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Notas de Aula

1
Leandro F. Aurichi

17 de abril de 2018

1
Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação - USP

2

Sumário

I ZFC 7

1 Preâmbulos 9
1.1 Alguns axiomas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 9
Um processo lento e doloroso . . . . . . . . . . . . . . . . . . 11
Boa ordem . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 12
Alongamentos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 14
Exercı́cios . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 15
1.2 Boa ordem é boa mesmo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 16
Ordem × escolha . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 18
Alongamentos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 22
Exercı́cios . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 23
1.3 Tamanhos, muitos tamanhos . . . . . . . . . . . . . . . . . . 23
Uma aplicação com circunferências . . . . . . . . . . . . . . . 25
Alongamentos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 27
Exercı́cios . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 27

2 Ordinais, cardinais e outros 29
2.1 Ordinais . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 29
Ordinais compactos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 34
Alongamentos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 34
Exercı́cios . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 35
2.2 Uma aplicação de aritmética ordinal . . . . . . . . . . . . . . 36

Índices 46
Notação . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 46
Índice Remissivo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 47

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4 SUMÁRIO

que é o que se costuma supor em matemática comum. Na segunda parte. mais focada nas aplicações e desenvolvendo a teoria conforme a necessidade.muitas vezes se confundindo com combinatória infinita. 5 . Por outro lado. com seus próprios problemas e motivações .no sentido que toda área matemática pode de alguma forma ser fundamentada usando-se esta teoria.Introdução Alice Teoria dos conjuntos é uma área da matemática com diversos usos. A tentativa é fazer esses dois aspectos de forma alternada. tal área é uma área em si. Por um lado. apresentamos alguns resultados que dependem de hipóteses mais fortes e discutiremos a importância deste tipo resultado. ela é uma das maneiras de se fundamentar a matemática . Neste texto trabalharemos principalmente com os dois últimos aspectos: teoria dos conjuntos como área em si e aplicações para outras áreas.principalmente em problemas que envolvam algum tipo de combinatória (mesmo quando tal combiatória não é explı́cita). A estrutura do texto se dá em duas principais partes: a primeira den- tro de ZFC. teoria dos conjuntos é uma área que pode ter aplicações em diversas áreas . Finalmente.

6 SUMÁRIO .

Parte I ZFC 7 .

.

Uma primeira coisa estranha a se notar é que. oma da escolha (choice. em N só temos os conjuntos “normais”. considere T a coleção de todos os conjuntos. sequências de outros. Vazio ∃x ∀y y ∈ / x. 9 . se N ∈ / N . de T que é problemática A lista mais comumente usada para isso (e que nós vamos adotar aqui) é a seguinte (conhecida como ZFC)1 : ZFC é uma tripla estranha: duas pessoas e um axioma. terı́amos. Mas Este é conhecido como o e quanto ao próprio N ? Note que se N ∈ N . tomemos N a coleção dos conjuntos “normais” no seguinte sentido: N = {x ∈ T : x ∈ / x} Assim. mas sim. denotado Zermelo. não é grave. Para diminuir o incômodo. temos que T ∈ T . Isso é estranho. Por exemplo. Por outro lado. N . que nada mais é que um conjunto que não tem elementos. como T é um conjunto. Por exemplo. em 1 Vale dizer que a lista apresentada aqui não é minimal . é a definição fazer. mas a princı́pio. Fraenkel e o axi- por ∅. terı́amos N ∈ N e não há escapatória. pela definição de paradoxo de Russell. que N ∈ / N . Ou seja.Capı́tulo 1 Preâmbulos 1. mas optamos por esta apresentação por questões didáticas. como em qualquer outra coisa em Apesar de parecer que a matemática.1 Alguns axiomas A ideia de que qualquer coleção de coisas forma um conjunto leva a con- tradições de forma muito rápida. de uma lista de axiomas que dizem o que podemos a problemas. esse x da fórmula é o conjunto vazio. Desta forma. pelo mesmo motivo. T ∈ / N .alguns axiomas são con- inglês). o que precisamos não é de uma “definição” intuitiva do que é definição de N é que leva ser um conjunto. O problema aqui surge por tomarmos qualquer coleção de coisas como formando um conjunto.

Em sı́mbolos: ∃S ∅ ∈ S ∧ (∀x ∈ S s(x) ∈ S) Aqui estamos fazendo um Partes ∀x ∃y ∀z ⊂ x z ∈ y. Em notação. elementos que não sejam subconjuntos de x). Vamos dar um exemplo para abuso. veja o Exercı́cio 1. como anteriormente. . dada uma fórmula ϕ função e y = ϕ(x). y ∈ z. Substituição Dizemos que uma fórmula ϕ é do tipo função se. é fechado por sucessores.Separação Se A é um conjunto e ϕ é uma fórmula. Ou seja. a fórmula pode receber parâmetros. PREÂMBULOS Extensionalidade ∀x ∀y (x = y) ↔ (∀z (z ∈ x ↔ z ∈ y)). ∀x ∃y ∀z ∈ x ∃z 0 ∈ y ϕ(z. Aqui já não apresenta. defina s(x) = x ∪ {x} (leia s(x) como “sucessor de x” - .1. novamente. para cada fórmula ϕ. existe um conjunto z que os contém como elementos. usando este axioma e o axioma da separação. conseguimos obter que o seguinte também é um conjunto: {a : ∃d ∈ D ϕ(d. y). Ou seja. O axioma do infinito nada corrigido usando-se o mais diz que existe um conjunto que contém o ∅ como elemento e que axioma da separação. Mas você pode novo axioma. Veja o do tipo função temos que o seguinte também é um axioma: Exercı́cio 1. a)} Note também que. Ou seja. {4}}. formalmente. para quaisquer conjuntos x. y que contém todos os subconjuntos de x como elementos.18. Ou seja.veja o Exercı́cio 1. Então o USdo axioma S nada estes elementos estarão em mais é que {1.19.1. então {x ∈ A : ϕ(x)} é mos a forumalação explici. axioma da separação para jogar fora eventuais outros elementos (isto viação para ∀x x ∈ a → é. Par ∀x ∀y ∃z x. existe um conjunto abuso na notação nova. Aqui cometemos um União ∀F ∃U ∀x ∀y (x ∈ y∧y ∈ F) → x ∈ U . temos um tamente. aqui temos um esquema que representa infi- fazer isso no Alongamento nitos axiomas. para cada fórmula do tipo função. para qual- Pense como se ϕ fosse uma quer x existe um único y tal que ϕ(x. Note que. Assim. y. 10 CAPÍTULO 1. o axioma só diz que facilitar: considere F = {{1}. E. 3. Usando o mente: a ⊂ b é uma abre. temos que U = F = y∈F y. este é outro esquema de infinitos axiomas. {2. Isto é. dois conjuntos são iguais se possuem os mesmos elementos. 3}. mas não que só eles. obtemos o conjunto x∈b que denotaremos por ℘(x). dado um con- junto D.1.um conjunto. 4}. A fórmula ϕ também pode receber parâmetros (sejam 1. z 0 ) Ou seja. conjuntos) .18. U . U poderia conter “lixo” Infinito Dado x.10.1. dado um conjunto x. 2.mas isso é facilmente isso vai fazer algum sentido daqui a pouco). te- mos um novo axioma.

Vamos mostrar como podemos formalizar a ideia de uma relação (por exemplo. então {x} contraria este axioma. pode ser construido a partir dos axiomas apresentados anteriormente. relações etc. A primeira coisa a ser feita é transformar isso em uma linguagem com a qual possamos traba- lhar. vamos apresentar um roteiro como cesso difı́cil. mas es- {(a. Veremos mais sobre isso na próxima seção. b) ∈ N2 : ∃c ∈ N a + c = b} tamos tentando justificar ≤. estarı́amos na verdade trabalhando com o conjunto Dá vontade de falar {(a. Basta pensarmos a relação R como o conjunto de pares de X × X tais que a primeira coordenada se relaciona com a segunda. a ≤ entre os naturais).1. b) : a ≤ b}. y) ∈ R Talvez um exemplo ajude aqui. vamos supor que X é um conjunto (cuja construção já está justificada pelos axiomas) e vamos ver como justificar a existência de uma relação R sobre X. Este axioma muitas vezes é substituido pelo axioma da escolha. como funções. Mas esse não é um processo curto. isso fica fácil: nada mais é que o conjunto de todos os pares ordenados cujas duas coordenas . a existência de X. Em vez de dizermos xRy dizemos (x. Se estivessemos trabalhando com a relação ≤ nos naturais. ALGUNS AXIOMAS 11 Fundação ∀x 6= ∅ ∃y ∈ x x ∩ y = ∅. cesso cansativo. Veremos mais adiante a definição de boa ordem e diversas de suas propriedades. Desta forma. Só podemos trabalhar com conjuntos. precisamos fazer a relação entre os elementos virar um conjunto. basicamente é uma mudança de notação. Ou seja. E não é o enfoque deste texto. estamos então apenas supondo como verdadeiros estes axiomas. De certa forma. então isso ficaria meio Assim. Assim. só precisamos justificar a existência de X × X tendo como hipótese circular. mas é um pro- exemplo. então o processo é simplificado: não temos escolha. Este axioma impede coisas estranhas como por exemplo x ∈ x: se temos que x ∈ x. Princı́pio da boa ordem Para todo conjunto x existe uma boa ordem sobre ele.1. Mas isso é fácil. Um processo lento e doloroso Teoria dos conjuntos serve também para fundamentar matemática no se- guinte sentido: o que é feito em matemática. Pode até não ser um pro- apenas para satisfazer o leitor curioso. Se tivermos o conceito de par ordenado. deixando os outros como um exercı́cio de imaginação.

