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UNIVERSIDADE FEDERAL DE JUIZ DE FORA
FACULDADE DE ARQUITETURA E URBANISMO

OS BONDES DE JUIZ DE FORA

Aline Rossi Pontes
Amanda Ferreira Santos de Moraes
Ana Beatriz
Cíntia Borel Nunes
Letícia Menezes Antonieto
Maria Luiza Assumpção Pedretti

Juiz de Fora
2017

° Regina Coeli Valadão. ministrada pela Prof. 1 ALINE ROSSI PONTES AMANDA FERREIRA SANTOS DE MORAES ANA BEATRIZ CÍNTIA BOREL NUNES LETÍCIA MENEZES ANTONIETO MARIA LUIZA ASSUMPÇÃO PEDRETTI OS BONDES DE JUIZ DE FORA Trabalho acadêmico apresentado ao curso de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal de Juiz de Fora para a disciplina História e Teoria VII. Juiz de Fora 2017 .

Para a observação e análise foram escolhidos os Bondes Elétricos de Juiz de Fora. marcando a vida dos juiz-foranos. principalmente. os bondes acompanharam o desenvolvimento econômico da cidade. localizado no bairro Teixeiras. seu reflexo para a cidade e sociedade e o valor atual que ele tem perante os moradores de Juiz de Fora. que tem por objetivo a aplicação dos conhecimentos adquiridos para observação e registro de um Patrimônio Cultural e reflexão sobre o valor do bem na construção da memória social. Durante a primeira metade do século XX. Historicamente. sendo a eles concedido o privilégio exclusivo sobre esse serviço durante 60 anos. contextualizando a evolução do sistema na cidade. foram a forma predominante de transporte na cidade. o qual é deferido no mesmo ano. até que os dois últimos exemplares remanescentes foram levados para exposição como memorial no Parque Ecológico da Lajinha. desde seu surgimento até seu declínio. quando os senhores Félix Schmidt e Eduardo Batista Roquete Franco assinaram um contrato com o Governo Provincial para a construção e uso de uma linha férrea para carrís urbanos (bondes) puxados por tração animal.INTRODUÇÃO O Trabalho realizado na Disciplina de História e Teoria da Arquitetura e Urbanismo VII. devido a desestímulos. até que foram gradativamente sendo substituídos pelo sistema de ônibus. hoje em exposição no Parque da Lajinha. Os nomes de empresas de transporte urbano sobre trilhos costumavam ser apenas “carril” ou “ferro-carril” tendo em Juiz de Fora se dado a rara ocorrência do emprego oficial do termo “bonde”. Serão discutidas as formas como o patrimônio serviu. sua utilização pela população. bens materiais móveis. onde se encontram em área coberta. 2 . . 2 1 . Schmidt e Roquete fundam a Companhia Ferrocarril Bondes de Juiz de Fora e enviam a Câmara Municipal um requerimento solicitando a permissão para a instalação de trilhos. A instalação de bondes em Juiz de Fora se iniciou em 1880.IDENTIFICAÇÃO: LOCALIZAÇÃO/ HISTÓRICO A primeira forma de transporte coletivo a chegar a várias regiões da cidade de Juiz de Fora foram os clássicos bondes. Hoje eles se tornaram símbolo de um passado sobre o qual é pertinente fazer uma análise histórica cronológica.

