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DISCIPLINA: ADMINISTRAÇÃO RURAL E INFORMÁICA AGRÍCOLA

PROFESSORA: KARLA BRITO DOS SANTOS

UNIVERSIDADE FEDERAL DO PIAUÍ – UFPI
CENTRO DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS - CCA
DEPARTAMENTO DE PLANEJAMENTO E POLÍTICA AGRÍCOLA - DPPA
PROFESSORA: KARLA BRITO DOS SANTOS

TEXTOS DE AULA

DISCIPLINA: ADMINISTRAÇÃO RURAL E INFORMÁTICA AGRÍCOLA

MARÇO/2011

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DISCIPLINA: ADMINISTRAÇÃO RURAL E INFORMÁICA AGRÍCOLA
PROFESSORA: KARLA BRITO DOS SANTOS

SUMÁRIO

Capítulo I – O ADMINISTRADOR
Rápida História da Teoria da Administração
1. Ênfase nas tarefas
2. Ênfase na estrutura organizacional
3. Ênfase nas pessoas
4. Ênfase na tecnologia
5. Ênfase no ambiente
O Administrador
1. Papel do administrador
2. Competências, habilidades e atividades.
Estratégia Empresarial
1. Noções de estratégia
2. Componentes da estratégia
3. A estratégia deve responder à pergunta: “aonde você quer ir
4. As cinco forças competitivas de Porter
A análise estrutural de indústrias
Identificação das forças competitivas
Estratégias competitivas genéricas
Planejamento da Ação Empresarial
1. Níveis de Planejamento
2. Planejamento Estratégico
3. Planejamento Tático
4. Planejamento Operacional
Capítulo II – CONTABILIDADE
1. Conceito, aplicação e usuários, e pilares da contabilidade
2. Patrimônio – bens, direitos, obrigações e patrimônio líquido
3. Balanço patrimonial – representação gráfica, ativo, passivo e
patrimônio líquido, origens e aplicações, grupos de contas e método
das partidas dobradas.
4. Indicadores da saúde financeira da empresa

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DISCIPLINA: ADMINISTRAÇÃO RURAL E INFORMÁICA AGRÍCOLA
PROFESSORA: KARLA BRITO DOS SANTOS

Capítulo III - CUSTO DE PRODUÇÃO
Classificação dos recursos produtivos
1. Classificação dos custos: fixos e variáveis; diretos e indiretos;
Custo operacional
1. Custo operacional efetivo, e custo operacional total;
Medidas de resultado econômico
1. Margem bruta, margem líquida e lucro;
2. Lucratividade e rentabilidade.
Capítulo IV - COMERCIALIZAÇÃO DE PRODUTOS AGROINDUSTRIAIS
Definições e correntes metodológicas
1. Commodity Sistem Approach (CSA) e Analyse de Filiere
2. Níveis de análise do sistema agroindustrial: sistema agroindustrial,
complexo agroindustrial e cadeia produtiva.
3. Principais aplicações do conceito de cadeia de produção.
Comercialização de produtos agroindustriais
1. Particularidades dos produtos agroindustriais
2. Canais de comercialização
Logística em agronegócio
1. Logística de suprimentos, de apoio à produção, e de distribuição.

Capítulo V - PROJETO DE INVESTIMENTO DE CAPITAL
1. Formação do fluxo de caixa
2. Métodos de avaliação econômica de projetos: VPL e TIR.

BIBLIOGRAFIA

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Cada uma das fases realça e enfatiza um aspecto importante da administração. Ênfase no ambiente 6. Teoria clássica de Fayol 2.DISCIPLINA: ADMINISTRAÇÃO RURAL E INFORMÁICA AGRÍCOLA PROFESSORA: KARLA BRITO DOS SANTOS RÁPIDA HISTÓRIA DA TEORIA DA ADMINISTRAÇÃO A teoria administrativa surgiu no século passado. Ênfase nas tarefas 2. a administração científica concentrou-se na tecnologia de produção em massa. Ênfase nas pessoas 4. Teoria da burocracia de Weber 3. Ênfase na estrutura organizacional 1. PROBLEMAS DAS OPERAÇÕES FABRIS OBSERVADOS POR TAYLOR  A administração não tinha noção clara da divisão de suas responsabilidades com o trabalhador. Os princípios da produção em massa são: padronização e especialização do trabalhador. Ênfase nas competências e na competitividade 1 ÊNFASE NAS TAREFAS É a abordagem típica da administração científica. 1. Frederick Winslow Taylor e seus seguidores se preocuparam em construir um modelo de administração com base na racionalização e no controle da atividade humana. e atravessou fases bem distintas que se superpõem. Teoria Estruturalista 3. 4 . Ao buscar uma produtividade sempre maior. Administração científica é o nome que recebeu por causa da tentativa de aplicação dos métodos da ciência aos problemas da administração. Ênfase na tecnologia 5.

dirigir e controlar as suas atividades. cada uma delas um processo em si. chamadas funções. PRINCÍPIOS DA ADMINISTRAÇÃO CIENTÍFICA  Seleção e treinamento de pessoal  Salários altos e custos baixos de produção  Identificação da melhor maneira de executar tarefas  Cooperação entre administração e trabalhadores CRÍTICAS À ADMINISTRAÇÃO CIENTÍFICA A acolhida às idéias de Taylor passou por altos e baixos. 2 ÊNFASE NA ESTRUTURA ORGANIZACIONAL É a fase na qual administrar significa basicamente planejar e organizar a estrutura de órgãos e cargos que compõem a empresa. Na indústria e no governo. provocou reações desfavoráveis. Entre os trabalhadores.  Muitos trabalhadores não cumpriam suas responsabilidades. As críticas desses segmentos da sociedade fundamentavam-se em dois receios.  Os trabalhadores eram colocados em tarefas para as quais não tinham aptidão. a administração é um processo de tomar decisões agrupadas em quatro categorias. despertava entusiasmo. TEORIA CLÁSSICA DE FAYOL De acordo com essa abordagem.  O Aumento da eficiência provocaria o desemprego.  A administração científica nada mais era do que uma técnica para fazer o operário trabalhar mais e ganhar menos.DISCIPLINA: ADMINISTRAÇÃO RURAL E INFORMÁICA AGRÍCOLA PROFESSORA: KARLA BRITO DOS SANTOS  Não havia incentivos para melhorar o desempenho do trabalhador. 5 . a imprensa e os políticos.  As decisões dos administradores baseavam-se na intuição e no palpite.

6 . enquanto outros autores clássicos e neoclássicos se preocuparam em enunciar outros tantos. dependendo de cada empresa. 2. coordenação e controle). Princípio da autoridade e responsabilidade: a autoridade é o poder derivado da posição ocupada pela pessoa. 3. Hoje. Consiste na designação de tarefas específicas a cada um dos órgãos que compõem a organização empresarial.  Financeiras (procura e utilização de capital). As funções de segurança passaram a ser enquadradas dentro da área de produção e operações ou dentro da gestão de pessoas. Princípio da divisão do trabalho: é o princípio da especialização necessária á eficiência na utilização das pessoas. a empresa desempenha seis funções básicas:  Técnicas (produção. Princípio da unidade de comando: cada pessoa deve receber ordens de um e apenas um superior (chefe). manufatura). a responsabilidade é uma conseqüência natural da autoridade. organização. em geral as empresas se articulam em áreas como: finanças (contabilidade). venda). PRINCÍPIOS GERAIS DA ADMINISTRAÇÃO Fayol listou 14 Princípios Gerais de Administração. comando. Os princípios mais conhecidos são: 1. o direito de dar ordens e o poder de esperar obediência. troca.  Comerciais (compra.  Contábeis  Administrativas (planejamento. produção e operações (funções técnicas) e gestão de pessoas (recursos humanos). marketing. È o princípio da autoridade única.  Segurança A visão de Fayol passou por mudanças.DISCIPLINA: ADMINISTRAÇÃO RURAL E INFORMÁICA AGRÍCOLA PROFESSORA: KARLA BRITO DOS SANTOS Para Fayol. Ambas devem estar equilibradas entre si.

 Ênfase no processo administrativo de planejar. CARACTERÍSTICAS DA TEORIA CLÁSSICA DA ADMINISTRAÇÃO  Adoção de princípios gerais da administração. 5. CARACTERÍSTICAS DA TEORIA DA BUROCRACIA  Divisão do trabalho organizacional em hierarquias de autoridade.  Impessoalidade no relacionamento entre pessoas.  Ênfase na organização formal da empresa. em escalões hierárquicos. sociólogo alemão. ou seja. considerado o fundador da teoria da burocracia. Princípio da hierarquia ou cadeia escalar: a autoridade deve estar disposta em uma hierarquia. o termo burocracia não tem o significado pejorativo de uso popular.  Adoção de normas legais. Princípio da departamentalização: a divisão do trabalho conduz à especialização e a diferenciação das tarefas e dos órgãos.  Adoção de rotinas e procedimentos para substituir decisões individuais. a heterogeneidade e à fragmentação. mas um significado técnico que identifica certas características da organização formal voltadas exclusivamente para a racionalidade e para a eficiência. 7 . dirigir e controlar.  Meritocracia e competência técnica. TEORIA DA BUROCRACIA DE WEBER Para Max Weber. isto é. organizar. de tal maneira que um nível hierárquico deve estar sempre subordinado ao nível hierárquico superior.  Formalização da comunicação através de papéis e documentos.  Definição das funções básicas da empresa.DISCIPLINA: ADMINISTRAÇÃO RURAL E INFORMÁICA AGRÍCOLA PROFESSORA: KARLA BRITO DOS SANTOS 4.

8 . Essa abordagem foi uma reação á abordagem mecanicista e rígida da Teoria Clássica e da Teoria da Burocracia. que passou a ser considerado uma variação a mais no estudo das empresas. TEORIA ESTRUTURALISTA Foi desenvolvida a partir dos estudos sobre as limitações e rigidez do modelo burocrático.  Adoção de tipologias para estudar os diferentes tipos de organizações.  Foco na análise organizacional e na análise interorganizacional. ESCOLA DAS RELAÇÕES HUMANAS Surgiu como uma teoria de oposição e combate à Teoria Clássica. Os estruturalistas criaram várias tipologias de organizações e análises comparativas para a melhor compreensão do fenômeno organizacional.  Separação entre gerência e propriedade.DISCIPLINA: ADMINISTRAÇÃO RURAL E INFORMÁICA AGRÍCOLA PROFESSORA: KARLA BRITO DOS SANTOS  Profissionalização das pessoas. CARACTERÍSICAS DA ESCOLA DAS RELAÇÕES HUMANAS  Ênfase na psicologia para o estudo das organizações. 3 ÊNFASE NAS PESSOAS É a fase que administrar é sobretudo lidar com pessoas. incluindo a análise interorganizacional e o ambiente externo. alicerçada sobre as obras de Taylor e Fayol. CARACTERÍSICAS DA TEORIA ESTRUTURALISTA DA ADMINISTRAÇÃO  Aceitação da organização formal e informal.

comunicação e equipes.DISCIPLINA: ADMINISTRAÇÃO RURAL E INFORMÁICA AGRÍCOLA PROFESSORA: KARLA BRITO DOS SANTOS  Substituição da abordagem clássica (ênfase nas tarefas e na estrutura) pela abordagem humanística (ênfase nas pessoas). para extrair dela a máxima eficiência possível. CARACTERÍSICAS DA TEORIA DA CONTINGÊNCIA  Ênfase no ambiente como o determinante das características organizacionais. lidar com as demandas do ambiente e obter o máximo de eficácia da empresa. isto é. comunicação. liderança etc.  Foco no processo decisório  Ênfase em aspectos comportamentais como motivação. motivação.  Adoção de conceitos humanísticos. A ênfase no ambiente marca a ampliação máxima do objeto de estudo da administração: as empresas e o ambiente que as envolvem.  Adoção de técnicas comportamentais. dinâmica de grupo. CARACTERÍSICAS DA TEORIA COMPORTAMENTAL DA ADMINISTRAÇÃO  Ênfase no comportamento organizacional. em substituição aos conceitos técnicos utilizados. na dinâmica e não na estrutura. 4 ÊNFASE NA TECNOLOGIA É a fase que administrar significa lidar com a tecnologia. 9 . sobretudo. como: grupo social. liderança.  Foco na organização informal e nos grupos sociais. 5 ÊNFASE NO AMBIENTE É a fase que administrar significa.

 Relativismo organizacional: não há nada rígido em administração. tudo é contingente. 10 .  Crítica às organizações mecanicistas e tradicionais.  Abordagem da adequação: a organização como variável dependente das variáveis ambientais.DISCIPLINA: ADMINISTRAÇÃO RURAL E INFORMÁICA AGRÍCOLA PROFESSORA: KARLA BRITO DOS SANTOS  Foco no ajustamento e na adaptabilidade da organização ao seu entorno.

Representa hoje a maior riqueza do mundo moderno. O presidente assume a totalidade do empreendimento. mas suas atividades levam a um foco único e principal: proporcionar resultados”. na melhoria da situação ou em inovação para fazer algo completamente novo e diferente. diretor ou presidente de uma empresa. No fundo. 2. o administrador precisa reunir e desenvolver certas competências fundamentais: 1. 2. Em cada nível hierárquico ele assume determinadas responsabilidades e suas atividades são necessariamente diferentes – não em termos de natureza. Habilidades: é o saber fazer. é a capacidade o conhecimento adquirido seja na solução de problemas. Enquanto o supervisor trabalha no nível operacional e da conta do cotidiano e das rotinas e procedimentos de trabalho. o administrador colocado em cada uma dessas posições tem uma responsabilidade diferente. o gerente trabalha no nível intermediário ou tático e da conta da articulação interna da empresa. gerente. 11 . Para tanto.DISCIPLINA: ADMINISTRAÇÃO RURAL E INFORMÁICA AGRÍCOLA PROFESSORA: KARLA BRITO DOS SANTOS O ADMINISTRADOR 1. Em outras palavras. Papel do administrador DICAS: “O administrador pode ser um supervisor. Conhecimento: é o saber acumulado pela aprendizagem. As competências do administrador Como administração significa atingir resultados com os recursos disponíveis e para alcançar resultados. e o diretor cuida da gestão estratégica do negócio. visando o ambiente externo e a adequação do negócio às oportunidades que surgem. dos recursos básicos e das competências funcionais. o administrador deve ter a capacidade de aprender cada vez mais e mais rapidamente. mas de intensidade.

a fim de definir o comportamento e as ações futuras necessárias. construção de talentos e de equipes. além da capacidade de diagnóstico (para resolução de problemas) e da visão futura e antecipatória (para geração de novas idéias e inovação). O administrador trabalha com pessoas e com equipes de pessoas. Julgamento: é o saber analisar cada situação. Habilidades humanas: consistem na capacidade e no discernimento para trabalhar com pessoas e. como. valores e princípios de ação. argumentar e fazer a cabeça dos outros e impor seu estilo pessoal. A habilidade conceitual proporciona idéias globais e conceitos. definir prioridades e tomar decisões a respeito. liderá-las e motivá-las continuamente. métodos. assumir riscos e lutar para atingir um determinado objetivo ou resultados. técnicas e equipamentos necessários para a realização de tarefas específicas com base em seus conhecimentos e experiência profissional. quando e por que fazer algo. motivação. 4. saber comunicar. Com o julgamento o administrador define o que. valores e princípios que permitem saber onde chegar. Envolve uma atitude empreendedora no sentido de sair da zona de conforto. E a habilidades de lidar com pessoas significa educá-las. compreender suas atitudes e motivações e desenvolver uma liderança eficaz. por intermédio delas. 3. È o que faz um administrador defender seus pontos de vista.DISCIPLINA: ADMINISTRAÇÃO RURAL E INFORMÁICA AGRÍCOLA PROFESSORA: KARLA BRITO DOS SANTOS 3. Atitude é o saber fazer acontecer. Obter dados e informação a respeito e ter espírito crítico suficiente para ponderar com equilíbrio. comunicação. Com tais habilidades. As habilidades do administrador As habilidades necessárias para o administrador são basicamente três: 1. 3. Essa habilidade permite que o administrador faça abstrações e desenvolva filosofias. orientá- las. ensiná-las. Habilidades técnicas: consistem em utilizar conhecimentos. Isso envolve liderança. o 12 . Habilidades conceituais: Consistem na capacidade de lidar com idéias e conceitos abstratos. 2.

cliente. 5) O administrador serve aos clientes. a visão de futuro. são altamente abstratos. 4. 6) O administrador está focado em objetivos. estratégia.os chamados construtos – que são invenções abstratas com um significado específico na conduta administrativa. cliente. DICAS: A capacidade de abstração Conceito como mercado. O administrador lida com fatos reais e cotidianos.DISCIPLINA: ADMINISTRAÇÃO RURAL E INFORMÁICA AGRÍCOLA PROFESSORA: KARLA BRITO DOS SANTOS administrador define a missão do negócio. 3) O administrador utiliza tecnologias. 4) O administrador lida com pessoas. tanto mais se defronta com abstrações em seu cotidiano. principalmente. Não se vê ou toca o mercado. os valores essenciais de sua empresa. com conceitos altamente abstratos que envolvem dimensões de tempo e de espaço amplas e abrangentes. As competências são invisíveis e o valor intangível. As atividades do administrador O administrador assume um amplo espectro de atividades que envolvem necessariamente os seguintes componentes: 1) O administrador cuida de uma empresa ou de uma área funcional da empresa. crédito. 13 . a estratégia organizacional etc. serviço. 7) O administrador formula estratégias e planos de ação. competição. No fundo lida com construções mentais . com situações concretas e abstratas e. 8) O administrador entrega resultados. valor. 2) O administrador cuida de processos. nem se enxerga a estratégia. competências. o que é mercado. senão abstrações. Afinal. À medida que o administrador ocupa posições mais elevadas na hierarquia administrativa. estratégia. competências.

