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p. 11 “Agora, de que maneira conceituar a cultura?

A definição de Geertz (1973), por exemplo,


fala de cultura como uma teia de significados que os homens atribuem às suas ações e a si mesmos.
Então nós temos uma sociedade de escravos, como um microcosmo inserido dentro outra sociedade,
este microcosmos adaptou seu modo de viver à nova realidade, mas isso não esconde as suas
origens, pelo contrário, a justaposição dessa cultura exótica às demais evidencia que seus padrões
religiosos e sociais são outros. (…). O que há hoje é uma cultura afrodescendente bem definida e
bastante heterogênea no Brasil, fruto da resistência de vários grupos, dentre estes, as comunidades
religiosas.”

p. 12 “Como é possível ver, as religiões afro-brasileiras não obedecem nenhum livro sagrado, os
preceitos religiosos são sustentados pela tradição oral africana, dentro da qual existe um universo
mitológico dos Orixás que dá sentido aos rituais. Lembrando que não existe uma linha narrativa
mitológica absoluta, mas sim um mosaico de lendas, fruto da interação de africanos de tribos
diferentes durante o período da escravidão. Porém, mesmo em lendas de tribos diferentes é
possível ver traços de similaridade e coerência, essa característica é descrita por Levi-Strauss,
no seu livro “Mito e significado”, onde foi feita uma análise dos mitos de várias tribos ameríndias e
se constatou essa coerência mitológica (…). Lévi-Strauss atribui esta similaridade à hipótese de
que o estado desconexo é o arcaico e que, ordenado sob uma coerência, origina uma espécie de
saga com elementos comuns às culturas próximas. Assim o autor vê as lendas como
aglomerados de impressões e tentativas desconexas de explicar a natureza e justificar os atos
dos homens.”

p. 14 “Um fato prejudicial à composição do trabalho é a restrição ao compartilhamento de


informações sobre os rituais do Batuque Oyó. Uma vez que esta nação religiosa é muito
tradicional e seu culto é de caráter fechado, sendo assim, é permitido ao etnógrafo que presencie
e faça parte dos rituais e que explique as origens e funções das práticas dentro do corpo litúrgico,
porém é permitido descrever como eles são feitos.

p. 16 “Batuque é o termo que se usa para referir-se à religião afro-brasileira típica do Rio Grande
do Sul que presta culto aos Orixás, tratam-se das tradições religiosas de indivíduos trazidos da
África ao Brasil e que foram adaptadas ao contexto em que foram inseridos.”

Os nomes das nações “advêm das denominações que os escravos recebiam nas feitorias.”
“(...) as práticas das nações são fruto de um processo longo de adaptação e ressignificação. A
exemplo, considerando as tradições religiosas trazidas pelos africanos como cultos de caráter
animista, percebe-se que a natureza desempenha um importante papel dentro da tradição. Por terem
sido inseridos em um meio exótico, não havia mais o vínculo com seu local de origem e com os
marcos naturais que sustentavam suas crenças, levando-os a adaptar o ritual. Além dos empecilhos
geográficos espaciais, haviam os de ordem social e políica, já que a religião dos escravos era
proibida durante o período do Império (…). Soma-se isso com a descontinuidade deixada pelos
ancestrais africanos detentores do conhecimento religioso, que muitas vezes faleciam sem passar
adiante o know how ritualístico, nota-se que os percalços passados pelos escravos africanos na
tentativa de restabelecer seu sistema de crenças levou à formatação atual do Batuque.

p. 17 “Portanto, os nomes atribuídos às nações são na verdade o nome da nação que aparenta
maior predominância na formulação do ritual. Ainda assim, é possível afirmar que as tradições
que apresentam maior similaridade com sua matriz africana são as que apresentam
predominância Iorubá (as nações de nome Nagô, Ijexá e Oyó). (…) todas as nações do Batuque
prestam o culto aos Orixás, que são entidades pertencentes à tradição Iorubá. A que se atribui essa
predominância? Acontece que no processo de ressignificação de suas práticas religiosas ancestrais,
os escravos e seus descendentes nem sempre dispunham de substância cultural para refazer a
tradição original. Perante isso foi necessária a assimilação de culturas semelhantes, o que deu
origem a um novo tipo de tradição desenvolvida em território brasileiro, permeada das
características regionais dos locais em que eram alojados.
“(...) recriar em terras brasileiras uma tradição ancestral africana.”

