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Caro Professor:

A Pré-UNIVESP é uma publicação eletrônica, mensal e temática, com um dossiê baseado


em temas factuais e conteúdos distribuídos pela grade curricular do ensino médio e dos
vestibulares. São reportagens, artigos, infográficos, entrevistas, além de um blog com textos
sobre temas diversos. Nosso principal objetivo é oferecer um conteúdo relevante e em
linguagem acessível, que trata de assuntos de interesse dos principais vestibulares do país
(inclusive o da UNIVESP), dirigido a estudantes, a professores do ensino médio e a
vestibulandos.
Este plano de atividades interdisciplinares, voltado para o uso pedagógico no ensino
médio, contempla conteúdos da edição atual, que tem como tema PRECONCEITO. Nosso
objetivo é incentivá-lo a utilizar a revista Pré-UNIVESP nas atividades escolares da sala de aula.
Ao final do plano de atividades, reunimos exercícios complementares, relacionados ou
não às abordagens da revista.
Para a produção dos planos de atividades, contamos com a assessoria de professores de
diversas áreas do ensino médio. Eles são publicados sempre na última semana do mês, no
fechamento da edição da revista. Esperamos que o trabalho escolar promova reflexão e
aprofundamento sobre os temas tratados, por meio da ação mediadora do professor, sem
prescindir de outros materiais fundamentalmente didáticos e das conexões entre as diversas
áreas do conhecimento.

Equipe Pré-UNIVESP
Proposta Interdisciplinar Pré-UNIVESP
Edição 50 – PRECONCEITO

Assessoria Pedagógica
 Bruno Aranha
 Cristiane Imperador
 Douglas Gouvea
 Eline Dias Moreira
 Márcia Azevedo Coelho

Ilustrações
 Matheus Vigliar
 Bruna Garabito
 Charles Rubin

Textos utilizados
 As razões e origens do preconceito, de Chris Bueno.
 Preconceito linguístico: entrevista com Maria Marta Pereira Scherre sobre
preconceito linguístico, variação linguística e ensino, por Jussara Abraçado.
 Síndrome de Down: As armadilhas do desconhecido, por Daniela Klébis e Charles
Rubin.

Disciplinas envolvidas
 Língua Portuguesa
 História
 Matemática
 Biologia

Recursos
 Textos impressos
 Revistas
 Papel Kraft
 Caneta esferográfica,
 Cola, tesoura,
 Massa de modelar,
 Papel cartão ou papelão (prancha para o modelo de massa de modelar)
 Computador ou celular
INTRODUÇÃO

O preconceito perpassa a história da humanidade. O estranhamento entre os seres


humanos sempre existiu e ainda está presente em nossa cultura. Há vários tipos de
preconceito: religioso, econômico, social, linguístico, dentre outros. Inúmeras ações são
tomadas na tentativa de erradicar os diferentes tipos de preconceito e um dos meios para
combatê-lo é a educação que pressupõe a compreensão do mundo, de suas diferenças e a
garantia da igualdade de direitos.
Abordar o preconceito, de acordo com diferentes perspectivas: histórica, biológica,
linguística e cultural, contemplando os conteúdos do ensino médio, é um dos objetivos deste
plano de atividades da revista Pré-UNIVESP, edição 50.
O plano incialmente propõe uma reflexão acerca do preconceito, em diferentes épocas
e incentiva a discussão do tema como um problema que impede o desenvolvimento humano e
social. Depois, sugerimos uma discussão em âmbito mais local com intuito promover a
seguinte reflexão: apesar de o Brasil ter avançado em relação à criminalização do racismo,
ainda há muito a ser feito.
Aspectos relacionados aos diferentes tipos de linguagem e às variações linguísticas
também são contemplados nas atividades, de modo a permitir que o estudante reconheça e
valorize a linguagem de seu grupo social e as diferentes variedades da língua portuguesa. O
objetivo é que o aluno compreenda que a norma culta é a variante de maior prestígio social,
mas que a língua comporta outras formas de expressão que devem ser valorizadas.
Em uma abordagem matemática foi proposto o conceito de correlação linear a fim de
verificar possíveis relações entre as variáveis “ser vítima de preconceito e ser preconceituoso
(a)”.
Sob o ponto de vista biológico, a partir da leitura e análise do infográfico “Síndrome de
Down - Armadilhas do desconhecido”, foi proposta discussão sobre preconceito envolvendo os
indivíduos com essa síndrome, caracterizada por uma série de sintomas e características
específicas. Em nível celular será analisado como e em que ponto ocorre a alteração que
resulta na trissomia do par 21. Por fim, os alunos serão instigados a montar uma pequena
cartilha para conscientizar a comunidade sobre a síndrome de Down.
Dessa forma, este plano de atividades procura estimular, a partir do trabalho com os
textos da revista Pré-UNIVESP, a construção do conhecimento interdisciplinar que objetiva a
reflexão sobre um tema que deve ser abordado com ênfase na educação básica. Ao trabalhar
com essa proposta, procuramos estimular a construção do conhecimento em espiral, que se
edifica segundo múltiplos olhares a respeito de determinado tema, a partir de diversas
estratégias e recursos que enriquecem o processo de ensino-aprendizagem.

Sondagem
 Inicie a aula perguntando o que os alunos pensam sobre preconceito. Peça que
apresentem exemplos de situações em que o preconceito esteja presente.

 Anote na lousa os relatos e proponha um debate em que as situações relatadas pelos


estudantes sejam avaliadas a fim de que todos possam se posicionar se há ou não preconceito
em cada situação.

 Exponha o significado da palavra preconceito apresentado no primeiro parágrafo do


texto “As razões e origem do preconceito”, de Chris Bueno: “(...) conceito ou opinião formados
antes de ter os conhecimentos adequados, ou opinião ou sentimento desfavorável concebidos
antecipadamente ou independente de experiência ou razão. A própria palavra já traz esse
conceito em sua formação: pré + conceito, ou seja, conceito formado previamente. Assim,
quando se julga uma pessoa antes mesmo de conhecê-la, isso já é uma forma de preconceito”.
 Dê prosseguimento ao debate indagando se os alunos já tiveram alguma atitude de
estranhamento, de preconceito com outras pessoas ou mesmo se já sofreram algum tipo de
discriminação.

