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Centro Universitário do Norte- UNINORTE

Curso de Direito

Ana Caroline Mota Castilho

O Rigor dos Crimes Hediondos

2

Manaus
2008.
Ana Caroline Mota Castilho

O Rigor dos Crimes Hediondos

Este trabalho é para obtenção de nota parcial do
segundo bimestre de Metodologia de Pesquisa Cientifica,
no Centro Universitário do Norte- UNINORTE – Turma:
DTN01S1

Orientador: Prof. Ricardo Riquena

Manaus

AGRADECIMENTO Primeiramente a Deus pela sabedoria e dedicação nos estudos. e aos meus amigos que me apoiaram no decorrer deste trabalho. 3 2008. Ao orientador Prof. Ricardo Riquena por transmitir seu conhecimento e paciência. .

. 4 DEDICATÓRIA Este trabalho dedico em especial meus pais e meus irmãos que estão sempre comigo e deram-me força e apoio nos momentos mais difíceis na realização deste trabalho.

6 . 5 EPÍGRAFE Pois o Senhor conhece o caminho dos justos. mas o caminho dos ímpios perecerá. SL1.

..........................................................................................................................................10 6 JUSTIFICATIVA......................10 5........... 6 SUMÁRIO INTRODUÇÃO.........930/94 O HOMICIDIO NO BRASIL..............10 5.................................................................17 7...............9 5 MÉTODO.....................................................................................................................................2 OBJETIVOS ESPECÍFICOS..12 7...........714/98 ......26 .............4 OS MEIOS DE INVESTIGAÇÃO.....................................................................10 7 REVISÃO DA LITERATURA.......8 1...........................................................................................................................................8 1................................8 2 OBJETIVOS.........................9 3 FORMULAÇÃO DO PROBLEMA.....................................................................................................4 A LEI 8........................................................7 1 DADOS DE IDENTIFICAÇÃO..........................10 5..............................................3 OS TIPOS DE CRIMES CLASSIFICADOS COMO HEDIONDOS..................................................3 LOCAL.................................................................................10 5....................................8 1............5 TIPO DE PESQUISA................1 TEMA...............................................................................................................10 5......4 LINHA DE PESQUISA..............21 7...................1 MÉTODOS DE PROCEDIMENTOS...........................................................................................8 1.....................1 O HISTORICO DOS CRIMES HEDIONDOS..............................................................8 2.......................................................................................5 A LEI DOS CRIMES HEDIONDOS E A LEI 9...........................................................22 8 CRONOGRAMA..............................................................................12 7....................3 FORMAS DA PESQUISA......2 DELIMITAÇÃO DO TEMA..............................................................................25 REFERÊNCIAS...........................................2 EMBASAMENTO CONSTITUCIONAL CATEGORIA CRIME HEDIONDO...................................................6 UNIVERSO E AMOSTRA.......................1 OBJETIVO GERAL...........................................10 5...............................................................................................................................................................2 NATUREZA DA PESQUISA................................................7 MATERIAIS.....................8 2.............9 4 FORMULAÇÃO DAS HIPÓTESES............................................................................................................................................15 7................10 5....................

da pessoa que é o objeto do seqüestro. para isso precisa-se de uma estrutura lógica no direito penal para que haja mais rigores nas leis. porém. só. caso cumpram 40% da pena e se forem reincidentes a exigência aumenta em 20%. totalizando 60% (elemento objetivo).º. ou seja. a partir da violência contra a pessoa. demonstrando bom comportamento durante o tempo que estiverem cumprindo a pena (elemento subjetivo). 5. Podendo assim serem transferidos de regime fechado para o semi-aberto. . XLIII do art. contudo. alcançou tanto um espaço físico- psiquísico em decorrência. e isso pode-se apresentar novos ramos em defesa da sociedade. ou seja. o direito penal passou por várias transformações em relação aos crimes. juntamente com a obrigação de se tornarem "bons cidadãos". de torturas. Com o passar dos tempos pede-se mais rigor nas leis penais para estes tipos de crimes que mexem com a estrutura lógica do nosso direito penal. 7 INTRODUÇÃO Como surgiram os crimes hediondos? O que se pode apresentar a respeito da estrutura lógica do direito penal adequada aos novos rumos da política criminal? Hoje. crimes de agressão contra a pessoa física é o que apresenta a nossa constituição federal no inciso. drogas ilícito de entorpecentes. então pode-se classificar como crimes hediondos. os crimes hediondos estão cada vez mais crescendo na sociedade. a nova lei estabelece que os condenados por crimes hediondos só podem pleitear o regime de progressão.

