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FUNDAÇÕES DIRETAS OU RASAS

Definição
• Fundação é o elemento estrutural responsável pela
transferência dos esforços da edificação para o solo, sem que o
mesmo se rompa ou sofra recalques excessivos.
- FUNDAÇÕES RASAS OU DIRETAS (H ≤ B)

- A profundidade de assentamento em relação ao terreno


adjacente é inferior a duas vezes a menor dimensão da
fundação (B).

- Incluem-se neste tipo de fundação as sapatas, os blocos, os radiers, as


sapatas associadas, as vigas de fundação e as sapatas corridas.

Para o caso de fundações apoiadas em solos de elevada


porosidade, não saturados, deve ser analisada a possibilidade de colapso
por encharcamento, pois estes solos são potencialmente colapsíveis.

Em princípio devem ser evitadas fundações superficiais apoiadas neste


solo, a não ser que sejam feitos estudos considerando-se as tensões a
serem aplicadas pelas fundações e a possibilidade de encharcamento do
solo.
- BLOCOS DE FUNDAÇÃO:
Assumem a forma de bloco
escalonado, ou pedestal, ou de
um tronco de cone. Alturas
relativamente grandes e resistem
principalmente por compressão.
- Ângulo entre a base e a parede
inclinada deve ser maior ou igual a 60
graus, sem armaduras.
SAPATAS DE FUNDAÇÃO

Sapatas (isoladas ou associadas) → São elementos de apoio de concreto, de


menor altura que os blocos, que resistem principalmente por flexão, portanto
necessitam de armaduras. Sapatas podem ser:
- circulares - (B = )
- quadradas - ( L = B )
- retangulares - ( L > B ) e (L ≤ 5B )
- corridas - (L > 5B )
- Ângulo entre a base e a parede
inclinada deve ser menor que Sapata isolada:
60 graus, com armaduras.
Sapata corrida (L > 5B ):
RADIER

-Todos os pilares ou paredes de uma estrutura


transmitirem as cargas ao solo através de uma única placa
denominamos por radier.
- É viável qdo a área das sapatas ocuparem cerca de 70 %
da área coberta pela construção ou quando se deseja
reduzir ao máximo os recalques diferenciais.
- CAPACIDADE DE CARGA EM FUNDAÇÃO DIRETA

Capacidade de carga em Fundação superficial rasa:


Segundo a NBR 6122, tensão admissível é a carga que, aplicada à sapata, provoca
recalques que não produzem inconvenientes à estrutura e, simultaneamente,
oferece segurança satisfatória à ruptura ou escoamento da fundação.

As fórmulas de capacidade de carga são hoje um instrumento bastante eficaz na


previsão da tensão admissível, destacando- se dentre as inúmeras formulações a
deTerzaghi, de Meyerhof, de Skempton, e de Brinch Hansen (com colaborações de
Vesic).
As fórmulas de capacidade de carga são determinadas a partir do conhecimento
do tipo de ruptura que o solo pode sofrer, dependendo das condições de
carregamento.

TIPOS DE RUPTURA Ao se aplicar uma carga sobre uma fundação, podem-se


provocar três tipos de ruptura no solo.
O solo é considerado como meio elástico, homogêneo, isotrópico, semi-infinito:
RUPTURA GERAL;
RUPTURA LOCAL e
RUPTURA POR PUNCIONAMENTO.
4.1.1) Ruptura geral ou ruptura brusca

Na ruptura geral, ocorre a formação de uma cunha, que tem movimento


vertical para baixo, e que empurra lateralmente duas outras cunhas, que
tendem a levantar o solo adjacente à fundação. Na Figura 1 (a) pode-se ver
que a superfície de ruptura é bem definida e na Figura 1(b) nota-se bem um
ponto de carga máxima na curva carga x recalque.
A ruptura geral ocorre na maioria das fundações em solos pouco compressíveis
de resistência finita e para certas dimensões de sapatas.
Este tipo de ruptura ocorre nos solos mais rígidos, como areia compacta e
muito compacta e argilas rijas e duras.
4.1.2 Ruptura Local
Neste tipo de ruptura, forma-se uma cunha no solo, mas a superfície de deslizamento não
é bem definida, a menos que o recalque atinja um valor igual à metade da largura da
fundação (Figura 2). Todos os pontos da superfície de ruptura rompem-se ao mesmo
tempo. A ruptura local ocorre em solos mais deformáveis, como areias fofas e pouco
compactas e argilas médias e moles.
4.1.3 Ruptura por Puncionamento

