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CRÍTICO I – REQUISITADO

Mikhail Bakhtin (Russo)

- Análise da construção dos diálogos e de suas intenções

- Defensor do princípio de que todo e qualquer discurso é isento de


neutralidade e impregnado de intencionalidade.

- demonstrar os problemas sociais observáveis na sociedade, contrastando a


vida pública e a vida privada. O estudo dos costumes burgueses procurava
mostrar a decadência das instituições que sustentavam a sociedade.

- experiências cotidianas para retratar a sociedade contemporânea

- O espaço, o meio físico e social em que os personagens estão inseridos, é


considerado um dos elementos condicionadores de seus comportamentos

“Cenas da vida portuguesa”. Ao pintar um retrato crítico da sociedade


portuguesa do seu século, o autor estrategicamente traz às nossas vistas a sua
visão de mundo, transferindo sua voz e suas atitudes para seus personagens.

- idéias que influenciaram diversos estudos lingüísticos e literários

O TEÓRICO

- Problemas da poética de Dostoievski (1981) e Questões de literatura e de


estética: a teoria do romance (1988).

- a linguagem romanesca como um espaço dialógico onde ocorre o


entrecruzamento e o embate de vozes.

- Narração utiliza os personagens e o espaço para preferir as ideias e


intenções do autor, fazendo-se valer desta função para se distanciar como
próprio autor de suas ideologias.

- Também utiliza personagens para se opor as próprias ideologias e assim


ressaltar conflitos de ideais vigentes na sociedade portuguesa

- Como O crime do padre Amaro foi escrito em um período em que a Ciência


ganhava repercussão, Eça de Queirós também trouxe para a narrativa a sua
visão cientificista.

A TEORIA

- A teoria Bahktiniana constitui-se a partir da relação do ‘eu’ com o ‘outro’.


(conceito de que na experiência individual e na experiência do outro é que se
realiza a existência. )

- Resumindo: Dessa forma, o ‘eu’ não pode ser considerado autônomo, já que
sua existência adquire significação somente através do diálogo que estabelece
com os outros através das relações e interações de grupos socialmente
organizados.

- A palavra é um fenômeno não monológico, depende de outros discursos

- Cada enunciado é constituído de outros enunciados que atuam no processo


de comunicação verbal e é por meio desses enunciados que o discurso se
estabelece.

(Esse caráter dialógico é expressivamente efetivado dentro do discurso


romanesco.)

o gênero romanesco é considerado como a mais importante projeção no


discurso literário da construção discursiva

A OBRA

(IRONIAS E CRÍTICAS)

Intenções do autor ao utilizar a voz de seu narrador para mascarar seu


discurso irônico e satírico

- um entrelaçar de vozes originadas de diferentes esferas, onde proliferam


discursos que refletem a visão anticlerical, cientificista e reformista do autor.

(Estes discursos, quando instaurados pelo narrador, ganham efeitos que, na


ficção, tecem uma leitura da realidade)

- O autor cria uma perspectiva para o discurso, elabora uma situação e as


condições e introduz suas expressões, dando um fundo dialógico ao discurso.

- A multiplicidade de vozes provém do diálogo com o outro, refletindo a


intencionalidade dos discursos em graus diferenciados de crítica e polêmica.

- O narrador funciona como um maestro que rege e harmoniza esse concerto


de vozes
- narrativa de vários tons discursivos através da coexistência de diversos
referentes lingüísticos e da mescla de linguagens inseridas no discurso do
narrador e dos personagens

- ocasiões onde um outro discurso atravessa o relato do narrador, o discurso


do autor.

- Eça de Queirós emprega em sua obra diferentes falas e linguagens.

- O crime do padre Amaro , Eça deixa transparecer as suas intenções


semânticas, ainda que não as pronuncie diretamente. O autor promove um
discurso repleto de insinuações que podem ser percebidas nas entrelinhas:

– [...] Sabe quem eu vi há dias? A Dionísia. – E então? O cônego disse uma


palavra baixo ao ouvido do Padre Amaro. – Deveras, padre-mestre?

