METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO

METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO
Patrícia Mota Sena

COLEÇÃO FORMANDO EDUCADORES EDITORA NUPRE 2009

ftc. www. da REDE FTC .br . por quaisquer meios.610 de 19/02/98. sem autorização prévia.REDE DE ENSINO FTC William Oliveira PRESIDENTE Reinaldo Borba VICE-PRESIDENTE DE INOVAÇÃO E EXPANSÃO Fernando Castro VICE-PRESIDENTE EXECUTIVO João Jacomel COORDENAÇÃO DE PRODUÇÃO Cristiane de Magalhães Porto EDITORA CHEFE Francisco França Souza Júnior CAPA Mariucha Silveira Ponte PROJETO GRÁFICO Patrícia Mota Sena AUTORIA Amanda Rodrigues DIAGRAMAÇÃO Mariucha Silveira Ponte Amanda Rodrigues ILUSTRAÇÕES Corbis/Image100/Imagemsource/Stock.Faculdade de Tecnologia e Ciências. É proibida a reprodução total ou parcial. por escrito.Xchng IMAGENS Hugo Mansur Márcio Melo Paula Rios REVISÃO COPYRIGHT © REDE FTC Todos os direitos reservados e protegidos pela Lei 9.

.2..........2.... 9 1...............................85 2......................... 45 1.............................................................. 54 CONTEÚDO 3............................. LEITURA E ANÁLISE DE TEXTOS ................................................................................................................ O SER HUMANO.....................106 MAPA CONCEITUAL................... 66 MAPA CONCEITUAL........3 CONTEÚDO 3.........2................................................................ MÉTODO E ESTRATÉGIA DE ESTUDO E APRENDIZAGEM............................................................SUMÁRIO 1 O CONHECIMENTO HUMANO E A CIÊNCIA ....3 CONTEÚDO 3...................1 CONTEÚDO 1.....113 2.................. PESQUISA E DOCÊNCIA.......33 MAPA CONCEITUAL....... 111 ESTUDO DE CASO ....................2.........1........1................2.......................................... TIPOS DE CONHECIMENTO ........................................................................................ METODOLOGIA E ESTRUTURA DOS TRABALHOS ACADÊMICOS II ...........2 TEMA 4............ METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO: APRESENTAÇÃO DA DISCIPLINA ............. A TEORIA DO CONHECIMENTO ..........................1.....2 1....... REGISTRO E SISTEMATIZAÇÃO DO CONHECIMENTO ......................... 40 EXERCÍCIOS PROPOSTOS ..11 1...1 TEMA 3........................ ESTRUTURA E ORGANIZAÇÃO DE TRABALHOS ACADÊMICOS............... A PESQUISA CIENTÍFICA E SUAS FASES......... CONCEITO.........2 CONTEÚDO 2....................................................................................................................................................................78 EXERCÍCIOS PROPOSTOS . TÉCNICAS PARA SISTEMATIZAÇÃO DO CONHECIMENTO I .....................................83 2.......1...................................... 96 2............2.................................................................1........ RELATÓRIO E MONOGRAFIA ..............................................120 2...............39 ESTUDOS DE CASO .............2..................................... 117 2...........112 EXERCÍCIOS PROPOSTOS ................79 2 A COMUNICAÇÃO CIENTÍFICA E A CONSTRUÇÃO ACADÊMICA DO CONHECIMENTO.......................2 CONTEÚDO 2................. 19 1..............3 1.......................4 CONTEÚDO 4................................... PESQUISA CIENTÍFICA E MÉTODO........................................ A LINGUAGEM CIENTÍFICA E AS REGRAS DA ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS (ABNT) ......2 CONTEÚDO 2.................................... 147 ...... PROJETO.........1.....................................................................................................................................................................1 TEMA 1.......... CONCEPÇÕES DE CIÊNCIA ...3 CONTEÚDO 3........ METODOLOGIA E ESTRUTURA DOS TRABALHOS ACADÊMICOS III.......2.1 CONTEÚDO 1.................141 MAPA CONCEITUAL......................1 1...............................................................2 TEMA 2..... FINALIDADES E REQUISITOS DA PESQUISA CIENTÍFICA .............................................4 CONTEÚDO 1.....63 CONTEÚDO 4......................85 2.......................4 CONTEÚDO 4......... 41 1..............................27 1.......................................................1 CONTEÚDO 1.......... 45 CONTEÚDO 2...................... 134 2. A SOCIEDADE E O CONHECIMENTO.............1......................... METODOLOGIA E ESTRUTURA DOS TRABALHOS ACADÊMICOS I ........................................ TÉCNICAS PARA SISTEMATIZAÇÃO DO CONHECIMENTO II ...... PORTFÓLIO................................ 117 2...........................77 ESTUDO DE CASO ...............................4 CONTEÚDO 4...102 2.......................1....11 1...............................

.....154 GLOSSÁRIO ...............................................................................................................................................................................................................................................148 EXERCÍCIOS PROPOSTOS ................................................................................................................................................148 GABARITO DAS QUESTÕES........................155 REFERÊNCIAS ............................159 ...........................................ESTUDO DE CASO ...............................................................................................................

para as necessidades da sociedade que nos cerca e para o contexto da Educação. do que há de mais atual na bibliografia da disciplina. A nossa maior preocupação é inserir o estudante no contexto do Ensino Superior. Ela é uma disciplina que se preocupa com o contexto de construção de conhecimento. e deve perceber que também ele precisa mudar. É importante ressaltar que a Metodologia não possui o seu horizonte limitado às tarefas didáticas ou à normatização de trabalhos acadêmicos.APRESENTAÇÃO Quem acaba de entrar para a faculdade percebe que muita coisa mudou. trazendo textos selecionados a respeito de temas como pesquisa. epistemologia e educação como forma de aproximar você. a observação acurada e a ação consciente sobre a realidade. com as condições da produção científica e com o papel do sujeito na transformação da realidade. o espírito científico e o exercício da pesquisa. Patrícia Mota Sena . para tirar o maior proveito possível da excelente oportunidade de crescimento cultural que a faculdade lhe oferece (RUIZ. enfatizando que todos nós podemos construir habilidades que favoreçam a produção de conhecimento. Portanto. fornecendo-lhe as bases para que possa caminhar com sucesso na vida acadêmica. na autodisciplina e na maneira de conduzir sua vida de estudos. apresentamos discussões acompanhando as análises dos autores que se especializaram em Metodologia do Trabalho Científico e em questões pertinentes a essa disciplina. a sistematização. 20). estudante-leitor. métodos de estudo. especialmente na responsabilidade. considerando suas possibilidades e desafios no Ensino Superior. Para tanto. 2008. p. Este livro discute os principais aspectos que compõem a Metodologia do Trabalho Científico. para as suas inquietações e questionamentos. o planejamento. Acreditamos que um dos maiores méritos da Metodologia é estimular a autonomia. tais como o senso crítico. atenta para a condição de ser humano.

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BLOCO TEMÁTICO O CONHECIMENTO HUMANO E A CIÊNCIA 1 .

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XIII e XIV)..1 TEMA 1. formando profissionais competentes no domínio técnico de suas habilitações de trabalho. O SER HUMANO. técnicas e normas são importantes. o Ensino Superior é também um espaço de contradição e de rupturas que deve proporcionar [. O espaço no qual se constrói o Ensino Superior é um local de excelência no desenvolvimento de um pensamento. Desta forma. precisamos evitar o tecnicismo.1 CONTEÚDO 1.] e comprometidos com uma nova consciência social. com base em conhecimentos científicos assimilados em um processo de reelaboração da ciência [. METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO: APRESENTAÇÃO DA DISCIPLINA A Metodologia do Trabalho Científico é uma disciplina que perpassa todo o contexto do Ensino Superior.O CONHECIMENTO HUMANO E A CIÊNCIA 1. E isso pode ser observado não somente por meio da atuação dos profissionais egressos do Ensino Superior. Ela fornece instrumentos para a construção de uma proposta de Universidade.] competência técnicoprofissional... mas também no debate e no cultivo à pluralidade de pensamento. A SOCIEDADE E O CONHECIMENTO 1.1. de reflexão sobre a realidade e de ação sobre ela. da socialização do conhecimento.. 2006. mas são instrumentos a serviço da produção de conhecimento. isto é. pois as regras. de análise crítica. Como afirma Antônio Joaquim Severino (apud BARROS E LEHFELD. competência científica e competência política. p. 11 METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO . de ambiente acadêmico. da comunicação de ideias com o mundo.

Tais operações são desempe- 12 PATRÍCIA MOTA SENA . p. essa disciplina integra teoria e prática. Nesse sentido. Desta forma. então. No contexto de produção científica. arrefecida pelo encontro inicial com a disciplina de Metodologia do Trabalho Científico. Vamos lá? MÉTODO é derivado do grego methodos. a expectativa de entrar em contato diretamente com as disciplinas e conteúdos mais específicos da área escolhida é. de suas temáticas e.. os quais conduzem a um modo pelo qual se realiza uma operação denominada conhecer. então. Ele orienta os rumos de uma investigação e. 11). é imprescindível trabalhar com método e agir com rigor. ao associarmos conhecimento e prática profissional. “caminho”. pesquisa e sistematização: atividades que acompanham o estudante por toda a trajetória na academia.] voltado para a transformação qualitativa dessa mesma sociedade no seu todo. 1999. Poder-se-ia. Então. a educação e o contexto acadêmico. por vezes. Ao se debruçar sobre o estudo do método e das condições da própria produção científica. da sua importância para o desenvolvimento e êxito das atividades de estudo. ciência e transformação da realidade. outra agir e outra fazer. formado por meta. Mas isso é fruto de um preconceito oriundo do desconhecimento acerca do significado dessa disciplina. tendo em vista a compreensão da disciplina de Metodologia do Trabalho Científico. “pesquisa” (LAVILLE.ou seja. Ainda segundo essa autora: Todo trabalho científico deve ser baseado em procedimentos metodológicos. capazes de compreender e reavaliar sua existência e sua atuação na sociedade a partir de um projeto [. as relações sociais. abrangendo aspectos como a condição de ser humano. especialmente. o que é metodologia? Qual a relevância da Metodologia Científica para o estudante do Ensino Superior? E o método? Qual o seu significado e a sua Função dentro da academia? Diante desses questionamentos. consiste na “maneira de se proceder ao longo de um caminho”. de acordo com Odília Fachin (2006. traduzir a palavra por “caminho para” ou. “prosseguimento”. passaremos a discutir os significados de método e metodologia. DIONNE. seguindo critérios previamente definidos pela comunidade acadêmica. percebemos que a Metodologia do Trabalho Científico não se limita aos afazeres didático-pedagógicos. p. 30). “para” e hodos. É a aplicação do método que confere validade e credibilidade aos resultados de uma pesquisa científica..

É responsável pela abordagem de um problema a partir da análise sistemática das suas possíveis soluções. Grifos da autora). 2006. Para tanto. p. discutiremos mais adiante a relação entre conhecimento e verdade. Para complementar essa discussão.Forma ordenada de proceder ao longo de um caminho. Como podemos operacionalizar um método? Veja o quadro a seguir: 13 METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO . 29. Percebemos. O método é a organização. p. 03). 2006. Isso significa que não existe um único método universalmente aplicável a todas as áreas científicas.nhadas pelo ser humano a fim de desenvolver adequadamente um estudo (FACHIN. Método . Vejamos: Todas as ciências caracterizam-se pela utilização de métodos científicos. mas não há ciência sem o emprego de métodos científicos. De maneira geral. é preciso considerar a natureza do objeto e o objetivo da investigação. de maneira a ordenar as etapas e as atividades a serem desenvolvidas com o objetivo de construir conhecimento. nem todos os ramos de estudo que empregam estes métodos são ciências. porém nem todo conhecimento que os aplica pode ser considerado científico. Dessas afirmações podemos concluir que a utilização de métodos científicos não é da alçada exclusiva da ciência. Marconi e Lakatos (2009. em contrapartida. que é a aplicação de métodos que confere cientificidade ao conhecimento construído. (BARROS E LEHFELD. o planejamento do ato de pesquisar. as reflexões da área de Educação não são fundamentadas nos mesmos métodos em que se apoiam os estudos da História ou da Química. então. 83) fazem uma ressalva muito importante quando analisam o conceito de método ao afirmarem que toda ciência se caracteriza pela utilização de métodos. p. A escolha do método (ou dos métodos) que será aplicado em uma pesquisa varia de acordo com a natureza de cada problema que se deseja investigar. Essa escolha tem relação direta com a área específica da ciência na qual o objeto de estudo está inserido. Conjunto de processos ou fases empregadas na investigação na busca do conhecimento. Desta forma. estudo e pesquisa. Quanto à afirmação das autoras a respeito de se tratar de um conhecimento verdadeiro. ele define o que deve ser feito nos processos de investigação.

através de processos e técnicas. 2006. As técnicas de pesquisa. que garante a legitimidade do saber obtido (BARROS & LEHFELD. 02). à parte prática”. já a técnica está ligada ao modo de realizar a atividade. “O método pode ser considerado como uma visão abstrata da ação. p. É através da Metodologia Científica que o aluno é confrontado com a realidade. descrevemos e lançamos o nosso olhar sobre o mundo. do questionamento e da expressão do saber construído contextualizado histórica. análise crítica. estão relacionadas à coleta de dados. formado por um conjunto de etapas ordenadamente dispostas. mais perfeita. ela avalia os métodos disponíveis no campo das ciências. Desta forma. p. em geral. técnicas e o corpo teórico que pauta a investigação. Para além da aplicação de técnicas e normas. e a Metodologia. sistemati- 14 PATRÍCIA MOTA SENA . (FACHIN. Os métodos aplicados nas ciências humanas não são estanques. METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO é uma disciplina instrumental e reflexiva que se propõe a desenvolver habilidades de observação. p. 01). 2006. verificando constantemente a sua validade na resolução de novos problemas científicos. 2006. social e culturalmente. uma vez que se posiciona diante do conhecimento mediante a aplicação dos métodos disponíveis. focalizando o aluno como um sujeito capaz de construir habilidades de pesquisa. à tática. Para melhor entender a distinção entre método e técnica. ela oferece os instrumentos intelectuais necessários à aprendizagem. isto é. podemos dizer que é a ação planejada e praticada a partir da união entre métodos. eles devem ser adequados a cada tipo de pesquisa. METODOLOGIA corresponde a um conjunto de procedimentos a serem utilizados na obtenção do conhecimento. ao modo como compreendemos. Já a Metodologia do Trabalho Científico é uma disciplina relacionada à epistemologia. enquanto a técnica operacionaliza o método. O método está relacionado à estratégia. por sua vez. política. sistematização do conhecimento e autoavaliação do aprendizado. 31) Quanto à metodologia. devemos levar em conta que o método refere-se ao atendimento de um objetivo. ou seja. É a aplicação do método. fazendo-a transcorrer de forma mais hábil.MÉTODO E TÉCNICA “O método é um plano de ação. e a técnica. a visão concreta da operacionalização” (BARROS & LEHFELD. destinadas a realizar e a antecipar uma atividade na busca de uma realidade.

no qual os paradigmas científicos estão sendo pensados com o objetivo de responder aos novos problemas da contemporaneidade. minimizando suas dificuldades e apreensões quanto às formas de estudar e. consequentemente. de encontrar os meios de extrair o maior proveito do estudo”. Mas muito antes da institucionalização formal do Ensino Superior. Barros e Lehfeld (2006. enfatizando o método científico e não o resultado. monografias. d) capacitação do aluno para que ele leia criticamente a realidade e produza conhecimentos. Para muitos. analisando e interpretando-os e comunicando resultados. c) oportunidades especiais para o aluno comportar-se cientificamente. 07) elencam os principais objetivos dessa disciplina: a) “análise das características essenciais que permitem distinguir Ciência de outras formas de conhecer. p. b) análise das condições em que o conhecimento é cientificamente construído abordando o significado de postulados e atitudes da Ciência hoje. • Metodologia do Trabalho Científico e Universidade Para que possamos compreender melhor as relações entre a Metodologia e o Ensino Superior na atualidade. Reflita sobre como a disciplina de Metodologia do Trabalho Científico contribui para produção do conhecimento na contemporaneidade e de que modo podemos significar a informação nesse contexto. 15 METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO . podemos identificar núcleos de circulação de saberes e conhecimentos.. integrando-o à universidade. Estamos falando da Antiguidade Clássica.zação e seleção de informações e dados na busca do entendimento da realidade. Atualmente vivemos um momento de transição. convido você para um passeio pela história no qual conheceremos um pouco mais sobre o surgimento das primeiras universidades e o seu papel na construção de conhecimento científico. f) fornecimento de processos facilitadores à adaptação do aluno. período em que a Igreja Católica exercia papel preponderante na construção e preservação do conhecimento construído até então. coletando dados para responder aos questionamentos. Vamos lá? As primeiras universidades surgiram no contexto da Idade Média. levantando e formulando problemas. artigos científicos etc. e) vetor de informações e referenciais para a montagem formal e substantiva de trabalhos científicos: resenhas. vivemos a era da informação.

inaugurada em 16 de outubro de 2002. astrônomos. o monopólio da educação superior em suas regiões. inclusive autonomia. Na Antiguidade. que lhes transmitia seus conhecimentos. no qual a Igreja Católica foi responsável pela unificação do ensino em virtude da preocupação em formar o clero e prepará-lo para a ação política e religiosa. Abriga um planetário. pres- 16 PATRÍCIA MOTA SENA . fundada no século III a. Essas universidades eram corporações. DISPONÍVEL EM: <HTTP://WWW. A concepção da biblioteca como centro de convergência de culturas diversas e abertura ao conhecimento foi retomada nos anos 80 pelo projeto de construção da Biblioteca Alexandrina. não nos moldes como conhecemos hoje. A universidade medieval construía conhecimentos dogmáticos. por exemplo.] Na época. a Biblioteca de Alexandria chegou a ter 400 mil volumes e abrigava um museu que funcionava como centro de pesquisa – mantido pelo governo – onde trabalhavam profissionais de várias áreas. como a Biblioteca de Alexandria.HTM>.Na Grécia e Roma antigas havia escolas para formar especialistas em Direito. no Egito. três museus e quatro galerias de arte. formando as escolas. ACESSO EM: 16 AGO.. FONTE: BIBLIOTECA ALEXANDRINA. e cada uma reconhecia os graus conferidos pelas demais. Foi entre os séculos XI e XV que surgiram as primeiras universidades no Ocidente. tendo o projeto se inspirado na antiga Biblioteca de Alexandria. no Egito. 2009.ORG/ENGLISH/OVERVIEW/OVERVIEW. De modo semelhante. pautados na verdade da fé e nos estudos filosóficos da Antiguidade. Segundo esses estudos. tais como geógrafos. com apoio da UNESCO. [.C. na qual os arqueólogos descobriram treze salas de leitura com capacidade para cerca de cinco mil estudantes. Filosofia e Retórica. Tinham privilégios legais. mas já se podia perceber o hábito das discussões abertas e dos debates públicos. havia também centros de estudos. Esse período compreende a Idade Média.. físicos e matemáticos. admitiase como indiscutível que as universidades deviam se concentrar na transmissão do conhecimento e não em sua descoberta. Os aprendizes – chamados de discípulos – se reuniam em torno de um mestre. mas locais de leitura.BIBALEX.

supunha-se que as opiniões e interpretações dos grandes pensadores e filósofos do passado não podiam ser igualadas ou refutadas pela posteridade. o objetivo é a formação de uma motivação própria.. A definição da forma como a Universidade e as descobertas científicas poderiam atender às necessidades da sociedade capitalista industrial veio com a criação da Universidade de Berlim. p. O “pupilo” deverá ser estimulado para a “criação intelectual”. a complementaridade do ensino fundamental e médio com o universitário (PEREIRA. entre Estado e Universidade. harmonia e beleza intrínsecas”. na organização e na produção industrial” (BRETAS. tendo-os como verdades constituídas. 2003.. para que cada pessoa 17 METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO . concretizando a associação entre o desenvolvimento industrial e ciência. 2008. trazendo para a Universidade matérias mais empíricas. pois “foram os homens da indústria que reconheceram que a aplicação do conhecimento científico aos seus inventos seria fator diferencial no desenvolvimento. tais como: a unidade entre ensino e pesquisa. “Compreender” e “conhecer” devem ser atraentes “não por meio de circunstâncias exteriores. Foi o Iluminismo. Assim. a autonomia e a liberdade da administração da instituição e da ciência que ela produz. a universidade se tornou centro de pesquisa. No contexto da Renascença e da Reforma Religiosa que caracterizaram a Idade Moderna. com objetivos práticos capazes de aliar conhecimento e pesquisa. Para Rohden. a Universidade passou a integrar pesquisa e ensino.. presentes no texto “Sobre a Organização Interna e Externa das Instituições Científicas Superiores em Berlim” (1809). 31).] da precisão.] (BURKE. 2009. ainda sob a influência do pensamento iluminista. a contraposição dos segmentos burgueses e a expansão do comércio diversificaram o ensino. que contestou tal prática e deu uma conotação profissional às universidades. Os princípios formulados por Humboldt fundam a universidade moderna e especificam as suas principais características adotadas até hoje. A partir de suas ideias. 205). p. mas resguardando todo o conhecimento produzido anteriormente. de tal forma que a tarefa dos professores se limitava a expor as posições das autoridades [. a relação integrada. no século XVIII. fundada em 1808 pela iniciativa do linguista Wilhelm von Humboldt. Humboldt – no documento mencionado – faz observações sobre o dimensionamento do estudo científico que parecem direcionar os estudos na Universidade apenas para a investigação científica. porém autônoma. o autor explica que. Ao comentar a relação entre estudo e pesquisa. como a Matemática e a Lógica. mas por meio [. 38).. para Humboldt. p. No século XIX. a interdisciplinaridade.

Em 1854 foram criadas as faculdades de Direito de São Paulo e de Recife. na Bahia.HTM>. as primeiras universidades foram criadas no Brasil. ACESSO EM: 16 AGO. p. A ditadura varguista. que. NA ITÁLIA. pesquisa e extensão. 23. Ainda em 1808. os brasileiros estudavam na Universidade de Coimbra e eram. O mesmo aconteceu com a Universidade de Brasília (UNB). Antes da chegada da Família Real. Em 1934. O CONCEITO DE UNIVERSIDADE NASCEU NAQUELE MOMENTO. foi criada a Faculdade de Medicina. a junção de três ou mais faculdades legalmente estabelecidas se chamava Universidade. 18 PATRÍCIA MOTA SENA . em sua maioria. 2009). já que as ditaduras são incompatíveis com os debates livres. a Universidade de São Paulo (USP) foi fundada e a de Minas Gerais foi reestruturada.540/68. homens que desejavam seguir a carreira religiosa. A redefinição do conceito de Universidade aconteceu em 1968 em decorrência da Reforma Universitária. a partir de 1937.BR/~REGINALDO/HISTORIA/SEMIN1/ UNIVERSIDADES/UNIVERSIDADES. 2002. que foi fechada com o golpe de 1964. a partir de 1930.IFSC.possa aspirar ao conhecimento e à compreensão a partir da sua iniciativa própria (ROHDEN. Grifos da autora). Naquele mesmo período. que trazia para a Universidade a ideia da integração entre ensino. foi responsável pela promulgação da Lei nº 5. sob influência do modelo norte-americano. NO PERÍODO MEDIEVAL AS ESCASSAS BIBLIOTECAS PERTENCIAM À IGREJA CATÓLICA. rompeu com o processo ascendente de expansão das universidades.USP. em 1808. INSTITUTO DE ANATOMIA DA FACULDADE DE MEDICINA DE BOLONHA. (FONTE: DISPONÍVEL EM: < HTTP://WWW. No século XX.

pois é preciso entender a realidade em que vivemos. que significa conhecimento) e de epistemologia (do grego episteme. pode ser entendida como uma “Ciência da Ciência”. a partir de agora. + logos = teoria. estuda e avalia os fundamentos e a validade das ciências. pois consiste no exercício da reflexão e da análise da ciência sobre si mesma (BARROS. que sugerem que a epistemologia.) De acordo com Maria Lúcia Aranha. conhecimento. p. outra definição para epistemologia é trazida por Barros e Lehfeld.2 CONTEÚDO 2. 19 METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO . Para essa autora. 06. ressaltam que uma epistemologia abrangente se preocupará antes em estudar e elucidar a “categoria geral do conhecimento” como condição inicial para o entendimento dos elementos que compõem a produção dos diversos tipos de conhecimento. p. A TEORIA DO CONHECIMENTO Agora que já estudamos um pouco sobre a Metodologia e a construção do conhecimento na formação da universidade ao longo do tempo. a teoria do conhecimento também é chamada de gnosiologia (palavra derivada do grego gnose. Qual a sua natureza? Como nós – indivíduos social e historicamente constituídos – nos relacionamos com o conhecimento? Veremos que conhecer o mundo é próprio do ser humano. a utilização do termo epistemologia adquiriu conotação direcionada ao estudo das condições de produção do conhecimento científico sob olhar crítico quanto ao método. 2006. ela está associada ao modo como compreendemos e descrevemos a realidade. 160). Coadunando-se com essa abordagem. Dessa maneira. analisa e avalia a sua construção tendo como ponto de partida o ser humano. Para ele. passaremos a examinar o próprio conhecimento.1. LEHFELD. orientando a ação e a reflexão dos investigadores na construção do conhecimento científico. E o ser humano é entendido como um ser cognoscente: um ser que CONHECE! PROBLEMATIZANDO O CONCEITO DE EPISTEMOLOGIA Epistemologia _________ episteme = ciência. Veremos. explicação. então. 2009. 2006. ciência). p. Promove. (MOSER. uma análise crítica a respeito da produção científica e de seus elementos constitutivos. à validade das conclusões e à pertinência das hipóteses (ARANHA. ramo da Filosofia que problematiza essas e outras questões relativas ao ato de conhecer.1. 40). discutindo os postulados das reflexões e da objetividade nos variados métodos aplicados. Porém alguns autores. estuda os elementos que constituem o conhecimento. como Moser. aspectos relacionados à Teoria do Conhecimento. inclusive caracterizando-os conforme seus domínios. ao disponibilizar “instrumentos de crítica aos princípios e às elaborações do fato científico”.

conforme as ideias de Gerard Lebrun. 2002. dessa forma. epistemologia não poderia ser confundida com uma teoria geral do conhecimento. por exemplo. de suas condições de produção” (LAVILLE. 2009. Sob esse aspecto.. o conhecimento ético e o conhecimento religioso. que é necessária a compreensão do significado do conhecimento como pressuposto para a discussão de um domínio particular de conhecimento. 13). embora ela seja necessária e funcione como fundamento ao estudo epistemológico. fruto de um consenso provisório e instável’ (LEBRUN. A ressalva feita por Paul Moser só pode ser entendida se localizada no centro dos debates sobre a ciência contemporânea. O autor ressalta. 30).[. uma epistemologia ideal seria abrangente e maximamente explicativa (MOSER. O sentido de epistemologia como área da Filosofia voltada para a compreensão dos métodos em ciência é parte de uma discussão originada entre filósofos e historiadores da ciência franceses. Tal noção de epistemologia pressupõe uma revisão da relação entre ciência e Filosofia. que rejeitam a utilização da denominação História da Ciência ou Filosofia da Ciência – com a palavra ciência utilizada no singular – como modo de afirmar a pluralidade dos campos científicos existentes. observando que “uma epistemologia de pouca envergadura pode lançar luz sobre a categoria do conhecimento perceptivo. o conhecimento matemático. mudanças radicais no consenso. nas normas. o autor faz a crítica de que os epistemólogos contemporâneos têm se preocupado com a elucidação de um único domínio do conhecimento. uma epistemologia abrangente lançaria luz sobre todos os domínios potenciais do conhecimento. 1977). o conhecimento comum pela percepção. dessa maneira. 20 PATRÍCIA MOTA SENA . p. a epistemologia pode ser entendida como “estudo da natureza e dos fundamentos do saber. que deve se dedicar ao estudo do conhecimento científico. ao passo que se nega. nas estratégias que caracterizam o trabalho científico numa determinada área. em certo período. Nesse sentido. a ideia de que há uma universalidade do método (ABRANTES. p. 28). DIONNE. 1999. particularmente de sua validade. e Paulo Abrantes retoma seus principais aspectos. 69). Ao realizar o estudo da ciência como uma das possibilidades de conhecer a realidade.. que são o conhecimento científico. mas não dar contribuição alguma à compreensão de qualquer outro domínio potencial de conhecimento” (p. Desta forma. considerando a diversidade das ciências. p. o científico. b) Desenvolvimento descontínuo do conhecimento científico: a história das ciências é marcada por rupturas.] idealmente. de seus limites. historiador da Filosofia: a) Pluralidade das ciências: a epistemologia considera cada ciência em particular como ‘um território autônomo. regido por normas intrínsecas.

surgiram as correntes inatista e empirista. Assim. antes de estudar especificamente o conhecimento científico. da realidade do mundo exterior e até do seu próprio corpo. das verdades deduzidas pelo raciocínio. que. dos argumentos de autoridade. 70-71). a seguinte: De onde vêm nossas ideias? A grande novidade introduzida por Descartes foi iniciar sua filosofia pela teoria do conhecimento. uma investigação histórica (os produtos teóricos das ciências sendo tratados como acontecimentos) e filológica (a análise de tais produtos.c) Dissolução da imagem tradicional do conhecimento científico enquanto conjunto de verdades: as ciências passam a ser vistas como ‘aventuras contingentes’ legitimando. em um primeiro momento. fruto de escolhas e decisões tomadas num trabalho coletivo) (ABRANTES. Converte então a dúvida em método e começa duvidando de tudo. se faz necessária a análise de algumas questões que permeiam o entendimento do significado do próprio conhecimento. na busca de uma verdade primeira que não pudesse ser posta em dúvida. Percebemos. Chega 21 METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO . p. Leia o texto de Maria Lúcia de Arruda Aranha e reflita sobre as questões que seguem. das afirmações do senso comum. visa a exibir uma estratégia. INATISMO E EMPIRISMO A questão que se coloca na teoria do conhecimento é. passaram a investigar as origens do conhecimento respondendo de duas maneiras as questões mencionadas. enquanto textos. filósofos. Questões essas que são essenciais como objetos de reflexão da epistemologia: O que é conhecimento? Como podemos conhecer? Qual (is) a(s) fonte(s) de conhecimento? Como conhecemos o que conhecemos? Por que conhecer? Para quê conhecer? Como o ser humano se relaciona com o conhecimento? Na época moderna. do testemunho dos sentidos. desse modo. como René Descartes e John Locke. então. 2002.

. porém. enquanto Locke destaca o papel do objeto. mas apenas a considera ocasião do conhecimento. na razão. uma cera na qual não há nenhuma impressão. logo existo’ (cogito. como as ideias mudam? . ergo sum). 160-161). Daí em diante. se o conhecimento é uma maneira de entrarmos em contato com a realidade. idealismo. inatismo. que.então a uma verdade indubitável. apriorismo são conceitos que designam a teoria do conhecimento cartesiana. termo cuja origem é a palavra grega empeiría. como ideias inatas. pensa: ‘penso. que significa ‘experiência’. Tampouco significa que o racionalismo exclua a experiência sensível. não sujeitas a erro. ideias gerais que não derivam da experiência. Maria Lúcia de A. enquanto a reflexão é a percepção que a alma tem daquilo que nela ocorre. Segundo Locke. A sensação é o resultado da modificação feita na mente por meio dos sentidos. que já nascem com o sujeito. Em resumo. Ao compararmos essa concepção empirista com o racionalismo. o filósofo descobre ideias claras e distintas. a reflexão se reduz apenas à experiência interna e resulta da experiência externa produzida pela sensação. há duas fontes possíveis para as nossas ideias: a sensação e a reflexão. São Paulo: Moderna. Descartes enfatiza o papel do sujeito. privilegia o primeiro. p. uma intuição primeira. segue outro caminho. no sujeito e se apresenta na forma de ideias. 2006. sempre sujeita a enganos”. mas criticou as ideias inatas de Descartes ao afirmar que a alma é como uma tabula rasa. Por isso sua teoria ficou conhecida como empirismo. A corrente empirista. pois vêm da razão. numa série de intuições. para os aprioristas. a partir das quais podemos conhecer todo o resto: por isso sua filosofia é dita racionalista. Isso não significa que o empirismo despreze a razão. mas já se encontram no espírito humano. constatamos que. isto é. não poderemos saber se o que conhecemos é verdadeiro ou falso se não tivermos um critério seguro. racionalismo. Filosofia da Educação.A razão pode mudar ideias que eram consideradas universais e verdadeiras? 22 PATRÍCIA MOTA SENA . ARANHA. se duvida. São ideias verdadeiras. Portanto. mas sim que a subordina ao trabalho anterior da experiência. uma tábua sem inscrições. Também podemos dizer que se trata de um idealismo e um subjetivismo. [John] Locke foi influenciado pelo pensamento cartesiano. Subjetivismo. porque o conhecimento só começa após a experiência sensível. qual seja a existência de um ser que duvida e que. diante dos polos sujeito – objeto. porque para ele a realidade se encontra em primeiro lugar no espírito. E esse critério está em nosso espírito.Se as ideias inatas são verdadeiras e não estão sujeitas ao erro porque vêm da razão.