 A partir das respostas, comente que o tema é algo corriqueiro em todos os tempos. A
questão do preconceito e do estranhamento entre os seres humanos sempre foi presente na
sociedade desde os primórdios. Sendo assim, contextualize o exemplo dos gregos que, na
Antiguidade, julgavam os outros povos que não pertenciam ao seu contexto cultural como
“bárbaros”. Como esses povos não falavam o idioma grego, apenas “balbuciavam” palavras
sem ser compreendidos e, por isso, eram julgados como povos inferiores e sem cultura.

 Cite exemplos sobre a temática do preconceito que tiveram repercussão na mídia,


como por exemplo, o caso dos refugiados sírios, vítimas de preconceito na Europa ou, no caso
brasileiro, o preconceito contra nordestinos por parte de pessoas da região Sudeste,
sobretudo após a última eleição presidencial.

 Professor, caso queira ampliar a discussão sobre a questão do grande fluxo


imigratório de refugiados a Europa, proponha à turma que assista ao programa
“Complicações”, da UNIVESP TV, no qual as pesquisadoras Larissa Leite, coordenadora do
Departamento de Proteção do Centro de Referência para Refugiados da Caritas,
Arquidiocese de São Paulo, e a demógrafa Marilia Quinaglia, do Núcleo de Estudos de
População da Universidade Estadual de Campinas (Nepo/Unicamp), explicam as razões e as
consequências das imigrações que ocorrem atualmente na Europa. O vídeo está disponível
em: http://pre.univesp.br/blogpre#.VghpMMtViko.

 Em seguida, peça para que os alunos busquem em dicionário físico ou virtual os


significados para a palavra “alteridade”.

 A partir das respostas, conclua dizendo que a construção de uma determinada


identidade passa pela questão da alteridade, ou seja, o “eu” somente pode ser construído em
confrontação com o “outro”. Utilizando os exemplos já elencados aqui, gregos se identificam
como gregos quando tomam contato com o “outro”.
Aprofundando o conceito I:
 Proponha a leitura do texto “As razões e origens do preconceito”, de Chris Bueno.
Depois da leitura, volte ao segundo parágrafo e destaque a afirmação:

O preconceito é um problema social muito grave. Existem casos extremos de violência,


como ocorreu com os judeus durante a Segunda Guerra Mundial e com os negros durante o
apartheid. No entanto, boa parte das atitudes preconceituosas se manifesta de forma
silenciosa e disfarçada. Juízos acerca de certos grupos de pessoas (como os homossexuais, por
exemplo) já existem a tanto tempo que muitas vezes são considerados naturais. E, por estarem
tão arraigadas na sociedade, é frequente que as pessoas não consigam reconhecer atitudes
preconceituosas em si mesmas e nos outros.

 Retome o debate iniciado na sondagem e enfatize que, possivelmente, alguns alunos


não reconheçam a si próprios como pessoas preconceituosas. A partir do trecho destacado do
texto (segundo parágrafo), exponha as ideias de dois sociólogos que tentaram explicar as
origens do preconceito na sociedade brasileira.

 Gilberto Freyre (1900-1987) dizia que, apesar das diferenças sociais, as diferentes
classes e raças conviviam sob uma relativa harmonia no Brasil. Já a visão de Florestan
Fernandes (1920-1995) caminha para outro sentido. Para ele, existe uma forma de preconceito
não declarada em nossa sociedade, que ele denomina como “racismo velado”.

 Proponha que assistam ao vídeo “Racismo à brasileira”, no qual o professor Luiz


Costa Pereira Júnior, em aula da disciplina Cultura Brasileira, do curso de Licenciatura em
Ciências Naturais e Matemática da UNIVESP, define o racismo no Brasil. O vídeo está
disponível no blog da Pré-UNIVESP e pode ser acessado pelo endereço:
http://pre.univesp.br/racismo-a-brasileira#.Vghl-MtViko.

 A partir das discussões promovidas pelo vídeo, questione a turma lançando as


seguintes questões:
1. Vocês conhecem algum caso de crime por racismo no Brasil?
2. Caso seja afirmativo, existiu punição para esses casos?

 Provavelmente, os alunos apontarão desde casos midiáticos até algum fato ocorrido
em seus próprios círculos sociais. Atente, por enquanto, para os casos midiáticos.

 Sendo assim, exponha as seguintes imagens para a turma:


Fonte: <http://www.pragmatismopolitico.com.br/2014/08/racismo-jogo-gremio-vs-santos.html>.
Acesso em: 15 set. 2015.

Fonte: <http://g1.globo.com/sao-paulo/noticia/2012/05/condenada-estudante-que-publicou-
mensagem-contra-nordestinos-em-sp.html>. Acesso em: 07 set. 2015.

 As imagens acima são referentes a casos de preconceito amplamente noticiados na


mídia. Provavelmente os alunos já tenham citados esses casos na aula. A primeira imagem faz
referência ao caso de Patrícia Moreira, torcedora do Grêmio, que proferiu xingamentos
racistas para o jogador Aranha, durante uma partida de futebol realizada em Porto Alegre/RS.
A segunda imagem se refere a um tweet de Mayara Petruso, estudante de Direito, após a
divulgação do resultado das eleições presidenciais de 2010, atribuindo a vitória de Dilma
Rousseff à ignorância do povo nordestino.
 Aprofunde os dois casos, relembrando da repercussão e o desfecho. Após a
exposição, lance as seguintes perguntas para a turma:
1. Retome a teoria de Gilberto Freyre e responda se, no Brasil, o convívio entre pessoas
diferentes é tão harmonioso como o autor apontava.
2. Agora, retome a teoria do “racismo velado”, de Florestan Fernandes, e analise se há
alguma conexão entre essa ideia e os casos de preconceito ocorridos recentemente.

