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EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR DESEMBARGADOR PRESIDENTE

DO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO

Processo n.º 0014964-08.2016.8.19.0042

-Se a denúncia é natimorta, preferível que


se passe desde logo o competente atestado
de óbito, porque não há lugar maior para o
extravasamento dos ódios e dos rancores do que a
deflagração de uma actio poenalis contra pessoa
reconhecidamente inocente.”
Ministro Jorge Mussi da Quinta turma do STJ.

IMMANUEL BRANDÃO BARROS NEVES, 01 ano, filhos do


paciente, por meio de seu advogado “in fine” assinado, vem, mui
respeitosamente, com fundamentos no art. 5º, inciso LXVIII, da Constituição Federal e
art. 282, 647 e 648, incisos I e VI, do Código de Processo Penal, Combinado com o § 4º.,
do art. 19 da Lei nº. 12.962/2014 impetrar o presente:

HABEAS CORPUS PARA TRANCAMENTO DE AÇÃO PENAL


por ausência de justa causa e por atipicidade
COM PEDIDO DE LIMINAR

Em favor de Marco Aurélio Neves Lima brasileiro, advogado


inscrito na OAB/RJ sob o nº 180.715 (doc. 01), pai de lactente (doc. 02), primário sem
antecedentes criminais (doc. 03); contra ato da autoridade coatora (doc.04), o
juiz da 1ª Vara Criminal de Petrópolis, Luís Cláudio Rocha Rodrigues, que recebeu a
denúncia inepta (doc. 05), sem justa com fatos que nem em tese configura crimes
imputados ao Paciente, conforme passa a demonstrar.

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I – DA ADMISSIBILIDADE DE HABEAS CORPUS PARA TRANCAMENTO
DA AÇÃO PENAL.

Acerca do trancamento da ação penal pela via do habeas corpus,


autoriza-se a medida quando a falta de justa causa se mostra visível e
induvidosa, em face da prova pré-constituída, bem assim quando há
atipicidade da conduta, incidência de causa de extinção da punibilidade ou
ausência de indícios de autoria ou de prova sobre a materialidade do delito.
No caso dos autos, para a constatação do alegado não há necessidade
de aprofundado exame de provas, posto que a prova documental que fundamentou a
famigerada denúncia, demonstra prima facie a realidade de que não há nenhum crime.
Reza a doutrina e jurisprudência que o Paciente pode
insurgir-se contra o recebimento indevido de denúncia ou queixa através de
habeas corpus (art. 648, I, CPP), uma vez que não há recurso específico para
tanto, podendo o Tribunal conceder a ordem para trancar a ação. Tal
situação se dá unicamente quando a falta de justa causa é cristalina como no
caso em tela.
A ausência de justa causa e a atipicidade da conduta, dentre outros
elementos permitem o arquivamento do processo penal por meio de Habeas Corpus
segundo jurisprudência recentíssima do STJ, proferida em novembro de 2017, a seguir
assentada:

RECURSO ORDINÁRIO EM HABEAS CORPUS.


ARTIGOS 89, 90, 96, I, DA LEI N. 8.666/1993 E 288, 299
E 312 DO CÓDIGO PENAL. AÇÃO PENAL.
TRANCAMENTO. DENÚNCIA GERAL. CRIMES
DE AUTORIA COLETIVA. POSSIBILIDADE.
ARTIGO 90 DA LEI N. 8.666/90. CRIME FORMAL.
INÉPCIA DA DENÚNCIA. RECONHECIMENTO.
ARTIGO 89 DA LEI N. 8.666/90. AUSÊNCIA DE
DESCRIÇÃO DAS ELEMENTARES QUANTO AO
RECORRENTE. INÉPCIA DA EXORDIAL
ACUSATÓRIA. RECONHECIMENTO. ARTIGO 96,
I, DA LEI N. 8.666/1993. CRIME MATERIAL. JUSTA
CAUSA. AUSÊNCIA. ARTIGO 312 DO CP.
ELEMENTOS PROBATÓRIOS MÍNIMOS.
AUSÊNCIA. ARTIGO 299 DO CP. INÉPCIA
FORMAL DA DENÚNCIA. ASSOCIAÇÃO
CRIMINOSA. AFASTAMENTO DOS CRIMES
IMPUTADOS. AUSÊNCIA DAS ELEMENTARES.
INEXISTÊNCIA DE QUALQUER REPERCUSSÃO, EM
RELAÇÃO AOS CORRÉUS. EXAME DA SITUAÇÃO
INDIVIDUAL E PESSOAL DO RECORRENTE.
RECURSO PROVIDO.
1. O trancamento da ação penal na via estreita do
habeas corpus somente é possível, em caráter
excepcional, quando se comprovar, de plano, a
inépcia da denúncia, a atipicidade da conduta, a
incidência de causa de extinção da punibilidade
ou a ausência de indícios de autoria ou de prova
da materialidade do delito. Precedentes.
2. A denúncia genérica não se confunde com a
denúncia geral, não sendo aquela admitida pelo
direito pátrio, sendo possível, entretanto, nos casos de
crimes societários e de autoria coletiva, a denúncia geral,
ou seja, aquela que, apesar de não detalhar
minudentemente as ações imputadas ao denunciado,

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demonstra, ainda que de maneira sutil, a ligação entre sua
conduta e o fato delitivo.
3. No crime de autoria coletiva, não se exige uma
individualização pormenorizada das condutas
dos denunciados, contudo, imprescindível, sob
pena de inépcia formal da exordial acusatória,
que seja descrita a forma pela qual aquele agente
concorreu para a ocorrência do fato delituoso, ou
seja, deve-se demonstrar um mínimo de vínculo
entre o acusado e o crime a ele imputado (RHC
73.096/SP, Rel. Ministro SEBASTIÃO REIS
JÚNIOR, SEXTA TURMA, julgado em 21/09/2017,
DJe 02/10/2017), sob pena de responsabilidade
penal objetiva e ofensa ao princípio da ampla
defesa. Em crimes societários ou de autoria coletiva, a
análise das condutas deve ser realizada levando-se em
consideração o conjunto da peça acusatória e dos
comportamentos ali contidos.
4. [...]
5. O delito tipificado no artigo 89 da Lei n. 8.666/1993,
pune a conduta de dispensar ou inexigir licitação fora das
hipóteses previstas em lei, ou deixar de observar as
formalidades pertinentes à dispensa ou à inexigibilidade,
sendo, conforme entendimento desta Corte, crime
material que exige para a sua consumação a
demonstração, ao menos em tese, do dolo específico de
causar dano ao erário, bem como o efetivo prejuízo
causado à administração pública, devendo tais elementos
estarem descritos na denúncia, sob pena de ser
considerada inepta (RHC 87.389/PR, Rel. Ministro JOEL
ILAN PACIORNIK, QUINTA TURMA, julgado em
26/09/2017, DJe 06/10/2017).
Necessário que a denúncia descrevesse a forma
pela qual o recorrente teria, de qualquer modo,
concorrido para a dispensa indevida de licitação,
bem como seu dolo específico em causar prejuízo
ao erário público e o efetivo prejuízo à
Administração Pública, o que, todavia, não
ocorrera.
6. [...]
7. Para além da aptidão formal da denúncia,
devem estar igualmente presentes as condições
da ação, pressupostos processuais e justa causa
para o prosseguimento da ação penal, ou seja,
que estejam presentes indícios probatórios
mínimos quanto à autoria e materialidade
delitiva em compatibilidade com a imputação
constante da exordial acusatória, o que não se
verificou quanto ao crime previsto no artigo 96, I, da Lei
n. 8.666/93.
8. O crime previsto no artigo 312 do Código Penal pune a
conduta do funcionário público que, valendo-se das
facilidades de sua função pública, apropria-se de
dinheiro, valor ou qualquer outro bem móvel, público ou
particular, de que tem a posse em razão do cargo, ou o
desvia, em proveito próprio ou alheio. No caso, a
despeito da aptidão formal da denúncia, ausente
sua aptidão material (justa causa), pois
inexistentes elementos probatórios mínimos
quanto à prática de atos de colaboração para o
desvio de verbas públicas pelo recorrente a
possibilitar o prosseguimento da ação penal, haja
vista que o único ato a si imputado (subscrição)
não fora por ele perpetrado.
9. O crime previsto no artigo 299 do Estatuto Penalista
tipifica a conduta de "omitir, em documento público ou
particular, declaração que dele devia constar, ou nele
inserir ou fazer inserir declaração falsa ou diversa da que

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devia ser escrita, com o fim de prejudicar direito, criar
obrigação ou alterar a verdade sobre fato juridicamente
relevante". O sujeito ativo deste crime é aquele que tenha
o dever jurídico de declarar a verdade.
10. A denúncia deveria ter descrito, em relação ao
ora recorrente, como este teria concorrido para a
omissão no documento público da declaração que
dele devia constar ou mesmo como teria
colaborado para a inserção de declaração falsa
daquela que deveria ter sido escrita, criando,
assim, obrigação para a Administração Pública, o
que, todavia, não ocorreu.
11. "Para caracterização do delito de associação
criminosa, indispensável a demonstração de
estabilidade e permanência do grupo formado
por três ou mais pessoas, além do elemento
subjetivo especial consiste no ajuste prévio entre
os membros com a finalidade específica de
cometer crimes indeterminados. Ausentes tais
requisitos, restará configurado apenas o
concurso eventual de agentes, e não o crime
autônomo do art. 288 do Código Penal" (HC
374.515/MS, Rel. Ministra MARIA THEREZA DE
ASSIS MOURA, SEXTA TURMA, julgado em
07/03/2017, DJe 14/03/2017). Ante o
trancamento da ação penal quanto aos crimes
que haviam sido imputados ao recorrente, resta
afastada, consequentemente, a imputação
quanto ao delito de associação criminosa, pois
ausente, quanto ao recorrente, uma de suas
elementares, qual seja, o objetivo de praticar
crimes.
12. Evidenciadas, de plano, a flagrante
atipicidade das condutas e a inépcia da exordial
no tocante ao recorrente, deve ser trancada a
ação penal, ressaltando-se a possibilidade de oferta de
nova denúncia, desde que atendidos os requisitos do art.
41 do CPP e com fundamento em fatos novos. Nesse
diapasão: RHC 82.377/MA, Rel. Ministro RIBEIRO
DANTAS, QUINTA TURMA, julgado em 10/10/2017, DJe
18/10/2017 e HC 131.678/MT, Rel. Ministro ROGERIO
SCHIETTI CRUZ, SEXTA TURMA, julgado em
14/02/2017, DJe 23/02/2017.
13. Recurso Ordinário em habeas corpus provido
para determinar o trancamento da ação penal n.
2729-84.2016.8.10.0001, em relação ao ora
recorrente, sem prejuízo de oferecimento de nova peça
acusatória desde que sanados os vícios formais e
materiais aqui reconhecidos.
(RHC 74.812/MA, Rel. Ministro JOEL ILAN
PACIORNIK, Rel. p/ Acórdão Ministro REYNALDO
SOARES DA FONSECA, QUINTA TURMA, julgado em
21/11/2017, DJe 04/12/2017)

Portanto, estando presentes todas essas máculas como é o caso aqui


combatido, cabível é o presente writ para TRANCAR A AÇÃO PENAL EM EPÍGRAFE.
No tocante ao momento processual para arguição de inépcia da peça
acusatória, nosso Pretório Excelso possui entendimento consolidado, no sentido de que
ATÉ ANTES DA PROLAÇÃO DA SENTENÇA É CABÍVEL A ARGUIÇÃO DE INÉPCIA
DA DENÚNCIA, senão vejamos:
(...)
ARGÜIÇÃO DE INÉPCIA DA DENÚNCIA -
ALEGADA DEFICIÊNCIA DA DEFESA TÉCNICA -
NÃO-DEMONSTRAÇÃO DE PREJUÍZO - SÚMULA
523/STF - REEXAME DA MATÉRIA DE FATO EM

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HABEAS CORPUS - IMPOSSIBILIDADE - PEDIDO
INDEFERIDO. INQUÉRITO POLICIAL -
UNILATERALIDADE - A SITUAÇÃO JURÍDICA DO
INDICIADO. - O inquérito policial, que constitui
instrumento de investigação penal, qualifica-se como
procedimento administrativo destinado a subsidiar a
atuação persecutória do Ministério Público, que é -
enquanto dominus litis - o verdadeiro destinatário das
diligências executadas pela Polícia Judiciária. A
unilateralidade das investigações preparatórias da ação
penal não autoriza a Polícia Judiciária a desrespeitar as
garantias jurídicas que assistem ao indiciado, que não
mais pode ser considerado mero objeto de investigações.
O indiciado é sujeito de direitos e dispõe de
garantias, legais e constitucionais, cuja
inobservância, pelos agentes do Estado, além de
eventualmente induzir-lhes a responsabilidade
penal por abuso de poder, pode gerar a absoluta
desvalia das provas ilicitamente obtidas no curso
da investigação policial. PERSECUÇÃO PENAL -
MINISTÉRIO PÚBLICO - APTIDÃO DA
DENÚNCIA. O Ministério Público, para
validamente formular a denúncia penal, deve ter
por suporte uma necessária base empírica, a fim
de que o exercício desse grave dever-poder não se
transforme em instrumento de injusta
persecução estatal. O ajuizamento da ação penal
condenatória supõe a existência de justa causa,
que se tem por inocorrente quando o
comportamento atribuído ao réu "nem mesmo
em tese constitui crime, ou quando, configurando
uma infração penal, resulta de pura criação
mental da acusação" (RF 150/393, Rel. Min.
OROZIMBO NONATO). A peça acusatória deve
conter a exposição do fato delituoso em toda a sua
essência e com todas as suas circunstâncias. Essa
narração, ainda que sucinta, impõe-se ao acusador como
exigência derivada do postulado constitucional que
assegura ao réu o pleno exercício do direito de defesa.
Denúncia que NÃO descreve adequadamente o
fato CRIMINOSO É DENÚNCIA INEPTA.
Precedente. MOMENTO DE ARGÜIÇÃO DA
INÉPCIA DA DENÚNCIA. Eventuais defeitos da
denúncia devem ser arguidos pelo réu ANTES DA
PROLAÇÃO DA SENTENÇA PENAL, eis que a
ausência dessa impugnação, em tempo oportuno,
claramente evidencia que o acusado foi capaz de
defender-se da acusação contra ele promovida.
Doutrina e Precedentes. (...)
(STF - HC: 73271 SP, Relator: CELSO DE MELLO,
Data de Julgamento: 19/03/1996, Primeira Turma, Data
de Publicação: DJ 04-10-1996 PP-37100 EMENT VOL-
01844-01 PP-00060)

RECURSO ORDINÁRIO EM HABEAS CORPUS.


