isto é, antes de Trechos sobre o liberalismo
qualquer sociabilidade, quando, por hipótese, desfruta de todas as
coisas, realiza os seus desejos e é dono de um poder ilimitado. No "Nós temos por testemunho as seguintes verdades: todos os
estado de natureza, o homem tem direito a tudo: 'O direito de homens são iguais: foram aquinhoados pelo seu Criador com certos direitos
natureza, a que os autores geralmente chamam jus naturale, é a inalienáveis e entre esses direitos se encontram o da vida, da liberdade e da
liberdade que cada homem possui de usar seu próprio poder, da busca da felicidade.
maneira que quiser, para a preservação de sua própria natureza, ou Os governos são estabelecidos pelos homens para garantir esses
seja, de sua vida; e, conseqüentemente, de fazer tudo aquilo que seu direitos, e seu justo poder emana do consentimento dos governados.
próprio julgamento e razão lhe indiquem como meios adequados a Todas as vezes que uma forma de governo torna-se destrutiva
esse fim.'" Ver em: ARANHA e MARTINS: 1997: 210-211. desses objetivos, o povo tem o direito de mudá-lo ou de abolir, e
estabelecer um novo governo, fundando-o sobre os princípios e sobre a
 "O homem, não sendo sociável por natureza, o será por artifício. É o
forma que lhe pareça a mais própria para garantir-lhe a segurança e a
medo e o desejo de paz que o levam a fundar um estado social e a
felicidade."
autoridade política, abdicando dos seus direitos em favor do
soberano." Ver em: ARANHA e MARTINS: 1997: 211.
(Trecho da Declaração de Independência dos Estados Unidos, de
 "Qual a natureza do poder legítimo resultante do consenso? Que tipo 1776, reflexo na América dos ideais liberais iniciados pela
de soberania resulta do pacto? Revolução Gloriosa em 1688, na Inglaterra)
Para Hobbes, o poder do soberano deve ser absoluto, isto é,
ilimitado. A transmissão do poder dos indivíduos ao soberano deve
ser total, caso contrário, um pouco que seja conservado da liberdade "Sendo os homens por natureza todos livres, iguais e
natural do homem, instaura-se de novo a guerra. E se não há limites independentes, ninguém pode ser expulso de sua propriedade e submetido
para a ação do governante, não é sequer possível ao súdito julgar se o ao poder político de outrem sem dar consentimento. A maneira única em
soberano é justo ou injusto, tirano ou não, pois é contraditório dizer virtude da qual uma pessoa qualquer renuncia à liberdade natural e se
que o governante abusa do poder: não há abuso quando o poder é reveste dos laços da sociedade civil consiste em concordar com outras
ilimitado!" Ver em: ARANHA e MARTINS: 1997: 211. pessoas em juntar-se e unir-se em comunidade para viverem com
 Desfazendo o mal-entendido pelo qual Hobbes é identificado como segurança, conforto e paz umas com as outras, gozando garantidamente das
defensor do absolutismo real: "Na verdade, o Estado pode ser propriedades que tiverem e desfrutando de maior proteção contra quem
monárquico, quando constituído por apenas um governante, como quer que não faça parte dela."
pode ser formado por alguns ou muitos, por exemplo, por uma
assembléia. O importante é que, uma vez instituído, o Estado não (Locke)
pode ser contestado: é absoluto.
Além disso, Hobbes parte da constatação de que as disputas
entre rei e parlamento inglês teriam levado à guerra civil, o que o faz
concluir que o poder do soberano deve ser indivisível." Ver em: Ambos: p. 216 e 217.
ARANHA e MARTINS: 1997: 211.
 "Em resumo, o homem abdica da liberdade dando plenos poderes ao
Estado absoluto a fim de proteger a sua própria vida. Além disso, o 1. Hobbes, Rousseau e Locke partem da concepção individualista, pela
Estado deve garantir que o que é meu me pertença exclusivamente, qual os homens isolados no estado de natureza se uniram mediante
garantindo o sistema da propriedade individual. Aliás, para Hobbes, a contrato social para constituir a sociedade civil. Portanto, apenas o
pacto torna legítimo o poder do Estado. (P. 218)
2.
8
"Hobbes usa a figura bíblica do Leviatã, animal monstruoso e cruel, mas que de
certa forma defende os peixes menores de serem engolidos pelos mais fortes. É essa
figura que representa o Estado, um gigante cuja carne é a mesma de todos os que a Conjuração Baiana
ele delegaram o cuidado de os defender." Ver em: ARANHA e MARTINS: 1997:
212.
4
Rebelião popular ocorrida em 1798, inspirada pelas idéias da revolução Ana da Inglaterra; Carlos I da Grã-Bretanha e Irlanda; Guilherme III da
francesa. Pretendeu estabelecer na Bahia um governo independente da Inglaterra; Jaime I da Inglaterra; Jaime II da Inglaterra; Maria Stuart
metrópole, republicano e democrático, sem distinção de raça e cor.
Também chamada dos Alfaiates. Anglicana, Igreja.
Igreja da Inglaterra, que nasceu da ruptura do rei Henrique VIII com o papa
Inconfidência mineira. Clemente VII no início do século XVI.
Conspiração desencadeada em 1789 em Vila Rica, antigo nome de Ouro Anglicanismo.
