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11/05/2017 Tráfego e trânsito de veículos e pessoaso

9 ­ DEFENSA
Barreira de Concreto Armado para Segurança do Veículo e de Pessoas.

SEM CONTROLE:

Veículos automotores terrestres (automóveis, peruas, pick­ups, caminhões, ônibus, carretas etc.) ficam
desgovernados sem avisar.

O estouro de um pneu é uma situação em que o veículo fica desgovernado (sem controle) e é considerada
normal (prevista em norma) sendo um Evento Esperado, tanto é que todo veículo transporta um estepe para
substituir o pneu furado e também um macaco para que o próprio motorista faça a substituição.

Outras causas, além do estouro de pneus podem ser: derrapagem (óleo na pista), animais na pista,
pedestres, aquaplanagem (poça d'água), ofuscamento (farol de veículo em sentido contrário), fumaça densa
(queimada no pasto), neblina, chuva forte, granizo, vento lateral e até distrações consequente de bela
paisagem, outdoors, conversa com passageiros, troca de estação de rádio, regulagem do ar condicionado,
acender o cigarro, etc.

Para proteção do motorista e dos passageiros, os veículos são dotados, e em alguns países são obrigatórios,
de air­bags e outros dispositivos para a segurança do veículo e de seus ocupantes.

Trafegando por uma via (estrada, avenida ou rua), qualquer veículo, com a manutenção em dia ou não, corre
o risco de ficar desgovernado: O estouro de um pneu, uma pequena distração do motorista que foi mudar a
estação do rádio, um vento lateral repentino, uma mancha de óleo na pista, uma poça d'água, um buraco,
uma criança atrás da bola e muitas outras causas podem desgovernar o veículo, fazendo com que o
motorista perca o controle do mesmo.

Para evitar que o veículo desgovernado:

1 ­ atinja componentes instalados na lateral da pista como parada de ônibus, banca de jornal, caixa de
correio, poste de iluminação, poste de sinalização, radares, árvores, placas de orientação, etc;

2 ­ atravesse para a outra faixa em sentido contrário de tráfego;

3 ­ caia para fora de pistas altas localizadas na borda de taludes;

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4 ­ caia para fora de pistas altas localizadas sobre pontes e viadutos;

existe um componente de segurança conhecido genericamente como "DEFENSA" que garantem a segurança,
"segurando" o veículo para que as consequencias do acidente não sejam catastróficas.

Chamamos de dispositivo de "segurança" por que ele "segura" e "impede", ao contrário de uma fita zebrada
amarelo/preto que é um dispositivo "sinalizador" e nunca de "segurança" pois ele sinaliza, indica um perigo mas
não impede.

Segundo o DNIT ­ Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes, defensa ou barreira de
segurança é um dispositivo de segurança com forma, dimensões e resistência capazes de fazer com que
veículos desgovernados sejam reconduzidos à pista causando o mínimo de danos ao veículo, seus
ocupantes e ao próprio dispositivo.

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INVENTOR DA DEFENSA:

No mundo, quem primeiro andou estudando esses componentes de segurança foi o Departamento de Trânsito da
cidade de Nova Jersey, nos EUA, desenvolvendo inúmeras pesquisas sobre o comportamento de veículos e
também de condutores na situação em que ocorre, repentinamente, um fato inesperado como o estouro de um
pneu, uma derrapagem por óleo na pista ou uma simples distração. Mais tarde, a AASHTO ­ American Association
of Stare Highway and Transportation Officials tornou obrigatória, diretrizes e recomendações de muitas conclusões
desstes estudos.

Situações críticas ocorrem com maior frequência em vias de longo percurso pois os condutores ficam submetidos a
uma monotonia que produz sonolências.

