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PROGRAMA DE EDUCAÇÃO CONTINUADA A DISTÂNCIA

Portal Educação

CURSO DE
DIREITO PENAL

Aluno:

EaD - Educação a Distância Portal Educação

AN02FREV001/REV 4.0

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CURSO DE
DIREITO PENAL

MÓDULO I

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2 CARACTERISTICAS DO DIREITO PENAL 1.4.4 FONTES DO DIREITO PENAL 1.1.2 Fonte Formal ou de Conhecimento 1.5.1 Material ou Substancial 1. Complementares ou Explicativas 1.1 ANALOGIA 2.2 PRINCÍPIO DA LEGALIDADE AN02FREV001/REV 4.8.0 3 . SUMÁRIO MÓDULO I 1 INTRODUÇÃO 1.6.5.2 Leis Penais não Incriminadoras 1.7 PRINCÍPIO DA PRESUNÇÃO DA INOCÊNCIA X PRINCÍPIO IN DUBIO PRO REO 1.9 O PRINCÍPIO DO NO BIS IDEM E O LIMITE DO PODER PUNITIVO DO ESTADO MÓDULO II 2 APLICABILIDADE DO DIREITO PENAL 2.5 Normas Penais em Branco/Normas Cegas ou Abertas 1.1 Leis Penais Incriminadoras 1.3 OBJETO DO DIREITO PENAL 1.1 Espécies de Interpretação da Lei Penal 1.5.4 Leis Penais não Incriminadoras Finais.1 DO CONCEITO DE DIREITO PENAL 1.8 PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS DO DIREITO PENAL 1.6 INTERPRETAÇÃO DO DIREITO PENAL 1.5 CLASSIFICAÇÃO DA LEI 1.1 Conceito 2.1.3 Leis não Incriminadoras Permissivas ou Normas Penais Permissivas 1.2 Espécies de Analogia 2.5.1 Princípios do Direito Penal 1.5.4.

7 CONFLITO APARENTE DE NORMAS 2.4.3.4.2.6 TEMPO DO CRIME 2.7.5 CRIME DOLOSO 3.1 Elementos do Tipo 3.3 Sujeitos do Crime 3.1 Modalidades de Culpa 3.3 Espécies de Causa Relativamente Independente 3.5 LEI EXCEPCIONAL OU TEMPORÁRIA 2.2 Objetos do Crime 3. Formal e Analítico 3.1 Conceito 2.1.2 FATO TÍPICO 3.3.1 Elementos do Fato Típico 3.4.2 Espécies de Causa Absolutamente Independente 3.5.1 Conceito no Aspecto Material.1 Irretroatividade da lei Penal 2.1 CONCEITO DE CRIME 3.4.3.3 TEORIA DO TIPO 3.1 Espécies de Causas 3.6.7 CRIME PRETERDOLOSO 3.4 SUPERVENIÊNCIA CAUSAL 3.3 ÂMBITO TEMPORAL DA LEI PENAL 2.8 CONTAGEM DE PRAZO NO DIREITO PENAL AN02FREV001/REV 4.7.0 4 .8 LEI PENAL NO ESPAÇO MÓDULO III 3 TEORIA GERAL DO CRIME 3.6 CRIME CULPOSO 3.4 CONFLITOS DE LEIS PENAIS NO TEMPO 2.1 Hipóteses de Conflitos de Leis Penais no Tempo 2.2 Elementos 2.2 Espécies de Culpa 3.6.1 Espécies de Dolo 3.2.3.

3 Formas de Erro de Tipo MÓDULO V AN02FREV001/REV 4.3.2 Arrependimento Eficaz 4.3.9 DO ERRO NO DIREITO PENAL 4.1 Cogitação 4.2 CRIME CONSUMADO 4.4.9 PENA CUMPRIDA NO ESTRANGEIRO 3.2 Espécies de Tentativa 4.9.3 TENTATIVA 4.3.5.5 ARREPENDIMENTO POSTERIOR 4.4.1.9.2 Erro de Tipo X Erro de Direito 4.6 CRIME IMPOSSIVEL 4.0 5 .1.3 Consequência Penal para a Desistência Voluntária e o Arrependimento Eficaz 4.1 Hipóteses em que ocorre o Crime Impossível 4.4 Consumação 4.9.3.1 Crimes que não Admitem a Tentativa 4.4 DESISTÊNCIA VOLUNTÁRIA E ARREPENDIMENTO EFICAZ 4. 1 ITER CRIMINIS 4.1 Requisitos do Arrependimento Posterior 4.3 Execução 4.7 CRIME IMPOSSÍVEL X DELITO PUTATIVO 4.2 Preparação 4.4.1 Desistência Voluntária 4.1.3 Pena de Tentativa 4.10 EFICÁCIA DA SENTENÇ ESTRANGEIRA MÓDULO IV 4 INTRODUÇÃO 4.6.1.8 ESPÉCIES DE DELITO PUTATIVO 4.1 Erro de Tipo 4.

