You are on page 1of 11

A relação entre a pessoa com deficiência e o ambiente social: a inclusão

como ferramenta dialética

1. Uma visão Vygotskyana de deficiência

Vygotsky fundamenta suas teorias visando o potencial dos sujeitos e


demonstra como mesmo aquilo que é considerado pela sociedade como um
déficit ou uma limitação pode ser uma fonte riquíssima de aprendizado e
desenvolvimento. De acordo com Vygotsky(1989):

O resultado de um defeito é invariavelmente duplo e


contraditório. Por um lado, ele enfraquece o organismo, mina suas atividades e age
como uma força negativa. Por outro lado, precisamente porque torna a atividade do
organismo difícil, o defeito age como um incentivo para aumentar o desenvolvimento
de outras funções no organismo; ele ativa, desperta o organismo para redobrar
atividade, que compensará o defeito e superará a dificuldade. Esta é uma lei geral,
igualmente aplicável à biologia e à psicologia de um organismo: o caráter negativo de
um defeito age como um estímulo para o aumento do desenvolvimento e da atividade.

A defectibilidade do organismo não pode ser considerada como uma


limitação puramente quantitativa. O que Vygotsky considera em sua obra como
defeito (e que hoje em dia chamamos simplesmente de limitação ou
impedimento) tem um caráter qualitativo e não quantitativo:
A criança cujo desenvolvimento se há complicado por um
defeito, não é simplesmente menos desenvolvida que seus
coetâneos normais é uma criança desenvolvida de outra forma.

(Vygostky, 1989, p. 3)

Então, não é possível comparar o desenvolvimento de uma criança com


alguma limitação com o desenvolvimento de uma criança que não tem nenhum
impedimento. O desenvolvimento de uma criança com debilidade mental, por
exemplo, tem características específicas que o desenvolvimento da criança
“normal” não possui. Assim como existe uma transformação da etapa do
balbucio até a etapa da linguagem formal - uma transformação,em sua
essência qualitativa - assim é qualitativamente diferente, por exemplo, a
formação do pensamento na criança surda relativamente à criança normativa.
Isso quer dizer que são inutéis conceitos como atraso ou retardamento mental.
O desenvolvimento de uma criança com debilidade mental não está atrasado
pois esse conceito de atraso se refere a uma comparação com o
desenvolvimento normal. A criança com debilidade mental se desenvolve num
ritmo próprio, único, com qualidades específicas que não estão presentes no
desenvolvimento da criança normal.

Todo defeito ou limitação orgânica cria dentro do próprio organismo os


estímulos necessários para sua compensação. Portanto quando se considera
uma criança com um defeito ou limitação não basta simplesmente
observar a deficiência em si e o grau de dificuldade que ela causa no
organismo, mas é necessário, principalmente observar os efeitos
compensatórios que essa deficiência promove nessa criança e qual a natureza
desses processos.Uma pessoa que nasce com cegueira congênita será
provavelmente uma pessoa que irá desenvolver mais intensamente outros
sentidos como o tato e a audição. Assim funciona o defeito no organismo,
sempre há um caráter compensatório e o papel da educação especial pode
serjustamente explorar a naturezadessas compensações para auxiliar o
desenvolvimento da criança com deficiência através de recursos e
adaptaçõesno meio social onde esta criança está inserida.

O desenvolvimento de uma criança com uma limitação ou impedimento


normalmente exige uma reestruturação completa de todo o processo de
orgânico de desenvolvimento que vai se equilibrar sobre novas bases. Um dos
principais problemas nesse processo, portanto, não é o desenvolvimento em si,
e sim que esse desenvolvimento irá se encontrar fora dos padrões culturais
considerados normais fazendo com que essa criança talvez se veja isolada
cultural e socialmente. O “defeito” cria sim certa dificuldade para o
desenvolvimento orgânico, o que o próprio organismo compensa de variadas
maneiras, mascausa, sobretudo, dificuldades de inserção cultural visto que o
ambiente social muitas vezes exclui tudo aquilo que é diferente ou está fora de
um padrão pré-estabelecido.
A criança com deficiência precisa, portanto, de um ambiente cultural e social
modificado, com recursos que a auxiliem no seu desenvolvimento único. Um
exemplo desses recursos é, por exemplo, a linguagem de sinais dos surdos, o
Braille como forma de leitura e escrita para cegos e a comunicação alternativa
para as crianças com autismo e outros problemas de fala. Outrofator
importante em termos de adaptações sociais necessárias para o
desenvolvimento da criança com deficiência é a própria questão do preconceito
que estão intimamente ligados com os padrões de normalidade de uma
sociedade.

