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Cesário José Cassamo

cesariojose@live.com

Licenciatura em Engenharia Civil


Tecnologias e gestão de construções I
Tecnologias e gestão de construções I
Tema I. Movimentos de terra
1.1 Generalidades. Conceitos básicos. Estruturas de terra
1.2 Classificação das obras de movimentos de terra
1.3 Cálculos dos volumes de movimentos de terra
1.4 Tecnologia de construção
1.5 Rendimentos.
1.6 Organização dos trabalhos de movimento de terras
Generalidades. Definições e Conceitos Básicos. Estruturas de terra

O que são movimentos de terra?

Que importância têm na construção?


Os Movimentos de Terra são actividades construtivos muito frequentes para a
execução da infra-estrutura de vias terrestre (estradas, via férreas, aeropistas ou
pistas de aterragens dos aeroportos, etc.); para as novas urbanizações nas cidades;
para as convocações das obras sociais e industriais e demais obras necessárias para o
desenvolvimento sócio – económico de um país. Estas atividades são da inteira
competência dos profissionais da construção, em especial dos Engenheiros Civis

Movimentos de Terra:
Denominam-se assim a aquelas acções que realiza o homem para
variar ou modificar a topografia de uma área, zona ou faixa do
terreno, com vista a adaptá-la ao projecto executivo previamente
confeccionado, estes sao geralmente realizados por maquinarias
desenhadas especialmente para atacar estes trabalhos.
Generalidades. Definições e Conceitos Básicos. Estruturas de terra
As Estruturas de Terra e/ou Rocha.
Aos efeitos da Engenharia Civil estas estruturas não são mais que: “escavações e
cheios construídos com materiais térreos e/ou pétreos naturais ou artificiais com um
grau de compactação adequado ao tipo de solo disponível e a importância da obra,
com o objectivo de servir de apoio ou sustentação aos distintos tipos de obras”.

Estas estruturas de terra e/ou rocha (E.T.) podem ser de três tipos fundamentais:

Aterros e Esplanadas: estruturas fundamentalmente térreas, construídas


preferivelmente com solo granular locais (A-1 até A-3 segundo classificação HRB ou
ASHTO), com granulometría distribuída e com estrutura de esqueleto resistente.
Diques: são elementos, geralmente com forma de aterros, que permitem o desvio
das correntes de água superficiais e de amparo dos aplainamentos ante crescidas de
rios (enchentes), inundações na franja costeira, etc.
Pedraplenes: Estruturas mistas formadas por rochas com granulometría distribuída e
solo granular seleccionados, providas de diques protectoras ou quebra-mar em
ambos os taludes, para formar uma estrutura resistente à acção não só das cargas
que circulam sobre o mesmo, a não ser também do efeito destruidor das ondas e em
geral da intempérie.
Generalidades. Definições e Conceitos Básicos. Estruturas de terra

Vistas da estrada sobre o Pedraplén


Generalidades. Definições e Conceitos Básicos. Estruturas de terra

Dique ou couraça protectora dos taludes do pedraplén


Generalidades. Definições e Conceitos Básicos. Estruturas de terra

Esplanada
Generalidades. Definições e Conceitos Básicos. Estruturas de terra

Isométrico de uma esplanada , plataforma ou terraço


Generalidades. Definições e Conceitos Básicos. Estruturas de terra

Aterros (Terraplenagens) e escavações


Generalidades. Definições e Conceitos Básicos. Estruturas de terra
Para realizar o Projecto de um Movimento de Terra devem invariavelmente cumprir-se
com os passos seguintes, para cumprir assim com as distintas fases de ciclo de vida
destas obras:
I. Na fase do Concepção :
1. Realização de Investigações Prévias:
• Topográficas.
• Engenheiro - Geológicas (principais fenómenos geológicos de
interesse e estudo das propriedades físico mecânicas dos solos).
• Hidrológicas
• Hidráulicas.
• Climatológicas.
• De Impacto Ambiental.
• Outras (Legais, Sociológicas, etc.)
2. Análise das possíveis alternativas de projecto e selecção da idónea.
3. Identificar os recursos humanos, materiais e financeiros requeridos
para a execução da variante idónea.
4. Definir a viabilidade técnica, ambiental e económica do projecto.
Generalidades. Definições e Conceitos Básicos. Estruturas de terra
II. Na fase do Definição:
1. Realização do Projecto Geométrico da obra de movimento de terras.
• Definição do traçado na planta, desenho do perfil e secções
transversais, assegurando mínimo impacto ambiental e a maior
durabilidade e economia possível.
• Desenho dos dispositivos do sistema de drenagem superficial
e/ou soterrado.
2. Desenho e/ou Revisão Geotécnica do desenho realizado.
Seguro da devida estabilidade e resistência ante as acções exteriores
da estrutura, quer dizer:
• Desenho e/ou revisão da estabilidade dos taludes e das possíveis
medidas para seu amparo ante a erosão, desprendimentos,
deslizamentos, etc.
• Determinação dos assentamentos nas secções críticas e em caso
necessário definição das medidas para sua correcção.
3. Desenho do controle da qualidade da compactação dos solos da
estrutura de terra.
Generalidades. Definições e Conceitos Básicos. Estruturas de terra
III. Na fase do implementação:
1. Preparação Técnica e Organização dos trabalhos.
•- Projecto Executivo de Organização dos trabalhos
•- Pressuposto dos trabalhos.
2. Construção da Obra.
•- Execução dos aplainamentos e do sistema de drenagem das
mesmas.
•- Controle da qualidade de realização dos trabalhos.
•- Minimizar os impactos ambientais durante a construção
•- Controle e supervisão do avanço físico e do pressuposto aprovado

IV. Na fase do desactivação:


•Fechamento ao trânsito se for necessário
•Demolições
•Restauração dos impactos ambientais.
• Extracção das experiências positivas e negativas da obra
Generalidades. Definições e Conceitos Básicos. Estruturas de terra
Condições básicas a cumprir pelas Estruturas de Terra e/ou Rocha