Quando ocorre este tipo de ruptura nota-se um movimento vertical da fundação, e a


ruptura só é verificada medindo-se os recalques da fundação (Figura 3). Ocorre em. A
ruptura por puncionamento ocorre em solos muito compressíveis (argilas muito mole e
turfa  solo com matéria orgânica), em fundações profundas ou em radiers.
A capacidade de carga de um solo, σr, é a pressão que, aplicada ao solo
através de uma fundação direta, causa a sua ruptura. Alcançada essa
pressão, a ruptura é caracterizada por recalques incessantes, sem que
haja aumento da pressão aplicada. A pressão admissível σadm de um
solo, é obtida dividindo-se a capacidade de carga σr por um coeficiente
de segurança, η, adequado a cada caso.

ηou Fs = fator de segurança

A determinação da tensão admissível dos solos é feita através das


seguintes formas:
• Pelo cálculo da capacidade de carga, através de fórmula teóricas;
• Pela execução de provas de carga;
• Pela adoção de taxas advindas da experiência acumulada em cada tipo
de região razoavelmente homogênea.
Os Fatores de segurança (coeficientes de segurança) em relação à ruptura são:
Quando há predominância de cargas permanentes η ou Fs ≥ 3
Quando há predominância de cargas acidentais η ou Fs ≥ 2
Quando os dados do solo (c e Ø) forem obtidos através de ensaios de
laboratório ou através de provas de carga ηou Fs ≥ 2
Quando os dados do solo forem obtidos empiricamente η ou Fs ≥ 3
Numa composição de casos ou situações adotar o maior η ou Fs ≥ 3

A capacidade de carga dos solos varia em função dos seguintes


parâmetros:

• Do tipo e do estado do solo (areias e argilas nos vários estados de compacidade


e consistência).

• Da dimensão e da forma da sapata (sapatas corridas, retangulares, quadradas


ou circulares).

• Da profundidade da fundação (sapata rasa ou profunda).


- FÓRMULAS DE CAPACIDADE DE CARGA

Existem várias fórmulas para o cálculo da capacidade de carga dos solos,


todas elas aproximadas.
Para a utilização dessas fórmulas, é necessário o conhecimento adequado da
resistência ao cisalhamento do solo em estudo, ou seja, ζ = c + σ tg φ

- FÓRMULA GERAL DE TERZAGHI (1943 )

Terzaghi, em 1943, propôs três fórmulas para a estimativa da capacidade de


carga de um solo, abordando os casos de sapatas corridas, quadradas e
circulares, apoiadas à pequena abaixo da superfície do terreno (H < B),
conforme Figura 2.1.

Terzaghi chegou a essa equação através da consideração que σR


depende do tipo e resistência do solo, da fundação e da
profundidade de apoio na camada.
Hipóteses de Terzaghi Para solos com
ruptura geral (areia compacta e muito
compacta e argilas rijas e duras):
1 – solo homogêneo
2 – sapata corrida

Υ = ø = ângulo de atrito interno do solo


Mediante a introdução de um fator de correção para levar em conta a forma da sapata,
as equações de Terzaghi podem ser resumidas em uma só, mais geral.

Podemos desmembrar a formula em 3 parcelas:


A primeira parcela trata da coesão do solo;
A segunda parcela considera o atrito;
A terceira parcela considera a pressão efetiva na cota de apoio da sapata;

onde:
c = coesão do solo.
Nc, Nq, Nγ coeficientes de capacidade de carga f (ϕ)
q = γ.h (pressão efetiva de terra à cota de apoio da sapata: pressão do solo sem a
pressão neutra).
γ peso específico efetivo do solo na cota de apoio da sapata.
B menor dimensão da sapata.
Calculo da pressão efetiva:
Ex.: Calcular o peso específico efetivo.
Sapata dimensões 1,80m(B) x 3,00m(L)
Vesic(1975) sugere que na equação geral de Terzaghi sejam
utilizados fatores de capacidade de carga Nγ de Caquot-Kérisel de
1953 e os fatores de forma De Beer de 1967, ficando a equação
geral de Terzaghi:

Coesão Atrito Sobrecarga


onde:
σr = Tensão que provoca a ruptura no solo;
c coesão do solo na camada de apoio descrita por: τ = c + tgØ [KPa];
B menor dimensão da sapata;
Nc, Nq, Nγ coeficientes de capacidade de carga f (ϕ);
Sc, Sq, Sγ fatores de forma (Shape factors);
q = γ.H pressão efetiva de terra à cota de apoio da sapata;
γ = peso específico efetivo do solo na cota de apoio da sapata;
Os coeficientes da capacidade de carga dependem do ângulo de atrito φ do solo e são
apresentados no gráfico e tabela a seguir.
Fatores de forma SC, Sq e Sγ:

SAPATA Sc Sq Sγ

CORRIDA 1 1 1

RETANGULAR 1+(B/L) (Nq/Nc) 1+(B/L) tgØ 1- 0,4(B/L)

CIRCULAR OU QUADRADA 1+ (Nq/Nc) 1+ tgØ 0,6


Exercício: calcular a capacidade de carga do solo abaixo esquematizado quando
carregado por uma sapata (2,50m x 3,00m). calcular também a carga de ruptura da
sapata. Calcular a tensão admissível para a sapata e carga admissível no pilar
considerando que os dados foram obtidos através de ensaios.
q = 1,5 . 14 + (1,8-1,5) . 18 = 26,4KPa

= 2,2 . 18 + 1,55 . (21-10) (2,2+1,55) = 15,1 KN/m3

 tabela: Nc =46,12; Nq =33,30; Nγ = 48,03

Fatores de forma (sapata retangular):


B = 2,50m, L = 3,00m
. Sc = 1+(B/L) (Nq/Nc) = 1+ (2,5/3,0) . (33,30/46,12) = 1,6
. Sq = 1+(B/L) tgØ = 1+ (2,5/3,0) . tg = 1,58
. Sγ = 1- 0,4(B/L) = 1+ 0,4.(2,5/3,0) = 0,67

σr = 30 . 46,12 . 1,6 + ½ . 2,5 . 15,1 . 48,03 . 0,67 + 26,4. 33,3 . 1,58 


σr = 4210,17KPa ou 421,017tf/m2
Carga de ruptura:

= σr . Af(área da sapata)
= 421 . 2,5 . 3,0 = 3157tf  solo com ruptura geral

Tensão admissível e carga admissível:

Considerando os dados obtidos ensaios de solo: Fs = 2


σadm = 4210,17 2 = 2105,09KPa ou 210,51tf/m2
210,51 . 2,5 . 3,0 = 1578,83tf  solo com ruptura geral
Solos com ruptura local

Solos mais deformáveis, como areias


fofas e pouco compactas e argilas
médias e moles.
Para solos em que a ruptura pode se aproximar da ruptura local
(areias fofas e pouco compactas e argilas médias e moles). a
equação GERAL DE TERZAGHI modificada:
σ’r = c’ N’c Sc + q N’q Sq + ½ γ B N’γ Sγ

onde:

c’ coesão reduzida (c’ = 2/3 c)


φ ângulo de atrito reduzido, dado por tg φ’ = 2/3 tg φ
N’c, N’q, N’γ fatores de capacidade de carga reduzida, obtidos a
partir de φ’ .