Preto, com o objetivo de criar no Brasil uma nação autônoma e republicana, Conjunto de princípios, doutrinas e instituições da Igreja Anglicana,
livre da espoliação da corte portuguesa. fundada, no início do século XVII, pelo rei inglês Henrique VIII.
©Encyclopaedia Britannica do Brasil Publicações Ltda. Ana Bolena

Puritanismo. Presbiterianismo.
Movimento protestante surgido na Inglaterra no século XVI. Prega Variante do protestantismo caracterizada por não admitir hierarquia clerical
princípios morais rígidos e formas simples de adoração. Perseguidos pelos superior à dos presbíteros. Surgida nos países anglo-saxônicos no século
reis da dinastia Stuart, muitos de seus adeptos emigraram para a América. XVI, a partir da Reforma protestante.
Nova Inglaterra ; Protestantismo
v. tb. Calvinismo, Cromwell, Oliver Presbiterianas, igrejas
Os postulados propostos no século XVI pela Reforma protestante de João
Stuart, dinastia Calvino deram lugar ao surgimento das igrejas presbiterianas, nos países de
A grafia original do nome da dinastia Stuart era Stewart, versão escocesa tradição anglo-saxônica, e das reformadas, na Europa continental.
antiga, mas, no século XVI, a influência francesa levou à adoção das Igrejas presbiterianas são as igrejas protestantes que não admitem
grafias Stuart e Steuart, em virtude da ausência do "w" no alfabeto francês. hierarquia eclesiástica superior à dos presbíteros, em oposição à
A dinastia de Stuart reinou na Escócia a partir de 1371 e também na organização de tipo episcopal, seguida pela Igreja da Inglaterra, que
Inglaterra de 1603 a 1714, com uma breve interrupção entre 1649 e 1660, conserva as três ordens do clero: bispo, presbítero e diácono. Governadas
período em que se estabeleceu um regime republicano. Os Stuarts por um presbitério, conselho composto de leigos e pastores chamados
descendem de um cavaleiro bretão que se tornou conhecido no fim do presbíteros, as igrejas presbiterianas encontram fundamento teológico no
século XI por ter participado da primeira cruzada. Os primeiros Stuarts princípio da igualdade de todos os membros da congregação -- a qual tem
foram senescais (stewards) dos condes de Dol, na Bretanha francesa, do em Cristo seu único senhor e cujos serviços devem ser delegados a
século XI ao século XIV. No início do século XVI, Walter, terceiro filho do membros eleitos pela comunidade. Opõem-se, assim, à autoridade do papa
quarto senescal de Dol, pôs-se a serviço do rei escocês David I e foi depois e dos bispos, que a Igreja Católica e outras confissões protestantes
nomeado seu senescal. O título de senescal da corte escocesa foi atribuído à consideram sucessores dos apóstolos e depositários da autoridade divina.
família em 1157, durante o reinado de Malcolm IV. Os presbiterianos condenam o aparato litúrgico de católicos e anglicanos.
O sexto senescal, Walter Stuart, casou-se com a filha do rei Roberto I em Seu culto prima pela simplicidade: consiste de prédica, leituras bíblicas,
1315. Em 1371, seu filho, sobrinho do rei David II, tornou-se o primeiro rei canto de hinos e orações. O sermão ocupa a parte principal do serviço
Stuart da Escócia, como Roberto II. Tanto Roberto II como seu filho e religioso. São administrados apenas os sacramentos do batismo e da
sucessor, Roberto III, foram monarcas fracos. Este deixou o poder nas mãos eucaristia, e esta é considerada como profissão de fé comunitária e não
do irmão, o conde de Fife, mais tarde duque de Albany. como presença real de Cristo no pão e no vinho. Com relação a outros
Com a morte de Roberto III, seu filho subiu ao trono em 1406, como Jaime temas doutrinais, os teólogos presbiterianos tendem, em geral, a afastar-se
I, e foi assassinado em 1437 por ordem de seu tio, o conde de Athol, que se da teoria calvinista da predestinação, pela qual a salvação ou a condenação
opunha à política centralizadora do monarca. Jaime II, filho e sucessor de dos homens já está determinada desde antes da criação do mundo.
