CIÊNCIA E YOGA: CONSTRUINDO PONTES

Roberto Simões Mestrando e m Ciência da Religião robertossimoes@uol.com.br

INTRODUÇÃO. Parece haver um consenso geral permeando as mentes secularizadas de nosso tempo, onde o saber científico se assenta como o conhecimento mais confiável para se entender o ser humano e, consideram outras sabedorias, como o da religião, obsoletos, selvagens, primitivos e ultrapassados. No entanto, ao mesmo tempo em que a ciência nos abriu os olhos para um mundo interconectado pela internet wi-fi, mapeamento cerebral, teorias da mente, do inconsciente e toda a sua nanotecnologia globalizada, nos fez assistir impassíveis também ao aquecimento do planeta, avanço do estresse e ansiedade, queda na qualidade de vida, aumento do sedentarismo e todos os males característicos de uma civilização pós-moderna e, muitos outros problemas que sempre acompanharam a humanidade, como as guerras, a injustiça, a corrupção e a falta de compaixão. Nem a religião e nem a ciência, portanto, foram capazes sozinhas de proporcionar a paz e a felicidade de todos os seres. Em outras palavras, essa ambivalência descrita, talvez seja fruto da própria natureza humana e, entender quem somos demande esforço de todos os setores do saber (ciência, religião, filosofia e arte) e não apenas de um deles. No entanto, é a ciência o conhecimento mais recente em nossa história. Antes dela se estabelecer como uma fonte do saber1, os homens e mulheres já haviam criado maneiras de entender a si mesmos através de outros formatos, que durante milênios caminharam unidas 2. Desde a última era glacial, há 13.000 anos, que os seres humanos buscam respostas para a sua dúvida mais importante, quem somos, afinal? Será que essa pergunta demanda esforço de apenas um conhecimento ou de todos disponíveis? A ciência muitas vezes se preocupa em dar respostas precisas a perguntas tolas como, quantos neurônios visuais um macaco bonobo possui. E, respostas imprecisas a perguntas cruciais como, qual a diferença entre um cadáver e você agora lendo este texto? Da mesma forma ambivalente que a ciência, a religião, também construiu (e continua edificando) alicerces seguros e confiáveis de desenvolvimento comportamental para muitas pessoas no mundo. No entanto, sua outra face se mostra dogmática e

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Ciência surge como profissão no século XIX com a Fundação da Escola Politécnica e Escola Normal Superior de Paris (1794/1808) e a fundação da Universidade de Berlim (1809) (cf.CRUZ, 2008, p.21). 2 cf. LEVI-STRAUSS, 2008.

anacrônica frente ao saber óbvio que a ciência, por vezes, nos revela – o debate entre evolucionismo vs criacionismo são exemplos disso. Para muitos, a religião e a ciência sempre se enfrentaram numa luta de forças. Mas, isso nem sempre fora verdade, essas duas formas de saber possuem muitos pontos em comum relacionados aos seus métodos e conteúdos3. Não devemos confundir religião com instituições religiosas. É como dizer que os biólogos darwinistas da USP são a própria biologia. No entanto, hoje, os cientistas da religião podem ser considerados o elo que busca estreitar o caminho entre esses dois saberes (religião e ciência), construindo pontes seguras onde homens e mulheres consigam transitar sem problemas ou, ao menos, conversar sobre eles sem matar um ao outro. Ao invés de excluirmos um em detrimento a outro, por que não somar forças? Ao invés de polemizar ou defender a religião e/ou a ciência, por que não a estudarmos e aprendermos com cientistas, religiosos, filósofos e artistas? Esse será o nosso esforço, tornar plausível o diálogo entre ciência e religião e, o faremos pela ótica da tradição religiosa do yoga e da fisiologia humana. Sustentaremos em nossa exposição que o pano de fundo, tanto da religião quanto da ciência, está em compreender o ser humano em toda a sua complexidade. E a abordagem que traçaremos para essa construção será de natureza biológica. Os recentes estudos fisiológicos, neurocientíficos e cognitivos sobre o comportamento humano podem se aliar a doutrina clássica do yoga, sem ferir um ao outro, mas auxiliando essas duas formas de conhecimento mutuamente. Defenderemos nossos argumentos pautados em textos religiosos clássicos do yoga, como os Vedas, as Upanisads, os Yoga-Sutras de Patanjali, o Hatha-Yoga Pradipika e o Gheranda-Samhita e, em trabalhos fisiológicos recentes sobre as emoções, o corpo e a mente, como o das neurociências e da psicologia cognitiva.

