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METODOLOGIA

DO TRABALHO
CIENTÍFICO

METODOLOGIA
DO TRABALHO
CIENTÍFICO
Patrícia Mota Sena

COLEÇÃO FORMANDO EDUCADORES
EDITORA NUPRE
2009

por escrito.Faculdade de Tecnologia e Ciências. por quaisquer meios.ftc. da REDE FTC . www. É proibida a reprodução total ou parcial.610 de 19/02/98. sem autorização prévia.REDE DE ENSINO FTC William Oliveira PRESIDENTE Reinaldo Borba VICE-PRESIDENTE DE INOVAÇÃO E EXPANSÃO Fernando Castro VICE-PRESIDENTE EXECUTIVO João Jacomel COORDENAÇÃO DE PRODUÇÃO Cristiane de Magalhães Porto EDITORA CHEFE Francisco França Souza Júnior CAPA Mariucha Silveira Ponte PROJETO GRÁFICO Patrícia Mota Sena AUTORIA Amanda Rodrigues DIAGRAMAÇÃO Mariucha Silveira Ponte Amanda Rodrigues ILUSTRAÇÕES Corbis/Image100/Imagemsource/Stock.br .Xchng IMAGENS Hugo Mansur Márcio Melo Paula Rios REVISÃO COPYRIGHT © REDE FTC Todos os direitos reservados e protegidos pela Lei 9.

39 ESTUDOS DE CASO .......................... 117 2..................1 CONTEÚDO 1................................ 117 2...................83 2....3 CONTEÚDO 3...... PESQUISA CIENTÍFICA E MÉTODO........... 45 1.........................1 TEMA 3........... PESQUISA E DOCÊNCIA....................... 41 1.............33 MAPA CONCEITUAL................................. A TEORIA DO CONHECIMENTO .... 54 1............................................................................1 CONTEÚDO 1...................................................79 2 A COMUNICAÇÃO CIENTÍFICA E A CONSTRUÇÃO ACADÊMICA DO CONHECIMENTO...................................................................................85 2.....................2.........................................................141 MAPA CONCEITUAL.........4 CONTEÚDO 4... CONCEITO.......... PROJETO.........2...11 1.2..........................................2 TEMA 2.................................................. 147 ....1 CONTEÚDO 1........................................................... RELATÓRIO E MONOGRAFIA ................................120 2........4 CONTEÚDO 4...... O SER HUMANO... A SOCIEDADE E O CONHECIMENTO................................. PORTFÓLIO..........................2 CONTEÚDO 2.. 96 2.................. METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO: APRESENTAÇÃO DA DISCIPLINA ............27 1..1 TEMA 1.......................................................2..............................2 CONTEÚDO 2............................................................................................................................ 40 EXERCÍCIOS PROPOSTOS ...........................1 CONTEÚDO 1....................................................... METODOLOGIA E ESTRUTURA DOS TRABALHOS ACADÊMICOS III.......................... FINALIDADES E REQUISITOS DA PESQUISA CIENTÍFICA ..................... METODOLOGIA E ESTRUTURA DOS TRABALHOS ACADÊMICOS II ........................... A LINGUAGEM CIENTÍFICA E AS REGRAS DA ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS (ABNT) ...........................................4 CONTEÚDO 4........2...........................2 CONTEÚDO 2... 19 1......... METODOLOGIA E ESTRUTURA DOS TRABALHOS ACADÊMICOS I .. 66 MAPA CONCEITUAL................ REGISTRO E SISTEMATIZAÇÃO DO CONHECIMENTO ...............11 1........ CONCEPÇÕES DE CIÊNCIA ......................85 2.................... TÉCNICAS PARA SISTEMATIZAÇÃO DO CONHECIMENTO I .... 111 ESTUDO DE CASO .................................... TÉCNICAS PARA SISTEMATIZAÇÃO DO CONHECIMENTO II ..1..................................102 2........................................................................2............................................ 9 1.....................................................1... 134 2.....................................1..................... LEITURA E ANÁLISE DE TEXTOS ....3 CONTEÚDO 3.........1..........................................................78 EXERCÍCIOS PROPOSTOS .... MÉTODO E ESTRATÉGIA DE ESTUDO E APRENDIZAGEM........................................................4 CONTEÚDO 4................ ESTRUTURA E ORGANIZAÇÃO DE TRABALHOS ACADÊMICOS..63 1.....................................2 CONTEÚDO 2................2............................. A PESQUISA CIENTÍFICA E SUAS FASES.................................. SUMÁRIO 1 O CONHECIMENTO HUMANO E A CIÊNCIA ..................2............ 45 1...................................106 MAPA CONCEITUAL..........1...................77 ESTUDO DE CASO .......................................................................113 2.............................3 CONTEÚDO 3.........1....1.........................3 CONTEÚDO 3..............2 TEMA 4.....112 EXERCÍCIOS PROPOSTOS ............................1................................. TIPOS DE CONHECIMENTO ..............................

.....................................................................159 ........................... ESTUDO DE CASO ............................154 GLOSSÁRIO ............................................................................................................................................................................................................................................................148 EXERCÍCIOS PROPOSTOS ..........................................155 REFERÊNCIAS ..........................148 GABARITO DAS QUESTÕES......................................................................................................................................................

episte- mologia e educação como forma de aproximar você. considerando suas possibilidades e desafios no Ensino Superior. e deve perceber que também ele precisa mudar. a observação acurada e a ação consciente sobre a realidade. apresentamos discussões acompanhando as análises dos autores que se especi- alizaram em Metodologia do Trabalho Científico e em questões pertinentes a essa disciplina. enfatizando que todos nós podemos construir habilidades que favoreçam a produção de conhecimento. 2008. estudante-leitor. trazendo textos selecionados a respeito de temas como pesquisa. tais como o sen- so crítico. na autodisciplina e na maneira de conduzir sua vida de estu- dos. o planejamento. Este livro discute os principais aspectos que compõem a Metodologia do Trabalho Cien- tífico. Para tanto. para as suas inquietações e questionamentos. para tirar o maior proveito possível da excelente oportunidade de crescimento cultural que a faculdade lhe oferece (RUIZ. Patrícia Mota Sena . Portanto. for- necendo-lhe as bases para que possa caminhar com sucesso na vida acadêmica. 20). métodos de estudo. com as condições da produção científica e com o papel do sujeito na transformação da realidade. Ela é uma disciplina que se preocupa com o contexto de construção de conhecimento. APRESENTAÇÃO Quem acaba de entrar para a faculdade percebe que muita coisa mu- dou. do que há de mais atual na bibliografia da disciplina. A nossa maior preocupação é inserir o estudante no contexto do Ensino Superior. Acreditamos que um dos maiores méritos da Metodologia é es- timular a autonomia. para as necessidades da sociedade que nos cerca e para o contexto da Educação. p. É importante ressaltar que a Metodologia não possui o seu horizonte limitado às tarefas didáticas ou à normatização de trabalhos acadêmicos. especialmente na res- ponsabilidade. atenta para a condição de ser humano. o espírito científico e o exercício da pesquisa. a sistematização.

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BLOCO TEMÁTICO O CONHECIMENTO HUMANO 1 E A CIÊNCIA .

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11 METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO . O SER HUMANO.] competência técnico- profissional. mas são instrumentos a serviço da produção de conhecimento. p. competência científica e competência política. 2006. com base em conhecimentos científicos assimilados em um processo de ree- laboração da ciência [. pois as regras. o Ensino Superior é também um espaço de contradição e de rupturas que deve proporcionar [. E isso pode ser observado não somente por meio da atuação dos profissionais egressos do Ensino Superior. XIII e XIV). O CONHECIMENTO HUMANO E A CIÊNCIA 1. formando profis- sionais competentes no domínio técnico de suas habilitações de trabalho.1.. de ambiente acadêmico.] e comprometidos com uma nova consciência social.. A SOCIEDADE E O CONHECIMENTO 1.1 TEMA 1. O espaço no qual se constrói o Ensino Superior é um local de ex- celência no desenvolvimento de um pensamento. isto é.. técnicas e normas são im- portantes. Como afirma Antônio Joaquim Severino (apud BARROS E LEHFELD. Ela fornece instrumentos para a construção de uma proposta de Universida- de. METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO: APRESENTAÇÃO DA DISCIPLINA A Metodologia do Trabalho Científico é uma disciplina que perpassa todo o contexto do Ensino Superior. mas também no debate e no cultivo à pluralidade de pensamento.1 CONTEÚDO 1. da socialização do conhecimento. da comunicação de ideias com o mundo.. Desta forma. precisamos evitar o tecnicismo. de reflexão sobre a reali- dade e de ação sobre ela. de análise crítica.

11). outra agir e outra fazer. as relações sociais. capazes de compreender e reavaliar sua existência e sua atuação na sociedade a partir de um projeto [. “cami- nho”. ou seja. ao associarmos conhecimento e prática profissional. tendo em vista a compreensão da disciplina de Metodologia do Trabalho Científico. Ele orienta os rumos de uma investigação e. Ainda segundo essa autora: Todo trabalho científico deve ser baseado em procedimentos metodo- lógicos. Tais operações são desempe- 12 PATRÍCIA MOTA SENA . consiste na “maneira de se proceder ao longo de um caminho”. a expectativa de entrar em contato diretamente com as disciplinas e conteúdos mais específicos da área escolhida é. “para” e hodos.. Mas isso é fruto de um preconceito ori- undo do desconhecimento acerca do significado dessa disciplina. No contexto de produção científica. é imprescindível trabalhar com método e agir com rigor.. percebemos que a Metodologia do Trabalho Científico não se limita aos afa- zeres didático-pedagógicos. a educação e o contexto acadêmico. Então. 30). seguindo critérios previamente definidos pela comunidade acadêmica. “pesquisa” (LAVILLE. pesquisa e sistematização: atividades que acompanham o estudante por toda a trajetória na academia. formado por meta. os quais conduzem a um modo pelo qual se realiza uma operação denominada conhecer. 1999. “prosseguimen- to”. ciência e transforma- ção da realidade. passaremos a discutir os significados de método e me- todologia. então.] voltado para a transformação qualitati- va dessa mesma sociedade no seu todo. p. Ao se debruçar sobre o estudo do método e das condições da pró- pria produção científica. especi- almente. abrangendo aspectos como a condição de ser humano. DIONNE. p. Desta forma. Vamos lá? MÉTODO é derivado do grego methodos. Nesse sentido. de suas temáticas e. essa disciplina integra teoria e prática. de acordo com Odília Fachin (2006. É a aplicação do método que confere validade e credibilidade aos resultados de uma pesquisa científica. Poder-se-ia. traduzir a palavra por “caminho para” ou. o que é metodologia? Qual a relevância da Metodologia Científica para o estudante do Ensino Superior? E o método? Qual o seu significado e a sua Função dentro da academia? Diante desses questionamentos. então. da sua importância para o desenvolvimento e êxito das atividades de estudo. por vezes. arrefecida pelo encontro inicial com a disciplina de Metodologia do Trabalho Científico.

Desta forma. Grifos da autora). que é a aplicação de métodos que confere cientificidade ao conhe- cimento construído. nhadas pelo ser humano a fim de desenvolver adequadamente um estudo (FACHIN. Essa escolha tem relação direta com a área específica da ciência na qual o objeto de estudo está inserido. em contrapartida. Percebemos. 2006. p. p. discutiremos mais adiante a relação entre conhecimento e verdade. Marconi e Lakatos (2009.Forma ordenada de proceder ao longo de um caminho. nem todos os ramos de estudo que empregam estes métodos são ciências. O método é a organização. Para complementar essa discussão. Isso significa que não existe um único método universalmente aplicável a todas as áreas científicas. p. 83) fazem uma ressalva muito importante quando analisam o conceito de método ao afirmarem que toda ciência se caracteriza pela utilização de métodos. 03). é preciso conside- rar a natureza do objeto e o objetivo da investigação. Como podemos operacionalizar um método? Veja o quadro a seguir: 13 METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO . o planejamento do ato de pesquisar. (BARROS E LEHFELD. De maneira geral. É responsável pela a- bordagem de um problema a partir da análise sistemática das suas possíveis soluções. Dessas afirmações podemos concluir que a utilização de métodos científicos não é da alçada exclusiva da ciência. Conjunto de proces- sos ou fases empregadas na investigação na busca do conhecimento. ele define o que deve ser feito nos processos de investigação. de ma- neira a ordenar as etapas e as atividades a serem desenvolvidas com o objetivo de construir conhecimento. mas não há ciên- cia sem o emprego de métodos científicos. as reflexões da área de Educação não são fundamentadas nos mesmos métodos em que se apoiam os estudos da História ou da Química. A escolha do método (ou dos métodos) que será aplicado em uma pesquisa varia de a- cordo com a natureza de cada problema que se deseja investigar. 2006. Vejamos: Todas as ciências caracterizam-se pela utilização de métodos científi- cos. Quanto à afirmação das autoras a respeito de se tratar de um conheci- mento verdadeiro. 29. Para tanto. porém nem todo conhecimento que os aplica pode ser considerado científico. então. Método . estudo e pesquisa.

2006. ela avalia os métodos disponíveis no campo das ciências. através de processos e técnicas. formado por um conjunto de etapas ordenadamente dispostas. fazendo-a transcorrer de forma mais hábil. e a técnica. 01). isto é. mais perfeita. análise crítica. p. MÉTODO E TÉCNICA “O método é um plano de ação. p. (FACHIN. “O método pode ser considerado como uma visão abstrata da ação. É através da Metodologia Científica que o aluno é confrontado com a realidade. verificando constantemente a sua validade na resolução de novos problemas ci- entíficos. Para me- lhor entender a distinção entre método e técnica. Desta forma. O método está relacionado à estratégia. a visão concreta da operacio- nalização” (BARROS & LEHFELD. 02). descrevemos e lançamos o nosso olhar sobre o mun- do. à tática. já a técnica está ligada ao modo de realizar a atividade. sistematiza- ção do conhecimento e autoavaliação do aprendizado. do questionamento e da expressão do saber construído contextualizado histórica. em geral. uma vez que se posiciona diante do conhecimento mediante a aplicação dos métodos disponíveis. As técnicas de pesquisa. social e culturalmente. técnicas e o corpo teórico que pauta a investigação. por sua vez. enquanto a técnica operacionaliza o método. METODOLOGIA corresponde a um conjunto de procedimentos a serem utilizados na obtenção do conhecimento. ao modo como compreendemos. 31) Quanto à metodologia. eles devem ser adequados a cada tipo de pesquisa. devemos levar em conta que o método refere-se ao atendimento de um objetivo. É a aplicação do método. podemos dizer que é a ação planejada e praticada a partir da u- nião entre métodos. METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO é uma disciplina instrumental e reflexiva que se propõe a desenvolver habilidades de observação. Já a Metodologia do Trabalho Científico é uma disciplina relacionada à epistemologia. e a Metodologia. política. p. 2006. estão relacionadas à coleta de dados. destinadas a realizar e a antecipar uma atividade na busca de uma realidade. Para além da aplicação de técnicas e normas. que garante a legitimidade do saber obtido (BARROS & LEHFELD. sistemati- 14 PATRÍCIA MOTA SENA . à parte prática”. ou seja. 2006. ela oferece os instrumentos intelectuais necessários à aprendizagem. Os métodos aplicados nas ciências humanas não são estanques. focalizando o aluno como um sujeito capaz de construir habilidades de pesquisa.

convido você para um passeio pela história no qual conheceremos um pouco mais sobre o surgimento das primeiras universidades e o seu papel na construção de conhecimento científico. levantando e formulando problemas. vivemos a era da informação. Atualmente vivemos um momento de transição. d) capacitação do aluno para que ele leia criticamente a realidade e produza conheci- mentos. • Metodologia do Trabalho Científico e Universidade Para que possamos compreender melhor as relações entre a Metodologia e o Ensino Su- perior na atualidade. analisando e interpretando-os e comunicando resultados. 07) elencam os principais objetivos dessa disciplina: a) “análise das características essenciais que permitem distinguir Ciência de outras formas de conhecer. c) oportunidades especiais para o aluno comportar-se cientificamente. período em que a I- greja Católica exercia papel preponderante na construção e preservação do conhecimento construído até então. b) análise das condições em que o conhecimento é cientificamente construído abor- dando o significado de postulados e atitudes da Ciência hoje. monografias. zação e seleção de informações e dados na busca do entendimento da realidade. f) fornecimento de processos facilitadores à adaptação do aluno. coletando dados para responder aos questionamentos. Vamos lá? As primeiras universidades surgiram no contexto da Idade Média. integrando-o à uni- versidade. Para muitos. no qual os paradigmas científicos es- tão sendo pensados com o objetivo de responder aos novos problemas da contemporanei- dade. Estamos falando da An- tiguidade Clássica. enfatizando o método científico e não o resultado. artigos científicos etc. minimizando suas dificuldades e apreensões quanto às formas de estudar e. de encontrar os meios de extrair o maior proveito do estudo”. p. e) vetor de informações e referenciais para a montagem formal e substantiva de traba- lhos científicos: resenhas. Mas muito antes da institucionalização formal do Ensino Superior. consequentemente. Reflita sobre como a disciplina de Meto- dologia do Trabalho Científico contribui para produção do conhecimento na contempo- raneidade e de que modo podemos significar a informação nesse contexto. po- demos identificar núcleos de circulação de saberes e conhecimentos.. Barros e Lehfeld (2006. 15 METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO .

De modo semelhante. no Egito. Filosofia e Retórica. DISPONÍVEL EM: <HTTP://WWW.] Na época. no Egito. não nos moldes como conhecemos hoje.HTM>. na qual os arqueólogos descobriram treze salas de leitura com capacidade para cerca de cinco mil estudantes. Os aprendizes – chamados de discípulos – se reuniam em torno de um mestre. tais como geógrafos. Abriga um planetário. Esse período compreende a Idade Média. Segundo esses estudos. FONTE: BIBLIOTECA ALEXANDRINA. 2009. Essas universidades eram corporações. A concepção da biblioteca como centro de convergência de culturas diversas e abertura ao conhecimento foi retomada nos anos 80 pelo projeto de construção da Biblioteca Alexan- drina. Foi entre os séculos XI e XV que surgiram as primeiras universidades no Ocidente. pautados na verdade da fé e nos estudos filosóficos da Antiguidade. por exemplo.BIBALEX. in- clusive autonomia. Tinham privilégios legais. o monopólio da educação superior em suas regiões.ORG/ENGLISH/OVERVIEW/OVERVIEW. que lhes transmitia seus conhecimentos. fundada no século III a. astrônomos. físicos e matemáticos. três museus e quatro galerias de arte. tendo o projeto se inspirado na antiga Biblio- teca de Alexandria. havia também centros de estudos.. inaugurada em 16 de outubro de 2002.. no qual a Igreja Católica foi responsável pela unificação do ensino em virtude da preocupação em formar o clero e prepará-lo para a ação política e religiosa. formando as escolas. A universidade medieval construía conhecimentos dogmáticos. e ca- da uma reconhecia os graus conferidos pelas demais. mas já se podia perceber o hábito das discus- sões abertas e dos debates públicos. mas locais de leitura. [. pres- 16 PATRÍCIA MOTA SENA . ACESSO EM: 16 AGO. admitia- se como indiscutível que as universidades deviam se concentrar na transmis- são do conhecimento e não em sua descoberta. com apoio da UNESCO. Na Grécia e Roma antigas havia escolas para formar especialistas em Direito. a Biblioteca de Alexandria chegou a ter 400 mil volumes e abrigava um museu que funcionava como centro de pesquisa – mantido pelo governo – onde trabalhavam profis- sionais de várias áreas.C. Na Antiguidade. como a Biblioteca de Alexandria.

] (BURKE. supunha-se que as opiniões e interpretações dos grandes pensadores e filóso- fos do passado não podiam ser igualadas ou refutadas pela posteridade. a interdisciplinaridade. para que cada pessoa 17 METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO . concretizando a associação entre o desenvolvimento industrial e ciência. a autono- mia e a liberdade da administração da instituição e da ciência que ela produz. p. 31). trazendo para a Universidade matérias mais empíricas. entre Estado e Universidade. pois “foram os homens da indústria que reconheceram que a aplicação do conhecimento cien- tífico aos seus inventos seria fator diferencial no desenvolvimento. porém autônoma. No contexto da Renascença e da Reforma Religiosa que caracterizaram a Idade Moder- na. o autor ex- plica que. p. 2003. a universidade se tornou centro de pesquisa. mas por meio [. para Humboldt. 205). presentes no texto “Sobre a Organização Interna e Externa das Instituições Científicas Superiores em Berlim” (1809). p. a relação integrada. O “pupilo” deverá ser estimulado para a “criação intelectual”. que contestou tal prática e deu uma conotação pro- fissional às universidades... No século XIX. no século XVIII. o objetivo é a formação de uma motivação própria. de tal forma que a tarefa dos professores se limitava a expor as posições das autori- dades [. fundada em 1808 pela iniciativa do linguista Wilhelm von Humboldt. As- sim. 2009. a Universidade passou a integrar pesquisa e ensino. mas resguardando todo o conhecimento produzido anteriormente. Humboldt – no documento mencionado – faz observações sobre o di- mensionamento do estudo científico que parecem direcionar os estudos na Universidade ape- nas para a investigação científica. Para Rohden. ainda sob a influência do pensamento iluminista. A partir de suas ideias.. Foi o Iluminismo. com objetivos práticos capazes de aliar conhecimento e pesquisa.] da precisão. como a Matemática e a Lógica. a contraposição dos segmentos burgueses e a expansão do comércio diversificaram o ensi- no. Ao comentar a relação entre estudo e pesquisa. 2008. tais como: a unidade entre ensino e pesquisa. na organização e na produ- ção industrial” (BRETAS. a com- plementaridade do ensino fundamental e médio com o universitário (PEREIRA. “Com- preender” e “conhecer” devem ser atraentes “não por meio de circunstâncias exteriores. tendo-os como verdades constituídas. harmonia e beleza intrínsecas”. 38). A definição da forma como a Universidade e as descobertas científicas poderiam aten- der às necessidades da sociedade capitalista industrial veio com a criação da Universidade de Berlim. Os princí- pios formulados por Humboldt fundam a universidade moderna e especificam as suas princi- pais características adotadas até hoje..

USP.IFSC. sob influência do modelo norte-americano. na Bahia. INSTITUTO DE ANATOMIA DA FACULDADE DE MEDICINA DE BOLONHA.HTM>. Ainda em 1808. que foi fechada com o golpe de 1964. a partir de 1937. as primeiras universidades foram criadas no Brasil. a junção de três ou mais faculdades le- galmente estabelecidas se chamava Universidade.540/68. que. possa aspirar ao conhecimento e à compreensão a partir da sua iniciativa própria (ROHDEN. Grifos da autora). A ditadura varguista. p. ACESSO EM: 16 AGO. No século XX. (FONTE: DISPONÍVEL EM: < HTTP://WWW. Antes da chegada da Família Real. 18 PATRÍCIA MOTA SENA . 2009). homens que desejavam seguir a carreira religiosa. em sua maioria. O mesmo aconteceu com a Universidade de Brasília (UNB). 23. em 1808.BR/~REGINALDO/HISTORIA/SEMIN1/ UNIVERSIDADES/UNIVERSIDADES. rompeu com o processo ascendente de expansão das universidades. NA ITÁLIA. a Universidade de São Paulo (USP) foi fundada e a de Minas Gerais foi reestruturada. já que as ditaduras são incompatíveis com os debates livres. Em 1934. pesquisa e extensão. foi responsável pela promulgação da Lei nº 5. os brasileiros estudavam na Universidade de Coimbra e eram. a partir de 1930. que trazia para a Universidade a ideia da integração entre ensino. NO PERÍODO MEDIEVAL AS ESCASSAS BIBLIOTECAS PERTENCIAM À IGREJA CATÓLICA. Em 1854 foram criadas as faculdades de Direito de São Paulo e de Recife. Naquele mesmo período. A redefinição do conceito de Universidade aconteceu em 1968 em decorrência da Re- forma Universitária. foi criada a Faculdade de Medicina. O CONCEITO DE UNIVERSIDADE NASCEU NAQUELE MOMENTO. 2002.

pode ser entendida como uma “Ciência da Ciência”. 19 METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO . então. a partir de agora. ramo da Filosofia que problematiza essas e outras questões relativas ao ato de conhecer. à validade das conclusões e à pertinência das hipóteses (ARANHA. Para essa autora. Qual a sua natureza? Como nós – indivíduos social e historicamente constituídos – nos relacionamos com o conhecimento? Veremos que conhecer o mundo é próprio do ser humano. Dessa maneira. ressaltam que uma epistemologia abrangente se preocupará antes em estudar e elucidar a “categoria geral do conhecimento” como condição inicial para o entendimento dos elementos que compõem a produção dos diversos tipos de conhecimento. conhecimento. Coadunando-se com essa abordagem. (MOSER. como Moser. a utilização do termo epistemologia adquiriu conotação direcionada ao estudo das condições de produção do conhecimento científico sob olhar crítico quanto ao método. + logos = teoria. p. LEHFELD. ao disponibilizar “instrumentos de crítica aos princípios e às elaborações do fato científico”. 2009. p. 06. E o ser humano é entendido como um ser cognoscente: um ser que CONHECE! PROBLEMATIZANDO O CONCEITO DE EPISTEMOLOGIA Epistemologia _________ episteme = ciência. 2006. ela está associada ao modo como compreendemos e descrevemos a realidade. explicação. p. que significa conhecimento) e de epistemologia (do grego episteme. orientando a ação e a reflexão dos investigadores na construção do co- nhecimento científico.2 CONTEÚDO 2. 2006. a teoria do conhecimento também é chamada de gnosiologia (palavra derivada do grego gnose. Para ele. discutindo os postulados das reflexões e da objetividade nos variados métodos aplicados. Promove. 1. estuda e avalia os fundamentos e a validade das ciências. inclusive caracterizando-os conforme seus domínios.) De acordo com Maria Lúcia Aranha.1. 40). as- pectos relacionados à Teoria do Conhecimento. Porém alguns autores. uma análise crítica a respeito da produção científica e de seus ele- mentos constitutivos. analisa e avalia a sua construção tendo como ponto de partida o ser humano. 160). outra definição para episte- mologia é trazida por Barros e Lehfeld. pois é preciso entender a realidade em que vivemos. pois consiste no exercício da reflexão e da análise da ciência sobre si mesma (BARROS. Veremos. ciência). estuda os elementos que constituem o conheci- mento. A TEORIA DO CONHECIMENTO Agora que já estudamos um pouco sobre a Metodologia e a construção do conhecimen- to na formação da universidade ao longo do tempo. que sugerem que a epistemologia. passaremos a examinar o próprio conhe- cimento.

2009. e Paulo Abrantes retoma seus principais aspectos. considerando a diversidade das ciências. 13). 2002. dessa forma. observando que “uma epistemologia de pouca envergadura pode lançar luz sobre a categoria do conheci- mento perceptivo. o autor faz a crítica de que os epistemólogos contemporâneos têm se preo- cupado com a elucidação de um único domínio do conhecimento. 1977). de suas condições de produção” (LAVILLE. fruto de um consenso provisório e instável’ (LEBRUN. mudanças radicais no consenso. histo- riador da Filosofia: a) Pluralidade das ciências: a epistemologia considera cada ciência em particular como ‘um território autônomo. regido por normas intrínsecas. 30). dessa maneira. Desta forma. A ressalva feita por Paul Moser só pode ser entendida se localizada no centro dos deba- tes sobre a ciência contemporânea. nas normas. p. O autor ressalta.. que é neces- sária a compreensão do significado do conhecimento como pressuposto para a discussão de um domínio particular de conhecimento. 28). ao passo que se nega.] idealmente. que rejeitam a utilização da denominação História da Ciência ou Filosofia da Ciência – com a palavra ciência utilizada no singular – como modo de afirmar a pluralidade dos campos científicos existentes. o científico. b) Desenvolvimento descontínuo do conhecimento científico: a his- tória das ciências é marcada por rupturas. a epistemologia pode ser entendida como “estudo da natu- reza e dos fundamentos do saber. O sentido de epistemologia como área da Filosofia voltada para a compreensão dos métodos em ciência é parte de uma discussão originada entre filóso- fos e historiadores da ciência franceses. particularmente de sua validade. [. de seus limites. por exemplo. que são o conhecimento cien- tífico. Nesse sentido. p. p. Sob esse aspecto. 20 PATRÍCIA MOTA SENA .. DIONNE. epis- temologia não poderia ser confundida com uma teoria geral do conhecimento. o conhecimento ético e o conhecimento religioso. uma e- pistemologia ideal seria abrangente e maximamente explicativa (MOSER. conforme as ideias de Gerard Lebrun. uma epistemologia abrangente lançaria luz sobre to- dos os domínios potenciais do conhecimento. em certo período. o conhecimento matemático. que deve se dedicar ao estudo do conhecimento científico. mas não dar contribuição alguma à compreensão de qualquer outro domínio potencial de conhecimento” (p. nas estratégias que caracterizam o trabalho científico numa de- terminada área. o conhecimento comum pela percepção. Ao realizar o estudo da ciência como uma das pos- sibilidades de conhecer a realidade. 1999. a ideia de que há uma universalidade do método (ABRANTES. 69). Tal noção de epistemologia pressupõe uma revisão da relação entre ciência e Filosofia. embora ela seja necessária e funcione como fundamento ao estudo epistemológico.

que. INATISMO E EMPIRISMO A questão que se coloca na teoria do conhecimento é. Assim. uma investigação histórica (os produtos teóricos das ciências sendo tratados como acontecimentos) e filoló- gica (a análise de tais produtos. dos argumentos de autoridade. filósofos. fruto de escolhas e decisões tomadas num trabalho coletivo) (ABRANTES. se faz necessária a análise de algumas questões que permeiam o entendimento do significado do próprio conhecimento. p. enquanto textos. em um primeiro momento. como René Descartes e John Locke. a seguinte: De onde vêm nossas ideias? A grande novidade introduzida por Descartes foi iniciar sua filosofia pela teoria do conhecimento. Chega 21 METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO . Converte então a dúvida em método e começa duvidando de tudo. desse modo. então. visa a exibir uma estratégia. 2002. das verdades de- duzidas pelo raciocínio. Leia o texto de Maria Lúcia de Arruda Aranha e reflita sobre as questões que seguem. passaram a investigar as origens do conhecimento respondendo de duas maneiras as questões mencionadas. Questões essas que são essenciais como objetos de reflexão da episte- mologia: O que é conhecimento? Como podemos conhecer? Qual (is) a(s) fonte(s) de conhecimento? Como conhecemos o que conhecemos? Por que conhecer? Para quê conhecer? Como o ser humano se relaciona com o conhecimento? Na época moderna. na busca de uma verdade primeira que não pudesse ser posta em dúvida. das afirmações do sen- so comum. Percebemos. c) Dissolução da imagem tradicional do conhecimento científico enquanto conjunto de verdades: as ciências passam a ser vistas como ‘aven- turas contingentes’ legitimando. surgiram as correntes inatista e empirista. antes de estudar especificamente o conhecimento científico. da realidade do mundo exterior e até do seu próprio corpo. 70-71). do testemunho dos sentidos.

há duas fontes possíveis para as nossas ideias: a sensação e a reflexão. diante dos polos sujeito – objeto. Descartes enfatiza o papel do sujeito. racionalismo. sempre sujeita a enganos”. privilegia o primeiro. que signi- fica ‘experiência’. 160-161). não poderemos saber se o que conhecemos é verdadeiro ou falso se não tivermos um critério seguro. Isso não sig- nifica que o empirismo despreze a razão. uma tábua sem inscrições. mas já se encontram no espírito humano. Tampouco significa que o racionalismo exclua a experiência sensível. Em resumo. 2006. uma cera na qual não há nenhuma im- pressão. como ideias inatas. mas a- penas a considera ocasião do conhecimento. para os aprioristas. a partir das quais podemos conhecer todo o resto: por isso sua filosofia é dita racionalista. apriorismo são conceitos que designam a teoria do conhecimento cartesiana. Segundo Locke. porém. idealismo. termo cuja origem é a palavra grega empeiría. Ao compararmos essa concepção empirista com o racionalismo. na ra- zão. constatamos que. que já nascem com o sujeito. pensa: ‘penso. Subjetivismo. enquanto a reflexão é a percepção que a alma tem daquilo que nela ocorre. inatismo. como as ideias mudam? . a reflexão se re- duz apenas à experiência interna e resulta da experiência externa produzida pela sensação. se o conhecimento é uma maneira de entrarmos em contato com a realidade. Daí em diante. isto é. segue outro caminho. Maria Lúcia de A. ergo sum). numa série de intuições. en- quanto Locke destaca o papel do objeto. A corrente empirista. que. pois vêm da razão. porque para ele a realidade se encontra em primeiro lugar no espírito. se duvida. uma intuição primeira. qual seja a existência de um ser que duvida e que.Se as ideias inatas são verdadeiras e não estão sujeitas ao erro porque vêm da razão. mas sim que a subordina ao trabalho anterior da experiência. mas criticou as ideias inatas de Descartes ao afirmar que a alma é como uma tabula rasa. logo existo’ (cogito. porque o conhecimento só começa após a experiência sensível. E esse critério está em nosso espírito. A sensação é o resultado da modificação feita na mente por meio dos sentidos. i- deias gerais que não derivam da experiência. ARANHA. São Paulo: Moderna. não sujeitas a erro. São ideias verdadeiras. Por isso sua teoria ficou conhecida como empirismo. p. Filosofia da Educação.A razão pode mudar ideias que eram consideradas universais e verdadeiras? 22 PATRÍCIA MOTA SENA . Portanto. então a uma verdade indubitável. o filósofo descobre ideias claras e distintas. . Também podemos dizer que se trata de um idealismo e um subjetivismo. no sujeito e se apresenta na forma de ideias. [John] Locke foi influenciado pelo pensamento cartesiano.