407). Desta forma. entenda a aplicação do termo “homem” como ser humano universal. Vamos lá: Além da relação entre homens ser fundamental para se poder falar de homem. nesse sentido. para que possamos buscar entender um pouco mais essa questão! A partir do século XIX. (Gostaria de ressaltar que estudos de gênero têm problematizado a utilização desse termo nas discussões científicas e na linguagem como um todo. embora distintos. Segundo Marx. isto é. ela se caracteriza como social (ANDERY et alli. p. estamos em constante transformação. filósofos. passaram a considerar o ser humano como um ser social. pois ela se transforma! Na citação a seguir e na subsequente. inclusive. transformando-a em benefício de suas necessidades.. homens e mulheres. produzem-se reciprocamente. constrói conhecimento e se reconstrói permanentemente. tanto social como historicamente.• O ser humano e o conhecimento Vamos começar refletindo sobre o que é o ser humano? Vamos pedir um auxílio a alguns intelectuais. com a natureza. que pode praticar atividades livres e conscientes: o ser humano como processo de seus atos. as suas necessidades: essas necessidades são tão mais humanas quanto mais o homem (mesmo mantendo a sua individualidade) for capaz de se reconhecer no coletivo. transforma-se.. como Karl Marx. E tal relação somente é possível na medida em que o ser humano se relaciona com outros indivíduos. que é igualmente transposto para a ciência). Ele pode criar sua própria vida. com o surgimento do materialismo histórico. transformando o próprio homem e alterando. essa relação é histórica. a sociedade e o homem. que. 2004. mantendo uma forte relação com sua realidade material e concreta. Para complementar essa discussão podemos retomar os questionamentos que mencionamos anteriormente e nos perguntar: O que nos faz querer conhecer? Conhecer é uma ação arbitrária. estudiosos da condição humana. capaz de refletir sobre sua própria condição e melhorar suas condições de vida. o ser humano também se constrói na relação que estabelece consigo mesmo. Não podemos perder de vista o aspecto histórico dessa relação entre os seres humanos (homens e mulheres) ao longo do tempo. e mesmo quando a atividade humana imediata é individual. constituem uma unidade. Mas o ser humano não se constrói apenas na relação que estabelece com o mundo. Pois é. uma vez que ele universaliza e generaliza o ser humano a partir de um referencial masculino. é no processo de satisfação das necessidades materiais que o ser humano transforma o meio em que vive. é um ser de consciência e ação. ou é resultado de uma escolha? Conhecemos para quê? 23 METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO . eventual.

2005. mas como um ser que conhece a partir de suas relações com o outro.] Para Ruiz. p. 24 PATRÍCIA MOTA SENA . Assim é que a apropriação da realidade inclui o REAL. ou seja. Ambas ligam o ser humano à realidade.. a apropriação da realidade. seja ele qual for. A mente. o ser humano também necessita de uma dimensão individual que permita que ele seja capaz de sentir e significar o mundo que o cerca. o ser humano não se preocupa apenas em garantir as suas necessidades físicas e sua sobrevivência. em sua plenitude. Por COISA. questiona: “Qual a natureza das coisas?” e o coração.. para tanto. pergunta: “Qual o sentido que essas coisas têm para nós?” O homem não só tem uma mente e necessita de um sistema de orientação que lhe permita compreender e estruturar o mundo que o rodeia. possui faculdades intrínsecas e extrínsecas que lhes possibilitam conhecer e pensar no atendimento às suas necessidades humanas básicas. precisa também estabelecer laços com aqueles que o cercam. conhecer e pensar colocam o universo ao nosso alcance e lhes dão sentido. 2002). ele também tem um coração e um corpo que precisam ser ligados emocionalmente ao mundo – ao homem e à natureza (FROMM. e o IDEAL. o ser humano possui duas dimensões: a “mente” e o “coração”. vamos acompanhar o pensamento de Eric Fromm. 1977. O ser humano precisa compreender de que se trata a vida humana e. tudo aquilo que existe ou poderia existir. 79-80). ou seja. Diferentemente dos outros animais. que é a totalidade das coisas conhecidas pelo sujeito. não como um ser isolado.Bem. com reconhecimento do que vê e com atribuição de significado aos seres e às coisas” (TEIXEIRA. Para ele. que é a dimensão sensorial. Desse modo. É através desses laços que o ser humano constrói a sua individualidade. Conhecer. COMO CONHECEMOS O MUNDO? O ser humano. que é o aspecto racional. E para que possamos compreender um pouco mais a dimensão dos sentidos na busca do conhecimento pelo ser humano. O conhecimento. p. no cenário da vida. Entende-se por SER tudo aquilo que existe ou que se supõe existir. o que existe realmente independente do nosso pensamento. representa. [. o homem torna-se o ser verdadeiro capaz de olhar o mundo e vê-lo. saber e ter conhecimento é apreender os seres e as coisas. 80 apud PASSOS. finalidade e razão de ser. aquilo que existe apenas em nosso pensamento de modo imaginário ou fictício.

ATO DE CONHECER: é o processo de interação entre sujeito e objeto. podemos nos perguntar: O que é conhecimento? Em geral. p.. Essa resposta não é equivocada. Para Luckesi (1996. que significa trazer à luz. Nesse sentido. pois nos diz apenas onde obtemos conhecimento. Essa palavra vem acompanhada do prefixo reforçativo “e”. que nos facilite e nos melhore o modo de viver. Para Barros e Lehfeld (2006. Podemos entender conhecimento como elucidação da realidade. A palavra “elucidar” deriva do latim lucere. 30).. buscando o sentido das coisas.] é produto de um enfrentamento do mundo realizado pelo ser humano que só faz plenamente sentido na medida em que o produzimos e o retemos como um modo de entender a realidade. que pode tornar a realidade clara e cristalina. Então. pensamos que conhecimento é tudo o que aprendemos nos livros. diz-se que o conhecimento existe quando a pessoa ultrapassa o “dado” vivido. uma vez que pode se transformar em consciência social. 25 METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO . Esse dado vivido pode ser uma parcela do real. do ponto de vista da origem da palavra. iluminar com intensidade. mas é insatisfatória. eliminando o conformismo. iluminar. o conhecimento se configura como um instrumento de mudança. Essa luz é a luz da inteligência. que quem conhece consegue se apropriar do objeto que conheceu? Bem. trazer à luz a realidade. com nossos professores e com os pais. OBJETO: é o mundo exterior ao sujeito. 48). então. explicando-o”. O sujeito é capaz de se apropriar. O ato de conhecer como elucidar é o esforço de entender a realidade. De forma mais simplificada. p.Já que estamos falando de conhecer o mundo. o conhecimento [. o conhecimento pode ser compreendido como “a manifestação da consciência-de-conhecer. a esse ser que conhece chamaremos de sujeito! • Elementos do processo do conhecimento SUJEITO: é o ser humano que construiu inteligibilidades que permitem compreender um fenômeno da realidade. conhecer pode ser entendido como elucidar a realidade. Desse modo. de explicar o mundo exterior. um fenômeno ou acontecimento que passaremos a chamar de objeto. elucidar significa trazer à luz muito fortemente. favorecendo a autonomia e o senso crítico. RESULTADO: é o conhecimento propriamente dito. Podemos dizer.

acaba por formular concepções e referenciais sobre as relações de homem e mundo e sobre a existência humana percebida em sua dinâmica (. O resultado é o conhecimento propriamente dito. da utilização de vários recursos que visam dar forma e conferir sentido ao objeto: compreendê-lo. É a explicação sintética produzida pelo sujeito por meio de um esforço de análise metodológica da realidade que a torna inteligível. de uma ou de outra forma. Mas esse produto. mas da relação que ele mantém com o objeto...). que se constitui na relação que estabelece com o sujeito. com o mundo exterior. pode ser revisto.. compreensível. independentemente de haver ou não quem os conheça. explicitar o que é fato e fenômeno dentro da perspectiva a ser considerada para a aplicação dos métodos científicos (.. 2000. Os conceitos não nascem de dentro do sujeito. reelaborado e reavaliado. FATOS E FENÔMENOS A realidade se apresenta de maneira multifacetada e possui variados aspectos que podem se constituir em objeto de investigação científica. pois a construção de conhecimento é um processo dinâmico e crítico. Cabe ao pesquisador eleger uma parcela da realidade a qual deseja desvendar. “É necessário.. O ato de conhecer é o processo de interação entre sujeito e objeto.A existência do sujeito e do objeto é relacional. o sujeito só existe na sua relação com o objeto. p. A compreensão de um determinado fato ou fenômeno estudado (objeto) e que já pode ser exposto.) de mútua e constante transformação” (BARROS e LEHFELD. comunicado.. Mas a realidade pode ser compartimentalizada? Vejamos como Barros e Lehfeld apreendem as diversas instâncias do real. A partir da relação sujeito – objeto o ser humano pode transformar o meio em que vive. mas. contudo. 55). isto é. O mesmo é válido para o objeto. a percepção que ele tem do fato é que se chama fenômeno. 26 PATRÍCIA MOTA SENA . quando existe um observador. Pessoas diversas podem observar no mesmo fato fenômenos diferentes. Os fatos acontecem na realidade. compartilhado. dependendo de seu paradigma que. Essa interação pode acontecer por meio da investigação. o conhecimento.

.COM/2008 _ 08_01_ARCHIVE. Como afirma Ruiz [. Veremos.3 CONTEÚDO 3. mas nós mesmos o organizamos de acordo com as nossas experiências. ACESSO EM 17 AGO. TIPOS DE CONHECIMENTO O ser humano se relaciona com o mundo de diferentes formas e. ninguém precisa devotar-se aos estudos mais avançados da psicologia para inte- 27 METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO . • Conhecimento popular ou senso comum (FONTE: JARDIM DA FILOSOFIA.HTML . para tanto. sendo superficial e assistemático porque é produto de ações não planejadas e não se organiza a partir da sistematização das ideias. da cultura e dos saberes que obteve pessoalmente ou por meio do contato com outros indivíduos. Ninguém precisa estudar lógica e aprofundar-se nas teorias sobre a validade científica da indução ou nas leis formais do raciocínio dedutivo para ser natural e vulgarmente lógico. aplica e constrói diversos tipos de conhecimento por meio dos quais interage e contribui para a construção social do meio em que vive.1. É aquele que resulta do modo espontâneo de conhecer e que obtemos no cotidiano.] para qualquer homem.BLOGSPOT. 2009) Também é denominado de conhecimento vulgar ou de conhecimento empírico.. Tais experiências atingem a aparência dos fatos sem análise crítica ou demonstrações.1. DISPONÍVEL EM: HTTP://DUVIDA-METODICA. a porção maior de seus conhecimentos pertence à classe do conhecimento vulgar. alguns tipos de conhecimento que permeiam as relações entre os indivíduos e a realidade. a seguir. É construído a partir das experiências que todo ser humano acumula em sua vida. decorrente das tradições.

p. 78). Dizemos que é um conhecimento não verificável porque nasce do exercício do pensamento sobre si mesmo. p. 28 PATRÍCIA MOTA SENA . na sociedade.COM/2009/04/20/DO-SENSO-COMUM-A-FILOSOFIA>. 2009).grar-se na família. LAKATOS. p. pois nasce da tentativa dos indivíduos de resolver problemas da vida diária. Esse tipo de conhecimento não busca as causas dos fenômenos e não se constitui como produto de uma reflexão. ao contrário do que ocorre no campo da ciência. constituindo um conjunto de enunciados relacionados logicamente. e “os enunciados das hipóteses filosóficas. Dizemos que o conhecimento filosófico é valorativo porque. que se transformam lentamente de acordo com os acontecimentos casuais com os quais ele se depara. ele distingue os valores que norteiam as ações humanas.] uma vez que as convicções são subjetivas e se traduzem por uma firme adesão da mente a enunciados evidentes ou não. unicamente recorrendo às luzes da própria razão humana”. (FONTE: DISPONÍVEL EM: <HTTP://FILOSOFIAUNICO. 96). 78-79) também consideram que o conhecimento filosófico não pode ser submetido à experimentação por ser caracterizado “pelo esforço da razão pura para questionar os problemas humanos e poder discernir entre o certo e o errado. Marconi e Lakatos (2009. ninguém precisa ser teólogo para adotar uma religião [.WORDPRESS. na medida em que questiona e reflete sobre a condição humana. isto é.. A compreensão filosófica pretende construir conhecimentos que orientem a ação humana. ACESSO EM: 18 AGO. A Filosofia contribui para o ser humano adquirir consciência de si mesmo. da reflexão. não podem ser confirmados nem refutados” (MARCONI. ADOTAR UMA ATITUDE QUESTIONADORA ANTE A REALIDADE E NÃO SE CONFORMAR COM A APARÊNCIA DAS COISAS SÃO PASSOS IMPORTANTES PARA A SUPERAÇÃO DO SENSO COMUM. 2008.. verdadeiros ou não (RUIZ. Por exemplo: o homem do campo sabe plantar e colher de acordo com os ensinamentos e os costumes locais. 2009. • Conhecimento Filosófico Este tipo de conhecimento utiliza procedimentos racionais e reflexivos na elaboração de críticas da realidade. no trabalho.

em vez de afirmar que gosta de alguém porque possui as mesmas ideias. há fogo”. inquirisse: O que é o amor? O que é o desejo? O que são os sentimentos? Se. Assim. sem maiores considerações”. E ele respondeu: “Para não darmos nossa aceitação imediata às coisas. as situações. Esse alguém estaria começando a adotar o que chamamos de atitude filosófica. uma primeira resposta à pergunta “O que é Filosofia?” poderia ser: A decisão de não aceitar como óbvias e evidentes as coisas. as ideias. estaria interrogando a si mesmo. os fatos. Perguntaram. jamais aceitá-los sem antes havê-los investigado e compreendido. os comportamentos de nossa existência cotidiana. silenciosamente. agora. os valores. resolvesse investigar: O que é a quantidade? O que é a qualidade? E se. desejando conhecer por que cremos no que cremos. certa vez.A ATITUDE FILOSÓFICA Imaginemos. as mesmas preferências e os mesmos valores. em vez de falar na subjetividade dos namorados. ou “não saia na chuva para não ficar resfriado”. por: O que é causa? O que é efeito?. a um filósofo: “Para que Filosofia?”. questionasse: O que é a verdade? O que é o falso? O que é o erro? O que é a mentira? Quando existe verdade e por quê? Quando existe ilusão e por quê? Se. “Esta casa é mais bonita do que a outra”. Em vez de "que horas são?" ou "que dia é hoje?". Ao tomar essa distância. suas afirmações por outras: “Onde há fumaça. “seja objetivo”. em lugar de discorrer tranquilamente sobre “maior” e “menor” ou “claro” e “escuro”. 29 METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO . ou “eles são muito subjetivos”. por: O que é a objetividade? O que é a subjetividade?. nossa existência. os mesmos gostos. alguém que tomasse uma decisão muito estranha e começasse a fazer perguntas inesperadas. preferisse analisar: O que é um valor? O que é um valor moral? O que é um valor artístico? O que é a moral? O que é a vontade? O que é a liberdade? Alguém que tomasse essa decisão estaria tomando distância da vida cotidiana e de si mesmo. por: O que é “mais”? O que é “menos”? O que é o belo? Em vez de gritar “mentiroso!”. por que sentimos o que sentimos e o que são nossas crenças e nossos sentimentos. quisesse saber: O que é o sonho? A loucura? A razão? Se essa pessoa fosse substituindo sucessivamente suas perguntas. perguntasse: O que é o tempo? Em vez de dizer "está sonhando" ou "ficou maluca". teria passado a indagar o que são as crenças e os sentimentos que alimentam.

pelos profetas. 8. Marilena. 4. e são suficientemente claros e explícitos para que possamos entender hoje quanto foi escrito a dois. pelo seu Filho Jesus Cristo. Disponível em: <http://www. fazendo-os participantes de seus conhecimentos. 3. 79). pois a visão sistemática do mundo é interpretada como decorrente do ato de um criador divino. 2. portanto. no sobrenatural. 5. a relação que o indivíduo estabelece com o conhecimento religioso “passa a ser um ato de fé. Apoia-se em doutrinas sagradas. Os textos bíblicos são autênticos. tem o poder de se comunicar com os homens. possuindo um caráter inspiracional.CHAUI. Se tudo o que está na Bíblia encerra a própria ciência divina comunicada por Deus aos homens. Por isso. a todo o seu povo e. quatro ou mais milênios. que. então. • Conhecimento Religioso O conhecimento religioso também é denominado de teológico e se fundamenta na autoridade divina. com. 7. Deus tem poder infinito e.]. fornecendo um conhecimento sistemático e objetivo acerca do mundo. 6. constitui uma verdade inconteste. Acesso em: 16 ago. se Deus merece todo crédito e exige que os homens recebam a sua palavra e aceitem como condição de salvação.pop. por seu próprio conceito. falando ou escrevendo sob inspiração divina. reveladas. Deus falou de fato aos profetas e. ou parte do que Deus falou. Segundo Marconi e Lakatos (2009. cujas evidências não são postas em dúvida nem sequer verificáveis”. O que Deus falou. considerando a tradição judaico-cristã: PASSOS DO CONHECIMENTO TEOLÓGICO 1. Veja o quadro a seguir com algumas premissas do conhecimento teológico. não foram adulterados. Deus existe. a revelação direta a alguns profetas e hagiógrafos que se comunicariam depois com outros homens. Deus tem ciência infinita. A característica fundamental desse tipo de conhecimento é a aceitação do dogma. ou. 2009. é natural que não se procure a evidência dos conteú- 30 PATRÍCIA MOTA SENA .br/03_filosofia/03_01_convite_a_filosofia/convite_a_filosofia. p. dizemos que suas verdades são infalíveis e indiscutíveis. Convite à Filosofia.htm>... está escrito nos textos das escrituras sagradas do antigo e novo testamentos [. Entre as diversas maneiras de se comunicar com os homens poderia escolher a revelação direta a cada um.pfilosofia. a toda a Humanidade.

pode-se questioná-lo quanto à sua origem e destino. ed. porque lida com a ocorrência dos fatos e fenômenos. o sujeito cognoscente pode penetrar nas diversas áreas: ao estudar o homem. 2009). p. Para essas autoras. ACESSO EM: 18 AGO.SAOBERNARDO. pode-se tirar uma série de conclusões sobre sua atuação na sociedade. as relações existentes entre determinados órgãos e sua funções. Ele nasce da dúvida e é factual. Distintamente do conhecimento popular. no processo de apreensão da realidade do objeto. deve ser comprovado. religioso e científico. Importante considerar a ressalva que Marconi e Lakatos fazem quanto aos tipos de conhecimento. baseada no senso comum ou na experiência cotidiana. São Paulo: Atlas. verificando. e possui uma relativa capacidade de previsão.dos da revelação divina. 2008.BR / DADOS1/MATERIAS/4451. por exemplo. É verificável. pode-se analisá-lo como um ser biológico. sendo obtido a partir da observação dos fatos e da investigação. Metodologia científica: guia para eficiência nos estudos. mas que se aceite o dogma “porque assim foi divinamente revelado. 6. finalmente. o conhecimento científico requer um planejamento rigoroso. É um conjunto organizado de conhecimentos sobre determinado objeto. assim como quanto à sua liberdade. FONTE: DISPONÍVEL EM: HTTP://WWW.GOV. pode-se observá-lo como ser criado pela 31 METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO .JPG. através de investigação experimental. que não exige sistematização porque nasce da experiência. É importante destacar que essa não é a única forma válida de conhecer a realidade. isto é. (RUIZ. filosófico.SP. uma vez que novas proposições e o desenvolvimento de novas técnicas podem reformular os postulados científicos já existentes. pois não se constitui em um tipo de conhecimento absoluto. João Álvaro. Apesar da separação ‘metodológica’ entre os tipos de conhecimento popular. • Conhecimento Centífico RESTAURAÇÃO DE DOCUMENTOS ANTIGOS. 105).

enquanto o conhecimento científico estuda sua constituição íntima e suas causas. e meditar sobre o que dele dizem os textos sagrados (MARCONI. LAKATOS. no sentido de não exigir demonstração.divindade.. João Álvaro. metódico. enquanto o conhecimento científico estabelece leis válidas para todos os casos da mesma espécie que venham a ocorrer nas mesmas condições. enquanto o conhecimento científico justifica e demonstra os motivos e fundamentos de sua certeza. São Paulo: Atlas. O conhecimento científico é crítico.]. o fenômeno e. à sua imagem e semelhança. enquanto o conhecimento vulgar é ocasional. sistemático.. O conhecimento vulgar atinge o fato. O conhecimento vulgar associa analogias globais e. está mais sujeito ao erro nas deduções e nos prognósticos. CARACTERÍSTICAS QUE CONTRAPÕEM O CONHCIMENTO CIENTÍFICO AO CONHECIMENTO VULGAR O conhecimento científico é privilégio de especialistas das diversas áreas das ciências. enquanto o conhecimento vulgar normalmente gera certezas desde o seu nascimento. ed.. não raro se trata de certezas ingênuas de um realismo pré-crítico [. rigoroso. portanto. portanto. objetivo. assistemático. p. 32 PATRÍCIA MOTA SENA . cabe acrescentar que a divisão apresentada neste livro é composta pelas análises dos diversos autores que a utilizam como estratégia didática de compreensão das formas com as quais o ser humano lida com o conhecimento. p. orgânico. O conhecimento científico é programado. não procede com vigor de método ou de linguagem. está menos sujeito ao erro nas deduções e prognósticos. 80). 97). o singular. 2008. Vale dizer que o conhecimento vulgar atinge as coisas. ametódico. 6. com os outros e consigo mesmo. não analisa. Metodologia científica: guia para eficiência nos estudos. O conhecimento vulgar gera certezas intuitivas e pré-críticas. e é mais fiducial e de aceitação passiva que objetivo. e.]. enquanto o conhecimento vulgar é comum e possível a todo ser humano [. e não concatena a congérie fragmentária de conhecimentos em corpo ordenado de enunciados logicamente interrelacionados e subordinados uns aos outros. 2009. enquanto o conhecimento científico procura as relações entre os componentes do fenômeno para enunciar as leis gerais e constantes que regem estas relações. enquanto o conhecimento vulgar não questiona. por isso. que consideram a coexistência dos tipos de conhecimento estudados em um mesmo indivíduo como produto das relações que estabelece com o mundo.. O conhecimento científico nasce da dúvida e se consolida na certeza das leis demonstradas. (RUIZ. Dessa maneira.

pretende também explicar os efeitos provocados pela interferência desses seres ou forças. é transmitido por meio de gerações como forma de explicar o mundo. ao contrário. por meio de forças ou seres considerados superiores aos humanos. Assim nasceu o método em ciência. Assim. Debruçaram-se sobre o próprio pensamento. explicar a natureza que o cerca e a sua própria natureza. Além disso. ela une e canaliza as emoções cole- 33 METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO . conseguiu dar respostas e avançar na compreensão do mundo. seja de uma realidade completa como o cosmos. O entendimento do ser humano sobre o mundo passou da temeridade e do espanto para a tentativa de explicar a realidade por meio do pensamento mitológico e da crença no sobrenatural. CONCEPÇÕES DE CIÊNCIA O ser humano. de fé. O QUE É UM MITO? O mito é uma narrativa que pretende explicar. buscando conhecer o POR QUÊ e o PARA QUÊ com o objetivo de compreender a natureza das coisas e do ser humano. pois os deuses eram antropomórficos (possuíam qualidades e defeitos humanos). sempre se esforçou em compreender a realidade. o mito apresenta uma espécie de comunicação de um sentimento coletivo. As ações de homens e mulheres eram explicadas pela interferência divina. cada período da História forneceu explicações diferenciadas de ciência e métodos próprios de cada período. O aparecimento dos filósofos na Grécia foi responsável pela contestação e pelo questionamento dessa visão de mundo.C. Antes do surgimento do pensamento filosófico. a origem. na Idade Moderna e na Idade Contemporânea. ao longo do processo histórico. até século XVI) Os gregos foram os primeiros a buscar um conhecimento que não tivesse relação imediata com a resolução de problemas diretamente cotidianos. explicação que não é objeto de discussão. Como as crenças e a mitologia passaram a não responder a todos os questionamentos humanos. como a ciência foi vista na Antiguidade. seja de partes dessa realidade.1. Tal narrativa não é questionada. buscando a melhor maneira de superar os desafios. ela é objeto de crença.4 CONTEÚDO 4. Desta forma. Veremos.1. a seguir. as explicações mitológicas do mundo predominavam. não é objeto de crítica. buscando respostas por caminhos que pudessem ser comprovados. • A concepção grega (século VIII a. os seres humanos passaram a investigar.

em geral. É indispensável na vida social. estimulando o pensamento crítico. as pessoas recebiam uma educação que incluía a arte de falar bem. eles partiram para o estudo do ser humano e da vida em sociedade. havia uma lei que regia todos os fenômenos. Para tanto. Para que essa participação fosse exercida. Essa foi uma forma de questionar a mitologia como explicação das relações humanas. com o exercício de uma democracia participativa praticada nos tribunais e assembleias. A passagem do mito à razão e a presença dos filósofos da natureza constituíram processos que foram acompanhados de outras transformações. leva os indivíduos a refletirem sobre ela e isso modificou a estrutura do pensamento. Desta forma. 20). ele sugeria que os valores deveriam ser avaliados em relação às necessidades do homem. na medida em que fixa modelos da realidade e das atividades humanas (ANDERY. A invenção da moeda – que é a representação abstrata de um valor – e o nascimento da pólis conferiram maior autonomia ao homem. da medição e da comprovação. não analisavam a vida material sob o ponto de vista da mitologia. poderia encontrar respostas realmente seguras sobre as transformações da natureza. A principal característica dos sofistas era a visão crítica que eles possuíam sobre a mitologia. para eles. Essa cidade-estado possuía uma vida política e cultural muito intensa. nem mesmo a Filosofia. p. tranquilizando o homem num mundo que o ameaça. A Filosofia surgiu como uma discussão da realidade que não era questionada pelos mitos. mas queriam descobrir os mistérios e as causas dos fenômenos naturais a partir da observação. • A concepção moderna (século XVII até o século XX) A concepção moderna de ciência propõe a conquista do conhecimento por meio da experimentação. nada. pois ele passara a expressar a individualidade do seu pensamento. Os sofistas. Quando Protágoras afirmou que “o homem é a medida de todas as coisas”. O surgimento da escrita possibilita a prática de uma maior abstração.tivas. pois. especialmente os sofistas. Atenas passou a receber mestres e filósofos de outras cidades-estado. Sem poder explicá-las. 2004. pois. a Retórica. A escrita exige maior clareza e rigor. uma vez que permitia a retomada daquilo que foi escrito. O homem do Renascimento contestava a ideia grega de que o conhecimento poderia ser atingido apenas por meio da reflexão e passou a in- 34 PATRÍCIA MOTA SENA . para eles. pois não poderiam fornecer explicações concretas. a Filosofia libertou o conhecimento da religião e deu o primeiro passo em direção a uma forma científica de pensar. porque. centro cultural do mundo grego. Os filósofos surgiram em Atenas. que se mantinham lecionando para os cidadãos atenienses. na medida em que fixa a palavra.

Encostando cuidadosamente as bolas ao parapeito. esses estudiosos levaram os filósofos da época a exaltar o valor da experimentação e. valorizando a racionalidade científica. viram-nas cair uniformemente e. se deixaram levar pelo deslumbramento e fizeram com que a ciência e a técnica se desviassem da sua destinação de aprimorar a qualidade da vida humana. As demais formas de entendimento da realidade. Considerados grandes experimentadores. como se ela fosse a resposta correta e única para os problemas humanos. com o rigor do saber e com o avanço nas descobertas científicas. O método empírico pressupõe que o conhecimento advém da experiência e o Renascimento trouxe experimentos sistemáticos com os quais os homens podiam experimentar. no instante seguinte. ele resolveu submetê-la a um teste público. O cientificismo é a confiança total na ciência. Tal ponto de vista deu origem a dois mitos da ciência: o cientificismo e a neutralidade científica. com um grande estrondo. Na Idade Moderna. Galileu. Convidou toda a universidade para testemunhar a experiência que ele estava prestes a realizar a partir da torre inclinada. A primeira prova de força de Galileu com os professores universitários esteve ligada às suas pesquisas sobre as leis do movimento. uma com um peso de cinquenta quilos e outra com um peso de meio quilo. foram desprezadas e consideradas formas menores de conhecimento. a Filosofia e o senso comum. ilustradas pelos corpos em queda livre. Ninguém parece ter questionado a correção dessa regra. Essa ruptura foi motivada pela retomada dos resultados obtidos por cientistas como Galileu e Newton. Aceitava-se o axioma de Aristóteles segundo o qual a velocidade dos corpos em queda livre era regulada pelos seus pesos respectivos: assim. Na manhã do dia combinado. que. tais como a religião. A ciência moderna realizou uma ruptura com a Filosofia e com a religião. largou-as juntas. Esse era o método empírico. em grande medida. medir e comprovar na tentativa de entender e transformar a natureza. impondo seus dogmas como verdadeiros. até Galileu a ter rejeitado. dominou a produção e o acesso ao conhecimento.vestigar a natureza aplicando a observação e a experimentação. Como os professores zombavam da afirmação de Galileu. Esses mitos atingiram leigos e cientistas que. na presença de toda a universidade e de populares. foi para o topo da torre levando consigo duas bolas. atin- 35 METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO . maravilhados com a eficácia da técnica. por muito tempo. uma pedra que pesasse um quilo cairia duas vezes mais depressa que uma pedra que só pesasse meio quilo e assim por diante. a ciência passou a ser vista como sobreposta às diversas outras formas de conhecer. a desdenhar a preocupação dos filósofos medievais com a preservação da obra dos grandes filósofos clássicos. Ele declarou que o peso nada tinha a ver com o assunto e que […] dois corpos com peso diferente […] cairiam no chão ao mesmo tempo.

tinha marcado a sua posição. a teoria da neutralidade científica não se sustenta. A neutralidade científica é outro mito da ciência moderna. Ao contrário da concepção moderna. ele poderá dar as seguintes respostas: 36 PATRÍCIA MOTA SENA . como foi o caso das pesquisas que levaram à bomba atômica. política ou econômica. existem instituições e empresas que financiam investigações que mais lhe interessam.2006. Reflexões posteriores demonstraram que não é bem assim que ocorre. Muitos pensavam que a ciência era um saber neutro e que as pesquisas científicas não deveriam sofrer influência social. • Concepção contemporânea (século XXI) A ciência contemporânea pauta-se na incerteza e rompe com o cientificismo. Embora o cientista tente produzir conhecimento desvinculado de ideologias. na pessoa do jovem investigador. de acordo com o ramo ao qual pertencem. pois a perspectiva crítica e autoavaliativa da ciência contemporânea questiona a que fins se destinam as suas descobertas sem alegar isenção. Atualmente. Se perguntarmos a um professor o que ele considera importante fazer para que seu aluno aprenda de fato. O discurso da neutralidade científica permitiu que o conhecimento científico fosse apropriado com fins altamente destrutivos. Disponível em: www. Leia atentamente o texto a seguir: A EPISTEMOLOGIA E A PRÁXIS PEDAGÓGICA Talvez o leitor ainda não esteja muito convencido da ligação intrínseca entre as questões epistemológicas e a práxis educativa em sala de aula. Por isso vamos dar alguns exemplos. Uma perspectiva de senso comum amplamente defendida sobre a ciência. Uma das possibilidades da ciência hoje é articular a produção científica com a ação pedagógica de forma a transformar a práxis de acordo com as referências epistemológicas da atualidade. ela adota a indução para se certificar e confirmar seus estudos. Disponível em: CHALMERS. pois a produção científica não se realiza fora do contexto social. F. A ideia da neutralidade científica é extremamente nociva porque pode gerar uma postura passiva e não questionadora no cientista em relação a sua profissão e às implicações éticas da produção científica. Alem disso.giram o solo ao mesmo tempo. político e cultural que a rodeia. A. A velha tradição era falsa e a ciência moderna.html Acesso em: 01 de ago.criticanarede.com/cienciaefactos. a humanidade corre riscos com as pesquisas tecnológicas.

Os exemplos 1. O professor deve premiar quem trabalha bem e punir com nota baixa quem não se esforça. Filosofia da educação. Maria Lúcia de Arruda. vindos de famílias sem tradição cultural. É importante que o professor saiba transmitir bem o conhecimento acumulado na cultura a que pertence. ARANHA. Expressões como transmitir e treinar. 4. O professor precisa saber qual é o estágio de desenvolvimento intelectual do aluno com o qual vai trabalhar. O esforço do professor é irrelevante diante de alunos carentes. são bastante reveladoras do caráter externo do processo. ao considerar o gosto de conhecer um elemento inato.1. que precisaria ser revelado. a fim de criar situações para que ele aprenda por si próprio. ele enfatiza o aspecto pessoal e dinâmico do processo de conhecer. 3. porque partem do pressuposto de que o conhecimento é algo que vem de fora e o sujeito o recebe de maneira mais ou menos passiva.165. 6. mal alimentados. O aluno precisa estudar bastante. 2. mas se faz por estágios. O professor deve desenvolver as potencialidades que todo aluno tem. 37 METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO . São Paulo: Editora Moderna. conforme o caso. 5. assim como ao se referir a algo em potência que pode vir à tona. 2006. além disso. 2. O terceiro exemplo é empirista também porque reforça a passividade do sujeito. fruto de um mundo externo hostil no qual ele está mal alimentado e mal informado. Já o quinto e o sétimo exemplos se caracterizam pelo apriorismo. O empirismo do quarto exemplo apresenta ainda características típicas do behaviorismo. treinando o suficiente para fixar o que aprendeu. em que o ensino se baseia em reforços positivos e negativos que modelam os reflexos condicionados. na medida em que parte do pressuposto de que o conhecimento do aluno não é o mesmo para todos nem é estático. 3 e 4 fundamentam-se na tendência empirista. O bom professor é capaz de despertar no aluno o gosto pelo estudo. determinado pelo meio em que se insere. 7. nos dois primeiros exemplos. p. O sexto exemplo revela uma tentativa de superação das duas posições.