IMPOSSIBILIDADE DE REEXAME DO CONJUNTO
PROBATÓRIO DOS AUTOS. SENTENÇA
CONDENATÓRIA FUNDAMENTADA.
PRECLUSÃO DA ARGUIÇÃO DE INÉPCIA DA
DENÚNCIA. COMPORTAMENTOS TÍPICOS
ATRIBUÍDOS AOS RECORRENTES DESCRITOS NA
DENÚNCIA. IMPEDIMENTO E SUSPEIÇÃO. CÓDIGO
DE PROCESSO PENAL. HIPÓTESES TAXATIVAS. 1. É
pacífica a jurisprudência do Supremo Tribunal segundo a
qual não é possível reexame de provas na via do habeas
corpus. 2. Sentença condenatória fundamentada com
base nos fatos e nas provas que permeiam a lide. 3. A
arguição de inépcia da denúncia está coberta pela

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preclusão QUANDO, como na espécie, aventada
APÓS A SENTENÇA PENAL CONDENATÓRIA, o
que somente não ocorre quando a sentença vem a
ser proferida na pendência de habeas corpus já
em curso. Precedentes. 4. Denúncia que contém "a
exposição do fato criminoso, com todas as suas
circunstâncias", com adequada indicação da conduta
ilícita imputada aos recorrentes, de modo a propiciar a
eles o pleno exercício do direito de defesa (art. 41 do
Código de Processo Penal). 5. Hipóteses descritas no art.
252 do Código de Processo Penal. Rol taxativo. 6. Recurso
ao qual se nega provimento.
(STF - RHC: 98091 PB, Relator: Min. CÁRMEN
LÚCIA, Data de Julgamento: 16/03/2010, Primeira
Turma, Data de Publicação: DJe-067 DIVULG 15-04-
2010 PUBLIC 16-04-2010 EMENT VOL-02397-03 PP-
00938)

Dito isto, demonstraremos nos fatos abaixo de forma clara


que A DENÚNCIA NÃO TEM JUSTA CAUSA E O PIOR, OS FATOS
IMPUTADOS AO PACIENTE SÃO ATÍPICOS, ALÉM DISSO, A ACUSAÇÃO
NÃO JUNTA PROVAS E NEM QUAISQUER INDÍCIOS DOS SUPOSTOS
CRIMES IMPUTADOS AO PACIENTE, E AS SUPOSTAS PROVAS JUNTADAS
PELA ACUSAÇÃO CONTRADIZEM SUAS PRÓPRIAS ALEGAÇÕES.
TUDO ISSO SE TRADUZ EM FLAGRANTE
CONTRANGIMENTO ILEGAL, IMENSURÁVEL PREJUÍZO AO PACIENTE E
AUSÊNCIA DE JUSTA CAUSA, O QUE DEVE DE PRONTO SER ANIQUILADO
PELO TRANCAMENTO DA AÇÃO PENAL POR INÉPCIA DA PEÇA
ACUSATÓRIA.

II - DOS FATOS

A acusação alega na exordial que o Paciente constituiu e integrou


pessoalmente suposta organização criminosa com objetivo de obter diretamente,
vantagens indevidas mediante a prática dos crimes de estelionato, falsidade ideológica e
lavagem de dinheiro. (Folha 5 linhas 15 a 21 da denúncia)

No entanto, o que se vislumbra de plano na denúncia é a total falta de


justa causa em todos os supostos delitos imputados ao Paciente, pois sequer
configuram crimes. Tudo o que alegamos é visto de plano sem precisar sequer
de exame valorativo do conjunto fático ou probatório, bastando apenas uma mera leitura,
senão vejamos.

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1- DO SUPOSTO ESTELIONATO NO CEUB:

A exordial diz que o crime de estelionato estaria no fato do paciente ter


ligação com o colégio CEUB, escola que cedia o prédio à SNEPs (Sociedade Nacional de
Estudos do Psiquismo) para a oferta do curso de formação e de pós-graduação em
psicanálise sem que o referido colégio fosse habilitado a oferecer tal curso, fazendo assim
os alunos estarem induzidos e mantidos em erro por pensarem que o curso era
autorizado, folha 17 linhas 22 a 26 e folha 18 linhas 1 a 9.

A exordial acusatória alega ainda que o Paciente trabalhava como


advogado no Colégio CEUB, tendo assinado vários documentos na qualidade de patrono
e que as atividades do colégio cessaram inadvertidamente. (pag. 21)

Mas o que intrigou a defesa ao ler a denúncia é exatamente a acusação


"achar" erradamente o seguinte:
1) Que curso de PSICANÁLISE precisa de algum tipo
de autorização para funcionar;
2) Que o paciente por ter assinando suas peças
advocatícias como patrono do colégio teria concorrido para fictícia infração;
3) Que a cessação do curso de psicanálise deu-se por
motivo ardil.

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Urge informar que o CEUB já funcionava por mais de dois anos
prestando relevantes serviços educacionais à sociedade de Petrópolis nos mais diversos
níveis de ensino infantil, fundamental, médio e técnico sem nenhuma reclamação de seus
clientes. Vejamos, Excelência nos comentários do Facebook o quanto a instituição CEUB
era bem quista pelos pais dos alunos. (doc. 06)
A denúncia não quis citar ou simplesmente omitiu os fatos, pois o
CEUB tinha vários alunos do ensino infantil, ensino médio, fundamental e técnico e não
somente os alunos da SNEPS (doc. 07).
Ocorre que o CEUB se viu obrigado a encerrar suas atividades tão
somente devido ter sido vítima da mídia local de maneira jocosa em 29/04/2016 (doc.
08), pois tal notícia levou todos os seus alunos oficiais a pedirem transferências para
outra unidade de ensino e a cada um foi providenciado o documento de transferência,
não sendo seu fechamento “de repente” como de forma inverídica a denúncia alega.
Assim, toda a população da região serrana do Rio de Janeiro teve
conhecimento pela mídia local do “porquê” a escola CEUB ter encerrado suas atividades,
pois a mídia local anunciava horrores dizendo que a escola era da “seita”. Ora, Excelência,
até as supostas vítimas em juízo informaram em seus depoimentos que viram os
noticiários perniciosos sobre a escola!
Depois que os jornais noticiaram que o CEUB era da “seita”, todos os
pais dos alunos do ensino infantil, médio e fundamental pediram a transferência de seus
filhos para outras escolas.
Excelência, a defesa não compreende qual o liame do Paciente com o
suposto crime de estelionato em razão do curso de Psicanálise, pois o Paciente apenas
trabalhava como advogado do CEUB e até onde sabemos, advogar não é crime.
O curso de psicanalise oferecido pelo CEUB é classificado em nosso
ordenamento jurídico como CURSO LIVRE e curso livre não precisam de autorização de
nenhum órgão do Estado para ser ofertado, bastando apenas um professor de
psicanálise, sem nem ao menos precisar de instalações prediais, pois o referido curso
pode ser ofertado até mesmo livremente a distância por qualquer psicanalista.
NÃO EXISTE CRIME DE ESTELIONATO EM RAZÃO DO CURSO DE
PSICANÁLISE!
O CEUB não precisava de autorização alguma para ofertar curso de
psicanálise, bastando apenas um professor de psicanálise e alunos interessados.
Entretanto, a título de informação, consta no contrato social do CEUB, o CNAE que
autoriza a escola à oferta de curso livre (doc. 09), inclusive, o contrato social do CEUB
é uma das provas pré-constituídas da acusação na pag.18 rodapé.
VEJA bem, se não é preciso de habilitação, nem autorização de
NINGUÉM para ministrar o curso de psicanálise, a sua oferta pelo CEUB não induziu
ninguém a erro. Além disso, no próprio contrato de adesão dos alunos (doc. 10) e nos
prospectos de propaganda do curso oferecido (doc. 11) já constava a informação de que
o curso era livre, assim todos os discentes estavam plenamente cientes de tal informação.
É importante informar aqui que o paciente era também
aluno do curso livre de formação em psicanalise oferecido no CEUB.
Urge esclarecer que o curso livre de formação e de pós graduação em
psicanálise em todos os seus níveis, inclusive o de MESTRADO e até o de DOUTORADO
são todos oferecidos no o Brasil e no exterior na modalidade CURSOS LIVRES, seja
presencial ou a distância, via internet, onde o aluno interessado estuda em casa sem
sequer precisar de um professor corpo presente. Podemos conferir o que estamos
afirmando em dezenas de sites dos quais citamos abaixo alguns:
ORDEM NACIONAL DOS PSICANALISTAS
http://onp.org.br

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CURSO LIVRE DE FORMAÇÃO E PÓS GRADUACAO EM
PSICANÁLISE
http://googleweblight.com/?lite_url=http://www.sbpi.org.br/lato-
sensu-em-psicanalise-curso-livre-de-pos-graduacao-com-enfase-em-freud-
2/&ei=izR2OWi3&lc=pt-
BR&s=1&m=424&host=www.google.com.br&ts=1517461065&sig=AOyes_RF8fog5NoL
tO91ZUjubAGmS_ugrQ
http://www.sbpi.org.br
http://googleweblight.com/?lite.cursos24horas.com.br/cursos/psica
nalise/&ei=H6_NSOcZ&lc=pt-
BR&s=1&m=424&host=www.google.com.br&ts=1517145841&sig=AOyes_TOkpU18sc0
o58yHtbDZeeRy4yazA
www.cursosabeline.com.br
https://psicanaliseclinica.com
http://www.institutogamaliel.com/Psicanálise-Clinica.php
http://ibrapchs.net
https://www.escolafreudiana.org
http://cbp-rj.org.br

CURSO LIVRE DE MESTRADO EM PSICANÁLISE:


http://googleweblight.com/?lite_url=http://m.setead.com.br/loja-
virtual/curso-de-mestrado/curso-de-mestrado-em-psicanalise-
clinica/&ei=YWk5QPwG&lc=pt-
BR&s=1&m=424&host=www.google.com.br&ts=1517461065&sig=AOyes_TJQFaau9O
8XnmFnlsZjgCobCb6xA

CURSO LIVRE DE DOUTORADO EM PSICANÁLISE

https://www.setead.org/nossos-cursos-de-teologia/doutorado/curso-
de-doutorado-em-psicanalise-clinica/
https://googleweblight.com/?lite_url=https://emillbrunner.com/dou
torado.html&ei=rGIlfGi5&lc=pt-
BR&s=1&m=424&host=www.google.com.br&ts=1517461196&sig=AOyes_SiKNg2SQhZ
uaBgTXwEUdjrlZrD5A
http://googleweblight.com/?lite_url=http://m.setead.com.br/loja-
virtual/curso-de-doutorado/curso-de-doutorado-em-psicanalise-
clinica/&ei=hGvxLJ4w&lc=pt-
BR&s=1&m=424&host=www.google.com.br&ts=1517461196&sig=AOyes_Tz1XjhBXlX
T-3KT6Iwh6HXZgRq3Q

http://googleweblight.com/?lite_url=http://www.onp.org.br/index.php/validade-e-
regulamentacao&lc=pt-
BR&s=1&m=424&host=www.google.com.br&ts=1517442888&sig=AOyes_TmPWogLl
Nu0kzfTrFMhxU27T5O6
Vimos, portanto, que a conduta narrada na peça acusatória é sem
justa causa e também atípica eis que o curso ofertado era de Psicanálise, como bem
explica a ORDEM NACIONAL DE PSICANALISTAS QUE O CURSO É LIVRE E NÃO
PRECISA DE AUTORIZAÇÃO.
Por fim, na audiência de instrução e julgamento, a suposta vítima
apontada na página 18 da denúncia, César Tácio, deu uma grande aula sobre o
funcionamento do curso de psicanálise do qual ele mesmo era aluno, afirmando que
todos os alunos de psicanálise sabiam que o curso era livre e que não precisava de
nenhuma autorização para funcionar.
Então, Excelência, como explicar o porquê de a acusação arrolar
“vítimas” que sabem que não são vítimas???

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Aliás, a denúncia arrolou somente 4 supostas vítimas do curso de
psicanálise (pag. 18 e 19) e após ouvirem a primeira delas, o policial César Tácio, a
acusação abriu mão imediatamente das outras três supostas vítimas restantes, a saber:
Sidnei, Sandro e Simone, pois ficou claro para todos presentes que não havia vítimas,
não havia ninguém induzido a erro, e principalmente que não havia crime de estelionato.