 Professor, aproveite as respostas dos alunos para salientar que, se por um lado, a
nossa sociedade não é tão harmoniosa como apontava Freyre, por outro, o racismo velado
está deixando de ser tão velado nos dias de hoje. Comente que o uso intensivo da internet
está colaborando para essa mudança de paradigma, pois os casos expostos aqui, não teriam
tanta repercussão se tivessem ocorridos há vinte anos. Comente também que a legislação
brasileira está acompanhando essa evolução, pois é cada vez maior o número de casos de
preconceito nas redes sociais julgados pela justiça.

 Leia com os alunos o seguinte trecho do texto de Chris Bueno, que faz referência ao
sociólogo alemão Theodor W. Adorno e sua posição diante do que seria o preconceito:

É preciso reconhecer os mecanismos que tornam as pessoas capazes de cometer tais


atos, é preciso revelar tais mecanismos a eles próprios, procurando impedir que se tornem
novamente capazes de tais atos, na medida em que se desperta uma consciência geral acerca
desses mecanismos.

 Professor, faça a contextualização sobre quem era Adorno, comente que o autor
viveu durante o período de dominação nazista na Alemanha, o que exerceu influência
determinante em seus escritos. Enfatize sobre a possibilidade de o pensamento de Adorno
soar tão atual nos dias de hoje.

 Proponha as seguintes questões para a turma:


1. Existe alguma conexão entre as ideias do pensador citado no texto e os casos de
preconceito estudados aqui?
2. Como vocês apontariam essa conexão?

 Promova um debate entre os alunos a respeito das mudanças e permanências no que


concerne à temática do preconceito em nossa sociedade. Comente que, por meio do texto de
Chris Bueno e de suas referências a diversos pensadores do século XX, é possível notar
mudanças significativas a respeito de como o preconceito é tratado nos dias de hoje. Instigue-
os a perceber que a luta atual é no sentido de reconhecer os “mecanismos” do preconceito, tal
como apontava Adorno.

 Professor, caso queira aprofundar a discussão a respeito da teoria de Adorno, peça


que os alunos assistam ao vídeo do professor Leandro Karnal, no qual debate a atualidade
da dicotomia entre civilização e barbárie e questões de intolerância e preconceito existentes
em nossa sociedade.
Disponível em: https://www.youtube.com/watch?t=2&v=7PfKNbGetaM.

Ampliando o conceito I:
 Divida a turma em cinco grupos e solicite que, a partir do texto de Chris Bueno, do
vídeo com o prof. Leandro Karnal e das discussões realizadas em sala de aula, os alunos
realizem uma enquete com a comunidade escolar sobre preconceito. Os grupos deverão fazer
as mesmas perguntas para estratos determinados a seguir:

Grupo 1: meninas de 15 a 18 anos.


Grupo 2: meninos de 15 a 18 anos.
Grupo 3: funcionárias (adultas) da limpeza.
Grupo 4: funcionários (adultos) da limpeza.
Grupo 5: professoras
Grupo 6: professores
Grupo 7: meninas de 11 a 14 anos.
Grupo 8: meninos de 11 a 14 anos.

Perguntas:
1. Você já teve algum comportamento preconceituoso, mesmo sem querer?
a) Sim
b) Não

2. Você já foi vítima de preconceito?


a) Sim
b) Não
 Professor, após a realização das enquetes será necessário ensinar cada grupo a
tabular os dados e indicar como fazer o levantamento estatístico deles.

 Para tabular os dados pode-se utilizar o Excel para o cálculo da porcentagem relativa
dos respondentes SIM e dos respondentes NÃO. Depois disso, utilizar apenas as porcentagens
dos respondentes SIM.

 Trabalhar com o conceito matemático de correlação linear. Para tanto, os alunos


devem escolher as variáveis VÍTIMA DE PRECONCEITO e PRECONCEITUOSO(A) para realizar a
verificação do coeficiente de correlação entre as mesmas. Veja o modelo a seguir:

 O professor pode trabalhar o conceito dizendo que coeficiente de correlação é uma


forma de medir o grau de associação linear entre duas variáveis.

 Dada uma amostra com n pares de valores X e Y, para medir o grau de correlação
entre elas, calcula-se o coeficiente de correlação de Pearson.
 Em seguida, é necessário apresentar a Fórmula do Coeficiente de Correlação:

 X . Y
 X .Y  n
r
 2 (X )   2 (Y ) 2 
2

X   .Y  
 n  n 

Exemplo:
Vamos verificar se há correlação entre a taxa de mortalidade infantil e taxa de
analfabetismo no Brasil em 1997, por região brasileira.

Taxa de Taxa de
REGIÃO Mortalidade Analfabeti X.Y X2 Y2
Infantil (Xi) smo (Yi)
Norte 35,6 12,7 452,12 1267,36 161,29
Nordeste 59,0 29,4 1734,60 3481,00 864,36
Sudeste 25,2 8,6 216,72 635,04 73,96
Sul 22,5 8,3 186,75 506,25 68,89
Centro Oeste 25,4 12,4 314,96 645,16 153,76
 167,7 71,4 2905,15 6534,81 1322,26
Fonte: IBGE
 X  167,7  28123,29
2 2

 Y   71,4  5097,96
2 2

Substituindo na fórmula, os somatórios pelos totais já calculados:

167,7.71,4
2905,15 
r 5
 28123,29   5097,96 
6534,81   .1322,26 
5 
 5  

2905,15  2394,756
r
6534,81  5624,658. 1322,26  1019,592

510,394
r
910,152 . 302,668

510,394
r
524,856

r  0,9724

 O valor do r varia entre –1 e + 1, inclusive se o valor absoluto de r for maior do que 1,


você errou nos cálculos. Valores iguais a –1 ou a + 1 indicam que os pontos estão sobre uma
reta, isto é, a correlação é perfeita. Valores de r próximos de –1 ou + 1 indicam correlação
forte e valores de r próximos de zero indicam correlação fraca. O sinal r indica se a correlação
é positiva ou negativa.
 No caso do exemplo, o valor calculado de r é positivo e muito próximo de 1. Então
existe alta correlação positiva entre as variáveis. Isto significa que ocorrem mais mortes de
menores nas regiões que existe maior número de analfabetos.

