You are on page 1of 16

22

HQs:a parceirae
mídi g o gia
p e da
da ícu lo
c u rr
do dia Sales
Cláu

u r s o
C i n h os
u a dr
q
s a la
em
a u la
de
1. apresentação

Bem-vindos, professores e professoras, à gran- Lembre-se, as videoaulas podem ser assisti-


de aventura que é a prática docente por meio do das pelo AVA, a qualquer tempo, ou pelo Canal
fascinante universo dos quadrinhos. Futura, em sua TV, às quintas-feiras, às 16h30, de
Você perdeu o primeiro fascículo? Não tem 12 de abril a 28 de junho de 2018.
problema. Todos os 12 fascículos, além dos de- Para os interessados no estado do Ceará, os
mais produtos deste curso (videoaulas, radioaulas, fascículos serão encartados gratuitamente no jor-
webconferências, material complementar etc.), nal O POVO, às segundas-feiras, desde 9 de abril.
poderão ser encontrados a qualquer tempo Fique com a gente, se ligue, divulgue e explo-
em nosso Ambiente Virtual de Aprendizagem re o endereço da educação a distância, mas
(AVA), independentemente do lugar do país ou sem distância. Que a força esteja com você:

.b r
mesmo de qualquer outra galáxia em que você se

. f d r . o r g
encontre. Assim, aceitamos e queremos, também

ava
a quaa sua inscrição GRATUITA em nossa legião
de professores, super-heróis da educação.
Netto
Raymundo
Geral
Coordenação

2. introdução
As diferentes mídias têm ocupado um pa- A utilização das mídias no processo pedagógico
pel cultural importante, inclusive na escola. A é uma necessidade do contexto escolar atual, pro-
pedagogia tem buscado cada vez mais res- porcionando um maior dinamismo, engajamento e
postas em modelos curriculares que as ofere- entusiasmo na aula, e o desenvolvimento da criati-
çam ao complexo panorama cultural em que vidade dos alunos (VIDAL, MAIA E SANTOS, 2002).
vivemos, evidenciando novas exigências de Nesse sentido, é necessária a preparação de
qualificação que apontam inclusive para o de- um contexto escolar que compreenda o impacto
sempenho do professor. desses novos recursos na formação do professor
Ser professor(a) nos dias de hoje vai além de e de cursos de formação continuada em torno do
motivar e desenvolver autonomia nos alunos. Ele(a) tema, pois só assim o(a) professor(a) conseguirá
deve envolvê-los em processos multidisciplinares utilizar tais recursos como instrumentos de melho-
empregando as diversas fontes de informações ria do seu processo didático-pedagógico e de ensi-
(mídias), tais como, jornais, TV, revistas, livros didá- no-aprendizagem com seus alunos. E utilizá-los
ticos, internet e (claro) as histórias em quadrinhos de forma adequada, importante frisar.
no processo pedagógico.