- O autor cria representantes em carne e osso e confronta-os dialogicamente.

- Através dos personagens, que simbolizam os mais diversos domínios da


sociedade, Eça relata o conflito que o opunha ao país. O escritor apresenta em
sua obra uma gama de tipos sociais, representantes de idéias, escolas,
culturas,crenças, concepções de mundo.

- O autor elabora os discursos e as ações dos personagens com a intenção de


pôr em questionamento a estrutura social e através do desengano e fracasso
dos personagens, revela o desmoronamento de algumas instituições.

Através de um universo ficcional, Eça de Queirós promove o entre cruzamento


de vozes que anseiam ser ouvidas. E, por meio de um dizer polêmico,
conflitante ou denunciativo traz à tona os problemas, dúvidas, medos e
ansiedades que afligiam a humanidade.

- VARIEDADE DE VOZES - diversidade social de linguagens organizadas


artisticamente, são linguagens representativas de dialetos sociais, grupos e
círculos específicos, jargões profissionais, falas de diferentes gerações.

- um instrumento de ataque aos sistemas impostos pela sociedade. E através


deste romance, vemos sobressair três faces desse autor –o Eça anticlerical, o
Eça cientificista e o Eça reformador social

- clerical x Anticlerical
- Há uma proliferação de discursos que cultuam a religiosidade, através de
várias personagens, como as senhoras Gansoso

,D. Maria da Assunção, D. Ana, D. Cândida, Libaninho, a própria Amélia, além


das figuras religiosas, como padres, freis, cônegos, etc.

- “Pobre Pedrinho! Inimigo da sua alma só havia ali o reverendo Vasques,


obeso e sórdido, arrotando do fundo da sua poltrona, com o lenço do rapé
sobre o joelho...”

O crime do padre Amaro abrange diferentes visões ideológicas e sociais que


dialogam entre si, seja em concordância ou oposição.

Através do “plurilingüismo” (o autor abre caminho para a multiplicidade de


interpretações)

CRTÍTICO II – CONTEMPORÂNEO – SÉRGIO NAZAR DAVID


O século de Silvestre da Silva: estudos queirosianos

- Se preocupa com o fazer literário e o sentido

O Homem não é mais visto como bom por natureza, abrindo margem para
hábitos e ações humanizadas

- explica a retrata os desejos sexuais, e os próprios personagens, como as


suas características e ações

- Vê as relações sexuais como bestial, pois segundo ele os homens se deixam


levar pelo desejo de forma besta (instinto) e a mulher por acreditar em contos
românticos

- E que os casamentos se dão por conveniência

- Os desejos de descrever nua e cruamente os vícios da sociedade burguesa

- Impressão de que o mundo ou a consciência mal formada que não tinham


sido capazes de levar Amélia e Amaro para a conjugalidade

- Há uma idealização

- A Razão como consciência máxima, característica de Dr Golveia


- Culpabilização do mundo e da consciência fraca, incapaz de resistir

- Tanto n’O crime do padre Amaro quanto n’O Primo Basílio é a consciência
maleducada que leva seus protagonistas ao fim trágico que têm.

- concepção aristotélica, pautada na razão e na idéia de que se pode educar a


consciência humana,

- objetivo de Eça seja, através dos personagens centrais, acusar a consciência


mal-educada, teremos, através do Dr. Gouveia, a representação ideal da
consciência segundo as crenças positivistas.

(De acordo com a visão positivista, o homem não precisaria mais do “Deus do
céu”, pois cada um teria um Deus dentro de si, que dirigiria suas ações)

Essa visão está muito bem ilustrada n’O crime do padre Amaro, por este
discurso anticlerical do Dr. Gouveia: “Eu não preciso de padres no mundo,
porque não preciso do Deus 5 do céu. Isto quer dizer, meu rapaz, que tenho o
meu Deus dentro de mim, isto é, o princípio que dirige minhas ações e os meus
juízos. Vulgo Consciência...” (QUEIRÓS, 1997, p. 265).