transforma-se. capaz de refletir sobre sua própria condição e me- lhorar suas condições de vida. inclusive. essa relação é histórica. com o surgimento do materialismo histórico. estamos em constante transformação. eventual. Vamos lá: Além da relação entre homens ser fundamental para se poder falar de homem. isto é. Pois é.. • O ser humano e o conhecimento Vamos começar refletindo sobre o que é o ser humano? Vamos pedir um auxílio a al- guns intelectuais. que. ou é resultado de uma escolha? Conhecemos para quê? 23 METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO . Não podemos perder de vista o aspecto histórico dessa relação entre os seres humanos (homens e mulheres) ao longo do tempo. Mas o ser humano não se constrói apenas na relação que estabelece com o mundo. o ser humano também se constrói na relação que estabelece consigo mesmo. ela se caracteriza como social (ANDERY et al- li. (Gosta- ria de ressaltar que estudos de gênero têm problematizado a utilização desse termo nas discus- sões científicas e na linguagem como um todo. é no processo de satisfação das necessidades materiais que o ser humano transforma o meio em que vive. transformando o próprio homem e alterando. mantendo uma forte relação com sua realidade material e concreta. constrói conhecimento e se reconstrói permanentemente. com a natureza. nesse sentido. homens e mulheres. e mesmo quando a atividade humana imediata é individual. produzem-se reci- procamente. Ele pode criar sua pró- pria vida. a sociedade e o homem. passaram a considerar o ser humano como um ser social. 407). entenda a aplicação do termo “homem” como ser humano universal. E tal relação somente é possível na medida em que o ser humano se relaciona com outros indivíduos. uma vez que ele universaliza e generaliza o ser humano a partir de um referencial masculino. constituem uma unidade. é um ser de consciência e ação. embora distintos. pois ela se transforma! Na citação a seguir e na subsequente. que é igualmente transposto para a ciência). que pode praticar ativi- dades livres e conscientes: o ser humano como processo de seus atos. 2004. filósofos. estudiosos da condição humana. transformando-a em benefício de suas necessidades. as suas necessidades: essas necessidades são tão mais humanas quanto mais o homem (mesmo mantendo a sua individu- alidade) for capaz de se reconhecer no coletivo.. tanto social como historicamente. como Karl Marx. Desta forma. para que possamos buscar entender um pouco mais essa questão! A partir do século XIX. Segundo Marx. p. Para complementar essa discussão podemos retomar os questionamentos que mencio- namos anteriormente e nos perguntar: O que nos faz querer conhecer? Conhecer é uma ação arbitrária.

o ser humano também necessita de uma dimensão individual que permita que ele seja capaz de sentir e significar o mundo que o cerca. em sua plenitude. O ser humano precisa compreender de que se trata a vida humana e. o que existe realmente independente do nosso pensamen- to. 79-80). o homem torna-se o ser verdadeiro capaz de olhar o mundo e vê-lo. questiona: “Qual a natureza das coisas?” e o coração. Assim é que a apropriação da realidade inclui o REAL. possui faculdades intrínsecas e extrínsecas que lhes possibilitam conhecer e pensar no atendimento às suas necessidades humanas básicas. seja ele qual for.. E para que possamos compreender um pouco mais a dimensão dos sentidos na busca do conhecimento pelo ser humano. p. 80 apud PASSOS. o ser humano não se preocupa apenas em garantir as suas necessidades físicas e sua sobrevivência. 2002). ou seja. ele também tem um coração e um corpo que precisam ser ligados emocional- mente ao mundo – ao homem e à natureza (FROMM. Entende-se por SER tudo aquilo que existe ou que se supõe existir. no cenário da vida. Desse modo. aquilo que existe apenas em nosso pensamento de modo imaginá- rio ou fictício. saber e ter conhecimento é apreender os seres e as coisas. 24 PATRÍCIA MOTA SENA . Por COISA. que é a dimensão sensorial. 1977. com reconhecimento do que vê e com atribuição de significado aos seres e às coisas” (TEIXEIRA. COMO CONHECEMOS O MUNDO? O ser humano. o ser humano possui duas dimensões: a “mente” e o “coração”. representa.. mas como um ser que conhece a partir de suas relações com o outro. precisa também estabelecer laços com aqueles que o cercam. [. que é o aspecto ra- cional. per- gunta: “Qual o sentido que essas coisas têm para nós?” O homem não só tem uma mente e necessita de um sistema de orien- tação que lhe permita compreender e estruturar o mundo que o rodeia. Conhecer. Diferentemente dos outros animais. tudo aquilo que existe ou poderia existir. Bem. conhecer e pensar colocam o universo ao nosso alcance e lhes dão sen- tido. ou seja. É através desses laços que o ser humano constrói a sua individualidade. p. O conhecimento. vamos a- companhar o pensamento de Eric Fromm. Ambas ligam o ser humano à realidade.] Para Ruiz. para tanto. Para ele. não como um ser iso- lado. 2005. A mente. finalidade e razão de ser. que é a totalidade das coisas conhecidas pelo sujeito. e o IDEAL. a apropriação da realidade.

eliminando o conformismo. Essa palavra vem acompanhada do prefixo reforçativo “e”. elucidar significa trazer à luz muito fortemente. Podemos dizer. ATO DE CONHECER: é o processo de interação entre sujeito e objeto. então. Nesse sentido. um fenômeno ou acontecimento que passaremos a chamar de objeto. pois nos diz apenas onde obtemos conhecimento.] é produto de um enfrentamento do mundo realizado pelo ser hu- mano que só faz plenamente sentido na medida em que o produzimos e o re- temos como um modo de entender a realidade. p. que pode tornar a realidade clara e cristalina. 25 METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO . mas é insatisfatória. diz-se que o conheci- mento existe quando a pessoa ultrapassa o “dado” vivido. a esse ser que conhece chamaremos de sujeito! • Elementos do processo do conhecimento SUJEITO: é o ser humano que construiu inteligibilidades que permitem compreender um fenômeno da realidade.. De forma mais simplificada. iluminar. OBJETO: é o mundo exterior ao sujeito. que significa trazer à luz. 30). de explicar o mundo exterior. iluminar com intensidade. O ato de conhecer como elucidar é o esforço de entender a realidade. conhecer pode ser entendido como elucidar a realidade. explicando-o”. Esse dado vivido pode ser uma parcela do real. o conhecimento [. o conhecimento se configura como um instrumento de mudança. p. uma vez que pode se transformar em consciência social. A palavra “elucidar” deriva do latim lucere. Então. buscando o sentido das coisas. o conhecimento pode ser compreendido como “a manifestação da consciência-de-conhecer. Desse modo. RESULTADO: é o conhecimento propriamente dito. O sujeito é capaz de se apropriar. Já que estamos falando de conhecer o mundo. trazer à luz a realidade. Essa resposta não é equivocada. 48). pensamos que conhecimento é tudo o que aprendemos nos livros. que nos facilite e nos melho- re o modo de viver. do ponto de vista da origem da palavra. que quem conhece consegue se apropriar do objeto que conhe- ceu? Bem. Essa luz é a luz da inteligência. podemos nos perguntar: O que é conhe- cimento? Em geral.. Para Barros e Lehfeld (2006. favorecendo a autonomia e o senso crítico. com nossos professores e com os pais. Para Luckesi (1996. Podemos entender conhecimento como elucidação da realidade.

de uma ou de outra forma. quando existe um observa- dor. contudo. Mas esse produto. “É necessário. independentemente de haver ou não quem os conheça. 26 PATRÍCIA MOTA SENA . a percepção que ele tem do fato é que se chama fenômeno. Pessoas diversas podem observar no mesmo fato fenômenos diferentes.) de mútua e constante transformação” (BARROS e LEHFELD. Os fatos acontecem na realidade. O mesmo é válido para o objeto. É a explicação sintética produzida pelo sujeito por meio de um esforço de análise metodológica da realidade que a torna inteligível. compartilhado. 2000.). 55). explicitar o que é fato e fenômeno dentro da perspectiva a ser considerada para a aplicação dos métodos científicos (. Cabe ao pesquisador eleger uma parcela da realidade a qual deseja desvendar... dependendo de seu paradigma que. A compreensão de um determinado fato ou fenômeno estudado (objeto) e que já pode ser exposto. com o mundo exterior. FATOS E FENÔMENOS A realidade se apresenta de maneira multifacetada e possui variados aspectos que po- dem se constituir em objeto de investigação científica.. p. o conhecimento. que se constitui na relação que estabelece com o sujeito. acaba por formular concepções e referenciais sobre as relações de ho- mem e mundo e sobre a existência humana percebida em sua dinâmica (.. Essa interação pode acontecer por meio da investigação. o sujeito só existe na sua relação com o objeto. reelaborado e reavaliado. Mas a realidade pode ser compartimentali- zada? Vejamos como Barros e Lehfeld apreendem as diversas instâncias do real. isto é.. da utilização de vários recursos que visam dar forma e conferir sentido ao objeto: compreendê-lo. pode ser revisto. comunicado. A existência do sujeito e do objeto é relacional. Os conceitos não nascem de dentro do sujeito.. pois a construção de conhecimento é um processo dinâ- mico e crítico. mas. O resultado é o conhecimento propriamente dito. O ato de conhecer é o processo de interação entre sujeito e objeto. compreensível. A partir da relação sujeito – objeto o ser humano pode trans- formar o meio em que vive. mas da relação que ele mantém com o objeto.

Veremos.] para qualquer homem. sendo superficial e assistemático porque é produto de ações não planejadas e não se organiza a partir da sistematização das ideias. nin- guém precisa devotar-se aos estudos mais avançados da psicologia para inte- 27 METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO .1.BLOGSPOT. • Conhecimento popular ou senso comum (FONTE: JARDIM DA FILOSOFIA. aplica e constrói diversos tipos de conhecimento por meio dos quais interage e contribui para a cons- trução social do meio em que vive. alguns tipos de conhecimento que permeiam as relações entre os in- divíduos e a realidade. decorrente das tradições.. TIPOS DE CONHECIMENTO O ser humano se relaciona com o mundo de diferentes formas e.COM/2008 _ 08_01_ARCHIVE. da cultura e dos saberes que obteve pessoalmente ou por meio do contato com outros indiví- duos. Tais experiências atingem a aparência dos fatos sem análise crítica ou demonstrações. DISPONÍVEL EM: HTTP://DUVIDA-METODICA. para tanto. É aque- le que resulta do modo espontâneo de conhecer e que obtemos no cotidiano. 1. Ninguém precisa estudar lógica e aprofundar-se nas teorias sobre a validade científica da indução ou nas leis formais do raciocínio dedutivo para ser natural e vulgarmente lógico. mas nós mesmos o organizamos de acordo com as nossas experiências.HTML . É construído a partir das experiências que todo ser humano acumula em sua vida.3 CONTEÚDO 3. Como afirma Ruiz [. a seguir. ACESSO EM 17 AGO.. a porção maior de seus conhecimentos pertence à classe do conhecimento vulgar. 2009) Também é denominado de conhecimento vulgar ou de conhecimento empírico.

28 PATRÍCIA MOTA SENA .. 96). que se transformam lentamente de acordo com os acontecimentos casuais com os quais ele se depara. na sociedade. grar-se na família. Dizemos que é um conhecimento não verificável porque nasce do exercício do pensamento sobre si mesmo. ele distingue os valores que norteiam as ações humanas. p. Esse tipo de conhecimento não busca as causas dos fenômenos e não se constitui como produto de uma reflexão. ao contrário do que ocorre no campo da ciência. da reflexão.] uma vez que as convicções são subjetivas e se traduzem por uma firme adesão da mente a enunciados evidentes ou não. e “os enunciados das hipóteses filosóficas. 2009). na medida em que questiona e reflete sobre a con- dição humana. 2008. verdadeiros ou não (RUIZ.WORDPRESS. pois nasce da tentativa dos indivíduos de resolver problemas da vida diária. unicamente recorrendo às luzes da própria razão humana”. constituindo um conjunto de enunciados relacionados logicamente. A compreensão filosófica pretende construir conhecimentos que orientem a ação humana. 2009. (FONTE: DISPONÍVEL EM: <HTTP://FILOSOFIAUNICO. não podem ser confirmados nem refutados” (MARCONI. ninguém precisa ser teólogo para adotar uma religião [.. ACESSO EM: 18 AGO. Dizemos que o co- nhecimento filosófico é valorativo porque. A Filosofia contribui para o ser humano adquirir consciência de si mesmo. no trabalho. p. ADOTAR UMA ATITUDE QUESTIONADORA ANTE A REALIDADE E NÃO SE CONFORMAR COM A APARÊNCIA DAS COISAS SÃO PASSOS IMPORTANTES PARA A SUPERAÇÃO DO SENSO COMUM. • Conhecimento Filosófico Este tipo de conhecimento utiliza procedimentos racionais e reflexivos na elaboração de críticas da realidade. 78-79) também consideram que o conhecimento filosófico não pode ser submetido à experimentação por ser caracterizado “pelo esforço da razão pura para questionar os problemas humanos e poder discernir entre o certo e o errado. LAKATOS. isto é. Por exemplo: o homem do campo sabe plantar e colher de acordo com os ensinamen- tos e os costumes locais. 78).COM/2009/04/20/DO-SENSO-COMUM-A-FILOSOFIA>. Marconi e Lakatos (2009. p.

inquirisse: O que é o amor? O que é o desejo? O que são os sentimentos? Se. jamais aceitá-los sem antes havê-los in- vestigado e compreendido. alguém que tomasse uma decisão muito estranha e começasse a fazer perguntas inesperadas. certa vez. teria passado a indagar o que são as crenças e os sentimentos que alimentam. por: O que é causa? O que é efeito?. suas afirmações por outras: “Onde há fumaça. Ao tomar essa distância. ou “não saia na chuva para não ficar resfriado”. agora. ou “eles são muito subjetivos”. a um filósofo: “Para que Filosofia?”. “seja objetivo”. resolvesse investigar: O que é a quantidade? O que é a qualidade? E se. Assim. em vez de falar na subjetividade dos namorados. os comportamentos de nossa existência cotidiana. em vez de afirmar que gosta de alguém porque possui as mesmas ideias. desejando conhecer por que cremos no que cremos. 29 METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO . os mes- mos gostos. Perguntaram. há fogo”. sem maiores considerações”. por que sentimos o que sentimos e o que são nossas crenças e nos- sos sentimentos. nossa existência. em lugar de discorrer tranquilamente sobre “maior” e “menor” ou “claro” e “escu- ro”. si- lenciosamente. “Esta casa é mais bonita do que a outra”. as ideias. uma primeira resposta à pergunta “O que é Filosofia?” poderia ser: A decisão de não aceitar como óbvias e evidentes as coisas. preferisse analisar: O que é um valor? O que é um valor moral? O que é um valor artístico? O que é a moral? O que é a von- tade? O que é a liberdade? Alguém que tomasse essa decisão estaria tomando distância da vida cotidiana e de si mesmo. os valores. Em vez de "que horas são?" ou "que dia é hoje?". os fatos. A ATITUDE FILOSÓFICA Imaginemos. as mesmas preferências e os mesmos valores. estaria interrogando a si mesmo. questionasse: O que é a verdade? O que é o falso? O que é o erro? O que é a mentira? Quando existe verdade e por quê? Quando existe ilusão e por quê? Se. Esse alguém estaria começando a adotar o que chamamos de atitude filo- sófica. por: O que é “mais”? O que é “menos”? O que é o belo? Em vez de gritar “mentiroso!”. as situações. por: O que é a objetividade? O que é a subjetividade?. perguntasse: O que é o tempo? Em vez de dizer "está sonhando" ou "ficou maluca". quisesse saber: O que é o sonho? A loucura? A razão? Se essa pessoa fosse substituindo sucessivamente suas perguntas. E ele respondeu: “Para não darmos nossa aceitação imediata às coisas.

. 2009. ou parte do que Deus falou.htm>. a toda a Humanidade. Acesso em: 16 ago. constitui uma verdade inconteste.br/03_filosofia/03_01_convite_a_filosofia/convite_a_filosofia. Segundo Marconi e Lakatos (2009. reveladas. Deus tem ciência infinita. pois a visão sistemática do mundo é interpretada como decorrente do ato de um criador divino. considerando a tradição judaico-cristã: PASSOS DO CONHECIMENTO TEOLÓGICO 1. que.]. por seu próprio conceito. 5. Deus tem poder infinito e. não foram adulterados. Disponível em: <http://www.. fazendo-os participantes de seus conhecimentos. p. com. a revelação direta a alguns profetas e hagiógrafos que se comunicariam depois com outros homens. Entre as diversas maneiras de se comunicar com os homens poderia escolher a reve- lação direta a cada um. 3. falando ou escrevendo sob inspiração divina. Se tudo o que está na Bíblia encerra a própria ciência divina comunicada por Deus aos homens.pop. 4. 6. Deus existe. forne- cendo um conhecimento sistemático e objetivo acerca do mundo. Deus falou de fato aos profetas e.pfilosofia. a relação que o indivíduo estabelece com o conhecimento religioso “passa a ser um ato de fé. Os textos bíblicos são autênticos. quatro ou mais milênios. CHAUI. Marilena. dizemos que suas verdades são infalíveis e indiscutíveis. tem o poder de se comunicar com os homens. pelos profetas. 8. 79). portanto. possuindo um ca- ráter inspiracional. a todo o seu povo e. e são suficientemente cla- ros e explícitos para que possamos entender hoje quanto foi escrito a dois. 2. Convite à Filosofia. Apoia-se em doutrinas sagradas. A caracte- rística fundamental desse tipo de conhecimento é a aceitação do dogma. 7. pelo seu Filho Jesus Cristo. então. cujas evidências não são postas em dúvida nem sequer verificáveis”. Por isso. se Deus merece todo crédito e exige que os homens recebam a sua palavra e aceitem como condição de salvação. O que Deus falou. é natural que não se procure a evidência dos conteú- 30 PATRÍCIA MOTA SENA . Veja o quadro a seguir com algumas premissas do conhecimento teológico. ou. no sobrenatural. está escrito nos textos das escrituras sagradas do antigo e novo testamentos [. • Conhecimento Religioso O conhecimento religioso também é denominado de teológico e se fundamenta na auto- ridade divina.

Para essas autoras. Metodologia científica: guia para eficiência nos estudos. que não exige sistematização porque nasce da experiência. baseada no senso comum ou na experiência cotidi- ana. finalmente. É um conjunto or- ganizado de conhecimentos sobre determinado objeto. É importante destacar que essa não é a única forma válida de conhecer a realida- de. João Álvaro. 2009).SAOBERNARDO. e possui uma relativa capacidade de previsão. Importante considerar a ressalva que Marconi e Lakatos fazem quanto aos tipos de co- nhecimento. o sujeito cognoscente pode penetrar nas diversas áreas: ao es- tudar o homem.GOV.BR / DADOS1/MATERIAS/4451. 6. É verificável. Ele nasce da dúvida e é factual. porque lida com a ocorrência dos fatos e fenômenos. (RUIZ. São Paulo: Atlas. no processo de apreensão da reali- dade do objeto. p. mas que se aceite o dogma “porque assim foi divinamente revela- do. religioso e científico. • Conhecimento Centífico RESTAURAÇÃO DE DOCUMENTOS ANTIGOS. através de inves- tigação experimental.JPG. pode-se tirar uma série de conclusões sobre sua atuação na sociedade. 2008. pode-se observá-lo como ser criado pela 31 METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO . Apesar da separação ‘metodológica’ entre os tipos de conhecimento popular. verificando. 105). pode-se questioná-lo quanto à sua origem e destino. pois não se constitui em um tipo de conhecimento absoluto. ed. FONTE: DISPONÍVEL EM: HTTP://WWW. uma vez que novas proposi- ções e o desenvolvimento de novas técnicas podem reformular os postulados científicos já existentes. ACESSO EM: 18 AGO.SP. o conhecimento científico requer um planejamento rigoroso. dos da revelação divina. deve ser comprovado. as relações existentes entre determinados órgãos e sua funções. isto é. sendo obtido a partir da observação dos fatos e da investigação. por exemplo. filosófico. Distintamente do conhecimento popular. pode-se analisá-lo como um ser biológico. assim como quanto à sua liberdade.

O conhecimento científico é programado. João Álvaro.]. divindade. enquanto o conhecimento vulgar normalmente gera certezas desde o seu nasci- mento. enquanto o conhecimen- to científico justifica e demonstra os motivos e fundamentos de sua certeza. 6. 32 PATRÍCIA MOTA SENA . p. e não concatena a congérie fragmentária de conhecimentos em corpo ordenado de enunciados logicamente inter- relacionados e subordinados uns aos outros. Metodologia científica: guia para eficiência nos estudos. Vale dizer que o conhecimento vulgar atinge as coisas. não procede com vigor de método ou de linguagem. enquanto o conhecimento científico estabelece leis váli- das para todos os casos da mesma espécie que venham a ocorrer nas mesmas condições. O conhecimento científico nasce da dúvida e se consolida na certeza das leis demons- tradas. (RUIZ. ametódico. assistemático. não analisa. portanto. cabe acrescentar que a divisão apresentada neste livro é composta pelas análises dos diversos autores que a utilizam como estratégia didática de compreensão das formas com as quais o ser humano lida com o conhecimento. com os outros e consigo mesmo. no sentido de não exigir demonstração..]. rigoroso. p. LAKATOS. por isso. enquanto o conhecimento científico estuda sua constituição íntima e suas causas.. O conhecimento vulgar atinge o fato. O conhecimento vulgar gera certezas intuitivas e pré-críticas. CARACTERÍSTICAS QUE CONTRAPÕEM O CONHCIMENTO CIENTÍFICO AO CONHECIMENTO VULGAR O conhecimento científico é privilégio de especialistas das diversas áreas das ciências. portanto. O conhecimento científico é crítico. o singular. e é mais fiducial e de aceitação passiva que objetivo. sistemático. metódico. e meditar sobre o que dele dizem os textos sagrados (MARCONI. O conhecimento vulgar associa analogias globais e. 2009. enquanto o conhecimento vulgar é ocasional. enquanto o conhecimento vulgar é comum e possível a todo ser humano [.. à sua imagem e semelhança. não raro se trata de certezas ingênuas de um realismo pré-crítico [. enquanto o conhecimento vul- gar não questiona. e. objetivo. o fenômeno e. São Paulo: Atlas. está menos sujeito ao erro nas deduções e prognósticos. 2008.. ed. Dessa maneira. que consideram a coexistência dos tipos de conhecimento estudados em um mesmo indivíduo como produto das relações que estabelece com o mundo. 97). orgânico. está mais sujeito ao erro nas deduções e nos prognósticos. 80). enquanto o conhecimento científico procura as relações entre os componentes do fenômeno para e- nunciar as leis gerais e constantes que regem estas relações.

• A concepção grega (século VIII a. os seres humanos passaram a investigar. até século XVI) Os gregos foram os primeiros a buscar um conhecimento que não tivesse relação imedi- ata com a resolução de problemas diretamente cotidianos. conseguiu dar respostas e avançar na compreensão do mun- do. ao longo do processo histórico. Debruçaram-se sobre o próprio pensamento. As ações de homens e mulheres eram explicadas pela interferência divina.1. Assim nasceu o método em ciência. buscando conhecer o POR QUÊ e o PARA QUÊ com o objetivo de compreender a natureza das coisas e do ser humano. Desta forma. é transmitido por meio de gerações como forma de explicar o mundo. na Idade Moderna e na Ida- de Contemporânea. se- ja de partes dessa realidade. pretende também explicar os efeitos provocados pela interfe- rência desses seres ou forças. buscando a melhor manei- ra de superar os desafios. como a ciência foi vista na Antiguidade. a origem. buscando respostas por caminhos que pudessem ser comprovados. Além disso. pois os deuses eram antropomórficos (possuíam qualidades e defeitos humanos). Antes do surgimento do pensamento filosófico. explicação que não é objeto de discussão. explicar a natureza que o cerca e a sua própria natureza. O entendimento do ser humano sobre o mundo passou da temeridade e do espanto para a tentativa de explicar a realidade por meio do pensamento mitológico e da crença no sobre- natural. seja de uma realidade completa como o cosmos. a seguir. 1. por meio de forças ou seres considera- dos superiores aos humanos. de fé. O QUE É UM MITO? O mito é uma narrativa que pretende explicar. ela é objeto de crença. ela une e canaliza as emoções cole- 33 METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO . Veremos. o mito apresenta uma espécie de comunicação de um sentimento coletivo. O aparecimento dos filósofos na Grécia foi responsável pela contestação e pelo questionamento dessa visão de mundo. ao contrário. Como as crenças e a mitologia passaram a não responder a todos os questionamentos humanos.4 CONTEÚDO 4. não é objeto de crítica. cada período da História forneceu explicações diferenciadas de ciência e mé- todos próprios de cada período.C. Tal narrativa não é questionada. as explicações mitológicas do mundo predominavam. CONCEPÇÕES DE CIÊNCIA O ser humano. sempre se esforçou em compreender a realidade. Assim.

pois não poderiam fornecer explicações concretas. poderia encontrar respostas realmente seguras sobre as transformações da natureza. tivas. A Filosofia surgiu como uma discussão da realidade que não era questionada pelos mitos. uma vez que permitia a re- tomada daquilo que foi escrito. a Filosofia libertou o conhecimento da religião e deu o primeiro passo em direção a uma forma científica de pensar. da medição e da comprovação. Os filósofos surgiram em Atenas. com o exercício de uma democracia parti- cipativa praticada nos tribunais e assembleias. para eles. A invenção da moeda – que é a representação abstrata de um valor – e o nasci- mento da pólis conferiram maior autonomia ao homem. as pessoas recebiam uma educação que incluía a arte de falar bem. ele sugeria que os valores deveriam ser avaliados em relação às necessidades do homem. Desta forma. É indispensável na vida social. nada. pois. A principal característica dos sofistas era a visão crítica que eles possuíam sobre a mito- logia. na medida em que fixa a palavra. Os sofistas. pois. eles partiram para o estu- do do ser humano e da vida em sociedade. 2004. nem mesmo a Filosofia. A escrita exige maior clareza e rigor. Sem poder explicá-las. O surgimento da escrita possibilita a prática de uma maior abstração. estimulando o pensa- mento crítico. Para tanto. mas queriam descobrir os mistérios e as causas dos fenômenos naturais a partir da observação. pois ele passara a expressar a individualidade do seu pensamento. para eles. • A concepção moderna (século XVII até o século XX) A concepção moderna de ciência propõe a conquista do conhecimento por meio da ex- perimentação. Essa cidade-estado possuía uma vida política e cultural muito intensa. O homem do Renascimento contestava a ideia grega de que o conhecimento poderia ser atingido apenas por meio da reflexão e passou a in- 34 PATRÍCIA MOTA SENA . a Retórica. em geral. porque. Quando Protágoras afirmou que “o homem é a medida de todas as coisas”. centro cultural do mundo grego. Para que essa participação fosse exercida. tranquilizando o homem num mundo que o ameaça. p. não analisavam a vida material sob o ponto de vista da mitologia. que se mantinham lecionando para os cidadãos atenienses. Atenas passou a receber mestres e filósofos de outras cidades-estado. 20). havia uma lei que regia todos os fenômenos. na medida em que fixa modelos da realidade e das atividades humanas (ANDERY. leva os indivíduos a refletirem sobre ela e isso modificou a estrutura do pensamento. A passagem do mito à razão e a presença dos filósofos da natureza constituíram proces- sos que foram acompanhados de outras transformações. Essa foi uma forma de questionar a mitologia como explicação das relações humanas. especialmente os sofistas.

ele resolveu submetê-la a um teste público. viram-nas cair uniformemente e. A ciência moderna realizou uma ruptura com a Filosofia e com a religião. se deixaram levar pelo deslumbramento e fizeram com que a ciência e a técnica se desviassem da sua desti- nação de aprimorar a qualidade da vida humana. foi para o topo da torre levando consigo duas bolas. como se ela fosse a resposta correta e única para os problemas humanos. esses estudiosos levaram os filósofos da época a exaltar o valor da experi- mentação e. atin- 35 METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO . Galileu. Considerados grandes experimentadores. Esses mitos atingiram leigos e cientistas que. Como os professores zombavam da afirmação de Galileu. O método empírico pressupõe que o conhecimento advém da experiência e o Renascimento trouxe experimentos sistemáticos com os quais os homens podiam experimentar.vestigar a natureza aplicando a observação e a experimentação. que. com o rigor do saber e com o avanço nas descobertas científicas. uma pedra que pesasse um quilo cairia duas vezes mais depressa que uma pedra que só pesasse meio quilo e assim por diante. até Galileu a ter rejeitado. impondo seus dogmas como verdadeiros. Convidou toda a universidade para testemu- nhar a experiência que ele estava prestes a realizar a partir da torre inclinada. tais como a religião. em grande medida. ilustradas pelos corpos em queda livre. na presença de toda a universidade e de populares. Tal ponto de vista deu origem a dois mitos da ciência: o cientificismo e a neutralidade científica. por muito tempo. com um grande estrondo. O cientificismo é a confiança total na ciência. foram despre- zadas e consideradas formas menores de conhecimento. a Filosofia e o senso comum. Esse era o método empírico. Na manhã do dia combinado. Aceita- va-se o axioma de Aristóteles segundo o qual a velocidade dos corpos em queda livre era regulada pelos seus pesos respectivos: assim. largou-as jun- tas. no instante seguinte. A primeira prova de força de Galileu com os professores universitários esteve ligada às suas pesquisas sobre as leis do movimento. medir e comprovar na tentativa de entender e transformar a natureza. a desdenhar a preocupação dos filósofos medievais com a preservação da obra dos grandes filósofos clássicos. Essa ruptura foi motivada pela re- tomada dos resultados obtidos por cientistas como Galileu e Newton. Encostando cuidadosamente as bolas ao parapeito. dominou a produção e o acesso ao conhecimento. Ninguém parece ter questionado a correção dessa regra. As demais formas de entendimento da realidade. Na Idade Moderna. maravilhados com a efi- cácia da técnica. a ciência passou a ser vista como sobreposta às diversas outras for- mas de conhecer. uma com um peso de cinquenta quilos e outra com um peso de meio quilo. valorizando a racionalidade científica. Ele declarou que o peso nada tinha a ver com o assunto e que […] dois corpos com peso diferente […] cai- riam no chão ao mesmo tempo.

a teoria da neutralidade científica não se sustenta. Atualmente. Disponível em: CHALMERS. Disponível em: www.criticanarede. F.2006. pois a perspectiva crítica e au- toavaliativa da ciência contemporânea questiona a que fins se destinam as suas descobertas sem alegar isenção. política ou econômica. existem instituições e empresas que financiam investigações que mais lhe interessam. Leia atentamente o texto a seguir: A EPISTEMOLOGIA E A PRÁXIS PEDAGÓGICA Talvez o leitor ainda não esteja muito convencido da ligação intrínseca entre as ques- tões epistemológicas e a práxis educativa em sala de aula. A. ele poderá dar as seguintes respostas: 36 PATRÍCIA MOTA SENA . de acordo com o ramo ao qual pertencem.html Aces- so em: 01 de ago. A velha tradição era falsa e a ciência moderna. na pessoa do jovem investigador. Alem disso. ela adota a indução para se certificar e confirmar seus estudos.com/cienciaefactos. como foi o caso das pesquisas que levaram à bomba atômica. O discurso da neutralidade científica permitiu que o conhecimento científico fosse apropriado com fins altamente destrutivos. Muitos pensavam que a ci- ência era um saber neutro e que as pesquisas científicas não deveriam sofrer influência social. A neutralidade científica é outro mito da ciência moderna. A ideia da neutralidade científica é extremamente nociva porque pode gerar uma postu- ra passiva e não questionadora no cientista em relação a sua profissão e às implicações éticas da produção científica. Se perguntarmos a um professor o que ele considera importante fazer para que seu aluno aprenda de fato. Ao contrá- rio da concepção moderna. Embora o cientista tente produzir conhecimento desvinculado de ideologias. Por isso vamos dar alguns exem- plos. político e cultural que a rodeia. pois a produção científica não se realiza fora do contexto social. giram o solo ao mesmo tempo. Uma das possibilidades da ciência hoje é articular a produção científica com a ação pe- dagógica de forma a transformar a práxis de acordo com as referências epistemológicas da atualidade. a humanidade corre riscos com as pesquisas tecnológicas. Reflexões posteriores demonstraram que não é bem assim que ocorre. Uma perspectiva de senso comum amplamente de- fendida sobre a ciência. • Concepção contemporânea (século XXI) A ciência contemporânea pauta-se na incerteza e rompe com o cientificismo. tinha marcado a sua posição.

São Paulo: Editora Moder- na. O professor deve premiar quem trabalha bem e punir com nota baixa quem não se esforça. O sexto exemplo revela uma tentativa de superação das duas posições. p. são bastante reve- ladoras do caráter externo do processo. ao considerar o gosto de co- nhecer um elemento inato. Expressões como transmitir e treinar. 5. 3 e 4 fundamentam-se na tendência empirista. O esforço do professor é irrelevante diante de alunos carentes. em que o ensino se baseia em reforços positivos e negativos que modelam os reflexos condicionados. O professor deve desenvolver as potencialidades que todo aluno tem. assim como ao se referir a algo em potência que pode vir à tona. 6. Já o quinto e o sétimo exemplos se caracterizam pelo apriorismo. O terceiro exemplo é empirista também porque re- força a passividade do sujeito. Maria Lúcia de Arruda. mas se faz por estágios. 1. treinando o suficiente para fixar o que aprendeu. vindos de famílias sem tradição cultural. nos dois primeiros exemplos. 7. além disso. É importante que o professor saiba transmitir bem o conhecimento acumulado na cultura a que pertence. O empirismo do quarto exemplo apresenta ainda características típicas do behaviorismo. mal alimentados. a fim de criar situações para que ele aprenda por si próprio. porque partem do pressuposto de que o conhecimento é algo que vem de fora e o sujeito o recebe de maneira mais ou menos passiva. Os exemplos 1.165. 2. fruto de um mun- do externo hostil no qual ele está mal alimentado e mal informado. O bom professor é capaz de despertar no aluno o gosto pelo estudo. que precisaria ser revelado. conforme o caso. 3. na medida em que parte do pressuposto de que o conhecimento do aluno não é o mesmo para todos nem é estático. O aluno precisa estudar bastante. O professor precisa saber qual é o estágio de desenvolvimento intelectual do aluno com o qual vai trabalhar. Filosofia da educação. determinado pelo meio em que se insere. 2006. 2. 37 METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO . ARANHA. 4. ele enfatiza o aspecto pessoal e dinâmico do processo de conhecer.

38 PATRÍCIA MOTA SENA .

MAPA CONCEITUAL 39 METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO .

Formule uma questão- problema de maneira interrogativa: seu objetivo será tentar respondê-la e propor sugestões de solução para o problema levantado. identifique as causas disso e aponte soluções para fomentar a expressão desse conhe- cimento. seja na forma como as pessoas lidam com ele. Comece o seu estudo de caso resumindo as principais características de cada tipo de conhecimento estudado: Resumo: ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ Tipo de conhecimento escolhido: ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ Problema: ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ Dados Obtidos na Observação: ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ 40 PATRÍCIA MOTA SENA . escolha um e observe como ele se expressa na sua cidade.ESTUDOS DE CASO A proposta deste caso para ensino é investigar como os diversos tipos de conhecimento ocorrem na comunidade onde você vive. Identifique uma dificuldade seja na forma como ele é praticado. Dentre os tipos que estudamos neste tema. Caso o tipo escolhido por você não seja observável na sua cidade.

41 METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO . b) A ciência deve possuir um único objeto de estudo. além de am- pliá-la com novas investigações. porém. sistemático e planejado. é correto a- firmar: a) O texto retrata a ciência como um todo integrado no qual interagem as implicações metodológicas e contextuais na produção de um saber pelas causas. Disponível em: <http://br. Com base na leitura do texto acima e características da atividade científica. Respostas/Soluções para o Problema: ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ EXERCÍCIOS PROPOSTOS QUESTÃO 01 “Delimitar ou definir os fatos a investigar. separando-os de outros se- melhantes ou diferentes. como a metodologia. construir instrumentos técnicos e condições de laboratório específicas para a pesquisa. deixando de lado os aspectos metodológicos e materiais. e permitam a previsão de fatos novos a par- tir dos já conhecidos: esses são os pré-requisitos para a constituição de uma ciência e as exigências da própria ciência. geocities. o científico. pois esta- belece uma cadeia de causas e efeitos logicamente determinados. Convite à Filosofia.” (CHAUÍ. Marilena. experimentação e verificação dos fatos. d) A busca do ser humano pela compreensão da realidade foi responsável pela criação desse modo particular de conhecimento. racional. estabelecer os procedimentos metodológicos para observação. a técnica e os fenô- menos da realidade. Acesso em: 11 out.com/mcrost02/>. o texto acima coloca diver- sos objetos diferentes para a investigação científica. reconhecido de acordo com as caracte- rísticas apresentadas desde a Antiguidade. elaborar um conjunto sistemático de conceitos que formem a teoria geral dos fenômenos estudados. 2007). c) O texto acima compreende a dimensão lógica do conhecimento científico. que controlem e guiem o andamento da pesquisa.

da linguagem comum [. No cotidiano. originando um conhecimento superficial e não causal.. IV. resistem. c) II e III. se organizam para sobreviver.. [. o conhecimento popular se constrói a partir da experiência. d) III e IV.] O laboratório é um lugar diferente. Das proposições acima. Conhecimento popular e conhecimento científico se aproximam.] Na ciência.. por sua vez.. transmitidos e modificados de geração para geração. lutam. os locais que sintetizam suas práticas. [.. valores e ex- pectativas do dia a dia. sobrevivem e. associado aos estudos sobre o conhecimento popular e conhecimento científico. um dia morrem”. isto é.] o cotidiano é a hora da verdade. subalternizados. defi- nir não significa apenas dar um nome.. aspectos que o caracterizam. que a linguagem científica difere.. já que ambos rea- lizam reflexões aprofundadas.. são explorados. construindo instrumentos capazes de explicar fenômenos da natureza e do cotidiano. (GARCIA.] os cientistas definem aquilo que percebem em seus laboratórios.. QUESTÃO 03 “No mundo de hoje. criado artificialmente de modo a tornar possível certas práticas e ações. p. possibilitam a criação de novos objetos. ou pelo menos percebem. Mas como chegam os cientistas a criar esses termos estranhos e difíceis? [.] É ali. A definição de um conceito científico seria relevante para que os objetos da prática cotidiana pudessem ser conhecidos. III. 195). Uma das mais importantes atividades 42 PATRÍCIA MOTA SENA . II. 2003. No entanto.]. são muitas as pessoas que sabem. como todos os mortais. A experiência cotidiana dos indivíduos é inadequada para a realização de estudos ci- entíficos. u- sam astúcias para se defender das estratégias dos poderosos. e muito. sem a preocupação em definir as causas que geraram os fenômenos. sofrem. e assim vivem. As estratégias dos sujeitos mencionadas no texto correspondem à vivência cotidiana na qual o conhecimento popular é construído sem sistematização e sem a aplicação de méto- dos.. no cotidiano. as quais. analise as proposições a seguir: I. estão corretas.. apenas: a) I e II. [. pois os objetos formais de investigação devem ser isentos de conflitos. definir é o mesmo que criar. já que eles não são perceptíveis se não nos comportarmos como cientistas.. que sujei- tos encarnados lutam. Com base no fragmento acima. QUESTÃO 02 “[. b) I e IV.

analise as propo- sições a seguir: 43 METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO . c) III. O autor afirma que o objeto formal da ciência em geral é a linguagem ao invés da na- tureza. Nessas últimas. Com base no texto acima e nos conhecimentos sobre as características da ciência. 17-29). 2000. apenas: a) I. nos planos individuais e co- letivos. v. III. d) II e III. C. Educação: da formação humana à construção do sujeito ético. contradizendo o princípio de que sua finalidade seja a descoberta dos fenômenos natu- rais. Com base no texto acima e na relação entre conhecimento e educação. p.P. particulares e universais”. (RODRIGUES. II. O modo de aquisição e de distribuição desses conhecimentos e habi- lidades se constituiu em paradigma que organiza todos os processos educati- vos. Antonio Augusto Passos. O autor quer dizer que não se conhece os fenômenos em profundidade sem uma pos- tura investigativa. Rio de Janeiro: Relume-Dumará. 76. Das proposições acima. uma das características que mais sobressaem é a construção de uma teia entre os con- ceitos” (VIDEIRA. VIDEIRA. Neidson. dos cientistas é a elaboração de teorias científicas. ao afirmar que os objetos do cotidiano são imperceptíveis se o sujeito deixar de se comportar como cientista. e estabelece o grau de responsabilidade para sua implementação por parte do poder público ou da iniciativa privada. anali- se as proposições a seguir: I. 12. O texto evidencia a indissociabilidade das dimensões compreensiva e metodológica da ciência: só se pode construir conhecimentos (conteúdo) com a utilização de métodos apro- priados de construção de discursos. 232-257. ao longo dos últimos dois séculos.N. QUESTÃO 04 “A aquisição de conhecimentos e a sua utilização prática na forma de habili- dades tornaram-se. p. 2001). estão corretas.A. nos fins e meios para todas as atividades educacionais nas sociedades modernas e se constituem em instrumentos fundamentais a serem possuídos por cada indivíduo na so- ciedade. b) I e II. n. Para que servem as definições? IN: EL-HANI. A. O que é vida? Para entender a Biolo- gia do século XXI.. Educação & Sociedade.

por sua natureza questionadora e por lidar com ocorrências ou fatos. Das proposições acima. por apoiar-se em doutrinas que contêm proposições sagradas. a educação dos últimos dois séculos iguala-se à ciência por se pau- tar pelo cientificismo. d) II e III. O uso. ao basear-se no exercício da razão instrumental que valoriza excessiva- mente a eficácia da ação humana. O autor afirma que a educação tem privilegiado o uso do conhecimento. quan- do dissociado da crítica e criação do conhecimento. b) I e II. fundamentando-se numa seleção ope- rada com base em estados de ânimo e emoções. A metodologia científica insere-se no novo paradigma educacional por proporcionar aos estudantes instrumentos para adquirir conhecimentos por meio da prática. III. 44 PATRÍCIA MOTA SENA . II e III. I. apenas. sendo valorativo. b) científico. QUESTÃO 05 Leia atentamente o texto a seguir: A discussão levantada pela tirinha ultrapassa gerações de estudos por toda a humanida- de. tendo sido reveladas pelo inspiracional. apenas. c) I e III. c) filosófico. Segundo o autor. pois seu ponto de partida consiste em hipóteses que deve- rão ser submetidas à observação e validação. classifica-se o assunto abordado como sendo de caráter: a) empírico. sendo infalíveis e não verificáveis. pois é passado de geração a geração. II. estão corretas a) I. d) teológico. caracteriza a postura de estar simples- mente no mundo. apenas. Desta forma. sendo demonstrável e falível em virtude de não ser definitivo.

Mesmo porque não exis- tem tantos métodos de estudo quanto poderíamos pensar ou que gostaríamos que houvesse. 35-36). que contribuem para o êxito na aprendizagem. p. Não se engane.2 TEMA 2.2. no estudo? Acredito que sim e tenho constatado. à quantidade de leituras e atividades e. Outras análises perceberam que os estudantes do ensino superior que obtêm maior êxito na aprendizagem são aqueles que aplicam o método com habilidade. com frequência. pois. Você não verá aqui neste texto uma fórmula mágica para a realização eficiente da atividade de estudo. acertos e erros. criando um hábito planejado de estudar com o qual possa obter maior rendimento. Já os que utilizam de maneira inadequada ou simplesmente agem com indife- rença à aplicação de métodos de estudo não conquistam sucesso semelhante (SALOMON. que isso ocorre. é possível que uma seja mais eficiente que a outra. as exigências se aprofundam quanto ao entendimento de conteúdos mais complexos.. caro aluno (a). MÉTODO E ESTRATÉGIA DE ESTUDO E APRENDIZAGEM A partir de agora você verá algumas reflexões a respeito da atividade de estudo e terá a- cesso a procedimentos detalhados de registro e sistematização de conteúdos. no Ensino Superior. especialmente. quanto à atitude responsável do estudante. 2008. não é mes- mo? Mas é justamente por saber disso que pensamos ser necessário trazer algumas técnicas que possibilitem a potencialização dessa atividade. com algumas estratégias capazes de torná-la mais organizada e planejada. Por isso. nem uma receita capaz de garantir que a sua atividade de estudo desembocará na aprendizagem automática.] processos cognitivos semelhantes e o mesmo grau de escolaridade. óbvio: o método de estudar. REGISTRO E SISTEMATIZAÇÃO DO CONHECIMENTO 1.1.. Nesse momento você também pode estar se perguntando a respeito da importância de abordar essa temática. uma vez que pratica a atividade de estudo desde a infância. trata-se de indicar meios práticos para que o estudante possa avaliar a sua prática de estudo. também. O que faremos é trabalhar aqui as principais características que envolvem a atividade de estudo. Algumas pesquisas na área mostram que os hábitos de estudo se formam logo cedo e se consolidam através de tentativas. Não 45 METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO . E o motivo me parece.1 CONTEÚDO 1. Délcio Salomon questiona: Entre duas pessoas que tenham [. recuperando as possíveis deficiências detectadas. construindo uma prática alterada apenas quando há intervenção por parte de programas executados pelo professor ao constatar pro- blemas na aprendizagem de seus alunos.

40. através dos seus próprios recursos. a autonomia e a autodisciplina. à disposição em aprender. No Ensino Superior o perfil do aluno recém-chegado é ainda impregnado de impressões do senso comum. Essa atividade contribui para o desenvolvimento de aspectos cognitivos e atitudinais. estu- dar contribui para a construção e utilização de conhecimentos considerando dados mensurá- veis e de interpretação por parte do sujeito. seguindo. p. tais como a motivação. considerando o que o leva a estudar e como isso é feito. o prin- cípio geral que rege a evolução biológica: o do desenvolvimento “difuso- analítico-sintético” (SALOMON. Isto é. passando a envolver o modo de lidar com a ciência. p. 16). ao domínio de métodos mais eficientes adequados à natureza dos trabalhos teóricos ou práticos. Grifos da autora). e eficientes para o transcurso da vida. Mas é um fator sempre presente e tenho alguma base para acreditar que seja o principal. o estudante precisa se conscientizar que o Ensino Su- perior exige muito mais que a simples frequência às aulas. Esse mesmo autor apresenta algumas características fundamentais do estudo eficiente sobre as quais diversos autores concordam: a) finalidade: desenvolver hábitos de estudo eficientes que não se res- trinjam apenas a determinado setor de atividade ou matéria específica. podendo aperfeiçoar-se à medida que o indivíduo progride. c) processamento: ser global – parcial – global. 38. Mas o que é estudar? Para Barros e Lehfeld (2006. No novo contexto. à aquisi- ção da competência e método para empreender pesquisas e solucionar pro- blemas. 2008. pelo processo de transferência de aprendizagem. Com isso. ele será instado a refletir de maneira contingente. O universitário tem de estar ciente de que os objetivos de seu curso superior referem-se: à instrumentalização para o trabalho científico. Grifos da autora). p. em qualquer fase de desenvolvimento e escola- ridade. a ob- servar e interpretar fenômenos da realidade e só obterá sucesso na medida do seu esforço e da postura que assuma diante da condução de sua atividade de estudo. é o único fator da diferença de rendimento. assim. estudar constitui um esforço para aprender conteúdos que devem ser pratica- dos para que o estudante consiga alcançar seus objetivos profissionais. para as demais situações. b) abrangência: servir de instrumento a todos os que tenham as mes- mas necessidades e interesses. Dessa maneira. Mas o método depende de quem o aplica (2008. com a profissão e com seus objetivos de vida. mas hábitos que sejam válidos. à disposição de ler e 46 PATRÍCIA MOTA SENA . A eficiência do estudo depende de método. “estudar é um processo inves- tigatório do qual resulta a aprendizagem e modos de conhecimento. que se movimentam em obtenção de informes e conclusões que vão do dado quantitativo ao qualitativo”.

Observe e procure praticá-las! 47 METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO . parcial – como fase de detalhamento e análises do conteúdo e. global – como uma etapa se síntese e significado. consideramos pertinente colocar aqui uma tabela de Délcio Vieira Salomon (2008. através de métodos ou técnicas de estudo (BARROS E LEHFELD. à obtenção de bons resultados em seus empreendimentos acadêmicos de maneira inteligente e. p. Por todos esses aspectos. p. analisar textos e obras considerados específicos e gerais. tanto quanto possível. original. considerando as fases global – como uma etapa geral de contato com o conteúdo –. ao aprender a pensar e a planejar as ativida- des de aprendizagem. 17). no- vamente. 2006. 40-41) que detalha atitudes que o estudante precisa desenvolver para obter êxito na atividade de estudo.

48 PATRÍCIA MOTA SENA .

. apostilas ou fontes indicadas pa- ra leitura e aprofundamento. O estudante deverá ler previamente a matéria que será desenvolvida durante a aula.] redobrará sua atenção. caso contrário. [. um bom dicionário. Veja o quadro que segue: HORÁRIO DE PREPARAÇÃO PARA A AULA O estudante deve ter à mão o programa.] à medida que o desenvolvimento da aula caminha para passagens anotadas [. eis o momen- to de formular sua dúvida inteligente. problemas que exigirão enten- dimento durante a aula. se é possível conseguir. bloco para anotações. por uma série de razões. E os proble- 49 METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO ... essa leitura prévia representa economia e eficiência no trabalho. Outra forma de conquistar a qualidade do estudo é realizando com paciência e perseve- rança as suas etapas (síncrese. com simples sinal de interrogação. muito bem. porque nem sabe que não entendeu. em primeiro lugar. essa leitura será feita em poucos minutos e aumentará o rendimento das várias horas de aula que o professor utilizará para seu desen- volvimento em classe. análise e síntese). Além disso. Ora. Estas anotações permitirão uma espécie de regulagem da atenção. tais como: livros de texto. esta leitura prévia permitirá que se assina- lem à margem do texto.. au- mentar o rendimento de várias horas de trabalho posterior. com trabalho prévio de meia hora. Quem não preparou sua aula não pode distribuir convenientemente a intensidade de sua atenção e pode não fazer perguntas. Se tudo ficou claro agora. as quais são semelhantes às fases do método do estudo eficiente. pois. bem como seu material de estudo.

Na leitura do texto você pôde perceber que a preparação anterior às aulas é fundamen- tal. pois representa extraordinária economia de tempo. É importante fazer a ressalva quanto ao termo “memorizar” aplicado pelas autoras. reler e compreender detalhes significativos e que em aula não foram suscitados ou bem destacados. Para tanto. e é fator de eficiência na vida [. Memorizar é diferente de decorar. fixar o hábito e sentir de perto as vantagens de tal disciplina de trabalho. a autora retoma a diferença que existe entre decorar e memorizar: 50 PATRÍCIA MOTA SENA . p. João Álvaro.. O ambiente doméstico é. É preciso deci- dir-se a começar. tendo nas proximi- dades todos os materiais que serão necessários. RUIZ. Aprendendo a Aprender.. seja sozinho ou acompanhado por seus colegas de turma. Citando o trabalho de Vicente Keller e Cleverson Bastos. para a concentração. d) complementar o conteúdo de aula com o que já se conhece e com pesquisas complementares. f) rever. além da atenção e da associação de ideias. Barros e Lehfeld (2006. e) decodificar termos e vocábulos técnicos inseridos nos textos que di- ficultam a sua análise. 24-25. quem tem pouco tempo deve agir deste modo. que se tornará antieconômico e reduzirá sensivelmente o rendimento escolar. mas mais difíceis irão avolumando enormemente seu trabalho extra-aula. especialmente nas revi- sões. não é tão fácil agir dessa forma. Metodologia científica: guia para eficiência nos estudos. c) memorizar os conceitos imprescindíveis à compreensão da matéria. b) ler. São Paulo: Atlas. h) fazer exercícios de fixação.. com frequência. Mas não é só isso! Existem outros métodos que podem (e devem!) ser aplicados no que diz respeito à construção de conhecimentos. g) fazer leituras de textos complementares. Elizabeth Teixeira destaca a memorização como um dos três aspectos principais que os estudantes precisam exercitar. 19) afirmam que estudar em casa deve ser um momento para: a) repensar sobre os tópicos desenvolvidos em aula. p. é necessário que o ambiente seja arejado. [.. 2008.] Entender isso parece muito fácil. organizar e/ou reorganizar os apontamentos feitos durante as aulas. iluminado e ofereça con- dições para a manutenção de uma postura saudável.] [acadêmica]. o mais utilizado para a realização de ativida- des de estudo. Quem tem muito tempo pode proceder dessa forma.

os livros e os textos. KELLER apud TEIXEIRA. A leitura prévia é necessária para o bom andamento dos trabalhos. [. 1. ao passo que memorizar é reter a forma significa- tiva de um conteúdo inteligível. 3. Decorar é reter a forma material e não o conteúdo inteligível de de- terminado conhecimento. Todos deverão providenciar os textos pelos quais se responsabiliza- ram. Pode fun- cionar como complemento para o estudo realizado individualmente. pois será útil para a resolução de dúvidas e para o confronto de pontos de vista a respeito de um mesmo tema. Mas o estudo em grupo só funcionará se todos os colegas foram para o estudo coletivo tendo conhecimento prévio do assunto.] Entretanto.]. 31-32) que devem ser atendidos para que haja um bom aproveitamento do tempo destinado às reuniões de grupos de estudo. Se o tema já estiver definido e a bibliografia já tiver sido apresentada pela cadeira [pelo professor da disciplina]. enquanto o ter decorado somente possibilita a repeti- ção. Há uma ordem para que os participantes apresentem os textos pelos quais se responsabilizaram e comuniquem brevemente seu conteúdo. o primeiro trabalho consistirá na busca de fontes. Além de estudar em casa. A memorização dá condições de reestruturar o conteúdo a partir de dados da memória. há por aí grupos que se reúnem sem mate- rial conveniente ou. p. 2. O coordenador anotará estes compromissos e os solici- tará ordenadamente na reunião seguinte. 2005. como também deverá lê-lo e esclarecer suas dificuldades antes da reunião da equipe. como geralmente acontece. Esta primeira reunião não deverá encerrar-se sem que estejam bem esclarecidos o local.. o coordenador passará a palavra àqueles que se encarregaram de pesquisar generalidades em dicionários. ainda limitadamente. a data e o horário do próximo encontro. exigindo de cada um dos participantes a sua parcela de responsabilidade em contribuir e participar ativamente. e deverão estudá-los [. reter a sua compreensão. 26).. p. cada participante não só se responsabilizará por providenciar deter- minado texto. quando há material.. e por breve tempo (BASTOS. o grupo deve reunir-se o mais rapidamente possível para programar suas reuniões e proceder a uma pri- meira distribuição de tarefas preparatórias à primeira sessão de trabalho. Em primeiro lugar. fazem a primeira leitura durante a reunião de equipe. ou seja. também é bastante proveitoso o estudo em grupo. A memori- zação possibilita o refraseamento de algo conhecido e não sua simples repetição. Leia a seguir alguns critérios descritos por Ruiz (2008. o primeiro passo é providenciar a bibliografia. Ao receber um tema para o trabalho. Sempre que se tratar de pesquisa bibliográfica. pois o intercâmbio pro- move a comunicação e a discussão de ideias.. enciclopédias e manuais didáti- 51 METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO .

Por isso. 31). quer para revisões gerais para provas ou exames [. para avaliar a coerência interna destas ideias. De acordo com o nível do grupo ou de sua familiaridade com o as- sunto em pauta. [. Para Antônio Joaquim Severino (2002. a perfeição da análise.. ele apresenta um “fluxograma da vida de estudo” que permite visualizar como fica o nosso cotidiano depois que entramos na faculdade. Em seguida. quer para elaboração de monografias de caráter didático-pedagógico. p. 6. caminhem além do texto numa reabordagem crítica de sua tese e de seus argumentos. ultrapassem o texto. ou seja.. Não se devem alongar debates antes que se chegue ao final de uma primeira apresentação de generalidades da leitura do texto básico.]. sendo necessário. para ponderar o vigor dos argumentos. as etapas mencio- nadas devem ser tomadas como guia capaz de orientar as reuniões de equipe em busca do a- proveitamento do tempo dedicado a tal tarefa. a atividade de estudo exige dedicação. uma vez que muitos estudantes já exercem uma profissão. É evidente que os passos elencados por João Álvaro Ruiz podem não ser seguidos à risca. a experiência tem demonstrado que as reuniões de grupos de estudo são de extraordinária eficiência. se programou seu trabalho e distribuiu previamente atribuições limitadas e específicas a cada participante.]. quer para desenvolver itens do programa em seminários. pois cada grupo criará uma dinâmica que os encontros deverão moldar.. a organização é fundamental para que o estudante possa agregar suas atividades acadêmicas às profissionais. Como você viu até aqui. e assim por diante [. 5. considerar a natureza da atividade solicitada pelo professor. se escolheu seu co- ordenador. para discutir suas ideias princi- pais. Dessa maneira. ainda. Só depois deste primeiro passo é que se deve voltar ao início para um contato mais ín- timo com o texto para levantar seu esquema..] se o grupo se organizou convenientemente... e exige um planejamento do cotidiano em função da inserção das demandas do En- sino Superior. 4. espera-se que os debates. solicitará a contribuição daqueles que se responsabilizaram pela análise prévia de segmentos do texto básico. ao final. cos. como qualquer outro trabalho. 52 PATRÍCIA MOTA SENA .

FLUXOGRAMA DA VIDA DE ESTUDO Observe atentamente a imagem a seguir e reflita sobre o papel do estudante no contex- to do ensino superior a distância. 53 METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO .

Lê palavra por palavra. bem como de produção textual envolve critérios variados. Abarca. Se lê uma novela. 54 PATRÍCIA MOTA SENA . num relance. as palavras. Frequentemente tem de reler encontradas numa frase ou num parágrafo. A decodificação é uma das etapas da leitura e consiste na tradução dos sinais gráficos em palavras. responder a questões. lê mais devagar para entender bem. Só tem um ritmo de leitura. coesão. 28). Tem vários padrões de velocidade. Estes critérios.2. a exemplo das informações linguísticas e gramaticais. LEITURA E ANÁLISE DE TEXTOS O desempenho da atividade de leitura. repassar Raramente sabe por que lê. é rápido. Tem hábitos como: 1. 2005. interpretação (apreensão das ideias e estabelecimento de relações entre o texto e o contexto) e aplicação (função prática da leitura. ao contrário. p. Ajusta a velocidade da leitura com o assunto Seja qual for o assunto. precisam ser companheiros da percepção de contexto. científico para guardar detalhes. As outras etapas são: intelecção (percepção do assunto. unicidade e coerência. Se livro vagarosamente. 2. 3. Tem habilidades e hábitos como: o que lê. 3. 1. detalhes. da apropriação do ato de ler e escrever. 2. lê sempre que lê.2 CONTEÚDO 2. Lê sem finalidade. Lê unidades de pensamento. Pega o sentido da palavra isoladamente. o sentido de um grupo Esforça-se para juntar os termos para poder de palavras. emissão de significado do que foi lido). do conhecimento sobre as formas da expressão escrita. da aplicação de itens como clareza. Relata rapidamente as ideias entender a frase.: aprender certo assunto. a leitura se tornaria uma atividade vazia ou pura de- codificação de símbolos. por sua vez. BOM LEITOR MAU LEITOR O bom leitor lê rapidamente e entende bem o O mau leitor lê vagarosamente e entende mal que lê. 1. Lê com objetivo determinado. de acordo com os objetivos que se propôs) (AMORIM. Ex.

4. Avalia o que lê. 4. Acredita em tudo o que lê.
Pergunta-se frequentemente: Que sentido tem Para ele, tudo o que é impresso é verdadeiro.
isso para mim? Está o autor qualificado para Raramente confronta o que lê com suas
escrever sobre tal assunto? Está ele próprias experiências ou com outras fontes.
apresentando apenas um ponto de vista do Nunca julga criticamente o escritor ou seu
problema? Qual é a ideia principal deste ponto de vista.
trecho? Quais seus fundamentos?

5. Possui vocabulário limitado.
5. Possui bom vocabulário.
Sabe o sentido de poucas palavras. Nunca relê
Sabe o que muitas palavras significam. É uma frase para pegar o sentido de uma
capaz de perceber o sentido das palavras palavra difícil ou nova. Raramente consulta o
novas pelo contexto. Sabe usar dicionários e o dicionário. Quando o faz, atrapalha-se em
faz frequentemente para esclarecer o sentido achar a palavra. Tem dificuldade de entender
de certos termos, no momento oportuno. a definição das palavras e em escolher o
sentido exato.

6.Nâo possui nenhum critério técnico para
6. Tem habilidades para conhecer o valor do conhecer o valor do livro.
livro.
Nunca ou raramente lê a página de rosto do
Sabe que a primeira coisa a fazer quando se livro, o índice, o prefácio, a bibliografia etc.,
toma um livro é indagar de que trata, através antes de iniciar a leitura. Começa a ler a partir
do título, dos subtítulos encontrados na do primeiro capítulo. É comum até ignorar o
página de rosto e não apenas na capa. Em autor, mesmo depois de terminada a leitura.
seguida lê os títulos do autor. Edição do livro. Jamais seria capaz de decidir entre leitura e
Índice, “Orelha do livro”. Prefácio. simples consulta. Não consegue selecionar o
Bibliografia citada. Só depois é que se vê em que vai ler. Deixa-se sugestionar pelo aspecto
condições de decidir pela conveniência ou não material do livro.
da leitura. Sabe selecionar o que lê. Sabe
quando consultar e quando ler.

7. Sabe quando deve ler um livro até o fim, 7. Não sabe decidir se é conveniente ou não
quando interromper a leitura definitivamente interromper uma leitura.
ou periodicamente.
Ou lê todo o livro ou o interrompe sem
Sabe quando e como retomar a leitura, sem critério objetivo, apenas por questões
perda de tempo e da continuidade. subjetivas.

8. Discute frequentemente o que lê com colegas. 8. Raramente discute com colegas o que lê.
Sabe distinguir entre impressões subjetivas e Quando o faz, deixa-se levar por impressões
valor objetivo durante as discussões. subjetivas e emocionais para defender um
ponto de vista. Seus argumentos, geralmente,

55
METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO

derivam da autoridade do autor, da moda, dos
lugares-comuns, das tiradas eloquentes, dos
preconceitos.
9. Adquire livros com frequência e cuida de ter 9. Não possui biblioteca particular.
sua biblioteca particular.
Às vezes é capaz de adquirir “metros de livro”
Quando é estudante procura os livros de texto para decorar a casa. É frequentemente levado
indispensáveis e se esforça em possuir os a adquirir livros secundarios em vez dos
chamados clássicos e fundamentais. Tem fundamentais. Quando estudante, só lê e
interesse em fazer assinaturas de periódicos adquire compêndios de aula. Formado, não
científicos. Formado, continua alimentando sabe o que representa o hábito das “boas
sua biblioteca e restringe a aquisição dos aquisições” de livro.
chamados “compêndios”. Tem o hábito de ir
direto às fontes; de ir além dos livros de texto.

10. Lê assuntos vários. 10. Está condicionado a ler sempre a mesma
espécie de assunto.
Lê livros, revistas, jornais. Em áreas diversas:
ficção, ciência, história etc. Habitualmente nas
áreas de seu interesse ou especialização.

11. Lê pouco e não gosta de ler.
11. Lê muito e gosta de ler.
Acha que ler é, ao mesmo tempo, um trabalho
Acha que ler traz informações e causa prazer. e um sofrimento.
Lê sempre que pode.

12. O MAU LEITOR não se revela apenas no
12. O BOM LEITOR é aquele que não é só bom ato da leitura, seja silenciosa ou oral. É
na hora de leitura. constantemente mau leitor porque se trata de
uma atitude de resistência ao hábito de saber
É bom leitor porque desenvolve uma atitude ler.
de vida: é constantemente bom leitor. Não só
lê, mas sabe ler.

(FONTE: SALOMON, DÉLCIO. COMO FAZER UMA MONOGRAFIA. SÃO PAULO: MARTINS FONTES, 2008, P. 52-53. GRIFOS DA AUTORA).

A palavra escrita, quando articulada em um tecido social, é necessária para o processo
de interpretação da realidade, favorecendo o movimento reflexivo do olhar, exercitando o
potencial crítico e propositivo. Palavras registram um modo de percepção da realidade.
Importa considerar que o referido modo de percepção da realidade é passível às aborda-
gens novas, devido ao caráter transformador próprio da formação e trajetória humana ao lon-
go das organizações sociais, sendo mister questionar: Afinal, quais os elementos fundamentais
que precisam ser contemplados para conquistar o exercício crítico e criativo de leitura/escrita?

56
PATRÍCIA MOTA SENA

É imprescindível identificar os objetivos almejados pelo autor ou pela autora do texto,
identificando também o modo pelo qual fundamenta a sua proposta e, sobretudo, buscar em
si o contínuo despertar do gosto pela leitura na qualidade de quem lê o mundo, apreciando o
caráter polissêmico, a diversidade de sentidos, as diferenças entre informação e saber e o com-
promisso subjacente à escolha de ser/se tornar profissional em educação.

• O caráter dialético da leitura e a conquista da leitura proveitosa

“A palavra é metade de quem a pronuncia e metade de quem a escuta”.
(Montaigne)

Dada a incompletude do ser humano, cada um constrói a si mesmo mediante o conjun-
to de experiências e perspectivas que vivencia. Sabendo que as experiências são diferenciadas,
também o modo de percepção da realidade ocorrerá de modo distinto, no qual você desenvol-
ve um olhar próprio sobre o mundo e o comunica por meio da linguagem.
O texto, portanto, apresenta o modo de percepção do seu autor e, no mesmo instante,
estabelece diálogo com o modo de percepção do leitor, favorecendo a multiplicidade de senti-
dos, a incompletude do discurso e a produção de sentidos, uma vez que está sujeito às inter-
pretações e significações múltiplas.
O caráter dialético da leitura é atestado nesse movimento de polissemia, ou seja, nesse
movimento de multiplicidade de sentidos. De tal forma que o empenho para desenvolver a
capacidade leitora, conquistando a leitura proveitosa, é indispensável!
Amorim (2005, p. 28-33) informa alguns passos necessários para a leitura proveitosa (a-
tenção, intenção, reflexão, espírito crítico, análise e síntese) e, por assim dizer, classifica a lei-
tura de acordo com a modalidade e a finalidade. Quanto à modalidade, pode ser técnica, lite-
rária e informativa. Quanto à finalidade pode ser também informativa (leitura de estudo e de
temáticas gerais) e formativa (aquisição ou ampliação de conhecimentos).
Importa ainda ponderar os “textos” sem palavras, ou seja, a capacidade leitora compre-
ende a significação e compreensão da realidade. Para além da palavra escrita, a compreensão
da linguagem não verbal e a significação da realidade. A conquista da leitura proveitosa requer
também que os saberes pré-existentes sejam contemplados e estabeleçam diálogo com os no-
vos saberes, transcendendo as barreiras da pura informação para, então, transformá-las em
conhecimento, contribuindo com o desenvolvimento da capacidade inventiva, visto que a
leitura não é um dado pronto e estático, ela é produzida. Prefiro afirmar: histórica, humana e
prazerosamente produzida! Afinal...