2 – DO SUPOSTO ESTELIONATO JUDICIAL:


A acusação alega na exordial sobre supostos estelionatos judiciais na
página 27 da denúncia:

Excelência, esse tipo penal de estelionato judiciário sequer existe no


ordenamento jurídico brasileiro.
A acusação se limita a falar de forma genérica que os acusados
induziram e mantiveram em erro os respectivos julgadores, forjando provas e utilizando
cartões bancários em nome dos integrantes da súcia para ganharem ações judiciais,
porém, a suposta prova indiciária apontada pela denúncia são as folhas 133 a 152, (doc.
12) citados à página 24 da denúncia, a saber: fotos de cartões de crédito, fotos de
perucas, fotos de cômodos da casa dos acusados, fotos de galinhas, etc.
Ocorre, digno julgador, que nenhuma ação judicial elencada pela
acusação trata de cartões de crédito, de perucas, de galinhas, etc., demonstrando a total
ausência de nexo entre a única prova pré-constituída e a suposta acusação.
É NÍTIDA E TRANSPARENTE a falta de justa causa, tanto por não
existir esse tipo penal no ordenamento jurídico brasileiro, quanto pela ausência total de
qualquer respaldo probatório do alegado.
No sentido de deixar ainda mais evidente a falta de justa causa e
atipicidade da denúncia, informamos que as ações listadas pela acusação são
ações de direito do consumidor, onde quem produz a prova é a parte contrária e
não a demandante. Dessa forma, seria impossível que os acusados tenham forjado provas
às quais sequer tinham acesso.
Se uma pessoa entende que possui um direito a ser buscado, o caminho
correto é bater às portas do judiciário e pleitear tal direito.
Como bem disse o digníssimo juiz Federal Marcelo Bretas, da 7.ª Vara
Federal Criminal, quando se defendeu sobre o pedido na Justiça para que ele e a mulher,
também juíza, recebessem dois auxílios-moradia. Bretas disse:

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Assim, pleitear direitos no Judiciário trata-se de uma garantia de toda
e qualquer pessoa.
A tese da acusação é totalmente arbitrária, sem falar que não há
qualquer indício, nenhuma vítima, nenhuma reclamação, além do que, todas as ações
passaram pelo crivo do devido processo legal, do contraditório e ampla defesa e já
fizeram coisa julgada formal e material.
Em suma, não existe em nosso ordenamento jurídico o tipo penal de
estelionato judiciário, a prova indiciária juntada pela acusação não prova o que alega, a
acusação não junta aos autos as tais declarações falsas, não havendo, prova alguma de
que o Paciente tenha praticado o delito de estelionato judicial.

3 – DA SUPOSTA FALSIDADE IDEOLÓGICA:

A exordial acusatória, na página 30, linha 22 a 24, alega que o Paciente


teria inserido no contrato social da microempresa Cidreira Turismo LTDA, com sede na
Rodovia BR 040, Km 74, 2195, Estrada da Fazenda Inglesa – Petrópolis/RJ, declaração
falsa ou diversa do que deveria ser escrito, referente ao endereço.

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O suposto indício que a acusação junta são as folhas 132, citada nas
páginas 30 da denúncia (doc. 13)
Ao se ler a suposta prova indiciária verifica-se PRIMA FACIE que não
há nada de errado, pois o próprio perito aponta como endereço da empresa, o endereço
residencial do Paciente e que é inclusive informado pela própria denuncia na pag. 2,
sendo este o mesmo do contrato social citado no rodapé da página 30 na folha 204.

Conforme facilmente se denota, a empresa Cidreira Turismo, da qual o


Paciente é sócio, era registrada no endereço residencial do Paciente, portanto se exclui
qualquer hipótese de crimes, pois as próprias prova pré-constituídas pela acusação já
mostram de plano que o que a acusação alega é uma pura ficção mental, não havendo
justa causa para a persecução penal.
Não há respaldo mínimo do que se alega, a prova pré-constituída pela
própria acusação é totalmente divorciada do alegado, resta claro que não há INDÍCIO
ALGUM que sustente o referido processo, devendo a ação penal ser trancada.
Excelência a empresa apontada pela acusação é home office, fruto do
direito à livre iniciativa do Paciente e que funcionava em sua própria residência. É de se
questionar: se o Paciente realmente tivesse o intuito criminoso, abriria uma empresa em
seu endereço residencial?
A Cidreira Turismo funcionava no mesmo endereço residencial do
Paciente em Petrópolis no estilo home office,
A home office deixou de funcionar simplesmente devido ter terminado
o prazo do contrato de locação residencial e o paciente ter mudado para a cidade de
Itaguaí – RJ.

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Home Office é uma expressão inglesa que significa “escritório em
casa”, na tradução literal para a língua portuguesa.
Dados do Censo já do ano de 2010 mostram que cerca de 20 milhões
de brasileiros trabalham e moram no mesmo endereço.
Abaixo alguns links sobre home office no Brasil:
http://riomais.benfeitoria.com/ideia/campanha-de-incentivo-ao-
home-office
http://revistapegn.globo.com/Noticias/noticia/2014/08/7-coisas-
que-todo-mundo-precisa-saber-sobre-home-office.html
http://m.sebrae.com.br/sites/PortalSebrae/ideias/como-montar-um-
home-office,c0287a51b9105410VgnVCM1000003b74010aRCRD
Tecidas tais considerações, verifica-se de plano que NÃO há a prática
de falsidade ideológica pelo Paciente eis que não houve declaração falsa quanto ao
endereço da empresa Cidreira Turismo LTDA.

4 - DA SUPOSTA LAVAGEM DE DINHEIRO NA INTEGRALIZAÇÃO DAS COTAS


SOCIETÁRIAS.

Sabe-se que para que haja crime é necessário a trilogia: fato típico, fato
antijurídico, fato culpável. E que para o fato ser típico é necessário haver: CONDUTA +
RESULTADO + NEXO DE CAUSA entre a conduta e o resultado + TIPICIDADE.
Na ausência de qualquer um desses elementos o fato passa a ser atípico.
A denúncia alega na pag. 33 que o paciente integralizou sua cota
societária para ocultar e dissimular valores provenientes de infrações penais
antecedentes (estelionato do CEUB e estelionato Judiciário) conforme se verifica na pag.
33 da denúncia.

Para preencher o tipo penal de lavagem de dinheiro é necessário haver


infração penal anterior que gere lucros ilícitos, ou ao menos seus indícios, mas o
que se verificou na exordial acusatória é que os supostos delitos antecedentes a saber:
os estelionatos do CEUB e os estelionatos judiciários não são antecedentes,
tais fatos ocorreram posteriormente à integralização da cota societária da
empresa Cidreira Turismo. E, por fim, a suposta falsidade ideológica do

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endereço da empresa não gera nenhum lucro não podendo ser considerado como crime
antecedente ao de lavagem de capitais.
A exordial acusatória elenca, na página 32, como crimes antecedentes:

Entretanto, vimos, que os referidos crimes antecedentes nem indícios


possuem, e todos eles são na verdade muito posteriores à suposta lavagem de dinheiro,
deixando nítida a total ausência de nexo temporal para a configuração do tipo penal.
A integralização da cota societária da EMPRESA CIDREIRA
TURISMO em nome do Paciente ocorreu em 21/06/2013 (doc. 15).
Já os supostos delitos antecedentes, estelionatos pelo CEUB e os
supostos estelionatos judiciais são fatos além de ATÍPICOS ocorridos muito depois da
integralização de todas as cotas societárias.
O curso de psicanálise teve início somente em 2015 (doc. 16).
Quanto aos “estelionatos judiciais”, podemos citar, por exemplo, que o
alvará judicial na ação do Banco do Brasil foi expedido em 06.11.14 (doc. 17), já o alvará
referente a ação judicial em face BMG foi expedido em 15/04/2015 (doc. 18).
Portanto, como se vislumbra de forma MANIFESTA não há nenhum
nexo causal nas alegações da acusação demonstrando a patente ilegalidade no
recebimento de denúncia de lavagem de dinheiro apontando como supostos crimes
antecedentes fatos TOTALMENTE ATÍPICOS E DO FUTURO!

5 – DA SUPOSTA ORGANIZAÇÃO CRIMINOSA.

Excelência, a denúncia alega que o Paciente constituiu e integrou uma


suposta organização criminosa com o único objetivo de cometer 4 supostos estelionatos
contra 4 alunos do curso de psicanálise oferecido pelo CEUB e estelionato judiciário.
No entanto, como já se pôde observar, de FORMA MANIFESTA, NÃO
há nenhum crime de estelionato em relação a autorização do curso de psicanálise do
CEUB e muito menos estelionatos judiciários, consequentemente não há crime de
lavagem de dinheiro e por derradeiro, não há como existir o crime de organização
criminosa.
A denúncia, de forma muito confusa e lacônica, alega que o Paciente
era integrante da “seita” religiosa, que possui o codinome ARCO BRAN e que atuava
como advogado da suposta organização criminosa para praticar os ATÍPICOS
estelionatos em relação ao curso livre de psicanálise, estelionatos judiciários, falsidade
ideológica e lavagem de dinheiro nas cotas societárias das empresa (pag. 8).

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É mister relembrar que o paciente é advogado, e como advogado
sempre exerceu dignamente a sua profissão. Advogar até presente data nunca foi crime
Cabe ressaltar ainda, que o paciente é membro da Irmandade Celestial
há mais de 05 anos, lugar onde reside com sua esposa e seus dois lindíssimos filhos,
sendo o mais velho de cinco anos de idade chamado por todos de Príncipe Miguel e o
mais novo com apenas um ano de idade, por todos chamado de Príncipe Immanuel
ambos frutos de união estável com membro de sua religião, sendo o paciente também
um pregador da Irmandade.
Para maiores esclarecimentos, dos sagrados preceitos da Igreja Batista
Celestial, faz parte da tradição sagrada da igreja que seus integrantes recebam um novo
nome, que simboliza uma nova vida.
Excelência que tipo de organização criminosa colocaria nomes
espirituais em seus membros integrantes? Ou trataria seus filhos como príncipes e
princesas? Ou acrescentaria o nome de seu líder nos membros? O referido tratamento
especial dos membros e filhos foi anexado nos autos pela própria acusação a (doc. 22).
Isso é típico de uma organização religiosa e não de uma organização criminosa.
TODOS que se convertem, aderindo à vida na Irmandade Celestial,
recebem novos nomes com significados especiais, cujos novos nomes são registrados na
adesão do membro à comunidade (doc. 19).
Tal fato é público e notório, inclusive os nomes espirituais dos
membros da Irmandade são colocados em dedicatórias de livros como “Você quer? Você
pode!” lançados publicamente desde o ano 2000 (doc. 20).
Apenas para esclarecer ainda mais Excelência o nome BRANDÃO
etimologicamente significa FOGO, TOCHA, BRASA, LUZ, ILUMINAÇÃO, como o nome
BUDA, por isso a comunidade religiosa utiliza o núcleo radical da palavra Brandão,
BRAND para dizer ILUMINADO OU DIZER DIVINO.
Na Irmandade Celestial, o Senhor Brandão é considerado
guia espiritual (doc. 21), um irmão mais velho que recebeu em 1986 uma
revelação Especial e é chamado de PAI por todos os seus seguidores, assim
como o Papa é chamado de Papa pelos católicos, como também um Pai de
santo é chamado de Pai pelos seus filhos de santo.
A Irmandade Celestial dá nomes espirituais aos seus membros, assim
como os cristãos católicos em batistelos. Os próprios PAPAS CATÓLICOS, quando
ordenados recebem novos nomes, por exemplo, o papa João Paulo II cujo nome de
nascimento é Karol Józef Wojtyla; o papa Bento XVI cujo nome de nascimento é Joseph

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Aloisius Ratzinger, o atual papa Francisco cujo nome de nascimento é Jorge Mario
Bergoglio.
O próprio mestre Jesus deu novo nome aos seus apóstolos como
podemos ver em João 1:42.
“... disse-lhe Jesus: tu és Simão, filho de João;
chamar-te-ás Cefas (que quer dizer pedra).”
Esse costume de receber novo nome é aplicado em basicamente todas
as religiões e seitas como os Mórmons, os Hare Crishnas, os Budistas, os Islamitas os
Judeus, e Brandanistas, mas isso não quer dizer que tais denominações sejam uma
organização criminosa somente por dar novos nomes aos seus seguidores.
É tão nítido e público a condição de organização religiosa dos
acusados que todo o Volume VI do processo, que seria “as provas indiciárias
da organização criminosa”, é composto de sermões religiosos, atos
confessionários e fotos de aniversários e confraternizações entre os
acusados. E essas foram as únicas “provas indiciárias” da organização
criminosa anexadas aos autos. Pasmem! (docs. 23, 23.1 e 23.2)
Cabe, por fim, esclarecer que o Paciente vive em sua comunidade
religiosa há mais de 05 anos, que é composta por várias famílias integradas, vivendo para
fazer o BEM, O BELO E A VERDADE.
Tais famílias buscam agradar a DEUS em seu cotidiano, dividindo tudo
que possuem em plena harmonia e paz e em sistema de cooperação mútua.
Todos são trabalhadores honestos e ofertam suas rendas em comum
para que haja a correta dispensação segundo a necessidade de cada um, cumprindo assim
o que está descrito em Atos 2:44 e 45 e Atos 4:34 e 35 (Bíblia Sagrada)
44 E todos os que criam estavam juntos, e tinham tudo
em comum.
45 E vendiam suas propriedades e bens, e repartiam

com todos, segundo cada um havia de mister.


Atos 2:44,45
4 Não havia pessoas necessitadas entre eles, pois os

que possuíam terras ou casas as vendiam, traziam


o dinheiro da venda
35 e o colocavam aos pés dos apóstolos, que o

distribuíam segundo a necessidade de cada um.