e mais especificamente no mercado. contingências.DISCIPLINA: ADMINISTRAÇÃO RURAL E INFORMÁICA AGRÍCOLA PROFESSORA: KARLA BRITO DOS SANTOS ESTRATÉGIA EMPRESARIAL 1. 2. Componentes da estratégia empresarial Os três componentes básicos da estratégia empresarial são: 1. Existe poder quando as decisões da empresa influenciam as decisões a serem tomadas pelos demais componentes de seu ambiente de tarefa.  Adequação tecnológica – execução das operações por meio da tecnologia. em relação ao meio ambiente externo. Ambiente: isto é. coações e ameaças nele existentes. as oportunidades visualizadas no ambiente de tarefa*. 14 . Existe dependência quando as decisões da empresa é que são influenciadas pelas decisões tomadas pelos demais componentes de seu ambiente de tarefa. organização e integração das próprias atividades da empresa.” De um modo geral a estratégia empresarial deve considerar três problemas específicos:  O empresarial – escolha do domínio* produto/mercado. Noções de estratégia “A estratégia empresarial constitui o conjunto de objetivos e de políticas principais capazes de guiar e orientar o comportamento global da empresa no longo prazo. bem como as restrições.  O administrativo – criação de normas e procedimentos para coordenar as atividades. limitações. *DOMÍNIO O domínio significa a área de poder e de dependência de uma empresa em relação ao seu ambiente de tarefa.

tanto para mercados. competências. Empresa: isto é. compromissos e objetivos. potencialidades e limitações com as condições ambientais no sentido de extrair o máximo das oportunidades externas e expor-se o mínimo às ameaças. que postura a empresa deverá adotar para compatibilizar seus recursos. ONGS e outros órgãos. associações de classe. os recursos de que ela dispõe ou pode utilizar com vantagem. de equipamentos ou serviços e de espaço de trabalho. Esta adequação deve necessariamente produzir alguma vantagem competitiva diante dos concorrentes. sua missão e visão de futuro. É constituído de instituições. É o contexto ambiental mais próximo da empresa e que lhe fornece as entradas ou insumos de recursos e informações.DISCIPLINA: ADMINISTRAÇÃO RURAL E INFORMÁICA AGRÍCOLA PROFESSORA: KARLA BRITO DOS SANTOS * AMBIENTE DE TAREFA È o ambiente próprio da empresa e corresponde ao segmento do ambiente geral mais imediato e próprio da empresa. 2. grupos e indivíduos com os quais a empresa mantém interface e entra em interação direta para poder operar. isto é. quanto para recursos. sindicatos. coações e contingências ambientais. os fornecedores de capital e dinheiro. 3. bem como seus pontos fortes (que precisam ser utilizados) e fracos (que devem ser corrigidos ou melhorados). suas competências e habilidades. fornecedores de recursos. empresas. e grupos reguladores ou agências reguladoras incluindo governo. O ambiente de tarefa da empresa é constituído de quatro setores principais: consumidores ou usuários dos produtos ou serviços da empresa. de pessoal. concorrentes. a organização. de materiais. 15 . objetivos. Adequação entre ambos: isto é.

Relevante “T” – Tempo definido 16 .Mensurável “A” .Alcançável “R” . Objetivos O QUE DEVE SER OS OBJETIVOS? Objetivos típicos de uma empresa:  Ganhar participação no mercado.DISCIPLINA: ADMINISTRAÇÃO RURAL E INFORMÁICA AGRÍCOLA PROFESSORA: KARLA BRITO DOS SANTOS 3. Metodologia: SMART “S” .  Superar uma crise.  Fortalecer a marca ou imagem da empresa. A estratégia deve responder à pergunta: “Aonde você quer ir”? 1. Conhecer a si mesmo  Companhia (empresa)  Concorrentes  Canais  Consumidores  Custo  Contexto 2.  Aumentar a rentabilidade.eSpecífico “M” .

 Entrega de cópias impressas em formatos diversos. Desenhe um caminho diferente dos demais O quatro Ps estratégicos:  Pesquisar  Segmentar  Posicionar  Priorizar Os trade-offs (troca.  O dirigente deve apresentar a estratégia a todas as partes interessadas – colaboradoes.  A equipe responsável pela estratégia deve compartilhar o que está sendo discutido e colher dúvidas e sugestões do demais colaboradores da empresa.  Definida a estratégia esta deve ser colocada no papel. ato de abrir mão de alguma coisa) A organização guiada pela estratégia:  Assegurar que todos saibam que a estratégia é de alta prioridade para o dirigente da empresa. A execução da estratégia 17 .  Cada pequeno resultado da estratégia deve ser apresentado a todos e comemorado. 4.DISCIPLINA: ADMINISTRAÇÃO RURAL E INFORMÁICA AGRÍCOLA PROFESSORA: KARLA BRITO DOS SANTOS OPORTUNIDADES AMBIENTAIS x OPORTUNIDADES EMPRESARIAIS 3. concessão. canais e clientes. fornecedores.

Linhas de pensamento estratégico  Escola da concepção (Design ou Projeto) – baseia-se na matriz SWOT. que demanda “um conjunto particular de atividades” e que. 18 .  Escola empreendedora: essa linha de pensamento focaliza um líder único e aposta em coisas como intuição.DISCIPLINA: ADMINISTRAÇÃO RURAL E INFORMÁICA AGRÍCOLA PROFESSORA: KARLA BRITO DOS SANTOS Os quatro Ps operacionais  Preço. que ajuda a avaliar os pontos fortes e fracos da empresa à luz das oportunidades e das ameaças do ambiente. inimitável e geradora de valor”. para funcionar. O problema dessa teoria é achar que os empreendedores são semideuses. critério.  Escola do Planejamento estratégico  Escola do posicionamento: Michael Porter garante que “a estratégia é a criação de uma posição única.  Promoção (comunicação). sabedoria. Plano de metas 5. experiência. nos obriga a abrir mão de muita coisa. Controle é fundamental  Monitoração / Mensuração 6.  Praça (distribuição).  Produto.

o objetivo no futuro.  Escola do aprendizado: todas as pessoas da organização. Pessoas (Staff. 7.  Escola de planejamento: os profissionais do planejamento. porque o ambiente em que se insere a empresa também se modifica continuamente.DISCIPLINA: ADMINISTRAÇÃO RURAL E INFORMÁICA AGRÍCOLA PROFESSORA: KARLA BRITO DOS SANTOS  Escola do aprendizado: para essa escola a estratégia está sempre se modificando.  Visão (capacidade de definir o ponto “B”.  Escola do espírito empreendedor: o chefe. equipe)  Capacidade de diagnóstico. Quem deve ser o responsável pela estratégia?  Escola de concepção ou design: o presidente da empresa ou estrategista. mas desafiador).  Capacidade de controle. alcançável.  Escola do posicionamento: os profissionais de análise. 19 .

oportunidades Threats – ameaças  Posicionamento “A estratégia nada mais é do que a busca por um plano de ação para desenvolver e ajustar continuamente a vantagem competitiva de uma empresa”.fraquezas  Opportunities . 20 . Metodologia das cinco forças de Porter  Metodologia para entender o comportamento do mercado.  Análise interna (empresa) e análise externa (ambiente)  Análise SWOT ou FOFA:  S Strengths . Introdução “O desenvolvimento de uma estratégia de negócio consiste em analisar a indústria em que a empresa está inserida.  Instrumento clássico da formulação de estratégia. 2. cuja ênfase é a relação das forças estabelecidas entre a empresa e o ambiente que a cerca.forças  W Weaknesses . compreendendo a natureza da concorrência e a sua posição no contexto competitivo.DISCIPLINA: ADMINISTRAÇÃO RURAL E INFORMÁICA AGRÍCOLA PROFESSORA: KARLA BRITO DOS SANTOS METODOLOGIA DAS CINCO FORÇAS DE PORTER 1. traduzindo tal análise em um conjunto de ações estruturadas e coordenadas que constitui a sua estratégia competitiva”.

 Pressupõe que o potencial de lucro e o grau de concorrência de uma indústria são dependentes e determinados pela existência de cinco forças competitivas básicas que atuam sobre todas as empresas do setor.  Canais de distribuição comprometidos com as empresas existentes. As empresas estabelecidas procuram manter barreiras de entradas elevadas de forma a inibir novos entrantes.2 Intensidade da rivalidade dos concorrentes existentes na indústria A rivalidade natural entre concorrentes é resultado direto dos esforços de cada um para melhorar a sua posição no mercado. Barreiras à entrada:  Economias de escala.  Política governamental. Ameaça de novas empresas A própria existência de uma ameaça potencial pode ser suficiente para causar mudanças estratégicas nas empresas estabelecidas.  Necessidade elevada de capital. 21 . 2.  Custo de mudança. que se traduz em aumento da sua fatia de mercado ou market share. 2.DISCIPLINA: ADMINISTRAÇÃO RURAL E INFORMÁICA AGRÍCOLA PROFESSORA: KARLA BRITO DOS SANTOS  Permite que se identifiquem as regras competitivas de cada setor em particular.1.

3 Poder de negociação dos compradores A posição clássica dos compradores ou clientes em uma negociação é buscar o menor preço.  Produtos substitutos. Determinantes do poder de compra:  Volume de compras.  Importância do volume para o fornecedor. dependendo do seu poder de barganha.  Custo de mudança.  Concorrentes numerosos ou bem equilibrados.  Produtos diferenciados. 2. 2. forçar o aumento dos preços ou baixar a qualidade dos produtos e serviços fornecidos. 22 .4.  Possibilidade de verticalização.  Capacidade produtiva aumentada em grandes incrementos.  Custos fixos ou de armazenamento elevado. Poder de negociação dos fornecedores Os fornecedores constituem uma força competitiva relevante para uma indústria porque podem. Determinantes do poder do fornecedor:  Concentração de fornecedores.DISCIPLINA: ADMINISTRAÇÃO RURAL E INFORMÁICA AGRÍCOLA PROFESSORA: KARLA BRITO DOS SANTOS Determinantes da rivalidade:  Crescimento lento da indústria.  Ameaça concreta de integração para frente.

Estratégias competitivas genéricas Num sentido mais amplo.  Busca constante de redução de custo pela experiência.publicidade). 23 . 3.DISCIPLINA: ADMINISTRAÇÃO RURAL E INFORMÁICA AGRÍCOLA PROFESSORA: KARLA BRITO DOS SANTOS 3.Liderança no custo total A liderança no custo exige:  Construção de instalações em escala eficiente.2.  Controle rígido dos custos e das despesas gerais.  Minimização do custo em algumas áreas (PD.Diferenciação A diferenciação proporciona isolamento contra a rivalidade competitiva devido à lealdade dos consumidores com relação à marca como também à conseqüente menor sensibilidade de preço.3.Enfoque Esta estratégia repousa na premissa de que a empresa é capaz de atender seu alvo estratégico estreito mais eficientemente do que os concorrentes que estão competindo de forma mais ampla. 3.1. 3. Porter aponta a existência de três estratégias genéricas internamente consistentes e potencialmente bem- sucedidas.

Suas principais características são: 24 . por ser exatamente a que serve de base para as demais funções.  É definido pela cúpula da organização: situa-se no nível institucional. 1. Na verdade. direção e controle. Níveis de planejamento Existem três níveis de planejamento: 1. 1. Suas principais características são:  É projetado para o longo prazo: seus efeitos e conseqüências estendem-se por vários anos. o planejamento é a função administrativa que determina antecipadamente quais são os objetivos a ser atingidos e como se deve fazer para alcançá-los da melhor maneira possível.  É voltado para a eficácia da organização: alcançar seus objetivos globais.  Envolve a empresa como uma totalidade: abrange todos os seus recursos e áreas de atividade e preocupa-se em atingir objetivos globais da organização.DISCIPLINA: ADMINISTRAÇÃO RURAL E INFORMÁICA AGRÍCOLA PROFESSORA: KARLA BRITO DOS SANTOS PLANEJAMENTO DA ACÃO EMPRESARIAL O planejamento representa a primeira função administrativa. apresentar resultados. Cada unidade organizacional deve elaborar seu planejamento tático subordinado ao planejamento estratégico.1 Planejamento estratégico: é o planejamento mais amplo e envolvente e abrange toda a organização como um sistema único e aberto. corresponde ao plano maior ao qual todos os demais planos estão subordinados.2 Planejamento tático: é o planejamento elaborado em cada departamento no nível intermediário da organização. como organização.

 É voltado para a coordenação e integração: diz respeito às atividades internas da organização. Suas principais características são:  É projetado para o curto prazo: para o imediato e normalmente lida com o cotidiano e com a rotina diária. 2.  É definido no nível intermediário da organização: para cada departamento ou unidade da empresa. 12 meses. Planejamento estratégico O planejamento estratégico é um conjunto de tomada deliberada e sistemática de decisões acerca de empreendimentos que afetam ou deveriam afetar toda a empresa por longos períodos de tempo.  Envolve cada tarefa ou atividade isoladamente: preocupas-se com o alcance de metas específicas. Elaboração do planejamento. Análise organizacional interna. 4.  Envolve cada departamento ou unidade da organização: envolve seus recursos específicos e preocupa-se em atingir objetivos departamentais. Análise ambiental externa. 3. 25 . Formulação de alternativas. Determinação dos objetivos. 2. 1. isto é.DISCIPLINA: ADMINISTRAÇÃO RURAL E INFORMÁICA AGRÍCOLA PROFESSORA: KARLA BRITO DOS SANTOS  É projetado para o médio prazo: em geral corresponde ao exercício anual ou fiscal da empresa. Isso compõe a excelência operacional. O planejamento estratégico exige sete etapas: 1.3 Planejamento operacional: é o planejamento que se refere a cada tarefa ou atividade em particular. 5. Fazer bem feito e corretamente. semanal ou mensal.  É voltado para a eficiência: na execução das tarefas ou atividades.

Existe uma hierarquia de objetivos nas empresas: para ser fixado. Autonomia ou independência: objetivo pelo qual a empresa pretende livremente decidir o seu destino. cada objetivo leva em conta uma orientação mais ampla ou toma por referência objetivos mais abrangentes da organização. lucratividade. como por exemplo. diminuir custos operacionais e elevar o índice de liquidez da empresa. definem sua razão de ser ou de existir. 2. Expansão da empresa: seja em relação a ela mesma. em conjunto. Avaliação dos resultados. são estabelecidos os objetivos empresariais. Objetivos estratégicos ou globais: são os objetivos mais amplos do negócio. 4. seja em relação ao mercado do qual participa. Implementação e execução. 26 .DISCIPLINA: ADMINISTRAÇÃO RURAL E INFORMÁICA AGRÍCOLA PROFESSORA: KARLA BRITO DOS SANTOS 6. os quais. Os objetivos são as pretensões ou os propósitos da empresa. como. a fim de que não ocorra dispersão de esforços ou perda da unidade organizacional da empresa. 1)Determinação de objetivos Em função da missão e da visão organizacional. retorno do investimento. 3. Lucro: considerado dentro de sua dupla ótica – de retorno dos proprietários e da economia da empresa. aumentar fatia de participação no mercado consumidor. participação no mercado. Hierarquia dos objetivos. aumentar a produção com os mesmos recursos disponíveis. 7. Podem ser formulados inicialmente em termos amplos e abstratos. Os objetivos empresariais podem ser agrupados em quatro categorias: 1. Os objetivos gerais da empresa em geral são desdobrados em: 1. por exemplo. Segurança: corresponde ao desejo da empresa de assegurar o seu futuro e continuidade.

estadual e municipal capazes de afetar as atividades e operações da empresa. orçamentos de despesas operacionais. Fatores legais 5. oportunidades. bem como novos produtos ou serviços prováveis de substituir os atuais produtos ou serviços. volume de compras. às tendências de preço dos produtos e serviços. Fatores sociais: os valores sociais e as atitudes das pessoas – como clientes ou empregados – podem afetar a estratégia 27 . recuperação ou prosperidade).DISCIPLINA: ADMINISTRAÇÃO RURAL E INFORMÁICA AGRÍCOLA PROFESSORA: KARLA BRITO DOS SANTOS 2.Fatores políticos: dizem respeito a decisões governamentais nos níveis federal. 3. ameaças e contingências das quais não pode fugir. recursos disponíveis. dificuldades e restrições. custo unitário do produto. Objetivos táticos ou departamentais: são os objetivos específicos de cada unidade organizacional. Para a empresa operar com eficiência e eficácia é fundamental que ela conheça o ambiente externo à sua volta: suas necessidades. O ambiente geral envolve fatores que influenciam todas as organizações sem qualquer distinção. 4. tempo médio de entrega. Objetivos operacionais: são os objetivos limitados a cada cargo ou tarefa. entre os quais atendimento primoroso ao cliente. 2. 3. às políticas monetária e fiscal.Fatores tecnológicos: abrangem custos e disponibilidades de todos os fatores produtivos utilizados nas empresas e as mudanças tecnológicas que envolvem e afetam esses fatores de produção. 2)Análise ambiental externa Esta é a segunda etapa do planejamento estratégico. como volume de produção. volume de vendas. A análise ambiental é a maneira pela qual a empresa procura conhecer seu ambiente externo e diagnosticar o que nele ocorre.Fatores econômicos: referem-se ao estágio da economia ( recessão. embora com diferentes impactos: 1.

