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CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS – Parte I

I - Legislação e Fundamentos Básicos do Setor de Telecomunicações Brasileiro..................................1


1. Conceitos Básicos. ....................................................................................................................................1
2. Conceito Básico de Sistema.....................................................................................................................5
3. Sistemas de Telecomunicações................................................................................................................6
4. Conceitos Importantes.............................................................................................................................7
5. Conceito de Rede......................................................................................................................................9
6. Serviços de Telecomunicações ..............................................................................................................11
7. Espectro Eletromagnético .....................................................................................................................12

II - Conceitos e tipos de aplicações no sistema de telecomunicações. ...................................................15


1 Conceitos de transmissão e recepção. ...................................................................................................15
1.1 Conceitos de modulação analógica e digital. .....................................................................................15
1.2 Conceitos de multiplexação e de múltiplo acesso..............................................................................15
2 Conceitos de plataformas. ......................................................................................................................16
2.1 Telefonia fixa........................................................................................................................................16
2.2 Comunicações móveis..........................................................................................................................18
2.3 Comunicações via satélite....................................................................................................................20

I - Legislação e Fundamentos Básicos do Setor de Telecomunicações Brasileiro.

1. Conceitos Básicos.

Comunicação Multimídia
O Serviço de Comunicação Multimídia é um serviço fixo de telecomunicações de interesse coletivo,
prestado em âmbito nacional e internacional, no regime privado, que possibilita a oferta de capacidade de
transmissão, emissão e recepção de informações multimídia, utilizando quaisquer meios, a assinantes dentro de
uma área de prestação de serviço.

Onda Média (OM)


É a modalidade de serviço de radiodifusão que opera nas faixas de 525 KHz. a 1.605 KHz e 1.605 KHz a
1.705 KHz, com modulação em amplitude.

Onda Tropical(OT)
É a modalidade de serviço de radiodifusão que opera nas faixas de 2.300 kHz a 2.495 kHz, 3.200 kHz a
3.400 kHz, 4.750 kHz a 4.995 kHz e 5.005 kHz a 5.060 kHz, com modulação em amplitude.

Onda Curta(OC)
É a modalidade de serviço de radiodifusão que opera nas faixas de 5.950 kHz a 6.200 kHz, 9.500 kHz a
9.775 kHz, 11.700 kHz a 11.975 kHz, 15.100 kHz a 15.450 kHz, 17.700 kHz a 17.900 kHz, 21.450 kHz a 21.750
kHz e 25.600 kHz a 26.100 kHz, com modulação em amplitude.

Freqüência Modulada (FM)


É a modalidade de serviço de radiodifusão que opera na faixa de 87,8 MHz a 108 MHz, com modulação
em freqüência.

CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS 1
FM Comunitária
É o serviço de Radiodifusão Sonora em Freqüência Modulada, operada em baixa potência e com
cobertura restrita, outorgado a fundações e associações comunitárias, sem fins lucrativos, com sede na localidade
de prestação do serviço.

TV
Tipo de serviço de radiodifusão destinado à transmissão de sons e imagens, por ondas radioelétricas.

TV Digital
Ações relacionadas com o processo de definição do padrão tecnológico digital na transmissão terrestre de
televisão.
Sistema de televisão com transmissão, recepção e processamento digitais, podendo, na ponta do usuário
final, exibir programas por meio de equipamento digital ou através de aparelho analógico acoplado a uma Unidade
Receptora Decodificadora (URD).

Serviços Auxiliares de Radiodifusão e Correlatos - SARC


São aqueles executados pelas concessionárias ou permissionárias de serviços de radiodifusão, para
realizar reportagens externas, ligações entre estúdios e transmissores das estações, utilizando, inclusive
transceptores portáteis. São considerados correlatos ao serviço auxiliar de radiodifusão os enlaces-rádio
destinados a apoiar a execução dos serviços de radiodifusão tais como, comunicação de ordens internas,
telecomando e telemedição.

STFC
O Serviço Telefônico Fixo Comutado (STFC) é o serviço de telecomunicações que, por meio de
transmissão de voz e de outros sinais, destina-se à comunicação entre pontos fixos determinados, utilizando
processos de telefonia. São modalidades do Serviço Telefônico Fixo Comutado destinado ao uso do público em
geral o serviço local, o serviço de longa distância nacional e o serviço de longa distância internacional.

Interconexão
Ligação entre redes de telecomunicações funcionalmente compatíveis, de modo que os usuários de
serviços de uma das redes possam comunicar-se com usuários de serviços de outra ou acessar serviços nela
disponíveis

Móvel Pessoal
O Serviço Móvel Pessoal – SMP é o serviço de telecomunicações móvel terrestre de interesse coletivo
que possibilita a comunicação entre Estações Móveis e de Estações Móveis para outras estações. O SMP é
caracterizado por possibilitar a comunicação entre estações de uma mesma Área de Registro do SMP ou acesso
a redes de telecomunicações de interesse coletivo.

Móvel Celular
Serviço móvel celular é o serviço de telecomunicações móvel terrestre, aberto à correspondência pública,
que utiliza sistema de radiocomunicações com técnica celular, interconectado à rede pública de telecomunicações,
e acessado por meio de terminais portáteis, transportáveis ou veiculares, de uso individual.

Móvel Especializado
O SERVIÇO MÓVEL ESPECIALIZADO (SME) é o serviço de telecomunicações móvel terrestre de
interesse coletivo que utiliza sistema de radiocomunicação, basicamente, para a realização de operações tipo
despacho e outras formas de telecomunicações. Caracteriza-se pela mobilidade do usuário. O SME é prestado em
regime privado, mediante autorização, conforme disposto na Lei n.º 9.472, de 16 de julho de 1997 e é destinado a
pessoas jurídicas ou grupos de pessoas, naturais ou jurídicas, caracterizados pela realização de atividade
específica.

Nomes Populares:

"TRUNKING"
"TRUNK"
"SISTEMA TRONCALIZADO"

Móvel Especial de Radiochamada


O Serviço Especial de Radiochamada - SER é um serviço de telecomunicações destinado a transmitir, por
qualquer forma de telecomunicação, informações unidirecionais originadas em uma estação de base e
endereçadas a receptores móveis, utilizando-se das faixas de freqüências de 929 MHz e 931 MHz.

CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS 2
Serviço Móvel Global por Satélite - SMGS
O Serviço Móvel Global por Satélite - SMGS - é o serviço móvel por satélite que tem como principais
características utilizar sistemas de satélites com área de cobertura abrangendo todo ou grande parte do globo
terrestre e oferecer diversas aplicações de telecomunicações.

Móvel Aeronáutico
Categoria de serviço móvel em que as estações móveis (MA) deslocam-se por via aérea e comunicam-se
com estações terrestres do serviço móvel aeronáutico, denominadas Estações Aeronáuticas (FA).
Os serviços de telecomunicações aeronáuticas são prestados em condições e em faixas de freqüência
dos Serviços Fixo e Móvel Aeronáutico, de Radionavegação Aeronáutica e de Radiodeterminação, definidas no
Regulamento de Radiocomunicações da União Internacional de Telecomunicações - UIT, no Plano de Atribuição,
Destinação e Distribuição de Faixas de Freqüências no Brasil, no Anexo 10 da ICAO, no Código Brasileiro de
Aeronáutica, na Lei Geral de Telecomunicações e em outros que venham a ser assim considerados pela
Legislação Brasileira.

Móvel Marítimo
Serviço Móvel Marítimo (Estação de Navio)
É o serviço destinado às comunicações entre estações costeiras e estações de navio, entre estações de
navio ou entre estações de comunicações a bordo associadas. Estações em embarcações ou dispositivos de
salvamento e estações de emergência de radiobaliza indicadora de posição podem, também, participar deste
serviço.
As estações costeiras, estações a bordo de navios e estações portuárias estão associadas ao Serviço
Móvel Marítimo, e sua autorização é formalizada pela expedição da licença para funcionamento de estação.

TV a Cabo
TV a cabo é o serviço de telecomunicações que consiste na distribuição de sinais de vídeo e/ou áudio a
assinantes, mediante transporte por meios físicos.

MMDS
O Serviço de Distribuição de Sinais Multiponto Multicanais - MMDS é uma das modalidades de serviços
especiais, regulamentados pelo decreto nº 2196, de 08 de abril de 1997, que se utiliza de faixa de microondas
para transmitir sinais a serem recebidos em pontos determinados dentro da área de prestação do serviço.

DTH
O Serviço de Distribuição de Sinais de Televisão e de Áudio por Assinatura via Satélite é uma das
modalidades de serviços especiais regulamentados pelo decreto n.º 2.196 de 08/04/97, que tem como objetivo a
distribuição de sinais de televisão ou de áudio, bem como de ambos, através de satélites, a assinantes localizados
na área de prestação de serviço.

TVA
O serviço especial de Televisão por Assinatura - TVA é o serviço de telecomunicações destinado a
distribuir sons e imagens a assinantes, por sinais codificados, mediante a utilização de canais do espectro
radioelétrico; sendo permitida, a critério do poder concedente, a utilização parcial sem codificação.

Rádio Cidadão
É o serviço de radiocomunicações de uso compartilhado para comunicados entre estações fixas e/ou
móveis, realizados por pessoas naturais (físicas), utilizando o espectro de freqüências compreendido entre 26,96
MHz e 27,61 MHz. Esse serviço está vinculado à Superintendência de Serviços Privados e consequentemente à
Gerência Geral de Serviços Privados.

Universalização
O Brasil que não estava no mapa diz alô. Até 2001, existia um Brasil que ninguém ouvia falar. Mais de 7
mil localidades mudas, sem telefones ou qualquer meio de telecomunicação, distante de tudo e de todos. Com a
privatização das telecomunicações, a ANATEL estabeleceu metas de universalização, criadas para garantir que o
futuro e a cidadania chegassem a todos os brasileiros. Com a ANATEL o cidadão tem mais voz.

CERTIFICAÇÃO
Conjunto de procedimentos regulamentados e padronizados que resultam na expedição de Certificado ou
Declaração de Conformidade específicos para produtos de telecomunicações

HOMOLOGAÇÃO
Ato privativo da Anatel pelo qual, na forma e nas hipóteses previstas no Regulamento para Certificação e
Homologação de Produtos para Telecomunicações, aprovado pela Resolução nº 242, de 30/11/2000, a Agência
reconhece os certificados de conformidade ou aceita as declarações de conformidade para produtos de
telecomunicações.

CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS 3
Satélite
O provimento de capacidade espacial é oferecido por entidades detentoras do direito de exploração de
satélite brasileiro ou estrangeiro para o transporte de sinais de telecomunicações. A Resolução nº 220, de
05/04/2000, aprova o regulamento que dispõe sobre as condições para conferir o Direito de Exploração de
Satélite, brasileiro ou estrangeiro.
A prestação de serviços de telecomunicações utilizando satélite é realizada por entidade que detém
concessão, permissão ou autorização para prestação de serviços de telecomunicações.

Serviço de Radiotáxi Privado


É uma submodalidade do Serviço Limitado Privado, de interesse restrito. É um serviço de
radiocomunicações bidirecional, destinado ao uso próprio do executante, dotado ou não de sistema de chamada
seletiva, por meio do qual são intercambiadas informações entre estações de base e estações móveis terrestres
instaladas em veículos de aluguel, destinadas à orientação e à administração de transporte de passageiros.

Serviço de Radiotáxi Especializado


É uma submodalidade do Serviço Limitado Especializado, de interesse coletivo. É um serviço de
radiocomunicações bidirecional, destinado á prestação a terceiros, dotado ou não de sistema de chamada
seletiva, por meio do qual são intercambiadas informações entre estações de base e estações móveis terrestres
instaladas em veículos de aluguel, destinadas à orientação e à administração de transporte de passageiros.

Rede e Circuito Especializado


Tratam-se de submodalidades do Serviço Limitado Especializado destinadas à prestação de serviços de
telecomunicações a terceiros, desde que sejam estes uma mesma pessoa ou grupo de pessoas naturais ou
jurídicas, caracterizado pela realização de atividade específica.

Serviço de Circuito Especializado:


- Serviço Fixo;
- Não aberto à correspondência pública;
- Aplicações ponto a ponto ou ponto multiponto (suporte à interligação de redes, interligação de PABX, etc.).

Serviço de Rede Especializado:


- Não aberto à correspondência pública;
- Aplicações entre pontos distribuídos (provimento de serviços de comunicações de voz, dados, imagens, etc.);
- Estabelecimento de redes de telecomunicações para grupos de pessoas jurídicas com atividade específica.

SRTT
O Serviço de Rede de Transporte de Telecomunicações é destinado a transportar sinais de voz,
telegráficos, dados ou qualquer outra forma de sinais de telecomunicações entre pontos fixos.
Serviços compreendidos na prestação do Serviço de Rede de Transporte de Telecomunicações (ver as
especificidades por empresa nos Termos e Atos de Autorização)
1. Serviço Especial de Repetição de Sinais de TV e Vídeo
2. Serviço Especial de Repetição de Sinais de Áudio
3. Serviço por Linha Dedicada
3.1. Serviço por Linha Dedicada para Sinais Analógicos
3.2. Serviço por Linha Dedicada para Sinais Digitais
3.3. Serviço por Linha Dedicada para Telegrafia
3.4. Serviço por Linha Dedicada Internacional
3.4.1.Serviço por Linha Dedicada Internacional para Sinais Analógicos
3.4.2. Serviço por Linha Dedicada Internacional para Sinais Digitais
3.4.3. Serviço por Linha Dedicada Internacional para Telegrafia
4. Serviço de Rede Comutada por Pacote
5. Serviço de Rede Comutada por Circuito
6. Serviço de Comunicação de Textos - Telex

Autocadastramento
O autocadastramento é uma parceria que pode ser feita entre o interessado e a ANATEL para permitir o
cadastramento remoto (via internet) das suas estações de sistema de telecomunicações diretamente no Banco de
Dados da Anatel.

Limitado Privado
O Serviço Limitado Privado é uma modalidade de serviço limitado de interesse restrito, destinado ao uso
próprio do executante, seja este uma pessoa natural (física) ou jurídica. Esse serviço está vinculado à
Superintendência de Serviços Privados e consequentemente à Gerência Geral de Serviços Privados de
Telecomunicações.

CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS 4
Público Restrito
Os Serviços Público-Restritos são serviços de telecomunicações destinados ao uso de passageiros dos
navios, aeronaves, veículos em movimento ou ao uso do público em localidades ainda não atendidas pelo Serviço
Público de Telecomunicações.

2. Conceito Básico de Sistema


Presente não só na engenharia, mas em campos diversos como a biologia, astronomia,
e outros, o conceito de sistema [1] está fortemente presente no pensamento científico. Foi a partir da década de
40 e ao longo da década de 50, que Ludwig Von Bertalanffy, biólogo alemão publicou vários estudos que vieram a
constituir a denominada Teoria Geral dos Sistemas. Esta teoria busca a visão do mundo em termos de relação e
de integração. Portanto, o enfoque sistêmico é fundamentalmente um modo de pensar o mundo, de compreendê-
lo sob o prisma do holismo, da universalidade e da totalidade.
Esta teoria representa uma forma de compreender e interpretar os eventos que ocorrem no Universo. A
abordagem clássica, (7) anterior ao pensamento sistêmico considerava, de modo geral, três princípios:
reducionismo, pensamento analítico e mecanicismo.

Reducionismo: todas as coisas podem ser decompostas e reduzidas em seus elementos fundamentais simples;
Ex.:física – estudo dos átomos, química – estudo das substâncias simples, etc.

Pensamento Analítico: a análise consiste na decomposição do todo, tanto quanto possível, em partes simples,
independentes e indivisíveis, que são mais facilmente solucionadas ou explicadas. O reducionismo serve-se deste
pensamento para explicar as coisas ou tentar compreendê-las. Depois da decomposição, as soluções/explicações
parciais são agregadas para uma solução ou explicação do todo. Ou seja, a solução ou explicação do todo,
constitui a soma ou resultante das soluções ou explicações das partes.

Mecanicismo: apoiado na relação simples de causa e efeito entre dois fenômenos. Um fenômeno constitui a
causa de outro fenômeno ( seu efeito), quando ele é necessário e suficiente para provocá-lo. O ambiente fica
totalmente subtraído na explicação do fenômeno. Característica de Sistemas fechados, que nada trocam com o
ambiente em que estão inseridos.

Sistema é um vocábulo que se refere a uma maneira de organizar a realidade em termos de elementos,
partes e variáveis. Tais elementos são interdependentes e integrados. Sistema, portanto, é o conjunto de partes
interdependentes com função determinada e compreende subsistemas entendidos como conjuntos menores que o
integram.
Os princípios básicos da Abordagem Sistêmica são: expansionismo, pensamento sintético e teleologia (7).

Expansionismo: todo fenômeno é parte de um fenômeno maior. O desempenho depende de como ele se
relaciona com o todo maior que o envolve e do qual faz parte. Importante ressaltar que não se nega que cada
fenômeno seja constituído de partes, mas a ênfase reside na focalização do todo do qual o fenômeno faz parte.

Pensamento Sintético: O fenômeno que se pretende explicar é parte de um sistema maior. A sua explicação é
feita em termos do papel que desempenha no sistema maior. A abordagem sistema busca mais juntar as coisas
que separa-las.

Teleologia: [do grego – teleíos – no fim, final – causa + log(o) + ia ] 1.Estudo da finalidade. 2. Doutrina que
considera o mundo como um sistema de relações entre meios e fins 3. Estudo dos fins humanos ( Ferreira, 1986).
A causa é uma condição necessária, mas nem sempre suficiente para que surja o efeito. A partir desta concepção
, os sistemas passam a ser visualizados como entidades globais e funcionais em busca de objetivos e finalidades.

Em resumo:
• Um sistema é composto de partes identificáveis e inter-relacionados, o que ocorrer em uma parte, afetará todo o
funcionamento do sistema. Isto significa que um sistema responde como um todo às mudanças em uma de suas
partes;
• Cada sistema é parte de um sistema maior e o que ocorrer com um ou mais destes sistemas afeta o
funcionamento como um todo do sistema maior;
• Porque os sistemas são inter-relacionados, o limite entre cada um não é rígido e pode ser arbitrariamente
estabelecido ou reajustado em qualquer momento dado. Os limites são estabelecidos de acordo com os
propósitos de cada um que está trabalhando com um sistema em particular.
Desta forma, em acordo com o enfoque apresentado a característica fundamental que
emerge do inter-relacionamento entre as partes é que o todo é algo mais que a somatória das partes que o
compõe. Considerando a inter-relação das partes, tudo o que ocorrer em uma das partes afetará o sistema como
um todo. Além disso, os sistemas sofrem mudanças e ajustamentos contínuos o que lhes conferem caráter de
dinamismo.
CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS 5
Os sistemas se caracterizam por possuírem:
• Entrada: consiste de informação, matéria e energia que entram no sistema;
• Processamento: é o modo de transformação, uma vez que os elementos de entrada vão se inter-relacionar
produzindo modificações;

Retroalimentação: é a parcela da saída do sistema que retorna a ele, e é capaz de regulá-lo; visa comparar a
saída com o critério estabelecido a fim de melhorar o desempenho do processo.

Para encerrar este resumo, lembramos que os sistemas podem ser abertos e fechados. Os sistemas
fechados não apresentam intercâmbio com o meio que os circundam; não recebem influência do ambiente e, por
outro lado, também não o influenciam. Já os Sistemas abertos apresentam relações de intercâmbio com o
ambiente, através de entradas e de saídas,
trocando matéria e energia regularmente com o meio ambiente. Por meio da retroalimentação os sistemas
corrigem continuamente suas funções a partir de propósitos orientados para um determinado fim. Essa é uma
característica dos sistemas abertos que, através desse mecanismo capta as informações necessárias capaz de
repor as perdas e proporcionar sua integração e organização e, portanto, crescimento.

3. Sistemas de Telecomunicações
Derivada de um radical grego "tele" que significa distância e uma terminação latina
"communicatio" que significa comunicação, assim nós podemos conceituar sistemas de telecomunicações como
aquele sistema que permite efetuar a comunicação à distância. É interessante acrescentar ainda que a palavra
"comunicação" deriva do radical latino "communis" cujo significado é comum. Logo a comunicação será o
processo através do qual transferimos a informação de um ponto a outro, de modo a partilhá-las entre ambos.
Segundo a LGT - Lei Geral de Telecomunicações temos: Telecomunicação é a transmissão, emissão
ou recepção, por fio, radioeletricidade, meios ópticos ou qualquer outro processo eletromagnético, de
símbolos, caracteres, sinais, escritos, imagens, sons ou informações de qualquer natureza.
Então o sistema que nos interessa [2] pode ser visto de forma simplificada conforme a
figura 2 que se segue:

A FONTE dispõe de alguma informação que deseja transferir a um destinatário, de forma que esta
informação se torne um bem comum (origem do nome comunicação!). Percebemos que fonte e destinatário são
entidades distintas e se encontram fisicamente separadas. Para transferir a informação é preciso escolher um
canal adequado e algum meio físico entre um e outro que permita que algum tipo de fenômeno físico se
propague entre eles e transporte esta informação.
Chamaremos este fenômeno físico de sinal, que variando segundo um padrão adequado irá representar a
informação desejada. Ou seja, o sinal é um suporte físico, alguma forma de energia e a informação1 é algo
abstrato, associado com a lógica de percepção da variação do sinal.
O exemplo mais próximo do cotidiano é a comunicação por voz. Paulo quer transmitir uma idéia para
Laura. Para tanto, utiliza da linguagem falada. A fonte, Paulo que fala, o destinatário Laura que o ouve. O canal é
o ar que está entre eles. O sinal é a energia de voz
que é enviada. A informação está na idéia que a voz transmite.
Vamos a um primeiro problema: a atenuação do sinal de voz é muito grande portanto a
comunicação desta forma só funciona para pessoas próximas. Em busca da solução para esse problema
inventou-se a telefonia, típico exemplo de um sistema de telecomunicações. Agora, o sinal de voz (sinal acústico)
será convertido num sinal elétrico, que por sua vez será transmitido pelo canal, agora telefônico, e no seu destino
será convertido em sinal de voz novamente (sinal acústico). Esta conversão elétrico-acústica permite a cobertura
eficiente de grandes distâncias, isto por que o sinal elétrico se propaga com muita rapidez, com baixa perda e
ainda pode ser amplificado (regenerado) ao longo do caminho.

CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS 6
O sistema de telecomunicações é um sistema de comunicações capaz de cobrir grandes distâncias e se
caracteriza por empregar uma tecnologia específica, baseada na propagação de sinais elétricos, exigindo,
portanto, equipamentos elétricos e eletrônicos para adaptação dos sinais originais. Em conseqüência o diagrama
esquemático que representa o sistema de telecomunicações fica conforme a figura 3:

O bloco do emissor do sinal engloba todos os equipamentos que tratam do sinal original até compor o
sinal elétrico que vai ser enviado pelo meio de transmissão. O bloco receptor tem função inversa, isto é, capta o
sinal transmitido pelo meio e trata-o de modo a entregá-lo ao destinatário, de modo adequado. Observamos ainda
um bloco denominado como ruído, que corresponde a todo sinal espúrio, indesejado, que contamina e a energia
útil que se
propaga.
É conveniente ressaltar que o conceito básico do sistema de comunicações é o de uma
entidade essencialmente unidirecional, permitindo o fluxo de informação de uma fonte até um destinatário. Este
meio de transmissão será conhecido por nós como Canal de Comunicação.

4. Conceitos Importantes
A entidade que engloba tanto a fonte quanto o destinatário é identificada como um terminal de
comunicações. Ou seja, um terminal é capaz de enviar e receber informação. Ao unirmos um canal de ida e um
canal de volta, retorno, a fim de que os terminais se comuniquem entre si, estamos estabelecendo o conceito de
circuito.

4.1 Tipo de Circuitos:


1. Quanto à utilização podemos encontrar circuitos de uso privado e de uso público. Os primeiros são definidos
como todo aquele que serve exclusivamente a um determinado número de terminais de característica
essencialmente particular. Por exemplo circuitos que ligam a Bolsa de Valores com as diversas Corretoras. Os de
uso público são os destinados aos usuários que utilizam terminais pertencentes a uma concessionária de serviços
públicos de telecomunicações. Por exemplo circuitos da rede nacional de telefonia.

2. Circuitos quanto a Topologia.


Do ponto e vista de topologia, o circuito mais simples é o que liga diretamente dois nós terminais, sendo referido
como circuito ponto – a - ponto.

CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS 7
Vamos analisar agora a necessidade de um terminal se comunicar com dois outros
terminais. Por exemplo, observe que ao utilizar linhas físicas na figura 6 e na figura 7 será preciso um nó
intermediário, sendo então passível de ocorrer duas possibilidades: distribuição e comutação.

Observemos as duas figuras e embora pareçam iguais, é possível de se ter duas lógicas operando. Assim
enquanto B opera como um nó intermediário de distribuição o sinal
de A alcança C e D, ambos simultaneamente; F por sua vez ao funcionar como um nó intermediário de
comutação, o sinal chegará a G ou H, mas não em ambos simultaneamente . Em geral neste segundo caso pode
ser denominado centro de comutação ou central de comutação.
No primeiro caso, a fonte A pode enviar o sinal simultaneamente para os terminais C
e para D, logo o nó intermediário estará distribuindo (alguns usam o termo derivando) o sinal. O circuito referido
denomina-se circuito multiponto.
Agora se no nó intermediário se toma uma decisão, de modo que o sinal vindo de E
possa ser enviado ou para o terminal B ou para o terminal C, o nó intermediário estará operando como um nó de
comutação. Neste caso a ligação se efetua, naquele momento, apenas entre dois nós terminais e, por isso, é
referido como circuito ponto – a – ponto comutado, ou simplesmente como, circuito comutado.
O circuito multiponto pode ser montado com o uso de rádio, o exemplo típico sendo os
esquemas de rádio-difusão e tele-difusão (TV). Como a energia irradiada afeta todo o espaço, temos um esquema
de distribuição.
É possível ainda especificar um pouco mais definindo Multiponto Série, quando um único circuito interliga
permanentemente, diversos terminais e Multiponto Paralelo, quando vários circuitos interligam permanentemente
entre si, diversos terminais. Conforme figuras que se seguem:

Multipontos:

CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS 8
3. Circuitos quanto à Transmissão: Aqui teremos as seguintes possibilidades; quando um circuito transmite
exclusivamente para um outro terminal, será denominado como circuito de transmissão direta. Quando um
terminal transmitir simultaneamente para diversos terminais teremos a transmissão por difusão (Neste caso o
terminal transmissor é chamado de centro emissor).
Aqui podemos encontrar ainda a difusão centralizada, tipo estação de TV; a difusão
descentralizada como a que acontece na rádio comunicação; a transmissão por concentração, como a telefonia
rural e a transmissão por comando, quando existe uma disciplina para transmissão dos terminais.

3. Circuitos quanto ao modo de Operação:


Quando ao modo de operação o circuito pode ser visto como Simplex (1), quando a informação é
transmitida em um único sentido; Duplex (2), quando se transmite nos dois sentidos, simultaneamente e Half-
duplex (Semiduplex) (3) quando se transmite nos dois sentidos não simultaneamente.

4. Circuitos quanto à Abrangência Geográfica:


Neste podemos enquadrá-los quando a interligação ocorrer dentro de uma mesma área
como circuitos urbanos; entre diferentes áreas, circuitos interurbanos e por fim denominá-los inter-estatuais e
internacionais conforme o alcance.

5. Quanto ao tipo de transmissão:


Quando o sinal transmitido é submetido a uma base de tempo (clock) de referência na origem e
recuperado no destino, a partir da base de tempo de referência do mesmo, que trabalha sincronizadamente com a
sua origem, ele é denominado circuito síncrono. A outra possibilidade, circuito assíncrono, corresponde a não
existência desse
sincronismo, sendo aplicado sinais delimitadores de início e fim de informação nas
porções transmitidas.
Por fim vamos enfatizar [3] visualizando na figura abaixo a união dos conceitos de
canal e circuito:

5. Conceito de Rede
Na prática encontramos vários terminais que querem conversar entre si. Em telecomunicações precisamos
ainda conceituar Rede. Uma Rede corresponde ao conjunto de facilidades que permite a vários terminais se
comunicarem entre si, ou seja: Rede de telecomunicações, segundo a LGT, é o conjunto operacional
contínuo de circuitos e equipamentos, incluindo funções de transmissão, comutação, multiplexação ou
quaisquer outras indispensáveis à operação de serviço de telecomunicações.
A implantação e o funcionamento das redes de telecomunicação objetiva o suporte à prestação de
serviços de interesse coletivo, no regime público ou privado. A classificação de uma rede de comunicações pode
ser feita de diversas formas. Uma [4] Rede pode ser vista quanto :

1. Ao objetivo do Serviço: Rede Telefônica, Rede Telegráfica, Rede Telex, Rede de Comunicação de Dados,
etc.,
2. Forma da Rede, topologia: Rede em estrela, Rede em Malha, Rede Mista, Rede Hierárquica.
3. Ao Destino; Rede Pública, Rede Privada.
4. Sistema de Comutação: Rede de Comutação de circuitos, Rede de Comutação Armazenada, Rede de
Comutação de Pacotes, Rede de Comutação de Mensagens, etc.

CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS 9
5. Tipo de Sinais Utilizados: Rede Analógica, Rede Digital.

5.1 Topologia da Rede


A especificação de como a Rede é tem a ver com os pontos servidos e com a capacidade destes pontos
se interligarem entre si. Observe que a capacidade de interligação tem a ver com a possibilidade de transporte de
sinais de um ponto a outro. Para melhor visualizar a estrutura de uma rede nós precisaremos do conceito de
topologia.
A Topologia da Rede nos dá uma descrição geométrica (ou geográfica) simplificada de sua composição,
onde o que interessa é explicitar as possibilidades de transporte de sinal de um ponto a outro, abstraindo-se a
especificação física de seus componentes. Podemos encontrar redes em Estrela, em Malha, em Árvore ou
Hierárquica ou ainda Mista.
Os elementos básicos da topologia de uma rede são os nós e os enlaces (alguns autores usam arco) .
Um nó é um ponto onde o sinal entra na rede, sai da rede (nó terminal) ou é direcionado na rede (nó
intermediário). O nó misto oferece ambas as possibilidades. O enlace é o caminho que o sinal segue entre dois
nós consecutivos.

Na figura 1 observamos nós e enlaces de uma Rede de Telecomunicações, numa topologia em Malha. Em
seguida observamos na fig.13 a topologia em Árvore ou Hierárquica e na fig. 14 topologia em Estrela:

5.2 Otimizando os caminhos, rotas.


Para enviarmos o sinal de um ponto a outro, da fonte ao destinatário, naturalmente buscamos estabelecer
enlaces que sigam sempre que possível trechos comuns de caminho de forma a compartilhar a mesma infra-
estrutura de recursos , tais como o mesmo duto, prédios de estação, torre, fontes de energia, etc.
No entanto, ainda é preciso otimizar o emprego dos meios de transmissão. Existem aqui dois
procedimentos clássicos para este desiderato: a multiplexação e a concentração. O primeiro deles, a
multiplexação2, permite que um mesmo meio possa ser compartilhado por vários canais.

Já a concentração é um outro recurso, aplicável apenas para o caso em que a fonte fica ativa durante
curtos intervalos de tempo . Por exemplo, em média, um assinante da rede telefônica só usa o telefone alguns
minutos por dia, sendo então possível, alocar um canal de uso comum para a fonte apenas quanto ela está ativa,
economizando em número de canais.

CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS 10
O feixe de canais de uso comum pode ser bem menor que o feixe de canais entrantes.
Apenas quando um certo canal fica ativo é preciso efetuar a sua conexão com um dos canais comuns.
Podíamos incluir aqui o conceito de Estação de Telecomunicações que, segundo a LGT, consiste no
conjunto de equipamentos ou aparelhos, dispositivos e demais meios necessários à realização de
telecomunicação, seus acessórios e periféricos e, quando necessário, as instalações que os obrigam e
complementam, inclusive terminais portáteis.

5.3 Operação da Rede


Com relação à operação existe uma enorme variedade, não apenas de serviço para serviço, como ainda,
dentro de um mesmo serviço pode apresentar várias modalidades. Contudo podemos reconhecer a existência de
dois aspectos essenciais:
a- o estabelecimento das condições de acesso na rede, de um ponto a outro, na comunicação desejada;
b- o controle de fluxo de sinais pela rede, de modo a garantir que os sinais possam ser escoados e não sejam
perdidos nem superpostos com outros.

No que se refere ao estabelecimento das condições de acesso, é evidente que o acesso só será possível
se a topologia garantir conectividade, isto é, se for possível achar um
caminho que saindo de um nó terminal chegue até o outro nó terminal, passando por enlaces e nós disponíveis na
rede. Entretanto, mesmo que exista um caminho factível na topologia, a conexão só será possível se a ligação for
permitida na rede.
Há ainda outros dois pontos que devemos considerar. Primeiro, uma vez que a rede terá vários terminais
ligados a ela, ou seja é preciso haver uma identificação precisa para individualizar os pontos de origem e destino
da comunicação. O esquema usualmente adotado neste sentido é o de adoção de um código numérico ou
alfanumérico de identificação.
E segundo, é que pode haver mais de um caminho possível na rede e é preciso selecionar um deles para
efetuar a conexão. Geralmente se adota um algoritmo de economicidade, buscando, por exemplo, o caminho mais
curto disponível. Este procedimento de seleção é referido como encaminhamento ou roteamento pela rede.
Supondo o possível acesso, é preciso estar atento para quando existe apenas uma fonte emissora de
sinais, ou quando cada fonte possui um canal específico (conseguido por
separação no espaço, separação em freqüência ou separação no tempo) nestes casos a questão é trivial, porque
estas fontes podem enviar seu sinal quando desejarem.
Mas um problema surge quando um mesmo canal for compartilhado por mais de uma
fonte. Neste caso é necessário estabelecer uma disciplina operacional para que apenas uma fonte use, de cada
vez, o canal de uso comum. Há então duas filosofias gerais a serem adotadas neste caso:

6. Serviços de Telecomunicações
Segundo a LGT – Lei Geral de Telecomunicações, Serviço de telecomunicações é o
conjunto de atividades que possibilitam a oferta de telecomunicação. Consultando à ANATEL nos podemos
obter informações dos diversos serviços que são atualmente oferecidos. De modo sucinto, temos:
O Serviço de Distribuição de Sinais Multiponto Multicanais - MMDS é uma das modalidades de serviços
especiais, regulamentados pelo decreto nº 2196, de 08 de abril de 1997, que utiliza a faixa de microondas para
transmitir sinais a serem recebidos em pontos determinados dentro da área de prestação do serviço.
O Serviço Telefônico Fixo Comutado (STFC) é o serviço de telecomunicações que, por

CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS 11
meio de transmissão de voz e de outros sinais, destina-se à comunicação entre pontos fixos determinados,
utilizando processos de telefonia. São modalidades do Serviço Telefônico Fixo Comutado destinado ao uso do
público em geral: o serviço local, o serviço de longa distância nacional e o serviço de longa distância internacional.
Serviço móvel celular é o serviço de telecomunicações móvel terrestre, aberto à correspondência pública,
que utiliza sistema de Radiocomunicações com técnica celular, interconectado à rede pública de
telecomunicações, e acessado por meio de terminais portáteis, transportáveis ou veiculares, de uso individual.
O Serviço de Rede de Transporte de Telecomunicações é destinado a transportar sinais de voz,
telegráficos, dados ou qualquer outra forma de sinais de telecomunicações entre pontos fixos.
Serviços compreendidos na prestação do Serviço de Rede de Transporte de Telecomunicações (ver as
especificidades por empresa nos Termos e Atos de Autorização)
1.Serviço Especial de Repetição de Sinais de TV e Vídeo
2.Serviço Especial de Repetição de Sinais de Áudio
3.Serviço por Linha Dedicada
3.1. Serviço por Linha Dedicada para Sinais Analógicos
3.2. Serviço por Linha Dedicada para Sinais Digitais
3.3. Serviço por Linha Dedicada para Telegrafia
3.4. Serviço por Linha Dedicada Internacional
3.4.1.Serviço por Linha Dedicada Internacional para Sinais Analógicos
3.4.2. Serviço por Linha Dedicada Internacional para Sinais Digitais
3.4.3. Serviço por Linha Dedicada Internacional para Telegrafia
4.Serviço de Rede Comutada por Pacote
5.Serviço de Rede Comutada por Circuito
6.Serviço de Comunicação de Textos – Telex

O Serviço Limitado Privado é uma sub-modalidade de Serviço Limitado telefônico, telegráfico, de


transmissão de dados ou de qualquer outra forma de telecomunicações, de interesse restrito, destinado uso
próprio do executante, seja este uma pessoa natural (física) ou jurídica. Esse serviço está vinculado à
Superintendência de Serviços Privados e consequentemente à Gerência Geral de Serviços Privados de
Telecomunicações.
O Serviço de Distribuição de Sinais de Televisão e de Áudio por Assinatura via Satélite é uma das
modalidades de serviços especiais regulamentados pelo decreto n.º 2.196 de 08/04/97, que tem como objetivo a
distribuição de sinais de televisão ou de áudio, bem como de ambos, através de satélites, a assinantes localizados
na área de prestação de serviço.
Os Serviços Público-Restritos são serviços de telecomunicações destinados ao uso de
passageiros dos navios, aeronaves, veículos em movimento ou ao uso do público em
localidades ainda não atendidas pelo Serviço Público de Telecomunicações.

7. Espectro Eletromagnético

Regiões do Espectro Eletromagnético

A Tabela abaixo dá os valores aproximados em comprimento de onda, freqüência e energia para regiões
selecionadas do espectro eletromagnético.

Espectro de Radiação Eletromagnética

Região Comp. Onda Comp. Onda Frequência Energia


(Angstroms) (centímetros) (Hz) (eV)

Rádio > 109 > 10 < 3 x 109 < 10-5

Micro-ondas 109 - 106 10 - 0.01 3 x 109 - 3 x 1012 10-5 - 0.01

Infra-vermelho 106 - 7000 0.01 - 7 x 10-5 3 x 1012 - 4.3 x 1014 0.01 - 2

Visível 7000 - 4000 7 x 10-5 - 4 x 10-5 4.3 x 1014 - 7.5 x 1014 2-3

Ultravioleta 4000 - 10 4 x 10-5 - 10-7 7.5 x 1014 - 3 x 1017 3 - 103

Raios-X 10 - 0.1 10-7 - 10-9 3 x 1017 - 3 x 1019 103 - 105

CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS 12
Raios Gama < 0.1 < 10-9 > 3 x 1019 > 105

A representação gráfica do espectro eletromagnético é mostrada na figura abaixo.

The electromagnetic spectrum

Notamos que a luz visível, os raios gamas e as microondas são todas manifestação do mesmo fenômeno de
radiação eletromagnética, apenas possuem diferentes comprimentos de onda.

O Espectro da luz visível


O espectro visível pode ser subdividido de acordo com a cor, com vermelho nos comprimentos de onda
longos e violeta para os comprimentos de onda mais curtos, conforme ilustrado, esquematicamente, na figura
abaixo.

Espectro Visível

O Espectro Eletromagnético
O espectro eletromagnético é o intervalo completo da radiação eletromagnética. Se tomarmos a ordem de
energia decrescente e comprimento de onda crescente o espectro eletromagnético inclui:

região do espectro eletromagnético comprimento de onda


raios gama menos que 0,1 Å (Ångstrom)
raios X 0,1 a 200 Å
raios ultravioleta 200 a 4000 Å
luz visível 4000 a 7000 Å
infravermelho próximo 7000 A a 10 microns
infravermelho infravermelho médio 10 microns a 60 microns
infravermelho longínquo 60 microns a 300 microns

CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS 13
sub milimétrico 300 microns a 1 milímetro
ondas de rádio rádio milimétrico 1 milímetro a 1 centímetro
microondas rádio 1 milímetro a vários centímetros

Raios Gama
Tipo de radiação eletromagnética que possui o comprimento de onda mais curto e,
consequentemente, a mais alta freqüência em todo o espectro eletromagnético. Isto também
implica que os raios gama possuem a mais alta energia entre todas as formas de radiação
eletromagnética. Usualmente chamamos de raios gama qualquer fóton que tem energia maior do
que, aproximadamente, 100 keV. Os raios gama são muito penetrantes. Na Astrofísica os raios
gama fazem parte do domínio da chamada Astrofísica de Altas Energias.

Raios X
É uma região (ou banda) do espectro eletromagnético que está localizada entre a região do ultravioleta e a
região de raios gama tendo, portanto, comprimentos de onda mais curtos do que a luz ultravioleta e mais longos
do que os raios gama. Isto nos mostra que a radiação X tem um comprimento de onda extremamente curto. Se o
comprimento de onda é curto, a freqüência é alta o que significa que os fótons de raios X tem uma energia muito
alta. Deste modo, os fótons de raios X são mais energéticos do que os fótons no ultravioleta mas menos
energéticos do que aqueles da banda de raios gama. A radiação X é uma radiação eletromagnética muito
penetrante. Ela é capaz de atravessar o tecido da pele humana mas é parada pelos ossos densos. Esta
propriedade torna os raios X muito valiosos para a medicina. Os raios X não são percebidos pelo olho humano.
Dizemos que esta radiação é "azul" demais para que nós, humanos, possamos ve-la. No entanto, para a
Astrofísica os raios X são muito importantes pois vários fenômenos que ocorrem no Universo emitem radiação
nestes comprimentos de onda. Dependendo de sua energia, os raios X são classificados como raios X "soft" e
raios X "hard".

Ultravioleta (UV)
É a região (também chamada de banda) do espectro eletromagnético que gera comprimentos de onda
que variam de 91,2 nanometros (nm) a 350 nm. Ela está, portanto, localizada entre a região do visível e aquela
dos raios X. Consequentemente, os fótons que compõem a luz ultravioleta são mais energéticos do que os fótons
que formam a luz visível. Esta radiação eletromagnética tem comprimento de onda mais curto do que a
extremidade violeta do intervalo de luz visível. A atmosfera da Terra efetivamente bloqueia a transmissão da maior
parte dos comprimentos de onda da radiação ultravioleta. Uma outra característica importante da radiação
ultravioleta é o fato de que ela não é percebida pelo olho humano. Dizemos que a luz ultravioleta é tão "azul" que
nós, humanos, não podemos ve-la. Assim, a luz ultravioleta é uma radiação eletromagnética invisível formada por
comprimentos de onda muito curtos. No entanto, ela pode ser "vista" pelas suas conseqüências. A cor
"bronzeada" que voce obtém após uma exposição ao Sol é resultado direto da interação entre os raios
ultravioletas emitidos pelo Sol e uma substância chamada melanina que existe na sua pele.

Visível
É a radiação eletromagnética emitida em comprimentos de onda que o olho humano pode ver. Nós
podemos perceber esta radiação como cores que variam do vermelho ao violeta. A região do vermelho possui
comprimentos de onda mais longos, da ordem de 700 nanometros enquanto que o violeta apresenta
comprimentos de onda mais curtos, da ordem de 400 nanometros.

Infravermelho
Esta é uma região (ou banda) do espectro eletromagnético que está situada entre as regiões do visível e a
de microondas. Deste modo, vemos que a radiação infravermelha é uma radiação eletromagnética com
comprimentos de onda longos, o que a coloca na parte invisível do espectro eletromagnético. Consequentemente,
os fótons da luz infravermelha são menos energéticos do que os fótons que compõem a luz visível. A radiação
infravermelha não é percebida pelo olho humano. Dizemos que esta radiação é "vermelha" demais para ser
percebida visualmente por nós, humanos. No entanto, nós sentimos a presença de ondas de radiação
infravermelha por meio do calor. Alguns animais, tais como as cobras, enxergam neste intervalo de comprimentos
de onda, percebendo o calor emitido pelas suas futuras presas. Para a Astronomia esta região espectral é muito
importante. A radiação infravermelha é emitida por nuvens frias de poeira interestelar, estrelas frias e galáxias que
estão formando estrelas. No entanto, o vapor da água presente na atmosfera da Terra absorve fortemente esta
radiação, ou seja, aquela com comprimentos de onda que está além daquele da luz vermelha visível. Isto torna
muito difícil a observação, nesta região do espectro, se utilizarmos telescópios localizados na superfície da Terra.
Para realizar observações na região espectral do infravermelho utilizamos ou satélites artificiais ou observatórios
aerotransportados.

CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS 14
Radio
É uma forma de radiação eletromagnética que tem a mais baixa de todas as freqüência e,
consequentemente, o mais longo dos comprimentos de onda. A radiação rádio é formada por ondas
eletromagnética com comprimentos de onda que variam entre alguns milímetros e aproximadamente 20 metros. A
radiação rádio é, comumente, chamada de ondas de rádio. Ela é produzida por partículas carregadas que se
movem para a frente e para trás ou seja, que estão em movimento oscilatório. As ondas de rádio não são
bloqueadas por nuvens na atmosfera da Terra. Dizemos então que a atmosfera da Terra é transparente à
radiação na região rádio, ou seja, é transparente às ondas de rádio.

II - Conceitos e tipos de aplicações no sistema de telecomunicações.

