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Teoria Geral do Estado – TGE – Manoel Ilson

Cáp 1 e 2
* A política é a arte do governo na sociedade e sua ciência. O governo de sociedade é a
capacidade de agir com instrumentos de força, articulação e legitimação para a condução. A
ciência política é o estudo desses instrumentos. A ação política é o modo de governar; governo
é o conjunto de manifestações humanas para exercer o poder político.
- De modo geral, poder é a capacidade de fazer algo. É uma relação entre um sujeito ativo e
um passivo que implicará na mudança de comportamento do passivo.
1) Dominação e Poder para Weber:
A-> Dominação é a obediência ao sujeito ativo, ou seja, a efetivação do poder numa relação.
Quando o sujeito ativo finalmente muda o comportamento do sujeito passivo.
B-> Poder é a capacidade de modificar o comportamento do passivo mesmo com resistência.
2) Poder Atual e Potencial:
A-> Atual: ativo manifesta seu desejo de dominação e usa recursos para obter resultados.
B-> Potencial: passivo muda seu comportamento sem motivação do ativo. O passivo tem medo
dos recursos que serão usados pelo ativo.
3) Poder Natural e Social:
A-> Natural: todo movimento de um ser que interfere no estado do outro é uma manifestação
de poder. Já existe mesmo sem influencia do homem.
B-> Social: resultado das relações humanas, ou seja, o que o homem faz racionalmente na
sociedade. Tudo aquilo que o homem “coloca a mão”.
4) Poder Político-> é adotado de recursos de força física e consenso. O ativo usa seus recursos
e deixa por ultimo a força. Uma sociedade se evolui quando o nível de consenso é maior que o
nível da força. Portanto, política é a capacidade de se recorrer à força física quando
condicionado ao consenso.
5) Poder Legitimo-> é aquele em que o dominado concorda com a ação. Para Weber, ocorre
por meio das tradições, carisma e legalidade.
6) Poder na CF:
A-> Poder como Potencia: todo poder emana do povo que o exerce por meio de
representantes. (art. 1° { único)
B-> Poder como Órgão: poderes da União, independentes a harmônicos entre si, Executivo,
Legislativo e Judiciário. (art. 2°)
C-> Poder como Competência: art. 84,49 da CF.
* Existe 3 esferas de poder, para Bobbio:
1) Poder econômico: sujeito ativo domina a riqueza, produção e propriedade. É fundado no
domínio da propriedade.
2) Poder ideológico: conduz a pessoa por meio do pensamento e palavras. Fundado nas idéias.
3) Poder político jurídico> funde na violência e no direito. Quanto mais desenvolvida a
sociedade, mais direito e menos violência.

Cáp 3
* Cada sociedade é formada por fins próprios e específicos, o que nos permite identificar as
diferenças e evoluções da sociedade.
- Naturalistas: Aristóteles diz que “o homem é um ser social por natureza (intimo/próprio),
sempre viveu em sociedade.” Darwin comprova. Ou seja, a sociedade é uma condição natural
do homem; não há um momento em que eles optam pela sociedade, pois está nele desde que
ele existe.
- Contratualistas: o homem vivia em natureza (floresta), parou e passou a viver em sociedade.
“O homem vivia no estado de natureza, firmou num contrato social e passou a viver em
sociedade.” É uma hipótese de que os primitivos viviam isolados de seus semelhantes, mas
não era suficiente, o que causou um encontro e a junção de todos. O contrato social é quando
o homem abandona o estado de natureza e passa a viver em sociedade.
OBS: sociedade é um ambiente de gozo condicionado das liberdades.
* Finalidade Social: vontade de TODOS. Há duas correntes:
- Deterministas: não há finalidade social. Somos resultado de leis físicas e que não tem lei
superior. Não há finalidade, pois somos produto de causa e efeito.
- Finalistas: há finalidade social. O homem se distingue, pois conhece o meio em que vive e
tem consciência. A racionalidade humana permite uma orientação coletiva em prol da
sobrevivência.
* Para:
1) Aristóteles-> a finalidade social é o bem comum.
2) Hobbes: a finalidade social é a paz, pois o homem é mau por natureza.
3) Rousseau: a finalidade social é o progresso, contrato social e conter a violência.
4) Locke: a finalidade social é a liberdade.
5) Duguit: a finalidade social é a dominação.
- Legitimar o poder é produzir o convencimento de que é devido.

Cáp 4 e 5
* Estado significa sociedade política soberana. O governo é o comando do Estado. Estado é
toda estrutura de uma sociedade política e o governo é o seu comando, os órgãos destinados a
governar.
- o Estado tem três poderes que fazem o que ele quer. São concentrações de órgãos. São eles:
1) Poder Executivo: composto por governo (responsável pela direção política do Estado) e
administração (auxilia o governo e o funcionamento da maquina pública). Ou seja, exerce
função administrativa e governativa; concentra mais poder que o legislador.
2) Poder Legislativo: é uma função de controle publico. É atribuído a colegiados para obter
soluções amadurecidas sobre determinados assuntos. Exerce função legislativa.
3) Poder Judiciário: função de controle sobre atos públicos e privados para garantir a
legalidade. Tem função judiciária.
* o Brasil é um Estado: sociedade política dotada de PODER sobre o POVO num determinado
TERRITÓRIO. É toda organização de poder político. A política é o instrumento de ação do
Estado e é a ação humana que organiza a sociedade. O Estado é uma sociedade política, pois
seu instrumento de poder é a força e também é uma sociedade governativa, pois é
responsável pelo comando. Existem teorias sobre sociedade políticas governativas e estatais:
1) Estado é modelo político, é a noção moderna da soberania no território.
2) Estado é a autoridade política superior para governar a sociedade; sem ele, não há convívio.
3) Estado é sedentário; tem que ter um território que surgiu após a maturidade da sociedade.
- o Estado é a evolução da sociedade que ocorreu em diversos ambientes a partir da
complexidade política definida por um povo, num território e em uma época.
- Evolução do Estado:
1) Estado Antigo: teocracia; poder divino e o governante era Deus ou seu representante.
Estrutura centralizada; líder dava segurança e arrecada tributos.
2) Estado Grego: acreditavam na mitologia; destacou-se pela democracia (o povo que
compunha era a minoria das famílias) e filosofia. Sociedade com diferença entre publico e
privado. O cidadão grego era parte do Estado. Cada cidade era auto-suficiente.
3) Estado Romano: direito privado; surgiu uma cidade estado; caracterizou pelo exercito e
capacidade de expansão.
4) Estado Medieval: surgiu na crise do Romano; surgiu com fragilidade e divisão política. Tinha
vassalagem. O poder era dividido em igreja, senhor, rei, corporação e império. A igreja católica
fez parte.
5) Estado Moderno: Renascimento. Comércio. Soberania. Portugal se destacou. OBS: soberania
é uma exclusividade na decisão que se opõe à estrutura do poder medieval.