1. então s(x) ∈ X. y. y}} Veja o Alongamento 1. Para Note que fazendo isso. temos diretamente que vale o seguinte resultado: Proposição 1. Note que. Vamos agora definir um conjunto bastante especial. (b) se x ≤ y e y ≤ x então x = y.1. . y}. como também é um conceito que será bastante importante neste texto. x) ∈ ≤ para todo x ∈ X.20 junto acima se dá simplesmente pelo axioma do par e da separação.y = f (x) nada mais é que uma relação entre x e y. temos que a justificativa para a existência do con- e o Exercı́cio 1. Mas como definir um par ordenado só usando conjuntos? Dados x. uma vez que {x. junto que comumente cha- mamos de gráfico dela. {x.1.1. para todo subconjunto não vazio Y ⊂ X existe mı́nimo (min Y ). uma definir a soma. y} = {y. para todo Ou seja. x}. (c) se x ≤ y e y ≤ z então x ≤ z. é um subconjunto de X × X tal que. Então X = ω. Lembrando: Definição 1. dados x. y) = {x.3 (Princı́pio da indução finita). 12 CAPÍTULO 1. na formalização x. Uma boa ideia é simplesmente definir da seguinte forma: (x. Definimos o seguinte conjunto: \ ω= N N ∈N onde N = {N ∈ ℘(S) : ∅ ∈ N e ∀x ∈ N s(x) ∈ N }. seguimos o mesmo padrão .1. um y ∈ Y tal que y ≤ y 0 para todo y 0 ∈ Y . y.11 Note que. Dizemos que ≤ é uma ordem sobre X se. z ∈ X. terı́amos que ≤ (a) x ≤ x. por exemplo. pela definição acima. temos: anterior. Seja X ⊂ ω tal que ∅ ∈ X e tal que. se x ∈ X.2. Uma boa ordem é uma ordem com uma condição adicional: Definição 1. Considere S o con- junto dado pelo axioma do infinito. Boa ordem Boa ordem não é só algo que estamos devendo definir para completar os axiomas. PREÂMBULOS estão em X. y. uma primeira ideia poderia ser {x. Note também que usamos a soma para definir a relação de ordem. Dizemos que uma ordem ≤ sobre X é uma boa ordem se. isto é.1. Mas isso já dá o problema da ordem. (x.pense apenas que uma função função acaba sendo o con.

Se b ∈ a. temos: b ∪ {b} ⊂ a ⊂ b ∪ {b} Logo. Note que ∅ é trivialmente transitivo. Vamos dividir em dois casos. então n é transitivo. Isto é. . Suponha então o resultado para b e vamos provar para s(b). para entender melhor o nome Proposição 1. Logo. Um conceito que irá aparecer diversas vezes é o conceito de conjunto transitivo: Definição 1. Se n ∈ ω. vamos supor que a ⊂ b ⇒ (a ∈ b ∨ a = b) e vamos provar que a ⊂ s(b) ⇒ (a ∈ s(b) ∨ a = s(b)) Suponha então que a ⊂ s(b) = b ∪ {b}.6. como a ∈ ω. Lema 1. Dizemos que X é um conjunto transitivo se. b ∈ ω tais que a ⊂ b. para todo Veja o Alongamento 1. Pela definição de ω. se a é transitivo.um resultado que pode ajudar a ter em mente é o enunciado no Exercı́cio 1.1. a = s(b). X ⊂ ω. veremos alguns resultados que nos ajudam a entender melhor os elementos de ω e o próprio conjunto ω . Demonstração. • a = b: Então a = b ∈ b ∪ {b} = s(b). temos que ω ⊂ X. b ⊂ a.5.1. com a função s fazendo o papel da função “sucessor” usual dos naturais.4. Por indução sobre b. Logo. Pela hipótese de indução temos dois casos: • a ∈ b: Neste caso. o resultado segue pelo princı́pio da indução finita. Demonstração.1. Sejam a. Ou seja. Então a ∈ b ou a = b. a é transitivo.1. Se b ∈ / a.23. temos a ∈ b ∪ {b} = s(b).1. temos que y ⊂ X.1. Se b = ∅. Por um lado. temos que ω faz o papel dos naturais. ALGUNS AXIOMAS 13 Demonstração. então a = ∅ e temos o resultado.13 y ∈ X. Note também que. Com isso. então a ∪ {a} também é.1. então a ⊂ b. Até o final desta seção.

defina as seguintes fórmulas só usando ∈ e =: (a) x ⊂ y (b) x ∩ y (c) x = {a} para algum a. Ou seja. s(a) é um minorante para S e. Mostre que toda boa ordem é total (chamamos uma ordem sobre X de ordem total se todos os elementos de X são comparáveis entre si). contradição. Mostre que. Logo.12. Alongamento 1. usamos outros sı́mbolos.1. Dado F 6= ∅. Note que. Suponha que a ∈ M . a ∪ {a} ⊂ b. Como já temos que ⊂ é ordem. mostre a existência de F= A∈F A. pelo princı́pio da indução finita.8. PREÂMBULOS Note que ⊂ é uma ordem sobre ω. y. dados x. portanto. Seja S ⊂ ω não vazio. . y) definido como acima. Formalmente. temos que M = ω e. Suponha que S não Um minorante de um tenha mı́nimo. temos que a ∈ b (Lema 1. S = ∅. basta fazer o argumento sobre a existência de mı́nimos. caso contrário S teria um mı́nimo.10. incidentalmente.1. Como a ⊂ b e a 6= b. temos que a ordem ≤ usual dos naturais se traduz como ⊂ aqui. já que ⊂ é uma ordem sobre qualquer conjunto. a ordem estrita < se traduz como ∈.1. Seja b ∈ S.7. no caso de ω. Assim. E. ω é bem ordenado por ⊂. Vamos provar que s(a) ∈ M .6).1. Alongamento 1. Para tudo ficar certo. Mas. Escreva explicitamente o axioma da separação. podemos mostrar que tal ordem é uma boa ordem: Teorema 1. s(a) ∈ M . Alongamentos Alongamento 1. Mas. Alongamento 1. de fato existe o par ordenado (x. nos axiomas listados acima. Note que M ∩ S = ∅. Note que ∅ ∈ M .1.9.1. portanto.11. Seja conjunto S é um elemento a tal que a ≤ s para todo M = {a ∈ ω : a é um minorante de S} s ∈ S. Demonstração. T T Alongamento 1.1. 14 CAPÍTULO 1. assim. podemos trabalhar com conjuntos ape- nas com as relações ∈ e =.

defina a  b se. Mostre diretamente que os seguintes conjuntos são transitivos: ∅.17. Alongamento 1. C}. Dados a. e somente se. Mostre que x é transitivo se.1. Alongamento 1. Mostre que o axioma do vazio pode ser obtido a partir dos outros. Por exemplo. Mostre que  é uma boa ordem sobre N (use o fato que ≤ é uma boa ordem). {∅}. Imagine um mundo colorido onde existam duas cores de conjuntos: vermelhos e amarelos.1. {∅. {∅}}. as fórmulas que aparecem nos axiomas da separação e substituição (bem como as que aparecem em induções e recursões). Normalmente. B.16. depois o unitário do vazio vermelho e o unitário do vazio amarelo.1. podemos trabalhar com fórmulas do tipo ϕ(x. podem receber parâmetros que sejam conjuntos. ALGUNS AXIOMAS 15 Alongamento 1. t).1. Existem o vazio vermelho e o vazio amarelo. Considere N o conjunto dos números naturais com a ordem usual ≤. e somente se. um dos casos abaixo ocorre: • a ≤ b e a. Qual axioma de ZFC não é satisfeito nesse mundo? Exercı́cio 1.1.13. b ∈ N. no axioma da separação. temos que a ∈ x. Diga quem é o conjunto (dado pelo axioma da separação): {x ∈ X : ϕ(x. E proceda assim com as outras operações de conjuntos. b são ambos ı́mpares. Considere ϕ como a fórmula ∃a ∈ t x ∈ a Dado X um conjunto e t = {A. b são ambos pares.15. t)} . Mas também o conjunto com dois elementos: os dois vazios (um de cada cor).1. • a ≤ b e a.1. b tais que a ∈ b e b ∈ x.1. onde o t será pensado como um parâmetro (que é um conjunto dado).14.18. Alongamento 1. • a é par e b é ı́mpar. para todo a. Exercı́cios Exercı́cio 1.