1. tráfico de entorpecentes e drogas afins. as normas penais não podem discordar do que nela se estipulou sobre direitos fundamentais. quanto no país. dignidade de pessoa humana. referida a todas as pessoas. homicídios.OBJETIVOS 2. direitos humanos. Entretanto faz-se necessário que sejam aplicadas leis que estão prescritas no código penal. percebeu-se a necessidade de uma convicção do direito de estar enlaçado na constituição. 8 1 DADOS DE IDENTIFICAÇÃO 1.1 TEMA O RIGOR DOS CRIMES HEDIONDOS 1. da cidadania.2 DELIMITAÇÃO DO TEMA A idéia dos crimes hediondos surgiu de estudos realizados na cidade de Manaus devido aos números freqüentes de vitimas que sofrem estes tipos de crime como estupro.3 LOCAL Manaus 1. que entram em rigor. .1 OBJETIVO GERAL Mostrar que os crimes hediondos estão cada vez mais crescendo tanto na cidade de Manaus. para atender as necessidades e garantir a segurança da sociedade. caso principalmente.4 LINHA DE PESQUISA Direito Penal 2. contudo.

ou seguido de morte. podem-se ser revistas em certas situações que enquadram estes crimes há uma lei 8. o terrorismo. muitas pessoas acham que os crimes classificados como hediondos podem ser crimes ligados a latrocínio. Para isso é necessário uma revisão no código penal. 9 2. Há um clamor nacional em relação ao latrocínio.2 OBJETIVOS ESPECÍFICOS a) Analisar o histórico dos crimes hediondos. d) Identificar a aplicação da lei 9. tem tido um enfoque muito relaxado por parte do código penal e da própria execução penal. b) Conceituar o que são os crimes de estupro. tráfico de entorpecentes e drogas afins e homicídio qualificado. Mas outro enfoque como a tortura. 3 FORMULAÇÃO DO PROBLEMA Como estaria a nossa cidade e nosso país.072/90 e entre outras leis revistas para que os causadores deste tipo de crime possam cumprir a pena devida. diante de um fenômeno tão problemático que é violência praticada contra as pessoas. c) Citar a lei dos crimes hediondos e seus aspectos. os crimes hediondos? Que leis enquadram os causadores desta violência? 4 FORMULAÇÃO DAS HIPÓTESES É um caso problemático que mobilizados em face de extorsões mediante seqüestro é um crime hediondo que agrava famílias de classe média. mas o estupro com lesão corporal. para que entram em rigor os crimes contra a sociedade. ou seja. o tráfico de entorpecentes e drogas afins.714/98 para o regime prisional. .

2 NATUREZA DA PESQUISA Quali-Quantitativa. vimos que a preocupação é constante pelas autoridades e pela sociedade que observam as cadeias cada vez mais cheias e os acusados soltos na cidade. aqueles que podem ser entendidos como mais graves e causa revolta nas pessoas da cidade. podem ser colocados como o crime praticado contra a pessoa fisica. ou seja. Conforme os anos vão passando a tendência dos crimes é aumentar devido ao crescimento populacional e as desigualdades.4 OS MEIOS DE INVESTIGAÇÃO Pesquisa Bibliográfica. MÉTODO 5.1 MÉTODOS DE PROCEDIMENTOS Método Comparativo 5. 5. 5. Não sabemos como conceituar os crimes hediondos mais podemos dizer que seja respeito ao delito cujo o potencial é ofensivo.5 TIPO DE PESQUISA Pesquisa-ação 5. 10 5. ao qual denominamos de gravidade por motivo da ação do crime.6 UNIVERSO E AMOSTRA Universo e Amostra 5.7 MATERIAIS Documentação indireta e direta 6 JUSTIFICATIVA Os crimes hediondos. contudo isso.3 FORMAS DA PESQUISA Exploratória e Descritiva 5. . a população de Manaus acabam se revoltando com a questão porque não sabem que tipo de atitude as autoridades vão utilizar para solucionar o problema. tanto na cidade de Manaus quanto a nivel de Brasil.

essencial ao bem viver com dignidade. mas a certeza da punição. Uma coisa é certa. pelo contrário. a punição mais severa para certos crimes decorre da necessidade de fortalecer a sociedade e propiciar às pessoas um minimo de segurança. estudos realizados costumam afrontar a lei dos crimes hediondos sob a alegação de que as leis e penas extremamente severas não diminumem a violência. Portanto se faz necessário levar em questão o porque da pena não ser cumprida totalmente. inscritos na nossa Constituição Federal e no Direito de toda a sociedade brasileira. na academia: não é a pena que resolve o problema da litigiosidade. Por esta razão. cientificamente. Presidente do Supremo Tribunal Federal. esses crimes tem aumentado assustadoramente. . e porque o estado lhes permitirá á interpretacao equivocada da lei. direitos e garantias fundamentais. 11 De acordo com Nelson Jobim. nos diz que “ Já é dada como `certa`a hipotese de que `não`resolve o `problema`. usufruir da liberdade.” Entretanto.

