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Contribuição do “Para Um Novo Começo”

Centro Político Marxista

Elementos da Crise Política atual
A “Segunda Onda da Globalização” (ou da Mundialização do Capital) e como ela está afetando e
afetará todos os aspectos da realidade mundial daqui pra frente
Algumas tendências políticas mais gerais
Desafios para os trabalhadores e movimentos
Elementos para respostas à Conjuntura Política no Brasil

Apresentamos esse conjunto de apontamentos muito mais como um roteiro dos pontos que nos parecem
mais importantes e do método de se encarar a discussão. Não pretendemos uma “Nota” acabada e muito menos
apresentar propostas definitivas mas apontar eixos para a discussão e diálogo não apenas entre os ativistas
organizados e de esquerda mas uma discussão que vá para os locais de trabalho, estudo, moradia e demais
espaços coletivos e populares.

A crise política se agrava no Brasil, ao passo que a Reforma Trabalhista e outros ataques avançam
sorrateiramente no Congresso ou diretamente pelas mãos do governo Temer através de decretos e medidas
provisórias. É cada vez mais conturbado contemplar uma saída.
Embora a burguesia enteja unificada quanto ao projeto geral (as Contra-Reformas, privatizações,
desregulamentações), seus setores digladiam-se entre si para ver quem sairá mais favorecido ou prejudicado
num contexto de manutenção da crise econômica.
Não há unidade burguesa pela saída de Temer. Um setor da burguesia (aparentemente majoritário)
pretender ir com esse governo até onde seja possível avançar com as Reformas enquanto outro setor pretende
sua saída para com isso buscar mais benefícios imediatos na renegociação de cargos na hora da formação de um
novo governo. Além disso as alternativas mais imediatas a Temer (Maia, Renan Calheiros e Cármen Lúcia) são
igualmente problemáticas. Eleições indiretas demorariam de algumas semanas a 2 ou até 3 meses; eleições
diretas, que não estão previstas nas atuais regras políticas, demorariam ainda mais. Assim parece que enquanto
o governo Temer demonstre capacidade de manter a aprovação nas votações das Reformas, poderia continuar
mais algum tempo.
Como dissemos, mesmo com toda crise institucional em Brasília as reformas seguem avançando,
mostrando que quando se trata de reprimir e retirar direitos dos trabalhadores, a burguesia mostra uma coesão
entre seus setores.
Nesse contexto, fortes greves e manifestações de massa poderiam definir a queda do governo Temer,
levando ao agravamento da crise política e possível atraso das Reformas e também a um patamar superior de
mobilização da classe trabalhadora. Isso ainda está como possibilidade, pois apesar das fortes paralisações e
manifestações nos dias 15/03/ (15M), 28/04 (Greve Geral) e 24/05 (Ocupação de Brasília), há uma dificuldade
de que essas lutas contra as Reformas se transformem em um ascenso de massas.
As burocracias do PT, Força Sindical, etc., têm o controle do calendário e das ações mais gerais. Precisam
responder à pressão de suas bases mas o fazem buscando de todos os modos direcionar os movimentos para os
seus interesses político-eleitorais (no caso do PT) e de negociações em torno à manutenção do Imposto Sindical
(caso das centrais sindicais). Pretendem, no máximo, algumas modificações pontuais nas Contra-reformas. Não
é de fato a intenção por parte desses setores de mobilizar de fato e de modo consequente para barrar as
Reformas. Assim, temos visto as demoras em se marcar os dias de luta e de Greve Geral, esfriando o
movimento e também o pouco peso que têm dado na sua construção.
Tampouco a esquerda socialista conseguiu articular uma resposta adequadamente concreta ao nível da
crise e dos ataques delineados, capaz de unificar a resistência das massas. A brutal ofensiva econômica, política
e ideológica da burguesia nos meios de comunicação, a crise do PT vista como crise da esquerda para amplos
setores e a própria dificuldade de unificação dos partidos e correntes de esquerda estão na raiz dessa
dificuldade.