Jaime I, foi coroado com apenas sete anos e lutou contra a nobre família Organização. A organização do sistema de direção eclesial consiste de
dos Douglas, enquanto Jaime III, que assumiu o trono em 1469, interessou- assembléias locais, regionais e gerais, integradas por pastores (ministros
se mais pelas artes do que pela administração do reino. Jaime IV, que docentes), anciões (regentes), diáconos e administradores. Para dirigir a
reinou a partir de 1488, controlou a nobreza e lutou contra a Inglaterra. congregação local constitui-se uma junta, presidida pelo pastor e integrada
Com a morte de Jaime V, em 1542, extinguiu-se a linha sucessória pelos anciões regentes, a qual decide sobre todos os assuntos da
masculina. comunidade: admissão ou expulsão de seus membros, tarefas a realizar,
A única filha e herdeira de Jaime V era Maria Stuart, que em 1558 casou-se medidas disciplinares, eleição de um novo pastor etc. O pastor dirige um
com o delfim Francisco (mais tarde Francisco II da França) e logo depois grupo de diáconos que se ocupam das atividades materiais e do sustento dos
reivindicou seus direitos ao trono inglês contra Elizabeth I, considerada pobres. A comunidade designa também administradores para tratar dos
ilegítima. Após a morte de Francisco II, Maria Stuart voltou à Escócia e assuntos econômicos e legais. Os anciões e diáconos recebem sua
governou com tato e habilidade incomuns. Uma insurreição de nobres ordenação, ou consagração, das mãos do pastor e aceitam de modo explícito
depôs a rainha que, refugiada na Inglaterra, foi julgada e condenada à morte a profissão de fé e as normas da igreja, recolhidas no Book of Common
em 1587. Order (Livro de disciplina). Essa ordenação tem caráter permanente, mas o
Jaime VI, filho de Maria Stuart e de seu segundo marido, Henrique Stuart exercício das funções se limita, em geral, a um período determinado. Os
(Lord Darnley), ascendeu ao trono escocês em 1567. Em 1603, herdou o administradores não precisam ser ordenados e seu cargo tem caráter
trono da Inglaterra como Jaime I (por seus direitos como bisneto de temporal.
Margarida Tudor) e governou sob a influência do duque de Buckingham. No âmbito regional, o órgão dirigente é constituído pelo presbitério, ao qual
Os conflitos com o Parlamento, provocados por seu autoritarismo e pertencem todos os ministros da região, estejam ou não no exercício de
perseguição aos católicos, continuaram durante o reinado do filho Carlos I, suas funções de pastores, e os anciões designados pelas congregações
que, derrotado pelo exército parlamentarista de Oliver Cromwell, foi locais. Ao presbitério cabe a ordenação dos pastores, sua adjudicação a
executado em 1649. Estabeleceu-se então um regime republicano até 1660, cada congregação ou sua remoção, de acordo com propostas recebidas das
quando restaurou-se a monarquia com Carlos II, filho do rei decapitado. O próprias congregações. O presbitério tem autoridade sobre as juntas locais e
novo rei demonstrou tendências absolutistas, apesar de ter sido controlado serve de tribunal de apelação ante as decisões daquelas: desempenha, por
pelo Parlamento. Casou-se com Catarina de Bragança e legou os direitos conseguinte, as funções que outras confissões cristãs atribuem aos bispos.
sucessórios a seu irmão católico Jaime II, que reinou de 1685 a 1688. Os diversos presbitérios de uma região são coordenados por um sínodo
Durante o reinado de Jaime II, os whigs, parlamentares que se opunham ao anual. O órgão supremo das igrejas presbiterianas é a assembléia geral, na
absolutismo, organizaram a luta contra a restauração do catolicismo. Foi qual se congregam, também anualmente, os delegados, pastores e anciões
chamado a intervir pelas armas Guilherme de Orange (posteriormente eleitos por todos os presbitérios.
Guilherme III da Inglaterra), casado desde 1677 com a filha de Jaime II, Principais igrejas presbiterianas. A Aliança Mundial de Igrejas
Maria (posteriormente Maria II da Inglaterra). O rei viu-se assim obrigado a Presbiterianas agrupa 120 confissões independentes, com a maior parte dos
fugir para a França, onde morreu em 1701, após uma tentativa fracassada fiéis no Reino Unido e nos Estados Unidos. Sua atividade missionária
de recuperar o trono. permitiu-lhe estender-se também ao Extremo Oriente, sobretudo por meio
O Parlamento inglês decidiu então excluir do direito sucessório o ramo de universidades e hospitais. A Igreja Presbiteriana Britânica foi fundada
católico dos Stuart. A dinastia continuou, porém, a reinar na Inglaterra e na em 1876 pela fusão da Igreja Presbiteriana Unida com diversas outras
Escócia com Guilherme III, que era sobrinho de Carlos II, e com Maria II. congregações presbiterianas da Inglaterra e da Escócia, nascidas de
Ambos reinaram até a morte: Maria II até 1694 e Guilherme III até 1702. dissidências do anglicanismo. Cabe assinalar, a esse respeito, a importância
Sucedeu-lhe Ana Stuart, filha protestante de Jaime II, que reinou até 1714 e do reformador escocês do século XVI John Knox que, exilado na França e
não deixou filhos. Com a morte dela, ascendeu ao trono a casa de Hanover, na Suíça durante o reinado de Maria Tudor, exerceu grande influência sobre
que excluiu os Stuarts, apesar de Carlos Eduardo, neto de Jaime II, ter o culto presbiteriano. A implantação dessa religião nas ilhas britânicas em
tentado sem sucesso ascender ao trono em 1746. A linha masculina da geral e na Escócia em particular foi sem dúvida favorecida pela ação de
dinastia extinguiu-se em 1807 com a morte do cardeal Henrique, duque de Knox.
York.
5
A Igreja Presbiteriana dos Estados Unidos é resultado da fusão, em 1983, 3. A relação dialética entre a base econômica dominada pelos reis
dos dois grandes grupos protestantes que se haviam formado no norte e no Stuarts e a superestrutura jurídica-política e ideológica da Inglaterra .
sul do país em conseqüência da guerra civil. Sua origem remonta aos 4. A relação dialética entre a base econômica dominada pelo Parlamento
colonos ingleses, irlandeses e escoceses do século XVII, que preferiram a e a superestrutura jurídica-política e ideológica da Inglaterra .
organização presbiteriana à congregacionista. Divergências doutrinárias
provocaram, no século XVIII, a cisão de escoceses e irlandeses, mas as
duas tendências se reconciliaram em 1758. Novas divisões se produziram
durante o século XIX, provocadas tanto por questões sociais como por Jonh Locke
diferenças teológicas, mas foram finalmente superadas.