O YOGA: HISTÓRIA, FILOSOFIA E RELIGIÃO. Entender realmente o que é o yoga requer, assim como qualquer estudo acadêmico de tradições religiosas, compreender a sua totalidade e não apenas suas partes; percebê-lo vivo e em transformação; e aventurar-se verdadeiramente no entendimento de seu sistema de atos, doutrinas, comunidades e experiências místicas4. No entanto, achamos importante “limpar o terreno” do conceito atual do yoga inicialmente e, contextualizá-lo na sua história antiga para compreendê-lo contemporaneamente. A prática do yoga ganhou popularidade no ocidente – estima-se, por exemplo, que 20 milhões de cidadãos norte-americanos o pratiquem. Portanto, resgatar as origens de sua história, filosofia e religiosidade se fazem necessários. Pois, como bem disse Carl Jung, podemos (nós, ocidentais) aprender muito com o yoga, mas não

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CRUZ, 2008, p.22. cf.GRESCHAT, 2006.

devemos praticá-lo “sem mais nem menos”, pois faremos “mau uso dele” se não retornarmos “à nossa natureza” primeiramente5. Na segunda parte deste momento (Yoga: história, filosofia e religião), nos ocuparemos em discutir a posição do yoga nos dias atuais, numa sociedade secular. A grande maioria dos adeptos e pesquisadores sobre o yoga6, ou o encaram como um método de treinamento físico: desenvolvimento da flexibilidade, força, equilíbrio, terapia e cura; ou, como é popularmente dito, uma “filosofia-prática”, que não acrescenta muito em seu sentido propriamente dito. Trataremos da definição deste complexo milenar intitulado hoje como yoga, pois demarcar o que venha sê-lo contribuirá para seu entendimento científicoreligioso. O yoga veio adaptando-se às diversas culturas, crenças e sociedades por qual visitou ou foi visitado e, hoje pode ocupar o status não apenas de filosofia e/ou prática, mas se afirmar como possível religião, se não para todos os seus praticantes, para muitos deles que o seguem como verdadeiro sadhana (lit. caminho espiritual). Por fim, divulgaremos sucintamente a filosofia do yoga. Isso será importante para o nosso segundo momento (Yoga e Ciência), onde será edificado um link com os estudos neurocientíficos atuais e, a contribuição que o yoga tem prestado à ciência e vice-versa. História. O início do yoga nos remonta a uma Índia pré-ariana, da tradição aborígene dos drávidas 7. Este povo parece ter florescido como grande civilização às margens do Vale do rio Indo, semelhantes em grandeza com outros povos de seu tempo, como os egípcios, no Nilo e os sumerianos, no Tigre e Eufrates. Os arianos conquistaram o território dravidiano por volta de 1500-1200 a.C., ocupando suas duas grandes capitais, Harappa e Mohenjo Daro8. Acredita-se que um tipo de yoga já era praticado pelos drávidas ou povo harappiano. Escavações arqueológicas no Vale do rio Indo (atual Paquistão) encontraram sinetes de barro cozido com uma figura muito semelhante ao deus tutelar do yoga – Shiva – sentado em padmasana (postura clássica de yogues em meditação)9. Era uma prática religiosa voltada para a concentração mental, controle da respiração, adoração ritualística e cânticos. Seus objetivos principais eram a invocação, a visualização e a união com inúmeras divindades10. Como a religião védica dos brâmanes não aceitava esse “proto-yoga”, ele foi sumariamente considerado um sistema religioso heterodoxo pelos brâmanes, a alta casta dos sacerdotes arianos11. Mas, assim como o fez com o budismo, a religião bramânica (hoje considerada como hinduísmo), absorveu o yoga como parte de sua própria “filosofia”12 ao logo dos tempos, na forma de um
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JUNG, 1982, p.57. Haja vista o avanço nos estudos sobre o yoga e a medicina integrativa e complementar. 7 ELIADE, 2001, p.296. 8 GULMINI, 2002, p.24. 9 GULMINI, 2002, p.23. 10 FEUERSTEIN, 2005, p.19 11 ZIMMER, 2000, p.67. 12 Coloco aqui filosofia entre aspas, pois o conceito ocidental de filosofia não corresponde corretamente, pois na Índia a filos ofia deve conduzir seu adepto a um estado divino e está, portanto, ligado estreitamente a religião (c f. ZIMMER, 2000, p.52).

