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Minireforma eleitoral

Montesquieu já escrevia em O Espírito das Leis que quando os princípios do governo
estão sãos, mesmo as más leis têm o efeito das boas, mas por outro lado, quando estes
princípios estão corrompidos, até as melhores leis tornam-se más e se voltam contra a
própria sociedade, pois a força do princípio carrega tudo. É neste sentido que vemos a
Lei nº 11.300, de 10 de maio de 2006, chamada de “minirreforma eleitoral”. Preocupam
as alterações que traz, pois se de um lado foram elaboradas com o objetivo de conter os
gastos e o excesso de recursos publicitários envolvidos nas eleições, de outro, tolhe a
possibilidade de novos interessados exporem suas propostas para participar do
processo político.

Ora, reduzindo-se a possibilidade do exercício da propaganda eleitoral, sairão
fortalecidos aqueles que já estão no poder _ isso mesmo, os mesmos signatários desta
Lei _ que permanecem munidos de suas “ferramentas do mandato”, que sob o pretexto
de indispensáveis à representação, são inegavelmente capazes de proporcionar
inúmeros benefícios eleitorais: exposição freqüente na mídia, possibilidade da
apresentação das famigeradas emendas ao orçamento para beneficiar comunidades
específicas (leia-se, redutos eleitorais), verba oficial para viagens, uso da gráfica oficial
para seus impressos de “prestação de conta”, além da própria máquina do gabinete com
diversos funcionários a disposição para atender os eleitores. Tudo isso se constitui numa
gorda vantagem que os atuais detentores de mandato possuem em relação àqueles que
estão do lado de fora. O panorama revela um handicap invejável nas mãos dos
parlamentares, o que num ambiente democrático, significa uma afronta ao princípio da
isonomia, que por sinal encontra-se repetido inúmeras vezes em nossa Constituição.
Diante deste quadro, pensamos se não seria o momento de ser revisto o instituto da
reeleição? E falamos não somente em relação ao Poder Executivo, mas também do
Legislativo. Contudo, conforme proferiu Adilson Abreu Dallari em encontro do Instituto de
Direito Político e Eleitoral, “há muita coisa que é preciso mudar, mas quem pode mudar
não tem interesse”.

Por estas razões, iremos acompanhar as conseqüências destas mudanças com certa
apreensão. Seriam elas realmente salutares ao sistema de democracia em vigor, ou
estaríamos de forma bastante sutil cada vez mais fortalecendo as oligarquias presentes?
Repetindo novamente as palavras de Abreu Dallari no referido encontro: “no sistema
eleitoral e partidário continuamos a ter os mesmos problemas da ditadura, só que agora,
as regras são amoldadas para favorecer a maioria de quem já está no governo.”

A despeito desta crítica inicial, reconhecemos, porém, que a recente Lei traz alguns
dispositivos positivos. Iremos a seguir analisar pontualmente as mudanças ocorridas e
comentando as principais modificações, mas vale ressaltar que estaremos apenas
dando a primeira palavra sobre institutos novos que ainda não foram enfrentados pelos
tribunais e os grandes doutrinadores.

Responsabilidade :

A Lei 11.300/06 inicia alterando o art. 20 da Lei 9.504/97 que passa a estabelecer a
responsabilidade solidária do chamado tesoureiro de campanha, ou seja, a pessoa
designada pelo candidato para fazer a administração financeira de sua campanha. Se
existir esta pessoa, será, juntamente com o candidato, responsável pela veracidade das
informações financeiras e contábeis da campanha, devendo ambos assinar a respectiva
prestação de contas. Anteriormente, o único responsável era o candidato.