Trechos sobre o liberalismo
Parlamentarismo
Resultante de um lento processo histórico que se estendeu por cinco "Nós temos por testemunho as seguintes verdades: todos os
séculos, o parlamentarismo é a etapa final da luta vitoriosa das forças homens são iguais: foram aquinhoados pelo seu Criador com certos direitos
democráticas contra o absolutismo na Europa. inalienáveis e entre esses direitos se encontram o da vida, da liberdade e da
Parlamentarismo é o sistema de governo em que um gabinete de ministros, busca da felicidade.
escolhidos entre os membros do partido que obteve maioria em eleições Os governos são estabelecidos pelos homens para garantir esses
parlamentares, exerce o poder administrativo e político. Funciona na direitos, e seu justo poder emana do consentimento dos governados.
monarquia e na república. Dois órgãos de poder igual, gabinete e Todas as vezes que uma forma de governo torna-se destrutiva
Parlamento, coexistem, colaboram e exercem um sobre o outro ação de desses objetivos, o povo tem o direito de mudá-lo ou de abolir, e
limitação recíproca. O chefe do executivo, que tem o título de primeiro- estabelecer um novo governo, fundando-o sobre os princípios e sobre a
ministro, é designado pelo chefe de estado -- monarca ou presidente -- e forma que lhe pareça a mais própria para garantir-lhe a segurança e a
referendado pelos parlamentares. felicidade."
O primeiro-ministro escolhe os ministros de estado, que compõem o
gabinete, entre os membros de seu partido ou dos partidos que formaram a (Trecho da Declaração de Independência dos Estados Unidos, de
coalizão de governo. O gabinete pode ser derrubado por perda da maioria 1776, reflexo na América dos ideais liberais iniciados pela
no Parlamento ou por um voto ou moção de desconfiança. Nesse caso, o Revolução Gloriosa em 1688, na Inglaterra)
executivo renuncia, ou dissolve o Parlamento e convoca novas eleições. A
democracia é essencial para o parlamentarismo, que pressupõe eleições
livres, multipartidarismo, partidos políticos fortes, instituições sólidas e "Sendo os homens por natureza todos livres, iguais e
corpo burocrático eficiente. O parlamentarismo moderno se caracteriza por independentes, ninguém pode ser expulso de sua propriedade e submetido
atribuir muito poder ao gabinete e ao primeiro-ministro, com a manutenção ao poder político de outrem sem dar consentimento. A maneira única em
do princípio da responsabilidade do executivo perante o Parlamento. virtude da qual uma pessoa qualquer renuncia à liberdade natural e se
As origens do parlamentarismo remontam ao século XIII, com a fusão de reveste dos laços da sociedade civil consiste em concordar com outras
duas instituições governamentais britânicas: o Grande Conselho, corpo de pessoas em juntar-se e unir-se em comunidade para viverem com
grão-senhores leigos e eclesiásticos, convocados para discutir com o rei segurança, conforto e paz umas com as outras, gozando garantidamente das
assuntos de estado, e o Conselho do Rei, derivado da Curia Regis medieval, propriedades que tiverem e desfrutando de maior proteção contra quem
formado por conselheiros privados, em geral profissionais. Problemas que quer que não faça parte dela."
transcendiam a competência das cortes ordinárias eram decididos em
reuniões especiais, as concilium regis in parlamento (conselho do rei em (Locke)
parlamento). Os dois conselhos são os ancestrais remotos das atuais casas
do Parlamento britânico, a Câmara dos Lordes e a Câmara dos Comuns. Ao
longo dos séculos, a instituição sofreu modificações diversas. Com a
revolução de 1688, o Parlamento afirmou sua autoridade sobre o monarca, Ambos: p. 216 e 217.
formaram-se os dois grandes partidos -- whig, liberal; e tory, conservador --
e o parlamentarismo adquiriu bases modernas. A partir de 1830 o sistema
se consolidou. O poder político transferiu-se do monarca para a Câmara dos 5. Hobbes, Rousseau e Locke partem da concepção individualista, pela
Comuns, e a Câmara dos Lordes perdeu significado político. qual os homens isolados no estado de natureza se uniram mediante
O parlamentarismo nos demais países se baseia no modelo britânico, mas contrato social para constituir a sociedade civil. Portanto, apenas o
adquiriu características diversas. Na França, no século XIII, era chamado pacto torna legítimo o poder do Estado. (P. 218)
Parlamento o conjunto das assembléias extraordinárias de notáveis, 6.
convocadas pelo rei para tomar conhecimento de assuntos importantes.