57
METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO

.Reflexão e reelaboração 58 PATRÍCIA MOTA SENA . UMA LEITURA PROVEITOSA PRECISA DE. O quadro abaixo indica a característica principal de cada etapa.Discussão Síntese . [.. Assim concebida..Compreensão Análise interpretativa .. busca encontrar pistas que o auxiliem no desvendamento de sua realida- de. através do enfrentamento das posições assumidas pelo au- tor. p. está preocupado em responder às questões suscitadas pelo seu mundo e. intencionalidade. É somente neste encontro histórico. ANÁLISE 6.] (CARVALHO.Interpretação Problematização .121). problematização e síntese. A leitura de um texto pressupõe objetivos. SÍNTESE • Principais elementos e fases da análise do texto As principais etapas da análise de texto são: análise textual. análise in- terpretativa. compreender o texto é tomá-lo a partir de um determinado horizon- te. ESPÍRITO CRÍTICO 5. 2005. análise temática. 1.Visão global Análise temática . ATENÇÃO 2.. REFLEXÃO 4. da perspectiva de quem se sente problematizado por ele [.. onde experiências diferentes se de- frontam. na qualidade de proveitosa. ao se dirigir ao texto.. FASES DA ANÁLISE DE TEXTO Análise textual . INTENÇÃO 3. a leitura se constitui em rico subsídio para a realização de pesquisas. O leitor. que é possível a compreensão e interpretação de textos..] Neste sentido.

dizemos que o tema é o assunto que perpassa todo o texto e sobre o qual todos os argumentos estão relacionados de forma direta ou indireta. qual o principal argumento que está sendo defendido. para ter contato geral com a linguagem que o autor emprega e obter uma visão de conjunto do seu raciocínio. o estudante deve bus- car informações sobre o autor. a outros autores e. mo- nografias especializadas etc. sugere-se que o estudante realize anotações e proceda a uma pesquisa para buscar esses esclarecimentos em textos historiográficos. a parte do texto que concentra o seu sentido. na qual se procura saber: De que trata o texto? Quais são suas ideias mais importantes? Inicialmente. Após essa etapa. Por isso. 2002. 59 METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO . palavras desconhecidas que sejam fundamentais para o entendimento dos argumentos. dicionários. 54). a outras doutrinas. identificando termos. A Análise Temática é uma etapa imediatamente seguinte. Ainda nesse primeiro contato. A partir de agora veremos cada uma delas e seus principais aspectos. o estudante-leitor pode le- vantar as dúvidas de vocabulário. A conclusão da análise pode ser feita com a elaboração de um esquema no qual seja a- presentada uma visão de conjunto do texto lido. mas nem sempre conhecido do leitor” (SEVERINO. para conseguir alguns dados que influ- enciem na compreensão das ideias apresentadas. mas não muito detida. especialmente. O terceiro item a identificar na análise temática é qual a resposta que o autor sugere para atender ao problema levantado. Está relacionado a uma questão que se deseja compreender ou resolver e em torno da qual giram as análises do autor na busca de soluções. O problema é a questão motivadora das reflexões do autor. isto é. conceitos. 2002. o estudante deve ler o texto de maneira atenta. mas de relações variadas entre vários elementos”. A esse item denominamos de tese. considerando-se que “o texto pode fazer referências a fatos históricos. cujo sentido no texto é pressuposto pelo autor. p. Identificados estes elementos. que representa a posição assumida pelo autor. p. Depois de identificar a unidade de leitura. 52). “o tema tem determinada estrutura: o autor está falando não de um objeto. A Análise Textual consiste no contato preliminar com o texto. p. Depois de identificar o tema do texto é preciso encontrar qual a problemática que o au- tor busca compreender. Para Severino (2002. configurando uma pre- paração para a leitura propriamente dita. 54). o que provocou a argumentação e a apresentação de ideias. sobre sua vida e obra. é preciso identificar o tema ou o assunto do texto – e nem sempre isso po- de ser feito pelo o título. de um fato determinado. O estudante-leitor pode perguntar: “Como o assunto está problematizado? Qual dificuldade deve ser resolvida? Qual o problema a ser solucionado?” (SEVERINO. o que ele está demonstrando.

Em seguida. é explorar toda a fecundidade das ideias expostas. fundamentando. entrará em contato com textos de temáticas semelhantes. isto é. O quarto elemento é a ideia central. Por último. que gravitam em torno dela exemplifi- cando. pois permitirá ao leitor conhecer e reconhecer pressupostos filosóficos distintos e aproximar as ideias expressas no texto que está em análise de ideias encontradas em outros textos. obtendo maiores informações sobre o autor. que argumentos utilizou para comprovar a tese proposta. é cotejá-las com outras. as condições de produção de toda a sua obra e especificamente do texto analisado. que repre- senta uma discussão do texto – na qual o leitor deve apontar os pontos polêmicos do debate. é su- perar a estrita mensagem do texto. procurando caracterizá-las do ponto de vista teórico-metodológico. um quadro muito interessante. requerendo que o estudante perceba elementos como coerência. interpretar é: [. temática e interpretativa. 56). como a própria denominação a- firma. E. Para realizar a análise interpretativa é necessário buscar conhecer o contexto em que se insere a publicação. qual o raciocínio que construiu para defender a tese. será mais proveitosa a leitura. Veja.. é forçar o autor a um diálogo. é ler nas entrelinhas.] tomar uma posição própria a respeito das ideias enunciadas. ilustrando. de autoria de Antô- nio Joaquim Severino. fazendo uma apreciação das ideias expostas. é importante associar as argumentações feitas com a(s) corrente(s) episte- mológica(s) que fundamentam as ideias do autor. o que possibilitará estabelecer um diálogo entre o texto lido e as análises de textos anteriores. caberá ao leitor-estudante levantar as ideias secundárias. a seguir. profundidade nas análises e obtenção de conclusões. que nos fornece uma visão geral das etapas da análise de texto. ao realizar leituras variadas. Isso se tornará mais fácil à medida que o estudante-leitor adotar a leitura como uma constante na vida acadêmica. identificar de que maneira o autor demons- tra a sua tese. que é responsável pela atribuição de significado ao que foi lido. originalidade e validade dos argumentos apresentados. há a problematização. São os assuntos que o autor aborda de forma paralela à ideia principal. p. enfim.. Dessa maneira. e a síntese. Além das análises textual. agora com mais detalhes: 60 PATRÍCIA MOTA SENA . pois. assim como questões relacionadas ao tema –. Já a Análise Interpretativa pressupõe interpretação. situando o texto historicamente. para Severino (2002. é dialogar com o autor. A análise interpretativa também exige o exercício da crítica. A análise interpretativa possibilita que o estudante emita avaliações a respeito do texto.

. 61 METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO . procurando apenas memorizar as afirmações do autor. Para as considerações finais das questões até aqui discutidas. leia atentamente o texto a seguir: [. Se se transforma numa 'vasilha' que de- ve ser enchida pelos conteúdos que ele retira do texto para pôr dentro de si mesmo. Se se deixa 'invadir' pelo que afirma o autor.] é impossível um estudo sério se o que estuda se põe em face do texto como se esti- vesse magnetizado pela palavra do autor. METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO. 61). SÃO PAULO: CORTEZ. ANTÔNIO JOAQUIM. à qual emprestasse uma força mágica. 2002. Se se com- porta passivamente. 'domesticamente'. (FONTE: SEVERINO. P..

] O ato de estudar demanda humildade. este sujeito leitor pode ser despertado por um trecho que lhe provoca uma série de reflexões em torno de uma temática que o preocupa e que não é necessariamente a de que trata o livro em apreço. na razão mesma em que é um desafio. o escreveu.. de reescrever – tarefa de sujeito e não de objeto. Humilde e crítico. 62 PATRÍCIA MOTA SENA . em sua interação. não é possível a quem estuda. então. a ele se volte. na medida em que dele se tenha uma vi- são global. Não se mede o estudo pelo número de páginas lidas numa noite ou pela quantidade de livros lidos num semestre. Se o que estuda assume realmente uma po- sição humilde. o que deve fazer é reconhecer a necessidade de melhor instrumentar-se pa- ra voltar ao texto em condições de entendê-lo. Impõe-se. Estudar é uma forma de reinventar. o leitor crítico irá surpreendendo todo um conjunto temático. pelo contrário. Estudar seriamente um texto é estudar o estudo de quem. trair o pensamento do autor em sua totalidade. É perceber o condicionamento histórico-sociológico do conhecimento. O retorno ao livro para esta delimitação aclara a significação de sua globalidade. delimitando suas dimensões parciais. Exige tra- balho paciente de quem por ele se sente problematizado. numa tal perspectiva. Estudar não é um ato de consumir ideias. assim. de fixar-se na análise do texto. de recriar. alienar-se ao texto. Não adianta passar a página de um livro se sua compreensão não foi alcançada. Neste caso. A compreensão de um texto não é algo que se recebe de presente. é o caso. às vezes grandes.. Desta maneira. coerente com a atitude crítica. estudando. nem sempre explicitado no índice da obra. Assim é que. A demarcação destes temas deve atender tam- bém ao referencial de interesse do sujeito leitor. constituem sua unidade. da existência. não se sente diminuído se encontra dificul- dades. para penetrar na significação mais profunda do texto. Impõe- se-lhe uma exigência: analisar o conteúdo do trecho em questão. sabe que o texto. mas de criá-las e recriá-las. em sua relação com os precedentes e com os que a ele se seguem. [. buscando o nexo entre seu conteúdo e o objeto de estudo sobre que se encontra trabalhando. evitando. diante de um livro. Uma atitude de adentramento com a qual se vá alcançando a razão de ser dos fatos cada vez mais lucidamente. Suspeitada a possível relação entre o trecho lido e sua preocupação. Nem sempre o texto se dá facilmente ao leitor. Ao exercitar o ato de delimitar os núcleos centrais do texto que. a insistência na busca de seu desvelamento. da reali- dade. pode estar mais além de sua capacidade de resposta. renunciando assim à sua atitude crítica em face dele. Um texto estará tão melhor estudado quando. A atitude crítica no estudo é a mesma que deve ser tomada diante do mundo. É buscar as relações entre o conteúdo em estudo e outras dimensões do conhecimento.

p. • Sublinhar a ideia central de cada parágrafo. por exemplo. Acesso em 04 ago. por exemplo. Na releitura. A releitura é condição indispensável para esse movimento. a adequada ação de sublinhar possibilita a compreensão da temática. distinguindo seus argumentos e comentários. termos técnicos e outras. con- forme Amorim (2005. bem como o seu posterior registro. por sua vez. • Estabelecer uma hierarquia de sinais ou símbolos. Considerações em torno do ato de estudar. TÉCNICAS PARA SISTEMATIZAÇÃO DO CONHECIMENTO I • Sublinhar A não aprendizagem para a leitura sinaliza a não aprendizagem para a compreensão. Paulo. • Sublinhar a partir da releitura (proveitosa) do texto. 25). • Ter clareza do significado de cada grifo ou sublinha. Portanto. pouca clareza das ideias e/ou argumentos. p. Apresentamos. p. observando as orientações metodológicas fundamentais à eficiência do ato de sublinhar. algumas orientações gerais para sublinhar com eficiência. Para sublinhar corretamente o texto é pre- ciso identificar a ideia-mestra e seus fundamentos. a seguir. apren- demos progressivamente a ler. é importante estabelecer sinais hie- rárquicos que podem ser criados pelo próprio leitor.gov.3 CONTEÚDO 3. 2006. Nesse processo. • Sinalizar. elaborando resumos e sinalizando a relação entre as afirmações que se apresentam no texto. 63 METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO . 133): • Realizar a leitura integral do texto a fim do reconhecimento geral da sua temática. precisa ser desvinculado do ato de grifar aleatoriamente as palavras ou expressões. Pa- ra superar as possíveis dificuldades importa lembrar que a leitura não nasceu pronta. por exemplo. discordâncias. • Esclarecer as possíveis dúvidas de vocabulário. FREIRE. visto que a primeira leitura remete ao reconhecimento geral do texto. voltamos o olhar para a análise da obra. com o sinal de interrogação à margem de parágrafos que a- presentem dúvidas. • Utilizar linhas verticais na margem para trechos longos e/ou para ressaltar afirma- ções já sublinhadas.htm#exp>. Disponível em: <http://pontodeencontro. identificando seus principais ele- mentos. O ato de sublinhar. 33). Medeiros (2005.br/estudar. criando uma le- genda pessoal que contribua para a localização da ideia-mestra.proinfo. 1.mec. Parra Filho e Santos (2003.2.

Não sublinhar longos períodos. e que a releitu- ra mais rápida confirma como tais. sabemos que cada estudante pode adotar a simbologia que lhe convier. c) Reconstituir o parágrafo a partir das palavras sublinhadas – É supérfluo esclarecer esta norma que traduz a natureza e a finalidade do ato de sublinhar. paralogismos. os tex- tos posteriores. embora pertencentes a frases diferentes e até distanciadas. p. interpretações ten- denciosas de fontes e uma série de falhas ou de colocações que julgamos in- sustentáveis.]. d) Ler o texto sublinhado com a continuidade e plenitude de sentido de um telegrama – Por ocasião das revisões imediatas ou posteriores. João Álvaro Ruiz (2008. foram identificadas como principais. à margem do texto. 39-40) apresenta alguns métodos de maneira ainda mais detalhada. basta sublinhar palavras-chave [. mas é bom agir de tal maneira que as ideias principais se mantenham destacadas. 64 PATRÍCIA MOTA SENA . Nada melhor que um traço vertical à margem do texto para tal identificação. essas passagens. a ideia principal retorna em diversos pará- grafos e em diversos contextos. Devemos registrar o fato mediante uma interrogação à margem do texto em apreço (RUIZ. f) Assinalar com linha vertical. desde a primeira leitura. 39-40. a leitura das palavras sublinhadas. terá um sentido fluente e concatenado. g) Assinalar com um sinal de interrogação. por outro lado. como também perceber incoerências. mas reco- menda-se aos principiantes que não o façam. os textos sublinhados de acordo com esta norma permitirão uma leitura rapidíssima. Grifos da autora). sublinham inteligentemente por ocasião da primeira leitura. b) Não sublinhar por ocasião da primeira leitura – As pessoas mais experimentadas. e com um único traço os pormenores importantes – Devemos sublinhar tan- to as ideias principais como os detalhes importantes. devem ser identificadas para futuras buscas. à margem. os pontos de discordância – Podemos não concordar com as posições assumidas pelo au- tor. que contribuem ainda mais para a aplicação da técnica para sublinhar: a) Sublinhar apenas as ideias principais e os detalhes importantes – Não se deve sublinhar em demasia. Independente das orientações anteriores. leiam primeiro um ou mais pa- rágrafos. e retornem para sublinhar aquelas palavras ou frases essenciais que. p. desde que crie códigos utilizados constantemente nas diversas leituras que realizar. dignas de reparos ou passíveis de críticas.. apoiada nos pilares das palavras sublinhadas. 2008. as passagens mais significativas – Não raro. que examinam textos pertinentes à sua área de especializa- ção. que poderíamos transcrever em nossas fi- chas de documentação pessoal. E há passagens em que o autor atinge uma espécie de clímax.. r) Sublinhar com dois traços as palavras-chave da ideia principal.

é necessá- rio que cada estudante esteja disposto à aprendizagem real das temáticas. • Condensar as ideias em palavras-chave ou em frases-mestras coerentes e concisas. Para que essas orientações conduzam à excelência na produção de esquemas. • Indicar as ideias principais e secundárias. • Relacionar as ideias que fazem parte do argumento. • Sinalizar o tema. Orientações metodológicas para produzir esquemas eficientes. com atenção às orientações básicas que cito a seguir. como há o caráter dialético da leitura. p. 124-125): • Manter a fidelidade ao texto. Um esquema eficiente estabelece ordenação lógica das ideias. p. • Identificar títulos e subtítulos. aula. conforme Amorim (2005. uma vez que requer movimento de interpretação e a constante revisão da própria aprendizagem. utilizando sím- bolos que evidenciem a relação entre as ideias. 34) e Carvalho (2005. lógica e organizadamente o conteúdo. há também o caráter dialético do estudo. identificando a proposta central e a fundamentação da obra ou de circunstâncias outras. É possível e inte- ressante que você desenvolva sua própria forma de elaboração dos esquemas. • Esquematizar Esquemas são formas de representação e registro que permitem a visualização gráfica ou diagramática da situação ou texto em questão. tais como: filme. • Distribuir gráfica. com clareza e relação cau- sal. estabelecendo relações hie- rárquicas entre as ideias. 65 METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO . É um importante instrumento de sistema- tização da aprendizagem e confere organização ao estudo. compreendendo que. palestra ou confe- rência. identificando os argumentos e conduzindo à compreensão da temática.

localizar os conteúdos estuda- dos. Entretanto. no caso mais específico das leituras desempenhadas. 1. ou na primeira disciplina cursada? É preciso “decorar” todas as leituras que realizamos? Quando a aprendizagem é instaurada entre os objetivos da leitura não é preciso “deco- rar”. ELEMENTOS ESTRUTURAIS DA FICHA. De acordo com o objetivo pretendido. p. 66 PATRÍCIA MOTA SENA . o esquecimento total das questões estudadas não é desejável! Nesse caminho entre aprender e recorrer ao já aprendido. existem fichas de autores.144-145): Cabeçalho: representa a identificação do fichamento. onde. a sistematização dos estudos é indispensável e.2. Como.4 CONTEÚDO 4. TÉCNICAS PARA SISTEMATIZAÇÃO DO CONHECIMENTO II • Fichar Ao compreender a importância e as condições básicas da leitura proveitosa. Antes de apre- sentar os tipos de ficha. O título genérico corresponde ao título do livro ou do trabalho utilizado na pesquisa. a ficha obedece a determinados critérios de ela- boração e organização do conteúdo caracterizando cada tipo de fichamento. sinalizando a fonte dessas informações que poderá ser buscada futuramente pelo próprio autor do fichamento. compreende o título genérico. o título próximo. de séries e de assuntos. o estudante passa a desenvolver o costume de ler para aprimorar seus saberes e atender às múltiplas de- mandas de sua formação humano-estudantil-profissional. P. Além de ser útil enquanto recurso didático e metodológico para o estudo e a pesquisa. há dois anos. DE ACORDO COM PARRA FILHO E SANTOS (2003. o título específico (opcional) e a letra indicativa da sequência (quando se utiliza mais de uma ficha).35) “o sistema de fichas é atualmente utilizado nas mais diversas instituições para serviços adminis- trativos e nas bibliotecas. todas em ordem alfabética”. Nesse percurso a quantidade de obras lidas ou consultadas vai sendo acumulada. conforme citado a seguir. por exemplo. então. Realizadas de modo criterioso e cuidadoso as fichas organizam informações variadas sobre obras lidas. de títulos. para consulta do público. a elaboração de fichas é um poderoso recur- so. informo que todos eles atendem a uma estrutura específica com cinco elementos indispensáveis. os fichamentos são pertinentes em situações outras. conforme explica Amorim (2005.

compara. a ficha utilizada é a de citação. • Tipos de ficha O corpo ou texto da ficha é redigido de acordo com o objetivo a ser alcançado. Ficha Bibliográfica Conforme Parra Filho e Santos (2003. se é preten- dido emitir juízos de valor sobre a obra. sugere. p. Os principais tipos de ficha são: bibliográfica. que é encontrado no sumá- rio e destina-se ao fichamento. como: esse livro. que traz todos os elementos necessários e. a obra precise ser consultada novamente. Portanto é necessário que o estudante tenha de maneira clara a sua intenção. Seguem algumas orientações metodológicas para elaborar ficha bibliográfica. p. contém. bem como a metodologia utili- zada e a sua contribuição para o aumento do conhecimento do assunto abordado”. Corpo: o conteúdo que constitui o corpo ou texto das fichas varia segundo o tipo e a finalidade da ficha. se o propósito é a transcrição de fragmentos da obra. resumo ou conteúdo. na ausência dela. 67 METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO . a. o autor. os resultados obtidos. O título específico (se necessário) corresponde ao desdobramento do título próximo. Referência bibliográfica: deve sempre seguir normas da ABNT – Associação Brasilei- ra de Normas Técnicas. • Utilizar verbos ativos. pois qualquer conhecimento adicional poderá ser obtido com outras modalidades de fichamento. citação. 150-151): • Indicar as fontes utilizadas. a finalidade da ficha bibliográfica. examina. revisa. a folha de rosto e outras partes do livro. descreve. é “identificar o objetivo da obra. este artigo. Local: onde pode ser encontrado o livro. esboço e comentário ou analítica. p. conforme Amorim (2005. Para proceder-se corretamente é importante consultar também a Ficha Catalográfica da obra. • Ser breve: a ficha bibliográfica é a mais breve de todas. apresenta. 36-37) e Parra Filho e Santos (2003. Por exemplo. o tipo de ficha é a de comentário. • Evitar repetições desnecessárias. os pro- blemas a que a obra pretende responder. critica. 150). registra. até obter as informações completas. Indicação da obra: indica o público ao qual se destina a obra conforme a área de inte- resse. esta obra. pois é possível que. depois de fichada. tam- bém conhecida por ficha de indicação bibliográfica. tais como: analisa. O título próximo é um desdobramento do título genérico. define.

• Informar o número da página de onde foi extraída a citação e/ou transcrição. quando for a parte central do parágrafo. 2009. 148-149): • Sinalizar a citação e/ou transcrição: toda e qualquer citação deve vir entre aspas. É necessário escolher os fragmentos que revelem e. Seguem algumas orientações metodológicas para elaborar ficha de citação. o tipo de fichamento adequado é o de citação. evi- tando que as ideias apresentadas na ficha sejam atribuídas ao fichador e respeitando a real autoria. justifiquem a questão central da obra fichada. utilizando no local da supres- são reticências no início e no final e. Ficha de Citação Quando o objetivo é indicar com citações e/ou transcrições a temática central da obra e outras considerações relevantes para a compreensão do texto. LAKATOS. per- mitindo a posterior utilização do trabalho. MODELO DE FICHA DE BIBLIOGRÁFICA (MARCONI. conforme Amorim (2005. • Manter os erros de grafia para que a citação seja a reprodução fiel do texto e eviden- ciá-los com o termo ‘sic’ entre parênteses. 68 PATRÍCIA MOTA SENA . com a correta indicação bibliográfica e a localização do contexto originário do fragmento transcrito ou citado. P. • Indicar a supressão da parte inicial ou final do texto. de certa forma. p. respeitando os direitos autorais. 60) b. utilizar reticências entre parênteses. p. contribuindo para o esclarecimento de dúvidas. 36-37) e Parra Filho e Santos (2003.

Orientações metodológicas para elaborar ficha de resumo. • Ser fiel ao texto: as palavras são daquele que escreve a ficha de resumo. MODELO DE FICHA DE CITAÇÃO (MARCONI. 38) e Parra Filho e Santos (2003. 61) c. • Utilizar as próprias palavras (não é citação. mas daquele que elabora o fichamento. P. mas a ideia é a apresentada pelo (a) autor(a) da obra. p. conforme Amorim (2005. A utilização de colchetes sinaliza que as palavras nele comportadas não são do autor da obra. Ficha de Resumo A ficha de resumo objetiva apresentar o conteúdo da obra de modo sucinto. 69 METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO . LAKATOS. sem negli- genciar a identificação dos seus elementos fundamentais e atendendo às orientações a seguir. • Indicar a supressão de um ou mais parágrafos utilizando uma linha completa de pontos. • Apontar entre colchetes possíveis acréscimos. é necessário indicar entre parênteses a referencia biblio- gráfica da obra da qual foi extraída a citação. • Sinalizar quando o pensamento transcrito não é do autor da obra fichada: quando o autor cita outros autores. 147): • Apresentar síntese clara das principais ideias do autor. p. 2009. nem transcrição).

conforme Parra Filho e Santos (2003. Conforme Amorim (2005. p. preferencialmente página por página. Mas a ficha de resumo também apresenta as ideias centrais da obra. contudo. • Apresentar uma síntese das ideias do autor. LAKATOS. a ficha de esboço e a de resumo se aproximam. portanto. 2009. Portanto. inter- mediária entre a bibliográfica e a de esboço. a ficha de esboço “assemelha-se à ficha de resumo. Seguem algumas orientações metodológicas para elaborar ficha de resumo. e se diferenciam. no que tange à ocupação com as ideias centrais da obra. então. ser sucinto. É. são sinônimos? A resposta a essa questão é negativa. P. 70 PATRÍCIA MOTA SENA . • Cuidar da extensão: a ficha de resumo apresenta mais informações do que a ficha bibliográfica. se descaracteriza. • Detalhar sem perder a fidelidade ao texto e com as próprias palavras do fichador. p. Ficha de Esboço No momento em que o estudante ou pesquisador tem por objetivo apresentar as ideias principais da obra sem. MODELO DE FICHA DE RESUMO (MARCONI. 62) d. pois a primeira permite espaço para detalhamen- tos. a ficha a ser utilizada é a de esboço. mas não detalha como ocorre na ficha de esboço. ao passo que a segunda. porém de forma detalhada”. pois apresenta as ideias principais do autor. se o fizer. 36). 151-152): • Fazer anotações das ideias principais do autor de forma detalhada.

LAKATOS.• Anotar à esquerda da ficha o número da página correspondente à ideia ou posicio- namento sinalizado. LAKATOS. 63) MODELO DE FICHA DE ESBOÇO-FRENTE (MARCONI. 2009. 2009. P. P. MODELO DE FICHA DE ESBOÇO-FRENTE (MARCONI. 64) 71 METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO .

sim. e. P. • Realizar a análise crítica do conteúdo. a explicação parte do texto e se restringe ao texto. LAKATOS. Conforme Folscheid e Wunenburger (2002. o comentário parte do texto e não se restringe a ele. Para realizar com eficiência a ficha de comentário. p.. o posicionamento próprio sobre o pensamento do(a) au- tor(a) encontram na ficha de comentário um excelente recurso de sistematização da obra e da interpretação sobre ela. ao posicionamento do leitor. 65) 72 PATRÍCIA MOTA SENA . “a explicação está a serviço de um texto. p. MODELO DE FICHA DE COMENTÁRIO (MARCONI. É indispensável ter a devida atenção para não fugir do assunto. estudantes e pesquisadores que objetivam registrar. uma vez que o comentário remete.”. mas esse posicionamento não é aleatório. importa compreender que explicar e comentar são situações diferenciadas. p. • Fazer uma avaliação da obra. Ficha de Comentário No sentido de compreensão da obra. 36) e Medeiros (2005. conforme Amorim (2005. Como o caráter do comentário requer interpretação pessoal. Orientações metodológicas para elaborar ficha de resumo. é sobre a obra fichada e requer fundamen- tação coerente. por vezes o estudante ou pesquisador acaba por se desvincular da questão central do texto. 51). • Apresentar a interpretação e crítica pessoal sobre a obra. 2009.129 -130): • Identificar os elementos centrais da obra sem limitar-se a essa identificação. Deste mo- do. para além da ideia central do texto.. há um compromisso maior. no qual o potencial crítico e interpretativo se torna elemento fundamental. o comentário interroga seu autor.

a pessoa que o está realizando deve responder. ressaltando a progressão e a articulação delas. 2005.142 -153) e Siqueira (1990. 2005. Medeiros (2005. 38-39). o objetivo pretendido pelo(a) autor(a) e suas conclusões. apud MEDEIROS.. Os procedimentos para realizar um resumo incluem. do objetivo. • Identificar e agrupar as ideias que se relacionam entre si. descobrir o plano da obra a ser resumida.151): Evitar começar a resumir antes de esquematizar o texto ou de preparar as anotações de leitura. Nele devem aparecer as principais ideias do autor do texto”.. conforme Amorim (2005. Orientações metodológicas para elaboração de resumos. deve-se ater às ideias principais do texto e a sua articulação [. e fazê-lo de forma sin- tética. Em segundo lugar. não dispensa a leitura do original (MEDEIROS. 143). em primeiro lu- gar.143). (MEDEIROS. f. da problemática e das fundamentações (dados qualitativos). sua constituição e conceitos (dados quantitativos) e à ocupação com a identificação e análise da hipótese. p. • Respeitar a ordem de apresentação das ideias e fatos. 2005. • Resumir Para Medeiros (2005. 73 METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO . 142). p. no qual são eliminadas a ocupação quanto à extensão do texto. p. conforme citação a seguir. p. a duas perguntas: o que o autor pretende demonstrar? De que trata o texto? Em terceiro lugar. p. seus ar- gumentos. • Suprimir os elementos redundantes e supérfluos ou irrelevantes. informativo ou analítico e crítico. • Selecionar as ideias principais. “resumo é uma apresentação sintética e seletiva das ideias de um texto. Os principais são: descritivo ou indicativo. • Apresentar o conteúdo da obra de maneira sucinta. Portanto. Resumo descritivo ou indicativo Esse tipo de resumo diz respeito aos aspectos mais importantes do texto de modo ape- nas indicativo. indicando tipos diferenciados de resumos. p.]. Os resumos são redigidos conforme o objetivo que se pretende alcançar. Entre os aspectos que integram todos os modos de resumir constam a necessidade de planejamento e a identificação de elementos tais como: a questão discutida no texto. • Construir frases que incluam várias ideias expostas no texto. no resumo.

p. esse tipo de resumo pode dispensar a leitura do texto original quanto às conclusões. Entre os problemas. evitando juízos de valor (MEDEIROS. A autora preocupa-se ainda com a progressão discursiva. g.9% apresentaram problemas de contradições lógicas evidentes. particularmente desses indivíduos. Veja. São Paulo: Mestre Jou. p. p. Objetiva caracterizar a linguagem escrita dos vestibulandos e a existência de uma crise na lingua- gem escrita. o clichê. Crise na linguagem: a redação no vestibular. Maria Thereza Fraga. A redundância ocorreu em 15. um exemplo de resumo informativo ou analítico proposto por Medeiros (2005. ressaltam-se a carência de nexos. 2005. apresenta os critérios pa- ra a análise. obtidas da FUVEST. 500 redações de candidatos a vestibulares (1978). o ‘não- texto’ e o discurso indefinido. Salienta o objetivo da obra. Sua hipótese inicial é a da existência de uma possível crise na linguagem e. ausência de originalida- de. Che- gou à conclusão de que 34. 1981. 16. Resumo informativo ou analítico Realizado com eficiência. Um dos critérios utilizados para a análise é a utilização do con- ceito de coesão. Estudo realizado sobre redações de vestibulandos da FUVEST. 2005. Examina 1. um exemplo de resumo descritivo ou indicativo proposto por Medeiros (2005. as contradições lógicas evidentes. São Paulo: Mestre Jou. fa- tores sociais e econômicos. O livro resultou de uma tese de doutoramento apresentada à USP em maio de 1981. 144). as frases feitas. cultura. São objetos de seu estudo a coesão. Parte de conjecturas e indagações. ROCCO. Escolheu redações de vestibulandos pela oportunidade de obtenção de um corpus homogêneo. a seguir. Crise na linguagem: a redação no vestibular. 143). a seguir. os métodos e as técnicas utilizados. os resul- tados e as conclusões. os clichês. que buscam erigir uma gramática do texto. 184 p.2% dos textos. escola. informações sobre o candidato. a frase feita.8% dos vestibulandos demonstraram incapacidade de domínio dos termos relacionais. Também foram objeto de análise condições externas como a família. p. 184 p. 143). 1981. Veja. Maria Thereza Fraga. o texto e a farta exemplificação. O uso excessivo de clichês e frases feitas apa- 74 PATRÍCIA MOTA SENA . através do estudo. Examina os textos com base nas novas tendências dos estudos da linguagem. o nonsense. estabelecer relações entre os tex- tos e o nível de estruturação mental de seus produtores. uma teoria do texto. com o discurso tautológico.143-144). (MEDEIROS. ROCCO. de continuidade e quantidade de informações.

39). pois. 144). reúne esses elementos lançando o olhar crítico e criativo sobre eles. 2005. pretensamente de efeito. Recomenda a autora que uma das formas de combater a crise estaria em se ensinar a refa- zer o discurso falho e a buscar a originalidade. em um primeiro momento o(a) estudante ou pesquisador(a) precisa identificar os elementos constituintes da obra e. de tal forma que.0% dois textos. “permite opiniões e comentários do autor do resumo sobre o trabalho e não sobre o autor. conforme Amorim (2005. pode se centrar na forma (com relação aos aspectos metodológicos). p. Às vezes o discurso estrutura-se com frases bombásticas. rece em 69. Somente em 40 textos verificou-se a presença de linguagem cri- ativa. O resumo crítico. do conteúdo (análise do teor em si do trabalho). em um segundo momento. do desenvolvi- mento (da lógica utilizada na demonstração). (MEDEIROS. p. valorizando o devaneio. além de apresentar as idei- as centrais do texto. 75 METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO . requer a elaboração de juízos de valor sobre essas ideias. e da técnica de apresentação das ideias princi- pais”. Resumo crítico Favorece de modo significativo a construção de saberes. h.

76 PATRÍCIA MOTA SENA .

MAPA CONCEITUAL 77 METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO .

Escolha a que considerar mais adequada para a obtenção de êxito no estudo e na a- prendizagem e aplique no seu cotidiano acadêmico. formulando um problema como. o que posso fazer para adquirir?”. de uma tabela com aspectos que deseja aprimorar ou do registro dos pontos positivos que você já pratica e que não deve deixar de exercitar. 5. Aponte uma deficiência ou algum aspecto que você deseja melhorar para obter maior êxito na sua aprendizagem. em seguida.ESTUDO DE CASO A proposta deste caso para ensino é aprimorar o seu método de estudo. 1. Resultado das pesquisas sobre métodos de estudo ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ 78 PATRÍCIA MOTA SENA . de um roteiro de pesquisa. Sugerimos que você: 1. Esse registro deve ser feito aqui mesmo no seu material em forma de tópicos esquemáticos. Aponte alternativas para solucionar o problema. Problema ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ 3. Resultado da observação ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ 2. Pesquise para conhecer um pouco mais sobre os métodos e estratégias de estudo e a- prendizagem e. 3. por exemplo: “Ainda não tenho familiaridade com a tecnologia. dos pontos positivos e dos seus objetivos de estudo. 4. Isso pode ser feito por meio da elaboração de um cronograma de estudos. faça o registro das informações obtidas aqui mesmo no material. 2. Observe a sua prática de estudo por uma semana e faça o registro das deficiências.