1. Ser resistentes e estáveis ante as acções exteriores, em toda época do ano.


2. Possuir aceitável deformabilidade ante as cargas predominantes durante o
período de desenho.
3. Ser factíveis e económicas de construir, quer dizer, que sejam executáveis.
4. Sejam duradouras
Na fase construtiva estas condições se conseguem cumprindo com as exigências
especificadas no projecto executivo atendendo fundamentalmente a:
A qualidade e devida colocação dos materiais empregados em sua construção.
Requeridas compactação dos solos ou materiais de cheio na obra.
A óptima selecção das maquinarias de construção a utilizar.
O emprego das técnicas construtivas idóneas para atacar cada trabalho.
Conseguira-se alcançar então:
- A maior economia possível.
- A redução do prazo de construção da obra ao mínimo possível.
- A máxima durabilidade.
Generalidades. Definições e Conceitos Básicos. Estruturas de terra
Problemas principais e mais frequentes nas obras de terra

1. Excessivos assentamentos que possam fazer perigarem sua estabilidade.


2. Instabilidade ou insuficiente resistência ante as cargas ou acções exteriores.
3. Excessiva erosão devido aos agentes do intemperado, fundamentalmente ante
as chuvas.
4. Deficiências originadas durante sua construção.

Por tal razão na hora de desenhar e as construir terá que assegurar-se que:

 Realize-se um correcto traçado ou localização em planta do aterro ou a terraço


ou esplanada, tendo muito presente o solo onde se assentará a mesma (solo de
cimentação).
 Disponham-se correctamente os solos seleccionados.
 Se efectue uma correcta compactação das capas de solo na construção de os
cheios.
 Desenhe-se e se construa um eficiente Sistema de Drenagem (superficial e
soterrado) que minimize os efeitos erosivos da água pluvial.
Generalidades. Definições e Conceitos Básicos. Estruturas de terra
Os efeitos negativos da água (principal inimizade das obras de terra) atribuem-se
geralmente a:

As mudanças físicas e geotécnicos que se experimentam nas ladeiras dos lances
em corte e os taludes dos aplainamentos em cheio, que as fazem instáveis.
A redução da resistência a cortante do solo devido à diminuição da pressão de
poros.
Incremento do peso do solos nos taludes dos lances em corte e em cheio, o qual
provoca um aumento do esforço cortante na possível superfície de enguiço dos
mesmos.
Ao aumento dos esforços cortantes devido ao incremento das forças de filtração
das águas.

Por tais razões deve emprestar-se sempre a máxima


prioridade e importância ao desenho e a oportuna
construção do Sistema de Drenagem dos Obras de Terra.
Generalidades. Definições e Conceitos Básicos. Estruturas de terra

Impactos Directos das Tecnologias de Construção de Obras de Terra no


Meio Ambiente.
O movimento de terras impacta negativamente e em grande
magnitude o meio ambiente natural, por isso tanto na fase de desenho
como de sua construção devem conhecer-se:
•que factores se afeitam,
•quais são as principais ações impactares,
•assim como alguns dos efeitos fundamentais de ditos impactos

Com a finalidade de mitigar os mesmos com acções corretoras, tanto


em seu desenho como em sua construção, para minimizar estas acções
impactares
Generalidades. Definições e Conceitos Básicos. Estruturas de terra
Factores afeitados. Accione impactares Impactos directos
Solo. Movimentos de terras. Destruição da capa vegetal. Compactação de
Usos de equipas pesadas de construção. solos. Contaminação ambiental. Erosão.
Investigações Engenheiro -Geológicas Criação de barreiras físicas.
Abertura e exploração de empréstimos ou pedreiras. Ocupação de grandes áreas
Vegetação. Movimento de terras. Destruição directa da flora e a vegetação.
Destruição pelo uso das equipes pesadas. Afectações às espécies endémicas e protegidas
Pela geração de pó atmosférico na obra por destruição e contaminação de seu habitat e da
biodiversidade.
Agua. Cheios de aquíferos. Contaminação das águas superficiais e
Afectações e modificações à drenagem natural. subterrâneas. Inundações.
Vertido de substâncias nocivas e águas redes de Destruição e desvios de aquíferos.
esgoto Diminuição do manto freático.
Criação de barreiras físicas Creación de barreras
físicas.
Paisagem Abertura de empréstimos em pedreiras. Afectações e perda da paisagem natural na vida
Construção de aplainamentos. silvestre. Afectações ao património natural e
Desenhos urbanos e arquitectónicos alheios ao sítio cultural. Mudanças negativas na estrutura
paisagística
Atmosfera Uso das máquinas de movimento de terra. Contaminação por gases, pó e ruído.
Construção de aplainamentos. Abertura de Modificação do microclima. Modificação do
pedreiras. regime de ventos,
Britagem Alteração da dinâmica eólica das costas.
Afectação do bem-estar humano
Socioculturais Construção de esplanadas e obras lineares em zonas Alteração e perda da identidade cultural, dos
onde se afectam o habitat dos habitantes e sítios de costumes e modos de vida tradicionais.
interesse histórico. Modificações na acessibilidade a determinadas
Criam efeito barreira. áreas ou zonas.
Obrigam a adoptar modelos de desenvolvimento Efeitos negativos sobre o património cultural
urbano inadequados construído..
Generalidades. Definições e Conceitos Básicos. Estruturas de terra
Principais medidas para minimizar o Impacto Medeio - ambiental na Fase de Construção dos
movimentos de terras:
Estas estarão encaminhadas a reduzir na maior medida possível o impacto em cada um dos
factores afectados antes expressos:
1-Solo:
Realizar o descascado da base dos aplainamentos segundo o projecto, para evitar a eliminação
desnecessária da capa vegetal e minimizar os volumes de terra a descascar.
Distribuir racionalmente as massas dos solos a mover, quer dizer, assegurando o máximo de
compensação possível, localizando-se convenientemente o material restante de lances ou zonas
em corte ou escavação, minimizar os movimentos de terra e as afectações ao meio ambiente
com o material restante ou indesejável extraído.
Empregar unicamente a área da zona de convocação estabelecida no projecto para a
construção dos aplainamentos.
2- Vegetação:
•Realizar o desmonte ou corte de árvores e capine da vegetação imprescindível solo dentro dos
limites da bandagem ou área de convocação estabelecida no projecto do aplainamento.
•Minimizar a abertura de atalhos ou caminhos de acesso provisórios até a obra e para os
empréstimos.
•Recobrir sempre que forem factíveis os taludes dos aplainamentos com capa vegetal.
•Possibilitar com um racional transporte e disposição o uso de árvores madeirenses destruídas.
Generalidades. Definições e Conceitos Básicos. Estruturas de terra
3- Água:
•Evitar a contaminação das águas superficiais e subterrâneas ao explorar as maquinarias de
construção.
•Construir correctamente o sistema de drenagem projectada e melhorá-lo se for possível
durante sua construção.
•Evitar destruição e desvios dos aquíferos na construção dos aplainamentos.
4- Paisagem:
•Localizar-se correctamente os empréstimos laterais, não tão próximos que afectem o entorno
de maneira evidente e de uma vez não tão distante da obra para não elevar os custos de
transportação.
•Explorar correctamente os empréstimos laterais, usando a área imprescindível que assegura os
volumes de terra necessários.
•Adoptar quanta medida contribui ao cuidado da paisagem durante a fase construtiva.
5- Atmosfera:
•Usar as técnicas de britagem de terra e/ou rocha só em casos estritamente necessários.
•Manter um bom estado técnico de funcionamento o parque de máquinas disponível para
executar os diferentes trabalhos, para reduzir assim na maior medida possível o escarpamento
de gases, derrame de combustíveis e lubrificantes, assim como a geração de ruídos
desnecessários.
•Evitar ou diminuir o mínimo de criação de nuvens de pó (poeiradas) ao construir
aplainamentos, mediante rega de água, regas asfálticos ou outras medidas
Generalidades. Definições e Conceitos Básicos. Estruturas de terra
Princípios do Movimento de Terra
1- Máxima compensação de volumes de terra com materiais locais.
2- Óptima distribuição das massas de solo a mover (mínima
quantidade de movimentos às mínimas distâncias de percurso).
3- Selecção idónea e emprego racional da maquinaria em sua
execução, de maneira tal que se obtenham máximos rendimentos e
mínimos custos.
4- Correcta organização dos trabalhos que propicie a conclusão em
tempo ou no menor prazo possível destes trabalhos.
5- Seguro da qualidade pactuada nos trabalhos de aplainamento,
acorde com a importância da obra, cumprindo com as quatro
condições básicas
6- Assegurar o mínimo impacto ambiental da obra.
O cumprir com os anteriores princípios asseguraria que os prazos de duração e os
custos de construção seriam os menores possíveis, assim como a qualidade de
construção destas obras de terra seja a correcta, todo o qual contribui a alcançar a
máxima eficiência e eficácia construtiva
Classificação das obras de movimentos de terra
Para muitos autores o movimento de terra compreende todos aqueles trabalhos que
envolvam ou interesse a remodelação do terreno, assim o classificam da forma
seguinte
1. Trabalhos principais:
 Executam-se escavações e aterros para se obter o balanço requerido
 Aterros
• Corte
• Transporte
• Espalhamento
• Humidificação
• Compactação
 Escavação profunda