Cáp 6
* Comunidade é o coletivo humano, reunido para uma finalidade, mas sem o constrangimento
de um poder.
* Sociedade: coletivo unido por uma relação de poder para realizar uma finalidade,
proporcionando sobrevivência. Para ter sociedade, tem que ter ação conjunta de indivíduos,
finalidade social e poder de organização da ação.
1) Soc. De fim geral-> se ocupa com tudo que for necessário para a sociedade.
2) Soc. De fim particular-> se ocupa com um fim especifico de um grupo de pessoas.
3) Governativas-> tem poder político sobre si e sobre outras sociedades.
4) Privadas-> tem poder limitado e são inferiores a governativa.
- Soc. Civil: conjunto de sujeitos passivos da relação de poder do Estado. Sujeitas ao poder do
Estado; não tem organização única, pois são diferentes por natureza. O Estado não permite
que se formem outras sociedades com sua natureza e todas tem que se subordinar a ele. Só a
civil que é um complemento para ele. Relaciona-se com o Estado em diversos níveis:
1° nível: relação de poder político-> Estado autoritário com suj. ativos e passivos de
subordinação.
2° nível: relação de governo-> governo é uma ação orientada a realizar fins sociais uteis para a
sociedade.
3° nível: relação de ordem-> ordem é uma seqüência lógica e coerente das normas que tem
durabilidade maior. Tem essa relação independente da legitimação.
4° nível: relação de autoridade e liberdade-> são contrárias. Autoridade é um poder legitimo e
aceito. Liberdade é caracterizada pela consciência e pela pratica sem constranger outrem. O
Estado deve agir com autoridade e a Soc. Civil busca no Estado, a liberdade.
- Soc. Civil Organizada: parte da sociedade civil que, nas democracias, participam do debate
político e da disputa pelo poder.
- Cidadania: não é somente a existência de direitos políticos, mas também o seu gozo pelo
conjunto de cidadãos.

Cáp 7
* Sociedade é um ambiente que se transforma naturalmente e o homem tem que se adaptar
ao meio ambiente em que vive. É dinâmica e conflituosa.
O Estado atende os grupos da sociedade que se destacam; tem uma estrutura de poder e a usa
para sua manutenção. Mudou muito com o passar do tempo. Tende ao conservadorismo.
Identifica as forças predominantes. Quando respeita as minorias, a paz social é estável.
A Dialética é a lei que explica o dinamismo da sociedade pela oposição constante entre teses e
antíteses com a formação de uma síntese que será a nova tese. É a própria arte de pensar.
1) Reforma: atualização do Estado com iniciativa do próprio Estado. Ele tem que acompanhar
as mudanças, se não, é confrontado pela oposição. Pode ou não produzir legitimidade,
dependendo da capacidade do governo. As pressões visam garantir o pluralismo. São possíveis
as mudanças por reforma.
2) Revolução: mudança brusca no Estado com ruptura violenta e propósitos de mudanças
profundas. Sempre deve expressar uma vontade popular e afetar os fundamentos da
sociedade. Ocorre em duas fazes: o movimento de tomada do poder e o processo de
realização das propostas revolucionárias. Portanto, revolução não é somente uma ruptura
brusca com poder, mas toda mudança que se estende durante sua realização.
3) Revolta ou Rebelião: mudança brusca, violenta, popular para a reacomodação das forças de
questões pontuais. Movimentos contrários ao Estado; não questionam a ordem atual e nem
querem alterar os princípios, mas sim participar do poder para obter modificações.
4) Contra-revolução: movimento de reação à revolução. Pode ocorrer junto com as revoluções,
abortando os atos revolucionários; ou depois da tomada ao poder, mobilizando as forças
reacionárias. Movimento conservador. Também violento, pois ocorre em momentos tensos.
5) Golpe: tomada rápida do poder, com a derrubada estratégica dos comandos do estado sem
envolvimento nas massas e sem grandes confrontos violentos. Pode ser civil ou militar. É co
caminho mais rápido para chegar ao poder ou preservá-lo. Pode se juntar com uma revolução,
revolta ou contra-revolução.
6) Rev. Liberal: instalação de instituições capitalistas sobre o controle burguês. É uma
revolução burguesa contra o Estado. A Rev. Socialista é do proletariado.

Cáp 8
* Democracia: governo do povo. Surgiu com os gregos antigos, mas ganhou significado
moderno. Cada sociedade constrói sua democracia própria, seu ideal democrático. Tem como
sinônimos o voto (possibilita a liberdade política do povo), liberdade (de votar, de informação
e de expressão) e direito.
Povo é o elemento do Estado como conjunto de governadores; são todos os cidadãos.
1) Democracia grega: tudo surgiu com os gregos. A organização era totalmente clara e
separada em público e privado; para se tornar cidadão, tinha que pertencer ao Estado e ter
participação no poder. Tem como pressuposto um conjunto LIMITADO de cidadãos, ou seja,
nem todos e nem maioria eram cidadãos (excluía mulheres, estrangeiros e escravos).
Nenhuma pessoa tinha seus direitos fundamentais garantidos. A democracia era direta, e as
decisões públicas eram tomadas em assembléias por seus representantes.
2) Democracia liberal: surgiu na Revolução Liberal (libertou o homem e o emancipou do
Estado); evoluiu diferentemente entre os estados de acordo com o modelo, mas o que se
tornou universal em todos foi a garantia dos direitos fundamentais e participação pública. Tem
como pressuposto um conjunto majoritário da população, ou seja, muitas pessoas são cidadãs.
Para ser cidadão, a pessoa pode escolher sua condição social garantindo seus direitos
fundamentais, onde o exercício do poder pelo povo é feito em um ambiente de liberdade. É
uma democracia indireta/representativa, no qual o povo escolhe os governantes e um
mandato. Para os liberais, existe duas liberdades: a) relativa (licença para alguns
comportamentos e liberdades) e b) absolta: ausência de limites. A primeira se destaca e entra
em conflito com a igualdade= tem que tratar quem é igual, igual e quem é desigual, desigual.
3) Democracia socialista: tem como pressuposto um conjunto majoritário de pessoas. Junto
com a liberal, formam a democracia moderna.
- As democracias modernas são indiretas (dependem da escolha dos representantes) cujo
processo de escolha se baseia na igualdade perante a lei. Tem participação popular e reforçam
o controle sobre os representantes com um mandato público. No Brasil, tem-se o orçamento
participativo, no qual o povo consulta os recursos públicos em audiência.
- A democracia brasileira é SEMIDIRETA, pois possui instrumentos excepcionais de
participação direta do povo no poder. São eles: referendo (consulta popular de uma nova
lei/posterior a nova lei); plebiscito (consulta popular para uma nova lei/anterior a nova lei);
projeto de lei de iniciativa popular; ação popular (o povo direto na justiça); orçamento
participativo (pergunta para o povo o que quer fazer com determinado recurso); tribunal do
júri (ação realizada pelo povo).