 Professor, no caso da proposta do trabalho, a tabela ficará da seguinte forma:

 Vamos verificar se há correlação entre preconceito e diferença social no Brasil,


conforme resultado de enquete na escola.
Taxa SIM para Taxa SIM para
GRUPOS
preconceito preconceituoso X.Y X2 Y2
PESQUISADOS
(Xi) (Yi)
GRUPO 1
GRUPO 2
GRUPO 3
GRUPO 4
GRUPO 5
GRUPO 6
GRUPO 7
GRUPO 8

Fonte: dados de pesquisa

 A conclusão apresenta-se a seguir:


 O valor do r varia entre –1 e + 1, inclusive se o valor absoluto de r for maior do que
1, você errou nos cálculos. Valores iguais a –1 ou a + 1 indicam que os pontos estão sobre uma
reta, isto é, a correlação é perfeita. Valores de r próximos de –1 ou + 1 indicam correlação
forte e valores de r próximos de zero indicam correlação fraca. O sinal r indica se a correlação
é positiva ou negativa.

Com os dados tabulados, exponha-os em local visível na escola e/ou no site do colégio,
para que toda a comunidade escolar possa visualizar o resultado final.

Ampliando o conceito II
 Apresente aos alunos a entrevista “Preconceito linguístico: entrevista com Maria
Marta Pereira Scherre sobre preconceito linguístico, variação linguística e ensino” e solicite
que façam uma leitura atenta.

 Professor, para ler com proficiência, é preciso que o aluno se torne apto a
apreender a significação profunda do texto com que se defronta. Para isso, deve reconstruí-
lo e reinventá-lo, de acordo com a sua competência comunicativa, a ideologia, a cultura, o
aspecto psicológico e o gênero textual estudado.

 Após a leitura do texto, pergunte aos alunos se, associando o que já foi estudado
sobre o preconceito, conseguem definir o que é preconceito linguístico.
 Antes mesmo de trabalhar a interpretação do texto, apresente aos alunos a frase de
Aristóteles: “Somente o homem é um animal político, isto é, social e cívico, porque somente
ele é dotado de linguagem. A linguagem permite ao homem exprimir-se e é isso que torna
possível a vida social” (384-322 a.C).

 Peça aos alunos que, oralmente, estabeleçam uma relação entre as ideias
apresentadas pelo texto lido e a frase de Aristóteles.

 Professor, a partir da relação estabelecida, defina a linguagem como todo sistema


que, por meio da combinação e organização de sinais, permite ao homem expressar as suas
ideias, seus desejos, sentimentos, impressões etc. Destaque que, quando pensamos em
linguagem, o que vem a mente é a linguagem verbal. No entanto, deixe claro que a
linguagem apresenta um conceito bem mais amplo. Saliente que a linguagem pode ser fonte
de preconceito. Caso queira conhecer mais sobre o assunto, assista ao vídeo disponível em:
https://www.youtube.com/watch?v=cH9fTlHgne0.

 Releia o trecho da entrevista e proponha aos alunos, ainda que oralmente,


diferenciem língua de fala.

O preconceito linguístico tem a ver, essencialmente, com a língua falada. Então, quando
estamos falando de preconceito linguístico, não estamos pensando na escrita, que decorre do
ensino formal, não é dada por natureza, como é a capacidade de adquirir uma língua em
circunstâncias naturais, sem ensino formal, e a sua efetiva aquisição: não se conhece nenhum
ser humano que, inserido no seio da comunidade, não tenha adquirido um sistema linguístico e
que dele não seja senhor absoluto.

 Professor, destaque que a língua é um código verbal de determinada comunidade e


a fala é um uso individual do código verbal. Aproveite para lembrar que a língua não é
estática, mas um sistema dinâmico em constante transformação. Retome alguns termos que
foram muito utilizados em épocas passadas, mas que, atualmente, não são mais usados,
como vosmecê.
Aprofundando o conceito II
Pesquisa
 Solicite aos alunos que se dividam em grupos e façam uma pesquisa para
descobrirem quantas línguas são faladas no Brasil. Os alunos poderão fazer a pesquisa
utilizando o celular ou um computador com acesso à Internet.

 Feita a pesquisa, os grupos apresentarão as informações. Um grupo será responsável


por estruturar um cartaz que, posteriormente, será exposto nos corredores da escola para que
alunos de outros anos e séries possam ampliar o conhecimento a respeito das línguas que são
faladas no Brasil.

 Professor, informe que no Brasil, além do português, há, aproximadamente, 180


línguas indígenas faladas por 225 etnias. Dessas línguas, algumas são consideradas em
extinção, por serem faladas por menos de 500 pessoas.

Leitura e interpretação escrita


 Dando continuidade ao estudo do texto, apresente as questões enumeradas a seguir
e solicite que, organizados em grupos, os alunos redijam as respostas.

Questões
1. As informações sobre a entrevistada são importantes para a compreensão desse
texto?
2. Descreva a linguagem do texto de acordo com os seguintes quesitos:
a) vocabulário
b) dificuldade de compreensão
c) formalidade
3. De acordo com a entrevista, qual é a natureza do preconceito linguístico?
4. Segundo Maria Marta Pereira Scherre, o que provoca o preconceito linguístico? Por
quê?
5. Explique a afirmação.
O preconceito em relação a variedades menos prestigiadas é o mais comum, mas o
preconceito pode também existir em relação a variedades de grupos.

6. Qual é a posição de Maria Marta Pereira Scherre em relação ao preconceito


linguístico?
 Depois de responder as questões, os grupos compartilharão as respostas para
aprofundamento do estudo do texto.

 Professor, no momento em que os alunos apresentarem a resposta da terceira


questão, destaque que a concordância é um princípio linguístico que orienta a combinação
das palavras na frase. De acordo com a gramática normativa, a concordância é dividida em
verbal e nominal. Aproveite para retomar as regras básicas de concordância, de acordo com
a gramática normativa da língua portuguesa, que devem ser utilizadas pelos estudantes.