1 Conceitos de transmissão e recepção.

1.1 Conceitos de modulação analógica e digital.

MODULAÇÃO ANALÓGICA
Também classificada como modulação de onda contínua (CW), na qual a portadora é uma onda
cosenoidal, e o sinal modulante é um sinal analógico ou contínuo.
Há um número infinito de formas de onda possíveis que podem ser formadas por sinais contínuos.
Tratando-se de um processo contínuo, a modulação CW é conveniente para este tipo de sinal. Em modulação
analógica, o parâmetro modulado varia em proporção direta ao sinal modulante.
Normalmente, a onda portadora possui uma frequência muito maior do que qualquer um dos componentes
de frequência contidos no sinal modulante. O processo de modulação, é então caraterizado por uma translação
em frequência onde o espectro de frequências da mensagem é deslocado para uma nova e maior banda de
frequências.
As técnicas de modulação para sinais analógicos mais utilizadas são:
™ MODULAÇÃO EM AMPLITUDE AM
™ MODULAÇÃO EM frequência FM
™ MODULAÇÃO EM FASE PM

MODULAÇÃO DIGITAL
Também denominada modulação discreta ou codificada. Utilizada em casos em que se está interessado
em transmitir uma forma de onda ou mensagem, que faz parte de um conjunto finito de valores discretos
representando um código. No caso da comunicação binária, as mensagens são transmitidas por dois símbolos
apenas. Um dos símbolos representado por um pulso S(t) correspondendo ao valor binário "1" e o outro pela
ausência do pulso (nenhum sinal) representando o dígito binário "0".
A diferença fundamental entre os sistemas de comunicação de dados digitais e analógicos (dados
contínuos) é bastante óbvia. No caso dos dados digitais, envolve a transmissão e detecção de uma dentre um
número finito de formas de onda conhecidas (no presente caso a presença ou ausência de um pulso), enquanto
que, nos sistemas contínuos há um número infinitamente grande de mensagens cujas formas de onda
correspondentes não são todas conhecidas.
Nos sistemas digitais o problema da detecção ( demodulação) é um problema um pouco mais simples que
nos sistemas contínuos. Durante a transmissão, as formas de onda da onda portadora modulada são alteradas
pelo ruído do canal. Quando este sinal é recebido no receptor, devemos decidir qual das duas formas de onda
possíveis conhecidas foi transmitida. Uma vez tomada a decisão a forma de onda original é recuperada sem
nenhum ruído.
Do mesmo modo que há diversas técnicas de modulação para sinais analógicos, as informações digitais
também podem ser colocadas sobre uma portadora de diferentes modos.
As técnicas de modulação para sinais digitais mais utilizadas atualmente são:
™ MODULAÇÃO EM AMPLITUDE POR CHAVEAMENTO - ASK
™ MODULAÇÃO EM FREQUÊNCIA POR CHAVEAMENTO - FSK
™ MODULAÇÃO EM FASE POR CHAVEAMENTO - PSK

1.2 Conceitos de multiplexação e de múltiplo acesso.

Multiplexação
A multiplexação é a transmissão de vários sinais usando uma única linha de comunicação ou canal, e
pode se dar no domínio do tempo (TDM), do espaço (SDM) ou da freqüência (FDM). Por exemplo, nos sistemas
telefônicos modernos, os 32 sinais de 64Kbps são reunidos em um único canal de 2048Kbps (2Mbps) com o uso
de multiplexadores. Com a utilização desta técnica é possível transmitir simultaneamente 32 conversas telefônicas
em um único meio de comunicação. É óbvio que novas multiplexações podem ser realizadas, juntando-se vários

CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS 15
sinais de 2Mbps em um novo sinal multiplexado de freqüência ainda maior. Desta maneira pode haver vários
níveis de multiplexação e demultiplexação.
Um fator imprescindível para que a comunicação seja possível é que os sinais sejam enviados sem
nenhum erro e uma hierarquia de multiplexação como a telefônica possui alguns problemas de sincronismo nos
multiplexadores que podem dificultar ou mesmo inviabilizar a transmissão das informações.
Multiplexar é enviar um certo número de canais através do mesmo meio de transmissão.
Os dois tipos mais utilizados são: multiplexação por divisão de freqüências (FDM) e multiplexação por
divisão de tempo (TDM).
O objetivo básico para a utilização desta técnica é economia, pois utilizando o mesmo meio de
transmissão para diversos canais economiza-se em linhas, suporte, manutenção, instalação, etc.

CONCEITO DE MULTIPLEXADOR:
O problema em uma transmissão multiplexada é evitar a interferência entre os vários canais que se está
transmitindo. Cada técnica que será analisada a seguir utiliza um método diferente para não deixar essa
interferência ocorrer.

Múltiplo acesso
Técnicas de múltiplo acesso são usadas para permitir que diversos usuários compartilhem
simultaneamente uma quantidade finita do espectro de freqüências. Alocando a faixa de freqüência disponível
para múltiplos usuários ao mesmo tempo, permite-se que o sistema possua maior capacidade de tráfego. O
compartilhamento deve ser feito sem que ocorra degradação do sistema, de maneira que se mantenha a alta
qualidade das comunicações.
Em um sistema de comunicação sem fio, da mesma forma que acontece em telefonia fixa, é desejável que
o assinante transmita e receba informação simultaneamente. Este sistema que permite que o assinante fale e
escute ao mesmo tempo é chamado de DUPLEX. A duplexação pode ser feito usando-se dois artifícios,
duplexação por divisão de freqüência FDD ou Duplexação por divisão de tempo TDD

2 Conceitos de plataformas.

2.1 Telefonia fixa.

Telefonia é a área do conhecimento que trata da transmissão de voz e outros sons através de uma rede
de telecomunicações. Ela surgiu da necessidade das pessoas que estão a distância se comunicarem. (Dic.
Aurélio: tele = longe, a distância; fonia = som ou timbre da voz).
Os sistemas telefônicos rapidamente se difundiram pelo mundo atingindo em 2001 mais de 1 bilhão de
linhas e índices de penetração apresentados na tabela. Fonte: UIT (2001)

- Linhas/100 hab.
Estados Unidos 66,45
Europa 40,62
Brasil 21,78
Mundo 17,21

Com o aparecimento dos sistemas de comunicação móvel com a Telefonia Celular o termo Telefonia Fixa
passou a ser utilizado para caracterizar os sistemas telefônicos tradicionais que não apresentam mobilidade para
os terminais.
A figura a seguir apresenta as partes básicas de um sistema telefônico.

CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS 16
Terminal telefônico
O terminal telefônico é o aparelho utilizado pelo assinante. No lado do assinante pode existir desde um
único terminal a um sistema telefônico privado como um PABX para atender a uma empresa com seus ramais ou
um call center. Um terminal é geralmente associado a um assinante do sistema telefônico.
Existem também os Terminais de Uso Público (TUP) conhecidos popularmente como orelhões.

Rede de acesso
A Rede de Acesso é responsável pela conexão entre os assinantes e as centrais telefônicas.
As Redes de Acesso são normalmente construídas utilizando cabos de fios metálicos em que um par é
dedicado a cada assinante. Este par, juntamente com os recursos da central dedicados ao assinante é conhecido
como acesso ou linha telefônica.
A Anatel acompanha a capacidade de atendimento das operadoras telefônicas através do número de
acessos instalados, definido simplesmente como o número de acessos, inclusive os destinados ao uso coletivo,
que se encontram em serviço ou dispõem de todas as facilidades necessárias para entrar em serviço.
A tecnologia “wireless” tem sido empregada como forma alternativa de acesso. Uma rede para “Wireless
Local Loop (WLL)” é implantada de forma semelhante aos sistemas celulares, com Estações Rádio Base (ERBs)
que, uma vez ativadas, podem oferecer serviço em um raio de vários quilômetros.

Central Telefônica
As linhas telefônicas dos vários assinantes chegam às centrais telefônicas e são conectadas entre si
quando um assinante (A) deseja falar com outro assinante (B). Convencionou-se chamar de A o assinante que
origina a chamada e de B aquele que recebe a chamada. Comutação é o termo usado para indicar a conexão
entre assinantes. Daí o termo Central de Comutação (“switch”).
A central telefônica tem a função de automatizar o que faziam as antigas telefonistas que comutavam
manualmente os caminhos para a formação dos circuitos telefônicos.
A central de comutação estabelece circuitos temporários entre assinantes permitindo o compartilhamento
de meios e promovendo uma otimização dos recursos disponíveis.
A central a que estão conectados os assinantes de uma rede telefônica em uma região é chamada de
Central Local.
Para permitir que assinantes ligados a uma Central Local falem com os assinantes ligados a outra Central
Local são estabelecidas conexões entre as duas centrais, conhecidas como circuitos troncos. No Brasil um
circuito tronco utiliza geralmente o padrão internacional da UIT para canalização digital sendo igual a 2 Mbps ou 1
E1.

CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS 17
Em uma cidade podemos ter uma ou várias Centrais Locais. Em uma região metropolitana pode ser
necessário o uso de uma Central Tandem que está conectada apenas a outras centrais, para otimizar o
encaminhamento do tráfego. As centrais denominadas Mistas possuem a função local e a função tandem
simultaneamente.
Estas centrais telefônicas locais estão também interligadas a Centrais Locais de outras cidades, estados
ou países através de centrais de comutação intermediarias denominadas de Centrais Trânsito. As Centrais
Trânsito são organizadas hierarquicamente conforme sua área de abrangência sendo as Centrais Trânsito
Internacionais as de mais alta hierarquia. É possível desta forma conectar um assinante com outro em qualquer
parte do mundo.

2.2 Comunicações móveis.

Comunicação móvel representa um novo paradigma em telecomunicações e informática. O novo


paradigma permite que usuários desse ambiente tenham acesso a serviços independente de onde estão
localizados, e o mais importante, de mudanças de localização, ou seja, mobilidade. Isso é possível graças a
comunicação sem fio que elimina a necessidade do usuário manter se conectado à uma infra-estrutura fixa e, em
geral, estática. Um sistema distribuído com unidades móveis consiste de uma parte tradicional formada por uma
infra-estrutura de comunicação fixa com elementos estáticos que está interligada à uma parte móvel, representada
por uma área ou célula onde existe a comunicação sem fio dos elementos computacionais móveis. Com a
diminuição dos custos desses dispositivos, a comunicação móvel se tornará viável não somente para o segmento
empresarial mas para as pessoas de uma forma geral. A disponibilidade dos equipamentos, e a solução de
antigos problemas relativos a ruído e interferência em sistemas de comunicação sem fio, abriram o interesse pelo
tema.
A questão principal na comunicação móvel é a mobilidade que introduz restrições inexistentes na
comunicação tradicional formada por elementos estáticos. Logo, o objetivo principal da comunicação
móvel é prover para os usuários um ambiente com um conjunto de serviços comparáveis aos existentes num
sistema estático que permita a mobilidade.
A evolução conjunta da comunicação sem fio e da tecnologia de informática busca atender muitas das
necessidades do mercado: serviços celulares, redes locais sem fio, transmissão de dados via satélite, TV, rádio
modems, sistemas de navegação, base de dados geográfica, etc. A comunicação sem fio é um suporte para a
comunicação móvel, que, portanto, pode ser vista como uma área da comunicação sem fio. Esta, por sua vez,
explora diferentes tecnologias de comunicação que são inseridas em ambientes fixos e móveis.
A comunicação sem fio pode ser classificada por grandes áreas: Redes e Serviços de Comunicação
Pessoal, Celular, Comunicação Móvel, Redes Locais e Comunicação Via Satélite.
PCS (Personal Communication Services) e PCN (Personal Communication Networks) são os principais serviços
na primeira grande área. Como dito anteriormente, surgem como opção de baixo custo para os serviços celulares.
O objetivo é também embutir serviços de comunicação de dados na forma de mensagens, bem como serviços de
curta distância, para comunicação em ambientes fechados ou para comunicação entre prédios.
Os sistemas celulares formam a área de maior destaque atualmente, conforme dados apresentados
anteriormente e projeções futuras. Envolve além das tecnologias de comunicação, aspectos de segurança e até
biológicos.
A área de comunicação móvel pode também ser considerada como uma especialização dos serviços
celulares, entre elas a computação móvel, explorando principalmente a tecnologia digital.
CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS 18
As redes locais sem fio se ajustam a ambientes com alta mobilidade do pessoal administrativo ou de
produção, como em universidades, hospitais e fábricas, ou em velhas construções com dificuldades para
cabeamento. Essa nova tecnologia reduz significativamente os custos de reinstalação, reconfiguração e
manutenção das unidades móveis como um PC. São geralmente conectadas a outras redes locais ethernet e
exploram transmissores de baixa potência, pequenas distâncias, e técnicas de espalhamento espectral.

INSTALAÇÃO DE TORRES E CAMPOS ELETROMAGNÉTICOS

A instalação e operação de estações do serviço de telecomunicações móvel terrestre, além de ser disciplinada por
regulamentos específicos, é regida pela Lei nº 9.472, de 16 de julho de 1997 - Lei Geral de Telecomunicações -
LGT.

Os aspectos civis da instalação da estação de telecomunicações, com as correspondentes edificações, torres e


antenas, bem como a instalação de linhas físicas em logradouros públicos, dependem da legislação local referente
à urbanização e obras.

Os Municípios detêm competência constitucional para legislar sobre assuntos de


interesse local, para promover o adequado ordenamento territorial, mediante
planejamento e controle do uso, do parcelamento e da ocupação do solo urbano e
para promover a proteção do patrimônio histórico-cultural local.

O Estatuto da Cidade estabelece normas de ordem pública e interesse social que


regulam o uso da propriedade urbana em prol do bem coletivo, da segurança e do
bem-estar dos cidadãos, bem como do equilíbrio ambiental.
Para estimular a otimização de recursos, a redução de custos operacionais, além de outros benefícios aos
usuários dos serviços prestados, atendendo a regulamentação específica do setor de telecomunicações, a Anatel
aprovou, por meio da Resolução nº 274, de 5 de setembro de 2001, o Regulamento de Compartilhamento de Infra-
Estrutura entre Prestadoras de Serviço de Telecomunicações.

No que se refere à exposição da população a campos eletromagnéticos


associados à operação das estações de radiocomunicações, bem como à
utilização dos equipamentos terminais portáteis, a Anatel aprovou, por meio
da Resolução nº 303, de 02 de julho de 2002, o Regulamento sobre Limitação
da Exposição a Campos Elétricos, Magnéticos e Eletromagnéticos na Faixa
de Radiofreqüências entre 9kHz e 300GHz.

A mencionada regulamentação tem como base as diretrizes da Comissão


Internacional para Proteção contra Radiações Não Ionizantes - ICNIRP, que
constam da publicação "Guidelines for Limiting Exposure to Time-Varying
Eletric, Magnetic, and Eletromagnetic Fields (up to 300GHz), Health Physics
Vol. 74, Nº 4, pp 494-522, 1998". A versão para o Português destas diretrizes encontra-se disponível na página da
Anatel.

Na escolha do modelo e fabricante de aparelho celular, você deve observar a


tecnologia e o sistema implementado pela prestadora de serviço de sua cidade.
Observe também se o aparelho possui o certificado emitido ou reconhecido pela
Anatel, pois somente poderão ser comercializados, no Brasil, e habilitados, pelas
prestadoras, aparelhos que possuam tal certificação.

Mastro, monoposte e auto suportada, são os tipos de estruturas de suporte de antenas


mais utilizadas. As empresas especializadas seguem exigências mínimas e
padronizadas internacionalmente, na elaboração de projetos de montagem, acabamento, inspeção e manutenção
de torres.

CLONAGEM DE TELEFONE CELULAR


O QUE É O TELEFONE CLONADO

Telefone celular clonado é um aparelho que foi reprogramado para transmitir o código do aparelho e o código do
assinante habilitado. Assim, o fraudador usa o aparelho clonado para fazer as ligações telefônicas e as mesmas
são debitadas na conta do titular da linha.

CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS 19
COMO ACONTECE A CLONAGEM
Geralmente a fraude de clonagem acontece quando o usuário encontra-se fora da área de mobilidade de
origem, ou seja, em "roaming", e operando em modo analógico. Pessoas inescrupulosas obtém a combinação
código do aparelho/código do assinante por meio de monitoração ilegal de telefone celular habilitado.
Supostamente, cada telefone celular possui um único código. Contudo, após a clonagem, existirão dois telefones
celulares com a mesma combinação código do aparelho/código do assinante. Nesta condição, a central da
prestadora de serviço celular não consegue distinguir o aparelho clonado de um devidamente habilitado.
Atualmente existem várias soluções sofisticadas para a detecção e prevenção de fraudes de clonagem e,
as prestadoras têm procurado dispor destes recursos como parte de suas operações.

INDÍCIOS
Pode ser indícios de que existe um telefone celular clonado, quando o usuário perceber:
• dificuldades para completar chamadas originadas;
• quedas freqüentes de ligação;
• dificuldades para acessar a sua caixa de mensagem;
• chamadas recebidas de números desconhecidos, nacional e internacional; e
• débitos de prestação de serviços muito acima da média.

PROVIDENCIAS A TOMAR
Percebido indícios de que existe fraude de clonagem ou em casos de extravio ou furto do aparelho, o
usuário deve entrar imediatamente em contato com a prestadora e solicitar o bloqueio da linha.
Se a ocorrência for denunciada por telefone, o usuário deve anotar o nome completo do atendente, a data,
a hora, o número do boletim gerado e no caso de denúncia direta, obter cópia impressa da reclamação.

PRECAUÇÕES
O usuário deve procurar consertar seu telefone celular em representantes autorizados dos fabricantes ou
em oficina de sua confiança.
Fazer revisão mensal do documento de cobrança para verificar possíveis chamadas não efetuadas.
Quando estiver fora da área de atuação de sua prestadora, em modo conhecido como "roaming", as
ligações são consideradas de longa distância, nacional ou internacional. Se ocorrer uma fraude nessa situação,
estas não serão descobertas até que os registros de bilhetagem sejam trocados entre prestadoras, o que
demandará algum tempo. Portanto, maior rigor no controle das chamadas quando estiver em viagens, além de
cuidados nas passagens por aeroportos.
Ao adquirir um telefone celular, novo ou usado, exigir nota fiscal e verificar a procedência, a habilitação e
conferir as informações da nota, incluído o número de série.
No caso de aparelho usado, certificar se o mesmo não é roubado consultando a prestadora para saber se
o aparelho não consta do Cadastro Nacional de Estações Móveis Impedidas (CEMI).
Além da cobrança por chamadas efetuadas pelo usuário fraudulento a fraude de clonagem em sistemas
móveis pode causar ao assinante, a perda temporária do serviço e, eventualmente, a necessidade de programar o
telefone celular com um novo número.

DAS OBRIGAÇÕES
O Regulamento do Serviço Móvel Pessoal, estabelece obrigações às prestadoras quanto à identificação e
existência de fraudes, conforme dispõe seu artigo 69 a seguir transcrito:

"A prestadora deve dispor de meios para identificar a existência de fraudes, em especial aquelas consistentes na
utilização de Estação Móvel sem a regular Ativação utilizando Código de Acesso a outra Estação Móvel"

Portanto, uma vez comprovada a fraude de que o aparelho habilitado foi alvo de clonagem, a prestadora
de serviços é obrigada por lei a cancelar a cobrança de chamadas não efetuadas pelo assinante.
Se a prestadora não resolver o problema, mesmo depois de ser comunicada, o usuário deve procurar a
Anatel ou os órgãos de defesa do consumidor em sua cidade.

2.3 Comunicações via satélite.

Comunicações via satélite possuem características bastante peculiares, entre elas são a alta capacidade e
possibilidade de atender um elevado número de usuários a baixo custo. A viabiliade econômica desses projetos se
concentra no atendimento de massa global, a custos reduzidos, competitivos, sem fronteiras e, principalmente,
complementando os serviços já existentes. Nesta linha, cobrem regiões não atendidas por sistemas terrestres,
pela baixa densidade populacional, pela baixa renda, ou por dificuldades geográficas, caracterizando os seus
maiores segmentos de comunicação sem fio fixo, de extensão celular e de internacionalização dos serviços
celulares. Muitos projetos estão em andamento e têm sofrido muitos ajustes de objetivos, dimensões
implementações. Na concepção de mobilidade as células são unidades móveis enquanto os usuários estão fixos,
devido ao posicionamento em altitudes elevadas. Os sinais transmitidos são recebidos por toda área coberta, uma
CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS 20
ampla área geográfica, e o custo é independente da distância entre os usuários. Com isso, apresentam uma alta
capacidade para transmissões broadcast e sistemas distribuídos. Por outro lado, o problema de segurança é
bastante grave uma vez que qualquer unidade receptora pode captar o sinal. Dessa forma os mecanismos de
criptografia devem ser usados no caso de comunicação segura.
Basicamente os satélites se estabelecem em três níveis. Os satélites de baixa órbita LEO (Low Earth
Orbit) são posicionados em torno de 1000 km de altitude mas em diferentes posições com relação a terra. Os
satélites de órbitas médias MEO (Medium Earth Orbit) estão aproximadamente a 10000 km de altitude. E os
satélites de órbitas elevadas ou geoestacionária GEO (Geosynchronous Earth Orbit) estão situados à
aproximadamente 36000 km de altitude e em regiões próximas a linha do equador.
Os satélites LEO foram os primeiros a serem lançados e apresentam um complexo problema de
roteamento dos sinais e rastreamento em terra. Devido às baixas altitudes é necessário um número mais elevado
de unidades para uma maior cobertura, apesar dos equipamentos serem também menores por trabalharem em
baixas potências. Os atrasos nos processos de comunicação também são menores.
A segunda geração são os satélites GEO que movimentam sincronamente com a terra, mantendo a
mesma posição em relação a linha do equador. Isto permite manter as estações terrestres em posições fixas. O
primeiro satélite GEO foi lançado pela INTELSAT (International Telecommunications Satellite Organization) em
1965 e, a partir daí, passaram a predominar. Com o sincronismo os problemas de roteamento e rastreamento são
reduzidos. Aumentando a altitude também reduzse o número de unidades para uma maior cobertura. Uma
unidade com antena não direcionada pode cobrir até 30% da superfície terrestre, bastando três satélites
distanciados a 120 graus para uma ampla cobertura. Mas, a proximidade à linha do equador deixa algumas
regiões polares sombreadas. Também elevase as dimensões dos equipamentos pelo uso de grandes potências,
reduzse a portabilidade e dificulta atendimentos de massa. Outra característica importante são os atrasos na
comunicação, comprometendo aplicações e sistemas. O atraso por enlace é de aproximadamente 120 ms,
portanto 240 ms de ida e volta. Envolvendo mais de um satélite, esse atraso aproxima de 1s, o que inviabiliza
muitos serviços. Outra variável importante na comunicação sem fio é o grande potencial de mercado. Tailândia
esse número já supera a casa dos 20%, apesar da baixa disponibilidade de serviços telefônicos. Esperase que já
no início do próximo século um em cada três telefones será móvel, ou 415 milhões dos projetados 1,4 bilhões de
telefones. É um mercado que dobra a cada ano e, considerando a elevada redução de custos, pode ser uma
previsão pessimista (The Economist, 1997). É o segmento de telecomunicações com a maior taxa de crescimento,
com uma taxa esperada de 30 a 40% por ano.
O Brasil tem feito uso da comunicação via rádio por muitos anos. Em telecomunicações as comunicações
via rádio analógicos têm sido freqüentes em telefonia interurbana, e também em telefonia celular desde o início
dos anos 90. Nos últimos dois anos o mercado tem experimentado um crescimento acelerado e com expectativas
de uma expansão ainda maior. Um mercado de 4,5 milhões de celulares em São Paulo no ano 2000 é otimista se
comparado com a expectativa governamental de aproximadamente 10 milhões em todo o Brasil. A redução de
custos é acompanhada por uma acentuada elevação da demanda. Embora o preço pelo uso de um telefone
celular ainda seja muito elevado se comparado a um telefone fixo, o sucesso é confirmado pela mobilidade e
facilidades que este serviço oferece. Essa diferença de preço, no entanto, tornase cada vez menor. A redução de
preços é compensada pela elevação do número de usuários. Outra relação de referência é o custo por usuário
versus a distância a sua central. Apesar das variações de custos de empresa para empresa, o que sempre se
observa é um custo constante por usuário do sistema celular enquanto o custo do cabo é crescente com a
distância.
Essa inovação pode provocar uma revolução sem precedentes e já mais imaginada, capaz de provocar
mudanças profundas na sociedade e se torna difícil prever qual é o futuro. Por um século as redes telefônicas
cresceram em dimensão mas com baixas mudanças tecnológicas. Recentemente surgiram o fax, o telefone
móvel, as comunicações via satélite, a Internet. Todas essas inovações foram inicialmente projetadas como de
uso restrito e de luxo, mas passaram rapidamente a serem movidas por grandes mercados e conseqüentes
mudanças tecnológicas. Neste contexto, a comunicação sem fio surge como uma forte inovação na medida em
que passa a ser um componente pessoal, que acompanha o usuário onde quer que ele esteja. Do outro lado, a
redução de custo contribui cada vez mais para facilitar o acesso. Tudo isso faz com que a comunicação sem fio se
torne um negócio capaz de ultrapassar todas as expectativas hoje levantadas em torno da Internet.
Seguindo os aspectos levantados, os sistemas móveis apresentam como grandes vantagens a mobilidade
permitida ao usuário, o acesso direto a informação ou serviços e a independência de cabeamento, reduzindo os
custos e o tempo de instalação e disponibilização dos serviços. Por outro lado, os sistemas também apresentam
desvantagens com características bem diferenciadas. O espectro de freqüência é bastante limitado e existem
vários serviços que demandam parte desse espectro. As questões de privacidade e segurança são bastante
delicadas, apesar do ganho conseguido com os sistemas digitais. A energia disponível em cada unidade móvel é
um fator de alta limitação, comprometendo o tempo de uso pelo usuário e também exigindo sofisticados algoritmos
para o rastreamento dessas unidades móveis e de roteamento das informações. Por estar sujeito as interferências
diversas, outros meios de transmissão e geográficos e mobilidade do usuário, a garantia da qualidade do serviço é
uma atividade complexa. Finalmente, a própria complexidade tecnológica é outra desvantagem.

CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS 21
Bibliografia:
[1] USE. Metodologia de Pesquisa – uma introdução. Campinas: USEIC, 1997.
[2] EMBRATEL. Básico de Comunicações Digitais – 1 . 3a ed. Rio de Janeiro. DDH, 1992.
[3] EMBRATEL. Básico de Telecomunicações . Rio de Janeiro. DDH, 1993.
[4] CARVALHO, Francisco Teodoro Assis Carvalho, NETO Vicente Soares Neto. Telecomunicações, tecnologia
de centrais telefônicas. São Paulo: Érica, 1999
[5] www.anatel.gov.br. consulta feita em novembro 2001.
[6] RNT. Projeto da Lei Geral das Telecomunicações. Ano 18. n o 210 A – fevereiro 1997 – ISSN 0102-3446.
São Paulo
[7] CARVALHO, José Oscar F. SOCALSCHI. Brasílio. Teoria Geral dos Sistemas. Campinas. Instituto de
Informática: 1998.
[8] MEDEIROS, Júlio César de Oliveira. Princípios de telecomunicações - teoria e prática. São Paulo: Érica,
2004.

CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS 22
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Art. 7° O Serviço Limitado destinado ao uso do próprio executante será explorado mediante autorização,
por prazo indeterminado, sendo inexigível a licitação para a sua outorga e, quando destinado a prestação
Presidência da República a terceiros, será explorado mediante permissão a empresa constituída segundo as leis brasileiras e com
sede e administração no País, pelo prazo de dez anos, renovável por iguais períodos. (Artigo revogado
Subchefia para Assuntos Jurídicos pela Lei nº 9.472, 16.7.1997)

Art. 8° O Serviço de Transporte de Sinais de Telecomunicações por Satélites, quando envolver satélites
LEI Nº 9.295, DE 19 DE JULHO DE 1996. que ocupem posições orbitais notificadas pelo Brasil, será explorado, mediante concessão, pelo prazo de
até quinze anos, renovável por iguais períodos, observado o disposto no art. 11 desta Lei. (Caput
revogado pela Lei nº 9.472, 16.7.1997)
Dispõe sobre os serviços de telecomunicações e sua
organização, sobre o órgão regulador e dá outras
providências. § 1° A concessão assegurará o direito à ocupação, por satélites do concessionário, de posições orbitais
notificadas pelo Brasil e à consignação das radiofreqüências associadas, devendo as estações de controle
dos satélites localizar-se em território brasileiro. (Parágrafo revogado pela Lei nº 9.472, 16.7.1997)
O PRESIDENTE DA REPÚBLICA

§ 2° As entidades que, na data de vigência desta Lei, estejam explorando o Serviço de Transporte de
Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei:
Sinais de Telecomunicações por Satélite, mediante o uso de satélites que ocupem posições orbitais
notificadas pelo Brasil, têm assegurado o direito à concessão desta exploração.
Art. 1º A organização dos serviços de telecomunicações, a exploração de Serviço Móvel Celular, de
Serviço Limitado e de Serviço de Transporte de Sinais de Telecomunicações por Satélite, bem como a
§ 3° As outorgas para a exploração do serviço estabelecerão que o início efetivo de sua prestação se dará
utilização da rede pública de telecomunicações para a prestação de Serviço de Valor Adicionado,
somente após 31 de dezembro de 1997, exceto para as aplicações em que sejam exigidas características
regulam-se por esta Lei, relativamente aos serviços que menciona, respeitado o que disciplina a legislação
técnicas não disponíveis em satélites para os quais, na data de vigência desta Lei, já tenham sido
em vigor, em especial a Lei n° 4.117, de 27 de agosto de 1962, pelas Leis n° s 8.987, de 13 de fevereiro
alocadas posições orbitais notificadas pelo Brasil.
de 1995, e 9.074, de 7 de julho de 1995, e, no que for compatível, pela legislação de telecomunicações,
em vigor. (Artigo revogado pela Lei nº 9.472, 16.7.1997)
§ 4° O Serviço de Transporte de Sinais de Telecomunicações por Satélite somente poderá ser prestado a
entidade que detenha outorga para exploração de serviço de telecomunicações, devendo ser assegurado
Art. 2° Sujeitam-se à disciplina desta Lei os serviços de telecomunicações elencados no art.1° ,
tratamento equânime e não discriminatório a todos os interessados. (Parágrafo revogado pela Lei nº
observados as seguintes definições: (Artigo revogado pela Lei nº 9.472, 16.7.1997)
9.472, 16.7.1997)

§ 1° Serviço Móvel Celular é o serviço de telecomunicações móvel terrestre, aberto à correspondência


Art. 9° A exploração de serviços de telecomunicações por meio de satélites, em qualquer de suas
pública, que utiliza sistema de radiocomunicações com técnica celular, conforme definido na
modalidades, dependerá de outorga específica, nos termos da regulamentação, independentemente de o
regulamentação, interconectado à rede pública de telecomunicações, e acessado por meio de terminais
acesso se realizar a partir do território nacional ou do exterior. (Artigo revogado pela Lei nº 9.472,
portáteis, transportáveis ou veiculares, de uso individual.
16.7.1997)

§ 2° Serviço Limitado é o serviço de telecomunicações destinado ao uso próprio do executante ou à


§ 1° Será dada preferência à utilização de satélites que ocupem posições orbitais notificadas pelo Brasil,
prestação a terceiros, desde que sejam estes uma mesma pessoa, ou grupo de pessoas naturais ou
admitida a utilização de satélites que ocupem posições orbitais notificadas por outros países.
jurídicas, caracterizado pela realização de atividade específica.

§ 2° A utilização de satélites que ocupem posição orbitais notificadas por outros países está condicionada
§ 3° Serviço de Transporte de Sinais de Telecomunicações por Satélites é o serviço de telecomunicações
à prévia coordenação com a administração brasileira das posições orbitais e freqüências associadas, e a
que, mediante o uso de satélites, realiza a recepção e emissão de sinais de telecomunicações, utilizando
que sua contratação se faça com empresa constituída segundo as leis brasileiras e com sede e
radiofreqüências predeterminadas.
administração no País, na condição de representante legal no Brasil.

Art. 3° O Serviço Móvel Celular será explorado mediante concessão, outorgada, por licitação, pelo prazo
Art. 10. É assegurada a qualquer interessado na prestação de Serviço de Valor Adicionado a utilização da
de quinze anos, renovável por iguais períodos, observado o disposto no art. 11 desta Lei. (Artigo revogado
rede pública de telecomunicações. (Artigo revogado pela Lei nº 9.472, 16.7.1997)
pela Lei nº 9.472, 16.7.1997)

Parágrafo único. Serviço de Valor Adicionado é a atividade caracterizada pelo acréscimo de recursos a um
Parágrafo único. As entidades exploradoras de serviços públicos de telecomunicações são obrigadas a
serviço de telecomunicações que lhe dá suporte, criando novas utilidades relacionadas ao acesso,
tornar disponíveis suas redes para interconexão com as de Serviço Móvel Celular em condições
armazenamento, apresentação, movimentação e recuperação de informações, não caracterizando
adequadas, equânimes e não discriminatórias.
exploração de serviço de telecomunicações.

Art. 4° O Poder Executivo transformará em concessões de Serviço Móvel Celular as permissões do


Art. 11. As concessões para exploração de Serviço Móvel Celular e de Serviço de Transporte de Sinais de
Serviço de Radiocomunicação Móvel Terrestre Público-Restrito outorgadas anteriormente à vigência desta
Telecomunicações por Satélite somente poderão ser outorgadas a empresas constituídas segundo as leis
Lei, em condições similares as dos demais contratos de concessão de Serviço Móvel Celular, respeitados
brasileiras com sede e administração no País.
os respectivos prazos remanescentes.

Parágrafo único. Nos três anos seguintes à publicação desta Lei, o Poder Executivo poderá adotar, nos
Parágrafo único. As entidades que, de acordo com o disposto neste artigo, se tornem concessionárias do
casos em que o interesse nacional assim o exigir, limites na composição do capital das empresas
Serviço Móvel Celular deverão constituir, isoladamente ou em associação, no prazo de até vinte e quatro
concessionárias de que trata este artigo, assegurando que, pelo menos 51% (cinqüenta e um por cento)
meses, a contar da vigência desta Lei, empresas que as sucederão na exploração do Serviço.
do capital votante pertença, direta ou indiretamente, a brasileiros.

Art. 5° É a Telecomunicações Brasileiras S.A. - TELEBRÁS autorizada, com o fim de dar cumprimento ao
Art. 12. Os processos de outorga para exploração dos serviços de que trata esta Lei deverão conter
disposto no parágrafo único do artigo anterior, a constituir, diretamente ou através de suas sociedades
requisitos que propiciem a diversidade de controle societário das entidades exploradoras, em estímulo à
controladas, empresas subsidiárias ou associadas para assumir a exploração do Serviço Móvel Celular.
competição. (Artigo revogado pela Lei nº 9.472, 16.7.1997)

23
Art. 6° O Poder Executivo, quando oportuno e conveniente ao interesse público, determinará a alienação
Parágrafo único. Na exploração de serviços de telecomunicações em base comercial, deverão ser
das participações societárias da TELEBRÁS, ou de suas controladas, nas empresas constituídas na forma
asseguradas a interconectividade e a interoperabilidade das várias redes, a justa competição entre os
do artigo anterior.
respectivos prestadores dos serviços e o uso eqüitativo do competente plano de numeração.

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Art. 13. (VETADO)


Presidência da República
Parágrafo único. O Ministério das Comunicações, até que seja instalada a Comissão Nacional de
Comunicações - CNC, exercerá as funções de órgão regulador, mantidas as competências de Casa Civil
regulamentação, outorga e fiscalização dos serviços de telecomunicações a ele atribuídos pela legislação Subchefia para Assuntos Jurídicos
em vigor.

Art. 14. É a União autorizada a cobrar pelo direito de exploração dos serviços de telecomunicações e pelo LEI Nº 9.472, DE 16 DE JULHO DE 1997.
uso de radiofreqüências. (Artigo revogado pela Lei nº 9.472, 16.7.1997)
Dispõe sobre a organização dos serviços de telecomunicações, a
Parágrafo único. Os recursos provenientes da cobrança de que trata este artigo serão destinados ao criação e funcionamento de um órgão regulador e outros
Regulamento
Ministério das Comunicações para aplicação no desenvolvimento dos serviços e das competências aspectos institucionais, nos termos da Emenda Constitucional nº
atribuídas ao órgão regulador. 8, de 1995.

Art. 15. É mantido o Fundo de Fiscalização das Telecomunicações, regido na forma estabelecida pela Lei O PRESIDENTE DA REPÚBLICA Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte
n° 5.070, de 7 de julho de 1966, que o instituiu. Lei:

Art. 16. Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação. LIVRO I

Art. 17. Revogam-se as disposições em contrário. DOS PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS

Brasília, 19 de julho de 1996; 175º da Independência e 108º da República. Art. 1° Compete à União, por intermédio do órgão regulador e nos termos das políticas estabelecidas pelos Poderes
Executivo e Legislativo, organizar a exploração dos serviços de telecomunicações.
FERNANDO HENRIQUE CARDOSO
Parágrafo único. A organização inclui, entre outros aspectos, o disciplinamento e a fiscalização da execução,
comercialização e uso dos serviços e da implantação e funcionamento de redes de telecomunicações, bem como da
utilização dos recursos de órbita e espectro de radiofreqüências.

Art. 2° O Poder Público tem o dever de:

I - garantir, a toda a população, o acesso às telecomunicações, a tarifas e preços razoáveis, em condições


adequadas;

II - estimular a expansão do uso de redes e serviços de telecomunicações pelos serviços de interesse público em
benefício da população brasileira;

III - adotar medidas que promovam a competição e a diversidade dos serviços, incrementem sua oferta e propiciem
padrões de qualidade compatíveis com a exigência dos usuários;

IV - fortalecer o papel regulador do Estado;

V - criar oportunidades de investimento e estimular o desenvolvimento tecnológico e industrial, em ambiente


competitivo;

VI - criar condições para que o desenvolvimento do setor seja harmônico com as metas de desenvolvimento social
do País.

Art. 3° O usuário de serviços de telecomunicações tem direito:

I - de acesso aos serviços de telecomunicações, com padrões de qualidade e regularidade adequados à sua
natureza, em qualquer ponto do território nacional;

II - à liberdade de escolha de sua prestadora de serviço;

III - de não ser discriminado quanto às condições de acesso e fruição do serviço;

IV - à informação adequada sobre as condições de prestação dos serviços, suas tarifas e preços;

V - à inviolabilidade e ao segredo de sua comunicação, salvo nas hipóteses e condições constitucional e legalmente
previstas;

24
VI - à não divulgação, caso o requeira, de seu código de acesso;

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VII - à não suspensão de serviço prestado em regime público, salvo por débito diretamente decorrente de sua § 2º A natureza de autarquia especial conferida à Agência é caracterizada por independência administrativa,
utilização ou por descumprimento de condições contratuais; ausência de subordinação hierárquica, mandato fixo e estabilidade de seus dirigentes e autonomia financeira.

VIII - ao prévio conhecimento das condições de suspensão do serviço; Art. 9° A Agência atuará como autoridade administrativa independente, assegurando-se-lhe, nos termos desta Lei,
as prerrogativas necessárias ao exercício adequado de sua competência.
IX - ao respeito de sua privacidade nos documentos de cobrança e na utilização de seus dados pessoais pela
prestadora do serviço; Art. 10. Caberá ao Poder Executivo instalar a Agência, devendo o seu regulamento, aprovado por decreto do
Presidente da República, fixar-lhe a estrutura organizacional.
X - de resposta às suas reclamações pela prestadora do serviço;
Parágrafo único. A edição do regulamento marcará a instalação da Agência, investindo-a automaticamente no
XI - de peticionar contra a prestadora do serviço perante o órgão regulador e os organismos de defesa do exercício de suas atribuições.
consumidor;
Art. 11. O Poder Executivo encaminhará ao Congresso Nacional, no prazo de até noventa dias, a partir da
XII - à reparação dos danos causados pela violação de seus direitos. publicação desta Lei, mensagem criando o quadro efetivo de pessoal da Agência, podendo remanejar cargos disponíveis
na estrutura do Ministério das Comunicações.

Art. 4° O usuário de serviços de telecomunicações tem o dever de:


Art. 12. Ficam criados os Cargos em Comissão de Natureza Especial e do Grupo-Direção e Assessoramento
Superiores - DAS, com a finalidade de integrar a estrutura da Agência, relacionados no Anexo I. (Revogado pela Lei nº
I - utilizar adequadamente os serviços, equipamentos e redes de telecomunicações; 9.986, de 18.7.2000)

II - respeitar os bens públicos e aqueles voltados à utilização do público em geral; Art. 13. Ficam criadas as funções de confiança denominadas Funções Comissionadas de Telecomunicação - FCT,
de ocupação privativa por servidores do quadro efetivo, servidores públicos federais ou empregados de empresas
III - comunicar às autoridades irregularidades ocorridas e atos ilícitos cometidos por prestadora de serviço de públicas ou sociedades de economia mista, controladas pela União, em exercício na Agência Nacional de
telecomunicações. Telecomunicações, no quantitativo e valores previstos no Anexo II desta Lei. (Revogado pela Lei nº 9.986, de
18.7.2000)
Art. 5º Na disciplina das relações econômicas no setor de telecomunicações observar-se-ão, em especial, os
princípios constitucionais da soberania nacional, função social da propriedade, liberdade de iniciativa, livre concorrência, § 1º O servidor investido na Função Comissionada de Telecomunicação exercerá atribuições de assessoramento e
defesa do consumidor, redução das desigualdades regionais e sociais, repressão ao abuso do poder econômico e coordenação técnica e perceberá remuneração correspondente ao cargo efetivo ou emprego permanente, acrescida do
continuidade do serviço prestado no regime público. valor da Função para a qual foi designado.

Art. 6° Os serviços de telecomunicações serão organizados com base no princípio da livre, ampla e justa § 2° A designação para Função de Assessoramento é inacumulável com a designação ou nomeação para qualquer
competição entre todas as prestadoras, devendo o Poder Público atuar para propiciá-la, bem como para corrigir os outra forma de comissionamento, cessando o seu pagamento durante as situações de afastamento do servidor, inclusive
efeitos da competição imperfeita e reprimir as infrações da ordem econômica. aquelas consideradas de efetivo exercício, ressalvados os períodos a que se referem os incisos I, IV, VI, VIII, alíneas a a
e, e inciso X do art. 102 da Lei n° 8.112, de 11 de dezembro de 1990.
Art. 7° As normas gerais de proteção à ordem econômica são aplicáveis ao setor de telecomunicações, quando não
conflitarem com o disposto nesta Lei. § 3° O Poder Executivo poderá dispor sobre alteração dos quantitativos e da distribuição das Funções
Comissionadas de Telecomunicação dentro da estrutura organizacional, observados os níveis hierárquicos, os valores de
retribuição correspondentes e o respectivo custo global estabelecidos no Anexo II.
§ 1º Os atos envolvendo prestadora de serviço de telecomunicações, no regime público ou privado, que visem a
qualquer forma de concentração econômica, inclusive mediante fusão ou incorporação de empresas, constituição de
sociedade para exercer o controle de empresas ou qualquer forma de agrupamento societário, ficam submetidos aos Art. 14. A Agência poderá requisitar, com ônus, servidores de órgãos e entidades integrantes da administração
controles, procedimentos e condicionamentos previstos nas normas gerais de proteção à ordem econômica. pública federal direta, indireta ou fundacional, quaisquer que sejam as funções a serem exercidas. (Revogado pela Lei nº
9.986, de 18.7.2000)
§ 2° Os atos de que trata o parágrafo anterior serão submetidos à apreciação do Conselho Administrativo de Defesa
Econômica - CADE, por meio do órgão regulador. § 1º Durante os primeiros vinte e quatro meses subseqüentes à instalação da Agência, as requisições de que trata o
caput deste artigo serão irrecusáveis quando feitas a órgãos e entidades do Poder Executivo, e desde que aprovadas
§ 3º Praticará infração da ordem econômica a prestadora de serviço de telecomunicações que, na celebração de pelo Ministro de Estado das Comunicações e pelo Ministro de Estado Chefe da Casa Civil.
contratos de fornecimento de bens e serviços, adotar práticas que possam limitar, falsear ou, de qualquer forma,
prejudicar a livre concorrência ou a livre iniciativa. § 2º Quando a requisição implicar redução de remuneração do servidor requisitado, fica a Agência autorizada a
complementá-la até o limite da remuneração percebida no órgão de origem.
LIVRO II
Art. 15. A fixação das dotações orçamentárias da Agência na Lei de Orçamento Anual e sua programação
DO ÓRGÃO REGULADOR E DAS POLÍTICAS SETORIAIS orçamentária e financeira de execução não sofrerão limites nos seus valores para movimentação e empenho.

TÍTULO I Art. 16. Fica o Poder Executivo autorizado a realizar as despesas e os investimentos necessários à instalação da
Agência, podendo remanejar, transferir ou utilizar saldos orçamentários, empregando como recursos dotações
destinadas a atividades finalísticas e administrativas do Ministério das Comunicações, inclusive do Fundo de Fiscalização
DA CRIAÇÃO DO ÓRGÃO REGULADOR das Telecomunicações - FISTEL.

Art. 8° Fica criada a Agência Nacional de Telecomunicações, entidade integrante da Administração Pública Federal Parágrafo único. Serão transferidos à Agência os acervos técnico e patrimonial, bem como as obrigações e direitos
indireta, submetida a regime autárquico especial e vinculada ao Ministério das Comunicações, com a função de órgão do Ministério das Comunicações, correspondentes às atividades a ela atribuídas por esta Lei.
regulador das telecomunicações, com sede no Distrito Federal, podendo estabelecer unidades regionais.
Art. 17. A extinção da Agência somente ocorrerá por lei específica.

25
§ 1º A Agência terá como órgão máximo o Conselho Diretor, devendo contar, também, com um Conselho
Consultivo, uma Procuradoria, uma Corregedoria, uma Biblioteca e uma Ouvidoria, além das unidades especializadas
incumbidas de diferentes funções. TÍTULO II

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DAS COMPETÊNCIAS XVII - compor administrativamente conflitos de interesses entre prestadoras de serviço de telecomunicações;

Art. 18. Cabe ao Poder Executivo, observadas as disposições desta Lei, por meio de decreto: XVIII - reprimir infrações dos direitos dos usuários;

I - instituir ou eliminar a prestação de modalidade de serviço no regime público, concomitantemente ou não com sua XIX - exercer, relativamente às telecomunicações, as competências legais em matéria de controle, prevenção e
prestação no regime privado; repressão das infrações da ordem econômica, ressalvadas as pertencentes ao Conselho Administrativo de Defesa
Econômica - CADE;
II - aprovar o plano geral de outorgas de serviço prestado no regime público;
XX - propor ao Presidente da República, por intermédio do Ministério das Comunicações, a declaração de utilidade
III - aprovar o plano geral de metas para a progressiva universalização de serviço prestado no regime público; pública, para fins de desapropriação ou instituição de servidão administrativa, dos bens necessários à implantação ou
manutenção de serviço no regime público;

IV - autorizar a participação de empresa brasileira em organizações ou consórcios intergovernamentais destinados


ao provimento de meios ou à prestação de serviços de telecomunicações. XXI - arrecadar e aplicar suas receitas;

Parágrafo único. O Poder Executivo, levando em conta os interesses do País no contexto de suas relações com os XXII - resolver quanto à celebração, alteração ou extinção de seus contratos, bem como quanto à nomeação,
demais países, poderá estabelecer limites à participação estrangeira no capital de prestadora de serviços de exoneração e demissão de servidores, realizando os procedimentos necessários, na forma em que dispuser o
telecomunicações. regulamento;

Art. 19. À Agência compete adotar as medidas necessárias para o atendimento do interesse público e para o XXIII - contratar pessoal por prazo determinado, de acordo com o disposto na Lei nº 8.745, de 9 de dezembro de
desenvolvimento das telecomunicações brasileiras, atuando com independência, imparcialidade, legalidade, 1993;
impessoalidade e publicidade, e especialmente:
XXIV - adquirir, administrar e alienar seus bens;
I - implementar, em sua esfera de atribuições, a política nacional de telecomunicações;
XXV - decidir em último grau sobre as matérias de sua alçada, sempre admitido recurso ao Conselho Diretor;
II - representar o Brasil nos organismos internacionais de telecomunicações, sob a coordenação do Poder
Executivo; XXVI - formular ao Ministério das Comunicações proposta de orçamento;

III - elaborar e propor ao Presidente da República, por intermédio do Ministro de Estado das Comunicações, a XXVII - aprovar o seu regimento interno;
adoção das medidas a que se referem os incisos I a IV do artigo anterior, submetendo previamente a consulta pública as
relativas aos incisos I a III; XXVIII - elaborar relatório anual de suas atividades, nele destacando o cumprimento da política do setor definida nos
termos do artigo anterior;
IV - expedir normas quanto à outorga, prestação e fruição dos serviços de telecomunicações no regime público;
XXIX - enviar o relatório anual de suas atividades ao Ministério das Comunicações e, por intermédio da Presidência
V - editar atos de outorga e extinção de direito de exploração do serviço no regime público; da República, ao Congresso Nacional;

VI - celebrar e gerenciar contratos de concessão e fiscalizar a prestação do serviço no regime público, aplicando XXX - rever, periodicamente, os planos enumerados nos incisos II e III do artigo anterior, submetendo-os, por
sanções e realizando intervenções; intermédio do Ministro de Estado das Comunicações, ao Presidente da República, para aprovação;

VII - controlar, acompanhar e proceder à revisão de tarifas dos serviços prestados no regime público, podendo fixá- XXXI - promover interação com administrações de telecomunicações dos países do Mercado Comum do Sul -
las nas condições previstas nesta Lei, bem como homologar reajustes; MERCOSUL, com vistas à consecução de objetivos de interesse comum.