Depois da revolução francesa, e ao longo dos séculos XIX e XX,
alternaram-se regimes de monarquia parlamentarista, república Conjuração Baiana
parlamentarista e presidencialismo no estilo americano. Na Itália, Rebelião popular ocorrida em 1798, inspirada pelas idéias da revolução
Alemanha, Espanha e Portugal, sistemas parlamentaristas republicanos ou francesa. Pretendeu estabelecer na Bahia um governo independente da
monárquicos, instituídos por constituições recentes, também diferem do metrópole, republicano e democrático, sem distinção de raça e cor.
sistema britânico. O parlamentarismo foi o padrão de estrutura de governo Também chamada dos Alfaiates.
para o Japão, depois da segunda guerra mundial, e para muitos países
africanos e asiáticos que se libertaram do controle colonial britânico. Inconfidência mineira.
No Brasil, a monarquia parlamentarista vigorou a partir de 1847, com Conspiração desencadeada em 1789 em Vila Rica, antigo nome de Ouro
características específicas que a distanciaram do parlamentarismo clássico. Preto, com o objetivo de criar no Brasil uma nação autônoma e republicana,
O chamado poder moderador de D. Pedro II permitia-lhe dissolver a livre da espoliação da corte portuguesa.
Câmara dos Deputados, nomear e demitir ministros de estado. Foi habitual ©Encyclopaedia Britannica do Brasil Publicações Ltda.
a prática de escolher ministros entre a minoria, dissolver a Câmara,
convocar eleições e conquistar a maioria entre os partidários do ministro
escolhido, com freqüente recurso à fraude. Abolido na república, o
parlamentarismo foi de novo implantado em 1961, como solução para a Puritanismo.
crise política originada pela renúncia do presidente Jânio Quadros e a Movimento protestante surgido na Inglaterra no século XVI. Prega
recusa de setores militares de permitir a posse do vice-presidente João princípios morais rígidos e formas simples de adoração. Perseguidos pelos
Goulart. Vigorou até 1963, quando foi rejeitado em plebiscito. Setores reis da dinastia Stuart, muitos de seus adeptos emigraram para a América.
parlamentaristas incluíram na constituição de 1988 um dispositivo para a Nova Inglaterra ; Protestantismo
realização de plebiscito para escolha da forma (monarquia ou república) e v. tb. Calvinismo, Cromwell, Oliver
do sistema (presidencialismo ou parlamentarismo) de governo. Em abril de
1993, o voto popular confirmou a preferência nacional pelo Stuart, dinastia
presidencialismo. A grafia original do nome da dinastia Stuart era Stewart, versão escocesa
antiga, mas, no século XVI, a influência francesa levou à adoção das grafias
Stuart e Steuart, em virtude da ausência do "w" no alfabeto francês.
Exercícios sobre o tema: A dinastia de Stuart reinou na Escócia a partir de 1371 e também na
Inglaterra de 1603 a 1714, com uma breve interrupção entre 1649 e 1660,
1. A importância para a burguesia do absolutismo. período em que se estabeleceu um regime republicano. Os Stuarts
2. A luta no século XVII entre os reis Stuarts e o Parlamento. descendem de um cavaleiro bretão que se tornou conhecido no fim do
século XI por ter participado da primeira cruzada. Os primeiros Stuarts
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foram senescais (stewards) dos condes de Dol, na Bretanha francesa, do em Cristo seu único senhor e cujos serviços devem ser delegados a
século XI ao século XIV. No início do século XVI, Walter, terceiro filho do membros eleitos pela comunidade. Opõem-se, assim, à autoridade do papa
quarto senescal de Dol, pôs-se a serviço do rei escocês David I e foi depois e dos bispos, que a Igreja Católica e outras confissões protestantes
nomeado seu senescal. O título de senescal da corte escocesa foi atribuído à consideram sucessores dos apóstolos e depositários da autoridade divina.
família em 1157, durante o reinado de Malcolm IV. Os presbiterianos condenam o aparato litúrgico de católicos e anglicanos.
O sexto senescal, Walter Stuart, casou-se com a filha do rei Roberto I em Seu culto prima pela simplicidade: consiste de prédica, leituras bíblicas,
1315. Em 1371, seu filho, sobrinho do rei David II, tornou-se o primeiro rei canto de hinos e orações. O sermão ocupa a parte principal do serviço
Stuart da Escócia, como Roberto II. Tanto Roberto II como seu filho e religioso. São administrados apenas os sacramentos do batismo e da
sucessor, Roberto III, foram monarcas fracos. Este deixou o poder nas mãos eucaristia, e esta é considerada como profissão de fé comunitária e não
do irmão, o conde de Fife, mais tarde duque de Albany. como presença real de Cristo no pão e no vinho. Com relação a outros
Com a morte de Roberto III, seu filho subiu ao trono em 1406, como Jaime temas doutrinais, os teólogos presbiterianos tendem, em geral, a afastar-se
I, e foi assassinado em 1437 por ordem de seu tio, o conde de Athol, que se da teoria calvinista da predestinação, pela qual a salvação ou a condenação
opunha à política centralizadora do monarca. Jaime II, filho e sucessor de dos homens já está determinada desde antes da criação do mundo.