Ainda assim, dentro de toda perversidade do quadro atual, as crises sempre permitem evidenciar mais
explicitamente as contradições do sistema capitalista. É necessário articular um amplo debate entre a esquerda,
de forma a criar um diálogo com o conjunto dos trabalhadores, para evidenciar, ainda mais neste momento, os

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já prevendo novos momentos de irrupção da crise. levando a um processo de dissolução dos vínculos contratuais estáveis. Nisso reside a profunda ofensiva mundial em torno de um violento processo de privatização ainda maior das riquezas naturais (terras. 2) Ao mesmo tempo. portos e aeroportos. sem reajuste. como por exemplo o imposto sindical. uma crise em nível sistêmico. de tarefas decididas coletivamente. organização rumo justamente à construção dessa alternativa socialista de esquerda. 7) Diante disso precisamos caracterizar que vivemos mais um período de transformações na classe trabalhadora de conjunto e que possui várias consequências em seu nível de consciência e de organização no marco de uma profundíssima crise de alternativas socialistas que já estava instalada. salários e flexibilização total dos momentos e formas de contratação dos trabalhadores possibilitados pelos inícios da chamada 4ª revolução tecnológica já começa a mostrar seus efeitos ao se desenvolver sob controle e a serviço do capital com a disseminação de um conjunto de novas formas de contratação 3) Nisso vemos todo um conjunto de retirada de direitos. ilustra bem). de forma a reduzir o descolamento entre o acúmulo de capital fictício e de capital produtivo. luta. O capital em sua criatividade de barbárie busca novos nichos de que possa se apropriar. etc 5) As formas de contratação no setor privado tendem a se desregulamentar quase que totalmente. assim como uma redefinição da divisão internacional do trabalho e dos fluxos de capitais. funcionários federais de diversos ramos. florestas. lazer. previdência. de um aprofundamento do nível da taxa de mais-valia (nível de exploração do trabalhador). Vemos o corte vertiginoso dos orçamentos de estado de todos os setores sociais destruindo o mínimo dos serviços públicos como saúde e educação. no qual a classe dominante e seus associados buscam saídas para a retomada da massa e da taxa de lucro. Para tanto. de maneira desigual e combinada. empresarial e de parceria ainda maior às diretorias das empresas. de formas de solidariedade e de reconstrução dos vínculos coletivos. a situação na base da classe trabalhadora. políticas de meritocracia para disfarçar e dividir as categorias e enfraquecer suas lutas (caso que a situação dos professores.limites do capital e buscar desenvolver junto aos trabalhadores os avanços de consciência.). a partir. Dessa forma. militares e ideológicas”. Até mesmo os salários dos trabalhadores dessas áreas são sacrificados. Isso determina uma “segunda onda da mundialização do capital e da reestruturação produtiva. num nível internacional. Dessa forma vão administrando sua própria decadência e buscando se transmutar em estruturas políticas (institucional). 1) Há um aprofundamento da crise estrutural do capital. num processo que alguns autores chamam de “uberização” da força de trabalho (Ricardo Antunes) 6) As direções sindicais burocráticas vivem uma contradição: ao passo que as categorias são severamente atacadas. professores.) e de serviços antes de responsabilidade do setor estatal (transporte. Categorias inteiras que ainda haviam conseguido resistir à ofensiva daqueles anos são agora atacadas em suas colunas vertebrais (é o caso de correios. reservas de água. força de resistência e consciência dos trabalhadores ainda maior dos que nos anos 1990. reservas de minérios. é preciso compreender a crise brasileira não como um fato isolado. bancários do setor público. 8) Diante desse quadro é preciso que os movimentos vão para além das suas demandas imediatas mas sejam capazes de se constituir como espaços permanentes de organização de luta e de base. etc. como as gestões por organizações sociais (OS). as próprias estruturas de sustentação das burocracias sindicais são minadas. Nesses aspectos. por exemplo. realizam apenas mobilizações pontuais e controladas no sentido de pactuar e frear a perda de seus privilégios específicos. E. atrasos constantes de pagamento. é quase que um começar de novo. um ataque global à organização. mas espaços de exercício de democracia de base. cujo hiato traz consequências drásticas para a acumulação de capital como um todo. tal qual o petróleo – como também formas de “privatização indireta”. as terceirizações e as parcerias. seguros desemprego. As montanhas de capital financeiro acumuladas. como a crise desencadeada em 2008 – até hoje não superada – bem demonstrou. etc) 4) Avançam a passos largos tanto as privatizações diretas desses setores – inclusive setores estratégicos. muito mais do que isso. No entanto tampouco lhes interessa desencadear uma luta à altura para tentar impedir ou frear esse processo já que levaria a mobilizar pela base a milhares de trabalhadores que também questionariam seus privilégios e condução burocrática. educação. de forma a constituir muito mais do que uma resistência esporádica. salvo algumas exceções. as novas rodadas de corte de diretos. buscando alavancar a acumulação de riqueza real (material). mas como uma particularidade de uma crise mais drástica. etc. principalmente. etc. 2 . um reordenamento dos acordos e disputas e suas consequências políticas. procuram antes de tudo romper toda e qualquer fronteira.