VIII - administrar o espectro de radiofreqüências e o uso de órbitas, expedindo as respectivas normas; TÍTULO III

IX - editar atos de outorga e extinção do direito de uso de radiofreqüência e de órbita, fiscalizando e aplicando DOS ÓRGÃOS SUPERIORES
sanções;
Capítulo I
X - expedir normas sobre prestação de serviços de telecomunicações no regime privado;
Do Conselho Diretor
XI - expedir e extinguir autorização para prestação de serviço no regime privado, fiscalizando e aplicando sanções;
Art. 20. O Conselho Diretor será composto por cinco conselheiros e decidirá por maioria absoluta.
XII - expedir normas e padrões a serem cumpridos pelas prestadoras de serviços de telecomunicações quanto aos
equipamentos que utilizarem; Parágrafo único. Cada conselheiro votará com independência, fundamentando seu voto.

XIII - expedir ou reconhecer a certificação de produtos, observados os padrões e normas por ela estabelecidos; Art. 21. As sessões do Conselho Diretor serão registradas em atas, que ficarão arquivadas na Biblioteca, disponíveis
para conhecimento geral.
XIV - expedir normas e padrões que assegurem a compatibilidade, a operação integrada e a interconexão entre as
redes, abrangendo inclusive os equipamentos terminais; § 1º Quando a publicidade puder colocar em risco a segurança do País, ou violar segredo protegido ou a intimidade
de alguém, os registros correspondentes serão mantidos em sigilo.
XV - realizar busca e apreensão de bens no âmbito de sua competência;

26
§ 2º As sessões deliberativas do Conselho Diretor que se destinem a resolver pendências entre agentes
XVI - deliberar na esfera administrativa quanto à interpretação da legislação de telecomunicações e sobre os casos econômicos e entre estes e consumidores e usuários de bens e serviços de telecomunicações serão públicas, permitida
omissos; a sua gravação por meios eletrônicos e assegurado aos interessados o direito de delas obter transcrições.

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Art. 22. Compete ao Conselho Diretor: Parágrafo único. É vedado aos conselheiros, igualmente, ter interesse significativo, direto ou indireto, em empresa
relacionada com telecomunicações, como dispuser o regulamento.
I - submeter ao Presidente da República, por intermédio do Ministro de Estado das Comunicações, as modificações
do regulamento da Agência; Art. 29. Caberá também aos conselheiros a direção dos órgãos administrativos da Agência.

II - aprovar normas próprias de licitação e contratação; Art. 30. Até um ano após deixar o cargo, é vedado ao ex-conselheiro representar qualquer pessoa ou interesse
perante a Agência.
III - propor o estabelecimento e alteração das políticas governamentais de telecomunicações;
Parágrafo único. É vedado, ainda, ao ex-conselheiro utilizar informações privilegiadas obtidas em decorrência do
IV - editar normas sobre matérias de competência da Agência; cargo exercido, sob pena de incorrer em improbidade administrativa.

V - aprovar editais de licitação, homologar adjudicações, bem como decidir pela prorrogação, transferência, Art. 31. O Presidente do Conselho Diretor será nomeado pelo Presidente da República dentre os seus integrantes e
intervenção e extinção, em relação às outorgas para prestação de serviço no regime público, obedecendo ao plano investido na função por três anos ou pelo que restar de seu mandato de conselheiro, quando inferior a esse prazo,
aprovado pelo Poder Executivo; vedada a recondução. (Revogado pela Lei nº 9.986, de 18.7.2000)

VI - aprovar o plano geral de autorizações de serviço prestado no regime privado; Art. 32. Cabe ao Presidente a representação da Agência, o comando hierárquico sobre o pessoal e o serviço,
exercendo todas as competências administrativas correspondentes, bem como a presidência das sessões do Conselho
Diretor.
VII - aprovar editais de licitação, homologar adjudicações, bem como decidir pela prorrogação, transferência e
extinção, em relação às autorizações para prestação de serviço no regime privado, na forma do regimento interno;
Parágrafo único. A representação judicial da Agência, com prerrogativas processuais de Fazenda Pública, será
exercida pela Procuradoria.
VIII - aprovar o plano de destinação de faixas de radiofreqüência e de ocupação de órbitas;
Capítulo II
IX - aprovar os planos estruturais das redes de telecomunicações, na forma em que dispuser o regimento interno;
Do Conselho Consultivo
X - aprovar o regimento interno;
Art. 33. O Conselho Consultivo é o órgão de participação institucionalizada da sociedade na Agência.
XI - resolver sobre a aquisição e a alienação de bens;
Art. 34. O Conselho será integrado por representantes indicados pelo Senado Federal, pela Câmara dos Deputados,
XII - autorizar a contratação de serviços de terceiros, na forma da legislação em vigor. pelo Poder Executivo, pelas entidades de classe das prestadoras de serviços de telecomunicações, por entidades
representativas dos usuários e por entidades representativas da sociedade, nos termos do regulamento.
Parágrafo único. Fica vedada a realização por terceiros da fiscalização de competência da Agência, ressalvadas as
atividades de apoio. Parágrafo único. O Presidente do Conselho Consultivo será eleito pelos seus membros e terá mandato de um ano.

Art. 23. Os conselheiros serão brasileiros, de reputação ilibada, formação universitária e elevado conceito no campo Art. 35. Cabe ao Conselho Consultivo:
de sua especialidade, devendo ser escolhidos pelo Presidente da República e por ele nomeados, após aprovação pelo
Senado Federal, nos termos da alínea f do inciso III do art. 52 da Constituição Federal.
I - opinar, antes de seu encaminhamento ao Ministério das Comunicações, sobre o plano geral de outorgas, o plano
geral de metas para universalização de serviços prestados no regime público e demais políticas governamentais de
Art. 24. O mandato dos membros do Conselho Diretor será de cinco anos. vedada a recondução.(a parte tachada foi telecomunicações;
suprimida na redação dada ao caput pelo art 36 da Lei nº 9.986, de 18 de julho de 2000)
II - aconselhar quanto à instituição ou eliminação da prestação de serviço no regime público;
Parágrafo único. Em caso de vaga no curso do mandato, este será completado por sucessor investido na forma
prevista no artigo anterior, que o exercerá pelo prazo remanescente.
III - apreciar os relatórios anuais do Conselho Diretor;
Art. 25. Os mandatos dos primeiros membros do Conselho Diretor serão de três, quatro, cinco, seis e sete anos, a
serem estabelecidos no decreto de nomeação. IV - requerer informação e fazer proposição a respeito das ações referidas no art. 22.

Art. 26. Os membros do Conselho Diretor somente perderão o mandato em virtude de renúncia, de condenação Art. 36. Os membros do Conselho Consultivo, que não serão remunerados, terão mandato de três anos, vedada a
judicial transitada em julgado ou de processo administrativo disciplinar. (Revogado pela Lei nº 9.986, de 18.7.2000) recondução.

§ 1° Sem prejuízo do que prevêem a lei penal e a lei da improbidade administrativa, será causa da perda do § 1° Os mandatos dos primeiros membros do Conselho serão de um, dois e três anos, na proporção de um terço
mandato a inobservância, pelo conselheiro, dos deveres e proibições inerentes ao cargo, inclusive no que se refere ao para cada período.
cumprimento das políticas estabelecidas para o setor pelos Poderes Executivo e Legislativo.
§ 2° O Conselho será renovado anualmente em um terço.
§ 2° Cabe ao Ministro de Estado das Comunicações instaurar o processo administrativo disciplinar, que será
conduzido por comissão especial, competindo ao Presidente da República determinar o afastamento preventivo, quando Art. 37. O regulamento disporá sobre o funcionamento do Conselho Consultivo.
for o caso, e proferir o julgamento.
TÍTULO IV
Art. 27. O regulamento disciplinará a substituição dos conselheiros em seus impedimentos, bem como durante a
vacância. DA ATIVIDADE E DO CONTROLE

27
Art. 28. Aos conselheiros é vedado o exercício de qualquer outra atividade profissional, empresarial, sindical ou de Art. 38. A atividade da Agência será juridicamente condicionada pelos princípios da legalidade, celeridade,
direção político-partidária, salvo a de professor universitário, em horário compatível. (Revogado pela Lei nº 9.986, de finalidade, razoabilidade, proporcionalidade, impessoalidade, igualdade, devido processo legal, publicidade e moralidade.
18.7.2000)

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Art. 39. Ressalvados os documentos e os autos cuja divulgação possa violar a segurança do País, segredo § 1º A Agência fará acompanhar as propostas orçamentárias de um quadro demonstrativo do planejamento
protegido ou a intimidade de alguém, todos os demais permanecerão abertos à consulta do público, sem formalidades, plurianual das receitas e despesas, visando ao seu equilíbrio orçamentário e financeiro nos cinco exercícios
na Biblioteca. subseqüentes.

Parágrafo único. A Agência deverá garantir o tratamento confidencial das informações técnicas, operacionais, § 2º O planejamento plurianual preverá o montante a ser transferido ao fundo de universalização a que se refere o
econômico-financeiras e contábeis que solicitar às empresas prestadoras dos serviços de telecomunicações, nos termos inciso II do art. 81 desta Lei, e os saldos a serem transferidos ao Tesouro Nacional.
do regulamento.
§ 3º A lei orçamentária anual consignará as dotações para as despesas de custeio e capital da Agência, bem como
Art. 40. Os atos da Agência deverão ser sempre acompanhados da exposição formal dos motivos que os o valor das transferências de recursos do FISTEL ao Tesouro Nacional e ao fundo de universalização, relativos ao
justifiquem. exercício a que ela se referir.

Art. 41. Os atos normativos somente produzirão efeito após publicação no Diário Oficial da União, e aqueles de § 4º As transferências a que se refere o parágrafo anterior serão formalmente feitas pela Agência ao final de cada
alcance particular, após a correspondente notificação. mês.

Art. 42. As minutas de atos normativos serão submetidas à consulta pública, formalizada por publicação no Diário Art. 50. O Fundo de Fiscalização das Telecomunicações - FISTEL, criado pela Lei n° 5.070, de 7 de julho de 1966,
Oficial da União, devendo as críticas e sugestões merecer exame e permanecer à disposição do público na Biblioteca. passará à administração exclusiva da Agência, a partir da data de sua instalação, com os saldos nele existentes,
incluídas as receitas que sejam produto da cobrança a que se refere o art. 14 da Lei nº 9.295, de 19 de julho de 1996.
Art. 43. Na invalidação de atos e contratos, será garantida previamente a manifestação dos interessados.
Art. 51. Os arts. 2°, 3°, 6° e seus parágrafos, o art. 8° e seu § 2°, e o art. 13, da Lei n° 5.070, de 7 de julho de 1966,
Art. 44. Qualquer pessoa terá o direito de peticionar ou de recorrer contra ato da Agência no prazo máximo de trinta passam a ter a seguinte redação:
dias, devendo a decisão da Agência ser conhecida em até noventa dias.
"Art. 2° O Fundo de Fiscalização das Telecomunicações - FISTEL é constituído das
Art. 45. O Ouvidor será nomeado pelo Presidente da República para mandato de dois anos, admitida uma seguintes fontes:
recondução.
a) dotações consignadas no Orçamento Geral da União, créditos especiais, transferências
Parágrafo único. O Ouvidor terá acesso a todos os assuntos e contará com o apoio administrativo de que necessitar, e repasses que lhe forem conferidos;
competindo-lhe produzir, semestralmente ou quando oportuno, apreciações críticas sobre a atuação da Agência,
encaminhando-as ao Conselho Diretor, ao Conselho Consultivo, ao Ministério das Comunicações, a outros órgãos do b) o produto das operações de crédito que contratar, no País e no exterior, e rendimentos
Poder Executivo e ao Congresso Nacional, fazendo publicá-las para conhecimento geral. de operações financeiras que realizar;

Art. 46. A Corregedoria acompanhará permanentemente o desempenho dos servidores da Agência, avaliando sua c) relativas ao exercício do poder concedente dos serviços de telecomunicações, no regime
eficiência e o cumprimento dos deveres funcionais e realizando os processos disciplinares. público, inclusive pagamentos pela outorga, multas e indenizações;

TÍTULO V d) relativas ao exercício da atividade ordenadora da exploração de serviços de


telecomunicações, no regime privado, inclusive pagamentos pela expedição de autorização
DAS RECEITAS de serviço, multas e indenizações;

Art. 47. O produto da arrecadação das taxas de fiscalização de instalação e de funcionamento a que se refere a Lei e) relativas ao exercício do poder de outorga do direito de uso de radiofreqüência para
nº 5.070, de 7 de julho de 1966, será destinado ao Fundo de Fiscalização das Telecomunicações - FISTEL, por ela qualquer fim, inclusive multas e indenizações;
criado.
f) taxas de fiscalização;
Art. 48. A concessão, permissão ou autorização para a exploração de serviços de telecomunicações e de uso de
radiofreqüência, para qualquer serviço, será sempre feita a título oneroso, ficando autorizada a cobrança do respectivo g) recursos provenientes de convênios, acordos e contratos celebrados com entidades,
preço nas condições estabelecidas nesta Lei e na regulamentação, constituindo o produto da arrecadação receita do organismos e empresas, públicas ou privadas, nacionais ou estrangeiras;
Fundo de Fiscalização das Telecomunicações - FISTEL.
h) doações, legados, subvenções e outros recursos que lhe forem destinados;
§ 1º Conforme dispuser a Agência, o pagamento devido pela concessionária, permissionária ou autorizada poderá
ser feito na forma de quantia certa, em uma ou várias parcelas, ou de parcelas anuais, sendo seu valor, alternativamente: i) o produto dos emolumentos, preços ou multas, os valores apurados na venda ou locação
de bens, bem assim os decorrentes de publicações, dados e informações técnicas,
I - determinado pela regulamentação; inclusive para fins de licitação;

II - determinado no edital de licitação; j) decorrentes de quantias recebidas pela aprovação de laudos de ensaio de produtos e
pela prestação de serviços técnicos por órgãos da Agência Nacional de Telecomunicações;
III - fixado em função da proposta vencedora, quando constituir fator de julgamento;
l) rendas eventuais."
IV - fixado no contrato de concessão ou no ato de permissão, nos casos de inexigibilidade de licitação.
"Art. 3° Além das transferências para o Tesouro Nacional e para o fundo de universalização
§ 2º Após a criação do fundo de universalização dos serviços de telecomunicações mencionado no inciso II do art. das telecomunicações, os recursos do Fundo de Fiscalização das Telecomunicações -
81, parte do produto da arrecadação a que se refere o caput deste artigo será a ele destinada, nos termos da lei FISTEL serão aplicados pela Agência Nacional de Telecomunicações exclusivamente:
correspondente.
...................................................................................

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Art. 49. A Agência submeterá anualmente ao Ministério das Comunicações a sua proposta de orçamento, bem como
a do FISTEL, que serão encaminhadas ao Ministério do Planejamento e Orçamento para inclusão no projeto de lei d) no atendimento de outras despesas correntes e de capital por ela realizadas no exercício
orçamentária anual a que se refere o § 5º do art. 165 da Constituição Federal. de sua competência."

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"Art. 6° As taxas de fiscalização a que se refere a alínea f do art. 2° são a de instalação e a indispensável à assinatura do contrato;
de funcionamento.
VI - o julgamento observará os princípios de vinculação ao instrumento convocatório, comparação objetiva e justo
§ 1° Taxa de Fiscalização de Instalação é a devida pelas concessionárias, permissionárias preço, sendo o empate resolvido por sorteio;
e autorizadas de serviços de telecomunicações e de uso de radiofreqüência, no momento
da emissão do certificado de licença para o funcionamento das estações. VII - as regras procedimentais assegurarão adequada divulgação do instrumento convocatório, prazos razoáveis
para o preparo de propostas, os direitos ao contraditório e ao recurso, bem como a transparência e fiscalização;
§ 2° Taxa de Fiscalização de Funcionamento é a devida pelas concessionárias,
permissionárias e autorizadas de serviços de telecomunicações e de uso de VIII - a habilitação e o julgamento das propostas poderão ser decididos em uma única fase, podendo a habilitação,
radiofreqüência, anualmente, pela fiscalização do funcionamento das estações." no caso de pregão, ser verificada apenas em relação ao licitante vencedor;

"Art. 8° A Taxa de Fiscalização de Funcionamento será paga, anualmente, até o dia 31 de IX - quando o vencedor não celebrar o contrato, serão chamados os demais participantes na ordem de classificação;
março, e seus valores serão os correspondentes a cinqüenta por cento dos fixados para a
Taxa de Fiscalização de Instalação.
X - somente serão aceitos certificados de registro cadastral expedidos pela Agência, que terão validade por dois
anos, devendo o cadastro estar sempre aberto à inscrição dos interessados.
.......................................................................................

Art. 56. A disputa pelo fornecimento de bens e serviços comuns poderá ser feita em licitação na modalidade de
§ 2° O não-pagamento da Taxa de Fiscalização de Funcionamento no prazo de sessenta pregão, restrita aos previamente cadastrados, que serão chamados a formular lances em sessão pública.
dias após a notificação da Agência determinará a caducidade da concessão, permissão ou
autorização, sem que caiba ao interessado o direito a qualquer indenização.
Parágrafo único. Encerrada a etapa competitiva, a Comissão examinará a melhor oferta quanto ao objeto, forma e
valor.
....................................................................................."

Art. 57. Nas seguintes hipóteses, o pregão será aberto a quaisquer interessados, independentemente de
"Art. 13. São isentos do pagamento das taxas do FISTEL a Agência Nacional de cadastramento, verificando-se a um só tempo, após a etapa competitiva, a qualificação subjetiva e a aceitabilidade da
Telecomunicações, as Forças Armadas, a Polícia Federal, as Polícias Militares, a Polícia proposta:
Rodoviária Federal, as Polícias Civis e os Corpos de Bombeiros Militares."

I - para a contratação de bens e serviços comuns de alto valor, na forma do regulamento;


Art. 52. Os valores das taxas de fiscalização de instalação e de funcionamento, constantes do Anexo I da Lei n°
5.070, de 7 de julho de 1966, passam a ser os da Tabela do Anexo III desta Lei.
II - quando o número de cadastrados na classe for inferior a cinco;
Parágrafo único. A nomenclatura dos serviços relacionados na Tabela vigorará até que nova regulamentação seja
editada, com base nesta Lei. III - para o registro de preços, que terá validade por até dois anos;

Art. 53. Os valores de que tratam as alíneas i e j do art. 2° da Lei n° 5.070, de 7 de julho de 1966, com a redação IV - quando o Conselho Diretor assim o decidir.
dada por esta Lei, serão estabelecidos pela Agência.
Art. 58. A licitação na modalidade de consulta tem por objeto o fornecimento de bens e serviços não compreendidos
TÍTULO VI nos arts. 56 e 57.

DAS CONTRATAÇÕES Parágrafo único. A decisão ponderará o custo e o benefício de cada proposta, considerando a qualificação do
proponente.
Art. 54. A contratação de obras e serviços de engenharia civil está sujeita ao procedimento das licitações previsto
em lei geral para a Administração Pública. Art. 59. A Agência poderá utilizar, mediante contrato, técnicos ou empresas especializadas, inclusive consultores
independentes e auditores externos, para executar atividades de sua competência, vedada a contratação para as
atividades de fiscalização, salvo para as correspondentes atividades de apoio.
Parágrafo único. Para os casos não previstos no caput, a Agência poderá utilizar procedimentos próprios de
contratação, nas modalidades de consulta e pregão.
LIVRO III
Art. 55. A consulta e o pregão serão disciplinados pela Agência, observadas as disposições desta Lei e,
especialmente: DA ORGANIZAÇÃO DOS SERVIÇOS DE TELECOMUNICAÇÕES

I - a finalidade do procedimento licitatório é, por meio de disputa justa entre interessados, obter um contrato TÍTULO I
econômico, satisfatório e seguro para a Agência;
DISPOSIÇÕES GERAIS
II - o instrumento convocatório identificará o objeto do certame, circunscreverá o universo de proponentes,
estabelecerá critérios para aceitação e julgamento de propostas, regulará o procedimento, indicará as sanções aplicáveis Capítulo I
e fixará as cláusulas do contrato;
Das Definições
III - o objeto será determinado de forma precisa, suficiente e clara, sem especificações que, por excessivas,
irrelevantes ou desnecessárias, limitem a competição;
Art. 60. Serviço de telecomunicações é o conjunto de atividades que possibilita a oferta de telecomunicação.
IV - a qualificação, exigida indistintamente dos proponentes, deverá ser compatível e proporcional ao objeto, visando
à garantia do cumprimento das futuras obrigações; § 1° Telecomunicação é a transmissão, emissão ou recepção, por fio, radioeletricidade, meios ópticos ou qualquer

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outro processo eletromagnético, de símbolos, caracteres, sinais, escritos, imagens, sons ou informações de qualquer
natureza.
V - como condição de aceitação da proposta, o interessado declarará estar em situação regular perante as
Fazendas Públicas e a Seguridade Social, fornecendo seus códigos de inscrição, exigida a comprovação como condição

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§ 2° Estação de telecomunicações é o conjunto de equipamentos ou aparelhos, dispositivos e demais meios Art. 69. As modalidades de serviço serão definidas pela Agência em função de sua finalidade, âmbito de prestação,
necessários à realização de telecomunicação, seus acessórios e periféricos, e, quando for o caso, as instalações que os forma, meio de transmissão, tecnologia empregada ou de outros atributos.
abrigam e complementam, inclusive terminais portáteis.
Parágrafo único. Forma de telecomunicação é o modo específico de transmitir informação, decorrente de
Art. 61. Serviço de valor adicionado é a atividade que acrescenta, a um serviço de telecomunicações que lhe dá características particulares de transdução, de transmissão, de apresentação da informação ou de combinação destas,
suporte e com o qual não se confunde, novas utilidades relacionadas ao acesso, armazenamento, apresentação, considerando-se formas de telecomunicação, entre outras, a telefonia, a telegrafia, a comunicação de dados e a
movimentação ou recuperação de informações. transmissão de imagens.

§ 1º Serviço de valor adicionado não constitui serviço de telecomunicações, classificando-se seu provedor como Art. 70. Serão coibidos os comportamentos prejudiciais à competição livre, ampla e justa entre as prestadoras do
usuário do serviço de telecomunicações que lhe dá suporte, com os direitos e deveres inerentes a essa condição. serviço, no regime público ou privado, em especial:

§ 2° É assegurado aos interessados o uso das redes de serviços de telecomunicações para prestação de serviços I - a prática de subsídios para redução artificial de preços;
de valor adicionado, cabendo à Agência, para assegurar esse direito, regular os condicionamentos, assim como o
relacionamento entre aqueles e as prestadoras de serviço de telecomunicações. II - o uso, objetivando vantagens na competição, de informações obtidas dos concorrentes, em virtude de acordos
de prestação de serviço;
Capítulo II
III - a omissão de informações técnicas e comerciais relevantes à prestação de serviços por outrem.
Da Classificação
Art. 71. Visando a propiciar competição efetiva e a impedir a concentração econômica no mercado, a Agência
Art. 62. Quanto à abrangência dos interesses a que atendem, os serviços de telecomunicações classificam-se em poderá estabelecer restrições, limites ou condições a empresas ou grupos empresariais quanto à obtenção e
serviços de interesse coletivo e serviços de interesse restrito. transferência de concessões, permissões e autorizações.

Parágrafo único. Os serviços de interesse restrito estarão sujeitos aos condicionamentos necessários para que sua Art. 72. Apenas na execução de sua atividade, a prestadora poderá valer-se de informações relativas à utilização
exploração não prejudique o interesse coletivo. individual do serviço pelo usuário.

Art. 63. Quanto ao regime jurídico de sua prestação, os serviços de telecomunicações classificam-se em públicos e § 1° A divulgação das informações individuais dependerá da anuência expressa e específica do usuário.
privados.
§ 2° A prestadora poderá divulgar a terceiros informações agregadas sobre o uso de seus serviços, desde que elas
Parágrafo único. Serviço de telecomunicações em regime público é o prestado mediante concessão ou permissão, não permitam a identificação, direta ou indireta, do usuário, ou a violação de sua intimidade.
com atribuição a sua prestadora de obrigações de universalização e de continuidade.
Art. 73. As prestadoras de serviços de telecomunicações de interesse coletivo terão direito à utilização de postes,
Art. 64. Comportarão prestação no regime público as modalidades de serviço de telecomunicações de interesse dutos, condutos e servidões pertencentes ou controlados por prestadora de serviços de telecomunicações ou de outros
coletivo, cuja existência, universalização e continuidade a própria União comprometa-se a assegurar. serviços de interesse público, de forma não discriminatória e a preços e condições justos e razoáveis.

Parágrafo único. Incluem-se neste caso as diversas modalidades do serviço telefônico fixo comutado, de qualquer Parágrafo único. Caberá ao órgão regulador do cessionário dos meios a serem utilizados definir as condições para
âmbito, destinado ao uso do público em geral. adequado atendimento do disposto no caput.

Art. 65. Cada modalidade de serviço será destinada à prestação: Art. 74. A concessão, permissão ou autorização de serviço de telecomunicações não isenta a prestadora do
atendimento às normas de engenharia e às leis municipais, estaduais ou do Distrito Federal relativas à construção civil e
I - exclusivamente no regime público; à instalação de cabos e equipamentos em logradouros públicos.

II - exclusivamente no regime privado; ou Art. 75. Independerá de concessão, permissão ou autorização a atividade de telecomunicações restrita aos limites
de uma mesma edificação ou propriedade móvel ou imóvel, conforme dispuser a Agência.

III - concomitantemente nos regimes público e privado.


Art. 76. As empresas prestadoras de serviços e os fabricantes de produtos de telecomunicações que investirem em
projetos de pesquisa e desenvolvimento no Brasil, na área de telecomunicações, obterão incentivos nas condições
§ 1° Não serão deixadas à exploração apenas em regime privado as modalidades de serviço de interesse coletivo fixadas em lei.
que, sendo essenciais, estejam sujeitas a deveres de universalização.
Art. 77. O Poder Executivo encaminhará ao Congresso Nacional, no prazo de cento e vinte dias da publicação desta
§ 2° A exclusividade ou concomitância a que se refere o caput poderá ocorrer em âmbito nacional, regional, local ou Lei, mensagem de criação de um fundo para o desenvolvimento tecnológico das telecomunicações brasileiras, com o
em áreas determinadas. objetivo de estimular a pesquisa e o desenvolvimento de novas tecnologias, incentivar a capacitação dos recursos
humanos, fomentar a geração de empregos e promover o acesso de pequenas e médias empresas a recursos de capital,
Art. 66. Quando um serviço for, ao mesmo tempo, explorado nos regimes público e privado, serão adotadas de modo a ampliar a competição na indústria de telecomunicações.
medidas que impeçam a inviabilidade econômica de sua prestação no regime público.
Art. 78. A fabricação e o desenvolvimento no País de produtos de telecomunicações serão estimulados mediante
Art. 67. Não comportarão prestação no regime público os serviços de telecomunicações de interesse restrito. adoção de instrumentos de política creditícia, fiscal e aduaneira.

Art. 68. É vedada, a uma mesma pessoa jurídica, a exploração, de forma direta ou indireta, de uma mesma TÍTULO II
modalidade de serviço nos regimes público e privado, salvo em regiões, localidades ou áreas distintas.
DOS SERVIÇOS PRESTADOS EM REGIME PÚBLICO
Capítulo III

30
Capítulo I
Das Regras Comuns
Das Obrigações de Universalização e de Continuidade

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Art. 79. A Agência regulará as obrigações de universalização e de continuidade atribuídas às prestadoras de serviço admissão de novas prestadoras serão definidos considerando-se o ambiente de competição, observados o princípio do
no regime público. maior benefício ao usuário e o interesse social e econômico do País, de modo a propiciar a justa remuneração da
prestadora do serviço no regime público.
§ 1° Obrigações de universalização são as que objetivam possibilitar o acesso de qualquer pessoa ou instituição de
interesse público a serviço de telecomunicações, independentemente de sua localização e condição sócio-econômica, § 2° A oportunidade e o prazo das outorgas serão determinados de modo a evitar o vencimento concomitante das
bem como as destinadas a permitir a utilização das telecomunicações em serviços essenciais de interesse público. concessões de uma mesma área.

§ 2° Obrigações de continuidade são as que objetivam possibilitar aos usuários dos serviços sua fruição de forma Art. 85. Cada modalidade de serviço será objeto de concessão distinta, com clara determinação dos direitos e
ininterrupta, sem paralisações injustificadas, devendo os serviços estar à disposição dos usuários, em condições deveres da concessionária, dos usuários e da Agência.
adequadas de uso.
Art. 86. A concessão somente poderá ser outorgada a empresa constituída segundo as leis brasileiras, com sede e
Art. 80. As obrigações de universalização serão objeto de metas periódicas, conforme plano específico elaborado administração no País, criada para explorar exclusivamente os serviços de telecomunicações objeto da concessão.
pela Agência e aprovado pelo Poder Executivo, que deverá referir-se, entre outros aspectos, à disponibilidade de
instalações de uso coletivo ou individual, ao atendimento de deficientes físicos, de instituições de caráter público ou Parágrafo único. A participação, na licitação para outorga, de quem não atenda ao disposto neste artigo, será
social, bem como de áreas rurais ou de urbanização precária e de regiões remotas. condicionada ao compromisso de, antes da celebração do contrato, adaptar-se ou constituir empresa com as
características adequadas.
§ 1º O plano detalhará as fontes de financiamento das obrigações de universalização, que serão neutras em relação
à competição, no mercado nacional, entre prestadoras. Art. 87. A outorga a empresa ou grupo empresarial que, na mesma região, localidade ou área, já preste a mesma
modalidade de serviço, será condicionada à assunção do compromisso de, no prazo máximo de dezoito meses, contado
§ 2º Os recursos do fundo de universalização de que trata o inciso II do art. 81 não poderão ser destinados à da data de assinatura do contrato, transferir a outrem o serviço anteriormente explorado, sob pena de sua caducidade e
cobertura de custos com universalização dos serviços que, nos termos do contrato de concessão, a própria prestadora de outras sanções previstas no processo de outorga.
deva suportar.
Art. 88. As concessões serão outorgadas mediante licitação.
Art. 81. Os recursos complementares destinados a cobrir a parcela do custo exclusivamente atribuível ao
cumprimento das obrigações de universalização de prestadora de serviço de telecomunicações, que não possa ser Art. 89. A licitação será disciplinada pela Agência, observados os princípios constitucionais, as disposições desta Lei
recuperada com a exploração eficiente do serviço, poderão ser oriundos das seguintes fontes: e, especialmente:

I - Orçamento Geral da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios; I - a finalidade do certame é, por meio de disputa entre os interessados, escolher quem possa executar, expandir e
universalizar o serviço no regime público com eficiência, segurança e a tarifas razoáveis;
II - fundo especificamente constituído para essa finalidade, para o qual contribuirão prestadoras de serviço de
telecomunicações nos regimes público e privado, nos termos da lei, cuja mensagem de criação deverá ser enviada ao II - a minuta de instrumento convocatório será submetida a consulta pública prévia;
Congresso Nacional, pelo Poder Executivo, no prazo de cento e vinte dias após a publicação desta Lei.

III - o instrumento convocatório identificará o serviço objeto do certame e as condições de sua prestação, expansão
Parágrafo único. Enquanto não for constituído o fundo a que se refere o inciso II do caput, poderão ser adotadas e universalização, definirá o universo de proponentes, estabelecerá fatores e critérios para aceitação e julgamento de
também as seguintes fontes: propostas, regulará o procedimento, determinará a quantidade de fases e seus objetivos, indicará as sanções aplicáveis
e fixará as cláusulas do contrato de concessão;
I - subsídio entre modalidades de serviços de telecomunicações ou entre segmentos de usuários;
IV - as qualificações técnico-operacional ou profissional e econômico-financeira, bem como as garantias da proposta
II - pagamento de adicional ao valor de interconexão. e do contrato, exigidas indistintamente dos proponentes, deverão ser compatíveis com o objeto e proporcionais a sua
natureza e dimensão;
Art. 82. O descumprimento das obrigações relacionadas à universalização e à continuidade ensejará a aplicação de
sanções de multa, caducidade ou decretação de intervenção, conforme o caso. V - o interessado deverá comprovar situação regular perante as Fazendas Públicas e a Seguridade Social;

Capítulo II VI - a participação de consórcio, que se constituirá em empresa antes da outorga da concessão, será sempre
admitida;
Da Concessão
VII - o julgamento atenderá aos princípios de vinculação ao instrumento convocatório e comparação objetiva;
Seção I
VIII - os fatores de julgamento poderão ser, isolada ou conjugadamente, os de menor tarifa, maior oferta pela
Da outorga outorga, melhor qualidade dos serviços e melhor atendimento da demanda, respeitado sempre o princípio da
objetividade;

Art. 83. A exploração do serviço no regime público dependerá de prévia outorga, pela Agência, mediante concessão,
implicando esta o direito de uso das radiofreqüências necessárias, conforme regulamentação. IX - o empate será resolvido por sorteio;

Parágrafo único. Concessão de serviço de telecomunicações é a delegação de sua prestação, mediante contrato, X - as regras procedimentais assegurarão a adequada divulgação do instrumento convocatório, prazos compatíveis
por prazo determinado, no regime público, sujeitando-se a concessionária aos riscos empresariais, remunerando-se pela com o preparo de propostas e os direitos ao contraditório, ao recurso e à ampla defesa.
cobrança de tarifas dos usuários ou por outras receitas alternativas e respondendo diretamente pelas suas obrigações e
pelos prejuízos que causar. Art. 90. Não poderá participar da licitação ou receber outorga de concessão a empresa proibida de licitar ou
contratar com o Poder Público ou que tenha sido declarada inidônea, bem como aquela que tenha sido punida nos dois
Art. 84. As concessões não terão caráter de exclusividade, devendo obedecer ao plano geral de outorgas, com anos anteriores com a decretação de caducidade de concessão, permissão ou autorização de serviço de
definição quanto à divisão do País em áreas, ao número de prestadoras para cada uma delas, seus prazos de vigência e telecomunicações, ou da caducidade de direito de uso de radiofreqüência.

31
os prazos para admissão de novas prestadoras.
Art. 91. A licitação será inexigível quando, mediante processo administrativo conduzido pela Agência, a disputa for
§ 1° As áreas de exploração, o número de prestadoras, os prazos de vigência das concessões e os prazos para considerada inviável ou desnecessária.

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§ 1° Considera-se inviável a disputa quando apenas um interessado puder realizar o serviço, nas condições II - contratar com terceiros o desenvolvimento de atividades inerentes, acessórias ou complementares ao serviço,
estipuladas. bem como a implementação de projetos associados.

§ 2° Considera-se desnecessária a disputa nos casos em que se admita a exploração do serviço por todos os § 1° Em qualquer caso, a concessionária continuará sempre responsável perante a Agência e os usuários.
interessados que atendam às condições requeridas.
§ 2° Serão regidas pelo direito comum as relações da concessionária com os terceiros, que não terão direitos frente
§ 3° O procedimento para verificação da inexigibilidade compreenderá chamamento público para apurar o número à Agência, observado o disposto no art. 117 desta Lei.
de interessados.
Art. 95. A Agência concederá prazos adequados para adaptação da concessionária às novas obrigações que lhe
Art. 92. Nas hipóteses de inexigibilidade de licitação, a outorga de concessão dependerá de procedimento sejam impostas.
administrativo sujeito aos princípios da publicidade, moralidade, impessoalidade e contraditório, para verificar o
preenchimento das condições relativas às qualificações técnico-operacional ou profissional e econômico-financeira, à Art. 96. A concessionária deverá:
regularidade fiscal e às garantias do contrato.

I - prestar informações de natureza técnica, operacional, econômico-financeira e contábil, ou outras pertinentes que
Parágrafo único. As condições deverão ser compatíveis com o objeto e proporcionais a sua natureza e dimensão. a Agência solicitar;

Seção II II - manter registros contábeis separados por serviço, caso explore mais de uma modalidade de serviço de
telecomunicações;
Do contrato
III - submeter à aprovação da Agência a minuta de contrato-padrão a ser celebrado com os usuários, bem como os
Art. 93. O contrato de concessão indicará: acordos operacionais que pretenda firmar com prestadoras estrangeiras;

I - objeto, área e prazo da concessão; IV - divulgar relação de assinantes, observado o disposto nos incisos VI e IX do art. 3°, bem como o art. 213, desta
Lei;
II - modo, forma e condições da prestação do serviço;
V - submeter-se à regulamentação do serviço e à sua fiscalização;
III - regras, critérios, indicadores, fórmulas e parâmetros definidores da implantação, expansão, alteração e
modernização do serviço, bem como de sua qualidade; VI - apresentar relatórios periódicos sobre o atendimento das metas de universalização constantes do contrato de
concessão.
IV - deveres relativos à universalização e à continuidade do serviço;
Art. 97. Dependerão de prévia aprovação da Agência a cisão, a fusão, a transformação, a incorporação, a redução
V - o valor devido pela outorga, a forma e as condições de pagamento; do capital da empresa ou a transferência de seu controle societário.

VI - as condições de prorrogação, incluindo os critérios para fixação do valor; Parágrafo único. A aprovação será concedida se a medida não for prejudicial à competição e não colocar em risco a
execução do contrato, observado o disposto no art. 7° desta Lei.

VII - as tarifas a serem cobradas dos usuários e os critérios para seu reajuste e revisão;
Art. 98. O contrato de concessão poderá ser transferido após a aprovação da Agência desde que, cumulativamente:

VIII - as possíveis receitas alternativas, complementares ou acessórias, bem como as provenientes de projetos
associados; I - o serviço esteja em operação, há pelo menos três anos, com o cumprimento regular das obrigações;

IX - os direitos, as garantias e as obrigações dos usuários, da Agência e da concessionária; II - o cessionário preencha todos os requisitos da outorga, inclusive quanto às garantias, à regularidade jurídica e
fiscal e à qualificação técnica e econômico-financeira;

X - a forma da prestação de contas e da fiscalização;


III - a medida não prejudique a competição e não coloque em risco a execução do contrato, observado o disposto no
art. 7° desta Lei.
XI - os bens reversíveis, se houver;
Art. 99. O prazo máximo da concessão será de vinte anos, podendo ser prorrogado, uma única vez, por igual
XII - as condições gerais para interconexão; período, desde que a concessionária tenha cumprido as condições da concessão e manifeste expresso interesse na
prorrogação, pelo menos, trinta meses antes de sua expiração.
XIII - a obrigação de manter, durante a execução do contrato, todas as condições de habilitação exigidas na
licitação; § 1° A prorrogação do prazo da concessão implicará pagamento, pela concessionária, pelo direito de exploração do
serviço e pelo direito de uso das radiofreqüências associadas, e poderá, a critério da Agência, incluir novos
XIV - as sanções; condicionamentos, tendo em vista as condições vigentes à época.

XV - o foro e o modo para solução extrajudicial das divergências contratuais. § 2° A desistência do pedido de prorrogação sem justa causa, após seu deferimento, sujeitará a concessionária à
pena de multa.
Parágrafo único. O contrato será publicado resumidamente no Diário Oficial da União, como condição de sua
eficácia. § 3° Em caso de comprovada necessidade de reorganização do objeto ou da área da concessão para ajustamento
ao plano geral de outorgas ou à regulamentação vigente, poderá a Agência indeferir o pedido de prorrogação.
Art. 94. No cumprimento de seus deveres, a concessionária poderá, observadas as condições e limites

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estabelecidos pela Agência: Seção III

I - empregar, na execução dos serviços, equipamentos e infra-estrutura que não lhe pertençam; Dos bens

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Art. 100. Poderá ser declarada a utilidade pública, para fins de desapropriação ou instituição de servidão, de bens Art. 109. A Agência estabelecerá:
imóveis ou móveis, necessários à execução do serviço, cabendo à concessionária a implementação da medida e o
pagamento da indenização e das demais despesas envolvidas. I - os mecanismos para acompanhamento das tarifas praticadas pela concessionária, inclusive a antecedência a ser
observada na comunicação de suas alterações;
Art. 101. A alienação, oneração ou substituição de bens reversíveis dependerá de prévia aprovação da Agência.
II - os casos de serviço gratuito, como os de emergência;
Art. 102. A extinção da concessão transmitirá automaticamente à União a posse dos bens reversíveis.
III - os mecanismos para garantir a publicidade das tarifas.
Parágrafo único. A reversão dos bens, antes de expirado o prazo contratual, importará pagamento de indenização
pelas parcelas de investimentos a eles vinculados, ainda não amortizados ou depreciados, que tenham sido realizados Seção V
com o objetivo de garantir a continuidade e atualidade do serviço concedido.

Da intervenção
Seção IV

Art. 110. Poderá ser decretada intervenção na concessionária, por ato da Agência, em caso de:
Das tarifas

I - paralisação injustificada dos serviços;


Art. 103. Compete à Agência estabelecer a estrutura tarifária para cada modalidade de serviço.

II - inadequação ou insuficiência dos serviços prestados, não resolvidas em prazo razoável;


§ 1° A fixação, o reajuste e a revisão das tarifas poderão basear-se em valor que corresponda à média ponderada
dos valores dos itens tarifários.
III - desequilíbrio econômico-financeiro decorrente de má administração que coloque em risco a continuidade dos
serviços;
§ 2° São vedados os subsídios entre modalidades de serviços e segmentos de usuários, ressalvado o disposto no
parágrafo único do art. 81 desta Lei.
IV - prática de infrações graves;
§ 3° As tarifas serão fixadas no contrato de concessão, consoante edital ou proposta apresentada na licitação.
V - inobservância de atendimento das metas de universalização;
§ 4° Em caso de outorga sem licitação, as tarifas serão fixadas pela Agência e constarão do contrato de concessão.
VI - recusa injustificada de interconexão;
Art. 104. Transcorridos ao menos três anos da celebração do contrato, a Agência poderá, se existir ampla e efetiva
competição entre as prestadoras do serviço, submeter a concessionária ao regime de liberdade tarifária. VII - infração da ordem econômica nos termos da legislação própria.

§ 1° No regime a que se refere o caput, a concessionária poderá determinar suas próprias tarifas, devendo Art. 111. O ato de intervenção indicará seu prazo, seus objetivos e limites, que serão determinados em função das
comunicá-las à Agência com antecedência de sete dias de sua vigência. razões que a ensejaram, e designará o interventor.

§ 2° Ocorrendo aumento arbitrário dos lucros ou práticas prejudiciais à competição, a Agência restabelecerá o § 1° A decretação da intervenção não afetará o curso regular dos negócios da concessionária nem seu normal
regime tarifário anterior, sem prejuízo das sanções cabíveis. funcionamento e produzirá, de imediato, o afastamento de seus administradores.

Art. 105. Quando da implantação de novas prestações, utilidades ou comodidades relativas ao objeto da concessão, § 2° A intervenção será precedida de procedimento administrativo instaurado pela Agência, em que se assegure a
suas tarifas serão previamente levadas à Agência, para aprovação, com os estudos correspondentes. ampla defesa da concessionária, salvo quando decretada cautelarmente, hipótese em que o procedimento será
instaurado na data da intervenção e concluído em até cento e oitenta dias.
Parágrafo único. Considerados os interesses dos usuários, a Agência poderá decidir por fixar as tarifas ou por
submetê-las ao regime de liberdade tarifária, sendo vedada qualquer cobrança antes da referida aprovação. § 3° A intervenção poderá ser exercida por um colegiado ou por uma empresa, cuja remuneração será paga com
recursos da concessionária.
Art. 106. A concessionária poderá cobrar tarifa inferior à fixada desde que a redução se baseie em critério objetivo e
favoreça indistintamente todos os usuários, vedado o abuso do poder econômico. § 4° Dos atos do interventor caberá recurso à Agência.

Art. 107. Os descontos de tarifa somente serão admitidos quando extensíveis a todos os usuários que se § 5° Para os atos de alienação e disposição do patrimônio da concessionária, o interventor necessitará de prévia
enquadrem nas condições, precisas e isonômicas, para sua fruição. autorização da Agência.

Art. 108. Os mecanismos para reajuste e revisão das tarifas serão previstos nos contratos de concessão, § 6° O interventor prestará contas e responderá pelos atos que praticar.
observando-se, no que couber, a legislação específica.
Seção VI
§ 1° A redução ou o desconto de tarifas não ensejará revisão tarifária.
Da extinção
§ 2° Serão compartilhados com os usuários, nos termos regulados pela Agência, os ganhos econômicos
decorrentes da modernização, expansão ou racionalização dos serviços, bem como de novas receitas alternativas. Art. 112. A concessão extinguir-se-á por advento do termo contratual, encampação, caducidade, rescisão e
anulação.
§ 3° Serão transferidos integralmente aos usuários os ganhos econômicos que não decorram diretamente da
eficiência empresarial, em casos como os de diminuição de tributos ou encargos legais e de novas regras sobre os Parágrafo único. A extinção devolve à União os direitos e deveres relativos à prestação do serviço.
serviços.

33
Art. 113. Considera-se encampação a retomada do serviço pela União durante o prazo da concessão, em face de
§ 4º A oneração causada por novas regras sobre os serviços, pela álea econômica extraordinária, bem como pelo razão extraordinária de interesse público, mediante lei autorizativa específica e após o pagamento de prévia indenização.
aumento dos encargos legais ou tributos, salvo o imposto sobre a renda, implicará a revisão do contrato.

