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Instituto de Geociências

Programa de Pós-Graduação em Geociências

UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL


INSTITUTO DE GEOCIÊNCIAS
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM GEOCIÊNCIAS

MONOGRAFIA DE QUALIFICAÇÃO AO DOUTORADO

GEOPARQUES MUNDIAIS DA UNESCO E O ADVENTO DA


GEOCONSERVAÇÃO PARA A SUSTENTABILIDADE:
ORIGEM, CONCEITOS E DESAFIOS DE IMPLEMENTAÇÃO
NA AMÉRICA LATINA

RODRIGO CYBIS FONTANA

ORIENTADORA – Profa. Dra. Carla Cristine Porcher

CO-ORIENTADOR – Prof. Dr. Rualdo Menegat

Porto Alegre – 2017


Programa de Pós-Graduação em Geociências - UFRGS
Av. Bento Gonçalves 9500 - Agronomia - Cx. P. 15.001 - Prédio 43.113 S-207B - 91509-900 - Porto Alegre – RS
Tel.: (051) 3316-6340 Ramais 6340/6332 FAX: (051) 3316-6340
E-mail: ppggeo@ufrgs.br
Instituto de Geociências
Programa de Pós-Graduação em Geociências

UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL


INSTITUTO DE GEOCIÊNCIAS
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM GEOCIÊNCIAS

MONOGRAFIA DE QUALIFICAÇÃO AO DOUTORADO

GEOPARQUES MUNDIAIS DA UNESCO E O ADVENTO DA


GEOCONSERVAÇÃO PARA A SUSTENTABILIDADE:
ORIGEM, CONCEITOS E DESAFIOS DE IMPLEMENTAÇÃO
NA AMÉRICA LATINA

RODRIGO CYBIS FONTANA

BANCA EXAMINADORA
Márcia Elisa Boscato Gomes
Profa. Dra. – Universidade Federal do Rio Grande do Sul

Nelson Luiz Sambaqui Gruber


Prof. Dr. – Universidade Federal do Rio Grande do Sul

Silvana Bressan Riffel


Profa. Dra. – Universidade Federal do Rio Grande do Sul

Monografia apresentada como


requisito parcial para a obtenção
do Título de Doutor em Ciências.

Porto Alegre – 2017


Programa de Pós-Graduação em Geociências - UFRGS
Av. Bento Gonçalves 9500 - Agronomia - Cx. P. 15.001 - Prédio 43.113 S-207B - 91509-900 - Porto Alegre – RS
Tel.: (051) 3316-6340 Ramais 6340/6332 FAX: (051) 3316-6340
E-mail: ppggeo@ufrgs.br
2

SUMÁRIO
1 MONOGRAFIA DE QUALIFICAÇÃO SOBRE O ESTADO DA ARTE DO TEMA DE
PESQUISA DA TESE.............................................................................................................6
1.1 Título .................................................................................................................. 6
1.2 Tema .................................................................................................................. 6
1.3 Resumo .............................................................................................................. 6
1.4 Revisão Bibliográfica com Análise Crítica .......................................................... 8
1.4.1 Desenvolvimento sustentável e novos desafios do século XXI .................. 8
1.4.2 Geodiversidade, geoconservação e patrimônio geológico ...................... 17
1.4.3 Metodologias de geoconservação pós 1990 ............................................ 32
1.4.4 Geoparques Mundiais da UNESCO e o advento da geoconservação
para a sustentabilidade .......................................................................................... 37
1.4.5 Implementação de geoparques e desafios na América Latina ................ 45
1.5 Conclusões Gerais ............................................................................................ 61
1.6 Referências....................................................................................................... 65
3

LISTA DE FIGURAS
FIGURA 1 - CAPA DO LIVRO EM INGLÊS (MEADOWS ET AL., 1972) E DO TRADUZIDO AO PORTUGUÊS. A PUBLICAÇÃO
DE LIMITES DO CRESCIMENTO QUESTIONOU O MODELO DE DESENVOLVIMENTO HUMANO EMPREGADO
DURANTE O SÉCULO XX. ............................................................................................................................ 8
FIGURA 2 - GRÁFICO DO PROCESSAMENTO-PADRÃO DO MODELO MUNDIAL, PARA O ANO DE 1972, NO QUAL
INTERAGEM CINCO ELEMENTOS BÁSICOS QUE DETERMINARIAM, OU LIMITARIAM, O DESENVOLVIMENTO
HUMANO (MEADOWS ET AL., 1972, P.124). ............................................................................................... 9
FIGURA 3 - CAPA DO LIVRO EM INGLÊS (WCED, 1987B) E DO TRADUZIDO AO PARTUGUÊS. NOSSO FUTURO COMUM
PROPÔS E POPULARIZOU O TERMO DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL. .............................................................. 10
FIGURA 4 - CAPA DO DOCUMENTO AGENDA 21: O PROGRAMA DE AÇÃO DA ONU A PARTIR DO RIO (UN, 1992), O
QUAL TROUXE AO DEBATE MUNDIAL A NECESSIDADE DE AÇÕES ARTICULADAS A PARTIR DO LOCAL, DE CADA
PAÍS, PARA ALCANÇAR UMA MUDANÇA GLOBAL. ........................................................................................... 11
FIGURA 5 -CAPA DO LIVRO EM INGLÊS (MEADOWS ET AL., 2004) E DO TRADUZIDO AO PORTUGUÊS ................................ 13
FIGURA 6 - CENÁRIO 1: UM PONTO DE REFERÊNCIA, O QUAL SUPÕE QUE NÃO HAJAM MUDANÇAS SIGNIFICATIVAS
NOS PADRÕES DE DESENVOLVIMENTO DA SOCIEDADE (MEADOWS ET AL., 2004, P.169) ..................................... 14
FIGURA 7 - POPULAÇÃO DO MUNDO: ESTIMATIVAS, 1950-2015, E PROJEÇÕES, 2015-2100 (UN-DESA, 2017,
P.2) .................................................................................................................................................... 15
FIGURA 8 - PROPOSIÇÃO DO ANTROPOCENO COM BASE EM ASSINATURAS ESTRATIGRÁFICAS QUE INCLUEM
COMPONENTES DA LITOESTRATIGRAFIA, BIOESTRATIGRAFIA E QUIMIOESTRATIGRAFIA (ZALASIEWICH ET AL.,
2012, P.1035)..................................................................................................................................... 16
FIGURA 9 - CAPAS DO LIVRO GEODIVERSITY EM SUA PRIMEIRA EDIÇÃO (GRAY, 2004) E EM SUA SEGUNDA EDIÇÃO
(GRAY, 2013). A PUBLICAÇÀO É TIDA COMO O PRIMEIRO MANUAL TÉCNICO ESPECÍFICO AO TEMA DA
GEODIVERSIDADE. .................................................................................................................................. 18
FIGURA 10 - SERVIÇOS ECOSSISTÊMICOS ABIÓTICOS ADVINDOS DA GEODIVERSIDADE (GRAY, 2013, DEPOIS DE DE
GROOT, 1992; EN, 2002; GRAY, 2004, 2011; E GRAY ET AL., 2013) .......................................................... 20
FIGURA 11 - ILUSTRAÇÃO ESQUEMÁTICA DOS BENS E SERVIÇOS DERIVADOS DA GEODIVERSIDADE (GRAY ET AL., 2013,
P.662). ............................................................................................................................................... 21
FIGURA 12 - ESQUEMA REPRESENTATIVO DOS FATORES ENVOLVIDOS NO RISCO DE DEGRADAÇÃO DOS ELEMENTOS DA
GEODIVERSIDADE (GARCIA-ORTIZ ET AL., 2014) .......................................................................................... 22
FIGURA 13 - EXEMPLOS DE DIFERENTES MAGNITUDES DE GEOSSÍTIOS NA REGIÃO DOS CÂNIONS DO SUL DO BRASIL. À
ESQUERDA, GEOSSÍTIO CÂNION FORTALEZA; À DIREITA, GEOSSÍTIO ÁCIDAS DE CAMBARÁ (EXTRAÍDAS DE
GODOY ET AL., 2012, P.458 E 487 RESPECTIVAMENTE). .............................................................................. 24
FIGURA 14 - MAPA DOS GEOSSÍTIOS INVENTARIADOS, DESCRITOS E PUBLICADOS PELA SIGEP (WINGE ET AL., 2013,
P.13) .................................................................................................................................................. 29
FIGURA 15 - MAPA DAS 19 PROPOSTAS DE GEOPARQUES CONCLUÍDAS E PUBLICADAS PELA CPRM (SCHOBBENHAUS
& SILVA 2012, P.7) ............................................................................................................................... 30
FIGURA 16 - PERÍODOS (SIC) DO TEMPO GEOLÓGICO QUE TESTEMUNHAM A EVOLUÇÃO DA VIDA NA TERRA E SUA
PROTEÇÃO INTERNACIONAL EM TERMOS DE SÍTIOS FOSSILÍFEROS DESIGNADOS COMO SÍTIOS DO PATRIMÔNIO
MUNDIAL, PARA 2005 (DINGWALL ET AL., 2005, P.10). .............................................................................. 33
FIGURA 17 - ESQUEMA DO PROCESSO DE SOLICITAÇÃO AO TÍTULO DE GEOPARQUE MUNDIAL DA UNESCO
(UNESCO, 2017, P.13) ........................................................................................................................ 47
FIGURA 18 - ESQUEMA (PG. 1 DE 2) DO DOCUMENTO DE SOLICITAÇÃO DA UNESCO QUE DEVE SER ENTREGUE PELO
GEOPARQUE NACIONAL ASPIRANTE AO TÍTULO INTERNACIONAL UNESCO, 2017, P.14) ..................................... 48
FIGURA 19 - ESQUEMA (PG. 2 DE 2) DO DOCUMENTO DE SOLICITAÇÃO DA UNESCO QUE DEVE SER ENTREGUE PELO
GEOPARQUE NACIONAL ASPIRANTE AO TÍTULO INTERNACIONAL UNESCO, 2017, P.15) ..................................... 49
FIGURA 20 - VISÃO GERAL DO DOCUMENTO DE AUTO-AVALIAÇÃO REQUERIDO PELA UNESCO DURANTE O PROCESSO
DE SOLICITAÇÃO AO TÍTULO DE GEOPARQUE MUNDIAL DA UNESCO (UNESCO, 2016E) ................................... 50
4

FIGURA 21 - EXEMPLO DA PLANILHA DE VALORAÇÃO, NA CATEGORIA GEOLOGIA E PAISAGEM (1.1), DO DOCUMENTO


DE AUTO-AVALIAÇÃO REQUERIDO PELA UNESCO DURANTE O PROCESSO DE SOLICITAÇÃO AO TÍTULO DE
GEOPARQUE MUNDIAL DA UNESCO (UNESCO, 2016E) ............................................................................ 51
FIGURA 22 - MAPA DE DISTRIBUIÇÃO DOS 127 GEOPARQUES MUNDIAIS DA UNESCO PARA O ANO DE 2017 (GGN,
2017). PARA LOCALIZAÇÃO EXATA DESSES, VISITAR O SITE OFICIAL DA REDE MUNDIAL DE GEOPARQUES
(GGN, GLOBAL GEOPARKS NETWORK) ...................................................................................................... 53
FIGURA 23 - LISTA DE ESPECIALISTAS EM GEOPARQUES QUE PARTICIPARAM DO IV SIMPOSIO LATINO-AMERICANO E
DO CARIBE SOBRE GEOPARQUES (SILACGEO, 2017, P. 4); SUBLINHADOS OS GEOPARQUES JÁ TITULADOS
PELA UNESCO...................................................................................................................................... 61

LISTA DE QUADROS
QUADRO 1 - MARCOS HISTÓRICOS QUE DEMONSTRAM O DESENVOLVIMENTO DO PARADIGMA DA GEODIVERSIDADE
(DADOS DA PESQUISA). .......................................................................................................................... 28
QUADRO 2 - ÁREAS DE PROTEÇÃO DA NATUREZA (FORMAIS E INFORMAIS) QUE PODEM PROTEGER A GEODIVERSIDADE
DIRETA OU INDIRETAMENTE (DADOS DA PESQUISA). ..................................................................................... 30
QUADRO 3 - MARCOS HISTÓRICOS INTERNACIONAIS DA HISTÓRIA DO CONCEITO DE GEOPARQUES SENSU UNESCO.
EM CINZA, QUESTÕES QUE ENFATIZARAM ÁFRICA E AMÉRICA LATINA. EM VERDE, ESTABELECIMENTO OFICIAL
DO GEOPARQUES MUNDIAIS DA UNESCO. EM LARANJA, VIGÊNCIA ATUAL DO PROJETO E ORÇAMENTO DA
UNESCO (DADOS DA PESQUISA A SEREM TRADUZIDOS) ............................................................................... 37
QUADRO 4 - ITENS DAS DIRETRIZES OPERATIVAS DOS GEOPARQUES MUNDIAIS DA UNESCO (UNESCO, 2016C)............ 45
QUADRO 5 - DISTRIBUIÇÃO ENTRE CATEGORIAS DOS 220 ITENS DE AVALIAÇÃO DO DOCUMENTO DE AUTO-AVALIAÇÃO
REQUERIDO PELA UNESCO DURANTE O PROCESSO DE SOLICITAÇÃO AO TÍTULO DE GEOPARQUE MUNDIAL DA
UNESCO (DADOS DA PESQUISA) ............................................................................................................. 52
QUADRO 6 - RELAÇÃO DOS NOMES, ANOS DE DESIGNAÇÃO E PAÍS REFERENTES AOS 127 GEOPARQUES MUNDIAIS
UNESCO PARA O ANO DE 2017 .............................................................................................................. 54
QUADRO 7 - GEOPARQUES MUNDIAIS DA UNESCO FORA DA EUROPA, DA CHINA E DO JAPÃO. DETALHE EM
RELAÇÃO AOS GEOPARQUES LOCALIZADOS NA ÁFRICA E NA AMÉRICO LATINA (DADOS DA PESQUISA) ..................... 57
5

"Nossa história e a história da Terra estão intimamente entrelaçadas. As origens


de uma são as origens de outra. A história da Terra é nossa história, o futuro da
Terra será nosso futuro"

Trecho da Declaração Internacional dos Direitos à Memória da Terra,

Digne-les-Bains, França, 1991


6

1 MONOGRAFIA DE QUALIFICAÇÃO SOBRE O ESTADO DA


ARTE DO TEMA DE PESQUISA DA TESE

1.1 Título

Geoparques Mundiais da UNESCO e o advento da geoconservação para a


sustentabilidade: origem, conceitos e desafios de implementação na América Latina

1.2 Tema

Revisão do contexto histórico no qual os Geoparques Mundiais da UNESCO foram


propostos, relacionamento dessa origem com seus conceitos e critérios oficiais de
operação e explanação acerca dos desafios de implementação de geoparques na
América Latina.

1.3 Resumo

Os Geoparques Mundiais da UNESCO representam uma mudança paradigmática na


história da conservação geológica. Tendo suas origens conceituais remetentes à
questão ambiental do final do século XX e início do século XXI, os geoparques são
propostos dentro do paradigma do desenvolvimento sustentável. As constatações
científica acerca da influência antrópica no sistema do clima terrestre e do domínio
dos processos superficiais planetários pelas atividade humanas sinalizam a urgência da
atenção aos temas da relação da humanidade com a Terra. Nesse cenário, a geologia,
em especial, e as geociências, em geral, têm papeis importantes tanto na geração de
modelos da Terra que enfatizem o lugar da humanidade no planeta, quanto no
desenvolvimento de programas de ação que auxiliem na governança ambiental em
escalas locais, nacionais e mundiais.

A crescente participação da comunidade geocientífica em relação à temas que


vinculam geologia e sustentabilidade deu origem a novos conceitos dentro das
geociências, como os de geodiversidade, geoconservação e patrimônio geológico.
Embora pontualmente encontrados ao longo da história, ações que visam atentar à
variedade dos elementos abióticos da Terra (geodiversidade) ou à conservar esses
elementos (geoconservação) ganham notoriedade mundial apenas após a década de
1990. Marco histórico desses temas, os Geoparques Mundiais da UNESCO,
oficialmente designados no ano de 2015, são o primeiro instrumento internacional de
proteção específica do patrimônio geológico e são conceitualmente definidos como
áreas nas quais se estabelecem alianças estratégicas de gestão de um patrimônio
geológico de valor internacional com vistas ao desenvolvimento regional sustentável
das comunidades detentoras desse patrimônio. Dessa forma, a tradicional conservação
7

geológica, dedicada à catalogação e caracterização dos elementos abióticos da Terra a


serem patrimoniados, passa a ter a necessidade de aliar esse patrimônio aos temas
socioculturais.

Alguns marcos históricos anteriores à oficialização dos Geoparques Mundiais da


UNESCO são a criação da Rede Européia de Geoparques, em 2000, da Rede Mundial de
Geoparques, em 2004, da Rede de Geoparques da Ásia e Pacífico, em 2007, e da Rede
Africana de Geoparques, em 2009. Atualmente em um total de 127 geoparques
mundiais para o ano de 2017, a distribuição geográficas dessas iniciativas é
extremamente assimétrica, sendo verificado apenas 15 geoparques em países fora da
Europa ou da China e Japão. Essa problemática vem sendo abordada pela UNESCO
desde quando esta apenas prestava suporte externo à Rede Mundial de Geoparques,
podendo-se verificar publicações de 2011 que apontam a África e a América Latina
como principais focos para a criação de novos geoparques.