18
Existem já à disposição alguns documentos e comunicação adequadas ao desenvolvimento de
iniciativas governamentais que podem ajudar a aprendizagens significativas”. (Resolução CNE/CP
compreender como incorporar as mídias na prá- nº1, de 18 de fevereiro de 2002 e Parecer CNE/CP
tica pedagógica, como o Programa Nacional nº 3, de 21 de fevereiro de 2006)
Biblioteca da Escola (PNBE), do Ministério Além dos documentos e iniciativas, alguns
da Educação, que abriu espaço para a criação de estudos também já foram realizados. Embora
várias práticas de leitura no contexto escolar, in- a maioria deles trate a instituição escolar como
cluindo as de histórias em quadrinhos e jornais, espaço privilegiado onde acontece a prática
por meio de projetos educacionais de professores pedagógica e a construção do currículo, hoje,
e alunos (BRASIL, 1997). devemos voltar a nossa atenção para outros es-
A Lei de Diretrizes e Bases da Educação paços, como a mídia, produtores e difusores de
Nacional (LDB) e os Parâmetros Curriculares conhecimentos e saberes.
Nacionais (PCNs) também já falam de “formas Cada mídia possui um currículo específico,
contemporâneas de linguagem”, como as mídias, que denominamos Currículo Cultural,
incluindo a utilização das histórias em quadrinhos, que possui a capacidade de ir além do caráter de
enquanto recurso didático-pedagógico. lazer e entretenimento, transmitindo uma forma
Nos documentos que tratam das Diretrizes de ser, sentir, viver e se comportar no mundo.
Curriculares Nacionais, podemos compreen- A proposta de currículo aqui empregada com-
der melhor como o currículo pode se reorganizar preende todo o conhecimento, pois que compõe
diante das exigências impostas pelo complexo pa- um sistema de significado cultural, o que abre a
norama cultural em que vivemos. Elas estabelecem, possibilidade para que possamos perceber quais
entre outras coisas, que é inerente à atividade do instâncias culturais, como museus, cinema, tele-
professor “o exercício de atividades de enriqueci- visão, histórias em quadrinhos, músicas, shows,
mento cultural”, “a elaboração e a execução de entre outros, são capazes de formar identidade,
projetos de desenvolvimento dos conteúdos curri- subjetividade e produzir conhecimento.
culares”, “o uso de tecnologias da informação e da
Currículo Cultural: compreende que
comunicação e de metodologias, estratégias e ma-
produtos culturais que atravessam o cotidiano
teriais de apoio inovadores” e o saber “relacionar dos indivíduos (tais como novelas, jornais, revistas
as linguagens dos meios de comunicação à educa- em quadrinhos etc) interferem nas formas de
ção, nos processos didático-pedagógicos, demons- aprender, de ver, de pensar, de sentir.
trando domínio das tecnologias de informação e

19
3. quadrinhos,

d a g o g i a e
pe
cu r r i c u l u m
iplinar : que
ta m ho je um a m ídi a de gran- Interdisc ações entre duas
As HQs represen estabelece rel
çã o po pu lar . Ela s tra nsmitem conceitos, ou mais disciplinas ou
ramos
de penetra e at é inf or m aç õe s
mundo de conhecimento.
modos de vida, visões de qu e tê m co ndições
m át ica s
científicas. Trazem te : que visa
Transdisciplinar
e,
s por qualquer estudant
de serem compreendida rio r ento.
m a ne ce ssi da de de um conhecimento ante à unidade do conhecim
se Procura estimular uma
nova
co ou fa m ilia rid ad e com o tema.
específi - compreensão da realidade
ria, baixo custo, são po
Elas possuem, em maio elementos que
es en tre cri an ça s e jovens, a sua linguagem articulando , além e através
pular de passam entre
ida por diversos tipos
é facilmente compreend cia is das disciplinas.
ixas etárias, classes so
pessoas de diferentes fa
mponente lúdico. ia que trata
e culturas e têm forte co
a prod uç ão ta m bé m é Pedagogia: ciênc ção
Da mesma forma, a su sa fi o pr az ero so da educação e da instru
ndo um de das crianças e adolesce
nte s.
associada à diversão, se ta m os em
ursos, como tra Prepara professores pa
ra atu ar
e que requer poucos rec ia, na
nosso primeiro fascículo
do curso. no exercício da docênc
ssam da r su po rte a no - an til, na s sér ies
Isso faz com que elas po educação inf
ro ve ita da s fun da me ntal
gógicas e ser ap iniciais do ensin o
vas modalidades peda pl i-
maneira interdisci
pe da gó gic as
e em disciplinas
em diversas aulas de e dos cursos de nível mé dio .
inar, fazendo com qu
nar e transdiscipl po , m ais
e, ao mesmo tem
o aprendizado se torn vem Currículo: documento
e pr az ero so na s salas de aula. Elas de
refl ex ivo r que escreve as
te nd ida s co m o um meio de comunicação escola des, desempenhos,
ser en tá habilida
sociedade em que ela es nos
que reflete a cultura e a a pe da go gi a atitudes e valores que alu
ncia para deverão aprender. Ele inc
lui
inserida, daí sua importâ
e o currículo. os processos av ali ati vo s,
a
descrições das matérias
a su a
serem estudadas e
ce dos
sequência para o alcan
resultados esperados.

