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PEF002 - Fundamentos Teóricos

para a Pesquisa em Ensino de


Ciências
2017/2
Neusa Teresinha Massoni
Sala N 122
Retomando as filosofias e seus representantes

- Panorama da disciplina: ENTENDER distintas PROPOSTAS


- Recapitulação: base é a ideia da “diferenciação progressiva”

• Comportamentalismo – o que o sujeito faz; s/compotamento (E-R e/ou E-R-C)


• Humanismo – preocupação com o sujeito como um todo, ênfase no “aprender
a aprender”
• Cognitivismo – sujeito constrói algo na cabeça (construto, esquema, modelo
mental, campo conceitual...)
• Sociointeracionismo – a “interação social” e as “ferramentas culturais” são
fundamentais
Retomando as filosofias e seus representantes

Comportamentalismo

• Watson – comportamento é aprendido / condicionado: “animal saliva com som


da campainha depois de algum tempo” de pareamento
• Guthrie – métodos para desativar “hábito”
• Thorndike – importância às consequências - “lei do efeito” – se a consequência é
satisfatória então a tendência é repetir o comportamento
• Skinner – comportamento pode ser controlado pelas consequências – reforço
(positivo e negativo), contingências de reforço (E-R-C)
• p. 62 – O ensino é um arranjo de contingências sob as quais o aluno aprende. (...) contingências especiais
aceleram a aprendizagem... (instrução programada, máquinas de aprender,...)
• p. 141 – certos reforçadores explicitamente inventados, tais como notas, promoções, diplomas são
características da educação como instituição.
• P. 176 - ...as contingências são indubitavelmente eficientes, entretanto, a maneira como operam é
falcilmente mal-entendida...”Gato escaldado tem medo de água fria”.
Teorias
Neobehavioristas
Clark L. Hull
1884-1952, americano

- Mais formal dos teóricos do behaviorismo (ou neobehaviorismo)

- Construiu 17 postulados, 133 teoremas e inúmeros corolários (similar à


estrutura da geometria euclidiana)

Teoria de Hull (E-O-R): Estímulo (E) afeta o Organismo (O) tendo como
consequência Resposta (R)

Variáveis intervenientes: o que acontece no organismo entre o E-R é mportante


...é importante!
Clark L. Hull
• Acreditava que as variáveis intervenientes poderiam ser tratadas objetivamente
• Atribuiu enfoque científico à Psicologia

Postulado 1: há conexões E-R inatas

Postulado 2: estímulo – afeta neurônios – gera impulsos neurais

Postulado 4: força do hábito – intensidade da associação


...
...
Postulado 8: define o potencial de reação (pode ser expressa por uma fórmula)

Potencial de reação; Impulso; Intensidade do Estímulo; Motivação; Força do hábito

Por considerar variáveis intervenientes – é considerado um neobehaviorista


Albert Bandura
1925, Canadá

- Alguns autores consideram que a Teoria Social Cognitiva de Bandura tem raízes
na Teoria de Skinner – ambas focalizam o comportamento e o reforço

- Bandura, contudo, aprofundou a teoria de Skinner

- enfocou em processos cognitivos, na personalidade e no contexto social

- Cunhou a ideia de “agência humana” (controle sobre sua vida) e “crenças


de autoeficácia” (julgamentos do sujeito sobre sua capacidade para ações)

- Não leva em conta apenas consequências externas


Albert Bandura
Para Bandura a aprendizagem é flexível

Dois tipos:

1) Aprendizagem ativa – por meio de experiência positivas diretas - comportamentos e


suas respectivas (boas) consequências podem motivar comportamentos e reforçá-los

2) Aprendizagem por observação – por meio de observação do comportamentos


de outras pessoas que fornecem experiências indiretas (vicárias, de outros)
• consequência é o “reforço vicário” - modelação que envolve representação
motivação/valor do comportamento do outro (não é apenas imitação)

- Ênfase “agência humana” – capacidade do humano de exercer controle sobre sua vida
“autoeficácia” - julgamento da capacidade de realizar ações, que interfere na escolha dos
comportamentos
Donald Hebb
1904-1985, Canadá

Teoria que tem a ver com processos mentais superiores

- atividades mediadoras entre E-R consiste em atividade celular

- neurônios/sinapses, ocorre transmissão repetida de impulsos


entre células do cérebro - Circuitos reverberantes
Donald Hebb
Circuitos reverberantes

• neurônios são estimulados


• entre neurônios há “espaços sinápticos”
• quando um neurônio é reativado ele pode fazer disparar [o neurônio] que o ativou,
depois de um período
• resultado da reativação forma loop (circuito) – facilita transmissão de impulsos
– Modelo é neurológico
– Neurociência é muito estudada
– Mais fácil de reconhecer um objeto depois de tê-lo visto várias vezes (ativa células

Ex. olhar sucessivamente para três vértices de um triângulo desperta aglomerados de células que permitem
perceber o triângulo a partir de cada ângulo
Aprendizagem para Hebb
• Consiste em facilitar a condução entre unidades neurológicas (células)

• É possível quando a estimulação provoca sequências (de fase) bem organizadas

• Um estímulo afeta a área do “córtex” – estímulo repetido leva à associação de


aglomerados de células

• Atitude (set) refere-se à seleção entre as possíveis respostas

Aprendizagem por circuito reverberante - envolve duas propriedades


• reatividade: capacidade do organismo de reagir a estímulos externos
• plasticidade: capacidade de mudar em função da estimulação repetida
Edward C. Tolman
1886-1959, norte-americano