Cáp 9
* Mandato: criado no direito romano para fazer representações (relação jurídica na qual a
vontade dos representados está na manifestação do representante). É um contrato privado.
Diante da necessidade de legitimação do poder pelo povo, a democracia representativa ocorre
pela figura do mandato. Apresenta três características: a) delimitação de poder (não tem
poder absoluto, pois assim não tem limites); b) prestação de contas (delimita o poder para ter
prestação); c) revogabilidade (protege a vontade do mandante). Toda vez que um desses
elementos não são suficientes, há crises de legitimação. Essas características estão incluídas
em mandatos públicos e privados.

Cáp 10
* Opinião Pública: são liberdades individuais que exercidas coletivamente, viram opinião
pública. É um fenômeno moderno, próprio da sociedade democrática e do poder de
liberdades. Todos mudam sua maneira de agir e pensar de acordo com a OP. Corresponde ao
gozo coletivo de liberdades individuais; influencia o jogo democrático tanto para o controle
popular político dos governantes quanto para a manipulação do povo. Mas, para a
democracia, a OP não pode ser a opinião do Estado, mas sim da Sociedade Civil (conjunto de
sujeitos passivos do Estado) não se manifestando como único sujeito de ação.
Resumo: a OP é formada por membros da sociedade civil e toda opinião expressada
coletivamente, se transforma em OP. Ou seja, a OP é um conjunto de manifestações da soc.
civil sobre seu espaço coletivo.
- Opinião: é um “achismo”, não necessariamente tendo que apresentar verdades. Tem uma
face positiva (todos são livres para pensar) e negativa (não vincula com a verdade). Ou seja, é o
gozo de liberdade de expressão sem compromisso com a verdade, mas, acima de tudo, é uma
liberdade. Pode ser ou não aceita por ser formulada por opiniões particulares do opinador. Por
isso, não pode representar um juízo coletivo.
- Pública: Apresenta dois significados: a) ambiente coletivo (é de todos; espaço coletivo e
amplo de todo ambiente humano) e b) ambiente das relações do Estado (espaço oficial
coletivo da sociedade política, especialmente do Estado).
- Não há na CF um artigo que proteja a OP, mas ela está presente e fundamentada em dois
direitos constitucionais: art 5º, inciso IV e XIV que falam da liberdade de expressão e
informação.
- Períodos de evolução da OP: surgiram com a liberdade de comunicação das Rev. Liberais.
1) Estado liberal clássico-> forma a ideia de democracia; a OP se formava nas cidades devido
ao encontro das pessoas, ou seja, no seio da sociedade civil, sem controle do Estado e mais
próxima de seu ideal. A mídia não tinha tanto poder; era uma OP mais verdadeira por não
sofrer distorções e excluir parte da população.
2) Populismo/Totalitarismo-> surge o rádio como nova tecnologia de informação. Os regimes
autoritários começam a usar o rádio para distorcer e alterar a OP. O Estado passa a ter mais
presença na formação da opinião pública.
3) Sociedade de Massas-> a população, depois de passar pela época totalitária, se tornou
vacinada da tentativa de alteração da OP por meio das mídias.
4) Ambiente de Rede-> formou-se grupos privados capitalistas que controlam ao principais
meios de comunicação; as organizações da mídia são os principais formadores de OP. A
globalização de informações alteram a OP por meio das redes de internet. A liberdade de
formação de OP é um exercício da democracia que são ameaçadas pela manipulação dos
meios de comunicação ou pelo Estado. A única saída é garantir os canais públicos de
comunicação.
- Formadores de OP: a) mídia (meios de comunicação que usam tecnologia para espalhar
conteúdos; seu uso é livre); b) partidos políticos (legitimam o sistema político e somam-se na
sociedade civil como uma parcela que reivindica o poder); c) ciência (possuem maior nível de
conhecimento e aceitação; sabem argumentar); d) religião (se ocupa com a difusão de valores
e com o policiamento de comportamento); e) profissionais liberais.

Cáp 11
* Partidos Políticos: são estruturas para a disputa do poder, mas nas democracias servem
também para identificar diferenças ideológicas da sociedade e contribuir na formação de OP.
Os partidos políticos da democracia são reconhecidos no sistema eleitoral e contribuem para a
legitimação da sociedade dentro de um jogo democrático. Nos regimes autoritários, os
partidos são inimigos do Estado e na democracia, inimigos do governo. Eles são inerentes ao
Estado; sempre existiram com organização de poder, mudando apenas o maior/menor
controle do Estado sobre eles. Os partidos políticos gozam de privilégios públicos típicos de
pessoas jurídicas, mas o que os definem são suas posições de subordinação ou coordenação na
sociedade. A liberdade democrática partidária é importante, mas não absoluta. Toda
sociedade possuem limites de ordem pública que limitam a atuação partidária.
- Oposição e situação são expectativas de poder sem ruptura violenta da ordem e esperança
de melhores governos. Tanto uma quanto a outra representam quem está no governo.
Situação são os partidos que estão no governo. Oposição são os partidos que vão contra o
governo, nunca contra o Estado, pois se não estariam fora do sistema.
Resumo: partido político é um instrumento da sociedade civil de transformação da OP e de
reivindicação na disputa de governo.
- Há limites/princípios jurídicos e políticos para a organização partidária, como: a) pluralismo
partidário (ampla organização de partidos sem limites, desde que cumprem as limitações
públicas); b) caráter nacional dos partidos (distribuição mínima de filiados); c) obrigação de
prestar contas à Justiça Eleitoral; d) proibição de receber recursos estrangeiros; e)exigir filiação
partidária para se candidatarem. Tais limites estão no artigo 17/CF.
- Esquerda e Direita são referências para as diferenças ideológicas da sociedade. São
posicionamentos ideológicos.
A) Esquerda é socialismo (maior intervenção do Estado na sociedade e na economia); tem
maior preocupação com responsabilidade social; tem ideologia de revolução, na Vanguarda.
B) Direita é capitalismo (menor intervenção do Estado na sociedade e na economia); tem
maior preocupação com responsabilidade fiscal; ideologicamente com idéias do
Conservadorismo.
- Classificações:
1) quanto ao número de partidos: a) unipartidarismo; b) bipartidarismo; c) pluripartidarismo
(atende interesses pessoais, tem nº certo de partidos (6) para que evite disputa entre partidos
e que o eleitor possa escolher facilmente).
2) quanto à extensão: a) locais; b) regionais; c) internacionais; d) nacionais (Brasil).
3) quanto à composição: a) quadros (prefere entre seu quadro, pessoas qualificadas); b)
massas (prefere em seu quadro, um maior número de pessoas).
- Cláusulas de Barreira: lei criada para limitar a criação de partidos políticos no Brasil. Para criar
o partido, ele tem que ter pelo menos 5% de participação no congresso. A Reforma Política
seria justa para que criassem essas cláusulas, junto com outras leis.