20
Embora possam ainda existir pessoas que se
deixem levar por ideias preconceituosas de que os
quadrinhos, como subliteratura e/ou arte menor,
atrapalham o processo de aprendizado (ou mes-
mo afastam os alunos dele), existem estudiosos
que cada vez mais incentivam o uso das
HQs como recurso pedagógico.. A professora
Sônia M. Bibe Luyten, por exemplo, autora de um
dos fascículos deste curso, afirma que elas, quan-
do bem utilizadas, podem servir de reforço à
leitura, e constituem uma linguagem al-
tamente dinâmica e fluida.

ABRA A SUA MENTE


!
s
ividade. Isto porque na
seja, causando pass me nt o
-2016), escritor, filó- rminam o ordena
Umberto Ecco (1932 , HQs, os leitores dete us a
ista e bibliófilo italiano das cenas, concedem
-lh e velocidade/pa
sofo, se miólogo, lingu
siasta dos quad rinho
s. amente, o roteiro e o
era também um entu maior ou menor (logic
isteriosa Cham a da dão o tom da voz dos
No seu romance A M desenh o a sugere m),
têm destaque em tras características,
Rainha Loana, os gibis personagens, entre ou
em seus estudos ento dos leitores, o
sua narrativa. Também exigindo maior envolvim e
massa, as HQs se sitivo a ser utilizado
sobre comu nicação em que é um aspecto po la.
idade que geram em sor em sala de au
destacam pela proativ ex plorado pelo profes
rário da linguagem
seus leitores, ao cont
“ch egam prontas”, ou
de outras mídias que

Mesmo existindo iniciativas no sentido de capa- Em um país onde a educação permanece


citar e estimular os professores para utilizarem as como uma das áreas mais fragilizadas, com in-
HQs com finalidade educativa, essas experiências vestimentos insuficientes e professores buscando
ainda não alcançaram parte significativa do univer- alternativas para despertar o interesse dos alunos,
so pedagógico. Faz-se necessário, então, resgatar utilizar adequadamente as HQs é opção
a identidade do(a) professor(a) como um profis- eficiente, pois são suportes mais versáteis em
sional reflexivo, capaz de fazer, de compreen- temas e tratamentos gráficos do que os textos
der e de transformar a sua prática, no sentido de escolares, ou seja, aqueles que só circulam na es-
buscar e estar aberto para novas compreensões, cola, como o livro didático. São constituidoras de
sem preconceitos, sabendo incorporar estratégias identidades culturais, à medida que são consumi-

21
e materiais inovadores de apoio. das por crianças e adultos.
s
4. boas iniciativa
Muitas editoras de livros também já perceberam
a eficácia das HQs como recurso que proporciona
uma aprendizagem prazerosa e dinâmica e estão
incorporando-as em seus conteúdos didáticos e
paradidáticos. Uma das primeiras publicações com
o objetivo escolar das HQs foi realizada pela edi-
tora do Instituto Brasileiro de Edições Pedagógicas

rrapos
(IBEP), com as séries de Julierme de Abreu e Castro,

dos Fa
geógrafo e historiador (1931-1983), na década de
1960. O primeiro livro é de 1967, de geografia e,

Guerra
em 1968, foram lançados os livros de história.
Desde então, várias obras surgiram com o obje-

apa A
tivo de utilizar da linguagem dos quadrinhos com

ção: C
fins pedagógicos. Temos, por exemplo, Invasão
Holandesa, em 1980, pela Editora Brasil-América

Divulga
Limitada (Ebal). Em 1985, temos o clássico Guerra
dos Farrapos, pela L&PM, de Porto Alegre, dese-
nhado por Flávio Colin. Em 1990, Ziraldo publica
Chega de Enchentes, um gibi distribuído nas fa-
velas do Rio de Janeiro, que ensinava como evitar
enchentes e deslizamentos de terra nos meses de
verão. Além disso, hoje, podemos encontrar trans-
posições de clássicos da literatura universal para
quadrinhos em sites de diversas editoras brasileiras.

