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de efeitos ainda mais nefastos para a humanidade. a estrutura do sistema onusiano. O conservadorismo foi difundido pelo concerto entre as grandes potências da época Áustria. facing a realist approach of international relations. Rússia. Ainda que por composições distintas. influenciaram decisivamente na reorganização internacional pós-Grande Guerra. As Conferências de Moscou[18]. abalou as estruturas do absolutismo europeu. this text will be concluded according to an analysis about institutional reform perspectives and its low likelihood. em segundo lugar. O panorama estabelecido neste período é o vigente até os dias atuais. como o Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional. Keywords: United Nations Organization. com enfoque nos órgãos. a devastação gerada pelas guerras seria irracional. os Estados modernos foram sendo constituídos a partir da visão jurídica de mundo da burguesia. baseou-se na balança de interesses de cada um no continente. Imbuído por sentimentos imperialistas e nacionalistas. O nível das tensões chegou ao auge e eclipsou o Concerto de Viena com a eclosão da Primeira Guerra Mundial. Pensou-se uma nova organização de escopo mundial. mas não a hegemonia).br/site/?n_link=revista_artigos_leitura&artig. Mais uma vez um confronto de grandes proporções alterou as estruturas do sistema internacional. devendo ter sua integridade respeitada por seus pares (não intervenção). 2 de 7 29/03/2016 10:31 . único órgão detentor da prerrogativa excepcional de autorização do uso da força na seara internacional. enquanto potência hegemônica para a ascensão gradativa de França e Grã-Bretanha[1]. a destruição material e humana alavancou grandes transformações políticas. Política Internacional. perpétua e suprema. Como o valor da soberania não é estritamente jurídico. evitou guerras sistêmicas no ponto cardial europeu durante quase um século. não condenou totalmente a violência como forma de solução de controvérsias[11]. e conferências passaram a ser realizadas entre os aliados. deixando de viger fora dos domínios europeus. the critique of discriminatory and selective practice of protecting human rights besides its military treatment of UNO. Security Council. A política institucionalizada opera em função de um condomínio que reúne as potências vencedoras do conflito mundial (Estados Unidos. cujos interesses se contrapunham àqueles dos proprietários de terras. cujos vínculos com o Vaticano eram íntimos. com a presença do soviético. conhecido como o Conselho de Segurança da ONU. cuja ascensão já no patamar elevado das potências alterou a balança de poder e acirrou as rivalidades dentro e fora do continente. Finally. eminentemente europeu) e 4 não permanentes (rotativos). Esta organização eminentemente europeia foi alterada após a Era Napoleônica[2].  A Rússia foi a primeira a sair do conflito após a convulsão interna que marcou a chegada dos socialistas ao poder. o postulado da soberania veio a constituir o pilar das relações internacionais após a Guerra dos Trinta Anos. por meio das conquistas territoriais. coordenada (em contraposição à ordem regida por subordinação dentro das fronteiras do Estado) e horizontal (como a relação entre particulares dentro de um Estado). o qual constituía as bases da entrada estadunidense no conflito. em nome de uma pretensa segurança coletiva. no sentido de encontrar uma vontade comum dentro do respeito ao interesse de cada Estado. com o devido incremento. a Ordem de Viena foi bastante duradoura[3]. que deveria refletir os moldes do poder americano. formal) entre os Estados e o da inexistência de um poder central que detivesse o monopólio do uso da força. a não ser em caso de conflito. ambos constituídos pela dinâmica da hegemonia estadunidense. In the second one. que fundamentava o pleito das burguesias liberais. the UNO system and its organs will be debated. e um político. passaram a ficar delineados. International Law and International Relations theories will be in the limelight. caracterizada por ser secular (laica. o contexto do período entre guerras não foi favorável à eficiência de uma organização deste porte. haja a precariedade da situação bélica britânica naquele momento[17]. e de reflexos internos (dentro das fronteiras territoriais) e externos (sem questionamentos por outros monarcas).com. no coração histórico do sistema interestatal capitalista. In the third one. deveria ser uma prerrogativa uma e indivisível. que embasava o modo de produção feudal.” O suporte jurídico deste movimento de enfraquecimento do direito divino e de fortalecimento do poder político foi o postulado da soberania do Estado.A Estrutura da ONU. O resultado foi a eclosão da Segunda Grande Guerra Mundial. e. A lógica do direito westfaliano foi mantida. III. o debate foi ampliado. International Politics. cujo núcleo é o dólar como moeda internacional. I. it deals with the United Nations’ context of elaboration and role in international politics and international law. Com isso.. International Law. Inicialmente difundida na França.Introdução. Direitos Humanos. cujo quórum era a unanimidade[12]. Portanto. acordos já eram firmados neste sentido. Woodrow Wilson[9]. Amalgamada no valor da soberania estatal e na tomada de decisões por um condomínio de Estados poderosos. que. o consagrado valor da soberania estatal prevaleceu em todos os momentos de reestruturação da ordem de poder. Conselho de Segurança. o confronto durou muito além do esperado. feito por um Conselho Executivo. 2003: p. Yalta[21]. uma conclusão focada nos desafios contemporâneos que suscita as perspectivas de reforma institucional e sua baixíssima probabilidade. à medida que a vitória aliada se aproximava. IV. com a proclamação da República de Weimar. Human Rights. 50): “O vínculo religioso quebrado pela Reforma é substituída por uma nova comunidade internacional alargada.A estrutura da Organização das Nações Unidas e seus desafios contem. mas foi. Apesar de seus limites lindeiros e de sua informalidade (não havia um documento positivado que consagrasse aquela ordem). Introdução: contexto histórico e teórico da formação das Nações Unidas Entender a formação da ordem contemporânea perpassa a história política e normativa do sistema interestatal. anteriormente representadas como criações do dogma e da Igreja. São Francisco[22] e Potsdam[23] foram se tornando cada vez mais relevantes. marcada por contradições inconciliáveis. Para organizar o estudo. o qual constituiu um cenário instável de paz armada[13]. II-  A Carta e o Funcionamento da ONU. sua emergência assinalou a decadência da Áustria. o país de origem de seu idealizador. Suas estruturas passaram a ruir a partir da unificação tardia de Estados centrais. Neste diapasão. bem como a crítica sobre a prática discriminatória e seletiva e sobre o viés militar que é dado pela ONU ao tratamento das violações de direitos humanos perpetrados no mundo. em terceiro lugar. Palavras-chave: Organização das Nações Unidas. cujo apoio logístico foi fundamental para o desgaste alemão. não ratificaram o documento. Além das pesadas indenizações em dinheiro. As tensões que resultaram na Grande Guerra foram ainda mais acirradas com o arranjo imposto aos derrotados. a Europa) e sistêmico (envolvendo as potências da época). Direito Internacional. A concepção católica de mundo. perdas territoriais e invasão estrangeira atiçaram um revanchismo alemão. abdicando da participação no foro coletivo. grupo que mais tarde foi aderido pela própria França. A transição entre Idade Média e Idade Moderna é marcada pelo fim da influência da Igreja nas monarquias. Externamente. A partir de sua derrota.”. seu funcionamento de acordo com a Carta de São Francisco. o enfraquecimento europeu ressaltou ainda mais a emergência econômica dos Estados Unidos da América. para os europeus e asiáticos[14]. Antes até do fim da Segunda Guerra. Conflitos de cunho político e religioso que devastaram os reinos germânicos da parte central da Europa e que envolveram as grandes potências da época. e a Igreja pelo Estado. os Estados Unidos da América. As relações econômicas e sociais. composto por 4 membros permanentes (Grã-Bretanha. Sumário: I. além dos representantes anglo- saxões.18): “O dogma e o direito divino eram substituídos pelo direito humano. o que garantiu legitimidade a invasões de países imperialistas. e a hodierna configuração da política internacional passou a gravitar em torno de dois pilares: um econômico. cujas fontes seriam oriunda do direito positivo (tratados internacionais) e do direito natural (costumes e princípios gerais de direito). Pelo Congresso de Viena articulou-se a restauração das monarquias absolutas com o fundamento jurídico do princípio da legitimidade. por fim. já não atendia plenamente aos interesses comerciais da nova classe. Franklin Roosevelt e Winston Churchill. potência econômica ascendente. como Alemanha e Itália. Sua existência marcou uma tentativa de conciliação coletiva mais ampla que o Concerto de Viena. segundo Jean Bodin. agora se representam fundadas no direito e criadas pelo Estado. apesar da lógica idealista. apontando seu contexto de criação. voltada à paz e à segurança internacional. Bretton Woods[20]. China. porque esta as sancionava. A França. ou seja. Such a study was divided in four parts. o enfoque dado estará voltado para correntes teóricas do Direito e das Relações Internacionais. a qual assumiu a culpa pelo conflito sistêmico. Ainda que neste não obtivesse o consenso geral sobre sua superioridade (possuíam de acordo com a noção gramsciana[6] o domínio econômico e militar. tentou-se acordar um pacto europeu para a reversão da influência napoleônica. foi feita a divisão didática que engloba. monopolizada pela monarca. surge na primeira parte do Tratado de Versailles[8] a primeira organização internacional cujo escopo seria garantir a paz e a segurança internacional. que se aliaram à Inglaterra. em julho de 1941. ao final. França e Japão. Sob uma perspectiva crítica. O presidente estadunidense foi o responsável pela materialização do ideal liberal[7].. que secularizava a perspectiva teológica. impérios ainda atrasados em termos políticos e industriais. libertando a monarquia da tutela do Papa. Posteriormente. Em terceiro lugar. nos países beligerantes. sobretudo. 