UNIVERSIDADE DO VALE DO ITAJAÍ

MAIKON OSMAR DA SILVA

HABEAS CORPUS LIBERATÓRIO:
um remédio jurídico para a prisão ilegal

Tijucas
2010

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MAIKON OSMAR DA SILVA

HABEAS CORPUS LIBERATÓRIO:
um remédio jurídico para a prisão ilegal

Monografia apresentada como requisito parcial para a
obtenção do título de Bacharel em Direito, pela
Universidade do Vale do Itajaí, Centro de Ciências
Sociais e Jurídicas, campus de Tijucas.

Orientador: Esp. Adilor Antonio Borges

Tijucas
2010

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MAIKON OSMAR DA SILVA

HABEAS CORPUS LIBERATÓRIO:
um remédio jurídico para a prisão ilegal

Esta Monografia foi julgada adequada para obtenção do título de Bacharel em Direito
e aprovada pelo Curso de Direito do Centro de Ciências Sociais e Jurídicas, Campus de
Tijucas.

Direito Público/Direito Penal

Tijucas, 23 de junho de 2010.

Prof. Esp. Adilor Antônio Borges

Orientador

Prof. MSc. Marcos Alberto Carvalho de Freitas

Responsável pelo Núcleo de Prática Jurídica

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Esta é a satisfação de realizar um sonho, resultado da
compreensão, carinho e força de meu eterno e amado irmão Eduardo
(in memorian), e minha amada esposa Ednéia. A vocês, dedico este
trabalho.

Aos que colaboraram com suas críticas e sugestões para a realização deste trabalho. À minha família. Adilor Antonio Borges. contribuíram para a realização desta pesquisa. que muito contribuíram para a minha formação jurídica. pelos momentos que passamos juntos e pelas experiências trocadas. fonte suprema de todo saber. Aos colegas de classe. Campi de Tijucas. Aos Professores do Curso de Direito da Universidade do Vale do Itajaí. pelo carinho apoio e confiança que depositaram em mim. norte seguro na orientação deste trabalho. direita ou indiretamente. . 5 A Deus. A todos que. Ao Professor orientador.

6 “Eis o que diz o senhor: respeitai o direito e praticai a justiça. que observa o sábado sem profaná-lo. porque minha salvação não tarda a chegar e minha justiça a revelar-se. Isaías 56 . e abstém-se de toda má ação”. Feliz do homem que assim se comporta. e o filho do homem que se atém a isso.

que assumo total responsabilidade pelo aporte ideológico conferido ao presente trabalho. Tijucas. a Banca Examinadora e o Orientador de toda e qualquer responsabilidade acerca do mesmo. isentando a Universidade do Vale do Itajaí - UNIVALI. Maikon Osmar da Silva Graduando . a Coordenação do Curso de Direito. para todos os fins de direito. 7 TERMO DE ISENÇÃO DE RESPONSABILIDADE Declaro. 23 de junho de 2010.

No terceiro e último capítulo apresenta-se a evolução histórica e os tipos de habeas corpus. em específico o Habeas Corpus liberatório. Palavras-chave: Crime. com foco na prisão ilegal que é base fundamental para o próximo capítulo. 8 RESUMO O presente trabalho trata do Habeas Corpus liberatório como remédio jurídico para a prisão ilegal. elencado pela Constituição Federal no art. vir e permanecer. direito de ir. 5º. O segundo capítulo traz a conceituação e as espécies de prisão. Desta forma o Habeas Corpus é considerado um remédio jurídico para a prisão ilegal. Habeas Corpus. das pessoas que perderam esse direito. No primeiro capítulo são apresentados o conceito e os tipos de crimes. um instituto que visa resguardar o direito à liberdade. que garante o direito à liberdade de locomoção. Prisão. dentre os direitos e garantias fundamentais. ou seja. se encontram presos ilegalmente. . ou seja.

Prison . among the fundamental rights and guarantees. which guarantees the right to freedom of movement. Thus. Key-words: Crime. In the third and final chapter presents the historical development and the types of habeas corpus. In the first chapter presents the concept and the types of crimes. 9 ABSTRACT This work deals with Habeas Corpus as a remedy for discharging an illegal arrest. an institute which aims to protect the right to freedom. the people who lost that law. or are illegally detained. part listed by the federal constitution in the art. Habeas Corpus. ie the right to go. in particular Habeas Corpus discharging. Habeas Corpus is considered a legal remedy for the illegal arrest. come and stay. with a focus on illegal arrest which is the fundamental basis for the next chapter. 5. The second chapter covers the concepts and the species' imprisonment.

Código Penal CPC Código de Processo Civil CPP. Número OAB Ordem dos Advogados do Brasil p. Et cetera/e as demais coisas ex. Edição etc. Código de Processo Penal CF. 10 LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS art. Exemplo HC Habeas Corpus in verbis Nestas Palavras n. Volume § Parágrafo . Artigo apud Citado por arts. Página rev. Atualizado CLT Consolidação das Leis do Trabalho CP. Constituição Federal ed. Revisão STF Superior Tribunal Federal STJ Superior Tribunal de Justiça STM Superior Tribunal Militar TJ Tribunal de Justiça TRF Tribunal Regional Federal v. Artigos atual.

p. consentindo esta com constrangimento ou pela violência4”. PASOLD. no sentido de fazer diminuir a sua vontade ou obstar a que se manifeste livremente. 1. Cf. rev. De Plácido e.]. 162. BRASIL. de quem participa a outra pessoa. quer alternativa ou cumulativamente com a pena de multa. 200. Lei de introdução do Código Penal (decreto-lei n. p. a infração penal a que a lei comina. Fernando. isoladamente. 3.planalto. Florianópolis: OAB Editora. 2003. é a vontade manifestada pela pessoa humana de realizar a conduta6” 1 Denomina-se ‘categoria’ a palavra ou expressão estratégica à elaboração e/ou expressão de uma idéia. Culpa “A todos. de 7-12-940) e da Lei das Contravenções Penais (decreto-lei n. 43. 3. 2 Denomina-se ‘Conceito Operacional’ a definição ou sentindo estabelecido para uma palavra ou expressão. e atual. contravenção. quer exprimir a ação conduzida por uma pessoa contra outra. Direto Penal. 6 CAPEZ. 11 LISTA DE CATEGORIAS E SEUS CONCEITOS OPERACIONAIS Lista de categorias1 que o autor considera estratégicas à compreensão do seu trabalho. Acesso em 15 mar. 5 JESUS. é a vontade e a consciência de realizar os elementos constantes do tipo legal. Disponível em: <http://www. 10. 2. 2005. a fim de que o agente da coação logre realizar o ato jurídico. . ed. Dolo “É o elemento psicológico da conduta [. no convívio social. Cesar Luiz. 27.htm>.848. Prática da pesquisa jurídica: idéias e ferramentas úteis ao pesquisador do Direito. pena de prisão simples ou de multa. Prática da pesquisa jurídica: idéias e ferramentas úteis ao pesquisador do Direito. é determinada a obrigação de realizar condutas de forma a não produzir danos a terceiros5”.br/ccivil/Decreto- Lei/Del3914. quer isoladamente. Atualizadores: Nagib Slaibi filho e Gláucia Carvalho – Rio de janeiro: Forense. 31. 3 Art. Curso de Direito Penal: parte geral. de violência ou ação de violentar. Cesar Luiz. Damásio Evangelista de. ed.gov. com seus respectivos conceitos operacionais2. 2010. 1º da Lei de Introdução ao Código Penal. Vocabulário jurídico. 11 ed. PASOLD. p. 4 SILVA. 2007. Crime “Considera-se crime a infração penal a que a lei comina pena de reclusão ou detenção. com o desejo de que tal definição seja aceita para os efeitos das idéias expostas ao longo do presente trabalho. 399. Decreto Lei n. v. Mais amplamente. 2007. ou ambas. p.688.914 de 09 de dezembro de 1941. São Paulo: Saraiva.. Coação “No sentido mais propriamente de constrangimento. alternativamente ou cumulativamente3”. p. de 3 outubro de 1941). São Paulo: Saraiva..

que significa queimar. ed. 710. São Paulo: Jurídica Brasileira. Curso de Processo Penal. 8 AQUAVIVA. 15. 13 ed. determinada por ordem escrita da autoridade competente ou em caso de flagrante delito10”. São Paulo: Saraiva. 2 ed. rev. que está sendo cometido ou acabou de sê-lo11” 7 CAPEZ. isto é. 253. Rodrigo. atual. visto que não há mais motivo para continuar privada do direito à liberdade. 105 11 CAPEZ. Flagrante “O termo “flagrante” provém do latim flagrare. Rodrigo. rev. p. Prisão “É a privação da liberdade de locomoção. COLNAGO. É o crime que ainda queima. arder. Prática forense penal. COLNAGO. e ampl. Fernando. isto é. aplica-se a quem se encontra preso9”. p. Dicionário jurídico brasileiro Aquaviva. Fernando. Prática forense penal. p. Fernando. 10 CAPEZ. 427. Rodrigo. 111. Marcus Cláudio. 2006. 2008. cabe quando o paciente se acha na iminência de sofrer coerção8”. 2007. p. Fernando. 9 CAPEZ. . Habeas Corpus Preventivo “É aquele que previne. e atual. Habeas Corpus Liberatório ou Repressivo “É aquele destinado a tirar o constrangimento ilegal de quem perdeu o direito de locomoção. p. São Paulo: Saraiva. ou seja. Prática forense penal. COLNAGO. 12 Habeas Corpus “Remédio judicial que tem por finalidade evitar ou fazer cessar a violência ou a coação à liberdade de locomoção decorrente de ilegalidade ou abuso de poder7”.

............................................................................ 15 2 O CRIME ......................................................................4...........................................................................2 Conceito material..................................................................4...................................................... 22 2........................................................... 28 2.........................................4............15 Crime exaurido ..........................4 O crime na teoria geral do direito........................................................................................... 33 2....................................................... 37 ................................................................................................................. 29 2.....4............4 TIPOS DE CRIMES..... 24 2......................1. 08 ABSTRACT ..................................5 FATO TÍPICO............... 31 2......................................................... 28 2..............4....................................4....................................................................14 Crime profissional ......................................5.............................................................................. 36 2..................................1 CONCEITO DE CRIME.....................................3... 35 2.....................................................5 Crime tentado ........1........................2....................... 25 2..........................................................4...2............................................................................................................. 34 2............1 Crime doloso ............4................................ 24 2...............................13 Crime habitual ....................... 19 2.............................................................................6 Crime impossível.10 Crime permanente....................................4 Crime consumado ................................................................3 Imperícia............................... 35 2.......................... 32 2........... 21 2. 33 2........................................................................ 20 2............9 Crime de mera conduta..................................... 31 2...............................1 Imprudência........2 Objeto material ......................... 25 2....................................................... 22 2.................................4.........................3 Crime preterdoloso .......................................1...............................................................................................4......................2 Sujeito passivo..................................................4................................................................................................8 Crime de dano.......................................................................................................................................................4.................................................................................... 34 2......................................................................................................1 Sujeito ativo............................ 31 2...............1 Objeto jurídico..3 Conceito analítico .......... 11 1 INTRODUÇÃO ....................................3................................7 Crime putativo ..................................12 Crime progressivo ..................... 09 LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS .......................................................4................................3 OBJETO DO CRIME....11 Crime complexo .......... 23 2..1 Conceito formal .....2.................. 36 2..........4...............2 Negligência...... 13 SUMÁRIO RESUMO......4.....................................................................................................................................................................................4.................... 24 2................. 25 2.......................................................................................................................................................................................................... 36 2............................................. 28 2.2...................................................................................................................................................................................................4.4.................................................................................................................................................... 32 2...........................................5................................... 10 LISTA DE CATEGORIAS BÁSICAS E CONCEITOS OPERACIONAIS..........2 Conduta por ação ou omissão......1 Elementos ......................... 23 2....................................................17 Crime funcional .............. 33 2...............................................1.....2...16 Crime vago ............................................4............................................... 27 2.2 SUJEITOS DO CRIME............................................. 27 2............................2 Crime culposo...4....................................... 19 2.............................................................................................................

...........................................................................................................5 A tipicidade .....3.............................3............... 61 4.......................................5.......... 38 2....................................................................................................................................................... 83 REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS ..... 43 3......4 Prisão por sentença condenatória recorrível..............................3............................................. 75 4............................................. 85 ......12 ESPÉCIES DE HABEAS CORPUS .....3 Prisão civil ..........7 Prisão ilegal ...............................................................................................................5 Prisão por pronúncia..........1 Legitimidade ativa .............................. CONDIÇÕES DA AÇÃO ...................................................................................................................... 46 3................................................................................... 47 3........................ 56 3...............................1........................ 67 4............... 52 3......................... 44 3................................................................................................................3...............3 TIPOS DE PRISÃO ...............3 Resultado ......1 Prisão em flagrante ... 54 3..................................3.................4............................1 Prisão-pena ou prisão penal. 14 2......1........2 CONCEITO DE HABEAS CORPUS .........................6 Flagrante esperado ........1..................... 46 3........6 Habeas Corpus na Esfera Trabalhista......................... 53 3...............2 Flagrante impróprio ........................................... 50 3....................................................................................................................... 65 4.............................................1.....................2............................................. 43 3..........................3.......................................................................................................1........... 55 3.............................................5 Flagrante preparado ou provocado .........2 Liberatório ou repressivo............................................... 74 4......................13 EFEITOS .......... 40 3 PRISÃO ..........................3..........................................................5 ADMISSIBILIDADE.........................3...........................1.............. 42 3............................ 57 3.............................. 60 4... 70 4......................... 48 3................................................................................................................................................................................8 Flagrante forjado ...................2 Prisão preventiva .................................................................................12............5.............................9 Flagrante facultativo ........................4................................................ 67 4................................... 72 4................................................................5.................................................................................................................................14 RECURSOS CABÍVEIS ........3 Prisão temporária.................................................................. CONCEITOS DE PRISÃO ......................... 42 3..........................11 LIMINAR EM HABEAS CORPUS ............................................ 73 4..........1....... 49 3................................. 64 4.......................8 REQUISITOS DA AÇÃO........................................... 51 3................................................3 NATUREZA JURÍDICA ...............................................................................3 Flagrante presumido ......................................................................1................................................................... 79 4............................2 Prisão sem pena ou prisão processual ...................1...................................... 80 5 CONSIDERAÇÕES FINAIS......................3.......................... 51 3..2............................... 76 4................................10 Produção de Provas no Habeas Corpus .... 64 4............................................. Militar e Eleitoral ...... 69 4...................... 52 3...............................................................................2............... Civil.................3....................................1 Flagrante próprio .............1 A ORIGEM DO HABEAS CORPUS ..................................................3.................................. 57 4 HABEAS CORPUS LIBERATÓRIO..................................................................12..........4 Prisão administrativa ................................................................................................................... 39 2.....................1 Preventivo.4 Flagrante compulsório ou obrigatório............................3.................1 A origem do Habeas Corpus no Brasil ......2 ESPÉCIES DE PRISÃO.............................................................................. 66 4....... 69 4..............................3........3.................................................3... 48 3....................4 A relação de causalidade ...........................................................................................1.........7.................................................9 COMPETÊNCIA.........................7 Flagrante prorrogado ou retardado ............................................................................. 60 4.................................................................................. 55 3..............................................3.....................................4 LEGITIMIDADE .......2 Legitimidade passiva ....................1......................................................................... 63 4...2........................................................ 53 3......6 Prisão especial .........

ou constrangimento ilegal. na dimensão social-prática ainda pode ser tratado como elemento novo e repleto de nuances a serem destacadas pelos intérpretes jurídicos. com enfoque no Habeas Corpus Liberatório que é o meio adequado para resguardar o direito ambulatorial. Código Penal. também em Leis. pois é um direito público. além de ser requisito imprescindível à conclusão do curso de Direito na Universidade do Vale do Itajaí – UNIVALI. A escolha do tema é fruto do interesse pessoal do pesquisador em expor sobre a força que o Habeas Corpus Liberatório tem para resguardar o direito de locomoção. O presente tema. ou aquele que já perdeu. uma vez que estando preso pode fazer de próprio punho.É uma peça simples encaminhada a uma autoridade superior aquela da qual a pessoa está condicionada a ilegalidade. o presente relatório monográfico também vem colaborar para o conhecimento de um tema que. doutrinas e jurisprudências. Cesar Luiz. é conhecido como um remédio jurídico. encontra-se calcado na Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Ressalte-se que. pois está descrito no artigo 5º da Constituição Federal. assim toda pessoa pode se beneficiar deste instituto penal. . o direito a liberdade de quem se encontra na iminência de perder esse direito. Devido a importância social deste instrumento pode ser feito por qualquer pessoa que se sinta lesada de seus direitos ou em favor de outrem. p. 170-181. Prática da Pesquisa Jurídica: idéias e ferramentas úteis para o pesquisador do Direito. abuso de poder. 15 1 INTRODUÇÃO O presente trabalho tem por objeto12 o estudo da aplicabilidade do Habeas Corpus como um remédio jurídico para a prisão ilegal. A importância do estudo deste tema reside no direito de quem sofreu ou está prestes a sofre um constrangimento ilegal por abuso de poder ou autoridade. na atualidade. Código de Processo Penal. É um recurso processual com garantia fundamental. assim tratado pelas doutrinas. Tem como objetivo instigar novas 12 Nesta Introdução cumpre-se o previsto em PASOLD. apesar de não poder ser tratado como novidade no campo jurídico.

c) Com o deferimento do Habeas Corpus liberatório. Por certo não se estabelecerá um ponto final em referida discussão. aclarar o pensamento existente sobre o tema. . por fim. Políticas e Sociais. o Habeas Corpus é concedido a quem está na iminência de perder a liberdade. são algumas alterações ou mudanças no texto da lei penal e constitucional. Não é o propósito deste trabalho apresentar todas as formas de prisão contidas no direito brasileiro. Em vista do parâmetro delineado. Campus de Tijucas. Pretende-se. especialmente no âmbito de atuação do Direito Penal. 16 contribuições para estes direitos na compreensão dos fenômenos jurídicos-políticos. mas sim enfocar no instituto da ilegalidade. Como objetivo específico. constitui-se como objetivo geral deste trabalho é apresentar a importância e aplicabilidade do Habeas Corpus liberatório como remédio jurídico para a prisão ilegal. Centro de Ciências Jurídicas. Para o desenvolvimento da presente pesquisa foram formulados os seguintes questionamentos: a) A quem é ou deve ser concedido o Habeas Corpus? b) A quem é endereçado o Habeas Corpus liberatório? c) Qual o resultado quando é deferido o pedido de Habeas Corpus liberatório? Já as hipóteses consideradas foram as seguintes: a) Segundo o 5º da Constituição Federal. Possíveis variáveis encontradas que possam interferir na pesquisa. abordar a eficácia do Habeas Corpus liberatório. ilegalidade ou abuso de poder. especificar a ilegalidade da prisão e. ou já perdeu ilegalmente. sem a ilegalidade ou abuso de poder imposto. o paciente readquire a sua liberdade de locomoção. O objetivo institucional da presente Monografia é a obtenção do Título de Bacharel em Direito. pretende-se apresentar a conceituação de crime. pela Universidade do Vale do Itajaí. b) O Habeas Corpus é endereçado à autoridade superior àquela que tenha ou esteja praticando a arbitrariedade. tão-somente.

Cf. registra-se que.] é um conjunto diferenciado de informações reunidas e acionadas em forma instrumental para realizar operações intelectuais ou físicas. PASOLD. o relatório dos resultados expresso na presente monografia é composto na base lógica dedutiva. PASOLD. Cesar Luiz. 15 “[. Cesar Luiz. do conceito operacional17 e da pesquisa18 bibliográfica..]”. segundo Pasold13. conduzida conforme padrões metodológicos. É conveniente ressaltar. delineá-los como três molduras distintas. por opção metodológica. buscando a obtenção de informações que permita a ampliação da cultura geral ou específica de uma determinada área [. as categorias fundamentais. a prisão. das hipóteses elencadas. Cesar Luiz. Os acordos semânticos que procuram resguardar a linha lógica do relatório da pesquisa e respectivas categorias. Cf. ao início do trabalho. em seguida.. o Habeas Corpus liberatório. 88.] estabelecer uma formulação geral e. p. Prática da pesquisa jurídica: idéias e ferramentas úteis ao pesquisador do Direito. sob o comando de uma ou mais bases lógicas investigatórias”. sempre. Cesar Luiz.. Cesar Luiz... que. estão apresentados na Lista de Categorias e seus Conceitos Operacionais. PASOLD.. p. 45. atinente ao crime. .. Nas diversas fases da pesquisa. ao final. 77. 17 “Quando nos estabelecemos ou propomos uma definição para uma palavra ou expressão. Cf. muito embora algumas delas tenham seus conceitos mais aprofundados no corpo da pesquisa. serão acionadas técnicas14 de pesquisa do referente15. por derradeiro. com o desejo de que tal definição seja aceita para os efeitos das idéias que expomos. 31. Cf.. p. ou não. Cesar Luiz. são grafadas. Prática da pesquisa jurídica: idéias e ferramentas úteis ao pesquisador do Direito. para que.. especialmente para uma pesquisa”. na fase de investigação foi utilizado o dedutivo que.]”. da categoria16. Prática da pesquisa jurídica: idéias e ferramentas úteis ao pesquisador do Direito. e. PASOLD. 13 PASOLD.] a explicitação prévia do(s) motivo(s) do(s) objetivo(s) e do produto desejado.] atividade investigatória. Quanto à metodologia empregada. mas conexas: a primeira. buscar as partes do fenômeno de modo a sustentar a formulação geral”. inclusive. 16 “[. 62. e.. 88. delimitando o alcance temático e de abordagem para uma atividade intelectual.. seja apontada a prevalência. Cf. Prática da pesquisa jurídica: idéias e ferramentas úteis ao pesquisador do direito. 17 O relatório final da pesquisa foi estruturado em três capítulos. conforme sugestão apresentada por Cesar Luiz Pasold. Prática da pesquisa jurídica: idéias e ferramentas úteis ao pesquisador do Direito. 18 “[. a segunda. com a letra inicial maiúscula e seus conceitos operacionais apresentados em Lista de Categorias e seus Conceitos Operacionais. p. p. PASOLD. já que se parte de uma formulação geral do problema. buscando-se posições científicas que os sustentem ou neguem. consiste em “[.. podendo-se. Prática da pesquisa jurídica: idéias e ferramentas úteis ao pesquisador do Direito. seguindo as diretrizes metodológicas do Curso de Direito da Universidade do Vale do Itajaí. p. estamos fixando um Conceito Operacional [... 14 “[. enfim.] a palavra ou expressão estratégica à elaboração e/ou à expressão de uma idéia”.

. Guia para redação do trabalho científico. seguidos da estimulação à continuidade dos estudos e das reflexões sobre remédio jurídico para a prisão ilegal. Ano 2. O presente Relatório de Pesquisa se encerra com as Considerações Finais. número 4. 18 Ressalte-se que a estrutura metodológica e as técnicas aplicadas neste relatório estão em conformidade com as propostas apresentadas no Caderno de Ensino: formação continuada. Com este itinerário. assim como nas obras de Cezar Luiz Pasold. nas quais são apresentados pontos conclusivos destacados. vir ou permanecer. espera-se alcançar o intuito que ensejou a preferência por este estudo: a abordagem da ilegalidade da prisão das pessoas que perdem o direito de ir. Prática da pesquisa jurídica: idéias e ferramentas úteis ao pesquisador do Direito e Valdir Francisco Colzani.

