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UNIVERSIDADE FEDERAL DO PAMPA

CURSO DE ENGENHARIA DE ALIMENTOS


BA000305 – FENÔMENOS DE TRANSPORTE II

DETERMINAÇÃO DA DIFUSIVIDADE MÁSSICA DA ACETONA NO AR

Andressa Lima Gonçalves – 151150784


Thyago Thomé do Amaral Santiago – 151150141

Bagé, 21 de novembro de 2017.


INTRODUÇÃO

Transferência de massa é um fenômeno que descreve o movimento relativo de espécies em


uma mistura, devido a formação de gradientes de concentração que fornece o potencial motriz para
o transporte destas espécies (INCROPERA et. al., 2008).
A diferença de concentração destas espécies promove o transporte de uma dada espécie
química de uma região à outra de um sistema (FERNANDES, 2012).
De acordo com a segunda lei da termodinâmica, que estabelece que sempre haverá fluxo de
matéria de uma região de maior à outra de menor concentração de uma determinada espécie
química, em virtude do gradiente de concentração estabelecido entre os meios, que promove o
transporte das espécies químicas devido às interações moleculares (FERNANDES, 2012).
Este transporte pode ocorrer por duas diferentes formas, por convecção mássica, devido ao
movimento de partes do fluido ou por difusão molecular, através do movimento aleatório das
moléculas. Por difusão, o transporte ocorre em nível molecular e a força motriz é o próprio
gradiente de concentração formado, onde pode-se observar resistência relacionada com a interação
soluto/meio. Já por convecção mássica, o transporte se dá em nível macroscópico, a força motriz é a
diferença de concentração e a resistência esta associada com a interação soluto/meio mais a ação
externa (FERNANDES, 2012).
A taxa de difusão é maior em gases, devido ao maior espaçamento observado entre as
moléculas, facilitando assim o processo difusivo. Assim sendo, a difusão ocorre com mais
facilidade nos gases quando comparados com líquidos, e com mais facilidade em líquidos
comparados a sólidos (INCROPERA et. al., 2008).
A grandeza que mede a intensidade da transferência de massa no fenômeno da difusão é o
coeficiente de difusividade ou coeficiente de difusão, DAB, onde, para a difusão de A em B, este
coeficiente determina a capacidade de uma substância A se difundir em uma substância B, e
depende de variáveis como pressão, temperatura e composição do sistema (FERNANDES, 2012).
Pode-se dizer que o coeficiente de difusão (DAB) calcula a “facilidade” com a qual o
componente A é transportado em um componente B. Este coeficiente de difusividade pode ser
determinado experimentalmente e através da utilização da Equação de Chapman-Enskog que é um
método prático de determinação de difusividades de vapores. (ALMEIDA, et. al., 2011).

MATERIAIS E MÉTODOS

Os materiais utilizados foram: célula de Arnold, coluna de desumidificação, bolhômetro,


acetona, régua graduada, lupa e cronômetro.
Foi utilizado um aparato experimental (célula de Arnold), que constava de um capilar de
vidro com acetona líquida, preso em um suporte, com a extremidade conectada a um tubo em T, por
onde uma corrente de ar isenta de acetona passava continuamente, gerada por um compressor e cuja
vazão foi ajustada para que fosse a menor possível a fim de não gerar fenômenos de turbulência no
interior do tubo. A Figura (1) ilustra de forma simplificada o aparato experimental.

Figura 1: Esquematização simplificada do aparato experimental.


Fonte: Autores, 2017.
O experimento foi realizado em uma temperatura de 30 °C e foi observado, com o auxilio de
uma lupa, o deslocamento do nível de acetona no capilar ao decorrer do tempo como mostra a
Tabela 1.

Tabela 1: Deslocamento do capilar em relação ao tempo.

Altura (cm) Tempo (s)


3 0
2 2889

METODOLOGIA DE CÁLCULO

Para a realização dos cálculos para obter a difusividade mássica, foi utilizado um modelo
experimental efetuado por meio da Equação 1:
.

(1)
𝜌𝐴 1 𝑧 2 − 𝑧02
𝐷𝐴𝐵 = .[ ].[ ]
𝑀𝐴 . 𝐶. 𝑡 ln (1−𝑦𝐴𝑍) 2
1−𝑦 𝐴0

Onde a concentração global é descrita pela Equação 2:

𝑃 (2)
𝐶=
𝑅. 𝑇

A relação entre a composição da acetona no sistema vapor e a pressão do sistema é dada


pela Equação 3:

𝑃𝐴𝑣 (3)
𝑦𝐴0 =
𝑃

A expressão matemática apresentada na Equação 4 descreve a pressão de Antoine depende


de três parâmetros, esses são encontrados na literatura e dependem do soluto e da temperatura.

𝐵 (4)
ln 𝑃𝐴𝑣 = 𝐴 −
𝑇+𝐶
Para estimar a difusividade mássica da acetona em diferentes temperaturas utilizou-se a
Equação 5 de Chapman-Enskog:

3⁄ (5)
1,858𝑥10−3 . 𝑇 2
. 1 1
𝐷𝐴𝐵 = 2 √ +
𝑃. 𝜎𝐴𝐵 . Ω𝐴𝐵 𝑀𝐴 𝑀𝐵

Fazendo uma razão entre duas difusividades mássicas em diferentes temperaturas obtêm-se a
Equação 6:
3⁄ (6)
𝐷𝐴𝐵 (𝑇1 ) 𝑇 2
= 13
𝐷𝐴𝐵 (𝑇2 ) ⁄
𝑇2 2
Para o calculo do erro relativo foi utilizada a Equação 7:

|𝐷𝐴𝐵,𝑒𝑥𝑝 − 𝐷𝐴𝐵,𝑡 | (6)


𝐸𝑅 (%) = 𝑥100
𝐷𝐴𝐵,𝑡

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Utilizando a equação (1), foi possível determinar o valor experimental do coeficiente de


difusão da Acetona a 30°C em um sistema binário acetona/ar, na sequência, fazendo uso da relação
representada pela equação (6), foi possível obter o valor teórico do DAB tendo como base de
referência o valor apresentado na literatura (INCROPERA) a 273K, sendo assim, foram obtidos os
valores apresentados na Tabela 2.

