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CURSO MODERNO DE FILOSOFIA \. 11
CARL G. HEMPEL
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1\ CIENCIA NATURAL
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Tradução de
PUNIa SUSSEKIND ROCHA
da Universidade Federal da Guanabara
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Segunda edição

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ZAHAR EDITORES
U: RIO DE JANEIRO

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Título origi11al:

Philosopny of Natural Science

Traduzido da primeira edição, publicada em 1966 pela PRENl1CE-HALL. íNDICE
INc., de Englewood Cliffs, New Jersey, Estados Unidos da América, na
série FOUNDATIONS OF PHILOSOPHY, dirigida por ELlZABETHe
MONROE BEARDSLEY.
Prefácio . 9
Copyright @ 1966 by Prel/tice-Hall. lI/c. 1. Alcance e Objetivo deste Livro'. . . . . . . . . . . . . . 11
2. Investigação Científica: Invenção e Verificação .. 13
Um Caso Histórico como Exemplo, 13. As Etapas
" Fundamentais para Verificar uma Hipótese, 16.
I O Papel da Indução na InvestigaçãoCientífica,21.
li
3. A Verificação de uma Hipótese: Sua Lógica e
Sua Força .. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 32
jl Verificações Experimentais vs. Não-Experimen-
I tais, 32. O Papel das Hipóteses Auxiliares, 36.
I Verificações Cruciais, 40. Hipóteses ad hoc, 43.
capa de ~, Verificabilidade em Princípio e Significação Em-
pírica, 45.
:E:RIco
4.. Critériosde Confirmação e Aceitabilidade ...... 48
Quantidade, Variedade e Precisão da Evidêbcia
1
Sustentadora, 48. Confirmação por "Novas""Im-
plicações, 52. O Apoio Teórico, 54. Simplici-
dade, 57. A Probabilidade das Hipótes~s; 63.
5. As Leis e seu Papel na Explicação Científica '" 65
Duas Exigências Básicas para as. Explicações
Científicas, 65. A Explicação Dedutivo-Nomoló-
gica, 68. Leis Universais e "Generalizaçoes Aciden-
tais, 73. As Explicações Prpbabilístic,as: Seus Fun-
damentos, 78. Probabilidádes Estatísticas e Leis
1974 Probctbilísticas, 79. O Caráter Jliçl.utivo da Expli-
cação Probabilística, 89.
Direitos para a língua portuguesa adquiridos por 6. Aj' Teorias e a Explicação Teórica. ............ 92
ZAHAR EDITORES As Características Gerais das Teorias, 92. Os Prin-
Rua México, 31 - Rio de Janeiro cípios Internos e os Princípios. de Transposição,
que se reservam a propriedade desta tradução
95. Compreensão Teórica, 98. O "Status" das
Entidades 1'eóricas, 100. Explicação e "Redução
ao Familiar", 106.
Impresso no Brasil

.. --

FUNDAMENTOS DA FILOSOFIA

6 FILOSOFIA DA C~NCIA NATURAL Muitos dos problemas da Filosofia são de tão ampla rele-
vância para as preocupaçõeshumanas, e tão complexosem suas
109 ramificações,que se encontram, de uma forma ou outra, cons-
7. Formação de Conceitos ....................
tantemente presentes. Embora, no decorrer do tempo, eles se
Definição, 109. Definições Operacionais, 113. submetam à investigaçãofilosófica, talvez necessitem ser recon-
Importância Sistemática e Empírica dos Concei- siderados em cada época, à luz de conhecimentos científicos
tos Científicos, 117. Sobre as Questões "Opera-
cionalmente sem Sentido", 123. O Caráter das mais vastos e mais profunda experiência ética e religiosa. Me-
lhores soluções são descobertas por métodos mais refinados e
Sentenças Interpretativas, 124. rigorosos. Assim, quem abordar o estudo da filosofia na espe-
129 rança de compreender o melh.or do que ela proporciona,
8. Redução Teórica ..........................
A Controvérsia Mecanicismo vs. Vitalismo, 129. r
procurará tanto as questões fundamentais como as realizações
Redução dos Termos, 131. Redução das Leis, contemporâneas.
133. Reformulação do Mecanicismo, 134. Redu- Escrito por um grupo de eminentes filósofos, o "Curso
ção da Psicologia;o Behaviorismo, 135. I
Moderno de Filosofia" tem por finalidade expor alguns dos
141 principais problemas nos diversos campos da Filosofia, tal como
Leituras Adicionais ............................ se apresentam na atual fase da história filosófica.
Conquanto seja provável que certos setores estejam repre-
sentados na maioria dos casos de introdução à Filosofia, as
I'i classes universitárias diferem muito em ênfase, nos métodos
de instrução e no ritmo de progresso. Todos os professores
necessitam de liberdade para alterar seus cursos à medida que
os seus próprios interesses filosóficos, o tamanho e caracterís-
ticas da composição de suas classes e as necessidades de seus
alunos variem de ano para ano. Os diversosvolumes do "Curso
Moderno de Filosofia" (cada um completo em si mesmo, mas
servindo também de complemento para os outros) oferecem
uma nova flexibilidadeao professor, que pode criar seu próprio
I curso mediante a combinação de vários volumes, conforme de-
i se}ar, e pode escolher diversas combinações em diferentes oca-
I' siões. A'queles volumes que não são usados num curso de
" iniciação podem ser comprovadamentevaliosos,a par de outros
textos ou compilações de lições, para os cursos mais especiali-
zados de nível superior.
ELJZABETH BEARDSLEY MONROE BEARDSLEY

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pelos conselhos valiosos e a Jerome B. -- ~ !I PREFÁCIO ~ Este livro oferece uma introdução a alguns dos tópicos Para PETER ANDREW centrais da Metodologia e da Filosofia da Ciência Natural con- e TOBY ANNE temporâneas. preferi tratar com certa minúcia um número limitado de ques- tões importantes a tentar um esboço rudimentar de um pano- rama mais vasto. Uma parte substancial deste livro foi escrita em 1964. por fim. pro- curei evitar uma simplificação enganosa e apontei várias questões que ainda estão sendo pesquisadas e discutidas. CARL G. Neu pelo auxílio eficiente na leitura das provas. E quero. Quero deixar aqui expresso o quanto apreciei esta oportunidade. agradecer calorosamente aos diretores desta coleção.. Os leitores que quiserem conhecer melhor as questões aqui examinadas ou se informar sobre outros problemas da Filosofia da Ciência encontrarão sugestões para leituras adicionais na curta bibliografia que se acha no fim do volume.~ \ . Embora seja livro de caráter elementar. HEMPEL . Elizabeth e Monroe Beardsley. du- rante os últimos meses de um ano em que fiz parte do Centro de Estudos Avançados em Ciências do Comportamento. Para atender às exigências do espaço disponível.

As primeiras procuram descobrir.a Ciência Po- lítica.Sociais. A Psicologiaé às vezes incluída num campo. :E:costume incluir nas Ciências Naturais a Física. a Antropologia. por estudo atento de relíquias arqueológicas. Na presente coleção. a Biologia e as suas zonas fronteiriças. inscrições. Est'à. ~1) objetivos.i. documentos. e. não pretende prejulgar a questão de ter ou não essa divisão significaçãosistemática. :E:dessa referência essencial à experiência que prescindem a Lógica e a Matemática pura.a Economia. Tal evidênciase obtém de muitas maneiras: por experimen- tação. confrontadas com os fatos de nossa experiência e ~ó são aceitáveisse amparadas por uma evidência empírica. por exames psicológicosou clínicos. moedas etc. Suas asserções devem ser. que são as Ciências não- empíricas. a Química.. portanto. por entrevistas ou levanta- mentos. descrever. de serem as Ciências Naturais fun- damentalmente diferentes das Ciências Sociais em assuntos. por observação sistemática.Sociaiscompreendementão a Sociologia. Que existam diferençasbá- . explicar e predizer as ocorrências no mundo em que vivemos.separação visa apenas ao propósito prático de permitir discussãomais adequada do largo campo da Filosofia da Ciência. As Ciências empíricas dividem-sepor sua vez em Ciências Naturais e Ciências. O critério para essa divisão é muito menos claro do que o que distingue a investigaçãoempírica da não-empíricae não existe acordo geral sobre onde se encontra a linha de separação. às vezes noutro e não raro é dita pertencer a ambos. As Ciências.são tratadas em volumes diferen- tes. a Historiografiae as discipli- nas corre1atas. <"j 1 ALCANCE E OBJETIVO DESTE LIVRO Os diferentes ramos da investigação científica podem ser separados em dois grupos maiores: as Ciências empíricas e as não-empíricas. a Filosofia das Ciências Naturais e a Filosofia das Ciências Sociais.métodos ou pressupostos.

restrições convenientes serão acrescentadas. aborda.. de quando em vez. portanto. UM CASO HISTÓRICO COMO EXEMPLO cia ao domínio inteiro da Ciência empírica. seguindo um caminho que ele mesmo veio explica os fatos empíricos e que espécie de compreensão nos é a descrever mais tarde em livro que escreveu sobre a causa e a dada por suas explicações. Uma exposição pormenorizada. no decorrer dessas discussões.7 por cento para os mesmos anos. Essas cifras se tornavam dade. o que ultrapassa o domínio deste pequeno volume.J.157 trumentos para a investigação. do Krulf. desinteressada. Mas um estudo completo desses argumentos requer uma análise cerrada tanto das 2 Ciências Sociais como das Naturais. L. Sinclair. Brace & World. de 1844 a 1848.. pital contraia após o parto uma doença séria. 8. mas quando a cla. prevenção dai febre puerpera1.As palavras"ciência"e "científico" serão. j) . Os pontos culmi- nantes da carreira de Semmelweis estão focalizados no primeiro capítulo de P. _. mães hospitalizadas nesse Serviço. 260 (ou seja. 1932). que inclui traduções e paráfrases de largos trechos dos escritos de Semmelweis. mesmo hospital.. O enorme prestígio desfrutado pela Ciência hoje em dia é Como simples ilustração de alguns aspectos importantes da certamente devido em grande parte aos r. Mm Aia/nst Death (Nova York: Harcourt. mas não menos profunda e persistente: a ainda mais alarmantes quando confrontadas com as dos casos de ganhar um conhecimento cada vez mais vasto e uma com- preensão oada vez mais profunda do mundo em que ele de morte pela doença no Segundo Serviço de Maternidade do se encontra. freqüentem ente usadas em referên. . fatal. como se estabelece e Atormentado pelo terrível problema. cento e em 1846 de 11.3. Inglaterra: Manchester University Press. Hospital Geral de Viena. que abrigava quase tantas mulheres como o mo são atingidos esses objetivos principais da investigação cien.. IDc. aos pressupostos da investigação. primeiro: 2. Semmelweis: Ris L/te and Ris /Joctrlne (Manchester. Em 1844. além de auxiliar o homem em sua busca de um contro. 1909). Muitos ramos puerperal.2 por cento) Mas. 1 A narrativa do trabalho de Semmelweis e das dificuldades por ele encon- tradas constitui uma página fascinante da história da Medicina. nossa discussão derramará alguma luz sobre a questão. Nos capítulos seguintes. Grande número de sociadas. das 3. . algumas rejeitou logo por serem incompatíveis com fatos bem preensão científicas. Dessa obra 6 que foram tiradas as rápidas citações deste capítulo. encontra-se em W.8 por le sobre seu ambiente. ocasião de INVESTIGAÇÃO CIENTíFICA: lançar um olhar comparativo em relação às Ciências Sociais e INVENÇÃO E VERIFICAÇÃO veremos que muito do que vamos descobrir quanto aos métodos e à rationale da investigação científica aplica-se tanto às Ciên- cias Naturais como às CiênciasSociais. tífica.2. realizado pelo médico húngaro Iguaz Semmelweis. Entretanto.1 daremos alguns problemas mais gerais referentes aos limites e Começou considerando várias explicações então em voga.0 e 2. 12 FILOSOFIA DA CI~NCIÂ NATURAL sicas entre esses vastos domínios 'já o foi amplamente afirmado e com as mais diversas e interessanter. razões. J. morreram da doença. e muitas vezes quisa pura ou básica novos dados. reza o exigir. Semmelweis esforçou- como muda o conhecimento científico. a Ciência responde a uma outra necessi. Examinaremos como se alcança. novos problemas e novos ins.4 por cento. conhecida como febre puerperal. pois nesta exploração da Filosofia das Ciências Naturais teremos.ucessos espetaculares e investigação científica vamos considerar o trabalho sobre a febre à rápida expansão do alcance de suas aplicações. no da Ciência empírica vieram cons'tituir a base para tecnologias as. veremos como a Ciência se por resolvê-lo. vamos estudar co. do conhecimento e da com. que colocam os resultado~ da investigação científica em mulheres internadas no Primeiro Serviço da Maternidade do Hos- uso prático e que por sua vez fornecem freqüentem ente à pes. em 1845 a percentagem era de 6.

Serviço. dante que realizava uma autópsia e morreu depois.de morte por febre puerperal entre esses casos de "como um náufrago se agarra a uma palha". tinham dado as mulheres no parto ficavam deitadas de costas e no Segundo à luz em plena rua. Uma ficas.. As semelhanças entre o curso da Primeiro Serviço. Observaram ainda a Semmelweisque no Primeiro Serviço vencidas pelo trabalho de parto ainda em caminho.do sangue: ele. Semmelweis nota que algumas das mu. No Segundo Serviço Segundo? E como poderia reconciliar-se essa idéia com o fato não havia esse fator prejudicial porque o padre tinha acesso de estar a febre grassando no hospital sem que praticamente direto ao quarto da doente. um exame grosseiro.realizarem dissecaçõesna modo. chegando ao quarto da doente silencio- samente e sem ser observado. colega. mas sem os mesmos efeitos nocivos. Mas Semmelweis observa que se alterou. desempenhado nas infecções pelos microrganismos. refutando esta opinião. Mas. como o é a cólera. pois. nas vítimas da febre puerperal.. esse excesso era ~inda maior no Segundo Serviço. precedido por lhando-se sobre bairros inteiros' e causando a febre nas mulhe. um auxiliar soando uma campainha. muitas ve- de Medicina ficou diminuído da metade e os seus exames das zes retendo o cheiro nauseante. a taxa . seu colega. Rllciocinoll (jllt'. depois de Novamente.Semmelweis nos causados pelo exame grosseiro feito pdos estudantes de compreendeu que "a matéria cadavérica". modo que um padre. Semmelweis observa. de lado. outras. elevou-se a níveis ainda mais altos do que antes. breve dec1ínio. a causa da mortalidade no Primeiro uso da posição lateral no Primeiro Serviço a mortalidade não Serviço era o excesso de gente. agonia em que se revelaram os mesmos sintomas observados to à dieta e ao cuidado geral com as pacientes.. Finalmente. a mortalidade. Para verificar esta conjetura. em con. lheres admitidas no Primeiro Serviço. introduzida na cor- Medicina. produziria um efeito ater- res internadas. não poderia ser tão . b) as parteiras que recebiam seu treino c os estudantes tinham sido os veículos do material infeccioso. Mas a mortalidade no Primeiro seletiva. que recebiam seu treino em obstetrícia apenas no rente sangüínea de Kolletschka pelo bisturi. como poderiam tais rador e debilitante nas pacientes dessas enfermarias e as trans- influências afetar o Primeiro Serviço durante anos e poupar o formavam em vítimas prováveis da febre. mulheres foram reduzidos ao mínimo. um acidente deu a Sem- parte se explicava como resultado dos esforços desesperados melweis a chave decisiva para a solução do problema. . Serviço não diminuiu. a despeito dessas condições desfavorá. doença de Kolletschkae a das mulheres em sua clínica levaram que: a) os danos resultantes naturalmente do processo de parto Semmelweis à conclusão de que suas pacientes morreram da são muito mais extensos que os que poderiam ser causados por mesma espécie de envenenamento.16111 11 UIII 1~'~I(I. veis. raciocina Semmelweis. das pacientes para evitar o Primeiro Serviço já mal afamado. c) quando. verificar se a "parto de rua" era menor que a média no Primeiro Serviço. levando o último sacramento a uma mo- tações da febre puerperal a "influências epidêmicas". Várias explicaçõespsicológicastinham sido tentadas. de uma observando que não havia diferença entre os dois Serviços quan. é que causara a doença fatal do. Kolletschka. tinha que passar por cinco enfermarias antes de alcan- descritas como mudanças "cósmico-telúrico-atmosféricas" espa.. não soar a campainha. (' nIno II r('hn~ pile I pl'l'rll pode " j . sala de autópsia e examinavamas mulheres em trabalho de parto seqüência do relatório da comissão. Sl'II1I11t'lwdslI\lhll1(~Il~u 1111I1 11. vagamente ribunda. Mesmo achando a idéia inverossímil. çar o quarto da doente: o aparecimento do padre. 8l' Clllvlll11l' ~'~'l'lo. o que em Finalmente.decidiu. Em 1846. Introduzindo o Segundo outra opinião. diferença de posição poderia ser significante. no começo de 1847. Um seu. passou a submeter a verificações especí. no Segundo Serviço e~aminavam suas pacientes quase do mesmo pois vinham às enfermarias logo após. 1 II 14 FILOSOFIA DA CiÊNCIA NATURAL INVENÇÃO E VERIFICAÇÃO 15 estabelecidos. Sem- ocorresse outro caso na cidade de Viena ou em seus arredores? melweis convenceu ao padre de tomar um outro caminho e de Uma epidemia genuína. residindo longe do hospital. o número dos estudantes depois de lavarem as mãos apenas superfkialmente.feriu-se no dedo com o bisturi de um estu- Ele rejeita também duas conjeturas semelhantes então correntes. seus colegas. delas lembrava que o Primeiro Serviço estava disposto de tal Uma idéia amplamente aceita na época atribuía as devas. uma comissão nomeada para investigar o assunto Apesar de nessa época não estar ainda reconhecido o papel atribuía a predominância da doença no Primeiro Serviço a da.

como elas não concordavam com os fatos imediatamente observáveis. a hipótese explicava o fato de só serem vítimas Semmelweis usou um método indireto de verificação. raciocinou: Se a conjetura fosse as mãos. Outra vez a experiência mostrou guida a examinar doze outras mulheres na mesma sala. (Mais tarde Vimos como.ria pútrida retirada de um na mortalidade) deverão ocorrer sob certas circunstâncias espe- organismo vivo". Semmelweis con. limi. por exem. Onze das Nos dois últimos casos a verificação baseava-se no seguinte doze pacientes morreram de febre puerperal. também o é I. cificadas (e. febre puerperal. a hipótese que atribuía E a hipótese também explicava a menor mortalidade entre a alta mortalidade no Primeiro Serviço ao temor evocado pelo ". pois então a infecção podia ocorra caso seja a hipótese verdadeira? E raciocinou: Se a ser transmitida à criança antes do nascimento. Sem. passaram em se. Ulteriores experiências clínicas levaram Semmelweis em experiência e achando que ela era falsa rejeitou a hipótese. Não sendo a inten- trazendo seus bebês ao colo raramente eram examinadas após sidade do temor nem seu efeito sobre a febre diretamente deter- a admissão e tinham assim melhor sorte de escapar à infecção. Verificou esta implicação por uma simples quando a mãe permanecia sadia. após desinfetarem cuidadosamente das mulheres durante o parto. hipótese. Finalmente. pouco tempo a alargar sua hipótese. Numa ocasião. Consideremos. f: conveniente dizer que 1 é inferido de H. examinaram primeiro uma mulher em trabalho de verdadeira. então a adoção da posição lateral no Primeiro Ser- parto que sofria de câncer cervical purulento. ele e seus colaboradores. através da cor.g. :am portanto rejeitadas como falsas. como o são a diferença em aglomeração e em dieta. caindo em 1848 a 1.) mc1weis examinou várias hipóteses que haviam sido sugeridas Nesses dois últimos exemplos a experiência mostrou ser C0J110possíveis respostas. cujo treino não incluía Mas habitualmente a verificação não é tão simples e tão instrução anatômica por dissecação dos cadáveres. ou implicado por H. é verificada. A mortalidade pela febre logo começou com as conjeturas de que as diferenças em aglomeração. Como Semmelweis observou. também diremos. daremos uma descrição mais apurada da relação entre 1 e R. 1'11111 {'J11primeiro lugar é uma questão debatida que iremos L . uma vez proposta. por exemplo. De início. ser falsa a implicação e a conjetura foi afastada.27 por cento no Primeiro dieta ou em atenção explicariam a diferença de mortalidade entre Serviço. o que era impossível procedimento do padre deveria ser acompanhada de um declínio nos casos fatais. direta. mas também por "matp. argumento: Se a hipótese considerada. tando-se a lavar as mãos sem repetir a desinfecção. então uma mudança apropriada no rente sangilinea comum à mãe e ao filho. oôI (' FILOSOFIA DA CIÊNCIA NATURAL INVENÇÃO E VERIFICAÇÃO 17 16 considerar mais tarde.g. Analogamente. sendo 1 um enunciado As ETAPAS FUNDAMENTAIS PARA VERIFICAR UMA HIPÓTESE que descreve as ocorrências observáveis a serem esperadas. para verificar a conjetura sobre a posição plo. os dois Serviços de Maternidade.. cientes eram socorridas por parteiras. tou a si mesmo: Existe algum efeito facilmente observável que ça durante o trabalho de parto. os casos de "partos de rua": as mulheres que já chegavam aparecimento do padre com o seu auxiliar. Às vezes. Porque essas hipóteses se apresenta. se o padre se abstiver de passar pelas enferma- rias ou se o parto se realizar em posição lateral). Justificando ainda mais sua idéia ou sua hipótese. vamos examinar como uma ria ser prevenida pela destruição química do material infeccioso aderido às mãos. sem suas mãos numa solução de cal clorada antes de procede. declínio cadavérico. minados. procurando a causa da. o procedimento é direto. Pergun- de febre os recém-nascidos cujas mães tinham contraído a doen.. falsa a implicação verificável e por isso a hipótese foi rejeitada.33. que designaremos por R. f: o que acónteceu rem a qualquer exame. e que 1 é uma implicação verificável da hipótese H. hipótese fosse verdadeira. viço reduziria a mortalidade. enquanto que no Segundo era de 1. cluiu que essa febre podia ser causada não somente por material for verdadeira. Ordenou então que todos os estudantes lavas. se H é verdadeira. em a decrescer. Semmelweis observou que ela explicava o fato Não existiam tais diferenças entre os Serviços. as hipóteses fo- de ser a mortalidade do Segundo Serviço mais baixa: lá as pa. mais breve- mente. então certos eventos observáveis (e.

3 E isso é de fato exemplificadopela própria experiência tivéssemos feito verificação alguma. então 1 também o é.. crianças cujas mães tinham Se H é verdadeiro.. .1D de uma hipótese mostra que essa hipótese foi confirma- tese fosse verdadeira. «-47 da edição brasileira. Isso ainda pode ser ilustrado pela hipótese final de Sem- priadas reduziriam os casos fatais da doença. firmação dela. . pótese. I. Logo. isto é. Mas esse re. . o fato de ser achada verdadeira a implicação inferida de uma Qualquer argumento desta forma. chamado modus tollens em hipótese. então 1 também o é. Desta vez. periência apóia a implicação1. ria ter levado à rejeição da hipótese. então sua verificações cuidadosas. . ainda cas pela antissepsia deveria reduzir a mortalidade. 1969. se as premissas de a) já estiverem conseqüente: convenientemente estabelecidas. àa no que diz respeito àquelas implicações particulares. . a hipótese H que está sendo ve- rificada deve ser certamente rejeitada.t 18 FILOSOFIA DA CI~NCIA NATURAL INVENÇÃO E VERIFICAÇÃO 19 o raciocínio que conduziu à rejeição pode ser esquematizado sua experiência mostrou ser verdadeira a implioação. não prova que a hipótese seja verdadeira. 1'1'. Em que mediaa isso é feito dependerá de vários (N. isto é. são verdadeiros. Consideremos agora o caso em que a observação ou a ex. 1. corretamente ele raciocinara que. alguma corroboração ou con- 1 ". tto B 1'1'. pois como ele descobriu depois. fornece pelo menos certo suporte.allar R(llIorol. Além disso. admitidos no Primeiro Serviço. de verificações um resultado favorável estaremos como se não deiras. as premissas de b) eram ambas verdadeiras. ainda assim a hipótese pode ser falsa.. se suas premissas (as muitas implicações de uma hipótese tenham sido sustentadas por sentenças acima da linha horizontal) são verdadeiras. implicações também eram amparadas pela evidência .. fonte da doença. H é verdadeiro. o resultado favorável de uma verificação. a febre Se H é verdadeiro. e. 12. do B. I. c) (Como mostra a evidência) 11. . sua hipótese era falsa. não devemos pensar que ao obter de um certo número clusão pode ser falsa ainda que suas premissas sejam verda. Como já indicamos anterior- experiência mostrou ser verdadeira a implicação. H não é verdadeiro..--~-. escapado da doença não contraíam a febre puerperal. Se H é verdadeiro. Essas b) (Como mostra a evidência) 1 é verdadeiro. 24-25.. apesar H é verdadeiro. Mesmo que Lógica. nes- da seguinte maneira: te caso. 42. Lor1e. podia também ser produzida por material pútrido proveniente de a) Mas (como mostra a evidência) 1 não é verdadeiro. ver oUlro volume da coleção: W. i. . - . se essa hipó.. Rio. .ra dOlalh08. sua con. organismos vivos.2 é dedutivamente válido. é dedutivamente não-válido.OI/C. . ~I ~ ~-~~--~ ~ ~~-. (N. então a destruição das partículas cadavéri.29. _. a melweis em sua primeira versão. peral um envenenamento do sangue provocado pela matéria cadavérica.43 da traduçllo para o portugues publlcada sob o título L6rklt aspectos da hipótese e dos dados colhidos pela verificação. 27. Da.: Pp.r lIalmoo. de ser falsa a primeira versão da hipótese final.. observando que o resultado favorável de não importa Este modo de raciocinar. Contudo. ~. pois o argumento subjacente teria a forma: a mortalidade pela febre 'puerperal deveria ser menor que a média para o Serviço e que as. SalmoD. mente. Um conjunto de resultados cionava a infecção com matéria cadavérica como sendo a única favoráveis obtidos ao verificarmos diferentes implicações 11. então também o são 11.. . fosse verdadeira. I. 1'1'. Semmelweis inferiu que medidas antissépticas apro.1 V.) . Esses ror 1. Assim. Logo. . Mas. Pois cada uma de nossas de Semmelweis.. conclusão (a sentença abaixo da linha horizontal) é infahv~l. A versão inicial de sua interpretação da febre verificações poderia ter tido um resultado desfavorável e pode- puerperal como uma forma de envenenamento do sangue men. 11. chamado a falácia de afirmação quantas verificações não fornece prova conclusiva para uma hi- do conseqüente. que este resultado não produza prova completa da hipótese. O argumento seguinte também comete a falácia de afirmar o mente verdadeira. da sua hipótese também se tiram as implicações de que sultado favorável não provava conclusivamente que a hipótese entre os casos de parto de rua. hipótese de ser a febre puer.) aspectos serão examinados no capítulo 4.

ção a outros aspectos da investigação científica. lU ~~ 20 FILOSOFIA DA CIÊNCIA NATURAL ~ . q não é o caso. e provavelmente altura da coluna deve diminuir à medida qUe cresce a altitude. Torricelli inverteu-o. pletamente o tubo com mercúrio e obturando a extremidade Essa exigência fica satisfeita. enquanto um barômetro de con- II celli propôs uma outra resposta. Enchendo com. se o mercúrio no barômetro de Torricelli eJeer- ce sobre o mercúrio da cuba pressão igual à do ar. radocinando que. o cano de sucção da bomba é substituído por um ciona com as premissas de tal modo que. F. pp" 70. que era. blema foi enfrentado ensaiando respostas em forma de hipóteses. qualquer bomba aspirante que retira água de pois a atmosfera vai-se tornando menor. a conclusão será certamente verdadeira se as premissas Puy-de-Dôme. a que já nos referimos. das? Assegura-se às vezes que elas são inferidas de dados an- cúrio deveria ser da ordem de 10. A pedido de Pascal. II achou que a coluna de mercúrio levada ao topo da montanha exerce pressão sobre o seu fundo. a coluna de mercúrio caiu a cerca de 75 ém. Outra implicação dessa hipótese foi anotada por Pasciôl. cimo. INVENÇÃO E VERIFICAÇÃO 21 Vejamos agora outro exempl04 que nos fará prestar aten. em virtude do seu peso. de fato. De fato. 1951). metros para a coluna d'água sobrelevada dá simplesmente uma medida ue pressão exercida pela atmosfera sobre a superfície O PAPEL DA INDUÇÃO NA INVESTIGAÇÃO CIENTíFICA livre do poço. 4 o leitor encontrará uma exposição mais completa desse exemplo no capítulo Uma rápida reflexão mostra que sejam quais forem os enuncia- 4 do livro fascinante de J. Magie. a altura da coluna de mer. Depois da morte de Galileu. Galileu ficou intri. então a pressão atmosférica seria tam. muito mais cedo. nosso esquema representa a forma de argu- mento chamada modus tollens. O poço de água é substituído por uma cuba contendo Num argumento dedutivamente válido. que cilindro não consegue elevar a água a mais de cerca de 10. seguida o polegar. Uma carta de Torricelli em que ele descreve sua hipótese e a verificação dela. da ordem teriormente coligidos por meio de um procedimento chamado de 75 cm. Retirando em Se p. deiras. um poço por meio de um êmbolo móvel no interior de um essa implicação foi verificada pelo seu cunhado. o forem. qual difere. Verificou essa implicação por meio de um aparelho inferência indutiva. . pa- gado por esta limitação e sugeriu uma explicação apressada ra em seguida transportar cuidadosamente o aparelho até o para ela. Raciocinou que se fosse ver. Science and Common Sense (New Haven: dos particulares que ocupem os lugares marcados pelas letras Vale University Press. submergindo mento da seguinte forma: no mercúrio a extremidade tapada pelo polegar. de mercúrio. I I\ . então a Como já se sabia no tempo de Galileu. seu discípulo Torri. o barômetro de mer. então q. Aquela altura máxima de" cerca de 10. lá repetindo a medida. que eram então verificadas derivando delas implicações apro- dadeira sua conjetura. B. uma montanha com 1. da engenhosamente simples. Sendo evidentemente impossível determinar por inspeção Vimos algumas investigações científicas nas quais um pro- direta ou por observação se a suposição é correta. A Source Book In Physlcs (Cambridge: Harvard Unlvenity Press. acha-se em W. então a conclusão é infalivelmente também verdadeira. a conclusão se rela- mercúrio. Périer. Conant.5/14 metros. .~ ~. além de um testemunho visual da experiência de 'p' e 'q'.5 \. tal como previra. p nã~ é o caso. e que é essa pressão sobre a se encurtara de mais de oito centímetros enquanto a do barô- superfície livre do poço que força a água a subir quando se metro de controle permanecera invariável durante todo o dia.5 11 mediu a altura da coluna de mercúrio no barômetro ao pé de metros acima da superfície livre do poço. curio. sendo a densidade do mercúrio cerca Mas como se chega pela primeira vez a hipóteses apropria- de 14 vezes menor que a da água. para distingui-l o da inferência dedutiva. por exemplo. curou verificá-Ia indiretamente.600 metros de altura. isto é. Puy-de-Dôme. sendo estas verda~ tubo de vidro fechado numa das extremidades. por qualquer argu- aberta com o dedo polegar. 75. levanta o êmbolo. Torricelli pro. com efeito. priadas a serem confrontadas com a observação ou com a ex- bém capaz de suportar uma coluna proporcionalmente menor periência. Argumentou que a Terra está trole ficava em baixo sob a supervisão de um assistente. em pontos importantes. Périer envolvida por um oceano de ar que. 1963).

pesquisa adicional poderia ser tanto de- um bico de Bunsen. 2) análise e classificação desses fatos. Este pedaço de sal de pedra é sal de sódio. Inc. sem seleção ou estimativa a priori quanto à imPortância . as inferências indutivas levam de pre. ma de um bico de Bunsen. Mas é A concepção expressa no trecho citado . partindo das generalizações. generalizações quanto às suas relações. tornam a chama amarela. em investigação científica. . R. a forma. é insustentável por várias razões. em The Trend 0/ Economics. transcritos) . a composição química. tivo. trição que parece ter sido imposta pela crença de que idéias naram a chama amarela. comparados e r classificados. pedra). G. mesmo algumas das espé. de um necessariamente envolvidos na lógica do pensamento. enquanto as premissas de uma inferência de. neste caso. p. recida). Quarto. o peso. mas normal quanto aos processos lógicos de seu pensamento. 450 (os grifos são diríamos o seguinte: Primeiro.. empregando inferências a partir das II generalizações previamente estabelecidas. quando posto na chama de causais. poderia ser colecionada a totalidade de todos os fatos até agora. os fatos por este exemplo: observados e registrados seriam analisados. pois ainda que todas as amostras de . ceiro. todos os fatos seriam obser. Por esse mo.. as temperaturas constantementevariando e a distância ao centro A idéia de que. em que ainda não foram examinadas.relativa deles. Segundo. 1924). diz-se freqüentemente que as premissas de uma inferência Teríamos. pois uma coleção de todos os fatos teria. A1fred A. ! 22 FILOSOFIA DA CIêNCIA NATURAL . um espírito de poder e al- cance sobre-humanos. que vamos resumir para sais de sódio examinadas até agora tenham tornado amarela ampliar e suplementar o que já oqservamos sobre o proceder a chama de Bunsen. Mesmo sua primeira otapa cies de sal de sódio já examinadas com resultado positivo po. quando colocado na cham:. classificatórias ou Este pedaço de sal de pedra. tada nunca poderia desenvolver-se. a inferência :11 da lua também variando constantemente? Teríamos que regis- indutiva parte de dados previamente coligidos para chegar a trar os pensamentos flutuantes que atravessam nossos espíritos princípios gerais apropriados. as distâncias mútuas. Ter- bico de Bunsen. nem mesmo especiais (tal como campos magnéticos intensos ou coisa pa. 3) derivação indutiva missas sobre casos particulares a uma conclusão que tem o 11 de generalizações a partir deles e 4) verificação adicional das caráter de lei geral ou de princípio. tornará a chama amarela. científica da investigação. está claramente exposta no se. Ao contrário. INVENÇÃO E VERIFICAÇÃO 23 r1: Outro tipo de inferência dedutivamente válida está ilustrado I. que a verdade das premissas não garante a marei de concepção indutiva estreita da investigação científica verdade da conclusão. res- sais de sódio que foram colocados na chama de Bunsen tor. dessa análise dos fatos seriam tiradas. a inferência indutiva levaria à conclusão preconcebidas prejudicariam a isenção necessária à objetividade geral de que todos os sais de sódio. deriam deixar de satisfazer à generalização sob condições físicas por assim dizer. é perfeitamente possível que novas espé.. Ofg. nesse proceder fastidioso? As formas das nuvens e as cores guinte resumo do procedimento ideal de um cientista: cambiantes do céu? A construção e o fabricante do nosso equi- pamento para registro? Nossas próprias biografias e as dos Se tentássemos imaginar como. uma investigação científica como esta apresen- com essa generalização. científico. "Functional Economics". quando colocados na cha. nunca seria executada. indutivamente.5 Diz-se muitas vezes que os argumentos d-essaespécie levam do geral (aqui a premissa sobre todos os sais de sódio) ao 11 Esta passagem distingue quatro etapas numa investigação particular (uma conclusão sobre o pedaço particular de sal de científica ideal: 1) observação e registro de todos os fatos. a conclusão apenas com maior ou menor areia em todos os desertos e em todas as praias. cies de sais de sódio sejam encontradas sem estarem de acordo Primeiro. vados e registrados.que eu cha- óbvio. usaria o método científico. Wolte. Além disso. sem outras hip6teses ou postulados além dos Qualquer sal de sódio. torna a chama amarela. Admite expressamente que as duas primeiras premissas de que cada uma das amostras particulares de vários etapas não façam u!>ode qualquer estimativ& ou hipótese. Por exemplo. B. dutiva implicam a conclusão com certeza. Tugwcll (Nova York. 5 A. por exemplo. pois eles são em número infinito e de infinita variedade. registrando-Ihes probabilidade. que examinar todos os grãos de indutiva implicam. Knopf. dutiva como indutiva. que aguardar o fim do mundo. .

tretanto colecionavadados os mais diversos nas diferentes etapas Interessa notar que os cientistas sociais ao tentarem veri- de sua investigação. não é seguido minado. relevantes póteses que dêem uma direção à investigação científica. é necessário tentar hi- fatos . os fatos em estudo é autodestruidor e. todos os fatos disponíveis . Se se con. "Fatos" ou dados empíricos só podem ser qualificados co- mo logicamente relevantes ou h'relevantes relativamente a uma t ~. portanto. Essa observação não devido ao aparecimento aterrador do padre com a campainha visa. ~ . mas será totalmente irrelevante procurar saber o que teses. contrarem registro algum dos valores de uma variável que de- jetura que o aumento de mortalidade pela febre puerperal é " sempenha um papel central na hipótese. hábitos dietéticos etc. saram a ser relevantesrelativamenteà hipótese da contaminação Crítica semelhante pode ser feita à segunda etapa consi- eventual. agora" . Um conjunto de "fatos" en:. ou por outras organizações estudo mas pela tentativa razoável de resposta que o investi. E estava certo: pois os dados particulares li. Semmelweis poderia ter dada hipótese.~ pode ser analisado e classificado de muitas maneiras diferentes. à "totalidade dos fatos até dados da primeira espécie são positivamente. Por. o que se torna relevante é colecionar sem dúvida alguma as pessoas encarregadas de fazê-lo procuram dados sobre as conseqüênciasdo haver sido suprimida essa apa. certamente. ficam às vezes desapontados por não en- gador formula em forma de conjetura ou hipótese. derada no trecho citado. Não deveríamos então começar colecionando todos os na investigação científica. ~ a qual os dados devem ter relevância. residência. estado civil. e tanta coisa Pascal e. ou melhor. hipóteses é que determinam. era com esta característica ou com a correspondente classe de cular é relevante para a hipótese. para que "Umamaneira particular de analisar e cionária ou que tivera diminuído para depois crescer durante classificar os dados empíricos possa conduzir a uma explicação a ascensão. e não relativamente a um dado problema. suponha. é que sejam colecionados todos os fatos relevantes. coletoras de dados. . Essas para o problema? A pergunta não tem sentido claro. Diremos que os mais pertencem. para a qual os dados anteriores se tornaram irrele. ou des- Dir-se-á talvez que tudo quanto se requer na primeira fase favoravelmente. Mas rele. relevantes. por exemplo. bem entendido. como ele acabou achando. Ao contrário. ficar uma hipótese usando o vasto arquivo de fatos registra dos a serem colecionadosnão estão determinadospelo problema em pelos Serviços de Recenseamento. pois tais fatos refutariam a implicação tirada por dos fenômenos correspondentes é necessário fundamentá-Ia em I II J . sem vinculados àquela probabilidade de um modo significativo.píricos vantes. o de separar as mulheres deve ir diminuindo à medida que subimos na atmosfera. O que sua ocorrência ou não-ocorrência puder ser inferida de H. afinal de contas. Portanto. Como vimos. devem ser coligidos a um certo momento da investigação. examinadas por pessoal médico com mãos contaminadas. Sem.. a hipótese de Torricelli. relevantes e que os da última espécie são negativamente. Semmelweis procurava eram critérios de classificação que fos- memos.< classificado as mulheres nas enfermarias da maternidade con- Suponhamos agora que uma hipótese H tenha sido propos- forme a idade. ta como tentativa de resposta a um problema em pesquisa: Que espécie de dados serão relevantespara H? Nossos exemplosan. nada disso forneceria qualquer indicação quanto à probabilidade teriores sugerem uma resposta: Um fato é relevante para H se de uma paciente vir a ser vítima da febre puerperal. qualquer verificação de que assim acontece num parti. To.I - I ri ~ r--'""- 24 FILOSOFIA DA CIâNCIA NATURAL ~ INVENÇÃO E VERIFICAÇÃO 25 I nossos companheiros de investigação? Tudo isso. criticar o sistema usado para o censo: anunciadora da morte. o preceito de que os dados devem ser reunidos vantes para quê? Ainda que o autor não o mencione. ou favoravelmente. Pascal inferiu dela que a coluna de mercúrio num barômetro assim era. t ) Em suma. pois tanto.achar que a coluna de mercúrio permanecera esta. visa simplesmente ilustrar a impossibilidade de coligir aconteceria se os doutores e os estudantes desinfetassemsuas ~ $ "todos os dados relevantes" sem conhecimento da hipótese para mãos antes de examinar os pacientes. quais dados melweis procurava resolver um problema bem definido e en. sem a guia de uma hipótese preliminar sobre as conexões entre mos que a investigação se restrinja a um problema bem deter. a hipótese de Torricelli. Esses dados é que pas.\ das quais a maioria nenhuma luz trará ao que se pretende atin- gir com uma determinada investigação. . ~ selecionar fatos que possam ser relevantes para futuras hipó- rição. entre outras coisas. mas igualmente relevante pacientes que estava associada a alta mortalidade pela febre. teria sido .