79 METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO . o aperfeiçoamento da capacidade leitora a- companha naturalmente o amadurecimento. b) II e III. Alternativas de solução para o problema ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ 5. apenas. Segundo o texto. p. pois do contrário não há a inten- cionalidade capaz de motivar o estudante. analise as proposições a seguir: I. De alguma maneira. Das proposições listadas. Segundo o texto. podemos ir mais longe e dizer que a leitura da palavra não é apenas precedida pela leitura do mundo. III. porém. sendo esta a etapa primeira e mais importante do ato de ler. a) III e IV. Com base na citação acima e estudos sobre leitura. seja como repertório para atribuição de significados ao que foi lido ou como parâmetro para determinação de suas finalidades. quer dizer de transformá-lo através de nossa prática consci- ente” (FREIRE. estão corretas. é um ma- nancial de significações e implicações que vão sendo descobertas a cada releitura. Aplicação ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ EXERCÍCIOS PROPOSTOS QUESTÃO 01 “Refiro-me a que a leitura do mundo precede sempre a leitura da palavra e a leitura des- ta implica a continuidade da leitura daquele. 22). A leitura de um texto. Freire chama a atenção para o fato de que leitura proveitosa envolve necessariamen- te a ação prática. 4. mas por uma certa forma de ‘escrevê-lo’. a prática necessária para a boa leitura é vivenciada no cotidiano: já que a leitura de mundo se faz automaticamente. 1984. IV. II. nas leituras proveitosas o conteúdo deve ser aplicado desde o início. d) I e II. c) I e IV. quando o leitor se transforma em sujeito atuante.

elaboração de trabalhos e pesquisas e discutir conceitos QUESTÃO 03 A partir dos conhecimentos sobre as técnicas de sistematização do conhecimento. Das diferentes formas de classificar esta diversidade de conteúdos. habilidades. é correto afirmar: a) A Metodologia. [. Porto Alegre: ArtMed. oferecer instrumentos para o estudo. com o fim de alcançar as capacidades propostas nas finalidades educacionais” (ZABALA.. p. 30-31). as demais questões são tratadas nas disciplinas que abordam as teorias e conhecimentos da área específica de formação. enquanto que a Metodologia do Trabalho Científico se ocupa especificamente da prática de pesquisa na academia. d) A Metodologia do Trabalho Científico contribui para o aprendizado dos conteúdos discutidos ao estimular a postura crítica. bem como as técnicas de estudo e de elabo- ração de trabalhos. 1998. responde à pergunta “o que se deve saber fazer?”.] agrupa os conteúdos segundo sejam conceituais. técnicas. atitudes. ao res- ponder à pergunta ‘o que se deve aprender?’ devemos falar de conteúdos de natureza muito variada: dados. rela- cione as colunas de acordo com as finalidades da técnica abordada e sua aplicação: 80 PATRÍCIA MOTA SENA . e sobre as contribuições da Metodologia do Trabalho Cientí- fico para a aprendizagem dos conteúdos discutidos. Com base no texto acima. Esta classificação corresponde respectivamen- te às perguntas ‘o que se deve saber?’. não se encaixam na classificação proposta.. ‘o que se deve saber fazer?’ e ‘como se deve ser?’.] Portanto. Coll (1986) propõe uma que [. QUESTÃO 02 “[. b) A facilitação da aprendizagem dos conteúdos citados no texto é desempenhada pela metacognição. Antoni.] os conteúdos de aprendizagem não se reduzem unicamente às contribuições das disciplinas ou matérias tradicionais.. procedimentais ou atitudinais. já que preparam e antecedem a aquisição dos conteúdos apontados no texto. como estudo dos caminhos do saber.. A prática educativa: como ensinar. c) O controle sobre a própria aprendizagem. conceitos etc...

II. Culmina na simplificação da lei. cordâncias e outras impres-sões. A sequência correta encontrada. dúvidas. longo de leituras diversas. III. apresentadas hierarquica. possibilitando reaver in- ideias do autor. Consiste na sistematização das ( ) Leva o estudante a se apropriar e- anotações de leitura. de cima para baixo. assinalar. Resulta em uma representação grá- fica do texto. A interpretação de um texto-linguagem acontece quando a decodificação da mensa- gem é realizada pelo leitor. pensá-la. fetivamente das ideias principais do texto e tosa quando o estudante pratica esta técni. contribuindo para que o leitor assuma uma postura transformadora. II. por meio de sinais. decodifi- ca a mensagem do autor. texto. antes de tu- do. sendo mais provei. social. “o texto-linguagem significa. formações importantes identificadas ao mente. compreendendo-a: assim se completa a comunicação”. que reflete tanto a compreen. associada aos estudos sobre leitura e análise de textos. é a) III – I – II b) I – II – III c) II – III – I d) II – I – III QUESTÃO 04 Para Antônio Joaquim Severino (2002. política e cultural do leitor pode influenciar na signifi- cação da mensagem codificada pelo autor. ao ler um texto. A partir da leitura do texto acima. já tenha sido pensada. para. estabelecen- do a relação entre experiências diferenciadas próprias do autor e do leitor. o meio intermediário pelo qual duas consciências se comunicam. p. 49). o autor (o emissor) codifica sua mensagem que. então. Ele é o código que cifra a mensagem. ( ) Esta técnica é utilizada como eta- tura do texto. traduzindo os sinais gráficos em palavras. concebida e o leitor (o receptor). assimilá-la e personalizá-la. Ao escrever um texto. depreende-se que: I. III. I. 81 METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO . A condição histórica. por sua vez. portanto. ( ) Organiza os materiais de estu-do e são do leitor quanto a organi-zação das pesquisa. já que apenas as passa-gens pa preparatória para a elaboração de resu- essenciais são sinalizadas de ma-neira a mos e para fixação do conteúdo integral do preservar o sentido. A leitura só tem valor quando consegue realizar a comunicação de ideias. dis- ca habitualmente.

característica dos dias atuais. a partir da articulação e das práticas de leitura na sociedade. estão corretas apenas a) II e IV b) II e III c) I eIV d) I e III QUESTÃO 05 Associe a leitura do texto a seguir à importância do ato de ler no processo de formação. construindo uma formação crítica.Forma-se o leitor. III . independente das condições objeti- vas que originaram o texto.Torna-se necessário o desenvolvimento da reflexão crítica do leitor em função da velocidade e do intenso fluxo de informações. vem marcada pela sua ampla possibilidade de veiculação. está(ão) correta(s) apenas a) I b) I e III c) II d) II e III 82 PATRÍCIA MOTA SENA . que o acesso à informação garante o amadurecimento de reflexões e a construção de conhecimento. com alternativas de leitura e movida por um processo de transformação concreta da realidade. IV. na formação do leitor.Deve-se considerar. Das proposições acima. permitindo que a tecnologia forneça o correto direcionamento para a leitura. Das proposições acima. exigindo que a formação do leitor contemple sensibilidade e coerência. A possibilidade de personalizar a mensagem do autor sugere que cada leitor deve significá-la de acordo com seus instrumentos intelectuais. considerando as proposições referentes às posturas do leitor na atualidade: I . II . valorizando-se a ferramenta da informática e ampliando seu acesso na escola de forma livre e espontânea. nos dias de hoje. pois a era da informação.

BLOCO TEMÁTICO 2 A COMUNICAÇÃO CIENTÍFICA E A CONSTRUÇÃO ACADÊMICA DO CONHECIMENTO .

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“a pesquisa só tem valor quando comunicada”.1 TEMA 3. 238-239). a comunicação científica pressupõe o uso de normas para uniformizar os procedimentos e guiar a sua execução. Como toda atividade que precisa de métodos. Dionne (1999. A COMUNICAÇÃO CIENTÍFICA E A CONSTRUÇÃO ACADÊMICA DO CONHECIMENTO 2. p. permitindo que outros cientistas possam desenvolver novos es- tudos e melhorar a qualidade de vida da sociedade. E esta é uma opinião compartilhada por todo o ambiente científico. Desta maneira 85 METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO . devemos atender a algumas características que facilitem o intercâmbio de conhecimentos e de informações. Veremos alguns princípios básicos da redação científica. CARACTERÍSTICAS DA LINGUAGEM CIENTÍFICA Clareza na Expressão: Vários autores apresentam um conselho extremamente impor- tante: “leia cuidadosamente o que escreveu como se você fosse o seu leitor”.1. pois é assim que a pesqui- sa exerce a sua função social. No caso específico da redação acadêmica. A LINGUAGEM CIENTÍFICA E AS REGRAS DA ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS (ABNT) Para Laville.1 CONTEÚDO 1. ESTRUTURA E ORGANIZAÇÃO DE TRABALHOS ACADÊMICOS 2.

Utilização Correta das Regras da Língua Portuguesa: A escrita exige que o autor as- suma uma postura respeitosa diante dos leitores. Para tanto. Frases longas e repe- tição de palavras também podem ser apontadas como elementos que comprometem a signifi- cação das ideias do texto e a sua estrutura estética. construção de orações e ortografia não pode ser admitida como justificativa para a construção de traba- lhos sem a correção gramatical. o dicionário é um ele- mento indispensável no ambiente de estudo e a sua consulta deve ser feita sempre que ne- cessário. 86 PATRÍCIA MOTA SENA . Associada à clareza na expressão. ambíguas ou que sugiram trocadilhos. tabelas precisam ser compreendidos pelo leitor. Desta forma. não devem ser utilizados jogos de palavras. Para tanto. A clareza na expressão é a transmissão do pensamento por meio de uma linguagem cla- ra. Tais características foram estabelecidas ao longo do tempo através da realização de pes- quisas e de crítica metodológica capazes de estabelecer critérios específicos para o registro de processos científicos. A noção de concisão é oposta à de prolixidade que. contribuindo para a ampliação do conhecimento. tais como figuras. avaliando se as sentenças estão construídas de maneira clara. Objetividade na Apresentação: implica na seleção das informações para que sejam apresentados os conteúdos mais relevantes. deve-se evitar expressões infor- mais. cenas e aspectos já descritos. que não deve ter nenhuma dificuldade para entender o conteúdo explanado. A precisão da linguagem visa transmitir o pensamento com exatidão e clareza. torna-se necessário conhecer os elementos que pautam a linguagem científica. e pelo uso de orações subordinadas”. para que o texto siga um raciocínio lógico e coerente. Na linguagem científica a escolha de termos deve ser criteriosa. pela repetição de fatos. “se define pelo emprego de frases. gráficos. brincadeiras com o título e com texto. se as ideias estão concatenadas e se há uma sequência lógica na apresenta- ção dos argumentos. percebendo que a sua compreensão está intimamente relacionada à aprendizagem da ciência. Conforme vimos no tema anterior. Além disso. piadas. cristalina e inteligível. palavras e expressões supérfluas. a ignorância quanto ao emprego de palavras. segundo Cardoso (2001). Precisão na Linguagem: utilizar uma linguagem precisa é empregar cada palavra de acordo com o que se deseja expressar. de um estilo direto de empregar as palavras essenciais à compreensão das ideias. pois as palavras e os recursos visuais apresentados. A linguagem científica possui características próprias que a diferem da linguagem colo- quial. isto é. pois este deve ser compreensível e claro para o leitor. será possível perceber criticamente o texto. que podem ser os membros de uma ban- ca examinadora. é necessária também a utilização de uma linguagem concisa.

quais fatores foram considerados e julguem o valor da investigação ou reproduzam as etapas para chegar aos mesmos resultados. pois estes preci- sam ser divulgados para que outros pesquisadores saibam qual a trajetória percorrida. Em geral.. o autor o leia cuidadosamente como se fosse seu próprio leitor para que possa verificar se a linguagem está limpa e clara. suas coorde- nadas e suas modalidades de construção. em termos de espaço e de con- juntura histórica. os trabalhos científi- cos devem permitir: “a. Conforme Laville. com a mesma precisão e sem ultrapassar a margem de erro indicada pelo autor. [. 87 METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO . reproduzir as experiências e obter os resultados descritos. depois de escrito o texto. para toda pesquisa. dispondo dessas informações. uma vez que contribuem para que o texto se contextualize fortemente pela linguagem. mas assumir uma perspectiva de transparência quanto aos métodos aplicados. b. é com esse espírito que se espera receber as informações que permitam acom- panhar seu encaminhamento. 1999: 238-239. considerar uma outra.] o que hoje importa é conhecer a hipótese formulada. resultados e etapas de estudos experimentais que submetam fenômenos a expe- riências controladas. É importante que. indagando se seria possível proceder de outra forma e chegar a outra coisa (LAVILLE. Grifos da autora). Podem ser elaborados de diversas maneiras. à medi- da que se utiliza uma linguagem objetiva e precisa. É necessário aten- tar também para expressões estrangeiras ou de cunho regionalista. Desta forma.. elas devem ser apresentadas entre aspas ou em itálico. às conclusões obtidas e aos dados utilizados. as conclusões tiradas de sua verifi- cação. Embora seja impossível escapar totalmente à vinculação contextual. permitem que outro pesquisa- dor julgue as conclusões do autor e as utilize como subsídio para seus próprios estudos. Os trabalhos científicos devem ser elaborados de acordo com algumas normas estabele- cidas e devem apresentar originalidade. Caso seja indispensável o uso de palavras em outro idioma. • Características dos trabalhos científicos A pesquisa não deve ser confidencial. 1999: 221). e e- ventualmente refutar o conhecimento produzido. mas obedecendo a metodo- logias específicas para cada finalidade a que se destinam. para poder. estes trabalhos apresentam observações e análises acerca de fenômenos natu- rais ou sociais. repetir as observações e julgar as conclusões do autor. o texto se torna mais acessível a leitores de outras culturas ou de futuras gerações. ampliando a compreensão sobre determina-dos cam- pos do conhecimento e sobre questões científicas. Para Ângelo Salvador (apud MARCONI e LAKATOS. Aliás.

dados ecológicos etc.Verificar a exatidão das análises.Permitir a reprodução das experiências e a obtenção dos resultados descritos. Por isso. por submeter o fenômeno estudado às condições controladas da experiência. c. • Regras da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) Existem alguns institutos que estabelecem normas gerais que são seguidas por todos a- queles que se dedicam à pesquisa científica no Brasil. Trabalhos teóricos de análise ou síntese de conhecimentos. ela é a referência mais segura e comum a que se pode recorrer na elaboração de trabalhos científicos. . especificamente. As normas que veremos aqui estão relacionadas. Observações ou descrições originais de fenômenos naturais. c. Sistema Nacional de Metrologia. com a publicação: 88 PATRÍCIA MOTA SENA . Trabalhos experimentais cobrindo os mais variados campos e repre- sentando uma das mais férteis modalidades de investigação.Ser inéditos ou originais.Oferecer subsídios para trabalhos posteriores. podemos citar a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) e o Instituto Brasileiro de Bibliografia e Documenta- ção (IBBD). . estruturas e funções. verificar a exatidão das análises e deduções que permitiram ao autor chegar às conclusões”. • Mas como podemos dizer que um trabalho é mesmo científico? Luiz Rey (apud MARCONI e LAKATOS. composto por entidades privadas e públicas que atuam na área científica.”. mutações e variações. CARACTERÍSTICAS DO TRABALHO CIENTÍFICO . apresentação de hipóteses. espécies novas. 1999: 221-222) relaciona como trabalhos cien- tíficos aqueles que apresentam: “a. Normalização e Quali- dade Industrial. teorias etc. levando à produção de conceitos novos por via indutiva ou dedutiva. Dentre eles. b. .Contribuir para ampliação de conhecimentos.Obedecer às normas pré-estabelecidas. . . sendo o único órgão responsável pela normalização. A ABNT faz parte do Sinmetro.

constituindo-se em real contribuição para a especialidade em questão. As normas da ABNT são elaboradas e atualizadas por um comitê formado por consu- midores. TRABALHO ACADÊMICO (esta categoria inclui trabalhos de conclusão de curso – TCC – e de especialização): “Documento que representa o resultado de estudo. • NBR 14724: Informação e documentação — trabalhos acadêmicos — apresenta- ção – Definições de Apresentação 1. visando a obtenção do tí- tulo de mestre”. produtores e membros da comunidade científica. analisar e interpretar informações. estudo independente. programa e outros ministrados. 89 METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO . ou similar”. Veremos as principais normas que ela define para a elaboração de trabalhos científicos. • NBR 6023 – Referências. devendo expressar conhecimento do assunto escolhido. Deve evidenciar o conhecimento de literatura existente sobre o assunto e a capacidade de sistematização do candidato. que deve ser obrigatoriamente emanado da disciplina. Deve ser elaborado com ba- se em investigação original. A ABNT apresenta definições que são importantes para a significação de alguns traba- lhos científicos: DISSERTAÇÃO: “Documento que representa o resultado de um trabalho experimen- tal ou exposição de um estudo científico retrospectivo. • Norma Brasileira Registrada (NBR) 14724 . • NBR 10520 – Citações. com o objetivo de reunir.Trabalhos Acadêmicos. É feito sob a coordenação de um orientador (doutor). curso. módulo. Forma Geral • Elementos pré-textuais: Capa: Elemento obrigatório que deve conter os dados indispensáveis para a identifica- ção do autor e especificação do trabalho. É feito sob a coordenação de um orientador (doutor) e visa a obtenção do título de doutor. TESE: “Documento que representa o resultado de um trabalho experimental ou expo- sição de um estudo científico de tema único e bem delimitado. Deve ser feito sob a coordenação de um orientador”. de tema único e bem delimitado em sua extensão.

0 cm 90 PATRÍCIA MOTA SENA . 2. retomando a tese defendida no desenvolvimento.0 cm Direita: 2. monografia ou trabalho de conclusão de curso etc. documentos históricos. Natureza do trabalho (especificar se é dissertação.7 cm) Tipo de Fonte: Arial ou Times New Roman Tamanho da Fonte: 12 Margens: Superior 3. do aluno que elaborou o trabalho. Cidade e Ano em que foi entregue o traba- lho.0 cm Inferior: 2. ficando a critério do leitor se ele quer ou não tomar conhecimento de tais informações. Desenvolvimento: Discute o tema central exposto na introdução em parágrafos articu- lados. Subtítulo se houver. Local (cidade) da instituição. também são considerados elementos pós-textuais as notas. Orientador. os apêndices. • Elementos pós-textuais: Anexos: Servem para complementar o texto com informações difíceis de incluir no de- senvolvimento do texto. • Elementos textuais: Introdução: Deve apresentar a ideia principal do texto para que se possa desdobrá-la no desenvolvimento. a bibliografia e o glossário.). testemunhos. Co-orientador. Estrutura da Capa: Nome do autor. Podem ser tabelas. registros. ampliando o tema a partir da explicação das ideias. Ano de entrega. de modo a construir uma lógica de pensamento coerente. nome da instituição (opcional). fotografias. São informações não essenciais. mas que fornecem elementos adicio- nais à compreensão do assunto tratado. Forma Gráfica Papel: branco A4 (21 cm x 29. Título. Conclusão: Encerra a argumentação e oferece respostas para as questões feitas ao longo do texto. Além destes. defendendo os pontos de vis- ta. O desenvolvimento deve estar encaixa- do hierarquicamente entre a introdução e a conclusão.0 cm Esquerda: 3. Subtítulo. Nº do vo- lume. gráficos. Título. isto é. Folha de Rosto: Possui em sua estrutura o nome do autor.

Siglas: quando se referir pela primeira vez usar o nome completo seguido da sigla. Depois. somente a sigla.5 entre linhas MARGENS . Espacejamento: 1. Paginação: pode ser no canto superior ou inferior da página na borda direita da folha (2 cm x 2 cm). ESTRUTURA DA CAPA FOLHA DE ROSTO 91 METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO .

Petrópolis. Até três autores: SOBRENOME. – Normas para a apresentação de referências Norma Geral: SOBRENOME. Sobrenomes Compostos: SOBRENOME COMPOSTO. SOBRENOME. 1998. A relação das referências deve ser organizada em ordem alfabética considerando o último sobrenome da autoria. institutos e entidades. Sobrenome com partículas: SOBRENOME. Referências de livros SOBRENOME. 92 PATRÍCIA MOTA SENA . Antônio Marcos. SOBRENOME. Nome. RJ: Vo- zes. Exemplo: GOMES. Nome. As referências devem ser alinhadas à esquerda e separadas entre si por espaço duplo. Sobrenomes de Parentesco: SOBRENOME NETO. Sem autor: A entrada deve ser feita pelo título Entidades coletivas: NOME de associações. Mais de três autores: SOBRENOME. Edição. • NBR 6023 – Referências As referências bibliográficas devem conter os dados essenciais para a identificação da publicação. FILHO. Local: Editora. Nome do livro. Nome. Nome. 1. Nome. Nome et al. da. quando falamos em público devemos falar “e co- laboradores”. Novela e sociedade no Brasil. Nome. Nome. Ano. ou et allii. Nome de.

Macapá: Valcan.. Nome. n. Rio de Janeiro: IBGE.). Ed. Cap. Local: Editora. Ano. SCHIMIDT. XX-XX. Local. p. Exemplo: DINHEIRO: revista semanal de negócios. Nome do livro. A expressão “IN” – deve ser em itálico (língua estrangeira). Periódico como um todo (referência de toda a coleção) NOME DO PERIÓDICO. São Paulo: Companhia das Letras. Partes de revista. 15-24. História do Amapá. 28 jun. Local: Editora. 1943-1978. 2000. Exemplo: ROMANO. (Org. e que se deve colocar a paginação. Giovanni. XX-XX. 1994. Nome. Título do capítulo. Local: Editora. Nome do autor do capítulo. O título do livro deve estar sempre destacado em itálico. volume e/ou ano. se houver. informações de períodos e datas de publicação. XX-XX. São Paulo: Três. numeração do fascículo. Imagens da Juventude na era moderna. 2. Título do artigo ou matéria. nunca duas ou três ao mesmo tempo! 4. Capítulo de Livro (autor diferente do organizador do livro) SOBRENOME. Exemplo: SANTOS. História dos jovens 2: a época contemporânea. No- me do autor do livro. 3. 2. datas de início e de encerramento da publica- ção. 7-16. SOBRENOME. In: SOBRENOME.3. 48. G. 93 METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO . Local: Editora. Capítulo de Livro (Autor é também o organizador do livro) SOBRENOME. In: LEVI. Mês/Ano. Nome da revista. Exemplo: BOLETIM GEOGRÁFICO. numeração do ano e/ou volume. In:_____. Artigo ou matéria de revista. A colonização da terra dos Tucujus. 5. p. NOME DA PUBLICAÇÃO. F. In:______. negrito ou sublinhado. J. 6. Observe que o grifo conti- nua no título da obra geral. p. 1996. boletim etc. e não no título do capítulo. Mas atenção! Só podemos utilizar uma OU outra forma. boletim etc. Ano. número. dos. p. Nome do livro. p.S. Título do capítulo.

elaborar exemplos e ilustrações. Local: Produ- tora. Local. data. 2. Desta forma. acréscimos ou comentários: [ ] 94 PATRÍCIA MOTA SENA . Imagem em movimento TÍTULO de filme. Reforma do estado e segurança pública. Lagos andinos dão banho de beleza. quando transcrevemos as palavras de um texto incorporando-as ao nosso ou citações livres (paráfrases). Nome. 2005.br>. Exemplo: GURGEL. São Pau- lo. 0000. 8.br/>. Castro. p. 28 jun. Acesso em: 04 abr. Exemplo: OS PERIGOS DO USO DE TÓXICOS. Exemplo: NAVES. 7.sitedeconsulta. Rio de Janeiro. 13.org. Produção de Jorge Ramos de Andra- de. v.. Exemplo: ALVES. a fra- ses específicas e conclusões de outros autores/trabalhos. 15-21.abnt. Folha de São Paulo. Artigo e/ou matéria de jornal SOBRENOME. Nome. Nome do diretor e/ou produtor. 1997. C. X. Folha Turismo. Nome do jornal. Disponível em: <http://www. • NBR 10520 – Citações em Documentos As citações se justificam quando queremos nos referir às ideias de outros autores. São Paulo: CEVARI. No texto. 1999. Acesso em: 00 mês. set. Título da obra. devemos apresentar os seguintes sinais para indicar: Supressões: [. 9.] Interpolações. Disponível em: <http://www. Política e administra- ção. Navio negreiro. Seção. 1983. 3. p. P. caderno 8. caderno ou parte do jornal. quando retiramos do texto a ideia que nos interessa e apresentamos com nossas próprias palavras. n. p. Título do artigo. videocassete ou DVD. buscando nelas o apoio necessário para fundamentar pontos de vista.. Data. isto é. Elas podem ser transcrições do texto original ou referências que nem sempre precisam ser cópias. Material eletrônico SOBRENOME. A própria natureza da pesquisa pressupõe a inspiração em outras obras. podemos usar citações literais (textuais). com.

Por outro lado. com mais de 3 linhas. grifo nosso). Veja os exemplos: Sendo assim. OU 95 METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO . Para Marx.] (PIAGET. nesse processo. 403).. [. mas não é necessário o uso de aspas. 2001. 26) “a escola deve atender as necessidades básicas do aluno [. faz- se homem (ANDERY. Veja o exemplo: A concepção materialista de Marx carrega em sua base uma concepção de natureza e da relação do homem com essa natureza.. por meio da expressão “grifo nosso” ou “grifo do autor”. da sua transformação para sobreviver.. 2001). a escola deve atender as necessidades básicas do aluno levando em consi- deração seu conhecimento [. incorporadas ao texto. indican- do. Ênfase ou destaque: grifo ou negrito ou itálico – Citações diretas no texto (até três linhas) No caso das citações que possuam até 3 linhas.. o homem não se confunde com a natureza. – Citações diretas no texto (mais de três linhas) Para as citações mais longas.. Como a citação possui menos de 3 linhas.. p.]”. Observe o exemplo abaixo: Para Piaget (2001. – Citar no texto o nome do autor Piaget (2001) considera que a escola deve atender as necessidades do educando.. Os colche- tes com reticências indicam que uma parte do texto foi suprimida.] o homem é um ser natural porque foi criado pela própria natureza. p. devemos recuar 4 cm à margem es- querda. p. ela deve dar continuidade ao parágrafo. – Grifo em citação Deve-se utilizar itálico ou negrito para destacar a parte fundamental da citação. 26. porque de- pende da natureza. devemos mantê-las dentro do parágrafo. [.. – Citação indireta no texto A escola deve perceber o educando e suas necessidades (PIAGET. 2004.] já que usa a natureza transfor- mando-a conscientemente segundo suas necessidades e.

2. 2002. METODOLOGIA E ESTRUTURA DOS TRABALHOS ACADÊMICOS I A partir de agora. afirma que a escola deve atender as necessidades básicas do aluno levando em consideração seu conhecimento [. • É a descrição detalhada de uma obra.]. 96 PATRÍCIA MOTA SENA . grifo do autor). como no e- xemplo a seguir: Para Piaget (apud ZABALA. vamos abordar como elaborar alguns dos trabalhos científicos que vão fazer parte do seu cotidiano acadêmico. p. Sendo assim. a escola deve atender as necessidades básicas do aluno levando em consi- deração seu conhecimento [. A expressão “citado por” pode ser substituída pela expressão latina apud. Ela só pode ser utilizada se for mui- to difícil ou impossível entrar em contato com o texto original. elaboração e divulgação destes trabalhos. Dentre as principais características. a escola deve atender as necessidades básicas do aluno levando em consideração seu conhecimento [.. p....Resenha.Seminário.Estudo de Caso. Palestra e Conferência. Painel e Mesa-redonda. Não uma simples apresentação. • Resenha A resenha é a apresentação do conteúdo de uma obra feita por meio da sua apreciação. . Vamos estudar: ..1. citado por Zabala. mas por intermédio de outro texto. 57). Nosso objetivo será compreender o processo de construção. 26. acrescido da referência a ou- tras obras da mesma área e da formulação de um conceito de valor que o resenhista faz sobre o livro.].2 CONTEÚDO 2. Paper e Memorial. – Citação de Citação (Apud) Aplicamos a citação de citação quando queremos fazer referência a uma ideia à qual não tivemos acesso direto. mas sim um resumo ampliado.. Artigo Científico.] (PIAGET. 2001. já que você passou a integrar a comunidade científica. Veja o exemplo: Piaget. . podemos destacar que a resenha: • É mais abrangente que um resumo crítico.

As resenhas podem ser classificadas quanto aos elementos que contêm. palestras – ou textuais – tratam de livros. se pos- sui uma linguagem acessível na qual a erudição ou a linguagem científica/técnica não com- prometa a sua compreensão. O resenhista deve observar se o texto é bem construído. A resenha admite que se façam elogios. peças. Em geral. desde que sinceros e ponderados. no entendimento de novas questões. juízos de valor e avaliação da obra em relação a ou- tras. filmes. destacando as suas contribuições. características e abordagens desenvolvidas? • Que contribuições a obra apresenta? • O autor atinge os objetivos propostos? • Há profundidade na exposição das ideias? • O texto supera a pura retomada de texto de outros autores? • Qual o grau de acessibilidade e originalidade do texto? • Qual a utilidade. encontros. se é inovadora e se traz novos co- nhecimentos e teorias que possam ser utilizados em outras pesquisas. ao texto. artigos. tratam de reuniões. Apresentamos aqui algumas questões que podem lhe orientar na construção das rese- nhas. Algumas questões podem servir de orientação para a construção da resenha: • Qual o assunto. É importante que seja avaliada a abordagem do autor. congressos. A resenha admite que sejam feitos comentários e sejam emitidas opiniões acerca das i- deias explanadas no texto. Analisar se o texto apresenta consistência nas ideias e se seus argumentos se sustentam. indicando erros de informação encontrados. • Exige conhecimentos de outras obras a fim de estabelecer relações. podendo ser re- ais – analisam eventos. opinião. comparando e avaliando a relevância da obra em relação a outras do mesmo gênero. validade e relevância? Inicialmente. as obras iniciam com um balanço bibliográfico de todos os textos que já foram publicados sobre o tema. É preciso que seja feito também um apontamento das possíveis falhas do autor. 97 METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO . • Permite comentários. devemos apresentar o tema e a abordagem que o autor traz. lembrando que a resenha deve ser escrita na forma de um texto dissertativo. agradável e interessante. É importante observar se o autor se restringe a analisar esses trabalhos ou se ele supera a simples retomada de ideias anteriores.

pois os computadores dinamizam a produção das revistas e a internet divulga mundialmente. Estrutura da resenha 1. 6. Crítica do resenhista. 4. Credenciais do autor. quais as conclusões que ele chegou. Neste item. 98 PATRÍCIA MOTA SENA . Credenciais do autor são informações gerais sobre o autor.000 revistas científicas. 5. 6. especialmente após a Segunda Guer- ra Mundial. fazer sua crítica sobre o texto lido. 2. na qual deve expor sua opinião. elas surgiram em meados do século XVII e a partir do século XX expandiram o ritmo de crescimento. sua formação. Conclusões do autor. local. A referência bibliográfica deve conter autor. Resumo da obra destaca as principais ideias expressas pelo autor. Indicações do resenhista. o ritmo de disseminação tem se tornado cada vez mais intenso em virtude do avanço na tecnologia das comunicações. Conclusões do autor identifica. analisando os principais assuntos tratados nos capítulos ou seções do texto. titulação e demais obras publicadas. podemos indicar os resultados que o autor obteve. editora. Resumo da obra. Referência Bibliográfica. inicialmente. data e nú- mero de páginas. isto é. Indicações do resenhista. evidenci- ando o método utilizado. Crítica do resenhista. título da obra. 3. 1. nacionali- dade. a quem o livro pode ser indicado? Estudantes de que área? Ponderar se as ideias do autor servem de embasamento para outras pesquisas. se o autor alcança alguma conclusão e qual é ela. 2. 3. a Lista Mundial de Periódicos Científicos (World List of Scientific Perio- dical) registrou a existência de cerca de 100. Em 1981. 4. 5. assim como qual a autoridade dele no campo cien- tífico. Segundo Laville e Dionnne (1999). • Artigos científicos Nas revistas científicas os artigos são os principais instrumentos de comunicação de uma pesquisa. Atualmente. conforme as normas da ABNT estudadas.

261). Artigo de revisão: São trabalhos que fazem uma avaliação crítica da literatura existente sobre determinado assunto. Devem ser originais e inéditos. É o relato analítico de informações atualizadas sobre um tema de interesse para determinada especialidade. tais como a pertinência do tema escolhido. principal- mente. destacando a contribuição e a originalidade do conhecimento construído. A estrutura se modifica de acordo com o periódico: cada vez que se submete um traba- lho à publicação numa revista científica. que tratam de uma questão verdadeiramente científica. existe o risco de diminuição da qualidade dos artigos científicos. mas que não se constituem em matéria de um livro”. os métodos empregados. Entretanto a NBR 6022 apresenta elementos que servem de orientação para os conselhos editoriais de revistas científicas e seus colaboradores. as conclusões e. o impacto do seu estudo para o ambiente acadêmico. Observe o quadro abaixo: 99 METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO . tendo em vista a facilidade das modernas técnicas de difusão de textos? • Mas o que são os artigos científicos? Eles comunicam ideias e informações. É nos periódicos que a comunidade científica pode avaliar a validade da pesquisa reali- zada. porém completos. o grau de pro- fundidade da revisão e a importância da bibliografia revista. A estrutura de um artigo se modifica de uma revista para a outra. Os artigos de revisão com enfoque histórico devem obedecer a uma ordem cronológica de pensamento e de publicação das obras analisadas Alguns as- pectos devem ser observados. OS ARTIGOS PODEM SER: Artigo de divulgação: São voltados para a divulgação dos resultados de uma pesquisa científica. Segundo Lakatos (2009. A explosão de publicações científicas pode constituir motivo de preocupação para os pesquisadores? Para você. as etapas da investigação. Não requer necessariamente uma revisão de literatura retrospectiva. p. Deve apresentar conclusões abrangendo conhecimentos sobre um determinado tema disponíveis na comunidade científica. é comum que esse periódico estabeleça normas pró- prias para apresentação. uma vez que o autor do artigo deve comunicar com objetividade e clareza a problemáti- ca analisada. “os artigos cien- tíficos são pequenos estudos. a partir da análise sistemática da bibliografia pertinente.

colegas e pesquisadores acabam por se envolver com pesquisas de seus colegas. nome. o tamanho da fonte e a quantidade de caracteres definidos previamen- te pelo órgão editor do periódico. Título 2. artigos e outros documentos científicos mencionados ao longo do texto. • Paper 100 PATRÍCIA MOTA SENA . O item dos agradecimentos serve para que esses nomes sejam mencionados como uma forma de demonstrar gratidão e gentileza. Sinopse 4. Credenciais do autor 3. fornecendo sugestões e indicações de docu- mentação. as referências bibliográficas consistem na listagem dos livros. Neste caso. expressões simples ou compostas que caracterizam os domínios em que o texto se inscreve. Primeiro vamos falar do título. realçando os aspectos mencionados. A sinopse é também conhecida como resumo. em geral. Pro- fessores. que geralmente é o e-mail. trata-se de um resumo descritivo que apresenta o conteúdo total do texto. construído a par- tir de uma análise dos aspectos relevantes do trabalho. discorre sobre uma pes- quisa científica. 6. que. 2. Vamos comentar cada um destes itens separadamente. 3. precisa e gramaticalmente correta. instituição à qual ele pertence e um contato. Referências 1. 5. 4. O corpo do artigo é o desenvolvimento. lendo os textos escritos. 7. As palavras-chave são termos. dando opiniões. o texto propriamente dito. orientadores. 1. Agradecimentos 7. Possui a quantidade de linhas. A consecução de uma pesquisa científica requer o empenho de muitas pessoas. Por último. ESTRUTURA Temos aqui a estrutura do artigo. Aqui as credenciais do autor são os seus dados. Corpo do artigo 6. Ele deve descrever a essência do artigo de forma lógi- ca. Palavras-chave 5.