 Concluída a correção dos exercícios, ainda reunidos em grupos, os alunos formularão


uma solução para o seguinte problema: de que maneira o preconceito linguístico pode ser
combatido? Para apresentar a solução proposta, os estudantes deverão fazer uso de
diferentes linguagens. Poderão dramatizar a solução, elaborar uma música, fazer mímica etc.

Aprofundando o conceito III


 Apresente aos alunos a letra da composição Vozes da Seca, de Luiz Gonzaga e Zé
Dantas, citado Na entrevista com Marta Sherrer e (caso tenha computador e projetor)
proponha que assistam a um clip da composição, disponível no Youtube.

Vozes da Seca (Luiz Gonzaga e Zé Dantas)


Seu doutô os nordestino têm muita gratidão
Pelo auxílio dos sulista nessa seca do sertão
Mas doutô uma esmola a um homem qui é são
Ou lhe mata de vergonha ou vicia o cidadão

É por isso que pidimo proteção a vosmicê


Home pur nóis escuído para as rédias do pudê
Pois doutô dos vinte estado temos oito sem chovê
Veja bem, quase a metade do Brasil tá sem cumê
Dê serviço a nosso povo, encha os rio de barrage
Dê cumida a preço bom, não esqueça a açudage

Livre assim nóis da ismola, que no fim dessa estiage


Lhe pagamo inté os juru sem gastar nossa corage
Se o doutô fizer assim salva o povo do sertão
Quando um dia a chuva vim, que riqueza pra nação!
Nunca mais nóis pensa em seca, vai dá tudo nesse chão
Como vê nosso distino mercê tem nas vossa mãos
(Vozes da Seca de Luiz Gonzaga e Zé Dantas - BMG, 2000)
 Divida a turma em grupos, peça que discutam sobre as seguintes questões e que
fundamentem por escrito o ponto de vista do grupo sobre elas.

Questões
1. Na letra da música, os compositores cometem muitos desvios em relação à norma
padrão da língua. Você acredita que cotidianamente eles falem da forma como registraram na
letra?
2. Tendo em vista que a variação linguística ocorre tanto em função de fatores inerentes
ao usuário da língua quanto em função da situação de comunicação em que ele se encontra,
explique por que os compositores optaram por essa forma de realização da língua em
detrimento da norma culta?

 Professor, caso perceba a necessidade, explique que há basicamente duas


dimensões que possibilitam a variação na língua, uma que se relaciona à situação do falante
- idade, profissão, posição social, escolaridade, local regional em que vive - e outra
relacionada à situação de comunicação - ambiente, tema, grau de intimidade entre os
falantes- (PRETI, 1994).

3. Identifique a figura de linguagem que constitui o título da composição “Vozes da


Seca”.
4. Quem são as vozes da seca? Levante hipóteses sobre o porquê da escolha de “vozes
da seca”. Essa escolha reduz ou amplia o sujeito do discurso? Explique sua resposta.
5. Levando em conta a entrevista de Marta Sherrer, você afirmaria que as pessoas que
falam da forma como essas vozes da seca não “sabem português”? Justifique a sua resposta.

 Professor, explique que, para os linguistas, quando falamos ou escrevemos,


revelamos, via de regra, nossa origem, a época em que vivemos, o universo social em que
estamos inseridos e como desejamos nos relacionar com nossos interlocutores.

6. O que a forma de “falar”, representada na composição, revela acerca do locutor e do


grupo que ele representa?
7. O locutor da composição está dirigindo o seu discurso a uma pessoa específica. Essa
pessoa tem a mesma condição social de quem fala? Justifique sua resposta.
8. A partir do que você respondeu na questão 7, é possível afirmar que o título
acadêmico “doutor”, utilizado como pronome de tratamento, revela mais do que o seu uso
prescritivo da língua? O que revela o uso de doutor como pronome de tratamento em Vozes
da Seca?

 Professor, comente que o uso do “Dr.” atribuído a pessoas que não possuem o
título acadêmico é um comportamento do Brasil Colonial, que tinha como objetivo enaltecer
os mais ricos e instruídos e, ao mesmo tempo, rebaixar os demais. Caso queira promover
uma reflexão sobre esse assunto com a turma, apresente o texto Doutor Advogado e Doutor
Médico: até quando?, da repórter Eliane Brum, que pode servir como elemento disparador
para a discussão. Disponível em: http://revistaepoca.globo.com/Sociedade/eliane-
brum/noticia/2012/09/doutor-advogado-e-doutor-medico-ate-quando.html. Acesso em 15
set. 2015.

 Após a atividade em grupo, promova uma roda de discussão sobre as questões. Peça
que cada grupo apresente suas conclusões e interfira de modo a ampliar os conceitos sobre
variação linguística e preconceito. Comente que o uso que fazemos da língua não é neutro, já
que a língua “encerra valores, crenças, ideologias. É por esse motivo que uma simples escolha
lexical pode ter mais peso do que supomos” (CALBUCCI, 2010).

Aprofundando o conceito IV
 Solicite aos mesmos grupos que:
1. Transcrevam a composição Vozes da Seca, adequando-a, segundo a norma padrão.
2. Escrevam um parágrafo posicionando-se sobre esse tipo de adequação. Se o grupo
considerou pertinente, se há perdas e ganhos, em quais sentidos etc.
3. Façam uma tabela elencando os tipos de desvios lexicais e sintáticos presentes na
composição original.
4. Releiam a entrevista de Marta Scherrer e comparem os desvios que ela cita na
entrevista (como mais recorrentes) com os presentes na composição.
5. Expliquem a lógica que sustenta cada um dos desvios presentes da composição.
6. Pesquisem o conceito de gramática e respondam se é possível afirmar que a variante
popular utilizada em Vozes Secas foge aos preceitos gramaticais. Justifiquem suas respostas.

 Promova uma discussão sobre as respostas e, a partir dos apontamentos feitos pelos
estudantes nas questões 3 e 4, monte um quadro com a turma estabelecendo a lógica
linguística que sustenta cada um dos desvios da composição em relação à norma culta.
Aproveite as respostas dadas para aprofundar os conhecimentos sobre as gramáticas
normativa e prescritiva ou descritiva.