Para Areias Medianamente Compactas e Argilas Médias 


será considerada a média entre ruptura geral e local.
Exercício: mantendo os dados do exercício anterior considerar como se a ruptura fosse
local, quais seriam os valores de capacidade de carga e fatores de forma. Calcular
também qual seria a capacidade de carga do solo.
Ruptura local:

q = 1,5 . 14+(1,8-1,5) . 18 = 26,4KPa


Φ=  ângulo de atrito reduzido é dado por tgφ’ = 2/3 tgφ = 2/3 tg =
0,466  arc tan 0,466  Φ’ =  tabela
N’c =20,72; N’q =10,66; N’γ = 10,88

Fatores de forma:
. Sc = 1+(B/L) (N’q/N’c) = 1+ (2,5/3,0) . (10,66/20,72) = 1,43
. Sq = 1+(B/L) tgØ’ = 1+ (2,5/3,0) . tg = 1,39
. Sγ = 1- 0,4(B/L) = 1+ 0,4.(2,5/3,0) = 0,67

Capacidade de carga do solo:


σ’r = c’ N’c Sc + q N’q Sq + ½ γ B N’γ Sγ

c’ = 2/3 . c = 2/3 . 30 = 20KPa

σ’r = 20 . 20,72 . 1,43 + 26,4 . 10,66 . 1,39 + ½ . 15,1 .2,5 . 10,88 . 0,67 =
1121,36KPa ou 112,136tf/m2
Tensão admissível e carga admissível

Considerando os dados obtidos ensaios de solo: Fs = 2


σadm = 1121,36 2 = 560,68KPa ou 56,07tf/m2
56,97 . 2,5 . 3,0 = 420,53tf  solo com ruptura local
TAREFA: calcular as Tensões de Ruptura e Admissível para a sapata, calcular ainda as
cargas de Ruptura e Admissível para o pilar. Sapata (2,00m x 3,00m) considere que os
dados foram obtidos através de ensaios.

Para Areias Medianamente Compactas e Argilas Médias  será considerada a


média entre ruptura geral e local:
Métodos Empíricos:
σadm = ( SPTm 5 ) + q em [kgf/cm2]

SPTm é a média dos valores de SPT dentro do bulbo de tensões.

q = pressão efetiva na cota de apoio

Não adotar σadm ≥ 5 kgf/cm2 ou 50tf/m2 ou 500KN/m2 para


argilas

Não adotar σadm ≥ 6 kgf/cm2 ou 60tf/m2 ou 600KN/m2 para


areias
Calcular a carga de trabalho para a sapata abaixo esquematizada, utilizando-se o
método empírico.

SPT

SPTm = (10+12+16)/3 = 12,67 4


SPTm / 5= 12,67 / 5 = 2,53 kgf/m2
= 253KN/m2
Pressão efetiva na cota de apoio: 10
q= (apoio
acima do N.A.)
12
q = 14 . 1 + 0,5 . 18 = 23KN/m2
σadm = ( SPTm 5 ) + q = 253 +
23 = 276 KN/m2 16
Padm = 276 . 1,8 . 2,0 = 993,6 KN

18
Calcular a carga de trabalho para a sapata abaixo esquematizada, utilizando-se o método
empírico.

SPT

6
SPTm = (8+16+12+14)/4 = 12,50
SPTm / 5= 12,50 / 5 = 2,50 kgf/m2 =
8
25,0tf/m2
Pressão efetiva na cota de apoio:
q=
(apoio abaixo do N.A.) 16
q = 1,7 . 1 + 1,0 . (2,1-1) = 2,8 tf/m2
σadm = ( SPTm 5 ) + q = 25 + 2,8 =
27,8 tf/m2 12

Padm = 27,8 . 2,0 . 2,0 = 111,2 tf


14
PROVA DE CARGA SOBRE PLACAS NBR 6489 (1984): Prova de Carga Direta
Sobre Terreno de Fundação

INTRODUÇÃO
- Constitui-se em uma das melhores maneiras para se determinar as
características de deformação dos solos.
- Fundações. Capacidade de suporte dos solos.
A prova de carga em placa (Ø = 0,8m), de acordo com a NBR 6489, é um ensaio
de campo que visa a reproduzir, em modelo reduzido, os efeitos da carga de
compressão que será aplicada pela edificação no terreno. Esse ensaio é
considerado por diversos autores, como Alonso (1991), Bowles (1997), Décourt
e Quaresma Filho (1996), entre outros, como o melhor método para a
determinação da capacidade de suporte do um terreno, para fundações
superficiais.
Essa prova de carga consiste na aplicação de diferentes cargas em uma placa
padronizada, apoiada diretamente sobre uma camada de solo. Consiste em
aplicar tensões no solo, através de uma placa padronizada, e medir os
recalques correspondentes.
Objetivos:
- Determinar a tensão de ruptura e/ou a admissível de solos e medir os recalques
correspondentes. Utilizada também para fazer a verificação do desempenho das
fundações superficiais

Para a realização deste ensaio, deve-se utilizar uma placa rígida = 0,80 m.
qual distribuirá as tensões ao solo.
Tipos de Reações:
- A prova de carga é executada em estágios de carregamento onde em cada estágio são
aplicados ≤ 20% da taxa de trabalho presumível do solo.