. Mesmo assim. um governo formado por executivos de grandes empresas. consiste em poder e influência para as grandes potências mundiais”. observa-se.. ou o fato de documentos recentemente liberados mostrarem a articulação do então candidato José Serra com a entrega dos recursos energéticos nacionais para as grandes potências estrangeiras. se mostra premente atualizar e trazer à tona os aspectos da teoria marxista da dependência. para trazer ao centro do debate o sentido histórico de tais relações à América Latina. Parece se dar no marco da necessidade do capital em aprofundar sua ofensiva sobre os trabalhadores e povos do mundo mas de um modo que também vise uma melhor condução de políticas do capital contra os trabalhadores mas não em aspectos tão ideológicamente extremistas. Algumas vezes lutando para manter seus blocos de influência econômica e em outros momentos abandonando-os ou mesmo batalhando por blocos próprios em que tenha absoluto controle e também em acordos bilaterais e impositivos como é o caso dos EUA. político e militar. acentuando nestes a superexploração do trabalho). Já nos EUA e Inglaterra (Reino Unido) a política é de preservar seus nichos econômicos e seus espaços de realização de capitais mantendo apenas os blocos absolutamente submissos ou partindo diretamente para acordos diretos entre países como também de forma a poder remeter diretamente os lucros das corporações com sede nos seus países e dessa forma poder ter um desafogo maior em termos econômicos e dessa forma poder bancar tanto seu endividamento como também suas políticas imperialistas em nível militar e econômico junto a outras áreas e países. 3 . em que os países subordinados consolidam-se como plataforma para os mecanismos que desaceleram a queda da taxa de lucros. consolidada e procurando se organizar preparando-se como alternativa diante de falências dessa direita.) a manutenção das estruturas que controlam o mercado petrolífero mundial está diretamente atrelada a influência político-militar que os Estados Unidos ainda possuem (.. Essa tendência ficou visível na vitória de Macron contra Le Pen. sobretudo. o aumento da taxa de exploração da força de trabalho (com as desregulamentações trabalhistas) e a custódia de uma financeirização acentuada. ocupando o posto de Secretário de Estado de Trump. A DISPUTA PELO PETRÓLEO E DEMAIS RIQUEZAS NATURAIS Nesse sentido. Ao mesmo tempo. quanto dos periféricos. refino e distribuição de petróleo e derivados. do petróleo. Isso afeta diretamente os países periféricos. a partir dos mecanismos do sistema da dívida e de investimento especulativos. mas como um sistema altamente hierarquizado em nível econômico. inclusive toda a América Latina. Assim. ibidem Por isso.fee. A situação não é nem um pouco confortável. uma ação política dos países centrais buscando se recompor para melhor poder cumprir seu papel em todos os terrenos. “Controle sobre grandes reservas de petróleo e sobre a infraestrutura de escoamento. uma dependência ampliada.br/article/as-disputas-globais-pelo- petroleo-e-seus-efeitos-no-brasil/) Da mesma forma que “(. Diante disso. DINÂMICA RECENTE DA MUNDIALIZAÇÃO Nas últimas eleições na Europa temos visto um certo refreamento no avanço das tendências de ultradireita em benefício das tendências de direita ou centro direita. Passam a ganhar força os sub-blocos e as relações mais diretas entre os imperialismos e os demais países. Dessa forma vemos nessa Segunda Onda da Mundialização do Capital. notadamente a obra de Ruy Mauro Marini. a ultradireita segue preservada. milionários e militares. dentro do quadro de uma reconversão neocolonial da base econômica brasileira e de grande parte dos países periféricos.)”. buscando estar em melhores condições de enfrentar a China e a Índia. articulando em uníssono o fornecimento de matérias- primas baratas (reduzindo o valor do capital fixo). delineia-se uma ampla disputa pelas riquezas naturais dos países periféricos. Não se trata de irem contra a mundialização mas muito mais a rediscussão dos seus termos.tche. de alimentos a baixo custo (servindo para ampliar a extração de mais-valia relativa da mão-de-obra tanto dos países centrais.. além de representar uma importante fonte de riqueza. Meszáros chamava a atenção de que a Mundialização do capital não poderia ser entendida em termos de neutralidade de mercados ou de horizontalidade de capitais competindo livremente. não estranhemos o fato de encontrarmos Rex Tillerson ex-presidente da Exxon Mobil. Por ora a ultradireita não é a opção preferencial da burguesia europeia. http://panoramainternacional. As contradições da atual fase da mundialização têm levado a um certo questionamento ao aumento das alianças e blocos econômicos que até antes eram uma grande aposta.