p. 18 “No tocante à presença negra no Rio Grande do Sul, devido às características da escravidão
nesta província, baseada nas charqueadas e no pastoreio, as maiores concentrações de escravos se
registravam nas regiões de charqueadas, uma vez que no pastoreio predominava o trabalho
assalariado mesclado à escravidão. (…) a região das charqueadas ainda figura por se o local de mais
expressiva participação numérica do negro na população.

p. 19 “As charqueadas eram áreas rurais aonde se produzia a carne seca (charque), que era um dos
elementos da alimentação dos escravos. Elas começaram no Rio Grande do Sul por iniciativa dos
portugueses e luso-brasileiros que vinham de São Paulo. Uma das entradas destes era o porto de Rio
Grande, local também de intensa venda de escravos.

“(...) quanto à parte numérica, Correa fala de uma população escrava correspondente a 30%
da população da província, percentual que aumentava ao avaliar certas cidades individualmente,
como Vacaria, 43%; Osório, 38% e Porto Alegre, 36% (…). Com base nisso percebe-se que a
participação do negro em nossa sociedade foi bem mais expressiva.

“Pelotas, cidade expoente das charqueadas, e Rio Grande, porto pelo qual chegavam boa
parte dos escravos em nosso estado, contavam com percentuais de escravos ainda maiores, 60% e
36% respectivamente, segundo Fernando Henrique Cardoso. Estas duas cidades são mencionadas
por Corrêa e Braga como os berços do Batuque, porém torna-se difícil precisar as datas de fundação
das primeiras casas de religião, que os autores estimam ter ocorrido em meados do século XIX,
ocorrendo em seguida o deslocamento de algumas casas para Porto Alegre.

p. 21 “Essa teia de suposições leva a crer que o Batuque é uma mescla das tradições dos negros da
região das charqueadas com as de negros que já tinham uma experimentação religiosa nos
Candomblés da Bahia ou nos Xangôs pernambucanos. Como resultado dessa variedade cultural,
surgiram os “lados” do Batuque. (…). Salvo algumas particularidades de cada nação, todas
possuem uma grande semelhança com o culto Ijexá, que é o mais numeroso no estado.

“Atualmente as tradições têm convergido para uma espécie de homogeneidade em seus


rituais, fruto da grande profusão das casas de nação, do enfraquecimento da autoridade dos Pais e
Mães de Santo e das descontinuidades deixadas pela tradição oral que obrigam as casas a inserirem
tradições alheias para preencher as lacunas no ritual. Uma das tradições que tenta sobreviver neste
contexto é a nação Oyó, que apesar de pouco expressiva numericamente, apresenta um alto nível de
fidelidade às tradições que lhe dão origem.

“(...). Segundo nos conta Airton da Yemanjá, existem cerca de cinco famílias da tradição
Oyó no estado, das quais ele se recorda apenas de duas famílias, uma delas entrou no estado
chegando primeiro em Santa Catarina, no porto de Laguna, e depois se deslocando para o Rio
Grande do Sul em direção a Porto Alegre, tendo como precursor o Babalorixá chamado Antoninho
Gululu de Yemanjá. A segunda família religiosa chegou pelo porto de Rio Grande, deslocando-se
depois para Pelotas, local de nascimento de Mãe Emília de Oyá Ladjá (Emília Fontes de Araújo,
nascida no século XIX e falecida na década de 30), a Mãe de Santo mais antiga que se tem notícia
desta família.

p. 22 “(...), Mãe Emília era filha de escravos nascida sob a Lei do Ventre Livre. Em sua cidade
natal era dona de um estabelecimento conhecido por “casa de pasto”, local similar a uma casa de
pensão onde também se servia comida. Posteriormente, ela mudou-se para Porto Alegre, cidade em
que fundou uma casa de santo localizada na Rua Visconde do Herval. A ideia desta mudança de
Pelotas para a capital surgiu quando a Mãe Emília foi convidada a uma festa de Batuque em Porto
Alegre, tendo gostado bastante da cidade. (…). Estima-se que estes fatos aconteceram num período
situado entre o final do século XIX e o começo do século XX. Na sequência genealógica do
Batuque Oyó da cidade de Alegrete, está (…) Mãe Doca de Yemanjá (Palmira de Jesus), era
originária de Gravataí (…). Foi ela quem iniciou Mãe Lili de Xapanã, a introdutora do Batuque da
Nação Oyó em Alegrete.