2. Trabalhos auxiliares
 Desmatação
 Decapagem
 Limpeza geral
 Marcação da obra
 Drenagem de águas
 Cortinas
MOVIMENTOS DE TERRA

ATERROS E ESCAVAÇÕES

22
MOVIMENTO DE TERRAS

ESCAVAÇÃO

ATERRO

23
MOVIMENTOS DE TERRA
DESMATAÇÃO E DECAPAGEM

24
Classificação das obras de movimentos de terra

Adoptaremos a definição e classificação que se explica a seguir, que não contradiz a


anterior mas permite uma maior orientação no estudo do tema

Podem classificar-se em três grandes grupos ou tipos.

- Conformações:
Exemplos: Parques, estacionamentos, áreas esportivas

- Aplainamentos:
Classificação Exemplos: Terraços, Esplanadas ou Plataformas; Terraplenagens
de obras lineares; diques, cortinas de presas

- Mistos:
Exemplos: Aeropistas, Campos de Golfe, Pedraplenes, etc.
Classificação das obras de movimentos de terra
As Conformações:
Nestas não se produz uma modificação substancial da topografia, geralmente se
evitam mudanças bruscas no relevo da zona, quer dizer, que não existam vazios,
penhascos, ravinas, etc. que podem suportar à realização de pequenos volumes de
escavações e cheios que dificultem ou ponham em perigo a vida das pessoas e
equipes e que façam possível a mobilidade entre as distintas zonas, embora possam
executar-se escavações e cheios de pouca magnitude.
Os Aplainamentos:
Em este segundo tipo sim se atacam grandes modificações da topografia, o qual
geralmente suporta ao movimento de grandes volumes de terras (escavações,
compensações e cheios)
Os Mistos:
Denominam-se assim aos movimentos de terra que reúnem de uma vez características
dos dois anteriores, quer dizer: onde em algumas áreas faz uma conformação do
relevo natural da zona e em outras se constroem aterros e/ou aplainadas que
requerem mover volumes de terra consideráveis para sua construção.
Entre os trabalhos de movimento de terra que devem enfrentar com frequência os
Engenheiros Civis, os Aplainamentos são as mais usuais, por isso devem ser
estudadas com atenção
Classificação das obras de movimentos de terra
Os Aplainamentos. Definições e Princípios Básicos
Os Aplainamentos se podem classificar em dois grupos atendendo a vários aspectos:
A. De acordo a seu Desenho (volumétrico)

Quando os volumes de escavação e cheio som


1. COMPENSADAS iguais ou muito semelhantes. É o ideal o que se
(Vesc = Vrech) obtenha a máxima utilização dos solos locais e
portanto a maior economia possível em sua
construção.
Aplainamentos
2. NÃO COMPENSADAS:
Significa o solo restante se deve colocar “a
a) (Vesc > Vrech) cavalheiro” ou em uma área de depósito ou
esgoto próximo.
Significa que terá que transladar o material de
b) (Vrech > Vesc) cheio de um empréstimo lateral, o mas
próximo possível, sendo a solução menos
económica.
Classificação das obras de movimentos de terra
B. Por sua forma e dimensões:
Terraços (também denominadas: Explanadas ou plataformas).
Nestas E. T. a área prepondera com respeito à altura.

