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Noções Introdutórias

Organização do CPA

• O CPA está organizado em 4 partes: Parte I, que corresponde aos princípios gerais;
Parte II, que corresponde ao procedimento; Parte III, que corresponde ao
funcionamento dos órgãos; Parte IV, que corresponde à atividade administrativo (ato
administrativo e regulamentos) e defesa/garantias dos particulares;

• A aplicação de cada parte do CPA depende da entidade em causa (no nosso caso,
depende da entidade constante do caso prático), conforme resulta do âmbito de
aplicação (cfr. art. 2º CPA);

• Parte I, Parte III e Parte IV: aplicação a entidades, quer públicas, quer privadas, que
exerçam poderes públicos ou cujo exercício seja regulado de modo específico por
disposições de direito administrativo.

• Parte I, Parte II, Parte III e Parte IV (todo o CPA): aplicação de todo o CPA a
entidades que componham a Administração Pública em sentido orgânico
(requisitos: entidades previstas no nº4 + nº1).

• Parte I e outras normas: aplicação a entidades que prosseguem atividades


meramente técnicas ou atividades de gestão privada.

NOTA: o primeiro passo de cada caso prático é, sempre, verificar que partes do CPA se
podem aplicar, por forma a perceber de que maneira se deve resolver o problema com ou
sem aplicação do CPA.

Procedimento

• O CPA, na parte II, regula o procedimento administrativo, cujo conceito vem


densificado no art. 1º.

• O procedimento administrativo distingue do processo jurisdicional: o procedimento


administrativo é usado pelos particulares (p.e. cidadãos como qualquer um de nós)
para obter decisões da Administração Pública ou, ainda, a fim de AP emitir
regulamentos que regulem uma generalidade de sujeitos e aplicáveis a uma
generalidade de situações.

• Exemplo prático da utilidade do procedimento: A compra uma propriedade, na


cidade X, na qual pretende construir um prédio. Para construir um prédio, A precisa
de uma licença da AP (em princípio, será da autarquia local) por forma a exercer o seu
poder de construção. A dirige-se à entidade competente e requere a emissão de uma
licença de construção.

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• É, também, importante saber que existem dois tipos de decisões da AP. A AP pode
tomar decisões que se caracterizam por ser vinculadas, ou seja, cujo conteúdo
(afirmativo ou negativo) depende do preenchimento de pressupostos específicos
(estando preenchidas as condições da decisão, a AP é obrigada a decidir no sentido
afirmativo). As decisões podem, ainda, caracterizar-se pela discricionariedade, ou
seja, quando sejam decisões de mérito, dependentes de uma apreciação
substancialmente subjetiva (nestas não há uma obrigação de conteúdo).

Tipos de Invalidades

• Importante, em toda a cadeira de Administrativo II, são os tipos de invalidade (cfr.


arts. 161º e ss. do CPA) - os vícios que contaminam as decisões da Administração
Pública.

• Em primeiro lugar, identifica-se o vício.

• Incompetência: violação de uma regra de competência;

• Incompetência absoluta: violação de uma regra de competência, com a


correspondente atuação fora das atribuições;

• Exemplos: exercício de competência que pertence a um órgão de pessoa


coletiva distinta (atribuições distintas);

• NULIDADE

• Incompetência relativa: violação de uma regra de competência, sem a


correspondente atuação fora das atribuições;

• Exemplos: exercício de competência que pertence a um órgão da mesma


pessoa coletiva (mesmas atribuições);

• ANULABILIDADE

• Vicio de forma: problema de forma ou formalidades;

• Violação de lei: pressupõe um vicio de conteúdo do ato administrativo; único


vicio material;

• NOTA: distinto da violação da lei (todos os vícios são violações da lei);

• Usurpação de poderes: violação do princípio da separação de poderes;

• NULIDADE

• Desvio de poder: exercício de competência pelo órgão competente, mas


prosseguindo um fim distinto daquele que a lei prevê.

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• Exemplo: conceder uma autorização porque se gosta muito do particular
(nulidade, porque prossegue fins privados).

• Posteriormente, para aferir das consequências, identificar o desvalor


(inexistência, invalidade ou irregularidade):

• O primeiro passo é verificar se se está perante uma causa de nulidade


(invalidade): cfr. 161º.

• Se sim, os efeitos constam do art. 162º CPA.

• Se não: o segundo passo é verificar se se está perante uma situação que seja
enquadrável nos casos de irregularidade (art. 163º/5).

• Se sim, os efeitos são os seguintes: ainda que o ato tenha um vício, esse vício
é considerado irregular, o que significa que os efeitos do ato produzem-se
independentemente do vício.

• Se não: a conclusão é que a consequência do vício é a anulabilidade


(invalidade): cfr. 163º.

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