O paper é um artigo menos abrangente, um pequeno artigo. De acordo com Souza (a-
pud TEIXEIRA, 2005, p. 45), as características desse trabalho acadêmico “podem convencio-
nalmente consistir em atividade acadêmica, servindo usualmente como um trabalho escrito
para a avaliação do desempenho em seminários, cursos e disciplinas. Devem possuir a mesma
estrutura formal de um artigo”.
Ainda conforme essa autora, as principais características do paper são: “a) estudo sobre
um autor; b) estudo de um tema num autor; c) estudo de uma obra de um autor; e d) estudo
de um tema/questão/problema em diversos autores” (SOUZA apud TEIXEIRA, 2005, p. 45).

• Memorial

Todos nós construímos uma trajetória acadêmica que envolve debates, leituras e refle-
xões. O memorial é uma narração autobiográfica que analisa uma etapa da vida acadêmica
que está relacionada com a pesquisa. E esta caminhada está também vinculada à nossa vida
pessoal. Conforme sugere a letra da música no fragmento a seguir:

Ando devagar
Porque já tive pressa
E levo esse sorriso
Porque já chorei demais
Hoje me sinto mais forte
Mais feliz quem sabe
Eu só levo a certeza de que
Muito pouco eu sei, eu nada sei
(...)
Todo mundo ama um dia todo mundo chora,
Um dia a gente chega, no outro vai embora
Cada um de nós compõe a sua história,
E cada ser em si, carrega o dom de ser capaz,
E ser feliz.
(Tocando em Frente. Almir Sater. Composição: Almir Sater e Renato Teixeira)

Cada um de nós possui uma história diferenciada, seja acadêmica ou pessoal, e ela pode
ser abordada dentro da comunidade científica através dos memoriais, pois é um documento
científico no qual escrevemos sobre nós mesmos. Dentre suas características podemos desta-
car que os memoriais configuram uma espécie de autobiografia acadêmica, profissional e inte-
lectual do autor que deve ser escrito na primeira pessoa do singular.

101
METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO

Esta autobiografia descreve, analisa acontecimentos e a trajetória acadêmico-
profissional e intelectual do autor, avaliando cada etapa da sua experiência. Destaca as fases
mais importantes e significativas, evidenciando relações entre a vida pessoal e a profissional
do autor. Atividades artístico-culturais importantes podem ser mencionadas, desde que sejam
relevantes. Traz uma perspectiva histórica e analítica da carreira do autor, retomando e anali-
sando o curriculum do pesquisador, permitindo a autoavaliação e a reflexão acerca da sua tra-
jetória acadêmico-profissional. Reflete sobre seus momentos mais importantes dentro de uma
perspectiva histórica, isto é, de transformação, avanços e recuos em sua trajetória. Sua estrutu-
ra deve conter capa e folha de rosto, sumário e corpo.

2.1.3
CONTEÚDO 3.
METODOLOGIA E ESTRUTURA DOS TRABALHOS ACADÊMICOS II

• Seminário

O seminário é uma das técnicas mais eficientes de aprendizagem, porque estimula a
pesquisa e a discussão. Caracterizado como técnica de dinâmica de grupo, o seminário pode
ser apresentado em eventos científicos, como congressos, encontros e simpósios, assim como
constitui uma das atividades mais praticadas nos cursos de graduação e pós-graduação.
O seminário pode ocorrer pautado na discussão de textos ou de temas pesquisados, fo-
mentando a reflexão através do debate.

Dentre as suas principais características, destacamos que o seminário:
• Inclui pesquisa, discussão e debate;

102
PATRÍCIA MOTA SENA

• Não é apenas um resumo ou síntese de estudo, mas um momento de divulgação e
partilha da investigação realizada;
• É uma forma de comunicação mais restrita;
• Assemelha-se a um grupo de estudo, mas também pode ser feito individualmente;
• Integra ensino, pesquisa e debate.

O primeiro passo é a pesquisa bibliográfica, requisito indispensável. Mas este trabalho
de pesquisa deve ser planejado e orientado pelo professor, que, se baseando nos conteúdos da
disciplina, define os critérios e os objetivos que os participantes devem alcançar. E a pesquisa
conduz à discussão do material coletado, fomentando o debate. Os seminários aprofundam o
estudo e o conhecimento sobre determinado assunto, desenvolvem a capacidade de pesquisa e
análise, preparando para a elaboração clara e objetiva dos trabalhos científicos. O seminário
fortalece o sentimento de comunidade intelectual.
Os seminários possuem etapas quanto à sua expressão escrita e uma estrutura específica
de apresentação oral. Vejamos:

ETAPAS ESTRUTURA
1. Introdução 1. Introdução
2. Conteúdo 2. Conteúdo
3. Conclusão 3. Conclusão
4. Bibliografia 4. Bibliografia

A introdução é uma breve exposição do tema central selecionado para a pesquisa. O
conteúdo corresponde ao desenvolvimento e deve ser apresentado seguindo uma sequência
organizada, tornando claros os objetivos do seminário. A conclusão traz a síntese do seminá-
rio e a bibliografia relaciona todos os documentos científicos que foram utilizados e citados.
• Quanto à estrutura, vamos saber quem são os participantes da apresentação:

1. O coordenador é o professor que orienta a pesquisa.
2. O relator (ou relatores) expõe os resultados obtidos. Pode ser um só elemento, vários
ou todos do grupo, cada um apresentando um aspecto do conteúdo.
3. O comentador pode ser um estudante de outro grupo ou um grupo diferente do res-
ponsável pelo seminário. O comentador se compromete em estudar com antecedência o tema
para fazer críticas e questionamentos adequados à exposição, antes de iniciar o debate. A figu-
ra do comentador só aparece quando o coordenador deseja um aprofundamento crítico dos
trabalhos.

103
METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO

Como destaca Elisabete de Pádua.” 104 PATRÍCIA MOTA SENA . 03) adverte que as in- formações e legendas devem aparecer em contraste com a cor do papel utilizado. Depois da exposição e da crítica do comentador (se houver). proporcio- na o confronto de opiniões e fomenta a crítica. levando a novas indagações sobre o assunto [. levando a um aprofundamento do conteú- do e à construção da aprendizagem. Quando se tratar de imagens ou desenhos. Nos seminários realizados em grupo pode haver a necessidade de um organizador. enfim. o seminário segue normas gerais de elaboração dos trabalhos acadêmicos. tais como carta- zes. O debate é o momento mais importante do seminário! Conduz à reflexão. pedindo esclarecimentos. Os debatedores correspondem a todos os alunos da classe. 03) destaca que alguns elemen- tos devem ser respeitados pelos participantes do seminário: • Domínio do assunto por todos os componentes do grupo. Quanto à sua apresentação escrita. retroprojeções e projeções de slides. Para a apresentação oral podem ser utilizados materiais de ilustração. observando o tamanho da fonte para que a leitura não seja comprometida pelos alunos mais afastados da exposição. No entanto. Existem algumas normas que devem pautar as apresentações oral e escrita de um semi- nário. Amorim (2005. 4. é o debate que “ca- racteriza o seminário como uma técnica geradora de novas ideias. reforçan- do argumentos ou dando alguma contribuição. despertando a curiosidade dos participantes.. • Exposição clara dos conceitos.]. • Sequência no discurso explanado e encadeamento das partes. • Seleção qualitativa e quantitativa do material coletado. Quanto à apresentação oral. • Adequação da extensão do relato ao tempo disponível. a todos os ouvintes do seminário. os critérios de tamanho e legibilidade das ilustrações devem ser igualmente observados. os debatedores devem participar fazendo perguntas.. res- ponsável pela distribuição das tarefas. colocando objeções. Ana Paula Amorim (2005.

o painel é uma atividade de divulgação científica que necessariamente não precisa apresentar cartazes. no máximo seis. o que possibilita uma troca de ideias e conduz ao conheci- mento aprofundado do tema. seguida de uma sessão de perguntas e debates. conhecem previamente o texto dos outros expositores e podem apresentar questionamentos aos membros da mesa. Os participantes conhecem previamente o texto do expositor. participam da exposição de três a cinco especialistas em um determinado assunto. Fundamentadas sobre um tema específi- co. ele deve coordenar a apresentação de cada um. A participação é espontânea. de maneira informal e dialogada. Apresentação de um tema sob pontos de vista diferentes e até mesmo divergentes. De debate: Além de expressar ideias. apresentar o tema e os debatedores aos ouvintes. A palavra retorna ao expositor. que realizam o debate sob a coordenação de um moderador. Além disso. organizando a dis- cussão. Após a exposição os demais participantes apresentam os seus comentários críticos. Consiste na reunião de vários interessados que expõem suas ideias sobre determinado assunto. • Mesa-Redonda A Mesa-redonda apresenta pontos de vista variados acerca de um mesmo tema. A função do moderador é inaugurar os trabalhos. que poderá concedê-la à plateia. Em geral. os participantes também questionam as ideias dos demais. 105 METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO . • Painel Ao contrário do que imaginamos. Os painéis podem ser: De interrogação: Os participantes responderão questões básicas indicadas pelo professor. Os par- ticipantes.

o estudo de caso requer que todos tenham “compre- ensão clara da questão. fazendo uso da investigação. essas autoras definem o estudo de caso como 106 PATRÍCIA MOTA SENA . é necessário que o cientista compartilhe dessas mudanças para que possa desenvolver um trabalho de pesquisa pertinente aos assuntos discutidos na área científica à qual pertence. Veremos. palestras. a seguir. acentuando-se o desenvolvimento da habilidade de decisão pessoal. 134) aponta algumas características: Objetivos: Desenvolver a capacidade de análise de situações concretas e de síntese de conhecimentos apreendidos. Ajuda o estudante a solucionar problemas científicos não habituais. METODOLOGIA E ESTRUTURA DOS TRABALHOS ACADÊMICOS III O conhecimento científico se constrói em proporções dinâmicas constantes. Aplicação: É importante para avaliação do aproveitamento dos educandos. esta técnica exercita a capacidade de tomada de decisão uma vez que sempre haverá mais de uma resposta adequada para o problema e será necessário discer- nir qual a mais adequada.1. Maria Cecília de Carvalho (2005. funcionando como exercício de motivação e aplicação dos conhecimentos.4 CONTEÚDO 4. Segundo Barros e Lehfeld (2006. esta técnica também pode ser aplicada de modo individual. o pesquisador deve estar atento à participação em eventos de divulgação científica específicos do seu campo de atuação. Entre- tanto. 2. na busca de uma solução comum ou aceita por todos”. • Estudo de caso O estudo de caso é uma técnica que possibilita a construção do conhecimento em con- junto. Procedimento: O educador propõe uma situação-problema real ou fictícia. Além disso. Para tanto. além de conhecimentos e argumentos que permitam convencer os demais membros. conferências e mesas- redondas. 04). Neste processo. Conforme Ana Paula Amorim (2005. aliando o estudo com a capa- cidade de intervenção. Desta forma. requer leitura cuidadosa. o que são estudos de caso. Retomando Chizotti. na qual deve ser aplicado o conhecimento teórico já construído. em decor- rência das atualizações e próprias da natureza do conhecimento. 95). a expressão “estudo de caso” surgiu no contexto do desenvolvimento de pesquisas médicas e psicológicas para fazer referência à análise deta- lhada de um caso buscando explicar patologias. seja individualmente ou em grupo. p.

sentimentos. p.Escolha da alternativa mais adequada: Pressupõe a escolha de uma das alternativas que melhor se aplique à situação. dando margem a decisões e intervenções sobre o objeto escolhido para a investigação (uma comunidade. que podem ser apontadas como: . O Estudo de Caso envolve algumas etapas básicas na solução do problema.Identificação do problema: Parte mais delicada do estudo e que pressupõe a clara compreensão do caso e do elemento central do mesmo. busque diversas soluções embasadas em fatos.Identificação dos fatos: Deve-se reunir os principais elementos contidos no caso. além. uma modalidade de estudo nas Ciências Sociais. nesse momento. uma empresa etc. mas. dos seus possíveis desdobramentos. . com base nos elementos envolvidos. intuições.Leitura cuidadosa do caso: O caso. . os elementos objetivos. elabo- rando relatórios críticos organizados e avaliados. é claro. 107 METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO . por escrito.Implantação: Aponte. importa indicar os fatos de maior e menor importância através de alguma indicação ou sinalização. .Identificação das alternativas de solução para o problema: Não se preocupe em en- contrar de imediato uma solução. verificando se são claras para você as razões de tal escolha. podendo já considerar as opiniões. que podem esconder ou distorcer fatos que realmente ocorreram. LEHFELD. habitualmente. Por isso. 95). 2006. incluindo fatos e opiniões congruentes ou divergentes. .) (CHIZOTTI.Respeite suas percepções e sentimentos: Não se deixe levar por preconceitos ou juízos de valor: ouse também considerar algo baseado no seu sentimento para com o caso trabalha- do. separe-os deixando de lado aqueles que não têm importância para o caso. de modo sistematizado. assim como os elementos subjetivos. uma organização. . .Avaliação dos fatos: Em função da relevância dos fatos reunidos. uma proposta para im- plantação da alternativa escolhida. representado pelo problema a ser re- solvido. 1991 apud BARROS. que se volta à coleta e ao registro de informações sobre um ou vários casos particularizados. . tem nexos com situações do cotidi- ano. relatando todas as alternativas e seus desdobramentos no presente e no futuro.

BARROS. 95). se constituir em uma autobiografia com interpretações e ampliações do pesquisador. Fundamentos de meto- dologia científica: um guia para a iniciação científica. ou seja. as histórias de vida devem ser complementadas com outras fontes de pes- quisa. TIPOS DE ESTUDO DE CASO Os estudos de caso podem ser: “a) Históricos organizacionais. Neide Aparecida de S. p. seja do passado. • Palestra Estamos habituados a assistir palestras inseridas em eventos de maior abrangência ou em locais onde elas ocorrem isoladamente. pode ser apresentada no contexto de um evento mais a- brangente. Mas o que é uma palestra? A palestra é uma exposição oral sobre um tema. mas de forma objetiva e clara. Aidil Jesus da S. utilizando em alta esca- la a observação. bem como com outros depoimentos de pessoas ligadas ao sujeito entrevistado. simpósios e encontros científicos. A palestra. e para tanto deve estruturar tecnicamente o discurso a ser proferido – ou como 108 PATRÍCIA MOTA SENA . b) Observacionais ligados à pesquisa qualitativa e participante. c) O estudo de caso denominado Histórias de Vida é uma técnica de pesquisa realiza- da através da avaliação de dados coletados em documentos e depoimentos orais registra- dos pelo pesquisador ou pelo próprio entrevistado. evidenciando a importância destes estudos e experiên- cias. do presente e das aspirações futuras. Deve-se estimular a expressão espontânea e livre do pesquisado”. pois o objetivo maior da palestra é a troca de conhecimentos. LEHFELD. por ser temática. quando se trata de uma instituição que se deseja exa- minar. o pesquisador pode participar da palestra como “palestrante – de modo a colocar em discussão suas ideias. como congressos. Conforme salienta Parra Filho e Santos (1998. e. 2006 (p. nestas ocasiões. Contudo. O palestrante desenvolve sua apresentação de modo metódico e estruturado sem apro- fundar. A história de vida deve englobar as experiências no percurso de toda uma vida. São Paulo: Pearson Makron Books. 159). o pesquisa- dor pode participar de duas maneiras.. ed. Pode ser ainda um documento escrito pelo próprio pesquisado. Nela estão presentes ouvintes que têm interesse em um determinado tema científico ou literário. 2.

a difusão científica pode ser orientada tanto para especialistas (neste caso.. Foram fei- tas algumas adaptações. Difusão científica refere-se a 'todo e qualquer processo usado para a comunicação da informação científica e tecnológica' (BUENO. da professora e pesquisadora Sarita Albagli (UFRJ). estudando o tema. Pode limitar-se à exposição de ideias do expositor. divulgação supõe a tradução de uma linguagem especializada para uma lei- ga. Ou seja. quanto para o público leigo em geral (aqui tem o mesmo significado de divulgação). • Exposição oral mais breve que a palestra. Pode ou não permitir a participação da plateia. Boa leitura! “A DIVULGAÇÃO CIENTÍFICA Popularização da ciência ou divulgação científica (termo mais frequentemente utiliza- do na literatura) pode ser definida como 'o uso de processos e recursos técnicos para a co- municação da informação científica e tecnológica ao público em geral' (BUENO. É uma exposição científica sobre um tema. poderá ser reservado um tempo para indagações dos participantes. 1994). realizada por um especialista na área. visando a atingir um público mais amplo. • Conferência Modalidade de comunicação oral que ocorre na comunidade científica São apresenta- ções mais curtas que as palestras. Uma exposição oral individual. em média. na qual o palestrante deve informar. é sinônimo de disseminação científica). Leia atentamente e reflita sobre a importância da Metodologia como instrumento de divulgação e significação de conhecimento. mas is- so não é uma regra. e neste caso deve se preparar. que lança questionamen- tos ao conferencista para que ele possa esclarecer pontos que não ficaram claros. 1994).ouvinte. O texto a seguir foi extraído do artigo intitulado “Divulgação científica: informação ci- entífica para a cidadania?”.. a duração de uma hora. A PALESTRA É. • Ao final. Possui. esclarecer e di- vulgar um tema relacionado ao seu trabalho. para conseguir um bom aproveita- mento”. Já comunicação da ciência e tecnologia sig- 109 METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO . Divulgação científica é um conceito mais restrito do que difusão científica e um con- ceito mais amplo do que comunicação científica. Nesse sentido.

acompanhando o próprio desenvolvimento da ciência e tecnologia. econômicas e ambientais associadas ao desenvolvimento científico e tecnológico. portanto. Neste caso. políticos e ideológicos.Mobilização popular.php/ciinf/article/view/465/424>. isto é. Dependendo da ênfase em cada um desses aspectos e ob- jetivos. quanto com um caráter cultural. trata-se de transmitir in- formação científica tanto com um caráter prático. Esse conjunto de conceitos e definições. enfatizando ora aspectos educacionais.ibict. particularmente em á- reas críticas do processo de tomada de decisões. . populações letradas e iletradas. ou seja. quer dizer. o desenvolvimento de uma opinião pública informada sobre os impac- tos do desenvolvimento científico e tecnológico sobre a sociedade. transcrita em códigos especia- lizados. 2009 110 PATRÍCIA MOTA SENA .Cívico. ampliação da possibilidade e da qualidade de parti- cipação da sociedade na formulação de políticas públicas e na escolha de opções tecnológi- cas (por exemplo. . Sarita. no debate relativo às alternativas energéticas). variam também os públicos-alvo dessas atividades. Divulgação científica: informação científica para a cidadania? Dis- ponível em: < http://revista. tais como (ANANDAKRISHNAN. O papel da divulgação científica vem evoluindo ao longo do tempo.br/index. com o objetivo de esclarecer os indiví- duos sobre o desvendamento e a solução de problemas relacionados a fenômenos já cienti- ficamente estudados. ora culturais. de transmitir informa- ção científica voltada para a ampliação da consciência do cidadão a respeito de questões sociais. Pode estar orientada para diferentes ob- jetivos. nifica 'comunicação de informação científica e tecnológica. agentes formuladores de políticas públicas e até os próprios cientistas e tecnólogos”. a ampliação do conhecimento e da compreensão do público leigo a respeito do processo científico e sua lógica. proporciona uma ideia das amplas possibilidades das ati- vidades de divulgação científica. para um público seleto formado de especialistas' (BUENO. ALBAGLI. visando a estimular-lhes a curiosidade científica enquanto atributo humano. Nesse caso.Educacional. sejam estudantes. 1985): . 1994). divulgação científica pode- se confundir com educação científica. Trata-se de transmitir in- formação científica que instrumentalize os atores a intervir melhor no processo decisório. Acesso em: 08 ago. Trata-se.

MAPA CONCEITUAL 111 METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO .

Determine um tema que você acredite que valha a pena pesquisar em um estudo de caso. identifique as três questões principais a que seu estudo de caso tentaria responder. Pode ser algum aspecto de uma situação que você saiba que acontece nas escolas. Agora. Vamos lá? O exercício será definir questões significativas para um estudo de caso. 37) propõe alguns exercícios bastante interessantes para a inicialização do estudante das Ciências Sociais Aplicadas na prática do estudo de caso. ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ 112 PATRÍCIA MOTA SENA . Vale a pena tentar responder a um deles. que você tivesse conduzido com sucesso seu es- tudo de caso). no seu livro Estudo de Caso: Planejamento e métodos (2007. inédito? (Se você não está satisfeito com suas respostas. p. talvez devesse pensar em redefinir as questões principais de seu caso). Como você justificaria a um colega a importância de suas descobertas? Teria dado continuidade a alguma teoria especial? Teria descoberto algum aspecto raro.ESTUDO DE CASO Robert Yin. Parta do princípio de que você pudesse responder de fato a essas questões com evidências suficientes (ou seja. Sugerimos que você escolha um assunto relacionado à Educação.

c) As produções acadêmicas que utilizam citações estão isentas de mencionar a referên- cia do texto original porque são trabalhos de circulação limitada. quando utilizado como citação por vários pesquisadores. pois todos os pesquisadores já conhecem. em seguida.EXERCÍCIOS PROPOSTOS QUESTÃO 01 Associe a leitura do texto a seguir à utilização das citações em textos acadêmicos e. mesmo as cita- ções diretas de até três linhas. b) As citações servem para justificar ideias. retirados de um artigo científico (vide referência a seguir) e associe-os às das funções dos trabalhos acadêmicos indicadas na coluna da direita. sustentar argumentações e. d) O comentário da Mafalda em relação aos direitos autorais das frases também se aplica aos textos citados da internet que. que podem estar presentes no corpo do texto. independente de terem registro ou não. o que não é o caso das frases mencionadas por Mafalda. assinale a alternativa correta: a) O fragmento de um texto. QUESTÃO 02 Analise os fragmentos de texto na coluna da esquerda. podem ser citados sem mencionar a referência do site consultado. 113 METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO . deixa de exigir que seja feita a referência. precisam vir a- companhadas da referência.

investi. numa época apro- priadamente chamada de ‘Era da Informação’. P. COLOMB. não podem ser publicados peculiaridades do contexto acadêmico e do repetidamente. São Pau- lo: Martins Fontes. Joseph M. CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO. pesquisa comunicada e a avaliação dos gar a relação. é: a) I – III – II b) I – II – III c) III – II – I d) II – I – III QUESTÃO 03 “A longo prazo. e contribuir para a amplia- conhecimento científico.” entífico deve permitir a reprodução da II. V.. em nível conceitual. [.. SELY MARIA DE SOUZA. A sequência correta encontrada. “[. ou seja. de fato. organizá-las de modo coerente e apresentá- las de maneira confiável são habilidades indispensáveis. tam resultados de pesquisas observacio- cas as iniciativas. os estudos ou os modelos nais. o esforço de um pes. 3). as técnicas de pesquisa e redação. Gregory G.” ção do conhecimento. I. “O objetivo foi. N. capacitarão o pesquisador para trabalhar por conta própria mais tarde. novo conhecimento. COSTA.” quisador parte daquilo que foi construído ( ) A elaboração de um trabalho ci- anteriormente por outros pesquisadores.. entre a métodos e resultados. portanto. WILLIAMS. pois. GESTÃO DO CONHECIMENTO CIENTÍFICO: PROPOSTA DE UM MODELO CONCEITUAL COM BASE EM PROCESSOS DE COMUNICAÇÃO CIENTÍFICA. FONTE: LEITE. uma vez assimila- das. 92-107.] no início da criação de um de gestão do conhecimento que. A arte da pesquisa. FERNANDO CÉSAR LIMA. III. 36.] parecem ser pou. afinal. 2007. Wayne C. consideram as suas particularidades. de cima para baixo. tendo em vista as inéditos. coletar informações. “Especificamente em relação ao ( ) Os trabalhos científicos apresen- ambiente acadêmico. assinale a alternativa que relaciona corretamente a modalidade e a habilidade mais exigidas do pesquisador na formulação de trabalhos acadêmicos: 114 PATRÍCIA MOTA SENA ..” (BOOTH. 1. gestão do conhecimento e os processos de ( ) Os trabalhos científicos devem ser comunicação científica. p. Com base na citação acima e nos conhecimentos. 2005... experimentais ou teóricas.

A leitura da citação acima. 2006). para verificarem se as alterações não comprometiam as informações técnicas” (LACAZ-RUIZ. mesmo que. o pesquisador precisará de estratégias de argumentação e apresenta- ção para que consiga constituir um consenso em torno do assunto apresentado. c) No artigo científico. b) A linguagem científica deve despertar no leitor imagens e sensações que o façam compreender melhor as informações. Disponível em: http://www. evitando expandir a análise para além do trabalho enfocado. sem que seja apresentada uma conclusão que possa ser contestada pelo leitor. pudemos extrair todas as informações necessárias. O médico que nos emprestou o livro fez um comentário interes- sante. O texto estava completo e sua leitura agradável. a) Nos seminários.htm.com. recorre- mos a um manual médico para saber mais sobre a doença. para isso. QUESTÃO 04 “Quando foi diagnosticada uma doença grave em um amigo. b) Nos estudos de caso. Disse que o organizador convidava especialistas para que escrevessem os capítulos de sua área e antes de fazer a arte final seguia dois protocolos o- brigatórios. o pesquisador precisará aprimorar sua linguagem para estruturar um texto detalhado em que o assunto é colocado para reflexão. em inglês. exige-se do pesquisador grande habilidade para resolver pro- blemas e discernimento para propor soluções baseadas no levantamento e análise das infor- mações relevantes para o caso em questão. a saber: i) enviava todo material a um romancista para tornar a linguagem mais fácil e ii) devolvia o material aos autores. 115 METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO .hottopos. Rogério. pois o pesquisador necessitará apresentar informações de maneira objetiva e breve. comprometa a objetividade na apresentação dos conteúdos. Notas e reflexões sobre redação científica. Acesso em: 11 jul. associada às características da redação científica. evitando mai- ores discussões. Da leitura do tra- tado. permite a- firmar: a) A leitura do tratado foi de fácil compreensão. d) A habilidade mais importante na elaboração de resenhas é a capacidade de síntese. sem pra- ticamente recorrer ao dicionário.br/vidlib2/Notas. pois o organizador atendeu ao planeja- mento lógico da apresentação que independe da precisão da linguagem e dos instrumentos intelectuais que o leitor possui para compreendê-lo.

cultura e cidadania e justificando a importância da comunicação científica nesse processo. quer seja ele considerado do ponto de vista de sua produção. de seu tempo e de sua histó- ria”. A expressão “desenvolvimento científico” aparece no texto com o objetivo de expli- citar uma concepção evolucionista de ciência. admitindo a cons- trução de parágrafos longos e frases complexas. Disponível em: http://www. a expressão “cultura científica” se refere a um conjunto de conhecimentos que caracte- rizam uma época como resultado de sua produção tecnológica e de suas necessidades como um fenômeno específico daquela conjuntura. a ideia de que o processo que envolve o desen- volvimento científico é um processo cultural.comciencia. para proporcionar a compreensão das ideias por parte do leitor. A Espiral da cultura científica. envolvendo referenciais culturais compartilhados pela sociedade no âmbito de suas necessida- des e de sua formação e atuação críticas. (VOGT...shtml.] a expressão cultura científica tem a vantagem de englobar [. QUESTÃO 05 “[. II e III . c) A clareza da expressão deve refletir a clareza do pensamento. ou ainda do ponto de vista de sua divulgação na sociedade. Das proposições acima. da qual o ensino e a educação assumem papel fundamental.. capazes de expressar o domínio da técnica. III. O significado de cultura científica está atrelado à percepção tanto do processo de co- municação científica dentro da academia quanto à divulgação da ciência para a população. 2008). A partir da leitura do texto e do tema comunicação científica. II. Acesso em: 12 Ago. O texto considera a dimensão histórica do conhecimento científico. resultando na constru- ção de um texto com frases escritas na ordem direta. a) I e II b) II e IV c) II e III d)I. que se reflete na transformação material da vida em sociedade e na dinâmica de sua comunicação. como um todo.] em seu campo de significações. estão corretas. para o estabelecimento das relações críticas ne- cessárias entre o cidadão e os valores culturais.. na qual a humanidade caminha rumo ao pro- gresso científico. apenas. tornando lineares as ideias de tempo. Carlos. IV.br/reportagens/cultura/cultura01. é correto afirmar: I. d) A redação científica deve privilegiar a forma literária de escrever. de sua difusão entre pares ou na dinâmica social do ensino e da educação.

A PESQUISA CIENTÍFICA E SUAS FASES 2. e representa o principal objeto de nossa curiosidade. então.1 CONTEÚDO 1. Mas a realidade é múltipla. será que só existe pesquisa científica? Onde e quando devemos começar a pesquisar? Qualquer um de nós pode realizar pesquisas? De que forma? O QUE É PESQUISA. que inte- gram a realidade em que vivemos. AFINAL? Se tomarmos como ponto de partida para entender o conceito de pesquisa aquelas dis- cussões sobre o ser humano e o conhecimento. uma vez que se organiza de acordo com um sistema de pensamento e ação. tendo em vista que consiste na observação de características específicas de um fenômeno em um dado contexto.2. é possível pensar em critérios científicos responsáveis por guiar a pesquisa. Como vimos no Capítulo 1. CONCEITO. culturais e nos aspectos naturais. Novas descobertas estão sendo constantemente objetos de informação. diversa nas relações sociais. A partir dessa imensidão de objetos do nosso conhecimento. opinião. muitas vezes ouvimos notícias a respeito de pesquisas realizadas no âmbito científico. pois avalia a todo o momento sua própria realização. Tais aspec- tos constituem objetos de investigação e pesquisa. podemos inferir que existem diversos aspectos da realidade que despertam o nosso interesse em compreendê-los e desvendá-los. Estamos falando. Esses resultados são frequentemente vinculados a uma pseudoinfalibilidade da ciência e a realização da pesquisa científica é atrela- da a profissionais especializados que possuem capacidades diferenciadas para ler a realidade. é controlado. O que você pensa sobre isto? Será que a pesquisa científica é reservada apenas a indivíduos com habilidades e capacidades especiais? E a pesquisa. Dessa maneira. políticas. Trata-se de um processo que é reflexivo. sujeitos cognoscentes. acabam por influen- ciar na mudança de hábitos e contribuem também para alterações em formas de comporta- mento. a realidade é o mundo exterior a nós mesmos. sen- do veiculadas pelos mais diversos meios de comunicação. FINALIDADES E REQUISITOS DA PESQUISA CIENTÍFICA Em nosso cotidiano. visão de mundo e das relações. é sistemático. físicos e químicos que permeiam a interação entre os seres hu- manos e a natureza.2.2 TEMA 4. e crítico 117 METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO . biológicos. da pesquisa científica.

interpreta. teóricos e as implicações de suas ações na interpretação dos resultados (ANDER-EGG 1978:28 apud MARCONI. a formulação e delimitação do problema/questão para o qual se pretende buscar uma (ou várias) resposta(s). f) sensibilidade social. aprofundan- do o entendimento da realidade ao estabelecer relações mais profundas. g) imaginação disciplinada. Desta forma. explica. LAKATOS 2003). a atividade de pesquisa. 2006. o levantamento de hipóteses para indicar as possibilidades de solução para o problema. b) curiosidade. Mas que habilidades são essas e onde elas são construídas? • A Pesquisa na Graduação É no Ensino Superior que o estudante deve iniciar seu contato com a pesquisa e com os pressupostos metodológicos exigidos em uma investigação científica. d) integridade intelectual. Como elaborar projetos de pesquisa. entre as quais estão: a) conhecimento do assunto a ser pesquisado. desenvolvendo capacidades já existentes e construindo habilidades para gerir uma investigação. 2000. está relacionada à necessidade de obter respostas para um problema específico. 67). analisa. Antônio C. mas pergunta o porquê. ed. especialmente na disci- 118 PATRÍCIA MOTA SENA . examina. GIL. h) perseverança e paciência. i) confiança na experiência”. por ser um “ato dinâmico de questionamento. Entretanto. a pesquisa não se conforma com as aparências. Esta atividade deve ser realizada com rigor e critério. c) criatividade. 4. Como alguns de seus principais elementos encontram-se: a seleção do assunto que se deseja investigar. LEHFELD. p. As qualidades mencionadas por Antônio Carlos Gil são características que os pesquisa- dores devem possuir. QUALIDADES PESSOAIS DO PESQUISADOR O êxito de uma pesquisa depende fundamentalmente de certas qualidades intelectuais e sociais do pesquisador. a coleta e análise de dados e a elaboração de um documento científico capaz de comunicar os resultados da pesquisa realizada. e) atitude autocorretiva. inda- gação e aprofundamento” (BARROS. São Paulo: Atlas.porque pressupõe o conhecimento dos fundamentos lógicos.