Aterros ou Terrapleno
Nestas outras E.T. prepondera a longitude com respeito ao largo e a altura; exemplos
mais comuns som: aterros de estradas, via férreas, auto-estradas, pistas de
aterragem de aeroportos ou aeropistas e outras vias de comunicação terrestres.

Disposição correcta dos solos nas estruturas das Esplanadas e dos Aterros

Uma vez seleccionados os solos a empregar na construção do aplainamento, devem ir-


se colocando ou dispondo estes correctamente, para assegurar a necessária
resistência ante os esforços. Para isso deve cumprir-se com o procedimento seguinte.

“Colocar o de menor qualidade sobre o solo de cimentação, quer dizer mas


profundo, dispor os melhores no núcleo ou mas próximo à superfície ou sob rasante
da E.T., concluindo com o melhor de todos os disponíveis na capa de coroação”.
Classificação das obras de movimentos de terra

A-2

Coroação Qualidade do solo


A-3
Núcleo ou Levante

Suelo de Cimentación (A – 5)

Disposição correcta dos solos na estrutura dos aterros

Em geral se recomendam os solos granular para a construção da zona ou ninhada de


coroação e também para as capas superiores do núcleo do aterro e os restantes solos
os A-4 e os A – 5 (Limos) e os A-6 e A-7 (Argilas), para realizar os cheios das capas
inferiores ou mais profundas do núcleo da estrutura dos aterros.

Não se podem empregar: turfa (turba), lama, solos com altos % de substâncias
orgânicas (como os que formam a capa vegetal) como materiais de cheio.
Todo o anterior significa que virtualmente a maioria dos solos existentes na natureza
podem usar-se como material de cheio dos aplainamentos.
Classificação das obras de movimentos de terra
Exigências a cumprir pelos solos e sua correcta disposição na estrutura dos aplainamentos.

Os aplainamentos se constroem geralmente a partir da utilização de solos locais, os que se


seleccionam a partir de suas principais propriedades físico-mecânicas, como mínimo
procedendo a sua classificação pelo Método da AASHTO (H.R.B.) conhecendo os Limites do
Attemberg ou índices de plasticidade e seu granulometría, recomendando-os solos granular (A-
1, A-2 e A-3), os que garantem a necessária resistência e estabilidade do aplainamento por
formar uma estrutura de “esqueleto resistente”, quer dizer: possuir uma granulometría
distribuída que permita às partículas ou grãos grossos que formam o solo de cheio (cascalhos e
areias) resistir as cargas ou esforços a que se vêem submetidos.

Não obstante seguidamente se estabelecem uma série de exigências mínimas a cumprir pelos
solos para ser usados para construir a Zona do Núcleo ou Levante são as seguintes:

Capacidade lhe suportem (CBR) não menor de 3% (significa que podem empregar-se dos solos
A-1 até os A-7), agora bem enquanto major seja o CBR melhor será.
Peso específico superior a 1,45 t/m3, enquanto major seja melhor.
Limite Líquido preferivelmente <40 %
Índice de Grupo menor de 20
Embora possam ser solos finos, não devem ter mais de 25% do volume total formado por
pedras ou partículas minerais ou reutilizares com tamanho máximo de 0,30 metros.
Não se estabelecem limitações no % do material que passa o peneiro # 200.
Classificação das obras de movimentos de terra
As exigências mínimas a cumprir pelos solos para ser empregados na
Zona de Coroação do aterro são as seguintes:

Capacidades lhe suportem (C.B.R.) mínimo: 10%, preferivelmente


superior aos 30 % e enquanto major é melhor.
Peso específico superior a 1,75 t/m3, quanto mais alto melhor.
Limite líquido <40 %
Índice de Grupo seja menor ou igual a 4
Não deve conter partículas ou pedras com tamanho máximo> 0,15
metros.
O material que passe o peneiro # 200 deve ser <35% em peso do total
da amostra.

Estas exigências são propostas, considerando o estabelecido na N.T.E.


“Desenho, Construção e Controle de Aplainamentos”, Espanha, 1977.
Volumes de Movimento de Terra.
Estados do solo. Transformação de um estado a outro
Estado natural: (também denominado “sobre desmonte”) é aquele em que o solo se
acha em seu estado primitivo ou tal como se encontra na natureza, quer dizer: antes
de ser escavado, desagregado ou removido. Geralmente se expressa em: m3 naturais

Estado esponjoso: é aquele solo que por efeito da escavação foi desagregado,
experimentando um aumento de volume do mesmo ao aumentar seu volume de ocos,
quer dizer: as distâncias ou separação entre as partículas constituintes. O volume
assim determinado se denomina: Volume Esponjoso ou solto e se expressa em m3
espontados.

Estado compactado: é aquele sobre o qual se exerceu uma compressão tal sobre o
mesmo, que se obtém um incremento em seu peso específico seco (natural), de
maneira tal que o solo este mais compacto que em seu estado original ou natural. Ao
material nesse estado se denomina solo compactado e sua unidade de medida é o m3
compactado.
Em geral se cumpre que: “o volume compactado é menor que o natural e muito menor
que o esponjoso”.
Volumes de Movimento de Terra.
Transformação entre os diferentes estados segundo o tipo de material.

Tabla dos coeficientes de mudança de volume dos materiales.


Transformado a:
Clase de solo. Estado actual del material
Natural Espontado Compactado