novo dársana13, lit. “ponto de vista” 14. Com o passar do tempo, uma quantidade admirável de inovações foram realizadas com o “proto-yoga” dos drávidas, e estes fatos deram origem às inúmeras escolas do yoga no mundo que conhecemos hoje. Algumas mais devocionais (bhakti), outras mais filosóficas (jnana) e outras de cunho somático mais evidente, como o caso do tantra-yoga, tradição esta que dera origem a escola mais conhecida do ocidente, o hatha-yoga. Muitas vezes, os yogues na Índia, são considerados como uma espécie de místicos ou magos, com poderes de cura e controle corporal. Importante salientar que não há registro de nenhum yoga na tradição ariana, sendo, portanto, uma herança de um povo bem mais antigo. O que podemos concluir desta breve história, é que este “proto-yoga”, encontrado em uma Índia pré-histórica pelos arianos poderia ser a religião (ou a mística) de algumas tribos do povo dravidiano que, quando conquistado e subjugado em sua religião pelos brâmanes, viu sua expressão religiosa absorvida por outra fé. Algo similar com o que houve em algumas tradições religiosas do povo africano e o cristianismo, aonde vêm florescer novas religiões a partir do encontro do dominado pelo dominador. Definições. Historicamente o yoga sempre fora observado de diversas maneiras ao longo dos tempos: religião , arte16, filosofia17, técnica ou método espiritual18, ordem ou seita mística19 e até mesmo ciência20. Antes de qualquer coisa, o sistema yoguico fora desenvolvido com o mesmo intuito de muitas religiões, concederem ao ser humano sua “liberdade interior” (kaivalya) através de um desenvolvimento comportamental e cognitivo, pautado na experiência mística do corpo, com a conseqüente aquisição da paz, da felicidade e da bem-aventurança (ananda). Nos antigos versos dos Vedas21, especificamente o RigVeda, que data de 1900 a.C., encontramos indícios de ascetas cabeludos, “vestidos de ar” (nus) e que nada diziam; ao contrário dos brâmanes, que raspavam suas cabeças, andavam com vestes sacerdotais e pronunciavam os hinos sagrados da “palavra revelada” (lit. Vedas). No Atharva-Veda, texto mais recente na tradição hindu, já encontramos a descrição de práticas ascéticas respiratórias e posturais22 . Este fato nos evidencia algo curioso, o início de um período de aceitação das práticas yoguicas autóctones com os rituais arianos (bramânicos). No entanto, os textos védicos, que tratam do yoga explicitamente, estão em algumas Upanisads (800-300 a.C.), que se referem ao yoga como ensinamentos secretos e produzidos fora do contexto dos rituais védicos. São diálogos de mestres ascetas e seus discípulos (parampara), longe do convívio social, retirados na floresta, sobre um princípio imutável do ser humano (atman). São, portanto, conceitos radicalmente diferentes daqueles ensinados nos hinos védicos, sobre deuses e rituais de perpetuação
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Um dos seis sistemas clássicos da grande tradição hindu. ZIMMER, 2000, p.419. 15 cf. JUNG, 1982. 16 IYENGAR, 2001, p.218. 17 ZIMMER, 2000, p.34. 18 cf. TAIMNI, 2001. ELIADE, 2001, p.20; 295-298. 19 ELIADE, 2001, p.296. 20 IYENGAR, 2001, p.12. cf. TAIMNI, 2001. 21 A mais antiga grande narrativa universal registrada pela escrita. 22 GULMINI, 2002, p.34.