Outra situação em que ocorrem distrações frequentes é no trânsito urbano de cidades onde o condutor pode ser
sobrecarregado por outras funções, estranhas à função de "conduzir" o veículo, como orientar passageiros sobre
itinerários, pontos de parada, exercer a função de cobrador (ou trocador), controlar crianças bagunceiras, ajudar o
embarque e desembarque de cadeirantes e portadores de deficiências em geral.

Outra causa bastante frequente de distração são os problemas financeiros, brigas de casais, doenças de filhos que
não deixam a pessoa se concentrar no serviço.

DEFENSA NEY JERSEY:

O componente básico de segurança na via, elaborado pelos estudos em Nova Jersey é a Defensa New Jersey.
Trata­se de um componente rígido, confeccionado com concreto armado de alta resistência e que tem a seguinte
forma padronizada:

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A superfície de deslizamento é constituída de três partes:

a) GUIA: um plano vertical cuja função é redirecionar a roda no sentido longitudinal;

b) RAMPA: um plano inclinado que sustenta a roda e o veículo inclinado tende a voltar para a pista;

c) MURETA: um plano inclinado, quase vertical, que bloqueia o avanço do veículo para o outro lado.

A escolha desta forma foi feita pois ela permite duas coisas:

1 ­ "segura" o veiculo, evitando que saia da pista indo parar na outra pista ou caia em um ribanceira ou caia
de uma ponte ou viaduto;

2 ­ "devolve" o veículo desgovernado, direcionando as rodas no sentido longitudinal da pista.

Naturalmente, a forma final não foi concebida "logo de cara" sendo proposta diversas formas e após incansáveis
testes em campos de prova a forma final foi sendo aperfeiçoada à medida em que se adquiria conhecimento sobre
os fenômenos envolvidos em uma situação de veículo desgovernado.

Duas situações são previstas para a defesa feita pela Defensa New Jersey:

SITUAÇÃO I ­ Veículo desgovernado com pequeno ângulo de ataque:

Nesta situação, o veículo sai do alinhamento da rota com um desvio relativamente pequeno. É o que ocorre,
por exemplo, quando o condutor cansado começa a dar pequenos cochilos ao volante ou o veículo sofre
derrapagem (óleo ou água) num trecho reto.

Ao deslocar­se para a lateral, a roda da frente encosta na "GUIA" ´que é a parte baixa da Defensa,
ocasionando o direcionamento da roda para a direção longitudinal. Observe como é importante a altura de
7,5 centímetros da Guia.

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Tachas instaladas junto à guia produzem trepidações no veículo que fazem o motorista "acordar" do cochilo.

SITUAÇÃO II ­ Veículo desgovernado com grande ângulo de ataque:

No caso do ângulo de ataque ser maior que 100 (dez graus), a roda da frente "sobe" pela Defensa e o veículo
fica inclinado forçando a volta do veículo para a faixa de rolamento:

Para evitar que o veículo desgovernado tenha a chance de desenvolver uma rota com ângulos de ataque
excessivamente elevados, deve­se evitar pistas com muitas faixas de rolamento:

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Recomenda­se pistas com no máximo 3 faixas de rolamento:

Neste caso, a rodovia ficará segregada em diversas pistas, mesmo que o sentido de direção seja o mesmo. A
pista com poucas faixas não permite o desenvolvimento de trajetórias transversais críticas.

Nas pontes e viadutos, é importante a existência de DEFENSA para "segurar" veículos que eventualmente
venham a se desgovernar, quer por colapso próprio, quer por fechadas recebidas ou mesmo por derrapagens
na pista.

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A Defensa em Pontos de Ônibus dá segurança às pessoas evitando não apenas o avanço de veículos como
também de partes do veículo como rodas que escapando do veículo podem atingir as pessoas no ponto. A foto
seguinte mostra um ponto de ônibus na Via Anhanguera que possui proteção por Defensa.

DEFENSA BEM SEGURA:

Para desempenhar adequadamente sua função de "segurar" o baque do veículo desgovernado, a Defensa
deve estar firmemente "agarrada" no solo (ou ponte, ou viaduto). As normas da AASHTO recomendam que

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armaduras de aço sejam chumbadas na base.

