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Fé e razão: a Escolástica e sua resposta

Sempre que me vejo em meio a temas religiosos, fico a pensar na aparente distância
que colocam da fé para com a ciência, ou pior ainda, com a filosofia, ainda mais se pensando
na filosofia moderna ou mesmo iluminista como modelo. Por outro lado, fico feliz em aliar
religião a filosofia, e sempre de buscar um enfoque mais amplo ao assunto, usando de uma
escola filosófica que ainda até existe, sobre uma versão atualizada, que é a escolástica. Vem a
lembrança o doutor angélico, ou melhor, Tomás de Aquino, bem como o pensador citado e
lembrado pelo mesmo, ou seja, Aristóteles.

Nos meios reflexivos se percebe muitas vezes uma polarização do pensamento, seja
com um ceticismo materialista, seja por outro lado com um espiritualismo dogmático ou
mesmo literalista. Em meio a isso tudo vem o choque de dois instrumentos usados como
fontes, que são a Bíblia e a ciência. Quanto a ciência, não se deve ficar perplexo, pois esta
pode refutar suas hipóteses e anular antigas teorias, como já fez muitas vezes, não sendo bem
uma verdade absoluta. Já a Bíblia merece interpretação, seja por meio de hermenêutica e
exegese, e muitas vezes se fica para isso apenas preso a arqueologia, léxico, gramática das
línguas originais, e por aí vai, em se pensando em teólogos protestantes. Já os Católicos têm
um tesouro mui grande de interpretação, que são os padres da Igreja, a Tradição, a patrística e
ainda a escolástica, no caso Tomás de Aquino, que escreveu a primeira teologia sistemática,
ainda fazendo com isso uma ponte com aquele que ele chama de Filósofo, ou melhor,
Aristóteles, o pensador grego discípulo de Platão. Mas quem não se lembra de Aristóteles
parecendo um cientista, observando e catalogando animais, usando de suas experiências
como fator para chegar à verdade. Já a fé dos teólogos de outras escolas, como daquela que
veio em origem com Martinho Lutero, abraçam teologias menos ousadas em interpretação da
Bíblia, e mais restritas ao texto e ao sentido literal, na medida do possível. Mas Tomás de
Aquino não é apenas filosofia, mas também uma fé racional e cinco vias ou provas da
existência de Deus.

Independente de linha a ser seguida na reflexão, basta lembrar que existiram grandes
teólogos protestantes na área da pedagogia, e sem eles talvez não tivéssemos presenciado as
escolas da forma que existem, nem por outro lado sem os Jesuítas teríamos também
estudado. No que se refere a ciência, não se pode negar que homens como Newton, Pascal, e
mesmo Darwin, eram religiosos, e que em meio a sua busca pela verdade, fazendo a balança
pender em pratos entre a fé e a razão, acabaram por seguir o seu caminho rumo a verdade,
mas sem negar no seu íntimo a crença em Deus e na verdade da Bíblia. A Escolástica apenas
vai mais além e reforça sempre a forma de interpretar ou mesmo saber que há mais nos
ensinamentos bíblicos, e a Patrística também tem vasta literatura nesse sentido, não se
necessitando inventar muita nova teologia a respeito dessa hermenêutica ou interpretação.
Isso sem falar nas bibliotecas gigantescas da literatura judaica, que já esquadrinharam o Antigo
Testamento com uma riqueza incomensurável. Fato é que a fé e a razão podem conversar, e
que intelectuais podem superar o antigo materialismo e ceticismo exigido deles em cursos
universitários das áreas humanas.