Na verdade.Fornecedores de recursos: isto é. recrutamento e seleção de pessoal. A empresa precisa ter uma visão periférica do seu negócio. Consumidores ou usuários: dos produtos ou serviços da empresa. as empresas que proporcionam as entradas e os recursos necessários para as operações e atividades da empresa. os clientes da empresa. de espaço a ser arrendado. vigilância). A qualidade de vida desejada. médio ou longo prazo. de materiais e de matérias-primas. sexo) definem a maneira como os clientes são distribuídos no mercado. cada organização tem ao seu redor o próprio ambiente de tarefa. a curto. comprado. alugado. as preferências de lazer. consumidores ou usuários. Fatores demográficos: como densidade populacional e a distribuição geográfica da população (idade. As perguntas básicas são: Quais são os consumidores atuais e potenciais dos produtos ou serviços da empresa? Quais são as suas necessidades e preferências? Quais são as alternativas para atendê-los cada vez melhor. influenciam nos produto e serviços desejados pela sociedade.Concorrentes: (quanto a saídas ou entradas da empresa). assistência médico-hospitalar. Existem fornecedores de capital e de dinheiro. 2. 7. da mão-de-obra. Tanto o mercado atual como o potencial precisam ser abordados para verificação de oportunidades e ameaças. 3.DISCIPLINA: ADMINISTRAÇÃO RURAL E INFORMÁICA AGRÍCOLA PROFESSORA: KARLA BRITO DOS SANTOS empresarial. de serviços (propaganda. os hábitos e costumes. 6. de equipamentos. de tecnologia. Fatores ecológicos 3)Análise do ambiente de tarefa O ambiente de tarefa representa o nicho ambiental mais próximo e imediato de cada organização. isto é. os padrões de conforto. A análise ambiental deve focalizar especificamente aspectos do ambiente de tarefa da empresa como: 1. Podem disputar os clientes. como é o caso 28 .

A análise ambiental pode ser feita por meio de informação verbal ou escrita. 2.Missão e visão organizacional A missão define o papel assumido pela empresa na sociedade. Agências regulamentatoras: como por exemplo. máquinas e tecnologia. 4) Análise organizacional interna A análise organizacional deve levar em conta os seguintes aspectos internos da empresa: 1. 4. Podem também disputar os recursos necessários – dinheiro. os recursos determinam até que ponto a empresa pode operar. 3. A concorrência afeta a dinâmica do ambiente. que variam de acordo com a empresa. provocando turbulência e reatividade ambiental.Recursos empresariais disponíveis Em geral. serviços. que interferem na atividade e operações da empresa. matérias-primas. Em casos de hostilidade neste setor de ambiente de tarefa. crescer e se expandir. sindicatos.Competências atuais e potenciais 29 . Missão e visão funcionam como balizadores de toda atividade humana na empresa e indicam como as pessoas podem contribuir para o sucesso do negócio. estudos de previsão e sistemas de informação gerencial. pesquisa e análise. espionagem. recursos humanos. a empresa precisa adotar estratégias bem planejadas e implementadas para reduzir ou neutralizar as coações e ameaças externas. enquanto a visão define o que ela pretende ser no futuro e os objetivos a alcançar. entidades governamentais.DISCIPLINA: ADMINISTRAÇÃO RURAL E INFORMÁICA AGRÍCOLA PROFESSORA: KARLA BRITO DOS SANTOS de empresas que oferecem os mesmos produtos ou serviços colocados no mesmo mercado consumidor. opinião pública. associações de classe.

30 . pode ser dada preferência a estratégias ativas ou passivas. 5)Formulação de alternativas A partir dos objetivos empresariais. suas capacidades e competências. a administração tem nas mãos um balizamento que a ajudará a definir ou redefinir as alternativas estratégicas quanto à ação futura da empresa. 7. habilidades. 5. A formulação das alternativas estratégicas pode ser feita dentro de padrões rotineiros ou altamente criativos. Dependendo da situação externa e interna. capacidades e atitudes individuais que a empresa reúne ou pode reunir. estilo de liderança e os aspectos motivacionais internos.Tecnologia As tecnologias utilizadas pela empresa. 4. seja para a produção de seus produtos e serviços ou para seu próprio funcionamento interno. De um modo mais abrangente a missão e a visão organizacional balizam todo o processo de formulação de estratégia. representam a infra-estrutura que permite ou amarra seu desenvolvimento.Estrutura organizacional A estrutura representa a maneira pela qual a empresa se organiza para cumprir sua estratégia.DISCIPLINA: ADMINISTRAÇÃO RURAL E INFORMÁICA AGRÍCOLA PROFESSORA: KARLA BRITO DOS SANTOS Quais são os conhecimentos. suas habilidades. analisando-se as oportunidades e ameaças ambientais de um lado e as potencialidades e vulnerabilidades internas de outro. Cultura organizacional Abrange o estilo de administração. Pessoas A empresa precisa contar com seus talentos. clima organizacional. 6.

O processo de elaboração do planejamento estratégico deve se caracterizar por canais de comunicação abertos em todos os níveis da empresa. mesmo assim. a saber: 1. isto não significa que o planejamento estratégico esteja centralizado na cúpula da organização. o planejamento estratégico volta-se para “o como fazer”. as pessoas que formam a organização e sua gerência. Enquanto a estratégia se preocupa “com o que fazer” para atingir os objetivos empresariais propostos. sujeito a atualizações constantes. O aumento do nível de incerteza faz com que o planejamento estratégico se torne mais importante. com ampla e irrestrita participação de todos os níveis da organização.DISCIPLINA: ADMINISTRAÇÃO RURAL E INFORMÁICA AGRÍCOLA PROFESSORA: KARLA BRITO DOS SANTOS 6)Elaboração de planejamento O planejamento estratégico representa a maneira como a estratégia empresarial poderá ser colocada em ação. 31 . tendo em vista o diagnóstico sobre “o que há no ambiente” e “o que temos na empresa”. o trabalho em conjunto. O planejamento estratégico precisa considerar todos os esforços que integralmente deverão constituir o comportamento da empresa. ele deve ser descentralizado. Staff: a equipe. isto é operacionalizada. Pelo contrário. Já em um ambiente instável e turbulento. Embora a estratégia empresarial seja uma responsabilidade do nível institucional. Esse conjunto de fatores é conhecido como os sete “S”. o longo prazo pode significar no máximo 12 meses e. Em um ambiente estável o longo prazo pode configurar cinco ou mais anos. O horizonte temporal do planejamento estratégico deve ser orientado para o longo prazo.

padrões de comunicação da organização e entre a organização e seu ambiente. a maneira como a empresa se organiza para operacionalizar sua estratégia. a busca de sinergia e integração. diante das oportunidades ou dos desafios. o plano organizacional. Participação das pessoas: elas devem ser atores e protagonistas da ação estratégica e não simplesmente espectadores ou observadores. A implementação diz respeito às etapas que o administrador leva adiante para conseguir das pessoas a realização dos planos estabelecidos por seu trabalho cotidiano. Struture: a estrutura organizacional. as habilidades e os conhecimentos das pessoas.DISCIPLINA: ADMINISTRAÇÃO RURAL E INFORMÁICA AGRÍCOLA PROFESSORA: KARLA BRITO DOS SANTOS 2. 6. 32 . a empresa deve seguir estes passos: 1. Style: o estilo. o comportamento dos administradores e funcionários e sua ética de trabalho. Shared values: os valores comuns e compartilhados pelas pessoas. o que a empresa sabe e como faz. do fazer acontecer na administração. Skills: a qualificação. a cultura organizacional. 5. É a fase da execução. 7)Implementação e execução Implementar significa colocar os planos em ação. 3. Superordinate goal: a missão e hierarquia de objetivos. 7. Systems: os sistemas. a filosofia da empresa. Transformar a estratégia em ação diária é fundamental para o seu sucesso. Para implementar o planejamento estratégico e transformá-lo em realidade concreta. 4. o modo de pensar e agir da equipe que forma a empresa. a vocação e finalidade da organização A integração desses fatores entre si e com o ambiente específico da empresa determina como ela irá se comportar.

esclarecer. As pessoas precisam ser recompensadas ou premiadas a partir do momento em que os resultados são alcançados. 4. orientar as pessoas quanto ao que devem fazer para contribuir com resultados para a estratégia empresarial. 3. bater firme nos objetivos e festejar resultados.DISCIPLINA: ADMINISTRAÇÃO RURAL E INFORMÁICA AGRÍCOLA PROFESSORA: KARLA BRITO DOS SANTOS 2. Recompensas por resultados: a estratégia repousa na ação das pessoas e estas devem ser incentivadas e estimuladas constantemente para que não haja paradas ou atrasos. 8) Avaliação dos resultados 33 . Comunicação intensiva: explicar. 5. 6. Preparação prévia do pessoal: inclui treinamento e desenvolvimento. reuniões sistemáticas de apresentação e acompanhamento dos resultados. Avaliação sistemática: medição por indicadores de desempenho e de resultados é fundamental. educação corporativa. Reforço contínuo: falar sempre na estratégia.

tanto o sistema quanto os subsistemas que o compõe. O planejamento é processo permanente e contínuo. preocupa-se com a racionalidade do processo decisório. ao nível dos departamentos ou unidades de negócio da empresa. ao estabelecer esquemas para o futuro. É projetado para o futuro próximo ou atividades atuais da empresa. 34 . pois. O conceito de planejamento inclui o aspecto de temporalidade e de futuro: o planejamento é uma relação entre coisas a fazer e o tempo disponível. 4. ou seja. pois é realizado continuamente dentro da empresa e não se esgota na simples montagem de um plano de ação. bem como as relações internas e externas. funciona como meio de orientar o processo decisório. 3. ele deve ser flexível para aceitar ajustamentos e correções.DISCIPLINA: ADMINISTRAÇÃO RURAL E INFORMÁICA AGRÍCOLA PROFESSORA: KARLA BRITO DOS SANTOS 2. Planejamento Tático O planejamento tático se refere ao nível intermediário da organização. O planejamento seleciona entre as várias alternativas disponíveis um determinado curso de ação em função de suas conseqüências futuras e das possibilidades de sua realização. Como o planejamento se projeta para o futuro. 5. Como tal. O planejamento é interativo. 2. ele é elaborado pelos gerentes ou executivos no tocante ao programa de atividade de seu órgão. Características do planejamento tático: 1. O planejamento é sistêmico. embora não se confunda com ela. 6. 1. O planejamento é sempre voltado para o futuro e está intimamente ligado com a previsão. O planejamento se preocupa com a racionalidade de tomada de decisão. dando maior racionalidade e subtraindo a incerteza subjacente a qualquer tomada de decisão. pois considera a empresa ou órgão (seja departamento ou divisão) como uma totalidade.

São amplas. Cursos de ação: são as diferentes seqüências de ação que o tomador de decisão pode escolher. O planejamento está relacionado com as demais funções administrativas. O planejamento é uma função administrativa que interage dinamicamente com as demais. O planejamento é uma técnica de coordenação. Processo decisório 2. 10. 4.1. Decisões estratégicas: relacionadas com as relações entre a empresa e o ambiente. 2.DISCIPLINA: ADMINISTRAÇÃO RURAL E INFORMÁICA AGRÍCOLA PROFESSORA: KARLA BRITO DOS SANTOS 7. À medida que o planejamento é executado. Níveis de decisão 1. Fatores ambientais (estão fora do controle do tomador) 5. 2. O planejamento é uma técnica de coordenação. O planejamento é uma técnica de alocação de recursos de forma antecipadamente estudada e decidida. São decisões tomadas no nível institucional e se referem à aspectos 35 . genéricas e dirigem o comportamento da empresa como um todo. 2. com informações e perspectivas mais seguras e corretas.Tomador da decisão: é o indivíduo ou grupo de indivíduos que faz uma escolha entre vários cursos de ação disponíveis. permite condições de avaliação e mensuração para novos planejamentos. a direção e o controle. 8. permitindo a coordenação de várias atividades no sentido da realização dos objetivos desejados. 3. Objetivos: são os objetivos que o tomador de decisão pretende alcançar por meio de suas ações. 9. Sistemas de valores: são os critérios de preferência que o tomador de decisão usa para fazer sua escolha.2. O planejamento é uma técnica cíclica. Elementos do processo decisório 1. como a organização.

3. Etapas do processo decisório 1. suas relações com o contexto mais amplo. além de conseqüências futuras e prováveis quanto á sua adoção. de recursos etc) e os benefícios que possam trazer. È necessário analisar cada nível de decisões.DISCIPLINA: ADMINISTRAÇÃO RURAL E INFORMÁICA AGRÍCOLA PROFESSORA: KARLA BRITO DOS SANTOS estratégicos da empresa (produtos. a satisfação da necessidade ou o alcance do objetivo. 2. 2. Procura de soluções alternativas Essa fase envolve a busca de cursos alternativos de ação possíveis e que se mostrem mais promissores para a solução do problema. Decisões administrativas: relacionadas com aspectos internos da empresa que envolvem departamentos ou unidades organizacionais. cargos e aspectos cotidianos da empresa. ponderadas e comparadas. Definição e diagnóstico do problema Esta fase envolve a obtenção de dados e dos fatos a respeito do problema . São tomadas no nível organizacional encarregado de realizar as tarefas do dia-a-dia. Análise e comparação dessas alternativas de solução É a fase na qual as várias alternativas de cursos de ação são analisadas. de esforços. suas causas definições e seu diagnóstico. 36 . serviços. alocação e distribuição de recursos. 3. 3. 2. no sentido de verificar os custos (de tempo. Decisões Operacionais: relacionadas com as tarefas. mercados e competição). sem perder de vista o seu inter-relacionamento e sua interdependência.

5. 37 .DISCIPLINA: ADMINISTRAÇÃO RURAL E INFORMÁICA AGRÍCOLA PROFESSORA: KARLA BRITO DOS SANTOS 4. 3. Implementação dos planos táticos Os planos táticos representam uma tentativa da empresa de integrar o processo decisório e alinhá-lo á estratégia adotada para orientar o nível operacional em suas tarefas e atividades. a fim de atingir os objetivos empresariais propostos. Seleção e escolha da melhor alternativa como um plano de ação. Tipos de planos táticos Os planos táticos geralmente se referem: 1. 3. arranjo físico do trabalho e equipamentos como suportes para as atividades e tarefas. Planos de produção: envolvem métodos e tecnologias necessárias para as pessoas em seus trabalho. Planos de recursos humanos: dizem respeito a recrutamento. 2. Planos financeiros: abrangem captação e aplicação do dinheiro necessário para suportar as várias operações da organização. 4. A escolha de uma alternativa de curso de ação implica o abandono dos demais cursos alternativos. Planos de marketing: referem-se aos requisitos de vender e distribuir bens e serviços no mercado e atender ao cliente. seleção e treinamento das pessoas nas várias atividades da organização.

finanças. de encargos sociais referentes aos empregados.DISCIPLINA: ADMINISTRAÇÃO RURAL E INFORMÁICA AGRÍCOLA PROFESSORA: KARLA BRITO DOS SANTOS 3. Os orçamentos comumente têm a extensão de um ano. Planejamento Operacional O planejamento operacional:  Se preocupa basicamente com “o que fazer “ e com “o como fazer” no nível em que as tarefas são executadas. são exemplos de orçamentos no nível operacional.  Planos relacionados com tempo. entre outros. 1.  Planos relacionados com dinheiro. os orçamentos departamentais de despesas. de custos diretos de produção. denominados programas ou programações. denominados regulamentos. denominados procedimentos.  Planos relacionados ou comportamentos. Tipos de planos operacionais  Planos relacionados com métodos. 2. denominados orçamentos. de despesas de promoção e propaganda.  É composto de uma infinidade de planos operacionais que proliferam nas diversas áreas e funções da empresa: produção ou operações. O fluxo de caixa. de reparos e manutenção de máquinas e equipamentos. correspondendo ao exercício fiscal da empresa. mercadologia. 38 . Os orçamentos São os planos operacionais relacionados com dinheiro em um determinado período de tempo. Ex: os fluxogramas. recursos humanos entre outras.  Refere-se especificamente às tarefas no dia-a-dia no nível operacional.

liderar e motivar. 3. Poder e autoridade A direção está intimamente relacionada com a autoridade e o poder. gestão de conflitos. enfim todos os processos pelos quais os administradores procuram influenciar os seus subordinados para que se comportem de acordo com as suas expectativas. Influência se refere ao comportamento de uma pessoa. entre os quais persuasão.  Ela trata basicamente das relações humanas. Ambos são meios de influência. eles precisam ser complementados pela orientação a ser dada às pessoas por intermédio da comunicação e habilidade de liderança e motivação. comunicação. o administrador. Para que o planejamento e a organização possam ser eficazes. assistência à execução. Uma pessoa pode ter poder para influenciar outras pessoas e nunca tê-lo feito. capaz de alterar os comportamentos. motivação. Para dirigir os subordinados. A autoridade tem um significado mais restrito e representa o poder institucionalizado. sanções e recompensas. por vários meios. em qualquer nível da organização no qual está inserido – precisa comunicar.DISCIPLINA: ADMINISTRAÇÃO RURAL E INFORMÁICA AGRÍCOLA PROFESSORA: KARLA BRITO DOS SANTOS DIREÇÃO  A direção é a função administrativa que se refere às relações interpessoais dos administradores com seus subordinados. O termo autoridade refere- se ao poder que é inerente ao papel de uma posição na organização. O poder significa o potencial para exercer influência. atitudes e sentimentos de outra pessoa ou pessoas. 39 . liderança.  A direção constitui uma das mais complexas funções administrativas pelo fato de envolver orientação. coação.

