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Jornal do NEDF/AAC

6ª Edição

6ª Edição Jornal do NEDF/AAC


Editorial
Incontornavelmente, e como não poderia que certamente será marcante para ambas,
deixar de ser face às mudanças que ocorre- bem como com algumas colunas já habitu-
ram em Maio último, esta é uma edição do ais - a de jazz ou a review sobre cinema.
Antimatéria diferente das anteriores. Não
só por ter havido uma reformulação quase Seria algo estranho que uma mudança
total na equipa de produção, mas também a nível de produtores não se fizesse sen-
porque, consequência dos tempos de con- tir no conteúdo do jornal. Assim sendo, é
tenção financeira a que a economia nos ob- com imenso prazer que anunciamos que
riga, estas páginas estão também impressas teremos a partir desta edição um cronista
em papel de jornal, solução esteticamente oficial, o Artur Castro, que dará conteúdo
não tão agradável, mas que em contrapar- ao espaço “O CERN da questão”. Ele dar-
tida nos permitirá alcançar um universo de nos-á, periodicamente, a sua visão crítica
leitores muito mais abrangente em termos sobre o que achar pertinente.
quantitativos.
Por último, resta dizer que estamos re-
ceptivos a receber artigos de quem quiser
No entanto, apesar destas mudanças, os
colaborar connosco, bem como eventuais
objectivos são os de sempre: manter uma
críticas e/ou sugestões dos nossos leitores.
publicação de qualidade, onde os temas
Desejamos que tenham tanto prazer em ler
abordados vão ao encontro dos interesses
esta edição tanto quanto o que tivemos em
dos estudantes do departamento. Ou, pelo
produzi-la.
menos, essa é a meta que nos guia em cada
edição.

Em relação a este número, em virtude de Ficha Técnica


algum tempo de ausência, ficou com um
espectro temporal algo alargado: desde Redactores: Luís Antunes, Maria Pires,
o longinquo Abril - mês de realização do Ricardo Gafeira, Mário Gomes, Mariana
ENEEB - ao muito recente Novembro, Monteiro, João Carvalho, Miguel Fiolhais,
que data o recorde de energia resultante da Inês Ochoa, Susana Santos, André Santos,
colisão de partículas. Pelo meio falar-se-á Miguel Borges, Sílvia Fraklim, José A.
da Escola de Verão da UC e teremos tam- Paixão, Natacha Leite, Afonso Sousa, André
bém a perspectiva de alguém que acaba de Cortez, Rafael Jegundo e Artur Castro.
chegar ao nosso departamento. Há também Capa: Pedro Silva
espaço para os artigos intemporais: conta- Paginação: Luís Antunes e Bruno Galhardo
mos com uma explicação sobre Antimaté- Produção: Pelouro da Divulgação do NEDF/
ria, com uma descrição sobre a estadia de AAC - Luís Antunes, Maria Pires, Pedro
duas alunas finalistas de Física no CERN Melo, Raquel Ferreira, Margarida Guerra
Revisão: Maria Pires, Luís Antunes
Propriedade: NEDF/AAC
Luís Antunes Email: anti-materia@nedf.org
Aluno de Eng. Física Tiragem: 150 examplares
Sede: Rua Larga, Departamento de Física,
Maria Pires Sala B13, 3004-516 Coimbra
Aluna de Física

2 Dezembro 2009 :: Anti-Matéria


O Teu Núcleo
Caros colegas! Podes e deves passar pela nossa sala (sala B13
do departamento de Física)! Aqui tens aponta-
Esta é a primeira edição do antimatéria desta mentos de outros alunos à disposição, podendo
direcção do NEDF! consultá-los ou mesmo tirar fotocópias. Tens
também um espaço confortável para poder con-
Quero aproveitar para dar, mais uma vez, as viver, jogar e conhecer novas pessoas.
boas vindas a todos os novos alunos do nosso
departamento, desejando boa sorte para este No nosso site nedf.org podes consultar toda a
ano lectivo cheio de mudanças! Para os an- informação relativa às actividades do núcleo.
fitriões, deixo uma palavra de agradecimento Podes também colocar todas as tuas dúvidas e
pela confiança que depositaram nesta equipa, sugestões, porque são bem vindas! É do nosso
sublinhando que faremos tudo para cumprir as interesse conhecer a tua opinião de modo a sa-
nossas propostas. bermos se estamos a fazer o mais importante:
defender e ajudar os alunos.
Durante o ano lectivo que decorre iremos re-
alizar actividades para ti. Esperamos, por isso, Contamos contigo tanto para participar como
contar com a tua presença no ciclo de palestras, para colaborar na realização das nossas activi-
nos torneios desportivos, nas actividades cult- dades!
urais, no projecto de voluntariado no hospital
pediátrico, entre outras.
Ricardo Gafeira

Aluno de Astrofísica

Dezembro 2009 :: Anti-Matéria


Física@UC
istrados, os quais tivemos
oportunidade de conhecer,
tendo estes últimos partici-
pado activamente na Univer-
sidade de Verão como guias
na visita ao departamento.

Para além disto, parale-


lamente com as actividades
relacionadas com Física (as
palestras e o desenvolvim-
ento de um projecto numa
área da Física), foram tam-
bém bastante interessantes
as actividades desportivas
Entre os dias 19 e 24 de Julho decorreu no (BTT e canoagem) e as actividades inter-
Departamento de Física a segunda edição da disciplinares, as quais reforçaram a coop-
Universidade de Verão de Física, na qual eu eração entre todo o grupo e levaram ainda a
participei. Esta iniciativa, anteriormente real- um maior interesse e entusiasmo durante o
izada apenas pelo departamento em questão, decorrer da semana...
alargou-se no presente ano a toda a Univer-
sidade de Coimbra. Com isto aumentou tam- Felizmente, apesar das desvantagens da
bém o número de alunos participantes, cre- organização desta iniciativa a tão larga es-
scendo de poucas dezenas em 2008, até mais cala, esta alteração trouxe também alguns
de cento e cinquenta em 2009. Infelizmente, pontos positivos importantes de referir. De
este alargamento teve como consequência facto, devido à colaboração da Universidade
uma menor interacção dos participantes com de Coimbra na sua íntegra, foi possível a
os membros do departamento (tanto alunos realização de actividades como o jantar na
como professores). Reitoria, a visita à AAC, entre outras, cujo
sucesso teria sido impossível de outro modo.
No entanto, não deixou de ser uma óptima
experiência a semana que passámos no mun- Por fim, termino este relato congratulando a
do da Física, bem como o convívio entre os Universidade de Coimbra por esta excelente
alunos participantes, os professores do de- iniciativa, e em particular todos os membros
partamento e os alunos dos cursos aí min- do Departamento de Física e os nossos mon-
itores (da AAC), sem os quais a UV não teria
tido o sucesso verificado.

Assim, espero que esta iniciativa se pro-


longue durante os próximos anos, de uma
forma igual ou ainda melhor à que decorreu
nesta edição.