Cáp 12
* Sufrágio: é confundido com voto, mas não é a mesma coisa.
Sufrágio é o direito ao voto. Além de ser o mecanismo compatível com a democracia
representativa, é também um mecanismo de exercício do livre arbítrio dos governadores. É um
direito, mas no Brasil também é um dever legal. Nas demais democracias, onde o voto não é
obrigatório, há o dever moral em prol da defesa dos direitos fundamentais, ou seja, não sou
obrigada, mas vem da minha consciência que eu devo votar para melhorar a situação. O
sufrágio é insuficiente para caracterizar o poder do povo, mas, junto com prestação de contas
e vinculação de administração, há uma participação real do povo no poder. Para subir ao
poder, o sufrágio tem que ser universal, igual, secreto e direto.
Voto é o instrumento para o exercício do direito político fundamental de escolha dos
governantes na democracias representativas, ou seja, ou sufrágio.
- Sufrágio universal: é o que distingue a democracia; era diferente em todos os lugares, mas
hoje, é um direito de voto a todos e a realização da ampliação máxima de direito ao povo. Ou
seja, é a ampliação do direito ao voto ao máximo possível. Surgiu na revolução liberal mas é
uma importante conquista moderna de participação popular.
- Limites existem, como: idade mínima 16 anos, condenação penal, alienação mental (louco).
Os limites discriminatórios não são mais usados hoje, mas antigamente eram, como: mulher
não vota, motivos raciais/econômicos, analfabetos...
- Classificação do voto:
1) quanto ao efeito: a) indireto (há opinião de um terceiro para a eleição definitiva); b) direta
(o povo escolhe quem quer. Brasil)
2) quanto à publicidade: a) aberto (tem fiscalização popular); b) secreto (representa segurança
na manipulação eleitoral. Brasil).
3) quanto ao peso: a) igual (cada eleitor tem um peso igual no voto. Brasil); b) plural (um
eleitor pode ter peso maior no seu voto).
4) quanto à liberdade: a) livre; b) obrigatório. (Brasil)

Cáp 13
* Sistemas eleitorais: é o regime jurídico do processo eleitoral nas democracias
representativas. Influi no nível de democracia e de corrupção de um Estado. Servem para
promover as escolhas dos deputados pelo sufrágio. São importantes no poder político da
democracia representativa para ajudar/atrapalhar a participação popular. O Brasil vive uma
crise política de seus sistemas com debates e reformas.
- Sistema majoritário: sistema das maiorias; tem que ser unanime (todos têm a mesma
opinião). Identifica mais facilmente os mandatários e seus objetivos. Os titulares precisam de
mecanismos ágeis e legítimos. As democracias criam critérios que favorecem apenas a maioria.
Existe 3 tipos de maioria: a) simples/relativa (o candidato tem que ser o mais votado); b)
absoluta (precisa da metade +1 dos votos); c) qualificada (tem um número especial de
exigência). O Brasil usa esse sistema para o Executivo e Senado.
- Sistema proporcional: divide as vagas de um colegiado proporcionalmente aos resultados de
cada partido atingiu na eleição. É preciso identificar o quociente dos votos válidos pelo
número de vagas. A regra é apresentar listas de candidatos por partido e a maioria ganha a
representação. O Brasil usa esse sistema para o Legislativo.
- Sistema distrital: usa-se para a câmara dos deputados; é a divisão das vagas entre distritos
com uma eleição majoritária e cada um. As vagas são decididas isoladamente e tem que ter
uma distribuição equilibrada de acordo com os votos.
- Reforma Política: mudança no sistema eleitoral, cláusulas de barreira, financiamento de
campanha.

Cáp 14 e 15:
* Soberania: A Era Moderna é caracterizada por três fundamentos: 1) busca da explicação
racional da sociedade; 2) emancipação do ser pela conquista de um novo espaço; 3) ascensão
econômica e política da burguesia. Esses se concretizaram por uma estrutura no qual o Estado
faz parte.
- Quando a CF usa a palavra soberania está dizendo a relação do Estado com seu povo. É um
conceito político jurídico e característica do Estado Moderno. A característica mais importante
da soberania é a INCONTRASTABILIDADE, ou seja, não há permissão de ter concorrentes. A
soberania é uma só, porém tem dois efeitos: 1) sobre seus súditos como um poder supremo e
2) igualdade entre os Estados.
- Estado Moderno: toda sociedade estatal é caracterizada por um poder sobre um povo num
território. Mas o Estado Moderno é diferente, pois o poder é soberano, busca-se a identidade
nacional do povo e o território é dividido em fronteiras. Resumo: o Estado Moderno é a
sociedade política soberana sobre um povo em um determinado território. Seus elementos
principais são: povo, poder soberano e território. Essas são características nítidas e
necessárias. A origem do Estado Moderno é com o poder soberano para o rei.
No Estado Medieval, o poder era dividido entre o senhor feudal, rei e igreja católica, até que o
rei consolidou-o para si. Com a concentração do poder nas monarquias absolutas, o poder
soberano foi caracterizado dentro das fronteiras territoriais. Passou-se por várias fases.
- Soberania Interna: supremacia e incontrastabilidade sobre os súditos. O poder era dentro dos
limites territoriais e sobre os súditos; a manifestação é um movimento de centralização do
poder dentro das autonomias locais. Soberania Externa: relação de igualdade entre os Estados
na comunidade internacional. Uma soberania complementa a outra. É um produto dos pactos
a respeito da soberania que formam o Estado.
OBS: a comunidade dos Estados é formada por pessoas jurídicas do direito público
internacional.
- Soberania Política: poder supremo (máximo) e incontrastável (sem concorrentes) do Estado.
É o que temos na mente de ter alguém soberano a nós. Vem do Estado Moderno em tornar o
rei absoluto. Soberania Jurídica: é o poder do Estado de decidir exclusivamente sobre suas
normas. É o poder fazer e não fazer determinada coisa devido a uma lei maior. Hoje, é a
jurídica que ocorre. É uma ideia recente tomada por Kelsen que fala que o Estado e poder
estão inseridos em uma ordem jurídica suprema e que o Estado é legitimo de poder.
A soberania surge na crise do Estado Medieval; tem condição de supremacia e
incontrastabilidade. Para sua compreensão, é necessário: 1) soberania como conceito político;
2) soberania como conceito histórico; 3) soberania como conceito relativo. Ela foi assimilada
ao Estado Moderno e tem interdependência com os elementos deste: poder político limitado
pelo território e envolvimento do povo para identificar seus súditos. Portanto, a soberania é
também um reconhecimento de sua condição pelos demais Estados, a ponto de não permitir a
interferência do outro. O povo e seu território estão sujeitos a seu poder interno.
- No poder Absoluto, a legitimação era vinda de Deus e o rei era o titular.
No poder Liberal, a legitimação era feita por meio de um contrato social e o povo era o titular.
No poder Contemporâneo, a legitimação é feita em prol de um bem comum e o Estado é o
titular.
- Um problema da soberania é mostrar quem é capaz de exercer poder. Sempre que se alerta
os titulares do poder, alerta também sua legitimação. 1) Os monarcas recorriam ao Estado e o
poder foi dado ao Estado. 2) O iluminismo contestou pedindo emancipação do povo, mas o
poder ainda ficou para o Estado. 3) Na Rev. Liberal, a soberania foi dada ao povo. 4) Hoje, a
soberania é dada na CF. e deu poder soberano ao Estado como Pessoa Jurídica. O Estado está
presente para melhor atender os direitos individuais.
Portanto, a soberania é o poder do Estado resultante das ações políticas de caráter interno e
externo. Ela reside no povo. O Estado não pode ser visto como total soberano, mas sim que
ele ESTÁ soberano.