38 PATRÍCIA MOTA SENA .

MAPA CONCEITUAL 39 METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO .

ESTUDOS DE CASO A proposta deste caso para ensino é investigar como os diversos tipos de conhecimento ocorrem na comunidade onde você vive. escolha um e observe como ele se expressa na sua cidade. Formule uma questãoproblema de maneira interrogativa: seu objetivo será tentar respondê-la e propor sugestões de solução para o problema levantado. Caso o tipo escolhido por você não seja observável na sua cidade. Comece o seu estudo de caso resumindo as principais características de cada tipo de conhecimento estudado: Resumo: ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ Tipo de conhecimento escolhido: ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ Problema: ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ Dados Obtidos na Observação: ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ 40 PATRÍCIA MOTA SENA . Dentre os tipos que estudamos neste tema. seja na forma como as pessoas lidam com ele. Identifique uma dificuldade seja na forma como ele é praticado. identifique as causas disso e aponte soluções para fomentar a expressão desse conhecimento.

Respostas/Soluções para o Problema: ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ EXERCÍCIOS PROPOSTOS QUESTÃO 01 “Delimitar ou definir os fatos a investigar. b) A ciência deve possuir um único objeto de estudo. além de ampliá-la com novas investigações. d) A busca do ser humano pela compreensão da realidade foi responsável pela criação desse modo particular de conhecimento. c) O texto acima compreende a dimensão lógica do conhecimento científico. elaborar um conjunto sistemático de conceitos que formem a teoria geral dos fenômenos estudados. construir instrumentos técnicos e condições de laboratório específicas para a pesquisa. o texto acima coloca diversos objetos diferentes para a investigação científica. e permitam a previsão de fatos novos a partir dos já conhecidos: esses são os pré-requisitos para a constituição de uma ciência e as exigências da própria ciência. Marilena. que controlem e guiem o andamento da pesquisa. reconhecido de acordo com as características apresentadas desde a Antiguidade. Disponível em: <http://br.com/mcrost02/>. porém. separando-os de outros semelhantes ou diferentes. experimentação e verificação dos fatos. pois estabelece uma cadeia de causas e efeitos logicamente determinados. a técnica e os fenômenos da realidade. sistemático e planejado. 41 METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO . o científico. deixando de lado os aspectos metodológicos e materiais. como a metodologia. 2007). Acesso em: 11 out. Convite à Filosofia. é correto afirmar: a) O texto retrata a ciência como um todo integrado no qual interagem as implicações metodológicas e contextuais na produção de um saber pelas causas. geocities. estabelecer os procedimentos metodológicos para observação.” (CHAUÍ. racional. Com base na leitura do texto acima e características da atividade científica.

Conhecimento popular e conhecimento científico se aproximam. As estratégias dos sujeitos mencionadas no texto correspondem à vivência cotidiana na qual o conhecimento popular é construído sem sistematização e sem a aplicação de métodos. [.] o cotidiano é a hora da verdade. analise as proposições a seguir: I. são explorados.] os cientistas definem aquilo que percebem em seus laboratórios.... usam astúcias para se defender das estratégias dos poderosos. A definição de um conceito científico seria relevante para que os objetos da prática cotidiana pudessem ser conhecidos. Das proposições acima. já que ambos realizam reflexões aprofundadas. associado aos estudos sobre o conhecimento popular e conhecimento científico. da linguagem comum [. construindo instrumentos capazes de explicar fenômenos da natureza e do cotidiano. QUESTÃO 03 “No mundo de hoje. as quais. No cotidiano. se organizam para sobreviver. e muito.. estão corretas.. o conhecimento popular se constrói a partir da experiência. II. criado artificialmente de modo a tornar possível certas práticas e ações.. por sua vez. b) I e IV. 195). A experiência cotidiana dos indivíduos é inadequada para a realização de estudos científicos. como todos os mortais. (GARCIA.. lutam. sem a preocupação em definir as causas que geraram os fenômenos. aspectos que o caracterizam. já que eles não são perceptíveis se não nos comportarmos como cientistas. são muitas as pessoas que sabem. valores e expectativas do dia a dia... Com base no fragmento acima. Uma das mais importantes atividades 42 PATRÍCIA MOTA SENA .] Na ciência. 2003. IV. no cotidiano. definir é o mesmo que criar. ou pelo menos percebem. resistem.] É ali.. apenas: a) I e II.QUESTÃO 02 “[. um dia morrem”. p. No entanto.. possibilitam a criação de novos objetos. que a linguagem científica difere. III. definir não significa apenas dar um nome. sofrem..] O laboratório é um lugar diferente. subalternizados. os locais que sintetizam suas práticas. [. pois os objetos formais de investigação devem ser isentos de conflitos. sobrevivem e. que sujeitos encarnados lutam. isto é. originando um conhecimento superficial e não causal. d) III e IV. e assim vivem. transmitidos e modificados de geração para geração. [. Mas como chegam os cientistas a criar esses termos estranhos e difíceis? [. c) II e III.].

17-29).A. (RODRIGUES. analise as proposições a seguir: 43 METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO . nos fins e meios para todas as atividades educacionais nas sociedades modernas e se constituem em instrumentos fundamentais a serem possuídos por cada indivíduo na sociedade. III. v. O texto evidencia a indissociabilidade das dimensões compreensiva e metodológica da ciência: só se pode construir conhecimentos (conteúdo) com a utilização de métodos apropriados de construção de discursos. O autor afirma que o objeto formal da ciência em geral é a linguagem ao invés da natureza.. Das proposições acima. 232-257. analise as proposições a seguir: I. O autor quer dizer que não se conhece os fenômenos em profundidade sem uma postura investigativa. 76. C. contradizendo o princípio de que sua finalidade seja a descoberta dos fenômenos naturais. A. Educação: da formação humana à construção do sujeito ético. 2000. d) II e III. 12. estão corretas. ao afirmar que os objetos do cotidiano são imperceptíveis se o sujeito deixar de se comportar como cientista. Com base no texto acima e nos conhecimentos sobre as características da ciência. e estabelece o grau de responsabilidade para sua implementação por parte do poder público ou da iniciativa privada. n. ao longo dos últimos dois séculos.dos cientistas é a elaboração de teorias científicas. Educação & Sociedade. p. QUESTÃO 04 “A aquisição de conhecimentos e a sua utilização prática na forma de habilidades tornaram-se. b) I e II. nos planos individuais e coletivos. O que é vida? Para entender a Biologia do século XXI. Rio de Janeiro: Relume-Dumará. p.P. uma das características que mais sobressaem é a construção de uma teia entre os conceitos” (VIDEIRA. c) III. Antonio Augusto Passos. Nessas últimas. Neidson. Para que servem as definições? IN: EL-HANI. O modo de aquisição e de distribuição desses conhecimentos e habilidades se constituiu em paradigma que organiza todos os processos educativos. particulares e universais”. Com base no texto acima e na relação entre conhecimento e educação. II. apenas: a) I.N. VIDEIRA. 2001).

por sua natureza questionadora e por lidar com ocorrências ou fatos. ao basear-se no exercício da razão instrumental que valoriza excessivamente a eficácia da ação humana. apenas. pois seu ponto de partida consiste em hipóteses que deverão ser submetidas à observação e validação. classifica-se o assunto abordado como sendo de caráter: a) empírico. c) filosófico. QUESTÃO 05 Leia atentamente o texto a seguir: A discussão levantada pela tirinha ultrapassa gerações de estudos por toda a humanidade. sendo valorativo. apenas. Desta forma. tendo sido reveladas pelo inspiracional. II e III. Segundo o autor. quando dissociado da crítica e criação do conhecimento. por apoiar-se em doutrinas que contêm proposições sagradas. sendo demonstrável e falível em virtude de não ser definitivo. d) teológico. b) I e II. pois é passado de geração a geração. sendo infalíveis e não verificáveis. estão corretas a) I. caracteriza a postura de estar simplesmente no mundo. a educação dos últimos dois séculos iguala-se à ciência por se pautar pelo cientificismo. III. fundamentando-se numa seleção operada com base em estados de ânimo e emoções. A metodologia científica insere-se no novo paradigma educacional por proporcionar aos estudantes instrumentos para adquirir conhecimentos por meio da prática. apenas. O uso.I. b) científico. O autor afirma que a educação tem privilegiado o uso do conhecimento. 44 PATRÍCIA MOTA SENA . II. c) I e III. Das proposições acima. d) II e III.

nem uma receita capaz de garantir que a sua atividade de estudo desembocará na aprendizagem automática. pois. Nesse momento você também pode estar se perguntando a respeito da importância de abordar essa temática. não é mesmo? Mas é justamente por saber disso que pensamos ser necessário trazer algumas técnicas que possibilitem a potencialização dessa atividade.1. construindo uma prática alterada apenas quando há intervenção por parte de programas executados pelo professor ao constatar problemas na aprendizagem de seus alunos. O que faremos é trabalhar aqui as principais características que envolvem a atividade de estudo. no estudo? Acredito que sim e tenho constatado. 35-36). Outras análises perceberam que os estudantes do ensino superior que obtêm maior êxito na aprendizagem são aqueles que aplicam o método com habilidade. p. acertos e erros. com algumas estratégias capazes de torná-la mais organizada e planejada. uma vez que pratica a atividade de estudo desde a infância. Já os que utilizam de maneira inadequada ou simplesmente agem com indiferença à aplicação de métodos de estudo não conquistam sucesso semelhante (SALOMON.2 TEMA 2. à quantidade de leituras e atividades e. trata-se de indicar meios práticos para que o estudante possa avaliar a sua prática de estudo. REGISTRO E SISTEMATIZAÇÃO DO CONHECIMENTO 1. recuperando as possíveis deficiências detectadas. caro aluno (a). que contribuem para o êxito na aprendizagem. com frequência. Délcio Salomon questiona: Entre duas pessoas que tenham [.. as exigências se aprofundam quanto ao entendimento de conteúdos mais complexos.] processos cognitivos semelhantes e o mesmo grau de escolaridade. Algumas pesquisas na área mostram que os hábitos de estudo se formam logo cedo e se consolidam através de tentativas. especialmente.2.1 CONTEÚDO 1. Não 45 METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO . no Ensino Superior. também. Por isso. MÉTODO E ESTRATÉGIA DE ESTUDO E APRENDIZAGEM A partir de agora você verá algumas reflexões a respeito da atividade de estudo e terá acesso a procedimentos detalhados de registro e sistematização de conteúdos. Mesmo porque não existem tantos métodos de estudo quanto poderíamos pensar ou que gostaríamos que houvesse. quanto à atitude responsável do estudante. óbvio: o método de estudar.. que isso ocorre. 2008. Você não verá aqui neste texto uma fórmula mágica para a realização eficiente da atividade de estudo. Não se engane. E o motivo me parece. é possível que uma seja mais eficiente que a outra. criando um hábito planejado de estudar com o qual possa obter maior rendimento.

c) processamento: ser global – parcial – global. ao domínio de métodos mais eficientes adequados à natureza dos trabalhos teóricos ou práticos. Grifos da autora). Mas o método depende de quem o aplica (2008. através dos seus próprios recursos. seguindo. e eficientes para o transcurso da vida. O universitário tem de estar ciente de que os objetivos de seu curso superior referem-se: à instrumentalização para o trabalho científico. Essa atividade contribui para o desenvolvimento de aspectos cognitivos e atitudinais. Mas o que é estudar? Para Barros e Lehfeld (2006. A eficiência do estudo depende de método. Dessa maneira. assim. 38. No novo contexto. Mas é um fator sempre presente e tenho alguma base para acreditar que seja o principal. a autonomia e a autodisciplina. 40. à disposição em aprender. 2008. b) abrangência: servir de instrumento a todos os que tenham as mesmas necessidades e interesses. o estudante precisa se conscientizar que o Ensino Superior exige muito mais que a simples frequência às aulas. Esse mesmo autor apresenta algumas características fundamentais do estudo eficiente sobre as quais diversos autores concordam: a) finalidade: desenvolver hábitos de estudo eficientes que não se restrinjam apenas a determinado setor de atividade ou matéria específica. para as demais situações. em qualquer fase de desenvolvimento e escolaridade. No Ensino Superior o perfil do aluno recém-chegado é ainda impregnado de impressões do senso comum. que se movimentam em obtenção de informes e conclusões que vão do dado quantitativo ao qualitativo”. 16). o princípio geral que rege a evolução biológica: o do desenvolvimento “difusoanalítico-sintético” (SALOMON. Isto é. à disposição de ler e 46 PATRÍCIA MOTA SENA . podendo aperfeiçoar-se à medida que o indivíduo progride. com a profissão e com seus objetivos de vida. ele será instado a refletir de maneira contingente. estudar constitui um esforço para aprender conteúdos que devem ser praticados para que o estudante consiga alcançar seus objetivos profissionais. p. “estudar é um processo investigatório do qual resulta a aprendizagem e modos de conhecimento. p. pelo processo de transferência de aprendizagem. a observar e interpretar fenômenos da realidade e só obterá sucesso na medida do seu esforço e da postura que assuma diante da condução de sua atividade de estudo. considerando o que o leva a estudar e como isso é feito. tais como a motivação. p. estudar contribui para a construção e utilização de conhecimentos considerando dados mensuráveis e de interpretação por parte do sujeito. à aquisição da competência e método para empreender pesquisas e solucionar problemas. Com isso.é o único fator da diferença de rendimento. mas hábitos que sejam válidos. Grifos da autora). passando a envolver o modo de lidar com a ciência.

2006. tanto quanto possível. através de métodos ou técnicas de estudo (BARROS E LEHFELD. Observe e procure praticá-las! 47 METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO . p.analisar textos e obras considerados específicos e gerais. parcial – como fase de detalhamento e análises do conteúdo e. ao aprender a pensar e a planejar as atividades de aprendizagem. considerando as fases global – como uma etapa geral de contato com o conteúdo –. global – como uma etapa se síntese e significado. 40-41) que detalha atitudes que o estudante precisa desenvolver para obter êxito na atividade de estudo. original. novamente. Por todos esses aspectos. p. 17). à obtenção de bons resultados em seus empreendimentos acadêmicos de maneira inteligente e. consideramos pertinente colocar aqui uma tabela de Délcio Vieira Salomon (2008.

48 PATRÍCIA MOTA SENA .

por uma série de razões. Estas anotações permitirão uma espécie de regulagem da atenção. pois. análise e síntese). muito bem. com trabalho prévio de meia hora.. em primeiro lugar. aumentar o rendimento de várias horas de trabalho posterior. caso contrário. problemas que exigirão entendimento durante a aula.] à medida que o desenvolvimento da aula caminha para passagens anotadas [.. se é possível conseguir. Além disso. O estudante deverá ler previamente a matéria que será desenvolvida durante a aula. essa leitura prévia representa economia e eficiência no trabalho. esta leitura prévia permitirá que se assinalem à margem do texto. Quem não preparou sua aula não pode distribuir convenientemente a intensidade de sua atenção e pode não fazer perguntas. tais como: livros de texto. eis o momento de formular sua dúvida inteligente. Ora. com simples sinal de interrogação. essa leitura será feita em poucos minutos e aumentará o rendimento das várias horas de aula que o professor utilizará para seu desenvolvimento em classe. um bom dicionário. Se tudo ficou claro agora.] redobrará sua atenção. bem como seu material de estudo. bloco para anotações. [. Veja o quadro que segue: HORÁRIO DE PREPARAÇÃO PARA A AULA O estudante deve ter à mão o programa.. porque nem sabe que não entendeu.Outra forma de conquistar a qualidade do estudo é realizando com paciência e perseverança as suas etapas (síncrese. E os proble- 49 METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO .. apostilas ou fontes indicadas para leitura e aprofundamento. as quais são semelhantes às fases do método do estudo eficiente.

pois representa extraordinária economia de tempo. Aprendendo a Aprender. c) memorizar os conceitos imprescindíveis à compreensão da matéria. iluminado e ofereça condições para a manutenção de uma postura saudável. especialmente nas revisões. São Paulo: Atlas. e é fator de eficiência na vida [. Para tanto. Metodologia científica: guia para eficiência nos estudos. p.mas mais difíceis irão avolumando enormemente seu trabalho extra-aula. O ambiente doméstico é. com frequência.. 24-25. fixar o hábito e sentir de perto as vantagens de tal disciplina de trabalho. É importante fazer a ressalva quanto ao termo “memorizar” aplicado pelas autoras. que se tornará antieconômico e reduzirá sensivelmente o rendimento escolar. g) fazer leituras de textos complementares. Quem tem muito tempo pode proceder dessa forma. É preciso decidir-se a começar. tendo nas proximidades todos os materiais que serão necessários.. além da atenção e da associação de ideias. Elizabeth Teixeira destaca a memorização como um dos três aspectos principais que os estudantes precisam exercitar. Barros e Lehfeld (2006. para a concentração. p.. não é tão fácil agir dessa forma.] Entender isso parece muito fácil. quem tem pouco tempo deve agir deste modo. Citando o trabalho de Vicente Keller e Cleverson Bastos. 19) afirmam que estudar em casa deve ser um momento para: a) repensar sobre os tópicos desenvolvidos em aula. seja sozinho ou acompanhado por seus colegas de turma. h) fazer exercícios de fixação. a autora retoma a diferença que existe entre decorar e memorizar: 50 PATRÍCIA MOTA SENA . b) ler.] [acadêmica]. d) complementar o conteúdo de aula com o que já se conhece e com pesquisas complementares. é necessário que o ambiente seja arejado. f) rever. Memorizar é diferente de decorar. Na leitura do texto você pôde perceber que a preparação anterior às aulas é fundamental. [. João Álvaro. RUIZ. reler e compreender detalhes significativos e que em aula não foram suscitados ou bem destacados.. 2008. Mas não é só isso! Existem outros métodos que podem (e devem!) ser aplicados no que diz respeito à construção de conhecimentos. organizar e/ou reorganizar os apontamentos feitos durante as aulas. o mais utilizado para a realização de atividades de estudo. e) decodificar termos e vocábulos técnicos inseridos nos textos que dificultam a sua análise.

pois será útil para a resolução de dúvidas e para o confronto de pontos de vista a respeito de um mesmo tema. 26). os livros e os textos. 31-32) que devem ser atendidos para que haja um bom aproveitamento do tempo destinado às reuniões de grupos de estudo. Esta primeira reunião não deverá encerrar-se sem que estejam bem esclarecidos o local. fazem a primeira leitura durante a reunião de equipe. 2. exigindo de cada um dos participantes a sua parcela de responsabilidade em contribuir e participar ativamente.. Sempre que se tratar de pesquisa bibliográfica. p. enciclopédias e manuais didáti- 51 METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO . p. A memorização dá condições de reestruturar o conteúdo a partir de dados da memória. o primeiro passo é providenciar a bibliografia. ainda limitadamente. a data e o horário do próximo encontro. 3. pois o intercâmbio promove a comunicação e a discussão de ideias. Em primeiro lugar. e deverão estudá-los [. e por breve tempo (BASTOS. A leitura prévia é necessária para o bom andamento dos trabalhos. como também deverá lê-lo e esclarecer suas dificuldades antes da reunião da equipe. Mas o estudo em grupo só funcionará se todos os colegas foram para o estudo coletivo tendo conhecimento prévio do assunto. 2005. Além de estudar em casa. enquanto o ter decorado somente possibilita a repetição. [. Se o tema já estiver definido e a bibliografia já tiver sido apresentada pela cadeira [pelo professor da disciplina]. Há uma ordem para que os participantes apresentem os textos pelos quais se responsabilizaram e comuniquem brevemente seu conteúdo. Leia a seguir alguns critérios descritos por Ruiz (2008. quando há material. ou seja. O coordenador anotará estes compromissos e os solicitará ordenadamente na reunião seguinte. reter a sua compreensão. o grupo deve reunir-se o mais rapidamente possível para programar suas reuniões e proceder a uma primeira distribuição de tarefas preparatórias à primeira sessão de trabalho. Todos deverão providenciar os textos pelos quais se responsabilizaram. ao passo que memorizar é reter a forma significativa de um conteúdo inteligível.. também é bastante proveitoso o estudo em grupo. Ao receber um tema para o trabalho.. como geralmente acontece.Decorar é reter a forma material e não o conteúdo inteligível de determinado conhecimento. há por aí grupos que se reúnem sem material conveniente ou. A memorização possibilita o refraseamento de algo conhecido e não sua simples repetição.. Pode funcionar como complemento para o estudo realizado individualmente. o primeiro trabalho consistirá na busca de fontes. cada participante não só se responsabilizará por providenciar determinado texto.]. o coordenador passará a palavra àqueles que se encarregaram de pesquisar generalidades em dicionários. KELLER apud TEIXEIRA.] Entretanto. 1.

ao final... quer para elaboração de monografias de caráter didático-pedagógico. para discutir suas ideias principais. Como você viu até aqui. 4. e assim por diante [. se programou seu trabalho e distribuiu previamente atribuições limitadas e específicas a cada participante. como qualquer outro trabalho. 6.cos. a atividade de estudo exige dedicação. ainda. as etapas mencionadas devem ser tomadas como guia capaz de orientar as reuniões de equipe em busca do aproveitamento do tempo dedicado a tal tarefa. Só depois deste primeiro passo é que se deve voltar ao início para um contato mais íntimo com o texto para levantar seu esquema. a organização é fundamental para que o estudante possa agregar suas atividades acadêmicas às profissionais.. [.. De acordo com o nível do grupo ou de sua familiaridade com o assunto em pauta. considerar a natureza da atividade solicitada pelo professor. a experiência tem demonstrado que as reuniões de grupos de estudo são de extraordinária eficiência. caminhem além do texto numa reabordagem crítica de sua tese e de seus argumentos. quer para desenvolver itens do programa em seminários. ou seja. ultrapassem o texto. espera-se que os debates. solicitará a contribuição daqueles que se responsabilizaram pela análise prévia de segmentos do texto básico. para avaliar a coerência interna destas ideias. uma vez que muitos estudantes já exercem uma profissão. Para Antônio Joaquim Severino (2002. Em seguida. a perfeição da análise. ele apresenta um “fluxograma da vida de estudo” que permite visualizar como fica o nosso cotidiano depois que entramos na faculdade. para ponderar o vigor dos argumentos. Não se devem alongar debates antes que se chegue ao final de uma primeira apresentação de generalidades da leitura do texto básico.. É evidente que os passos elencados por João Álvaro Ruiz podem não ser seguidos à risca. 31). 5. quer para revisões gerais para provas ou exames [. e exige um planejamento do cotidiano em função da inserção das demandas do Ensino Superior.].]. p. pois cada grupo criará uma dinâmica que os encontros deverão moldar. sendo necessário. Por isso.] se o grupo se organizou convenientemente. 52 PATRÍCIA MOTA SENA .. se escolheu seu coordenador. Dessa maneira.

FLUXOGRAMA DA VIDA DE ESTUDO Observe atentamente a imagem a seguir e reflita sobre o papel do estudante no contexto do ensino superior a distância. 53 METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO .

LEITURA E ANÁLISE DE TEXTOS O desempenho da atividade de leitura. 3. bem como de produção textual envolve critérios variados. Relata rapidamente as ideias entender a frase. Ex.: aprender certo assunto. Tem hábitos como: 1. 28). lê mais devagar para entender bem. ao contrário. da apropriação do ato de ler e escrever. de acordo com os objetivos que se propôs) (AMORIM. As outras etapas são: intelecção (percepção do assunto. Pega o sentido da palavra isoladamente. 2. encontradas numa frase ou num parágrafo. num relance. é rápido. do conhecimento sobre as formas da expressão escrita. 54 PATRÍCIA MOTA SENA . a leitura se tornaria uma atividade vazia ou pura decodificação de símbolos. científico para guardar detalhes. Só tem um ritmo de leitura.2 CONTEÚDO 2. Estes critérios. Se livro vagarosamente. por sua vez. da aplicação de itens como clareza. 3. Se lê uma novela. 2005. Tem habilidades e hábitos como: o que lê. coesão. Lê sem finalidade. repassar Raramente sabe por que lê. precisam ser companheiros da percepção de contexto. o sentido de um grupo Esforça-se para juntar os termos para poder de palavras. Abarca. BOM LEITOR MAU LEITOR O bom leitor lê rapidamente e entende bem o O mau leitor lê vagarosamente e entende mal que lê. responder a questões. o assunto. A decodificação é uma das etapas da leitura e consiste na tradução dos sinais gráficos em palavras. interpretação (apreensão das ideias e estabelecimento de relações entre o texto e o contexto) e aplicação (função prática da leitura. 2. p. lê sempre Ajusta a velocidade da leitura com o assunto Seja qual for que lê. Tem vários padrões de velocidade. Lê com objetivo determinado. a exemplo das informações linguísticas e gramaticais. Lê unidades de pensamento. Lê palavra por palavra. unicidade e coerência.1. detalhes.2. emissão de significado do que foi lido). Frequentemente tem de reler as palavras. 1.

4. Avalia o que lê. Pergunta-se frequentemente: Que sentido tem isso para mim? Está o autor qualificado para escrever sobre tal assunto? Está ele apresentando apenas um ponto de vista do problema? Qual é a ideia principal deste trecho? Quais seus fundamentos?

4. Acredita em tudo o que lê. Para ele, tudo o que é impresso é verdadeiro. Raramente confronta o que lê com suas próprias experiências ou com outras fontes. Nunca julga criticamente o escritor ou seu ponto de vista.

5. Possui vocabulário limitado. 5. Possui bom vocabulário. Sabe o que muitas palavras significam. É capaz de perceber o sentido das palavras novas pelo contexto. Sabe usar dicionários e o faz frequentemente para esclarecer o sentido de certos termos, no momento oportuno. Sabe o sentido de poucas palavras. Nunca relê uma frase para pegar o sentido de uma palavra difícil ou nova. Raramente consulta o dicionário. Quando o faz, atrapalha-se em achar a palavra. Tem dificuldade de entender a definição das palavras e em escolher o sentido exato.

6.Nâo possui nenhum critério técnico para 6. Tem habilidades para conhecer o valor do conhecer o valor do livro. livro. Nunca ou raramente lê a página de rosto do Sabe que a primeira coisa a fazer quando se livro, o índice, o prefácio, a bibliografia etc., toma um livro é indagar de que trata, através antes de iniciar a leitura. Começa a ler a partir do título, dos subtítulos encontrados na do primeiro capítulo. É comum até ignorar o página de rosto e não apenas na capa. Em autor, mesmo depois de terminada a leitura. seguida lê os títulos do autor. Edição do livro. Jamais seria capaz de decidir entre leitura e Índice, “Orelha do livro”. Prefácio. simples consulta. Não consegue selecionar o Bibliografia citada. Só depois é que se vê em que vai ler. Deixa-se sugestionar pelo aspecto condições de decidir pela conveniência ou não material do livro. da leitura. Sabe selecionar o que lê. Sabe quando consultar e quando ler.

7. Sabe quando deve ler um livro até o fim, 7. Não sabe decidir se é conveniente ou não quando interromper a leitura definitivamente interromper uma leitura. ou periodicamente. Ou lê todo o livro ou o interrompe sem Sabe quando e como retomar a leitura, sem critério objetivo, apenas por questões subjetivas. perda de tempo e da continuidade.

8. Discute frequentemente o que lê com colegas. 8. Raramente discute com colegas o que lê. Sabe distinguir entre impressões subjetivas e Quando o faz, deixa-se levar por impressões subjetivas e emocionais para defender um valor objetivo durante as discussões. ponto de vista. Seus argumentos, geralmente,

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METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO

derivam da autoridade do autor, da moda, dos lugares-comuns, das tiradas eloquentes, dos preconceitos. 9. Adquire livros com frequência e cuida de ter 9. Não possui biblioteca particular. sua biblioteca particular. Às vezes é capaz de adquirir “metros de livro” Quando é estudante procura os livros de texto para decorar a casa. É frequentemente levado indispensáveis e se esforça em possuir os a adquirir livros secundarios em vez dos chamados clássicos e fundamentais. Tem fundamentais. Quando estudante, só lê e interesse em fazer assinaturas de periódicos adquire compêndios de aula. Formado, não científicos. Formado, continua alimentando sabe o que representa o hábito das “boas sua biblioteca e restringe a aquisição dos aquisições” de livro. chamados “compêndios”. Tem o hábito de ir direto às fontes; de ir além dos livros de texto.

10. Lê assuntos vários. Lê livros, revistas, jornais. Em áreas diversas: ficção, ciência, história etc. Habitualmente nas áreas de seu interesse ou especialização.

10. Está condicionado a ler sempre a mesma espécie de assunto.

11. Lê pouco e não gosta de ler. 11. Lê muito e gosta de ler. Acha que ler é, ao mesmo tempo, um trabalho Acha que ler traz informações e causa prazer. e um sofrimento. Lê sempre que pode. 12. O MAU LEITOR não se revela apenas no 12. O BOM LEITOR é aquele que não é só bom ato da leitura, seja silenciosa ou oral. É na hora de leitura. constantemente mau leitor porque se trata de uma atitude de resistência ao hábito de saber É bom leitor porque desenvolve uma atitude ler. de vida: é constantemente bom leitor. Não só lê, mas sabe ler.
(FONTE: SALOMON, DÉLCIO. COMO FAZER UMA MONOGRAFIA. SÃO PAULO: MARTINS FONTES, 2008, P. 52-53. GRIFOS DA AUTORA).

A palavra escrita, quando articulada em um tecido social, é necessária para o processo de interpretação da realidade, favorecendo o movimento reflexivo do olhar, exercitando o potencial crítico e propositivo. Palavras registram um modo de percepção da realidade. Importa considerar que o referido modo de percepção da realidade é passível às abordagens novas, devido ao caráter transformador próprio da formação e trajetória humana ao longo das organizações sociais, sendo mister questionar: Afinal, quais os elementos fundamentais que precisam ser contemplados para conquistar o exercício crítico e criativo de leitura/escrita?

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PATRÍCIA MOTA SENA

É imprescindível identificar os objetivos almejados pelo autor ou pela autora do texto, identificando também o modo pelo qual fundamenta a sua proposta e, sobretudo, buscar em si o contínuo despertar do gosto pela leitura na qualidade de quem lê o mundo, apreciando o caráter polissêmico, a diversidade de sentidos, as diferenças entre informação e saber e o compromisso subjacente à escolha de ser/se tornar profissional em educação.

O caráter dialético da leitura e a conquista da leitura proveitosa

“A palavra é metade de quem a pronuncia e metade de quem a escuta”. (Montaigne) Dada a incompletude do ser humano, cada um constrói a si mesmo mediante o conjunto de experiências e perspectivas que vivencia. Sabendo que as experiências são diferenciadas, também o modo de percepção da realidade ocorrerá de modo distinto, no qual você desenvolve um olhar próprio sobre o mundo e o comunica por meio da linguagem. O texto, portanto, apresenta o modo de percepção do seu autor e, no mesmo instante, estabelece diálogo com o modo de percepção do leitor, favorecendo a multiplicidade de sentidos, a incompletude do discurso e a produção de sentidos, uma vez que está sujeito às interpretações e significações múltiplas. O caráter dialético da leitura é atestado nesse movimento de polissemia, ou seja, nesse movimento de multiplicidade de sentidos. De tal forma que o empenho para desenvolver a capacidade leitora, conquistando a leitura proveitosa, é indispensável! Amorim (2005, p. 28-33) informa alguns passos necessários para a leitura proveitosa (atenção, intenção, reflexão, espírito crítico, análise e síntese) e, por assim dizer, classifica a leitura de acordo com a modalidade e a finalidade. Quanto à modalidade, pode ser técnica, literária e informativa. Quanto à finalidade pode ser também informativa (leitura de estudo e de temáticas gerais) e formativa (aquisição ou ampliação de conhecimentos). Importa ainda ponderar os “textos” sem palavras, ou seja, a capacidade leitora compreende a significação e compreensão da realidade. Para além da palavra escrita, a compreensão da linguagem não verbal e a significação da realidade. A conquista da leitura proveitosa requer também que os saberes pré-existentes sejam contemplados e estabeleçam diálogo com os novos saberes, transcendendo as barreiras da pura informação para, então, transformá-las em conhecimento, contribuindo com o desenvolvimento da capacidade inventiva, visto que a leitura não é um dado pronto e estático, ela é produzida. Prefiro afirmar: histórica, humana e prazerosamente produzida! Afinal...

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METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO

Assim concebida. busca encontrar pistas que o auxiliem no desvendamento de sua realidade. análise interpretativa. É somente neste encontro histórico.. 1. através do enfrentamento das posições assumidas pelo autor. ESPÍRITO CRÍTICO 5. compreender o texto é tomá-lo a partir de um determinado horizonte. da perspectiva de quem se sente problematizado por ele [. ANÁLISE 6... p.Interpretação Problematização . SÍNTESE • Principais elementos e fases da análise do texto As principais etapas da análise de texto são: análise textual..] (CARVALHO.Discussão Síntese . REFLEXÃO 4. 2005. INTENÇÃO 3. intencionalidade. onde experiências diferentes se defrontam.Visão global Análise temática .. ao se dirigir ao texto. a leitura se constitui em rico subsídio para a realização de pesquisas. O quadro abaixo indica a característica principal de cada etapa.121).. análise temática.A leitura de um texto pressupõe objetivos. ATENÇÃO 2. na qualidade de proveitosa.Compreensão Análise interpretativa .. problematização e síntese.. UMA LEITURA PROVEITOSA PRECISA DE. que é possível a compreensão e interpretação de textos. [. está preocupado em responder às questões suscitadas pelo seu mundo e. FASES DA ANÁLISE DE TEXTO Análise textual .Reflexão e reelaboração 58 PATRÍCIA MOTA SENA .] Neste sentido. O leitor.