 Professor, explique que a composição Vozes da Seca apenas simula, mas que não é
uma transcrição de fala, já que a situação de fala, além de contar com todo um contexto
situacional, apresenta muitas marcas ausentes na composição.

Ampliando o conceito III


Apresente aos alunos o infográfico “Síndrome de Down - As armadilhas do desconhecido”, de
Daniela Klébis e Charles Rubin.

 Após a leitura, pergunte para os alunos se algum deles conhece alguma pessoa com
síndrome de Down. Se sim, pergunte se esses indivíduos são ativos profissionalmente e
socialmente. Em seguida, questione: por que mesmo assim, ainda existe preconceito na
sociedade para o indivíduo com a Síndrome?

 Professor direcione a discussão enfatizando que o indivíduo com a síndrome de


Down pode ter uma profissão e que suas habilidades sociais e emocionais estão preservadas.
Que o preconceito existente é decorrente de informações erradas veiculadas pela mídia ou
por indivíduos sem conhecimento.

 O infográfico deixa claro que essa síndrome é resultado de uma trissomia no par de
cromossomos número 21. A partir dessa informação retome alguns conceitos envolvendo
citologia e genética.
Aprofundando o conceito V:
 Enfatize a importância das definições de cromossomos e genes. Como sugestão para
retomar esses conceitos e aplicá-los, em sala de aula, monte um cariograma de um ser
humano saudável e de um ser humano com síndrome de Down. Deixe claro que esse processo
é um dos modos de diagnosticar quaisquer alterações cromossômicas nos humanos.

Cariótipo de indivíduo com síndrome de Down (fonte: <http://www.downmx.com/wp-


content/uploads/2009/06/trisomia.jpg>, acesso em 01/10/15 às 17:12)

 Professor, esse processo deve ocupar uma aula de 50 minutos. Antes de finalizar,
questione os alunos sobre o porquê dessa trissomia ocorrer. Peça, como tarefa para casa,
uma pequena pesquisa sobre as causas desse erro na separação dos cromossomos.

 No início dessa aula retome a pergunta realizada sobre a causa da trissomia e


direcione a discussão para a divisão celular meiótica. Retome as diversas etapas e principais
características de cada fase.
 Para tornar o processo de aprendizado do ciclo mais palpável, divida os alunos em
grupos (em média quatro alunos) e solicite que cada grupo monte um modelo de massinha das
diversas etapas de um processo meiótico normal. Peça para que os alunos apontem quais as
possíveis causas da trissomia em cada modelo.
 Retome os conceitos de fecundação e aponte as diferenças entre uma fecundação
entre gametas com 23 cromossomos, entre um gameta com 23 cromossomos e outro com 24
cromossomos (com 2 cromossomos correspondentes ao par 21).
 Professor, retome os três tipos de síndrome de Down existentes a partir do
infográfico.

Aprofundando o conceito VI.


 Para aprofundar o entendimento da síndrome de Down em seus aspectos biológicos,
psicológicos e sociais, proponha que a sala escreva uma pequena cartilha sobre o transtorno.
Uma sugestão de sessões para essa cartilha seria:
o O que é a síndrome de Down?
o Tipos de trissomia.
o Quais são as alterações fisiológicas e psicológicas (diagnóstico)?
o Inserção do indivíduo na sociedade: âmbito profissional e social.
o Atenção à saúde da pessoa com síndrome de Down.

 Professor, a cartilha pode ser distribuída para a comunidade (alunos, pais,


professores e funcionários). A conscientização e o conhecimento é a maior ferramenta para
combater o preconceito.

Cartaz do filme “Colegas” (fonte: <http://www.adorocinema.com/filmes/filme-


209826/fotos/detalhe/?cmediafile=20421605>, acesso em: 01/10/15 às 17:18).
 Professor, para enriquecer a discussão sobre síndrome de Down e a inclusão do
indivíduo na sociedade indique ou assista com os alunos o filme "Colegas", do diretor
Marcelo Galvão (2013), vencedor de prêmios nacionais e internacionais. Vale ressaltar que
os protagonistas são indivíduos com síndrome de Down e a história reflete sua busca de
realizar desejos simples de suas vidas.

Produção de texto
 Depois de estudar o tema preconceito do ponto de vista linguístico, histórico, literário,
biológico e matemático, os estudantes produzirão um vídeo argumentativo de
aproximadamente três minutos sobre preconceito linguístico.

Elaboração
 Solicite aos alunos que se organizem em grupos.
 Apresente aos alunos a entrevista realizada pela TV Univesp com o prof. Ataliba
Castilho, disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=DROHTF4iaiQ.
 A partir da análise do vídeo, cada grupo deverá elaborar argumentos acerca do
preconceito linguístico em relação à língua. Os argumentos serão estruturados em linguagem
verbal.

 Professor, oriente os alunos a fundamentarem o ponto de vista adotado,


contribuindo assim para uma discussão esclarecedora sobre o assunto. Destaque que, por se
tratar de um gênero argumentativo, o ponto de vista apresentado deverá ser coerente.

 Depois de redigidos, os argumentos serão corrigidos pelo professor. Os alunos


deverão reescrevê-los de acordo com as indicações.

 Oriente os alunos a se dividirem para realizarem a atividade proposta. Um estudante


será responsável por gravar o vídeo e outro por filmar. Outro aluno será responsável pela
edição do material.

 Peça aos alunos que procurem um local adequado e que gravem o vídeo. Durante a
gravação, os alunos deverão observar a interferência de iluminação e ruídos externos que
podem prejudicar a qualidade do material gravado.
 Depois de prontos e editados os vídeos serão apresentados para a turma. Comente
cada um deles a fim de alinhar os conceitos e proponha aos autores dos vídeos mais
adequados que os postem no Youtube.

 Convide as outras turmas da escola para assistirem os vídeos para conhecer sobre o
assunto trabalhado.