Apesar dessa atenção especial destinada aos países africanos e latino-americanos,


apenas quatro novos geoparques foram designados como Geoparques Mundiais da
UNESCO nessas regiões, sendo três na América Latina. Em que pese o difícil processo
de solicitação ao título, envolvendo questões referentes a geologia e paisagem,
estrutura de gestão, educação ambiental e interpretação, geoturismo e
desenvolvimento econômico regional sustentável, a matriz de geodiversidade, de
biodiversidade e de sociodiversidade da América Latina sugere uma maior capacidade
de implementação de geoparques em seu vasto território. No caso brasileiro, soma-se
o fato de o Brasil configurar entre um dos cinco primeiros países, desde a criação da
Rede Mundial de Geoparques, a criar um programa especificamente destinado ao
desenvolvimento de geoparques. Em funcionamento desde 2006, o Projeto
Geoparques, criado pelo Serviço Geológico do Brasil (CPRM), não tem alcançado
sucesso em suas propostas de geoparques candidatados à UNESCO.

Disso, decorrem três principais reflexões: (1) por um lado, a dificuldade de sucesso de
novos geoparques pode ser remetida puramente à causas econômico-financeiras
embasadas no argumento de que as iniciativas européias e asiáticas, vistas como
modelos para o restante do mundo, são exemplos incompatíveis com as realidades de
países latino-americanos em termos de orçamento anual disponível para a
implementação e gestão de geoparques; (2) por outro, a apreensão do conceito de
geoparque trazido pela UNESCO requer um posicionamento transdisciplinar por parte
comunidade geocientífica na abordagem do patrimônio geológico, sendo a
transdisciplina tanto importante para a pontuação na avaliação da UNESCO quanto
condição para garantir um planejamento integrado de visitação do geoparque que, de
fato, privilegie o patrimônio geológico; (3) Teriam as pessoas e as comunidade
originárias dos lugares onde se pretende estabelecer um geoparque algo a dizer sobre
o patrimônio geológico desse lugar?
8

1.4 Revisão Bibliográfica com Análise Crítica

1.4.1 Desenvolvimento sustentável e novos desafios do século XXI

O século XX foi marcado por duas grandes guerras mundiais e pela crescente
industrialização do mundo, acompanhada das degradações ambientais advindas do
modo de desenvolvimento acelerado proporcionado pelas novas fontes de energia
então empreendidas. Esses fatos, em contra partida, resultaram, por exemplo, em
1945, no surgimento da Organização das Nações Unidas, bem como de sua agência
especializada, a Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura, no
mesmo ano, sendo observada também a criação da União Internacional para a
Conservação da Natureza, em 1948.

No ano de 1972, foi publicado um dos primeiros e mais contundentes marcos


científicos de estudos Mundiais sobre a questão ambiental planetária e do lugar da
humanidade nesse ambiente. Chamado Limites do Crescimento: um Relatório para o
Projeto do Clube de Roma sobre o Dilema da Humanidade (Meadows et al., 1972). Este
relatório, também publicado em forma de livro (Figura 1), foi o resultado de pesquisas
realizadas no renomado Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), nos Estados
Unidos da América.

Figura 1 - Capa do livro em inglês (Meadows et al., 1972) e do traduzido ao português. A publicação de
Limites do Crescimento questionou o modelo de desenvolvimento humano empregado durante o
século XX.
9

O estudo envolveu uma equipe de 17 cientistas, sob a direção do americano Dennis L.


Meadows [1942-continua], e examinou cinco elementos básicos que determinariam ou
limitariam o crescimento humano no planeta: "população, produção de alimentos,
industrialização, poluição e consumo de riquezas naturais não-renováveis" (Meadows
et al., 1972, p.25). Com base em séries históricas de dados medidos desde 1900 até
1970 sobre os cinco elementos, e em projeções computacionais embasadas na teoria
de sistemas dinâmicos, a publicação de Limites do Crescimento trouxe ao mundo 12
Cenários Possíveis, apresentados também graficamente, onde os cinco elementos
básicos interagem de formas e intensidades diferentes.

Um dos cenários mais famosos foi o Processamento-Padrão do Modelo Mundial (Figura


2), o qual, para 1972, "supõe que não haja alterações importantes nas relações físicas,
econômicas ou sociais que, historicamente, têm regido o desenvolvimento do sistema
mundial" (Meadows et al., 1972, p.124).

Figura 2 - Gráfico do Processamento-Padrão do Modelo Mundial, para o ano de 1972, no qual


interagem cinco elementos básicos que determinariam, ou limitariam, o desenvolvimento
humano (Meadows et al., 1972, p.124).

Nesse cenário, constata-se que:

Alimentos, produção industrial e população crescem exponencialmente até


que a diminuição rápida de recursos força uma diminuição no crescimento
industrial. Devido a atrasos naturais no sistema, tanto a população como a
10

poluição continuam a crescer durante algum tempo, depois do apogeu da


industrialização. O crescimento da população é, finalmente, interrompido
por um aumento da taxa de mortalidade, devido à diminuição de alimentos
e de serviços médicos (Meadows et al., 1972, p.124).

Os limites do crescimento nos padrões do século XX foram propostos e as projeções


dos modelos computacionais previram colapsos evidentes em torno do ano 2030, caso
não houvesse mudanças estruturais nos moldes de desenvolvimento até então
empregados.

Em 1987, quinze anos após a publicação de Limites do Crescimento, o tema da


mudança necessária na forma do desenvolvimento humano se tornou conhecido em
todo o mundo com o advento da publicação do relatório Nosso Futuro Comum,
também conhecido como Relatório Brundtland (WCED, 1987). Nessa publicação,
apresentada pela Comissão Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento (WCED)
sob encomenda da Assembleia Geral das Nações Unidas, a qual foi amplamente
divulgada também na forma de livro (Figura 3) em diversos idiomas, a mudança já
proposta no padrão de desenvolvimento ganhou força e nome: o desenvolvimento
sustentável.

Figura 3 - Capa do livro em inglês (WCED, 1987b) e do traduzido ao partuguês. Nosso Futuro
Comum propôs e popularizou o termo desenvolvimento sustentável.

Segundo o relatório,

Em essência, o desenvolvimento sustentável é um processo de mudança


no qual a exploração dos recursos, a direção dos investimentos, a
11

orientação do desenvolvimento tecnológico e as mudanças institucionais


estão todas em harmonia e melhoram o potencial atual e futuro para
atender as necessidades e aspirações humanas (WCED, 1987, p. 57).

A partir de tal relatório se passou a ter consenso sobre os impactos humanos no


ambiente e também que esses impactos estavam diretamente relacionados com a
injustiça social. Assim, o discurso ambiental passou a ter uma ênfase muito mais
estruturada na necessidade de obter, em primeiro lugar, mudanças sociais e assim
alcançar, em segundo lugar, mudanças ecológicas. Trata-se, portanto, de um
desenvolvimento articulado do ser humano com a Terra, um desenvolvimento que
deve alcançar concomitantemente cuidado ambiental, justiça social e
desenvolvimento econômico. A viabilidade da humanidade moderna passou a ser vista
como uma relação dialética entre as melhorias sociais e as melhorias ambientais.

Em 1992, na Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento -


conhecida como ECO-92 -, sediada na cidade do Rio de Janeiro, Brasil, se deu um dos
mais importantes marcos da atenção internacional para as questões ambientais,
conferência que teve a presença massiva de chefes de estado de vários lugares do
mundo e resultou no importante documento intitulado Agenda 21 (UN, 1992) (Figura
4). A Agenda 21 trouxe a proposta de que a forma mais eficiente para alcançar o
desenvolvimento sustentável a nível mundial está embasada em mudanças a nível dos
diversos países do mundo.

Figura 4 - Capa do documento Agenda 21: o


Programa de Ação da ONU a partir do Rio
(UN, 1992), o qual trouxe ao debate
mundial a necessidade de ações articuladas
a partir do local, de cada país, para alcançar
uma mudança global.
12

Segundo o documento,

A humanidade se encontra em um momento de definição histórica.


Defrontamo-nos com a perpetuação das disparidades existentes entre as
nações e no interior delas, o agravamento da pobreza, da fome, das
doenças e do analfabetismo, e com a deterioração contínua dos
ecossistemas de que depende nosso bem-estar. Não obstante, caso se
integre as preocupações relativas a meio ambiente e desenvolvimento e a
elas se dedique mais atenção, será possível satisfazer às necessidades
básicas, elevar o nível da vida de todos, obter ecossistemas melhor
protegidos e gerenciados e construir um futuro mais próspero e seguro.
São metas que nação alguma pode atingir sozinha; juntos, porém,
podemos em uma associação mundial em prol do desenvolvimento
sustentável (UN, 1992, Preamble).

Pensar Mundial, agir local foi o grande lema desse momento histórico e assim foram
propostas ações-chave que o maior número de localidades deveria procurar
desenvolver para que desde a base local se obtivesse uma melhoria Mundial.

Por um lado, houve um grande movimento de cuidado ambiental, mas, por outro, a
urbanização e o desenvolvimento industrial do mundo não tiveram seus padrões
mudados significativamente. Reanalisados novamente pela equipe de Limites do
Crescimento, 20 anos e 30 anos mais tarde (Meadows et al., 1992, 2004), os
indicadores socioambientais planetárias só pioraram. Segundo os autores,

Somos muito mais pessimistas sobre o futuro Mundial do que em 1972. É


um fato triste que a humanidade tenha desperdiçado em grande parte os
últimos 30 anos em debates fúteis e respostas bem-intencionadas, porém
hesitantes, sobre o desafio ecológico global. Não temos outros 30 anos
para tentar. Muito terá que mudar para que a sobrecarga não seja seguida
por colapso durante o século XXI (Meadows et al., 2004, p. xvi).

Mais uma vez publicados na forma de livro (Figura 5), os resultados da equipe circulam
o mundo em milhares de cópias vendidas e ainda que confirmada novamente a
necessidade de mudanças estruturais nos padrões de desenvolvimento da sociedade
para que seja evitado uma série de colapsos, os padrões insustentáveis da sociedade
contemporânea seguem em curso. O estudo de 2004, contando com 30 anos de
avanço tecnológico e científico, se embasa na mesma metodologia de modelagens
computacionais utilizando teoria de sistemas dinâmicos para projetar cenários onde
interagem os mesmos cinco elementos básicos do estudo de 1972, a saber, (1)
População, (2) Produção de alimentos, (3) Produção industri, (4) Nível relativo de
poluição e (5) Recursos não renováveis remanescentes.
13

Figura 5 -Capa do livro em inglês (Meadows et al., 2004) e do traduzido ao português

Como pode ser verificado pelos cenários modelizados no novo estudo, as tendências
para a evolução do mundo confirmaram estar muito próximas daquelas publicadas 30
anos antes. O primeiro cenário foi publicado mantendo as mesmas premissas de não
mudança no padrão de desenvolvimento do mundo, sendo agora chamado de Cenário
1: Um Ponto de Referência (Scenario 1: A Reference Point) (Figura 6). Segundo esse
cenário

A sociedade mundial prossegue de forma tradicional sem qualquer desvio


importante das políticas seguidas durante a maior parte do século XX.
População e produção aumentam até o crescimento ser interrompido por
recursos não renováveis cada vez mais inacessíveis. É necessário mais
investimento para manter os fluxos de recursos. Finalmente, a falta de
fundos de investimento nos outros setores da economia leva a uma
diminuição da produção de bens e serviços industriais. À medida que eles
caem, alimentos e serviços de saúde são reduzidos, diminuindo a
expectativa de vida e aumentando as taxas médias de mortalidade
(Meadows et al., 2004, p.168).
14

Figura 6 - Cenário 1: Um Ponto de Referência, o qual supõe que não hajam mudanças significativas nos padrões de
desenvolvimento da sociedade (Meadows et al., 2004, p.169)

Embora o estudo da revisão de 30 anos do Limites do Crescimento tenha chegado a


resultados bastante semelhantes aos do primeiro estudo e, portanto, preocupantes, a
atual publicação trouxe uma série de novas abordagens que buscam propor caminhos
para a chamada Revolução da Sustentabilidade (Meadows et al., 2004). Segundo os
autores, perante as evidências dos limites do crescimento, existem três formas gerais
de resposta das pessoas e da humanidade, às quais chamaram de modelos mentais. O
primeiro deles tem base na negação e no disfarçe das evidências afirmando que este
mundo, para todos os fins práticos, não tem limites; o segundo é reconhecendo os
limites como reais e próximos, mas já não sendo superáveis em tempo; e o terceiro é
reconhecendo os limites como reais e próximos e buscando trabalhar nas causas que
mais influenciam o cenário da humanidade.

Conforme afirmado no documento Perspectivas da População Mundial (tradução do


autor), em sua revisão para 2017, "as pessoas e, portanto, as populações estão no
centro do desenvolvimento sustentável" (UN-DESA, 2017, p.1). Segundo a publicação
do Departamento de Assuntos Econômicos e Sociais da Organização das Nações Unidas
(UNDESA, United Nations Department of Economic and Social Affairs),

A população mundial continua a crescer, embora mais lentamente do que


no passado recente. Há dez anos, a população mundial crescia 1,24 por
cento por ano. Hoje, está crescendo 1,10 por cento ao ano, gerando um
adicional de 83 milhões de pessoas anualmente. Projeta-se que a
população mundial aumente cerca de mais de um bilhão de pessoas nos
15

próximos 13 anos, atingindo 8,6 bilhões em 2030 e aumentando ainda mais


para 9,8 bilhões em 2050 e 11,2 bilhões até 2100 (UN-DESA, 2017, p.2)
(Figura 7).

Figura 7 - População do mundo: estimativas, 1950-2015, e projeções, 2015-2100 (UN-DESA, 2017, p.2)

Com a população humana aumentando cerca de 83 milhões de pessoas a cada ano e


acompanhada de uma demanda por recursos naturais que não mostra tendências de
modificação a curto prazo (Meadows et al., 2004), a ação antrópica tem alcançado
níveis planetários, inclusive sendo a humanidade já proposta como o maior agente de
transporte de terra e rocha do planeta (Hooke, 2000). Devido ao fato de essa ação ir
para além do transporte da materiais e já deixar vestígios preservados no registro
geológico da Terra, o termo Antropoceno vem sendo usado, ainda que de forma
informal, para "significar um intervalo de tempo contemporâneo no qual os processos
geológicos superficiais são dominados pelas atividades humanas" (Zalasiewich et al.,
2012, p.1033). Segundo consta no manual Escala do Tempo Geológico 2012 (Gradstein
et al., 2012), a determinação desse impacto humano em escala planetária está sendo
propostas em termos de assinaturas estratigráficas que incluem componentes da
litoestratigrafia, bioestratigrafia e quimioestratigrafia, podendo ser evidenciados
mudanças claras nos padrões históricos de parâmetros como fluxo de nitrogênio,
anomalia de temperatura, concentração de gás carbônico atmosférico, barragens de
rios, população humana, quantidade de terra domesticada, consumo de fertilizantes,
veículos transportados a motor e perda de biodiversidade global (Figura 8).
16

Figura 8 - Proposição do Antropoceno com base em assinaturas estratigráficas que incluem componentes da
litoestratigrafia, bioestratigrafia e quimioestratigrafia (Zalasiewich et al., 2012, p.1035).

Segundo Paul Crutzen, em seu emblemático artigo intitulado Geologia da humanidade


(Geology of the Mankind), o qual foi publicado na revista Nature,
17

Parece apropriado atribuir o termo "Antropoceno" à presente, em muitos


aspectos dominada pelos humanos, época geológica, complementando o
Holoceno - o período quente dos últimos 10-12 milênios. Pode-se dizer que
o Antropoceno começou na última parte do século XVIII, quando as
análises do ar preso no gelo polar mostraram o início das crescentes
concentrações globais de dióxido de carbono e metano. Esta data também
coincide com o desenho de James Watt da máquina a vapor em 1784
(Crutzen, 2002, p.23).

A queima de combustíveis fósseis que impulsionaram a revolução industrial e


impulsionam a atual revolução industrial-tecnológica fez com que a humanidade
exercesse influência na atmosfera de em termos de concentrações atmosféricas de
gases de efeito-estufa "sem precedentes pelo menos nos últimos 800.000 anos" (IPCC,
2014, p.44). O aquecimento global e as mudanças climáticas são atualmente
comprovadas em bases científicas publicadas pelo Painel Intergovernamental sobre
Mudanças Climáticas (IPCC). Segundo a última avaliação feita pelo painel, a qual
contou com a participação de mais de 830 autores e revisores representantes de 85
países,

A influência humana no sistema climático é clara e as recentes emissões


antropogênicas de gases de efeito estufa são as mais altas da história.
Mudanças climáticas recentes tiveram impactos generalizados nos
sistemas humanos e naturais. [...] O aquecimento do sistema climático é
inequívoco e, desde a década de 1950, muitas das mudanças observadas
são sem precedentes ao longo de décadas a milênios. A atmosfera e o
oceano se aqueceram, as quantidades de neve e gelo diminuíram e o nível
do mar aumentou (IPCC, 2014, p.40).