o
u ndo Nett ym
Foto: Ra

22
ABRA A SUA MENTE
!
e Alighieri), Auto da
em Quad rinhos (Dant
aptações de ob ras ente), entre outros.
A seguir, editoras e ad Barca do Inferno (Gi l Vic Policar po Quares-
nacionais em qua- Desiderata: Triste Fim
de
literárias universais e rtões (Euclides da
lioteca escolar: Del ma (Lima Barreto), Os Se
drinh os para a sua bib -
o (Robert Louis Ste- . Ática: O Cortiço (A luí
Prado: A Ilha do Tesour Cu nha), entre outros en to
de Notre-Dame (Victor órias de um Sarg
venson), O Corcunda sio de Azevedo), Mem m
(Kipling), entre outros
. tônio de Almeida), Do
Hugo), O Livro da Selva de Milícias (Manuel An
Cortiço (A luísio Aze- Assis), entre outr .
os
Escala Educacional: O Casmurro (Machado de
Sargento de Milícias on Tolstoi), Crime e
vedo), Memórias de um L&PM: Guerra e Paz (Le
eida), A Polêmica A Volta ao M undo em
(Manuel Antônio de Alm Castigo (Dostoiévsk i),
ur de Azevedo), A Miseráveis (Victor
e Outras Histórias (A rt Assis), entre ou- 80 Dias (Júlio Verne), Os anhia das Letras:
Comp
Cartomante (Machado
de Hugo), entre outros.
e a Luva (Machado toum), O Estrangeiro
tras. Peirópo lis : A M ão Dois Irmãos (Milton Ha
em Quad rinhos (Mário ato de Dorian Gray
de Assis), Macunaíma (A lbert Camus), O Retr
ama em Quad rinhos s Anjos (Lima Barre-
de Andrade), I-Juca Pir (Oscar Wilde), Clara do
Quixote em Quad ri- to), entre outros.
(Gonçalves Dias), Dom
tes), Divina Comédia
nhos (Miguel de Cervan

23
Outra iniciativa interessante e que vale ser ci-
tada foi realizada pelas editoras Moderna, Saraiva
e Ática, que publicaram as histórias da Turma do
Xaxado (que em 2003 recebeu apoio institucio-
nal da Unesco - Organização das Nações Unidas
para a Educação, a Ciência e a Cultura), do baiano
Antônio Luiz Ramos Cedraz, ao entender que o
perfil de suas histórias era perfeito para permitir a
reflexão sobre valores, atitudes e riqueza histórico-
cultural, em especial, do povo nordestino.
Diante do conflito enfrentado pela pedagogia e
a escola do século XXI, entre a obrigatoriedade dos
conteúdos curriculares oficiais e os múltiplos arte-
fatos culturais que se proliferam nesta era da infor-
mação e comunicação, o uso das HQs na prática
Divulgação: Tu

de ensino, com o objetivo de auxiliar a chamada


educação formal e o currículo é mais do que uma
simples opção: é uma necessidade!
rma do Xaxa
do (Cedraz)

Antônio Cedraz
(1945-2014):
cartunista, criador da
Turma do Xaxado,
teve diversos
trabalhos publicados
na Bahia, sua terra
natal, e ganhou
prêmios no Brasil
(6 troféus HQMIX
e o Prêmio Angelo
Agostini de “Mestre
do Quadrinho
Nacional”) e no
exterior. Em 2015,
foi o homenageado
(póstumo) da FIQ –
Festival Internacional
de Quadrinhos em
Belo Horizonte

24
o s s o f a z e r e m m inha
5. o que p

prá t i c a
d i d á t i c a ?
A apropriação das mídias, tais como a te- Apropriação: ato ou efeito de
levisão, jornais, livros, revistas, HQs, vídeos, cine- apropriar (-se), de se tornar próprio,
ma, teatro, música, rádio, internet, entre outros, adequado; adequação (Houaiss)
pelos professores, alunos e a escola é fundamen-
tal. Contudo, você pode se perguntar: “Como Professor reflexivo: professores
devo me apropriar das histórias em quadrinhos?” que são agentes ativos do seu próprio
Para ajudar a resolver essa dúvida, lançamos a desenvolvimento docente e do espaço
seguir algumas dicas que tornarão o seu olhar mais escolar. É aquele professor que reflete
sobre a reflexão na ação.
sensível quanto à utilização das histórias em qua-
drinhos em sua prática pedagógica:

a)tico, é necessário que passe por um processo


Antes de desenvolver qualquer recurso didá- assumindo uma formação contínua, articulada
com a disponibilidade de superar conflitos que
de sensibilização e aceitação. Para que você possam aparecer no desenvolvimento do seu tra-
não recue ou rejeite uma nova possibilidade, pre- balho docente, além de estar aberto para a pes-
cisa compreendê-la bem e vê-la como aliada, algo quisa e para a reflexão (LIMA, 2008);

d)
que poderá contribuir em sua prática e que pode- Todo material é fonte de informação, mas ne-
rá trazer resultados efetivos. Claro que, para isso, nhum deve ser utilizado com exclusividade.
o planejamento é fundamental; É importante que você tenha sempre uma diversi-