Tabela 2: Coeficiente de difusão da Acetona no ensaio a 30°C.

DAB experimental DAB teórico


(m2/s) (m2/s)
9,475.10-6 1,286.10-5

Em seguida foram determinados os valores teóricos e experimentais para as temperaturas de


15°, 25° e 45°C de acordo com a relação representada na equação (6), visto nas tabelas (3) e (4).

Tabela 3: Relação dos coeficientes de difusão experimentais de acordo com a temperatura.

Temperatura (K) DAB experimental (m2/s)


288 8,780.10-6
298 9,241. 10-6
318 1,018. 10-5

Tabela 4: Relação dos coeficientes de difusão teóricos de acordo com a temperatura.

Temperatura (K) DAB teórico (m2/s)


288 1,191.10-5
298 1,254.10-5
318 1,382.10-5

Com a finalidade de comparar com os valores da difusividade mássica da acetona no ar


obtidos experimentalmente com os descritos na literatura, foi realizado o calculo do erro relativo
existente entre eles de acordo com a relação representada pela Equação 7, visto na Tabela 5.

Tabela 5: Erro relativo aos valores teóricos e experimentais.

Temperatura (K) Erro (%)


288 26,28
298 26,30
303 26,32
318 26,33
O coeficiente de difusividade ainda é um parâmetro de difícil mensuração, mesmo com o
aparato tecnológico disponível nos dias de hoje. Portanto, um erro médio de 26,30% entre as
distintas técnicas matemáticas usadas consiste em um prognóstico dentro da normalidade.

Para a determinação da difusividade mássica da acetona a 30°C em ar, sob condições pseudo
estacionárias, considerando gás ideal e camada estagnante, utilizou-se uma lei quantitativa na forma
de equação diferencial que descreve diversos casos de difusão de matéria, denominada Lei de Fick,
representada na Equação 8.

𝑁𝐴 = −𝐷𝐴𝐵 . ∇𝐶𝐴 . (8)

No qual o fluxo total de massa é a soma do fluxo de massa por difusão e o fluxo de massa
por convecção, conforme representado na Equação 9.

𝑑𝐶𝐴 (9)
𝑁𝐴 = 𝐷𝐴𝐵 . + 𝑦𝐴 . (𝑁𝐴 + 𝑁𝐵 )
𝑑𝑥

Considerou-se o fluxo de massa de ar é muito pequeno, devido à camada estagnante,


assumindo que o mesmo é igual à zero.

Utilizando- se do fundamento de gás ideal, a concentração pode ser descrita conforme


Equação 10.

𝐶𝐴 = 𝐶 . 𝑦𝐴 (10)

CONCLUSÃO

A partir da metodologia e procedimento usado foi possível realizar o cálculo do coeficiente


de difusão da acetona a 30°C e estimar para diferentes temperaturas. A precisão dos valores de DAB
apresentou erros relativos médio de 26,30% para acetona, podendo ser avaliado como confiável. O
método empregado se mostrou eficaz para estimar a ordem de grandeza do coeficiente de
difusividade. A diferença dos valores do DAB experimental em relação ao teórico pode ser explicada
pelo fato de que as considerações teóricas não foram satisfeitas a rigor; como por exemplo, as
mudanças de temperatura no ambiente, uma vez que o cálculo do DAB teórico é diretamente
proporcional à temperatura; o fluxo de ar no ambiente e a consideração do regime pseudo-
estacionário, quando na verdade, está em regime transiente; além do erro do operador nas medições.
É importante observar também que a lei de Flick, não leva em consideração as forças resistivas nas
paredes do tubo, o que pode ter ocasionado pequenos desvios durante a difusão do soluto.
NOMENCLATURA

Sigla Descrição Dimensão


C Concentração global [L]
DAB Coeficiente de difusão mássica [L2.T-1]

T Tempo [T]
Z Altura [L]
Z0 Altura inicial [L]
P Pressão do Sistema [M.L-1T-2]
ρA Massa específica da substância líquida [M.L-3]
MA Peso molecular da substância líquida [M.mol-1]
PAv Pressão de Antoine [M.L-1T-2]

REFERÊNCIAS

ALMEIDA, A., CASQUEIRA, R. G., COELHO, G. L. V., COSTA, D. A., JÚNIOR, H. F. M.,
MANCINI, M. C., MENDES, M. F., OLIVEIRA, P. J., SCHEID, C. M., TORRES, L. G.,
Laboratórios didáticos do departamento de engenharia química: da teoria à prática – apostila

DEQ/UFRRJ, 2011. BIRD, R. B., STEWART, W. E., LIGHTFOOT, E. N., Transport Phenomena,
Editora John Wiley & Sons, Inc., 1974.

FERNANDES, L. D, Notas de Aula de Transferência de Massa, 2012 DEQ/IT/UFRRJ

INCROPERA, F. P, DEWITT, D. P, BERGMAN, T. L. & LAVINE, A. S.. Fundamentos da


Transferência de Calor e de Massa. 6 a ed. Rio de Janeiro; LTC, 2008. PERRY, R. H., GREEN, D.

W., MALONEY, J. O., Perry’s Chemical Engineers Handbook, 7ª Edição, McGraw-Hill, Inc.,
1999. VETEC QUÍMICA FINA.