1.4.2 Geodiversidade, geoconservação e patrimônio geológico

Nesse cenário de degradações ambientais em escala planetária e de crescente atenção


aos temas da Terra, a literatura geocientífica tem se dedicado cada vez mais à temática
da geodiversidade e geoconservação. Embora esses assuntos sejam encontrados
pontualmente em outros momentos da história (Burek & Prosser, 2008; Prosser, 2009,
2012, 2012; Carcavilla et al., 2009; Ellis, 2011; Henriques et al., 2011; Gray, 2013), a
grande expansão, conceituação e consolidação da geodiversidade e da
geoconservação enquanto novos campos disciplinares datam dos anos 1990 (Sharples,
1993, 2002; Wimbledon et al., 1995, 2000; Stanley, 2000; Barettino et al., 2000).

Ainda que precisem ser mais bem debatidos e entendidos (Gray, 2013), esses campos
geológicos de estudo vêm rapidamente ganhando espaço nas atividades geocientíficas
em todo o mundo (Xun & Milly, 2002; Xun & Ting, 2003; Brilha, 2005, 2015; Nowlan et
18

al., 2004; Zouros, 2004; Turner, 2006; Burek & Prosser, 2008; Leman et al., 2008; Silva,
2008; Reynard et al., 2009; Ibañez-Palacios et al., 2010; Gordon & Barron, 2011;
Henriques et al., 2011; Schobbenhaus & Silva 2012; Mansur et al., 2013; Gray 2013;
Woo et al., 2013; Garcia-Cortés et al., 2014; Errami et al., 2015; Randrianaly et al.,
2015; Maufti & Németh 2016; SILACGEO, 2017; UNESCO, 2017). A existência de
instituições e grupos de trabalho específicos na área, bem como a recorrência do tema
em encontros científicos nacionais e internacionais e a verificação de pesquisas e
publicações científicas especializadas, conferem à temática da geodiversidade e
geoconservação a possibilidade de tornar-se um novo paradigma geocientífico (Gray,
2008). A geoconservação é, inclusive, anunciada como nova área geocientífica
(Henriques et al., 2011).

O conceito de geodiversidade está em franca construção e tem tido diferentes


abordagens quanto ao que realmente a constitui e quais as suas importâncias e
ameaças. Reconhecido como importante marco na história científica desse tema, o
livro Geodiversity: valuing and conserving the abiotic nature (Gray, 2004), de autoria
do geógrafo inglês Murray Gray, é tido como o primeiro livro dedicado especialmente
ao tema (Figura 9). Atualmente em sua segunda edição, a publicação traz uma das
mais reconhecidas e difundidas definições de geodiversidade como sendo

a variedade natural (diversidade) de feições geológicas (rochas, minerais,


fósseis) geomorfológicas (geoformas, topografia, processos físicos),
pedológicas e hidrográficas. Isso inclui suas assembleias, estruturas,
sistemas e contribuições para a paisagem (Gray, 2013, p. 12).

Figura 9 - Capas do livro Geodiversity em sua primeira edição (Gray, 2004) e em sua segunda
edição (Gray, 2013). A publicaçào é tida como o primeiro manual técnico específico ao tema
da geodiversidade.
19

Ao relacionar-se com a biosfera, a geodiversidade “provê a base para a vida na Terra


[e] é ainda a ligação entre pessoas, paisagens e suas culturas [...]” (Stanley, 2000, p.
15). Segundo publicação da antiga agência de conservação britânica English Nature,
fundida com outras duas agências para formar a atual Natural England,

Para todos os organismos vivos, incluindo os seres humanos, nosso


ambiente afeta a forma como podemos viver e os recursos disponíveis para
nós. [...] A geologia é um fator crítico. Ela influencia o clima em escalas
globais, regionais e locais. A paisagem é determinada pela natureza das
rochas que se encontram sob a superfície e os processos que as moldaram
e formaram. O substrato e o solo estão intimamente relacionados com a
natureza das rochas a partir das quais são derivados (EN, 2004, p.2).

Conclui ainda afirmando que,

A geologia é crucial para o funcionamento dos ecossistemas. Os


ecossistemas resultam da interação do clima, da paisagem física, do
substrato e dos organismos vivos. A geologia influencia todos esses fatores.
[...] A Geologia nos diz como nosso ambiente mudou e reagiu à mudança. É
importante entender isso para se preparar melhor para futuras mudanças.
Lidar com a geodiversidade e a biodiversidade juntos pode nos ajudar a
entender melhor o ambiente que nos rodeia e a trabalhar com esse
ambiente em mudança (EN, 2004, p.14).

Essa fundamental interface com a biosfera aponta para a discussão acerca da


importância que tem a geodiversidade para os ecossistemas terrestres, em geral, e
para a humanidade, em específico. Para tanto, uma combinação de aspectos objetivos
(materiais) e subjetivos (imateriais) passou a ser utilizada para atribuir valores à
geodiversidade. Por um lado, algumas das primeiras publicações agruparam valores
dos tipos intrínseco, cultural, estético, econômico, científico e educacional (Wilson,
1994; Doyle & Bennett, 1998). Por outro lado, esses valores foram direcionados para
questões mais ecológicas e funcionais da geodiversidade (Sharples, 1993; Gray, 2004),
sendo essa segunda vertende de valoração atualmente apresentada em termos de
serviços ecossistêmicos abióticos prestados pela geodiversidade, a saber: de
provisionamento, de suporte, de regulação, de cultura e de conhecimento (Gray, 2013)
(Figura 10).
20

Figura 10 - Serviços ecossistêmicos abióticos advindos da geodiversidade (Gray, 2013, depois de De Groot, 1992;
EN, 2002; Gray, 2004, 2011; e Gray et al., 2013)

Conforme verificável no gráfico de Gray (2013), a gama de serviços advindos da


geodiversidade é de suma importância, tanto para o suporte e regulação dos
ecossistemas terrestre quanto para a provisão de insumos essenciais à vida humana,
como alimento, bebida e materiais construtivos. Para além desses insumos básicos, a
geodiversidade também provê serviços nos campos do conhecimento e da cultura,
sendo fonte essencial tanto para o lazer e o turismo ou para inspirações artísticas
quanto para a verificação do vasto registro geológico da Terra, matéria prima para
investigações e interpretações científicas que levam à teorias importantíssimas da
ciência como é o caso da teoria do Sistema Terra. É na geodiversidade que esta
21

guardada a memória da Terra e é nela que continuará existindo a fonte para novas
pesquisas científicas acerca do planeta. Em termos mais específicos, os elementos da
geodiversidade que fornecem esses serviços ecossistêmicos abióticos são: (1) as
rochas; (2) os solos; (3) as geoformas, processos e sedimentos; e (4) a atmosfera,
oceanos e ciclo hidrológico (Figura 11)

Figura 11 - Ilustração esquemática dos bens e serviços derivados da geodiversidade (Gray et al., 2013, p.662).

Importante contribuição dos autores (Gray et al., 2013), a introdução da complexidade


e variedade dos bens e serviços fornecidos pela geodiversidade vem para questionar
visões simplistas que consideram a natureza abiótica apenas do ponto de vista dos
recursos minerais e energéticos não-renováveis nela contidos. Pelo contrário, ainda
que a geodiversidade forneça esse tipo de recursos, os quais por serem não-renováveis
e finitos deveriam receber ainda mais atenção quanto ao seu consumo, a
geodiversidade inserida na abordagem ecossistêmica apresenta um papel muito além
desses recursos classicamente considerados e entendidos (Gray et al., 2013). O papel
da geodiversidade na provisão de água potável ou de nutrientes em solos cultiváveis,
de regulação do clima ou do sequestro de carbono atmosférico, de suporte para os
diferentes hábitats ou para os aquíferos subterrâneos, e, por fim, na cultura e no
conhecimento necessários para modelagens ambientais ou simplesmente para o lazer
22

a atividade físicas, são exemplos que deixam clara a condição da geodiversidade ao


sustento da sociedade contemporânea.

Ao reconhecer-se os valores fundamentais e vitais para a humanidade advindos da


geodiversidade, foram demarcados possíveis impactos e ameaças à mesma, os quais
são implicados tanto em escalas locais quanto em contextos mais amplos.
Normalmente subestimadas ou sequer reconhecidas, atividades que resultam em
perda ou degradação da geodiversidade, devido a processos naturais ou induzidos
pelos humanos, são abundantes. Gray (2013) apresentou uma síntese de 14 grupos de
ameaças à geodiversidade, incluindo aquelas advindas da falta de
informação/educação. Os impactos à geodiversidade podem ter caráter cumulativos,
sendo o risco de degradação dos elementos geológicos influenciados pela sua
sensibilidade à fatores intrínsecos e extrínsicos (García-Ortiz et al., 2014). Por um lado,
põe-se a fragilidade intrínseca relacionada às características próprias do sítio e, por
outro, observa-se a vulnerabilidade extrínseca advinda de fatores naturais e/ou
antrópicos (Figura 12), sendo necessário, portanto, o desenvolvimento de estratégias
de conservação geológica que enfoquem ambos os fatores de degradação. Enfatiza-se
também a noção de que os valores que uma sociedade ou um indivíduo outorgam aos
elementos da Terra têm relação direta com o cuidado que esses elementos receberão
por parte delas (Delphin, 2009b; Gray, 2013), sendo assim complementares as
metodologia de conservação por meios técnicos, legais e culturais.

Figura 12 - Esquema representativo dos fatores envolvidos no Risco de Degradação dos elementos da
geodiversidade (Garcia-Ortiz et al., 2014)
23

A atenção dada ao risco que essa importante parte da natureza corre, fez com que
começassem a surgir movimentos com abordagem patrimonial em relação à
geodiversidade, surgindo assim, o termos patrimônio geológico. A referência
internacional utilizada para definir patrimônio geológico é a publicação intitulada
Declaração Internacional dos Direito da Memória da Terra, aprovada na ocasião do
Primeiro Simpósio Internacional de Proteção do Patrimônio Geológico (Premier
Symposium International sur la Protection du Patrimoine Géologique), em Digne-les-
Bains, França (SGF, 1994). Conhecida também como Declaração de Digne, esse
documento definiu que

a Terra guarda a memória do seu passado... Uma memória gravada em


níveis profundos ou superficiais. Nas rochas, nos fósseis e nas paisagens
[...]. É chegado o tempo de aprender a proteger o passado da Terra e, por
meio dessa proteção, aprender a conhecê-lo. Esta memória antecede a
memória humana. É um novo patrimônio: o patrimônio geológico, um livro
escrito muito antes de nosso aparecimento sobre o Planeta (Delphin,
2009a).

O patrimônio geológico constitue, assim, porções da geodiversidade que contêm


valores e singularidades importantes para o conhecimento e aprendizado da história
do Terra, devendo, portanto, ser protegido para o tempo presente e futuro. O
patrimônio geológico possui caráter material e imaterial, sendo os geossítios sua
expressão palpável e os valores atribuídos a estes, o impalpável (Delphin, 2009b).
Imaterialidade e materialidade têm relação intrínseca, devendo ser compreendidas de
forma integrada.

Para a UNESCO (2003, p. 3), por exemplo, “entende-se por ‘patrimônio cultural
imaterial’ as práticas, representações, expressões, conhecimentos e competências –
bem como os instrumentos, objetos, artefatos e espaços culturais que lhes estão
associados – que as comunidades, os grupos e, em alguns casos, os indivíduos
reconhecem como parte integrante de seu patrimônio cultural”. No caso da
geodiversidade, os geossítios são considerados as “unidades básicas do patrimônio
geológico” (Henriques et al., 2011, p. 119) e devem ser claramente delimitados em
área, sejam pequenas (p.e., afloramentos), sejam grandes (p.e., morro) (Figura 13),
incluindo museus e coleções.
24

Figura 13 - Exemplos de diferentes magnitudes de geossítios na região dos cânions do sul do Brasil. À esquerda,
Geossítio Cânion Fortaleza; à direita, Geossítio Ácidas de Cambará (Extraídas de Godoy et al., 2012, p.458 e 487
respectivamente).

Assim como a atenção internacional para a existência da biodiversidade antecedeu


àquela referente à geodiversidade, os mecanismos internacionais de proteção da
diversidade geológica também ocorreram tardiamente. Exemplos dessa afirmação são
o lançamento do Programa O Homem e a Biosfera (MAB, The Man and the Biosphere)
da UNESCO, em 1971, e suas Reservas da Biosfera, em 1976, para a proteçõa da
biodiversidade, em comparação com o lançamento do Programa Internacional de
Geociências e Geoparques (IGGP), de 2015, e seus Geoparques Mundiais da UNESCO,
de mesmo ano, para conservar a geodiversidade. Com efeito, exceto por exemplos
pontuais, a geoconservação passou a ter conceitos e metodologias próprias para a
gestão patrimonial e ambiental apenas a partir dos anos 1990.

A título de exemplo pontuais anteriores aos anos 1990, cita-se o relatório Reservas
Geológicas Nacionais na Inglaterra e País de Gales (National Geological Reserves in
England and Wales), publicado em 1945, o qual listou 390 sítios, classificando esses
dentro de quatro tipos de reservas geológicas, a saber: (1) Área de conservação; (2)
Monumento geológico; (3) Seção controlada; e (4) Seção registrada. Segundo o
relatório,

Os fundamentos da ciência geológica foram colocados em grande parte por


pesquisadores neste país, e é importante que a evidência sobre a qual suas
conclusões se embasaram sejam preservada para benefício dos alunos de
todos os tempos. Embora as feições geológicas não tenham a
vulnerabilidade de plantas ou animais, elas podem, talvez apenas por
ignorância, ser facilmente danificadas ou obscurecidas, a menos que
recebam cuidados adequados. O país deve se sentir orgulhoso pela posse
de seções clássicas ou monumentos de fama internacional, e deve estar
25

ansioso para que eles sejam adequadamente protegidos (Chubb, 1945,


appud Prosser, 2008, p. 114).

Como se pode perceber na justificativa do relatório, a atenção ao valor científico das


feições geológicas prevalece em relação a outros valores. Fato este que também se
repetiu na Revisão de Conservação Geológica (GCR, Geological Conservation Review),
lançada em 1977 na Grã-Bretanha, tida como o primeiro projeto do mundo que
buscou avaliar sistematicamente a totalidade do patrimônio geológico de um país. O
objetivo do projeto para a época foi

selecionar sítios que representariam compreensivamente a história


geológica do Reino Unido e demonstrar a gama e diversidade dos melhores
sítios da ciência da Terra no país [...], cobrindo apenas a parte científica
[...], independentemente do apelo estético, facilidade de acesso, ou valor
para a educação" (Ellis, 2011, p. 356).

A nível internacional, a atenção aos elementos geológicos em termos patrimoniais é


marcada pela inclusão destes na Convenção para a Proteção do Patrimônio Mundial
Cultural e Natural (WHC, Convention Concerning the Protection of the World Cultural
and Natural Heritage), adotada pela 17a Conferência Geral da UNESCO, em 1972. A
implementação desta convenção se embasa na noção de valor universal excepcional
dos locais aspirantes à designação de Sítios do Patrimônio Mundial (WHS, World
Heritage Sites), sendo esses critérios bastante rigorosos e, portanto não aplicáveis a
uma série de sítios geológicos importantes (Gray, 2011). Eder & Patzc, (2004)
afirmaram que, para o ano de 2004, dos 788 sítios inscritos na Lista do Patrimônio
Mundial, apenas 20 eram inscritos principalmente por interesses geológicos. Os
mesmo autores ainda atentam ao fato de que

A Lista do Património Mundial é prevista para conter eventualmente até


1500 sítios ao todo (culturais somados aos naturais). Esse cenário suposto
sugere que a Lista do Patrimônio Mundial eventualmente irá acomodar 50
a 100 novos sítios nominados principalmente como de interesse geológico
/ geomorfológico primordial. Visto em escala mundial, isso é ridiculamente
pequeno (Eder & Patzc, 2004, p.162).

Como se pode constatar, as reflexões entorno da importância dos elementos


geológicos tem origens bastante antigas. Gray (2013) faz um listado de iniciativas
pontuais de conservação geológica que começa no ano 1668, quando a "Caverna de
Baumannshole, na Alemanha, foi tema de um decreto de conservação da natureza
pelo Duque Rudolf August" (Gray, 2013, p.7). Ainda assim, enfatiza-se que a atenção a
nível internacional desse tipo de conservação, atualmente denominada
geoconservação, é extremamente recente, embora ganhe espaço rapidamente. Para
ilustrar esse fato, cita-se que a União Internacional para a Conservação da Natureza
26

(IUCN), em que pese sua atribuição específica à conservação da natureza, reconheceu


claramente a geodiversidade como parte da natureza e o patrimônio geológico como
parte do patrimônio natural apenas em 2008 e 2012, por meio das Resoluções 4.040,
em Barcelona (IUCN 2008), e 5.048, em Jeju, Coréia (IUCN 2012). Decorrente desse
reconhecimento, a natureza abiótica passou a constar na definição de área protegida
da IUCN apenas na sua versão revisada no ano de 2008, a qual substituiu o estreito
termo "biodiversidade" pelo termo mais amplo "natureza" (Crofts & Gordon, 2015).
Dessa forma, uma área protegida para a IUCN passou a ser um

Espaço geográfico claramente definido, reconhecido, dedicado e


gerenciado, por meios legais ou outros meios efetivos, para alcançar a
conservação a longo prazo da natureza com serviços ecossistêmicos e
valores culturais associados. (Dudley 2008, p.8).