Natural 1 1,11 0,95


Areia. Espontado 0,9 1 0,86
Compactado 1,05 1,17 1

Natural 1 1,25 0,9


Terra común e Materiales Espontado 0,8 1 0,72
Húmidos. Compactado 1,11 1,39 1

Natural 1 1,43 0,9


Argila e Rochoso. Espontado 0,7 1 0,63
Compactado 1,11 1,59 1

Natural 1 1,5 1,3


Rocha. Espontado 0,67 1 0,87
Compactado 0,77 1,15 1
A tabela expõe os valores meios dos coeficientes que permitem determinar a relação
entre os volumes dos distintos estados que podem apresentar os solos.
Volumes de Movimento de Terra.
É necessário além conhecer alguns termos de ampla utilização nos movimentos de
terra que devem ser de domínio pelos engenheiros civis, que são os seguintes:
Material “a cavalheiro:” quando a quantidade de material a escavar é superior a de
preencher, é necessário dispor do material em excesso nas áreas vizinhas a obra (em
forma de pilha, de cordão lateral) e se expressa em m3 espontados.
Material compensado: é aquele solo cujo volume escavado em um aplainamento
servirá para preencher outra zona da própria obra de terra, sendo compactado a
máxima densidade, se expressa em: m3 compactados.
Material de cheio ou empréstimo: quando não pode produzir uma compensação de
volumes, por não alcançar o material natural ou não cumprir com as exigências
estabelecidas, surge a necessidade de obter um material ou solo em uma zona
distante da área da obra; ao mesmo lhe denomina material de empréstimo ou de
cheio e à zona onde se toma: empréstimo lateral, pedreira de empréstimo ou
simplesmente empréstimo (em outros países da área é conhecida também por banco
de materiais).
Material de melhoramento ou rochoso: sua definição é similar a anterior solo difere
em que este material tem um alto peso específico e possui de boas a excelentes
características para seu emprego como cheio, por isso preferivelmente se utiliza nas
capas de coroação dos aplainamentos para as fazer mais resistentes. Extrai-se dos
empréstimos e lances em corte das vias. Lhe denomina também solos seleccionados.
Volumes de Movimento de Terra.
Cálculo do Volumes de Movimento de Terra
Os cálculos dos volumes de trabalho ou cobiçassem dos aplainamentos,
consistem em essência, na determinação da quantidade ou magnitude
dos diferentes trabalhos a realizar em cada uma das actividades
necessárias a realizar para a construção destas obras.
Os métodos mas conhecidos para o cálculo dos volumes são:

O método das secções


O método dos quadrados

Ambos serão estudados nas epígrafes 4.7 e 4.8

Para as distintas actividades dos aplainamentos se empregam variadas


unidades de medidas (U.M.) para expressar a magnitude de ditos
cálculos, sendo as mais usuais as que se expressam na tabela seguinte
Volumes de Movimento de Terra.
No. Denominação do trabalho ou atividade U.M.
Orde
m
1 Replanteis (Implantações) preliminar e definitivo. m (lineares)
2 Demolição de elementos estruturais da área da obra m3
3 Desmonte ou corte de árvores u (  )
4 Capine de vegetação m2
5 Descortezado ou eliminação da capa vegetal (descascado) m3 (naturais)
6 Abertura ou escavação de sarjetinhas lineares m lineares
7 Escavação de canais ou de sarjetas de grandes dimensione m3 (naturais)
8 Escavação em explanações (com o sem transporte m3 (naturais)
horizontal)
9 Escavações do sistema de drenagem (sarjetas, canais, etc.) m lineares o m3
naturais.
10 Compensação de terras (longitudinais e transversais). m3 (compactados)
11 Construção de cheios nos aterros, terraços, etc, desde m3 (compactados.)
empréstimos laterais
12 Recobrimento dos taludes com capa vegetal. m3 (compactados)
13 Perfilado de taludes em corte e cheio. m2
14 Perfilado da superfície das esplanadas. m2
Volumes de Movimento de Terra.
A Distribuição de Massas de Solos definição, objectivos e princípios a cumprir.
Se definirá ou entenderá por: Distribuição de Massa de Solo: “a aquela distribuição de
terras que garanta a construção do aplainamento no mínimo número de movimentos,
às mínimas distâncias possíveis.” Em caso de obtê-lo anterior se obteve a óptima
distribuição das massas de solo.

Os Princípios para realizar a Distribuição de Massas de Solo (D.M.S) óptima som:

1. Máxima compensação possível dos volumes de terra a mover.


2. Realizar o movimento de terra efectuando o mínimo de número ou quantidade de
movimentos possíveis.
3. Efectuar ditos movimentos com as mínimas distâncias de transporte ou traslado
de terra possível e a favor da pendente.
Para assim:
 Obter a máxima economia possível.
 O mínimo prazo de duração dos trabalhos.
Volumes de Movimento de Terra.
Definições Básicas: Centros de Massa e Distâncias Médias de Compensação.
1. Centro de Massas (c.m.)
Será aquele ponto onde se pode considerar concentrada toda a massa de solo a
escavar ou a preencher. Isto significa que existirão c.m., nas zonas de cheios e nas de
depósito a cavalheiro ou esgotos.
2. Distância Média de Transporte ou Transporte de Terra.
É aquela distância que existe entre os centros de massa (c.m.) de escavação e de cheio
ou depósito do material escavado. Estas podem ser de vários tipos:
a. Distancia Medeia de Compensação (D.M.C): É a que existe entre os centros de
massa de uma zona em corte e outra de cheio, a que se compensará
longitudinalmente ou transversalmente.

Excavação Terreno Rasante


c.m.

c.m.
D.M.C. Aterro
Volumes de Movimento de Terra.
b. Distancia Medeia de Transporte (D.M.A): neste caso a mesma poderá medir-se
desde:
1- O centro de massas (c.m.) de uma zona em tramo em corte até o c.m. da zona onde
se depositará a cavalheiro ou em um esgoto o material escavado restante ou
indesejável
Volumes de Movimento de Terra.
2. Do c.m. de um Empréstimo Lateral até o c.m. de um lance em cheio no
aplainamento

Distancia Medeia de Transporte (DMA) de um Empréstimo até uma zona em cheio ou aterro.

Para determinar os Centros de Massa (c.m.) e as Distâncias Médias de Compensação


(D.M.C.) podem empregar-se dois métodos para as Terraços ou Esplanadas que serão
estudados na epígrafe 4.7 e 4.8 respectivamente.
Tecnologia de construção.
Etapas na construção do movimento de terras. Operações básicas

Consiste em uma série de processos produtivos que se cumprem continuamente


tendo em conta as condições naturais do lugar, a magnitude dos trabalhos, as datas de
construção e as técnicas e máquinas disponíveis
Estes processos produtivos ou actividades se classificam em função de seu propósito
em:
 trabalhos preliminares ou preparatórios,
 conformação de aplainamentos ou parte grosas
 trabalhos de terminação.