2012: p. A mescla destes fatores foi refletida na impotência da Liga das Nações em evitar conflitos da mesma proporção da Grande Guerra. cujo epicentro é a Organização das Nações Unidas. In the first one. Em primeiro lugar. Engels e Kautsky ilustram a transformação (ENGELS e KAUTSKY. a ordem westfaliana foi paulatinamente se consolidando. a inserção da organização internacional na política e no direito internacional. Em seguida. cujo objetivo era impor sua preponderância no continente. Alain Pellet aponta a Reforma como precursor das ideias westfalianas (PELLET. As outras partes do Pacto de Versailles previam pesadas penalizações à derrota Alemanha. a população civil forçou a rendição alemã e a queda do Império Hohenzollern[5]. França e Grã-Bretanha). Os Estados Unidos da América tiveram participação decisiva na frente ocidental do conflito e emergiram dos escombros com o consenso de todos que seu poder era inquestionável. contudo. em primeiro lugar. o da igualdade (jurídica. Internacional   A estrutura da Organização das Nações Unidas e seus desafios contemporâneos: reforma institucional e proteção de direitos humanos Luiz Felipe Brandão Osorio Resumo: O presente artigo tem como objetivo apresentar a estrutura e a lógica regente da Organização das Nações Unidas para responder a dois desafios contemporâneos: sua reforma institucional e sua atuação na proteção de direitos humanos. recém-retornada ao absolutismo monárquico. http://ambitojuridico. conflito sistêmico que começou a minar a força europeia. Itália. no qual a guerra poderia ser considerada um meio legítimo de solução de controvérsias. que viesse substituir e aperfeiçoar a malfadada Sociedade das Nações. apenas os Estados seriam os detentores de direitos e de deveres. A guerra marcou a transição da hegemonia britânica para a estadunidense[15]. O primeiro foi a Carta do Atlântico. sem hierarquia religiosa). foram marcados pela vitória dos países protestantes e pelo enfraquecimento da Igreja Católica. Teerã[19]. O sistema internacional contemporâneo organiza-se tanto para o Direito Internacional quanto para as Relações Internacionais sob uma mesma lógica desde a Paz de Westfália. a Sociedade das Nações. Este concerto calcado no equilíbrio realista de poder.. Os tratados que celebraram a paz expressaram os valores que passariam a nortear a ordem jurídica interestatal. mediante a aventada compreensão realista das relações internacionais. fundada no humanismo do Renascimento.Conclusões: Desafios contemporâneos (reforma institucional e proteção de direitos humanos). Em meio à lógica feudal. it addresses its functioning due to San Francisco Charter. Com isso. que passaram a rivalizar pelo controle do continente europeu e pelo espraiamento de suas colônias pelo mundo. desenvolvia-se o poder da burguesia.. mas também político. o que o enfraqueceu politicamente[10]. Em segundo lugar. Estas etapas de inflexão ocorreram sempre após um conflito central (leia-se. seu procedimento de tomada de decisão sobre assuntos de paz e segurança era excludente e discriminatório. Prússia e Rússia. a conhecida anarquia sistêmica. e a paz somente poderia ser atingida por meio de um acordo coletivo. Os rumos da nova ordem internacional. as well as. apenas um acordo formal entre dois estadistas[16]. garantido por órgãos. para resolver o conflito interno em torno da centralização. A lógica do grande foro democrático de debate agregada a um órgão executivo responsável pela tomada das decisões mais importantes foi mantida. documento sem nenhum valor jurídico. O postulado da soberania seria a premissa maior da qual irradiariam dois princípios básicos. o qual seria estabelecido em um foro comum de debates e de tomada de decisões. Internamente. in the fourth one. De acordo com este sistema. Em quarto lugar. Para esta inspiração. Abstract: The current article aims at introducing the structure and the dynamics of United Nations Organization in order to pose two contemporary challenges: its institutional reform and its human rights protection. a qual serve aos desígnios daqueles cinco países permanentes possuidores do poder de veto. Under a critique perspective. a insatisfação popular crescia e o apelo pelo pacifismo foi o motor propulsor da ruína do autoritarismo imperial ainda apegado à lógica dezenovesca[4]. ou seja. reconhecendo as grandes potências naquele momento.

espanhol. a todas as formas de composição). Em virtude disto. a igualdade entre gêneros e de Estados. ou seja. ruptura da paz e atos de agressão. mais importante e hierarquicamente superior é o Conselho de Segurança.br/site/?n_link=revista_artigos_leitura&artig.. como arbitragem e tribunais (ad hoc ou permanentes). legitimadas para garantia da segurança coletiva. São considerados membros da organização todos os signatários originais (de acordo com o artigo 3° são os fundadores são os que assinaram a Declaração de Moscou de 1942-contra os países do Eixo. elaborada durante a Conferência de São Francisco. O terceiro prioriza o pacifismo ao enfatizar os meios pacíficos de solução de controvérsias. fundos e agências. O quórum para a aprovação das missões de paz é o mesmo que para o emprego da intervenção militar e para legalizar a legítima defesa. o artigo 42 explicita a competência exclusiva e excepcional que garante ao Conselho de Segurança uma posição ímpar no cenário internacional. a Assembleia Geral. cujo quórum de aprovação é de 9 votos afirmativos entre seus 15 membros. segundo a teoria dos poderes implícitos. O primeiro. A violência seria empregada apenas defensivamente. a Uniting for Peace)[31] em sessões especiais comemorativas e emergenciais 3 de 7 29/03/2016 10:31 . haja vista o restrito universo de Estados nacionais independentes à época. desde que não haja veto dos países detentores deste poder. cujo quórum de decisão é de 2/3 e pela recomendação do Conselho de Segurança. que ainda rege e coordena as complexas questões contemporâneas. buscando não mais exclusivamente paz. e como a saída compulsória ou expulsão (art. nos artigos 108 e 109. o Estado torna-se membro pleno. o que abarca o foro das organizações internacionais. ou seja. Ademais. Reino Unido e China). porém. Estas premissas tornam-se evidentes quando ressaltadas como objetivos e princípios das Nações Unidas. como a suspensão de direitos e privilégios (artigo 5°). Estas não foram previstas pelo legislador originário. tem sua existência condicionada ao alcance de um fim específico.ou a Carta de São Francisco de 1945) e os aderentes (aderiram posteriormente à Carta). negociações diretas. em 26 de junho de 1945. não estão expressas na Carta da ONU. Este órgão executivo foi criado sob a inspiração realista das relações internacionais. como se existisse um Capítulo VI/2[30]. Neste momento. preocupadas em somente como cessar-fogo. pautada embrionariamente pelo conceito de equilíbrio de poder pelas Grandes Potências. desde que não haja veto dos detentores deste poder.A Carta e o Funcionamento da ONU Fruto da tentativa de reorganizar a sociedade mundial após os traumas gerados pela Segunda Guerra Mundial. http://ambitojuridico. ou seja. é preciso apontar que o rol de órgãos da ONU é bem mais restrito. como a fé nos direitos fundamentais do homem. uma previsão expressa de saída. Com o passar do tempo e com as alterações nas relações internacionais. datada do contexto do pós-1945. Por meio de seu artigo 33 elenca os meios pertinentes. Estas particularidades situam-se nas previsões finais. de agregar a grande maioria dos países.  Originariamente contou com a assinatura de 51 membros. ainda que se justifiquem por motivos nobres e legítimos. Tendo visto as peculiaridades que cercam a Carta e o funcionamento da instituição[25]. é relevante por explicitar os norteadores que conduziram os legisladores. ou seja. Muito em função desta peculiaridade e da difusão de seu objeto primordial. entende-se que seus princípios norteadores e determinadas imposições relativas à segurança abrangem todos os membros da sociedade internacional. que estava junto aos aliados na guerra. francês. ideal compreensível ante os acontecimentos pretéritos que abalaram a primeira metade do século XX. esta previsão gera controvérsias doutrinárias quanto à sua aplicação. a aprovação do uso da força para a solução de controvérsias graves que ameacem a segurança coletiva. ou seja. O procedimento de entrada (artigo 4°) passa pela aprovação de dois órgãos próprios. sendo admitidas. no caso das missões de paz. O Capítulo VI trata das soluções pacíficas de controvérsias. do qual se deduz o preceito da não intervenção nos assuntos internos dos Estados. podendo o Conselho atuar mesmo sem provocação. a Carta da ONU autoproclama-se superior hierarquicamente a outros tratados internacionais. além de poder ser um meio político de solução de controvérsias (artigo 14). conforme o artigo 111. fundamentais à realização de seus propósitos. caberá a ela planejar e aprovar o orçamento da entidade. proscrevendo de forma geral e abrangente o uso da força. percebe-se que as missões de paz são uma ferramenta cada vez mais frequente e intervencionista nos assuntos internos dos Estados. Mais à frente. orbitando a seu redor.01%. Já em seu preâmbulo o documento demonstra os valores que guiarão sua constituição e sua atuação desta organização. mas criar um ambiente de desenvolvimento econômico e social que propicie uma estabilidade pacífica e duradoura. como os estabelecidos no artigo seguinte ao dos propósitos. o rechaço à solução armada de conflitos e a cooperação para o progresso econômico e social. ou seja. Já no artigo 51 aparece a segunda hipótese excepcional do emprego da força. São admitidas com base na corrente doutrinária que defende a aplicação da teoria dos poderes implícitos. nos artigos 1° e 2°. Na legítima defesa. relativizando o princípio da não intervenção. cuja eleição é feita pela Assembleia Geral respeitado o critério de distribuição geográfica. O objetivo imediato é a garantia da paz e da segurança internacional. é imprescindível analisar sua estrutura. a qual se difere consideravelmente da primeira. a interpretação sobre o objetivo destas missões foi sendo modificado. Desde sua criação já contava com um número considerável de signatários. a Carta estipula os rígidos procedimentos de reforma e de revisão respectivamente. Uma vez deliberado favoravelmente ao pleito de entrada. ou seja. que ocorre quando o país violar as disposições da Carta (sendo