Seja V um espaço vetorial.. vamos denotar da demonstração a seguir é por [A] o subespaço gerado por A (lembre-se que este é o subconjunto de que o princı́pio da boa or- V que contém A e todas as combinações lineares dos elementos de A). 2 = {0.1. bn ∈ B e α1 . . Seja ≤ uma ordem total sobre X. podemos definir Exercı́cio 1. 1. 0 = ∅.21. Escreva essa propriedade usando essa notação de conjunto. 1} Exercı́cio 1..sem o uso do axioma da escolha.20.. existe o conjunto U = {{a} : a ∈ A}. Por dem implica na existência convenção.1..1..19. Dado A ⊂ V . 1}×ω com a seguinte ordem: etc.1. n)  (b. Ou seja. adotemos [∅] = {0}. Mostre a existência do mesmo conjunto usando o axioma das partes. B = {v ∈ V : v ∈ / [{w ∈ V : w ≺ v}]} Aqui a ideia é que organi- zamos os vetores numa fila Vamos mostrar que B é uma base para V . (a. Mostre que são equi- valentes: (i) ≤ é uma boa ordem. (ii) não existe (xn )n∈ω tal que cada xn ∈ X e xn+1 < xn . veremos que essa aplicação tem mais coisas inte- ressantes escondidas. dado n ∈ ω. uma função nada mais é que um tipo de relação) com uma propriedade a mais. Uma função nada mais é que um conjunto de pares ordenados (ou seja. .2. Seja  uma boa ordem sobre V . Suponha que B não seja linear- e os que não eram com. PREÂMBULOS Exercı́cio 1.. Exercı́cio 1. . 1 = {0}. texto. m) se a < b ou se a = b e n ≤ m. a maior importância Demonstração. mostre que. αn ∈ K (K é um corpo binação lineares dos ante- riores entram em B. Mostre que. Na verdade. Mostre que  é uma boa ordem.2 Boa ordem é boa mesmo Começamos esta seção com uma aplicação interessante do princı́pio da boa ordem. Defina B de bases em espaços veto- da seguinte maneira riais . n = {k ∈ ω : k < n}. para este Teorema 1. Na próxima seção. Exercı́cio 1. Exercı́cio 1.22. Considere X o conjunto {0.1. dado um conjunto A. Escreva a fórmula “x é um par ordenado”. Todo espaço vetorial possui base. 16 CAPÍTULO 1. Sejam b1 .1.1.24. mente independente.23. Usando o axioma da substituição.

. Por exemplo. Para boas ordens. tratamos cada função como um conjunto de pares ordenados . Suponha que não. então vale ϕ(x) para todo x ∈ X. Seja ϕ uma fórmula do tipo função tal que existe um conjunto Y ser omitida. Seja ≤ uma boa ordem A existência de Y pode sobre X. que [B] = V . Veja o Alongamento 1. Veja o Exercı́cio onde a é o único tal que ϕ({f (y) : y < x}. temos que vale ϕ(x). [{w ∈ V : w ≺ b}] ⊂ [B] (isso é um exercı́cio usando que  é boa ordem.16.9 para ver essa formalização. . podemos definir f de forma que f (0) = 1 e f (n + 1) = (n + 1)f (n) (também conhecida como n!). contradição. podendo tomar uniões. portanto. Antes de provarmos tal resultado. então y ∈ Y .. ao formarlizarmos o conceito de função em ZFC. é bom notar que. Então vale indução sobre X no seguinte sentido: dada uma fórmula ϕ tal que. Seja ≤ uma boa ordem sobre X. Logo. Proposição 1.2 (Indução para boa ordem). BOA ORDEM É BOA MESMO 17 qualquer sobre quem V é espaço vetorial) tais que ni=1 αi bi = 0 e αi 6= 0 P para todo i.. total. Logo. confusa. bj ∈ [{w ∈ V : w ≺ bj }]. bn } r {bj }] e. então existe x o menor tal que não vale ϕ(x).2.1. Demonstração. simples de álgebra linear).2. f (x) = a.. intersecções etc. Note que bj ∈ [{b1 .2. bj ∈ / B.. w ∈ [B]. pela hipótese sobre ϕ. Usaremos este fato implicitamente nesta demonstração e em outras no decorrer deste texto.2. Então existe b ∈ / [B]. contradição. Agora vamos mostrar que B é gerador.. a). Seja b o menor com tal propriedade. b ∈ B contradição (pois B ⊂ [B]). Suponha que não vale o resultado. para cada x ∈ X. y) vale para algum z.2. Nos naturais. podemos definir funções num ponto n apenas com base em como a função foi definida nos valores menores que n. portanto. vale para x”. y. bn } (com relação a ). . Outro fato importante sobre boas ordens é que vale uma certa indução para elas: Proposição 1. mas a demons- com a propriedade que.essa formalização tem também a vantagem que podemos trabalhar com funções como se fossem conjuntos. temos que b ∈ / [{w ∈ V : w ≺ b}] antes só usamos que ela é e. Isto é. Como b ∈ / [B]. Logo.3 (Recursão para boa ordem).. 1. se ϕ(z. Ou seja. Seja bj o máximo de {b1 . Então tração fica um pouco mais existe uma única função com domı́nio X tal que. podemos fazer algo similar. para Aqui estamos finalmente todo w ≺ b. para qualquer x ∈ X temos Um jeito de ler essa é hipótese é “se vale para (∀y ∈ X y < x ⇒ ϕ(y)) ⇒ ϕ(x) todo mundo antes de x.

Mas existem outras formulações também equivalentes. E cuidado Ax = S y≺x Ay caso contrário com as ordens aqui. Demonstração. onde x = min X e a é tal que ϕ(∅.2. Seja ≤ uma ordem sobre X. se Demonstração. elas são compatı́veis. 18 CAPÍTULO 1. Proposição 1. Dado Y ⊂ X. começando com uma das mais populares: Definição 1. dizemos que a ∈ X é um majorante para Y se. já que g = {(x. para todo y ∈ Y . Como essa é a primeira construção por recursão não trivial deste texto. a). Note que f  {y ∈ X : y < x} é um elemento de F.2. a). defina mente aqui recursão para  S S {x} ∪ y≺x Ay se z < x para todo z ∈ y≺x Ay boas ordens. Como não . vale a ≤ b ou b ≤ a. aqui es. elas valem o mesmo em tal ponto x (mostre isso por indução). isto é. Aα é o primeiro a ser definido. {y ∈ X : y < x} para algum x ∈ X função. Considere g = (f  {y ∈ X : y < x}) ∪ {(x.2. o princı́pio da boa ordem é equivalente ao axioma da escolha. Note também que dadas quaisquer varia a uma contradição. Seja  uma boa ordem sobre X. existiria o primeiro e tal que g(x) = a onde ϕ({g(y) : y < x}. se x pertence ao domı́nio de ambas. isto é. ponto em que ela não po. isto é. Seja ≤ uma ordem sobre X conjunto tamos provando que o não vazio. Se toda cadeia em X admite majorante. temos que y ≤ a.10). Note que g ∈ F. PREÂMBULOS A ideia aqui é que. duas funções em F. temos que f = F é uma função. a)} onde a é o único tal que ϕ({y ∈ X : y < x}. implica no Lema de Zorn Estamos usando tacita. Primeiramente. terminamos. note que tal famı́lia é não vazia. Desta forma. a)} ∈ F. então X admite elemento Princı́pio da Boa Ordem maximal. dados a. Suponha que não e seja x = min{y ∈ X : y ∈ / dom(f )}. contrariando a definição de f . b ∈ C. deria ser definida e isso le. Vamos apresentar algumas delas. Suponha que α é o mı́nimo de X com relação a . Note que.5 (Lema de Zorn).4. Como união de uma famı́lia de funções Scompatı́veis é uma função (veja o Alongamento 1. Para cada x ∈ X. a) para cada x no domı́nio de g. se mostrarmos que f tem domı́nio X. Dizemos que a ∈ X é maximal se não existe b ∈ X tal que a ≤ b. Dizemos que C ⊂ X é uma cadeia se C é totalmente ordenado por ≤. Ordem × escolha Como dito anteriormente. vamos tentar apresentar melhor a ideia aqui. Considere F o conjunto de todas as funções g com domı́nio não desse para definir tal algum segmento inicial de X. Formalmente. temos duas diferentes.

Se mostrarmos que x é maximal. temos que existe x majorante para A. então Aγ = {γ} ∪ {α} = {α. Este caso é trivial pelo comentário acima. O Lema de Zorn implica o princı́pio da boa ordem: Cuidado que na próxima demonstração. Note também que. já que x é majorante de A. existe z ∈ X com x < z. Ou seja. por hipótese.12. Suponha que x não seja maximal. terminamos. S Note que.6. se Ay for uma S cada y ≺ x. Assim. cadeia para note que y≺x Ay é uma cadeia (veja o Exercı́cio 1. Neste S caso. Isto é. portanto. temos dois casos: S • Ax = y≺x Ay . temos que que Aβ = {α} Agora. trabalhare- Proposição 1. S • Ax =S{x} ∪ y≺x Ay . o que é uma contradição. temos automati- camente que Aα = {α} ∪ ∅ = {α} Desta forma.2.12). Se vale o Lema de Zorn. mos com relações como se elas fosse conjuntos . . Logo.2.2. Note então z ∈ / A. se γ for o primeiro maior que α e β (com relação a ). vamos supor que. y≺x Ay é totalmente ordenado e todos os seus elementos são menores que x. dado x ∈ X. Vamos provar que cada Ax é uma cadeia com relação a ≤. z ∈ A. vale o princı́pio da boa ordem. Isto é. então Ax também é uma cadeia. Então. Logo. temos que A = x∈X Ax é uma cadeia com relação a ≤. Vamos fazer isso por indução sobre x. BOA ORDEM É BOA MESMO 19 existe Ay com y < α para falhar a hipótese de construção. isso quer dizer que z < x para todo z ∈ y≺x Ay . pela definição de Az . Primeiramente. suponha que β seja o primeiro elemento de X maior que α (com relação a ) mas que não valha α < β.2. pelo mesmo Exercı́cio 1.da mesma maneira que fize- mos com funções.1. Ax também é uma cadeia. mas α < γ. temos: [ Az = {z} ∪ Ay y<z e. γ}.