O terceiro item a identificar na análise temática é qual a resposta que o autor sugere para atender ao problema levantado. conceitos. Por isso. O problema é a questão motivadora das reflexões do autor. 59 METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO . qual o principal argumento que está sendo defendido. p. a outros autores e. de um fato determinado. sobre sua vida e obra. a parte do texto que concentra o seu sentido. dizemos que o tema é o assunto que perpassa todo o texto e sobre o qual todos os argumentos estão relacionados de forma direta ou indireta. 52). Depois de identificar a unidade de leitura. identificando termos. Depois de identificar o tema do texto é preciso encontrar qual a problemática que o autor busca compreender. “o tema tem determinada estrutura: o autor está falando não de um objeto. o que ele está demonstrando. monografias especializadas etc. sugere-se que o estudante realize anotações e proceda a uma pesquisa para buscar esses esclarecimentos em textos historiográficos. Ainda nesse primeiro contato. 2002.A partir de agora veremos cada uma delas e seus principais aspectos. configurando uma preparação para a leitura propriamente dita. mas nem sempre conhecido do leitor” (SEVERINO. p. o que provocou a argumentação e a apresentação de ideias. Está relacionado a uma questão que se deseja compreender ou resolver e em torno da qual giram as análises do autor na busca de soluções. dicionários. A esse item denominamos de tese. o estudante deve ler o texto de maneira atenta. o estudante-leitor pode levantar as dúvidas de vocabulário. palavras desconhecidas que sejam fundamentais para o entendimento dos argumentos. 54). na qual se procura saber: De que trata o texto? Quais são suas ideias mais importantes? Inicialmente. p. 54). mas de relações variadas entre vários elementos”. A conclusão da análise pode ser feita com a elaboração de um esquema no qual seja apresentada uma visão de conjunto do texto lido. O estudante-leitor pode perguntar: “Como o assunto está problematizado? Qual dificuldade deve ser resolvida? Qual o problema a ser solucionado?” (SEVERINO. especialmente. a outras doutrinas. o estudante deve buscar informações sobre o autor. Para Severino (2002. para conseguir alguns dados que influenciem na compreensão das ideias apresentadas. para ter contato geral com a linguagem que o autor emprega e obter uma visão de conjunto do seu raciocínio. mas não muito detida. Após essa etapa. isto é. cujo sentido no texto é pressuposto pelo autor. considerando-se que “o texto pode fazer referências a fatos históricos. A Análise Temática é uma etapa imediatamente seguinte. que representa a posição assumida pelo autor. Identificados estes elementos. 2002. A Análise Textual consiste no contato preliminar com o texto. é preciso identificar o tema ou o assunto do texto – e nem sempre isso pode ser feito pelo o título.

será mais proveitosa a leitura. enfim. há a problematização. a seguir. caberá ao leitor-estudante levantar as ideias secundárias. pois. isto é. é superar a estrita mensagem do texto.O quarto elemento é a ideia central. Em seguida. para Severino (2002. A análise interpretativa possibilita que o estudante emita avaliações a respeito do texto. que gravitam em torno dela exemplificando. requerendo que o estudante perceba elementos como coerência. um quadro muito interessante. profundidade nas análises e obtenção de conclusões. que representa uma discussão do texto – na qual o leitor deve apontar os pontos polêmicos do debate. temática e interpretativa. fazendo uma apreciação das ideias expostas. entrará em contato com textos de temáticas semelhantes.. o que possibilitará estabelecer um diálogo entre o texto lido e as análises de textos anteriores. agora com mais detalhes: 60 PATRÍCIA MOTA SENA . como a própria denominação afirma.. Já a Análise Interpretativa pressupõe interpretação. Além das análises textual. é dialogar com o autor. é ler nas entrelinhas. e a síntese. ao realizar leituras variadas. Isso se tornará mais fácil à medida que o estudante-leitor adotar a leitura como uma constante na vida acadêmica. procurando caracterizá-las do ponto de vista teórico-metodológico. identificar de que maneira o autor demonstra a sua tese. Dessa maneira. interpretar é: [. assim como questões relacionadas ao tema –. ilustrando. que nos fornece uma visão geral das etapas da análise de texto. que argumentos utilizou para comprovar a tese proposta. E. qual o raciocínio que construiu para defender a tese. é explorar toda a fecundidade das ideias expostas. Por último.] tomar uma posição própria a respeito das ideias enunciadas. que é responsável pela atribuição de significado ao que foi lido. originalidade e validade dos argumentos apresentados. Para realizar a análise interpretativa é necessário buscar conhecer o contexto em que se insere a publicação. p. as condições de produção de toda a sua obra e especificamente do texto analisado. A análise interpretativa também exige o exercício da crítica. pois permitirá ao leitor conhecer e reconhecer pressupostos filosóficos distintos e aproximar as ideias expressas no texto que está em análise de ideias encontradas em outros textos. obtendo maiores informações sobre o autor. de autoria de Antônio Joaquim Severino. São os assuntos que o autor aborda de forma paralela à ideia principal. 56). é forçar o autor a um diálogo. situando o texto historicamente. Veja. fundamentando. é importante associar as argumentações feitas com a(s) corrente(s) epistemológica(s) que fundamentam as ideias do autor. é cotejá-las com outras.

Se se comporta passivamente. SÃO PAULO: CORTEZ.. procurando apenas memorizar as afirmações do autor. Se se transforma numa 'vasilha' que deve ser enchida pelos conteúdos que ele retira do texto para pôr dentro de si mesmo. à qual emprestasse uma força mágica. Para as considerações finais das questões até aqui discutidas. 61 METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO . leia atentamente o texto a seguir: [. P.(FONTE: SEVERINO. Se se deixa 'invadir' pelo que afirma o autor. 'domesticamente'.] é impossível um estudo sério se o que estuda se põe em face do texto como se estivesse magnetizado pela palavra do autor. ANTÔNIO JOAQUIM. 2002.. METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO. 61).

buscando o nexo entre seu conteúdo e o objeto de estudo sobre que se encontra trabalhando. numa tal perspectiva. A compreensão de um texto não é algo que se recebe de presente. na razão mesma em que é um desafio. a ele se volte. o que deve fazer é reconhecer a necessidade de melhor instrumentar-se para voltar ao texto em condições de entendê-lo. nem sempre explicitado no índice da obra. É buscar as relações entre o conteúdo em estudo e outras dimensões do conhecimento.] O ato de estudar demanda humildade.Estudar seriamente um texto é estudar o estudo de quem. Humilde e crítico. Um texto estará tão melhor estudado quando. Exige trabalho paciente de quem por ele se sente problematizado. Impõe-se. constituem sua unidade. em sua relação com os precedentes e com os que a ele se seguem. mas de criá-las e recriá-las. Ao exercitar o ato de delimitar os núcleos centrais do texto que. alienar-se ao texto. não se sente diminuído se encontra dificuldades. 62 PATRÍCIA MOTA SENA . coerente com a atitude crítica. estudando. para penetrar na significação mais profunda do texto. [. renunciando assim à sua atitude crítica em face dele. da realidade. é o caso. Nem sempre o texto se dá facilmente ao leitor. delimitando suas dimensões parciais. de reescrever – tarefa de sujeito e não de objeto. evitando. às vezes grandes.. Não se mede o estudo pelo número de páginas lidas numa noite ou pela quantidade de livros lidos num semestre. Assim é que. sabe que o texto. de fixar-se na análise do texto. então. Estudar é uma forma de reinventar. Não adianta passar a página de um livro se sua compreensão não foi alcançada.. Suspeitada a possível relação entre o trecho lido e sua preocupação. trair o pensamento do autor em sua totalidade. Estudar não é um ato de consumir ideias. Desta maneira. o leitor crítico irá surpreendendo todo um conjunto temático. na medida em que dele se tenha uma visão global. da existência. o escreveu. este sujeito leitor pode ser despertado por um trecho que lhe provoca uma série de reflexões em torno de uma temática que o preocupa e que não é necessariamente a de que trata o livro em apreço. A atitude crítica no estudo é a mesma que deve ser tomada diante do mundo. pelo contrário. em sua interação. assim. pode estar mais além de sua capacidade de resposta. Se o que estuda assume realmente uma posição humilde. não é possível a quem estuda. O retorno ao livro para esta delimitação aclara a significação de sua globalidade. É perceber o condicionamento histórico-sociológico do conhecimento. de recriar. Neste caso. Uma atitude de adentramento com a qual se vá alcançando a razão de ser dos fatos cada vez mais lucidamente. a insistência na busca de seu desvelamento. A demarcação destes temas deve atender também ao referencial de interesse do sujeito leitor. Impõese-lhe uma exigência: analisar o conteúdo do trecho em questão. diante de um livro.

br/estudar. 63 METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO . Sublinhar a partir da releitura (proveitosa) do texto. p. por exemplo. 1. distinguindo seus argumentos e comentários. Sinalizar. Na releitura.gov. Esclarecer as possíveis dúvidas de vocabulário. TÉCNICAS PARA SISTEMATIZAÇÃO DO CONHECIMENTO I • Sublinhar A não aprendizagem para a leitura sinaliza a não aprendizagem para a compreensão. identificando seus principais elementos.htm#exp>. Ter clareza do significado de cada grifo ou sublinha. p. é importante estabelecer sinais hierárquicos que podem ser criados pelo próprio leitor. visto que a primeira leitura remete ao reconhecimento geral do texto. voltamos o olhar para a análise da obra. por exemplo. Nesse processo.2. bem como o seu posterior registro. 133): • • • • • • • • Realizar a leitura integral do texto a fim do reconhecimento geral da sua temática. 2006.FREIRE. pouca clareza das ideias e/ou argumentos. por sua vez. Portanto. Disponível em: <http://pontodeencontro. 33). Acesso em 04 ago. algumas orientações gerais para sublinhar com eficiência. 25). Medeiros (2005.proinfo. Considerações em torno do ato de estudar. Para sublinhar corretamente o texto é preciso identificar a ideia-mestra e seus fundamentos. aprendemos progressivamente a ler.mec. observando as orientações metodológicas fundamentais à eficiência do ato de sublinhar. por exemplo. discordâncias. elaborando resumos e sinalizando a relação entre as afirmações que se apresentam no texto. precisa ser desvinculado do ato de grifar aleatoriamente as palavras ou expressões. a adequada ação de sublinhar possibilita a compreensão da temática. A releitura é condição indispensável para esse movimento. a seguir. conforme Amorim (2005. criando uma legenda pessoal que contribua para a localização da ideia-mestra. Apresentamos. Estabelecer uma hierarquia de sinais ou símbolos. Sublinhar a ideia central de cada parágrafo. Utilizar linhas verticais na margem para trechos longos e/ou para ressaltar afirmações já sublinhadas. O ato de sublinhar. Parra Filho e Santos (2003. Para superar as possíveis dificuldades importa lembrar que a leitura não nasceu pronta. p.3 CONTEÚDO 3. termos técnicos e outras. Paulo. com o sinal de interrogação à margem de parágrafos que apresentem dúvidas.

à margem do texto. Devemos registrar o fato mediante uma interrogação à margem do texto em apreço (RUIZ. os pontos de discordância – Podemos não concordar com as posições assumidas pelo autor. basta sublinhar palavras-chave [. a leitura das palavras sublinhadas. Nada melhor que um traço vertical à margem do texto para tal identificação. os textos posteriores. essas passagens. paralogismos. c) Reconstituir o parágrafo a partir das palavras sublinhadas – É supérfluo esclarecer esta norma que traduz a natureza e a finalidade do ato de sublinhar. E há passagens em que o autor atinge uma espécie de clímax. que contribuem ainda mais para a aplicação da técnica para sublinhar: a) Sublinhar apenas as ideias principais e os detalhes importantes – Não se deve sublinhar em demasia. Não sublinhar longos períodos. e com um único traço os pormenores importantes – Devemos sublinhar tanto as ideias principais como os detalhes importantes. sabemos que cada estudante pode adotar a simbologia que lhe convier. que examinam textos pertinentes à sua área de especialização. como também perceber incoerências. os textos sublinhados de acordo com esta norma permitirão uma leitura rapidíssima. à margem. d) Ler o texto sublinhado com a continuidade e plenitude de sentido de um telegrama – Por ocasião das revisões imediatas ou posteriores. terá um sentido fluente e concatenado. 2008. r) Sublinhar com dois traços as palavras-chave da ideia principal. dignas de reparos ou passíveis de críticas. João Álvaro Ruiz (2008. f) Assinalar com linha vertical. e que a releitura mais rápida confirma como tais. interpretações tendenciosas de fontes e uma série de falhas ou de colocações que julgamos insustentáveis. por outro lado. desde a primeira leitura. desde que crie códigos utilizados constantemente nas diversas leituras que realizar. g) Assinalar com um sinal de interrogação.]. 64 PATRÍCIA MOTA SENA . b) Não sublinhar por ocasião da primeira leitura – As pessoas mais experimentadas. e retornem para sublinhar aquelas palavras ou frases essenciais que. foram identificadas como principais. mas recomenda-se aos principiantes que não o façam. que poderíamos transcrever em nossas fichas de documentação pessoal. 39-40... a ideia principal retorna em diversos parágrafos e em diversos contextos. p. embora pertencentes a frases diferentes e até distanciadas. apoiada nos pilares das palavras sublinhadas. Grifos da autora). leiam primeiro um ou mais parágrafos. mas é bom agir de tal maneira que as ideias principais se mantenham destacadas. p. 39-40) apresenta alguns métodos de maneira ainda mais detalhada. devem ser identificadas para futuras buscas. sublinham inteligentemente por ocasião da primeira leitura.Independente das orientações anteriores. as passagens mais significativas – Não raro.

estabelecendo relações hierárquicas entre as ideias. Relacionar as ideias que fazem parte do argumento. tais como: filme. 65 METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO . com clareza e relação causal. como há o caráter dialético da leitura. palestra ou conferência. Para que essas orientações conduzam à excelência na produção de esquemas. aula. com atenção às orientações básicas que cito a seguir. É um importante instrumento de sistematização da aprendizagem e confere organização ao estudo. Um esquema eficiente estabelece ordenação lógica das ideias. é necessário que cada estudante esteja disposto à aprendizagem real das temáticas. Sinalizar o tema. Orientações metodológicas para produzir esquemas eficientes. conforme Amorim (2005. 34) e Carvalho (2005. lógica e organizadamente o conteúdo. uma vez que requer movimento de interpretação e a constante revisão da própria aprendizagem. utilizando símbolos que evidenciem a relação entre as ideias. p. identificando a proposta central e a fundamentação da obra ou de circunstâncias outras. 124-125): • • • • • • • Manter a fidelidade ao texto. Identificar títulos e subtítulos. É possível e interessante que você desenvolva sua própria forma de elaboração dos esquemas. Indicar as ideias principais e secundárias. Distribuir gráfica. há também o caráter dialético do estudo. compreendendo que.• Esquematizar Esquemas são formas de representação e registro que permitem a visualização gráfica ou diagramática da situação ou texto em questão. identificando os argumentos e conduzindo à compreensão da temática. p. Condensar as ideias em palavras-chave ou em frases-mestras coerentes e concisas.

no caso mais específico das leituras desempenhadas.144-145): Cabeçalho: representa a identificação do fichamento. o título específico (opcional) e a letra indicativa da sequência (quando se utiliza mais de uma ficha). conforme citado a seguir. de títulos. De acordo com o objetivo pretendido. de séries e de assuntos. o estudante passa a desenvolver o costume de ler para aprimorar seus saberes e atender às múltiplas demandas de sua formação humano-estudantil-profissional. onde. o título próximo. todas em ordem alfabética”. localizar os conteúdos estudados. compreende o título genérico. o esquecimento total das questões estudadas não é desejável! Nesse caminho entre aprender e recorrer ao já aprendido. Antes de apresentar os tipos de ficha. DE ACORDO COM PARRA FILHO E SANTOS (2003. Nesse percurso a quantidade de obras lidas ou consultadas vai sendo acumulada. existem fichas de autores. para consulta do público. Realizadas de modo criterioso e cuidadoso as fichas organizam informações variadas sobre obras lidas. sinalizando a fonte dessas informações que poderá ser buscada futuramente pelo próprio autor do fichamento. P. ou na primeira disciplina cursada? É preciso “decorar” todas as leituras que realizamos? Quando a aprendizagem é instaurada entre os objetivos da leitura não é preciso “decorar”. Como. conforme explica Amorim (2005.4 CONTEÚDO 4. a sistematização dos estudos é indispensável e.1. os fichamentos são pertinentes em situações outras.2. por exemplo. informo que todos eles atendem a uma estrutura específica com cinco elementos indispensáveis. há dois anos. ELEMENTOS ESTRUTURAIS DA FICHA.35) “o sistema de fichas é atualmente utilizado nas mais diversas instituições para serviços administrativos e nas bibliotecas. a ficha obedece a determinados critérios de elaboração e organização do conteúdo caracterizando cada tipo de fichamento. O título genérico corresponde ao título do livro ou do trabalho utilizado na pesquisa. então. 66 PATRÍCIA MOTA SENA . a elaboração de fichas é um poderoso recurso. Além de ser útil enquanto recurso didático e metodológico para o estudo e a pesquisa. Entretanto. TÉCNICAS PARA SISTEMATIZAÇÃO DO CONHECIMENTO II • Fichar Ao compreender a importância e as condições básicas da leitura proveitosa. p.

Indicação da obra: indica o público ao qual se destina a obra conforme a área de interesse. a ficha utilizada é a de citação. esta obra. pois é possível que. p. até obter as informações completas. O título específico (se necessário) corresponde ao desdobramento do título próximo. os resultados obtidos. 36-37) e Parra Filho e Santos (2003. define. Corpo: o conteúdo que constitui o corpo ou texto das fichas varia segundo o tipo e a finalidade da ficha. registra. como: esse livro. Ficha Bibliográfica Conforme Parra Filho e Santos (2003. que é encontrado no sumário e destina-se ao fichamento. Seguem algumas orientações metodológicas para elaborar ficha bibliográfica. esboço e comentário ou analítica. • Tipos de ficha O corpo ou texto da ficha é redigido de acordo com o objetivo a ser alcançado. 150). a folha de rosto e outras partes do livro. p. bem como a metodologia utilizada e a sua contribuição para o aumento do conhecimento do assunto abordado”. Por exemplo. a. 67 METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO . resumo ou conteúdo. examina. Os principais tipos de ficha são: bibliográfica. critica. sugere. revisa. • Utilizar verbos ativos. Portanto é necessário que o estudante tenha de maneira clara a sua intenção. descreve. se o propósito é a transcrição de fragmentos da obra. • Ser breve: a ficha bibliográfica é a mais breve de todas. a finalidade da ficha bibliográfica. citação. Local: onde pode ser encontrado o livro. compara. a obra precise ser consultada novamente. apresenta. o autor. 150-151): • Indicar as fontes utilizadas. na ausência dela. conforme Amorim (2005. se é pretendido emitir juízos de valor sobre a obra. contém. tais como: analisa. os problemas a que a obra pretende responder. Referência bibliográfica: deve sempre seguir normas da ABNT – Associação Brasileira de Normas Técnicas. é “identificar o objetivo da obra. p.O título próximo é um desdobramento do título genérico. que traz todos os elementos necessários e. • Evitar repetições desnecessárias. este artigo. depois de fichada. Para proceder-se corretamente é importante consultar também a Ficha Catalográfica da obra. pois qualquer conhecimento adicional poderá ser obtido com outras modalidades de fichamento. também conhecida por ficha de indicação bibliográfica. o tipo de ficha é a de comentário.

• Manter os erros de grafia para que a citação seja a reprodução fiel do texto e evidenciá-los com o termo ‘sic’ entre parênteses. • Informar o número da página de onde foi extraída a citação e/ou transcrição. P.MODELO DE FICHA DE BIBLIOGRÁFICA (MARCONI. quando for a parte central do parágrafo. 68 PATRÍCIA MOTA SENA . evitando que as ideias apresentadas na ficha sejam atribuídas ao fichador e respeitando a real autoria. conforme Amorim (2005. utilizar reticências entre parênteses. p. com a correta indicação bibliográfica e a localização do contexto originário do fragmento transcrito ou citado. Seguem algumas orientações metodológicas para elaborar ficha de citação. 148-149): • Sinalizar a citação e/ou transcrição: toda e qualquer citação deve vir entre aspas. contribuindo para o esclarecimento de dúvidas. respeitando os direitos autorais. p. 36-37) e Parra Filho e Santos (2003. LAKATOS. 2009. permitindo a posterior utilização do trabalho. o tipo de fichamento adequado é o de citação. justifiquem a questão central da obra fichada. • Indicar a supressão da parte inicial ou final do texto. utilizando no local da supressão reticências no início e no final e. Ficha de Citação Quando o objetivo é indicar com citações e/ou transcrições a temática central da obra e outras considerações relevantes para a compreensão do texto. 60) b. de certa forma. É necessário escolher os fragmentos que revelem e.

• Ser fiel ao texto: as palavras são daquele que escreve a ficha de resumo. 2009. nem transcrição). mas a ideia é a apresentada pelo (a) autor(a) da obra. A utilização de colchetes sinaliza que as palavras nele comportadas não são do autor da obra. • Apontar entre colchetes possíveis acréscimos. • Sinalizar quando o pensamento transcrito não é do autor da obra fichada: quando o autor cita outros autores. conforme Amorim (2005. MODELO DE FICHA DE CITAÇÃO (MARCONI. sem negligenciar a identificação dos seus elementos fundamentais e atendendo às orientações a seguir.• Indicar a supressão de um ou mais parágrafos utilizando uma linha completa de pontos. P. • Utilizar as próprias palavras (não é citação. é necessário indicar entre parênteses a referencia bibliográfica da obra da qual foi extraída a citação. Orientações metodológicas para elaborar ficha de resumo. 147): • Apresentar síntese clara das principais ideias do autor. LAKATOS. mas daquele que elabora o fichamento. 69 METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO . p. Ficha de Resumo A ficha de resumo objetiva apresentar o conteúdo da obra de modo sucinto. 38) e Parra Filho e Santos (2003. 61) c. p.

LAKATOS. P. e se diferenciam. p. a ficha de esboço “assemelha-se à ficha de resumo. Conforme Amorim (2005. conforme Parra Filho e Santos (2003. 70 PATRÍCIA MOTA SENA . a ficha a ser utilizada é a de esboço. se o fizer. Mas a ficha de resumo também apresenta as ideias centrais da obra. 62) d. no que tange à ocupação com as ideias centrais da obra. MODELO DE FICHA DE RESUMO (MARCONI. pois apresenta as ideias principais do autor. 151-152): • Fazer anotações das ideias principais do autor de forma detalhada. então. porém de forma detalhada”. intermediária entre a bibliográfica e a de esboço. Seguem algumas orientações metodológicas para elaborar ficha de resumo. Ficha de Esboço No momento em que o estudante ou pesquisador tem por objetivo apresentar as ideias principais da obra sem. são sinônimos? A resposta a essa questão é negativa. portanto. ao passo que a segunda. ser sucinto. pois a primeira permite espaço para detalhamentos. Portanto. 2009. p. mas não detalha como ocorre na ficha de esboço. preferencialmente página por página. • Detalhar sem perder a fidelidade ao texto e com as próprias palavras do fichador. a ficha de esboço e a de resumo se aproximam.• Cuidar da extensão: a ficha de resumo apresenta mais informações do que a ficha bibliográfica. É. contudo. • Apresentar uma síntese das ideias do autor. se descaracteriza. 36).

2009. 64) 71 METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO .• Anotar à esquerda da ficha o número da página correspondente à ideia ou posicionamento sinalizado. 63) MODELO DE FICHA DE ESBOÇO-FRENTE (MARCONI. P. MODELO DE FICHA DE ESBOÇO-FRENTE (MARCONI. LAKATOS. P. LAKATOS. 2009.

Como o caráter do comentário requer interpretação pessoal. “a explicação está a serviço de um texto. Orientações metodológicas para elaborar ficha de resumo. importa compreender que explicar e comentar são situações diferenciadas. sim. há um compromisso maior. uma vez que o comentário remete. P. p. p. p. • Apresentar a interpretação e crítica pessoal sobre a obra.. mas esse posicionamento não é aleatório. a explicação parte do texto e se restringe ao texto.”. por vezes o estudante ou pesquisador acaba por se desvincular da questão central do texto. • Fazer uma avaliação da obra. ao posicionamento do leitor. 36) e Medeiros (2005.e. conforme Amorim (2005. Deste modo. o comentário parte do texto e não se restringe a ele.. Conforme Folscheid e Wunenburger (2002. é sobre a obra fichada e requer fundamentação coerente. para além da ideia central do texto. LAKATOS.129 -130): • Identificar os elementos centrais da obra sem limitar-se a essa identificação. no qual o potencial crítico e interpretativo se torna elemento fundamental. o posicionamento próprio sobre o pensamento do(a) autor(a) encontram na ficha de comentário um excelente recurso de sistematização da obra e da interpretação sobre ela. 2009. 51). o comentário interroga seu autor. É indispensável ter a devida atenção para não fugir do assunto. Ficha de Comentário No sentido de compreensão da obra. estudantes e pesquisadores que objetivam registrar. • Realizar a análise crítica do conteúdo. MODELO DE FICHA DE COMENTÁRIO (MARCONI. 65) 72 PATRÍCIA MOTA SENA . Para realizar com eficiência a ficha de comentário.

apud MEDEIROS. Em segundo lugar. Suprimir os elementos redundantes e supérfluos ou irrelevantes. Os procedimentos para realizar um resumo incluem. não dispensa a leitura do original (MEDEIROS. o objetivo pretendido pelo(a) autor(a) e suas conclusões. Selecionar as ideias principais. Resumo descritivo ou indicativo Esse tipo de resumo diz respeito aos aspectos mais importantes do texto de modo apenas indicativo. 73 METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO . Medeiros (2005.143). e fazê-lo de forma sintética. do objetivo.151): Evitar começar a resumir antes de esquematizar o texto ou de preparar as anotações de leitura. Construir frases que incluam várias ideias expostas no texto. Orientações metodológicas para elaboração de resumos. 2005. Entre os aspectos que integram todos os modos de resumir constam a necessidade de planejamento e a identificação de elementos tais como: a questão discutida no texto. p.]. 143). Os resumos são redigidos conforme o objetivo que se pretende alcançar. “resumo é uma apresentação sintética e seletiva das ideias de um texto.. Os principais são: descritivo ou indicativo. f. Identificar e agrupar as ideias que se relacionam entre si. conforme Amorim (2005. p. ressaltando a progressão e a articulação delas. 2005. indicando tipos diferenciados de resumos. descobrir o plano da obra a ser resumida. Portanto. conforme citação a seguir. 2005. a pessoa que o está realizando deve responder. a duas perguntas: o que o autor pretende demonstrar? De que trata o texto? Em terceiro lugar. (MEDEIROS. 142). no resumo. no qual são eliminadas a ocupação quanto à extensão do texto.• Resumir Para Medeiros (2005. sua constituição e conceitos (dados quantitativos) e à ocupação com a identificação e análise da hipótese. p. p. da problemática e das fundamentações (dados qualitativos). Nele devem aparecer as principais ideias do autor do texto”. p. deve-se ater às ideias principais do texto e a sua articulação [. Apresentar o conteúdo da obra de maneira sucinta. informativo ou analítico e crítico. em primeiro lugar. 38-39). seus argumentos..142 -153) e Siqueira (1990. • • • • • • Respeitar a ordem de apresentação das ideias e fatos. p.

uma teoria do texto. O livro resultou de uma tese de doutoramento apresentada à USP em maio de 1981. Chegou à conclusão de que 34. o texto e a farta exemplificação. São Paulo: Mestre Jou. São Paulo: Mestre Jou. Parte de conjecturas e indagações. fatores sociais e econômicos. Examina os textos com base nas novas tendências dos estudos da linguagem. obtidas da FUVEST. São objetos de seu estudo a coesão. a seguir. as frases feitas. A redundância ocorreu em 15. Veja.9% apresentaram problemas de contradições lógicas evidentes.2% dos textos. Objetiva caracterizar a linguagem escrita dos vestibulandos e a existência de uma crise na linguagem escrita. 184 p. (MEDEIROS. o ‘nãotexto’ e o discurso indefinido. através do estudo. Maria Thereza Fraga. um exemplo de resumo descritivo ou indicativo proposto por Medeiros (2005. ROCCO. 184 p. estabelecer relações entre os textos e o nível de estruturação mental de seus produtores. os clichês. A autora preocupa-se ainda com a progressão discursiva.8% dos vestibulandos demonstraram incapacidade de domínio dos termos relacionais. p. evitando juízos de valor (MEDEIROS. Também foram objeto de análise condições externas como a família. Maria Thereza Fraga. com o discurso tautológico. Crise na linguagem: a redação no vestibular.143-144). Escolheu redações de vestibulandos pela oportunidade de obtenção de um corpus homogêneo. ressaltam-se a carência de nexos. particularmente desses indivíduos. 16. informações sobre o candidato. 2005. p. os resultados e as conclusões. Resumo informativo ou analítico Realizado com eficiência. escola. a seguir. cultura. 2005. 143). o nonsense. p. p. Crise na linguagem: a redação no vestibular. ausência de originalidade. 1981. um exemplo de resumo informativo ou analítico proposto por Medeiros (2005. Um dos critérios utilizados para a análise é a utilização do conceito de coesão. os métodos e as técnicas utilizados. Salienta o objetivo da obra. que buscam erigir uma gramática do texto. esse tipo de resumo pode dispensar a leitura do texto original quanto às conclusões. O uso excessivo de clichês e frases feitas apa- 74 PATRÍCIA MOTA SENA . de continuidade e quantidade de informações. Estudo realizado sobre redações de vestibulandos da FUVEST. g.Veja. a frase feita. Entre os problemas. apresenta os critérios para a análise. Examina 1. as contradições lógicas evidentes. 144). 143). Sua hipótese inicial é a da existência de uma possível crise na linguagem e. 500 redações de candidatos a vestibulares (1978). ROCCO. 1981. o clichê.

p. 75 METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO . “permite opiniões e comentários do autor do resumo sobre o trabalho e não sobre o autor. do desenvolvimento (da lógica utilizada na demonstração). requer a elaboração de juízos de valor sobre essas ideias. em um primeiro momento o(a) estudante ou pesquisador(a) precisa identificar os elementos constituintes da obra e. pode se centrar na forma (com relação aos aspectos metodológicos). p. do conteúdo (análise do teor em si do trabalho). em um segundo momento. 2005. 39). e da técnica de apresentação das ideias principais”. Resumo crítico Favorece de modo significativo a construção de saberes. O resumo crítico. h.0% dois textos. (MEDEIROS. reúne esses elementos lançando o olhar crítico e criativo sobre eles. 144). conforme Amorim (2005. além de apresentar as ideias centrais do texto. de tal forma que.rece em 69. Às vezes o discurso estrutura-se com frases bombásticas. pois. Somente em 40 textos verificou-se a presença de linguagem criativa. valorizando o devaneio. pretensamente de efeito. Recomenda a autora que uma das formas de combater a crise estaria em se ensinar a refazer o discurso falho e a buscar a originalidade.

76 PATRÍCIA MOTA SENA .

MAPA CONCEITUAL 77 METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO .

Problema ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ 3.ESTUDO DE CASO A proposta deste caso para ensino é aprimorar o seu método de estudo. Resultado da observação ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ 2. o que posso fazer para adquirir?”. Aponte alternativas para solucionar o problema. Observe a sua prática de estudo por uma semana e faça o registro das deficiências. de uma tabela com aspectos que deseja aprimorar ou do registro dos pontos positivos que você já pratica e que não deve deixar de exercitar. Aponte uma deficiência ou algum aspecto que você deseja melhorar para obter maior êxito na sua aprendizagem. formulando um problema como. Esse registro deve ser feito aqui mesmo no seu material em forma de tópicos esquemáticos. Pesquise para conhecer um pouco mais sobre os métodos e estratégias de estudo e aprendizagem e. Isso pode ser feito por meio da elaboração de um cronograma de estudos. por exemplo: “Ainda não tenho familiaridade com a tecnologia. 3. de um roteiro de pesquisa. faça o registro das informações obtidas aqui mesmo no material. 1. dos pontos positivos e dos seus objetivos de estudo. 2. Resultado das pesquisas sobre métodos de estudo ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ 78 PATRÍCIA MOTA SENA . 5. 4. em seguida. Sugerimos que você: 1. Escolha a que considerar mais adequada para a obtenção de êxito no estudo e na aprendizagem e aplique no seu cotidiano acadêmico.

22). a) III e IV. Freire chama a atenção para o fato de que leitura proveitosa envolve necessariamente a ação prática. o aperfeiçoamento da capacidade leitora acompanha naturalmente o amadurecimento. é um manancial de significações e implicações que vão sendo descobertas a cada releitura. pois do contrário não há a intencionalidade capaz de motivar o estudante. seja como repertório para atribuição de significados ao que foi lido ou como parâmetro para determinação de suas finalidades. Segundo o texto. d) I e II. p. quando o leitor se transforma em sujeito atuante. c) I e IV. quer dizer de transformá-lo através de nossa prática consciente” (FREIRE. a prática necessária para a boa leitura é vivenciada no cotidiano: já que a leitura de mundo se faz automaticamente. estão corretas. IV. apenas. A leitura de um texto. II. Com base na citação acima e estudos sobre leitura. b) II e III. sendo esta a etapa primeira e mais importante do ato de ler.4. Alternativas de solução para o problema ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ 5. Aplicação ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ EXERCÍCIOS PROPOSTOS QUESTÃO 01 “Refiro-me a que a leitura do mundo precede sempre a leitura da palavra e a leitura desta implica a continuidade da leitura daquele. nas leituras proveitosas o conteúdo deve ser aplicado desde o início. III. De alguma maneira. mas por uma certa forma de ‘escrevê-lo’. podemos ir mais longe e dizer que a leitura da palavra não é apenas precedida pela leitura do mundo. 1984. porém. Segundo o texto. analise as proposições a seguir: I. 79 METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO . Das proposições listadas.