Mário Gomes

4
Participante da UV

Dezembro 2009 :: Anti-Matéria


Próxima Etapa: Coimbra!
nossa vida. Pois, afinal de contas, o barco
que partilhamos é o mesmo. Parece assus-
tador, e na realidade é. No entanto, numa
cidade como Coimbra, a cidade do “sonho e
da tradição”, o viver de todos estes momen-
tos tem um significado bastante especial, é
como se a cidade se moldasse realmente a
nós, as ruas são nossas, os transportes pú-
blicos enchem-se de juventude, os olhos das
pessoas brilham sempre que alguém perdi-
do pergunta “Sabe onde fica a faculdade?
Férias de Verão, festas e risadas com os
Não sou de cá”. Sentimos a cidade espe-
amigos e a família, as mesmas que até
cialmente nossa e inexplicavelmente algo
então marcavam o inicio de mais um nor-
preenche o nosso vazio. E, quando tudo
malíssimo ano lectivo, transformam-se
isto parece minimamente encaminhado,
num ensurdecedor alarme de virar de pági-
eis que surge o verdadeiro motivo da nossa
na que, indubitavelmente, nos leva a mer-
mudança, os primeiros dias de aulas na fac-
gulhar num novo capítulo da nossa vida.
uldade. Majestosa e imponente, espera-nos
Sentimo-nos postos à prova em todos os
todos os dias lá bem no alto da cidade, de
sentidos, temos de começar sozinhos, do
costas voltadas para o rio. Não somos mais
zero, do ponto mais baixo da fasquia. O
alunos do secundário e a voz interior de que
dia da partida chega cada vez mais rápido,
somos capazes grita-nos ao ouvido todos os
os dias diminuem no nosso calendário e,
dias. Como qualquer caloiro, aproveitamos
numa luta incontornável contra o tempo,
ao máximo os primeiros dias, considerados
entre malas e tralhas pessoais vamos alin-
dias de praxe, são eles o ponto de partida
havando os últimos pormenores daquela
para a convivência e a criação dos primei-
que será a nossa nova vida. As simples
ros laços de amizade. Divertimo-nos e fes-
saídas dão lugar a festas de despedida e os
tejamos à nova vida, sentindo sempre o
almoços e jantares de família conduzem
cheiro da responsabilidade que nos espera.
à tristeza de imaginar um lugar vazio à
mesa; sentimos necessidade de levar con-
Estar longe é difícil, “ser novo” é difícil
vosco tudo o que nos pertence, que nos
também, mas “ser novo”, abraçando
completa, mas a realidade é outra, temos
uma nova cidade e esperando novos de-
de aprender a viver com o essencial, numa
safios é especialmente desafiante. É um
nova casa, numa nova cidade. Coimbra.
processo de crescimento sem igual. O
que sentimos, o que aprendemos e o que
A escola dá também lugar à assustadora
crescemos como pessoas não tem expli-
faculdade e o círculo de amigos que havía-
cação. Pomos um ponto final com triste-
mos formado até então abre-se de repente,
za na etapa que vivemos até então, mas
pronto a receber outros mais. Aprendemos
damos início a uma nova etapa que nos
a conviver com novas pessoas a quem nos
promete um futuro bastante mais risonho.
vamos adaptando lentamente, vamos dis-
tinguindo os amigos dos colegas e a torná-
los a nossa família fora de casa. São eles Mariana Monteiro
que nos vão acompanhar, é com eles que
vamos partilhar os melhores momentos da Aluna de Eng. Biomédica

Dezembro 2009 :: Anti-Matéria


Antimatéria
Afinal o que é a antimatéria? Numa definição uma lâmpada de 10 W durante 3 segundos.
física, um pouco árida, a antimatéria difere Actualmente a eficiência de produção de
da matéria nos números quânticos a ela as- energia por antimatéria será algo como
sociados, por exemplo a carga eléctrica: a 0.00000001% (tendo em conta todos os
um electrão negativo corresponde um posi- consumos necessários). Até uma máquina
trão positivo. Hoje sabemos que o nosso a vapor é milhões de vezes mais eficiente.
Universo é constituído essencialmente Em virtude da enorme quantidade de energia
por matéria, sendo a quantidade de anti- libertada, uma bomba de antimatéria seria
matéria nele presente muito escassa ape- muito mais destrutiva do que uma nuclear. Essa
sar de, aquando do Big Bang, deverem hipótese, considerada no projecto “Guerra
tido sido criadas na mesma quantidade! das Estrelas” e no livro “Anjos e Demónios”,
faz parte apenas do reino da ficção científica.
Desde a previsão da sua existência a anti-
matéria tem exercido um enorme fascínio História da antimatéria
sobre a humanidade, em particular devido
ao facto de que do seu encontro com a ma- A Relatividade e a Mecânica Quântica foram
téria resulta a aniquilação mútua, e a trans- descobertas no início do séc.XX, mas a teo-
formação completa da sua massa em energia ria quântica inicial não era relativística.
(constitui a máxima eficiência possível de Este problema foi resolvido por Paul Dirac
conversão de massa em energia). Muitas em 1928, cuja famosa equação descreve o
experiências demonstraram que a partir de comportamento do electrão. Mas dela re-
energia podemos criar apenas pares partícu- sultam dois pares de soluções: um electrão
la-antipartícula, não podemos criar somente com energia positiva e um electrão com en-
matéria ou antimatéria. Como a massa é en- ergia negativa! Dirac interpretou a segunda
ergia numa forma muito concentrada, a an- solução como correspondendo a uma anti-
iquilação de apenas 5g de antimatéria é o partícula do electrão, de carga positiva. Na
suficiente para gerar uma energia de 9x1015 sua lição Nobel, Dirac especulou acerca da
J = 250 GWh, que corresponde à produção possibilidade da existência de um novo Uni-
média anual da barragem da Aguieira! verso, constituído apenas por antimatéria.

A antimatéria também é um tema muito Em 1932 Carl Anderson estava a estudar


explorado pelos escritores de ficção cientí- raios cósmicos (partículas de alta energia
fica, que criaram visões de antiestrelas e de com origem extraterrestre que produzem
antiuniversos, e recorreram à aniquilação chuveiros de partículas quando interagem
matéria-antimatéria como uma poderosa com a nossa atmosfera), com uma câmara
fonte de energia para a propulsão de naves de nevoeiro, quando observou uma partícu-
espaciais. Talvez o exemplo mais famoso la de carga positiva e a mesma massa que
seja a nave Enterprise, da série Star Trek, o electrão. Após um ano de esforço teve
que para conseguirem atingir uma velo- de chegar à conclusão de que eram mes-
cidade superior à da luz (!) os motores são mo antielectrões, produzidos juntamente
alimentados a antihidrogénio sólido, o qual com electrões, na interacção dos produ-
é manipulado por campos magnéticos de tos dos raios cósmicos na câmara de ne-
forma a nunca tocar na matéria da nave. voeiro. Foi baptizado de “positrão” e seria
Mas para utilizar a antimatéria esta primeiro a primeira antipartícula a ser descoberta.
tem de ser produzida, e isto é muito difícil.
Todos os antiprotões produzidos no labo- Em 1930 Ernest Lawrence inventou o ci-

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ratório CERN durante um ano, ao serem an- clotrão, uma máquina com capacidade de
iquilados com protões, permitiriam alimentar acelerar partículas a altas energias. Em

