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DELIMITAÇÃO DC versus OUTROS RAMOS DO DIREITO

Direito Criminal I 2014 - Elysa Vieira

Direito Civil Direito Administrativo Direito Disciplinar (Público)


 Objectiva: o ilícito civil pode não ser  Objectiva: DA regula comportamentos neutros do  Subjectiva: o ilícito disciplinar é culposo.
Responsabilidade

culposo. ponto de vista social e o DC regula comportamentos


 Subjectiva: o ilícito criminal é culposo com carga axiológica e valorativa do ponto de vista
porque vigora o princípio da culpa ético-social.
(art. 44/7 CP).  A punição do ilícito administrativo é independente da
intenção maléfica (não implica “um pré-juízo de
censura, um juízo ético) mas pune-se sempre a
negligência.
 DCiv é privado e disponível: posição  DA é público: regula relações Estado/particulares no  DD é privado [trabalhadores em regime
jurídica de igualdade entre sujeitos da prosseguimento de interesses colectivos sob a de contrato individual de trabalho e
relação; protecção de interesses particulares responsabilidade da Administração pública; a posição membros das ordens profissionais] e é
na norma; liberdade de promoção e de sensível superioridade do Estado e a prevalência público [funcionários e agentes do
Natureza do direito

prossecução da acção. do interesse público é expressa na presunção de legalidade Estado].


 DC é público e indisponível: Estado dos actos da Administração;  Ilícito disciplinar público traduz a função
actua, nas relações com particulares,  DC é publico: regula relações Estado/particulares no do Estado destinada a assegurar a boa
munido de jus imperii/jus puniendi; prosseguimento da justiça penal pelo poder judicial; execução das funções e o poder
protecção prioritária de interesses não obstante a posição de superioridade do Estado e disciplinar sanciona o facto praticado por
comunitários (e não particulares) nas a prevalência do interesse da comunidade procura-se funcionário ou equiparado com violação
normas; obrigatoriedade de promoção a “concordância prática” entre este e as garantias de de deveres (gerais e especiais) funcionais
e prossecução da acção (salvo crimes defesa do arguido (arts. 59, 62, 64, 65 e 69 CRM) (deveres impostos pelo exercício do
semi-públicos e particulares). porque só interessa a justiça obtida por meio cargo ou função).
processualmente válido.
 DCiv:  DA:  DD:
Reparação patrimonial do dano - Multa - Repreensão verbal
Tipo de sanção

(indemnização ou compensação); - Revogação de licença - Expulsão do quadro.


Neutralização ou inutilização dos efeitos - Suspensão da actividade.  DC: consagra penas especiais para
do acto/facto jurídico (v.g., nulidade de  DC: empregados públicos que são, em rigor,
acto ou negócio jurídico); sanções disciplinares e devem ser
- Pena (art. 54 ss CP);
Cumprimento de dever jurídico violado aplicadas pela Administração e não pelos
- Medida de segurança (art. 70 CP).
(eg. reivindicação e restituição). tribunais.

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Direito Criminal I 2014 - Elysa Vieira
 DCiv (Intimidação): visa coagir ao  DA (Prevenção)  . DD (Repressão)
cumprimento da obrigação e cessa  DC (Repressão): visa reprovar os crimes, prevenir a
imediatamente com o cumprimento. sua nova prática e reinserir delinquente na sociedade.
Finalidade da sanção

Regra: a dívida é cobrada através de


processo de execução (penhora ou
expropriação de bens do devedor); não
há prisão civil por dívida.
Excepção: prisão por falta de
pagamento do bens arrematados em
hasta pública ou por incumprimento
de sentença condenatória no
pagamento de pensão alimentícia (L
2053, 22/03/52; L 8/2008, 15/07; L
29/2009, 29/09).
 DD: Não existe uma tipicidade integral
das condutas que integram o ilícito
Tipicidade

disciplinar; opera uma relativa


discricionariedade na qualificação dos actos e
expressa tipicidade nas penas.
 DC: nullum crimen sine lege (art. 18 CP) e
nulla poena sine lege (art. 54 CP).
 O processo disciplinar é tramitado sob
Procedime

direcção e instrução da Administração


nto

Pública (superior hierárquico).


 O processo criminal é tramitado nos
tribunais judiciais.
 Autonomia entre PD e PP: a punição
pelo ilícito criminal e disciplinar não
Independencia

viola o pr. “ne bis in idem”.


 Autonomia relativa:
1. A absolvição em PP não constitui CJ
em PD (art. 154 CPP);
2. A condenação em PP faz CJ em PD (art.
153 CPP). Juntar certidões ao PD.

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Ilícito criminal
(Concepção bipartida de infracções criminais)
Ilícito criminal de justiça Ilícito criminal administrativo
 Crime como o facto voluntário punível pela lei penal (art. 1 CP)  Contravenção como facto voluntário que consiste na violação
com uma pena ou medida de segurança; das disposições preventivas da lei ou regulamento (art. 3 CP)
 Função do Estado destinado a proteger bens jurídicos que se punível com pena ou medida de segurança;
prendem de maneira essencial com a vida do homem em  Função do Estado destinada a prevenir danos na ordem social:
comunidade e com a livre expansão da sua personalidade moral. de polícia, financeira, fiscal, aduaneira, bancária, comercial. Tem
em vista valores de criação ou manutenção da ordem social,
sendo constituído por normas eticamente indiferentes.
 Regula comportamentos com carga axiológica e valorativa do  Regula comportamentos neutros do ponto de vista social. A
ponto de vista ético-social. A punição do agente pressupõe um punição do ilícito é independente da intenção maléfica (não
“um pré-juízo de censura”, um juízo ético. implica “um pré-juízo de censura”, um juízo ético).
 A sanção visa reprovar os crimes, prevenir a sua nova prática e  A sanção visa prevenir nova violação ou inobservância de
reinserir delinquente na sociedade. Consagra a protecção directa normas que visam a “protecção antecipada e indeterminada de
e imediata dos bens jurídicos fundamentais por meio da direitos fundamentais”. Consagra a protecção indirecta,
incriminação. longínqua e mediata. Critério contestável: os crimes de perigo
“não protegem directa e imediatamente um certo bem jurídico”,
antes “o protegem de uma maneira mais indirecta, ou mais
mediata”.

Nos crimes particulares [v.g., art. 359.º e art. 416.º, ambos do CP], o procedimento criminal só se instaura mediante
queixa e declaração do particular, na denúncia, de que deseja constituir-se assistente e só segue, com a acusação deste.
O particular pode, em qualquer altura, desistir do processo. Nos crimes semi-públicos [v.g., arts. 430.º, 431.º, §2.° CP,
redação da Lei n.° 8/2002, de 5 de Fevereiro, arts. 438.º, 450.°, §ún., 451.°, §2.°, 453.°, §2.°, art. 399.º, §ún e 393.° CP],
a actividade dos órgãos do Estado só se exerce após denúncia de certas pessoas mas, iniciada a marcha processual, o
processo segue sem necessidade de ulterior actividade do denunciante. Nos crimes públicos [v.g., art. 349.° CP, arts. 7 e
sgts Lei n.° 6/2004, de 17 de Junho], assim que o MP toma conhecimento, por qualquer forma, da prática de uma
infracção penal, a acção penal desencadeia-se sem necessidade de qualquer acto da iniciativa do particular, os quais não
podem impedir o desencadear e desenvolver da acção penal. Constituem a regra e determinam-se por exclusão de
partes.