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41 . princípios e convenções contábeis. Fornecedores de mercadorias. que se interessam pela situação da empresa e buscam na Contabilidade suas respostas. podendo ser pessoa física ou jurídica). 2.4. Bancos. 1. registra. Usuários da Contabilidade São pessoas que se utilizam da contabilidade. A empresa é algo em andamento. 1. direitos e obrigações vinculados a uma pessoa física ou jurídica. Contabilidade é um instrumento que fornece informações úteis para a tomada de decisões dentro e fora da empresa 1. Pilares da Teoria Contabilidade: 1.DISCIPLINA: ADMINISTRAÇÃO RURAL E INFORMÁICA AGRÍCOLA PROFESSORA: KARLA BRITO DOS SANTOS CONTABILIDADE 1. controla e analisa o patrimônio e suas variações. 2. Conceito Contabilidade é a ciência que estuda.2. Finalidade A principal finalidade da contabilidade é o estudo do patrimônio. Patrimônio Conjunto de bens. Necessidade de uma entidade contábil(pessoa para quem é mantida a contabilidade. fornecendo informações sobre a composição e variações ocorridas no mesmo. EX: Empresas Comerciais – Contabilidade Comercial 1.3.1. Aplicação da Contabilidade A contabilidade pode ser estudada de modo geral(para todas as empresas) ou em particular(aplicada a um certo ramo de atividade ou setor da economia). Pilares da Contabilidade São as regras básicas da Contabilidade e dividem-se em postulados. EX: Sócios ou acionistas das empresas.

Em contabilidade tais dívidas são denominadas Obrigações Exigíveis. obtém – se balanço patrimonial. Obrigações São dívidas para com outras pessoas. 2.4. Duplicatas a receber. capazes de satisfazer às necessidades das pessoas e empresas. igualdade patrimonial. etc) – contas a pagar 2. equilíbrio do patrimônio. direitos e obrigações. Juntando –se as palavras. Direitos Em contabilidade.DISCIPLINA: ADMINISTRAÇÃO RURAL E INFORMÁICA AGRÍCOLA PROFESSORA: KARLA BRITO DOS SANTOS Patrimônio Bens e Obrigações(a serem pagas) Direitos( a receber) 2. são valores a receber.1. contas a receber. compromissos que serão reclamados exigidos. Balanço Patrimonial A palavra Balanço decorre: Ativo = Passivo + Patrimônio Líquido Ou Aplicações = Origens O termo Patrimonial tem origem no Patrimônio da empresa. ou seja. isto é. etc. EX: Aluguéis a receber. Classificação dos Bens: Tangíveis e Intangíveis 2. EX: Com os funcionários – salários a pagar Com o governo – Impostos a recolher Com a previdência social e FGTS – encargos sociais a pagar Diversas(contas de luz/água. Patrimônio Líquido PL = Bens + Direitos – Obrigações 3. Bens As coisas úteis.3. títulos a receber. Direitos. conjunto de bens. 42 .2.

Balanço Patrimonial Ativo Passivo e PL Bens Passivo Exigível Dinheiro em caixa Fornecedores Estoques Salários a pagar Máquinas Impostos a pagar Veículos Emp.3. 43 . Patrimônio Líquido(Capital Próprio ou Recurso Próprio) – obrigação não exigível. Representação Gráfica do Patrimônio Balanço Patrimonial Ativo Passivo e PL (lado esquerdo) (lado direito) 3. 3.DISCIPLINA: ADMINISTRAÇÃO RURAL E INFORMÁICA AGRÍCOLA PROFESSORA: KARLA BRITO DOS SANTOS É o mais importante relatório gerado pela contabilidade. Ativo É o conjunto de bens e direitos de propriedade da empresa. 3. reclamadas.1. 3. Através dele pode identificar a saúde financeira e econômica da empresa no fim do ano ou em qualquer data prefixada. EX: Estoque – significa bens de propriedade da empresa. pertence consequentemente ao Ativo.2. a partir da data de seu vencimento.4. Ë denominado também passivo exigível. as dívidas que serão cobradas. Trazem benefícios. proporcionam ganho para a empresa. ou seja. O Passivo Exigível evidencia o endividamento da empresa. Passivo Significa as obrigações exigíveis da empresa. O seu crescimento de forma desmedida pode levar a empresa à concordata ou até a falência. Bancários Direitos Patrimônio Líquido Duplicatas a receber Capital Depósitos Bancários Lucros * * Quando os lucros não são distribuídos(lucro retido) se acumula no patrimônio líquido(reinvestimento).

Através do passivo e do PL. 3. etc. mas sim aos proprietários. Exigível a L. Ativo Passivo Aplicação Origens* * Proprietários ou Terceiros 4. Origens x Aplicações A principal origem dos recursos para as empresas. 3. Permanente Patrimônio Líquido 4. 44 .5. Todos os recursos que entram numa empresa passam pelo passivo e patrimônio líquido.P. Balanço Patrimonial – Grupo de Contas A legislação brasileira estabelece três grupos de contas para o ativo e praticamente três grupos de contas para o passivo e patrimônio líquido. Ativo Passivo e PL Circulante(Corrente) Circulante Realizável a L.P. Ativo Circulante É o grupo que gera dinheiro para a empresa pagar suas contas a curto prazo (capital de giro). fornecedores. portanto. identificam –se as origens dos recursos.6. bancos.DISCIPLINA: ADMINISTRAÇÃO RURAL E INFORMÁICA AGRÍCOLA PROFESSORA: KARLA BRITO DOS SANTOS Representa o total das aplicações dos proprietários na empresa. Capital Subscrito – capital prometido. Capital Integralizado – realização do capital. é sem dúvida. Importante: O lucro obtido pela empresa não pertence à empresa. O termo Capital em contabilidade Capital Nominal – quantia que os proprietários investem inicialmente na empresa. Os recursos (financeiros ou materiais) são originados dos proprietários. o lucro obtido no negócio.1.

instalações.2. veículos etc. 4. imóveis para renda(aluguel). O ativo Permanente divide-se em: Investimentos. normalmente com serviço de terceiros. em período superior a um ano ou de acordo com o ciclo operacional. terrenos para futura expansão. Diferido: são gastos. Imobilizado: são bens destinados à manutenção da atividade principal da empresa ou exercidos com essa finalidade. Prédios(em uso).DISCIPLINA: ADMINISTRAÇÃO RURAL E INFORMÁICA AGRÍCOLA PROFESSORA: KARLA BRITO DOS SANTOS Neste grupo são classificados: dinheiro disponível (caixa e bancos) em poder da empresa e também os valores que serão convertidos em dinheiro no curto prazo(duplicatas a receber). que beneficiarão a empresa por muito tempo(longo prazo). Equipamentos. móveis e utensílios. Investimentos: são aplicações de caráter permanente que geram rendimentos não necessários a manutenção da atividade principal. São itens que dificilmente se transformarão em dinheiro. gastos de reorganização(reestruturação da empresa) etc. EX: Empréstimos a diretores ou a empresas coligadas que não são recebíveis imediatamente. treinamento de pessoal. EX: Gastos pré- operacionais(antes da inauguração da empresa): propaganda. Ativo Realizável a Longo Prazo Compreende itens que serão realizados (transformados) em dinheiro a longo prazo. EX: Máquinas. obras de arte. ou seja. Ativo Permanente(Ativo Fixo) – porque seus valores não mudam constantemente. 45 . Imobilizado e Diferido.3. abertura da firma. EX: Compra de ações de outras empresas. ferramentas. São os bens que auxiliam a empresa na consecução da sua atividade. pois não se destinam à venda. mas são utilizados como meios de produção ou meios para se obter renda para a empresa. 4.

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5. PLANO DE CONTAS

Plano de contas é o agrupamento ordenado de todas as contas que
são utilizadas pela contabilidade dentro de determinada empresa. Portanto, o
elenco de contas considerado é indispensável para os registros de todos os
fatos contábeis.
Cada empresa, de acordo com sua atividade e seu tamanho (micro,
pequena, média ou grande), deve ter o seu próprio Plano de Contas. Não há
razão, por exemplo, para uma empresa prestadora de serviços relacionar uma
conta de “Estoque” no seu ativo circulante, pois, normalmente, não realiza
operações com mercadorias.
Assim também não há necessidade de constar o realizável a longo
prazo de uma pequena empresa a conta “empréstimos concedidos a empresas
coligadas” se não existir nenhuma coligada.
Um Plano de Contas, portanto, deve registrar as contas que serão
movimentadas pela contabilidade em decorrência das operações da empresa
ou, ainda, contas que, embora não movimentadas no presente, poderão ser
utilizadas no futuro.
Quando por exemplo, um contador planeja o agrupamento de contas
de uma indústria de eletrodomésticos, no que tange a impostos incluirá as
contas ICMS a Recolher (haverá circulação de mercadorias e serviços, IPI a
Recolher (haverá industrialização de bens)) e, se houver perspectiva de a
empresa prestar serviços de assistência técnica num futuro bem próximo,
incluirá, ainda, ISS a Recolher.

PLANO DE CONTAS
Balanço Patrimonial DRE
1. Ativo 2. Passivo 4.1 Receita
1.1 Circulante 2.1 Circulante 4.1.1 (-) Deduções
1.2 Realizável 2.2 Realizável 5.1 Custo
1.3 Permanente 3. Patrimônio Líquido 5.2 Despesas
1.3.1 Investimento 3.1 Capital
1.3.2 Imobilizado 3.2 Lucros
1.3.3 Diferido

Plano de Contas e o Usuário da Contabilidade

O elenco de contas e o grau de pormenores num plano de contas
dependem do volume e da natureza dos negócios de uma empresa. Entretanto,
na estruturação do Plano de Contas devem ser considerados os interesses dos
usuários (gerentes, proprietários da empresa, governo, bancos, etc.)
Para uma grande indústria química é necessário destacar, para a
tomada de decisão, as contas de salários e encargos sociais pra o pessoal da
fábrica, para o pessoal de vendas, pessoal administrativo, honorários da
diretoria, etc.
Para uma drogaria, contudo, não é interessante para os seus
usuários tanta minúcia. Poderiam ser destacados apenas os honorários da

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diretoria e dos demais funcionários. Para um bar ou uma farmácia, uma única
conta salários poderia ser o suficiente.

5.1.Plano de Contas Simplificado

A seguir sugere-se um miniplano de contas, relativo a uma indústria,
com o objetivo adicional de auxiliar o estudante a memorizar ainda mais o
Balanço patrimonial e a demonstração do resultado do exercício:
 Inicia-se com a unidade 1 para todas as contas do Ativo; com a unidade 2
para todas as contas do Passivo; com a unidade 3 para todas as contas do
Patrimônio Líquido; 4 para todas as contas Receitas e Deduções da
Receitas e 5 para as contas dedutivas no Resultado (Custo, Despesas,
Participações, etc.)
 Em seguida adiciona-se um segundo número que representa o grupo de
contas do Ativo, do Passivo e assim por diante. Desse modo, observando-
se o código 1.1, tem-se o Ativo Circulante (o primeiro 1 é Ativo e o segundo
1 é Circulante), 1.2 Ativo Realizável a Longo Prazo, 1.3 Ativo Permanente,
2.1 Passivo Circulante, 2.2 Passivo Exigível a Longo Prazo, etc.
 O terceiro dígito significa a conta do grupo. Assim, observando-se o código
1.1.1, tem-se:
1. Ativo
1.1 Ativo Circulante
Ativo circulante - Caixa
Ativo circulante – Bancos, etc.

5.2. Plano de Contas “Importado”

Embora prejudique o desempenho de seus profissionais contábeis,
grande número de empresas “importa” (copia) de outras o Plano de Contas. E
ainda que seja “importado” de uma empresa do mesmo ramo de atividade, o
tamanho e as características normalmente diferem; o nível do pessoal do
departamento de contabilidade, o fluxo de papéis, os equipamentos contábeis,
o sistema de pagamentos e recebimentos diferem de uma empresa para outra.
O ideal é cada empresa implantar, dentro dos moldes estabelecidos
pela legislação e tradição contábil brasileiras, o seu próprio Plano de Contas,
mesmo que, no decorrer do tempo, sejam feitas algumas alterações com o
objetivo de aperfeiçoa-lo.

5.3. A Importância do Plano de Contas

Quando uma empresa efetua vendas a prazo, esse procedimento dá
origem a uma conta a receber no futuro cujo valor a receber é conhecido como:
Cliente (são os clientes da empresa que adquirem seus produtos), ou
Duplicatas a Receber (são valores a receber), ou ...
Podem-se citar ainda muitos outros exemplos em que para uma
mesma operação são conhecidas diversas nomenclaturas, ou seja, diversos
títulos de contas que querem dizer a mesma coisa.

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O Plano de Contas com um único título para cada conta ou um único
título de conta para determinada operação evita, portanto, que diversas
pessoas ligadas ao setor contábil (lançadores) registrem um mesmo fato
contábil ou uma mesma operação com nomenclaturas diferentes. Dessa forma,
com a padronização dos registros contábeis, mesmo que haja rotação de
profissionais contábeis, não ocorrerá perigo da falta de uniformidade das
nomenclaturas.
Na prática, o Plano de Contas é numerado ou codificado de forma
racional, o que facilita a contabilização através de processos mecânicos ou
processos eletrônicos. Ressalta-se que, atualmente a contabilidade manuscrita
é praticada em raríssimas situações. Na verdade, a contabilidade poderá ser
realizada de forma manual, mecânica (utilizando-se máquinas contábeis) e
eletrônica (utilizando-se o computador).

5.4. Como Adequar o Plano de Contas a Outras Atividades

O Plano de Contas apresentado está voltado para uma pequena
indústria. Como proceder quando se deseja elaborar um plano de contas para
uma empresa comercial?
Certamente devem ser consideradas as peculiaridades da atividade
comercial para se conseguir melhor adequação do plano de contas. Um
supermercado, Poe exemplo, tem características bem diferentes de uma
revendedora de automóveis, embora ambas as empresas sejam comerciais.
No caso de um plano de contas de um supermercado, não há a
conta Duplicata a Receber (o supermercado ‘s vende à vista) e, muito menos,
itens do Imobilizado, tais como: Máquinas, Equipamentos, Ferramentas (são
peculiaridades em uma indústria).
No caso de uma empresa de transportes coletivos (ônibus urbanos)
não há as contas Duplicatas a Receber (recebe à vista) e Estoque (não opera
com mercadorias). O Imobilizado, todavia, seria elevado no item Veículos.

5. Método das partidas dobradas

Este método, desenvolvido pelo Frei Luca Pacioli, no século XV,
hoje universalmente aceito, dá início a uma nova fase para a Contabilidade
como disciplina adulta, além de desabrochar a Escola Contábil Italiana, que iria
dominar o cenário contábil até o início do século XX.
O método consiste no fato que qualquer operação há um débito e
um crédito de igual valor ou um débito (ou mais débitos) de valor idêntico a um
crédito (ou mais créditos). Portanto, não há débitos sem créditos
correspondentes.

D XXX C D YYY C

vvvv vvvv

Exemplos de Partidas Dobradas

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pois trata-se de uma conta de Patrimônio Líquido.DISCIPLINA: ADMINISTRAÇÃO RURAL E INFORMÁICA AGRÍCOLA PROFESSORA: KARLA BRITO DOS SANTOS A companhia Albertina solicitou um financiamento ao Banco Coroa no valor $ 400.000 350.1.000 A Companhia Albertina adquire. As contas movimentadas foram Bancos e Capital.000 Débito: 350.000 da conta Capital serão lançados do lado direito da razonete (Capital).000 da conta Bancos c/Movimento serão lançados no lado esquerdo do razonete. por isso.000 lançamentos duplos  Crédito 400. Ativo Ativo Bancos c/movimento Bancos c/movimento 900.000 49 .000 350.000 900.000 400.000 Crédito: 350.000 (PL) aplicado totalmente na conta Bancos c/Movimento. pois as contas Ativo devem ser lançadas no lado esquerdo do Balanço Patrimonial.000 Bancos c/Movimento Máquinas 400. os $ 900. Da mesma forma.000 cujo valor foi depositado no Banco c/Movimento aberto nesta oportunidade: Bancos c/Movimento Financiamento 400.000 5.000 Débito 400. os $ 900. a vista uma máquina por $ 350. será aberto uma razonete para cada conta: Ativo Passivo Bancos c/movimento Capital Por uma questão de conveniência.Lançamento nos Razonetes 1a Operação: constituição da Companhia Transportadora com um capital de $ 900. e o Patrimônio Líquido está situado no lado direito do Balanço Patrimonial.

portanto representa valores positivos (lado esquerdo) e outro. + 5. . as diminuições. serão lançados. de outro. crédito. O lado esquerdo chama-se débito e o lado direito.DISCIPLINA: ADMINISTRAÇÃO RURAL E INFORMÁICA AGRÍCOLA PROFESSORA: KARLA BRITO DOS SANTOS Conclusões: a) Toda conta do Ativo e todo acréscimo de Ativo.Uma Pausa para Memorizar as Regras O razonete registra as movimentações por conta (individualmente). por uma questão algébrica. A natureza da conta (Ativo. por coerência. as diminuições serão lançadas no lado direito. Passivo e Patrimônio Líquido) determina que lado do razonete deve ser utilizado para aumentos e que lado deve ser utilizado para diminuições. Tratando-se de conta de Ativo. nas contas Passivo e PL no lado direito temos a representação dos valores positivos e. Balanço Patrimonial Balanço Patrimonial Ativo Passivo e PL Ativo Passivo e PL razonetes Contas do Ativo Contas do Passivo e PL Aumenta Diminui Diminui Aumenta + . todos os aumentos serão lançados no lado esquerdo do razonete e. por coerência. bem como os acréscimos. valores negativos (lado direito)  isto para as contas de Ativo. Débito e Crédito Tecnicamente seria inadequado denominar lado direito da conta (ou do razonete). no lado esquerdo. e as diminuições. Tratando-se de contas do Passivo e PL encontramo-las no lado direito do Balanço Patrimonial. no lado esquerdo da razonete b) Toda Conta de Passivo ou Patrimônio Líquido. por coerência todos os aumentos serão lançados no lado direito do razonete. de um lado da conta registram-se os aumentos.3. Coloca-se o título da conta na parte superior. valores negativos.2. 50 . por coerência deverá figurar no lado esquerdo do Balanço Patrimonial. Ao contrário do Ativo. 5. serão lançados do lado direito do razonete. no lado esquerdo do razonete. Um lado.