p. 27 “(...) as teias de significados tecidas pelos seres humanos em seus complexos culturais só
podem ser estudadas a luz de sua própria complexidade.
“(...). A primeira impressão é que o terreiro de Oyó transpassa uma grande sobriedade e zelo
com os rituais, além de ser extremamente fechado, não permitindo a participação de estrangeiros e
principalmente aos olhos de quem vem de uma vivência religiosa na Umbanda ou em outra nação
de Batuque.

p. 28 “Neste ponto, nenhuma outra nação tomou medidas mais drásticas que o Oyó.
Assentamentos na parte externa do terreiro foram movidos para dentro, como o assentamento do
Bará Lodê (…). O próprio quarto de santo passou por mudanças drásticas, uma vez que nele se
encontra o altar e neste, os assentamentos dos Orixás, os artefatos mais importantes do terreiro. Para
evitar que algum assentamento fosse confiscado ou depredado, eles ficavam enterrados no pátio do
terreiro.

p. 29 “Hoje em dia não se enterram mais os assentamentos, mas outras características


permaneceram, tal qual o isolamento dessa Nação, que temia a perseguição. Devido a isso, alguns
rituais são vetados para estrangeiros, outros são vetados para pessoas de outras nações e outros, para
membros mais novos da nação.

“O universo místico dos iorubás consiste na adoração dos Orixás, que não são deuses, mas
sim potencialidades que manifestam distintos aspectos da natureza.

p. 31 “(...) o ethos batuqueiro é estruturado pela mitologia. Em correspondência, o ritual é a


reconstrução terrena dos mitos. É através dele que se expressam os conhecimentos adquiridos com
o estudo das lendas dos Orixás, como disse Geertz: “É no ritual – isto é, no comportamento
consagrado – que se origina, de alguma forma, essa convicção de que as concepções religiosas são
verídicas e de que as diretivas religiosas são corretas.
“Já que a tônica do Batuque consiste em revernciar os Orixás, organizou-se um esquema dos
dezesseis Orixás cultuados pela tradição Oyó, que abarcam apenas uma parcela dos Orixás
originalmente cultuados pelos povos nagôs no continente africano, não há uma estimativa exata,
mas sabe-se da existência de outros Orixás além dos que são cultuados hoje. Essa redução numérica
se deve ao fato de que muitos dos Orixás cultuados na África deixaram de ser cultuados no Brasil
em virtude da inviabilização de seus rituais. Tais inviabilidades decorrem de diferente motivos,
como a perda de informações que possibilitavam o culto (no caso dos Orixás Nanã e Ewá), a pouca
expressividade do culto (no caso do Orixá Okô) ou mesmo a inviabilidade prática (como no caso do
Ogum Avagã)”.

p. 40 Orixás que não tem função de iniciar filhos de Santo: Orunmilá, Bocum. São
cantados “na roda de Batuque, mas já não se fazem oferenda ou sacrifícios a Bocum.”

p. 42 Ibeji, algumas “nações os representam como um menino e uma menina, mas no Oyó
permanece a versão dos dois meninos.

p. 45 Oiá, na “nação Oyó, possui culto diferenciado simbolizado pela “Roda de Alabaô”,
com uma reza diferenciada das outras nações e que somente filhos de santos prontos podem
participar.

