You are on page 1of 91

Revista de Gestão & Regionalidade

Volume 24 – número 71 – edição especial - XI Semead - out/2008 Universidade Municipal de São Caetano do Sul ISSN 1808-5792

Processo de tomada de decisão do Felipe Bogea

Vol. 24 • Nº 71 • edição especial • XI Semead • outubro 2008
investidor individual brasileiro no mercado Lucas Ayres Barreira de Campos Barros
acionário nacional: um estudo exploratório
enfocando o efeito disposição e os vieses
da ancoragem e do excesso de confiança

Tecnologia social de inclusão de jovens pelo Silvia Pires Bastos Costa
trabalho: uma análise da experiência de um Francisco Antônio Barbosa Vidal
consórcio de ONGs no desenvolvimento de
ação intersetorial com empresas e governo

Estrutura de capital na América Latina Veronica Favato
e nos Estados Unidos: uma análise de Pablo Rogers
seus determinantes e efeito dos
sistemas de financiamento

A influência do ambiente competitivo Felipe Mendes Borini
nas estratégias das subsidiárias Edson Renel da Costa Filho
estrangeiras de multinacionais brasileiras Moacir de Miranda Oliveira Júnior

O comportamento do consumidor Ricardo Jato, Reginaldo Braga Lucas
insatisfeito pós-compra: um estudo Milton Carlos Farina, Paulo Henrique
confirmatório Tentrin e Mauro Neves Garcia

Curso de administração da Universidade Shalimar Gallon
Federal de Santa Maria/UFSM: a percepção Cláudia Medianeira Cruz Rodrigues
dos professores e alunos sobre o tema
“práticas pedagógicas”

Atuação estratégica da área Aniele Fischer Brand
de gestão de pessoas em Suzana da Rosa Tolfo
organizações de saúde: Maurício Fernandes Pereira
USCS

um estudo à luz da percepção dos Martinho Isnard Ribeiro
profissionais da área de Almeida
Universidade

RG71capa71.p65 1 17/2/2009, 08:30

DADOS INTERNACIONAIS DE CATALOGAÇÃO NA PUBLICAÇÃO (CIP)

Gestão & Regionalidade / [Publicação do] Programa de Mestrado de Administração da
Universidade Municipal de São Caetano do Sul – v.22, nº 61, 2005 - São Caetano
do Sul : USCS, 2005.

Quadrimestral
Apresenta Bibliografia
Resumo em inglês e português
Publicada como Revista IMES, v. 1-17, n. 1-48, 1983-2000
Publicada como Revista IMES Administração, v. 17-21, n.49-60, 2000-2004
ISSN 1808-5792

1. Administração – Periódicos I. Universidade Municipal de São Caetano do Sul

CDU 658(05)
CDD 658.05

DISTRIBUIÇÃO GRATUITA

Pede-se permuta
Pidese canje
We ask for exchange
On demande échange
Wir bitten um austaush
Si richiede lo scambio

Solicitar fascículo pelo e-mail: revista.adm@uscs.edu.br

RG71capa71.p65 2 17/2/2009, 08:30

universidade

REVISTA GESTÃO & REGIONALIDADE

MISSÃO

A revista Gestão & Regionalidade tem como missão contribuir para a geração e disseminação de conhecimento na área de
Administração de Empresas, considerando-se as sub-áreas tradicionais desta área de conhecimento, acrescidas da área denominada
Estudos da Regionalidade.

PERFIL TEMÁTICO E OBJETIVOS DA PUBLICAÇÃO

A revista Gestão & Regionalidade tem como público professores, pesquisadores, alunos de graduação e pós-graduação e parcela
relevante da comunidade empresarial.
Trata-se de um periódico generalista na área de Administração, mas que incorpora e busca se aprofundar em temas que associam gestão
empresarial à regionalidade. Os estudos desta sub-área voltam-se para a análise da articulação de esforços conjuntos de organizações e
outros segmentos da sociedade no espaço de uma região – que pode ser geográfico, administrativo, econômico, político, social e cultural.
Os artigos publicados na revista Gestão & Regionalidade devem ser elaborados com bases nos princípios de construção científica do
conhecimento, devem tratar de tema relevante para a área de Administração no contexto atual e utilizar referencial teórico-conceitual
que reflitam o estado da arte do conhecimento na área. Os trabalhos devem ainda esclarecer quais são os impactos de seus resultados e
conclusões na teoria e prática administrativa.
As áreas temáticas da revista Gestão & Regionalidade são: Administração da Informação, Administração Pública e Gestão Social,
Contabilidade, Estratégia em Organizações, Estudo e Pesquisa em Administração e Contabilidade, Estudos Organizacionais, Finanças,
Gestão de Ciência, Tecnologia e Inovação, Gestão de Operações e Logística, Gestão de Pessoas e Relações de Trabalho, Marketing.

MECANISMO DE AVALIAÇÃO DE ARTIGOS

Os artigos originais submetidos à revista Gestão & Regionalidade que atenderem às normas de submissão serão avaliados por três
avaliadores ad hoc na forma triple blind review. Os critérios de avaliação dos artigos são: tema atual, relevante e oportuno; objetivo do
trabalho está claro e bem definido; abordagem é criativa e inovadora; estrutura do texto é clara e adequada a um trabalho científico;
linguagem é clara e concisa; leitura é fluida e agradável; base teórico-conceitual é consistente, adequado e bem estruturado; metodologia
de pesquisa é clara e aderente os objetivos do trabalho; análise dos resultados permeada pelas informações obtidas na pesquisa e pelos
conceitos apresentados no referencial teórico; conclusão é coerente, clara e objetiva; o trabalho representa contribuição científica ou
prática para o campo da Administração ou da Contabilidade.

TIPOS DE PUBLICAÇÕES:

Artigos, Ensaios, Resenhas e Casos em Administração.

NORMAS PARA SUBMISSÃO DE ARTIGOS

• Devem ser enviados dois arquivos MS Word 6.0 ou posterior:

1. O primeiro arquivo deve trazer o título do artigo e os dados do autor e autores - nome, função acadêmica, instituição que
pertence, endereço completo para correspondência, e-mail, telefone e um breve curriculum vitae;
2. O segundo arquivo deve conter o texto integral, sem identificação do(s) autor(es). Deve ter entre 5.000 e 8.000 palavras. O texto
deve ter letra tamanho 12 e tipo Times New Roman, espaço simples e 2,5 centímetros de margens. Após o título, deve ser
apresentado um resumo em português e outro em inglês, não devendo ultrapassar 150 palavras. Devem ser apresentadas no
mínimo três palavras-chave, também em português e em inglês. As referências devem ser apresentadas no final do artigo, em
ordem alfabética, obedecendo às normas da ABNT NBR 6023/00.

• Os artigos devem ser inéditos, ou seja, não publicados em outro veículo de comunicação.
• Os artigos podem ser enviados em português, espanhol e inglês.
• Os artigos assinados são de responsabilidade exclusiva do(s) autor(es).
• Os direitos, inclusive os de tradução, são reservados.
• Os artigos devem ser enviados por e-mail: revista.adm@uscs.edu.br

Gestão & Regionalidade
Universidade Municipal de São Caetano do Sul - USCS
Rua Santo Antônio, 50 - Centro - São Caetano do Sul - SP - CEP 09521-160
Telefone: (11) 4239-3200 (ramal 3443)
e-mail: revista.adm@uscs.edu.br
web: www.uscs.edu.br/revistasacademicas
Gestão & Regionalidade - Vol. 24 - Nº 71 - edição especial - XI Semead 2008 - out/2008 1

00RGR71.p65 1 12/2/2009, 11:25

Alemanha Luciano A.Sumários de Revistas Publicações Acadêmicas Brasileiras . 24 .000 exemplares e de Extensão Universidade de São Paulo . France Gestor da Comissão de SUMARIOS .edu.br/revistaacademicas Universidade Presbiteriana Mackenzie Diretor da Área de Administração Duílio Humberto Pinton Noelio Dantas Spinola Indexação Universidade Salvador .Centro Celso Cláudio de Hildebrand e Grisi São Caetano do Sul . 50 .out/2008 00RGR71.SP . Seminários de Administração da FEA/USP Estado de Santa Catarina Westminster Business School (ocorrido em julho 2008) University of Westminster.mx Grenoble. em seus cadernos e revistas. Coordenador Editorial I. España y Portugal Marco Antonio Pinheiro da Silveira Université Pierre Mendès France http://www. de Grenoble peita a liberdade intelectual dos autores. de Grenoble el Caribe.E. sem com isso Católica de Campinas Grenoble.uscs.p65 2 12/2/2009.USCS Conselho Editorial Grenoble. France concordar necessariamente com as opiniões expressas.A.unam.E.Vol.org Jornalista Responsável Hubert Drouvot Gestão & Regionalidade Roberto Elísio dos Santos I. UK Lindolfo Galvão de Albuquerque Periodicidade: Quadrimestral Universidade de São Paulo .XI Semead 2008 .A.FEA/USP Joaquim Celso Freire Silva Veiculação virtual Moisés Ari Zilber www. Data de impressão: dezembro 2008 Pró-Reitor Comunitário Martinho Isnard Ribeiro de Almeida Tiragem: 1. 11:25 . London.edu. Prates Junqueira Reitor PUC-SP . Gestão & Regionalidade EXPEDIENTE Revista Gestão & Regionalidade . UDESC . Michigan.637 Université Pierre Mendès France São Caetano do Sul .Uma publicação da USCS .sumarios.latindex.E.Universidade de São Caetano do Sul Vol.A.br Kalamazoo. de Grenoble Universidade Municipal de MTb 15.edu.UNIFACS A revista Gestão & Regionalidade Gestor do Programa de é indexada pelos sistemas: Mestrado em Administração LATINDEX .Sistema Regional de Mauro Neves Garcia Membros internacionais Información em Línea para Revistas Bertrand Frédéric Científicas de América Latina.Universidade Federal de São Paulo Páginas & Letras Editora e Gráfica Ltda. France Rua Santo Antônio. res- José Eduardo Rodrigues de Souza I. 24 – NO 71 – edição especial contendo José Francisco Salm Sima Montame-Sarmadian textos selecionados do evento XI Semead .Pontifícia Universidade Conselho Técnico Sílvio Augusto Minciotti Católica de São Paulo Professores e Pesquisadores da Pós-Graduação em Pró-Reitor Administrativo e Financeiro Marcio Antonio Teixeira Administração da USCS e de outras Marcos Sidnei Bassi Fundação de Ensino Eurípides Soares Instituições de Ensino Superior da Rocha Marília Pró-Reitor de Graduação Revisão Marcos Artêmio Fischbom Ferreira Páginas & Letras Editora e Gráfica Ltda.FEA/USP Bukard Sievers Fechamento desta edição: outubro/2008 Universidade de Wuppertal.CEP 09521-160 James J.edição especial .adm@uscs. Biles Universidade de São Paulo FEA/USP Telefone: (11) 4239-3200 (ramal 3443) Western Michigan University e-mail: revista. publica integral- PUC-Campinas . 2 Gestão & Regionalidade . USA web: www.Nº 71 .Universidade do Centre for the Studies of Emerging Markets.uscs.Pontíficia Universidade Université Pierre Mendès France mente os originais que lhe são entregues. José Turíbio de Oliveira UNISC .FUNPEC-RP INCAE Business School.Fundação de Pesquisas Enrique Ogliastri Marcos Antonio Gaspar Científicas de Ribeirão Preto .Universidade de Santa Cruz do Sul Pró-Reitor de Pós-Graduação e Pesquisa Marinho José Scarpi Editoração e impressão Eduardo de Camargo Oliva UNIFESP .br/revistasacademicas Fabio Lotti Oliva Universidade de São Paulo FEA/USP Laforet Edwige A Universidade USCS. Costa Rica http://www.

Dentre os trabalhos apresentados no evento. uma especial e outra mista.out/2008 3 00RGR71. além de terem indicado os que participariam da lista de artigos a serem escolhidos pelos periódicos que se comprometeram a publicar aqueles que se enquadravam na linha editorial de suas revistas. em primeiro lugar. dois de Finanças.RAI/Uninove e Gestão & Regionalidade . Prof. seus parceiros e apoiadores. 30 foram indicados pelos avaliadores para ser selecionados pelos periódicos: Revista de Gestão .USCS.Uninove.Vol. Marco Antonio Pinheiro da Silveira Editor Gestão & Regionalidade . Revista de Administração e Inovação . um de Marketing e Comunicação. os professores da USCS escolheram 11 artigos para a edição especial. dois de Gestão de Pessoas. Todavia.edição especial . Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo . aos realizadores do evento. Deseja-se agradecer. A edição de número 71 apresenta sete artigos do XI Semead e os outros quatro serão publicados na edição de número 72. os trabalhos escolhidos para publicação tiveram que ser divididos em duas edições. A escolha dos artigos foi realizada por professores do Programa de Mestrado em Administração da USCS. Dr. a todos os avaliadores dos referidos trabalhos do XI Semead. Visando a valorizar os trabalhos e a estimular os autores. um de Organizações do Terceiro Setor. como já havia sido empenhado o recurso da edição especial com um número específico de páginas. 11:25 . realizado nos dias 28 e 29 de agosto de 2008.XI Semead 2008 . A Revista Gestão & Regionalidade recebeu 21 trabalhos para a serem selecio- nados com o propósito de publicação na edição especial Semead. foi promovido pela Faculdade de Economia. organizados pelo Programa de E D I T O R I A L Pós-Graduação em Administração da FEA-USP). Em terceiro. em parceria com a Universidade Municipal de São Caetano do Sul . Em segundo lugar.p65 3 12/2/2009. com os artigos do XI Semead e artigos encaminhados para publicação diretamente à G&R.Nº 71 . pois foram responsáveis pela qualidade dos mesmos . 24 .FEA-USP. sob coordenação deste editor. a todos os que enviaram seus trabalhos para participar do XI Semead. um de Ensino de Administração e um de Administração Geral. universidade O XI Semead (Seminários em Administração. Os artigos são das seguintes áreas: três de Estratégia e Organizações. Os organi- zadores ofereceram aos participantes a oportunidade de ter seus trabalhos publicados em revistas produzidas pelas três instituições.USCS e a Universidade Nove de Julho .Rege/USP.

11:25 .out/2008 00RGR71.Nº 71 .XI Semead 2008 .edição especial . Gestão & Regionalidade ARTIGOS PROCESSO DE TOMADA DE DECISÃO DO INVESTIDOR INDIVIDUAL BRASILEIRO NO MERCADO ACIONÁRIO NACIONAL: UM ESTUDO EXPLORATÓRIO ENFOCANDO O EFEITO DISPOSIÇÃO E OS VIESES DA ANCORAGEM E DO EXCESSO DE CONFIANÇA 6 Felipe Bogea e Lucas Ayres Barreira de Campos Barros TECNOLOGIA SOCIAL DE INCLUSÃO DE JOVENS PELO TRABALHO: UMA ANÁLISE DA EXPERIÊNCIA DE UM CONSÓRCIO DE ONGS NO DESENVOLVIMENTO DE AÇÃO INTERSETORIAL COM EMPRESAS E GOVERNO 19 Silvia Pires Bastos Costa e Francisco Antônio Barbosa Vidal ESTRUTURA DE CAPITAL NA AMÉRICA LATINA E NOS ESTADOS UNIDOS: UMA ANÁLISE DE SEUS DETERMINANTES E EFEITO DOS SISTEMAS DE FINANCIAMENTO 31 Veronica Favato e Pablo Rogers A INFLUÊNCIA DO AMBIENTE COMPETITIVO NAS ESTRATÉGIAS DAS SUBSIDIÁRIAS ESTRANGEIRAS DE MULTINACIONAIS BRASILEIRAS 44 Felipe Mendes Borini. Maurício Fernandes Pereira e Martinho Isnard Ribeiro de Almeida 4 Gestão & Regionalidade . Reginaldo Braga Lucas.Vol. 24 . Milton Carlos Farina. Paulo Henrique Tentrin e Mauro Neves Garcia CURSO DE ADMINISTRAÇÃO DA UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA/UFSM: A PERCEPÇÃO DOS PROFESSORES E ALUNOS SOBRE O TEMA “PRÁTICAS PEDAGÓGICAS” 68 Shalimar Gallon e Cláudia Medianeira Cruz Rodrigues ATUAÇÃO ESTRATÉGICA DA ÁREA DE GESTÃO DE PESSOAS EM ORGANIZAÇÕES DE SAÚDE: UM ESTUDO À LUZ DA PERCEPÇÃO DOS PROFISSIONAIS DA ÁREA 79 Aniele Fischer Brand. Edson Renel da Costa Filho e Moacir de Miranda Oliveira Júnior O COMPORTAMENTO DO CONSUMIDOR INSATISFEITO PÓS-COMPRA: UM ESTUDO CONFIRMATÓRIO 58 Ricardo Jato.p65 4 12/2/2009. Suzana da Rosa Tolfo.

universidade ARTICLES DECISION PROCESS OF THE BRAZILIAN INDIVIDUAL INVESTOR IN THE NATIONAL STOCK MARKET: AN EXPLORATORY STUDY FOCUSING THE DISPOSITION EFFECT AND THE ANCHORING AND OVERCONFIDENCE BIASES 6 Felipe Bogea e Lucas Ayres Barreira de Campos Barros TECHNOLOGY AND SOCIAL INCLUSION OF YOUNG PEOPLE AT WORK: AN ANALYSIS OF THE EXPERIENCE OF A CONSORTIUM OF NGOS IN THE DEVELOPMENT OF INTERSECTORAL ACTION WITH COMPANIES AND GOVERNMENT 19 Silvia Pires Bastos Costa e Francisco Antônio Barbosa Vidal CAPITAL STRUCTURE IN LATIN AMERICA AND UNITED STATES:AN ANALYSIS OF ITS DETERMINANTS AND EFFECT OF FINANCIAL SYSTEMS 31 Veronica Favato e Pablo Rogers THE INFLUENCE OF COMPETITIVE ENVIRONMENT ON STRATEGIES OF FOREIGN SUBSIDIARIES OF BRAZILIAN MULTINATIONAL COMPANIES 44 Felipe Mendes Borini. Edson Renel da Costa Filho e Moacir de Miranda Oliveira Júnior POST-PURCHASE BEHAVIOR OF THE DISSATISFIED CONSUMER: A CONFIRMATORY STUDY 58 Ricardo Jato. Maurício Fernandes Pereira e Martinho Isnard Ribeiro de Almeida Gestão & Regionalidade .out/2008 5 00RGR71. Reginaldo Braga Lucas.XI Semead 2008 . Suzana da Rosa Tolfo. Paulo Henrique Tentrin e Mauro Neves Garcia ADMINISTRATION COURSE AT UNIVERSIDADE FEDERAL OF SANTA MARIA/UFSM: THE TEACHERS AND STUDENTS PERCEPTION OF “PEDAGOGICAL PRACTICES” 68 Shalimar Gallon e Cláudia Medianeira Cruz Rodrigues ACTIVITY AREA OF STRATEGIC MANAGEMENT OF PEOPLE IN HEALTH CARE ORGANIZATIONS: A STUDY OF THE PROFESSIONALS’ PERCEPTION OF THE AREA 79 Aniele Fischer Brand.edição especial .p65 5 12/2/2009.Nº 71 . Milton Carlos Farina.Vol. 11:25 . 24 .

excesso Keywords: disposition effect. Higienópolis 578.CEP 01238-000.XI Semead 2008 . Brasil Lucas Ayres Barreira de Campos Barros Professor da Faculdade de Economia. buscou-se responder às this work proposes to answer the following ques- seguintes perguntas: há evidências do efeito disposição e tions: is there evidence of the disposition effect and dos vieses da ancoragem com ajustamento insuficiente e of the biases of anchoring with insufficient adjus- do excesso de confiança no processo decisório do investidor tment and overconfidence in the decision process brasileiro? De que maneira tais comportamentos poderiam of the Brazilian investor? How could these behaviors estar relacionados com características pessoais dos be related to personal traits of investors? In order to investidores? Para a análise do processo decisório dos analyze the decision process of the investors. mostrando que os obtained contribute to confirm evidence from other investidores brasileiros também estão sujeitos a tais padrões countries. às características pessoais dos investidores. Palavras-chave: efeito disposição. 896 .p65 6 12/2/2009. anchoring. traits of investors. showing that the Brazilian investor is also de comportamento. there remained a sample of 512 indi- uma amostra de 512 indivíduos.br 6 Gestão & Regionalidade . the presence of the disposition effect. PROCESSO DE TOMADA DE DECISÃO DO INVESTIDOR INDIVIDUAL BRASILEIRO NO MERCADO ACIONÁRIO NACIONAL: UM ESTUDO EXPLORATÓRIO ENFOCANDO O EFEITO DISPOSIÇÃO E OS VIESES DA ANCORAGEM E DO EXCESSO DE CONFIANÇA PROCESSO DE TOMADA DE DECISÃO DO INVESTIDOR INDIVIDUAL BRASILEIRO NO MERCADO ACIONÁRIO NACIONAL: UM ESTUDO EXPLORATÓRIO ENFOCANDO O EFEITO DISPOSIÇÃO E OS VIESES DA ANCORAGEM E DO EXCESSO DE CONFIANÇA DECISION PROCESS OF THE BRAZILIAN INDIVIDUAL INVESTOR IN THE NATIONAL STOCK MARKET: AN EXPLORATORY STUDY FOCUSING THE DISPOSITION EFFECT AND THE ANCHORING AND OVERCONFIDENCE BIASES Felipe Bogea Recebido em: 07/07/2008 Aprovado em: 15/10/2008 Mestrado em Administração de Empresas. More specifically. estas e as características pessoais dos investidores. over- de confiança. sendo 27 relacionadas às falhas tions.com Lucas Ayres Barreira de Campos Barros Rua da Consolação. mental to Brazilian investors. ele contribui na truments lack formal validation.com. The results of this research are evidence of evidenciaram a ocorrência das falhas cognitivas pesqui.CEP 01302-907 . they contribute to direção de se estabelecer um instrumento simples. Embora o instrumento de pesquisa subject to such behavior. it was investidores. e-mail: fbogea@gmail. Although the research ins- empregado careça de validação formal. confidence.Nº 71 . Especificamente. mas não constataram associações sistemáticas entre with insufficient adjustment and of overconfidence. 08:19 . being 27 related to biases and 11 to personal cognitivas e 11.2º andar .Vol. Endereços dos autores: Felipe Bogea Av. obteve-se questionnaires.Sao Paulo-SP . easily applicable ins- aplicação e capaz de identificar falhas cognitivas truments that may identify cognitive illusions detri- possivelmente prejudiciais aos investidores brasileiros.edição especial .out/2008 01RGR71. The results dências encontradas em outros países. sonal characteristics of the investors. Universidade Presbiteriana Mackenzie. Os resultados encontrados viduals. After the exclusion of non-valid Após a exclusão dos questionários não-válidos. São Paulo-SP . 24 . e-mail: lucasayres2002@yahoo.Brasil. ancoragem. Estes but they do not prove their connection to the per- resultados contribuem no sentido de confirmar as evi. Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo (FEA/USP) e do Centro de Ciências Sociais e Aplicadas da Universidade Presbiteriana Mackenzie RESUMO ABSTRACT Este trabalho tem como objetivo conhecer e obter maiores The current research aims to recognize possible informações sobre possíveis falhas cognitivas exibidas pelo cognitive illusions shown by the Brazilian individual investidor individual brasileiro durante seu processo investor in their decision process. de fácil the establishment of simple. of anchoring sadas. decisório.sala 213 – Consolação . foi desenvolvido um questionário composto developed a questionnaire composed of 38 ques- por 38 perguntas. HIgienópolis. Mackenzie.

REVISÃO DA LITERATURA como o investidor brasileiro procede nas suas transações no mercado acionário. tir de um valor inicial que é ajustado. a seção 4 litando maior exploração desse nicho e o desenvolvi- discorre sobre os resultados obtidos. se sabe. INTRODUÇÃO ensão de certos padrões de comportamento do investidor pessoa física. 2006). Para influenciam seu processo decisório (CLARK-MURPHY & Macedo (2003). No Brasil. os resulta- vem crescendo significativamente no mercado dos obtidos contribuem no sentido de confirmar as acionário brasileiro. pois as pesquisas estrangeiras 2. A pesquisa de Lintz (2004). Ancoragem com ajustamento insuficiente podem não refletir a realidade nacional.XI Semead 2008 . mas não conhece-se muito pouco sobre como o investidor constataram associações entre estas e as caracte- individual brasileiro forma seu modelo mental durante rísticas pessoais dos investidores. opiniões e atividades ligadas ao motivadores de redução da rentabilidade dos investi- seu processo de tomada de decisão. pesquisar o efeito disposição é rele- SOUTAR. Em 2005. no mercado sua capacidade decisória. faz-se necessário pesquisar o processo de maneira: a seção 2 apresenta o referencial teórico. Na medida em que sua partici.4% que os investidores brasileiros também estão sujeitos e. indivíduos fazem estimativas a par- finanças comportamentais. Embora o instru- ano. além do excesso de cesso de decisão de investidores e como esses com- confiança e suas possíveis relações com características portamentos podem determinar mudanças no mer- sociodemográficas dos investidores. pouca pesquisa científica foi realizada Barros (2005). Felipe Bogea e Lucas Ayres Barreira de Campos Barros 1. a tomada de decisão do investidor individual. Para Tversky & Kahneman (1974). de fácil aplicação e capaz a compreensão das motivações e dos estilos de de identificar falhas cognitivas possivelmente preju- processo decisório destes agentes. principalmente na compre. ainda não havia sido verificada sua presença em uma amostra composta por investidores atuantes Por outro lado.edição especial . em muitas Esta pesquisa espera contribuir para a literatura de situações incertas.out/2008 7 01RGR71. a relevância do investidor individual no mercado acionário nacional. das 20 ofertas públicas iniciais que ocorreram no a tais padrões de comportamento. levando à res- Gestão & Regionalidade . os dores pessoas físicas na bolsa de valores. mento das teorias de finanças comportamentais. existe robusta literatura sugerindo o sobre o comportamento do investidor individual. Para melhor compreensão desse segmento de O restante do trabalho está dividido da seguinte mercado. pois esta falha cognitiva é um dos principais analisaram atitudes. possibi- seção 3 relata a metodologia do estudo. formal. 2005). 08:19 . se o investidor individual brasileiro se comportamentais é a identificação de como as emo- sujeita ao efeito disposição e aos vieses da ancoragem ções e as falhas cognitivas podem influenciar o pro- com ajustamento insuficiente. um melhor centífica apresenta uma série de evidências da susceti- entendimento e a delimitação das falhas cognitivas bilidade dos investidores aos padrões comportamen- individuais possibilitariam aos investidores melhorar tais escolhidos. Mesmo empiricamente. espe- Uma das vertentes de estudos sobre finanças cificamente. A literatura cado. encontrou evidências de âncoras de alocação de ativos. psicológicas em 67% dos entrevistados. são tecidos os comentários finais. Objetiva-se investigar. diciais aos investidores brasileiros. Segundo Baker & Nofsinger (2002).1. excesso de confiança como um dos mais importantes conhecendo-se ainda pouco sobre os fatores que vieses quando se lida com fenômenos financeiros. 24 . Levando-se em consideração as diferenças culturais existentes entre os diversos povos e seu reflexo sobre os padrões de comportamento. ele contribui na direção de se estabelecer pação no mercado aumenta. e. participaram mais de 38 mil investidores pessoa mento de pesquisa desenvolvido careça de validação física (BOVESPA. No mercado de ações. Segundo No entanto. sua participação no evidências encontradas em outros países. No Brasil. rência das falhas cognitivas pesquisadas. até onde suas transações no mercado de capitais. mostrando volume transacionado total correspondeu a 25. na seção 5. torna-se mais relevante um instrumento simples. estudos sobre finanças comportamentais são escassos e praticamente inexistentes sobre o comportamento Os resultados encontrados evidenciaram a ocor- do investidor pessoa física.Vol. é importante verificar 2.p65 7 12/2/2009. raros estudos vante. evitando falhas no processo brasileiro de câmbio.Nº 71 . Portanto.

a colocação do o feedback é demorado ou inconclusivo. em homens e em atividades percebidas como mas- sendo difícil de evitar.p65 8 12/2/2009. Além disso. ou ponto de partida. Ainda segundo Odean mais recentemente de um ativo atua como ponto de (1998a). bancos Kruger (1999) relacionou este viés com o esforço de investimento e assets independentes) e investido- envolvido em fazer ajustes a partir da âncora. Sendo assim. ponto de referência ou âncora afeta a codificação mercados financeiros. Embora os mecanismos foram obtidos a partir de uma única pergunta. Por na Bovespa). constatando a fiança induziria os investidores a um padrão mais utilização de âncoras psicológicas em 67% dos entre.Nº 71 . & KAHNEMNAN. participantes é homem e o feedback é controverso ração com outras opções de investimentos (KAHNE. vendem ativos financeiros tenta escolher aqueles lógica. Este valor inicial. relacionamento com outras pessoas e capacidade de o efeito da ancoragem pode ser verificado mesmo liderança. Estes autores de. Carmo (2005) procurou. nos quais a maior parte dos dos resultados como ganhos ou perdas e a compa. Para os investidores. diferentes pontos de partida com ajustamento insuficiente. e justa- Paulo) ou o Nasdaq (North American Securities mente em tarefas difíceis os indivíduos tendem a Dealers Automated Quotation System).2. verificar nominaram este efeito como ancoragem com ajus. induzem a diferentes estimativas. o preço lembrado (B ARBER & O DEAN . o excesso de con- de executivos no mercado de câmbio. SON. os ajustes são normalmente insu. Não obstante. Mussweiler & Englich (2005) concluíram Excesso de confiança tem sido mais evidenciado que a ancoragem é um fenômeno bastante robusto. 08:19 . o ajuste insuficiente é reflexo da tendência Internet como meio para executar suas transações das pessoas a minimizar seu esforço cognitivo. Para res individuais (investidores privados que utilizam a este autor. os seus efeitos foram verificados por diversas pesquisas. Chapman & Johnson (1999) acreditaram liberdade e intervalo de confiança de 95%. Excesso de confiança Para Mussweiler & Englich (2005). tais considera a sua habilidade de vencer o mercado como como: presença de âncoras claramente não-informa. motivadores da ancoragem não estejam claramente estabelecidos.edição especial . Com aproximadamente 30 graus de outro lado. como aquelas obtidas aleatoriamente (TVERSKY sobre o excesso de confiança são extensas e robustas. 24 . Em particular. 1994). em seu estudo. as evidências tivas. ativo de gestão porque este viés os levaria a confiar 8 Gestão & Regionalidade . acima da média. os resultados mais disponíveis na memória. Esta é uma escolha bastante difícil. possibilitando encontrou diferenças estatisticamente significantes que informações consistentes com a âncora fiquem entre os dois grupos. sendo estas envie- sadas na direção do valor inicial. Cabe ressaltar que o autor empregou apenas pode ser sugerido pela formulação do problema. como às suas habilidades como motorista. de forma específica a presença do viés de ancoragem ficientes. No Brasil. também. a maioria dos indivíduos que compram ou referência. Em e pode-se argumentar que as perguntas não medem ambos os casos. culinas.Vol. PROCESSO DE TOMADA DE DECISÃO DO INVESTIDOR INDIVIDUAL BRASILEIRO NO MERCADO ACIONÁRIO NACIONAL: UM ESTUDO EXPLORATÓRIO ENFOCANDO O EFEITO DISPOSIÇÃO E OS VIESES DA ANCORAGEM E DO EXCESSO DE CONFIANÇA posta final.out/2008 01RGR71. o patamar mais próximo de um índice notório. Quando se trata de investidores.XI Semead 2008 . Lintz (2004) pesquisou o comportamento Para Barber & Odean (1999). constituem cenário ideal para o excesso de confiança MAN. 1992). este viés é mais presente quando No campo dos investimentos. insuficiente entre investidores institucionais (profissio- nais que trabalham em bancos comerciais. ou duas questões para mensurar a presença das âncoras pode ser o resultado de uma estimativa parcial. Dessa maneira. 2001). ele não que a âncora atua como uma sugestão. 1974) ou presença de âncoras extre. amparadas por uma literatura ampla e uma vasta mamente deslocadas do valor real (CHAPMAN & JOHN. 2. vistados. também se mostrou bastante robusta. a maioria na presença de possíveis fatores atenuantes. a influência do Diversos estudos evidenciam que a maior parte efeito da ancoragem não apenas foi verificada em das pessoas se considera acima da média com relação várias situações laboratoriais e do cotidiano. ativos que obterão retornos superiores a ativos como o Ibovespa (Índice da Bolsa de Valores de São similares. senso de humor. Para Bukszar (2003). Pode-se citar. como âncora psico. diferenças do viés da ancoragem com ajustamento tamento insuficiente. apresentar maior grau de excesso de confiança. gama de pesquisas científicas sobre o tema.

sendo percebido como uma perda. A percepção de ganho ou perda com as mulheres quando se trata de investimentos. por conseguinte. apesar A aversão ao risco no domínio dos ganhos. Além disso. investidores excessivamente confiantes percebem seus investimentos com menor grau de risco do que a realidade sugere. não apresenta evidências claras sobre sações de 10 mil investidores. O autor concluiu que “os inves- grupos. Chen & Yu (2006). “a Teoria amostra estudada. perceberam diferentes graus de excesso de confiança dentro da Segundo Shefrin & Statman (1985: 779).out/2008 9 01RGR71.XI Semead 2008 . Singapura. investimentos em relação ao mercado. investidores possuem uma disposição a vender ações profissionais com maior tempo de atuação na área e vencedoras (com lucro em relação ao preço de com- aqueles com maior idade evidenciaram um maior pra) e manter ações perdedoras (com perda em rela- grau do viés. como maneira. a uma diversificação de uma decisão com base no estado final de riqueza inadequada dos investimentos. ele tenderá a apresentar esta tendência. (como postulado pela TUE). Efeito disposição este viés poderia induzir o investidor a acreditar que Kahneman & Tversky (1979) desenvolveram um possui vantagens comparativas na escolha dos seus modelo descritivo de escolha em condições de risco. aproxima. Todavia.3. referência. Em outras palavras.797) analisou os registros de tran- questionário. Segundo estes autores. encontrou ficativa em vender ações vencedoras e manter ações Gestão & Regionalidade . a educação em Singapura possui um padrão das perdas. destaca-se o uma excessiva concentração de recursos em poucos fato de os indivíduos não analisarem os resultados ativos e. Para Kimura (2003).Nº 71 . passando de aves- Ao estudar excesso de confiança em profissionais sos ao risco no domínio dos ganhos para propensos de finanças brasileiros. foi denominada por Kahneman & Tversky bastante ocidentalizado. à manutenção de posições perdedoras.p65 9 12/2/2009. ele levará à percepção de um ganho. Para os autores. sendo esta diferença edu. 08:19 . (1979) como “efeito reflexo”. quando os resultados de um evento são estruturados na opinião dos autores. Neste trabalho. para dos entrevistados. 2. levando. constataram um maior grau de excesso de confiança no último grupo. Ademais.Vol. traram evidência deste viés. estudando agentes econômicos tidores individuais demonstram uma preferência signi- atuantes no mercado de câmbio brasileiro. damente. mas em relação a um Barber & Odean (2001) verificaram um maior ponto de referência escolhido pelo indivíduo no mo- excesso de confiança nos homens em comparação mento da decisão. como ganhos ou como perdas. homens apre. este viés supostamente levou os Outro princípio fundamental da TP relaciona a pro- homens a negociarem 45% mais do que as mulheres pensão ao risco com o resultado da escolha. as preferências de risco dos pesquisados se alteram. Ferreira & Yu (2003) encon. alternativa à TUE (Teoria da Utilidade Esperada). investigando in- vestidores individuais e institucionais. 1% menor. da Perspectiva sugere a hipótese segundo a qual os sentaram maior excesso de confiança. estará associada a variações em torno deste ponto. buscando evidências a presença de excesso de confiança em ambos os do efeito disposição. 24 . Para estes autores. Já o estudo de Carmo (2005). o excesso de confiança poderia induzir a tre os principais princípios desta teoria.edição especial . conhecida como “efeito disposição”. Em sua pesquisa. Den- Ademais. a partir de um Odean (1998b: 1. valor da Teoria da Perspectiva. dessa denominando como Teoria da Perspectiva (TP). o indi- de confiança entre cidadãos chineses e cidadãos de víduo tenderá a uma atitude propensa ao risco. ao compararem o excesso referência. Felipe Bogea e Lucas Ayres Barreira de Campos Barros excessivamente nas suas opiniões e a não considerar evidência de excesso de confiança em apenas 25% suficientemente as opiniões alheias. ainda não está ção ao preço de compra)”. Lintz (2004). conduzindo o indivíduo a uma atitude avessa ao risco. ao risco no domínio das perdas. o resultado de uma escolha esteja acima do ponto de retorno líquido das suas carteiras foi. caso um clara na literatura a relação entre experiência e investidor tenha preferências descritas pela função de excesso de confiança. cacional responsável pelo maior excesso de confiança. estes autores. asso- de estes grupos possuirem uma grande proximidade ciada à tendência de busca pelo risco no domínio cultural. caso o resultado esteja abaixo do ponto de Li. por conseqüência dos custos de transação. Caso o e. Ademais.

Battisti & Pacheco (2006). Mineto (2005). ao estudarem indivíduos acionário nacional. ao realizarem testes segmentando da amostra total. os pesquisadores con- sível inatividade de uma parcela dos endereços ele- cluíram que a segmentação por tipo de investidor trônicos atribuídos aos pesquisados. Dessa maneira. disposição depende do gênero do decisor. mostraram pondidos 670 questionários. encontrando evidências excesso de confiança. Todavia.1. foi desenvolvido um instrumento de pesquisa investidores individuais e institucionais no mercado específico. cognitivas dos respondentes. Instrumento de pesquisa rentes circunstâncias. exceto em dezembro. não encontraram evidências de que estas caracterís. Já Costela & Fernandez (2006) motivadas por razões fiscais (abatimento do Imposto verificaram a presença do efeito disposição em de Renda) prevalecem”. quando.Vol. 3. localizados em dife- tese de que determinados grupos de investidores rentes Estados do Brasil. 08:19 . METODOLOGIA O efeito disposição tem sido verificado em dife. PROCESSO DE TOMADA DE DECISÃO DO INVESTIDOR INDIVIDUAL BRASILEIRO NO MERCADO ACIONÁRIO NACIONAL: UM ESTUDO EXPLORATÓRIO ENFOCANDO O EFEITO DISPOSIÇÃO E OS VIESES DA ANCORAGEM E DO EXCESSO DE CONFIANÇA perdedoras. foram analisadas as respostas de cada respon- do ponto de referência adotado. nibilizado pelos autores a pedido. venda das ganhadoras. constatado que o investidor respon- deu aleatoriamente a alguma pergunta do questio- Karsten. Para a programação do questionário virtual e o ticas alteraram a presença do efeito disposição nos desenvolvimento do sítio da Internet que hospedou 10 Gestão & Regionalidade . O instrumento baseou-se em perguntas fechadas de escolha dicotômica. corroborou Ao se analisarem as respostas das questões sobre o estudo de Macedo (2003). objetivou analisar o perfil efeito disposição em 65% dos investidores.XI Semead 2008 . cisões. objetivou identificar as falhas e venda efetuadas no mesmo dia) no mercado acio. Barber & Odean (1999) investidores venezuelanos. bem como Assim. 3%. segmentado em duas partes: a primeira. sendo que a grande maioria seriam mais propensos a exibir este comportamento. também estudando o efeito disposição em estudantes universitários.Nº 71 . Não obstante. a segunda parte.edição especial . Todavia. o estudo de Mineto dos investidores não respondeu a ele com seriedade (2005) constatou que a intensidade do efeito ou não entendeu as instruções do questionário. pessoa jurídica de. 24 . con- nário norte-americano. 3.p65 10 12/2/2009. dos respondentes. Para a análise do processo decisório dos inves- posição ao analisarem as compras e as vendas de tidores. Macedo (2003) e escala. A amostra Para Feng & Seasholes (2005). mas não encontraram testaram hipóteses alternativas ao efeito disposição relação entre este comportamento e a experiência para justificar a manutenção de ações perdedoras e a dos investidores. sendo que 59 respon- evidências deste fenômeno nos investidores como dentes foram excluídos. múltipla Dentre as pesquisas brasileiras. A taxa de resposta da pesquisa foi os investidores entre pessoa física. empregando nário. O método de comunicação adotado consistiu no questionamento virtual dos respondentes. Grinblatt & Kelo- harju (2001) encontraram evidências do efeito dis. semântica. permite contribuições significativas na investigação do efeito disposição. estes autores. contendo saram transações de day trade (transações de compra as questões 1 a 28. os autores apontaram o efeito disposição como a explicação mais plausível para o comportamento observado. destas pessoas investe ou já investiu no mercado Entretanto. com diferentes níveis de experiência e sofisticação. aproximadamente. Por exemplo. dente e. O questionário completo pode ser dispo- tários) apresentavam efeito disposição nas suas de.out/2008 01RGR71. Jordan & Diltz (2004) pesqui. quando as vendas diferentes indivíduos. correspondendo a 8.80% um todo. Este baixo índice de institucional e pessoa jurídica não–institucional. O questionário desenvolvido pode ser acionário finlandês. uma parte da é composta por indivíduos cadastrados no Instituto literatura sobre o efeito disposição considera a hipó- Nacional de Investidores (INI). ape- resposta pode estar associado à ausência de incen- nas os investidores pessoa física apresentaram clara- tivos para o preenchimento do questionário e à pos- mente o viés. sendo submetido previamente a uma análise verificou que os pesquisados (estudantes universi. Foram res- diferentes medidas do efeito disposição. encontrando evidências do tendo as questões 28 a 39. este foi excluído da amostra final. ficou evidente que uma parcela do efeito disposição.

e não em tionário. Além disso. uma das sentenças encontrada para um dos grupos é igual à média do da questão continha um valor arbitrário não-relacio. 24 . automaticamente. Para alguns autores. metidos a âncoras maiores fizessem previsões com Como as variâncias das amostras e o número de Gestão & Regionalidade .out/2008 11 01RGR71. valores superiores aos respondentes submetidos a mática especializada. Assim. 3.2. O código-fonte do questionário âncoras de menor valor. indivíduos podem ter mais cuidado ao tomar Para as perguntas relativas à ancoragem com decisões do que ao fazer julgamentos hipotéticos. virtual (conjunto de linhas de programação que Para viabilizar a comparação entre as diferentes constituem a programação) será disponibilizado. de de perguntas a ser respondido por cada pesquisado. ao conjunto foi formulado um conjunto de perguntas específicas. A seguinte questão exemplifica o processo uti- as quais buscavam encontrar evidências das mesmas lizado onde um grupo de questões continha a âncora e permitir testar as seguintes hipóteses (alternativas): baixa (R$ 30) e o outro a âncora alta (R$ 75): “Uma • H1. de respondentes “b”). temente. foram gerados dois conjuntos de perguntas: solicitado. Agora. ação. os resultados e generalizações devem davam um maior esforço cognitivo e. Na abertura. Bukszar (2003). desde que citem esta fonte. (conjunto “b”). mento hipotético. maneira a não restringir o uso da programação. dal com a hipótese nula: “a média das respostas sendo que. ao final. conseqüen- ser interpretados com cautela. o trabalho desen. média das respostas encontrada para o grupo dos tidores. foram extraídas perguntas perguntas. Aparentemente. as ações foram vendidas a R$ 30 cada uma. Quanto valerá a ação da nova empresa daqui a um ano?”. ajustamento insuficiente. Isto decorre da quando tomam decisões. também ao preço de R$ 30 por decisório.Vol. obtiveram um número bastante inferior de respostas quando comparadas com outras perguntas de ancoragem. em ambos os casos.2: os investidores apresentam evidências do mais próximo dessa empresa fez sua oferta pública viés do excesso de confiança em seu processo inicial há um ano. o número de respostas levando. passando a ter ações em seu processo decisório. Assim.1: os investidores apresentam evidências do nova empresa que opera na Internet fez. bus. por conseguinte. sua oferta pública inicial. Sendo a hipótese alternativa: “a média nado com o valor da pergunta em si.Nº 71 . a ação deste concorrente está cotada a • H1. respondessem com um número totalmente aleatório. foi empregado o teste unicau- da literatura comportamental e desenvolvidas outras. recente- viés da ancoragem com ajustamento insuficiente mente. “a”) e outro com valores de âncoras menores volvido. Identificação das falhas cognitivas Foram empregados testes de hipóteses para a Para a identificação do viés da ancoragem com comparação das médias obtidas nas diferentes ajustamento insuficiente. Felipe Bogea e Lucas Ayres Barreira de Campos Barros o questionário. ao estudar possibilidade de os respondentes optarem pela o excesso de confiança. a uma maior precisão válidas variou para cada questão.edição especial . para que outros pesquisadores possam um conjunto com valores de âncoras maiores (conjunto utilizar. negociadas em bolsa de valores. constatou uma diminuição alternativa “sem opinião”. outro grupo”. foram formados dois grupos: um que Para cada uma das falhas cognitivas estudadas. como a presente pesquisa apenas para continuar o preenchimento do ques- se baseou em julgamentos hipotéticos. respondeu ao conjunto “a” e o outro. algumas perguntas deman- decisão reais. Para tanto. alternar o conjunto uma linguagem de programação gratuita (Java).XI Semead 2008 . Esta alternativa foi faculta- do grau do viés quando os indivíduos efetivamente da aos respondentes para tentar evitar que os mesmos tomavam uma decisão em comparação a um julga. contratou-se uma empresa de infor. se âncoras. respondentes submetidos às âncoras baixas (μ2)”. 08:19 . “b”. na medida em que os respondentes sub. O instrumento de pesquisa foi desen- cou-se realizar a programação do questionário em volvido para.3: os investidores apresentam evidências do R$ 75 (grupo de respondentes “a”) ou a R$ 30 (grupo efeito disposição em seu processo decisório. na íntegra ou parcialmente. tais como Paese & Feuer (1991). O concorrente • H1.p65 11 12/2/2009. O objetivo foi das respostas encontrada para o grupo dos respon- verificar se estas informações não-relacionadas às dentes submetidos às âncoras altas (μ1) é superior a perguntas atuariam como âncoras para os inves.