6.4 Punibilidade no Concurso de Pessoas MÓDULO VI 6 INTRODUÇÃO 6.1 Causas Supralegais que Excluem o Ilícito Penal 6.3 CONCURSO MATERIAL OU REAL 5.3 Descriminantes Putativas por Erro de Proibição 6.4 CONCURSO FORMAL OU IDEAL 5.1 Erro de Proibição ou Erro sobre a Ilicitude do Fato 6.6 CONCURSO DE PESSOAS OU CONCURSO DE AGENTES 5.6.1 CLASSIFICAÇÃO DOS CRIMES 5.5 INTRODUÇÃO 5.6.1. ERRO DE PROIBIÇÃO E ERRO DE TIPO PERMISSIVO 6.6.2.2.0 6 .3 CIRCUNSTÂNCIAS INCOMUNICÁVEIS REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS AN02FREV001/REV 4. Coautoria e Participação 5.2 Autoria.2 Erro de Tipo Permissivo ou Descriminante Putativa 6.2 EXCLUSÃO DE ILICITUDE.1 EXCLUDENTES DE ILICITUDE OU DE ANTIJURICIDADE 6.1 Tipos de Crimes Quanto ao número de Pessoas que Deles Participam 5.2 CONCURSO DE CRIMES OU DE DELITOS 5.3 Requisitos do Concurso de Pessoas 5.2.5 CRIME CONTINUADO 5.

em 1756.1 DO CONCEITO DE DIREITO PENAL Primeiramente faz-se necessário ter uma noção do conceito de Direito. Para ele o Direito Penal consiste no conjunto de normas jurídicas nas quais o Estado aplica sanções penais aos indivíduos que praticarem condutas proibidas. Talvez o primeiro a usá-la tenha sido o Conselheiro de Estado Regnerus Engelhard. como o nosso atual Código (1940). 1. 2º) Fernando Capez: O Direito Penal possui a função de selecionar o comportamento humano mais grave e perigoso que pode colocar os valores AN02FREV001/REV 4. Segundo Miguel Reale. Com base na sua definição. à igualdade. Traremos abaixo alguns conceitos doutrinários: 1º) Mirabete: O direito positivo trás em si um conjunto de regras que disciplina o convívio em sociedade.0 7 . 1988). estabelecendo as mínimas condições de existência do próprio homem. MÓDULO I 1 INTRODUÇÃO Todos são iguais perante a lei. à segurança e à propriedade. sem distinção de qualquer natureza. à liberdade. o Direito regula o convívio social. A denominação de Direito Penal não é antiga. ARTIGO 5º. Assim. disciplinadoras. (CONSTITUIÇÃO FEDERAL. o convívio em sociedade só será possível com normas reguladoras. “Direito é o conjunto de regras que visam garantir a convivência dos homens em uma sociedade”. O Código Penal da República de 1890 de forma inovadora trouxe a denominação do Direito Penal e assim sucederam outras legislações. garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida. prevendo as consequências e sanções aos que violarem.

cuja vontade do Estado impõe a todos os cidadãos o cumprimento. aplicando-lhe uma sanção penal. através da coerção. AN02FREV001/REV 4. no seu conceito formal. cujo titular é o Estado. sendo que este direito nasce das necessidades basilares da humanidade. o Estado é o único titular do “direito de punir” (jus puniendi). DIREITO PENAL OBJETIVO E SUBJETIVO: a) Direto Penal Positivo: conjunto de leis criadas ou reconhecidas pela comunidade politicamente organizada. que é a pena.0 8 . 3º) Luis Regis Prado: O Direito Penal. É direito que estabelece as normas que formam o alicerce das condições da existência da humanidade. Através do conjunto de normas e disposições jurídicas é que o Estado aplica as medidas de segurança e as sanções Penais. b) Direito Penal Objetivo: conjuntos de leis que definem os crimes. Ainda existem os conceitos de DIREITO PENAL POSITIVO. Dessa forma.fundamentais em risco para a sociedade. 4º) Damásio: A noção de Direito tem como base o fato social. que se mostra contrário à norma de Direito e forja o ilícito jurídico. c) Direito Penal Subjetivo: é o direito do estado de punir o infrator da lei penal. Em seu conceito material refere-se às condutas consideradas reprováveis ou danosas à sociedade que atingem bens jurídicos indispensáveis à sua própria existência. aplicam penas e disciplinam as demais leis de natureza penal. seria a parte do ordenamento jurídico que enumera as ações ou omissões delitivas. que atenta contra os bens mais importantes da vida social. cuja forma mais séria é o ilícito penal. aplicando- lhes certas penas ou medidas de segurança. passando tais condutas a serem infrações penais. Em razão do Estado Democrático de Direito o Direito Penal possui sua base legal na Constituição Federal de 1988.

f) Natureza autônoma: independente em seus efeitos (pena). do direito positivo.1. em que a infração a uma simples regra de solidariedade humana é elevada à categoria de ilícito penal. portanto. porém é relativamente dependente em seu preceito incriminador. g) Sancionador: Em princípio. e) Ordem de paz pública e de tutela das relações sociais: Proteger a convivência humana através da coação do Estado.CF/88). assinalando a lei penal uma função de proteção. do caráter constitutivo do Direito Penal.0 9 . A contrariedade do fato ao direito não é meramente de ordem penal. no crime de omissão de socorro. aplicando penas e medidas de segurança às condutas lesivas aos bens jurídicos fundamentais. a tutela penal alcança também bens jurídicos que não são objeto das leis extrapenais. da norma. e. não se pode falar em autonomia do ilícito penal. AN02FREV001/REV 4. Esta característica não impede a existência de outros princípios (ex: princípio da dignidade da pessoa humana . c) Normativo: Estudo da lei. Apesar disso. Também as tentativas e os crimes de perigo em que não haja qualquer dano restariam sem sanção jurídica se não fosse a existência do Direito Penal positivo. como a integridade física e a vida. por exemplo. d) Caráter finalista: Visa à proteção de bens e interesses jurídicos que merecem proteção mais coerente através de aplicação de sanções mais eficientes. sua ilicitude resulta da infração a todo o ordenamento jurídico. b) Natureza pública: Interessa toda a sociedade.2 CARACTERISTICAS DO DIREITO PENAL a) Positivo: O conjunto de leis criadas ou reconhecidas pelo Estado em que a sua vontade soberana é imposta aos cidadãos através das sanções penais. Observância obrigatória.

