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Unidade 3

Seção 2

Direito Penal – Legislação


Extravagante e Execução Penal
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Caro aluno, como vai?
Na Unidade 2 do nosso ensino, conseguimos O objetivo do Congresso Nacional é
abordar três legislações extravagantes que reduzir os altos índices de acidentes em
cuidavam respectivamente dos idosos, crianças vias públicas. Vamos ver se essa reação
e da sociedade em geral ao restringir ou proibir legislativa é própria e adequada?
posse/porte de armas e munições. Agora, na
Unidade 3, teremos a oportunidade para
estudar o Código de Trânsito Brasileiro que vem
sofrendo sucessivas alterações pelos nossos
legisladores.

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Unidade 3
Crimes de trânsito

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Se for beber, não dirija!
Joana, médica recém-formada, descobre Três garrafas de espumante depois, Joana
que foi aprovada na prova da residência se despede e entra em seu carro para ir
em Pediatria em um dos hospitais mais embora para casa. Como mora a dois
renomados de sua cidade. Muito feliz, quarteirões do bar, acredita não ter
resolve sair para comemorar com suas problema em conduzir seu próprio veículo,
amigas. mesmo com os apelos de suas amigas para
que deixasse o carro lá e fosse de carona
com uma delas.

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Webaula 2
Omitir-se do dever, fugir da obrigação...

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Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa

Joana decidiu conduzir o veículo, por Desesperada com o ocorrido e sabendo


considerar que tinha condições que havida ingerido bebida alcoólica
psicomotoras. De fato, ela havia respeitado (mesmo acreditando estar no pleno gozo
todas as normas de trânsito quando de suas capacidades), Joana, temendo ser
atropelou uma criança que se desgrudou presa, acaba acelerando seu carro e
da mãe e correu até o meio da rua. fugindo do local sem prestar qualquer
assistência à criança e sua mãe, que
Clique aqui para saber mais gritava, desesperada, por socorro. A
criança conseguiu sobreviver porque
outras pessoas a ajudaram.

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Conduta

pode ser crime no trânsito

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Fugir dos problemas não é a melhor forma para resolvê-los.

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Webaula 2
Crimes de trânsito: parte II

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Omissão de socorro
Art. 304. Deixar o condutor do veículo, na Parágrafo único. Incide nas penas
ocasião do acidente, de prestar imediato previstas neste artigo o condutor do
socorro à vítima, ou, não podendo fazê-lo veículo, ainda que a sua omissão seja
diretamente, por justa causa, deixar de solicitar suprida por terceiros ou que se trate de
auxílio da autoridade pública: vítima com morte instantânea ou com
Penas – detenção, de seis meses a um ano, ou ferimentos leves.
multa, se o fato não constituir elemento de
crime mais grave.

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Sujeito ativo

É um dos condutores do acidente que não Aquele que vier a praticar um crime mais
tenha provocado a morte ou a lesão à grave e evadir-se do local (homicídio e
vítima, a mesma que carecia de lesão corporal) responderá por estes
atendimento. crimes com as respectivas majorantes
(omissão de socorro).
Clique aqui para saber mais

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Vale ressaltar que a responsabilidade é imputada independentemente de ter a vítima sido salva
por outrem. O condutor que se envolveu no acidente tem o dever de prestar socorro ainda que
outra pessoa tome essa iniciativa.

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Fuga do local de acidente

Art. 305. Afastar-se o condutor do veículo Trata-se de crime de menor potencial


do local do acidente, para fugir à ofensivo sujeito ao Juizado Especial
responsabilidade penal ou civil que lhe Criminal.
possa ser atribuída:
Ocorre quando o condutor provoca
Penas – detenção, de seis meses a um ano, acidente de trânsito e evade do local para
ou multa. evitar ser preso ou mesmo para não pagar
eventual indenização civil patrimonial.
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Embriaguez ao volante
Art. 306.  Conduzir veículo automotor com capacidade psicomotora alterada em razão da
influência de álcool ou de outra substância psicoativa que determine dependência:         
Penas – detenção, de seis meses a três anos, multa e suspensão ou proibição de se obter a
permissão ou a habilitação para dirigir veículo automotor.
§ 1o  As condutas previstas no caput serão constatadas por:           
I – concentração igual ou superior a 6 decigramas de álcool por litro de sangue ou igual ou
superior a 0,3 miligrama de álcool por litro de ar alveolar; ou           
II – sinais que indiquem, na forma disciplinada pelo Contran, alteração da capacidade
psicomotora.          
§ 2o  A verificação do disposto neste artigo poderá ser obtida mediante teste de alcoolemia ou
toxicológico, exame clínico, perícia, vídeo, prova testemunhal ou outros meios de prova em
direito admitidos, observado o direito à contraprova.           
§ 3o  O Contran disporá sobre a equivalência entre os distintos testes de alcoolemia ou
toxicológicos para efeito de caracterização do crime tipificado neste artigo.

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Embriaguez ao volante
Natureza do crime de embriaguez ao volante pode ser de três tipos. Clique nas abas para
conhecê-los.

Crime de perigo abstrato Crime de perigo concreto Crime de perigo abstrato de


perigosidade real

Entendimento tanto do STJ quanto do STF. Para configurar o crime, é


suficiente apenas que o motorista seja flagrado em estado de embriaguez
enquanto conduz o automóvel. Nesse sentido, é desnecessária a
comprovação de qualquer atitude perigosa.