O crime hedidondo não é o crime praticado com extrema violência e com requintes de crueldade por seus autores. .072/90. como hediondos. No § 1º do art. seriam os estupros. o terrorismo e os definidos como crimes hediondos. Após a publicação desta lei. O sentenciado terá o direito à liberdade provisória condicional apenas depois de cumpridos 2/3 da pena. 2º. Portanto. estupro. extorsão qualificada pela morte. por eles respondendo os mandantes. Outras previstas foram 2. podendo evitá-los. inclusive com prisão preventiva obrigatória. 12 7 REVISÃO DA LITERATURA 7. mas rigorosas para o trafico de entorpecentes. que a pena pela prática de crime hediondo e assemelhados será cumprida integralmente em regime fechado. porém. extorsão mediante seqüestro e na forma qualificada. o tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins.154 para penas. entre outros. O artigo 2º da lei determina que esses crimes são insuscetíveis de anistia. ou seja. graça e indulto. se omitirem”. Em 25 de Julho de 1990. Os primeiros a serem analisados foram no ano de 1989. fiança e liberdade provisória. que define em seu artigo 1º. mas sim um dos crimes expressamente previstos na Lei nº 8. e assim abrir caminhos para inúmeros projetos de lei. Surgiu com a constituição de 1988 e está consagrada no artigo 5º. foram mais de 2. inciso XLIII.529 números de penas relacionados aos crimes hediondos. os executores e os que. atentado violente pudor. seqüestro e estupro seguido de morte. 2. os crimes de latrocínio. o então presidente Fernando Collor de Mello sancionou a lei nº8.105 números de penas para os crimes de roubo.1 Histórico dos Crimes Hediondos A expressão crime hediondo é recente. vários projetos foram publicados o congresso Nacional com objetivo de complementar e regulamentar o assunto. são crimes que o legislador entendeu merecerem maior reprovação por parte do Estado. dispôs o legislador. verbis: "A lei considerará crimes inafiançáveis e insuscetíveis de graça ou anistia a prática da tortura. Outros.072.

relator da comissão de constituição. com o fundamento de que “ a crescente incidência em indústria altamente lucrativa.754. pelo presidente da republica. E 11). atos de terrorismo político e .1990. genocídio.875. transformando-se na lei 8. com dois vetos (arts. 13 seqüestros. à custa do sofrimento das famílias das vitimas e dos amigos e do pânico que se generaliza na sociedade. em seguida. em virtude de acordo entre todos os lideres de partidos políticos. 4º. Segundo Franco (1994) sobre a trajetória desde a constituição de 1988.07. (mensagem 546/89) projeto 3. que elevada as penas referentes ao delito de extorsão mediante seqüestro. já especificados. foi aprovado pela câmara dos deputados e. e sem nenhuma discussão aprofundada. promulgada. exige providencias legais imediatas e uma pronta ação no Congresso Nacional” c) O projeto de lei 5. A mensagem presidencial e as diversas contribuições contidas nos projetos de lei.281/90 que determinava que no crime de extorsão mediante seqüestro o cumprimento da pena se daria integralmente em regime fechado. justiça e redação. se posiciona: "Nos últimos anos. Roberto Jéferson. além da pena fixada entre vinte e trinta anos de reclusão. atingindo seguimentos sociais que até então estavam livres de ataques criminosos. não se admitindo qualquer tipo de progressão do regime penitenciário. a criminalidade violenta aumentou do ponto de vista estatístico: o dano econômico cresceu sobremaneira. e tal projeto de lei. mais alguns outros projetos de lei foram propostos: a) Projeto de lei 3. no qual. Em 1989 o Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária encaminhou ao presidente da republica um projeto que visa a guerra contra o crime propondo sentido á expressão constitucional “crimes hediondos” através de determinadas figuras criminosas. Após a mensagem da presidência da república.072/90. até os crimes hediondos em 1990. delitos executados como assalto com homicídio. além de.405/90. etiquetavam-se como hediondos diversos crimes referidos na legislação penal. em 25. b) o projeto 5. violência contra os menores. definir conceitualmente a expressão como sendo todo o delito que se pratique com violência à pessoa e cujo reconhecimento decorra da decisão do juiz competente de acordo com a gravidade do fato ou pela maneira que é executada.deram origem ao projeto substitutivo 5. pelo Senado federal.270/90. e ainda “ os crimes que provoquem intensa repulsa”. elaborado pelo Dep.