p. 50 “(...) nesta ordem apresentada estão primeiro os Orixás masculinos e depois os femininos, à
exceção de Oxalá, mais velho de todos, que fica em último lugar. Entre os homens e as mulheres
estão os Ibejis, Orixás crianças ligados ao nascimento e à infância, representando o eleo entre o
homem e a mulher. Esta é a ordem utilizada atualmente no Oyó, que difere da ordem das demais
tradições (Jeje e Ijexá), na qual os Orixás estão organizados da seguinte forma: Bará, Ogum, Oyá,
Xangô, Ibejis, Odé (Otin concomitante a Odé), Osanha, Obá, Xapaña, Oxum, Yemanjá e Oxalá.
“Segundo o Babalorixá Carlos da Oxum, talvez esta ordem atual do Oyó foi formulada nos
tempos de Mãe Doca de Yemanjá, já que a ordem tradicional dos Orixás no Oyó é a seguinte: Bará,
Ogun, Ossanha, Odé, Bocum, Orunmilá, Xangô, Ibejis, Obá, Yemanjá, Oxum, Oyá e Oxalá. (…).
Na ordem do Oyó, em que os homens vêm primeiro, Xangô é o último dos homens e Oyá, a última
das mulheres. Isso se explica pelo fato de que Xangô é o rei lendário do reino de Oyó na Nigéria e
Oyá, sua rainha.

p. 52 “Lavagem de Cabeça (…), consiste em lavar a cabeça com água de ervas. (…). este ritual
tem por função que o iniciado seja reconhecido pelo seu Orixá de cabeça. Crianças podem fazê-lo,
já que este ritual não requer sacrifícios de animais. A lavagem de cabeça é um preparatório para o
Aribibó e/ou o Bori.

“Aribibó. Pode ser feito inclusive por pessoas não iniciadas, com o diferencial que não há a
lavagem de cabeça anes. Para quem deseja se inicar, esse ritual é feito após a lavagem de cabeça.
(…) consiste no sacrifício de um casal de pombos na cabeça.

“Bori. (…). Está relacionado ao Orixá Ori, que é o dono das cabeças e dos destinos das
pessoas. Diferente do apronte, o Bori é um ritual consagrado à pessoa iniciada, não aos Orixás,
serve para fortalecer o iniciado perante a vida, o ancorando com a energia de Oxalá (…). No Bori
são sacrificadas apenas as aves votivas dos dois Orixás do indivíduo, além do casal de pombos de
Oxalá, que cobre o ritual. O bori é o elo entre a pessoa, o Orixá guardião das cabeças (Ori) e o
Orixá pessoal. Após o Bori há um ritual chamado de “passeio”, que é uma parte do ritual iniciático
onde o Pai de Santo apresenta o mundo novamente ao seu filho de santo, visitando locais
específicos da cidade, como o mercado, a praia e a igreja.

p. 53 “Apronte. Neste ritual os filhos de santo sagram-se “prontos no santo”, pois cumpriram
todos os rituais iniciáticos e agora já são Pais ou Mães de Santo em potencial, digo “em potencial”,
pois só o serão quando tiverem seus filhos de santo. Neste ritual se faz um Ebó, onde se dá
oferendas e sacrifícios de animais aos Orixás. É também, neste ritual que os iniciados recebem de
seus pais ou mães de santo os axés de búzios e de obé, que são permissões ritualísticas para se ler
búzios e para se fazer sacrifícios, respectivamente. Diferente de outras nações que fazem estes
rituais com a porta do templo aberta, no Oyó a porta é fechada, só permanecendo um restrito
número de convidados, todos prontos no santo.
“A cronologia de um Ebó de apronte reúne a missa aos antepassdos, presentes aos
antepassdos e Orixás, uma limpeza energética no Ilê, chamada de “segurança”, sacrifício para o
Bará Lodê, limpeza nos filhos de santo do Ilê que forem trabalhar no Ebó, limpeza dos elebós
(pessoa que faz um Ebó), sacrifício de animais (de quatro e dois pés) e assentamento dos Orixás,
primeira festa de batuque (pessoas vestidas nas cores de seus Orixás), remoção das oferendas
(chamada de levantação), remoção das cabeças dos animais que foram ofertadas (levantação das
cabeças), sacrifício do peixe, ritual do saco (feito com as comidas de todos os orixás e uma limpeza
e é despachado na praia), quinzena de confirmação (sacrifício de aves). Mesa de Ibejis (pedindo
misericórdia e atraindo boas energias), segunda e última festa de Batuque (todos vestidos de
branco) na qual se entregam os axés.
p. 54 “Arissun. É o ritual fúnebre, que estipula um desligamento do ente falecido. É um rito de
culto aos mortos, onde todos os assentamentos que compõe a obrigação do falecido devem ser
despachados, juntamente com uma limpeza que se faz no Ilê e nos filhos de santo.
“(...). Como foi descrito nos rituais de passagem anteriores, vê-se que cada passo dado na
religião serve para aumentar o vínculo das pessoas com seus Orixás e com o próprio terreiro. No
Arissun o que se faz é o contrário, as obrigações e vínculos são desligadas, permitindo que o egun
do ente falecido possa alçar seu caminho para o mundo espiritual.