aprovada pela Assembleia Geral mediante recomendação do Conselho de Segurança). conforme o artigo 27: por se tratarem de questões substanciais é necessário o voto afirmativo de 9 membros. Estes perfazem o centro do direito e da política internacional. a organizações internacionais regionais de cunho militar[29] ou mesmo a tropas que representem a ONU. enquanto ficção jurídica. programas. Qualquer país. correlacionados com o escopo principal. Além da autorização do uso da força e da legítima defesa. assunto de tratamento privativo deste órgão. competências não escritas desde que relacionadas com seu objetivo final. o Conselho de Segurança. Organiza-se por meio de sessões que podem ser ordinárias (anuais) ou especiais. haverá a iminência ou a ruptura efetiva da paz. Secretariado Geral e a Corte Internacional de Justiça. todas estão relacionadas à paz e à segurança internacional. inclusive aqueles que não sejam signatários da Carta da ONU. que se concretizará por aprovação da Assembleia Geral mediante recomendação do Conselho de Segurança quando um Estado violar reiteradamente os princípios contidos na Carta. todavia. seria mais incisiva que os diversos meios pacíficos de controvérsias e menos agressiva que uma intervenção militar do artigo 42. composto somente de 6 órgãos. Uma vez que são cardiais. árabe. Inclusive seus representantes ou funcionários terão estas prerrogativas no que tange aos atos relativos à função. ou seja. Para ser atingir o estatuto de membro é necessário preencher o pressuposto de ser um Estado amante da paz (previsto no artigo 4°). para assuntos meramente procedimentos se requer 9 votos afirmativos. O artigo 102 determina o fim de uma prática muito comum antes da Primeira Guerra Mundial. cuja vontade não reflete necessariamente a soma da vontade de seus membros). pode o Conselho implementar ou convidar os países a realizar ações coercitivas à revelia da vontade do atingido. tem-se a violação da paz e da segurança e para que haja uma resposta coletiva é imprescindível a aprovação prévia. O primeiro é princípio decorrente do postulado maior do direito internacional westfaliano (a soberania estatal). outras peculiaridades da organização contribuem para sua análise. Fará ainda o controle dos relatórios de atividades emitidos pelo Conselho de Segurança e pelos outros órgãos onusianos (artigo 15). enquanto que os pareceres não jurisdicionais são meramente opinativos. sem obrigatoriedade jurídica de cumprimento. II. resultado independente da agregação de vontades dos Estados. existe mais uma hipótese em que episodicamente a violência poderá ser utilizada na solução de imbróglios. como retorsões (atos lícitos que coagem. nomeadamente seus órgãos. cabe uma explicação mais detalhada sobre cada um. Se ainda assim estas medidas se mostrarem inadequadas. mas não necessário. um da Europa Oriental. o que não exclui que entre o Estado receptor e a organização sejam celebrados tratados que prescrevam regras específicas. São aprovadas ações militares interventivas que impõem a paz a qualquer custo. derivada (decorre de outros sujeitos de direito internacional). Com a aquisição da quantidade necessária de ratificações (prevista no artigo 110 da Carta[24]). Por fim. a cláusula de denúncia do tratado internacional não está presente. União das Repúblicas Socialistas Soviéticas. como o fez o Brasil. agindo o Estado afetado imediatamente e proporcionalmente. Logo nos primeiros anos de funcionamento da ONU já foi constatada a necessidade de missões de paz. Em outras palavras. quais sejam.  A contribuição por país varia entre 22% e 0. cuja finalidade seria a cessação das hostilidades em um conflito mediante concordância das partes beligerantes. presentes em todas as regiões geográficas do mundo. Estes meios diferenciam-se dos diplomáticos e políticos por serem suas decisões obrigatórias às partes litigantes. cinco oriundos da África e da Ásia. quando com estes conflitar. Se a resolução pacífica não for suficiente ou se o caso for considerado demasiadamente grave e urgente para uma solução conciliada. responsável por regular ações relativa a ameaças à paz. sem a aplicação do poder de veto. mas não deixam de ser fundamentais para a compreensão do modus operandi da ONU. Para todos os casos que envolverem a paz e a segurança internacional. entende-se que a autorização das missões de paz seria de competência do Conselho de Segurança.A estrutura da Organização das Nações Unidas e seus desafios contem. de haver diversas organizações. o que envolve inquérito (meio preliminar comum. é imperioso mencionar que o funcionamento da organização é regido por seis idiomas oficias. 6°). Frente à complexidade desta tarefa. que se a considerar válida. de transporte ou de fronteiras). Em outras palavras. mas toleráveis pelo direito internacional quando necessários. e pelo Conselho Executivo da Sociedade das Nações. e os meios jurisdicionais. como interrupção de relações econômicas contratuais.. revela um grande avanço na concertação entre os países. Já o artigo 105 trata dos privilégios e imunidades que a organização internacional gozará dentro do território do Estado que a receberá. cujas previsões se iniciam no artigo 7° e os seguintes do corpo do tratado constitutivo. O segundo é o da boa-fé no cumprimento dos compromissos pactuados. como ocorre nos Acordos de Sede. Por isto. A Carta da ONU traz disposições gerais sobre as imunidades. o Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social. Seguindo os princípios da instrumentalidade e da especialidade que regem a teoria das organizações internacionais. dos serviços de comunicação. a dignidade humana. Ainda hoje a ONU mantém este caráter universal. (convocadas pelo Secretario Geral a pedido do Conselho de Segurança ou da maioria dos países membros). Destaca-se a reforma. relacionadas com seu objeto principal. dois da América e dois da Europa Ocidental) e 5 membros permanentes com direito a veto nas decisões sobre assuntos substanciais (as grandes potências vencedoras da Segunda Guerra Mundial. chegando a peace-building. a ONU. o qual será utilizado somente em hipóteses excepcionais e justas. incluindo necessariamente a ratificação nos 5 membros permanentes do Conselho de Segurança. os quais não forem objeto de deliberação pelo Conselho de Segurança. de acordo com sua capacidade contributiva. França. mediação e conciliação. podendo seu comando ser delegado a coalizões militares de diversas nações. procedimento que é feito por biênio. sob pena de após 2 anos de inadimplência perder o direito ao voto na Assembleia Geral. para atos do ofício. como os diplomáticos. a igualdade jurídica entre os Estados. caberá à Assembleia Geral fazê-lo. com destaque para a Assembleia Geral e o Conselho de Segurança[28] da ONU. passaram a peace-making. ter como escopo fazer a paz. o Conselho de Tutela. ou seja. Além destas disposições gerais. No artigo seguinte. A importância da proteção da coletividade e da irradiação de valores coletivos está relacionada com a larga abrangência da organização. a competência do órgão poderá ser ampliada sob o argumento de aperfeiçoar suas funções. difundido após o Congresso de Viena e que vigorou pelo século XIX. A consecução destas metas será pautada por princípios. dos quais se irradiam as diretrizes principais da coletividade internacional. o inglês. possui competência residual em relação à finalidade primordial da organização (artigo 12). os políticos. sendo sua ação avaliada em um juízo posterior às hostilidades bilaterais pelo Conselho de Segurança. o tratado internacional entrou em vigor em 24 de outubro de 1945. será aplicado o Capítulo VII. Inicialmente. Em virtude deste caráter misto e por lidar com o escopo da paz e segurança internacional. As resoluções aprovadas são juridicamente obrigatórias (artigo 25). a diplomacia secreta.Estrutura da ONU Apesar da estrutura do sistema onusiano ser complexa e difusa[26]. verificam-se outros objetivos mediatos. verificadas como peace-keeping. bons ofícios. As Sessões Especiais foram dividas depois de 1950 (pela Resolução n° 377. Sua composição (dada pela reforma da Carta de ONU de 1963)[27] é de 15 membros: 10 não permanentes (mandato de 2 anos não prorrogável subsequentemente. estendendo-se seus efeitos até para Estado que não sejam signatários da Carta de São Francisco. Desde que vinculada à finalidade primordial e por esta limitada.. mandarim e russo. a qual força a paz independentemente da vontade alheia. antes de qualquer medida beligerante. a despeito de ser consagrada na doutrina a não hierarquia entre as fontes primárias do direito internacional. a não ser em uma hipótese excepcionalíssima. para a qual é exigida a aprovação de 2/3 da Assembleia Geral além da ratificação dentro dos procedimentos constitucionais de 2/3 dos Estados-membros. Ainda que esta parte preliminar não detenha valor jurídico. como o rompimento de relações diplomáticas) ou contramedidas (atos ilícitos. como o fomento às relações amistosas entre as nações. As competências do órgão estão positivas explicitamente nos capítulos VI e VII da Carta. poderá levar quaisquer casos que envolvam a ruptura da ordem e a violência generalizada dos princípios consagrados internacionalmente. Seu caráter intervencionista e bélico proporciona sua classificação doutrinária como missão peace- enforcement. referendará a reação belicosa. De acordo com o artigo 41. Estados Unidos da América. quando estritamente necessário para a proteção de sua existência. possui personalidade própria (é sujeito de direito internacional.com. a importância de compreender a estrutura das Nações Unidas para discutir sua atuação perante os desafios da atualidade.. parte ou não parte. a Carta da ONU. III. Não há. como forma de dinamizar e adequar a atuação das organizações internacionais às complexas e constantes mudanças da sociedade internacional. O Conselho de Segurança da ONU reflete uma estrutura aperfeiçoada deste seu congênere. Estas missões não precisam da concordância do Estado que a sofrerá. É esta organização internacional. o incentivo à cooperação internacional e viabilização de um foro para a harmonização dos diferentes interesses nacionais. a Assembleia Geral. por meio da exigência do depósito dos tratados internacionais celebrados pelos Estados-parte junto à Secretaria Geral da Organização. Há apenas a previsão de sanções particulares da organização.