formando uma idéia de que seria mister. uma luta sem quartel contra determinada forma de criminalidade ou determinados tipos de delinqüentes. os meios de comunicação de massa começaram a atuar por interesses políticos subalternos. Desta forma. a tortura passou a ser encarada como uma postura correta dos órgãos formais de controle social. 14 mesmo de terrorismo gratuito abalaram diversos países do mundo. O objetivo. mesmo que tal luta viesse a significar a perda das tradicionais garantias do próprio Direito Penal e do Direito Processual Penal". a lei de crimes hediondos foi uma resposta do direito penal brasileiro à onda de seqüestros de pessoas influentes que vinham assolando a sociedade já naquela época. . ao que se percebe. de forma a exagerar a situação real. seria diminuir a onda de crimes desta natureza o que infelizmente não se concretizou e. tomou tamanho muito maior e mais ofensivo à sociedade. logicamente. A partir desse quadro. para desenvolvê-la. o tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins assumiu gigantismo incomum.

mantendo-se alheio. nem recurso imaginativo. no nosso ordenamento jurídico. sexo. 15 7. atos de terrorismo ou a crimes hediondos. 5. não é omissão. Sobre a matéria. XLVII. Até aí. O reconhecimento constitucional da categoria crimes hediondos exige. o Min. o componente político – criminal que lhe deu força motriz. por si só.2 Embasamento Constitucional da Categoria Crime Hediondo O Artigo. nem ainda expediente mais sofisticado para que se descubra a corrente político – criminal denominada” movimento da lei e da Ordem” ( Law and Order)” como suporte do texto constitucional. sendo isto possível. foram adotadas as mesmas restrições: proibiu o reconhecimento de determinadas causas e excluiu a garantia de liberdade com fiança. XLIII”. Essa é a única interpretação coerente com o . emerge. a constituição federal. indiferente. A tortura. Da constituição Federal É evidente que a constituição mostra que o direito são iguais para todos independentemente de cor. ao tráfico de entorpecentes. sem precedentes. Trata-se de estipulação legal inédita. Assistir à tortura. Necessário também que o consistente no dever de agir e que o agente pudesse interferir para evitar a conduta delituosa de outrem. “ A norma indicada na carta magna. INC. bastando notar que inscreve culpabilidade por omissão para os que não evitarem a prática de fato punível. à evidencia. E não é necessário nenhum vôo livre. ao que conste. representavam lesões graves inquestionável dignidade penal e que estavam necessitados de tutela penal. o terrorismo e os crimes hediondos. imperfeita. De acordo com Andreucci. no sentido jurídico do termo.º. ou seja. com tais características. o tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins. Luiz Vicente Cernicchiaro observou também que “não basta deixar de evitar que outrem cometa qualquer dos crimes citados no n. de acordo com a aferição do legislador constituinte. tem-se a visão simplesmente naturalista. Acresce-se a culpa para aqueles que fazem ser omisso perante o possível delito. Bem por isso. havia entre elas. uma indisfarçável simetria. raça. mas a tipologia que inserida no referido inciso tinha um significado especial: não era constituída de figuras criminosas reunidas ao acaso. instituidora de responsabilidade por um não fazer.

mesmo a que não sofreu nenhuma modificação punitiva.072/90: sete estavam incluídos no Código Penal e um (o genocídio)¹. 157 do Código penal. 159. em lei penal extravagante.§ 3º. 213 214.os preceitos sancionatórios destes tipos de delito sofreram.072/90 os tipos penais de etiquetados como crimes Hediondos Oito foram os delitos rotulados como crimes hediondos pela lei 8.072/90. A pena mínima referente à extorsão qualificada pela morte foi aumentada. caput e §§1º 2º e 3º. epidemia alimentícia ou medicinal. da lei 8.ºin fine.6º. 157.com sensível agravamento do mínimo legal (arts. 16 conjunto de princípios de Direito Penal democrático. qualificado pela morte. 223). do art. cujo mínimo sofreu agravação. de extorsão pela morte.072/90. encontram seus preceitos definidores em artigos do código Penal.072/90. ¹(genocídio): qualquer crime contra a humanidade. e máximo. reeditado na constituição de 1988. serão examinadas. Todas as figuras criminosas. . integralmente. As figuras típicas de latrocínio. A lei 8.889/56) manteve. in fine. simples e qualificado de atentado violento ao pudor. mínimo. obliquamente. 6º. na lei 8. combinados com o parágrafo único do art. O crime de genocídio (lei 2. o seu quantum punitivo. da lei 8. extorsão relacionada a seqüestro. de estupro. de modo direto. por referir-se. alteração quantitativa. ao §3. sem menção no art. com base no art. por sua numeração..