pelo Lema de Zorn. existe ϕ : F −→ ℘( F) tal que ϕ(F ) ⊂ F é finito e não vazio para todo F . Se todo espaço vetorial possui base. ≤) é um majorante para a cadeia C (exercı́cio). Desta Exercı́cio 1. ≤) ∈ O e. m é o mı́nimo de S. Vamos provar isso. lha: o axioma das múltiplas escolhas . pois. Sem perda de generalidade. Ou seja. além disso. Defina k(X) . Vimos anteriormente que todo espaço vetorial admite uma base. Seja X um conjunto. Seja O o conjunto dos pares (A. Para cada x ∈ F. A volta também vale.8. temos que existe (B. caso contrário.15). Mas daı́ união de y ∈ S. Seja C uma cadeia de elementos é simplesmente dizer que S O. isto é. Veremos depois como passar dessa afirmação para o axioma da escolha propriamente dito.≤A )∈C ≤A é uma boa ordem sobre Y = de uma ordem estende a ou. Vamos mostrar que ≤= (A. ≤A ) ∈ C e tal que y ∈ A.Sa ≤B b. Note que. ≤B ). A primeira vontade aqui para todo a ∈ A e b ∈ B r A. pela maneira como  é uma boa ordem (veja o definida. Esse resultado (e demons- tração) é de Andreas Blass Demonstração. O princı́pio da boa ordem claramente implica o axioma da escolha: Proposição 1. Seja F uma famı́lia de conjuntos não vazios. Então seja S ⊂ Y não vazio. Seja tra. ≤B ) se A ⊂ B. podemos supor que todos os elementos S de F são dois a dois disjuntos (veja o Exercı́cio 1. (Y. ≤A )  (B. defina f (x) = min x.primeiramente vamos mostrar o seguinte: Proposição 1. basta estender a ordem ≤B para incluir x como o maior elemento de B ∪ {x} que seria um elemeto de O estritamente maior que (B. Defina X = F ∈F F .2. mas não vamos fazer um caminho direto .≤A )∈C A. então (quase) vale o axioma da escolha. S Demonstração. Fizemos isso usando o princı́pio da boa ordem. Seja k um corpo.7 (Axioma da escolha).2. Fixe ≤ uma boa ordem sobre F.Dada F uma famı́lia de conjuntos S não vazios.2. ≤A ) onde A ⊂ X e ≤A é uma boa ordem sobre A. Note que B = X. (A. não existe y 0 ∈ S tal que y 0 < m. Vamos mostrar uma versão mais fraca que o axioma da esco- em [1]. é fácil. ≤B ∩(A × A) =≤A e A é um segmento inicial de B. Assim.13. temos que (Y. Que ≤ é uma ordem. se existe x ∈ X r B. Seja m = min S ∩ A (tal boas ordens pode não ser mı́nimo é considerado com relação a ≤A ). Considere a seguinte relação sobre O: (A. Logo.) forma.2. Seja A tal que (A. ≤B ) maximal em O. 20 CAPÍTULO 1. PREÂMBULOS Demonstração. mostramos a implicação “princı́pio da boa ordem implica que todo espaço vetorial possui base”. existe f : F −→ F tal que f (x) ∈ x para todo x ∈ F. S Dada uma famı́lia F de con- juntos não vazios.

obtemos: X y y= λx b x b b∈B(x) Como B é base. os elementos de k(X) são “frações de polinômios de várias variáveis”. aparecem elementos de X. podemos escrever X y y= λb b b∈B(y) Note também que xy ∈ K (aqui usamos que os elementos de F são dois a dois disjuntos. monômios. De maneira análoga ao que fizemos antes.2. Um elemento plicação de um escalar por f ∈ k(X) é dito F -homogêneo de grau d se é da forma pp21 onde todos os variáveis. B(x) não depende do particular x ∈ F tomado. portanto. k(X) é um espaço vetorial sobre K. Para cada F ∈ F.11). Como x ∈ V . Por hipótese. Seja V o espaço gerado por X em k(X) (como K-espaço vetorial). veja o Alongamento 1. Logo. B(x) = B(y). Ou seja. definimos o F -grau de um monômio como sendo a Monômio é só a multi- soma dos graus de todos os elementos de F naquele monômio. um monômios de p2 tem um mesmo F -grau n e todos os monômios de p1 tem polinômio é a soma de F -grau d + n. Em particular. defina P para cada x: 1 X x fx = λb x b∈B(x) Temos fx = x1 b∈B(x) λxb P P 1 x = λ Pb∈B(x) x1 yb = b∈B(x) y λb = fy . Note que K = {f ∈ k(X) : f é F -homogêneo de grau 0 para todo F ∈ F} é um subcorpo e. mas no lugar das variáveis. f = x1 b∈B(x) λxb também é único. temos unicidade na escrita. Note também que yλx cada λyb = xb . existe B base para V . Ou seja. Seja F ∈ F e seja x ∈ F . existe λxb ∈ K não nulo de forma que X x= λxb b b∈B(x) Seja y ∈ F .1. De fato. Isto é. multiplicando a primeira equação acima por xy . existe B(x) ⊂ B finito e. BOA ORDEM É BOA MESMO 21 o corpo de frações com “variáveis” em X.2. para cada b ∈ B(x). Ou seja.

Alongamento 1. pode não ser verdade que xy tenha G-grau homogêneo para todo G ∈ F. alguns elementos de F devem aparecer no seu denominador. y) ∈ f . definimos ϕ(F ) como sendo um subconjunto finito de F e. (a) Dada f : X → Y . então a = b. (c) Dados f : X → Y e Z ⊂ X. .11. Mostre S que.2. • Para todo x ∈ X.2. f é F - homogêneo de grau −1 (já que λxb ∈ K). Alongamentos Alongamento 1. Dizemos que f é uma função de X em Y (notação f : X → Y se f ⊂ X × Y tal que: • Para todo x ∈ X. temos a função desejada. Mas elas ficarão bem mais fáceis quando ti- vermos mais algumas ferramentas.9. Ou seja. em vez de denotarmos (x. usamos f (x) = y. Mais que isso. note que se os elementos de F não são necessariamente dois a dois disjuntos. defina o conjunto dom(f ) (domı́nio de f ). Ou seja. se F é um conjunto de funções duas a duas compatı́veis. Cuidado aqui. (b) Dada f : X → Y . (x. não queremos o contradomı́nio de f . então F é uma função. Voltaremos a elas quando tivermos tais ferramentas.2. existe y ∈ Y tal que (x.8. onde f  Z é a função restrição de f a Z. então dados x. Sejam X e Y conjuntos. determine o conjunto f  Z. Na demonstração da Proposição 1. se escrevemos f na forma simplificada. portanto. se (x.2. Usualmente. defina o conjunto Im(f ) (imagem de f ). a).22 CAPÍTULO 1. Alongamento 1. y ∈ F ∈ F. PREÂMBULOS Ou seja f = fx não depende da escolha do particular x.10. y) ∈ f . b) ∈ f . Defina ϕ(F ) como sendo o conjunto de tais elementos. Ainda faltam algumas implicações para fecharmos a equivalência com- pleta entre essas afirmações.

Muitas vezes.2.13. lemos este de subconjuntos de X tais que. a)) ou a = ∅” é uma fórmula do tipo função. TAMANHOS. Exercı́cio 1.2. definido cardinais. totalmente ordenado por ≤. F ) : x ∈ F }. MUITOS TAMANHOS 23 Exercı́cios Exercı́cio 1.2. 1. Sejam A.16. Mostre que a fórmula ψ(x. defina F 0 = {(x. pelo axioma da subs- tituição. Mostre então que vale o teorema da recursão sem pedirmos a restrição dos valores para ϕ. Seja ϕ uma fórmula do tipo função. Notação: |X| = |Y |.3.1. Seja ≤ boa ordem sobre X. Exercı́cio 1. Seja X um conjunto ordenado por ≤. então vale o axioma da escolha.3 Tamanhos. Dizemos que X e Y tem a mesma cardinalidade se existe Depois que tivermos f : X −→ Y bijetora.12. muitos tamanhos Para comparar tamanhos de conjuntos. Escreva a ordem usual de Z como uma cadeia de boas ordens.2. Bem mais fácil é a verificação da existência de duas funções injetoras.2. Seja C uma famı́lia Informalmente. . note que.3.15. Exercı́cio 1. Mostre diretamente que. a). B conjun- tos e sejam f : A −→ B e g : B −→ A funções injetoras. temos que A ⊂ B ou B ⊂ A exercı́cio como “cadeia de (ou seja. Depois. usaremos funções bijetoras: Definição 1. dados A. B ∈ C. C é uma cadeia com relação a ⊂).2 (de Cantor-Bernstein-Schroeder). Conclua que união de cadeias de boas ordens não necessariamente é boa ordem. S Suponha que cada A ∈ C seja cadeias é cadeia”. Então |A| = |B|. Exercı́cio 1. Seja F uma famı́lia de conjuntos não vazios. podemos tomar todos os valores possı́veis de a se x ∈ X e ψ(x. verificar se existe alguma bijeção é um processo difı́cil.14. Mostre que F 0 = {F 0 : F ∈ F } é uma famı́lia de conjuntos dois a dois disjuntos. b) e f (x) = a onde ϕ({z 0 : z < x}. se vale o Lema de Zorn. O próximo teorema ajuda nesse sentido: Teorema 1.1. Mostre que A∈C A é totalmente ordenado por ≤. essa notação fará mais sentido. Para cada F ∈ F.3. a) dada por “(x ∈ X e existe uma função f com domı́nio {y ∈ X : y ≤ x} tal que f (z) = b onde ϕ({z 0 : z 0 < z}.