cósmica23. Deixando claro que existia já uma religião praticada pelos drávidas bem estabelecida e estruturada que, por isso, a fez chegar até os nossos tempos com o nome de yoga. O documento mais antigo que trata especificamente daquilo que entendemos como yoga hoje, ficou conhecido como Yoga-Sutras, uma coletânea de 196 aforismos que definem o que é o yoga e qual o seu principal objetivo24. Este texto fora dividido em quatro livros ou capítulos e, possuem sua datação bastante questionável. No entanto, foi estabelecido que os três primeiros livros correspondessem ao século II a.C. e, tudo indica que seu último livro data de 700 anos mais tarde, no século V d.C. 25 . Foram compilados por Patanjali, um mítico filósofo, médico e gramático indiano, que não idealizou o yoga, mas o codificou e o elaborou em oito passos distintos, conhecidos como Asthanga-Yoga, Yoga Real (RajaYoga) ou ainda o Yoga-clássico. É como se Patanjali estivesse buscando definir e organizar o que venha a ser o yoga e seus principais postulados para se alcançar a libertação da roda de renascimentos, o objetivo final do yoga, obtido pela prática meditativa, que conduz seu adepto a uma experiência religiosa. Os seus quatro livros possuem influência direta de outras religiões, como a do jainismo, sankhya, xamanismo, budismo e religiões populares, assim como, os influenciaram mutuamente no decorrer da história também26 . Yoga e religião. Definir yoga é uma tarefa árdua. Genericamente podemos nos voltar ao significado da palavra sânscrita: yuj, que significa ligar, juntar. No catolicismo, o termo equivalente pode estar ligado à místicacristã, para os muçulmanos temos o sufismo, e para os judeus a cabala. Sendo assim, sob uma perspectiva mais estreita, o yoga poderia ser considerado a via mística da religião hindu. No entanto, não devemos nos esquecer que o yoga é anterior à chegada da religião bramânica, como vimos, portanto, a doutrina religiosa yoga já existia e não poderia ser a sua seita mística (ao menos não em sua origem). Atualmente, percebemos certo receio por parte de alguns “yogólogos” em defini-lo como religião. Isso se justifica, talvez, pelo caminho histórico que o yoga trilhou no ocidente. Ele nos foi apresentado pela cultura Nova Era, que interpreta as religiões “tradicionais”, principalmente as monoteístas do ocidente, como obsoletas em explicar o ser humano atualmente. Assim, põem em xeque muitos conceitos doutrinais das grandes narrativas universais, como do cristianismo, islamismo e judaísmo27,28 . Foi, portanto, nessa conjuntura “novaerista” que surge o yoga e muitas outras religiões no ocidente secular. O yoga, então, aparece como mais uma “alternativa” de explicar o mundo e o ser humano pela religião, sem perder a comunhão com a ciência29,30. Talvez seja pelo exposto acima, que muitos estudiosos fujam das relações yoga-religião hoje em dia. No entanto, isso vem de forma tímida mudando. Encontramos referências a esse fato, expostas em
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GULMINI, 2002, p.35-36. GULMINI, 2002. 25 ZIMMER, 2000, p.203-204. 26 cf. ZIMMER, 2000; cf.ELIADE, 2001; cf.GULMINI, 2002. 27 Entrevista conduzida por mim com um dos líderes de uma religião da Nova Era (Sagrada Ordem dos Sacerdotes e Guardiões da Chama Violeta – Fraternidade Branca) para seminário em História da Religião em mestrado pela PUC/SP, 2009 . 28 CONTEPOMI, 1999, p.132-134. 29 CONTEPOMI, 1999, p.134. 30 Muitas vezes pautados em pseudociências.

artigos publicados em revistas especializadas sobre yoga, num panorama mais apologético frente à sua definição como religião. O editor de uma revista norte-americana assina um artigo com a seguinte pergunta: “Se o yoga não é religião, é o que então?”. Ele mesmo contesta: “É um hobby, fitness, um esporte, uma atividade recreacional?”31. Talvez, isso reflita já indícios de uma mudança de paradigma frente ao yoga, ao menos por parte de alguns estudiosos e adeptos. No entanto, a resposta que mais encontramos para a mesma pergunta anterior, geralmente referese a um yoga configurado como um sistema “filosófico-prático”, como dissemos no início de nossa exposição. Colocamos entre aspas, pois esse termo não nos esclarece nada. É como se intitular um “católico não-praticante” às avessas. Ou seja, o “católico não-praticante”, não comunga sua religião, mas se afirma um religioso convicto; já o yogue, muitas vezes, mantém uma prática diária, mas não a considera como religiosa. Por sistema filosófico, pretendem interpelar que o yoga possui uma base sólida de pensamento, que não é apenas uma série de posturas físicas e exercícios respiratórios; que se apresenta alicerçado por um conhecimento como o do sankhya - é muito comum encontrarmos a expressão sankhya-yoga como parte de um único complexo filosófico e religioso. Mas, qual religião que não possui uma filosofia? O próprio sankhya, pertence a uma filosofia metafísica fundada por um santo semi-mítico, conhecido por Kapila. Além disso, ambos (yoga e sankhya) possuem em sua origem distante, estreitos laços à outra religião ainda mais antiga, o jainismo32 . A tradição religiosa judaico-cristã, o islã, os budistas e até os pajés ianomâmis, também possuem uma filosofia intrínseca às suas práticas, isso não é privilégio do yoga. E, por “prático”, muitos atribuem a todo o arcabouço de conduta ético/moral (yamas e niyamas), posturas físicas (ásana), exercícios respiratórios (pranayama), abstenção dos sentidos (prathyahara), foco da atenção (dharana), concentração (dharana), meditação (dhyana) e experiência religiosa (samadhi) que compõem o sadhana33 do yogue. Mas, qual a religião sobrevive sem um sistema de atos solidamente estabelecidos? Toda prática dita religiosa está alicerçada em uma doutrina filosófica, em uma prática, reúne uma comunidade e culmina e sobrevive pela experiência mística que produz. Todos esses passos são integrantes do complexo religioso intitulado yoga também. Por outro lado, definir religião também é algo complexo e nenhum cientista chegou a um consenso geral de sua designação. A própria palavra vem de latim religio, que designou regligare (amarrar, interromper o cotidiano, abrir um intervalo), religare (ligar-se novamente) ou relegere (prestar atenção aos detalhes). Nossa busca por classificar o yoga como religião continua sua jornada na etimologia da própria palavra religião e suas designações. Yoga pode ser analisado como que interrompendo o cotidiano (maya) de seu adepto, assim como, ligando-o novamente com sua “essência imortal” (atman) e focando a sua atenção ao presente, base da prática meditativa (dhyana). Na ciência da religião, possuímos alguns “quesitos” que classificam uma manifestação humana como religiosa e, infelizmente não disporemos de espaço para expor de mais argumentos, mas