B)
Faça uso das HQs não pelo simples consen- dade de materiais para que os conteúdos possam
timento, ou por modinha, mas pela con- ser tratados da maneira mais ampla possível e que
cordância coerente, refletida, praticada. Seja um seja acessível ao maior número de alunos;

e)
professor reflexivo (PIMENTA, 2006). Você, professor(a), tem a liberdade de seguir
Desta forma, você será capaz não só de utilizar as os mais variados métodos de ensino e oferecer
histórias em quadrinhos, mas todas as novas mí- a seus alunos uma diversidade de experiências de
dias e tecnologias de comunicação disponíveis ou aprendizagem. Usufrua dessa diversidade para per-
atraentes a seus alunos; ceber que as HQs possuem elementos bastante úteis

C)
Seja constantemente um professor-apren- que podem ser utilizados facilmente na sua prática
diz. Mantenha um compromisso ético do educativa, podendo ser trabalhadas concomitante-

25
trabalho que desenvolve junto aos seus alunos mente com as várias disciplinas, tornando facilitado-
no cotidiano escolar. Dessa forma, você estará ras do processo de ensino e aprendizagem;
f) j)
A utilização das HQs no espaço escolar é antes Tente criar projetos para desenvolver o
de tudo um compromisso criativo seu trabalho com quadrinhos. A Pedagogia
com o fazer pedagógico e domínio metodológico de Projetos pode ajudá-lo a ter uma visão
do conteúdo a ser trabalhado com seus alunos; diferente do que seja conhecimento e colaborar

g)
Ajude seus alunos a decodificarem as ima- para um planejamento diferenciado do seu tra-
gens e a interpretar as ideias presentes nas balho na escola.
HQs, pois a alfabetização por meio da imagem (e
Práxis: é a possibilidade de
não apenas das letras presentes nos balões) am- enfrentamento crítico frente aos
plia o horizonte educativo e favorece a construção desafios postos pelo cotidiano por meio
e consolidação de muitos saberes; da da autorreflexão da prática.

h)
Incentive na sua escola a formação de
gibitecas, ou seja, uma biblioteca com- Pedagogia de Projetos: concepção
posta por gibis e outros materiais contendo a lin- de ensino que desperta uma maneira
guagem dos quadrinhos. Um bom acervo integra- diferente de suscitar a compreensão
do com o trabalho pedagógico pode proporcionar ao dos alunos sobre os conhecimentos que
professor(a) uma práxis mais rica e lúdica, além de circulam fora da escola e de ajudá-los a
incentivar uma cultura leitora entre os alunos; construir sua própria identidade. Nesse

i)
Utilize as HQs como forma de abordar diferen- sentido, é mais do que uma técnica
tes temas e conteúdos, inclusive, os que estão para transmissão dos conteúdos, pois
para além do currículo oficial, tais como semana promove uma mudança na maneira de
pensar e repensar a escola e o currículo
do meio ambiente, da consciência negra, etc.,
na prática pedagógica.
permitindo uma aproximação da identidade e das
experiências dos alunos, dos conteúdos escolares
entre si e com os conhecimentos e saberes produ-
zidos na sociedade e cultura;