3. Considere não são sobrejetoras. enquanto  −1 x x f (s−n ) se sx−n está definido e pertence a B negativos vão indicando de • s−(n+1) = g −1 (sx−n ) se sx−n está definido e pertence a A onde ele veio (via f −1 ou x g −1 ). Demonstração. pela definição de A. Defina seguinte forma: números • sx0 = x positivos vão indicando f (sxn ) se sxn ∈ A  para onde um ponto vai x • sn+1 = (via f ou g. Note que isso é uma contradição. terminamos. pela definição de A. Note que. pode acon- de lugar algum. Seja X um conjunto. Mas como as funções Note que sz pode não estar definido para todo z ∈ Z. Com isso. Logo. existe x ∈ X tal que f (x) = A. • Se sxz ∈ A é o menor z definido. S = S . Uma aplicação simples do próximo resultado é que sempre podemos au- mentar os tamanhos: Proposição 1. • Se x ∈ / A. 24 CAPÍTULO 1. então. já que: • Se x ∈ A. mos. daı́ para- tecer que S x = S y mesmo com x 6= y). sejam syz = sxk . temos que x ∈ f (x) = A.3. então f induz uma bijeção (já que é sobrejetora).10. . f induz uma bijeção. então g induz uma bijeção (já que é sobrejetora). De fato. Para ver como obter o caso geral a partir desse. Vamos provar o resultado supondo que A ∩ B = ∅. PREÂMBULOS Demonstração.3. pois é sobrejetora. veja o Alongamento 1. de onde le está). Suponha que exista f : X −→ ℘(X) sobrejetora. então. Temos alguns casos: • Se sxz está definido para todo z. dependendo g(sxn ) se sxn ∈ B. um S x = {sxz ∈ A ∪ B : z ∈ Z e sxz está definido} ponto pode não ter vindo Note que (S x )x∈A∪B forma uma partição sobre A ∪ B (cuidado. • Se sxz ∈ B é o menor z definido. temos que x ∈ / f (x) = A. Então não existe f : X −→ ℘(X) função sobrejetora. Seja Pense essa construção da x ∈ A ∪ B. Defina A = {x ∈ X : x ∈ / f (x)} Como f é sobrejetora. y x y x então sz+m = sk+m para qualquer m ∈ Z. se mostrarmos que |S x ∩ A| = |S x ∩ B|.

4. Se ela já tem tal propriedade. não va- mos considerar conjuntos Demonstração. Note que. Também vamos usar nesta seção os seguintes fatos. Seja C uma famı́lia de circunferências tal que não existe 3 3 S f : C −→ R sobrejetora. para todo x ∈ X.3. temos que a sequência (xn )n∈ω dos centros das circunferências (Cn )n∈ω é uma sequência de Cauchy e. fica um pouco mais fácil depois que tivermos cardinais definidos mas.3. Seja C0 ∈ C. porque ajuda bastante nesta demonstração.3. então. • |R>0 | = |R|. Seja x o menor com tal propriedade. Comecemos com um lema: Lema 1.3. MUITOS TAMANHOS 25 Uma aplicação com circunferências Essa aplicação foi tirada de Nesta seção. Dado X um conjunto. que serão facilmente provados com o material que veremos depois: • |R| = |R3 |. Seja r1 o raio cunferência. Não duas disjuntas tal que C = R2 . como C0 ∩ C1 = ∅. em trivialidades.5.1. TAMANHOS. .8). o que precisamos de cardinais é o seguinte resultado: Proposição 1. Note que se C é uma circunferência tal que x ∈ C. Se existe p ∈ R r C. vamos apresentar uma aplicação do que temos até aqui. Continuando este processo. Seja P = {π ⊂ R3 : π é um plano tal que x ∈ π}. S existe uma famı́lia C de circunferências duas a Para efeitos de não cair Proposição 1. então existe uma cir- cunferência C tal que p ∈ C e C ∩ C 0 = ∅ para todo C 0 ∈ C. e X. temos que C ∩ Cn 6= ∅ para algum n. portanto convergente para algum x ∈ R. Seja  uma boa ordem qualquer sobre X. contradição. Se não. de C1 . Note Fazer alguns desenhos que não existe uma função sobrejetora de C em P (basicamente. Sejam x0 e r0 o unitários como uma cir- centro e o raio respectivamente de C0 . Suponha que exista tal famı́lia.3. Demonstração. Demonstração. essen- cialmente. existe x ∈ X tal que existe uma bijeção entre {y ∈ X : y ≺ x} e X. Ela [2]. existe uma boa ordem ≤ sobre X Digamos que essa seja uma tal que.6. {y ∈ X : y ≺ x} induz uma boa ordem sobre X (veja Alongamento 1. terminamos. não existe uma sobrejeção entre {y ∈ X : y < x} ótima ordem. r1 < r20 . A situação muda bem quando passamos para o R3 . Note que. Seja C1 tal que x0 ∈ C1 .

Seja p ∈ π r S (existe por |π| = |R|) e seja r ⊂ π uma reta contendo p.3. como cada circunferência está contida num único plano. Vamos provar esse não tem pontos em comum com qualquer uma das circunferências anteriores. Note que temos as condições satisfeitas facilmente. 26 CAPÍTULO 1. |C|. uma destas circunferências. • Não existe y < z tal que z ∈ Cy . Temos dois casos. sultado: se um conjunto é A quantidade de circunferências contidas em π e que tangenciam r no ponto infinito. podemos continuar esse pro- cesso para todo z ∈ R3 . então Cy ∩ Cy0 = ∅. Demonstração. Seja Cx uma circunferência qualquer que contenha o ponto x. S Existe uma famı́lia C de circunferências duas a duas 3 disjuntas tal que C = R . . então y ∈ Cy . dois pontos. Logo.6. Como cada ponto de S determina. se conseguimos garantir tais condições. Vamos verificar isso. podemos tomar uma circunferência C dos os subconjuntos finitos tangenciando r no ponto p que não contém qualquer ponto de S e. de X. não é verdade que C ⊂ π. Assim. temos que |S| ≤ Aqui usamos o seguinte re. existe Cz circunferência satisfazendo as condições desejadas. note que {Cy : y < z} e z satisfazem as condições do Lema 1. Assim. Considere ≤ uma boa ordem sobre R3 com a propriedade apresentada na Proposição 1. resultado mais adiante. no onde F é o conjunto de to. máximo. no máximo. então Cy ∩ Cz = ∅.7. (ii) se y < z e Cy 6= Cz . Assim. Considere C = {Cx : x ∈ R3 }. Seja x o menor ponto de R3 segundo essa ordem. Proposição 1. então |X| = |F| p é igual a quantidade de pontos de R. para qualquer C ∈ C. y 0 < z e Cy 6= Cy0 . portanto. PREÂMBULOS |P | = |R3 |). • Existe y < z tal que z ∈ Cy . Como cada C ∈ C intercepta π em. Agora seja z ∈ R3 um ponto qualquer e suponha definida Cy circunferência para todo y < z de maneira que: (i) se y < z. existe π ∈ P tal que. Vamos mostrar que existe uma circunferência Cz de maneira que: (i) z ∈ Cz . Considere S = {p ∈ π : existe C ∈ C tal que p ∈ C}.4.3.3. Note que essa é a cobertura que pro- curávamos. Neste caso. basta fazer Cz = Cy . (ii) se y.

(a) Mostre que toda ordem total é um reticulado. (b) Mostre que [a.3. Dizemos que (A.3. (c) Conclua o resultado. Entre eles. b] com a ordem usual de R é um reticulado completo. existe o supremo do conjunto {a.2 onde as funções apresentadas são sobrejetoras em vez de injetoras.3. Este é um um roteiro para mostrar que. b} (normalmente denotado por a ∨ b) e e também o ı́nfimo (denotado por a ∧ b).9. Mostre que. Seja f : X −→ Y função sobrejetora. para a. Exercı́cios Exercı́cio 1. b ∈ Y é uma boa ordem sobre Y . Sejam f : A → B e g : B → A injetoras.3. Mostre que  dada por a  b se f −1 (a) ≤ f −1 (b) para todo a. Dizemos que uma ordem (A. TAMANHOS. vamos apresentar alguns resultados envolvendo reticu- lados. 0) : a ∈ A} e B 0 = {(b. Mostre que existe g : Y −→ X injetora. vamos apresentar um teorema de Tarski ([6]) e.10. existe o supremo e o ı́nfimo se. 1}). (b) Mostre que |A| = |A0 | e |B| = |B 0 |. Enuncie e prove o análogo ao Teorema 1. Seja ≤ uma boa ordem sobre X e seja f : X −→ Y bijeção. Exercı́cio 1.12. Na sequência.3. Alongamento 1.3. ≤) é um reticulado completoW V para todo B ⊂ A. Sejam A e B conjuntos.2).1. MUITOS TAMANHOS 27 Alongamentos Alongamento 1. dado X conjunto qualquer.11. (a) Considere os conjuntos A0 = {(a. Note que tais conjuntos são disjuntos. 1) : b ∈ B}.8. b ∈ A. se vale o Teorema de Cantor-Bernstein-Schoroeder para conjuntos disjuntos.13.3. uma nova demonstração do Teorema de Cantor- Bernstein-Schroeder (Teorema 1. Alongamento 1. como aplicação de tal teorema. Alongamento 1. Denotamos por B A o conjunto de todas as funções da forma f : A −→ B. |℘(X)| = |2X | (considere 2 = {0. então vale para o caso geral. . de B (denotados por B e B respectivamente).3.3. ≤) é um reticulado se.