- Comportamento humano é intencional (possui intencionalidade e metas)

- Comportamento é guiado por “cognições”

- “cognições”: experiências com certos estímulos e recompensas que atuam


junto, com alguma intenção

Ex.: mapa cognitivo - animais (ratos) são deixados em labirinto com várias
até que aprendam todas as saídas; com fome os ratos – querem chegar até a
comida (meta) – escolhem o menor caminho; quando o caminho mais curto é
bloqueado – passam a escolher outro de imediato, mesmo que seja + longo
Conclusão: aprendizagem envolve o desenvolvimento de “mapas cognitivos”
– relações internas entre o objetivo de recompensa (alimento) e o
comportamento
Edward C. Tolman
• Em vez de E-R, o organismo dirige suas expectativas para alcançar o objetivo –
o resultado (não é o comportamento) mas uma aprendizagem (cognição)

• Tolman pensava que é possível usar as “cognições” de forma objetiva – como


variável interveniente (não diretamente mensurável)

• todo comportamento é intencional – guiado por “cognições”

• behaviorismo molar (não molecular) – ligação entre estímulo e “cognições”

• papel do reforço é confirmar expectativas

• o que é aprendido são as “cognições”

Admite variáveis intervenientes (entre E –R) – COGNIÇÕES –papel do organismo (afasta-


se do behaviorismo clássico)
GESTALT
1880–1943 Max Werteimer; 1887-1967 Wolfgang Köhler; 1886-1941 Kurt Koffka

• Homem (ser vivo) percebe o mundo holisticamente

• Organismo agrega algo à experiência sensorial


• Este algo é organizado (gestalt)
•Para a Mente humana: todo ≠ (mais que) soma das partes

• Estímulos não são isolados: formam configurações


significativas, organizadas – “gestalts”
• Gestalt – organização, configuração – referindo-se sempre “ao todo”
• Organização psicológica é simples, concisa, simétrica e harmônica
GESTALT
 Gestalt: existem “princípios” de organização psicológica de
simplicidade, concisão, simetria, harmonia, “boa forma”
Princípios básicos : Continuidade, Segregação, Similaridade, Unidade, Proximidade, Pregnância (boa forma,
simetria), Fechamento

Principio do Fechamento Princípio da pregnância Princípio da Proximidade Princípio da Similaridade


(mente completa figura) (boa forma, dar significado) (grupos são favorecidos (cor forma grupo)
GESTALT
• Conceito mais conhecido da Gestalt: “insight” ou entendimento
súbito

Ex.: “é quando cai a ficha” – acompanhada por uma sensação boa


aprendizagem por “insight” é retida por mais tempo
é facilmente aplicável a outros problemas

“...não
só a percepção humana, mas também nossas formas
de pensar e agir funcionam (...) de acordo com os
pressupostos da “Gestalt”...
Kurt Lewin – teoria do campo
• Um dos 1ºs gestaltistas - modificou um pouco a teoria

• Usou a ideia de campo da Física (sistema inter-relacionado)

• Campo vital é formado pelo fundo e figura (objeto + contexto)


- Figura e Fundo: alternam-se

- O que o sujeito vê (em diferentes momentos)


depende de suas crenças, sentimentos, metas...

- depois ele modificou, falou em “espaço vital” – que é composto de tudo o


que é relevante ao comportamento
-Estado físico, sentimentos, crenças, necessidades
Robert Gagné
• 1871-1980

• Aprendizagem é mudança de estado interior quer se manifestar através


de mudança comportamental permanente

• Processo de aprendizagem é aquele que ocorre na “cabeça do aprendiz”

• Maturação = mudança resultante do desenvolvimento biológico e


cognitivo interno
Envolve:
• Memória de curta duração (segundos)
• Memória de longa duração (transforma a informação em ação - processamento)
Robert Gagné
É preciso organizar o ensino – um ato de aprendizagem é precedido e
seguindo de eventos de aprendizagem

• Organização do ensino
Fase Processo
Motivação pressupõe desenvolver expectativa
Apreensão atenção/percepção
Aquisição codificação (entrada)
Retenção armazenamento na memória
Rememoração recuperação

• Sujeito tem resultados da aprendizagem – há uma hierarquia de


capacidades (tipos de “competências”)
Ex.: sinais (letras, nºs) – conceitos – princípios – teorias - resolução de problemas
Robert Gagné

Instrução, portanto, é planejamento de eventos externos com


objetivo de facilitar a aprendizagem (que é uma mudança
comportamental permanente)
SEGUNDA PARTE DA AULA

CONSTRUÇÃO de MAPAS CONCEITUAIS: COMPORTA-


MENTALISMO

• duplas/trios (individual?)
•Apresentação: início da Aula 3
ATIVIDADES
1) Leitura (casa):
• PIAGET, J. A Equilibração das estruturas cognitivas. Rio de
Janeiro: Zahar Editores, 1976

• PIAGET, J. Seis Estudos de Psicologia. Rio de Janeiro:


Forense-Universitária, 1980

2) Aula 3: Apresentar “mapas conceituais” do


Comportamentalismo