Cáp 16:
* Território: pode ser espaço físico ou lugar que é próprio de um ser (ali se permite identificar
as características da sociedade e as relações de poder). Ele serve como limite de direito. Uma
norma não pode ser aplicada em um país sem ser o seu. Portanto, o território é mais que um
limite físico, é também o limite de um ordenamento jurídico, ou seja, é também o âmbito de
validade da ordem jurídica soberana. O território não é somente solo, mas também água,
espaço aéreo e territórios fictos. A definição de território é a junção dos limites do Estado e
tratados internacionais; é também um procedimento legal:
Art. 48. Cabe ao Congresso Nacional, com a sanção do Presidente da República, não exigida
esta para o especificado nos arts. 49, 51 e 52, dispor sobre todas as matérias de competência
da União, especialmente sobre: V - limites do território nacional, espaço aéreo e marítimo e
bens do domínio da União;
Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos
brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade,
à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes: XV - e livre a locomoção no
território nacional em tempo de paz, podendo qualquer pessoa, nos termos da lei, nele entrar,
permanecer ou dele sair com seus bens;
- Já o território do Estado é um conceito político que abrange vários sentidos. Sua formação
tem origem no feudalismo. É ao se fixar em um território que a sociedade política vira Estado.
Portanto, o Estado é sedentário e se identifica com o lugar que está. Também é político, pois
interage com as decisões políticas tomadas. No Estado Moderno há fronteiras que configuram
o poder soberano. Portanto, o limite do território do Estado não é apenas marcos físicos,
mas também economia, política e cultura.
As características físicas de um território interferem na sua organização social, mas é pela
participação no Estado Moderno que virou um local próprio do Estado: limite do poder
soberano. OBS: o poder soberano tem como característica a identificação do território, pois é
o limite entre soberania interna e externa. Em outras palavras, temos que o território do
Estado é o limite de validade de leis deste e onde começam as leis de outros Estados.
- O território, em seu conceito jurídico, apresenta duas teorias expressam em lei:
1) Teoria do Domínio=> o Estado é titular imediato do seu território. Ele transfere a seus
súditos, o domínio do território permitindo o direito de propriedade. Ou seja, o Estado é um
dono a título originário.
2) Teoria do Império=> o Estado tem poder que lhe é atribuído pelo pacto que legitima seu
sistema perante o povo. Ou seja, o Estado, em seu poder soberano, atinge o seu território
conforme a convivência política. Isso está em nosso sistema como, por exemplo, o poder de
polícia.
- Padrões de limites:
1) Limites por fronteiras: NATURAIS (usam a natureza) por meio de rios (divididos por linhas
eqüidistantes ou linhas do leito) ou montanhas (com limites de base, das cumeeiras ou das
águas). ARTIFICIAIS (linhas imaginárias) entre ponto fixo (linhas geométricas) ou em função do
planeta (linhas geodésicas).
2) Limites por espaço aéreo: toda camada superior à superfície até o limite da atmosfera. É a
camada atmosférica definida pela regra das 5 liberdades.
3) Limites por águas externas dos mares: há três faixas: mar territorial (Estado estende seu
território mar adentro; 12 milhas); zona contígua (12 milhas); zona econômica (até 200
milhas); plataforma continental.
- Classificação:
A) Território contínuo: se prolonga a partir do centro de um Estado sem um território estranho
intermediário que os separe.
B) Território descontínuo: intermediado por um território estranho.
C) Fronteiras mortas: fronteiras reconhecidas pelo Estado e sem disputa de território.
D) Fronteiras vivas: há conflito entre território sem um tratado reconhecer os limites.
E) Fronteiras esboçadas: Estados separados por regiões e fronteiras que não são definidas.
OBS: desterritorialização-> perda da referencia territorial para limitar o poder do Estado
como surgimento de forças globais.

Cáp 17:
* Povo: tal conceito apresenta várias definições:
1) Como elemento do Estado Moderno: conjunto de sujeitos de uma relação de poder que
pertence a uma sociedade política organizada.
2) Como sentido sociológico: conjunto de indivíduos de uma comunidade unidos por laços que
formam uma nação. * Nação é o conjunto de indivíduos unidos por laços de identidade
como, por exemplo, língua, costumes, história, etnia, entre outros. Toda nação tem direito a
um governo próprio. Para ter mais poder, usam a ideia de nacionalismo (criado pelo Estado
para manter a ordem). O povo, como elemento do Estado, pode existir ou não
correspondentemente ao Estado e, por isso, há Estados com mais de uma identidade
nacional e nações espalhadas em mais de um Estado.
3) Como população de uma sociedade: conjunto de indivíduos que estão ou vivem nessa
sociedade. Pessoas que se encontram em determinado lugar. É um conceito físico.
4) Sentido coloquial: conjunto de indivíduos humildes de uma sociedade.
5) Povo como massa: conceito excludente e antidemocrático.
6) Como sentido jurídico político: conjunto de indivíduos de uma sociedade política que tem
um vínculo de nacionalidade. Tal vínculo é determinado pela ordem jurídica de cada Estado.
No Brasil, está no artigo 12 da CF. Também chamado de povo como conjunto de nacionais, é
um critério técnico objetivo. Em geral, adora-se IUS SOLI ou IUS SANGUINIS (o Brasil adota
ambos). Esse é o sentido que deve ser usado por profissionais e estudantes de direito, pois
assim está na CF.
- Num Estado democrático, o povo é um conjunto de cidadãos. Cidadania é diferente de
nacionalidade.
A cidadania é o vinculo político de indivíduos com o Estado, os quais estão no gozo de direitos
políticos. Identifica o gozo de direitos perante o Estado. Para seu gozo pleno, o Estado tem
obrigações para com seus cidadãos:
1) reconhecimento de direitos políticos do indivíduo.
2) obrigações positivas (atos públicos que beneficiam os indivíduos; concretizam os direitos
fundamentais).
3) obrigações negativas (limites do Estado para evitar abuso de poder; limite da lei).
Portanto, a relação do povo com o Estado tem dois aspectos: OBJETIVO (individuo é
subordinado ao poder do Estado) e SUBJETIVO (o individuo se relaciona com o Estado como
sujeito de direitos e deveres).
Já a nacionalidade é o conjunto de indivíduos pertencentes ao Estado. Seu vínculo é próprio
para a vinculação do Estado com os indivíduos. Ela pode ser um fator de exclusão social, pois a
nacionalidade de uns é a ausência de outros. A identificação das nacionalidades dos povos é
útil para consolidar fronteiras e estabilizar governos e com isso surgiram alguns movimentos
separatistas. O resultado de o Estado construir suas nações é a formação de um Estado-Nação.
- O produto disso tudo é o PRINCÍPIO DA AUTODETERMINAÇÃO DOS POVOS, no qual toda
nação tem direito a um Estado e todo povo a um governo próprio. Tal princípio foi útil para a
formação de muitos Estados atuais e também foi o motivo de muitas guerras separatistas.