A partir dessa mudança fundamental de conceito, "natureza sempre refere-se à


biodiversidade, em níveis genéticos, de espécies e ecossitemas, e frequentemente
também se refere à geodiversidade, forma de relevo e valores naturias mais amplos"
(Dudley, 2008, p.9). Dessa forma, a nível internacional, a geodiversidade passa a ser
incluida nos políticas de conservação e, para além, passa rapidamente a configurar
como uma variável essencial ao sucesso do manejo integrado de áreas protegidas
(Crofts & Gordon, 2015).

Interessante fato observado é o crescimento de metodologias de conservação voltadas


à biodiversidade que utilizam a geodiversidade como importante parâmetro.
Testemunho disso é a recente publicação de um volume da revista Conservation
Biology com uma sessão especial dedicada ao tema. Entitulado Conservando o Palco
da Natureza (Conserving de Nature's Stage), essa sessão é resultante do encontro
anual de 2013 da Sociedade para a Conservação da Biologia (SCB, Society for
Conservation Biology), organização internacional profissional formada por mais de
5.000 membros. No editorial da revista, Shaffer (2015) afirma que

Estamos entrando em uma nova era de conservação, na qual nem todas as


regras antigas são aplicáveis. [...] Prestar muita atenção tanto ao que está
abaixo de toda essa magnífica maquinaria verde quanto ao que ela é pode
revelar-se uma valiosa estratégia de adaptação para a conservação
(Shaffer, 2015, p.612).

Os estudos apresentados não apenas demonstram o importante papel de entender a


geodiversidade para compreender melhor a distribuição das espécies e habitats, como
mostram ser coincidentes os "hotspots" de biodiversidade com aqueles de
geodiversidade (Hjord et al., 2015). Em alguns caso, quando existem poucos ou até
inexistem dados acerca das espécies, a geodiversidade local vem sendo usada como
parâmetro para a determinação da biodiversidade local, desde um filtro-grosso até um
27

substituto dessa (Anderson et al., 2015). Para além, essas e outras publicações
enfatizaram a importância de utilizar a geodiversidade como guia para a definição de
áreas de proteção da biodiversidade em tempos de mudanças climáticas (EN, 2004;
Stace & Larwood, 2006; Anderson et al., 2015; Commer et al., 2015; Crofts & Gordon,
2015; NE, 2015). Tais ênfases são justificadas pelo fato de a causa da alta
biodiversidade de um determinado local estar fortemente vinculada à alta
geodiversidade desse local e, portanto, mesmo em cenários de mudança do sistema
ecológico-biológico, em resposta à mudança do clima, a matriz da geodiversidade
continuará estática geograficamente e tenderá a seguir abrigando novos conjuntos de
alta biodiversidade.

Comer et al. (2015, p.693), afirmam que "conservar uma ampla gama de contextos
geofísicos [...] não só pode preservar os lugares ocupados hoje por espécies, mas
também preservar lugares que podem ser ocupados à medida que os ecossistemas se
transformam no futuro". Anderson et al., (2015, p.688) discutem que "a
geodiversidade pode adicionar novas dimensões ao planejamento de conservação,
melhorando as abordagens tradicionais embasadas apenas na biodiversidade e
ajudando a garantir a conservação duradoura da diversidade". A intrínseca ligação
entre a biosfera, humanidade inclusa, com a geosfera e a importância de incluir
referenciais da geodiversidade no manejo da biodiversidade vêm, por exemplo, sendo
abordadas em uma série de publicações de agências especializadas em conservação da
natureza na Inglaterra (Cottle, 2004; EN, 2004; Humphries & Donnelly, 2004; Stace &
Larwood, 2006; Webber et al., 2006), as quais desde outubro de 2006 estão unificadas
sob um único organismo público de gestão chamado Inglaterra Natural (NE, Natural
England). Segundo o documento que sumariza as evidências do organismo referentes
à geodiversidade, para o ano de 2015,

A geodiversidade é uma parte integrante do ambiente natural e uma


compreensão da geodiversidade e uma aplicação da evidência da
geodiversidade podem desempenhar um papel principal no
desenvolvimento de uma abordagem ecossistêmica, aportando e
aprimoramento os serviços ecossistêmicos, desenvolvendo e divulgando
abordagens para a adaptação às mudanças climáticas e fornecendo
abordagens em escala de paisagem para a conservação da natureza (NE,
2015, p.1)

O Quadro 1 apresenta alguns exemplos internacionais, intercalando exemplo


brasileiros, dentro da área das geociências, que passaram a demonstrar as mudanças
rumo aos temas da geodiversidade e geoconservação e a preconizar novos papéis e
atribuições profissionais dos geocientistas no sécul XXI são:
28

Quadro 1 - Marcos históricos que demonstram o desenvolvimento do paradigma da geodiversidade (Dados da


Pesquisa).

Ano Iniciativa (*no Brasil)


1989 Lista Indicativa Global de Sítios Geológicos (GILGES, Global Indicative List of Geological Sites),
sob as égides da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura
(UNESCO, United Nations Educational, Scientific and Cultural Organization), da União
Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN, International Union for the
Conservation of Nature) e da União Internacional das Ciências Geológicas (IUGS, International
Union of Geological Sciences)
1991 I Simpósio Internacional sobre a Proteção do Patrimônio Geológico (Premier Symposium
International sur la Protection du Patrimoine Géologique), em Digne-Les-Bains, França
Declaração dos Direitos da Memória da Terra (Déclaration Internationale des Droits de la
Mémoire de la Terre), aprovada na ocasião do simpósio
1993 Associação Européia para a Conservação do Patrimônio Geológico (ProGEO, The European
Association for the Conservation of the Geological Heritage)
*Grupo de Trabalho Nacional de Sítios Geológicos e Paleobiológicos, no âmbito do
Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM)
1995 Projeto Geossítios (Geosites Project) da IUGS, atualmente com 310 geossítios, substituindo a
GILGES, de 1989
1997 Primeiro encontro internacional de especialistas em patrimônio geológico, convocado pela
a
UNESCO na ocasião da sua 27 Conferência Geral, em Paris
*Comissão Brasileira dos Sítios Geológicos e Paleobiológicos (SIGEP), substituindo o antigo
Grupo de Trabalho Nacional, de 1993
2000 Rede Européia de Geoparques (EGN, European Geoparks Network), atualmente com 69
geoparques
2001 Grupo de Trabalho em Geomorfossítios da Assossiação Internacional de Geomorfologistas
(IAG, International Association of Geomorphologists; IAG/GWG, Geomorphosites Working
Group)
2004 Rede Mundial de Geoparques (GGN, Global Geoparks Network), com suporte externo da
UNESCO, atualmente com 127 geoparques (ver Figura 22).
Primeira Conferência Internacional sobre Geoparques (First Internacional Conference on
Geoparks), organizada pelo Ministério de Terras e Recursos (MLR, Ministry of Land and
Resources) da China conjuntamente com a UNESCO, em Beijing, China
2006 *Projeto Geoparques, criado pelo Serviço Geológico do Brasil (CPRM), atualmente com um
geoparque (Araripe Geoparque Mundial da UNESCO)
2007 Primeira Conferência Regional em Geoparques da Ásia Pacífico (First Regional Conference on
Asia Pacific Geoparks & Business Dialogue), depois denominada como Primeiro Simpósio da
Rede de Geoparques da Ásia Pacífico (First Asia Pacific Geoparks Network Symposium), em
Langkawi, Malásia
Rede de Geoparques da Asia Pacífico (APGN, Asia Pacific Geoparks Network), criada na
ocasião do simpósio
2008 Conferência Mundial de Geoturismo (Global Geotourism Conference), em Fremantle,
Austrália
Encontro Andino para a Proteção do Patrimônio Geológico, Minero e Paleontológico
(Encuentro Andino para la protección del Patrimonio Geológico, Minero y Paleontológico), em
Loja, Equador
2009 Rede Africana de Geoparques (AGN, African Geoparks Network), em Abidjan, Costa do
Marfim
Primeiro Congreso Latino-americano sobre Iniciativas em Geoturismo (Primer Congreso
Latinoamericano sobre Iniciativas en Geoturismo), em Caracas, Venezuela
2010 Grupo de Trabalho em Geopatrimônio da IUGS (IUGS/GTG - GeoHeritage Task Group)
Primeira Conferência Latinoamericana e Caribenha de Geoparques (Primera Conferencia
Latinoamericana y Caribeña de Geoparques), em Araripe, Brasil
Primeiro Seminário-Oficina Internacional sobre Patrimônio Geológico, Minero y Metalúrgico
(Primer Seminario Taller Internacional sobre Patrimonio Geológico, Minero y Metalúrgico)
29

2011 *Primeiro Simpósio Brasileiro de Patrimônio Geológico (I GeoBRheritage), em Rio de Janeiro,


Brasil
Primeira Conferência Internacional sobre Geoparques Africanos e Arábicos (First
International Conference on African and Arabian Geoparks), em El Jadida, Marrocos
2012 Associação Internacional de Geoética (IAGETH, International Association for Geoethics),
vinculada à IUGS e a União Internacional de Geodésia e Geofísica (IUGG, Intenacional Union
of Geodesy and Geophysics)
2013 Grupo de Trabalho em Geoparques da UNESCO (Working Group on Geoparks)
Primeira Conferência de Geoturismo da Ásia Pacífico (First Asia Pacific Geotourism
Conference), em Hong Kong
2013 Grupo de Trabalho em Avaliação de Paisagem para Geodiversidade da IAG (IAG/LAG,
Landform Assessment for Geodiversity Working Group)
2014 Grupo de Especialistas em Geopatrimônio da IUCN (IUCN/GSG - Geoheritage Specialist
Group)
2015 Primeira Conferência Internacional em Geopatrimônio (First international conference on
geoheritage), organizada pela IUCN-GSG, em Huanjiang, China
Programa Internacional de Geociências e Geoparques (IGGP, Internacional Geoscience and
Geoparks Programme), da UNESCO
Geoparques Mundiais da UNESCO (UGG, UNESCO Global Geoparks), dentro do IGGP
2016 Comissão Internacional em Geopatrimônio da IUGS (IUGS/ICG, International Commission on
Geoheritage)

Como relacionado no quadro acima, as iniciativas vinculadas ao patrimônio geológico,


geodiversidade e geoconservação a nível internacional ganharam força e espaço
significativo entre aos anos 1990 e 2017. No caso brasileiro, faz-se alusão ao trabalho
desenvolvido pela Comissão Brasileira dos Sítios Geológicos e Paleobiológicos (SIGEP) e
ao Projeto Geoparques do Serviço Geológico do Brasil (CPRM), apresentando-se a
seguir os atuais mapas que mostram a distribuição espacial, respectivamente, dos 116
geossítios inventariados, descritos e publicados pela SIGEP (Winge et al., 2013) (Figura
14), e das 19 propostas de geoparques concluídas e publicadas pela CPRM
(Schobbenhaus & Silva 2012) (Figura 15).

Figura 14 - Mapa dos geossítios


inventariados, descritos e publicados
pela SIGEP (Winge et al., 2013, p.13)
30

Figura 15 - Mapa das 19


propostas de geoparques
concluídas e publicadas pela
CPRM (Schobbenhaus & Silva
2012, p.7)

A nível internacional, a geoconservação tem sido aplicada tanto por meio de iniciativas
com fins de proteção legal quanto para fins de divulgação e de geração de uma cultura
que conheça, entenda e proteja os elementos da geodiversidade. O Quadro 2 traz
alguns exemplos de áreas de proteção nas quais a geodiversidade tem sido protegida
de forma direta ou indireta.

Quadro 2 - Áreas de proteção da natureza (formais e informais) que podem proteger a geodiversidade direta ou
indiretamente (Dados da Pesquisa).

Designação
1 Área de gestão de espécies e habitat (Habitat/species management area, of IUCN)
2 Área de Proteção, Área de Proteção Ambiental, Área de Proteção Permanente, Área de
Conservação, Área de Conservação Marinha, Área de Conservação Natural, Área de
Interessa Natural
3 Área de vida selvagem (Wilderness area, of IUCN)
4 Área protegida de utilização sustentável dos recursos naturais (Protected area with
sustainable use of natural resources, of IUCN)
31

5 Floresta Nacional
6 Geomorfossítio
7 Geoparque Mundial da UNESCO (UNESCO Global Geoparks)
8 Geoparque nacional, Geoparque estadual e Geoparque municipal
9 Monumento Natural, Monumento Ecológico
10 Monumento ou feição natural (Natural monument or feature, of IUCN)
11 Museu, Ecomuseu, Museu a céu aberto, Centro de interpretação
12 Paisagem Protegida, Paisagem Cultural
13 Paisagem protegida terrestre/marinha (Protected landscape/ seascape, of IUCN)
14 Parque nacional (National park, of IUCN)
15 Parque Nacional, Parque Estadual e Parque Municipal
16 Pontos e Seções de Estratotipos de Limite Mundial (GSSP, Global Boundary Stratotype
Section and Point);
17 Reserva Científica
18 Reserva de Conservação da Natureza
19 Reserva natural estrita (Strict nature reserve, of IUCN)
20 Reserva Natural, Reserva Ecológica
21 Reservas da Biosfera da UNESCO (Biosphere Reserve, of UNESCO)
22 Sítio de Especial Interesse Científico (SSSI, Site of Sprecial Scientific Interest)
23 Sítio do patrimônio geológico/Geossítio/Ponto de interesse geológico (PIG, Punto de
Interés Geológico)/Lugar de interesse geológico (LIG)
25 Sítio Geológico-geomorfológico de Importância Regional (RIGS, Regional Important
Geological-Geomorphological Site)
26 Sítios do Patrimônio Mundial (World Heritage Site, of UNESCO)

Como pode ser visualizado no quadro acima, existe um grande número de áreas
potenciais para a proteção da geodiversidade, contudo grande parte delas apenas o
faz de forma indireta. As Categorias de Gestão de Áreas Protegidas da IUCN (IUCN
Protected Area Management Categories) (Dudley, 2008), por exemplo, fazem alusão
específica a feições geológicas/geomorfológicas (Reserva Natural Estrita), forma de
relevo, monte marinho, caverna submarina e caverna (Monumento ou Feição Natural).
Apesar disso, existe uma predominância significativa do enfoque direcionado à
biodiversidade quando comparada à geodiversidade ou ainda à sociodiversidade (esta
em especial coberta em Paisagem protegida terrestre/marinha, ou em Área protegida
de utilização sustentável dos recursos naturais). Em níveis nacionais, existem
instrumentos legais que definem claramente algunas conceitos da geodiversidade a
serem protegidos, como é o caso de um Decreto-Lei de Portugal (DL, 2008) que
especifica em seu preâmbulo os conceitos de geossítio e patrimônio geológico.
Também nessa direção se coloca um conjunto de leis espanholas que tratam
nomeadamente da conservação e gestão do patrimônio geológico e da
geodiversidade, incluindo uma lista dos principais contextos geológicos nacionais e as
unidades geológicas que os representam (DíazMartínez et al., 2008).

No caso brasileiro, Nascimento et al. (2008) afirmaram que, até o ano de 2006, 42 dos
62 parques nacionais tinham seus principais atrativos em elementos de
32

geodiversidade, embora sem reconhecer tal fato. Com efeito, o Sistema Nacional de
Unidades de Conservação da Natureza (SNUC, 2000) não conceitua especificamente
nem o patrimônio geológico nem a geodiversidade e tampouco prevê estratégias de
geoconservação. Ainda que conste como objetivo do sistema, "proteger as
características relevantes de natureza geológica, geomorfológica, espeleológica,
arqueológica, paleontológica e cultural" (SNUC, 2000, p.3), não especifica esses
conceitos e tampouco prevê a inclusão desses dentro de suas categorias de unidades
de conservação. Ou seja, faz alusão a elementos da geodiversidade, mas não propõe
mecanismos legais para a sua proteção ou conservação. O patrimônio geológico
brasileiro tem sido, portanto, protegido indiretamente, especialmente incluído nas
categorias Parque Nacional e Monumento Natural, ainda que o SNUC faça apenas
alusão, respectivamente, à preservação de ecossistemas naturais de grande relevância
ecológica e beleza cênica e a sítios naturais raros, singulares ou de grande beleza
cênica. Por fim, é possível também incluir o patrimônio geológico dentro da categoria
Área de Relevante Interesse Ecológico, a saber, como área de características naturais
extraordinárias.