Atos 4:34,35

Como já é público e notório, pois foi veiculado em rede nacional no


programa do fantástico, os peticionários vivem de forma peculiar que os distingue do
modelo tradicional de família.
A Irmandade é uma grande família unida por laços RELIGIOSOS E
SÓCIO-AFETIVOS, por valores que vão muito além de tão somente laços sanguíneos,
pois o que os une é A CRENÇA EM DEUS E o amor à SUA DIVINA OBRA.
O sistema adotado pela Irmandade é o de cooperação entre todos
fundamentada nas Sagradas Escrituras:
Todos trabalham dignamente e cada um colabora
VOLUNTARIAMENTE com aquilo que sabe fazer, e, portanto, a comunidade exerce
várias atividades autônomas a que chama de ministérios.
Todos os membros da Irmandade laboram dignamente e de seus
trabalhos retiram um valor para aquilo que necessitam e ofertam o restante de livre e
espontânea vontade em prol da coletividade. Assim, depositam suas ofertas na urna das
ofertas.
São vários ministérios autônomos que manem a irmandade de forma
digna e lícita dos quais citamos alguns e está anexado aos autos:

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1 – Venda de obras literárias de autoria de Donato Brandão Costa, tanto
o livro você quer você pode, como o livro Gênesis Celestial, Gênesis: A Origem, dentre
outras obras (DOC. 24)
2 – Venda de goji berry pela internet e pessoalmente pelos membros
da Irmandade (DOC. 25)
3 – Produção e venda de óleo de coco artesanal extra virgem (DOC.
26)
4 - Trabalho de hospedagem (AirBnb) (DOC. 27)
5 – Produção e venda de espelhos em moldura de gesso (DOC. 28)
6 - Trabalho artístico de teatro de rua (DOC. 29)
7 – Trabalho artístico de teatro no ônibus. Teatro Bus (DOC. 30)
8 - Trabalhos de restauração de obras em imóveis (DOC. 31)
9 – A Irmandade recebe doações diversas (DOC. 32)
10 – Trabalhos gráficos e produção de sites (DOC. 33)
11 - Vendas de doces e brigadeiros (DOC. 34)
12 – Trabalho de Advocacia e consultoria jurídica.
13 – Trabalho de atendimento psicanalítico.
14 - Trabalho de aluguel de mascotes da Disney (DOC. 35)
Portanto, Excelência, os acusados são pessoas honestas e
trabalhadoras e vivem em harmonia e cooperação entre todos.
Quanto ao modo de viver da comunidade não é nenhuma novidade, há
MAIS DE 3.500 comunidades alternativas SÓ NO BRASIL, onde pessoas moram num
mesmo espaço em harmonia e colaboração uns com os outros e em busca de uma vida
mais ligada à natureza e à espiritualidade e que compartilham as rendas entre si.
Milhares de comunidades alternativas espalhadas pelo Brasil e pelo
mundo vivem coletivamente nos mesmos moldes da Irmandade Celestial, conforme
citamos algumas nos sites abaixo:
https://dozetribos.com.br
http://g1.globo.com/globo-reporter/noticia/2015/12/comunidade-
escondida-na-bahia-atrai-quem-quer-mudar-estilo-de-vida.html
http://mofra.org.br/cidade-da-fraternidade/
http://mariamaedosmigrantes.blogspot.com.br/2013/05/santissima-
trindademodelo-da-comunidade.html?m=1
Se os fatos acima não forem suficientes para provar que não há
nenhuma organização criminosa e o que existe é uma organização religiosa, vejamos o
que diz a peça acusatória na folha 05, que os acusados e o Paciente se reuniram em abril
de 2013 para praticarem diversos crimes constituindo, assim, uma organização
criminosa, mas não há nenhum crime antecedente e muito menos posterior aptos a
caracterizarem o tipo penal de organização criminosa.
Outro ponto que merece destaque é que a Lei de organização
criminosa entrou em vigor somente em 19.09.2013, ou seja, muito depois da
integralização da cota da empresa do Paciente. Portanto, o crime de
organização criminosa não pode ser considerado como crime antecedente
ao de lavagem de capitais, pois à época não era tipificado o crime de
organização criminosa em nosso ordenamento.
Nesse diapasão, por todos os ângulos que se possa ver não há
nem de longe a possibilidade de ter ocorrido a prática do crime de
organização criminosa, pois:
Primeiro ponto.

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Em abril de 2013, ainda NÃO EXISTIA em nosso ordenamento
pátrio o tipo penal de organização criminosa, o que já fulmina por si só a tese acusatória
de crime de organização criminosa por ATIPICIDADE.
O segundo ponto pelo qual NÃO HÁ QUE SE COGITAR do
delito de organização criminosa diz respeito ao OBJETIVO da união entre o
Paciente e os membros da Irmandade Celestial, que se deu há mais de 05
anos e o liame entre eles é em razão de laços familiares, de crença e de afeto.
O terceiro ponto. O Paciente NÃO praticou nenhum crime
antecedente, conforme exaustivamente comprovado em tópicos anteriores.
Ao examinarmos atentamente os autos do processo aqui combatido,
nos deparamos com a inépcia da peça acusatória, atipicidade de todos os artigos e
ausência de justa causa para a ação penal, devendo, portanto, ser trancada por meio deste
writ, à luz dos fundamentos que passamos a expor.

III – DOS FUNDAMENTOS

Alegações não são provas e, segundo o Código de Processo Penal, as


provas devem vir acompanhadas das alegações, (art. 156 CPP), que são obtidas por
diversos meios, previstos no título VII do CPP.
Entretanto, o que se vislumbra na denúncia, aqui contraditada, é
ausência total de provas ou até mesmo de qualquer indício em afronta aos requisitos
obrigatórios que constam no artigo 41 CPP.
Não existem provas, perícias, confissões, captações feitas em
ambientes, registros de ligações, com respectivas gravações, delações, NEM SEQUER
INDÍCIOS, que corroboram com o alegado e o que mais se vê na exordial são alegações,
sem sentido e até mesmo impossíveis de ocorrer
Tanto o STJ como o STF, em inúmeras oportunidades, já decidiram
que não pode o órgão acusatório desincumbir-se de estabelecer “o vínculo de
cada um ao ilícito” (STF, HC n.º 73.324/7, apud: JSTJ e TRFs, ed. Lex 108/581), pois
permitir o contrário seria dar azo a denúncias manifestamente infundadas e, mais grave,
violadoras dos princípios da ampla defesa e da responsabilidade pessoal.
Vejamos o brilhantíssimo entendimento esposado pelo decano
Ministro Celso de Mello em precedente a seguir colacionado da 2ª Turma do Supremo
Tribunal Federal:

(...)
– impõe ao Ministério Público, notadamente no
denominado “reato societário”, a obrigação de expor,
na denúncia, de maneira precisa, objetiva e
individualizada, a participação de cada acusado
na suposta prática delituosa. – O ordenamento
positivo brasileiro (...) repudia as imputações
criminais genéricas e não tolera, porque ineptas,
as acusações que não individualizam nem
especificam de maneira concreta, a conduta
penal atribuída ao denunciado. Precedentes. A
pessoa sob investigação penal tem o direito de
não ser acusada com base em denúncia inepta. –
A denúncia deve conter a exposição do fato
delituoso, descrito em toda a sua essência e
narrado com todas as suas circunstâncias
fundamentais. (...)
Denúncia que deixa de estabelecer a necessária
vinculação da conduta individual de cada agente

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aos eventos delituosos qualifica-se como
denúncia inepta. Precedentes. Crime de descaminho –
peça acusatória que não descreve, quanto ao
paciente, sócio-administrador de sociedade
empresária, qualquer conduta específica que o
vincule, concretamente, aos eventos delituosos –
inépcia da denúncia – A mera invocação da
condição de sócio ou de administrador de
sociedade empresária, sem a correspondente e
objetiva descrição de determinado
comportamento típico que o vincule,
concretamente, à prática criminosa, não
constitui fator suficiente apto a legitimar a
formulação de acusação estatal ou a autorizar a
prolação de decreto judicial condenatório – A
circunstância objetiva de alguém ser meramente
sócio ou de exercer cargo de direção ou de
administração em sociedade empresária não se
revela suficiente, só por si, para autorizar
qualquer presunção de culpa (inexistente em
nosso sistema jurídico-penal) e, menos ainda,
para justificar, como efeito derivado dessa
particular qualificação formal, a correspondente
persecução criminal. – Não existe, no
ordenamento positivo brasileiro, (...) a
possibilidade constitucional de incidência da
responsabilidade penal objetiva. (...)
. As acusações penais não se presumem provadas:
o ônus da prova incumbe, exclusivamente a quem
acusa. – Nenhuma acusação penal se presume
provada. Não compete, ao réu, demonstrar a sua
inocência. Cabe, ao contrário, ao Ministério
Público, comprovar, de forma inequívoca, para
além de qualquer dúvida razoável, a
culpabilidade do acusado. –
(...) Para o acusado exercer, em plenitude, a
garantia do contraditório, torna-se indispensável
que o órgão da acusação descreva, de modo
preciso, os elementos estruturais (“essentialia
delicti”) que compõe o tipo penal, sob pena de se
devolver, ilegitimamente ao réu, o ônus (que
sobre ele não incide) de provar que é inocente.
(...)
(STF, Rel. Min. Celso de Mello, HC n.º
88.875/AM, DJ 12/03/2012).

Nesse cenário torna-se imperioso, obrigatório e indispensável que o


Ministério Público indique uma conduta que demonstre de forma concreta que o
denunciado tenha ao menos conhecimento dos fatos supostamente delituosos. A
CONDIÇÃO DE SÓCIO NADA PODE COMPROVAR, SER SÓCIO DE UMA
EMPRESA JAMAIS FOI OU SERÁ CRIME.
Sobre este tema, o STJ, a seguir esposa entendimento segundo o qual:

“PENAL. PROCESSUAL PENAL. HABEAS CORPUS.


PECULATO. DESVIO DE VERBAS PÚBLICAS.
AUSÊNCIA DE IMPUTAÇÃO FÁTICA.
TRANCAMENTO DA AÇÃO PENAL. CABIMENTO.
(...). 2. Ausente a necessária imputação à paciente
de condutas de tráfico, cabível o trancamento da
ação penal, por falta de justa causa.” (TRF 4ª
Região, HC nº 2008.04.00.023470-8, Rel. Min. Marcos
Roberto Araujo dos Santos, DJ 6.8.2008, destaques
nossos).

“PROCESSO PENAL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO.


CONTRADIÇÃO. INEXISTÊNCIA. OMISSÃO.

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SUPRESSÃO. JUSTA CAUSA. AUSÊNCIA DE
INDÍCIOS DE AUTORIA. AÇÃO PENAL
TRANCADA.
(...) 3. A simples condição de sócio ou ocupante de
relevante cargo em empresa de porte substancial
não autoriza a instauração de processo criminal
por crimes praticados no âmbito da pessoa
jurídica, exigindo-se ao menos indiciária prova
da consciente participação dos acusados nos
fatos imputados. 4. Ausência prova indiciária
acerca da autoria dos fatos em relação aos
pacientes, deve ser trancada, nesse limite, a ação
penal, por falta de justa causa. (TRF 4ª Região,
EmDcl em HC nº 2009.04.00.020855-6, Rel. Des. Néfi
Cordeiro, DJ 8.10.2009, destaques nossos).

1 - DO ESTELIONATO EM RELAÇÃO AO CURSO LIVRE DE


PSICANÁLISE.

O artigo 5°, inciso IX da Constituição Federal estabelece que: “É livre


a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação,
independentemente de censura ou licença”.
Já o inciso XIII dispõe que “é livre o exercício de qualquer trabalho,
ofício ou profissão, atendidas as qualificações profissionais que a lei estabelecer.
Por sua vez, o parágrafo único do artigo 170 de nossa Carta Magna reza:
“É assegurado a todos o livre exercício de qualquer atividade econômica,
independentemente de autorização de órgãos públicos, salvo nos casos previstos em
lei.”
O artigo 220 § 2° da Constituição Federal combinado com o artigo 7°
da lei 9394/96 (Lei de diretrizes e bases da educação), fundamenta bem a oferta do curso
livre de psicanálise e o exercício da profissão de psicanalista.
No Brasil a formação em psicanálise caracteriza-se por ser
independente, de caráter LIVRE e profissionalizante, sendo os seus profissionais
formados por Sociedades Psicanalíticas e/ou Analistas didatas.
O paciente trabalhava como advogado no CEUB, escola com CNAE
autorizativo para a ministração de cursos livres, vide contrato social do CEUB. (doc.
09).
Os cursos livres têm como Base Legal o Decreto Presidencial N° 5.154,
de 23 de julho de 2004.
A Constituição Federal em seu Artigo 205/CF, “caput”, prevê que a
educação é direito de todos e será incentivada pela sociedade.
Tal prática é defendida também pelo Artigo 206/CF que prevê que o
ensino será ministrado com base em alguns princípios e em seu inciso II garante “a
liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar pensamentos, a arte e o saber”.
O Curso Livre – Lei nº 9.394/96 – Diretrizes e Bases da Educação
Nacional - passou a integrar a modalidade de Educação Profissional.
Educação Profissional, é a modalidade de educação não-formal de
duração variável, destinada a proporcionar aos estudantes e trabalhadores
conhecimentos que lhes permitam profissionalizarem-se, qualificarem-se e atualizarem-
se para o trabalho.
Conforme a Lei nº. 9394/96, o Decreto nº. 5.154/04 e a Deliberação
CEE 14/97 (Indicação CEE 14/97) os cursos chamados “Livres” não necessitam