Cáp 18, 19 e 20:


* Estado: pessoa, no sentido jurídico é todo ser capaz de deveres e obrigações. O que
característica uma pessoa são os seus atributos: estado (aparência); capacidade (possibilidade
de exercer atos jurídicos) e sede jurídica (vinculo com a ordem social).
O Estado é uma pessoa jurídica. No Estado Moderno, a soberania passou do rei para o povo e
do povo para o Estado. A personificação do Estado permite ter um titular que não é arbitrário
(como o rei) e nem indefinido (como o povo). A nação, sendo identidade do povo, delega a
soberania do Estado. O problema é que não há identificação segura no Estado entre seu povo
e nação, pois aquele é composto por muitas pessoas que possuem ampla autonomia. Há
somente uma pessoa que representa a soberania do Estado: Pessoa Jurídica de direito público
externo.
* É comum confundir liberalismo com democracia, pois ambos existem sobre o mesmo
modelo de Estado moderno da Rev. Liberal. A democracia implica no governo do povo e o
liberalismo, na emancipação dos indivíduos em relação ao Estado. Ambos foram produzidos a
partir de liberdades, são necessárias para o povo exercer o poder e representam uma barreira
de proteção aos indivíduos contra o abuso do Estado.
No Estado Liberal o poder é a formação contratual da sociedade. O poder é do povo que o
constitui num contrato social e o exerce por meio de representantes. Esse poder só é efetivo
se as instituições que regulam esse processo caracterizam-se nas liberdades que garantem o
poder do povo.
A democracia liberal é fruto de uma revolução que promoveu os direitos fundamentais. Esses
direitos permitiram a inclusão de uma agenda social e a democracia passou a ser sinônimo de
liberdade e igualdade.
O Estado de Direito é a substituição do governo dos homens pelo governo das leis, ou seja, é
um mecanismo de limitação ao poder do Estado. A separação de poderes e a proteção dos
direitos fundamentais são dois pilares importantes do Estado de Direito. É uma proposta para
limitar o poder do Estado que surgiu com a Rev. Liberal. Nosso país é laico e por isso não tem
uma religião oficial.
* A CF moderna influenciou muitos países a terem-na também. Ela é democrática. A CF que
caracterizou o constitucionalismo tem sentido próprio, pois contem normas e instrumentos do
Estado de Direito para estabelecer os limites e garantir direitos fundamentais.
Constituição, em sentido amplo, é o conjunto de normas de organização política do Estado, ou
seja, é o conjunto de princípios básicos de cada sociedade. Já em sentido restrito, constituição
é um instrumento de limitação ao poder do Estado pela separação de poderes e proteção de
direitos fundamentais. O que nos interessa é o sentido restrito. É o que qualifica as sociedades
modernas. A CF liberal tem sentido de organização racionalizada, pois parte do princípio de um
pacto social.
Há dois tipos de constituição:
1) Constituição formal: existe um documento escrito, com força superior que caracteriza a lei
máxima e fundamenta um povo.
2) Constituição material: substancia da Constituição, idéias constitucionais. Toda CF tem
sentido político do Estado e identificar esse sentido é identificar qual o sentido material da CF.
é o conjunto de normas de natureza constitucional.
OBS: – Liberdade de iniciativa, direito de propriedade, opinião, culto e mecanismos de
controle do Estado são conteúdos materiais que caracterizam uma CF Liberal.
– Sufrágio, direitos fundamentais como meio de inclusão política popular, são conteúdos
materiais de uma CF Democrática.
Ambos os conceitos não se excluem, mas se completam.
* Constitucionalismo: face jurídica da democracia liberal; é um avanço na modernidade no
sentido de fortalecer instituições e seus fundamentos. Ocorre promovida pela burguesia que
se beneficia economicamente deste movimento. Foi um movimento de edificação de um
modelo de constituição. É um movimento histórico, liberal e iluminista que usa a Constituição
para: combater o absolutismo; defender o individualismo, direitos fundamentais e
racionalismo iluminista. OBS: o poder mais importante é o poder de criar as leis, que também
é limitado.
Resumo de constitucionalismo enquanto fenômeno político:
1) combate ao Estado Absolutista para romper instituições políticas e dar acesso ao poder pela
burguesia; 2) defesa da razão iluminista possibilitando a racionalização do poder e edificando
fundamentos científicos; 3) defesa do individualismo contratualista que garante emancipação
e proteção do individuo ao Estado e oferece legitimação do poder do povo.
* Movimento de codificação: Napoleão, pelo código civil napoleônico, criou um modelo
legislativo onde o direito é organizado de forma sistêmica, lógica, cientifica para garantir
segurança jurídica, publicidade e solenidade. Muitos Estados adotam constituições em
formato de códigos. Alguns documentos registrados foram usados como “base” constitucional
histórico: Carta Magna, Lei das 12 tábuas, Lei Nosaica e Código de Hamurabi.

Cáp 21:
* Direitos fundamentais: são direitos da pessoa humana reconhecidos pelo Estado e como
limitadores de seu poder. Ou seja, são direitos do homem que limitam a ação do Estado sobre
um indivíduo. Caracterizam a Constituição material do Estado Democrático Liberal. Os direitos
humanos estão acima do Estado; nós os possuímos por sermos seres racionais com liberdade e
dignidade. Foram colocados em destaque em uma lei maior, a CF. Fundamento dos direitos
fundamentais: direito natural (divino x razão) e escolhas éticas de uma determinada
sociedade. Em outras palavras:
1) Direitos naturais: distintos da ordem jurídica positiva; estão presentes na ordem divina ou
na razão pura de sociedade evoluída.
2) Processo histórico: resultou num pacto social para preservação de seus membros. Tais
direitos se confundem com princípios morais, econômicos e culturais, sendo então conjunto de
opções éticas da modernidade.
Hoje eles são positivados e seu fundamento independe do poder do Estado. Aplicam-se de
acordo com o a evolução da sociedade. O direito a vida é o mais elementar, porém também
não é absoluto. A aplicação deles significou maior dificuldade em sua efetivação tendo que
edificar garantias constitucionais. Essas garantias são instrumentos para a efetividade dos
direitos fundamentais. Ex: habeas corpus e data, direito de petição. Os direitos fundamentais,
mesmo estando no topo da hierarquia, também possuem limites. Há vezes que, em choque
com outro, cabe ao judiciário decidir qual será prevalecido. Algumas vezes, é necessário aplicar
o direito da proporcionalidade para resolver tal problema. Ou seja, os direitos fundamentais
são limitados por outro direito em conflito, quando o juiz aplicará o principio da
proporcionalidade. Também é limitado pelas razoes do Estado: em geral, prevalece o direito
do Estado.
- Vários foram os documentos históricos que influenciaram: Carta Magna, Declaração de
Direitos do homem e do cidadão (França), Declaração universal dos direitos humanos (ONU),
Pacto de São José da Costa Rica.
- Gerações:
1° geração: resultado de idéias liberais da revolução burguesa. São direitos individuais que
protegem o ser contra o Estado; foi uma reação contra o Estado Absolutista e conquista de
direitos necessários ao Estado de Direito.
2° geração: conquista de movimentos sociais populares na Revolução Industrial; formou-se o
proletariado para questionar a economia liberal; eram direitos coletivos, sociais e econômicos
que obrigavam o Estado a uma prestação social de liberdades coletivas.
3° geração: eram direitos difusos necessários em uma sociedade de massa; não há uma classe
específica, mas o homem depende do Estado.