enfraquecimento dos poderes inibitórios. O Brasil é um país que sempre se preocupou com o problema do trafico. chamada Lei de Tóxicos. ingeridas ou absorvidas.3 Os Tipos de Crimes Classificados como Hediondos Trafico de Entorpecentes e Drogas Afins O trafico de entorpecentes e drogas afins é o segundo dos crimes. criando propensão ao hábito ou vicio próprio uso( pelo circulo vicioso que acarretam. entre as quais o chamado câmbio do dólar paralelo.368/76. proporcionam um ambiente propício para que o nosso país. são objeto de diversos positivos da lei 8. 13. a cidade de Manaus vive atualmente sérios riscos de tráficos por motivo de suas fronteiras serem livres principalmente o município de Tabatinga por onde ocorre o índice de trafico vindo para a cidade. obscurecimento da consciência. deficiência das faculdades de juízo e de raciocínio.6. 17 7. O conceito de entorpecentes sempre criou sérias dificuldades entre os juristas e médicos.072/90. entre outros que fazem fronteira com o nosso Estado. ou seja. 14 da Lei n. caracterizado pela exaltação da fantasia ou da excitabilidade psicossensorial. A situação geográfica e a extensão de fronteiras com os chamados países produtores de drogas. para efeitos da Lei de Crimes Hediondos. Venezuela. . Segundo Nelson Hungria. diz que “ Por entorpecentes se entendem certas substâncias que. “ Entorpecente” coloca “ e drogas afins” tornando-se dessa forma totalmente abrangente. dada a necessidade de iguais ou crescentes doses para conjurar a profunda depressão que segue à euforia da anterior ebriedade)”. inclui as condutas previstas nos arts. onde passam por diversos países como Peru. 12. produzem ebriedade ou particular transtorno psíquico. aliadas a outras circunstâncias. principalmente o estado do Amazonas se transforme em rotas de tráfico internacional. que embora considerados como hediondos. e ao lado do vocábulo. A lei dos crimes hediondos inovou. O crime de trafico.

Surge assim. mas que num segundo momento se reveste de força jurídica. muito debatida. da lei 8. que num primeiro momento aparece como um conjunto de princípios de ordem ética. e praticaram o crime de estupro que resultou na morte da mesma. No dizer de Noronha. investigações foram feitas para descobrirem os acusados para por em prática a pena.213. no bairro Galiléia. quando três ladrões entraram em sua residência roubaram seus objetos pessoais. que repercutiu e comoveu toda a cidade de Manaus. O art.072/90 alterou o preceito sancionátorio. A questão. os limites.223. referente á subsistência ou não do parágrafo único do art. Se da violência empregada contra vitima resultar lesão corporal de natureza grave. Inclusive houve o julgamento dos acusados e foram culpados e até hoje pode-se analisar questões que são citados na mídia sobre este caso. punitivo de três anos de reclusão foi dobrado e o Maximo de pena foi aumentado de oito para dez anos.6º. em face do tratamento punitivo dado ao estupro . se resultar morte. a lei penal para punir a transgressão de certo tipo de conduta que fere o mínimo da ética exigida individuo diante da coletividade. inclusive a que está citada acima foi colocado em prática sobre este caso. criado pela lei 8. 18 Crime de Estupro A liberdade sexual insere-se naqueles diretos que tem a pessoa humana a dispor de seu corpo como melhor lhe aprouver. mínimo e Maximo serão demarcados entre oito e doze anos de reclusão (art. parágrafo único). serão fixados entre doze e vinte e cinco anos de pena reclusiva (art. Um exemplo desde tipo é o caso ocorrido em 2000. Assim o mínimo. “ Preocupa-se a lei. Dessa forma. as formas qualificadas do estupro sofreram modificações. para efeito de exacerbar a pena privativa de liberdade anteriormente cominada. da corrupção. referente ao estupro simples. na cidade levantou questões sobre o caso. a vida social exige a chamada moralidade pública. zona Leste da cidade de Manaus. Ao mesmo tempo.223 do CP) e. com os da degeneração do instinto. dentro de certas restrições impostas pela vida em sociedade.069/90. com uma menina de treze anos com nome Sabrina. da estabilidade e organização da família e do pudor público”.