2. A construção social do sujeito

O social tem um papel fundamental na construção do sujeito sendo que as


relações da criança com o meio e também o professor como mediador tem um
papel importante, pois é através da mediação que essa ponte entre o sujeito
com deficiência e o ambiente será estabelecida.
Segundo Vygotsky(1984) a interação entre o sujeito e o ambiente é
dialética:essa relação é uma via de mão dupla, o sujeito influencia no meio e o
meio influencia no sujeito. A meio através do qual se dá essa relação dialética
entre o sujeito e o meio que o cirunda na visão Vygotskiana é o signo. O signo
se materializa nas relações sociais através do que o sociólogo francês Pierre
Bourdieu chamaria de estruturas estruturadas e estruturantes. Essas estruturas
mantém uma relação dialética com a realidade sendo que são formadas e
estruturadas pela realidade social e também estruturam e constróem a
realidade social numa interação retroalimentada e dinâmica.
Todos os processos psicológicos superiores nos termos de Vygotsky (1984)
são funções formadas socialmente e não funções isoladas do desenvolvimento
do organismo humano. A internalização dos sistemas de signos socialmente
produzidos é um processo que transforma o indivíduo e constrói uma
identidade social. Um exemplo de um sistema de signos socialmente
construido e completamente pervasivo é a linguagem. A aquisição da
linguagem é um processo que transforma qualitativamente a construção do
sujeito dentro da sociedade e a construção desse sujeito passa com certeza
pelo prisma do que a sociedade considera normal ou patológico, sendo que
isso pode variar muito de cultura para cultura. A sociedade em que vivemos
necessita urgentemente de uma mudança de paradigma que permita a inclusão
de minorias historicamente excluídas e uma dessas minorias são as pessoas
com deficiência.

3. O paradigma social de normalidade: a estigmatização e


patologização do desvio

A questão da normalidade na nossa sociedade é complexa, o que é


considerado normal e o que é considerado patológico ou desviante e quais os
limites que separam um estado do outro são linhas tênues.
Canguilhem (2010) contraria o pensamento dominante na época da sua obra
“O normal e o patológico” (1943) que dizia que o normal era apenas uma
variação quantitativa do patológico, representando um continuum entre um e o
outro. Para Canguilhem o normal e o patológico são variações qualitativas e
cada um desses estados possuem características específicas que transformam
o indivíduo. Para o autor o patológico não poderia ser definido por uma
anormalidade pois mesmo a patologia se definia por uma certa norma. O que é
considerado patológico, portanto, é uma maneira qualitativa de viver com as
suas próprias características.
Um indivíduo pode ser considerado normal em um determinado contexto
e anormal em outro contexto, e essa norma social varia ao longo do tempo e
também para cada indivíduo que teria a sua própria concepção do que é
normal para si mesmo, mas basicamente ser normal é estar em harmonia e
conseguir adaptar-se ao meio, mas esse meio no sentido de ser um contexto
cultural, pode variar. Canguilhem fala como uma mutação genética pode ser
considerada um desvio apartir de um tipo específico mas posteriormente pode
vir a ser considerado a norma.
Para Gilberto Velho (2003), o problema dos desviantes na sociedade sempre
foi encarado de uma maneira patologizante que busca sempre distinguir aquilo
que é “são” daquilo que é “insano” (Velho, 2003, p.11). O desviante é o
indivíduo que funciona de forma patológica na perspectiva da sociedade, é o
sujeito que não está adaptado às normas sociais. A noção de desvio pressupõe
a existência de um comportamento ideal, e esse ideal é baseado nas
exigências de funcionamento de um sistema social (Velho, 2003, p. 17). Velho
aponta como Ruth Benedict e Margareth Mead colocam que o desviante é algo
característico de uma cultura específica, e o que é desviante em uma cultura
pode não ser desviante em outra.
Para Becker (2009):

Todos os grupos sociais fazem regras e tentam, em certos


momentos e em alguma circunstância impô-las. Regras sociais
definem situações e tipos de comportamento a elas apropriados,
especificando algumas ações como certas e proibindo outras
como erradas. Quando uma regra é imposta, a pessoa que
presumivelmente a infringiu pode ser vista como um tipo
especial, alguém de quem não se espera viver de acordo com as
regras estipuladas pelo grupo. Essa pessoa é encarada como
uma outsider (Becker, 2009, p. 15).

