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TBL- Direito Civil I

O artigo 6° do Código Civil dispõe que a existência da pessoa natural termina


com a morte; presume-se esta quando aos ausentes nos casos em que a lei autoriza a
abertura de sucessão definitiva. O artigo 22 estabelece que, desaparecendo uma pessoa
do seu domicílio sem dela haver notícia, se não houver deixado representante ou
procurador a quem caiba administrar-lhe os bens, o juiz, a requerimento de qualquer
interessado ou do Ministério Público, declarará a ausência e nomear-lhe-á curador.
Como João está desaparecido há 6 meses, presume-se a morte se comprovada a
presença dele no momento do desabamento das galerias do metrô e se não for possível
encontrar o cadáver para exame, nesse caso é permitida a justificação judicial da morte
para assentamento do óbito. Não há certeza da morte, mas há um conjunto de
circunstâncias que indiretamente induzem a certeza, a lei então, autoriza ao juiz a
declaração de morte presumida. Sendo assim, como a procuração dada por João ao
gerente está próxima de vencer, poderá ser pleiteada a declaração da ausência sendo que
o juiz irá nomear um curador para administrar os bens. O juiz, ao nomear o curador dos
bens do ausente, deve escolher na ordem legal estrita e sucessiva do artigo 25 do
Código Civil, sendo a ordem de preferência: em primeiro lugar, o cônjuge não separado
judicialmente ou de fato a mais de dois anos, ou seja, Maria é a legítima curadora dos
bens.

O Código Civil, autoriza a abertura da sucessão provisória, nos termos do art.


26, CC: “Decorrido um ano da arrecadação dos bens do ausente, ou, se ele deixou
representante ou procurador, em se passando três anos, poderão os interessados requerer
que se declare a ausência e se abra provisoriamente a sucessão”. Ou seja, após um ano
do desaparecimento de João será possível a abertura da sucessão definitiva.
Consideram-se interessados para tal o cônjuge não separado judicialmente, os herdeiros
presumidos, legítimos ou testamentários, os que tiverem sobre os bens do ausente
direito dependente de sua morte e os credores de obrigações vencidas e não pagas.
Somente após o prazo de 10 anos desde a sucessão provisória será possível a sucessão
definitiva, pois é resguardado tal prazo devido à possibilidade de retorno do ausente.

A emancipação é um ato jurídico que concede ao maior de 16 anos e menor de


18 anos a liberdade para exercer certos atos civis, ministrar seus bens e negócios com
devida autonomia. Maria poderá requerer a emancipação voluntária do filho Pedro com
16 anos, que ocorre com a manifestação de vontade dos pais, ou de um na falta de outro
como no referido caso onde somente Maria encontra-se presente. Não é necessário que
haja a interferência judicial, todo o processo pode ser feito por uma escritura pública,
firmada em cartório.

A pensão por morte é devida ao cônjuge do segurado que tiver a morte


presumida judicialmente, desde que sejam comprovadas a contribuição mensal ao INSS
pelo morto. No caso de morte presumida de segurado da Previdência Social, a Lei
8.213/91 traz em seu artigo 78 o dispositivo pertinente, que segue colacionado in verbis:

Art. 78. Por morte presumida do segurado, declarada pela autoridade judicial
competente, depois de 6 (seis) meses de ausência, será concedida pensão provisória, na
forma desta Subseção.

§ 1º Mediante prova do desaparecimento do segurado em consequência de


acidente, desastre ou catástrofe, seus dependentes farão jus à pensão provisória
independentemente da declaração e do prazo deste artigo.

§ 2º Verificado o reaparecimento do segurado, o pagamento da pensão cessará


imediatamente, desobrigados os dependentes da reposição dos valores recebidos, salvo
má-fé.

Ou seja, como já transcorrido os 6 meses desde o desparecimento de João, Maria


tem direito à pensão provisória.

Quanto à vontade de Maria de estabelecer uma nova união com Carlos, o novo
Código Civil decreta no art. 1.571, § 1º, a dissolução do casamento pela ausência do
outro cônjuge em decisão judicial transitada em julgado. Pode agora, o cônjuge do
ausente, optar entre pedir o divórcio para se casar novamente ou esperar pela presunção
de morte, que se dá com a conversão da sucessão provisória em definitiva. O divórcio,
embora mais rápido, tem a desvantagem de fazer o cônjuge perder o direito à sucessão.
Ou seja, Maria poderá divorciar-se, nesse caso, abrindo mão do direito de sucessão
definitiva, ou poderá aguardar a conversão da sucessão provisória em definitiva para
depois constituir novo casamento com Carlos.