Jaime I, foi coroado com apenas sete anos e lutou contra a nobre família Organização. A organização do sistema de direção eclesial consiste de
dos Douglas, enquanto Jaime III, que assumiu o trono em 1469, interessou- assembléias locais, regionais e gerais, integradas por pastores (ministros
se mais pelas artes do que pela administração do reino. Jaime IV, que docentes), anciões (regentes), diáconos e administradores. Para dirigir a
reinou a partir de 1488, controlou a nobreza e lutou contra a Inglaterra. congregação local constitui-se uma junta, presidida pelo pastor e integrada
Com a morte de Jaime V, em 1542, extinguiu-se a linha sucessória pelos anciões regentes, a qual decide sobre todos os assuntos da
masculina. comunidade: admissão ou expulsão de seus membros, tarefas a realizar,
A única filha e herdeira de Jaime V era Maria Stuart, que em 1558 casou-se medidas disciplinares, eleição de um novo pastor etc. O pastor dirige um
com o delfim Francisco (mais tarde Francisco II da França) e logo depois grupo de diáconos que se ocupam das atividades materiais e do sustento dos
reivindicou seus direitos ao trono inglês contra Elizabeth I, considerada pobres. A comunidade designa também administradores para tratar dos
ilegítima. Após a morte de Francisco II, Maria Stuart voltou à Escócia e assuntos econômicos e legais. Os anciões e diáconos recebem sua
governou com tato e habilidade incomuns. Uma insurreição de nobres ordenação, ou consagração, das mãos do pastor e aceitam de modo explícito
depôs a rainha que, refugiada na Inglaterra, foi julgada e condenada à morte a profissão de fé e as normas da igreja, recolhidas no Book of Common
em 1587. Order (Livro de disciplina). Essa ordenação tem caráter permanente, mas o
Jaime VI, filho de Maria Stuart e de seu segundo marido, Henrique Stuart exercício das funções se limita, em geral, a um período determinado. Os
(Lord Darnley), ascendeu ao trono escocês em 1567. Em 1603, herdou o administradores não precisam ser ordenados e seu cargo tem caráter
trono da Inglaterra como Jaime I (por seus direitos como bisneto de temporal.
Margarida Tudor) e governou sob a influência do duque de Buckingham. No âmbito regional, o órgão dirigente é constituído pelo presbitério, ao qual
Os conflitos com o Parlamento, provocados por seu autoritarismo e pertencem todos os ministros da região, estejam ou não no exercício de
perseguição aos católicos, continuaram durante o reinado do filho Carlos I, suas funções de pastores, e os anciões designados pelas congregações
que, derrotado pelo exército parlamentarista de Oliver Cromwell, foi locais. Ao presbitério cabe a ordenação dos pastores, sua adjudicação a
executado em 1649. Estabeleceu-se então um regime republicano até 1660, cada congregação ou sua remoção, de acordo com propostas recebidas das
quando restaurou-se a monarquia com Carlos II, filho do rei decapitado. O próprias congregações. O presbitério tem autoridade sobre as juntas locais e
novo rei demonstrou tendências absolutistas, apesar de ter sido controlado serve de tribunal de apelação ante as decisões daquelas: desempenha, por
pelo Parlamento. Casou-se com Catarina de Bragança e legou os direitos conseguinte, as funções que outras confissões cristãs atribuem aos bispos.
sucessórios a seu irmão católico Jaime II, que reinou de 1685 a 1688. Os diversos presbitérios de uma região são coordenados por um sínodo
Durante o reinado de Jaime II, os whigs, parlamentares que se opunham ao anual. O órgão supremo das igrejas presbiterianas é a assembléia geral, na
absolutismo, organizaram a luta contra a restauração do catolicismo. Foi qual se congregam, também anualmente, os delegados, pastores e anciões
chamado a intervir pelas armas Guilherme de Orange (posteriormente eleitos por todos os presbitérios.
Guilherme III da Inglaterra), casado desde 1677 com a filha de Jaime II, Principais igrejas presbiterianas. A Aliança Mundial de Igrejas
Maria (posteriormente Maria II da Inglaterra). O rei viu-se assim obrigado a Presbiterianas agrupa 120 confissões independentes, com a maior parte dos
fugir para a França, onde morreu em 1701, após uma tentativa fracassada fiéis no Reino Unido e nos Estados Unidos. Sua atividade missionária
de recuperar o trono. permitiu-lhe estender-se também ao Extremo Oriente, sobretudo por meio
O Parlamento inglês decidiu então excluir do direito sucessório o ramo de universidades e hospitais. A Igreja Presbiteriana Britânica foi fundada
católico dos Stuart. A dinastia continuou, porém, a reinar na Inglaterra e na em 1876 pela fusão da Igreja Presbiteriana Unida com diversas outras
Escócia com Guilherme III, que era sobrinho de Carlos II, e com Maria II. congregações presbiterianas da Inglaterra e da Escócia, nascidas de
Ambos reinaram até a morte: Maria II até 1694 e Guilherme III até 1702. dissidências do anglicanismo. Cabe assinalar, a esse respeito, a importância
Sucedeu-lhe Ana Stuart, filha protestante de Jaime II, que reinou até 1714 e do reformador escocês do século XVI John Knox que, exilado na França e
não deixou filhos. Com a morte dela, ascendeu ao trono a casa de Hanover, na Suíça durante o reinado de Maria Tudor, exerceu grande influência sobre
que excluiu os Stuarts, apesar de Carlos Eduardo, neto de Jaime II, ter o culto presbiteriano. A implantação dessa religião nas ilhas britânicas em
tentado sem sucesso ascender ao trono em 1746. A linha masculina da geral e na Escócia em particular foi sem dúvida favorecida pela ação de
dinastia extinguiu-se em 1807 com a morte do cardeal Henrique, duque de Knox.