O desviante é portanto um outsider, um indivíduo que se desvia das regras de


um grupo específico, aquele que se afasta com relação à uma norma, ou a
média e que pode ser considerado patológico pela sociedade. O desvio é uma
transgressão de uma regra aceita, fruto de um consenso de regras específicas,
muitas vezes valores sociais (Becker, 2009).
Para Goffman (1988) é destoante qualquer indivíduo que não se adapte às
normas sociais e é caracterizado pelo desvio. O indivíduo que não está
adaptado e é parte de uma aceitação social plena vive uma situação de
estigma. O autor coloca como a sociedade estabelece maneiras de classificar
as pessoas e designar quais as características que são aceitas e consideradas
como naturais para os indivíduos de determinadas categorias (Goffman, 1988).
O estigmatizado social é o desacreditado, e Goffman estabelece diferentes
formas de desacreditamento na sociedade com relação a anormalidades
físicas, anormalidades de caráter e estigmas de raça, nação e religião. Pode-se
dizer que o estigma é a marca que carrega o indivíduo que é desacreditado de
que possa cumprir seu papel dentro de uma perspectiva de dramaturgia social.
Ele é considerado pela sociedade como um inútil, um destoante, um desviante,
um outsider.
Para Foucault (1975) o que é considerado como patologia mental não pode
ser analisado segundo os mesmos métodos aplicados às patologias orgânicas
e os postulados que se utilizam de uma metapatologia como uma unidade
entre as diversas formas de doença incorrem numa generalização que não se
aplica na prática, para o autor é preciso analisar as especificidades da
condição de patologia mental.
Foucault (1975) apresenta o conceito de patologia sob uma luz mais positiva, e
coloca a ideia de que a patologia mental na verdade é o afastamento da média
no sentido que essas condições marcam ou anunciam novas fases de
desenvolvimento dentro de uma trama evolutiva através de um retrocesso à
níveis arcaicos. Para Foucault o que chamamos de doença mental tem uma
lógica própria que precisa ser decifrada. Para o autor na nossa sociedade o
patológico existe pois estados perturbados do indivíduo são considerados
como desviantes e são passíveis de estigmatização e exclusão. O doente para
o ocidente moderno é um desviado, o que não aconteceem outras sociedades,
como o exemplo que dá do xamã entre os zulu, o indivíduo para se tornar xamã
passa por um processo de fragilização e está sujeito a toda sorte de
perturbações físicas e mentais. Essa perturbação do indivíduo é aceita
socialmente entre os zulu e cumpre um papel social específico, mas na nossa
sociedade o indivíduo perturbado é simplesmente excluído e estigmatizado.
Aquilo que não é aceito pela sociedade como normativo (segundo suas
próprias normas que variam muito de cultura para cultura) é na maioria das
vezes patologizado, medicalizado, estigmatizado ou excluído do âmbito social.
Mas o fato que uma certa condição pode ser considerada patológica numa
determinada sociedade e normal ou socialmente aceita em outra só demonstra
como a normalidade é um conceito construído socialmente e algumas
sociedades são mais inclusivas permitindo que a pessoa com impedimentos
tenha um papel social relevante. Esse é um grande desafio para as sociedades
ocidentais, questionar e desconstruir paradigmas sociais ultrapassados e
permitir cada vez mais que os indivíduos considerados desviantes, anormais ou
patológicos tenham um papel social digno que permita o desenvolvimento do
seu senso de pertencimento, cidadania e seus potenciais únicos para que
dessa forma possam contribuir socialmente ao invés de serem marginalizados.
A relação entre o sujeito com deficiência e o ambiente deve ser visto de
maneira dialética, ou seja, deve haver a inclusão do sujeito com deficiência nos
processos históricos da sociedade o tirando da margem, do desvio e do
estigma social e o colocando numa posição em que possa ser protagonista das
sua história, crescendo ainda mais com essa dinâmica dialética de interação
com o meio. Todo indivíduo está sujeito ao processo dialético de interação com
o meio, mas o indivíduo excluído e estigmatizado tem uma interação com o
meio social que constantemente o joga para a margem. Segundo
Vygotsky(1984) a relação dialética entre sujeito e ambiente se dá através dos
signos que como já foi dito são construções sociais. A própria linguagem, como
constructo social simbólico pode, portanto, ser um mecanismo de exclusão e
estigmatização da pessoa com deficiência. Cabe a sociedade, portanto, se
abrir para o fluxo dialético com a pessoa com deficiência, se permitindo ser
afetada por essa relação e modificando as suas estruturas apartir dessa
interação de modo a permitir uma inclusão cada vez mais abrangente.