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de prévia autorização para funcionamento nem de posterior
reconhecimento do Conselho de Educação competente.
Não existe legislação específica que regulamente estes
cursos, por isso, os cursos livres não são passíveis de regulação por parte do
Ministério da Educação (MEC)”.
A categoria Curso Livre atende a população com objetivo de oferecer
profissionalização rápida para diversas áreas de atuação no mercado de trabalho.
Livre significa que não existe a obrigatoriedade de carga horária,
podendo variar entre algumas horas ou vários meses de duração, disciplinas, tempo de
duração e diplomação anterior.
Desse modo, a oferta desses cursos não depende de atos autorizativos
por parte do (MEC), quais sejam: credenciamento institucional, autorização e
reconhecimento de curso.
Como demonstrado, os cursos livres são isentos de fiscalização e
reconhecimento pelo MEC.
Em matéria de direito, tanto a oferta quanto o exercício da profissão
de Psicanálise no Brasil são garantidos pela Lei Máxima de nosso País, a Constituição
Federal, que, em seu Título II, artigo 5º, incisos II e XIII, deixa claro que "ninguém será
obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei; e... é livre o
exercício de qualquer trabalho, ofício ou profissão, atendidas as qualificações
profissionais que a lei estabelecer."
Para maiores esclarecimentos indicamos a página oficial da Ordem
Nacional dos Psicanalistas no site www.onp.org.br em que fica explícito a forma de como
funciona a formação do profissional em psicanálise tanto no Brasil quanto no exterior.
É, portanto, uma afronta direta à Constituição Federal e às Leis
infraconstitucionais, o Estado querer criminalizar psicanalistas por ofertarem o curso
livre de psicanálise, o qual não precisa de autorização nenhuma para seu funcionamento.
Por essa razão, a presente ação deve ser trancada como bem orienta o Supremo Tribunal
Federal em precedente a seguir colacionado:
PRIMEIRA TURMA DO STF. HABEAS CORPUS 95.058
ESPÍRITO SANTO. RELATOR: MIN. RICARDO
LEWANDOWSKI. TRANCAMENTO DE AÇÃO PENAL.
MEDIDA EXCEPCIONAL. AUSÊNCIA, NO CASO, DE
JUSTA CAUSA PARA O SEU PROSSEGUIMENTO,
POR ATIPICIDADE DA CONDUTA. ORDEM
CONCEDIDA.
I - O trancamento de ação penal pela via do
habeas corpus, segundo pacífica jurisprudência
desta Casa, constitui medida excepcional só
admissível quando evidente a falta de justa causa
para o seu prosseguimento, seja pela inexistência
de indícios de autoria do delito, seja pela não
comprovação de sua materialidade, seja ainda
pela atipicidade da conduta do indiciado.
II - Há ausência de justa causa para ação penal
quando os fatos imputados ao paciente, como no
caso, ictu oculi, não configuram crime.
III – Ordem concedida.

A denúncia é tendenciosa, pois induz o julgador a acreditar que


somente havia alunos de psicanálise e que a empresa CEUB fora criada tão somente para
“supostamente” dar um golpe nesses 16 alunos de psicanálise, mas, estranhamente,
somente arrolou 4 alunos como supostas vítimas.
Na AIJ, a “vítima” do estelionato do curso de psicanálise, o policial civil
da 105ª DEPOL, César Tácio, em seu depoimento disse que sabia que o curso de
psicanálise é curso livre e que não precisava de autorização do MEC, disse ainda que
todos os alunos sabiam de tal informação.

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Depois do depoimento prestado por César Tácio, a acusação abre mão
dos depoimentos das demais “vítimas”, pois ficou evidenciado que nenhum aluno foi
induzido a erro quanto a autorização do curso de psicanálise. Pasmem!
É de se questionar o seguinte: afinal quem são esses alunos, vítimas de
estelionato, que a denúncia afirma no plural? Quais os nomes? Será que são as 4 supostas
vítimas que não são vítimas???
Dito isto, a denúncia deve ser rejeitada e a ação penal
trancada por falta de justa causa e atipicidade.
Portanto, nas brilhantes palavras do ministro Jorge Mussi da Quinta
turma do STJ, “Se a denúncia é natimorta, preferível que se passe desde logo o
competente atestado de óbito, porque não há lugar maior para o extravasamento dos ódios
e dos rancores do que a deflagração de uma actio poenalis contra pessoa reconhecidamente
inocente.”
Havendo demonstração de que não há infração penal, logo,
desrespeitado está o princípio da legalidade (não há crime sem lei que o defina,
não há pena sem cominação legal), sendo impossível o pedido feito. (Guilherme de
Souza Nucci. Código de Processo Penal Comentado, 15ª ed. 2016, Pg. 888).

2 - DO ESTELIONATO JUDICIÁRIO

O artigo art. 5º, XXXV da Constituição Federal fundamenta o direito


de ação.
No direito penal vigora a máxima nullum crimen nulla poena sine
previa lege, prevista no artigo 1º, do Código Penal brasileiro, segundo o qual não há
crime sem lei anterior que o defina, nem há pena sem prévia cominação legal.
A figura do estelionato judiciário NÃO EXISTE EM NOSSO
ORDENAMENTO JURÍDICO.
Como sabido, o direito de ação é um direito público subjetivo do
cidadão, expresso na Constituição Federal de 1988 em seu art. 5º, XXXV.
Neste importante dispositivo constitucional encontra-se plasmado o
denominado princípio da inafastabilidade da jurisdição, em razão do qual, no Brasil,
somente o Poder Judiciário tem jurisdição, sendo o único Poder capaz de dizer o direito
com força de coisa julgada.
A doutrina é dominante no sentido de afirmar que o direito de ação é
um direito autônomo porque, embora ele vise a proteger um direito material que o autor
da ação entende lesado, ele (o direito de ação) não se confunde com o direito material
que se pretende defender e não depende da efetiva existência desse direito material para
que possa ser exercido.
Desta forma, o direito de ação existe por si só e pode ser exercido
mesmo que não exista nenhum direito material a ele subjacente.
Diz-se que a ação é um direito abstrato porque independe do resultado
final do processo.
Pode-se, com isso, dizer que o direito fundamental à ação é a faculdade
garantida constitucionalmente de deduzir uma pretensão em juízo e, em virtude dessa
pretensão, receber uma resposta satisfatória (sentença de mérito) e justa, respeitando-
se, no mais, os princípios constitucionais do processo (contraditório, ampla defesa,
motivação dos atos decisórios, juiz natural, entre outros).
Sob a dicção de que “a lei não excluirá da apreciação do Poder
Judiciário lesão ou ameaça a direito”, a Constituição da República empalmou o princípio
da inafastabilidade da jurisdição, que, em síntese, de um lado, outorga ao Poder
Judiciário o monopólio da jurisdição e, de outro, faculta ao indivíduo o direito de ação,
ou seja, o direito de provocação daquele.

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O art. 5º, XXXV, consagra o direito de invocar a atividade jurisdicional,
como direito público subjetivo. Não se assegura aí apenas o direito de agir, o direito de
ação. Invocar a jurisdição para a tutela de direito é também direito daquele contra quem
se age, contra quem se propõe a ação.
Desta forma, por meio da ação adequada, todo aquele – pessoa física
ou jurídica – cujo direito (fundamental ou não) houver sido violado, ou ameaçado de
violação, pode obter a tutela do Poder Judiciário.
De acordo com Luiz Alberto David de ARAÚJO e Vidal Serrano NUNES
Júnior, convém destacar que:
A mensagem normativa foi clara ao colocar sob o manto
da atividade jurisdicional tanto a lesão como a ameaça a
direito. Assim, conclui-se que o dispositivo constitucional
citado, ao proteger a ameaça a direito, dotou o Poder
Judiciário de um poder geral de cautela, ou seja, mesmo à
míngua de disposição infraconstitucional expressa, deve-
se presumir o poder de concessão de medidas liminares
ou cautelares como forma de resguardo do indivíduo das
ameaças a direitos.

A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça se alinha a


Constituição Federal em não admitir a figura do estelionato judicial por
entender que se trata de crime impossível.
É dessa forma por conta do direito ao acesso à Justiça, não
apenas pelo caráter dialético do processo, que possibilita o exercício do
contraditório, mas, também, pelo fato de o magistrado decidir de acordo
com o seu livre convencimento, de modo que ele não estaria vinculado aos
argumentos apresentados pelas partes.
Por essa razão a figura do estelionato judiciário NÃO EXISTE
EM NOSSO ORDENAMENTO JURÍDICO.
Pelo simples fato de exercer sua profissão de advogado e por
ter exercido o seu direito de ação, o Paciente foi denunciado por estelionato
judiciário.
Todavia, não existe em nosso ordenamento jurídico a figura
do estelionato judicial, ao que a maciça jurisprudência acompanha tal
entendimento. Portanto, a denúncia deve ser rejeitada e a ação penal
trancada por ausência de tipicidade.
Nesse mesmo sentido segue a jurisprudência mansa e pacífica de
nossos Tribunais a começar por esse digno Tribunal de Justiça do Estado do Rio de
Janeiro.

TJ-RJ - HABEAS CORPUS: HC 00456718520168190000


RIO DE JANEIRO CAPITAL 26 VARA CRIMINAL
HABEAS CORPUS. ADVOGADO. ESTELIONATO
JUDICIAL TENTADO E USO DE DOCUMENTO
FALSO. ATIPICIDADE DA CONDUTA. FALTA DE
JUSTA CAUSA. TRANCAMENTO DA AÇÃO
PENAL. POSICIONAMENTO PRETORIANO.
CONSTRANGIMENTO ILEGAL OBSERVADO.
CONCESSÃO DA ORDEM.

TRF-4 PENAL. PROCESSUAL PENAL. APELAÇÃO


CRIMINAL. ESTELIONATO JUDICIÁRIO. FALTA
DE PROVAS E ATIPICIDADE. FALSIDADE
IDEOLÓGICA. NÃO - CONFIGURAÇÃO. PETIÇÃO
INICIAL.
1. Consiste o estelionato judiciário na obtenção de
vantagem indevida através da indução em erro do
magistrado. Trata-se de figura penal atípica, por
advir a vantagem não do ato fraudulento, mas de
decisão judicial decorrente do exercício
constitucional do direito de ação e em feito

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sujeito ao pleno contraditório. 2. Tampouco se
tem sequer suficiente prova da pretendidamente
falsa relação de emprego. 3. Inexistência também
de documentos falsos, a permitir sequer a
persecução penal pelo crime de falso e seu uso. 4.
Já decidiu esta Turma que petição inicial é arrazoado,
pedido, e não fonte de afirmação da existência ou
inexistência de fato ou ato jurídico, daí não permitindo o
enquadramento de suas falsas afirmações em crime de
falsidade ideológica. 5. Igual solução deve ser dada ao
acordo entre as partes, ainda que judicialmente
homologado, onde também não se firma a verdade sobre
fato relevante, mas tão somente se estabelecem
responsabilidades recíprocas.
(TRF-4 - APELAÇÃO CRIMINAL ACR 2710 RS
2005.71.10.002710-8 (TRF-4) Data de publicação:
16/07/2008)

Vejamos agora em recentíssimo julgado de setembro de 2017 a


posição do Superior Tribunal de Justiça:
PROCESSUAL PENAL. ADVOGADO. ESTELIONATO
EM JUÍZO. AÇÃO PENAL. FALTA DE JUSTA CAUSA.
ATIPICIDADE. TRANCAMENTO. ENTENDIMENTO
JURISPRUDENCIAL E DOUTRINÁRIO.
1. Não configura "estelionato judicial" a conduta
de fazer afirmações possivelmente falsas, com
base em documentos também tidos por
adulterados, em ação judicial, porque a
Constituição da República assegura à parte o
acesso ao Poder Judiciário. O processo tem
natureza dialética, possibilitando o exercício do
contraditório e a interposição dos recursos
cabíveis, não se podendo falar, no caso, em
"indução em erro" do magistrado. Eventual
ilicitude de documentos que embasaram o pedido
judicial são crimes autônomos, que não se
confundem com a imputação de "estelionato
judicial".
2. A deslealdade processual é combatida por meio
do Código de Processo Civil, que prevê a
condenação do litigante de má-fé ao pagamento
de multa, e ainda passível de punição disciplinar
no âmbito do Estatuto da Advocacia.
3. Ordem concedida para reconhecer a
atipicidade do delito de estelionato, trancando,
por conseguinte, a ação penal, por falta de justa
causa, somente neste particular, devendo a
persecução prosseguir em relação à falsidade.
(HC 404.255/RJ, Rel. Ministra MARIA THEREZA DE
ASSIS MOURA, SEXTA TURMA STJ, julgado em
26/09/2017, DJe 04/10/2017)

Vimos, portanto, que para o STJ, ainda que existam afirmações falsas
e documentos tidos como adulterados NÃO SE CARACTERIZA O CRIME DE
ESTELIONATO JUDICIÁRIO, para o Colendo Tribunal, a deslealdade processual é
rebatida por meio do CPC.
A seguir, a defesa colaciona mais precedentes no mesmo sentido:

CRIMINAL. RHC. "ESTELIONATO JUDICIÁRIO".


TRANCAMENTO DA AÇÃO PENAL. ATIPICIDADE DA
CONDUTA. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL DA
CONDUTA REPUTADA DELITIVA. RECURSO
PROVIDO.

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I. A alegação de ausência de justa causa para o
prosseguimento do feito só pode ser reconhecida quando,
sem a necessidade de exame aprofundado e valorativo dos
fatos, indícios e provas, restar inequivocamente
demonstrada, pela impetração, a atipicidade flagrante do
fato, a ausência de indícios para a acusação ou a extinção
da punibilidade.
II. Hipótese em que os réus ajuizaram diversas ações com
pedidos idênticos, pretendendo a concessão de benefícios
judiciários, tendo sido, por esta razão, denunciados pela
prática do delito de estelionato.
III. Não obstante a presença aparente dos elementos do
tipo penal, o estelionato judiciário não tem previsão no
ordenamento jurídico pátrio, razão pela qual a conduta
pela qual foram denunciados os recorrentes é atípica.
IV. Reconhecida a atipicidade da conduta, deve o recurso
ser provido para determinar o trancamento da ação penal
n.º 5001215-62.2010.404.7004, em curso na 2.ª Vara
Federal de Umuarama/PR.
V. Recurso provido, nos termos do voto do relator.
(RHC 31.344/PR, Rel. Ministro GILSON DIPP, QUINTA
TURMA STJ, julgado em 20/03/2012, DJe 26/03/2012)

RECURSO EM HABEAS CORPUS. ADVOGADO.


