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AVALIAÇÃO ESTÉTICA:

“Cesário Verde foi uma ponte entre o Realismo do século XIX e a moderna literatura
portuguesa. Ele foi o primeiro poeta português a mostrar que na beleza poética também estão
contidos o grotesco, a miséria, a prostituição, seres humanos reduzidos a animais. E que tudo
isso constitui — infelizmente — a verdadeira poesia do cotidiano. São comuns em sua obra
versos que descrevem sensações — visuais, auditivas, táteis, olfativas e gustativas. O poeta é
intensamente atraído pela cidade. Não a rejeita. Mas, atraído, é sensorialmente abafado por
ela. (...) A quase totalidade da obra cesárica compreende poemas que são pequenas
narrativas, registros de monólogos íntimos de um autor-transeunte, que caminha pelas ruas de
Lisboa. Poeta sensorial e, por excelência, visual, Cesário é um artista plástico. Sua poesia é
traçada com linhas e cores, como se cada poema fosse um quadro. Em cada estrofe, bloco de
versos (passos) do poeta-transeunte, sobressai o uso do substantivo e da frase nominal: o
verbo perde sua importância e há uma aglutinação de substantivos (...) predominantemente
acompanhados por adjetivos ou locuções adjetivas. Vivenciando o fluxo e o refluxo do
Romantismo, fustiga-o a princípio a reação satânica-católica de Baudelaire a esse mesmo
Romantismo (cerne de todos os ismos até o final do século XIX); colhe, posteriormente — ou,
diria melhor, simultaneamente — o impacto renovador do impressionismo nas artes plásticas e
antevê o Expressionismo da viragem do século.” (Ricardo Daunt)

No poema O Sentimento de um Ocidental, Cesário revela um “lirismo antideclamatório” (idem).


Trata-se, segundo Daunt, de “uma viagem infernal pelas ruas de Lisboa até o alvorecer,
fornecendo-nos de corpo inteiro o herói camoniano em sua aventura solitária, por vezes
medíocre, mas valorosa, e que sem contar com a força do destino caminha na tentativa de
transcender o mundo fragmentário para atingir o ideal, o atemporal, a perfeição do qual é
fabricado com as armas do imaginário”. (idem).

“Atraído (...) pelo cotidiano, afasta-se de qualquer intuito de fazer do poema um território
filosófico, como Antero de Quental. Sua obra atesta a presença de um sujeito lírico que
deambula pelo mundo urbano da civilização industrial capturando os variegados recortes
físicos e os múltiplos estímulos sensoriais da cidade labiríntica” (idem).

C.V é considerado um "lírico realista" poeta do quotidiano, Um citadino e


burguês. Torna-se realista pois tem uma visão critica de sociedade.
Aproxima-se do naturalismo pela pretensão, objectividade e pela fidelidade à
"estética do positivismo e do sincero"; utilizando um vocabulário cheio de
termos concretos, alguns técnicos e científicos outros da linguagem familiar.
Realismo: -Negação da emoção romântica e da arte pela arte -Análise do real com o fito da
verdade absoluta -Crítica do homem -Condenação do que houver de mau na sociedade -Noção
de justo em substituição do conceito de belo Alguns poemas: Cristalizações, contrariedades,
nós, num bairro moderno, o sentimento dum ocidental.