3 OBJETO DO DIREITO PENAL Hordienamente compreende-se que o Direito Penal tem por finalidade proteger os bens jurídicos fundamentais. pois o homem é o único ser capaz de cumprir atos com consciência do resultado. j) Caráter dogmático: O Direito Penal. 1. por exemplo. protege a vida como bem jurídico. constituindo a manifestação mais autêntica de seu caráter coercitivo. uma vez que as suas manifestações têm por base o Direito Positivo. i) Finalidade preventiva: Antes de punir o infrator do ordenamento jurídico.0 10 . em prevenção especial. já que se fundamenta no direito positivo. transforma-se a sanção abstratamente cominada. exigindo o cumprimento de todas suas normas pela sua obrigatoriedade. A adesão aos mandamentos que o compõem se estende a todos. através do devido processo legal. visando assim evitar a prática do crime. procura motivá-lo para que dela não se afaste. ou seja. o Direito Penal dirige-se exclusivamente aos seus subordinados enumerados pela lei. exigindo o seu cumprimento. k) Exclusividade: Somente a lei penal pode definir crimes e cominar sanções. aplicando-se apenas a fatos futuros (Princípio da Irretroatividade). como ciência jurídica. tem natureza dogmática. No crime de homicídio. É importante notar que o Direito Penal apoia-se na vontade da conduta humana. Em relação ao objeto. Falhando a função motivadora da norma penal. estabelecendo normas proibitivas e cominando as respectivas sanções penais. O professor AN02FREV001/REV 4. expõe o seu sistema através de normas jurídicas. na capacidade do homem para um fim específico. obrigatoriamente.h) Caráter dogmático: Como ciência jurídica o direito Penal tem caráter dogmático. ao ser humano. ordenando ou proibindo que se faça algo. l) Impessoalidade: O seu mandamento proibitivo é endereçado a pessoas indeterminadas.

é matéria de competência privativa da União. el ejercicio efectivo de actividad final. a definição de fonte para o Direito seria compreendida como local de onde ela provém. mientras que la omisión queda notoriamente en un segundo plano. o la omisión de una acción. uma vez que os legisladores (Deputados Federais e Senadores) são os responsáveis pela criação das normais penais. A Constituição Federal determina as matérias sobre as quais cada um dos seus entes federativos (estados.4. conforme prescreve o art. As principais fontes do Direito Penal são o Código Penal.4 FONTES DO DIREITO PENAL Gramaticalmente. (WELZEL) 1. el no ejercicio de una actividad final posible. também à validade da ordem jurídica. sim. o termo seria um termo equivocado.Fernando Capez. inciso I da Constituição Federal Brasileira de 1998. pois não se refere apenas à origem primária do Direito e. Isto. AN02FREV001/REV 4.0 11 . ao abordar o objeto do Direito Penal. Distrito Federal e municípios) pode legislar (criar leis). 1. o Código de Processo Penal e a legislação penal complementar de cada país. ou seja. Sobre questões específicas de Direito Penal a delegação para legislar pode ser deferida aos Estados e ao Distrito Federal. esto es. que legisla por meio de Lei Ordinária. a União é fonte de toda produção do Direito Penal. Esta conducta puede ser uma acción. esto es la actividad o passividad corporal Del hombre sometida a la capacidad de direccioón final de la voluntad. 22. Para las normas del Derecho Penal la acción está con mucho en primer plano. traz o ensinamento de Welzel: O objeto de las penales es la ‘conducta humana. Em se tratando de Direito Penal. o Estado é a fonte material do Direito Penal.1 Material ou Substancial Nada mais do que o órgão competente para a elaboração. como bem ensina Capez (2006). Já para Luis Regis Prado (2009). esto es.

Norma: ordem de uma conduta normal. 22. Não roubar. a) Fonte Imediata: É a lei. ou seja.conforme art.2 Fonte Formal ou de Conhecimento Modo pelo qual o Direito Penal se manifesta. A lei é descritiva e a norma é proibitiva. 1. A primeira revela o direito que vigora. enquanto que a segunda interpreta e aplica a primeira. pena). ocorre mediante Lei Complementar. obrigação). extraída do senso-comum de justiça de cada coletividade. Lei: regra escrita criada pelo legislador com o fim específico de moldar o comportamento considerado perigoso para a coletividade. Ela pode ser imediata (a lei) ou mediata (costumes. Sanção: (punição.4. cuja conduta é praticada de modo geral. interpretam ou aplicam as fontes imediatas. regra de proibição não escrita que se retira do senso de justiça de cada indivíduo. parágrafo único da Constituição Federal. b. exterioriza. Somente através dela o Estado pode definir crimes e cominar sanções (princípio da legalidade). princípios gerais do direito e analogia). Em sentido genérico seria a lei. constante e uniforme e em razão da sua AN02FREV001/REV 4. Ex: Não matar. inciso I.0 12 . como a Constituição Federal de 19988. É importante esclarecer a diferença entre fontes formais imediatas e fontes formais mediatas. Costumes: Conjunto de regras não escrita que antecede a lei. É importante estabelecer algumas diferenças entre Norma e Lei. Partes da Lei: Preceito: Conduta (proibição. equidade.1. igual. São os costumes e os princípios gerais do direito. b) Fontes mediatas: São as que explicam.