O que existe. É sim uma qualificação conferida a determinadas associações ou fundações. Somente para as pessoas físicas permanece a possibilidade de doação em dinheiro. mas o depósito em espécie deve ser devidamente identificado até o limite de dez por cento dos rendimentos brutos auferidos no ano anterior à eleição. Ficam impedidas. é obrigatório que esta conta funcione como o único instrumento para a movimentação financeira da campanha. que por sinal recebem recursos públicos (fundo partidário). Neste caso. Enquanto ainda não temos um mecanismo eficiente de financiamento público para campanhas eleitorais. permanecemos com este inseguro sistema de financiamento privado. as entidades esportivas que recebam recursos públicos. Por fim. desde que preencham certos requisitos e obtenham a aprovação do órgão competente. tratando de assunto diverso: a doação feita por candidato.Utilização da conta de campanha: Já nas eleições passadas era obrigatório para cada candidato possuir uma conta específica para a movimentação dos recursos financeiros da campanha.300/06 ainda acrescentou mais quatro incisos ao art. A partir de agora. As doações de pessoas jurídicas passam a ser permitidas somente por meio de cheques cruzados e nominais ou transferência eletrônica de depósitos. O uso de recursos financeiros para pagamentos de gastos eleitorais que não provenham desta conta específica implicará a desaprovação da prestação de contas do partido ou candidato. as entidades beneficentes e religiosas. mas que tecnicamente. que precisará ser analisada pelo juiz no caso concreto. As doações de recursos financeiros somente poderão ser efetuadas na conta do partido ou do candidato especificamente para a campanha eleitoral. ficando uma “norma em aberto”. A Lei 11. são as associações ou fundações. a Lei 11. Melhor seria se no dispositivo constasse “associações ou fundações que estiverem qualificadas como organização da sociedade civil de interesse público”. 24. se já houver sido outorgado. incluindo quatro novas hipóteses.300/06 incluiu um parágrafo § 5º. será cancelado o registro da candidatura ou cassado o diploma. Organização não-governamental pode ser entendida então como qualquer órgão não pertencente à organização do Estado. que trata das doações recebidas para a campanha. estarão incluídos inclusive os próprios partidos políticos. Não podemos deixar de observar que a nova Lei ao proibir o recebimento de recursos das organizações não-governamentais não definiu precisamente o que seja “organização não-governamental”. as quais tiveram destacada influência como foco da corrupção na política. não se trata de um ente personalizado. ou seja.504/97. nada mais. Na verdade é um termo utilizado comumente pelas entidades do terceiro setor que atuam paralelamente ao Estado prestando serviços sociais. as organizações não-governamentais que recebam recursos públicos e as organizações da sociedade civil de interesse público. e é claramente previsto pelo Código Civil. não existem juridicamente. passando o legislador a regulá-lo cada vez com maior rigor e detalhamento. comprovado abuso de poder econômico. além das figuras já previstas. As Doações: Outro tema importante tratado na minirreforma foi a questão das doações de campanha. vale citar outra falha do texto da Lei: organização da sociedade civil de interesse público (OSCIP) não é pessoa jurídica. do ponto de vista legal. embora notadamente mal situado no texto da Lei. Doações feitas por candidatos: Ao artigo 23 da Lei 9. passa . Este novo parágrafo. que relaciona as pessoas jurídicas impossibilitadas de doar a partidos e candidatos.