Cáp 22:
* Separação de Poderes: a CF fala que os poderes são independentes e harmônicos entre si.
Porém, são independentes em relação a sua função e não totalmente.
OBS: Ato geral: ato para qualquer um; é impessoal. Cabe ao legislativo / Ato especial: se
refere a um destinatário especifico; é concreto. Cabe ao Judiciário e Executivo.
- Função: atribuições em nome ou interesse alheio.
A função do Estado é a distribuição das atribuições do Estado de acordo com sua natureza e
estão presentes em todos os tipos de Estado.
A separação de poderes é característica do Estado de Direito, é um fenômeno político
histórico. Ele é um dos pilares do Estado de Direito para a autolimitação do poder que foi
inspirada na teoria de Montesquieu (a separação de poderes) e na teoria de freios e
contrapesos do direito americano (funciona como um mecanismo complexo de controles
recíprocos entre os poderes). Essas teorias são refletidas no artigo 2º da CF: independência e
harmonia dos poderes. Essa separação serve para limitar o poder por divisão e proteger um
poder contra os excessos do outro, por meio de garantias constitucionais.
No Brasil, as funções são associadas aos poderes. Entretanto, estes têm suas funções típicas,
mas também podem exercer funções atípicas que muitas vezes podem ser confundidas. São
três as funções do Estado:
1) Política=> fonte do poder em si. Exerce função legislativa e governativa.
2) Administrativa=> cumpre tudo aquilo que já foi politicamente deliberado.
3) Judiciária=> corresponde aos fatos jurídicos e as normas.
OBS: o poder do Estado pertence ao soberano e é uno e indivisível.
- Além dessas funções, há poderes enquanto órgãos (uma estrutura de exercício de
determinada função) que difere dessas funções próprias. Tal diferença é importante para
compreender o exercício de uma determinada função por poderes diferentes. Os poderes do
Estado são exercidos por vários órgãos e distribuídos conforme a extensão de cada Estado. São
três:
1) Poder Legislativo=> organizado por representação popular e sua função típica é legislar, ou
seja, inovar a ordem jurídica. Na democracia é representante do povo. É composta por
colegiados em uma ou duas casas (essa dualidade serve para dar equilíbrio ao processo
legislativo). A câmara alta é o Senado e a baixa são os Deputados (essa divisão amplia o debate
para melhorar as leis). Hoje, no Brasil, o Legislativo é lento e influenciado pelo Executivo. Tem
como garantias as imunidades parlamentares (art. 53, CF): irresponsabilidade legal;
inviolabilidade pessoal; foro privilegiado.
2) Poder Judiciário=> interpreta e aplica a lei em caso de divergência. O direito está nas
normas; nos tribunais tem a interpretação da lei em casos de divergência. É composto por
escolha técnica: concurso público. Sua função típica é julgar em última instância, ou seja, dizer
o direito. Tem como garantia três prerrogativas (art. 94, CF): inamovibilidade; vitaliciedade;
irredutibilidade de subsídios.
3) Poder Executivo=> sua função típica é executar (executa a lei). Porém, também “trabalha”
com duas funções atípicas: administrar (execução do direito) e governar (tem capacidade
decisória; atividade política). É dividido em chefia do governo (atividades de administração) e
chefia de Estado (representação externa). Tem como garantia o foro privilegiado.
OBS: Portanto, são quatro as funções do Estado (jugar, legislar, administrar e governar) e, se
fosse ver, deveriam ser quatro também os poderes (executivo, legislativo, judiciário e
ministério público).

Cáp 23:
* Formas de Governo: o Estado se distingue em vários aspectos, ou seja, pode ser classificado
por diversos motivos (econômicos, ideológicos, geofísicos, territoriais etc.), mas o que nos
interessa são os motivos ligados a CF (repercutem na CF) que são os jurídicos e políticos. Não
há uma uniformidade de como identificar essas classificações. As formas de governo são
chamadas também de Regime Político e os sistemas de governo, de Regimes
Representativos. O art. 1 da CF diz que o Brasil é uma republica, democracia, federação e um
país presidencialista.
- Forma de governo=> como se organiza o poder do Estado (regime político). É um modo de
exercer poder que tem vários aspectos, como o titular e o controle.
- Sistema de Governo=> como ocorre a representação do povo no poder (regime
representativo). É como as instituições políticas se formam para produzir a representação dos
governados. Os representantes têm cargos com funções diferentes e controles específicos.
OBS: ambos se confundem, mas são diferentes e representam um padrão popular no
governo: o aspecto do poder.
- Forma de Estado=> como o Estado é visto politicamente na comunidade internacional quanto
ao seu território. Tem diferenciação dos Estados na estrutura de organização política em
função do território.
1°) Formas de Governo segundo Aristóteles: se distinguem pelo número (governo de um, de
alguns ou de todos) e índole dos governantes (puros –ético- ou degenerados –corrupto-). A
diferença por corrupção não é taxativa e é algo muito difícil de fazer. O que importa é a
adoção efetiva de medidas de combate. Em relação à classificação de democracia, adotam a
universalização real do sufrágio contra o autoritarismo.
Governo de Um --------- monarquia (puro) X tirania (degenerado).
Governo de Alguns ----- aristocracia (puro) X oligarquia (degenerado).
Governo de Todos ------ democracia (puro) X demagogia (degenerado).

2°) Formas de Governo segundo Maquiavel (mais importante): divide em monarquia e


república. A república fala que o governante deve tratar as coisas do Estado como
pertencentes a todos.
República Monarquia
Governo Eletivo -------- Governo Hereditário => acesso ao poder, tanto por herança quanto por
eleição.
Governo Temporário --- Governo Vitalício => têm permanência no poder; os governos têm que
ter limites.
Governo Responsável --- Governo Irresponsável => sujeitar ou não o governo a prestar contas
a outro órgão. A irresponsabilidade, nesse caso, é a ausência de limites.
3°) Formas de Governo segundo Montesquieu: divide em república e monarquia. As
monarquias despóticas não cederam ao liberalismo. As monarquias constitucionais seguem a
CF como instituição superior. A república presta conta a um órgão superior, ou seja, se impõe a
responsabilidade política governante.
República Monarquia
Democráticas -------------- Despótica
Aristocráticas --------------- Constitucional (o rei jura a CF)
* A democracia está na consciência coletiva. Tanto república quanto democracia são governos
eletivos e por mandatos. No Brasil, a democracia foi uma conquista popular. Já a república foi
importa sem envolver a sociedade e é um regime político de maior controle sobre o governo.