- Para cada valor de carga aplicada, são efetuadas as medições do recalque após
intervalos de tempo de 1, 2, 4, 8, 15, 30 minutos, bem como após 1, 2, 4, 8, 15, 30
horas, até que a deformação atinja razoável estabilidade, ou seja, até que o valor total
da deformação atingida em um intervalo de tempo seja praticamente igual ao valor
obtido no intervalo anterior.

Em seguida, as cargas sobre a placa são aumentadas e o mesmo processo de


medições repete-se até que ocorra uma das seguintes situações:

- ocorra ruptura do solo


- a deformação do solo(recalque) atinja 25 mm
- a carga aplicada atinja valor superior ao dobro da taxa de
trabalho(capacidade de suporte) presumida para o solo.

Último estágio de carga pelo menos 12 horas, se não houver ruptura do terreno. O
descarregamento deverá ser feito em estágios sucessivos não superiores a 25% da
carga total, medindo-se as deformações de maneira idêntica a do carregamento. Os
resultados devem ser apresentados como mostra a Figura 2.3.
Recalque residual
- Geralmente, para solos de alta resistência, prevalece o critério da ruptura, pois as
deformações são pequenas.

- Para solos de baixa resistência, prevalece o critério de recalque admissível, pois as


deformações do solo serão sempre grandes.

Os casos extremos, descritos por Terzaghi como de ruptura geral e ruptura local, são
indicados na Figura 2.4.
Critérios para definir a tensão admissível:
Critérios para definir a tensão admissível:
A capacidade de suporte a ser adotada para essa camada de solo, ou seja, o valor
da sua tensão admissível (σadm) é, então, definida a partir da curva tensão-
recalque, traçada sobre o lançamento de todos os resultados obtidos.
Adota-se o mais desfavorável dos valores a seguir.

Quando o solo romper:

Reação insuficiente:

Código de Boston:

Prova de carga Fs = 2
a) σadm = metade do valor da tensão de ruptura;
b) σadm = metade do valor tensão máxima presumida para esse solo ou
c) σadm = metade do valor da tensão para a qual o recalque atingiu 25mm.
Critério de Sowers:

Para o caso genérico, em que a placa apresenta dimensões diferentes de 30cm x


30cm, Sowers (1962), baseado na fórmula anterior e em seus próprios trabalhos,
propôs a seguinte correlação:

Bp Bf

Bp = Ø placa
Bf = base da fundação
Foi executada uma prova de carga em placa (Ø = 0,8m) de acordo com a NBR 6489
(1984) em um terreno onde será executado um prédio em fundação direta (sapata). O
resultado do ensaio é apresentado na figura abaixo.
Curva tensão versus recalque de uma prova de carga direta.

Analisando-se o resultado do
ensaio apresentado na figura,
qual é a área de uma sapata
quadrada isolada cuja carga do
pilar é de 1.000kN, considerando
o peso próprio da sapata como
5% da carga do pilar?
O grafico nos mostra que ocorreu ruptura do solo ( ) e que
a reação para o ensaio foi suficiente ).
Portanto o valor da tensão admissível a ser adotado será o valor mais
desfavorável de tensão entre as tensões:
 225kPa = 225kN/m²;
Ou
O valor que corresponde ao recalque de 25 mm, isto é, ( )
σadm = 450kPa /2 = 225kN/m² , coincidentemente os dois valores são
iguais, então o valor da σadm = 225kPa = 225kN/m²

O valor da carga da estrutura é de 1000kN e o peso próprio da sapata é


equivalente a 5% dessa carga, ou seja, 50kN, a força atuante sobre o
solo terá intensidade F = 1050kN.
A área de contato sapata-solo será de 1050kN/225kN/m2 = 4,67m2.
Solo Estratificado
Não é raro que o maciço de solo se apresente estratificado em camadas
distintas. Para tratar dessa condição, vamos revisar o conceito de bulbo de
tensões, o que exige lembrarmos um pouco de propagação de tensões.