1.4.3 Metodologias de geoconservação pós 1990

Embora ainda existam discussões quanto aos métodos a serem utilizados para a
proteção da geodiversidade, tem sido amplamente aceita a ideia de que a
geoconservação visa proteger especialmente áreas ou pontos da geodiversidade
chamadas de sítios geológicos ou geossítios (Henriques et al., 2011). Assim, os sítios
geológicos podem ser pequenos ou grandes em área, e mesmo objetivando uma
conservação não apenas dos gessítios, mas sim de processos geológicos maiores, em
escala de paisagem, a política mais efetiva tem sido a delimitação específica de pontos-
chave a serem protegidos. Isso se justifica também pela constatação já referida
anteriormente de que o risco de degradação pode vir da falta de informação acerca da
geodiversidade e, assim, mesmo para proteger uma paisagem em si, são necessários
locais pontuais, os geossítios, para o desenvolvimento de atividades geradoras de uma
cultura da Terra, capaz, portanto, de garantir uma proteção mais efetiva em grandes
escalas.

Por meio da unificação de tendências metodológicas, incluídas as pioneiras do final do


século XX (Sharples, 1993; Wimbledon et al., 1995) até as mais atuais (Brilha, 2005;
Reynard et al., 2007; Bruschi, 2007; Bruschi & Cendrero, 2009; Lima et al., 2010;
Coratza et al., 2011; Fassoulas et al., 2012; García-Cortés et al., 2014), tem sido
proposto um padrão metodológico para a geoconservação (Henriques et al., 2011;
Brilha, 2015), o qual se estrutura em cinco passos metodológicos específicos:

1) inventário;
33

2) valoração;

3) conservação;

4) valorização; e

5) monitoramento.

Inventário e valoração são passos relacionados à possibilidade de conhecer grande


parte da geodiversidade de uma região e gerar índices numéricos absolutos ou valores
relativos capazes de definir hierarquia entre os elementos inventariados e valorados.
Tal hierarquização pode posteriormente servir para a definição de prioridades de
conservação, assim como permitir a posterior comparação dos resultados com os de
outras localidades (Sharples, 1993; Wimbledon et al., 1995, 2000; Brilha, 2005, 2015;
Lima et al., 2010, Henriques et al., 2011). O inventário deve ser potencializado pela
definição de um ou mais objetivos claros, como por exemplo, identificar geossítios
representativos de assuntos temáticos das geociências ou de enquadramentos
geológicos específicos (Wimbledon et al., 1995, 2000; Lima et al., 2010; Dingwall et al.,
2005), a exemplo de províncias geotectônicas, eras cronoestratigráficas, história
geológica, entre outros. O inventário pode ser realizado em diferentes escalas, desde a
global até a local, podendo abranger países ou de parques nacionais, etc.

A nível mundial, por exemplo, uma interessante avaliação dos Sítios do Patrimônio
Mundial (WHC, 2015) relacionados com o geopatrimônio foi feita por Dingwall et al.,
(2005). Nesse estudo, os autores avaliaram a representatividade dos sítios da lista do
patrimônio mundial para representar o registro da história da vida na Terra em termos
de evidências fossilíferas. Ao final, evidenciaram uma ausência total de sítios
representativos dos períodos Precambriano e Siluriano e das épocas Paleoceno,
Oligoceno e Plioceno (Dingwall et al., 2005) (Figura 16). Vale enfatizar que o Paleoceno
é a época geológica marcada pelo surgimento dos primeiros primatas, evento biológico
de fundamental importância para os humanos.

Figura 16 - Períodos (sic) do tempo geológico que testemunham a evolução da vida na Terra e sua
proteção internacional em termos de sítios fossilíferos designados como Sítios do Patrimônio
Mundial, para 2005 (Dingwall et al., 2005, p.10).
34

O procedimento de valoração de geossítios tem sido realizado com base em uma série
de indicadores, os quais podem ser agrupados de forma geral em três grandes grupos:
(1) valores da geodiversidade; (2) potenciais de uso; e (3) riscos de degradação
(Henriques et al., 2011; Gray, 2013; García-Ortiz et al., 2014; Brilha, 2015). Ainda que a
avaliação qualitativa tenha papel fundamental na marcação de premissas da
geoconservação, os métodos quantitativos (Brilha, 2005, 2015; Reynard et al., 2007;
Bruschi, 2007; Bruschi & Cendrero, 2009; Lima et al., 2010; Coratza et al., 2011;
Fassoulas et al., 2012; García-Cortés et al., 2014; Fontana et al., 2015) têm sido
utilizados como “uma tentativa de reduzir a subjetividade que está sempre envolvida
em qualquer seleção ou valoração” (Henriques et al., 2011, p. 120). Brilha (2015), em
artigo dedicado à revisão das metodologias de inventário e valoração, propõe que as
valorações sejam guiadas pelos quatro seguintes grupos de critérios:

A. Valor Científico: (1) representatividade; (2) localidade tipo; (3)


conhecimento científico; (4) integridade; (5) diversidade geológica; (6)
raridade; e (7) limitações de uso;

B. Potencial de Uso Educacional: (8) vulnerabilidade; (9) acessibilidade; (10)


limitações de uso; (11) segurança; (12) logística; (13) densidade
populacional; (14) associação com outros valores; (15) beleza cênica; (16)
singularidade; (17) condições de observação; (18) potencial didático; e (19)
diversidade geológica;

C. Potencial de Uso Turístico: (20) vulnerabilidade; (21) acessibilidade; (22)


limitações de uso; (23) segurança; (24) logística; (25) densidade
populacional; (26) associação com outros valores; (27) beleza cênica; (28)
singularidade; (29) condições de observação; (30) potencial para
interpretação; (31) faixa econômica; e (32) proximidade de áreas
recreacionais;

D. Risco de Degradação: (33) deterioração de elementos geológicos; (34)


proximidade de áreas/atividades com potencial para causar degradação;
(35) proteção legal; (36) acessibilidade; (37) densidade populacional;

A proposição acima sumarizada é implementada pela atribuição de valores numéricos


de 1 a 4 aos 37 critérios estabelecidos nos quatro grupos, sendo cada critério
ponderado por um peso pre-estabelecido pela metodologia (Brilha, 2015). Por
exemplo, para Valor Científico (grupo A), a representatividade (critério 1) tem peso de
30%, a localidade tipo (critério 2) tem 20%, e assim por diante, gerando ao final uma
valoração ponderada dos geossítios inventariados. Com base nos valores gerados,
diferentes estratégias de geoconservação podem ser definidas, resguardando, por
exemplo, áreas com alto risco de degradação apenas para usos como pesquisa
científica, e priorizando áreas com alto potencial turístico ou educativo, por exemplo,
35

para o desenvolvimento de geoturismo ou de aulas de campo para colégios e


universidades.

Em geral, os inventários e valorações têm sido elaborados dando maior ênfase aos
critérios referentes aos valores geocientíficos dos geossítios, embora Pena-dos-Reis &
Henriques (2009) atentem para a importância da integração dos vieses científico e
social a fim de se alcançar políticas de geoconservação mais efetivas. O advento dos
geoparques também se mostra como importante tencionador das metodologias no
sentido de torná-las mais abrangentes e versáteis a depender do objetivo que o
inventário e a valoração têm. Por exemplo, um fotógrafo que visita um geoparque
buscará preferencialmente os geossítios de grande beleza cênica, enquanto para um
geólogo, pode ser mais atraente visitar um geossítio de interesse científico (ver Figura
13). Para mais reflexões quanto às metodologias de valoração, por hora consultar
Brilha (2005, 2015); Reynard et al. (2007); Bruschi (2007); Bruschi & Cendrero (2009);
Lima et al. (2010); Coratza et al. (2011); Fassoulas et al. (2012); García-Cortés et al.
(2014); e Fontana et al. (2015).

Tendo em mãos os valores gerados no procedimento anterior e tendo-se procedido à


uma análise das diferentes opções de uso da geodiversidade inventariada, passa-se ao
procedimento de conservação. Esse passo metodológico tem como objetivo a busca
por ações de proteção direta da geodiversidade, devendo ser focado especialmente no
enquadramento legal dos geossítios valorados como mais significativos a fim de
alcançar a proteção efetiva do patrimônio geológico em questão. As legislações variam
conforme cada país ou parte administrativa, devendo-se buscar o enquadramento
legal do patrimônio geológico nos âmbitos mais acessíveis, como em leis municipais,
para posteriormente serem buscados mecanismos em níveis estaduais, nacionais e
ainda internacionais (Brilha, 2005, 2015; Nascimento et al., 2008; Henriques et al.,
2011; Gray, 2013; Dudley, 2008; UNESCO, 2016).

Os procedimentos de valorização estão associados às estratégias de interpretação,


divulgação e uso dos geodiversidade ou dos geossítios, tais como:

 itinerários, rotas, trilhas, percursos interpretativos e/ou educativos, de


observação e fruição (Conway, 2010; Minvielle & Hermelin, 2011; Fernández-
Martínez et al., 2011; Wrede & Mügge-Bartolović, 2012; Belmonte Ribas,
2013a, b; Palladino et al., 2013; Garofano, 2014; Fontana et al., 2015);

 livros-guia de campo (Hilário, 2012; );

 livros fotográficos (Carballo & Hilário, 2010);

 filmes, recursos digitais variados, sítios eletrônicos (Gorritiberea & Hilário,


2009; Magagna et al., 2013; Martínez-Graña et al., 2013);
36

 programas educativos (Catana, 2009; Vegas et al., 2012; AGA, 2013; Fuertes-
Gutiérrez & Fernández-Martínez, 2014);

 painéis interpretativos, maquetes, réplicas de fósseis e/ou seres vivos antigos


(Mansur, 2009; Moreira, 2012; Stewart & Nield, 2013);

 jornais locais, revistas (APRODERVI, 2013; Earth Heritage, 2014);

 museus, ecomuseus, museus a céu aberto, centros interpretativos (Reis et al.,


2014); etc.

Por fim, os procedimentos de monitoramento são propostos para fiscalização dos usos
dos geossítios em termos de sua eficácia na divulgação do conteúdo geocientífico,
impacto local gerado pela visitação aos geossítios e acompanhamento em geral dos
fatores intrínsecos e extrínsecos que influenciam os geossítios (Buckley, 2003; Brilha,
2005, 2015; Becker, 2008; Garcia-Ortiz et al., 2014).

Ainda que a atenção à geoconservação e à geodiversidade tenha crescido em


diferentes setores da sociedade, ainda existe uma clara predominância do assunto em
círculos acadêmicos. O desenvolvimento de políticas de geoconservação se faz
necessário tanto para o proteção legal do patrimônio geológico quanto para a sua
inclusão nos temas da cultura. Nesse sentido, mostram-se como aliadas e
complementares tanto as metodologias e ações de geoconservação mais voltada para
os valores científico-educativos e intrínsecos da geodiversidade (Wimbledon et
al.,1995, 2000; Lima et al., 2010; Ellis, 2011; Gray, 2011; García-Cortés et al., 2014;
Brilha, 2015; Fontana et al., 2015) quanto para as funções ecológicas (Sharples, 1993,
2002; EN, 2003, 2004; Cottle, 2004; Stace & Larwood 2006; Gray et al., 2013; Gray,
2013; Anderson et al., 2015, Comer et al., 2015), filosóficas, de lazer e de estética
desses elementos (Prikryl & Smith, 2007; Martini, 2009, Hose, 2008, 2016), entre
outras.

Para além, as finalidades das diferentes abordagens da geoconservação convergem em


um momento histórico no qual a degradação da geodiversidade é potencializada pela
urbanização excessiva do mundo (UN-DESA, 2017) e pelo distanciamento da
humanidade em relação aos temas da Terra, ou seja, do ambiente em que vivem
(Menegat, 2009; Menegat & Fontana, in press). Sendo assim, se fazem necessários
estudos teóricos e experiências práticas que busquem reaproximar a sociedade de seu
ambiente com vistas à sustentabilidade. Necessariamente vinculando patrimônios
geológicos de valor internacional com estratégias de desenvolvimento sustentável
regional, os Geoparques Mundiais da UNESCO se mostram como instrumentos com
alta capacidade para contribuir aos desafios do século XXI.
37

1.4.4 Geoparques Mundiais da UNESCO e o advento da geoconservação


para a sustentabilidade

Os Geoparques Mundiais da UNESCO (UGG, UNESCO Global Geoparks) representam


uma mudança paradigmática na história da conservação geológica (ver Quadro 1).
Tendo suas origens conceituais remetentes à questão ambiental do final do século XX
e início do século XXI (Meadows et al., 1972, 1992, 2004; UNESCO, 1972; WCED, 1987;
UN, 1992, 1998, 2000; IPCC, 1992, 1996, 2001, 2007; DD, 1994), os geoparques são
propostos dentro do paradigma do desenvolvimento sustentável e, portanto, devem
aliar cuidado ambiental, justiça social e desenvolvimento econômico. Dessa forma, a
tradicional conservação geológica, dedicada à catalogação e caracterização dos
elementos abióticos da Terra a serem patrimoniados (Wimbledon et al., 1995, 1999;
García-Cortés et al., 2001, Schobbenhaus et al., 2002; Brilha et al., 2005; Winge et al.,
2009, 2013; Ellis, 2011), passa a ter a necessidade de aliar esse patrimônio geológico
aos temas socioculturais, sendo essa transição acompanhada pelo desenvolvimento de
novos conceitos e métodos que compõem a atual geoconservação (Gray, 2004, 2008,
2013; Brilha, 2005, 2015; Bruschi, 2007; Reynard et al., 2007, 2016; Henriques et al.,
2011; Fassoulas et al., 2012; García-Cortés et al., 2014; Errami et al., 2015; Fontana et
al., 2015; UNESCO 2016a, b, 2017).

Durante seu processo de construção teórica, o conceito de geoparques sensu UNESCO


migrou de Reservas de Geossítios, em 1997, à Geoparques Mundiais, em 2013, sendo
oficializado como Geoparques Mundiais da UNESCO, em 2015. A observação das
publicações históricas que se referiram a esse novo conceito, então em consolidação,
testemunha o tom unísono no que se refere aos objetivos dos geoparques. Assim,
desde gestão sustentável, em 1997, a desenvolvimento sustentável local, em 1999, os
geoparques foram sempre abordados dentro do paradigma da sustentabilidade. O
Quadro 3 sumariza alguns marcos históricos internacionais publicados durante a
construção do conceito de geoparques sensu UNESCO.
Quadro 3 - Marcos históricos internacionais da história do conceito de geoparques sensu UNESCO. Em cinza,
questões que enfatizaram África e América Latina. Em verde, estabelecimento oficial do Geoparques Mundiais da
UNESCO. Em laranja, vigência atual do Projeto e Orçamento da UNESCO (Dados da Pesquisa a serem traduzidos)

Ano Conceito chave Citação Documento


An additional initiative is the proposal by UNESCO’s
Division of Earth Sciences, to establish a World Network
of Geosite Reserves similar to Biosphere Reserves.
Geosite Reserves should serve a variety of purposes
Proposta de Rede IGCP, 1997, p.15
1997 including research, sustainable management and
Global de Reservas de
/jun development of mineral resources, but should also
Geossítios
include aspects of protection, education, training and
development of ‘ eco-tourism’. These reserves would fall
between the World Heritage Sites and sites of purely
local significance.
38

[General Conference 29] UNESCO, 1997,


p.38
Based on IGCP projects focusing on environmental and
1997 Iniciativas para rede
social aspects in the field of the basic and applied Aprovado em
/out global de geo-sítios
geosciences [...] Initiatives will also be taken to promote UNESCO, 1998
a global network of geo-sites having special geological (*sem modificações
features. significativas
'UNESCO Geoparks Programme' - an inniciative...