Trabalhos preliminares, preparatórios ou simples


As actividades preliminares de construção de aplainamentos são aquelas que
preparam as condições para as actividades mais complexas, são simples ou de pouca
complexidade na execução porque geralmente se realizam com uma só operação de
construção mecanizada.
Tecnologia de construção.
Trabalhos preliminares: as atividades mais comuns som as seguintes:

Implantações topográficas preliminares


Capine
oDesmonte ou corte de árvores e seu transporte
oExtracção de tocos
oCapine de arbustos e vegetação
oDemolição
Implantações topográficas definitivas
Descascado, transporte e protecção da capa vegetal para sua posterior
utilização
Abertura de caminhos de acesso e de transporte de materiais
Preparação dos empréstimos necessários
Obras de drenagem provisórias (sarjetas interceptoras, sarjetinhas ao
pé dos taludes, etc.) para garantir a continuidade e qualidade dos
trabalhos
Tecnologia de construção.
Conformação do aplainamento, parte grosa ou complexa dos trabalhos

Neste grupo fica o aplainamento conformado, já seja em escavação, em


terraplenagem ou a meia ladeira ou mista. Aqui se realizam todos os trabalhos grossos
de movimento de terra, da escavação até a compactação da última capa de solo.
Nas actividades complexas de construção de aplainamentos, realizam-se várias
operações concatenadas e consecutivas para garantir a qualidade do trabalho e
geralmente se emprega um conjunto ou brigada de máquinas para sua execução

Dentro delas se podem encontrar as seguintes actividades ou operações:

Escavação sem e com transporte horizontal


Escavação de material indesejado e seu transporte horizontal a lugares próximos que
não afectem ao meio ambiente para depositá-lo a cavalheiro
Escavação em empréstimo com transporte horizontal e construção de terraplenagens
Compensação transversal
Compensação longitudinal
Cheios
oTécnicos: compactados com exigência de máximos requisitos de compactação
oNão técnicos: compactados com requisitos menos rigorosos
Tecnologia de construção.
Na conformação do aplainamento quando está constituído por escavações e
terraplenagens em geral se realizam as seguintes actividades:
a. Trabalhos preliminares
b. Conformação do aplainamento:
c. Escavação e transporte ou escavação, carga, transporte horizontal e descarrega
d. Extensão ou rega das capas de solo
e. Nivelamento das capas para a compactação
f. Rega de água ou aração do solo para alcançar a humidade de compactação
g. Compactação da capa de solo até a densidade de desenho
h. Controle de qualidade da compactação
i. Escarificação da capa compactada para garantir o agarre com a nova capa solta.
Se o movimento de terra é compensado, este ciclo se repete até alcançar a cota de
aplainamento tanto na zona de escavação como na de terraplenagem.
Quando existe material restante de escavação se seguiria realizando a actividade a)
mas à distância a que se encontra o lugar para depositar a cavalheiro.
Se se esgotar o material de escavação e ainda falta um volume de terraplenagem por
construir se realizam todas as operações, da a) até a g) mas neste caso a distância para
a actividade a) é a distância a que se encontre o empréstimo e as operações
vinculadas com a compactação se ajustarão aos requisitos de compactação do solo do
empréstimo.
Tecnologia de construção.
Trabalhos de terminação ou acabamento
Os trabalhos de terminação como seu nome o indicam são os que garantem que a
esplanada se construa com a forma e dimensões previstas no desenho geométrico
mais menos os valores estabelecidos nas especificações ou regulações vigentes.
Também são actividades simples onde pelo general se realiza uma só operação de
construção. Dentro delas está:
Perfilado de taludes e esplanadas
Escavação em obras de drenagem, abertura de sarjetas
Revestimentos de taludes com capa vegetal
Revestimentos dos empréstimos com capa vegetal
Eliminação dos caminhos provisórios
A sequência construtiva de uma esplanada dependerá:

dos trabalhos preparatórios que se precisem executar,


da distribuição das massas de terra realizada durante o desenho: movimento de
terra compensado,
da necessidade de escavação em empréstimo para conformar a terraplenagem ou
da necessidade de escavar e depositar a cavalheiro o restante de escavação.
Tecnologia de construção.
Máquinas mais utilizadas nas operações do movimento de terra
Ás maquina para os trabalhos de movimento de terras já foram estudadas no Tema III.
A selecção das máquinas para realizar estas actividades estará em função da distância
média de transportação de materiais.

Aspectos fundamentais no processo de selecção de equipamento que são:


1. Ter um conhecimento claro das máquinas disponíveis no mercado, suas principais
características, suas possibilidades e limitações.
2. Tomar em consideração que cada equipamento está desenhada para realizar certo
tipo de actividades em especial e estão dotados de uma determinada capacidade,
a qual por nenhum motivo se deve superar para obter seu óptimo rendimento, e
na medida do possível usá-lo principalmente para a actividade para a qual foi
desenhado.
3. Na actualidade se conta com vários tipos de máquinas que podem realizar o
mesmo trabalho. Portanto antes de decidir qual é o mais conveniente para nossos
fins, teremos que realizar uma avaliação e uma comparação de seus
rendimentos e certamente dos custos relacionados.
Tecnologia de construção.
Controle da qualidade dos trabalhos executados

Para poder efectuar o controle da qualidade dos trabalhos executados o engenheiro


primeiro deve:
•Interpretar o desenho e a projecção da execução da obra de terra
•Avaliar as condições e as afectações ao meio ambiente em que se realiza a
mesma

Logo estabelecerá as medidas que lhe permitirão controlar:

a. A correspondência da execução com o desenho e a projecção


b. A qualidade da execução
c. As magnitudes executadas
d. Os prazos de execução
e. O cumprimento das normas e regulações da construção, assim como das medidas
de protecção e segurança dos trabalhos e as de protecção do meio ambiente.
f. O emprego dos meios, dos métodos e das técnicas na execução do movimento de
terras nas condições concretas da obra e avaliá-los com critérios de qualidade.
Rendimento das máquinas de movimento de terra. Noções
A produtividade ou o rendimento é a quantidade de trabalho medido geralmente em
volume ou superfície, que realiza uma máquina em uma unidade de tempo.
Distinguem-se dois términos:

Rendimento Teórico ou Nominal (RT ou RN)