51 .000 800. Nesta operação há necessidade de abrir apenas uma conta Veículo. para as contas de ativo. o comprovante da dívida serão notas promissórias (Títulos a pagar).000. sobrando (saldo) $ 100.000 e realiza o pagamento a vista. debitar significa lançar valores no lado esquerdo de um razonete. receberá o valor de $ 800. As contas movimentadas foram Bancos c/Movimento e Veículo. representará o lado das diminuições. que. 3a Operação: a Companhia Transportadora adquire móveis e utensílios a prazo por $ 120. Regras Gerais  Todo aumento de Ativo (lança-se no lado esquerdo do razonete): debita-se  Toda diminuição de Ativo (lança-se no lado direito do razonete): credita-se  Todo aumento de Passivo e PL (lança-se no lado direito do razonete): credita-se  Toda diminuição de Passivo e PL (lança-se do lado esquerdo do razonete): debita-se 2a Operação: a Companhia Transportadora adquire um veículo por $ 800.000 no lado esquerdo do razonete. pois a conta Banco c/Movimento já foi aberta na operação anterior e indica um saldo de $ 900. A Conta Veículo por ser uma conta de Ativo (lado esquerdo). utilizando dinheiro do banco c/Movimento. ela será mantida pela contabilidade.DISCIPLINA: ADMINISTRAÇÃO RURAL E INFORMÁICA AGRÍCOLA PROFESSORA: KARLA BRITO DOS SANTOS Desta forma.000 Conclusões: a) Toda diminuição de Ativo será lançada no lado direito do razonete b) Toda diminuição de passivo e Patrimônio Líquido será lançado no lado esquerdo do razonete.000.000 100.000) será indicado no lado direito do razonete. creditar significa lançar valores no lado direito de uma conta (ou razonete).000 800. Veículo Banco c/Movimento 900. Embora a conta Capital não tenha sido afetada. a conta Bancos foi reduzida em $ 800. Desta forma o saque bancário ($ 800. No entanto.000.000.

000. e ocorre sempre que o crédito é maior que o débito.000 52 . Resumindo. ou seja.000.000 .000 200.000 5.4. Saldo devedor. lança-se no lado direito do razonete (credita- se).000 no lado do crédito.000 50.000 (lançados no lado esquerdo) e creditam-se $ 120.000 25. Móveis e Utensílios Título a Pagar 120.000 + 200.000.000. é denominado saldo credor. Material de Escritório Banco c/Movimento Fornecedores 500.000 25. portanto. por isso. é denominado saldo devedor. que figura no lado do débito.000.000 Observe-se que na conta Bancos c/Movimento já havia $ 100.000. há um saldo de $ 25.000.000 Saldo Atual 300. $ 25.000 300. ocorre sempre que o débito é maior que o crédito. $ 300. No caso de fornecedores. lança-se no lado esquerdo (debita-se). Das contas movimentadas até o momento tem-se os seguintes saldos: Saldo devedor: D > C Bancos c/Movimentos Material de Escritório 275.DISCIPLINA: ADMINISTRAÇÃO RURAL E INFORMÁICA AGRÍCOLA PROFESSORA: KARLA BRITO DOS SANTOS Nesta operação debitam-se $ 120. Banco c/Movimento Financiamentos Saldo Anterior 100. Com o acréscimo de $200.000 120. sempre que houver aumento em conta do passivo ou Patrimônio Líquido. Esse saldo de $ 275.000 4a Operação: a Companhia Transportadora contrai um financiamento cuja entrada de dinheiro será lançada na conta Banco c/Movimento: $ 200.000 (lançados do lado direito do razonete). 5a Operação: a Companhia Transportadora adquire materiais de escritório por $ 50. sempre que houver aumentos em contas de Ativo.000 obtém-se um saldo de $ 300.$ 25.000 foram transformados em dívida com os fornecedores do material. SALDO DAS CONTAS O saldo de dinheiro no banco passa a ser $ 275.000 foram pagos no ato (em cheque: saiu de Bancos) e $ 25.

por outro. no final de um período qualquer. Observe-se que todas as contas de saldo devedor são contas de Ativo. e todos os créditos.000 120. registrando-se os aumentos e as diminuições em cada conta isoladamente.000 Total 1.000 900.5.DISCIPLINA: ADMINISTRAÇÃO RURAL E INFORMÁICA AGRÍCOLA PROFESSORA: KARLA BRITO DOS SANTOS Móveis e Utensílios Veículos 120. a exatidão dos lançamentos através do Balancete de Verificação. Será apresentado a seguir um exemplo em que se constata o método das partidas dobradas através dos números indicativos (1.000 Veículo 800.000 Financiamentos 200. em seguida. CONCLUSÃO Como foi dito no início deste capítulo.000 Total 1. todas as contas de saldo credor são contas de Passivo e Patrimônio Líquido. e. o total de ambos será sempre o mesmo. BALANCETE DAS PARTIDAS DOBRADAS O Balancete de Verificação tem como base o método das partidas dobradas: “não haverá débito(s) sem crédito(s) correspondente(s)”.000 6. deve-se verificar se os lançamentos a débito e a crédito foram realizados adequadamente ou não.000 800. e foram verificadas as seguintes operações: 53 .245. 3) e.000 Fornecedores 25. normalmente um ano. somando-se todos os débitos. seria feito em controle individual por contas. Portanto.000 Saldo Credor: C > D Fornecedores Título a Pagar 25.000 Material de Escritório 50.000 Financiamentos Capital 200. Ativo Passivo e PL Banco c/Movimento 120. todas as contas seriam relacionadas de forma ordenada no balanço patrimonial.000 Títulos a pagar 120. 2.245. por um lado. Assim. A Companhia Universal foi formada em janeiro de 19x1.000 Capital 900.000 5.000 Móveis e Utensílios 120.

500.300.000 - Capital .500. utilizando-se os saldos: D Caixa C D Capital C 1. isto é.000 (3) D Móveis e Utensílios C D Estoque C (3) 300.500.000 (1) 300.000 300. 1.000 BALANCETE DE VERIFICAÇÃO EM 31-01-x1 Companhia Universal Lançamentos de Lançamentos de Contas Débito Créditos Caixa 1.000 Total 2.000 800.500.000  Compra de estoque a vista: $ 500.000 Capital .DISCIPLINA: ADMINISTRAÇÃO RURAL E INFORMÁICA AGRÍCOLA PROFESSORA: KARLA BRITO DOS SANTOS  Formação de capital aplicado no Caixa: $ 1.000 2.000 - Total 1.500.000 1.000 BALANCETE DE VERIFICAÇÃO EM 31-01-x1 Companhia Universal Saldos Contas Devedor Credor Caixa 700.000 500.000 D Caixa C D Capital C (1) 1.000 700.500.000 Estoque 500.500.300.500.500.500.000 1.000 Móveis e Utensílios 300.000 (2) 500.000 Móveis e utensílios 300.000  Compra de móveis e utensílios a vista: $ 300.000 500. 1.000 - Estoque 500.000 D Móveis e Utensílios C D Estoque C 54 .000 Pode-se apresentar o balancete pelo método simplificado.000 (2) 1.

DISCIPLINA: ADMINISTRAÇÃO RURAL E INFORMÁICA AGRÍCOLA PROFESSORA: KARLA BRITO DOS SANTOS 300.000 500.000 55 .

DISCIPLINA: ADMINISTRAÇÃO RURAL E INFORMÁICA AGRÍCOLA PROFESSORA: KARLA BRITO DOS SANTOS CUSTO DE PRODUÇÃO 1.  Capacidade de autofinanciamento. duradouro) – capaz de prestar a sua cooperação em vários atos produtivos. Classificação do Capital Agrário (Hoffmann) a) Solo desprovido de melhoramento Fundiário b) Melhoramentos fundiários Capital Agrário c) Fixos – animais de trabalho e de renda. 56 .  Elaboração de projetos para financiamento.1. Capitais Fixos (capital estável.  Impostos e encargos sociais. Adam Smith* Capitais Circulantes (pretende exprimir movimento. transformação. é o conjunto de valores monetários investidos na produção. máquinas e ferramentas.2. capital. capital é o que é produzido pelo homem. juros e rendas para os capitalistas. Classificação dos recursos produtivos da Empresa Rural 1. Justificativa para determinação do custo  Competitividade interna e externa. capital. portanto tem uma duração não superior a um exercício agrícola. Para a empresa. * Primeiro economista a elaborar um modelo abstrato completo e relativamente coerente da natureza. abrangendo assim os preços dos elementos naturais e dos bens de capital e ainda as somas monetárias que permitam contribuições de terceiros: salários para trabalhadores. etc. 1. da estrutura e do funcionamento do sistema capitalista. impostos para o estado (Hoffmann). Para teoria econômica. Exploração d) Circulante – sementes. giro) – entra apenas uma vez no processo produtivo.1. adubos. 1. Capital Segundo a teoria econômica neoclássica. é o que é produzido pelo homem.  Planejamento da propriedade.2.

(Bonaccini. combustível. adubos. Classificação 2. (Bonaccini.1. Capital Circulante – corresponde aos bens de produção de gasto imediato. utilizados por uma empresa para produzirem determinado bem. manutenção e depreciação de máquinas.2. os quais por se consumirem totalmente no ato da aplicação mudam de forma.DISCIPLINA: ADMINISTRAÇÃO RURAL E INFORMÁICA AGRÍCOLA PROFESSORA: KARLA BRITO DOS SANTOS 1. utilizados no processo produtivo de determinada atividade agropecuária. São todos os gastos identificáveis direta ou indiretamente. 2. combustíveis e lubrificantes. como: insumos (sementes. fertilizantes. 2000). Custos de Produção Para fins de análise econômica. a compensação que os donos dos fatores de produção. 57 . 2. equipamentos e benfeitorias. o termo custo significa. sobreviver ao fenômeno de criação de utilidade em que colabora. serviços de assistência técnica. com a cultura ou criação.1. 2000).2. fertilizantes e defensivos). b) Quando à variação da quantidade de insumos consumidos em relação ao volume produzido – são os custos fixos e variáveis. É a soma de valores de todos os recursos (insumos) e operações (serviços). isto é. mão- de-obra direta ou indireta. Classificação (Recursos Produtivos) Terra    Benfeitorias    Estavel Máquinas Recursos Capital  Animais     Circulante Insumos Intermediários   Trabalho Capital Estável – é aquele capaz de prestar sua colaboração a vários atos produtivos. Ex: sementes. Os custos são divididos segundo dois critérios: a) Quando se identifica o material ou insumo com o produto – são os custos diretos e indiretos.1. (Hoffmann). Custos Fixos Os custos fixos são aqueles que permanecem inalteráveis durante um período de tempo (curto prazo) e independentes do nível de produção. entre outros. devem receber para que eles continuem fornecendo esses fatores à empresa.

Este conceito deve ser aplicado a cada uma das atividades produtivas da unidade produtora. dentro de um curto espaço de tempo. dá ao administrador a possibilidade de saber.1.1. b) Não se incorporam totalmente no curto prazo.  Impostos da terra e taxas fixas. geralmente são os grandes responsáveis por estruturas de custos mal dimensionadas e pelo desperdício do lucro possível em determinadas atividades produtivas. ao curto prazo.  Despesas com seguros do ativo imobilizado (nesse caso poderão entrar tanto bens como animais destinados à reprodução). cercas. pois sabe que este valor está irremediavelmente comprometido. De acordo com Reis e Guimarães a) Tem duração inferior ou igual.  Salários da mão-de-obra fixa. portanto sua recomposição deve ser feita a cada ciclo do processo produtivo. e estas alterações provocam variações na quantidade e na qualidade do produto dentro do ciclo. c) São alteráveis no curto prazo. Exemplo:  Os custos de depreciação do Ativo Imobilizado (máquinas. 58 . d) Juros sobre o capital empregado e) Depreciação de máquinas e equipamentos. veículos.). aluguéis. galpões. etc. de rentabilidade com o produto. Fórmula: Custo Fixo Médio = Custo Fixo Total / Quantidade produzida Dicas de análise: O conhecimento do custo fixo médio de produção. 2. implementos. 2. portanto sua renovação só se verifica no logo prazo. quanto ele poderá obter. Custos Variáveis Pode ser aumentado ou diminuído no curto prazo. Custo Fixo Médio É a soma dos custos fixos em relação à quantidade total produzida. fazendo-o em tantos ciclos quanto permitir sua vida útil. pró-labore dos proprietários.1. no máximo. b) Incorporam-se totalmente ao produto no curto prazo.2. contas telefônicas. salários da administração.  Custos para a manutenção da estrutura administrativa da empresa(energia elétrica.DISCIPLINA: ADMINISTRAÇÃO RURAL E INFORMÁICA AGRÍCOLA PROFESSORA: KARLA BRITO DOS SANTOS Segundo Reis e Guimarães os Custos Fixos são: a) Tem duração superior ao curto prazo. Dicas de análise de resultados: Os custos fixos. c) Não são facilmente alteráveis no curto prazo e seu conjunto determina a capacidade de produção da atividade.1.

1. Rações. que podem ter o seu nível de utilização perfeitamente determinado antes mesmo do início das atividades. Fertilizantes. adubos.1.2. pode ser tarde para aumentar ou diminuir a quantidade de terra própria ou alugada. O Curto Prazo é aquele período de tempo durante o qual um ou mais insumos produtivos são fixos na quantidade e não podem variar. O Longo Prazo é definido como o período de tempo no qual a quantidade de todos os insumos pode variar.1. para o administrador rural. Gasto com a manutenção de máquinas. uma vez que o Custo Fixo total é constante. 2. com recursos de produção. Fórmula: Custo Variável Médio = Custo Variável total / quantidade produzida Dicas de análise: o custo variável médio é.1. CT = Custo Fixo Total + Custo Variável Total No curto prazo o Custo total só irá aumentar quando o custo variável aumentar. Por isso. as decisões tomadas possibilitarão correções no fluxo de caixa ou alterações com pequenos reflexos na estrutura da empresa como um todo. mas eles não são definidos como períodos fixos no calendário. pois engloba itens como sementes. pela facilidade de serem manipulados dão ao administrador a possibilidade de tomadas de decisões rápidas para a melhoria das atividades produtivas. Gastos com a sanidade do rebanho. Custo Total (CT) É a soma de todos os custos. combustíveis. Ex: No momento do plantio. um dos índices mais fáceis de serem previsto e verificados na prática.DISCIPLINA: ADMINISTRAÇÃO RURAL E INFORMÁICA AGRÍCOLA PROFESSORA: KARLA BRITO DOS SANTOS Ex: Sementes. Dicas de análise: Os custos variáveis.3. mas ao tempo necessário para que os indivíduos se adaptem às novas condições. IMPORTANTE: Curto e Longo prazo são conceitos de tempo.1. Custo Variável Médio É a soma total dos custos variáveis em relação à quantidade produzida. Na maioria das vezes. para determinada atividade produzir um bem ou serviço. Custo Total Médio 59 .3. 2. É obtido pela soma do custo fixo total com o custo variável total. 2. devem ser utilizados para verificação constante dos objetivos traçados no planejamento econômico da produção.

cabe ao administrador preocupar-se em.1.1. considera CO como sendo o custo de todos os recursos de produção que exigem desembolso por parte da empresa para sua recomposição. 1976). b) Outro aspecto muito importante de ser ressaltado é que. Composição do custo de produção 3. tem grandes dificuldades para agregar valor ao mesmo. 2. devido às dificuldades inerentes à cadeia do agribusiness.5. CMg = CT/Produto 2. Custo Operacional Efetivo = Desembolsos Custo Operacional Total = Desembolsos + Depreciação + Mão- de-obra Familiar 3. Este conceito deve ser aplicado a cada uma das atividades produtivas da propriedade.DISCIPLINA: ADMINISTRAÇÃO RURAL E INFORMÁICA AGRÍCOLA PROFESSORA: KARLA BRITO DOS SANTOS É a soma total dos custos fixos e dos custos variáveis em relação à quantidade produzida. Custo Marginal (CMg) É definido como a variação no custo total. Por isso. dividido pela variação no produto.4. c) Ainda.1. diferentemente de outras atividades. Custo de Uso da Terra a) Valor do Arrendamento b) Valor de Mercado/ Custo de oportunidade do capital que foi imobilizado na terra 60 . reduzir o chamado custo total médio por unidade produzida. cada vez mais. o produtor rural não possui nenhuma possibilidade de alterar ou influenciar variações no preço que o mercado pagará ao seu produto. Custo Operacional (CO) Com base no conceito usado pelo Instituto de Economia Agrícola (IEA) da Secretaria da Agricultura de São Paulo (Matsunaga et al. Fórmula: Custo Total Médio = (Custos variáveis + Custos fixos) / quantidade produzida Dicas de análise: o custo total médio de cada produto é um dado muito importante para o administrador: a) É o seu guia para lançar-se no mercado. Somente conhecendo esse valor é que ele saberá até onde poderá ir na comercialização de seus produtos sem prejuízos ou perdas para a atividade.