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CATALFO, 2010. ZIMMER, 2000, p.203. 33 Caminho espiritual de um sadhaka (praticante de yoga).
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apresentaremos algumas referências apenas a título de exemplo. Toda religião possui: 1.Emoção: aqui o yoga é bem específico na ligação do sentir em suas práticas, e mostraremos mais a frente que o sentir produzido na prática meditativa está alicerçado com nossas emoções e pensamentos intrinsecamente; 2.Presença de entes sobrenaturais: podemos citar Shiva, o próprio deus criador do yoga, além de prana, chackras e a presença de muitas outras referencias sobre-humanas na doutrina yoguica; 3.Rituais: todas as escolas de yoga (bhakti, jnana, tantra, raja) possuem os seus; 4.Mitos: o Bhagvad Gita é só um dos exemplos clássicos dentre uma centenas de outros; 5.Símbolos: a sílaba sagrada “Om” é o mais conhecido deles; 6.Agentes religiosos: possuímos neste terreno alguns milhares de mestres de yoga espalhados pelo mundo afora e, só em São Paulo, formam-se mais de 100 yogues por ano em centros, escolas, instituições e universidades, que edificarão suas práticas em “espaços holísticos” e disseminarão a tantos outros a doutrina yoguica também; 7.Crenças: exemplos é que não faltam, o conceito da alma imortal e da reencarnação é apenas alguns deles; 8.Espaços e templos: há mais escolas de yoga na cidade de São Paulo do que templos budistas em todo o estado. O yoga transcende em muito as simples posturas físicas ensinadas nas escolas de yoga atualmente. E, o que defendemos aqui, é apenas a possibilidade de estudar o yoga contemporâneo transcendendo seu caráter “utilitário”, no sentido de boa forma física ou diminuição do estresse apenas. Muitos adeptos do yoga hoje, não expressam sua religiosidade de nenhuma outra forma que não seja por meio de sua prática diária, muitas vezes, pessoal, outras em grupo, mas sempre adotando princípios éticos e morais que norteiam suas vidas, como o da não-violência, que faz yogues ser vegetarianos34 por exemplo, além de inúmeras outras expressões e festividades, como o dos satsangs35. Para se ter um pequeno panorama do que queremos ilustrar, todo o ano ocorre o “Yoga pela Paz”, encontro organizado por yogues brasileiros que reúnem milhares de pessoas em quatro dias nas principais capitais brasileiras, onde realizam workshops, vivências, participam de diversas aulas de yoga e finaliza sempre num grande encontro ao ar livre onde celebram sua religiosidade através da oração, do canto, da música, sempre no “espírito” do yoga como expressão religiosa. Podemos mencionar ainda, as inúmeras associações, alianças, federações e outras entidades que defendem e professam o yoga como uma “filosofia religiosa”. Houve, inclusive, há alguns anos atrás, uma comissão de yogues que lutaram pela liberdade de ministrar aulas, cursos e formações de professores de yoga no Brasil frente ao Congresso Nacional, contra uma lei que tramita ainda almejando definir o yoga como atividade física e, portanto, sob lei do estatuto do Conselho Federal de Educação Física. Essa lei ainda está em tramitação, porém, o yoga hoje, ao lado, da capoeira, por exemplo, impetraram o direito do exercício livre de seus métodos sem fiscalização de nenhum órgão federal, contanto, que seja praticada exclusivamente de cunho filosófico/religioso36. Por isso, levantamos a questão da prática de yoga ser considerada e classificada como religiosa não só por cientistas e yogues, mas também agora protegida por lei e com definições bem claras de seu
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Nos referimos aqui ao yama Ahimsa, que perfaz u m dos 10 preceitos éticos/morais da doutrina de Patanjali. Sat vem da palavra satya, que significa Verdade e sangha, significa família, grupo afim. Portanto, satsangha, define-se por um encontro de pessoas afins que se reúnem para meditar, cantar mantras e celebrar o seu caminho espiritual pelo yoga. 36 Projeto de Lei Nº 7.370/2002, de autoria do deputado Luiz Antônio Fleury (PTB/SP), que acrescenta parágrafo único ao ar t. 2º da Lei 9.696, de 1º de setembro de 1998, dispondo que não estão sujeitos à fiscalização dos Conselhos Regionais de Educação Físi ca os profissionais de dança, artes marciais e ioga.