a análise e a classificação são cegas. nunca usados na des. por exemplo. dos dados. os resultantes pares de valores asso- zidas na terceira etapa.para mencionar apenas uma razão . fracassaríamos. já pressupõe uma terminados e executáveis mecanicamente. por que ficou até seja função apenas de sua temperatura. . em situações especiais e relativamente simples. "nêutron". como dados. menos específica (i. medIante as quais Ipóteses ou' teorias possam ser me.. Este ponto é importante. porque o volume de um gás é função tanto da temperatura dos fornecidos pelo laboratório sôbre os espectros de vários como da pressão exercida sobre ele. estão bas.-. essa hipótese não contém qualquer concepção. aplicada aos dados de que dispunha Ga. rastros deixados em câmaras de nuvem .. uma hipótese ou uma teoria formulada em . Além disso. \ seja função apenas de uma outra variável física). "próton". a escolha de valores "associados" de oação de inteiros. Por temperaturas. temperatura. note-se.as hipóteses e que em lugar de uma barra de cobre estejamos examinando gás teorias científicas são habitualmente formuladas em têrmos que nitrogênio encerrado num reservatório obturado por um êmbolo absolutamente não ocorrem na descrição dos dados empíricos móvel e que meçamos o volume ocupado pelo gás em diferentes em que estão baseadas e que elas servem para explicar. por pontos. "função psi" etc.~ 26 FILOSOFIA DA CI~NCIA NATURAL INVENÇÃO E VERIFICAÇÃO 27 hipóteses sobre como estão esses fenômenos correlacionados. e" que uma certa variável física dados encontrados.~adas em da. termo novo. A curva A indução é não raro concebida como um método para assim obtida representa graficamente uma hipótese geral quan- passar dos fatos observados aos princípios gerais correspondentes titativa. que exprime o comprimento da barra em função de sua por meio de regras mecanicamente aplicáveis. se assim não fôsse. ou. Mas.--. pois suponhamos Pois . que o comprimento da barra dificilmente se compreenderia. a de que a cada valor de temperatura esteja duto.e de bôlha. mediante um sis- previamente coligidos. Segundo esta temperatura. mas inventadas com o fim de explicá-Ios. um dado gás pode ter diferentes volumes. volume do gás como função de sua temperatura. Por exemplo. por onde se fará passar uma observações sobre o assunto. ~ uma regra geral que. """"'"'" . em outras palavras. como a apropriada. a indução seria um "" de comprimento e temperatura que foram usados na descrição procedimento mecânico análogo à familiar rotina para multipli. que leva. ----. ao correspondente pro. entretanto. "re ras de i u ão" aplicáveis em mecânico poderia realizar isso. as teorias sôbre a estrutura atômica e subatômica da extrair dos dados colhidos uma hipótese geral representando o matéria contém têrmos como "átomo". por exemplo. Cons- ~ . acrescentar algumas tema de coordenadas. canicamente derivadas ou inferidas dos dados empíricos. demos receitar um procedimento mecânico para "inferir" indu- Essas nossas reflexões críticas sobre as duas primeiras eta. crição daqueles dados. "eléctron". em número finito de passos prede. pois eles pressupõem uma hipótese antece- necer uma rotina mecânica para construir. pas da investigação tal como foi descrito na passagem citada uma vez medido o comprimento de uma barra de cobre em invalidam também a idéia de que as hipóteses só são introdu. pela inferência indutiva a partir de dados ciados podem ser representados num plano. que não pode têrmos de conceitos inteiramente novos. tos quantitativos de reações químicas ete. aspec. sôbre a base dos dente. de modo que. ser obtida pelo mesmo procedimento. ortanto. associado exatamente um valor de comprimento da barra de cedimento geral e mecânico de indução. Certamente nenhuma regra de proceder Não existem. mesmo nesses casos simples. tivamente uma hipótese a partir de certos dados. não se dispõe até agora de nenhum pro. geral. sem Certo. produzisse uma hipótese baseada no conceito de um oceano As' hipóteses e as teorias científicas não são derivada"rdos fatos de ar? observados. Na realidade. po- essas hipóteses. Poderia haver. Se quiséssemos usar o mesmo procedimento para exemplo. os procedimentos me- ser feita sem emprêgo daqueles "têrmos teóricos". -_. podendo ser expressa em termos dos conceitos nes eficazes para a descoberta científica. hipótese diretriz. cobre. curva seguindo uma regra particular de interpolação. As regras cânicos para a construção de uma hipótese executam apenas de indução do tipo aqui considerado teriam portanto que for. A 1 liIeu referentes ao limite de eficiência das bombas aspirantes. as regras da inferência indutiva forneceriam câno. interpolação serve apenas para selecionar uma função particular Nem há que esperar pela descoberta de um tal procedimento. entretanto. parte do trabalho. Convém. à mesma gases. comprimento e temperatura. [ diferentes temperaturas. A rotina mecânica da hoje sem solução o ultra-estudado problema da causa do câncer. cuja descrição pode Assim. tr~nsição dos dados à teoria requer uma imaginação criadora.

Parker. seja ele falso ou .a ed. cujos casos particulares fórmula estrutural para a molécula de benzeno. de repre.a ed. (Londres: WilIiam Heineman. os caminhos pelos quais se chega a palpites raciocínio dedutivo. o químico Kekulé nos con. uma dessas filas formou um anel. dedutíveis. tada pelo seguinte esquema: sentar a estrutura molecular do benze no por um anel hexagonal. 1847). Nada disso impede aconteceu. onde p e q podem ser quaisquer 6 Esta caracterização já fora dada por WilIiam Whewell em sua obra The proposições. 1957). Mas para qualquer conjun- te. ~ ~'/1'? 28 FILOSOFIA DA CIÊNCIA NATURAL INVENÇÃO E VERIFICAÇÃO 29 tituem. . por exemplo. também o é a conclusão. com efeito. disciplinas cujos resultados são legitimados exclusivamente pelo Sem embargo. Pois as 'hi- dos quanta. tido "não exclusivo". I. 56. Whewell também fala em "invenção" como "parte da indução" (p. achou a solução para o problema de esboçar uma mente em forma de esquemas gerais. B. p cias dessa hipótese. em Matemática. por exemplo.. Um principiante difIcilmente lo escrutínio crítico. p. cas para a descoberta. ou q'. procedimento científico ideal foi transcrita anteriormente. são ~rgumentos dedutivamente válidos. Naturalmente. Assim. Subitamen.. 41.. 46). isolada. e W. que as idéias que venham a lhe ocorrer sejam simples duplica. ~ . por noções cientIficamente discutíveis. a simples regra represen- tação: nele surgira a idéia. como desejo de demonstrar a música das esferas. 11. insiste em que o "espí- rito humano limitado" tem que usar um "procedimento grandemente modificado". Tomemos. por exemplo. esta regra nos permite inferir uma infinidade de conse- que exija imaginação científica e uma seleção de dados baseada em alguma "hipótese de trabalho" (p.1 7 Cf. como se fora uma serpente to de premissas que possam ser dadas. 3. se assim se pode dizer. sobre as e o rumo do seu pensamentó criador pode ser influenciado até uniformidades e estruturas que possam estar por baixo da ocor. lógica partindo de premissas dadas. 450 do ensaio citado na nota 5). após tê-Ia pro. Não é sem interesse observar que a imaginação e a livre tas do que já foi tentado antes ou entrem em conflito com . Popper se refere a hipóteses e teorias científicas como q ou p e q conjuntamente'. tais esque- curado sem sucesso por muito tempo. A 'a Lua não tem atmosfera' ela nos autoriza inferir qualquer Hundred Years Df Chemislry. se- gue-se que p ou q é o caso. Ltd. essas regras se exprimem habitual- sua lareira. numa noite de 1865. Findlay. Pois as re- científicos proveitosos diferem muito de qualquer processo de gras da inferência dedutiva tampouco oferecem regras mecâni- inferência sistemática. é válido qualquer argumento da forma especificada.. Ao estudar o movimento rência deles. de modo que 'p ou q' equivale a 'ou p ou N o mesmo espírito. agora famosa e_familiar. qüências diferentes a partir de qualquer premissa. (Londres: Gerald Duckworth Co. Como ficou ilustrado acima pelo nosso ta como. Na verdade. "Palpites felizes"6 dessa natureza requerem um planetário.7 p ou q Esta última informação nos traz de volta à questão da ob- jetividade científica. Kepler foi inspirado por seu interesse grande engenho. especialmente pela verificação das impli- fará uma descoberta científica importante."'1' invenção desempenham um papel igualmente importante nas teorias ou fatos bem estabelecidos de que ele tem conhecimento. 37. No seu esforço para achar uma solução do Ele nos diz. É claro que sendo verdadeira a "conjeturas": ver. K. por exemplo. (Londres: John W. 1948). A. pois o provável é cações capazes de serem observadas ou experimentadas. 1962). Olhando para as chamas mas determinam um modo de chegarmos a uma conseqüência pareceu-lhe ver átomos dançando em filas sinuosas. eI)unciado da forma 'a Lua não tem atmosfera. premissa de um argumento deste tipo. pode ser substituído por qualquer enunciado. Wolfe. 2. as transcrições do próprio relatório de Kekulé em A. especialmente quando encerram um afastamento numa doutrina mística sobre os números e por um apaixonado radical dos modos correntes de pensamento científico. cuja concepção estreitamente indutivista do logo. o ensaio uScience: Conjectures and Reputations" em seu livro Conjeclllres and Repulalions (Nova York e Londres: Basic Books. B. com a teoria da relatividade e a teoria que a objetividade científica fique salvaguardada. por exemplo. palpites sobre os nexos que seu problema. Beveridge. enquanto dormitava diante de enunciado do modus tollens. The Arl Df Scientific lnl'esligalion. 2. Kekulé acordou numa exul. O vocábulo 'ou' deve ser aqui entendido no sen- Philosophy Df lhe lnduclive Sciences. esse esforço inventivo só pode ser póteses e as teorias que podem ser livremente inventadas e li- beneficiado por uma familiaridade completa com o conhecimento vremente propostas não podem ser aceitas se não passarem pe- corrente do campo em questão.a ed. Por exemplo. onde 'q' p. Mas. as regras de inferência segurando seu próprio rabo e pôs-se a girar vertiginosamente dedutiva fornecem uma infinidade de conclusões validam ente como se estivesse caçoando dele. que da proposição que p é o caso. de \. Na verdade. E passou o resto -da noite trabalhando para tirar as conseqüên. o cientista pode soltar as rédeas de sua imaginação possam ser obtidos entre os fenômenos em estudo.

com resultados inteiramente favoráveis. "premissas" de um "argumento indutivo" seja dada também a rías importantes e ecun as na c!~ncia empmca requerem enge. As "regras de indução" deveiriserconcebIdas-. em derivar novas Ili .na medida de uma ou mais premissas.TIÍÍaginativae re.) ~!~ g. rrospeatva-.rtanto. pede capaciããcie a(fiv1Dhat<m~. em Matemática tirar dos pos. apresentada como conjetura é necessário muitas vezes possuir engenho inventivo do mais alto nível. mãS lhe cõi1ff':' diretriz para nossos. (Não é sem interesse e merosa. essas regras tulados teoremas significativos. não estabelece não é difícil provar que se pode formar uma infinidade de enun. As regras de indução MO inventivo. naturalmente. Verificar se um dado argumento é uma prova válida neste sen- tido é bem uma tarefa puramente mecânica.Ósinteresses da 6bjéfiViGâãeci'é-n. essas regras determi- tífiêíi Iícãffi salVaguardmios pela eXIgência de uma valláaçâo nariam a força do apoio fornecido pelos dados à hipótese e de- ~õbletlva para taIs conjeturas. embora não seia indutiva no local da variável 'q'. bm MatemátIca.e. Nos prova por demonstraçao dedütiva a partir dos axiomas. -~-qtli 1ãfubé--nf. isso quer dIZer veriam exprimir esse apoio em termos de probabilidades. fornece apenas um su~orte mais ciados diferentes em português. Como já notamos anteriormente.. como cânones de validação tes ou sistematicamente importantes.1. implicaçõespara submetê-Iasa observações e experiências apro- 'a Lua não é habitada'. as regras de inferência dedutiva nem mesmo fornecem uma linha geral a seguir nessas provas. analogia com as regras de dedução. a hipótese~lusivamente. procedimentos inferenciais. outras regras de no sentido egntõ que examinamos c~m-c~rta minú<::i~ investi- inferência dedutiva acrescentam novos enunciados deriváveis gação científica é-Triãutívanum senti?. por exemplo. u~- prata é mais densa que o ouro' etc. Parte dessa verificação consistirá em apurar se a hipótese se ajusta ao que já fora esta- belecido antes de sua formulação. Antes. desempenham apenas um modesto papel de ser- virem como critérios de legitimidade para os argumentos ofere- . De acordo com certas teorias da indução.até o teorema pro- posto por uma cadeia de passos inferenciais e cada um dos quais é válido de acordo com uma das regras da inferência dedutiva. Longe de gerarem uma hi- mecânica para. A descoberta em Matemática pressupõem que além desses dados empíricos que formam as de teoremas im ortantes e fecundos como a deSCOberta de teo.-~ premissas. Portanto. por exemplo.. pelo que é freqüentemente chamado "o método da hipótese".DLdadosque não rornecem de premissas. Não isolam um' rem apenas um "suporte indufivó'"ou cõrifírffiãçãomais ou me- enunciado único como "a" conclusão a ser tirada das nossas nos forte.ml?~. não fornecem uma rotina e não propriamente de descoberta. e. i.':o. para um dado conjunto em que aceita hip6teses--bareaâãs.) E. forneceriam então critérios para a legitimidade do argumento. Nem nos dizem como obter conclusões interessan. -~ FILOSOFIA DA CI~NCIA NATURAL INVENÇÃO E VERIFICAÇÃO 31 30 verdadeiro. as regras de dedução não permitem achar uma para' ela evidénCia dedutivamente conclusiva. E para capítulos 3 e 4 vamos considerar os vários fatores que afetam o provar que é verdadeira ou falsa uma proposição matemática apoio indutivo e a aceitabilidade das hip6teses científicas.. outra parte. pótese que dê uma razão de certos dados empíricos. 'o ouro é mais denso que a prata'.::idos como provas: um argumento constitui uma prova mate- mática válida quando caminha dos axiomas . hipótese proposta como sua "conclusão". ---- ~ . antes. Não se chega ao conhecimento científico pela aplicação de algum procedimento de inferência indutiva a dados coligidos anteriormente mas. 'a priadas. 'a atmosfera da Lua é muito tênue'. pela invenção de hipóteses como tentativas de resposta ao problema em estudo e submissão des- sas hipóteses à verificação empírica. cada um deles pode ser posto ou menos sólido para ela.

então a mortalidade pela febre puerperal diminuirá. são da forma seguinte: se a um acontecimento da espécie E. em estudo (i. Quando o controle experimental é impossível. que. então sua coluna de mercúrio diminuirá corres- pondentemente de comprimento.expressas em termos que nos referir freqüentemente na discussão subseqüente: as quantitativos. as implicações da hipótese de Torricelli in- cluíam enunciados condicionais como 3 Se um barômetro de TorriceIli for transportado a altitudes crescentes.. No caso mais simples. temperatura do gás é TI e sua pressão é Pl. então a morta. repre- rerá um resultado de uma certa espécie. e em observar se E ocorre como está implicado pela hipótese. de acordo com a hipótese considerada. altitude da leitura barométrica) que podem ser tiradas de seus resultados.. Em cada um dos três exemplos que acabamos de citar. à qual teremos Muitas das hipóteses científiCas são .seja pro- Se as pessoas que cuidam das mulheres no Primeiro Serviço curando. A VERIFICAÇÃO DE UMA HIPÓTESE: As implicaçõesde uma hipótese são pois normalmente im- SUA LÓGICA E SUA FORÇA plicações num duplo sentido: são enunciados implicados pela hipótese e são enunciados da forma se-então. as VERIFICAÇÕES EXPERIMENTAIS VS. elas nos dizem que. representam o valor de implicações de uma hipótese têm normalmente um caráter con. -. plexa. afeta o fenômeno mos o vocábulo 'hipótese' para nos referirmos a qualquer enun. uma das hipóteses consideradas por Semmel. fato ocorre.temos Passemos agora a um exame mais cerrado do raciocínio que controlar um fator (posição durante o parto. seja esperando os ca$OSem que as condições espe- lavarem as mãos numa solução de cal dorada. Um enunciado dessa espécie pode produzir uma infinidade de implicaçõesveri- a) Se se realizarem condições da espécie C. I . então seu volume é c. usare. então ocorrerá ficáveis. são chamados condicionais ou implicações materiais. para r~alizá-Ias. Assim é que a lei clássica.então a hipótese deve ser verificada não experimentalmente. riar os valores das variáveis "independentes" e em observar weis conduziu à implicação / se a variável "dependente" toma os valores implicados pela Se as pacientes do Primeiro Serviço derem à luz em posição hipótese. . em Lógica.TdPI. quando as condições C mencionadas na implicação não podem ser rea- E uma das implicações da ~ua hipótese final era lizadas ou variadas pelos meios tecnológicos disponíveis.T/P. de lidade pela febre puerpera] diminuirá. não importando que vise des. altura da coluna de mercúrio no terceiro). Podem pois ser postas senta o volume de um gás como função de sua temperatura na forma explIcitamente condicional seguinte: e de sua pressão (c é um fator constante). cificadas são realizadas pela natureza e observando se E. ausência ou em que se baseiam as verificações científicas e das conclusões presença de matéria infectada. Comecemos com uma simples observação. ou que procure expri. V = c. dess~tur~za fornecem uma base para uma ver~ mir uma lei geral ou alguma proposição de natureza mais com. tras variáveis. no nosso exemplo. NÃO-EXPERIMENTAIS condições C especificadassão tecnologicamentee~eqüíveise de- las podemos portanto dispor à vontade. lateral. t~ ~xpe!imeJltallClue~eresume em pro~iJ as_condiçõesJ. que. Implicações crever algum fato ou evento particular. uma variável quantitativa como uma função matemática de ou- dicional. ocor. ~ :lI A VERIFICAÇÃO DE UMA HIPÓTESE 33 Analogamente. sob determinadas condições. e" incidênciada febre puerperal nos dois primeiros ciado que esteja sendo verificado. Uma verificaçãoexperimental consiste então em va- Por exemplo. casos. que. Como antes.

como' guia para aoescoberta de hipóteses. o intervalo de tempo entre dois estados sucessivos suspenso. Entretanto. dependem da temperatura).da constância de certos fatores é per. daquela função. pode dizer que seja característica distintiva de todas as Ciências II feitamente procedente.sentidO ao princípio de manter constantes todos os "irrelevantes para o volume". am em. da sua . Permitir que esses outros fatores que pode ser feito é manter constantes. Além disso. em função de todas as variáveis examinadas. maior é a sua luminosidade intrínseca. tiva.3 dias ou 17. se assim for. posto que está exemplificado pelas experiências de Torricelli e de Pét:ier. o físico pode conjeturar que o periódicas no brilho de um certo tipo de estrelas variáveis. onde M é a magnitude serve então como um método de verificação) e. manterá a temperatura constante para eli- hipótese quantitativa somente uma das grandezas nela mencio. e mente como um meto o e o. i. a experimentação serve como completamente determinado por sua temperatura e por sua métoâoneuríst1co. em esses fatores influenciam no alongamento (a experimentação expressão exata M =. talvez a intensidade da iluminação.. relevantes. I nologia indispensável. mento do fio varia também com sua temperatura. em Sociologia. correspondente ao valor particular do seu período. ou vice-versa. que represente o alongamento cia visa apenas verificar a lei dos gases como foi formulada. aqueles fa- variem é. iJ. salvo um. poderá então prosseguir para possível. 34 FILOSOFIA DA CIêNCIA NATURAL A VERIFICAÇÃO DE UMA HIPÓTESE 35 Diz-se às vezes que na verificação experimental de uma. ele tentará formular ge- tico no laboratório etc. Pode então realizar experiências para determinar se de máximo brilho. que foram realizadas justamente para verificar uma hipótese já mais raramente. por definição inversamente proporcional ao seu brilho. e. a experimentação é usada em ciência não so. salvo um. também importantes. De resto. Mas isso é impossível. 10gP). mantendo-se constantes todas as tarde. antes de tudo. no sentido de que esses fatores "fatores relevantes". admitem em geral verificação experimental. um de cada vez. tentar manter constantes esses fatores se a experiên. minar a influênciaperturbadora desse fator (embora possa. qual A lei implica dedutivamente um sem-número de sentenças que a expressão matemática da dependência (a experimentação serve I~ serviriam para verificá-Ia. Pois verificações II experimentais também são usadas em Psicologia e. Ela implica portanto que todos os outros fatores são o que aa. Mas Cefeidas com esses períodos deter- (I I I1 . . cias mudarão durante o processo . Apoiado nos resultados assim obtidos. construir uma fórmula mais geral. o alcance da ve- proposta. tanto quanto primento inicial. da estrela. Mas quando não existe ainda hipótese formulada. por exemplo. nem todas as hipóteses nas seira e usar então a experimentação como um guia para chegar CiênciasNaturais são verificáveisexperimentalmente. Por exem- a uma hipótese mais precisa. naturalmente. (a + b.1 rificação experimental cresce firmemente com o avanço da tec- o cientista pode ser levado a começar por uma estimativa gros. mais nadas é variada de cada vez. a exlgêncíâ. e nessas experiên- peratura constante. mas várias outras circunstân. Certo. o experimen. Mas não se ver agora. Sabendo que o compri.e certamente a distância entre o corpo neralizações que exprimam o alongamento em função do com- gasoso e o Solou a Lua. dando a grandeza de uma Cefeida I então como método de descoberta). variará os fatores que julgar . variar sistematicamente a temperatura para averiguar se outras condições. pressão.que suas hipó- . talvez a umidade rela. Nem há razão para. Pois a lei diz que o volume de um dado corpo gasoso fica Em casos dessa natureza. mas. tador.. o quanto eles afetam a "variável dependente" . Mas. como vamos teses. da espécie de metal de que é feito e do peso do corpo estrelas. a lei formulada por Leavitt e Shapley para as flutuaçôes o fio metálico que o sustenta. :B uma das características notáveis da Ciência Natural. o máximo não afetam o volume do gás.5 dias. chamadas Cefeidas: quanto maior o período P de uma dessas seção. com uma de suas grandes vantagens metodológicas. ao verificarmos os valores de certos parâmetros. mantendo os outros constantes.um metodo de desco er~e neste outro contexto. explorar um domínio mais vasto de casos tores que se acredita serem "relevantes" no sentido de afetarem à procura das possíveis violações da hipótese que está sendo o fenômeno em estudo: é sempre possível que tenham ficado verificada.isto é. Ao estudar como um peso distende "' plo. portanto. Naturais e exclusivamentedelas. talvez o campo magné. que comparecem na expressão a lei dos gases a pressão pode ser variada mantendo-se a tem. despercebidosoutros fatores. cias a uma temperatura constante. 5. as alongamento depende do comprimento inicial do fio. do peso etc. formando uma linha divisória O uso da experimentação como um método de verificação II entre a Ciência Natural e a Ciência Social.

Brahe. Mas a dedução de que as estrelas fixas tenham movi- píricos mostram que I é falsa. nenhuma. O astrô- confrontável com a experiência é menos simples e conclusiva.Onsti~ como veremos. correspondentes a posições opostas na órbita da Terra plicação I. a regra e nao a exc~ao 1m Terra estiver a estrela. a verificação não fornece razões existe entre uma hipótese e as sentenças que servem para veri. freqüentem ente. cujas observações apuradas fornecem a base ãomemos. entre tado e consideremos a sua implicação que se o pessoal cuidan. o esquema (o) deve ser substituído pe- averiguar se. outras. jll conclusivas para rejeitar H. portanto. então deve ser tamb~m verdadeira a im. vador e pela estrela variaria periodicamente entre dois extre- pótese H é verdadeira. pois no decurso da viagem anual da bém a premissa que a cal clorada destruirá o material infectado. Rejeitou por isso a hipótese de que a Terra se Se H 'ê suficiente para implicar I e se os resultados em. ~ bem verdade que em alguns casos pode-se inferir séptica tomada por Semmelweis não fosse acompanhada por um dedutivamente de uma hipótese certos enunciados condicionais decIínio da mortalidade. Antes. procurou importante ~a!. O ângulo subentendido por essas posições é II a chamada paralaxe anual da estrela. lei presumida. pode ser verificada por experimentação. se H e a hipótese auxiliar são em torno do Sol.a decidirmos se um resultado ~ com os seus instrumentos mais precisos uma confirmação desses que moS1r~ I ser farso. empírica para as leis de Kepler. por exemplo. tacitamente " posição que varia constantemente . tal'. pressupõe tam. a hipótese semmelweisiana ainda assim que podem servir à sua verificação: a lei d. mos. as seguintes razões: se a hipótese de Copérnico foss~ do das pacientes lavar as mãos numa solução de' sal clorada.ir que ou a hipótese H ou uma das suposições incluídas em se obtém é somente uma grosseira indicação da relação que A deve ser falsa. não estam os autorizados a asseverar aqui que. se a hi. então também o é I. então H deve ser qualificada mentos paraláticos observáveis só pode ser feita a partir da Ili . quanto mais longe da ambas verdadeiras. o que fer. Por exemplo. assim como uma criança admitida no argumento. desempenha o papel do que chamaremos num carrossel observa um espectador de uma posição que vai J'uposição auxiliar ou hip6tese auxiliar ao derivarmos da hipó.' Se H e A são ambas verdadeiras. -- [ ![I li) 36 FILOSOFIA DA CI~NCIA NATURAL A VERIFICAÇÃODE UMA HIPÓTESE 37 minados não podem ser produzidas à vontade. nicana de que a Terra se move em torno do Sol. Mais exatamente. Confiança em hipóteses ~uxiliareLC. Mas.uma conseqüenaã fez suas observações antes da introdução do telescópio. mas somente que. mudando e portanto o vê segundo uma direção que também tese de Semmelweis a sentença que se confronta com os fatos. Este enunciado vista por um observador terrestre à mesma hora do dia iria não decorre dedutivamente apenas da hipótese.e não achou da hipótese em. a estrela iria sendo observada de uma b que não é feito por água e sabão. a "derivação" de uma implicação E não se trata de mera possibilidade abstrata. nomo Tycho Brahe. verdadeira. "movimentos paraláticos" das estrelas fixas . rn~sJ!gaç&Q. de acordo com o argumento modus toUens (a). tanto menor será sua paralaxe. gradualmente mudando. Assim dito. por poderia ser verdadeira: o resultado negativo da verificação po- exemplo. Assim. da verificação de ser I falsa. porém.tem . Esta premissa. Terra em torno do Sol.: Leavitt-Shapley. move. l . implica sentenças da forma 'Se s é uma Cefeida com deria ser devido à ineficácia como antisséptico da solução de um período de tantos dias. que v~rificação d~ hipóte~p" cientí~e !§~Q. então 1 também o é b) Mas (como mostra a evidência) 1 não é verdadeira o PAPEL DAS HIPÓTESES AUXILIARES H e A não são ambas verdadeiras Dissemos antes que implicações são "derivadas" ou "infe.~ grandeza e o período das que for encontrando lo seguinte: obedecemou não à. a lei não como falsa. se a medida antis- ficá-Ia. a direção segundo a qual uma estrela fixa seria então ficará reduzida a mortalidade pela febre. rejeitou a concepção coper- febre puerperal é causada por contaminação com material infec. a hipótese semmelweisiana de que a II. vai mudando. a reta que passa pelo obser- Logo. dando. o astrônomo Mas quando I decorre de H em conjunção com outra ou mais tem que olhar para o céu à procura d~ novas Cefeidas para hipóteses auxiliares A. então sua magnitude será tal e cal clorada. podemos somente in- ridas" da hipótese a ser verificada.2elutaçao. logo. pode ser consIderado conlQ.

gotícula. W\\ II1 ti 38 FILOSOFIA DA CI~NCIA NATURAL A VERIFICAÇÃO DE UMA HIPÓTESE 39 hipótese de Copérnico com auxílio da suposição de que elas de. que anunciou ter repetido a experiência de Millikan ficou provado que Brahe se enganara: mesmo as estrelas fixas e encontrado cargas consideravelmentemenores que a carga ele- mais próximas estão muitíssimomais longe do que ele supunha. 170. tanto quanto saiba para observá-Ia. W. Nelas. e. modificação da forma esférica pressuposta. cia estavam todos em acordo essencial com o resultado ante- cial de um sistema mais vasto de hipóteses mutuamente ligadas. . estabelecer a existência de cargas subeletrônicas..se por exemplo o equipamento usado estiver cronometragem dos movimentos de pequenas partículas. o investigador.estão realizadas as condições C.. 1917). " . riormente anunciado por ele. evaporação durante a observação.. tas encontrou como seu valor em unidades eletrostáticas 4. .. I. mercúrio usadas em algumas das experiências de Ehrenhaft. era que.. X 10-10. trônica determinada por este. Discutindo os resultados de de modo que as medidas de paralaxe exigem ielescópiospode. Essa hi- ligeiramente pequeno. identificou como sendo a carga do tenham amplitude suficiente para serem observados com os eléctron. The Eleclron (Chicago: The Oniversity of ChJcago Press. I . consideremosa hipótese de que as cargas tida. esses resultados não puderam ser reproduzidos por outros físicos.. de hipóteses auxiliares. Reimpressão com introdução de J. A. Refe- defeituoso ou não for suficientemente sensível .então E pode rindo-se a duas partículas aberrantes observadas por um outro não ocorrer mesmo que H e A sejam ambas verdadeiras. ~ provável que em anos a defender e multiplicar os resultados com que pretendia tal caso seja feito um esforço para justifi~ar a não-ocorrência de E mostrando que algumas das condições C não estavam sa. formação de um película de óxido nas gotículas de nhamos que uma hipótese H seja veriZicadamediante uma im. Mais tarde em Viena. as cargas elétricas de gotículas isoladas de um líquido tal como óleo ou mercúrio demasiado pequeno para a viscosidade do ar nos cálculos que eram determinadas medindo as velocidades das gotículas ao fizera com as informações fornecidas pela gotícula de óleo! caírem no ar sob a influência da gravidade ou ao subirem sob a influência de um campo elétrico oposto. M. em confor- estejam tão próximas da Terra que seus movimentosparaláticos midade com a hipótese. Por investigador. violações das condições experimentais) que poderiam dar realizada a primeira medida universalmente aceita de uma pa.Esta hipótese foi logo contestada pelo físico Ehrenhaft deira. o desvio foi atribuído a um erro numa das pótese recebeu apoio impressionantedas experiências fCItaspor hipóteses auxiliares do próprio Millikan: ele usara um valor R. conta dos resultados aparentemente discordantes de Ehrenhaft: ralaxe estelar. Somente em 1838 veio a ser (i. Ehrenhaft. Se de fato não quando as gotículas são muito pequenas. todas as cargas ou eram iguais a.. 169). o eléctron. foi mais tarde reconhecido como sendo inteiros da carga do átomo de eletricidade. Ehrenhaft continuou por muitos também apoiado por múltipla evidência. Supo.. MilIikan. daí sua rejeição da hipótese de Copérnico. A.que usara gotas de óleo. in- plioação 'Se C então E' que decorreu de H e de um conjunto A fluência perturbadora das partículas de poeira suspensas no ar. entretanto. A verificaçãose reduz então a constatar afastamento da partícula em relação ao foco da luneta usada se E ocorre ou não numa situação em que. mas em geral tisfeitas. Millikan conclui: "A única essa razão. ou eram pequenos. O valor numérico achado por Millikan para a carga ele- elétricas têm uma estrutura atomística ou sejam todas múltiplos trônica. interpretação possível então para o comportamento dessas duas ficação deve-se incluir a de que a situação inicial satisfaça 'às partículas. uma certa carga mínima fundamental que ele. Baseado em numerosas medidas cuidadosamente fei- instrumentos. 1963. não eram esferas de óleo". . a partir de 1909. erros inevitáveis na fôr este o caso . Brahe não ignorava que estava fazendo essa su. Millikan afirma ainda que os Este ponto é particularmente importante quando a hipótese resultados de repetições mais precisas de sua própria experiên- em exame já foi vitoriosa em provas anteriores e é parte essen. de modo que a concepção ato mística da carga elétrica foi man- Como exemplo. Millikan. .l Millikan sugeriu várias fontes prováveis de erros rosos e técnicas ultraprecisas.. fazendo diminuir o peso da A significação das hipóteses auxiJiares vai além. mas par- condições determinadas C. . mas acreditava ter razões para julgá-Ia verda. Millikan achou que 1 Ver capítulo VIII de R.774 posição auxiliar.múltiplos DuMond. 1/. tículas de poeira (pp. entre as hipóteses auxiliares pressupostas pela VDfÍ.

que pode ser rapidamente des. Esse resultado foi amplamente considerado como uma re- futação definitiva da concepção corpuscular e uma justificação crita tese} como !ivais segue: sobre osuponhamos que H1 mesmo assunto. i.que a concepção água e através do ar. . para uma determinada condição C da expe.!\ ~ 40 FILOSOFIA DA CIÊNCIA NATURAL A VERIFICAÇÃO DE UMA HIPÓTESE 41 I VERIFICAÇÕES CRUCIAIS tão a primeira imagem aparece à esquerda da segunda imagem'. j 2 A forma e a função das teorias serão melhor examinadas no capitulo 6. Uma. Mas esse julgamento. a velocidade da luz é maior no ar do que na água. segundo a qual a luz é riguada por Foucault. decorrer da primeira hipótese a implicação 'Se C então qualquer conseqüência quantitativa. . E. en. cíficas sobre o movimento dos corpúsculos. r _ e. ópticos. superestimava a força da . Pois o enunciado de que a luz caminha mais depressa decisão entre as duas poderá então ser obtida se se conceber na água do que no ar não decorre simplesmente da concepção uma situação para a qual H1 e H2 predigam resultados incom. Conse- enquanto que a corpuscular levava a conclusão oposta. a idéia de verificação crucial. Foucault conseguiu realizar um experimento em que as teses auxiliares . Em qüentemente . sem introdução de um outro conjunto de leis cidade da luz fosse maior ou menor no ar que na água. Tais suposições foram de para decidir entre duas concepções antagônicas sobre a natu. e ao fazê-lo ele reza da luz. geral de que os raios de luz sejam correntes de partículas. sa totalidade de princípios teóricos básicos é que decorrem as versais propagando-se num meio elástico. Mas a concepção ondulatória implica as leis da reflexão e da refração e o enunciado de que implicava que a luz caminha mais depressa no ar que na água. a concepção ondulatória constituída de p. em- G até agorapela experiência.11I frontadas com a experiência podem portanto ser brevemente fotOns. e novamente é este conjunto de princípios teóricos que tilínea. ! imagem da primeira fonte iria aparecer à direita ou à esquerda da imagem da segunda fonte. " / 11 . A evidência citada por formuladas do seguinte modo: 'se se realiza o experimento d~ ele em apoio da sua teoria incluía um experimento realizado Foucault. como vieram a ser chamados. e sobre a influência Um exemplo clássico é o experimento feito por FoucauIt exercida neles pelo meio ambiente. As implicações antagônicas con- . e.artículas extremamente pequenas que se mo. O experimento mostrou ser verdadeira a primeira dessas im- As observações precedentes são importantes também para plicações. antes de serem refletidos corpuscular da luz não pode ser mantida sem uma modificação por um espelho girando em alta velocidade. proposta por Huyghens e desenvolvida por estabeleceu uma teoria2 precisa sobre a propagação da luz. isoladamente a suposição é demasiado indefinida para gerar riência. posições específicas sobre ondas de éter nos diferentes meios cluir que os "raios" de luz obedecem às leis da propagação re. Conforme a velo.. de sua forma. de fato. Implicações como as leis E1' e da segunda hipótese '& C então E2'. separadamente. :f: de presumir que a da luz no ar e na água só poderão ser derivadas quando rcalização da experiência refute uma das hipóteses e sustente a concepção corpuscular for suplementada por suposições espe- a outra. a básicas. Mas não sabemos qual formadas mediante raios luminosos que passavam através da deles deve ser rejeitado. Uma cia. em 1905. onde E1 e E2 sejam da reflexão e da refração e o enunciado sobre as velocidades I resultados que se excluem mutuamente. foi formulada como uma teoria baseada num conjunto de su- vem em alta velocidade.o resultado do experimento de Foucault só nos habilita a inferir que nem todas as suposições básicas ou velocidades da luz no ar e na água eram diretamente compal'~- das. a outra era conseqüências experimentalmente verificáveis. se. sustentava que a luz consiste em ondas' trans. patíveis. o éter. tal como a ave- a concepção corpuscular de Newton. . da reflexão e da refração.1 . Des- Fresnel e Young. Ambas as concepções permitiam con.experiên- a evidência disponível favoreça mais a uma que a outra. então a primeira imagem aparece à direita da se- gundd imagem' e 'se se realiza o experimento de Foucault. Einstein propôs uma nova versão da concepção corpuscular na sua teoria dos quanta de luz. sem que se possa dizer portanto que bora perfeitamente natural.-_ . As imagens de duas fontes luminosas puntiformes eram princípios da teoria corpuscular podem ser verdadeiros que - pelo menos um deles deve ser falso. Analogamente.-admitindo a verdade de todas as outras hipó- 1850. e H2 sejam i~almente bemduas 5- apoia as decisiva da concepção ondulatória. ou .. fato formuladas exphcitamente por Newton. O que sabemos é .