Assim. não é desconexa a lei recém aprovada no Brasil que retira da Petrobrás a exclusividade de operação no Pré-Sal. PRECISAMOS ENTENDER MELHOR A SITUAÇÃO DA VENEZUELA Hugo Chávez foi decisivo para uma rearticulação da OPEP e consequentemente. redefine a Divisão Internacional do Trabalho a um estágio que remonta primeira metade do século XX – onde. semi-colônias. há uma relação entre a queda de vários governos de características próximas ou semelhantes – Honduras. e até mesmo da ultra-direita se fez notar. ainda que em âmbito regional. e 4 . que levou à uma grave crise política. que conferiram alguns benefícios pontuais aos setores populares. Paraguai. PROJETOS E GOVERNOS QUE REPRESENTAVAM ALGUMA REGULAÇÃO DO CAPITAL As ações de governos – principalmente da América do Sul – que no início do século XXI procuraram estabelecer regulações e estatizações. Brasil os questionamento a eleição de Lenín Moreno. Com o aprofundamento da tendência a uma reconversão neocolonial. O mesmo o ocorre. e posteriormente a chamada Primavera Árabe. Daí toda essa ofensiva à Venezuela. TIRAR AS LIÇÕES DAS ÚLTIMAS EXPERIÊNCIAS. industrializados e as colônias e. rumo a um processo de desindustrialização dos países que se industrializaram a partir dos anos 1930 – Brasil. em consonância aos interesses do agronegócio e da extração de nossas riquezas minerais. De lá para cá salvando-se as exceções da França. Crise essa que revela não só a falência da política chavista. Nesse sentido vemos operações casadas em diversos países para inclusive destituir governos eleitos. a estatização da PDVISA e outras. com a Venezuela. uma a uma. vemos também uma flexibilização cada vez maior das legislações ambientais. No mesmo sentido. de grande favorecimento aos capitais transnacionais pactuado com as grandes burguesias nacionais. NOS PREPARANDO PARA AS PRÓXIMAS Não podemos negar que depois da lutas e rebeliões pós eclosão da crise em 2008. de um lado tínhamos os países capitalistas centrais. dentre elas. (É interessante ver “A economia brasileira na segunda onda da globalização capitalista” de Marcio Pochmann”). fornecedoras de matérias primas –. ATAQUES ÀS POLÍTICAS. México e outros – com exceção da Índia. que chegou a mais de US$ 100 durante os anos 2000. mas como a Venezuela evidencia a necessidade do capital por desregulamentações em nível regional. passam por um rechaço no cenário político atual. UM CERTO REFLUXO DAS REBELIÕES SOCIAIS. enquanto aprofundamento das relações imperialistas. As ações ainda que tímidas de regulação de atividades econômicas e/ou estatização. Chávez também foi responsável por uma rearticulação política da América Latina. as lutas tem tido duração mais limitada e um avanço da direita. substituto de Rafael Correa no Equador. Isso poderia estar ligado a meios que o capital tem encontrado para gerir a sua crise e ao mesmo tempo descarrega-la sobre as costas dos trabalhadores de formas muitas vezes não tão fáceis de serem enfrentadas. passam a ser atacadas e. A disputa pela Síria expressa bem a importância econômica e política do petróleo. Estamos diante do fim das regulações estatais e ingressando num período de relações comerciais mais perversa. atribuindo e aumentando o poder político dos setores locais atrelados à subordinação e à essa reconversão neocolonial. dentro de suas particularidades. A chamada “segunda onda da globalização capitalista” ou da mundialização do capital para sermos mais precisos é muita mais nefasta. tem havido um certo refluxo no processo de rebeliões sociais. APESAR DE SEGUIREM LUTAS RADICALIZADAS. mas sim compreender como a tentativa de inserção do estado como protagonista econômico e social e um mínimo enfrentamento ao consenso de Washington levou à uma intervenção indireta dos setores imperialistas aliados à burguesia local. vem sendo desbancadas. sendo também mais incisivo em algumas medidas de enfrentamento ao capital. Não se trata aqui de bancar e levantar a bandeira do legado chavista. Argentina. ainda que timidamente – muitas das quais contemplavam setores das burguesias nacionais – mas que visavam algum protagonismo do estado. O último grande processo de massas com maior permanência foi o ascenso na Grécia em que no entanto terminou com a capitulação e traição do Syriza e toda a política de implementação da agenda da “Troika”. para a elevação do preço do barril do petróleo.

