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Aulas Práticas – Jorge Alves Correia (FDUC)

Direito Administrativo II
2º ano – 2ª turma

PREPARAÇÃO PARA EXAME

Estrutura da Prova de Avaliação Escrita: tipicamente, a prova escrita de avaliação


de conhecimentos da disciplina de Direito Administrativo II é composta por três
grupos. O primeiro grupo compreende a definição de conceitos técnicos, a análise
de fenómenos jurídicos ou a relação entre conceitos legais. A objetividade, o rigor
analítico e a boa redação (incluindo a correção gramatical) são elementos a
ponderar no exercício da avaliação. Num segundo grupo são testadas as
capacidades de desenvolvimento, relacionamento e problematização de temáticas
abrangidas pelo Programa de Direito Administrativo II, sendo aqui fundamental a
apresentação de conteúdos, a exposição problemática, a indispensável referência às
normas legais e a boa redação e correção gramaticais. Finalmente, o terceiro grupo
é constituído por um caso prático, onde se exige a resolução de um ou mais
problemas práticos segundo os regimes jurídicos adotados no direito português.

Orientações: a matéria respeitante ao regulamento administrativo será


tipicamente objeto de questões compreendidas nos Grupos I e II; o caso prático
(Grupo III) versará, em princípio, sobre a matéria relativa ao Ato Administrativo.
A estrutura típica da prova de avaliação de conhecimentos segue o modelo que tem
vindo a ser adotado pela regência da cadeira, podendo, no entanto, o exame final
sofrer alguns desvios ao modelo standard enunciado.

Provas Orais: nas provas orais são avaliadas a aquisição de competências técnicas,
as qualidades discursivas e argumentativas e a capacidade de reflexão crítica.
Tipicamente não é seguido o modelo de escolha de um tema (na fase inicial da
prova oral), pelo que deverão os Senhores Estudantes adquirir preparação para
todos os conteúdos que constam do Programa da cadeira.

Constituindo estas orientações uma base que visa auxiliar o estudo e a preparação
dos Senhores Estudantes, qualquer questão sobre matéria de avaliação deverá ser
colocada ao Senhor Doutor Pedro Costa Gonçalves.

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Preparação para a Prova Escrita

I Grupo

Defina sucintamente/Distinga entre/Relacione:

I (8 valores)

Defina sucintamente:
a) Procedimento Administrativo Declarativo
b) Conteúdo Acessório do Ato Administrativo
c) Ato Administrativo Negativo
d) Anulação Administrativa

I (8 valores)

Defina sucintamente:
a) Ato Administrativo Implícito
b) Regulamento Independente
c) Conferência Procedimental
d) Reclamação

I (8valores)

Defina sucintamente:
a) Responsável pela Direção do Procedimento
b) Inderrogabilidade Singular
c) Incumprimento do Dever de Decisão
d) Retroatividade

I (8 valores)

Defina sucintamente:
a) Concessão Translativa

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b) Parecer Conforme Favorável


c) Audiência dos Interessados
d) Hierarquia entre Regulamentos Administrativos

I (8 valores)

Defina sucintamente:
a) Auxílio Administrativo
b) Autorização Constitutiva
c) Executoriedade
d) Notificação

Distinga entre:
a) Ato Administrativo Favorável e Ato Administrativo Desfavorável;
b) Executividade e Executoriedade;
c) Regulamentos Independentes e Regulamentos Autónomos;

Distinga entre:
a) Princípio da decisão e Omissão;
b) Responsável pela Direção do Procedimento e Órgão Competente para a Decisão
Final;
c) Regulamentos Gerais e Regulamentos Especiais;

Distinga entre:
a) Princípio da igualdade e Princípio da Imparcialidade;
b) Parecer e Ato Administrativo Destacável;
c) Acordos Endoprocedimentais e Promessa Administrativa;

Distinga entre:
a) Regulamentos Mediata e Imediatamente Operativos;
b) Nulidade e Anulabilidade;
c) Reclamação e Recurso Hierárquico;

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II Grupo

Comente – dizendo se concorda e fundamentando a sua resposta – com as


seguintes afirmações:

1 - “Só é ato administrativo aquele ato que produz efeitos jurídicos positivos na
esfera dos destinatários”.

2 - “A falta de audiência dos interessados não constitui um vício invalidante,


gerando uma simples irregularidade”.

3 - “Prevista no Código do Procedimento Administrativo, a regra da


inderrogabilidade singular impede a recusa de aplicação por órgãos
administrativos de regulamentos que estes considerem inconstitucionais,
contrários ao direito da união europeia ou manifestamente ilegais”.

4 – “Atualmente, não subsistem diferenças de regime jurídico entre regulamentos


internos e externos. Para efeitos de regime apenas se deverão distinguir os
regulamentos imediata e mediatamente operativos”.

5 – “Existe sempre uma relação entre lei e regulamento administrativo: no


mínimo, impõe-se a indicação expressa da lei habilitante que definirá a
competência objetiva e subjetiva para a emissão do regulamento”

6 – “De acordo com o Código do Procedimento Administrativo, ao silêncio da


Administração atribuem-se apenas efeitos positivos”

7 – Nos procedimentos de iniciativa oficiosa é possível verificar-se um problema da


tutela de interesses particulares que, de algum modo, serão lesados pelo facto de o
órgão competente não desencadear o início do procedimento quando se verifiquem
os pressupostos para que tal suceda

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8 – “Nas conferências procedimentais, mais especificamente na conferência


deliberativa, a pronúncia desfavorável de qualquer dos participantes na
conferência deliberativa determina o indeferimento das pretensões apreciadas na
conferência”.

9 – “Ao longo do procedimento administrativo, são praticados atos instrumentais


que, não obstante ocorrerem antes do ato principal, produzem por si só efeitos
jurídicos externos”.