ESTELIONATO JUDICIAL. ATIPICIDADE. USO
DE DOCUMENTO FALSO. SUPORTE
PROBATÓRIO MÍNIMO. PRISÃO PREVENTIVA.
MATÉRIA PREJUDICADA. RECURSO EM
HABEAS CORPUS PARCIALMENTE
PREJUDICADO E, NO MAIS, PROVIDO EM
PARTE.
1. É atípica a conduta de fazer afirmações
possivelmente falsas, em ação judicial, com base
em documentos também tidos por adulterados
(instrumentos procuratórios com assinaturas
falsas e comprovantes de residência
adulterados), haja vista que a Constituição
Federal, em seu art. 5º, XXXV, assegura a todos o
acesso à justiça. Eventual ilicitude de
documentos que embasam o pedido judicial são
crimes autônomos, diversos do delito previsto no
art. 171, § 3º, do Código Penal. 2. Por uma questão
lógica e, sobretudo, em homenagem ao princípio da
segurança jurídica, não há como se distanciar do que foi
decidido por esta colenda Sexta Turma, à unanimidade,
nos autos do RHC n. 50.737/RJ, também interposto pelo
ora recorrente, em que se discutiu, basicamente, a mesma
questão posta em debate neste recurso. 3. Constatada a
existência de um suporte probatório mínimo em relação
ao delito descrito no art. 304 do Código Penal, consistente
em prova da existência material do crime e em indícios de
que o recorrente seja o seu autor, com indicativos de que
se utilizou de instrumentos procuratórios com
assinaturas falsas e de comprovantes de residência
adulterados, não há como trancar o processo em relação
a esse ilícito. 4. Uma vez que o Juízo de primeiro grau
revogou a prisão preventiva do recorrente, com a
expedição de alvará de soltura em seu favor, fica
prejudicada a análise da pretendida revogação da
custódia cautelar. 5. Recurso em habeas corpus
parcialmente prejudicado e, no mais, provido em parte,
apenas para reconhecer a atipicidade da conduta em
relação ao delito previsto no art. 171, § 3º, do Código Penal
e, consequentemente, determinar o trancamento do
processo tão somente no que diz respeito a esse ilícito,
mantida a persecução penal em relação aos crimes de uso
de documento falso (art. 304 do Código Penal).

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(STJ - RHC: 53461 RJ 2014/0295866-6, Relator:
Ministro ROGERIO SCHIETTI CRUZ, Data de
Julgamento: 28/04/2015, T6 - SEXTA TURMA, Data de
Publicação: DJe 07/05/2015)

PENAL E PROCESSO PENAL. RECURSO ESPECIAL.


DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. VIOLAÇÃO AO
ART. 171 DO CP. OCORRÊNCIA. ESTELIONATO
JUDICIÁRIO. CONDUTA ATÍPICA.
DESLEALDADE PROCESSUAL. PUNIÇÃO PELO
CPC, ARTS. 14 A 18. RECURSO ESPECIAL A QUE
SE DÁ PROVIMENTO.
1. Não configura "estelionato judicial" a conduta
de quem obtém o levantamento indevido de
valores em ação judicial, porque a Constituição
da República assegura à parte o acesso ao Poder
Judiciário. O processo tem natureza dialética,
possibilitando o exercício do contraditório e a
interposição dos recursos cabíveis, não se
podendo falar, no caso, em "indução em erro" do
magistrado. Eventual ilicitude de documentos
que embasaram o pedido judicial poderia, em
tese, constituir crime autônomo, que não se
confunde coma imputação de "estelionato
judicial" e não foi descrito na denúncia. 2. A
deslealdade processual é combatida por meio do
Código de Processo Civil, que prevê a condenação
do litigante de má-fé ao pagamento de multa, e
ainda passível de punição disciplinar no âmbito
do Estatuto da Advocacia. 3. Recurso especial a que
se dá provimento, para absolver as recorrentes,
restabelecendo-se a sentença.
(STJ - REsp: 1101914 RJ 2008/0233983-0, Relator:
Ministra MARIA THEREZA DE ASSIS MOURA, Data de
Julgamento: 06/03/2012, T6 - SEXTA TURMA, Data de
Publicação: DJe 21/03/2012)

No presente caso EXCELÊNCIA NÃO HÁ SEQUER DECLARAÇÕES


FALSAS OU PROVAS FORJADAS OU QUALQUER RECLAMAÇÃO DAS PARTES
DEMANDANTES, além disso, as ações fizeram coisa JULGADA FORMAL E MATERIAL.
Portanto, é incontestável que a ordem deve ser concedida para trancar
a ação penal por ATIPICIDADE DO CRIME DE ESTELIONATO JUDICIAL.

3 - DA FALSIDADE IDEOLÓGICA

O artigo 1º da Constituição Federal eleva à condição de princípio


fundamental a livre iniciativa, lado a lado com os valores sociais do trabalho. Vejamos:

“A República Federativa do Brasil, formada pela união


indissolúvel dos Estados e Municípios e do Distrito
Federal, constitui-se em Estado Democrático de Direito e
tem como fundamentos:
IV – os valores sociais do trabalho e da livre iniciativa.”

Por sua vez, a Constituição de 1988, em seu artigo 170 dispõe:


“A ordem econômica, fundada na valorização do trabalho
humano e na livre iniciativa", tem por fim assegurar a

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todos existência digna, conforme os ditames da justiça
social, observados os seguintes princípios:
I – soberania nacional;
II – propriedade privada;
III – função social da propriedade;
IV – livre concorrência;
V – defesa do consumidor;
VI – defesa do meio ambiente;
VII – redução das desigualdades regionais e sociais;
VIII – busca do pleno emprego;
IX - Tratamento favorecido para as empresas de pequeno
porte constituídas sob as leis brasileiras e que tenham sua
sede e administração no País.
Parágrafo único. É assegurado a todos o livre
exercício de qualquer atividade econômica,
independentemente de autorização de órgãos
públicos, salvo nos casos previstos em lei.”

O Princípio da Livre Iniciativa é considerado como fundamento da


ordem econômica e atribui à iniciativa privada o papel primordial na produção ou
circulação de bens ou serviços, constituindo a base sobre a qual se constrói a ordem
econômica, cabendo ao Estado apenas uma função supletiva pois a Constituição
Federal determina que a ele cabe apenas a exploração direta da atividade econômica
quando necessária a segurança nacional ou relevante interesse econômico (CF, art. 173).
O Professor José Afonso da Silva, em seu curso de Direito
Constitucional Positivo ensina que “a liberdade de iniciativa envolve a liberdade de
indústria e comércio ou liberdade de empresa e a liberdade de contrato.”
Assegura a todos o art. 170 da Carta Magna o livre exercício de qualquer
atividade econômica, independentemente de autorização de órgãos públicos, salvo nos
casos previstos em lei.
Em síntese, podemos afirmar que a livre iniciativa é um dos preceitos
fundamentais da Carta Política de 1988, reconhecido não apenas pela Constituição como
também pela doutrina e que rege a ordem econômica nacional, tendo por finalidade
assegurar a todos uma existência digna, conforme os ditames da justiça social, sem
exclusões nem discriminações.
Dito isto, conforme os preceitos de nossa Carta Magna qualquer
cidadão é livre para constituir uma empresa dentro dos parâmetros legais.
O Paciente é sócio da empresa Cidreira Turismo, a qual foi
devidamente constituída e registrada na JUCERJA.
A acusação de forma perniciosa alega que o Paciente praticou o crime
de falsidade ideológica ao inserir no contrato social da empresa declaração diversa da
que deveria constar, o endereço.
No caso em tela a peça acusatória não expôs o fato criminoso
do suposto crime de falsidade ideológica com todas as suas circunstâncias,
apenas limitou-se a dizer que o paciente praticou crimes de falsidade
ideológica fazendo inserir em contratos sociais declarações falsas, com o
fim de alterar a verdade sobre fato relevante (o local da sede da empresa).
Ocorre que a empresa foi registrada no mesmo endereço o
qual o Paciente residia e isso não é crime. Abrir empresa sem nenhum
impedimento legal não é crime, o paciente exerceu aqui a sua liberdade
constitucional de livre iniciativa.
O tipo penal do 299 descreve:

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Art. 299. Omitir, em documento público ou particular,
declaração que dele devia constar, ou nele inserir ou fazer
inserir declaração falsa ou diversa da que devia ser escrita,
com o fim de prejudicar direito, criar obrigação ou alterar
a verdade sobre fato juridicamente relevante.
Pena: reclusão, de um a cinco anos, e multa, se o
documento é público, e reclusão de um a três anos, e
multa, se o documento é particular.

Prevê o artigo 299 do Caderno Criminal três modalidades de condutas


típicas.
No tocante ao tipo objetivo temos três condutas:
A primeira delas é a de omitir declaração a que estava o agente
obrigado, omitindo o sujeito a declaração que devia fazer.
A segunda ação é a de inserir, introduzir, intercalar, incluir declaração
falsa ou diversa da que devia o agente fazer.
A terceira consiste em fazer inserir a falsa declaração, ou seja,
utilizar-se o agente de terceiro para incluí-la.
Falsa é a declaração inverídica, e diversa da que devia ser escrita é a
substituição de uma declaração verdadeira por outra também verdadeira, mas inócua ou
impertinente ao caso.
No tocante ao tipo subjetivo temos o dolo.
O dolo no crime de falsidade ideológica é a vontade de praticar a
conduta incriminada, ciente o agente que a declaração é falsa ou diversa
daquela que devia ser escrita.
Indispensável, porém, o elemento subjetivo do tipo, previsto
expressamente na cláusula “com o fim de prejudicar direito, criar obrigação ou alterar
a verdade sobre fato juridicamente relevante”. grifamos (Júlio Fabbrini Mirabete. Código
Penal Interpretado, 6ª ed. pg. 2.271)
Portanto, para que exista o crime de falsidade ideológica é necessário
que haja a prática de uma das três modalidades de condutas típicas acima descritas (tipo
objetivo) ASSOCIADA ao FIM (tipo subjetivo) de prejudicar direito, criar obrigação ou
alterar a verdade sobre fato juridicamente relevante.
Júlio Fabbrini Mirabete nos ensina que:

“Não se configura o crime de falsidade ideológica,


portanto, quando se trata de falsidade sobre fato
juridicamente IRRELEVANTE, INÓCUO, que não
contém nocividade efetiva ou potencial.
Inexistindo, em tese, a possibilidade de ofensa a
direito alheio, NÃO SE CONFIGURA O CRIME.
Assim como a falsidade material não constitui crime,
porque não tem potencialidade de dano, pela mesma
razão é impunível a falsidade ideológica que
afirme fato ou circunstância incompatível com a
realidade de todos conhecida.
Uma declaração mentirosa, porém, inábil para prejudicar,
é inócua, não cria a sociedade aquele perigo necessário e
exigível; É necessário que o falso tenha um mínimo
de idoneidade para enganar.
É, pois, indispensável o prejuízo potencial ou real a
direito, obrigação ou a fato juridicamente relevante.
Não se exige, porém, prejuízo efetivo decorrente da
conduta. grifamos (Código Penal Interpretado, 6ª ed. pg.
2.262 e 2269)

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Assim, pelo brilhantíssimo entendimento doutrinário acima esposado,
não se caracteriza o crime de falsidade ideológica quando o fato é juridicamente
irrelevante.
A acusação alega que a empresa não funcionava no local descrito no
contrato social e que isso seria o crime de falsidade ideológica.
EXCELÊNCIA, DATA MÁXIMA VÊNIA, SE ISSO É
FALSIDADE IDEOLÓGICA INÚMEROS EMPRESÁRIOS DEVERIAM ESTAR
PRESOS, POIS É CORRIQUEIRO UMA EMPRESA MUDAR DE ENDEREÇO E
NÃO ATUALIZAR SEUS DADOS CADASTRAIS PERANTE A JUNTA
COMERCIAL.
A denúncia apenas descreve o tipo penal e inclui o nome do Paciente,
isso nunca foi e nunca será uma exposição dos fatos criminosos com todas as
circunstâncias.
Não é à toa que o Supremo Tribunal Federal não se cansa de repetir,
reproduzindo a lição do eminente Min. Soares Muñoz:

"O acusado defende-se da imputação


concretizada em fatos, tais como são narrados na
denúncia. Cerceada é a defesa, se a acusação é
vaga e imprecisa. Daí salientar, com acerto, Borges da
Rosa: “a denúncia é uma exposição narrativa e
demonstrativa. É narrativa, porque deve revelar
o fato com todas as suas circunstâncias, isto é,
não só a ação transitiva, como a pessoa que a
praticou (quis), os meios que empregou (quibus
auxiliis), o mal que produziu (quid), os motivos
que o determinaram a isso (cur), a maneira por
que o praticou (quomodo), o lugar onde o
praticou (ubi), e o tempo (quando). É
demonstrativa, porque deve dar as razões de convicção ou
presunção da criminalidade do fato praticado e fazer a
indicação das provas» (Comentários ao Código de
Processo Penal, págs. 128/29, 3ª edição atualizada por
Angelito A. Aiquel)". RTJ 110/110; obs.: ementa na p.
107).