1º .848. Para entender como surgiu e como foi tipificado. Assim. este capítulo é a base sobre a qual será construído este trabalho monográfico. conclui-se que.br/ccivil/Decreto-Lei/Del3914. agravo. De Plácido e.914. Vocabulário jurídico. sob ameaça de uma pena. injuria). 2. sob aspectos diferentes.htm>. Disponível em: <http://www.]20.688. Atualizadores: Nagib Slaibi filho e Gláucia Carvalho – Rio de janeiro: Forense. que a seguir serão analisados individualmente. quer isoladamente.. 3. 1º: Art. Portanto. ou seja.. 399. 2005. p. significa toda ação cometida com dolo. diz-se o fato proibido por Lei. de 09 de dezembro de 1941. tendo. trata-se de ato ou ação. que assim descreve em seu art. que é igualmente punida. pois os próximos capítulos tratarão da prisão ilegal e do habeas corpus. ou infração contraria aos costumes. . O Código Penal não trás uma definição expressa do conceito de Crime. tecnicamente. Decreto Lei n. material e analítico. 2.Considera-se crime a infração penal a que a lei comina pena de reclusão ou detenção. à moral e a Lei. ou que é reprovada pela consciência”. de 7-12-940) e da Lei das Contravenções Penais (decreto-lei n. 3.1 CONCEITO DE CRIME “Derivado do latim Crimem (acusação. mas ação ou omisso pessoal. Encontra-se o conceito de crime apenas na Lei de Introdução ao Código Penal - Decreto-Lei n. queixa. 20 BRASIL. 3. em acepção vulgar. instituída em beneficio da coletividade e segurança social do estado19. contudo surgido vários conceitos. 2010. quer alternativa ou cumulativamente com a pena de multa [. Acesso em 15 mar. 19 SILVA.planalto. 19 2 CRIME Neste capítulo busca-se investigar a origem do crime e o conceito atual de acordo com vários doutrinadores. que não se mostra abstração jurídica. o conceito de Crime é puramente doutrinário. Lei de introdução do Código Penal (decreto-lei n. porque o crime é o ponto de partida deste estudo. de 3 outubro de 1941).gov.914 de 09 de dezembro de 1941. o conceito formal.

Ricardo Antonio. 2003.714 de 25-11- 1998. 25 MIRABETE.. 1. Curso de Direito Penal: parte geral. Curso de Direito Penal: parte geral de acordo com a lei n. sendo a culpabilidade pressuposto da pena. e atual. um fato típico. consegue-se uma definição material ou substancial.]21. Quantos aos elementos que compõem o crime há duas correntes divergentes.714 de 25-11- 1998. mas analítico da infração penal25.1. Fernando. antijurídico e culpável. portanto. 22 CAPEZ. 20 No âmbito doutrinário encontram-se várias correntes. 9. Edmundo José de.. material e analítico”. p. acrescentam à estrutura do crime a punibilidade. mas esta. Andreucci24 leciona que “o aspecto formal considera a caracterização externa do crime. 2. 24. o crime é. enquanto que o aspecto material considera o conteúdo do fato punível”. 1999. São Paulo: Atlas. simplesmente um fato típico e antijurídico. 9. rev. observando-se o conteúdo do fato punível. “entende que há apenas dois elementos”. 2007. é sua conseqüência. Código Penal em Exemplos Práticos. 81. p. Para outros. 113. para a maioria dos autores. não elemento constitutivo [. 38. até 31 de dezembro de 2006. 26 CAPEZ. Do ponto de vista dos elementos que compõem. p. Neste trabalho monográfico adotou-se a primeira corrente que é defendida por Capez. considera-se infração penal tudo aquilo 21 BASTOS JÚNIOR. Florianópolis: OAB/SC. Ressalta Mirabete que: Atendendo-se ao aspecto externo. 4. Curso de Direito Penal: parte geral. entende que são três os elementos: “formal.1 Conceito formal Em seu conceito formal de crime. puramente nominal do fato. 25. Outros. Capez26 menciona que “este conceito resulta da mera subsunção da conduta ao tipo legal e. e examinando-se as características ou aspectos do crime. desta forma aborda-se a seguir cada um dos três elementos constitutivos do crime. ed. Curso de Direito Penal: parte geral de acordo com a lei n. 23 ANDREUCCI. No tocante à conceituação de crime. ed. portanto. no qual traz um comparativo entre vários doutrinadores. . Manual de Direito Penal: parte geral. enquanto que a corrente adotada por Andreucci23 não menciona o aspecto analítico. obtém-se uma definição formal. p. como se pode inferir do conceito de crime descrito por Bastos Júnior. também formal. 1. para uns. Julio Fabbrini. Fernando. Ricardo Antonio. 25. chega-se a um conceito. p. 24 ANDREUCCI. São Paulo: Juarez de Oliveira. 113. v. uma delas defendida por Capez22. ainda. p. v.

2. 113. tais como o grau de lesividade no caso concreto é uma ofensa ao princípio constitucional da dignidade humana. Damásio Evangelista de. 25. Curso de Direito Penal: parte geral. 27 JESUS. Damásio Evangelista de. Curso de Direito Penal: parte geral.268/96. 28 JESUS.2712/96. p. p 151. Damásio Evangelista de. “sob o aspecto formal. p. . Afirma Jesus31 que o conceito de crime sob o ângulo material. Ricardo Antonio. Fernando.. pelas leis 9.] todo fato humano que. p. ou seja. Prossegue o autor33 definindo crime do ponto de vista material. 150. ampl. 29 BITENCOURT.099/95. Direto Penal. Direto Penal. 32 CAPEZ. O autor acima mencionado ressalta considerar a existência de um crime somente no aspecto formal. p 151. 30 ANDREUCCI. devido ao seu caráter nocivo e aos danos resultantes”. Manual de Direito Penal: parte geral. p. ed. Curso de Direito Penal: parte geral de acordo com a lei n. sob ameaça de pena”. 9455/97. Neste sentido. 31 JESUS. 1999. sem levar em conta suas particularidades. pouco importando o seu conteúdo”.. conceitua-se o crime sob o aspecto da técnica jurídica. ou seja “é aquele que fundamenta o porquê de determinado fato ser considerado criminoso e outro não. Vale citar ainda Bitencourt29 que faz a seguinte afirmação. rev.2 Conceito material Na busca de um conceito para a materialidade do crime.1. 5. 9.714 de 25-11- 1998. 77.. “[. crime é um fato típico e antijurídico”. da seguinte forma. e atual. 9. do ponto de vista da lei”. Andreucci30 menciona que é a “violação de um bem jurídico penalmente protegido”. neste contexto”. 9. São Paulo: Revista dos Tribunais. Capez32 argumenta que o conceito material busca estabelecer a essência do conceito de crime. propositada ou descuidadamente. “visa apontar a razão que motivou o legislador a definir uma conduta humana como crime.. 21 que o legislador descrever como tal. lesa ou expõe a perigo bens jurídicos considerados fundamentais para a existência da coletividade e da paz social”. Saliente Jesus27 que “formalmente. 113. “crime é toda ação ou omissão proibida por lei. Direto Penal. Cezar Roberto. Fernando. Utilizando ainda como referência Jesus28. 33 CAPEZ. p.

Mini Dicionário Escolar da Língua Portuguesa. Fernando. p. 113. pois sem nenhuma orientação. restaria ao legislador o livre-arbítrio para instituir normas penais que definem uma conduta como criminosa.. 74. Direto Penal. 36 Direito de liberdade: “Condições de uma pessoa poder dispor de si. cujo objetivo é apresentar uma definição certa e uma decisão coerente sobre um ato infracionário penal e o seu agente causador.4 O Crime na Teoria Geral do Direito Conforme entendimento de Jesus40 a Teoria Geral do Direito pesquisa os acontecimentos jurídicos em suas linhas formais. Curso de Direito Penal: parte geral. Direito Penal: parte geral.] o crime é todo fato típico e ilícito. pois afirma que para que haja um juízo de reprovação é preciso que o fato seja típico e antijurídico. com método de classificação e abstração”.] sem uma descrição legal nenhum fato pode ser considerado crime.. colocar os elementos que estruturam o crime. São Paulo: DCL. condição de homem livre”. antijurídica e culpável”. o que causaria sérios danos ao direito de liberdade36 das pessoas”. 2002. Ronaldo.. 34 JESUS.. 1999. p 151. Todavia. 2. p. p. A cerca da matéria Capez acrescenta que: [. 162.]. Direto Penal. primeiramente se analisa a tipicidade da conduta. Já no entender de Silva39 o “crime é conduta humana típica. Damásio Evangelista de. Direto Penal. p 151. é importante estabelecer o critério que leva o legislador a definir somente alguns fatos como criminosos”. desta forma o autor traz um conceito diferenciado ao acrescentar o pressuposto culpabilidade. impulsionando o julgador ou intérprete a raciocinar em fases o desenvolvimento da sua decisão37. ou seja. Faculdade de praticar o que não é proibido por lei [. se o fato é típico e ilícito já surge a infração penal38. 2..1. 37 CAPEZ.3 Conceito analítico O conceito analítico de crime busca sob um ponto de vista jurídico.. 113. 22 Acrescenta Jesus34 que é correto afirmar “[. Fernando. . Damásio Evangelista de.1. 38 CAPEZ. Cf. Damásio Evangelista de. Curso de Direito Penal: parte geral. 40 JESUS. “criando uma hierarquia de princípios de grande valor lógico. 355. somente se esta for positiva será observada se a mesma é ilícita. RIOS. p. Assim. 39 SILVA. p. São Paulo: Momento Atual. Dermival Ribeiro. Prossegue o autor35 esclarecendo que os critérios estabelecidos são “o rumo a ser seguido pelo legislador. 35 JESUS.

Fernando. ou seja.2 SUJEITOS DO CRIME 2. São reminiscências as praticas de processos contra animais ou coisas por cometimento de supostas infrações. Manual de Direito Penal: parte geral. o fato que era comum passará a interessar ao Direito. a alteração. ao recair sobre um fato comum. p. é a criatura humana. o crime é “um ato antijurídico. isolada ou associada isto é. Segundo Silva44 o sujeito ativo do crime “é propriamente o titular do direito subjetivo. que lhe atribuirá conseqüências jurídicas. e atual. exercitando-o nos termos da Lei”. ou seja: Quando uma pessoa passeia por um jardim. faz com que ele ingresse no mundo jurídico. Edgard Magalhães. Direto Penal. a aplicação de uma sanção penal decorrente da ação ilícita do agente42”. Curso de Direito Penal: parte geral. rev. 23 Prossegue o autor mencionando que há fatos que não interessam ao direito. 165. Afirma Mirabete que. 33. por autoria singular ou co-autoria”. v. p. é o proprietário de direito. pois a finalidade do agente é obter conseqüências antijurídicas da ocorrência. O direito. p. Vocabulário jurídico. conservação. 1. a transmissão e extinção de um ou mais direitos subjetivos. 114. De Plácido e. . 43 CAPEZ. Na lição de Jesus46 o sujeito ativo “é quem pratica o fato descrito na norma penal incriminadora”. Damásio Evangelista de. 114. uma conduta que surte um efeito jurídico involuntário. 86. p. Se a pessoa. É o homem. está praticando um fato comum. 2. tem as vantagens dele e dele pode tirar os benefícios e proventos. Julio Fabbrini. p. só o homem possui a capacidade para delinqüir43. que não sofre a incidência do Direito. 44 SILVA. Transforma-o em fato jurídico41. São Paulo: Saraiva. porém. 162. atribuindo-lhe efeitos de nascimento. p. 46 JESUS. Damásio Evangelista de.2. 45 NORONHA. 42 MIRABETE. 1345. Direto Penal. No entendimento de Noronha45 o sujeito ativo do Crime “é quem pratica a figura típica descrita na Lei.1 Sujeito ativo Sujeito ativo do Crime é quem pratica o fato descrito na norma penal incriminadora. 41 JESUS. ed. andar sobre um gramado proibido causando dano. Só o homem possui capacidade para delinquir. Direito penal. 1998.

De Plácido e. .268/96. Damásio Evangelista de.2.3 OBJETO DO CRIME Objeto do Crime é aquilo contra que se dirige a conduta humana que o constitui. 50 CAPEZ. 179.. estando assim submetido ao dever jurídico de satisfazer o objeto da obrigação. 2. 1999.2712/96. Manual de Direito Penal: parte geral.1 Objeto jurídico Para Jesus51 o objeto jurídico “é o bem ou interesse que a norma penal tutela”. ed. a integridade física. Cezar Roberto. Com relação ao sujeito passivo do Crime para Jesus49 “é o titular do interesse cuja ofensa constitui a essência do Crime. para que seja determinado. pelas leis 9. 49 JESUS. assim como a vida. Direto Penal. sua valorização”. 51 JESUS. é necessário que se verifique o que o comportamento humano visa. o patrimônio. a honra. 171. Damásio Evangelista de. Para Bitencourt48considera-se sujeito passivo do Crime “o titular do bem jurídico lesado ou ameaçado”.3. 24 2. p. 5. Para que seja encontrado é preciso indagar qual o interesse tutelado pela Lei penal incriminadora”. 48 BITENCOURT. que se constitui em tudo o que é capaz de satisfazer às necessidades do homem. a honra. Daí pode-se afirmar que o objeto do Crime pode ser jurídico e material. 9455/97. Fernando. p. de que é um devedor”. p. Finalizando pode-se afirmar que o sujeito passivo do Crime é o titular do interesse cuja ofensa constitui a essência do Crime. 9. Direto Penal. p. Segundo Noronha52 “bem é o que satisfaz a uma necessidade do homem seja de natureza material ou imaterial. 79. Curso de Direito Penal: parte geral. como a vida. São Paulo: Revista dos Tribunais. etc. ampl. é o bem jurídico. etc. o sujeito passivo do crime “é a quele de quem se pode exigir o cumprimento de uma obrigação. 114. 9. e atual. p. objeto jurídico do Crime e o bem ou interesse que a norma penal tutela. 2.2 Sujeito passivo Segundo Silva47. ou seja. rev. Vocabulário jurídico. 47 SILVA. objeto material é a pessoa ou coisa sobre que recai a conduta do sujeito ativo50. 1345.099/95.

p. São eles que suportam a ação do delinqüente. Acesso em: 15 mar. v. os costumes e a liberdade sexual da mulher. 25 Objeto jurídico do Crime é o bem jurídico. do qual passa-se a discorrer neste tópico Jesus57 menciona que “a lei e a doutrina distinguem diversas espécies de crimes.1 Crime doloso Primeiramente.htm>. 114. Noronha55 afirma que “quase sempre a objetividade jurídica de um Crime se corporifica no individuo ou numa coisa. o homem ou a coisa sobre que incide a conduta do sujeito ativo”. Curso de Direito Penal: parte geral. 2010. 2. p. São Paulo: Saraiva. o interesse protegido pela norma penal. de 07 de dezembro de 1940. 1. 114. 18.4 TIPOS DE CRIMES Quanto aos tipos de crime. Direto Penal. Damásio Evangelista de. qual seja o Código Penal58.848. 2. ed. 2. Fernando. 2. a coisa no furto. .3. 57 JESUS. e atual. Damásio Evangelista de. p. 1998. É o objeto da ação.gov. 33. rev. a administração publica no peculato etc53. p. Objeto material do delito é. São Paulo: Saraiva. O objeto material do delito é a pessoa ou coisa sobre as quais recai a conduta do agente. 1998. no furto. p. o documento na falsificação54. isto é. se faz necessário apresentar o conceito de crime doloso trazido pela lei específica. Fernando. 114. Curso de Direito Penal: parte geral. nas lesões corporais. Edgard Magalhães. Disponível em: <http://www.4. Direito penal. o patrimônio. 52 NORONHA. a integridade corporal. É a vida. 53 CAPEZ. 179. 33. ed. a mulher e não os costumes etc56. Não se deve confundi-lo com objeto jurídico. no estupro. quando o agente quis o resultado ou assumiu o risco de produzi-lo”. rev. e atual. é a coisa alheia móvel sobre a qual incide a subtração o patrimônio. Assim o objeto material do homicídio é a pessoa sobre a qual recai a ação ou omissão e não a vida. p. Direto Penal. 54 JESUS.2 Objeto Material Objeto material do Crime é o indivíduo ou coisa em que recai a conduta do sujeito ativo.br/ccivil/decreto-lei/del2848. Decreto Lei n. 114. pois. no estupro. assim define: “I – doloso. 56 CAPEZ. na injuria. 55 NORONHA. a honra. 58 BRASIL. v. Código Penal. no homicídio. 188. Edgard Magalhães. no furto. que em seu art. a saber”. Direito penal. 1.planalto. como a pessoa viva no homicídio.

apresenta três teorias: 1ª. a Teoria da Representação não foi adotada pelo Código Penal. Cf. mas não deseja obter o resultado. em observância ao que dispõe o art. 9. a Teoria da Vontade e a Teoria do Assentimento. só que o autor prevê que o resultado possivelmente pode ocorrer. 64 Art.br/ccivil/decreto-lei/del2848. 60 CAPEZ. 137. Decreto Lei n. p. Fernando. pois se confunde com culpa consciente. 59 NORONHA. é necessário também ter conhecimento de sua ilicitude [. 2010. Quanto à definição de crime doloso Capez. de 07 de dezembro de 1940. Acesso em: 15 mar.Teoria da Representação: trata do conceito de crime doloso quando o agente tem a pretensão de praticar a conduta. p. Edgard Magalhães. Código Penal. ou seja. Edgard Magalhães.gov. do Código Penal. Ricardo Antonio. Curso de Direito Penal: parte geral. o dolo é um dos elementos do fato típico”. p. 3ª .planalto. Direito Penal..Teoria da Vontade: define a conduta como dolosa quando o agente tem vontade de praticá-la e produzir o resultado. inciso I. 45. Disponível em: <http://www. I . Esclarece Noronha61 que “[. 200. o autor prevê o que vai acontecer e aceita os riscos de realizar a conduta. é a vontade de concretizar as características objetivas do tipo”. Saliente ainda que: “é a vontade e a consciência de realizar os elementos constantes do tipo legal. 2ª . 62 ANDREUCCI.. o que dá qualificação a conduta como dolosa por isso se chama teoria da representação. Fernando. 61 NORONHA. dando nome a esta de Teoria do Assentimento ou consentimento63..doloso. 202. quando o agente quis o resultado ou assumiu o risco de produzi-lo..848. é a vontade manifestada pela pessoa humana de realizar a conduta”.714 de 25-11- 1998.[. . p. Curso de Direito Penal: parte geral. Direito Penal. 63 CAPEZ. 1864.. 2. ou. BRASIL. 26 Entende Noronha59 que “age dolosamente quem atua com conhecimento ou ciência de agir no sentido ilícito ou antijurídico.] não basta o agente querer praticar o fato típico.. Já para Andreucci62 dolo é “o elemento subjetivo do tipo. p. Curso de Direito Penal: parte geral de acordo com a lei n. O autor supracitado esclarece que apenas duas teorias são adotadas pelo Código Penal. numa palavra: com conhecimento da antijuridicidade do fato”. Mais amplamente. Saliente Capez60 que “dolo é o elemento psicológico da conduta.]. Conduta é um dos elementos do fato típico. 18 . Logo. 136-137.htm>.A terceira e ultima teoria define que dolo é o consentimento do resultado.]”.

negligência ou imperícia”. “por imprudência. p. p. Decreto Lei n.2 Crime culposo O crime culposo. de 07 de dezembro de 1940.. 71 CAPEZ. Salienta Jesus que: quando se diz que a culpa é elemento do tipo. negligência ou imperícia”. 207-208.br/ccivil/decreto-lei/del2848. ou seja. Estas três modalidades serão tratadas a seguir. Fernando.] da comparação que se faz entre o comportamento realizado pelo sujeito no plano concreto e aquele que uma pessoa de prudência normal. Disponível em: <http://www. faz-se referência à inobservância do dever de diligência. no convívio social. Curso de Direito Penal: parte geral. 2. Neste sentido. O autor exemplifica da seguinte maneira: “uma ultrapassagem 65 BRASIL. pois precisa de um juízo de valor prévio. Destarte. a culpa é um componente regulador da conduta”. p. sem este não se sabe se a culpa está presente ou não. 2. 297. Afirma Capez70 que a culpa pode ser de três modalidades. Curso de Direito Penal: parte geral. 27 2. Código Penal. Curso de Direito Penal: parte geral. “quando o agente deu causa ao resultado por imprudência. que o crime é culposo. teria naquelas mesmas circunstâncias68”.2.848. Acesso em: 15 mar. 69 JESUS. 210. Fernando.htm>. mediana.1 Imprudência É uma forma de culpabilidade que Capez71 define como sendo “aquela que surge quando o agente descuidadosamente realiza uma ação”. encontra-se disciplinado no Código Penal em seu art. a culpa decorre “[. . p. culpa daquele que age sem tomar as devidas precauções. Portanto.4. Fernando. 210. Fernando. prossegue o autor esclarecendo que “o legislador apenas prevê genericamente a conduta.planalto. Direto Penal. 2010. 67 CAPEZ. inciso II. 207-208. Fernando.. conduta normal é aquela ditada pelo senso comum. 207-208. Ressalta Capez66 que “a culpabilidade recebe este nome. 68 CAPEZ. ou seja “a todos. pois seria impossível prever todas as formas de prática culposa67”. 66 CAPEZ. Curso de Direito Penal: parte geral. Damásio Evangelista de. 1865. p. é determinada a obrigação de realizar condutas de forma a não produzir danos a terceiros69. Curso de Direito Penal: parte geral. 70 CAPEZ.4.gov. p.

p. Fernando. p.3 Imperícia Esclarece Capez75 que “a imperícia consiste em demonstrar a falta de habilidade pratica. 76 MIRABETE. Curso de Direito Penal: parte geral. 140. 74 CAPEZ. pois este não tomou as devidas precauções”.3 Crime preterdoloso O crime preterdoloso no entendimento de Capez77 é “uma forma de crime que se qualifica pelo resultado”. 210. p. Curso de Direito Penal: parte geral. Ronaldo. Em todos esses casos. Exemplo: “médico vai curar uma ferida e amputa a perna. em vez de acertar o criminoso etc”. Julio Fabbrini. excesso de velocidade. deixar arma ou substância tóxica ao alcance de criança etc”. deixou de tomar o devido cuidado por indolência mental”. 73 MIRABETE. Por sua vez.2. Curso de Direito Penal: parte geral. 216. trafegar na contramão. O autor traz a seguinte exemplificação: “deixar de reparar os pneus e verificar os freios antes de viajar. 131. Fernando. ou seja. Fernando.2. 2. Capez74. 2. 2. p. no exercício de uma atividade ou profissão”.4. não tomando o agente em consideração o que sabe ou deve saber”. No entendimento de Silva72 a “imprudência é decorrente da ação precipitada do agente que lhe deu causa.4. não tem conhecimento técnico suficiente para aplicar ao caso em questão.4. Manual de Direito Penal: parte geral. menciona que “a negligência é uma modalidade de culpa em que o agente deixa de tomar as precauções necessárias antes de iniciar uma ação”. atirador de elite que mata a vítima. Direito Penal: parte geral. 28 proibida. p. Para Mirabete76 “a imperícia é a falta de conhecimentos técnicos no exercício de arte ou profissão. 77 CAPEZ. 72 SILVA. manejar arma carregada etc. 75 CAPEZ. 140. .2 Negligência No parecer de Mirabete73 negligência é uma forma de culpa em que “o agente não teve a cautela exigida pela situação. 210. Julio Fabbrini. não sinalizar devidamente perigoso cruzamento. a culpa ocorre no mesmo instante em que se desenvolve a ação”. Manual de Direito Penal: parte geral. p.