4. O defeito e a sua compensação

Já dizia Nietzsche, “o que não me mata me torna mais forte”. Para Vygotsky
(1989) a própria debilidade faz surgir no indivíduo com deficiência uma força
enorme e aptidões completamente novas. É como se a insuficiência orgânica
criasse um mecanismo de compensação que favorece assim o
desenvolvimento da psique transformando o defeito em inteligência, em saúde,
capacidade e talento. Há inúmeros exemplos que podem ser citados, mas um
dos mais célebres é Beethoven, que apesar de perder progressivamente a sua
audição ao longo dos seus anos de vida, compôs as mais inacreditáveis
sinfonias.
Isso significa dizer que existem mecanismos internos no organismo da pessoa
com deficiência que permitem que ela supere o seu impedimento orgânico,
mas seu processo de compensação nem sempre é reconhecido socialmente
como uma qualidade apreciável ou útil socialmente. Uma pessoa com
deficiência visual, por exemplo, nunca terá uma compensação relacionada com
a sua visão faltante, mas esta pode ser uma pessoa com um sentido de olfato
extremamente bem desenvolvido, muito mais do que a média da população. A
questão é se existe espaço e papel social na nossa sociedade para uma
pessoa com um olfato super apurado ou então um intenso senso de tato?Até
podemos pensar em alguns exemplos, mas as possibilidades para alguém com
deficiência ainda são muito limitadas.
Acredito que o papel da inclusão também seja proporcionar às pessoas com
deficiência mais espaços onde elas possam desenvolver plenamente seus
potenciais únicos utilizando recursos como tecnologias assistivas, ajudas
técnicas e recursos pedagógicos adaptados.
A inclusão, na minha concepção, deve ser uma ferramenta não apenas de
integração da pessoa com deficiência na sociedade. Inclusão significa também
criar espaços específicos na sociedade onde a pessoa com deficiência seja
capaz de desenvolver suas habilidades compensatórias únicas e não apenas
utilizar tecnologias e recursos que permitam à pessoa com deficiência se
adaptar às estruturas de sociedade existentes.