Além do ECOSOC. Antes era chamado de Comissão de Direitos Humanos. Dentro do Conselho de Segurança encontra-se como os organismos subsidiários o Comitê do Estado Maior. bom oficiante.. de 1982 a 1991 pelo peruano Javier Pérez de Cuéllar. educacional. e pelo pessoal de assessoramento exigido pela organização (escolhidos por nomeação pelo Secretário). o Comitê contra o Terrorismo. no qual se localiza a UNIC (Centro de Informações das Nações Unidas). cada qual cumprindo sua instrumentalidade temática. alguma disposição presente em tratado bi ou multilateral sobre a jurisdição específica para determinado assunto. elaborar mecanismo de revisão periódica universal. Sua escolha ocorre por meio da aprovação em votações apartadas do Conselho de Segurança (na qual não cabe o uso do veto) e da AG (maioria absoluta). É fundamental salientar que seu eixo central é composto por seus órgãos e sub-órgãos. Assembleia Geral e Conselho de Segurança são os dois órgãos executivos mais importantes da organização internacional.br/site/?n_link=revista_artigos_leitura&artig. enquanto meio auxiliar às fontes do direito internacional. se transforma em obrigatória. Outra inovação foi a possibilidade de suspensão do membro eventualmente monitorado. com orçamento. Ainda quando as duas partes não tiverem juízes. ao contrário do que acontecia antes. Suas decisões são. relatórios. como o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PUND). Suas deliberações são tomadas pelo quórum de maioria relativa. mas as específicas constam em um Estatuto anexo ao tratado constitutivo. e a consultiva. a Agência Internacional para Energia Atômica (AIEA) e a Organização Mundial do Comércio (OMC). para o Desenvolvimento Sustentável. de 1875. apesar de pouco frequente. elaborar ou iniciar estudos e relatórios de monitoramento a respeito de assuntos no âmbito internacional de caráter econômico. não é órgão de revisão das decisões dos órgãos políticos Conselho de Segurança e da Assembleia Geral. As específicas tratam de assuntos que tocam sua competência. aumentam a atuação do sistema da ONU e as críticas sobre seu modus operandi. iniciar ex officio inquéritos sobre situações de flagrantes e reiteradas violações de direitos humanos. a Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados Palestinos (UNRWA) e a Conferência das Nações Unidas para o Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD). o Secretariado Geral é um órgão bem atuante hodiernamente. Diferentemente do Conselho de Tutela. que transforma a jurisdição que é inicialmente facultativa em obrigatória a partir daquele momento para os casos que envolvam o Estado signatário. O organismo atual teve sua competência ampliada e sua composição reformada. Os programas e fundos desenvolvem parcerias em maior medida com a Assembleia Geral e em menor. formado por uma comissão nomeada de notáveis sobre o assunto. programas e fundos. O caráter eminentemente executivo da ONU não impede que ela também tenha um órgão jurisdicional. No ECOSOC existem organismos subsidiários constituídos em comissões técnicas e regionais. ou o Estado opte por assinar a cláusula Raul Fernandes. ou seja. como a Organização das Nações Unidas para Proibição de Armas Químicas (OPAQ). a maioria simples dos presentes e votantes. um voto. a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO). inapeláveis e juridicamente obrigatórias. em Haia. como o Tribunal Penal Internacional para Ruanda e o Tribunal Penal Internacional para a ex-Iugoslávia (ambos criados pelo próprio Conselho de Segurança como meio de solução jurídico para estas controvérsias específicas). como o Conselho Econômico e Social. por fim. não podendo entre eles figurar dois nacionais do mesmo Estado. criou-se o Conselho de Tutela. o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR). programas e agências desempenham. todavia. o quinto. sobre Drogas Narcóticas. legalidade da ameaça e do uso de armas nucleares (permitidas desde que em legítima defesa). http://ambitojuridico. o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA). como a Organização Internacional do Trabalho. a ele compete. havendo a consequente expansão do direito internacional.Conclusões: Desafios contemporâneos (reforma institucional e proteção de direitos humanos) Diante da definição estrutural das Nações Unidas e de seu organograma sistêmico. não tendo qualquer efeito jurídico obrigatório aos envolvidos. e 2006 até 2015 pelo sul-coreano Ban Ki-moon. a Organização Mundial da Saúde (OMS). São agências especializadas vinculadas com o ECOSOC: a Organização Internacional do Trabalho (OIT). Possuem vinculação com a ONU por meio de tratados internacionais. fundos e programas relacionados com a ONU. o qual extrapola a estrutura interna da organização internacional. logo. Ciência e Cultura (UNESCO). sem obrigatoriedade de cumprimento[33]. há uma regra implícita na prática: é eleito sistematicamente sempre um juiz da nacionalidade de cada um dos membros permanentes do Conselho de Segurança. A escolha de sua composição não é mais regional. sem qualquer força jurídica vinculante. poderá cada uma indicar um juiz. enquanto as Agências. e aperfeiçoada em 1907) ou por grupos nacionais para o Secretário Geral que elaborará uma lista em ordem alfabética. sobre eventuais dúvidas acerca da interpretação e aplicação do direito internacional. de Ciência e Tecnologia para o Desenvolvimento. admitida a reeleição para igual período subsequente. como a Comissão para o Desenvolvimento Social. o Fundo Monetário Internacional (FMI). com ECOSOC. mas facultativa. o ECOSOC. o Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crimes (UNDOC) e o Departamento de Informação Pública. ficando decido em 1994 que o Conselho estaria suspenso por tempo indeterminado em razão da perda de seu objeto. englobando outras entidades com personalidade jurídica autônoma. de 1961 a 1971 por U Thant. e as Missões de Paz. no sentido de sua especialização para áreas que antes não eram discutidas mundialmente. Outros órgãos tratam dos temas correlatos aos objetivos mediatos. de Miamar. justificável pelo contexto do pós-guerra. Apesar de suspenso. Para ser eleito. como a CEPAL. os foros internacionais ganharam ainda mais força e tornaram-se os principais palcos de debate e concertação. falta às decisões da Assembleia Geral força jurídica vinculante. Possui cadeira e voz em todos os foros da instituição. que estão relacionadas mais com a Assembleia Geral do que com o ECOSOC. desde que tenham a autorização da Assembleia Geral e do Conselho de Segurança e arquem com alguns custos das despesas judiciais do caso. Seu mandato é de 5 anos renováveis por igual período. Montou-se uma autoridade teoricamente neutra responsável por tutelar a transição para a autonomia dos territórios considerados incapazes de empreender diretamente uma administração autônoma. a Organização Marítima Internacional (IMO). fomento à assistência humanitária e participa dos debates sobre os desafios globais. haja vista a complexidade de seu escopo e os assuntos correlatos que este suscita. ou seja. haja vista a dificuldade do tratamento das questões globais hodiernas. os quais poderão ser submetidos perante a jurisdição da CIJ. Sua competência restringe-se a questões meramente administrativas. Compete ao sub-órgão elaborar anteprojetos de tratados e declarações de direitos humanos. Desta forma. a União Postal Universal (UPU).. As indicações dos juízes serão feita pela Corte Permanente de Arbitragem (criada em 1899. que respeitasse a distribuição geográfica. sanitários. haja vista a coincidência de escopo.. Os sub-órgãos ou organismos subsidiários são foros dentro da estrutura dos órgãos da ONU e a eles subordinados. Tribunais ad hoc. exclusivamente com o ECOSOC. o Estado deve ser escolhido por maioria simples na Assembleia