O trajeto realizado compreendia as ruas do Imperador. popularizando o transporte. e utilizava bondes puxados por burros. no valor de 350:000$000. que forneceu as primeiras luzes de rua da cidade em 1893. a cidade já contava com fornecimento de eletricidade. se localizava na Av. Getúlio Vargas. . e Afonso Pena na presidência da república. contrata Eduardo Guinle. o que é determinante para a implantação do “tramway” elétrico. Halfeld. USA. um agente da General Electric Co. O Primeiro depósito de bondes da cidade. do Comércio. a linha é expandida em direção à Estação Mariano Procópio. através de um empréstimo obtido no mercado. a qual em 28 de fevereiro de 1905. Os carros dos bondes foram inicialmente importados. na Rua Espírito Santo. Em 1905. as linhas foram expandidas para vários pontos da cidade. de Nova York. O sistema foi inaugurado em 6 de julho de 1906.. atrás de sua sede. e José Joaquim Monteiro da Silva sendo o prefeito da cidade. Na década de 1910 CME transferiu suas operações de transporte para uma nova estrutura. o chamado "Castelinho". durante o mandato de Duarte de Abreu como prefeito. Espírito Santo e Direita. com José Ildefonso de Sousa Ramos como presidente do Brasil. as primeiras unidades vieram da Pensilvânia. é adquirida pela Companhia Mineira de Eletricidade. tanto para seus sistemas elétricos e quanto de tração animal. A CME. ainda na época do Império. ainda em 1881. A partir de então. para construir o sistema de bonde elétrico. que é quando os dois primeiros bondes elétricos de Juiz de Fora começaram a circular. Em 1882. que é rapidamente coberto pela comunidade local. 3 A primeira linha foi inaugurada em 15 de novembro de 1881. que era discutido desde 1888. na esquina do que hoje é chamado de Av. Em 27 de maio deste mesmo ano o Governo do Estado aprova a transferência da concessão do serviço de bondes a Companhia Mineira de Eletricidade. Rio Branco. A firma Fritz Wintz assume a Companhia Ferrocarril Bondes de Juiz de Fora no ano de 1897.

Edifício Castelinho. respectivamente. 4 Imagens 1 e 2 . Tal fato contribui com o crescimento da população no bairro. os serviços de força. Imagens do ano de 1910 e 2013. Em 1927. para o bairro Moraes e Castro.html> Acesso 30 de Ago.br/2013/10/os-historicos-bondes -de-juiz-de-fora. de 2017 Em 1912. . o que se mostra recorrente em outros bairros da cidade. “com dois truques (8 rodas) e duas “lanças”. Em 1926. Em 1912. a do bairro Tapera. para inversão de sentido). por resolução municipal. e em 14 de maio de 1913 é inaugurada uma nova linha. pois até então os veículos podiam parar em qualquer lugar para embarque e desembarque de passageiros. em um novo contrato com a validade de 25 anos. na rua Espírito Santo. foi construído um carro maior. há a conclusão de mais uma linha. usadas de acordo com o sentido em que rodasse o veículo (nos carros de uma só “lança”.com.blogspot. está era voltada ao contrário. A expansão das linhas continuou intensa e ainda na década de 1920 a empresa passou a fabricar seus próprios bondes. bondes e telefones são unificados. luz. um sistema auxiliar de ônibus veio atender as regiões não servidas pelo bonde. para onde eram levados os trilhos dos bondes. chegaram mais carros. sede da Companhia Mineira de Eletricidade. Em 1920 foram estabelecidos pontos determinados para a parada dos bondes. Disponível em: <http://colunaacontecendo.” Em 1929.

.tramz. foi criado o Departamento Autônomo de Bondes (DAB). de 2017 A partir do decênio de 1930. quando foi realizada a última viagem de bonde em Juiz de Fora.Departamento de Viação Elétrica da CME passaram a ser funcionários da prefeitura. Avenida Rio Branco e Rua Marechal Deodoro. com a incursão do sistema de ônibus e as dificuldades e falta de estímulos e investimentos ao transporte por bondes no Brasil. e foi estacionado em definitivo após a última viagem no antigo abrigo de São Mateus. Naquele mesmo ano. a concessão do serviço é revertida ao município. que levou o cantor compositor Ministrinho. Disponível em: <http://www. o sistema começou a declinar. e os funcionários do DVE . eles começaram a ser extintos. até o dia 9 de abril de 1969.Primeira rota do bonde formado um laço da estação da estrada de ferro ao longo Ruas Paulo Frontin e Espírito Santo. Dois anos após o município assumir o serviço de bondes.com/br/jf/jfm. com o bonde número 30 da linha de São Mateus.html> Acesso 30 de Ago. No dia 21 de fevereiro de 1954. 5 Imagem 3 .