ainda Isso é particularmente óbvio para hipóteses 'ou teorias que afir. uma influência decisiva sobre o rumo afastar do ponto P. mostrando que I é falsa. tradução de P. como foi observado de modo geral na completamente H. Parte 11. Philosophy of Se/erice (Englewood Cliffs. refere-se a todos os casos de queda livre no pas- pelo cano da bomba para encher o vácuo criado pela elevação sado. Capo VI. pois. A lei de Galileu. Antes de Tor- luz .a parte do capítulo 2. Spectrum Books.Em princípio. diz apenas que H do tipo aqui exemplificado não pode refutar estritamente uma o~s . Princeton). Einstein caracterizou-o como um "segundo que medidas cuidadosas foram feitas. Fiãiítc.da verificação. O experi- mento de Lenard apoiou esta última alternativa. quer alterando o sistema de hlpÔfeses auxiliã="' 2. pressupõe enunciados auxiliares AI. na teori~ fotônica ela deve ser pelo menos . O experimento de Lenard. podia ser considerado como outra.. por mais acurado e numeroso que ele seja. Prefaciando a tradução inglesa. Em suma. do êmbolo. quer mo I Ican o ou abandonando mente a outra. cava-se o comportamento das bombas aspirantes admitindo que \. quando ficar de algum modo o sistema das suposições básicas da teoria estes são usados como premissas adicionais ao se' derivar de ondulatória.em -- 4 Este é o famoso veredicto de Pierre Duhem. como a queda livre." subseqüente tomado pela teoria e pela experimentação. não se teria obviamenteexcluído a possibilidade de tória. P. Neste sentido estrito. portanto. An .fQ. como se viu antes. a uma pequena tela colocada perpendicular. um a teoria clássica o menos possível.: Prentice-Hall. S::gundo a teoria clássica. de seu livro The Aim and Structure of Physical 3 Este exemplo está discutido demoradamente no capítulo 8 de P.4 Mas uma experiência como a de Foucault luminosa que uma fonte puntiforme P pode transmitir. por uni. J. Mas. Cf.1'1 'I a natureza tem horror ao vácuo e que. De fato. exercendo. as hipóteses ou teorias científicas não res. Louis de 1962).. Mas a ciência não está interessada em proteger mam ou implicam leis gerais tanto para um processo que não é suas hipóteses ou suas teorias a qualquer preço - e tem boas diretamente observável . a experiência mais cuidadosa y mais repe- ondas eletromagnéticas transversais. igual à transportada por um únicQ fóton . observados.a menos que nenhum fóton atinja a tela. óteses auxiliares deve ser falsa e que aI o deve de duas hipóteses rivais.como para um fenômeno mais facilmente acessível à ricelli introduzir sua concepção da pressão atmosférica. físico e historiador da ciência francês. E mesmo que a lei de experimento crucial" para as concepções ondulatória e corpus. certos casos não observados no. aoresultado. Quando a maneira particular de verificar uma hipótese H o resultado experimental mostrou apenas ser necessário modi. em virtude dos trabalhos de Maxwell e Hertz. HIPÓTESES "AD ROC" não haverá portanto diminuição contínua para zero.i. mesmo em face de podem ser provadas conclusivamente por qualquer conjunto de fêSi. ao passo que toda evidência rele. hipóteses auxiliares de um modo suficientemente radical. mais prático: pode denunciar uma de duas teorias em con- mente aos raios de luz.dado. ser ml!. caso em que a energia recebida será nula. o que Eintein fez foi procurar modificar H a implicação relevante I . .todos eles pertencendo ao passado .. Wiener (Princeton University Press. e. essa energia flito como seriamente inadequada e apoiar fortemente a teoria' diminuirá continuadamente para zero à medida que a tela se rival. I..!!iuntode sentenças para que ee se a'uste Mas também não pode "provar" ou estabelecer definitiva. ~ 42 FILOSOFIA DA C~NCIA NATURAL A VERIFICAÇÃODE UMA HIPÓTESE 43 por Lenard em 1903. N. outra vez.. então. Broglie inclui várias observações interessantes sobre a questão.por isso. passado e no futuro não a a noção de vibrações elásticas do éter fora substituída pela de seguirem.nesse .. Galileu tivesse sido rigorosamente satisfeita em todos os casos cular. expli- observação e à medida. pode-se sempre reter ti. a água sobe por exemplo. na qual. publicada origin:almente em 1905. a concepção ondulatória não foi definitivamente refutada. um experimento resultado negativo. que trabalhoso. que segundo ele "eliminava" a clássica teoria ondula.3 Em suma.Íltados seriamente adversos. A2. uma experiência crucial é impos- verificação de duas implicações antagônicas quanto à energia sível na ciência.. . no presente e no futuro. dade de tempo. desde que se queira rever as dados disponíveis. Consideremos um exemplo. ou a de Lenard pode ser crucial num sentido menos rigoroso. Theory. tida não pode provar uma de duas hipóteses nem refutar a que envolvi~ o efeito fotoelétrico.como no caso das teorias rivais da razões para isso. A mesma idéia servia também para explicar di- vante de que se dispõe em qualquer época está limitada ao con- junto de casos . 1954.

aventou a 'hiP6tiS~.~2E1.. Isto e.44 FILOSOFIA DA CI~NCIA NATURAL A VERIFICAÇÃO DE UMA HIPÓTESE 45 versos outros fenômenos. . não seria invocada ara outros resu a os SIGNIFICAÇÃO EMPÍRICA actfados e pfC:VãVelmentenão levaria a nenhum I çao ICIOna .. Mas se 11mennnci:H!O()~on'unto for verifi~l pelQJI1~~ de enunciados nã princípIO. o con r n. em t segundos por um. Pois estes só consti. I a altitude aumenta. alguns adeptos obstinados da teoria do flogístico pro- centou que o resultado esperado seria uma refutação "decisiva" curaram reconciliá-Ia com os resultados de Lavoisier propondo daquela concepção: "Se acontecer que a altura do azougue a hipótese ad hoc de que o flogístico teria peso negativo. 1937). e A.. pouso na vizinhança da superfície da Lua é s = 89t2 cm. será necessário modo que sua perda aumentaria o peso do resíduo.I. corpo caindo livremente a partir do re. Esta concep ao teve de ser abandonada quando La. decorre dedutivamente que as distâ~cias percorridas por esse . ótese. 101. B.senamente ameaçada por uma evidência a versa. trad. pelo menos "em Nos meados do século XVII um gruDO de físicos. Spiers. uma concepção corrente contra a evidência adversa.'. G. segundos serao 89.abandonadoquando uma concepção alterna. 2. concluir que o peso e a pressão do ar são a única causa da Não esqueçamos. Dêm que as questoes sugeri as antenormente forneçam a guma ca justamente a maneira de salvar a concepção de um horror orientação: a hipótese é proposta '<lpenas com o fim de salvar vacui em face dos resultados de Périer. . i. a hipótese de que a distância percorrida -I.E. o sjst~ÜlIante p. em I. _contexto ser muito difícil Não julgar eXIse u~ dizer que a natureza tenha mais horror ao vácuo ao pé de uma de.-ieIão. por exemplo. um de~ 'se se realizarem as condições C. Essa suposição não é logicamente absur. sustentava que o vácuo não poderia existir na natureza. ficava su~nso no teto do tubo de vidro por um fio invisível chamado "funiculus". fato critério precIso ara caracterÍzaiãSlU-óteses aã hoc.Qq~a. A hipótese é portanto verificável em princípio. H. Para reconciliar a evidência aparentemente contrária de Périer vas? Importa restritivas para finalmente r~onciliar observar que. 801. como a mencionada por Pascal de que conjunto de enunciados T pode. . com o único VERIFICABILIDADE EM PRINCÍPIO E proEósi~ de salvar u . acres. e.no barometro o mercúrj. que se..Q mas essas condições não precisam ser realizadas ou tecnologica- mente realizáveis na época em que T é proposto ou entrevisto. . de T no sentido lato considerado certas implicações da forma para salvar está id~iaface à experiência de Torricelli.§t. ser pro- se um balão parcialmente inflado for transportado ao topo da posto como uma hipótese ou teoria científica a menos que seja montanha lá ele' ficará mais inflado. Pois seria introduzi da ad hoc . muito uTIl. H. assim... . p. Í' . princípio". da nem patentemente falsa e sim discutível do ponto de vista li. Tomemos.E!. de modo significativo.a. científico. entretanto.Jla: Me ~ Que. hjpótese.. embora 5 Extraído da carta de Pascal datada de 15 de novembro de 1647. Ainda dindo-lhe para executar a experiência de Puy-de-Dôme..es for pr~9. 376.!gindQ certa concepção básica com . de for menor no topo que na base da montanha. tlli. centl- metros.hipóteses uma no_o /a ri~ com a idéia de um horror vacui basta introduzir em vez daquela va evidência. I I"r J ~ tância chamada gístic capava dos metais durante a com. 3.!~-:. cesso de combustão pesava mais que o metal inicial. seja atualmente impossível realizar a verificação descrita.. suscetível de uma verificação empírica objetiva.j: voisier mostrou experimentalmente que o produto final do pro.seJ. nenhum enunciado ou õuz a outras implicações. suspensão do azougue e não a aversão ao vácuo: pois nenhuma torna-se aparentemente fácil recusar certas sugestões do pas- dúvida existe de que há muito mais ar pesando sobre o pé de uma montanha do que sobre o seu cume e ninguém pode sado como hipóteses ad hoc. Quando Pascal escreveu a Périer pe.li!!.ID'Q1?Qstanum pode contemP'ôraneo. ~! a hipótese auxiliar de que a aversão ao vácuo decresce quando xo que terá de . corpo em 1.uma subs.rm::!. os ple. ou dá razão tuíam uma evidência decisiva contra aquela concepçãb admitindo também a outros fenômenos gerando implicações significati- também que a intensidade do horror não depende da altitude. com o recuo do tempo. em outras pa a- v .. . iQf. . tiva mai~ sim. Dela C' bustão.:.. The Physical Trealises 01 Pascal (Nova York: Columbia Univer&ity Press.. Como mostra a discussão precedente."5 Mas a Última observação indi. Isso equivale a dizer que deve ser possível derivar nistas. De acordo com uma teoria imclalmente. então ocorrerá o resultado E'.. se montanha do que no seu cume. desenvolvo no começo do século XVIII. o ese a pressão atmosfénca con.

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r
46 FILOSOFIA DA CI~NCIA NATURAL A VERIFICAÇÃO DE UMA HIPÓTESE 47

vras, se não possuir implicação aI uma confrontáve a ex- mente: as duas interpretações verbalmente antagônicas simples-
periência, entao nao po era ser proposto ou ac hido como uma mente não fazem asserção alguma. Portanto, não faz sentido
tê"õflã olrnipôtese ~I n I Ica, ROlSnenhum dado empírico po e perguntar se são verdadeiras ou falsas e é por isso que a inves-
estar ae acoidoou em desacordo com ele. Neste caso, não tigação científioa não pode decidir entre elas. São pseudo-hipó-
tem apoio algum nos fenômenos empíricos; falta-lhe, como di- l~ teses: são hipóteses apenas em aparência.
remos, significação empírica. Considere-se, por exemplo, a opi- Não se esqueça, entretanto, que uma hipótese científica em
nião de que a mútua atração gravitacional dos corpos físicos geral só conduz a implicações verificáveis quando combinadas
seja uma manifestação de certos "apetites ou tendências natu- com suposições auxiliares apropriadas, Assim é que a concep-
rais" inerentes a esses corpos, como o amor, e que tornam "inte- ção de Torricelli da pressão exercida pelo oceano de ar só
ligíveis e possíveis os movimentos naturais deles".6 Que impli- conduz a implicações verificáveis precisas supondo que a pres-
cações podem ser derivadas dessa interpretação dos fenômenos são do ar obedece a leis análogas à da pressão da água; é o
gravitacionais? Atendendo a certos aspectos característicos do pressuposto, por exemplo, da experiência de Puy-de-Dôme. Pa-
amor no sentido que nos é familiar, essa opinião parece impli- '~.~
ra julgarmos se uma hipótese proposta tem ou não significação
car que a afinidage gravitacional seria um fenômeno seletivo: empírica, devemos indagar portanto quais hipóteses auxiliares
nem todo par de corpos físicos se atrairia mutuamente. Nem estão explícita ou tacitamente pressupostas no contexto dado e
seria a intensidade da afinidade de um corpo por um outro ,se, conjuntamente com estas, a hipótese dada admite implicações
sempre igual à deste por aquele, nem dependeria de um modo verificáveis (além das que decorrem diretamente das suposições
significativo das massas dos corpos ou das distâncias entre eles. auxiliares) .
Como todas essas conseqüências são sabidamente falsas, o sen- De resto, freqüentemente uma idéia científica é introduzida
tido da concepção considerada não pode ser tal que as implique. sob forma que oferece apenas possibilidades limitadas e frágeis
Certo, ela pretende apenas que as afinidades naturais subjacen- \
de verificação; com bases nesses testes iniciais irá adquirindo
tes à atração -gravitacional são como o amor. Mas, como se
pode ver agora claramente, essa asserção é tão evasiva que ex- gradativamente uma forma mais definida, mais precisa e veri-
ficável de um modo mais diversificado.
clui a derivação de qualquer conseqüência confrontável com a Por estas razões e por outras que nos levariam muito lon-
experiência. Nenhum fato empírico pode ser invocado por esta ge,7 não é possível traçar uma linha divisória entre hipóteses e
interpretação; nenhij.m dado observacional ou experimental pode
teorias que são verificáveis em princípio e, as que não o são.
confirmá-Ia ou refutá-Ia. Logo, em particular, não tem implica-
Mas embora seja algo vaga, a distinção mencionada é impor-
ção concernente aos fenômenos gravitacionais e, portanto, não tante para avaliar a significação do potencial explanatório das
pode explicar esses fenômenos ou torná-Ios "inteligíveis". Para hipóteses e teorias propostas.
esclarecê-Io ainda melhor,' suponhamos que alguém proponha a
tese ,alternativa de que os corpos físicos se atraem gravitacional-
mente uns aos outros e tendem a se mover uns para os outros
em virtude de uma tendência natural semelhante ao ódio, de
uma inclinação natural para colidir com os outros objetos físicos,
destruindo-os. Haverá maneira concebível de emitir parecer ,...
sobre essas opiniões conflitantes? É claro que não. Nenhuma
delas conduz a qualquer implicação verificável; nenhuma discri-
minação empírica entre elas é possível. E não se diga que a
questão é "demasiado profunda" para ser decidida cienhfica-
7 A questno é Icvndn ndlnnle cm oUlro volume desta coleção: WilIlam Alstol1,
Phllosophy 01 I.anll/lage, cal'. 4. (N. do E.: Traduzido para o português e publi-
cado, sob o titulo Fllo,lOflll tlll UtI/ll/lI/lem, por Znhor Edilores, Rio, 1969.) Umo
6 Esta idéia é exposta. por exemplo, em J. F. O'Brien, "Gravlty and Love discussão mais completa c 111111. léclllclI .c cncontm no ellsnlo "Emplrlc"t Criterla
as Unifylna Principies", The Thomis/, vol. 21 (1958), 184-93. of Cognitive Slgnlficauce: Problema nnd (,hnnae,", ell1 C. G. lIempcl, Asp.,./s
01 Selentlf;e Explanallon (Novo York: Tllc Flec "I'C\l, 191.5).

II

CRITÉRIOS DE CONFIRMAÇÃO' E ACEIT ABILIDADE 49

de modo geral, o aumento em confirmação trazido por um novo
caso favorável vai-se tornando menor à medida que cresce o
4 número de casos f.avoráveis previamente estabelecidos. Ha-
vendo já milhares de casos confirmatórios, a adição de mais um
aumenta pouco a confirmação.
É preciso porém acrescentar: se o novo caso for obtido pe-
CRITÉRIOS DE CONFIRMAÇÃO lo mesmo tipo de verificação que os casos anteriores. Pois se
E ACEIT ABILIDADE resultar de um outro tipo, a confirmação da hipótese ficará
majorada de um modo significativo. A confirmação depende
não sQmentedl:\ quantisiadeJie evidência favorável, mas tam-
bém.Q~_slla_va!I~(tad~~anto m~ior for esta, tanto mai~forte Q
apoio resultante. - .

Como já notamos anteriormente, um resultado favorável Suponhamos, por exemplo, que a lei em questão seja a de
das verificações, ainda que numerosas e exatas, não fornece Snell, segundo a qual um raio de luz ao passar de um meio
prova conclusiva para uma hipótese, mas apenas o apoio de óptico para outro é retratado na superfície de separação de tal
uma evidência mais ou menos forte, que é a confirmação dela. modo que a relação sen a/sen {3 entre os senos dos ângulos
, ..~
Quão forte é esse suporte é questão que depende de várias de incidência e de refração é uma constante para qualquer par
.-,\1'
características da evidência, que vamos agora examinar. de meios. E suponhamos que tenham sido feitos três conjuntos
Na avaliação do que poderia ser chamado a aceitabilidade de 100 medidas cada um. No primeiro, os meios e
ou credibilidade científica de uma hipótese, um dos fatores mais os ângulos de incidência foram mantidos constantes: em cada
importantes a ser considerado é, naturalmente, a resistência do
experimento o raio passava do ar para a água com um ângulo
apoio que lhe dá a .extensão e o caráter da evidência relevante de incidência de 30° e o ângulo de refração era medido, tendo
disponível. Mas não é o único, como véremos também neste sido encontrado o mesmo valor para todos os casos. No se-
capítulo. gundo conjunto, os meios eram mantidos os mesmos, mas o
Inicialmente, falaremos algo intuitivamente do que torna ângulo a variava, tendo sido encontrado o mesmo valor para
um apoio mais ou menos forte, do que aumenta muito ou pouco sen a/sen {3em todas as medidas. No terceiro conjunto, tanto
uma confirmação, do que faz crescer ou decrescer a aceitabili- os meioscomo o ângulo a variavam: 25 pares diferentesde meios
dade de uma hipótese e de questões semelhantes. No fim do eram examinados e para cada par quatro valores diferentes do
oapítulo, examinaremos rapidamente se os conceitos aqui intro- ângulo a eram usados, tendo a medida de {3mostrado que para
duzidos admitem ou não uma interpretação quantitativa pre- cada par de meios os quatro valores associados de sen a/sen {3
cisa.
eram iguais, tendo as relações assodadas com diferentes pares
diferentes valores.
QUANTIDADE, VARIEDADE E PRECISÃO DA Cada um desses conjuntos constitui uma classe de resulta-
EVID~NCIA SUSTENTADORA ~ dos favoráveis à lei de Snell. Todas as três classes têm a
mesma extensão. Mas a terceira, que oferece a maior variedade
Na ausência de evidência desfavorável, a confirmação de !f: de casos, será considerada como um apoio muito mais forte
uma hipótese será normalmente considerada como crescente que a segunda, e esta como um apoio mais forte que a pri-
com o número dos resultados favoráveis nas verificações. Por I meira. Poderia parecer que assim se julga porque no primeiro
conjunto não se fez outra coisa senão repetir o mesmo expe-
exemplo, cada nova variável Cefeida encontrada com período
e luminosidade conforme à lei de Leavitt-Shapley será con~ide- rimento, de modo que o resultado positivo em todos os 100
rada como suporte adicional à evidência da lei. Mas, falando casos não sustenta a hipótese com mais força do que já fazia o

til

.

50 FILOSOFIA DA CIÊNCIA NATURAL
CRITÉRIOS DE CONFIRMAÇÃO E ACEITABILlDADE 51

resultado dos dois primeiros casos do conjunto. Mas isso é um ,0 teste não o revelaria. Analogamente, o segundo conjunto de ex-
erro. O que se repetiu 100 vezes não foi literalmente o mesmo perimentos verifica uma hipótese S2, que afirma distintamente
experimento, pois as sucessivas execuções diferiam em vários mais do que SI mas não tanto quanto S - a saber, que
aspectos: certamente a distância.do aparelho à Lua, talvez a sen a/sen f3 tem o mesmo valor para todos os ângulos a e seus
temperatura da fonte de luz ou a pressão atmosférica etc. O correspondentes ângulos f3 quando a luz passa do ar para a
que se "manteve o mesmo" foi simplesmentecerto conjunto de ~I
água. Aqui também, se S2 fosse verdadeira mas S falsa, o se-
condições, entre as quais determinado ângulo de incidência e ,I
gundo tipo de teste não o revelaria. Pode-se, pois, dizer que
um particular par de meios. E ainda que as primeiras medidas o terceiro conjunto de experimentos verifica a lei de Snell mais
nessas circunstâncias tivessem fornecido o mesmo valor para completamente que os outros dois e que por isso um resultado
sen a/sen f3, não é logicamente impossível que as subseqüen- dele, inteiramente favorável, fornece um apoio mais forte pa-
tes, nas mesmas circunstâncias,fornecessem outros valores. A ra ela.
repetição de medidas com resultado favorável aumentou de fato Mas não estamos exagerando a importância da evidência
a confirmação da hipótese, embora muito menos do que fize- f diversificada? Afinal de contas, um aumento de variedade pode
ram as medidas executadas numa variedade mais ampla de às vezes ser considerado como insignificante, justamente por
casos.
ser.incapaz de elevar a confirmação da hipótese. Assim é que
Em geral, as teorias científicas estão apoiadas por uma no nosso primeiro conjunto de verificações da lei de Snell a
variedade considerávelde fatos. Lembremo-nos da confirmação variedade poderia ter sido aumentada realizando a experiência
encontrada por Semmelweispara a sua hipótese final. ~ em locais diferentes, sob diferentes fases da Lua ou por expe-
brel!lo-~bretudo _da im ressionante confirmação recebida rimentadores com olho~ de diferentes cores. Mas procurar tais
pela teoria newtoniana do ..ffiçWmW .0' e a variações poderia ser uma atitude razoável se nada soubéssemos
são -deduzidasãs leis ~Y~da liYre..-dn pp.nrlulosimples, do {,.
movimentodá Lua em torno da Terra e dos lanetas em torno ou soubéssemos extremamente pouco sobre os fatores capazes
de afetarem os fenômenos ópticos. Na época da experiência de
do Sol~ das órbitas dos cOriie~se. dQs-.saté.I.ll§Jeltospe o o- puy-de-Dôine, por exemplo, os experimentadores não tinham
rnem, ãõmovimentõ refativo da§_estrclaJ dup~as,dos fenômen~ idéia precisa sobre quais fatores, além da altitude, poderiam
das mar~s e .de_mEit~ ~tr2§.Jenômel1~ TOGOSos resultados afetar o comprimento da coluna de mercúrio no barômetro;
observaclOnalse experimentaisque estão de acordo com essas quando o cunhado de Pascal e seus associados repetiram a
leis trazem apoio à teoria de Newton. experiência de Torricelli no alto da montanha e acharam que
A razão pela qual a diversidade de evidência é um fator a coluna de mercúrio diminuíra mais de oito centímetros,
tão importante na confirmação de uma hipótese pode ser su- decidiram logo refazer a experiência em diferentes lugares e
gerida pela seguinte consideração, r~lativa ao nosso exemplo em diferentes épocas, mudando as circunstânciasde vários mo-
das várias verificaçõesda lei de Snell. A -hipótese em ques- dos. É o próprio Périer quem o diz em seu relatório: "Pro-
tão - que vamos designar por S - se refere a todos os pares curei a mesma coisa ainda cinco vezes, com grande precisão,
de meios ópticos e afirma que para um par qualquer a relação em diferentes locais no alto da montanha; no interior da ca-
sen a/sen f3 tem o mesmo valor para todos os associados pela que lá se acha. fora dela, em pleno vento e abrigado
ângulos de incidência e de refração. Quanto mais distribuídas dele, em bom tempo e durante a chuva e o nevoeiro que às
forem as experiênciassobre essas diversas possibilidades,tanto vezescaíam sobre nós, tomando sempre a precaução de eliminar
maior será a probabilidade de achar um caso desfavorávelse S o ar no tubo; em todas essas circunstâncias achou-se a mesma
for falsa. Pode-se dizer que o primeiro conjunto de experi- altura de azougue. . .; este resultado nos satisfez plenamente."l
mentos examina uma hipótese mais particular SI, segundo a qual O julgamento, portanto, de certas maneiras de variar a
sen a/sen f3 tem o mesmo valor toda vez que o raio luminoso l~vld6nciacomo importantes e de outras como insignificantes
passa do ar para a água com uma incidência de 30°. Por-
tanto, se SI fosse verdadeira mas Sfalsa, o primeiro tipo de I W I', Mnulo, oru., A SOI/r(:~Book In Physlcs. p. 74.

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Neste implique a ocorrência deles. Em 1956. surge aqui um enigma. propôs brevir. Holton e D. parte antes. Assim é tassem comprimentos de onda de raias que ainda não tinham que a hipótese da identidade das massas de inércia e gravita. primentos de onda correspondentes às raias de emissão do es- segundo o qual as leis da natureza são imparciais entre a direita pectro de hidrogênio. o que não tardou a ser claramente confirmado camente como sendo 3645. Foundations 01 Modern Ph)'slcal Sclence (Readina. Yang À=b n2 . que procuravam a razão de alguns resultados experi- mentais enigmáticos sobre partículas elementares. que a fórmula de Balmer só Quando uma hipótese se destina a explicar 'certos fenôme. Mas é altamente de.: Addlson-Wesley Publlshing Co. D. ter-se-ia obtido ex~tamente o mesmo resultado constituirá evidência confirmatória dela. com efeito. Balmer achou a seguinte fór- ocorrência não está excluída pelas leis da natureza). logo o próprio fato a ser explicado caso fictício. t I CRITÉRIOS DE CONFIRMAÇÃO E ACEIT ABILIDADE A questão fica bem esclarecida por um exemplo que re- monta ao último quarto do século XIX. e os resul- tados. Suponhamos. já são conhecidas 35 raias consecutivas na chamada série de reexaminada com métodos extremamente precisos. 5 e 6.6 A e 'n é um inteiro maior que 2.talvez resultantes de pesquisas anteriores . = Paran 3. Entretanto. vam em profusão nos espectros de emissão e de absorção dos 11: sideradas insignificantes. reforçaram enor. também mula geral: o é sua imagem por reflexão (o processo visto num espelho). ~ f!1 52 FILOSOFIA DA CItNCIA NATURAL baseia-se em pressupostos . Em 1855.. Baseado nas medidas feitas por Angstrõm e a esquerda: se um processo físico é possível (i. tio experimental que o que de fato o foi por medidas feitas. cordância com os valores previstos pela fórmula de Balmer. por fatos que não eram conhe. f: o que aconteceu com a recente derrubada de um uma fórmula que ele pensava expressar a regularidade dos com- dos pressupostos básicos da Física. J. ~I Balmer e todas elas têm comprimentos de onda em boa con- I memente a confirmação dela. n2 onde a direita e a esquerda são trocadas. o princípio da paridade. Mau. uma descoberta revolucionária pode so.e nem mesmo encontrados . Balmer desconhecia que outras ção em queda livre de todos os corpos . da fórmula. bem confirmada no caso fictício que no caso real? Poderia E muitas hipóteses e muitas teorias em Ciência Natural tiveram. pela igualdade ':Ia acelera. será naturalmente formulada de tal modo que tradas na série tivessem sido cuidadosamente medidas. tivesse sido proposta depois que as 35 raias atualmente regis- nos observados. por exemplo. de onde se extraiu este breve resumo. J / J . que até agora sustentaram a hipótese. de hidrogênio.) Atualmente. J. e em muito maior parte depois. em sejável para uma hipótese científica que seja também con. quando esses pressupostos são contestados e procuravam as regularidades inerentes às raias que se encontra- são por isso introduzidas variações experimentais até então con. Deveria 'essa fórmula ser considerada como menos cidos ou não eram levados em conta no momento da formulação.. 22 e Lee.quanto à influência provável dos fatores a serem variados sobre o fenômeno a que se refere a hipótese. (Na realidade. Balmer. por um momento. a confirmação consideravelmente robustecida por esses fenômenos "novos". do estabelecimento firmada por "nova" evidência. Roller. um mestre-escola suíço.foi recentemente raias já tinham sido observadas e medidas. 4. e. às vezes.no espectro cional .justificada. aumentando a precisão dos ~ processos de observação e de medida que ele usa. pela experiência. 2 Um relato lúcido e completo. sugeriram arrojadamente que o princípio de paridade fica violado em onde b é uma constante cujo valor Balmer determinou emplri- certos casos. sido medidos . essa fórmula fornece valores para À que Às vezes um teste pode ser refeito de modo mais rigoroso concordam estreitamente com os medidos por Angstrõm. se sua de quatro raias desse espectro. H.2 Não é de surpreender que uma tão notável confirmação por "novos" fatos previstos com exatidão aumente a crença CONFIRMAÇÃO POR "NOVAS" IMPLICAÇÕES que tínhamos na hipótese. " encontra-se no capo 33 de O. gases. Bal- Ir mer porém confiava que os outros valores também represen- e o seu' resultado mais ponderável. 1958). quando os físicos 53 E.

E. mais geral que implicava a fórmula original de Balmer como vemente ao fim do capítulo. II gravidade na vizinhança da superfície da Terra é de 981 centí- antes. e também em algumas análises lógicas contem. por exemplo. II plificar.0123 dos da Terra e que a aceleração de ria capaz de se ajustar aos 35 comprimentos de onda medidos. dos dados que se apresentou em primeiro lugar é questão pura. a juntamente com a informação de que o raio e a massa da fórmula de Balmer não é simplesmente uma hipótese arbitrá.ou mesmo parcial. Esta é a concepção certamente im.ntaldas partes invisíveis plícita nas teorias estatísticas da verificação. a confirmação de uma hipótese que já matematicamente simples que lhe dá muito maior credibilidade tem apoio indutivo pode ser reforçada se receber "de cima" um que a que seria atribuída a uma fórmula muito complexa tam- bém ~ ajustando aos mesmos dados. como veremos bre. porque a colocou no contexto das concep- precisa ser inteiramente do tipo indutivo que consideramos até agora: não precisa consistir inteiramente . Assim sen. tem-se de onda obedeceriam a uma generalização da sua fórmula. infra-vermelho e ultra-violeta do espectro de hidrogênio. do 11' e que têm o apoio de uma evidencia i endente. apoio dedutivo. determinariamnovassériesde raias.) De resto. Che- senvolvidas. caso especial. . . (Adiante. O apoio pode vir também "de cima".3. E em 1913 surgiu um apoio dedutivo por uma teoria. Para exem- mesmo modo que é sempre possível desenhar uma curva re. À = b n2 _ m2 a firmeza do apoio que uma hipótese recebe de um certo con- junto de dados só depende do que é afirmado pela hipótese onde m é um inteiro positivo e n qualquer inteiro maior que m.3. gou-se assim a um forte apoio empírico para uma hipótese porâneas da confirmação e da indução. ~ 'I 54 FILOSOFIA DA CIÊNCIA NATURAL ~ CRITÉRIOS DE CONFIRMAÇÃO E AtEIT ABILIDADE 55 parecer razoável respondermos afirmativamente pela seguinte ra. . Balmer entreviu a possibilidade de o espectro gem geométrica: se Soepuder fazer passar uma curva simples de hidrogênio conter outras séries de raias. Embora nenhuma ge suas con- do. acordo com um conjunto qualquer de dados quantitativos. a saber jacente do que se a curva for complicada.4.e portanto a origina:!de Balmer . do ponto de vista da Lógica. com a fór- mula de Balmer. Einstein e Bohr. Essa dedução reforçou enormemente o apoio à o apoio que pode ser reclamado para uma hipótese não fórmula de Balmer. de hipóteses~ zão: é sempre possível construir uma hipótese que esteja de mais amplas ou de teorias que implicam a ll' . consl eremos novamente a lei hipotética para a' ql1. O que tem entretanto um forte apoio te6rroo. fornecendo portanto um apoio dedutivo para ~ ela.eda gular passando por um número finito de pontos. ~i delas. 11: II livre na Lua s = 89 t2 cm. m = 1. çõcs quânticas desenvolvidaspor Planck. temente apoiada por uma evidência altamente diversificada) Mas a isso se poderia replicar que. isto é. de Balmer possa ser estabelecida no nosso caso fictício. de fato. a existênciade mente histórica e por isso não pode ser levado em conta na " séries correspondentes a m = 1. que meme. mesmo no caso fictício. sem uniformidade n2 perceptível. não há nada de surpreendente que uma fórmula como a seqüências tenha sido jamais verificada por experiência na Lua. :B o que aconteceu. é uma hipótese de simplicidade formal impressionante. de dados que confirmamas conseqüênciasderivadas estavam apoiadas por diversas evidências além das medidas 1/ . decorria da sua teo'ria do átomo de II hidrogênio. o APOIO TEÓRICO quando Bohr mostrou que a fórmula generalizada .4 e 5 foi estabelecida pos- confirmação da hipótese. e é o fato mesmo de ela conter essas 35 medidas numa fórmula Por outro lado. recentemente de. Para dizê-Ia em lingua. . teriormente pela exploração experime. Lua são 0. pois decorre dedutiva- é notável e dá crédito a uma hipótese é que ela se ajuste aos mente da teoria newtoniana do movimento e da gravitação (for- casos "novos" como sucedeu com a de Balmer no caso real. e do que sejam os dados: saber se foi a hipótese ou o conjunto Para m = 2 recai-se na fórmula já conhecida. retomaremos esta ques- tão da simplicidade. '" muito maior confiança em haver descoberto uma lei geral sub. metros por segundo por segundo.272 e 0. neste capítulo. cujos comprimentos pelos pontos representativos dos resultados de medidas. .

E mesmo quando "efeitos" experiment-almente reproduzíveis en. S.. 1. Knopf. Em lingua- des. como foi admitido.~Irllrlll" <lI . Suponhamos usado para proteger qualquer teorhl contra qualquer descoberta :to tinda que não tivéssemos pressuposto algum sobre qual poderia que lhe fosse contrária. Procuremos portanto construir amplamente sustentada milita contra uma hipótese. FOl/ndalions 01 Modern Phrsical $ mto ponlo ost~ tratado da modo ~uie. é a sua simplicidade comparada com a de hipóteses alternativas beado e de cabelos cortados arrebentaram o caixão e cres.' SIMPLICIDADE ou teoríãS Ja a~ltas_~ bem c lrma as. ~lidade de uma hipótese será I aJiQgida adversamente se entrar em I. DA CI~NCIA NATURAL CRITÉRIOS DE CONFIRMAÇÃO E ACEIT ABILIDADE 57 espectroscópicas que. Isso ria de largo âmbito. D. ceram através das fendas. já triunfante em muitos domínios.~rI"'''llr n"'<lIII""n. polarização da luz a teoria eletromagnética era provavelmente insubstituível. S Correlativamente. hesitação porque colide com os fatos bem estabelecidos sobre molas elásticas. um gráfico. que justificam o mesmo fenômeno. í~ característica quantitativa.. da refração e da pontos dados (0. Uma teo- . (l'hluaMII 4 B. poderia ser correspondentemente n os valores 2. 1946). assegurou Outro aspecto que afeta a aceitabilidade de uma hipótese que o cabelo e a barba de um hom::m que fora enterrado bar. Caldwell. observou que para tratar da reflexão. Em virtude mesmo do seu o e IVo.u5 6us + llu2 4u4 .llImlllalllo do como nMcom a caom .4 Ainda que apresentado por uma Consideremos uma ilustração esquemática.~. Conant. Não havendo. loorl. u3 + .. a afirmação será r. 3. a nossa discussão anterior da pretensão de çâo de outra característica u e.. corresponder exatamente o valor achado associado. só será abandonada normalmente quando uma outra teoria ainda mais sugere que. de duas hipóteses em acordo com os mesmos dados 3 Para detalhes. esta poderá um dos quatro valores examinados de u cada uma delas faz continuar a ser usada nos contextos em que 'não crie dificulda.". 2. 7'1" . 110Call1llllo 7 da J. assim. floibtlca da combllltlo. The UDlvenlty of Chlc_IO J're.. Suponhamos testemunha presuntiva. 5u +2 16u2 . ou 3 e ser aplicado com discrição e com restrições.forneceram suporte indutivo à fórmula satisfatória se apresentar . p. and Commoll .5). Cada um-a dessas hipóteses se ajusta aos dados: para cada tram em conflito com uma teoria robusta e fecunda."c. clonllflell estA de. as três curvas obtidas contêm cada uma os quatro létrico. Scl. Kllhll. Senão.4) e (3. eXige-se sobretu o H3 n =u + 2 qUe os resultaãõS experimentais adversos possam ser repetidos. uma hipótese enunciando a forma exata da função tendo cons- Entretanto. o princípio a que nos estamos referindo deve tatado muitos casos em que u tinha os valores O.llu + 2 belecida exigem-se razoes pon eraveis. IYI>2).2).3). (1. Mas para desalo'ar uma teoria bem esta- H) n H2 n = u4 - = . a hipótese teria a nossa preferência. de' 1877. o New Yor. Foi o que Einstein reconheceu quando. líquidos viscosos ou o que for) sugira que certa o crescimento do cabelo humano depois da morte..ejeitada sem muita que a investigação de certo tipo de sistemas físicos (Cefeidas. por ser mais simples que H) e H2. 'contra as evidências que ossam ses tenham sido propostas à luz dos nossos dados: es ser contrárias. 4 e 5. (2. Evans. ao propor a teoria gem geométrica: traduzindo cada uma das três hipóteses por dos quanta de luz para explic-ar fenômenos como o efeito fotoe. Dr. Uma concopçfto goral . a ciência não está interessada em ser a forma da relação funcional €ique as_seguintes três hipóte- defender once ões fa . qualquer pressuposto que nos indicasse uma escolha diferente. relatando uma exumação a que teria testemunhado. 56 FILOSOFIA..onflitu wuras::::J' eses 1. esta semP~llliLnta a renunciar -a uma hipótese já aceita ou pe o me_nosa ~ificá-la. capo 34 (especialmente a seção 7). um médico de Iowa. desses sistemas possa ser uma fun- Analogamente. mas boas teorias são difíceis de de Balmer. Ora. The Nalural Hlslory 01 Nonsense (Nova York: AIfred A. ~ [ I I l . n. 133. ver Holton e Roller.n.llvo.onvolvlda 0111T. usando como oxemplo a teoria Seienct!. --\ )' .. determinada umvocamen- Ehrenhaft de ter experimentalmente estabelecido a existência de te por u (do mesmo modo que o período de um pêndulo é cargas subeletrônicas mostra como o conflito com uma teoria função do seu comprimento). t) 'Medicar Ricord..3 aparecer. e de f-ato ainda é usada neste contexto.