Geral. em torno do quais gravitam agências. egípcio que não teve seu mandato prorrogado por desavenças com os países permanentes do Conselho de Segurança. sucessão de Estados. contudo. Em virtude disto. Esta entidade colegiada é o maior e mais democrático foro da instituição. objetivos e funcionários próprios. suas deliberações são meras recomendações. Por isto. fundos. contribui historicamente para aclarar e colmatar lacunas sobre assuntos complexos e relevantes da seara mundial. nenhum país poderá escapar dessa revisão. Como a tradição jurídica adotada mescla elementos do direito romano-germânico e do anglo-saxão. e pôr em funcionamento um mecanismo ad hoc de vigilância e informação sobre um país ou um tema específico de direitos humanos. existente desde 1946 e vinculado ao ECOSOC. funcionando de 1922 a 1940. social. O presidente do órgão é eleito a cada sessão ordinária anual[32]. Atualmente é composto por 193 membros. Os juízes da mesma nacionalidade de qualquer das partes conservam o direito de atuar em questões julgadas pela Corte. órgão de composição variável. Externamente atua como porta-voz. criada em 1919 e a União Postal Universal. sendo acessível até para Estados que não forem membros. a depender do caso concreto (artigo 86). verifica-se a amplitude de temas abarcados pelo sistema onusiano. Este tribunal permanente tem como antecessor a Corte Permanente de Justiça Internacional. sobre Prevenção do Crime e Justiça Criminal. dentre outras para assuntos específicos. Para regular o funcionamento e a condução dos mandatos. de 1972 a 1981 pelo austríaco Kurt Waldheim. responsável por difundir os dados e os conhecimentos sobre a organização pelo mundo. Para questões consideradas relevantes é exigido um quórum de 2/3 dos membros presentes e votantes.. indicado pela Assembleia Geral mediante recomendação do Conselho de Segurança (cabe utilizar o veto). a Comissão Econômica para a América Latina e Caribe. a Organização das Nações Unidas para Educação. desde com a aprovação pela Assembleia Geral mediante recomendação do Conselho de Segurança. Vale ressaltar. É imperioso ressaltar que a Corte Internacional de Justiça é órgão jurisdicional. que são organismos autônomos. cultural. de 1953 a 1961 por Dag Hammarskjöld. Ainda assim. Apesar de sua importância enquanto espaço de debate e formulação de ideias e de acordos. imunidade estatal. ao menos a citação nominal e a vinculação que importantes sub-órgãos. Seu não cumprimento por uma das partes pode ser invocado perante o Conselho de Segurança para que este decida qual medida tomar para efetivar a decisão (artigo 94). Em que pese a exaustividade do rol orgânico. cabe concluir o artigo mediante a discussão de seu papel no enfrentamento dos desafios 4 de 7 29/03/2016 10:31 . praticante de diplomacia preventiva. fundos e programas. São programas iniciativas cujo vínculo é estreito com a Assembleia Geral. a soberania dos Estados. podendo se tornar mandatória. como sobre a personalidade jurídica das organizações internacional e sua responsabilidade. Há. esgota-se análise dos órgãos da ONU. Possui como membros todos os Estados signatários da Carta da ONU. é de grande importância para o aperfeiçoamento do direito internacional. Abrange os Estados membros e não membros das Nações Unidas. É composto por um Secretário Geral. de Gana. tendo suas atividades interrompidas pela invasão alemã à cidade de Haia. inclusive. o Fundo das Nações Unidas para a Democracia (UNDEF) e o Fundo para a População das Nações Unidas (UNFPA) também estão próximos à Assembleia Geral. asilo político diplomático. ou seja. criada no bojo do Tratado de Versailles e da Sociedade das Nações. a composição da corte pode ser variável. de 1997 a 2006 por Kofi Annan. cujo núcleo é ocupado pelo Conselho de Segurança. que além destas há organizações. A atuação do tribunal. Desta forma. Pela sua atuação multidisciplinar possui ampla gama de vínculos com agências especializadas. A trajetória do cargo indica que deveria existir um rodízio.  De 1946 a 1952 foi exercido pelo noruguês Trygve Lie. Nisto reside a importância em conhecer o funcionamento e a estrutura da ONU. cabe. Dentro da Assembleia Geral localiza-se o Conselho de Direitos Humanos desde sua reforma e consequente deslocamento institucional em 2006. Composto por 54 membros eleitos pela Assembleia Geral para um mandato de 3 anos. desde que os Estados envolvidos concordem com isto. A Corte é composta por 15 juízes. para outros assuntos. que atinge todos os 193 Estados-membros da ONU. justamente por lidarem com sua finalidade imediata. sem abarcar muitos casos e sem conseguir evitar sangrentas e duradouras guerras de libertação entre metrópoles e colônias ao longo do século XX. a Corte Internacional de Justiça. Funcionou de forma pontual e lenta. sobre proteção diplomática. quando requisitada pelo Conselho de Segurança ou pela Assembleia Geral. As regionais assumem importantes papeis locais para a promoção do desenvolvimento econômico de áreas menos favorecidas e para a formação de um pensamento autóctone voltado às particularidades nativas. quando aceita. sua jurisdição não é obrigatória (mesmo para seus membros). com enfoque especial em seus órgãos mais relevantes para entender e criticar sua atuação. IV. A atuação do tribunal será restrita a uma competência dupla: a contenciosa. de competência própria para viabilizar as condições de independência e cujo quórum prezava pela maioria relativa dos membros presentes e votantes. cujas disposições gerais se encontram no corpo da Carta. com forte influência deste. Com o fim da Guerra Fria. bem como detém a prerrogativa de elaboração de relatórios anuais sobre o andamento da ONU. diferentemente do que ocorre com as agências. no qual começavam a ganhar força as demandas por independências das outrora colônias asiáticas e africanas. Os organismos subsidiários estão subordinados aos órgãos. (convocada em até 24 horas). que guardam relação de complementaridade com o sistema onusiano. direitos humanos e conexos. São Fundos o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF). Sua jurisdição é inicialmente facultativa.  Apesar de não estar escrito. Com o fim da Guerra Fria e o arrefecimento da onda de descolonização. haja vista a complexidade e a necessidade de discutir na esfera multilateral questões que afetam a todos os países. cujo mandato é de 9 anos prorrogáveis uma vez por igual período. ainda consta na Carta da ONU como órgão. Aqueles Estados que não tiverem um nacional presente poderão indicar um juiz de sua preferência ou nacionalidade. fronteiras e disputas marítimas. o sistema onusiano é mais amplo. as sentenças pretorianas são definitivas. respeitando o postulado maior do direito internacional. na Holanda. suas decisões. por representantes de todos os Estados signatários. de 1992 a 1996 por Boutros-Boutros Ghali. Sua jurisprudência.A estrutura da Organização das Nações Unidas e seus desafios contem. conforme estabelecido no artigo 62 da Carta. organizações anteriores à criação da ONU. exceções à tendência. Destacam-se o Alto Comissariado das Nações Unidas para Direitos Humanos (ACNUDH). Seu sistema decisório segue o histórico princípio da igualdade soberana: um Estado. o sistema de tutela começou a perder o sentido. O Secretariado Geral possui como organismos subsidiários de assessoramento os escritórios. para o Status da Mulher e para a População e Desenvolvimento. Para que ocorra a aceitação é fundamental que haja uma manifestação unilateral de vontade estatal. existe previsão na Carta da ONU de um Sistema Internacional de Tutela. o Banco Internacional para Reconstrução e Desenvolvimento (BIRD). da Suécia. que julgará violações do direito internacional ou litígios entre ou que envolvam somente Estados (únicos legitimados ativos e passivos).com.