p. 57 “Quinzena é uma festa menor, marcada quando é preciso dar comida aos Orixás, mas não se
pode fazer um sacrifício maior com animais de quatro pés. Sendo assim, a quinzena compreende
um sacrifício de aves pequenas (animais de dois pés), em que se sacrificam quinze animais para os
Orixás, vindo daí o nome, diferente do que se acredita de início, que seja um ritual dado a cada
quinze dias.

p. 57 “(...) conceito de território religioso definido por Rosendahl: os espaços apropriados efetiva
ou efetivamente são denominados território. Territorialidade, por sua vez, significa o conjunto de
práticas desenvolvido por instituições ou grupos, no sentido de controlar um dado território. É nesta
poderosa estratégia geográfica de controle de pessoas e coisas, ampliando muitas vezes o controle
sobre espaços, que a religião se estrutura enquanto instituição, criando territórios seus.

p. 58 “No tocante a territorialidade dos batuqueiros, o elemento de maior relevância é o templo


religioso, chamado comumente de terreiro ou Ilê. É um espaço significativo, pois norteia as ações
dos adeptos da casa de culto e gera um sentimento de pertencimento, sendo assim um elemento
formulador da identidade religiosa de um grupo, já que o “homem deseja situar-se num 'centro', lá
onde existe a possibilidade de comunicação com deuses”. Por isso é relevante identificar as
características espaciais do Ilê, da mesma forma que dos espaços exteriores que foram apropriados
pela comunidade religiosa, para melhor entender o modus operandi dos rituais desenvolvidos pelos
adeptos do Batuque.

p. 58 “(...). a parte interna do Ilê se divide em três espaços principais, onde se desenvolvem
atividades específicas: o quarto de santo (peji), o salão de santo e a cozinha de santo.
“Quarto de santo: este espaço abriga dois elementos do ritual, o altar onde estão os
assentamentos das entidades e o roncó, espaço onde os filhos da casa ficam “de chão” quando dos
boris, ebós de apronte ou qualquer ritual que imponha essa exigência.
“Salão de santo: é o local onde acontecem as festas, onde os filhos de santo do terreiro,
juntamente com os convidados, celebram a roda do xirê, na qual dançam para os Orixás. Na ocasião
das festas somentes se pode entrar descalço no salão, exigência que não persiste nos dias em que
não há festas;
“Cozinha de santo: neste local se preparam as comidas dos orixás e os pratos que são
servidos aos convidados nas cerimônias, também se preparam alguns elementos ritualísticos que são
feitos de gêneros alimentícios.

p. 59 “Casa de assentamento do Bará Lodê: (…), são casas em miniatura localizada na frente dos
terreiros. (…). Os Barás comumente desempenham a função de servos dos Orixás, já o Lodê ainda
agrega a função de protetor do ilê.

p. 60 “Assentamento de Yiá
“Assentamento de Ossanha Tempo
“Espaço em que se cultivarem ervas e árvores usadas em rituais
“Galinheiros e currais
p. 61 “(...) as encruzilhadas das ruas, as praias, as matas (a natureza como um todo), os mercados,
as igrejas e os cemitérios.

p. 67 “O sacrifício animal existe nos rituais como uma troca simbólica entre os Orixás. (…). (…)
os animais são imolados para que seu sangue alimente os Orixás e sua carne alimente os filhos de
santos, como em um pacto simbólico entre o divino e o terreno.

p. 69 “Por fim, compreende-se o Batuque da nação Oyó como um culto da natureza, que preserva
suas tradições africanas mescladas com o sincretismo e com adaptações ao meio em que existe.
Essas adaptações não chegam a descaracterizar o culto, ao contrário, o encobrem com uma
roupagem de significações que conta a história da escravidão, das tradições africanas e os meios
sagazes utilizados para fazer sobreviver uma prática de raízes ancestrais.

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