I ". pelo menos . representando u pelo ângulo diretor e n pelo raio vector.como índice da complexidade. o gráfico sua justificação: 'lUe razões existem para seguir o chamado de H3 é uma reta. Ave- nométricas. sustentaram que a ciência visa Sugere-se às vezes que o número de suposições básicas dar uma descrição econômica ou parcimoniosa do mundo e que seja um indicador da complexidade de uma teoria. po- nando uma "simples" reta seria bastante complicada. a mais simples seria a mais bem aceita. como no nosso exemplo. acordo na contagem.a ser relevante para a con. para qualquer par de pontos existe exatamente uma reta pas- A importância da simplicidade para teorias inteiras é fre.mas ainda não consegui- Qualquer critério de simplicidade teria que ser objetivo. como está sugerido pelos nossos exemp10s. En- claro. H3. mas mostram também como ele era simples das hipóteses adversárias. a pessoa. necessários quando funções de outra natureza. entre duas hipóteses ou teo- critério parece arbitrário. é ram uma caracterização geral satisfatória da simplicidad~. 1960). todas as funções estão de duas hipóteses rivais é a mais simples. tão problemático quanto a legitimidade do princípio de simpli- por sua vez mais complexa que H3. estimar . Em coordenadas retangulares. essa preferência. velocidades. 6 E.istasmanifestaram a convicção de que então H3 determinaria uma espiral. der-se-ia de fato admitir que a mais provavelmente verdadeira Quando. sando por eles pode ser contado como expressão de duas supo- qüentemente exemplificada com o destronamento da concepção sições em vez de uma: a de que existe pelo menos uma tal geocêntrica do sistema solar. reta e a de que existe no máximo uma.'t 58 FILOSOFIA DA CIÊNCIA NATURAL CRITÉRIOS DE CONFIRMAÇÃO E ACEIT ABILIDADE 59 e que não diferem no que ainda poss. dão mais substância à proclamada superioridade em simplicidade do esquema de Copérnico.. narius. em vez de contadas. inclina. deriam diferir pela complexidade. A concepção de Ptolomeu era engenho. poder-se-ia pensar em julgar da simplicidade observando-se os Outro problema intricado atinente à simplicidade é o da _li gráficos correspondentes. enquanto a função determi. existem certamente casos em que mesmo na ausência de critérios explí- lidade com que uma hipótese ou teoria possa ser compreendida citos há substancial acordo sobre qual seja a mais. que cente se tivéssemos que escolher entre diferentes descriçõc!Idi' o sistema de Ptolomeu não podia explicar. Os capítulos 14 e 16 dessa obra oferecem uma esplêndida descrição e apreciação dos dois sistemas. Observações semelhantes se aplicariam à ções e diferentes valores e direções de excentricidade".. Mas suposi- l as hipóteses gerais promovidas a leis da natureza são expedien- ções podem ser combinadas e parceladas de vários modos. I Ii .entre os quais Mach.6 sugestão de que o número de conceitos básicos usados numa Inegavelmente. servindo para condensar um número indefinido de casos particulares (como os de queda livre) numa única fórmula simples (como a lei de Galileu). devendo portanto ser pesadas cipais e subcírculos. simples de ou lembrada etc. enquanto os de H1 e H2 são curvas muito mais lJ!i. há maneira inequívoca de contá-Ias. as leis básicas da natureza são simples. herdada de Ptolomeu. No caso de hipóteses quaQtitativas como Hl. devam ser também consideradas. Se assim o fosse.. que obtiveram resultados interessantes. com diferentes raios. dizer que firmação. E mesmo que houvesse cêntrica de Copérnico. Ostwald e Pearson . pois estes são fatores que variam de pessoa duas hipóteses ou teorias rivais.. Mas supor que as leis expressas por polinômios. Por exemplo. não tes econômicos para o pensamento. pelas teorias e hipóteses mais simples. a ordem do polinômio poderia servir básicas da natureza são simples é. pela helio. Pois se usarmos coordenadas pola- rias rivais e igualmenteconfirmadas aquela que é a mais simples? res. um mesmo conjunto de fatos. as diferentes suposições básicas ainda po- sa e rigorosa. já conhecidos na época de Copérnico. Physlcs for lhe lnqulrlng Mlnd (Princeton: Princeton University desse ponto de vista parece inteiramente razoável adotar a mais Press.como mais aceitável.ncípioda simplicidade. Muitos grandes cient. mas "suntuosamente complicada por círculos prin. H2. 015lc~"it6 d~ que ~ devt:pu::-- complicadas passando pelos quatro pontos dados. naturalmente. Mas este fenr. mas ao adotar uma cntrr vorl". mas não é fácil formular A questão dos critérios de simplicidade recebeu recente- critérios de simplicidade num sentido relevante que justifiquem :'='>jl mente uma atenção especial da parte dos lógicos e dos filósofos.Isto é. Alguns dentistas e filósofos . O argumento seria convin- capaz de dar a razão de vários fatos. existe em ciência uma preferência marcante teoria poderia servir como índice de sua complexidade. H2 seria mais 'complexa que Hl. como as trigo. tretanto. não se poderia referir a uma sedução intuitiva ou à faci. Rogers. Mas outros critérios são cidade e não pode portanto fornecer uma justificação para ele.

tendo.1. mas se existir uma relação funcional entre Popper torna sua noção de simplicidade como grau de falsi- u e n. Seja g o seu gráfico em algum sistema de coor. função apenas da temperatura. n = f(u). De acordo com um deles. 30 e 6 respectivamente. o processo não fornece indicação alguma sobre também as predições que ela implica quanto aos casos ainda a aproximação com a qual foi atingida a verdadeira função - não verificados. o procedimento não seria considerado como mo- ponhamos que no nosso exemplo n seja de fato uma função de u.. outros procedimentos não simples . A verdadeira função 1 centes por arcos em forma de U. IU~U). tais como H1..IIIIII . os enun- das /2.óteses é aqueladeque ~r. verificada como fâTsa'mãíS facilmente1.. com o princípio de simplicidade.. 1. O gráfico assim obtido. ! I~r-o-. . que irão coincidindocad'civez possível. "justificação". H2. entret'cinto. Exp~r/~nc~ Qnd Pr~dlctlon (Chicago: The Unlverslty of 1111. a intuitivamente mais regular passando por esses Muito simples de diferente é a concepção dua~_hiQ. 1011(". Entretanto.e a esse respeito as hipóteses divergem larga. por mais longe que se tenha ido na construção dos gráfi. Assim é que. não são justificá- para favorecer ao argumento. Contudo. 1938). Suponhamosem seguida que. desconhecidospelo cientista que mede os valores associadosdas duas variáveis. que procura subme- cientista vai determinando mais pontos irá traçando novos grá."8 ou mesmo em várias. para ba- pode-riaser usado para justificar outros métodos. se esta existisse. do legítimode formar hipóteses quantitativas. ..h'. o seu argumento é o seguinte: su. adotamos cos e das funções. tem maIOr ~a ele a ~~so conteu pontos...I Reichenbach.. que suas medidas sejam exatas. de acordo assim um interesse próprio. cujos comprimentos sempre e o seu gráfico g são. h 14. (Como já notamos an- mente. r- . A apresentaçiio das Id61as a que estamos 7 H..) Além disso. H3 predizem para tes. .. intuitiv-amente sear nela o que esperamos acontecer no caso não-examinado complexos e não-razoáveis. .a" do Alllor). excedem um valor mínimo determinado . 'fi" LOlllc 01 Sc/~ntlllc Dl.. mas de n os valores 150.. empírico e pode portanto ser maIS facllmente falsIfIcada (ser tar-se consideravelmenteda verdadeira curva. vê-se imediatamenteque unindo dois pontos dados adj-acen- tes por um semicírculo cujo diâmetro seja a distância entre os pontos as curvas obtidas convergiriam eventualmente para a Uma resposta interessante a esta questão foi sugerida por verdadeira curva... A\'/I. tes palavras: "Se nosso objetivo é o conhecimento. H2. é engenhoso. I'AI'''' lia shllJ1l1c1dade na ciência. que chamaremosgl. a despeito dessa . Ele mesmo resume o seu argumento com as seguin- mais com a verdadeira curva g. . g4. o volume de um corpo gasoso pode parecer ser.se de fato for falsa. o processo conduzirá gradualmente a uma função que se ficabilidade mais explícita por meio de dois critérios diferentes. g3. Mas à medida que o e isso é da maior ÍmporTãiiCiãem ciência. 1. a hipótese de que a órbita de um O argumento de Reichenbach. 1111' "01"11I1"1 VI o VII desse livro. cuja escolha não é essencial. com esta os pontos dados em comum. de desenhar os gráficos..1 ser mostrado pelo argumentp de Reichenbach. naturalmente.I h.11. assim como as funções associa. . pode afas. para u = 4. Admitindo. sendo mesmo autodestruidores. isto é. ele trace a curva mais sim- ples. Por exem- u = 4 e não nas outras hipóteses que acertam nos casos já medidos com a mesma precisão? plo. Cabe então perguntar: fato não é.~O'!I. Relchenbach. MIII. II Pois. Sua idéia guarda "verdadeira"curva g. veis dessa maneira. . seçio 42.. se é que existe uma verdadeir'cifunção. porqzreo conteúdo empírico não pode pois garantir que se obtenha a função 1 de uma só vez deles é maior e porque são verilicáveis em melhor grau. aproxima da verdadeira na ordem desejada. ". que cODt6m várias Chlcaao Prels. I'. mas sua força é limitada. como pode ele achará certo número de pontos "dados" que pertencem à :. ter suas conjeturas à mais completa verificação e falsificação ficos mais simples82. como o de unir pontos dados adja- denadas. Hl. A obediência ao princípio de simplicidade ples porque eles nos dizem mais. o ar- gumento baseado na convergência par'ciuma curva verdadeira Basta reconhecer que H3 é matematicamente a mais simples para considerá-Ia a mais provável de ser verdadeira. H3 acima.7 Em resumo.Jco"~ry (Londres: HutchiDsOD. I R K 11 1'''1'''8r.I 60 FILOSOFIA DA CIâNCIA NATURAL CRITÉRIOS DE CONFIRMAÇÃO E ACEIT ABILIDADE 61 hipóteses em disputa. aproximar-se-ão cada vez mais d'civerdadeira ciados simples devem ter cotação mais alta que os menos sim- relação funcional I.'01 1111111 . aqui reproduzido em forma planeta seja um círculo é mais simples do que a que afirma um tanto simplificada.

1101111Idcs 11If1l1cI'l1dihHldndcII. a hipótese menos simples. pois se relativa a K seria um nÚmero real não inferior a O e não duas hipóteses desvinculadas (e. estritamente falando. 62 FILOSOFIA DA CIÊNCIA NATURAL CRITÉRIOS DE CONFIRMAÇÃO E ACEIT ABILIDADE 63 que seja uma elipse. uma hipótese que é verdadeira por razões pura- Sndl) forem afirmadas conjuntamente. W.1 '-eVII'.. . que são implicadas por ela. O. Neste sentido..r (Ithaca: CorneU Vniver. "A Panel Discusslon of Simplicity of Scientiflc Theotles". J. .' prolmhllldlldo" fomlll 10). de todos os enunciados aceitos pela ciência da época."111.h. vol. Ora. 1><. lU PllrLllldo dl' ('Nhl' lulolllllll. 103-6. chcgul1I 1\ UIII" vtll'I(.Ielu 1. I e(ll.~ é relevante na totalidade do conhecimento científico da época. é 9 o leitor desejoso de aprofundar estas questões encontrará auxilio nas seguintes discussões: . a lei de Hooke e a de superior aI. roevistasiluminem de certo modo o rationale do princípio da ou menos complexos que servem para lklll'l'IlIllInl ('t'ftll.~se Nosso exame mostrou que a credibilidade de uma hipó- tese H numa dada época depende. nem sem re maior conteúdo se une a maior conjunto K de enunciados determine um numero c(H.() que simplicidade. ainda que as diferentes idéias aqui rapidamente mos de me. nem diferem quanto à falsificabilidade. diz mais que uma das {~nunciud01l/11 li /11 Jogical11ente incompatíveis será igual à ...11.. ~ovimento e da gravitação pode Soerconsiderada já que falamos freqüentemente em hipóteses mais ou menos como mais simples que uma vasta coleção de leis desconexas prováveis. 11.. a credibilidade de H teoria não é apenas uma questão de maior conteúdo.u livro A '/'. .. a conjunção nos diz mente lógicas (tal como 'Amanhã choverá ou não choverá mais. para dizer o menos. Neste caso. 10 1)11I. o que inclui toda evidência relevante para H e todas as hipó- sificável e é também a mais forte porque logicamente implica teses e teorias então aceitas que lhe dão algum apoio. 1'11I simplicidade. 1957). Este critério certamente contribui portanto./.1ClIlO. logo mais simples. me- outra e tem portanto maior conteúdo num sentido estritamente diante uma definição que para qualquer hipótese He qualquer dedutivo. outras.nthe. "On Slmplo Theorles of a Com!. porque a primeira poderia ser falsificada A PROBABILIDADE DAS HIPÓTESES pela determinação de quatro posições que não pertençam a um mesmo círculo (três pontos podem ser sempre unidos por um círculo).S. Nem qual.. A rigor. V.. S.1" 111)11 ~I II -< .9 J babilidades contanto que outras já J'ejam COtÚ/(:dtllA\'. 109-71. lativa a uma informação dada.lex World". vol. propostas. K) + qualquer uma delas pode ser revelada falsa com a mesma facilidade: um único caso contrário. E a dificuldade de definir o conceito c(H. H2... 11tH IIl'IIhn Assim. 15 (1963). permanece sem solução satisfatória o problema de achar para ele uma formulação precisa e uma justificação únificada. Quine.'''lIIllnIlV. perguntamos logo se este conceito quantitativo não e de alcance mais limitado. 28 (1961).. ao passo que a falsificação da segunda hipót. levando em uno :f I consideração todos os diferentes fatores que encontramos.dlldl dr 11'111< 1111111 111111. que é o conjunto K Ciência. E.a hipótese mais simples é a mais facilmente fal. uma teoria arte como a teoria newto. 110Corcovado') terá sempre a credibilidade 1. H3 consideradas acima. pois como vimos não ficou sequer sltyPress. - I I. uma vez medido. e a credibili- quer das três hipóteses H1. 1\. do que exigiria a determinação de pelo menos seis posições do planêta. Barker. g.. Mas I poderia ser definido de modo a satisfazer aos princípios básicos a desejável espécie de simplificação assim conseguida por uma da teoria da probabilidade. l'OIIlO o.ncionar.y(I "1I. Certo.fe."11111111I1'10 Jllho MnYllnr. sem ser mais simples. Se falsas. VOI'IIIMl('OI'11111 1'"1'11 (1811'. 1>1111'111111011 01111. "li /'.. Philosophy 01 Sclence. falsificaria a todas elas.' 11I1111 oferecem uma definição da probabilidade de uma hipótese re.. por exemplo o par (4.K). ('(/11 ou lh K) = c(H1. que outra quando implica esta ~'} pressar essa credibilidade em termos quantitativos exatos. sera o grau de credibilidade que H possui em relação a K. Mas Popper diz alternativamente que uma hipótese é mais :Surgenaturalmente a questão de saber se é pOSosível ex- falsificável.IoII/. Inductlon and Hypothesl. "li enorme. ~m . que dlldu dll hipótese de que seja verdadeiro um ou outro de dois certamente não são igualmente simples.. deveríamos falar da credibilidadede uma hipótese li para esclarecer a espécie de simplicidade que interessa à relativa a certo corpo de conhecimentos. que cada componente.

em suma. muito menos. 1960). por que havia uma limitação característica para a capacidade eleva- tória das bombas. a vida e a morte. 1 E é inegávelque davam a quem as aceitava o sen- 11 Carnap deu uma rápida e elementar exposiçJio das idéias básicas em 1111U'II1o di' IIlIIa compreensão. pp. quase todas as investigações científicas que serviram como ilustrações nos capítulos precedentes visaram não à descoberta de um fato par- ticular. lls. Madden. porque lhe aplacava a perple- seu artigo "Statistical and lnductive Probability". Proceedings of the 1960 lnternational Congress (Stanford: Stanlold . O conceito assim definido satisfaz a todos os princípios da teoria da probabilidade. cuja estrutura lógica é consideravelmentemais simples que a AS LEIS E SEU PAPEL NA EXPLICAÇÃO requerida para os propósitos da ciência. não encontra-se no artigo de Camap "The Aim of Inductive Logic". ' "'"Hlo nC10invocavam o destino ou os inescrutáveis desígnios I r 11111I )l'lI!\. a suces- 111\0regular do dia e da noite. 5 Entretanto. reimpresso em E. o relâmpago e o trovão.I. certos resultados elucidativos e de enorme alcance foram obtidos recentemente por Carnap. a de Scknce. Incluldo em E. Nage1. orgs..1ultiplicidlld~de mitos e metáforas que IlIIaginou para justificar a existência mesma do mundo e de si proprio. Log/c. H. pro- curou-se saber como era contraída a febre puerperal.. Methodology and Phllosophy 01 11'11111/1d('qlllldIUIiI finalidade da ciência que é. . prova-o a II. que estudou o problema em linguagem modelo rigorosamente formalizada. H Explicar os fenômenos do mundo físico é um dos prin- cipais objetivos daS' Ciências Naturais. 1962). Neste capítulo e no próximo vamos j examinar com algum detalhe o cllráter das explicações científi- cas c a espécie da compreensão que elas fornecem. The Structure 01 Sclentlflc Thought (Boston: Houghton Mifnin Company. deixando-o muitas vezes perplexo e.>'u'lIvolv(lrUII1I1concepção do universo apoiada clara e logi- Unlverslty Presa. o que permitiu a Carnap referir-se a ele como DUAS EXIGÊNCIAS BÁSICAS PARA AS EXPLICAÇÕES CIENTÍFICAS a probabilidade 16gicaou indutiva da hipótese relativa à in- :V formação dada. mas à conquista de uma concepção explicativa. Carnap desenvolveu CIENTíFICA um método geral de definir o que chamou o grau de confir- mação para qualquer hipótese expressa em tal linguagem.cambiantes estações. 303-18. Uma exposição mais recente e que muito esclarece o assunto MJ111pm 11I11111 lIutisfatórias que o fossem psicologicamente. por que a transmissão da luz obedecia às leis da óptica geométrica etc. como expressá-Ios numericamente. org. 1111 nllll1J't'za.64 FILOSOFIA DA CI~NCIA NATURAL claro como caracterizar com rigor fatores como a simplicidade de uma hipótese ou a variedade da evidência que a sustenta. os movimentos dos astros. 269-79. Tarskl. Algumas dessas expli- 1'''~()c111 IIl' baseavam em' concepções antropomórficas das forças t. a chuva l' () hom tcmpo. Que o homem sempre e persistentemente preocupou-se em compreender a enorme diversidade das ocorrências no mundo que o envolvia.outras apelllvam para poderes ou agentes invisíveis. ~11lIukI 1\(111k sentido eram "respostas" às perguntas formulad~s. não raro IImcdrontado. pp. Suppes e A. P. De fato.

' O requisito traduz uma condição necessária para uma ex- O astrônomo F~~ncesco Sizi apresentou o seguinte argu. os enunciados em que se baseia a explicação física do arco-íris têm várias impli- relev~s para o ponto em pauta. nflnidadc universal subjacente não pode ter poder explanatório cação constituiria bom fundamento para acreditar que o fenô. podem ter influência sobre a Terra. duas desfavoráveis. do observador. logo não ticos da atração gravitacional: falta-lhe poder explioativo. I'I'N/'. Muito diferente é a explicação do arco-íris dada pela Fí. por esta razão. mas não suficiente. que é Mercúrio.Uol!uno s1l. O mesmo se pode dizer sobre as explicações feitas em não existem.. nenhum resultado empírico poderia sustentá-Ia (sete metais etc." ti quI' n redproca não é verdadeira. . com o 1 de dar uma impressão de relevância. As. . mento para o vermelho nos espectros das galáxias distantes for- temporâneo Galileu afirmava ter visto com uma luneta. (r d. para jus- meno surgiria nas condições especificadas.que chamaremos o requisito da verificabilidade: que existem numa nuvem.'/. logo tivo. figuram. Este exemplo mostra que os dois II'qul. ou refutá-Ia. sa- tisfazer a dois requisitos. concluí.. -- 66 FILOSOFIA DA CIÊNCIA NATURAL As LEIS E SEU PAPEL NA EXPLICAÇÃO 67 camente em nossa experiência e portanto apta a uma verificação condição a ser S':itisfeitapara que estejamos autorizados a dizer: objetiva. Como já obser- nosas e uma só indecisa e indiferente. Para introduzir o segundo requisito. o desloca- mento para demonstrar por que.0independentes: uma explicação que satisfaz 1 Transcrito de 80lton e Roller. 160. a concepção teria que implicá- satisfaz ao requisito da relevância explanat6ria: a informação IOI!qu(~rdedutivamente quer num sentido mais fraco indutivo- aduzida fornece bom fundamento para acreditar qUl' o f(. não pode justificar a expectativa dos fenômenos caracterís- Além disso. p.as." . Esses exemplosilustram uma segunda condição para as explica- sica.. a expli. duas orelh.oP.Yd'I/"'.mas' então ela seria verificável no que se re- meno a ~er explicado de fato aconteceu ou acol1lcco. por uma fonte de luz branca situada atrás. co. essa concepção não tem nenhuma implicação verificá- e de muitos outros fenômenos semelhantes da natureza vel. quanto à ordem das cores que nele 'ogo' e 'necessariamente. longe de ser sinal de uma visão profunda. Portanto.) . Ao contrário. logo são inúteis.. As explioações científicas devem.. ainda que aceitos sem discussão. é inteiramente ilegítimo. duas lumi. Sendo assim vazia de qualquer conteúdo empíri- mos que o número dos planetas é necessariamente sete. é justamente o que se esperava v~ncia exR!.k:. núncia a qualquer explicação. são inteir. porque não tem implicações verificáveis. mesmo que nunca tivéssemos visto um arco-íris... . ao contrário do que seu con. 'não fornecem razão aig'Uinã para ne Jú iter tenha satélites.). A esta característica lirlear a ocorrência da gravitação universal ou de qualquer um é que queremos nos referir quando dizemos que a explicação dI' lIeus aspectos característicos. que seria fatigante enumerar. Daí vamos.1 termos de um destino inescrutável: invocar uma idéia como O defeito principal desse argumento é evidente: os "fatos" esta.'/ . /11 At"".\ (11IMt'l\dfldl' rc1evfinciasatisfaz também à de verificabilidade.'nÔ. os satélites são invisíveis a olho nu. é apenas re- que aduz. POl/m/"tI. não nece uma forte base para acreditar que essas galáxias se afastam pode haver satélites circulando em torno de Júpiter: de nós com enormes velocidades." -. plicação adequada. 1\ fi'rc fi eIlS~UI conseqüências. a concepção da gravitação como uma sim. quanto às condições em que se vê um arco-íris no céu. quanto ao seu aparecimento na poeira líquida levan- tada pelo quebrar das ondas ou por uma fonte artificial etc.\. existem no céu mais a concepção da atração gravitacional como manifestação duas estrelas propiciadoras. de uma tendência natural comparável ao amor. É justamente o' que as leis da óptica os cnunciados que constituem uma explicação científica devem permitem prever toda vez que água pulverizada for iluminaçla prcstar-se à verificação empírica.an~ória eo requisito da verificabllidade. Existem sete janelas na cabeça: duas ventas. Por exemplo. Como já foi sugerido. Jll'Ohnbillstico.amente ir. O fenômeno surge então como resultado da reflexão e da refração da luz branca do Sol nas gotículas esféricas de água çócs científicas. consideremosuma vez dois olhos e uma boca. Com efeito.. que chamaremos o requisito da rele- "O fenômeno está explicado nas circunstâncias dadas. o uso de palavras como cações verificáveis: por exemplo.mas não para explicar por que esse afastamento. P. Do mesmo modo.

Como segundo exemplo. de modo um tanto pedante. uma característica da formação de imagem por reflexão num rier na experiência de Puy-de-Dôme: o comprimento da coluna de mercúrio no barômetro de Torricelli diminui quando a alti- espelho esférico. lelo ao eixo do parabolóide (princípio tecnologicamente aplicado Assim formulada. quer dizer. a equação l/u + l/n 2/r. Quando o contexto mostrar o que se .0) o fenômeno a ser explicado. tanto um como o outro será designado simplesmente cas e como elas satisfazem aos dois requisitos fundamentais. a explicaçãoé um argumento no sentido à construção dos holofotes.E. . l'hyllcal World (Nova York: Thomas Y.lIn'.culares. b).. Em óptica geométrica essa uniformidade se explica segue: tratando a reflexão de um . A explicação ajusta o fenômeno a DN) Sentenças explanans ser explicado num contexto de uniformidades e mostra que sua CI. a pressão exercida na sua base pela coluna perfície esférica nesse ponto e usando a lei básica da reflexão de mercúrio no tubo de Torricelli é igual à pressão exercida na num espelho plano.. bém a lei da reflexão num espelho plano. cujas premissas incluem tam- está em baixo. descrito pela sentença Todas essas explicações podem ser concebidas. O fenômeno a ser explicado será doravante referido como o J 1\ clMlvaçaolIal leia da reflexAo para superfícies curvas. lanternas etc. Crowell sentença explanandum."asserções sobre fatos particulares. consideremos a explicação de Consideremos ainda uma vez..). explica por que a luz d) (Portanto).. e da imagem puntiforme ao espelho e r é o raio de curvatura são atmosférica forneceram para este fenômeno uma explica- ção que. o encurtamento da coluna' de -(Ir representada pelo seguinte esquema: mercúrio fica explicado pela demonstração de que ocorreu em obediência a certas leis da natureza como resultado de certas LI. Assim.serão as A EXPLICAÇÃO DEDUTlVO-NOMOLÓGICA sentenças explanans. '" Lr e de outros enunciados CI.lIr.a).. pode certos fatos particulares. ""d /h. enconlra-se em forma simples e lúcida no capo 17 de '1.2 c) A coluna de ar acima da cuba aberta é certamente menor quando o aparelho está no alto da montanha do que quando Um argumento semelhante. 2. pode ser formulada como do espelho. d) de. A explicação resultante pode ser formulada superfície livre do mercúrio existente na cuba pela coluna de como um argumento dedutivo cuja conclusão é a sentença ex- ar acima dela. rui!! 1.. co- d). C2. As idéias de Torricelli e de Pascal sobre a pres.°) de fato. de 1. As sentenças que formulam a informação explanatória . isto é. . a coluna de mercúrio no tubo é certamente menor de uma pequena fonte colocada no foco de um espelho parabó- quando ° aparelho está no alto da montanha do que quando lico é refletida por este de modo a se transformar num feixe para- está em baixo.raio de luz num ponto qualquer de um espelho esférico como reflexão num plano tangente à su- a) Em qualquer local.". (1/111/.. onde = u e r são respectivamente as distâncias do objeto puntiforme tude aumenta. Lr circunstâncias parti.. então. IU. c) no nosso exemplo . e quanto menor a coluna menor c da propagação retilínea assim como o enunciado de que a o seu peso.que constitui um dos tipos de explicação científica. superfície do espelho é uma calota esférica. M"/I.o resultado achado por Pé.. Ck que timos são de duas espécies: a) e b) têm caráter de leis gerais 11I7. é justamente o que se esperava tendo em vista os fatos mo mgumentos dedutivos cuja conclusão é a sentença explanan- explicativos citados em a). dadas as leis mencionadas e as E Sentença explallalldll1n pertinentes circunstâncias particulares. Estes úl. e cujo conjunto de premissas é constituído de leis ge- corre dedutivamente dos enunciados explanatórios. mencionada neste fenômeno explanandum e a sentença que o descreve como a 1""'1'111 .11 ~.l'. 1111la.ulnle. L2. ""'I""V. L".68 FILOSOFIA DA CiêNCIA NATURAL 69 As LEIS E SEU PAPEL NA EXPLICAÇÃO Vejamos agora que formas tomam as explicações científi.1. b) As pressões exercidas pelas colunas de mercúrio e de ar são planandum e cujas premissas incluem as leis básicas da reflexão proporcionais aos seus pesos.. b) e c). por explanandum.. diremos que o conjunto delas forma o explanans.V) . A forma de tais argu- que exprimem conexões empírica~ uniformes e c) descreve IIIl'l1loll. Ck } ocorrência devia ser esperada. C2.. .

como as leis da reflexão e da refração. Netuno. a ele atribuído pelo porquê do enunciado elíptico. ou as leis newto. argumento dedutivo cujas premissas incluem leis gerais . parti. como a dos aspectos geralmente exibidos pelos arco. como foi o resultado da experiência de Pé. Como mqstra este uso e C algum evento ou estado de coisas antecedente ou conco- das leis de Newton.no mológica pode ser um acontecimento que ocorreu em época e caso. tidas ao enunciado de que o sal foi espalhado na lama. Acrescentando essas suposições e a lei omi- nans implica entre outras coisas que nas condições especifica. Vol. como no caso da reflexão em espelhos IIt/'Ovésdas feridas abertas. Outro exemplo é a célebre explicação fllz menção de lei geral alguma. mas pressupõe que tal conta- proposta por Leverrier (e independentementepor Adams) das minação da corrente sangüínea provoca em geral um envene- irregularidadespeculiares ao movimento do planeta Urano. pode ser também alguma regularidade encontrada na na. na posição prevista. e especIficamente explanandum dedutivamente e permite assim concluir logica. acidentalmente. é precisamente em virtude dessa lei a informação explanatória que elas fornecem implica a sentença que o salpico adquire o papel explanatório. causal. a massa e outras características 11It'lw~hl. São explicações às vezes expres- vasto. dar razão quantitativa das irregularidades consta- caso (A raiz do termo 'nomológico' é a palavra grega 'nomos'. de Newton. indutivo. como a de Galileu ou a de Kepler. sc as premissas para uma explicação dedutivO-nomológicado Algumas explicações científicas obedecem ao esquema fllto de haver a lama permanecido líquida. na calçada permaneceu líquida durante a geada porque foi ras e processos subjacentes às uniformidades em paut~.) Diremos também que o argumento explanatório sub. perturbador de várias grandezas. tomemos o enunciado: 'Alama cadas por meio de princípios teóricos que se referem a estrutu. onde E é o evento a ser explicado nianas do movimento e da gravitação. mitante a E. As explicações certas suposições pressupostas pela explicação mas tacitamen- dedutivas dessas uniformidades invocarão leis de alcance mais te aceitas no contexto dado. de acordo com a teoria dedutiva sob leis gemis ou das explicações dedutivo-nomol6gi. enunciados que especificam os valores particulares ao planeta rier. Leverrier suspeitou R(\fçnOde que a contaminação causa a febre puerperal. salpicada'. Assim formulada. Esse mente por que é de esperar o fenômeno explanandum. as leis newtonianas do movimento e da gravitação . mas tacitamente pressupõe pelo menos uma: que o As explioações dedutivo-nomológicassatisfazem ao requi. as explicações dedutivo-nomológi- íris. sas na forma 'E porque C'. Comentários semelhantes se aplicam à explicação dada cularmente. descoberta. entretanto. sume o explanandum sob essas leis ou que estas são as leis que tinha exatamente aquelas C(afaotenísticasdalau1adas por de coberturapara o fenômeno explanandum. Como exemplo. Leverrier. pois isso é o que está implicado pela as- pelos outros planetas então conhecidos. Aqui também a explicação tem o caráter de um O fenômeno explanandum numa explicação dedutivo-no. alguma. (Encon. -- 70 FILOSOFIA DA Cr~NCIA NATURAL As LEIS E SEU PAPEL NA EXPLICAÇÃO 71 Diremos que é o esquema das explicações por subsunção que esse planeta deveria possuir para. obtém- das o fenômeno explanandum ocorrerá.. que namcnto do sangue acompanhado dos sintomas característicos não podiam ser justificadas pela atração gravitacional exercida dl'l febrc puerperal. Sua explicação foi sensacionalmente confirmada pela para lei. de um novo planeta. Não raro. D-N) de um modo bastante exato.e lugar particulares. . tadas. De fato. I'l'lI<'fIlIlzuçno foi certamente admitida sem discussão por Sem- servado e calculou a posição. É o que acontece. para quem a causa da doença fatal de Kolletschka . quando certos aspectos quantitativos de um fenô. também é elíptico em outros senti- traremos em breve outras explicações científicas que satisfazem dos. como a de que a temperatura requisito de verificabilidadetambém é satisfeito. a explioaçãonão esféricos e parabólicos. enunciado. admite tacitamente certas suposições sobre ao requisito apenas num sentido mais fraco. ponto de solidificação da água é mais baixo quando há sal sito da relevância explanatória no sentido mais forte possível: dissolvido nela. pode ser ainda uma uniformidade expressa por uma lei cas são enunciadas em forma elíptica: omitem a menção de empírica. tureza.) E o as condições físicas vigentes. pois o expla. as leis empíricas ficam muitas vezes expli. por Semmelweis de que a febre puerperal era causada pela . meno ficam explicados por derivação matemática a partir de mutéria em decomposição introduzida na corrente sangüínea leis gerais de cobertura. não baixou muito. Esta que elas fossem devidas a um planeta exterior ainda não ob. Esta explicação não menciona explIcitamente lei taremos a este gênero de explicação no próximo capítulo. por exemplo.

muito pequeno e estar colocado entre o téria infectada na corrente sangüínea. Em outros casos. Mas. Por uma ironia trágioo. e. ele será acompanhado de um particular. partindo do repouso e de urna altura não muito grande. que deve.. . . \ Um problema explanatório não determina por si mesmo a sempre que se partir uma barra imantada. O que quais a uniformidade dada é uma caso especial. e ex. Uma explica- venenamento do sangue resultante de um corte com bisturi ção satisfatória só veio a ser encontrada muito mais tarde pela infectado.. turbador. a existência de um planeta até então desapercebido. vê-se que a explicação faz referência a leis gerais. a maior façanha de uma Nas seções seguintes. mas deduzindo-as de um novo sistema de leis. Vulcano não foi achado. Em linhas ge- matéria infectada introduzida' durante o exame pelas mãos do nus. uma vez explicitada a premissa ridades de Mercúrio não pela existência de um elemento per- omitida. um enunciado de que. en~ão.. sempre que I cos partindo das leis básicas da óptica geométrica juntamente se dissolver um sólido num líquido. teoria doa relatividade generalizada. Para vê-Io. como o das aspectos de um fenômeno empírico. o ângulo de reflexão será igual ao ângulo de incidência. a de outra eSpeCIeLT. I cúrio relativamente ao calculado teoricamente pela atração 11distância percorrida em [ segundos será de 490 [2cm. eventualmente. Ck) podem servir para explicar a ocorrência aplicado a esses enunciados. o próprio Semmelweis so.Qrrer um evento da espécie F. E quando o explanandum não é um evento o. basta elo em razão do qual circunstândas particulares (indicadas notarmos que o ditado "Mesmas causa~. de uma teoria explicativa (no caso. enlln('i::t~~ Jorma universal. (Kolletschka não fora o primeiro a morrer de en. resulta o envenenamento Sol e Mercúrio. a mos-ãOizér. -. constante a sua pressão. movimento da bobina Como acabamos de ver. dilatação de um gás sob' pressão constante. os pedaços obtidos espécie de descoberta requerida para sua solução. J. não precisamos essencial nas explicações dedutivo-nomológicas.estabelecem . dá a razão me entre diferentes fenômenos empíricos ou entre diferentes do fenômeno explanandum.a em comum: são. por C1. mesmos efeitos". sempre que um corpo cair livremente no I tentou explicar os desvios observados no movimento de Mer. passagem de corrente pelp fio LEIS UNIVERSAIS E GENERALIZAÇÕES ACIDENTAIS de uma bobina) foi causado por um evento de outra espécie F (por exemplo. As leis devida a um planeta ainda não observado. o fenô. Bohr). Leis gerais estão sempre pressupostas qu-ando se diz que um particular evento da espécie G (por exemplo.1Nem todas as reís cIentífIcas são deste tipo. dns ciências naturais são em maioria quantitativas: . tica e explicações baseadas nelas. Fornecem o entrar nas complexas ramificações da noção de causa. anomalias de Urano. as leis desempenham um papel através de um campo magnético). em virtude de leis gerais já aceitas. dos espelhos esféricos e parabólicos. vamos encontrar leis de forma probabilís- explicação está em mostrar que. há de decisivo na revel-ação trazida por uma explicação pode As leis n:::cessárias às explicações dedutivo-nomológicas provir às vezes da descoberta de um fato particular (por exem.~ -\ 72 FILOSOFIA DA CI~NCIA NATURAL As LEIS E SEU PAPEL NA EXPLICAÇÃO 73 não apresentav-a problema etiológico: uma vez introduzida ma. e sem~~ã~ oco~~_~ertas con içoes de ou.ao contrário do que sucedeu com as do sangue. como passare- plo. raias no espectro de hidrogênio.. implica dizer que toda vez que de um evento.~mpre. um enunciado dessa espécie asseverauiDã conexão unifor- médico) que. Aqui vão alguns exemplos de enunci-ados em forma univer- bre fatos particulares já conhecidos: é o caso da derivação ex. Vulcano. têm uma característica básic.atamente como. subirá o ponto de ebulição com enunciados sobre as características geométricas desses desse líquido. o triunfo explanatório consiste onde e quando ocorrerem condi~ões de uma eseaecIefe'l'minadoa na descoberta de uma lei de cobertura (no caso. . sal: sempre que a temperatura de um gás aumentar. em outros casos ainda. C2 . mas uma uniformidade como a das características evento da espécie G.) meno explanandum pode ser justificado por leis e dados so. as leis explicativas mos- Dizer que uma explicação repousa em leis gerais não é tram um sistema de uniformidades mais compreensivo. que justificou as irregula- freria o mesmo destino. ficando {I I planatória das leis de reflexão para espelhos esféricos e parabóli. ria ser muito denso. sempre que um raio de luz se refletir numa superfí- espelhos.. o seu volume aumentará.) E. --. Leverrier também serão ímãs. a de Balmer) F. aquecimento do gás. cie plana. das dizer que a sua descoberta requer a descoberta de leis. vazio.