1. Secundum legem: Aquele dotado de maior prestígio e universalmente aceito. § 1º da Lei de Introdução do Código Civil (Decreto-lei nº 4657/42). No mesmo sentido Fernando Capez (2006). possuindo eficácia obrigatória. 2. de forma específica. mas não revoga. Praeter legem: Modalidade de costume que substitui a lei. uma lei só pode ser revogada por outra lei (há uma corrente na jurisprudência que entende que a contravenção do Jogo do Bicho teria sido revogada em razão do costume Contra legem. entende que se trata de uma regra de conduta criada espontaneamente pela consciência comum do povo que a observa por modo constante e uniforme e sob a convicção de corresponder a uma necessidade jurídica. visa o preenchimento de lacunas na lei. supre as lacunas deixadas pela lei. Subjetivo: convicção da obrigatoriedade jurídica. em face do que dispõe o artigo 2º.reiteração torna-se juridicamente obrigatória. o normal passou a ser jogar no bicho). estas são as três espécies de costumes. cominar penas e revogar norma penal. ao lecionar sobre costumes. imperativa. Não pode definir crimes.0 13 . Para ele o costume é formado de dois elementos. Luiz Regis Prado (2008). 3. o contra legem e o praeter legem. já que este. A doutrina divide os costumes em três espécies. Portanto. quais sejam: o secundum legem. sendo que no presente estudo o que possui maior relevância é o Praeter legem. a proibição caiu em desuso. em seus ensinamentos. o primeiro seria o objetivo (uso constante e prolongado) e o segundo seria o subjetivo (convencimento de sua obrigatoriedade). AN02FREV001/REV 4. nos casos em que a silenciou. Objetivo: Constância e uniformidade dos atos. aquele que está previsto na lei. ou seja. Contra legem: Costume que se forma em sentido contrário à lei. enumera os elementos do costume da seguinte forma: 1. buscando de forma implícita revogá-la. 2.

Exemplo 2: A propriedade deve cumprir sua função social. b.  Não há crime sem lei anterior que o descreva. semelhante) quando ocorrer a lacuna da ordem jurídica da lei.Lei de Introdução do Código Civil). ou seja.  Ninguém pode se beneficiar da própria torpeza. São exemplos:  Falar e não provar é o mesmo que não falar. não estando definidos em nenhuma norma. Deve se orientar pela moralidade administrativa (Constituição Federal de 1988). Exemplo: Artigo 4º da Lei de Introdução do Código Civil. pois são enunciações de valor genérico que condicionam e orientam a compreensão do ordenamento jurídico. Exemplos de Princípios Gerais do Direito no nosso ordenamento jurídico: Exemplo 1: “Quando a lei for omissa. os costumes e os princípios gerais do direito”. método em que se aplica a fonte de forma imediata. Fernando Capez (2006) faz a seguinte observação: “A analogia não é fonte formal mediata do Direito Penal mas.  Ninguém pode causar dano e quem causar terá que indenizar. Observação: O costume não cria crimes (delitos). o juiz decidirá o caso de acordo com a analogia. a aplicação da lei no caso semelhante”. Os princípios gerais de direito são proclamados como fonte subsidiária do direito pela legislação civil de quase todos os países latinos inspirados no Código de Napoleão. caso não seja possível esta aplicação recorre-se nesta ordem aos costumes e aos princípios gerais do direito. somente a lei cria e aplica sanção (Princípio da reserva lega).0 14 . São estes princípios a base da ordem jurídica. (Artigo 4º . AN02FREV001/REV 4. nem aplica sanção (pena). sim.2 Princípios Gerais do Direito: Princípios são ideias ou proposições básicas e fundamentais que condicionam estruturações subsequentes. Miguel Reale classifica os Princípios Gerais do Direito como princípios monovalentes. em sua aplicação e integração ou mesmo para a elaboração de novas normas. que em primeiro lugar será aplicada outra lei (analogia/caso análogo.

nem aplicam penas. resultado do estudo jurídico-científico) e a jurisprudência (ao interpretar as leis em um sentido/decisões judiciais comuns. sim. 1.5.5. 1.0 15 . A equidade (o juiz procura a solução mais justa ao caso concreto). que trata das excludentes de ilicitude.1 Leis Penais Incriminadoras São as que descrevem condutas puníveis e impõem as respectivas sanções. “subtrair coisa alheia móvel”. torna uniforme o seu entendimento) são procedimentos interpretativos do direito. a doutrina (instrumento mediato.3 Leis Não Incriminadoras Permissivas ou Normas Penais Permissivas Tornam legais (lícitas) determinadas condutas que seriam punidas em leis.5 CLASSIFICAÇÃO DA LEI 1. como a legítima defesa. Exemplo: o artigo 155 do Código Penal (crime de furto) não diz “não furte” e. 23 do Código Penal. AN02FREV001/REV 4. Exemplo: art. não descreve crime e nem aplica sanção penal. Não é proibitiva e sim descritiva.2 Leis Penais Não Incriminadoras Não descrevem crimes. Exemplo: Artigo 22 do Código Penal (coação irresistível e obediência hierárquica). A proibição está na reunião da conduta praticada (subtrair coisa móvel) com a pena (reclusão de 4 anos a 10 anos e multa).5. Possui preceito e sanção. 1.