e que é culposa pela causação de outro resultado que não era objeto do crime fundamental pela inobservância do cuidado objetivo. em um segundo momento produz o efeito agravador. Acesso em: 15 mar. p. p. 9. traz a definição de crime consumado. 83 BRASIL. 29 Prossegue ainda o autor salientando que: num primeiro momento o crime acontece contendo todos os elementos. acontecimento consequente. assim dispondo: “consumado. Disponível em: <http://www. 2010. Direto Penal. Direto Penal. 207-208.848. Damásio Evangelista de. 31. Curso de Direito Penal: parte geral de acordo com a lei n. p.4 Crime consumado A redação do art. Afirma Andreucci81.htm>.714 de 25-11- 1998. quando nele se reúnem todos os elementos de sua definição legal”.4. Fernando. pois é perfeito e acabado. de 07 de dezembro de 1940. 80 MIRABETE. Ricardo Antonio. que “o crime preterdolo é assim denominado pois o agente que lhe deu causa obtém um efeito mais grave que o esperado. Manual de Direito Penal: parte geral. p. Não há aqui um terceiro elemento subjetivo. Damásio Evangelista de. Já no entendimento de Jesus84 a denominação apropriada ao crime consumado é “crime perfeito”. Direito penal. Salienta Noronha82 que “existe delito preterdoloso quando o resultado vai além do dolo do sujeito ativo”. Curso de Direito Penal: parte geral. no primeiro momento à prática de dolo ou culpa. 146. 206. 2. 1483. 84 JESUS. um acontecimento precedente. no segundo momento tipifica o crime mais grave realizado culposa ou dolosamente sendo o resultado agravador78. 79 JESUS. ou forma nova de dolo ou mesmo de culpa80. em que há uma conduta que é dolosa. Argumenta Jesus79 que “o crime preterdoloso ou a preterintenção é quando a ação causa um efeito mais grave do que o agente esperava”. p. 82 NORONHA. Exemplo: lesão corporal seguida de morte”. 145. Neste sentido entende Mirabete: O crime preterdoloso é um crime misto.planalto. Decreto Lei n. Edgard Magalhães. 78 CAPEZ. 81 ANDREUCCI. 203. por dirigir-se a um fim típico. Código Penal.gov. . inciso I do Código Penal. Julio Fabbrini.br/ccivil/decreto-lei/del2848. p. 2.

e) permanentes: o momento consumativo se protrai no tempo. . Edgard Magalhães. que. para si ou para outrem. Exemplo: o crime de furto se consuma no momento em que o agente subtrai. b) culposos: com a produção do resultado naturalístico. ou seja. ocorreu a consumação”. 88 ANDREUCCI. Ricardo Antonio. Cada espécie de crime tem sua forma de consumação. acrescenta que se há concurso de pessoas basta que um deles subtraia para si a coisa alheia móvel para que haja a consumação do furto ou roubo. Julio Fabbrini. Nesse caso. isoladamente. Salienta ainda que a consumação não tem um momento certo. o que desconsidera a prisão em flagrante nesses crimes por não saber quando a conduta passou a ser um hábito. p. Curso de Direito Penal: parte geral. Fernando. no exato instante em que o bem sai da esfera de disponibilidade da vítima. 9. p. ou seja. Já Noronha89 afirma que “o momento da consumação varia conforme a natureza do delito”. precisará agora retomá-lo. p. 126. 39. d) formais: com a simples atividade. quando o fato concreto se subsume no tipo abstrato descrito na lei penal. Para Mirabete87 “está consumado o crime quando o tipo está inteiramente realizado. Fernando. h) qualificado pelo resultado: com a produção do resultado agravador. todas as elementares do tipo do furto foram inteiramente realizadas85. independente do resultado. Ressalta Andreucci88 que “consuma-se o delito quando existe a realização integral do tipo”. j) habituais: com a reintegração de atos. pois cada um deles. 85 CAPEZ. 240. Curso de Direito Penal: parte geral de acordo com a lei n. é indiferente à lei penal86. p. Preenchidos todos os elementos do tipo objetivo pelo fato natural. coisa alheia móvel. Direito penal. 86 CAPEZ. p. c) de mera conduta: com a ação ou omissão delituosa. 87 MIRABETE. 240-241. g) omissivos impróprios: com a produção do resultado naturalístico. 89 NORONHA. i) complexos: quando os crimes componentes estejam integralmente realizados. então. 30 Menciona Capez ao tratar sobre crime consumado o seguinte: Crime consumado é aquele em que foram realizados todos os elementos constantes de sua definição legal. f) omissivos próprios: com a abstenção do comportamento devido. 147. Curso de Direito Penal: parte geral. Manual de Direito Penal: parte geral. das quais Capez elenca da seguinte forma: a) materiais: com a produção do resultado naturalístico.714 de 25-11- 1998.

95 CAPEZ. iniciada a execução.htm>. “segundo a qual basta.planalto. .4. p.4. No entendimento de Jesus94. “é aquele que.848.848. 203. que “este tipo de crime ocorre quando o agente imagina que praticou um ato criminoso. 2. Já para Andreucci92 há duas teorias que tratam da matéria sobre crime tentado.gov. é impossível de se consumar”. Na visão doutrinária de Capez95. 31 2. Disponível em: <http://www. Curso de Direito Penal: parte geral. 91 CAPEZ. Acesso em: 15 mar.br/ccivil/decreto-lei/del2848. de 07 de dezembro de 1940.7 Crime putativo Entende Capez96. Acesso em: 15 mar. 2. a segunda que é a Teoria Subjetiva. pela ineficácia total do meio empregado ou pela impropriedade absoluta do objeto material. 2. 92 ANDREUCCI. Decreto Lei n. 2. 2010. por ineficácia absoluta do meio ou por absoluta impropriedade do objeto. 243. p. inciso II do código Penal e assevera que “quando. Direto Penal. 9. Curso de Direito Penal: parte geral. Fernando. Fernando. ou 90 BRASIL. Decreto Lei n. Código Penal. quando realizou apenas uma conduta irrelevante para o direito penal. p. 40. 93 BRASIL. é impossível consumar-se o crime93”. 17 sobre o crime impossível que “não se pune a tentativa quando. 2010. Ao discorrer sobre este assunto Capez91 afirma que “o crime tentado por circunstância diversa da vontade do agente teve inicio a execução. para configurar a tentativa.6 Crime impossível Dispõe o Código Penal em seu art. 1490. “segundo a qual existe tentativa com o inicio dos atos de execução”. não se consuma por circunstâncias alheias à vontade do agente”. Curso de Direito Penal: parte geral de acordo com a lei n. 96 CAPEZ. Ricardo Antonio. 264.htm>.5 Crime tentado O crime tentado encontra-se inserido no art.gov. a revelação da intenção delituosa.4. Disponível em: <http://www. Damásio Evangelista de.br/ccivil/decreto-lei/del2848. tentativa inadequada ou inidônea”.714 de 25-11- 1998. ainda que em atos preparatórios”. 256. 94 JESUS.planalto. Código Penal. de 07 de dezembro de 1940. p. o crime impossível “é também chamado quase-crime. p. Curso de Direito Penal: parte geral. Fernando. mas não foi consumado o crime”. A primeira é a Teoria Objetiva.

é dirigida finalisticamente a produzir o resultado. 99 CAPEZ. é o que existe na mente do autor. p. 97 JESUS. afirmando que “são os que só se consumam com a efetiva lesão do bem jurídico tutelado: homicídio. 100 GRECO. 98 BASTOS JÚNIOR. Esclarece Bastos Júnior98 que: “crime putativo. Fernando. na realidade atípica. 32 seja. Niterói: Impetus. 2.4. como sendo “essencial a lesividade ao bem jurídico tutelado para que haja desta forma a consumação. 2009.8 Crime de dano Este tipo de crime é conceituado por Capez99. o crime de dano “são aqueles que. ou erroneamente suposto) quando o agente considera erroneamente que a conduta realizada por ele constitui crime.9 Crime de mera conduta Entende Capez102. ou imaginário. Rogério. na verdade. Edmundo José de. 6. em que não existe absolutamente nenhum resultado que provoque modificação no mundo concreto. A conduta do agente portanto.. que crime de mera conduta é um tipo de crime em que “o resultado naturalístico não é apenas irrelevante. Código Penal em Exemplos Práticos. Curso de Direito Penal: parte geral. 263. para a sua consumação. lesões corporais. 101 SILVA. p. portanto. na realidade. Curso de Direito Penal: parte geral. Assim defini Silva101 sobre o crime de dano. pois o fato não infringe a norma penal. 102 CAPEZ. p. 2. etc”.]100”. acarretando dano ou lesão para o bem protegido pelo tipo penal. mas uma maneira de expressão para designar esses casos de “não-crime97”. . Ronaldo. 199. Só existe na imaginação do sujeito. v. 2. que supõe criminosa a sua conduta.. Neste caso não há crime.4. p. 264. ed. p. Segundo Greco. Damásio Evangelista de. Curso de Direito Penal: parte especial. costumando-se dizer que nele ocorre um erro de proibição ao contrário”. O delito putativo. é um fato atípico. [. 59. Difere. 108. quando. mas impossível”. p. Direito Penal: parte geral. não é uma espécie de crime. que Jesus apresenta o seguinte conceito: Ocorre delito putativo (ou imaginário. não houve crime por parte do agente”. É o caso do crime de desobediência ou da violação de domicílio. Direto Penal. do crime impossível. Fernando. 77. deve haver a efetiva lesão ao bem juridicamente protegido pelo tipo”. Este é um tipo de crime.

10 Crime permanente O crime permanente segundo Capez104 “é aquele que se prolonga no tempo e continua agredindo o bem jurídico. p. p. 2. acrescido de fatos ou circunstâncias que. Fernando. a exemplo disto temos o crime de seqüestro”. afirmando que “crime de mera conduta (ou de simples atividade) a lei não exige qualquer resultado naturalístico. dependendo da atividade. 124. Curso de Direito Penal: parte geral. 106 MIRABETE. Fernando. 264.11 Crime complexo Afirma Capez105 que é uma forma de crime na qual “resulta da fusão entre dois ou mais tipos penais (latrocínio = roubo + homicídio. ação ou omissão. cessando o ato ilícito somente pela vontade do agente causador. em si não são típicos (crime complexo em sentido amplo) 106. 124. 265. o agente. 265.12 Crime progressivo O crime progressivo para Capez107 “é o que para ser cometido necessariamente viola outra norma penal menos grave. O conceito de Mirabete traz o seguinte entendimento: São complexos os crimes que encerram dois ou mais tipos em uma única descrição legal (crime complexo em sentido estrito) ou os que. 105 CAPEZ. Manual de Direito Penal: parte geral. estes foram alguns exemplos citados pelo autor. abrangem um tipo simples. em uma figura típica. como sucede no cárcere privado”. Curso de Direito Penal: parte geral. p. estupro qualificado pelo resultado morte = estupro + homicídio. visando desde o início a produção de um 103 MIRABETE. como crime “cuja consumação se prolonga no tempo. Não sendo relevante o resultado material. do sujeito ativo. p.4.4. 104 CAPEZ. Julio Fabbrini. 2. Julio Fabbrini.4. p. 33 Apresenta Mirabete103 sua definição. Assim. É conceituado por Silva. contentando-se com a ação ou omissão do agente”. há uma ofensa (de dano ou de perigo) presumida pela lei diante da prática da conduta. O crime complexo é a ligação de dois atos ilícitos que juntos produzem um só resultado. Manual de Direito Penal: parte geral. extorsão mediante seqüestro = extorção + seqüestro)”. 107 CAPEZ. Fernando. . 2. Curso de Direito Penal: parte geral.

112 CAPEZ. p.4. arte dentária ou farmacêutica”. traduzindo geralmente um modo ou estilo de vida”. numa relação de anterioridade. Fernando. . Julio Fabbrini.4. 77. pratica sucessivas e crescentes violações ao bem jurídico”. p. contém outro. p. 124. Rogério. p. Na visão doutrinária de Mirabete113. que constituem um todo. 122. um delito apenas. 122. lesões corporais.13 Crime habitual Com relação ao crime habitual Capez110 esclarece que “é aquele formado por um conjunto de atos relevantes ao modo vivencial do agente. configurará o crime111. Curso de Direito Penal: parte especial. 267. Curso de Direito Penal: parte geral. senão passando-se pela realização do que ele contém”. Fernando. 111 MIRABETE. Na concepção de Greco: para se chegar ao homicídio. penalmente indiferentes de per si. Curso de Direito Penal: parte geral. p. 113 MIRABETE. Embora a prática de um ato apenas não seja típica. deverá produzir na vítima. Ronaldo. de modo que sua realização não se pode verificar. 34 resultado mais grave. 110 CAPEZ.14 Crime profissional O crime profissional é assim conceituado por Capez112 “é o habitual. fazendo uso de sua atribuição profissional”. constituído de uma reiteração de atos. praticados com habitualidade. ou seja. 108 GRECO. para que o agente consiga alcançar o resultado da morte. Entende Silva109 que esta modalidade de crime “se tem quando um tipo. 2. esta forma de crime “é praticada por um agente que exerce uma determinada profissão e usa deste meio para realizar prática ilícita. Julio Fabbrini. p. razão pela qual o crime a ser absorvido é conhecido como delito de passagem108. a exemplo disto é o exercício ilegal da medicina. 267. Direito Penal: parte geral. abstratamente considerado. 2. quando cometido com o intuito de lucro”. Manual de Direito Penal: parte geral. o conjunto de vários. Manual de Direito Penal: parte geral. No entendimento de Mirabete o crime habitual é aquele que “é normalmente. 109 SILVA.

Curso de Direito Penal: parte geral.4. mesmo após atingir o resultado consumativo continua a agredir o bem jurídico. de 07 de dezembro de 1940. Acesso em: 15 mar. BRASIL. 2. funcionado como circunstância judicial desfavorável (CP.br/ccivil/decreto- lei/del2848. pois pode agravar as conseqüências do crime.16 Crime vago Este tipo de crime é conceituado por Capez118. aos antecedentes. estabelecerá. 210). 266. na violação de sepultura (art. quando após a consumação. caput). Decreto Lei n. p.848. 115 Art. como a coletividade em seu pudor.br/ccivil/decreto-lei/del2848. como no caso de corrupção passiva.Praticar ato obsceno em lugar público. Curso de Direito Penal: parte geral. 159. 2010. 118 CAPEZ. Influencia na dosagem da pena. Código Penal. 59115. ou aberto ou exposto ao público. como “aquele que tem por sujeito passivo entidade sem personalidade jurídica. aos motivos. “É aquela em que o agente. e sim mero desdobramento de uma conduta já consumada. é levado a outras conseqüências lesivas. p. em que o agente.15 Crime exaurido Segundo Capez114. 266. exemplos são encontrados no impedimento ou na perturbação de cerimônia funerária (art.htm>. platéia etc. É o caso do crime de ato obsceno (art. p.848. Curso de Direito Penal: parte geral. Fernando. conforme seja necessário e suficiente para reprovação e prevenção do crime.htm>. . Cf. Disponível em: <http://www. às circunstâncias e conseqüências do crime. efetivamente vem a retardar ou deixar de praticar ato de ofício (exaurimento)116. após solicitar ou receber a vantagem. bem como ao comportamento da vítima. Pode também atuar como causa de aumento.” Prossegue o autor afirmando que: Não caracteriza novo delito. 119 Art. p. o delinqüente consegue este. quando. 233 . no delito do art. art.gov. 116 CAPEZ.gov. à conduta social.planalto. após seqüestrar a pessoa com fim de resgatar. 117 SILVA.4. Ronaldo. basta ser o fim do delinqüente”. BRASIL. no 114 CAPEZ. atendendo à culpabilidade. Assim. grupo.planalto. 2. Fernando. Código Penal. Fernando. 35 2. Decreto Lei n. 2. 209). como a família. 267. 59 . Direito Penal: parte geral. Acesso em: 15 mar. Salienta Silva117 que “se diz um crime. à personalidade do agente. 2010. de 07 de dezembro de 1940. Ao tratar desta matéria Mirabete traz o seguinte entendimento: Crimes vagos são aqueles em que o sujeito passivo é uma coletividade destituída de personalidade jurídica. Disponível em: <http://www. 78. o crime exaurido é caracterizado da seguinte forma.O juiz. amigos. A consecução do resgate não é o elemento do delito. 233119)”. Cf.

9. resultado. Vale ressaltar que o fato típico é desdobrado em elementos. de 07 de dezembro de 1940. 126). Afirma Capez125 que “é o fato material que se amolda perfeitamente aos elementos constantes do modelo previsto em lei penal”. e quem trabalha para empresa prestadora de serviço contratada ou conveniada para a execução de atividade típica da Administração Pública. Direto Penal. 123 JESUS.Equipar-se a funcionário público quem exerce cargo. 124 ANDREUCCI. 33. Manual de Direito Penal: parte geral. 2. 217. 115. p. na alteração da substância alimentícia ou medicinal (art.br/ccivil/decreto-lei/del2848. Curso de Direito Penal: parte geral de acordo com a lei n. Acesso em: 15 mar. ou seja. 121 CAPEZ.848. embora transitoriamente ou sem remuneração. .17 Crime funcional Na concepção doutrinária de Capez121. Curso de Direito Penal: parte geral. Fernando. exerce cargo. 2010.htm>. 120 MIRABETE. 2.5 FATO TÍPICO Segundo Andreucci124.714 de 25-11- 1998. Ricardo Antonio. p. 273) etc.Considera-se funcionário público.gov. para os efeitos penais. no aborto com consentimento da gestante (art. p. 212). Curso de Direito Penal: parte geral de acordo com a lei n. conduta de ação ou omissão. 125 CAPEZ. p. 33. 122 Art. emprego ou função em entidade paraestatal. emprego ou função pública. “tem-se a conduta do sujeito seja ela positiva ou negativa. 268.1 Elementos Para Andreucci126 são elementos do fato típico “conduta humana dolosa ou culposa. Julio Fabbrini. Decreto Lei n. Damásio Evangelista de. 125. Cf. BRASIL. p. provocando um resultado descrito na lei penal como uma infração.5. p. Fernando. relação de causalidade. e a tipicidade. o crime funcional “é aquele cuja prática é feita por um funcionário público122”.4. Ricardo Antonio. 327 .714 de 25-11- 1998. Disponível em: <http://www. dos quais passa-se a discorrer sobre cada um destes componentes. 2. se encaixa adequadamente ao tipo penal os elementos nele contido”. 9.120 2. 36 vilipêndio a cadáver (art. quem. 126 ANDREUCCI. Na lição de Jesus123 “é um tipo de crime próprio que só pode ser praticado por uma pessoa perante uma situação ou condição de forma particular”. Parágrafo 1º . Código Penal. Curso de Direito Penal: parte geral.planalto.

37

resultado; nexo de causalidade entre a conduta e o resultado; enquadramento do fato material
a uma norma penal incriminadora”.

Capez127 apresenta os quatro elementos do fato típico de forma mais objetiva: “são
quatro: a) conduta dolosa ou culposa; b) resultado (só nos crimes materiais); c) nexo causal
(só nos crimes materiais); d) tipicidade”.

Mirabete128 destaca que “deve estar descrito na legislação penal para se afirmar que o
fato concreto é típico”. Além disso, cada elemento é imprescindível para a composição do
fato típico, na falta de um desses elementos descaracteriza a idéia de crime, e faz com que este
passe a ser uma tentativa, pois não ocorreu o resultado.

2.5.2 Conduta por ação ou omissão

A conduta humana voltada para uma finalidade, é uma ação ou omissão da pessoa que
age com consciência e voluntariamente, a mente humana processa uma série de informações
que são transformadas em desejos, pois as pessoas são dotadas de vontade e razão129.

Enquanto o pensamento permanece preso somente na consciência não significa nada
para o direito penal, mas a partir do momento que a vontade vem à tona e a conduta se
exterioriza no fato concreto e se torna perceptível passar a ser um fato punível para o direito
penal, a ação como um comportamento positivo de fazer, ou omissão um comportamento
negativo, deixar de fazer o que era preciso130.

Andreucci define este instituto da seguinte forma:

a) ação, que é a atuação humana positiva voltada a uma finalidade; b)
omissão, que é a ausência de comportamento, a inatividade. A omissão é
penalmente relevante quando o omitente devia e podia agir para evitar o
resultado 131.

Entende Jesus132 que “é a ação manifestada por meio movimento humano que resulta
em uma determinada finalidade”.

127
CAPEZ, Fernando. Curso de Direito Penal: parte geral. p. 115.
128
MIRABETE, Julio Fabbrini. Manual de Direito Penal: parte geral. p. 88.
129
CAPEZ, Fernando. Curso de Direito Penal: parte geral. p. 116.
130
CAPEZ, Fernando. Curso de Direito Penal: parte geral. p. 116.
131
ANDREUCCI, Ricardo Antonio, Curso de Direito Penal: parte geral de acordo com a lei n. 9.714 de 25-11-
1998. p. 35.
132
JESUS. Damásio Evangelista de. Direto Penal. p. 237.

38

2.5.3 Resultado

Neste sentido entende Jesus133 que “o resultado é transformação do mundo externo
causado pela conduta humana voluntária”.

Afirma Capez134 que “a mudança no mundo exterior realizada pela conduta do agente
traz como conseqüência da conduta o resultado”.

Prossegue Capez abordando em seu contexto o entendimento da teoria naturalística
que traz o seguinte entendimento:

Resultado é a modificação provocada no mundo exterior pela conduta (a
perda patrimonial no furto, a conjunção carnal no estupro, a morte no
homicídio, a ofensa à integridade corporal nas lesões etc.). Há crimes que
não possuem um resultado naturalístico, pois se tratam de infrações penais
que não causam nenhum tipo de alteração no mundo natural,

O autor ainda define que de acordo com esse resultado, as infrações penais
classificam-se em crimes materiais, formais e de mera conduta, ou seja:

Crime material é aquele cuja consumação só ocorre com a produção do
resultado naturalístico, como no homicídio, que só se consuma com a morte.
Crime formal é aquele em que o resultado naturalístico é até possível, mas
irrelevante, uma vez que a consumação se opera antes e independentemente
de sua produção135.

É o caso, por exemplo, da extorsão mediante seqüestro (CP, art. 159), a qual se
consuma no momento em que a vítima é seqüestrada, sendo indiferente o recebimento ou não
do resgate. Os tipos que descrevem crimes formais são denominados “tipos incongruentes”,
uma vez neles há um descompasso entre a finalidade pretendida pelo agente (quer receber o
resgate) e a exigência típica (o tipo se contenta com a mera realização do seqüestro com essa
finalidade). [...]. Crime de mera conduta é aquele que não admite em hipótese alguma
resultado naturalístico, como a desobediência, que não produz nenhuma alteração no mundo
concreto, [...]136.

133
JESUS. Damásio Evangelista de. Direto Penal. p. 237.
134
CAPEZ, Fernando. Curso de Direito Penal: parte geral. p. 155.
135
CAPEZ, Fernando. Curso de Direito Penal: parte geral. p. 155.
136
CAPEZ, Fernando. Curso de Direito Penal: parte geral. p. 155-156.