swfit. (http://www. Na França o incrível movimento do Noites Despertas que combinava as jornadas de paralisações e manifestações de ruas. No Brasil. o governo Trump é repleto de milionários e empresários. A fim de implementar ataques ainda mais duros. embora sempre se retomem e envolvam aspectos semelhantes e muitas vezes até mais avançados. dentre elas: coca-cola. O BRASIL DENTRO DA SEGUNDA ONDA DA MUNDIALIZAÇÃO DO CAPITAL No Brasil temos visto essas tendências de modo bem nítido. 10 grandes empresas. pela defesa de verbas e por outro modelo de Educação pública. Isto repercute na agenda política dos governos e congressistas com a aprovação de leis anti-trabalhador e redução de verbas para os serviços públicos e em maior lucratividade para as empresas. 139 ruralistas. Canadá. houve o Impeachment que se utilizou de vários mecanismos caracterizados como uma Manobra Parlamentar reacionária ou um Golpe Parlamentar. China. A grande questão e mais preocupante de todas é que seguimos em uma profundíssima crise de alternativas socialistas. foi de R$ 176 bi. e também em regiões populares como no México. doriana. Os maiores exemplos são a PEC 241 (congela as verbas da Educação e Saúde por 20 anos). a presença de empresários a frente de governos e nos parlamentos.sul21. mas também uma gama muito grande de prefeitos e vereadores eleitos na última eleição donos de empresas ou ligadas a elas. é dona de mais de 40 marcas.que muitas vezes se dão por meios diferenciados e que dividem a classe. dentre outros – com mais de 220 unidades. Holanda. Tudo isso tem levado a uma possibilidade do capital se sustentar e impor sua agenda. friboi. Esta. mac donalds. É verdade que há vários movimentos espontâneos dignos de menção desde as ocupações em diversos países. R$ 376 bi. temos um Congresso Pró-negócio e extremamente conservador. Como dissemos acima. 57% dos deputados e 48% dos senadores receberam recursos da ABIA em suas campanhas” ABIA – Associação de brasileira das indústrias de alimentos. com as reuniões e permanência nas praças como formas de ocupar espaços e discutir novas formas de organização da vida.. França. A JBS foi a principal doadora da campanha em 2014. 82 evangélicos.com. Dentre elas: minuano. seara. . Rússia. Em todos esses espaços rechaça-se as organizações e setores que pretendem impor sua liderança do alto de suas convicções muitas vezes a-históricas e por fora das experiências reais que se encaram nesses movimentos.. o Judiciário.. sendo a 2ª maior empresa de alimentos no mundo. além de entidades patronais financiaram a maioria dos deputados e demais políticos. os acampamentos de wall Street. hoje é o maior grupo econômico privado do país.190 deputados empresários. Vejam: . a JBS lucrou R$ 4 bi. Reino Unido. universidades. havaianas. conseguindo com isso pelo menos por enquanto manter a situação e a dominação sob seu controle mesmo com os vários elementos de crise permanentes. colocando os embates em níveis locais e ou mesmo inviabilizando os mesmos. vigor. São donos da osklem que fabrica produtos para a topper e mizuno e. maturatta.. CRESCE ENORMEMENTE A PRESENÇA DE EMPRESÁRIOS NO PARLAMENTO E NOS GOVERNOS É grande e crescente no Brasil e no mundo. etc. Já em 2016. temos João Dória em SP. Também temos visto o método das ocupações em outras lutas como de trabalhadores contra o fechamento de fábricas. que por hora não vislumbramos saídas. o Parlamento. No caso do Congresso Nacional. ambev. A JBS é parte da holding J&F.50% estão ligados a pessoas/famílias com a alguma carreira política. Mas também há muitos outros processos menos 5 . neutrox. A partir de uma operação casada envolvendo a burguesia na forma de associações de empresários e a FIESP. Está presente em 22 países – Estados Unidos. 36 % da bancada atual do congresso foi financiado pela JBS. itambé.. a Rerforma da Previdência e a Reforma Trabalhista. NO BRASIL E NO MUNDO. Midia a presidenta foi destituída a fim de com isso avançar tanto para uma aceleração dos ataques e reformas no nível e dinâmica necessária para o capital. rápidos e diretos. Também é fato que a tendência global ao aumento do desemprego empurra os trabalhadores a terem que se submeter mais às novas exigências de maior exploração do capital. da Eldorado Brasil (celulose) e Âmbar Energia (térmica e gasoduto). Em 2006.br/jornal/conflitos-de-interesse- jbs-financiou-36-da-atual-bancada-do-congresso-nacional/) “O congresso eleito em 2014. as ocupações das Praças dos Indignados. da Praça de Tahir. No Brasil. São experiências importantíssimas que devemos estudar e apoiar mas também é fato que não tem logrado manter-se. nestlé.