10 – No nosso Código do Procedimento Administrativo não se observam quaisquer


desvios à regra segundo a qual o ato administrativo produz os seus efeitos jurídicos
desde a data em que for praticado”.

Grupo III – Casos Práticos

Caso 1
Na sequência de um recurso hierárquico apresentado por um interessado, o
Ministro da Economia e da Inovação anulou, por despacho de 01.06.2011, a licença
para exploração de uma massa mineral que a Direcção-Geral de Energia e
Geologia tinha atribuído, em 15.03.2010, à empresa A. Em consequência daquele
despacho, os serviços competentes dirigiram-se hoje ao local da exploração, onde a
empresa A continua a laborar, e pretendem remover coativamente o estaleiro, bem
como todas as máquinas.
Confrontada com o despacho ministerial, a empresa invoca que:
a) Não lhe foi notificada a decisão do recurso hierárquico;
b) O despacho de anulação refere-se à ilegalidade da licença, mas não explica a
natureza e a razão dessa ilegalidade;
c) Tendo em conta a data da licença, a mesma já não poderia ser anulada;
d) Quando pretenda executar um ato administrativo, a Administração deve
dirigir-se aos tribunais, nunca o podendo fazer pelos seus próprios meios.

Pronuncie-se criticamente sobre a argumentação da empresa A (8 valores).

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Caso 2
1) Carlos, técnico superior da Autoridade para as Condições de Trabalho,
requereu, em 06 de Setembro de 2010, ao respetivo Diretor-Geral a sua promoção.
Tendo tal requerimento sido indeferido por despacho do Diretor-Geral, Carlos
pretende reagir, invocando que: i) a decisão de indeferimento foi tomada com base
num decreto-regulamentar de 1995 já revogado; ii) preenchia todos os requisitos
constantes da regulamentação em vigor para ser promovido. Como qualifica o
vício que Carlos atribui ao ato? O referido ato pode ser ratificado?

Caso 3
João, proprietário de uma moradia, realizou obras de reconstrução da mesma sem
possuir, para o efeito, qualquer licença camarária. Na sequência de uma denúncia,
a Câmara Municipal decidiu demolir as referidas obras. João alega que não foi
notificado dessa decisão e que a mesma não representa um ato administrativo
exequível, pelo que a operação de demolição não deverá ser procedente. Qual a
consequência, se existe, pelo facto de não ter havido notificação? A decisão que
ordena a demolição será um ato exequível?

Caso 4
Filipe, funcionário da ASAE, pretende impugnar a decisão punitiva tomada pelo
Inspetor-Geral dessa autoridade, que concluiu um procedimento disciplinar em
que aquele funcionário foi acusado de “violação grave” dos seus deveres laborais.
Em sua defesa, Filipe invoca: por um lado, que o instrutor do procedimento
disciplinar, responsável pela elaboração do relatório final com base no qual a
decisão foi tomada, nutre em relação a ele uma grande inimizade há vários anos; e,
por outro, que não foi ouvido antes de ser tomada a decisão punitiva. A decisão
punitiva enferma de alguma ilegalidade? Que consequências associa a essa(s)
ilegalidade(s)?

Caso 5
Em 12 de Maio de 2015, foi concedida uma licença de construção a António pela
Câmara Municipal “Y”. Hoje, a Câmara Municipal pretende revogar, com
fundamento na sua invalidade, a referida licença de construção. Poderá fazê-lo?

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Caso 6
1) A Câmara Municipal do Município “X” licenciou um projeto de loteamento da
empresa “Soares e Silva Lda”, relativo à implementação em área urbana de um
espaço destinado à utilização de serviços e de escritórios. Uma empresa
concorrente do mesmo distrito pretende reagir, tendo verificado que: i) no
procedimento de licenciamento participou o Vereador do Urbanismo que era
proprietário de lotes para construção abrangidos pelo projeto de loteamento; ii) o
ato de licenciamento foi praticado por quem ainda não se encontrava investido
como titular do órgão administrativo. Como qualifica o(s) vício(s) que tal empresa
atribui ao ato? O referido ato pode ser ratificado?

Caso 7
Em 09 de Abril de 2015, a Câmara Municipal do Município “Y” decidiu demolir
uma garagem pertencente a A, uma vez que este tinha construído a referida
garagem sem licença camarária. A alega que não foi notificado dessa decisão e que
a mesma não representa um acto administrativo exequível. Qual a consequência, se
existe, pelo facto de não ter havido notificação? Pode, na ausência de notificação, a
Administração executar o acto administrativo pelos seus próprios meios?

Caso 8
João solicitou à Câmara Municipal de X uma licença para construir um muro à
volta do seu terreno. No dia 5 de maio de 2015, a Câmara Municipal deferiu a
pretensão de João nos exatos termos em que foi requerida, tendo este concluído a
construção no dia 30 de junho de 2015. Na sequência de uma reclamação
apresentada por um vizinho que se opunha a tal construção, a Câmara Municipal
anulou a licença e ordenou a demolição do muro.
Sabendo que:
i) O vizinho de João é casado com a Vereadora do Urbanismo do Município de X, que
votou favoravelmente as deliberações;
ii) Os atos de anulação da licença e de imposição da demolição foram praticados no
dia 17 de maio de 2016;
iii) Do texto da anulação apenas consta que “a licença é anulada por violar a lei”.

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Solicita-se a sua pronúncia quanto ao seguinte:


1 – Natureza jurídica do ato de anulação da licença;
2 – Identificação e anulação dos vícios imputados à decisão de anulação;
3 – Consequências jurídicas dos referidos vícios;
4 – Uma vez que até à data Abel ainda não demoliu o muro, o que pode a Câmara
Municipal fazer?

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