[. atitudes. Coll (1986) propõe uma que [. Das diferentes formas de classificar esta diversidade de conteúdos.] os conteúdos de aprendizagem não se reduzem unicamente às contribuições das disciplinas ou matérias tradicionais. Porto Alegre: ArtMed.. já que preparam e antecedem a aquisição dos conteúdos apontados no texto.] agrupa os conteúdos segundo sejam conceituais. procedimentais ou atitudinais. A prática educativa: como ensinar. bem como as técnicas de estudo e de elaboração de trabalhos.] Portanto. 30-31). conceitos etc. as demais questões são tratadas nas disciplinas que abordam as teorias e conhecimentos da área específica de formação.QUESTÃO 02 “[. ao responder à pergunta ‘o que se deve aprender?’ devemos falar de conteúdos de natureza muito variada: dados.. enquanto que a Metodologia do Trabalho Científico se ocupa especificamente da prática de pesquisa na academia. Antoni.. p. com o fim de alcançar as capacidades propostas nas finalidades educacionais” (ZABALA. elaboração de trabalhos e pesquisas e discutir conceitos QUESTÃO 03 A partir dos conhecimentos sobre as técnicas de sistematização do conhecimento. relacione as colunas de acordo com as finalidades da técnica abordada e sua aplicação: 80 PATRÍCIA MOTA SENA . e sobre as contribuições da Metodologia do Trabalho Científico para a aprendizagem dos conteúdos discutidos. b) A facilitação da aprendizagem dos conteúdos citados no texto é desempenhada pela metacognição. Com base no texto acima. não se encaixam na classificação proposta.. Esta classificação corresponde respectivamente às perguntas ‘o que se deve saber?’. oferecer instrumentos para o estudo. habilidades. d) A Metodologia do Trabalho Científico contribui para o aprendizado dos conteúdos discutidos ao estimular a postura crítica. responde à pergunta “o que se deve saber fazer?”. como estudo dos caminhos do saber. 1998. ‘o que se deve saber fazer?’ e ‘como se deve ser?’.. c) O controle sobre a própria aprendizagem.. é correto afirmar: a) A Metodologia. técnicas.

III. ao ler um texto. assimilá-la e personalizá-la. por meio de sinais. possibilitando reaver informações importantes identificadas ao longo de leituras diversas. de cima para baixo. Ao escrever um texto. “o texto-linguagem significa. A leitura só tem valor quando consegue realizar a comunicação de ideias. o autor (o emissor) codifica sua mensagem que. III. o meio intermediário pelo qual duas consciências se comunicam. é a) III – I – II b) I – II – III c) II – III – I d) II – I – III QUESTÃO 04 Para Antônio Joaquim Severino (2002. apresentadas hierarquicamente. A condição histórica. A interpretação de um texto-linguagem acontece quando a decodificação da mensagem é realizada pelo leitor. 49). antes de tudo. traduzindo os sinais gráficos em palavras. social. discordâncias e outras impres-sões. que reflete tanto a compreensão do leitor quanto a organi-zação das ideias do autor. II. já tenha sido pensada. já que apenas as passa-gens essenciais são sinalizadas de ma-neira a preservar o sentido. ( ) Esta técnica é utilizada como etapa preparatória para a elaboração de resumos e para fixação do conteúdo integral do texto. para. concebida e o leitor (o receptor). depreende-se que: I. 81 METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO . Resulta em uma representação gráfica do texto. compreendendo-a: assim se completa a comunicação”. por sua vez. Ele é o código que cifra a mensagem. p. Culmina na simplificação da leitura do texto. decodifica a mensagem do autor. ( ) Leva o estudante a se apropriar efetivamente das ideias principais do texto e assinalar. portanto. II. A sequência correta encontrada. associada aos estudos sobre leitura e análise de textos.I. A partir da leitura do texto acima. política e cultural do leitor pode influenciar na significação da mensagem codificada pelo autor. contribuindo para que o leitor assuma uma postura transformadora. então. Consiste na sistematização das anotações de leitura. dúvidas. pensá-la. ( ) Organiza os materiais de estu-do e pesquisa. sendo mais proveitosa quando o estudante pratica esta técnica habitualmente. estabelecendo a relação entre experiências diferenciadas próprias do autor e do leitor.

Torna-se necessário o desenvolvimento da reflexão crítica do leitor em função da velocidade e do intenso fluxo de informações. valorizando-se a ferramenta da informática e ampliando seu acesso na escola de forma livre e espontânea. na formação do leitor. que o acesso à informação garante o amadurecimento de reflexões e a construção de conhecimento. construindo uma formação crítica. II . III .Forma-se o leitor. vem marcada pela sua ampla possibilidade de veiculação. característica dos dias atuais. independente das condições objetivas que originaram o texto. está(ão) correta(s) apenas a) I b) I e III c) II d) II e III 82 PATRÍCIA MOTA SENA .Deve-se considerar. exigindo que a formação do leitor contemple sensibilidade e coerência. permitindo que a tecnologia forneça o correto direcionamento para a leitura. com alternativas de leitura e movida por um processo de transformação concreta da realidade. Das proposições acima. nos dias de hoje. considerando as proposições referentes às posturas do leitor na atualidade: I . A possibilidade de personalizar a mensagem do autor sugere que cada leitor deve significá-la de acordo com seus instrumentos intelectuais. a partir da articulação e das práticas de leitura na sociedade. estão corretas apenas a) II e IV b) II e III c) I eIV d) I e III QUESTÃO 05 Associe a leitura do texto a seguir à importância do ato de ler no processo de formação.IV. Das proposições acima. pois a era da informação.

BLOCO TEMÁTICO A COMUNICAÇÃO CIENTÍFICA E A CONSTRUÇÃO ACADÊMICA DO CONHECIMENTO 2 .

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Veremos alguns princípios básicos da redação científica. Desta maneira 85 METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO . “a pesquisa só tem valor quando comunicada”. CARACTERÍSTICAS DA LINGUAGEM CIENTÍFICA Clareza na Expressão: Vários autores apresentam um conselho extremamente importante: “leia cuidadosamente o que escreveu como se você fosse o seu leitor”. p. Dionne (1999. pois é assim que a pesquisa exerce a sua função social. devemos atender a algumas características que facilitem o intercâmbio de conhecimentos e de informações.1 CONTEÚDO 1.1. permitindo que outros cientistas possam desenvolver novos estudos e melhorar a qualidade de vida da sociedade. Como toda atividade que precisa de métodos. A LINGUAGEM CIENTÍFICA E AS REGRAS DA ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS (ABNT) Para Laville. ESTRUTURA E ORGANIZAÇÃO DE TRABALHOS ACADÊMICOS 2. E esta é uma opinião compartilhada por todo o ambiente científico. 238-239). a comunicação científica pressupõe o uso de normas para uniformizar os procedimentos e guiar a sua execução. No caso específico da redação acadêmica.1 TEMA 3.A COMUNICAÇÃO CIENTÍFICA E A CONSTRUÇÃO ACADÊMICA DO CONHECIMENTO 2.

construção de orações e ortografia não pode ser admitida como justificativa para a construção de trabalhos sem a correção gramatical. não devem ser utilizados jogos de palavras. que podem ser os membros de uma banca examinadora.será possível perceber criticamente o texto. e pelo uso de orações subordinadas”. pois as palavras e os recursos visuais apresentados. isto é. Para tanto. A linguagem científica possui características próprias que a diferem da linguagem coloquial. avaliando se as sentenças estão construídas de maneira clara. palavras e expressões supérfluas. A noção de concisão é oposta à de prolixidade que. pela repetição de fatos. 86 PATRÍCIA MOTA SENA . A precisão da linguagem visa transmitir o pensamento com exatidão e clareza. Conforme vimos no tema anterior. piadas. cristalina e inteligível. Além disso. “se define pelo emprego de frases. de um estilo direto de empregar as palavras essenciais à compreensão das ideias. a ignorância quanto ao emprego de palavras. Na linguagem científica a escolha de termos deve ser criteriosa. Precisão na Linguagem: utilizar uma linguagem precisa é empregar cada palavra de acordo com o que se deseja expressar. Tais características foram estabelecidas ao longo do tempo através da realização de pesquisas e de crítica metodológica capazes de estabelecer critérios específicos para o registro de processos científicos. tabelas precisam ser compreendidos pelo leitor. deve-se evitar expressões informais. que não deve ter nenhuma dificuldade para entender o conteúdo explanado. o dicionário é um elemento indispensável no ambiente de estudo e a sua consulta deve ser feita sempre que necessário. Frases longas e repetição de palavras também podem ser apontadas como elementos que comprometem a significação das ideias do texto e a sua estrutura estética. Objetividade na Apresentação: implica na seleção das informações para que sejam apresentados os conteúdos mais relevantes. A clareza na expressão é a transmissão do pensamento por meio de uma linguagem clara. Utilização Correta das Regras da Língua Portuguesa: A escrita exige que o autor assuma uma postura respeitosa diante dos leitores. se as ideias estão concatenadas e se há uma sequência lógica na apresentação dos argumentos. Associada à clareza na expressão. brincadeiras com o título e com texto. torna-se necessário conhecer os elementos que pautam a linguagem científica. segundo Cardoso (2001). contribuindo para a ampliação do conhecimento. percebendo que a sua compreensão está intimamente relacionada à aprendizagem da ciência. Desta forma. tais como figuras. pois este deve ser compreensível e claro para o leitor. para que o texto siga um raciocínio lógico e coerente. ambíguas ou que sugiram trocadilhos. é necessária também a utilização de uma linguagem concisa. Para tanto. cenas e aspectos já descritos. gráficos.

87 METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO . em termos de espaço e de conjuntura histórica. com a mesma precisão e sem ultrapassar a margem de erro indicada pelo autor. às conclusões obtidas e aos dados utilizados. permitem que outro pesquisador julgue as conclusões do autor e as utilize como subsídio para seus próprios estudos. Caso seja indispensável o uso de palavras em outro idioma. 1999: 221). o autor o leia cuidadosamente como se fosse seu próprio leitor para que possa verificar se a linguagem está limpa e clara. É necessário atentar também para expressões estrangeiras ou de cunho regionalista. é com esse espírito que se espera receber as informações que permitam acompanhar seu encaminhamento. para toda pesquisa. mas obedecendo a metodologias específicas para cada finalidade a que se destinam. depois de escrito o texto. quais fatores foram considerados e julguem o valor da investigação ou reproduzam as etapas para chegar aos mesmos resultados. [. mas assumir uma perspectiva de transparência quanto aos métodos aplicados..] o que hoje importa é conhecer a hipótese formulada. b. 1999: 238-239. indagando se seria possível proceder de outra forma e chegar a outra coisa (LAVILLE. Grifos da autora). suas coordenadas e suas modalidades de construção. reproduzir as experiências e obter os resultados descritos. • Características dos trabalhos científicos A pesquisa não deve ser confidencial. elas devem ser apresentadas entre aspas ou em itálico.. Os trabalhos científicos devem ser elaborados de acordo com algumas normas estabelecidas e devem apresentar originalidade. considerar uma outra. Podem ser elaborados de diversas maneiras. à medida que se utiliza uma linguagem objetiva e precisa. Embora seja impossível escapar totalmente à vinculação contextual. pois estes precisam ser divulgados para que outros pesquisadores saibam qual a trajetória percorrida. Aliás. os trabalhos científicos devem permitir: “a. estes trabalhos apresentam observações e análises acerca de fenômenos naturais ou sociais. dispondo dessas informações. uma vez que contribuem para que o texto se contextualize fortemente pela linguagem. resultados e etapas de estudos experimentais que submetam fenômenos a experiências controladas. para poder. as conclusões tiradas de sua verificação. Em geral. e eventualmente refutar o conhecimento produzido. Conforme Laville. ampliando a compreensão sobre determina-dos campos do conhecimento e sobre questões científicas. Para Ângelo Salvador (apud MARCONI e LAKATOS. repetir as observações e julgar as conclusões do autor. o texto se torna mais acessível a leitores de outras culturas ou de futuras gerações.É importante que. Desta forma.

apresentação de hipóteses. Trabalhos teóricos de análise ou síntese de conhecimentos. .Obedecer às normas pré-estabelecidas. estruturas e funções. Trabalhos experimentais cobrindo os mais variados campos e representando uma das mais férteis modalidades de investigação. Sistema Nacional de Metrologia. A ABNT faz parte do Sinmetro. verificar a exatidão das análises e deduções que permitiram ao autor chegar às conclusões”. .Ser inéditos ou originais. Normalização e Qualidade Industrial. especificamente. • Mas como podemos dizer que um trabalho é mesmo científico? Luiz Rey (apud MARCONI e LAKATOS. espécies novas. Observações ou descrições originais de fenômenos naturais. podemos citar a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) e o Instituto Brasileiro de Bibliografia e Documentação (IBBD). dados ecológicos etc. CARACTERÍSTICAS DO TRABALHO CIENTÍFICO . . com a publicação: 88 PATRÍCIA MOTA SENA .Oferecer subsídios para trabalhos posteriores. Dentre eles. .Permitir a reprodução das experiências e a obtenção dos resultados descritos.Contribuir para ampliação de conhecimentos.Verificar a exatidão das análises. 1999: 221-222) relaciona como trabalhos científicos aqueles que apresentam: “a. • Regras da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) Existem alguns institutos que estabelecem normas gerais que são seguidas por todos aqueles que se dedicam à pesquisa científica no Brasil. c. composto por entidades privadas e públicas que atuam na área científica. mutações e variações.”. teorias etc. sendo o único órgão responsável pela normalização. ela é a referência mais segura e comum a que se pode recorrer na elaboração de trabalhos científicos. . por submeter o fenômeno estudado às condições controladas da experiência. As normas que veremos aqui estão relacionadas. b. levando à produção de conceitos novos por via indutiva ou dedutiva.c. Por isso.

TESE: “Documento que representa o resultado de um trabalho experimental ou exposição de um estudo científico de tema único e bem delimitado. de tema único e bem delimitado em sua extensão. A ABNT apresenta definições que são importantes para a significação de alguns trabalhos científicos: DISSERTAÇÃO: “Documento que representa o resultado de um trabalho experimental ou exposição de um estudo científico retrospectivo. produtores e membros da comunidade científica. • NBR 14724: Informação e documentação — trabalhos acadêmicos — apresentação – Definições de Apresentação 1. É feito sob a coordenação de um orientador (doutor) e visa a obtenção do título de doutor. devendo expressar conhecimento do assunto escolhido. com o objetivo de reunir. curso.• • • Norma Brasileira Registrada (NBR) 14724 . As normas da ABNT são elaboradas e atualizadas por um comitê formado por consumidores. Deve ser elaborado com base em investigação original. analisar e interpretar informações. que deve ser obrigatoriamente emanado da disciplina. Deve ser feito sob a coordenação de um orientador”. Deve evidenciar o conhecimento de literatura existente sobre o assunto e a capacidade de sistematização do candidato. TRABALHO ACADÊMICO (esta categoria inclui trabalhos de conclusão de curso – TCC – e de especialização): “Documento que representa o resultado de estudo. constituindo-se em real contribuição para a especialidade em questão. Forma Geral • Elementos pré-textuais: Capa: Elemento obrigatório que deve conter os dados indispensáveis para a identificação do autor e especificação do trabalho. programa e outros ministrados. É feito sob a coordenação de um orientador (doutor).Trabalhos Acadêmicos. ou similar”. estudo independente. 89 METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO . módulo. NBR 10520 – Citações. visando a obtenção do título de mestre”. Veremos as principais normas que ela define para a elaboração de trabalhos científicos. NBR 6023 – Referências.

Ano de entrega. O desenvolvimento deve estar encaixado hierarquicamente entre a introdução e a conclusão. • Elementos pós-textuais: Anexos: Servem para complementar o texto com informações difíceis de incluir no desenvolvimento do texto. ampliando o tema a partir da explicação das ideias. fotografias. Folha de Rosto: Possui em sua estrutura o nome do autor. Co-orientador.Estrutura da Capa: Nome do autor.0 cm Direita: 2.0 cm Esquerda: 3.).0 cm Inferior: 2. ficando a critério do leitor se ele quer ou não tomar conhecimento de tais informações. Desenvolvimento: Discute o tema central exposto na introdução em parágrafos articulados. 2. Natureza do trabalho (especificar se é dissertação. isto é. São informações não essenciais. retomando a tese defendida no desenvolvimento. Além destes. Título. monografia ou trabalho de conclusão de curso etc. gráficos. mas que fornecem elementos adicionais à compreensão do assunto tratado. Subtítulo. • Elementos textuais: Introdução: Deve apresentar a ideia principal do texto para que se possa desdobrá-la no desenvolvimento. documentos históricos. Título.0 cm 90 PATRÍCIA MOTA SENA . registros. também são considerados elementos pós-textuais as notas. nome da instituição (opcional). Local (cidade) da instituição. Orientador. Forma Gráfica Papel: branco A4 (21 cm x 29. defendendo os pontos de vista. a bibliografia e o glossário. Cidade e Ano em que foi entregue o trabalho. Podem ser tabelas. Conclusão: Encerra a argumentação e oferece respostas para as questões feitas ao longo do texto. os apêndices.7 cm) Tipo de Fonte: Arial ou Times New Roman Tamanho da Fonte: 12 Margens: Superior 3. testemunhos. de modo a construir uma lógica de pensamento coerente. Subtítulo se houver. Nº do volume. do aluno que elaborou o trabalho.

Siglas: quando se referir pela primeira vez usar o nome completo seguido da sigla.5 entre linhas MARGENS . Depois. Espacejamento: 1. Paginação: pode ser no canto superior ou inferior da página na borda direita da folha (2 cm x 2 cm). ESTRUTURA DA CAPA FOLHA DE ROSTO 91 METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO . somente a sigla.

• NBR 6023 – Referências As referências bibliográficas devem conter os dados essenciais para a identificação da publicação. Nome. da. Até três autores: SOBRENOME. Nome. Nome. institutos e entidades. 92 PATRÍCIA MOTA SENA . Nome. Nome. Local: Editora. Edição. Nome do livro. SOBRENOME. Nome de. Novela e sociedade no Brasil. quando falamos em público devemos falar “e colaboradores”. Mais de três autores: SOBRENOME. Sobrenome com partículas: SOBRENOME. Nome et al. FILHO. – Normas para a apresentação de referências Norma Geral: SOBRENOME. Sobrenomes de Parentesco: SOBRENOME NETO. SOBRENOME. Sobrenomes Compostos: SOBRENOME COMPOSTO. RJ: Vozes. Sem autor: A entrada deve ser feita pelo título Entidades coletivas: NOME de associações. Ano. Nome. 1. Antônio Marcos. Nome. 1998. Petrópolis. As referências devem ser alinhadas à esquerda e separadas entre si por espaço duplo. Referências de livros SOBRENOME. Exemplo: GOMES. ou et allii. A relação das referências deve ser organizada em ordem alfabética considerando o último sobrenome da autoria.

G. Exemplo: ROMANO. São Paulo: Três. Local: Editora. número. datas de início e de encerramento da publicação. Rio de Janeiro: IBGE. boletim etc. nunca duas ou três ao mesmo tempo! 4. 6. XX-XX. p. se houver. Local: Editora. SOBRENOME. 7-16. Giovanni. NOME DA PUBLICAÇÃO. informações de períodos e datas de publicação. 2000. 28 jun. A colonização da terra dos Tucujus. 5. Ano. boletim etc. p. Exemplo: SANTOS. Capítulo de Livro (Autor é também o organizador do livro) SOBRENOME.2. p. Nome. Cap. Observe que o grifo continua no título da obra geral. Imagens da Juventude na era moderna. In:______. Local. negrito ou sublinhado. In: SOBRENOME. Nome do autor do livro. volume e/ou ano. 1943-1978. Partes de revista. Título do capítulo.3.. XX-XX. 1996. São Paulo: Companhia das Letras. Nome. Periódico como um todo (referência de toda a coleção) NOME DO PERIÓDICO. Artigo ou matéria de revista. Ed. Título do artigo ou matéria. Capítulo de Livro (autor diferente do organizador do livro) SOBRENOME. Exemplo: BOLETIM GEOGRÁFICO. Nome do livro. Nome do autor do capítulo. p. In:_____. Ano. (Org. Nome da revista. 15-24. J. 1994. e não no título do capítulo. Título do capítulo. Macapá: Valcan. In: LEVI. numeração do ano e/ou volume. dos.). Exemplo: DINHEIRO: revista semanal de negócios. Mês/Ano. A expressão “IN” – deve ser em itálico (língua estrangeira). Local: Editora. numeração do fascículo. Nome do livro. XX-XX. Local: Editora.S. Mas atenção! Só podemos utilizar uma OU outra forma. p. 2. 93 METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO . História do Amapá. e que se deve colocar a paginação. 3. F. n. 48. História dos jovens 2: a época contemporânea. O título do livro deve estar sempre destacado em itálico. SCHIMIDT.

Acesso em: 04 abr. p. Local. Elas podem ser transcrições do texto original ou referências que nem sempre precisam ser cópias. Produção de Jorge Ramos de Andrade. data. com. quando transcrevemos as palavras de um texto incorporando-as ao nosso ou citações livres (paráfrases). Acesso em: 00 mês. isto é. Navio negreiro. caderno ou parte do jornal. n. 8.org. Exemplo: OS PERIGOS DO USO DE TÓXICOS. Nome do jornal. 7. Exemplo: NAVES. Castro. Título da obra. Rio de Janeiro. Disponível em: <http://www. A própria natureza da pesquisa pressupõe a inspiração em outras obras.Exemplo: GURGEL. Folha de São Paulo.br/>.] Interpolações. 9. devemos apresentar os seguintes sinais para indicar: Supressões: [. p. Nome. caderno 8. 15-21. P. São Paulo. Desta forma. 1999. v. elaborar exemplos e ilustrações. Política e administração. X. Folha Turismo. Nome do diretor e/ou produtor. Título do artigo. p. 2. Disponível em: <http://www. a frases específicas e conclusões de outros autores/trabalhos. C. quando retiramos do texto a ideia que nos interessa e apresentamos com nossas próprias palavras. 1983. 13. Artigo e/ou matéria de jornal SOBRENOME. Lagos andinos dão banho de beleza. Material eletrônico SOBRENOME. Local: Produtora. buscando nelas o apoio necessário para fundamentar pontos de vista. videocassete ou DVD.. Exemplo: ALVES. 3. 0000. Imagem em movimento TÍTULO de filme.abnt. No texto. Data. São Paulo: CEVARI. 2005.br>. • NBR 10520 – Citações em Documentos As citações se justificam quando queremos nos referir às ideias de outros autores. acréscimos ou comentários: [ ] 94 PATRÍCIA MOTA SENA . 28 jun.sitedeconsulta. set. Nome. 1997.. Seção. podemos usar citações literais (textuais). Reforma do estado e segurança pública.

da sua transformação para sobreviver. Observe o exemplo abaixo: Para Piaget (2001. ela deve dar continuidade ao parágrafo. Os colchetes com reticências indicam que uma parte do texto foi suprimida. OU 95 METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO .. com mais de 3 linhas. – Citação indireta no texto A escola deve perceber o educando e suas necessidades (PIAGET. nesse processo. porque depende da natureza. p. Como a citação possui menos de 3 linhas. 2004.] o homem é um ser natural porque foi criado pela própria natureza.Ênfase ou destaque: grifo ou negrito ou itálico – Citações diretas no texto (até três linhas) No caso das citações que possuam até 3 linhas. devemos mantê-las dentro do parágrafo..] (PIAGET. p. mas não é necessário o uso de aspas. – Citar no texto o nome do autor Piaget (2001) considera que a escola deve atender as necessidades do educando. 26) “a escola deve atender as necessidades básicas do aluno [. 2001. Para Marx. – Grifo em citação Deve-se utilizar itálico ou negrito para destacar a parte fundamental da citação. Veja os exemplos: Sendo assim. por meio da expressão “grifo nosso” ou “grifo do autor”. a escola deve atender as necessidades básicas do aluno levando em consideração seu conhecimento [. 26.... 403).. p. [. indicando.] já que usa a natureza transformando-a conscientemente segundo suas necessidades e. incorporadas ao texto.. 2001). Veja o exemplo: A concepção materialista de Marx carrega em sua base uma concepção de natureza e da relação do homem com essa natureza. grifo nosso). fazse homem (ANDERY. – Citações diretas no texto (mais de três linhas) Para as citações mais longas. [. devemos recuar 4 cm à margem esquerda. Por outro lado..]”. o homem não se confunde com a natureza.

Seminário. a escola deve atender as necessidades básicas do aluno levando em consideração seu conhecimento [. 2. Nosso objetivo será compreender o processo de construção. Artigo Científico. Palestra e Conferência. acrescido da referência a outras obras da mesma área e da formulação de um conceito de valor que o resenhista faz sobre o livro.. 96 PATRÍCIA MOTA SENA . 26... mas sim um resumo ampliado. 57).Resenha. Não uma simples apresentação.1.] (PIAGET. É a descrição detalhada de uma obra. p. p. mas por intermédio de outro texto.]. 2002. vamos abordar como elaborar alguns dos trabalhos científicos que vão fazer parte do seu cotidiano acadêmico. . Vamos estudar: . A expressão “citado por” pode ser substituída pela expressão latina apud. citado por Zabala. já que você passou a integrar a comunidade científica.2 CONTEÚDO 2.. . Painel e Mesa-redonda. – Citação de Citação (Apud) Aplicamos a citação de citação quando queremos fazer referência a uma ideia à qual não tivemos acesso direto. como no exemplo a seguir: Para Piaget (apud ZABALA. afirma que a escola deve atender as necessidades básicas do aluno levando em consideração seu conhecimento [. grifo do autor). • Resenha A resenha é a apresentação do conteúdo de uma obra feita por meio da sua apreciação..Estudo de Caso. METODOLOGIA E ESTRUTURA DOS TRABALHOS ACADÊMICOS I A partir de agora.]. Veja o exemplo: Piaget. Ela só pode ser utilizada se for muito difícil ou impossível entrar em contato com o texto original. elaboração e divulgação destes trabalhos.. a escola deve atender as necessidades básicas do aluno levando em consideração seu conhecimento [. Paper e Memorial.Sendo assim. podemos destacar que a resenha: • • É mais abrangente que um resumo crítico. 2001. Dentre as principais características.

congressos. comparando e avaliando a relevância da obra em relação a outras do mesmo gênero. indicando erros de informação encontrados. validade e relevância? Inicialmente. ao texto. É importante que seja avaliada a abordagem do autor. As resenhas podem ser classificadas quanto aos elementos que contêm. artigos. no entendimento de novas questões. Analisar se o texto apresenta consistência nas ideias e se seus argumentos se sustentam. • Exige conhecimentos de outras obras a fim de estabelecer relações. É importante observar se o autor se restringe a analisar esses trabalhos ou se ele supera a simples retomada de ideias anteriores. Algumas questões podem servir de orientação para a construção da resenha: • • • • • • • Qual o assunto. É preciso que seja feito também um apontamento das possíveis falhas do autor. agradável e interessante. se possui uma linguagem acessível na qual a erudição ou a linguagem científica/técnica não comprometa a sua compreensão. tratam de reuniões. opinião. encontros. A resenha admite que se façam elogios. A resenha admite que sejam feitos comentários e sejam emitidas opiniões acerca das ideias explanadas no texto. 97 METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO . desde que sinceros e ponderados. peças. juízos de valor e avaliação da obra em relação a outras. lembrando que a resenha deve ser escrita na forma de um texto dissertativo. palestras – ou textuais – tratam de livros. devemos apresentar o tema e a abordagem que o autor traz. filmes. O resenhista deve observar se o texto é bem construído. Em geral. destacando as suas contribuições. se é inovadora e se traz novos conhecimentos e teorias que possam ser utilizados em outras pesquisas. as obras iniciam com um balanço bibliográfico de todos os textos que já foram publicados sobre o tema.• Permite comentários. Apresentamos aqui algumas questões que podem lhe orientar na construção das resenhas. podendo ser reais – analisam eventos. características e abordagens desenvolvidas? Que contribuições a obra apresenta? O autor atinge os objetivos propostos? Há profundidade na exposição das ideias? O texto supera a pura retomada de texto de outros autores? Qual o grau de acessibilidade e originalidade do texto? Qual a utilidade.

A referência bibliográfica deve conter autor. editora. 6. 2. Indicações do resenhista. local. Resumo da obra. isto é. titulação e demais obras publicadas. 4. título da obra. assim como qual a autoridade dele no campo científico. 6. inicialmente. Resumo da obra destaca as principais ideias expressas pelo autor. Conclusões do autor. Crítica do resenhista. 3. 2. na qual deve expor sua opinião. 1. 98 PATRÍCIA MOTA SENA . data e número de páginas.Estrutura da resenha 1. pois os computadores dinamizam a produção das revistas e a internet divulga mundialmente. 4. especialmente após a Segunda Guerra Mundial. fazer sua crítica sobre o texto lido. Referência Bibliográfica. a Lista Mundial de Periódicos Científicos (World List of Scientific Periodical) registrou a existência de cerca de 100. podemos indicar os resultados que o autor obteve. Indicações do resenhista. nacionalidade. Em 1981. quais as conclusões que ele chegou. Crítica do resenhista. elas surgiram em meados do século XVII e a partir do século XX expandiram o ritmo de crescimento. a quem o livro pode ser indicado? Estudantes de que área? Ponderar se as ideias do autor servem de embasamento para outras pesquisas. Credenciais do autor. 5. Atualmente. Credenciais do autor são informações gerais sobre o autor. conforme as normas da ABNT estudadas. Segundo Laville e Dionnne (1999). 5. sua formação. Neste item. • Artigos científicos Nas revistas científicas os artigos são os principais instrumentos de comunicação de uma pesquisa.000 revistas científicas. evidenciando o método utilizado. Conclusões do autor identifica. o ritmo de disseminação tem se tornado cada vez mais intenso em virtude do avanço na tecnologia das comunicações. analisando os principais assuntos tratados nos capítulos ou seções do texto. se o autor alcança alguma conclusão e qual é ela. 3.

principalmente. p. o impacto do seu estudo para o ambiente acadêmico. Entretanto a NBR 6022 apresenta elementos que servem de orientação para os conselhos editoriais de revistas científicas e seus colaboradores. as conclusões e. existe o risco de diminuição da qualidade dos artigos científicos. Segundo Lakatos (2009. as etapas da investigação. a partir da análise sistemática da bibliografia pertinente. OS ARTIGOS PODEM SER: Artigo de divulgação: São voltados para a divulgação dos resultados de uma pesquisa científica. porém completos. uma vez que o autor do artigo deve comunicar com objetividade e clareza a problemática analisada. É o relato analítico de informações atualizadas sobre um tema de interesse para determinada especialidade. tendo em vista a facilidade das modernas técnicas de difusão de textos? • Mas o que são os artigos científicos? Eles comunicam ideias e informações. Devem ser originais e inéditos. o grau de profundidade da revisão e a importância da bibliografia revista. A explosão de publicações científicas pode constituir motivo de preocupação para os pesquisadores? Para você. A estrutura se modifica de acordo com o periódico: cada vez que se submete um trabalho à publicação numa revista científica. “os artigos científicos são pequenos estudos.É nos periódicos que a comunidade científica pode avaliar a validade da pesquisa realizada. Deve apresentar conclusões abrangendo conhecimentos sobre um determinado tema disponíveis na comunidade científica. que tratam de uma questão verdadeiramente científica. os métodos empregados. Não requer necessariamente uma revisão de literatura retrospectiva. mas que não se constituem em matéria de um livro”. Os artigos de revisão com enfoque histórico devem obedecer a uma ordem cronológica de pensamento e de publicação das obras analisadas Alguns aspectos devem ser observados. destacando a contribuição e a originalidade do conhecimento construído. 261). é comum que esse periódico estabeleça normas próprias para apresentação. A estrutura de um artigo se modifica de uma revista para a outra. Artigo de revisão: São trabalhos que fazem uma avaliação crítica da literatura existente sobre determinado assunto. Observe o quadro abaixo: 99 METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO . tais como a pertinência do tema escolhido.

as referências bibliográficas consistem na listagem dos livros. o tamanho da fonte e a quantidade de caracteres definidos previamente pelo órgão editor do periódico. 3. 6. • Paper 100 PATRÍCIA MOTA SENA . Sinopse 4. Referências 1. Palavras-chave 5.ESTRUTURA Temos aqui a estrutura do artigo. precisa e gramaticalmente correta. A sinopse é também conhecida como resumo. colegas e pesquisadores acabam por se envolver com pesquisas de seus colegas. A consecução de uma pesquisa científica requer o empenho de muitas pessoas. discorre sobre uma pesquisa científica. que. Título 2. lendo os textos escritos. As palavras-chave são termos. Professores. que geralmente é o e-mail. o texto propriamente dito. Possui a quantidade de linhas. instituição à qual ele pertence e um contato. Vamos comentar cada um destes itens separadamente. 4. Credenciais do autor 3. realçando os aspectos mencionados. Por último. fornecendo sugestões e indicações de documentação. dando opiniões. construído a partir de uma análise dos aspectos relevantes do trabalho. Neste caso. Primeiro vamos falar do título. O item dos agradecimentos serve para que esses nomes sejam mencionados como uma forma de demonstrar gratidão e gentileza. trata-se de um resumo descritivo que apresenta o conteúdo total do texto. O corpo do artigo é o desenvolvimento. expressões simples ou compostas que caracterizam os domínios em que o texto se inscreve. 5. orientadores. Ele deve descrever a essência do artigo de forma lógica. Aqui as credenciais do autor são os seus dados. 2. Corpo do artigo 6. Agradecimentos 7. 7. artigos e outros documentos científicos mencionados ao longo do texto. 1. nome. em geral.