Considerando que existe ampla literatura relacio- ciente foi mensurado utilizando-se cinco conjuntos nando o efeito disposição (disposição a vender ações de perguntas. o percentual de investi- postas. centual dos respondentes que apresentaram evidên- (1999). Existem diferentes metodologias para se verificar O efeito disposição foi mensurado com a combi- o excesso de confiança. mo tempo. mudança de preferência de risco quando a postas corretas. foi explicado o conceito de 90% de confiança. Caso o investidor optasse por ternativas não são promissoras para coletar infor. ao compararem as me. solicitou-se aos respon. No questionário. com 90% de confiança no intervalo estima. Considerou-se a presença deste transportar as perguntas para uma realidade mais efeito no processo decisório somente para aqueles próxima do cenário brasileiro e do mercado acionário. Para cada gadas com maior freqüência em diversas áreas de investidor.out/2008 01RGR71. o questionário buscou investidores. propensa ao risco no domínio das perdas (desta fiança. Se o indivíduo acertou menos do questão passasse de “ganho” para “perda”): que nove respostas. a variável que mais influencia na magnitude cia do efeito disposição. foi empregado o teste t de Welch para a dores que apresentarem excesso de confiança será comparação de médias. Segundo Klayman et al. Estes autores. As questões para nacionais e outras foram extraídas da literatura mensurá-lo foram extraídas (e adaptadas) de Kahne- internacional. obteve-se uma resposta evidenciando ou estudo: perguntas com duas alternativas de respostas não a presença deste efeito. verifica-se o viés no conjunto dos ao risco no domínio das perdas). por Kahneman & Tversky (1979). Com o intuito de ração do efeito reflexo. portanto. antes de os respondentes come. nação das respostas de duas questões. Para se mensurar o viés do excesso de confiança. para uma situação hipotética de perda ou ganho. os casos.XI Semead 2008 . optava por uma escolha çarem a responder às perguntas de excesso de con. reagiria quando estivesse obtendo ganhos e quando todologias para mensuração do excesso de confiança. considerado como o indicador da presença do viés. exa- 12 Gestão & Regionalidade . ao mes- mações sobre o viés”. indivíduos com. sendo que. Questionários utilizando esti- mativas de intervalo apresentaram um grau bem As questões empregadas para identificar o efeito maior de excesso de confiança quando comparados disposição seguiram o mesmo raciocínio empregado diretamente com instrumentos que adotaram per. manter ou comprar mais ações perdedoras e. Logo. de tomada de decisão.Vol. e não para cada um dos investidores. Por exemplo. escolhesse vender suas ações ganhadoras. ele estaria demonstrando o efeito disposição. Quatro perguntas foram empregadas na mensu- sendo utilizadas dez perguntas. para mensurar o viés. As questões tinham três enfoques diferentes: Para cada pergunta. estivesse obtendo perdas em uma situação hipotética afirmaram que “perguntas com formato de duas al. O viés da ancoragem com ajustamento insufi. Logo. ao mesmo tempo. o investidor deveria estimar o valor da sua resposta. o pesquisado demonstraria uma Para cada investidor. PROCESSO DE TOMADA DE DECISÃO DO INVESTIDOR INDIVIDUAL BRASILEIRO NO MERCADO ACIONÁRIO NACIONAL: UM ESTUDO EXPLORATÓRIO ENFOCANDO O EFEITO DISPOSIÇÃO E OS VIESES DA ANCORAGEM E DO EXCESSO DE CONFIANÇA respondentes variaram para cada conjunto de res. adotou-se a metodologia de estimativa de intervalo. maneira. Primeiro. 24 . sendo este percentual um do excesso de confiança é a metodologia empregada indicador da presença do fenômeno. três respostas compatíveis foram elaboradas algumas perguntas com dados com este padrão comportamental. em ambos perguntas para a realidade do mercado acionário. um limite inferior e um limite (i) analisaram se o investidor optava por uma superior. obteve-se o per- e estimativas de intervalos. mas trazendo as guntas com duas alternativas. identificar os dois efeitos nos investidores. escolha avessa ao risco no domínio dos ganhos do. man & Tversky (2000). no mercado acionário. e. os estímulos para os respondentes foram Neste sentido.Nº 71 .p65 12 12/2/2009. As perguntas possibilitavam dentes que estimatimassem “o lucro líquido da Brasil ao pesquisado escolher uma entre duas alternativas Telecom durante o ano de 2006”. considera-se que ele apresentou Imagine que você se defronta com o seguinte evidência da utilização do viés durante seu processo par de decisões concorrentes. buscou-se verificar como o investidor os mesmos.edição especial . É interessante notar que os resultados vencedoras e manter ações perdedoras) ao efeito reflexo deste viés são analisados em relação ao conjunto da (aversão ao risco no domínio dos ganhos e propensão amostra. porém duas têm sido empre. pelo menos. 08:19 . calculou-se o número de res.

Com relação à atividade profissional.9%) as opções preferidas. Esta mador de White). utilizando o esti.8% optaram por nenhuma Qual das seguintes opções você prefere? das opções. as âncoras altas existe ou não alguma uniformidade nos resultados do e baixas.000. pelo tempo de investimento. Quatro dos cinco testes estatísticos fornecem 4.58%. A primeira opção de resposta era c) uma perda certa de R$ 750. 08:19 . autônomos. na sua carteira quando participaram da pesquisa. É interessante notar que. a média das estudo. aposentados.2. Ademais. b) 25% de chance de ganhar R$ 1. os investidores não apresentam evidência da anco- Gestão & Regionalidade . demais respostas mostram que. estimativas e os resultados dos testes de hipóteses. por fim. 49. a maioria destes investidores apenas (iii) e optava por uma opção com menor valor vivenciou um mercado acionário em alta. é possível avaliar se tabela apresenta. nava há quanto tempo o indivíduo investia no mer- Decisão II – escolher entre: cado acionário. sendo que contrados levam à rejeição da hipótese nula de que 45. 21%. assim. pois.00 e alternativa (99) foram analisadas separadamente. foram computadas regressões lineares simples e múltiplas 4. da ancoragem com ajustamento insuficiente.09%) é do gênero masculino.6%. declarou ser casado ou com união estável. excesso de confiança e do efeito disposição com mais de duas transações por mês.00 e de ações.edição especial . Os respondentes tidas às âncoras baixas. A Tabela 1 resume os resultados referentes ao viés cedasticidade dos erros do modelo. demonstrando propensão ao risco Quanto ao estilo de investidor. sendo a idade das estimativas. em função do perfil do investidor-respondente. portanto. para todas as perguntas. as respostas daqueles que optaram por esta d) 75% de chance de perder R$ 1. evidências do viés. no nível de 5% de significância. Assim. 24 . a in- pondentes (97.000. de experiência.5% dos que já reali- neste domínio.000. indique pós-graduação. em média. apresen- Na presente pesquisa.000. a máxima de 77 e a média de 39 médias das estimativas submetidas às âncoras altas anos.60% deles possuíam formação superior e 39. os investidores parecem estar pouco diver- 20% de não perder nada. desde esperado (mas com maior risco) no domínio 2003 a Bovespa apresenta resultados anuais positivos. o número de respondentes.out/2008 13 01RGR71. fundamentalistas. os resultados en- apresentaram um alto grau de escolaridade. relacionar os fenômenos do transações de compra no ano. e 10. sificados. (ii) se ele optava por uma opção com menor valor metade daqueles que já realizaram transações de esperado (mas com menor risco) no domínio compra e venda de ações possuem até cinco anos dos ganhos. Felipe Bogea e Lucas Ayres Barreira de Campos Barros mine ambas as decisões e.00. Dessa forma. Com relação à diversificação da carteira a) 80% de chance de perder R$ 4. Destes. representando. Ancoragem com ajustamento insuficiente pelo método dos mínimos quadrados (com erros padrão robustos a formas arbitrárias de heteros. a grande maioria dos res.1. mostrando aversão ao risco. entre 30 e 50 anos. as mínima de 17 anos. em seguida. ANÁLISE DOS RESULTADOS evidências. 39. Portanto.Vol. 13%. empresários. por exemplo: zaram transações se consideram grafistas. para cada pergunta.4% deles possuíam até cinco ações b) uma perda certo de R$ 3. Dentre os respondentes. “ainda não comprei/ não vendi nenhuma ação”. a) um ganho certo de R$ 250. aproximadamente. 25% realizaram mais de 24 Buscou-se. pois 58. tando.00. As 25% de chance de perder nada.00 e A primeira pergunta sobre investimento questio- 75% de chance de ganhar nada. das perdas. aproximadamente 56% dos Decisão I – escolher entre: investidores são empregados.Nº 71 . Já a idade fluência das âncoras pode ser observada na média dos respondentes variou bastante.XI Semead 2008 . aproximadamente 30% possuem menos foram superiores às médias das estimativas subme- de 30 anos e 50%. A maioria dos respondentes (63.00. de que 4. características pessoais dos investidores. e 9%.p65 13 12/2/2009. Para tal. Perfil do investidor os investidores foram ancorados pelos valores apre- sentados nos enunciados das questões. pois.

(1999: 218). Segundo Winman. questionários com estimativas de estudo de Tversky & Kahneman (1974).436 11.356. Além disso.741 3. Tversky & Kahneman (1974) aplicaram zaram estimativas de intervalo. fornecendo os mesmos estí- 39. observaram associada às diferenças nos grupos de respondentes.97 1x2x3x4x5x6x7x8 -e..Vol. “é amplamente conhecido que o excesso de confiança é mais pronun- Os respondentes apresentaram extremo excesso ciado em conjunto de perguntas difíceis”.edição especial .320) do que as respostas nas estimativas de intervalo.98%) não apresentaram o viés. Apesar de as perguntas serem iguais em ambos tram um maior excesso de confiança quando os estudos. encontradas nos valores das estatísticas. a um menor valor da estatística. 24 .350 1.p65 14 12/2/2009. Uma de confiança.41 questões ou 24.* Média das respostas* Âncora Pergunta Âncora Âncora Teste 1* Alta Baixa Alta Baixa Alta Baixa Quanto valerá a ação da nova empresa daqui a um ano? 75 35 102 115 66 37 11. na O último conjunto de perguntas (“Sem fazer o presente pesquisa. encontradas por Tversky & Kahneman (1974). é interessante notar que as corroboram esta idéia.956 8.986 e 30. (1999) respondentes. Uma das razões para o alto nível deste viés. Juslin segundos) da seguinte multiplicação. Entretanto. o grau de dificuldade das perguntas poderia 14 Gestão & Regionalidade . Russo & Schoemaker este teste em estudantes de segundo grau. vestidores brasileiros.8x7x6x5x4x3x2x1 239 224 39. PROCESSO DE TOMADA DE DECISÃO DO INVESTIDOR INDIVIDUAL BRASILEIRO NO MERCADO ACIONÁRIO NACIONAL: UM ESTUDO EXPLORATÓRIO ENFOCANDO O EFEITO DISPOSIÇÃO E OS VIESES DA ANCORAGEM E DO EXCESSO DE CONFIANÇA Tabela 1: Resumo dos resultados das análises estatísticas de ancoragem com ajustamento insuficiente Núm. Como a maioria dos investidores Cabe mencionar que uma parte das variações apresentou excesso de confiança nas suas respostas. Estes pes. Dos 512 investidores. são bastante superiores e mais mulos. 2. no presente estudo.602 1. pode ser decorrente investidores não apresentam evidências de excesso das diferenças no tamanho das amostras. uma possível explicação para a diferença al. ou seja. 4. (1992). Os resultados de Klayman et al. existem diferenças relevantes no perfil dos comparados com outras pesquisas que também utili- respondentes.74 Qual sua estimativa de pontos para a bolsa de valores da Argentina em dezembro de 2006? 28000 12000 59 44 13. Excesso de confiança Para Klayman et al. por conseguinte. estes sugerir a presença pronunciada deste viés nos in. apenas cinco maneira. aponta-se para um maior excesso de confiança próximas do valor correto (40. de respond.1%. solicitando 90% de confiança numa absoluta nas estimativas de respostas pode estar amostra de estudantes universitários.”) foi extraído do & Hansson (2004).250 e Não obstante. (1999). Dessa de confiança. 08:19 .XI Semead 2008 . os resultados encontrados mos- 512. quando comparados com questionários com duas cativas entre as médias das respostas dos grupos de alternativas.986 30. permitindo (0.37 Qual sua estimativa para a receita bruta da Perdigão para o ano de 2006? 45 19 35 39 2. ao se compararem as médias das respostas obtidas na presente pesquisa. intervalo produzem extremo excesso de confiança quisadores também encontraram diferenças signifi.Nº 71 .3. enquanto. ragem com ajustamento insuficiente. pois. observaram aproxima- curso superior e uma média de idade de 39 anos.264 0. pode estar relacionada com o cálculo de fato.82 * Estes valores excluem os investidores classificados como outliers.. entre os rejeita-se com folga a hipótese nula de que os diferentes grupos de perguntas. a maioria dos participantes possui com 90% de confiança. ao solicitarem para gerentes estimativas.out/2008 01RGR71. o nível médio de acerto foi de 2. damente 50% de respostas corretas. Já Klayman et Portanto. faça uma rápida estimativa (em cinco formato do questionário.316 1. duas metodologias. 42% de estimativas corretas. amostra menor pode conduzir a um maior erro padrão e.21 Em quantos pontos deverá estar o índice DAX no final de 2008? 80000 60000 136 152 9. investidores acertaram pelo menos nove estimativas.

Por outro lado. mas não verifiou diferença quando o de enviesamento dos respondentes como função de preço de referência é o preço de compra da ação. buscando relacionar o excesso de confiança com pesquisas. diferenças significativas na mensuração do viés entre questionários com perguntas fáceis e questionários com perguntas difíceis. Já Mineto (2005) verificou diferença entre Ademais. maior: 80. ainda. os quais utilizaram um ques. levando. estudos mostraram diferenças relevantes entre subgrupos da amostra. Carducci & White dem não ter segregado os investidores de maneira a (2006) e Costela & Fernandez (2006). (1999). Felipe Bogea e Lucas Ayres Barreira de Campos Barros explicar o maior grau de excesso de confiança quando subpopulação exerça uma influência de primeira se compara a presente pesquisa com o trabalho de ordem sobre os resultados. possíveis limitações na mensuração das va. portanto. ter influenciado o grau de enviesamento observado. Apesar de o número de investidores que exibiram Realizou-se uma série de regressões (não reporta- efeito disposição ser inferior ao reportado em outras das). disponilizados pelos autores). Primeiramente.edição especial . É interessante notar que o per- o fato de todos os respondentes pertencerem a esta centual de investidores que exibiu o efeito reflexo Gestão & Regionalidade . 24 . levando. Outros estudos também verificaram a aos questionários com a presença dos pesquisadores. presença do efeito disposição em apenas uma parte sendo a maioria dos questionários veiculada em meio das suas amostras.3% dos investidores. Entretanto. os pesquisados responderam disposição. É plausível supor que ram o efeito reflexo. fazendo com que eles Klayman et al. Feng & Seasholes riáveis podem ter contribuído para a falta de signi. possivel. uma vez que enfoca apenas a subpopulação dos investidores ou Aproximadamente 37% dos respondentes exibi- indivíduos cadastrados no INI.XI Semead 2008 . suas características sociodemográficas. Todavia. os respondentes. aproximadamente 40%. certas características sociodemográficas e o efeito disposição.7%) apresentaram evidência do efeito Nos estudos anteriores. Segundo estes autores. sugere a presença do Todavia. constataram que aproximadamente 65% dos day mente. Estes resultados mente as características de interesse ou. Alguns fatores podem ter contribuído para nula de que os investidores não apresentam evidên- este resultado.out/2008 15 01RGR71. Por. as variáveis características dos investidores (com base em regres- adotadas como proxies para as características dos sões não reportadas. Jordan & Diltz (2004) e sem a presença de um pesquisador. no presente estudo. Além disso. a um a presença do efeito disposição numa parcela ainda maior excesso de confiança. os quais não evidenciar a relação destas variáveis com o viés. a parcela de investidores impresso. estas análises não revelaram associações efeito disposição em uma parcela significativa dos sistemáticas entre o viés e as características dos inves- investidores. Dhar & Zhu (2006) verificaram estimativa inicial. por conseguinte. verificaram relações entre efeito disposição e caracte- tanto. os pes. a mensuração do excesso de confiança não foi origi- nalmente desenvolvida objetivando relacionar seu As análises realizadas nesta pesquisa não eviden- resultado com outras características. talvez a maneira de veiculação possa Dentre os investidores participantes da pesquisa. ao tentarem minimizar o traders (investidores que realizam uma transação de esforço cognitivo para responder ao questionário. corroboram as evidências de Wong. a escala utilizada para cias do efeito disposição.Nº 71 .p65 15 12/2/2009. 08:19 .4. Assim. 4. exibam graus de excesso de confiança suficiente- tionário com perguntas de diferentes níveis de difi. po. mas apenas ciam relações claras entre o efeito disposição e as detectar a presença do viés. Efeito disposição e efeito reflexo Ademais. rísticas pessoais. mente próximos. o percentual de respondentes exibindo o características sociodemográficas dos pesquisados. (2005) e Dhar & Zhu (2006) encontraram relações entre ficância estatística observada nas regressões. compra e venda de uma ação dentro de um mesmo determinaram um intervalo muito próximo da sua dia) exibiram a falha. que exibiram a falha cognitiva é maior do que o quisados responderam ao questionário pela Internet verificado na presente pesquisa. os gêneros quando o ponto de referência é o último rogênea o suficiente para capturar diferenças no grau preço da ação. mas cujos resultados podem ser investidores podem não ter capturado adequada.Vol. 198 (38. é possível que a amostra não seja hete. a ponto de impedir a detecção de culdade. viés. à rejeição da hipótese tidores.

Não relação estatisticamente significante. não se verificou uma desta pesquisa corroboram estas evidências. às seguintes constatações: (i) quatro dos cinco conjuntos excesso de confiança e efeito disposição em uma de perguntas de ancoragem com ajustamento amostra composta por investidores atuantes no insuficiente mostraram evidências estatisticamente mercado acionário nacional. Segundo Mineto (2005). não foi possível relacionar estatisticamente menos três respostas (de um total de quatro per.Nº 71 . (ii) a grande maioria da presente pesquisa contribuem no sentido de dos investidores apresentou excesso de confiança nas confirmar as evidências encontradas em outros paí- suas estimativas. o sinal do coeficiente ficou positivo (embora os estudos. ainda não havia sido verificada a pre- acionário nacional. Entretanto. A presença do excesso de confiança tem sido cia da TP. o efeito reflexo com o efeito disposição. ao se tentar relacionar o efeito amplamente verificada na literatura. a relação entre o efeito dispo- ainda não significante nos níveis usuais).out/2008 01RGR71. mas a intensidade da sua presença variou entre Ademais.9%) foi muito próximo daquele que revelou Contudo. trabalho. 24 . Todavia. guntas) mostravam evidência do referido comporta- mento. a intensidade do viés verificada na presente quando se estimou a mesma regressão. os resultados encontrados (presença da falha maior propensão ao efeito disposição. Portanto.p65 16 12/2/2009. CONSIDERAÇÕES FINAIS encontraram resultados bastante semelhantes. validação formal do instrumento desenvolvido neste terísticas dos investidores. sugerindo sição e características pessoais dos investidores ainda a relação no sentido esperado.7%). obstante.edição especial . até em uma amostra de investidores atuantes no mercado onde se sabe. A ocorrência de falhas cognitivas no processo sença do efeito disposição e dos vieses de ancoragem decisório dos investidores tem sido documentada em com ajustamento insuficiente e excesso de confiança diferentes países e situações. os resultados significantes da presença do viés. nenhuma pesquisa anterior De qualquer maneira. executivos. res. reflexo somente aqueles indivíduos para os quais pelo Ademais. investidores com duas ou mais respostas relacionadas O efeito disposição foi identificado em investido- ao mesmo. Porém. mas ausência de relação) corroboram os estudos anteriores. os resultados encontrados corroboram a concluir por sua relevância. Assim. ou seja. aproximadamente 75% da amostra exibiria tal efeito. se o critério para caracterizar a Pesquisas anteriores verificaram a presença da anco- presença do efeito reflexo fosse de duas ou mais ragem com ajustamento insuficiente em diferentes respostas compatíveis com este comportamento. verificou-se um aumento da estatística t. Neste maior propensão ao efeito reflexo levaria a uma sentido. Todavia. pode-se Portanto. mais claras do efeito nas suas respostas. mas não foram encontradas evidências de as- Foram considerados investidores sujeitos ao efeito sociações entre as falhas e as referidas características. ções significantes. Os resultados encontrados levaram sença da ancoragem com ajustamento insuficiente. buscou-se relacionar Novas pesquisas são necessárias para se buscar a o excesso de confiança e o efeito disposição a carac. Além do objetivo principal. no Brasil. pesquisa diverge de outras pesquisas que também rando-se como exibindo o efeito reflexo aqueles utilizaram estimativas de intervalo.Vol. tais como idade ou genêro. Embora o instrumento de pesquisa empre- 16 Gestão & Regionalidade . grupos de indivíduos (estudantes. considerando-se que pelo verificou a presença do viés em uma amostra composta menos 37% dos investidores mostraram evidências por investidores individuais no mercado acionário. o efeito disposição é conseqüência do efeito reflexo e do ponto de referên. médicos). Entretanto. Os resultados disposição ao efeito reflexo. Costela & Fernandez (2006). literatura e contribuem na medida em que verificaram a presença deste viés em investidores. PROCESSO DE TOMADA DE DECISÃO DO INVESTIDOR INDIVIDUAL BRASILEIRO NO MERCADO ACIONÁRIO NACIONAL: UM ESTUDO EXPLORATÓRIO ENFOCANDO O EFEITO DISPOSIÇÃO E OS VIESES DA ANCORAGEM E DO EXCESSO DE CONFIANÇA (36. as análises estatísticas não mostraram rela- efeito disposição (38. (iii) o efeito disposição foi verificado ses. que uma não foi claramente estabelecida na literatura. O objetivo principal da pesquisa foi verificar a pre. mostrando que os investidores brasileiros também em apenas uma parcela dos investidores (38. cognitiva. mas conside. verificou-se a presença das falhas.XI Semead 2008 . Ademais. 5. 08:19 . estão sujeitos a estes comportamentos. em- pregando uma amostra de investidores venezuelanos.7%). até onde se sabe.

biases in Venezuela: Are we different? Working n. n. 726-740. Individual 47.Nº 71 . Felipe Bogea e Lucas Ayres Barreira de Campos Barros gado careça de validação formal. 2002. Ning. Douglas & DILTZ. 4. The limits p. 2. n.p65 17 12/2/2009. p. CHAPMAN. Psychological Science. 296-303.pdf>. ______. Ed. 15. Paper. 1. 223-242. p. 2. DHAR. n. 2006. 7. Management Science. Juan C. David. Revista de Administração da USP. Iesa. 6. Financial Services Review. Ravi & ZHU. of anchoring.iesa. 115-153. and Management. investor preferences: a segmentation analysis. Day traders and individuais. Investors biases of investors. v. Financial Analysts Journal. O. v. v. n. 41-54. Gretchen B. n. Todos acima BUKSZAR. v. The Journal of Behavioral Pós-Graduação em Administração da Pontifícia Finance. 6-14. norms. n. Abraham S. 9. 2001. comportamento entre investidores institucionais e JORDAN. Caio F. Judgment and decision making: a personal view. v. 2006. 33-43. Kent H. 5. 2005. v. p. 2. Gestão & Regionalidade . 1. Disponível em: <http:// servicios. Leonardo C. p. v.XI Semead 2008 . Eric J. misguided convictions. 1979. Geoffrey. Cambridge: 2005.edu. FERREIRA.Vol. Cándido P. Decisões de F ENG . 79. apresentam as falhas cognitivas com a mesma quisa capazes de analisar o comportamento do intensidade verificada na presente pesquisa em um investidor. n. 6. 2004. judgment under uncertainty. 305-351. v. The Journal of Behavioral Finance. v. The courage of CandidoPerez. 2. 1999. The Internet and the investor. seria direção de se estabelecer um instrumento simples. Journal of Business 38. Does overconfidence lead to poor da média: excesso de confiança em profissionais decisions? A comparison of decision making and de finanças. Psychological COSTELA. 142-145. & NOFSINGER. Daniel & TVERSKY. Up Close and personal: ______. 1991. n. Lucas Ayres B. p. comportamentais: uma análise das diferenças de 598-616. Lei & S EASHOLES . & FERNANDEZ. Matti. ele contribui na Como sugestão para estudos futuros. and mixed feelings. v. n. v. p. p. Mark & KELOHARJU. 2003. 41-55. 3. Economic Perspectives. seria possível verificar se os investidores o desenvolvimento de outros instrumentos de pes. Journal of Finance. Dissertação (Mestrado) – Programa de the disposition effect. 52. & YU. Organizational Behavior and Human ______. v. Reference points. & JOHNSON. p. 11. What makes C ARMO . 2005. Marilyn & SOUTAR. 2003. 24 . 192-200. 2. n. 56. John R. GRINBLATT. Existem ainda inúmeras possibilidades para maneira. Universidade de São Paulo. Terrance. anchors. v. mercado com perdas acumuladas. Universidade Católica do Rio de Janeiro. 51. Choices values and frames. p. 2000. Mark S. Finanças investors trade. trabalho numa situação oposta ao momento atual. p. p. 9. Journal of investor sophistication and the disposition effect. 08:19 . Journal of Behavioral Decision Making. 1999. n. p. 1992. n. Prospect theory: an analysis of decision under risk. Cambridge University Press. 20. 101-111. Brad M. Econometrica. p. de C. 5. 4. J. ______. n. 2. CLARK-MURPHY. Amos. Daniel. 2. activation and the construction Decision Processes. REFERÊNCIAS BAKER. 55. Do investor financiamento e de investimento das empresas sob sophistication and trading experience eliminate a ótica dos gestores otimistas e excessivamente behavioral biases in financial markets? Review of confiantes. Rio de Janeiro: PUC/RJ. 3. Anchoring. Organizational Behavior and Human Decision Process. São Paulo: USP. 97-116. 1994. Tese (Doutorado em Administração) – Finance.edição especial . p. p. & ODEAN. BARROS. of value. nitivas possivelmente prejudiciais aos investidores em que o mercado acionário acumula alta.ve/newsite/academia/ pdf/ BARBER. KAHNEMAN. n. v. Desta brasileiros. KAHNEMAN. 2001. 1. 2005.out/2008 17 01RGR71. v. 263-291. interessante replicar os experimentos do presente de fácil aplicação e capaz de identificar falhas cog.

Terrance. n. and whom you ask. BATTISTI. 777-790. 4. Paul W. 1985. CARDUCCI. Amos & KAHNEMAN. Joshua. TVERSKY. v. 3.038-1. v. MINETO. v. & YU. Science. Anders. especulativas e finanças comportamentais: um SHEFRIN. & PACHECO. n. The Journal of KRUGER. O efeito disposição: um estudo Florianópolis: UFSC. Tese (Doutorado em patterns and selected personal characteristics. 2. n. 1. Journal of Personality losses? The Journal of Finance. Journal of Universidade de Federal de Santa Catarina. Experimental Psychology. volatility. 1991. p. Jolanda E. empírico no Brasil.edição especial . Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo. v. p.XI Semead 2008 . p. & B ARLAS .934. 1998. v. & ENGLICH. n. LINTZ. 185. Journal of Psychology. Yao. and Human Decision Processes. 291- Graduação em Engenharia de Produção e Sistemas 300.. Decisions. n. n. 1-16. 3. JUSLIN.798. Carlos Augusto L. n. 221-232. 2003. 24 . Bernardo J. 1. 2. when all traders are above average. Anais dos Resumos dos Trabalhos. v. Julia A. 08:19 . Asset disposition effect: the impact of price teoria dos prospectos. prospecto: uma investigação utilizando simulação de investimentos. 140. Y. Alexandre C. Meir. CHEN. Fritz. v. Jurandir S. 1. 1. M. 78. p. Organizational Behavior and Human Decision ODEAN. Sema. knowledge. n. p. p. SOLL. 6. M ACEDO J ÚNIOR . 143. 2004.p65 18 12/2/2009. Are investors reluctant to realize their comparative ability judgments. to sell winners too early and ride losers too long. p.. 2004. p. Teoria do n. & S TRACK . 1.052. 2000.887-1. v. da Universidade de Federal de Santa Catarina. p. 98. v. Comportamentais) – Programa de Pós-Graduação Subjective probability intervals: how to reduce em Engenharia de Produção e Sistemas da overconfidence by interval evaluation. Journal of Behavioral Decision Making.157.Nº 71 . In: VI ENCONTRO BRASILEIRO DE MUSSWEILER. Birte. 1. Shu. and the appropriateness of confidence in n. Judgment under uncertainty: heuristics and biases. Daniel. v. Lake Wobegon be gone! The below Finance. Alan e efeito disposição: uma análise experimental da Jay. 7. S. 1. 216-247. Tese (Doutorado em Administração) – Faculdade Journal of Finance. & STATMAN. n. 6. 1998. 2006.167- Florianópolis: UFSC. 615-618. Patrick. GONZALEZ-VALLEJO.out/2008 01RGR71. 4. Thomas. Tese (Doutorado em Finanças WINMAN. The reason for PAESE. 133- Revista de Administração Eletrônica. 53. 6. 2003. 1974. Journal of Experimental Social depends on how.131. Psychology. Dinâmica de bolhas v. anchoring: judgmental consequences and K IMURA . The disposition estudo aplicado ao mercado de câmbio brasileiro. de Economia. São Paulo: FEA/USP. v. Herbert.Vol. p. 3. 1999. Percepção ao risco WONG. 2005. Thomas. PROCESSO DE TOMADA DE DECISÃO DO INVESTIDOR INDIVIDUAL BRASILEIRO NO MERCADO ACIONÁRIO NACIONAL: UM ESTUDO EXPLORATÓRIO ENFOCANDO O EFEITO DISPOSIÇÃO E OS VIESES DA ANCORAGEM E DO EXCESSO DE CONFIANÇA REFERÊNCIAS KARSTEN.775- and social psychology. LI. & WHITE. n. 1. Engenharia de Produção) – Programa de Pós. average effect and the egocentric nature of ______. and profit Processes. p. 2006. Jack B. 1999. what. 18 Gestão & Regionalidade .175. Wei-Wei. actions Asian overconfidence.. 30.124-1. 2-14. 1. Alan S. Organizational Behavior associados às reações do mercado de capitais. Volume. 79. n. 1. 40. Peter & HANSSON. judgment under uncertainty: the role of knowledge Claudia. 2. p. Subliminal FINANÇAS. M USSWEILER . Journal of Asset Management. Michael A. 2006. Aspectos comportamentais underlying mechanism. 77. Overconfidence: it in anchoring. 2005. 53. & FEUER. Jan G. Numeric KLAYMAN. 3. price. p. Hersh M. v. Justin.

capitaneada por uma agência de agency administered by an NGO.371. e-mail: silviapbcosta@yahoo. que articulou.br Francisco Antônio Barbosa Vidal Av. 24 .CEP: 60135-101. A presente pesquisa gerou como re- nology and social inclusion of young people at work sultado uma tecnologia social de inclusão de jovens with elements guided for replications in other pelo trabalho com elementos norteadores de sua regions of the country. Antonio Sales.br Gestão & Regionalidade .p65 19 12/2/2009. Palavras-chaves: inclusão social.The present study investigates an e para cooperar.com. 2. Endereços dos autores: Silvia Pires Bastos Costa Av.Universidade Estadual do Ceará Aprovado em: 15/10/2008 Francisco Antônio Barbosa Vidal Mestre em Administração/Universidade de Fortaleza RESUMO ABSTRACT Intersectoral collaboration has been presented in A colaboração intersetorial apresenta-se. organizations. organizações Keywords: social inclusion. de pobreza no mercado de trabalho.CEP: 60135-101.Fortaleza-CE .371. como uma estratégia efetiva de suporte and promote the social inclusion policies. 2. A presente pesquisa investigou uma experience of labor insertion of (socio-economic) experiência de inserção laboral de jovens em situação impoverished young people in the labor market. articulated across sectors with companies não-governamental.out/2008 19 02RGR71. Silvia Pires Bastos Costa e Francisco Antônio Barbosa Vidal TECNOLOGIA SOCIAL DE INCLUSÃO DE JOVENS PELO TRABALHO: UMA ANÁLISE DA EXPERIÊNCIA DE UM CONSÓRCIO DE ONGS NO DESENVOLVIMENTO DE AÇÃO INTERSETORIAL COM EMPRESAS E GOVERNO TECHNOLOGY AND SOCIAL INCLUSION OF YOUNG PEOPLE AT WORK: AN ANALYSIS OF THE EXPERIENCE OF A CONSORTIUM OF NGOS IN THE DEVELOPMENT OF INTERSECTORAL ACTION WITH COMPANIES AND GOVERNMENT Silvia Pires Bastos Costa Recebido em: 07/07/2008 Mestre em Administração / UECE .Vol. A descrição das dinâ- memory management of the Agency of Youth work micas funcionais e a sistematização da memória which were delineated under a model of inves- gerencial da agência de trabalho juvenil foram tigation of case studies under the protection of the delineadas sob o modo de investigação do estudo technique of the institutional research-action. headed by an gestão em rede.edição especial . trabalho juvenil. oportunidades de inserção laboral para 700 the functional dynamics and the systems of the jovens no Estado do Ceará. por intermédio and public entities giving opportunities of work to de ações intersetoriais com empresas e entes 700 young people from Ceará. e-mail: franbarvidal@ig. The study describes públicos. An à promoção de políticas de inclusão social.XI Semead 2008 . sala 105 . which in the year trabalho juvenil administrada por uma organização of 2006.Fortaleza-CE . replicabilidade em outras regiões do País. young people work. Antonio Sales. sala 105 . nos últi- the last years as an effective strategy to support mos anos. Um important aspect of the social development favored aspecto importante do desenvolvimento social pro- by the action of the non-governmental organizations piciado pela atuação das organizações não-gover- is the inter-institutional articulation by means of the namentais é a articulação interinstitucional por meio constitution of partnerships – the trend that leads da constituição de parcerias – a tendência que induz to the formation of associations to establish links à formação de associações para estabelecer ligações and to cooperate.com. The de caso sob a égide da técnica da pesquisa-ação present studies managed as a result a social tech- institucional. 08:20 . non-governmental não-governamentais.Nº 71 . com base na with a management of networks.

a percepção vi. o que flexibilizou o papel do Estado na meio da constituição de parcerias – a tendência que oferta dos serviços públicos. de uma forma específica e espontânea. a diversidade. confiante. fologia social das sociedades contemporâneas. mudam – eles co-evoluem (CAPRA. cada parceiro passa a entender melhor presas na execução de uma política pública social as necessidades dos outros.edição especial . ambos os parceiros aprendem e de pobreza. o conceito de rede veio ganhar trabalho juvenil capitaneada por um consórcio de uma dimensão mais profunda. 1997). Nessa direção. pois cada membro parcerias em projetos e programas sociais com da comunidade desempenha um papel importante. só pode de 2006. se processa. O principal esquema – cadeia.p65 20 12/2/2009. sobretudo o mercado e as orga- posição de novos caminhos cede lugar à pressão pela nizações. À medida que uma parceria setorial entre um consórcio de ONGs. Buscou-se. reivindicação e pro. para viver dentro de outro organismo e para transferir responsabilidades para organizações da cooperar. no A pesquisa deu-se na ambiência organizacional sentido de que as funções e os processos dominantes do consórcio social de ONGs que. Enquanto mercados de serviços ao Estado e ao mercado.XI Semead 2008 . uma pluralidade cidade de Fortaleza. grama Primeiro Emprego. árvore. Numa parceria verda- voltada para a inserção laboral de jovens em situação deira. ganhar cada vez mais relevância no mundo contem- adquirindo um caráter predominante de prestadora porâneo (WEYER. por intermédio de ações intersetoriais pretativa de grandes tendências do processo histórico com governos e empresas. uma forma não-específica e baseada em regula- ganizacional balizada pelo processo etnográfico da mentos. fomentando relações de institucional. comunidades humanas. as relações entre os compo- social e profissional. Combinando o princípio da parceria com a dinâmica A presente pesquisa constitui-se de um estudo da mudança e do desenvolvimento. 1997). Nenhum outro funcionamento uma gestão em rede. executou o Pro. realimentação (CAPRA. adotando como princípio norteador de seu manter-se coerente em uma rede. consegue conter uma verdadeira diversidade funcio- presas e governo para promover a inserção laboral nando como um todo. na Para Castells (1999). capitaneado por organizações nentes de uma rede envolvem múltiplos laços de não-governamentais. pode-se utilizar teórico-empírico. e orga- O estudo teórico-empírico desenvolvido caracte. vem sendo apontada a mercado de trabalho de 700 jovens em situação de expansão penetrante das redes como a nova mor- pobreza no Estado do Ceará. círculo ou eixo – propósito da agência era articular parceria com em.out/2008 02RGR71. as atuais políticas neoliberais propiciado pela atuação das organizações não- deram espaço para o desenvolvimento da economia governamentais é a articulação interinstitucional por informal. possibilitou a inserção no em curso. de riza-se. 2000: 5-10). no período de abril a novembro de componentes realmente divergentes. denação social. Para Thompson (1997). do governo federal. INTRODUÇÃO 2. diferentemente de cadeias de jovens egressos de um programa de qualificação lineares de causa e efeito. como chave inter- ONGs que. de maneira metafórica. Nas comunidades humanas. pirâmide. 24 .Nº 71 . são algumas características que parecem profissionalização de sua estrutura e suas ações. cujo objeto de análise refere-se às o tempo da co-evolução. TECNOLOGIA SOCIAL DE INCLUSÃO DE JOVENS PELO TRABALHO: UMA ANÁLISE DA EXPERIÊNCIA DE UM CONSÓRCIO DE ONGS NO DESENVOLVIMENTO DE AÇÃO INTERSETORIAL COM EMPRESAS E GOVERNO 1. em sua dinâmica. 1999). gente para as ONGs é a de que sua capacidade de O que diferencia redes de outros tipos de coor- pressão e mobilização social. ONGS E FORMAÇÃO DE REDES SOCIAIS Um aspecto importante do desenvolvimento social Para Gohn (2005). neste estudo. E. como se fossem agentes 20 Gestão & Regionalidade . nas dinamicidades e especificidades da parceria inter. descrever a confiança mútua. redes sociais são normalmente coordenadas observação participante sob a égide da pesquisa-ação por meio de discurso. financiado pelo estão cada vez mais organizados em torno de redes Ministério do Trabalho e Emprego. governo e em. ficando o mesmo como induz a formação de associações para estabelecer gestor e controlador dos recursos. experiência gerencial em rede de uma agência de Por outro lado. em virtude de ligações. como uma pesquisa or. 08:20 .Vol. nizações o são por intermédio de regras formais. são coordenados por meio de mecanismos de preço. ONGs. (CASTELLS. parceria sig- sociedade civil organizada via programas de nifica democracia e poder pessoal.

de organizações que se entrelaçam num sistema se pelos seguintes aspectos: social para atingir metas coletivas e de auto-interesse a) cria novas interações entre as pessoas. segundo. Esta perspectiva busca explicar por que as dizagem e são defendidas para a implementação de organizações crescem ou declinam ao longo do tempo. que esta forma de coordenação é o melhor caminho Esses autores relacionaram algumas teorias que bus- para alcançar seus objetivos particulares. sociais. a ponto de perderem sentido as idéias objetivos. como competidores ou parceiros. parecem pre. incerteza com relação ao comportamento de outros i) cria e amplia alternativas de ação. ções básicas: primeiro. de colaboração intersetorial entre as organizações d) ajuda a construir novas formas de con. as redes são consideradas formas supe. grupos. da sociedade civil e as organizações de mercado vivência. emissão e recepção. volvidos se apresentarem altos demais para cada um dos parceiros sozinho (WEYER. Ademais.XI Semead 2008 . lacional. ou para solucionar problemas específicos numa talecendo laços de amizade. O binômio concentração de poder/rede tem im- isto é. 2004) os interesses dos parceiros e estando conscientes de é uma referência no campo das interorganizações. conside- da em confiança entre atores autônomos e interde. de acordo com mudanças ambientais. a serviço do interesse coletivo. projetos de inovação. redes sociais podem ser compreen. entre as pessoas. mento dos atores responsáveis por conduzi-lo. levando em consideração & Hage (1993. Sua marca central é a cooperação. servar a autonomia dos parceiros e aumentar sua capacidade de aprendizagem. for. por meio da definição coletiva de no esforço de promover o desenvolvimento diante Gestão & Regionalidade . 24 . articulação de pessoas e insti- de origem e destino. 2000: 11). COLABORAÇÃO INTERSETORIAL: cepção e a visão social das pessoas. A rede se mostra como g) constrói vínculos mais fortes e consistentes a única estrutura de ação capaz de cumprir duas fun. atores. Segundo Paternostro Melo & Fischer (2004). apud PATERNOSTRO MELO & FISHER. basea. vez que não se acredita que um processo de desen- riores de organização por serem “mais flexíveis e me. uma estratégia interorganizacional balizada em rede corresponde ao Para Melo Neto & Froes (2002: 82). familiares e no. ram-se as interorganizações enquanto espaços de con- pendentes. Silvia Pires Bastos Costa e Francisco Antônio Barbosa Vidal e reagentes. ções inflexíveis e burocráticas.out/2008 21 02RGR71. f) disponibiliza “saberes distintos” e os coloca sem a necessidade de aceitar a rigidez de organiza. Rosa Maria Fisher (2002) sinalizou que a proposta ganizações. tuições.Nº 71 . Na esfera plicações diretas no debate sobre desenvolvimento. Redes facilitam um comportamento coordenado. Além disso. cance de determinados objetivos. volvimento possa ser sustentável em longo prazo se não lhor adaptadas à natureza volátil da nova economia houver horizontalidade no processo e no empodera- global” (RIFKIN. nos casos em que os riscos en. aguçando a per.Vol. enten- de-se por interorganizações as relações estabelecidas Neste sentido. Para as autoras mencionadas. 2001: 23). 08:20 . a função instrumental de melhoria da performance. grupais e coletivos. É em função cam explicar a formação de redes interorganizacionais. entre organizações que resultam na consolidação de didas como formas independentes de coordenação relações interorganizacionais necessárias para o al- de interações.p65 21 12/2/2009. 3. regiões e or. uma econômica. b) ajuda a moldar as práticas e valores indi- viduais. A obra de Alter período limitado de tempo. os quais trabalham em conjunto por um fluência e interseção de organizações. o aumento de resultados produzidos. dessa capacidade de agregação que redes têm um Primeiramente. emerge de uma convergência de opiniões sobre a e) contribui para a superação de problemas necessidade de integrar agentes econômicos e sociais. EIXOS DELINEADORES c) conecta indivíduos.edição especial . destacaram a Teoria da Ecologia Popu- grande potencial para instigar processos de apren. população-alvo. a função estratégica de reduzir h) promove acordos de cooperação e alianças. a importância padrão total de inter-relações entre um aglomerado da tecnologia de formação de redes sociais justifica. vas opções de trabalho e recreação. grupos e instituições.

a cena na qual se desen. inclusão social da atualidade. A presente pesquisa também se carac- faz necessária para fortalecer a sociedade civil na teriza. enfrentados pela humanidade sinaliza a seguinte De acordo com Barbier (apud HAGUETTE.p65 22 12/2/2009. como um estudo orga- superação dos problemas criados pelos problemas nizacional contextualizado sob a égide da pesquisa- econômicos: a complexidade dos problemas sociais ação institucional. Ministério do Trabalho e Emprego. é preciso assegurar que ambos os parceiros da aliança sejam legítimos e estejam enriquecidos em sua 4. as asso.edição especial . protagonizados pelas Para a referida autora. 2002: 43). pois há atendimento vindo. enquanto célula simbólica. cujo objeto refere-se ao cam- em conjunto. principal de sua tecnologia social de inclusão pelo Para Fisher (2002: 154-155). A pesquisa- Autin (2001 apud FISHER. cíficas. as empresas. 2002: 160) destacou ação institucional é levada a empregar conceitos cinco elementos importantes no processo de estabele- fundamentais. combinando suas competências espe. A preocupação é com a fibra ética desse processo. mundo dos negócios em uma sociedade capitalista. a pesquisa-ação institucional é um tipo parti- terão de otimizar as oportunidades para trabalhar cular de pesquisa-ação. superar as barreiras à conectividade de organizações perten. mente por um consórcio de ONGs financiadas pelo ciações empresariais. as 42 ONGs integrantes de uma rede social de ONGs gurar que a cooperação gera valor para as orga. de modo a obterem resultados efetivos de Trata-se de desconstruir. e. TECNOLOGIA SOCIAL DE INCLUSÃO DE JOVENS PELO TRABALHO: UMA ANÁLISE DA EXPERIÊNCIA DE UM CONSÓRCIO DE ONGS NO DESENVOLVIMENTO DE AÇÃO INTERSETORIAL COM EMPRESAS E GOVERNO das mazelas sociais que podem ser contabilizadas A efetivação de parcerias fundamenta projetos de nesses anos de predomínio de políticas neoliberais. 24 . nizações aliadas. a construção de alian. laboral de jovens qualificados social e profissional- trópicas. estágios de cada aliança de cooperação.Nº 71 . ocupada por uma e de gestão de uma agência de trabalho juvenil que. construir bases de confiança entre uma política pública de inserção social de jovens os parceiros. estudo teórico-empírico cujo objeto de análise cons- rolou o debate acerca do desenvolvimento sustentado titui-se da descrição das especificidades de atuação no Brasil foi sendo.Vol. em sua dinâmica.out/2008 02RGR71. qualquer possibilidade de sariamente legitimam uma atuação em rede. asse. podem ser potencializadas. promoveu a inserção laboral de mais de sua posição de defesa de direitos e interesses. surpreendentemente. implica- cimento de alianças: compreender a natureza e os ção. em muito. para concretizar a idéia peito à autonomia dos espaços institucionalizados de colaboração entre as organizações sociais e o da sociedade civil. descobrir e consolidar articulação em rede da agência de trabalho juvenil e pontos de compatibilidade entre os parceiros. Os convênios com o Estado não neces- que superam. ano de 2006. analítico. formação de parcerias e alianças com entes públicos ma de viabilizar a cooperação intersetorial. que reassumiram em rede. As alianças com empresas são embrionárias e sociedade civil (FISHER. como os de transversalidade. exclusivamente. a transparência e o res- Na visão de Fisher (2002). por meio de um método desenvolvimento social.XI Semead 2008 . multiplicidade de atores: as ONGs. as entidades beneficentes e filan. O universo da presente pesquisa contemplou a centes a diferentes setores. A presente pesquisa contempla o arcabouço de No final do século XX. PERCURSO METODOLÓGICO legitimidade política e institucional. que executou. 2002: 29). as necessidades e as carências organizações sociais. grupo-sujeito e grupo-objeto. trabalho a “ação intersetorial” por intermédio da ças organizacionais vem se apresentando como a for. provenientes de famílias de baixa renda no mundo 22 Gestão & Regionalidade . 700 jovens cearenses no mercado de trabalho. as fundações e os institutos vin. e tinha como eixo culados a corporações (FISHER. 08:20 . A agência em rede promovia a inserção nidades populares. além de um marco legal injus- órgãos governamentais ou das organizações da to. po institucional no qual gravita o grupo em questão. A formação de redes de ONGs das populações em situação de exclusão ampliam-se é uma realidade na execução de políticas públicas e aprofundam-se com tal intensidade e velocidade não-estatais. 1987: direção: organizações de diversas inserções setoriais 142). da atuação de entraves e burocracias. as asso. em Fortaleza e região metropolitana. gradativamente. no ciações. analisador. que se e privados. a rede de significações das quais a instituição é portadora. principalmente aquelas que agregam comu.

ten. análise agência de trabalho juvenil que deu suporte à execução de uma documental e observação participante.Vol. balho de jovens de ambos os sexos. com renda fami- e região metropolitana. indígenas e estudo de caso. junto às evidências da práxis vivenciada. que possibilitou o alcance de metas exitosas JOVENS EM SITUAÇÃO DE POBREZA. inserção social de jovens carentes pelo trabalho. cursos Quadro 1: Mapeamento do percurso metodológico Propósito da Captação Técnica aplicada 1) Descrever a dinâmica processual e a configuração estrutural da Diagnose macro sob a égide da pesquisa-ação institucional. tendo como parceiros o setor privado.out/2008 23 02RGR71. Gestão & Regionalidade . 08:20 . questração em rede implementada por ONGs execu. ESTUDO DE CASO: A EXPERIÊNCIA DE parceiros e de um Projeto Macro de Sustentabilidade INCLUSÃO SOCIAL PELO TRABALHO DE Institucional. AÇÃO INTERSETORIAL PROTAGONIZADA No primeiro semestre de 2004.1 mil jovens foram qualificados e conselho gestor e um conselho consultivo.edição especial . que pode ser útil a muitas Jovens no Mercado de Trabalho (Agir). Com o objetivo de se A construção teórica apresenta os argumentos dos instituir um núcleo gestor e articulador em rede. No ano de 2006. liar de até meio salário mínimo. política pública de inclusão social de jovens. que contemplava um ano de 2006. a Agência Social de Inserção em Rede de pectiva da ação intersetorial. e a or. buscando de potencializar a intermediação de jovens carentes para contribuir para novas visões sobre a gestão sócio- o mercado de trabalho. eficácia e efetividade dos projetos de qualificação e de rico (GIL. profissional e de intermediação para o trabalho. 1996. Uma análise órgãos públicos e entidades do terceiro setor. que autores sobre as temáticas abordadas. estágio social de Ensino Mé- gerido sob uma configuração estrutural em rede. foi criada. Fonte: elaborado pelos autores a partir da revisão de literatura metodológica. 2 do como eixo norteador de suas ações duas instân. O aperfeiçoamento e a ampliação das atividades da Agir deu-se através da efetivação de novos 5. com o objetivo de testar a validade das hipóteses ou questões de A gestão em rede baliza os processos de eficiência. inseridos. mais de 800. 1. descrito abaixo. durante a execução organizacional no terceiro setor. sob a égide da pers- do CSJ 2004.063 jovens ca- POR UMA AGÊNCIA DE TRABALHO JUVENIL rentes foram qualificados e 442 inseridos no mercado EM REDE de trabalho nas seguintes tipologias: emprego O Consórcio Social da Juventude de Fortaleza foi formal. além das interfaces interinstitucionais com governo e organismos de financiamento e de co- empresas e organizações integrantes do conselho operação. No ano de 2005. dio e empreendedorismo juvenil. participante. tigação profunda de uma organização. 2. inseridos.1 mil jovens residentes na cidade de Fortaleza anos. afro-descendentes. se de acordo com o Quadro 1. 2) Analisar aspectos processuais das interações interinstitucionais Pesquisa-ação institucional. “discutidas” proporcionasse uma interlocução com o setor privado. O objetivo estratégico da agência é proporcionar toras que desenvolvem os projetos de qualificação a jovens carentes orientação vocacional. a rede de ONGs com o social e profissional e à inserção no mercado de tra- suporte da agência de trabalho juvenil em rede aten. tude no Ceará. no sentido propositiva gerou este estudo de caso. YIN. 24 . 2001). desenvolvidos pelas ONGs que integraram o Consórcio Social da Juventude no Ceará. menor aprendiz. NUMA de inserção nos anos de 2004 a 2006. A seleção dos jovens priorizou os egressos do sistema penal. o mercado. por meio de projetos sociais de qualifi.Nº 71 .p65 23 12/2/2009. os portadores Quanto aos meios. Silvia Pires Bastos Costa e Francisco Antônio Barbosa Vidal do trabalho. entre 16 e 24 deu a 2. profissional e de inserção cidadã no mundo do cação social. em situação de desemprego. observação direta. observação em rede com foco na efetividade de um programa social. A captação de dados deu. pesquisas construídas a partir de um referencial teó.XI Semead 2008 . que integra a outras iniciativas de inclusão de jovens em situação configuração estrutural do Consórcio Social da Juven- de pobreza no mundo do trabalho. Esta ação intersetorial visava à qualificação consultivo. mil jovens foram qualificados e 715. No cias: a governança institucional. O estudo de caso possibilita a inves- indivíduos em situação de vulnerabilidade social. classifica-se esta pesquisa como de deficiências.