O Plano Nacional de Educação (PNE) compreende que a pesquisa é fundamental tanto para as universidades. p.. 49) nos apresenta uma distinção bastante pertinente quanto a esse aspecto: A diferença entre os trabalhos de pesquisa dos cientistas e dos estu- dantes universitários não deveria residir no método. como vimos no primeiro capítulo. mas também se habilitam a reconstituir. Ruiz (2008.. 68).plina de Metodologia. porém. Para que isso seja feito com êxito. mas nos propósitos. 48). quando adquirem a capacidade não só de conhecer as conclusões que lhes foram transmitidas. esta disciplina contribui para a inserção do estudante nos códigos da academia. a refazer as diversas etapas do caminho percorrido pelos cientistas. pois. integrando os processos de ensino e aprendiza- gem capazes de habilitar o estudante a prosseguir seus estudos trilhando os caminhos do co- nhecimento científico já construído. a pesquisa não deve ser realizada apenas pelos cientistas já constituídos. devem trabalhar cientifi- camente. 2001. p.] saber o que é uma pesquisa científica e habilitar-se a aplicar seus conhecimentos sobre metodologia na realização de pesquisas que gradual- mente lhe serão solicitadas durante o curso são condições indispensáveis a quem se propõe conduzir com eficiência seus estudos (RUIZ. o PNE afirma a necessidade de [. Os cientistas já estão trabalhando com o intuito de promover o avanço da ciên- cia para a Humanidade. no entanto. inclusive com a participação de alunos no desenvolvi- mento da pesquisa (PNE. habilitando-se para trabalhar de acordo com os critérios da ciência. quanto para os demais centros de ensino superior. Ainda compartilhando das análises de João Ruiz. integrado a um universo de outros pesquisadores i- gualmente experientes. um cientista com práticas e reflexões amadurecidas.. Cabe ressaltar que o estudante do Ensino Superior não seria. p. Dessa maneira. Ambos. vamos conhecer as principais características do método científico. 119 METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO . pesquisa e extensão que a caracteriza. Os estudantes trabalham cientificamente quando realizam pesqui- sas dentro dos princípios estabelecidos pela metodologia científica. mas sujeitos capacitados para seguir os caminhos de um conhecimen- to científico estabelecido e construído ao longo da história da humanidade. [.] incentivar a generalização da prática da pesquisa como elemento integrante e modernizador dos processos de ensino-aprendizagem em toda a educação superior. podemos afirmar que a pesquisa na graduação possui caráter didático-pedagógico. pois possibilita a união entre ensino. os estudantes universitários ainda estão trabalhando para o crescimento de sua ciência. Como objetivo do Ensino Superior. Como alerta João Álvaro Ruiz.. 2008.

decide ir ao Maracanã assistir a uma partida de futebol. ele provavelmente formularia algu- mas hipóteses sobre o jogo: “será que o objetivo é enviar a bola o mais distante possível?”. interessado em conhecer nossos costumes. É por isso que todos que querem estudar e fazer ciência preci- sam conhecer os métodos específicos da investigação científica: eles representam o percurso a ser seguido nessa viagem rumo à construção do saber. percebendo que alguns lances se repetem e têm sempre o mesmo desfecho (por exemplo. A compreensão do significado do mé- todo fica um pouco mais complexa se tomarmos como referencia a pesquisa em ciências hu- manas. Mas ao longo da partida.2.2 CONTEÚDO 2. a superficialida- de da aparência dos fatos. a partida é sempre interrompi- da quando a bola sai dos limites traçados no campo). Certamente no início da partida o ET ficaria bastante confuso. vendo todas aquelas pessoas correndo atrás de uma bola. PESQUISA CIENTÍFICA E MÉTODO Na tentativa de compreender a realidade. Leia atentamente o texto a seguir para que possamos refletir um pouco mais sobre isso: ENTENDENDO O MUNDO COMO UMA PARTIDA DE FUTEBOL Vamos nos permitir alguma liberdade criativa e imaginar que um alienígena recém chegado à Terra. ele talvez pensasse após assistir um infeliz chute de fora da área. Mas o que é o Método Científico? Podemos dizer que é um conjun- to de critérios definidos pela comunidade científica. e muito intrigado ao ver como alguns jogadores ficam tão sensíveis quando ela se aproxima demais daquelas redes locali- zadas nas extremidades do campo. 2. as ilusões dos sentidos. destinado à busca de explicações e à construção de conhecimento. “ou talvez o objetivo seja 120 PATRÍCIA MOTA SENA . a ciência necessita de critérios precisos que se- jam capazes de perceber criticamente os preconceitos.

acreditando que ela poderia ser aplicada com sucesso a todos os objetos de conhecimento. os métodos de investigação eram orientados pela perspec- tiva positivista. 2009. DIONNE. No entanto. Nós. Pois nela o ET as- siste passivamente ao desenrolar dos lances na partida e propõe hipóteses que somente tem como verificar esperando que se repitam. ainda que nossa metáfora seja didática. fossem naturais ou sociais/humanos. A produção científica do século XIX entendia a construção da ciência a partir da abor- dagem positivista.projetoockham. Até então. No início do século XX. Esse procedimento é realizado com a esperança de determi- nar. os cientistas começaram a questionar se o método de investiga- ção utilizado pelas ciências naturais e físicas deveria continuar sendo aplicado no entendimen- to de fenômenos sociais. É quase certo que após algum tempo ob- servando a partida e depois de vários palpites errados. REIS. p.. para que se possa determi- nar sua ou suas causas.. daí tirar explicações tão gerais quanto possível. 'Entender a natureza é como aprender a jogar xadrez somente assistindo à partida'. fatos que. com graus de complexidade distintos. Os cientistas sociais buscaram uma metodologia diferente para as ciências humanas. 31). org/ ferramentas_metodo_2. matar o humanóide que carrega a bola”. pensaria ao ver um zagueiro aplicando uma te- soura na altura do pescoço de um outro jogador. ela não é completa. Método científico. não tardou a a- contecer.. não somos meros es- pectadores da natureza. Os métodos empregados variam entre as ciências em função. podemos interagir com ela realizando ex- perimentos [.] que os fatos humanos são como os da natureza.. principalmente. em se- guida. o visitante extraterrestre fosse capaz de compreender a maior parte das regras do nosso futebol. Porém. Mas nem sempre foi assim. nas palavras do físico Ri- chard Feynmann. Acesso em 20 ago. depois. Widson Porto. devem ser submetidos à experimentação. no campo do humano. que supunha [.].html>. as leis naturais que o regem (LAVILLE. 1999. sem ideias pré-concebidas. 121 METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO . por outro lado. tomando uma medida precisa das modificações causadas pela experimentação. da nature- za do objeto de estudo. ou melhor. Disponível em: <http://www. a percepção de que se tratava de objetos de naturezas diferenciadas. Pois nós somos como este alienígena. mas participamos dela. Estamos imersos no grande “jogo” da natureza tentando entender suas “regras”: será que tudo o que sobe desce? Por que as coisas têm cor? Será que a posição que os corpos celestes ocupavam no instante de nosso nascimento pode afetar nossa personalidade? Em outras palavras. fatos que come- çam a ser observados tais quais.

O debate acerca da metodologia mais adequada para os diversos objetos de pesquisa. que pode ser entendido como a própria realidade. isto é. considerar que a natureza humana é diferente. Ao definir um objeto de investigação. o pesquisador precisa delimitar e estabelecer uma questão que lhe inquieta. Em linhas gerais. o que impossibilita o estabelecimento de leis gerais. como as percebeu. 46. o que faz suas ações serem imprevisíveis e impossíveis de se encaixar em leis gerais que sirvam para compreendê-las. que busca conhecer a partir da interpre- tação dos significados de um texto. p. nas discussões sobre objetividade/subjetividade e nos debates sobre pes- quisa qualitativa/pesquisa quantitativa. DIONNE. cada um poderá julgar os saberes produzidos e sua cre- dibilidade. opiniões e capacidade de agir de maneira autônoma. por que sua hipótese é legítima e o procedimento de verificação empregado justi- ficado. fossem eles de natureza física ou social.considerando a dinâmica das relações e dos fenômenos que envolvem o comportamento dos seres humanos. veremos mais adiante.. o pes- quisador já pode divulgá-la para a comunidade científica. levantamento de hipótese(s). Com base nessas especificidades.. 1999. Grifos da autora). como a concentração em um pro- blema. Importa saber que as ciências em geral se distanciaram da perspectiva positivista e construíram uma orientação que representa o seu principal método de construção de conhecimento: o método hipotético- dedutivo.] dirá quais são as delimitações do problema. é necessário colocar essas ações dentro de um contexto de relações. permaneceu ativo até a década de 1980 e ainda hoje se reflete. está hoje no centro do método científico (LAVILLE. Ao definir este proble- ma. Essa operação de objetivação. pois o ser humano é sujeito. [. Caberá ao pesquisador testar as suas hi- póteses e conservar aquela que ele pensa ser mais adequada para a compreensão do problema. possui valores. Para tanto. Quando considerar a explicação obtida por meio da hipótese como satisfatória e válida. Desse modo. comumente aplicadas nos estudos da física ou da biologia. o pesquisador levanta possíveis respostas ou explicações lógicas capazes de fornecer uma solução para o questionamento inicial: as hipóteses. a prioridade das ciências sociais deveria se voltar para a compreensão dos significados das ações dos sujeitos e dos significados que eles atribuem às suas próprias ações. o problema que ele deseja solucionar. verificação da(s) hipótese(s) e conclusão. Confira o qua- dro a seguir: 122 PATRÍCIA MOTA SENA . esboça-se um caminho que se caracteriza pela definição de um pro- blema. Sobre isso. houve uma valorização da abordagem metodológica pautada na hermenêutica. por exemplo. Desta forma. Para isso.

MERRIL.FONTE: INSPIRADO EM BARRY BEYER. levante algumas hipóteses que podem fun- cionar como respostas possíveis para a solução do problema levantado. P. 1979. Vamos praticar? Agora que você já possui noções gerais de como funciona o método hipotético- dedutivo. 1999. APUD LAVILLE. 123 METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO . COLUMBUS (OHIO): CHARLES E. 47. P. DIONNE. que tal escolher um tema do seu cotidiano para formular um problema? A partir da elaboração de uma questão do seu dia a dia. 43. TEACHING IN SOCIAL STUDIES.

Delimitação da pesquisa. MEDEIROS. 1. 2005. O dogma não encontra na ciência lugar nenhum. João Bosco. Levantamento de dados. o pesquisador deve se perguntar: O que será explorado? A escolha do tema deve levar em consideração a formação intelectual do pesquisador. Coleta de dados. São Paulo: Atlas. Comunicação dos resultados. 29. 1 – Seleção do Tema O tema da pesquisa é o assunto que se deseja estudar. 2. As peculiaridades de seu método diferenciam a ciência das mui- tas formas de conhecimento humano. 7. Ao sele- cionar o tema. 6. Formulação do problema. a afinidade pessoal com o assunto. 5. 4. p. Interpretação dos dados. Redação científica: a prática de fichamentos. resumos. 10. 7ª ed. pesquisar. Organização dos recursos. Sistematização e análise de dados. Construção de hipóteses. 11. E uma de suas particularidades é aceitar que nada é eternamente verdadeiro. Definição dos Métodos. 3. Seleção do tema da pesquisa. rese- nhas. a relevância teórica e/ou prática do assunto para o grupo ao qual pertence o pesqui- 124 PATRÍCIA MOTA SENA . 8. compreender. • Fases da Pesquisa Científica Um primeiro conceito de ciência diz que ela se identifica com um conjunto de proce- dimentos que permite a distinção entre aparência e essência dos fenômenos perceptíveis pela inteligência humana. 9.

que não é evidente. 2 – Levantamento de Dados A fase de levantamento de dados serve de subsídio para a etapa seguinte. os dados são esclarecimentos. A verificação da hipótese apoia-se sobre tais informa- ções. nesse sentido. as possibilida- des.sador e a existência de material e bibliografia sobre o assunto. os dados constituem um dos ingredientes que fundamentam a pesqui- sa. 160). mas que é preciso ir procurar com o auxílio de técnicas e de instrumentos. 125 METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO . ele designa. O QUE É UM DADO? O termo revela-se um pouco enganador. Porém. Contrariamente ao que poderia fazer crer a definição do Dicionário Aurélio transcrita [elemento ou quantidade conhecida que serve de base à resolução de um problema]. Além disso. Para os pesquisadores. ao contrário da denominação. que é a delimi- tação do problema da pesquisa. na verdade. o dado não é uma informação que está pronta. financeiros para a execução da investigação e o tempo que será dedicado ao estudo. informações sobre uma situação. a matéria de base que permite construir a demonstração. Levantar dados sobre o assunto é buscar informações em do- cumentos e na bibliografia já publicada sobre o tema. É necessário investigar aplicando esforços específicos fornecidos pelo mé- todo científico. algo que não é dado. b) encontrar um objeto que mereça ser investigado cientificamente e tenha condições de ser formulado e delimitado em função da pesquisa. Escolher o tema significa: a) selecionar um assunto de acordo com as inclinações. “dada”. um acontecimento. um fenômeno. Para Marconi e Lakatos (2009. p. busca que demanda esforços e precauções. as aptidões e as tendências de quem se propõe a elaborar um trabalho ci- entífico. deve analisar ques- tões como recursos materiais. conhecendo as discussões a respeito do assunto escolhido.

132) O levantamento de dados pode ser feito de duas maneiras: por meio de pesquisa biblio- gráfica e de pesquisa documental. que depende dos objetivos e implica na abrangência da pesquisa: se o pro- blema for abrangente. ou seja. mais tranquila será a condução da investigação. pois dela dependerá o sucesso das etapas seguintes: um problema de pesquisa formulado adequadamente confere segurança ao pesquisador para o levantamento dos caminhos que serão percorridos na busca das possíveis soluções e/ou respostas. p. 3 – Formulação do problema A formulação do problema implica na definição de uma dificuldade na compreensão do tema escolhido para a qual será encontrada uma solução. Viabilidade 126 PATRÍCIA MOTA SENA . DIONNE. quanto maior for a delimitação da questão proposta. concisa e objetiva. especialmente de livros. a pesquisa será mais complexa. artigos científicos e textos. de documentos científicos produzidos por autores como resultado de seus estudos. A pesquisa bibliográfica é pré-requisito para pesquisas em qual- quer área. Desenvolve-se a partir da busca de todo material já elaborado que trate do mesmo tema. Assim. 1999. Esta fase é uma das mais importantes. Marinho (apud MARCONI. As fontes primárias são materiais que ainda não foram utilizados como objeto de análise ou documentos que já receberam tratamento analítico. Pesquisa bibliográfica: Busca o reconhecimento da área de pesquisa na qual está incluí- do o tema selecionado. O problema deve ser formulado de maneira interrogativa ou na forma de uma questão clara. pois ela contribui para que o pesquisador construa um domínio sobre o tema. (LAVILLE. conferindo-lhes uma abordagem distinta. a partir do conhecimento de todo. isto é. documentos que foram produzidos no momento em que os fatos/fenômenos se desenrolaram. a pesquisa documental investiga as fontes primá- rias. 2009. LAKATOS. a pesquisa docu- mental se diferencia pela natureza das fontes pesquisadas. Enquanto a pesquisa bibliográfica se caracteriza pela busca de fontes secundárias. 161) alerta para a complexidade que envolve a propo- sição do problema. de tudo o que já foi escrito acerca do seu tema de investigação. Essas fontes são chama- das de fontes secundárias. senão de grande parte. difícil de ser executada. A FORMULAÇÃO DO PROBLEMA CONSIDERA: 1. Pesquisa documental: Embora pareça com a pesquisa bibliográfica. p. mas que podem ser usadas em novas investigações.

a problemas bem deli- mitados e de amplitude mais restrita. Novidade 4. é sobre um problema específico que se debruça. ou ainda o desenvolvi- mento intelectual do adolescente –. por exemplo. DIONNE. com isso. por vezes. É que o pesquisador profissional já circunscreveu. Oportunidade TEMA E PROBLEMA Ouve-se. um conjunto de problemas que se inscrevem em um mesmo tema de pesquisa. um pesquisador que trabalhe com o problema ou o tema geral da evasão escolar poderá estudar a cada vez diversos problemas específicos relativos à evasão escolar. Exeqüibilidade 5. (LAVILLE. por sua vez. ao invés de se falar sobre o problema preciso sobre o qual trabalha. muitas vezes no quadro de um programa de pesquisa. dizer que tal ou tal pesquisador estuda tal ou tal tema de pesquisa – o nacionalismo no Quebec. 1999. Ele. preocupa-se de modo global. mas quotidianamente. no decorrer de sua práti- ca. por exemplo. o populismo no Brasil. Desse modo. A so- ma dos conhecimentos assim obtidos lhe permite desenvolver progressivamente um co- nhecimento integrado sobre o conjunto da questão. ele pode construir um conhecimento mais geral. 2. Um pesquisador menos experiente vai se dedicar. p. 86) 4 – Construção de hipóteses 127 METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO . Relevância 3.

a hipóte- se sempre conduz a uma verificação empírica (MARCONI. construídas com embasamento teórico e conhecimento do tema da pesquisa. “delimitar a pesquisa é estabelecer limites para a investigação”. indicando o que deve ser feito para resolver o questionamento proposto.. desde que tal escolha seja justificada. político. Correta ou errada. 5 – Delimitação da pesquisa Para Marconi e Lakatos (2009. caracterizado como hipotético-dedutivo. dentre outros. 128 PATRÍCIA MOTA SENA . LAKATOS. 2009. de acordo ou contrária ao senso comum. pois ela consiste na [. econômico. O método em ciências humanas. A pesquisa pode ser delimitada quanto ao assunto. p. tendo como pressuposto o arcabouço teórico e o conhe- cimento de outras pesquisas já realizadas sobre o tema. geo- gráfico. 164). concentra na elaboração das hipóteses seu elemento central. propondo explicações de maneira fundamentada para que possa orientar a busca por mais dados relativos ao tema. guiando a consecução das etapas seguintes. p. 163). As hipóteses são as possíveis soluções ou respostas para o problema da pesquisa. também pode se delimitar por um recorte cronológico.] suposição que antecede a constatação dos fatos e tem como carac- terística uma formulação provisória: deve ser testada para determinar sua va- lidade. Tais limites são estabelecidos de acordo com critérios que o pesquisador consi- derar mais adequados à investigação. As hipóteses precisam ser enunciadas de maneira clara.. A cons- trução dessas hipóteses auxilia no direcionamento da investigação.

que pode ser também digital. p. sistematizando os dados obtidos de processos estatísticos criando uma representação gráfica ou diagramática. questionários. evitando o acúmulo de dados imprecisos sem vinculação com o tema estudado. o pesquisador pode organizar um arquivo. formulários. 168). tais como recursos materiais e humanos envol- vidos na pesquisa. entrevistas. Dessa maneira. tendo em vista o problema em questão. Inicialmente. formulários que são aplicados no decorrer da pesquisa. criando categorias e atribuindo códigos ou inscrições. 9 – Sistematização e análise de dados Os dados. Os métodos e as técnicas são utilizados para coletar dados da pesquisa. É o momento de organizar os materiais que fazem parte dos processos de investigação. p. roteiros de entrevistas. Para Marconi e Lakatos (2009. depois de coletados. questionários. 2009. textos extraídos de periódicos científicos. 129 METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO . fichários. 169). é necessário avaliar criticamente os dados coletados. com resumos de leituras. a observação. precisam ser organizados e classificados sistema- ticamente. será possível registrar apenas as informações pertinen- tes. tais como anotações de leitura da bibliografia pertinente. den- tre outros. testes e histórias de vida. levando em conta o tema da investigação e as técnicas de pesquisa selecionadas. 7 – Organização dos Recursos Esta é uma etapa fundamental da pesquisa que pressupõe planejamento e estratégia. medidas de opiniões e atitudes. LAKATOS. Já a tabulação consiste na organi- zação dos dados em tabelas. 6 – Definição dos métodos A seleção dos métodos e das técnicas aplicadas deve ser feita de acordo com a natureza do objeto ou com questões de ordem prática. A sistema- tização dos dados selecionados pode ocorrer por meio de codificação ou tabulação (MARCONI. técnicas merca-dológicas. Na codificação agrupam-se os dados que se relacio- nam. É uma fase que exige paciência por parte do pesquisador e cuidado no registro dos dados obtidos. 8 – Coleta de dados Já vimos que os dados de uma pesquisa devem ser procurados pelo pesquisador. Isso deve ser feito tendo em vista cumprir os prazos estipulados e o cronograma de atividades definido no plane- jamento da investigação para que haja melhor aproveitamento dos esforços e do tempo e re- cursos disponíveis. algumas das técnicas mais utiliza- das e que permitem a coleta de dados são: a coleta documental. contendo os materiais da pesquisa e o seu acervo bibliográfico. Dessa maneira.

Como essas autoras mostram. como os artigos. há vários esquemas de classificação na bibliografia. 11 – Comunicação dos resultados A fase de comunicação é a última. Comunicar os resultados de uma implica contribuir na ampliação de conhecimentos a respeito de determinado tema. sendo responsável pela exposição das conclusões ob- tidas. contribuindo para que novos estudos e des- cobertas sejam feitos pela comunidade científica. Deve ser feita por meio de um relatório. 10 – Interpretação dos dados A fase de interpretação dos dados está relacionada com as operações de análise e de in- terpretação. mas também são utilizados outros textos cientí- ficos. • Tipos de Pesquisa A classificação que trazemos abaixo é uma modificação das classificações discutidas por Marconi & Lakatos (1999. p. 130 PATRÍCIA MOTA SENA . Tais operações permitem conhecer as diversas relações que constituem o fenô- meno estudado e fornecer um significado às respostas obtidas à luz dos conhecimentos rela- cionados ao tema. 23-25).

Nas ciências sociais. do método experimental. Por isso mesmo é o tipo mais complexo e delicado. tem-se uma pesquisa des- critiva que se aproxima da explicativa. Algumas pesquisas descritivas vão além da simples identificação da existência de relações entre variá- veis. pois explica o porquê das coisas. com vistas à formulação de problemas mais precisos ou hipóteses pesquisáveis para estudos posteriores. estas são as que apresentam menor rigidez no planejamento. em virtude das dificuldades já comentadas. es- tado de saúde etc. porque quase sempre constituem etapa prévia indispensável para que se possam obter explicações científicas. as condições de habitação de seus habitantes etc. já que o risco de cometer erros aumenta considera- velmente. Dessa maneira. porém. PESQUISAS EXPLORATÓRIAS: Têm como principal finalidade desenvolver. Uma pesquisa explicativa pode ser a continuação de outra descritiva. Este é o tipo de pesqui- sa que mais aprofunda o conhecimento da realidade. procedência. pretendendo determinar a natureza dessa relação. Classificação quanto ao nível de explicação: podemos distinguir as pesquisas de acordo com o nível de compreensão acerca de um fenômeno a que se deseja estudar. entrevistas não padronizadas e estudos de caso. Tais pesquisas são desenvolvidas com o objetivo de proporcionar visão geral. descritivas ou explicativas. elas podem ser exploratórias. sexo. que as pesquisas exploratórias e des- critivas tenham menos valor. Pesquisas que se propõem a estudar o nível de atendimento dos órgãos pú- blicos de uma comunidade. recorre-se a outros métodos. quase que exclusivamente. nível de escolaridade. Este tipo de pesquisa é realizado especial- mente quando o tema escolhido é pouco explorado e torna-se difícil sobre ele formular hipó- teses precisas e operacionalizáveis. PESQUISAS DESCRITIVAS: Têm como objetivo primordial a descrição das caracte- rísticas de determinada população ou fenômeno ou o estabelecimento de relações entre variá- veis. As pesquisas explicativas nas ciências naturais valem-se. Habitualmente envolvem levantamen- to bibliográfico e documental. sobretudo ao obser- vacional. de tipo aproximativo. Neste caso. acerca de determinado fato. PESQUISAS EXPLICATIVAS: Têm como preocupação central identificar os fatores que determinam ou que contribuem para a ocorrência dos fenômenos. Dentre as pesquisas descritivas salientam-se aquelas que têm por objetivo estudar as caracte- rísticas de um grupo: sua distribuição por idade. Nem sempre se torna possível a realização de pesquisas rigidamente explicativas em 131 METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO . De todos os tipos [e níveis] de pesquisa. Isto não significa. esclare- cer e modificar conceitos e ideias. Procedimentos de amostragem e técnicas quantitativas de coleta de dados não são costumeiramente aplicados nestas pesquisas. São inúmeros os estudos que podem ser classificados sob este título e uma de suas carac- terísticas mais significativas está na utilização de técnicas padronizadas de coleta de dados. posto que a identificação dos fatores que determinam um fenômeno exige que este esteja suficientemente descrito e detalhado. Pode-se dizer que o conhecimento científico está assentado nos resultados ofereci- dos pelos estudos explicativos.

por exemplo. PESQUISA QUALITATIVA – A pesquisa qualitativa privilegia algumas técnicas que contribuem para a descoberta de fenômenos. 136). 2005. que pode ser uma instituição. tais como a observação participante. Para Elizabeth Tei- xeira (2005. 136) e deve ser aplicada quando o objetivo for conhecer: a)qual a relação entre variáveis (qual a relação entre idade. a estatística possui o papel fundamental de “estabelecer a relação entre o modelo teórico proposto e os dados ob- servados no mundo real” (TEIXEIRA. porém. A pesquisa qualitativa pressupõe que a utilização dessas técnicas não deve construir um modelo único. sexo e esco- laridade e dificuldades de leitura?). identificando e compreendendo aspectos que podem caracterizar hábitos. análise de conteúdo e estudo de caso. 2005. pesquisa- ação. as relações entre as variáveis que compõem um mesmo fenômeno e as análises das causas que geraram o objeto. b)qual a causa (o que causa a evasão?). p. opiniões. aos problemas que ele enfrenta com as pessoas que participam da investigação. entre janeiro e junho de 2000?). c)qual o efeito ou consequência (qual o efeito da técnica expositiva so- bre o aprendizado entre crianças de 4 e 6 anos?). aplicam-se questionários como instrumento de coleta de dados. chegando mesmo a ser designadas “quase-experimentais”. Classificação quanto ao tipo de método: Quanto ao método. Para tanto. PESQUISA QUANTITATIVA – Este tipo de pesquisa é aplicado quando se deseja con- ferir abordagem estatística ao objeto de estudo. mas. 132 PATRÍCIA MOTA SENA . as pesquisas podem ser quantitativas ou qualitativas. demonstrando a cientificidade dos dados colhidos e dos conhe- cimentos produzidos. impressões em relação a um referen- cial. dentre outros. a pesquisa quantitativa “utiliza a descrição matemática como uma lingua- gem” na busca por evidenciar. um produto. as pesquisas revestem-se de elevado grau de controle. (TEIXEIRA. 136- 137). dentre outros. sobretudo da Psicologia. em algumas áreas. Seus resultados podem refletir as ocorrências ou o perfil de uma dada população ou grupo social. Em geral. expor e validar os meios e técnicas adotados. d)qual a incidência (qual o número de casos de repetência na primeira série em Belém.ciências sociais. p. p. pois a pesquisa é enten- dida como uma criação que mobiliza a acuidade inventiva do pesquisador e sua perspicácia para elaborar a metodologia adequada ao campo de pesquisa. entendida por amostragem. comportamentos. O pesquisador deverá.

QUANTITATIVO VERSUS QUALITATIVO O desmoronamento da perspectiva positivista não se deu sem debates entre seus de- fensores e adversários. para ela. de observações clínicas etc. Para os adversários desse método. Inútil. uma das principais chaves da objeti- vidade e da validade dos saberes construídos. Na realidade. consideremos os valores. 133 METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO . Os de- fensores da quantificação apenas das características objetivamente mensuráveis respondem. com o objetivo de daí tirar. Consequentemente. a conjugar suas aborda- gens conforme as necessidades. quali- tativo. deixemos falar o real a seu modo e o escutemos. que esse encontro incontrolado de subjetividades que se adicionam só pode conduzir ao saber “mole”. as representações. E alguns gostam de afirmar que são as exigências estritas desse rigor que afastam os pesquisadores qualitativos (o que infelizmente parece. e não o contrário. Vê-se agora pesquisadores de abordagem positivista deixar de lado seus aparelhos de quantificação de entrevistas. A partir do momento em que a pesquisa centra-se em um problema específico. esse debate. mes- mo se dificilmente quantificáveis. às vezes. Esquecem. afastando numerosos aspectos essen- ciais à compreensão. Mas é verdade que o que resta é assegurado por um procedimento muito rigoroso. então. trata-se de truncar o real. corre-se o risco de não ter restado grande substân- cia. A pesquisa de espírito positivista aprecia números. É. O essencial permanecerá: que a escolha da abordagem esteja a serviço do objeto de pesquisa. sobretudo. há muito tempo. testado e preciso. parece frequentemente inútil e até falso. de pouca validade. Esses debates continuam ainda hoje. vê-se pesquisadores adversários da perspectiva positivista que não procedem de outro modo quando é possível tratar numericamente alguns de seus dados para melhor garantir a sua generalização. os saberes desejados. o me- lhor possível. e.. do real estudado. tentemos conhecer as motivações. Quando se trata do real humano. Os adversários propõem respeitar mais o real. in- versamente. que para cons- truir suas quantificações. ainda que muito presente. Pretende tomar a medida exata dos fenômenos humanos e do que os explica. Pode-se verificá-los princi- palmente na oposição entre pesquisa quantitativa e pesquisa qualitativa. porque realmente é querer se situar frente a uma altura estéril. sobre- tudo em vista do saber matemático e do estatístico necessário!). correto. porque os pesquisadores aprenderam. desse modo. ou uma mistura de ambos. Inútil. deve escolher com pre- cisão o que será medido e apenas conservar o que é mensurável de modo preciso. tiveram que afastar inúmeros fatores e aplicar inúmeras conven- ções estatísticas que. afir- mam. é em virtude desse problema específico que o pesquisador escolherá o procedimento quantitativo.

Nesse sentido, centralizar a pesquisa em um problema convida a conciliar abordagens
preocupadas com a complexidade do real, sem perder o contato com os aportes anteriores.

(LAVILLE; DIONNE, 1999, p. 43)

2.2.3
CONTEÚDO 3.
PROJETO, RELATÓRIO E MONOGRAFIA

• O projeto de pesquisa

O projeto serve para planejar o trabalho de pesquisa e constitui parte integrante do pro-
cesso de execução de uma investigação, pois é responsável por integrar o corpo teórico defini-
do para a compreensão dos dados e a interpretação dos mesmos na discussão da metodologia
a ser utilizada para alcançar os objetivos delimitados. A finalidade do projeto é planejar com
rigor a pesquisa para que o estudante/pesquisador saiba exatamente quais procedimentos de-
verá adotar diante dos dados. Por isso, o projeto tem como característica definir e apresentar o
tema, os objetivos, a metodologia, a justificativa quanto à pertinência da investigação propos-
ta, planejar os critérios de coleta e de análise dos dados e projetar possíveis soluções para o
problema da pesquisa. Tudo isso articulado ao tempo disponível, isto é, ao prazo estipulado
em um cronograma de atividades. Um auxílio e tanto para o pesquisador, não? Trata-se, dessa
maneira, de um instrumento que confere segurança e disciplina à tarefa de pesquisa.
Os projetos de pesquisa podem variar na forma de apresentação, de acordo com o públi-
co ao qual se destina. Eles podem ser destinados a agências de fomento à pesquisa, podem ser
entregues como requisito para aprovação em componentes curriculares ou apresentados em
processos seletivos de iniciação científica e pós-graduação. Apesar disso, os projetos precisam
conter a delimitação de um objeto de estudo, um problema que deve ser solucionado e objeti-
vos que deverão ser alcançados (MEDEIROS, 2009, p. 191). Além disso, cumprem duas fun-
ções: científica e administrativa, como afirma Belchior (1972 apud RUDIO, 1986, p. 56). Para
esse autor, o projeto consiste na

[...] mobilização de recursos para a consecução de um objetivo pré-
determinado, justificado econômica ou socialmente, em prazo também de-

134
PATRÍCIA MOTA SENA

terminado, com o equacionamento da origem dos recursos e detalhamento
das diversas fases a serem efetivadas até a sua execução.

Veja a seguir a estrutura de um projeto de pesquisa, que pode variar de acordo com o
destinatário, como você já viu anteriormente. No entanto, os projetos precisam, no seu desen-
volvimento, responder às seguintes perguntas:

O QUE FAZER?
POR QUE FAZER?
PARA QUE FAZER?
PARA QUEM FAZER?
ONDE FAZER?
COMO FAZER?
QUANDO?
COM QUANTO?
QUEM VAI FAZER?

• A Estrutura de um Projeto

1. Capa: É um elemento obrigatório, pois identifica o projeto ao apresentar dados como
título (e subtítulo, se houver) do projeto, o(s) autores, a instituição a qual pertencem, local e
ano de entrega. Veja nas normas para elaboração de trabalhos acadêmicos as orientações para
sua apresentação.
2. Folha de rosto: Também é obrigatório e apresenta a natureza do projeto. Veja nas
normas para elaboração de trabalhos acadêmicos as orientações para sua apresentação.
3. Lista de ilustrações: relação de imagens, tabelas, gráficos apresentados no projeto.