00 61 . Ex: Valor do galpão de Alvenaria novo = R$ 70. portanto não varia com a intensidade de uso do bem. 3.000.00 – 1.2.00)/10 = 1.1. Método das Cotas Variáveis (prevê valor residual) Este método deprecia os bens em cotas maiores nos primeiros anos de vida útil.1.000.2.280. Cota Anual = 2 x Valor* / vida útil total * Valor = valor – cota de depreciação do ano imediatamente anterior.1.000.2.00 Cota de depreciação par o segundo ano: 2x (8. Ex: Galpão de Alvenaria (Vida útil de 35 anos) Vida útil – é a expectativa de tempo (determinada em anos ou horas) que certo bem tem de se manter útil às atividades produtivas para as quais serve. Cotas Constantes (também chamado linear) Este método deve ser utilizado para bens que sejam igualmente úteis às atividades produtivas às quais servem ao longo de suas vidas.000.600. Ex: Um trator possuindo vida útil é de 10 anos e cujo valor é R$ 8.2.00 Cota anual de depreciação = 70. 3.1.00 Para um bem usado: Cota anual de depreciação = Valor do bem de acordo com o estado de conservação / vida útil restante.DISCIPLINA: ADMINISTRAÇÃO RURAL E INFORMÁICA AGRÍCOLA PROFESSORA: KARLA BRITO DOS SANTOS 3. Método para cálculo 3.00 Cota de depreciação para o primeiro ano: 2 x 8. Depreciação É a perda do valor do bem à medida em que é utilizado ao longo do tempo. A depreciação é um custo fixo.000.2.000.00/10 = 1.600.00 / 35 = R$ 2.

3. o juro incide sobre a metade do capital empatado. quer obtido via crédito.3. maior será a vida útil. quer de propriedade do empresário. visto que o tempo empregado não é o ano todo. 3.4.2. Obs.1. deve-se atribuir um juro. considerando- se a época de uso do insumo. em relação à obtenção do produto. 3. É também chamado de remuneração de capital. Juros sobre o capital empatado A todo capital empregado na produção. sendo. Geralmente trabalha-se com 50% do capital circulante. Método dos Números Naturais Sn = N(N + 1) / 2 Cota de depreciação = n x (Valor do Bem) / Sn Onde: N = Vida útil total n = Vida útil restante 3.3. portanto.2. como a poupança ou investimento de prazo fixo.: Os juros sobre o capital empatado devem ser calculados. Custo de Conservação e Manutenção do capital É o custo anual necessário para manter o bem de capital em condições de uso e quanto maior o investimento em conservação e reparo.3. Juros sobre o capital circulante O uso do capital circulante implica a incidência de dois custos: Custo de aquisição e juro sobre o capital empatado.3. Juros sobre o capital estável Juros = capital médio x i Capital médio = (Vi + Vf) / 2 Vi = Valor inicial do capital Vf = valor final do capital i = Taxa de juro do período O valor inicial é dado pela avaliação ou cotação do preço no tempo presente Para o cálculo do valor final.1. proporcional ao tempo em que o capital ficou empatado. normalmente é considerado 20% do valor de um novo. 62 .DISCIPLINA: ADMINISTRAÇÃO RURAL E INFORMÁICA AGRÍCOLA PROFESSORA: KARLA BRITO DOS SANTOS 3. portanto. Em outras palavras. maior duração adicional (DA). diminuindo conseqüentemente a depreciação. calculado a uma taxa anual de um investimento de baixo risco.

Custo Total A análise da Renda Total Líquida. no longo prazo. permite chegar às seguintes conclusões: a) Se a renda líquida total da exploração for positiva. Exemplo de despesas: sementes. do empresário Renda Total Líquida (RTL) = Renda bruta Total . pode=se concluir. pode-se concluir que o produtor poderá continuar produzindo por determinado período. combustível. b) Produtos produzidos e consumidos na propriedade. Custo Total = Despesas + Rem. 63 . subtrairmos as Despesas (D) gastos ou encargos da empresa obteremos a Renda Líquida (RL). embora com um problema crescente de descapitalização (prejuízo econômico). que a exploração é estável e com possibilidade de expansão. depreciação de máquinas e equipamentos. d) Receitas provenientes de arrendamento de terra. etc. Se às Despesas acrescentarmos. mas em condições de suportar os custos varáveis. os juros sobre o capital e remuneração do empresário.DISCIPLINA: ADMINISTRAÇÃO RURAL E INFORMÁICA AGRÍCOLA PROFESSORA: KARLA BRITO DOS SANTOS MEDIDAS ECONÔMICAS DE RESULTADOS A Renda Bruta Total (RBT) A RBT compreende a soma dos seguintes itens: a) Produtos animais e vegetais vendidos durante o ano agrícola. etc. a propriedade estará no ponto de equilíbrio e em condições de refazer. consumida ou estocada. valor do trabalho não remunerado do proprietário e sua família. a renda bruta é o valor de tudo que foi obtido como resultado do processo de produção realizado na empresa durante um ano. c) Se a rena líquida total for negativa. Se da RBT. aluguel de máquinas. RL = RBT – D As despesas incluem o valor de todos os recursos e serviços utilizados no processo de produção durante o exercício. Portanto. armazenados ou utilizados para efetuar pagamento em espécie. O valor da produção é determinado pelo preço dos produtos no mercado multiplicado pela respectiva quantidade vendida. do capital + Rem. teremos o custo total. avaliados pelos preços de mercado ou outro critério escolhido. b) Se o valor da produção das explorações for igual ao total dos custos. a renda total líquida for igual a “zero”. c) Aumento do valor dos rebanhos graças ao crescimento e engorda. excluídos os juros sobre o capital agrário e a manutenção de empresário. seu capital fixo (lucro normal). ou seja.

000. Margem Bruta = Receita Bruta – desembolsos A receita Bruta representa o resultado da atividade em valores monetários.500. ou seja.500.00 / 10. Se: a) Margem Bruta Total > desembolso. pelo menos no curto prazo.00.00 Custos Variáveis = R$ 6.000. proveniente da venda do produto resulta em uma margem que irá contribuir com R$ 3.500.00 Índice de MC% = 100 x 3. além dos custo variáveis. Margem de Contribuição (MC) É a representação das margens (valores) que cada produto ou unidade de produto vendido pode contribuir para cobrir o total dos custos fixos despendidos para sua produção. b) Margem Bruta Total < Desembolso. Margem de Contribuição = Receita Bruta – Custos Variáveis Índice de MC% = 100 x Margem de Contribuição / valor total das vendas Exemplo prático: Receita Bruta = R$ 10. Para conclusões no longo prazo.  O índice de margem de contribuição será de 35%.00 – 6.DISCIPLINA: ADMINISTRAÇÃO RURAL E INFORMÁICA AGRÍCOLA PROFESSORA: KARLA BRITO DOS SANTOS Margem Bruta (também chamado de lucro bruto ou geração de caixa) É determinado pela diferença entre a receita gerada em uma determinada atividade produtiva (ou na empresa como um todo) e o total dos desembolsos realizados para o desenvolvimento da atividade.500. os custos fixos.00 Margem de contribuição = 10.00 para cobrir os custos fixos da atividade produtora. há a necessidade de se determinar. 35% do valor total das vendas poderá ser utilizado para cobrir os custos fixos da atividade produtiva.000.500.00 = 35%  Isto significa que cada R$ 10.000. Em sua expressão mais simples é a multiplicação do preço pela quantidade produzida.00 = 3. capaz de identificar todos os itens que compõem seus custos de 64 . Esse valor não representa um resultado líquido final seguro para a determinação de capacidade de investimento ou retiradas de capital por parte do proprietário ou sócio. Dicas de análise: a margem de contribuição é um índice muito útil para atividades produtivas que não estão passando por um controle de custo detalhado. A análise da margem bruta de forma isolada mostra a sobrevivência do negócio em curto prazo. Dica de análise: O administrador deve ter muito cuidado com a avaliação dessa informação. significa atividade antieconômica. significa que a exploração está se remunerando e sobreviverá.

Essa diferença é calculada entre os níveis superior (máximo) e o inferior (mínimo). mão-de-obra da família e do administrador. deduz-se que a propriedade está remunerando.DISCIPLINA: ADMINISTRAÇÃO RURAL E INFORMÁICA AGRÍCOLA PROFESSORA: KARLA BRITO DOS SANTOS produção. Nesses casos. o valor da remuneração do capital empatado. Remuneração do capital empatado Se o resultado encontrado for superior à remuneração do capital no mercado financeiro. ficando os custos fixos mais difíceis de serem controlados. Assim. adequadamente. Remuneração do Administrador (RA) O cálculo da remuneração da administração torna-se importante. os valores dos custos variáveis são controlados pelo proprietário. MCP = (Preço de venda – custo do produto) x 100 / preço de venda Renda Líquida Operacional (Rlop) A Rlop é definida como sendo a diferença entre a RBT e os custos operacionais. RA = Rlop – RC Onde: RA = remuneração da Administração Rlop = Renda Líquida operacional RC = Valor da remuneração do capital Se o valor encontrado for superior ao salário ou à retirada estipulada para a administração. Para chegar a essa conclusão. Margem de comercialização dos produtos (MCP) É a diferença de preço do produto em diferentes momentos. na maioria das vezes. adequadamente a administração do proprietário. Remuneração do Trabalho de Administração e Remuneração do Capital Empatado na Propriedade. 65 . expressa em porcentagem. A renda líquida operacional constitui a remuneração aos fatores fixos de produção da empresa: capital. quando se deseja saber se a(s) exploração(ões) na propriedade estão remunerado. deduz-se que a melhor opção do proprietário é continuar explorando a propriedade. o administrador (proprietário) à frente dos negócios agropecuários. Custo Operacional Total = Desembolsos + Depreciação (parcela dos custos fixos) + Mão-de-obra familiar não remunerada. o produtor poderá saber se seu produto está ou não deixando uma boa margem para cobrir esses valores. É calculada a partir do levantamento de preços e pode mudar de acordo com a conjuntura do mercado com o qual se está trabalhando. deve-se estipular previamente.

sendo que o volume de lucro da empresa é a soma do volume dos lucros obtidos em cada produto.300. LV = Lucro líquido x 100 / receita bruta Lucro líquido = receita bruta – Custo total  Esta pode ser medida por produto ou para toda a empresa. quanto cada produto deixa de resultado.820.00) x 100 21.  É importante conhecê-la.00 32.00 7.890. como o valor do patrimônio.00 / 32. ou seja.00 277.050. Lucratividade (dos produtos) Lucratividade é um índice que representa.050. Esses indicadores são parâmetros de avaliação relativos.00 136. com base nestas informações podemos optar pela atividade mais lucrativa.300. de posse das informações da contabilidade.800.210.00 107.00 48. qual foi o lucro obtido em determinada atividade ou na empresa como um todo com a venda dos produtos desenvolvidos.00 Soja 104.070. Atividade Cálculo Lucratividade (%) Pecuária de Corte (7. em percentual.00 32.00 Total 228. e a rentabilidade do investimento em relação a outras aplicações entre outros.010. receita total e lucro líquido. através de indicadores de desempenho.00 Milho 98.82 66 .00 De posse dessas informações.DISCIPLINA: ADMINISTRAÇÃO RURAL E INFORMÁICA AGRÍCOLA PROFESSORA: KARLA BRITO DOS SANTOS Taxa de Remuneração do Capital = Renda do Capital / Capital Médio x 100 Capital Médio = (Capital Inicial + capital Final) / 2 Lucro = Receita total – custo total (medida de resultado de longo prazo) ANÁLISE ECONÔMICA E FINANCEIRA Ao final do ano agrícola.750. após ser descontado o valor dos custos para sua elaboração. que permitem comparar a lucratividade entre diversas atividades agropecuárias. Destacamos que os resultados obtidos são relativos. mas sim a comparação entre resultados de anos anteriores na mesma propriedade ou entre outras propriedades do mesmo setor. pode-se calcular a lucratividade para cada atividade usando a fórmula acima.250.090. pois. não havendo um indicador fixo.00 9. pode-se fazer a apuração dos resultados obtidos. Exemplo: Atividade Custo total (R$) Receita Bruta (R$) Lucro (R$) Pecuária de Corte 25.800.

00 / 136.975% Ponto de Equilíbrio (PE) Comumente chamado de Ponto de Equilíbrio ou ponto de nivelamento.820. para ser implantado e desenvolvido.88 384.43 Média (48.88 67 . As informações complementares são: ITEM SOJA (R$/ha) MILHO (R$/ha) TOTAL (R$) Operação 157.010.650.000. esse confinamento apresentou um resultado líquido (após pagamento das despesas diretas e custos de depreciação) de R$ 100.DISCIPLINA: ADMINISTRAÇÃO RURAL E INFORMÁICA AGRÍCOLA PROFESSORA: KARLA BRITO DOS SANTOS Soja (32. sendo ocupada nesta safra por milho e soja.99 Insumos 246.350.000. comparando-o com outras oportunidades de investimento.00. PE = Custo Fixo / (Receita – Custo Variável) Exemplo: Uma propriedade com vocação agrícola e que possui 500 hectares de área produtiva. é um ponto que indica a capacidade mínima que deve ser produzida.00) x 17.00 por ano.00 (retorno do capital mais remuneração de 6% ao ano). pode-se analisar a viabilidade do negócio. para manter a empresa estável.99 223.210.650. Após entrar em funcionamento.000. Exemplo: Um confinamento de gado bovino.40 100 Rentabilidade do capital (RE) Esta é uma das formas de avaliarmos o lucro obtido em uma atividade produtiva em relação ao capital investido para o desenvolvimento dessa atividade.00 Investimento anual = 400.000. exigiu investimento na ordem de R$ 400. A sua aplicabilidade na área rural está relacionada ao número de cabeças de gado ou a quantidade de área cultivada.070.00 / 66.00) x 100 8. nos primeiros seis anos? Lucro por ano = 100.43 100 Milho 9.00 / 6 anos = 66.666.890.00 Rentabilidade = 18. RE = Lucro / Investimento total x 100 A partir da rentabilidade. O custo fixo (despesas administrativas.350.00 / 107. que serão necessários para viabilizar economicamente uma propriedade. Qual a rentabilidade dessa atividade produtiva.666.00 – 81.00 138. depreciação e conservação do patrimônio) é de R$ 57.00 / 277. A recuperação de capital investido foi estabelecida em seis parcelas de R$ 81.090.00 = 18.00 x 100 = 27.650.00 66.00) x 23.