A geopark will be a dedicated area enclosing features of


special geological significance, rarity or beauty [...]
Progresso no UNESCO, 1999a,
Besides the possibilities provided for scientific research
1999 desenvolvimento de p.2 e 3
and broad environmental education, a geopark may have
/abr um programa
great potential for local sustainable development [...]
geoparques da UNESCO
The Executive Board, [...] takes note of the progress
made in developing a geoparks programme and invites
the Director-General to promote the geoparks
programme.
[General Conference 30]

Finding sound solutions to the key issues of socially and


environmentally sustainable development will be the UNESCO, 1999b,
main thrust of Programme II.2 “Science, environment p.63 e 78
Desenvolver o and socioeconomic development”. [...] The General
1999
Programa Geoparques Conference authorizes the Director-General to Aprovado em
/nov
da UNESCO implement the following plan of action in order to: (i) UNESCO 2000
promote modern earth system management, (*sem modificações
international cooperation and capacity-building in earth significativas
sciences through the International Geological Correlation
Programme (IGCP), [...] by developing the UNESCO
Geoparks Programme to enhance geological heritage.
The European Geoparks Network was established in June
2000 by four regions of different European Countries—
France, Germany, Spain and Greece—with similar natural
and socioeconomic characteristics. These four regions
are rural areas, with a particular geological heritage,
Estabelecimento da natural beauty and high cultural potential, all facing
2000 Zouros, 2004,
Rede Europeia de problems of slow economic development,
/jun p.165
Geoparques unemployment and a high level of emigration. [...] Its
main objective is to cooperate on the protection of the
geological heritage and the promotion of sustainable
development in their territories. [...] The main guidelines
used in this effort were those of UNESCO's Division of
Earth Sciences for the creation of UNESCO geoparks.
The Global Geoparks Network (GGN) was founded in
2004 as an international partnership developed under
the umbrella of UNESCO and serves to develop models of
2004 Fundação da Rede GGN, 2016, p.1 -
best practice and set quality-standards for territories
/fev Mundial de Geoparques statutes
that integrate the protection preservation of Earth
heritage sites in a strategy for regional sustainable
economic development.
39

In 2007, during the First Asia Pacific Geoparks


Symposium held in Langkawi Global Geopark, due to an
Estabelecimento da overwhelming request from the Asian members, the Asia
Komoo, 2013,
2007 Rede de Geoparques da Pacific Geoparks Network (APGN) was established. The
p.11
Ásia e Pacífico purpose of APGN is to help GGN promote the idea of
geoheritage conservation and develop quality geoparks
in the Asia Pacific region.
The African Geoparks Network (AGN) was created to
increase the awareness of the local population and
Criação da Rede decision makers regarding the need for sustainable use
2009 Errami et al.,
Africana de and management of geoheritage in particular for the
/mai 2015, p.3
Geoparques benefit of local socio-economic sustainable
development targets through the promotion of both
geotourism and the creation of unique geoparks.
[General Conference 36]

IGCP’s research, education and capacity building


Estímulo à interação e
activities were tasked to become directly relevant for
criação de redes
sustainable development with a particular focus on
nacionais e regionais
Africa. [...] The profile of the geoparks network in earth
de geoparques a UNESCO, 2011,
science education and capacity building will be raised.
exemplo das p.97-98
experiências Europeia
Expected result 20: Sciences research, education and
e Asiática. Aprovado em
capacity-building for sustainable development
strengthened, with a particular focus on Africa. UNESCO 2012
Foco principal na (*sem modificações
criação de geoparques significativas
Performance indicators: Creation of geoparks building
na África e da primeira
on European and Asian experience in and networking
rede regional na
activities between geoparks nationally and regionally
América Latina

2011 Benchmarks: at least two geoparks in Africa created and


/out the first regional network in Latin America initiated
(a) to continue to improve cooperation between
UNESCO and the Global Geoparks Network (GGN) and
to strengthen the global development of geoparks
while improving the quality standards they have already
developed,
Resolução aprovada
para possibilidade de [...]
formalização de um
UNESCO, 2012b,
Programa (c) to explore, in consultation with Member States, the p. 33-34
Internacional de possibilities of formalizing the current geoparks
Geoparques da initiative, inter alia, by examining the possibility of
UNESCO transforming it into an international UNESCO geoparks
programme or initiative, including the financial and
administrative implications thereof,
40

[General Conference 37]

A re-focused International Geoscience Programme


(IGCP) will build on its past experience to increase
North-South and, especially, South-South cooperation
between geoscientists on the key thematic areas of
geohazards, use of natural resources and climate
Manutenção do change. [...] UNESCO will continue to support with the
suporte da UNESCO à other partners the Global Geoparks Network (GGN) to
Rede Mundial de lead in working with local communities to help them
Geoparques build a strong network of collaboration in earth science
at the grass-roots level for sustainable development
and peace-building, in particular in Africa and Latin
Sítios da UNESCO America.
como locais de
aprendizado ao Expected result 9: Global cooperation in the ecological
desenvolvimento and geological sciences expanded and UNESCO
sustentável designated sites used as learning places for sustainable
development

Desenvolver a Rede Performance indicators: Development of the Global


Global de Geoparques Geoparks Network and advancement of the Global UNESCO, 2013,
e avançar no conceito Geoparks concept p.82-83
de Geoparque
Benchmarks: At least 40 new Global Geoparks created,
four of them transnational and with targeted
Foco em particular na development of new Global Geoparks in Africa and Latin Aprovado em
África e na América America UNESCO 2014
(*sem modificações
2013 Latina significativas
/fev -----

MP III - Social and human sciences;

Global Priority Africa


Establishment of Global Geoparks will be promoted and (continuação)
the IGCP will remain a key driver for research and UNESCO, 2013,
scientifi c capacity building in the region p. e 124

Expected result 4: Cross-border cooperation


frameworks, providing for agreed and appropriate
management tools, established for the main
hydrological basins in Africa and for the sustainable use
of ecosystems shared by States. Special attention will
be paid to establishing joint initiatives among
indigenous and scientifi c knowledge holders to co-
produce knowledge to meet the challenges of global
Geoparques Mundiais change (implemented by MP II)
começam a ser
incluídos em outros Performance indicators: Number of cross-border
Programas Principais initiatives for biosphere reserves, world heritage sites
da UNESCO and global geoparks supported by consultation and
coordination within an appropriate cooperation and
management framework

Benchmarks: At least 2 cross-border initiatives at the


consultation and coordination phase
41

This document is based on the outcome of seven


meetings of the Working Group on Geoparks held since
Projeto de Estatutos 2013 with Member States, National Commissions, the
do Programa Global Geoparks Network (GGN), and the International
Internacional de Union of Geological Sciences (IUGS) and proposes the
UNESCO, 2015a,
Geociências e parameters of possible UNESCO Global Geopark
p.1
Geoparques activities within an International Geoscience and
Geoparks Programme (IGGP).
Projeto de Diretrizes
Operativas para os [...]
Geoparques Mundiais
da UNESCO this document presents to the Executive Board draft
statutes of the proposed IGGP and draft Guidelines of
UNESCO Global Geoparks
[General Conference 38]
2015
/mar
The UNESCO-supported Global Geoparks Network
promotes the establishment of sites of outstanding
geological value which are the basis of local sustainable UNESCO, 2015b,
Rede Mundial de development. UNESCO will continue to support these p.63-64
Geoparques com programmes together with partner organizations.
suporte da UNESCO
Expected result 7: Global cooperation in the ecological Aprovado em
Foco em particular na and geological sciences expanded UNESCO 2016a
África e na América (*com modificações
Latina Performance indicators 4: The number of Member significativas. Ver
States with Global Geoparks 2016/fev)

Targets 2017: At least 40 new Global Geoparks


designated, four of them transnational, in particular in
Africa and Latin America.
Proposta de resolução [Resolução proposta para a futura General Conference 38]
para aprovar o Projeto
de Estatutos do The present document invites the General Conference
Programa to approve the proposals of the Executive Board
Internacional de concerning the Statutes and guidelines of IGGP, as well UNESCO, 2015c,
2015 Geociências e as the establishment of UNESCO Global Geoparks p.1
/set Geoparques; e Projeto within the International Geoscience and Geoparks (*adotada em
de Proposta das Programme (IGGP) and the inclusion therein of all UNESCO, 2016)
Diretrizes existing Global Geoparks as UNESCO Global Geoparks.
Operacionais para os
Geoparques Mundiais
da UNESCO
Proposta aprovada da [General Conference 38]
resolução que
oficializou os Estatutos The General Conference, [...]
do Programa
Internacional de 1. Approves the Statutes of the International
Geociências e Geoscience and Geoparks Programme (IGGP) as well as
2015 Geoparques; the operational guidelines for UNESCO Global Geoparks
/nov which will permit the use of a linked logo and the name UNESCO, 2016b
e “UNESCO Global Geoparks” in accordance with the
2007 Directives concerning the use of the name,
estabeleu os acronym, logo and Internet domain names of UNESCO
Geoparques Mundiais [...];
da UNESCO
2. Decides to replace the Statutes of the International
42

Geoscience Programme [...] with the Statutes of the


International Geoscience and Geoparks Programme
(IGGP);

3. Also approves the establishment of UNESCO Global


Geoparks within the International Geoscience and
Geoparks Programme (IGGP) and the inclusion therein
of all existing Global Geoparks as UNESCO Global
Geoparks [...].
Estatutos do Programa Internacional de Geociências e
Geoparques (Statutes of the International Geoscience
and Geoparks Programme); Diretrizes Operativas para
os Geoparques Mundiais da UNESCO (Operational
Publicações oficiais da
Guidelines for Unesco Global Geoparks)
UNESCO em relação
ao Programa
Dossiê de Candidatura para os Geoparques Mundiais da
2016 Internacional de UNESCO, 2016c,
UNESCO (Application dossier for UNESCO Global
/jan Geociências e d, e, f
Geoparks)
Geoparques e aos
Geoparques Mundiais
Documento de Avaliação - A / Auto Avaliação
da UNESCO
(Evaluation Document - A / Self Evaluation)

Documento de Avaliação - B / Avaliação de Progresso


(Evaluation Document - B / Progress Evaluation)
43

UNESCO through the UNESCO Global Geoparks will


work with local communities to help them build a
strong network of collaboration in earth science at the
grass-roots level for sustainable development and
peacebuilding, in particular in Africa and Latin America.

Geoparques Mundiais Expected Result 7: Global cooperation in the geological


da UNESCO em sciences expanded
funcionamento
Performance indicators 4: The number of Member
States with UNESCO Global Geoparks
Foco para a criação de
novos geoparques em Targets 2017: At least 20 Member States with new
regiões atualmente Global Geoparks created with targeted development of
pouco representadas, new Global Geoparks in regions of the world currently
como África e América under-represented
Latina

------- UNESCO, 2016a,


2016
p.109-110 e 160
/fev
MP III - Social and human sciences; (aprovado)

Expected result 4: Cross-border cooperation


frameworks, providing for agreed and appropriate
management tools, are established for the main
hydrological basins in Africa and for the sustainable use
of ecosystems shared by States. Special attention will
be paid to establish joint initiatives among indigenous
and scientific knowledge holders to co-produce
Geoparques Mundiais knowledge to meet the challenges of global climate
da UNESCO incluídos change (through the contribution of MP II)
em outros Programas
Principais da UNESCO 2. Number of cross-border initiatives for biosphere
reserves, World Heritage sites and Global Geoparks
supported by consultation and coordination within an
appropriate cooperation and management framework
[Targets 2017] - At least 2 cross-border initiatives at the
consultation and coordination phase for biosphere
reserves, World Heritage sites and Global Geoparks

Pela compilação de documentos acima citados em termos de trechos específicos


fica claro que os geoparques sensu UNESCO foram sempre propostos na
interfase das ciências geológicas com outros temas, em especial aqueles do
manejo e desenvolvimento sustentável de territórios. Todas as iniciativas que
estabeleceram redes regionais de geoparques antes da oficialização dos
Geoparques Mundiais da UNESCO seguiram os mesmo pressupostos de
sustentabilidade dessas ações. A Rede Européia de Geoparques, pioneira no
estabelecimento de fato de geoparques, teve seu substrato conceitual embasado
nas discussões feitas no âmbito da UNESCO. Como verificável no trecho de
autoria de Nickolas Zouros, a saber, um dos fundadores da Rede Européia de
Geoparques,
44

As principais diretrizes utilizadas neste esforço foram aquelas da Divisão de


Ciências da Terra da UNESCO para a criação de geoparques da UNESCO,
uma iniciativa que começou em 1997 (Zouros, 2004, p.165).

O autor, representante na época do Museu de História Natural da Floresta


Petrificada de Lesvos, Grécia (Natural History Museum of the Lesvos Petrified
Forest), um dos primeiros quatro geoparques do mundo, ainda afirmou, sobre o
processo de estabelecimento de geoparques, que
Embora uma grande quantidade de trabalho sobre a proteção do
patrimônio da Terra já tenha sido realizada em diferentes países,
especialmente após o congresso de Digne em 1991, essa foi a primeira vez
que um esforço sério foi realizado para atender tanto a questão científica
da proteção e conservação dos objetos geológicos, quanto as necessidades
da sociedade em que estes objetos geológicos são encontrados (Zouros,
2004, p.165).

Aprovados oficialmente em novembro de 2015, na ocasião da 38a Conferência Geral da


UNESCO (UNESCO, 2016b), os Geoparques Mundiais da UNESCO foram estabelecidos
dentro do então aprovado Programa Internacional de Geociências e Geoparques
(IGGP, International Geoscience and Geoparks Programme) da UNESCO. Esse programa
se encontra regulado pelos Estatutos do Programa Internacional de Geociências e
Geoparques (UNESCO, 2016c), sendo integrado pelos Geoparques Mundiais da
UNESCO e pelo Programa Internacional de Geociências (IGCP, International Geoscience
Programme) e com vínculo institucionsal na Divisão de Ciências Ecológicas e da Terra
do Setor de Ciências Naturais (SC/EES, Sector of Natural Sciences/Division of Ecological
and Earth Sciences) da UNESCO.

Em conjunto com os estatutos do IGGP também foi publicado o documento Diretrizes


Operativas para os Geoparques Mundiais da UNESCO (Operational Guidelines for
UNESCO Global Geoparks) (UNESCO, 2016c), sendo esse instrumento a base para o
funcionamento dos geoparques. Segundo as diretrizes,

Os Geoparques Mundiais da UNESCO são áreas únicas e unificadas nas


quais são manejados sítios e paisagens de importância geológica
internacional com um conceito holístico de proteção, educação, pesquisa e
desenvolvimento sustentável. A importância geológica internacional de um
Geoparque Mundial da UNESCO é determinada por cientistas profissionais,
membros de uma "equipe de avaliação dos Geoparques Mundiais da
UNESCO", a qual efetua uma avaliação globalmente comparativa
embasada em pesquisas publicadas e revisadas por pares conduzidas em
sítios geológicos da área. Os Geoparques Mundiais da UNESCO utilizam o
patrimônio geológico, em conexão com todos os demais aspectos do
45

patrimônio natural e cultural dessa área, para melhorar a conciência e a


compreensão de questões essenciais que se mostram à sociedade no
contexto do planeta dinâmico em que todos nós vivemos (UNESCO, 2016c,
p.7).

Como nova categoria de Sítio Designado como da UNESCO (UNESCO site-designated),


os Geoparques Mundiais da UNESCO configuram-se como um dos três mais
importantes sítios da UNESCO, estando hierarquicamente ao lado dos Sítios do
Patrimônio Mundial e das Reservas da Biosfera (UNESCO, 2016c). Nesse novo patamar
de recinhecimento, os Geoparques Mundiais da UNESCO inauguram duas transições
paradigmáticas na história geocientífica a nível mundial: (1) existência do primeiro
instrumento mundial da história destinado especificamente à proteção do patrimônio
geológico; e (2) vínculação condicional da gestão do patrimônio geológico com os
temas da sustentabilidade das comunidades detentoras desse patrimônio.

1.4.5 Implementação de geoparques e desafios na América Latina

Em conjunto com os estatutos do IGGP, o documento Diretrizes Operativas dos


Geoparques Mundiais da UNESCO (UNESCO, 2016c) são a base conceitual e reguladora
da atividades referentes ao geoparques mundiais. Importante marco comum, as
diretrizes da UNESCO estabelecem um padrão para as iniciativas que buscam
desenvolver os geoparques sensu UNESCO. É nesse documento que se encontram
respostas para muitas dúvidas, desde as mais fundamentais, por exemplo, o conceito
básico de um geoparque, até as mais específicas, como em relação a estrutura
institucional que os geoparques devem ter. O Quadro 4 apresenta os itens que
compõem o documento em sua tradução para o português, bem como em duas das
línguas oficiais da UNESCO, o espanhol e o inglês.

Quadro 4 - Itens das Diretrizes Operativas dos Geoparques Mundiais da UNESCO (UNESCO, 2016c)

Item Português Espanhol Inglês


1 INTRODUÇÃO INTRODUCCIÓN INTRODUCTION
2 CONCEITOS BÁSICOS CONCEPTOS BÁSICOS THE BASIC CONCEPTS
Los geoparques mundiales de
Os Geoparques Mundiais da UNESCO no UNESCO Global Geoparks
la UNESCO en el Programa
within UNESCO’s
2.1 Programa Internacional de Geociências e Internacional de Ciencias de la
International Geoscience and
Geoparques Tierra y Geoparques de la
Geoparks Programme
UNESCO
Geoparques mundiales de la
2.2 Geoparques Mundiais da UNESCO UNESCO
UNESCO Global Geoparks

2.3 Utilização de logotipos Utilización de logotipos Use of logos


2.4 Representação geográfica Representación geográfica Geographical representation
CRITERIOS QUE DEBEN
CRITÉRIOS QUE DEVEM CUMPRIR OS CRITERIA FOR UNESCO
3 CUMPLIR LOS GEOPARQUES
GLOBAL GEOPARKS
GEOPARQUES MUNDIAIS DA UNESCO MUNDIALES DE LA UNESCO
ESTRUCTURA INSTITUCIONAL THE INSTITUTIONAL
4 ESTRUTURA INSTITUCIONAL E FUNÇÕES Y FUNCIONES STRUCTURE AND FUNCTIONS
Conselho dos Geoparques Mundiais da Consejo de los Geoparques UNESCO Global Geoparks
4.1 Mundiales de la UNESCO Council
UNESCO
46

Secretaria dos Geoparques Mundiais da Mesa de los geoparques UNESCO Global Geoparks
4.2 mundiales de la UNESCO Bureau
UNESCO
Equipo de evaluación de los
Equipe de avaliação dos Geoparques UNESCO Global Geoparks
4.3 geoparques mundiales de la
Evaluation Team
Mundiais da UNESCO UNESCO
Comités Nacionales de National Geopark
4.4 Comitês Nacionais de Geoparques Geoparques Committees
Rede mundial e redes regionais de Red mundial y redes Regional and Global Geopark
4.5 regionales de geoparques networks
geoparques
PROCEDIMIENTO DE THE APPLICATION
5 PROCEDIMENTO DE SOLICITAÇÃO SOLICITUD PROCEDURE
5.1 Introdução Introducción Introduction
5.2 Candidatura Candidatura Nomination
5.3 Avaliação Evaluación Evaluation
5.4 Exame das solicitações Examen de las solicitudes Applications review
Recommendations and
5.5 Recomendações e decisões Recomendaciones y decisiones
decisions
5.6 Processo de revalidação Proceso de revalidación Revalidation process
6 FINANCIAMENTO FINANCIACIÓN FINANCING
7 SECRETARIADO SECRETARÍA SECRETARIAT
8 CRIAÇÃO DE CAPACIDADE CREACIÓN DE CAPACIDADES CAPACITY-BUILDING

Dentre os oito itens principais formadores do documento referido (UNESCO, 2016c),


destaca-se o item 5, o qual se refere ao Procedimento de Solicitação. Esse
procedimento deve ser realizado por todos aqueles geoparques nacional que aspiram
ao título internacional de Geoparque Mundial da UNESCO e envolve um passo-a-passo
com duração de pelo menos um ano até que a solicitação seja ou recusada ou aceita,
existindo prazos estabelecidos para cada passo (Figura 17).