300.300.montagem e operação de carros de som. a divulgar. (Revogado pela Lei nº 11.remuneração ou gratificação de qualquer espécie a pessoal que preste serviços às candidaturas ou aos comitês eleitorais. III . Resta saber como funcionará na prática. (Revogado pela Lei nº 11. por qualquer meio de divulgação.300. IV . ou como melhor define o legislador “quaisquer doações em dinheiro. (Redação dada pela Lei nº 11. exigindo- se a indicação dos nomes dos doadores e os respectivos valores doados somente na prestação de contas final de que tratam os incisos III e IV do art. Trata-se das “caridades eleitoreiras”. televisão ou vídeo. de 2006) I . de 2006) XII . (Redação dada pela Lei nº 11. mudou-se a relação de gastos eleitorais sujeitos a registro. IX .a realização de comícios ou eventos destinados à promoção de candidatura.confecção de material impresso de qualquer natureza e tamanho.504/97 foi neste aspecto bastante modificado. prêmios. sujeitos a registro e aos limites fixados nesta Lei: (Redação dada pela Lei nº 11. VIII . inclusive os destinados à propaganda gratuita.despesas de instalação. e os gastos que realizarem. aquisição e distribuição de camisetas.produção ou patrocínio de espetáculos ou eventos promocionais de candidatura. que trará mais transparência ao pleito. VI . onde possivelmente existe um grande número de candidatos a vereador que desconhecem as facilidades proporcionadas pela informática moderna.300. Registro dos Gastos Eleitorais: Como conseqüência das alterações realizadas pela Nova Lei.realização de pesquisas ou testes pré-eleitorais.produção de programas de rádio. O candidato que comprovadamente realizar estas práticas responderá por abuso do poder econômico. apresentando atualmente a seguinte redação: “Art. 29 desta Lei. II .confecção. 26 . a pessoas físicas ou jurídicas”. as coligações e os candidatos passam a ser obrigados.pagamento de cachê de artistas ou animadores de eventos relacionados a campanha eleitoral. XI .despesas com transporte ou deslocamento de pessoal a serviço das candidaturas. IV . de 2006) . que possibilitará a todos a acompanhar a movimentação de recursos pelos candidatos antes do dia da eleição.300/06 criou mais uma exigência no que se refere à prestação de contas. organização e funcionamento de Comitês e serviços necessários às eleições. de propaganda e assemelhados. Iniciativa moderna. 26 da Lei 9. relatório discriminando os recursos em dinheiro ou estimáveis em dinheiro que tenham recebido para financiamento da campanha eleitoral.a vedar uma atividade que realmente é nociva à lisura da disputa eleitoral.correspondência e despesas postais. entre o registro e a eleição. de 2006) X . XIII . bem como de troféus. de 2006) V .propaganda e publicidade direta ou indireta.despesas com transporte ou deslocamento de candidato e de pessoal a serviço das candidaturas. VII . principalmente nas eleições municipais. Os partidos políticos. destinada a conquistar votos. O art.aluguel de locais para a promoção de atos de campanha eleitoral. Divulgação das Contas pela Internet: A Lei 11. nos dias 6 de agosto e 6 de setembro. pela rede mundial de computadores (internet). chaveiros e outros brindes de campanha. durante a campanha eleitoral.São considerados gastos eleitorais. ajudas de qualquer espécie feitas por candidato.300. Trata-se na verdade de um relatório parcial das atividades financeiras. IX . em sítio criado pela Justiça Eleitoral para esse fim.