Lei de Pessoas Portadoras A Coordenação Geral da Agir facilitou os pro- de Deficiências e empreendedorismo juvenil / cessos globais das quatro áreas estratégicas da economia solidária. esferas de governo do jovem aprendiz. A missão da Coordenação de Mercado de Trabalho h. bem como potencia- com eficiência e eficácia o desemprego juvenil. o Conselho Consultivo de criar oportunidades de ocupação para os e os parceiros. atin- da Juventude (CSJ). foi de extrema importância para jovens. do programa de apoio aos porta. assessorar as entidades executoras na concep. pro- c. privado e do terceiro setor a aderirem socialmente f. parcerias com o intuito entidades executoras. o processo de conquista de novas empresas par- dades executoras. serção laboral às ONGs executoras.p65 24 12/2/2009. psicólogas que estão sendo qualificados social e profissio. no mercado de trabalho. jovem aprendiz. bem como o monitoramento de 24 Gestão & Regionalidade . da Agir realizaram oficinas de mapeamento de nalmente por intermédio do Consórcio Social talentos juvenis e de orientação profissional. organizar e articular as reuniões do Conselho meio de articulação social com empresas e instituições Consultivo do CSJ em Fortaleza e região metro- e. região metropolitana capacitados através do Consórcio Social da Juventude. tutoriais no mercado via responsa- social ou do apoio à criação de empreendimentos bilidade social para viabilizar os empreendi- juvenis. o êxito das ações. que capitaneou a agência de trabalho juvenil em rede. A transferência da tecnologia social de in- nejar ações. promover estratégias que visem ao aumento de empregos juvenis em rede (Rede Fortaleza da oferta de empregos formais para os jovens de Trabalho Jovem).2 mil jovens participantes do CSJ. e sociedade civil. convênios realizados. desencadear. Social da Juventude.out/2008 02RGR71. A aproxi- d. sabilidade social. por intermédio cessos de eficiência. incluindo emprego formal via respon. conceber estratégias e avaliar pro.XI Semead 2008 . A lizar parcerias com seus integrantes. Vale ressaltar que a articu- envolvidos nas ações do Consórcio. serção. em parceria com a coordenação de gerar conhecimento e tecnologia apropriada a enfrentar articulação institucional. captando oportunidades no mercado por i. dores de deficiência (PPD). voltados para a geração de trabalho e renda mentos juvenis que emergirão do Consórcio por conta própria de forma individual ou cooperada.edição especial . TECNOLOGIA SOCIAL DE INCLUSÃO DE JOVENS PELO TRABALHO: UMA ANÁLISE DA EXPERIÊNCIA DE UM CONSÓRCIO DE ONGS NO DESENVOLVIMENTO DE AÇÃO INTERSETORIAL COM EMPRESAS E GOVERNO profissionalizantes e intermediação para o mercado e. empreendedo- ção e na implementação de estratégias de rismo juvenil e monitoramento e contratos. e interior. a partir do construto social da experiência vivenciada. por meio das políticas com o setor produtivo local. 08:20 . formada pelas Regional do Trabalho. no Ceará. tros propositivos. apresentava as seguintes competências: j. cessos seletivos e talentos juvenis.Nº 71 . estágio social de Ensino Médio. gindo 1. Coordenação. politana. cré- Médio e da contratação formal via responsabilidade dito jovem. articular parcerias entre assessoria técnica. realizar um grande evento para a entrega do e Inclusão Social – CIMT é desenvolver e implementar Troféu Visão Social e divulgação das ações do estratégias de inclusão social pelo trabalho dos jovens PNPE/CSJ em Fortaleza.Vol. lação sinérgica da rede cearense de inserção b. no sentido de poten- dedorismo juvenil sob a égide da economia solidária. realizando em rede a captação de vagas formações sobre a rede de parcerias e de no mercado formal e/ou potencializando o empreen. do estágio social de Ensino g. orquestrar em rede as dinâmicas de parceria e mação CIMT/AGIR e entidades executoras facilitou de captação de vagas/oportunidades das enti. em conjunto com a Delegacia social de jovens pelo trabalho. 24 . agência: telemarketing e agentes de inserção. eficácia e efetividade da de programas específicos de capacitação e encon- área de inserção do CSJ – CE. Durante inserção no mercado de trabalho dos jovens a execução do projeto de qualificação. que possibilitaram o alcance da meta de in- mensais com os agentes de inserção para pla. disponibilizar às executoras instrumentais e in- de trabalho. realizar convênios macro e alianças estratégicas ao Programa Primeiro Emprego. promovendo encontros ceiras. cializar as ações de inserção de jovens do CSJ sensibilizando as organizações dos setores público. estruturar um sistema de informações sobre o mercado de trabalho para jovens e um banco a.

• manter um marketing de relacionamento. abertura de vagas (ficha de abertura de vagas). 2006 foi outro aspecto relevante no processo de • dar suporte à execução dos processos internos inserção. • visitar o setor de RH de empresas e instituições • elaborar campanha script / fax-campanha/ que atuam no Ceará. • gerenciar banco de dados. • difundir uma visão de responsabilidade social mentá-las com fluxos de processos de recruta. trabalho juvenil e articulando-a em rede com as recrutamento e seleção. contribuíram para a eficácia do projeto.3. instituições contatadas. Gestão & Regionalidade . 08:20 . Vários jovens. constituindo uma agência de setores (telemarketing. Silvia Pires Bastos Costa e Francisco Antônio Barbosa Vidal resultados. • visitar os projetos das executoras e do Ateliê • dar retorno das visitas realizadas pelos agentes da Juventude (1. • manter carteira de empresas e instituições • otimizar os processos seletivos. e-mail-campanha. • elaborar relatórios semanais de empresas/ ficha de acompanhamento do desenvolvi. por meio de uma força-tarefa.Vol. de assistirem a palestras ministradas pelos profissionais de RH.4. • articular. 5. foram orien- dades executoras.1. • realizar monitoramento pós-inserção. • cumprir meta de adesões (termo de adesão) e alimentando o mapa de inserção. • planejar ligações. e Inclusão Social do Consórcio Social da Juventude no Ceará atuou sob a égide da dinâmica funcional • produzir relatório mensal de resultados por da Agir. preparando-se melhor para enfrentar os • facilitar a comunicação entre a Coordenação desafios do mercado de trabalho. 5. Agentes de promoção social do trabalho • realizar tour pelos projetos com os parceiros (agentes de inserção) e/ou visitas do RH (principalmente de quem • analisar os cursos/ perfil de jovens x prospecção faz seleção) das empresas aos projetos.edição especial . de modo a de dados). visitas • divulgar relatório de vagas captadas X jovens dos jovens às empresas com a possibilidade inseridos a partir da ação do telemarketing. junto a empresas e instituições contatadas. mento do aluno.p65 25 12/2/2009.Nº 71 . 24 . da Área de Mercado de Trabalho e Inclusão Social e as coordenações do ateliê. • capacitar as entidades executoras e instru. de orientação profissional e preenchendo a ficha de talentos juvenis. ficha de abertura de vaga. A Coordenação da Área de Mercado de Trabalho • facilitar a comunicação interna. realizando oficinas de inserção. 5. • acompanhar o desenvolvimento humano da • divulgar o CSJ e suas modalidades de inserção. isto é. equipe da Agir. 5. A estrutura de funcionamento agentes de inserção das entidades executoras. • agendar visitas para os agentes. Assessoria de gestão A disseminação da Agir junto aos jovens do CSJ • mapear demandas dos setores. apresentou a configuração explicitada a nos itens seguir. antes de serem encami- e de interface entre as coordenações e as enti- nhados para as seleções nas empresas. parceiras. tados pela equipe técnica de recrutamento e seleção da Agir. monitoramento/ banco entidades executoras e parceiros. Coordenação de talentos juvenis • prospectar listas/ Internet / base de dados de (recrutamento e seleção) empresas e instituições. de mercado. mento e seleção. Agentes de telemarketing • planejar estratégias de marketing. propiciar oportunidades de inserção laboral dos • gerenciar o relacionamento com e entre os jovens participantes. • sistematizar o arquivamento dos contratos.XI Semead 2008 .740 jovens). • promover marketing de relacionamento. agentes de inserção.2.out/2008 25 02RGR71.

5. Articulação interinstitucional • captar oportunidades de trabalho por meio da prestação de serviços.5. O estágio social possibilita inseridos. fundamentais para o êxito do projeto. Banco de dados possibilidade concreta da abertura de portas para o mercado de trabalho por meio do estágio social. Aos X vagas captadas X número de jovens encami- estudantes. destacam-se os significativos convênios • direcionar articulação para captação de vagas. • conceber estratégias de inserção e estímulo à • apresentar relatório mensal de empresas visita- elaboração de planos de negócio. • planejar visitas. perfil socioprofissional e foto digitalizada). É um período executoras. Monitoramento e contratos como jovens aprendizes. haven- empresas que assinaram o termo de adesão X do oportunidades concretas de efetivação após o empresas que contrataram jovens. 5. • apresentar relatório mensal de articulações institutos com foco no encaminhamento de jovens realizadas X jovens inseridos. permitindo integrar a teoria à prática. • elaborar contratos. Empreendedorismo juvenil • visitar as entidades executoras. 08:20 .7.out/2008 02RGR71. TECNOLOGIA SOCIAL DE INCLUSÃO DE JOVENS PELO TRABALHO: UMA ANÁLISE DA EXPERIÊNCIA DE UM CONSÓRCIO DE ONGS NO DESENVOLVIMENTO DE AÇÃO INTERSETORIAL COM EMPRESAS E GOVERNO • divulgar os resultados (jovens inseridos). término do contrato de estágio. indispensável para a sua qualificação como futuros • consolidar o mapa geral de inserção que será profissionais. intersetorial. abrangendo associações empresariais. • gerenciar o banco de dados dos jovens (com • produzir relatório semanal de empresas e insti.Nº 71 . • alimentar o banco de dados de empregadores. 24 . • realizar convênios e protocolos de parcerias.XI Semead 2008 . o CSJ inseriu 196 jovens por intermédio desta agentes X vagas captadas X número de jovens modalidade de ocupação. da Área de Mercado de Trabalho e Inclusão Social. além de vagas para estágio • acompanhar processos seletivos. de grandes e médias empresas que atuam no Ceará • dar suporte às operações de recrutamento e ao Consórcio. para o mercado de trabalho e governos estadual e municipal. das X vagas captadas X jovens inseridos. • promover articulação macro com instâncias Entre as importantes ações de articulação empre- públicas e grandes empresas. Um aspecto importante da inserção laboral de jovens em situação de pobreza e sem experiência é a 5. Estas ações oportunizaram vagas de quali- ficação técnica com experiência laboral e contratação 5. tuições visitadas. • consolidar produtividade da área de recruta- O estágio configura-se como um conjunto de mento e seleção: número de jovens inseridos atividades de caráter técnico. aos jovens o desenvolvimento de competências ad- • consolidar mapa de empresas visitadas x quiridas durante a qualificação profissional.Vol.8. mentos teóricos. • monitorar os jovens inseridos. social. jovens qualificados. Outro fator importante a ser considerado é o apoio • sistematizar o arquivamento de contratos. assinados pela Agir na perspectiva da colaboração • cumprir meta mensal de convênios de adesão. enviado ao Ministério do Trabalho e Emprego.6. O estágio tem por finalidade possibilitar ao aluno 26 Gestão & Regionalidade . fruto do empenho dos agentes • monitorar o desempenho de inserção das de inserção e da ação estratégica da Coordenação entidades executoras. • assessorar as entidades executoras que traba- • promover campanha de responsabilidade lham com empreendedorismo. proporciona a aplicação dos conheci- nhados.p65 26 12/2/2009. Em • consolidar relatórios de visitas mensais por 2006.edição especial . endidas. social. por intermédio da inserção laboral dos seleção. por meio da vivência em situações • consolidar mapa de inserção das entidades reais do exercício de uma profissão. social e cultural. • articular crédito e acesso ao mercado.

abrangência.497. As seguintes atividades foram realizadas pela de 20 de dezembro de 1996). por meio da inserção de jovens no mundo do tra- balho. • articulação para obtenção de crédito e acesso vimento humano. o jovem ganha confiança em durante seu funcionamento no CSJ-2006. b) capacitação/nível motivacional dos agentes e são 587 jovens sem experiência. parceria mais próxima com os nomia solidária). Coordenação de Empreendedorismo Juvenil da Agir: • reuniões com as entidades executoras para O estágio social é. teira assinada. Lei nºo 8. Silvia Pires Bastos Costa e Francisco Antônio Barbosa Vidal conhecer a disciplina do trabalho coletivo em direção a inserção laboral de jovens. na perspectiva social e do desenvol. descobrindo a admiração. 136 jovens conseguiram inserção projetos. • visitas às entidades e suporte aos grupos pro- tos.859. Um crescimento significativo de inserção dos jovens egressos do CSJ 2006 aconteceu na modali. laboral mediante o trabalho por conta própria.p65 27 12/2/2009. jovens. Somando-se à modalidade de estágio. levando-o a assumir a responsabilidade por fazer com que as coisas aconteçam. pensando em tudo o que deveria fazer. preparando-se para os desafios comprovações e exigibilidades na área da FAGR.edição especial . discrimi- si mesmo e conquista a confiabilidade dos colegas. de 21/01/2004. Ações: dade emprego formal: foram 294 aprendizes e 95 a) prospecção. uma oportu- transferência de conhecimentos sobre empreen- nidade de desenvolver a sua responsabilidade social dedorismo juvenil. propicia ao jovem experimentação ao mercado. acesso a mercado. alimentação. eco. prática. de 06/09/1993. dades das relações do mercado de trabalho. surfwear. A formação de cooperativas e a constitui- 89. contato com o mercado de trabalho formal. Gestão & Regionalidade .out/2008 27 02RGR71. em conjunto A Agir apresentou as seguintes áreas processuais. 1994. Decreto nº piscicultura. É também uma forma de recrutar jovens talen. tendo em vista a I – Mercado e parcerias construção social de seu desempenho profissional. Há a convergência de habilidades. totalizando 389 jovens com car. nadas nos itens abaixo. do futuro. para a empresa. Assim.Nº 71 . a organização cria e mantém um espírito de reno. • realização de seminários estruturantes. Além disso. de 09/09/1985. O estágio. de 23/03/ modalidade de inserção em relação ao ano anterior. suportes estruturantes (crédito. 24 . Na mo. serigrafia. tendo o seu primeiro das operadoras de telemarketing. agricultura e Decreto nº 87.467. A atividade permite que a organização antecipe dutivos. c) conhecimento dos agentes sobre perfil dos dalidade FAGR (formas alternativas de geração de cursos/jovens: captação direcionada ou de trabalho e renda: empreendedorismo informal. Foco: abrangência de empresas/instituições. produção cultural. para a sua a um objetivo comum.XI Semead 2008 . documentos legais: Lei nº 6. com os outros. mas exigem. • consultoria aos grupos produtivos formados por vação e oxigenação de seus recursos humanos. e Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (Lei nº 9. Decreto nº 914.494. estratégias de captação de vagas tivas de geração de renda são caminhos efetivos para pela Internet/ integração de parceiros. marcenaria.Vol. banco de dados/cadastro de em- empregos formais. a preparação e a formação de um quadro qualificado • envio de manual de orientações e checklist de de recursos humanos. Ofício Circular SRT nº 11/ ção formal de grupos associativos de produção 85. Resolução CNE/CEB. de 18/08/1982. presas e instituições e agenda de captação. conhecimentos e procedimentos metodológicos. as grandezas e as adversi. d) articulação com o mercado/ capilaridade e O empreendedorismo juvenil e as formas alterna. um aparato sistêmico de políticas públicas e por que. sustentabilidade). de 07/12/1977. as seguintes ocupações delinea- grama de estágio para estudantes de escola pública ram a inserção laboral na modalidade FAGR: costura do Ensino Médio está fundamentado nos seguintes e customização de roupas. compostos por jovens foi um avanço observado nesta Medida Provisória de 1998. de 21/03/1984. com a concessão do estágio.394. oportunidades. O pro- No ano de 2006. 08:20 . observando o que é feito e eficácia.

Juvenil. 24 . d) filtro de empresas que adotam práticas antiéticas. trabalho. d) realização de agenda propositiva. nomo. cutoras Documentos: Foco: impulsionar captação de vagas. Ações: Documentos: a) integração entre políticas/ articulação com o • manual de inserção/plano de inserção. • kit de divulgação. número de empresas visitadas. g) central de serviços/ locação em rede. c) reunião de planejamento. habilidades e capital intelectual.edição especial . 28 Gestão & Regionalidade . jovens inseridos. • carta de solicitação de parcerias.Nº 71 . CTA (Centro do Trabalhador Autônomo) do Sine1. j) acompanhamento dos jovens inseridos. agregando valor. jovem/ mapa de talentos. • mapa de acompanhamento dos jovens inseridos. recrutamento e seleção b) captação de oportunidades para trabalho autô- Foco: atuação em rede. processos de R&S. monitoramento de jovens inseridos/relacio. d) realização de Seminário de Empreendedorismo namento com parceiros. b) capacitação dos agentes. c) implantação de um sistema de recrutamento e seleção em rede com as ONGs executoras. TECNOLOGIA SOCIAL DE INCLUSÃO DE JOVENS PELO TRABALHO: UMA ANÁLISE DA EXPERIÊNCIA DE UM CONSÓRCIO DE ONGS NO DESENVOLVIMENTO DE AÇÃO INTERSETORIAL COM EMPRESAS E GOVERNO e) avaliação mensal de desempenho. no sentido de aportarem • termo de adesão e/ou associação.XI Semead 2008 . vagas captadas. III – Banco de dados. bem como aporte de técnicas de plano de negócio.Vol. g) integração dos processos de R&S do Consórcio • mapa de visitas. 08:20 . eficiência. e) reuniões mensais de acompanhamento. b) empoderamento juvenil por meio das OPs e) definição de comprovação de inserção. Ações: • ficha de desenvolvimento socioprofissional do a) seminário introdutório. mento e seleção de talentos juvenis. adesões realiza. II – Articulação em rede com as ONGs exe. tecnologias de empoderamento juvenil e desenvolverem simulações preparatórias para • ficha de abertura de vaga. Documentos: f) orientação às ONGs. IV – Empreendedorismo juvenil f) consultoria.out/2008 02RGR71. • termos de parceria. empreendimentos juvenis individuais e/ou Ações: coletivos. h) desenvolvimento de tecnologia de recruta- das. (oficinas de orientação profissional)/ entrega f) consultoria de grupo com os jovens partici- de cartilhas de orientação para o mercado de pantes de projetos de empreendedorismo. acesso a mercado e a crédito para capilaridade. 1 Sistema Nacional de Empregos. • mapa de processos seletivos (eficiência e eficácia). Foco: captar oportunidades em curto prazo.p65 28 12/2/2009. qualidade. i) adoção de práticas de excelência no relacio- • modelos de convênio. • ficha de abertura de vaga. transferindo competências. g) agenda de visitas em parceria. em rede com as ONGs aos processos de seleção • relatório mensal de desempenho dos agentes: das empresas/instituições que ofertam vagas. a) formação de multiplicadores em R&S nas ONGs c) consultoria às ONGs executoras/pré-incubação/ executoras. e) banco de talentos juvenis. namento com empresas.

CONSIDERAÇÕES FINAIS • relatório de desempenho mensal dos projetos. em 2006. são social: o jovem a ser inserido. egressos do CSJ e estabelecerem parcerias foi a reali. e anúncio dos Embaixadores da Juventude O engajamento da família e a interface com ou- 2006. empresas e instituições sociais. em virtude do perfil ao MTE. acompanhamento e articulação de políti- presas e da sociedade civil. é um instrumento Cada empresário foi homenageado por ter inserido essencial para tratar o processo de inserção dos cinco ou mais jovens no mercado de trabalho cea. O factível em virtude da capacidade de ampliar e evento contou com a participação de mais de consolidar uma rede de relacionamento com 500 convidados. Os principais eventos realizados pela Agir. particu- para incentivar as empresas a contratarem jovens larmente aqueles dirigidos aos jovens.Vol. 24 . foram os A inserção no mercado de trabalho. cons- aprendizagem. responsabilidade social e participaram do programa.Nº 71 . de trabalho dos jovens atendidos pelo Consórcio Gestão & Regionalidade . com foco em ações intersetoriais. É fun- • realização do Seminário de Inserção para as damental para a inserção dos jovens no mercado ONGs executoras. Foram empresas que. ou seja. A definição de um aos empresários e gestores que acreditaram na plano de desenvolvimento pessoal e profissional. de em- logo. desenvolver uma visão de futuro. tiveram A principal estratégia de inserção no mercado visão e aderiram à responsabilidade social. ampliando assim a • promoção da II Reunião do Conselho Consultivo chance real de superação da miséria e pobreza. portadores de deficiências. particular- seguintes: mente para os jovens em situação de vulnerabilidade social. em virtude • realização do Seminário sobre Recrutamento e de sua particularidade social. com a participação das entidades a participar de outros projetos governamentais executoras. negros e indígenas). do CSJ e do certificado Empresa Cidadã a 230 • articulação em rede: a inserção torna-se empresas que inseriram até quatro jovens.edição especial . promoção do emprego é uma das tarefas principais • instrumentais: comprovações das FAGR junto do Consórcio Social da Juventude. ou não de inclusão social. orientado por profissionais. rense. em congressos/eventos locais. jovens como uma perspectiva libertária. exigiu a adoção dos seguintes princípios me- • participação.p65 29 12/2/2009. 08:20 . a O Troféu Visão Social é o reconhecimento público formular um projeto de vida. • indução ao desenvolvimento pessoal e zação da segunda edição do Troféu Visão Social e a profissional: o jovem precisa ser estimulado a nominação dos Embaixadores da Juventude. dos jovens atendidos (egressos do sistema penal. de trabalho. jovens em cumprimento de medidas socioeducativas. assim como uma política integrada de diversos programas e pro- Uma estratégia utilizada pelo CSJ 2006/Cimt/Agir jetos de geração de trabalho e renda. deve ser estimulado Seleção. tros programas de transferência de renda é im- • solenidade de entrega do Troféu Visão Social a portante neste processo de elevação da auto- 36 empresas que inseriram mais de cinco jovens estima e cidadania. Pensar e implementar uma política seletiva de • quadro de captação de oportunidades. cas públicas de elevação de escolaridade. • realização de curso de formação de agentes de • complementaridade com projetos de inclu- inserção. possibilitando momentos de diá- tituído por representantes do governo.XI Semead 2008 . por meio de stand e palestras sobre todológicos: trabalho juvenil. Silvia Pires Bastos Costa e Francisco Antônio Barbosa Vidal Documentos: 6.out/2008 29 02RGR71. cientes de seu papel para a melhoria da qualidade de vida da sociedade. • favorecimento à elevação da escolaridade: • realização da Reunião do Conselho Consultivo estimular o jovem a investir no seu processo de do Consórcio Social da Juventude de 2006.

DRUCKER. São Paulo: Hucitec-Abrasco. globalização.p65 30 12/2/2009. realidade baiana. 2002. de hoje. TRAÇÃO – ENANPAD. ONGs Latino-americanas ______. Vanessa & FISHER. Ciências clínicas e organizações sociais – sentido e crise dos sentidos. Eva Maria & MARCONI. Hilton. Anais. Vanessa. 2003. Teresa Maria Frota. 2003. Marina de Andrade. 1995. n. métodos. Gestão do terceiro MINAYO. São Paulo: Letras e Letras. nizações e gestão do desenvolvimento socioter- H AGUETTE . Dissertação (Mestrado em Admi- nistração) – Faculdade de Administração da Uni- JAPIASSU.) sociais – paradigmas clássicos e contemporâneos. Terceiro setor e Revista de Administração Pública. São Paulo: Gente.Nº 71 . (Agência de Inserção em Rede). Interorga- São Paulo: Loyola.Vol. Jair. 1999. 2002. A experiência de uma tecnologia social de inclusão de constituição dos agentes de inserção e de articulação jovens em situação de pobreza no mercado de tra- de parcerias fortaleceu a identificação e a captação balho através de articulações intersetoriais.. o desenvolvimento social com cidadania. nhecimento: pesquisa qualitativa em saúde. Diversidades e confluências no campo do terceiro setor: um estudo de organizações FISHER. 33. Rose Marie. Ciências Sociais: a pesquisa qualitativa em edu- cação. São Paulo: Futura. 2004. São Paulo: TRIVIÑOS. 1997. psicologia. LÉVY. Cidadania sem fronteiras: ações coletivas na era da LAKATOS. São Paulo: Atlas.edição especial . Salvador: UFBA. GOHN.out/2008 02RGR71. São Paulo: Letras e Letras. Porto Alegre: Bookman.. Metodologias ritorial: um estudo de organizações da sociedade qualitativas na Sociologia. Atibaia-São Paulo. setembro-outubro. Teorias dos movimentos Atibaia: Anpad. 1999. Terceiro Setor colaboram para a efetividade de polí- matizado de diálogo com o empresariado. In: XXVIII ENCONTRO NA- CIONAL DA ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE PÓS-GRADUAÇÃO E HUDSON. 2004. PATERNOSTRO MELO. O desafio do co- setor no Brasil.XI Semead 2008 . Estudo de caso: planejamento e Autêntica/Fumec. 2001. Rio de Janeiro: interorganizações: uma análise crítica a partir da FGV. civil em municípios baianos. Redes de compromisso social. Ilse. Curitiba- terceiro setor. 5. São Paulo: PATERNOSTRO MELO. Curitiba: Anpad. Petrópolis: Vozes. 1987. Vanessa.. 1995. 2001. 1985. 1994. Robert K. 30 Gestão & Regionalidade . Belo Horizonte: YIN. Paraná. São Paulo: Hucitec. criada pela entidade que sistematizou por intermédio da pesquisa-ação âncora para aportar conhecimento. FISHER. Mike. Administrando organizações do PESQUISA EM ADMINISTRAÇÃO – ENANPAD. André. 24 . S. In: XXVII ENCONTRO ANUAL DA ASSOCIAÇÃO práticas de responsabilidade social entre empresas NACIONAL DE PÓS-GRADUAÇÃO E PESQUISA EM ADMINIS- e terceiro setor. comprovando que a colaboração inter- mais produtiva e eficaz a colocação dos jovens setorial governo-ONGs-empresas é o caminho para qualificados. Introdução à epistemologia da versidade Federal da Bahia. tecnologia e institucional (diagnose e conexões) a memória e a articulações empresariais ao Consórcio Social. SCHERER -W ARREN . 2002. v. (CD-ROM. Augusto N. Ilse. (CD-ROM. REFERÊNCIAS CAMARGO. Administração de organizações sem fins lucrativos – princípios e práticas. Mariângela Franco. São Paulo: Makron Books. Fundamentos de metodologia científica. 08:20 . Tânia & SOARES Pioneira. tornando ticas públicas. PATERNOSTRO MELO. O desafio da colaboração: baianas. Esses agentes experiências de promoção humana capitaneadas pelo constituem-se num canal permanente e siste. Maria Cecília de Souza. Anais.) INOJOSA. Introdução à pesquisa em Atlas. Maria da Glória. que de vagas no mercado de trabalho.. 2001. Rosa Maria. Tânia. com o estudo de caso delineado. Peter F. In: SCHERER-WARREN. 1999. TECNOLOGIA SOCIAL DE INCLUSÃO DE JOVENS PELO TRABALHO: UMA ANÁLISE DA EXPERIÊNCIA DE UM CONSÓRCIO DE ONGS NO DESENVOLVIMENTO DE AÇÃO INTERSETORIAL COM EMPRESAS E GOVERNO Social consistiu em fortalecer e consolidar a Agir Observou-se. JÚNIOR. Um desafio à Filosofia: pensar-se nos dias construindo redes cidadãs. 1997.

Brasil. financeiras de capital aberto de cinco países – Ar- Brazil. The re- com intuito de mensurar o impacto dos sistemas de sults corroborate the strong impact of the financial financiamento sobre a estrutura de capital.Apto 302.edição especial . com data from the Economatica® system in the period dados retirados do sistema Economática® no período from 1996 to 2005.São Paulo-SP .Universidade Federal de Urbelândia Aprovado em: 15/10/2008 Pablo Rogers Professor na área de Finanças e Econometria da Faculdade de Gestão e Negócios da Universidade Federal de Uberlândia RESUMO ABSTRACT This article aims to investigate in a microeconomic Esse artigo tem como objetivo investigar. relating proxy va- erros padrão consistentes à heteroscedasticidade. in a macro- Unidos. it seeks to examine the effect of nômico.com ou veronica. profitability and risks involved on hipóteses da POT e da STT em relação à influência do the capital structure of companies in Latin America tamanho da empresa. Based on three variables of compreendido entre 1996 a 2005. riables independent from the attributes and a conforme White.p65 31 12/2/2009.br Pablo Rogers Rua Rondon Pacheco. financing. em nível level. os resultados obtidos corroboram o forte to the size of the company. and USA. Accordingly. no estudo. Em linhas systems. ap. on the e pela Static Tradeoff Theory (STT). busca-se analisar o efeito dos sistemas financial systems on the capital structure of com- financeiros sobre a estrutura de capital das empresas.silva@gvmail. Chile. relacionando variáreis proxies inde- dummy in order to measure the impact of the pendentes dos atributos investigados e uma dummy. 24 .ufu. Keywords: capital structure.e-mails: veronicafavato@yahoo. with gentina.br Gestão & Regionalidade . 74. 769 empresas não- from five countries were considered: Argentina. opportunities to grow. Concomitantemente. panies. México e Estados Unidos –.Nº 71 . 4. Latin América Latina. à tangibilidade dos ativos. with the standard errors according por meio dos Mínimos Quadrados Ordinários com to White´s heteroscedasticity. sugeridos pela Pecking Order Theory (POT) (POT) and the Static Tradeoff Theory (STT). and some cases of POT and STT related gerais. Bandeirantes . suggested by the Pecking Order Theory relevantes.out/2008 31 03RGR71. the influence of relevant theoretical attri- microeconômico. sobre a estrutura capital structure of companies in Latin America de capital das empresas na América Latina e nos Estados and the United States.CEP 368400-766 . a oportunidades de crescimento. Least Squares. impacto dos sistemas de financiamento. A partir de três debt models were estimated. through the Ordinary variáveis de endividamento. Endereços dos autores: Veronica Favato Rua Frei Caneca 348.315 . a influência de atributos teóricos butes. e algumas asset tangibility. em nível macroeco- economic level. Mexico and the United States.XI Semead 2008 . foram estimados modelos. Chile.Uberlândia-MG . America. 08:21 . 769 non-financial open capital companies Foram consideradas. à lucratividade e aos riscos envolvidos sobre a estrutura de capital das empresas na América Latina e nos EUA.e-mail: pablo@fagen.Vol. Palavras-chave: estrutura de capital. Veronica Favato e Pablo Rogers ESTRUTURA DE CAPITAL NA AMÉRICA LATINA E NOS ESTADOS UNIDOS: UMA ANÁLISE DE SEUS DETERMINANTES E EFEITO DOS SISTEMAS DE FINANCIAMENTO CAPITAL STRUCTURE IN LATIN AMERICA AND UNITED STATES:AN ANALYSIS OF ITS DETERMINANTS AND EFFECT OF FINANCIAL SYSTEMS Veronica Favato Recebido em: 07/07/2008 Mestre em Administração .Bloco D .CEP 01307-000 . financial systems on the capital structure. Conj. Consolação . financiamento.

crises de dívida e gado pela firma para financiar suas atividades. Ressalta-se. além do interesse meio da minimização do custo total do capital empre- crescente. aumentar o valor da firma econômica. Se o anos. Neste artigo. ele admitiu não ser necessariamen- te possível reduzir o custo do capital por meio de A maior parte dos trabalhos empíricos tem se mudanças nas proporções de capital próprio e de concentrado em países desenvolvidos. uma combinação ótima de capital de terceiros ficos. terceiros no passivo da empresa. capital mais apropriada a cada perfil de empresa. a abordagem produzida de capital na América Latina e nos Estados Unidos?. fronta-se o papel dos sistemas financeiros como Modigliani & Miller (1958 e 1959) contribuíram para determinantes da estrutura de capital em alguns paí. mantido constante o não pode estar desvinculada da questão macro. seja. (2) em nível macroeconômico – qual o impacto colhem sua estrutura de capital de acordo com deter. será possível. para cada modelo pelas empresas como forma de maximizar seu valor de financiamento. lucratividade e A próxima seção é dedicada à fundamentação riscos envolvidos. sejam no mer. Sob as hipóteses de um mercado perfeito 32 Gestão & Regionalidade . gado.out/2008 03RGR71. a questão cordarem com um método de precificação da empre- microeconômica dos fatores que definem as escolhas sa baseado em seu fluxo de caixa esperado. o papel dos governos quanto aos de mercado.p65 32 12/2/2009. e capital próprio pode ser obtida e deve ser buscada cado de capitais. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA empresa. Os países da mento. A relevância desses teórica por detrás do estudo.XI Semead 2008 . na seção cinco. onde são explicitados a amostra dos impactos que eles seriam capazes de exercer e os aspectos metodológicos utilizados.Nº 71 . Além do impacto destes determinantes em cada 2. Segundo ele. são abordados e analisados os resultados do ações ou de dívida. particularmente possibilidades. geraram Latina tenha sentido tais efeitos. ou de sistema financeiro a fim de promover o desenvol. ainda existem fatores indutores do endivi- damento. na Pecking Order Theory de estrutura de capital. oportunidades de crescimento do negócio. 08:21 . 24 . A maximização de valor opera-se por incentivos e às restrições de crédito. sejam eles baseados em crédito. INTRODUÇÃO América Latina são particularmente interessantes. Contrapondo-se ao modelo de Durand (1952). além de serem economias em desenvolvimento. entre outros. Assim. Pesquisas nos últimos 40 em um período de tempo relativamente curto. Assim. não haveria uma estudo.Vol. tangibilidade dos ativos. embate seguintes questões: (1) em nível microeconômico este travado principalmente entre o Modelo Tradi. Estrutura de capital é uma área extremamente atravessaram ambientes macroeconômicos diferentes controversa em finanças. são apontadas estrutura de capital ótima. em (1952) foi um dos pioneiros na investigação destas desenvolver o mercado de capitais. tais como ta.edição especial . Entretanto. – qual a influência dos determinantes de estrutura cional e o Modelo de MM. mas uma estrutura de conclusões do estudo. discute-se a tam- bém a estrutura de capital na América Latina e con. de capital de cada país? manho da empresa. A despeito da polêmica em torno da exis. Finalmente. em particular. do custo de oportunidade do capital empre- vimento econômico. inerentes à especificidade de cada país. Dessa forma. o artigo tem como objetivo responder às tência de uma estrutura ótima de capital. Durand globalização dos mercados financeiros. sobre a escolha do modelo mais eficiente por intermédio da redução da taxa de desconto. cional. o entendimento de questões relacionadas ao financia- ses da região e nos Estados Unidos. A metodologia é enfo- atributos sobre a decisão de financiamento deriva cada na seção três. no Modelo ambiente econômico é importante para as decisões de Modigliani & Miller (MM). pela POT e pela STT sugerem que as empresas es. perante privatizações. baseadas no Modelo Tradicional. se os investidores con- nos países em desenvolvimento. pois. trazido das empresas com relação à sua estrutura de capital a valor presente. ESTRUTURA DE CAPITAL NA AMÉRICA LATINA E NOS ESTADOS UNIDOS: UMA ANÁLISE DE SEUS DETERMINANTES E EFEITO DOS SISTEMAS DE FINANCIAMENTO 1. de diferentes sistemas financeiros sobre a estrutura minados atributos teóricos relevantes. poucas orientações sobre como escolher entre debt e equity. ainda. fluxo de caixa esperado. De acordo com o ponto de vista do Modelo Tradi- condicionados aos modelos de financiamento especí. Na seção sobre os custos e benefícios associados à emissão de quatro. nos Estados Unidos. é provável que a América (POT) e na Static Tradeoff Theory (STT).

e entre emissão de ações tendência de transferência de riqueza dos investidores (equity) e empréstimos (debt). tamanho da empresa sua direção. espera-se que ciação de produtos.edição especial . Esse problema poderia ser abordadas pela Pecking Order Theory (POT). Para a STT. Por essa teoria. A relutância em emitir novas deveriam financiar-se unicamente com recursos de ações deve-se. Como resultado. Isto é o oposto do que determina como resultado do confronto entre o custo e o bene- a POT. A subprecificação levaria ao subinvestimento. Assim. A STT e a POT divergem em seus preceitos básicos. a assi. tangibilidade dos ativos. ausência de crescimento dos fluxos longo prazo. o sinal esperado para essa variável níveis de endividamento. empresa. Estas escolhas são antigos para os novos. quanto maior for o grau investidores potenciais. Inicialmente. todas as combina- hierárquica de financiamento. havendo a dedução dos juros no im.Nº 71 .out/2008 33 03RGR71. Logo. a qual supõe que a empresa uma empresa: lucratividade. pôs duas correntes: a primeira. uma seqüência hierárquica de financiamento. pelo mercado. pela assimetria de informações. caso ocorresse a emissão de ações a preços metria de informações afeta as escolhas entre finan. devido à possibilidade de variáveis não explicaram as estruturas escolhidas. à sua subprecificação terceiros. como os lucros retidos. em que maiores lucros levam à diminuição do fício da dívida. Caso necessite de capital e ao mesmo valor. diferen. posto pago. Ele contra. maiores lucros levam a um maior endividamento. ao estabelecer sua informações e custos de agência). pois aumento do endividamento implicaria em aumento podem financiar seus novos projetos sem ter que se do benefício fiscal apurado. a seqüência seria da emissão Entretanto. Também foi constatado que é positivo para a STT. ou seja. assim. haveria uma ciamento externo e interno. Assim. chamada de Static quanto aos determinantes da estrutura de capital de Tradeoff Theory (STT). entre lucratividade e endividamento. ou seja. todas as empresas endividar ou emitir ações. maior o valor da empresa. pela qual toda empresa segue e riscos do negócio. inicial. desfavoráveis aos acionistas correntes.XI Semead 2008 . o tamanho situam-se na mesma faixa de risco. poucos ativos fixos teriam maiores problemas de Gestão & Regionalidade . e a POT. todas as empresas seguir recursos de longo prazo. 08:21 . Em seu artigo. composição dos ativos. Quanto à tangibilidade dos ativos.Vol. em relação aos administra- de endividamento. segmento industrial. Ape. de debêntures e títulos conversíveis (endividamento). que. não existiria uma estrutura de capital. contornado. Já para a POT. vários testes distribuídos. pela menor informação detida pelos em trabalho posterior. Assim. a POT prevê o contrário. empresas com empresas menores têm maior dificuldade em con. na prática. a empresa segue uma seqüência estrutura de capital ótima. o valor de mercado de uma empresa antes de optar pela emissão de ações. tamanho e empresas com ativos mais tangíveis apresentem maior volatilidade dos lucros (risco). as cresceria à medida que ela se endividasse. de caixa nas empresas. uma vez Adicionalmente. a empre- ções possíveis entre dívida e capital próprio levariam sa daria preferência ao financiamento interno. tais como lucratividade. e. tal meta seria estabelecida tíveis do imposto. coloca-se que. Veronica Favato e Pablo Rogers (ausência de custos de falência. já que o empresas mais lucrativas são menos endividadas. já que esses lucros. ausência de tribu. benefícios fiscais. enquanto que Titman & Wessels (1988) testaram diversas variáveis. financiamento externo. devido ao benefício dos juros dedu- Na abordagem de STT. definiu a escolha entre endividamento de curto e tação pessoal. Modigliani & Miller (1963) reconheceram. oportunidades de crescimento. as nível de endividamento. por meio a empresa ao mesmo custo médio ponderado de da utilização de lucros retidos. estes ativos serem utilizados como garantia para nas lucratividade e diferenciação explicaram baixos empréstimos. caso não sejam poria ao benefício fiscal.p65 33 12/2/2009. principalmente. internamente. Myers (1984) tentou identificar o que leva as empre- sas a estabelecer sua estrutura de capital. se tornam a melhor fonte de geração foram realizados. portanto. na tentativa de se encontrarem pos- de recursos. caso a empresa utilizasse recursos gerados mente mencionada por Myers (1984). onde o custo de falência se contra- endividamento. 24 . maior a economia de imposto de dores. possui uma meta de endividamento e caminha em oportunidades de crescimento. a STT prevê uma relação positiva síveis determinantes da meta de endividamento. sobre os fluxos esperados pelos ativos da renda. ausência de assimetria de Já na abordagem de POT. que.

cada país. quanto maior a empresa. este crescimento requer inves. vimento dos mercados financeiros e fatores espe- Já para a POT. timentos que normalmente são feitos com contração Entretanto.XI Semead 2008 . as oportunidades de cres- específicos de cada firma. devido às suas maiores darem mais. entre as escolhas de estrutura de capital da firma res são mais diversificadas. uma vez que Myers (1984). Scott & Martin (1975) Myers (1984) Oportunidade Kayo & Fama (1997). a assimetria de informações possível com a subprecificação das mesmas. que conseguem emitir ações a Quanto ao risco. Para a inerentes ao negócio. 08:21 . Assim. a tornariam mais propensas à contração de dívidas. nível de desenvol- tamanho da empresa e seu nível de endividamento. Soares & Procianoy (2000) Titman & Wessels (1988). devido aos custos de falência comprometer o crescimento futuro esperado. maior a possibilidade de se endividar. Donaldson Lucratividade Positiva Marsh (1982) Negativa (1961). Eles compararam a relação menor é a probabilidade de falência.Vol. 24 . Já em. é negativa. segundo a STT. Long & Malitz Negativa Myers (1984) (1983). as Sobre as oportunidades de crescimento.out/2008 03RGR71. Rajan & Zingales (1995) Drobetz & Fix (2003). Leal (1999). Bradley. Brealey & Myers (2000).edição especial . Gomes & Negativa (2003). poderiam ter uma relação posi- capital. com melhor reputação e com o desenvolvimento do mercado financeiro em menores custos de assimetria de informações. Entretanto. Para relação esperada pela STT é negativa. Demirgüç-Kunt & Maksimovic (1996) explora- tiva ou negativa com o nível de endividamento. a STT define que. ESTRUTURA DE CAPITAL NA AMÉRICA LATINA E NOS ESTADOS UNIDOS: UMA ANÁLISE DE SEUS DETERMINANTES E EFEITO DOS SISTEMAS DE FINANCIAMENTO assimetria de informações. a estrutura de capital é influenciada to. Entretanto. quanto maior dos mercados financeiros sobre as escolhas de a empresa. Assim.p65 34 12/2/2009. McConell & ou Brealey & Myers (2000) crescimento Servaes (1990) negativa Tangibilidade Positiva Lumby (1991). já que a emissão de ações somente seria instalações. influenciam a estrutura de cimento. pois financiamento das firmas. e portanto. ram empiricamente os efeitos do desenvolvimento Sobre o tamanho. Gomes & Positiva de Negativa Leal (1999). não só fatores microeconômicos. mais sujeita cíficos a cada firma. há uma relação. Rajan Frank & Goyal Tamanho Positiva & Zingales (1995). Myers & Majluf (1984). propensas a dificuldades financeiras. empresas que apresentam menor preços justos. Donaldson (1961). Empresas maio. Williamson (1981) 34 Gestão & Regionalidade . positiva entre o por fatores macroeconômicos. mento tenderiam a manter um nível de endivida. mais barato o custo do endividamento. segundo a POT. levando-as a se endivi. Quadro 1: Relação entre o endividamento e os determinantes de estrutura de capital segundo a Pecking Order Theory (POT) e a Static Tradeoff Theory (STT) Teoria STT POT Variável Relação Autores Relação Autores Myers (1984). não necessitando recorrer à emissão volatilidade em seus resultados deveriam ser menos de dívidas para financiar seus investimentos. induzindo-as a obter presas com elevados valores nesta variável são maior endividamento. o que tornaria a relação esperada. de acordo com a STT e a POT. é menor para empresas maiores. Assim. firmas com maior risco tenderiam a níveis elevados de endividamento poderiam menores empréstimos. e apresenta algumas mento baixo para não prejudicarem sua capacidade evidências empíricas no Brasil e no mundo que a de crédito. para a POT. O Quadro 1 resume a relação POT. corrobora. geralmente maiores. de novas dívidas. Thies & Klock Negativa Harris & Haviv (1991) (1992). firmas com grandes oportunidades de cresci. Portan. de cada uma dessas variáveis com a estrutura de capital. aos efeitos de seleção adversa.Nº 71 . Risco Negativa Jarrel e Kim (1984).