Qualquer motivo que possa vir a ser tido como moralmente desprezível. a ninharia que leva o agente á pratica deste crime. traição. é torpe para efeitos desta qualificadora. a tal ponto que o “ sem motivo” poder ser caracterizado como “fútil”.121 do Código Penal. Assim. o qualificado sempre será.072/90. dissimulação). Ana atualidade. ignóbil. Afere-se por sua desproporção com este”. como os exemplos citados ( emboscada. Não concorda o autor. Mirabete refere-se a esta qualificadora como “o motivo sem importância. se o sujeito pratica o fato sem razão alguma. não leva ao crime. e cinco são os incisos que descrevem as formas qualificadoras. por força do art. contudo. No inciso IV ser o homicidio cometido “a traição. É a qualificadora que apresenta maior dificuldade de individualização na jurisprudência. mostra-se. leviano. Mas uma vez a lei usa a interpretaçao analógica: qualquer modo que. Em primeiro lugar prevê a lei a qualificadora se o homicídio for comprometido “mediante paga ou promessa de recompensa. Noronha descreve-o como aquele praticado por “ninharia. na inteira desproporção entre motivo e a extrema reação homicida”. como é o caso do motivo torpe”. e por ele responde não só o executor. A segunda qualificadora está prevista no inciso II: ser o homicídio cometido “por motivo fútil”. A figura do homicídio qualificado está previsto no §2º do art. que será apenas circunstancialmente e com as restrições apresentadas acima será considerado hediondo. É o chamado homicídio mercenário. mas também o mandante. nada impedindo que responda por outra. Também Damásio descreve a futilidade como “a desproporção entre o crime e sua causa moral”.1º da lei n. frívolo. O dispositivo exemplifica e ao mesmo tempo generaliza. não incide essa qualificadora. que em regra. com nove redação. Crime De Homicídio Qualificado Ao contrário do homicídio simples. de emboscada. inteiramente superada. ou por outro motivo torpe” (inciso I). ou mediante a dissimulação ou outro recurso que dificulte ou torne impossível a defesa do ofendido”.072/90. 19 pela lei 8. que “o motivo fútil se confunde com a ausência de motivo. promulgada no período da vacatio legis do primeiro diploma legal. repugnante.8. dê maior segurança .

Ex. Podemos citar um caso ocorrido em Manaus no bairro da Praça 14 zona Sul.. 20 á conduta do autor. O crime ocorreu com a participação de mais seis pessoas. que deve ser entendido como ‘modo’. ressalta-se que o dispositivo utiliza o termo ‘recurso’. Este tipo de caso ocorre constantemente na cidade que são classificados como homicídio qualificado porque apresentam marcas de violência que resultam em morte. . a impunidade ou vantagem de outro crime”. É o chamado crime meio. responde por furto em concurso material com homicídio. por esta razão um caso citado abaixo como exemplo deste tipo. O homicídio qualificado que recebeu a marca de hediondez porque é um homicídio praticado com requintes de crueldade. que são acusadas de formação de quadrilha. Nesta hipótese. O caso da professora aposentada Eludiê Abrahim Pascarelli. conseqüencial ou ocasional. O homicídio qualificado foi mantido com as mesmas balizas penais mencionadas no art. além da professora seu esposo também sofreu a violência Francisco Frutuoso de 79 anos. nada foi modificado. Por ultimo qualifica o homicídio ser ele cometido “para assegurar a execução. Ela usou a família e escolheu um menor para executar a perversidade fatal. um crime doloso. e aumentar o volume de crimes impunes na nossa cidade. foi morta sem qualquer condição de defesa. § 2º. sob prisma punitivo. No entanto. Há aqui o que os autores denominam conexão teleológica. 75 anos de idade. do código penal. já que no inciso anterior expressamente utilizou a palavra ‘meio’. É por isso que os doutrinadores entendem que a superioridade em armas ou forças não qualifica o homicídio”. a ocultação. O crime foi planejado pela empregada doméstica da família porque sabia da movimentação financeira das vitimas. verifica-se a conexão ocasional “quando o homicídio é cometido por ocasião da pratica de outro delito. o sujeito está furtando e resolve matar a vitima por vingança. de forma que persiste a desproporcionalidade punitiva entre esse crime os delitos patrimoniais de que resulte morte. com intenção de matar para não deixar testemunhas.121.