caso fique comprovada a captação ou gastos ilícitos de recursos para fins eleitorais. a confecção. bandeirolas e flâmulas de propaganda eleitoral. de propaganda eleitoral. conforme consulta respondida recentemente pelo Tribunal Superior Eleitoral. para fins eleitorais. brindes. cartazes. A nova redação imposta à Lei das Eleições veda expressamente a arregimentação do eleitor ou a propaganda de boca de urna. Pesquisas eleitorais: O TSE rejeitou o novo dispositivo 35-A que proibia a divulgação das pesquisas desde os quinze dias anteriores ao pleito. Boca de Urna: A boca de urna é uma das mais tradicionais práticas de propaganda utilizada nas campanhas eleitorais. por qualquer meio. XVI . De acordo com o novo art.504/97. broches ou dísticos em vestuário. utilização. 37 da Lei 9. ou com a sua autorização. porém. bonés. não foi bem vista pelo legislador. . a nova Lei estabeleceu um mecanismo pelo qual é possível que a Justiça Eleitoral casse o registro do candidato ou o diploma do candidato já empossado. Distribuição de brindes: Fica proibida na campanha eleitoral a distribuição de brindes. distribuição por comitê. qualquer partido político ou coligação poderá representar à Justiça Eleitoral relatando fatos e indicando provas e pedir a abertura de investigação judicial para apurar condutas em desacordo com as normas relativas à arrecadação e gastos de recursos. candidato.custos com a criação e inclusão de sítios na Internet. ou cassado. recém-incluído. de 2006)” Coibição das Irregularidades: Diante da indignação generalizada com as irregularidades envolvendo políticos e a arrecadação de recursos em campanha. canetas. cestas básicas ou quaisquer outros bens ou materiais que possam proporcionar vantagem ao eleitor. Esta atividade eleitoral de última hora.504/97.300. XVII . proíbe também a divulgação de qualquer espécie de propaganda de partidos políticos ou de seus candidatos. não estão incluídos nesta categoria os adesivos. prática esta que era chamada anteriormente de “boca de urna silenciosa” e era aceita pela Justiça Eleitoral. se já houver sido outorgado.produção de jingles. Foi considerado inconstitucional.aluguel de bens particulares para veiculação. mediante publicações.multas aplicadas aos partidos ou candidatos por infração do disposto na legislação eleitoral. Além disso. XV . aplicar- se-á o procedimento previsto no art. Nesta apuração. (Incluído pela Lei nº 11. pois viola direitos constitucionais que asseguram a plena liberdade de informação. Proibição da Propaganda em Bens Públicos: O art. bonés. será negado diploma ao candidato. chaveiros. teve agora sua redação alterada de forma que se tornou proibida a veiculação de qualquer tipo de propaganda nesses espaços. ou seja. XIV . que anteriormente permitia a colocação de faixas e estandartes nos bens públicos. de camisetas. camisas. Entretanto. Comprovados captação ou gastos ilícitos de recursos. 22 da Lei Complementar nº 64/90. 30-A da Lei 9. vinhetas e slogans para propaganda eleitoral.

esta alteração terá efeito mínimo. ou seja. inclusive.300/06 foi a mudança da data a partir da qual é vedado às emissoras de rádio e televisão transmitir programa apresentado ou comentado por candidato escolhido em convenção. Esta regra. como era no regime anterior. ainda não valerá para as eleições 2006. de artistas com a finalidade de animar comício e reunião eleitoral. e que interfere substancialmente na vontade do eleitor. era injusto para com o partido pelo qual concorreu. que devem ocorrer em junho. desde que não ultrapassem o tamanho de 4 metros quadrados. Corrige-se. pois o deputado eleito por um partido poderia mudar de sigla neste interregno até o início da legislatura. E em relação aos painéis (ou placas) colocados em propriedades particulares? O Tribunal Superior Eleitoral os permitiu. porém. somente é permitida até a antevéspera das eleições. Continua permitida a pintura em muros de propriedades particulares. Era anteriormente permitida até o dia da eleição. uma vez que a atividade se constitui no chamado “abuso do poder mídia”. Com a alteração. pois interfere diretamente no . atingindo um público mais específico. bem como a apresentação.Showmícios: Tornou-se proibida a realização de showmício e de evento assemelhado para promoção de candidatos. portanto uma distorção.300/06. Programa apresentado ou comentado por candidato: Outra novidade da Lei 11. mas não se pode impedir que um partido lance um cantor como candidato e ele cante nos comícios. Propaganda na Imprensa: Em relação à propaganda na imprensa. coligações e candidatos à imediata retirada da propaganda irregular e ao pagamento de multa. O Tribunal Superior Eleitoral entendeu este dispositivo inaplicável. Tal como diz o advogado Ricardo Penteado em artigo. Ao nosso ver. O art. para efeito deste cálculo do tempo a que cabe a cada partido (ou coligação) será considerado o resultante da eleição e não mais. Os apresentadores que desfrutavam anteriormente de um período diferenciado (a restrição compreendia de 1º de agosto até as eleições). os partidos. Agora. 42 da Lei 9. no momento do início da legislatura. esta proibição vai provocar burlas caricaturais: proibidos os showmícios. com a proporção cinco vezes menor que o outdoor. Vemos com bons olhos este afastamento do candidato apresentador ou comentarista. remunerada ou não. foi imposta uma restrição temporal. sujeitando- se a empresa responsável. pois é uma modalidade de propaganda eleitoral com impacto limitado. Distribuição do Tempo do Horário Eleitoral: Dois terços do tempo destinado ao programa eleitoral gratuito é distribuído proporcionalmente ao número de deputados que cada agremiação partidária possua na Câmara dos Deputados. Grande parte do eleitorado ainda decide o seu voto nas ruas. o que de certa forma. Outdoors: Fica também proibido o uso do outdoor em campanhas eleitorais.504/97 que regulava minuciosamente o uso do outdoor foi revogado pela Lei 11. passam agora a ter que encerrar suas atividades no rádio ou televisão a partir do resultado da convenção. A Lei das Eleições modificada veda expressamente a propaganda eleitoral mediante outdoors . que possui em média dimensão de 20 metros quadrados.