exercício. Estudar e praticar o yoga separando-o da religião que lhe é intrínseca é comportar-se como uma criança, que se encanta com o embrulho e não com o presente. A religião e a ciência têm buscado diálogo e, o yoga pode facilitar esse caminho. Como já bem afirmou Jung, em seu livro Psicologia e Religião Oriental, onde o yoga ocupa um capítulo inteiro: A rigor não há, forçosamente, uma razão para o conflito entre essas duas coisas (religião e ciência). Na verdade, ambas são necessárias, pois apenas o conhecimento assim como apenas a fé são sempre insuficientes para atender às necessidades religiosas do indivíduo. (...) Por isso, se se propuser algum método religioso como “cientifico”, pode-se estar certo de contar com um público no Ocidente. A ioga satisfaz a essa expectativa. (...) ela (yoga) propõe não só um método tão amplamente procurado, como também uma filosofia de inaudita profundidade. Oferece a possibilidade de uma experiência controlável, satisfazendo com isto a necessidade científica de “fatos”; e, além disso, à sua doutrina e metodologia, que abarcam todos os domínios da vida, promete insuspeitadas possibilidades que os pregadores da doutrina raramente deixaram de sublinhar.37

Este fato, de pensar contemporaneamente o yoga como religião, de forma alguma discrimina ou considera como menor o yoga, muito pelo contrário, essa peculiaridade, como bem mostrou Jung, pode resgatar a essência38 do yoga como expressão legítima da busca religiosa do ser humano em um mundo pós-moderno (era kali-yuga). Pois, o yoga conseguiu atingir certo status de científico por conta de sua contribuição no diálogo entre ciência e religião. Não existem tantas expressões religiosas no mundo que se entrelaçaram tão bem com a ciência do que a meditação, base nevrálgica do yoga. E, é justamente disso que trataremos em nosso próximo momento.

YOGA E A CIÊNCIA. A palavra yoga, como vimos, deriva da raiz verbal yuj, que significa jungir ou unir, arrear. E segundo Georg Feuerstein, indologista germano-canadense especializado em yoga, o que deve ser jungido ou unido é a atenção do ser humano 39. O yoga, expressão religiosa antiguíssima, busca eliminar, como uma espécie de teoria da personalidade, a resistência consciencial e todos os “recalques”40 ocasionados pelo inconsciente em nós. O yoga vem se firmando como uma religião oriental, compreendendo e se utilizando de mecanismos mentais para “libertar” o ser humano de seus sofrimentos41 . Nossa ciência atual, no entanto, discute tais pressupostos yoguicos utilizando avançadas tecnologias e embasada em um profundo conhecimento neurofisiológico e cognitivo. O estudo dos diversos tipos de consciência e sua relação intrínseca com as emoções e o corpo é hoje um dos pilares das neurociências42. Pesquisadores por todo o mundo hipotetizam que os mecanismos somáticos relacionados à “transcendência” yoguica podem de fato ocorrer. Contudo, como expressa Geschat, a ciência da religião

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JUNG, 1982, p.54-55. Emprego aqui o termo “essência” no sentido de seu real objetivo expostos por Patanjali. 39 FEUERSTEIN, 2005, p.20 40 JUNG, 1982, p.59. 41 JUNG, 1982, p.52-60. 42 cf. DAMÁSIO, 2001; 2004.