Para se abrir uma HOME OFFICE basta um notebook e um


telefone em casa, pois prestadora de serviços não é supermercado que
precisa de ostentação!!!
Ademais, se o Paciente de fato estivesse com algum intento
de praticar crimes por meio da referida empresa não a teria registrado no
mesmo endereço o qual residia!
Segundo o direito empresarial, empresa é conceituada de acordo com
o artigo 966 do Código Civil:
Considera-se empresário quem exerce profissionalmente
atividade econômica organizada para produção ou
circulação de bens ou serviços.
Parágrafo único. Não se considera empresário quem
exerce profissão intelectual, de natureza científica,
literária ou artística, ainda com o concurso de auxiliares
ou colaboradores, salvo se o exercício da profissão
constituir elemento da empresa.

Empresa, portanto, não está ligada a estrutura predial com uma


faixada, mas atividade econômica organizada para produção ou circulação de bens ou
serviços.

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Como já exaustivamente falado anteriormente não há
nenhum crime de falsidade ideológica, eis que o Paciente NÃO INSERIU
DECLARAÇÕES FALSAS NO CONTRATO SOCIAL DAS EMPRESAS QUANTO
AO SEU ENDEREÇO.
Além disso, para ser típica, a conduta do crime de falsidade
ideológica é necessário que haja a prática de uma das três modalidades de
condutas típicas acima descritas (tipo objetivo) ASSOCIADA ao FIM (tipo
subjetivo) de prejudicar direito, criar obrigação ou alterar a verdade sobre
fato juridicamente relevante.
No caso em apreço, vimos que NÃO HOUVE A ISERÇÃO DE
DADOS FALSOS NOS CONTRATOS SOCIAIS DAS EMPRESAS.
E, em remotíssima hipótese, o que não é o caso, ainda que o endereço
descrito no contrato social não fosse de fato o local onde as empresas funcionavam, para
que tal fato fosse considerado como o tipo penal do 299, seria necessário a acusação
demonstrar a relevância de tal fato. E mais, que tal fato tivesse o mínimo de idoneidade
para enganar.
De mais a mais, o que a acusação alega além de ser
extremamente irrelevante é contraditório, é atípico, além de NÃO
DEMONSTRA O DOLO que é necessário para a caracterização do tipo penal
299.
O Pretório Excelso compactua com o mesmo entendimento em
recentíssimo julgado pela Primeira Turma:

AÇÃO PENAL ORIGINÁRIA. FALSIDADE


IDEOLÓGICA. AUSÊNCIA DE DOLO.
ABSOLVIÇÃO.
1. A materialidade e a prática da conduta estão
comprovadas pela assinatura do denunciado em
documentos que continham informações falsas.
2. As provas produzidas, no entanto, não
evidenciam que o denunciado tivesse ciência
inequívoca do conteúdo inverídico dos
documentos que assinara na condição de prefeito
e tampouco que o tenha feito com o objetivo de
prejudicar direito, criar obrigação ou alterar a
verdade de fato juridicamente relevante.
3. AUSENTE O DOLO, ELEMENTO SUBJETIVO
DO TIPO, É FORÇOSO RECONHECER QUE O
FATO PRATICADO NÃO CONSTITUI INFRAÇÃO
PENAL.
4. Absolvição por não constituir o fato infração
penal, nos termos do art. 386, III, do CPP.
(AP 931 / AL – ALAGOAS. AÇÃO PENAL Relator(a):
Min. ROBERTO BARROSO Julgamento:
06/06/2017 Órgão Julgador: Primeira Turma
STF)

Assim, se a conduta do Paciente é atípica, não constitui crime,


portanto, a denúncia deve ser rejeitada e a ação penal trancada por ausência de
atipicidade.
Nesse mesmo sentido também segue a Sexta Turma do STJ em
recentíssimo julgado há um mês atrás:

PROCESSUAL PENAL. DECLARAÇÃO FALSA DE


ENDEREÇO JUNTO AO DETRAN. FALSIDADE
IDEOLÓGICA. DESCRIÇÃO FÁTICA
INSUFICIENTE. INÉPCIA DA DENÚNCIA.

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ATIPICIDADE. OCORRÊNCIA. TRANCAMENTO
DA AÇÃO PENAL.
1 - É inepta a denúncia que, com narrativa
confusa e sem lógica, deixa de demonstrar como
teria o ora paciente inserido dado falso em
declaração de endereço junto ao DETRAN, bem como
não indica o dolo específico do crime de falsidade
ideológica, é dizer, o intuito de prejudicar direito,
criar obrigação ou alterar a verdade sobre fato
juridicamente relevante.
2 - Além disso, trata-se de declaração que,
passível de alguma dúvida pelo órgão
competente, necessita de averiguação
concomitante, o que, consoante consagradas
doutrina e jurisprudência, denota atipicidade na
conduta.
3 - ORDEM CONCEDIDA PARA TRANCAR A
AÇÃO PENAL POR FALTA DE JUSTA CAUSA.
(HC 411.648/SP, Rel. Ministra MARIA THEREZA
DE ASSIS MOURA, SEXTA TURMA STJ, julgado
em 14/11/2017, DJe 21/11/2017)

Assim seguem também os demais Tribunais pátrios:

FALSIDADE IDEOLÓGICA. DOLO ESPECÍFICO.


AUSÊNCIA. INDICIAMENTO EM INQUÉRITO
POLICIAL. AFASTAMENTO. VIABILIDADE SEM
PREJUÍZO DO PROSSEGUIMENTO DAS
INVESTIGAÇÕES.
Para o indiciamento é necessário que haja indícios
razoáveis apontando determinada pessoa como autora de
um fato típico, antijurídico e culpável.
Em se tratando de crime de falsidade ideológica,
SE NÃO HÁ ELEMENTOS BASTANTES PARA
AUFERIR ESSES REQUISITOS, ASSIM COMO A
EXISTÊNCIA DO DOLO ESPECÍFICO da conduta,
consistente na vontade consciente de prejudicar
direito, criar obrigação ou alterar a verdade
sobre fato juridicamente relevante, considerando
ser inegável o prejuízo à investigada, concede-se
a ordem de habeas corpus para afastar a sua
condição de indiciada, sem prejuízo do normal
prosseguimento do inquérito policial. (TJ-RO - RSE:
00019206620148220701 RO 0001920-
66.2014.822.0701, Relator: Desembargador Valter de
Oliveira, Data de Julgamento: 29/10/2015, 1ª Câmara
Criminal, Data de Publicação: Processo publicado no
Diário Oficial em 10/11/2015.)

Portanto, uma vez que NÃO HÁ TIPICIDADE do crime de


falsidade ideológica em relação a inserção de declaração falsa no contrato
social da empresas Cidreira Turismo, a ação penal deve ser sepultada.

4 - DA LAVAGEM DE DINHEIRO

Como claramente visto, A EMPRESA CIDREIRA TURISMO NASCEU


E TEVE SUAS COTAS INTEGRALIZADAS MUITO ANTES DO RECEBIMENTO DOS
VALORES PROVENIENTES DOS SUPOSTOS ESTELIONATOS JUDICIAIS E DO
SUPOSTO ESTELIONATO DO CURSO DE PSICANÁLISE AMBOS ATÍPICOS como já
restou devidamente provado, sendo, portanto, fatos sem nexo, sem justa causa e
plenamente atípicos.

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Excelência como poderia o Paciente integralizar no ano de 2013 a cota
da empresa CIDREIRA TURISMO LTDA com dinheiro auferido entre 2015 a 2016 por
meio dos supostos estelionatos plenamente ATÍPICOS? IMPOSSÍVEL!!!
Assim, se não há crimes antecedentes e nem a posteriori,
automaticamente inexiste o crime de lavagem de dinheiro.

PENAL E PROCESSO PENAL. RECURSO EM HABEAS


CORPUS. 1. CRIME DE "LAVAGEM" DE CAPITAIS OU
OCULTAÇÃO DE BENS, DIREITOS E VALORES. ART.
1º, III, V, VII, LEI N. 9.613/1998. CRIMES
ANTECEDENTES. CONTRABANDO, CORRUPÇÃO
ATIVA E ORGANIZAÇÃO CRIMINOSA. REDAÇÃO
ANTERIOR À LEI N. 12.683/12. 2. CONTRABANDO DE
MÁQUINAS CAÇA-NÍQUEIS. CORRUPÇÃO ATIVA DE
AGENTES PÚBLICOS. EXISTÊNCIA DE DESPESAS E
NÃO DE RENDA. VALORES QUE PODEM SER
PROVENIENTES DIRETA OU INDIRETAMENTE DOS
CRIMES ANTECEDENTES. 3. AUSÊNCIA DE
MANIFESTA ATIPICIDADE. AFERIÇÃO QUE
DEMANDA REVOLVIMENTO DOS FATOS E PROVAS.
PROCESSO NA FASE DE INSTRUÇÃO PROCESSUAL.
4. CRIME ANTECEDENTE DE ORGANIZAÇÃO
CRIMINOSA. ATIPICIDADE À ÉPOCA. TIPO PENAL
PREVISTO APENAS NA LEI N. 12.850/2013.
AUSÊNCIA DE JUSTA CAUSA.
CONSTRANGIMENTO ILEGAL EVIDENCIADO.
TRANCAMENTO DA AÇÃO PENAL. 5.RECURSO
EM HABEAS CORPUS PROVIDO EM PARTE,
APENAS PARA TRANCAR A AÇÃO PENAL COM
RELAÇÃO AO CRIME DO ART. 1º, VII, DA LEI N.
9.613/1998.
1. O delito de lavagem de dinheiro possui
natureza acessória, dependendo, portanto, da
prática de uma infração penal antecedente, da
qual tenha decorrido a obtenção de vantagem
financeira ilegal. Portanto, sua existência
depende de fato criminoso pretérito, como
antecedente penal necessário. Antes da alteração
trazida pela Lei n. 12.683/2012, o crime de
lavagem de dinheiro estava adstrito a certas e
determinadas infrações penais, segundo rol
taxativo. Somente haveria crime de lavagem de capitais
se o crime antecedente fosse um dos listados no rol do art.
1º da Lei n. 9.613/1998. Na hipótese dos autos, as
condutas imputadas ao recorrente foram praticadas antes
da alteração legislativa.
2. A denúncia imputa ao recorrente a conduta descrita no
art. 1º, incisos III, V e VII, c/c o § 1º, inciso I, da Lei n.
9.613/1998, tendo como crime antecedente a exploração
de máquinas caça-níqueis contrabandeadas, praticada
por organização criminosa, que corrompia agentes
públicos. Aduz o recorrente que os valores ocultados não
eram provenientes dos crimes de contrabando nem de
corrupção ativa, mas sim da contravenção penal de
exploração de máquinas caça-níqueis, que não consta do
rol de crimes antecedentes. Afirma, outrossim, que o
contrabando das máquinas e a corrupção de agentes
públicos não gerou valores, mas sim despesas. Contudo, o
tipo penal estabelece que os valores devem ser
provenientes direta ou indiretamente dos crimes que
menciona, motivo pelo qual não se verifica de pronto
eventual atipicidade.
3. O trancamento da ação penal na via estreita do
habeas corpus somente é possível, em caráter
excepcional, quando se comprovar, de plano, a
inépcia da denúncia, a atipicidade da conduta, a
incidência de causa de extinção da punibilidade

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ou a ausência de indícios de autoria ou prova da
materialidade do delito, o que não é o caso dos autos.
Não se admite, por essa razão, na maior parte das vezes, a
apreciação de alegações fundadas na ausência de dolo na
conduta do agente ou de inexistência de indícios de
autoria e materialidade em sede mandamental, pois tais
constatações dependem, via de regra, da análise
pormenorizada dos fatos, ensejando revolvimento de
provas incompatível, como referido alhures, com o rito
sumário do mandamus. Assim, não é possível, de plano,
reconhecer eventual atipicidade, porquanto
imprescindível proceder à instrução processual, que está
em andamento na origem.
4. No que concerne à imputação do crime de
lavagem de capitais, com crime antecedente
praticado por organização criminosa (art. 1º, VII,
da Lei n. 9.613/1998), tem-se que é assente no
Superior Tribunal de Justiça a atipicidade da
conduta. Referido entendimento se deve ao fato de o
tipo penal de organização criminosa ter sido inserido no
ordenamento jurídico apenas em 2013, por meio da Lei n.
12.850/2013. Assim, o fato de o crime ter sido praticado
por organização criminosa, antes da referida situação ser
tipificada como ilícito penal, não autoriza a tipificação do
crime de lavagem.
5. Recurso em habeas corpus provido em parte,
para trancar a ação penal, somente no tocante ao
delito previsto no art. 1º, inciso VII, da Lei n. 9.613/1998,
com extensão aos corréus, na forma do artigo 580 do
Código de Processo Penal. (RHC 36.661/RJ, Rel.
Ministro REYNALDO SOARES DA FONSECA,
QUINTA TURMA STJ, julgado em 25/04/2017,
DJe 03/05/2017
5 - DA ORGANIZAÇÃO CRIMINOSA

Os artigos 1º, inciso III, artigo 5º, incisos VI a VIII e artigo 19,
inciso I, todos da Constituição Federal de 1988 garantem o DIREITO À DIGNIDADE
DA PESSOA HUMANA E DE SE ASSOCIAR A UMA CRENÇA.
Excelência não precisa muito esforço para perceber PRIMA FACIE a
atipicidade do crime de organização criminosa imputada ao Paciente.
Basta uma simples leitura da primeira linha da folha 05 da peça
acusatória e ver-se-á de plano que a referida acusação de crime de organização criminosa
não prospera pelos motivos a seguir explanados.
Duas condições objetivas precisam ser verificadas para aplicação da Lei
nº 12.850/13.
A primeira, diz respeito a sua vigência: 19 de setembro de
2013;
A segunda, aos pressupostos objetivos para sua aplicação:
pluralidade de agentes criminosos, ilicitude da conduta, divisão de tarefas, permanência
e estabilidade.
Em nenhum dos dois casos, conforme demonstraremos, poder-se-ia
enquadrar o Paciente.
A peça acusatória aponta na folha 05 que o Paciente se reuniu em
abril de 2013 para praticar diversos crimes constituindo, assim, uma organização
criminosa.