Habilidades trabalhadas
 Combinar o que está explícito e implícito em um texto para dar a ele significado.
 Conferir sentido aos textos lidos.
 Compreender a língua como processo de produção e negociação de sentidos.
 Reconhecer a linguagem como atividade humana e aspecto importante para a
construção do conhecimento.
 Compreender a língua como conjunto de variedades que refletem e participam na
construção da identidade de grupos sociais.
 Reconhecer a capacidade de transitar por diferentes variedades linguísticas como um
fator de competência linguística.
 Fazer antecipações sobre as variedades linguísticas mais adequadas a diferentes
contextos de uso.
 Reconhecer e valorizar a linguagem de seu grupo social e as diferentes variedades da
língua portuguesa, procurando combater o preconceito linguístico.
 Identificar a relação entre preconceitos sociais e usos linguísticos.
 Reconhecer os procedimentos necessários para construção de argumentação
consistente.
 Identificar os dados presentes no texto.
 Compreender a importância dos cálculos matemáticos utilizados em operações
básicas e chegar aos resultados esperados.
 Utilizar conceitos de expressão algébrica.
 Manusear a calculadora simples.
 Descrever, interpretar e analisar os dados e resultados obtidos.
 Comunicar os resultados matemáticos a outras pessoas.
 Interpretar dados matemáticos à luz do coeficiente de correlação linear.
 Concluir a investigação proposta.
Atividades complementares

1. (Unioeste 2011) “Na segunda metade do século XX, a tendência à superação das ideias
racistas permitiu que diferentes povos e culturas fossem percebidos a partir de suas
especificidades. Grupos de negros pressionaram pela adoção de medidas legais que
garantissem a eles igualdade de condições e combatessem a segregação racial. Chegamos
então ao ponto em que nos encontramos, tendo que tirar o atraso de décadas de descaso por
assuntos referentes à África”.
Marina de Mello e Souza. A descoberta da África. RHBN, ano 4, n. 38, novembro de 2008, p.72-
75.

A partir deste texto e do conhecimento da sociologia a respeito da questão racial em nosso


país, é possível afirma que

a) autores como Gilberto Freyre, Florestan Fernandes, Fernando Henrique Cardoso, Darcy
Ribeiro, entre outros tantos autores, são importantes por chamarem a atenção do país para o
papel dos negros na construção do Brasil e da brasilidade, e as formas de exclusão explícitas e
implícitas que sofreram.
b) apesar de relevante a luta contra o preconceito racial, o estudo da África só diria respeito ao
conhecimento do passado, do período do Descobrimento do Brasil até a abolição da
escravidão entre nós.
c) estudar a África só nos indicaria a captura e a escravidão de diferentes povos africanos,
tendo em vista que raça e o racismo são categorias ideológicas as quais servem para encobrir
as fortes tensões sociais existentes entre a imensa classe de pobres e o seu oposto a dos ricos.
d) a autora quer dizer que devemos hoje operar cada vez mais com categorias tais como a
especificidade da raça negra, da raça branca, da raça amarela e outras mais.
e) nenhuma das alternativas está correta.

2. (UERJ 2013)
Ano 5, n. 15, ano 2012

No último quadro, a fala da minhoca revela uma reação comum das vítimas de discriminação.

Essa fala deixa subentendida a intenção da personagem de:

a) atacar o opressor com alguma iniciativa


b) questionar a razão de vários preconceitos
c) aceitar sua condição de certa inferioridade
d) transferir seu problema para outro grupo
3. (Unicamp 2014) O termo “bárbaro” teve diferentes significados ao longo da história. Sobre
os usos desse conceito, podemos afirmar que:

a) Bárbaro foi uma denominação comum a muitas civilizações para qualificar os povos que não
compartilhavam dos valores destas mesmas civilizações.
b) Entre os gregos do período clássico o termo foi utilizado para qualificar povos que não
falavam grego e depois disso deixou de ser empregado no mundo mediterrâneo antigo.
c) Bárbaros eram os povos que os germanos classificavam como inadequados para a conquista,
como os vândalos, por exemplo.
d) Gregos e romanos classificavam de bárbaros povos que viviam da caça e da coleta, como os
persas, em oposição aos povos urbanos civilizados.

4. (UFF 2010) – A conquista da América pelos europeus foi uma tragédia sangrenta. A ferro e
fogo! Era a divisa dos cristianizadores. Mataram à vontade, destruíram tudo e levaram todo
ouro que havia. Outro espanhol, de nome Pizarro, fez no Peru coisa idêntica com os incas, um
povo de civilização muito adiantada que lá existia. Pizarro chegou e disse ao imperador inca
que o papa havia dado aquele país aos espanhóis e ele viera tomar conta. O imperador inca,
que não sabia quem era o papa, ficou de boca aberta, e muito naturalmente não se submeteu.
Então Pizarro, bem armado de canhões conquistou e saqueou o Peru.
– Mas que diferença há, vovó, entre estes homens e aquele Átila ou aquele Gengis-Cã que
marchou para o ocidente com os terríveis tártaros, matando, arrasando e saqueando tudo?
– A diferença única é que a história é escrita pelos ocidentais e por isso torcida a nosso favor.
Vem daí considerarmos como feras aos tártaros de Gengis-Cã e como heróis com monumentos
em toda parte, aos célebres “conquistadores” brancos. A verdade, porém, manda dizer que
tanto uns como outros nunca passaram de monstros feitos da mesmíssima massa, na
mesmíssima forma. Gengis-Cã construiu pirâmides enormes com cabeças cortadas aos
prisioneiros. Vasco da Gama encontrou na Índia vários navios árabes carregados de arroz,
aprisionou-os, cortou as orelhas e as mãos de oitocentos homens da equipagem e depois
queimou os pobres mutilados dentro dos seus navios. (Monteiro Lobato, História do mundo
para crianças. Capítulo LX)