Se os linchamentos.930/94 O homicídio no Brasil As chacinas da Candelária e de Vigário Geral. foi a gota d’água que mobilizou. 21 7.930/94 a incorporar ao homicídio simples a circunstância fática de ter sido . vitimas de furtos ou roubos. daí veio a conseqüência de o homicídio como crime hediondo. os meios e comunicação social e desencadeou uma campanha rigorosa para o aumento da repressão. as execuções sumárias e as chacinas. como também em nível internacional. já que não havia em sua relação. mas a inclusão do homicídio a lista dos crimes hediondos não serviu para nada: nem para alterar desequilíbrio punitivo provocado pela lei de Crimes Hediondos. e depois. de modo maciço. a execuções sumárias e as chacinas já não bastassem. Na década de 90 revelou maior em relação á pratica de delitos contra a vida. que aumentaram numa evidente progressão a cada ano. As chacinas. a pistoleiros contratados. Daniela Perez. nem para reduzir as ações criminosas contra as quais o diploma legal foi preparado. aliados a policiais militares desgarrados de suas funções. foi o produto final da pressão dirigida ao congresso nacional pelos meios de comunicação social.930 de 6 de setembro de 1994. Nenhuma mudança da cominação penal. usurpando a função repressiva do Estado. deram o pano de fundo necessário para que os meios de comunicação social iniciassem uma ampla e intensa campanha com o objetivo de incluir o delito de homicídio no rol dos crimes hediondos. tiveram repercussão muito viva no Brasil. financiavam organizações informais. principalmente. aliadas ao assassinato da artista de televisão. a artista no mundo da telenovela. Os linchamentos. verdadeiros esquadrões da morte. o homicídio cruel de Daniela Perez. Daí a chacina foi um passo. comerciantes desses bairros. no Rio de Janeiro. Pouco a pouco. de menores de rua. A lei 8. resumindo-se a lei 8. não tiveram nenhum enquadramento típico direto.4 A LEI 8. Os linchamentos diminuíram. As execuções eram praticadas constantemente em bairros periféricos das grandes cidades o numero cada vez maior: eliminavam-se as pessoas consideradas transgressoras.

á evidencia. enfim a.714/98 é incompatível com a política de exasperação de pena adotada pela lei dos crimes hediondos (8. Assim. exceção feita ao do tipo de envenenamento de água potável ou de substância alimentícia ou medicinal. que a disciplina de aplicação e execução de penas. que . qualificado pela morte.penal brasileiro contivesse a harmonia que todo o sistema jurídico deve ter.072/90). de tentar dificultar a adoção do sistema progressivo. é conflitante. a política criminal é de exasperação de penas e endurecimento dos regimes de encarceramento. procura evitar o encarceramento. alem de ligeira alteração.714/98 aquelas infrações definidas como crimes hediondos ou assemelhados. que foi excluído dessa relação.714/98 Para esses crimes. Se o atual sistema jurídico. prevendo alternativas que se consubstanciam nas penas “ restritivas de direitos” na pena de multa. desuniforme: enfatiza e exaspera a aplicação da pena privativa de liberdade. que satisfazerem os requisitos exigidos pelo atual art. Não se pode negar. satisfeitos determinados requisitos. como regra. constante dos dois diplomas legais (Leis n. em relação ao estupro. 22 executado como uma atividade típica de grupo de extermínio. a maior lesividade social dessas infrações torna-se incompatíveis com a política descarcerizadora das penas alternativas. ou mínimo. 9. Em pólo oposto está em política criminal das penas alternativas (lei 9. outro prioriza alternativas á pena privativa de liberdade. manteve as demais figuras já marcadas pelo carimbo da hediondez. nesses crimes. impede que se apliquem penas alternativas. a interpretação sistemática levaria á seguinte conclusão: a exigência do cumprimento da pena em regime fechado. A política criminal descarcerizadora adotada pela lei 9.44 do código penal.5 A Lei dos Crimes Hediondos e a Lei n. a partir da lei 9.714/98). em todas as suas hipóteses também como hediondo. Logo. 7. Fora disso. 8. o que seria havido como também crime hediondo e a etiquetar o homicídio qualificado. que pressupõe também a menor danosidade social das infrações que pretende abranger.714/98).072/90 e 9. a substituição de penas somente estará vedada quando a pena aplicada for superior a quatro anos ou crime for daqueles praticados com violência ou grave ameaça. De plano. constata-se que o trafico de entorpecentes e drogas afins. não é . e no mínimo. admitem a aplicação de penas restritivas de direitos.