4. ou seja. decretos e regulamentos para que possam. essa descrição requer. embora haja uma descrição da conduta proibida. torna-se impossível a sua aplicação. uma vez que. a conduta precisa de complementação legal ou regulamentar. Exemplo: o artigo 1º do Código Penal trata da anterioridade da lei. efetivamente. Complementares ou Explicativas São as que esclarecem o conteúdo de outras normas. 1.0 16 . I a VII do Código Civil (enumera as pessoas que não podem casar).1. delimitando o campo de sua aplicação. AN02FREV001/REV 4. Leis Penais não Incriminadoras Finais. São normas em que a pena encontra-se determinada. que conceitua como: Aquelas em que há uma necessidade de complementação para que se possa compreender o âmbito de aplicação de seu preceito primário.5. obrigatoriamente. leis. sem esse complemento. Exemplo: artigo 237 do Código Penal (conhecimento prévio de impedimento para casar trata do impedimento para contrair casamento) que é completado pelo artigo 1521. Uma boa definição de Normas Penais em branco é trazida por Rogério Greco. Isto significa que. (GRECO) O Direito Penal define de modo independente os pressupostos de suas normas.5 Normas Penais em Branco/Normas Cegas ou Abertas São Leis Penais incriminadoras que apresentam PRECEITO INCOMPLETO.5. ser entendidos os limites da proibição ou imposição feitos pela lei penal. o que esta incompleto é o seu conteúdo. um complemento extraído de outro diploma. evitando buscar em outras normas ou regulamentos a sua complementação.

5º da Lei de Introdução ao Código Civil (LICC) traz a resposta a esta indagação. Portanto. dissociando-se das fontes do direito. É a primeira atividade que deve praticar quem quer interpretar a lei. mas sim aplicar apreciações de interesse localizadas no interior da norma. compreender. Incumbe ao jurista perseguir sempre o escopo (objetivo) da lei. Portanto.6 INTERPRETAÇÃO DO DIREITO PENAL O que seria interpretar a lei penal? Seria somente ler a norma? Seria retirar da lei penal seu exato alcance e seu significado real? Sim. literal ou gramatical: Consiste na reconstrução do pensamento do legislador legislativo através das palavras da lei. devem levar em consideração os momentos lógicos e AN02FREV001/REV 4. em razão do bem comum e a finalidade social que a lei se destina.1. recorrendo ao que as palavras dizem. Consiste em indagar a vontade ou a intenção objetiva da lei. 3. interpretar uma norma significa captar seu significado. “a interpretação da Lei sempre deve buscar a finalidade da Norma”. 2. O intérprete não pode se limitar apenas às operações de lógica. ocorrendo contradição entre as conclusões da interpretação literal e lógica esta deve prevalecer. tampouco do contexto histórico-cultural. pois as palavras podem não espelhar a vontade da lei. o resultado prático que a lei se propõe a realizar (a melhor interpretação é aquela feita no sentido de atender a determinadas finalidades/necessidades). devendo entender-se que aquela só compreende os casos análogos aos mencionados por esta. Filológico. esclarecer o seu sentido e sua finalidade. isso é interpretar a lei penal? O Art. Para alcançar o seu fim a interpretação da lei utiliza-se de muitos métodos ou processos. Lógico-sistemático e Teológico: Primeira etapa do processo interpretativo. É importante salientar que a atividade de interpretação da lei não pode sair do ordenamento jurídico. tais como: 1.0 17 . Interpretação Analógica: Esta interpretação é permitida toda vez que uma cláusula genérica se segue a uma forma casuística. ou seja.

6. vejamos: Ex nunc: expressão de origem latina que significa “desde agora”.0 18 . ou seja. significa que seus efeitos são retroativos à época da origem dos fatos a ele relacionados. “desde a época”.teológicos da norma jurídica. a norma interpretada tem efeito ex tunc. A interpretação autêntica subdivide-se em: Contextual (feita dentro do próprio texto interpretado. que define o que vem a ser Funcionário Público para os efeitos penais) e Posterior (a lei interpretadora entra em vigor depois da interpretada). valem somente a partir da data da decisão tomada. § 4º do Código Penal (Violação de Domicílio) define o que é “casa” (termo utilizado no crime de invasão de domicílio). 2. Assim. A Exposição de Motivos constante no Código Penal é exemplo de interpretação Doutrinária. uma vez que não é lei. O Art. Por exemplo. quando dizemos que algo tem efeito ex tunc. Assim. Neste momento do estudo é importante estabelecer a diferença entre efeitos ex nunc e ex tunc. Autêntica ou legal: Aquela feita pelo próprio órgão encarregado da criação do texto. As outras (Judicial e Doutrinária) servem de apoio ao operador do Direito. a revogação de atos administrativos tem efeito ex nunc. AN02FREV001/REV 4. Por exemplo.1 Espécies de Interpretação da Lei Penal a) Quanto ao sujeito que elabora: 1. parte do próprio sujeito que criou o preceito interpretado. Ex tunc: expressão de origem latina que significa “desde então”. 1. no meio jurídico. quando dizemos que algo tem efeito ex nunc significa que seus efeitos não retroagem. 150. no meio jurídico. Doutrinária ou Científica: Realizada pelos estudiosos do direito. É a única que tem força de lei. exemplo do artigo 327 do Código Penal.