se abstêm de pressupostos místicos43 , assim como o faz as neurociências, mas isso não nos impugna de estudá-los por outros vieses, como pelas suas doutrinas, comunidades e práticas religiosas. E, é justamente por este caminho (investigando práticas e sistemas de atos) que trilham alguns fisiologistas da religião, analisando os acontecimentos neuroquímicos ocorridos durante os supostos períodos de união entre o ser marginal e o Si-mesmo nas práticas religiosas44 . O yoga inicia o controle somático dos pensamentos tendo como foco, na grande maioria das suas linhas, a atenção na vida diária, nos músculos e na respiração. A partir daí, uma seqüência cada vez mais apurada de estados mentais pode ser desenvolvida. Os exercícios religiosos, especificamente da linha hatha-yoguica, como os ásanas (posturas psicofísicas), os pranayamas (exercícios respiratórios), os kriyas e bandhas (limpezas orgânicas e contrações) e, as diversas técnicas meditativas podem produzir feedbacks para o sistema nervoso central, diminuindo as ações neuronais, e gerando assim estados psicológicos mais amenos. Esses estados podem ser utilizados pelos fisiologistas da religião para explorar o controle de nosso sistema nervoso autônomo e subseqüentes alterações neuromusculares, cardiorrespiratórias, bioquímicas, imunológicas e endócrinas. Como promulgam as neurociências e a psicologia cognitiva, alterações cerebrais podem perturbar tanto o funcionamento do nosso corpo quanto de nossa mente e emoções. Na verdade, eles (corpo, mente, cérebro e emoções) não se desligam uns dos outros, mas funcionam como um só organismo, que somos nós. Tanto para o hatha-yoga quanto para as neurociências, nós não habitamos um corpo, nós somos esse corpo. Essa é a filosofia monista e epifenomenalista que já era praticada há milênios por yogues e, que hoje, é resgatada pela ciência, principalmente na voz de eminentes neurocientistas como Eric Kandel e Antonio Damásio45 . Segundo Damásio, as emoções são reações somáticas a certos estímulos e, sempre que tomamos consciência destas emoções corporais, sentimos a emoção, ou seja, surgem os sentimentos, que por sua vez, refletem em atividades neuronais de forma benfazejas ou nefastas46 . Mas, o que isso tem haver com yoga? Pois bem, a definição de yoga elaborada por Patanjali é bem clara, o yoga é a inibição, cessação ou “desidentificação” voluntária das modificações mentais (vrittis, em sânscrito)47 . No yoga, quando isso ocorre, o praticante experimenta o samadhi, uma experiência religiosa. A partir de graus avançados de samadhis, o yogue vai percebendo a ilusão no qual vive, maya. Quando o adepto da prática yoguica consegue se livrar deste engodo permanentemente se realiza em kaivalya e, liberta-se da roda de renascimentos ou samsara. O nosso cérebro é um espectador dos sinais provenientes de nosso corpo, que por sua vez, o recebe na forma de sensações. “O mundo nos chega pelas sensações”, já promulgava John Locke e, hoje é reiterado por Eric Kandel, um neurocientista e nobelista em fisiologia. Todas as sensações que nos chegam são apresentadas a uma região específica de nosso cérebro, o hipotálamo, que é uma espécie de

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Papel esse do filósofo da religião e, de fundamental importância para a ciência da religião. cf. DANUCALOV & SIMÕES, 2009. 45 cf. KANDEL, 2003; DAMÁSIO, 2001; 2004. 46 cf. DAMÁSIO, 2001; 2004. 47 cf. TAIMNI, 2001.