York. A Igreja Presbiteriana dos Estados Unidos é resultado da fusão, em 1983,
Ana da Inglaterra; Carlos I da Grã-Bretanha e Irlanda; Guilherme III da dos dois grandes grupos protestantes que se haviam formado no norte e no
Inglaterra; Jaime I da Inglaterra; Jaime II da Inglaterra; Maria Stuart sul do país em conseqüência da guerra civil. Sua origem remonta aos
colonos ingleses, irlandeses e escoceses do século XVII, que preferiram a
Anglicana, Igreja. organização presbiteriana à congregacionista. Divergências doutrinárias
Igreja da Inglaterra, que nasceu da ruptura do rei Henrique VIII com o papa provocaram, no século XVIII, a cisão de escoceses e irlandeses, mas as
Clemente VII no início do século XVI. duas tendências se reconciliaram em 1758. Novas divisões se produziram
Anglicanismo. durante o século XIX, provocadas tanto por questões sociais como por
Conjunto de princípios, doutrinas e instituições da Igreja Anglicana, diferenças teológicas, mas foram finalmente superadas.
fundada, no início do século XVII, pelo rei inglês Henrique VIII.
Ana Bolena Parlamentarismo
Resultante de um lento processo histórico que se estendeu por cinco
Presbiterianismo. séculos, o parlamentarismo é a etapa final da luta vitoriosa das forças
Variante do protestantismo caracterizada por não admitir hierarquia clerical democráticas contra o absolutismo na Europa.
superior à dos presbíteros. Surgida nos países anglo-saxônicos no século Parlamentarismo é o sistema de governo em que um gabinete de ministros,
XVI, a partir da Reforma protestante. escolhidos entre os membros do partido que obteve maioria em eleições
parlamentares, exerce o poder administrativo e político. Funciona na
Presbiterianas, igrejas monarquia e na república. Dois órgãos de poder igual, gabinete e
Os postulados propostos no século XVI pela Reforma protestante de João Parlamento, coexistem, colaboram e exercem um sobre o outro ação de
Calvino deram lugar ao surgimento das igrejas presbiterianas, nos países de limitação recíproca. O chefe do executivo, que tem o título de primeiro-
tradição anglo-saxônica, e das reformadas, na Europa continental. ministro, é designado pelo chefe de estado -- monarca ou presidente -- e
Igrejas presbiterianas são as igrejas protestantes que não admitem referendado pelos parlamentares.
hierarquia eclesiástica superior à dos presbíteros, em oposição à O primeiro-ministro escolhe os ministros de estado, que compõem o
organização de tipo episcopal, seguida pela Igreja da Inglaterra, que gabinete, entre os membros de seu partido ou dos partidos que formaram a
conserva as três ordens do clero: bispo, presbítero e diácono. Governadas coalizão de governo. O gabinete pode ser derrubado por perda da maioria
por um presbitério, conselho composto de leigos e pastores chamados no Parlamento ou por um voto ou moção de desconfiança. Nesse caso, o
presbíteros, as igrejas presbiterianas encontram fundamento teológico no executivo renuncia, ou dissolve o Parlamento e convoca novas eleições. A
princípio da igualdade de todos os membros da congregação -- a qual tem democracia é essencial para o parlamentarismo, que pressupõe eleições
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livres, multipartidarismo, partidos políticos fortes, instituições sólidas e Parlamento curto"). Mas logo também o dissolveu e foi nomeado Lord
corpo burocrático eficiente. O parlamentarismo moderno se caracteriza por Protetor da Inglaterra, da Escócia e da Irlanda. O poder ficou então em suas
atribuir muito poder ao gabinete e ao primeiro-ministro, com a manutenção mãos e na de seu exército, já que, embora tenha nomeado outros
do princípio da responsabilidade do executivo perante o Parlamento. Parlamentos, acabou sempre por dissolvê-los.
As origens do parlamentarismo remontam ao século XIII, com a fusão de Durante seu governo (1653-1658) Cromwell reorganizou a fazenda pública,
duas instituições governamentais britânicas: o Grande Conselho, corpo de fomentou a liberalização do comércio, reformou a igreja nacional segundo
grão-senhores leigos e eclesiásticos, convocados para discutir com o rei princípios de tolerância, embora perseguisse os católicos, e promoveu o
assuntos de estado, e o Conselho do Rei, derivado da Curia Regis medieval, desenvolvimento das universidades. Na política externa, o destaque maior
formado por conselheiros privados, em geral profissionais. Problemas que foi a aliança que estabeleceu com a França contra a Espanha, da qual
transcendiam a competência das cortes ordinárias eram decididos em arrebatou a ilha da Jamaica em 1655. Sob seu governo, a Inglaterra assumiu
reuniões especiais, as concilium regis in parlamento (conselho do rei em a liderança dos países protestantes europeus.