que trata da do crime de Bigamia. AN02FREV001/REV 4. Lógica ou Teológica: Preocupa-se com a vontade da lei. a lei disse menos do que queria. Extensiva: A lei ficou aquém da sua vontade. b) Quanto aos meios empregados: 1. 3. 3. Neste caso usa-se a interpretação extensiva para ampliar o seu significado. que trata da emoção e da paixão. pois somente no caso in concreto que o magistrado poderá preferir este ou aquele método.0 19 . Por fim. Ela diminui o alcance do texto. Judicial: Realizada pelos órgãos jurisdicionais (Juízes e Tribunais) quando aplica a lei ao caso concreto. Exemplo: o Artigo 28. Declarativa: Há correspondência entre a palavra da lei e a sua vontade. o sentido das palavras. ou seja. buscando atender os fins da lei. Restritiva: Quando a lei disser mais do que queria usa-se a interpretação restritiva para restringir o alcance da lei até o sentido real. inciso I do Código Penal. 2. Exemplo: artigo 235 do Código Penal. ou seja. a interpretação é um só: o que realmente difere são apenas os métodos. literal ou sintática: Leva em conta as regras de interpretação do texto para descobrir o sentido da norma. 1. Gramatical. 2.7 PRINCÍPIO DA PRESUNÇÃO DA INOCÊNCIA X PRINCÍPIO IN DUBIO PRO REO. c) Quanto ao resultado: 1. somente valor para as partes (eficácia inter partes). em face de sua linguagem impropriamente excessiva. não tem força obrigatória.

inciso LVII que prescreve: “ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença penal condenatória”. servindo de base para a construção da definição do delito. por exemplo. pois o princípio in dubio pro reo decorre de dois princípios: presunção de inocência e do princípio do favor rei. outros ao contrário entendem que o princípio pro reo aplica-se na interpretação da lei. À defesa cabe provar a inocência do agente. Os princípios da presunção de inocência e in dubio pro reo não são sinônimos.8 PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS DO DIREITO PENAL Assim como as demais ciências jurídicas o Direito Penal fundamenta-se em certos princípios jurídicos. ao falar do assunto. 1. Cabe ao Promotor de Justiça na denúncia o ônus de provar que determinado agente é o autor do crime. seja em normas constitucionais ou não. O princípio da presunção de inocência encontra-se inserido na Constituição Federal de 1988. nunca para interpretar a norma. AN02FREV001/REV 4. ao usar a interpretação mais favorável ao réu. por outro lado. sustentando-se para a interpretação e aplicação da lei penal. (TOURINHO FILHO. a balança deve inclinar-se a favor deste último se quiser assistir ao triunfo da liberdade”. diz que a regra do ônus da prova cabe ao autor da tese (acusação). em seu artigo 5º. por um lado. definir quais são os princípios fundamentais de Direito Penal significa determinar de que forma ele poderá interferir no conteúdo das regras jurídicas da norma penal. O que se pode concluir é que existe uma relação entre eles.0 20 . que proclama que “no conflito entre o jus puniendi do Estado. Para alguns doutrinadores e juristas o princípio in dúbio pro reo não vem sendo aceito implicitamente em razão da distribuição do ônus da prova. estabelecendo limites ao poder de punição por parte do Estado. e o jus libertatis do acusado. Segundo Fernando Capez (2006). de lesão corporal. o princípio da presunção de inocência para muitos só se aplica no campo da apreciação das provas. 2003). Assim. invertendo assim o ônus probandi. Tourinho Filho (2001). Os princípios penais formam o centro fundamental do Direito Penal.

nulla poena sine praevia lege por Paul Johann Anselm von Feuerbach. Princípio da Culpabilidade. enquanto o segundo integra o ordenamento do Direito Penal (Princípio da Reserva Legal).1 Princípios do Direito Penal 1. Faz-se necessário diferenciar Princípios de Direito Penal Constitucional dos Princípios Propriamente Penais. Este princípio assegura que não pode ser considerado crime (infração penal) nem sanção penal (pena ou medida de segurança) o fato que não estiver contido na norma. assim prescreve: “não há crime sem lei anterior que o defina. Os primeiros estão previstos na Carta Magna (Princípio da Legalidade. Previsto no artigo 5º. a legalidade não se subsume apenas à observância da lei. sendo a norma básica do Direito Penal. A Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão de 1789 já tratava do Princípio da Legalidade: “A lei não deve estabelecer senão penas estritas e evidentemente necessárias e ninguém pode ser castigado senão em virtude de uma lei estabelecida e promulgada anteriormente ao delito e legalmente aplicada”. O Princípio da Legalidade é um dos instrumentos normativos de controle do poder punitivo do Estado quando do estabelecimento de normas incriminadoras. Não há pena sem prévia cominação legal”. inciso XXXIX da Constituição Federal e no artigo 1º do Código Penal Brasileiro. servindo de certa forma como restrição ao poder do Estado. Este princípio também está previsto no art. etc). caput.0 21 . Para Mirabete (1999). trata-se da mais importante conquista de índole política.8. garantindo os direitos do indivíduo. Tem origem na obra Dei delitti e delle pene de Beccaria e cujo termo foi traduzido pela fórmula Nullum crimen. 1. que estabelece a vinculação de todo o ato administrativo do agente público à legalidade. bem como na fixação e execução das penas. mas sim a todo o sistema jurídico. Assim. Princípio da Legalidade ou da Reserva Legal: O Princípio da Legalidade possui enorme importância para o Direito Penal. AN02FREV001/REV 4. 37º. do nosso diploma maior.