39

Já no entender de Andreucci137 define-se resultado como sendo “um elemento que está
dentro do fato típico”, e aponta a definição de duas teorias. A primeira é a teoria naturalística,
esta entende como sendo o comportamento humano voluntário que provoca mudanças no
mundo natural, pelo resultado de uma conduta juridicamente relevante do agente. A segunda é
a teoria jurídica ou normativa que apresenta o resultado como sendo uma ameaça ou prejuízo
de um interesse protegido pela norma penal.

2.5.4 A Relação de causalidade

A relação de causalidade é a ligação entre o ato praticado pelo agente e o resultado,
circunstância que permite dizer se a conduta deu causa ao resultado, ao qual se constata o
nexo causal, sua averiguação, mas especificamente atende às leis da física, ou seja, causa e
efeito, sua verificação não depende de nenhuma apreciação jurídica138.

“É o elo de ligação concreto, físico, material e natural que se estabelece entre a
conduta do agente e o resultado naturalístico, por meio do qual é possível dizer se aquela deu
ou não causa a este139”.

O autor supracitado esclarece que:

Não se trata de questão opinativa, pois ou a conduta provocou o resultado ou
não. Exemplo: um motorista, embora dirigindo seu automóvel com absoluta
diligência, acaba por atropelar e matar uma criança que se desprendeu da
mão de sua mãe e precipitou-se sob a roda do veículo. Mesmo sem atuar
com dolo ou culpa, o motorista deu causa ao evento morte, pois foi o carro
que conduzia que passou por sobre a cabeça da vítima. Assim, para se saber
sobre a sua existência, basta aplicar um utilíssimo critério, conhecido como
critério da eliminação hipotética [...] segundo o qual sempre que, excluído
um fato, ainda assim ocorrer o resultado, é sinal de que aquele não foi causa
deste140.

Andreucci141 entende que a relação de causalidade ou nexo causal “é a ligação entre a
conduta e o resultado, é a modificação causada no mundo exterior, é existente entre a ação ou
omissão do agente”. O nexo de causalidade integra o fato típico, ou seja, se foi o agente que
deu causa ao resultado criminoso.

137
ANDREUCCI, Ricardo Antonio, Curso de Direito Penal: parte geral de acordo com a lei n. 9.714 de 25-11-
1998. p. 39.
138
CAPEZ, Fernando. Curso de Direito Penal: parte geral. p. 156.
139
CAPEZ, Fernando. Curso de Direito Penal: parte geral. p. 156.
140
CAPEZ, Fernando. Curso de Direito Penal: parte geral. p. 156.
141
ANDREUCCI, Ricardo Antonio, Curso de Direito Penal: parte geral de acordo com a lei n. 9.714 de 25-11-
1998. p. 37.

40

Desta forma Bastos Júnior ressalta que:

A maioria dos crimes é de resultado naturalístico, ou seja, há uma
modificação perceptível pelos sentidos no mundo exterior, decorrente da
conduta do agente. Assim, para que este responda por essa conseqüência,
faz-se mister que haja entre conduta e resultado uma relação de causa e
efeito, de causalidade. Questão das mais simples, na maioria dos casos, em
que o evento é resultante de uma única causa, torna-se, entretanto, espinhosa
e complexa quando, para a produção do resultado, cooperam outras causas,
sejam oriundas de conduta humana, condições da vítima ou outras
circunstâncias que podem ser preexistentes, concomitantes ou
supervenientes à conduta do agente142.

No entendimento de Jesus a relação de causalidade é exemplificada e definida da
seguinte forma:

A mata B a golpes de faca. Há o comportamento humano (atos de desferir
facadas) e o resultado (morte). O primeiro elemento é a causa; o segundo, o
efeito. Entre um e outro há uma relação de causalidade, pois a vítima faleceu
em conseqüência dos ferimentos produzidos pelos golpes de faca. Ao
estabelecer-se esse liame o juiz não irá indagar se o sujeito agiu acobertado
por uma causa de exclusão de antijuridicidade ou culpabilidade. Verificará
apenas se a morte foi produzida pelo comportamento do agente, pois a
ilicitude e a culpabilidade pressupõem a imputação do fato a um sujeito.
Somente após apreciar a existência do fato típico, no qual se inclui o nexo
causal entre a conduta e o evento, é que fará juízos de valor sobre a ilicitude
e a culpabilidade143.

Mirabete144 conceitua que é “a ligação que existe numa sucessão de acontecimentos
que pode ser entendida pelo homem”.

2.5.5 A tipicidade

A tipicidade é conceituada por Capez145 como sendo “aquela conduta praticada pelo
agente, descrita na lei penal como fato punível”, ou seja, “a conduta humana para ser
considerada criminosa tem que se enquadrar a um tipo legal, a tipicidade é relação entre a
conduta e a descrição da lei”.

Já na definição de Silva146, “como último elemento do fato típico tem-se a tipicidade,
que é a correspondência exata, a adequação perfeita entre o fato natural, concreto e a

142
BASTOS JÚNIOR, Edmundo José de. Código Penal em Exemplos Práticos. p. 39.
143
JESUS. Damásio Evangelista de. Direto Penal. p. 237.
144
MIRABETE, Julio Fabbrini. Manual de Direito Penal: parte geral. p. 97-98.
145
CAPEZ, Fernando. Curso de Direito Penal: parte geral. p. 188.
146
SILVA, Ronaldo. Direito Penal: parte geral. p. 102.

senão descrevê-los de forma detalhada. Fernando. ocasião. expor. A seguir passa-se ao estudo da prisão. Curso de Direito Penal: parte geral. que é uma forma de punir uma conduta tipificada como ilícita. que é a adequação daqueles requisitos na definição legal do crime”. em alguns casos.).).). o tipo é composto dos seguintes elementos: núcleo. subtrair. designado por um verbo (matar. iludir etc. Ao tratar desta matéria Capez ressalta ainda que: Na sua integralidade. 188. tempo. 187. referências ao lugar. p. documento etc. a tipicidade. . ofender. 148 JESUS. p. delimitando. 41 descrição contida na lei”. em alguns casos. objeto material (coisa alheia móvel. confunde-se com o próprio sujeito passivo (no homicídio. que. recém-nascido etc. constranger. Damásio Evangelista de. p. Esclarece Capez147 que “de fato. 226. Segundo Jesus148 “aparece um ultimo elemento. em termos precisos. ao fim especial visado pelo agente 149. mãe etc. referências a certas qualidades exigidas. modo de execução. referências ao sujeito passivo (alguém. 147 CAPEZ. para o sujeito ativo (funcionário público. Fernando. Direto Penal.). o que o ordenamento entende por fato criminoso”. não cabe à lei penal proibir genericamente os delitos. Curso de Direito Penal: parte geral. 149 CAPEZ. o elemento “alguém” é o objeto material e o sujeito passivo). em alguns casos. meios empregados e.

Processo Penal. Julio Fabbrini. de regra. Entre nós. e atual. 13. Dando desta forma suporte para o objeto de estudo do terceiro capítulo que tratará do Habeas Corpus liberatório. Afirma Mirabete153 que “a prisão. Vocabulário jurídico. 151 SILVA. da liberdade ambulatória”. mais ou menos intensa. por motivo ilícito ou por ordem legal” Define Muccio. 153 MIRABETE. 9 ed. De Plácido e. há a prisão-albergue. 1095. 19. 150 CAPEZ. Pode-se dizer. 2003. Prática forense penal. 2007. ed. do direito de ir e vir. que a prisão suprime. p. então. do latim prehensio. mediante clausura. agarrar) tanto significa o ato de prender ou o ato de agarrar uma coisa ou pessoa. de prehendere (prender. contudo. 152 TOURINHO FILHO. Hidejalma. 154 MUCCIO.1 CONCEITOS DE PRISÃO O conceito de prisão na concepção de Capez e Colnago150. . 105. é a privação da liberdade de locomoção. determinada por ordem escrita da autoridade competente ou em caso de flagrante delito”. 359. COLNAGO. a liberdade de locomoção154. Fernando. 590. Fernando da Costa. ou seja. rev. segurar. o instituto da prisão. Nesse tipo de prisão há uma privação parcial da liberdade de locomoção. São Paulo: Atlas. assim. p. p. Entende Tourinho Filho152. nos seguintes termos: Nada mais é do que a privação da liberdade pessoal. que a prisão é “a privação. No conceito formulado por Silva “prisão. São Paulo: HM. no todo ou em parte. p. Manual de Processo Penal. p. São Paulo: Saraiva. Prisão e Liberdade Provisória: teoria e prática. prender e agarrar são equivalentes a prisão. 3. em sentido jurídico. 2002. “é a privação da liberdade de locomoção. Rodrigo. 42 3 PRISÃO Este capítulo embasa a prisão na visão doutrinária e legislação com enfoque na prisão ilegal. significando o estado de estar preso ou encarcerado151”.

Rio de Janeiro: Lumen Juris. e comentada com as leis 11.1 Prisão-pena ou prisão penal Entende Tourinho Filho157 que esta espécie de prisão é “decorrente de sentença penal condenatória irrecorrível” esclarece ainda que “a prisão-pena é o sofrimento imposto pelo Estado ao infrator. após o devido processo legal.689/08. enquanto se aguarda o deslinde da instrução criminal. daquela que resulta de cumprimento de pena. até o trânsito em julgado da decisão condenatória155. destinada unicamente a vigorar. enquanto a liberdade vem sendo deixada num plano de exceção”. 2003. Conforme Choukr156 existe uma inversão de valores no relacionamento liberdade- prisão. quais sejam: a prisão-pena ou prisão penal. 590. 3. Não se distingue. Manual de Processo Penal. p. “É comum encontrar na legislação infraconstitucional. São Paulo: Revista dos Tribunais. forma de cumprimento e regimes de abrigo do condenado. nesse conceito. Código de Processo Penal Comentado.2. quando necessário. a prisão provisória. rev.719/08 e 11. p. esta espécie de prisão é conceituada da seguinte forma: É aquela imposta em virtude de sentença condenatória transitada em julgado. 156 CHOUKR.2 ESPÉCIES DE PRISÃO Este item trata das espécies de prisão. 11. o Código de Processo Penal cuida da prisão cautelar e provisória. Código de Processo Penal: comentários consolidados e críticas jurisprudenciais. Guilherme de Souza. estabelecendo as suas espécies. 157 TOURINHO FILHO. através do recolhimento da pessoa humana ao cárcere”.. como retribuição ao mal praticado. concepções da prisão como instrumento essencial no modelo persecutório. Fauze Hassan. trata-se da privação da liberdade determinada com a finalidade de executar decisão judicial. No entendimento de Capez e Colnago. A seguir passa-se a discorrer sobre cada uma delas individualmente. 467.ed. 2009. 3. 2. a fim de reintegrar a ordem jurídica injuriada”. atual. 477. prisão civil e prisão administrativa. na qual se 155 NUCCI. 43 Prisão segundo Nucci “é a privação da liberdade. ed. ou seja. p.690/08. . Fernando da Costa. prisão sem pena ou prisão processual. Enquanto o Código Penal regula a prisão proveniente de condenação. tolhe-se o direito de ir e vir. em execução de uma sentença penal. 3.

162 CAPEZ. São Paulo atlas. 1999. do processo penal ou da execução da pena. notadamente é uma forma do Estado corresponder ao autor de um ilícito que feriu a ordem jurídica.ed.689/08. Nogueira160 apresenta o seguinte conceito: “prisão é a supressão da liberdade individual. 2004. Processo penal: parte geral. Victor Eduardo Rios.2 Prisão sem pena ou prisão processual Esta espécie de prisão é de natureza puramente processual. 164 DEMERCIAN. 161 DEMERCIAN. 11. Victor Eduardo Rios. Prática forense penal. Pedro Henrique. p. rev. destinada a assegurar o bom desempenho da investigação criminal. é “aquela que decorre de sentença condenatória transitada em julgado”. Prática forense penal. rev. p. Para Choukr165 “estes limites são ultrapassados principalmente em países de tradição inquisitiva como o Brasil. Fernando. GONÇALVES. ed. 105-106. Rodrigo. Rodrigo. 478. ou ainda a impedir que. 44 determinou o cumprimento de pena privada de liberdade. imposta com finalidade cautelar. Processo penal: parte geral. 8. ed. 3. COLNAGO. 3. p. Curso de Processo Penal. 159 REIS. 160 NOGUEIRA. Alexandre Cebrian Araújo. Fauze Hassan. Alexandre Cebrian Araújo. apresenta uma construção teórica sobre as garantias dos cidadãos. o sujeito continue praticando crimes162. São Paulo: Saraiva.2. p. ver. 152-153. Fernando. São Paulo: Saraiva. 152. prisão pena ou prisão penal. Para Luigi Ferrajoli. Não tem finalidade acautelatória. 2000. Paulo Lúcio. Pedro Henrique. nas hipóteses permitidas em lei”. nem natureza processual. 105. 11. e atual. solto. 158 CAPEZ.719/08 e 11. Na visão doutrinária de Demerciam161 é uma forma de punir o autor de um fato delituoso. onde a situação é ainda mais grave”. GONÇALVES. Paulo Lúcio Nogueira Filho.690/08. A prisão processual é definida por Reis e Gonçalves163. e comentada com as leis 11. Menciona Demercian164 que esta modalidade de prisão “ocorre nos casos em que não seja decorrente de uma sentença penal que o condene. mediante recolhimento”. 163 REIS. todavia havendo uma sentença penal condenatória passa a ser uma prisão penal vista no item anterior”. p. a qual decorre de uma sentença penal que o condene. Curso de Processo Penal. . Curso completo de Processo Penal. 166. Código de Processo Penal: comentários consolidados e críticas jurisprudenciais. 83. 165 CHOUKR. p. Para Reis e Gonçalves159. 166. como sendo “aquela decretada antes do trânsito em julgado de sentença condenatória. p. atual. COLNAGO.. Trata-se de medida penal destinada à satisfação da pretensão executória do Estado 158.

a prisão processual só é legítima quando atende aos princípios básicos e fundamentais de uma vida em sociedade. que na sua essência possui natureza processual e cautelar. 11. Derecho y Razón: teoria del Garantismo penal. Perfecto Andrés Ibáñez et al. p. até que a presunção de sua inocência fosse destruída por uma sentença que reconhecesse a culpabilidade – um grupo de jurista da Comunidade Econômica Européia concluiu recentemente. Gomes Filho. 477. p. Fagundes. 2000. Fauze Hassan. J. Como se pode perceber. São Paulo: Saraiva. Cunha e Baluta escrevem que: Apesar de um primeiro momento. 168 CHOUKR. para reforçar-lhe o disciplinamento de sua decretação169. 65. é muito estreita. e comentada com as leis 11. relata: As prisões decretadas anteriormente à condenação. e o princípio da presunção da inocência. tendo em vista a comissividade do princípio constitucional da presunção da inocência168. encontram justificação apenas na excepcionalidade de situações em que a liberdade do acusado possa comprometer o regular desenvolvimento e a eficácia da atividade processual167. Presunção de inocência e prisão cautelar. que na verdade. que numa visão mais radical do princípio nem sequer poderiam ser admitidas. 3. atual. rev. Madrid: Trotta. . etc. 1997. tais como a preservação da integridade física dos indivíduos.719/08 e 11. o decreto de prisão antes do trânsito em julgado. 555-559. como meio para combater injustiças. sobre o princípio da presunção de inocência. Assim. Trad. 45 Para Ferrajoli166. 166 FERRAJOLI. que sugere até mesmo a abolição da prisão processual. 169 CUNHA. Sobre a real função deste princípio constitucional. Luigi. 167 GOMES FILHO. José Jairo. 111. excogitarem-se interpretações equivocadas quanto ao alcance dos postulados do princípio – entendendo-se que se tratava de um aforisma com força de afastar qualquer limitação provisória da liberdade dos acusados.ed.. 1991. que é uma das mais importantes garantias constitucionais. alegando que são ilegítimos e inadmissíveis. mas sim. a igualdade entre as pessoas. O Processo Penal à Luz do Pacto de São José da Costa Rica. BALUTA. 4 ed. p.689/08. Código de Processo Penal: comentários consolidados e críticas jurisprudenciais. A pesquisa dogmática sobre o tema revela que as medidas cautelares são odiosas e somente são admitidas em casos excepcionalíssimos. p.690/08. o princípio constitucional não veio com a finalidade de impedir a prisão antecipada. Por outro lado. Curitiba: Juruá. Antônio Magalhães. S. a relação entre a prisão preventiva.

gov. São as únicas permitidas pela Constituição da Republica Federativa do Brasil no seu artigo 5º171. 5º [. LXVII destaca: ”Não haverá prisão civil por divida. 1096. Processo Penal. 171 Art. Julio Fabbrini. BRASIL. a prisão civil que. Cf. salvo a do responsável pelo inadimplemento voluntário e inescusável de obrigação alimentícia e a o do depositário infiel”.não haverá prisão civil por dívida. Vocabulário jurídico. p. Com o efeito. 319 .2. pela autoridade policial. 5º. 174 Art. ficando o preso à disposição daquele173”. 172 MIRABETE. Prossegue o autor lecionando que “a Prisão Civil é aquela realizada. 3. LXVII. 319174 do Código de Processo Penal não foi 170 SILVA. salvo a do responsável pelo inadimplemento voluntário e inescusável de obrigação alimentícia e a do depositário infiel.. Julio Fabbrini. por ordem do juiz. p. Esta modalidade de prisão foi extinta pela nova ordem constitucional. LXVII . é uma das espécies de prisão administrativa em sentido amplo (prisão extra penal). da CF)172.contra estrangeiro desertor de . Acesso em: 20 mar.]. De Plácido e. Constituição da República Federativa do Brasil de 05 de outubro de 1988. 173 MIRABETE.2. 2010. II . 396.planalto. Destaca Mirabete que: Por preceito constitucional. Sendo no caso de depositário infiel não cabe mais prisão por força da súmula vinculante nº 25 editada pelo STF. consequentemente de condenação por Crime ou contravenção. Para Silva.. só é possível nos casos de inadimplemento voluntário e inescusável da pensão alimentícia ou do depositário infiel (art. fundada em norma ou regra jurídica civil170”. para fins civis nos casos de devedor de alimentos e depositário infiel.contra remissos ou omissos em entrar para os cofres públicos com os dinheiros a seu cargo. a fim de compeli-los a que o façam.A prisão administrativa terá cabimento: I .htm>. 396. diz-se prisão civil “é a que decreta contra certas pessoas como sanção à falta de cumprimento de seu dever. o art.4 Prisão administrativa Prisão Administrativa é aquela decretada por autoridade administrativa para compelir o devedor ao cumprimento de uma nova obrigação. Processo Penal. 46 3. como visto.br/ccivil_03/constituicao/constitui%C3%A7ao. p. Disponível em: <http://www. a prisão civil em oposição à prisão penal ou criminal.3 Prisão civil Considera-se Prisão Civil aquela decretada compulsoriamente pelo juízo cível.

de 03 de outubro de 1941. 178 TORNAGHI apud NOGUEIRA. III . o da Justiça).htm>.689. 29.]. independentemente de envolvimento em infração penal ou existência de inquérito policial ou processo judicial. a existência de razões para a expulsão) e com finalidade administrativa (como sejam: compelir à prestação das contas. 299. Cf. da Constituição da República de 1988. a demora em prestar contas de dinheiros públicos. surto em porto nacional. São Paulo: Malheiros. BRASIL. p. Com o advento da CF de 1988. 2010.3 TIPOS DE PRISÃO Uma vez apresentados os conceitos doutrinários sobre a prisão. 5º no inciso LXI. 397.. Pois foi estabelecido em seu art. da CF. Disponível em: <http://www.br/ccivil_03/constituicao/constitui%C3%A7ao. Maximiliano Roberto Ernesto. Processo Penal.planalto. Constituição da República Federativa do Brasil de 05 de outubro de 1988.. Fuhrer e Fuhrer. Decreto Lei n.. 2007).br/CCIVIL/Decreto-Lei/Del3689. por força do art. LXV .htm>. 2009. 53-54. 5º. a prisão administrativa somente pode ser determinada pelo juiz competente176. 3. FÜHER. Hoje. 5º. Cf. expelir do território nacional)178. (CAPEZ. Quanto à prisão administrativa.gov. passa-se ao estudo dos navio de guerra ou mercante. 175 Art. a prisão administrativa foi restrita apenas a duas exceções: os casos de prisão em flagrante e crimes militares. 177 MIRABETE. Argumenta Mirabete177 “que a prisão administrativa é aquela podia ser decretada por uma autoridade administrativa de forma mais ampla antes da vigência da CF de 1988. Maximilianus Claudio Américo.. Acesso em: 25 abr. apresentam a seguinte definição: Prisão administrativa é a determinada por motivo de ordem administrativa e com a finalidade administrativa. Curso completo de Processo Penal. o Ministro da Fazenda. ed. .planalto. 2010. Acesso em: 20 mar.] chama-se prisão administrativa aquela que é decretada por autoridade administrativa (p. LXV175 e LXVII. g. 47 recepcionado pelo art. que restringiu aos casos de prisão em flagrante e crimes militares”. (Col. p. Julio Fabbrini. Código de Processo Penal. LXI. por motivos de ordem administrativa (v. 176 FÜHRER. Disponível em: <http://www. BRASIL. a regra de que a prisão de qualquer pessoa será feita pela autoridade judiciária.gov. p.. Antes da CF de 1988. 3. Esta modalidade de prisão para Tornaghi citado por Nogueira é entendida da seguinte forma: [. ex.a prisão ilegal será imediatamente relaxada pela autoridade judiciária. 5º [. a medida podia ser decretada pela autoridade administrativa. Resumos 5). Resumo de Direito Penal. Paulo Lúcio.nos demais casos previstos em lei.

no interesse público e para a garantia da ordem pública. a possibilidade de se prender alguém em flagrante delito é um sistema de auto- defesa da sociedade.1. 370. 179 CAPEZ. 251. a prisão daquele que está acabando de cometer o crime e. sem mandado. Processo Penal. Curso de Processo Penal. por ser considerado a certeza visual do crime181. também. preventiva. Ou para designar tudo o que é registrado ou anotado no próprio momento em que se dá a ação”. 3. p. Já Demercian entende que: No estado de flagrância. Julio Fabbrini. esta prisão independe de autorização judicial competente”. especial e ilegal. .1 Prisão em flagrante Esclarece Capez179 que “esta modalidade de prisão consiste na restrição da liberdade de alguém que é surpreendido praticando um ato ilícito ou acabou de praticar. Fernando. Pedro Henrique. que são tratadas detalhadamente a seguir. p. em razão disso. há manifesta evidência probatória quanto ao fato e sua autoria. 183 DEMERCIAN. 184 CAPEZ. 625. Assim. praticado. irrecusável. Rodrigo. que permite a prisão do seu autor. 155-156. 3. 252. é o delito que está sendo cometido. 181 MIRABETE. 180 Flagrante: “Derivado do latim flagrans (ardente. flagrante180 é uma qualidade do delito. Vocabulário jurídico. (grifo do autor)182. é empregado. 182 MIRABETE. tendo também o sentido de salutar providência acautelatória da prova da materialidade do fato e da respectiva autoria. insofismável. A prisão em flagrante é subdividida pela doutrina em várias espécies. Julio Fabbrini. Justifica-se. p.3. o que é evidente ou aparente. Processo Penal. Prática forense penal.1 Flagrante próprio Esta modalidade de prisão segundo Capez184 “também chamado propriamente dito. Cf. p. por sentença penal condenatória recorrível.3. dos quais se apresenta a seguir a definição de: prisão em flagrante. temporária. abrasador). Curso de Processo Penal. 48 tipos de prisão. p. em face da repercussão que o crime alcança no seio da população183. é o ilícito patente. COLNAGO. SILVA. figuradamente. 370. Fernando. Em sentido jurídico. derivada da necessidade social de fazer cessar a prática criminosa e a perturbação da ordem jurídica. De Plácido e. por pronúncia. p. para significar o que é claro.