“correio” cerebral. Porém, ele, como simples “carteiro”, não faz o trabalho sozinho e, é auxiliado por mais quatro regiões neuronais: o córtex pré-frontal (responsável pela nossa tomada de decisões, vontade e intencionalidade), a amígdala (ligada às nossas emoções) e o hipocampo (parte integrante do resgate e manutenção de nossas memórias). Mas, também vive conectado a centros corticais somatossensoriais, que reproduzem nosso estado corporal. Todo o nosso corpo e sentimentos (soma) possuem sua representação ali, no espaço somatossensorial do neocórtex. Portanto, sempre que um conjunto de neurônios desta região é ativado (despolarizado), todo o nosso ser experimenta um novo sentimento também48 . Ora, um dos princípios mais clássicos do yoga que conhecemos é a utilização de posturas físicas e respiratórias para se acalmar a mente. Esse é um pressuposto totalmente aceitável e compreendido pela ótica das neurociências e da psicologia49, pois as posturas corporais e a forma como respiramos, traçam estreitas e íntimas relações com o que pensamos também. Quando, após as posturas e os respiratórios do yoga, atingimos um estado mental/corporal onde nossos neurônios e, portanto, pensamentos diminuem em ativações (hiperpolarizam), torna-se mais claro a observação passiva de quem somos (nosso soma), como promulga também a doutrina yoguica (prathyahara). Neste momento, permanecendo centrado na prática meditativa (dharana/dhyana), uma enxurrada de alterações fisiológicas se faz presente que, segundo alguns cientistas da religião, poderiam produzir estados conscienciais muito parecidos com os relatos de yogues e místicos de diversas outras religiões também. Para muitos autores, esse circuito e outros fatores envolvidos com a religião pode ter uma herança biológica cognitiva50. No entanto, a hipótese de uma herança genética e/ou adaptação biológica pelas práticas religiosas, não descaracterizam a tradição do yoga, muito pelo contrário, esses indícios científicos só o valorizam ainda mais como expressão religiosa para a ciência. Assim, nada mais lícito do que estudar o yoga pela ótica fisiológica da religião. Segundo Antonio Damásio, “o corpo e o espírito seriam sim dois aspectos diferentes de certa classe de mecanismos biológicos”51 . Portanto, empíricos e mensuráveis dentro do escopo acadêmico da ciência da religião.

CONCLUSÃO. A busca por separar religião da ciência é típica de nossos tempos, não há na história antiga, a dicotomia entre esses dois conhecimentos52 . A própria palavra religião é recente se compararmos com a história humana. Somos nós, pessoas pertencentes a um mundo pós-moderno, que lutamos por separar o yoga-religião-ciência e não a sua doutrina. Assim como a religião pode se beneficiar dos estudos científicos, a ciência também o faz estudando práticas religiosas. Precisamos romper dos dois lados: o senso-comum da ciência-explica-tudo e, que viver religiosamente é arcaico e obsoleto para o ser humano. Não deixa de ser irônico que,

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cf. DAMÁSIO, 2001; 2004; cf. KANDEL, 2003. cf. REICH, 2004. 50 NEWBERG, DAQUILLI & VINCE, 2002; BOYER & RAMBLE, 2001; BOYER, 2003. 51 Entrevista com Antonio Damásio por LENZEN, 2004. 52 JUNG, 1982, p.52; PAYNE, 2003, p.203.

enquanto alguns “yogólogos” e yogues contemporâneos lutem em deixar bem claro, que o yoga não é religião e sim uma ciência53, como querendo se gabar que o yoga é “mais do que uma simples religião”; cientistas se encontram com o yoga para entender melhor o ser humano 54. Como vimos, a contribuição milenar do yoga em sua prática e doutrina religiosa conduziu cientistas a compreender o corpo humano em sua totalidade (mente-cérebro-corpo-emoções) e, desenvolver e incluir em suas pesquisas científicas o sistema de atos do yoga. Pacientes oncológicos, psiquiátricos, reumáticos, nefrológicos e muitos outros se beneficiam em hospitais do mundo inteiro com a meditação, os ásanas e os pranayamas, enquanto muitos os consideram como “obsoletos e ultrapassados” por pertencerem a uma doutrina religiosa55 . Entendemos que a religião parece ser intrínseca ao ser humano, assim como sua própria ambivalência. O bem e o mal, o certo e o errado, o belo e o feio pertencem à biologia do homem e da mulher. Culpar a religião, a filosofia, a arte e a ciência como responsáveis pela evolução ou decadência da humanidade é fechar os olhos a sua realidade - na ciência, o termo que tem caracterizado esse pensamento é conhecido como “realismo crítico”56. O conceito yoguico de que kaivalya (espécie de iluminação ou nirvana) é da natureza humana e, são as nossas modificações mentais (vrittis) que obscurece quem somos. O controle mental, emocional e somático despertou o interesse da ciência em estudar a mente de yogues experientes, pois é pela prática mental da concentração em sentimentos e na própria fisiologia, que se alcança estados conscienciais mais benfazejos, benevolentes e de compaixão. O yoga e a ciência, portanto, gostemos ou não, já estão de mãos dadas e caminhando juntos há muito tempo, o que nos falta é enxergar isso e, ao invés de defender uma única forma do saber como a “verdadeira”, podemos abraçar todas com discernimento, respeito e esperança em um mundo mais justo e em paz.

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