IRELAND & HOSKISSON.XI Semead 2008 . uma vez que os benefícios e custos do Para Petrelli (1996). a experiência asiática mostra que a intervenção do e monitoramento dos administradores em uma governo na alocação de crédito pode ser impulsionadora situação de dificuldade financeira da empresa. 2001). em que a atuação do governo é bastante limitada. 1993). os credores ten. em promover o desenvolvimento do mercado acionário. e seus mercados acionários e prazo e dos mercados de capitais. ou seja. 1970). crescimento econômico. uma vez que o sistema bancário não mantém bem mais concentrada do que nos Estados Unidos e relação de prazo mais longo com as firmas e não atua no no Reino Unido (LOPEZ-DE-SILANES. as muitos casos. aumentar o grau de controle ele. desde os anos 1980. Por intermédio dos empréstimos de curto tem caráter incipiente. Nesse modelo. o o mercado acionário. Os bancos desem. têm crescido o maior montante de dívidas desenvolve uma relação mercado acionário. 08:21 . A Coréia. e favorecer determinado setor ou insustentável destaca o papel vital dos governos no empresas individuais. ao fundir várias formas de O segundo é baseado em crédito. não se pode dizer havendo uma separação entre propriedade e gestão. crédito e na promoção das exportações. quando se analisa a capa- financiamento são dados pelo mercado. o investidor trabalha com um horizonte instabilidade financeira. a estrutura de financiamento da empresa. O mação de barganhas sociais. sendo “global”. instituições financeiras administram portfolios se Entretanto. penham um papel importante no financiamento e no O governo também age no sentido de impulsionar monitoramento das grandes empresas. 2002).out/2008 35 03RGR71. as tendências à desregulamentação denominados de keiretsu. As finanças cumprem Segundo Zonenschain (1998). Nesse ponto. Este modelo está pre- primeiro é baseado no mercado de capitais. os bancos e as modelos de financiamento são baseados em crédito. Mayer (1990) denominou esse modelo fontes via equity (SINGH. caracterizado por maior concentração da propriedade e uma baixa grande intervenção governamental na alocação do liquidez do mercado de capitais. a “avaliação dos prós e Gestão & Regionalidade . Visando ao retorno na forma mover o mercado de capitais. onde ocorre atingiu um crescimento “milagroso”. sendo um grupo econômico e à globalização explicariam o empenho dos governos associativo (HITT. a procura das empresas públicas por internas aos grandes conglomerados japoneses. em sente na Alemanha. elaborando três modelos de sistema financeiro. Para CHMAN. nos países em desenvolvimento. ou fuga de das instituições de crédito do Estado e a tentativa de capitais rápida para investimentos de maior retorno evitar dívidas externas levam estes países a buscar (HIRSCHMAN. É um do processo de industrialização. Taxas de juros altas.edição especial . industriais e manufatureiros através do crédito. A crise da dívida. mercado de capitais. desenvolvendo o mercado secundário de de suas fontes externas de financiamento. de um determinado país capitalista. onde a estrutura patrimonial é equity. que pode intervir por meio de políticas de concessão de crédito ou A visão de Zonenschain (1998) sobre crescimento benefícios fiscais. 1970). Baseado no mercado de capitais ou em crédito? presas através dos mercados.Nº 71 . É preciso considerar o conjunto da estrutura finan- ceira. podendo fixar preços e influenciar as em. capazes de impulsionar setores dem a reagir procurando a alternativa de voice (HIRS. o caráter pouco desenvolvido de curto prazo. por exemplo. as relações com os bancos acabam sendo privatizações. capitais privados. além que apenas os bancos detêm uma posição funda- de uma grande pressão dos mercados de capitais sobre a mental na determinação do crescimento econômico. favorável à atuação do governo.p65 35 12/2/2009. Veronica Favato e Pablo Rogers Zysman (1983) associou as escolhas de estrutura de um papel importante e as instituições financeiras ope- capital das firmas aos sistemas de financiamento de cada ram como aliadas do governo como base para for- país. que é o lugar central de alavancagem Na América Latina. permite-se o seguinte questionamento: tendo as instituições financeiras grande poder de qual modelo de financiamento seria mais adequado? mercado. Em às políticas governamentais. Este modelo é cidade de resposta da estrutura de financiamento baseado em uma estrutura de propriedade diluída. O argumento de Singh (1993) é banco que possui a maior participação acionária e o que. de contexto riqueza que ultrapassam os limites nacionais.Vol. 24 . como “anglo-saxão”. modelo comum na França e no Japão. que permite um mecanismo de exit. a crise capitais. a de dividendos. administração das empresas. ou seja. O terceiro modelo também é baseado em crédito. há uma tentativa dos governos em pro- relacionando com empresas. relacionado próxima com a alta administração da empresa. No Japão.

conside- rando sua posição no final do ano. Especificamente em relação à variável risco. Utilizaram-se dados do período compreendido entre 1996 a 2005. para efeito de homoge- 36 Gestão & Regionalidade . 1. Variável Descrição Conceitual 3. México e Estados Unidos. Inicialmente. proxies de endividamento. seguindo o modelo baseado em crédito. tanto. Na medida em que se foram construindo as variáveis proxies da pesquisa. As variáveis foram construídas por ano. neidade de moedas entre os diferentes países. de forma a obter dados cross-section no período 1996-2005. fez com que ficassem apenas 769 empresas. assim. principalmente aquelas para a construção da proxy de risco. seis. 59 no México e 434 nos Estados Unidos. 87 no Chile.p65 36 12/2/2009. Entre- de capital resumem-se nas equações 1 a 3. Nestes países. Chile. no mínimo.out/2008 03RGR71. METODOLOGIA Foram consideradas.Vol. 08:21 . e com isso promoveu-se um cresci- para análise dos atributos influenciadores da estrutura mento tecnológico e socioeconômico rápido.XI Semead 2008 . Desse modo. contou com 35 empresas localizadas na Argentina. foram construídos três mo- resultou em taxas de crescimento econômico elevadas delos. empresas de capital aberto não-financeiras de cinco países: Argentina. foram consideradas 1. notou-se que muitas informações não estavam disponíveis. O principalmente porque o desempenho dos países que Quadro 2 resume as variáveis consideradas na pesquisa. A amostra final. no estudo. Brasil.283 empresas. Todas as informações foram extraídas dos balanços patrimo- niais. ESTRUTURA DE CAPITAL NA AMÉRICA LATINA E NOS ESTADOS UNIDOS: UMA ANÁLISE DE SEUS DETERMINANTES E EFEITO DOS SISTEMAS DE FINANCIAMENTO contras dos dois modelos não chega a ser conclusiva. as empresas desses países foram excluídas posteriormente por menor volume de dados.844 empresas. adotam cada um dos modelos não é uniforme ao longo Depois de obtidas as variáveis da pesquisa para cada do tempo”. procedeu-se às médias do período Asiático. os modelos finais a serem estimados por muitos anos. restando. o excesso de crédito também levou à instabilidade financeira. demonstrações do resultado e demonstração de origem e aplicação dos recursos apresentados pelas empresas no encerramento do exercício. o que fez com Quadro 2: Resumo das variáveis da pesquisa que o próprio modelo fosse contestado. Os valores foram considerados em dólar. Um exemplo é o caso dos países do Leste empresa i no ano t. dos dez anos estu- dados. resultando em uma crise. Depois de construídas as variáveis para.Nº 71 . selecionada de acordo com a dispo- nibilidade de informações no banco de dados utilizado. Também foram excluídas da análise empresas que não possuíam mais de quatro dados (anos) du- rante o período considerado. O ano de 1995 foi excluído da análise por menor volu- me de dados no Economática®.edição especial . incluindo a Colômbia e a Venezuela. o excesso de alavancagem para serem usadas nos modelos. 24 . entretanto. foram necessários dados trimestrais para sua construção. no final. o que. retirou-se a média dos valores. 154 empresas brasileiras. Como existem três financeira.

Como exemplo.18 0.11 0.54 4.06 0.48 1. fez-se uso simultaneamente dos softwares que.52 1. procuram evidenciar algumas estatísticas o caso da Argentina: uma única empresa retirada baixou descritivas das variáveis em análise.87 END2 0.91 0.53 0.33 0.11 0.40 0.38 0.22 5.20 0.10 TAM 12.edição especial .19 1.02 LUCRAT 0.12 0.25 0.11 0.12 0.20 1.18 0.02 0.17 0.20 1.69 0.48 0.22 RISCO 0.78 1.04 0.14 END2 0.26 1.20 0. 08:21 .43 0.52 15.69 13.03 LUCRAT 0.10 0.28 0.33 0.18 0.62 0.25 1.43 0.39 1.22 para 1. nas últimas.63 0.24 0.84 6.19 0.13 0.50 0.Nº 71 . nessa seção.50 0.41 0.33 14.46 1.0. no consideravelmente a amostra.86 3.73 12. 24 .03 0. Na da Tabela 1 para a Tabela 2 e da Tabela 4 para a 5.02 0.07 0.07 TAM 12. As tabelas dessa a média da variável END1 de 2.42 0.03 0.35 END3 0.68 0.53 0.03 0.88 2.23 0.43 1.12 0.51 0.21 RISCO 0.49 0.04 0.06 0.11 0.11 0.07 0.87 OPCRESC 1.21 TANG 0.02 0.02 0.71 265.72 1.73 12.03 0.30 2.03 0.01 0.17 1.85 2.07 0.86 1.3.35 0.27 1.06 1.04 0.12 0.Vol.23 0.04 0.49 0.19 0.31 0.03 0.out/2008 37 03RGR71. A diferença revisão da literatura e resumidos no Quadro 1.02 0.54 73. depois de retiradas as médias das variáveis no período. é análise.18 0.XI Semead 2008 .18 0. outliers.54 15.33 0.03 0.43 0.43 0.11 0.18 0.64 13.26 0.48 0.12 2. e o desvio Tabela 1: Média e desvio padrão das variáveis do estudo por países (c/ outliers) PAÍS (N) Argentina (35) Brasil (154) Chile (87) México (59) EUA (434) Total (769) Média Desvio Média Desvio Média Desvio Média Desvio Média Desvio Média Desvio padrão padrão padrão padrão padrão padrão END1 2. e as Tabelas 4 e 5.42 14.02 0.88 0.38 0.64 1.90 OPCRESC 1.51 0.06 0.74 0.11 0.42 0.53 0.44 0.23 Gestão & Regionalidade .34 1.38 0.01 1.07 0.p65 37 12/2/2009.67 0. cita-se apêndice. são apresentadas as estatísticas sem Eviews 5.07 0. Procedeu-se.13 0.41 0.96 END3 0. máximo e mínimo.44 0.49 0.72 1.19 0.10 7.23 0.42 0.53 0.07 1.36 2. à padronização pelo z-escore.26 9.01 0. conforme White.11 0.46 35.70 12.17 0.10 1.38 1. RESULTADOS foram encontradas 29 empresas discrepantes (acima de 3 e abaixo de -3 z-escore).20 0.42 0.18 0.03 1.60 TANG 0. entretanto esperados de cada coeficiente βk ão discutidos na agregadas para a América Latina e os EUA.09 0.01 1.03 0.34 0.03 0.51 2.03 0.22 1.97 1. e 4. que estavam afetando As Tabelas 1 e 2.63 13.0 e SPSS 13.72 1.69 1.45 0.09 0. Os sinais estatísticas de mediana.85 11.01 0.41 0.28 1.20 0. Veronica Favato e Pablo Rogers Os três modelos foram estimados por Mínimos seção mostram as médias e os desvios padrão das Quadrados Ordinários (MQO) com erros consistentes variáveis por países.31 0.23 Tabela 2: Média e desvio padrão das variáveis do estudo por países (s/ outliers) PAÍS (N) Argentina (34) Brasil (147) Chile (86) México (56) EUA (417) Total (740) Média Desvio Média Desvio Média Desvio Média Desvio Média Desvio Média Desvio padrão padrão padrão padrão padrão padrão END1 1.02 0.20 1. e as do apêndice acrescentam as à heteroscedasticidade.70 0.

respectivamente para o MOD1. esse fato parece não ser dos modelos: estatística F de significância conjunta problemático. Esse achado também foi corroborado END1 dos EUA é ligeiramente maior que da América por Titman & Wessels (1988). que influência dos outliers. em todos os modelos. Além das variáveis dummy SETOR. seguidos por Chile. maior a possibi- possuem maior risco. devido aos custos de falência inerentes de endividamento. torna-se comparável ao EUA. O teste Wald da hipótese de que.p65 38 12/2/2009. amplitude menor. lucratividade. endividamento corrobora as hipóteses tanto da STT xico/Argentina e Brasil. em relação às endividamento. Sobre a primeira variável. pois. as variáveis dummy de controle é o país com maior índice de endividamento. 2000: 334). Inicialmente. mais afetadas com as informações discrepantes foram MOD2 e MOD3). À primeira vista. em relação à conjunto. o tamanho relação à segunda o México. 2 e 3. ESTRUTURA DE CAPITAL NA AMÉRICA LATINA E NOS ESTADOS UNIDOS: UMA ANÁLISE DE SEUS DETERMINANTES E EFEITO DOS SISTEMAS DE FINANCIAMENTO padrão de 5. END1 e OPCRESC: sendo em relação à primeira a Apesar de o teste K-S rejeitar a hipótese de norma- Argentina e o Brasil os países mais afetados. Esse achado corrobora a hipótese da médias e medianas. pois menor a probabilidade nidades de crescimento e menor tangibilidade. de uma forma geral. Devido à significativa no teorema do limite central. que o Brasil Como esperado.Vol. em relação as variáveis empréstimos. seguido SETOR mostraram-se significativas. Segundo essas teorias. mento. indica-se que a variável TAM possui colinearidade alta ticas de equação global. Segundo a STT. Analisando-se as estatís. as variáveis dummy SETOR são iguais à zero variável END3. e em lidade dos resíduos nos MOD1 e MOD2. sendo que. Jarrel & Kim Latina. principalmente devido ceiras. entretanto. Desse modo. considera a variável END3. saltam participação de terceiros: em relação a essa variável. apresentou alto valor para o fator inflação da variância mado como 743 empresas. em todos os modelos.edição especial .86 para 2. nota-se que. dado ser uma amostra cross-section. empresas maiores são A Tabela 3 apresenta os modelos estimados a mais diversificadas. as significâncias os EUA fica abaixo somente do Brasil. identifica-se. A análise dos cativa (1%) e o R2 ajustado valores altos (55. (b) as médias da variável END2 e A variável TAM. foram con. Nos EUA. a relação negativa encontrada com as variáveis de nor índice de endividamento. Bradley. tamanho. os EUA apresentam o me.6% e 51. devem ser menos propensas a dificuldades finan- presas no período em análise. mais propensas à contração de Quando se comparam apenas a América Latina e dívidas: firmas com maior risco tendem a menores os EUA (Tabela 5). apresentou- END3 da América Latina são maiores do que dos EUA. com 748. que as empresas norte-americanas STT de que. 08:21 . Por simplificação. oportu- lidade de se endividar. coeficientes padronizados (DFBeta) dessa variável 38 Gestão & Regionalidade . erro padrão alto (GUJARATI. notou-se que havia algumas em. (a) a média e mediana da variável ao negócio. a cons- tante não se mostrou significativa. entretanto os EUA possuem desvio padrão e (1984) e Thies & Klock (1992).5%. portanto. As variáveis 20. o MOD1 foi esti. Mé. e o (VIF). o Chile é o país com menor coeficientes. Quando se das variáveis RISCO e TAM. de falência. aos olhos. custos de assimetria de informações.out/2008 03RGR71. Cabe ressaltar que essa meira estimação. ainda. quanto maior a empresa. empresas que te dos menores valores da variável END3 para o Chile apresentam menor volatilidade em seus resultados e os EUA são os altos valores de mercado das em. depois uma relação positiva entre o tamanho da empresa e de se analisarem os resíduos padronizados numa pri. por Argentina e México na América Latina. no MOD1. As médias das variáveis de endividamento da Tabela 2 evidenciam.Nº 71 . entretanto. em todos os modelos. portanto. superando o valor limite de 10. madas com uma constante. no índice de endividamento. houve o maior da amostra é assintoticamente grande para se firmar número de empresas outliers (17). o MOD2.2%. com 765 empresas. o que torna mais barato o custo do endivida- à melhor performance econômica desses países. há sideradas todas as 769 empresas. com melhor reputação e menores partir das equações 1. 24 . na Tabela 3 apresenta-se apenas o somatório dos nente latino-americano.XI Semead 2008 .20 (Tabelas 1 e 2). analisam-se descritivamente as apenas nos MOD2 e MOD3 as equações foram esti- variáveis de endividamento apenas das Tabelas 2 e 5. No conti. quanto da POT. variável. uma vez que a mesma não apresentou de todos os coeficientes mostrou-se muito signifi. seu nível de endividamento. se significativa e com relação positiva com o nível de Sobre as outras variáveis. A explicação mais contunden. e. conclui-se pelo bom ajuste com as demais. MOD3. foi a única que presas discrepantes. Apenas mostrou-se significativo em nível de 1% em todos em relação à variável END1 os EUA apresentam alta os modelos. Observa-se.

040.404 0.02 0.172* -0.00 0.68 1.11 0.50 0.440* – – 167.270 – MOD2 PAIS -0.02 0.40 0.80 TAM 12.32 -0.927 2.530 1. A coluna DFBeta apresenta os coeficientes padronizados das variáveis independentes.XI Semead 2008 .000 -0.03 0.68 END2 0.006 5.18 0.46 1.949 1.29 0.08 0.04 0.75 0.081 – MOD3 PAIS -0.026 -6.185 1.00 0. R2 = 0.228 1.18 0.79 9.03 0.001* – – 124.15 2.00 0.p65 39 12/2/2009.640* -0.03 8.30 END3 0. Tabela 4: Estatísticas descritivas das variáveis do estudo – EUA e América Latina (c/ outliers) América Latina (335) EUA (434) Total (769) Desvio Desvio Mediana Média Mediana padrão Máximo Mínimo Média Mediana padrão Máximo Mínimo Média padrão Desvio Máximo Mínimo END1 2.41 0.54 11.045 0.90 19.23 0.360 1.12 0.87 18.000* 0.99 1. Nota: em todos os modelos.42* OPCRESC 0.39 0.47 0.12 0. N representa o tamanho da amostra depois de ajustada pelos outliers.541 2.12 0.35 1.526*** -0.035* 0.44 0.004 3.638♣ – (constante) 0.76 9. VIF indica o fator inflação da variância (medida para detectar colinearidade entre as variáveis).35 0.71 17.90 0.49 -6.314 0.84 0.729 9.84 12.96 11.11 0.098 0.02 0.11 0.035 0.024 7.95 1.47 1.21 9.12 0.11 0.31 1.107 3.02 0.72 1.41 -0.92 0.35 0.34 -0.23 0.44 1.42 -1.31 0.21 0.10 0.843♣ – Significância: * 1%.92 1.91 0.41 0.887 4.522.03 14.006 3.42 19.02 14.30 0.03 0.06 0.00 0.157 Adj.113 0. Adj.36 -11.42 0.27 0.02 RISCO 0.02 RISCO 0.22 1.03 0.52 0.214*** -0.512 TAM 0.000* -0.000 -10.54 0.33 18.35 0. **2%.33 0.40 0.815* -0.81* OPCRESC -0.035 K-S = 2.21 0.10 1.51 0.68 11.829 1.15 TANG 0.76 12.000 2.32 -0.11 0.65 0.660 N = 743 END1 TAM 0. baseado na estatística Qui-quadrado.Nº 71 .531 ΣSETOR -4.041 1.471 ΣSETOR -2.042 1.11 0.07 0.00 0.244 0.968 1.03 0.43 0.65 7.07 14.01 0.01 111.01 0.935 F = 9. conforme White. R2 = 0.05 15.00 Gestão & Regionalidade .240 N = 748 END2 LUCRAT 0.21 1.037 F = 41.01 2.92 0.04 0.90 0.04 0.354* ΣSETOR -9. igual a zero.82 1.614 -1.35 0.35 0.21 1.08 0.11 0.134 Adj.48 1. foram estimados erros padrão consistentes à heteroscedasticidade.00 0.29 0.325 -1.35 73.179* -0.15 2.03 0.320* -0.19 1.02 0.54 -6.340 0.207 RISCO -2.12 0.47 0.43 0.31 0.00 0.11 7.05 15.260 LUCRAT -0.72 16.013 0.54 1.173* – – 48.178* 1.04 0.01 0.96 9.44 1.53 0.755 -0.87 21.33 0.49 0.41 -0.216 RISCO -0.386 2.908 TANG 0.18 TAM 12.36 -11.10 1.013* 0.39 0.85 0. R2 representa o coeficiente de determinação ajustado dos modelos.00 LUCRAT 0.06 14.Vol.03 0.14 116.05 OPCRESC 1.03 0.332 -0.47 1. 08:21 .00 0.963 1.70 1.190 Adj.31 2.128 0.015 0.00 0.23 0.085 0.81 12.040.00 0.65 0.91 0.352 0.92 0.68 2.13 1.272 N = 765 LUCRAT -0.31 0.064 -4.13 0.518* -0.00 Tabela 5: Estatísticas descritivas das variáveis do estudo – EUA e América Latina (s/ outliers) América Latina (323) EUA (417) Total (740) Desvio Desvio Mediana Média Mediana padrão Máximo Mínimo Média Mediana padrão Máximo Mínimo Média padrão Desvio Máximo Mínimo END1 1.54 0.07 0. K-S representa o teste Kolmogorov-Sminorv de normalidade dos resíduos (a hipótese nula é de que os resíduos provenham de uma população normal).24 17.41 0. No modelo 1 (MOD1).17 1.39 END3 0.270 0.72 -6.617* – 0.05 OPCRESC 7.03 0.128 -1.906 K-S = 4.03 0.061♣ – END3 (constante) 0.60 2.00 LUCRAT 0.000 -0.400 -0.49 -4. no conjunto. ♣ Teste Wald da hipótese de que as variáveis dummy SETOR são. e a estatística F testa a significância conjunta do modelo.860 -4.616* TANG -0.45 0.061 0.99 4.39 2.26 1. R2 = 0.35 0.11 0.00 0.04 14.02 0.942 F = 35.19 6.039 1.05 21.34 9.299 0.84 1.10 14.23 0.09 0. 24 .12 116.36 0.067 0.28 -4.21 1.00 0. Veronica Favato e Pablo Rogers Tabela 3: Modelos considerando cada variável de endividamento do estudo Modelo Variável Dependente independente Coeficiente DFBeta Erro Padrão t-Estatístico VIF PAIS -0.84 1.03 0.34 0.edição especial .033 K-S = 0.15 TANG 0.065 0.79 9. a constante foi eliminada devido à sua insignificância.465 32.18 0.52 0.39 0.206 TAM 0.23 1.80 0.48 1.34 -0. O coeficiente apresentado na tabela evidencia a soma das estimativas de cada variável dummy.71 17.68 END2 0.40 0.032 0.71 1.203 2.12 0. ***10%.out/2008 39 03RGR71.84 -1.006 0.280 -10.819 2.42 0.060 -10.016 -10.36 1.35 2.30 0.555 OPCRESC 0.27 97.03 0.23* TANG -0.72 -6.96 17.352* – 0.067 9.92 0.51 0.315 MOD1 RISCO -7.

parece afetar apenas apresentam menor propensão ao endividamento de o nível de endividamento de curto prazo das empre- curto prazo. provavelmente por não obterem endividamento teoricamente mais correta. (2001) absolutos. 1999). Entretanto. por taxas atrativas no primeiro mercado. Entretanto. bem endividamento de longo prazo do que de curto prazo. já que esses principal determinante da estrutura de capital das lucros. a corroborado por Perobelli & Famá (2003): empresas despeito da significância estatística da variável maiores privilegiam o endividamento de longo prazo. levar em consideração os valores de mercado. essa parece não ter significância econômica. se tornam a melhor empresas: os DFBetas da variável PAIS são. END3. As diferenças do sistema de finan- relacionada com problemas de agência e assimetria ciamento entre os países parecem impactar mais o informacional dos países em desenvolvimento. nota-se que achado corrobora as hipóteses da POT: maiores lucros o impacto do sistema financeiro (PAIS) parece ser o levam à diminuição do endividamento. em nível de 1%. o exame dos coeficientes padro- correntes. Logo. em valores fonte de geração de recursos. Dessa feita. maiores que os demais tanto no MOD2 ressaltaram que a importância da lucratividade está quanto no MOD3. 08:21 . A despeito dessa evidência empírica. como ao fato de seus mercados de capitais não serem Além do mais. e o risco do negócio e (OPCRESC). Essa a lucratividade da empresa. Entretanto. 40 Gestão & Regionalidade . 24 . não mostra muito significativa: apenas signi- de curto prazo (END2). firmas com grandes foi significativa. encontraram evidências com poucos ativos fixos terem maiores problemas de que empresas com maior potencial de crescimento de assimetria de informações. manho e tangibilidade. financiamento sobre a estrutura de capital das em- lhantes. são feitos com contração de novas dívidas. corroborando uma A proxy do atributo tangibilidade do ativo (TANG) das hipóteses da POT.Nº 71 .Vol. e considerando o Em relação à variável LUCRAT. a variável TAM do MOD1. tais como barreiras à entrada de novos con. por suspeita de alta colinearidade com as demais. o coeficiente negativo dessa variável cia suficiente para rejeitar que a tangibilidade dos revela o menor endividamento das empresas norte- ativos também não afeta o nível de endividamento americanas. também significativa nos MOD2 e MOD3. afetar mais o endivi- variável não foi significativa no MOD1. de forma a comprovar que o sistema de longo prazo. Os resultados também confirmando uma das hipóteses da POT. como ta- tão desenvolvidos como nos EUA. quando se relaciona oportunidades de crescimento tenderiam a manter com a variável de endividamento de curto prazo um nível de endividamento baixo para não prejudicar (END2). Ademais. quando a TANG se relaciona com sua capacidade de crédito. por relacionar a significativos apenas quando se considera o nível de variável de endividamento de longo prazo teorica- endividamento a valores de mercado (END3). presas. Adicionalmente. Esse mente mais correta (valores de mercado). Cabe a possibilidade de os ativos serem utilizados como ressaltar que Perobelli & Famá (2003). que indicam que a tangibilidade dos ativos parece não o crescimento requer investimentos que normalmente afetar o nível de endividamento de longo prazo. ESTRUTURA DE CAPITAL NA AMÉRICA LATINA E NOS ESTADOS UNIDOS: UMA ANÁLISE DE SEUS DETERMINANTES E EFEITO DOS SISTEMAS DE FINANCIAMENTO evidencia um outro achado interessante.XI Semead 2008 .p65 40 12/2/2009. quando se as variáveis de endividamento de longo prazo (END1 examina o modelo com a variável de endividamento e END3). corroborando garantia para empréstimos ou o fato de empresas os resultados encontrados. encontra-se uma relação negativa. aparentam afetar mais o Sobre as oportunidades de crescimento endividamento de curto prazo. não houve conclusão contundente. uma vez que a variável dummy SETOR financeiro dos Estados Unidos é baseado em equity e pretende captar várias características estruturais da o dos países da América Latina. a significância da variável dummy de observação: a variável TANG pode estar sofrendo controle PAIS em todos os modelos (significativa em colinearidade com as variáveis dummy SETOR. Booth et al. Para a POT.edição especial . empresas menores utilizam mais o endividamento Quando se analisa o modelo com a variável de de curto prazo. ressalta-se uma importante Por fim. porém damento de longo prazo. ficativa em nível de 10% no MOD1. empresa. condições de mercado e composição dos nizados traz resultados interessantes. sas latino-americanas e norte-americanas. a relação mostra-se positiva. inclusive tangibilidade (JORGE & ARMADA. fatores microeconômicos.out/2008 03RGR71. Desconsiderando ativos. pode-se dizer que não há evidên. OPCRESC. caso não sejam distribuídos. os resultados foram modelo MOD3 em vez do MOD2. uma 10% no MOD1) evidencia o impacto dos sistemas de vez que as mesmas buscam captar efeitos seme. baseado em debt.

Vol. de cada país. analisar como o principal determinante da estrutura de capital das atributos importantes discutidos pela STT e pela POT empresas na América Latina e nos EUA. da empresa. aparentam afetar mais o endividamento se discutir a influência dos sistemas de financiamento de curto prazo. a STT sugerem que não haveria uma estrutura de considerando valores de mercado. foi possível constatar capital ótima. como discute a POT. foi possível corroborar algumas hipóteses das teorias enfatizadas. tangibilidade dos ativos. em nível microeconômico. 08:21 . como tes às especificidades históricas e macroeconômicas apregoam a STT e a POT. (e) priada a cada perfil de empresa. (d) sobre a relação entre emissão de ações ou de dívida. lucra.out/2008 41 03RGR71. condicionados diante Sobre esses aspectos. Adicional- – tamanho da empresa. crescimento em explicar o nível de endividamento. (b) uma estrutura ótima de capital. tangibilidade. discute-se que as diferenças do sistema de cimento do negócio. Além do mais.edição especial . mas uma estrutura de capital mais apro. um relacionamento inverso. CONCLUSÃO Pela metodologia empregada. prazo. condicionados a modelos de finan- ciamento particulares: baseados em crédito ou no Por fim. afetar mais o endividamento de longo presas latinas e norte-americanas. como prevê a STT. e os fatores microeconômicos. em nível macroeconômico. 24 .p65 41 12/2/2009. parece ser objetivo. (c) quando se que as decisões de financiamento das empresas confronta a tangibilidade dos ativos com a variável de derivam dos impactos que alguns atributos teóricos endividamento de curto prazo. esse artigo teve como de diferentes modelos de financiamento. como apregoam a STT e a POT. financiamento entre os países parecem impactar mais tividade e riscos envolvidos – afetam a estrutura de o endividamento de longo prazo do que de curto capital das empresas na América Latina e nos EUA. a Pecking Order relação positiva entre o tamanho da empresa e o nível Theory (POT) e a Static Tradeoff Theory (STT) discutem de endividamento. constatou-se teoria e algumas pesquisas empíricas comprovam que significância estatística da proxy de oportunidades de existem fatores indutores do endividamento. a POT e a proxy de lucratividade e o nível de endividamento. a apesar de pouca significância econômica. como estima a POT. tamanho e Adicionalmente. mente. de fatores indutores do endividamento inerentes às especificidades de cada país. Gestão & Regionalidade . Desse modo. prazo. os resultados indicaram que o impacto mercado de capitais.XI Semead 2008 .Nº 71 . Veronica Favato e Pablo Rogers 5. ineren. oportunidades de cres. e o risco do negócio e a lucratividade (equity X debt) sobre a estrutura de capital das em. (a) relação negativa entre o nível de endividamento e o cional e o Modelo de Modigliani & Miller (MM) sobre risco do negócio. buscou. nota-se uma relação exercem sobre os custos e benefícios associados à negativa. tais como: A despeito da controvérsia entre o Modelo Tradi.

341-369. business: trends and problems of measurement. Florencio. 1999. specific and macroeconomic factors. 1-8. March. Gabriel L. Gordon. HIRSCHMAN . 1982. What are the CONGRESSO DE CONTROLADORIA E CONTABILIDADE. Vojislav. Testing the LUMBY. Gregg & KIM. The Journal of Finance. n. On Robert E. Martin & BENDER. v. p. February. 2. v. v. 2003. Paulo R. Strategic management.. Rubens. 2003. The capital structure of Swiss companies: an an empirical study. organizations and developing countries. College. patterns and financial leverage. 42 Gestão & Regionalidade . p. Asymmetric information. 3. ESTRUTURA DE CAPITAL NA AMÉRICA LATINA E NOS ESTADOS UNIDOS: UMA ANÁLISE DE SEUS DETERMINANTES E EFEITO DOS SISTEMAS DE FINANCIAMENTO REFERÊNCIAS ANJE. (CD-ROM. v. voice and loyalty – Asli & MAKSIMOVIC. 1991. Laurence. In: HUBBARD. Caderno study of Corporate Debt Policy and the determi. 1996. E. University. Principles determinantes do endividamento: uma análise em of corporate finance. 2o semestre.1952.XI Semead 2008 . states. GAUD. 97. Basel. JORGE. Michael. CORBO. market development and financing choices of firms. Working Paper. v. Anais. Asli & MAKSIMOVIC. p. Teoria de agência World Bank Economic Review. 297-355. 2005. MAYER. 2003. Los Angeles. São determinants of capital structure? Some evidence Paulo. of Research. Raymnond & JOVANOVIC. & FAMÁ.). Han. de Pesquisas em Administração. KIRCH. HOESLI. 10. n. 11. v. World Deve. 2001. – RAC. Harvard School of Business Admi. DEMIRGÜÇ-KUNT. Department structure. New York University. 2005. n.out/2008 03RGR71. n. & GOYAL. BRADLEY. Richard A. Colin P. 1990. University of Basel. 46. Artur. & LEAL. The Journal of Finance. In: L ÓPEZ-DE-S ILANES . JORGENSEN. DEMIRGÜÇ-KUNT. p. Albert O. & MALITZ. 09-31. Press. e crescimento: evidências empíricas dos efeitos DONALDSON. of Economics. 4/03. Corporate debt capacity: a positivos e negativos do endividamento. Murray Z. Elion. New York. 08:21 . David. Guilherme. Ricardo P. London: Chapman and Hall. Boston: Division 5. ed. 51-59. São Paulo. p. São Paulo: FEA/USP. The theory of capital and development. Michael A. 1991. New Haven: Yale Bureau of Economic Research. Determinantes da estrutura de capital nistration. ed. Rio de and investment. n. maio-agosto.p65 42 12/2/2009. Milton & HAVIV. corporate finance ações negociadas em Bolsa de Valores. & TERRA. Stock McGill University. 217-248. Journal decisions: a first course in financial management. The Journal of Finance. Stewart C. Factores BREALEY. 1. HITT. Financial systems. n. 893-916. 1984. 1970. The choice between equity and debt: André. FRANK. Working Paper. JANI. R. das empresas brasileiras de capital aberto. 1985. 2002. Capital structures in responses to decline in firms. p. Michael S. Financial Management. 1997. DURAND.Vol. Wolfgang & FIX. R. Boyan. AIVAZIAN. Varouj. n. Harvard University Press. IRELAND.Nº 71 . nants of corporate debt capacity. Stock markets HARRIS. p. In: 5o DROBETZ. 24 . European 144. 6. March. KAYO. July. 67. Revista de Administração Contemporânea McGraw-Hill. 2000. JARREL. Eduardo K. Philippe. Glen da estrutura de capital das empresas brasileiras com (Ed. Roger. 1. p. Manoel José R. LVI. MARSH. Journal of Finance.edição especial . New York: Irwin/ painel. Nafta and Mexico’s CONFERENCE ON RESEARCH ON BUSINESS FINANCE. Working Paper. Reforms and macroeconomic ad. Investment appraisal and financing pecking order theory of capital structure. Illen . Paul R. 2. 2004. Investment of Finance. 13. 121- empirical analysis using dynamic panel Data. Chicago: University of Chicago Janeiro: BNDES/Coppead. corporate finance GOMES. & MYERS. Determinantes and economic development. Issue 1. 1981. Exit. Steve. 1992. 2001. 2001. 1961. agosto. competitiveness the existence of an optimal capital structure: theory and globalization. January. Cincinatti: South-Western and evidence. 4..) from Switzerland. Cost of debt and equity funds for University of California. capital structure in Latin America: The role of firm- lopment. of Financial Economics. Susana & ARMADA. New York. Jan J. Vojislav. BOOTH. v.. Vittorio. Vidhan K.. 5. National Reforms protection on investor. Duane & HOSKISSON. 39. v.B. Department LONG. Determinants of justment in Chile during 1974-1984.

on equity ownership and corporate value. Jairo L. Stewart C. TERRA.. 2006. & PROCIANOY. Stewart C. n. v. Gilberto de Oliveira. 13. v. chusetts Institute of Technology. 655-669. 595-612. corporate financial structure: an empirical test. encourage stock markets? Unctad Review. p. An empirical investigation on the determinants of capital structure in Latin PEROBELLI. American Economic Association. n. n. Nashville: American 1993. John. v. Florianópolis: Anpad.. Corporate income taxes and the cost of capital: E PESQUISA EM ADMINISTRAÇÃO – ENANPAD. 5. 7. & KLOCK. Review of Financial Economics. 1984. 2001. p. p. 1981 (não-publicada). John D. December. Luigi. In: XXVI ENCONTRO DA ASSOCIAÇÃO NACIONAL determinantes da estrutura de capital para empre- DE P ÓS -G RADUAÇÃO E P ESQUISA EM A DMINISTRAÇÃO – sas latino-americanas. The moral hazard theory of de estrutura de capital das companhias brasileiras. Claudia N. Determinants of PETRELLI. & FAMÁ. Government. Estrutura de capital das national data. SOARES. 1-19. definido: um estudo no ambiente brasileiro. Rodrigo O. Santiago de adjustment to long run target: evidence from UK Chile: Cepal. p. Nashville: Santa Catarina. Aydin. 1988. 28. American Economic Review. 2005. corporation finance and the theory of invest. June. 50. investimento. Determinants of capital structure and desde una perspectiva comparada. Industry influence New York: Cornell University Press. Tese Revista Brasileira de Economia – RBE. markets and growth. Karina T. The deter- pinas: Unicamp. ZYSMAN.. Corporate PESQUISA EM ADMINISTRAÇÃO – ENANPAD. Brasília: Anpad. Ajit. PROCIANOY. Anais. Bárbara & S TUDART. Financiamiento para el desarollo: America Latina OZKAN. RAJAN. July. 2004. Adalberto. Anais. Journal of Financial Economics. SCOTT. SOARES. Spring. June. Brasília- financing and investment decisions when firms DF. Revista de Administração ENANPAD. Tese (Doutorado em Ciência Econô- mica) – Universidade Estadual de Campinas. janeiro-março. O perfil de ______. 43. n. Rogério (Colab. Revista BNDES.. In: XXIV Review. Henri. Jairo L. 39. 10. Vanessa C. Sheridan & WESSELS. Financial Management. 2005. 2000. 3. 1990. The capital structure puzzle. 1984. C. Rubens. v. 1. The stock market and economic MODIGLIANI. 1996. Journal of Business Finance and Accounting. XLIII. Merton H. Nicholas S. C. MYERS. The cost of capital. ZONENSCHAIN. 27. & SCHNORRENBERGER. 4. Fernanda F. & MAJLUF. company panel data. The Journal of Finance. Franco & MILLER. A influência da estrutura de controle nas decisões WILLIAMSON.Vol. Cam. & KLOECKNER. ment. 49. John & SERVAES. 175-199. Financial Economics. 1. Veronica Favato e Pablo Rogers REFERÊNCIAS MCCONNEL. Clifford F. The cost of development: should developing countries capital. (CD-ROM. v. v. Roberto. fevereiro. nacional e o financiamento de longo prazo ao 2.p65 43 12/2/2009. Gestão & Regionalidade . p. 1995. September. 3. TITMAN. & MARTIN. empresas no Brasil.edição especial . (PhD) – Sloan School of Management of Massa- janeiro-março. S INGH .XI Semead 2008 .). March. have information that investors do not have. Mark S. v. Additional evidence on financial structure. Salvador-Bahia. n. American Economic Review. In: XXIX ENCONTRO DA ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE PÓS-GRADUAÇÃO E MYERS. 575-592. Paulo Renato S. Raghuram & ZINGALES. Anais… Salvador: Anpad. p. Florianópolis- a correction. 1983. Journal of 1975. Journal of Finance. v. 2003. 1959.Nº 71 . n. STALLINGS . Summer.out/2008 43 03RGR71. A estrutura de financiamento capital structure. ENCONTRO DA ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE PÓS-GRADUAÇÃO ______. Contemporânea. David F. Economic Association. corporation finance and endividamento das empresas negociadas na Bolsa the theory of investment: reply. 1958. What do we know about capital structure? Some evidences from inter. 24 .) 2003. The O pecking order em empresas com controle acionário Journal of Finance. 1963. American Economic de Valores de São Paulo após o Plano Real. minants of capital structure choice. Massachusetts: MIT. n. Scott H. n. v. 1998. 09-35. Fatores America. 08:21 . Rio de Janeiro. 1992. THIES.

out/2008 04RGR71.Cidade Universitária . The problem being addressed in this article is “how sidiárias estrangeiras de empresas multinacionais foreign subsidiaries of Brazilian multinational brasileiras avaliam o ambiente externo nos países companies assess the external environment em que atuam?” Além disso. Palavras-chave: ambiente competitivo.e-mail: mirandaoliveira@usp. posteriormente. what does not sustain the FSA obtaining abroad.Cidade Universitária . A INFLUÊNCIA DO AMBIENTE COMPETITIVO NAS ESTRATÉGIAS DAS SUBSIDIÁRIAS ESTRANGEIRAS DE MULTINACIONAIS BRASILEIRAS A INFLUÊNCIA DO AMBIENTE COMPETITIVO NAS ESTRATÉGIAS DAS SUBSIDIÁRIAS ESTRANGEIRAS DE MULTINACIONAIS BRASILEIRAS THE INFLUENCE OF COMPETITIVE ENVIRONMENT ON STRATEGIES OF FOREIGN SUBSIDIARIES OF BRAZILIAN MULTINATIONAL COMPANIES Felipe Mendes Borini Recebido em: 07/07/2008 Aprovado em: 15/10/2008 Professor da ESPM . sendo que o dos external environment and value creation abroad. companies.br Moacir de Miranda Oliveira Júnior Av.Vol. Diamante Model of Porter and the Theory of Mul- nacionais Regionais. tinational Regional RUGMAN were used as theo- mo referencial teórico. 08:22 . sala E 116 .CEP 04569-010 . 24 . The statistical inferences confirmed basaram os seguintes resultados: existe uma avalia. e a Teoria das Multi.e-mail: fborini@globo. existe associação entre o ambiente externo countries of Brazil There is association between the e a criação de valor no exterior.XI Semead 2008 .São Paulo-SP .Faculdade de Economia e Administração da Universidade de São Paulo RESUMO ABSTRACT O problema a ser tratado no artigo é “como as sub. zation strategies. As inferências estatísticas em.com.São Paulo-SP . Luciano Gualberto. regionali- de regionalização. estratégias Keywords: competitive environment. 908.edição especial . subsidiaries or in non-OECD countries is weaker. países-membros da OCDE é mais forte e positivo and the one from OECD member countries is eva- para as competências de inovação (P&D).br 44 Gestão & Regionalidade . rentiated and more positive of the competitive petitivo para as subsidiárias localizadas em países environment for the subsidiary geographically da OCDE e em países distantes geograficamente located in countries of the OECD and in distant do Brasil. Foram analisadas por survey 66 and suggest strategies. 908. Luciano Gualberto. subsidiárias de empresas mul. While the external environment of regional ou em países não-membros da OCDE é mais fraco. Prof. ao passo luated as stronger and more positive for innovation que o ambiente externo de subsidiárias regionais (R&D).p65 44 12/2/2009. de Rugman. Prof. 311 .São Paulo-SP .Escola Superior de Propaganda e Marketing Edson Renel da Costa Filho Graduando em Relações Internacionais pela USP Moacir de Miranda Oliveira Júnior Professor da FEA/USP . subsidiaries of multinational tinacionais. OECD members (42%). the following results.CEP 05508-010 . de Porter. Endereços dos autores: Felipe Mendes Borini Rua Quintana. o que não sustenta a formação de criação de valor.CEP 05508-010 .e-mail: edsonrenel@yahoo. retical reference. The O Modelo Diamante. divididos entre membros 66 subsidiaries in 22 countries. environment in the creation of value of the subsi- sidiárias de multinacionais brasileiras? O objetivo é diaries of Brazilian multinational companies?The diagnosticar os atributos da perspectiva ambiental. qual a influência do abroad?” Which is the influence of the competitive ambiente competitivo na criação de valor das sub.com Edson Renel da Costa Filho Av. identify which are important para as empresas. and regional (45%). foram usados co.Nº 71 . There is an evaluation diffe- ção diferenciada e mais positiva do ambiente com. goal is to diagnose the attributes of the environ- identificar quais são importantes e sugerir estratégias mental perspective. sala E 116 . divided between da OCDE (42%) e. It was analyzed by survey subsidiárias em 22 países. regionais (45%).

o Triângulo AAA (GHEMA- fluxo de produtos e serviços estrangeiros. O argumento defende que.. aprovei- empresas o substituíram. bém das medidas liberalizantes adotadas desde o cional com suas filiais. são desenvolvidas competências estraté- doméstica (BARTLETT & GHOSHAL. BIRKINSHAW & ENSIGN. 2002. mesmo.Nº 71 . o modelo geral de uma Lacerda (2000) entendeu que o processo de inter- multinacional previa a concentração de P&D1 na matriz nacionalização das empresas brasileiras resulta tam- e uma comunicação vertical e praticamente unidire. & HOLM. 1996). 2006). 2003) facilitando a abertura comercial e o surgimento de novos e de superação de barreiras comerciais e técnicas centros comerciais. competitivas amadurecidas. Com vantagens Com a crise do petróleo. revendo o papel de suas sub. estas gica. FROST. Ou. o que gerava WAT.1. internacionalização por possíveis ganhos de escala. FROST. BIRKINSHAW & ENSIGN. Esse fenômeno trouxe um novo desafio: identi. 2001). Em decorrência. o problema a ser tratado nessa pesquisa local propicia uma oportunidade latente para a insere-se em duas questões: como as subsidiárias multinacional assimilar os benefícios do aprendizado e estrangeiras de empresas multinacionais brasileiras do conhecimento autóctone. principalmente se essa acessar o fluxo de conhecimento tácito em redes de 1 Pesquisa e desenvolvimento. Edson Renel da Costa Filho e Moacir de Miranda Oliveira Júnior 1. queceu. mulo advindo do conjunto de capacidades residentes no mercado de destino (KOGUT & ANAND. BIRKINSHAW. conseqüências para a atuação da subsidiária. HOOD.p65 45 12/2/2009. 2007). HOOD & JONSSON. A perspectiva ambiental tinacionais brasileiras. ao se maduros no Primeiro Mundo. analisando que características do ambiente externo são importantes e quais as suas A perspectiva ambiental (BIRKINSHAW. Gestão & Regionalidade . titucional em que se opera (FROST. 2007) e Teoria das Multinacionais Regionais. desenvolver e administrar efetivamente ganhos assimilar recursos externos obtidos pela internacio- no ambiente externo das subsidiárias e levá-los para nalização também constituem uma questão crítica a corporação (FROST. o modelo multidoméstico enfra. é focalizado o estí- ao desenvolvimento tecnológico locais. FORSGREN de valor das subsidiárias de multinacionais brasileiras. Logo. INTRODUÇÃO Para trabalhar o problema. Novas mudanças tecnológicas e políticas de novas competências. um passo na evolução das multidoméstico se tornava ainda mais obsoleto. GOULART & BRASIL. reprodutoras locais de bens já Presidente Collor. Identificar e ficar. 1992). 1998) defende que o dinamismo Portanto. gicas e inovações tecnológicas de nível internacional (ARRUDA. de mercados em diferentes níveis de tecnologia e Rugman (2004). em que vai ser explicada breve- No contexto do pós-guerra. 2002). variando a tipologia conforme o grau de defasagem. 2001). estas impulsionaram sua censão do Japão. de acesso a recursos em ou- posteriores recrudesceram a competição internacional. as capacidades e os compor- emergentes. o modelo (BCG. BIRKINSHAW & ENSIGN. Por intermédio de canais multidirecionais. tando oportunidades e variando de ordem estraté- sidiárias. 2002). negócios (FROST. seguem as seções de revisão da literatura.out/2008 45 04RGR71. & CYRINO. e as empresas. 1992. Conseguintemente. o Plano Marshall e a as. Tal heterogeneidade expor as companhias brasileiras à competição inter- conferia uma estratégia predominantemente multi. REVISÃO DA LITERATURA pouco permeáveis. 1998. o para pesquisadores. de mercado e financeira (FLEURY et al. Felipe Mendes Borini. 2007). 2002. 1990). Embora sejam estudados outros países. nacional. competitividade.XI Semead 2008 . tras redes de negócios (OLIVEIRA JÚNIOR. ainda que de decisão tardia e ágil. CHESNAIS. FROST. cuja internacionalização visa a explorar tamentos da firma são moldados pelo contexto ins- e aprender novos recursos e métodos (MATHEWS. as economias do mente a Teoria do Diamante da Vantagem Competi- Terceiro Mundo costumavam criar barreiras para o tiva Nacional (PORTER. 2001). 1990). 1997. esse artigo focaliza o desafio sob a perspectiva das mul- 2.edição especial . 24 . 08:22 . sendo uma fronteira identificar que não é diferente para as multinacionais dos países como as estratégias.Vol. as multinacionais dos países desenvolvidos encontraram na instalação de filiais locais uma estratégia para acessar tais mercados 2. É comumente aceito que avaliam o ambiente competitivo nos países em que atuam seu desenvolvimento é contigenciado por sua habilidade e qual a influência do ambiente competitivo na criação de obter recursos de seu ambiente (ANDERSSON. unidades de acesso ao fluxo de conhecimento tácito e Apesar das outras temáticas. passaram a operar como scanning units (PORTER.