Rendimento de Exploração ou Real (RE ou RR)
O Rendimento Teórico ou Nominal (RT ou RN) é o valor teórico da produtividade da
máquina em apoie às possibilidades técnicas teóricas da máquina e para condições
óptimas de trabalho, pelo qual este rendimento é o máximo em função das
características técnicas da máquina.
O Rendimento de Exploração ou Real (RÉ ou RR), como seu nome o indica
corresponde às condições práticas reais de utilização da máquina. Para obtê-los
utilizam diferentes coeficientes ou factores de correcção.
1. Factor horário: Interrupção fora do tempo de pausa regulamentado,
internacionalmente se aceita 0,83 (50 minutos por cada hora).
Em outras fontes se expõe que o tempo de aproveitamento produtivo de uma
máquina está entre o 70 – 75 % do FHB (fundo horário bruto) e se conhece como
coeficiente de aproveitamento horário.
Rendimento das máquinas de movimento de terra. Noções
Coeficiente de aproveitamento (kh):
Máquinas de movimento de terra 60 – 65 %
Máquinas de transporte 65 – 70 %
Máquinas complementares 50 – 55 %
Instalações ou novelo 70 – 75 %
2. Factor de organização: reflecte a organização da Obra segundo
regime de trabalho
3. Factor de adaptação: reflecte a adaptação da máquina ao trabalho
que realiza.
4. Factor de eventualidade: toma em conta as eventualidades como
por exemplo a chuva
5. Factor do estado técnico: tem em conta o estado técnico da equipe,
seu tempo de uso. Em alguma literatura a este factor lhe chama
utilização produtiva Kup
RR = RT * Factores
Rendimento das máquinas de movimento de terra. Noções
Outras fontes trabalham com um coeficiente Km que toma em conta as dificuldades
de operação da maquinaria e o coeficiente de aproveitamento horário Kh que varia
com o tipo de equipa, tecnologia construtiva e tipo de trabalho e cujos valores já
vimos Valor de Km
Complexidade da obra

Obras de execução singela 0,95 - 1,0

Obras de mediana complexidade 0,90 - 0,95

Obras complexas 0,85 - 0,90


Para determinar o rendimento de exploração a partir do rendimento teórico se
multiplica o mesmo pelos coeficientes que se considere. Neste curso procederemos
como segue:
RR = RT * Km * Kh ; em m3/h, m2/h ou m/h dependendo da actividade de que se trate.
Rendimento das máquinas de movimento de terra. Noções
O trabalho das máquinas de movimento de terra é cíclico, quer dizer, realiza-se
segundo um ciclo que se repete.
Ciclo de trabalho: é o tempo que demora uma máquina em realizar uma determinada
operação e retornar ao ponto de partida. O ciclo se repetirá sucessivamente com a
mesma duração durante a realização de todo o trabalho e enquanto se mantenham as
condições.
O rendimento teórico aproximado se pode obter das seguintes forma:
1. Por observação directa. A obtenção dos rendimentos por observação directa é a
medição física dos volumes dos materiais movidos pela máquina, durante a
unidade horária de trabalho. Medir o volume no ciclo de trabalho.
2. Por meio de fórmulas.
3. Por meio de pranchas proporcionadas pelo fabricante. Os fabricantes de
equipamentos contam com manuais onde mostram os rendimentos teóricos das
máquinas que produzem para determinadas condições de trabalho.
4. Também existem pranchas elaboradas com as experiências obtidas na exploração
dos diferentes tipos de máquinas com o passar do tempo, estas pranchas se
confeccionam para as condições mais comuns e lhes chama Norma Horária de
Rendimento das máquinas de movimento de terra ou simplesmente
produtividade.
Rendimento das máquinas de movimento de terra. Noções
O rendimento teórico aproximado por meio de fórmulas. Por este método pode
estimar se do modo seguinte:
Calcula-se a quantidade de material que move a máquina (em função das dimensões
de seus parâmetros de trabalho, do tipo e estado do solo e das condições de trabalho)
em cada ciclo e esta se multiplica pelo número de ciclos por hora. Desta forma se
obtém o rendimento.
RT =C * NC; m3 / h
Onde C é a Capacidade da equipe :
•Diante da folha do bulldozer
•Dentro da caixa da trela ou moto trela
•Diante da folha da moto niveladora
•Na caixa do caminhão
•Na colher do carregador
NC é o número de ciclos em 1 hora NC = ; Para o Bulldozer, Trelas, caminhões, moto
niveladoras e carregador; Tc em minutos
Tc é o tempo de ciclo NC = ; para as escavadoras; Tc em segundos
Rendimento das máquinas de movimento de terra. Noções
NC = 60 ;Para o Bulldozer, Trelas, caminhões, moto niveladoras e carregador; Tc em minutos.
Tc
3600
NC = ; Para as escavadoras; Tc em segundos
Tc
A quantidade do material que move a máquina em cada ciclo, é a capacidade nominal da
máquina afectada por factores de correcção, expresso em percentagem, que dependem do tipo
de material.
Os factores de correcção se podem determinar empiricamente para cada caso em particular, por
meio de medições físicas ou tomar-se dos manuais de fabricantes ou pranchas confeccionadas a
tais efeitos.
Os procedimentos descritos se apoiam em 100% de eficiência, rendimento teórico, algo que não
é possível conseguir nem ainda em condições óptimas na obra.
Significa, que ao utilizar os dados de produção é necessário rectificar os resultados que se
obtêm pelos métodos anteriores, mediante factores adequados a fim de determinar o menor
grau de produção alcançada, já seja pelas características do material, a habilidade do operador,
a altitude e outro número de factores que podem reduzir a produção de um determinado
trabalho.
Podemos utilizar para o caso, como um cálculo aproximado, os valores de Km e Kh
expressos anteriormente.
RR = RT * Km * Kh ;
Rendimento das máquinas de movimento de terra. Noções
É necessário diferenciar as escavadoras das restantes máquinas pois a diferença delas, a
escavadora não se desagrade durante a escavação, portanto a velocidade de translação da
máquina não influi no tempo de ciclo. O tempo para cada uma das operações dos órgãos de
trabalho aparece tabulado para cada modelo e tipo de escavadora segundo sua capacidade.