BULBO DE TENSÕES

Além dos métodos vistos em Mecânica dos Solos, podemos admitir, para um
cálculo prático e aproximado, que a propagação de tensões ocorre de uma forma
simplificada, mediante a inclinação 1:2(~ 30º com a vertical).
Propagação das tensões 1:2
Propagação das tensões 1:2

1
L

z
L+
B
z
B+ z
z

z/2
z/2

.( . )
.
 .
Considerando uma sapata quadrada de lado “B” e uma profundidade z=2B a parcela de
tensão propagada será:

.( . )
.

 ~ 10%

O que justifica a utilização de z= 2B como a profundidade do bulbo de tensões, pois


na Mecânica dos Solos essa profundidade é definida justamente como a que
corresponde a propagação de 10%
Segundo Simons e Menzies (1981), cálculos
mais rigorosos para sapatas flexíveis, pela
Teoria de Elasticidade, dão os seguintes
valores de profundidade do bulbo de tensões,
em função da forma da base da sapata:

2
Sapata circular: z = 1,5B
1
Sapata quadrada: z = 2,5B

Sapata corrida: z = 4,0B

Sapata fictícia no topo da segunda camada Para efeito prático em fundações, podemos
considerar:

Sapata circular ou quadrada (L = B): z = 2B

Sapata retangular (L= 2 a 4 B): z = 3B

Sapata corrida (L ≥ 5B): : z = 4B


Duas Camadas

Sapata apoiada em camada com características de resistência e compressibilidade


diferentes, ambas atingidas pelo bulbo de tensões.
Nesse caso conforme demonstrado por Vesic(1975) a determinação da capacidade
de carga é mais complexo. Por isso, vamos apresentar um procedimento prático
detalhado a seguir.
Análise do problema:

a) – Determinar a capacidade de carga do solo 1 como se não houvesse o solo 2, ou


seja ( Calcular ).
b) – Propagar a capacidade de carga calculada até o topo da camada de solo 2.
(Propagar Supondo a sapata apoiada no solo 2, determinar a capacidade de
carga do solo 2. (Calcular )

c) - Comparar se ≤  ok! (significa que a parte inferior da superfície de


ruptura se desenvolve em solo mais resistente e, então, poderemos adotar a favor da
segurança que a capacidade de carga do sistema é:

= .

d) - No caso da segunda camada ser menos resistente, adotamos uma solução pratica
aproximada, que consiste, inicialmente, em obter a média ponderada dos 2 valores,
dentro do bulbo de tensões:
Em seguida verificamos se não haveria antes a ruptura da segunda camada, na
iminência de a sapata aplicar esse valor de tensão. Para isso, calculamos a parcela
propagada dessa tensão até o topo da segunda camada ( ) e, depois, comparamos
com .

Assim, se tivermos.
, .( . )
≤  ok!
.

Então a capacidade de carga do sistema ( ) será a própria capacidade de carga


média no bulbo (

Caso a verificação não for satisfeita , será necessário reduzir o valor da


capacidade de carga média, de modo que o valor propagado não ultrapasse .
Para isso, basta utilizar uma regra de três simples, pela qual a capacidade de carga
do sistema resulta em:
SPT

10

3
na cota de apoio da sapata

SPTm = (10+5)/2 = 7,50

SPTm / 5= 7,5 / 5 = 1,50 kgf/m2 = 15,0tf/m2


Pressão efetiva na cota de apoio:
q=  q = 1,7 . 1 = 1,7 tf/m2
σ1adm = ( SPTm * 5) + q =15 + 1,7 = 16,7 tf/m2

b) Considerar a sapata fictícia apoiada no topo da camada de solo 2, ( r2 ou 2adm)

SPTm = (3+3+4+3)/4 = 3,25


SPTm / 5= 3,25 / 5 = 0,65 kgf/m2 = 6,5tf/m2

Pressão efetiva na cota de apoio:

q=  q = 1,7 . 3= 5,1 tf/m2


σ2adm = ( SPTm * 5 ) + q = 6,5 + 5,1 = 11,6tf/m2
c) Comparar se r ≤ r2
1adm  2adm  16,7 tf/m2 ≤ 8,90 tf/m2  Não ok! 
portanto calcular a tensão média ponderada.

d) Tensão média ponderada:


. . . , . .
r  

e) Propagação de r 1,2 até o topo da segunda camada () e, depois, compararmos


 com o 2.
, .( . ) , .( . )
   
. .