Disponível em: <http://www. 2010.planalto. 49 real ou verdadeiro”. Pondo-se em fuga.gov. 3689. isto é. 187 BRASIL. II – acaba de cometê-la”. um fato típico.]185. 453.br/CCIVIL/Decreto-Lei/Del3689. este intervalo de tempo 185 TOURINHO FILHO. Código de Processo Penal. incisos I e II. o agente é perseguido. 302188. de 03 de outubro de 1941. Decreto Lei n. Manual de Processo Penal. se estava danificando186.planalto. todos os elementos integralizadores da infração. . Manual de Processo Penal. em situação que faça presumir ser autor da infração”. Prossegue o autor asseverando que: Pouco importa esteja o agente em legítima defesa.1. 453. 2010. 188 BRASIL. ou tenha acabado de praticar. de 03 de outubro de 1941.. Acesso em: 25 abr. surpreendido no instante mesmo da prática da infração. Tourinho Filho apresenta o seguinte entendimento: Diz-se flagrante em sentido próprio quando o agente é surpreendido praticando a infração penal. 3. Não há necessidade de serem examinados. O Código de processo Penal em seu art. Fernando da Costa. quando acaba de cometê-la [. Fernando da Costa. se estava agredindo. Disponível em: <http://www. então.gov. estado de necessidade ou qualquer outra excludente de ilicitude. naquele instante. No entendimento de Capez: [. Norberto Cláudio Pâncaro. Decreto Lei n.2 Flagrante impróprio O flagrante impróprio é determinado pelo CPP no “art. traz a seguinte definição “Considera-se em flagrante delito quem: I – está cometendo a infração penal. pelo ofendido ou por qualquer pessoa. 2009. inicia-se ininterrupta perseguição. pela autoridade.htm>. 3689. logo após. inciso III que “é perseguido..br/CCIVIL/Decreto-Lei/Del3689. para a configuração do estado de flagrância em sentido próprio basta esteja ele praticando. 779. então.htm>. Deverá apenas ser examinado se agente estava matando. em virtude das circunstâncias supõe-se que seja o autor do delito. 189 AVENA. p.] após a prática do ato ilícito. Acesso em: 25 abr. é interrompido pela intervenção de terceiros. ou. p.. 302187. p. 186 TOURINHO FILHO. Código de Processo Penal.. Processo Penal: esquematizado.3. Rio de Janeiro: Forense: São Paulo: Método. até que vem ele ser preso”. Entende Avena189 que “o agente já concluiu os atos de execução do crime ou.

realiza a polícia rodoviária consulta em relação à placa do veículo tripulado pelo suspeito. Curso de Processo Penal.3 Flagrante presumido Ocorre essa modalidade de flagrante quando o agente é preso. Disponível em: <http://www.htm>. constatando que fora o mesmo recentemente furtado194. do qual a polícia necessita para chegar ao local e apurar todas as provas para esclarecer o caso desde que não ocorra nenhuma interrupção. armas. Acesso em: 25 abr. ou seja. Fernando da Costa. presumidamente. do flagrante impróprio193. Código de Processo Penal. Norberto Cláudio Pâncaro. 611-612. Essa espécie de flagrante usa a expressão “logo depois”.planalto. logo depois da ocorrência de uma infração penal. Embora ambas as expressões tenham o mesmo significado. com instrumento. p. 193 CAPEZ. 2010. Processo Penal: esquematizado. objetos ou papéis que indicam. Avena conceitua e exemplifica esta modalidade de flagrante. comporta um lapso temporal maior do que o “logo após”. do flagrante presumido. bastando que a pessoa seja encontrada logo depois da prática do ilícito em situação suspeita. a doutrina tem entendido que o “logo depois”. 252. e não apenas vinte quatro horas como fundamenta a regra popular. podendo ter sido meramente casual a localização do suspeito. Curso de Processo Penal. 194 AVENA. Na concepção de Capez obtém-se a seguinte colocação: Não é necessário que haja perseguição. 191 TOURINHO FILHO. 3. ter sido ele o autor do crime. Decreto Lei n.gov. objetos ou papéis que façam presumir ser ele o autor do ilícito (art. Aqui não se exige que tenha ocorrido perseguição. 302192. são as circunstância que levam a acreditar que seja esta determinada pessoa a autora dos fatos191. 50 por ser maior entre o momento do ato e prisão do agente decorrente da perseguição pode levar até vários dias. de 03 de outubro de 1941.1. 780. 3689. Esta modalidade de flagrante pode ser tratada como quase flagrante pois neste caso tem a figura do logo após o fato ocorrido. in verbis: É aquele que se caracteriza logo depois da prática da infração. Fernando. p. Exemplo: ao ser abordado por uma blitz policial. IV do CPP). 252. Manual de Processo Penal. sendo encontrado o agente portando instrumentos. . p. 192 BRASIL. por isto pode ser chamado também de quase- flagrante ou flagrante irreal190.3. Fernando. armas.br/CCIVIL/Decreto-Lei/Del3689. p. 190 CAPEZ. ao invés de “logo após” (somente empregada no flagrante impróprio).

Fernando: Curso de Processo Penal. o prende em flagrante.Não há crime. 196 AVENA.4 Flagrante compulsório ou obrigatório Chama-se compulsório porque o agente é obrigado a efetuar a prisão em flagrante. p. conforme o caso. Neste caso.3. . Disponível em: <http://www. Norberto Cláudio Pâncaro. responsabilidade penal”. Processo Penal: esquematizado. Assim.&ba se=baseSumulas>. a conduta é considerada atípica198. Ocorre em qualquer das hipóteses previstas no art.jus.NUME.Acesso em: 12 abr. em face da ausência de vontade livre e espontânea do infrator e da ocorrência de crime impossível. há um conjunto de circunstâncias previamente preparadas que eliminam totalmente a possibilidade da produção do resultado197. logo em seguida.asp?s1=145. impróprio e presumido).1. e diz respeito à autoridade policial e seus agentes. Súmula n. Curso de Processo Penal. 302 (flagrante próprio.FLSV. são circunstâncias provocadas por uma outra pessoa afim de induzir o autor 195 CAPEZ. pois. 781.1. induz o autor à prática do crime. 51 Assim para restar configurado o flagrante presumido não é necessária a perseguição.5 Flagrante preparado ou provocado Trata-se de modalidade de crime impossível. Ao tratar desta matéria a Súmula 145199 do Supremo Tribunal Federal traz o seguinte entendimento: “não há crime quando a preparação do flagrante pela polícia torna impossível a sua consumação”. 197 CAPEZ.%20NAO%20S. 3. Supremo Tribunal Federal.stf. embora o meio empregado e o objeto sejam idôneos. sob pena de sanção disciplinar e. não tendo discricionariedade sobre a conveniência ou não de efetivá-la.3. e. Fernando. 145 . Fernando. p. viciando a sua vontade. 253. 2010. quando a preparação do flagrante pela polícia torna impossível a sua consumação. p. que tem o dever de efetuar a prisão em flagrante195. mas seja encontrado o agente portando instrumentos que evidenciam a prática do crime. 199 BRASIL. Curso de Processo Penal. p. 253. 198 CAPEZ. policial ou terceiro conhecido como provocador. A ação neste caso se dá em nome do estrito cumprimento do dever legal. 253. 3.br/portal/jurisprudencia/listarJurisprudencia. A obrigatoriedade do flagrante assim definida por Avena196 “é aquele que deve ser realizado pela autoridade policial e seus agentes. pode-se dizer que existe flagrante preparado ou provocado quando o agente.

7 Flagrante prorrogado ou retardado Neste caso. 2º da Lei n. por exemplo. 52 a uma prática delituosa. então a autoridade se dirige para o local tomando todas as providências necessárias para que não ocorra o crime202. Manual de Processo Penal. não criando nenhuma situação falsa para não descaracterizar a tipicidade da conduta.034/95.3. 9. sem induzir ou instigar. Avena conceitua esta forma de flagrante da seguinte maneira: Também chamado de flagrante diferido. no art. desde que mantida sob observação e acompanhamento para que a medida legal se concretize no momento mais eficaz do ponto de vista da formação de provas e fornecimento de informações204. Manual de Processo Penal. 201 CAPEZ. p. p.1. Fernando da Costa. . para que o mesmo seja surpreendido no momento do ato.1. p. p. Norberto Cláudio Pâncaro. Fernando da Costa. 254. 204 AVENA. 254. 202 TOURINHO FILHO. portanto. Curso de Processo Penal. 3. consiste na faculdade conferida à policia no sentido de retardar a prisão em flagrante visando obter maiores informações a respeito da ação dos criminosos. Menciona Tourinho Filho200 “que há flagrante preparado quando são tomadas providências para que a pessoa que vai praticar a infração não perceba que está sendo vigiada”. então no momento certo o agente é preso em flagrante”. que consiste em retardar a ação policial do que se supõe ação praticada por organizações criminosas ou a ela vinculado. quando faculta a ação controlada. o agente policial detém discricionariedade para deixar de efetuar a prisão em flagrante no momento em que presencia a prática da infração penal. Fernando: Curso de Processo Penal.6 Flagrante esperado O flagrante esperado é entendido por Capez201 como “a forma de flagrante em que a autoridade policial ou uma pessoa espera a hora certa em que o agente comete o delito. Fernando. 618. Processo Penal: esquematizado.3. podendo aguardar um momento mais importante do ponto de vista da investigação criminal ou da colheita de prova203. É previsto. 3. 618. 200 TOURINHO FILHO. Nesta modalidade de flagrante a autoridade é comunicada que vai acontecer em um determinado local no dia marcado que alguém irá cometer um delito. 203 CAPEZ. 790.

apreendem. p. pela simulação criminosa. que “a modalidade de prisão em flagrante forjado é um ato articulado por um particular ou uma autoridade policial. no interior de um veículo substância entorpecente205. O flagrante forjado é caracterizado por um ato de autoridade ou particular em forjar provas de um crime inexistente para incriminar o agente. Tourinho Filho traz o seguinte entendimento exemplificando: Infelizmente já se tornou lugar-comum o procedimento de certos policias que colocam substância entorpecente no bolso do cidadão. por exemplo.3. Daí porque devem os policiais. os policiais ou particulares criaram provas de um crime inexistente. por eles ali colocadas. p. Fernando: Curso de Processo Penal. além de. antes da busca. nesses caso. ou. obviamente. ou em seu veículo. no caso de busca domiciliar.É o flagrante forjado. Processo Penal: esquematizado. 619.convidar civis para assistirem à diligência209. mas de um ato que pode ser considerado abuso de autoridade quando praticado por 205 CAPEZ. p. p. Neste caso. não existir crime.1. seja domiciliar (e para evitar a suspeita dos seus depoimentos). . 254. p.. 254. não se está diante de um crime. (sem grifo no original). Caracteriza-se pela absoluta ilegalidade e sujeita o responsável a responder penalmente por essa conduta “abuso de autoridade ou denunciação caluniosa. 207 AVENA. 208 AVENA. 209 TOURINHO FILHO. em qualquer dos cômodos. 789. 789.. maquinado ou urdido): nesta espécie. certa quantidade de maconha ou cocaína. Menciona Avena. colocando. Norberto Cláudio Pâncaro. Norberto Cláudio Pâncaro. Fernando: Curso de Processo Penal. de uma autoridade no exercício das funções208”. conforme se trate ou não o responsável. 53 Esta modalidade flagrante consiste na prerrogativa da autoridade competente em aguardar o momento certo para abordar o agente efetivando assim uma maior quantidade de provas para caracterizar o ato ilícito. responderá o policial ou terceiro por crime de abuso de autoridade206. Assim. criando um fato típico não praticado207”. 206 CAPEZ. seja pessoal. 3. e dão voz de prisão ao infeliz. (grifo do autor). Manual de Processo Penal. para que esta não resulte infrutífera. Processo Penal: esquematizado. Fernando da Costa. com o intuito de incriminar alguém que é totalmente inocente.8 Flagrante forjado Flagrante forjado (também chamado de fabricado.

253.3. É uma prisão processual cautelar decretada pelo juiz durante inquérito policial214 ou processo criminal. diante do preenchimento de requisitos e da existência dos motivos legais que a autorizam215.br/CCIVIL/Decreto-Lei/Del3689.gov. 302. Acesso em: 25 abr.3.htm>. 301212 do CPP.planalto. p. se dá de forma facultativa. Disponível em: <http://www. Inquérito Policial cuja finalidade é a apuração de infração penal e respectiva autoria”. São Paulo: Saraiva. Fernando: Curso de Processo Penal. 263. primeira parte. 3.br/CCIVIL/Decreto-Lei/Del3689. 215 CAPEZ. 3. Norberto Cláudio Pâncaro. ver. e ainda a garantia que seja cumprida uma futura sentença penal condenatória213. e atual. p. Sérgio Sérvulo da. do CPP “Qualquer do povo poderá prender quem quer que seja encontrado em flagrante delito” É uma modalidade que abrange todas as demais. Código de Processo Penal. 2005. p. Esta autorização prevista no art. O flagrante facultativo encontra-se previsto no art. Fernando: Curso de Processo Penal.htm>.2 Prisão preventiva Esta modalidade de prisão observando o primeiro requisito que a pessoa investigada ou acusada tenha uma probabilidade de ter cometido um ilícito penal e o segundo requisito a ser observado é que se a pessoa estando em liberdade possa causar algum tipo de prejuízo para a investigação policial. 54 policiais e denunciação caluniosa quando tratar-se de particular. Dicionário compacto do direito. Decreto Lei n. 3. 212 BRASIL. . 214 Inquérito Policial: “É um procedimento administrativo e policial de natureza investigatória. de acordo com critérios de conveniência e oportunidade”. ed. visto anteriormente e refere-se às pessoas comuns do povo210. Decreto Lei n. “qualquer do povo poderá e as autoridades policiais e seus agentes deverão prender quem quer que seja encontrado em flagrante delito. Código de Processo Penal. 3. 4. 301211.1.689. podendo a pessoa efetuar ou não o flagrante. CUNHA. previstas no art.gov. de 03 de outubro de 1941. tendo como diferenciação característica a autorização conferida a qualquer pessoa prender quem se encontra em flagrante delito. 2010. 148. Cf. Acesso em: 25 abr. 213 AVENA. 211 BRASIL. Processo Penal: esquematizado.planalto.689. p.9 Flagrante facultativo O flagrante facultativo consiste na “faculdade de efetuar ou não o flagrante. 800. Abrange todas as espécies de flagrante. Disponível em: <http://www. 2010. de 03 de outubro de 1941. do CPP. 210 CAPEZ.

263.. Curso de Processo Penal. p.] é uma espécie de prisão provisória. o qual poderá tornar-se inútil em algumas hipóteses. p. durante o inquérito policial”. reveste-se do caráter de excepcionalidade. máxime a organizada. peca pela ausência de técnica processual 218. LVII). isto é. 480. e comentada com as leis 11.3 Prisão temporária Esclarece Capez217 que prisão temporária é “prisão cautelar de natureza processual destinada a possibilitar as investigações a respeito de crimes graves. Código de Processo Penal: comentários consolidados e críticas jurisprudenciais. no mínimo. 218 DEMERCIAN. Fernando: Curso de Processo Penal.3.4 Prisão por sentença condenatória recorrível À luz da nova ordem constitucional.690/08. 3. 3. Tratando-se de prisão cautelar. possuindo natureza tipicamente cautelar. Vale ressaltar que Demercian. à medida que assegura à Polícia Judiciária instrumento para. Segundo Choukr219. custodiar suspeitos durante as investigações (evitando a execrada “prisão para averiguações” uma forma explícita de abuso de autoridade). na medida em que somente poderá ser decretada quando necessária.ed. art. . “a faculdade de recorrer em liberdade objetivando a reforma de sentença penal condenatória é a 216 CAPEZ. 11. pois visa garantir a eficácia de um futuro provimento jurisdicional..3. 219 CHOUKR. entende esta modalidade de prisão como aquela que: Embora representando algum avanço no combate a criminalidade. diante dos emergentes reclamos sociais então existentes. atual. redundou numa lei que. Assim a prisão temporária tem intuito de investigação durante o inquérito policial só será feita nos casos mais graves. Para que ocorra esta forma de prisão tem que estar caracterizado o periculum in mora. rev. Fernando: Curso de Processo Penal. 55 Prossegue Capez216 asseverando que [. 5º. 152. 3. que consagra no Capítulo das garantias individuais o princípio da presunção de inocência (CF. 272. 217 CAPEZ. se ficar demonstrado o periculum in mora. legalmente.689/08. É uma forma encontrada pelo legislador para abolir a prisão para averiguação que devido a sua ampla aplicabilidade causava muitas arbitrariedades. Fauze Hassan. Pedro Henrique. o adoçamento do legislador. p.. se o acusado permanecer em liberdade até que aja um pronunciamento jurisdicional definitivo. p.719/08 e 11.

planalto. Acesso em: 25 abr. determinará. de 03 de outubro de 1941. a prisão somente poderá ser decretada se fundamentada. isto é. 1999. por conveniência do processo nas etapas que se lhe seguem até o julgamento ou para assegurar a aplicação da lei penal. Código de Processo Penal. como garantia da ordem pública. na forma inscrita no art. assim nas infrações inafiançáveis. in verbis: Art.São efeitos da sentença condenatória recorrível: I – ser o réu preso ou conservado na prisão. se for o caso. Fernando da Costa. quando houver prova da existência do crime e indício suficiente de autoria. São Paulo: Saraiva. 28.5 Prisão por pronúncia Conforme Tourinho Filho222 “estando o pronunciado preso cumpre o Juiz recomendá- lo na prisão em que se achar.3. do CPP.htm>.689. 312220. a expedição de mandado visando à sua captura”. Código de Processo Penal Comentado. sempre que o Juiz proferir decisão de pronúncia. Fernando da Costa. nestes termos: Art. Assim. . 3. o réu será recolhido a prisão ou mantido nela em virtude desse provimento jurisdicional como atribuição inerente à condenação. Decreto Lei n. À exceção do flagrante. pouco 220 BRASIL. 393 do CPP enumera os efeitos da sentença penal condenatória. 56 regra.gov. 2010. transformando essa prisão em espécie da preventiva que não pode prescindir da pertinente fundamentação223. O referido inciso I atesta que advindo sentença condenatória. e caso esteja solto. Acesso em: 25 abr.br/CCIVIL/Decreto-Lei/Del3689. 3. da ordem econômica. 28. Código de Processo Penal Comentado. 223 TOURINHO FILHO. II – ser o nome do réu lançado no rol dos culpados221. Código de Processo Penal. p. somente impondo-se o recolhimento provisório do réu à prisão nas hipóteses em que enseja a prisão preventiva”. toda e qualquer prisão deve ser fundamentada.htm>.689. 2010. Já o art. de 03 de outubro de 1941.A prisão preventiva poderá ser decretada como garantia da ordem pública. Decreto Lei n. Disponível em: <http://www. Disponível em: <http://www. 3. 222 TOURINHO FILHO. A pronúncia somente autoriza a custódia do acusado.br/CCIVIL/Decreto-Lei/Del3689. ou para assegurar a aplicação da lei penal. 221 BRASIL. deverá o magistrado dar as razões da sua necessidade. 312 .gov. p.planalto. 393 . por conveniência da instrução criminal. como nas afiançáveis enquanto não prestar fiança.

em razão da função que desempenhem ou de uma condição especial que ostentem que lhes permita o recolhimento a quartéis ou celas especiais. p. 228 FÜHRER. por serviços prestados etc. p. ed. devendo o sujeito ser recolhido a estabelecimento comum226. esta prevê hipóteses em que a custódia do preso provisório pode ser efetuada em quartéis ou prisão especial. (Col. de 25 de julho de 1990. prerrogativa concedida a certas pessoas pelas funções que desempenham. p. Maximiliano Roberto Ernesto. Código de Processo Penal Comentado. de maneira que após a condenação transitada em julgado cessa o beneficio. Resumos 5). enquadrando-se neste regime de prisão aqueles cargos ou funções especificados no art. 28. Fernando: Curso de Processo Penal. Argumenta Mirabete que: Sem ferir o preceito constitucional de que todos são iguais perante a lei. 227 MIRABETE. por sua educação ou cultura. São Paulo: Malheiros. Fernando da Costa.3. Fernando: Curso de Processo Penal. 2009. Convém salientar que a prisão especial somente pode ser concedida durante o processo ou inquérito policial. evitando que fiquem em promiscuidade com outros presos durante o processo condenatório227. E é clara que essa motivação haverá de se embasar na ausência de motivos que justifiquem a prisão preventiva e não mais na primariedade e nos bons antecedentes. 3. E aqui também tem toda pertinência o quanto foi exposto sobre a prisão decorrente de pronúncia e até com mais razão. 226 CAPEZ. quando sujeitas à prisão provisória225.6 Prisão especial A prisão especial consiste em um beneficio concedido a determinadas pessoas. 224 TOURINHO FILHO. 46. 250.072. aos quais foi dispensado tratamento rigoroso. Processo Penal. 8. uma vez que a própria Lei n. Julio Fabbrini. dispondo sobre crimes hediondos. FÜHER. 57 importando seja o réu primário ou reincidente. determina que o Juiz deva decidir fundamentadamente se o réu poderá apelar em liberdade. 250.. . apesar de inúmeros julgados contrários. p. p. de bons ou maus antecedentes224. 29. Maximilianus Claudio Américo. Resumo de Direito Penal. 295 do CPP. 368. Fuhrer e Fuhrer228 esclarecem que “prisão especial é aquela em que algumas pessoas tem direito e é valida só até a sentença condenatória que põe fim definitivamente a esse privilégio”. 225 CAPEZ.