cuja soma daria os 24 da anterior Proposta Razali. como a Assembleia Geral (que engloba como membros todos os signatários da Carta) ou mesmo o Secretariado Geral (cujo Secretário é eleito pelos membros). totalizando os atuais 15 membros do Conselho de Segurança foi a única substancial em quase setenta anos. deve ser utilizada de forma pontual. Este debate abarcará dois temas bem amplos. composição que não representa mais a atual balança de poder no cenário internacional. Em seu âmbito foram celebrados documentos importantes como a Declaração Universal de Direitos Humanos de 1948 e os Pactos Internacionais de Direitos Civis e Políticos e de Direitos Sociais. na prática. Para angariar maior adesão sugeriu um prazo experimental de 15 anos. Em outras palavras. 2002: p. na grande maioria das vezes. França. it is often said. de fato.”. Por isto. não obteve muito apoio por defender a ampliação do poder de veto a todos os novos membros permanentes.”.15): “Human rights. um contexto de elevada complexidade. cuja soma dos assentos permanentes. China e Rússia nos assuntos considerados de maior relevância para a segurança coletiva. totalizando 11.num terreno cercado de boas intenções. quando deixam de ser o discurso e a prática da resistência contra a dominação e a opressão públicas e privadas para se transformar em instrumentos de política externa das grandes potências do momento. Temas de maior capilaridade e relevância como direitos humanos. e cinco não permanentes. Inicialmente. O Brasil juntou-se a Índia. a qual deveria ser pautada por princípios oriundos do constitucionalismo liberal. são exclusivos de um órgão executivo. argumentava-se. a organização internacional é pelo direito internacional. que são completamente distintas..br/site/?n_link=revista_artigos_leitura&artig. propondo reformas à instituição. da Carta da ONU). Deste trabalho surgiram duas alternativas que continuavam a não tocar na polêmica ampliação do poder de veto dos membros atualmente detentores: a primeira.” Ainda que haja perspectiva de transformação deste panorama. o grupo Unidos pelo Consenso agregou os países. utilizando a manipulação do discurso para a imposição de valores ou legitimação de intervenção externa. somada a pontuais modificações procedimentais. um Grupo de Notáveis foi convocado para repensar a ordem internacional. o pleito pela reforma institucional e a forma utilizada pela organização para remediar as reiteras e generalizadas violações de direitos humanos pelo mundo. o que. A tendência atual é catastrófica. determinados pelas elites que controlam os governos internos (FIORI. sobretudo. a proposta B. a proposta A sugeriu o aumento de seis novos assentos permanentes. Em 1997. diversas alternativas já foram levantadas. a qual pode até surtir efeitos na instabilidade inicial.com. conceito amplo e de difícil determinação. as propostas começaram a ganhar força. que coordena o ambiente anárquico (sem um poder hierarquicamente superior) dos Estados. não abdicarão de parcela de sua prerrogativa de decidir ou de impor sua vontade em última instância sobre a solução das questões internacionais mais sensíveis para favorecer a organização ou a coletividade internacional. Estas iniciativas polarizaram o debate em torno de grandes grupos de interesses. por outro. A partir do pós-guerra. A reforma da década de 1960 que aumento o número de cadeiras não permanentes de 6 para 10. Porque existe. obscurecendo o debate sobre outros temas.A estrutura da Organização das Nações Unidas e seus desafios contem. ao mesmo tempo rígida e precária. o projeto pioneiro conhecido como Razali previa a ampliação do Conselho de Segurança para 24 assentos. uma fronteira muito tênue e imprecisa entre a defesa do princípio geral. o de proteger o ser humano. a qual é dada. No tocante ao prisma jurídico. como garantias amplas e vagas. como demonstram os recentes casos de intervenção armada e de missões de paz. que são. para os desejados 11. Neste sentido. Se por um lado. envolvendo outras áreas das ciências.. existem diversas formas de interpretá-los. totalizando 11. visto que agrava a violência. se transformou . obviamente. que garante a imposição da vontade de Estados Unidos. o veto jurídico[34] (previsto no artigo 27. eles sempre são esgrimidos e utilizados como instrumento de legitimação das decisões geopolíticas e geoeconômicas das grandes potencias. aumentou-se o direito de voz dos países não membros nas sessões. pois seu exercício reflete a predominância do interesse nacional de cada Estado detentor na discussão. uma ampliação da prerrogativa do veto dificultaria ainda mais a obtenção do quórum necessário e a célere tomada de decisões em situações emergenciais. bem diferente do que acontece no direito interno de cada Estado. por meio de mais ou da deterioração da violência. como projeto e como utopia. logo. esta (des) ordem imperfeita é melhor do que não se ter nenhuma ou uma forma imposta de organização (ZOLO. O fim do embate ideológico abriu espaço para a discussão de temas de interesse de toda sociedade internacional. engessou um diálogo internacional mais amplo e produtivo. O panorama da Guerra Fria polarizou os direitos entre capitalistas e socialistas e. criticam esta discrepância. Logo. Cada vez mais são aprovadas intervenções militares pelo Conselho de Segurança com a justificativa humanitária. mas minado pelo oportunismo e pela hipocrisia. na qual prevalece a vontade de cinco grandes potências. passíveis de distorção pelos Estados em prol da efetivação de seus interesses nacionais. O discurso consensual que envolve a necessidade de proteção dos valores humanos leva Koskenniemi a afirmar o caráter ideológico que os cerca. contudo. que ainda reflete a configuração daquele contexto. o qual propunha em 2005 o aumento de 6 cadeiras permanentes para além das 5 já existentes (para os quatro e mais dois países africanos) e de 4 não permanentes. A distinção interna do Conselho de Segurança entre membros permanentes e rotativos aflora o condomínio segregacionista de poder. 2011): “Em última instância. da história ou da utopia. pois cometem o mesmo erro: utilizam a via militar para remediar o combate da violação de direitos humanos.3. do ponto de vista das relações entre os Estados dentro do sistema mundial. Não há ordem na acepção clássica do termo. 17): “Permitam-me repetir: os direitos humanos têm apenas paradoxos a oferecer. prezava pelo surgimento de 8 membros semi-permanentes (com mandato de 4 anos) e a inclusão de uma cadeira de membro não permanente. sobre cujas decisões não há qualquer controle de legalidade. 2009: p. que só foi retomado com a dissolução da União Soviética. 2007). http://ambitojuridico.   Referências 5 de 7 29/03/2016 10:31 . cabe discutir eventuais modificações na forma de agir da organização. a ONU desempenha um papel relevante para a consolidação do direito internacional dos direitos humanos. este também é o motivo pelo qual a discussão sobre Direitos Humanos. Com fulcro numa perspectiva que mescla elementos do realismo com outros do marxismo. Fiori escancara a contradição entre teoria e prática.”. todas esbarram no rígido procedimento de emenda e de reforma previsto na própria Carta. exigem a necessária ratificação interna em cada um dos cinco Estados detentores do poder de veto. não há a menor dúvida que. totalizando 13. para que continue se fortalecendo e se perpetuando (FIORI. 2004: p. Como os direitos humanos são um conceito de conteúdo variável no tempo e no espaço. Os Estados Unidos admitiam apenas a inclusão de dois novos assentos permanentes para Japão e Alemanha com fulcro na capacidade econômica de ambos e em sua considerável contribuição para o orçamento da ONU. Econômicos e Culturais de 1966. Esse procedimento de deliberação é viciado por um poder jurídico exclusivo que os membros permanentes detêm no quórum de aprovação. Reino Unido. identificam e. altamente discriminatório e pouco representativo. existe a pressão internacional para que aja rapidamente nos momentos de convulsão. ainda que emerjam propostas. o remédio por ela adotado é a via militar. A prioridade internacional no contexto de conflito ideológico era dada. os quais. semi-permanentes e não permanentes também seria igual a 24. sendo um apêndice de uma ampla cooperação internacional seja mais abrangente. favoráveis à expansão das cadeiras do Conselho de Segurança (em 10 novos membros permanentes) sem a ampliação do direito de veto. Desde sua entrada em vigor. Esta prerrogativa é frequentemente utilizada de forma abusiva. are the religion of (an agnostic) modernity. no topo de sua estrutura piramidal. it is more functional to live with a certain degree of disorder than to seek to impose a perfect order. ramo jurídico que se constitui sobre o postulado da soberania estatal. entender o funcionamento e a estrutura da ONU é fundamental para que esta não seja nem subestimada nem supervalorizada. a qual se insere no projeto hegemônico de poder estadunidense. sempre atuando em favor do interesse nacional. findo o qual estaria extinto o direito de veto aos seis novos membros permanentes. A União Africana apresentou a sua visão. se uns ganham significa que outros perdem. A discussão mais produtiva concentra-se nos poderes excessivos atribuídos ao seu órgão de cúpula.. além de viabilizar e incentivar acordos regionais neste sentido. sendo cinco dos nove novos membros eleitos pela Assembleia Geral para ocupar novas cinco cadeiras permanentes. Partindo do pressuposto realista de que o poder é um jogo de soma zero. na prática. para a segurança. estão se confundindo. Independentemente da particularidade de cada proposta. quando necessária. no campo internacional. pois reflete a dominância dos países vencedores da Segunda Guerra Mundial. Os direitos humanos perdem seu fim. Além da política dos Estados. ou seja. Ambas as vias promotoras da paz. como Itália e Argentina.). as decisões sobre este assunto nos foros internacionais são sempre políticas e instrumentais e variam segundo a vontade e segundo os interesses estratégicos destas grandes potências. Esta tarefa no sistema internacional hodierna cabe em última instância ao Conselho de Segurança. A principal demanda por mudanças gira em torno de uma alteração tanto em aspectos jurídicos quanto em políticos da Carta. 