Dezembro 2009 :: Anti-Matéria


1954 construiu o Bevatrão, em Berkley, utilização de antiprotões em radioterapia.
capaz de colidir dois protões a uma ener-
gia de 6,2 GeV, para a procura de antipro- Cosmologia
tões. Estes seriam descobertos em 1955
por Emile Segré e um grupo de colabora- Nos anos 1950 a quantidade de antimaté-
dores. Um ano mais tarde um segundo gru- ria presente na nossa galáxia foi calculada
po anunciou a descoberta do antineutrão. como inferior a uma parte em 100 milhões,
mas se existir uma região de antimaté-
Em 1965 foi observado o antideuterão, um ria no Universo, isolada da matéria, não é
núcleo de antimatéria formado por um an- possível distingui-la a partir da Terra. Ac-
tiprotão e um antineutrão, provando que tualmente acredita-se que o Universo é
a matéria é simétrica da matéria. Em 1995 constituído essencialmente por matéria.
foram produzidos os primeiros antiátomos, Para explicar a ausência de antimaté-
no CERN. Para isso foi necessário con- ria existem duas teorias: ou a antimaté-
struir uma máquina especial, o Low Energy ria desapareceu completamente ao longo
Antiproton Ring, que “trava” antiprotões, da história do Universo, ou a matéria e a
de forma a se poder “juntar” um positrão antimatéria estão completamente separa-
e assim formar um átomo de antihidro- das em diferentes regiões do Universo. No

génio (que constitui verdadeira antimaté- segundo caso, vivemos numa região de
ria, e não apenas simples antipartículas). matéria mas alguma antimatéria com ori-
gem numa antiregião fora da nossa galáxia
Nos anos 1980, em virtude do desenvolvi- pode chegar até nós sob a forma de antinú-
mento de técnicas de “arrefecimento”, sur- cleos (como antihélio, anticarbono, etc.).
giu o controlo da antimatéria. Actualmente
existem duas linhas de investigação parale- Conclusão
las: o uso de antipartículas para o estudo das
componentes fundamentais da matéria (por O estudo e utilização da antimatéria é cer-
exemplo, em colisionadores electrão-posi- tamente uma área de investigação fasci-
trão ou protão-antiprotão), e a antimatéria nante, e com muito futuro à sua frente. As
como objecto de estudo das suas proprie- aplicações potenciais são inúmeras e fan-
dades (por exemplo, o estudo do antihidro- tásticas, onde o limite será apenas a nossa
génio). A observação da simetria de Carga- imaginação. A tecnologia da produção e uti-
Paridade-Tempo (CPT), até agora nunca lização da antimatéria têm evoluído muito
violada, implica que, para qualquer nível rapidamente, e poderão haver boas surpre-
de precisão, a matéria tenha exactamente as sas, com a descoberta de novos processos
mesmas propriedades do que a antimatéria. para a criação de antimatéria, e até a desc-
oberta de fontes de antimatéria no cosmos.
A antimatéria pode ter aplicações práticas
mais próximas. Como seja a utilização nas
ciências da vida de substâncias emissoras de João Carvalho
positrões no PET, Tomografia por Emissão
de Positrões, que permite exames funcio- Professor do Dep. de Física
nais para investigação e diagnóstico, ou a

Dezembro 2009 :: Anti-Matéria


The Final Countdown
Vá lá pessoal, não fa-
çam essa cara! Até é
uma coisa boa...”. A
hora prevista para a
chegada do feixe era
algures entres as 17h
e as 20h mas nada de
notável ocorreu até um
pouco antes das 21h.

“Precisamos de mais
20 minutos!” comuni-
cava a spokesperson, e
se alguns aproveitavam
para comer um jantar
Rolhas de champanhe a saltar, abra-
rápido, outros recusavam-se a arredar pé.
ços, sorrisos, êxtase, histeria e suspiros
de alívio... foi assim que se celebrou a
Os atrasos sucediam-se e alguns já não
chegada do feixe na sala de controlo de
acreditavam que o feixe chegaria naquela
ATLAS, uma das quatro experiências do
noite ao ATLAS, a etapa final do circuito,
LHC. 14 meses após o grave acidente que
até que algo inesperado aconteceu. O feixe
danificou seriamente o acelerador, o feixe
avançou para além do CMS em direcção ao
de protões voltou a circular com suces-
ATLAS enquanto alguém ia fazendo uma
so no túnel de 27km do LHC ao início
contagem decrescente, ou neste caso cres-
da noite de sexta-feira, 20 de Novembro.
cente: “o feixe está no ponto 6... temos feixe
no ponto 7... já está no ponto 8 (último an-
À medida que a sala de controlo se enchia
tes do ATLAS)”. Ninguém, porém, poderia
ao longo da tarde de cientistas, engenhei-
antever o que viria a acontecer, o event dis-
ros, jornalistas e curiosos, os habituais atra-
play deixou de funcionar subitamente pro-
sos deixavam toda a gente à beira de um
vocando um frenesim na sala. É como pre-
ataque de nervos. Ao final da tarde o run-
parar uma missão espacial à Lua e a câmara
leader ainda tentava, sem grande sucesso,
de filmar avariar no derradeiro momento!
animar os presentes “Temos feixe em CMS!

8 Dezembro 2009 :: Anti-Matéria


Os olhos viraram-se então para os ecrãs dos
calorímetros à espera de alguma evidência
do beam splash. A excitação dava agora
lugar a um silêncio angustiante até que o
painel principal começou a piscar assina-
lando a chegada do feixe. Uma explosão de
euforia tomou a sala: o esforço de milhares
de pessoas que dedicaram anos de carreira à
experiência era finalmente recompensado!

Os dias seguintes seriam ainda mais ex-


citantes, poucos dias depois deram-se as
primeiras colisões e recentemente bateu-
se o recorde de energia (1,18 TeV) que
pertencia a Tevatrão (0,98 TeV). Ainda
há um longo caminho a percorrer até aos
7 TeV mas a maior máquina do mundo já
está a funcionar e certamente pronta para
nos surpreender num futuro próximo!

Miguel Fiolhais

Investigador no CERN

Dezembro 2009 :: Anti-Matéria


AAnossa estadia
nossa estadia no CERN
no CERN

Chegámos a Genebra Os dias no


num Sábado. Fomos CERN passaram
logo espreitar a cidade! a correr numa
nova rotina:
hotel-gabinete-
cantina... Um
círculo de 30m
de raio repetido
inúmeras vezes.

.... e outros passados a trabalhar....

Entre
Fins-de-
semana a
passear...

Ficámos a conhecer Genebra de dia


e de noite: o lago, os jardins, alguns
restaurantes e bares... Fizémos ami-
gos de várias nacionalidades, dentro
e fora do CERN.

Mas, olhando para


trás, não me lembro
de conhecer suíços...

Lá italianos e portu-
gueses não faltavam!

10 Dezembro 2009 :: Anti-Matéria


Susana Santos
Inês Ochoa
Alunas de Física

Dezembro 2009 :: Anti-Matéria


Encontro Nacional de Estudantes
Universidade de Lisboa, Universidade de Trás-
os-Montes e Alto Douro, Instituto Politécnico
de Bragança e Instituto Politécnico de Setúbal.

Os dois primeiros dias foram destinados ao de-


senvolvimento científico e cultural, realizando-
se no auditório da reitoria do Departamento
de Física dois ciclos de conferências. O ciclo

Foi entre os passados, bem passados, dias 16


e 19 de Abril do corrente ano civil que Coim-
bra abriu as portas num acto de grande hos-
pitalidade para receber o IV Encontro Nacio-
nal de Estudantes de Engenharia Biomédica
(IV ENEEB). Estes encontros realizam-se
desde 2005, sempre com uma organização
rotativa e centram-se num princípio funda-
mental: a reunião de estudantes com um in-
teresse comum, a Engenharia Biomédica.