simples toques nas regiões pudendas. os autores do crime de estupro certamente não merecerão penas substitutivas. que. os comportamentos a que a lei dos crimes hediondos quer aplicar pena que varia entre 6 e 10 anos de reclusão? Á evidência que não. beira as da insignificância. e ai a figura do interprete é fundamental. confrontados com a gravidade da sanção referida. da pena substitutiva é bom instrumento para corrigir tais excessos. Concluído a aplicação das penas substitutivas nos crimes hediondos deve ser analisadas casuisticamente. Embora integrem a tradicional definição típica que abrange sexo oral e sexo anal. entre aquelas infrações que passam a admitir a substituição de penas. a gravidade da sansão cominada é razoável. que. a insensibilidade do legislador tem de ser temperada com a sensibilidade do julgador. portanto. apalpadelas. constituem a violência mais indigna que pode ser impingida ao ser humano. e. A aplicação. entre outras. Diga-se que não se trata de defender aqui corrente liberalizante ou sustentar a idéia de que o crime é um fenômeno unicamente ligado a questões de colapso economico-social- . a fronteira entre doença do vicio e a ganância do trafico. especialmente naquelas regiões fronteiriças que a abstração legal não distingue. o mesmo não ocorre em relação aos primeiros. quando praticados contra a vontade da vitima.214). a penas elevadas”. incluem-se nessa definição o beijo lascivo. pois o rigorismo do legislador infraconstitucional. “tem estimulado excessos de certos promotores e de alguns juízes que não percebem. quer pela violência da pena aplicada (superior a quatro anos) que por não satisfazerem os demais requisitos exigidos pelo art. a distinção do desvalor que uns e outros comportamentos encerram é incomensurável. que a juventude moderna faz com freqüência. quando satisfazer os requisitos que a lei. contra a vontade da vitima constitui atentado violento ao pudor (art. ou não distinguem convenientemente. incluindo-se. nestes últimos exemplos.44 do código penal. nesses casos. os tradicionais “amassos”. Por outro lado. No entanto. ninguém ignora que existem crimes hediondos e “crimes hediondos”. veremos a lei dos crimes hediondos que se pode considerar um dos piores diplomas legais já editados no Brasil. em 1940. Com efeito. Seriam esses. Juntando tudo isso. Se.9714/98 exige. sua aplicação será possível. não raro. 23 praticado com violência ou grave ameaça. a prática de qualquer ato libidinoso diverso da conjunção carnal. afinal. Na realidade. especialmente nos carnavais. como afirma Assis Toledo. capitulando e condenando por trafico portadores de vicio.

( processo Penal v. a referida a “lei surgiu.sistemático. 1990. a ponto de Tourinho Filho afirma que “uma leitura de todo aquele diploma legal mostra. A lei em comento não cabe nos parâmetros e ramo do Direito e. que os responsáveis pela sua elaboração estavam despreparados”. á evidência. fascículos de ciências penais. A doutrina é quase uníssona na critica ao diploma. em dúvida.456/7). de criticar a obra legislativa do ponto de vista jurídico. Como disse Cesar de faria Junior. viola um sem-número de garantias individuais que a própria constituição consagrou. p.3. 1992. como exigência da sociedade insegura e alarmada com o crescimento dos índices de criminalidade” ( Crimes Hediondos nova lei. mas sim. 24 um dos ingredientes desse quadro -.) . por incrível que pareça. Porto alegre.

25 Cronograma O cronograma deste projeto é a previsão de tempo que foi gasto na realização do trabalho de acordo com as atividades cumpridas. ATIVIDADES / PERIODOS Ago Set Out Nov Dez levantamento de Literatura X Montagem do Projeto X Coleta de Dados X X X Tratamento de Dados X Elaboração do Relatório Final X Revisão do Texto X Entrega do Trabalho X .

e ampl. 26 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BITENCOUT. – São Paulo: Saraiva.ed. atual. Crimes hediondos: texto. – São Paulo: Saraiva. 2003. vol2. FRANCO.ed. Atual. MONTEIRO. Crimes Hediondos: anotações sistemáticas á lei 8.ed. . Alberto Silva. rev.072/90. Tratado de Direito Penal: parte especial. e ampl. 2000. 4. Ed.São Paulo: Saraiva. Damásio E. e ampl. – São Paulo: Editora Revista dos Tribunais. Atual. 33. 2004. Direito Penal – São Paulo: Saraiva. comentários e aspectos polêmicos – 7.rev. Antônio Lopes.rev. 2002.. JESUS.e ampl.. Constituição da Republica Federativa do Brasil: promulgada 5 de outubro de 1988. 1997. de.- 3. Cesar Roberto.