5º. 5º. de 03 de outubro de 1941.689. 2010. LXIX. 58 3.gov.o preso tem direito a identificação dos responsáveis por sua prisão ou por seu interrogatório policial. LXIII. LXV. LXI.não haverá prisão civil por dívida. Acesso em: 20 mar.br/CCIVIL/Decreto-Lei/Del3689. . 231 BRASIL. LXVI- ninguém será levado à prisão ou nela mantido. salvo nos casos de transgressão militar ou crime propriamente militar. Decreto Lei n. 648232 do CPP: 229 BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil de 05 de outubro de 1988. Como se vê.planalto. 250. 2010.3. Disponível em: <http://www. Acesso em: 20 mar.htm>. LXVII. permitindo a Constituição. que estabelece em seu art.planalto. quando a lei admitir a liberdade provisória. Acesso em: 25 abr. uma série de garantias. definidos em lei229”. com ou sem fiança.o preso será informado de seus direitos entre os quais o de permanecer calado.br/ccivil_03/constituicao/constitui%C3%A7ao. Código de Processo Penal. Visando proteger a liberdade dos cidadãos. 2010. Disponível em: <http://www. 3. quais sejam: LXII. a regra continua sendo a liberdade. assim como o que ficar preso além do tempo fixado na sentença231.htm>.a prisão de qualquer pessoa e o local onde se encontre serão comunicados imediatamente ao juiz competente e à família do preso ou à pessoa por ele indicada.7 Prisão ilegal Atualmente.br/ccivil_03/constituicao/constitui%C3%A7ao. o aprisionamento apenas diante de flagrância na prática de crime. A ilegalidade da prisão ou coação ocorre quando se caracterizam algum dos itens elencados no art.htm>. 232 BRASIL. sendo-lhe assegurada a assistência da família e de advogado. ou mediante expedição da competente ordem de prisão devidamente fundamentada e nos demais casos previstos em lei230. LXVIII.gov. p. LXIV. “Ninguém será preso senão em flagrante delito ou por ordem escrita e fundamentada de autoridade judiciária competente.gov. Disponível em: <http://www.o Estado indenizará o condenado por erro judiciário. 230 CAPEZ.planalto. a prisão é objeto de regulamentação bastante pormenorizada na Constituição Federal. Constituição da República Federativa do Brasil de 05 de outubro de 1988. Fernando: Curso de Processo Penal.conceder-se-á Habeas Corpus sempre que alguém sofrer ou se achar ameaçado de sofrer violência ou coação em sua liberdade de locomoção por ilegalidade ou abuso de poder.a prisão ilegal será imediatamente relaxada pela autoridade judiciária. salvo a do responsável pelo inadimplemento voluntário e inescusável de obrigação alimentícia e a do depositário infiel. a Constituição prevê em seus vários incisos do art.

em seu art. VI. 810. Cf. em sentido amplo. II. o trabalho quer chamar a atenção para as formas ilegais de prisão. para que se justifique qualquer coisa. toda razão que possa ser avocada. mostrando-se sua legitimidade de sua procedência”. 647 e seguintes do CPP. e arts.quando houver cessado o motivo que autorizou a coação. VII. Encerrando o presente capítulo. LXVIII. SILVA.quando extinta a punibilidade. . p. De Plácido e. 5º. Vocabulário jurídico. IV. cujo remédio para esta problemática é estabelecido pela CF.quando quem ordenar a coação não tiver competência para fazê-lo. V. III. e inciso. 233 Justa Causa: “Exprime.quando não houver justa causa233.quando o processo for manifestamente nulo. que autoriza a proposição do Habeas Corpus Liberatório.quando alguém estiver preso por mais tempo do que determina a lei. 59 I.quando não for alguém admitido a prestar fiança. Referido instituto é o assunto do próximo capítulo e assunto central do presente trabalho monográfico. nos casos em que a lei a autoriza.

porém. a admissibilidade. 48 daquele diploma rezava que “Ninguém poderá ser detido. Do direito inglês foi levado para as colônias da América do Norte. Niterói: Impetus. com a “Reforma Processual Penal” (Leis 11. imposta pelos barões ingleses ao rei João Sem-terra. Curso de Processo Penal. Fernando. rev. outorgada pelo Rei João Sem Terra em 15 (ou 19) de junho de 1215. Feitoza apresenta a seguinte contextualização a cerca do tema: O Habeas Corpus teria sua origem remota no Direito Romano. 706-707. 11. daí evoluindo cada vez mais por meio do Habeas Corpus Act de 1679 e do Habeas Corpus Act de 1816. de acordo com as leis do país235”. . no ano de 1215. a aplicabilidade. p. preso ou despojado de seus bens. as espécies. p. 4. especialmente com o writ of Habeas Corpus ad subjiciendum. onde todo cidadão podia reclamar a exibição do homem livre detido ilegalmente por meio de uma ação privilegiada. ampl. Direito Processual Penal: teoria. 234 CAPEZ. 1125. 236 FEITOZA. Entretanto. o conceito. no interdictum de libero homine exhibendo.689/2008. incorporado na Constituição de 1787 dos Estados Unidos da América236. 235 CAPEZ. conhecida por interdictum de libero homine exhibendo que significa ‘interdito para exibir homem livre’234. ed. e atual. O art. o qual é denominado Habeas Corpus Liberatório. Parte da doutrina. sendo. 6. Denílson. p. crítica e práxis. Curso de Processo Penal.900/2009). 2009. senão em virtude de julgamento por seus pares. posteriormente. Fernando. 60 4 HABEAS CORPUS LIBERATÓRIO Neste terceiro e ultimo capítulo busca-se apresentar o remédio jurídico para a prisão ilegal. costumes e liberdade. aponta sua origem no Capítulo XXIX da Magna Carta. Para tanto abordar-se-á a origem do instituto do Habeas Corpus no mundo e no Brasil. a legitimidade. somente se delineou um instrumento que possa ser identificado como Habeas Corpus a partir da “Carta Magna”.719/2008) e Videoconferência (Lei 11. a natureza jurídica.1 A ORIGEM DO HABEAS CORPUS O Habeas Corpus tem sua origem remota no Direito Romano. bem como a competência para processar e julgar.690/2008 e 11. 706-707.

p. Fernando da Costa. levanta a questão que o Habeas Corpus ‘poderia’ ter origem no Direito Romano. inciso LXVIII. 239 TOURINHO FILHO. que traz a seguinte redação: “conceder-se-á Habeas Corpus sempre que alguém sofrer ou se achar ameaçado de sofrer violência ou coação em sua liberdade de locomoção..br/ccivil_03/constituicao/constitui%C3%A7ao. no art. por ilegalidade ou abuso de poder”. 5º240. 4.. Atualmente o Habeas Corpus tem fundamento no texto constitucional brasileiro promulgado em 5 de outubro de 1988. que são favoráveis a afirmação de que o Habeas Corpus. Manual de Processo Penal. Fernando. 340 dispunha: Todo cidadão que entender que ele ou outrem sofre uma prisão ou constrangimento ilegal em sua liberdade tem o direito de pedir uma ordem de Habeas Corpus em seu favor238. leciona Capez afirmando que: [. um instituto que foi ampliado cada vez 237 FEITOZA.1. em virtude da amplitude que abrangeu este instituto.htm>. . enquanto que a corrente adotada por Feitoza. Segundo Tourinho Filho: O Habeas Corpus entrou pela primeira vez na Constituição Republicana de 1891. Disponível em: <http://www. e outros. cujo art. incluindo a figura do estrangeiro e a tutela preventiva para aqueles que se encontravam na iminência de perder o direito de locomoção. 61 Vale ressaltar. 240 BRASIL. 2010. a denominação que se tem quanto a origem é que “no Brasil. crítica e práxis.1 A origem do Habeas Corpus no Brasil Com respaldo na lição doutrinária de Feitoza237. Com o passar dos anos foi ampliando seu espaço no ordenamento jurídico e nos tribunais brasileiros239. incluindo Constantino. 708.gov. Do mesmo modo. p. ‘tem’ sua origem no Direito Romano. causando grandes discussões. Acesso em: 20 mar. Denílson.planalto. Assim. o Habeas Corpus surgiu expressamente com o Código de Processo Criminal de 1832 em seu art. Direito Processual Penal: teoria. 340”. Moraes. em 1832. que a corrente dotada pela pesquisa é a de Capez. com o estudo da evolução histórica do Habeas Corpus no Brasil observa-se que este é um instituto constitucionalmente assegurado. 865. através do ‘Código de Processo Criminal. p. Constituição da República Federativa do Brasil de 05 de outubro de 1988.] este instituto entrou no ordenamento jurídico de maneira expressa. 1125 238 CAPEZ. Curso de Processo Penal. Ferreira.

salvo nos casos de punição disciplinar. p. 3. 2010. de 03 de outubro de 1941. de modo que se pode traduzir: ande com o corpo ou tenha o corpo. pois na constituição vigente apresenta-se como garantia fundamental. 62 mais reconhecida sua relevância para tutelar a liberdade de locomoção. andar com).Dar-se-á habeas corpus sempre que alguém sofrer ou se achar na iminência de sofrer violência ou coação ilegal na sua liberdade de ir e vir. Atualmente. . como um “remédio judicial que tem por finalidade evitar ou fazer cessar a violência ou a coação à liberdade de locomoção decorrente de ilegalidade ou abuso de poder”. De Plácido e.2 CONCEITO DE HABEAS CORPUS A palavra Habeas Corpus na concepção de Capez241. permanecer e vir de todo indivíduo. 494. p.planalto. a ser utilizado sempre que mesmo 241 CAPEZ. 245 BRASIL. pode-se conceituar o Habeas Corpus. como o remédio jurídico previsto constitucionalmente.gov.689. Decreto Lei n. quer dizer “que tomes o corpo e o apresentes. tomai o corpo desse detido e vinde submeter ao tribunal o homem e o caso”. Fernando. 710. 4. Curso de Processo Penal. e corpus. Acesso em: 25 abr. tomar. p. Manual de Processo Penal e Execução Penal. p. 244 CAPEZ. Pode-se conceituar Habeas Corpus como uma garantia constitucional ao direito ambulatorial de ir. 647245 do Código de Processo Penal. 709. Código de Processo Penal. É instituto jurídico que tem a precípua finalidade de proteger a liberdade de locomoção ou o direito de andar com o corpo242”. que tem por finalidade evitar ou fazer cessar a violência ou a restrição da liberdade de locomoção decorrente de ilegalidade ou abuso de poder. 647 . De acordo com a definição feita por Nucci243. 243 NUCCI. 242 SILVA. (corpo). Fernando. Disponível em: <http://www. a ordem concedida pelo Tribunal era do seguinte teor.htm>. in verbis: Art. Este instituto penal é conceituado por Capez244. Guilherme de Souza. 671. Curso de Processo Penal. Tomando por base a definição legal constante do art.br/CCIVIL/Decreto-Lei/Del3689. Vocabulário jurídico. ‘o termo latino Habeas Corpus significa “tome o corpo”. Segundo Silva “é a locução composta do verbo latim Habeas (ter.

3 NATUREZA JURÍDICA Quanto à natureza jurídica apresenta-se inicialmente o entendimento de Constantino248 “deve-se compreender que o Habeas Corpus se trata de um direito público subjetivo constitucional. sempre que ocorrer qualquer dos casos elencados no art. Teoria e prática da execução penal: doutrina. Curso de Processo Penal. elucidando que de acordo com as peculiaridades de cada caso. é o remédio jurídico que visa tutelar a liberdade de locomoção do indivíduo contra a violência ou coação ilegal da autoridade. Para uma maior compreensão vale citar o entendimento de Capez249 que apresenta a matéria de forma mais detalhada. o que analisa-se com respaldo no entendimento de Bonfim: Com efeito. 248 CONSTANTINO. vir ou permanecer [. 30. preventivo. in verbis: Ação penal popular com assento constitucional. 427. passíveis a serem reexaminados na mesma relação processual. não se pode reduzi-lo a essa categoria. o direito de ir. 4. Fernando. pois protege bem do próprio individuo e de interesse social”. se o processo estiver e andamento. IV e V. III. . A definição apresentada por Aquaviva247: Habeas Corpus é a garantia constitucional de um direito. Roberto Gomes.]. é muito amplo. formulários. dependendo do caso. p. declaratória ou constitutiva. jurisprudência. 648 do Código de Processo Penal. Faz-se necessário ainda esclarecer se o Habeas Corpus é uma ação ou um recurso.. Lúcio Santoro de. Que direito? O direito de locomoção. poderemos ter ação cautelar. Marcus Cláudio. Destarte. se a sentença já tiver transitado em julgado.. funciona como ação rescisória (constitutiva negativa). Rio de Janeiro: Forense. pois restringiria sua aplicabilidade e. Nas hipóteses previstas nos incisos II. 249 CAPEZ. Pelo contrário. 2002. profilático. o remédio heróico não se confina a processos já constituídos. assume a função de verdadeira ação penal cautelar. Porto Alegre: Livraria do Advogado. Dicionário jurídico brasileiro Aquaviva. 247 AQUAVIVA. apesar de por vezes o Habeas Corpus atuar como verdadeiro recurso. 43. por conseqüência. Nos incisos VI e VII. p. Sua viabilidade 246 LIMA. por ilegalidade ou abuso de poder246. ou como ação declaratória. 710. voltada à tutela da liberdade ambulatória. 63 venha a sofrer ou se achar ameaçado de sofrer. Habeas corpus: liberatório. No inciso I. p. violência ou coação na sua liberdade de locomoção. p. legislação. o Habeas Corpus pode ter natureza cautelar declaratória ou constitutiva. enfraqueceria sua utilidade como ferramenta de proteção da liberdade. 2001.

708. São Paulo: Saraiva. Disponível em: <http://www. pode deduzir uma pretensão liberatória (CPP. 791.br/ccivil_03/constituicao/constitui%C3%A7ao. inclusive pelo próprio beneficiário. na forma da lei. p. Acesso em: 20 mar. Fernando da Costa. LXXVII – são gratuitas as ações de Habeas Corpus e habeas data. Manual de Processo Penal. Fernando. De Plácido e. processos já findos e alcançados pela coisa julgada. sobre a legitimidade ativa: O Habeas Corpus pode ser impetrado por qualquer pessoa. Se o impetrante253 for advogado. ou mesmo outra pessoa sem capacidade postulacional. 254 TOURINHO FILHO. 2010. 5º.gov. art. alguém poderá assinar o pedido a seu rogo.4. p. Constituição da República Federativa do Brasil de 05 de outubro de 1988. elucidando que não precisa de nenhuma habilitação legal. perante uma autoridade pede ou requer o que seja em seu proveito ou a bem de seu direito”.planalto. 575. 4. Fernando da Costa. é apresentada por Capez255 de forma mais clara. Até mesmo o órgão do Ministério Público. é de modo penal. 710. Se o paciente for analfabeto. ed. Manual de Processo Penal. 575. o nível em que o Estado colocou o respeito à liberdade individual254. 255 CAPEZ. A descrição sobre a legitimidade ativa para impetrar o Habeas Corpus.689/2008 e 11. e. Edílson Mougenot. p. Igualmente é cabível quando inexistente qualquer procedimento judicial precedente. tenha ou não capacidade postulatória. 252 TOURINHO FILHO.htm>. 253 Impetrante: “significa o requerente. o solicitante ou a pessoa que. a legitimidade ativa e a legitimidade passiva. Vocabulário jurídico. 64 atinge.719/2008. 4. os atos necessários ao exercício da cidadania251”. . E por fim. 654).1 Legitimidade ativa Inicialmente vale citar a visão doutrinária de Tourinho Filho252. 4. 11. Cf. p. das quais passa-se a discorrer a seguir. Curso de Processo Penal. pois a própria Constituição Federal define como uma ação constitucional gratuita com redação no “art. 2009. bastando a presença da 250 constrição ilegal da liberdade de ir e vir ou ficar.4 LEGITIMIDADE Quanto a legitimidade há duas formas. Curso de Processo Penal: de acordo com as leis n. pois tem um procedimento próprio. até mesmo. 250 BONFIM. mostrando-se. não haverá necessidade de o paciente lhe outorgar procuração. seja ela real ou potencial . desse modo. p. SILVA. o Habeas Corpus é verdadeiramente uma ação. dada a importância do direito tutelado. que normalmente deduz em juízo pretensão punitiva. 251 BRASIL.

45. 117. através deste dispositivo confirma-se a hipótese de que o Habeas Corpus pode ser impetrado por qualquer pessoa. 21.906. uma vez que “o paciente é quem sofre o constrangimento da liberdade. estado mental. Florianópolis: OAB/SC. 1ª. Direito Constitucional. nem a capacidade postulatória. ou o beneficio concessão da ordem. profissão. 257 MORAES. Lei n. pode ser impetrado por qualquer pessoa ou alguém a seu rogo. 256 MORAES. São Paulo: Atlas. Lúcio Santoro de. Moraes descreve que “a legitimidade ativa para ajuizamento do Habeas Corpus é um atributo de personalidade. ou seja. ed. 21. profilático. sexo. p. pode fazer uso do Habeas Corpus. política. Alexandre de. 4. Processo Penal: esquematizado. Norberto Cláudio Pâncaro. Vale ressaltar que para Constantino258 há uma distinção entre paciente e impetrante. São Paulo: Atlas. O analfabeto.Ordem dos Advogados de Santa Catarina. preventivo. sendo uma verdadeira ação penal popular256”. 1138. em beneficio próprio ou alheio (Habeas Corpus alheio). 2006. nacional ou estrangeiro. qualquer do povo. profissional.4. não se exigindo a capacidade de estar em juízo. 2007. 10. desde que alguém assine a petição a rogo. 2007. Está descrito também no Estatuto da OAB259. também. p. enquanto que o impetrante é quem faz o pedido de concessão de ordem. 8. mesmo sem estarem representados ou assistidos por outrem. poderá ajuizar a ação de Habeas Corpus257. sem que este necessite de um advogado. 260 AVENA. p. 65 não precisa ser representado por um advogado. 6 ed. 259 OAB. . Direito Constitucional. de 04 de 1994 no art. p. Não há impedimento para que dele se utilize pessoa de menor idade. insana mental. ed. faz o pedido de Habeas Corpus”. 258 CONSTANTINO. Alexandre de. Constantino261 afirma que “o legitimado passivo no Habeas Corpus chama-se coator”. Estatuto da Advocacia e da OAB. p. Habeas corpus: liberatório. de idade. definida como aquele que tem poder para determinar que o constrangimento ilegal seja aplicado ou quem exerce a ilegalidade constrangedora”. independentemente de capacidade civil. “parágrafo 1º .Não se inclui na atividade privativa da advocacia a impetração de Habeas Corpus em qualquer instância ou tribunal”.2 Legitimidade passiva Para Avena260 “quem tem a legitimidade passiva é a figura coatora. 117. Prossegue o autor: Assim.

portanto.] somente pode abusar do poder aquele que o detém. 49. é a caracterização do Habeas Corpus 261 CONSTANTINO..264 Vale ressaltar que Bonfim em seu contexto doutrinário esclarece que : A admissibilidade do remédio constitucional depende da necessidade e adequação em relação ao caso concreto. à segurança e à propriedade. Habeas corpus: liberatório. subtraída a liberdade de locomoção por ato ilegal decorrente de autoridade ou de particular. seja ela autoridade ou não [. 4. no Titulo II dos Direito e Garantias Fundamentais. sendo.. por ilegalidade ou abuso de poder.gov. 262 CONSTANTINO.657/79 (referente ao abuso de autoridade).se na mesma pessoa. A adequação por sua vez... preventivo. inobstante seja possível essas duas figuras confundirem. Acesso em: 20 mar. p.]. outrossim. administrativa e penal [. 796. 795. que traz a seguinte redação: Art. Constituição da República Federativa do Brasil de 05 de outubro de 1988.. à igualdade. A Lei nº 4. aquele que abusa do poder... 11. profilático. à liberdade. LXVIII.. Habeas corpus: liberatório. autoridade coatora. Entrementes. [. Capítulo I dos Direitos e Deveres individuais e coletivos. p. garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida. 263 BONFIM. p.5 ADMISSIBILIDADE O texto constitucional apresenta claramente a admissibilidade do Habeas Corpus.989/65. Lúcio Santoro de. Outro argumento é que o art. já a ilegalidade pode ser cometida por qualquer pessoa”. Edílson Mougenot. profilático.br/ccivil_03/constituicao/constitui%C3%A7ao. nos termos seguintes: [. 264 BRASIL. Disponível em: <http://www. há distinção entre coator e detentor. sujeita a autoridade à responsabilidade civil.689/2008 e 11.]. 2010. alterada pela Lei 6. da Constituição Federal aduz como coator. vir ou ficar do paciente.262 No entendimento de Bonfim263 “figurará no pólo passivo do Habeas Corpus a pessoa apontada como coatora. ou está prestes a ter. Curso de Processo Penal: de acordo com as leis n.planalto. 5º Todos são iguais perante a lei sem distinção de qualquer natureza. Detentor é quem executa fisicamente o ato [.] XXXV – a lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça a direito. preventivo. A necessidade se faz presente quando a pessoa efetivamente teve. 5º..719/2008.. . 49. 66 Prossegue o autor afirmando que: O coator é o responsável pelo constrangimento ao direito de ir. Lúcio Santoro de.htm>.] LXVIII – conceder-se-á Habeas Corpus sempre que alguém sofrer ou se achar ameaçado de sofrer violência ou coação em sua liberdade de locomoção.

C. LXIX. uma vez que o Habeas Corpus é a ação específica para tal fim267. 808. . Carlos Velloso. Edílson Mougenot.)&base=baseAcordaos>. . PROCESSUAL PENAL. II. vir e ficar .689/2008 e 11. 173-174. RHB 85215 Rel. Curso de Processo Penal: de acordo com as leis n. PENAL.O Habeas Corpus visa a proteger a liberdade de locomoção .C. o Habeas Corpus pode ser utilizado em diversas outras áreas do Direito.719/2008. conforme a pesquisa e a descrição do presente trabalho nas palavras dos doutrinadores. originário. TURMA RECURSAL. 5º. 266 Mandado de Segurança: “Ação mandamental especial para proteção contra ato de autoridade. seria inadequado o mandado de segurança266 para fazer cessar constrição ilegal ao status libertatis. não podendo ser utilizado para proteção de direitos outros. I. 11. Dicionário compacto do direito. 67 como instrumento hábil a garantir. 2010. CABIMENTO. C. 268 BRASIL.br/portal/jurisprudencia/listarJurisprudencia. II. . p. LXVIII. 269 BRASIL.stf. HABEAS CORPUS. 265 BONFIM. III.. p. Acesso em: 20 mar.H. Supremo Tribunal Federal. Cf. TRANSAÇÃO PENAL.Recurso ordinário de decisão proferida por Turma Recursal conhecido como H. arts. PENA RESTRITIVA DE DIREITOS CONSISTENTE EM PRESTAÇÃO PECUNIÁRIA. 5º.jus. LMS)”. Supremo Tribunal Federal. a liberdade de ir.. Carlos Velloso.jusbrasil. 5º. (grifou-se)269. Acesso em: 20 mar.719/2008. 5º. p. e é admissível apenas no âmbito desse direito.br/jurisprudencia/765072/recurso-em-habeas-corpus-rhc-85215-mg-stf>. Edílson Mougenot.liberdade de ir. não conhecido268.por ilegalidade ou abuso de poder. e 102.]265. 17-05-2005. Disponível em: <http://www. Da mesma forma..com. Curso de Processo Penal: de acordo com as leis n. . Disponível em: <http://www. ofensivo a direito líquido e certo não amparado por habeas corpus ou habeas data (art. ou de quem aja como tal. 267 BONFIM. ILEGALIDADE DA APREENSÃO E VENDA DO CARVÃO IRREGULARMENTE TRANSPORTADO. CF. Quanto a matéria de admissibilidade o Superior Tribunal Federal apresenta este entendimento: CONSTITUCIONAL. vir ou ficar [. CUNHA. 4. RECURSO ORDINÁRIO. art. CIVIL. HB 82880 Rel. CABIMENTO. LXVIII. 808. 11. a. Sérgio Sérvulo da.689/2008 e 11. MILITAR E ELEITORAL Confirmando o que preceitua a Constituição Federal em seu art.asp?s1=HC- AgR(82880%20. 2010.NUME.F. 23-04-2003. Desta forma verifica-se que Habeas Corpus é a ação adequada quando ocorre algum constrangimento no direito de locomoção. pura e simplesmente.6 HABEAS CORPUS NA ESFERA TRABALHISTA.