foram doados a escolas e clubes da cidade. no mesmo ano. o qual descia do bonde se deslocando para a outra extremidade para refazer o percurso em direção oposta.blogspot. com a desativação do serviço. Segundo o aposentado Arzelino Antunes. Era bom. foi criado o Museu do Bonde. cada vez mais utilizados. e os dois bondes levados para o Parque da Lajinha. Os carros dos bondes eram operados por um motorneiro. o museu foi desativado.br/2013/10/os-historicos-bondes -de-juiz-de-fora. que abrigaria o acervo remanescente do antigo DAB. para serem instalados em suas áreas de recreação. porque era uma velocidade boa. se encontram desativados e são protegidos por grades. 3 . E um fiscal que faziam a coleta das tarifas. E tinha outro que atravessava o rio. não muito rápido. . funções que exerceram até a última viagem realizada. com o passar dos anos. tendo sido. ficando agarrado à parte externa do bonde.OBSERVAÇÃO Os objetos em análise sempre tiveram a finalidade de transporte de pessoas. locomovendo-as pela cidade. não havendo acesso ao público. Em 1983. com diversas rotas que interligam pontos da cidade. Não se sabe o destino que estes bondes tiveram após a doação. onde se encontram até hoje. terminal da linha São Mateus em 1950 e a direita imagem de 2011 do mesmo local Disponível em: <http://colunaacontecendo.com.html> Acesso 30 de Ago. 6 Imagens 4 e 5 .” Quando questionado sobre o comportamento das pessoas no bonde. de 89 anos. de 2017 Os antigos bondes. Os veículos conservados e em exposição no parque da Lajinha. Os bondes foram importantes desde sua criação até a sua retirada como meios de transporte.Na imagem da esquerda. o percurso que o bonde realizava “Vinha da Rua Halfeld até o bairro fábrica e Benfica e no sentido oposto vinha até mais ou menos a padre café.

Quando estavam de folga. e elas faziam cantando. uma oportunidade para mostrar a “toillete” nova. que conta que no final dos anos 1960 havia apenas três linhas em circulação. Alguns foram para a Rodoviária. aquele rala-rala da superlotação masculina. passeavam de bonde. e logo que ele parou no Parque Halfeld o bonde lotou. A última viagem foi realizada no carro que fazia a linha São Mateus. também chamado de elétrico número 9. O primeiro. nas conversas havia uma rejeição que a gente não acreditava.G. A passagem foi grátis. Andar à noite com a namorada indicava que era um namoro firme. Brill e encomendado pela Companhia Mineira de Eletricidade. e uma prova “arrojada” para conquistar o coração de alguma moça. mostrando seu prestígio. mas Itamar Franco garantiu o remanejamento de todos eles. Vicente. Houve muita farra e cantorias até chegarem no abrigo São Mateus.sem data identificada). Os juiz-foranos orgulhavam-se dos bondes. porém era proibido viajar nelas). isto era comum no Carnaval. Era um “escândalo” em sociedade a moça que andava no “pingente” (plataformas laterais para facilitar a subida. e dessa forma todos tiveram seus empregos garantidos. que convivia. Possui 8 bancos e foi fabricado em 1907 pela Empresa Norte Americana J. “Na hora que os ônibus começaram a chegar era uma massificação do transporte. Condutor era uma profissão disputada. onde houve uma festa. porque durante O ano todo. Passear de bonde era um atrativo não somente para os visitantes. tanto daquele meio de transporte que tava matando uma história. Porém. no mesmo sentido. há o relato de um dos últimos motorneiros de bonde. porém. Um dos veículos expostos no Parque era do Jardim de Infância e o outro do bairro Vitorino Braga. ali era uma sociedade que conversava. Era considerado chique esperar o bonde no ponto. Saltar do bonde ou pegá-lo em movimento era “moderninho”. foi o mais famoso bonde em Juiz de Fora. outros para a Cesama e outros ainda para e Prefeitura. caminhando para o noivado. não dava pé…” (AMARAL. 2017) Outro motorneiro relata que eles sentiram medo do desemprego. Havia quem saltava do bonde em alta velocidade e ainda faziam uma volta no poste. que se viam todos os dias. segundo Vicente. em pé. era elegante andar neles.” No livro Os bondes de Juiz de Fora. para admiração dos passageiros. “e o condutor bem que gostava. era todo mundo do mesmo bairro.” (REZENDE. 7 ele se recorda que “Se tivesse algum militar sentado ninguém sentava perto e quando sentava dava uma distância de umas 4 cadeiras. e isso quebrou. talvez mais vezes por dia porque iam almoçar e voltavam. . a maioria das pessoas estava de coração partido. Destinava-se exclusivamente para o transporte de crianças em linha especial.