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Art. 114. A caducidade da concessão será decretada pela Agência nas hipóteses: V - as condições gerais de interconexão;

I - de infração do disposto no art. 97 desta Lei ou de dissolução ou falência da concessionária; VI - a forma da prestação de contas e da fiscalização;

II - de transferência irregular do contrato; VII - os bens entregues pelo permitente à administração do permissionário;

III - de não-cumprimento do compromisso de transferência a que se refere o art. 87 desta Lei; VIII - as sanções;

IV - em que a intervenção seria cabível, mas sua decretação for inconveniente, inócua, injustamente benéfica ao IX - os bens reversíveis, se houver;
concessionário ou desnecessária.
X - o foro e o modo para solução extrajudicial das divergências.
§ 1° Será desnecessária a intervenção quando a demanda pelos serviços objeto da concessão puder ser atendida
por outras prestadoras de modo regular e imediato. Parágrafo único. O termo de permissão será publicado resumidamente no Diário Oficial da União, como condição de
sua eficácia.
§ 2° A decretação da caducidade será precedida de procedimento administrativo instaurado pela Agência, em que
se assegure a ampla defesa da concessionária. Art. 121. Outorgada permissão em decorrência de procedimento licitatório, a recusa injustificada pelo outorgado em
assinar o respectivo termo sujeitá-lo-á às sanções previstas no instrumento convocatório.
Art. 115. A concessionária terá direito à rescisão quando, por ação ou omissão do Poder Público, a execução do
contrato se tornar excessivamente onerosa. Art. 122. A permissão extinguir-se-á pelo decurso do prazo máximo de vigência estimado, observado o disposto no
art. 124 desta Lei, bem como por revogação, caducidade e anulação.
Parágrafo único. A rescisão poderá ser realizada amigável ou judicialmente.
Art. 123. A revogação deverá basear-se em razões de conveniência e oportunidade relevantes e supervenientes à
Art. 116. A anulação será decretada pela Agência em caso de irregularidade insanável e grave do contrato de permissão.
concessão.
§ 1° A revogação, que poderá ser feita a qualquer momento, não dará direito a indenização.
Art. 117. Extinta a concessão antes do termo contratual, a Agência, sem prejuízo de outras medidas cabíveis,
poderá: § 2° O ato revocatório fixará o prazo para o permissionário devolver o serviço, que não será inferior a sessenta dias.

I - ocupar, provisoriamente, bens móveis e imóveis e valer-se de pessoal empregado na prestação dos serviços, Art. 124. A permissão poderá ser mantida, mesmo vencido seu prazo máximo, se persistir a situação excepcional
necessários a sua continuidade; que a motivou.

II - manter contratos firmados pela concessionária com terceiros, com fundamento nos incisos I e II do art. 94 desta Art. 125. A Agência disporá sobre o regime da permissão, observados os princípios e objetivos desta Lei.
Lei, pelo prazo e nas condições inicialmente ajustadas.

TÍTULO III
Parágrafo único. Na hipótese do inciso II deste artigo, os terceiros que não cumprirem com as obrigações assumidas
responderão pelo inadimplemento.
DOS SERVIÇOS PRESTADOS EM REGIME PRIVADO
Capítulo III
Capítulo I
Da Permissão
Do Regime Geral da Exploração
Art. 118. Será outorgada permissão, pela Agência, para prestação de serviço de telecomunicações em face de
situação excepcional comprometedora do funcionamento do serviço que, em virtude de suas peculiaridades, não possa Art. 126. A exploração de serviço de telecomunicações no regime privado será baseada nos princípios
ser atendida, de forma conveniente ou em prazo adequado, mediante intervenção na empresa concessionária ou constitucionais da atividade econômica.
mediante outorga de nova concessão.
Art. 127. A disciplina da exploração dos serviços no regime privado terá por objetivo viabilizar o cumprimento das
Parágrafo único. Permissão de serviço de telecomunicações é o ato administrativo pelo qual se atribui a alguém o leis, em especial das relativas às telecomunicações, à ordem econômica e aos direitos dos consumidores, destinando-se
dever de prestar serviço de telecomunicações no regime público e em caráter transitório, até que seja normalizada a a garantir:
situação excepcional que a tenha ensejado.
I - a diversidade de serviços, o incremento de sua oferta e sua qualidade;
Art. 119. A permissão será precedida de procedimento licitatório simplificado, instaurado pela Agência, nos termos
por ela regulados, ressalvados os casos de inexigibilidade previstos no art. 91, observado o disposto no art. 92, desta Lei. II - a competição livre, ampla e justa;

Art. 120. A permissão será formalizada mediante assinatura de termo, que indicará: III - o respeito aos direitos dos usuários;

I - o objeto e a área da permissão, bem como os prazos mínimo e máximo de vigência estimados; IV - a convivência entre as modalidades de serviço e entre prestadoras em regime privado e público, observada a
prevalência do interesse público;
II - modo, forma e condições da prestação do serviço;
V - o equilíbrio das relações entre prestadoras e usuários dos serviços;

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III - as tarifas a serem cobradas dos usuários, critérios para seu reajuste e revisão e as possíveis fontes de receitas
alternativas; VI - a isonomia de tratamento às prestadoras;

IV - os direitos, as garantias e as obrigações dos usuários, do permitente e do permissionário; VII - o uso eficiente do espectro de radiofreqüências;

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VIII - o cumprimento da função social do serviço de interesse coletivo, bem como dos encargos dela decorrentes; II - não estar proibida de licitar ou contratar com o Poder Público, não ter sido declarada inidônea ou não ter sido
punida, nos dois anos anteriores, com a decretação da caducidade de concessão, permissão ou autorização de serviço
IX - o desenvolvimento tecnológico e industrial do setor; de telecomunicações, ou da caducidade de direito de uso de radiofreqüência;

X - a permanente fiscalização. III - dispor de qualificação técnica para bem prestar o serviço, capacidade econômico-financeira, regularidade fiscal
e estar em situação regular com a Seguridade Social;

Art. 128. Ao impor condicionamentos administrativos ao direito de exploração das diversas modalidades de serviço
no regime privado, sejam eles limites, encargos ou sujeições, a Agência observará a exigência de mínima intervenção na IV - não ser, na mesma região, localidade ou área, encarregada de prestar a mesma modalidade de serviço.
vida privada, assegurando que:
Art. 134. A Agência disporá sobre as condições subjetivas para obtenção de autorização de serviço de interesse
I - a liberdade será a regra, constituindo exceção as proibições, restrições e interferências do Poder Público; restrito.

II - nenhuma autorização será negada, salvo por motivo relevante; Art. 135. A Agência poderá, excepcionalmente, em face de relevantes razões de caráter coletivo, condicionar a
expedição de autorização à aceitação, pelo interessado, de compromissos de interesse da coletividade.

III - os condicionamentos deverão ter vínculos, tanto de necessidade como de adequação, com finalidades públicas
específicas e relevantes; Parágrafo único. Os compromissos a que se refere o caput serão objeto de regulamentação, pela Agência,
observados os princípios da razoabilidade, proporcionalidade e igualdade.

IV - o proveito coletivo gerado pelo condicionamento deverá ser proporcional à privação que ele impuser;
Art. 136. Não haverá limite ao número de autorizações de serviço, salvo em caso de impossibilidade técnica ou,
excepcionalmente, quando o excesso de competidores puder comprometer a prestação de uma modalidade de serviço
V - haverá relação de equilíbrio entre os deveres impostos às prestadoras e os direitos a elas reconhecidos. de interesse coletivo.

Art. 129. O preço dos serviços será livre, ressalvado o disposto no § 2° do art. 136 desta Lei, reprimindo-se toda § 1° A Agência determinará as regiões, localidades ou áreas abrangidas pela limitação e disporá sobre a
prática prejudicial à competição, bem como o abuso do poder econômico, nos termos da legislação própria. possibilidade de a prestadora atuar em mais de uma delas.

Art. 130. A prestadora de serviço em regime privado não terá direito adquirido à permanência das condições § 2° As prestadoras serão selecionadas mediante procedimento licitatório, na forma estabelecida nos arts. 88 a 92,
vigentes quando da expedição da autorização ou do início das atividades, devendo observar os novos condicionamentos sujeitando-se a transferência da autorização às mesmas condições estabelecidas no art. 98, desta Lei.
impostos por lei e pela regulamentação.
§ 3° Dos vencedores da licitação será exigida contrapartida proporcional à vantagem econômica que usufruírem, na
Parágrafo único. As normas concederão prazos suficientes para adaptação aos novos condicionamentos . forma de compromissos de interesse dos usuários.

Capítulo II Art. 137. O descumprimento de condições ou de compromissos assumidos, associados à autorização, sujeitará a
prestadora às sanções de multa, suspensão temporária ou caducidade.
Da Autorização de Serviço de Telecomunicações
Seção II
Seção I
Da extinção
Da obtenção
Art. 138. A autorização de serviço de telecomunicações não terá sua vigência sujeita a termo final, extinguindo-se
Art. 131. A exploração de serviço no regime privado dependerá de prévia autorização da Agência, que acarretará somente por cassação, caducidade, decaimento, renúncia ou anulação.
direito de uso das radiofreqüências necessárias.
Art. 139. Quando houver perda das condições indispensáveis à expedição ou manutenção da autorização, a
§ 1° Autorização de serviço de telecomunicações é o ato administrativo vinculado que faculta a exploração, no Agência poderá extingui-la mediante ato de cassação.
regime privado, de modalidade de serviço de telecomunicações, quando preenchidas as condições objetivas e subjetivas
necessárias. Parágrafo único. Importará em cassação da autorização do serviço a extinção da autorização de uso da
radiofreqüência respectiva.
§ 2° A Agência definirá os casos que independerão de autorização.
Art. 140. Em caso de prática de infrações graves, de transferência irregular da autorização ou de descumprimento
§ 3° A prestadora de serviço que independa de autorização comunicará previamente à Agência o início de suas reiterado de compromissos assumidos, a Agência poderá extinguir a autorização decretando-lhe a caducidade.
atividades, salvo nos casos previstos nas normas correspondentes.
Art. 141. O decaimento será decretado pela Agência, por ato administrativo, se, em face de razões de excepcional
§ 4° A eficácia da autorização dependerá da publicação de extrato no Diário Oficial da União. relevância pública, as normas vierem a vedar o tipo de atividade objeto da autorização ou a suprimir a exploração no
regime privado.
Art. 132. São condições objetivas para obtenção de autorização de serviço:
§ 1° A edição das normas de que trata o caput não justificará o decaimento senão quando a preservação das
autorizações já expedidas for efetivamente incompatível com o interesse público.
I - disponibilidade de radiofreqüência necessária, no caso de serviços que a utilizem;
§ 2° Decretado o decaimento, a prestadora terá o direito de manter suas próprias atividades regulares por prazo
II - apresentação de projeto viável tecnicamente e compatível com as normas aplicáveis. mínimo de cinco anos, salvo desapropriação.

Art. 133. São condições subjetivas para obtenção de autorização de serviço de interesse coletivo pela empresa:

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Art. 142. Renúncia é o ato formal unilateral, irrevogável e irretratável, pelo qual a prestadora manifesta seu
desinteresse pela autorização.
I - estar constituída segundo as leis brasileiras, com sede e administração no País;
Parágrafo único. A renúncia não será causa para punição do autorizado, nem o desonerará de suas obrigações com

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terceiros. Art. 155. Para desenvolver a competição, as empresas prestadoras de serviços de telecomunicações de interesse
coletivo deverão, nos casos e condições fixados pela Agência, disponibilizar suas redes a outras prestadoras de serviços
Art. 143. A anulação da autorização será decretada, judicial ou administrativamente, em caso de irregularidade de telecomunicações de interesse coletivo.
insanável do ato que a expediu.
Art. 156. Poderá ser vedada a conexão de equipamentos terminais sem certificação, expedida ou aceita pela
Art. 144. A extinção da autorização mediante ato administrativo dependerá de procedimento prévio, garantidos o Agência, no caso das redes referidas no art. 145 desta Lei.
contraditório e a ampla defesa do interessado.
§ 1° Terminal de telecomunicações é o equipamento ou aparelho que possibilita o acesso do usuário a serviço de
TÍTULO IV telecomunicações, podendo incorporar estágio de transdução, estar incorporado a equipamento destinado a exercer
outras funções ou, ainda, incorporar funções secundárias.

DAS REDES DE TELECOMUNICAÇÕES


§ 2° Certificação é o reconhecimento da compatibilidade das especificações de determinado produto com as
características técnicas do serviço a que se destina.
Art. 145. A implantação e o funcionamento de redes de telecomunicações destinadas a dar suporte à prestação de
serviços de interesse coletivo, no regime público ou privado, observarão o disposto neste Título.
TÍTULO V

Parágrafo único. As redes de telecomunicações destinadas à prestação de serviço em regime privado poderão ser
dispensadas do disposto no caput, no todo ou em parte, na forma da regulamentação expedida pela Agência. DO ESPECTRO E DA ÓRBITA

Art. 146. As redes serão organizadas como vias integradas de livre circulação, nos termos seguintes: Capítulo I

I - é obrigatória a interconexão entre as redes, na forma da regulamentação; Do Espectro de Radiofreqüências

II - deverá ser assegurada a operação integrada das redes, em âmbito nacional e internacional; Art. 157. O espectro de radiofreqüências é um recurso limitado, constituindo-se em bem público, administrado pela
Agência.

III - o direito de propriedade sobre as redes é condicionado pelo dever de cumprimento de sua função social.
Art. 158. Observadas as atribuições de faixas segundo tratados e acordos internacionais, a Agência manterá plano
com a atribuição, distribuição e destinação de radiofreqüências, e detalhamento necessário ao uso das radiofreqüências
Parágrafo único. Interconexão é a ligação entre redes de telecomunicações funcionalmente compatíveis, de modo associadas aos diversos serviços e atividades de telecomunicações, atendidas suas necessidades específicas e as de
que os usuários de serviços de uma das redes possam comunicar-se com usuários de serviços de outra ou acessar suas expansões.
serviços nela disponíveis.
§ 1° O plano destinará faixas de radiofreqüência para:
Art. 147. É obrigatória a interconexão às redes de telecomunicações a que se refere o art. 145 desta Lei, solicitada
por prestadora de serviço no regime privado, nos termos da regulamentação.
I - fins exclusivamente militares;

Art. 148. É livre a interconexão entre redes de suporte à prestação de serviços de telecomunicações no regime
privado, observada a regulamentação. II - serviços de telecomunicações a serem prestados em regime público e em regime privado;

Art. 149. A regulamentação estabelecerá as hipóteses e condições de interconexão a redes internacionais. III - serviços de radiodifusão;

Art. 150. A implantação, o funcionamento e a interconexão das redes obedecerão à regulamentação editada pela IV - serviços de emergência e de segurança pública;
Agência, assegurando a compatibilidade das redes das diferentes prestadoras, visando à sua harmonização em âmbito
nacional e internacional. V - outras atividades de telecomunicações.

Art. 151. A Agência disporá sobre os planos de numeração dos serviços, assegurando sua administração de forma § 2° A destinação de faixas de radiofreqüência para fins exclusivamente militares será feita em articulação com as
não discriminatória e em estímulo à competição, garantindo o atendimento aos compromissos internacionais. Forças Armadas.

Parágrafo único. A Agência disporá sobre as circunstâncias e as condições em que a prestadora de serviço de Art. 159. Na destinação de faixas de radiofreqüência serão considerados o emprego racional e econômico do
telecomunicações cujo usuário transferir-se para outra prestadora será obrigada a, sem ônus, interceptar as ligações espectro, bem como as atribuições, distribuições e consignações existentes, objetivando evitar interferências prejudiciais.
dirigidas ao antigo código de acesso do usuário e informar o seu novo código.
Parágrafo único. Considera-se interferência prejudicial qualquer emissão, irradiação ou indução que obstrua,
Art. 152. O provimento da interconexão será realizado em termos não discriminatórios, sob condições técnicas degrade seriamente ou interrompa repetidamente a telecomunicação.
adequadas, garantindo preços isonômicos e justos, atendendo ao estritamente necessário à prestação do serviço.
Art. 160. A Agência regulará a utilização eficiente e adequada do espectro, podendo restringir o emprego de
Art. 153. As condições para a interconexão de redes serão objeto de livre negociação entre os interessados, determinadas radiofreqüências ou faixas, considerado o interesse público.
mediante acordo, observado o disposto nesta Lei e nos termos da regulamentação.
Parágrafo único. O uso da radiofreqüência será condicionado à sua compatibilidade com a atividade ou o serviço a
§ 1° O acordo será formalizado por contrato, cuja eficácia dependerá de homologação pela Agência, arquivando-se ser prestado, particularmente no tocante à potência, à faixa de transmissão e à técnica empregada.
uma de suas vias na Biblioteca para consulta por qualquer interessado.
Art. 161. A qualquer tempo, poderá ser modificada a destinação de radiofreqüências ou faixas, bem como ordenada
§ 2° Não havendo acordo entre os interessados, a Agência, por provocação de um deles, arbitrará as condições a alteração de potências ou de outras características técnicas, desde que o interesse público ou o cumprimento de
para a interconexão. convenções ou tratados internacionais assim o determine.

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Art. 154. As redes de telecomunicações poderão ser, secundariamente, utilizadas como suporte de serviço a ser Parágrafo único. Será fixado prazo adequado e razoável para a efetivação da mudança.
prestado por outrem, de interesse coletivo ou restrito.

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Art. 162. A operação de estação transmissora de radiocomunicação está sujeita à licença de funcionamento prévia e serviço de telecomunicações que dela se utiliza.
à fiscalização permanente, nos termos da regulamentação.
Capítulo III
§ 1° Radiocomunicação é a telecomunicação que utiliza freqüências radioelétricas não confinadas a fios, cabos ou
outros meios físicos. Da Órbita e dos Satélites

§ 2° É vedada a utilização de equipamentos emissores de radiofreqüência sem certificação expedida ou aceita pela Art. 170. A Agência disporá sobre os requisitos e critérios específicos para execução de serviço de
Agência. telecomunicações que utilize satélite, geoestacionário ou não, independentemente de o acesso a ele ocorrer a partir do
território nacional ou do exterior.
§ 3° A emissão ou extinção da licença relativa à estação de apoio à navegação marítima ou aeronáutica, bem como
à estação de radiocomunicação marítima ou aeronáutica, dependerá de parecer favorável dos órgãos competentes para Art. 171. Para a execução de serviço de telecomunicações via satélite regulado por esta Lei, deverá ser dada
a vistoria de embarcações e aeronaves. preferência ao emprego de satélite brasileiro, quando este propiciar condições equivalentes às de terceiros.

Capítulo II § 1° O emprego de satélite estrangeiro somente será admitido quando sua contratação for feita com empresa
constituída segundo as leis brasileiras e com sede e administração no País, na condição de representante legal do
Da Autorização de Uso de Radiofreqüência operador estrangeiro.

Art. 163. O uso de radiofreqüência, tendo ou não caráter de exclusividade, dependerá de prévia outorga da Agência, § 2° Satélite brasileiro é o que utiliza recursos de órbita e espectro radioelétrico notificados pelo País, ou a ele
mediante autorização, nos termos da regulamentação. distribuídos ou consignados, e cuja estação de controle e monitoração seja instalada no território brasileiro.

§ 1° Autorização de uso de radiofreqüência é o ato administrativo vinculado, associado à concessão, permissão ou Art. 172. O direito de exploração de satélite brasileiro para transporte de sinais de telecomunicações assegura a
autorização para prestação de serviço de telecomunicações, que atribui a interessado, por prazo determinado, o direito ocupação da órbita e o uso das radiofreqüências destinadas ao controle e monitoração do satélite e à telecomunicação
de uso de radiofreqüência, nas condições legais e regulamentares. via satélite, por prazo de até quinze anos, podendo esse prazo ser prorrogado, uma única vez, nos termos da
regulamentação.
§ 2° Independerão de outorga:
§ 1º Imediatamente após um pedido para exploração de satélite que implique utilização de novos recursos de órbita
I - o uso de radiofreqüência por meio de equipamentos de radiação restrita definidos pela Agência; ou espectro, a Agência avaliará as informações e, considerando-as em conformidade com a regulamentação,
encaminhará à União Internacional de Telecomunicações a correspondente notificação, sem que isso caracterize
compromisso de outorga ao requerente.
II - o uso, pelas Forças Armadas, de radiofreqüências nas faixas destinadas a fins exclusivamente militares.
§ 2° Se inexigível a licitação, conforme disposto nos arts. 91 e 92 desta Lei, o direito de exploração será conferido
§ 3° A eficácia da autorização de uso de radiofreqüência dependerá de publicação de extrato no Diário Oficial da mediante processo administrativo estabelecido pela Agência.
União.
§ 3° Havendo necessidade de licitação, observar-se-á o procedimento estabelecido nos arts. 88 a 90 desta Lei,
Art. 164. Havendo limitação técnica ao uso de radiofreqüência e ocorrendo o interesse na sua utilização, por parte aplicando-se, no que couber, o disposto neste artigo.
de mais de um interessado, para fins de expansão de serviço e, havendo ou não, concomitantemente, outros
interessados em prestar a mesma modalidade de serviço, observar-se-á:
§ 4º O direito será conferido a título oneroso, podendo o pagamento, conforme dispuser a Agência, fazer-se na
forma de quantia certa, em uma ou várias parcelas, bem como de parcelas anuais ou, complementarmente, de cessão de
I - a autorização de uso de radiofreqüência dependerá de licitação, na forma e condições estabelecidas nos arts. 88 capacidade, conforme dispuser a regulamentação.
a 90 desta Lei e será sempre onerosa;
TÍTULO VI
II - o vencedor da licitação receberá, conforme o caso, a autorização para uso da radiofreqüência, para fins de
expansão do serviço, ou a autorização para a prestação do serviço.
DAS SANÇÕES

Art. 165. Para fins de verificação da necessidade de abertura ou não da licitação prevista no artigo anterior,
observar-se-á o disposto nos arts. 91 e 92 desta Lei. Capítulo I

Art. 166. A autorização de uso de radiofreqüência terá o mesmo prazo de vigência da concessão ou permissão de Das Sanções Administrativas
prestação de serviço de telecomunicações à qual esteja vinculada.
Art. 173. A infração desta Lei ou das demais normas aplicáveis, bem como a inobservância dos deveres decorrentes
Art. 167. No caso de serviços autorizados, o prazo de vigência será de até vinte anos, prorrogável uma única vez dos contratos de concessão ou dos atos de permissão, autorização de serviço ou autorização de uso de radiofreqüência,
por igual período. sujeitará os infratores às seguintes sanções, aplicáveis pela Agência, sem prejuízo das de natureza civil e penal:

§ 1° A prorrogação, sempre onerosa, poderá ser requerida até três anos antes do vencimento do prazo original, I - advertência;
devendo o requerimento ser decidido em, no máximo, doze meses.
II - multa;
§ 2° O indeferimento somente ocorrerá se o interessado não estiver fazendo uso racional e adequado da
radiofreqüência, se houver cometido infrações reiteradas em suas atividades ou se for necessária a modificação de III - suspensão temporária;
destinação do uso da radiofreqüência.
IV - caducidade;
Art. 168. É intransferível a autorização de uso de radiofreqüências sem a correspondente transferência da

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concessão, permissão ou autorização de prestação do serviço a elas vinculada. V - declaração de inidoneidade.

Art. 169. A autorização de uso de radiofreqüências extinguir-se-á pelo advento de seu termo final ou no caso de sua Art. 174. Toda acusação será circunstanciada, permanecendo em sigilo até sua completa apuração.
transferência irregular, bem como por caducidade, decaimento, renúncia ou anulação da autorização para prestação do

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Art. 175. Nenhuma sanção será aplicada sem a oportunidade de prévia e ampla defesa. LIVRO IV

Parágrafo único. Apenas medidas cautelares urgentes poderão ser tomadas antes da defesa. DA REESTRUTURAÇÃO E DA DESESTATIZAÇÃO

Art. 176. Na aplicação de sanções, serão considerados a natureza e a gravidade da infração, os danos dela DAS EMPRESAS FEDERAIS DE TELECOMUNICAÇÕES
resultantes para o serviço e para os usuários, a vantagem auferida pelo infrator, as circunstâncias agravantes, os
antecedentes do infrator e a reincidência específica. Art. 186. A reestruturação e a desestatização das empresas federais de telecomunicações têm como objetivo
conduzir ao cumprimento dos deveres constantes do art. 2º desta Lei.
Parágrafo único. Entende-se por reincidência específica a repetição de falta de igual natureza após o recebimento
de notificação anterior. Art. 187. Fica o Poder Executivo autorizado a promover a reestruturação e a desestatização das seguintes
empresas controladas, direta ou indiretamente, pela União, e supervisionadas pelo Ministério das Comunicações:
Art. 177. Nas infrações praticadas por pessoa jurídica, também serão punidos com a sanção de multa seus
administradores ou controladores, quando tiverem agido de má-fé. I - Telecomunicações Brasileiras S.A. - TELEBRÁS;

Art. 178. A existência de sanção anterior será considerada como agravante na aplicação de outra sanção. II - Empresa Brasileira de Telecomunicações - EMBRATEL;

Art. 179. A multa poderá ser imposta isoladamente ou em conjunto com outra sanção, não devendo ser superior a III - Telecomunicações do Maranhão S.A. - TELMA;
R$ 50.000.000,00 (cinqüenta milhões de reais) para cada infração cometida.

IV - Telecomunicações do Piauí S.A. - TELEPISA;


§ 1° Na aplicação de multa serão considerados a condição econômica do infrator e o princípio da proporcionalidade
entre a gravidade da falta e a intensidade da sanção.
V - Telecomunicações do Ceará - TELECEARÁ;
§ 2° A imposição, a prestadora de serviço de telecomunicações, de multa decorrente de infração da ordem
econômica, observará os limites previstos na legislação especifica. VI - Telecomunicações do Rio Grande do Norte S.A. - TELERN;

Art. 180. A suspensão temporária será imposta, em relação à autorização de serviço ou de uso de radiofreqüência, VII - Telecomunicações da Paraíba S.A. - TELPA;
em caso de infração grave cujas circunstâncias não justifiquem a decretação de caducidade.
VIII - Telecomunicações de Pernambuco S.A. - TELPE;
Parágrafo único. O prazo da suspensão não será superior a trinta dias.
IX - Telecomunicações de Alagoas S.A. - TELASA;
Art. 181. A caducidade importará na extinção de concessão, permissão, autorização de serviço ou autorização de
uso de radiofreqüência, nos casos previstos nesta Lei. X - Telecomunicações de Sergipe S.A. - TELERGIPE;

Art. 182. A declaração de inidoneidade será aplicada a quem tenha praticado atos ilícitos visando frustrar os XI - Telecomunicações da Bahia S.A. - TELEBAHIA;
objetivos de licitação.
XII - Telecomunicações de Mato Grosso do Sul S.A. - TELEMS;
Parágrafo único. O prazo de vigência da declaração de inidoneidade não será superior a cinco anos.
XIII - Telecomunicações de Mato Grosso S.A. - TELEMAT;
Capítulo II
XIV - Telecomunicações de Goiás S.A. - TELEGOIÁS;
Das Sanções Penais
XV - Telecomunicações de Brasília S.A. - TELEBRASÍLIA;
Art. 183. Desenvolver clandestinamente atividades de telecomunicação:
XVI - Telecomunicações de Rondônia S.A. - TELERON;
Pena - detenção de dois a quatro anos, aumentada da metade se houver dano a terceiro, e multa de R$ 10.000,00
(dez mil reais).
XVII - Telecomunicações do Acre S.A. - TELEACRE;
Parágrafo único. Incorre na mesma pena quem, direta ou indiretamente, concorrer para o crime.
XVIII - Telecomunicações de Roraima S.A. - TELAIMA;
Art. 184. São efeitos da condenação penal transitada em julgado:
XIX - Telecomunicações do Amapá S.A. - TELEAMAPÁ;
I - tornar certa a obrigação de indenizar o dano causado pelo crime;
XX - Telecomunicações do Amazonas S.A. - TELAMAZON;
II - a perda, em favor da Agência, ressalvado o direito do lesado ou de terceiros de boa-fé, dos bens empregados na
atividade clandestina, sem prejuízo de sua apreensão cautelar. XXI - Telecomunicações do Pará S.A. - TELEPARÁ;

Parágrafo único. Considera-se clandestina a atividade desenvolvida sem a competente concessão, permissão ou XXII - Telecomunicações do Rio de Janeiro S.A. - TELERJ;
autorização de serviço, de uso de radiofreqüência e de exploração de satélite.
XXIII - Telecomunicações de Minas Gerais S.A. - TELEMIG;

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Art. 185. O crime definido nesta Lei é de ação penal pública, incondicionada, cabendo ao Ministério Público
promovê-la. XXIV - Telecomunicações do Espírito Santo S.A. - TELEST;

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XXV - Telecomunicações de São Paulo S.A. - TELESP; procedimentos decorrentes a cargo de Comissão Especial de Supervisão, a ser instituída pelo Ministro de Estado das
Comunicações.
XXVI - Companhia Telefônica da Borda do Campo - CTBC;
§ 1° A execução de procedimentos operacionais necessários à desestatização poderá ser cometida, mediante
XXVII - Telecomunicações do Paraná S.A. - TELEPAR; contrato, a instituição financeira integrante da Administração Federal, de notória experiência no assunto.

XXVIII - Telecomunicações de Santa Catarina S.A. - TELESC; § 2° A remuneração da contratada será paga com parte do valor líquido apurado nas alienações.

XXIX - Companhia Telefônica Melhoramento e Resistência - CTMR. Art. 196. Na reestruturação e na desestatização poderão ser utilizados serviços especializados de terceiros,
contratados mediante procedimento licitatório de rito próprio, nos termos seguintes:

Parágrafo único. Incluem-se na autorização a que se refere o caput as empresas subsidiárias exploradoras do
serviço móvel celular, constituídas nos termos do art. 5° da Lei n° 9.295, de 19 de julho de 1996. I - o Ministério das Comunicações manterá cadastro organizado por especialidade, aberto a empresas e instituições
nacionais ou internacionais, de notória especialização na área de telecomunicações e na avaliação e auditoria de
empresas, no planejamento e execução de venda de bens e valores mobiliários e nas questões jurídicas relacionadas;
Art. 188. A reestruturação e a desestatização deverão compatibilizar as áreas de atuação das empresas com o
plano geral de outorgas, o qual deverá ser previamente editado, na forma do art. 84 desta Lei, bem como observar as
restrições, limites ou condições estabelecidas com base no art. 71. II - para inscrição no cadastro, os interessados deverão atender aos requisitos definidos pela Comissão Especial de
Supervisão, com a aprovação do Ministro de Estado das Comunicações;

Art. 189. Para a reestruturação das empresas enumeradas no art. 187, fica o Poder Executivo autorizado a adotar
as seguintes medidas: III - poderão participar das licitações apenas os cadastrados, que serão convocados mediante carta, com a
especificação dos serviços objeto do certame;

I - cisão, fusão e incorporação;


IV - os convocados, isoladamente ou em consórcio, apresentarão suas propostas em trinta dias, contados da
convocação;
II - dissolução de sociedade ou desativação parcial de seus empreendimentos;
V - além de outros requisitos previstos na convocação, as propostas deverão conter o detalhamento dos serviços, a
III - redução de capital social. metodologia de execução, a indicação do pessoal técnico a ser empregado e o preço pretendido;

Art. 190. Na reestruturação e desestatização da Telecomunicações Brasileiras S.A. - TELEBRÁS deverão ser VI - o julgamento das propostas será realizado pelo critério de técnica e preço;
previstos mecanismos que assegurem a preservação da capacidade em pesquisa e desenvolvimento tecnológico
existente na empresa.
VII - o contratado, sob sua exclusiva responsabilidade e com a aprovação do contratante, poderá subcontratar
parcialmente os serviços objeto do contrato;
Parágrafo único. Para o cumprimento do disposto no caput, fica o Poder Executivo autorizado a criar entidade, que
incorporará o Centro de Pesquisa e Desenvolvimento da TELEBRÁS, sob uma das seguintes formas:
VIII - o contratado será obrigado a aceitar, nas mesmas condições contratuais, os acréscimos ou reduções que se
fizerem necessários nos serviços, de até vinte e cinco por cento do valor inicial do ajuste.
I - empresa estatal de economia mista ou não, inclusive por meio da cisão a que se refere o inciso I do artigo
anterior;
Art. 197. O processo especial de desestatização obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade,
moralidade e publicidade, podendo adotar a forma de leilão ou concorrência ou, ainda, de venda de ações em oferta
II - fundação governamental, pública ou privada. pública, de acordo com o estabelecido pela Comissão Especial de Supervisão.

Art. 191. A desestatização caracteriza-se pela alienação onerosa de direitos que asseguram à União, direta ou Parágrafo único. O processo poderá comportar uma etapa de pré-qualificação, ficando restrita aos qualificados a
indiretamente, preponderância nas deliberações sociais e o poder de eleger a maioria dos administradores da sociedade, participação em etapas subseqüentes.
podendo ser realizada mediante o emprego das seguintes modalidades operacionais:
Art. 198. O processo especial de desestatização será iniciado com a publicação, no Diário Oficial da União e em
I - alienação de ações; jornais de grande circulação nacional, de avisos referentes ao edital, do qual constarão, obrigatoriamente:

II - cessão do direito de preferência à subscrição de ações em aumento de capital. I - as condições para qualificação dos pretendentes;

Parágrafo único. A desestatização não afetará as concessões, permissões e autorizações detidas pela empresa. II - as condições para aceitação das propostas;

Art. 192. Na desestatização das empresas a que se refere o art. 187, parte das ações poderá ser reservada a seus III - os critérios de julgamento;
empregados e ex-empregados aposentados, a preços e condições privilegiados, inclusive com a utilização do Fundo de
Garantia por Tempo de Serviço - FGTS. IV - minuta do contrato de concessão;

Art. 193. A desestatização de empresas ou grupo de empresas citadas no art. 187 implicará a imediata abertura à V - informações relativas às empresas objeto do processo, tais como seu passivo de curto e longo prazo e sua
competição, na respectiva área, dos serviços prestados no regime público. situação econômica e financeira, especificando-se lucros, prejuízos e endividamento interno e externo, no último
exercício;
Art. 194. Poderão ser objeto de alienação conjunta o controle acionário de empresas prestadoras de serviço
telefônico fixo comutado e o de empresas prestadoras do serviço móvel celular. VI - sumário dos estudos de avaliação;

Parágrafo único. Fica vedado ao novo controlador promover a incorporação ou fusão de empresa prestadora do VII - critério de fixação do valor mínimo de alienação, com base nos estudos de avaliação;

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serviço telefônico fixo comutado com empresa prestadora do serviço móvel celular.

VIII - indicação, se for o caso, de que será criada, no capital social da empresa objeto da desestatização, ação de
Art. 195. O modelo de reestruturação e desestatização das empresas enumeradas no art. 187, após submetido a classe especial, a ser subscrita pela União, e dos poderes especiais que lhe serão conferidos, os quais deverão ser
consulta pública, será aprovado pelo Presidente da República, ficando a coordenação e o acompanhamento dos atos e

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incorporados ao estatuto social. § 3° Em relação aos demais serviços prestados pelas entidades a que se refere o caput, serão expedidas as
respectivas autorizações ou, se for o caso, concessões, observado o disposto neste artigo, no que couber, e no art. 208
§ 1° O acesso à integralidade dos estudos de avaliação e a outras informações confidenciais poderá ser restrito aos desta Lei.
qualificados, que assumirão compromisso de confidencialidade.
Art. 208. As concessões das empresas prestadoras de serviço móvel celular abrangidas pelo art. 4º da Lei nº 9.295,
§ 2° A alienação do controle acionário, se realizada mediante venda de ações em oferta pública, dispensará a de 19 de julho de 1996, serão outorgadas na forma e condições determinadas pelo referido artigo e seu parágrafo único.
inclusão, no edital, das informações relacionadas nos incisos I a III deste artigo.
Art. 209. Ficam autorizadas as transferências de concessão, parciais ou totais, que forem necessárias para
Art. 199. Visando à universalização dos serviços de telecomunicações, os editais de desestatização deverão conter compatibilizar as áreas de atuação das atuais prestadoras com o plano geral de outorgas.
cláusulas de compromisso de expansão do atendimento à população, consoantes com o disposto no art. 80.
Art. 210. As concessões, permissões e autorizações de serviço de telecomunicações e de uso de radiofreqüência e
Art. 200. Para qualificação, será exigida dos pretendentes comprovação de capacidade técnica, econômica e as respectivas licitações regem-se exclusivamente por esta Lei, a elas não se aplicando as Leis n° 8.666, de 21 de junho
financeira, podendo ainda haver exigências quanto a experiência na prestação de serviços de telecomunicações, de 1993, n° 8.987, de 13 de fevereiro de 1995, n° 9.074, de 7 de julho de l995, e suas alterações.
guardada sempre a necessária compatibilidade com o porte das empresas objeto do processo.
Art. 211. A outorga dos serviços de radiodifusão sonora e de sons e imagens fica excluída da jurisdição da Agência,
Parágrafo único. Será admitida a participação de consórcios, nos termos do edital. permanecendo no âmbito de competências do Poder Executivo, devendo a Agência elaborar e manter os respectivos
planos de distribuição de canais, levando em conta, inclusive, os aspectos concernentes à evolução tecnológica.

Art. 201. Fica vedada, no decurso do processo de desestatização, a aquisição, por um mesmo acionista ou grupo de
acionistas, do controle, direto ou indireto, de empresas atuantes em áreas distintas do plano geral de outorgas. Parágrafo único. Caberá à Agência a fiscalização, quanto aos aspectos técnicos, das respectivas estações.

Art. 202. A transferência do controle acionário ou da concessão, após a desestatização, somente poderá efetuar-se Art. 212. O serviço de TV a Cabo, inclusive quanto aos atos, condições e procedimentos de outorga, continuará
quando transcorrido o prazo de cinco anos, observado o disposto nos incisos II e III do art. 98 desta Lei. regido pela Lei n° 8.977, de 6 de janeiro de 1995, ficando transferidas à Agência as competências atribuídas pela referida
Lei ao Poder Executivo.

§ 1° Vencido o prazo referido no caput, a transferência de controle ou de concessão que resulte no controle, direto
ou indireto, por um mesmo acionista ou grupo de acionistas, de concessionárias atuantes em áreas distintas do plano Art. 213. Será livre a qualquer interessado a divulgação, por qualquer meio, de listas de assinantes do serviço
geral de outorgas, não poderá ser efetuada enquanto tal impedimento for considerado, pela Agência, necessário ao telefônico fixo comutado destinado ao uso do público em geral.
cumprimento do plano.
§ 1º Observado o disposto nos incisos VI e IX do art. 3° desta Lei, as prestadoras do serviço serão obrigadas a
§ 2° A restrição à transferência da concessão não se aplica quando efetuada entre empresas atuantes em uma fornecer, em prazos e a preços razoáveis e de forma não discriminatória, a relação de seus assinantes a quem queira
mesma área do plano geral de outorgas. divulgá-la.

Art. 203. Os preços de aquisição serão pagos exclusivamente em moeda corrente, admitido o parcelamento, nos § 2º É obrigatório e gratuito o fornecimento, pela prestadora, de listas telefônicas aos assinantes dos serviços,
termos do edital. diretamente ou por meio de terceiros, nos termos em que dispuser a Agência.

Art. 204. Em até trinta dias após o encerramento de cada processo de desestatização, a Comissão Especial de Art. 214. Na aplicação desta Lei, serão observadas as seguintes disposições:
Supervisão publicará relatório circunstanciado a respeito.
I - os regulamentos, normas e demais regras em vigor serão gradativamente substituídos por regulamentação a ser
Art. 205. Entre as obrigações da instituição financeira contratada para a execução de atos e procedimentos da editada pela Agência, em cumprimento a esta Lei;
desestatização, poderá ser incluído o fornecimento de assistência jurídica integral aos membros da Comissão Especial
de Supervisão e aos demais responsáveis pela condução da desestatização, na hipótese de serem demandados pela II - enquanto não for editada a nova regulamentação, as concessões, permissões e autorizações continuarão
prática de atos decorrentes do exercício de suas funções. regidas pelos atuais regulamentos, normas e regras; (vide Decreto nº 3.896, de 23.8.2001)

Art. 206. Os administradores das empresas sujeitas à desestatização são responsáveis pelo fornecimento, no prazo III - até a edição da regulamentação decorrente desta Lei, continuarão regidos pela Lei nº 9.295, de 19 de julho de
fixado pela Comissão Especial de Supervisão ou pela instituição financeira contratada, das informações necessárias à 1996, os serviços por ela disciplinados e os respectivos atos e procedimentos de outorga;
instrução dos respectivos processos.
IV - as concessões, permissões e autorizações feitas anteriormente a esta Lei, não reguladas no seu art. 207,
DISPOSIÇÕES FINAIS E TRANSITÓRIAS permanecerão válidas pelos prazos nelas previstos;

Art. 207. No prazo máximo de sessenta dias a contar da publicação desta Lei, as atuais prestadoras do serviço V - com a aquiescência do interessado, poderá ser realizada a adaptação dos instrumentos de concessão,
telefônico fixo comutado destinado ao uso do público em geral, inclusive as referidas no art. 187 desta Lei, bem como do permissão e autorização a que se referem os incisos III e IV deste artigo aos preceitos desta Lei;
serviço dos troncos e suas conexões internacionais, deverão pleitear a celebração de contrato de concessão, que será
efetivada em até vinte e quatro meses a contar da publicação desta Lei.
VI - a renovação ou prorrogação, quando prevista nos atos a que se referem os incisos III e IV deste artigo, somente
poderá ser feita quando tiver havido a adaptação prevista no inciso anterior.
§ 1° A concessão, cujo objeto será determinado em função do plano geral de outorgas, será feita a título gratuito,
com termo final fixado para o dia 31 de dezembro de 2005, assegurado o direito à prorrogação única por vinte anos, a
Art. 215. Ficam revogados:
título oneroso, desde que observado o disposto no Título II do Livro III desta Lei.

I - a Lei n° 4.117, de 27 de agosto de 1962, salvo quanto a matéria penal não tratada nesta Lei e quanto aos
§ 2° À prestadora que não atender ao disposto no caput deste artigo aplicar-se-ão as seguintes disposições:
preceitos relativos à radiodifusão;

I - se concessionária, continuará sujeita ao contrato de concessão atualmente em vigor, o qual não poderá ser
II - a Lei n°. 6.874, de 3 de dezembro de 1980;
transferido ou prorrogado;

40
III - a Lei n°. 8.367, de 30 de dezembro de 1991;
II - se não for concessionária, o seu direito à exploração do serviço extinguir-se-á em 31 de dezembro de 1999.