5. A inclusão como ponte dialética entre o sujeito com deficiência e a


sociedade

A segregação: institucionalização em asilos e manicômios, a medicalização e a


exclusão e marginalização generalizada sempre foi a resposta da sociedade
àqueles que ela considera desviantes do padrão instaurado de normalidade.
Não havia, portanto, espaço para o diálogo entre as necessidades específicas
da pessoa com deficiência e a sociedade como um todo. A sociedade não
estava aberta para o fluxo dialético da mudança em relação àqueles que não
se adaptavam às necessidades socialmente ditadas. O acesso à educação
pelas pessoas com deficiência é um fenômeno relativamente recente. Esse
acesso se deu primeiramente através de um processo integrativo, ou seja, a
criação de instituições específicas destinadas à educação dessas pessoas.
Com o tempo foram surgindo críticas à esse modelo educativo que acabava
por favorecer ainda a segregação.O termo inclusão escolar começou a
aparecer apenas na década de noventa se referindo à idéia de incluir os alunos
com deficiência na classe comum.
É possível compreender a inclusão como uma ferramenta dialética de
transformação tanto dos indivíduos como social.
Compreender a realidade através de uma lente dialética é perceber
principalmente duas coisas acerca do mundo: primeiro, ele está em constante
movimento; segundo, a realidade é essencialmente negativa.
Essa realidade está sempre em oposição ao sujeito que tenta constantemente
superar o estado em que se encontra e alcançar o próximo estágio,
transformando-se e incorporando qualidades diferentes do estágio anterior em
um fluxo triádico: tese, antítese e síntese.
A partir do momento em que o sujeito com deficiência é incluído na sociedade
através de uma adaptação desenhada especificamente para que ele consiga
participar da sociedade da maneira como ela está, essa sociedade também
começa a se modificar a partir das qualidades específicas desse sujeito
incluído. O sujeito com deficiência marginalizado e excluído é a própria antítese
de um status quo que privilegia somente aquilo que é normativo e padrão. O
processo de inclusão da pessoa com deficiência seria a síntese, que se
encaminha para uma nova tese: um novo paradigma social onde não apenas o
indivíduo com deficiência possa ser incluído através de adaptações, mas que
essa sociedade também possa cada vez mais se adaptar aos indivíduos não-
normativos criando novos espaços e novos papéis sociais para que o sujeito
com deficiência consiga se desenvolver de sua maneira única, explorando todo
seu potencial de contribuição social.
Além da compensação orgânica do indivíduo com deficiência, Vygotsky (1984)
também fala da importância do ambiente social no desenvolvimento dessas
crianças. Se as funções psicológicas superiores, como linguagem, para
Vygotsky é uma construção social, dessa forma, uma criança que nasce com
um defeito orgânico necessita de uma interação específica, uma compensação
por parte do ambiente social no qual ela está inserida para que assim possa se
desenvolver em sua totalidade. Essa compensação social seria justamente a
inclusão da pessoa com deficiência nas atividades laborais e nos diferentes
espaços de atividade cotidianas da sociedade para que assim ela possa se
desenvolver melhor. Para Vygotsky, portanto, a deficiência não é um problema
a ser resolvido, curado, medicalizado ou institucionalizado. A deficiência é um
problema social. A mudança do paradigma educacional da sociedade, portanto
se faz de extrema importância para que ocorra a inclusão da pessoa com
deficiência.
6. Conclusão

Nesse ensaio abordo a visão Vygotskyana de deficiência que dá à ela um


caráter qualitativo e não quantitativo. O desenvolvimento da criança com
deficiência não é um desenvolvimento restrito ou retardado, ele é um
desenvolvimento que se dá sobre bases orgânicas diversas e, portanto
qualitativamente diferente. Enxergar a deficiência como parte da diversidade
humana me levou a questionar àquilo que a sociedade considera normal e o
que ela considera patológico ou desviante e os mecanismos de exclusão de
tudo que foge do padrão através da estigmatização.
Para superar a exclusão é necessário perceber como o sujeito é uma
construção social e, portanto o desenvolvimento desse sujeito (que se dá sobre
bases orgânicas, mas principalmente bases sociais) depende muito do
ambiente onde ele se encontra, e a exclusão social apenas agravaria os
impedimentos orgânicos ao desenvolvimento dessa criança.
Minha idéia principal nesse ensaio é conceber a inclusão não apenas como
uma ação transformativa que favorece o desenvolvimento do indivíduo com
deficiência mas também como uma ferramenta dialética de transformação dos
paradigmas sociais vigentes.
Bibliografia:

Becker, Howard. Outsiders: estudos de sociologia do desvio. Rio de


Janeiro,Zahar, (2009).

Bourdieu, Pierre. "O poder simbólico. 1989." Rio de Janeiro: DIFEL


(1989).

Canguilhem, Georges. O Normal e o patológico. Rio de Janeiro:


Forense Universitária, (2010).

Foucault, Michel. Doença Mental e Psicologia. 2a. ed. Rio de Janeiro:


Tempo Brasileiro (1975).

Goffman, Erving. Estigma: notas sobre a manipulação da


personalidade deteriorada. Rio de Janeiro, LTC (1988).

Velho, Gilberto. Desvio e divergência: uma crítica da patologia social.


Rio de Janeiro, Zahar, (2003).

Vygotsky LS. Obras completas. Tomo cinco: Fundamentos de


Defectologia. Havana: Editorial Pueblo Y Educación;(1989).

Vygotsky, Lev Semenovich. "A formação social da mente." São Paulo


3 (1984).