Os passos que envolvem o Procedimento de Solicitação para a UNESCO começam com


a apresentação de um Documento de Solicitação (UNESCO, 2016d), ao qual se anexam
cinco outros documentos. O conjunto total do documento é encaminhado para a
UNESCO, sendo avaliado por especialistas da UNESCO em parceria com a União
Internacional das Ciências Geológicas (IUGS, International Union of Geological
Sciences). O documento é composto dos seguintes itens principais: (A) Identificação da
Área, com 5 subitens; (B) Patrimônio Geológico, com 4 subitens; (C) Geoconservação,
com 3 subitens; (D) Atividade Econômica y Plano de Negócio (incluindo informação
financeira detalhada), com 6 subitens; e (E) Interesse e argumentos para tornar-se um
Geoparque Mundial da UNESCO (Figura 18 e Figura 19).

Dentre os anexos referidos, um dos mais importantes é o Documento de auto-


avaliação (UNESCO, 2016e) (Figura 20), o qual constitui-se numa avaliação quantitativa
realizada, primeiro pelos proponentes do geoparque aspirante, e, caso a solicitação
avance, posteriormente verificada por uma equipe de avaliadores da UNESCO durante
avaliação em campo na área do geoparque aspirante. O documento tem os seguintes
itens principais: (I) Geologia e Paisagem; (II) Estrutura de Gestão, (III) Educação
Ambiental e Interpretação; (IV) Geoturismo; e (V) Desenvolvimento Econômico
Regional Sustentável.
47

Figura 17 - Esquema do Processo de Solicitação ao título de Geoparque Mundial da UNESCO (UNESCO, 2017, p.13)
48

Figura 18 - Esquema (pg. 1 de 2) do Documento de Solicitação da UNESCO que deve ser entregue pelo geoparque
nacional aspirante ao título internacional UNESCO, 2017, p.14)
49

Figura 19 - Esquema (pg. 2 de 2) do Documento de Solicitação da UNESCO que deve ser entregue pelo geoparque
nacional aspirante ao título internacional UNESCO, 2017, p.15)
50

Figura 20 - Visão geral do Documento de auto-avaliação requerido pela UNESCO durante o Processo de Solicitação ao
título de Geoparque Mundial da UNESCO (UNESCO, 2016e)
51

Figura 21 - Exemplo da planilha de valoração, na categoria Geologia e Paisagem (1.1), do Documento de auto-
avaliação requerido pela UNESCO durante o Processo de Solicitação ao título de Geoparque Mundial da UNESCO
(UNESCO, 2016e)

Conforme se pode constatar pela observação dos passos anteriormente expostos, o


desenvolvimento de uma solicitação ao título de geoparque UNESCO é um processo
que envolve um longo tempo de trabalho minucioso e envolve uma série de atores a
nível local, regional e nacional das regiões aspirantes. Salienta-se também, que entre
os requisitos estipulados pela UNESCO, é preciso comprovar que o funcionamento do
geoparque aspirante já tem o padrão de um geoparque por pelo menos um ano. Isso
se dá por meio da comprovação de atividades administrativas, educacionais e/ou
científicas, pelos materiais publicados, a existência de um sítio eletrônico com
domínio ativo nesse período, entre outros fatores.

Especial atenção é dada ao Documento de auto-avaliação recém citado. Pode-se ver


que a avaliação quantitativa que concerne ao documento envolve também a
ponderação das cinco categorias anteriormente referidas, sendo a primeira delas
subdividida em três campos (Figura 20). Cada uma dessas cinco categorias de
valoração apresenta uma série de perguntas internas específicas à região do
geoparque aspirante. Em relação à categoria de Geologia e Paisagem, por exemplo,
avalia-se o número de geossítios localizados dentro do território, o número de
períodos geológicos representados na área, os tipos claramente definidos de rochas ou
52

ainda de feições geológicas ou geomorfológicas, entre outros (Figura 21). Para cada
uma dessas perguntas existem parâmetros quantitativos estabelecidos pela planilha
para a atribuição de pontos. Assim, por exemplo, fica estabelecido a atribuição de 100
pontos caso a área tenha 20 ou mais geossítios ou 200 pontos caso tenha 40 ou mais;
ou ainda, fica estabelecido a atribuição de 10 pontos para cada período geológico
representado na área, e assim por diante, sempre totalizando um máximo de 1000 por
sessão. Ao total, o documento conta com 220 itens de avaliação, sendo a sua
distribuição entre categorias apresentada no Quadro 5. Para o caso da categoria I,
cada item de valoração é fundamental para uma boa pontuação, já que valem até
0,83. Já para a categoria IV, cada item se apresenta como sendo menos fundamental à
boa pontuação na categoria.

Quadro 5 - Distribuição entre categorias dos 220 itens de avaliação do Documento de auto-avaliação requerido pela
UNESCO durante o Processo de Solicitação ao título de Geoparque Mundial da UNESCO (Dados da Pesquisa)

Número de itens Ponderação Valor máx. por


Categoria
avaliados (%) item
I Geologia e Paisagem 42 35 0,83
II Estrutura de Gestão 45 25 0,55
Educação Ambiental e
III 46 15 0,33
Interpretação
IV Geoturismo 68 15 0,22
Desenvolvimento Econômico
V 19 10 0,53
Regional Sustentável

Os detalhes da metodologia de avaliação quantitativa utilizadas pela UNESCO são aqui


mostrados para que se possa conceber melhor o Processo de Solicitação ao título de
Geoparque Mundial da UNESCO em sua totalidade. Se enfatiza isso a título de
relembrar ao leitor a transdisciplinariedade que permeia o conceito teórico e os
parâmetros práticos referentes aos geoparques, algo muito distante de uma
abordagem puramente geológica de uma região, por mais maravilhosa que seja essa.
Obter o título da UNESCO se mostra, portanto, como um processo complexo que tem a
necessidade de ser abordado de forma transciplinar. Nesse sentido, vale a reflexão
acerca do lema oficial dos geoparques da UNESCO, a saber, "Celebrando o Patrimônio
da Terra, Sustentando as Comunidades Locais" (UNESCO, 2017).

A aprovação oficial dos geoparques na ocasião da Conferência Geral da UNESCO em


2015 também previu a titulação como Geoparque Mundial da UNESCO de todos
aqueles geoparques já pertencentes à Rede Mundial de Geoparques (GGN, Global
Geoparks Network), conforme aclarado pelo trecho da resolução aprovada, que diz
que

A Conferência Geral, [...] aprova o estabelecimento de Geoparques


Mundiais da UNESCO no Programa Internacional de Geociências e
Geoparques (IGGP) e a inclusão de todos os Geoparques Mundiais
53

existentes como Geoparques Mundiais da UNESCO [...], tendo em conta


que os critérios existentes para Geoparques Globais são essencialmente os
mesmos em termos de qualidade e conteúdo científico que os propostos
para os Geoparques Mundiais da UNESCO, e recordando o processo de
revalidação de quatro anos em curso, o que significa que todos os
Geoparques Mundiais serão revisados até 2020, o mais tardar (UNESCO,
UNESCO, 2016b).

Assim, no momento da aprovação oficial dos geoparques da UNESCO, os 119


Geoparques da Rede Mundial, em 2015, passaram a ter o título pela UNESCO, sendo
que para o ano de 2017, este número aumentou para um total de 127 Geoparques
Mundiais da UNESCO (Figura 22) em funcionamento em 35 países. A lista de todos os
127 Geoparques Geoparques Mundiais da UNESCO para a ano de 2017, em termos de
nome, ano de designação e país, é apresentada no Quadro 6.

Como abordado na resolução citada, existe um processo de reavaliação dos


geoparques que acontece a cada quatro anos a fim de verificar se os requisitos da
UNESCO estão sendo desenvolvidos de acordo com os padrões oficiais. Esses requisitos
são bastante transdisciplinares, exigidos tanto na reavaliação referida (UNESCO, 2016f)
quanto no processo de solicitação ao título (UNESCO, 2016e).

Figura 22 - Mapa de distribuição dos 127 Geoparques Mundiais da UNESCO para o ano de 2017 (GGN, 2017). Para
localização exata desses, visitar o site oficial da Rede Mundial de Geoparques (GGN, Global Geoparks Network)
54

Uma rápida observação do mapa mundi contendo a localização dos Geoparques


Mundiais da UNESCO já é suficiente para constatar que a distribuição dessas iniciativas
é assimétrica geográficamente. Evidenciam-se duas regiões do mundo onde a
concentração de geoparques é muito superior em relação as demais. Uma dessas
regiões é a Europa, a saber, berço dos primeiros geoparques estabelecidos na história,
quando da fundação da Rede Européia de Geoparques (EGN), em 2000, a qual
configura-se como protagonista no insentivo à criação de outros geoparques no
mundo, sempre trabalhando em próxima relação com a UNESCO. A segunda região de
predominância é a China, a saber, país que de longa data abriga a Rede de Geoparques
Nacionais da República Democrática da China (National Geoparks Network of the
People’s Republic of China), sendo cofundador da Rede Mundial de Geoparques (GGN),
em fevereiro de 2004, criada pela junção 8 geoparques chineses e 17 geoparques
europeus (Zouros, 2004; Mc Keever & Zouros, 2005) (Ver Quadro 1).

Quadro 6 - Relação dos nomes, anos de designação e país referentes aos 127 Geoparques Mundiais UNESCO para o
ano de 2017

Nome do Geoparque
(conforme designação da UNESCO; Ano de Designação País
UGG = UNESCO Global Geopark)
1 Styrian Eisenwurzen UGG Áustria
2 Huangshan UGG
3 Wudalianchi UGG
4 Lushan UGG
5 Yuntaishan UGG
China
6 Songshan UGG
7 Zhangjiajie UGG
8 Danxiashan UGG
9 Shilin UGG
10 Haute-Provence UGG
França
11 Luberon UGG
2004
12 Terra Vita UGG
13 Bergstrasse-Odenwald UGG Alemanha
14 Vulkaneifel UGG
15 Lesvos Island UGG
Grécia
16 Psiloritis UGG
Irlanda & Reino Unido da Grã-
17 Marble Arch Caves UGG
Bretanha e Irlanda do Norte
18 Copper Coast UGG Irlanda
19 Madonie UGG Itália
Reino Unido da Grã-Bretanha e
20 North Pennines AONB UGG
Irlanda do Norte
21 Hexigten UGG
22 Yandangshan UGG
China
23 Taining UGG
24 Xingwen UGG
25 Bohemian Paradise UGG 2005 República Tcheca
26 Harz, Braunschweiger Land UGG
Alemanha
27 Swabian Alb UGG
28 Beigua UGG Itália
29 Hateg UGG Romênia
55

30 North-West Highlands UGG Reino Unido da Grã-Bretanha e


31 Forest Fawr UGG Irlanda do Norte
32 Araripe UGG Brasil
33 Taishan UGG
34 Wangwushan-Daimeishan UGG
35 Funiushan Geopark
China
36 Leiqiong Geopark
37 Fangshan Geopark
2006
38 Jingpohu Geopark
39 Gea Norvegica UGG Noruega
40 Naturtejo de la Meseta Meridional UGG Portugal
41 Sobrarbe-Pirineos UGG
42 Sierras Subbéticas UGG Espanha
43 Cabo de Gata-Níjar UGG
44 Papuk UGG Croácia
45 Parco Goeminerario della Sardegna UGG Itália
46 Langkawi UGG Malásia
Reino Unido da Grã-Bretanha e
47 English Riviera UGG
2007 Irlanda do Norte
48 Longhushan UGG
China
49 Zigong UGG
50 Adamello Brenta UGG
Itália
51 Rocca Di Cerere UGG
52 Alxa Desert UGG
China
53 Qinling Zhongnanshan UGG
54 Chelmos Vouraikos UGG Grécia
55 Toya - Usu UGG
56 Unzen Volcanic Area UGG 2009 Japão
57 Itoigawa UGG
58 Arouca UGG Portugal
59 GeoMôn UGG Reino Unido da Grã-Bretanha e
60 Shetland UGG Irlanda do Norte
61 Stonehammer UGG Canadá
62 Leye Fengshan UGG
China
63 Ningde UGG
64 Rokua UGG Finlândia
65 Vikos - Aoos UGG Grécia
66 Novohrad-Nógrád UGG Hungria & Eslovênia
67 Cilento, Vallo di Diano e Alburni UGG 2010
Itália
68 Tuscan Mining Park UGG
69 San'in Kaigan UGG Japão
70 Jeju UGG Coréia
71 Magma UGG Noruega
72 Basque Coast UGG Espanha
73 Dong Van Karst Plateau UGG Vietnã*
74 Tianzhushan UGG
China
75 Hong Kong UGG
76 Massif des Bauges UGG França
Muskauer Faltenbogen / Luk Muzakowa
77 Alemanha & Polônia
UGG 2011
78 Katla UGG Islândia
79 Burren and Cliffs of Moher UGG Irlanda
80 Alpi Apuane UGG Itália
81 Muroto UGG Japão
56

82 Sierra Norte di Sevilla UGG


Espanha
83 Villuercas Ibores Jara UGG
84 Carnic Alps UGG Áustria
85 Sanqingshan UGG China
86 Chablais UGG França
2012
87 Bakony-Balaton UGG Hungria
88 Batur UGG Indonésia
89 Central Catalonia UGG Espanha
90 Shennongjia UGG
China
91 Yanqing UGG
92 Sesia Val Grande UGG Itália
93 Oki Island UGG Japão
94 De Hondsrug UGG Países Baixos (Holanda)
2013
95 Açores UGG Portugal
96 Idrija UGG Eslovênia
97 Karawanken / Karavanke UGG Áustria & Eslovênia
98 Kula Volcanic UGG Turquia
99 Grutas del Palacio UGG Uruguai
100 Ore of the Alps UGG Áustria
101 Tumbler Ridge UGG Canadá
102 Mount Kunlun UGG
China
103 Dali-Cangshan UGG
104 Odsherred UGG Dinamarca
105 Monts d’Ardèche UGG 2014 França
106 Aso UGG Japão
107 M’Goun UGG Marrocos
108 Terras de Cavaleiros UGG Portugal
109 El Hierro UGG
Espanha
110 Molina & Alto Tajo UGG
111 Dunhuang UGG
Chipre
112 Zhijindong Cave UGG
113 Troodos UGG Chi
114 Sitia UGG Grécia
115 Reykjanes UGG 2015 Islândia
116 Gunung Sewu UGG Indonésia
117 Pollino UGG Itália
118 Mt. Apoi UGG Japão
119 Lanzarote and Chinijo Islands UGG Espanha
120 Arxan UGG
China
121 Keketuohai UGG
122 Causses du Quercy UGG França
123 Qeshm Island UGG Irã
2017
124 Comarca Minera, Hidalgo UGG
México
125 Mixteca Alta, Oaxaca UGG
126 Cheongsong UGG Coréia
127 Las Loras UGG Espanha

Utilizando-se o Quadro 6 como complemento da observação direta do mapa, fica ainda


mais evidente como a distribuição dos geoparques é bastante desigual no mundo. Com
efeito, para o ano de 2017, apenas 15 dos 127 Geoparques Mundiais da UNESCO
encontram-se em outros países que não a China ou Japão ou aqueles localizados na
57

Europa. Desses 15 geoparques, apenas cinco estão localizados na África e na América


Latina. O Quadro 7 organiza essas observações.