2011): “Independentemente do que se pense sobre o fundamento e a universalidade dos direitos humanos. Com a ínfima probabilidade de alterações jurídicas. enquanto que haveria a inclusão de mais três assentos não permanentes. ganharam no contexto hodierno. a garantia da paz e da segurança internacional. As resoluções do Conselho de Segurança são obrigatórias e vinculam as nações independentemente de sua vontade em cumpri-la ou aceitá-la. além da maioria qualificada de 2/3 de votos afirmativos dos membros da Assembleia Geral. A ONU enfrenta uma encruzilhada na tomada de soluções mais incisivas na proteção do ser humano. meio ambiente e desenvolvimento econômico e social são preteridos em favor da ênfase desproporcional dada à segurança militar coletiva.” Apesar do inédito desenvolvimento normativo e teórico alcançado pelo tema. Não há como pensar a sociedade internacional fora de um sistema de equilíbrio de poder. Além do comportamento egoístico. inviabiliza quaisquer alterações substanciais. único órgão detentor da prerrogativa excepcional de autorização do uso da força na seara internacional. como se fossem a nova religião da modernidade agnóstica (KOSKENIEMMI. sem defini-las. sendo seis permanentes com poder de veto. que necessita da desordem. entendeu-se pela consolidação de um sistema geral de proteção do indivíduo que regularia as garantias do ser humano. Como a ONU é uma organização eminentemente ocidental. Essa aparente ordenação não segue a semântica convencional. relativo. tendo em vista que os Estados defendem seus interesses nacionais. a taboa ocidental dos direitos humanos. é possível tentar alterar os efeitos ou a direção da atuação. as mudanças substanciais necessárias parecem cada vez mais irreais dentro da lógica onusiana. Este pleito apesar de plural e abrangente geograficamente. para além das 10 ocupadas. contemporâneos. Mesmo ante as críticas que podem ser levantadas tanto em relação à sua atuação para a proteção de direitos humanos quanto em pouca margem de reforma institucional. entretanto. sua prática no cenário internacional continua paradoxalmente seletiva e discriminatória (DOUZINAS. A política institucionalizada opera em função de um condomínio que reúne as potências vencedoras do conflito mundial. conhecido como o Conselho de Segurança da ONU. 2009: p. na qual prevalece a vontade das grandes potências que a criaram sob a lógica hegemônica que marca a configuração internacional hodiernamente. destacando a política por trás do argumenta da universalidade na aplicação das normas protetoras de direitos humanos (FIORI.. sem mencionar a ampliação do direito de veto. enquanto que as missões de paz autorizadas ganha um caráter mais e mais intervencionista nos assuntos internos dos Estados receptores. Teóricos voltados à defesa dos valores democráticos e os outros Estados. eles não assinalam o triunfo dos direitos chega quando eles perdem seu fim utópico (. mas uma disposição dos Estados. prejudicados por esta configuração seletiva do poder. como os direitos humanos. O Estado é colocado no centro das discussões. Em 2003. A força. Os assuntos mais relevantes relativos ao escopo principal. consequentemente. A convivência entre Estados é explicada por meio dos interesses nacionais e das relações de força e de poder. Em relação ao vetor político. a ética de uma missão civilizatória contemporânea que espalha o capitalismo e a democracia nos rincões mais escuros do planeta. muito se discute sobre a hierarquia liderada pelo Conselho de Segurança e a impotência de outros órgãos mais democráticos.depois do fim da Guerra Fria . de acordo com a qual deveria haver o acréscimo de 11 cadeiras.”. O principal argumento é a função pública internacional exercida pela ONU. o qual atuará em situações extremadas. menos relevantes. ante a celebração dos 60 anos da organização em 2005.13): “Quando os apologistas do pragmatismo decretam o fim da ideologia. As decisões mais determinantes são tomadas por um órgão executivo. em nome da segurança coletiva. O autor complementa o pensamento. pela força. no qual o fim das ideologias traria um dogma indiscutível. documento datado de 1945. o que ratificava a proposta do G-4. que imediatamente é o de sobreviver e impor sua vontade em um ambiente descentralizado e horizontal por meio do acúmulo de poder. pelos países detentores do poder de veto. 443): “In situations of high complexity and turbulence of environmental variables. o que se transformou em uma falsa euforia e um horizonte exageradamente e oportunamente otimista. ao explicar a proeminência que valores ditos universais. Logo. Desde a década de 1990. É uma tentativa de proporcionar o concerto e a cooperação entre os países. em relação à proteção dos direitos humanos. Para contrapor os projetos anteriores. atuará de acordo com estes interesses. Japão e Alemanha para formar o Grupo dos Quatro (G-4). verifica-se a desigual distribuição de competências e poderes dentro da organização. a segunda.. porém. sobretudo.. distorcendo o argumento da resistência e da conquista das garantias do indivíduo (DOUZINAS. e a arrogância de alguns estados e governos que se autoatribuem o “direito natural” de arbitrar e difundir. ou seja.

É um pacto com a vigência condicionada à permanência de seus signatários no poder. number 4. mas não governa. Karl. 2007. acordo bilateral entre França e Estados Unidos que obteve grande adesão dos países ocidentais. gerou uma estabilidade no continente europeu no sentido de impedir as guerras sistêmicas entre elas. Após sua derrota definitiva. Churchill e Stalin. Acesso em: 01 de agosto de 2011. Belo Horizonte: Del Rey. In: Âmbito Jurídico. sem valor jurídico é a consagrada Declaração Universal dos Direitos Humanos de 1948. “International Law and Hegemony: a reconfiguration. Acesso em 01 de março de 2013. ENGELS.” Cambridge Review of International Affairs. iniciando o período de monarquia constitucional ou parlamentarista. “O Direito Humano à Guerra. A partir da vitória dos defensores do Parlamento. outra em 1942. Rev. SHAW. Brasília: Editora Universidade de Brasília. Reforma da ONU: textos acadêmicos. As perdas materiais e humanas abalaram tão profundamente os cidadãos que a euforia gerada pelo nacionalismo foi desfeita. COMPARATO. gerando grande insatisfação com os governos. a guerra civil travada entre o Rei Carlos I e Oliver Cromwell. Entrevista do Professor José Luis Fiori à Folha de São Paulo do dia 04 de abril de 2011. SEITENFUS. In: Seminário sobre a Reforma da ONU. À época a interpretação que predominava entendia que a abstenção de voto dos membros permanentes do Conselho de Segurança significava veto. Brasília: FUNAG. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais. que seria a moeda de referência do sistema internacional. 1-26. vol. [4] Os países envolvidos não estavam preparados materialmente para encarar um conflito de grandes proporções e de longa duração. voltou a participar das reuniões com a promessa de que a Resolução n° 377 não seria mais aplicada e em contrapartida a abstenção deixaria de significar veto. Costas.cfm?coluna_id=5034. [31] A Resolução n° 377. [9] Wilson já não era mais o presidente quando a Carta da Sociedade das Nações foi submetida ao crivo congressual. a partir de 1949. Luiz Felipe Brandão. [34] De acordo com o artigo 27. pp. 2002. o Banco Internacional de Reconstrução e Desenvolvimento. Brasileira de Política Internacional. em 1918. Inicialmente. O contrário dos direitos humanos (explicitando Zizek). As Consequências Econômicas da Paz. ainda que a organização internacional detenha seu próprio conselho executivo. Esta proscrição só veio com o Pacto Briand- Kellog. da qual emergiu a declaração de apoio aos aliados e contra os países do Eixo.br/site/?n_link=revista_artigos_leitura&artig. Em virtude disso. n.). ou seja. alegando que estes são possíveis e compatíveis com o sistema onusiano. Rio de Janeiro: Editora Lumen Juris. posteriormente. Calouste Gulbenkian. França. nem caberá o exercício do veto jurídico pelos Estados permanentes. ZOLO. com a mudança de entendimento. LINDGREN. 2009. quando a  União Soviética retornou ao Conselho de Segurança. não significando a abstenção mais veto às deliberações. [16] Este acordo é conhecido pela literatura especializada como um acordo de cavalheiros ou gentlemen´s agreement. esta medida inviabilizava o poder de veto da União Soviética que. Wagner. FIORI. em 1945. _____. 40. 2003. 2004. [18] Em Moscou foram realizadas três conferências. A Assembleia Geral autoproclamou-se competente para tratar do assunto. n. Coletânea de Direito Internacional e Constituição Federal. e foi definitivamente destruída com a eclosão da Primeira Guerra Mundial.com. em prol da cooperação internacional em áreas temáticas específicas. as ausências reiteradas da União Soviética travavam quaisquer deliberações. Disponível em: http://www. 2009. A Globalização e os Novos Desafios do Direito Internacional. 2009. [25] Ainda que os dispositivos tenham perdido o sentido após as transformações internacionais. Malcom. [6] Para Gramsci. [17] Além de pavimentar o caminho para a entrada estadunidense no conflito. 