Já o carro Vitorino Braga. foi fabricado em 1920 pela própria CIA Mineira de Eletricidade e possui 13 bancos. Imagem 6 . 1º do Decreto 3966 de 03 de junho de 1988. mostrando a intenção de revitalizar as cores originais desses veículos. como exemplo. mas compunham o cotidiano dos juiz-foranos. constatamos que eles não estão em ótimo estado de conservação. o então vice-prefeito Sérgio Rodrigues visita o Parque. servindo atualmente para exposição permanente. Paulo Gutierrez. e são bens de interesse cultural de acordo com o Art. 1º do Decreto nº 7502 de 16 de agosto de 2002. Uma vez que todos os modelos de carros eram abertos. O secretário-adjunto de governo. o CME vedava as laterais do carro para torná-lo seguro para as crianças. estando ligados diretamente a realização de atividades rotineiras da população que o usava para ir e vir. bonde linha Bonfim. em um deles a lona está solta.br/2013/10/os-historicos-bondes -de-juiz-de-fora. elétrico 3. Disponível em: <http://colunaacontecendo. Os carros dos bondes possuíam uma numeração e também eram chamados de elétrico e seu respectivo número. a madeira do carro está um pouco desgastada e a pintura está descascada.com. operando até 1969. de 2017 Os bondes do Parque da Lajinha foram categorizados como Bens Móveis Tombados de acordo com o Art.Elétrico 3 e 5 carros respectivamente das linhas Bonfim e Santa Teresinha.html> Acesso 30 de Ago. de prefixo 25.blogspot. afirmou que eles pretendiam buscar como poderia ser feito juridicamente a busca . Em vídeo disponibilizado no YouTube no canal da Prefeitura de Juiz de Fora em 2015. A partir de uma visita ao Parque para conhecer de perto e observar o estado em que se encontram os bondes. 8 de suas casas até as principais escolas do município.