É mesmo possível que na fundamentais quanto fascinantes sobre as leis. então B seria (teria sido) o . enunciado 'Todas as rochas nesta caixa contêm ferro' não todo .000 quilogra- dos sistemasfísicos (por exemplo. ouro tendo massa superior a 100. concebida pela dia ao Sol na terceira lei de Kepler.caso'. sumir que sua verdade continuasse a ser vista como acidental. continua. ciência contemporânea. a generalização em pauta seria não so- temperatura de um gás) ou de processos (por exemplo. entre os ângulos de inci. entre o mente bem confirmada. gramas'. a teoria física ex. contrafatuais. isto é. como primeiro capitulo do seu livro. notada' por Nelson ser encurvada por uma aresta. reproduzido há.-- O que é que distingue então uma lei genuína de uma generalização acidental? O problema é intricado e foi discuti- - madamente. ou dência e de refração na lei de Snell). mesmo em meio homo. como veremos mais tarde. gêneo. é de pre- tempo e a distância percorridosem queda livre na lei de Galileu. sentenças do tipo 'Se A vier a acontecer. pode sustentar condicionais conter ferro). ainda '.casose conhece que o refute. como uma "generalização acidental". subjuntivos.3 é a seguinte: uma lei pode.000 quilo. com esta forma universal. G a de ralização acidentalmente verdadeira. contudo. pois de acordo com o que se sabe hoje em dia eles só valem aproxi- - emdiscussão_ . enunciados da forma 'Se A fosse (tivesse ximação e com restrição que a teoria justifica. 11 A venha a acontecer. ao contrário de uma gene- universal (F é a condição de ser uma rocha na caixa. E. onde de fato este ponto quando.74 FILOSOFIA DA CI~NCIA NATURAL As LEIS E SEU PAPEL NA EXPLICAÇÃO 75 relações matemáticasentre diferentescaracterísticasquantitativas corpo de ouro puro com massa superior à de 100. teria derretido' pode ser sustentada aduzindo-se a lei de que dutivo-nomológicastêm uma forma básica: 'Em todos os casos a parafina é líquida acima de 60 graus centígrados (e o fato de em que se realizam condições de espécie F. 2. não seriracon. Observações análogas se aplicam às gumas das principais idéias que emergiram do debate. válidos apenas com apro. onde se deixa em aberto se sim ou não "acontece ser o caso". a fatual 'Se este seixo tivesse sido colocado na caixa. entre o período de revolução de um planeta e sua distância mé. Vejamos rapidamente al- plica por que assim o é.da água). mesmo a possibilidade de produzirmos .& ed. siderada como uma lei. Assim. a asserção 'Se estã vela de plicação das leis pelas teorias. ele conteria nça as as rochas nesta caixa co em ferro' tem forma ferro'. VoItaremos a sido) o caso. isto é. Flct/on. Interessa observar. Por exemplo. 1965). nexão uniforme não será considerado uma lei se não houver Portanto. Sem dúvida alguma. Mas condiçõesda espécie G'. 3 Em seu ensaio "The Problem of Counterfactual Conditionals". Por exemplo.000 quilogramas. and Forecast. considerarmos a ex. mas verdadeira. Fact. realizam-se também ser 100 graus centígrados o ponto de ebulição . uma considerávelevidência confirmatória dele e ne. parafina tivesse sido colocada numa chaleira com água fervendo Vimos que as leis invocadas nas explicações científicasde. pode ser usado analogamente para sustentar o enunciado contra- ro.. que ainda leis da óptica geométrica. e sim como uma asserção de algo que j também acontecerá B'. Se assim fosse. Mas se isso fosse ngidamente condição é_~cessáfiá""mas-nao suflcle~"'iãfaas-reiSdg l!Qo observado. mesmo sendo verdadeira. Essa obra levanta problemas tão nhum . um sólido objeto de Estritamente falando. tomemos o enunciado: 'Todos os corpos constituídos de ouro puro têm massa inferior a 100. Usaremos entretanto a palavra Goodman. ao passo que uma gene- 'lei' de modo um tanto liberal. entretanto.. A não é (não foi) o caso. exclui a possibilidade de haver . servir para sustentar condicionais enunciados-do tiIJu aqUimencionado. uma lei. todavia. os enunciados habitualmente chamados leis de Ga- lileu e leis de Kepler não seriam classificadoscomo leis. um enunciado que assevera uma co. a pressão e a mas. do intensamente nos últimos anos. entre o volume. a luz não se move rigorosamente em linha reta: pode Uma notável e sugestiva diferença. (Indiana- 1'0111: The Bobbs-Merrill Co. Do mesmo modo. O enunciado 'Se esta vela de parafina vier Como outro exemplo. pode ser qualifioa o o lei da natureza. assim. examinando-os de um ponto de vista analftico superior. os enunciados contrafatuais e o história do Universo nunca tenha existido ou venha a existir úm racloclnlo indutivo. a ser colocada em água fervendo ela derreterá' é um exemplo. fI J porque nenhuma lei fundamental da naturem. apITCandoo termo também a ralização acidental não pode. no próximo capítulo. todos os blocos de ouro até agora examinados pelo homem estão de acordo com esse enunciado. e. ninguém finida como um enunciado verdadeiro em forma unIversal: a fala de falsas leis da natureza. . Inc. que nem o. uma lei científica não fica adequadamente de- razões para admiti-lo como verdadeiro: normalmente.

foram aceitas a partir do repouso obedece à lei s = 4. a fusão for possível. generalização 'Todos os corpos de ouro puro têm massa infe. em parte das teorias aceitas na época a razões. nós não usaríamos nossa generalização so- ciados que descrevem casos individuais. decisão sobre se um enunciado de forma universal é ou não Finalmente. Para que 100. Ao contrário. isto é. a sentença geral não é equivalente logi.. que é lei de Galileu) decorre da teoria newtoniana do movimento I de especial interesse para nós: uma lei pode. A re- no Universo inteiro objeto que tenha esse raio e essa massa. a lei mencionada anteriormente da queda livre' na Lua. que poderia ser obtida colocando uma cam que haveria um perda de massa do valor referido. Logo. Um exemplo é a sen. necessitaríamos de uma mica . ou. = livre obedeceria à fórmula s 9. a julgar pela teo- mesmo que existisse no Universo uma infinidade de corpos ria corrente que permite a ocorrência de exceções a H. bem confirmados pela experiência mas que não se baseiam tença: 'Em qualquer corpo celeste que tenha o mesmo raio numa teoria . 'Em qualquer corpo celeste que pudesse existir com o mesmo ção adicional. a fusão de uma particular vela de parafina que por segundo. que o último enunciado serve simplesmente tamanho da Terra mas com o dobro de sua massa. ferro. a generalização 'Todas apoiar enunciados como este: 'Dois corpos de ouro puro cujas as rochas nesta caixa contêm ferro' não nos diz de fato quantas massas individuais somadas dão mais de 100. Pois ele universal.000 kg'. a seguinte: um enunciado de forma e contudo o enunciado tem o caráter de uma lei. 76 FILOSOFIA DA CIÊNCIA NATURAL As LEIS E SEU PAPEL NA EXPLICAÇÃO 77 Estreitamente ligada a essa diferença há uma outra.quer não te- (ou antes. feitos de ouro. sobre casos particulares que possam ocorrer ou Mas o fato de uma particular rocha na oaixa conter ferro não que poderiam ter ocorrido mas não ocorreram. ainda que a generalização H fosse verdadeira.para tiva. isso cons- rior a 100. ainda que nenhuma exceção a ela viesse a ocorrer. Já observamos que uma lei pode sustentar enunciados culares que acabamos de mencionar e à lei de que a parafina condicionais subjuntivos e contrafatuais sobre casos poten- funde quando sua temperatura ultrapassa 60 graus centígrados. servir da base para uma ex. à guisa de uma distin.000 quilogramas' não seria aceita como uma lei tituiria mero acidente ou mera coincidência. a queda como uma formulação convenientemente breve de uma con. antes. Pode não haver como tal antes de receberem uma justificação teórica. zações empíricas" .. observemos que um enunciado de forma uni. a tanto. pela referência aos fatos parti. considerado como uma lei. a saber: Poderia parecer plausível dizer. e a rocha a generalizaçãosobre as rochas não pode ser parafraseada como r2 contém ferro. como no caso da nha sido ainda submetido a uma verificação. e a' rocha r63 contém ferro'. a queda livre Galileu. uma estreita aproximação dele. o critério em tela falha por várias Depende.8 metros por segundo plicação.enunciados de forma universál que estão verificado em algum caso particular. exatamente como foi colocada em água fervendo pode ser explicada. Analogamente.9t2 metros... Assim. pois. Além disso. leração de queda livre na Terra é de 9. de Kepler e de Boyle. Isso não quer dizer que "generali- versal pode ser classificadocomo uma lei mesmo sem ter sido . a teoria de Newton sustenta nosso enunciado geral numa geral de que todas as rochas na oaixa contêm ferro.9t2 m. se particulares. nomes ri.. levância da teoria é. isto é. versão subjuntiva que sugere sua condição de lei.. por exemplo. a massa do corpo resultante será menor camente a uma conjunção finita do tipo mencionado. será classificado " . pois as teorias vigentes da Física e da Quí- formular uma conjunção apropriada. r2 etc. às rochas não podem ser fundidos para formar um corpo único. nem esta última afirmação teria evidentemente qualquer junto potencialmente infinito de casos particulares e portanto apoio teórico. mas é exagerada.não sejam classificadas como leis: as leis de que a Terra e uma massa duas vezes maior. quer esteja confirmado empll"icamente.tem assim um forte apoio teórico. A distinção é suges. Assim. de conformi. Por- etiqueta numerada em cada rocha da caixa.000 quilogramas rochas existem na caixa. '11' bre a massa dos corpos de ouro . ao passo que uma e da gravitação em conjunção com o enunciado de que a ace- generalizaçãoacidental não pode. ciais. De modo aná- pode ser analogamente explicada pela referência ao enunciado logo. dade com o esquema D-N). ao passo afirmando' que qualquer rocha que estivesse tla caixa conteria que a generalização sobre a parafina refere-se a um con.não excluem a espécie de fusão mencionada nem impli- informação adicional. Para começar. junção finita do tipo: 'A rocha rt contém ferro. nem dá.chamemo-la H . não pode ser parafraseada por uma conjunção finita de enun.

pode-se explicar são fica separada das premissas por uma só linha. Por exemplo. Orne. mente verdadeira. ~ . não será qualificado O argumento explanatório a que assim se chega pode ser como uma lei se excluir certas ocorrências hipotéticas (como esquematizado da seguinte maneira: a fusão de dois blocos de ouro com massa resultante superior a 100.. o que se faz é ligar o evento explanan. dum de que Paulinho apanhou sarampo.11 1I'III11COA dll l'xplicação probabilística que acabamos de 4 Para uma anAII 11I"1. que a tivera. abrcviadamcntc. 1I~lIdopor leis.. então. mas. explanans implica o explanandum. d(lduliva mostra que pela informação contida no explanam o No nosso exemplo.11I.\'11". qUl' o IkV('\IIU" agura considerar mais de perto os dois traços 1'111.. Nem toda explicação científica está baseada em leis de que usamos no esquema D-N) visto anteriormente. mas somente com certeza aproximada ou com alta probabi- lidade. alguns dias A dupla linha usada no último esquema indica que as "pre- antes. babilísticas. de forma probabilística. /li Wmltl. (NIIU ". diz-se que esta fornece uma explicação porque existe de probabilidade fica sugerido pela notação entre colchetes.'''li' olt" ti" 1.I . Mas num caso as leis são de forma universal. Ydr I' Nnu.. As EXPLICAÇÕES PROBABILfSTICAS: SEUS FUNDAMENTOS Na costumeira apresentação de um argumento dedutivo..IOIIll"dum deve ser esperado com "certeza dedutiva". o evento dado é explicado pela ça com alta probabilidade. Ainda uma vez. Harcourt. ('I. uma ex- pressa por uma lei de forma universal. pois nem todo caso de plicação probabilística tem certas características básicas em exposição ao sarampo produz contágio. o grau sarampo. 'u" . serão chamados leis de 110 outro.000 quilogramas. isto é.n cl. a exposição de Paulinho ao tença explanandum) seja mais ou menos provável... e talvez com "certeza prática". leis probabilístÍCas. essa conexão não pode ser ex. ao passo que neste exemplo é claramente l'UClIIAIIII.esses enunciados IlIohllhllidadc. e gravemente. não com "certeza dedutiva".4 ao sarampo de apanharem a doença Paulinho esteve exposto ao sarampo [faz altamente provávell Paulinho apanhou sarampo.. _111'1. ainda que venha a ser bem confirmado pela experiência e presumido como verdadeiro de fato. abreviadamente.. Como se depreende da nossa discussão.I.'...I. Em ambos os casos. uma babilística que acabamos de mencionar e no enunciado de que (lLpllcnçl\o indutiva mostra apenas que pela informação conti- Paulinho esteve exposto ao sarampo. 1111 lunll. Diremos. no caso de nossa generalização H) ~ alta a probabilidade para pessoas expostas que uma teoria aceita considera possíveis. a conclu- forma estritamente universal.'11'" . doença de seu irmão.. dos deste gênero são freqüentementeohamados de leis teóricas). Enquanto uma explicação forma probabilí~ticaou. lIIol6gico. ". 1/. ..'1 o I"". .lkll~l1opl'llhnbilfsticn que liga o expllNlans ao explanan- '. com os quais o evento explanondum está todos os casos. uma conexão entre ficar perto de um doente de sarampo e Argumentos desta espécie serão ohamados explicações pro- apanhar a doença. o que serve que Paulinho esteja com sarampo dizendo que ele apanhou a para indicar que as premissas implicam logicamente a conclusão.... 111111111 1111/1'11pl'llbnbilfsticas que ela invoca e o gênero peculiar bibliollráflclII ndlciollnl. o explanans consiste na lei pro.IIJAI)I!S l!STATfSTICAS E LEIS PROBABILÍSTICAS possível que os enunciados explanans sejam verdadeiros srlll que o seja o explanandum.11 111I.. dessa maneira I que o Ílllimo argumento satisfaz ao requisito de relevância explanam não implicam dedutivamente o enunciado expllNlun. I Kplnn/lIOrla. numa alta. . Enunciados gerais deste tipo. Tudo quanto se pode comum com o correspondente tipo de explicação dedutivo-no- dizer é que as pessoas expostas ao sarampo contrairão a doen.'(fJlananso explanandum deve ser esperado com alta acontece na explicação dedutivo-nomológica. Ao contrário do que Ihl 1101.. missas" (o explanans) fazem que a "conclusão" (a sen- dum a uma ocorrência anterior. que examinare.78 FILOSOFIA DA CIêNCIA NATURAL As LEIS E SEU PAPEL NA EXPLICAÇÃO 79 como lei se for implicado por uma teoria aceita (os enuncia. mos daqui a pouco mais de perto. nloll. percentagem de n'fl~rência a outros. pois nas inferências dedutivas de premissas verdadeiras a conclusão é invarinvcl. Entretanto.

mesmo admi- cas. As LEIS E SEU PAPEL NA EXPLICAÇÃO 81 80 FILOSOFIA DA CIÊNCIA NATURAL Suponhamos que Se façam sucessivas extrações numa urna quociente entre o número de escolhas favoráveis disponíveis e contendo várias bolas de mesmo tamanho e de mesma massa. o enunciado a) teria que ser inter. Para chegarmos a uma interpretação mais satisfatória dos mento fortuito de lançar um dado regular é IHI~HO~ enunciados probabilísticos.D') de obter um ás com tivas básicas. . mas a probabilidade ferimos ao procedimento que acabamos 'de descrever como o de tirar uma bola branca seria menor que em U. Recoloca-se Mas esta caracterização é inadequada. Por l'xl'mplo. então pretado da seguinte maneira: cada execução de U efetua uma II !'n'qm'lIda relativa 62/300 seria considerada como um valor escolha de uma entre 1000 possibilidades básicas. e a probabilidade de obter um ás como resultado do experi. babilidade. então é verdadeiro as alternativas básicas.1 11Ipl<1ll111('IItL' o 11101. eqüipossibilidáde ou eqüiprobabilidade.00 restantes . De modo semelhante. passaremos por cima dela porque . chamada às vezes de concepção "clás. a probabilidade de obter cara como resul- regular. isto é. Tem-se assim um exemplo 4. ou um número ímpar b) P(C. em símbolos: quada.. por exemplo. se antes de cada em seguida a bola na urna. produz o resultado B. nova espécie de experimento com a urna que de processo fortuito ou de experimento fortuito. Em cada extração interpretação clássica de b) e c) seria análoga. Nós nos re. tados produzidos pela execução de U: toda extração da urna Esta cláusula adicional levanta a questão de como definir produz uma bola branca ou. as seis faces podem ser consideradas como represen- tado do experimento fortuito M de atirar uma moeda sem IlItivas das alternativas eqüiprováveis.a no caso do experimento U'. Obviamente poderíamos consegui-Io fazen- do UII1grande número de lançamentos e achando a freqüência Que significam esses enunciados? De acordo com uma n/otH'tI. mas atribuímos probabi- defeitos é dada por lidades a resultados como sair um ás. individualmente representadas pelas bolas na urna. também no caso de um dado carregado. cepção clássica leva em conta esta dificuldade exigindo que Se são brancas todas as bolas da urna.6. 11"IIzndo 300 vezes e o ás fica para cima em 62 casos. a proporção dos casos em que o ás ficou para opinião muito divulgada. o número de todas as escolhas possíveis.exi- gência presumlvelmente violad. conceito que chamaremos U' . A mas não necessariamente de mesma cor.6 plausível de assinalar alternativas básicas eqüiprováveis. . isto é. retira-se somente uma bola e anota-se a sua cor.o quociente entre as alternativas básicas favo- em breve caracterizaremos com mais pormenores. o dndo. Se somente 600 das 1000 bolas contidas na urna são bran. pois se atribuem também probabilidades a resultados de (. as . (11111ISl'. consideremos como se pode- 1111 nvallnr a probabilidadede sair um ás com um dado que se c) P(A. a cada extração como uma execução de U e mistura completa das bolas antes de cada extração. então é verdadeiro sobre U um enunciado geral de forma tindo que a eqüiprobabilidade tivesse sido satisfatoriamente probabilística: a probabilidade para uma execução de U pro. é 0.a concepção clássica ainda assim seria inade- duzir uma bola branca.M) = 0. para o experimento fortuito D de lançar um dado Analogamente.10 da probabilidade p(A..'Xperimentos fortuitos para os quais não se conhece maneira a) P(B. 111111I1 II~ probabilidades associadas com o lançamento de uma a probabilidade de' tirnr 1111111 holn 111111\('" (. cujo conteúdo é completamente extração as 600 bolas brancas estivessem colocadas abaixo das misturado antes da nova extração.U) = 0.D) = 1/6 'IIlIe 111\0!lcr regular. Procedimentos análogos poderiam ser usados para es- dessas possíveis escolhas. ráveis e as possíveis continuaria o mesmo. mencionadas na suà definição de pro- um enunciado de forma estritamente universal sobre os resul. A con- à cor da bola retirada como o resultado da execução. ou alterna. simplesmente. sejam "eqüipossíveis" ou "eqüiprováveis" . 600 !lfio "ravorúvdM" 110rcsultado lJ. Questão penosa e con- trovertida. mesmo ~('IIIpoder indicar quais resultados básicos seriam eqüiprováv~is. caracterizada .111 " I'Otm.5 de' pontos etc. 111"01111111. ou o resultado B. onde houve experimento U. 600/1000. o experimento D' de lançar o dado sica" da probabilidade.l\odL' uma roleta etc.

em estudos matemáticos mais recentes sobre o assunto. Rn: execuções sucessivas de F dão um e rigorosamente cilíndrica) ou do lançamento de um dado re.. E as probabilidades probabilístico é a freqüência relativa com que um certo resul.>de probabilidade de simetria. não po.1111'""'" tlnlvonllV 1". mais vago por meio da chamada interpretaçõ<> estatística da nece razão alguma para se esperar que qu~lquer uma das fa.. que conside- ilustrado também pelas teorias estatísticas dos gases desenvol.. à medida as transições entre diferentes estados de energia atômica. a rigor.r. ou outro desses resultados de uma maneira irregular. dos resultados p(RI.. digamos. pois nosso conhecimento empírico não for. a freqüência relativa de cada de eventos atômicos individuais ou eventos individuais das ou.. sicas "eqüiprováveis" e das que. dos ases obtidos pelo lançamento 1'. O conceito de probabilidade esta- jeitas a correção à luz dos dados empíricos sobre as reais fre. igual freqüência. '011 livro Mall. com que se prolonga a série de lançamentos e mesmo em duas pro:essos g. E na verdade.. homogênea resultados RI.y . . F) podem ser tado R pode ser esperado numa longa série de repetições de consideradas como valores ideais que as freqüências reais ten- certo experimento fortuito F. isso é muitas é comumente diferente..'1. (/." V4f1ft" tia Inlorprttnçfto ollathtlca scguc a dada por H. . entretanto.Ia clorlnlQfto como 11m IImllo 110 cncontrados na monografia dc E. às vezes como os limites matemáticos para os quais convergem nhar a freqüência relativa de R....F). Acha-se entretanto que.u".- . as diferentes faces tendem a ficar para cima com tuais e. tras espécies relevantes. p(R2. respectivamente. como a do princípio de "ignifica que numa longa série de execuções do experimento paridade. neste caso) ao fazer um enunciado quando o número de execuções aumenta. concernentes a resul.I. pode ser considerada como um recurso heurístico para adivi. fortuito F é quase certo que a proporção dos casos com resul- Suposições sobre eqüiprobabilidades estão portanto sempre su.'.. dem a assumir à medida que se tornam cada v~z mais estáveis. .F). e por boas razões.1/111 (Chlcaao: Unlvcrsl!)' of Chicago Presa.I 1'. "/ "" I'Mn.F) =f madas como certas ou como verdades evidentes por si mesmas: suposiçõesde simetria assaz plausíveis.. mas a gular (homogêneo e rigorosamente cúbico): o que interessa freqüência relativa dos resultados tende a se tornar estável ao cientista (ou ao jogador... Este ponto fica do conceito de probabiüdade 16gica ou indutiva. 1'1111108no capítulo 4. I~" 4U .. Tais considerações são O enunciado muitas vezes úteis heunsticamente.que têm exatamente a mesma extensão o número de ases freqüências relativas correspondentes.)... a sentença que se apóiam em diferentes suposições sobre a eqüiprobabili. Isso poderia ser esperado por considerações o conteúdo empírico almejado para o conceitl... dentre elas. 1111'11 N". A contagem das alternativas bá. foram refutadas pela experiência no nível subatômico. Nagcl. "-MI". Mas essa definiçãotem certos defeitos concep- de vezes. ser definidas como freqüências relativas numa "".K) =f dade das distribuições de partículas num espaço das fases.. caracterizado de modo hipóteses físicas..nnallcal Melhod 01 Slallsllcs (Prlnceton: Pois a proporção. p(Rn. tI~lalh~1 lobro o concollo do probabllldadc cstatístlca e sobre os presentam portanto freqüências relativas. . I()~kll entre enunciados precisos. é em geral a característica de um experimento fortuito F com tados do lançamento de uma moeda perfeita (isto é.-. probabilidade: S ces seja mais favorecida que as outras.. Indo I? seja próxima de f. Cramcr n. R2.w/CtIassim caracterizado deve ser cuidadosamente distinguido qüências relativas do fenômeno em questão. Esta ca também a enunciados como b) e c). IU~/. ainda que muito pouco.. longa série de repetições do experimento fortuito relevante. c(H. As probabilidades especificadas nas leis probabilísticas re- ~ Mal"". são "favoráveis" a Por conveniência matemática.. um dos diferentes resultados tende a mudar cada vez menos... quando um as freqüênciasrelativas quando o número de execuçõesaumenta dado ou uma moeda regular são lançados um grande número indefinidamente. ..1'. ~ 82 FILOSOFIA DA CIÊNCIA NATURAL As LEIS E SEU PAPEL NA EXPLICAÇÃO 83 probabilidades asso:iadas com a desintegração radioativa. mas não devem ser esti. A probabilidade lógica é uma relação vidas por Bose e Einstein e por Fermi e Dirac.1. a variar de maneira irregular e praticamente impredízivel..enéticosetc. Entretanto. ainda que os resultados dos sucessivoslançamentos continuem A interpretação em termos de freqüências relativas se apli. com de um certo dado mudará.. dem. à medida que vezes feito por meios altamente indiretos e não pela contagem cresce o número de lançamentos. são determinadas pela averiguação das séries. p(R. do gênero freqüentemente usado na formação das é deliberadamente.as probabilidades são definidas R.

em virtude do argumento modus tollens. apresenta problemas especiais que babilidade estatística é uma relação quantitativa entre espécies pedem por um exame. é a soma das probabi. como b) A probabilidade para que ocorra um de dois resulta. Logo. ou -tornada provável. A lógica de UIII(UInum lançamento não dependa do resultado do lançamen- 10 prt'('l't(('nlc.15...D) = 0. pode ser refutada por um só contra-exemplo. cisa p(A. Admite-se habitualmente que os resultados de sucessivos cuções. Mas embora H não impeça logicamente que a proporção a probabilidade. que a probabilidade de obter bilidades hipotéticas e as freqÜências observadas.F) do que a hipótese assevera é de fato verdadeira. reproduzíveis de eventos: uma certa espécie de resultado. com qualquer evidência. e. riamente em todos os casos -tal como R ou não R .. isso não refuta H no sentido em que uma hipótese O ::::. logicamente implicada lidades respectivas: por ela.15. neste último caso.ent::o estritamente análogo fica mostrado para H por medidas de fre- c(H1 ou H.. onde D é o experimento fortuito de lançar o dado em questão. 1000 deles por série).K) ::::. em notação con- modo. com grau f pela evidência formulada no enunciado K. pela descoberta de que uma sentença I. para que valha uma ou outra de duas confirma H no sentido em que uma hipótese fica confirmada hipóteses que se excluem mutuamente. como "Todos os cisnes são brancos". de -uma hipótese que é logicamente (e neste sentido necessariamente) verdadeira. que se repetirmos um grande número de c(H ou não H. K) =1 vezes o experimento de executar uma longa série de lançamen- los (digamos.1 de forma estritamente universal. --- 84 FILOSOFIA DA CiÊNCIA NATURAL As LEIS E SEU PAPEL NA EXPLICAÇÃO 85 assevera que a hipótese H é sustentada. grosso lançar um ás com um certo dado seja 0. A análise matemática mostr~ que. falando em linhas gerais. F) = p(R"F) + p(R. isto é.c(H..15. características matemáticas: ambos satisfazem aos princípios bá. pois H não assevera por implicação que a freqüência dos ases numa longa série de lançamentos será c) A probabilidade de um resultado que ocorre necessa. entre lidades variam de O aI: 50 e 100. a hipótese assevera I por implicação lógica e o resultado da verificação Se R" R. dos ases obtidos numa longa série de lançamentos possa afas- tal como H ou não H. digamos. é de fato verdadeira. por exemplo. se a proporção dos ases realmente obtida num grande número de lançamentos diferir consideravelmente o ::::. pelo exame das freqüências relativas em longas séries de exe. pt'nd('ntes".é 1. A pro. se numa longa série de lançamentos a proporção dos resultados tomados separadamente. é 1: tar-se grandemente de 0. então somente uma dimi- As hipóteses científicas que têm a forma de enunciados nuta proporção dessas longas séries produzirá uma proporção de. ainda que breve.K) = c(H. Pois. Não implica. H. isto é. a probabilidade.1 de 0. que exatamente em 75 dos primeiros sicos da teoria matemática da probabilidade: 500 lançamentos sairá um ás. certamente implica logicamente que esses afastamentos sejam altamente improváveis no sentido p(R ou não R.. a freqüência relativa com que o resultado R tende a ocorrer numa longa série de execuções de F. A hipótese H não implica dedu- O que os dois conceitos possuem em comum são suas tivamente quantos ases sairão numa série finita de lançamentos. vezes em que sairá um ás esteja compreendido. Mas nada de Se H" H. são hipóteses que se excluem lógicam:nte.K) + c(H. representa.15.probabilidade estatística podem ser.. tais verificações.. verificadas dl' ases que difere consideravelmente de 0.15.15. grosso modo. o de um cisne prêto. juntamente ..F) ::::. e o são. R. com dos ases aparecer de fato muito próxima de 0. dos que se excluem mutuamente é a soma das probabilidades Analogamente. a confirmação delas é lançamentos de um mesmo dado sejam "estatisticamente inde- julgada em termos da proximidade do acordo entre as proba.K) qüência confirmatórias. nem mesmo que o número de a) Os valores numéricos possíveis de ambas as probabi. Consideremos a hipótese. F. F) =I estatístico. entretanto. de que a probabilidade de e uma certa espécie de processo fortuito.15. se excluem mutuamente. iSSQnão qualquer evidência K.então é confirmatório no sentido de mostrar que uma certa parte p(R1 ou R. certamente muito próxima de 0.p(R.

nutos. no contexto. g. Inc. embora não logica. de acor- a freqüência observada conta como uma desconfirmação da do com a teoria física corrente. uma concor. Muitas leis e muitos princípios teóricos importantes das vada de um resultado numa longa série não estiver próxima Ciências Naturais são de caráter probabilístico.175. ~il'ntlficas devessem ser classificadas como probabilísticas. De acordo com a interpretação estatística citada ante- tese podem ser consideradoscomo razões para rejeitar a hipótese riormente. 1957). inoculando crianças porção dos ases obtidos em n lançamentos não difira de 0. 1620 anos e a do polônio218 é de 3. D.15. g. Em linhas gerais. Por exemplo. radioativa é hipótese ou como redução de sua credibilidade. " . Assim.05 mi- vadas em relação às probabilidades enunciadas por uma hipó. Logo. ver R.os objetivos da pesquisa em teses feitas em teoria cinética para explicar várias uniformida- questão.. a outra parte desintegrou-se rígidas conforme a escolha e serão de uma severidade variável radioativamente. Essas normas podem ser mais ou menos 1620 anos ou 3. mas também quão séria seria a conseqüência de acei- mina dedutivamente a probabilidade estatístka para que a pro.976 hipótese e agir em conseqüência (e. hipótese. tegrar-se dentro de 1620 anos e ser de 1/2 a probabilidade das que determinarão a) quais desvios das fre'qüênciasobser. ciados de probabilidade que discutimos. Luce e H. babilísticas correspondentes são usualmente formuladas como dância estreita entre probabilidade hipotética e freqüência obser. Sobre o Msunto. e é de quando de fato a hipótese é verdadeira. Gomes qnd Declsions (Nova resultados estatísticos com as probabilidades especificadas pela '. numa séri~ de 1000 lançamentos. é praticamente certo que numa longa décadas recentes baseada na teoria matemática da probabilidade séri. de vez cácia e segurança de uma nova vacina.e se for aohada um fenômeno fortuito em que os átomos de cada elemento uma evidênciadesconfirmadorasuficientementeforte. de ser ela verdadeira e aceitá-Ia apesar de falsa.erido por vada tenderá a confirmar a hipótese probabilística e pode levar eles. e será por isso rejeitada.- 86 FILOSOFIA DA CIÊNCIA NATURAL As LEIS E SEU PAPEL NA EXPLICAÇÃO 87 com esta suposição de independência. nossa hipótese H deter.:s no comportamento dos gases. praticamente a metade continuará existindo ainda aceitar a hipótese. inclusive as leis de Termo- tância que se dá. a plexos que surgem neste contexto formam a matéria da teoria proporção dos ases fique entre 0. Raiffa. se a freqüência obser.05 minutos depois. tar a hipótese e agir em conformidade (v. Analogamente.995 a probabilidade para que. a severidade dependerá da impor.05 minutos significam tas ou rejeitadas à luz da evidência estatística fornecida pelas ser de 1/2 a probabilidade para um átomo de rádi0226 desin- freqüências observadas. f latlstica nos movimentos e nos choques das moléculas. --. Pode-se dizer então das verificações e decisões estatísticas.125 e 0. essas leis implicam que. Por exemplo. a decisão sobre sua aceitação terá que levar em conta o grau de concordância dos f.15 com a vacina) quando de fato ela é falsa ou de rejeitar a além de uma quantidade determinada.6 da probabilidade hipotética 0. embora sejam da probabilidadea ela atribuída por uma hipótese probabilística.e de execuções a proporção dos ases diferirá muito pouco e estatística. destruindo a vacina e a probabilidade para que. há que apelar para normas apropria. a modificando ou interrompendo o processo de manufatura) proporção dos ases obtidos fique entre 0. se a hipótese se refere à provável efi.16. é de 0. As leis pro- mente. que se desenvolveu na.. grar durante um determinado período de tempo. em 10000 lançamentos. Os problemas com- 0. à conveniência de evitar duas dinâmica: são hipóteses probabilísticas sobre a regularidade es- espécies possíveis de erro: rejeitar a hipótese que está sendo . examinada apesar."rk Julm Wllcy 8< Sons. para um átomo de polônio desintegrar-se dentro de 3.14 e 0. as leis de que a "vida média" do rádio226 é de à sua aceitação. enunciados que dão a "vida média" do elemento ref. a desintegração. .. Poderia parecer que todas as leis I prática. I Convém finalmente acrescentar algumas observações sobre do a aceitação ou a rejeição da hipótese serve de base à ação 1\ lIoc. Para que hipóteses probabilísticas sejam acei. Outro exemplo bem conhecido é o das hipó- em geral com o contexto e com .. a hipótese radioativo possuem uma probabilidade característica de desinte- selá consideradacomo praticamenterefutada. freqüentemente de forma mais complicada que os simples enun- então é muito provável que a hipótese seja falsa. d. Por exemplo.s que. sendo H verdadeira. de um grande número e b) com que aproximação devem as freqüências observadas de átomos de rádio226 ou de polôni0218 existentes a um concordar com a probabilidade hipotética para que se possa certo instante. A importância deste ponto é particularmente clara quan. Neste caso.ão de lei probabilística.

caçoes dedutivo-nomológicas das expHcações probabilísticas di- . . -Em alguns casos simples. A forma geral desse argumento explanatório pode ser tica não se refere à força do suporte evidencial para os dois enunciada do seguinte modo: tipos de enunciado. dada a informação fornecida pelo ex- Como foi visto antes. Ela refe. que lhes pode conferir somente uma probabilidade Um dos tipos mais simples de explicação probabilística é mais ou menos alta.F) j é' um =f caso de F desintegração radioativa do rádi0226 um processo fortuito com (r) uma vida média associada de 1620 anos não equivale eviden. ~ cional do explanandum. problemas difíceis.F) é próximo de lógico do que eles afirmam. a explicação probabilística resultante tem a forma: . presentes e futuros. em parte ainda não resolvidos. na medida em que essa noção pode 'ser interpretada como uma probabilidade ela que F então G' não é de modo algum o equivalente abreviado ~ representa uma probabilidade lógica ou indutiva.gistrou a associação de uma ocorrên. o explanans confere ao explanandum. por exem- contém também asserções sobre t040s os casos. j é um caso de R temente a um relatório sobre as taxas de desintegração que. não examinados plo. conforme está indicado en- essencialmente. for determinado o valor numérico de p(R.passado. permanecerão as mesmas como se os dois corpos se manti. por assim dizer. presente ou futuro. bem amparados ou mal amparados. passados. então sorá razoável nais contrafatuais e hipotéticos sobre. empregando um termo introduzido no capítulo 4. a determinação das corres- re-se ao processo de desintegração de qualquer corpo de rá. seja juntivos e contrafatuais como. Podemos então distinguir as expli- às leis probabiHsticassua foreu orcditiva c <:xoltlOatória. e como foi notado anteriormente. Se o explanans for mais complexo. as taxas de desintegração que quando um evento é explicado mediante leis probabilísticas. por exemplo: se dois corpos de ou não possível atribuir probabilidades numéricas exatas a to- das essas explicações. "pos. certamente execução de um experimento fortuito R. as considerações precedentes mostram rádi0226 forem combinados num só. E o mesmo se pode dizer das leis de forma probabilística. e implica. uma lei de forma univ'ersal 'Sempre \I I planans. J:' lação entre sentenças e não entre (espécies de) eventos. e implica condicionais sub. pondentes probabilidades indutivas para o explanandum levanta di0226.' Pois de exprimir numericamente esta probabilidade. Po- Verdadeiros ou não. que reflete o caráter p(R. esses demos dizer. dizer que a proba'bilidade indutiva conferida pelo explanons ao síveis ocorrências de F": é justamente essa característica que dá explanandum tem ~ste mesmo valor numérico. de um relatório onde se re. Aqui também esta é a característica que dá ti vo mais ou menos forte. Se. realizam-se também con- dições da espécie G.--. Ora.F) num argu- de F. que constituem a tre colchetes. uma lei de forma probabilística assevera. mento do tipo que vimos de considerar. uma certa espécie de não é uma probabilidade estatística. foram observadas em certas amostras de rádio226. o que está ilustrado peJo nosso exemplo do sarampo de Pauli- tinção entre leis de forma universal e leis de forma probabilís. existe um modo natural e óbvio cia de G a cada ocorrência' de F até então examinada. pois caracteriza uma re- I resultado ocorrerá numa determinada percentagem dos casos. dois tipos de afirmação diferem quanto ao caráter lógico e é que a probabilidade em questão representa a credibilidade ra- sobre essa diferença que se baseia a nossa distinção. que sob certas condições. a essas leis o seu poder explan. nho. Mas. ainda. condicio. a alta probabilidade que. mas à forma deles. () explanans confere ao explanandum somente um suporte indu- vessem separados. Uma lei de forma universal é j é um caso de F essencialmente uma afirmação de que em todos os casos onde (faz altamente provável) j é um caso de R são realizadas condições da espécie F. Mas este argumento esquece que a dis. A lei que diz ser a p(R.- I" 88 FILOSOFIA DA CIÊNCIA NATURAL As LÊIS E SEU PAPEL NA EXPLICAÇÃO 89 que a evidência de apoio achada para elas é sempre a de um o CARÁ'FER INDUTIVO DA EXPLICAÇÃO PROBABILíSTICA conjunto de descobertas e verificações finita e logicamente in- conclusivo.atório.

o vnlor avaliado ou esperado probabihsticamente' dessa grandeza está rapidamente um número muito grande de moléculas movendo-se ao ac'<lSO III.501 miligra. experimentalmente e estão sujeitas à lei de Graham. nas mesmas condições de temperatura e de pressão. a teoria faz certas supo. P. tos mas finitos enxames de moléculas que constituem os gases mas. satisfazendo assim à lei de Graham. portanto. uma interpretação probabilística não explica a ocor. para outro exemplo. Physlcal Sc/enc~. "mais prováveis". através de uma parede porosa delgada são inversamente pro. em questão. Essas supo- rência de um evento. terão diferentes velocidades cujas ocorrências indutivo. 1963). considera. as mente certo que elas sejam. com temper-aturae pressão Diz-se às vezes que justamente por causa do seu caráter :r determinadas. depende- ponhamos que o que fica dessa quantidade após 3. Para mostrá-Io. quanto maior for a quantidade de gás difundida por explicação. mais leves serão as suas moléculas. R. inversamente pro- velocidades com que diferentes gases escapam. que são medidas desintegração radioativa de um miligrama de polôni0218. B. que . de fato. a gases. pois essa lei. ou difundem-se.499 e 0. Podemos dizer que este fato fica explicado pela lei pro. para exemplo. já que o explanam não exclui logica. A distinção. .que as ve- vez maior que as leis e as teorias probabilísticas desempenham locidades médias dos diferentes gases possuirão nas mesmas na ciência e nas suas aplicações faz que seja preferível condições de temperatura e pressão. que mudam freqüentemente em "ubll. não mostrada exphcitamente nessa apre- aonlnçfto. . Do ocorrência num caso particular pode ser esperada com "cer. SnndlJ. Mas as velocidades reais de difusão. é pratica- do ela. Addison-Wes1ey c. nos compêndios e nos gás que se difunde através da parede. Mas o papel importante e cada rados . to próximos dos "mais prováveis" e que. segue-se apen-as que. da razã9 pela qual os gases exibem a uniformidade A explicação se apóia na consideração de que a massa do expressa pel-a lei de Graham. a lei de Graham terá sido explicada se se puder mostrar que as velocidades moleculares médias dos diferentes gases puros 7 As velocidades "médias" aqui mencionadas são tecnicamente definidas como são inversamente proporcionais às raízes quadr-adas dos seus volocldades quadráticas médias. Mass.:o. de Parece razoável dizer que esta interpretação fornece uma modo que. Como mostra a teoria. é esmagadoramente provável que a qual- teoria cinétioa dos gases para a generalização estabelecida em. Th. a probabilidade do resultado mas finita série de lançamentos de um mesmo dado e a cor- mencionado é incomparavelmente maior. sições permitem calcular os valores probabihsticamente espe- mente a sua não-ocorrência. Feynman Leclu. e que este comportamento fortuito exibe leis de forma universal e que as últimas efetuam uma subsunção certas uniformidades probabilísticas . M(ld~". é propor. de modo que a sua respondente probabilidade de sair um ás com este dado. Segun.7 porcionais às raízes quadradas dos seus pesos moleculares. dado o enorme número de átomos à relação entre a proporção de gases que ocorrem numa vasta num miligrama de polôni0218. no capo 6 (especialmente seção 4) de R. em correspondentes avaliados probabihsticamente. entre o valor médio de uma grandeza para um número finito de casos sições cuja significação ampla é a de que um gás consiste de . Leighton n M. E os valores médios reais estão relacionados aos babilística da desintegração do polôni0218. a explicação dada pela léculas envolvidas. Foundallons of pesos moleculares. embora "apenas" com probabilidade associada segundo através da parede. T 90 FILOSOFIA DA CIÊNCIA NATURAL As LEIS E SEU PAPEL NA EXPLICAÇÃO 91 zendo que as primeiras efetuam uma subsunção dedutiva sob virtude das colisões. tratados de Física. Feynman.Clllld. Tomemos.. Su. por segundo. como estes.es on Physlcs (Reading. portanto. os chamados valores "mais prováveis" . em particular. de maneira que é essencialmente análoga implica dedutivamente que. muito alta. que babilístico são amplamente apresentadas como explicações. Um esboço sucinto da explicação teórica da lei do Oraham pode ser achada no capo 2S de Holton e Roller.om velocidades diferentes.. porcionais às raízes quadradas de suas massas moleculares.teoricamente se concluiu sobre as avaliações probabilísticas teza prática". as interpretações teóricas deste gênero pro- cional à velocidade média de suas moléculas e.r as interpretações baseadas nesses princípios também esses valores médios mais prováveis são de fato inversamente como explicações.hlnll l..05 minutos rão dos valores reais que as velocidades médias têm nos vas- tenha uma massa compreendida entre 0. aos valores combinação com os princípios da probabilidade matemática. ~~ --. a de indutiva sob leis de forma probabilística. quer instante as velocidades médias reais tenham valores mui- ptricamente que se chamou lei de difusão de Graham. 'I têm probabilidades diferentes bem determinadas. em vista do número muito grande de mo- Tomemos. embora de espécie menos rigorosa que as proporcionais às raízes quadradas dos pesos moleculares dos de forma dedutivo-nomológica. que as moléculas de um dado gás.

moleculares e atômicos. por assim dizer. diri- a natureza da luz. As teorias corpuscular e on. Assim é que a refração de um feixe de luz gem os processos orgânicos de tal modo que. da re. quando afasta- minosas mais lentas num meio mais denso e. dos fenômenos biológicos. pela teoria ondul':i. Recordemos. cessos num organismo em desenvolvimento que. dentro das básicas admitidas para os processos subjacentes que descreviam possibilidades deixadas em aberto por esses princípios. interpreta tinam. Consideremos alguns exemplos. como se obe- laridades. pela teoda cor. denominados forças vitais ou enteléquias. como conseqüências das leis violar os princípios da Física e da Química e que. quase sempre. an- e sobre a estrutura do universo. Com este fim. por trás ou por baixo deles e que espécies. Acidental- . Nos capítulos precedentes tivemos repetidamente ocasião de mencionar o importante papel que 'as teorias desempenham As entidades e os processos básicos introduzidos por uma na explicação científica. a regeneração em certas es- os fenômenos como manifestaçõesde entidades e de processos pécies dos membros amputados. proporcionar uma compreensão mais profunda e mais mente teleológicos. ser especificadas com clareza e precisão apropriadas. g bem sabido que os sistemas vivos caso A teoria procura então explicar essas regularidades e. sobre as partículas de luz pelo meio mais denso. assim como as leis admitidas para governá-Ios. decesse ':i um plano comum.. "aparentes". esses fenômenos não ocorrem nos car os movimentos observados. como conseqüência de serem as ondas lu. tes. natureza não-física. ~ -----. dos astros. em indivíduos normais e os organismos adultos.. dos do estado de funcionamento apropriado. teoria. são manifestações de agentes teleológicos subjacentes. da refração e da difração. sistemas desprovidos de vida e não podem ser explicados por diante suposições apropriadas sobre seus movimentos "reais" meio de conceitos e leis da Física e da Química somente. isto é. Vamos agora examinar sistematica. esta concepção não implicava somente o obser\''<ldo des- vio de um feixe luminoso. as enteléquias. devem mente e com alguma minúcia a natureza e a função delas. de dulatória da luz explicaram as uniformidades previamente es. sença de fatores perturbadores.. De Os sistemas de Ptolomeu e Copérnico procuraram expli. em exibem uma variedade impressionante de aspectos distinta- geral.ou princípios ram avariados ou mesmo cortados em vários pedaços no iní- teóricos. me. implicava também que as partí- 6 culas de luz são aceleradas quando penetram em meio mais denso e não retardadas como afirmava a teoria de Huyghens. --. a teoria cinética dos gases fornece explicações para uma vasta variedade de regularidades As CARACTERíSTICAS GERAIS DAS TEORIAS empuiC':imente estabelecidas. Essas implicações antagônicas foram submetidas a uma veri- ficação cerca de duzentos anos mais tarde por Foucault. de outro Uma teoria é usualmente introduzida quando um estudo modo. caracterizados pelo fim a que se des- 'ílpurada dos fenômenos em questão. de maneira específica que se admite não flexão. os embriões se transformam tória de Huyghens. são a ele recon- puscular de Newton. de organismos normais a partir de embriões que fo- são governados por leis teóricas característica!. o desenvolvimento. prévio de uma classe de fenômenos revelou um sistema de uni. Para dar mais um exemplo. concebendo-as como manifesta- ções de regularidades estatísticas em subjacentes fenômenos . mesmo na pre- ao passar do ar para o vidro foi explicada. tabelecidas. que permitem expliQar as uniformidades empíricas cio do crescimento. combinada com outras suposições básicas da teoria de Newton. expressas nas leis da propagação retilínea. ) As TEORIAS E A EXPLICAÇÃO TEÓRICA 93 'mente. Este ponto importante é ilustrado pela concepção neovitalista formidades que podem ser expressas em forma de leis empíri. entre outros. Agem. acordo com o neovitalismo. em outras que estão. conduz ao indivíduo adulto. na AS TEORIAS E A EXPLICAÇÃO TEÓRICA experiência rapidamente mencionada no C1)pítulo 3 e cujo re- sultado ':ipoiou a implicação relevante da teoria ondulatória. e a notável coordenação de numerosos pro- previamente descobertas e. a teoria não poderia servir ao seu propósito científico. como devida à atração mais forte exercida duzidos. prever "novas" regu.