m a m ã o n a m a s sa!
6. co
Vamos agora disponibilizar para você 3 ideias
de projetos que poderá desenvolver em sua es-
a) Projeto Nona Arte
Transforme a sua sala de aula em uma sala de
cola. Não apresentamos aqui uma receita, apenas
leitura (caso isso não seja possível por conta do
uma orientação. Sinta-se à vontade para adaptar
espaço físico, use a biblioteca da escola)!
cada proposta a sua realidade local ou mesmo
A partir de um tema escolhido democratica-
para criar novas, a partir das leituras que sugeri-
mente pela turma, traga revistas em quadrinhos
mos como referências bibliográficas, conteúdo
de diversos estilos, personagens, formatos (caso
extra da Biblioteca Virtual ou da sua leitura
o acervo de quadrinhos da sua escola ou gibite-
pessoal de quadrinhos:
ca não satisfaça, peça para os alunos levarem para
a sala os exemplares que eles tenham em casa).
Oriente seus alunos para que tenham uma atenção
26
especial em associar imagem/palavra tentando es-
tabelecer relações entre o tema escolhido e a his-
b) Projeto H -Texto
Nesse projeto, o objetivo é despertar nos alu-
tória lida. Depois das leituras realizadas, estimule a
nos o interesse pela leitura e criação de tex-
criação de outras produções (tais como HQs, pai-
tos por meio da leitura de HQs, refletindo
néis, maquetes, exposições em seminários na sala
criticamente fatos da atualidade. O(a) professor(a)
de aula, dramatizações etc.) como forma de sínte-
deverá escolher o quadrinho que melhor se encaixe
se dos conteúdos consultados, enfatizando sempre
no tema que pretende discutir com os alunos. Em
a criticidade. Esse tipo de projeto estimula a au-
sala de aula (ou outro ambiente que julgue melhor
tonomia de ações no aluno, incentiva a capacidade
adaptado para tal atividade), deverá ler a história
de troca com o outro, proporciona a construção do
com os alunos (uma dica é digitalizar o quadrinho
conhecimento dos educandos através do uso da
para projetar com o auxílio de um data-show na
história em quadrinhos e a produção de materiais
lousa ou parede). Assim como no projeto anterior,
como: vídeos, folders, maquetes e fotos e novas
oriente seus alunos para que tenham uma aten-
histórias em quadrinhos. No final do projeto, em
ção especial em associar imagem/palavra de forma
conjunto com a escola, pode-se organizar a cada
crítica, tentando sempre trabalhar os conceitos en-
ano uma Mostra ou Exposição, como forma de so-
contrados nas histórias com exemplos da realidade
cializar a produção dos alunos.
(
vivida pelos alunos (aplicabilidade concreta).
Ao final, peça que os alunos sintetizem os aprendi-
zados na forma de produção de texto. Esses textos
poderão ser publicados no jornal da escola ou em
um fanzine (teremos um fascículo falando sobre
esse tipo de material) produzido pela turma.

c) Projeto Gibiteca
Esse projeto é para aquelas escolas que pos-
suem um acervo muito pequeno (ou nenhum) de
histórias em quadrinhos (gibis, álbuns, graphic no-
vels etc.) e desejam ampliar ou criar um repertório
da Nona Arte no ambiente escolar. Ao introduzir
uma gibiteca, você acabará estimulando os alu-
nos a procurarem os quadrinhos para a realização
das atividades escolares (ou mesmo para a simples
fruição), colaborando na formação de leitores crí-
ticos e criativos. Comece com o básico: uma ou
duas estantes, uma mesa e uma cadeira. Depois,
comece a divulgar o projeto na escola e na comu-
nidade na qual ela está inserida (as redes sociais e
criação de blogs pode ajudá-los a alcançar a co-
munidade). Peça doações aos alunos, professores,
funcionários e à comunidade em geral.

27
SAIBA MAIS
sa campanha de
GIBIT ECA ESCOLAR: Es
de uma gibiteca
criação ou ampliação
ter apoio da diretoria
escolar pode e deve
tecário(a) da escola.
(gestão) e do(a) biblio
incentivo, na
A direção au xiliará no
io e do espaço (pode
disposição de mobiliár
da biblioteca),
ser no mesmo espaço
s disponíveis para
além de comprar título
. Os bibliotecários
incre mentar o acervo
icamente a seleção e
orientarão metodolog
material. No entanto,
a catalogação desse al,
tiver esse prof ission
quando na escola não
não espere!