4 . Logo..AVALIAÇÃO Pode-se afirmar que o tombamento já é um importante ponto positivo para a preservação dos bondes e mais ainda sua localização em um espaço público aberto e ponto turístico da cidade. que foi se transformando. perdendo todos os elementos que caracterizam a passagem do bonde pelas ruas da cidade. constatamos que os bondes não foram de fato pintados. ainda havia outra justificativa: estavam escasseando as peças de reposição. Porém.. que a modernidade que Itamar Franco desejava trazer para a cidade de Juiz de Fora ocasionou diversas mudanças no desenho geográfico da cidade. O bem em relato não se insere nas memórias do lugar em que hoje estão locados (Parque da Lajinha) quanto a sua função original. seu fim significou uma grande mudança em suas vidas. segundo o que os técnicos diziam. porém sua exposição permite a criação de novas relações entre os frequentadores do parque. De acordo com os dados coletados. ao passear pelo Parque é que descobrem os objetos. para que alguns ainda continuassem a rodar.” (AMARAL. uma espécie de linha-museu. Porém a preservação deles tem sido deixada um pouco de lado pelo estado de conservação em que os encontramos. Não havia outra solução. 9 por parceiros para fazer a reforma e manutenção. e não obtivemos informações sobre o andamento do projeto. Neste caso. Essa imaterialidade se apresenta pelo lugar Juiz de Fora. “[. calçamento de paralelepípedo e fiação. pode-se constatar que as pessoas que conhecem os bondes lembram-se deles com saudade. e os bondes foram uma das coisas que desapareceram. Os bondes estavam sendo canibalizados. para marcar uma época de crescimento da cidade. perpetuando através de relatos orais e registros fotográficos. pelo cenário e ambiência da cidade. Acreditamos que poucas pessoas têm acesso a história dos bondes ou mesmo a existência deles na cidade. Por parte da população não vemos mobilizações e esforços em cuidar do bem. alguns viam os bondes como um atraso ao crescimento da cidade. Pode-se afirmar em relação ao passado. de acordo com relato presente no livro “Os Bondes em Juiz de Fora”. talvez porque muitos não . sem identificação da data). Muitos gostariam que uma linha fosse mantida como lembrança. Os bondes estão carregados de memória simbólica e afetiva para as pessoas que vivenciaram a época. Eles marcaram a paisagem urbana de Juiz de Fora e anunciavam sua presença pelos trilhos.] O antigo e romântico sistema de transporte coletivo não se ajustava mais a uma cidade que tinha pressa de crescer.

não só os bondes não. poderia se ter um vídeo. cultural e informativo que visem o cuidado com o bem e com sua imaterialidade é um dos meios de se alcançar essas propostas.RECOMENDAÇÕES Notamos que os bens estudados precisam de uma atenção maior. Compreender o passado é um passo importante para valorizar as conquistas da sociedade atual. para que mais pessoas saibam que eles se encontram lá e possam visitá-lo e relembrar ou conhecer uma parte importante da história da cidade. em preservar a história nesse sentido. Disseminar sua história e incentivar sua preservação são os principais pontos que entendemos como necessários de serem propostos. Durante nossa conversa. Ou a própria FUNALFA. ter alguma aula que fosse com alguém do tempo. Antes de qualquer amostra de cinema. o Sr. vários patrimônios da cidade”. Assim as gerações podem conhecer a história do local em que vivem para valorizarem tudo aquilo que se tem hoje e o esforço daqueles que buscaram soluções para melhorar a cidade. funcionário do Parque da Lajinha. 5 . 10 conheçam ou saibam que está lá. voltar nosso olhar para eles com a importância que deve ser dada ao patrimônio. ainda que para as pessoas que viveram a época sempre terá um significado. pontua que “deveria entrar uma preocupação da Secretaria de Educação do Município. A criação de projetos e visitas com viés educativo. Fabiano. . divulgar isso. de alguma coisa de patrimônio da cidade. Tudo para que haja mais visibilidade para a presença dos bondes no Parque da Lajinha. ou desse entendimento. que é a Secretaria de Cultura.