(N. quali. por exem. I'. quando um. um gás. à velocidade tos planetários fornecida pe}a teoria de Newton. dizer que comport-amento biológico ocorrerá sob determinadas predizer ou retrodizer. compreender neste sentido não é o que se quer em ciência e um sistema conccptual que explique os fenôm~nos neste sentido intuitivo não será. com eles. pode ser inferido da doutrina. é estabelecida pela hipótese de dade e. que a formulação suficientemente precisas para permitir a derivação de implica.expressas pelas leis ~o movimento e pela a qual a pressão de um gás. mais "à vontade" da órbita de Netuno. poste- mais profunda desses notáveis fenômenos biológicos dando-nos riormente.'F - \ 94 FILOSOFIA DA CIÊNCIA NATURAL As TEORIAS E A EXPLICAÇÃO TEÓRICA 95 Esta concepção parece fornecer-nos uma compreensão irregularidades registradas no movimento de Urano e. Não in. posição contêm a hipótese sobre a proporcionalidade da taxa de ramente quando o comparamos com a explicação dos movimen. à temperatura constante. que não podem ser vistos ou tocados. de "micronível". do T. as hipóteses internas invo- nais cada conjunto de corpos físicos com massas e posições co. pressão. nem e os processos básicos invocados pela teoria. a descoberta de Plutão baseada nas irregularidades a impressão de ficarmos mais familiarizados. de uma teoria pedirá a especificação de dois tipos de princípios ções específicas concernentes aos fenômenos que ela pretende que chamaremos abreviadamente de princípios internos e princí- explicar. Os últimos indicarão como esses aspecto particular do desenvolvimento do embrião. que caracterizam os "microfenômenos" em nível molecular e os lista nos permite fazer é um pronunciamento post factum: princípios de transposição são os que ligam certos aspectos dos "Mais uma manifestação das forças vitais!". Por isso. discutida perar em virtude das suposições teóricas . . remontando ao ano o ao seu volume e diretamente proporcional à energia cinética de 1066. :B o que se vê cla. os princípios internos são os "diretiva orgânica" é encontrado. Ambas as con. tudo que a doutrina neovita. já estam os familiarizados e que a teoria pode então explicar. em linhas gerais. cadas são as mesmas que para a lei de Graham. que é quantidade definida em termos cepções invocam agentes imatcriais: forças vitais por uma.) . a ligação com rihecidasexerce sobre os outros. assim como as leis de que modo específico dirigem os processos biológicos: nenhum a que supostamente obedecem. mente proporcional ao seu volume. o ças gravitacionaispela outra. "prlncfpios-pontc" (bridge principieI). predizer que o cometa por ele observado em 1682 voltaria em gundo à unidade de área da parede. Os PRINCÍPIOS INTERNOS E OS PRINCíPIOS DE TRANSPOSIÇÃO ficado como uma teori. Poder de que Halley tirou partido para dade de movimento total que as moléculas comunicam por se-. for. suposições sobre o caráter fortuito dos movimentos moleculares' tância de serem as enteléquias concebidas como agentes imate. é inversa- lei da gravitação. Essas suposições levam a 1759 e para identificá-Ioaos cometas cujo aparecimento havia concluir que a pressão de JIm gás é inversamente proporcional sido registrado em seis ocasiões prévias. os princípios internos incluem as Esta inad~quação de neovitalismo não é devida à circuns.a científica. nem esta nos habilita a pre. que determinam: a) quais forças gravitacio. :Besta característicaque dá à teoria o poder de ex. As suposições feitas por uma teoria científica sobre os processos subjacentes devem ser Pod::mos então dizer. novo tipo de Na teoria cinética dos gases. Mas a teoria newtoniana contém Na explicação pela teoria cinética da lei de Boyle. que é característica macroscópica do gás. de localização são provocadas por que a pressão exercida por um gás sobre o recipiente que o con- essas forças. Na explicação da lei de difusão de Graham. tém resulta dos choques das moléculas sobre as paredes dess~ plicar as uniformidadespreviamente observadas e também o de recipiente e é quantitativamente igual ao valor médio da quanti- predizer e retrodizer. difusão.ans- ri ais. na posição prevista pelo cálculo feito a partir das · Lltcralmcntc. processos estão relacionados aos fenômenos empíricos com que plo. somente por esta razão. a teoria o explica!" na sexta parte do capítulo 5. nenhuma base ela microfenômenos a correspondentes feições "macroscópicas" de nos oferece para dizer: "Isso é justamente o que se deveria es. e as leis probalísticas que os governam e os princípios de tr. condições experimentais.-. -. pios de transposição. segundo hipóteses específicas. e b) quais mudanças de veloci. Vejamos alguns exemplos. a macroquantidade. conseqüentemente. Poder que permitiu a espetacular descoberta do pla- neta Netuno. E a isso a doutrina neovitalista não satisfaz. * Os primeiros caracterizarão as entidades dica sob que circunstâncias as enteléquias entram em ação. Mas. média de suas moléculas.

Podemos acrescentar agora que mite. di- moléculas de uma determinada massa de gás permanece cons.E onde h é a cons. os fenômenos que léculas. com aspectos mais ou menos diretamente observáveis ou processos básicos postulados por uma teoria não precisam ser mensuráveis de sistemas físicos de tamanho médio (e. mais do que admitidas. entre as de Boyle. A medição deles é um procedimento alta- pio. medir e descrever. 'salto quântico'). característicos ('núcleo'. como vimos. e a fórmula de Balmer decorre rigorosamente das 'comprime. como vimos. b) para um eléctron de um átomo implicações desses princípios teóricos só poderão ser verificadas de hidrogênio só são permitidos níveis energéticos que formam se forem expressas em termos de coisas e ocorrências com que um conjunto discreto (teoricamente infinito). cípios internos de uma teoria formulados em termos teóricos tante universal de Planck e c é a velocidade da luz. lacionem os dois conjuntos de conceitos. Mas no contexto que esta- Nestes dois exemplos pode-se dizer dos princípios de trans. conduz evidentemente à lei mente indireto que se apóia em numerosas suposições. Sem princí- I -. suas quantidades de movimento e suas ener. e da hipótese b) acima. estejam "de antemão compreendidos". que não po. essas suposições. este é o papel desem- nam as entidades teóricas "inobserváveis" com o que deve ser 1I penhado pelos princípios de transposição (correlacionando por explicado . portanto. experimentais". como mostra a explicação dada por Bohr da ge.E já estejamos familiarizados. dos independentemente dela. Os princípios internos invocados poderíamos dizer. c) a energia 6. gamos.nto de onda associado a uma raia espectral') que. c) /6. Em outras palavras. tão pressupostas no próprio enunciado da uniformidade para a dem ser observadas ou medidas diretamente (tais como as mo. que per. os comprimentos de onda das raias existentes no exemplo a energia liberada num salto de eléctron com o com- espectro de emissão do hidrogênio. e não po- hipótese de transposição: a de que a energia cinética média das dem ser medidos tão simplesmente e tão diretamente como. quando os eléctrons nos átomos individuais saltam para um ní. cada uma das raias no espectro d:e hidrogênio corres. este princí. hipóteses teóricas de Bohr. correspondem pelos princípios de transposição às entidades e aos gias). que se referem a essas entidades e a esses processos. qual se procura uma explicação. o comprimento e a largura de um retrato ou o peso de tante enquanto permanecer constante a temperatura.. As I. as implicações verificáveis devem ser expressas ponde a um "salto quântico" entre dois níveis energéticos de. Em conse. 'nível energético'. na teoria de Bohr) e são. embora sejam os prin- to de onda À dado pela lei À = (h. -- 96 FILOSOFIA DA CIÊNCIA NATURAL As TEORIAS E A EXPLICAÇÃO TEÓRICA 97 média de suas moléculas. junto com a prévia conclusão. da teoria requer evidentemente premissas adicionais que corre- hipóteses a) e c) são princípios de transposição: correlacio. termos aqui incluem as hipóteses que caracterizam o modelo de Bohr que tenham sido introduzidos antes da teoria e possam ser usa- para o átomo de hidrogênio como constituído de um núcleo po. terminados. A explicação de Bohr está por ela (tais como os saltos de eléctrons de um nível energé- b3seada nas seguintes hipóteses: a) a luz emitida pelo vapor tico para outro. calcular facilmente os comprimentos de onda sem eles ela seria inverificável. Mas as vel energético mais baixo. uma teoria tratam de peculiares entidades e processos postulados finito) no espectro do hidrogênio. A eles nos referiremos como ter- sitivo e de um eléctron que se move em torno dele em uma ~ mos de antemão disponíveis ou termos pré-teóricos. em termos (como 'vapor de hidrogênio'. suas massas. mos considerando. g. I. 'eléctron orbital'. um saco de batatas. expressos "excitado" elétrica ou termicamente resulta da energia libertada em grande parte à custa de "conceitos teóricos" característicos. que saibamos de antemão observar. -- . Esses comprimentos de onda primento de onda da luz emitida como resultado). não teria poder explanatório. libertada por um salto de eléctron produz luz de um comprimen. Mas os princípios de transposição nem das. Sem princípios de transposição. cada uma das quais dessas implicações verificáveis a partir dos princípios internos corresponde a um nível de energia. cujos princípios estão pressupostos na observação e na me- sempre relacionam "inobserváveis teóricos" com "observáveis dição deles. A derivação ou outra de uma série de órbitas possíveis. es- posição que eles ligam certas entidades admitidas. Pois os princípios internos de das raias discretas que aparecem (em número teoricamente in. 'espectro de emissão'. quais as da teoria ondulatória da luz. Assim. uma teoria neralização empírica expressa pela fórmula de Balmer. qüência. a "diretamente" observáveis ou mensuráveis: podem muito bem temperatura medida por um termômetro ou a pressão medida ser caracterizados em termos de teorias previamente estabeleci- por um manômetro). A explicação usa então uma segunda não são observáveis no sentido ordinário da palavra.

Assim é que a teoria de Newton conduziriam a implicações confrontáveis com o que já nos é mostra que as leis de Kepler só valem aproximadamente e ex- familiar e a exigência de verificabilidade seria viol'<lda. é uma constante (o dobro do fator 490 na fórmula 's = 490t2'). . pois segundo a segunda lei newto- que suporta a confirmação e a aceitabilidade das hipóteses cien. gamente a teoria de Newton interpreta a lei galileiana da queda portância decisiva. que as leis empíricas pre. os princípios internos de uma teoria não rigor exatas e sem exceção. dores são pequenas em re1-ação à massa do Solou grandes são gênio não fundamenta apenas a uniformidade expressa pela fór. e a lei de Galileu vale com boa aproximação espectro do hidrogênio. Al. I 98 FILOSOFIA DA CIÊNCIA NATURAL As TEORIAS E A EXPLICAÇÃO TEÓRICA 99 . E a teoria de Bohr do átomo de hidro. altitude. uma boa que separa o corpo do centro da Terra. mas também as leis empíricas -análogas I para quedas livres de pequenas alturas. seria de COMPREENSÃO TEÓRICA fato uma elipse. à força aplicada e segundo a lei newtoniana da gravitação essa Num campo de investigação onde já se conseguiu alguma força é inversamente proporcional ao quadrado da distância compreensão p~lo estabelecimento de leis empíricas. vista pela teoria cinética dos gases como manifestação de certas Assim é que. Observações semelhan- teoria aprofundará e alargará essa compreensão. I Gepção torricelliana de um oce-ano de ar levou Pascal a prever Uma teoda aprofundará também nossa compreensão mos. meio homogêneo a luz não se propaga rigorosamente' em linha cesso subjacente e . embora de im. mas ao fazê-lo mostra também que a elucidar grande coisa e sem despertar interesse científico. Uma das razões é que a aceleração de queda livre não científica não é possível dizê-lo de maneira muito precisa. marés etc. das estrelas duplas e dos satélites ar. nklna do movimento a aceleração é diretamente proporcional tíficas. zes. Mas isso seria deformar completamente '<lvisão pro- teoria newtoniana do movimento e da gravitação. Em primeiro tes aplicam-se às leis de óptica geométrica encaradas do ponto lugar. ao contrário. dos cometas. inclusive várias séries cujas raias se I mento e nossa compreensão ao predizer e explicar fenômenos encontram nas partes invisíveis infravermelho e ultravioleta do que não eram conhecidos no momento de ser formulada: a con- espectro. pêndulo simples.apresentando as diferentes uniformidades em.~ pios de transposição. sujeito apenas à influência gravitacional deste. Por exemplo. pois esta pode satisfazê-Ias sem sob atração gravitacional. E as leis da óptica geo- píricas exibidas por eles como manifestação das mesmas leis métrica para a formação de imagens por espelhos curvos ou por básicas. pode ser difratada por uma aresta. uma boa teoria pode alargar nosso conheci- raias do mesmo espectro. mesmo em de fenômenos bem diversos. cas (queda dos corpos. que o comprimento da coluna barométrica diminuiria com a trando. vendo atrás deles um mesmo pro. são apenas condições necessárias mínimas a livre como manifestação especial das leis básicas do movimente) serem s~tisfeit'<lspor uma teoria. que se refere somente a uma série de raias no tância deste ao Sol.) está subsumida nos princípios básicos da cá-Ias. não são a somente explicou '<l já conhecida rotação lenta da órbita de . oferecerá uma interpretação sistematicamente unificada de vista da teoria ondulatória da luz. movjmentos da Lua. justifica com rigor a vasta variedade de uniformidades revel'<ldas pela experiência é aproximação em que valem aquelas generalizações empíric-as. Cumpre agora acrescentar algumas observações. Toda uma porcionada pela teoria que. . como o faz freqüentemente. gumas delas foram sugeridas no capítulo 4.sa elip- se rigorosa em virtude da atração exercida pelos outros planetas e de modo que a teoria permite calcular com exatidão. as leis de Kepler são uniformidades probabilísticas fundamentais nos movimentos for. mas a trajetória verdadeira se afasta des. Poder-se-ia ficar tentado a dizer que as teorias. cuja explicação ela procura. muitas ve- dos planetas. lentes só valem aproximadamente e dentro de certos limites. Analo- A verificabilidade e o poder explanatório. refutam as leis previamente estabelecidas em vez de expli- tificiais. a teoria einsteiniana da relatividade generalizada não viamente formuladas. lei (mesmo restrita à queda livre no vácuo) só vale aproximativa- Quais são as características que distinguem uma boa teoria mente. reta. Toda uma enorme diversidade de regularidades empíri. plica por que: a órbita de um planeta que se movesse em torno do Sol. perfeitamente válidas quando as massas dos planetas perturba- tuitos das moléculas. que representam os comprimentos de onda de outras séries de Finalmente. segundo as leis de Newton. as distâncias deles ao planeta em questão relativamente à dis- mula de Balmer. ao discutirmos o mas cresce durante a queda.

missão e de tantas outras aplicações. Pois delicadas experiências.o 1. Eddington campo gravitacional. são..acterísticas importantes das ondas eletro. base da tecnologia da radiotrans. de modo que o papel fica praticamente man- tido no mesmo nível como se fora uma peteca. a teoria admite sem discussão que existem esses empíricos familiares que as Ciências Naturais conseguiram che. . postulados pelas teorias estabelecidas. Tem exten. não los em termos de microestrutura dos gases e dos microproces- é pois de surpreender que alguns pensadores considerem as es- truturas. é insustentável. sobretudo. mas o tamanho total delas não chega à muitas vezes também uma correção delas.. 1 A.I1preensivae mu. convenceu-me que a minha segunda as leis que são formuladas ao nível da observação acabam por mesa. e que "realmente" são ape- .. ix-xII (grifo no original).1 uma exposição muito mais cOI. mostrar que as coisas e os acontecimentosfamiliares à experiên- ples de forma universal.I 101 100 FILOSOFIA DA CIÊNCIA NATURAL '. acontecimentose uniformidadesmacroscópicase procura explicá- gar às suas concepções mais profundas e de maior alcance. S. é substancial. Eddington. (Entretanto) suporta o papel em que escrevo tão satisfatoriamente quan.ito mais exata. e passa a expor disse a existência e car. as diferenças entre as duas mesas: magnéticas. foi descendo abaixo do nível dos fenômenos Ao contrário.I nas enxames de moléculasa zumbirem em movimentoscaóticos. onde ocorressem talvez apenas apresentação.. nos proporciona é muito mais profunda que a fornecida por leis to a mesa n. Esta é a opinião de Eddington na provocante introdução permissão da Cambridge Unlversity Press. Com efeito.. há empíricas. valer de um modo apenas aproximado e dentro de certos limi. cia quotidiana não estão "realmente ali". A visão que a teoria bilionésima parte do tamanho da própria mesa. que se difundem através das paredes porosas com velocidadescaracterísticasetc. é a única que realmente está ali . 1929). citado com gentil verso.. sendo proprie- do nosso universo e tentando explicá-los. A mesa n.. como foi discutido no dade intrínseca de uma substância a de ocupar espaço com exclusão de outra substância . -. usando uma lógica implacável e as mais serváveis. Seja como for. recorrendo entretanto teoricamente a entidades e eventos seguirá esconjurar a . como foi posteriormente confirmado pela obra ex.. aproximou suas cadeiras de suas duas mesas. :e Previsões espetaculares como estas certamente reforçam . que permanece visível aos meus olhos e tangível ao meu tato. As TEORIAS E A EXPLICAÇÃO TEÓRICA I Mercúrio mas predisse o encurvamento de um raio de luz num ao seu livro The Nature 01 the Physical World. feita quase que exclusivamente de vazio. e a teoria maxwelliana do eletromagnetismo pre.primeira mesa .. por meio de leis enunciadas em termos desses ob~ Física moderna. Uma delas me é familiar desde a infância. . é relativamente permanente. The Nalure of lhe Physlcal World (Nova York: Caro- bridge Unlversity Press. está em saber se o papel está equilibrado como se estivesse parece ser um fato que. Poder-se-ia mesmo pôr em dúvida que sejam concebíveis mUD- dos mais simples onde todos os fenômenos estivessem por assim Mas essa concepção. ou se está amparado aspectos mais ou menos diretamente observáveis ou mensuráveis porque existe uma substância embaixo dele. Não é o objetivo nem o efeito das explicaçõesteóricas possibilidades e estritamente de acordo com algumas leis sim. como foi depois confirmado por medições começa dizendo aos leitores que. b perimental de Heinrich Hertz.. II . por mais persuasiva que seja a sua dizer na superfície observável. Tudo só pode ser a1cançada por uma teoria apropriada. como os únicos constituintesreais do uni. podemos chegar a atávico . Dispersas nossa confiança numa teoria que já nos deu uma explicação nesse vazio estão numerosas cargas elétricas movendo-se com sistematicamente unificada de leis previamente estabelecidas e grande velocidade. é colorida e.. a científica.estranho composto de natureza exterior.o 2 é a minha mesa científica. nossos esforços teriam um sucesso bem limitado. as forças e os processos subjacentes. A teoria cinética dos gases certamente não mostra que não existem coisas como os corpos macroscópicos gasosos que mudam de volume quando o '''STATUS'' DAS ENTIDADESTEÓRICAS muda a pressão. astronômicas.. Nem preciso acrescentar que a Física moderna jamais con- tes. de imagens mentais e de preconceito subjacentes à superfície qu~ nos é familiar. dentro de uma estreita faixa de primi-lo. pois quando coloco a folha sobre esta. ao sentar-se para escrever. mesmo nos limitando a um estudo dos sobre um enxame de moscas . Explicar um fenômeno não é su- mudanças de cor e de figura. pp. daí ter-se formado a opinião de que uma explioação uma sucessão vertiginosa de choques das partículas elétricas cientIficamente adequada de uma classe de fenômenos empíricos contra o verso.- f I' . Não preciso dizer que a capítulo 5.

não são ab. a velocidade de difusão . um corpo. Contudo. tivamente medidos. Que os ma. as teorias. o volume. o conceito pode ser usado de maneira precisa e mas. acima do ponto de ebulição do mercúrio. como a pres. quando muito formam uma conveniente e efetiva apare. Portanto.ativos. mas somente uma determi- sos subjacentes a mesa exibe aquelas características macroscó.que ~ No próximo capítulo examinaremos melhor como se de- estão associadas com macroobjetivos e macroprocessos. num gráfico. inversamente proporcional à aceleração comunica da pela força nião diametralmente oposta a esta que acabamos de considerar. Esta opinião foi sus. os pontos represent. -- ~i. Não se define assim o significado pleno da massa de Em linhas gerais. Por ora. a teoria pode. mo o aparecimento de raias características num espectr6grafo ramente na referência explícita que os seus princípios de trans. nada sobre a natureza de um corpo gasoso ou de um objeto sólido. gem de uma descarga elétrica através do gás hidrogênio). ceito de massa. os simbólica. podemos unir por curvas novos conceitos são ligados aos já disponíveis sugere que essas definições possam ser de fato inatingíveis. qual não se tem uma definição plena. E pode ser aplicado além desses limites pela especifi- pretender que os objetos quotidianos e suas características fa. desses limites. não discute essas coisas vera. estam os longe de objetiva. cação de outros métodos para medir temperáturas. os princí- malmente simples e convenientemente descritiva e preditiva das pios de transposição fornecem critérios para o uso dos termos coisas e dos acontecimentos observáveis. lhagem simbólica para inferir certos fenômenos empíricos (co- crofenômenos estão pressupostos pela teoria é o que se vê cla. dos pares de valores simultaneamente determinados gumento. Por exemplo. carecer de uma pela experiência de duas variáveis físicas. via de regra. são. exemplo é dado pelo princípio de que a massa de um corpo é Alguns cientistas e alguns filósofos da ciência são de opi. Mas. a temperatura. por sua vez. teóricos em termos de conceitos já compreendidos.t ~ r. a caracterização picas. Analogamente. evidentemente. Mas.aziam as teorias corpu~cular sos. a teoria atômica da matéria não nega que a mesa apenas que a exigência de uma definição plena é demasiado se- é um objeto substancial. a tentada de várias maneiras e com razões bem diversas. que pretendem falar sobre certas entidades e ocorrências teórioas. termos teóricos e os princípios teóricos tudos filosóficos sobre a questão pode ser resumido da seguinte que os contêm sejam meramente dispositivos de computação maneira: para que uma teoria tenha uma significação clara. eles negam a existência de "entidades teóri. novos conceitos teóricos usados na sua formulação devem ser Um segundo argumento contra a existência de entidades clara e obJetivamente definidos em termos de conceitos já dis. pode em princípio ser subsumido em leis ou teo- ria e um exame lógico mais cerrado da maneira pela qual os rias muito diferentes. por menor que seja a parte considerada. teóricas difere bastante do primeiro: poníveis e compreendidos. uma teoria expressa em termos de conceitos tão ina- dequadamente caracterizados deve. concepção de que os. dentro feitamente homogêneos. nação parcial do seu significado. f: possível tornar claro e preciso o uso de um conceito do e procura mostrar em virtude de que aspectos dos microproces. Mas quando duas teorias alternativas se aplicam aos mesmos solutamente enunciados precisos. O mesmo se pode dizer sobre.\ ) muito diferentes. mas consegue-se uma caracterização parcial que per- cas" ou acham que as hipóteses teóricas sobre elas são ficções mite a verificação de certos enundados onde aparece o con- engenhosamente inventadas. convenientemente colocado) a partir de outrqs (como a passa- posição fazem a características macroscópicas . não são verdadeiros nem fal. e ondulatória da luz antes dos "experimentos cruciais" do sé- . Por exemplo. continua o ar- . como vimos. Ao fazê-Io. revelar serem do conceito de temperatura pelas leituras de um termômetro de enganos certas noções particulares que poderíamos ter mantido mercúrio não fornece uma definição geral de temperatura. 102 FILOSOFIA DA CIÊNCIA NATURAL As TEORIAS E A EXPLICAÇÃO TEÓRICA 103 sos que estão envolvidos nas suas transformações. cada uma dessas cur- vas representa uma lei compatível com os pares associados efe- significação plenamente definida: seus princípios.como o f. que permitem uma concepção for. Do termina o significado de um tt:rmo científico. em qualquer teoria. diz sobre uma temperatura abaixo do ponto de solidificação ou como por exemplo a noção de serem esses corpos físicos per. fenômenos empíricos . sólido e duro. tais definições Qualquer conjunto de fatos empíricos. por mais rico e va- plenas não são forneci das na habitual formulação de uma teo- riado que seja. !r aplicada. notemos mesmo modo. ao corrigir concepções falsas como esta. ausência de definições plenas difIcilmente poderá justificar a Um tipo de consideração que influenciou os recentes es. Outro miliares não estejam "realmente ali".

entretanto. as engrenagens e as. Analoga. se alguma o for. . dos os processos cuja presença ou ocorrência pudesse ser rias que pretendem ir além dos fenômenos de nossa experiência constatada por observadores humanos normais "imediatamen- podem. e o foram. evidente. "saída" é a observada entre as variações de pressão e as corres- racterística que permeia todo conhecimento empíric9. -. A hipótese adicionais discordantes pelas quais podem ser. Foi com razões l' e teorias interpretativas. parece ouvir um pássaro cantar que não devemos admitir a existência arbitrário rejeitar como fictícias as entidades postuladas teorica- mente. sub. ca- deste jaez que o eminente físico-filósofo Ernst Mach. Essa inspeção direta é que ela introduz sejam reais. referir-se somente a entida. uma descrição sistemática e coerente dos "fatos". ção. pois o som poderIa ser explicado pela hipótese de alguém estar assoviando como um pássaro. quando muito. a rigor. existem maneiras de achar qual das suposições é ver. restará sempre a possibilidade de abrir a caixa e verificar teza que uma teoria seja a verdadeira. sustentou que a teoria atômica da matéria fornecia assim como os seus movimentos solidários. do mesmo modo que as hipóteses referentes a coisas e eventos Este argumento nos obrigaria a dizer quando julgamos iI mais ou menos diretamente observáveisou mensuráveis. te entre os dois níveis? Suponhamos que se queira explicar o dadeira. -=-. mo as moléculas. todas as propriedades e to- potencialmente acessíveis aos nossos sentidos.te". Podería- verificar para saber se foi "realmente" um pássaro ou uma mos aventar uma hipótese sobre a estrutura interna da caixa pessoa ou alguma outra' coisa que produziu o som. É ver. Mas. poderia ser verificada variando as "entradas" e conferindo as metidas a uma verificação que confirme apenas uma. que responde a diferen- vido. que se a ciência se limitasse físico que pode ser "diretamente" percebido. pondentes mudanças de volume sob temperatura constante e Um terceiro argumento ainda foi aduzido e.. afinal. entre t ' tracas do nosso ex. válvulas e pilhas. ouvindo os ruídos produzidos pela dade que a eliminação gradual de algumas das hipóteses ou caixa etc. real do pássaro. Observáveis tam- um modelo matemático para a representação de certos. Mas surgiram dúvidas quanto à classificação de coisas átomos e às moléculas. mas quando nos ao estudo dos fenômenos observáveis. pois a classe de observáveis a que se explanatórias deveriam. difIcilmente seria capaz referimos a uma válvula (como poderíamos ter feito na expli- de formular leis gerais explanatórias com a precisão e o a1can.a caixa é um gás e a relação "entrada"- falha inerente às construções teórioas e sim registrar uma ca. Não é verdade porém que a distinção seja tão clara e con- menos que percebemos pelos nossos sentidos. os átomos e as pa. mente.emplopertencem certamente a essa classe. . Inegavelmente. Hipóteses e teo. acessíveis à observa- uma delas fique de pé. isto é. as duas hipóteses têm outras implicações que podemos tes "entradas" com "saídas" específicas e complexas. nunca poderemos estabelecer com cer. a culares. ela deveria incluir todas as coisas. Mas se as componentes da estrutura imaginada fo- teorias rivais nunca poderá chegar ao ponto em que somente rem todas macroscópicase. ser úteis artifícios formais.--. correspondentes "saídas". mas não po. fatos. As rodas. refere não é delimitada de maneira precisa. dos fenô. as duas teorias da luz têm implicações talvez um circuito com bobinas. como vimos. em resumo. E se tuladas pela outra. 104 FILOSOFIA DA CItNCIA NATURAL As TEORIAS E A EXPLICAÇÃO TEÓRICA 105 culo XIX . a mesma "existência real" deve ser atribuída ce dos princípios que se referem a entidades subjacentes co- tanto às entidades postuladas por uma como às entidades pos. esses princípios são verificados e confirmados essencialmente dades realmente existam. outros.rtículassubatômicas. Suas suposições vincente como parece. . em última análise. existe ou não existe uma diferença importan- mente. comportamento de uma "caixa preta". cação do comportamento da caixa preta) estamos pensando . que as entidades que ~ a hipótese por inspeção direta. uma válvula é um objeto Já observamos. bém neste sentido ~ão os fios e as chaves do nosso outro exem- mas que nenhuma "realidade" física podia ser atribuída aos plo.talvez um mecanismo com rodas. sem a mediação de instrumentos especiais ou de hipóteses dem representar aspectos do mundo físico. é é explicada pelo comportamento de micromecanismos mole- o seguinte: A investigação científica visa. pois além de explicarem o som ou. Mas reconhecê-Io não é revelar uma não é possível quando . PresumIVelmente des e processos que fossem pel~ menos fatQs potenciais. engrenagens e catracas. em princípio. . como as válvulas. mas isso implica negar que essas enti. Mas.

2 Este é um sentimento que pode muito bem ser evocado por interpretações metafóricas sem qualquer valor explicativo. explicação dos fenômenos a que estamos acostumados. fenômenos com os quais já estamos familiarizados não preci- vados com auxílio de um microscópio.. Mas se como 'a propagação de ondas na água. chegaram a afirmar que para uma teoria ser de al- De resto. esta opinião não resiste a um exame mais de- humano munido de uma lente. . As explicaçõespela teoria ondulatória das leis de óptica do. sam ou não são suscetíveisde explicação científica.ancae a areia preta. qualquer mais se separarão. como um fio temática) às leis para a propagação das ondas na água. que só são visíveis ao olho Contudo. Não é esta es- pécie intuitiva e altamente subjetiva de compreensão a pro- Diz-se às vezes que as explicações científicas efetuam a curada pela explicação científica. C. jetos que só podem ser observadospor meio de contadores Gei. e particularmente pela expli- redução de um fenômeno enigmático. entre os quais o físico N. Um estudo mais completo e mais dos. Mas então ondas luminosas são análogas (porque têm a mesma forma ma- seria arbitrário classificar como fictícios objetos. dessas questões é J. Outra obra estimulante que trata que revele certas analogias com a dos fenômenos familiares. Se essa concepção puder ser dada numa conceituação penetrante. Nagel. encontra-se nos caps. senão estranho. S e 6 de E. a ciência procura explicar fenômenos "familiares" como a su- ger. pela revelação de serem os fenô- menos manifestações de estruturas e processos comuns que 2 Nossa discussão do status das entidades teóricas limitou. as te. ou nas películas de óleo. Smart. previ.amenteestabelecidas. cações. se a propriedade de ser uma válvula é contestável pela ob. ela implicaria a idéia de que os que admitir a existência de objetos que só podem ser obser.se à consideração obedecem a princípios específicos e que podem ser verifica- de algumas questões básicas importantes. cessão regular do dia e da noite e das estações. como por exemplo as leis para a propagação das vista cansada nos obriga a usar óculos para vê-lo. esta uma unificação sistemática. capilar ou uma partícula de pó. a disposição das cores no arco-íris Há assim uma transição gradual entre os objetos macros. microscópios eletrônicos e outros ins. dades fictícias seria inteiramente arbitrária. sentimento de familiaridade com os fenômenos da natureza. Quando dizemos que um fio no interior da caixa os seus princípios internos especificam para as entidades e preta é um observável. co- mo a da gravitação pela "afinidade natural" ou a dos proces- EXPLICAÇÃO E "REDUÇÃO AO FAMILIAR" sos biológicos pela obediência a forças vitais. certamente não queremos dizer que os processos teóricos devem ser "análogas a algumas leis co- um fio fino transformou-se numa entidade fictída porque a nhecidas". na verdade. a fatos e cação teórica. E pela mesma razão teremos morado. ou a areia br. de a sua força. J. o relâmpago e o trovão. trumentos. os vírus. mas uma visão objetiva. torno do Sol. uma vez misturados. os movimentos e as para caracterizarmos um objeto como uma válvula temos que colisões de bolas de bilhar.o exemplo da caixa preta per. que se alcança por princípios com que já estamos famiJioarizados. Routlcdae and Kegan Paul Lld. os movimentos dos planetas em ir além do reino dos observáveis. não moléculas. Alguns escritores. pode. câmaras de bolha. só pode ser verificada com as quais estamos familiarizados pelo uso na descrição c pelo uso de instrumentos cujas leituras para serem significati.Sem dúvida. Antes de mais nada. logo depois a de ob. de funcionar convenientemente como se mos de hidrogênio e de outros elementos invocam certas idéias admitiu na hipótese sobre a caixa preta. The Strucrure 01 Sclence. e a observação de que o café e o lei- cópicos da experiência quotidiana e as bactérias. Nova Vork: The Humanlties Press. pois a propriedade cinética dos gases e mesmo os modelos de Bohr para os áto- de ser uma válvula. os átomos e as partículas subatômicas. Sabemos que não o é. caracterização se adapta perfeitamente bem a algumas expli- mos perguntar então se uma válvula é observável neste senti. assim como referências à literatura adicional. o argumento poderia prosseguir numa direção gum valor deve "revelar alguma analogia": as leis básicas que diferente. 1963). ~ --- 106 FILOSOFIA DA CI~NCIA NATURAL As TEORIAS E A EXPLICAÇÃO TEÓRICA 107 num objeto que tem uma estrutura física característica. Campbell. as fases da Lua. as explicações trazidas pela tcoria servação imediata. Philosoph}' and Scientllic Rea/ism (Londres: tanto melhor. tais vas pressupõem leis e princípios teóricos da Física. A explicação científica não visa criar um linha traçada para djvidi-Ios em objetos físicos reais e enti. R.