IV - os arts. 1°, 2°, 3°, 7°, 9°, 10, 12 e 14, bem como o caput e os §§ 1° e 4° do art. 8°, da Lei n° 9.295, de 19 de

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julho de 1996; DA AGÊNCIA NACIONAL DE TELECOMUNICAÇÕES

V - o inciso I do art. 16 da Lei nº 8.029, de 12 de abril de 1990. (Renumerado para art. 19 pela Lei nº 8.154, de
28.12.90) CÓDIGO/FCT QTDE. VALOR
FCT V 38 1.170,20
Art. 216. Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.
FCT IV 53 855,00
Brasília, 16 de julho de 1997; 176º da Independência e 109º da República.
FCT III 43 515,00
FERNANDO HENRIQUE CARDOSO
Iris Resende FCT II 53 454,00
Antonio Kandir
Sergio Motta
Cláudia Maria Costin FCT I 63 402,00

Este texto não substitui o publicado no D.O.U. de 17.7.1997 TOTAL 250 161.308,00

ANEXO I ANEXO III


(Revogado pela Lei nº 9.986, de 18.7.2000)
(ANEXO I DA LEI Nº 5.070, DE 7 DE JULHO DE 1966)
QUADRO DEMONSTRATIVO DE CARGOS EM COMISSÃO TABELA DE VALORES DA TAXA DE FISCALIZAÇÃO
DA INSTALAÇÃO POR ESTAÇÃO (EM R$)
DO GRUPO-DIREÇÃO E ASSESSORAMENTO SUPERIORES - DAS

a) base 1.340,80
DA AGÊNCIA NACIONAL DE TELECOMUNICAÇÕES

1 .Serviço Móvel Celular b) repetidora 1.340,80


DENOMINAÇÃO/CARGO CÓDIGO/NE/DAS QTDE.
SUPERINTENDENTE NE 5 c) móvel 26,83
a) base 134,08
2. Serviço Telefônico Público Móvel Rodoviário/
SUPERINTENDENTE-ADJUNTO 101. 6 5
Telestrada
b) móvel 26,83
GERENTE-GERAL 101. 5 12 a) até 60 canais
134,08
ASSESSOR ESPECIAL 102. 5 2 b) acima de 60 até 300 canais
268,16
PROCURADOR 101. 5 1 3. Serviço Radiotelefônico Público
c) acima de 300 até 900
402,24
canais
GERENTE 101. 4 36
536,32
d) acima de 900 canais
CORREGEDOR 101. 4 1
a) base 6.704,00
4. Serviço de Radiocomunicação
OUVIDOR 101. 4 1 Aeronáutica Público - Restrito
b) móvel 536,60

GERENTE DE ESCRITÓRIO REGIONAL 101. 4 11 a) base 402,24

ASSESSOR 102. 4 6 b) repetidora 201,12


5. Serviço Limitado Privado
GERENTE DE UNIDADE OPERACIONAL 101. 3 38 c) fixa 26,83

CHEFE DE DIVISÃO DE OPERAÇÕES 101. 2 10 d) móvel 26,83


a) base em área de até 300.000
CHEFE DE SERVIÇO DE OPERAÇÕES 101. 1 16 habitantes 670,40
TOTAL 144
b) base em área acima de 300.000 até 938,20
6. Serviço Limitado Móvel 700.000 habitantes
Especializado
ANEXO II 1.206,00
(Revogado pela Lei nº 9.986, de 18.7.2000) c) base acima de 700.000 habitantes

41
26,83
QUADRO DEMONSTRATIVO DE FUNÇÕES d) móvel

7. Serviço Limitado de Fibras


COMISSIONADAS DE TELECOMUNICAÇÃO - FCT

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Óticas 134,08 28. Serviço Especial de Retransmissão de TV 1.340,80


a) base 670,40 a) estação terrena com capacidade de
8. Serviço Limitado Móvel Privativo transmissão 13.408,00
b) móvel 26,83 29. Serviço de Transportes de Sinais de
b) estação terrena móvel com 3.352,00
a) base 670,40 Telecomunicações Via Satélite
9. Serviço Limitado Privado de capacidade de transmissão
Radiochamada 26.816,00
b) móvel 26,83 c) estação espacial (satélite)
a) base 134,08 a) base em área de até 300.000
10. Serviço Limitado de
Radioestrada habitantes 10.056,00
b) móvel 26,83
30. Serviço de Distribuição Sinais Multiponto
11. Serviço Limitado Móvel b) base em área acima de 300.000 até 13.408,00
134,08 Multicanal
Aeronáutico 700.000 habitantes
16.760,00
a) costeira 670,40
c) base acima de 700.000 habitantes

12. Serviço Limitado Móvel Marítimo b) portuária 670,40 31. Serviço Rádio Acesso 335,20
a) base 335,20
c) móvel 67,04 32. Serviço de Radiotáxi
a) base 137,32 b) móvel 26,83
13. Serviço Especial para Fins
Científicos ou Experimentais a) fixa 33,52
b) móvel 53,66
a) base 670,40 33. Serviço de Radioamador b) repetidora 33,52
14. Serviço Especial de
Radiorrecado c) móvel 26,83
b) móvel 26,83
a) base em área de até 300.000 a) fixa 33,52
habitantes 670,40
34. Serviço Rádio do Cidadão b) base 33,52
b) base em área acima de 300.000 até 938,20
15. Serviço Especial Radiochamada 700.000 habitantes c) móvel 26,83
1.206,00 a) base em área de até 300.000
c) base acima de 700.000 habitantes habitantes 10.056,00
26,83
d) móvel 35. Serviço de TV a Cabo b) base em área acima de 300.000 até 13.408,00
16. Serviço Especial de Freqüência Padrão isento 700.000 habitantes
16.760,00
17. Serviço Especial de Sinais Horários isento c) base acima de 700.000 habitantes
a) fixa 670,40 36. Serviço de Distribuição de Sinais de TV por Meios Físicos 5.028,00
37. Serviço de Televisão em Circuito Fechado 1.340,80
18. Serviço Especial de Radiodeterminação b) base 670,40
a) local e regional 9.050,40
38. Serviço de Radiodifusão Sonora em Onda
c) móvel 26,83 Média
b) nacional 12.067,20
a) fixa 670,40
39. Serviço de Radiodifusão Sonora em Ondas Curtas 2.011,20
19. Serviço Especial de Supervisão e Controle b) base 670,40 40. Serviço de Radiodifusão Sonora em Ondas Tropicais 2.011,20
a) classe C e B (B1 e B2) 12.067,20
c) móvel 26,83
20. Serviço Especial de Radioautocine 268,16 41. Serviço de Radiodifusão Sonora em
b) classe A (A1, A2, A3 e A4) 18.100,80
Freqüência Modulada
21. Serviço Especial de Boletins Meteorológicos isento
c) classe E (E1, E2 e E3) 24.134,40
22. Serviço Especial de TV por Assinatura 2.413,20
a) classe A 24.134,40
23. Serviço Especial de Canal Secundário de Radiodifusão de Sons e Imagens 335,20
24. Serviço Especial de Música Funcional 670,40 42. Serviço de Radiodifusão de Sons e Imagens b) classe B 36.201,60
25. Serviço Especial de Canal Secundário de Emissora de FM 335,20
c) classe E 48.268,80

42
26. Serviço Especial de Repetição de Televisão 670,40
43. Serviço Auxiliar de Radiodifusão e Correlatos Ligação - Transmissão Programas
27. Serviço Especial de Repetição de Sinais de TV Via Satélite 670,40
a) Potência até 1.000W 670,40

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b) Potência de 1.000 até 10.000W 1.340,80 b) classe B 3.016,80


43.1 - Radiodifusão Sonora 47.2 - Televisão
c) Potência acima de 10.000W 2.011,20 c) classe E 4.022,40
47.3 - Televisão por Assinatura 2.011,20
a) classe A 2.011,20
48. Serviço Auxiliar Radiodifusão e Correlatos 1.340,80
43.2 - Televisão b) classe B 3.016,80 a) até 4.000 terminais
14.748,80
c) classe E 4.022,40 b) de 4.000 a 20.000
43.3 - Televisão por Assinatura 2.011,20 49 - Serviço Telefônico Comutado Fixo (STP) terminais 22.123,20

44. Serviço Auxiliar de Radiodifusão e Correlatos - Reportagem Externa c) acima de 20.000 29.497,60
a) Potência até 1.000W 670,40 terminais
50 - Serviço de Comunicação de Dados Comutado 29.497,60
44.1 - Radiodifusão Sonora b) Potência de 1.000 até 10.000W 1.340,80
51 - Serviço de Comunicação de Textos 14.748,80

c) Potência acima de 10.000W 2.011,20


a) classe A 2.011,20 ANEXO III
(Redação dada pela Lei nº 9.691, de 22.7.1998)

44.2 - Televisão b) classe B 3.016,80


TABELA DE VALORES DA TAXA DE FISCALIZAÇÃO

c) classe E 4.022,40
DA INSTALAÇÃO POR ESTAÇÃO
44.3 - Televisão por Assinatura 2.011,20
45. Serviço Auxiliar de Radiodifusão e Correlatos - Comunicação de Ordens (Art. 1o da Lei no , de de julho de 1998)
a) Potência até 1.000W 670,40
SERVIÇO VALOR DA
45.1 - Radiodifusão Sonora b) Potência de 1.000 até 10.000W 1.340,80 TFI (R$)

3. Serviço Radiotelefônico Público a) até 12 canais 26,83


c) Potência acima de 10.000W 2.011,20
a) classe A 2.011,20 b) acima de 12 até 60 canais 134,08
c) acima de 60 até 300 canais 268,16
45.2 - Televisão b) classe B 3.016,80
d) acima de 300 até 900 canais 402,24
c) classe E 4.022,40 e) acima de 900 canais 536,32
45.3 - Televisão por Assinatura 2.011,20
5. Serviço Limitado Privado a) base 134,08
46. Serviço Auxiliar de Radiodifusão e Correlatos - Telecomando
b) repetidora 134,08
a) Potência até 1.000W 670,40
c) fixa 26,83
46.1 - Radiodifusão Sonora b) Potência de 1.000 até 10.000W 1.340,80
d) móvel 26,83
c) Potência acima de 10.000W 2.011,20 9. Serviço Limitado Privado de Radiochamada a) base 134,40
a) classe A 2.011,20 b) móvel 26,83

46.2 - Televisão b) classe B 3.016,80 12. Serviço Limitado Móvel Marítimo a) costeira 134,08
b) portuária 134,08
c) classe E 4.022,40
c) móvel 26,83
46.3 - Televisão por Assinatura 2.011,20
47. Serviço Auxiliar de Radiodifusão e Correlatos - Telemedição 19. Serviço Especial de Supervisão e Controle a) base 134,08

a) Potência até 1.000W 670,40 b) fixa 26,83

c) móvel 26,83
47.1 - Radiodifusão Sonora b) Potência de 1.000 até 10.000W 1.340,80
20. Serviço Especial de Radioautocine 134,08
c) Potência acima de 10.000W 2.011,20

43
22. Serviço Especial de TV por Assinatura 2.413,00

26. Serviço Especial de Repetição por Televisão 400,00


a) classe A 2.011,20

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27. Serviço Especial de Repetição de Sinais de TV via 400,00 c) classe B2 1.500,00


Satélite
d) classe B1 2.000,00
28. Serviço Especial de Retransmissão de Televisão 500,00
e) classe A4 2.600,00
29. Serviço Suportado por Meio de Satélite a) terminal de sistema de 26,83
comunicação global por satélite f) classe A3 3.800,00

b) estação terrena de pequeno g) classe A2 4.600,00


porte com capacidade de
transmissão e diâmetro de antena h) classe A1 5.800,00
inferior a 2,4m, controlada por
estação central i) classe E3 7.800,00
201,12
j) classe E2 9.800,00
c) estação terrena central l) classe E1 12.000,00
controladora de aplicações de
redes de dados e outras 402,24 42. Serviço de Radiodifusão de Sons e Imagens a) estações instaladas nas 12.200,00
cidades com população até
500.000 habitantes
d) estação terrena de grande
porte com capacidade de b) estações instaladas nas
transmissão, utilizada para cidades com população entre
sinais de áudio, vídeo, dados 500.001 e 1.000.000 de 14.400,00
ou telefonia e outras habitantes
aplicações, com diâmetro de
antena superior a 4,5m c) estações instaladas nas
cidades com população entre
1.000.001 e 2.000.000 de 18.600,00
habitantes
13.408,00
d) estações instaladas nas
e) estação terrena móvel com 3.352,00 cidades com população entre
capacidade de transmissão 2.000.001 e 3.000.000 de 22.500,00
habitantes
f) estação espacial 26.816,00
geoestacionária (por satélite) e) estações instaladas nas
cidades com população entre
g) estação espacial não- 26.816,00 3.000.001 e 4.000.000 de 27.000,00
geoestacionária (por sistema) habitantes

32. Serviço de Radiotáxi a) base 134,08 f) estações instaladas nas


cidades com população entre
b) móvel 26,83 4.000.001 e 5.000.000 de 31.058,00
habitantes
38. Radiodifusão Sonora em Ondas Médias a) potência de 0,25 a 1 kW 972,00
g) estações instaladas nas
b) potência acima de 1 até 5 1.257,00 cidades com população acima
kW de 5.000.000 de habitantes 34.065,00
c) potência acima de 5 a 10 kW 1.543,00 43. Serviço Auxiliar de Radiodifusão e Correlatos – Ligação para Transmissão de Programas,
Reportagem Externa, Comunicação de Ordens, Telecomando, Telemando e outros.
d) potência acima de 10 a 25 2.916,00
kW 43.1. Radiodifusão Sonora 400,00
e) potência acima de 25 a 50 3.888,00 43.2. Televisão 1.000,00
kW
43.3. Televisão por Assinatura 1.000,00
f) potência acima de 50 até 100 4.860,00
kW 44. Serviço Telefônico Fixo Comutado (STFC) a) até 200 terminais 740,00
g) potência acima de 100 kW 5.832,00 b) de 201 a 500 terminais 1.850,00
39. Serviço de Radiodifusão Sonora em Ondas 972,00 c) de 501 a 2.000 terminais 7.400,00
Curtas
d) de 2.001 a 4.000 terminais 14.748,00
40. Serviço de Radiodifusão em Ondas Tropicais 972,00
e) de 4.001 a 20.000 terminais 22.123,00
41. Serviço de Radiodifusão Sonora em Freqüência a) comunitária 200,00
Modulada

44
f) acima de 20.000 terminais 29.497,00
b) classe C 1.000,00
45. Serviço de Comunicação de Dados Comutado 29.497,00

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46. Serviço de Comutação de Textos 14.748,00

47. Serviço de Distribuição de Sinais de Televisão a) base com capacidade de 16.760,00


e de Áudio por Assinatura via Satélite (DTH) cobertura nacional

b) estação terrena de grande


porte com capacidade para
transmissão de sinais de
televisão ou de áudio, bem
como de ambos
13.408,00

DOCUMENTO DE ENCAMINHAMENTO DA
LEI

GERAL DAS TELECOMUNICAÇÕES

COMENTANDO-A

Brasília

45
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ANATEL ANATEL

MINISTÉRIO DAS COMUNICAÇÕES

Documento de Encaminhamento da Lei Geral das Telecomunicações, comentando-a

GABINETE DO MINISTRO

E.M. no 231 /MC

Brasília, 10 de dezembro de 1996

Excelentíssimo Senhor Presidente da República:

Tenho a honra de submeter à elevada consideração de Vossa Excelência o anexo


Projeto de Lei, que versa sobre a nova organização dos serviços de telecomunicações,
sobre a criação de um órgão regulador, e sobre outros aspectos institucionais desse setor,
em atendimento à Emenda Constitucional no 8, de 15 de agosto de 1995.

Esse Projeto é resultado de intenso esforço desenvolvido pelo Ministério das


Comunicações, que contou com o apoio de consultores nacionais e internacionais, obtido
através de acordo de cooperação firmado entre o Governo Brasileiro, representado pela
ABC - Agência Brasileira de Cooperação, do Ministério das Relações Exteriores, e a UIT -
União Internacional de Telecomunicações, organismo especializado da Organização das
Nações Unidas. O Projeto recebeu também contribuições valiosas de outros órgãos do
Governo, que o aperfeiçoaram adequando-o às características peculiares da organização
administrativa do País.

Esta Exposição de Motivos está estruturada em três partes. Na primeira delas é feita
uma breve introdução ao assunto, a partir do contexto em que está inserido o setor de
telecomunicações e da proposta de governo de Vossa Excelência, cuja primeira ação
o
prática materializou-se na Emenda Constitucional n 8. Na segunda parte são apresentados
os fundamentos da proposta ora formulada, abordando os aspectos essenciais da economia
do setor, da estrutura de mercado pretendida e da estratégia de introdução da competição
na prestação dos serviços. Na terceira parte, que trata especificamente do conteúdo do
Projeto de Lei, são abordadas: as disposições principais da proposta de estruturação do
Órgão Regulador previsto na Constituição Federal; a proposta para uma nova organização
dos serviços e temas regulatórios dela decorrentes; e aspectos relacionados à reestruturação
empresarial e à desestatização do Sistema Telebrás.

2 3

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I - O Contexto Brasileiro ?? instituição do FNT - Fundo Nacional de Telecomunicações, constituído


basicamente de recursos provenientes da aplicação de uma sobretarifa de até 30% sobre as
1. Breve Histórico tarifas dos serviços públicos de telecomunicações, destinado a financiar as atividades da
Embratel;
No início da década de 1960, vigendo a Constituição de 1946, cabia à União, aos
Estados e aos Municípios a exploração, de acordo com o seu âmbito, dos serviços de ?? definição do relacionamento entre poder concedente e concessionário no campo
telecomunicações, diretamente ou mediante a correspondente outorga. Descentralizada da da radiodifusão.
mesma forma era também a atribuição de fixar as tarifas correspondentes. Havia então
cerca de 1.200 empresas telefônicas no País, a grande maioria de médio e pequeno porte, Os instrumentos criados pelo Código foram aos poucos fazendo sentir seus efeitos.
sem nenhuma coordenação entre si e sem compromisso com diretrizes comuns de O Contel passou a exercer sua missão de orientação da política e de fixação de diretrizes
desenvolvimento e de integração dos sistemas, o que representava grande obstáculo ao para o setor de telecomunicações; com a submissão ao seu crivo dos planos de expansão
bom desempenho do setor. dos serviços, ele passou também a coordenar essas expansões. A Embratel, constituída em
16 de setembro de 1965, lançou-se, com o apoio do FNT, à imensa tarefa de interligar
Os serviços telefônicos concentravam-se na região centro-leste do País, onde se todas as capitais e as principais cidades do País. Entre 1969 e 1973, a Embratel assumiu a
situavam mais de 60% dos terminais, explorados pela CTB - Companhia Telefônica exploração dos serviços internacionais, à medida que expiravam os prazos de concessão
Brasileira, de capital canadense. Os serviços telefônicos interurbanos eram precaríssimos, das empresas estrangeiras que os operavam.
baseados apenas em algumas ligações em microondas de baixa capacidade, interligando o
Rio de Janeiro, São Paulo, Campinas, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Brasília, e em Ainda em 1962, devido à precária situação dos serviços telefônicos no Rio de
poucos circuitos de rádio na faixa de ondas curtas. As comunicações telefônicas e Janeiro, o Governo Federal decretou a intervenção na CTB e, em 1966, foi concretizada a
telegráficas internacionais, que também não atendiam às necessidades do País, eram compra das ações daquela empresa pela Embratel.
exploradas por empresas estrangeiras.
Em 1963 o Contel aprovou critérios para nortear o estabelecimento das tarifas dos
A precariedade da situação do setor sensibilizou o Governo e o Congresso, que serviços de telecomunicações (que, entretanto, não foram seguidos ao longo do tempo).
o
editaram então o Código Brasileiro de Telecomunicações - Lei n 4.117, de 27 de agosto Em 1966, regulamentou a prática, então já de uso corrente, referente à participação
de 1962. Essa lei, que foi o primeiro grande marco na história das telecomunicações no financeira dos pretendentes à aquisição de linhas telefônicas, transformando-a em
Brasil, tinha os seguintes pontos principais: importante instrumento de apoio à expansão dos serviços de telefonia no Brasil - o
autofinanciamento.
?? criação do Sistema Nacional de Telecomunicações, visando assegurar a
prestação, de forma integrada, de todos os serviços de telecomunicações; A questão da fragmentação do poder de outorgar concessões, entretanto, somente
o
seria superada em 13 de fevereiro de 1967, pelo Decreto-Lei n 162, que concentrou esse
?? colocação, sob jurisdição da União, dos serviços de telégrafos, poder na União. Essa disposição seria pouco depois consolidada pela Constituição de 1967,
radiocomunicações e telefonia interestadual; mantendo-se até hoje. A Constituição de 1988, entretanto, foi além, determinando que os
serviços públicos de telecomunicações somente poderiam ser explorados pela União,
?? instituição do Contel - Conselho Nacional de Telecomunicações, tendo o Dentel diretamente ou através de concessões a empresas sob controle acionário estatal.
- Departamento Nacional de Telecomunicações como sua secretaria-executiva;
Em 25 de fevereiro de 1967, através do Decreto-Lei no 200, foi criado o Ministério
?? atribuição ao Contel de poder para aprovar as especificações das redes das Comunicações, ao qual, desde logo, foram vinculados o Contel, o Dentel e a Embratel.
telefônicas, bem como o de estabelecer critérios para a fixação de tarifas em todo o O Ministério das Comunicações assumiu então as competências do Contel.
território nacional;
As medidas decorrentes do Código levaram a uma melhoria significativa nos
?? atribuição à União da competência para explorar diretamente os troncos serviços interurbanos e internacionais, mas o mesmo não ocorreu nos serviços locais. Isso
integrantes do Sistema Nacional de Telecomunicações; fez com que, em 1971, o Governo cogitasse da criação de uma entidade pública destinada a
planejar e coordenar as telecomunicações de interesse nacional, a obter os recursos
?? autorização para o Poder Executivo constituir empresa pública para explorar financeiros necessários à implantação de sistemas e serviços de telecomunicações e a
industrialmente os troncos integrantes do Sistema Nacional de Telecomunicações (essa controlar a aplicação de tais recursos mediante participação acionária nas empresas
empresa viria a ser a Embratel); encarregadas da operação desses sistemas e serviços. Nascia então a idéia de criação da
o
Telebrás, que seria efetivada em 1972, através da Lei n 5.792, de 11 de julho.

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Essa lei, além de autorizar a criação da Telebrás -concretizada em 9 de novembro referência confiável para realizar projeções. Estima-se entretanto que ela varie entre 18 e
do mesmo ano - também colocou à sua disposição os recursos do FNT, e autorizou a 25 milhões de potenciais usuários, dependendo do método utilizado e considerando a
transformação da Embratel em sociedade de economia mista, subsidiária da Telebrás. Pela substituição do autofinanciamento, como condição de acesso ao serviço, por uma taxa de
lei, a Telebrás ficou vinculada ao Ministério das Comunicações. instalação, de valor muito menor. Desse total, pouco mais de 14,5 milhões de usuários são
atendidos atualmente.
Logo após sua criação, a Telebrás iniciou o processo de aquisição e absorção das
empresas que prestavam serviços telefônicos no Brasil, visando consolidá-las em empresas Por outro lado, verifica-se que mais de 80% dos terminais residenciais concentram-
de âmbito estadual. Havia nessa época mais de novecentas operadoras independentes no se nas famílias das classes "A" e "B", o que mostra que as classes menos favorecidas não
Brasil e, no total, uma planta de cerca de dois milhões de terminais. Através do Decreto n.o dispõem de atendimento individualizado; essas pessoas não dispõem também de adequado
74.379, de 1974, a Telebrás foi designada "concessionária geral" para exploração dos atendimento coletivo, uma vez que os telefones públicos são insuficientes e mal
serviços públicos de telecomunicações em todo o território nacional. distribuídos geograficamente.

2. A Situação Atual Não são disponíveis estatísticas confiáveis acerca do atendimento, mesmo com
serviços básicos de telecomunicações, aos estabelecimentos de negócios. As grandes
Os serviços públicos de telecomunicações no Brasil são hoje explorados pelo corporações construíram, nos últimos anos, com meios alugados ao Sistema Telebrás,
Sistema Telebrás - composto por uma empresa "holding", a Telebrás; por uma empresa redes privativas para atender às suas necessidades de serviços; as pequenas e médias
"carrier" de longa distância de âmbito nacional e internacional, que explora também empresas, entretanto, submetem-se aos mesmos percalços enfrentados pelos usuários
serviços de comunicações de dados e de telex (a Embratel); e por 27 empresas de âmbito residenciais para dispor de atendimento telefônico.
estadual ou local - e por quatro empresas independentes, sendo três estatais (a CRT,
controlada pelo Governo do Estado do Rio Grande do Sul; a Sercomtel, pela Prefeitura de Adicionalmente, verifica-se que quase a totalidade dos terminais existentes
Londrina; e a CETERP, pela Prefeitura de Ribeirão Preto) e uma privada (a Cia. de localiza-se nas áreas urbanas, sendo extremamente reduzido o atendimento a usuários nas
Telecomunicações do Brasil Central, sediada em Uberlândia e que atua no Triângulo áreas rurais: apenas pouco mais de 2% das propriedades rurais dispõem de telefone.
Mineiro, no nordeste de S. Paulo, no sul de Goiás e no sudeste do Mato Grosso do Sul).
Essa situação é resultado da incapacidade de manutenção, pelas empresas sob
O Sistema Telebrás detém cerca de 90% da planta de telecomunicações existente no controle acionário estatal, do nível necessário de investimentos ao longo do tempo, o que
País e atua em uma área em que vivem mais de 90% da população brasileira. A União fez com que a taxa de crescimento da planta oscilasse aleatoriamente e fosse insuficiente
Federal detém o controle acionário da Telebrás, com pouco mais de 50% de suas ações para, pelo menos, igualar-se à do crescimento da demanda, e mais insuficiente ainda para
ordinárias; da totalidade do capital, entretanto, a União detém menos de 22%. A maior proporcionar o atendimento à demanda reprimida.
parte das ações é de propriedade particular, com cerca de 25% em mãos de estrangeiros e o
restante pulverizado entre 5,8 milhões de acionistas. Uma razão expressiva para justificar essa incapacidade de investimento certamente
é a questão tarifária, que tem recebido, ao longo dos anos, tratamento inadequado. Desde
Ao longo de sua existência, a Telebrás desenvolveu um trabalho notável. Nos antes da constituição do Sistema Telebrás, quando o poder de fixá-las era fragmentado ao
últimos 20 anos, enquanto a população brasileira aumentou em 50% e o PIB cresceu 90%, nível municipal, as tarifas eram estabelecidas segundo critérios totalmente dissociados dos
a planta instalada de terminais telefônicos do Sistema Telebrás cresceu mais de 500%, o custos dos serviços correspondentes - apesar das regras estabelecidas pelo Contel - , o que
que veio colocar o País entre os detentores das maiores redes telefônicas de todo o mundo. levou as concessionárias da época a não realizar os investimentos necessários à expansão
Essa rede, que integra o País de norte a sul e de leste a oeste, atende hoje a mais de 20 mil da rede e à melhoria dos serviços. Posteriormente, já com o Sistema Telebrás constituído,
localidades em todo o território nacional. as tarifas passaram a ser definidas pelo Governo Federal, como autoridade econômica, com
o interesse centrado na contenção do processo inflacionário, e não como poder concedente
Nesse mesmo período, todavia, o tráfego telefônico aumentou em proporção - condição em que deveria cuidar de sua compatibilidade com os custos.
significativamente maior - mais de 1200% no serviço local e mais de 1800% no serviço
interurbano, o que mostra que a demanda por serviços cresceu bem mais do que a Mesmo o mecanismo dos subsídios cruzados, que pretendia que os serviços mais
capacidade de seu atendimento. rentáveis e as regiões mais desenvolvidas contribuíssem para o atendimento às periferias, à
interiorização e aos serviços de natureza social, acabou sendo desfigurado, uma vez que,
O tráfego telefônico mede, entretanto, apenas a demanda por serviços gerada pela por um lado, sua aplicação limitou-se ao serviço telefônico (do de longa distância para o
parcela da população e das empresas que já dispõe de acesso ao sistema. Ele não mede a local) e, por outro, as populações das periferias e as mais carentes são exatamente aquelas
demanda por novas linhas, isto é, não indica a quantidade de pessoas e organizações que desprovidas de atendimento telefônico.
ainda não conseguiu atendimento telefônico individualizado. A demanda por acessos aos
serviços telefônicos básicos não está hoje adequadamente quantificada, seja pela
inexistência de pesquisas, seja pelo fato de jamais ter sido atendida, o que não permite uma
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Outra razão importante é advinda das restrições à gestão empresarial impostas às organização institucional do setor de telecomunicações que, ao mesmo tempo em que
empresas estatais de modo geral, notadamente a partir de 1988, que acabaram equiparando promova fortemente os investimentos privados, reforce o papel regulador do Estado e
essas empresas à administração pública. Em vez de disciplinar as empresas estatais pela reserve ao setor público a atuação em segmentos estratégicos do ponto de vista social ou
exigência de resultados no cumprimento de sua missão, as condicionantes constitucionais do interesse nacional”.
foram implementadas através de mecanismos de controle de meios, que, além de
ineficazes, limitam exageradamente a flexibilidade operacional indispensável à atuação Essa afirmativa evidenciava uma preocupação em inserir o Brasil de forma efetiva
empresarial, particularmente em ambiente competitivo. Essas restrições vão desde a no grupo das nações que devem conduzir, no mundo, o processo de integração da
exigência de processos licitatórios extremamente burocratizados e formalistas para as sociedade através dos meios de comunicação, como exigência da nova "era da
contratações de bens e serviços - que têm como conseqüência inevitável o aumento de informação".
custos e de prazos - até a gestão de recursos humanos, com limitações salariais e exigência
de concurso público para admissão e progressão interna, passando pela impossibilidade de Em outro ponto, o “Mãos à Obra, Brasil” assumia um compromisso: “ O Governo
constituição de subsidiárias ou participação acionária em outras empresas sem prévia Fernando Henrique proporá emenda constitucional visando à flexibilização do monopólio
autorização legislativa, além da exigência de submissão de seu orçamento de investimentos estatal nas telecomunicações. Entretanto, isso não esgota o problema da definição do
à aprovação do Congresso Nacional. Acresce-se a isso o aumento de custos operacionais modelo institucional do setor. A grande atualidade do debate sobre a organização desse
decorrente da instituição de miríades de controles necessários ao atendimento do excessivo setor na maioria dos países desenvolvidos torna a decisão brasileira ainda mais complexa e
formalismo dos diferentes órgãos internos e externos de fiscalização. importante. Amplos segmentos da sociedade brasileira deverão ser ouvidos para que o
governo defina completamente sua proposta, através de projeto de lei a ser encaminhado ao
As duas razões apontadas para justificar a incapacidade de investimento não são, Congresso para uma decisão final”.
entretanto, as únicas. Uma outra, de importância igual ou maior, deve ser citada: é a
acomodação resultante do monopólio, da ausência de competição. A necessidade de Esse compromisso foi cumprido logo no início do Governo de Vossa Excelência,
conquistar e manter clientes, em ambiente de competição, funciona como poderoso através do encaminhamento ao Congresso Nacional, em 16 de fevereiro de 1995, da
estimulante à busca de soluções inovadoras para o melhor atendimento à demanda, para a Mensagem n.o 191/95, com a Proposta de Emenda Constitucional n.o 03-A/95. Dessa
o
redução de custos e para a melhoria da qualidade. Esse estímulo, as empresas estatais da proposta resultou a Emenda Constitucional n 8, de 15 de agosto de 1995, que alterou o
área de telecomunicações não tiveram. inciso XI e a alínea "a" do inciso XII do art. 21 da Constituição Federal, dando-lhes a
seguinte redação:
3. Do Programa de Governo à Emenda Constitucional
Art. 21. Compete à União:
O quadro descrito no item anterior mostra, de maneira insofismável, que é
fundamental e inadiável uma mudança profunda no setor de telecomunicações. Mas não se XI - explorar, diretamente ou mediante autorização, concessão ou permissão, os
trata apenas de mudar por mudar: é preciso que a reforma proporcione as condições serviços de telecomunicações, nos termos da lei, que disporá sobre a organização dos
necessárias a que o novo cenário seja melhor do que o atual. serviços, a criação de um órgão regulador e outros aspectos institucionais;

Em 1994, o programa de governo de Vossa Excelência, "Mãos à Obra, Brasil", XII - explorar, diretamente ou mediante autorização, concessão ou permissão:
no capítulo referente às telecomunicações, afirmava:
a) os serviços de radiodifusão sonora e de sons e imagens.
“A tecnologia da informação tornou-se a peça fundamental do desenvolvimento
da economia e da própria sociedade. Isto significa que o atraso relativo do nosso país Objetivava-se com essa emenda flexibilizar o modelo brasileiro de
deverá ser necessariamente superado, como condição para retomar o processo de telecomunicações, eliminando a exclusividade da concessão para exploração dos serviços
desenvolvimento. Não se trata apenas de alcançar uma maior difusão de um serviço já públicos a empresas sob controle acionário estatal e buscando introduzir o regime de
existente, por uma questão de eqüidade e justiça. Trata-se de investir pesadamente em competição na prestação desses serviços, visando, em última análise, o benefício do
comunicações, para construir uma infra-estrutura forte, essencial para gerar as riquezas de usuário e o aumento da produtividade da economia brasileira.
que o país necessita para investir nas áreas sociais.
4. As Telecomunicações no Futuro
O setor das telecomunicações é hoje, sem dúvida, um dos mais atraentes e
lucrativos para o investimento privado, em nível internacional. Trata-se de um dos setores A partir da aprovação da Emenda Constitucional, a reforma estrutural das
líderes da nova onda de expansão econômica, que se formou a partir da chamada terceira telecomunicações no Brasil vem sendo discutida e implementada no contexto das
revolução industrial. Pode-se contar que não faltarão investidores interessados em expandir profundas transformações por que passa esse setor em todo o mundo, ditadas por três
essa atividade no mundo, em geral, e num país com as dimensões e o potencial do Brasil, forças, ou vetores, que se inter-relacionam e, em certa medida, se determinam
em particular. O problema, que não é só do Brasil, é encontrar uma fórmula para a reciprocamente:
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Ao mesmo tempo, as regras da competição deverão ser interpretadas e aplicadas


tendo em vista a convergência das novas tecnologias e serviços, a liberalização do
a) a globalização da economia; mercado, o estímulo aos novos fornecedores e a intensificação da concorrência
internacional. Deverão também ser estimuladas as modalidades de cooperação entre
b) a evolução tecnológica; e prestadores de serviços que visem aumentar a sua eficiência econômica e o bem estar do
consumidor, adotando-se entretanto precauções contra o comportamento anticoncorrencial,
c) a rapidez das mudanças no mercado e nas necessidades dos consumidores. particularmente o abuso de poder pelas empresas dominantes no mercado.

Nesse contexto, a regulamentação vigente é inadequada, pois foi concebida sob a Deve ser considerado também que o Acordo Geral sobre o Comércio de Serviços,
égide de um mercado essencialmente monopolístico e pouco diversificado, em estágio firmado pelo Brasil com os demais países integrantes da Organização Mundial do
tecnológico já amplamente superado. Comércio - OMC em Marrakesh, em 12 de abril de 1994, e aprovado pelo Congresso
o
Nacional em 30 de dezembro do mesmo ano, através do Decreto n 1.355, fundamentou-se
De fato, a dinâmica atual dos negócios exige, cada vez mais, acesso pleno à no reconhecimento da “importância crescente do comércio de serviços para o crescimento
crescente “economia da informação”. É consenso que a indústria intensiva em informações e desenvolvimento da economia mundial”, e visava “estabelecer um quadro de princípios e
crescerá significativamente e responderá por parte importante do PIB, de maneira que a regras para o comércio de serviços com vistas à expansão do mesmo sob condições de
eficiência dos serviços de telecomunicações será fator de competitividade tanto para essa transparência e liberalização progressiva”.
indústria como, conseqüentemente, para os próprios mercados em que elas se inserem.
No que diz respeito a telecomunicações, o Acordo mencionado contém um Anexo
Com efeito, as empresas que desejam manter suas vantagens competitivas próprio, decorrente do "reconhecimento das características específicas do setor de serviços
defrontam-se com exigências cada vez maiores e mais diversificadas em termos de de telecomunicações, em particular sua dupla função como setor independente de atividade
telecomunicações e de processamento de informações. A competitividade no mercado econômica e meio fundamental de transporte de outras atividades econômicas". Esse
internacional depende cada vez mais da eficiência no acesso e no uso da informação, o que Anexo aplica-se a todas as medidas que afetem o acesso às redes e serviços públicos de
por sua vez é função da eficiência relativa dos sistemas de telecomunicações disponíveis telecomunicações e sua utilização, não se aplicando, porém, às medidas que afetem a
no país, comparados aos dos países dos concorrentes e dos parceiros comerciais, bem distribuição por cabo ou a difusão de programas de rádio ou televisão.
como da eficiência com que as telecomunicações ligam o país aos seus mercados e
competidores globais. Durante 1995 e 1996 ocorreram diversas reuniões, na sede da OMC, em Genebra,
visando à obtenção de um acordo envolvendo as chamadas telecomunicações básicas, o
A necessidade de adotar uma regulamentação que permita que as operadoras que finalmente acabou sendo adiado para fevereiro de 1997. As disposições da nova lei
possam reagir rapidamente aos imperativos do mercado e da evolução tecnológica, brasileira de telecomunicações, aplicáveis a esse Acordo, poderão ser incluídas na oferta
oferecendo assim toda a gama de serviços de telecomunicações exigida pela sociedade, não do Brasil nessas negociações, se houver tempo hábil para isso.
significa que não se deva conferir peso adequado ao papel social das telecomunicações.
Num país como o Brasil, com grau inadequado de atendimento à demanda, deve continuar De uma forma geral, observa-se hoje que:
sendo um objetivo central da política governamental a oferta à sociedade de serviços
básicos de telecomunicações em toda a extensão do seu território, de forma não a) a disponibilidade de uma infra-estrutura adequada de telecomunicações é fator
discriminatória, com atributos uniformes de disponibilidade, acesso e conectividade, e a determinante para a inserção de qualquer país em posição destacada no contexto
preços satisfatórios. internacional;

De uma forma ampla, o que se pretende é criar condições para que o progresso b) os países mais desenvolvidos estão atuando em conjunto para desenvolver uma
das tecnologias da informação e das comunicações possa efetivamente contribuir para adequada infra-estrutura- seja em termos de meios, seja em termos de aplicações - que
mudar, para melhor, a maneira de viver das pessoas. possa alavancar o desenvolvimento da chamada "sociedade da informação", em benefício
de seus cidadãos e de suas empresas (a chamada information highway);
Para isso, é necessário que o arcabouço regulatório de telecomunicações evolua de
modo a colocar o usuário em primeiro lugar; o usuário deverá ter liberdade de escolha e c) os países em desenvolvimento, como o Brasil, devem participar dessa
receber serviços de alta qualidade, a preços acessíveis. Isso somente será possível em verdadeira revolução, que acontecerá em escala mundial, para aproveitar as oportunidades
ambiente que estimule a competição dinâmica, assegure a separação entre o organismo que se abrirão de saltar etapas de desenvolvimento tecnológico e de estimular o
regulador e os operadores, e facilite a interconectividade e a interoperabilidade das redes. desenvolvimento social e econômico.
Tal ambiente permitirá ao consumidor a melhor escolha, por estimular a criação e o fluxo
de informações colocadas à sua disposição por uma grande variedade de fornecedores.
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Em linha com essas conclusões e com a diretriz formulada no “Mãos à Obra,


Brasil” para uma economia competitiva, no sentido de “promover amplo programa de No momento, o PASTE está sendo revisto, uma vez que, desde sua preparação,
investimentos públicos e privados, com a participação de agentes nacionais e estrangeiros, com base no cenário do primeiro semestre de 1995, até o momento, ocorreram
na melhoria e expansão da infra-estrutura de transportes, comunicações e energia”, o transformações significativas no plano institucional e no mercado. Essa revisão deverá ser
Governo de Vossa Excelência estabeleceu metas explícitas de expansão do sistema de tornada pública em janeiro próximo, atualizando as diversas metas propostas originalmente
telecomunicações, traduzidas na ampliação da oferta de acessos aos diferentes serviços. para os diversos serviços, com expressivos aumentos para algumas delas, como reflexo
Essas metas constam do Paste - Programa de Recuperação e Ampliação do Sistema de dessas transformações.
Telecomunicações e do Sistema Postal, divulgado pelo Ministério das Comunicações no
final de setembro de 1995. O Paste detalha os projetos de investimento no setor no período II. Os Fundamentos da Proposta
1995-1999 e estima sua extensão até 2003, financiados com recursos provenientes
essencialmente da iniciativa privada, totalizando no período R$ 75 bilhões. 1. Da Emenda Constitucional à Implementação da Reforma

Considerando especificamente o segmento de telefonia, o PASTE propõe que no Em setembro de 1995, portanto um mês após a aprovação da Emenda
horizonte 1999-2003 sejam atingidos os objetivos de atendimento mostrados na Tabela 1: Constitucional n.o 8, dando seqüência ao programa de governo de Vossa Excelência, o
Ministério das Comunicações divulgou dois textos sobre a Reforma Estrutural do Setor de
Telecomunicações, que ficaram conhecidos como REST-1/95 - Plano de Trabalho e REST-
Tabela 1 2/95 - Premissas e Considerações Gerais. Esses dois documentos continham as linhas
básicas norteadoras do trabalho que vem sendo desenvolvido desde então na formulação de
Metas do PASTE um novo modelo institucional para as telecomunicações brasileiras.
em milhões (*)
1 9 9 9\ 2003 Conforme estabelecido naquelas publicações, as premissas que balizam a reforma
estrutural do setor de telecomunicações brasileiro são as seguintes:
Segmentos de
Telefonia Telefonia
Mercado Telefonia Fixa Telefonia Móvel a) a reforma tem por objetivo adequar a estrutura do setor de telecomunicações ao
Fixa Móvel
novo cenário que se pretende para o Brasil, significando, simultaneamente, a visão do setor
de telecomunicações como:
Total 24,7 9,6 40,0 17,2
15,7 6,2 22,2 10,2 ?? indutor da democratização da estrutura de poder no País;
Famílias
(41%) (17%) (55%) (25%)
Urbanas
?? vetor do aumento de competitividade da economia brasileira;
1,8 0,7 3,2 1,2
Famílias
(20%) (8%) (40%) (15%) ?? vetor do desenvolvimento social do País, proporcionando condições para a
Rurais redução das desigualdades entre regiões geográficas e entre classes de renda pessoal e
familiar.
Empresas e 7,6 2,7 14,6 5,8
Outras (37%) (13%) (50%) (20%) b) o novo modelo deverá:
Entidades
I) ter como referência os direitos dos usuários dos serviços de telecomunicações e,
(*) os números entre parênteses indicam o percentual de atendimento em cada caso para tanto, deverá assegurar:
Atingindo esses objetivos, o Brasil terá 15 telefones para cada 100 habitantes em
1999 e 24 telefones para cada 100 habitantes em 2003. Quanto à telefonia móvel, serão 6 ?? a busca do acesso universal aos serviços básicos de telecomunicações;
terminais para cada 100 habitantes em 1999 e 10 telefones para cada 100 habitantes em
2003. ?? o aumento das possibilidades de oferta de serviços, em termos de quantidade,
diversidade, qualidade e cobertura territorial;
Comparados com os 13,2 milhões de terminais telefônicos instalados existentes ao
final de 1994, esses objetivos significam um crescimento médio anual de 13,4% no período ?? a possibilidade de competição justa entre os prestadores de serviços;
1994-1999 e de 12,8% no período 2000-2003. Quanto à telefonia celular, os objetivos
propostos representam incrementos médios anuais de 64,4% entre 1994 e 1999, e de 15,7% ?? preços razoáveis para os serviços de telecomunicações;
entre 2000 e 2003, em relação aos 800 mil terminais existentes em 1994.
12 13

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II) incentivar o aumento da participação de capitais privados, nacionais e na privatização das atuais operadoras estatais e na implementação do regime de
estrangeiros, nas atividades relacionadas ao setor de telecomunicações; competição na exploração dos serviços, conforme detalhado a seguir.

III) ser concebido com a pretensão de que tenha a mais longa vida possível, de 2. Os Objetivos da Reforma
maneira a não se tornar prematuramente obsoleto pela evolução tecnológica. Isto é, a
tecnologia deverá ser utilizada tanto para proporcionar mais opções para a prestação de Com base nas premissas indicadas no item anterior e na política de governo de
novos serviços quanto para a redução de custos dos serviços tradicionais, garantidas a Vossa Excelência, foram formulados objetivos específicos para a reforma das
qualidade desses serviços e a possibilidade de interconexão dos diversos sistemas abertos telecomunicações no Brasil. De forma sucinta, esses objetivos poderiam ser vistos como a
em suas diversas etapas de evolução; consolidação de dois princípios essenciais: a introdução da competição na exploração dos
IV) estimular a participação ativa do setor de telecomunicações brasileiro no serviços e a universalização do acesso aos serviços básicos. Esses objetivos são os
contexto internacional; seguintes:

V) assegurar o uso eficiente do espectro radioelétrico, bem como de qualquer I) fortalecer o papel regulador do Estado e eliminar seu papel de empresário. Esse
outro meio natural limitado que seja utilizado na prestação de serviços de objetivo contempla a orientação de que o Estado promoverá um grau adequado de
telecomunicações. supervisão sobre o setor, de modo a assegurar que sejam alcançados os objetivos essenciais
da reforma, a criação de um mercado de competição efetiva e a proteção dos consumidores
c) a transição para o novo modelo deverá ocorrer de forma a preservar o interesse contra comportamentos anticoncorrenciais. Adicionalmente, sintetiza a decisão de
público. privatizar as empresas atualmente sob controle acionário da União, bem como de outorgar
novas licenças para que operadores privados prestem serviços de telecomunicações no
Também em 1995, o Governo de Vossa Excelência optou por submeter a proposta Brasil;
de reforma estrutural do setor de telecomunicações ao Congresso Nacional em duas etapas.
A primeira delas foi iniciada com o envio ao Congresso, em 28 de novembro de 1995, do II) aumentar e melhorar a oferta de serviços. Três temas básicos decorrem desse
o
Projeto de Lei que veio a se transformar na Lei n 9.295, de 19 de julho de 1996. Essa Lei objetivo: a promoção da diversidade dos serviços oferecidos à sociedade; o aumento
viabilizou a adoção das providências em andamento objetivando a abertura à competição significativo da oferta de serviços de telecomunicações no Brasil; e o alcance de padrões
de alguns segmentos de mercado com alta atratividade para os investimentos privados, em de qualidade compatíveis com as exigências do mercado;
virtude da forte demanda não atendida (caso da telefonia móvel celular) e, também, de sua
importância como infra-estrutura empresarial (caso dos serviços via satélite e dos serviços III) em um ambiente competitivo, criar oportunidades atraentes de investimento e
limitados, que possibilitam a constituição de redes corporativas). de desenvolvimento tecnológico e industrial. Nesse objetivo consolidam-se três intenções
básicas. A primeira delas associa-se à necessidade de atração de capitais privados através
A segunda etapa da reforma é a que está sendo proposta no momento. Ela visa da criação de oportunidades para investimento no setor. A segunda diz respeito à
alterar profundamente o atual modelo brasileiro de telecomunicações, de forma que a construção de um ambiente que propicie o desenvolvimento da competição justa no
exploração dos serviços passe da condição de monopólio à de competição e que o Estado mercado e facilite a consolidação de novos participantes. Finalmente, a terceira refere-se à
passe da função de provedor para a de regulador dos serviços e indutor das forças de geração de condições que estimulem a pesquisa e o desenvolvimento tecnológico e
mercado, fazendo, ao mesmo tempo, com que o foco da regulamentação seja deslocado da industrial;
estrutura de oferta de serviços, como era tradicional, para os consumidores desses serviços.
Adicionalmente, pretende-se criar um ambiente de estabilidade regulatória que estimule IV) criar condições para que o desenvolvimento do setor seja harmônico com as
investimentos no setor. metas de desenvolvimento social do País. Quatro são as proposições básicas consolidadas
nesse objetivo: propiciar condições para reduzir o diferencial de cobertura dos serviços de
Com a realização dessas duas etapas estará sendo reformulada parte das telecomunicações entre as diversas regiões do País e entre as diversas faixas de renda; criar
o
disposições contidas na Lei n 4.117/62. Como já apontado anteriormente, esse diploma condições para a prática de tarifas razoáveis e justas para os serviços de telecomunicações;
legal, que instituiu o Código Brasileiro de Telecomunicações, dispõe sobre os serviços de promover serviços de telecomunicações que incentivem o desenvolvimento econômico e
telecomunicações de maneira geral, e também sobre radiodifusão; entretanto, apenas os social do País; e alcançar metas específicas de serviço universal;
serviços de telecomunicações estão sendo tratados por este Projeto de Lei. Para a reforma
completa do Código está previsto que, ao longo de 1997, seja desenvolvido novo projeto, a V) maximizar o valor de venda das empresas estatais de telecomunicações sem
ser também submetido ao Congresso Nacional, que se pretende venha a se tornar a nova prejudicar os objetivos anteriores. Esse objetivo expressa a intenção de que o processo de
Lei de Radiodifusão. privatização das atuais operadoras estatais seja planejado de forma que os objetivos
essenciais ligados à introdução da competição e à promoção do acesso universal aos
Após a aprovação do Projeto de Lei ora proposto, terá início a fase que poderia ser serviços básicos sejam alcançados, sem, contudo, provocar impactos negativos importantes
chamada de terceira etapa da reforma, que consistirá na criação efetiva do órgão regulador, no valor dos ativos a serem vendidos.
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do mercado estabelecer essa regulação, muito provavelmente ocorreria o seu domínio pelo
Esses objetivos serviram de sustentação ao desenvolvimento de um modelo antigo operador monopolista, de vez que, pelo fato de deter praticamente toda a infra-
econômico para o setor, feito em conjunto pela equipe do Ministério das Comunicações e estrutura e todos os clientes, esse operador teria condições de impedir, ou pelo menos
por consultores internacionais supridos pela UIT - União Internacional de dificultar, a entrada de novos concorrentes no mercado.
Telecomunicações, como exposto no início desta Exposição de Motivos. Esse modelo foi
utilizado para suportar a proposta de arcabouço regulatório e de estrutura de mercado para A questão essencial passa a ser, então, definir as atribuições e poderes desse órgão
o setor, a ser descrita a seguir. regulador, com o objetivo de torná-los claros para o mercado e para a sociedade em geral.
Dado o extremo dinamismo do setor de telecomunicações, é fundamental que o órgão
regulador disponha de poderes para estabelecer regulamentos de forma a maximizar os
benefícios, para a sociedade, das modificações propiciadas especialmente pela
modernização da tecnologia. Isso significa que o órgão regulador deve ter atribuições e
poderes bastante amplos, para possibilitar que a lei não tenha de ser exageradamente
detalhista -- e conseqüentemente restritiva.