34 ha 2 – Calcule o PE se plantasse apenas soja.00 – 403.00) = 179.7 - Receita bruta 725.650. PE = Custo fixo / (receita bruta – custo variável) PE = 57. PE = 57.00 1 – A partir dessas informações calcule o ponto de equilíbrio dessa propriedade.00 / (522.650.00 205.04 ha 3 – Calcule o PE se plantasse apenas milho.DISCIPLINA: ADMINISTRAÇÃO RURAL E INFORMÁICA AGRÍCOLA PROFESSORA: KARLA BRITO DOS SANTOS Custo variável total 403.00 – 205.00 / (1.36 68 . PE = 57.87) = 182.00 / (725.87) = 90.87 Produtividade (sc/ha) 50 60 - Preço de venda 14.00 – 608.00 1.40 8.00 522.247.650.247.87 608.

estas duas vertentes metodológicas. Embora defasadas quanto ao tempo e quanto ao local de origem. utilizou a noção de commodity sistem approach(CSA). Ray. John. distribuição e consumo de alimentos. COMMODITY SISTEM APPROACH(CSA). e ainda ao grande grau de acerto nas previsões Os trabalhos de Goldeberg. para dois principais conjuntos de idéias que geraram metodologias de análise distintas entre si. no cenário internacional. H. a agricultura já não poderia ser abordada de maneira indissociada dos outros agentes responsáveis por todas as atividades que garantiriam a produção.. A primeira teve origem nos Estados Unidos. transformação. através dos trabalhos de DAVIS. para estudar o comportamento dos sistemas de produção da laranja. A.VERTENTES METODOLÓGICAS A bibliografia sobre o estudo dos problemas afetos ao sistema agroindustrial aponta originalmente. 1. GOLDEBERG.DISCIPLINA: ADMINISTRAÇÃO RURAL E INFORMÁICA AGRÍCOLA PROFESSORA: KARLA BRITO DOS SANTOS DEFINIÇÕES E CORRENTES METODOLÓGICAS 1. a primeira utilização da noção de commodity sistem approach(CSA). trigo e soja nos Estados Unidos. O sucesso dessa aplicação deveu-se principalmente à aparente simplicidade e coerência do aparato teórico. que tiveram como ponto de partida a matriz de produção de Leontief. Eles consideravam as atividades agrícolas como fazendo parte de uma extensa rede de agentes econômicos que iam desde a produção de insumos. tentam incorporar certo aspecto dinâmico a seus estudos através da consideração das mudanças que ocorrem no sistema 69 . Goldeberg. transformação industrial até armazenamento e distribuição de produtos agrícolas e derivados. em 1968. Segundo esses autores .1. Coube a esses dois pesquisadores a criação do conceito de agribusiness e através de um trabalho posterior de Goldeberg.. guardam entre si muitos pontos em comum.

entre todos os estados de transformação. Este aspecto tecnológico é também bastante enfatizado pela analyse de filière. situado a montante e a jusante. capazes de ser separadas e ligadas entre si por um encadeamento técnico. 70 . Assim.2. indústria e serviços. enumerou três séries de elementos que estariam implicitamente ligados a uma visão em termos de cadeia de produção. A cadeia de produção é um conjunto de ações econômicas que presidem a valoração dos meios de produção e asseguram a articulação das operações. procurando sintetizar e sistematizar o conceito. ambos abandonam a velha divisão do sistema em três setores: agricultura. A cadeia de produção é também um conjunto de relações comerciais e financeiras que estabelecem. A cadeia de produção é uma sucessão de operações de transformação disssociáveis. permite encontrar um grande variedade de definições. é interessante destacar que Goldeberg. tendo como agente indutor a tecnologia. 2. abandona o referencial da matriz insumo- produto de Leontief para aplicar conceitos oriundos da economia industrial.DISCIPLINA: ADMINISTRAÇÃO RURAL E INFORMÁICA AGRÍCOLA PROFESSORA: KARLA BRITO DOS SANTOS ao longo do tempo. 3.3. Uma rápida passagem pela bibliografia sobre o assunto. 1. MORVAN. ANALYSE DE FILIÈRE(OU CADEIA DE PRODUÇÃO) A Segunda. 1. para então estudar sua lógica de funcionamento. um fluxo de troca. traduzida para o português pela expressão cadeia de produção agroindustrial ou simplesmente cadeia de produção (CPA). durante a aplicação do conceito de CSA. entre fornecedores e clientes. PONTOS COMUNS DAS DUAS VERTENTES  Realizam cortes verticais no sistema econômico a partir de determinado produto final(caso mais comum na escola francesa) ou a partir de uma matéria-prima base. 1. Finalmente. desenvolveu-se no âmbito da escola industrial francesa. analyse de filière.

biscoito. desde a produção de insumos até o produto acabado.DISCIPLINA: ADMINISTRAÇÃO RURAL E INFORMÁICA AGRÍCOLA PROFESSORA: KARLA BRITO DOS SANTOS  Compartilham a noção de que a agricultura deve ser vista dentro de uma sistema mais amplo composto também. pelas agroindústrias e pela distribuição/comercialização. ferramenta de descrição técnico-econômica de um setor. Ela foi proposta para preencher a lacuna existente entre os dois grandes corpos da teoria econômica: a microeconomia.  Utilizam a noção de sucessão de etapas produtivas. A mesoanálise encontrou nos economistas industriais franceses seus principais defensores e utilizadores.pode ser considerado o conjunto de atividades que concorrem para a produção de produtos agroindustriais. modelo de delimitação de espaços de análise dentro do sistema produtivo. que parte do todo( o Estado. desde a produção de insumos (sementes. NÍVEIS DE ANÁLISE DO SISTEMA AGROINDUSTRIAL  Sistema agroindustrial (SAI) . e a macroeconomia. o consumidor etc) e que utiliza as partes para explicar o todo. Este enfoque alia-se ao enfoque clássico da economia industrial que não é a firma nem a economia global. 71 . 2. mas a indústria (ou setor industrial). Um enfoque mesoanalítico permitiria responder às questões sobre o processo de concorrência e opções estratégicas das firmas bem como sobre o processo distributivo entre os agentes econômicos. pelos produtores de insumo. e principalmente. máquinas agrícolas etc) até achegada do produto final (queijo. política industrial. massas etc) ao consumidor. gestão tecnológica. A aplicação potencial das duas metodologias de análise apontam na mesma direção: estratégia e marketing.  Dois dos principais aspectos assumidos pelo dois modelos apresentados são o caráter mesoanalítico e sistêmico dos estudos em termos de cadeia de produção agroindustrial. que estuda as unidades de base da economia( a empresa. adubos. Ambos os conceitos destacam o aspecto dinâmico do sistema e tentam assumir um caráter prospectivo. como forma de orientar a construção de suas análises. os grandes agregados etc) para explicar o funcionamento das partes.

Comercialização – representa as empresas que estão em contato com o cliente final da cadeia de produção e que viabilizam o consumo e o 72 .  indústrias agroalimentares (IAA). cabe ir encadeando. pecuária e pesca. necessárias a sua produção.tem como ponto de partida determinada matéria- prima de base. complexo cana-de-açúcar etc.3  Complexo Agroindustrial . em três macrossegmentos: a.DISCIPLINA: ADMINISTRAÇÃO RURAL E INFORMÁICA AGRÍCOLA PROFESSORA: KARLA BRITO DOS SANTOS Ele não está associado a nenhuma matária-prima agropecuária ou produto específico. uma cadeia de produção agroindustrial pode ser segmentada.  indústrias e serviços de apoio Figuras 1. No caso do SAI. fazer alusão ao complexo soja. comerciais e logísticas. Grosso modo. Existe ainda outro nível de análise representado pelas Unidades Socieconômicas de Produção(Usep) que participam em cada cadeia. as Usep apresentam uma variedade de formas muito grande. poder-se-ia. Desta forma. São estas unidades que asseguram o funcionamento do sistema. O SAI pode ser visto como sendo composto por seis conjuntos de atores. de jusante a montante. as várias operações técnicas. de jusante a montante.  agricultura.  comércio internacional. cada uma delas associada a um produto ou família de produtos. complexo leite. Elas têm a capacidade de influenciar e serem influenciadas pelo sistema na qual estão inseridas. Após essa identificação. uma cadeia de produção é definida a partir da identificação de determinado produto final. A formação de um complexo agroindustrial exige a participação de um conjunto de cadeias de produção.2 e 1.  Cadeia de Produção Agroindustrial Ao contrário do complexo agroindustrial.  consumidor. por exemplo.  distribuição agrícola e alimentar.

dentro do sistema produtivo.DISCIPLINA: ADMINISTRAÇÃO RURAL E INFORMÁICA AGRÍCOLA PROFESSORA: KARLA BRITO DOS SANTOS comércio dos produtos finais(supermercados.  Metodologia de análise da estratégia das firmas. Segundo essa visão.  Ferramenta de análise das inovações tecnológicas e apoio à tomada de decisão tecnológica. O consumidor pode ser uma unidade familiar ou outra agroindústria. Produção de matérias-primas – reúne as empresas que fornecem as matérias-primas iniciais para que outras empresas avancem no processo de produção do produto final(agricultura. Podem ser inseridas neste macrossegmento as empresas responsáveis somente pela logística de distribuição. b. pesca. pecuária. c. Pontos negativos: os parâmetros utilizados para a classificação dos complexos agroindustriais são variáveis de mercado(relações comerciais) e a tecnologia como agente explicativo da formação de cadeias é negligenciado.  Formulação de políticas públicas e privadas A utilização do conceito de cadeia de produção como instrumento de formulação e análise de políticas públicas e privadas busca fundamentalmente identificar os elos fracos de uma cadeia de produção e incentivá-los através de uma política adequada. Industrialização – representa as empresas responsáveis pela transformação das matérias-primas em produtos finais destinados ao consumidor. cantinas etc). restaurantes. mercearias.  Metodologia de divisão setorial do sistema produtivo Este enfoque utiliza métodos estatísticos para tentar explicar a formação de ramos e setores. 3.  Formulação de políticas públicas e privadas. PRINCIPAIS APLICAÇÕES DO CONCEITO DE CADEIA DE PRODUÇÃO AGROINDUSTRIAL  Metodologia de divisão setorial do sistema produtivo. piscicultura etc). o sucesso de uma cadeia 73 .  Ferramenta de descrição técnico-econômica.

GERENCIAMENTO DE SISTEMAS AGROINDUSTRIAIS 4. A formação de uma aliança estratégica de sucesso. suas diferenças analisadas e as possibilidades de harmonização dos objetivos estudadas em detalhes. uma cadeia de produção apresenta-se como uma sucessão linear de operações técnicas de produção. fundamenta-se na premissa que podem ser estabelecidos comportamentos estratégicos ao longo da cadeia que resultam em acordos cooperativos(tipo ganha-ganha). Segundo essa lógica. 4. Este enfoque consiste em descrever as operações de produção responsáveis pela transformação da matéria-prima em produto acabado ou semi-acabado. CADEIAS AGROINDUSTRIAIS X ALIANÇAS ESTRATÉGICAS O interesse na formação de alianças estratégicas. No entanto. Alguma questões chave devem ser examinadas a priori: Qual o poder de barganha dos participantes? Quem assume o papel de principal agente coordenador? Quais são os benefícios para os participantes? Qual o esforço que cada um deve despender? Existem incompatibilidades estratégicas? Quais os objetivos de cada participante? 74 . Para que isso ocorra não é necessário que os agentes da cadeia possuam os mesmos objetivos estratégicos. Sendo de fundamental importância. as relações econômicas que se estabelecem entre os agentes formadores da cadeia. é a preocupação de estudar também.1. representada por acordos de cooperação ao longo de uma cadeia agroindustrial é definida em seu processo inicial de formação.  Cadeias de produção como ferramentas de descrição técnico-econômica A cadeia de produção como conjunto de operações técnicas constitui a definição mais imediata e conhecida do conceito. Um procedimento que vem complementar essa análise. presume-se que sejam complementares. que esses objetivos sejam explicitados pelas formadores das alianças.DISCIPLINA: ADMINISTRAÇÃO RURAL E INFORMÁICA AGRÍCOLA PROFESSORA: KARLA BRITO DOS SANTOS agroindustrial é o resultado do desenvolvimento harmonioso de todos os segmentos que atuam na cadeia.

ed.  Controle dos resultados esperados.  Definição dos objetivos gerais da cadeia e de cada participante.  Diagnóstico estratégico .  Definição dos objetivos específicos (quantificar objetivos).V.  Implementação da estratégia selecionada. . 75 .2. 23 -61p.  Segmentação das áreas de atuação da cadeia (com quais produtos e em quais mercados a cadeia pretende atuar). Gestão Agroindustrial: GEPAI :Grupo de estudos e pesquisas agroindustriais.  Escolha da estratégia a ser implementada. 2001. Cord. 1. BIBLIOGRAFIA: BATALHA. Cap. Mário O. In. Andrea Lago.São Paulo: Atlas.análise interna e externa à cadeia (neste ponto deve ser dada uma atenção especial à análise dos mecanismos de coordenação existentes e potenciais). . seguindo as etapas de base de um PE clássico:  Sensibilização e motivação dos participantes.  Definição da missão da cadeia (como o conjunto de agentes vê a sua missão junto a sociedade e quais são seus valores comuns. 1.  Definição das estratégias possíveis (para o conjunto da cadeia).DISCIPLINA: ADMINISTRAÇÃO RURAL E INFORMÁICA AGRÍCOLA PROFESSORA: KARLA BRITO DOS SANTOS Para responder a essas questões deve ser elaborado um planejamento estratégico para a cadeia.. SILVA. Gerenciamento de sistemas agroindustriais: definições e correntes metodológicas. Mário Otávio Batalha.

INTRODUÇÃO 1. Esse fato faz com que uma variação de preço dos produtos agroindustriais não afete intensamente sua quantidade consumida.1 Comercialização e óptica das cadeias agroindustriais Quando falamos de cadeias agroindustriais. Por outro 76 .DISCIPLINA: ADMINISTRAÇÃO RURAL E INFORMÁICA AGRÍCOLA PROFESSORA: KARLA BRITO DOS SANTOS COMERCIALIZAÇÃO DE PRODUTOS AGROINDUSTRIAIS 1.os agentes fazem uso de mecanismos de comercialização apropriados para uma determinada transação. c) monitoramento do desempenho. Com a finalidade de reduzir os custos de: a)elaboração e negociação dos contratos. 2. PARTICULARIDADES DOS PRODUTOS AGROINDUSTRIAIS 2. também denominados na literatura econômica de estrutura de governança. mas sim construção daqueles que fazem parte desses sistemas. mais rápida será a adaptação às modificações de ambiente e menos custosos serão os conflitos inerentes às relações entre cliente e fornecedor.2 Eficiência e mecanismos de comercialização A eficiência de uma empresa não se restringe apenas à eficiência produtiva. intermediados por mecanismos de comercialização. b) de mensuração e fiscalização da informação. queremos destacar algumas peculiaridades da produção agroindustrial que tornam essas cadeias singulares frente às demais. menores serão os custos de cada um. embora esta seja um componente importante. 1. e d) organização de atividades . A competitividade global de uma empresa depende profundamente de sua eficiência na comercialização de seus insumos e produtos.1 Aspectos da demanda São essencialmente bens de primeira necessidade e de baixo valor unitário. Quanto mais apropriada for a coordenação entre os componentes do sistema.o que genericamente se entende por custos de transação . A coordenação não é característica intrínseca dos sistemas produtivos.

2 Aspectos da oferta 2. 2. condiciona a produção agrícola e. sejam plantas ou animais.1.2 Sazonalidade 77 . há um fluxo de informações que permite a conexão entre comprador e consumidor. Esta dependência em relação à natureza apresenta dois elementos relevantes à oferta agrícola: a) condições climáticas e b) período de maturação dos investimentos. Por outro lado. consequentemente a comercialização de produtos agroindustriais. Antes de uma mercadoria deixar um país com destino a outro. O resultado da atividade agrícola.1 Tendências e internacionalização O maior intercâmbio comercial não se limita à intensificação do fluxo de bens e serviços entre os países. é particularmente dependente das condições do tempo.1 Natureza biológica da produção agrícola A necessária vinculação da produção agroindustrial à oferta de produtos agrícolas subordina essa atividade às restrições impostas pela natureza à produção agrícola. 2. os preços variam consideravelmente diante de pequenas variações na quantidade ofertada.2. os padrões de consumo ditados pela sociedade americana são a principal referência ao fluxo internacional de mercadorias. um elemento aleatório. 2. Os avanços tecnológicos e a intensificação do uso do capital na atividade agrícola tem permitido a redução desse efeito aleatório. Desse modo. Em especial. tanto em termos quantitativos quanto qualitativos. a maturação do investimento depende da maturação biológica de seus componentes.DISCIPLINA: ADMINISTRAÇÃO RURAL E INFORMÁICA AGRÍCOLA PROFESSORA: KARLA BRITO DOS SANTOS lado. Grandes consumidores internacionais têm um papel particularmente importante na determinação das tendências globais que tomam os mercados.2. mas não a eliminação total.

 Nível 1 : Produtores Rurais Os produtores rurais podem ofertar seus produtos a todos os níveis da comercialização. atacadistas. embora não haja contratos formais de compra e venda. porque sabem quanto. da época do ano entre outros fatores. ou mesmo para intermediários maiores. são pessoas ou empresas que compram os produtos dos agropecuaristas e os repassam para outros níveis de comercialização. No geral. a comercialização realiza-se em outros níveis.DISCIPLINA: ADMINISTRAÇÃO RURAL E INFORMÁICA AGRÍCOLA PROFESSORA: KARLA BRITO DOS SANTOS 3 CANAIS DE COMERCIALIZAÇÃO Didaticamente e de modo simplificado. dependendo do produto. podendo formar uma sucessão de intermediários. Nas regiões desenvolvidas e de produtores mais organizados. da localização. Quanto menos desenvolvida é a região e menos organizados são os produtores.  Nível 2 : Intermediários( primários. porque são eles que conseguem levar os produtos até o mercado.  Nível 3: As agroindústrias. A predominância é a venda direta aos intermediários primários. e o fazem. os mercados dos produtores(do tipo centrais de abastecimento locais) e os concentradores. diminuindo-se ou mesmo eliminando a figura do intermediário. Quando os produtores são de maior porte. supermercados. O mais freqüente é cada produtor fixar-se a um dos níveis. do tamanho do produtor. mesmo pagando preços baixos. podem procurar. o intermediário é mais capitalizado do que cada produtor individualmente e mais bem informado sobre a situação do mercado. diretamente com agroindústrias. maior importância tem os intermediários na comercialização. pode-se afirmar que todo o processo de comercialização está dividido em níveis. 78 . ou estão em melhor localização. para quem e quanto vender e preço de venda. de modo que. terciários etc) Os intermediários. inclusive diretamente aos consumidores. ou estão mais bem organizados. geralmente são eles que estabelecem os preços dos produtos e geralmente suas operações são de menos risco. ou pelo menos passa essa imagem. ou mesmo com os consumidores. os demais níveis da comercialização. onde e quando comprar. secundários.

beneficiar ou transformar produtos. Os representantes comerciais são pessoas físicas ou jurídicas que representam determinadas empresas. com ou sem vínculos contratuais. Os distribuidores geralmente são mais capitalizados que os representantes comerciais. adquirindo-os diretamente dos produtores ou de intermediários. mantêm vínculos empregatícios. Os atacadistas são grandes empresas. todos com objetivos similares: repasse de produtos. comprando produtos diretamente dos agropecuaristas e operando como compradores e/ou vendedores em mercados dos produtores ou com agroindústrias e repassando os produtos para os níveis seguintes de comercialização. tanto no mercado avulso. que geralmente atuam mais no atacado.DISCIPLINA: ADMINISTRAÇÃO RURAL E INFORMÁICA AGRÍCOLA PROFESSORA: KARLA BRITO DOS SANTOS As agroindústrias podem processar. sem vínculos empregatícios e. como nos mercados dos produtores ou de concentradores. as centrais de abastecimento regionais. governo. que compram produtos em todos os níveis anteriores e os repassam para os níveis seguintes. como Cédula de Produto Rural(CPR). recebem salários fixos geralmente acrescidos de comissões sobre as vendas efetuadas. recebendo comissões(percentagens) sobre as vendas efetuadas com base em preços pré estabelecidos. ofertados em maiores quantidades e a serem comercializados em diversos pontos comerciais. já detêm um mercado comprador.  Nível 5: Os atacadistas. assumindo todos os ônus de compra e venda e distribuição dos bens e podem atingir diretamente o consumidor. não são proprietários dos bens e não são responsáveis pela operação de entregas. Os vendedores são funcionários das empresas ofertantes. 79 . geralmente. distribuidores e vendedores. podem ser proprietários dos bens e assumem a responsabilidade da operação de entregas. as bolsas de mercadorias e outros. dos quais geralmente não são proprietários. sem a responsabilidade da operação de entregas.  Nível 4:Representantes. Os concentradores de produtos são intermediários de maior porte. internet etc.