Os ENEEB caracterizam-se por congrega- científico, no primeiro dia, que contou com a
rem em quatro dias actividades didác- presença de conceituadas personalidades como:
ticas e lúdicas, sendo estas distribuí- Graça Minas (UM), Pedro Granja (INEB),
das equitativamente, salvaguardando-se Miguel Castelo Branco (CNC), Rui Cortesão
desta forma o desenvolvimento científico, (ISR), que em muito contribuíram e continuam
cultural e pessoal entre todos os participantes. a contribuir para a evolução da Engenharia Bio-
médica no panorama nacional e internacional.
Este ano a organização pertenceu ao Núcleo de
Estudantes do Departamento de Física da Univer- Já no segundo dia realizou-se um ciclo em-
sidade de Coimbra, o qual teve a enorme respon- presarial com o intuito de dar a conhecer aos
sabilidade de não defraudar as expectativas que participantes o que poderão fazer no seu futuro
são anualmente geradas em torno deste evento. e ainda para apelar ao espírito empreendedor
A organização definiu desde logo como objec- que cada um possui dentro de si. Neste sentido,
tivos principais: a redução do preço dos ingres- realizaram-se conferências com Engenheiros
sos e a realização do encontro mais participado Biomédicos recém licenciados na UC (Paulo
de sempre, mantendo-se contudo a qualidade Barbeiro (BlueWorks), Catarina Pereira (ISA)),
que está associada ao historial destes eventos. com o Centro de Simulação Biomédica que rep-
resenta uma nova evolução nesta área, com a Sie-
Desta forma, e depois de um árduo esforço de mens, que figura como um das maiores empresas
todos os membros da comissão organizadora, de dispositivos médicos no mercado, e por fim
que durou uns singelos 10 meses, foram alcan- com um dos grandes empreendedores de suces-
çadas todas as metas inicialmente predefinidas. so dos nossos tempos, António Câmara, presi-
dente da YDreams. Este último foi sem sombra
O IV ENEEB contou com a participação re- de dúvida o mais acarinhado por todos como se
corde de 220 participantes, dos quais 70 perten- constatou pela apoteótica e monumental salva
centes à Universidade de Coimbra e os restan- de palmas que recebeu no final da sua palestra.
tes 150 provenientes dos quatro cantos do país
- Universidade do Minho, Universidade Nova Para completar a componente didáctica real-

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de Lisboa, Universidade Técnica de Lisboa, izaram-se ainda dois workshop, nos dias 17 e

Dezembro 2009 :: Anti-Matéria


s de Engenharia Biomédica
18. O primeiro foi dedicado a expressão cor- cada equipa que continha 8 elementos, tinha
poral sendo o seu palco as “Docas” de Coim- que angariar o máximo de pontos nestas duas
bra, já o segundo foi no Centro de Simulação vertentes. Com a vantagem de jogar em casa
Biomédica onde os participantes puderam ex- (conhecendo bem o relvado enlameado das
perienciar uma situação crítica em ambiente “docas”) a equipa número 13 preenchida por
cirúrgico na qual tinham que apelar aos seus estudantes de Coimbra ganhou a competição.
conhecimentos para tentarem resolver os prob- Apesar de toda a competição o fair play re-
lemas que iam surgindo com o manequim. inou e para a última noite ficou reservada a

Contemplando agora a outra face do IV ENEEB,


a componente lúdica, a qual foi uma constante e
sempre recheada de bons momentos bem à ma-
neira coimbrã. Desde logo, chegados à cidade
dos estudantes, os participantes foram conduzi-
dos através de uma pequena visita aos locais mais
emblemáticos da Universidade de Coimbra.

Como não poderia deixar de ser e porque tam-


bém é sempre de louvar a interacção e cria-
ção de relações interpessoais entre todos, os
jantares e noites temáticas não faltaram. Tudo
começou na primeira noite quando houve um “noite verdadeiramente coimbrã” onde os par-
arraial, num local bem tradicional as “Quími- ticipantes, começando na baixa, tiveram opor-
cas”, com porco no espeto, muita música e, tunidade de percorrer diversos bares e tascas
claro…a diversão até mais não com as diver- escolhidos pela organização, acabando esse tra-
sas universidade e politécnicos a entrarem jecto na tão afamada Associação de Estudantes.
em “cantares ao desafio” para demonstra-
rem qual delas tinha mais espírito académico. Por fim lá chegou o momento menos desejado,
a despedida… os beijos e abraços foram tro-
Mas como “nem só de febras no pão vive um cados entre todos e assim terminou o IV En-
homem” na sexta-feira o glamour, a classe, o contro Nacional de Estudantes de Engenharia
charme e a mítica história da fonte dos amores Biomédica com a simbólica foto de família.
de Pedro e Inês confundiram-se numa noite de Por tudo isto os ENEEB podem ser clas-
gala na quinta das lágrimas. Mesmo sem dress sificados como o clímax na vida destes es-
code os participantes trataram de se adornar com tudantes, onde passados quatro dias num
toda a pompa e circunstancia para a ocasião. turbilhão de experiências deixam todos os par-
ticipantes enriquecidos em todos os aspectos…
Depois de uma noite fabulosa como a de
gala, nada mais propositado do que ir à guer- Para o ano há mais e a organização está a cabo
ra e rebolar na lama no sábado desportivo…. do núcleo de estudantes de Engenharia Bio-
Lama? Sim, infelizmente e como o orça- médica da Universidade Técnica de Lisboa,
mento não dava para mais, a organização aproveitem e não percam mais uma oportuni-
não pode pagar os “serviços de sol” a S. Pe- dade de conviver e trocar experiencias com out-
dro e este dia foi um pouco “encharcado”. ros alunos de Engenharia Biomédica do pais!

Apesar da água que teimosamente ia caindo, os André Santos


participantes não arredaram pé, competindo an-
imadamente entre si. Esta competição continha Aluno Eng. Biomédica
duas provas: o paint-ball e de peddy paper, onde

Dezembro 2009 :: Anti-Matéria


ENEEB - Parte II
Saudações académicas! insatisfeito com a mudança para Lisboa.

