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PARECER DOBRA DE PLANTÃO

PARECER TÉCNICO JURÍDICO Nº 044/2015 Destino: Gestão de Pessoas/Presidência
PARECER TÉCNICO JURÍDICO Nº 044/2015

Destino: Gestão de Pessoas/Presidência
Esta Procuradoria foi instada a emitir parecer técnico acerca da dobra de plantão e sua
base legal, bem como a não obrigatoriedade da mesma, em face de Requerimento
formulado por profissional de Enfermagem.
De início, é de se destacar que é obrigação (dever) das instituições, pública, privada e
filantrópica, da área de saúde, manter índice de segurança técnica de profissionais
disponíveis em seus quadros de servidores e empregados, para o caso de ausência de
plantonistas, pelas suas diversas razões, em estrito cumprimento da Resolução COFEN nº
293/2004, sendo elas responsáveis por qualquer dano que ocorra ao paciente em razão da
inadequação quantiqualitativa destes em seu corpo funcional.
No tocante a chamada “dobra de plantão” cumpre focar inexistir sua previsão em
Resoluções ou qualquer outro meio de regulamentação pelo COFEN e CORENs. Daí se
concluir, sem dúvidas, não haver legalidade para a imposição de sua implementação,
razão pela qual, deve ser evitada.
Assim, a possibilidade da “dobra de plantão” será analisada de acordo com a situação
envolvida, ou seja, o motivo de sua necessidade, podendo, apenas, em casos
excepcionais ser permitida, porém, sempre com a anuência do profissional da
enfermagem, uma vez que, como já dito anteriormente, não há previsão legal à sua
obrigatoriedade e, via de consequência, sua exigência.
Nesse sentido vertem os artigos 10, 12, 13, 16 e 21 do Código de Ética dos Profissionais
de Enfermagem, Resolução COFEN nº 311/2007. Eis seus textos:
“Art. 10. Recusar-se a executar atividades que não sejam de sua competência
técnica, científica, ética e legal ou que não ofereçam segurança ao profissional, à
pessoa, família e coletividade.”
“Art. 12. Assegurar à pessoa, família e coletividade assistência de enfermagem livre
de danos decorrentes de imperícia, negligência ou imprudência.”
“Art. 13. Avaliar criteriosamente sua competência técnica, científica, ética e legal e
somente aceitar encargos ou atribuições, quando capaz de desempenho seguro
para si e para outrem.”
Art.16. Garantir a continuidade da assistência de enfermagem em condições que
ofereçam segurança, mesmo em caso de suspensão das atividades profissionais
decorrentes de movimentos reivindicatórios da categoria.”
“Art. 21. Proteger a pessoa, família e coletividade contra danos decorrentes de
imperícia, negligência ou imprudência por parte de qualquer membro da equipe de
saúde.”
Entende esta Procuradoria, que no caso da substituição do plantão não advir por falta do
plantonista substituto, ou seja, pela ausência do profissional responsável pelo plantão
subsequente, a direção técnica da instituição de saúde pública, privada e filantrópica, da
área de saúde deve ser acionada para resolver o problema.
Também é assaz recomendável, para a tranquilidade do Profissional de Enfermagem e,
sobretudo, para a segurança dos pacientes, que o mesmo se prepare na acepção de não
assumir plantões subsequentes sem um lapso de tempo razoável para seu descanso.
É cogente focar, que cabe ao membro da equipe de enfermagem que identificou o fato
(dobra de plantão), o registro e a denúncia ao Conselho Regional de Enfermagem para a
sua apuração e responsabilização de acordo com a legislação vigente dos profissionais
envolvidos na situação, de acordo com sua participação ou ausência injustificada, como
também, das instituições, pública, privada e filantrópica, da área de saúde, que descumprir
as determinações ínsitas na Resolução COFEN nº 293/2004.
O Conselho Regional de Enfermagem fará a apuração e aplicação das penalidades
conforme a gravidade do caso, para todos os envolvidos na situação.
Não se pode olvidar que a continuidade da assistência de enfermagem (artigo 16,
Resolução COFEN 311/2007) é um direito do paciente e um dever das instituições,

razão pela qual. 49. Rosangela Sobreira Gomes da Silva Mastrangeli Procuradora Geral do COREN-PE OAB/PE 15. devendo ser prestada de forma segura. insira cláusula restritiva. ele não pode ser usado como base jurídica de negativa de dobra de plantão. que o Sindicato dos Enfermeiros no Estado de Pernambuco – SEEPE e o Sindicato Profissional dos Auxiliares e Técnicos de Enfermagem do Estado de Pernambuco – SATENPE. quando impedido de cumprir o presente Código. Recife/PE. como já dito. Recife. de forma exclusiva. privada e filantrópica. que nos casos de contrato de trabalho regido pela CLT. em face da responsabilidade que cada um detém pela prática de seus atos. Dê-se ciência a Requerente. quando da negociação da Convenção Coletiva do Trabalho. Comunicar ao Conselho Regional de Enfermagem fatos que firam preceitos do presente Código e da legislação do exercício profissional. pública. que dizem: Art. do Código de Ética da Enfermagem. é imperioso aduzir. também. para dirimir o conflito. Executar e determinar a execução de atos contrários ao Código de Ética e às demais normas que regulam o exercício da Enfermagem. em havendo dobras de plantões.” “Art. Torna-se importante esclarecer. deverá ser observado o contido nos artigos 44. 56. proibitiva ou regulamentadora da dobra de plantão. Por último.” Sugere esta Procuradoria. 23 de março de 2015. Recorrer ao Conselho Regional de Enfermagem. privada e filantrópica. É o parecer.” “Art. ___/____/2015. . 44. cada situação deve ser analisada pelo Profissional. que no caso das instituições.914-D Eduardo Lacerda Siqueira Campos Araújo Assessor Jurídico do COREN-PE OAB/PE 22. da área de saúde. a saúde da população e do profissional empregado. com fundamento na Convenção Coletiva de Trabalho – CCT do SINDPENFERMAGEM-PE. haja vista que. preservando a continuidade da assistência de Enfermagem sem risco a vida do paciente. Cabe ressaltar.pública. 49 e 56. ainda quando autorizada pelo profissional da enfermagem. estas serão pagas acrescidas de 100% (cem por cento) sobre o valor da hora normal. da área de saúde. tentar compelir o profissional de enfermagem a dobrar o plantão sem o seu consentimento. a legislação do exercício profissional e as resoluções e decisões emanadas do Sistema COFEN/COREN. Portanto.140-D De acordo. deve ser realizada de maneira responsável e esporádica. sem invasão de competência. no que concerne a dobra de plantão. que este entendimento tem por única premissa esclarecer aos Profissionais da Enfermagem sobre alguns dispositivos vinculados à matéria sob exame. Giovana Júlia Martins Mastrangeli de Melo Presidente do COREN/PE.

Parecer emitido – Troca de plantões entre profissionais de enfermagem Parecer acerca da quantidade de trocas e substituições de plantão .