parlamento). Os dois conselhos são os ancestrais remotos das atuais casas Cromwell morreu em Londres, em 3 de setembro de 1658. Seu filho,
do Parlamento britânico, a Câmara dos Lordes e a Câmara dos Comuns. Ao Richard, sucedeu-o no cargo de protetor e comandante-chefe, mas, sem
longo dos séculos, a instituição sofreu modificações diversas. Com a autoridade junto às forças armadas, foi por elas obrigado a renunciar em
revolução de 1688, o Parlamento afirmou sua autoridade sobre o monarca, 1659. A instabilidade política e a insatisfação popular com um regime
formaram-se os dois grandes partidos -- whig, liberal; e tory, conservador -- carente de legitimidade levaram à restauração da monarquia dos Stuarts,
e o parlamentarismo adquiriu bases modernas. A partir de 1830 o sistema com Carlos II, em 1660.
se consolidou. O poder político transferiu-se do monarca para a Câmara dos
Comuns, e a Câmara dos Lordes perdeu significado político. Comunidade Britânica de Nações.
O parlamentarismo nos demais países se baseia no modelo britânico, mas Commonwealth, associação de estados soberanos formada na década de
adquiriu características diversas. Na França, no século XIII, era chamado 1930 pelo Reino Unido e por algumas ex-colônias.
Parlamento o conjunto das assembléias extraordinárias de notáveis, Reino Unido
convocadas pelo rei para tomar conhecimento de assuntos importantes.
Depois da revolução francesa, e ao longo dos séculos XIX e XX, ©Encyclopaedia Britannica do Brasil Publicações Ltda.
alternaram-se regimes de monarquia parlamentarista, república
parlamentarista e presidencialismo no estilo americano. Na Itália,
Alemanha, Espanha e Portugal, sistemas parlamentaristas republicanos ou
monárquicos, instituídos por constituições recentes, também diferem do
sistema britânico. O parlamentarismo foi o padrão de estrutura de governo
para o Japão, depois da segunda guerra mundial, e para muitos países
africanos e asiáticos que se libertaram do controle colonial britânico.
No Brasil, a monarquia parlamentarista vigorou a partir de 1847, com
características específicas que a distanciaram do parlamentarismo clássico.
O chamado poder moderador de D. Pedro II permitia-lhe dissolver a
Câmara dos Deputados, nomear e demitir ministros de estado. Foi habitual
a prática de escolher ministros entre a minoria, dissolver a Câmara,
convocar eleições e conquistar a maioria entre os partidários do ministro
escolhido, com freqüente recurso à fraude. Abolido na república, o
parlamentarismo foi de novo implantado em 1961, como solução para a
crise política originada pela renúncia do presidente Jânio Quadros e a
recusa de setores militares de permitir a posse do vice-presidente João
Goulart. Vigorou até 1963, quando foi rejeitado em plebiscito. Setores
parlamentaristas incluíram na constituição de 1988 um dispositivo para a
realização de plebiscito para escolha da forma (monarquia ou república) e
do sistema (presidencialismo ou parlamentarismo) de governo. Em abril de
1993, o voto popular confirmou a preferência nacional pelo
presidencialismo.

Cromwell, Oliver
As vitórias de Cromwell, em território inglês, irlandês e escocês,
contribuíram para disseminar e fortificar uma atitude mental puritana na
Grã-Bretanha e nos Estados Unidos, que continuou a influenciar a vida
política e social até o século XX.
Oliver Cromwell nasceu em Huntingdon, leste da Inglaterra, em 25 de abril
de 1599, e formou-se num meio calvinista puritano e fortemente
anticatólico. Movido por uma fé inabalável, combinada com um profundo
conhecimento da Bíblia, chegou a julgar-se o instrumento de Deus na terra.
Eleito membro do Parlamento em 1628, distinguiu-se pela veemência na
defesa do puritanismo e por ataques à hierarquia da igreja na Inglaterra. O
Parlamento foi dissolvido pelo rei, que só convocaria outro 12 anos mais
tarde.
Em 1640, Cromwell tornou-se representante de Cambridge no novo
Parlamento e uniu-se à ala radical que atacava duramente a política do rei
Carlos I. Quando, em 1642, começou a guerra civil que opôs os partidários
do rei aos do Parlamento, Cromwell tornou-se conhecido não só como
veemente orador, mas também como homem prático, possuidor de
extraordinários dotes de organização e comando.
Reformando o exército do Parlamento, cujo corpo de cavalaria dotou de
uma rígida disciplina, Cromwell conseguiu que, em 1643, a causa
parlamentar triunfasse no leste da Inglaterra, enquanto era derrotada no
resto do país. Em 1645, com um novo exército sob o comando de Thomas
Fairfax, obteve as vitórias de Naseby e Langport, que destroçaram o
Exército real. Embora tivesse conseguido fugir, Carlos I foi capturado no
ano seguinte. Cromwell encarregou-se das negociações entre o Exército, o
Parlamento e o rei. Mas as tentativas de Carlos I de estabelecer um acordo
com a Escócia, a França e os rebeldes realistas levaram a sua execução em
1649 e à proclamação da república (Commonwealth).
Nos anos seguintes Cromwell empreendeu duas campanhas para submeter
os realistas da Irlanda e os da Escócia. Com a derrota dos escoceses em
1651, a guerra civil terminou. Descontente com o Parlamento, cujos
membros considerava corruptos e injustos, Cromwell o dissolveu em 1653
pela força e convocou outro, composto por puritanos (conhecido como "o