2007). autorizando o envio de tropas em missão de paz para a Coreia. restaurando as antigas famílias dinásticas ao poder com base no princípio da legitimidade e da continuidade. o acordo significou o reconhecimento expresso da transição hegemônica. Cambridge: Cambridge University Press. Contribuiu para os rumos da Revolução Bolchevique na Rússia e para a Revolução de Novembro na Alemanha. quando. [8] Este Tratado Internacional é relativo à rendição da Alemanha à Entente Cordial. Dilemas e desafios da Proteção Internacional dos Direitos Humanos no limiar do século XXI. 92-116 BATISTA. Debate Aberto da Revista Carta Maior. Rio Grande. os imperiais e autoritários. Bras. o Lend and Lease. líder do Parlamento. difundida no final do século XIX e no início do XX. [21] Realizada em fevereiro de 1945. In: Seminário sobre a Reforma da ONU. não há como deixar de ressaltar que esta lógica onusiana está eivada de expressões e do ideário do pós. e a última em 1943.) Jürgen Habermas. o que inviabilizou ações emergenciais e condenações ao abuso das grandes potências. esta conferência foi fundamental para definir o eixo econômico da hegemonia estadunidense com a criação de duas organizações internacional de apoio. não podendo o seu descumprimento ser aventado perante tribunais internacionais. TRINDADE. [11] Não estava explícita em seu texto uma condenação expressa à guerra justa enquanto meio de solução de controvérsias. Disponível em versão integral: http://www. e o Fundo Monetário Internacional. 80 anos: Direito e Democracia. mas. [23] Realizada em agosto de 1945. [20] Realizada ainda em 1944. [3] Esta organização condominial. Luiz Felipe Brandão Osorio Professor de Direito Internacional dos Cursos de Graduação em Defesa e Gestão Estratégica Internacional e em Gestão Pública para o Desenvolvimento Econômico e Social. quando Napoleão assumiu as rédeas do governo francês e empreendeu uma expansão territorial e ideológica pela Europa na defesa dos valores burgueses em detrimento dos ideais absolutistas. [26] Entende-se como sistema onusiano a composição que envolve a Organização das Nações Unidas e todas as agências. Ricardo. após a Resolução n° 377. Em outras palavras. Os efeitos nefastos da guerra começaram a afetar as sociedades e a desfazer a ilusão do progresso infindável europeu.”. a hegemonia é conquista a partir do reconhecimento de superioridade de um país por seus pares. tendo em vista a política de cadeira vazia praticada pela União Soviética em protesto ao reconhecimento de Taiwan como China.3. enquanto presidente da Assembleia Geral. 2009. seus compromissos estabelecidos não obrigam legalmente as partes envolvidas. _____. todavia. [7] Materializado no documento conhecido como os 14 Pontos de Wilson.    Notas: [1] A Grã-Bretanha não participou diretamente da Guerra dos Trinta Anos por estar envolvida em um conflito interno. Gerson de Brito Mello. o Rei teve seus poderes limitados. o BIRD.  Estudos em Homenagem ao Prof. _____. após o fim da guerra na Europa. até 1950. interrompendo várias dinastias hereditárias e colocando no poder seus aliados. o dólar.. pois a abstenção gerava veto. 2005. Reforma da ONU: textos acadêmicos. KOSKENNIEMI. inclusive os votos afirmativos de todos os membros permanentes. December 1999 . [29] Cabe a ressalva que o único órgão no sistema internacional que detém o monopólio da autorização do uso da força é o Conselho de Segurança. J. “A Cosmopolitan Philosophy of International Law? A Realist Approach”. o rechaçou. não serão obrigatórios. Martti. 2003. 1997. Suas conquistas alteraram o panorama político de diversos Estados. Grã-Bretanha e Irlanda do Norte e Estados Unidos da América.br/templates/colunaMostrar. bem como resultou no imediato programa bélico e logístico de apoio à resistência britânica. São Paulo: Boitempo Editorial. definiu informalmente a ocupação no continente e a divisão da Alemanha. Direito das Organizações Internacionais. Antônio Augusto Cançado. Rio de Janeiro. meio político de solução pacífica de controvérsias. sem o devido reconhecimento.un. Brasília: FUNAG.centrocelsofurtado. não havia a figura do veto jurídico. quando o Eixo perdia o controle do Norte da África. os defensores do absolutismo monárquico buscaram reverter as mudanças. baseada no equilíbrio de poder liderado por poucas e importantes potências. entedia-se que abstenção implicava veto. MENEZES. José Luis. [10] O Congresso Estadunidense considerava o acordo por demais intervencionista em sua soberania. foi a responsável por discutir a composição do Conselho de Segurança e a atribuição do poder de veto aos membros permanentes. e pela maioria dos outros Estados signatários. em cujo sistema o Reio reina. Danilo. A Organização das Nações Unidas no Quadro da Futura Sociedade Política. em 1815. [28] No exercício desta competência. o FMI. [33] Um exemplo de decisão da Assembleia Geral. out 2013. que ainda não foi uma guerra multilateral. Patrick. o CS passou para atuais 15 membros.org. XVI. Friedrich e KAUTSKY. Com esta redação. Coleção Clássicos das Relações Internacionais. Ratio Juris. DINH. presente expressamente nos artigos 53 e 107 da Carta. [32] Existe atualmente o uso tradicional de o representante brasileiro proferir o discurso inaugural da sessão ordinária anual.br /adm/enviadas/doc/pt_00000157_20110405172227. mediante vínculos estreitos. Quando há superioridade econômica e bélica. reuniu Roosevelt. pp. [5] Dinastia prussiana que comandou a unificação do país e o liderou até a Revolução de Novembro. São Leopoldo: Editora UNISINOS. as quais não possuem valor jurídico imediato. [22] Realizada em junho de 1945. Manual das Organizações Internacionais. devido a Oswaldo Aranha discursado. Acesso em: 01 de agosto de 2011. ou seja. as decisões do Conselho de Segurança. Luiz (orgs. a paz arquitetada pelos britânicos no Congresso de Viena. [24] Artigo 110. Valério (org. Nguyen Quoc. Rio de Janeiro. o qual. Fábio Konder. sob a alegação de paralisia do Conselho de Segurança. International Law. com a consequente rendição e a derrubada do regime imperial prussiano. _____. [27] Dos iniciais 11. sendo uma em 1941. Sixth Edition. Günther e MOREIRA. ALVES. realizada em 1947.com. na primeira Sessão Especial. depois do ocorrido. Porto Alegre: Livraria do Advogado.. Alain. a qual durou de 1641 até 1649. Int. [2] A Era Napoleônica pode ser definida entre o período de 1799 até 1815. [13] John Maynard Keynes disseca as consequências desastrosas para a economia e para o alcance da paz geradas por este arranjo revanchista orquestrado por franceses e britânicos em relação à Alemanha IN: KEYNES.cartamaior. O artigo 52 desfaz dúvidas sobre os acordos regionais. 2012. São Paulo: Boitempo. Disponível em: < http://www. seus pareceres não serão vinculantes (de acordo com o artigo 37 da presente Carta). a única conversível em ouro. Vanessa Oliveira. [12] Ou seja. Mestre e Doutorando em Economia Política Internacional Informações Bibliográficas   OSORIO. 12. [19] Realizada em dezembro de 1943. Ambos girariam em torno do centro gravitacional. Na prática. todos os 8 membros detinham este poder. 2009.A estrutura da Organização das Nações Unidas e seus desafios contem. União das Repúblicas Socialistas Soviéticas. Uma vedação mais geral só foi consentida com a Carta das Nações Unidas. pp. Revista. O Fim dos Direitos Humanos. conhecida também como Resolução Acheson ou Unidos pela Paz (Uniting for Peace) foi articulada em 1950. MAZZUOLI. Polít. 239-278. “O Destino do Direito Internacional Público: entre Técnica e Política.. O contexto de criação não pode ficar de fora da análise desta entidade. O Poder Global e a Nova Geopolítica das Nações. DAILLIER. o qual compõe uma das fontes do soft law. O Socialismo Jurídico. o que refletiu em duas importantes revoluções no continente europeu. Lisboa. 2009. foi estendido a outros países. configura-se dominação.3: A presente Carta entrará em vigor depois de depósito de ratificações pela República da China. A estrutura da Organização das Nações Unidas e seus desafios contemporâneos: reforma institucional e proteção de direitos humanos.. A referência a Estados inimigos é recorrente. 2002. inter-relacionadas com o escopo da paz e da segurança internacional. John Maynard. 429-444. 167-177. Reforma da Organização das Nações Unidas. in Direito Internacional Moderno. serviu para a elaboração do texto da Carta da ONU. [14] Europa e Ásia foram os continentes majoritariamente afetados. sobretudo.2° Guerra Mundial. ORGANIZAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS (ONU). 117. Disponível em: < 6 de 7 29/03/2016 10:31 . [15] A literatura especializada chama esta transição de sorpasso (FIORI. 2008. http://ambitojuridico. p. Destas reuniões saíram as primeiras bases da ONU. A. a decisão será tomada pelo voto afirmativo de nove membros. em todos os assuntos que não forem procedimentais. pp. [30] Termo consagrado pela doutrina sobre o assunto. necessariamente ser aprovadas pelo Conselho de Segurança da ONU. houve polêmicas acerca da interpretação do dispositivo. fundos e programas que com ela se relacionam. 2012. documento que é uma recomendação. DOUZINAS. pode ter durado quase um século. que visava o reaparelhamento militar sob condições favoráveis aos necessitados. Considera-se que a balança foi desequilibrada inicialmente com a Guerra Franco-Prussiana. Direito Internacional Público. Na Assembleia Geral a resolução foi votada e aprovada pelo quórum qualificado de 2/3.” IN: FRANKENBERG. por isto. as ações locais que necessitarem do emprego da força devem.org/en/> PELLET. na prática.

nem de forma solidária. http://ambitojuridico.br/site/?n_link=revista_artigos_leitura&artig. O Âmbito Jurídico não se responsabiliza.com.br/site/?n_link=revista_artigos_leitura&artigo_id=13708 >..A estrutura da Organização das Nações Unidas e seus desafios contem.     7 de 7 29/03/2016 10:31 . http://ambitojuridico... por serem de inteira responsabilidade de seu(s) autor(es).com. Acesso em mar 2016. idéias e conceitos emitidos nos textos.. pelas opiniões. nem de forma individual.