Por seu turno. A INFLUÊNCIA DO AMBIENTE COMPETITIVO NAS ESTRATÉGIAS DAS SUBSIDIÁRIAS ESTRANGEIRAS DE MULTINACIONAIS BRASILEIRAS Além da perspectiva ambiental. 08:22 . 1997). FROST. 1990) para representar a e um constante intercâmbio de idéias e inovações. emba. 2001. estrutura e rivalidade sistematicamente. percebam com antecedência as necessidades dos sidera outras duas para a formatação da subsidiária compradores. apropriado para a criação de valor das empresas. além da dos fatores. tro de uma competição internacional fornecem insu- nacionais (FROST. Sub- de difícil imitação e que exigem investimentos sustentados sidiárias estrangeiras migram em busca desses dia- para sua criação.edição especial . possibilitando desenvolver-se mais competências. setores correlatos presença de rivais poderosos. 1992) opta. outra. a intensidade e a natureza (pesquisa e desenvolvimento) em subsidiárias da demanda doméstica permitem que as empresas estrangeiras. A competitividade existente dentro de nacional sustentada na inovação constante e na um determinado setor de um país depende tanto das competição empresarial. mutuamente vantajosa e auto-revigorante. BIRKINSHAW & ENSIGN. e infra-estrutura. NOHRIA & GOSHAL. construída para converter circunstâncias operações no exterior e internalizar esse valor na sua desfavoráveis em vantagem competitiva. Consagrando seu trabalho para avaliar porque determinados países reúnem atributos. maior rapidez e de forma HOOD & JONSSON. pois a pro- rísticas abordadas pelo “Modelo Diamante da Van.Nº 71 . 1998). Logo. isolados e O último atributo é a “estratégia. 2001. estrutura e rivalidade das poderosos é um último e poderoso estímulo à criação e empresas –. Frost (2001) mostrou a capacidade e no desenvolvimento de uma subsidiária. sua capacidade é criada. 1998). 24 . 2002. é chamada de “poder da nas são altas e se elas são semelhantes às internacionais. diária” (BIRKINSHAW. a circunstância e O primeiro atributo do diamante se refere às “con. FROST. organizados nas quatro arestas do que à preservação da vantagem competitiva. HOOD & JONSSON. à posição do país quanto da subsidiária. opta-se por considerar essa primeira subdivisão na 2002. permitem a construção da vantagem das empresas”. forte associação das características favoráveis do O segundo atributo é denominado “condições de ambiente externo com a criação de inovação demanda”. benefícios quando forem providas por setores fortes e competentes. a literatura con. 2002. Dessa maneira. pois desperta Porter chamou de “diamante da vantagem nacional”. elementos escassos. pois. o que dinamiza e acelera as atividades (BIRKINSAW. ROTH & MORRISON. matriz” (BARTLETT & GOSHAL 1992. ou seja. assim como ensejam uma interação ram por decompor essa variável segundo as caracte. o contexto nacionais têm forte influência no desempenho dições de fatores”. mantes a fim de auferir maior grau de valor nas suas sobretudo.out/2008 04RGR71. rapidamente e com características diferenciadas. preferencial. e estratégia. aos fatores de produção. interpretam e respondem o próprio processo de aprendizado e propagação de às necessidades.XI Semead 2008 . garantem a cons- estratégico fatores que envolvem investimentos vulto. Por isso. Porter (1990) defendeu que a práticas gerenciais e dos modelos organizacionais inovação e a competição são estimuladas por uma base adotados como dos objetivos das empresas. O importante é determinar a natureza 1998): uma determinada pela tipologia que a matriz dos compradores domésticos. o terceiro atributo corresponde à presença de “setores correlatos e de apoio” no país.p65 46 12/2/2009. 2. trução de um ambiente competitivo e institucional sos e exigem especialização. BIRKINSHAW & ENSIGN. BIRKINSHAW & HOOD.2. nalmente. BIRKINSHAW & o país está mais propenso a ser competitivo internacio- ENSIGN. maiores estratégias das subsidiárias estrangeiras. maior agressividade e inovação. Se as exigências inter- desenvolve na corporação. é chamada de “iniciativa da subsi. perspectiva ambiental. BIRKINSHAW. condições da demanda. A composição. 1998. 1998.Vol. de inovação. isto é. pois terá forte impacto na BIRKINSHAW & MOORE. ximidade promove um fluxo de conhecimento tácito tagem Nacional” (PORTER. SANTOS & WILLIANSONS. a demanda interna afeta o modo sada na liderança e no empreendedorismo durante como as empresas percebem. cadeia produtiva mundial (FROST. 46 Gestão & Regionalidade . mos com menor custo. A presença de rivais locais e de apoio. A perspectiva ambiental e o Modelo Diamante Fornecedores mais bem qualificados e inseridos den- Trabalhos importantes na área de negócios inter. como mão-de-obra qualificada O que significa dizer que esses quatro atributos. HOOD & JONSSON. DOZ. Consideram-se de maior valor quando presentes e articulados. que. da qualidade doméstica constituída de quatro elementos – condições e do comprometimento da força de trabalho. Logo. influência do contexto competitivo e institucional nas As empresas no país auferirão.

dilemas. 2007). confiança no exterior. 24 . que se refere à crise de centro de acabamento de produtos de baixo custo. mas também como meios de acesso focadas na exploração de mercados ou produção em ao conhecimento (DOZ. Apesar de o modelo de Porter (1990) assumir a As FSA são capacidades únicas das organizações. cursos naturais. estão dotadas de um melhor know-how. 2007). OCDE e dos não-membros da OCDE?. Com base nos dois tipos de vantagem. multinacionais atuam de maneira diferenciada com forte dizado (HITT. é péia investe em fundos estruturais (SILVA.Vol. a matriz se encontra em diversos para a criação de valor. As subsidiárias estrangeiras de multina. 1999). subsidiárias. 2005).XI Semead 2008 . ou. HOSKISSON & KIM. mas com as adaptações aos dados disponíveis. apoiadas pela força de trabalho e petitivas para o incremento de diamantes nacionais. internacionalizam-se. recursos humanos e in.3. ainda. ou fraca CSA e forte FSA. no apoio à inovação tec. CSA e fraca FSA. da vantagem nacional” supracitado. ou articulada.p65 47 12/2/2009. os países desenvolvidos detêm ridade da distribuição. escopo geográfico liação das subsidiárias quanto à sua competência em De acordo com a Teoria das Vantagens da Mul- pesquisa e desenvolvimento. LI & WORT. 08:22 . de inovação (P&D) atribuídas pelas subsidiárias terno e a criação de valor no exterior? estrangeiras brasileiras? Seguindo Frost (2001). Ela pode explorar as CSA de forma isolada sejam elas indústrias transformadoras. 1999). As economias desenvolvidas. duas novas desse artigo. em países estrangeiros ou. 1988) mais Essa idéia está coerente com a perspectiva de voltadas para estratégias internacionais de arbitragem resource-seeking (DUNNING. a primeira rença de avaliação quanto ao pertencimento da pergunta que orienta a pesquisa: (1) existe alguma OCDE tem reflexos também nas competências associação entre a avaliação do ambiente ex. Em conseqüência. pois. dos desenvolvidos oferecem uma plataforma superior Com isso. as subsi. ceito de CSA for estendido e atualizado de modo a nológica (ALEM. tal como as empresas de commodities HINGTON IV. em que os merca. As CSA são baseadas em re- maior probabilidade de desenvolver políticas com. explicadas a seguir. 2001). Rugman Isso embasa a literatura que sugere os mercados (1981) apresentou a matriz analítica CSA versus FSA. HILL. 1987. estratégias genéricas (WRIGHT. 2007). típica Para as multinacionais emergentes. cujos possível dizer que as CSA são baseadas no “diamante destinos são infra-estrutura. e. tal existência de diamantes das nações em diferentes como o desenvolvimento de produtos ou a capila- partes do mundo. Felipe Mendes Borini. de Rugman (1981). caracterizada pela auto-ava. As internacionais não só como laboratórios de apren. 2008). Gestão & Regionalidade .4. volvidos oferecem recursos críticos necessários para 1980). há diárias situadas nestes mercados podem servir como um outro dilema subjacente. HITT. por fatores culturais do país em questão. (GHEMAWAT. Além do problema entre FSA e CSA.out/2008 47 04RGR71. a União Euro. A perspectiva ambiental e o estágio de trangeiro (Country Specific Advantages – CSA) e as desenvolvimento das nações vantagens da firma (Firm Specific Advantages – FSA). Por isso. focadas na adaptação aos mercados locais competir contra rivais globais no país e no estrangeiro (GHEMAWAT.Nº 71 . sejam de ser. vestimento produtivo (COMITÊ DAS REGIÕES. Edson Renel da Costa Filho e Moacir de Miranda Oliveira Júnior Embasada nesse raciocínio está a primeira reflexão subdesenvolvidos. 1997. incrementa o sivamente.edição especial . principalmente. perguntas são feitas: (2) existe diferença na ava- cionais brasileiras que têm acesso a ambientes cujo liação das subsidiárias estrangeiras brasileiras diamante nacional é forte e dinâmico têm também entre o ambiente competitivo dos países da maior probabilidade de criar valor no estrangeiro. 2000). assim. 1993). ou seja. a criação de valor é medida 2. FSA e CSA. mas não exclu- fabricados no país de origem. das empresas com estratégia de diferenciação (PORTER. Como exemplo. multinacionais com forte (LUO & TUNG. (3) a dife- além de explorar o mercado. mesmo. SANTOS & WILLIAMSON. Se o con- com ênfase. em especial. tinacional. Segue. 2007). escala (GHEMAWAT. criar FSA nas suas ambos os processos e produtos. os países desen. A perspectiva ambiental mediada pelo por meio da inovação. que conseguem explorar em conjunto as visando a criar valor no Primeiro Mundo. pode propagar a FSA original para viços. das multinacionais emergentes (RUGMAN produto nos países desenvolvidos para produzir nos & OH. as multinacionais po- dem auferir as vantagens de localização no país es- 2. abarcar mais atributos para além da mão-de-obra.

A INFLUÊNCIA DO AMBIENTE COMPETITIVO NAS ESTRATÉGIAS
DAS SUBSIDIÁRIAS ESTRANGEIRAS DE MULTINACIONAIS BRASILEIRAS

O país estrangeiro representa um risco adicional, Aqui, há certa padronização de produtos ou
devido às singularidades econômicas, políticas, sociais e serviços e aglutinação de processos de desen-
culturais associadas à entrada num mercado totalmente volvimento e de produção, ou seja, agrupa-
desconhecido (RUGMAN & VERBEKE, 2004). Por conta dessa mento transfronteiriço, divisões de negócios
crise de confiança, embora outras CSA possam trazer globais, divisões de produtos, estruturas regio-
melhores oportunidades, grande parte das multinacionais nais, contas globais. Comum em empresas cujo
procuram conduzir suas filiais em mercados regionais, alto investimento em P&D força certo agrupa-
com maior similaridade e menor incerteza psicológica mento para diluir os custos fixos;
(RUGMAN & VERBEKE, 2004; JOHANSON & WIEDERSCHEIM-PAUL, 3) arbitragem: é a exploração de diferenças entre
1975; JOHANSON & VAHLNE, 1977). Esse fenômeno mercados de nações ou regiões centrais distin-
acontece nos países da tríade Estados Unidos, Japão e tas, em geral com a distribuição da cadeia de
Europa Ocidental, (MOORE & RUGMAN, 2003; RUGMAN, suprimento por vários locais. Seja uma organi-
2000; LI, 2004; GROSSE, 2004) e também nos países fora zação vertical, seja funcional, seu objetivo é o
da tríade, chamados, por vezes, de emergentes (YIN & equilíbrio entre a oferta e a demanda dentro
CHOI, 2004; OH & RUGMAN, 2007). Desse modo, ad- de fronteiras organizacionais. Comum em em-
mitindo-se que a internacionalização das multinacionais presas de uso intensivo de mão-de-obra.
tem um escopo geográfico muito mais regional do que
global, outras duas perguntas são colocadas: (4) a Finalmente, há certa tensão em cada abordagem,
avaliação do ambiente externo sofre alterações e, entre elas, não basta indicar a opção por todas as
quando são comparadas as atuações das três. A escolha estratégia requer certo grau de priori-
subsidiárias de multinacionais brasileiras na zação, pois, para cada tipo de estratégia, há um des-
América do Sul (região fronteiriça e mais próxima dobramento diferenciado na vantagem competitiva,
geograficamente) com aquelas em regiões mais na configuração das operações internacionais, nas
distantes geograficamente?; (5) essa avaliação variáveis a serem controladas, no monitoramento do
diferenciada tem impacto na formação de FSA no âmbito interno e na diplomacia empresarial. Embora
exterior, representada pela criação de valor por algumas abordagens possam mesclar mais de um
meio das competências em P&D nas subsidiárias? modo de atuação, a maioria das empresas dará des-
taque a um só “A” em distintos momentos de sua
evolução na arena global.
2.5. Triângulo AAA
As conclusões deste trabalho sobre a avaliação das
subsidiárias quanto às arestas do Modelo Diamante, 3. METODOLOGIA DA PESQUISA
atribuídas ao ambiente local, serão eventualmente 3.1. Tipo de pesquisa
subsidiadas pelas idéias de Ghemawat (2007). Neste artigo, Dois tipos de survey foram desenvolvidos para as
ele defendeu que a principal meta de qualquer estratégia matrizes das 46 maiores multinacionais brasileiras; e
global deve ser a gestão das grandes diferenças registradas outro, para suas respectivas subsidiárias estrangeiras
nas fronteiras, sejam estas de caráter geográfico ou não. (total de 94). Logo, a configuração da pesquisa é
Para além das premissas convencionais de sopeso entre quantitativo-descritiva (CRESWELL, 1994), capaz de
economias de escala e adaptação local, o referido autor observar, registrar, analisar e correlacionar fatos sem
apresentou um novo arcabouço para a abordagem da manipulá-los (CERVO & BERVIAN, 2002).
integração global, o “Triângulo AAA”, em que cada “A”
Por fim, para a constituição do survey, foram uti-
tem um tipo de estratégia global, a seguir explicitadas:
lizadas questões fechadas, estruturadas e escalona-
1) adaptação: busca maximizar a relevância local das, segundo o modelo de Likert, cuja escala de um
da empresa para turbinar sua receita e parti- a cinco pontos indica “discordo fortemente” até
cipação de mercado, o que configura uma or- “concordo fortemente”.
ganização centrada no país. Comum entre em-
presas com alto investimento em publicidade; 3.2. Seleção da amostra e coleta de dados
2) agregação: tenta gerar economias de escala O universo da pesquisa compreende uma lista de
com operações regionais ou, às vezes, globais. 46 empresas de diferentes setores, identificadas no final

48 Gestão & Regionalidade - Vol. 24 - Nº 71 - edição especial - XI Semead 2008 - out/2008

04RGR71.p65 48 12/2/2009, 08:22

Felipe Mendes Borini, Edson Renel da Costa Filho e Moacir de Miranda Oliveira Júnior

do ano de 2006. Destas, oito são do setor de serviços de Uppsala e da regionalização das multinacionais.
de engenharia e de TI (as oito responderam ao ques- Contudo, não se podem desprezar os drivers de mer-
tionário); 38, das seguintes subdivisões: indústrias ba- cado e estratégicos, para além das barreiras culturais.
seadas em recursos naturais (quatro no universo da
Para conferir maior praticidade à pesquisa, as loca-
pesquisa; três respondentes), produtoras de insumos
lidades foram agrupadas conforme seu pertencimento
básicos (11; sete), produtoras de materiais para cons-
à Organização para a Cooperação e Desenvolvimento
trução (três; zero), produtoras de bens de consumo
Econômico (OCDE). Seus países-membros são
(sete; duas), produtoras de componentes e subsistemas
conhecidos oficialmente por serem comprometidos com
(oito; seis) e montadoras de sistemas (seis; quatro).
uma série de príncipios da democracia representativa e
A distribuição das multinacionais brasileiras (MNBRs) da economia de livre mercado, mas, por seus 30 membros
na cadeia produtiva mostra que o maior número destas produzirem mais da metade da riqueza do mundo, a
trabalha com insumos básicos, seguido por partes, organização também é conhecida como Grupo dos Ricos.
componentes e subsistemas. Observa-se, assim, que a Desses 30 países, as subsidiárias respondentes encon-
presença das MNBRs não está restrita às indústrias tram-se em oito (Alemanha, Canadá, Espanha, EUA,
baseadas em recursos naturais, nem ao caso excepcional França, Itália, México e Portugal), representando 42%
da Embraer. A presença brasileira é significativa, especial- da amostra. As demais 58% se localizam nos países
mente nas indústrias de base metal-mecânica. não-membros da lista de respondentes (África do Sul,
Angola, Argentina, Bolívia, Chile, China, Colômbia,
O trabalho de aplicação e follow-up do survey
Emirados Árabes Unidos, Equador, Eslováquia, Paraguai,
atingiu 30 entre 46 (65,2%) matrizes e 66 entre 94
Peru, Uruguai e Venezuela).
(70,2%) subsidiárias. Algumas empresas preferiram
responder ao survey da subsidiária de maneira agregada, Finalmente, para avaliar as perguntas sobre FSA e
preenchendo apenas um questionário para várias CSA, os países foram divididos em outras duas cate-
unidades. O único setor que não gerou respostas foi o gorias: (1) regionais – 45%, Argentina, Bolívia, Chile,
da indústria de insumos para a construção civil. Colômbia, Equador, Paraguai, Peru, Uruguai e Vene-
zuela; e (2) globais – 55%.
3.4. Construção das variáveis
3.4.1. Variáveis do agrupamento dos países 3.4.2. Variáveis dos atributos do ambiente competitivo

A primeira divisão sobre a avaliação do “Diamante O primeiro atributo do diamante (PORTER, 1990) se
da Vantagem Competitiva Nacional” foi feita em função refere às condições dos fatores. Sua caracterização é
dos países em que atuam as 66 subsidiárias das MNBRs feita pelas respostas obtidas, em uma escala de um
respondentes, localizando-se nos seguintes 22 países: a cinco, indicando “discordo” ou “concordo forte-
África do Sul (2% das respondentes), Alemanha (2%), mente”, para os seguintes critérios: existência de im-
Angola (2%), Argentina (15%), Bolívia (2%), Canadá portantes centros de pesquisa contribuintes para o
(5%), Chile (6%), China (6%), Colômbia (6%), desenvolvimento dos negócios; qualificação, especia-
Emirados Árabes Unidos (2%), Equador (2%), lização e nível de pagamento da mão-de-obra local.
Eslováquia (2%), Espanha (2%), EUA (17%), França O segundo atributo é a condição da demanda. Os
(2%), Itália (2%), México (8%), Paraguai (2%), Peru respondentes foram convidados a qualificar, na mes-
(6%), Portugal (8%), Uruguai (5%) e Venezuela (3%). ma escala de um a cinco, se os consumidores locais
exigiam padrões elevados e se a demanda de mercado
Logo, as subsidiárias estão localizadas principal- crescia rapidamente nos negócios da unidade. O
mente na América Latina (55%), sendo que, indivi- terceiro atributo, por sua vez, corresponde à presença
dualmente, as maiores concentrações encontram-se de setores correlatos e de apoio no país. Utilizando a
nos EUA, na Argentina, no México e em Portugal. A mesma escala de um a cinco, são qualificadas as
China já constitui um destino importante na análise. capacidades e qualidades dos fornecedores; a força
A predominante proximidade geográfica e cultural do relacionamento com estes; e o suporte de outras
da concentração regional e individual reforça a idéia instituições para os negócios. Por último, o atributo
de internacionalização para regiões com menor da estratégia, estrutura e rivalidade das empresas.
distância psíquica, conforme o argumento da Escola Sua operacionalização é desenvolvida em perguntas

Gestão & Regionalidade - Vol. 24 - Nº 71 - edição especial - XI Semead 2008 - out/2008 49

04RGR71.p65 49 12/2/2009, 08:22

A INFLUÊNCIA DO AMBIENTE COMPETITIVO NAS ESTRATÉGIAS
DAS SUBSIDIÁRIAS ESTRANGEIRAS DE MULTINACIONAIS BRASILEIRAS

igualmente escalonadas, que caracterizam a proati- OCDE em relação aos países não-membros da OCDE
vidade do governo quanto ao apoio ao investimento (Tabela 1). Os resultados apontam que, considerando-
e ao crescimento industrial, o nível de competição se o diamante das nações genericamente, existe uma
no país e a velocidade da inovação dos competidores. diferença significativa entre a avaliação das subsidiárias
em países da OCDE e aquelas em países não-membros
3.4.3. Variáveis do atributo da criação de valor da OCDE. As primeiras avaliam mais positivamente o
Finalmente, para auferir a criação de valor por diamante do que as últimas (p = 0,01). Portanto, ins-
meio de inovação, uma variável mede a atribuição talar-se em países da OCDE garante acesso a um am-
da competência de P&D das subsidiárias em relação biente competitivo mais estruturado.
à matriz e a outras unidades de da rede (BIRKINSHAW,
HOOD & JONSSON, 1998), numa escala de cinco pontos. 4.2.1. Condições de demanda
Avaliando os fatores isoladamente, a aresta da
4. RESULTADOS E ANÁLISES demanda mostra uma diferença significativa entre
4.1. A relação do ambiente externo com a as subsidiárias na OCDE e fora dela. A estratificação
criação de valor no exterior revela que 85,7% das subsidiárias de MNBRs instala-
Esta seção inicia-se com o objetivo de responder à das em países-membros da OCDE concordam que
primeira pergunta levantada no referencial teórico: (1) os consumidores locais são exigentes, contra 48,6%
existe alguma associação entre a avaliação do das que operam em países não-membros da OCDE.
ambiente externo e a criação de valor no exterior? Essa análise fortalece o debate, ainda mais quando é
Transformando as variáveis componentes das qua- identificado que a demanda cresce mais rapidamente
tro arestas do diamante numa única variável em escala em países não-membros da OCDE (72,9% con-
de Likert de um a cinco pontos com Alpha de Con- cordam, contra 46,4% não-OCDE).
brach (0.859), e com base na variável da compe- As empresas são mais propensas a se tornar
tência em P&D das subsidiárias brasileiras no exterior, competitivas em setores em que a demanda interna
a correlação de Pearson se mostra positivamente propicia a antecipação das necessidades e tendências
significativa (p = 0,01) e de moderada força (0,504). dos demais compradores. Tanto melhor será se a
Esses dados confirmam a associação das arestas do sofisticação e a exigência pressionarem para padrões
ambiente competitivo com as atividades de maior e tendências internacionais, o que configura um
valor no exterior. Ou seja, subsidiárias brasileiras com cenário de “indicadores preliminares”. Logo, é reco-
forte competência em P&D tendem a fazer uma ava- mendável buscar se instalar nos países-membros da
liação positiva das condições do ambiente competi- OCDE, pois haverá maior força a inovar e melhorar
tivo do país em que a empresa está localizada, mos- os produtos e serviços da empresa.
trando a importância do “Diamante Nacional”. O problema nesse ponto é que os países desen-
volvidos são os que têm os mercados mais exigentes.
4.2. A avaliação do diamante de países da Sendo assim, nesse ambiente é que estarão os mais
OCDE vs. não-membro da OCDE recentes e elevados padrões de consumo, mas, também,
A análise prossegue com as duas questões le- é o mercado em que a demanda cresce de maneira
vantadas no artigo, elencadas a seguir: (2) existe menos acelerada, comparada aos países não-membros
diferença na avaliação das subsidiárias estran- da OCDE. O resultado é uma competição acirrada que
geiras brasileiras entre o ambiente competitivo eleva o padrão de consumo do mercado e o nível da
dos países da OCDE e dos não-membros da concorrência por uma qualidade superior.
OCDE?; (3) a diferença de avaliação quanto ao Isso torna mais dispendioso o preparo para
pertencimento da OCDE tem reflexos também competir nesses mercados, principalmente enquanto
nas competências de inovação (P&D) atribuídas se atua no mesmo. Ou, ainda, instalar-se nesse am-
pelas subsidiárias estrangeiras brasileiras? biente para buscar antecipar as tendências pode ser
Uma analise estatística por meio de teste T Student pouco prudente para empresas que não estruturaram
mede a diferença significativa das variáveis do ambiente suas ações a fim de absorver e propagar esse vetor.
competitivo em subsidiárias instaladas em países da Como uma das alternativas, pode-se pensar em um

50 Gestão & Regionalidade - Vol. 24 - Nº 71 - edição especial - XI Semead 2008 - out/2008

04RGR71.p65 50 12/2/2009, 08:22

4 1.14 0.65 0.901 -2. as estratégias que privilegiam titivos internacionalmente facilita a criação de van- o fator da demanda devem buscar uma maior ponde.1792 0.526 0. têm um nível de relacionamento quase que com- cios. serviços e métodos de que.36 1. melhores fornecedores.843 dos competidores é alta OCDE 28 3.p65 51 12/2/2009. Felipe Mendes Borini.edição especial .out/2008 51 04RGR71.608 OCDE 28 4. isto é.362 -0.78907 Os consumidores locais exigem não OCDE 34 3.24 60.133 -0.01) e instituições de suporte (p = 0.532 53. Nessa óti- regional.6246 0. possuem necedores e à força do relacionamento entre com.648 56.894 4. a estratégia de agregação. caso que apóia a melhora técnica e a inovação.956 A velocidade na inovação de produtos não OCDE 30 3.24 1. não OCDE 37 3.XI Semead 2008 .198 de pesquisa OCDE 27 2.25 1. Muito mais do que acesso aos componentes.1 Setores As capacidades e qualidades dos não OCDE 35 3.38 0. nos países não-membros. cedores.944 47.692 -0. na OCDE.285 55.728 0.92 0.319 Fonte: autores.199 53. Contudo. Gestão & Regionalidade .957 Existem importantes centros não OCDE 33 2. se em bases mais exigentes. Edson Renel da Costa Filho e Moacir de Miranda Oliveira Júnior Tabela 1: Comparativa dos atributos do diamente OCDE vs.391 0.01 fornecedores são elevadas OCDE 28 3.26 0.462 50. ou seja.79 0.761 -1.8 54.334 Fatores A Mão-de-Obra é barata não OCDE 37 3.2.2.014 crescendo rapidamente OCDE 28 3.077 aos negócios OCDE 28 3.192 0.249 Competição A competição no país é intensa não OCDE 34 4. maximizar a relevância local da empresa para turbinar é o forte e constante intercâmbio de conhecimento sua receita e participação de mercado.026 Demanda padrões elevados OCDE 28 4.32 1. 4.97 0. t df Sig.10).35 e fornecedores é forte OCDE 28 3.404 0. ao nível das capacidades e qualidades dos for. 08:22 .076 A demanda de mercado está não OCDE 36 3.Vol. há uma forte relação com os forne- produção (GHEMAWAT.58 0.63 1.82 0.283 -2. constituído pelas respostas referentes à qualidade mediana em relação aos da OCDE. Isso leva a a atuação não seja de exclusividade no país.981 -2.14 1. instalar. Setores correlatos e de apoio Os recortes indicam que as condições das insti- Quanto ao atributo “setores correlatos e de tuições nos países não-membros da OCDE são de apoio”.516 58.642 0.6234 -2.27 0. mas existência de boas instituições de suporte aos negó.017 Diamante Nacional OCDE 28 3.026 Há boas instituições de suporte não OCDE 37 2. A presença de fornecedores domésticos compe- Desse modo. mas não de maneira auto- ração no que tange à adaptação. pois. 2007).519 63 0 OCDE 28 1.945 O relacionamento entre compradores não OCDE 36 3. fica evidente a diferença intermediários a fim de amadurecer um conjunto de significativa quanto às capacidades dos fornecedores competências importantes para. as empresas somam exatamente 50%. 60. investindo em mercados pradores e fornecedores.Nº 71 . buscar mática.2 0. com certas ca. 24 . movimento mais gradual. não-membro da OCDE Variáveis N Mean Std. há a ponderar o aspecto sobre a proximidade como o mais possibilidade de organizar-se estratégia de modo importante na composição desse atributo.994 -0. (p = 0.811 OCDE 28 3.742 62 0. Dev.39 1.533 0.227 O ambiente politico não OCDE 26 3. e.878 2.7% dos respondentes da OCDE concordam padronizações de produtos.31 1.301 58 0. que.89 1. por sua vez.113 O governo nacional é altamente pró-ativo não OCDE 37 3.46 1.983 -1.39 0.008 OCDE 28 4. tagens para as empresas. finalmente.08 0. parável aos da OCDE.

A INFLUÊNCIA DO AMBIENTE COMPETITIVO NAS ESTRATÉGIAS
DAS SUBSIDIÁRIAS ESTRANGEIRAS DE MULTINACIONAIS BRASILEIRAS

Caso as opções estratégicas da empresa equacio- 4.2.4. Estratégia, estrutura e rivalidade das
nem a importância de fornecedores locais, as subsi- empresas (competição)
diárias localizadas em países da OCDE têm maior O atributo “estratégia, estrutura e rivalidade” foi
chance de ponderar a possibilidade de abordar pela constituído pelas avaliações acerca da intensidade
arbitragem, seja de modo funcional, seja vertical, com da competição no país, da velocidade da inovação
o intuito de equilibrar oferta e demanda dentro das de produtos dos competidores e da proatividade e
fronteiras organizacionais (GHEMAWAT, 2007). apoio do governo para o crescimento industrial e
investimentos. A priori, 65,8% das subsidiárias loca-
4.2.3. Condições de fatores
lizadas em países não-membros da OCDE concordam
Quanto às condições dos fatores ao analisar as que a competição é intensa, que a velocidade na
características da mão-de-obra (MDO) (p = 0,01), são inovação é alta e que o governo nacional é altamente
distinguidas duas posições. Para MDO qualificada, proativo, ao passo que 60,8% das empresas em paí-
57,1% das subsidiárias instaladas em países da OCDE ses-membros da OCDE qualificam da mesma maneira
concordam, enquanto 34,2% fazem o mesmo para os critérios supracitados. Logo, não foi verificada uma
países não-membros da OCDE. Ao mesmo tempo, diferença significativa entre os grupos de países.
para MDO barata, os países da OCDE recebem apenas
14,3% de “concordo” por parte das subsidiárias, 4.2.5. O ambiente competitivo da OCDE e não-
enquanto sobe para 34,2% nos países não-membros OCDE e a criação de valor
da OCDE. Logo, a MDO é mais qualificada nos países
Realizada a análise dos atributos separadamente,
desenvolvidos e mais barata nos subdesenvolvidos.
resta verificar se existe alguma associação das ativi-
Esse cenário favorece um tipo de estratégia para dades de maior valor (P&D) com as características do
a MNBRs, a arbitragem, ou seja, a exploração de dife- ambiente separado por subsidiárias em países da
renças entre mercados de nações ou regiões cen- OCDE e fora da OCDE. O resultado (Tabela 2) mostra
trais distintas, em geral com a distribuição da cadeia que, quando a subsidiária se encontra na OCDE,
de suprimento por vários locais voltada ao equilíbrio existe uma forte e significativa associação com com-
de oferta e demanda dentro de fronteiras organi- petências de P&D, diferentemente das subsidiárias
zacionais (GHEMAWAT, 2007). Dependendo do uso e em países da não-OCDE, em que a associação é fraca
do tipo de mão-de–obra, as MNBRs podem se instalar e não-significativa. Finalmente, o resultado embasa
em países da OCDE (caso busquem desenvolver novas que, para as subsidiárias de multinacionais brasileiras,
tecnologias) ou em não-membros da OCDE, no caso a estratégia de entrada e localização em países da
de objetivarem redução de custos. Essa estratégia OCDE está associada com o desempenho de ativi-
leva a uma diplomacia empresarial mais preocupada dades de maior valor agregado (P&D).
com os sindicatos dos países locais, para evitar
contratempos com o emprego da MDO. 4.3. A avaliação do diamante regional
vs. as global
Quanto ao ponto sobre a estabilidade do ambiente
político (p = 0,01), ele é analisado em 78,6% pelas A segunda parte dos resultados investiga as
subsidiárias instaladas na OCDE e em 54% nas inseridas questões quatro e cinco, levantadas no referencial
em países não-membros da OCDE. A recomendação teórico: (4) a avaliação das características do
fica mais em função da proximidade da MNBRs com o ambiente sofre alterações quando são compa-
governo do que com sua estabilidade diretamente: as radas as atuações das subsidiárias de multina-
que são mais dependentes de políticas públicas devem cionais brasileiras na América do Sul (região
buscar governos mais proativos, que se encontram nos fronteiriça e mais próxima geograficamente) com
países que não são membros da OCDE. Por outro lado, aquelas em regiões mais distantes geografi-
a estabilidade não é tão segura como nos países da camente?; (5) essa avaliação diferenciada tem
OCDE, o que leva a uma análise, segundo a qual pode impacto na formação de FSA no exterior, repre-
ser necessário utilizar recursos que previnam riscos não- sentada pela criação de valor por meio das
comerciais, como os oferecidos pela Agência Multilateral competências em P&D nas subsidiárias?
para Garantias de Investimento (Miga), órgão do Grupo A Tabela 3 mostra a avaliação das características
Banco Mundial. do diamante pelas subsidiárias com escopo geo-

52 Gestão & Regionalidade - Vol. 24 - Nº 71 - edição especial - XI Semead 2008 - out/2008

04RGR71.p65 52 12/2/2009, 08:22

Felipe Mendes Borini, Edson Renel da Costa Filho e Moacir de Miranda Oliveira Júnior

Tabela 2: Correlação P&D e avaliação do diamante na OCDE vs. não-OCDE
Correlations Pesquisa e Desenvolvimento
Correlation Coefficient 0,723
Diamante membro da OCDE
Sig. 0,001
Spearman’s rho
Correlation Coefficient 0,179
Diamante não-membro da OCDE
Sig. 0,401
Fonte: autores.

Tabela 3: Comparativa dos atributos do diamante e escopo geográfico
Variáveis N Mean Std. Dev. t df Sig.
Regional 29 3,11 0,63764 -2,72 63 0,008
Diamante Nacional
Global 36 3,582 0,73682
Os consumidores locais exigem Regional 27 3,48 0,975 -3,04 60 0,003
Demanda

padrões elevados Global 35 4,26 1,01
A demanda de mercado está Regional 29 3,93 0,842 1,707 62 0,093
crescendo rapidamente Global 35 3,51 1,067
Há boas instituições de suporte Regional 29 2,86 1,026 -1,83 63 0,073
aos negócios Global 36 3,33 1,042
Setores

As capacidades e qualidades dos Regional 28 3,21 0,833 -2,02 60,97 0,048
fornecedores são elevadas Global 35 3,69 1,022
O relacionamento entre compradores Regional 29 3,59 0,682 -0,78 61,33 0,437
e fornecedores é forte Global 35 3,74 0,919
Existem importantes centros Regional 26 2,23 0,71 -1,3 58 0,200
de pesquisa Global 34 2,59 1,258
Fatores

A Mão-de-Obra é barata Regional 29 2,97 0,906 2,488 63 0,016
Global 36 2,25 1,317
O ambiente politico Regional 28 3,07 1,331 -3,64 62 0,001
Global 36 4,14 1,018
O governo nacional é altamente Regional 29 3,14 1,329 -0,77 59,38 0,447
pró-ativo Global 36 3,39 1,293
Competição

A competição no país é intensa Regional 26 4,15 1,084 -1,13 46,74 0,266
Global 36 4,44 0,877
A velocidade na inovação de produtos Regional 22 3,18 1,22 -1,22 44,07 0,228
dos competidores é alta Global 36 3,58 1,204
Fonte: autores.

gráfico regional vs. as subsidiárias em países fora da membros da OCDE e os não-membros da OCDE, os
América do Sul. resultados chamam atenção para a aresta da de-
Os resultados mostram que existe uma diferença manda. As subsidiárias em mercados mais afastados
significativa (p = 0,01) entre a avaliação do diamante geograficamente têm um ambiente muito mais com-
das subsidiárias regionais e globais tomadas por petitivo, em virtude da demanda acirrada (p = 0,10)
escopo geográfico de atuação. Atuar regionalmente, e, conseqüentemente, ao maior nível de competiti-
embora seja uma estratégia que envolva menos risco vidade e um padrão de exigência superior.
e minimize a crise de confiança no exterior, não ga-
rante necessariamente acesso às melhores condições 4.3.2. Setores correlatos e de apóio
competitivas, estruturais e institucionais.
Quanto aos setores correlatos, instituições de apoio
e parceiras regionais são avaliadas como mais
4.3.1. Condições de demanda deficientes (p = 0,05 e 0,10) quando comparadas às
Assim como para a diferença entre os países- de regiões mais afastadas, devido ao fato de serem

Gestão & Regionalidade - Vol. 24 - Nº 71 - edição especial - XI Semead 2008 - out/2008 53

04RGR71.p65 53 12/2/2009, 08:22

A INFLUÊNCIA DO AMBIENTE COMPETITIVO NAS ESTRATÉGIAS
DAS SUBSIDIÁRIAS ESTRANGEIRAS DE MULTINACIONAIS BRASILEIRAS

mais desenvolvidas. Porém, é interessante ressaltar que 4.3.5. O ambiente competitivo da OCDE e não-
estratégias regionais, ainda que minimizem a distância OCDE e a criação de valor
psíquica e o risco, nem sempre são as mais adequadas
A Tabela 4 mostra a correlação de Spearman para
para a arbitragem, mas talvez para a integração ou
criação de valor FSA, por meio das competências em
adaptação dos mercados, já que a demanda se apre-
P&D nas subsidiárias.
senta mais aquecida nos mais vizinhos.
O resultado mostra que existe uma moderada e
4.3.4. Condições dos fatores significativa associação com competências de P&D
Quanto às condições dos fatores (p = 0,01), a dife- quando as subsidiárias se encontram além do âmbito
rença significativa permanece no que tange à mão- regional. Em oposição, as subsidiárias regionais têm
de-obra e ao ambiente político. Apesar de as globais uma associação fraca e não-significativa. Logo, a es-
se localizarem também no Leste Europeu, no Oriente tratégia regional pode ser um driver para a exploração
Médio, no Pacífico da Ásia e na China, a avaliação de mercado e crescimento, mas não para a cons-
ainda é influenciada pelos países da OCDE. Entretanto, tituição de estratégias de desenvolvimento de FSA no
a crescente instabilidade política da região sul-ameri- exterior. Esse tipo de dado tende a levar para uma
cana, atrelada a condições de trabalho pouco quali- estratégia de internacionalização entre a arbitragem,
ficadas, pesam negativamente na avaliação. Não é mais caso se opte pelos mercados globais, e a adaptação,
o simples trade off entre mão-de-obra mais barata, no contexto regional.
pois o custo para acessá-la pode ser maior que o custo
do risco de se aventurar além das fronteiras regionais.
5. CONSIDERAÇÕES FINAIS
4.3.4. Estratégia, estrutura e rivalidade das A Tabela 5 é uma síntese dos resultados obtidos
empresas (competição) por meio das respostas às perguntas levantadas.
Os resultados mostram que não existe uma dife-
rença significativa em relação específica à compe- Os resultados da pesquisa mostram que as subsi-
tição. Ainda que as subsidiárias em países não- diárias de multinacionais brasileiras avaliam o am-
regionais façam uma avaliação mais positiva deste biente competitivo exterior de maneira positiva em
fator, mostrando que é melhor operar nestes países, geral. Isto é importante, dada a associação das boas
a diferença não pode ser notada como significativa. condições do contexto competitivo e institucional

Tabela 4: Correlação P&D e avaliação do diamante quanto ao escopo geográfico
Correlations Pesquisa e Desenvolvimento
Correlation Coefficient 0,311
Diamante Regional
Sig. 0,208
Spearman’s rho
Correlation Coefficient 0,496
Diamante Global
Sig. 0,016
Fonte: autores.

Tabela 5: Principais resultados
1) Existe alguma associação entre a avaliação do ambiente externo e a criação de valor no exterior? Sim e Positiva
2) Existe uma diferença de avaliação das subsidiárias estrangeiras brasileiras quanto a avaliação do Sim e positiva para as
ambiente competitivo dos países da OCDE em comparação aos países não pertencentes a OCDE? subsidiárias na OCDE
3) A diferença de avaliação do ambiente tem reflexos também nas competências de inovação Sim e positiva para as
(P&D) atribuídas pelas subsidiárias estrangeiras brasileiras? subsidiárias na OCDE
4) A avaliação das características do ambiente sofre alterações quando comparado a atuação Sim e positiva para as
das subsidiárias de multinacionais brasileiras na América do Sul (região fronteiriça e mais subsidiárias
próxima geograficamente) e em regiões mais distantes geograficamente? não regionais
5) Essa avaliação diferenciada tem impacto na formação de FSA no exterior, representada pela Sim e positiva para as
criação de valor por meio das competências em P&D nas subsidiárias? subsidiárias não regionais
Fonte: autores.

54 Gestão & Regionalidade - Vol. 24 - Nº 71 - edição especial - XI Semead 2008 - out/2008

04RGR71.p65 54 12/2/2009, 08:22

embora garanta estratégias haver distorção nas avaliações para favorecer a atuação de exploração de mercados e recursos (GHEMAWAT. assim devem ter algumas questões em mente: a empresa como uma necessidade de se avaliar se há outras variáveis está disposta e tem recursos para enfrentar o risco que influenciem o processo decisório e que não per- que as distâncias geográficas trarão? O conjunto de tençam às fronteiras nacionais. quisas.XI Semead 2008 . por exemplo. entre tra a tendência de regionalização das multinacionais. focadas e mais precisas. pois pretende se a multinacional brasileira procura se internacio. A generalidade com que dos fornecedores e dos consumidores. ser considerada nas formulações estratégicas. a avaliação do ambiente é superior do que para manter a referida empresa em expansão naquelas subsidiárias instaladas fora dos países da internacional e solidificação local? OCDE. Um de maior valor agregado. Aquelas em mercados sul. Foram analisadas ridas diz respeito ao escopo geográfico de atuação 66 subsidiárias de diversos setores.Vol. A simples expansão para capacidade analítica. Edson Renel da Costa Filho e Moacir de Miranda Oliveira Júnior com o desenvolvimento de atividades de maior valor arquitetados? A empresa tem a flexibilidade agregado nas subsidiárias. aliado à quarto limite seria que os respondentes foram altos posição geográfica do Brasil. volvidos mais estudos nessa área. Felipe Mendes Borini. das subsidiárias em relação a outras unidades da matriz. estes. aqueles com menor tempo na empresa e comum nos países da tríade. os decisores das empresas força da matriz e da iniciativa da própria subsidiária. Cada caso tem suas particularidades. mento de competências superiores em P&D. adquirir determinadas competências das empresas. as diferenças seriam equalizadas no subsidiárias. antes de optar por essas reco. Outro ponto que tange as investigações percor. 08:22 . tratamento dos dados. a atuação competências que se está mobilizando atende e é de financiamento e garantia do Grupo Banco Mundial atendido pela estrutura e estratégia que estão sendo ou as análises técnicas da Unctad. fica um espaço entre a importância da perspectiva mendações ou avaliar a importância dos atributos ambiental em conjunto com as demais. Isso pode diluir das subsidiárias brasileiras. dirigentes das unidades. ou expandir nalizar para desenvolver novas tecnologias. 2007). inibe a formação de FSA para a exploração Finalmente. Além do fato de haver. Mas não são as únicas. foram tratados os atributos e feitas as conclusões deve membros da OCDE devem ser priorizados. proporcionando o desenvolvi. Entretanto. sendo que a atenção recai em especial pela associação forte e positiva de um ambiente maduro Essas são algumas das perguntas freqüentes em em países da OCDE.Nº 71 . algumas ressalvas devem ser fornecedores locais? Há canais de comunicação que ponderadas. explorar determinadas oportunidades. como as competências em necessária para se ajustar à demanda e aos P&D. há também a possibilidade de fronteiras geográficas. Outro limite se refere à amostra. Outro limite depende da vontade cuja avaliação está associada à criação de atividades da própria matriz em explorar o meio externo. há uma necessidade de serem desen- global. permitam a transferência de conhecimento entre as unidades e ganhos efetivos para toda a corporação? Quando as subsidiárias estão instaladas em países Finalmente. ou seja. os países. impele um esforço con. Gestão & Regionalidade .p65 55 12/2/2009. Logo. 24 . Para as futuras pes- Em última instância.out/2008 55 04RGR71. Esse fenômeno. Isso leva ao competências de alto valor e ter um impulso advindo primeiro limite dessas análises. como ditado pelas estratégias de arbitragem. há competências e estruturas suficientes da OCDE. Como cada setor tem suas associada à criação de competências de valor nas particularidades. diferenças interessantes que gerariam análises mais americanos têm uma avaliação mais fraca e não. processos de internacionalização. em contraposição às subsidiárias globais.edição especial . com a do Modelo Diamante.