A bitola da armadura, a sua quantidade e espaçamento devem ser calculadas por um engenheiro civil com
especialidade em Estruturas levando­se em consideração a velocidade em que ocorreria o choque (isso
depende se o trecho é de subida, plano ou em declive) e a classe da rodovia que determina a velocidade
diretriz e os tipos de veículos como automóveis, ônibus e caminhões.

A norma brasileira NBR­14885 determina que a Defensa (que a norma chama de Barreira de Concreto) deve
suportar a aplicação de uma força no sentido transversal, de dentro para fora, de no mínimo 200 kN (quilo
Newtons) que quer dizer 20.000 kgf ou 20 toneladas, aplicada no topo da Defensa e esse esforço deve ser
transmitido à estrutura da ponte ou ao solo por meio de componentes apropriados de transferência horizontal.
4.1.1 As barreiras de concreto devem ser projetadas de acordo com as disposições da NBR­6118 para resistir a uma solicitação transversal de uma carga
dinâmica concentrada, aplicada na borda supeior da barreira, de dentro para fora da pista, de, no mínimo, 200 kN.

   

É por isso que a Defensa deve ser calculada por Engenheiro Civil com especialização em Estruturas de
Concreto Armado pois deve levar em consideração o peso do veículo, a velocidade e a curvatura da pista e
ser capaz de segurar o impacto de uma força centrífuga (para fora) calculada com base na massa do veículo,
a velocidade do veículo no momento do impacto ao longo de uma curva de raio "r".

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NÃO É PERMITIDO:

A norma não permite aberturas de mais de 50 milímetros (ou 5 centímetros) na Defensa que deve ser
contínua a fim de que a Defensa cumpra o seu papel de devolver o veículo desgovernado à pista. Ver item
4.2.4 da norma NBR­14885.

Situações como a das fotos abaixo são totalmente contra a segurança da via e deve ser imediatamente
eliminada. Um veículo que venha a se chocar de quina irá, certamente, capotar e a defensa que deveria
proteger o veículo será o vilão do desastre e em vez de amortecer o impacto irá causar o capotamento do
veículo. Os responsáveis pela segurança da via, ao constatar falhas deste tipo devem proceder à interdição
imediata da via e ordenar a correção da falha:

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Esta é uma outra situação em que um veículo desgovernado, ao tangenciar a defensa em vez da defensa
proteger e redirecionar o veículo na direção do fluxo irá causa seu rodopio e até seu capotamento:

Nesta situação, um veículo desgovernado, além de enroscar na quina da defensa, poderá ser cortado pelas
lâminas metálicas afiadas.

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A cerca metálica não serve como defensa pois ela não foi feita para suportar esforços transversais. Veja mais
detalhes sobre o Guard­Rail em  .

A norma determina, ainda, que deve haver uma espaço livre entre a Linha de Borda (LBO) que demarca o
limite do leito carroçável e a borda da Defensa (item 4.2.5.1):

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Também determina que entre a LBO e a Defensa não pode haver meio­fio, também conhecida como guia:

Nem valeta de drenagem:

Qualquer desses obstáculos irá favorecer o tombamento do veículo. Veja um caso real de grande perigo pois
a guia existente, antes do veículo atingir a defensa, irá funcionar como um trampolim e vai projetar o veículo
para o alto:

NÃO É DEFENSA:
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NÃO É DEFENSA:

Não pode ser considerada "defensa", simples componentes de sinalização como cones e picolés ou blocos
de concreto simplesmente colocados sobre a pista de rolamento ou componentes frágeis como aqueles
fabricados em material plástico que podem até ter a aparência de uma defensa mas que não possuem a
capacidade de suportar o impacto de um veículo desgovernado.