Todos os dias são novas mudanças profundas e sempre para pior. entendemos que permitem em um momento de não existência de alternativas de esquerda e cujo surgimento não se vislumbra a curto prazo. defendemos a necessidade de criar uma consigna que vincule Eleições Gerais com a necessidade de Novas Regras rumo a uma mudança geral do sistema político. disputar as consciências contra as propostas de direita ou mesmo de ultradireita que em geral visam fechar as decisões e o 6 . demissões e reestruturações. impulsionando instrumentos e organizações políticas que representem uma saída dos trabalhadores frente à crise. 2) por uma agenda econômica dos Trabalhadores. construção e organizações de base. fazendo a greve geral ser construída pela base. Apresentarmos alguns direcionamentos gerais e não uma saída pronta. entendemos ser importante disputar a consciência e as saídas imediatas contra a direita e mesmo contra o PT. desafio que deve estar no centro da preocupação das organizações e partidos de esquerda e não apenas sua autoconstrução. Com parte das centrais sindicais recuando da proposta de greve geral.vistosos mas nem por isso menos prejudiciais (Privatizações de portos. Calheiro. Embora reconhecendo a limitação dessa proposta. precarização de vínculos contratuais. Assim. a busca de alianças concretas e reais entre os movimentos buscando interferir nas esferas de produção e circulação das mercadorias e de capital. como ponto secundário e embora polêmico por estar no campo da democracia burguesa. tempo igual de televisão para todos os candidatos. mas acima de tudo um direcionamento para que ocorram a unidade dos calendários de luta. etc). em categorias e até em estados como no Rio de Janeiro e outros. Também. como dito acima. eleições indiretas e/ou algum outro acordo entre os partidos ou no máximo pelas Diretas apenas para presidente e ainda preservando todas as regras atuais. ainda que articuladas como paralisações de um dia. Frente à possibilidade mais provável de resolução da crise política pela sucessão de Maia. Redução da jornada de trabalho sem redução dos salários. visando elevar o nível de consciência dos trabalhadores. Taxação das grandes Fortunas. 1) Impulsionarmos a Greve Geral e ocupar as ruas até derrubar as Reformas! Esse desafio não é apenas para a greve geral de 30/06 e nem apenas como fim em si. salário de um trabalhador médio. entendemos necessário apresentar a consigna de Eleições Gerais Já para presidente e Congresso. fim do Senado. E não se encerrar no dia 30/6 mas ir além nas próximos momentos de agravamento e retomada de luta. abertura de imensas áreas florestais para o agronegócio. aeroportos. Entendemos que é preciso discutir pontos que realmente poderiam apontar medidas rumo à um programa a partir da perspectiva do trabalho que coloque em choque as necessidades dos trabalhadores contra as do capital: a) Auditoria/Não Pagamento da Dívida Pública. defendemos o Fora Temer. Ao mesmo tempo buscando expandir as formas de organização de base e das categorias e movimentos com o compromisso real e não apenas verbal. Por mais que essas medidas sejam limitadas. Reforma Agrária e Reforma Urbana sob controle dos Trabalhadores! 