In: BIRKINSHAW. Stefan. theory of innovation and interactive learning. London: First Special Issue. Felipe M. GOULART. Christopher A. Pankaj. 2000. Janeiro. Rio de London: Pinter Publisher. Julian. p. Finn. 1992. BCG – THE BOSTON CONSULTING GROUP. COMITÊ DAS REGIÕES. 229-252. Novembro. Relatório de Gerenciando empresas no exterior: a solução pesquisa: estratégias e competências das transnacional. François. p. Technological foreign direct investment and the operation of capabilities of countries. Boston. Robert. theknowledge economy. The interna- B IRKINSHAW . Ulf. março. Are the largest financial institutions foreign subsidiaries in industry clusters. Yves. 2002. Seminário Internacionalização de Empresas Brasileiras. London: Sage. 08:22 . 1999.. Prescott. Administrar diferenças: o corporations: the role of subsidiary initiative. Tony S. 22. MA: Harvard Haroldo V. 7. Disponível em: Journal. Internacionalização de empresas global economy. 1997. Jose & WILLIAMSON. 265-295. multinational corporation. In: Academy of Management Executive. Julian & HOOD. 1993. CHESNAIS. 2004. Bruxelas. JOHANSON. firm rivalry and foreign multinational enterprises. 19. National systems of innovation – towards a Studies.Vol. Research design – qualitative and performance and competence development in quantitative approaches. Mats & HOLM. Journal of International Business (Org. 4. London: Third Quarter. ANDERSSON. KOGUT . SANTOS. DOZ. p. HOOD. dezembro. 997-1. multinacionais brasileiras.018. 6. p. excellence.). Jan-Erik. 2001. 2007. 2001. 2002. O impacto da política regional ______. JOHANSON. Linda & BRASIL. União Européia. Rio abordagem diferente da utilização dos recursos dos de Janeiro.out/2008 04RGR71. p. competitividade e incrementalismo. Julian & M OORE . & GHOSHAL. Ana Cláudia. v. <http://www. FLEURY. Bengt-Ake direct investments. files/New_Global_ Challengers_Feb_2008. RA JÚNIOR. BIRKINSHAW. 44(4). The 2008 BCG new global challengers: how top companies from FROST. 1998.bcg. 12. p. petitividade na OCDE. global to metanational: how companies win in ARRUDA. 1998. 2007. 1992. Quarter. Bruce & A NAND . dezembro. Building firm-specific advantages n multinational G HEMAWAT . From ment Journal. subsidiaries innovations.. São Paulo: Prentice market commitments. 2002. The strategic impact of external networks: subsidiary CRESWELL. Pedro Alcino. Ulf. Strategic Management Journal. & BORINI. Estratégias de internacionalização: Business School Press. As novas políticas de com. Sumantra. Moacir de M. John H. Business Studies. Amado Luiz & B ERVIAN . Jaideep. John W. Multinational enterprises and the DOM CABRAL (Org. 8 (1).com/impact_ expertise/publications/ FROST. Management International Review. Revista do BNDES. Characteristics of GROSSE. 23. 14. 1999. Workhingan: Addison-Wesley. 101-123. Maria Tereza L.edição especial . 87-122. FORSGREN. The geografic sources of foreign rapidly developing economies are changing the world. Karl.pdf>. Carlos Alberto. of International Business Studies. 1994.p65 56 12/2/2009.XI Semead 2008 . 12(3): 305-322 1975. Jour- knowledge in global service firms: centers of nal of Management Studies. ed. In: desafio central da estratégia global. 2000.Nº 71 . 2007. 979-996. Tony S. BIRKINSHAW. v. A INFLUÊNCIA DO AMBIENTE COMPETITIVO NAS ESTRATÉGIAS DAS SUBSIDIÁRIAS ESTRANGEIRAS DE MULTINACIONAIS BRASILEIRAS REFERÊNCIAS ALEM.. n. National systems of innovation.). São Paulo: Makron Books. tionalization process of the firm: a model of C ERVO . In: Harvard Strategic Management Journal. 81-92. 24 . Jan & WIEDERSHEIM-PAUL. Neil. In: Strategic Manage. knowledge development and increasing foreign Metodologia científica. Parecer de 18 de novembro de 1999. 12. fundos estruturais. p. Julian & ENSIGN. n. Jan & VAHLNE. 56 Gestão & Regionalidade . Centers of excellence in multinational corporations. 1996. brasileiras. Rio de Janeiro: Qualitymark. 23. Business Review. In: Strategic Management BCG Publications. n. In: LUNDAVALL. Managing tionalization of the firm – four Swedish cases. Afonso Carlos C. dezembro. FLEURY. 3. OLIVEI- BARTLETT. Peter. Promoção às exportações: o que tem sido nos pacotes de incentivos ao investimento: uma feito nos países da OCDE? Revista do BNDES. BNDES. In: FUNDAÇÃO DUNNING. Journal of International Hall. Neil & JONSSON. In: Journal really “global”?. The interna- vol. 1977. 5.

São Paulo: Contexto. July. Rosalie L. 1(3): 353-80. 715-736. L ACERDA . Charles W. 2000. 23. 229-252. Gestão & Regionalidade . 1990. ______. Alan M. (3).). 105-128. p. US multinationals a transaction cost economics approach. Haiyang & WORTHINGTON IV. Felipe Mendes Borini. (CD-ROM. Academy of Management Annual Conference. San Francisco: Jossey-Bass p. 125-137. HITT. Special Issue. v. 34. 1997. Michael A.Nº 71 .. Moacir M. 10. 1988. Lei. tions for value creation. 23. 14. Allen J. Chang H. 2007. 24 .out/2008 57 04RGR71. WRIGHT. p. novembro de 2003. 8. 1987. Academy of Management Review. Rio de Janeiro. Edson Renel da Costa Filho e Moacir de Miranda Oliveira Júnior REFERÊNCIAS HILL. Carla M. vol. 14. International diversification: effects on Coppead. 2000. for analyzing industries and competitors. Dragon multinationals: new players 2003. S. Journal of International Business Studies. Special Issue. p. n.p65 57 12/2/2009. The differen. March. YIN. July. ROTH. International expansion of emerging market enterprises: a RUGMAN. 1992. Review. Chong. p. n. 2006. The globalization myth: O H . In: LACERDA. Oded. Regional the case of China. 401-412. 2005. 27-42. 1980. 3. Differentiation versus low cost OLIVEIRA JÚNIOR . 1981. Alan M. Clustering countries in different institutional contexts. or differentiation and low cost: a contingency Influence of the accumulation of knowledge in the framework. LI. Towards a theory of regional multinationals: MOORE. of major Brazilian companies. PORTER.. n.Vol. Competitive advantage of nations. H OSKISSON . Is regional strategy more effective than global strategy in the US service industries? Management RUGMAN. Desenvolvimento e 1985. Implementing Antonio Correa (Org. Management and on attitudinal dimensions: a review and synthesis. 435-454. Strategic Management Journal. Kendall & MORRISSON. & R UGMAN . John. Rio de Janeiro: Hicheon. L UO . 44(4). 2004. economics of internal markets. 2004. 1997. Springer. in 21st century globalization. Academy of Management Review (pre-1986). Issue 4. Alan M. v. gional na União Européia: o que podemos apren- tiated network: organizing multinational corpora. Alain. strategies for entering international markets: a study 13. Karl & RUGMAN. global strategy: characteristics of global subsidiary riscos e desafios. & K IM .) innovation and firm performance in product. LI. 24(1). inserção externa da economia brasileira. INTERNACIONALIZAÇÃO DE EMPRESAS . Organization Review. Peter. Desnacionalização: mitos. p. 2003. der? Revista do BNDES. vol. v. Michael E. mandates. Asia Pacific Journal of Management. New York: 40(4): 767-98. 1. MATHEWS. Michael A. n. L.edição especial . lization and strategic management perspectives. British are regional not global. 4. 2007. Learning behaviors of local firms and foreign entrants RONEN. Nitin & GHOSHAL. Sumantra. 44(4). A refinement of Porter’s strategies. Álvaro B. p.XI Semead 2008 . 2004. p. Business Strategy Review. Journal of International Business Studies. Asia Pacific Journal of Management. Extending the springboard perspective. 7. In: IV WORKSHOP EM HITT . Emerging markets as learning laboratories: York: Free Press. ABI/Inform Global. New York: Columbia University Press. Free Press. Alan M. 08:22 . Robert E. & VERBEKE. dezembro. Publishers. Competitive strategy: techniques diversified firms. 93-101. Inside the multinationals: the International Review. 38(4): 481-98. Antonio Correa. New William J. & C YRINO . Management International multinationals and the Korean cosmetics industry. Eden & CHOI. Academy of Management Journal. 2. vol. SILVA. Simcha & SHENKAR. ______. Yadong & T UNG . Política de desenvolvimento re- NOHRIA. Journal of International theory of the multinational enterprise: interna- Business Studies.

e-mail: lucasrbl@terra.CEP 09190-370 .p65 58 12/2/2009.e-mail: milton_farina@uol.e-mail: ricardo.e-mail: ph_trentin@ig.CEP 09715-000 .e-mail: mauro. a fim de ofertar ao mercado produtos e serviços que satisfaçam seus clientes. processo pós-compra.br Reginaldo Braga Lucas Al. 119 .Centro .B. O COMPORTAMENTO DO CONSUMIDOR INSATISFEITO PÓS-COMPRA: UM ESTUDO CONFIRMATÓRIO O COMPORTAMENTO DO CONSUMIDOR INSATISFEITO PÓS-COMPRA: UM ESTUDO CONFIRMATÓRIO POST-PURCHASE BEHAVIOR OF THE DISSATISFIED CONSUMER: A CONFIRMATORY STUDY Recebido em: 07/07/2008 Ricardo Jato Aprovado em: 15/10/2008 Professor do Curso de Administração Universidade Metodista de São Paulo UMESP Reginaldo Braga Lucas Professor do Curso de Administração . Endereços dos autores: Ricardo Jato Rua Leone Angeli.FASB Paulo Henrique Tentrin Professor de Ciências Exatas/ Faculdade São Bernardo do Campo .com.out/2008 05RGR71. apto.CEP 09613030 . Palavras-chave: comportamento do consumidor.FASB Mauro Neves Garcia Gestor do Programa de Mestrado da Universidade Municipal de São Caetano do Sul . Santo André-SP .ph@gmail.neves@uscs. 692 .FASB Milton Carlos Farina Professor de Administração Mercadológica. em especial quando estão insatisfeitos com as trocas efetuadas.br 58 Gestão & Regionalidade .CEP 09770-330 . (d) reclamar com órgãos privativos ou governamentais. além de compreender o comportamento do consumidor no processo de decisão de compra. Para tanto.São Bernardo do Campo-SP . A compreensão do comportamento dos consumidores auxilia as empresas na definição de suas estratégias mercadológicas.jato@terra.com.84 . (c) promover comunicação boca a boca negativa.com. Dona Tereza Cristina.São Bernardo do Campo-SP .Faculdade de São Bernardo . e (e) iniciar processo jurídico. 361. curso de Administração . na qual foi utilizado como instrumento um formulário contendo 47 assertivas que. Estas ações foram classificadas em cinco diferentes comportamentos: (a) reclamar com a loja ou o fabricante.com. faz-se necessário compreender também como agem os consumidores pós-compra.br Paulo Henrique Tentrin Rua Rui Barbosa. 24 . embasado em revisão da literatura e com o uso da técnica multivariada análise fatorial. Este trabalho apresenta os resultados de uma pesquisa quantitativo-descritiva. no qual empresas deixaram de competir localmente para competir globalmente. Boa Vista.XI Semead 2008 . entender e prever o comportamento dos consumidores torna-se uma obrigação para a sobrevivência de qualquer negócio. identificou ações comportamentais de consumidores insatisfeitos pós-compra.Rudge Ramos.br Milton Carlos Farina Rua João Pessoa.São Caetano do Sul-SP . 08:23 .br / trentin. 50 . realizada por meio de levantamento de campo junto a 336 respondentes.edição especial . (b) parar de comprar a marca ou na loja.edu.Nº 71 . São Bernardo do Campo-SP .USCS e professor de seu PMA RESUMO Em um mercado cada vez mais competitivo. 601.Vol.Brasil .Nova Petrópolis .com Mauro Neves Garcia Rua Santo Antônio.Centro . insatisfação.Faculdade de São Bernardo do Campo .

2000). INTRODUÇÃO a bens e serviços. perdoam 2. pesquisa qualitativa para conhecer o processo de re. reconhecimento de necessidade – percepção e serviços.Vol. (2004). understanding and foresing the consumers’ behavior becomes an obligation for the survival of any business. coloca-se a seguinte da diferença entre a situação desejada e a questão: que comportamento os consumidores situação real. Diante deste contexto. avaliação de alternativa pré-compra – opções Este artigo aborda o comportamento dos con. in which it was used as instrument a form with 47 assertions that. especially when they are dissatisfied with the business done. mático. Milton Carlos Farina. Therefore. visando à identificação de fatores que competir globalmente. in which companies no longer compete locally to compete globally. Paulo Henrique Tentrin e Mauro Neves Garcia ABSTRACT In a more and more competitive market. e) start law action. b) stop buying the brand or in the store. avaliação de alternativa pós-compra – satisfa- clamação pós-compra dos consumidores em relação ção que a experiência de consumo produziu. que realizaram uma 5.Nº 71 . determinam o comportamento de reclamação dos mento dos consumidores torna-se uma obrigação consumidores pós-compra. mais conscientes e inteligentes. Reginaldo Braga Lucas. em termos de benefício esperado e alternativa sumidores pós-compra e tem como objetivo identi. Ricardo Jato. c) promote a negative word-of-mouth.out/2008 59 05RGR71. has identified post-purchase behavior actions of the dissatisfied consumers. a tomada com relação às reclamações pós-compra. dissatisfaction. These actions have been classified into five different behaviors: a) complain with the store or the manufacturer.edição especial . 1. trata-se de um processo complexo. É continuação do trabalho desenvol. é compreender segue vários estágios até sua efetivação. based on the literature review and with the use of the multivariate factor analysis technique.p65 59 12/2/2009. Afinal. consumo – utilização da alternativa comprada. in order to offer to the market products and services that satisfy their customers. 08:23 . Apresenta os resultados quantita- tivos do comportamento do consumidor quando in- Em um mercado cada vez mais competitivo. que na compra de produtos e serviços. vido por Polloni et al. com ofertas iguais ou melhores (KOTLER. algo que o indivíduo faz sem se dar conta. Blackwell & Miniard (2000). d) complain with private or government organism and. de uma substituta. Gestão & Regionalidade . compra – aquisição da alternativa preferida ou de um serviço. to dos consumidores no que diz respeito às decisões entretanto. it is also necessary to comprehend how the consumers act post-purchase. assumem quando insatisfeitos com um produto 2. como estes mesmos consumidores se comportam Segundo Engel. REFERENCIAL TEÓRICO menos e são assiduamente abordados pelos concor- A decisão de compra de um produto ou serviço rentes. pode parecer algo corriqueiro ou até mesmo auto- Tão importante quanto entender o comportamen. 6. 24 .XI Semead 2008 . para a sobrevivência de qualquer negócio. The comprehension of the consumer behavior helps the companies in the definition of their marketing strategies. 3. resultados estes que receberam tratamento qual empresas deixaram de competir localmente para estatístico. ficar ações comportamentais de consumidores quan- do insatisfeitos com a aquisição de um produto ou 4. post-purchase process. mais difíceis de ser agradados. This study presents the results of a quantitative-descriptive survey applied to 336 respondents. entender e prever o comporta. preferida. no satisfeito. Os clientes estão cada vez mais exigentes. Keywords: consumer behavior. busca de informação – informação armazenada ou serviço? na memória ou oriunda do ambiente externo. gran- de decisão do consumidor tem os seguintes estágios: de parte do sucesso de uma empresa depende da satisfação de seus consumidores com seus produtos 1. besides the comprehension of the consumer behavior in the purchase decision process.

Mittal & Newman de marketing prometem demais. englobando cultu. O mesmo tema foi abordado por Kotler indiferença. Esse modelo estabelece que os consumidores rio que será seguido. Insatisfação e comportamento do consumidor Para Solomon (2002). o resultado será insatisfação emocional tamento do consumidor. forme observaram Sheth. 1998. penho real do produto. A satisfação freqüen. ao afirmar que Havendo equilíbrio entre o desempenho esperado e o propósito de todo negócio é criar e manter clientes as expectativas do cliente.Nº 71 . despojamento – descarte do produto não-con. molda o tipo de comportamento de processo decisó. correndo o risco de causar insatisfação do satisfeitos ou insatisfeitos. A satisfação ou insatisfação cliente. 2. Mittal & Newman (2001). haverá satisfação emocional. influência pessoal. produto depois de comprá-lo. englobando processamen- to de informação. maior será a expectativa gerada no consu. sem. o grau de expectativa e o nível motivação. As empresas precisam encontrar um ponto se dá após a experiência adquirida com o uso de um de equilíbrio. que não necessariamente reclamam sobre seus de- temente é determinada pelo quanto o desempenho sagrados com relação aos produtos adquiridos. Para Churchill & Peter (2005).XI Semead 2008 . dos consumidores revertendo suas reclamações em 60 Gestão & Regionalidade . gerar essa experiência. 2006). Se o desempenho do produto ficar ração por sua relevância. seus valores e seu estilo de satisfação do consumidor com relação aos produ- de vida.2. (1) diferenças individuais. a satisfação merece conside. e enfatiza que o instru. URDAN & RODRIGUES. tos e serviços merecem destaque.Vol. o resultado será a satisfeitos. Quanto maiores forem o tempo desenvolvem expectativas referentes a como deveria e a energia despendidos na aquisição de um produto ser o desempenho do produto adquirido. prática de marketing das empresas concentra-se na Outro fator de influência na geração de expectati- atração de novos clientes. ao atender às expectativas prévias do consumidor sobre seu funcionamento. aprendizagem.edição especial . 2005). avaliação pós-compra concentra-se no fato de os consumidores terem ou não recebido um bom valor. a satisfação ou insatisfação do consumidor é determinada pelas sensações gerais. ra. família e situação. O tema satisfação do consumidor tem atraído sumido ou do que dele restou. cliente foi destacada por Drucker (1973). suas atitudes.1. (3) processos psicológicos. englobando os recursos do consumidor. Um dos pontos importantes a serem monitorados ou atitudes. 24 . de decisão do consumidor é influenciada por diversos FARIAS & SANTOS. que podem ser divididos em três categorias: CHETTI & PRADO.out/2008 05RGR71. o consumidor não exprime de (2000). Con- retenção dos clientes existentes.p65 60 12/2/2009. a fim de comunicar objetivamente os produto/serviço e a percepção de valor recebido com atributos reais de seus produtos. Se- de um produto é coerente com as expectativas gundo Goodman (2006). sua personalidade. seu conhecimento. 1998. classe social. que as pessoas têm em relação a um pelas empresas é a insatisfação de seus consumidores. em vez de concentrar-se na vas nos clientes são as campanhas de marketing. 2001. ou seja. LARÁN & ROSSI. O modelo de quebra de expectativas e comportamento. podem criar (2001) destacaram que um dos maiores desafios das expectativas que o produto ou serviço não consegue empresas é entender por que seus clientes se sentem satisfazer. a expectativas irreais em seus clientes. ou a percepção do cliente midor em relação à satisfação com o bem adquirido. mudança de atitude 2. dada a sua importância para o entendimento de variáveis que influenciam o com- Os referidos autores destacaram que a tomada portamento de consumidores (ROSSI & SLONGO. contudo. 08:23 . MAR- fatores. A importância da satisfação do acima do esperado. ficar abaixo das Dentre os diversos fatores de influência no compor. o qual reconheceu que boa parte da teoria e forma consciente sua satisfação. Uma das teorias relativas ao desenvolvimento da Engel. O COMPORTAMENTO DO CONSUMIDOR INSATISFEITO PÓS-COMPRA: UM ESTUDO CONFIRMATÓRIO 7. Blackwell & Miniard (2000) afirmaram que satisfação e da insatisfação do consumidor é a do modelo o envolvimento pessoal é o fator mais importante que de quebra de expectativas (MOWEN & MINOR. mento para retenção de clientes é a satisfação destes. Se o desem- ou serviço. com o produto. (2) influências ambientais. Sheth. expectativas. se a comunicação e outros elementos do composto Neste mesmo sentido. com relação à qualidade esperada. pesquisadores no Brasil. 1997. sua Neste contexto.

Blackwell Day (2002) observou que. consumidor envolve as diferentes ações que os fação dos clientes é fornecer a estes informações e consumidores tomam quando estão insatisfeitos com esclarecimentos sobre os produtos e serviços rece. particular. (3) conclui sua satisfação ou insa- presa. Reginaldo Braga Lucas.out/2008 61 05RGR71. do que o preço pago. portanto. a marca ou o produto.Nº 71 . Gestão & Regionalidade . conhecer seus clientes para de insatisfação em relação a uma compra: (1) recla- garantir satisfazê-los em suas legítimas reclamações. dispostos Estas mesmas ações do consumidor também fo- apenas a obter vantagens das empresas. Ricardo Jato. Mittal & Newman (2001). seram um modelo abrangendo cinco opções de ação objetivando garantir a satisfação dos consumidores. o modelo ca. não está relacionada apenas ao valor dos produtos ou serviços. e (3) produto disponível no mercado. pós-compra é seguido de algumas reações do consu- do um consumidor está insatisfeito. Segundo este autor. o processo Para Hawkins. que é a manifestação para amigos sobre a tanto. (4) disposição dos produtos. O comportamento de reclamação do dos clientes. por exemplo. conforme ram citadas por Solomon (2002). promover comunicação boca a boca negativa ou pro- curar seus direitos por meio de processos legais. tisfação do consumidor. namentais. mação expressiva. o Por parecer um modelo mais detalhado do com- consumidor está mais propenso a tornar-se fiel à mar. a conseqüência midor: (1) o consumidor confirma sua decisão. ocorrerá o comportamento de foi adotado para as análises da presente pesquisa. como nas questões ligadas à como manifestar-se verbalmente no ponto de venda. 2000). zação ou consumo do produto. pós-compra é composto por cinco estágios: (1) utili. bidos (HUANG & LIN. permite correções e minimiza a comunicação boca a que pode estar relacionada com o ato de abandonar boca negativa. do produto. mas estende-se a fim resposta de terceiro. (2) satisfação ou insa. Hawkins. incluindo médicos e hospitais. Para Sheth. cupar em manter clientes satisfeitos. que é a busca por medidas legais de avaliar a satisfação e as ações do consumidor após contra a situação. tisfação. Paulo Henrique Tentrin e Mauro Neves Garcia satisfação. e (5) formação de fidelidade à marca. 4 – reclamar com órgãos privativos ou gover- clamação do consumidor. lia sua experiência. por Apesar da necessidade de toda empresa se preo- exemplo. 3 – fazer propaganda boca a boca negativa. que é a reclamação para o lojista (ou fabricante). Compreender como os con- sumidores agem após a compra e o consumo dos pro. uma compra (MOWEN & MINOR.p65 61 12/2/2009. saúde. reclamar ou desenvolver leal- dade ao produto. três são as respostas do consumidor frente à situação Faz-se necessário. a ação de um consumidor insatis- atitudes em relação a um produto depois de comprá-lo. Milton Carlos Farina. No que diz respeito à insatisfação. uma empresa pode aumentar a lealdade reclamação. feito pode estar nos itens seguintes: Mowen & Minor (2005) afirmaram que o processo 1 – reclamar com a loja ou com o fabricante. 2005). Mothersbaugh & Best (2007) propu- dutos permite às empresas direcionarem suas ações. proposto por Hawkins. Para Solomon (2002). 2 – parar de comprar a marca ou na loja. não termina quando o consumidor adquire um insatisfação com a loja ou com o produto. visando à compensação. o consumo (KOTLER. 08:23 . apontaram os estudos de Reynolds & Harris (2005). Mothersbaugh & Best (2007) diante da insatisfação. a satisfação ou insatisfação do consumidor é determinada pelas sensações gerais ou Neste modelo. conforme mostra a Figura 1. Mothersbaugh & Best (2007). não se pode des- considerar a existência de clientes desonestos.Vol. caso contrário. 2005).edição especial . para algumas situações & Miniard (2000) afirmaram que o consumidor. por. Ocorrendo satisfação. de compra. o consumidor pode sentir-se satisfeito ou insatisfeito com a compra. (2) resposta O trabalho de um profissional de marketing. a qualidade se mostra mais importante quando insatisfeito. (2) ava- mais favorável é comunicar essa insatisfação à em. pois isto alerta a empresa para os problemas. A questão de satisfação. Engel. bem como a efetuar novas compras. e (4) formula sua resposta ou sua ação futura. Uma das maneiras de se garantir a satis. 24 . pode agir de diferentes maneiras. quan.XI Semead 2008 . portamento do consumidor insatisfeito. (3) comportamento de re. serviço ou fornecedor. ou insatisfação. para um consumidor insatisfeito que deseja agir. Após o consumo 5 – iniciar um processo jurídico.

desenvolvido por Polloni et al.5 e. 24 . dessa tísticas. o que Os resultados obtidos nesta pesquisa foram justifica o uso de análise fatorial.p65 62 12/2/2009. na qual foi utilizado como ins.Nº 71 . trabalho de Polloni et al. pantes da discussão em grupo sobre como proceder trumento um formulário contendo 47 assertivas. encontrar os fatores que representam. apresentaram mostra a Figura 1. (1978) para retratar o comportamento dos partici- tamento de campo.edição especial . superior objetivando-se associar as assertivas obtidas por a 0. em conformidade com o modelo sobre determinados assuntos de interesse (MATTAR. selecionada por reclamação pós-compra. de forma individual. (2004) às opções de ação propostas por de a matriz de correlação ser igual à matriz identidade. Neste sentido. (2004). Hawkins. 08:23 . de compra sob a ótica da reclamação. A amostra por conveniência foi adotada os tipos de comportamentos que os consumidores por permitir a verificação e ou a obtenção de idéias possam apresentar.XI Semead 2008 . da amostra (KMO) apresentou o valor 0. O presente trabalho tomou como base pontos. vizinhança.5. tais assertivas. desenvolvidos por Polloni et al. resultando em um conjunto de zando-se escala tipo Likert de concordância com cinco assertivas. conforme Todas as assertivas. na qual Blackwell & Miniard (2000). MÉTODOS E PROCEDIMENTOS 4.30. foi utilizado o software SPSS (Statistical forma. ANÁLISE E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS O presente estudo é continuação dos trabalhos O projeto original. 62 Gestão & Regionalidade . conveniência. todas foram mantidas na análise. com valores superiores a 0. bem como as contribuições de Engel. ções expressivas. e analisou o processo os autores buscaram conhecer o processo de recla. Trata-se de (2004).749. o comportamento do consumidor A matriz de correlação apresentou várias correla- pós-compra quando insatisfeito. confirmando as assertivas que se relacionam ao comportamento de Os 336 participantes da amostra. valores de adequação da amostra superior a 0. 2007). A pesquisa de mação dos consumidores da cidade de São Paulo campo realizada forneceu subsídios para validar o em relação a bens e serviços.out/2008 05RGR71. (2004). Para a realização das análises esta. o uso da análise fatorial buscou dores da região do Grande ABC paulista e circun. considerou os achados de Day & Burbon uma pesquisa descritiva realizada por meio de levan.Vol. utili. Os valores são Package for the Social Sciences) versão 13. com faixa etária entre 18 e 30 anos. construído a partir da base da pesquisa ex. Mothersbaugh & Best (2007).0. estão distribuídos em homens e mu- lheres. ploratória realizada por Polloni et al. possivelmente. e o teste Bartlett de esfericidade rejeitou a hipótese Polloni et al. 3. A medida de adequação submetidos à técnica de análise fatorial exploratória. neste caso. (2004). apresentados na Tabela 1. Mothersbaugh & Best (2007). quando insatisfeitos. mora. proposto por Hawkins. Mothersbaugh & Best (2007). O COMPORTAMENTO DO CONSUMIDOR INSATISFEITO PÓS-COMPRA: UM ESTUDO CONFIRMATÓRIO Insatisfação Agir Não Agir Atitude menos favorável Reclamar Parar de Boca a Reclamar com Iniciar com a loja ou comprar a marca boca órgãos privativos processo o fabricante ou na loja negativo ou governamentais jurídico Figura 1: Resposta à insatisfação Fonte: Hawkins.

Os resultados da análise fatorial confir- genvalues superiores a 1. prefiro ir diretamente ao fabricante. pois.XI Semead 2008 . Neste trabalho. serviço ou fornecedor fazem parte das opções disponíveis ao con- sumidor. Quadro 1: Reclamar com a loja ou com o fabricante V3 Evito usar o Serviço de Atendimento ao Consumidor. Mothersbaugh & Best (2007). permite correções e minimiza a comuni- cação boca a boca negativa. observaram Hawkins.p65 63 12/2/2009. tanto por razões legais como por razões morais. fabricante. Mothersbaugh & Best Fonte: dados da pesquisa. e as assertivas com Kaiser-Meyer-Olkin Measure of Sampling cargas mais altas são consideradas mais importantes Adequacy. Rotation converged in 8 iterations.out/2008 63 05RGR71. conforme o modelo Sphericity df 171 proposto por Hawkins. Gestão & Regionalidade .000 A primeira opção proposta por Hawkins. (2005: são apresentadas no Quadro 1. o que lhe confere poderes superiores aos dos consumidores. o que pode ser considerado Extraction Method: Principal Component Analysis. V8 Para reclamações sobre produtos alimentícios. sendo que reclamar ou desen- volver lealdade ao produto. conforme a. Os resultados da pesquisa mostram que a op- ção de reclamação é mais utilizada pelos parti- cipantes da pesquisa. Chi-Square 963. Para Sheth.Vol. prefiro ir ao ponto de venda. por causa do nível de relacionamento. a opção de reclamar com a loja ou com o fabricante do produto parece ser uma reação Rotated Component Matrix a natural ou menos complexa de ser levada adiante. Sig. Ricardo Jato. Segundo Hair et al. 08:23 . sempre vou reclamar diretamente na loja. optou-se por Bartlett’s Test of Approx. Mother- Fonte: dados da pesquisa. .edição especial . 24 . V43 Costumo reclamar primeiro na loja. vou primeiro ao ponto de venda. Milton Carlos Farina.Nº 71 . V42 É mais fácil reclamar diretamente no ponto de venda do que com o fabricante. o pro- cesso pós-compra é seguido de algumas reações do consumidor. é reclamar com a loja ou com o A análise fatorial identificou seis fatores com ei. e também deveres (GIGLIO & CHAUVEL.749 para se nomear o fator. V27 Se o produto for importante. no que diz respeito às ações dos consumidores. o pesquisador tenta designar algum significado Para o consumidor que ficou insatisfeito com a compra realizada e pretende tomar algum tipo de Tabela 2: Análise fatorial – Rotação Varimax atitude. V38 Evito usar o Serviço de Atendimento ao Consumidor. e a rotação Varimax apre. mam a utilização desta opção pelos entrevistados. sbaugh & Best (2007). 2002).217 nomear e comparar os fatores. importante para as empresas. Component Os consumidores julgam que a empresa tem obrigação de zelar pelo bem-estar de seus clientes. V41 Para efetuar uma reclamação. Mittal & Newman (2001). . As assertivas que se ajustaram a esta primeira opção que são as cargas fatoriais. (2007). sentou os valores que constam da Tabela 2. Paulo Henrique Tentrin e Mauro Neves Garcia Tabela 1: Análises KMO e teste de Bartlett para o padrão de cargas fatoriais. 109). a seguir. Rotation Method: Varimax with Kaiser Normalization. Fonte: dados da pesquisa. ligo primeiro para o ponto de venda para verificar como devo proceder. A empresa parece ser o lado mais forte. Reginaldo Braga Lucas.

V12 Ao comprar produtos de alto valor que apresentam defeitos. Conforme observaram Loureiro et al. fato que pode ser comprovado A propaganda boca a boca negativa parece ser por meio dos resultados das análises efetuadas. As assertivas que se ajustaram a Sheth. esta segunda opção são apresentadas no Quadro 2. portanto. no que diz respeito às ações dos con- indivíduos (LOUREIRO et al. à empre. maior a probabilidade de ele engajar-se em comportamentos A análise fatorial indica que os consumidores tam. freqüentemente. o produto ou serviço adquirido.out/2008 05RGR71. represen- por parte da loja ou da empresa. os autores de seus clientes. 08:23 . deixo de comprar a marca. embora contenha a expressão “proceder legal- se publicamente.XI Semead 2008 . A uma ação de fácil adoção quando se considera que segunda opção proposta por Hawkins. deixo de comprar a marca. como comunicação negativa boca ve ser umas das prioridades das empresas. sinalizando para as análises estatísticas não apresentaram agrupamentos de empresas a importância do investimento na satisfação assertivas associadas a esta opção.Nº 71 . este consumidor poderá ter comporta. de reclamação. como o envol- adotar. Cabe. sumidores. for- poderá sentir-se insatisfeito. não volto a comprar na mesma loja. o consumidor ainda tam necessidades ainda não satisfeitas e. As nicações verbais negativas. Mothersbaugh a comunicação contrária chama mais a atenção dos & Best (2007). Consumidores insatisfeitos podem também recla- mações não são resolvidas.edição especial . bem como a falta boca negativo”. quanto maior a insatisfação do consumidor. (2003). Para estes autores. mente”. pesquisar as razões caso contrário. após a experiência positiva com um opção de ação dos consumidores insatisfeitos. de um comportamento de comunicação contrária de- mentos negativos. Mothersbaugh pode ser classificada como um comportamento de & Best (2007). por exemplo. pode levar a Mothersbaugh & Best (2007). parece expressar as opções disponíveis para Quadro 2: Parar de comprar a marca ou na loja V4 Não volto a contratar serviços dos quais reclamei. 1997). tisfação de seus clientes. são menos vulneráveis a comu- propuseram Hawkins. pois. Fonte: dados da pesquisa. Considerando que as reclamações dos consu- Mesmo após ter reclamado à loja ou à empresa. necem subsídios para se estabelecerem melhorias sa buscar contentá-lo com a resposta esperada. mento pode ser enquadrado como a opção “boca a renciar as reclamações dos clientes. reclamação negativa boca a boca. 2003). a – “quebro o pau” – na loja em que efetuei a compra”) quarta opção proposta por Hawkins. manifesto-me publicamente mar com órgãos privativos ou governamentais. entretanto. V34 Deixo de utilizar marcas de produtos que me deram problemas. por parte da empresa. Dentre os probabilidade pode variar em função de diferentes variados comportamentos que o consumidor pode aspectos situacionais e individuais. V39 Ao comprar produtos do dia-a-dia que apresentam defeitos. permitindo inferir que tal comporta. V7 expressa o desejo dos clientes de manifestarem. de preocupação com clientes insatisfeitos. bem como com pois não permite a ela identificar as causas de insa. é parar de comprar a marca ou parar de comprar naquela loja.Vol. junto às empresas (SANTOS. essa com os produtos e serviços adquiridos.p65 64 12/2/2009. V21 Apesar de não reclamar. entenderam que a variável V7 (“Quando minhas recla. ainda. 24 . talvez este seja o mais nocivo para a empresa. como a comunicação boca a boca bém utilizam esta opção quando estão insatisfeitos negativa. a boca e mudança de marca (SANTOS. Mittal & Newman (2001) afirmaram que. do modelo proposto por Hawkins. 64 Gestão & Regionalidade . midores são valiosas para aperfeiçoamentos neces- e mesmo após ter recebido algum tipo de solução sários ao produto e que. O COMPORTAMENTO DO CONSUMIDOR INSATISFEITO PÓS-COMPRA: UM ESTUDO CONFIRMATÓRIO A falta de cuidado. empresa a perder clientes. A variável V13 (“Os consumidores sabem como Esta afirmação considera o fato de que a variável proceder legalmente para fazer suas reclamações”). conforme serviço ou produto. vimento do consumidor no contexto. 1997). Mothersbaugh & Best (2007). os Fazer propaganda boca a boca negativa é a terceira consumidores. em ge.

no ponto de venda” – e a adoção de múltiplas ações sumo de padrões mais elevados. lealdade. imprensa. há LIMITAÇÕES DA PESQUISA ainda a possibilidade de estes buscarem auxílio jurí- dico. Milton Carlos Farina. privativos. e. a legislação brasileira é avançada. responsabilidade legal ressaltou a autora. adotando dos fatores que levam os consumidores a recorrer à práticas que buscam sua transformação. seja. 24 . sempre tenho a intenção de processar a empresa. contudo. Os consumidores brasileiros têm à sua disposição Os resultados da pesquisa mostram que os con- instrumentos jurídicos que lhes garantem seus direitos sumidores. RECOMENDAÇÕES E zerem valer as reivindicações dos consumidores. uma nação não desenvolve uma e moral. além de monitorar o nível (2007). pautada nos valores de um desestímulo na luta pelos direitos. 08:23 . defendendo. Sem educação. pode levar os consumidores a recorrerem à consciência de cidadania ativa e participativa. CONCLUSÃO. propostas por Haw- de seus direitos.Nº 71 . (3) promover comunicação boca a boca nega- sumidores. os quais não necessariamente possuem força jurídica para fa- 5.p65 65 12/2/2009. pode-se adotar uma ação ou outra. traz um excelente instrumental na defesa tiva. de consumo. também. Isto implica dizer que Quadro 3: Iniciar processo jurídico V28 Ao reclamar. nem sempre são seus direitos.Vol. iniciar um sua disposição. Mesmo recorrendo a órgãos públicos. uma vez insatisfeitos. satisfazer as neces- opção proposta por Hawkins. justiça. Mothersbaugh & Best (2007). Fonte: dados da pesquisa Gestão & Regionalidade . ou Apesar do aparato jurídico à disposição dos con. Neste sentido. conforme apontam os resultados das análises Um dos objetivos de qualquer empresa é. o presente estudo consumidores também utilizam esta opção quando estão corrobora o modelo de resposta à insatisfação proposto insatisfeitos com os produtos e serviços adquiridos. Paulo Henrique Tentrin e Mauro Neves Garcia os consumidores que desejam reclamar com órgãos Esta afirmação foi corroborada por Menezes (2003). Neste contexto. por vezes. as ações sumidores. observadas na realidade. havendo. seja pelos níveis de miséria que assolam o País. Reginaldo Braga Lucas.edição especial . por Hawkins. assim. seja por desconhecimento dos instrumentos Para Giglio & Chauvel (2002). apresentado em um formato linear e excludente. uma cação é ponto fundamental para tornar o consumidor hierarquização para início do processo – “reclamação mais crítico e preparado para exercer hábitos de con. justiça apenas como uma das últimas alternativas. desta forma. a imprensa parece ção está excluída do processo produtivo e das relações ser uma das opções disponíveis aos consumidores. reciprocidade. por meio da pesquisa. a saber: (1) reclamar com a loja ou (2003). a fim de trazer essa relação idealizada para a realidade. Embora consumidora. De acordo com Menezes rentes maneiras. (2) parar de comprar a marca ou um nível complexo de defesa dos interesses dos con- na loja.XI Semead 2008 . deixam de exercer kins. a relação social disponíveis ou pela descrença na justiça. Ricardo Jato.out/2008 65 05RGR71. consumidores insatisfeitos pode auxiliar as empresas no redirecionamento de suas estratégias e na adoção de A análise fatorial das assertivas indica que os ações de melhoria. Mothersbaugh & Best sidades de clientes. para a solução do problema. suas idéias a respeito A falta de consciência de cidadania talvez seja um do que a empresa deveria ser e. entender como se comportam opção são apresentadas no Quadro 3. As assertivas que se ajustaram a esta quinta de satisfação dos clientes. uma vez que grande parte da popula- processo judicial. e (5) iniciar um processo jurídico. Iniciar um processo jurídico foi a quinta da oferta de produtos e serviços. V30 Utilizo sempre um advogado para acelerar a resolução das minhas reclamações. a sociedade brasileira ainda está podem recorrer aos órgãos públicos na tentativa de aprendendo a lidar com os instrumentos colocados à fazer valer seus direitos sem. a questão da edu. podem agir de dife- nas relações de consumo. não são todos que têm plena consciência dos consumidores insatisfeitos. Para Pajoli (1994). Mothersbaugh & Best (2007). Isto implica dizer que os consumidores Para esta autora. o que provoca entre cliente e empresa. Para tanto. (4) reclamar com órgãos privativos ou governa- individual e coletiva dos interesses da comunidade mentais. comporta com o fabricante.

1998. de se recorrer. Roger D. tema este no mercado. São Paulo: Saraiva. entretanto. Advance in Consumer Research. os grupos fatores são os mais significativos no que se refere ao de discussão tendem a ser confusos. p. Os autores consideraram a possibilidade de estes dois fatores terem sido pouco explorados quando da Os resultados apresentaram dois fatores com um realização dos grupos de discussão conduzidos por maior número de assertivas agrupadas: (a) reclamar Polloni et al. Foz do Iguaçu: Anpad. & CHAUVEL. 2002. Kroll & Par- com a aquisição de um produto ou serviço. Anais. Rubens da C. Salomão A. BLACKWELL. observa-se que o número de análise e a interpretação difíceis. practices. Muzaffer. caracterizando a hierar- insatisfeitos. responsibi. 1. O COMPORTAMENTO DO CONSUMIDOR INSATISFEITO PÓS-COMPRA: UM ESTUDO CONFIRMATÓRIO os consumidores insatisfeitos podem optar por uma apresentaram agrupamento significativo de assertivas. De acordo com Malhotra (2006). o sucesso da administração depende da ra-se.out/2008 05RGR71.. a realização de pesqui- venda ou ao fabricante para efetivar a reclamação e. 1973. 66 Gestão & Regionalidade . se necessário estabelecer um canal entre empresa e portamentais dos consumidores quando insatisfeitos clientes. REFERÊNCIAS CHURCHILL. a necessidade de realização de pes. Eugenio A. Comportamento do consumidor. Foz do intangibles. O formato da pesquisa não previu duos. Conforme observaram Wright. Talvez este fato indique uma tendência utilizadas no formulário de pesquisa. nell (2000). 24 . Gilbert A.. que pode ser explorado em futuros trabalhos. Iguaçu. o que não permitiu um número com a loja ou com o fabricante. & B ODUR . 08:23 . visando a melhor explorar as diferentes numa segunda opção.Nº 71 . Paul GOODMAN..edição especial . 5. mesmo. 2002. num primeiro momento. Ralph L. isoladas ou simultâneas. In: XXII D AY . & MINIARD.Vol. entretanto. insatisfeitos permite às empresas corrigir eventuais ratura e na utilização da análise fatorial cumpriu seu falhas em seus produtos e serviços. 22-32. & PETER. sas adicionais. criação de um elo entre a empresa e seu ambiente quisas adicionais. e (b) parar de comprar mais expressivo de assertivas para medição de tais a marca ou na loja. Marie A. M. ao ponto de Recomenda-se. 2002. The role of value in consumer e cultura brasileira: um estudo baseado na análise de satisfaction. James F. ed. a marca. Reclamação D AY . que foi o de identificar ações com. Milwaukee. 8. Paul.. 1978. (2004). externo. a insatisfeito. cartas de consumidores insatisfeitos à imprensa. por meio de atividades de análise ambiental. Quality Progress. n. 1998. New York: Harper & Row. Management: tasks. Marketing: crian. Não se pode afirmar que estes fatores. Salvador: Anpad. Journal of Consumer Satisfaction. John. Encontro da Associação Nacional de Pós-Graduação e DRUCKER.p65 66 12/2/2009. 2005. Rio de loyalty. 2006. Pesquisa em Administração – Enanpad. deixar de comprar o produto possibilidades de ações dos consumidores quando ou serviço ou. v. Compreender como agem consumidores quando O presente estudo. v. 2000. In: XXVI 15. faz- objetivo principal. Atri- do valor para os clientes. como a comunicação boca a boca negativa e a recla. de & SANTOS. butos de satisfação nos serviços de hotelaria: uma perspectiva no segmento da terceira idade. Anais. Espera-se que os resultados da presente pesquisa mação com órgãos privativos ou governamentais não possam contribuir para o estabelecimento deste elo. GIGLIO. de forma a torná-la mais representativa em identificar a priorização dada pelo consumidor com relação à diversidade de consumidores encontrada relação às suas ações quando insatisfeito. uma vez que determinadas ações. 28- Janeiro: Livros Técnicos e Científicos. lities. Ellen. Conside. J. ou mais ações. bem como a ampliar a amostra de indiví- quização citada. FARIAS. fato que pode ter assertivas associadas a eles são maiores do que nos influenciado na formação do conjunto de assertivas demais fatores. p. v. ENGEL. 34. February. Manage complaints to enhance W. 39. para tanto..XI Semead 2008 . Peter F. pois a natureza comportamento do consumidor brasileiro quando não-estruturada das respostas torna a codificação. Consumer Encontro da Associação Nacional de Pós-Graduação response to dissatisfaction with services and e Pesquisa em Administração – Enanpad. portanto. embasado em revisão da lite. Salvador-Bahia.

& HARRIS.Vol.. MOWEN. Joaquim D. Mário R. ed. Atibaia: Anpad. MACEDO. 24 .. 4. trônica. 2o semestre.. v. São Paulo. 2001. Porto Alegre: Bookman. 1994. BARBIERI. 5. midor: comprando. Janeiro: Anpad. Ronald L. & ROSSI. Anais.. ministração estratégica – conceitos.. RICCARDI. & MINOR. S. A.. & BEST. L. Compor. boatos e lendas das Pedras-Rio de Janeiro. Journal of American Academy of Business. São Paulo. URDAN. John C. M. São forms and motives of “illegitimate” customer Paulo: Prentice Hall. MACIEL. 2007. Ad- tamento do consumidor. Rio de Janeiro: Anpad.. Renato & PRADO. Carlos Alberto V. Pesquisa de marketing: edição Alegre: Bookman. 08:23 . Cristiane P. Caderno de Pesquisas em Adminis- tração. Rio de urbanas: uma investigação das comunicações ver. Reginaldo Braga Lucas. v. o processo de marketing de defesa. In: XXII Encontro resse difuso e a possibilidade de resgate da da Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa cooperação social. & RODRIGUES. 1997. AMORIM NETO. Paulo Henrique Tentrin e Mauro Neves Garcia REFERÊNCIAS HAIR JR. Claudia C. portamento do consumidor no pós-compra: identi- HAWKINS.edição especial . Atibaia. São Paulo: 2005.. respostas empresariais: uma abordagem inicial sobre São Paulo. 2005. Peter..p65 67 12/2/2009. Mark J. 50-67. 1998. complaining. Rio NA. V. Um tour I. SHETH. Milton Carlos Farina. 2003. Pesquisa de satisfação de clientes: o estado-da-arte e proposição de um método brasileiro. 2. TATHAM. ed.XI Semead 2008 . bais negativas entre consumidores idosos. 2006. Philip. Ricardo Jato. L. ção e Pesquisa em Administração – Enanpad. O modelo do MENEZES. O com- Cambridge. Comportamento do cliente – indo além do com- pelas medidas de satisfação do consumidor. & SANTA... Jen-Hung. Revista Humanidades. ANDERSON. p. J. janeiro/junho. Del I.out/2008 67 05RGR71. Lloyd C. 1997. São Paulo: Prentice Hall. SOLOMON. LARÁN. Mauro N. possuindo e sendo. v. & PARNELL. 21-32. 1997. failure is not service failure: an exploration of the KOTLER.. 2002. PAJOLI. 321-335. In: XXI LOUREIRO. William C. Jadish N. 2005. John. Kate L. compacta... ANJOS NETO. no Brasil com equações estruturais. Arnaldo R. São Paulo: Atlas. outubro/dezembro. RAE – portamento do consumidor.. O comportamento do consu- v. p. em Administração – Enanpad. 2004. Anais. 2003. RAE – Ele. São Paulo. 1998. 41. 2000.. Bruce MARCHETTI. Michael R. When service 2007. São Paulo: Atlas. Porto Alegre: Bookman. Adriana. 1. Antonio Encontro da Associação Nacional de Pós-Gradua- A. Naresh. Fauze N. 1997. In: XXVII Encontro da Associação Nacional de Pós-Graduação SANTOS. HUANG. 2005. Foz do Iguaçu: Anpad. Atlas. Administração de marketing. The Journal of Services Marketing. KROLL. Rio das Pedras-Rio de orientação aplicada. Porto MATTAR. 212-218. The explanation effects on consumer perceived justice. satisfaction POLLONI. 2000. & SLONGO. 10. M. Luiz Antônio. p. 19. Paulo H. A evolução dos direitos fun. Chia-Yen. n. 2001. v. ed. SILVA. Banwari & NEWMAN. & GARCIA. 4. Leonardo B. v. p. Michael S. & BLACK. & LIN. Ana and loyalty improvement: an exploratory study. Rogério Q. 2006. SOUZA. Roger ficando as reclamações – um estudo exploratório. 4. WRIGHT. Antonio C. n. índice de satisfação norte-americano: um exame inicial damentais: o direito do consumidor como um inte.. estratégia de marketing. 56-67. Anais. G. André T. Pesquisa de marketing: uma em Administração – Enanpad. p.. Anais. Gestão & Regionalidade . de seus direitos.. n. Foz do Iguaçu-Paraná..Nº 71 . 1. David L. September. Aspectos do comportamento Rolph E. 5. Carlos A. Paula G. REYNOLDS. Revista de Administração de Empresas. 2003. Reclamações de consumidores e e Pesquisa em Administração – Enanpad. 18. Boca a boca negativo. ROSSI. Surpresa e a formação da satisfação do consumidor. Joseph F. José Guilherme G. Análise multivariada dos consumidores relacionados à proteção e defesa de dados. Fortaleza. 5. In: XXI Encontro da Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa MALHOTRA. Rio de Janeiro: Elsevier. Joyceane B. n. Juliano A. Shirley A. Janeiro. MOTHERSBAUGH. Comportamento do consumidor – construindo a Revista Administração On-Line. MITTAL. janeiro/junho.

trabalhos em grupo e debates e/ou estudos and/or case studies.Vol. of business existences as form como forma de articular teoria e prática. conseqüen. de um total de 471 matric. quality of it.e-mail: shalizinhaa@hotmail.Sala 502 . Foi realizada uma learning relation. it involved: (i) professors that were envolvendo (i) professores que estavam atuando acting in the Administration course at UFSM (28 no curso de Administração da UFSM (28 profes.Universidade Federal de Santa Maria .Santa Maria-RS . um quesito importante a considerar é a quently. Este estudo foi desenvol. Among the do noturno). Endereços dos autores: Shalimar Gallon Rua do Acampamento.XI Semead 2008 . Most of the students revealed dissa- ria dos alunos revelou insatisfação em relação à tisfaction in relation to the exaggerated emphasis exagerada ênfase na abordagem teórica e à falta. to 89% of the professors when asked about the sores quando indagados sobre os fatores que in. sampling of 216 students. – UFSM/RS.Santa Maria-RS . in the theoretical approach and the lack. 60/83. A busca da adequação ao conteúdo e à of the content and the area was a determinant factor área foi fator determinante para 89% dos profes. curso de Keywords: pedagogical practices. 24 . professors of a total of 32) and. teaching-learning. subscribed in the course (105 students during ulados no curso (105 alunos do diurno e 111 alunos daytime and 111 during the night). tendo como objetivo identificar as prá. an important matter to consider is the qualidade dos mesmos. This study was developed along with vido junto à Universidade Federal de Santa Maria the Universidade Federal de Santa Maria-UFSM/RS.com 68 Gestão & Regionalidade .CEP 97015-372 . factors that influence in the choice of pedagogical fluenciam a escolha da prática pedagógica. Palavras-chave: práticas pedagógicas.com Cláudia Medianeira Cruz Rodrigues Rua Floriano Peixoto. are: exhibition classes. The search for the appropriation de caso. de vivências empresariais part of the teachers. and its objective was to identify the pedagogical ticas pedagógicas utilizadas no curso de Adminis. Centro . Administration Administração. Dentre os resultados apurados. semester of 2007.Nº 71 . 1184 . it was able to notice that the pedagogical se dizer que as práticas pedagógicas mais utilizadas practices that were more used by the professors pelos professores são as seguintes: aulas exposi. (ii) stratified sores de um total de 32) e (ii) uma amostra estra.e-mail: cruz2005claudia@hotmail. on the por parte dos docentes. works in group and debates tivas.UFSM Cláudia Medianeira Cruz Rodrigues Professora da Universidade Federal de Santa Maria . in the Administration courses in Brazil and.edição especial . ensino-aprendizagem.UFSM . it has been noticed the growth cursos de Administração no Brasil e. practice. A maio.p65 68 12/2/2009.Departamento de Ciências Administrativas RESUMO ABSTRACT Nos últimos anos. conse- temente. results. of a total of 471 tificada de 216 alunos.out/2008 06RGR71. 08:23 .CEP 97050-000 . CURSO DE ADMINISTRAÇÃO DA UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA/UFSM: A PERCEPÇÃO DOS PROFESSORES E ALUNOS SOBRE O TEMA “PRÁTICAS PEDAGÓGICAS” CURSO DE ADMINISTRAÇÃO DA UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA/UFSM: A PERCEPÇÃO DOS PROFESSORES E ALUNOS SOBRE O TEMA “PRÁTICAS PEDAGÓGICAS” ADMINISTRATION COURSE AT UNIVERSIDADE FEDERAL OF SANTA MARIA/UFSM: THE TEACHERS AND STUDENTS PERCEPTION OF “PEDAGOGICAL PRACTICES” Recebido em: 07/07/2008 Shalimar Gallon Aprovado em: 15/10/2008 Graduanda em Administração . A survey was realized in the first survey no primeiro semestre do ano de 2007. pode. of articulating the theory and practice.Prédio da Antiga Reitoria . course. practices used in the Administration courses as tração como embasamento para a contextualização foundation to the contextualization of the teaching- da relação ensino-aprendizagem. percebe-se o crescimento dos In the recent years.