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Ocorre que em abril de 2013, ainda NÃO EXISTIA em nosso
ordenamento pátrio o tipo penal de organização criminosa, o que já fulmina por si só a
tese acusatória de crime de organização criminosa por ATIPICIDADE.
Por outro lado, os supostos crimes que segundo a alegação foram os
motivos de se criar a organização criminosa, como já restou provado são todos sem justa
causa e ATÍPICOS.
Diante disso, não se aplica – in casu – a lei em comento, sob pena de
afronta ao Princípio Constitucional da Irretroatividade Penal.
Assim se manifesta o Superior Tribunal de Justiça:
“O princípio do nullum crimen, nulla poena sine praevia
lege, inscrito no art. 5º XXXIX, da Carta Magna, e no art.
1º do Código Penal, consubstancia uma das colunas
centrais do Direito Penal dos países democráticos, não se
admitindo qualquer tolerância sob o argumento
de que o fato imputado ao denunciado pode ser
eventualmente enquadrado em outra regra
penal. Se ao réu imputa-se um fato que somente
em lei posterior veio a ser definido como crime, a
denúncia não tem vitalidade por ferir o Princípio
da Anterioridade, impondo-se o trancamento da
ação penal” (STJ, RHC 8.171/CE, Rel. Min. Vicente
Leal, j. 2-3-1999)

Como se não fosse suficiente, também no que concerne aos


pressupostos objetivos para aplicação da legislação em comento (pluralidade de agentes
criminosos, ilicitude da conduta, divisão de tarefas, permanência e estabilidade)
verificamos a improcedência da capitulação no que diz respeito o Paciente.
Como é possível enquadrar o Paciente em “crime cometido por
organização criminosa”? IMPOSSÍVEL!
A uma, porque a conduta do Paciente é absolutamente revestida de
atipicidade, posto que NÃO há dolo, nem ao menos sequer culpa; a duas, porque NÃO
existe organização criminosa, o que existe é uma família ligada por laços de crença e
afeto. Uma irmandade religiosa.
Até hoje, já passada a fase de formação de culpa, ninguém sabe que
suposta tarefa ou função criminosa o Paciente exercia. Somente por ser advogado e
membro da irmandade está sendo acusado de ser integrante de organização criminosa
sem qualquer indício probatório que sustente isso, nem de documentos, nem de
testemunhas, nem de interceptação telefônica, nem de absolutamente nada.
É oportuno lembrar que Jesus foi condenado apenas por ser líder da
seita dos nazarenos, que posteriormente ficou conhecida como Cristianismo.
Aceitar a tese absurda de que uma pessoa constituiu e integra
organização criminosa somente pelo fato de ser advogado e membro de uma religião,
lugar onde mora e vive dignamente com a sua família, cultuando sua religião é algo
repulsivo.
Denúncia aos moldes desta devem ser aniquiladas pois afrontam a
DIGNIDADE DA PESSOA HUMANA a Constituição e as leis infraconstitucionais.
No processo, todo o volume VI que foi juntado como prova
da “organização criminosa” o que consta são apenas sermões e fotos de
confraternização entre os membros da Irmandade (docs. 23, 23.1 e 23.2).
Pasmem!!!
Verdadeiramente o Ministério Público almejou transformar
forçosamente uma organização religiosa em uma organização criminosa, mas as

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contradições presentes na denúncia não o permitiu, pois o que existe de fato e de direito
é uma organização religiosa, da qual o Paciente é MEMBRO e exerce a sua crença,
vivendo a sua fé ativamente com toda a sua família.

Da liberdade religiosa

De modo simplificado, a liberdade religiosa é a liberdade de professar


qualquer religião, de realizar os cultos ou tradições referentes a essas crenças, de
manifestar-se, em sua vida pessoal, conforme seus preceitos e poder viver de acordo com
essas crenças, conforme o Paciente vivia e vive.
Nas palavras de Tais Amorim de Andrade Piccinini:

“a liberdade religiosa não é apenas um direito, mas


um complexo de direitos, compreendendo: 1) a
liberdade de consciência; 2) a liberdade de crer e não
crer; 3) a liberdade de culto enquanto manifestação da
crença; 4) o direito de organização religiosa; e 5)
o respeito à religião. A liberdade religiosa mais
interna – a da consciência – é inatacável por
qualquer poder que seja externo à
individualidade do cidadão. A liberdade de
consciência é prévia à liberdade de crença. A liberdade
de crença é a liberdade que gera a possibilidade de
escolha daquilo em que se acredita. Ou seja, a
liberdade de crença não se localiza no Estado e não
permite interferência do Estado, vez que é um
elemento da própria individualidade. A liberdade de
crença, portanto, diz respeito à esfera da
intimidade e da privacidade do indivíduo. A
liberdade de culto é a exteriorização e a demonstração
plena da liberdade de religião que reside
interiormente”.

A nossa CF/88 em seu Título II classifica direitos e garantias


fundamentais, dentre os quais elenca o direito básico e elementar da liberdade
religiosa, consubstanciada em seu art. 5º, VI a VIII, in verbis:

“Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de


qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos
estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do
direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e
à propriedade, nos termos seguintes:
(...)
VI – é inviolável a liberdade de consciência e de
crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos
religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos
locais de culto e a suas liturgias;
VII - e assegurada, nos termos da lei, a prestação de
assistência religiosa nas entidades civis e militares de
internação coletiva;
VIII - ninguém será privado de direitos por
motivo de crença religiosa ou de convicção
filosófica ou política, salvo se as invocar para eximir-se
de obrigação legal a todos imposta e recusar-se a
cumprir prestação alternativa, fixada em lei;”

Ainda na Constituição de 1988, o artigo 1º, inciso III, consagrou o


princípio da dignidade da pessoa humana.
Esse princípio, aliás, tem um alcance universal.

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Entretanto, não há que se falar em dignidade da pessoa humana
diante da restrição da liberdade religiosa ou da inexistência de liberdade no sentido
mais lato.
Outrossim, “a tolerância religiosa, entendida como um profundo
respeito à convicção religiosa de outrem, é um fator que promove a paz e fraternidade
entre os povos”. (SORIANO, 2002, p.17).
Desta forma, a crença e o direito de livremente exercê-la é
componente fundamental não apenas da liberdade religiosa, mas do princípio da
dignidade da pessoa humana.
Outra importante garantia constitucional, em relação ao livre
exercício dos cultos religiosos é a disposição contida no artigo 19,
inciso I da Constituição:

Art. 19. É vedado à União, aos Estados, ao Distrito


Federal e aos Municípios:
I – estabelecer cultos religiosos ou igrejas, subvencioná-
los, embaraçar-lhes o funcionamento ou manter
com eles dependência ou aliança, ressalvada, na forma
da lei, a colaboração de interesse público;

Desta forma, está definida constitucionalmente a


inviolabilidade da liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o
livre exercício dos cultos religiosos e garantida na forma da lei, a proteção aos locais
de culto e suas liturgias.
Vimos, portanto, no decorrer deste writ que a exordial
acusatória NÃO provou o que alega, NÃO há, portanto, justa causa, pois NÃO
EXISTE NOS AUTOS INDÍCIO ALGUM de organização criminosa.
O que foi juntado pela acusação somente corrobora que a
união entre os acusados se trata de uma organização religiosa, pois todo o
Volume VI do processo é composto por fotos de aniversário espiritual,
sermões sobre DEUS e sobre a espiritualidade e atos confessionários de
membros da Irmandade Celestial (docs. 23, 2.1 e 23.2).

DO PEDIDO DE LIMINAR

Como maciçamente demonstrado neste petitório e vistos ICTU


OCULI, os supostos crimes de estelionato, lavagem de dinheiro, falsidade ideológica e
de organização criminosa, imputados contra o paciente por todos os ângulos que se olhe
NÃO EXISTEM.
Toda acusação ofende literalmente de morte cláusulas pétreas da
Carta Maior da Nação que:
1- Garante a proteção à DIGNIDADE da pessoa humana;
2- Garante o livre exercício de profissão, o que permite a
ministração de curso livres, inclusive o de psicanálise sem
precisar de nenhuma autorização;
3- Garante ao cidadão o direito de adentrar ao judiciário exercendo
o direito de ação em busca de direito que julga ter;
4- Garante ao cidadão o direito de livre iniciativa de abrir e fechar
empresa, inclusive no estilo home office e, por fim;
5- Garante o sagrado direito de praticar sua fé em todos os seus
níveis na religião que bem entender.

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A denúncia, ainda, golpeia de morte leis infraconstitucionais, portarias
e resoluções educacionais bem como doutrinas, além de estar em descompasso com a
jurisprudência dos TJ’s, STJ e STF, restando claro o fumus boni iuris.
O periculum in mora resta demonstrado pela ilegalidade
apresentada PRIMA FACIE devido ao fato do Paciente ser processado e preso não
havendo cometido nenhum crime. Se caracteriza, ainda, pelos incalculáveis prejuízos
morais e psicológicos sofridos pelo paciente, além dos transtornos de como advogado se
ver preso e processado ilegalmente por exercer dignamente a sua própria profissão e a
sua fé.
Tal processo e mandado de prisão impossibilita o paciente
de exercer o seu papel de Pai de família e cuidar de seus filhos menores,
tendo, por exemplo, que deixá-los nas mãos de terceiros.
Fundamentado no § 4º, do art. 19 da Lei nº. 12.962/2014 e art. 23 do
Estatuto da Criança e do Adolescente, que assegura a convivência da criança e do
adolescente com os pais, deve ser resguardado aos filhos do Paciente, por serem
menores, e por terem sofrido terríveis impactos do injusto processo, a presença física de
seus Pais para dar-lhes proteção, apoio afetivo, moral e psicológico.
Por fim, permitir que uma pessoa inocente sofra as agruras de uma
demanda criminal, movida por denúncia absolutamente inepta, sem JUSTA CAUSA e
ATÍPICA é algo que causa grande repúdio social.
Ante o exposto, presentes os pressupostos autorizadores da concessão
da medida liminar, requer o impetrante seja deferida medida liminar para que Vossa
Excelência se digne em SUSPENDER a ação penal de n° 0014964-08.2016-8.19.0042.
Requer ainda, respeitosamente, por medida de direito e justiça, que seja imediatamente
relaxada a prisão do paciente emitindo-se o competente alvará de soltura.
É o requerimento liminar.

PEDIDO FINAL
Ante o exposto, a impetrante, confiada na sabedoria, serenidade e
prudência do Ínclito DESEMBARGADOR RELATOR e de seus doutos Pares, integrantes
da Colenda Câmara Criminal deste Egrégio Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro,
requer:
a) Seja concedida a liminar requerida;
b) Sejam requisitadas as informações de estilo, à autoridade
coatora (juiz de direito da 1ª Vara Criminal da Petrópolis – Rio
de Janeiro;
c) Seja colhido o parecer do Parquet;
d) E, ao final, que seja concedida a ordem impetrada para decretar
o trancamento da ação penal nº 0014964-08.2016.8.19.0042 em
relação aos supostos crimes de organização criminosa, estelionato
em razão da oferta de curso livre de psicanálise e estelionato
judiciário, falsidade ideológica é lavagem de dinheiro por serem
todos sem JUSTA CAUSA E ATÍPICOS.
e) Que seja concedida a ordem em similitude fática processual,
estendendo os efeitos deste writ aos demais acusados.
f) Por derradeiro, requer seja definitivamente relaxada a prisão do
paciente emitindo-se o competente alvará de soltura.

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Advogado OAB/RJ

LISTA DE ANEXOS

1 – OAB do Paciente;
2 – Certidão de Immanuel;
3 – Antecedentes criminais;
4 – Decisão que recebeu a denúncia;
5 – Denúncia;
6 – Comentários de pais de alunos do CEUB no Facebook;
7 – Fotos de alunos CEUB;
8 – Mídia depreciativa;
9 – Contrato Social CEUB;
10 – Contrato de adesão do curso de Psicanálise;
11 – Panfletos do curso de Psicanálise;
12 – (Fl. 133 a 152) Fotos de perucas, de ambientes da antiga residência do Paciente, de
galinhas, etc.
13 – (Fl. 132) Declaração sobre o endereço da empresa Cidreira Turismo;
15 – CNPJ Cidreira Turismo;
16 – Início do curso de Psicanálise;
17 – Alvará da ação judicial em face do Banco do Brasil;
18 - Alvará da ação judicial em face do BMG;
19 – Termos de adesão da Irmandade Celestial;
20 – Nomes espirituais no livro Você Quer? Você Pode!
21 – Carteira de pastor de Donato Brandão Costa;
22 – Lista telefônica cortada com os nomes dos filhos dos membros.
23 – Vol. VI Fotos de aniversário;
23.1 – Vol. VI Sermões religiosos;
23.2 – Vol. VI Atos confessionários escritos.
24 - Venda de obras literárias de autoria de Donato Brandão Costa, tanto o livro você
quer você pode, como o livro Gênesis Celestial, Gênesis: A Origem, dentre outras obras;
25 - Venda de goji berry pela internet e pessoalmente pelos membros da Irmandade;
26 - Produção e venda de óleo de coco artesanal extra virgem;
27 - Trabalho de hospedagem (AirBnb);
28 - Produção e venda de espelhos em moldura de gesso;
29 - Trabalho artístico de teatro de rua;
30 - Trabalho artístico de teatro no ônibus. Teatro Bus;
31 - Trabalhos de restauração de obras em imóveis;
32 - A Irmandade recebe doações diversas;
33 - Trabalhos gráficos e produção de sites;
34 - Vendas de doces e brigadeiros;
35 - Trabalho de aluguel de mascotes da Disney;

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