Os bondes em Juiz de Fora. 31 ago. Acesso em 30 ago. Entrevista concedida a Ana Beatriz Pinheiro Pereira Vieira.jfminas.Livro AMARAL. Funalfa.REFERÊNCIAS . . Motorneiro-48: um passeio no tempo.2017. . 2017 Os Históricos Bondes de Juiz de Fora.br/2013/10/os-historicos.de-fora.bondes-de-juiz-de-fora. José Fabiano de.youtube. Minas Imagens Eternas. DECRETO N. NETO. A entrevista encontra-se transcrita no Anexo A deste trabalho.blogspot. 2007.br/portal.Vídeos Vice-prefeito avalia revitalização de bondes estacionados no Parque da Lajinha.Sites História dos Bondes em Juiz de Fora. /historia/historia-dos-bondes-em-juiz.html. Acesso em 30 ago. 2017. com. . Aelson F. Disponível em: http:https://www. . Juiz de Fora. 11 6 .de 16 de agosto de 2002. Rio de Janeiro: Edições Galo Branco.º 7502 . Luciano Dutra. 2017.com/watch?v=CQtFqiOmYB0. Disponível em: http://colunaacontecendo. Acesso em 30 ago.de 03 de junho de 1988.Leis DECRETO Nº 3966 .Entrevista REZENDE. Sem data identificada. Juiz de Fora.com. Funalfa . Disponível em: http://www.

as pessoas tinham o hábito da honestidade. Fica dentro da história da gente mas também fica dentro da história da cidade. sentavam. é que realmente houvesse preservação. porque a importância de estar aqui. Tinha a linha Costa Carvalho. que vai acabar. até que ficou a linha central e depois acabou definitivamente. o bonde era o meio de locomoção e a cidade era só esse centro grande. não lembro nem direito o nome. 12 ANEXO A Transcrição entrevista Em questão de lembrança. a gente começava a brincar. A cobrança era feita por uma pessoa que ficava na beirada com as notinhas entre os dedos. quatro. acabou uma linha. . E tá se apagando. Como era feita a cobrança do bonde? As pessoas entravam. Santa Terezinha. muito grande. e o banco do bonde tinha dois módulos. depois a medida que a gente foi vindo pra cidade. o caruncho. Não adianta viver depois só de uma foto. Não me lembro de ônibus urbano naquela época nenhum. Quando alguém pagava três. vai ficar um pedaço de ferro velho. uma reminiscência muito forte. E a história vai embora. nos perseguiam porque estava sempre ocupando lugar. Então andamos muito. de uma lembrança que não tem mais sentido. depois acabou outra. dentro da gente. os trocadores. Meus pais vinham pra Juiz de Fora. A gente fez disso uma vida. Era dessa forma. tem que acordar pra isso pra reminiscência. uma recuperação. em cada cobrança ele registrava num sininho. de facilitar. E no São Mateus era a garagem central onde eles eram recolhidos tarde da noite. São Mateus. muitas peripécias. que mudavam de lado. batendo papo e contando história. ainda não estava nessa expansão e desenvolvimento. muitas coisas boas e ficou. Alguém do patrimônio. Se você saia lá do Alto dos Passos quando chegava no Centro. moravam no Alto dos Passos onde era uma linha muita ativa. as pessoas viravam e iam de frente conversando. a pular de um lado pro outro. práticas. Mariano Procópio. e não tinha preocupação. Além de ser certamente perspicácia dele saber quem tinha entrado ou não. alguém da universidade. Fiz muitas viagens. O tempo vai carcomer tudo. as pessoas que entravam automaticamente ao passar as pessoas estendiam a mão e davam o dinheiro. ele batia as quatro vezes. Quando entrava um grupo muito grande. e foi acabando devagar. Você podia ficar frente a frente ou virar e fica todo mundo de costas. Era legal pra caramba. pagava pra família. . Já eram pessoas experientes. alguém da história. é da década de 50.