135
METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO

4. Lista de abreviaturas: contém as expressões e suas respectivas siglas.
5. Sumário: Listagem numerada das principais seções do projeto apresentadas na ordem
que aparecem no texto.
6. Introdução: nesta seção, o autor do projeto deve apresentar o tema da pesquisa, de-
limitando o problema que interessa estudar. Deve-se fazer uma revisão da bibliografia sobre o
tema, caracterizando-o e distinguindo a abordagem quanto aos estudos já realizados sobre o
assunto. A introdução deve também mencionar o nome dos envolvidos no projeto, como co-
ordenador ou orientador, além de explicar a origem das preocupações científicas que serão
investigadas por meio de um histórico do projeto. No entanto, a discussão do tema e a formu-
lação e delimitação do problema devem ser os eixos centrais da introdução. Estes são tratados
considerando a contextualização teórica do problema, fundamentando a pertinência da pes-
quisa e as contribuições advindas de publicações anteriores. No entanto, essa revisão da bibli-
ografia deve ser articulada à delimitação do problema, posicionando-o no campo de investiga-
ções já realizadas e “não pode ser constituída apenas por referências ou sínteses dos estudos
feitos, mas por discussão crítica do ‘estado atual da questão’” (GIL, 2006, p. 162).
7. Objetivos: nesta seção, o pesquisador deve apresentar o objetivo geral da pesquisa e
os objetivos específicos. Os objetivos são apresentados como hipóteses, considerando as pos-
sibilidades de resposta que se procura alcançar com a investigação. Antônio Carlos Gil reco-
menda que a linguagem utilizada para listar os objetivos seja feita com verbos que indiquem
ação “como identificar, verificar, descrever e analisar” (GIL, 2006, p. 162). O objetivo geral é
uma visão global sobre o tema, explicitada com uma hipótese abrangente. Já os objetivos espe-
cíficos consistem na aplicação do objetivo geral a situações particulares, descrevendo aspectos
que merecem ser detalhados e verificados cientificamente.
8. Justificativa: Nesta seção é necessário explicitar qual a relevância da investigação
proposta para a comunidade científica e para o aprofundamento das discussões sobre o tema.
Deve justificar a pertinência de se compreender o problema apresentado, demonstrando quais
as contribuições que o estudo poderá trazer para a ciência e para a sociedade como um todo.
Neste item também se deve evidenciar as origens da escolha do tema, destacar as motivações
do autor do projeto em compreendê-lo, focalizando a importância do estudo em relação a
outros realizados anteriormente, seja distinguindo a abordagem, seja ressaltando as suas con-
tribuições. Segundo Fachin (2006, p. 111), a justificativa “é uma fase que leva o pesquisador a
repensar a escolha do assunto e a razão de sua escolha”.
9. Metodologia: Nesta seção, devem ser descritos os procedimentos, técnicas, estraté-
gias, métodos que serão seguidos durante a pesquisa para a coleta e análise de dados. Esclare-
ce-se qual o tipo de pesquisa adotado e quais serão os referenciais teóricos que auxiliarão na
compreensão dos dados obtidos. É importante ressaltar que os referenciais epistemológicos
que fundamentam os métodos diferem entre si, o que exige acuidade do pesquisador em per-

136
PATRÍCIA MOTA SENA

que deve ser uma monografia ou tese. com a finalidade de planejar a atividade de pesquisa. textos. enfim. dentre as quais cumpre destacar: 1. Esse documento se diferencia do texto final. 12. pois justifica para os orientadores ou agências de fomento à pesquisa científica a aplicação dos recursos e do tempo disponibilizados. podem ser requeridos relatórios parciais. disponibilizados para aprofundamento ou melhor compreensão das ideias do projeto (roteiros de entrevistas. Já os apêndices são docu- mentos elaborados pelo autor do projeto. Anexos e/ou apêndices: Os anexos são materiais elaborados por outros autores ou documentos científicos (gráficos. 10. comunicando os re- sultados alcançados. que deverá enfocar os resultados obtidos na concretização do projeto. 11. 3. A estrutura do projeto não é estanque e seus elementos devem ser distribuídos de acordo com as exigências da pesquisa. 163-164) faz observações quanto ao desenvolvi- mento do projeto. que 137 METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO . O projeto se distingue do trabalho final. quadros) que servem para corroborar as afirmações contidas no texto do projeto ou fornecer informações adicionais. as fontes de informação citadas no projeto. como no projeto. Cronograma: Aqui são distribuídas as atividades de pesquisa com relação ao prazo estabelecido.ceber a compatibilidade entre eles e sua contribuição para o entendimento do problema pro- posto. pois o plano encarrega-se de estruturar o plano do trabalho escrito e não as ações da investigação. Antônio Joaquim Severino (2006. pois revela aprofundamento das ideias do autor. tabelas. relatos de observações. Cumpre também um papel administrativo. questioná- rios). 4. p. capítulos. indicando o tempo necessário para o desenvolvimento de cada fase da investiga- ção. O projeto detalha os caminhos da investigação e as estratégias. Plano de trabalho e projeto de pesquisa são diferentes. • O relatório de pesquisa Os relatórios de pesquisa são documentos científicos que cumprem a função de apresen- tar os resultados obtidos em uma investigação relacionada a um projeto específico. É normal e até positivo que o projeto possa ser alterado durante a investigação. Referências: Item obrigatório em que são listados os livros. 2. Durante a investigação.

“incorporando as modificações realizadas depois de apli- cada a pesquisa-piloto” (MARCONI. pois a retomada das principais obras sobre o tema contribuem para fundamentar a apresentação do problema. A seguir. 9. porém acres- cidos dos objetivos e da justificativa. Nesta seção. os demais deverão vir em apêndice” (MARCONI. 2009. os relatórios podem ser solicitados como parte de processos avaliativos em componentes curriculares como forma de exercitar a habilidade de demonstração dos estudantes. em geral.Folha de Rosto. 233). 232). LAKATOS. para que você use como guia. Sumário. 7. Apesar de essas autoras indi- carem que a revisão bibliográfica deve ser feita em uma seção diferenciada. 1. • Estrutura do relatório A estrutura dos relatórios varia de acordo com a finalidade para a qual são produzidos. Apresentação e análise dos dados: A ordem de apresentação dos dados deve estar em conformidade com as hipóteses e as afirmações que propõem. 8. 5. No relatório podem ser incorporadas novas publicações. possui entre 20 linhas e uma página. considere as mesmas orientações oferecidas nas explicações sobre o projeto. propomos que isso seja feito ainda na introdução. modificada a partir da orientação de Marconi & La- katos (2009. deve-se apresentar as evidências obtidas por meio de análises “incorporando no texto apenas as tabelas. p. As autoras mencionadas sugerem que a interpretação dos resultados seja feita em uma seção dis- 138 PATRÍCIA MOTA SENA . LAKATOS. ao término da pesquisa.Lista de Abreviaturas. “já que a pesquisa bibliográfica não se encerra com a elaboração do projeto” (MARCONI. p. 2009. p. Além disso.Capa. os qua- dros.apresentam fases do andamento dos trabalhos e. propomos uma estrutura geral. 230-231). 4.Listas de Tabelas ou Ilustrações. p. o relatório deve a- presentar a metodologia empregada e os resultados finais. Para as seções que não estão descritas. 232). Metodologia: Nesta seção descrevem-se as estratégias utilizadas na coleta e análise dos dados e a eficácia da aplicação dos métodos escolhidos. Introdução: Apresenta os mesmos elementos da introdução do projeto.Resumo ou sinopse: trata-se de um resumo descritivo sobre o conteúdo do relatório. LAKATOS. 2009. 6. os gráficos e outras ilustrações estritamente necessárias à compreensão do desenrolar do raciocínio. Deve ser objetivo e. 2. 3.

Anexos ou Apêndices. 12. como as dissertações de mestrado e as monografias no “sentido acadêmico. ou seja. 255). a um só problema. o pesquisador encerra o seu texto com sínteses e recomendações. a redução da abordagem a um só assunto. 2008. É possível ainda. porém pensamos que essa interpretação pode ser feita junto à análise dos dados coleta- dos. p. Dessa maneira.tinta. que o pesquisa- dor identifique “as questões que não puderam ser respondidas pela pesquisa. • A monografia A monografia é o estudo aprofundado de uma questão específica. sejam empíricas ou não. 10. Esse mesmo autor atribui dois sentidos à aplicação do termo monografia: pode ser uma tese. o tratamento escrito aprofun- 139 METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO . 190). ou pode ser todo trabalho originado de pesquisas. 2006. bem como as questões que surgiram com o seu desenvolvimento. Referências. seguidas de sugestões quanto a pesquisas futuras que possam respondê-las” (GIL. o alcance das abor- dagens e a contribuição dos resultados obtidos. Délcio Salomon con- ceitua a monografia da seguinte maneira: Localizamos na origem histórica da monografia aquilo que até hoje ca- racteriza essencialmente esse tipo de trabalho científico: a especificação. buscando confirmar ou rejeitar as hipóteses levantadas. 11. Retrata o significado da pesquisa realizada. Conclusões: As conclusões são parte final da pesquisa. p. originada de pesquisa científica que contribua com conhecimentos originais à ciência. como produto dos processos desenvolvidos na investigação. Mantém- se assim o sentido etimológico: mónos (um só) e graphein (escrever): disser- tação a respeito de um assunto único (SALOMON. nesta seção. ou seja.

p. a argumentação e a explicação da pesquisa: explica. Lista de Abreviaturas. p.. em que a reflexão é a tônica” (SALOMON. as características da monografia são: • Trabalho escrito. Vejamos a estrutura da monografia. delimitando o problema analisado. • Tratamento extenso em profundidade. sistemático e completo. original e pessoal para a ciência. cuja finalidade é expor e demons- trar”. 237). 8. implica o exercício do raciocínio. 4. considere as mesmas orientações oferecidas na elaboração dos projetos e relatórios. mas não em alcance [. p. • Estudo pormenorizado e exaustivo. 3. 5. 7. • Contribuição importante. Demonstra que as proposições. Desenvolvimento: Para Marconi e Lakatos (2009.. fundamenta e enuncia as proposições. 6. o desenvolvimento é o es- paço da “fundamentação lógica do trabalho de pesquisa. De acordo com Marconi & Lakatos (2009. Capa. de maneira descritiva e analítica. Introdução: Deve apresentar de maneira objetiva o tema da pesquisa. discute. Folha de Rosto. Resumo em língua vernácula. Lista de Tabelas ou Ilustrações. • Demonstração é a dedução lógica do trabalho. Para essas autoras. é analisar e compre- ender.. • Metodologia específica. • Discussão é o exame.. 1. 2008. pois apresenta considerações metodológicas e uma breve revisão bibliográfica sobre o tema. 238). 256). para atingirem o objetivo formal do trabalho e não se afastarem do tema. Quando a seção não estiver descrita. o desenvolvimento da monografia precisa conter: • Explicação [. • Tema específico ou particular de uma ciência ou parte dela.dado de um só assunto.]. Sumário. abordando vários aspectos e ângulos do caso. devem obedecer a uma sequência lógica. A introdução da monografia se assemelha à do relatório.] explicar é apresentar o sentido de uma noção. 140 PATRÍCIA MOTA SENA . contextualizan- do-o. procurando suprimir o ambíguo ou obscuro. 2.

“da conclusão devem constar a relação existente entre as diferentes partes da argumentação e a união das ideias e. 9. p. reflexão e auto-avaliação da práxis pedagógica desenvolvida no per- 141 METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO . com um resumo das principais ar- gumentações com o objetivo de atribuir significado ao estudo realizado. Segundo Marconi e Lakatos (2009. 10 Anexos e/ou Apêndices. considerando a interdisciplinaridade e aliança entre teoria e prática. 238). 2. re- gistro. conter o fecho da introdução ou síntese de toda reflexão”.4 CONTEÚDO 4. Como explicita o Guia Institucional de Trabalho de Conclusão do Curso Letras Português/ Inglês da FTC EAD – Faculdade de Tecnologia e Ciência – Educação a Distância (2008): O portfólio acadêmico consiste em um trabalho de sistematização. organiza aprendizagens conquistadas nas disciplinas específi- cas do curso de graduação. 11. Há instituições de Ensino Superior que solicitam artigos científicos. ainda. Referências. Conclusões: Apresenta uma síntese do trabalho. Dessa maneira. monografias e. tem sido cada vez mais usual um novo tipo de trabalho: o Portfólio. PESQUISA E DOCÊNCIA Os trabalhos de conclusão dos cursos de graduação têm sido cada vez mais variados na forma de apresentação. O Portfólio possui aplicações diversas. PORTFÓLIO. mas tem em comum seu objetivo: sistematizar práticas exercidas ao longo da graduação.2.

É um trabalho criterioso e crítico que requer muita leitura para possibilitar a ”construção lógica do pensamento ou síntese que é a coordenação inteligente das ideias. Objetivos: A construção de um objetivo precisa ser efetuada de forma clara e conci- sa. 81-82). Apresentação: Texto inicial. conforme as exigências racionais da sistematização própria do trabalho científico” (SEVERINO. Dialogando sobre os temas transversais: Você deverá construir um texto relacio- nando os conhecimentos significativos (importantes para o seu processo de formação do- 142 PATRÍCIA MOTA SENA . os temas transversais e as experiências em Estágio Supervisionado dos cursos de Licenciatura. dos campos de estudos/escolas pesquisadas e ou- tros dados gerais sobre o portfólio. 2. como. 3. ainda. A partir de agora você verá a estrutura do portfólio acadêmico. p. consideran- do as competências das disciplinas por períodos. Considere a estrutura apresentada a seguir acompanhada dos elementos pré-textuais comuns aos trabalhos acadê- micos.1. capaz de possibilitar a você estudante a reconstrução crítica da sua formação pessoal. Objetivos Específicos: Detalham o enunciado do objetivo geral e/ou cada atividade que será desenvolvida. 3. como objetivo do portfólio acadêmico: a capacidade de criar as condições e os meios necessários para que os graduandos desenvolvam competências. 2. contudo. por exemplo. elaborado de forma clara e precisa. Deve situar o leitor no contexto do trabalho acadêmico.1. sem. 2. Is- so você fará no desenvolvimento do portfólio. identificar). 2000. análise da realidade educacional e produções acadêmicas relevantes. aprofundar essas questões. analisar. Fundamentação teórica: Trata-se da literatura pertinente aos temas abordados no Portfólio. 1. devendo dar conta da sua tota- lidade. Objetivo Geral: Deve ser direcionado ao portfólio. a metodologia utilizada na sua construção.2. Devem ser construídos com o verbo no infinitivo (diag- nosticar. habilidades e atitudes pautadas na práxis pedagógica crítica e reflexiva. acadêmica e profissional. por isso deve ser elaborado com um verbo de precisão. Os elementos relacionados compõem os critérios exigidos pela FTC EAD. através da apropriação de conhecimen- tos. no qual devem constar dados de identificação do autor. curso dessas disciplinas. expressando apenas uma ideia. levando-o a perceber claramente o que será analisado. Esse mesmo documento destaca. vi- sando a sua autonomia no processo de aprendizagem. o alcan- ce da investigação e suas bases teóricas gerais. como e por que as limitações foram encontradas.

2 Apêndices Complementares: 7.1 Apêndices obrigatórios: 7. dois autores que serviram de referência para a com- preensão do tema transversal de cada período.1. apontando possíveis soluções pa- ra as dificuldades apontadas. • Pesquisa e educação Concluindo as reflexões sobre as possibilidades da pesquisa científica. convido você a es- tabelecer uma relação entre pesquisa e educação.1. pelo menos.1 Documento que julgar pertinente para compor o portfólio. coparticipação. 6.2.2. V e VI. bem como a prática vivenciada no contexto escolar no Ensino Fundamental (5ª a 8ª série) e no Ensino Médio. 8. regência durante estágio) com fundamentos teóricos que os explicam e ampliam suas con- ceituações. (Guia Institucional de Trabalho de Conclusão do Curso Letras Português/ Inglês da Faculdade de Tecnologia e Ciência – Educação a Distância. Observe os questionamentos propostos pelas autoras no final do texto e pesquise outras leituras que discutam essas e outras questões relacionadas à articulação entre pesquisa e docência! 143 METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO . Referências 7.2 Relatório da disciplina Estágio Supervisionado II. Refletindo sobre as teorias estudadas: Nesse texto você precisa se posicionar criti- camente sobre a articulação das Teorias Educacionais e das disciplinas específicas de letras. II. cente) que foram construídos em cada período com cada tema transversal. IV. Apêndices 7. observações. 7. A seguir.2. 7.2 Documento que julgar pertinente para compor o portfólio.2. 12 -13). 2008. Anexos 8. p. apresentamos um texto que faz parte de um artigo de Menga Lüdke e Giseli Barreto da Cruz. 7. no qual discutem as possibilida- des da pesquisa e a sua contribuição para a formação docente. III.1 Relatório da disciplina Estágio Supervisionado I. Discussão dos resultados: Trata-se de uma análise cuidadosa dos dados coletados nos momentos de atividades práticas na Escola (entrevistas.1 Produção das atividades das disciplinas PPP I. 4. Seu texto deve- rá estar respaldado por. 5. 3. Você pode também fazer recomendações e/ou sugestões que devem ser explanadas de forma ética. Considerações Finais: Posicionamento pessoal quanto aos resultados em função dos conhecimentos construídos durante o curso.

ao centrarem-se na valorização da reflexão na experiência. encaminhando crítica e sistematicamente sua atividade para identificar os eixos estru- turantes de cada situação de ensino. e do conhe- cimento tácito. em que o sujei- to posiciona-se em uma atitude de análise. Contrapondo-se à racionalidade técnica. uma vez que é por seu in- termédio que se transmite o conhecimento na escola. Schön defende um tipo de epistemologia da prática. Tal perspectiva. Essa pers- pectiva é apontada por diversos autores. a pesquisa deveria ser a base do ensino dos professores. Como concebem eles o papel da pesquisa em suas esco- las? Que formação receberam e de que condições dispõem para realizá-la? Que tipo de pesquisas de fato realizam? Onde as divulgam? É possível e viável ao professor investigar a sua própria prática? 144 PATRÍCIA MOTA SENA . 1997. Giroux. A PESQUISA E O PROFESSOR DA EDUCAÇÃO BÁSICA A possível articulação entre ensino e pesquisa no trabalho do professor da educação básica é algo que há algum tempo tem merecido atenção de nossa parte e de outros colegas que se dedicam ao seu estudo. As ideias de Schön. tem impulsionado uma série de trabalhos voltados para a ideia de um professor mais autônomo. acabaram atraindo uma imensa atenção no meio do- cente e impulsionando uma gama variada de produções sobre a importância de o profes- sor refletir sobre a sua prática. 1996). Perrenoud. De acordo com o que propunha Ste- nhouse. sobre o que ocorre de fato a esse respeito entre os professores desse nível de ensino. mas. as reformas precisariam incluir em seu interior o desenvolvimento profissional dos professores como pesquisadores de suas próprias práticas. Contreras. todavia. inicialmente. 1990. como já mencionamos. com a repercussão que teve entre nós o trabalho de D. Stenhouse (1975). sobretudo. bem como os de vários outros autores (Elli- ott. não abordaram diretamente o professor. como algo importante para o preparo e o trabalho do professor e por isso deve ser introduzida na formação inici- al e continuada dos professores da educação básica. antes. Zeichner. que fazem de suas salas de aula típicos laboratórios de ensino. produção e criação a respeito da sua ação ao en- frentar situações desafiadoras. tem valorizado cada vez mais a perspectiva da pesquisa na formação e na atuação do professor. tendo como foco central o currículo. com base em Dewey. 1989. basea- da no princípio de que o professor precisa assumir-se como pesquisador da própria práti- ca. aliada àquela anteriormente proposta por L. Desde a década de 90 o tema ‘professor pesquisador’ tem ganhado espaço no cenário de discussão acadêmica. 1992. Para Stenhouse. com base em Polanyi. O alcance desses pensamentos entre nós. e mesmo pela legislação. Schön (1983) sobre o reflective practitioner. Pouco se sabe entre nós. durante e depois dela.

CRUZ.php?pid=S0100-1574200 5000200006&script=sci_arttext&tlng=pt. 2009. da. Acesso em: 25 set. LÜDKE. Disponível em: http://www. 145 METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO . Menga.br/scielo.scielo. Giseli B. Aproximando universidade e escola de educação básica pela pesquisa.

146
PATRÍCIA MOTA SENA

MAPA CONCEITUAL

147
METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO

ESTUDO DE CASO
Sabemos que a escola abriga sujeitos com experiências sociais, culturais, pessoais diver-
sas. Considere que você está lecionando em uma instituição escolar em que há alunos de dife-
rentes expressões de religiosidade. Em uma das turmas que você leciona, imagine que um (a)
estudante precisa se ausentar por alguns dias e fornece uma justificativa vinculada ao exercício
da sua religiosidade. Buscando ser compreensivo (a) diante dos motivos de ordem pessoal
apresentados e ciente das atividades que devem ser realizadas por todos da turma no período
em que a ausência foi solicitada pelo (a) estudante, como você solucionaria este problema,
uma vez que a direção da escola concede permissões para ausência apenas para alunos que
apresentam atestado médico?
A questão do multiculturalismo e da diversidade na escola atualmente está sendo muito
debatida nos meios educacionais. Sugerimos que, antes de você procurar soluções para o pro-
blema apresentado, realize uma pesquisa sobre o tema. A seguir, aponte soluções e escolha a
mais adequada entre elas. Você também pode criar uma proposta de intervenção. Bom traba-
lho!
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EXERCÍCIOS PROPOSTOS
QUESTÃO 01

“Seja qual for o modelo de ciência que se trabalhe, a escolha do pro-
blema de pesquisa é um momento crucial da atividade científica. Essa esco-
lha decide o que vai ser esclarecido e isso é fundamental. Alguém já observou
que uma forma de ver é também uma forma de não ver. Isso porque a focali-
zação no objeto "A" implica um descarte ou esquecimento com relação ao
objeto "B". A escolha do problema de pesquisa guarda, pois, implicações so-
bre o que deve ser conhecido”

148
PATRÍCIA MOTA SENA

pois a atividade de pesquisa exige motiva- ção. d) I e II.br/cad-pesq/arquivos/C03- art06. Acesso em: 08 mai. originando o tema que se deseja conhecer. 149 METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO .sede.pdf#search=%22pesquisa%20documental %22>. o que implica na análise de um objeto de maneira profunda e na seleção das informações.] para não atravessar uma rua basta que vejamos se aproximar um caminhão. em- bora obteníveis. para a finalidade de atravessar a rua. lugar. analise as proposições a seguir: I. o caminhão pode ser entendido como símbolo de velocidade e força. SOUSA. Ivan Sergio Freire de. usos e possibi- lidades.fea. a velocidade a que corre.pdf>. os métodos qualitativos se assemelham a procedi- mentos de interpretação dos fenômenos que empregamos no nosso dia a dia. 2009). Nessa situação. QUESTÃO 02 “Em certa medida. e. procedência dos agentes. IV.br/ unidades/uc/sge/texto1. III. não é necessário saber seu peso exato. [. b) II e III. José L. Associando o texto acima aos conhecimentos sobre a definição de um problema de pes- quisa. A escolha do problema é a primeira fase da pesquisa. Disponível em: <http://www. sem descartar ou esquecer nenhum aspecto. c) I e IV.usp. Pesquisa Qualitativa – características. responsável por definir e delimi- tar o objeto da investigação. afinidade científica e dedicação. O texto apresenta uma ideia equivocada: o objetivo do pesquisador ao delimitar o problema deve ser abarcar o fenômeno em sua totalidade. etc. estão corretas.]. além da oportunidade científica do estudo. O texto traz um alerta para o pesquisador: é preciso formular o problema de forma clara e objetiva. de onde vem. etc.ead.. causas..embrapa. delimitação precisa do tempo em que ocorreram. Acesso em: 11 mai. tais detalhes. A formulação do problema deve considerar também os aspectos pessoais do pesqui- sador. Há problemas e situações cuja análise pode ser fei- ta sem quantificação de certos detalhes. II. descartando aquelas que não tenham relação direta com o problema em questão. outras informa- ções seriam prescindíveis. seriam de pouca utilidade” NEVES. A Pesquisa e o Problema de Pesquisa: quem os determina? Disponível em: <http://www22.. apenas: a) III e IV. [. Das proposições acima.. 2009.

forma privilegiada de aprendiza- gem. II. d) I e III. como mencionado no texto. O texto valoriza a interpretação na construção de uma pesquisa qualitativa. A prática da metodologia científica no ensi- no superior e a relevância da pesquisa na aprendizagem universitária. Das proposições acima.com. c) I e IV. III. sem a utilização de métodos qualitativos e quantitativos. QUESTÃO 03 Para Severino. pois os objetos submetidos à análise quantitativa diferem daqueles que utilizam a abordagem qualitativa.. Trata-se de procedimento o mais adequado possível para se instaurar o ensino e a aprendizagem de forma efe- tivamente significativa.htm>. [. b) II e III. apenas: a) II e IV. A leitura do texto permite inferir que a utilização de métodos quantitativos ou quali- tativos depende do objetivo do pesquisador. Acesso em: 29 out. estão corretas. Antônio J. 2008). Daí se tornar fundamental a modalidade de trabalho didático-pedagógico representado pela prática efetiva da Iniciação Científica. processo de iniciação à pesquisa. na qual os dados quantitativos podem ser dispensados para a atribuição do significado das relações con- textuais em que se insere o objeto. As proposições a seguir tratam do papel da pesquisa no ensino superior. A metáfora entre objeto de pesquisa qualitativa e o ato de atravessar a rua evidencia que. já que ocorre mediante o processo de construção do conhecimento”.unicaieiras. IV. Leia-as atenta- mente: 150 PATRÍCIA MOTA SENA . analise as proposições a seguir: I.br/revista1/artigos Severino/ ArtigoSeverino. é impossível compreender um objeto na sua totalidade. Correlacionando o trecho acima com a pesquisa qualitativa e a pesquisa quantitativa. Os métodos quantitativos e qualitativos se excluem mutuamente. Disponível em: <http://www.] ensino e aprendizagem só serão motivadores se seu processo se der como processo de pesquisa. SEVERINO. no contexto da formação graduada.. quais as questões que deseja investigar a partir dos dados necessários para compreender seu problema científico.

II. 2001).] é se há um domínio consistente de métodos e técnicas de inves- tigação. aquelas metodologias que não se apoi- am em medidas operacionais cuja intensidade é traduzida em números. as- sinale a alternativa correta: a) Ao considerarmos o objeto da pesquisa... 65-81. Cadernos de Pesquisa. está(ão) correta(s) a) apenas I b) apenas II c) apenas II e III d ) apenas I e III QUESTÃO 04 Analise o texto a seguir: Questão que não se acha suficientemente discutida e trabalhada pelos pesquisadores é a tendência a não se aprofundar nas implicações do uso de certas técnicas.. praticada sob a orientação de um professor que supervisiona rigorosamente os procedimentos aplicados. A pesquisa na graduação é uma forma privilegiada de aprendizagem porque posi- ciona o estudante como sujeito do conhecimento. a escolha dos métodos e abordagens da pes- quisa torna-se trivial. ou seja. Implicações e perspectivas da pesquisa educacional no Brasil contemporâneo. Das proposições acima. [. n.. A prática da iniciação científica mencionada no texto corresponde à pesquisa formal.. B.] A pergunta que nos colocamos ao examinarmos atentamente as vertentes de pesquisa [.] Aqui se enquadra a questão das opções pelo uso de modelos quantitativos de coleta e análise de dados ou pelos cha- mados modelos qualitativos. [.. A. aliando teoria e prática no exercício de trabalhos acadêmicos e na parti- cipação em eventos científicos. p. qualquer que seja a abordagem em que o pesquisador se situa (GATTI. 151 METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO . III. I. e mesmo da propriedade e adequação desse uso e de sua a- propriação de forma consistente. cuja função primordial é a publicação de trabalhos para garantir o reconhecimento dos autores. A atividade de pesquisa contribui para a integração do estudante a uma área específi- ca do conhecimento. visto que os fenômenos humanos e sociais só podem ser estudados qua- litativamente e os demais a partir de métodos quantitativos. A respeito de como se realiza a escolha da metodologia adotada pelos pesquisadores. 113. tornando-o capaz de dialogar com outros sujeitos acerca do tema pesquisado e proceder de maneira sistemática e crítica na busca da elucidação das questões propostas.

que representam a formalização do planejamento dos procedimentos a serem adotados. b) bibliográfica. mé- todos quantitativos e qualitativos: os pesquisadores devem optar por um deles e se manterem fiéis para evitar contradições. b) A consistência discutida no texto se refere à compreensão dos fundamentos teórico- metodológicos adotados e de suas implicações. d) As questões discutidas pela autora referem-se à necessidade de elaboração dos proje- tos de pesquisa. colocando-o em condições técnicas de observação e manipulação. que devem se coadunar aos métodos escolhi- dos e orientar todas as etapas da pesquisa. sendo criadas condições adequadas para o seu manu- seio e tratamento. sem status de ciência por carecer de originalidade. por ser aquela que é decorrente de outras pesquisas anteriores publica- das em documentos científicos impressos e. que servem como matéria-prima para que o pesquisador possa fazer sua análise. em que o pesquisador coleta os dados nas condições naturais de ocorrência dos fenômenos. como registros das entrevistas. c) de campo. é correto afirmar que Manolito realizará uma pesquisa a) experimental. na mesma pesquisa. mas de na- turezas diversas. QUESTÃO 05 De acordo com o texto a seguir. d) documental. 152 PATRÍCIA MOTA SENA . sendo observados sem manuseio e/ou interferência no ambiente em que esse fenômeno se encontra. pois se utiliza de um objeto como fonte. por isso mesmo. c) A autora explicita a incompatibilidade de serem utilizados. por valer-se da utilização de documentos não só impressos.

153 METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO .

GABARITO DAS QUESTÕES 154 PATRÍCIA MOTA SENA .

favorecendo a autonomia e o senso crítico. 80). 43). uma vez que pode se transformar em consciência social. mas que não se constituem em matéria de um livro”. p. reveladas. p. tais como consumidores. 397). CIENTIFICISMO: é a confiança total na ciência. CONHECIMENTO RELIGIOSO: apóia-se em doutrinas sagradas. 2006. p. possuindo um caráter inspiracional. As normas brasileiras são construídas por comis- sões cujos membros representam vários setores. Constitui um instrumento de mu- dança. ATO DE CONHECER: é o processo de interação entre sujeito e objeto. p. CIÊNCIA: “sistematização de conhecimentos. sobrepondo a ciência às demais formas de conhecimento. (ARANHA. 261) “os artigos científicos são pequenos estudos. p. ARTIGO CIENTÍFICO: segundo Marconi e Lakatos (2009. LEHFELD. dentre outros. COMUNICAÇÃO CIENTÍFICA: significa "comunicação de informação científica e tecnoló- gica. 155 METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO . pesquisadores. que é a conclusão. DIALÉTICA: concepção na qual a “ciência é definida como sendo o ato de se conhecer a aná- lise do processo do fenômeno como uma parte do processo do conhecimento. porém completos. para um público seleto formado de especialistas" (BUENO. um conjunto de proposições logicamente cor- relacionadas sobre o comportamento de certos fenômenos que se deseja estudar” (MARCONI e LAKATOS 2009. DEDUÇÃO: “Operação lógica na qual se passa de uma ou mais proposições a uma outra. GLOSSÁRIO ABNT – Associação Brasileira de Normas Técnicas: É uma instituição sem fins lucrativos fun- dada em 1940 com o objetivo de proceder a normatização técnica para regulamentar as des- cobertas científicas e tecnológicas do país. 2006. Suas verdades são infalíveis e indiscutíveis. inferida necessariamente das premissas”. valorizando a racionalidade científica como única resposta correta para os problemas humanos. que tratam de uma questão verdadeiramente científica. transcrita em códigos especializados. um acon- tecimento obtidas por meio de processos investigativos. Fornece um conhecimento sistemático e objetivo acerca da realidade. 1994 apud ALBAGLI. CONHECIMENTO: processo de elucidação da realidade. DECODIFICAÇÃO: é uma das etapas da leitura e consiste na tradução dos sinais gráficos em palavras. realizada a par- tir de uma consciência crítica” (BARROS. produtores. 307). um fenômeno. DADOS: são esclarecimentos e/ou informações sobre uma situação.

DIFUSÃO CIENTÍFICA – Refere-se a "todo e qualquer processo usado para a comunicação da informação científica e tecnológica" (BUENO. 397). EPISTEMOLOGIA – Adquiriu conotação direcionada ao estudo das condições de produção do conhecimento científico sob olhar crítico quanto ao método. INTERPRETAÇÃO – Apreensão das ideias e estabelecimento de relações entre o texto e o contexto. LINGUAGEM CIENTÍFICA – Critérios específicos para o registro de processos científicos. Constitui um exercício de reflexão e análise da ciência sobre si mesma. sistematização e seleção de informações e dados na busca do entendimento da realidade. sociais e culturais que o constituem. contribuindo para a comunicação do conhecimento. FILOSOFIA – Etimologicamente. 1994 apud ALBAGLI. DIVULGAÇÃO CIENTÍFICA – "O uso de processos e recursos técnicos para a comunicação da informação científica e tecnológica ao público em geral" (BUENO. política ou econômica. FATOS – Acontecem na realidade. METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO – Disciplina instrumental e reflexiva que se propõe a desenvolver habilidades de observação. analisando-o a partir de um con- texto no qual se devem considerar aspectos econômicos. EMPIRISMO – Teoria que defende a construção de conhecimento e a formação de ideias por meio da experiência. independentemente de haver ou não quem os conheça. MÉTODO: Forma ordenada de proceder ao longo de um caminho. que já nascem com o indiví- duo. INFORMAÇÃO – Conjunto de dados que assume um significado para quem a obtém. INATISMO – Teoria que defende a existência de ideias inatas. 397). ESQUEMAS – É uma técnica de sistematização que constitui formas de representação e regis- tro de conteúdos de leituras que permitem a visualização gráfica ou diagramática da situação ou texto em questão. influenciam ou definem. politicos. 1994 apud ALBAGLI. análise crítica. p. FENÔMENO – é a percepção que o observador tem do fato. 156 PATRÍCIA MOTA SENA . que signifi- cam: filo – amigo + sofia – sabedoria. HERMENÊUTICA – Área da Filosofia que se debruça sobre a interpretação e a compreensão a partir da linguagem. consi- derando um contexto de relações e outras informações já existentes no repertório do sujeito. a palavra é composta por dois radicais gregos. METODOLOGIA – Corresponde a um conjunto de procedimentos a serem utilizados na ob- tenção de conhecimento. p. NEUTRALIDADE CIENTÍFICA – É um mito da ciência moderna que defendia ser a ciência um saber neutro e que as pesquisas científicas não deveriam sofrer influência social.

O sujeito é capaz de se apropriar. POSITIVISMO – Teoria iniciada por Auguste Comte no século XIX que defende a compreen- são da realidade por meio da aplicação de métodos cientificamente validados. indagação e aprofundamento” (BARROS. 2000. TEORIA – “Construção intelectual para justificar ou explicar alguma coisa. TÉCNICA – Operacionaliza o método.. p. curso. SENSO COMUM – Modo espontâneo de conhecer e que se obtém no cotidiano. a teoria é uma etapa do método científico. valorizando a observação.. que deve ser obrigatoriamente emana- do da disciplina. É construído a partir das experiências. programa e outros ministrados (ABNT). 314). RESUMO – É uma apresentação sintética e seletiva das ideias de um texto. 157 METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO . uma concepção metódica e sis- tematicamente organizada sobre determinado assunto” (ARANHA. 2006.OBJETO – É o mundo exterior ao sujeito. deven- do expressar conhecimento sobre o assunto escolhido.] Em oposição ao senso comum. considerando a interpretação do resumista. TRABALHOS CIENTÍFICOS – Documento que representa o resultado de um estudo. de explicar o mundo exterior. LEHFELD. estudo independente. TEORIA DO CONHECIMENTO – Área da Filosofia que estuda as condições de construção do conhecimento humano a respeito da realidade. p. ressaltando a pro- gressão e a articulação entre elas. [. módulo. 67). RESENHA – Trabalho acadêmico que consiste na apresentação do conteúdo de uma obra feita por meio da sua apreciação. Nele devem aparecer as principais ideias do autor do texto. SUJEITO – É o ser humano que construiu inteligibilidades que permitem compreender um fenômeno da realidade. PESQUISA – “Ato dinâmico de questionamento.

158 PATRÍCIA MOTA SENA .

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