O paper é um artigo menos abrangente, um pequeno artigo. De acordo com Souza (apud TEIXEIRA, 2005, p. 45), as características desse trabalho acadêmico “podem convencionalmente consistir em atividade acadêmica, servindo usualmente como um trabalho escrito para a avaliação do desempenho em seminários, cursos e disciplinas. Devem possuir a mesma estrutura formal de um artigo”. Ainda conforme essa autora, as principais características do paper são: “a) estudo sobre um autor; b) estudo de um tema num autor; c) estudo de uma obra de um autor; e d) estudo de um tema/questão/problema em diversos autores” (SOUZA apud TEIXEIRA, 2005, p. 45).

Memorial

Todos nós construímos uma trajetória acadêmica que envolve debates, leituras e reflexões. O memorial é uma narração autobiográfica que analisa uma etapa da vida acadêmica que está relacionada com a pesquisa. E esta caminhada está também vinculada à nossa vida pessoal. Conforme sugere a letra da música no fragmento a seguir:

Ando devagar Porque já tive pressa E levo esse sorriso Porque já chorei demais Hoje me sinto mais forte Mais feliz quem sabe Eu só levo a certeza de que Muito pouco eu sei, eu nada sei (...) Todo mundo ama um dia todo mundo chora, Um dia a gente chega, no outro vai embora Cada um de nós compõe a sua história, E cada ser em si, carrega o dom de ser capaz, E ser feliz. (Tocando em Frente. Almir Sater. Composição: Almir Sater e Renato Teixeira) Cada um de nós possui uma história diferenciada, seja acadêmica ou pessoal, e ela pode ser abordada dentro da comunidade científica através dos memoriais, pois é um documento científico no qual escrevemos sobre nós mesmos. Dentre suas características podemos destacar que os memoriais configuram uma espécie de autobiografia acadêmica, profissional e intelectual do autor que deve ser escrito na primeira pessoa do singular.

101
METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO

Esta autobiografia descreve, analisa acontecimentos e a trajetória acadêmicoprofissional e intelectual do autor, avaliando cada etapa da sua experiência. Destaca as fases mais importantes e significativas, evidenciando relações entre a vida pessoal e a profissional do autor. Atividades artístico-culturais importantes podem ser mencionadas, desde que sejam relevantes. Traz uma perspectiva histórica e analítica da carreira do autor, retomando e analisando o curriculum do pesquisador, permitindo a autoavaliação e a reflexão acerca da sua trajetória acadêmico-profissional. Reflete sobre seus momentos mais importantes dentro de uma perspectiva histórica, isto é, de transformação, avanços e recuos em sua trajetória. Sua estrutura deve conter capa e folha de rosto, sumário e corpo.

2.1.3

CONTEÚDO 3. METODOLOGIA E ESTRUTURA DOS TRABALHOS ACADÊMICOS II

Seminário

O seminário é uma das técnicas mais eficientes de aprendizagem, porque estimula a pesquisa e a discussão. Caracterizado como técnica de dinâmica de grupo, o seminário pode ser apresentado em eventos científicos, como congressos, encontros e simpósios, assim como constitui uma das atividades mais praticadas nos cursos de graduação e pós-graduação. O seminário pode ocorrer pautado na discussão de textos ou de temas pesquisados, fomentando a reflexão através do debate.

Dentre as suas principais características, destacamos que o seminário:

Inclui pesquisa, discussão e debate;

102
PATRÍCIA MOTA SENA

Não é apenas um resumo ou síntese de estudo, mas um momento de divulgação e partilha da investigação realizada; • É uma forma de comunicação mais restrita; • Assemelha-se a um grupo de estudo, mas também pode ser feito individualmente; • Integra ensino, pesquisa e debate. O primeiro passo é a pesquisa bibliográfica, requisito indispensável. Mas este trabalho de pesquisa deve ser planejado e orientado pelo professor, que, se baseando nos conteúdos da disciplina, define os critérios e os objetivos que os participantes devem alcançar. E a pesquisa conduz à discussão do material coletado, fomentando o debate. Os seminários aprofundam o estudo e o conhecimento sobre determinado assunto, desenvolvem a capacidade de pesquisa e análise, preparando para a elaboração clara e objetiva dos trabalhos científicos. O seminário fortalece o sentimento de comunidade intelectual. Os seminários possuem etapas quanto à sua expressão escrita e uma estrutura específica de apresentação oral. Vejamos:

ETAPAS 1. Introdução 2. Conteúdo 3. Conclusão 4. Bibliografia

ESTRUTURA 1. Introdução 2. Conteúdo 3. Conclusão 4. Bibliografia

A introdução é uma breve exposição do tema central selecionado para a pesquisa. O conteúdo corresponde ao desenvolvimento e deve ser apresentado seguindo uma sequência organizada, tornando claros os objetivos do seminário. A conclusão traz a síntese do seminário e a bibliografia relaciona todos os documentos científicos que foram utilizados e citados.

Quanto à estrutura, vamos saber quem são os participantes da apresentação:

1. O coordenador é o professor que orienta a pesquisa. 2. O relator (ou relatores) expõe os resultados obtidos. Pode ser um só elemento, vários ou todos do grupo, cada um apresentando um aspecto do conteúdo. 3. O comentador pode ser um estudante de outro grupo ou um grupo diferente do responsável pelo seminário. O comentador se compromete em estudar com antecedência o tema para fazer críticas e questionamentos adequados à exposição, antes de iniciar o debate. A figura do comentador só aparece quando o coordenador deseja um aprofundamento crítico dos trabalhos.

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METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO

os debatedores devem participar fazendo perguntas. Nos seminários realizados em grupo pode haver a necessidade de um organizador. levando a um aprofundamento do conteúdo e à construção da aprendizagem. 03) adverte que as informações e legendas devem aparecer em contraste com a cor do papel utilizado. observando o tamanho da fonte para que a leitura não seja comprometida pelos alunos mais afastados da exposição.” 104 PATRÍCIA MOTA SENA . Existem algumas normas que devem pautar as apresentações oral e escrita de um seminário. O debate é o momento mais importante do seminário! Conduz à reflexão. Quando se tratar de imagens ou desenhos. Amorim (2005. tais como cartazes. o seminário segue normas gerais de elaboração dos trabalhos acadêmicos. Quanto à sua apresentação escrita. Depois da exposição e da crítica do comentador (se houver). retroprojeções e projeções de slides. é o debate que “caracteriza o seminário como uma técnica geradora de novas ideias. responsável pela distribuição das tarefas. pedindo esclarecimentos. No entanto. a todos os ouvintes do seminário... enfim. Os debatedores correspondem a todos os alunos da classe. reforçando argumentos ou dando alguma contribuição.]. Adequação da extensão do relato ao tempo disponível. Quanto à apresentação oral. despertando a curiosidade dos participantes. colocando objeções. Como destaca Elisabete de Pádua. Seleção qualitativa e quantitativa do material coletado.4. Para a apresentação oral podem ser utilizados materiais de ilustração. levando a novas indagações sobre o assunto [. os critérios de tamanho e legibilidade das ilustrações devem ser igualmente observados. Exposição clara dos conceitos. proporciona o confronto de opiniões e fomenta a crítica. Ana Paula Amorim (2005. Sequência no discurso explanado e encadeamento das partes. 03) destaca que alguns elementos devem ser respeitados pelos participantes do seminário: • • • • • Domínio do assunto por todos os componentes do grupo.

• Painel Ao contrário do que imaginamos. de maneira informal e dialogada. apresentar o tema e os debatedores aos ouvintes. que realizam o debate sob a coordenação de um moderador. conhecem previamente o texto dos outros expositores e podem apresentar questionamentos aos membros da mesa. organizando a discussão. seguida de uma sessão de perguntas e debates. os participantes também questionam as ideias dos demais. Fundamentadas sobre um tema específico. participam da exposição de três a cinco especialistas em um determinado assunto. Em geral. A palavra retorna ao expositor. o painel é uma atividade de divulgação científica que necessariamente não precisa apresentar cartazes. Após a exposição os demais participantes apresentam os seus comentários críticos. Consiste na reunião de vários interessados que expõem suas ideias sobre determinado assunto. De debate: Além de expressar ideias. • Mesa-Redonda A Mesa-redonda apresenta pontos de vista variados acerca de um mesmo tema. Os participantes conhecem previamente o texto do expositor. Os participantes. A participação é espontânea. Os painéis podem ser: De interrogação: Os participantes responderão questões básicas indicadas pelo professor. no máximo seis. Apresentação de um tema sob pontos de vista diferentes e até mesmo divergentes. A função do moderador é inaugurar os trabalhos. o que possibilita uma troca de ideias e conduz ao conhecimento aprofundado do tema. 105 METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO . que poderá concedê-la à plateia. ele deve coordenar a apresentação de cada um. Além disso.

4 CONTEÚDO 4.2. Ajuda o estudante a solucionar problemas científicos não habituais. Retomando Chizotti. Procedimento: O educador propõe uma situação-problema real ou fictícia. funcionando como exercício de motivação e aplicação dos conhecimentos. p.1. Maria Cecília de Carvalho (2005. METODOLOGIA E ESTRUTURA DOS TRABALHOS ACADÊMICOS III O conhecimento científico se constrói em proporções dinâmicas constantes. seja individualmente ou em grupo. em decorrência das atualizações e próprias da natureza do conhecimento. essas autoras definem o estudo de caso como 106 PATRÍCIA MOTA SENA . requer leitura cuidadosa. Segundo Barros e Lehfeld (2006. esta técnica também pode ser aplicada de modo individual. Para tanto. Aplicação: É importante para avaliação do aproveitamento dos educandos. Além disso. aliando o estudo com a capacidade de intervenção. na busca de uma solução comum ou aceita por todos”. 95). é necessário que o cientista compartilhe dessas mudanças para que possa desenvolver um trabalho de pesquisa pertinente aos assuntos discutidos na área científica à qual pertence. Conforme Ana Paula Amorim (2005. na qual deve ser aplicado o conhecimento teórico já construído. acentuando-se o desenvolvimento da habilidade de decisão pessoal. o pesquisador deve estar atento à participação em eventos de divulgação científica específicos do seu campo de atuação. fazendo uso da investigação. 04). • Estudo de caso O estudo de caso é uma técnica que possibilita a construção do conhecimento em conjunto. Veremos. a expressão “estudo de caso” surgiu no contexto do desenvolvimento de pesquisas médicas e psicológicas para fazer referência à análise detalhada de um caso buscando explicar patologias. 134) aponta algumas características: Objetivos: Desenvolver a capacidade de análise de situações concretas e de síntese de conhecimentos apreendidos. além de conhecimentos e argumentos que permitam convencer os demais membros. conferências e mesasredondas. a seguir. o estudo de caso requer que todos tenham “compreensão clara da questão. esta técnica exercita a capacidade de tomada de decisão uma vez que sempre haverá mais de uma resposta adequada para o problema e será necessário discernir qual a mais adequada. o que são estudos de caso. Entretanto. Neste processo. palestras. Desta forma.

verificando se são claras para você as razões de tal escolha. separe-os deixando de lado aqueles que não têm importância para o caso. elaborando relatórios críticos organizados e avaliados.Identificação do problema: Parte mais delicada do estudo e que pressupõe a clara compreensão do caso e do elemento central do mesmo. . que podem esconder ou distorcer fatos que realmente ocorreram. dando margem a decisões e intervenções sobre o objeto escolhido para a investigação (uma comunidade. . 2006. que se volta à coleta e ao registro de informações sobre um ou vários casos particularizados. uma empresa etc. representado pelo problema a ser resolvido. . que podem ser apontadas como: . 1991 apud BARROS.) (CHIZOTTI. podendo já considerar as opiniões. por escrito. incluindo fatos e opiniões congruentes ou divergentes. Por isso. assim como os elementos subjetivos. intuições.Identificação dos fatos: Deve-se reunir os principais elementos contidos no caso.Leitura cuidadosa do caso: O caso.uma modalidade de estudo nas Ciências Sociais.Avaliação dos fatos: Em função da relevância dos fatos reunidos.Identificação das alternativas de solução para o problema: Não se preocupe em encontrar de imediato uma solução. é claro. 107 METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO .Escolha da alternativa mais adequada: Pressupõe a escolha de uma das alternativas que melhor se aplique à situação. . dos seus possíveis desdobramentos. O Estudo de Caso envolve algumas etapas básicas na solução do problema. uma organização. busque diversas soluções embasadas em fatos. além. p. uma proposta para implantação da alternativa escolhida. . tem nexos com situações do cotidiano. .Implantação: Aponte. sentimentos. LEHFELD. relatando todas as alternativas e seus desdobramentos no presente e no futuro.Respeite suas percepções e sentimentos: Não se deixe levar por preconceitos ou juízos de valor: ouse também considerar algo baseado no seu sentimento para com o caso trabalhado. de modo sistematizado. com base nos elementos envolvidos. os elementos objetivos. 95). nesse momento. habitualmente. importa indicar os fatos de maior e menor importância através de alguma indicação ou sinalização. mas. .

ou seja. como congressos. e para tanto deve estruturar tecnicamente o discurso a ser proferido – ou como 108 PATRÍCIA MOTA SENA . Contudo. ed. pode ser apresentada no contexto de um evento mais abrangente. utilizando em alta escala a observação. Pode ser ainda um documento escrito pelo próprio pesquisado. 2. Nela estão presentes ouvintes que têm interesse em um determinado tema científico ou literário. bem como com outros depoimentos de pessoas ligadas ao sujeito entrevistado. e. A história de vida deve englobar as experiências no percurso de toda uma vida. do presente e das aspirações futuras. p. Deve-se estimular a expressão espontânea e livre do pesquisado”. Mas o que é uma palestra? A palestra é uma exposição oral sobre um tema. se constituir em uma autobiografia com interpretações e ampliações do pesquisador. as histórias de vida devem ser complementadas com outras fontes de pesquisa. Neide Aparecida de S. c) O estudo de caso denominado Histórias de Vida é uma técnica de pesquisa realizada através da avaliação de dados coletados em documentos e depoimentos orais registrados pelo pesquisador ou pelo próprio entrevistado. 95). quando se trata de uma instituição que se deseja examinar.. por ser temática. evidenciando a importância destes estudos e experiências. o pesquisador pode participar de duas maneiras. nestas ocasiões. b) Observacionais ligados à pesquisa qualitativa e participante. BARROS. São Paulo: Pearson Makron Books. Fundamentos de metodologia científica: um guia para a iniciação científica. O palestrante desenvolve sua apresentação de modo metódico e estruturado sem aprofundar. • Palestra Estamos habituados a assistir palestras inseridas em eventos de maior abrangência ou em locais onde elas ocorrem isoladamente. mas de forma objetiva e clara. o pesquisador pode participar da palestra como “palestrante – de modo a colocar em discussão suas ideias. A palestra. seja do passado. simpósios e encontros científicos.TIPOS DE ESTUDO DE CASO Os estudos de caso podem ser: “a) Históricos organizacionais. LEHFELD. 159). Aidil Jesus da S. pois o objetivo maior da palestra é a troca de conhecimentos. Conforme salienta Parra Filho e Santos (1998. 2006 (p.

• Conferência Modalidade de comunicação oral que ocorre na comunidade científica São apresentações mais curtas que as palestras. • Exposição oral mais breve que a palestra. 1994). Difusão científica refere-se a 'todo e qualquer processo usado para a comunicação da informação científica e tecnológica' (BUENO. Boa leitura! “A DIVULGAÇÃO CIENTÍFICA Popularização da ciência ou divulgação científica (termo mais frequentemente utilizado na literatura) pode ser definida como 'o uso de processos e recursos técnicos para a comunicação da informação científica e tecnológica ao público em geral' (BUENO.. Leia atentamente e reflita sobre a importância da Metodologia como instrumento de divulgação e significação de conhecimento. estudando o tema. divulgação supõe a tradução de uma linguagem especializada para uma leiga.. da professora e pesquisadora Sarita Albagli (UFRJ). que lança questionamentos ao conferencista para que ele possa esclarecer pontos que não ficaram claros. realizada por um especialista na área. Foram feitas algumas adaptações. Pode limitar-se à exposição de ideias do expositor. 1994). para conseguir um bom aproveitamento”. Possui. visando a atingir um público mais amplo. O texto a seguir foi extraído do artigo intitulado “Divulgação científica: informação científica para a cidadania?”. a difusão científica pode ser orientada tanto para especialistas (neste caso. poderá ser reservado um tempo para indagações dos participantes. Uma exposição oral individual. Divulgação científica é um conceito mais restrito do que difusão científica e um conceito mais amplo do que comunicação científica. Ou seja. a duração de uma hora. É uma exposição científica sobre um tema. é sinônimo de disseminação científica). Nesse sentido. e neste caso deve se preparar. quanto para o público leigo em geral (aqui tem o mesmo significado de divulgação). Pode ou não permitir a participação da plateia. mas isso não é uma regra. na qual o palestrante deve informar. A PALESTRA É.ouvinte. Já comunicação da ciência e tecnologia sig- 109 METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO . • Ao final. em média. esclarecer e divulgar um tema relacionado ao seu trabalho.

Trata-se de transmitir informação científica que instrumentalize os atores a intervir melhor no processo decisório. Trata-se. tais como (ANANDAKRISHNAN.nifica 'comunicação de informação científica e tecnológica. O papel da divulgação científica vem evoluindo ao longo do tempo. ou seja. ALBAGLI. transcrita em códigos especializados. divulgação científica podese confundir com educação científica. Esse conjunto de conceitos e definições. econômicas e ambientais associadas ao desenvolvimento científico e tecnológico. 2009 110 PATRÍCIA MOTA SENA . acompanhando o próprio desenvolvimento da ciência e tecnologia. quanto com um caráter cultural. no debate relativo às alternativas energéticas). isto é.php/ciinf/article/view/465/424>. trata-se de transmitir informação científica tanto com um caráter prático.Educacional. ampliação da possibilidade e da qualidade de participação da sociedade na formulação de políticas públicas e na escolha de opções tecnológicas (por exemplo. com o objetivo de esclarecer os indivíduos sobre o desvendamento e a solução de problemas relacionados a fenômenos já cientificamente estudados.Cívico. Acesso em: 08 ago. políticos e ideológicos.ibict. quer dizer.Mobilização popular. a ampliação do conhecimento e da compreensão do público leigo a respeito do processo científico e sua lógica. portanto. Divulgação científica: informação científica para a cidadania? Disponível em: < http://revista.br/index. Pode estar orientada para diferentes objetivos. particularmente em áreas críticas do processo de tomada de decisões. agentes formuladores de políticas públicas e até os próprios cientistas e tecnólogos”. para um público seleto formado de especialistas' (BUENO. o desenvolvimento de uma opinião pública informada sobre os impactos do desenvolvimento científico e tecnológico sobre a sociedade. variam também os públicos-alvo dessas atividades. 1985): . Neste caso. enfatizando ora aspectos educacionais. populações letradas e iletradas. . visando a estimular-lhes a curiosidade científica enquanto atributo humano. 1994). proporciona uma ideia das amplas possibilidades das atividades de divulgação científica. sejam estudantes. de transmitir informação científica voltada para a ampliação da consciência do cidadão a respeito de questões sociais. Dependendo da ênfase em cada um desses aspectos e objetivos. Sarita. ora culturais. Nesse caso. .

MAPA CONCEITUAL 111 METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO .

que você tivesse conduzido com sucesso seu estudo de caso). Parta do princípio de que você pudesse responder de fato a essas questões com evidências suficientes (ou seja. 37) propõe alguns exercícios bastante interessantes para a inicialização do estudante das Ciências Sociais Aplicadas na prática do estudo de caso. Sugerimos que você escolha um assunto relacionado à Educação. talvez devesse pensar em redefinir as questões principais de seu caso). Determine um tema que você acredite que valha a pena pesquisar em um estudo de caso. no seu livro Estudo de Caso: Planejamento e métodos (2007.ESTUDO DE CASO Robert Yin. identifique as três questões principais a que seu estudo de caso tentaria responder. ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ 112 PATRÍCIA MOTA SENA . Vamos lá? O exercício será definir questões significativas para um estudo de caso. Como você justificaria a um colega a importância de suas descobertas? Teria dado continuidade a alguma teoria especial? Teria descoberto algum aspecto raro. p. Agora. Pode ser algum aspecto de uma situação que você saiba que acontece nas escolas. Vale a pena tentar responder a um deles. inédito? (Se você não está satisfeito com suas respostas.

sustentar argumentações e. precisam vir acompanhadas da referência. mesmo as citações diretas de até três linhas. d) O comentário da Mafalda em relação aos direitos autorais das frases também se aplica aos textos citados da internet que. em seguida. independente de terem registro ou não. pois todos os pesquisadores já conhecem. deixa de exigir que seja feita a referência.EXERCÍCIOS PROPOSTOS QUESTÃO 01 Associe a leitura do texto a seguir à utilização das citações em textos acadêmicos e. c) As produções acadêmicas que utilizam citações estão isentas de mencionar a referência do texto original porque são trabalhos de circulação limitada. 113 METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO . quando utilizado como citação por vários pesquisadores. b) As citações servem para justificar ideias. retirados de um artigo científico (vide referência a seguir) e associe-os às das funções dos trabalhos acadêmicos indicadas na coluna da direita. o que não é o caso das frases mencionadas por Mafalda. assinale a alternativa correta: a) O fragmento de um texto. que podem estar presentes no corpo do texto. podem ser citados sem mencionar a referência do site consultado. QUESTÃO 02 Analise os fragmentos de texto na coluna da esquerda.

. WILLIAMS. coletar informações. as técnicas de pesquisa e redação.I. Gregory G. ou seja. de fato. entre a gestão do conhecimento e os processos de comunicação científica.” ( ) A elaboração de um trabalho científico deve permitir a reprodução da pesquisa comunicada e a avaliação dos métodos e resultados. investigar a relação.. 36. N. 1. “O objetivo foi. [. experimentais ou teóricas.” (BOOTH. A arte da pesquisa.. V. COSTA. afinal. 3).” III. 2007..] no início da criação de um novo conhecimento. é: a) I – III – II b) I – II – III c) III – II – I d) II – I – III QUESTÃO 03 “A longo prazo. FERNANDO CÉSAR LIMA. Wayne C. COLOMB. de cima para baixo. não podem ser publicados repetidamente. P. e contribuir para a ampliação do conhecimento. Com base na citação acima e nos conhecimentos. CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO. capacitarão o pesquisador para trabalhar por conta própria mais tarde. p. tendo em vista as peculiaridades do contexto acadêmico e do conhecimento científico. A sequência correta encontrada. os estudos ou os modelos de gestão do conhecimento que. ( ) Os trabalhos científicos apresentam resultados de pesquisas observacionais. SELY MARIA DE SOUZA. assinale a alternativa que relaciona corretamente a modalidade e a habilidade mais exigidas do pesquisador na formulação de trabalhos acadêmicos: 114 PATRÍCIA MOTA SENA . “[.] parecem ser poucas as iniciativas. uma vez assimiladas. “Especificamente em relação ao ambiente acadêmico. o esforço de um pesquisador parte daquilo que foi construído anteriormente por outros pesquisadores. pois. GESTÃO DO CONHECIMENTO CIENTÍFICO: PROPOSTA DE UM MODELO CONCEITUAL COM BASE EM PROCESSOS DE COMUNICAÇÃO CIENTÍFICA. 2005. organizá-las de modo coerente e apresentálas de maneira confiável são habilidades indispensáveis. Joseph M. ( ) Os trabalhos científicos devem ser inéditos... FONTE: LEITE. São Paulo: Martins Fontes.” II. consideram as suas particularidades. 92-107. em nível conceitual. numa época apropriadamente chamada de ‘Era da Informação’. portanto.

115 METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO . Rogério. o pesquisador precisará de estratégias de argumentação e apresentação para que consiga constituir um consenso em torno do assunto apresentado. para verificarem se as alterações não comprometiam as informações técnicas” (LACAZ-RUIZ. a saber: i) enviava todo material a um romancista para tornar a linguagem mais fácil e ii) devolvia o material aos autores. mesmo que. pois o organizador atendeu ao planejamento lógico da apresentação que independe da precisão da linguagem e dos instrumentos intelectuais que o leitor possui para compreendê-lo. Da leitura do tratado. para isso. QUESTÃO 04 “Quando foi diagnosticada uma doença grave em um amigo.a) Nos seminários. sem que seja apresentada uma conclusão que possa ser contestada pelo leitor. evitando maiores discussões. O médico que nos emprestou o livro fez um comentário interessante. pudemos extrair todas as informações necessárias. exige-se do pesquisador grande habilidade para resolver problemas e discernimento para propor soluções baseadas no levantamento e análise das informações relevantes para o caso em questão. Disponível em: http://www. b) Nos estudos de caso. recorremos a um manual médico para saber mais sobre a doença. associada às características da redação científica. em inglês. evitando expandir a análise para além do trabalho enfocado.br/vidlib2/Notas.htm. sem praticamente recorrer ao dicionário. O texto estava completo e sua leitura agradável.hottopos. Disse que o organizador convidava especialistas para que escrevessem os capítulos de sua área e antes de fazer a arte final seguia dois protocolos obrigatórios. o pesquisador precisará aprimorar sua linguagem para estruturar um texto detalhado em que o assunto é colocado para reflexão. comprometa a objetividade na apresentação dos conteúdos.com. permite afirmar: a) A leitura do tratado foi de fácil compreensão. Notas e reflexões sobre redação científica. Acesso em: 11 jul. c) No artigo científico. d) A habilidade mais importante na elaboração de resenhas é a capacidade de síntese. pois o pesquisador necessitará apresentar informações de maneira objetiva e breve. b) A linguagem científica deve despertar no leitor imagens e sensações que o façam compreender melhor as informações. A leitura da citação acima. 2006).

como um todo. III. quer seja ele considerado do ponto de vista de sua produção.. a expressão “cultura científica” se refere a um conjunto de conhecimentos que caracterizam uma época como resultado de sua produção tecnológica e de suas necessidades como um fenômeno específico daquela conjuntura. Acesso em: 12 Ago. O significado de cultura científica está atrelado à percepção tanto do processo de comunicação científica dentro da academia quanto à divulgação da ciência para a população. Disponível em: http://www. é correto afirmar: I. apenas. a ideia de que o processo que envolve o desenvolvimento científico é um processo cultural. que se reflete na transformação material da vida em sociedade e na dinâmica de sua comunicação. IV. A expressão “desenvolvimento científico” aparece no texto com o objetivo de explicitar uma concepção evolucionista de ciência.comciencia. capazes de expressar o domínio da técnica. QUESTÃO 05 “[. para proporcionar a compreensão das ideias por parte do leitor. da qual o ensino e a educação assumem papel fundamental.] a expressão cultura científica tem a vantagem de englobar [. envolvendo referenciais culturais compartilhados pela sociedade no âmbito de suas necessidades e de sua formação e atuação críticas. estão corretas. para o estabelecimento das relações críticas necessárias entre o cidadão e os valores culturais. (VOGT. A Espiral da cultura científica.c) A clareza da expressão deve refletir a clareza do pensamento.. cultura e cidadania e justificando a importância da comunicação científica nesse processo. tornando lineares as ideias de tempo.. na qual a humanidade caminha rumo ao progresso científico. de seu tempo e de sua história”.br/reportagens/cultura/cultura01. II. O texto considera a dimensão histórica do conhecimento científico. Carlos.] em seu campo de significações. a) I e II b) II e IV c) II e III d)I. de sua difusão entre pares ou na dinâmica social do ensino e da educação. ou ainda do ponto de vista de sua divulgação na sociedade.. II e III . Das proposições acima. 2008). A partir da leitura do texto e do tema comunicação científica.shtml. admitindo a construção de parágrafos longos e frases complexas. resultando na construção de um texto com frases escritas na ordem direta. d) A redação científica deve privilegiar a forma literária de escrever.

é sistemático. e representa o principal objeto de nossa curiosidade.2. culturais e nos aspectos naturais. sujeitos cognoscentes. Esses resultados são frequentemente vinculados a uma pseudoinfalibilidade da ciência e a realização da pesquisa científica é atrelada a profissionais especializados que possuem capacidades diferenciadas para ler a realidade. Trata-se de um processo que é reflexivo. então. podemos inferir que existem diversos aspectos da realidade que despertam o nosso interesse em compreendê-los e desvendá-los. Dessa maneira.2 TEMA 4. diversa nas relações sociais. é controlado. A partir dessa imensidão de objetos do nosso conhecimento. uma vez que se organiza de acordo com um sistema de pensamento e ação. Novas descobertas estão sendo constantemente objetos de informação. é possível pensar em critérios científicos responsáveis por guiar a pesquisa. muitas vezes ouvimos notícias a respeito de pesquisas realizadas no âmbito científico. visão de mundo e das relações. Como vimos no Capítulo 1. políticas. A PESQUISA CIENTÍFICA E SUAS FASES 2. será que só existe pesquisa científica? Onde e quando devemos começar a pesquisar? Qualquer um de nós pode realizar pesquisas? De que forma? O QUE É PESQUISA. tendo em vista que consiste na observação de características específicas de um fenômeno em um dado contexto.1 CONTEÚDO 1. a realidade é o mundo exterior a nós mesmos. Estamos falando. da pesquisa científica. Tais aspectos constituem objetos de investigação e pesquisa.2. biológicos. sendo veiculadas pelos mais diversos meios de comunicação. acabam por influenciar na mudança de hábitos e contribuem também para alterações em formas de comportamento. e crítico 117 METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO . que integram a realidade em que vivemos. AFINAL? Se tomarmos como ponto de partida para entender o conceito de pesquisa aquelas discussões sobre o ser humano e o conhecimento. Mas a realidade é múltipla. opinião. pois avalia a todo o momento sua própria realização. CONCEITO. FINALIDADES E REQUISITOS DA PESQUISA CIENTÍFICA Em nosso cotidiano. O que você pensa sobre isto? Será que a pesquisa científica é reservada apenas a indivíduos com habilidades e capacidades especiais? E a pesquisa. físicos e químicos que permeiam a interação entre os seres humanos e a natureza.

4. c) criatividade. São Paulo: Atlas. analisa. Esta atividade deve ser realizada com rigor e critério. o levantamento de hipóteses para indicar as possibilidades de solução para o problema. está relacionada à necessidade de obter respostas para um problema específico. h) perseverança e paciência. teóricos e as implicações de suas ações na interpretação dos resultados (ANDER-EGG 1978:28 apud MARCONI. Desta forma. GIL. a atividade de pesquisa. a pesquisa não se conforma com as aparências. Entretanto. Antônio C. a formulação e delimitação do problema/questão para o qual se pretende buscar uma (ou várias) resposta(s). Mas que habilidades são essas e onde elas são construídas? • A Pesquisa na Graduação É no Ensino Superior que o estudante deve iniciar seu contato com a pesquisa e com os pressupostos metodológicos exigidos em uma investigação científica. LAKATOS 2003). por ser um “ato dinâmico de questionamento. mas pergunta o porquê.porque pressupõe o conhecimento dos fundamentos lógicos. explica. ed. f) sensibilidade social. e) atitude autocorretiva. LEHFELD. QUALIDADES PESSOAIS DO PESQUISADOR O êxito de uma pesquisa depende fundamentalmente de certas qualidades intelectuais e sociais do pesquisador. b) curiosidade. entre as quais estão: a) conhecimento do assunto a ser pesquisado. examina. i) confiança na experiência”. Como elaborar projetos de pesquisa. p. especialmente na disci- 118 PATRÍCIA MOTA SENA . Como alguns de seus principais elementos encontram-se: a seleção do assunto que se deseja investigar. 2000. indagação e aprofundamento” (BARROS. d) integridade intelectual. aprofundando o entendimento da realidade ao estabelecer relações mais profundas. As qualidades mencionadas por Antônio Carlos Gil são características que os pesquisadores devem possuir. g) imaginação disciplinada. a coleta e análise de dados e a elaboração de um documento científico capaz de comunicar os resultados da pesquisa realizada. interpreta. desenvolvendo capacidades já existentes e construindo habilidades para gerir uma investigação. 2006. 67).