 ≤  3,99 < 11,6 ok!

Então a capacidade de carga do sistema ( ) será a própria capacidade de carga


média no bulbo ( 1,2):


TAREFA: Estimar a capacidade de carga para a sapata indicada na figura, com as
seguintes condições de solo na segunda camada:

SPT

10

3
Projeto de fundações por sapatas
I.Dimensionamento:

1. Dados (informações) técnicos básicos:

Taxa de trabalho do solo;


Cargas da superestrutura;
Seções arquitetônicas dos pilares;
Planta baixa da localização dos pilares.

2.Pilar isolado:
1,10  P
Af 
s
onde;
 Af= área da base da sapata;
 P= carga solicitante do pilar;
  = tensão admissível do solo;
 1,10= coeficiente que considera o peso próprio da sapata;
Forma da sapata
Depende da forma do pilar:
Pilar quadrado  Sapata quadrada
Pilar redondo  Sapata quadrada ou circular
Pilar retangular  Sapata retangular
2.2 Como determinar e definir a dimensão da sapata.

CG
A

X
X

Para sapatas quadradas onde A = B

Af = A x B  Af = A2  A =
Para sapatas retangulares

X X

Utilizamos o artificio dos balanços iguais. Substituindo (2) em (1) temos:

B x L = Af (1) B . (B + l- b) = Af  B2 + B (l- b) – Af = 0 

L = l + 2x ∆ = (l-b) 2 - 4. 1 . (-Af)

B = b + 2x (-)
 (l  b )  
B 
L - B = l – b  L = B + l- b (2) 2 .1
Exemplo: dimensionar as fundações para os pilares abaixo:

 = 0,45Mpa = 450KN/m2
P1 (40x40) = 1800 KN
P2 (20x80) = 2000 KN
P3 (Ø 50) = 2200 KN

-----------------------------------------------------------------------------------------------

P1:
1,10  P 1,10  1800
Af  Af   4,40m2
s 
450

B= 4,40 = 2,09m  2,10m


P2:
1,10  P 1,10  2000
Af   Af   4,89m2
s 450

B x L = Af (1)
L - B = l – b  L = B + l- b (2) 
L-B = l – b  L – B = 80 – 20  L – B = 60cm  L = 60 + B (2)
Substituindo (2) em (1) temos:
B . (60+B) = Af  B2 + 0,60B – 4,89 = 0 
∆ = B2 - 4. a . c = 0,602 - 4. 1 . (- 4,89) = 19,92

 (l  b )  
B 
2 .1
B= (- 0,6 + - 19,92 / 2 = 1,93m  arredondar para 1,95m

Substituindo B em (1) temos: B. L = 4,89  L = 4,89 / 1,95  L = 2,51cm arredondar para


2,55m
P3:

1,10  P 1,10  2200


Af  Af   5,38m2
s  450

Para sapatas quadradas onde A = B

Af = A2  A = Af  A = 5,38  A = 2,32m  2,35m


3. Pilares próximos:
Quando se tem dois ou mais pilares centrais em que devido a sua
proximidade, torna-se impossibilitado o dimensionamento isoladamente pois
as bases se sobrepõem uma à outra, a solução é projetar uma única sapata,
sustentando os pilares.
Nesse caso, denomina-se sapata associada.
3.1 Esquema:
 Impossível !

P1 P2

sapata isolada sobreposição sapata isolada


1 (não cabe) 2

errado
 Solução:

P1 P2

viga de rigidez

vista em perfil correto

sapata

viga P1 de P2 rigidez

L
PLANTA