(a) Note que (℘(X). 1]] ⊂ [c. isto é. W W (g) Considere 1 = A. então f (a) ≤ f (b). (j) Conclua que F é completo. para todo b ∈ B. 1] → [0. Ou seja. de f contı́nua. Seja f : A → A monótona não decrescente. Seja (A. Note que c ∈ B. b] = {x ∈ A : a ≤ x e x ≤ b}. 28 CAPÍTULO 1.3. 1].3. (d) Note que s é um ponto fixo. b ∈ A.16.3. ⊂) é um reticulado completo. além de f ter pontos fixos. 1] e obter um ponto fixo de f 0 (e. (f) De maneira análoga. ≤) um reticulado completo. podemos considerar f 0 como a res- trição de f a [c. W (c) Seja s = B. Note que nem precisamos Exercı́cio 1. mostre que existe i ponto fixo minimal (e menor que todo outro ponto fixo). Exercı́cio 1. se a ≤ b e A é completo. (b) Mostre que. Exercı́cio 1. Mostre que.14. Seja C ⊂ F . Note que B 6= ∅. (e) Note que não existe ponto fixo maior que s (e que s é maior que todo outro ponto fixo). então [a. f (b) ∈ B. Seja f : [0. Este é um roteiro para mostrar que o conjunto F = {a ∈ A : f (a) = a} dos pontos fixos de f é um reticulado completo. se a ≤ b. 1].15. portanto de f ) que é menor que todos os outros pontos fixos em [c. o conjunto de tais pontos admite máximo e mı́nimo. 1] função monótona não decrescente. Mostre que s ∈ B. (c) Seja F ⊂ X ponto fixo de ϕ. . b] é um reticulado completo. (b) Mostre que ϕ : ℘(X) → ℘(X) dada por ϕ(A) = X r (g[Y r f [A]]) é uma função monótona não decrescente. denotamos por [a. Seja c = C. (a) Considere B = {a ∈ A : a ≤ f (a)}. Sejam f : X → Y e g : Y → X injetoras. Mostre que i : X → Y dada por  f (x) se x ∈ F i(x) = −1 g (x) se x ∈ X r F é uma bijeção entre X e Y . PREÂMBULOS (c) Dados a. (h) Note que f [[c. Mostre que. (i) Note que o ponto fixo do item anterior é o ı́nfimo de C.

dizemos que ∈ é uma boa ordem Note que.Capı́tulo 2 Ordinais. pelo mesmo motivo. Agora.T temos que X ⊂ α e. portanto. E. vamos apresentar certos conjuntos que. Se x ∈ α. como ∈ bem ordena α. ω ∪ {ω} também é um ordinal. então x é um ordinal. no sentido de ordem Mais que isso. b tais que a ∈ b e b ∈ x. T Proposição 2. a ∈ x. Dizemos que α é um ordinal se ele é transitivo e bem ordenado por ∈.1 Ordinais Já vimos que boa ordem é algo bastante importante neste texto. como cada ordinal é transitivo. temos que b ∈ α. dado α ∈ X. pelo que provamos anteriormente. Proposição 2. cardinais e outros 2. Então X é um ordinal. de alguma forma. Como α é transitivo. Só precisamos mostrar que x é transitivo. Assim. com a definição formal. E.1. Demonstração. Basta notar que intersecção de conjuntos T transitivos é um conjunto transitivo e que. 29 . Para ficarmos difı́cil de ver.1. então todo elemento seu também precisamos trabalhar com é bem ordenado por ∈. Cuidado aqui. Sejam a. Como ∈ é uma ordem sobre α. Seja X um conjunto não vazio de ordinais. Demonstração. ∈ bem ordena X. Seja α um ordinal. Note que.1. são representantes canônicos de todas as boas ordens possı́veis: Definição 2. temos que esta é uma relação transitiva e. cada n ∈ ω é um ordinal.3. não é muito estrita.1. portanto.2. a ∈ α. o próprio conjunto ω também é um ordinal. podemos provar: “∈ ou igual”.

Demonstração. temos que β ⊂ γ e. . Então β ⊂ γ. Por outro lado. CARDINAIS E OUTROS Na sequência. temos dois casos: • ξ = γ.21). Sejam α. como γ. Podemos supor que γ seja o menor com tal propriedade. temos β ∪ {β} ∈ α. Mas isso é uma contradição pois neste caso temos γ ∈ β. costumamos denotar por α + 1 tal conjunto.1.exista γ ∈ α seja tal que γ é o menor tal que β ∈ γ. Então γ = β ∪ {β}.1. Ainda mais. como ∈ é uma ordem total sobre α. Seja ξ ∈ β. Então. Como γ é um ordinal. Se α = β + 1 para algum β ordinal. como ∈ é uma ordem total sobre α. temos que γ ⊂ β ∪ {β}. pelo resultado anterior. Note também que ω é um ordinal limite (veja o Alongamento 2. recer mais natural. Os resultados anteriores nos motivam a denotar α ∪ {α} como s(α) (se α é um ordinal).1. temos que γ = β ∪ {β} contrariando o fato que γ ∈ α e β ∪ {β} ∈ / α. 30 CAPÍTULO 2. Suponha que no lugar de ∈ para ele pa. Com isso. dado ξ ∈ γ. Note que ξ. como ∈ é uma ordem total sobre α. Caso contrário. temos a seguinte definição: Definição 2. temos ξ ∈ β ou ξ = β. Demonstração. dizemos que α é um ordinal sucessor. temos pela minimalidade de γ que dade dos ordinais. Leia esse enunciado com < Proposição 2. Seja β ∈ α tal que β ∪ {β} ∈/ α. β ∪ Note que pela transitivi. Seja α um ordinal.7. Lema 2. Note que β ∪ {β} ⊂ α.1.{β} ⊂ γ. Suponha que não. contrariando a definição de γ. γ ∈ α.4. portanto. vamos provar alguns resultados técnicos para ordinais.5. terı́amos que β = γ ou γ ∈ β. Seja α um ordinal. que todos os elementos Desta forma. Ou seja. aqui pertencem a α. Demonstração. β e γ ordinais tais que β ⊂ α e γ ∈ α r β. Proposição 2.1. Um dos objetivos é formalizar indução e boa ordem sobre ordinais. ORDINAIS. dizemos que α é um ordinal limite. se β ∈ / γ. Logo. Suponha que exista γ ∈ α r (β ∪ {β}). temos β ∈/ ξ. Comecemos com a ideia de sucessor de um ordinal. para todo β ∈ α. Note que β ∈ γ (de fato. Vamos provar que ξ ∈ γ. Note que todo n ∈ ω não vazio é um ordinal sucessor. β ∈ α. Então α = β ∪ {β} para algum β ou.6. Sejam α e β ordinais tais que β ∈ α. Mas ambos esses casos contrariam o fato que γ ∈ α r (β ∪ {β})).

Seja ϕ uma fórmula tal que. contrariando o fato que γ ∈ / B. Caso contrário. Sejam α. temos que vale ξ ⊂ β ou β ⊂ ξ Note que se. Demonstração. Da mesma forma que ocorre com os elementos de ω. contrariando o fato que γ era o menor com tal propriedade.1. temos que γ 0 ∈ α r β. Note que. Com isso.8. Assim. temos que β ⊂ γ. vale Estamos usando aqui o ϕ(ξ). Então vale α ⊂ β ou β ⊂ α. ORDINAIS 31 • γ ∈ ξ. Ou seja. pela hipótese de indução. para todo α ordinal.1. podemos provar que quaisquer dois ordinais são comparáveis com relação a ⊂: Proposição 2. temos que ξ ⊂ β. Pelo lema anterior. temos que. β ordinais. por hipótese.9 (Indução para ordinais). Então β = α ou β ∈ α. terı́amos dois casos: ξ = β ou ξ ∈ β.10. Logo.1. pois isso também implica que γ ∈ β. temos que para todo ξ ∈ α. pelo Lema 2. . Vamos mostrar que γ = β (note que isso implica que β ∈ α como queremos). Sejam α e β ordinais tais que β ⊂ α. Suponha β 6= α. então ϕ(α).1. Demonstração. existe ξ ∈ α tal que β ⊂ ξ. fixe β ordinal e suponha que. temos a seguinte tradução: Lema 2. Ou seja.1. seja γ = min(α r B). Defina B = {ξ ∈ α : ϕ(ξ)}. temos que ϕ(β) para β ∈ α. Então existe γ 0 ∈ γ r β. Demonstração. para todo ξ ∈ γ. Vamos provar a afirmação por indução sobre α. temos que vale ϕ(α). para todo ξ ∈ α. Seja α um ordinal qualquer. temos que β ⊂ α já que ξ ⊂ α pela transitividade. Note que o primeiro caso nunca ocorre já que estamos supondo β 6⊂ ξ para todo ξ ∈ α. temos que ϕ(α).2. Para cada ξ ∈ α. Mas isso nada mais é que dizer α ⊂ β. podemos supor que para todo ξ ∈ α. β 6⊂ ξ.8. Logo. vale ϕ(γ). ocorre o segundo caso: ξ ∈ β. se para todo α ordinal. Teorema 2. Seja γ ∈ α r β. Então. Se B = α então. mı́nimo com relação ao ∈. por hipótese. para todo ξ ∈ α. Podemos supor γ o menor com tal propriedade. como γ ⊂ α. Mas isso é uma contradição. Suponha que não. Desta forma.