Cáp 24:
* Sistemas de Governo: é o modelo representativo popular e é a relação entre estes órgãos de
representação (executivo e legislativo). Também é chamado de Regime Representativo. Ou
seja, é o modo que o governo é composto para produzir a representação dos governados. Há
dois modelos básicos: o parlamentarismo e o presidencialismo.
1°) Parlamentarismo=> a maioria dos países desenvolvidos (tirando o EUA) são
parlamentaristas. Foi um modelo criado no Reino Unido que dá poder ao legislativo. É
importante o parlamento com a figura do 1° Ministro e tem a divisão do executivo em chefe de
governo e chefe de Estado. No parlamento, o poder e a responsabilidade são dados ao
executivo e o rei tem jurar a CF, transferindo o poder para os ministros sob ordem do 1°
Ministro (ficou tão importante que o gabinete submete-se a sua aprovação). O rei virou o
chefe de Estado e equilibrou o governo, podendo indicar o gabinete para aprovações
parlamentares ou convocar novas eleições gerais. Já o 1° Ministro, que é o chefe de governo,
cabe o comando político das funções publicas. Não tem mandato fixo, permanecendo no
poder enquanto tiver a maioria no parlamento. Passam por eleições e pode ocorrer o
Impeachment: julgamento político drástico sem garantia constitucional.
Resumo: modelo criado no Reino Unido numa evolução lenta, onde surge a figura do 1°
Ministro como chefe de governo que comanda toda a administração e as políticas públicas. É
diferente do chefe de Estado, que é o rei, uma figura simbólica de representação do Estado e
necessário para as crises entre Gabinete e Parlamento. O 1° Ministro depende de aprovação
do parlamento que também pode derrubá-lo por um processo de impedimento (julgamento
diante de um crime) ou por voto de desconfiança (votação no parlamento). Ele também pode
pedir ao chefe de Estado a convocação de novas e extraordinárias eleições gerais (para formar
uma nova maioria). A queda do 1° Ministro não gera muito impacto por ser representação
indireta.
OBS: Gabinete=> conjunto de ministros. Parlamento=> conjunto de deputados/legisladores.
2°) Presidencialismo=> a maioria dos países subdesenvolvidos são presidencialistas. Foi um
modelo criado nos EUA e tem como característica a separação dos poderes, sendo que o
executivo é representado pelo presidente que assume unipessoalmente a responsabilidade
política do governo. Cada poder é separado e se controlam para não ter abuso de poder. Os
instrumentos usados para tal função são republicanos. Destaca-se a figura do presidente que é
tanto o chefe de governo como o chefe de Estado. Tem o Impeachment também: diferente do
parlamentarismo, no presidencialismo o presidente é eleito pelo povo e tem envolvimento; o
voto popular estabelece um vinculo direto entre povo e presidente e sua queda gera muito
impacto. O vice é um substituto imediato, também escolhido por votação, que evita vácuo de
poder (momento propício para os oportunistas de plantão). Para o presidente destaca-se a
unipessoalidade do poder no qual ele tem responsabilidade exclusiva do governo e seu
gabinete é de livre nomeação. Possui grande participação no processo legislativo.
Resumo: modelo criado nos EUA, onde o presidente é o chefe de Estado e chefe de governo.
Ele é legitimado pelo voto popular direto e, portanto, possui muito poder. Tem como
característica a unipessoalidade do presidente, ou seja, ele é o único responsável político pelo
executivo, monta seu ministério livremente e o seu vice é apenas um substituto para evitar
vácuo de poder. A figura do Impeachment mediante a crime de responsabilidade é atípica e
não funciona direito, porque sua ocorrência desestabiliza demasiadamente a sociedade e a
ordem pública.
* No Brasil, por duas vezes já tentaram o parlamentarismo, mas não deu certo e o
presidencialismo já dura há séculos.

Cáp 25:
* Formas de Estado: condições do Estado em função do seu território. É como o poder se
organiza para atender as divisões do território. Pode ser composto (Estados de maior
dimensão; Brasil) ou unitários (Estados territorialmente menores; Uruguai). A divisão política
interna é caracterizada pela existência de órgãos: Executivo, Legislativo e Judiciário próprios. A
federação é um tipo de Estado Composto; ela é predominante na descentralização política. Na
forma unitária, essa descentralização é administrativa, mas tem um vinculo com o poder
central. Há dois tipos de descentralização:
- Política=> tem autonomia financeira, administrativa e legislativa. Ou seja, há autonomia
decisória. Tem competências que não afetam o soberano e não há interferência do poder
central. O resultado motiva a centralização do poder.
- Administrativa=> há a criação de pessoas especializadas na prestação de serviços públicos.
Isso serve para melhor administrar e possui vínculos com o poder central.
OBS: O Brasil tem a descentralização política (pacto federativo) e a descentralização
administrativa (adm. indireta).
- Da união dos Estados pode surgir um novo Estado ou um agrupamento deles. Decorrem de
movimentos de conquista e seus resultados são Novos Estados ou Blocos Econômicos. Há 3
tipos:
1°) Federação=> um único Estado (com status de Pessoa Jurídica); a soberania é da União; o
documento básico é a CF; tem uma única nacionalidade; não há direito de secessão; seus
membros são representados pelo Senado e há autonomia política com competências
legislativas descriminadas na CF; no Brasil, os municípios são membros do Pacto Federativo;
impossibilidade que os membros se reivindiquem.
2°) Confederação=> não forma um novo Estado, fazendo com que se preserve o status; são
vários Estados; cada membro continua soberano; o documento básico é um Tratado; tem
várias nacionalidades; há direito de secessão.
3°) Devolução=> os poderes podem ser revogados pelo poder central e por isso, o Estado é
unitário.
- Direito de secessão: possibilidade de uma unidade política se desmembrar. Quando não é
possível, tem como o governo intervir.
- Pacto Federativo: convenção legal que diz respeito entre as unidades de uma federação e a
pessoa jurídica da União. É a federação de varia de país para país. Nos EUA a federação tem
mais sentido de pacto e os Estados possuem ampla autonomia adm. Tem a CF que estabelece
princípios. O principio principal da federação é o da Soberania da União para garantir unidade
de Estado e sua preservação. Tem também uma casa legislativa representando os membros da
União. No Brasil tem a república que, junto com a federação, tentou resolver o problema de
autonomia local. Sua legislação é restrita.

Fim!