Não estava. Pelo menos no que toca ao


Sou um estudante no 2º ano de Engen- exagero. O tempo que passei em Lisboa
haria Biomédica e Biofísica na Faculdade ajudou-me a ganhar perspectiva - tinha
de Ciências da Universidade de Lisboa agora algo com que comparar as três
(FCUL). No entanto, no início do ano semanas que passei em Coimbra. A ex-
lectivo 2008/2009, fui colocado em En- periência já não estava em vácuo. Lisboa
genharia Física na Faculdade de Ciências é uma excelente cidade, no entanto, as
e Tecnologias da Universidade de Coim- suas (várias) universidades são apenas
bra. Em segunda fase, recandidatei-me ao mais uma componente - mais um órgão
curso de Engenharia Biomédica na UC entre tantos outros que nos apelam à cu-
e na UL, uma vez que era este último riosidade. Enquanto que Coimbra vive
o curso onde realmente desejava estar. da e para a universidade que acolhe.
Quis a sorte que eu fosse colocado em Foi o que o ENEEB permitiu, a mim e
Lisboa e foi com o coração pesado que aos outros estudantes da FCUL e de todo
deixei Coimbra, apenas três semanas de- o país – tomar contacto com o ambiente
pois de ter chegado. O pouco tempo que que permite que classifiquemos Coimbra
estive na cidade parece-me hoje maior do como cidade dos estudantes. Em Abril de
que realmente foi e a minha experiência 2009 voltei a Coimbra. O programa pro-
em primeira mão mostrou-me que o fas- metia uma divisão do tempo em apren-
cínio que tantos estudantes nutrem pela dizagem, com palestras e workshops, e
cidade não é irracional. Coimbra tem um em diversão, com uma “noite tipicamente
espírito único, difícil de reproduzir, de coimbrã” incluída. Prometeu e cumpriu.
deixar ou relatar, e tanto a cidade como A organização do evento certificou-se
as pessoas que lhe dão vida são capaz- que tudo funcionou como devia: palestras
es de nos marcar. Foi o meu primeiro genuinamente interessantes e diversão,
contacto com o mítico “espírito aca- muita diversão. “É uma pena o ENEEB
démico” e foi, sem dúvida, inesquecível. em Coimbra não ser um evento recor-
rente”. Foi com este pensamento que eu
Foi portanto com alegria que recebi a e muitos colegas deixámos a cidade. Tive
notícia que a FCUL iria participar no oportunidade de quebrar nostalgias e os
4º Encontro Nacional de Estudantes de meus colegas puderam finalmente perce-
Engenharia Biomédica (ENEEB), or- ber porque tanto lhes falava de Coimbra
ganizado pelo Núcleo de Estudantes do no início do meu ano lectivo em Lisboa.
Departamento de Física da Universidade Cada um reteve qualquer coisa do ENEEB.
de Coimbra. Seria uma oportunidade Mas se há algo que em comum aprendemos,
para regressar à cidade e mostrar aos foi a dizer saudade. Saudade de Coimbra.
estudantes de Engenharia Biomédica da
FCUL em que é que realmente consistia
tudo o que relatava de Coimbra. Olhando
para trás, assumo que o mais provável se-
ria pensarem que exagerava ao descrever- Miguel Borges
lhes o que vivera em apenas três semanas

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na cidade dos estudantes, ou que estava Aluno da FCUL

Dezembro 2009 :: Anti-Matéria


Dezembro 2009 :: Anti-Matéria
Livros: O Caos e a Harmonia
O Caos e a Harmonia terminado apenas por leis físicas rígidas aplica-
das a condições iniciais particulares, mas que
Porque a ciência não está, este é moldado por acontecimentos contingentes
nem pode, estar desgarrada da e históricos que abalam e toldam profundamente
sociedade onde se insere, para a realidade. Foi introduzido no mundo científico
nós cientistas, ou aspirantes a um factor que à primeira e descuidada análise pa-
cientistas, é urgente repensar rece desestabilizador da ordem e do método da
a função e o impacto da ciên- ciência pois confere-lhe uma característica que
cia no mundo do século XXI. nunca teve, a aleatoriedade. Esse factor, o Caos,
Esta reflexão ultrapassa a dis- apenas lhe confere maior elasticidade e em nada
cussão trivial de que a ciên- lhe retira rigor. Com a introdução do Caos por al-
cia rodeia toda a actividade tura do nascimento da mecânica quântica, as leis
humana através da maquinaria por intermédio da físicas perderam a sua rigidez, a amplitude do
qual se faz representar. É essencialmente uma re- efeito deixou de ser invariavelmente proporcional
flexão sobre como fazer ciência, é também trab- à intensidade da causa, o caos entrou no mundo
alhar a forma de pensar e de organizar o mundo, da ciência e, consequentemente, conquistou tam-
é constatar que fazer ciência é imprimir marcas bém o seu lugar na vida quotidiana.
profundas na organização social, na cultura, nas
relações humanas, na história da nossa civiliza- Trinh Xuan Thuan, um físico vietnamita actual-
ção. É reencontrar a radicalidade da ciência, a sua mente professor de astronomia na Universidade
génese e motivo, é redescobrir como ela se funde da Virgínia, descreve habilmente as teorias do
com a filosofia, reencontrar o cordão umbilical Caos, as repercussões que elas tiveram na con-
entre a curiosidade humana e a experimentação cepção da ciência e as contribuições que deram na
e a fabricação do real. Não é por acaso que os construção de um novo paradigma social. Desde
grandes cientistas andam quase sempre a par dos os fractais, passando por temas como a inflação,
grandes sociólogos e filósofos, dos escritores e ar- a meteorologia e a evolução das espécies, Thuan
tistas plásticos, dos políticos e antropólogos… As leva-nos numa fascinante viagem pelo caos e faz-
criações humanas são processos globais! nos reencontrar as experiências de Lorenz e as re-
flexões de Pioncaré: ”Uma causa muito pequena,
A evolução dos conceitos origina, inevitavel- que nos escapa, determina um efeito considerável
mente, uma evolução nos actos concretos, nas que não conseguimos ver, e então dizemos que
formas de estar, de observar e de questionar. O esse efeito é devido ao acaso. […] A previsão tor-
heliocentrismo, o evolucionismo e a teoria da rel- na-se impossível.”
atividade são disso excelentes exemplos. Assiste-
se hoje a mais um renovar da forma de pensar a Porque o Caos não se limita ao bater de asas de
ciência, como tantas vezes aconteceu no passado. uma borboleta que causa um tornado do outro lado
Se ao longo do século XVIII no florescer da ciên- do globo, porque Caos nem sempre é sinónimo de
cia enquanto tal, ultrapassando os domínios do ausência ordem e quebras de simetria, porque o
misticismo, do oculto e da magia, começou o es- Caos pode ser padronizado (vejamos o caso do
partilhamento da natureza acompanhando a visão movimento Browniano), porque sem caos não há
newtoniana de um universo fragmentado, meca- harmonia, aqui fica a sugestão - um dos meus liv-
nicista e determinista, hoje sente-se a necessidade ros preferidos - um livro que aconselho a todos os
de voltar ao global, de voltar a colocar no todo seres pensantes deste mundo, para que não nos es-
aquilo que dele foi retirado e dividido em infinitas queçamos que fazer ciência está muito para além
partes. das paredes dos nossos laboratórios…

Surge no nosso contexto actual a urgência de uma


observação com base em factores que eram até Sílvia Franklim
agora ignorados na abordagem científica porque

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temos hoje consciência de que o real não é de- Aluna de Física

Dezembro 2009 :: Anti-Matéria


Jazz: Ano Mirabilis
Celebra-se em 2009 a passagem de 50 anos sobre aquele que é, talvez, o ano mais produtivo da
história do Jazz - 1959 -, verdadeiro “ano mirabilis” onde vieram a lume trabalhos que marcariam
o rumo do Jazz na segunda metade do século XX. Podemos até estabelecer um paralelo na história
da Física com o ano de 1905, em que Albert Einstein publicou os seus trabalhos seminais, e cujo
centenário foi amplamente celebrado por todo o mundo em 2005 como “Ano Mundial da Física”.

Exemplifiquemos com algumas das obras mais importantes desse ano.

Kind of Blue, do primeiro quinteto de Miles Davis é consensualmente


um dos melhores – se não o melhor – disco de jazz de todos os tempos.
Num estilo modal, o disco que se inicia com o inolvidável “So what”
foi inovador e inspirador para sucessivas gerações de músicos, não só
da música improvisada mas também de outros estilos musicais. Este LP
é hoje quádrupla platina e o disco de Jazz mais vendido de todos os
tempos.