tem lá um filme. o que o senhor acha que seria mais efetivo para cada vez mais preservar e para fazer outras pessoas conhecerem também. fica ausente ao mundo. como funcionava? Alguma professora que se lembre o nome. olham e tiram fotos. Quer conhecer? Então vem. Deveria entrar uma preocupação da secretaria de educação do município. . Você vai lá na FUNALFA. de blusa branca e calça ou saia vermelha. por que que não se passa alguma coisa contando a história? Então a única forma de preservação. O mundo hoje é muito mais amplo. de buscar aqui na região pessoas antigas que conheçam realmente a história do parque. que é a secretaria de cultura. Ou a própria FUNALFA. e você tem que inserir isso na informação. onde as pessoas tenham acesso e interesse pra história é dessa forma. mais rápido. em preservar a história nesse sentido. Na sua opinião. Ali era o bonde que recolhia as crianças na cidade e iam pra uma escola que tinha onde é hoje a praça em frente ao Santa Cruz Shopping. Porque ali tem o bonde normal. Era uma fazenda? Como foi a invasão? A escola que tinha aqui onde era o bonde. por que que não pode ter? Por que não vê com o Independência Shopping.. Como chamava. poderia se ter um vídeo. aquela barulhada. 13 . Ele ta tão próximo aqui. Ai acho que entram duas coisas. E também desde o início/ desde quando o senhor trabalha aqui não teve nenhum projeto de uma visita guiada? Não. de alguma coisa de patrimônio da cidade. você vai morrer sem saber nada. . Era lindo. pessoas que não são daqui ou que vivem em Juiz de Fora mas são mais novas e não tiveram esse contato? Até para elas estarem ligadas nessa memória que é da cidade. ter alguma aula que fosse com alguém do tempo.. e tem o bonde que era das crianças. O senhor utilizava mais pra se locomover pela cidade? . caiu no silêncio acabou. Então essas coisas acho que poderiam estar inserida em tudo. Tem pensamento em se fazer com vocês da universidade. Sem isso não porque cai no silêncio. E ali descia todo mundo. tudo fechadinho. vários patrimônios da cidade. onde tem essas salas de cinema. antes de qualquer amostra de cinema. Você entra na sua casa e fica imune a tudo. Só não me lembro se era de graça. divulgar isso. mas como origem. Estamos aqui com um projeto. A informação hoje passa numa velocidade. que mantém as crianças na escola. se você não fizer… É como a história do Parque da Lajinha. O das crianças era fechado até por segurança né. que corresponde hoje à essas creches. acho que era. de passageiro. que as pessoas vem. mais veloz. Santa Cruz Shopping. Família. não é só de uma pessoa só. não só os bondes não. ou desse entendimento.

66. um caixote. os passeios eram largos pra caramba. passava pro outro lado. quando começou o telefone celular.Que sentimento define a retirada dos trilhos e dos bondes? A população sentiu muito? A época que eles começaram a ser desativados era uma dor. Pegava o guia elétrico. Depois a gente vai amadurecendo. Mas uma saudade de uma coisa que também trouxe o progresso para a cidade e a gente esquece isso com muita facilidade. E enchia muitas vezes. Proibições dos bondes Não. Não me lembro valores também não mas era uma coisa que as pessoas. a velocidade da transformação. penduravam na beirada e se deliciavam com aquilo. aonde alguns passavam direto. era a perda de uma coisa de valor. hoje de repente você ta com uma coisa mais moderna na mão esquecendo daquele que começou a trazer informação pra suas mãos. era uma sociedade solta. quase caindo. da tecnologia. Havia um sentimento de tristeza muito grande. era gostoso pra caramba você ver as pessoas dentro de um meio de transporte desses.. Limites eu não me lembro não. mudava de posição e voltava. Era bonito. então ia visitá-lo e o bonde era um meio de transporte. falando. mas para quem viveu aquilo. E no Centro. da indústria. Mas era prático. uma saudade. então certamente. e vivia essa ‘amplidão’. Saia do Alto dos Passos e vinha até o Centro onde era a Rodoviária. ficava quase um pique esconde. apertado. nas férias a gente usava como meio de locomoção. leva. 14 A princípio era por farra. as pessoas se . . era barato. Mas a partir da década de 60. alguns voltavam. Andava também do lado pendurado no rodapé. sai pra estudar. Tinha muita criança. tinha grupos que pegavam o bonde andando. O Centro da cidade era muito pequeno. faz parte realmente da história e fica até hoje uma dor. ali no Mariano Procópio. Assim eu também acho isso. na volta. tinha um irmão que servia o exército próximo ao quartel general. tinha uma estação central do bonde. Quando o cobrador vinha a gente pulava. era acessível. eu não me lembro. Não essa saudade de ficar vivendo o passado. Era uma coisa social. todo mundo conversando. Era um malabarismo! O bonde cheio era um malabarismo no centro da cidade. brincando aquilo na rua e ele naquele desespero. era obrigado a andar muita gente em pé. ali era uma rodoviária. . Dava volta com uma perna só. 64 a diante. foi uma necessidade realmente sair. É claro que com os meus pais eu usei também como meio de locomoção. porque a Avenida Rio Branco era enorme. onde é o prédio da CESAMA hoje. as pessoas penduravam ali e a pessoa pra cobrar passava a mão por trás de todo mundo.. quando era criança. no Parque Halfeld. Era uma coisa aberta e a proibição era mais criança ter muito cuidado. É como vocês. ela acelerou isso.