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O legislador sentiu a necessidade de enrijecer o Diante da pressão social, o legislador
tratamento penal para a matéria devido aos alterou os meios para a comprovação do
inúmeros acidentes no Brasil ocorridos após o estado de embriaguez.
consumo de substâncias psicoativas, como
álcool e drogas ilícitas. Em 2012, o legislador
inaugurou a política de tolerância zero contra o
hábito de beber (álcool) e dirigir logo em
seguida.

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concentração igual ou superior a 6 decigramas
Atenção
de álcool por litro de sangue. Neste caso,
O legislador alterou o CTB para aferir atesta-se por meio de testes no sangue do
embriaguez por meio de dois exames condutor;
técnicos distintos de alcoolemia: concentração igual ou superior a 0,3 miligrama
de álcool por litro de ar alveolar. Já nesta
hipótese, o condutor assopra o aparelho
medidor de quantidade de álcool presente no
organismo pelo ar (etilômetro).

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Fases da embriaguez

Primeira: de acordo com Ricardo Já nesta segunda fase, o agente Por fim, o sujeito entra numa fase
Fazzini Bina, o indivíduo demonstra irritação, de desequilíbrio e desenvolve
embriagado, neste estágio, agressividade e raciocínio uma fala desconexa. O corpo
demonstra certa extroversão, confuso. adormece ou entra em estado de
euforia, agitação. coma.

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Racha
Art. 308. Participar, na direção de veículo automotor, em via pública, de corrida, disputa ou
competição automobilística ou ainda de exibição ou demonstração de perícia em manobra de
veículo automotor, não autorizada pela autoridade competente, gerando situação de risco à
incolumidade pública ou privada: 
Penas – detenção, de 6 (seis) meses a 3 (três) anos, multa e suspensão ou proibição de se obter
a permissão ou a habilitação para dirigir veículo automotor. 
§ 1o  Se da prática do crime previsto no caput resultar lesão corporal de natureza grave, e as
circunstâncias demonstrarem que o agente não quis o resultado nem assumiu o risco de
produzi-lo, a pena privativa de liberdade é de reclusão, de 3 (três) a 6 (seis) anos, sem prejuízo
das outras penas previstas neste artigo.
§ 2o Se da prática do crime previsto no caput resultar morte, e as circunstâncias demonstrarem
que o agente não quis o resultado nem assumiu o risco de produzi-lo, a pena privativa de
liberdade é de reclusão de 5 (cinco) a 10 (dez) anos, sem prejuízo das outras penas previstas
neste artigo.

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Racha
Após alteração legislativa em 2014 e em 2017, É lítico disputar corrida, desde que tal
o crime popularmente conhecido como “ racha evento seja autorizado por órgãos do
” ou “disputa não autorizada” passou a ser Estado. A ausência dessa permissão, em
tratado como crime de médio potencial eventual disputa, caracteriza o crime.
ofensivo, inadmitindo-se por conseguinte Com a nova redação dada em 2017, este
transação penal. dispositivo agora prevê expressamente
(Disponível em: <https://goo.gl/at5Udn>. como criminosa a conduta de realizar
Acesso em: 16 fev. 2018). manobras de perícia em vias públicas.
Exemplo: cavalo de pau.

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Mas não é só. Necessário também que a
Atenção!
conduta provoque dano potencial à
É uma conduta dolosa, isto é, o condutor incolumidade pública ou privada. Segundo
deve estar ciente quanto à ausência de Rogério Sanchez, trata-se de crime de perigo
autorização para a disputa. Além disso, a concreto de vítima difusa.
via deve ser aberta à circulação.

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Agora você deve ler a Seção 3.2 do roteiro de estudos para aprofundar os seus conhecimentos
e realizar as questões diagnósticas, disponíveis em seu ambiente virtual, para testar seus
conhecimentos antes da aula.

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Webaula 2
Omitir-se do dever, fugir da obrigação...
Resolução da situação-
problema

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Fugir para quê?
Após atropelar a pequena pedestre que conseguiu se soltar
dos braços de sua mãe, Joana fugiu para não se pega e ter que
se submeter ao exame que poderia verificar o consumo ou
não de bebida alcoólica. Apesar de não ter configurado
nenhum dos crimes de homicídio ou lesão corporal culposa,
Joana agora praticou nova conduta sujeita a uma avaliação
diversa. Qual crime ela praticou?

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Não tendo praticado o crime de lesão Embora a finalidade fosse evadir de
corporal ou homicídio culposo, tendo responsabilidade penal, não se poderia
em vista que Joana não violou qualquer criminalizar a mesma conduta de duas formas
dever de cuidado objetivo, a condutora diversas, sob o risco de se aplicar dupla
deverá ser responsabilizada pelo crime apenação para a mesma conduta.
omissão de socorro.

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Nesse sentido, os tribunais têm interpretado que, ao se absolver o condutor pelo crime de lesão
ou homicídio, aquele que evadir do local do acidente ficará sujeito à pena de omissão de
socorro, conforme jurisprudência a seguir:

Se o agente, em rodovia, após atropelar ciclista (crime pelo qual foi


absolvido) e não sabendo se ele havia falecido ou não, mesmo instado por
testemunha para que socorresse aquele, abandona o local e, por isso, vem
a ser condenado por omissão de socorro (art. 304 do CTB), não pode o
mesmo ato dar causa à condenação pela fuga do local do crime, para
evitar a responsabilidade civil ou penal (art. 305 do CTB), por implicar em
dupla apenação pela mesma conduta (São Paulo, 2000).
Disponível em: <https://goo.gl/r6s3c3>. Acesso em: 16 fev. 2018.

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Bons estudos!
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