Garantia Penitenciária: A pena será cumprida em estabelecimento distinto. art.  nullum crimen. art. CF/88) a da Lei e sua Exceção (em razões de política criminal). nulla poena sine lege praevia. nulla poena sine lege certa.  nullum crimen. Luis Regis Prado (2008) preleciona que o Princípio da Reserva Legal possui três Garantias: 1. Damásio de Jesus (2000) entende que no aspecto político o Princípio da Legalidade serve como garantidor constitucional dos direitos do homem. salvo quando para beneficiar o réu. 5º. art. 3.0 22 . 5º. inciso LIII CF/88). nulla poena sine lege scripta. inciso XLVIII. Francisco de Assis Toledo. 2. inciso XL. Garantia Jurisdicional: Ninguém será processado nem sentenciado senão pela autoridade competente. 5º. a terceira Garantia é a da Irretroatividade (a lei penal não retroagirá. entende que sem ele nenhum fato pode ser considerado crime e nenhuma pena criminal pode ser aplicada sem que antes desse mesmo fato tenham sido instituídos por lei os tipos delitivos e a pena respectiva constitui uma real limitação ao poder estatal de interferir na esfera das liberdades individuais.  nullum crimen. nulla poena sine lege stricta. Garantia Criminal e Penal: Não há crime nem pena sem lei em sentido estrito. somente a lei pode fixar limites que destacam a atividade criminosa da legítima defesa. elaborada na forma constitucionalmente prevista. AN02FREV001/REV 4. CF/ 88). Alguns juristas entendem que o Princípio da Legalidade se desdobra em quatro postulados:  nullum crimen. Assinala ainda o jurista que o princípio da legalidade previsto no artigo 1º do Código Penal Brasileiro compreende os princípios da reserva legal e da anterioridade. Não haveria segurança ou liberdade se a lei punisse condutas consideradas lícitas e se os magistrados punissem fatos ainda não considerados crimes pelo legislador. a idade e o sexo do apenado. de acordo com a natureza do delito. ao falar do Princípio da Legalidade.

Tal entendimento se estende às leis delegadas. uma vez que a Constituição Federal de 1988 reserva tal função de forma absoluta à lei. Assim. A nossa Carta Magna reserva o seu artigo 5º. ao Princípio da Reserva Legal e o Código Penal Brasileiro dispõe no artigo 1º. Para Mirabete (1999). é expressamente vedada ao Poder Executivo a inclusão de matérias criminais penais em seus atos normativos. ou seja. AN02FREV001/REV 4. somente a lei aprovada pelo Poder Legislativo pode criar crimes e impor sanções penais. não constitui lei. apesar de possuir força de lei. É importante deixar claro que Medida Provisória. Este princípio consiste no fato de que só há crime e pena se há lei anterior que o determine: nullum crimen. Princípios Inerentes ao Princípio da Legalidade: a) Princípio da Reserva Legal: O princípio da Reserva legal possui a função de delimitar o conteúdo das leis penais. nulla poena sine praevia lege.0 23 . do Poder Executivo. Esta função de legislar as matérias. pois somente a lei pode definir crimes e aplicar sanções. Reserva Absoluta da Lei: Nenhuma fonte inferior pode criar normas penais. cabe ao legislador. o Princípio da Reserva Legal possui três características: A. uma vez que não emana do Poder Legislativo e. A própria lei maior reconhece que as medidas provisórias não são leis e proíbe materialmente que elas tratem sobre matérias de Direito Penal ou Processual. Esta proibição constitucional encontra base legal no Princípio da Reserva Legal. que tem como escopo a proteção do cidadão contra a arbitrariedade do poder estatal. conforme diretriz constitucional. sim. inciso XXXIX.

integra a norma penal. 1999) Em relação ao emprego da analogia é necessário. Por esta razão. (FRANCO. e se não fosse assim a elasticidade na tipificação do fato permitiria o livre arbítrio do juiz. o Princípio da Reserva Legal proíbe por inteiro o uso da analogia em matéria de Direito Penal incriminador. como corolário da legalidade. pois um fato só poderá ser delito (criminoso) se estiver perfeitamente moldado na lei que o criou (descreve). através dos processos integrativos da analogia. em verdade. precisa. portanto. precisa. segundo os ensinamentos de Cernicchiaro. mesmo através da analogia. permite o uso da Analogia in bonam partem (favorece o indivíduo). A norma penal tem que ser exata. uma vez que reservamos um estudo mais minucioso no Módulo II.0 24 . encontrando-se esta limitação no tipo penal (legal) correspondente. eventuais lacunas. avaliando em cada caso concreto uma situação assemelhada em outro ordenamento jurídico. ao contrário sensu. que ao frisar que não há crime sem lei que o defina exigiu da lei a descrição da conduta criminosa com todos os elementos. uma ilha no mar geral do ilícito e todo o sistema punitivo se traduz num arquipélago de ilicitude. a incriminação vaga e indeterminada do fato. como uma adição matemática de números inteiros. Impedindo sua atuação além dos limites estabelecidos. uma vez que amplia o número das infrações penais. Taxatividade e vedação ao emprego da analogia: Em razão do Princípio da Reserva Legal é que surgiu a afirmação de que o Direito Penal positivo é um sistema fechado. Isto ocorre em razão da lei penal (Princípio da Legalidade). Daí a impossibilidade do Direito Penal atingir a ilicitude na sua totalidade e de preencher. proíbe. é vedada a aplicação da Analogia in malam partem (prejudica o indivíduo). entendermos nem que seja superficialmente o seu conceito. antes de tudo. Vejamos sua definição: Analogia é o meio pelo qual o intérprete. vazio) no corpo da lei. percebendo uma lacuna (espaço. Mirabete trás a lição de Silva Franco: Cada figura típica constitui. Em razão. A taxatividade na descrição da conduta típica para uma exata identificação do fato. AN02FREV001/REV 4. B. A lei penal não permite que uma conduta delitiva que fora cominado uma pena seja estendida à outra por ser assemelhada. A Lei Penal (norma incriminadora) estabelece com a esfera do ilícito uma incriminação taxativa.