The shape of Jazz to come, de Ornette Coleman, justificou plenamente o


título, abrindo as portas a um novo estilo na música improvisada em que as
harmonias clássicas são abandonadas em favor de uma forma mais livre,
conhecida, precisamente, por free jazz. Sem instrumentos harmónicos
como o piano, Ornette fazia-se acompanhar apenas pelo trompete de Don
Cherry, o contrabaixo de Charlie Haden, e a bateria de Billy Higgens. Ar-
bert Ayler, Archie Shepp ou o contemporâneo John Zorn, vieram beber
deste novo estilo que surpreendeu, em 1959, o mundo do Jazz.

Giant steps, de John Coltrane, é outro marco importante na história do


Jazz e na forma de tocar saxofone. As estruturas harmónicas complexas
de composições como “Giant steps” e “Countdown” e o ritmo frenético
com que eram executadas pelo “mestre” apontavam já o novo rumo de
Coltrane na direcção de uma estética free, característica dos seus últimos
trabalhos.

Time out, do quarteto de Dave Brubeck, foi um estrondoso sucesso com-


ercial vindo da West Coast – Brubeck foi capa da Time com este disco –
devido em grande medida aos inusitados tempos das composições, como
o compasso 5/4 do tema “Take Five,” e aos solos arrebatadores do saxo-
fonista alto Paul Desmond.

Portrait in Jazz, do trio do pianista Bill Evans, que contava com o malogrado
contrabaixista Scott LaFaro (viria a falecer aos 25 anos de idade, em 1961,
num acidente de automóvel) e o baterista Paul Motion, apontou para um
renovado rumo do trio clássico de piano, contrabaixo e bateria. A empatia
do trio de Bill Evans é fantástica e a o seu legado influenciou decisivamente
grupos como os trios de Keith Jarrett, Brad Meldhau e Esbjörn Svensson.

Boa escuta!

José António Paixão

Professor do Dep. Física

Dezembro 2009 :: Anti-Matéria


Séries: A Outra Realidade
Anime é o nome dado à animação japonesa, Podemos nunca ter feito origami ou prova-
no Ocidente. Enquanto, semana após se- do sushi, mas certamente nos lembramos
mana, muitas atenções se prendem aos lan- de clássicos como Dragon Ball ou Heidi.
çamentos de episódios de séries televisivas, Actualmente, este mercado encontra-se em
outras tantas aguardam os próximos episó- crise relativamente à explosão de há alguns
dios de anime a sair. De tão fácil acesso anos, visível nas apenas 288 estreias nos ca-
como qualquer série, o anime deve também nais televisivos japoneses em 2009. Um ano
a sua actual popularidade à enorme quanti- compreende quatro temporadas de anime,
dade de géneros disponíveis, abrangendo to- estreando novas séries (de 12/13 episódios
dos os gostos e faixas etárias. com vinte e poucos minutos de duração) no
início de cada uma ou dando-se seguimento
Este tipo de animação nasceu há mais de a produções populares, como a continuação
meio século com a produção de pequenos de Inuyasha ou Kiddy Grade, deixadas para
filmes por admiradores dos primeiros trab- a última temporada deste ano.
alhos da Disney.
Grande parte dos animes mais célebres são
Cresceu até se tornar uma indústria forte, adaptações de manga – banda desenhada
com conceituados estúdios de animação e japonesa, caracterizada por formas angulo-
constituir um dos principais veículos de di- sas e personagens de olhos grandes e bril-
vulgação da cultura japonesa. hantes. Foi graças ao manga que o anime
tomou esse estilo de desenho tão próprio.
Também é habitual um anime ser inspirado
em jogos, como Devil May Cry, ou em liv-
ros, como Gankutsuou, baseado no Conde
de Monte Cristo.

Tal como em séries não animadas, os animes


contam com produções complexas e equi-
pas de trabalho alargadas, o que lhes con-
fere uma grande vantagem: a liberdade que
os criadores têm para explorar a sua imagi-
nação, já que a materializam facilmente por
usarem como recurso principal o desenho,
compondo os cenários mais exóticos e as
situações mais improváveis. É isso que torna
as obras de anime uma opção de entreteni-
mento tão rica e atraente, considerada por
muitos uma arte.

Natacha Leite

Aluna de Física

18 Dezembro 2009 :: Anti-Matéria


Cinema
L’armée du crime seres humanos. O seu grupo é constituído por
pessoas de várias nacionalidades, desde polacos
Realizou-se no TAGV, de 4 a 10 de Novembro a espanhóis, e os seus actos começam a provocar
do corrente ano, a 10º festa do cinema francês tanto impacto que os nazis e os polícias franceses
com, no mínimo, duas sessões diárias. No dia 6 que se uniram a estes começaram a usar todos os
de Novembro a sessão principal foi ocupada pelo seus meios e tácticas para os apanhar, enquanto
filme “L’armée du crime”, a meu ver o melhor os membros do grupo fazem de tudo para sobre-
filme de toda a festa. viverem e manterem as suas famílias longe dos
problemas.
“L’armée du crime” é um drama histórico escrito
por Serge Le Péron e Gilles Taurand, realizado Aconselho a todos que gostarem de cinema
por Robert Guédiguian e com actores como francês, ou de filmes da II Guerra Mundial, a
Virgine Ledoyen, Simon Abkarian, Robinson ver este filme, até porque o sonho de uma das
Stévenin e muitos outros. Passado na Paris ocu- personagens é ser físico.. E para quem não teve
pada pelos nazis, este filme conta-nos a história oportunidade de ir a esta festa do cinema fica a
não dos soldados que a ocuparam, nem dos sol- nota de que todos os anos se organiza uma, não
dados que a defenderam, mas das pessoas do percam a próxima!
povo que se uniram para defender as suas famí-
lias, as suas casas e os seus ideais. O poeta ar-
ménio Missak Manouchian, interpretado por Si-
mon Abkarian é nomeado chefe de um pequeno Afonso Sousa
grupo de comunistas e, apesar da sua relutância
em enveredar pela violência na sua luta, vê-se Aluno de Eng. Física
obrigado a conspirar e a tirar a vida de outros

DVD Review
Che – O Argentino, Che – Guerilha
e que arrecadou imensos prémios, entre eles a
Palma de Ouro do Festival de Cinema Interna-
cional de Cannes para a melhor interpretação
masculina, ao cargo do já conceituado Beni-
cio Del Toro – com efeito, tem uma das suas
melhores interpretações de sempre no papel de
Che neste filme. Um filme intrigante, arrebata-
dor e provocador. Esta edição peca apenas pela
ausência de alguns extras que dariam outra di-
mensão ao conjunto, verificando que, de facto,
Na secção de DvDs chega até nós uma das é uma edição algo simples - muito longe da
melhores biografias de Ernesto Guevara feitas dimensão quer das actuações de Benício Del
até ao momento. Realizada por Steven Soder- Toro, quer da realização de Steven Soderbergh.
bergh, é uma autêntica obra prima que relata a Ainda assim um pack de filmes obrigatório a
epopeia de um dos maiores revolucionários de ter nas vossas videotecas.
sempre. Pensador e líder, Che, é-nos apresenta-
do de uma forma muito próxima da sua person-
André Cortez
alidade e ideologia que nos permite uma visão
ampla do contexto da sua vida e obra. O relato
Aluno de Eng. Física
aparece-nos num filme dividido em duas partes