273 BRASIL. ou seja. Lúcio Santoro de. Esta forma de prisão está fundamentada no direito processual comum. preventivo. Art. Decreto-Lei n. Lúcio Santoro de. se do STM. Lúcio Santoro de. 129. conforme art.FLSV.º grau.NUME. Para Constantino a prisão civil é aplicada apenas em duas situações: [. Disponível em: <http://www. p. Habeas corpus: liberatório. qualquer que seja a modalidade de depósito. que assim dispõe: “é ilícita a prisão civil de depositário infiel qualquer que seja a modalidade de depósito”. A possibilidade de aplicar o Habeas Corpus no Processo Militar quando houver constrangimento.planalto. 25273 do Superior Tribunal Federal.gov. que é preciso tomar cuidado para não confundir constrangimento com punição disciplinar militar. Habeas corpus: liberatório. 769 da CLT271. para que o individuo preste os alimentos ou devolva o bem. 139. Acesso em: 22 abr. Assim. Acesso em: 14 mar. BRASIL. Súmula Vinculante n. 270 CONSTANTINO.htm>. Cf..asp?s1=25. Aprova a Consolidação das Leis do Trabalho. preventivo. 68 Nesse sentido. 272 CONSTANTINO. profilático. há a possibilidade de impetrar o Habeas Corpus com a finalidade de garantir a liberdade de locomoção272. Se estes os denegarem.jus. Cumpre ressalvar a inovação que reforça a aplicabilidade do Habeas Corpus trazida com a edição da Súmula Vinculante n. 2010. 275 TOURINHO FILHO. 137. profilático. o direito processual comum será fonte subsidiária do direito processual do trabalho. exceto naquilo em que for incompatível com as normas deste Título. oponível será o recurso ordinário- constitucional: se a denegação partir do Tribunal Militar Estadual. Manual de Processo Penal. na esfera trabalhista “o Habeas Corpus tem aplicabilidade para resguardar o direito ambulatorial na única forma de prisão civil determinada pelo juiz do trabalho que é o caso do depositário infiel”. de 01 de maio de 1943. Nos casos omissos.&base=baseSumulasVinculantes>. . para o STF275. que é fonte subsidiária do processo do trabalho. sendo que a Justiça Militar possui organização judiciária própria274. 2010. 274 CONSTANTINO.É ilícita a prisão civil de depositário infiel. o recurso será dirigido ao STJ. Fernando da Costa.br/ccivil/decreto-lei/del5452. preventivo. segundo Constantino270. os pedidos de Habeas Corpus são sempre dirigidos aos órgãos de 2. que tem como finalidade fazer cumprir a obrigação.stf. 25 . Acrescenta Tourinho Filho que: Na Justiça Militar. 271 CLT. E S. Visto que diante da prisão civil ou ameaça de prisão civil. a prisão do depositário infiel é ilícita e de sua determinação pelo juiz caberá Habeas Corpus. Vale ressaltar.br/portal/jurisprudencia/listarJurisprudencia. p. 876. p..452. Disponível em: <http://www. p. 769. 5. Habeas corpus: liberatório.] inadimplência do devedor de alimentos e do depositário infiel. profilático. Supremo Tribunal Federal.

. também pelo Ministério Público. Portanto. não cabe o julgamento de Habeas Corpus que tenha por finalidade justamente isso. o interesse de agir e legitimidade para a causa”. caso um processo já tenha sido anulado pelo juiz. No tocante ao interesse de agir. 4.. ed. direta ou indiretamente.7. CONDIÇÕES DA AÇÃO Cumpre destacar que o Habeas Corpus como verdadeira ação. 279 NUCCI. Guilherme de Souza. na hipótese. Processo Penal. estando em pleno refazimento da instrução. 963. Lúcio Santoro de. Demercian e Maluly277 destacam a “possibilidade jurídica do pedido.8 REQUISITOS DA AÇÃO Segundo Mirabete280. deve conter os requisitos do artigo 654.] deve o impetrante demonstrar o beneficio que a impetração pode gerar ao paciente – que pode ser o próprio impetrante ou terceira pessoa. São Paulo: Forense. 963. salienta Nucci que: [. Habeas corpus: liberatório. 280 MIRABETE. Manual de Processo Penal e Execução Penal. . profilático. p. 3. ampl. Pedro Henrique. Extrai-se a possibilidade jurídica do pedido na referencia à existência de um constrangimento qualquer à liberdade de locomoção. interesse de agir. Julio Fabbrini. MALUFY. a petição do Habeas Corpus pode ser feita “por qualquer pessoa. deve cumprir algumas condições fundamentais. Jorge Assaf. Curso de Processo Penal. pois este assunto já foi tratado anteriormente. 277 DEMERCIAN. ou para que ela não se consume278. p. 2005. 441. parágrafo 1º do Código de Processo Penal”. Manual de Processo Penal e Execução Penal. 278 NUCCI. rev.279 Quanto a legitimidade não se faz necessário trazer aqui maior elucidação. p. p. preventivo. ao reconhecer a ocorrência de uma nulidade absoluta. 141. dentre elas. em seu favor ou de outrem. cuja aplicabilidade é mencionada por Constantino276 como “a impetração de Habeas Corpus para assegurar a liberdade de locomoção quando ocorrer constrangimento ilegal em prisão decretada pelo juízo eleitoral”. 2008. 276 CONSTANTINO. 4. 69 Apresenta-se ainda o Habeas Corpus na esfera eleitoral. Não há. Guilherme de Souza. pois o pleito formulado há de ser a concessão de ordem para fazer cessar a coação ou a violência. 2008. p. 756.

não necessariamente o nome é fundamental. 4. 2010. 70 Como visto. 285 FEITOZA. alguém deverá subscrever a seu rogo. para que a autoridade que vai apreciar a matéria tenha o entendimento necessário para deferir o pedido de Habeas Corpus283. 284 AVENA. da hierarquia”. parágrafo 1º. em caso de simples ameaça de coação. 283 AVENA. a” territorialidade e o segundo critério a ser verificado é a competência em razão da instância. 282 AVENA. Direito processual penal: teoria. Ao tratar dos requisitos da ação Avena comenta que: a pessoa que está sofrendo a coação ou sendo ameaçada.gov. uma vez que as características físicas. o nome de quem está praticando a ilegalidade. Processo Penal: esquematizado. vale dizer. 1140. Dentro do mesmo contexto Avena284 entende que “não se admite que a petição de Habeas Corpus seja apócrifa. depende do conteúdo descrito no art. crítica e práxis. deve-se inicialmente verificar como critério básico o lugar. em caso de simples ameaça ou. se for autoridade basta apenas descrever a função ou o cargo que a autoridade exerce282. Norberto Cláudio Pâncaro.654281. p. ou seja. sob pena de indeferimento ou não-conhecimento”. quando não souber ou não puder escrever. não sabendo ou não podendo assinar o impetrante. ou está prestes a praticar. ou seja. Deve-se fazer a petição demonstrando claramente a ilegalidade sofrida ou ameaçada. ou de alguém a seu rogo. que traz a seguinte redação: A petição de Habeas Corpus conterá: a) o nome da pessoa que sofre ou está ameaçada de sofrer violência ou coação ou ameaça. Norberto Cláudio Pâncaro. e a designação das respectivas residências.htm>. p.689. Destarte. 281 BRASIL. Processo Penal: esquematizado. a propositura da ação de Habeas Corpus. Acesso em: 25 abr. expondo-se as razões de fato e de direito. as razões em que funda seu temor. c) a assinatura do impetrante. Denílson. pode ser feita a identificação por nome se o constrangimento partir de um particular. do CPP.br/CCIVIL/Decreto-Lei/Del3689.9 COMPETÊNCIA Com relação a competência para processar e julgar o Habeas Corpus. ou o lugar onde o paciente encontra-se recolhido. segundo Feitoza285. 131 . sem subscrição. Processo Penal: esquematizado. 1140. 1142.planalto. 3. b) a declaração da espécie de constrangimento ou. Norberto Cláudio Pâncaro. Disponível em: <http://www. Código de Processo Penal. p. p. de 03 de outubro de 1941. Decreto Lei n.

Ministro de Estado ou Comandante da Marinha.jusbrasil. BRASIL. Isto porque da decisão de Habeas Corpus pode resultar afirmação da prática de ilegalidade ou de abuso de poder pela autoridade. Cf.br/ccivil_03/constituicao/constitui%C3%A7ao. I. segundo Capez290 é “se a autoridade coatora for juiz federal conforme dispõe o art. independentemente de distribuição”. [. Cf. 291 Art. Acesso em: 20 mar. i) o habeas corpus. 2010.planalto.. Constituição da República Federativa do Brasil de 05 de outubro de 1988. Já a competência do Superior Tribunal de Justiça está delimitada no art. quando o coator for Tribunal Superior ou quando o coator ou o paciente for autoridade ou funcionário cujos atos estejam sujeitos diretamente à jurisdição do Supremo Tribunal Federal. BRASIL. do Exército ou da Aeronáutica. o processo de Habeas Corpus em que o paciente ou o coator for autoridade sujeita a ser julgada originariamente por prática de infração penal perante ele.processar e julgar. cabe ao Superior Tribunal de Justiça apreciar a impetração289.. d da Constituição Federal.com. 2010.. Constituição da República Federativa do Brasil de 05 de outubro de 1988.. Disponível em: <http://www. c. originariamente: [.processar e julgar. antes de qualquer outro. 17-05-2007.gov. que originariamente é julgada criminalmente pelo respectivo tribunal. 105. 102287. de determinada lide. a.gov.. I.Rel. I.planalto. a guarda da Constituição.gov. Marcos Aurélio.planalto. quando o coator ou paciente for qualquer das pessoas mencionadas na alínea "a". I . Quanto a matéria de competência. I .htm>. se o paciente que tem prerrogativa de função ou é suspeito da prática 286 “Competência de um órgão judiciário para conhecer. AQUAVIVA. Acesso em: 20 mar. da Constituição Federal. originariamente. quando a autoridade coatora for juiz federal. p. 289 BRASIL. BRASIL. Acesso em: 20 mar. Cf. Bem como porque..]. d) os "habeas-corpus". p. assim entende o Superior Tribunal de Justiça: COMPETÊNCIA . Compete ao Superior Tribunal de Justiça: [. 108291. 2010. ou quando o coator for tribunal sujeito à sua jurisdição.. 105288. A competência para julgar Habeas Corpus é definida pela qualificação dos envolvidos.]. ou se trate de crime sujeito à mesma jurisdição em uma única instância. .].HABEAS CORPUS..br/topicos/306402/afastamento-do-obice-legal>.] o tribunal é competente para conhecer e julgar. Disponível em: <http://www. Disponível em: <http://www.htm>. 714. Feitoza ressalta que: [. ressalvada a competência da Justiça Eleitoral.]. Curso de Processo Penal. 71 Visto que o Supremo Tribunal Federal tem competência originária286 definida pelo art. originariamente: a) a ação direta de inconstitucionalidade de lei ou ato normativo federal ou estadual e a ação declaratória de constitucionalidade de lei ou ato normativo federal.. Fernando.htm>. HB 88609 . 2010.. 290 CAPEZ.br/ccivil_03/constituicao/constitui%C3%A7ao. Constituição da República Federativa do Brasil de 05 de outubro de 1988. Disponível em: <http://www. 200. Compete ao Supremo Tribunal Federal. 102.br/ccivil_03/constituicao/constitui%C3%A7ao. A competência do Tribunal Regional Federal. Ao apresentar a definição da competência do Tribunal de Justiça. Cf. precipuamente.”. Dicionário jurídico brasileiro Aquaviva. cabendo-lhe: I - processar e julgar. da Constituição Federal. 288 Art. Superior Tribunal de Justiça. Acesso em: 20 mar. Se o ato apontado como ilegal emana de tribunal de justiça. i. Compete aos Tribunais Regionais Federais: [. 287 Art. originariamente: c) os habeas corpus. Marcus Cláudio. 108.

Denílson. requisitar da autoridade coatora. 581 . Fernando. RHC 49... prevista no art.htm>. 2010.planalto. 72 de alguma infração penal. 297 NUCCI.. 3.. Código de Processo Penal. no sentido estrito. Guilherme de Souza. Manual de Processo Penal. no procedimento Habeas Corpus. porventura. a competência será do tribunal de segundo grau competente. em vez de recorrer. despacho ou sentença: [.br/CCIVIL/Decreto-Lei/Del3689.10 PRODUÇÃO DE PROVAS NO HABEAS CORPUS Não se produz prova. Todavia. Decreto Lei n. se houver denegação. p. outros documentos imprescindíveis à formação do 292 FEITOZA. 1ª T. Porém. 4. nada obsta possa o interessado (e comumente é assim que se procede).gov. p. Disponível em: <http://www. Fernando da Costa. se o inquérito tiver sido requisitado por autoridade judiciária. 582/314)293. além das informações. conforme o caso. impetrar outro pedido. Ao tratar da competência de primeira instância recursal Capez traz o seguinte entendimento acerca da matéria: Do juiz de direito de primeira instância: para trancar inquérito policial (Súmula 103 das Mesas de Processo Penal da USP). Acesso em: 25 abr. 293 CAPEZ. 296 BRASIL. Curso de Processo Penal. 87/832). Acesso em: 25 abr. 1131-1132. do CPP.630. X.gov. 969. Tourinho Filho em matéria de competência leciona que: Impetrada a ordem perante o Juiz singular. da decisão. Código de Processo Penal comentado. segundo Nucci297 “como regra. RTJ. o respectivo tribunal é que é competente para decidir ou não originariamente sobre a manutenção ou não da coação292. o magistrado ou o tribunal. O juiz não pode conceder a ordem sobre ato de autoridade judiciária do mesmo grau (RT. 2010. crítica e práxis. como tramitação desse recurso é um tanto morosa.htm>. 3.] X . 871. de 03 de outubro de 1941. com a inicial.que conceder ou negar a ordem de habeas corpus [. pode. Porém. 295 TOURINHO FILHO. Direito processual penal: teoria. toda a documentação necessária para instruir o pedido”.. . de 03 de outubro de 1941. p. 296 654 . já agora dirigido ao Tribunal295. p. Vale ressaltar a competência da expedição do Habeas Corpus de ofício. Decreto Lei n.planalto.689. de acordo com a sua competência recursal (STF.689. poderá ser interposto o recurso previsto no art.br/CCIVIL/Decreto-Lei/Del3689. 581294. BRASIL. quando no curso do processo verificarem que alguém sofre ou está na iminência de sofrer coação ilegal”. Código de Processo Penal. parágrafo 2º do Código de Processo Penal dispõe que “os juízes e os tribunais têm competência para expedir de oficio ordem de Habeas Corpus. Disponível em: < <http://www.Caberá recurso.] Cf. 714 294 Art. devendo o impetrante apresentar.

de ofício. 414. 301 Preventivo: “Quando sua finalidade for afastar o constrangimento à liberdade antes mesmo de se consumar”. E não poderia ser diferente. desde que a questão demande urgência. afim de que não ocorram lesões irreparáveis a um interesse legitimo”. p. Marcus Cláudio. Entretanto. Da mesma forma que. Cf.11 LIMINAR EM HABEAS CORPUS A liminar em Habeas Corpus segundo Moraes300 “é cabível tanto no preventivo301 quanto no liberatório ou repressivo. O entendimento doutrinário de Avena é que “para a concessão de liminar é preciso estar caracterizado o fumus boni iuris e o periculum in mora”. AQUAVIVA. 300 MORAES. Curso de Processo Penal: de acordo com as leis n. Cf. Alexandre de. 120. basta ilustrar que seu procedimento é sumaríssimo. vindo a afetar o dinamismo necessário para a tutela da liberdade de locomoção299. preventivo. Destarte. p.]. também. 299 CONSTANTINO. BONFIM. vulgarmente dizemos “onde há fumaça há fogo”. à autoridade coatora. Código de Processo Penal comentado. 11. os pressupostos atinentes a toda e qualquer cautelar fumus boni iuris302 e 298 NUCCI. a jurisprudência. p. enviar as peças que entender pertinentes para sustentar sua decisão. p. sendo incabível qualquer colheita de prova testemunhal ou pericial. Habeas corpus: liberatório. Guilherme de Souza. pois uma demora no procedimento iria atrasar a tutela jurisdicional. justamente em relação à liberdade de locomoção que exige celeridade procedimental. nada deve ultrapassar esse procedimento.. desde que presentes. p. Constantino salienta que: O Habeas Corpus não possui fase própria de instrução probatória. 742. possibilidade da existência de um direito [. assim como a doutrina são pacificadas no sentido da possibilidade de seu deferimento. advertindo aos juízes de que também o simples indício da existência de um direito deve ser cuidadosamente observado. .719/2008. também o jargão latino consagrou a “fumaça do bom direito”. Lúcio Santoro de. Edílson Mougenot. 969. observa-se no entendimento doutrinário e jurisprudencial que a produção de prova não é compatível com o Habeas Corpus. Dicionário jurídico brasileiro Aquaviva. pois sendo sua característica a simplicidade e a sumariedade. 302 Fumus boni iuris: Locução latina que significa indício. Direito Constitucional. 106. ou seja: A respeito de inexistir previsão legal de liminar em Habeas Corpus. cabendo. 4. profilático.. 73 seu convencimento.689/2008 e 11. evitando assim um constrangimento ou abuso de poder no direto de locomoção que possa ser irreparável”. logicamente. como ocorre no Habeas Corpus liberatório298. a produção de prova resultaria em um retardamento procedimental.

Decreto Lei n. 113. asseverando que: Ora. em pedido de Habeas Corpus.. “permitimo-nos entender diferente. previsão legal para a concessão de liminar em Habeas Corpus. nesse último caso. profilático. em julgamento do mérito do Habeas Corpus. Código de Processo Penal. Desta forma. Lúcio Santoro de.planalto. Marcus Cláudio. sim. futuramente. tanto ser mantida como revogada. 634. Acesso em: 25 abr. p. a mesma vir a ser cassada e denegada a ordem308. 113. profilático. A seguir passa-se a estudar detalhadamente cada um desses institutos. preventivo. caracterizada pela iminência de um dano. 74 periculum in mora303. 308 CONSTANTINO. 2010. Dicionário jurídico brasileiro Aquaviva. Habeas corpus: liberatório. p. a situação anterior ao deferimento305. é importante gizar que o deferimento de uma liminar.. Disponível em: <http://www. 3. Norberto Cláudio Pâncaro. 279. Trata-se. Assim. p. Desta forma. o art. Por fim. 1142. 303 Periculum in mora: “Locução latina que designa uma situação de fato. Concedida a liminar.htm>. de 03 de outubro de 1941. denota-se que é plenamente possível o deferimento de liminar em habeas corpus. se não satisfativa a antecipação pleiteada. p.gov. A expressão é bastante utilizada nos casos de medidas cautelares”. qual seja. .]. em face da demora de uma providência que o impeça. mandado.br/CCIVIL/Decreto-Lei/Del3689.689. do Código de Processo Penal estabelece que “Se os documentos que instruírem a petição evidenciarem a ilegalidade da coação.. Lúcio Santoro de. 305 AVENA. CUNHA. preventivo. esta poderá. 660307. salvo melhor juízo.. Trata-se. restabelecendo-se. 304 Writ: significa Garantia. parágrafo 2º do CPP. por ocasião do julgamento do mérito do writ304. Prossegue o autor. pelo entendimento doutrinário e jurisprudencial pacificado. apenas. Dicionário compacto do direito. diferentemente dos demais autores que apenas se referem a fundamentação doutrinária e jurisprudencial para o deferimento do habeas corpus. Processo Penal: esquematizado. Cf. acreditando haver. p. Cf. Segundo Constantino306. parágrafo 2º. 306 CONSTANTINO. Constantino acredita haver também fundamento legal para o deferimento. é plenamente possível ser concedida a liminar e posteriormente. de uma providência para acautelar o direito esboçado pelo impetrante [.12 ESPÉCIES DE HABEAS CORPUS Pode-se identificar duas espécies: o Habeas Corpus liberatório ou repressivo e Habeas Corpus preventivo. 307 BRASIL. 4. Habeas corpus: liberatório. portanto. além da base legal indicada pelo referido autor. não significa antecipação dos efeitos da sentença. 660. de um dano em potência. É que o art.]. AQUAVIVA. Sérgio Sérvulo da. e sequer pré-julgamento. que ainda não se perfez. o juiz ou tribunal ordenará que cesse imediatamente o constrangimento”. aqui está expressamente a permissibilidade legal para o deferimento de liminar no Habeas Corpus [.

ou pelo Tribunal nele referido. Cf. p. Menciona Tourinho Filho312 que “após a concessão do Habeas Corpus preventivo é expedido um salvo conduto313”. desde já. 439. . No mesmo sentido é o entendimento de Espínola Filho citado por Demercian e Maluly: [. extensivo a qualquer autoridade policial ou judiciária. 39. Dicionário jurídico brasileiro Aquaviva. p. como sendo “aquela em que se destina a evitar a ameaça de perda do direito de locomoção. profilático. civil.] uma comunicação escrita. Pedro Henrique. como se pode observar a seguir: Preventivo porque busca cessar. p. ou sem risco algum. expedida por autoridade (judicial. 312 TOURINHO FILHO. Marcus Cláudio. Desta forma. uma ordem de habeas-corpus contra ameaça de coação. ilustrando com um exemplo.12. De Plácido e. marítima. Vocabulário jurídico. 427.1 Preventivo Esta espécie é denominada por Capez309. cujo nome e qualificação declinará. temida da parte de autoridade. 75 4. p. 313 Salvo-Conduto: “trata-se de um documento. isto é. ou seja. possa livremente. da promessa do mal e não concretizaram o efetivo dano. 877. Define Aquaviva310 que o Habeas Corpus preventivo é aquele que “previne. Na realidade. em favor de alguém. neste caso é expedido um salvo-conduto para assegurar o direito de locomoção. Habeas corpus: liberatório. serve o Habeas Corpus para prevenir a ocorrência do mal prometido. ter entrada e saída em certos lugares”. cabe quando o paciente se acha na iminência de sofrer coerção”. afim de não poder efetivar-se o constrangimento314. também designada. Um exemplo é a ordem de prisão ilegalmente expedida. pelo juiz signatário. mas sofre ameaçada prisão. com ela. Manual de Processo Penal. SILVA. 1253. de ter sido. Constantino define o Habeas Corpus na forma preventiva. MALUFY. aplica-se a quem está prestes a ser preso”. para que. 314 ESPÍNOLA FILHO apud DEMERCIAN. por fato que mencionará. O individuo ainda não foi preso. concedida ao paciente. Jorge Assaf. onde se dá conhecimento geral. Desta forma. 710. ou licença escrita. iminente violência ou a iminente coação. 309 CAPEZ. 311 CONSTANTINO. A concessão de Habeas Corpus preventivo determina a expedição de salvo- conduto.. impetrará Habeas Corpus preventivo311. Lúcio Santoro de. Fernando. Curso de Processo Penal. a violência ou a coação encontram-se no estágio da ameaça. preventivo. ou consular). Fernando da Costa. p. 310 AQUAVIVA. p.. militar. Curso de Processo Penal.