Adicionalmente, o órgão regulador é peça-chave para inspirar ou não a confiança


3. Aspectos Fundamentais do Arcabouço Regulatório dos investidores na estabilidade das regras estabelecidas para o mercado. Uma entidade
dotada de competência técnica e de independência decisória inspira confiança; ao
Com base nas premissas estabelecidas, nos objetivos citados e nas metas de contrário, uma organização sem autonomia gerencial, com algum tipo de dependência
crescimento definidas, procurou-se explicitar alguns aspectos específicos do arcabouço restritiva ou sem capacidade técnica, gera desconfiança e, conseqüentemente, afasta os
regulatório que devem ser implementados independentemente da estrutura de mercado que investidores.
se pretenda ou da estratégia de transição para atingi- la. Esses aspectos são os que
asseguram condições justas e estáveis de competição às empresas que atuam no mercado, Além de competência para definir a regulamentação do setor, cobrindo todos os
permitindo o seu desenvolvimento e, em conseqüência, a consolidação de um mercado aspectos, desde as licenças até os padrões de interconexão, o órgão regulador deverá ter
efetivamente competitivo, com proveito para os consumidores. autoridade para fazer cumprir a lei e os regulamentos. Essa autoridade, em associação com
as dos organismos de defesa da concorrência, será essencial para assegurar a proteção dos
Na definição desses aspectos tomaram-se como base as lições apreendidas da consumidores contra comportamentos anticompetitivos.
experiência de outros países, o conhecimento dos requisitos tecnológicos associados à
implantação da competição no setor de telecomunicações e a situação específica desse O órgão regulador difere de outros organismos governamentais porque, em vez de
setor no Brasil atual. Dessa forma, foram explicitadas as três questões fundamentais que simplesmente prestar um serviço ao público, tem de tomar decisões que pressupõem o
devem ser objeto do arcabouço regulatório em foco: exercício de poder discricionário. Para que ele seja eficiente e eficaz, portanto, é necessário
que disponha de competência técnica; além disso, é fundamental que:
a) a existência de um organismo regulador independente;
a) desfrute de liberdade gerencial para atingir os objetivos determinados. Essa
b) as regras básicas para que a competição seja justa; e faculdade visa incentivar a eficiência administrativa e a competência técnica: é um insumo
essencial para o bom desempenho do órgão regulador em ambiente de tecnologia de ponta
c) o mecanismo de financiamento das obrigações de serviço universal. e de competição;

A passagem da atual condição de mercado monopolista para o novo cenário b) desfrute de autonomia, isto é, não seja passível de influências de outros órgãos
pretendido para as telecomunicações brasileiras pressupõe, para ser viabilizada, a do governo ou de grupos de interesse. A autonomia, associada à competência técnica que
existência de um órgão regulador, como determina o novo texto da Constituição Federal. pode resultar da liberdade gerencial, tende a levar a decisões consistentes e justas, o que
Essa entidade terá como missões principais promover a competição justa, defender os significa desempenho satisfatório. A autonomia é fortalecida através da disponibilidade de
interesses e os direitos dos consumidores dos serviços e estimular o investimento privado. fontes próprias de recursos financeiros, como taxas arrecadadas dos operadores ou dos
usuários;
Embora a competição se constitua no melhor regulador para os mercados, é fato
que, em praticamente todos os países que já promoveram alguma reestruturação de suas c) seja obrigado a prestar contas. O órgão regulador deve estar totalmente
telecomunicações, algum tipo de organismo regulador foi implementado. Em alguns países comprometido com objetivos pré-determinados e prestar contas de suas ações, tanto
a regulação é exercida diretamente pelo governo, através de um organismo do poder qualitativamente como sob o ponto de vista financeiro. Assim, ele será, na prática, um
executivo; em outros, o regulador é uma agência semi-autônoma; em outros, ainda, o órgão órgão auxiliar do Governo, desde que haja o estabelecimento a priori de objetivos, seguido
regulador é independente. Isso decorre da percepção de que, se deixado às próprias forças de controles a posteriori para comprovação do cumprimento dos objetivos a ele atribuídos;
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Na primeira dessas situações, as tarifas cobrem os custos operacionais e


d) disponha de regras e controles internos para limitar o poder das pessoas proporcionam retorno comercialmente atrativo ao capital investido, de modo que os
individualmente, de maneira a dificultar o comportamento oportunista e inibir ações provedores de serviço buscarão, normalmente, satisfazer a esses clientes como parte de sua
indesejáveis por parte de operadoras e grupos de interesse. Exemplos dessas regras e estratégia de negócios. Ou seja, a competição na exploração dos serviços fará com que os
controles são: decisão colegiada; processo de decisão variável em função do impacto da consumidores economicamente atrativos sejam atendidos satisfatoriamente, tendo acesso a
decisão (maior o impacto, maior o envolvimento colegiado na decisão); utilização de serviços que supram de forma adequada suas necessidades de telecomunicações.
grupos consultivos; adoção do mecanismo de submeter a consulta pública os assuntos de
maior relevância, antes da tomada de decisão; e período de carência entre a tomada de uma Já a segunda situação diz respeito àqueles casos em que o custo de prover o acesso
decisão e sua entrada em vigor, dando oportunidade às várias partes afetadas de se físico seja elevado (por exemplo, em localidades remotas no interior do País, nas áreas
manifestar. rurais, nas periferias das grandes cidades, em regiões escassamente povoadas) ou em que
os clientes potenciais disponham de renda inferior à que seria necessária para criar uma
Com relação às regras básicas para assegurar que a competição seja justa, elas oportunidade de investimento atrativa para algum provedor de serviço. Nesse caso, o
podem ser resumidas nas seguintes: acesso a serviços de telecomunicações poderá requerer algum tipo de subsídio, que deverá
ser idealizado e distribuído de modo a não criar vantagens nem desvantagens para nenhum
?? interconexão obrigatória das redes que prestam serviços destinados ao público dos operadores e, ao mesmo tempo, possibilitar o atendimento a esse objetivo social ao
em geral; menor custo.
?? acesso não discriminatório dos clientes aos prestadores de serviços que
competem entre si; Atender a essa segunda situação é o que comumente se chama de obrigação de
serviço universal, e financiar essa obrigação é o terceiro ponto fundamental da regulação
?? plano de numeração não discriminatório; tratada neste item.

?? possibilidade de acesso dos concorrentes às redes abertas em condições Por se tratar de uma questão de natureza eminentemente social, deve-se admitir, de
adequadas; antemão, que essa obrigação possa variar com o tempo, à medida que certos objetivos
sejam atingidos e que a evolução da economia, do desenvolvimento regional, das questões
?? eliminação dos subsídios cruzados entre serviços; demográficas, da distribuição de renda e outras, vão alterando as condições iniciais. Por
isso, as metas específic as de serviço universal devem poder ser modificadas
?? regulação tarifária dos operadores dominantes; periodicamente, de forma a ser adaptadas às condições de cada momento.

?? direitos de passagem não discriminatórios; Não se deve, entretanto, esperar metas extremamente ousadas num momento
inicial, como instalar telefones em todas os domicílios brasileiros, pois isso não seria
realista. Pelo contrário, as metas devem ser estabelecidas considerando o seu custo
?? resolução dos conflitos entre operadores pelo órgão regulador.
potencial e o impacto que terão para os seus beneficiários.
Com relação ao serviço universal, é importante fixar, inicialmente, o seu conceito.
Para se ter uma idéia do que poderiam ser essas obrigações no Brasil, num primeir o
Como enfatizado anteriormente, o desenvolvimento do novo modelo institucional para as
momento, pode-se considerar, a título de exemplo, como meta a ser alcançada até o ano de
telecomunicações brasileiras é suportado num conjunto de objetivos que podem ser
2001,a melhoria do acesso da população ao serviço telefônico, basicamente por meio de
sintetizados em duas idéias principais: a competição na exploração dos serviços e a
telefones de uso público. Isso seria obtido através de:
universalização do acesso aos serviços básicos.

A idéia da universalização do acesso contempla duas situações genéricas: ?? aumento da densidade de telefones públicos, dos atuais 2,6 por 1.000 habitantes
para 6 por 1.000 habitantes, o que significaria colocar em serviço cerca de 550.000 novos
aparelhos (ou seja, mais do que duplicar a base hoje instalada, dentro de um período de 5
?? serviços de telecomunicações individuais, com níveis de qualidade aceitáveis,
anos);
devem ser fornecidos, a tarifas comercialmente razoáveis, dentro de um prazo razoável, a
qualquer pessoa ou organização que os requisitar;
?? atendimento a todas as localidades com mais de 100 habitantes com pelo menos
um telefone público capaz de fazer e receber chamadas (o que significaria dobrar o número
?? outras formas de acesso a serviços de telecomunicações devem ser fornecidas,
de localidades hoje atendidas, da ordem de 20.000);
em localizações geográficas convenientes, a tarifas acessíveis, àquelas pessoas que não
tiverem condições econômicas de pagar tarifas comercialmente razoáveis por serviços
?? melhoria da distribuição geográfica dos telefones públicos nas regiões urbanas,
individuais.
tanto nas centrais como principalmente nas periferias densamente povoadas e nas áreas
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habitadas por pessoas de baixa renda, de maneira a tornar possível a qualquer um o acesso o bypass da rede da operadora com obrigação de prestar o serviço, e poderá levar a
a um "orelhão" sem necessidade de andar mais do que 300 metros. distorções imprevisíveis no mercado;

Em outro momento, metas adicionais poderiam ser estabelecidas, como por e) criação de um fundo específico. Nesse caso, todas as operadoras participariam
exemplo a disponibilização, a todas as escolas e bibliotecas públicas, de acessos à Internet, do financiamento das obrigações de serviço universal, através de uma contribuição
e o acesso, a redes de faixa larga, de hospitais públicos e centros de saúde, de maneira a proporcional a suas respectivas receitas. O órgão regulador seria o responsável por
tornar disponível, nessas instituições, as facilidades proporcionadas pela moderna administrar esse fundo, definir o valor das contribuições e escolher, de forma adequada, a
tecnologia de comunicações. empresa a ser incumbida da prestação do serviço universal em cada situação específica.
Por ser politicamente mais simples, essa opção é a que parece ser a mais recomendável.
É intuitivo que o atendimento a metas desse tipo provavelmente resultará em altos
custos para o prestador do serviço; entretanto, essa prestação também gerará receitas, que 4. Aspectos Econômicos Fundamentais
serão, em princípio, inferiores aos custos. Financiar as obrigações de serviço universal é,
portanto, financiar esse potencial déficit. Em outras palavras, é cobrir a parcela dos custos A atração de capitais privados para novos investimentos pressupõe a existência de
marginais de longo prazo que não possam ser recuperadas através de uma operação demanda suficiente pelos serviços e preços que cubram os custos e proporcionem retorno
eficiente do serviço. adequado.

A demanda por serviços de telecomunicações no Brasil é grande e crescente.


Considerando apenas a telefonia convencional, a demanda total estimada atualmente varia
Como já salientado anteriormente, é essencial que o mecanismo de financiamento entre 18 e 25 milhões de acessos; como existem em serviço pouco mais de 14 milhões de
não crie vantagens nem desvantagens para nenhum dos operadores, mas que distribua o linhas, a demanda não atendida situa-se entre 4 e 11 milhões de terminais. A demanda total
ônus de forma eqüitativa sobre todos eles. Das cinco alternativas de financiamento projetada para 2003 varia entre 26 e 35 milhões de linhas.
possíveis, apontadas a seguir, apenas a primeira e a última atendem, entretanto, essa A receita média gerada atualmente pelos terminais em serviço tem cerca de 43%
premissa: provenientes dos serviços locais e 57% dos serviços de longa distância, enquanto os custos
distribuem-se 81% para os serviços locais e 19% para os de longa distância. Esse
a) subsídios governamentais diretos. Nessa hipótese, haveria recursos do orçamento desequilíbrio é conseqüência da política de subsídios cruzados adotada no Brasil (e
fiscal destinados a financiar o serviço universal na área de telecomunicações. Embora do também em outros países) em situação de monopólio, sob o argumento principal de que,
ponto de vista puramente econômico esta seja uma opção perfeitamente defensável, pelos transferindo-se receita dos serviços interurbano e internacional, em princípio utilizados
benefícios que o acesso aos serviços de telecomunicações poderá trazer para a população, pelas empresas e pelas camadas da população de maior renda, estar-se-ia subsidiando as
são evidentes as dificuldades de natureza política para justificar a destinação de recursos a camadas menos favorecidas do povo, usuárias essencialmente apenas dos serviços locais.
esse setor em detrimento de outros de prioridade certamente maior do ponto de vista social;
Como já mostrado anteriormente, esse argumento é falacioso, de vez que, no
b) subsídios implícitos no preço de venda das empresas. Nesse caso, as obrigações Brasil, as camadas mais pobres da população não dispõem de atendimento telefônico
de atendimento seriam impostas às atuais empresas estatais e, no momento de sua individualizado, de modo que o subsídio acabou beneficiando mesmo as classes sociais
privatização, o comprador descontaria, do preço a ser por ele pago, o correspondente ao mais favorecidas. Ao contrário, ao onerar as empresas com custos mais elevados para os
déficit em que incorreria futuramente com o cumprimento da obrigação. Além de difícil serviços que elas mais usam - interurbano e internacional - esse subsídio às avessas acabou
operacionalização, essa alternativa certamente implicaria em problemas com os acionistas significando uma penalização às classes mais pobres, pois certamente o diferencial de
minoritários; custos foi repassado aos preços dos produtos que elas consomem. Adicionalmente, num
regime de competição na exploração dos serviços, a manutenção de subsídios cruzados é
c) subsídios cruzados internos à empresa. Nessa opção, a empresa com a insustentável.
obrigação de prestar o serviço universal financiaria o déficit correspondente através da
maior rentabilidade obtida dos clientes mais atrativos economicamente. Trata-se de uma Rebalancear as tarifas dos serviços de telecomunicações, aumentando as dos
alternativa insustentável num ambiente competitivo; serviços locais (assinatura e tráfego) e reduzindo as dos serviços interurbano e
internacional, é portanto medida preliminar a ser tomada, antes do estabelecimento do
d) subsídios cruzados externos (entre empresas). Nessa alternativa, as empresas regime de competição, para permitir que esta possa ocorrer em condições justas. Por outro
não incumbidas de prestar o serviço universal participariam de seu financiamento pagando lado, o rebalanceamento é também condição essencial para permitir que as receitas de cada
àquelas empresas que tivessem essa obrigação taxas de interconexão maiores do que os serviço cubram os respectivos custos e proporcionem a mencionada margem adequada de
custos efetivos da interconexão. Esse mecanismo pode eventualmente funcionar, em retorno capaz de atrair os investimentos privados.
condições bastante específicas e por prazos pré-definidos. Entretanto, sua adoção estimula

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Considerando a implementação de um rebalanceamento tarifário neutro em termos


de receita - isto é, que, mantido o uso médio atual dos serviços, não implique nem em III) Deve ou não haver distinção entre empresas que exploram serviços locais e
aumento nem em diminuição da receita total dos operadores - a receita média projetada empresas que exploram serviços de longa distância? Onde terminam uns e começam
para cada terminal, derivada dos serviços locais (assinatura, tráfego e interconexão com os outros? Deve ou não haver algum tipo de competição entre essas empresas?
serviços interurbano, internacional e celular), deveria cobrir os custos operacionais e de
capital das atuais operadoras do Sistema Telebras, considerando, no cálculo do custo de IV) Os novos operadores devem ou não ser submetidos às mesmas condições que
capital, a remuneração normalmente desejada por investidores privados, de 15% ao ano, os operadores antigos, em termos de obrigações de atendimento, limitações geográficas e
após o Imposto de Renda. Como os procedimentos atualmente em vigor para de serviços?
estabelecimento das tarifas consideram a referência de 12% ao ano, antes do Imposto de
Renda, para remuneração do capital, pode-se inferir que essas empresas, provavelmente, A criação de empresas de abrangência nacional significaria a existência, desde o
buscarão aumentar sua produtividade de forma que a exploração desses serviços lhes seja início, de empresas provavelmente fortes, capazes de competir internacionalmente num
economicamente atraente. tempo mais curto do que partindo-se de empresas menores. Adicionalmente, com área de
atuação nacional, essas empresas poderiam promover subsídios cruzados internos, fazendo
Por outro lado, é razoável supor-se que a receita média proporcionada pelos novos com que as regiões mais dinâmicas compensassem as menores vantagens obtidas nas áreas
assinantes do serviço seja inferior à receita média gerada pelos atuais assinantes, uma vez menos desenvolvidas.
que, em princípio, a maioria dos novos assinantes será proveniente de classes de renda
mais baixa do que o segmento atualmente atendido. Dependendo da extensão em que isso Entretanto, já foi visto que subsídios cruzados são incompatíveis com ambientes
ocorrer, poderá portanto não haver atratividade econômica para o atendimento a esses competitivos. Além disso, a criação de duas empresas nacionais a partir das teles estaduais
novos potenciais assinantes, em termos individualizados, utilizando-se a tecnologia e da Embratel resultaria em empresas complementares entre si em termos de infra-
convencional. estrutura, com forte incentivo à colusão e, portanto, dificultando a introdução efetiva da
competição. Para contornar isso, haveria necessidade de atuação extremamente forte do
órgão regulador já desde a sua constituição, o que aumenta ainda mais as dificuldades. Isso
significa um grau de incerteza extremamente elevado, com resultados imprevisíveis em
termos de evolução potencial do mercado.
Como há, em princípio, possibilidade de custos menores com a utilização de
tecnologias alternativas - acesso sem fio, por exemplo, ou utilizando as redes de Alternativamente, a criação de um pequeno número de empresas de abrangência
distribuição de TV a cabo - existe espaço para o desenvolvimento de novos operadores regional - isto é, de três a cinco - aumentaria as perspectivas de resultados mais adequados
para os serviços locais, ou para o atendimento a esses novos assinantes pelos atuais aos objetivos propostos para a reforma. Primeiro, porque essas empresas teriam porte
operadores, desde que possam se utilizar dessas novas tecnologias. razoável, comparável ao de suas maiores congêneres latinoamericanas, com possibilidade
de geração própria de recursos para financiar parte expressiva dos investimentos
Além do aspecto do rebalanceamento tarifário entre os serviços locais e os de longa necessários. Em segundo lugar, a regionalização permitiria a focalização dos investimentos
distância, uma outra questão econômica de fundamental importância a ser adequadamente dentro de cada região, aumentando assim as frentes de inversões e cobrindo portanto o País
resolvida é a do estabelecimento das tarifas de interconexão entre as redes de suporte dos todo. Em terceiro lugar, a existência de várias companhias facilitaria o trabalho do órgão
diversos serviços (basicamente dos serviços locais com os de longa distância e com o regulador, porque o fato de haver mais empresas significa menor poder monopolista e
móvel celular). Essa certamente será uma das primeiras e principais preocupações do órgão maior possibilidade de competição comparativa entre os operadores. Finalmente, a
regulador . regionalização permitiria a criação de mecanismos de incentivo aos investimentos
necessários à implantação de infra-estrutura e ao atendimento às obrigações de serviço
5. Visão Setorial de Médio Prazo: o Cenário-objetivo universal, que consistiriam simplesmente na remoção das restrições (de natureza
geográfica e de limites quanto aos serviços prestados) após o operador ter atingido as
A visualização de como será a estrutura do mercado a médio prazo é importante metas previamente definidas.
para permitir uma avaliação das possibilidades de que os objetivos da reforma sejam
efetivamente atendidos. Para balizar a construção dessa visão, pode-se partir de quatro Assim sendo, fica claro que cenários que contemplem a regionalização das atuais
questões essenciais: teles estaduais são preferíveis aos que contemplem apenas operadoras de abrangência
nacional.
I) Há interesse em se ter só operadoras de abrangência nacional, isto é, tendo como
área de atuação o País inteiro, ou é melhor ter-se operadoras de abrangência regional? Cabe então analisar o tema da segunda pergunta, qual seja, a conveniência ou não
de se limitar a quantidade de operadores admitidos no mercado. Em outras palavras, a
II) Quantos competidores devem ser admitidos no mercado? Deve ou não haver questão é se deveria buscar uma estrutura duopolística, ou se seria melhor deixar aberta a
algum tipo de limitação? possibilidade de atuação no mercado a quantas empresas tiverem interesse.
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Dessa forma, fica claro que os cenários que não impõem limitação à quantidade de
Uma estrutura de duopólio aparenta algumas vantagens. Em primeiro lugar, ela operadores parecem ser preferíveis aos que pressupõem tal restrição; portanto, cenários
permitiria um adequado planejamento do processo de outorga das novas concessões, em com estruturas duopolistas seriam desaconselhados.
que o critério básico de seleção do vencedor seria baseado no nível de investimentos e no
grau de cobertura propostos pelos concorrentes. Através da imposição de obrigações Considere-se, agora, o tema da terceira pergunta. Do ponto de vista tecnológico, a
similares às teles regionais privatizadas, o órgão regulador teria, para cada região, dois separação entre serviços locais e de longa distância é arbitrária, desnecessária e
planos bastante claros de atendimento ao mercado, podendo então monitorar potencialmente difícil de regular. Do ponto de vista econômico, quando não se tem
adequadamente o desenvolvimento do setor em cada região do País. Em segundo lugar, restrições de natureza física, deve-se limitar o tanto quanto possível a imposição de
com a competição limitada provavelmente não haveria guerras de preços, de modo que o limitações artificiais. Entretanto, historicamente tem havido essa separação e, considerando
retorno dos investimentos seria mais seguro, o que acabaria estimulando os investimentos. os sistemas atualmente em operação no mundo, é pelos serviços de longa distância que se
E, finalmente, com poucos concorrentes para controlar, a tarefa do órgão regulador seria tem maiores oportunidades de introduzir a competição nos serviços de telecomunicações.
facilitada, dando-lhe portanto condições de se estruturar adequadamente e adquirir a
necessária capacitação. Para atender a esse princípio, de não impor restrições artificiais e desnecessárias,
mas também de criar condições para que se desenvolva efetivamente a competição e se
Há riscos, porém. O investimento em infra-estruturas paralelas e a competição em tenha a universalização do acesso aos serviços, é mais adequado que se admita um certo
preços reduz o valor do negócio de cada um dos duopolistas e, por essa razão, o grau de competição entre as empresas exploradoras dos serviços locais e as dos serviços de
comportamento mais provável de ambos será no sentido de uma composição que evite, ou longa distância.
reduza ao mínimo, esses inconvenientes. O resultado mais provável serão monopólios em
regiões bem definidas, com alguma competição nas fronteiras entre essas regiões e pela Avaliando a quarta e última questão anteriormente formulada, verifica-se que, em
conquista dos usuários mais rentáveis. Se, para enfrentar essa situação, o órgão regulador princípio, seria razoável supor que, para assegurar a competição justa, todos os operadores,
impuser aos novos operadores as mesmas obrigações que aos antigos, de forma que novos e antigos, deveriam estar sujeitos às mesmas obrigações. Entretanto, considerando
também eles tenham que prestar serviço aos consumidores independemente do lugar onde que os operadores antigos têm uma situação inicial de nítida vantagem em relação aos
estes estejam, o resultado não mudaria, uma vez que essa restrição poderia ser contornada novos - dispõem de uma grande infra-estrutura instalada, têm milhares ou mesmo milhões
através de acordos entre os operadores para revenda de capacidade. Essas dificuldades de clientes, dispõem de um fluxo de caixa que lhes permite financiar parte substancial de
mostram que, contrariamente à impressão original, o trabalho do órgão regulador seria suas necessidades de investimento, têm uma marca conhecida no mercado - conclui-se que
muito maior, para assegurar o desenvolvimento da competição efetiva no mercado. é bastante razoável, e talvez mais do que isso, é necessário, que se imponham obrigações
diferenciadas aos antigos e aos novos operadores, de forma a dar a estes últimos condições
A não limitação da quantidade de novos operadores, associada à imposição de de se instalar e se desenvolver.
obrigações aos operadores antigos, em termos de investimentos na construção de infra-
estrutura, pelo tempo necessário à consolidação de um mercado efetivamente competitivo, Com essas respostas, pode-se idealizar um cenário como sendo aquele mais
pode eliminar muitos dos problemas apontados para o caso do duopólio. Antes de mais aderente ao objetivo da reforma: divisão do Sistema Telebrás em três a cinco empresas
nada, é necessário frisar que a imposição de obrigações aos operadores antigos, e a não regionais e na Embratel. As empresas regionais explorariam os serviços locais, interurbano
imposição de obrigações equivalentes aos novos, não caracteriza uma situação de injustiça intra-estadual e interestadual, dentro de sua área de concessão; a Embratel exploraria os
ou de desequilíbrio, uma vez que, na realidade, os operadores antigos terão um período de serviços intra-estadual, interestadual e internacional em todo o País. Haveria, portanto,
monopólio de fato, enquanto os novos constroem suas redes e se preparam para competir. competição entre as empresas regionais e a Embratel. Essa competição não ocorreria,
inicialmente, entretanto, nos serviços locais (restritos às empresas regionais e aos novos
A não existência de uma estrutura duopolística rígida dificulta acordos entre os operadores) nem nos de longa distância inter-áreas de concessão e internacional (restritos à
operadores para a divisão geográfica do mercado, porque sempre poderá haver uma nova Embratel e aos novos operadores). Os novos operadores, em número ilimitado, poderiam
empresa disposta a investir para atender a um mercado que apresente demanda não ser autorizados a prestar qualquer serviço em qualquer parte do País, à medida que as
satisfeita. A interconexão livre, e a possibilidade dos novos operadores adquirirem, dos empresas atuantes nessa região estivessem privatizadas. Eles poderiam, portanto,
antigos operadores dominantes, acesso a suas redes nos pontos em que realmente tiverem gradualmente ir obtendo autorizações de região em região, até cobrirem todo o território
necessidade, reduzirão os investimentos em infra-estruturas duplicadas. Esses dois nacional, quando não teriam qualquer restrição de atuação, nem geográfica nem de
aspectos deverão favorecer o crescimento da competição e, associados à remoção das serviços.
obrigações impostas inicialmente aos antigos operadores dominantes, citadas no parágrafo
anterior, permitirão que se tenha, a médio prazo, um mercado efetivamente competitivo e, É conveniente examinar o que seria, de fato, essa regulamentação diferenciada
portanto, requerendo menor intervenção do órgão regulador. entre operadores antigos e operadores novos. Como visto, a consideração fundamental é
que, desde a aprovação da nova Lei até um certo tempo após a outorga das primeiras novas
licenças, os atuais operadores gozarão de um monopólio de fato, e mesmo depois que os
novos operadores começarem a atuar, eles serão dominantes durante algum tempo, até que
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se atinja uma situação de mercado efetivamente competitivo. Como contrapartida, a) demonstração de capacidade: ao se candidatarem a uma outorga, os pretendentes
portanto, eles estarão sujeitos a uma regulamentação que objetiva reduzir o poder que deverão demonstrar que dispõem da capacidade técnica e de marketing necessária para
detêm sobre o mercado, obrigando-os a atender requisitos de investimento, especialmente prestar serviços confiáveis, e de capacidade financeira suficiente para suportar a etapa
de caráter social. Essas obrigações, que serão removidas quando houver competição inicial de altos investimentos com baixos retornos;
efetiva, seriam as seguintes:
b) apresentação de plano de negócios viável: da mesma forma, antes de receber a
a) continuidade do serviço: os operadores não podem interromper a prestação do outorga, os pretendentes deverão apresentar ao órgão regulador um plano de negócios
serviço, a não ser em casos justificados; razoável; tais planos serão acompanhados pelo órgão regulador, sendo atualizados sempre
que necessário;
b) atendimento: os operadores devem continuar expandindo sua rede de maneira a
prestar serviço, dentro de prazos razoáveis, a quem os requisitar e estiver disposto a pagar c) financiamento do serviço universal: todos os novos operadores deverão
tarifas comerciais que cubram os custos de capital e operacionais; contribuir para o financiamento das obrigações de serviço universal. Numa etapa inicial
eles não serão obrigados a prestar tais serviços, mas poderão sê-lo no futuro, contanto que
c) serviço universal: os operadores devem atender às metas iniciais de prestação do os eventuais déficits sejam cobertos por contribuições de todos os operadores;
serviço universal, como definido pelo órgão regulador; entretanto, em caso de déficit nesse
atendimento, este será rateado entre todos os participantes do mercado, através de um d) tarifas e qualidade: não haverá regulamentação específica sobre os novos
mecanismo adequado; operadores com relação a tarifas e qualidade. Entretanto, dado que os operadores
dominantes terão esse tipo de regulação, as condições estabelecidas para estes acabarão
d) qualidade: o órgão regulador deverá estabelecer metas específicas de qualidade, servindo de parâmetro também para os novos operadores.
bem como a metodologia de sua aferição, de forma a elevar o nível do setor a padrões
internacionais dentro de um horizonte de tempo razoável; Para assegurar que a competição efetivamente se desenvolva, é necessário que o
órgão regulador atente também para as prováveis tentativas dos operadores visando
e) tarifas: os operadores estarão sujeitos a regulamentação que vise evitar o dominar o mercado. Uma das maneiras possíveis é a acumulação de outorgas para
aumento abusivo de preços para os consumidores e a prática de preços predatórios que diferentes serviços na mesma ou em diferentes regiões; essa acumulação pode ser buscada
impeçam a entrada de novos competidores no mercado. A maneira mais prática de se fazer por um mesmo operador ou por operadores distintos porém sob o mesmo controle
isso é através do estabelecimento de um sistema de "teto de preços" (price cap system), em acionário, direto ou indireto. Portanto, assegurar a efetiva diversidade de controle
que uma "cesta" de serviços, em quantidades representativas da conta média dos societário dos vários operadores será uma das tarefas essenciais da fase inicial da reforma.
consumidores, tem seu valor máximo estabelecido pelo órgão regulador. O operador tem
alguma flexibilidade para alterar Outro ponto importante a ser considerado pelo órgão regulador é a evolução da
as tarifas de cada serviço individualmente, desde que o valor total da "cesta" fique abaixo tecnologia e suas implicações em termos de redes e sistemas de telecomunicações,
do "teto" fixado pelo órgão regulador. Após um período inicial, é razoável também que o facilidades de interconexão e custos associados. Monitorar adequadamente essa evolução e
órgão regulador defina um fator de produtividade que incidirá sobre o valor da "cesta", tomar as medidas regulatórias necessárias à incorporação dos ganhos dela decorrentes, de
reduzindo seu nível real, como forma de estimular o operador dominante a reduzir ainda maneira a beneficiar os consumidores, será essencial para assegurar a evolução satisfatória
mais suas ineficiências e assegurar que parte desses ganhos sejam transferidos aos do processo de reforma.
consumidores;
6. A Transição para o Cenário Desejado
f) separação contábil: os operadores deverão manter separação contábil para
aqueles serviços prestados em regime de competição, de maneira a tornar seus custos Foi visto no item anterior que o cenário que melhor responderia aos objetivos
transparentes para o órgão regulador, que assim poderá, com maior facilidade, averiguar a estabelecidos para a reforma estrutural do setor de telecomunicações é aquele que
eventual existência de subsídios cruzados ou a prática de "dumping". contempla a divisão do País em um pequeno número de regiões (três a cinco), cada uma
delas com uma empresa resultante da divisão do Sistema Telebrás. Essas empresas
Com relação aos novos operadores, a premissa básica é que competirá ao órgão prestariam os serviços locais e de longa distância dentro de suas respectivas áreas de
regulador garantir que cheguem ao mercado companhias confiáveis, comprometidas em concessão. Adicionalmente, a Embratel continuaria atuando no País todo, prestando
atingir a visão que se pretende para o futuro cenário das telecomunicações no País. serviços de longa distância domésticos e internacionais. Os novos operadores seriam
Assume-se também que, numa fase inicial, os novos operadores deverão estar sujeitos a admit idos à medida que a privatização fosse avançando, de modo que, dentro de algum
uma regulamentação mais favorável, que aos poucos será modificada, de modo a se ter tempo, estariam operando em todo o País, sem restrições geográficas ou de serviços.
equilíbrio entre os novos e os antigos operadores. Dessa forma, a regulamentação inicial
sobre os novos operadores deveria contemplar os aspectos a seguir: Cabem então duas questões:

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a) qual estrutura regional seria mais adequada para as empresas que explorarão os setor de telecomunicações brasileiro, deve ser um dos fatores dominantes na decisão de
serviços locais? e reestruturar o Sistema Telebrás em um pequeno número de empresas regionais.

b) como deve ser a evolução da estrutura de mercado, da situação atual de Considerando o exposto, a opção que parece ser a melhor é a reestruturação do
monopólio estatal, para a situação de competição idealizada no cenário descrito? Sistema Telebrás em três a cinco empresas regionais, mais a Embratel. Esse modelo parece
ser o mais adequado à medida que:
A resposta a essas questões será decisiva para assegurar a concretização do quinto
objetivo descrito no item 2 deste Capítulo: maximizar o valor de venda das empresas a) dá ensejo a uma combinação apropriada de negócios;
estatais de telecomunicações, sem prejudicar os demais objetivos. Para esse trabalho, a
equipe do Ministério das Comunicações apoiou-se nos estudos desenvolvidos b) oferece escala de operação potencialmente atraente para investidores estratégicos
conjuntamente com consultores internacionais, supridos pela UIT - União Internacional de de alta qualid ade e com diferentes objetivos; e
Telecomunicações, visando definir as linhas básicas para a reestruturação empresarial e
para a privatização do Sistema Telebrás. c) permite a adoção de um mesmo aparato regulatório dentro de cada região.

A criação de companhias regionais deve levar a empresas fortes, capazes de Essa reestruturação levará, dadas as características sócio-econômicas do Brasil, à
focalizar seus investimentos dentro de suas respectivas regiões. Portanto, essas empresas constituição de empresas diferentes em termos de atratividade para o investimento privado.
deverão dispor de fluxo de caixa adequado, grande potencial de crescimento e Essa diferenciação possibilitará, entretanto, a adoção de estratégias também diferentes, em
oportunidade de atingir bons níveis de receita por acesso. Além disso, a regionalização cada uma das regiões, de introdução da competição, que deverá ser mais rápida nos
deve levar em consideração a contigüidade geográfica e ser consistente com a topologia da mercados mais atraentes, e um pouco mais lenta nas regiões menos atrativas.
rede atual, de modo a reduzir eventuais dificuldades de natureza político-administrativa e
técnica. Para que os objetivos da reforma sejam atingidos da forma mais plena possível,
uma avaliação profunda dos pontos abordados anteriormente recomenda a adoção das
Um aspecto importante a ser considerado, sem dúvida, é o da homogeneidade da seguintes linhas de ação:
região, que facilitará tanto a operação da empresa como a tarefa do órgão regulador, que
não precisará adotar regras diferenciadas para uma mesma empresa, em função das a) o órgão regulador deverá ser criado antes da privatização e do início da
variações no mercado que ela atende. competição, para garantir que, desde o começo, se tenha disponíveis a infra-estrutura e as
habilidades necessárias à definição das regras de competição e à solução objetiva de
Por outro lado, a regionalização deve ser feita de modo a facilitar o processo de conflitos;
privatização. O programa de privatização do setor de telecomunicações no Brasil exibirá
magnitude sem precedente nos mercados emergentes, e ocorrerá num momento em que b) a competição não deverá começar antes da privatização, de modo a dar às
serão demandados maciços investimentos para dotar o País da infra-estrutura necessária ao operadoras atuais condições de se prepararem para competir, dentro das fronteiras
atendimento das necessidades da sociedade, conforme visto anteriormente. estabelecidas pelo órgão regulador, sem as restrições de gestão a que se encontram
atualmente sujeitas, na condição de empresas estatais;
Devido à limitação de capital nacional para o financiamento desses investimentos,
observa-se que um fator importante para o sucesso de qualquer estratégia de privatização c) deverão ser realizados, conjugados com o processo de outorga das novas
poderá ser a atração de parceiros estratégicos, com conhecimento operacional e licenças, leilões de espectro, de modo a assegurar aos operadores, antigos e novos,
tecnológico de alta qualidade, capazes de promover substanciais investimentos de capital oportunidade de acesso aos recursos de que necessitam para concorrer com sucesso;
de longo prazo e de reestruturar as operações atuais, de modo a viabilizar a ampliação da
disponibilidade e da qualidade dos serviços prestados. d) as operadoras das regiões menos atrativas poderão contar com um período de
proteção legal, antes do início da competição, para melhorar sua atratividade ao capital
Esses potenciais operadores terão aproximadamente quinze outras oportunidades privado. Todas as regiões em que o Brasil vier a ser dividido terão, na prática, um período
equivalentes de investimento no setor de telecomunicações de outros mercados emergentes de monopólio de fato, devido ao tempo que os novos operadores precisarão para preparar
nos próximos dois ou três anos, além das oportunidades naturalmente abertas pela sua infra-estrutura e para atrair consumidores. O período de proteção legal seria, portanto,
liberalização e reestruturação dos mercados dos países desenvolvidos. Um grande desafio adicional a esse prazo de monopólio de fato;
para o Brasil será, portanto, criar condições apropriadas para atrair investidores
estratégicos de alta qualidade. e) as restrições impostas aos operadores atuais serão removidas assim que forem
atingidos objetivos de expansão do sistema e houver competição efetiva no mercado;
A existência de um número limitado desses investidores estratégicos, de alta
qualidade e efetivamente comprometidos a investir substanciais volumes de recursos no
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f) serão celebrados contratos de concessão com as novas companhias regionais e controladas, acabaram resultando em um aumento substancial do volume anual de
com a Embratel, contendo os compromissos de parte a parte (operadora e poder importações do setor, que passaram dos 5% sobre os investimentos totais, observados no
concedente) que reflitam adequadamente as regras estabelecidas, conforme discutido final dos anos 80, para cerca de 20% em 1996.
anteriormente. Esses compromissos são relativos ao atendimento ao mercado,
investimentos em infra-estrutura, qualidade, tarifas, interconexão e outros, por um lado, Com a abertura do setor de serviços de telecomunicações à competição, e com a
como exigência do poder concedente; por outro lado, são referentes a que mercados e que privatização das empresas estatais nele atuantes, que ocorrerão em decorrência da
serviços podem ser explorados pela operadora, e quais condições de competição ela terá de aprovação deste Projeto de Lei, é de se esperar que esse quadro evolua em direção a uma
enfrentar; maior pulverização das compras de equipamentos de telecomunicações, à busca por
diferentes fontes de tecnologias e, conseqüentemente, a maiores volumes de importações.
g) as licenças dadas aos novos operadores devem refletir, também, as regras Há também o risco, a exemplo do que se observou em outros países, de se ter algum tipo
estabelecidas; o principal ponto é o da vedação de competirem com empresas estatais, de "desindustrialização", devido aos altos dispêndios em pesquisa e desenvolvimento
restrição esta que deixará de ter efeito à medida que as várias empresas regionais forem necessários para manutenção da competitividade no setor e à pequena escala do mercado
sendo privatizadas. brasileiro para amortizar esses investimentos.

7. A Questão da Indústria e da Tecnologia Certamente essa questão não é específica do setor de telecomunicações, ocorrendo
situações similares em todos os campos de atividade que se suportam em elevado conteúdo
Por se tratar de um setor intensivo em capital, e que se apóia fundamentalmente na tecnológico e em inversões maciças de capital.
tecnologia, o entrelaçamento das telecomunicações com assuntos industriais e tecnológicos
é histórico. O próprio Código Brasileiro de Telecomunicações atribuía ao Contel a O programa de governo de Vossa Excelência já manifestava preocupação com esse
competência de "promover e estimular o desenvolvimento da indústria de equipamentos de tema, ao formular diretrizes gerais para a economia ("Fortalecer o papel do Estado como
telecomunicações, dando preferência àquelas cujo capital, na sua maioria, pertença a coordenador do processo de desenvolvimento industrial, com o reforço da função de
acionistas brasileiros", e de "estabelecer ou aprovar normas técnicas e especificações a planejamento" e "Estimular o desenvolvimento da capacidade tecnológica para a inovação,
serem observadas na planificação da produção industrial e na fabricação de peças, com o aumento das atividades de pesquisa tecnológica e o desenvolvimento experimental
o
aparelhos e equipamentos utilizados nos serviços de telecomunicações" (Lei n 4.117/62, em empresas e institutos de pesquisa") , para ciência e tecnologia ("Ampliar as fontes de
artigo 29, incisos "r" e "s"). financiamento para aplicação na geração e difusão de conhecimentos científicos e
tecnológicos, em especial com recursos provenientes da privatização, da captação de
Desde a sua criação, a Telebrás contava em sua estrutura com um Departamento de recursos externos e do setor privado", "Manter programas especiais de apoio à melhoria da
Pesquisa e Desenvolvimento, que evoluiu em 1976 para uma Diretoria de Tecnologia, à capacidade de inovação tecnológica da indústria, estimulando consórcios para o
qual se subordinou o Centro de Pesquisa e Desenvolvimento - CPqD, instalado na cidade desenvolvimento de tecnologias pré-competitivas e criando mecanismos de apoio a
de Campinas, em São Paulo. Na década de 70, em que a política governamental baseou-se projetos de capacitação industrial", "Apoiar a tecnologia competitiva através de incentivos,
na substituição de importações, o poder de compra da Telebrás foi utilizado como o financiamentos, participação no capital de risco, fundos de risco compartilhado, fundos de
principal instrumento de consolidação de um parque industrial no Brasil para a fabricação formação e aperfeiçoamento de recursos humanos especializados, e financiamentos
de equipamentos, materiais e sistemas de telecomunicações, em parte com a utilização de especiais para a construção e implantação de centros empresariais de pesquisa e
tecnologia desenvolvida localmente. desenvolvimento"), e para a própria área de telecomunicações ("Preservar a presença do
setor público nas áreas estratégicas das comunicações e no desenvolvimento tecnológico").

Essa política frutificou na década de 80, com a consolidação do CPqD através da Essas razões motivaram a inclusão, no Projeto de Lei, de disposições especiais
ativação comercial de produtos lá desenvolvidos, como as centrais de comutação digital da sobre o tema, como será visto na parte seguinte.
família "Trópico", as fibras ópticas, o telefone padrão, as antenas de comunicações por
satélite e os multiplexadores digitais para telefonia e para telegrafia. No final da década, III. O Projeto de Lei
mais de 95% dos investimentos da Telebrás eram canalizados para gastos internos no
Brasil, com as importações restritas apenas a alguns componentes especiais e a Como já apontado na parte I desta Exposição de Motivos, determina a Constituição
instrumentos de teste e medição. da República, em seu art. 21, inciso XI, que a competência da União para explorar,
diretamente ou mediante autorização, concessão ou permissão, serviços de
O desenvolvimento de novos serviços de telecomunicações, especialmente telecomunicações, seja exercitada nos termos da lei, que disporá sobre a organização dos
suportados por tecnologias mais avançadas, e a abertura do mercado à competição, serviços, a criação de um órgão regulador e outros aspectos institucionais.
ocorridos no início dos anos 90 vieram, entretanto, alterar esse quadro. A exposição do
setor industrial brasileiro à competição internacional, e os limites impostos pela legislação O projeto que ora é submetido à apreciação de Vossa Excelência objetiva dar
à utilização do poder de compra do Estado, diretamente ou através de suas empresas cumprimento a essa determinação constitucional. Assim, em face da especificidade da
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norma que embasa o delineamento do perfil jurídico de um novo ente, com status Público impedir a monopolização do mercado e reprimir as infrações à ordem econômica,
constitucional, e a organização de todo o sistema de telecomunicações, a orientação do na busca do pleno acesso aos serviços que sejam de interesse coletivo. É disso que tratam
Projeto é no sentido de figurar os diversos assuntos em um só diploma legal, denominado os art. 5o e 6o do Projeto.
Lei Geral das Telecomunicações Brasileiras, compreendendo quatro livros, subdivididos
em títulos, capítulos, e seções.
LIVRO II

LIVRO I O Órgão Regulador

Princípios Fundamentais
TÍTULO I

Competindo à União, por intermédio de um órgão regulador, organizar a Disposições Gerais


exploração dos serviços de telecomunicação - e aí se incluem a execução, a
comercialização e uso dos serviços e a implantação e o funcionamento de redes de
telecomunicações, bem como a utilização do espectro de radiofreqüências e dos recursos Quaisquer considerações que se queira fazer a propósito do delineamento do perfil
orbitais (art. 1.) - estabeleceu-se que o objetivo básico da regulação promovida pelo Estado jurídico do órgão regulador a que se refere o art. 21, XI, da Constituição da República, bem
deve ser a garantia do direito de toda a população de acesso às telecomunicações, a tarifas como de seu regime jurídico, devem repousar em algumas premissas extraídas do próprio
o
e preços razoáveis e condições adequadas. É o que prescreve o art. 2 . sistema constitucional, conforme apontado a seguir.

Esse objetivo básico, da universalização dos serviços, decorre do princípio A competência normativa da União, em matéria de telecomunicações (art. 22, IV e
constitucional da isonomia. O Projeto procurou aperfeiçoar a normatividade da 48, XII da Constituição), não compreende apenas a edição de leis, mas também a edição de
Constituição da República, dando substância conceitual aos princípios fundamentais normas hierarquicamente inferiores, desde que não exorbitem do poder regulamentar (art.
aplicáveis ao setor das telecomunicações. Para tanto, fez imperativa a adoção de medidas 49, V da Constituição Federal).
que possam ampliar o leque dos serviços, incrementar sua oferta e propiciar padrões de
qualidade, na forma e condições que serão estabelecidas pelas metas específicas de A regulamentação, em nível infra-legal, das atividades de telecomunicações -
universalização. serviço público ou não - cabe ao Poder Executivo da União, exercido pelo Presidente da
República, auxiliado pelos Ministros de Estado. No caso, o Ministro das Comunicações
Em linha com a premissa de que o novo modelo institucional das telecomunicações (Constituição Federal, arts: 76; 84, IV, VI e parágrafo único; 87, parágrafo único, II). E
o
brasileiras deve ter como referência os direitos dos usuários dos serviços, o art. 3o do agora, por força da Emenda Constitucional n 8/95, está prevista a criação de um órgão
Projeto relaciona esses direitos. Entre eles, o de acesso aos serviços de interesse coletivo, regulador.
com padrões de qualidade e regularidade adequados à sua natureza, o da liberdade de
escolha de seu prestador de serviço, o da inviolabilidade e do segredo da comunicação, e o O órgão regulador a que se refere o art. 21, XI, da Constituição da República, terá a
da preservação de sua privacidade. competência que a lei lhe assinalar, compreendendo, dentre outras atribuições, a de
elaborar normas hierarquicamente inferiores às leis, bem como o de velar pelo
cumprimento das normas disciplinadoras de telecomunicações, de todos os níveis
O art. 4o elenca os princípios constitucionais que condicionam a validade da hierárquicos, expedindo os atos administrativos cabíveis. A esse órgão pode ser e é
regulação, quais sejam: da soberania nacional, função social da propriedade, liberdade de atribuída, pelo Projeto, a responsabilidade pela outorga de concessões (incluindo a
iniciativa, livre concorrência, defesa do consumidor, redução das desigualdades regionais e preparação e realização de procedimentos licitatórios) e permissões, pela expedição de
sociais, repressão ao abuso do poder econômico e continuidade do serviço prestado no autorizações, pela fiscalização, intervenção e aplicação de sanções.
regime público.
As competências administrativas a serem exercitadas pela União em matéria de
Harmonizando os direitos do usuário e consumidor com o princípio da livre telecomunicações podem ser criteriosamente repartidas entre o Ministério das
concorrência e da justa competição, o Estado, pelo órgão regulador, deverá ordenar as Comunicações estritamente considerado, e o órgão regulador, nos termos da lei. Mas
atividades privadas e organizar os serviços públicos de telecomunicações, também podem ser atribuídas, como faz o Projeto, precipuamente ao órgão regulador,
compatibilizando-os com a necessidade de desenvolvimento econômico e social. reservado ao Poder Executivo o estabelecimento das políticas governamentais para o setor,
e o que mais convier.
Nessa linha, há de se ter em conta que o princípio que rege a organização dos
serviços de telecomunicação é o da livre, ampla e justa competição, cumprindo ao Poder
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A expressão utilizada pelo art. 21, XI, da Constituição da República - órgão -, tem, em geral. Seria um ente do Estado, mas não integrante de sua administração pública, direta
no direito administrativo tradicional, o sentido de "parcela despersonalizada da ou indireta, como atualmente concebida.
Administração Pública", isto é, plexo de competências administrativas que constitui uma
unidade desprovida de personalidade própria, devendo estar integrada na estrutura de uma Esse novo ente, que seria uma Agência Reguladora Independente, teria natureza
pessoa jurídica. Esse órgão poderia ser dotado de maior ou menor autonomia, mas sempre fiducial. A ele, a título de dar cumprimento à determinação constitucional, e na forma da
integrado na estrutura administrativa do ente a que pertença, com todos os lei, seriam atribuídas as prerrogativas de órgão regulador, que deve atuar com um grau de
condicionamentos daí resultantes, inclusive de ordem financeira. independência incomum, inusitado, que só se pode assegurar a ente que reúna condições de
ser depositário de plena confiança e que, por essa mesma razão, responderá exemplarmente
Todavia, para que assim devesse ser concebido o órgão regulador das se acaso deixar de cumprir seus graves deveres institucionais, dentre eles os decorrentes do
telecomunicações, não haveria necessidade de expressa previsão constitucional. exercício da outorga de concessões e permissões de serviço público e da expedição de
autorizações para exercício de atividades privadas pertinentes ao setor de
Também não há que se cogitar de um órgão regulador vinculado ao Poder telecomunicações.
Legislativo, adotando por analogia a solução preconizada pelo art. 224 da Constituição.
Essa solução, transplantada para o setor das telecomunicações, estaria eivada de A natureza fiducial, no campo dos negócios jurídicos, fundada no princípio da
inconstitucionalidade porque, devendo o órgão regulador exercer função administrativa em autonomia da vontade, sinônimo de confiança, conhecida desde o direito romano, confere,
matéria de competência da União, sua vinculação ao Legislativo seria ofensiva ao princípio a quem se atribui a gestão de bens e direitos destinados à realização de determinados fins,
da separação dos Poderes. E se for despido de função administrativa não se atenderá ao ampla liberdade de ação e plena titularidade de direitos e prerrogativas voltados à
comando constitucional. consecução do escopo assinalado.