. Pode parecer que desses métodos o mais óbvio... Convém pois examiná-Io imediatamente. 'espaço das fases' etc. será conveniente distinguir claramente entre conceitos. 'força'. as expressões verbais ou simbólicas que representam aqueles conceitos. com os métodos que especificam os significados dos termos científicos e com as exigências a que esses métodos devem satisfazer. Os enunciados científicos são tipicamente formulados em termos especiais. . Para que ess'estermos sirvam ao fim a que se destinam seus significados devem ser deter- minados de modo a assegurarem aos enunciados resultantes uma verificabilidadeapropriada e uma aptidão a serem usadas nas explicações. a saber: a) enunciar ou descrever o que se aceita como signifi- cado. tais como 'massa'. .é o que aconteceu também com o princí- pio da incerteza em mecânica quântica e a renúncia desta a uma FORMAÇÃO DE CONCEITOS concepçãoestritamentecausal dos processosque envolvemindivi- dualmente as partículas elementares. tais como os de massa. e talvez o I único adequado. f: o que aconteceu com as assustadoras implicações da teoria da relatividade referentes à relatividade do comprimento.-----. da massa. 108 FILOSOFIA DA CI~NCIA NATURAL Se não for. e os termos correspondentes. força.. seja a definição. ou como significados. Neste capítulo vamos considerar como isso é feito..-. isto é.como fizemos na primeira sentença desta seção ao men- cionarmos os termos 'massa'.nas predições e nas retrodições. Nós nos ocupare- mos. I' As definições são propostas com um ou outro de dois fins bastante diferentes. então. a ciência não hesitará em explicar mesmo o que é familiar por uma redução ao que não é familiar. me- diante conceitos e princípios novos que podem de início cau. 7 sar repugnância à nossa intuição.. da duração temporal e da simultaneidade. 'campo magnético'. neste capítulo. campo magnético etc. 'força' etc. De acordo com a convenção seguida em Lógica e Filosofia analítica.. formamos um nome ou designaçãopara um termo colocando-oentre aspas simples. pre- cisamos de nomes ou de designaçõespara eles. Para nos refe- rirmos a termos particulares de qualquer outra natureza. DEFINIÇÃO ". de um termo já em uso. Para este fim._~ ~ -. 'entropia'.

ou () definiendum. frase 'deve ter o mesmo significado de' está substituída pelo símbolo abreviatório '=Df': As definições estipulativas. isto é. Por ácido entender-se-á eletrólito que fornece íons de hi- O termo a ser definido. as que servem ao sL:gundo propósito são que acabamos de mendonar. o termo 'estranheza' é usado na teoria das partículas dadeiras ou falsas. é Definições como essas visam analisar o significado aceito de mostrar como evitá-Io. de uma teoria ou de algo 'menino' =Df 'criança do sexo masculino' ~ 'menina' =Df 'criança. servem para I. quer de outra espécie. . Exemplo de um "círculo descritivas pretendem descrever certos aspectos do uso con- sagrado de um termo. poderíamos sub5ti- ou tuir o termo 'criança' na segunda definição por seu defilftiens Por entendamos a mesma coisa que por ----. Partículas de carga zero e número de massa um serão cha- finiens. isto é. A elas pode ser dada a forma deve ter o mesmo ~ignificado qUi: -----.pois. cada termo usado numa teoria científica ou num dado que chamaremos mais especificamente de definições analíticas.certo sentido espe. por isso. a expressão definidora. o seu de outros termos e assim por diante. --. Quer de uma. como está especificado na primeira. mesmo. respectivamente. Por exemplo. as definições de outro já usado anteriormente. existem enunciados que podem ser considerados como definições descritivas de logicamente impossível. unidade de volume'. equivalente que não contém mais o 'Apendicite' tem o mesmo significado de 'inflamação do termo. um termo e descrevê-Io com auxílio de outros termos . 'criança' =Df 'menino ou menina' cífico no contexto de uma discussão. ocupa o lugar drogênio. Usemos o termo 'acolia' como abreviação para 'falta de As do primeiro gênero podem ser enunciadas na forma secreção biliar'. por outro lado. pode-se. onde a mais ou menos precisas e. de ouro tem maior massa que o mesmo volume de chumbo'. ser sempre substituído numa sentença pelo seu dejiniens. Exem. ou o de. Neste sentido. definir um termo . modos em que elas se apresentam na literatura científica. ideal- a definição sirva ao seu propósito. um deles pode facilmente ser posto numa das formas-padrão madas descritivas. chamadas estipulativas. formando a sentença numa. 110 FILOSOFIA DA CIÊNCIA NATURAL FORMAÇÃO DE CONCEITOS 111 b) atribuir. Para determinar o significado de 'menino'. sem nunca "cair num círculo vicioso". dizer delas que são vicioso" ter-se-ia na seguinte seqüência de dcfinições. madas nêutrons. o seu domínio de aplicação e não a sua intenção. como veremos no próximo capítulo. da linha cheia à esquerda. que definir cada termo usado no definiens à custa tipo não-analítico: determinam a extensão de um termo. trans- culino'.. por nossa vez. São definições descritivas mente. ocupa o lugar da linha fragmentada à direita. 'Simultâneos' tem o mesmo significado de 'ocorrendo ao que a do chumbo' pode ser traduzida em 'um dado volume mesmo tempo'. sem nunca definir um termo à custa significado. -. mas não menino' semelhante. por estipulação. ramo da Ciência deva ser definido com precisão. Mas isso é pois.. que pode ser uma expressão verbal ou simbólica madas o definiendum e o de/iniens. após uma definição.. Mas assim fazendo obtc- :V . como observou Quine. cada As definições que servem ao primeiro propósito são cha. que evidentemente não podem ser qualificadas como ver- exemplo. O termo 'densidade' será uma abreviação de 'massa por tem o mesmo significado que ------. introduzir uma expressão a ser usada em . com efeito. plos de definições descritivas são: Um termo definido analítica ou convencionalmente pode 'Menino' tem o mesmosignificadode 'criança do sexo mas. a sentença 'a densidade do ouro é maior apêndice' . verdadeiras ou falsas. isto é.cujos A injunção 'Define os teus termos!' tem a auréola de um significados devem estar previamente compree~didos para que sólido preceito científico. teríamos. por ções. As defi- nunca vista (tal como 'pi-méson') ou um "velho" termo que nições resultantes têm o caráter de estipulações ou conven- deve ser usado num sentido técnico específico (como. um significado especial a As expressões à esquerda e à direita são aqui também cha- dado termo. pode parecer que. Os exemplos seguintes ilustram diferentes elementares) .

indicação de uma operação bem definida que forneça um cri- máticas. e a dos é. pp. mas são incapazes de dar conteúdo culdade surgiria se procurássemos na terceira definição o signi.) LOIf/c of Modtrn Physics (Nova York: The Macmillan Company. Se são ou não definições mitivos é explIcitamenteespecificada e todos ás outros termos no sentido estrito. isto é. Alguns dos termos de tornassol azul.que deve ser conside- II rado como indicando que o termo se aplica ao líquido dado. como ficou sugerido no capítulo 6. hoje clássica. W. Phl/osophy 01 Molhtmal/cs. empírico aos termos definidos. que define o termo 'menino' à custa de si mesmo (e de outros etc. portanto. Tais definições desempenham um papel importante na for- termos) e. Este critério indica uma bem definida opera- teoria puramente matemática: em Mecânica. do E. isto priamente teóricos. fracassa no seu intento.coloque-senele uma tira de papel termos pré-teóricos.1 .para aceleração de um ponto material são definidos como a primeira achar se o termo se aplica ou não a um dado líquido. obedecendo ao preceito de definir cada termo de um cos por meio de expressões já compreendidas. A única maneira de escapar a esta difi. Para este fim.I Quanto aos termos usados numa teoria científica. bem definição dentro do sistema e que servem de base para Bridgman. a velocidade e a ção de teste . 1I 'i. exatamente~omo numa virar vermelho. um dêuteron pode ser definido como para o vermelho da cor do papel . -~ J 112 FILOSOFIA DA ~NCIA NATURAL FORMAÇÃO DE CONCEITOS 113 ríamos a expressão 'menino ou menina do sexo masculino' o núcleo do isótopo de hidrogênio cujo número de massa é 2. em teoria atômica. con. por 2 A primeira exposição. são necessários ficado de 'menina'. Mas neste termos que havíamos chamado de pré-teóricos. por meio de um vocabulário pré-teórico. nista que surgiu da obra metodológica do físico P.pois tivos'. e men- e a segunda derivadas da posição desse ponto em relação ao ciona um resultado de teste bem determinado . nós chamaremos de 'sentenças interpreta- infiiiita de definiçõesseria na realidade uma desobediência.: Traduzido para o português e publicado. previa- an~s. de Bridgman está em seu livro Th.de modo que nenhum termo ficaria realmente DEFINiÇÕES OPERACIONAIS explicado. nas diferentes axiomatizações tério para sua aplicação. portanto. I Maiores detalhes sobre este ponto se encontram em outro volume desta coleção: S. que por sua vez dependeria da do seguinte e assiln por diante indefinidamente. A mesma diti. Rio. se o líquido é um ácido . achar se o termo 'ácido' se aplica a um dado líquido . Isso é levado em conta de um significado de cada termo científico deve ser determinado pela modo muito claro na formulação axiomática das teorias mate. Esta obediência ao preceito por meio' de uma série mente disponível. a seqüência nunca chegaria a um fim. reconduzem a expressões onde só figuram termos primitivos. enunciados que especifiquem os significados dos termos teóri- culdade. caso. e que são precisamente os já tenha sido definido anteriormente na seqüência. são introduzidos por cadeias de definições estipulativas que Primeiro. isto é. mados de "definições operacionais". pois. Zabar Editores. mulação e no uso da teoria. que possam ser dado sistema. que são característicos da teoria. Aos enunciados. vamos ver alguns exemplos. pode Uma concepção muito particular do caráter das sentenças ser definidoà custa de outros termos do sistema: tem que haver interpretativas foi apresentada pela chamada escola operacio- um conjunto de termos. por exemplo. No início da investigação química. já que por hipótese eles não foram definidos teoria. Esses critérios são muitas vezes cha- modernas da Geometria euclidiana: uma lista de termos pri. a mudança tempo. . é a de nunca usar num definiens um termo que usadas sem referência à teoria. Barker. ficaria por definir os termos usados no cos". o líquido é um ácido se e somente se o papel teóricos são definidosà custa de outros. 1969. Examinemos mais de perto o caráter dessas sentenças. dos termos propriamente teóricos de uma dada último definiens.2 A idéia central do operacionismo é a de que o definir todos os outros termos. sob o titulo FI/osojla da Maltmállca. ter sido "definido operacionalmente" do seguinte modo: para eles podem ser divididos em duas classes:' a dos termos pro. de antemão disponíveis. nossa compreensão de um termo dependeria da do seguinte. (N.a de inserir o papel azul de tornassol . como. 40-41. chamados primitivos. o termo 'ácido' poderia vém lembrar aqui que. Nem todo termo de um sistema científico. é uma questão que consideraremos mais tarde. 22-26. que não rece. 1927). por mais que assim determinam o significado dos "termos característi- longe que se tenha ido.

longo da superfície de uma amostra de m2 (op~ração de teste). Expressões nada tinham que estipular quanto a graus de acidez ou de como 'mais frágil que' ou 'crescente fragilidade' parecem. A hipótese ainda não Os termos considerados nos nossos três exemplos . também. fica recusada O pro:::edimento operacional mencionado em qualquer defi- nição operacional deve ser escolhido de tal forma que possa 3 Existem restrições quanto à forma desses enunciados. faz-se passar uma ponta feita de ml. o de temperatura mais baixa é mais frágil que o outro' termo 'ímã' se aplica a uma dada barra de ferro ou de aço. A demos então dizer que uma escolha apropriada de critérios definição operacional é então concebida como a especificação operacionais de aplicação para um conjunto de termos garante de um procedimento para determinar o valor numérico de a verificabilidade dos enunciá dos em que eles ocorrem.. Consideremos.ão vera! do operac. Por exemplo. siderada anteriormente de que a atração gravitacional é devida uma definição operacional de 'temperatura' descreveria como a uma afinidade natural subjacente. raturas de diferentes pedaços de gelo. Mas se for fornecida uma regra na caracterização de termos como 'comprimento'.3 uma dada quantidade em casos particulares: as definições ope. Não seria permitido. um líquido . . intuitivamente claras. as tempe- é um ímã.. esta tíficos. ser dureza ou quanto a intensidade de imantação.. nar-se-á verificável no sentido que tínhamos considerado. ou. para definir o termo 'mérito estético' em relação 1n2.. Mas o pre. sob pressão.a menos que se disponha também de sentar conceitos não-quantitativos. ao a um quadro. a seguinte hipótese: 'A caracterização de um ímã: barra de ferro ou de aço cujas fragilidade do gelo aumenta quando a temperatura diminui. Assim. O termo 'mais duro que' aplicado a mi.foram criados para repre. 've. sobre ai quals po. 'carga elétrica' e análogos. extremidades atraem e seguram a limalha de ferro. 'mais duro que'. mas isso não basta para torná-Ias acei- ceito operacionista certamente pretendq também ser seguido táveis para uso científico.onirme>.wfy' . Uma mais precisamente. enunciados e questões sem significação. face à ausência de ~ e assim por diante. é desprovida de significação 1i a temperatura de um corpo . Insistindo em inequívocos critérios operacionais de aplica- Algumas definições que não fazem menção explícita de ção para todos os term:os científicos. a barra substância e para medir. procura o operacionismo operações e de resultados podem ser facilmente postas em garantir a verifÍcabilidade objetiva de todos os enunciados cien- forma de uma determinação operacional. Se a limalha for atraída operacionais adequados para determinar se é gelo uma dada pelas extremidades da barra e ficar agarrada a elas. 'massa'. porque nenhum critério operacional foi fornecido para o con- seria determinada por meio de um termômetro de mercúrio. usar este preceito operacional: contemple a pin.por mais intuiti- Assim é que uma definição operacional de 'comprimento' vamente claros e familiares que possam parecer conduz a- poderia descrever um procedimento para determinar o com. resultado possa ser objetivamente assegurado. Assim. a hipótese tor- locidade'. o uso de ter- racionais tomam o caráter de regras de medição. . Po- sentam conceitos quantitativos admitindo valores numéricos. critérios operacionais para o movimento absoluto... operacional de aplicação para esses termos.ar ne-ta dl_cu. e suponhamos que tenham sido especificados procedimentos coloque-se limalha d~ ferro perto dela. ainda não conduz a implicações verifi- 'ácido'. por exemplo. --- "I 114 FILOSOFIA DA CIÊNCIA NATURAL FORMAÇÃO DE CONCEITOS 115 Analogamente. Correlativamente. tura e anote numa escala de 1 a 10 o grau que melhor lhe diz-se que ml é mais duro que m2 se e somente se a amostra parece indicar a beleza da pintura. ficar arranhada (resultado específico do teste). pa. de dois pedaços de gelo de temperaturas versão explIcitamente op~racionista rezaria: para achar se o ~ \ diferentes. tem significação clara . a hipótese con- primento da distância entre dois pontos empregando réguas. os critérios operacionais critérios claros para a comparação de fragilidade. ceito de afinidade natural. sem depender l'S' nerais pod~ ser caracterizado ope-racionalmente como segue: sencialmentc de quem realiza o exame. 'ímã' . cáveis bem definidas . ou pelo menos comparar. ser executado por qualquer observador competente e que o demo.por exemplo. argúem os operacionistas. para determinar se o mineral ml é mais duro que o mineral por exemplo. 'temperatura'. mos desprovidos de definição operacional . que repre.

ber se é a Terra ou o Sol que "realmente" está em movimento. O leitor pode achar também estimulante examinar. menos satisfatório que o' de Stanford. cação será então atrihuída à questão 'Qual é o comprimento Binet do ponto de vista operacionista. Mas. é sinônimo com o correspondente conjunto de operações. aspectos sistemáticos e teóricos dos conceitos científicos c 11 rável influência no pensamento metodológico em Psicologia e forte interdependência da formação dos conceitos e da formação em Ciências Sociais. onde se acentuou a necessidade de esta. 5 (o grifo é de Brldllmnn). "'~ ~-. Assim. Em linhas gerais. por exemplo. fornecem exemplos e comentários adicionais interessantes. No teste de Rorschach. significado dentro da faixa das situações empíricas em que pode I: . verificável e inequívoca. gradualmente adquirida marco zero. demasiado restritiva. Para que para os termos psicanalíticos e às concomitantes dificuldades o conceito de comprimento tenha um significado definido neste para tirar das hipóteses. Algumas das principais da circunferência deste cilindro?'. uma avaliação qualitativa dessas respos. Foun- o operacionismo. operações pelas quais se determina o comprimento. Analogamente. ou. tende a obscurecer os Essas idéias básicas do operacionismo exerceram conside. pois a operação de medir comprimento com réguas rígi- são concernentes à falta de adequados critérios de aplicação das retilíneas é evidentemente inaplicável ao caso. não podem ser objetiva- mente verificadas sem critérios claros de aplicação para os ter. em que figuram. 5 Bridgman. o conceito racional consiste em administrar o teste de acordo com especi. ou como a da habilidade matemática estar fortemente correlacionada à habilidade musical. The Loglc of Modern Physlcs. Esta concepção implica que um termo científico só tem ao teste. por exemplo. de comprimento contém tanto e não mais que o conjunto das lidade matemática etc. Hipóteses como a de que os mais IMPORTÂNCIA SISTEMÁTICA E EMPÍRICA inteligentes têm tendência a serem emocionalmente menos está. que se construa a Física a partir do I~ I apóia mais na competência para julgar. por assim dizer. em regra. mento está portanto estabelecido quando estão estabeleci das as Em Psicologia tais critérios são comumente formulados em operações pelas quais se mede o comprimento: isto é. que quando muito pode sugerir meios para Ir operacional. Su- tas. O operacionismo sustenta que o significado de um termo mos constituintes. além de exercerem uma forte influência sobre os mé.). a signüicação científica das provocantes questões que Bridgman propõe quase ao fim do capo 1 de The Loglc of Modern Physlcs. ------ 116 FILOSOFIA DA CI~NCIA NATURAL ~ 1 FORMAÇÃO DE CONCEITOS 117 . . rígida o comprimento do fio retificado. nem a qualquer resposta a objeções que foram levantadas contra a especulação psicanalítica ela. o conceito IJ termos de testes (de inteligência.4 empírico da Ciência. ser executado o procedimento operacional que o "define". Enuncia- dos sobre essas distâncias só terão significado definido. segundo r 4 A esse respeito. método inicial de medir comprimento não pode ser usado para como vamos ver agora. obtida de modo mais ou menos objetivo e mais ou menos preciso. diz Bridgman: "O conceito de compri- determinar critérios objetivos. Nenhuma signifi- Rorschach é. e que se introduza o termo 'com- pelo intérprete. essa avaliação se ponhamos. o -resultado são as respostas das pessoas submetidas . belecer critérios operacionais claros para os termos empregados nas hipóteses ou nas teorias. habi. as seções 3 e 4 do capo 13 de Holton e Roller. Para esse fim não basta ter uma vaga com. Isso poderia ser feito estipulando que a circunferência de um cilindro deva ser recoberta com um fio inextensível e flexível Os avisos assim lançados pelo operacionismo foram mtida- mente estimulantes para o estudo filosófico e metodológico da bem ajustado a ela e em seguida medindo cpm uma régua Ciência. e menos em critérios explícitos e precisos que primento' por -referência à operação de medir o comprimento a avaliação do teste de Stanford-Binet para a inteligência. p. o procedimento ope. a reconstrução operacionista do caráter determinar as distâncias de objetos extraterrestres. estabilidade emocional. está completa e exclusivamente determinado pela sua definição preensão intuitiva. DOS CONCEITOS CIENTÍFICOS veis._<. alguma implicação contexto é preciso especificar um novo critério operacional. ~. o de de distâncias retilíneas com réguas rígidas. depois de serem especificadas operações apro- priadas de medição. do ponto de de triangulação semelhante ao usado nos levantamentos topo- vista do operacionismo e da exigência de verificabilidade. das teorias. Uma destas poderia ser um método óptico datlons of Modern Physlcal Sclence."s ficações.111 como sem significação a questão de sa. o nosso todos de pesquisa em Psicologia e em Ciências Sociais. por isso.

mas continuar-se-ia a usar os termos 'comprimento entre a emissão e a recepção de um sinal de radar enviado ao tátil' e 'comprimento óptico' sem mudança de significado. como vamos ver agora.tomando corpo as leis e even- cabilidade é fazer uma generalização empírica que mesmo tualmente os princípios teóricos numa área em investigação. de pre. pela modificação da interpretação operacional de um termo. e as leis e os princípios teóricos Mas. nada simplesmente como 'comprimento'? Não havendo mais Por exemplo. aderir estritamente ao preceito dida têm os mesmos resultados no intervalo de comum apli.. senão impossível.. eles dão as mesmas leituras. E esses vínculos forne- procedimentos operacionais como determinando o mesmo con. as leis que vinculam a resistência elétrica dos como caracterizaçõesde conceitos diferentes a que. a distinção entre comprimento tátil e radar. cias: o decréscimo da pressão atmosférica com a altitude é a base dos altímetros barométricos. Se se descobrir de pressupor a teoria.. pro. 11 seus conceitos vão-se ligando de vários modos entre si e com tivo Bridgman sustenta que seria "perigoso" conside~aros dois os conceitos previamente disponíveis. da radiação que eles emitem. temos cordantes. fosse leituras de um termômetro de mercúrio e. mente novos. f 118 FILOSOFIA DA CI~NCIA NATURAL f FORMAÇÃO DE CONCEITOS 119 gráficos. um dos critérios teril determinada por réguas rígidas e por triangulação óptica. de nos certificar que. deveríamos distinguir entre mercÚrio-temperatura e mina a temperatura dos corpos muito quentes medindo o brilho álcool-temperatura. deveriam corresponder termos diferentes. estabe- lecida como lei putativa a igualdade numérica entre os dois sistemas galáticos é inferida. seria difícil. do período e do brilho aparente de certas estrelas variáveis nesses sistemas. em seguida. termel é um aparelho que mede tempe- primento tátil' e 'comprimento óptico'. se uma escala usado. Assim. se a distância entre dois marcos num terreno for consistência entre os dois procedimentos. outra poderia ser a medição do tempo decorrido abandonada... termômetro de resistência. um termômetro de gás. mas com uma interpretação operacional modificada. o pirômetro óptico deter- gamente. ratura usando o efeito termoelétrico. Além disso . À medida que vão . microscópios posteriormente que sob novas condições os dois procedimentos eletrônicos. Suponhamos aceita. de temperatura tiver sido "definida operacionalmente" pelas Portanto. depois de cuidadosa experiência. apoiada em testes cuidadosos poderia ser falsa. cem muitas vezes critérios "operacionais" de aplicação inteira- ceito: critérios operacionais diferentes deveriam ser considera. respectivamente. fosse pelo abandono de uma lei putativa. de microscópios ópticos. métodos que em. conforme o tempo de percurso de sinais sonoros. procedimentos espectrográficos. . sempre poderia ser feito um ajuste aos resultados empíricos dis- que tem um ponto de congelamento muito mais baixo. a distância dos aglomerados globulares de estrelas e dos r comprimento óptico e. dentro do intervalo em que ambos os termômetros podem ser usados.. medida de distâncias muito pequenas pode envolver o uso. a lei putativa teria de ser pregam a difração de raios X e vários outros. E. além cedimentos de medida tenham sido aplicados.e esta é uma objeção muito mais séria - Ora. contrariamente ao preceito de Bridgman. de um metal à sua temperatura permitem a construção de um ferência. e a comprimentosem qualquer intervalo físico a que ambos os pro. distân- sidade de uma ineq~ívoca interpretação empírica dos termos científicos e não leva na devida conta o que chamaremos de cias submarinas são freqüentemente medidas determinando o importância sistemática deles. de Bridgman. de discordância se. dizer que duas operações de me. segundo leis. O preceito sugc. .. mente sujeita a uma condição importante que poderíamos cha. os de ser abandonado: o termo 'comprimento' continuaria a ser dois valores assim obtidos devem ser iguais. Amdo.. os dois pro\:edimentos operacionais tivessem sido concebidos mar o requisitQde consistência:sempre que dois procedimentos como diferentes maneiras de medir a mesma quantidade. . segundo Bridgman. . objeto extraterrestre e por este refletido. a lei que relaciona a temperatura para nos referirmos às quantidades determinadas à custa de de um gás à pressão constante com o seu volume é a base de réguas e de triangulaçãoóptica deveríamosusar os termos 'com. Por este mo. longada para baixo usando como corpo termométrico o álcool. Mas qual seria a conseqüência desta descoberta de casos A escolha desses critérios operacionais estaria natuml. conduzem a resultados diferentes. esta conclusão drástica está fornecem uma ampla variedade de maneiras para medir distân- longe de ser autorizada pelo argumento. Assim. usados nos aviões. pequenas distâncias astro- nômicas são medidas por triangulação óptica ou por sinais de I preceito de Bridgman. que exagera a neces. desig- diferentes forem aplicáveis devem fornecer o mesmo resultado.

uma unidade de medida que. clepsidras e. preceito segundo o qual critérios operacionais diferentes deter- minam diferentes conceitos. do método de medida. é veria ser considerado como determinando dois conceitos dife. primento. . colocados perpendicularmente ao seu comprimento conceitos científicos.I corretamente nos lembra que nessa fase os critérios especifi- dera um conceito básico de comprimento e vários modos. E isso seria renunciar a um dos princi. entre os dife. o tempo decorrido entre duas passagens consecutivas Portanto. com uma seção A sistematização científica requer o' estabelecimento de .conduz freqüentementc a uma E ainda assim a lista estaria longe de ser completa. pois a modificação dos critérios operacionais originalmente adotados rigor o uso de dois barômetros. e em especial de uma teoria . Para assegurar um padrão uniforme de com- conceitos científicos. para determinar o comprimento das bactérias . Length and Time (Baltimore.-.. Antes. os traços fica virtualmente inalterada para pequenas alterações ou a importância sistemática deste. por exemplo. --. é definido pela dis- pais objetivos da Ciência. Obser- 'r ve-se que nesta fase não faz sentido indagar se dois dias solares se encontra distinção alguma entre diferentes conceitos de com- diferentes ou duas oscilações completas diferentes de.6 sentido de economia de conceitos é traço importante de uma boa Consideremos um outro exemplo. Um dos mais antigos e teoria científica.que é uma barra feita de platina iridiada.. indicando muitas vezes o domínio e a precisão ~ ser encontrada em Norman Feather.será o papel sistematizador. a teoria consi. capo 2. A seção cujos fios são formados pelas leis e pelos princípios teóricos.:is correspondente de conceitos de temperatura e de comprimento. rr 120 FILOSOFIA DA CI~NCIA NATURAL FORMAÇÃO DE CONCEITOS 121 rido por Bridgman nos obrigaria a distinguir uma variedade Além disso.. Mary. depois que a análise teórica mostrou que a colocação prescrita métricos. Mas as leis e os princípios teóricos da não seriam exatamente os mesmos. quando a barra está na tempe- diversas relações. a simplicidade no na posição dos rolos. de vez que os detalhes operacionais ticular barra de metal. Quanto maior for o número de fios que terminam para os rolos é a melhor possível no sentido que a distância entre num nó conceptual tanto mais forte . entre diferentes. numa teoria científica não ampulhetas. de fato. por leis ou princípios teóricos. pelos pêndulos. à definição inicial. que a signi. outras coisas..ou de dois microscópios ção operacional de comprimento terá que especificar. para medir altitudes . barra. normalmente. dos mais importantes critérios empíricos para a medida do ficação sistemática dos conceitos num sistema teoricamente tempo foi fornecido pelas uniformidades nos movimentos apa- econômico é mais forte que a dos conceitos numa teoria rentes do Sol e das estrelas fixas: tomou-se. não só praticamente intratável. Pode-se dizer. torna-se então necessário acrescentar certas condições camente interminável. De resto. -. de medir comprimentos em diferentes 6 Uma exposição dos detalhes e das considerações te6ricas subjacentes pode circunstâncias. que é o de atingir uma descrição tância de dois traços gravados no Metro Padrão Internacional simples e sistematicamente unificada dos fenômenos empíricos. . Estes são como que os nós de uma rede num plano horizontal e separados por 0. considerações de importância sistemática militam de um désses a~tros pela mesma posição aparente (por exem- fortemente contra a proliferação de conceitos decorrente do plo.. O preceito operacionalista Física mostram que a distância entre os traços varia com a em pauta nos obrigaria assim a provocar uma proliferação de temperatura da barra e com quaisquer esforços a que possa conceitos de comprimento. em linhas gerais. diferindo de algum modo na para alguns conceitos centrais. O metro. O operacionismo suas próprias definições operacionais. as especificações quanto ao suporte procuraram evitar a ligado aos outros nós--por "fios nômicos". o desenvolvimento de um sistema de h. ratura do gelo fundente e está simetricamente suportada por rentes aspectos do mundo empírico que são caracterizados pelos dois rolos. uma caracteriza- fabricação. tempo. dos quais fazem diminuta modificação por flexão da distância entre os traços. Mass. por exemplo. reta peculiar em forma de X . definida como a distância entre dois traços gravados numa par- rentes de comprimento.um pên- primento (por exemplo). do Sol pela sua posição zênite).de. mais tarde. mais ou menos precisos. parte as leis que formam a base dos diferentes métodos termo. como unidade de menos econômica para o mesmo assunto. E. é o conceito de temperatura.. peculiar foi desenhada para garantir o máximo de rigidez da Um desses nós. de temperatura e de todos os outros estar submetida. Unidades menores foram "operacionalmente" caracterizadas por meio de relógios de sol. mas teori. 1961). caracterizados individualmente pelas dulo são "realmente" de mesma duração. Por exemplo.571 metros. land: Peoguin Books. .

capazes de fornecer caracterizaçõessomente aproximadas desses Mas a formulação e o progressivo refinamento das leis e conceitos.entre as quais a de simplicidadesistemática.( o que se confirma pela comparação das datas registradas para SoBRE AS QUESTÕES "OPERACIONALMENTE SEM SENTIDO" certos eclipses solares na antiguidadecom as calculadas a partir dos dados astronômicos atuais. e. ser percebido pela Ciência.outras considerações. mas deixa Intatos os pontos decisivos. pois. tem sentido: julgada pelas normas operacionais. Na investigação científica. o período de um pênduló tância. aplicação. Não é possível que todas as distâncias no mente diversos. 28 de The Logic 01 Modem Phys#cs). para mente empregadospara a medida do tempo passaram a ser tra. sistemas novos e inteira.tais como o relógio de quartzo e os relógios universo estejam variando constantemente de modo a dupli- atômicos . a formação os diferente~ dias solares têm durações temporais desiguais de conceitos e a formação de teorias devem caminhar de mãos ainda que a Terra gire com velocidade angular constante. E como as p. leis e os princípios teóricos assim aceitos passam. sem conseqüênciasve- sobre suportes provisórios' ancorados no fundo do rio. zador da rede teórica. portanto. por motivos teóricos. As leis e as teorias científicaspodem conceitos.critérios que devem ser pressu. uma vez que as barras usadas na Mas como é possível que as leis ou as teorias mostrem a determinação operacional dos comprimentos alongar-se-iam na inexatidão dos critérios operacionais para os próprios termos mesma proporção. não haveria postos e usados na verificação dessas mesmas leis ou teorias? tal expansão do universo. de acordo com a teoria heliocên. como vimos. pelo menos a questão de saber se os períodos temporais marcados por eles provisoriamente. os processos original. A significação sistemátiça é outra exigência indispensável . não é de surpreender que os pri- venção definidora. a trica. Um dos problemas intrigantes que Bridgman discute.passaram a ser adotados como fontes de escalas carem de valor cada 24 horas?7 Este fenômeno nunca poderia ae tempo mais precisas. que servem então de hipóteses nais inicialmente adotados. a que o operacionismo dá com razão tanta impor- de acordo com a Mecânica Clássica. desempenhamum papel 7 Esta formulação 6 ligeiramente mais especifica que a de Brldgman (na importante na adoção das hipóteses científicas. com outros princípios da Física. capítulo 3). . de comprimento. tal ponto que a interpretação empírica dos conceitos teóricos ção diária da Terra em torno do seu eixo e pela sua revolução pode ser alterada no interesse de encarecer o poder sistemati- anual em torno do Sol. finalmente é ajustada e recebe mos que em Física o conceito de comprimentonão é usado iso- uma superestrutura para se transformar num todo bem fundado ladamente.por con. depende de sua amplitude. não é o único desiderato para os conceitos científicos. e bilidade de haver uma mudança inverificávelna escala absoluta eventualmente. conduz de fato a implicações ope- dão a esses dados.desconhecida e para sempre imperceptívelpara nós sobre um rio: de início. a exprimir corretamente as relações entre os são iguais só pode receber a resposta trivial: sim . das teorias que encerram o conceito do tempo conduziram a A significação empírica refletida nos claros critérios de uma modificação desses critérios operacionais iniciais. a ser encarados como juízo sobre fatos empíricos que poderia ser um engano. a ponte é colocada sobre pontões ou . . pretender que . conceitos que neles figuram. A combinação da hipótese da expansão universal '~ ser baseadas em dados obtidos por meio de critérios operacio. Bridgman conclui daí que a questão não em que elas são formuladas . 122 FILOSOFIA DA CItNCIA NATURAL FORMAÇÃO DE CONCEITOS 123 cados servem para definir a igualdade de duração e. ---- . em virtude do atrito provocado pelas marés e outros fatores semelhantes esta velocidade angular deve diminuir lentamente. que justifica o movimento aparente dos astros pela rota. A afirmação da igualdade deles não é um mitivos critérios operacionais venham. em rificáveis mediante operações de medida. Assim. Mas dadas. ilustrar o uso crítico das normas operacionais.é algo sem significaçãooperacional.refere-se à possi- tados como capazes de fornecer uma medida aproximada. auxiliares (d. Assim. mas em leis ou teorias que o vinculam a outros II e estruturalmente seguro.ainda assim ela possa O processo pode ser comparado ao da construção de uma ponte ocorrer . seguida a ponte é usada como plataforma para melhorar e Esta apreciação tem que ser mudada quando considera- mesmo deslocar as fundações. combinada com a teoria newtoniana. mas sem se ajustarem com exati.

os critérios operacionais dizem menos que produção de energia nas estrelas como o Sol. O que não quer dizer que este procedimento de aplicação e se mantivermos o requisito de consistência para dê significaçãoa todas as hipóteses que possam ser propostas. se diferentes procedimentos forem adota- naturais universais. mas requer modificações consideráveis. considerá-Ia no sem acrescentar qualquer informação fatual. é um exemplo. baseados em dife. o brilho delas o que se pede a uma definição plena. . como observamos anterior- entre outras. então o tempo gasto por um sinal sonoro para percorrer no sentido de ter o seu significado completamente determinado a distância entre dois pontos . ~ . as operações que usam régua e termômetro que a velocidade dos sinais sonoros e eletromagnéticosaumenta só fornecem interpretações parciais para os termos 'tempera- exatamente na mesma proporção que todas as distâncias? tura' e 'comprimento'. muito mais do que habitualmente se entende por uma definição.. pois. primeiro. Assim. se a hipótese é ver. j _. O enunciado considerado anteriormente. Em suma.". Em par. na determinação operacional das temperaturas.J1U. que exprime a igualdade numérica dos comprimentos "óptico" e "tátil" em o que dissemos sobre o operacionismo foi sugerido pelo todos os casos em que ambos os procedimentos possam ser pensamento que uma teoria só é aplicável aos fenômenos em. segundo o qual as sentenças interpretativas diferem das há qu~ conhecer também seu papel sistematizador indicado definições no sentido oonsiderado anteriormente. caria. discutidas anteriormente. Devemos.. Pois. cientificamente sem sentido. Os termos pelos princípios teóricos em que funciona e que o vinculam a . aceito independentementedela. as hipóteses sobre forças vitais e sôbre afinidades mente. Vimos que. pode haver . pode ser considerado "sinônimo" de um conjunto de opcraçóc!l dadeira. que fornecem critérios de aplicação é "sinônimo" de um conjunto de operações. houver superposição dos domínios então originar.por limitada de circunstâncias. tivemos que rejeitar a tese de que um conceito científico sentenças interpretativas. rentes conjuntos de operações. dos enunciados desses critérios que nos casos onde se aplica mais de um daqueles procedimentos os resultados serão os O CARÁTER DAS SENTENÇAS INTERPRETATIVAS mesmos. um termo científico nllo racionalmente verificáveis. cação para um termo dentro de uma limitada faixa de condi- Mas se modificarmos a hipótese acrescentando a suposição de ções. Há entretanto um outro decresceria à quarta parte do valor inicial em cada período ponto de vista segundo o qual eles dizem mais . para os termos científicos. como é freqüente.J M' -. válidas apenas dentro de uma! faixa Ainda assim a nova hipótese teria implicações verificáveis. Nossa discussão mostrou que são líquidos. isto de álcool no intervalo em que tanto o mercúrio como o álcool é. como vimos. generalização empírica. se admitirmos que a expansão universal não afeta a Vistos assim. combinam freqüentem ente a função . .e os há habitualmente . e essa implicação tem o caráter de uma generalização empírica. _ _ . por exemplo. as margens opostas por elas. deflui excluídas. para compreender o Há ainda um outro ponto de vista interessante e impor- significado de um termo científico e usá-Io apropriadamente.a:. leituras feitas com termômetro de mercúrio e com termômetro mente interpretados mediante um vocabulário pré-teórico. de 24 horas. Por exemplo. critérios operacionais alternativos. exemplo.1:. concebe-se uma definição estipulativa como uma hipótese tomada isoladamente não é razão suficiente para uma sentença que introduz um termo conveniente ou um sím- rejeitá-Ia como desprovida de conteúdo empírico ou como bolo abreviativo simplesmente especificando o seu significado. Mas dois crité- contexto sistemático das outras leis e hipóteses em que vai rios operacionais para um mesmo termo têm implicações empí- funcionar e examinar as implicações verificáveis que pode ricas se.duplicaria cada 24 horas. a impossibilidade de verificação operacional de Ordinariamente. Segundo. ---- ~ FORMAÇÃO DE CONCEITOS 125 124 FILOSOFIA DA CI~NCIA NATURAL outros termos da teoria. Este enunciado é uma conseqüência da estipula- a concepção operacionista dessa interpretação fornece sugestões ção de que qualquer um dos dois termômetros pode ser usado proveitosas. tante.vários critérios alter- I' estipulativa de uma definição com a função descritiva de uma I nativos de aplicação para um mesmo termo. usados.. elas só fornecem critérios de apli- de um lago .na realidade. pois durante este tempo a superfície quadrupli. .digamos. as ticular. antes. e isso seria verificável. Terceiro. continuariam dos como critérios de aplicação para um mesmo termo. Outro é o q~e assevera a igualdade das píricos depois de ter seus termos característicos conveniente.