iado:
irá rec eb er de sd e caixas fe- Sobre o voluntar
Acredite: você exemplares sur- Esses aluno r sua ação,
s voluntários,
rev ist as se m ino va s a
chadas com les antes de inicia
ca pa . Re ce ba TUDO! Com aque r um TERMO,
ra do s e se m
do s, inc om ple to s e sem deverão assina , de
exemplares malconse
rva
na pr óp ria conforme a Lei nº 9.608
ar um a ofi cin a 19 98 .
capa, você pode até cri 18 de fevereiro de
o co m os alu no s, pa ra a cria- delo do Termo
gibiteca, em conjunt ou ca rto lin a, alé m O Mo tariado pode
l ca rtã o de Volun
ção de capas de pape is do ac er-
se preciso . De po ser encontrado em sua
de favorecer recortes, qu e
o (e isso não sig nifi ca Biblioteca Virtual no
vo montado e organizad liv ro de AVA – evitando que a
escola
doações) crie um
você deve parar de pedir da s co m qu estões
pr és tim os pa ra co nt rolar a entrada e a saída tenha problema
plo raç ão
em ex
e um liv ro de reg ist ro de doações. Quando trabalhistas e de a escola
revistas for- de menor. Ao final,
, crie essa mesma plata
possível, e se necessário s em ve rsã o digital, deve fornecer a de
claração
e do aç õe aluno.
ma de empréstimos ar um his tó ric o e desse voluntariado ao
rm a a cri
no computador, de fo ),
to de ssa leitura. O(a) professor(a
acompanhamen io-
r do projeto, pode selec
enquanto coordenado em co la-
e se interessem
nar alunos da escola qu a-
ra r co m o fu nc ion am ento da gibiteca, na qu
bo s por
io, uma ou duas veze
lidade de voluntár la.
o ou no intervalo de au
semana, no contraturn os
gibitecas abre caminh
Lembre-se: a criação de tím ulo ao
vos leitores e es
para a formação de no
gosto pela leitura.
28
a e s a i b a m a is!
lei
(org.). Histórias em
ina Co sta ; AL CÂ NTARA; Cláudia Sales
PEREIRA, Ana Ca rol Reflexão, 2016.
int erd isc ipli na rid ad e e educação. São Paulo:
Quadrinhos: de Docente. São
(Or g). Sa be re s Pe dagógicos e Ativida
PIMENTA, S. G.
Paulo: Cortez, 1999. Paulo: Cortez, 2004.
LIM A, M. S. L. Es tá gio e Docência. São
PIMENTA, S. G.;

29
c o n s id e r a ç õ e s f inais
7.
-
e ainda existe um gran
Sabemos, contudo, qu hos
tamos as histórias em rrido até que os quadrin
Neste fascículo, apresen l de de caminho a ser perco o, pr e-
ução artística e cultura representem de fato um
recurso expressiv
quadrinhos como prod e ais.
de infl uê nc ia na so ciedade, na pedagogia nt e no s m ais div er so s ambientes educacion
gr an exão se on-
essa que permite a refl forma como vários prec
no currículo, produção ltu ral Entretanto, da mesma e co m
e riqueza histórico-cu ceitos foram superados
ao longo do tempo
sobre valores, atitudes a pe-
o interdisciplinar para um tu dos sérios a respeito, es
e que contribui de mod n- au xíl io de div er so s es
m
e mais prazerosa do s co ais os quadrinhos possa
compreensão reflexiva ramos que cada vez m ais
acolhidos por profission
teúdos escolares. chegar às salas de aula, ivi-
s valor por meio da criat
dispostos a agregar-lhe e e pe los
u trabalho docent
dade e empenho de se on -
no s, em bu sc a de novas e engenhosas “p
alu
e o conhecimento.
tes” para a informação
e em uma sociedade
LEMBRE-SE: você viv de-
co ns ta nt e m ud an ça . Diariamente, você é
em mitir
da sala de aula, a trans
safiado, dentro e fora us
a colaborativa com se
conhecimento de form es-
, a arte sequencial, expr
alunos. Nesse contexto (1 99 9,
nista Will Eisner
são utilizada pelo cartu s,
histórias em quadrinho
p.16) para definir as io
celente opção no auxíl
pode se tornar uma ex s de in-
as e nos processo
das práticas pedagógic
NTE!
tervenção didática. TE