temos que β ⊂ α. basta lembrar que ∈ conjunto é uma classe.11 (Boa ordem para ordinais). onde cada mitido). temos que provamos que a fórmula vale ψ(α. Demonstração. tomamos α = min{η ∈ ξ : ϕ(η)}. o que é uma contradição. Então existe uma fórmula ψ também do tipo função tal que. b) se. a inclusão funciona como uma boa ordem: A ideia é que se certa pro. CARDINAIS E OUTROS Mais do que funcionar como uma ordem total para os ordinais. b) se.ou seja. Suponha que A seja o conjunto de todos os ordinais. Se não existe η ∈ ξ tal que vale ϕ(η). diremos que ela é uma classe própria. tomamos α = ξ. b). Também utilizaremos a notação min como se ∈ fosse uma ordem comum. ψ 0 (α. Precisamos mostrar que α ⊂ β. A formalização aξ é tal que vale ψ(ξ. para todo ordinal α e todo conjunto b. Mas Formalmente. temos que β ∈ α ou β = α. Logo. . Suponha que não. nor ordinal que a satisfaz. b). se β é um ordinal tal que ϕ(β).α tal que vale ϕ(α) e. vale ψ(α. Com isso.1.13 (Recursão para ordinais). Assim. Então existe um ordinal ordinal. muitas vezes vamos denotar por < quando queremos dizer ∈ com relação a ordinais. e somente se. temos que. Seja ξ ordinal tal que vale ϕ(ξ). Note que. A coleção de todos os ordinais não forma um conjunto. tal enunciado. todo disso. Teorema 2. dada um fórmula ϕ sobre conjuntos. de ordinais. que A ∈ A contraria o axioma da fundação. Caso contrário.10. temos infinitos teoremas. para fórmulas (o que não é per.12. Demonstração. Seja β um ordinal tal que vale ϕ(β). Seja ϕ uma fórmula do tipo tamos quantificando sobre função. e somente se. chamamos a coleção note que nem precisamos de todos os conjuntos que a satisfazem de uma classe. ψ apresentada satisfaz o enunciado . Além disso.1. para indicarmos que uma classe não é um é uma ordem estrita dentro conjunto. Uma observação importante a ser feita é que não podemos dizer que ∈ é de fato uma boa ordem sobre os ordinais basicamente por que os ordinais não formam um conjunto: Proposição 2.1. Mas ambos implicam em contradição. Claramente.1. vale ϕ((aξ )ξ<α . ORDINAIS. A ∈ A. Então. Note Aqui você poderia dizer que A é também um ordinal. assim. Também é possı́vel fazer recursão sobre ordinais: Aqui pode parecer que es. então existe o me. Seja ϕ uma fórmula sobre priedade vale para algum ordinais tal que pelo menos um ordinal a satisfaça. todo ordinal α. se ψ 0 é outra fórmula satisfazendo é: para cada fórmula ϕ. aξ ). então α ⊂ β. Desta forma. 32 CAPÍTULO 2. podemos provar que “∈ ∨ =” funciona como uma boa ordem sobre os ordinais. pela Proposição 2.Teorema 2.

é um elemento dele. Agora suponha que o resultado vale para todo ξ < α. Proposição 2. Vamos terminar esta seção mostrando que os ordinais representam (de forma única) cada boa ordem: Definição 2. obtemos que α ⊂ β como querı́amos. Demonstração. b) e. Veja o Exercı́cio 2. vamos usar que todo segmento inicial de um ordinal é um ordinal e que. portanto.1. b) a afirmação: Existe uma sequência (aξ )ξ∈α tal que vale ϕ((aξ )ξ∈α . Ou seja.25. ξ ∈ γ ou ξ = γ. A = γ para algum γ ∈ β. Considere ψ(α. Dizemos que f : X −→ Y é um isomorfismo de ordem se f é bijetora e f (a) ≤ f (b) se. Se α = ∅. então claramente o resultado vale. Na próxima demonstração. Vamos então mostrar que existe alguma ψ. onde A ⊂ β. Seja X um conjunto bem ordenado. Note que A é um segmento inicial de β e. A parte da unicidade segue facilmente da “boa ordem” sobre os ordinais (exercı́cio). e apenas um. temos que ξ ⊂ γ.1. então α = β. Vamos provar por indução sobre α o seguinte resultado: se existe f : α → β isomorfimo de ordem. para todo ξ ∈ α. Seja ξ < α. Sejam α e β ordinais.2.1. Então existe um.16.1. Ambos os casos implicam que ξ ∈ β e. Por indução. ordinal α tal que existe f : X −→ α isomorfismo de ordem.1. portanto. Para a existência. portanto. Suponha que exista f : α → β isomorfismo de ordem.15. e somente se. Se existe f : α −→ β isomor- fismo de ordem. ORDINAIS 33 Demonstração. . Sejam X e Y conjuntos ordenados. Teorema 2.14. Pela hipótese de indução. pode-se mostrar que ψ está bem definida e que é do tipo função como gostarı́amos. aξ ). vale ϕ((aη )η∈ξ . basta definir f recursivamente como f (x) = min{β : ∀y < x f (y) < β}. Demonstração. Note que f  ξ : ξ → A é um isomorfismo de ordem. A unicidade segue do resultado anterior. então α ⊂ β (note que isso é suficiente já que depois é só trabalhar com a inversa). a ≤ b.

18. são definidos de forma análoga aos intervalos de A menos de menção contrária. um espaço topológico. α] = [0. estaremos adotando a topologia da ordem. Note que existe ξ tal que ]ξ.1. há uma topologia bastante natural sobre ele. E. Alongamentos Alongamento 2.21. C 0 ∪ {C} é uma subcobertura finita para [0. então. Alongamento 2. ξ + 1 <Sβ. Seja β tal que α = β +1.20. existe C 0 ⊂ C finito tal que ξ + 1 = [0. Vamos mostrar por indução sobre α.5: Proposição 2. Mostre que todo n ∈ ω não nulo é um ordinal sucessor. . ξ[ para todo ξ. temos que [0. Mostre que no Teorema 2. Note. β] ⊂ C.22. O seguinte resultado usaremos implicitamente diversas vezes ao longo do texto . α será um compacto adicionado de um ponto). Se β ∈ α. Alongamento 2.1. Se α é um ordinal limite diferente de 0. terminamos (afinal.1. para todo α ordinal.1.1. Proposição 2.note que ele é apenas a Proposição 2.19. então β + 1 ∈ α. Dado um ordinal α. η[ e [0. então α não é compacto. Mostre que. Demonstração. Se β for sucessor.1. β] = α. η ∈ α. Por hipótese de indução.1. chamamos de topologia da ordem Os intervalos de ordinais a topologia gerada pelos conjuntos da forma ]ξ. então α é compacto. Mostre que ω é um ordinal limite. 34 CAPÍTULO 2. Finalmente. sempre que tomarmos um ordinal como reais.17. α + 1[. Demonstração. CARDINAIS E OUTROS Ordinais compactos Fixado um ordinal α. Se α é um ordinal sucessor. Seja C uma cobertura por abertos para α.16 o isomorfismo também é único. Seja C ∈ C tal que β ∈ C. β + 1[: β ∈ α} é uma cobertura aberta sem subcobertura finita.1. a topo- logia da ordem: Definição 2. Suponha que β não seja sucessor.23. Basta notar que {[0. como β é limite.1. ξ] ⊂ C 0 . ORDINAIS. Seja α ordinal limite. podemos caracterizar os ordinais limites topologicamente: Proposição 2.

Exercı́cio 2.1. Considere ω com a seguinte ordem: se a. (a) Mostre que  é uma boa ordem. existem abertos A. Exercı́cio 2. Exercı́cio 2. Exercı́cio 2. e somente se.1. se X é um conjunto. isto é. não existe uma função com domı́nio X e sobrejetora nos ordinais.1.1.27. . dados dois pontos x.2.1. Mostre que num ordinal α.1. B disjuntos tais que x ∈ A e y ∈ B. Exercı́cio 2. Seja α um ordinal e seja A ⊂ α um segmento inicial de α. Cha- mamos de ordem lexicográfica a seguinte ordem sobre Y X : f < g se f (x) < g(x) onde x = min{z ∈ X : f (z) 6= g(z)}.25. Mostre que. se {x} é aberto. Mostre que a coleção dos ordinais sucessores é uma classe própria.30. então α ∈ A.24.1.29.1. (b) Mostre que A ∈ α.31. Exercı́cios Exercı́cio 2. b 6= 0.1. (b) Considere ω ω com a ordem apresentada acima. a ≤ b (≤ é a ordem usual) e a ≤ 0 para todo a ∈ ω. Exercı́cio 2.32. ORDINAIS 35 Alongamento 2. (a) Mostre que A é um ordinal. Sejam X bem ordenado e Y totalmente ordenado. os únicos pontos isolados são x é dito um ponto isolado os sucessores e o 0. então a  b se. (b) Mostre que ω com esta ordem é isomorfo a ω + 1. y distintos. Mostre que se α = sup A. Mostre que não existe um conjunto ilimitado nos ordi- nais. Mostre que A ⊂ ω ω onde A = {f ∈ ω w : ∃n f (n) 6= 0} não admite mı́nimo. Mostre que todo ordinal é um espaço de Hausdorff.1.28. Exercı́cio 2.26. (a) Mostre que isso é de fato uma ordem e mostre também que tal ordem é total.