~ _ r L . ficientemente ampla ou fortes gradientes em certas distâncias. como se vê considerando ainda uma vez o termo 'eléctron'. e análogos. . 'este rastro de condensação na câmara veis são de uma diversidade ilimitada. pretações contextuais para certas espécies de enunciados con. nem a expressões como gendo talvez fortes mudanças em distâncias muito curtas) pode 'o mineral m é duro' ou 'a dureza do mineral m é tanto'. para distingui-los das chamadas número finito de critérios operacionais específicos ou. e a diversidade corres- de nuvem marca a trajetória de um eléctron'. os critérios para a medida do tempo nada dizem sobre o vação de implicações verificáveis a partir de sentenças da forma conceito de tempo em geral. ou vintl' 1 r .. em outraS! palavras. a interpretação ope- da distância entre os pontos A e B' e 'o comprimento da linha racional da dureza. que dá um significado empírico a 'ml é mais duro que camente possível mas altamente complicada do campo (abran- m2' mas não ao termo 'dureza' em si. formuladas num mento' em si mas somente expressões como 'o comprimento vocabulário de antemão disponível. O pondente de verificações não pode. Esses princípios.é suficiente mentalmente favoráveis. não interpretam o termo 'compri. cuja carga é 4. e assim por diante. des. devem conduzir a implicações verificáveis. tais como: 'existem eléctrons na su. geralmente. so. como notamos no capítulo pouso é 9.entenças da forma 'o mente contextos muito especiais e um tanto 'restritos podem líquido I é um ácido'. podem termo 'eléctron'.de. Ora. As várias maneiras de medir combinados a essas sentenças. baseada no teste pelo certos conceitos teóricos. papel de tornassol. traje. os enunciados interpretativos são pensados como determinando gia. experi- finíveis mediante tais expressões. pode-se dizer então que as sentenças interpretativas para os modos pelos quais as sentenças que contêm o termo inter- uma teoria científica fornecem usualmente interpretações con. Contudo. que contêm os termos de uma teoria científica. permite a deri- i'. Já observamos que nem toda sentença que contém esse termo tendo o termo 'eléctron'. 'Enunciados que especificam plenamente o significado de Podemos . não ter implicações "operacionalmente verificáveis". de enunciados interpretativos ligados a eles.~. 'eléctron'. por meio do teste do risco. Assim. o conceito lados para verifi-car a estrutura e a intensidade deles em rcgioclI de dureza. 'eléctrons estão esca- pando deste electródio'. terá implicações verificáveis bem definidas. supostos klin e cujo giro é de meia unidade'). ligando assim os termos teóricos aos já esperar que sejam dadas regras operacionais para determinar entendidos previamente. tal como está caracterizado pelo teste do ris-co. vinculam as entidades e os processos característicos. tina-se a servir apenas em expressões da forma 'o mineral ml tórias de partículas. Nesses casos. tal interpretação é fornecida pelo exame do ou análogas. Por analo. se o objeto é um eléctron. a interpretação. faz o mesmo para s. ser mesmo se poderia dizer dos conceitos de campo elétrico e considerada como conforme a apenas dois. O que pode ser formulado são inter. Certo. Critérios operacionais podem ser formu- frases de certa forma característica. tais critérios só serão válidos em condições especiais.'802 X tO-10 fran. os enunciados int~rpretativos comprimento. um termo teórico um número finito de critérios de aplicação. pretado podem ser verificadas. que empregue outros termos teóricos ser verificadas estão d~terminadas pelos princípios de trans- ('eléctron' quer dizer 'par:tícula elementar cuja massa em re. sem arbitrariedade. com os fenômenos que podem ser descritos em definição operacional do termo? Certamente' não podemos termos pré-teóricos. 'fóton'. é possível dar uma definição teórica do tenças. as diferentes permitir uma interpretação que forneça base para verificação maneiras pelas quais (ou as implicações pelas quais) as sen- experimental. . posição da teoria. mais definições explícitas. por exemplo. tais como: 'Ácido' terá o mesmo signifi.----. . teoria científica não podem ser pensados como tendo cada um mados definições contextuais.. Pois cado de 'eletrólito que fornece íons de hidrogênio'. No caso de 'ml é mais duro que m2'.107 X 10-28g. . fios percorridos por correntes etc. dadas. 6. um enunciado que exprimir uma condição teori- risco. Mas é mais duro que o mineral Tn2'e em outras frases que são . isto é.isto é. por exemplo. como a homogeneidade em região su- ter uma interpretação para aquelas expressões características. No nosso exemplo. ou sete. mediante o comportamento de corpos de prova. como 'átomo'. e assim por diante.agora ver claramente que os termos de uma um contexto particular que contém um termo dado são cha. ~ ~ ~ 126 FILOSOFIA DA CIÊNCIA NATURAL FORMAÇÃO DE CONCEITOS 127 científicos são freqüentemente usados apenas em locuções ou campo magnético. Mas esses princípios não atribuem a se o termo 'eléctron' se aplica a um dado objeto . as sen- I tenças contendo o termo que produzem implicações verificá- perfície desta esfera de metal isolada'. quando textuais para os termos teóricos.. mas como seria uma pela teoria.

- vações introdutórias sugerem que podemos sintetizar a doutrina r/ --. mas fornecem uma variedade indefinida de critérios de aplicação pela determinação de uma variedade. :E. Aqui.' Estas concepções antagônicas foram assunto de longos e calorosos debates. qual é o sentido de dizer que eles o são? Nossas obser- .ou exclusivamente. que são as entelé- quias ou forças vitais. o -resultado de nossas re- flexões terá também. VITALISMO I. cujos detalhes não podemos reproduzir aqui. REDUÇÃO TEÓRICA A CONTROVÉRSIA MECANICISMO VS. contra a qual se opõe a chamada doutrina mecanicista de que os organismos vivos nada mais são do que sistemas físico-químicos complexos (embora não puramente mecânicos.I ~ ~ "~ f 1 128 FILOSOFIA DA atNCIA NATURAL critérios diferentes de aplicação para o termo 'eléctron'.como afirma a tese básica do vitalismo. como veremos. de implicações verificáveis para os enunciados que contêm um ou mais termos teóricos. --- . tal como é usado pelos neovitalistas. E. não pode fornecer explicação de fenômeno biológico algum. a concepção de que os termos de uma teoria são indivi- dualmente interpretados por um número finito de critérios ope- racionais tem que ser abandonada em favor da idéia de um a conjunto de princípios de transposição. o conceito de enteléquia. . de esclarecer as concepções antagônicas que vamos agora considerar. certas implicações quanto à possibilidade de decidir a questão. . que não interpretam os termos teóricos individualmente. . como o velho termo 'mecanicismo' poderia sugerir). As razões para esta conclusão não nos autorizam a negar que os sistemas e processos biológicosdifiram fundamentalmente dos puramente físico-químicos. Sem dúvida a questão é saber se os organismos vivos são "meramente". então. igualmente indefinida. segundo a nossa análise. sistemas físico-químicos. tlpicamente filo- sófico. Mas. Segundo a doutrina neovitalista de que já tratamos não se pode explicar certas características dos corpos vivos - como as de adaptação e de auto-regulação .sem apelar para fatores desconhecidos nas Ciências Físicas. Mas evidentemente a questão só pode ser discutida com pro- veito se a significação das teses opostas for suficientemente esclarecida para revelar que tipos de argumento e de evidên- cia podem ser sustentados no problema e como poderia ser decidida a controvérsia. este problema.

ou é sinônimo de.~ mas pretende que. Seria mesmo difícil indicar um só termo biológico para II meio de princípios físico-químicos. que designa. se se prefere. implume'. é a possibilidade de serem dadas "definições des- mencionados . produz um pinto'. tem a mesma extensão. sentido menos estrito. então todas as leis da Bio. se todos os fenômenos bioló. por exemplo. isto é. o que constitui uma versão mais específica de Mt. Um dade dos conceitos e das leis de uma disciplina aos de outra exemplo tradicional é a definição de 'homem' como 'bípede é interpretada respectivamente como definibilidade dos con. I Física e da Química. Pode-se pois dizer que o mecanismo afirma a redu. ser um bípede implume é condição necessária e suficiente parll . ceitos como às leis das disciplinas mencionadas: a redutibili. então. num sentido que devemos tentar esclarecer. 'mitose'. f' logia terão que ser deriváveis de leis e princípios teóricos da o qual se pudesse dar um sinônimofísico-químico.galinha. 'ovo de galinha'. núcleos. uma definição descritiva também pode ser compreendida 'num I mos M2'. podem ser explicados mediante leis e teoria5 físico-quí- micas. este outro. as coisas que são bípedes implumes e somente a estas. muito menos técnico: 'um ovo de galinha fertilizado. ~ . essas de- desta tese é a de que os termos biológicos cOITespondentes . que <::hamare. I . que podem ser de fato expli- . 'retina'. que o termo 'homem' se aplica a todas tibilidade da Biologia à Física e à Química ou. sobre a definibilidade dos termos biológicos.-no sentido em que 'criança' tem gicos ~ e. em que o definiens não precisa ter o Os enunciados MI' e M2' exprimem conjuntamente o que mesmo significado. gico . de fato. ou aplicação. Admite sem discussão que os termos no primeira etapa da mitose ocorre. Analogamente. (M2) todos os aspectos do compor.~ ~ . 'hormônio' . :t vocabulário da Biologia tenham significadostécnkos definidos. i30 FILOSOFIA DA CIêNCIA NATURAL REDUÇÃO tE6R1CA 1~1 do mecanicismonuma dupla tese: (Md todas ascara<::terísticas cípios biológicos. que tenha o mesmo significado.podem ser definidos com auxílio t I seria obviamente falso pretender que para cada termo bioló- de termos tomados ao vocabulário da Física e da Química.por exemplo. A tese de que assim o é pode ser enca- do atribuir ao mecanicismotal interpretação de sua tese. ovos de galinha. células.podem ser caracteriza. não assevera que a palavra 'homem' tenha o mesmo 'I ceitos e como derivabilidade das leis da primeira a partir dos significado que a expressão 'bípede implum~. finições descritivas dificilmente poderiam ser analíticas. e somente por eles. O que a tese afir- a tese Ml.e seria absur.. REDUÇÃO DOS TERMOS Quanto à primeira dessas asserções. dos conceitos e prin. exista uma expressão em termos físico-químicos remos por MI'. critivas" dos conceitos biológicos em termos de Física e de cromossomos. 'vírus'.A interpretaçãomais plausível tamos em linhas gerais no capitulo 7. é claro que no mo- mento a descrição dos fenômenos biológkos requer o uso não A tese MI'. uma con. I pecificacondiçõesque são. tração dos cromossomosno núcleo da célula que se divide' ou . todas as uniformidades o mesmo signifkado que. somente de termos da Física e da Química. . 'menino ou me- - expressas por leis biológicas tiverem que ser explkáveis por nina'. .cados. vitais. ~ . todos os processos e entidades biológicos neles ma. menorizadamente. . afirmar a possibilidade de atribuir signifi- especIficamente biológicos que não figuram no vocabulário cados físko-químicos aos termos biológicos por definições esti- daquelas ciências. claro. satisfeitaspor todos os casos. Mas rada como uma versão mais específica de M2. ~ . o enunciado 'na pulativas arbitrárias. ou intenção. 'célula' etc. Segundo xílio de con<::eitosda Física e da. mas so- freqüentemente se chama a tese da redutibilidade da Biologia mente a mesma extensão. O definiens então es- à Física e à Química. Ora. mas apenas que da última. autonomia e suplementa essa tese <::oma doutrina das for~'as podem ficar completamente descritas em termos dos conceitos. no caso. entre outras coisas. Vamos agora considerar as teses mecanicistas mais por- da Física e da Química. portanto. Química. a significaçãodeles possa ser adequadamente expressa com au- quando convenientementechocado. aos quais se aplica o definiendum. em particular. ma5 de termos não pretende. Química. que o definiendum. tamento dos organismos vivos. ou qUl' que nega a autorwmia da Biologia. Dir-se-á então que o neovitalismo afirma essa dos organismos vivos são características físko-químicas . Tomemos. fertilização e mitose . Pois 'galinha'. 'i. conforme a classificação das definições que apresen- dos em termosfísico-químicos. :É uma tese concernente tanto aos con.

onde são exigidos princípios finições não pretendem expressar os significados dos termos de transposição. micos e tenham o caráter de leis que vinculam certos aspectos mônio sexual masculino. I tação do mecanicismo. Em por considerações que possam ser desenvolvidas"anteriormen. em geral. a testosterona e o colesterol em termos de suas estruturas exprimam conexões entre as característicasfísico-químicase as moleculares . e assim IWI físico-químicos de um fenômeno a certos aspectos biológicos. não ocorram nas premissas. Podemos referir-nos a enunciados deste gênero REDUÇÃO DAS LEIS como definições em extensão e podemos esquematizá-Ios na forma. brado vivo existe oxigênio' e 'qualquer fibra nervosa conduz finições requer pesquisa empírica. Logo. . o resultado constitui uma descoberta bioquí. mica. mas também de extensão. O significado original da palavra 'penicilina'. saber se um termo biológico é "definível" somente à custa de termos '\:' 1 Poderia parecer Óbvio que as conseqü!nclas loglcamente dedutiveis de um conjunto de premissas não possam conter termos "novos". por diante.ou por qual.mas por especial das leis que acabamos de considerar e que servem análise química. biológicas. expresso por leis empíricas e pois afirmam que a presença de certas característicasfísico-quí- não por declarações de sinonímia.~--~ -~-- r ~ 132 FILOSOFIA DA CIÊNCIA NATURAL REDUÇÃO TEÓRICA 133 ser um homem. I Para obter essas leis. tem a mesma extensão que _. A caracterização dessas substâncias pela estrutura Um enunciado conectivo desta espécie pode tomar a forma molecular é alcançada não por análise do significado. _ _ _ . mas dições que são suficientesmas não necessárias para uma dada foram sintetizadas num laboratório. Outros enunciados conectivospodem exprimir condições classificam como penicilina ou como testosterona certas subs. Isto 6. teria que ser indicado caracterizando a penicilina co. g o que se têm que conter também termos especIficamente biológicos. Na realidade. termos que de Física e de Química é uma questão que não pode ser res. físico-químicasque são necessáriasmas não suficientes.. uso explanatório de uma teoria. isto é. Ora. uma substância ser de tal e tal estrutura as caracterizações químicas como novas definições dos termos molecular) é condição necessária e suficiente para a presença biológicos. lógicas de leis físico-químicas. . por vamente em termos pré-teóricos. e não lógica ou filosófica. de base a uma definição em extensão dos termos biológicos. obtém-se uma IOn- tença Igualmente deduz!vel da lei física. para a derivação de conseqüências que podem ser expressas exclusi- biológicos. A situação lógica aqui é a mesma que existe no biológicos mediante"termos puramente químicos. ser testoste- tenção. geral. de mosquitos quando aquecido sob pressão constante'. As generalizações 'onde existe verte- O importante a reter é que o estabelecimentode tais de.' a testosterona é originalmentedefinida como um hor.a que afirma serem as leis e os prin- . Portanto. a tese Ml' não 6 um enunciado de Biologia.ou. qualquer enunciado de Biologia que pode ser deduzido de uma lei flslco te" à . que lina. tem esta peculiaridade: substituindo os termos espectficamente biolÓgicos que nela ocorrem por suas negações ou por quaisquer outros termos. além dos princípios teóricos internos. o enunciado de Física: 'Um gãs se expande quando aquecido sob pressão constante' Implica loglcamente 'Um gãs se expande pondida pela simples contemplação do significado. 'Um gãs se expande ou II se transforma num coelho quando aquecido sob pressão constante' etc. M2'. São deste tipo as definições a que um mecanicista pode recorrer para ilustrar e apoiar sua tese. ' da - evidência em. são necessárias premissas adi- mo uma substância bactericida produzida pelo fungo Penicillium cionais que contenham termos biológicos e termos físico-quí- notatum. ou se transforma num enxame de mosquitos quando sob pressão constante'. uma façanha que permite "definir" os termos . na nossa interpro. melhor. que quer outro procedimento não-empírico..1 exemplifica pela caracterização de substâncias como a penici.ao aceitarmos micas (por exemplo. de vez que estas biofísicas ou bioquímicas quase sempre difíceis. Aqui.independentemente pírica.ou con- tâncias que não foram produzidas por sistemas orgânicos. precisamos de premissas adicionais. produzido pelos testículos.1 cípios teóricos da Biologiaderiváveisdos da Física e da Química. para deduzir leis bio- exemplo.fazemos uma mudança não só de significadoou in. Mas tais de. . _ I Passamos agora à segunda tese. característica biológica. Neste sentido a lei fblca fracasso como explicação de qualquer fenômeno especificamente biolÓgico. Mas a mesma premissa de Física permite também a dedução dos enunciados 'Um gãs se expande ou não se transforma num enxame ~ pode ser estabelecida nem refutada por razões .0 priori. de certas características biológicas (por exemplo. Pois os critérios químicos rona). Exprimem condições g claro que deduções lógicas a partir de enunciados formula- físico-químicasnecessáriase suficientespara a aplicabilidadedos dos exclusivamente em termos de Física e de Química não termos biológicos e são portanto os resultados de pesquisas chegarão a leis caractensticamente biológicas.

o mecanicismo estimula o cientista a persistir abiofísica. se ele pertence a um ou a outro desses vocabulários ou a lógica a partir de uma lei físico-químicapoderia ser esquema. Assim mais uma vez. ou uma teoria sobre a natureza dos fenômenosbiológicos. Se. cies inteiramente novas. ra em uso. forneçam explicações tanto para os gunda. resposta só pode ser encontrada pela pesquisa biológica e na procura de teorias básicas físico-químicas dos fenômenos biológicos. segundo tipo.pois. ocorrerão também os aspec. fazendo sempre crescer o alcance da interpretação físi- co-química dos fenômenos biológicos. o número de leis biológicas explicáveis interpretar o mecanicismo como um princípio heurístico. está ainda a nosso alcance. formuladas em termos de espé- rias para a ocorrência do estado ou condiçãobiológicosB1. gás tabun (caracterizado por sua estrutura molecular) bloqueia I1 timos ser possível separar claramente os termos de Física e de a atividade nervosa e por isso causa a morte no homem é do Química de um lado e os especIficamentebiológicos do outro. A questão da redutibilidade também foi levantada para pretar o mecanicismocomo a opinião de que no futuro a Bio. E enquanto não estiver. de conexão que são disponíveis no momento atual não bas- tam para reduzir os termos e as leis da Biologia aos da Física e da Química. é melhor Em geral. químicos e termos biológicos não teria mais sentido. são concebíveis.onde se coloca no famoso pro- .a linha divisória entre a Biologia e a seguintes leis de conexão: 'Todos os casos de Bl são casos Física-e-Químicapode tornar-se tão pouco nítida como a que de P1' e 'Todos os casos de P2 são casos de B2' (a primeira separa nos nossos dias a Física da Química. uma são agora denominados físicos ou químicos. Mas esta formulação interesse no caso da Psicologia. que as condições físico-químicasP2 são suficientespara fenômenos atualmente chamados biológicos como para os que o aspecto biológico B2). Mas a pesquisa neste terreno avança rapida. as teorias da Física e da Química e as leis lista' nada tem a contrapor. O BEHAVIORISMO mente. 'B2' expres. No vocabulário lei puramente biológica pode ser logicamente deduzida da lei I)' de uma tal teoria unificante a distinção entre termos físico- físico-químicaLp em conjunção com as leis de conexão. nenhum deles. Pode muito bem diz que as condições físico-químicas de . do que como uma tese conexão convenientes que possam ser estabelecidas. E isso. pertencente ao vocabulário específicode tal disciplinaparticular. ja uma lei físico-química de enunciado 'todos os casos de P1 Pode mesmo ser impossíveldar tais critérios. a sa. outras disciplinascientíficasalém da Biologia. ocorrerem os aspectosbiológicosBl. j' I1~ 134 FILOSOFIA DA CItNCIA NATURAL ~I REDUÇÃO TEÓRICA 135 impulsos elétricos' são do primeiro tipo. Então. Um desenvolvimentoteórico deste gênero. como mediante leis físico-químicas depende do número de leis de um preceito orientador das pesquisas. o enunciado que o não pode ser feita sem cautela. E é de particular login 8('rá reduzida li Física c li Química. diante de qualquer termo científico atualmente em uso.e sejam dadas as ti da pesquisa. !! é provável que não haja dificuldade em decidir intuitivamente Uma forma muito simples de derivação de uma lei bio. acontecer que teorias futuras. Pois na nossa discussão udml. não pode ser decidido por argumentos a priori. entretanto. Poder-se-ia então inter. 'P2' expressões que critérios gerais mediante os quais qualquer termo científico ago- contêm apenas termos físico-químicose sejam 'B1'. REDUÇÃO DA PSICOLOGIA. que chamaremos Lp . nem a ber: 'todos os casos de Bl são casos de B2' (ou 'Sempre que questão de reduzir a Biologia à Física e à Química.tipo P1 são necessá.' compreendido. Pois no decorrer são casos de Pl .a se. Mas seria muito difícil formular explIcitamente tizada da seguinte maneira: Sejam 'P1'. não tos biológicosB2').em vez de se resignar à opinião de que os conceitos e princípios da Física e da Química são impotentes para dar REFORMULAÇÃO DO MECANICISMO uma explicação adequada dos fenômenos da vida. Os triunfos alcançados pela pesquisa biofísica e bioquímica orientada por " este preceito constituemuma credencial à qual a concepção vita- Sem dúvida. E muitos outros tipos de enunciados conectivos II Certo.futura . como se vê facilmente. e também qualquer termo que venha a ser introdu- sões que contêm um ou mais de um termo especIficamente zido no futuro. possa ser identificado de modo inequívoco como biológico (podendo conter também termos físico-químicos).

fome. rantir a verificabilidadeobjetiva das hipóteses e teorias psicoló- güínea e de batidas do coração. cológicos a um discurso sobre fenômenos de comportamento. tomar um desvio. fundamenta1mente reducionista. E a redução das leis psicológicas requer ~ uma pessoa a um questionário apropriado são índices da inte- princípios convenientes de conexão. a salivação.nn. em suas múltiplas formas.isto é. c /lho 1111111111' . elétrico para alcançar a comida ou a quantidade de comida De fato. encontramos ao examinar a relação entre os termos biológicos Uma classe especialmente importante de indicadores bio. são conhecidos alguns desses princípios de cone. as expres. formulados em tanto em exclamações faladas ("Eu me sinto cansado" etc. da Química e da Física. medida pelos que só pode ser usada pela própria pessoa numu ('xpIOl'u~no "detectores de mentira". um fornecimento apropriado realidade condições necessáriase suficientespara os termos psi- de oxigênio ao cérebro é necessário à atividade mental e mes.. no problema da relação entre o corpo de valores de uma pessoa se exprimem no modo pelo qual ela e o espírito. a "definição" redu. procura reduzir qualquer discurso sobre fenômenos psi- sões faciais. Por esse comporta. direta- mente observáveis. consumida são manifestaçõesda fome de um animal.ou. sede ou fadiga.136 FILOSOFIA DA C~NCIA NATURAL REDUÇÃO TEÓRICA 137 blema psicofísico. e que as hipóteses e teorias psicoló- como na diminuição da rapidez e da qualidade com que se gicas devem ter implicaçõesconcernentes ao comportamento pu. Entendendo-se por redução o mesmo que antes. cução de certas tarefas (como nos testes psicológicos). 1"11I que certos processos afetivos e emocionaisse fazem acompanhar particular. Na me- xão. o enrubescimento.como os movimentosdos corpos. a presença de da Biologia.ou blicamente observável. como as variações de pressão san. e os do vocabulário da Física e da Química. toda confiança em métodos como a introllpt'l'<. Uma concepção reducionista da Psicologia sus. ligência ou da introversão. modos de agir . cológicos: a situação lógica é inteiramente semelhante à que mo à consciência. tem uma orientação quem se atribui esses estados e eventos. grosro modo. mas Uma forma de behaviorismo especialmentepreocupada em ga- também reações mais sutis. além de termos biológicos ou físico-químicos. as exclamações verbais. que todos os fenômenos psicológicos são exclamaçõesverbais que dela podem ser obtidas e também nos fundamentalmente de natureza biológica OUfísico-química. por mudanças na resistência aparente da pele. estado ou processo minado estado psicológico ou de uma determinada propriedade mental (tais como inteligência. e as suas crenças nas tenta. valem aqui os Certos tipos de comportamento "aberto" (publicamente mesmos comentários gerais. escolhe entre certas ofertas relevantes. Química e F(~ica. estímulos e os resultados podem ser descritos certos estados psicológicos: privar alguém de alimento. estrito. que exprimem condições necessárias ou suficientes para dida em que os. que os termos e leis específicos da Psico. a gicas insiste em que todos os termos psicológicos devem ter química do sangue. no bocejar e em alterações fisiológicas.por exemplo. lógicos ou físicos de estados e eventos psicológicos consiste O behaviorismo é uma escola de pensamento influente em no comportamento publicamente observável do indivíduo a Psicologia que.0"10 'I . num sentido mais ou menos mento se entende não só manifestaçõeseJl1larga escala. termos de comportamento.). observável) manifestado por uma pessoa sob "estímulos" ou tiva de um termo psicológico requer a especificação de con. água ou em termos biológicos ou físico-químicos. Assim é que a fadiga pode manifestar-se critérios claramente especificados de aplicação. psicológica da pessoa em questão. a condutibilidade da pele. a exe. que uma estrada está fechada pode revelar-se no fato de ele logia podem ser reduzidos aos da Biologia. alucinação. Assim sendo. a administração de certas drogas pode ficado de expressões psicológicas em termos dos vocabulários ser suficiente para a ocorrência de alucinações. não determinam na sensações e à percepção visual. ou que as preferências e a hierarquia fenomenalística do seu universo mental. "testes" apropriados são largamente usados em Psicologia como dições biológicas ou físico-químicas que sejam necessárias e critérios operacionais para constatar a presença de um deter- sUficientesà ocorrência da característica. a crença de um viajante de mais precisamente. executa uma tarefa. Esta escola de pensamento rejeitll.pode-se dizer que os oportunidade para repouso é suficiente para a ocorrência de critérios resultantes fornecem especificações parciais do signi- fome. a intensidade do choque cos. Embora muitas vezes certos ligamentos nervosos é necessária à ocorrência de certas mencionados como definições operacionais. sonho) corres. As respostas dadas por pondente ao termo. contendo termos psicológi.

De um cronômetro que marcha muito e de um modo muito importante. Uma versão recente do behaviorismo. os conceitos da Psicologia permitem ou se os fenômenos psicológicossão. rito". que contribuiu grandemente para esclare- muitas vezes sutis e complexos. do que esse alguém sabe ou bem diz-se que tem uma precisão muito alta.ser esquecido.a gente se liberta do que há de descon. Segundo. em sentido claro. 1949). idênti. atribuir alta pre. estimulante e influente. estados rismo.diferem (ou são omissos) quanto à re. 'estender a mão'. que termos como 'cansado'. aberto ou disposiçõesde comportamento. temerário.« depende simplesmentedos fatos que constituem a situação. sustenta que os termos psicológicos.que os métodos substancial. cujo livro The Concepts 01 portanto não souber) que existe um leão na mata. de Química e de Biologia. Nesta quem como inteligentes em cada uma dessas situações fiquem concepção. ela tende a agir ou tem disposiçãopara agir de certo modo ca. os argumentos que a supor- comportamento. Cabe aqui uma analogia. ---- 138 FILOSOFIA DA CI:êNCIA NATURAL REDUÇÃO TEÓRICA 139 dado psicológico nenhum fenômeno psicológico "privado" .sustenta esta forma de comportamento. atua sobre o mecanismo do relógio. Analoga- Mind (Londres: Hutchinson. que contivesse apenas. damente enunciadas. por exemplo. de modo que normalmente qualificaríamos quais. que tam não estabelecem que todos os conceitos da Psicologia se- exerceu forte influência na análise filosófica dos conceitos psi. esperança. embora se re. e as maneiras pelas racterístico. lIl'm introspectivospretendem revelar. 'rir' e análogas: parece que são neces- gostarde jazz. Dizer de al. Esta concepção.e isso por duas razões. corajoso. segundo ela. Pois saber se o com- certante no problema do corpo e do espírito: não há mais que portamento aberto de alguém numa dada situação qualifica-o procurar pelo "fantasma na máquina'? pelas entidades e pelos rr ~ como inteligente. mas que é capaz de uma behaviorístico".especuicamente sobre propensões ou disposições a com. além dos termos de Fí- espécie específicade comportamentoque se revela em situações sica. Primeiro. uma pessoa que compreende e fala russo. 'retrair-se'. saber se o comportamentode uma pessoa numa dada si- que é . um modo eficiente e convenientede falar sobre as estruturas su- cos a certos estados. é muito duvidoso que todas as espécies 'sobre aspectos mais ou menos intricados do comportamento de situação em que uma pessoa. lação entre os fenômenos psicológicos e os corr'espondent~s. perguntar de que modo esse agente nno. na realidade.se estes são simplesmente manifestações públicas daqueles reducionista. faz sentido. claro. cos da espécie requerida para descrever um comportamento firam ostensivamentea estados mentais e a processos "no espí. de estruturas de comportamento. fenômenos de comportamento cer o papel dos conceitos psicológicos. mentais modificam o comportamento de um organismo. sentimento.em têrmos de um "vocabulário puramente mente pronunciando expressõesrussas. nesta versão do behavlu. mas. ligentemente"e as espécies particulares de ação que as classifi- portar-se de maneira característica em certas situações. não processos mentais que estão por "trás" da fachada física. 'fazer careta'. dependerá do que ele aer('. ser honesto. ou disposições e capacidades lhante. Um homem que cisão a ele é equivalente a dizer que marcha muito bem. parece que as circunstâncias sob as quais. 'inteligente'. possa "agir inte- . sensação. gio para de funcionar.ver certascoisas. propriedades ou eventos complexos de tis do comportamento. do behaviorismo. não faz sentido perguntar como eventos ou características e eventos psicológicos. expressões não-técnicas da lin- particulares e que é geralmente considerado característico de guagem quotidiana como 'sacudir a cabeça'. térios objetivos de comportamento para características. E concebendo-o desta maneira . .behaviorista no sentido aqui rapidamente esboçado. que esteja constante. . Entretanto.é evidentemente de teor . 'sabe russo' indicam ao que se presume. jam realmente definíveis em termos de conceitos não-psicológi- cológicos. Analogamente. portanto. a inteligência ou a coragem ou a malevolência podem como ação inteligentenas mesmas ciscunstâncias.ter sários também termos psicológicospara oaracterizar as espécies certas vontades. a saber. "". rude etc. receio etc. Enquanto os behavioristas concordam em insistir nos cri. cortês. desenvolve pormenor!- zadamente uma concepção dos fenômenos psicológicos e das locuções psicológicas mente. tudo isso pode ser concebido de modo seme. tuação qualifica-o como inteligente. simplesmentecomo meios de falar pelo menos. Não caminha sem titubear para uma mata onde se encontra um leão faminto não está agindo corajosamente se não acreditar (e 2 A expressão foi forjada por Gilbert Ryle. acredita sobre a situação em que se encontra. manifestar-seem comportamento aberto não podem ser adequa- guém que fala russo não é dizer. dizer de uma pessoa que é inteligente é dizer que incluídas numa definiçãoclara e plenamente explícita. a precisão. Pensar em Viena. faz sentido perguntar o que acontece à precisão quando o reló. servem.

G. 1966.sobre as partículas. Finalmente. WIENER. mina com cuidado e com profundidade a estrutura do espaço e do tempo à luz das teorias recentes da Física e da Matemática. Nova das várias afinidades lógicas e metodológicasque existem entre York: Alfred A.The Philosophy of Science. org. que seja impossível uma redução dos termos psicológicos a um vocabulário behaviorístico. Van Nostrand Co. dos escapam ao alcance deste livro. Nova York: Appleton-Century-Crofts. e especialmente a Neurofisiologia. Inglaterra: Cam- bridge University Press. dade surgem também a respeito das Ciências Sociais.à Filosofia das P.Philosophical Foundations of Physics.Aspects of Scientific Explanation and Other Essays in the Philosophy of Science. MADDEN. Pode--sepois dizer da (Brochura. pp. introdução a numerosos temas da Filosofia da Física. . 1952. 1960. Readings in the Philosophy of Sciellce. que exa- as Ciências Naturais e as Sociais.. Psicologia pudesse Antologias ser eventualmente reduzida é a Fisiologia. Inclui diversos. a adverte que a possibilidadede uma tal redução não ficou estabe. 1960. lecida pelo tipo de análise que apreciamos. Outra disciplina a que se pensou que a. ceitos nas Ciências Naturais e Sociais e em Historiografia. as teorias.Philosophical Problems of Space and Time. Parece assim que.. 1958. Química e Física. maioria das quais fornece. The Strue- ture 01 Serence.) Uma introdução lúcida aos seguintes tópicos: as leis. Uma fascinante tamento econômico e análogos) aos da Psicologia individual. Teoria do compor~ Nova York. Obra muito substancial. CAMPBELL. P. Patterns of Discovery. 1965. Esta con- sideração não prova. além de um vocabulário behaviorístico conveniente. pro- pensões ou capacidades de comportamento a que se referem os LEITURAS ADICIONAIS termos psicológicos precisamos de outros termos psicológicos. R. CARNAP.) brada. GRÜNBAUM. FEIGLe M. (Brochura.. ~ R. Ciências Sociais e só foram mencionados aqui como ilustração . 11 '- . mediante leis e teorias concernentes ao comportamento individual. 1953. mente a propósito da doutrina do individualismometodológico..1965. claro.org. Pertencem. HEMPEL. N. A..problemada redutibilidadeteórica e como exemplo A. Meridian Books.. HANSON. Uma clara discussão introdutória aos principais aspectos lógicos. MORGENBESSER. BRODBECK. Cambridge. I N. adicional do . Nova York: segundo a qual todos os fenômenos sociais devem ser descritos. analisados e explicados em termos de situações dos agentes in- dividuais envolvidos neles. Nagel. Readings in Philosophy of Science. mas A lista abaixo contém apenas umas poucas obras escolhidas. Knopf. Mas os problemas assim levanta. Princeton: D.particular. Philosophy of Science. Charles Scribner's Sons. H. doutrina do individualismo metodológico que ela implica a re.mas aqui também uma redução plena no sen. incluindo Psicologia de grupo. a explicação e a mensuração. orgs. 535-46. metodológicos e filosóficos do teorizar científico. Nova York: The Free Press. Martin Gardner. 1953. A descrição da "situação" de Obras de autores individuais um agente teria que levar em conta seus motivos e suas crenças assim como seu estado fisiológicoe os diversos fatores físicos. Estudo sugestivo das bases e da função das teorias científicas focalizando as teorias da Física Clás- sica e da Física Moderna . tido amplo. para caracterizar as formas. orgs. H. Londres: Basic Books. What Is Science? Nova York: Dover Publications. referências abundantes à litera- tura sobre o assunto. dutibilidade dos conceitos e leis das Ciências Sociais (num sen.3 P. ensáios sobre a formação e explanação dos con- 3 Uma lúcida discussão desta doutrina se encontra em E. entretanto.. mais eminentes lógicos e filósofos contemporâneos da ciência.. químicos e biológicos do seu ambiente. C. . CAWS.org. Inc. Boston: Houghton Miff1in Company. por um dos o Biologia. " 140 FILOSOFIA DA CItNCIA NATURAL dita sobre a situação e dos objetivos que ele quer atingir pela sua ação. E. 1963. devemos registrar que questões de redutibili. The Structureo of Scientific Thought. Nova York: tido especificado anteriormente não pode sequer ser vislum. DANTOe S.

POPPER. 226 J 01000 SÃo PAULO. . TOULMIN. Londres: Hutchinson's Uni- versity Library.Physics for the'lnquiring Mind. i42 FILOSOFIA DA CI~NCIA NATURAL E. Nova York: Basic Books. Brace & World. D. (Também em brochura. The Anatomy of lnquiry. 1963. das teorias e do determinismo científico.u .e modo algum vulgarizações. . (Também em brochura. H. com forte ênfase nos conceitos básicos. A. E. ROGERS. da Ciência Física. Inc. prefenvelmente. de caráter introdutório (sem serem d. . NAGEL. " K. também de sua I história. é altamente recomendável para o estudo da Filosofia da Ci- ência. G. ROLLER.. BRASIL II I . I 'I11 Eslc livro foi impresso nas oficinas da II " sÃO PAULOEDITORAS.. 1958.: Addison-Wesley Publishing Co. 1953. 1960. ) ""'c Obras substantivas sobre Ciência Física Il Certo conhecimento da Ciência e.. OJOIO Rua Darilo de Ladário. S.). Esta obra excepcional apresenta uma exposição siste- mática e completa.. mas bastante lúcido da natureza do espaço e tempo à luz da teoria da relatividade restrita e generalizada. Knopf. REICHENBACH. Nível moderadamente avançado. The Philosophy of Space and Time.) .1 11 . de caráter introdutório. HOLTONe D. e confirmação. Nova York: Alfred A. que se ocupa especialmente da natureza das leis. Mass. Reading. Inc. 1961.SP .. (Brochura. Os dois livlos seguintes oferecem exposições admiravelmente lúcidas e substan- ciais.. 1959. de uma enorme variedade de problemas metodológicos e filosóficos sobre as leis. Livro sugestivo. Obra estimulante e altamente original que se ocupa especialmente da estrutura lógica e da verificação das teorias científicas.1\ f. significação empírica. é mesmo indispensável para um estudo mais avançado. .The Logic of Scientific Discovery. H.)'. Londres: Hutchinson and Co..The Philosophy of Science. SCHEFFLER. assim como uma análise luminosa. . Estudo analítico avançado dos conceitos de explicação. Princeton: Princeton Uni. moderada- mente técnico. Nova York: Harcourt.Foundations of Modem Physicaí Science. 1958.) Um exame. I.The Structure of Science. as teorias e os modos de explicação nas Ciências Naturais e Sociais e em Historiografia. Nova York: Dover Publications. nos métodos e no desenvolvimento histórico. versity Press. R.

Escrito por um grupo de eminentes professores. nos métodos " de insfrução e no ritmo de progresso. Todo movimento filosófico só adquire autenticidade criadora e construtiva. as classes universitárias diferem muito em ênfase. I( mas servindo também de complemento para os outros . que a distingue radicalmente de todas as demais disciplinas culturais ou do espírito: o pensamento filosófico é. o estudo da Filosofia apresentou sempre uma especifi- cidade soberana.ofe- t recem uma nova flexibilidade ao professor. à luz de conhecimentos científicos mais vastos I 'I: e mais profunda experiência ética e religiosa. tal como se apresentam na atual fase da história filosófica. este CURSO 11 MODERNODE FILOSOFIAtem por finalidade expor alguns dos principais problemas nos diversos campos da Filosofia. um pensamento que capta verticalmente a essên- li cia da realidade que sustenta a existência humana. no entanto. Conquanto seja provável que certos setores estejam repre- sentados na maioria dos cursos introdutórios à Filosofia. Os organizadores deste curso.cada um completo em si mesmo. o tamanho e as caracte- 1 rísticas da composição de suas classes e as necessidades dos I{ alunos variem de ano para ano. se estiver impulsionado pelo "amor à sabedoria" .oeial ~ --fi --. que pode criar seu próprio curso mediante a combinação de vários volumes. e pode escolher diversas combinações em dife- rentes ocasiões. Os diversos volumes do CURSO \ MODERNODE FILOSOFIA. Todos os professores v necessitam de liberdade para alterarem seus cursos à medida '\ que seus próprios interesses filosóficos. coordena os fenômenos que impregnam essa realidade e aponta as soluções universais aos problemas levantados por esse avanço analítico. I por assim dizer. assim como seus autores. JI . ~ A cultura a serviço do progresso .qualificação que se alimenta da própria vinculação primordial à sua designação helênica. sinal originário e derra- deiro de todo filosofar legítimo. 'I'j i\ CURSO MODERNO DE FILOSOFIA I II. con- forme desejar. tendo sempre assegurada a eficácia de um fluxo :~ \ contínuo de pensamento unitário. estão con- vencidos da necessidade de reconsiderar o estudo da Filosofia II em cada época.