subitamente ganhou uma atenção especial dos governantes. Conclusões: Esta Lei 11. casos em que o Ministério Público poderá promover o acompanhamento de sua execução financeira e administrativa. pois o que realmente intimida é a certeza de punição. nem sempre o rigor previsto tem se mostrado intimidatório. Esta prática aliás." A leitura do dispositivo mostra que. fica proibida a distribuição gratuita de bens. salvo melhor juízo. Não é raro vermos atualmente certos governantes que. tenha o embasamento de uma lei e já esteja em execução orçamentária no exercício anterior. surgiu em decorrência do episódio conhecido como “escândalo do mensalão”. valores ou benefícios por parte da Administração Pública. Doação de bens e valores pela Administração Pública: A Lei 11. sem o devido amadurecimento que o tema exigia. 73 de Lei das Eleições dispondo que “no ano em que se realizar eleição. o que não deixa de ser incongruente. mas passa a valer a partir de 2008. exceto nos casos de calamidade pública. uma vez que tornam a população eternamente dependente dos governos. a partir da possibilidade da reeleição dos chefes do poder executivo.300/06. como é de conhecimento geral. de estado de emergência ou de programas sociais autorizados em lei e já em execução orçamentária no exercício anterior. . valores ou benefícios em anos eleitorais. sobretudo. constituindo-se muitas vezes em “carro-chefe” das administrações públicas e é tratada com esmero pelos marqueteiros de plantão. As únicas exigências são de que a distribuição seja classificada como “programa social”. o legislador procurou endurecer de um lado e enfraquecer de outro. para esconder a corrupção de seu governo. passam a corromper o povo. Pertence ao grupo das leis feitas por imposições de grupos. Estas atividades assistencialistas são sem dúvida ótimas para os governantes. Contudo. mesmo que de caráter nitidamente assistencialista e com forte influência no processo eleitoral. onde a impunidade tem sido um verdadeiro estímulo às falcatruas eleitorais e os candidatos se sentem cada vez mais “protegidos” pela inoperância dos órgãos incumbidos de aplicar a lei. ditadas por circunstâncias momentâneas e aprovadas por votos de liderança sem a devida discussão.300/06 inclui um § 10 ao art. injusto e contraditório. Nesta reforma objetivou-se. diminuir as fontes de despesas das campanhas eleitorais e coibir maior rigor as práticas financeiras irregulares.processo eleitoral. No propósito de apresentar uma solução ao esquemas de corrupção nas campanhas eleitorais foi elaborada “às pressas”. o que infelizmente não tem acontecido em nosso País. pois proporciona um verdadeiro incentivo ao “clientelismo oficial” ao permitir que os governos pratiquem a distribuição de bens.