Ambos. O Plano Nacional de Educação (PNE) compreende que a pesquisa é fundamental tanto para as universidades. p. 48). Ruiz (2008. mas também se habilitam a reconstituir. mas nos propósitos. integrando os processos de ensino e aprendizagem capazes de habilitar o estudante a prosseguir seus estudos trilhando os caminhos do conhecimento científico já construído. no entanto. porém. vamos conhecer as principais características do método científico.. Os estudantes trabalham cientificamente quando realizam pesquisas dentro dos princípios estabelecidos pela metodologia científica. um cientista com práticas e reflexões amadurecidas. p. inclusive com a participação de alunos no desenvolvimento da pesquisa (PNE. a pesquisa não deve ser realizada apenas pelos cientistas já constituídos. a refazer as diversas etapas do caminho percorrido pelos cientistas. como vimos no primeiro capítulo. Como alerta João Álvaro Ruiz. 2008. pesquisa e extensão que a caracteriza. Ainda compartilhando das análises de João Ruiz. esta disciplina contribui para a inserção do estudante nos códigos da academia. Dessa maneira. integrado a um universo de outros pesquisadores igualmente experientes. podemos afirmar que a pesquisa na graduação possui caráter didático-pedagógico. p. Os cientistas já estão trabalhando com o intuito de promover o avanço da ciência para a Humanidade.. 119 METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO . 49) nos apresenta uma distinção bastante pertinente quanto a esse aspecto: A diferença entre os trabalhos de pesquisa dos cientistas e dos estudantes universitários não deveria residir no método.. o PNE afirma a necessidade de [. Cabe ressaltar que o estudante do Ensino Superior não seria..] incentivar a generalização da prática da pesquisa como elemento integrante e modernizador dos processos de ensino-aprendizagem em toda a educação superior. Para que isso seja feito com êxito.] saber o que é uma pesquisa científica e habilitar-se a aplicar seus conhecimentos sobre metodologia na realização de pesquisas que gradualmente lhe serão solicitadas durante o curso são condições indispensáveis a quem se propõe conduzir com eficiência seus estudos (RUIZ. mas sujeitos capacitados para seguir os caminhos de um conhecimento científico estabelecido e construído ao longo da história da humanidade. [. os estudantes universitários ainda estão trabalhando para o crescimento de sua ciência. pois. quanto para os demais centros de ensino superior. 2001. 68). devem trabalhar cientificamente. Como objetivo do Ensino Superior. habilitando-se para trabalhar de acordo com os critérios da ciência.plina de Metodologia. quando adquirem a capacidade não só de conhecer as conclusões que lhes foram transmitidas. pois possibilita a união entre ensino.

a partida é sempre interrompida quando a bola sai dos limites traçados no campo). Mas ao longo da partida. ele provavelmente formularia algumas hipóteses sobre o jogo: “será que o objetivo é enviar a bola o mais distante possível?”. Mas o que é o Método Científico? Podemos dizer que é um conjunto de critérios definidos pela comunidade científica. interessado em conhecer nossos costumes. destinado à busca de explicações e à construção de conhecimento.2.2 CONTEÚDO 2. as ilusões dos sentidos. e muito intrigado ao ver como alguns jogadores ficam tão sensíveis quando ela se aproxima demais daquelas redes localizadas nas extremidades do campo. Certamente no início da partida o ET ficaria bastante confuso. percebendo que alguns lances se repetem e têm sempre o mesmo desfecho (por exemplo. “ou talvez o objetivo seja 120 PATRÍCIA MOTA SENA . ele talvez pensasse após assistir um infeliz chute de fora da área. vendo todas aquelas pessoas correndo atrás de uma bola. a superficialidade da aparência dos fatos. Leia atentamente o texto a seguir para que possamos refletir um pouco mais sobre isso: ENTENDENDO O MUNDO COMO UMA PARTIDA DE FUTEBOL Vamos nos permitir alguma liberdade criativa e imaginar que um alienígena recém chegado à Terra. É por isso que todos que querem estudar e fazer ciência precisam conhecer os métodos específicos da investigação científica: eles representam o percurso a ser seguido nessa viagem rumo à construção do saber. a ciência necessita de critérios precisos que sejam capazes de perceber criticamente os preconceitos.2. PESQUISA CIENTÍFICA E MÉTODO Na tentativa de compreender a realidade. A compreensão do significado do método fica um pouco mais complexa se tomarmos como referencia a pesquisa em ciências humanas. decide ir ao Maracanã assistir a uma partida de futebol.

'Entender a natureza é como aprender a jogar xadrez somente assistindo à partida'. 1999. no campo do humano. ainda que nossa metáfora seja didática. No início do século XX. No entanto. mas participamos dela. por outro lado. com graus de complexidade distintos. Até então. Pois nós somos como este alienígena. 31). não somos meros espectadores da natureza.matar o humanóide que carrega a bola”. Esse procedimento é realizado com a esperança de determinar. a percepção de que se tratava de objetos de naturezas diferenciadas. principalmente. em seguida. DIONNE. para que se possa determinar sua ou suas causas. tomando uma medida precisa das modificações causadas pela experimentação. Porém. o visitante extraterrestre fosse capaz de compreender a maior parte das regras do nosso futebol. podemos interagir com ela realizando experimentos [. nas palavras do físico Richard Feynmann. REIS. Método científico. p. fatos que. org/ ferramentas_metodo_2. Pois nela o ET assiste passivamente ao desenrolar dos lances na partida e propõe hipóteses que somente tem como verificar esperando que se repitam.. daí tirar explicações tão gerais quanto possível.. da natureza do objeto de estudo.html>. os métodos de investigação eram orientados pela perspectiva positivista. fatos que começam a ser observados tais quais. Disponível em: <http://www. Widson Porto. as leis naturais que o regem (LAVILLE.] que os fatos humanos são como os da natureza. devem ser submetidos à experimentação. Estamos imersos no grande “jogo” da natureza tentando entender suas “regras”: será que tudo o que sobe desce? Por que as coisas têm cor? Será que a posição que os corpos celestes ocupavam no instante de nosso nascimento pode afetar nossa personalidade? Em outras palavras.]. A produção científica do século XIX entendia a construção da ciência a partir da abordagem positivista. que supunha [. acreditando que ela poderia ser aplicada com sucesso a todos os objetos de conhecimento. Acesso em 20 ago.projetoockham. ou melhor. É quase certo que após algum tempo observando a partida e depois de vários palpites errados. ela não é completa. Os métodos empregados variam entre as ciências em função. fossem naturais ou sociais/humanos. Os cientistas sociais buscaram uma metodologia diferente para as ciências humanas. 2009. pensaria ao ver um zagueiro aplicando uma tesoura na altura do pescoço de um outro jogador. sem ideias pré-concebidas.. depois. Nós.. 121 METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO . os cientistas começaram a questionar se o método de investigação utilizado pelas ciências naturais e físicas deveria continuar sendo aplicado no entendimento de fenômenos sociais. não tardou a acontecer. Mas nem sempre foi assim.

esboça-se um caminho que se caracteriza pela definição de um problema. permaneceu ativo até a década de 1980 e ainda hoje se reflete. [. Caberá ao pesquisador testar as suas hipóteses e conservar aquela que ele pensa ser mais adequada para a compreensão do problema. veremos mais adiante. Grifos da autora). o que impossibilita o estabelecimento de leis gerais. Importa saber que as ciências em geral se distanciaram da perspectiva positivista e construíram uma orientação que representa o seu principal método de construção de conhecimento: o método hipotéticodedutivo. Ao definir este problema. pois o ser humano é sujeito. como a concentração em um problema. comumente aplicadas nos estudos da física ou da biologia. Sobre isso. a prioridade das ciências sociais deveria se voltar para a compreensão dos significados das ações dos sujeitos e dos significados que eles atribuem às suas próprias ações. 1999. o que faz suas ações serem imprevisíveis e impossíveis de se encaixar em leis gerais que sirvam para compreendê-las. que busca conhecer a partir da interpretação dos significados de um texto. o pesquisador já pode divulgá-la para a comunidade científica. Desta forma. por exemplo. por que sua hipótese é legítima e o procedimento de verificação empregado justificado. nas discussões sobre objetividade/subjetividade e nos debates sobre pesquisa qualitativa/pesquisa quantitativa.. Essa operação de objetivação. como as percebeu. verificação da(s) hipótese(s) e conclusão. está hoje no centro do método científico (LAVILLE.considerando a dinâmica das relações e dos fenômenos que envolvem o comportamento dos seres humanos. O debate acerca da metodologia mais adequada para os diversos objetos de pesquisa. opiniões e capacidade de agir de maneira autônoma. o pesquisador precisa delimitar e estabelecer uma questão que lhe inquieta. Com base nessas especificidades. que pode ser entendido como a própria realidade. Desse modo. 46. Em linhas gerais.. cada um poderá julgar os saberes produzidos e sua credibilidade. o problema que ele deseja solucionar. é necessário colocar essas ações dentro de um contexto de relações. Para tanto. DIONNE. Ao definir um objeto de investigação. considerar que a natureza humana é diferente. fossem eles de natureza física ou social. levantamento de hipótese(s). houve uma valorização da abordagem metodológica pautada na hermenêutica. p. Confira o quadro a seguir: 122 PATRÍCIA MOTA SENA .] dirá quais são as delimitações do problema. Quando considerar a explicação obtida por meio da hipótese como satisfatória e válida. possui valores. Para isso. o pesquisador levanta possíveis respostas ou explicações lógicas capazes de fornecer uma solução para o questionamento inicial: as hipóteses. isto é.

APUD LAVILLE.FONTE: INSPIRADO EM BARRY BEYER. 47. Vamos praticar? Agora que você já possui noções gerais de como funciona o método hipotéticodedutivo. COLUMBUS (OHIO): CHARLES E. DIONNE. TEACHING IN SOCIAL STUDIES. 1979. 1999. P. P. 123 METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO . levante algumas hipóteses que podem funcionar como respostas possíveis para a solução do problema levantado. que tal escolher um tema do seu cotidiano para formular um problema? A partir da elaboração de uma questão do seu dia a dia. 43. MERRIL.

29.• Fases da Pesquisa Científica Um primeiro conceito de ciência diz que ela se identifica com um conjunto de procedimentos que permite a distinção entre aparência e essência dos fenômenos perceptíveis pela inteligência humana. 7ª ed. 4. 6. Seleção do tema da pesquisa. pesquisar. 1. 2005. Formulação do problema. Comunicação dos resultados. São Paulo: Atlas. Delimitação da pesquisa. As peculiaridades de seu método diferenciam a ciência das muitas formas de conhecimento humano. 8. Ao selecionar o tema. resenhas. E uma de suas particularidades é aceitar que nada é eternamente verdadeiro. 2. Redação científica: a prática de fichamentos. João Bosco. Interpretação dos dados. Levantamento de dados. 1 – Seleção do Tema O tema da pesquisa é o assunto que se deseja estudar. compreender. MEDEIROS. 5. Construção de hipóteses. Organização dos recursos. 7. p. 9. Definição dos Métodos. Sistematização e análise de dados. 10. 3. a relevância teórica e/ou prática do assunto para o grupo ao qual pertence o pesqui- 124 PATRÍCIA MOTA SENA . Coleta de dados. O dogma não encontra na ciência lugar nenhum. resumos. o pesquisador deve se perguntar: O que será explorado? A escolha do tema deve levar em consideração a formação intelectual do pesquisador. a afinidade pessoal com o assunto. 11.

b) encontrar um objeto que mereça ser investigado cientificamente e tenha condições de ser formulado e delimitado em função da pesquisa. Para Marconi e Lakatos (2009. 125 METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO . algo que não é dado. 2 – Levantamento de Dados A fase de levantamento de dados serve de subsídio para a etapa seguinte. Além disso. o dado não é uma informação que está pronta. Escolher o tema significa: a) selecionar um assunto de acordo com as inclinações. os dados são esclarecimentos.sador e a existência de material e bibliografia sobre o assunto. informações sobre uma situação. Levantar dados sobre o assunto é buscar informações em documentos e na bibliografia já publicada sobre o tema. a matéria de base que permite construir a demonstração. Para os pesquisadores. as possibilidades. p. na verdade. os dados constituem um dos ingredientes que fundamentam a pesquisa. ele designa. que é a delimitação do problema da pesquisa. deve analisar questões como recursos materiais. busca que demanda esforços e precauções. Contrariamente ao que poderia fazer crer a definição do Dicionário Aurélio transcrita [elemento ou quantidade conhecida que serve de base à resolução de um problema]. Porém. um fenômeno. 160). conhecendo as discussões a respeito do assunto escolhido. A verificação da hipótese apoia-se sobre tais informações. as aptidões e as tendências de quem se propõe a elaborar um trabalho científico. ao contrário da denominação. nesse sentido. que não é evidente. mas que é preciso ir procurar com o auxílio de técnicas e de instrumentos. financeiros para a execução da investigação e o tempo que será dedicado ao estudo. É necessário investigar aplicando esforços específicos fornecidos pelo método científico. um acontecimento. “dada”. O QUE É UM DADO? O termo revela-se um pouco enganador.

As fontes primárias são materiais que ainda não foram utilizados como objeto de análise ou documentos que já receberam tratamento analítico. Pesquisa documental: Embora pareça com a pesquisa bibliográfica. senão de grande parte. 3 – Formulação do problema A formulação do problema implica na definição de uma dificuldade na compreensão do tema escolhido para a qual será encontrada uma solução. quanto maior for a delimitação da questão proposta. 161) alerta para a complexidade que envolve a proposição do problema. que depende dos objetivos e implica na abrangência da pesquisa: se o problema for abrangente. Enquanto a pesquisa bibliográfica se caracteriza pela busca de fontes secundárias. 132) O levantamento de dados pode ser feito de duas maneiras: por meio de pesquisa bibliográfica e de pesquisa documental. a partir do conhecimento de todo.(LAVILLE. documentos que foram produzidos no momento em que os fatos/fenômenos se desenrolaram. LAKATOS. de tudo o que já foi escrito acerca do seu tema de investigação. pois ela contribui para que o pesquisador construa um domínio sobre o tema. 2009. de documentos científicos produzidos por autores como resultado de seus estudos. O problema deve ser formulado de maneira interrogativa ou na forma de uma questão clara. pois dela dependerá o sucesso das etapas seguintes: um problema de pesquisa formulado adequadamente confere segurança ao pesquisador para o levantamento dos caminhos que serão percorridos na busca das possíveis soluções e/ou respostas. a pesquisa documental se diferencia pela natureza das fontes pesquisadas. Assim. Desenvolve-se a partir da busca de todo material já elaborado que trate do mesmo tema. Pesquisa bibliográfica: Busca o reconhecimento da área de pesquisa na qual está incluído o tema selecionado. Essas fontes são chamadas de fontes secundárias. ou seja. isto é. especialmente de livros. mais tranquila será a condução da investigação. a pesquisa documental investiga as fontes primárias. difícil de ser executada. 1999. conferindo-lhes uma abordagem distinta. artigos científicos e textos. DIONNE. concisa e objetiva. Marinho (apud MARCONI. a pesquisa será mais complexa. p. mas que podem ser usadas em novas investigações. A FORMULAÇÃO DO PROBLEMA CONSIDERA: 1. Viabilidade 126 PATRÍCIA MOTA SENA . p. Esta fase é uma das mais importantes. A pesquisa bibliográfica é pré-requisito para pesquisas em qualquer área.

A soma dos conhecimentos assim obtidos lhe permite desenvolver progressivamente um conhecimento integrado sobre o conjunto da questão. ele pode construir um conhecimento mais geral. Exeqüibilidade 5.2. 86) 4 – Construção de hipóteses 127 METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO . preocupa-se de modo global. DIONNE. dizer que tal ou tal pesquisador estuda tal ou tal tema de pesquisa – o nacionalismo no Quebec. com isso. por exemplo. um pesquisador que trabalhe com o problema ou o tema geral da evasão escolar poderá estudar a cada vez diversos problemas específicos relativos à evasão escolar. mas quotidianamente. Novidade 4. por exemplo. por sua vez. 1999. muitas vezes no quadro de um programa de pesquisa. Um pesquisador menos experiente vai se dedicar. é sobre um problema específico que se debruça. É que o pesquisador profissional já circunscreveu. o populismo no Brasil. Desse modo. Relevância 3. no decorrer de sua prática. (LAVILLE. ao invés de se falar sobre o problema preciso sobre o qual trabalha. p. um conjunto de problemas que se inscrevem em um mesmo tema de pesquisa. a problemas bem delimitados e de amplitude mais restrita. ou ainda o desenvolvimento intelectual do adolescente –. Oportunidade TEMA E PROBLEMA Ouve-se. Ele. por vezes.

128 PATRÍCIA MOTA SENA . Tais limites são estabelecidos de acordo com critérios que o pesquisador considerar mais adequados à investigação. indicando o que deve ser feito para resolver o questionamento proposto. político. pois ela consiste na [. dentre outros. Correta ou errada. 5 – Delimitação da pesquisa Para Marconi e Lakatos (2009. guiando a consecução das etapas seguintes. de acordo ou contrária ao senso comum. p. tendo como pressuposto o arcabouço teórico e o conhecimento de outras pesquisas já realizadas sobre o tema. 163).As hipóteses são as possíveis soluções ou respostas para o problema da pesquisa. também pode se delimitar por um recorte cronológico. A pesquisa pode ser delimitada quanto ao assunto. 164). As hipóteses precisam ser enunciadas de maneira clara.. construídas com embasamento teórico e conhecimento do tema da pesquisa. p. “delimitar a pesquisa é estabelecer limites para a investigação”. 2009. a hipótese sempre conduz a uma verificação empírica (MARCONI. econômico. desde que tal escolha seja justificada. caracterizado como hipotético-dedutivo. A construção dessas hipóteses auxilia no direcionamento da investigação. O método em ciências humanas.. geográfico. propondo explicações de maneira fundamentada para que possa orientar a busca por mais dados relativos ao tema. LAKATOS.] suposição que antecede a constatação dos fatos e tem como característica uma formulação provisória: deve ser testada para determinar sua validade. concentra na elaboração das hipóteses seu elemento central.

É uma fase que exige paciência por parte do pesquisador e cuidado no registro dos dados obtidos. É o momento de organizar os materiais que fazem parte dos processos de investigação. Isso deve ser feito tendo em vista cumprir os prazos estipulados e o cronograma de atividades definido no planejamento da investigação para que haja melhor aproveitamento dos esforços e do tempo e recursos disponíveis. tendo em vista o problema em questão. sistematizando os dados obtidos de processos estatísticos criando uma representação gráfica ou diagramática. 7 – Organização dos Recursos Esta é uma etapa fundamental da pesquisa que pressupõe planejamento e estratégia. questionários. depois de coletados. Para Marconi e Lakatos (2009. formulários. levando em conta o tema da investigação e as técnicas de pesquisa selecionadas. Dessa maneira. tais como anotações de leitura da bibliografia pertinente. 169). será possível registrar apenas as informações pertinentes. LAKATOS.6 – Definição dos métodos A seleção dos métodos e das técnicas aplicadas deve ser feita de acordo com a natureza do objeto ou com questões de ordem prática. tais como recursos materiais e humanos envolvidos na pesquisa. o pesquisador pode organizar um arquivo. que pode ser também digital. formulários que são aplicados no decorrer da pesquisa. contendo os materiais da pesquisa e o seu acervo bibliográfico. com resumos de leituras. fichários. a observação. 8 – Coleta de dados Já vimos que os dados de uma pesquisa devem ser procurados pelo pesquisador. dentre outros. Já a tabulação consiste na organização dos dados em tabelas. precisam ser organizados e classificados sistematicamente. medidas de opiniões e atitudes. evitando o acúmulo de dados imprecisos sem vinculação com o tema estudado. é necessário avaliar criticamente os dados coletados. entrevistas. Inicialmente. testes e histórias de vida. criando categorias e atribuindo códigos ou inscrições. A sistematização dos dados selecionados pode ocorrer por meio de codificação ou tabulação (MARCONI. Na codificação agrupam-se os dados que se relacionam. Os métodos e as técnicas são utilizados para coletar dados da pesquisa. questionários. roteiros de entrevistas. p. algumas das técnicas mais utilizadas e que permitem a coleta de dados são: a coleta documental. Dessa maneira. técnicas merca-dológicas. 2009. p. 9 – Sistematização e análise de dados Os dados. 168). 129 METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO . textos extraídos de periódicos científicos.

Como essas autoras mostram. contribuindo para que novos estudos e descobertas sejam feitos pela comunidade científica. há vários esquemas de classificação na bibliografia. Deve ser feita por meio de um relatório. Tais operações permitem conhecer as diversas relações que constituem o fenômeno estudado e fornecer um significado às respostas obtidas à luz dos conhecimentos relacionados ao tema. como os artigos. • Tipos de Pesquisa A classificação que trazemos abaixo é uma modificação das classificações discutidas por Marconi & Lakatos (1999. sendo responsável pela exposição das conclusões obtidas. Comunicar os resultados de uma implica contribuir na ampliação de conhecimentos a respeito de determinado tema. p. 23-25). mas também são utilizados outros textos científicos. 130 PATRÍCIA MOTA SENA . 11 – Comunicação dos resultados A fase de comunicação é a última.10 – Interpretação dos dados A fase de interpretação dos dados está relacionada com as operações de análise e de interpretação.

Habitualmente envolvem levantamento bibliográfico e documental. Dentre as pesquisas descritivas salientam-se aquelas que têm por objetivo estudar as características de um grupo: sua distribuição por idade. PESQUISAS EXPLICATIVAS: Têm como preocupação central identificar os fatores que determinam ou que contribuem para a ocorrência dos fenômenos. As pesquisas explicativas nas ciências naturais valem-se. descritivas ou explicativas. com vistas à formulação de problemas mais precisos ou hipóteses pesquisáveis para estudos posteriores. nível de escolaridade. porque quase sempre constituem etapa prévia indispensável para que se possam obter explicações científicas. procedência. elas podem ser exploratórias. Isto não significa. estas são as que apresentam menor rigidez no planejamento. Por isso mesmo é o tipo mais complexo e delicado. Este é o tipo de pesquisa que mais aprofunda o conhecimento da realidade. as condições de habitação de seus habitantes etc. Pode-se dizer que o conhecimento científico está assentado nos resultados oferecidos pelos estudos explicativos. De todos os tipos [e níveis] de pesquisa. Nem sempre se torna possível a realização de pesquisas rigidamente explicativas em 131 METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO . recorre-se a outros métodos. acerca de determinado fato. tem-se uma pesquisa descritiva que se aproxima da explicativa. quase que exclusivamente. esclarecer e modificar conceitos e ideias. sexo. estado de saúde etc. Algumas pesquisas descritivas vão além da simples identificação da existência de relações entre variáveis. posto que a identificação dos fatores que determinam um fenômeno exige que este esteja suficientemente descrito e detalhado. PESQUISAS EXPLORATÓRIAS: Têm como principal finalidade desenvolver. entrevistas não padronizadas e estudos de caso. Procedimentos de amostragem e técnicas quantitativas de coleta de dados não são costumeiramente aplicados nestas pesquisas. Este tipo de pesquisa é realizado especialmente quando o tema escolhido é pouco explorado e torna-se difícil sobre ele formular hipóteses precisas e operacionalizáveis. São inúmeros os estudos que podem ser classificados sob este título e uma de suas características mais significativas está na utilização de técnicas padronizadas de coleta de dados. pretendendo determinar a natureza dessa relação. em virtude das dificuldades já comentadas. de tipo aproximativo. Dessa maneira.Classificação quanto ao nível de explicação: podemos distinguir as pesquisas de acordo com o nível de compreensão acerca de um fenômeno a que se deseja estudar. PESQUISAS DESCRITIVAS: Têm como objetivo primordial a descrição das características de determinada população ou fenômeno ou o estabelecimento de relações entre variáveis. do método experimental. Tais pesquisas são desenvolvidas com o objetivo de proporcionar visão geral. Pesquisas que se propõem a estudar o nível de atendimento dos órgãos públicos de uma comunidade. que as pesquisas exploratórias e descritivas tenham menos valor. Neste caso. Uma pesquisa explicativa pode ser a continuação de outra descritiva. Nas ciências sociais. pois explica o porquê das coisas. sobretudo ao observacional. já que o risco de cometer erros aumenta consideravelmente. porém.

Para tanto. chegando mesmo a ser designadas “quase-experimentais”. que pode ser uma instituição. aplicam-se questionários como instrumento de coleta de dados. Seus resultados podem refletir as ocorrências ou o perfil de uma dada população ou grupo social. as pesquisas podem ser quantitativas ou qualitativas. por exemplo. 136) e deve ser aplicada quando o objetivo for conhecer: a)qual a relação entre variáveis (qual a relação entre idade. expor e validar os meios e técnicas adotados. p. análise de conteúdo e estudo de caso. A pesquisa qualitativa pressupõe que a utilização dessas técnicas não deve construir um modelo único. Para Elizabeth Teixeira (2005. PESQUISA QUALITATIVA – A pesquisa qualitativa privilegia algumas técnicas que contribuem para a descoberta de fenômenos. entendida por amostragem. 2005. b)qual a causa (o que causa a evasão?). p. porém. PESQUISA QUANTITATIVA – Este tipo de pesquisa é aplicado quando se deseja conferir abordagem estatística ao objeto de estudo. O pesquisador deverá. a estatística possui o papel fundamental de “estabelecer a relação entre o modelo teórico proposto e os dados observados no mundo real” (TEIXEIRA. mas. entre janeiro e junho de 2000?). pesquisaação. em algumas áreas. c)qual o efeito ou consequência (qual o efeito da técnica expositiva sobre o aprendizado entre crianças de 4 e 6 anos?). 136137). a pesquisa quantitativa “utiliza a descrição matemática como uma linguagem” na busca por evidenciar. aos problemas que ele enfrenta com as pessoas que participam da investigação. Em geral. sexo e escolaridade e dificuldades de leitura?). demonstrando a cientificidade dos dados colhidos e dos conhecimentos produzidos. (TEIXEIRA. as pesquisas revestem-se de elevado grau de controle. 2005. comportamentos. um produto. opiniões. dentre outros. d)qual a incidência (qual o número de casos de repetência na primeira série em Belém. as relações entre as variáveis que compõem um mesmo fenômeno e as análises das causas que geraram o objeto. dentre outros. sobretudo da Psicologia. impressões em relação a um referencial. Classificação quanto ao tipo de método: Quanto ao método. tais como a observação participante. identificando e compreendendo aspectos que podem caracterizar hábitos. pois a pesquisa é entendida como uma criação que mobiliza a acuidade inventiva do pesquisador e sua perspicácia para elaborar a metodologia adequada ao campo de pesquisa. 132 PATRÍCIA MOTA SENA . p. 136).ciências sociais.

o melhor possível. consideremos os valores.. Inútil. Pretende tomar a medida exata dos fenômenos humanos e do que os explica. afastando numerosos aspectos essenciais à compreensão. correto. às vezes. tentemos conhecer as motivações. Inútil. ou uma mistura de ambos. que esse encontro incontrolado de subjetividades que se adicionam só pode conduzir ao saber “mole”. do real estudado. E alguns gostam de afirmar que são as exigências estritas desse rigor que afastam os pesquisadores qualitativos (o que infelizmente parece. parece frequentemente inútil e até falso. tiveram que afastar inúmeros fatores e aplicar inúmeras convenções estatísticas que. Os adversários propõem respeitar mais o real. A pesquisa de espírito positivista aprecia números. É. a conjugar suas abordagens conforme as necessidades. para ela. que para construir suas quantificações. Vê-se agora pesquisadores de abordagem positivista deixar de lado seus aparelhos de quantificação de entrevistas. de pouca validade. desse modo. e. sobretudo em vista do saber matemático e do estatístico necessário!). há muito tempo. vê-se pesquisadores adversários da perspectiva positivista que não procedem de outro modo quando é possível tratar numericamente alguns de seus dados para melhor garantir a sua generalização. testado e preciso. Mas é verdade que o que resta é assegurado por um procedimento muito rigoroso. as representações. Para os adversários desse método. Esquecem. qualitativo. Esses debates continuam ainda hoje. e não o contrário. trata-se de truncar o real. os saberes desejados. deixemos falar o real a seu modo e o escutemos. é em virtude desse problema específico que o pesquisador escolherá o procedimento quantitativo. Quando se trata do real humano. com o objetivo de daí tirar. afirmam. porque realmente é querer se situar frente a uma altura estéril. porque os pesquisadores aprenderam. sobretudo. Na realidade. corre-se o risco de não ter restado grande substância. de observações clínicas etc. O essencial permanecerá: que a escolha da abordagem esteja a serviço do objeto de pesquisa. Consequentemente. ainda que muito presente. uma das principais chaves da objetividade e da validade dos saberes construídos. Pode-se verificá-los principalmente na oposição entre pesquisa quantitativa e pesquisa qualitativa. mesmo se dificilmente quantificáveis. esse debate. Os defensores da quantificação apenas das características objetivamente mensuráveis respondem.QUANTITATIVO VERSUS QUALITATIVO O desmoronamento da perspectiva positivista não se deu sem debates entre seus defensores e adversários. então. deve escolher com precisão o que será medido e apenas conservar o que é mensurável de modo preciso. A partir do momento em que a pesquisa centra-se em um problema específico. 133 METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO . inversamente.

Nesse sentido, centralizar a pesquisa em um problema convida a conciliar abordagens preocupadas com a complexidade do real, sem perder o contato com os aportes anteriores. (LAVILLE; DIONNE, 1999, p. 43)

2.2.3

CONTEÚDO 3. PROJETO, RELATÓRIO E MONOGRAFIA

O projeto de pesquisa

O projeto serve para planejar o trabalho de pesquisa e constitui parte integrante do processo de execução de uma investigação, pois é responsável por integrar o corpo teórico definido para a compreensão dos dados e a interpretação dos mesmos na discussão da metodologia a ser utilizada para alcançar os objetivos delimitados. A finalidade do projeto é planejar com rigor a pesquisa para que o estudante/pesquisador saiba exatamente quais procedimentos deverá adotar diante dos dados. Por isso, o projeto tem como característica definir e apresentar o tema, os objetivos, a metodologia, a justificativa quanto à pertinência da investigação proposta, planejar os critérios de coleta e de análise dos dados e projetar possíveis soluções para o problema da pesquisa. Tudo isso articulado ao tempo disponível, isto é, ao prazo estipulado em um cronograma de atividades. Um auxílio e tanto para o pesquisador, não? Trata-se, dessa maneira, de um instrumento que confere segurança e disciplina à tarefa de pesquisa. Os projetos de pesquisa podem variar na forma de apresentação, de acordo com o público ao qual se destina. Eles podem ser destinados a agências de fomento à pesquisa, podem ser entregues como requisito para aprovação em componentes curriculares ou apresentados em processos seletivos de iniciação científica e pós-graduação. Apesar disso, os projetos precisam conter a delimitação de um objeto de estudo, um problema que deve ser solucionado e objetivos que deverão ser alcançados (MEDEIROS, 2009, p. 191). Além disso, cumprem duas funções: científica e administrativa, como afirma Belchior (1972 apud RUDIO, 1986, p. 56). Para esse autor, o projeto consiste na
[...] mobilização de recursos para a consecução de um objetivo prédeterminado, justificado econômica ou socialmente, em prazo também de-

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terminado, com o equacionamento da origem dos recursos e detalhamento das diversas fases a serem efetivadas até a sua execução.

Veja a seguir a estrutura de um projeto de pesquisa, que pode variar de acordo com o destinatário, como você já viu anteriormente. No entanto, os projetos precisam, no seu desenvolvimento, responder às seguintes perguntas:

O QUE FAZER? POR QUE FAZER? PARA QUE FAZER? PARA QUEM FAZER? ONDE FAZER? COMO FAZER? QUANDO? COM QUANTO? QUEM VAI FAZER?

A Estrutura de um Projeto

1. Capa: É um elemento obrigatório, pois identifica o projeto ao apresentar dados como título (e subtítulo, se houver) do projeto, o(s) autores, a instituição a qual pertencem, local e ano de entrega. Veja nas normas para elaboração de trabalhos acadêmicos as orientações para sua apresentação. 2. Folha de rosto: Também é obrigatório e apresenta a natureza do projeto. Veja nas normas para elaboração de trabalhos acadêmicos as orientações para sua apresentação. 3. Lista de ilustrações: relação de imagens, tabelas, gráficos apresentados no projeto.