A solução seria, portanto, conceber o órgão regulador como entidade dotada de Assim sendo, essa nova entidade, instrumento de atuação da União, seria concebida
personalidade jurídica, com fisionomia própria, inconfundível com os modelos tradicionais com acentuado grau de independência, compatível com a função reguladora prevista na
de entes governamentais de direito público, como seria o caso de mais uma simples Constituição da República.
autarquia ou fundação pública, ou de direito privado, como as empresas públicas,
sociedades de economia mista e fundações privadas da Administração. No caso, o que se atribuiria a essa entidade, concebida como Agência Reguladora
Independente, de natureza fiducial, seria o dever de realizar o interesse público, dotada da
Referidos modelos tradicionais não são os mais apropriados ao cumprimento do independência que se deve assegurar a quem será depositária da confiança do povo, como
comando constitucional, que a eles não se refere, direta ou indiretamente, ao postular a instrumento de atuação do Estado, com a contrapartida da sua submissão, e de seus
criação de órgão regulador. agentes, a mecanismos especiais de controle e eventual promoção de responsabilidade.

O modelo tradicional de pessoa jurídica de direito público implica necessária O Projeto, assim, seria altamente inovador, mas inspirado em clássica experiência
submissão a regime jurídico incompatível com atuação mais desenvolta do órgão jurídica, que se faria adaptar como técnica a ser utilizada pelo Estado na consecução de
regulador, que se quer dotado de independência e de flexibilidade gerencial indispensáveis algumas de suas finalidades.
à consecução de melhores resultados, de que aquele regime, no mais das vezes, é inibidor,
porque acentuadamente burocrático. Demais disso, a unidade de regime jurídico entre o Entretanto, a possibilidade de que uma interpretação conservadora da Constituição -
órgão regulador e a Administração Pública seria imprópria, pois aquele tem poderes no sentido de que o fato de ela expressamente se referir ao órgão regulador das
inclusive sobre esta - basta mencionar que o Governo ainda manterá, durante certo tempo, telecomunicações não conferiria a esse organismo, necessariamente, tal condição de
embora curto, o controle de empresas de telecomunicações, que estarão sujeitas à autonomia - poderia significar algum risco à implementação da reforma, fez com que se
jurisdição do órgão regulador. procurasse, neste momento, uma proposta mais cautelosa.

O modelo de pessoa jurídica de direito privado, por sua vez, também não é
apropriado, porque altamente questionável, juridicamente, a atribuição a esses entes de Essa cautela, todavia, não significa que o órgão regulador não deva apresentar
competências decisórias próprias do Estado, que consubstanciam exercício de autoridade características especiais de independência que assegurem estabilidade à sua atuação - ou
pública, interferindo acentuadamente na esfera jurídica de terceiros, prestadores de seja, normalidade regulatória -, de forma a transmitir ao mercado a credibilidade necessária
serviços públicos e exploradores de atividades privadas, no setor de telecomunicações. à atração de investimentos privados para o setor.

Portanto, o desejável seria a criação de um novo ente a exercitar competências de Tais características relacionam-se, basicamente, à independência decisória (isto é,
poder público, sem compromisso maior com o perfil tradicional dos entes governamentais cabe ao órgão regulador a decisão administrativa final sobre os assuntos de sua
competência, e seus dirigentes têm mandato fixo), à autonomia de gestão (essencialmente
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no tocante aos procedimentos de licitação para compras e para as outorgas, e quanto à administração, requisições essas que serão irrecusáveis nos dois primeiros anos após sua
administração de recursos humanos) e à autonomia orçamentária e financeira. instalação.

Esse acentuado grau de independência do órgão regulador justifica-se em razão das Conforme prevê o art. 13 do Projeto, as dotações orçamentárias da Agência, bem
graves responsabilidades que se lhe atribuem. como a programação orçamentária e financeira de sua execução, observarão o seu
planejamento próprio, para sua inclusão na lei orçamentária anual, não sofrendo limites em
A efetiva observância das normas disciplinadoras das telecomunicações pelos seus valores para movimentação e empenho.
operadores do setor, e que o órgão regulador deve aplicar, só será possível se esse
organismo tiver condições de atuar com desassombro, pois o universo de seus destinatários As despesas decorrentes da instalação da Agência serão realizadas pelo Poder
compreende até mesmo, e por ora, empresas estatais de elevado porte, bem como Executivo, através do Ministério das Comunicações, que poderá utilizar, remanejar e
compreenderá operadores da iniciativa privada detentores de grande poder econômico. transferir saldos orçamentários, bem como usar recursos do Fundo de Fiscalização das
Telecomunicações - Fistel, conforme estipula o art. 14.
Ademais, o novo modelo proposto como órgão regulador das telecomunicações
vem ao encontro também de uma nova concepção do próprio Estado e dos papéis que a ele Por outro lado, instrumento que será de atuação do Estado, somente poderá ser a
devem ser reservados. Integra, assim, um conjunto mais abrangente de instrumentos de Agência extinta por lei específica, hipótese em que reverterão à União seus bens e
atuação do Estado cujo novo perfil, num processo mesmo de sua reinvenção, a sociedade competências (art. 15).
em geral está a exigir. Esse novo perfil não pode deixar de privilegiar mecanismos que
assegurem a maior transparência possível, condição indispensável ao adequado controle de
sua atuação pela sociedade, por suas entidades representativas, e pelo próprio cidadão. TÍTULO II
o o
Assim inspirado, o Projeto cria, nos seus arts. 7 e 8 , a Agência Brasileira de As Competências
Telecomunicações como autoridade administrativa independente, integrada porém à
Administração Federal Indireta, vinculada ao Ministério das Comunicações. Dá, assim,
cumprimento ao preceito constitucional de entregar a regulação das telecomunicações À Agência caberá regular as telecomunicações, exercendo o poder concedente dos
brasileiras a um órgão que se quer independente, disciplinando o processo de sua serviços públicos e a administração ordenadora das atividades privadas.
instalação, bem como seu funcionamento, suas competências e sua extinção.
Em se constituindo como pessoa jurídica sob regime autárquico especial, com
Em razão mesmo desse peculiar perfil que ao órgão regulador se quer atribuir, o competências e funções especificadas no Projeto, que têm como fundamento último de
Projeto de Lei ora encaminhado a Vossa Excelência cria referido ente não como mais uma validade a própria Constituição da República, deve o órgão regulador gozar das
dentre tantas pessoas jurídicas de capacidade exclusivamente administrativa, mas sim prerrogativas e sofrer as restrições inerentes às funções que lhe serão cometidas.
como entidade submetida a regime autárquico especial.
O art. 16 do Projeto discrimina as principais competências da Agência,
A instalação da Agência ficará a cargo do Poder Executivo. Seu Regulamento, indispensáveis ao cumprimento de suas finalidades institucionais. Entre elas, expedir
aprovado por Decreto do Presidente da República, estabelecerá a estrutura geral e as normas disciplinadoras da prestação e fruição dos serviços de telecomunicações no regime
atribuições dos diversos organismos internos da Agência, e sua edição caracterizará a público, bem como os correspondentes atos de outorga, e expedir regras disciplinadoras
o
instalação do órgão (art. 9 ). das atividades de telecomunicações no regime privado, com as respectivas autorizações.

Entre tais normas disciplinadoras estarão as referentes à interconexão, à


administração dos planos fundamentais de sinalização, transmissão, sincronismo e
numeração, e outras. O Projeto dá, assim, adequada flexibilidade à atuação do órgão
A Agência disporá, como órgãos superiores, do Conselho Diretor e do Conselho regulador de modo a permitir-lhe incorporar os benefícios decorrentes da evolução
Consultivo, o primeiro sendo seu organismo máximo. Haverá também Procuradoria, tecnológica, em proveito da competição e dos consumidores.
Corregedoria, Biblioteca e Ouvidoria, sem prejuízo da criação de outras unidades,
necessárias ao desempenho das diferentes funções. A Agência terá sede no Distrito Quanto aos atos de outorga, o Projeto prevê que à Agência caberá tanto a sua
Federal, podendo estabelecer unidades regionais. edição como também, nos casos de serviços explorados em regime de concessão ou
permissão, a celebração e o gerenciamento dos correspondentes contratos. A ela competirá,
Os arts. 10, 11 e 12 tratam dos recursos humanos da Agência, criando seus cargos também, promover a declaração de utilidade pública, para fins de desapropriação ou
em comissão de natureza especial e de direção, gerência e assessoramento. Além disso, a instituição de servidão administrativa, dos bens necessários à implantação ou manutenção
Agência poderá requisitar, com ônus, servidores de outros órgãos e entidades da do serviço no regime público.
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ANATEL ANATEL

Caberá também à Agência administrar o espectro de radiofreqüências e o uso de c) aprovar o plano geral de metas para universalização dos serviços prestados no
satélites de telecomunicações, expedindo a regulamentação associada, editando os regim e público. Com isso, será possível reduzir ou ampliar os objetivos de universalização
correspondentes atos de outorga e fiscalizando a sua exploração. e as obrigações de serviço universal, conseqüentemente reduzindo ou aumentando os seus
custos e as respectivas necessidades de financiamento, definindo também as fontes de
À Agência caberá ainda propor ao Presidente da República, por intermédio do recursos para esse fim;
Ministro das Comunicações, o estabelecimento e as alterações das políticas
governamentais para o setor, com seus respectivos planos de implementação. d) estabelecer limites à participação estrangeira no capital de prestadora de serviço
de telecomunicações. Esses limites poderão ser definidos por modalidade de serviço, ser
Corolário do exercício das competências que são atribuídas à Agência é o adotados em casos específicos, na base da reciprocidade, ou mesmo não existir,
acompanhamento, por ela, das atividades e práticas comerciais no setor de dependendo do interesse nacional. A previsão legal dessa faculdade dá ao Governo a
telecomunicações, com a fixação, controle e acompanhamento das tarifas dos serviços flexibilidade necessária à gestão do assunto;
prestados no regime público, bem como com poderes de controle, prevenção e repressão às
infrações contra a ordem econômica, respeitadas as competências do Cade. e) autorizar a participação de empresas brasileiras em organizações ou consórcios
intergovernamentais destinados ao provimento de meios ou à prestação de serviços de
Como expressão maior de sua independência, caberá à Agência arrecadar e aplicar telecomunicações. Essa faculdade é necessária porque, nos casos em pauta, as empresas
suas receitas, bem como decidir em último grau sobre as matérias de sua alçada. brasileiras estariam, na prática, atuando em nome do Governo Brasileiro.

Caberá à Agência, também, resolver administrativamente sobre a interpretação da


legislação de telecomunicações, prover sobre os casos omissos e compor, na esfera TÍTULO III
admin istrativa, conflitos de interesse entre prestadores de serviços de telecomunicações.
Os Organismos Supe riores
Por fim, à Agência caberá adotar todas as medidas que forem necessárias para o
atendimento do interesse público e para o desenvolvimento das telecomunicações.
Exercendo esse conjunto de competências, a Agência terá plenas condições de regular CAPÍTULO I
adequadamente o setor de telecomunicações e, fazendo-o de forma competente e
transparente, construir a necessária credibilidade para estimular os investimentos privados, O Conselho Diretor
nacionais e estrangeiros, que viabilizem o atendimento às necessidades da sociedade
brasileira.
O órgão máximo da Agência será composto por cinco Conselheiros (art. 18),
Por outro lado, o Projeto atribui expressamente ao Poder Executivo, no seu art. 17, devendo suas decisões ser tomadas por maioria absoluta, salvo previsão regulamentar mais
competência para estabelecer e rever as políticas governamentais para o setor, a partir das exigente.
propostas fomuladas pela Agência. As principais atribuições, temas dessas políticas,
listadas no Projeto, são as seguintes: As sessões do Conselho Diretor serão registradas em atas, que ficarão disponíveis
para conhecimento geral na Biblioteca do órgão, a não ser que haja necessidade de sigilo,
a) instituir ou eliminar a prestação de modalidade de serviço no regime público, por razões pertinentes à preservação da segurança do país, a segredo protegido ou à
com ou sem caráter de exclusividade, e definir as modalidades a ser prestadas no regime intimidade de alguém (art. 19).
privado. Assim, o Poder Executivo estará decidindo quais serviços serão explorados em
regime de concessão, permissão ou autorização, de modo a tornar possível graduar a O art. 20 do Projeto discrimina a competência do Conselho Diretor, tanto no que
aplicação, a cada modalidade de serviço, dos dois princípios básicos da reforma estrutural, concerne ao próprio órgão, quanto às pertinentes ao cumprimento de suas finalidades
mencionados na parte II desta Exposição de Motivos, quais sejam, a competição na institucionais.
exploração dos serviços e a universalização do acesso aos serviços básicos; Quanto ao próprio órgão, merecem destaque: aprovação do regimento interno da
entidade; modificação do Regulamento, a ser submetida à aprovação do Presidente da
b) aprovar o plano geral de outorgas dos serviços prestados no regime público. República; autorização de terceirizações; autorização para aquisição e alienação de bens; e
Dessa forma, o Poder Executivo estará exercendo sua competência constitucional, aprovação, para sua instrumentalização, de regras próprias de licitações e contratos.
decidindo, em nome da União, o momento das outorgas para que os serviços sejam
explorados em regime de concessão ou permissão. A execução do processo No que concerne ao cumprimento das finalidades institucionais da Agência, cabe
correspondente, culminando com a edição dos atos de outorga propriamente ditos, será ao Conselho Diretor: propor o estabelecimento e alteração das políticas governamentais a
então mero procedimento administrativo a ser desenvolvido pelo órgão regulador; respeito de telecomunicações; editar atos de conteúdo normativo e de caráter geral
38 39

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disciplinando a aplicação das leis de telecomunicações; decidir sobre todos os atos se-lhes, como exceção à regra proibitiva, a possibilidade de exercício de cargo ou emprego
importantes no procedimento de outorga de concessões e permissões para exploração de de professor universitário, desde que presente a compatibilidade de horário com as funções
serviço no regime público, tais como aprovar editais de licitação, homologar as de Conselheiro.
adjudicações, autorizar renovação e transferência de outorgas, bem como decretar
intervenção, encampação, caducidade e prorrogação; aprovar o plano geral de autorizações Procurando assegurar atuação imparcial e independente da Agência, o art. 28 do
de serviços prestados no regime privado; aprovar editais de licitação, homologar Projeto proíbe o ex-Conselheiro, até um ano após deixar seu posto, de representar qualquer
adjudicações, aprovar os atos de outorga, bem como decidir sobre a prorrogação ou pessoa ou interesse perante o órgão regulador, ou usar, em favor de qualquer empresa ou
renovação, a transferência e a extinção em relação às autorizações para prestação de entidade, informações privilegiadas obtidas em decorrência de suas antigas funções. Para
serviço em regime privado, na forma do regimento interno; aprovar os planos de coibir tal comportamento, estabeleceu-se que o desrespeito à proibição tipifica ato de
o o
destinação de faixas de radiofreqüências e dos recursos orbitais; e aprovar os planos improbidade administrativa (art. 9 da Lei n . 8.429/92).
fundamentais para redes de telecomunicações, na forma do regimento interno.
O Conselho Diretor será presidido pelo Presidente que, nomeado pelo Presidente da
O Conselho Diretivo deverá ter condições de exercer suas funções livre de amarras República, terá funções de direção, representando externamente a entidade e exercendo o
externas, inclusive no que diz respeito ao Governo, ressalvadas as competências a ele comando hierárquico sobre o pessoal e o serviço (arts. 29 e 30). A representação judicial
reservadas. Buscando assegurar essa independência, os Conselheiros serão brasileiros de da Agência será exercida por sua Procuradoria.
reputação ilibada, formação universitária e elevado conceito no campo de sua
especialidade, devendo ser escolhidos pelo Presidente da República e submetidos à
aprovação do Senado Federal (art. 21). CAPÍTULO II

Para otimizar e agilizar o início das atividades do órgão regulador, o Projeto investe O Conselho Consultivo
os cinco primeiros Conselheiros com mandatos de três, quatro, cinco, seis e sete anos,
conforme determinado pelo decreto de investidura.
Como forma de efetivar a participação dos Poderes do Estado e da sociedade na
Assim, como os mandatos dos subseqüentes Conselheiros serão de cinco anos, fiscalização do órgão regulador, concebeu-se o Conselho Consultivo, organismo composto
haverá anualmente a nomeação de um membro do Conselho Diretor, como forma de de representantes dos Poderes Legislativo e Executivo e de entidades representativas da
permitir a permanente renovação parcial e periódica do colegiado, com a constante sociedade, conforme definido no Regulamento (art. 32).
participação dos Poderes Executivo e Legislativo. Nessa mesma linha, procurando evitar a
formação de feudos decisórios, permite-se apenas uma recondução dos Conselheiros (arts. Caberá ao Conselho Consultivo opinar sobre o plano geral de outorgas e o plano de
22 e 23). metas para universalização dos serviços públicos, aconselhar quanto à instituição ou
eliminação da prestação de um serviço no regime público, e conhecer dos relatórios anuais
Conquanto não sejam servidores estáveis ou vitalícios, o Projeto confere aos do Conselho Diretor (art. 33).
Conselheiros garantias especiais para a permanência na função e exercício do mandato
com a impessoalidade devida, restringindo a sua perda aos casos de renúncia, ou por força Os membros do Conselho Consultivo não serão remunerados e terão mandato de
de decisão judicial definitiva, ou ainda em decorrência de processo administrativo três anos, vedada a recondução. Os mandatos dos primeiros membros do Conselho serão
disciplinar, caso em que caberá ao Presidente da República determinar o afastamento de um, dois e três anos, de forma que o Conselho tenha anualmente a renovação de um
preventivo, quando for o caso, e proferir o julgamento (art. 24). terço de seus membros (art. 34).

A substituição dos Conselheiros, nos casos de impedimento e vacância, será


disciplinada pelo Regulamento, conforme dispõe o art. 25 do Projeto.

Os Conselheiros, muito embora não integrantes do aparelho estatal em sua estrutura


direta, fazem parte da categoria ampla de "agentes públicos", devendo, pois, atuar com TÍTULO IV
independência funcional, prerrogativas e responsabilidades próprias.
A Atividade e o Controle
A concretização da independência da Agência repousa, por certo, na independência
dos membros de seu órgão máximo, daí porque se lhes proibiu o exercício de qualquer
outra atividade profissional, empresarial, sindical ou de direção político-partidária, bem O projeto traça as linhas mestras que devem orientar a atuação da Agência,
como que tenham interesse significativo, direto ou indireto, em empresa da área da comprometida com as modernas exigências de uma administração que se quer livre do
telecomunicações ou a ela relacionada (art. 26). Seguindo a tradição constitucional, abriu- esclerosamento burocrático de que tanto se ressente a administração pública em geral.
40 41

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Diário Oficial da União, e na qual as críticas e sugestões recebidas merecerão exame,


Impõe-se, na gestão da Agência, uma atuação inspirada no modelo que se costuma permanecendo à disposição do público na Biblioteca (art. 40).
designar como gerencial, com traços característicos que, sem prejuízo da necessária
formalização de atos e procedimentos, do indispensável processo, não permitam o Para ressaltar e dar efetividade ao controle externo da Agência, no que diz respeito
formalismo despropositado, comprometedor da agilidade e da eficiência do órgão à legalidade, legitimidade e economicidade de seus atos, prevê o art. 41 do Projeto a
regulador. existência de um Ouvidor, a ser nomeado pelo Presidente da República, com a função de
produzir relatórios críticos a respeito da atuação da Agência. Será um ombudsman a
Sem embargo do controle mediante processo, indissociável da atuação do Estado no encaminhar suas críticas ao Conselho Diretor, ao Conselho Consultivo, ao Poder Executivo
exercício de suas funções normativas e ordenadoras, deve ser encarecida a importância do e ao Congresso Nacional, fazendo-as publicar para conhecimento geral. Terá mandato de
controle por resultados. De nada adianta uma atuação escorreita, do ponto de vista legal, dois anos, admitida uma recondução.
substancial e formal, se os resultados que a Agência deve buscar não forem sendo
paulatinamente alcançados. À Corregedoria caberá acompanhar o desempenho dos servidores da Agência,
avaliando sua suficiência, o cumprimento dos deveres funcionais e realizando os processos
A consecução das finalidades que lhe são assinaladas é que justifica a criação e disciplinares (art. 42).
atuação da Agência. Os resultados é que constituem, por excelência, a medida de sua
eficiência. Resultados dotados da melhor qualidade possível, e que demandam
flexibilidade operacional que pode ser obtida valendo-se, parcimoniosamente, inclusive da TÍTULO V
terceirização - decisão da alçada do Conselho Diretor, como visto anteriormente (art. 20).
As Receitas
Voltada ao atendimento do interesse da sociedade de pleno acesso às
telecomunicações a tarifas, preços e condições razoáveis, a atuação da Agência deverá ser
pautada pelos princípios da legalidade, finalidade, razoabilidade, proporcionalidade, Como mencionado anteriormente, é essencial, para garantia da efetiva
impessoalidade, igualdade, devido processo, publicidade e moralidade (art. 36). independência do órgão regulador, que ele tenha autonomia financeira. Esse tema já foi
abordado no art. 16 do Projeto, que confere à Agência poderes para arrecadar e aplicar suas
Cria o Projeto um mecanismo simples para dar transparência e publicidade aos atos receitas, e no art. 14, que transfere à Agência as obrigações e direitos do Ministério das
e documentos da Agência, que deverão ser abertos a qualquer pessoa. O direito de vista, de Comunicações correspondentes às competências a ela atribuídas pela nova lei.
certidão e de informação será, assim, implementado de forma totalmente desburocratizada,
bastando uma consulta na Biblioteca do órgão. Fogem desse procedimento os documentos Isso, entretanto, não é suficiente. É necessário ir além, definindo especificamente as
e os autos que, por motivos indicados no Projeto, não possam ser abertos à consulta do fontes das receitas, de maneira que elas possam efetivamente gerar recursos em montante
público (art. 37). suficiente para custear as atividades da Agência, tanto as suas despesas correntes como
seus investimentos patrimoniais.
Para garantir a transparência, as decisões da Agência deverão ser sempre motivadas
(art. 38), produzindo efeitos apenas após sua publicação no Diário Oficial da União, no Tratando-se o setor de telecomunicações de um dos segmentos mais dinâmicos da
caso de atos normativos, ou notificação, no caso de atos de alcance particular (art. 39) . economia, nada mais natural que se busque, nele mesmo, essas fontes dos recursos a serem
usados em sua regulação. Considerando os benefícios econômicos que os agentes privados
No exercício de suas competências, terá o órgão que respeitar prazos, estabelecidos extrairão das concessões, permissões e autorizações que obtiverem para os serviços de
na lei, para praticar atos administrativos e adotar providências necessárias à sua aplicação, telecomunicações, é perfeitamente válido definir que essas outorgas se dêem a título
garantindo a manifestação prévia de interessados e permitindo, nos procedimentos oneroso, de maneira a se estabelecer um vínculo direto entre tais benefícios e o custeio das
sancionatórios, a prévia e ampla defesa do acusado. atividades regulatórias.

Como já visto, terá a Agência competência para editar atos normativos de caráter
geral, minudenciando os delineamentos impostos pelas leis de telecomunicação, para Considerando, adicionalmente, que o poder de outorgar é da União, é decorrência
ensejar sua fiel execução, bem como pelos decretos que forem baixados pelo Presidente da natural desse raciocínio que os ônus impostos às outorgas resultem em receitas para a
República. União, e que, tendo esta, através da Lei ora proposta, incumbido a Agência de exercer as
atividades específicas de regulação do setor - em cumprimento ao mandamento
Terá a Agência, portanto, um poder normativo infra-legal sobre o setor de constitucional - , por meio desse mesmo instrumento atribua à Agência essas receitas.
telecomunicações, exercendo-o com o auxílio da sociedade, que deverá ser ouvida,
necessariamente, através do mecanismo de consulta pública, formalizada por publicação no O art. 43 do Projeto, portanto, autoriza a União a cobrar pela concessão, permissão
ou autorização para a exploração de serviços de telecomunicações e para o uso de
42 43

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radiofreqüências - seguindo o preceito previsto pelo art. 26, inciso III, da Lei no 9.074, de 7
de julho de 1995, e repetindo disposição contida no art. 14 da Lei no 9.295, de 19 de julho Por outro lado, a nova redação proposta para o art. 3. da Lei no 5.070/66 permite a
de 1996 -, determinando que o produto dessa arrecadação constitua receita da Agência. utilização de recursos do Fistel para atender as despesas de custeio e de capital que a
Agência vier a realizar no exercício da competência que lhe é conferida pela lei.
Em adição, e uma vez que à Agência caberá também a atividade fiscalizadora da
prestação dos serviços, o Projeto estabelece, em seu art. 44, que constituirá receita da Essas alterações, por certo, não se constituem em qualquer desvirtuamento dos
Agência também o produto da arrecadação das taxas de fiscalização. objetivos do Fistel. De fato, independentemente das alterações institucionais que estão
ocorrendo no setor, principalmente em decorrência da aprovação do Projeto de Lei ora
Dependendo de como ocorrerem as cobranças pelas concessões, permissões e proposto, a própria evolução da tecnologia nos últimos anos, associada às perspectivas para
autorizações - se na forma de quantias predeterminadas, à vista ou a prazo, ou se na forma o futuro próximo, traz profundas implicações sobre o conceito de fiscalização
o
de percentuais sobre o faturamento - é possível que as receitas delas decorrentes predominante à época da aprovação da Lei n 5.070, trinta anos atrás. Hoje não há como
apresentem fluxo irregular, em função do ritmo em que essas outorgas ocorrerem, e dos dissociá-lo do extremo dinamismo que se observa na tecnologia, na evolução das
valores dos negócios a que elas se referirem. Haveria, portanto, o risco de, num aplicações que ela viabiliza, e nas necessidades dos consumidores, de modo que é
determinado ano, as receitas superarem de muito as necessidades da Agência e, noutro, de fundamental considerar-se também, dentro do mesmo conceito, as necessidades de
ficarem muito aquém delas. Trata-se, certamente, de um risco de todo indesejável. atualização da regulamentação e a correspondente instrumentalização do aparato
fiscalizatório, através de investimentos em equipamentos, instalações e demais facilidades.
Para reduzi-lo, portanto, o Projeto preconiza, em seu art. 45, que a Agência
estabeleça, anualmente, o seu orçamento, considerando o planejamento de suas receitas e Em adição, trata o art. 48 de atualizar os valores das taxas de fiscalização, enquanto
despesas num horizonte de cinco anos e buscando o equilíbrio orçamentário e financeiro o art. 49 cuida dos preços de serviços prestados pelo órgão regulador, não considerados na
durante todo o período. Assim, os eventuais excessos de receitas de um ano seriam versão original, mas que têm se revelado, ao longo do tempo, de grande importância na
utilizados para suprir as necessidades de recursos nos anos subseqüentes, devendo a composição dos custos do Ministério das Comunicações no exercício dessa função.
Agência transferir ao Tesouro Nacional o saldo remanescente.
Finalmente, cuida o Projeto, em seu art. 50, de transferir para a Agência, a partir de
De modo a permitir uma gestão adequada dos recursos assim arrecadados por parte sua instalação, tanto os saldos existentes do Fistel, inclusive as receitas que sejam resultado
o
da Agência, a melhor solução seria a constituição de um fundo especial. Considerando, da cobrança a que se refere o art. 14 da Lei n 9.295/96 (pela outorga de concessão para
entretanto, as limitações constitucionais hoje existentes quanto a essa proposta (exigência exploração do serviço móvel celular, por exemplo), como a responsabilidade pelo
de lei complementar), e que já existe um fundo específico para o setor - o Fistel, Fundo de pagamento dos compromissos decorrentes de processos em andamento, incluindo os
o
Fiscalização das Telecomunicações, criado pela Lei n 5.070, de 7 de julho de 1966, e empenhados, ligados a atividades que lhe estejam sendo transferidas pela Lei.
mantido pela Lei no 9.295, de 19 de julho de 1966 (art. 15) - a solução preconizada pelo
Projeto é a passagem desse fundo para a administração exclusiva da Agência, a partir de
sua instalação (art. 46). TÍTULO VI

O Fistel, entretanto, de acordo com a lei de sua criação, não contempla a As Contratações
possibilidade de inclusão, entre suas fontes, das receitas decorrentes das cobranças pelas
outorgas. Da mesma forma, a aplicação de seus recursos é restrita à fiscalização dos
serviços. Para adequá-lo, portanto, à utilização preconizada, cuida o Projeto, em seu art. Em face mesmo da peculiar natureza da Agência Brasileira de Telecomunicações,
47, de alterar alguns dispositivos da Lei no 5.070/66. concebida para atuar com a maior flexibilidade gerencial, não há como deixar de inovar
quanto à disciplina de sua atividade contratual, obedecidos os dispositivos da Constituição
(art. 37, XXI) de igualdade de condições a todos os concorrentes.
Nesse sentido, cuida o Projeto, nos artigos 51 a 56, das contratações destinadas à
Dentre essas alterações, cumprem ser citadas as do art. 2., para inclusão, entre as instrumentalização da Agência, estabelecendo regime próprio para as licitações com
fontes, daquelas relativas ao exercício do poder concedente dos serviços de referido escopo, sem embargo da preservação do regime comum à Administração Pública
o
telecomunicações no regime público, ao exercício da atividade ordenadora da exploração em geral, hoje consubstanciado na Lei n 8.666, de 21 de junho de 1993, quanto ao
dos serviços de telecomunicações no regime privado, e da expedição de autorização para procedimento das licitações pertinentes a obras e serviços de engenharia civil.
uso de radiofreqüências para qualquer fim. Essas receitas, a Lei no 9.295/96 expressamente
destinou à cobertura dos custos do exercício das atribuições de órgão regulador, pelo Portanto, exceto para contratação de obras e serviços de engenharia civil, o
Ministério das Comunicações. Além dessas, são incluídas também as receitas provenientes procedimento das licitações destinadas à instrumentalização da Agência poderá obedecer
da venda de publicações, dados e informações técnicas, inclusive aquelas utilizadas nas regras próprias, constituindo modalidades de certame a consulta e o pregão (art. 51).
licitações realizadas pela Agência.
44 45

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Essas novas modalidades de licitação deverão ser, consoante prevê o art. 52 do


Projeto, disciplinadas pela Agência, observadas as disposições da Lei em que o Projeto se Objetivando evitar burocratização, agilizar desempenho e usufruir de experiência
converter. E este elenca regras que visam a assegurar a observância de princípios profissional externa, a Agência poderá utilizar, mediante contrato, técnicos ou empresas
fundamentais como os da instrumentalidade das formas, vinculação ao instrumento especializadas, bem como consultores independentes e auditores externos, para qualquer
convocatório do certame, julgamento objetivo, publicidade, devido processo, dentre outros. atividade de sua alçada que não envolva tomada de decisão (art. 56), como a fiscalização
de serviços, o desenvolvimento de normas regulamentares, a realização de procedimentos
Contém o Projeto, ainda, em seu art. 52, a premissa de que a finalidade do certame licitatórios e outros correlatos.
é, por meio de disputa justa entre interessados, obter um contrato econômico, satisfatório e
seguro para a Agência. E, quanto ao instrumento convocatório, estabelece diretrizes no que
tange à definição do objeto, qualificação dos proponentes, aceitação de propostas e LIVRO III
julgamento. Adicionalmente, preconiza que, em função da especificidade da Agência,
somente sejam aceitos certificados de registro cadastral por ela expedidos, devendo o Organização dos Serviços de Telecomunicações
cadastro estar permanentemente aberto à inscrição dos interessados.

Em resumo, o Projeto confere à Agência autonomia para elaborar as regras TÍTULO I


disciplinadoras de suas licitações, estabelecendo, todavia, as necessárias balizas, de sorte a
prestigiar o caráter cogente dos princípios e regras mais gerais a serem preservados. Disposições Gerais

Na seqüência, o Projeto dá a configuração da consulta e do pregão. Essas


modalidades de licitação não se traduzem em simples alteração de nomenclatura. Serviços de telecomunicações, em princípio, constituem serviço público na acepção
Comparadas com as modalidades tradicionais de certames licitatórios evidenciam jurídico-constitucional-administrativa da expressão, sendo dever da União assegurar sua
o
inovações que, em razão mesmo da experiência haurida com a aplicação da Lei n prestação, diretamente ou mediante outorga a terceiros, sem prejuízo, portanto, da sua
8.666/93, estão voltadas à implementação de um modelo gerencial de atuação do órgão titularidade quanto aos mesmos.
regulador.
A lei, a ser editada pela União (conforme art. 22, IV da Constituição Federal), pode
O pregão é a modalidade de certame a ser adotada para fornecimento de bens e distinguir, ou permitir que por normas inferiores sejam relacionadas, dentre as possíveis
serviços comuns, em que concorrentes previamente cadastrados deverão fazer lances em operações tecnicamente qualificáveis como telecomunicações, e em razão mesmo de
sessão pública (art. 53). critérios que referida lei estabelecer, as que são qualificadas como serviço público e as que
não são. As que não qualificar como serviço público poderão ser realizadas e exploradas
Conquanto essa restrição do pregão, em princípio, apenas a concorrentes economicamente pela iniciativa privada, como direito e não como dever, desde que
previamente cadastrados, prevê o art. 54 do Projeto sua abertura à participação de qualquer observadas as exigências legais pertinentes à matéria, e mediante prévia autorização que a
interessado, com verificação, a um só tempo, da qualificação subjetiva de cada qual e da lei porventura exija. Servem de exemplo para esse caso os setores de energia elétrica e
aceitabilidade das respectivas propostas, após a etapa competitiva, nos casos de transportes, que já comportam distinções quanto ao que constitui ou não objeto de
contratação de bens e serviços comuns de alto valor, ou quando o número de cadastrados concessão.
na classe for inferior a cinco, ou para o registro de preços, por exemplo.
Tanto as operações de telecomunicações que forem qualificadas como serviço
Já a consulta é a modalidade de certame a ser adotada para fornecimento de bens e público, quanto as que assim não forem, estando sujeitas, com maior ou menor intensidade,
serviços diferençados, isto é, aqueles que não são nem de engenharia civil, nem comuns. à disciplina normativa de competência da União, devem ser por esta fiscalizadas. Os
Exemplos são os serviços técnicos especializados como os de consultoria, auditoria e operadores de telecomunicações, em ambos os setores, ficam submetidos, assim, e nos
pesquisa, ou o fornecimento de equipamentos e sistemas especiais, como os destinados à termos da lei, à autoridade da União, que atuará ora como Poder concedente, ora como
radiomonitoragem, etc. Participarão dela apenas os que forem consultados, e a decisão responsável por fazer respeitar, pelos que exercem atividades privadas, as normas que as
ponderará o custo e o benefício de cada proposta, tendo em consideração a qualificação do disciplinam.
proponente.
CAPÍTULO I
Vê-se, portanto, que serão avaliados em conjunto os elementos subjetivos,
objetivos e comerciais das propostas dos consultados, rompendo-se assim, também, com o Definições
tradicional modelo que separa nitidamente as fases de habilitação de licitantes e de
classificação das propostas, na busca de maior rapidez e eficiência, e do melhor resultado
(art. 55).
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ANATEL ANATEL

Não convém que a lei estabeleça definições. Isso cabe à doutrina. Mas, às vezes, a políticas devidamente justificadas, e essa situação não inviabilize ou torne
lei deve fazê-lo. É o que ocorre no caso. O Projeto de Lei em pauta inicia o Livro III injustificadamente mais onerosa para a sociedade a prestação do serviço no regime público
definindo serviço de telecomunicações, telecomunicação e estação de telecomunicações (art. 62).
(art. 57). Propicia, por um lado, excluir de sua regulação serviços que não estejam
tipificados como tal, como ocorre com serviços de valor adicionado (art. 58) - mantendo Os serviços a serem explorados no regime privado, em princípio, serão todos
conceito estabelecido pela Lei no 9.295/96 - e, por outro, restringe o alcance de suas aqueles que não forem reservados expressamente para a exploração exclusivamente no
normas às atividades que não estejam confinadas aos limites de uma mesma edificação, regime público (art. 62), subordinada essa definição, entretanto, a decisão do Poder
propriedade móvel ou imóvel. Executivo, conforme inciso I do art. 17.

É importante ressaltar o conceito de serviço de telecomunicações, não explícito na O art. 63 estabelece que, quando um serviço estiver sendo, ao mesmo tempo,
legislação até o momento, que, de certa forma, vincula sua definição à existência do seu explorado em ambos os regimes, sejam adotadas medidas que não tornem economicamente
consumidor, ao determinar, no art. 57, que "serviço de telecomunicações é o conjunto de inviável a sua prestação no regime público. No art. 64, o Projeto dispõe que serviços de
atividades que possibilita a oferta de telecomunicação". Isso porque só faz sentido haver telecomunicações de interesse restrito não sejam explorados no regime público, ou seja,
oferta de um serviço se houver quem o consuma, isto é, alguém para quem o conjunto das eles necessariamente serão prestados no regime privado.
atividades oferecidas (no caso, um serviço) adiciona valor a algo.Esse conceito é
importante porque, como será visto mais adiante, toda a legislação proposta, no que tange à Veda ainda o Projeto a exploração direta ou indireta de uma mesma modalidade de
regulação dos serviços, repousa sobre conceitos de ciência econômica. serviço, nos regimes público e privado, por uma mesma pessoa, a não ser em regiões,
localidades ou áreas distintas (art. 65).

CAPÍTULO II Como visto anteriormente, o órgão regulador proporá ao Poder Executivo a


instituição ou exclusão de uma modalidade de serviço de telecomunicações no regime
A Classificação público, com ou sem caráter de exclusividade, ou no regime privado, indicando as regiões,
locais ou áreas a serem afetadas pela proposta (arts. 16 e 17).

Não descendo a minúcias, nem especificando as diversas modalidades de serviços Pretende-se com isso incrementar o desenvolvimento do setor e alcançar as metas
de telecomunicações, o Projeto classifica-os em função da abrangência dos interesses a que fixadas de universalização dos serviços, respeitando as diferenças geográficas, sociais e
atendem - serviços de interesse coletivo e serviços de interesse restrito (art. 59) - e quanto econômicas existentes nas diversas regiões brasileiras. Tal proceder concretizará objetivos
ao regime jurídico de sua prestação: serviços públicos e serviços privados (art. 60). fundamentais da República do Brasil, como o desenvolvimento baseado na valorização do
trabalho humano e na livre iniciativa, conforme os ditames da justiça social (art. 170 da
Na tecitura desta classificação, os serviços de interesse coletivo, caracterizados Constituição Federal), que são também objetivos da reforma institucional do setor de
como serviços abertos a todos, são voltados precipuamente para a concreção dos objetivos telecomunicações.
e princípios fundamentais expostos no Livro I da Lei Orgânica, e, portanto, sujeitos a
maiores condicionamentos legais e administrativos. CAPÍTULO III
Já os de interesse particular, caracterizados como de livre exploração, sujeitam-se As Regras Comuns
apenas aos condicionamentos necessários para evitar que sua exploração possa acarretar
prejuízos ao interesse coletivo, devendo ser prestados sob o regime de direito privado
(arts.59 e 64).
Muito embora o Projeto não desça a detalhes de caracterização de cada modalidade
de serviço, dá ele alguns atributos para tanto, a serem considerados pela Agência no
Sob essa ótica, os serviços de telecomunicações de interesse coletivo, cuja
trabalho a ela cometido, como a finalidade do serviço, o âmbito de sua prestação, a forma
existência, universalização e continuidade a União comprometa-se a assegurar (art. 61) - de telecomunicação (telefonia, telegrafia, comunicação de dados, transmissão de imagem,
nas formas e condições fixadas no plano geral de metas de universalização mencionado no
multimídia), o meio de transmissão e a tecnologia empregada (art. 66).
art. 17 - devem, em princípio, comportar prestação no regime público, o que não exclui, em
certas condições, sua prestação no regime privado. Por exemplo, o serviço telefônico fixo Coíbe o Projeto comportamentos prejudiciais à livre e justa competição, dentre os
comutado, destinado ao uso do público em geral, inclui-se nessa categoria. quais a prática de subsídios para redução artificial de preços e o uso e a omissão indevidos
Como novidade dentro do direito positivo, admite o Projeto que, em qualquer de informações técnicas e comerciais relevantes à prestação de serviços (art. 67).
região, área ou localidade, uma mesma modalidade de serviço possa ser prestada apenas no Visando preservar a privacidade dos consumidores, o Projeto impõe limites à
regime público, apenas no regime privado, ou em convivência dos dois regimes, público e utilização, pelo prestador, de informações relativas ao uso individual do serviço (art. 68).
privado, desde que o plano geral de outorgas assim tenha estabelecido, calcado em opções
48 49

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Cuida também o Projeto de ressaltar que os prestadores de serviços de O Projeto deixa claro, no art. 75, o que significa financiar as obrigações de serviço
telecomunicações não estão isentos do atendimento às normas de engenharia e às leis das universal: trata-se de suprir os recursos complementares para cobrir a parcela do custo
diversas esferas de Governo, relativas à construção civil e à instalação de cabos e atribuível exclusivamente ao cumprimento dos deveres de universalização do prestador de
equipamentos, bem como à abertura de valas e escavação em logradouros públicos (art. serviço de telecomunicações, que não possa ser recuperada com a exploração eficiente do
69). serviço. Isto é, o que deve ser considerado não é a simples diferença entre receitas e
despesas, mas a diferença entre as receitas e os custos que seriam admitidos com a
Para estimular a indústria e a tecnologia nacionais, em linha com as razões exploração do serviço da maneira mais eficiente possibilitada pela tecnologia.
apontadas no item 7 da parte II desta Exposição de Motivos, o Projeto propõe, no art. 71,
que as empresas prestadoras de serviços de telecomunicação que investirem em projetos de Para suprir esses recursos de forma neutra em relação à competição, conforme
pesquisa e desenvolvimento no Brasil, na área de telecomunicações, obterão incentivos, premissa determinada no art. 74, o Projeto estabelece duas alternativas possíveis,
nas condições fixadas em lei. Tais incentivos deverão ser, portanto, objeto de diploma legal consistentes com o discutido no item 3 da parte II desta Exposição de Motivos: o
que trate especificamente da matéria. Adicionalmente, o art. 72 do Projeto estabelece que orçamento fiscal da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e um fundo
poderão ser estimulados o desenvolvimento e a fabricação, no País, de produtos de especialmente constituído para essa finalidade, para o qual contribuiriam todos os
telecomunicações, mediante adoção de instrumentos de política fiscal e aduaneira. prestadores de serviços, nos regimes público e privado.

A primeira alternativa tem a grande vantagem de ser completamente neutra em


TÍTULO II relação a todos os prestadores de serviço, mas tem a desvantagem óbvia de submeter o
setor de telecomunicações à competição com outros segmentos de indiscutível maior
Os Serviços Prestados em Regime Público prioridade do ponto de vista social, como os da educação, saúde e segurança. Ela tem,
entretanto, o mérito de explicitar, aos Estados e Municípios, a possibilidade de destinarem
recursos ao setor de telecomunicações, utilizando isso como fator de diferenciação na
CAPÍTULO I atração de investimentos, em vez da "guerra fiscal" observada recentemente.

Os Deveres de Universalização e de Continuidade Já a segunda alternativa - a criação de um fundo específico - pressupõe a edição
de nova lei, conforme previsto no Projeto. Essa lei determinaria a proporção da
contribuição dos prestadores de serviço nos regimes público e privado.
O capítulo primeiro do Título II do Projeto, referente aos serviços de
telecomunicações prestados em regime público, determina, no art. 73, que a Essas duas alternativas são, como já visto, as que permitem a distribuição, de
regulamentação, a cargo da Agência, disciplinará os deveres de universalização e de forma eqüitativa, do ônus de financiamento do serviço universal a todos os prestadores de
continuidade atribuídos aos prestadores do serviço nesse regime. Deveres de serviço, ou a toda a sociedade. Em razão, entretanto, da dificuldade de sua implementação
universalização são conceituados como aqueles que objetivam possibilitar o acesso de imediata, o Projeto estipula que, enquanto não for constituído o fundo específico, possam
qualquer pessoa aos serviços de telecomunicações, independentemente de sua localização ser adotadas, transitoriamente, duas outras fontes: a instituição de subsídio entre
geográfica ou condição sócio-econômica; deveres de continuidade são os que objetivam modalidades de serviços ou entre grupos de usuários de telecomunicações, ou o pagamento
possibilitar aos usuários dos serviços sua fruição de forma ininterrupta, sem paralisações de adicional ao valor de interconexão.
injustificadas, tendo-os permanentemente à sua disposição, em condições adequadas de
uso. Portanto, muito embora o princípio da livre concorrência seja incompatível com a
prática de subsídio entre serviços de telecomunicação ou entre segmentos de usuários (por
O plano geral de metas de universalização, a ser elaborado pela Agência e aprovado exemplo, rurais e urbanos), tal prática poderá ser autorizada pela regulamentação, desde
pelo Poder Executivo, explicitará as metas com relação à disponibilidade de instalações de que necessária à viabilização do cumprimento dos deveres de universalização e seja
uso individual ou coletivo, ao atendimento aos portadores de deficiências físicas e ao instituída por ato motivado, em que se explicitem sua natureza, os recursos envolvidos, e
atendimento a áreas rurais, regiões remotas ou a instituições de caráter público ou social, os serviços ou segmentos onerados e beneficiados.
como escolas, centros de saúde e bibliotecas públicas (art. 74).
Adicionalmente, o prestador de serviço sujeito a deveres de universalização poderá
Esse plano deverá também detalhar as fontes de financiamento das obrigações de ser beneficiado com o pagamento, em seu favor, pelos outros operadores, de tarifas de
universalização dos serviços, que deverão ser neutras em relação aos prestadores interconexão mais elevadas, na forma que dispuser a regulamentação.
concorrentes, em termos da competição entre eles no mercado nacional.