Dezembro 2009 :: Anti-Matéria


Cultura entre paredes… Será cultura emparedada?
Ao transpor as portas do edifício da Asso- paredes hoje é a mais triste das funções que
ciação Académica de Coimbra, a cidade do se podem atribuir a uma parede, a função
Mondego habituou-se a encontrar ao longo pura e simples de emparedar. Os Organismos
dos seus corredores uma atmosfera de sons Autónomos e Secções Culturais da AAC, in-
e de cores vinda de vozes que repetem esca- stituições produtoras de cultura de e para a
las em tom maior ou menor, de falas de teatro associação académica de Coimbra foram em-
repetidas até à exaustão, de guitarras que purrados para dentro das suas paredes para se
soltam acordes por vezes dissonantes, de sa- protegeram da avassaladora batida da discote-
patos que acompanham o movimento de pés ca que se instalou no piso térreo, e que ganhou
que dançam, de filmes que se projectam nas uma irmã gémea nos jardins do edifício (hoje
paredes e gravam na memória as bobines e as mais quintal das traseiras que um jardim) para
fitas magnéticas, de placas de madeira e pa- conseguirem manter a fábrica a funcionar. O
nos pretos que passam velozmente por entre constante corropio de pessoas que percorre os
portas e corredores apertados, máscaras em corredores do edifício não aflui àquele local
rostos, luzes que projectam sombras nas pare- para conhecer o trabalho que lá se faz, nem
des maiores que os objectos que as formam, para ver espectáculos. Aflui para a diversão,
ampliando o seu efeito e o seu significado… o que não seria necessariamente mau, se não
Em cada sala pessoas diferentes, gestos dife- interferisse grandemente com a produção cul-
rentes. Em cada sala uma fábrica de sonhos, tural e não a condicionasse cada vez mais.
uma linha de montagem de desejos e vontades,
medos e receios que serão oferecidos a quem As vozes calam-se cada vez mais cedo, as luz-
quiser ver o resultado final num desses pal- es estão acesas durante cada vez menos tempo
cos que também existem por lá, pequenos e – os ensaios acabam prematuramente… Vai
acolhedores, chamados teatros de algibeira. vencendo o lucro desenfreado sobre a fábrica
É a isto que o ritmo daquele edifício nos habitu- que labora com cada vez mais dificuldade e os
ou, a uma cultura entre paredes, com as paredes. espaços que outrora foram de cultura vão sen-
do substituídos, devagarinho, quase sem se dar
Hoje, quando transpomos a mesma porta, por isso, por espaços de diversão de massas,
hoje totalmente de vidro como que criando a como vulgares discotecas. E lá vamos entran-
ilusão de uma transparência, como se de fora do, acotovelando-nos com os transeuntes que
víssemos tudo o que lá dentro se passa, ouvi- não sabem quem somos, mostrando um cartão
remos os mesmos sons, veremos as mesmas à entrada como se devêssemos pedir autoriza-
cores, sentiremos a mesma atmosfera? A esta ção para entrar num espaço que aparenta, ao
pergunta só responde quem por lá passa e olha primeiro vislumbre, não ser o nosso, pedindo
com olhos de espectador e, por isso, a ela não licença para passar com cenários entre a multi-
sei responder… Para quem está na fábrica de dão que não imagina para que serve tudo aquilo,
sonhos, para quem nela trabalha, tentar re- que faremos com tudo aquilo que carregamos.
sponder a esta questão, pensando sempre de Aquelas paredes não são para emparedar, são
um ponto de vista diferente, não é uma tarefa somente para criar a diversidade e só con-
fácil, a resposta não é imediata só porque é tinuarão assim se continuar a haver quem
complexa, não porque não saibamos o que olhe para elas e nelas ainda consiga ver as
dizer. O que diremos é que nos puseram pauz- cores e ouvir os sons de que são feitos os
inhos na engrenagem, que nos desaceleraram sonhos naquela fábrica que é de todos nós.
a linha de montagem, que nos baixaram o vol-
ume dos sons e nos esbateram as cores… O
lirismo destas palavras é apenas isso mesmo, Sílvia Franklim
lirismo. O que se passa, dentro daquelas pare-
des, de romântico nada tem, de eufemístico já

20
Aluna de Física
perdeu o carácter. A função que têm aquelas

Dezembro 2009 :: Anti-Matéria


Times are changing...
Times are changing, já dizia o Bob Dylan seu âmbito extravasou a interacção so-
em 1963, mas o present continuous usado cial e pessoal, para uma comunidade onde
na sua mitica expressão perpetuou a sua ve- também as entidades institucionais pub-
racidade. Desde o inicio da década de 90 até licitam os seus serviços. Existem ópti-
então, com a proliferação da auto-estrada mos exemplos da capacidade do Facebook
da informação, aka internet, eles mudam criar laços entre o cliente e o fornecedor,
cada vez mais depressa. O último efeito de- colocando-os mais perto do que nunca.
sta evolução avassaladora a atingir a nossa
comunidade é o velho facebook. Velho,
porque nasceu no ano da graça de 2004,
e na World Wide Web isso já é história.

Nos últimos tempos tem mudado se-


riamente os hábitos de vida das pessoas
que lhe dedicam o seu tempo. Exem-
plo disso são as miticas FarmVilles. Es-
tou seguro que nunca houve tanta gente
dedicada à agricultura no nosso país...
Isto tudo graças Mark Zuckerberg, um es-
Mudou também o padrão de interacção so- tudante de Harvard, que ao bom estilo da
cial entre as pessoas. Para pior, dirá o vel- idilica startup americana resolveu a sua
ho do restelo, para melhor, dirá o sonhador necessidade de potenciar a rede de ami-
early-adopter. Contudo, e como a energia gos ficando milionário no processo. Hoje,
atómica, o facebook é uma ferramenta en- o facebook não só é bem sucedido interna-
tregue às mãos do homem: e este fará dele cionalmente, tendo milhões de utilizadores,
o que bem entender. Seja isto usar o face- mas é também um local onde todos que-
book para aproximar pessoas, reencontrar rem trabalhar. Isto sobretudo pela sua ex-
amigos e marcar eventos sociais ou então traordinária e meritocrática cultura startup.
vibrar avidamente com as vacas na quinta Como qualquer startup de Silicon Valley,
do FarmVille, ou os conselhos da bidente. é tudo baseado em talento, criatividade e
risco. Os colaboradores são incentivados
regularmente e através de iniciativas da
empresa como hackatons, a reinventar e
procurar novas formas de ligar o mundo.
Para além disso, e para terem certeza que
têm os melhores e mais talentosos, to-
dos os colaboradores são avaliados regu-
larmente de 1 a 5, e quem tem menos de
2 é convidado a sair. Mais dificil que ser
contratado para a Facebook é ficar por lá.