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METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO

4. Lista de abreviaturas: contém as expressões e suas respectivas siglas. 5. Sumário: Listagem numerada das principais seções do projeto apresentadas na ordem que aparecem no texto. 6. Introdução: nesta seção, o autor do projeto deve apresentar o tema da pesquisa, delimitando o problema que interessa estudar. Deve-se fazer uma revisão da bibliografia sobre o tema, caracterizando-o e distinguindo a abordagem quanto aos estudos já realizados sobre o assunto. A introdução deve também mencionar o nome dos envolvidos no projeto, como coordenador ou orientador, além de explicar a origem das preocupações científicas que serão investigadas por meio de um histórico do projeto. No entanto, a discussão do tema e a formulação e delimitação do problema devem ser os eixos centrais da introdução. Estes são tratados considerando a contextualização teórica do problema, fundamentando a pertinência da pesquisa e as contribuições advindas de publicações anteriores. No entanto, essa revisão da bibliografia deve ser articulada à delimitação do problema, posicionando-o no campo de investigações já realizadas e “não pode ser constituída apenas por referências ou sínteses dos estudos feitos, mas por discussão crítica do ‘estado atual da questão’” (GIL, 2006, p. 162). 7. Objetivos: nesta seção, o pesquisador deve apresentar o objetivo geral da pesquisa e os objetivos específicos. Os objetivos são apresentados como hipóteses, considerando as possibilidades de resposta que se procura alcançar com a investigação. Antônio Carlos Gil recomenda que a linguagem utilizada para listar os objetivos seja feita com verbos que indiquem ação “como identificar, verificar, descrever e analisar” (GIL, 2006, p. 162). O objetivo geral é uma visão global sobre o tema, explicitada com uma hipótese abrangente. Já os objetivos específicos consistem na aplicação do objetivo geral a situações particulares, descrevendo aspectos que merecem ser detalhados e verificados cientificamente. 8. Justificativa: Nesta seção é necessário explicitar qual a relevância da investigação proposta para a comunidade científica e para o aprofundamento das discussões sobre o tema. Deve justificar a pertinência de se compreender o problema apresentado, demonstrando quais as contribuições que o estudo poderá trazer para a ciência e para a sociedade como um todo. Neste item também se deve evidenciar as origens da escolha do tema, destacar as motivações do autor do projeto em compreendê-lo, focalizando a importância do estudo em relação a outros realizados anteriormente, seja distinguindo a abordagem, seja ressaltando as suas contribuições. Segundo Fachin (2006, p. 111), a justificativa “é uma fase que leva o pesquisador a repensar a escolha do assunto e a razão de sua escolha”. 9. Metodologia: Nesta seção, devem ser descritos os procedimentos, técnicas, estratégias, métodos que serão seguidos durante a pesquisa para a coleta e análise de dados. Esclarece-se qual o tipo de pesquisa adotado e quais serão os referenciais teóricos que auxiliarão na compreensão dos dados obtidos. É importante ressaltar que os referenciais epistemológicos que fundamentam os métodos diferem entre si, o que exige acuidade do pesquisador em per-

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A estrutura do projeto não é estanque e seus elementos devem ser distribuídos de acordo com as exigências da pesquisa. relatos de observações. 10. pois justifica para os orientadores ou agências de fomento à pesquisa científica a aplicação dos recursos e do tempo disponibilizados. 4.ceber a compatibilidade entre eles e sua contribuição para o entendimento do problema proposto. que deverá enfocar os resultados obtidos na concretização do projeto. com a finalidade de planejar a atividade de pesquisa. O projeto detalha os caminhos da investigação e as estratégias. indicando o tempo necessário para o desenvolvimento de cada fase da investigação. textos. 2. • O relatório de pesquisa Os relatórios de pesquisa são documentos científicos que cumprem a função de apresentar os resultados obtidos em uma investigação relacionada a um projeto específico. É normal e até positivo que o projeto possa ser alterado durante a investigação. disponibilizados para aprofundamento ou melhor compreensão das ideias do projeto (roteiros de entrevistas. Cronograma: Aqui são distribuídas as atividades de pesquisa com relação ao prazo estabelecido. questionários). que 137 METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO . Já os apêndices são documentos elaborados pelo autor do projeto. p. Anexos e/ou apêndices: Os anexos são materiais elaborados por outros autores ou documentos científicos (gráficos. 12. O projeto se distingue do trabalho final. Durante a investigação. quadros) que servem para corroborar as afirmações contidas no texto do projeto ou fornecer informações adicionais. tabelas. capítulos. Antônio Joaquim Severino (2006. 163-164) faz observações quanto ao desenvolvimento do projeto. comunicando os resultados alcançados. Plano de trabalho e projeto de pesquisa são diferentes. enfim. dentre as quais cumpre destacar: 1. pois o plano encarrega-se de estruturar o plano do trabalho escrito e não as ações da investigação. Esse documento se diferencia do texto final. como no projeto. que deve ser uma monografia ou tese. 11. pois revela aprofundamento das ideias do autor. as fontes de informação citadas no projeto. Referências: Item obrigatório em que são listados os livros. 3. podem ser requeridos relatórios parciais. Cumpre também um papel administrativo.

1. 9. possui entre 20 linhas e uma página. 2. considere as mesmas orientações oferecidas nas explicações sobre o projeto.Lista de Abreviaturas. Além disso.Capa.Resumo ou sinopse: trata-se de um resumo descritivo sobre o conteúdo do relatório. “incorporando as modificações realizadas depois de aplicada a pesquisa-piloto” (MARCONI. • Estrutura do relatório A estrutura dos relatórios varia de acordo com a finalidade para a qual são produzidos. Apesar de essas autoras indicarem que a revisão bibliográfica deve ser feita em uma seção diferenciada. os gráficos e outras ilustrações estritamente necessárias à compreensão do desenrolar do raciocínio. modificada a partir da orientação de Marconi & Lakatos (2009. As autoras mencionadas sugerem que a interpretação dos resultados seja feita em uma seção dis- 138 PATRÍCIA MOTA SENA . 2009. 7. LAKATOS.apresentam fases do andamento dos trabalhos e. Deve ser objetivo e. A seguir. o relatório deve apresentar a metodologia empregada e os resultados finais. No relatório podem ser incorporadas novas publicações. 5. p. 230-231).Folha de Rosto. 4.Listas de Tabelas ou Ilustrações. ao término da pesquisa. os demais deverão vir em apêndice” (MARCONI. Sumário. 2009. em geral. porém acrescidos dos objetivos e da justificativa. p. Metodologia: Nesta seção descrevem-se as estratégias utilizadas na coleta e análise dos dados e a eficácia da aplicação dos métodos escolhidos. Apresentação e análise dos dados: A ordem de apresentação dos dados deve estar em conformidade com as hipóteses e as afirmações que propõem. p. 3. os quadros. 6. p. 2009. 232). Nesta seção. “já que a pesquisa bibliográfica não se encerra com a elaboração do projeto” (MARCONI. Introdução: Apresenta os mesmos elementos da introdução do projeto. propomos uma estrutura geral. deve-se apresentar as evidências obtidas por meio de análises “incorporando no texto apenas as tabelas. 232). 233). 8. os relatórios podem ser solicitados como parte de processos avaliativos em componentes curriculares como forma de exercitar a habilidade de demonstração dos estudantes. para que você use como guia. LAKATOS. Para as seções que não estão descritas. pois a retomada das principais obras sobre o tema contribuem para fundamentar a apresentação do problema. propomos que isso seja feito ainda na introdução. LAKATOS.

10. É possível ainda. 12. o alcance das abordagens e a contribuição dos resultados obtidos. o tratamento escrito aprofun- 139 METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO . 255). nesta seção. Dessa maneira. como produto dos processos desenvolvidos na investigação. a um só problema. Mantémse assim o sentido etimológico: mónos (um só) e graphein (escrever): dissertação a respeito de um assunto único (SALOMON. ou pode ser todo trabalho originado de pesquisas. 190). Délcio Salomon conceitua a monografia da seguinte maneira: Localizamos na origem histórica da monografia aquilo que até hoje caracteriza essencialmente esse tipo de trabalho científico: a especificação. originada de pesquisa científica que contribua com conhecimentos originais à ciência. Referências. Retrata o significado da pesquisa realizada. p. como as dissertações de mestrado e as monografias no “sentido acadêmico. • A monografia A monografia é o estudo aprofundado de uma questão específica. sejam empíricas ou não. 2008. ou seja. bem como as questões que surgiram com o seu desenvolvimento. Esse mesmo autor atribui dois sentidos à aplicação do termo monografia: pode ser uma tese. que o pesquisador identifique “as questões que não puderam ser respondidas pela pesquisa. p.tinta. a redução da abordagem a um só assunto. ou seja. Anexos ou Apêndices. 2006. Conclusões: As conclusões são parte final da pesquisa. seguidas de sugestões quanto a pesquisas futuras que possam respondê-las” (GIL. 11. o pesquisador encerra o seu texto com sínteses e recomendações. porém pensamos que essa interpretação pode ser feita junto à análise dos dados coletados. buscando confirmar ou rejeitar as hipóteses levantadas.

6.. Resumo em língua vernácula. Lista de Tabelas ou Ilustrações. o desenvolvimento é o espaço da “fundamentação lógica do trabalho de pesquisa. Quando a seção não estiver descrita.. contextualizando-o.] explicar é apresentar o sentido de uma noção. 237). 4. p. p. as características da monografia são: • • • • • • Trabalho escrito. mas não em alcance [. 238). 7. devem obedecer a uma sequência lógica. 2008. Lista de Abreviaturas. Estudo pormenorizado e exaustivo. é analisar e compreender. para atingirem o objetivo formal do trabalho e não se afastarem do tema. 1. procurando suprimir o ambíguo ou obscuro. fundamenta e enuncia as proposições. Tratamento extenso em profundidade. Para essas autoras. a argumentação e a explicação da pesquisa: explica. • Discussão é o exame. Vejamos a estrutura da monografia. de maneira descritiva e analítica. • Demonstração é a dedução lógica do trabalho. Tema específico ou particular de uma ciência ou parte dela. Capa. pois apresenta considerações metodológicas e uma breve revisão bibliográfica sobre o tema. original e pessoal para a ciência. 2. De acordo com Marconi & Lakatos (2009. Sumário. 8.dado de um só assunto. p. abordando vários aspectos e ângulos do caso. o desenvolvimento da monografia precisa conter: • Explicação [. sistemático e completo. Folha de Rosto. A introdução da monografia se assemelha à do relatório. 140 PATRÍCIA MOTA SENA . Demonstra que as proposições.. Desenvolvimento: Para Marconi e Lakatos (2009.. considere as mesmas orientações oferecidas na elaboração dos projetos e relatórios. 5. delimitando o problema analisado. Metodologia específica. cuja finalidade é expor e demonstrar”. 3. implica o exercício do raciocínio. em que a reflexão é a tônica” (SALOMON.]. Introdução: Deve apresentar de maneira objetiva o tema da pesquisa. Contribuição importante. 256). discute.

9. Dessa maneira. monografias e.2. organiza aprendizagens conquistadas nas disciplinas específicas do curso de graduação. tem sido cada vez mais usual um novo tipo de trabalho: o Portfólio. 11. 238). considerando a interdisciplinaridade e aliança entre teoria e prática. p. mas tem em comum seu objetivo: sistematizar práticas exercidas ao longo da graduação. registro.4 CONTEÚDO 4. 2. reflexão e auto-avaliação da práxis pedagógica desenvolvida no per- 141 METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO . com um resumo das principais argumentações com o objetivo de atribuir significado ao estudo realizado. PORTFÓLIO. conter o fecho da introdução ou síntese de toda reflexão”. O Portfólio possui aplicações diversas. 10 Anexos e/ou Apêndices. ainda. Segundo Marconi e Lakatos (2009. Referências. “da conclusão devem constar a relação existente entre as diferentes partes da argumentação e a união das ideias e. PESQUISA E DOCÊNCIA Os trabalhos de conclusão dos cursos de graduação têm sido cada vez mais variados na forma de apresentação. Como explicita o Guia Institucional de Trabalho de Conclusão do Curso Letras Português/ Inglês da FTC EAD – Faculdade de Tecnologia e Ciência – Educação a Distância (2008): O portfólio acadêmico consiste em um trabalho de sistematização. Conclusões: Apresenta uma síntese do trabalho. Há instituições de Ensino Superior que solicitam artigos científicos.

no qual devem constar dados de identificação do autor. acadêmica e profissional.1. analisar.2. Isso você fará no desenvolvimento do portfólio. Objetivos: A construção de um objetivo precisa ser efetuada de forma clara e concisa. por isso deve ser elaborado com um verbo de precisão. dos campos de estudos/escolas pesquisadas e outros dados gerais sobre o portfólio. 3. conforme as exigências racionais da sistematização própria do trabalho científico” (SEVERINO. expressando apenas uma ideia. o alcance da investigação e suas bases teóricas gerais. sem. capaz de possibilitar a você estudante a reconstrução crítica da sua formação pessoal. 2. 2. p. Apresentação: Texto inicial. através da apropriação de conhecimentos. devendo dar conta da sua totalidade. contudo. como. como objetivo do portfólio acadêmico: a capacidade de criar as condições e os meios necessários para que os graduandos desenvolvam competências. 1. por exemplo. análise da realidade educacional e produções acadêmicas relevantes. É um trabalho criterioso e crítico que requer muita leitura para possibilitar a ”construção lógica do pensamento ou síntese que é a coordenação inteligente das ideias. como e por que as limitações foram encontradas. 2. 3. aprofundar essas questões. a metodologia utilizada na sua construção. Dialogando sobre os temas transversais: Você deverá construir um texto relacionando os conhecimentos significativos (importantes para o seu processo de formação do- 142 PATRÍCIA MOTA SENA . 81-82).curso dessas disciplinas. Deve situar o leitor no contexto do trabalho acadêmico. identificar). Os elementos relacionados compõem os critérios exigidos pela FTC EAD.1. elaborado de forma clara e precisa. 2000. os temas transversais e as experiências em Estágio Supervisionado dos cursos de Licenciatura. Objetivo Geral: Deve ser direcionado ao portfólio. visando a sua autonomia no processo de aprendizagem. ainda. levando-o a perceber claramente o que será analisado. Esse mesmo documento destaca. A partir de agora você verá a estrutura do portfólio acadêmico. Objetivos Específicos: Detalham o enunciado do objetivo geral e/ou cada atividade que será desenvolvida. Considere a estrutura apresentada a seguir acompanhada dos elementos pré-textuais comuns aos trabalhos acadêmicos. considerando as competências das disciplinas por períodos. Devem ser construídos com o verbo no infinitivo (diagnosticar. habilidades e atitudes pautadas na práxis pedagógica crítica e reflexiva. Fundamentação teórica: Trata-se da literatura pertinente aos temas abordados no Portfólio.

Observe os questionamentos propostos pelas autoras no final do texto e pesquise outras leituras que discutam essas e outras questões relacionadas à articulação entre pesquisa e docência! 143 METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO . Apêndices 7.2.2 Relatório da disciplina Estágio Supervisionado II.2. apresentamos um texto que faz parte de um artigo de Menga Lüdke e Giseli Barreto da Cruz. A seguir.2 Documento que julgar pertinente para compor o portfólio. • Pesquisa e educação Concluindo as reflexões sobre as possibilidades da pesquisa científica. pelo menos. Referências 7.1 Relatório da disciplina Estágio Supervisionado I.1.1 Produção das atividades das disciplinas PPP I. II. dois autores que serviram de referência para a compreensão do tema transversal de cada período. observações. bem como a prática vivenciada no contexto escolar no Ensino Fundamental (5ª a 8ª série) e no Ensino Médio. Anexos 8. 12 -13). 6. p. 7. 7. no qual discutem as possibilidades da pesquisa e a sua contribuição para a formação docente. Discussão dos resultados: Trata-se de uma análise cuidadosa dos dados coletados nos momentos de atividades práticas na Escola (entrevistas. 4. regência durante estágio) com fundamentos teóricos que os explicam e ampliam suas conceituações. coparticipação. III. convido você a estabelecer uma relação entre pesquisa e educação.1 Documento que julgar pertinente para compor o portfólio.1 Apêndices obrigatórios: 7.2 Apêndices Complementares: 7. IV.2. (Guia Institucional de Trabalho de Conclusão do Curso Letras Português/ Inglês da Faculdade de Tecnologia e Ciência – Educação a Distância. apontando possíveis soluções para as dificuldades apontadas. 3. Considerações Finais: Posicionamento pessoal quanto aos resultados em função dos conhecimentos construídos durante o curso. Refletindo sobre as teorias estudadas: Nesse texto você precisa se posicionar criticamente sobre a articulação das Teorias Educacionais e das disciplinas específicas de letras. Você pode também fazer recomendações e/ou sugestões que devem ser explanadas de forma ética. 5.2. 2008. V e VI.1.cente) que foram construídos em cada período com cada tema transversal. 8. 7. Seu texto deverá estar respaldado por.

tem valorizado cada vez mais a perspectiva da pesquisa na formação e na atuação do professor. produção e criação a respeito da sua ação ao enfrentar situações desafiadoras. Stenhouse (1975). Para Stenhouse. mas. as reformas precisariam incluir em seu interior o desenvolvimento profissional dos professores como pesquisadores de suas próprias práticas. Desde a década de 90 o tema ‘professor pesquisador’ tem ganhado espaço no cenário de discussão acadêmica. uma vez que é por seu intermédio que se transmite o conhecimento na escola. Giroux. como algo importante para o preparo e o trabalho do professor e por isso deve ser introduzida na formação inicial e continuada dos professores da educação básica. sobre o que ocorre de fato a esse respeito entre os professores desse nível de ensino. e do conhecimento tácito. ao centrarem-se na valorização da reflexão na experiência. durante e depois dela. em que o sujeito posiciona-se em uma atitude de análise. e mesmo pela legislação. com base em Dewey. a pesquisa deveria ser a base do ensino dos professores. acabaram atraindo uma imensa atenção no meio docente e impulsionando uma gama variada de produções sobre a importância de o professor refletir sobre a sua prática. De acordo com o que propunha Stenhouse. antes. como já mencionamos. todavia. Contreras.A PESQUISA E O PROFESSOR DA EDUCAÇÃO BÁSICA A possível articulação entre ensino e pesquisa no trabalho do professor da educação básica é algo que há algum tempo tem merecido atenção de nossa parte e de outros colegas que se dedicam ao seu estudo. bem como os de vários outros autores (Elliott. Pouco se sabe entre nós. Schön defende um tipo de epistemologia da prática. 1990. Como concebem eles o papel da pesquisa em suas escolas? Que formação receberam e de que condições dispõem para realizá-la? Que tipo de pesquisas de fato realizam? Onde as divulgam? É possível e viável ao professor investigar a sua própria prática? 144 PATRÍCIA MOTA SENA . Tal perspectiva. com base em Polanyi. Contrapondo-se à racionalidade técnica. Zeichner. Perrenoud. sobretudo. inicialmente. Essa perspectiva é apontada por diversos autores. tem impulsionado uma série de trabalhos voltados para a ideia de um professor mais autônomo. aliada àquela anteriormente proposta por L. encaminhando crítica e sistematicamente sua atividade para identificar os eixos estruturantes de cada situação de ensino. 1989. Schön (1983) sobre o reflective practitioner. 1997. baseada no princípio de que o professor precisa assumir-se como pesquisador da própria prática. As ideias de Schön. O alcance desses pensamentos entre nós. tendo como foco central o currículo. não abordaram diretamente o professor. que fazem de suas salas de aula típicos laboratórios de ensino. 1996). com a repercussão que teve entre nós o trabalho de D. 1992.

br/scielo. Giseli B. da. 2009. 145 METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO .php?pid=S0100-1574200 5000200006&script=sci_arttext&tlng=pt. Menga. CRUZ. Disponível em: http://www.LÜDKE. Acesso em: 25 set. Aproximando universidade e escola de educação básica pela pesquisa.scielo.

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MAPA CONCEITUAL

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ESTUDO DE CASO
Sabemos que a escola abriga sujeitos com experiências sociais, culturais, pessoais diversas. Considere que você está lecionando em uma instituição escolar em que há alunos de diferentes expressões de religiosidade. Em uma das turmas que você leciona, imagine que um (a) estudante precisa se ausentar por alguns dias e fornece uma justificativa vinculada ao exercício da sua religiosidade. Buscando ser compreensivo (a) diante dos motivos de ordem pessoal apresentados e ciente das atividades que devem ser realizadas por todos da turma no período em que a ausência foi solicitada pelo (a) estudante, como você solucionaria este problema, uma vez que a direção da escola concede permissões para ausência apenas para alunos que apresentam atestado médico? A questão do multiculturalismo e da diversidade na escola atualmente está sendo muito debatida nos meios educacionais. Sugerimos que, antes de você procurar soluções para o problema apresentado, realize uma pesquisa sobre o tema. A seguir, aponte soluções e escolha a mais adequada entre elas. Você também pode criar uma proposta de intervenção. Bom trabalho! ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________

EXERCÍCIOS PROPOSTOS
QUESTÃO 01
“Seja qual for o modelo de ciência que se trabalhe, a escolha do problema de pesquisa é um momento crucial da atividade científica. Essa escolha decide o que vai ser esclarecido e isso é fundamental. Alguém já observou que uma forma de ver é também uma forma de não ver. Isso porque a focalização no objeto "A" implica um descarte ou esquecimento com relação ao objeto "B". A escolha do problema de pesquisa guarda, pois, implicações sobre o que deve ser conhecido”

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. o caminhão pode ser entendido como símbolo de velocidade e força. outras informações seriam prescindíveis. delimitação precisa do tempo em que ocorreram. afinidade científica e dedicação.. Associando o texto acima aos conhecimentos sobre a definição de um problema de pesquisa. O texto traz um alerta para o pesquisador: é preciso formular o problema de forma clara e objetiva. A escolha do problema é a primeira fase da pesquisa. 149 METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO .] para não atravessar uma rua basta que vejamos se aproximar um caminhão..br/cad-pesq/arquivos/C03art06. descartando aquelas que não tenham relação direta com o problema em questão. [. além da oportunidade científica do estudo. usos e possibilidades. Ivan Sergio Freire de.fea. Acesso em: 08 mai. apenas: a) III e IV.SOUSA. b) II e III. o que implica na análise de um objeto de maneira profunda e na seleção das informações. pois a atividade de pesquisa exige motivação. analise as proposições a seguir: I. Acesso em: 11 mai. Pesquisa Qualitativa – características. José L. causas. responsável por definir e delimitar o objeto da investigação. d) I e II.].embrapa.. e. Disponível em: <http://www. A formulação do problema deve considerar também os aspectos pessoais do pesquisador. para a finalidade de atravessar a rua. 2009. QUESTÃO 02 “Em certa medida. de onde vem. embora obteníveis. tais detalhes. estão corretas. II.br/ unidades/uc/sge/texto1. Nessa situação. [. 2009). Há problemas e situações cuja análise pode ser feita sem quantificação de certos detalhes. etc. seriam de pouca utilidade” NEVES. a velocidade a que corre.pdf>. etc. lugar.ead. originando o tema que se deseja conhecer. c) I e IV. procedência dos agentes. IV. não é necessário saber seu peso exato. III.pdf#search=%22pesquisa%20documental %22>. sem descartar ou esquecer nenhum aspecto. os métodos qualitativos se assemelham a procedimentos de interpretação dos fenômenos que empregamos no nosso dia a dia.sede.usp. A Pesquisa e o Problema de Pesquisa: quem os determina? Disponível em: <http://www22. Das proposições acima. O texto apresenta uma ideia equivocada: o objetivo do pesquisador ao delimitar o problema deve ser abarcar o fenômeno em sua totalidade.

Leia-as atentamente: 150 PATRÍCIA MOTA SENA . Daí se tornar fundamental a modalidade de trabalho didático-pedagógico representado pela prática efetiva da Iniciação Científica. SEVERINO. pois os objetos submetidos à análise quantitativa diferem daqueles que utilizam a abordagem qualitativa. na qual os dados quantitativos podem ser dispensados para a atribuição do significado das relações contextuais em que se insere o objeto.Correlacionando o trecho acima com a pesquisa qualitativa e a pesquisa quantitativa. As proposições a seguir tratam do papel da pesquisa no ensino superior.com. II. Antônio J.. apenas: a) II e IV. processo de iniciação à pesquisa. [. Trata-se de procedimento o mais adequado possível para se instaurar o ensino e a aprendizagem de forma efetivamente significativa. quais as questões que deseja investigar a partir dos dados necessários para compreender seu problema científico. é impossível compreender um objeto na sua totalidade. A prática da metodologia científica no ensino superior e a relevância da pesquisa na aprendizagem universitária. analise as proposições a seguir: I. forma privilegiada de aprendizagem. III. sem a utilização de métodos qualitativos e quantitativos. A metáfora entre objeto de pesquisa qualitativa e o ato de atravessar a rua evidencia que. Disponível em: <http://www. estão corretas. 2008).] ensino e aprendizagem só serão motivadores se seu processo se der como processo de pesquisa. IV. O texto valoriza a interpretação na construção de uma pesquisa qualitativa. d) I e III. como mencionado no texto.unicaieiras.br/revista1/artigos Severino/ ArtigoSeverino. Os métodos quantitativos e qualitativos se excluem mutuamente. QUESTÃO 03 Para Severino. Das proposições acima. Acesso em: 29 out.. A leitura do texto permite inferir que a utilização de métodos quantitativos ou qualitativos depende do objetivo do pesquisador. b) II e III. já que ocorre mediante o processo de construção do conhecimento”. no contexto da formação graduada. c) I e IV.htm>.

B. Das proposições acima. 2001). está(ão) correta(s) a) apenas I b) apenas II c) apenas II e III d ) apenas I e III QUESTÃO 04 Analise o texto a seguir: Questão que não se acha suficientemente discutida e trabalhada pelos pesquisadores é a tendência a não se aprofundar nas implicações do uso de certas técnicas. n. 151 METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO . qualquer que seja a abordagem em que o pesquisador se situa (GATTI. A respeito de como se realiza a escolha da metodologia adotada pelos pesquisadores. Implicações e perspectivas da pesquisa educacional no Brasil contemporâneo. a escolha dos métodos e abordagens da pesquisa torna-se trivial. cuja função primordial é a publicação de trabalhos para garantir o reconhecimento dos autores. [.. Cadernos de Pesquisa. e mesmo da propriedade e adequação desse uso e de sua apropriação de forma consistente. tornando-o capaz de dialogar com outros sujeitos acerca do tema pesquisado e proceder de maneira sistemática e crítica na busca da elucidação das questões propostas. p. ou seja. praticada sob a orientação de um professor que supervisiona rigorosamente os procedimentos aplicados.] Aqui se enquadra a questão das opções pelo uso de modelos quantitativos de coleta e análise de dados ou pelos chamados modelos qualitativos. [. 113. 65-81... aliando teoria e prática no exercício de trabalhos acadêmicos e na participação em eventos científicos.I. A prática da iniciação científica mencionada no texto corresponde à pesquisa formal.] A pergunta que nos colocamos ao examinarmos atentamente as vertentes de pesquisa [. A pesquisa na graduação é uma forma privilegiada de aprendizagem porque posiciona o estudante como sujeito do conhecimento.] é se há um domínio consistente de métodos e técnicas de investigação. visto que os fenômenos humanos e sociais só podem ser estudados qualitativamente e os demais a partir de métodos quantitativos. II.. A.. III.. assinale a alternativa correta: a) Ao considerarmos o objeto da pesquisa. A atividade de pesquisa contribui para a integração do estudante a uma área específica do conhecimento. aquelas metodologias que não se apoiam em medidas operacionais cuja intensidade é traduzida em números.

que servem como matéria-prima para que o pesquisador possa fazer sua análise. d) As questões discutidas pela autora referem-se à necessidade de elaboração dos projetos de pesquisa. pois se utiliza de um objeto como fonte. QUESTÃO 05 De acordo com o texto a seguir. em que o pesquisador coleta os dados nas condições naturais de ocorrência dos fenômenos. por isso mesmo. colocando-o em condições técnicas de observação e manipulação. mas de naturezas diversas. sem status de ciência por carecer de originalidade. sendo criadas condições adequadas para o seu manuseio e tratamento. por ser aquela que é decorrente de outras pesquisas anteriores publicadas em documentos científicos impressos e. 152 PATRÍCIA MOTA SENA . que devem se coadunar aos métodos escolhidos e orientar todas as etapas da pesquisa. é correto afirmar que Manolito realizará uma pesquisa a) experimental. c) A autora explicita a incompatibilidade de serem utilizados.b) A consistência discutida no texto se refere à compreensão dos fundamentos teóricometodológicos adotados e de suas implicações. como registros das entrevistas. na mesma pesquisa. b) bibliográfica. métodos quantitativos e qualitativos: os pesquisadores devem optar por um deles e se manterem fiéis para evitar contradições. d) documental. sendo observados sem manuseio e/ou interferência no ambiente em que esse fenômeno se encontra. c) de campo. por valer-se da utilização de documentos não só impressos. que representam a formalização do planejamento dos procedimentos a serem adotados.

153 METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO .

GABARITO DAS QUESTÕES 154 PATRÍCIA MOTA SENA .

COMUNICAÇÃO CIENTÍFICA: significa "comunicação de informação científica e tecnológica. 1994 apud ALBAGLI. um conjunto de proposições logicamente correlacionadas sobre o comportamento de certos fenômenos que se deseja estudar” (MARCONI e LAKATOS 2009. 261) “os artigos científicos são pequenos estudos. transcrita em códigos especializados. p. 2006. 155 METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO . um fenômeno. p. (ARANHA. DADOS: são esclarecimentos e/ou informações sobre uma situação. DIALÉTICA: concepção na qual a “ciência é definida como sendo o ato de se conhecer a análise do processo do fenômeno como uma parte do processo do conhecimento. CIENTIFICISMO: é a confiança total na ciência. CONHECIMENTO: processo de elucidação da realidade. 2006. pesquisadores. ARTIGO CIENTÍFICO: segundo Marconi e Lakatos (2009. 43). que é a conclusão. ATO DE CONHECER: é o processo de interação entre sujeito e objeto. que tratam de uma questão verdadeiramente científica.GLOSSÁRIO ABNT – Associação Brasileira de Normas Técnicas: É uma instituição sem fins lucrativos fundada em 1940 com o objetivo de proceder a normatização técnica para regulamentar as descobertas científicas e tecnológicas do país. porém completos. tais como consumidores. p. realizada a partir de uma consciência crítica” (BARROS. mas que não se constituem em matéria de um livro”. valorizando a racionalidade científica como única resposta correta para os problemas humanos. 307). favorecendo a autonomia e o senso crítico. Suas verdades são infalíveis e indiscutíveis. 80). p. LEHFELD. DECODIFICAÇÃO: é uma das etapas da leitura e consiste na tradução dos sinais gráficos em palavras. uma vez que pode se transformar em consciência social. CIÊNCIA: “sistematização de conhecimentos. p. As normas brasileiras são construídas por comissões cujos membros representam vários setores. reveladas. Fornece um conhecimento sistemático e objetivo acerca da realidade. sobrepondo a ciência às demais formas de conhecimento. DEDUÇÃO: “Operação lógica na qual se passa de uma ou mais proposições a uma outra. 397). para um público seleto formado de especialistas" (BUENO. dentre outros. CONHECIMENTO RELIGIOSO: apóia-se em doutrinas sagradas. possuindo um caráter inspiracional. produtores. inferida necessariamente das premissas”. um acontecimento obtidas por meio de processos investigativos. Constitui um instrumento de mudança.

contribuindo para a comunicação do conhecimento. INATISMO – Teoria que defende a existência de ideias inatas. p. politicos. 1994 apud ALBAGLI. análise crítica. EMPIRISMO – Teoria que defende a construção de conhecimento e a formação de ideias por meio da experiência. METODOLOGIA – Corresponde a um conjunto de procedimentos a serem utilizados na obtenção de conhecimento. 397).DIFUSÃO CIENTÍFICA – Refere-se a "todo e qualquer processo usado para a comunicação da informação científica e tecnológica" (BUENO. ESQUEMAS – É uma técnica de sistematização que constitui formas de representação e registro de conteúdos de leituras que permitem a visualização gráfica ou diagramática da situação ou texto em questão. p. HERMENÊUTICA – Área da Filosofia que se debruça sobre a interpretação e a compreensão a partir da linguagem. 156 PATRÍCIA MOTA SENA . considerando um contexto de relações e outras informações já existentes no repertório do sujeito. Constitui um exercício de reflexão e análise da ciência sobre si mesma. LINGUAGEM CIENTÍFICA – Critérios específicos para o registro de processos científicos. NEUTRALIDADE CIENTÍFICA – É um mito da ciência moderna que defendia ser a ciência um saber neutro e que as pesquisas científicas não deveriam sofrer influência social. sistematização e seleção de informações e dados na busca do entendimento da realidade. política ou econômica. METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO – Disciplina instrumental e reflexiva que se propõe a desenvolver habilidades de observação. que significam: filo – amigo + sofia – sabedoria. influenciam ou definem. FENÔMENO – é a percepção que o observador tem do fato. sociais e culturais que o constituem. 397). INFORMAÇÃO – Conjunto de dados que assume um significado para quem a obtém. INTERPRETAÇÃO – Apreensão das ideias e estabelecimento de relações entre o texto e o contexto. a palavra é composta por dois radicais gregos. independentemente de haver ou não quem os conheça. que já nascem com o indivíduo. 1994 apud ALBAGLI. DIVULGAÇÃO CIENTÍFICA – "O uso de processos e recursos técnicos para a comunicação da informação científica e tecnológica ao público em geral" (BUENO. FILOSOFIA – Etimologicamente. EPISTEMOLOGIA – Adquiriu conotação direcionada ao estudo das condições de produção do conhecimento científico sob olhar crítico quanto ao método. MÉTODO: Forma ordenada de proceder ao longo de um caminho. FATOS – Acontecem na realidade. analisando-o a partir de um contexto no qual se devem considerar aspectos econômicos.

RESUMO – É uma apresentação sintética e seletiva das ideias de um texto. considerando a interpretação do resumista. 314). É construído a partir das experiências. 67). programa e outros ministrados (ABNT).OBJETO – É o mundo exterior ao sujeito.] Em oposição ao senso comum. que deve ser obrigatoriamente emanado da disciplina. módulo. 2000. TRABALHOS CIENTÍFICOS – Documento que representa o resultado de um estudo. 157 METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO . Nele devem aparecer as principais ideias do autor do texto. devendo expressar conhecimento sobre o assunto escolhido. POSITIVISMO – Teoria iniciada por Auguste Comte no século XIX que defende a compreensão da realidade por meio da aplicação de métodos cientificamente validados. curso. ressaltando a progressão e a articulação entre elas. estudo independente. TÉCNICA – Operacionaliza o método. RESENHA – Trabalho acadêmico que consiste na apresentação do conteúdo de uma obra feita por meio da sua apreciação. TEORIA DO CONHECIMENTO – Área da Filosofia que estuda as condições de construção do conhecimento humano a respeito da realidade. valorizando a observação. de explicar o mundo exterior.. LEHFELD. p. SENSO COMUM – Modo espontâneo de conhecer e que se obtém no cotidiano. PESQUISA – “Ato dinâmico de questionamento.. indagação e aprofundamento” (BARROS. uma concepção metódica e sistematicamente organizada sobre determinado assunto” (ARANHA. 2006. SUJEITO – É o ser humano que construiu inteligibilidades que permitem compreender um fenômeno da realidade. TEORIA – “Construção intelectual para justificar ou explicar alguma coisa. p. a teoria é uma etapa do método científico. [. O sujeito é capaz de se apropriar.

158 PATRÍCIA MOTA SENA .

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