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CAPÍTULO II O art. 82 do Projeto dispõe que as outorgas serão sempre onerosas, podendo o
pagamento ser feito através de uma quantia fixa, à vista ou em parcelas, ou através de um
A Concessão percentual sobre o faturamento, conforme dispuser a Agência. No caso de quantia fixa, esta
poderá ser predeterminada no edital de licitação ou resultante da proposta vencedora, caso
esse tenha sido um dos critérios de julgamento da licitação.
SEÇÃO I
Para o processo de outorga de concessões, o Projeto cria a modalidade de licitação
A Outorga denominada "convocação geral" (art. 83), a ser disciplinada pela Agência, com observância
dos princípios constitucionais e legais, expressando sua finalidade, seus objetivos, seu
procedimento singular, seus critérios e fatores objetivos de aceitação da proposta e de
Para que um serviço de telecomunicação seja explorado no regime público há de julgamento, seus requisitos de habilitação (qualificação técnico-oper acional ou profissional
haver outorga prévia do Poder Público, consubstanciada em um contrato de concessão, e econômico-financeira), sempre tendo como escopo assegurar a maior divulgação possível
despossuída esta, obrigatoriamente, do caráter de exclusividade (arts. 77 e 78). O contrato, do instrumento convocatório e de todos os atos do procedimento, permitindo, assim, a
por prazo determinado, sujeitará o concessionário aos riscos empresariais e estipulará que ampla participação de licitantes capacitados, com admissão de consórcios (art. 84).
sua remuneração se dará através da cobrança de tarifas dos usuários e de outras receitas
alternativas; responderá ele diretamente pelas obrigações do negócio e pelos prejuízos que O instrumento convocatório, cuja minuta será submetida a consulta pública prévia,
eventualmente venha a causar. deverá identificar o serviço objeto do certame e as condições de sua prestação, expansão e
universalização, fixando as cláusulas do contrato de concessão com as sanções aplicáveis,
O órgão regulador deverá, como já mencionado anteriormente, elaborar um plano possibilitando a escolha de quem possa executar e expandir o serviço no regime público
geral de outorgas, submetendo-o à aprovação do Poder Executivo, definindo, com fulcro com eficiência e segurança e a tarifas razoáveis.
no binômio maior benefício ao usuário e justa remuneração do encarregado do serviço, a
divisão do País em áreas, com os respectivos números de prestadores, seus prazos de Tendo em vista a natureza peculiar do serviço de telecomunicações, estabelece o
vigência e as oportunidades em que as mesmas deverão ser atribuídas, e evitando o Projeto diversos fatores de julgamento do certame, na modalidade de técnica e preço -
vencimento concomitante das concessões de uma mesma área. menor tarifa, maior oferta pela outorga, melhor qualidade dos serviços, melhor
atendimento da demanda - que poderão ser adotados isolada ou conjugadamente,
Tratando-se de uma relação trilateral - entre concedente, concessionário e usuário - respeitado o princípio da objetividade.
exigente de determinação precisa dos direitos e deveres de todas as partes, bem como de
fiscalização eficaz, cada modalidade de serviço deverá ser objeto de outorga distinta (art. Além de indicar a vedação genérica de participar de licitação ou receber outorga de
79), atribuída a empresa constituída segundo as leis brasileiras, com sede e administração concessão a empresa proibida de licitar ou contratar com o Poder Público, o Projeto
no País. Essas características deverão estar presentes por ocasião da celebração do acrescenta como vedação específica ter a empresa sido punida, nos dois anos anteriores à
contrato, não impedindo a participação, na licitação prévia, de empresas que ainda não as licitação, com a decretação da caducidade de concessão, permissão ou autorização de
tenham, o que amplia o rol de empresas potencialmente interessadas na licitação, serviço de telecomunicação, ou da caducidade do direito de uso de radiofreqüência (art.
propiciando maior competitividade ao processo, em busca da melhor proposta (art. 80). 85).

Poderá a regulamentação impor proibições, limites ou condições à outorga de Ainda sobre o tema da licitação, dispõe o Projeto, no art. 86, sobre as hipóteses de
concessões a empresas ou grupos empresariais que já explorem serviço de sua inexigibilidade, quer por desnecessária (nas hipóteses de não haver limitação à
telecomunicações em qualquer dos regimes de direito, objetivando, com isso, estimular a quantidade de outorgas possíveis), quer por inviável (inexistência de mais de um licitante).
competição efetiva e evitar concentração econômica no mercado (art. 81).
O procedimento administrativo de declaração da inexigibilidade de licitação deverá
Para uma empresa receber outorga de concessão de serviço público, mesmo obedecer princípios básicos que regem o procedimento licitatório, bem como no seu
operando modalidade de serviço semelhante, no regime privado, na mesma região, área ou âmbito deverão ser verificadas todas as condições relativas à qualificação da empresa a ser
localidade, deverá assumir o compromisso de transferir a outrem, no prazo máximo de contratada, tendo em vista assegurar o cumprimento das futuras obrigações (art. 87).
dezoito meses, o serviço explorado sob este último regime, sob pena de caducidade da
concessão e de outras sanções previstas no processo de outorga.

Esse preceito objetiva também ampliar o leque de eventuais interessados na


licitação para outorga da concessão.

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requisitos que lhe seriam exigidos numa licitação para obter a mesma concessão.
SEÇÃO II Entretanto, a medida somente será aprovada se não provocar prejuízos à competição e não
colocar em risco a execução do contrato (arts. 93 e 94).
O Contrato Cuidou também o Projeto (art. 95) de limitar o prazo máximo de concessão em 20
(vinte) anos, e da renovação (igual período), restrita a uma única vez, estabelecendo, em
seqüência, as hipóteses objetivas de denegação do pedido de renovação e o procedimento e
Traz o Projeto, no art. 88, as cláusulas necessárias do contrato de concessão, como prazos para o seu deferimento, entre os quais se inclui o pagamento pelo direito de
a da indicação do objeto, área e prazo da concessão; as regras, critérios, indicadores, exploração do serviço.
fórmulas e parâmetros definidores da implantação, expansão, alteração, modernização e
qualidade do serviço; os deveres de universalização e continuidade do serviço; o valor,
forma e condições de pagamento da outorga; os critérios e procedimentos para fixação, SEÇÃO III
reajuste e revisão das tarifas; os direitos, garantias e obrigações dos usuários, da Agência e
dos concessionários; os bens reversíveis, se houver; as condições gerais para interconexão, Os Bens
etc.

Em se tratando de serviço de interesse coletivo, cuja existência e continuidade a Nesta seção (arts. 96, 97 e 98), trata o Projeto dos institutos da desapropriação,
própria União se comprometa a assegurar, os bens que a ele estejam aplicados poderão (e servidão e reversão de bens, como mecanismos jurídicos de que a Agência pode lançar
não deverão) ser revertidos ao Poder concedente, para permitir a continuidade do serviço mão para assegurar a continuidade da prestação dos serviços. No caso da desapropriação
público. Mas nem sempre o princípio da continuidade do serviço público supõe a reversão ou da instituição de servidão, caberá ao concessionário implementar a medida e pagar as
dos bens que lhe estejam afetados. Quando os bens do concessionário não forem essenciais indenizações e demais despesas envolvidas.
à sua prestação, quer por obsolescência tecnológica, quer pelo esgotamento de sua própria
vida útil, a reversão não deverá ocorrer, não precisando, os bens, ser reintegrados ao
patrimônio do poder concedente, ao término da concessão . A não ser, é claro , que por SEÇÃO IV
motivos devidamente justificados, reclame o interesse público tal reversão. Daí a
facultatividade do instituto, que o Projeto agasalhou, ao deixar que o contrato defina quais As Tarifas
são esses bens, visando evitar ônus financeiro desnecessário para o concedente.

O Projeto (art. 90) autoriza o concessionário, no cumprimento de seus deveres, a Dando competência à Agência para determinar os itens tarifários aplicáveis a cada
empregar equipamentos que não lhe pertençam, a terceirizar atividades inerentes, modalidade de serviço, o Projeto (art. 99) estabelece as regras para a fixação das tarifas
acessórias ou complementares ao serviço, a consorciar-se com terceiros (sem caracterizar máximas ou para sua submissão ao regime de liberdade vigiada, conforme o caso, sem
subconcessão), continuando sempre responsável, perante a Agência e os usuários, pela descuidar da vinculação ao instrumento contratual e da proteção aos interesses do usuário.
prestação dos serviços.
Na prática, ao atribuir ao órgão regulador a responsabilidade sobre a fixação,
Assegura-lhe também prazos razoáveis para adaptação às novas obrigações que lhe reajuste, revisão e acompanhamento de tarifas dos serviços prestados no regime público, o
sejam impostas em regulamentos posteriores (art. 91), dando ao contratado a segurança Projeto dá à Agência a condição fundamental para defender a competição - privilegiando,
jurídica para planejar a exploração do serviço concedido e os necessários investimentos. por um lado, os interesses dos usuários, que não estarão submetidos a tarifas injustas e, por
outro lado, impedindo o abuso do poder econômico pelo operador dominante, que tenderia
Entre as obrigações do concessionário, previstas no art. 92 do Projeto, consta a de a dificultar o ingresso e o desenvolvimento de novos prestadores do serviço - e para criar
manter registros contábeis separados por serviço, caso explore outra modalidade de serviço um ambiente atrativo para o investimento de capitais privados - ao assegurar a normalidade
de telecomunicações. Adicionalmente, o concessionário deverá submeter à Agência, regulatória e o respeito aos compromissos contratuais assumidos com os concessionários.
previamente, as minutas de contrato-padrão que pretender celebrar com seus clientes e dos
acordos operacionais que pretender firmar com operadores estrangeiros. Deverá, também, Como visto no item 4 da parte II desta Exposição de Motivos (aspectos econômicos
comprometer-se a divulgar a relação de seus assinantes, observadas as garantias de fundamentais), a adequação das tarifas aos custos dos serviços, associada à existência de
privacidade dos usuários. demanda, é um tema crucial na consolidação de um ambiente dinâmico e competitivo para
o setor. Sem que essa questão microeconômica esteja adequadamente resolvida não haverá
O Projeto permite a autorização, pela Agência, da transferência direta ou indireta condições para se dispor dos dois pilares de sustentação do novo modelo preconizado para
do contrato de concessão, estabelecendo, todavia, rígidos requisitos para a sua realização, as telecomunicações brasileiras: a competição e a universalização do acesso. Em outras
dentre os quais a de que o contrato esteja vigorando há mais de cinco anos, que o serviço palavras, se a questão econômica não estiver satisfatoriamente respondida, não haverá
esteja em operação há pelo menos três anos e que o cessionário preencha os mesmos regulamentação capaz de conduzir a reforma setorial para a direção pretendida.
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coloque em risco a continuidade dos serviços, a inobservância reiterada de atendimento a


metas de universalização e a recusa injustificada de interconexão.

Essa conclusão pode ser reforçada por um exemplo tirado da própria história do Os procedimentos administrativos para decretação da intervenção assegurarão
setor no Brasil. Como visto no item 3 da parte I desta Exposição de Motivos, foi o sempre a ampla defesa do concessionário (art. 107). A intervenção poderá ser exercida por
tratamento tarifário inadequado uma das principais razões do não desenvolvimento um colegiado ou por uma empresa contratada para esse fim, e seu custo correrá por conta
satisfatório dos serviços de telecomunicações no Brasil, por não estimular os investimentos do concessionário.
privados, na década de 1960, ou mesmo estatais, mais recentemente.

O Projeto prevê, portanto, a fixação das tarifas no contrato de concessão (art. 99), a SEÇÃO VI
vedação aos subsídios cruzados entre serviços e entre grupos de usuários e a fixação, nos
contratos, dos mecanismos para reajuste e revisão das tarifas (art. 104). Ele é inovador, A Extinção
também, em quatro pontos específicos:

I) ao admitir expressamente que o concessionário possa cobrar tarifa inferior à Quanto à extinção da concessão o Projeto segue a linha adotada pela Lei no
fixada, desde que com base em critério objetivo e beneficiando indistintamente todos os 8.987/95, acrescentando, apenas, algumas condições mais rígidas.
usuários, vedado o abuso do poder econômico (art. 102);
Nesse sentido, vincula a encampação a "razão extraordinária de interesse público"
II) ao admitir, também expressamente, a prática de descontos tarifários, desde que (art. 109) e amplia as hipóteses de caducidade para incluir a situação em que a intervenção
extensíveis a todos os usuários que se enquadrem em condições estabelecidas de modo seria o instrumento apropriado, mas sua decretação for inconveniente, inócua, injustamente
preciso e isonômico (art. 103); benéfica ou desnecessária (art. 110).

III) ao determinar o compartilhamento com os usuários dos ganhos econômicos Permite, por outro lado, além da rescisão judicial, a rescisão amigável, não prevista
decorrentes da modernização, da expansão dos serviços ou da conquista, pelo operador, de expressamente pela Lei no 8.987, de 13 de fevereiro de 1995 (art. 111).
novas receitas alternativas, e a transferência integral aos usuários dos ganhos econômicos
não decorrentes diretamente da eficiência empresarial do prestador, como aqueles
originários de reduções de tributos ou de encargos legais, ou ainda de mudanças na CAPÍTULO III
regulamentação dos serviços (art. 104); e, principalmente,

IV) ao possibilitar a mudança para o regime de liberdade vigiada, após decorridos A Permissão
cinco anos da vigência do contrato, desde que exista efetiva competição entre os
prestadores do serviço, a juízo da Agência (art. 100).
Seguindo a doutrina escorreita, o Projeto ora apresentado a Vossa Excelência dá ao
Neste último caso, o concessionário poderá determinar suas próprias tarifas, instituto da permissão os seus devidos contornos. Define permissão como ato
comunicando-as ao órgão regulador com sete dias de antecedência de sua entrada em administrativo, e não como contrato, pelo qual se atribui a alguém o dever de prestar
vigor. Caso a Agência detete um aumento arbitrário nos lucros do concessionário, ou serviço de telecomunicação no regime público (portanto serviço de interesse coletivo) e em
outras práticas suas prejudiciais à concorrência, poderá determinar um retorno ao regime caráter transitório, em face de situação excepcional comprometedora do funcionamento do
tarifário anterior, ou seja, o de controle de preços. serviço, e até sua normalização (art. 114).

A situação excepcional, em face da qual a permissão pode ser outorgada, é, repita-


SEÇÃO V se, aquela comprometedora do funcionamento do serviço, e que, em virtude de suas
peculiaridades, não possa ser atendida de forma conveniente ou em prazo adequado,
A Intervenção mediante intervenção na empresa concessionária ou outorga de nova de concessão.

O Projeto dá os traços caracterizadores do instituto, prescrevendo que a outorga


As hipóteses de intervenção na empresa concessionária são elencadas no art. 106. seja precedida de procedimento licitatório simplificado, nos termos regulados pela
Entre elas, incluem-se a paralisação injustificada dos serviços, sua inadequação ou Agência, ressalvados os casos de inexigibilidade (art. 115). Sua formalização reclama
insuficiência, o desequilíbrio econômico-financeiro resultante de má administração, que assinatura de termo que conterá, dentre outras especificações, o prazo máximo de vigência
estimado, sanções, direitos e deveres do permissionário, as tarifas, os direitos, garantias e
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obrigações dos usuários, as condições gerais de interconexão, os bens reversíveis, se


houver, e as hipóteses de extinção, tudo conforme o que constar da regulamentação (art.
116 a 121). Há atividades de interesse particular (comumente denominadas "privadas") que,
ainda que entregues à livre iniciativa, dependem de prévia autorização do poder público . É
TÍTULO III a lei que indicará esses casos, como se depreende do preceito inserto no artigo 170,
parágrafo único da Constituição da República: "é assegurado a todos o livre exercício de
Os Serviços Prestados no Regime Privado qualquer atividade econômica, independentemente de autorização de órgãos públicos,
salvo nos casos previstos em lei".

CAPÍTULO I Assim, por força da lei (aqui surgindo como Projeto), serão estabelecidas as linhas
que definirão quais os serviços de telecomunicação - dentre os que não expressamente
O Regime Geral da Exploração indicados como "serviços públicos" e, portanto, residualmente, colocados na órbita da
atividade econômica desempenhada pelo particular - que necessitarão de prévia
autorização administrativa, destinada a assegurar prestação compatível com o interesse
Com fulcro nos princípios gerais da atividade econômica (art. 170 da Constituição), coletivo.
em especial o da livre concorrência e o da defesa do consumidor-usuário, foram
estabelecidas as diretrizes norteadoras da atividade de exploração dos serviços de A atividade ordenadora do Estado, nas mãos do órgão regulador, não eliminará o
telecomunicação no regime privado (art. 122). necessário espaço de liberdade individual, eis que todos os condicionamentos que imporá,
fundados na lei, terão estreita vinculação com uma finalidade pública real, concreta e
Dentre elas cabe sublinhar a da garantia da diversidade dos serviços, do incremento poderosa.
de sua oferta e de sua qualidade, a do respeito aos direitos dos usuários, a da convivência
entre as várias modalidades de serviço e a preferência a ser observada em favor dos Assim, para a exploração dos serviços de telecomunicação no regime privado,
prestados sob regime público, a do cumprimento da função social do serviço de interesse deverá o interessado obter prévia autorização do Estado, dispensada esta nos casos
coletivo e a do desenvolvimento tecnológico e industrial do setor (art. 123). definidos pela Agência (art. 127).

Sob esse enfoque, o Projeto impõe limites à regulamentação, determinando que esta Tem a autorização natureza de ato administrativo vinculado, facultando a
deverá observar a exigência de mínima intervenção estatal na vida privada. exploração, no regime privado, de modalidade de serviço de telecomunicação (de interesse
coletivo ou particular) quando preenchidas as condições objetivas e subjetivas necessárias.
Em virtude disso, o regime disposto é o da liberdade do mercado, constituindo
exceção as proibições, restrições e condicionamentos administrativos, que para sua A condições objetivas, no Projeto (art. 128), para que o interessado obtenha a
validade devem estar vinculados a finalidades públicas específicas e relevantes, sempre autorização, são restritas a duas:
tendo em mira preservar o conteúdo essencial mínimo dos direitos dos operadores do
serviço de telecomunicação explorado sob regime privado (art. 124). Muito embora a) disponibilidade de radiofreqüência adequada, se necessária para executar o
desprovidos de direito adquirido à permanência das condições vigentes quando do início serviço; e
das atividades, as normas deverão conceder aos operadores prazos suficientes para
adaptações aos novos condicionamentos (art. 126). b) apresentação de projeto viável tecnicamente e compatível com as normas
aplicáveis.
O preço dos serviços privados será livre, reprimindo-se apenas a prática prejudicial
à competição bem como o abuso do poder econômico (art. 125). Para obtenção de autorização de serviço de interesse coletivo, executado sob o
regime privado, o Projeto (art. 129) dispõe expressamente sobre as condições subjetivas
necessárias, dentre as quais avultam as de ser empresa brasileira, de possuir qualificação
CAPÍTULO II técnica para bem prestar o serviço e de não prestar, na mesma região, localidade ou área, a
mesma modalidade de serviço, quer no regime público, quer no regime privado.
A Autorização de Serviço de Telecomunicações
Já no que diz respeito aos serviços de interesse restrito, será a Agência que irá
dispor sobre as condições subjetivas para obtenção de autorização, que se farão necessárias
SEÇÃO I apenas e tão somente para evitar que a livre exploração dos serviços acarrete prejuízos ao
interesse coletivo (art. 130).
A Obtenção
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Como a disciplina dos serviços de interesse coletivo deve assegurar a realização


dos objetivos maiores consignados na Lei Geral e o respeito aos direitos dos usuários e
operadores, o Projeto permite que a Agência, em casos excepcionais, condicione a
autorização à aceitação, pelo interessado, de compromissos de interesse da coletividade,
tais como a ampliação da cobertura, o atendimento de demandas sociais ou a contribuição,
inclusive financeira, à universalização dos serviços, que, se descumpridos, ensejarão
sanções de multa, suspensão ou caducidade da autorização (arts. 131 e 133). TÍTULO IV

Assim, ainda que o serviço venha a ser executado sob regime privado, por se As Redes de Telecomunicações
tratar de serviço de abrangência coletiva estará ele também sob controle e fiscalização do
órgão regulador, que deverá cuidar do interesse público, observados os princípios da
razoabilidade, proporcionalidade e igualdade. Trata este Título das redes de telecomunicação destinadas a dar suporte à prestação,
no regime público ou privado, dos serviços de interesse coletivo em geral (art. 141),
Muito embora a liberdade seja a tônica na prestação do serviço sob regime organizando-as como vias integradas de livre circulação, dispondo sobre sua implantação e
privado, nos casos em que o excesso de competidores comprometa de modo grave uma funcionamento, a obrigatoriedade e condições de interconexão e de interoperabilidade, os
modalidade de serviço de interesse coletivo, ou em caso de impossibilidade técnica, planos de numeração e sua gerência, suas utilizações primária e secundária, tudo visando à
permite o Projeto a fixação de um limite temporário no número de operadores, escolhidos harmonização e compatibilização dos projetos dos diversos operadores, em âmbito
em procedimento licitatório, na modalidade utilizada para a escolha do concessionário, que nacional e internacional (art. 142 a 150).
é a convocação geral (art. 132).
O Projeto prescreve que o direito de propriedade sobre as redes é condicionado pelo
Dos autorizados assim escolhidos será exigida uma contrapartida (expansão do dever de cumprimento de sua função social, em consonância com princípio inserido na
serviço ou de empregos, pagamento em dinheiro etc.) proporcional à vantagem econômica própria Constituição da República. Objetivando assegurar o cumprimento de sua função
que terão pela limitação da concorrência. Entre essas contrapartidas poderá estar, também, social, e a harmonia e compatibilidade dos projetos de diferentes prestadoras de serviços,
a participação no financiamento às obrigações de serviço universal. como já assinalado, a implantação e funcionamento das redes obedecerão a planos
fundamentais editados pela Agência.

SEÇÃO II O provimento da interconexão das redes será realizado em termos não


discriminatórios e de modo a não onerar desnecessariamente o solicitante. As condições
A Extinção serão objeto de livre negociação entre os interessados, observadas as regras que a Agência
fixar. Isso significa que os operadores deverão prover, a seus clientes (em termos de
capacidade de rede), acesso exatamente às partes da rede que eles desejarem, de forma a
Como a autorização de serviço não está sujeita a termo final, sua extinção poderá reduzir ao mínimo as necessidade de construção de infra-estruturas paralelas.
ocorrer por cassação, decaimento e renúncia, além da caducidade e anulação (art. 134). As
duas últimas formas de extinção não diferem substancialmente das já assinaladas quanto
aos institutos da concessão e da permissão (art. 136 e 139). TÍTULO V

Cassação e decaimento constituem também espécies de retirada da autorização de O Espectro e a Órbita


serviço. A primeira, em virtude da perda das condições subjetivas ou objetivas
indispensáveis à sua expedição ou manutenção, como no caso da extinção da autorização
de uso da radiofreqüência respectiva (art. 135); a segunda, por força de razões de CAPÍTULO I
excepcional relevância pública que venham modificar as normas, proibindo o tipo de
atividade objeto da autorização, ou suprimindo a exploração no regime privado, e desde O Espectro de Radiofreqüências
que a preservação das autorizações já expedidas seja efetivamente incompatível com o
interesse público (art. 137). Ainda assim, decretado o decaimento, por ato administrativo
da Agência, terá o autorizatário direito de manter suas atividades regulares por um período Considerado bem público, o espectro de radiofreqüências será administrado pela
mínimo de cinco anos, salvo desapropriação. Agência (art. 152).

Os demais artigos desta seção tratam simplesmente de aspectos administrativos A Agência manterá um plano com a atribuição, distribuição e destinação de faixas
associados aos atos de extinção da autorização. de radiofreqüências, observados os tratados e acordos internacionais, com o detalhamento
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necessário ao emprego individual das radiofreqüências associadas aos diversos serviços e


atividades de telecomunicação, de modo a atender tanto a suas necessidades atuais como as Dispõe ainda o Projeto, no que concerne ao uso de radiofreqüência, a respeito dos
futuras (art. 153). casos de extinção da autorização: advento de seu termo final, cassação, caducidade,
renúncia e anulação (art. 165).

Esse plano preverá a destinação de faixas de radiofreqüências para fins militares,


para serviços públicos e privados de telecomunicações, para serviços de radiodifusão, para
serviços de emergência e de segurança pública, além de para outras aplicações de CAPÍTULO III
telecomunicações, de modo que a administração de todo o espectro de radiofreqüências
fique integralmente confiada à Agência. A Órbita e os Satélites

Nessa atividade, a Agência deverá sempre buscar o uso eficiente e racional do


espectro (art. 154), podendo para tanto restringir o emprego de determinadas O Projeto atribui à Agência competência para dispor sobre os requisitos e critérios
radiofreqüências, considerado o interesse público (art. 155). específicos referentes à execução, via satélite, de qualquer serviço de telecomunicação,
independentemente de o acesso a ele ocorrer ou não a partir do território nacional (art.
A destinação de radiofreqüências ou faixas poderá, a qualquer tempo, ser 166).
modificada, assim como poderão ser alteradas características técnicas dos sistemas, desde
que o interesse público ou o cumprimento de convenções ou tratados internacionais o O art. 167 determina que, na execução de serviço de telecomunicações via satélite,
determine, assegurado prazo razoável para a efetivação das mudanças (art. 156). seja dada preferência ao emprego de satélite brasileiro - que é o que utiliza recursos de
órbita e de espectro radioelétrico notificados pelo País e cuja estação de controle e
Estabelece ainda o Projeto que a operação de qualquer estação transmissora de monitoração deve necessariamente instalar-se no território brasileiro - desde que este
radiocomunicação estará sujeita a licença prévia de funcionamento e a fiscalização propicie condições técnicas e comerciais equivalentes a dos satélites de outros países.
permanente (art. 157).
A exploração de satélite brasileiro deverá ser realizada sob o regime público ou
privado, conforme decisão do Poder Executivo, sempre dependente de aprovação prévia,
CAPÍTULO II abrangente dos direitos de ocupação de órbita e de uso das respectivas radiofreqüências, e
que será efetivada mediante procedimento administrativo em que será expedido
A Autorização de Uso de Radiofreqüências primeiramente um ato provisório, para possibilitar as necessárias notificação e
coordenação internacionais, a ser feitas por meio da UIT - União Internacional de
Telecomunicações (art.168).
O Projeto (art. 158) trata também das autorizações de uso de radiofreqüência,
expedidas com ou sem caráter de exclusividade e dependentes de outorga prévia O direito de exploração será sempre conferido a título oneroso e vigorará enquanto
(autorização) e da manutenção do direito à execução do respectivo serviço de vigir a autorização para prestação do serviço via satélite, a não ser que extinto por
telecomunicações (concessão, permissão ou autorização). cassação, caducidade, renúncia ou anulação.

Essas autorizações, como atos administrativos vinculados, poderão ser outorgadas


com ou sem licitação, de forma gratuita ou onerosa (art. 159 e 160). As regras básicas para TÍTULO VI
licitação e acerca da inexigibilidade são as mesmas estabelecidas para a disputa por
concessão de serviço público. As Sanções

O projeto estabelece limites à transferência do direito de uso de radiofreqüências,


nos mesmos moldes criados para a transferência outorga para prestação de serviço (art. CAPÍTULO I
164).
As Sanções Administrativas
O prazo para a autorização de uso de radiofreqüência é vinculado à manutenção do
direito de prestar o serviço de telecomunicação correspondente. No caso de serviço
prestado sob autorização, em que o prazo for indeterminado, o prazo para uso da Sob este título o Projeto (art. 169) elenca as espécies de sanções a que estão sujeitos
radiofreqüência será de no máximo vinte anos, prorrogável por uma única vez, por igual os que infringirem suas disposições, demais normas aplicáveis, ou que inobservarem
período (arts. 162 e 163). deveres decorrentes de concessão, permissão e autorização, sem prejuízo das de natureza
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civil e penal. São elas: advertência, multa, suspensão temporária, caducidade, e declaração A necessidade do estabelecimento de regras especiais para balizar a reestruturação
de inidoneidade. e a desestatização das empresas do Sistema TELEBRÁS justifica-se, inicialmente, pelo
fato de a Lei nº 8.031, de 12 de abril de 1990, que criou o Programa Nacional de
O Projeto disciplina também, nos arts. 170 a 180, a imposição das sanções, Desestatização, expressamente ter excluído, através do art. 2.º, parágrafo 3.º, a aplicação de
delineando o perfil de cada uma delas. Com relação à multa, que pode ser imposta seus dispositivos a empresas que exercem atividades previstas no art. 21 da Constituição,
isoladamente ou em conjunto com outra sanção, o Projeto delimita-a entre R$ 1.500,00 e como é o caso em pauta. Diversas disposições dessa lei vêm sendo alteradas por Medida
R$ 50.000.000,00. Provisória, a mais recente das quais é a MP n.º 1481-43, de 22 de novembro de 1996.
Ocorre, entretanto, que a Emenda Constitucional n.º 8/95 vedou expressamente a utilização
de medidas provisórias para dar cumprimento ao seu mandamento.

Em segundo lugar, essas regras visam assegurar o atendimento à exigência do


CAPÍTULO II inciso XX do art. 37 da Constituição Federal, deixando clara, no texto legal, a autorização
legislativa para a criação das subsidiárias e das participações acionárias que forem
As Sanções Penais necessárias para viabilizar a reestruturação e a privatização do Sistema TELEBRÁS, nos
termos concebidos pelo Projeto. Decorre daí a nominação das empresas a serem objeto das
mudanças, vista no seu art. 184.
O Projeto considera clandestinas - e portanto sujeitas a sanções penais - as
atividades de telecomunicações desenvolvidas sem a prévia outorga de concessão, Adicionalmente, deve ser considerado que as medidas destinadas a promover a
permissão ou autorização de serviço, ou de autorização de uso de radiofreqüência. Para desestatização das empresas exploradoras de serviços de telecomunicações supervisionadas
esses casos, o Projeto impõe a pena de dois a quatro anos de detenção, aumentada da pelo Ministério das Comunicações devem ser entendidas considerando as peculiaridades
metade se houver dano a terceiros, e multa de R$ 10.000,00 (art. 181), estendendo-a a específicas do setor e a reestruturação do mercado de serviços de telecomunicações
quem, direta ou indiretamente, concorrer para o crime. objetivada pelo presente Projeto.

Estabelece também o Projeto que o crime nele tipificado é de ação penal pública, As telecomunicações, quando utilizadas para a prestação de serviços de interesse
incondicionada, cuja promoção é de responsabilidade do Ministério Público (art. 183). Os coletivo e no regime público, constituem um sistema integrado em que a compatibilidade
o
demais pontos não abordados no Projeto são os tratados na Lei n 4.117/62. funcional das distintas redes deve ser mantida quaisquer que sejam os seus operadores.
Caracterizam-se também, nesse caso, pelo fato de constituírem um empreendimento
LIVRO IV intensivo em capital e de longo prazo de maturação, em que os investimentos estão sujeitos
A REESTRUTURAÇÃO E DESESTATIZAÇÃO DAS EMPRESAS FEDERAIS DE à prematura obsolescência, face aos avanços tecnológicos a que as telecomunicações estão
TELECOMUNICAÇÕES constantemente submetidas.

Há também a considerar que a desestatização prevista por este Projeto estará sendo
Dos cinco macro-objetivos da reforma estrutural do setor de telecomunicações, realizada simultaneamente com a introdução, em setor até então monopolista, de um
abordados no item 2 da parte II desta Exposição de Motivos, três (aumentar e melhorar a regime que, embora de competição, manterá a obrigação dos prestadores com o
oferta de serviços; em ambiente competitivo, criar oportunidades atraentes de atendimento de caráter social, ou seja, com o denominado serviço universal. O
investimento e de desenvolvimento tecnológico e industrial; e criar condições para que o compromisso entre competição e serviço universal é matéria que exigirá que todo o
desenvolvimento do setor seja harmônico com as metas de desenvolvimento social do País) processo de reestruturação do setor, inclusive sua fase inicial de desestatização, esteja
serão atingidos com a implementação das medidas constantes do Livro III deste Projeto – subordinado a um complexo esquema de conciliação entre as pressões de mercado e o
basicamente suportadas, como enfatizado anteriormente, nas idéias – força da competição atendimento do interesse público.
na exploração dos serviços e da universalização do acesso aos serviços básicos. Parte do
primeiro objetivo (fortalecer o papel regulador do Estado) será satisfeito com o a Acrescente-se, ainda, tendo em vista o plano geral de outorgas, concebido pelo
concretização das medidas propostas no Livro II – isto é, a criação do órgão regulador. A presente Projeto (arts. 17 e 78), que a desestatização deverá ser realizada juntamente com a
parte final do primeiro objetivo (eliminar o papel empresarial do Estado), bem como o redistribuição territorial das concessões. A aplicação do plano ao Sistema
quinto objetivo (maximizar o valor de venda das empresas estatais de telecomunicações implicará no reagrupamento das atuais 27 empresas estaduais ou locais (as “Teles”) e da
sem prejudicar os demais objetivos) serão, portanto, realizados através da implementação EMBRATEL em apenas três a cinco áreas de concessão de âmbito regional e uma de
das medidas propostas neste Livro IV do Projeto, que trata do balizamento do processo de âmbito nacional, conforme exposto no item 5, parte II, desta Exposição de Motivos.
reestruturação e desestatização das empresas do Sistema TELEBRÁS.
No mesmo contexto foram também incluídas as subsidiárias destinadas à
exploração do serviço móvel celular, cuja criação foi determinada pelo parágrafo único do
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art. 4º da Lei n.º 9.295, de 19 de julho de 1996, e que poderão ser alienadas conjuntamente desestatizações; e a contratação dos pareceres ou estudos especializados que forem
com as empresas prestadoras do serviço telefônico fixo comutado. Manteve-se o Projeto, necessários.
contudo, fiel ao espírito da referida Lei, ao proibir a fusão ou incorporação entre empresa
prestadora de serviço telefônico fixo e empresa prestadora de serviço móvel celular, de Para execução de procedimentos operacionais inerentes ao processo de
modo a preservar a possibilidade de justa competição entre prestadores do serviço móvel desestatização e para prover suporte administrativo e operacional à Comissão Especial de
celular, decorrente de sua separação estrutural das operadoras do serviço telefônico Supervisão é prevista, mediante contrato, a atuação de instituição financeira integrante da
convencional. administração federal de notória experiência no assunto – o BNDES, cujos custos serão
cobertos por uma parcela do valor líquido apurado nas alienações.
Determina o Projeto, no art. 185, que o processo de reestruturação empresarial e de
desestatização do Sistema TELEBRÁS deverá compatibilizar as áreas de atuação das Entendeu-se, também, que a condução do processo de desestatização deveria
empresas resultantes com o plano geral de outorgas anteriormente mencionado. Para tanto, diferenciar-se, em alguns aspectos, da adotada pelo Programa Nacional de Desestatização
o Projeto admite diversas opções, de modo que se possa adotar a mais favorável à época da para outros setores estatais.
desestatização, em função da situação específica de cada empresa, da legislação societária
vigente e do desempenho de suas ações no mercado mobiliário. Essas opções são a cisão, Tendo por base essas considerações, o Projeto prevê, para desestatização das
fusão, incorporação e criação de sociedades, inclusive subsidiárias; a dissolução de empresas do Sistema TELEBRÁS, supervisionadas pelo Ministério das Comunicações,
sociedade, ou desativação parcial de seus empreendimentos; ou, ainda, redução de capital regime jurídico-legal especial, com regras próprias, assegurados, evidentemente, os
social (art. 186). princípios gerais de ordem pública e a indispensável transparência dos atos de Governo,
aos quais estão subordinadas, e modo inescapável, todas as ações alusivas à alienação de
Uma preocupação especial com a manutenção do acervo tecnológico construído no bens públicos (art.191).
Centro de Pesquisa e Desenvolvimento – CPqD – da TELEBRÁS justifica o art. 187 do
Projeto, que determina a previsão de mecanismos que assegurem a preservação da Por se tratar de questão de alta complexidade técnica, tanto no que diz respeito à
capacidade de pesquisa e desenvolvimento tecnológico existente na empresa. avaliação econômico-financeira das empresas, quanto ao planejamento e execução da
venda de suas ações, que terá âmbito internacional, é previsto que a auditoria e consultoria,
O art. 188 cuida de definir o conceito de desestatização, mantendo essencialmente o nacionais e estrangeiras, de assessoramento especializado para atuar nas distintas fase do
estabelecido pela Lei n.º 8.031/90. Tendo em vista, entretanto, as peculiaridades do setor – processo.
a União, como visto no item 2 da parte I desta Exposição de Motivos, detém menos 22%
do capital total da TELEBRÁS, e apenas pouco mais de 50% de suas ações ordinárias –, o O correspondente processo licitatório, sem prejuízo da manutenção dos princípios
Projeto limita a duas as modalidades operacionais passíveis de utilização: a alienação de basilares que instruem o instituto da licitação, é previsto ser realizado sob o rito especial,
ações e a cessão do direito de preferência à subscrição de ações em aumento de capital. tendo em vista a singularidade do setor, tanto no que diz respeito à habilitação técnica dos
consultores e avaliadores, como também na sua capacidade de acessar os mercados
As peculiaridades do setor de telecomunicações fazem com que a estratégia de mobiliários internacionais.
desestatização esteja fortemente vinculada a questões regulatórias. De fato, a reorganização
societária das empresas do Sistema TELEBRÁS e a redistribuição de suas áreas de Em atendimento a essas condicionantes e para dar-lhe maior agilidade, concebeu-
concessão deverão ocorrer concomitantemente com o processo de desestatização, em se, para a composição do processo licitatório, a manutenção, pelo Ministério das
sintonia com a ambiente regulatório inovador que se está introduzindo com a nova Lei Comunicações, de um cadastro aberto às empresas de auditoria e de consultoria, nacionais
Geral das Telecomunicações Brasileiras, consubstanciada no presente Projeto. e internacionais, de notória especialização na área de serviços de telecomunicações, em
particular no tocante à avaliação e auditoria de empresas, ao planejamento e à execução de
Essa é a razão pela qual o Projeto prevê que a coordenação e o acompanhamento de venda de bens e valores mobiliários e às questões jurídicas relacionadas.
todos os atos e procedimentos relativos ao processo de desestatização sejam conduzidos
por uma Comissão Especial de Supervisão instituída no âmbito do Ministério das A participação na licitação estará restrita às empresas previamente cadastradas,
Comunicações (art. 190). devendo a escolha da proposta vencedora se dar pelo critério de técnica e preço.

Essa Comissão teria competências similares às do Conselho Nacional de O art. 192 estabelece, como alternativas de modalidades operacionais para
Desestatização, como, por exemplo, a de aprovar: a modalidade operacional a ser aplicada alienação das ações, o leilão, a concorrência e a oferta pública em Bolsa de Valores, de
a cada desestatização; os ajustes de natureza societária, operacional, contábil ou jurídica, modo que se possa adotar, em cada caso, a que melhor conjugue a maximização do valor
necessários à desestatização; as condições aplicáveis a cada desestatização; a criação de de venda com a atratividade da operação a investidores estratégicos e com a necessidade de
ação de classe especial, a ser subscrita pela União; a fusão, incorporação ou cisão de recursos para a expansão e modernização dos serviços. Adicionalmente, estabelece que o
sociedades e a criação de subsidiária integral, necessárias à viabilização das processo poderá comportar uma etapa de pré-qualif icação, ficando restrita aos qualificados
a participação nas etapas subseqüentes.
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outorgadas, estando desde já asseguradas até 31 de dezembro de 2005, sem ônus. Deve ser
O processo de desestatização é regulado pelas disposições do art. 193, onde é ressaltado que nenhuma das concessões hoje vigentes tem validade até essa data.
previsto que, caso necessário, a União poderá deter, nas empresas desestatizadas, através
da posse de ações de classe especial (golden share), poderes sobre determinadas matérias, O Projeto assegura, também, o direito a uma única prorrogação dessa concessão,
visando a assegurar o interesse público. Poderia ser esse, eventualmente, o caso da pelo prazo de vinte anos, porém a título oneroso. Os critérios para determinação do valor a
EMBRATEL, devido ao fato de que essa empresa é responsável pela operação dentre ser pago nessa oportunidade serão definidos no contrato de concessão.
outros sistemas de importância estratégica, dos satélites brasileiros.
Por outro lado, o Projeto estabelece que as prestadoras de serviço de
O Projeto estabelece também, nos arts. 195 e 196, regras acerca da diversidade de telecomunicações que não solicitarem a celebração do contrato de concessão continuarão
controle acionário das empresas desestatizadas, tanto no momento da desestatização como sujeitas ao contrato em vigor, caso este exista, vedada entretanto sua transferência
durante o prazo em que essa obrigação for considerada necessária pela Agência para o renovação ou prorrogação; caso não haja contrato, o direito à exploração do serviço se
cumprimento do plano geral de outorgas, e de modo a assegurar um ambiente de efetiva extinguirá em 31 de dezembro de 1999.
competição no mercado.
Quanto aos demais serviços atualmente prestados por essas empresas, serão
No art. 197, o Projeto impõe que as aquisições das ações das empresas expedidas as respectivas autorizações ou concessões, conforme o caso.
desestatizadas sejam pagas exclusivamente em moeda corrente, à vista ou a prazo,
conforme dispuser o edital. No art. 203, o Projeto estabelece que, no tocante ao serviço móvel celular, as
A especial atenção com a transparência do processo de desestatização destaca-se no outorgas continuarão sendo regidas pelas disposições da Lei n.º 9.295/96, ou seja, não
presente Projeto, que determina ampla publicidade sobre as condições necessárias à pré- haverá qualquer impacto sobre o processo em andamento visando a abertura à competição
qualificação dos adquirentes, bem como sobre as condições em que a alienação será desse segmento de mercado.
realizada (art. 193), obrigando, ainda, a Comissão Especial de Supervisão a tornar público, Já no art. 205 o Projeto prescreve que as concessões, permissões e autorizações dos
em até 30 dias após o encerramento de cada alienação, relatório circunstanciado sobre o serviços de telecomunicação não serão regidas pela lei geral de licitações (Lei n.º 8.666/93
desenrolar do respectivo processo (art. 198). e suas alterações) e nem pela lei geral de concessões (Lei n.º 8.987/95, Lei n.º 9.074/95 e
alterações). Em função da especificidade do objeto desses institutos, nos termos do Projeto,
O art. 199 reproduz a disposição contida no art. 3º da Medida Provisória n.º 1.481- submetem-se apenas e tão somente às disposições nele contidas.
43, de 22 de novembro de 1996, visando assegurar assistência jurídica aos responsáveis
pela condução do processo de desestatização, na hipótese de serem demandados, Exclui, todavia, do seu âmbito, a outorga dos serviços de radiodifusão sonora e de
futuramente, pela prática de atos decorrentes do exercício de suas funções. sons e imagens, que permanecem na competência do Poder Executivo. O órgão regulador
fiscalizará os aspectos técnicos das respectivas estações, devendo elaborar e manter planos
Por fim, é prevista a responsabilização de servidores ou administradores que, direta de distribuição de canais de radiofreqüência para essa finalidade (art. 206).
ou indiretamente vinculados às empresas objeto da desestatização, participem de quaisquer
ações ou omissões que causem ou possam causar impedimentos ou embaraços ao processo A modalidade de serviço de TV a cabo continuará sob a regência de sua lei
de desestatização em causa (arts. 200 e 201). específica (Lei n.º 8.977 de 6 de janeiro de 1995), conforme dispõe o art. 207 do Projeto.

O art. 208 do Projeto define que será livre a qualquer interessado a divulgação, por
DISPOSIÇÕES FINAIS E TRANSITÓRIAS qualquer meio, de listas de assinantes do serviço telefônico fixo comutado destinado ao uso
do público em geral. Para tanto, dispõe que os prestadores do serviço serão obrigados,
respeitando o direito de privacidade dos usuários, a fornecer a relação de seus assinantes a
O art. 202 do Projeto visa adequar as atuais empresas prestadoras de serviços de quem a queira divulgar, em prazos razoáveis e condições não discriminatórias.
telecomunicações, especificamente as integrantes do Sistema TELEBRÁS e as quatro
empresas independentes, ao novo cenário institucional em construção. Para tanto, dispõe Já o art. 209 regulamenta a transição da situação atual para a nova, decorrente da
que , no prazo de sessenta dias após a publicação da Lei, deverão aquelas empresas aprovação da nova Lei. Assim, os regulamentos, normas e demais regras administrativas
pleitear, junto à Agência, a celebração dos respectivos contratos de concessão. Estes atualmente em vigor serão gradativamente substituídos pelas novas regras editadas em
deverão ser firmados no prazo de 24 meses da aprovação da Lei, nos termos da cumprimento à nova Lei; enquanto isso não ocorrer, as outorgas continuarão sendo regidas
regulamentação. pelos atuais regulamentos, normas e regras; as outorgas de serviço anteriores à aprovação
da Lei, não compreendidas nas disposições do art. 202, continuarão válidas pelos prazos
Nesse ínterim, a Agência deverá elaborar sua proposta de plano geral de outorgas e nelas previstas; a renovação ou prorrogação dessas outorgas, quando nelas prevista, ficará
submetê-la ao Presidente da República. Será com base nesse plano que as concessões serão condicionada à sua adequação às disposições da nova Lei, que poderá ocorrer a qualquer
tempo, mediante a aquiescência do interessado.
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Finalmente, o Projeto, em seu art. 210, revoga especificamente as disposições:

a) da Lei n.º 4.117/62, exceto no tocante a radiodifusão e à matéria penal não


tratada no Projeto;

b) da Lei n.º 6.874, de 3 de dezembro de 1980, que dispõe sobre a edição de listas
telefônicas;

c) da Lei n.º 8.367, de 30 de dezembro de 1991, que dispõe sobre concessões de


serviços telefônicos a empresas objeto do art. 66 do Ato das Disposições Constitucionais
Transitórias; e

d) de diversos itens da Lei n.º 9.295/96, incorporadas ou alteradas por disposições


do Projeto, com exceção, portanto, daquelas de caráter transitório.

Cumpre ressaltar, a propósito, que a revogação das leis e dispositivos


expressamente mencionados no art. 210 não causará qualquer vácuo normativo, em razão
da ultratividade assegurada pelo art. 209 do Projeto.

É este, em síntese, o Projeto que tenho a honra de submeter à apreciação de Vossa


Excelência, e que, em merecendo acolhida, significará marco indelével no processo de
aprimoramento de nossas instituições.

Respeitosamente,

SÉRGIO MOTTA

Ministro de Estado das Comunicações

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