Quadro 7 - Geoparques Mundiais da UNESCO fora da Europa, da China e do Japão. Detalhe em relação aos
geoparques localizados na África e na Américo Latina (Dados da Pesquisa)

Nome do Geoparque País


(conforme designação da UNESCO; Ano de Designação
(*países na África ou América Latina)
UGG = UNESCO Global Geopark)
1 Araripe UGG 2006 *Brasil
2 Langkawi UGG 2007 Malásia
3 Stonehammer UGG Canadá
4 Jeju UGG 2010 Coreia
5 Dong Van Karst Plateau UGG Vietnã
6 Batur UGG 2012 Indonésia
7 Kula Volcanic UGG Turquia
2013
8 Grutas del Palacio UGG *Uruguai
9 Tumbler Ridge UGG Canadá
2014
10 M'Goun UGG *Marrocos
11 Gunung Sewu UGG 2015 Indonésia
12 Cheongsong UGG Coreia
13 Qeshm Island UGG Irã
2017
14 Comarca Minera, Hidalgo UGG
*México
15 Mixteca Alta, Oaxaca UGG

Constrastante com os dados observados é o fato de que, desde 2011, a UNESCO vem
considerando a África como foco particular para a criação de geoparques, ampliando
esse foco também para a América Latina desde 2013 (UNESCO, 2012a, 2014), embora
desde então apenas um geoparque tenha sido criado na África e três na América
Latina. A evolução dos enfoques por parte da UNESCO pode ser observada no Quadro
3.

Em novembro de 2015, no âmbito da 38° Conferência Geral da UNESCO, a saber, a


conferência onde foram aprovados oficialmente os Estatutos e Diretrizes de Operação
dos geoparques, ficou estabelecido que

A UNESCO, por meio dos Geoparques Mundiais da UNESCO irá


trabalhar com comunidades locais no sentido de auxiliá-las na
construção de redes sólidas de colaboração em ciências da Terra para
o desenvolvimento sustentável e para a consolidação da paz,
especialmente na África e América Latina (UNESCO, 2016a, p.109).

Resultante da 38° Conferência Geral, o Programa e Orçamento Aprovado para


2016-2017 (UNESCO, 2016a), ainda previu como resultado esperado até 2017

A criação de novos Geoparques Mundiais em ao menos 20 Estados


Membros com o desenvolvimento de novos Geoparques Mundiais
58

voltado para regiões do mundo atualmente pouco representadas


(UNESCO, 2016a, p.110).

Apesar desse especial enfoque na África e na América Latina, houve uma importante
falta de êxito nos resultados esperados pela UNESCO no que se referiu à designação de
novos geoparques no sul do mundo. Longe de serem alcançados, entre 2016 e 2017,
somente 8 novos geoparques foram criados e apenas dois deles se encontram na
região enfocada, a saber, ambos no México.

Para o cenário histórico na América Latina, verificam-se apenas apenas quatro casos
exitoso até 2017: Araripe (Brasil) em 2006; Grutas del Palacio (Uruguai) em 2013;
Mixteca Alta, Oaxaca (México), em 2017; e Comarca Minera, Hidalgo (México),
também em 2017. Essa realidade contrasta, por um lado, com o fato de a América
Latina apresentar geodiversidade, biodiversidade e sociodiversidade mundialmente
reconhecidas, aspectos que são fundamentais para a pontuação nas categorias
estabelecidas pela avaliação da UNESCO e, portanto, indicariam maior possibilidade de
sucesso quando da solicitação à UNESCO. Por outro lado, especificamente para o caso
brasileiro, esse cenário também contrasta com o fato de o Serviço Geológico do Brasil
(CPRM) ter sido uma das agências geológicas pioneiras a nível mundial na adesão de
políticas específicas ao estabelecimento de geoparques como verificado pela
existência de seu Programa Geoparques, desde 2006.

No caso do Brasil, tanto o inventário de geossítios da SIGEP quanto as propostas de


geoparques da CPRM, configuram-se como esforços importantes a nível nacional que
acompanham as tendências mundiais no assunto, e servem de base para outros
estudos que busquem a introdução, aprofundamento ou a crítica quanto às
abordagens referentes à geodiversidade brasileira. Observa-se, no entanto, que é
preciso avançar para abordagens mais interdisciplinares no que diz respeito às
descrições tanto dos geossítios quanto, principalmente, dos geoparques para que se
alcance maior atenção ao tema da geodiversidade. O Brasil tem uma matriz cultural
muito embasada na sua biodiversidade e, portanto, é preciso aliar-se a essa temática
para aumentar o interesse e futuro entendimento por parte da população quanto ao
que vem a ser a geodiversidade e a sua importância. Como comentado anteriormente,
a geodiversidade mostra-se como fundamental para uma mais efetiva conservação da
biodiversidade e, portanto, chamar a atenção para esse fato mostra-se como algo
promissor para o auxílio da construção de uma cultura também da geodiversidade.

Observando-se as duas publicações citadas, a saber, as mais atualizadas para o ano de


2017, é possível perceber uma grande semelhança no conteúdo de ambas, embora
sejam anunciadas com objetivos bastante diferentes. Sítios geológicos são tidos como
áreas restritas geográficamente apresentando "interesse singular pela importância
científica, didática, turística, pela beleza ou outro aspecto que justifique recomendar a
sua proteção" (Winge et al., 2013, p.9). Já os geoparques são um "meio de proteger e
59

promover o patrimônio geológico e o desenvolvimento sustentável local, por meio de


uma rede global de territórios possuindo uma geologia de valor destacado"
(Schobbenhaus & Silva 2012, p.14). Ainda assim, os conteúdos de ambas as
publicações são centralizados no inventário, descrição e divulgação de geossítios,
sendo que as chamadas propostas de geoparques avançam pouco além disso em
termos técnicos. Apesar de apresentar uma descrição geológica mais em escala de
paísagem, sou foco segue sendo os geossítios em si, carecendo de maiores
aprofundamentos quanto aos demais aspectos da paisagem sejam eles ecológicos ou
humanos.

Em que pese a já referida importância do Programa Geoparques da CPRM, faz-se


necessário aclarar o escopo de ação ao qual o programa se propõe, tendo "como
premissa básica a identificação, levantamento, descrição, diagnóstico e ampla
divulgação de áreas com potencial para futuros geoparques, incluindo o inventário e
quantificação de geossítios, que representam parte do patrimônio geológico do país"
(Schobenhauss & Silva, 2012, p.13). Dada à semelhança de objetivos e de resultados
tanto esperados quanto alcançados das duas iniciativas em questão, critica-se o título
escolhido para a publicação oficial do projeto, a saber, Geoparques do Brasil:
propostas, como sendo possível indutor de equívocos no processo de compreensão do
que realmente envolve uma proposta de geoparque. Assim, a título de reflexão, as
propostas de geoparques estaria melhor explicadas como propostas de áreas com
potencial geológico para geoparques.

A dificuldade latino-americana no que diz respeito à criação de geoparques não só se


verifica em termos da pequena quantidade de geoparques designados como da
UNESCO, como também se mostra evidente pelo fato de ainda não ter conseguido
fundar uma Rede Regional de Geoparques. Anunciada pela primeira vez em 19 de
novembro de 2010, por meio da Declaração de Araripe (Araripe Declaration), na
ocasião da Primeira Conferência Latino-americana e Caribenha de Geoparques,
organizada pelo Geoparque Araripe (Brasil), a desejada Rede de Geoparques da
América Latina e do Caribe ainda não é realidade.

Em julho de 2015, na ocasião do Primeiro Simpósio de Geoparques, ocorrido em


Arequipa (Perú), o Geoparque Mundial da UNESCO Grutas del Palacio (Uruguai)
apresentou o documento Rumo a uma Rede de Geoparques Latino-americano e do
Caribe (Hacía una Red de Geoparques Latinoamericanos y del Caribe), o qual se
estrutura em termos de antecedentes, fundamentação e proposta de constituição
(Irazábal, 2015). Como resultado do simpósio, foi publicada a Declaração de Arequipa
(Declaración de Arequipa), a qual afirmou que

Por mais de dez anos, a América Latina vem promovendo a valorização e


conservação do patrimônio geológico, procurando envolver as
comunidades locais e originárias latino-americanas no desenvolvimento
60

sustentável dos seus territórios. [...] aqueles que assinaram a presente


Declaração manifestam a vontade de reafirmar a Declaração de Araripe
(2010) na busca de avançar na constituição da Rede de Geoparques Latino-
americanos e do Caribe (LACGN) (INGEMET, 2015).

Ainda como resultado do simpósio, ficou registrado o comprometimento e


responsabilidade (transitória) dos Geoparques Grutas del Palacio e Araripe, em
parceria com Oficina Regional da UNESCO para a América Latina e o Caribe, avançarem
na criação dos estatutos da LACGN.

Para 2017, resalta-se a realização do IV Simposio Latino-americano e do Caribe sobre


Geoparques (IV Simposio Latinoamericano y del Caribe Sobre Geoparques), o qual foi
organizado em parceria entre a Oficina Regional de Ciências da UNESCO para a
América Latina e o Caribe, o Governo Regional de Arequipa, a Autoridade Autonoma
do Colca (AUTOCOLCA) e o Instituto Geológico Minero e Metalúrgico do Perú
(INGEMMET). Com sede novamente na cidade de Arequipa e com a participação de
especialistas convidados da Rede Mundial de Geoparques (GGN) e do Programa
Internacional de Geociências e Geoparques (IGCP) da UNESCO, o simposio foi
anunciado entre outras com o fim de avançar no sentido de criar mais geoparques na
América Latina e no Caribe, e avançar no desenvolvimento da Rede de Geoparques da
América Latina e do Caribe.

Atenta-se ao fato de o importante simposio citado ter contado com a participação de


representantes de geoparques consolidados, aspirantes e em projeto na região em
questão vindos dos seguintes países: Argentina, Bolívia, Brasil, Colômbia, Cuba, Costa
Rica, Ecuador, Uruguai (3), Nicarágua, México (2) e Perú (Figura 23).
61

Figura 23 - Lista de especialistas em geoparques que participaram do IV Simposio Latino-americano e do


Caribe sobre Geoparques (SILACGEO, 2017, p. 4); sublinhados os geoparques já titulados pela UNESCO

A presença brasileira no IV Simposio Latino-americano e do Caribe sobre Geoparques


apenas em termos do representante do já consolidado Geoparque Mundial da
UNESCO Araripe, de 2006, é fato que chama atenção. Tanto pela magnitude territorial
do Brasil, com seus atributos paisagísticos mundialmente reconhecidos (Migon, 2010),
quanto por ter um programa especialmente destinado à criação de geoparques
(Schobbenhaus & Silva, 2012), desde 2006. Esse fato de novos projetos de geoparques
brasileiros não configurarem na programação de tão importante evento científico
pode ter sua explicação numa falta de entendimento mais profunda acerca desses
novos instrumentos de gestão patrimonial e territorial, que são os geoparques.

1.5 Conclusões Gerais

1. As questões ambientais do final do século XX e início do século XXI que levaram


à construção do paradigma do desenvolvimento sustentável têm, para o ano de
2017, evidências inequívocas com bases científicas que comprovam a
insustentabilidadee da humanidade, pondo a criação de estratégias de ação
que visem melhorar essa relação da humanidade com a Terra como condição
para a sustentabilidade da vida humana no planeta;

2. Os novos conceitos de patrimônio geológico, geodiversidade e geoconservação


refletem a adesão por parte das geociências aos temas da sustentabilidade e
62

estabelecem novos conceitos e métodos geocientíficos postos como condição à


atenção aos temas Terra e de sua proteção;

3. A abordagem ecossistêmica em relação à geodiversidade demonstra que esse


elemento abiótico da paisagem tem relação fundamental com a natureza em
geral e com a sociedade em específico, mostrando que a compreensão da
geodiversidade é condição para a gestão integrada da paisagem e para a
governança humana em escala local, regional e mundial;

4. O estabelecimento da noção de existência do patrimônio geológico auxilia na


atenção aos valores da geodiversidade e põe como condição a necessidade de
proteção desse patrimônio frente aos riscos de degradação ao mesmo;

5. A área geocientíifica da geoconservação demonstra um sólido estabecimento a


nível mundial em termos de instituições, grupos de trabalho e publicações,
sendo o seu desenvolvimento teórico e metodológico condição para a proteção
dos elementos da Terra de fato;

6. Metodologias qualitativas e quantitativas desenvolvidas no âmbito da


geoconservação têm determinado diferentes índices e valores para a
geodiversidade de regiões onde são aplicadas e demonstram-se como condição
para a porposição bem fundamentada de estratégias e planos de ação para a
geodiversidade;

7. Os Geoparques Mundiais da UNESCO tanto marcam o reconhecimento do


patrimônio geológico a nível internacional quanto anunciam a aliança desse
patrimônio com o desenvolvimento econômico regional sustentável como
condição à sua designação oficial, configurando-se assim como um mudança
paradigmática dupla na história da geoconservação;

8. Oficialmente estabelecidos como sítios designados como da UNESCO, os


Geoparques Mundias da UNESCO são uma das três categorias de sítios mais
importantes da UNESCO ao lado dos Sítios do Patrimônio Mundial e das
Reservas da Biosfera, sendo os altos padrões de qualidade estabelecidos pela
UNESCO uma condição para a designação e para a manutenção da designação
de Geoparque Mundial da UNESCO;

9. Os estatutos e as diretrizes operativas dos Geoparques Mundiais da UNESCO


definem os padrões para a conceituação e funcionamento dos geoparques e
estabelecem o procedimento de solicitação à designação de Geoparque
Mundial da UNESCO sendo o entendimento desses documentos posto como
condição para uma efetiva construção de geoparques sensu UNESCO;
63

10. O procedimento de solicitação à designação de Geoparque Mundial da UNESCO


apresenta uma série de passos a serem seguido por geoparques nacionais
aspirantes à designação internacional e avalia essas áreas por meio de critérios
transdisciplinares, esses que são condição para a aceitação da solicitação e
posterior avaliação da mesma;

11. A avaliação das solicitações à designação de Geoparque Mundial da UNESCO,


feita pela UNESCO em parceria com a União Internacional de Ciências
Geológicas (IUGS), avalia os geoparques aspirantes transdisciplinarmente em
termos de 19 itens qualitativos e 220 itens quantitativos, sendo uma pontuação
equilibrada condição para a uma boa avaliação da solicitação;

12. Os 127 Geoparques Mundiais da UNESCO em funcionamento para o ano de


2017 são reavaliados a cada quatro anos e o cumprimento dos requisitos
transdisciplinares é condição à manutenção de suas designações;

13. A assimetria na distribuição geográfica dos Geoparques Mundiais da UNESCO é


evidenciada em termos de alta concentração de geoparques apenas na Europa
e no leste asiático, sendo a criação de novos Geoparques Mundiais da UNESCO
em áreas pouco representadas condição para o cumprimento dos objetivos
publicados pela UNESCO desde 2011 até 2017.

14. Em especial, a criação de novos Geoparques Mundiais da UNESCO na América


Latina é um desafio, uma vez que, dos 127 Geoparques Mundiais da UNESCO,
para 2017, apenas quatro desses estão localizados nessa região considerada
prioritária desde 2013, sendo a criação tanto de novos geoparques quanto de
uma Rede Regional de Geoparques condição para o cumprimento dos objetivos
publicados pela UNESCO;

15. Sede do primeiro geoparque mundial da América Latina, o Geoparque Araripe


de 2006, e com o Programa Geoparques do Serviço Geológico do Brasil (CPRM),
também desde 2006, a falta de designações de novos geoparques e a ausência
brasileira em encontros regionais latino-americanos configura-se como
paradoxo, sendo o estudo e o entendimento de possíveis causas para tal
situação condição para a superação dessa estagnação num país com as
dimensões territoriais e belezas geopaisagísticas associadas a atributos
socioculturais de renome internacional como o Brasil;

16. A criação de uma possível Rede de Geoparques Latino-americanos e


Caribenhos (LACGN) vem sendo anunciada desde 2010 e reforçada em 2015 e
2017 em importantes encontros especializados em geoparques desenvolvidos
por atores da região da América Latina em parceria com a UNESCO, sendo a sua
efetiva formalização condição para o avanço institucional e para o suporte das
iniciativas tanto em funcionamento quanto em desenvolvimento;
64

Disso, decorrem três principais reflexões:

(1) por um lado, a dificuldade de sucesso de novos geoparques pode ser remetida
puramente à causas econômico-financeiras embasadas no argumento de que as
iniciativas européias e asiáticas, vistas como modelos para o restante do mundo, são
exemplos incompatíveis com as realidades de países latino-americanos em termos de
orçamento anual disponível para a implementação e gestão de geoparques;

(2) por outro, a apreensão do conceito de geoparques trazido pela UNESCO requer um
posicionamento transdisciplinar por parte comunidade geocientífica na abordagem do
patrimônio geológico, sendo a transdisciplina tanto importante para a pontuação na
avaliação da UNESCO quanto condição para garantir um planejamento integrado de
visitação de geoparques que, de fato, privilegie o patrimônio geológico; e

(3) por fim, dado que as principais metodologias de geoconservação atualmente em


uso no mundo, para 2017, têm como premissa que o inventário da geodiversidade é
um procedimento estritamente de responsabiliade dos geocientistas, os quais devem
para tanto fazer uso de publicações e/ou de entrevistas com outros geocientistas a fim
de acessar a geodiversidade de determinada região, traz-se a seguinte pergunta:
Teriam as pessoas e as comunidade originárias dos lugares onde se pretende
estabelecer um geoparque algo a dizer sobre o patrimônio geológico desse lugar?
65

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