As máquinas com cuchillas e as restantes realizam todas as operações a uma determinada


velocidade que influi no tempo de ciclo, a maior velocidade menos tempo e maior
produtividade, mas uma velocidade implica uma força motriz gerada pelo motor que tem que
ser capaz de vencer as resistências ao movimento da máquina e a resistência do solo a ser
cortado e conduzido entre outras resistências,

Para seleccionar as velocidades de trabalho terá que realizar cálculos de tracção, que
não são objecto deste curso mas terá que os ter em conta porque também terá que
verificar se a aderência entre a máquina e o terreno permite que o trabalho possa
realizar-se.
Em resumo, para que uma máquina de movimento de terra possa realizar um trabalho
deve cumprir:
A condição de aderência: que a força motriz seja menor que a força de aderência,
do contrário a máquina patina e não pode realizar trabalho.
A condição de resistência: que a força motriz seja maior que a resistência total ao
movimento mais as resistências complementares, do contrário não existe força no
gancho para realizar trabalho.
Rendimento das máquinas de movimento de terra. Noções
Conceito de máquina principal e formação de brigadas. Noções
Para estabelecer a composição do equipamento que deverá trabalhar para realizar o
aplainamento de uma área determinada terá que ter em conta as diferentes
operações que inclui esta actividade e conformar a brigada ou conjunto de máquinas
que participarão da actividade conformação do aplainamento.
Deve determinar-se além qual delas é a máquina principal da brigada, pois a
produtividade ou rendimento da máquina principal é a que rege a produtividade da
brigada.
A máquina principal de uma brigada é a máquina que menor produtividade tenha no
grupo; geralmente coincide com a máquina de escavação.

A determinação do número de cada tipo de máquina para conformar a brigada se


realiza com uma análise técnica económica onde intervém:

a utilização produtiva da brigada,


o custo por conceito da maquinaria para 100 m3 de aplainamento e
o consumo de combustível da brigada de máquinas para 100m3 de aplainamento
Rendimento das máquinas de movimento de terra. Noções
Tempo de execução dos trabalhos
Uma vez conformada a melhor brigada para cada frente de trabalho, actividade ou
operação, pode-se calcular o tempo de execução em que se realizará cada uma delas
em função:
 da quantidade de trabalho a executar (expressa em volume, superfície ou em
metros lineares segundo as características das operações) e
 a produtividade ou rendimento real da brigada de máquinas que a executará, quer
dizer o rendimento em grupo da máquina principal.
Quantidade
T ;h; jornadas
RR
T: tempo de execução de uma actividade ou operação, em horas ou jornadas segundo
as unidades da quantidade de trabalho e do rendimento
Quantidade: Volume em m3; Área em m2 ; metros lineares
RR: Rendimento real do grupo de máquinas que formam a brigada; em m3/h; m2/h;
m/h; ou em m3/j; m2/j; m/j
Com o tempo determinado para cada frente, actividade ou operação em forma
independente se procede a determinar o tempo geral ou total de execução mediante
a programação dos trabalhos.
Organização dos trabalhos de movimento de terras.

Objectivos específicos a obter na etapa de organização.


1. Estabelecer a sequência construtiva das actividades a realizar
segundo o Projecto Geométrico Executivo do aplainamento.
2. Calcular os correspondentes volumes de trabalho a cada uma das
actividades a realizar.
3. Seleccionar a maquinaria de movimento de terra idónea a empregar
para fazer cada trabalho, assim como organizar racionalmente seu
trabalho.
4. Calcular o rendimento das máquinas e conjuntos de máquinas
idóneos que foram seleccionados para executar cada actividade.
5. Garantir a qualidade de realização dos trabalhos segundo as
normativas
6. Tratar de realizar as actividades com o mínimo custo e no menor
tempo possível.
Organização dos trabalhos de movimento de terras.

Como organizar o uso do recurso fundamental: as máquinas de


construção, para executar os trabalhos dos aplainamentos?
Para isso deve escolher o método organizativo mais adequado aos
trabalhos a realizar, as condições topográficas existentes e o parque de
máquinas disponível. Existem duas situações básicas:

Obras repetitivas (em zonas plainas, em zonas lamacentas, etc.).


Obras atípicas ou não repetitivas (zonas onduladas e montanhosas).
Organização dos trabalhos de movimento de terras.
Métodos de Organização da Execução Mecanizada.

a) Método Tradicional: Obras atípicas ou não repetitivas


Designam-se as máquinas acorde com as características dos trabalhos a realizar
seleccionando as idóneas para sua execução, mas sem obter a especialização nos
trabalhos que realizam.
É a maneira tradicional ou mais comum de designar e organizar as maquinarias para
construir, a mais conveniente a usar em obras de terra atípicas ou não repetitivas
Requer-se a realização de um racional balanço deste recurso, sendo difícil a direcção
e controle do trabalho na obra, não obstante é a mais usualmente utilizada.

b) Método em Cadeia: Obras repetitivas


É o método mais adequado a utilizar em obras lineares repetitivas (zonas plainas e
favoráveis, condições topográficas e geológicas) onde é possível uma estabilidade e
repetição na sequência construtiva.

Neste método a maquinaria se organiza ou agrupa em equipas que se especializam


nos trabalhos ou grupos de trabalhos a executar
Organização dos trabalhos de movimento de terras.
É usual criar os grupos de equipamentos seguintes:

A. Equipe para desmonte e capine de vegetação.


B. Equipe para descascado e escavação do sistema de drenagem.
C. Equipe para escavações e compensações longitudinais na bandagem da via.
D. Equipe para trabalhos de construção de terraplenagens desde empréstimos
laterais.
E. Equipe para trabalhos de terminação.
Cada equipe a conformam máquinas ou conjuntos de máquinas justificados
tecnicamente partir dos disponíveis na brigada ou empresa construtora
Vantagens:

1. Incremento do rendimento das máquinas devido à especialização.


2. Incremento da qualidade dos trabalhos devido à especialização.
3. Faz-se mas fácil a direcção e controle da exploração da maquinaria a pé da obra
(estão agrupadas e melhor organizadas).
4. Facilita-se a manutenção das equipes e a devida atenção aos operadores.
5. Obtém-se um maior avanço físico da obra (km. terminados) ao obter-se maior
produtividade nos trabalhos.