O texto de Monteiro Lobato expressa a dificuldade de definirmos quem é civilizado e quem é


bárbaro. Mas isso à parte, pensando a atuação europeia nos séculos XVI e XVII nas áreas
americanas, um número razoável dessas visões equivocadas justificou o avanço espanhol e a
destruição dos astecas, maias e incas explicados por:

a) necessidades sociais impostas pelas características culturais do território espanhol e pela


presença muçulmana que limitava as condições de enriquecimento da monarquia, levando à
conquista da América e à constituição de uma base política iluminista.
b) necessidades religiosas decorrentes da perda de poder da Igreja Católica frente ao avanço
das reformas protestantes e das alianças com as potências ibéricas para estabelecer o Império
da Cristandade, baseado na Escolástica.
c) necessidades políticas oriundas das tensões na Península Ibérica que levaram a Espanha a
organizar o processo de conquista do Novo Mundo como única alternativa para sua unidade
política, utilizando para isso o apoio do Papado e da França de Francisco I.
d) necessidades econômicas provenientes da divisão do território espanhol, fruto da
diversidade cultural e étnica, e das disputas pelo poder entre Madri e Barcelona, ampliadas
pelas vitórias portuguesas na África e na Ásia e pelo desenvolvimento da economia do açúcar
no Brasil.
e) necessidades econômicas, políticas e religiosas dos recém-centralizados estados modernos,
através do mercantilismo metalista que inundou a Europa de prata e de ouro, levando em
seguida a uma revolução nos preços, que provocou inflação, e ao avanço de novas formas de
desenvolvimento da agricultura.

5. (UFTM 2013) Leia a tira a seguir.

Os dialetos estão relacionados às variedades linguísticas próprias de uma região ou território


Sobre a tira, analise as afirmativas.
I - Pode-se identificar, no último quadrinho, a fala de um nordestino, exemplo de variedade
linguística regional.
II - É apresentada uma visão estereotipada de uma fala que suprime, quase sempre, as sílabas
finais das palavras.
III - A fala no último quadrinho retoma o exemplo dado no terceiro quadrinho, tornando-se
mais inteligível.
IV - O produtor da tira usou seu conhecimento das variedades linguísticas existentes entre as
regiões do país para produzir efeitos de humor.

Estão corretas as afirmativas


a) I, II e III, apenas.
b) II, III e IV, apenas.
c) I, III e IV, apenas.
d) II e IV, apenas.
e) I, II, III e IV.

6. (UFTM – 2013) Sobre variedades e registros de linguagem, assinale a afirmativa INCORRETA.


a) Preconceito linguístico é o julgamento negativo dos falantes em função da variedade
linguística que utilizam.
b) A maior ou menor proximidade entre os falantes faz com que usem variedades mais ou
menos formais, denominadas registros de linguagem.
c) Diferenças significativas nos aspectos fonológicos e morfossintáticos da língua marcam as
variedades sociais, seja devido à escolaridade, à faixa etária ou ao sexo.
d) Norma culta ou padrão é a denominação dada à variedade linguística dos membros da
classe social de maior prestígio, que deve ser utilizada por todos da mesma comunidade.
e) Gíria ou jargão é uma forma de linguagem baseada em vocabulário criado por um grupo
social e serve de emblema para os membros do grupo, distinguindo-os dos demais falantes da
língua.
7. (Enem 2010) Leia o texto.

S.O.S Português
Por que pronunciamos muitas palavras de um jeito diferente da escrita? Pode-se
refletir sobre esse aspecto da língua com base em duas perspectivas. Na primeira
delas, fala e escrita são dicotômicas, o que restringe o ensino da língua ao código. Daí
vem o entendimento de que a escrita é mais complexa que a fala, e seu ensino
restringe-se ao conhecimento das regras gramaticais, sem a preocupação com
situações de uso. Outra abordagem permite encarar as diferenças como um produto
distinto de duas modalidades da língua: a oral e a escrita. A questão é que nem
sempre nos damos conta disso.

S.O.S Português. Nova Escola. São Paulo: Abril, Ano XXV, nº- 231, abr. 2010
(fragmento adaptado).

O assunto tratado no fragmento é relativo à língua portuguesa e foi publicado em uma revista
destinada a professores. Entre as características próprias desse tipo de texto, identificam-se
marcas linguísticas próprias do uso

a) regional, pela presença do léxico de determinada região do Brasil.


b) literário, pela conformidade com as normas da gramática.
c) técnico, por meio de expressões próprias de textos científicos.
d) coloquial, por meio do registro de informalidade.
e) oral, por meio do uso de expressões típicas da oralidade.

8. (Enem 2012) Leia:

eu gostava muito de passeá… saí com as minhas co lgas… brincá na porta di casa di vôlei…
andá de patins… bicicleta… quando eu levava um tombo ou outro… eu era a::… a palhaça da
turma… ((risos))… eu acho que foi uma das fases mais… assim… gostosas da minha vida foi…
essa fase de quinze… dos meus treze aos dezessete anos…

A.P.S., sexo feminino, 38 anos, nível de ensino fundamental. Projeto Fala Goiana, UFG. 2010
(inédito).
Um aspecto da composição estrutural que caracteriza o relato pessoal de A.P.S. como
modalidade falada da língua é:

a) predomínio de linguagem informal entrecortada por pausas.


b) vocabulário regional desconhecido em outras variedades do português.
c) realização do plural conforme as regras da tradição gramatical.
d) ausência de elementos promotores de coesão entre os eventos narrados.
e) presença de frases incompreensíveis a um leitor iniciante.

9. A alternativa que corresponde ao valor do coeficiente de correlação entre as variáveis:

X 10 20 30 40 50 60
70

Y 6 12 17 24 31 35
42
a) 0,0046
b) 0,8900
c) 0,9986
d) 1,0000
e) 1,0202

10. Os dados a seguir correspondem à variável renda familiar e gasto com alimentação (em
unidades monetárias) para uma amostra de 25 famílias.

Renda Familiar (X) Gasto com Alimentação (Y)

3 1,5

5 2,0

10 6,0

10 7,0

20 10,0

20 12,0

20 15,0

30 8,0

40 10,0

50 20,0

60 20,0

70 25,0

70 30,0

80 25,0

100 40,0

100 35,0

100 40,0

120 30,0

120 40,0

140 40,0

150 50,0

180 40,0

180 50,0
200 60,0

200 50,0

Assinale a alternativa correta quanto ao coeficiente de correlação entre essas duas variáveis:
a) 0,954
b) 0,985
c) 0,987
d) 0,992
e) 0,993

Gabarito:
1D
2D
3A
4E
5D
6D
7C
8A
9.C
10.A