D. § 3º. do Código Penal Brasileiro)”. Princípio da Anterioridade da Lei: Garantia constitucional do indivíduo diante do poder punitivo do Estado. estabelecendo que os crimes e as penas. Faz-se necessário que a lei já esteja em vigor (valendo) no momento (data) em que o fato delitivo é praticado. Conteúdo Material do Princípio da Reserva Legal: Mirabete (1999). aí está presente a Irretroatividade da Lei (Módulo II). AN02FREV001/REV 4. também. a instituição de figura delitiva que venha a afrontar o Princípio da Dignidade da Pessoa Humana colide com um dos fundamentos do Estado Democrático de Direito. Ou seja. O que adiantaria exigir da lei a prévia definição do crime se fosse permitido o uso de termos demasiadamente amplos. como por exemplo “qualquer conduta contrária aos interesses nacionais”. que fosse considerado crime o ato de sorrir.0 25 . Taxatividade e Descrição Genérica: O Princípio da Reserva Legal determina que a descrição da conduta delitiva (criminosa) é específica. trazendo a lição de Silva Franco. uma vez que o legislador não poderá descrever todas as condutas humanas que coadunam com o tipo culposo. C. um conceito material ontológico de crime. Necessário é. 2. serão considerados somente nos termos da lei vigente ao tempo da prática do crime. a relação jurídica é definida pela lei vigente à data do fato”. respectivamente. pena de tanto a tanto. Não se aplicam a crimes culposos. para que uma ação ou omissão seja tida como crime é preciso que a norma seja anterior ao fato. o que limita o legislador a dizer: “se o crime é culposo. assevera que no Estado Democrático de Direito o simples respeito formal ao princípio da legalidade não é suficiente. A esses tipos penais a Doutrina definiu como exemplo claro o crime de Homicídio Culposo (artigo 121. em que a conduta que leva ao resultado pode ser infinitamente variável. Seria absurdo. Segundo Cernicchiaro: “Dado o princípio da reserva. segundo o qual somente podem ser consideradas pelo legislador como delituosas as condutas que efetivamente coloquem em risco a existência da coletividade. Assim. por exemplo. não se admitindo tipos genéricos. A lei é editada para o futuro e não para o passado.

A solução está no uso do Princípio da Insignificância. ex: furto de bagatela) criado por Roxin. é. ou seja. Alguns doutrinadores estabelecem uma equiparação entre o instituto da adequação social de Welzel com o critério da insignificância (orientada no bem jurídico protegido. o pai que mata o assassino da filha quando este seria morto pelo Estado (um exemplo típico de países em que a pena de morte é adotada). nem pena sem prévia cominação legal”. sendo assim inaplicável será o seu uso. É de observar que a aplicação desse princípio não deve ser utilizado com falta de critérios. O que seria realmente insignificante? A adequação social não fora superada pelo critério da insignificância. Este princípio é tratado nos dias de hoje pela Teoria da Imputação Objetiva como critério para a determinação do injusto penal. como no caso de furto de bagatela. nulla poena sine lege praevia. Enfim. eis que de somenos relevância se mostra a danosidade ao bem jurídico protegido. por exemplo. inciso XXXIX da Constituição Federal de 1988 e no Código Penal em seu artigo 1º: “não há crime sem lei anterior que o defina. em razão do mínimo valor da coisa furtada. utilizado como um meio para a exclusão da Imputação Objetiva de Resultados.0 26 . Luis Regis Prado (2008) é categórico ao afirmar que lesões a bens jurídicos de menor valor não justificariam a aplicação de sanção penal. relacionado com o axioma (sentença ou proposição que não é provada ou demonstrada é considerada como óbvia ou como um consenso inicial necessário para a construção ou aceitação de uma teoria) mínima non cura praeter. AN02FREV001/REV 4. consiste em analisar a gravidade de uma conduta e a necessária intervenção do Estado. as infrações ínfimas não devem ser levadas ao conhecimento do Judiciário. 3. Seria uma conduta proibida antecipando um evento jurídico. nem de interpretações subjetivas. Na legislação brasileira este princípio está regulado pelo artigo 5º. ou nullum crimen. Para Damásio de Jesus (2000). a Teoria da Imputação Objetiva seria atribuir uma conduta ou um resultado normativo ao indivíduo cujo comportamento apresenta um risco legalmente proibido. Princípio da Insignificância ou da Bagatela: Princípio formulado por Claus Roxin. pois não pode ser considerado como socialmente adequado ou útil.

 Tríplice identidade entre sujeito (aquele que pratica o crime).0 27 .  Serve de base à aplicação das leis penal.  Impedir mais de uma punição individual (pena ou agravante) pelo mesmo fato delitivo.9 O PRINCÍPIO DO NO BIS IDEM E O LIMITE DO PODER PUNITIVO DO ESTADO  Ninguém pode ser punido duas vezes pelo mesmo crime.  Fundamentação: artigo oitavo. fato e fundamento (lei). inciso IV da Convenção Americana sobre Direitos Humanos: “O acusado absolvido por sentença passada em julgado não poderá ser submetido a novo processo pelos mesmos fatos”.1. FIM DO MÓDULO I AN02FREV001/REV 4. em especial ao concurso de pessoas.