INTERDIÇÃO IMEDIATA:

Trechos críticos como pontes, viadutos, beira de barrancos, ponto de parada de ônibus e outros deveriam ser
imediatamente interditados para a construção de Defensas Rígidas de Concreto Armado pois são peças
rústicas que não requerem acabamento e são de custo bem baixo e que evitariam muitas mortes:

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Infelizmente, a maior parte das rodovias e vias (rurais e urbanas) brasileiras foram construídas em época que
trafegava carroças puxadas por animais e não estão preparadas para oferecer a segurança necessária para
os motoristas, passageiros e pedestres.

REGULAMENTAÇÃO:

No Brasil, o uso, projeto e cálculo das defensas são regulamentadas por normas da ABNT ­ Associação
Brasileira de Normas Técnicas com normas como a NBR­14885 Segurança no Tráfego ­ Barreiras de
Concreto, por normas do DNIT ­ Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes, órgão do Ministério
dos Transportes como a DNIT­109 Segurança no Tráfego Rodoviário.

UM EXEMPLO REAL:

Acompanhe, pela sequência de fotos, os diversos dispositivos de sinalização e segurança existentes na alça de
acesso ao Elevado Aricanduva na Avenida Conde de Frontin, mais conhecida como Radial Leste em São Paulo.
Trata­se de um elevado relativamente antigo, inaugurado em 1979 mas que incorpora importantes componentes de
segurança como as Defensas. Você pode constatar tudo isso no Google­Maps clicando em
https://maps.google.com/?ll=­23.535691,­46.54779&spn=0.003816,0.005311&t=h&z=18

Foto N0 1 ­ Vista aérea do Elevado Aricanduva, no trecho estudado:

Foto N0 2 ­ Detalhe do início da Alça de Acesso:

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Observe a existência de componentes de drenagem como grelhas e bocas de lobo para evitar a formanção de
poças d'água em dias de chuva forte, poças que provocam a perigosa aquaplanagem. A alça de acesso possui
Defensas tipo New Jersey em ambos os lados em toda a extensão da alça.

Foto N0 3 ­ Componentes de Sinalização e de Segurança em área de aproximação da Curva N0 2:

Observe a existência de sinalização de advertência, o estreitamento da pista pela faixa limitadora, passando
a conduzir os veículos em fila única para evitar a colisão lateral entre veículos. A Superelevação consiste na
inclinação transversal da pista e tem dupla função: uma é combater a força centrífuga que tende a levar o
veículo para fora da pista e a outra é forçar a drenagem lateral das águas da chuva, diminuindo a
possíbilidade de aquaplanagem. O aparente excesso de Bocas de Lobos se explica pelo fato desses
componentes serem facilmente "entupíveis" por embalagens plásticas comprometendo o escoamento das
águas da chuva. As faixas transversais são colocadas a distâncias cada vez menores para fazer uma
"contagem regressiva" de aproximação ao ponto mais crítico da curva.

Foto N0 4 ­ Detalhes dos componentes de Sinalização e Segurança na entrada da Curva N0 2:

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Observe que no início da curva, a Defensa sofre uma alteamento, isto é, usa­se uma Defensa mais alta para
evitar o "tombamento" de veículos altos como ônibus.

Foto N0 5 ­ Marcas de Perda de Controle no piso e na Defensa:

Observe as inúmeras marcas de perda de controle que a roda deixou na Defensa e também marcas de
frenagem deixadas no piso.

Foto N0 6 ­ Detalhes das marcas de Perda de Controle, deixadas pela roda do veículo desgovernado:

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Imaginem quantos acidentes e quantas vidas foram poupadas pela ação da Defensa. Na hipótese desse viaduto não
ter esse importante componente de segurança, a Defensa, os veículos teriam sido lançados para fora do viaduto,
caindo de uma altura de cerca de 14 metros, causando, provavelmente, muitas vítimas fatais.

ET­12\RMW\trafegando\DEFENSA.htm em 23/06/2011, atualizado em 25/04/2016 .

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