O Facebook é, contudo, muito mais que Rafael Jegundo


isso. Foi a primeira rede social (segunda,
Aluno de Eng. Física
se acharem que o twitter é uma) onde o

Dezembro 2009 :: Anti-Matéria


O CERN da questão
O Bom e o Mau Exemplo guma razão elegeu um partido da esquerda.
Partido socialista esse que deveria, segundo
O engenheiro Sócrates diz que é necessário os seus próprios princípios, assegurar não só
investir. A doutora Manuela diz que os riscos a igualdade de oportunidades através da gra-
são muitos. O engenheiro diz que o maior ris- tuidade do ensino como salvaguardar todo o
co está em adiar o investimento. A doutora diz vasto leque do mesmo, pois a mim me parece
que não podemos investir desmesuradamente que se o estado o abandonar não falta indús-
endividando o futuro. Pois eu proponho a es- tria para financiar as ciências e engenharias,
tas duas almas torturadas politicamente um nem falta medicina privada para financiar o
ponto médio que tanto jeito nos dava (e a ensino desta (digo privada porque seria estra-
eles que nesta legislatura terão de saber com- nho que a medicina pública financiada pelo
binar-se para que algo seja feito) – invistam estado fosse pagar na vez do estado o ensino
na educação! É um investimento, tal como o da Medicina); a faculdade de direito seria
engenheiro tanto demonstra pretender e não milionária, pagos os seus livros e suas poltro-
dá lugar a riscos como os que tanto teme a nas pelas firmas interessadas, mas e a história
doutora, assim o provam os países mais ricos e as línguas, por exemplo? Que clube de poe-
e civilizados do mundo, não por coincidência tas mortos financiaria estes campos do ensino
os mais letrados. O engenheiro e Primeiro- para não serem esquecidos? Mas não faltam
Ministro apregoa aeroportos, comboios de liberais muito pragmáticos para nos dizerem
alta velocidade, pontes e auto-estradas, para que se o ensino destes temas não pode ser
acelerar os caminhos da economia nacional. directamente rentabilizado, tornando-se so-
Soube portanto atrair os geralmente atraídos mente o dispêndio de alguém, então deve
pela direita e manter a lógica de esquerda ser abandonado. Mas felizmente não somos
do investimento público perante os que lhe governados por liberais, mas sim por um glo-
podiam fugir. Por outro lado, a doutora, que rioso partido socialista que, enfim, parece não
rege um partido de direita, não esquece que lembrar dos seus cânones ideológicos. Mas
vive num país que oscilando politicamente que promete investir, investir e mais investir,
não abdica de certos princípios socialistas, em coisas de tão elevado risco que a doutora
por isso nunca a ouvimos dizer que preferia
acabar com o ensino público ou adoptar
aqueles estranhos modelos em que o bom en-
sino é o privado e o público é de recorrência
aos miseráveis. Mas a doutora não precisa de
se arriscar ao dizer estas coisas, pois o nosso
governo socialista, tão dado ao investimento
público, vai lentamente (ou não) deteriorando
o nosso ensino superior como se lhe quisesse
fugir pela calada. É que a diferença entre o
ensino público e o privado está no pagamen-
to, mas neste país ambos se pagam. A diferen-
ça entre o público e o privado no nosso país
até aos dias de hoje estava na qualidade, mas
o público vê-se desprezado pelo seu patrono
estatal e, portanto, lutando para manter a sua
devida qualidade, entrega-se ao financiamen-
to privado - estranha lógica de direita quando

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afinal de contas me parece que o país por al-

Dezembro 2009 :: Anti-Matéria


Manuela não consegue dormir à noite, ao in- sim da melhor forma culminou o seu manda-
vés de investir tão simplesmente na educa- to. Assim podemos ter orgulho nesta Coimbra
ção, na igualdade de oportunidades, na acção universitária mais do que quando gabamos
social que a permite, na própria sustentação as suas festas, belezas e tradições, que muito
da economia que pode passar pelas pontes e louvam o passado e sua história e pouco fa-
auto-estradas e passear-se em comboios ve- zem pelo futuro (e já agora, por coerência,
lozes e apanhar aviões, mas que só pode ser pelo ensino da História). Assim soubemos ser
conduzida da melhor forma por pessoas bem mais unidos que o parlamento e soubemos in-
formadas, e muitas. vestir mais rápido que o Sócrates.

Chegamos então ao bom exemplo dos estu- Mas Novembro não acabaria sem o mau exem-
dantes de Coimbra – a associação cumpriu plo das eleições de 25 e 26 para a presidência
com o que prometeu (coisa que parece difícil da AAC/DG. Não estou a falar dos resultados
a nível nacional, talvez seja mais ainda a nív- ou dos vencedores, se é o que pensam, nem da
el associativo), e mais do que forrar a cidade salganhada ao longo da noite da contagem nas
de fantasmas revolucionários de papelão que cantinas dos grelhados, mas sim da participa-
pouco servem ao presente, mobilizou para dia ção dos estudantes. Costumo dizer que nós,
17 uma das mais vistosas manifestações do estudantes universitários, planeadores e ori-
ensino superior dos últimos tempos. Quatro entadores do futuro, deveríamos dar melhor
mil alunos de todo o país foram até Lisboa exemplo do que esse que damos através das
demonstrar o seu descontentamento para com nossas praxes, boémias excessivas, diletan-
o governo e tudo partiu de uma proposta da tismos vergonhosos que esbanjam dinheiro
nossa conhecida Sílvia Franklim para uma a pais e contribuintes; contudo, desta vez, o
manifestação local, conjugada com a espec- mau exemplo traduz-se não por análises so-
tacular aceitação e melhor reformulação da ciológicas baratas, mas numericamente. Há
proposta para algo de nível nacional por parte sindicatos de pessoas com metade ou mesmo
da presidência da Assembela Magna, que as- um terço da nossa escolaridade cujas eleições
são bem mais participadas, o país é como sa-
bemos pouco escolarizado e ainda assim a ab-
stenção não chega aos cinquenta por cento. E
nós, educados a usufruir da informação, con-
hecedores das mais-valias históricas da de-
mocracia, detentores do mais científico con-
hecimento político e com muito tempo para o
discutir no café, nós, futuros políticos, juízes,
gestores e professores do país, abdicamos do
nosso direito e dever de voto, dando o triste,
desculpem, o mau exemplo de uma fantástica
abstenção de 70% a 80% num momento críti-
co em que a melhor escolha para liderar a voz
estudantil é tão fulcral.

Artur Castro

Aluno em Sabática

Dezembro 2009 :: Anti-Matéria


Curiosidades
O Centro Ciência Viva funciona no Depar- Neste espaço pode-se…
tamento de Física da Universidade de Co-
imbra (UC) com característica de centro de • Estudar;
recursos para o ensino e aprendizagem das • Ler e requisitar livros de divulgação
ciências e difusão da cultura científica. científica;
O CCVRC apresenta na sua base de dados • Visualizar e requisitar filmes de divulga-
sete mil livros, trinta revistas de ciência e ção científica;
divulgação científica, duzentos filmes em • Ler revistas de divulgação científica;
formato digital sobre temas científicos (que • Explorar software didáctico;
poderão ser vistos no espaço do CCVRC ou • Usar os jogos didácticos disponíveis.
emprestados aos utentes) e quinhentos CD’s
de software.
Partículas e subpartículas

Descobre as 12 partículas ou subpartículas es-


É ainda possível requisitar livros à distância
condidas na sopa de letras.
através de www.nautilus.fis.uc.pt/rc/.Este
Centro possibilita a visita de escola decor-
rendo nestas uma palestra de um docente da
Universidade de Coimbra sobre um tema a
combinar.

Electrão; Taquião; Gluão; Muão; Fotão; Tao;


Neutrino; Bosão; Pião; Fermião; Quark; Neu-
trão

24 Dezembro 2009 :: Anti-Matéria