318 CONSTANTINO. p. devendo o paciente ser libertado imediatamente pela entidade coatora. 710. para efetivamente se concretizarem. Esta espécie de Habeas Corpus é definida por Aquaviva319 como “liberativo é invocado quando o paciente já está sofrendo coerção”. impetrará pedido de Habeas Corpus liberatório318. 3689.689/2008 e 11. 11. 660315. art. a violência ou coação à liberdade de locomoção ultrapassaram o estágio da promessa. visto que não há mais motivo para continuar privada do direito à liberdade. ou seja. Curso de Processo Penal. 99. Como o próprio nome indica. o órgão judicante determinará a expedição do alvará de soltura. sob pena de esta incidir no crime de desobediência (art. p. 792. Acesso em: 25 abr. o Habeas Corpus liberatório é voltado a afastar constrangimento à liberdade já consumado.12. 2010. ou seja. dada a urgência do bem tutelado.planalto. 427. Decreto Lei n. Alguns doutrinadores referem-se ao Habeas Corpus liberatório com o nome de repressivo. de 03 de outubro de 1941. Dicionário jurídico brasileiro Aquaviva.htm>. p. Dicionário jurídico brasileiro Aquaviva. “se a ordem de Habeas Corpus for concedida para evitar ameaça de violência ou coação ilegal. Fernando.719/2008. 4. a fim de fazer cessar prontamente o constrangimento ilegal. Marcus Cláudio. com vistas à restituição do status libertatis de alguém Ao conceder a ordem de Habeas Corpus. Cf. parágrafo 4º. AQUAVIVA. dar-se-á ao paciente salvo-conduto assinado pelo juiz. . Lúcio Santoro de. aplica-se a quem encontra-se preso”. profilático. Por estar preso. Código de Processo Penal. 39. 76 Vale ressaltar que o Código de Processo Penal. 315 BRASIL. p. Edílson Mougenot. Marcus Cláudio. onde o mesmo restou recolhido ao presídio. A concessão desta ordem resultará na expedição de Alvará de soltura317. Logo. p. 317 “Alvará de soltura ordem judicial de imediata liberação de quem se acha preso ou de condenado com pena cumprida ou extinta”. 316 CAPEZ. Um exemplo é a prisão ilegal do individuo. 320 BONFIM. trata da garantia do direito de locomoção. preventivo. Disponível em: <http://www. 319 AQUAVIVA. 40. Neste caso. Habeas corpus: liberatório. serve o Habeas Corpus liberatório para afastar o mal existente. Curso de Processo Penal: de acordo com as leis n.2 Liberatório ou repressivo Entende Capez316 que o Habeas Corpus liberatório ou repressivo “é aquele destinado a tirar o constrangimento ilegal de quem perdeu o direito de locomoção.br/CCIVIL/Decreto-Lei/Del3689.gov. 330 do CP)320.

898. Decreto Lei n. Neste caso. 322 TOURINHO FILHO. 660 . Parágrafo 1º -Se a decisão for favorável ao paciente. c) deixar de comunicar.planalto. 77 Destaca-se ainda que após a concessão expede-se o alvará de soltura para que o paciente retome a liberdade de locomoção. p. de 03 de outubro de 1941. de 09 de dezembro de 1965. Regula o Direito de Representação e o processo de Responsabilidade Administrativa Civil e Penal. Assim. g) aos direitos e garantias legais assegurados ao exercício do voto.planalto.htm>. b) submeter pessoa sob sua guarda ou custódia a vexame ou a constrangimento não autorizado em lei. Acesso em: 15 mar. custas. dentro de 24 (vinte e quatro) horas. d) à liberdade de consciência e de crença. 4. resta indagar se houve ou não a má-fé ou indisfarçável abuso de poder por parte da autoridade que determinou a coação. c) ao sigilo da correspondência. que definem os crimes de abuso de autoridade: Art. e) levar à prisão e nela deter quem quer que se proponha a prestar fiança. d) deixar o Juiz de ordenar o relaxamento de prisão ou detenção ilegal que lhe seja comunicada. . Decreto Lei n. para as providências que lhe pareçam acertadas322. b) à inviolabilidade do domicílio. h) ao direito de reunião. 2010. logo será posto em liberdade. Fernando da Costa. salvo ser por outro motivo dever ser mantido na prisão321.Efetuadas as diligências. Constitui abuso de autoridade qualquer atentado: a) à liberdade de locomoção.htm>. e interrogado o paciente.gov. Código de Processo Penal. se for o caso. o paciente deve logo ser posto em liberdade para cessar o constrangimento. 660. de 9/12/65. por força do art. sem prejuízo de ser apurada a responsabilidade quando houver abuso de poder da autoridade coatora. fundamentadamente.898. permitida em lei. Manual de Processo Penal. imediatamente. i) à incolumidade física do indivíduo.br/ccivil/decreto-lei/del2848. f) à liberdade de associação. o juiz decidirá. até mesmo dos autos principais) e encaminhadas ao órgão do Ministério Público. Havendo-a. 3º323 e 4º da Lei n. o órgão do Ministério Público terá suas vistas voltadas para os arts. Art. Disponível em: <http://www. Acesso em: 25 abr. 3º. 3689. j) aos direitos e garantias legais assegurados ao exercício profissional. emolumentos ou qualquer outra 321 BRASIL. Disponível em: <http://www. ao juiz competente a prisão ou detenção de qualquer pessoa. 2010. parágrafo 1º do Código de Processo Penal. nos casos de abuso de autoridade. sem as formalidades legais ou com abuso de poder. f) cobrar o carcereiro ou agente de autoridade policial carceragem. 4º Constitui também abuso de autoridade: a) ordenar ou executar medida privativa da liberdade individual.gov. e) ao livre exercício do culto religioso. 4. como esclarece Tourinho Filho: Concedida a ordem. que traz a seguinte redação: Art. 878. não só será ela condenada a pagar as custas respectivas.br/CCIVIL/Decreto-Lei/Del3689. 323 BRASIL. como também serão extraídas certidões das peças necessárias do Habeas Corpus (ou.

78 despesa. p. 324 AQUAVIVA. 21. 327 BRASIL.br/ccivil_03/constituicao/constitui%C3%A7ao. Acesso em: 20 mar. sem as formalidades legais ou com abuso de poder: Pena – detenção. 325 AQUAVIVA. de 1 (um) mês a 1 (um) ano. com abuso de poder. Dicionário jurídico brasileiro Aquaviva. Dicionário jurídico brasileiro Aquaviva. II – prolonga a execução de pena ou de medida de segurança. de 07 de dezembro de 1940. Constituição da República Federativa do Brasil de 05 de outubro de 1988. I – ilegalmente recebe e recolhe alguém a prisão. Ressalta-se. LXV da Constituição Federal328.planalto.gov. 2010. b) que tenha sido praticado por funcionário no exercício de sua função. p. qualquer diligência Para maiores esclarecimentos sobre abuso de autoridade e coação ilegal. 5º327. emolumentos ou de qualquer outra despesa. i) prolongar a execução de prisão temporária. Parágrafo único. Disponível em: <http://www. de pena ou de medida de segurança. injustamente. quando praticado com abuso ou desvio de poder ou sem competência legal. Disponível em: <http://www. h) o ato lesivo da honra ou do patrimônio de pessoa natural ou jurídica.htm>. ou a estabelecimento destinado a execução de pena privativa de liberdade ou de medida de segurança. Na mesma pena incorre o funcionário que. A prática de um ato considerado ‘abuso de autoridade’ no entendimento de Aquaviva324 “é aquele que se caracteriza da seguinte forma: “Prática de atos por órgãos públicos.g) recusar o carcereiro ou agente de autoridade policial recibo de importância recebida a título de carceragem. Marcus Cláudio. quer quanto à espécie quer quanto ao seu valor. que transcende. c) que não tenha ocorrido motivo que o legitime. deixando de expedir em tempo oportuno ou de executar imediatamente a ordem de liberdade. 326 BRASIL.br/ccivil/decreto-lei/del2848. 21. III – submete pessoa que está sob sua guarda ou custódia a vexame ou a constrangimento não autorizado em lei. in verbis: Art. 2. Vale ressaltar que está previsto no art. Acesso em: 15 mar. no exercício de suas atribuições. Marcus Cláudio. 2010. 350 . IV – efetua. desde que a cobrança não tenha apoio em lei.848. Código Penal. Prossegue Aquaviva325 asseverando que para a caracterização do abuso. os limites destas. que é a Lei de Abuso de autoridade.planalto. . em prejuízo de outrem”.gov. custas. se faz necessário consultar a lei especifica que trata desta matéria. deixando de expedir em tempo oportuno ou de cumprir imediatamente ordem de liberdade. exigem-se três pressupostos: a) que o ato praticado seja ilícito. Decreto Lei n. que por força do art.htm>. “a prisão ilegal será imediatamente relaxada pela autoridade judiciária”. 350326 do Código Penal as punições para quem comete um exercício arbitrário ou abuso de poder.Ordenar ou executar medida privativa de liberdade individual.

Acesso em: 25 abr. Se o habeas corpus for concedido em virtude de nulidade do processo. Decreto Lei n..br/CCIVIL/Decreto- Lei/Del3689. será posto imediatamente em liberdade.Se a decisão for favorável ao paciente. desde que este não esteja em conflito com os fundamentos daquela. O juiz passa a ser omisso pelo fato de verificar a cópia do auto de prisão em flagrante. este será renovado. 3. pois neste caso o juiz passa a ser autoridade coatora. de 03 de outubro de 1941. de 03 de outubro de 1941. Código de Processo Penal. 3.planalto. BRASIL.htm>.gov. Edílson Mougenot. CPP). parágrafo 1º.A concessão do habeas corpus não obstará. 652331. 328 BRASIL.689. 660332.689. Decreto Lei n.719/2008..689/2008 e 11.br/CCIVIL/Decreto-Lei/Del3689. parágrafo 4o .Se a ordem de habeas corpus for concedida para evitar ameaça de violência ou coação ilegal. . 331 Art. 330 Art. 2010.689. CPP). 2010. Cf. Cf. Curso de Processo Penal: de acordo com as leis n. Disponível em: <http://www.]. Disponível em: <http://www.. BRASIL.gov.gov. 652.br/CCIVIL/Decreto-Lei/Del3689. 3. sendo o pólo passivo no eventual pleito. 660333. CPP).. (art. 2010. e por fim. Decreto Lei n. p. Código de Processo Penal. 793.planalto. 2010. será logo posto em liberdade.br/CCIVIL/Decreto-Lei/Del3689. de 03 de outubro de 1941.. Código de Processo Penal. 3. desde que não seja hipótese de trancamento da ação penal. 333 Art. Constituição da República Federativa do Brasil de 05 de outubro de 1988. 11. Acesso em: 20 mar. “entendimento é plenamente aplicável em razão da possibilidade de concessão da ordem de ofício pelos juízes ou tribunais334”. p. Concedida a ordem.htm>. 334 BONFIM. salvo se por outro motivo dever permanecer recolhido (art. 329 BONFIM. Disponível em: <http://www. salvo se por outro motivo dever ser mantido na prisão. 4. 79 Se porventura a prisão não for relaxada conforme determina a norma constitucional anteriormente citada. Código de Processo Penal. 660 – [.htm>. Acesso em: 25 abr. impetra-se o Habeas Corpus liberatório para assegurar o direito de liberdade da pessoa que se encontra presa.gov. este será renovado (art.br/ccivil_03/constituicao/constitui%C3%A7ao.planalto.719/2008.gov. 816. Concedida a ordem em Habeas Corpus preventivo. Disponível em: <http://www. de 03 de outubro de 1941.]. Edílson Mougenot.htm>. dar-se-á ao paciente salvo-conduto assinado pelo juiz (art. [. 332 Art. Cf. Se o Habeas Corpus for concedido em virtude de nulidade do processo.. Cf. 2010.13 EFEITOS A concessão do Habeas Corpus não obstará o prosseguimento do processo. BRASIL.689/2008 e 11. 651 . não apresentar a concessão de Habeas Corpus de oficio329.689. Acesso em: 25 abr. 660 – [. estando o paciente preso. parágrafo 1o . 651330. dar-se-á ao paciente salvo-conduto assinado pelo juiz. Decreto Lei n.]. nem porá termo ao processo. parágrafo 4º.planalto. BRASIL. 11. constatar a ilegalidade da prisão.htm>. Curso de Processo Penal: de acordo com as leis n. Acesso em: 25 abr. CPP). Disponível em: <http://www.planalto.

A concessão de ordem de Habeas Corpus impetrado por um dos réus. Disponível em: <http://www.que conceder ou negar a ordem de habeas corpus. Marcos Aurélio. Manual de Processo Penal. 581 ou.htm>. possibilitando ao próprio juiz recorrido uma nova apreciação da questão. 338 Art. Webartigos. 2010. Fernando da Costa. Código de Processo Penal. no sentido estrito. Decreto Lei n. pelo juiz: [. 3. Disponível em: <http://www. 340 TOURINHO FILHO.htm>. Acessado em 03/04/2010>. em outros casos expressos a Lei340”. Acesso em: 20 mar.Os recursos serão voluntários. 339 Art. .689. Para Capez341.. 3.br/jurisprudencia/769241/habeas-corpus-hc-83301-rs-stfl>. excetuando-se os seguintes casos. No caso de concurso de agentes (Código Penal. 581.. p.gov. “Recurso em sentido estrito é aquele interponível das decisões elencadas no art. independentemente de recurso de oficio no caso de concessão conforme disposto no art. Cf. Acesso em: 25 abr. quando há concurso de agentes e o motivo não for pessoal. 2010. como se extrai da seguinte decisão: HABEAS CORPUS. inciso X.planalto.689. Disponível em: <http://www.br/CCIVIL/Decreto-Lei/Del3689. aproveitará aos outros.jusbrasil. Ordem concedida.br/CCIVIL/Decreto-Lei/Del3689. Acesso em: 17 abr.689.html. de 03 de outubro de 1941. a decisão do recurso interposto por um dos réus. art. em que deverão ser interpostos. 25). se fundado em motivos que não sejam de caráter exclusivamente pessoal. Concurso de agentes. a todos aproveita336.gov. 581338.planalto. 775. Código de Processo Penal. 2010. antes da remessa dos altos à segunda estância”. 336 BRASIL. Cf. BRASIL. em não se baseando em motivo de caráter exclusivamente pessoal. Decreto Lei n.gov. Código de Processo Penal. 580335 do CPP. 580.14 RECURSOS CABÍVEIS Diante do dispositivo do art. Extensão aos demais réus. I. 3. CPP. Superior Tribunal de Justiça. 14-12-2004. Motivos de caráter não exclusivamente pessoal.br/CCIVIL/Decreto- Lei/Del3689. 335 Art. 574339. 80 No tocante aos efeitos do Habeas Corpus o Superior Tribunal Federal de que. HB 83301 Rel. do CPP. Juliana Santiago de. 2010. 337 OLIVEIRA. BRASIL.com/articles/1502/1/Habeas Corpus-E-Trancamento-Da-Ação-Penal/pagina1. Cf. Aplicação do art. 2010.webartigos. Ação proposta por um dos réus. da decisão do juiz que conceder ou negar a ordem de Habeas Corpus cabe recurso em sentido estrito.da sentença que conceder habeas corpus.]. 574 . despacho ou sentença: X . de 03 de outubro de 1941. 4.com.htm>. Acesso em: 25 abr. Decreto Lei n. Habeas Corpus. eventualmente. de ofício. BRASIL. este instituto se estende aos demais. de 03 de outubro de 1941. Caberá recurso. recurso em sentido estrito “é o recurso mediante o qual se procede ao reexame de uma decisão das matérias específicas em Lei. da decisão.planalto. Disponível em: <http://www. São Paulo 21 abr. Destaca-se ainda que “o Habeas Corpus para trancamento da ação penal é cabível quando há atipicidade manifesta do fato ou da presença de qualquer causa extintiva de punibilidade337”. Acesso em: 25 abr. 2007. Disponível em: <http://www. I .

1173. e dirigido ao STF. De Plácido e. 2010. II. 917. 531. ou pelos Tribunais dos Estados e do Distrito Federal (art. p. b) recurso ordinário-constitucional dirigido ao STJ.gov. Curso de Processo Penal. II. nas hipóteses previstas no art. ver. Rio de Janeiro: Impetus.htm>.htm>.br/ccivil_03/Leis/L4898. e finalmente. Em concordância com o disposto acima Capez.038 de 28 de maio de 1990. 102.gov. p. Curso de Processo Penal. 4. se denegatória a decisão. 102. II. Institui normas procedimentais para os processos que especifica. nas hipóteses previstas no art. c) o recurso ordinário que passaremos a denominar recurso criminal ordinário-constitucional.gov. p. 345 CAPEZ.. com as razões do pedido de reforma. II. II. da CF. ‘a’. proferida em única ou ultima instancia pelos Tribunais Regionais Federais.. Denílson Feitosa.julgar. se denegatória a decisão. da CF.br/ccivil_03/constituicao/constitui%C3%A7ao. será interposto no prazo de cinco dias. 343 II . afirma que: Cabe recurso ordinário constitucional ao Superior Tribunal de Justiça da decisão denegatória de Habeas Corpus.planalto. No parecer de Mirabete348 “o recurso ordinário é privativo do impetrante. quando denegatória a decisão. Fernando. CF)345. Cf.] a) o "habeas-corpus". 347 TOURINHO FILHO. ed. Disponível em: <http://www. em recurso ordinário: b) os mandados de segurança decididos em única instância pelos Tribunais Regionais Federais ou pelos tribunais dos Estados. em recurso ordinário: [. 341 CAPEZ. e dirigido ao STF347. a e b 105. Lei n. Disponível em: <http://www. Acesso em: 20 mar. o "habeas-data" e o mandado de injunção decididos em única instância pelos Tribunais Superiores. Vocabulário jurídico. quando denegatória a decisão. Direito de Processo Penal: teoria critica e práxis. Manual de Processo Penal. 349 Art.planalto. o prazo para sua interposição é de cinco dias (art. 480. 8. Constituição da República Federativa do Brasil de 05 de outubro de 1988. BRASIL. Disponível em: <http://www. Niterói. Constituição da República Federativa do Brasil de 05 de outubro de 1988. . 342 PACHECO. Acesso em: 15 mar. 2006.O recurso ordinário para o Superior Tribunal de Justiça. BRASIL. 102. Acesso em: 20 mar. Silva346 declara que “o recurso criminal ordinário constitucional tem cabida nas hipóteses legais do arts. Cf. 344 II . 105344. 105. 8.planalto.htm>. BRASIL. 30 .br/ccivil_03/constituicao/constitui%C3%A7ao. 2010. 348 MIRABETE. II. neste sentido dispõe o art. Fernando. II. 2010. a da Constituição Federal”. Cf. 81 Menciona Pacheco342 que “cabe recurso ordinário constitucional para o Supremo Tribunal Federal no Habeas Corpus decidido em única instancia pelos Tribunais Superiores. Tourinho Filho destaca que há três tipos de recurso ordinário-constitucional: a) recurso ordinário-constitucional com fundamentos no art. a. proferidas pelos Tribunais Regionais Federais ou pelos Tribunais dos Estados e do Distrito Federal. 102343. o mandado de segurança. perante o Superior Tribunal de Justiça e o Supremo Tribunal Federal. com a emenda Constitucional da reforma do judiciário. da Carta Magna. 346 SILVA. do Distrito Federal e Territórios. 858. e atual. 787.julgar. a e b. Fernando da Costa. 30349 da Lei n. p. Processo Penal. b. da Constituição Federal”. p.038/90)”. b. das decisões denegatórias de Habeas Corpus. p. Julio Fabbrini.

III.br/ccivil_03/constituicao/constitui%C3%A7ao. De Plácido e. perante o presidente do tribunal recorrido”..gov. 350 Art. 105 . 354 TOURINHO FILHO.] é aquele oponível em relação às causas decididas em única instancia ou ultima instancia pelos Tribunais Regionais Federais ou pelos Tribunais Estaduais.. quando a decisão recorrida: a) contrariar tratado ou lei federal. em única ou última instância. com a emenda Constitucional da reforma do judiciário. do Distrito Federal e Territórios. c) der a lei federal interpretação divergente da que lhe haja atribuído outro tribunal. . Manual de Processo Penal. 351 SILVA.planalto. quando a decisão recorrida (art. Disponível em: <http://www. p. III. poderá o Ministério Público interpor. e atual. Assevera Pacheco352 que “se a decisão for concessiva. dependendo do caso.]. III. Fernando da Costa. ver. CF)”. as causas decididas. Denílson Feitosa. em tese o recurso especial (art. 1172. Fernando da Costa. a. 4. e c. ed. 105. Cf.. recurso extraordinário para o Supremo Tribunal Federal (art.htm>. Segundo Tourinho Filho353.Compete ao Superior Tribunal de Justiça: [. Direito de Processo Penal: teoria critica e práxis. do Distrito Federal e Territórios. Segundo entendimento de Silva351 o recurso especial “é o remédio judicial destinado a decidir questões de direito infraconstitucional. p. 2010. seus conceitos. ou negar-lhes vigência.102. “entende-se por recurso extraordinário aquele mediante o qual se propicia ao STF manter o primado da Constituição”. em recurso especial. III)354. 82 Das decisões deferitórias cabe somente. 823.julgar. 353 TOURINHO FILHO. p. p. deverá ser interposto no prazo de quinze dias. III. CF) ou recurso especial para o Superior Tribunal de Justiça (art. 352 PACHECO.105. Manual de Processo Penal.. também foi abordado sua natureza jurídica e por fim sua forma aplicação. pelos Tribunais Regionais Federais ou pelos tribunais dos Estados. Prossegue o autor conceituando recurso especial: [. que serve para garantir a liberdade individual de locomoção das pessoas que sofrem ou estão por sofrer um constrangimento ilegal ou abuso de poder. No presente capítulo foi tratado do remédio constitucional. da CF). 917. 105350. 823. Vocabulário jurídico. Constituição da República Federativa do Brasil de 05 de outubro de 1988. BRASIL. Acesso em: 20 mar.

Dentre as várias espécies abordadas. Assim o estudo do crime é ponto de partida para o estudo do instituto do Habeas Corpus. a origem histórica. O foco deste capítulo foi a tipificação do crime.7 referente à prisão ilegal. de forma a identificar a conduta do agente. que “não há crime sem lei anterior que o defina nem pena sem prévia cominação legal”. vir e permanecer. 648 do Código de Processo Penal. 5º com a redação no inciso LXXVII traz o entendimento que “são gratuitas as ações de . Desta forma para que um ato seja considerado ilícito deve haver uma previsão legal. XXXIX. ir. Trata-se de uma forma de garantir o direito de locomoção. tamanha é a sua importância que está inserido nos Direitos e Garantias Fundamentais. que é uma forma de punir uma conduta considerada ilícita. chamado alvará de soltura que garante que o paciente seja imediatamente posto em liberdade onde quer que se encontre preso ou detido. No segundo capítulo tratou-se da prisão. Estabelece a Constituição Federal. os tipos e o fato típico do crime. denominado na doutrina como um remédio jurídico para a prisão ilegal.3. a qual está descrita no art. No terceiro e último capitulo apresentou-se um estudo sobre o Habeas Corpus liberatório que é um remédio jurídico para a prisão ilegal. pode-se destacar o item 3. no art. A concessão deste instituto resulta em um documento assinado pela autoridade competente. 83 CONSIDERAÇÕES FINAIS A realização deste trabalho monográfico consistiu no estudo da aplicabilidade do Habeas Corpus como uma garantia constitucional. verificando se esta prática é ilícita ou não. ou seja. É a partir da suposta prática de um ato tipificado como ilícito que gera motivos para ser efetuada a prisão de um sujeito. O Habeas Corpus é tratado pela Constituição Federal como uma verdadeira ação. cuja tipificação dá margem a impetração do Habeas Corpus liberatório. pois o art. Para tanto se abordou no primeiro capítulo o estudo do crime. 5º.

84 Habeas Corpus e habeas data. Bem como. na forma da lei. que o resultado obtido com o deferimento do Habeas Corpus liberatório é a reaquisição da liberdade de locomoção do paciente. os atos necessários ao exercício da cidadania”. e. O Habeas Corpus é endereçado à autoridade superior àquela que tenha ou esteja praticando a arbitrariedade. ilegalidade ou abuso de poder. As hipóteses foram confirmadas uma vez que se constatou conforme o 5º da Constituição Federal. o Habeas Corpus é concedido a quem está na iminência de perder a liberdade. sem a ilegalidade ou abuso de poder imposto. ou já perdeu ilegalmente. .

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