Verifique se é verdadeira a afirmação “ω + 1 = 1 + ω”.1. De maneira análoga.2 de é apresentar algumas construções recursivas e também fazer uma aplicação [4]. CARDINAIS E OUTROS (c) Conclua que. Fixado α ordinal. Nosso intuito com ela inspirada na Seção 10. que está no final desta seção. Mostre que: (a) f (sup A) = sup{f (a) : a ∈ A} para todo A conjunto de ordinais. • α · β = (α · γ) + α se β = s(γ). Seja f uma função normal. Mas é melhor ressaltar que depois desta seção. Sejam α e β ordinais. Comecemos com a definição da soma ordinal. definimos α + β recursivamente da seguinte forma: • α + 0 = 0. (c) dado β ordinal. 36 CAPÍTULO 2. Defina α + β como o único ordinal que é isomorfo a ({0} × α) ∪ ({1} × β) com a ordem lexicográfica. podemos definir o produto ordinal. (b) f (α) ≥ α para todo α. interessante. Fixado α um ordinal. Exercı́cio 2. 2. Fica o aviso aqui porque ambas têm a mesma notação. Fixado α um ordinal.33. Exercı́cio 2. mesmo que Y seja bem ordenado.2 Uma aplicação de aritmética ordinal Essa seção é livremente Nesta seção vamos apresentar a aritmética ordinal. S • α · β = γ∈β (α · γ) se β é um ordinal limite diferente de 0. s(ξ) = ξ ∪ {ξ}. Lembrando aqui que • α + β = s(α + γ) se β = s(γ). não temos que a ordem acima é uma boa ordem. Dizemos que uma função de ordinais em ordinais é uma função normal se f (α) < f (β) se α < β e f (α) = sup{f (β) : β < α} se α é limite e diferente de ∅. S • α + β = γ∈β (α + γ) se β é um ordinal limite diferente de 0. ORDINAIS.1.34. utilizaremos sempre a aritmética cardinal (ainda a ser definida). existe α ≥ β tal que f (α) = α. a exponenciação ordinal também pode ser definida recursivamente: . definimos: • α · β = 0.

daı́ fazemos: 0 22 +20 +20 20 +20 521 = 22 + 22 + 20 Agora o processo terminou. Dizemos um número n ∈ ω está escrito recursivamente na base b se n está escrito na base b. com b ≥ 2. Por exemplo.. arrumamos: 3 +20 1 +20 521 = 22 + 22 + 20 Apareceu um novo 3.. • a função pb retorna o valor obtido na conta acima. S γ∈β Com isso. considere a função pb : ω → ω que faz o seguinte processo: • pb recebe um número n. Note podemos fazer isso em qualquer base fixada. Ele escrito na base 2 fica 521 = 29 + 23 + 20 Mas os expoentes 9 e 3 não estão escritos na base 2. UMA APLICAÇÃO DE ARITMÉTICA ORDINAL 37 • α0 = 1. 0 < δi < α para todo i e tais que 0 β = αγ · δ0 + αγ1 · δ1 + · · · + αγk−1 · δk−1 Vamos agora a uma aplicação em teoria dos números. γk−1 e delta0 . • αβ = αγ · α se β = s(γ). é possı́vel provar o seguinte resultado: Teorema 2. . considere o número 521. Sejam α e β ordinais tais que 1 < α ≤ β.. • escreve o número n recursivamente na base b. . δk−1 com γ0 > γ1 > · · · > γk−1 .2.1 (Forma normal de Cantor). assim. cada expoente também está escrito na base b.. Para cada possı́vel base b ∈ ω.2.. Existão existe um único k ∈ ω e únicos ordinais γ0 . • αβ = αγ se β é um ordinal limite diferente de 0. cada expoente de cada expoente também etc.2.. . • substitui cada ocorrência da base b por (b + 1) e faz a conta.

3.  pn+1 (gk (n)) − 1 se gk (n) > 0. 31 +30 0 1 0 p2 (521) = 33 +3 + 33 +3 + 30 = 1.844.678. CARDINAIS E OUTROS Por exemplo. Fixado b ≥ 2. Pb é feita da mesma maneira que pb . r < bt .491 ≈ 13 · 1038 Recursivamente. Finalmente.4 (Goodstein). • gk (n + 1) = 0 caso contrário Teorema 2.38 CAPÍTULO 2. definimos as sequências de Goodstein recursivamente para cada k ∈ ω: • gk (1) = k.2. • pb (kbt + r) = k(b + 1)pb (t) + pb (r) para k < b. podemos definir pb : ω → ω da seguinte forma: • pb (k) = k se k < b. Lema 2. um ordinal: • Pb (k) = k se k < b.330.113. dados n < m temos que Pb (n) < Pb (m). • Pb (kbt + r) = ω Pb (t) · k + Pb (r) para k < b. .857. t ≥ 1. Dado k ≥ 1.464.2. ORDINAIS.729.309.891. Intuitivamente falando. r < bt . lembrando que já fizemos a expansão acima.449. t ≥ 1. Vejamos o exemplo que fizemos anteriormente: ω 1 +ω 0 0 1 0 Pb (521) = ω ω +ω + ω ω +ω + ω 0 ω ω+1 +1 = ω + ω ω+1 + 1 Vejamos algumas propriedades auxiliares sobre essas funções: Lema 2.748. temos que Pb+1 (pb (k)) = Pb (k). Fixado b ≥ 2 e dado k ∈ ω. Vamos agora definir uma função muito parecida em sua construção.2.2.279. com a diferença que trocamos as ocorrências da base b por ω (em vez de b + 1) e invertemos a ordem usual na multiplicação. mas que associa a cada natural. existe n ∈ ω tal que gk (n) = 0.

3 nos dá uma maneira alternativa de computar o lado direito da desigualdade acima: Pn+2 (pn+1 (gk (n))) = Pn+1 (gk (n)).1) Suponha que gk (n + 1) > 0. o que é uma contradição com a boa ordem. Então.1) é uma sequência decrescente infinita de ordinais. temos que Pn+2 (gk (n + 1)) = Pn+2 (pn+1 (gk (n)) − 1) Note que o Lema 2. Já o Lema 2. temos que a sequência em (2.2.2. se gk (n) > 0 para todo n. logo Pn+2 (pn+1 (gk (n)) − 1) < Pn+2 (pn+1 (gk (n))). em 1982. Considere a seguinte sequência: Pn+1 (gk (n))n∈ω (2. Kirby e Paris provaram em [5] que algo do tipo é necessário: esse teorema não decorre dos axiomas de Peano. Essa demons- tração faz uso de ordinais e depois. UMA APLICAÇÃO DE ARITMÉTICA ORDINAL 39 Demonstração.2 diz que Pn+1 é uma função crescente. Assim. .2. Ou seja Pn+2 (gk (n + 1) < Pn+1 (gk (n)). pela definição de gk (n + 1).2. O teorema acima foi provado por Goodstein em 1944 ([3]).

CARDINAIS E OUTROS . ORDINAIS.40 CAPÍTULO 2.

1.2.17 Verifique os axiomas na ordem em que eles foram listados aqui. 41 .14 Considere o conjunto das “funções escolhas parciais”.1. 1.25 b Note que A 6= α por ser segmento inicial. 2.Dicas de alguns exercı́cios 1.

ORDINAIS. CARDINAIS E OUTROS .42 CAPÍTULO 2.

Soluções de alguns exercı́cios 43 .

CARDINAIS E OUTROS . ORDINAIS.44 CAPÍTULO 2.

[3] R. [6] A. Blass. Cambridge University Press. 1955. Pacific Journal of Mathematics. The Journal of Symbolic Logic. [2] K. [5] L. 1997. 1982. A lattice-theoretical fixpoint theorem and its applications. 9(2):33–41. 1984. 14(4):285–293. L. Tarski. Set theory for the working mathematician. Cambridge. Ciesielski. Bulletin of the London Mathematical Society. Discovering Modern Set Theory. Goodstein. Kirby and J. 5:285–309.Referências Bibliográficas [1] A. I. 1944. volume 39 of London Mathematical Society Student Texts. Weese. 45 . Paris. Existence of bases implies the axiom of choice. 31:31–33. On the restricted ordinal theorem. [4] W. Just and M. Accessible Independence Results for Peano Arith- metic. Contemporary Mathematics.

10 .Notação ω. 12 ℘(x).

18 mı́nimo. 18 inicial transitivo segmento. 17 totalmente. 21 paradoxo de. 12 escolha Recursão Axioma da. 14 múltiplas escolhas. para. 12 boa ordem total. 17 Indução total boa ordem. das. de. 9 conjunto Princı́pio transitivo. 20 boa ordem. 18 Zorn Lema de. 12 boa. 12 boa ordem ordem. 9 função restrição. 18 paradoxo compatı́veis. 17 conjunto. 21 Russell função. 13 indução finita.Índice Remissivo Axioma axioma das. 13 Lema ZFC. 20 escolha. 17 axioma da. 17 Russell. da. 14 indução finita totalmente Princı́pio da. 10 função. 17 indução. 20 restrição esquema. 17 ordem. da. 18 axioma maximal. de. da. 12 ordenado. 20 majorante. 18 cadeia. 12 múltiplas escolhas . 14 Indução para. 17 ordenado Recursão para. 18 escolha. 20 minorante. 21 segmento inicial. 9 Zorn. para. 20 ordem.