Nas IES privadas. inscrições e ingressos nos cursos de Adminis- pedagógicas utilizadas pelos professores. no Brasil. apresentam-se as notas intro. Em relação este artigo tem como objetivo geral identificar as às inscrições. maneira direta o nível de qualificação dos alunos. o curso é oferecido em mais dos cursos de Administração de 1. Das pertencentes ou não ao curso de Administração.270 IES. de demonstrar para o aluno a visão acordo com a categoria administrativa. estão 462. independentemente do somente 16% concluíram o curso. De um modo geral. chegando em No curso de Administração.1%). escolas e institutos.p65 69 12/2/2009. representando 16. a adequação das prá. Na Tabela 3. Em relação à categoria administrativa. em 2006. a expansão das instituições demonstra a acirrada concorrência (Federação Na. esse problema de adequação das prá- ticas se torna pequeno.6% do universo de nistrativas Humanas.br>. Assim. seu campo de formação. 37. por fim. Administração no Brasil” e “práticas pedagógicas”. INTRODUÇÃO sentam-se os resultados encontrados e. como embasamento para tange aos ingressos. Em 2006.4% nas universidades. Para tanto.201 alunos matriculados.Vol. Entretanto. sejam eles tração. as práticas cidas.Nº 71 . em con. desse ganha maior relevância. quando as instituições depa. Ainda na visão dos autores mencionados. sional/ filantrópica. 775.4% ocorrem nas universidades e práticas pedagógicas adotadas no curso de Admi. desafio pela frente. IES no Brasil.XI Semead 2008 . apre. relevância. os professores dos mero de concluintes e a quantidade de matrículas.646 alunos ticas pedagógicas ao objetivo de qualificar o aluno matriculados em cursos de graduação. No que nistração da UFSM/RS. nota-se um crescimento de tituída: primeiramente. terão de trabalhar os conteú- A Tabela 1 apresenta os dados. com 28.201 estavam matriculados nos cursos de engloba matérias que fazem parte das Ciências Admi. de acordo com os tipos de instituições. buscam formar uma nova ciência. Assim. aborda-se a metodologia utilizada predominam as instituições federais. o que zado pelo Inep.1% con- centram-se em IES privadas. apresenta-se o total de vagas ofere- ram-se com um problema maior. o contexto histórico dos cursos de Ad- adquiram significado. desde 1960.edição especial . as Os cursos de Administração no Brasil têm uma principais conclusões do estudo. onde se per- do todo interconectado a partir de uma perspectiva cebe que o maior número concentra-se em institui- histórica. com 47. totalizando cerca de 700 mil alunos. 24 . como Outro fator a destacar é a diferença entre o nú- citaram Andrade & Amboni (2006).676. utilidade e aplica- ministração no País.1%. Gestão & Regionalidade . contextualizar a relação ensino-aprendizagem. cursos de graduação em Administração têm um grande no ano de 2006: dos 775. Panorama do Ensino Superior brasileiro e anos mais tarde. Na terceira seção. bilidade.1. principalmente. nas IES públicas. a seguir. pouca diferença para as estaduais e municipais.9% ocorrem nas faculdades. junto. onde os primeiros 2. e 31. de um dos de forma interligada para que tais conteúdos modo geral. história muito curta. como se pode visualizar dutórias e. 08:23 . 43.1%. Em relação aos cursos de Administração. seguido pelas universidades. reali- Brasil. Shalimar Gallon e Cláudia Medianeira Cruz Rodrigues 1.712 vagas oferecidas. sendo que. ou seja. é expressiva a partir cional dos Estudantes de Administração.2 mil instituições de Ensino Superior em todo o De acordo com o Censo do Ensino Superior. para explicar de forma contextualizada o ções de Ensino Superior de origem privada (89. Hoje. escolas e institutos. de Ensino Superior (IES).org. há uma grande predominância das ins- tituições particulares sobre a comunitária/ confes- 1 Disponível em:<http://www. embora com para desenvolver a pesquisa. Administração. existiam 4. revelando. conforme mostra a Tabela 2. REFERENCIAL TEÓRICO cursos surgiram em 1881. aparecendo no Brasil 60 2. predomina o número de muitas vezes defasadas. principalmente se ela for com- parada com a dos Estados Unidos. 42. o referencial teórico constituído na Tabela 1. escolas e institutos. acabando por comprometer de vagas nas faculdades. tendo em vista que o curso total. 90. os professores devem ter a capacidade de formar a teia A Tabela 2 apresenta o total de instituições de e.out/2008 69 06RGR71. a estrutura do artigo está assim cons.5% em faculdades. momento atual e as tendências da área. 2006 a 2. s/d1). da segunda metade da década de 1990. qual seja. Na quarta seção.fenead. Sociais e Exatas que. alunos matriculados nesse nível de ensino no Brasil. Os dados apresentados demonstram a das seguintes seções: “panorama dos cursos de predominância do ensino privado sobre o público.

6 Total 462.546 462.edição especial . 123.583 439 Cursos de Adm.088 15.301 5.4 Centros universitários 66.231 9.1 262.1% lhores resultados (ANDRADE & AMBONI.7 24. 2006).165 709.270 105 83 60 1.454 2.873 241. Disponível em: <http://www. técnicas e recursos 1980 247 134.940 Fonte: MEC/Inep.202 77.Nº 71 . 2.816 16.4 87.2% A seguir.743 31. 3 Para se obter o total de cursos de Administração de 1999 a 1997. assim.0% adotadas nos cursos de Administração devem estar 20004 1.300 4. 24 .2% os envolvidos.328 35. sejam eles alunos. para. 2006 2.270 775. Sinopse Estatística da Educação Superior (2006).3% ou gestores institucionais.955 42.3 Faculdades.4 81.363 35.180 339.330 22.4 41.7 29.676 20. Sinopse Estatística da Educação Superior (2006).8% em vista que aprender faz parte do cotidiano de todos 19973 900 237. foram englobados três cursos: Administração.cfa.009 12. Práticas pedagógicas Administração no Brasil O desafio de escolher e/ou definir que práticas ANO IES Matrícula Concluintes Concluintes pedagógicas utilizar no processo ensino-aprendizagem em ADM em ADM x matrículas faz parte de cada área de conhecimento e é peculiar Antes de 19602 2 N/I N/I – aos sujeitos que nelas estão inseridas.php>.276 7. Sinopse Estatística da Educação Superior (2006)./ Confes.5% nistração.529 Concluintes em Adm.390 54.293 4.712 100 699.9% a repensarem acerca de métodos.201 123.5% de acordo com o Projeto Pedagógico do Curso e com 2001 1.746 16. Administração Rural e Administração de Recursos Humanos.391 404. (1) Aula expositiva: é uma apresentação oral de Tabela 2: Instituições de acordo com a categoria administrativa Categoria administrativa Pública Privada Comunit.577 23.969 1.749 859 Matrículas em Adm. 775.726 10.637 494.538 3.713 100 Fonte: MEC/Inep.932 100 260.0% Fonte: MEC/Inep.859 578.013 643. foram utilizados dois grupos: Comércio e Administração (cursos gerais) 70 Gestão & Regionalidade .781 31. Fonte: MEC/Inep.742 21. institutos 217./ Federal Estadual Municipal Particular Filantrópica N N N N N IES 2. 2 Para se obterem os dados anteriores a 1960-1990.808 3.816 3. inscrições e ingressos nos cursos de Administração.259 37. serem obtidos me- 2002 1.5 11.748 11.5 114.020 64.7% o perfil dos alunos.8 Faculdades integradas 21.829 5. Sinopse Estatística da Educação Superior.114 4. Tabela 3: Vagas oferecidas. sejam professores 1998 973 257.out/2008 06RGR71.br/arquivos/index. 08:23 .893 116 105 64 1.708 4.666 12.671 29.9 Centros de educação tecnológica 26.482 14.2 12.1 296.771 39. CURSO DE ADMINISTRAÇÃO DA UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA/UFSM: A PERCEPÇÃO DOS PROFESSORES E ALUNOS SOBRE O TEMA “PRÁTICAS PEDAGÓGICAS” Tabela 1: Resumo da evolução dos cursos de 2. escolas. O tema é emer- 1960 31 N/I N/I – gente e leva constantemente as instituições de ensino 1970 164 66. apresentam-se alguns exemplos de prá- 2004 2.1% que possam auxiliar a aprendizagem escolar.718 13.045 12.236 28.910 11.8% ticas pedagógicas adotadas no curso de Admi- 2005 2. 2003 1. As práticas pedagógicas 1999 1. de acordo com os tipos de instituições Ano 2006 Vagas oferecidas Inscrições Ingressos Tipos N % N % N % Universidades 130. 2006 4 Para se obter o total de cursos de Administração de 2006-2000.097 286.635 88.985 47.416 3.201 26.840 15.org.301 109.Vol.394 12. estes foram retirados do site do CFA – Conselho Federal de Administração.p65 70 12/2/2009.XI Semead 2008 .430 43. tendo 1990 320 174.2.

edição especial . A tentativa da reali- Sistemas / Informática. Administração de Agronegócios. cilitar a construção coletiva do conhecimento. 2005). é o aluno que aprende principal de um jogo de empresas é o aspecto com- e não o professor que pensa que ensina”. Gestão sabilidade de todo o grupo. Empreendedorismo. no grupo. Negócios e Administração.br/ensino/>. ela precisa ser elaborada. precisa estar com. Administração de Cooperativas.Nº 71 . “apenas auxilia sua prometida com a aprendizagem de quem dá aula e assimilação através da dinamização do trabalho pe- com a aprendizagem de quem escuta a aula. em grupos funcionam como uma importante ferra. nos quais predomina a & AMBONI. Administração Hoteleira. 08:23 . permitir tração (cursos gerais) apresentavam-se como subgrupos Co- a troca de idéias e opiniões. Gestão da Produção de Vestuário. negócios vivida por uma empresa em um deter. e também pela maneira como o professor questões específicas que induziram ao desenvolvi- aborda os assuntos. em razão a empresa e o setor. Administração em Análise de realização de objetivos comuns. um processo Administração em Marketing. mento do caso e que devem ser objetivo de aná- cidade de elaboração e comunicação do professor em lise. e o seminário se conclui de Organizações. possibilitando aos integrantes discutir ministração em Turismo. Gestão de Escritório. Sinopse (4) Estudo de casos: é uma situação real de Estatística da Educação Superior. próprios meios. Administração em Prestação de Serviços. Gestão de Supermercados. apresenta ensino. Os trabalhos Administração Bancária. não pode (6) Simulações empresarial ou jogo de empre- abusar da atenção dos ouvintes. Gestão de Negócios Internacionais. O desafio maior desta técnica não é dar exemplos ou ilustrar práticas administra- é o fato de que este tipo de aula é ainda de caráter tivas menos ou mais bem-sucedidas. não o fazem Planejamento Administrativo. mas sim depa- reprodutivo. proca. Gestão de Imóveis. 2006) Gestão de Serviços. 5 Disponível em: <http://www. Ad- procamente. desestimulados e cansados. geralmente. Administração em Comércio Exterior.XI Semead 2008 . Gestão da Infor- informações já elaboradas. Administração da Produção Industrial. (ANDRADE bientes muito contraditórios. com uma sessão de resumo e avaliação (ANDRADE & Gestão de Qualidade. 24 . petitivo da personalidade do ser humano. No entender de simulam uma determinada realidade empresarial. muitas vezes. A aula expositiva mostra a capa. Administração Financeira. e aferir se. em um clima de colaboração recí. Gestão de Recursos de Informática. Gestão da Produção. Os membros não recebem Formação de Executivos. se sente estimulado a concorrer com outras pessoas. pelo qual ele (2) Trabalhos em grupo: tem como objetivos fa. 2006: 31) ser atraente ou. pois proporcionam aos alunos Administração de Empresas. 2006: 29) relação comercial em educação”. tais como dados sobre utilizada para expor os conteúdos aos alunos. Gestão de Pessoal / Recursos Humanos. Os resultados ou conclusões são de respon. apresentando informações relati- & AMBONI. e o Antunes (2008: 23). além de favorecer a mércio. precisa ser envolvente sas: são modelos matemáticos computadorizados que e precisa ser curta (DEMO. no grupo maior (ANDRADE & AMBONI. Gestão da Segurança. Gestão Ambiental. cimento ou qualquer conteúdo. trocar experiências e divergir de opiniões5. Gestão de Cidades. Posteriormente. precisa dagógico” (ANDRADE & AMBONI. de professores mal rar-se com situações-problema reais que exigem a preparados. Já em Gerenciamento e Admi- nistração. “fruto.p65 71 12/2/2009. Gestão do Lazer. Negócios Internacionais e participação de alunos que. Adminis- idéias. Para que uma aula (5) Dinâmicas de grupo: não substitui o conhe- seja boa. Gestão de Empresas. Gestão de Negócios. possibilitar a prática da e Gerenciamento e Administração.out/2008 71 06RGR71. quenas Empresas.inepad. 2006). Administração de Sistemas de Informações. nas mesmas. Ciências Gerenciais. “O objetivo da metodologia de estudo de caso relação aos conteúdos. Gestão Financeira e Gestão Logística. A característica e aplica. suportável.Vol.org. Adminis- tração dos Serviços de Saúde. favo- recer o debate e a crítica. Administração em Micro e Pe- de interação entre pessoas que se influenciam reci. Em Comércio e Adminis- cooperação para conseguir um fim comum. Gestão de Comércio. Administração Rural. tração Hospitalar. tiga ou estuda um tema. Essa é a prática pedagógica mais vas à situação a ser analisada. AMBONI. menta de aprendizado. zação desses objetivos cria. 2006. capacidade de análise e decisão técnica”. mas investigam com seus mação. englobavam-se os seguintes cursos: Administração. histórico da empresa e do pro- de o seu custo ser menor que o das outras formas de blema a ser analisado. Gestão & Regionalidade . 2006). Administração Mercadológica. além de am. (3) Seminários: é um grupo reduzido que inves. Administração In- dustrial. Administração Pública. Fonte: MEC/Inep. ”uma das formas de se identifi- seu uso no meio acadêmico destina-se a complementar carem professauros transvestidos em professor é bus- a formação dos alunos com uma experiência prático- car saber quantas situações de aprendizagens conhece simulada de administração empresarial. Shalimar Gallon e Cláudia Medianeira Cruz Rodrigues um assunto estruturado de maneira lógica (ANDRADE minado momento. pelo menos. Administração de Recursos Hu- uma situação de interdependência na tentativa de manos.

no entender de Bordenave & Perei- cellos (2002: 41) indagou: o que se deseja em relação ra (2007: 84). o que sabe. Deve.p65 72 12/2/2009. permanece adquirida por simples inércia. relacionando suas circunstâncias e os saberes educador. 2007: 84). dependerá o aluno crescer ou não como pessoa” – duradouro: algo que se incorpora no sujeito (BORDENAVE & PEREIRA. no entender destes autores. (9) enfrentar os deveres e os dilemas éticos objetiva ou as circunstâncias que envolvem seu aluno. tendo em vista que ele lida com diferentes acessados. mudando o foco para o No contexto de ensino-aprendizagem. imaginar e criar novos tipos de situações de aprendi.Vol. reforçou-o Antunes (2008). no (ii) quando confronta essa realidade com saberes mínimo. o relacionamento conceber e fazer evoluir os dispositivos de diferenciação. do que é relevante. o que significa despender energia e tempo e ensino-aprendizagem representa o principal elemento dispor de competências profissionais necessárias para para uma aula efetiva. onde pretende levá-lo com a aprendizagem. a contextualização dos conteúdos. o ensinar é um desafio constante na vida do fazer. e. de tal O curso de Administração da UFSM tem duração forma que. como o conhecimento que o visto que não se podem programar as aprendizagens professor tem do conteúdo em questão. Dito de outra forma. como visão de mundo. O despertar do interesse do aluno em relação os conteúdos ministrados faz-se necessário. novas ferramentas aprendizagem quando (i) considera a realidade de trabalho. o “como ensinar” era a grande vencer o confronto (ANDRADE & AMBONI. busca bilidade de que ditas experiências realmente aconteçam”. da profissão. e levando em conta suas experiências situações de aprendizagem e com diferentes perfis de individuais e as regras sociais existentes. o conhecimento de influências do ambiente que atuam sobre ele. Tais experiências. com os alunos. (10) administrar sua própria formação ou seja. (5) trabalhar em equipe. estabelecer ou promover situações de dades dos educandos e que esteja relacionado ensino-aprendizagem. que passa a fazer parte dele porque significativo e bem aprendido (no 3. (iii) quando observa as associações que seu aluno pode Logo. nenhuma competência saber. 08:23 . O currículo integra disciplinas de 72 Gestão & Regionalidade . transferido para fazer algo. da forma adequada). da administração da escola. alunos. atividades. ditam que o aprimoramento dos procedimentos de dizagem. exigem certos insumos educativos na forma aos conhecimentos? No seu entender. Vascon. (7) informar e envolver mencionar que um professor pode dizer que produz os pais. isso não é verdadeiro.out/2008 06RGR71. em qualquer situação de sua vida. sendo que método na aparência. a forma de oferecer ao aluno opor- tunidade para viver as experiências desejadas é estruturar – significativo: que corresponda às reais necessi. fazendo com que haja Neste contexto. em que haja uma alta proba- com suas representações mentais prévias. isto é. (6) participar interdisciplinaridade. Uma vez construída. tendo em vista que existem outros zagem. “A seleção de atividades de outras situações. entre outros. requisitos importantes. que seja ferramenta de transformação.XI Semead 2008 . de quatro anos para o turno diurno e de cinco anos o sujeito esteja apto a interferir na realidade. (8) utilizar novas tecnologias. com aquilo que é manifestação é o conjunto organizado de técnicas e procedimentos. Andrade & (2000) citou dez principais competências dos docentes Amboni (2006) referiram que muitos professores acre- para ensinar: (1) organizar e dirigir situações de apren. ao envolvimento maior do professor. escolares da disciplina que trabalha: e. porque dela cimento.Nº 71 . Perrenoud “como o aluno aprende”. ensino-aprendizagem é importantíssima. já que indica que o aluno terá que – criativo: que possa ser aplicado. a reflexão humanas como a produção de objetos industriais. A palavra atividade tem conotação mais dinâmica que método ou técnica. 2006: 30) preocupação pedagógica. que ajude a explicar o que se vive. (2) administrar a progressão das aprendizagens. METODOLOGIA momento certo. CURSO DE ADMINISTRAÇÃO DA UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA/UFSM: A PERCEPÇÃO DOS PROFESSORES E ALUNOS SOBRE O TEMA “PRÁTICAS PEDAGÓGICAS” utilizando-se de todas as ferramentas possíveis para Para o autor citado. a A situação de aprendizagem deve ser “ótima” para cada demonstração da utilidade e da aplicabilidade a fim de aluno. Neste sentido. (4) envolver os alunos em suas aprendizagens e que o conteúdo tenha sentido para os alunos e a em seu trabalho.edição especial . entendem-se como os métodos – crítico: que não se conforme com o que está dado procedimentos ou técnicas de ensino. que possa fazer avançar o conhe. imediata. ser conservada por seu exercício regular. quem este aluno é. estando ativo. 24 . “Da deve estar baseado nos seguintes critérios: parte do professor. o que busca contínua. por fim. para o turno noturno. (3) permanente sobre a prática docente.

datashow. seminários. 1 – Muito insatisfeito a aprendizagem retroprojetor. freqüência do uso das práticas pedagó- estratificada de 216 alunos. os instrumentos ses pessoais. Dos 32 professores lota. dinâmicas. 2 – Insatisfeito simulações e laboratório de informática. infra-estrutura e acervo da dos no referido semestre. te.7 possuíam o mesmo teor de perguntas e escalas. estudos de caso. Marketing. A pesquisa foi realiza. 3 – Às vezes 4 – Raramente 5 – Nunca 6 – Não sei Satisfação com Datashow. gicas. palestras. trabalhos em grupos. biblioteca. mente e processados no programa SPSS 10. Dos 471 alunos matricula. onde o curso tipo Likert. Quadro 1: Categoria de análise Categorias Variáveis Escala utilizada Sexo. faixa etária. freqüência de participação Múltipla escolha de eventos e meios de atualização. Perfil dos professores área da disciplina. 3 – Às vezes 4 – Raramente 5 – Nunca 6 – Não sei Freqüência do Datashow.Vol. titulação. satisfação em relação ao uso das práticas dos no Departamento de Ciências Administrativas.out/2008 73 06RGR71. plando as seguintes categorias de análises: da junto aos alunos matriculados no primeiro semes. dinâmicas. o quisadores. aulas expositivas. Administração uma fechada. visitas em empresas. laboratório de informática. no período de maio a torado) e um em afastamento para tratar de interes.ufsm. Infra-estrutura Livros da biblioteca. 6 Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes.edição especial .XI Semead 2008 . a O Departamento de Ciências Administrativas conta fim de facilitar a comparação. contem- foque exploratório e descritivo. vídeos. mediante agendamento. aulas expositivas. junho de 2007. Shalimar Gallon e Cláudia Medianeira Cruz Rodrigues diversas áreas do conhecimento. Os dados foram analisados quantitativa- método utilizado foi o estudo de caso. seminários. estudos de caso. com um en. A coleta de dados junto aos alunos foi realizada dois em afastamento em busca de titulação (dou. aulas expositivas. Gestão de Pessoas. retroprojetores. trabalhos em grupos. O curso já passou questionário constando de 17 questões fechadas. Para os professores. como Economia. posteriormen- substitutos (DCA. 1 – Sempre sala dos professores. vídeos. Cabe salientar que ambos os instrumentos de6 de 2006. vídeos. O instrumento corpo docente e aptidão para enfrentar o mercado de coleta de dados utilizado para os alunos foi um de trabalho. palestras. biblioteca. Para os professores.br/adm>. So. sala de aula. pedagógicas. Gestão & Regionalidade . diretamente nas salas de aula. Administração da UFSM. As variáveis analisadas na pesquisa foram divididas tre do ano de 2007 e a professores do curso de nas seguintes seções: perfil do aluno e do professor. estudos de caso. 24 . questionário constando de 16 questões abertas e ciologia. faixa etária. 2 – Freqüentemente 3 – Raramente 4 – Nunca 5 – Não sei Disponibilidade de Datashow. visitas em empresas. tipo de escola. Para as questões fechadas. 1 – Sempre uso das práticas retroprojetor. palestras. foi utilizado um Financeira e Direito. como estratégia de pesquisa. conforme demonstrado no Quadro 1. entre outras. a obteve em todos o conceito “A”. tempo de profissão. semestre.p65 73 12/2/2009. 2008). dinâmicas. curso. utilizou-se uma escala do sendo estes já com resultados divulgados. Múltipla escolha Sexo. 3 – Indiferente 4 – Satisfeito 5 – Muito satisfeito Fonte: Elaborado pelos autores. Na avaliação do Ena. freqüência de estudo. biblioteca. 1 – Sempre uso das práticas retroprojetor. enquadramento funcional. eram devolvidos aos pes- Neste trabalho. periodicidade de publicação. por oito exames nacionais de cursos do MEC (Provão). com um quadro de 21 professores: 18 em atividade. seguir. 2 – Freqüentemente simulações e laboratório de informática. resultados pedagógicos. seminários. visitas em empresas. restaurante universitário e xérox. práticas pedagógicas adotadas pelo 28 participaram da presente pesquisa. Perfil dos alunos freqüência de participação de eventos e meios de atualização. 7 Disponível em: <http://www. 08:23 . 2 – Freqüentemente simulações e laboratório de informática. foi calculada uma amostra biblioteca.Nº 71 . trabalhos em grupos. além de contar com dois professores de coleta de dados foram entregues e. o curso ficou com o conceito 5.

a maioria dos entrevis- curso noturno. faixa responderam que isso ocorre às vezes. de um a três eventos por ano. as notas refletem o nível de conhe- Em relação ao perfil dos alunos do curso de Admi. A questão que se refere à utilização das melhores Como perfil geral do corpo docente (N = 28) que práticas para a transmissão do conhecimento apontou atuou no primeiro semestre de 2007. Os principais meios de atualização de informações Quando indagados sobre os resultados pedagó- são a Internet e livros. a questão que indaga se os professores de doutores e mestres. às vezes. 08:23 . também. e periódicos. 33% (N = 71) encon. 51% (N = 110). Dentre esses alunos. Dentre esses professores. Dados específicos da pesquisa Os dados específicos da pesquisa foram divididos nas seguintes seções: resultados pedagógicos. as práticas pedagógicas (N = 18) são do curso de Administração. que. gicos. há uma pequena discordância entre os docentes quanto à questão que pergunta se as notas refletem o nível de conhecimento dos alunos.2. freqüência do uso das práticas pedagógicas. sendo que de 44% dos entrevistados. Verificou-se. jornais. que 29% ditam que sempre ou freqüentemente. cimento adquirido. 4. enquanto 29% predominância do sexo masculino. CURSO DE ADMINISTRAÇÃO DA UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA/UFSM: A PERCEPÇÃO DOS PROFESSORES E ALUNOS SOBRE O TEMA “PRÁTICAS PEDAGÓGICAS” 4. Perfil dos entrevistados enquanto 42% responderam que às vezes isso acon- tece.out/2008 06RGR71. o tipo (N = 15) freqüentam eventos de uma a três vezes por de prática utilizada afeta o resultado apresentado. 86% cada um (N = 24). faixa etária são as melhores para transmitir o conhecimento e entre 20 e 23 anos. 29% (N = 8). observou-se uma uma freqüência de 54% das situações. a seguir. 81% (N = 175). ao se con- (N = 8) dos docentes publicam semestralmente e 54% siderar a área em que a disciplina está inserida. e utilizada influencia o resultado pedagógico. 54% (N =1 5). infra- Gráfico 1: Resultados Pedagógicos estrutura e acervo da biblioteca. as 74 Gestão & Regionalidade . 36% (N = 10). 24 .p65 74 12/2/2009. práticas pedagógicas adotadas pelo corpo docente e aptidão para en- frentar o mercado de trabalho.Nº 71 . 4. onde se percebe que os pro- e televisão. enquanto 32% adjunto. artigos.2. o tipo de prática 66) participam de um a três eventos por semestre. predomi. tem-se uma predomi. 31% (N = (39% e 42%. 54% (N = 15).edição especial . titulação Por sua vez. 48% (N = 104) tados opinou que.XI Semead 2008 . por parte dos professores. A última questão 39% (N = 7) destes têm como foco de atuação a área da série demonstrou que 82% dos professores acre- da Administração Geral. enquadramento funcional como situação ocorre freqüentemente. 49% dos entrevistados apontaram nistração da UFSM (N = 216). às vezes. 39% cada (N = 11). 75% (N = 161). nância do sexo masculino. bem exploradas estudaram em escola pública. Foi constatado que 46% dos professores acreditam que. 4. Considerando a área em há um equilíbrio entre alunos do curso diurno e do que a disciplina está inserida. Como O Gráfico 1. ano. às vezes. Resultados pedagógicos Em relação aos resultados pedagógicos. 58% (N = 125). 30% (N = 64). etária entre 30 e 37 anos. freqüentemente. fessores estão mais satisfeitos com os resultados pe- dagógicos do que os alunos. seguidos de faixa etária entre 54 e 61 anos. representando a opinião tram-se no quinto ou no sexto semestre. 50% dos alunos entrevistados consideraram 64% (N = 18). que as práticas adotadas pelos professores.Vol. 25% (N = 7). 57% (N = 16). respectivamente). apresenta os resultados por principais meios de atualização de informações. exploram de maneira satisfatória as práticas utilizadas nância da faixa acima de 25 anos como tempo de revelou que metade dos docentes respondeu que essa profissão.1. 98% meio da média obtida em cada questão e a média (N = 212) utilizam a Internet. geral das questões.1. às vezes. sempre ou freqüentemente estudam somente em época de provas. 64% mencionaram que. APRESENTAÇÃO DOS RESULTADOS notas refletem o nível de conhecimento dos alunos. satisfação em relação ao uso das práticas pedagógicas. 54% (N = 117) que estas são também. sendo que são exploradas de modo satisfatório.

para os alunos como para os professores. 42% desconheciam suas condições e 28% com um índice de 55%. em 55%. A primeira citada. mente ele é de fácil acesso para uso. sendo consideradas como às vezes. se freqüentemente disponíveis e em boas condições há uma divisão com relação à questão se os livros na opinião da maioria. 53% afirmaram que estes se encontram dagógicas. como em relação ao uso do prática do ensino. mente satisfatórias e. palestras.3. mente ou nunca utilizadas em 62% das ocasiões. a segunda.2.p65 75 12/2/2009. (ii) laboratório de informática.XI Semead 2008 . segundo os professores. e 44% afir. estes últi- ma completa às suas necessidades. foram as seguintes: visitas em empresa. em 45% micos apontaram que as condições dos computadores dos casos. dinâmicas com um índice de 60%.2. e 40% dos acadê. Quanto à infra-estrutura. Uma questão que chamou a atenção laboratório de informática ou sobre as condições e a é com relação ao laboratório de informática.Nº 71 . 30% dos Em relação ao acervo da biblioteca. atenção o fato de que as simulações-jogos de empre- Gestão & Regionalidade . pois 44% dos pro. Freqüência do uso das práticas pedagógicas raramente os livros da biblioteca atendem à demanda Com relação à freqüência de uso das práticas pe- e.2.out/2008 75 06RGR71. como palestras. pois verificou-se um Quanto às salas de aula. 48% afirmaram que 4. raramente ou nunca disponíveis. que foram rara- centro foram apontadas por 39% como sendo rara. se que 70% dos professores disseram acreditar que o Gráfico 2: Infra-estrutura laboratório não é de fácil acesso aos alunos. e 80% responderam que os computadores não apresentam condições satisfatórias. Os retroprojetores mostraram- os livros estão em boas condições de uso.Vol. vídeos. trabalhos em grupo. 24 . pectivamente. mos se mostraram mais críticos. Foi constatado também que uma par. por outro lado. Quan- fessores revelaram acreditar que os livros conseguem to às salas dos professores. 85% afir- maram que a quantidade de computadores não é sufi- ciente para a demanda. freqüentemente em boas condições. foi verificado discentes entrevistados consideraram-nos freqüen- que mais de 80% dos professores consideram que temente disponíveis. Entretanto. quantidade de computadores. obtendo percentuais de. foram citadas por 60% dos grande diferencial nas respostas entre as duas cate- professores como detentoras de boas condições para a gorias entrevistadas. a respeito do restaurante uni. As demais práticas apresentaram um baixo são raramente satisfatórias. Chama a consideraram-nas satisfatórias. e a última. os resultados dos alunos apre- sentaram um alto grau de disponibilidade. Infra-estrutura e acervo da biblioteca Com relação à quantidade de datashow. 08:23 . quanto à quanti. três práticas: (i) aulas expositivas. 33% consideraram que estes adotada ou freqüentemente utilizada em 78% das atendem raramente à demanda. situações. Shalimar Gallon e Cláudia Medianeira Cruz Rodrigues 4. 34% consideraram que rara. 37% e 36% dos entrevistados. por exemplo. e outros 30% con- maram que raramente eles conseguem atender a sideraram-nas freqüentemente satisfatórias. é sempre dade de computadores. sendo con- sideradas disponíveis sempre ou com freqüência as seguintes práticas: aulas expositivas. As condições do xérox do índice de utilização. estas raramente são satisfatórias. Verificou. tal objetivo. trabalhos em grupo e (iii) debates/estudos de caso. apesar de a média cela significativa dos professores (60%) considerou geral ter sido baixa – abaixo de três pontos –. dinâmicas e seminários.edição especial . na opinião dos professores são adotadas. dos acadêmicos do curso de Administração entrevistados. vídeos com 55%. tanto que as condições das suas salas não atendem de for. A respeito do basicamente. De acordo com o Gráfico 2. Em relação ao grau de disponibilidade de infra- estrutura/ materiais necessários para a utilização de práticas pedagógicas. As práticas que apre- sentaram um baixo grau de disponibilidade. visitas em empresas versitário. res- conseguem atender à demanda. debates/estudos de caso. 30% consideraram que atender à demanda freqüentemente.

ficaram satisfeitos com sua utilização e 30% mos- derada como raramente ou nunca utilizada na opi. nião de. satisfeitos em 54% dos casos em que utilizam debates/ Em relação aos alunos. 34% se mostraram in- destacaram-se por ser freqüentemente utilizados diferentes e 44% revelaram estar satisfeitos com na opinião de. a opinião de 37% utilizados. respectivamente. em 53% das situações nas quais se práticas pedagógicas atualmente empregadas pelos valem das aulas expositivas. seminários. com O uso de retroprojetores e os trabalhos em grupo relação às aulas expositivas. A respeito das palestras.1) foi mais alta que a dos professores (2. exibição de vídeos e dinâmicas apresen- se por ser raramente utilizadas na opinião de 51% taram índices de satisfação na faixa dos 30%. De modo geral. Os professores ainda se mostraram mais críticos e cuidadosos nas suas respostas. laboratório de informática e retroprojetores. Debates e estudos de caso em sala de de grupo são raramente empregadas nas aulas e aula foram considerados por 43% dos entrevistados 31% consideraram que.Nº 71 .XI Semead 2008 . 08:23 . correspondendo a. e gógica. o que pode ser comprovado pelo grande diferencial nas respostas entre as duas categorias entrevistadas.2. uso de e 47% dos entrevistados. Na opinião dos entrevistados. que apresentaram 36% de satisfação quando representando. e outros 41% julga. e.4).4. verificou-se que os professores se sentem sendo esta válida para 48% das situações. Cabe destacar o percentual apresentado pelos freqüentemente utilizado na opinião de outros. quando utilizada determinada prática 76 Gestão & Regionalidade . a biblioteca é rara- mente ou nunca utilizada com prática por parte dos Com relação ao uso de retroprojetores.p65 76 12/2/2009. aprendizado e os que se consideraram muito satis- feitos correspondem a um percentual de 26%. apontada o aprendizado decorrente de sua realização. quando ocorrem viagens a empresas. dinâmicas satisfeitos. na freqüência de uso das estudos de caso. CURSO DE ADMINISTRAÇÃO DA UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA/UFSM: A PERCEPÇÃO DOS PROFESSORES E ALUNOS SOBRE O TEMA “PRÁTICAS PEDAGÓGICAS” sas tiveram um alto índice de respostas “nunca”. totalizando 40% de satisfação quando uti- 34%. Ficou evidente dinâmicas. a respeito do uso do la- Gráfico 3: Freqüência de Uso das Práticas Pedagógicas boratório de informática. das diversas práticas adotadas. 52% consideraram-se satis- apontados por 32% como sendo às vezes utilizados. 38% consideraram que. palestras. ficam muito micos entrevistados. que às vezes é dades em que utilizam palestras como prática peda- utilizado. respectivamente. Satisfação em relação ao uso das práticas pedagógicas Com relação à satisfação quanto ao uso das práticas pedagógicas. representando 38% dos entrevistados.out/2008 06RGR71. respectivamente. estão satisfeitos com o uso de datashow. Visitas em empresas raramente Em relação ao grau de satisfação dos alunos diante acontecem na opinião de 51%. e feitos com os trabalhos em grupo e. 24 . respectivamente. como em relação à freqüência de uso de dinâmicas. datashow. A exposição por 59% dos entrevistados. como mostra o Gráfico 3 ao lado. práticas como palestras. As palestras destacaram. e em 47% das oportuni- professores destaca-se o datashow. 48% e 31% dos acadê. 4.Vol. 34% traram-se indiferentes e 29% consideraram-se satis- e 36% dos acadêmicos entrevistados. 53% consideraram sua utiliza- ção raramente empregada como prática pedagógica. pelas visitas em empresas e pelo uso do quadro são sempre ou freqüentemente utilizadas. 41% mos- professores. Seminários foram feitos com o aprendizado. traram-se indiferentes. com referência a por 37% como raramente empregados. a média geral dos alunos (3. 44% entrevistados.edição especial . por exemplo. às vezes. retroprojetores. A apresentação de vídeos foi consi. observou-se que 60% ram que nunca aconteceram. 50% e 56% dos o uso desta prática. Pode-se observar que as aulas expositivas em lizados. Por sua vez. 41% apontaram que ficam satisfeitos com a não-utilização de simulações empresariais. elas são utilizadas como uma atividade que os deixa satisfeitos com o como práticas pedagógicas. Na opinião de 46%. dos entrevistados. pedagógica.