3) Construir a partir das várias lutas as formas de organização de base e os avanços de consciência. Nesse sentido é fundamental mais do que apenas lutar contra esses ataques (o que é pressuposto) buscar que os trabalhadores e ativistas busquem entender o que liga todos eles como forma de discutir e buscar se localizar melhor nessa luta e ao mesmo tempo se preparar para os próximos momentos. destruição/privatização de serviços públicos. por uma Câmera única. comunicação efetiva e de apoio aos movimentos para fazer avançar suas experiências. no momento atual entendemos que há alguns direcionamentos mais gerais para pautarmos nossas ações. Também aí se enquadram as Reformas do Ensino Médio para formar uma mão de obra ao estilo da necessidade de maquiladoras (fábricas apenas de montagem de equipamentos com peças produzidas em outros países). sob novas regras com mudança geral do sistema político. buscando desenvolver ao máximo as formas de unidade pela base dos movimentos e também sua consciência maior e suas formas de solidariedade ativa e também suas formas de exercício de uma democracia na gestão desses espaços de luta e de convivência. Nessas novas regras estariam: Proibição do financiamento privado de campanha/financiamento público com verba igual para todos os candidatos. Precisamos que as nossas propostas possam servir mais do que soluções mas como instrumentos de diálogo junto aos trabalhadores e ao ativistas. por ter um potencial de enfraquecer momentaneamente o governo e o andamento das Reformas. é necessário que a pauta contra as reformas assuma a prioridade de qualquer consigna. recursos naturais. com reajuste atrelado ao salário mínimo e revogabilidade dos mandatos. Podem ocorrer greves gerais de funcionalismo públicos. Para isso precisamos de uma prática de diálogo. 4) Como ponto subordinado e com menos ênfase em relação à demanda contra as reformas.

Diante da crise estrutural do sistema. como uma saída dentro do próprio sistema. é necessário apontar que a oferta de serviços públicos de qualidade só é possível dentro de uma perspectiva que se coloque em choque aos interesses do capital e.regime político. Ao começar esses debates com Plenárias conjuntas e seminários abertos na base das regiões seria um momento de pressionar as direções para que realizem um Encontro Nacional e avancem na definição de candidaturas comuns nas várias regiões inclusive abrindo legenda para ativistas independentes que utilizem a campanha para veicular as lutas e as demandas dos trabalhadores. principalmente no marco de uma relação absolutamente desfavorável de forças e de enorme déficit de subjetividade dos trabalhadores. É necessário esclarecer às massas que as contra-reformas trabalhista. representando um amplo decréscimo das condições de vida dos trabalhadores. defendemos que já se comecem os debates e esforços para a conformação de uma “Uma Frente de Esquerda Socialista nas Lutas e nas Eleições”. Se essas consignas de radicalização da democracia burguesa fossem aceitas. mas que em realidade se corporificam como campanha a “Lula 2018” e. diante das necessidades do capital mundializado. Ao apostar na radicalização de elementos da democracia burguesa não se levaria a uma estabilização do regime. seria contra a vontade da burguesia e como produto de uma vitória do movimento melhorando então a correlação de forças para os trabalhadores. já que é algo que a burguesia tem dificuldades de aceitar no contexto atual conforme vimos acima. como contrapartida à “Frente Ampla” recentemente formada. é que possa levar a uma situação mais favorável para as esquerda socialista. por isso. por exemplo. portanto. e levando os com isso a e com as mobilizações a reelaborar essas próprias propostas. estão no mesmo pacote da precarização de serviços básicos do Estado. Junho/2017 7 . que tem como bandeira as “Diretas. só é possível numa perspectiva de transição para outro sistema social. etc. da previdência. 6) Campanha de Denúncias da destruição das Escolas e Serviços Públicos como um todo. apontando para necessidades maiores futuras como um poder baseado em Conselhos Populares. Além disso essas propostas seriam feita resguardando e salientando aos trabalhadores sua limitação. já”. permitindo avançarmos para propostas mais além como Uma Constituinte Livre e Soberana ou mesmo outras para além do regime democrático burguês. Entendemos essa necessidade por que o objetivo da nossa política. sem que haja hoje qualquer saída imediata de esquerda. 5) Independentemente dessa proposta como saída frente ao agravamento imediato e possível saída de Temer.