30
referên
cias
BRASIL. Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros EISNER, W. Quadrinhos e Arte Sequencial. São Paulo:
curriculares nacionais: Língua Portuguesa /Secretaria de Martins Fontes, 1999.
Educação Fundamental. – Brasília: Ministério da Educação. LIMA, Maria Socorro Lucena. Reflexões sobre o Estágio/
1997. 144p. Prática de ensino na formação de professores. Rev.
_____. Conselho Nacional de Educação. Resolução CNE/ Diálogo Educacional, Curitiba, v. 8, n. 23, p. 195 205,
CP nº1, de 18 de fevereiro de 2002. Diretrizes curriculares jan./abr. 2008.
nacionais para a formação de professores da educação bási- LUYTEN, Sonia M. Bibe. Histórias em Quadrinhos: leitu-
ca, em nível superior, curso de licenciatura, de graduação ple- ra crítica, São Paulo: Paulinas, 1985.
na. Brasília, 2001. Disponível em http://www.mec.gov.br/cne.
PIMENTA, S. G. Estágio na Formação de Professores:
_____. Conselho Nacional de Educação. Parecer CNE/CP unidade teoria e prática . 7. ed. São Paulo: Cortez, 2006.
nº 3, aprovado em 21 de fevereiro de 2006. Diretrizes cur-
riculares nacionais para a formação de professores da edu- VIDAL, Eloísa Maia. Et al. Educação, Informática e
cação básica, em nível superior, curso de licenciatura, de Professores. Fortaleza: Edições Demócrito Rocha, 2002.
graduação plena. Brasília, 2001. Disponível em http://www.
mec.gov.br/cne.

31
cláudia sales (Autora)
graduada em Arquitetura e Urbanismo, pela Universidade Federal do Ceará (UFC), e em Pedagogia, pela Universidade
Metodista de São Paulo. Atualmente, atua como professora de Projeto Arquitetônico nos cursos de Arquitetura e
Urbanismo no Centro Universitário Católica (Unicatólica), em Quixadá – CE e Centro Universitário Estácio Centro, em
Fortaleza-CE. É mestre e doutora em Educação Brasileira, pela UFC. Concluiu o pós-doutorado no Programa de Pós-
Graduação em Educação da Universidade Estadual do Ceará (Uece), estudando o uso das histórias em quadrinhos no
Ensino Superior e a formação de professores dos cursos de Arquitetura e Urbanismo de Fortaleza.

CRISTIANO LOPEZ (Ilustrador)


desenhista, Ilustrador e quadrinista. É desenhista-projetista do Núcleo de Ensino a Distância da Universidade de Fortaleza e
ilustrador e chargista freelancer para o jornal Agrovalor, revista Ponto Empresarial (Sescap-CE) e Editora do Brasil.

Este fascículo é parte integrante do projeto HQ Ceará 2, em decorrência do Termo de Fomento celebrado entre a Fundação Demócrito Rocha (FDR) e a Prefeitura Municipal de
Fortaleza, sob o nº 001/2017.

Expediente
FUNDAÇÃO DEMÓCRITO ROCHA João Dummar Neto Presidência | Marcos Tardin Direção Geral | UNIVERSIDADE ABERTA DO
NORDESTE Viviane Pereira Gerência Pedagógica | Ana Paula Costa Salmin Coordenação Geral | CURSO QUADRINHOS EM SALA DE AULA:
Estratégias, Instrumentos e Aplicações Raymundo Netto Coordenação Geral, Editorial e Preparação de Originais | Waldomiro Vergueiro
Coordenação de Conteúdo | Amaurício Cortez Edição de Design | Amaurício Cortez, Karlson Gracie e Welton Travassos Projeto Gráfico |
Dhara Sena Editoração Eletrônica | Cristiano Lopez Ilustração | Emanuela Fernandes Gestão de Projetos | ISBN 978-85-7529-853-4 (coleção) e
978-85-7529-855-8 (volume2)

Todos os direitos desta edição reservados à:

Apoio Realização
Av. Aguanambi, 282/A - Joaquim Távora
CEP 60055-402 - Fortaleza- Ceará
Tel.: (85) 3255.6037 - 3255.6148 - Fax: 3255.6271
fdr.org.br | fundacao@fdr.com.br