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Quem roçar na minha geração sabe o que é um salão de máquinas de arcade.

Sabe, se for uma pessoa normal e dentro do target deste blog, certamente, como
é passar intervalos ou uma tarde livre de aulas (ou não) fechado num salão
agarrado a um Bubble Bobble, Shinobi, New Zealand Story ou Rainbow Islands,
só para mencionar alguns. Sabe o que é ser expulso dos salões por ainda não ter
idade para os frequentar, sabe o que é poupar no lanche para gastar na jogatana,
sabe jogar snooker e setas, sabe truques e maroscas e enganar o responsável do
salão de jogos e sabe, acima de tudo, escrever o nome completo com apenas 3
letras e com orgulho.
A minha adolescência ficou profundamente marcada pelos salões de jogos e
pelos clássicos de arcade. Mesmo depois com o computador pessoal e mais tarde
com as consolas, a tendência foi sempre procurar as versões e as adaptações dos
jogos de arcade, infelizmente na sua maioria muito pouco fieis aos originais. Esta
minha vivência explica também em parte porque é que o 3D ou os jogos com
estratégia nunca me fascinaram particularmente, acho que fiquei viciado na
satisfação imediata que só um jogo de máquina (cujo principal objectivo é
maximizar o investimento por quantidade de tempo) pode dar. Ainda hoje, e
percebo que isto seja uma autêntico sacrilégio para os mais novos, posso dizer
que me dá mais gozo jogar uma boa partida de Outrun em 15 minutos do que
aprender a jogar, ou jogar, GTA, e que o Spore me fascina muito mais pelos
aspectos técnicos e científicos da obra do que pelo jogo em si (provavelmente
nunca o vou jogar). E com isto choquei uma boa percentagem dos meus leitores,
imagino.
Quando deixei de ser um garoto (para aí por volta dos 30) tornou-se óbvio que
eu um dia tinha que ter uma genuína máquina de jogos de arcade em casa, a todo
o custo. Só que ter um trambolho destes em casa tem requisitos muito altos em
termos de espaço e devidas autorizações à alta autoridade para a harmonia da
estética caseira, vulgo AHEC. E foi portanto, e vejam a elegância com que faço a
ligação deste post com o post anterior, com a mudança para a casa nova que
concretizei a promessa.
O que se segue é uma espécie de making-of para o leitor curioso ou para
potencial interessado. Divirtam-se.