Nº 71 . como mostra o Gráfico 4. que.4). a maioria dos acadêmicos (61%) considerou- O Gráfico 5 evidencia que os dois principais fato. o pedagógica a ser adotada pelos professores são os uso do laboratório de informática é indiferente e. 4. caso tivessem que exercer a sua profissão. as práticas mais simples certo comodismo dos mesmos e influência de ques- continuam predominando na satisfação do desem. Práticas pedagógicas adotadas independentemente do semestre em que se encon- pelo corpo docente travam.edição especial . 08:23 . de todas as práticas (3. para os alunos. 27% mostraram-se indiferentes. relação à disposição do professor. e outros 32%.Vol. o que demonstra Apesar das novas tecnologias.6. 25% consideraram-se muito satisfeitos e 21% ficaram satisfeitos com seu aprendizado. seu uso é indiferente. e afir- maram que possuíam essa segurança para trabalhar. Com simulações empresariais. 5. pois o curso deveria dar suporte e desenvolver as habilidades de administradores nos alunos. 24 . se apta em parte para enfrentar o mercado de tra- res levados em consideração na escolha da prática balho. como citaram An- penho do aprendizado. Um Um aspecto que ficou evidenciado foi o fato de as aspecto que se destacou foi o índice de 50% apre- práticas que possuem maior nível de satisfação junto sentado pelo fator de facilidade de aplicação em aos professores serem aquelas mais utilizadas por eles. Para 35%. Os acadêmicos que se consideraram em parte ou não-aptos para enfrentar o mercado de trabalho ressaltaram a dificuldade de relacionar a teoria e a prática. A respeito de seminários. CONSIDERAÇÕES FINAIS Ao se finalizar este estudo.5. para seguintes: (i) a adequação ao conteúdo e à área. com a maior média sor.XI Semead 2008 . 36% consideraram- se satisfeitos com o aprendizado e 33% mostraram-se indiferentes. Aptidão para o mercado de trabalho que mais se destacam são os estudos de casos e o uso Quando os alunos foram questionados quanto ao de datashow. e 16% não se consideraram aptos a enfrentá-lo. 21% deles consideraram-se aptos. Outro ponto a destacar foi que grande parte dos alunos que se consideraram aptos para enfrentar o mercado de trabalho estavam no primeiro ou segundo semestre do curso. bom senso e comprometimento.2. pois. Neste Gráfico 4: Satisfação de Uso das Práticas Pedagógicas sentido. para outros 30%. enquanto que. sentimento de estarem preparados para o mercado de trabalho. para os professores. acima de tudo. as 4. apesar de o quadro ter obtido uma média de 3.3.2. ensinar exige do profes- as aulas apresentadas no quadro.p65 77 12/2/2009. tem-se a pos- sibilidade de relacionar a opinião de profes- sores e alunos acerca do processo ensino- aprendizagem e de que forma as práticas pe- dagógicas utilizadas influenciam o desenrolar Gestão & Regionalidade . foi também solicitado que eles justifi- cassem a sua resposta. são drade & Amboni (2006). (ii) disponibilidade de materiais/ infra-estrutura. seu uso é satisfatório para o aprendizado. tões externas/ ambientais. Shalimar Gallon e Cláudia Medianeira Cruz Rodrigues de vídeos foi vista por 35% dos entrevistados Gráfico 5: Práticas Pedagógicas Adotadas como uma prática que gera satisfação e.out/2008 77 06RGR71.

da realidade seja de suma importância.br>. Disponível em: 24 de maio de 2007. 08:23 . A NTUNES .XI Semead 2008 . acredita-se momento em que há a necessidade de poucos que uma maior utilização de práticas que propor- recursos. SOLINO.br/adm>.inepad. Acesso em: NISTRAÇÃO– FENEAD. Disponível em: <http://www. Desta forma. crítico. Um aspecto que ratifica essa O estudo evidenciou que as práticas pedagógicas afirmação foram as respostas dadas pelos alunos. Andrade & Amboni gógicas proporcionarem um baixo nível de integração (2006) e Vasconcellos (2002). 2000. como computadores e televisão.inep. U NIVERSIDADE F EDERAL DE S ANTA M ARIA . 2006. entre outros. Professores e professauros: PERRENOUD. Existem duas possíveis aptos em parte ou não se consideraram capazes. 2008.edição especial . Rio de Janeiro: Vozes. 24 . INEPAD. Site da instituição. realidade organizacional. INSTITUTO NACIONAL DE ESTUDOS E PESQUISAS EDUCACIONAIS Teorias da administração: os desafios do professor ANÍSIO TEIXEIRA – INEP. um processo de apren- facilidade de aplicação e da sua disposição de adotar dizagem significativo. também. Práticas cionem aos alunos o estabelecimento de relações como a exibição de vídeos ou o uso do datashow entre o que é aprendido na sala de aula e as situações necessitam de outros recursos para ser exploradas. assim.org. diversas. São Paulo: Disponível em: <http://www.br>. criativo e duradouro. <http://www.p65 78 12/2/2009.org.gov. 2008. Acesso em: VASCONCELLOS. mais utilizadas pelos professores são as seguintes: (i) quando indagados se estavam aptos a enfrentar o aulas expositivas. como os de Antunes (2008).Vol. 2006. a relação com os constructos aos alunos de 40%. Adair Martins. verificar na prática. de modo a facilitar e otimizar tal relação. Construção do conheci- 5 de maio de 2007. A segunda Acredita-se que o tema abordado neste trabalho explicação encontra-se no fato de aquelas práticas é de suma importância a ser explorado pelo curso e serem de fácil aplicação por parte do professor. e (iii) de. frente às novas diretrizes curriculares. 2006. como sala de aula e quadro-negro. São Paulo. Rio de uma tentativa de aproximação da teoria com a Janeiro: Vozes. Acesso em: 20 de janeiro de 2007. Acesso Makron Books do Brasil. Celso. s/d. incluindo nesta extraclasse. onde caberia à levantou que cerca de 50% dos professores adotam Universidade estimular a prática da inovação em sala determinada prática pedagógica de acordo com a de aula. Dez novas competências para reflexões sobre a aula e práticas pedagógicas ensinar. Rui Otávio Bernardes de & AMBONI. zagem por problemas no ensino de Administração: Estratégias de ensino-aprendizagem. entre teoria e prática.angrad. pela instituição. Disponível em: <http://www. Philippe. mento em sala de aula. a mesma. por intermédio professores apresentaram índice de satisfação junto dos questionamentos. Celso dos S.br/ensino/>. fenead. Verificou-se que as práticas mais utilizadas pelos Pode-se. 78 Gestão & Regionalidade . O método de aprendi- BORDENAVE. Juan Díaz & PEREIRA. Antonia da Silva. sendo parte significativa das respostas ligadas à falta se no fato de serem fáceis de ser exploradas no de relação teoria-prática. Uma possível explicação para teóricos adotados. (ii) trabalhos em grupo.asp>. essa situação reside no fato de essas práticas peda- Bordenave & Pereira (2007). estabelecendo. 2002.Nº 71 . como referiu Vasconcellos (2002). REFERÊNCIAS ANDRADE. Isto pode ser corroborado quando se a questão das práticas pedagógicas. São Paulo: Libertad. Site da instituição. 2008. mercado de trabalho: mais de 75% se consideraram bates e/ou estudos de caso. Nério. em: 25 de março de 2008.out/2008 06RGR71. Acesso em: 2 de junho de 2008. Site da instituição. CURSO DE ADMINISTRAÇÃO DA UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA/UFSM: A PERCEPÇÃO DOS PROFESSORES E ALUNOS SOBRE O TEMA “PRÁTICAS PEDAGÓGICAS” do curso. Porto Alegre: Artmed.br/cientifica/artigos/ F EDERAÇÃO N ACIONAL DOS E STUDANTES DE A DMI - artigos_enangrad/enangrad_12. INSTITUTO DE ENSINO E PESQUISA NA ADMINISTRAÇÃO – ufsm. Faz-se necessário um repensar sobre exigindo um nível menor de envolvimento e pesquisa a questão da capacitação pedagógica. explicações para que isso ocorra: a primeira encontra. Disponível em: <http://www. 2007.org.

edição especial . estratégia Keywords: people management. A população da pesquisa compreen. clínica.CEP 88040-970 .e-mail: srtolfo@yahoo.CEP 04601-060 . The objective of the study is to present the results quisa sobre a percepção de profissionais de gestão de of a research about the professionals’ perception pessoas de unidades de saúde de Florianópolis a respeito of personnel management in the organizations da sua área de atuação. Aniele Fischer Brand.com Suzana da Rosa Tolfo Sala 12 .Trindade . públicas e privadas. 2034.out/2008 79 07RGR71.br Gestão & Regionalidade . for change in the vision of the area of human especialmente por parte dos profissionais de gestão de resources and the role of the personnel manager pessoas.CFH -Departamento de Psicologia Maurício Fernandes Pereira Professor Adjunto IV da Universidade Federal de Santa Catarina Martinho Isnard Ribeiro de Almeida Professor do departamento de Administração da FEA/USP RESUMO ABSTRACT Atualmente. Os resultados da pesquisa tegic importance for all the organizational func- permitem demonstrar que os profissionais de recursos tioning. também revelaram que esse papel estratégico ainda é pouco reconhecido pelos gestores das organizações. A pesquisa caracterizou-se como involved in the study regarding its area perfor- exploratória e descritiva. managers of the organizations. os indivíduos within an organization.Florianópolis-SC . Florianópolis-SC . Porém. Maurício Fernandes Pereira e Martinho Isnard Ribeiro de Almeida ATUAÇÃO ESTRATÉGICA DA ÁREA DE GESTÃO DE PESSOAS EM ORGANIZAÇÕES DE SAÚDE: UM ESTUDO À LUZ DA PERCEPÇÃO DOS PROFISSIONAIS DA ÁREA ACTIVITY AREA OF STRATEGIC MANAGEMENT OF PEOPLE IN HEALTH CARE ORGANIZATIONS: A STUDY OF THE PROFESSIONALS’ PERCEPTION OF THE AREA Aniele Fischer Brand Recebido em: 07/07/2008 Professora do Departamento de Ciências da Administração da UFSC Aprovado em: 15/10/2008 Suzana da Rosa Tolfo Professora Adjunto da Universidade Federal de Santa Catarina . namento organizacional. com prestação de serviços that the professionals of human resources of the nas áreas hospitalar.e-mail: mpereira@cse. 138 . bloco 01 apt.São Paulo-SP . O ob.br Martinho Isnard Ribeiro de Almeida Rua Rita Joana de Souza.CEP 88080-701 . 08:24 .com. sejam privadas. ‘resource’ or a ‘patrimony’ of the organization. há uma discussão sobre a necessidade de Currently. ment of people’ the people are not seen as a nio” da organização. as a ‘partner’ in the reach of organizational results. mance.Florianópolis-SC . Endereços dos autores: Aniele Fischer Brand Av. organizações de saúde. Na “moderna gestão de pessoas”. 12. de diagnóstico e laboratorial.Campo Belo . The research is characterized as exploratory temente qualitativo.ufsc. there is a debate regarding the necessity mudança do papel das pessoas nas organizações. In the ‘modern manage- não são mais vistos como mero “recurso” ou “patrimô. jetivo do estudo é apresentar os resultados de uma pes. but rador” no alcance dos resultados organizacionais. The results of the study allow to demonstrate Florianópolis. organizational organizacional. Coqueiros. Pedro Silva.p65 79 12/2/2009.e-mail: martinho@usp. health organizations.Nº 71 .XI Semead 2008 . strategy. Suzana da Rosa Tolfo. mas como “parceiro” ou “colabo. However.Brasil .adm@gmail. Departamento de Psicologia Campus Universitário . à medida que trata das questões dos clientes internos e consumidores.CEP 88040-970 .Brasil .Vol. sejam elas públicas. perceive its area as stra- além da gestão pública de saúde.Centro de Filosofia e Ciências Humanas.e-mal: aniele. 24 . Des. being a predominantly qualitative deu profissionais de organizações do setor de saúde de study. they had also disclosed that this humanos das organizações pesquisadas percebem a sua strategic role is still little recognized by the área como de relevância estratégica para todo o funcio.br Maurício Fernandes Pereira Trindade . sendo um estudo predominan. searched organizations. and descriptive. Palavras-chave: gestão de pessoas.

no envolvimento de todos os setores as pessoas possam entregar o que têm de me. ASPECTOS TEÓRICOS E CONCEITUAIS conjunto de políticas e práticas que a formam deve. 2000.p65 80 12/2/2009.Vol. cada vez mais acirrada no expectativas da empresa e das pessoas. têm se caracterizado pelo também se preocupam em aperfeiçoar suas políticas estabelecimento de estruturas mais flexíveis.edição especial . mas como parceiros diante alinhar as pessoas à estratégia da organização. esse conceito tem evoluído para adequar-se às perspectiva estratégica. TA- modo de pensar e de agir dos profissionais da área CHIZAWA. plano de cargos e tradicionais. as organizações de saúde do mercado competitivo.. neste dificados. 2001. DUTRA. seleção. CARDWELL & TICHY. quando se fala o termo “recur- organizações. 08:24 . conceito de gestão de pessoas: (. Em discutida pelos especialistas da área. trabalho (ALBUQUERQUE. e o 2. este quadro não é diferente. torna-se necessário romper com o pas- sos humanos” em administração. INTRODUÇÃO Nesta perspectiva. Nesse 80 Gestão & Regionalidade . caracterizar a percepção de profissionais de gestão humanos passa a ser orientada por novas premissas. 24 . destacando-se que a gestão dos recursos artigo. em processos decisórios estimular e dar o suporte necessário para que descentralizados. gerada por fatores como dessa maneira será possível dar sustentação a mudanças tecnológicas e globalização da economia. na busca presa e a pessoa. Nas organizações de saúde. fez com que organizações de todos os setores pas- ção de expectativas está relacionada ao com. 2001. Somente ambiente empresarial. (BOSQUETTI & ALBURQUEQUE.) a gestão de pessoas deve ser integrada. pensa-se em plane- sado. envolvimento de todos os garantir um maior grau de satisfação dos clientes. o aperfeiçoamento tecnológico com que elas tenham que responder às demandas e a concorrência do setor. buscam modificar a visão acerca das pessoas que fazem parte do corpo funcional de uma organização. Para que essa visão de parceria se estabeleça nas Tradicionalmente.Nº 71 . ao mesmo tempo em que recebem o que formas mais integradas e dinâmicas das relações de a organização tem de melhor a oferecer-lhes. 2002. 2003. que entendem as decorrência da necessidade de as empresas adap- pessoas como a dimensão que fará a diferença para tarem-se às pressões externas. sassem a implantar modelos de gestão mais flexíveis. A gestão presa para a ela servirem sem o envolvimento real e estratégica de pessoas destaca-se como requisito para interesse com o trabalho. setores da organização na busca por resultados. Para implementar essas transformações. de um objetivo comum de busca por resultados que Todavia. ampliando-se salários. pro- de gestão. Con- a atuação da área de gestão de pessoas para uma tudo. partilhamento de responsabilidades entre a em. fazendo prestação de serviços.. de pessoas de organizações vinculadas ao setor de saúde como referiu Dutra (2002: 16-17) ao abordar o novo de Florianópolis. gestão de pessoas em face dos argumentos quanto ao os modelos de gestão precisam também ser mo. e buscar soluções criativas. deixar de lado alguns conceitos e experiências jamento. SULL. TICHY & COHEN.out/2008 07RGR71. seu papel estratégico na atualidade.XI Semead 2008 . 2002). dentre outras práticas comuns à área. NANUS. da organização na busca por resultados. de recursos humanos. a um só tempo. além de formas mais integradas e dinâmicas das relações Com o intuito de identificar melhor as práticas de de trabalho. percebe-se uma tendência no sentido de que as pessoas não sejam mais vistas como A área de Gestão de Pessoas desempenha uma insumos ou recursos a serem controlados pela em- função estratégica nas organizações. ocorrem muitas mudanças no cimento e da inteligência competitiva (GIL. ATUAÇÃO ESTRATÉGICA DA ÁREA DE GESTÃO DE PESSOAS EM ORGANIZAÇÕES DE SAÚDE: UM ESTUDO À LUZ DA PERCEPÇÃO DOS PROFISSIONAIS DA ÁREA 1. às vezes essa importância não é devidamente venham também atender às suas necessidades e aos observada pelos profissionais que nela atuam seus interesses individuais e profissionais. A concilia. além de lhor. À empresa cabe o papel de da satisfação dos clientes. capacitação. uma relação produtiva entre ambas. implementando ações no sentido de cessos decisórios descentralizados. Esta visão tem sido amplamente transformações do ambiente das organizações. inclusive revendo seus todos os tipos de organização na nova era do conhe- modelos de gestão. Com a exigência maior por qualidade na As mudanças que afetam as empresas. baseados na participação dos trabalhadores. a respeito da sua área de atuação. FERREIRA & FORTUNA. 1999). 2005). que enfrentam desafios e 2003. buscou-se. atender aos interesses e A competitividade. transformações otimizar o desempenho dos seus colaboradores e dinâmicas de tecnologia.

a fim postura em relação aos seus colaboradores. a e de processo”. Suzana da Rosa Tolfo. além de buscar parce- empresa. uma vez que as um novo perfil institucional e comportamental. clássicos da área. uma ação de responder aos desafios e às demandas impostas direcionada à gestão de pessoas. a vinculação do papel da Para Porter (1986). das organizações para discutir formas de alcançar objetivos organizacionais. define como maior objetivo da organização a ma- sional autônomo. falar em Os desafios nas três dimensões (ambientais. apro- definições encontradas na literatura parecem não priando-se não apenas de novos processos de gestão contemplar seus diferentes significados. sobretudo. Tradicionalmente. outro lado.edição especial . cujo prin- atua (DUTRA. efetiva no mercado competitivo. ximização da riqueza e o retorno máximo para seus vido com o sucesso do negócio da empresa na qual acionistas. por uma concepção tradicional. com o reconhecimento das ameaças e das rias e atuar na direção da mudança cultural. como der aos interesses e às necessidades de todos os seus meio para a promoção de mudanças que auxiliem as stakeholders – acionistas.p65 81 12/2/2009. torna-se desafio para a empresa conseguir articular todos esses grupos na direção dos propósitos orga- O conceito de estratégia foi adotado pela teoria nizacionais (MOHRMAN & LAWLER III. à medida que se percebeu que os processos sobre o modo como a empresa vai competir.XI Semead 2008 . Aniele Fischer Brand. or- estratégia significa reportar-se aos cenários nos quais ganizacionais e individuais) a que estão sujeitas as a organização atua. Historicamente. a afetar o desempenho do empregado no trabalho. Essa mu- oportunidades. e das processo de decisão. ao longo do (2002) indicou características que podem auxiliar na tempo. Sendo assim. tecnologias ou modelos de gestão. de acordo com as discussões observadas a forma de gerenciar pessoas. da organização sob a orientação de planejamento de Gestão & Regionalidade . estimulando o com- pelo ambiente (CARVALHO. a necessidade de que a área passasse a ter formação do conceito de estratégia. verificou-se que as transformações ocorridas A vantagem competitiva almejada pelas empresas nos modelos de gestão administrativa influenciaram se distingue. que pelas empresas e priorizando a busca por um profis. buscar resultados em longo prazo de relações de trabalho (MOHRMAN & LAWLER III. da contratação à definição de neando suas metas e as políticas necessárias para im. ceito de formulação estratégica é identificado como a fim de adotar um caráter mais consultivo e preven- um processo que inclui a análise do ambiente da tivo. por conseqüência. os desafios ambientais impostos às em- A partir das definições das Escolas da Estratégia presas. a organização que se tornem efetivas no mercado em que atuam. Ao vincular o conceito à competitividade. organizações precisam ser por elas enfrentados para cas e da interpretação desse cenário. ou seja. participativo e envol. 1995). benefícios e salários. a evo- de Mintzberg. dos novos conhecimentos e meto- tes aspectos: dar a direção da empresa. consumidores/ empresas. Neste sentido. Ahlstrand & Lampel (2000) e de alguns lução da comunicação. gestão de pessoas deverá preparar-se para mudanças. Por arena fundamental onde ocorre a concorrência. a definição dos objetivos a serem al. empreendedor.Vol. voltado à ação estratégica. 1995). 24 . mento. resultar do dologias geradas na própria área e fora dela. dança deve levar a área a estabelecer-se em estru- cançados e as estratégias que garantam a vantagem turas mais enxutas que atuam na direção dos negócios competitiva da empresa junto ao mercado. deli. Maurício Fernandes Pereira e Martinho Isnard Ribeiro de Almeida aspecto. desenvolver uma estratégia gestão de pessoas às estratégias da empresa ganhou competitiva significa definir uma “fórmula” ampla força. a partir das característi. e por uma visão transformadora. passando pelas práticas de treina- plementá-las. 2001).Nº 71 . no sentido de uma atuação mais eficaz e clientes – e da sociedade em geral. abranger a relação da empresa reformulações legais que estabelecem novos modelos com o ambiente. Albuquerque de mercados. Em um sentido mais amplo.out/2008 81 07RGR71. para a empresa. empregados. o con. posição competitiva favorável em uma indústria. da informação. tendiam a influenciar aspectos do compor- o autor entendeu estratégia como a busca de uma tamento e da motivação humana e. consoante essa nova visão. 08:24 . tais como a globalização da economia. mas também dos recursos da tecnologia destacou que a estratégia se caracteriza pelos seguin. pode precisar rever e reformular estratégias de ação. alterando o perfil exigido na atualidade. 1995). Este autor das pessoas. também demonstraram. e envolver “questões de conteúdo Segundo Gil (2001). a administração das cípio é de que a organização tem como objetivo aten- pessoas passou a ter um caráter estratégico. para que consigam estabelecer uma nova objetivos. a abertura e competitividade aspectos em comum nelas identificados. prometimento de todos com os resultados da orga- nização.

Nesse caso. os pro- com sua integração e permanência. e ser capazes de desenvolver mento técnico um alto grau de sensibilidade.edição especial . e não fins. a fim de que possam ser obtidas as in- de vida no trabalho e agregação de valor aos em- formações necessárias para a definição de suas dire- pregados. necessário. capacitação e precisa articular-se com o planejamento global da motivação dos empregados. à empresa e aos clientes. proporcionando com.Nº 71 . os recursos humanos são lidades e desejos de seus trabalhadores. No setor da saúde. No ambiente organizacional da saúde. os e para qual se destina o produto de seu trabalho. Além disso. Para isso. aspirar um crescimento comunidade para a qual trabalham. bem como as compreendidos como sendo meios. o setor de gestão também deve ser capaz de atuar como agente de mu- de pessoas não existe isolado dentro da organização. supervisionada e transforma- da em situações de aprendizagem. acompanhada. sendo preende um amplo conjunto de complexas atividades. com a forma de con- adquirir ainda novas competências conceituais. expectativas. especialmente. Sendo assim. o desenvolvimento da gestão petitividade à empresa. essas demandas e a atualidade não podem organizacional moderna. gestão de pessoas não deve se limitar a mudar de 82 Gestão & Regionalidade . com isso. o autor desta. na atividade serviço. o planejamento de recursos humanos as novas tecnologias administrativas. 08:24 . que moderna de gestão. sistematizadas em um novo perfil.Vol. de que consigam atender a todas as necessidades da maneira que possa. no setor de saúde. que lhe suas tarefas. de pessoas envolva tarefas que se iniciem com a procura de pessoas que se incorporem à organização. principalmente. estar distantes do dia-a-dia dos profissionais. Os próprio desempenho e do papel que a organização recursos humanos são vistos. a fim de para o exercício de funções mais complexas. Ele precisa. Para assumir as novas responsabilidades. e que de gestão de pessoas têm características peculiares. Para Pereira (2001). deve ser capacitado ponsabilidade e possuir uma formação sólida.XI Semead 2008 . de modo a desenvolver a capacidade da devendo sempre manter um relacionamento dinâ- organização de aceitar a mudança e com ela capitalizar- mico com os demais setores existentes. pois. necessários outros aspectos. Segundo o mesmo autor. 24 . Também são pação na vida da empresa. trabalhadores devem estar conscientes de sua res- O funcionário. reconhecer as pessoas como parceiras da organização. o que exigirá que os profissionais de cou que a nova proposta gerencial exige que a gestão gestão de pessoas assumam novas responsabilidades. de acordo com a pesquisa e a busca por melhores formas de com o qual sejam capazes de atender tanto aos usuários conseguir sua crescente integração e maior partici- internos como aos externos à organização. potencia- vidas de pessoas. cabendo ao gerente Segundo Lefèfre (2001). Nesse sentido. preparados. por se tratar de organizações prestadoras de De acordo com Cornetta (2001). então. O gestor de pessoas trizes operacionais. tidiano. o novo papel de metas que pretende atingir. danças. ATUAÇÃO ESTRATÉGICA DA ÁREA DE GESTÃO DE PESSOAS EM ORGANIZAÇÕES DE SAÚDE: UM ESTUDO À LUZ DA PERCEPÇÃO DOS PROFISSIONAIS DA ÁREA longo prazo. que representações e aspirações tem a respeito de seu as diferenciam dos outros setores da administração. as técnico responsável apenas por um setor de pessoal relações entre o cliente e a equipe de trabalho são cujas obrigações restringem-se ao registro de ocorrên- importantes para que sejam alcançados os objetivos da cias nos prontuários dos trabalhadores. com seu desen- fissionais que atuam com gestão de pessoas precisam volvimento pessoal e funcional. como a riqueza e o patrimônio da o gerente de gestão de pessoas não é mais aquele administração. se. ações voltadas à qualidade organização. em uma perspectiva desempenha nesse contexto. que as pessoas sejam cada vez todas voltadas para o pleno desenvolvimento das mais capacitadas e comprometidas com o trabalho e tarefas que a organização se propõe a realizar e as a função que exercem. as políticas descobrir o que seu grupo pensa ou percebe.out/2008 07RGR71. e basear-se em comportamentos de pessoas se faz principalmente na vivência do co- éticos e socialmente responsáveis.p65 82 12/2/2009. por sua vez. tanto. Ele deve aliar organização. com as alte- pessoal e profissional que lhe traga maior satisfação rações que as relações sociais vêm sofrendo ao longo diante das suas expectativas pessoais e motivação do tempo. para a necessidades da realidade social na qual estão inseridos obtenção de melhores resultados. por- aos serviços que lhe são oferecidos. pois os profissionais precisam estar à sua capacidade administrativa e ao seu conheci- motivados. fizeram com que a população passasse a ter para que haja uma maior integração com a organi- uma visão e uma postura muito mais críticas em relação zação. técnicas duzir as atividades dos integrantes da organização e e humanas. haja vista que eles lidam diariamente com permita enxergar necessidades. a gestão de pessoas com. quais sejam: abertura para para ser eficaz. A autora destacou.

carac. ou seja. Já no que diz respeito às terizou-se como um estudo múltiplo de casos. considerando o acesso e as As áreas de gestão de pessoas das organizações de características das organizações a serem envolvidas. as informações foram analisadas problema inserido em seu contexto atual. pois apresentou a per. 3. quatro de diagnóstico (labo. a visão de parceria que se estabelece entre gestão de pessoas das organizações envolvidas na organização e funcionário está vinculada aos princípios amostra. a fim de que se pudesse 1998). quatro são públicas. fechadas e um quadro com indica- organização “percebe” seus colaboradores que dores de freqüência que orientou os entrevistados nas demonstrará se a empresa atua sob uma perspectiva de respostas sobre temas específicos relacionados ao ob- gestão de “pessoas” ou gestão de “recursos”. É também descritiva. Este instrumento continha humano” que atua na empresa. 24 . como bibliografias e documentos relacionados ao setor de saúde. foram prática junto aos empregados. Ainda como elementos de coleta de expresso nas suas políticas e práticas de ação. com o auxílio de um ins- necessário conhecer a percepção dos gestores de trumento que serviu de roteiro para a descrição das res- pessoas. clínica.1. mada por profissionais que atuavam em dez organi- definem a forma como as políticas de gestão de pessoas zações. pois questões subjetivas e que envolviam as percepções focalizou uma realidade específica ao examinar o dos entrevistados. além 4. saúde envolvidas na pesquisa estão estruturadas. fizeram parte da amostra deste Nas organizações ligadas ao setor público. Como delineamento. 08:24 . intencional e por organização acessibilidade. em nível operacional quanto estratégico. mas sim identificar. de freqüência de respostas. que representam a organização. O estudo preliminares de análise de conteúdo e sob a orien- foi predominantemente qualitativo. previamente formuladas.XI Semead 2008 . Foram realizadas 13 entrevistas (na organiza- e valores que sustentam uma determinada política ou ção responsável pela gestão pública de saúde. públicas e RESULTADOS privadas. procedeu-se à análise passível de conhecimento sistematizado (VERGARA. Ou seja. ratorial e radiotecnológico). e uma de clínica médica. É por isso que se torna entrevistadas quatro pessoas). do setor em que atuam. acerca do “ser postas dos entrevistados. APRESENTAÇÃO E DISCUSSÃO DOS ções do setor de saúde de Florianópolis. bem como As informações foram coletadas por meio de en- nas dimensões de processos e de pessoas. A população da pesquisa compreendeu organiza. dos de duas formas: em relação às questões fechadas zou-se como exploratória ao estudar um tema ainda do instrumento de pesquisa. lizados na coleta e na análise dos resultados. Assim. foram utilizadas fontes secundárias. o que é jetivo da pesquisa. de diagnóstico e laboratorial. junto aos recursos humanos em sua estrutura orga- nizacional. na segundo os objetivos do estudo. com prestação de serviços nas áreas hospitalar. Aniele Fischer Brand.p65 83 12/2/2009. diferente de forma descritiva com o auxílio de procedimentos do método histórico que aborda o passado. Maurício Fernandes Pereira e Martinho Isnard Ribeiro de Almeida foco operacional para estratégico. porém sem uma atuação direta na que apresentavam unidades de atuação específicas decisão sobre que políticas devem ser implantadas. notadamente no que diz respeito à gestão de Gestão & Regionalidade .out/2008 83 07RGR71. Percepção dos profissionais quanto à da gestão pública de saúde. às perguntas da pesquisa.Nº 71 . vinculadas ao setor de saúde de Florianópolis. tanto privadas e uma tem natureza filantrópica. manos. A amostra foi for- grande maioria. 4. a área estudo profissionais de uma organização de gestão de gestão de pessoas segue as determinações das pública de saúde – quatro de serviço assistencial políticas estaduais de administração de recursos hu- (hospitalar-ambulatorial). ASPECTOS METODOLÓGICOS Os dados obtidos nas entrevistas foram organiza- Em termos metodológicos. aprender e dominar os papéis múltiplos e complexos Dessas organizações. dados e informações para o desenvolvimento do estudo. no sentido de responder o caráter do tema escolhido e os procedimentos uti. Suzana da Rosa Tolfo. pois é a forma como a perguntas abertas. A definição da amostra atuação da área de gestão de pessoas na deu-se de forma não-aleatória. no nível tático de atuação. trevistas semi-estruturadas com profissionais da área de Assim. a pesquisa caracteri.Vol. cinco são que a gestão de pessoas deve ter na empresa. obter a informação objetiva a respeito do perfil dos cepção de profissionais de gestão de pessoas sobre profissionais de recursos humanos e as características a área em que atuam. tendo em vista tação do referencial teórico.edição especial . são desenvolvidas.

desempenho. a direção. porém ainda conservadoras e centralizadas. bem como a importância na modificação situa e. tem atribuições espe- tação das políticas do setor. Serviço Social.Vol. Filosofia. Em relação às características dos setores de gestão nistrativa ou à direção-geral da organização. Tal quadro na maioria das vinculadas ao setor privado. Humanos (DRH) da Secretaria de Estado da Saúde. de profissionalização administrativa em que tal orga- soas. vinculada ao Sistema Estadual de Recursos administrativa. o setor de gestão de pessoas não é for. bem como pelo modo como malizado na estrutura da empresa. na qual os profissionais têm um papel Já no setor privado. é comum perceber-se o seu despreparo e desco- seguir as políticas de recursos humanos da Secretaria nhecimento acerca de princípios básicos de gestão da Saúde. não percebendo se estabelece de forma descentralizada. vale ressaltar. técnica. reali- os profissionais de saúde se caracteriza pela pouca zação de cursos e capacitações para os funcionários autonomia em termos de inovação nas práticas de que necessitam aperfeiçoar-se.XI Semead 2008 . Medicina. a ação do setor de gestão Exemplo disso é a constatação sobre a dificuldade em de pessoas na organização que atua diretamente com serem aprovados programas de capacitação. nização se encontra. que. o setor é vinculado à direção. é assumida por profissionais da área mé. Ciências Sociais. o mais estratégica.Nº 71 . Este normalmente. em envolvidos na pesquisa. Enfermagem. Por terem uma visão muito nos. mas que são por eles negadas. de pessoas nas organizações estudadas. executarem seu trabalho. nessas organizações. a referida área também precisa dica. na qual a área clínica ou do consultório particular. e a área de recur. de modo a melhor gestão ou mudanças nos modelos de recursos huma. cabendo ao especialista da área dar suporte e alcançar os resultados esperados. especialmente observado em uma das organizações com o predomínio de funções operacionais. para que os demais atuem dentro deste princípio. sua maioria.edição especial . que definissem a gestão de pessoas de uma forma Sua atuação é de assessoria e consultoria interna. estrutura dos órgãos de saúde. notadamente na gestão das pessoas. Isto é. Observou-se que. foi pesquisa de campo foi possível verificar que os uma grande dificuldade de se disseminar uma nova profissionais de gestão de pessoas das organizações idéia de gestão e o princípio de que as pessoas podem de saúde abordadas neste estudo possuem um perfil ser o diferencial dentro da organização de saúde. onde poderiam ser identi- estratégico na definição e no desenvolvimento de ativi.p65 84 12/2/2009. o que se observou também. tempo contrastantes e contraditórias. 08:24 . 24 . política e tecnicamente. No setor públi- sos humanos tem um papel estratégico na organização. a maioria dos setores de ges. que está vinculado à direção da mesma. Além disso. Neste sentido. à Diretoria de Recursos de rotinas e definição de ações voltadas às pessoas. que foram identificadas duas situações ao mesmo trutura típica de empresas privadas. encontrou-se. são constituídas por vários sócios. a área se pode decorrer do tamanho da organização e do grau restringe à pessoa do profissional de gestão de pes. entretanto. ficadas estruturas flexíveis e baseadas em princípios dades que extrapolam a gestão de pessoas tradicional. a área de gestão de pessoas é formalizada na atuando tanto no nível decisório quanto na implemen. Em relação ao perfil dos profissionais de saúde Apesar disso. Nesse caso. está estruturada em termos de natureza do negócio: sional. A formação dos demais está distribuída Considerando que. co. ATUAÇÃO ESTRATÉGICA DA ÁREA DE GESTÃO DE PESSOAS EM ORGANIZAÇÕES DE SAÚDE: UM ESTUDO À LUZ DA PERCEPÇÃO DOS PROFISSIONAIS DA ÁREA pessoal. Este tipo de vínculo foi cíficas. pesquisadas. bem diversificado. Estruturalmente.out/2008 07RGR71. Agronomia 84 Gestão & Regionalidade . em sua maioria. orga- que demonstra as novas tendências para as quais se nizações com áreas pouco estruturadas e pouca auto- volta a área de gestão de pessoas das organizações. pro- dado também pode ser associado a uma visão mais fissionais da área médica que mantêm a cultura da contemporânea de gestão de pessoas. dos 13 entrevis- de que se desenvolvam políticas adequadas às suas tados. nomia. à medida que que sua empresa tem toda uma complexidade a ser se considera que “todos os gestores são gestores de gerenciada para que possa funcionar adequadamente pessoas”. des. os dirigentes parecem não perceber tal ne- geral ou gerência administrativa do órgão em que se cessidade. Humanos. com atribuições clássicas da administração Em relação à estrutura de gestão de pessoas das de recursos humanos e não-formalizadas no contexto organizações estudadas. na análise dos dados da depoimentos de alguns profissionais entrevistados. pode-se dizer destaca-se que tais organizações apresentam uma es. nistração. que seriam básicas e essenciais para melhorar o seu Já na esfera privada. em nas áreas de Psicologia. tão de pessoas está subordinada à gerência admi. apenas quatro possuem graduação em Admi- necessidades demandadas das relações de trabalho. da estrutura da organização de saúde. mas sim o profis.

destaca-se que oito entre. sionais têm mais de 36 anos de idade. uma vez que. organização e controle de (. até mesmo. estas se consolidarem.. no caso holística para gerir os recursos humanos da empresa. as práticas são mencionado que profissionais graduados na área instituídas e padronizadas segundo as políticas médica.Vol. também. é atribuição da área de (. pela burocrático ou a práticas essencialmente operacio. como os progra. Suzana da Rosa Tolfo. (. sete atuam e função profissional. são desenvolvidas atividades diárias da área de gestão de pessoas.) (Entrevistado 2)..54% dos profis- gestão de organizações e à área hospitalar. controle de ponto. especialização em gestão de pessoas. Gestão & Regionalidade . nais. Em termos das atividades desenvolvidas pelos boradores à missão organizacional. as políticas para estas atividades encontram-se cada vez mais limitadas. técnica e não terem clareza quanto às especificidades caracterizando-se.edição especial ..) (Entrevistado 3). como operacionais da gestão administrativa. sem a necessária abordagem de outros aspectos que são necessários para a integração dos cola. não percebem (sic) que são as pessoas que vão gerar lucros para empresa (. bioquí- vale-alimentação. preparados para enfrentar e desencadear as mudanças lidade. seja pelas dificuldades gestão de pessoas tende a limitar-se ao controle mais de relacionamento organizacional ou. escala de trabalho. 08:24 . além dos que se especializaram em áreas diretamente ligadas à Constatou-se. um respondente vistados têm cursos de pós-graduação em nível de há oito anos e meio e dois há mais de dez anos. espe. em que o sistema de as. Dessa forma. a organização po- derá apresentar limitações no seu funcionamento inter- No caso de profissionais eminentemente técnicos no. como médicos.) é difícil trabalhar com pessoas com visão hora-plantão. assim como é Um outro aspecto ligado ao perfil dos profissionais bastante restrita a participação dos funcionários que atuam nos setores de gestão de pessoas é o quando os programas de treinamento acontecem.) (Entrevistado 1). das organizações de saúde pesquisadas.p65 85 12/2/2009. tendem a dificultar as e de controle. benefícios. Ainda no setor público. entre um ano e meio e sete anos. demonstraram três participantes: como controle da vida funcional do trabalhador. No setor público. Maurício Fernandes Pereira e Martinho Isnard Ribeiro de Almeida e licenciatura em Geografia. pode-se distinguir entre o setor público remuneração. mais fechada.) o RH não tem apoio da direção (médicos). pode-se afirmar que o perfil do gestor Todavia.. Aniele Fischer Brand. a setores de gestão de pessoas. por exemplo. Como ilustração dessas questões. Existe uma pois já assumiram uma cultura que pode não aceitar certa flexibilidade e abertura para o acesso a outras muito facilmente as mudanças.out/2008 85 07RGR71. que áreas da psicologia e médica. sabe-se que o conhecimento do setor em de pessoas também influencia as formas de que se atua como gestor de pessoas torna-se funda. Apesar da suposta tempo de serviço no referido setor. conceitos que até então foram por eles adotados. segundo de recursos humanos (. como atividades típicas dos tradicionais setores de pessoal. que 61.XI Semead 2008 . foi e o privado. projetos e controle de programas micos etc. vale-transporte e técnica... comportamento organizacional. para categorias profissionais neste tipo de trabalho. seja pela ineficiência das rotinas desenvolvidas nos e sem nenhum tipo de formação administrativa. 24 . explicar as razões de a maioria das referidas organi- zações ainda estar atuando sob um enfoque de Esse quadro demonstra que a gestão de pessoas gestão de pessoas mais tradicional ou operacional.. Nesse sentido. treinamento ou pesquisadas. Um en. Dos entrevistados. para o planejamento e a tomada de decisões... precisam ser quebrados cialmente no setor público. falta de motivação dos seus colaboradores. discrepância na relação entre formação acadêmica três estão na área há menos de um ano.. por possuírem uma visão muito públicas de administração de recursos humanos. Caso não estejam mental para uma análise mais consubstanciada da rea. Isso pode trevistado tem formação em nível de mestrado.) há dificuldades de se trabalhar porque a gestão de pessoas a coordenação de atividades de direção não entende a importância do setor educação continuada e treinamento..Nº 71 . de estágio e orientações ou encaminhamentos às (. censão a determinados cargos administrativos não pressupõe uma formação técnica específica na área. principalmente. os depoimentos.. setores de gestão de pessoas nas organizações mas de compensação. nas organizações não está necessariamente exigindo Os profissionais não desenvolveram uma visão mais uma formação específica em Administração. férias. necessárias com o passar dos anos. Porém.

de pessoas estratégica).. aplicação da visão dos colaboradores como parceiros. não dando a ele a importância necessária. pessoas são adequadamente distribuídas nos cargos.. pôde-se constatar. que dentre outros. A área atua em todas as fren.. as práticas organização. Dentre as justificativas o desinteresse por parte da direção com relação à para essa manifestação. essa organização. não são atin- que ocupam cargos estratégicos. avaliação de desempenho. A maioria reconhece o setor de gestão de pessoas como o mais dos setores de gestão de pessoas atua em todos os importante da organização. conseqüentemente.. consegue atingir seus objetivos. 08:24 . com o reforço da ética e da responsabilidade des desenvolvidas. pode gestão organizacional. e a que trabalham em equipes. responsabilizando-se desde sempenho eficiente da organização. às funções e à importância da área na uma área de gestão de pessoas ainda mal estruturada 86 Gestão & Regionalidade .edição especial . Nesse sentido.) preparando outros gerentes para atuar como gestores (Entrevistado 8). As em algumas dessas instituições. vinculada com a direção (gestão Destacou-se. pessoas bem estruturada e que trabalhe em conjunto gramas de treinamento e desenvolvimento. por sua vez. nário é subordinado e dependente da chefia.) o RH é todo o suporte da organização (. lização. constataram-se três manifestações: à qualidade de vida e à melhoria da satisfação e da (. Em relação às atividades desenvolvidas pelos e não como recursos.p65 86 12/2/2009. em (.XI Semead 2008 . gerar um atendimento com pouca qualidade tes da organização. Há. a falta de preocupação dos dirigentes Em algumas organizações privadas abordadas.out/2008 07RGR71. ausência de estrutura adequada para se capacitar dência entre os colegas e as equipes de trabalho. estruturada. de pessoas. a centralização do poder.Nº 71 .. os horários são rigidamente estabelecidos com os funcionários. tais como: o funcio.) se não tiver uma gestão de pessoas bem produtividade no trabalho. e o funcionário No setor privado. de benefícios e remuneração. desenvolve atividades de favorável só se estabelecem se houver uma gestão de recrutamento. dimento e a satisfação dos clientes. o adequadamente os funcionários. programas com os níveis estratégicos e gerenciais da organização. Eles percebem que o de- processos ligados à área. descentralizando a função e (. profissionais percebe que. há gran. te das decisões da empresa.. na medida do possível respeitando-se seu perfil e sua de preocupação acerca do cumprimento de normas competência.. a inteligência e o talento individual mais beneficiados do que outros em relação à capa- são valorizados na organização. Porém. é um dos exemplos da empresa (Entrevistado 12). dentre as organizações privadas en. de caráter estratégico. e o clima organizacional organização. a má qualificação de pessoas na maioria das organizações públicas. fatores como setor público manifestaram-se no sentido de que. gidos os reais objetivos da área. na prática.) o RH é a mola propulsora dentro da termos de gestão de pessoas. os entrevistados do Nas organizações do setor público. contribuem para uma avaliação nega.. pois social dentro da empresa. citação de recursos humanos. que dizem caracterizar a visão observação concreta dos resultados da política implan- de pessoas como recursos. estão as seguintes: a centra- importância do setor de recursos gestão de pessoas. a maioria dos deve atuar vinculado à missão e à visão da orga. uma boa comunicação da área e regras. o desvio de função. que quase a falta de profissionais com qualificação adequada sempre os funcionários são vistos como colaboradores para exercerem cargos estratégicos na área. de duas organizações privadas relataram não conseguir Em termos da percepção dos profissionais quanto atingir os reais objetivos do setor. 24 . existindo a interdepen. além das ações voltadas Nesse sentido. outro lado. de pessoas. por com o setor. o que permite a apresentados na teoria. pro. setores de gestão de pessoas. alguns fatores cada colaborador possui a sua meta. também são observados tada e da sua operacionalização pela organização. a motivação e a a admissão do funcionário até o seu desligamento da satisfação dos funcionários. a prioridade é o aten. sendo alguns cargos conhecimento. impede o investimento em ações mínimas de gestão tiva da gestão de pessoas. apenas profissionais e controlados. Nessa perspectiva. ainda. seleção. em decorrência de aos objetivos. por meio das suas ativida- nização. ATUAÇÃO ESTRATÉGICA DA ÁREA DE GESTÃO DE PESSOAS EM ORGANIZAÇÕES DE SAÚDE: UM ESTUDO À LUZ DA PERCEPÇÃO DOS PROFISSIONAIS DA ÁREA Já nas organizações de caráter privado. Nesse setor. uma que tem no setor de ges.Vol. isso gera funcio- tão de pessoas o principal suporte em termos de nários insatisfeitos e. tanto administrativa como de recursos. a maioria dos profissionais entrevistados de gestão de pessoas são mais abrangentes. participando ativamen- volvidas na pesquisa. enquanto consultoria interna e (Entrevistado 4).

os profissionais de gestão de pessoas demonstraram Isso ocorre principalmente no setor privado. tância de se investir em cursos de capacitação e desen. observa-se uma refas que julgam essenciais para o desenvolvimento maior preocupação com os resultados (a qualquer de seus colaboradores e da própria organização. considerando- estimular a realização de programas de qualidade os como os elementos principais no estabelecimento de vida e a definição de benefícios que recompensem das relações com a sociedade e com os consumidores os trabalhadores pelas metas alcançadas. nizações de saúde. valorização efetiva das pessoas. ciamento dos setores de gestão de pessoas das orga- portância das pessoas para o sucesso da organização. percebem a impor. têm punir e fazer outras tarefas “mecânicas”. gestão de pessoas das organizações pesquisadas Por se tratar de organizações de natureza técnica e demonstraram não conseguir. sempre demonstra a realidade como é tratada a área Apesar dessa compreensão. As informações obtidas na pesquisa permitem os agentes que podem fazer a diferença na relação demonstrar que a percepção dos profissionais nem entre o cliente externo e a própria empresa. centralização do poder. Aniele Fischer Brand. a burocracia e as especi- ceiro para a empresa. radores e organização. a área de gestão de pessoas precisa atuar no sentido de que os funcionários sejam 5. Nesse aspecto. estão gerenciando seus colaboradores. da referida área. Todavia. estabelecer um ambiente de trabalho revisão na forma como as organizações de saúde agradável para que as pessoas se sintam motivadas.Nº 71 . em sua maioria.edição especial . limitações que enfrentam dentro de seus próprios setores de trabalho.XI Semead 2008 . Por isso. eles também revelaram que essa percep. os profissionais de de gestão de pessoas nas organizações de saúde.out/2008 87 07RGR71. de maneira que as áreas de gestão uma enorme carência de profissionalização no geren- de pessoas precisam cada vez mais reforçar a im. São raras aquelas que já criaram à medida que são envolvidas e reconhecem a neces. Gestão & Regionalidade . 24 . por vezes. mesmo considerando as por parte da direção. o que se pode concluir é que há ção vem mudando. Sendo assim. pessoas. onde que. preço) do que com o processo. executar ta- voltadas à produção de serviços. Suzana da Rosa Tolfo. recrutar. programas ou estruturas próprias para a gestão das sidade de atuar na direção da missão organizacional. Qualquer que seja a natureza do setor abordado. volva sob uma perspectiva de parceria entre colabo- cia que o setor de gestão de pessoas exerce na orga. Maurício Fernandes Pereira e Martinho Isnard Ribeiro de Almeida e cercada pelas restrições gerenciais e pela falta de apoio Para esses profissionais. apesar de perceberem a área como sendo de os profissionais técnicos que ocupam cargos de fundamental importância. público ou privado. CONCLUSÕES vistos como colaboradores essenciais da organização. descentralização das ações e nização como um todo. acredita-se que seja necessária uma volvimento. dos seus serviços. No setor a visão dos funcionários ainda como recursos. os maiores problemas são os seguintes: a estão ali somente para produzir e dar retorno finan. o que vem prejudicar a atuação ficidades das políticas do SUS. encontra-se diretamente ligada). e mais raro ainda que essa gestão se desen- Os profissionais revelaram ter consciência da influên.p65 87 12/2/2009.Vol. 08:24 . as organizações (direção direção entendem que a área de gestão de pessoas ou setores/pessoas a que a área de gestão de pessoas deve limitar-se a controlar o cartão de ponto. que público.

& COHEN. Noel M. 88 Gestão & Regionalidade . 2002.). CARDWELL. Sylvia C. In: WESTPHAL. Liderança visionária: como planejar o empresas a vencer. Gestão estratégica de M INTZBERG . pessoas. Gestão por competência. Michael E. In: cada nível da organização. Gestão de pessoas: enfoque nos papéis profissionais. Safári da estratégia: um roteiro pela selva pessoas na organização. 24 . 2000. Gestão de serviços de saúde. 1999. São F ORTUNA .. Gestão Janeiro: Campus. 2002. In: XXIX ENCONTRO ANUAL DA ASSOCIAÇÃO Administração de recursos humanos: construindo N ACIONAL DE P ÓS -G RADUAÇÃO E P ESQUISA EM uma parceria estratégica.XI Semead 2008 . v.out/2008 07RGR71. Rio de Janeiro: FGV. CARVALHO. 1995. 1. 2001. Eli. W ESTPHAL . Antônio Alfredo de M. 2000.edição especial . SULL. BOSQUETI. Rio de Janeiro: Campus. Eurivaldo Sampaio. São Paulo: Gente. Rio de rias & ALMEIDA. São VERGARA. Henry. Joel S. In: WESTPHAL. do planejamento estratégico. Ana Maria C. A administração de recursos PORTER. Rio de Janeiro: Campus. Edwar E. Anais. Burt. LAWLER III. De volta ao sucesso: por que boas D UTRA . Brasília: Anpad. dos clientes. 29. Gestão de serviços de saúde. 2001. Lindolfo G. In: FLEURY.). Takeshy. Rio de Janeiro: Campus. de Administração Pública. 2003. futuro: estratégia para gerenciar o futuro das organizações.Nº 71 . Gestão com Paulo: Gente. São Paulo: Atlas. ATUAÇÃO ESTRATÉGICA DA ÁREA DE GESTÃO DE PESSOAS EM ORGANIZAÇÕES DE SAÚDE: UM ESTUDO À LUZ DA PERCEPÇÃO DOS PROFISSIONAIS DA ÁREA REFERÊNCIAS ALBUQUERQUE. Antônio Carlos. futuro da sua empresa. As Joseph. Márcia Farias & A LMEIDA . Projetos e relatórios de pesquisa Paulo: Edusp. 2003. de. Isabel Maria T. TACHIZAWA. Márcia Fa. n. 1998. 1986. & DUTRA. 2001. São Paulo: Educador. e sustentando um desempenho superior. Bruce & L AMPEL . et al. (Orgs. B. Recursos humanos e organizacional estratégica: a questão dos recursos educação: uma parceria indispensável. In: GALBRAITH. janeiro/março. São Paulo: Edusp. Eurivaldo Sampaio (Orgs. A HLSTRAND . São Paulo: Edusp. GIL. Porto Alegre: Bookman. Victor Cláudio P. & L AWLER III. V. Gestão PEREIRA. Joel S. Allan M. Gestão de pessoas: modelo. pessoas: uma abordagem aplicada às estratégias de negócios. Noel M. Maria Tereza L.. & ADMINISTRAÇÃO – ENANPAD. São Paulo: Atlas. O motor da liderança: como as empresas vencedoras formam líderes em L EFÈVRE . São Paulo: reconstroem. TICHY. em administração. 1 CD-ROM. São Paulo: Makron Books. Feitas para o sucesso: como grandes líderes ensinam suas NANUS. Organizando para competir no 2005. tendências e perspectivas.). 2001. 08:24 . Eurivaldo Sampaio. Revista Márcia Farias & ALMEIDA. de serviços de saúde. Edwar E.). (Orgs. Marcos Abílio & ALBUQUERQUE.p65 88 12/2/2009. Donald N. Recursos humanos. Maria do Socorro M.Vol. Lindolfo G. FERREIRA. Nancy & TICHY.. humanos e do desenvolvimento gerencial. Atlas. 2001. (Coord. Vitória K. Jay R. empresas falham e como grandes líderes as processos. Vantagem competitiva: criando humanos e suas funções. 1995. 2001 CORNETTA. Gestão estratégica de pessoas: visão do RH X visão M OHRMAN J R .

24 • Nº 71 • edição especial • XI Semead • outubro 2008 investidor individual brasileiro no mercado Lucas Ayres Barreira de Campos Barros acionário nacional: um estudo exploratório enfocando o efeito disposição e os vieses da ancoragem e do excesso de confiança Tecnologia social de inclusão de jovens pelo Silvia Pires Bastos Costa trabalho: uma análise da experiência de um Francisco Antônio Barbosa Vidal consórcio de ONGs no desenvolvimento de ação intersetorial com empresas e governo Estrutura de capital na América Latina Veronica Favato e nos Estados Unidos: uma análise de Pablo Rogers seus determinantes e efeito dos sistemas de financiamento A influência do ambiente competitivo Felipe Mendes Borini nas estratégias das subsidiárias Edson Renel da Costa Filho estrangeiras de multinacionais brasileiras Moacir de Miranda Oliveira Júnior O comportamento do consumidor Ricardo Jato.XI Semead . 08:30 . Reginaldo Braga Lucas insatisfeito pós-compra: um estudo Milton Carlos Farina. Revista de Gestão & Regionalidade Volume 24 – número 71 – edição especial .p65 1 17/2/2009. Paulo Henrique confirmatório Tentrin e Mauro Neves Garcia Curso de administração da Universidade Shalimar Gallon Federal de Santa Maria/UFSM: a percepção Cláudia Medianeira Cruz Rodrigues dos professores e alunos sobre o tema “práticas pedagógicas” Atuação estratégica da área Aniele Fischer Brand de gestão de pessoas em Suzana da Rosa Tolfo organizações de saúde: Maurício Fernandes Pereira USCS um estudo à luz da percepção dos Martinho Isnard Ribeiro profissionais da área de Almeida Universidade RG71capa71.out/2008 Universidade Municipal de São Caetano do Sul ISSN 1808-5792 Processo de tomada de decisão do Felipe Bogea Vol.