] Mas é gostoso. foi um avanço para a sociedade também. as pessoas felizes. tudo que você imaginar. adoro. E de várias partes do país. ele pediu para que eu viesse para cá ajudar na reforma do parque.. é claro que você sente. . eu estava no DEMLURB. e para muitos que sentiram na época. ela machuca. ela só tem um sentido. O bonde pra mim. Hoje a gente tem até um certo receio a respeito que a vida é tão veloz que você amanhã não vai sentir saudade.... além uma própria ginástica você ta capinando. roçando. É como se tirasse o bondinho do Pão de Açúcar hoje e acabasse por uma necessidade. você tem que se adaptar à isso. Quando se quebra uma cadeia dessas.. acho que a vida é feita assim mesmo e vocês lá na frente vão ver muito mais coisas. como pessoas importantes da sua vida. 15 esqueceram de que o bonde foi um grande meio de transporte... sua intimidade. que se viam todos os dias. é bom. tudo é ciência. porque a vida. o que que ‘cê’ faz hoje ao seu redor pra sentir saudade amanhã da intensidade da vida? E o bonde foi um momento intenso da sociedade de Juiz de Fora. que é a ciência pra frente. porque trabalhar num lugar desse. fiquei Bruno entrou e pediu que eu continuasse à zelar pelo parque. então isso ai [. nas conversas havia uma rejeição que a gente não acreditava. que convivia. era uma tristeza. Então em 2011 eu vim. é impossível dizer que não sente. fazendo exercício físico pesado. tanto daquele meio de transporte que tava matando uma história. Na hora que os ônibus começaram a chegar era uma massificação do transporte.. hoje com um espírito de família que ‘ta’ aqui dentro. se vão e ficam dentro de você. então quem viveu aquela emoção [. e em 2011 na gestão do Custódio. era todo mundo do mesmo bairro. tanto que Santa Tereza no Rio é uma referência que as pessoas procuram pra fazer passeio de bonde.] Sou aposentado da Prefeitura. sou apaixonado por aqui. Mas a saudade acho que ela bate na gente. no mesmo sentido. e isso quebrou. procuro me modernizar. ela caminha pra frente.. educação.. Mas pra mim pessoalmente eu acompanho a vida. Quer dizer. uma terapia pra muita gente.]. vale a pena. sua amizade.. com um astral muito bom. então não tem volta. entrei na prefeitura em agosto de 83. dentro daquelas possibilidades limitadas. ali era uma sociedade que conversava. pra viver uma euforia que a história ainda ta conservando lá. Porque na realidade nenhum trabalho é um paraíso. talvez mais vezes por dia porque iam almoçar e voltavam. ‘to’ com a cabeça muito boa. [. aos 70 e poucos anos eu me sinto jovem no pensamento. hoje mesmo ta ai uma quantidade de idosos e deficientes caminhando.