CPR. Nessa cédula. por intermédio da BB .  Data e lugar da emissão. mediante a qual o produtor emite um título para comercializar seus produtos (que ainda serão produzidos). A CPR é atualmente implementada pelo Banco do Brasil. Essa cédula é administrada pela Central de Custódia e de Liquidificação Financeira de Títulos(Cetip). As bolsas de mercadorias são sociedades civis sem fins lucrativos e de interesse público. que lhe dá aval. são explicitados obrigatoriamente:  Promessa de entregar o produto com as características de quantidade e qualidade nela especificados. Funcionam dois tipos de mercado: a vista e de futuro.DISCIPLINA: ADMINISTRAÇÃO RURAL E INFORMÁICA AGRÍCOLA PROFESSORA: KARLA BRITO DOS SANTOS As centrais de abastecimento foram idealizadas dentro do mesmo modelo que os mercados do produtor.Financeira: o produtor paga o título em dinheiro. entidade autorizada pelo Banco Central. permitindo ao produtor obter recursos para custeio de sua lavouras. com a função de encurtar as distâncias entre produtores e consumidores. 80 . recebendo o valor negociado antecipadamente.Física: o produtor paga o título com a entrega da mercadoria. Existem 03 modalidades de CPR  CPR .  Nome do credor e a cláusula à ordem. A CPR é uma venda a termo.  CPR . Trata-se de um título cambial. 8.  Descrição dos bens cedularmente vinculados em garantia. local e condições de entrega. para beneficiar ambos em preços e qualidade dos produtos. por meio de títulos de mercadorias.229 de 22-8-94) para venda antecipada da produção com entrega futura dos produtos. A CPR é um instrumento legal(criada pela Lei no. vendendo seus produtos a qualquer comprador.  Data. com objetivo de facilitar a comercialização de produtos agropecuários.  CPR .Exportação: específica para o comércio exterior. garantindo ao comprador entrega do produto ou o pagamento do título.

81 . as Aquisições do Governo Federal(AGF). os leilões de estoque. comprando produtos e repassando-os para o nível comercial seguinte.  Nível 6: Os segmentos para o comércio internacional(exportação) e os que se encontram em contato direto com os consumidores: supermercados. pessoas físicas e jurídicas. os Empréstimos do Governo Federal(EGF).1 Agentes comerciais e a formação de preço Em cada um dos níveis de comercialização apresentados atuam diferentes tipos de agentes ou intermediários. o Valor de Escoamento do Produto(VEP) e Mercado de Opções(como por exemplo os leilões de café). lojas de conveniências. mercadinhos. que atua com vários instrumentos. com atacadistas e supermercados. cujos produtos importados percorrem caminhos bastante similares aos produtos nacionais a partir do nível 3(algumas agroindústrias e concentradores).CONAB. Denomina-se intermediação cada mudança de propriedade dos produtos. tais como: a fixação e garantia de preços mínimos para alguns produtos. ou seja. A intervenção do governo federal na comercialização de produtos é feita sobretudo pela Companhia Nacional de Abastecimento .  Nível 7: Os consumidores  Nível 8: O segmento importador que interfere diretamente em toda a comercialização interna. o Programa de Escoamento da Produção(PEP). há uma intermediação. sempre que ocorre uma operação de compra e venda de um produto. 3. açougues e outros). O número de intermediários refere-se à quantidade de agentes que atuam em um mesmo nível de intermediação e no conjunto de níveis de intermediação para um mesmo produto. A elevação de preços ocorre em cada mudança de nível ou em cada intermediação. com características próprias. feiras livres e pontos de venda(armazéns.DISCIPLINA: ADMINISTRAÇÃO RURAL E INFORMÁICA AGRÍCOLA PROFESSORA: KARLA BRITO DOS SANTOS  Assinatura do emitente. mas que interferem mais a partir do nível 5.

DISCIPLINA: ADMINISTRAÇÃO RURAL E INFORMÁICA AGRÍCOLA PROFESSORA: KARLA BRITO DOS SANTOS O menor número de intermediações. 3) Concentradores Os concentradores são. 82 . como packing house. entre outras. geralmente em pólos regionais para compras de produtos e vendas no atacado e/ou nas proximidades dos grandes centros consumidores para compras de produtos e vendas no atacado e no varejo. na verdade. inclusive buscando mercados maiores e mais distantes. predominantemente são concentradores de produtos. Também podem possuir estruturas de beneficiamento de produtos. Têm maior importância nas regiões menos desenvolvidas. máquinas e equipamentos enfrentam os oligopólios e na hora da venda estão num mercado oligopsônico. adquirindo-os dos intermediários primários. 3. intermediários de maior porte. que adquirem produtos (in natura) diretamente dos produtores e de outro intermediários e os distribuem para as etapas seguintes da comercialização. com infra-estruturas mais precárias e de produtores pequenos e não organizados em entidades representativas. ensacadoras de grãos (feijão) ou de farinha. Fazem aquisições e coletas diretamente nas propriedades rurais. são mais capitalizados e têm maior acesso a mercados compradores maiores. conjugado com o maior número de intermediários em cada nível de intermediação. Têm maior acesso aos compradores de grande porte e estão localizados em posições geográficas estratégicas. 2) Intermediários Os Intermediários Primários são pequenos comerciantes mais bem informados e preparados comercialmente que os produtores e têm a função de iniciar os caminhos que serão percorridos pelos produtos.1 Descrição do comportamento dos principais agentes envolvidos na comercialização dos produtos do agronegócio. 1) Produtores rurais Na compra dos insumos. é a situação favorável a produtores e consumidores. comprando pequenas quantidades em cada uma e reunindo-as para justificar transporte. Os intermediários secundários .1. máquinas de beneficiamento de café ou de arroz.

assiduidade e preços menos instáveis.DISCIPLINA: ADMINISTRAÇÃO RURAL E INFORMÁICA AGRÍCOLA PROFESSORA: KARLA BRITO DOS SANTOS Por essas características exercem uma pressão de preços para baixo nas compras e elevação de preços nas vendas. Programa de Escoamento da Produção (PEP). principalmente EGF. exceto dentro das margens preestabelecidas e aceitas pelo mercado. pontualidade nas entregas. o Governo estabelece e garante preços mínimos a serem pagos aos produtores rurais e a suas cooperativas. 6) Representantes e vendedores Esses agentes comerciais são repassadores de preços estabelecidos em níveis anteriores aos quais estão vinculados. geralmente os custos variáveis médios para o país. 4) Mercados dos produtores Característica: número elevado de produtores e reduzido de compradores. atuam como qualquer intermediário. por meio de seus instrumentos de política agrícola para o agronegócio. 83 . a preocupação é devida às necessidades de padrão de mercadorias. porque sabem que uma boa venda depende de uma boa compra. Não são proprietários dos produtos e não têm autonomia para variações de preços. Aquisições do Governo Federal (AGF). visando atender a essa garantia. quantidades suficientes. AGF e PEP. tem forte interferência na formação de preços dos produtos em todos os níveis da comercialização. orientando os produtores quanto às prioridades do Governo e procurando garantir a cobertura de parte dos custos de produção. Porém. se no período da comercialização os preços de mercado em nível de produtores estiverem abaixo dos preços mínimos. Empréstimos do Governo Federal (EGF). como qualidade da matéria prima e idoneidade dos fornecedores. Quanto à idoneidade dos fornecedores de matéria-primas. 7) Distribuidores 8) Atacadistas 9) Centrais de abastecimento 10) Governo O Governo Federal. Contrato de Opção de Venda. Então. Pelo programa de garantia de preços mínimos. 5) Agroindústrias No momento da compra de suas matérias primas. para determinados produtos. Esses preços são fixados antes da intenção de plantio de cada safra. o Governo aciona os outros programas e mecanismos. apoio ao Programa Comunidade Solidária (Prodea) e realização de programas de parceria em políticas sociais de abastecimento alimentar e de vendas "em balcão" de estoques públicos. têm algumas preocupações a mais. Entre as principais atuações destacam-se: Programa de Garantia de Preços Mínimos (PGPM).

Do outro lado. com produtos do agronegócio. pequenos estabelecimentos e atendem a clientelas específicas e mais próximas de onde estão localizados. caracterizando uma condição de difícil barganha tanto para os ofertantes como para os consumidores. com o objetivo de tomar as compras mais facilitadas ao consumidor. hortaliças e produtos regionais. Como são poucas redes. essas atuações têm sido tradicionalmente muito mais contundentes no segmento industrial do que no agronegócio. nas cidades menores. 84 . ultimamente os produtos do agronegócio também têm tido grande participação. Portanto. armazéns. 13)Feirantes Nas feiras livres. geralmente de elevada perecibilidade. conveniências. são. Porém. inclusive com departamentos diversos. inclusive. 11)Supermercados A tendência mundial é de formação de grandes redes de supermercados e de grandes lojas. no momento das vendas. resulta em conseqüentes perdas rápidas e grandes dos produtos. de modo geral. como mercadinhos. 12)Pontos-de-venda Os diversos pontos-de-venda. que podem chegar. devido ao porte dos fornecedores. Essa característica. os grandes supermercados são os agentes comerciais de maior interferência na formação de preços de produtos do agronegócio. Na Bahia. o que significa alta concentração comercial em poucas empresas que oferecem milhares de produtos. pequenos produtores também. a situações de abusos comerciais. A predominância de produtos comercializados é de frutas. os pontos-de-venda não têm grandes poderes de barganha de preços e condições de pagamento. que permite aos supermercados elevadas exigências e imposição de condições. atuam pequenos comerciantes e. as redes de supermercados encontram numerosos ofertantes de diferentes portes e. sobretudo por intermédio das Secretarias da Agricultura e da Indústria e Comércio. muito mais por força da necessidade de exportação e geração de rendas no Estado do que por organização dos produtores. sacolões. Nas relações de compras. Nessas condições. Nas compras de mercadorias.DISCIPLINA: ADMINISTRAÇÃO RURAL E INFORMÁICA AGRÍCOLA PROFESSORA: KARLA BRITO DOS SANTOS Os governos estaduais também atuam na comercialização de produtos do agronegócio. no momento da venda de seus produtos estão achatados pêlos preços das grandes redes de supermercados e não têm individualmente tão grande número de consumidores. grandes lojas estão na ponta final da comercialização imediatamente antes do consumidor. aliada à falta de cuidados no manuseio e de equipamentos adequados à conservação e ao curto espaço de tempo para comercialização. também existem numerosos consumidores dispostos a efetuar compras. não exercem grande liderança na formação de preços dos bens comercializados. que encontra quase todos os bens de consumo de que necessita em um único lugar. demandam grandes quantidades de produtos a cada compra e sabem exatamente os tipos e as quantidades de produtos demandados e os preços que os consumidores estão dispostos a pagar.

Na formação de preços. frutas não são commodities porque são perecíveis. açúcar. café. Mas interferem e muito. porque são essas mudanças que irão definir o perfil e a dimensão do mercado a ser atendido. como soja. cacau. a cada dia.DISCIPLINA: ADMINISTRAÇÃO RURAL E INFORMÁICA AGRÍCOLA PROFESSORA: KARLA BRITO DOS SANTOS Por isso. qualidade intrínseca e quantidade elevada do produto. o suco de laranja concentrado e congelado. comumente. tornam-se mais esclarecidos. atacadistas e outras. devidas a aspectos culturais. como em pontualidade e assiduidade nas entregas e competitividade. os exportadores são também importadores. 85 . E. econômicos etc. 14)Exportadores Normalmente. que paga melhor. 15)Importadores As características dos importadores são muito semelhantes às dos exportadores e. Os consumidores. que podem ser produtoras. tanto em padrão. não deveriam influenciar muito os preços internamente. é um mercado seguro. sobretudo para commodities e depois da evolução da globalização dos mercados e dos avanços das telecomunicações. sociais. 16)Consumidores Os consumidores são o elo final da cadeia produtiva. procurando produtos que possam competir com os produzidos internamente. no Brasil não se comercializa soja nos dias de sábado e domingo e de feriados nos Estados Unidos.. é elevada a variação entre os preços de compra e venda pelos feirantes. Exemplo. o comportamento também é bastante semelhante. frangos. por permitir armazenamento. são altamente influenciados pelo comportamento dos preços internacionais. buscando a colocação de seus produtos no mercado externo. todos os níveis de comercialização têm de estar atentos a todas as mudanças dos hábitos dos consumidores. A ausência de apenas um desses requisitos pode inviabilizar qualquer operação comercial de exportação. porque nesses dias a Bolsa de Mercadorias de Chicago não funciona. na exportação. Por exemplo. numerosos e mais exigentes. porém. Enquanto os exportadores estão sempre à procura de preços mais elevados em relação aos preços internos. comumente mais elevados que os preços no mercado interno. constituindo-se no objetivo principal de todos os demais agentes econômicos. e admite grandes volumes comercializados. Porém. os importadores desejam preços mais baixos. é transacionado como uma commodity. atuam grandes empresas. representantes de produtores. num sentido inverso. Portanto. em princípio. Os preços dos produtos tipicamente de exportação. Trata-se de mercado exigente. como eles são numerosos e as feiras livres têm grande importância econômica e social. Os preços na ponta são formados fora do país e. No entanto. há interferência na formação de preços dos produtos aí comercializados.

DISCIPLINA: ADMINISTRAÇÃO RURAL E INFORMÁICA AGRÍCOLA PROFESSORA: KARLA BRITO DOS SANTOS 86 .

Gestão Agroindustrial: GEPAI : Grupos de Estudos e Pesquisas Agroindustriais. 1.p. 87 .p. F. Comercialização de produtos agroindustriais. Coord. V. ed. Fundamentos de agronegócio. Mário Otávio Batalha.DISCIPLINA: ADMINISTRAÇÃO RURAL E INFORMÁICA AGRÍCOLA PROFESSORA: KARLA BRITO DOS SANTOS Referência bibliográfica: ARAÚJO. In. 77-91. P. 2003. 64-90. 2001. M. J.2. São Paulo: Atlas. .São Paulo: Atlas. AZEVEDO.

uns e outros têm o momento certo de aplicação. evita-se armazenagem desnecessária ou por longo prazo e diminuem-se custos.00 por tonelada). sobretudo para o leigo. envolve o conjunto de fluxos dos produtos em todas as atividades a montante. inclusive nas diferentes cadeias produtivas do agronegócio.1. o calcário agrícola é de baixo preço específico (entre R$ 16. A) A logística de suprimentos Em uma cadeia produtiva agroindustrial. Assim. sempre na busca de melhor gestão e da realização em termos de eficiência e de eficácia no fluxo de insumos e de produtos. Ou ainda. tanto antes como durante a produção. como fretes de retorno ou fretes de oportunidade. Assim. Por essas características é muito comum. às operações de apoio aos processos produtivos e as atividades voltadas para a distribuição física dos produtos na comercialização. o fluxo de movimentação desses insumos deve prever exatamente a época de sua aplicação e forma mais econômica de conduzi-lo até as fazendas. Na verdade. no mínimo. como armazenagem. sobretudo em função do crescimento dos centros urbanos. Como exemplos: (a) o calcário agrícola. tem de ser incorporado ao solo. transporte e formas de distribuição dos mesmos. Logística é um modo de gestão que cuida especialmente da movimentação dos produtos. mesmo pequenas quantidades necessárias têm de ser transportadas até as fazendas. mas com transporte geralmente superior. (b) o Rhizobium em sementes leguminosas tem de ser inoculado no momento do plantio. da distância entre os centros de produção e os de consumo. como. durante o processo produtivo e a jusante. 60 dias antes do plantio. como corretivo. (c) alguns fungicidas são aplicados nas plantas preventivamente à ocorrência de doenças. denominando as empresas que prestam esse tipo de serviço como empresas de logística. dependendo da quantidade transportada e da distância do moinho até a fazenda.00 e R$ 20. Os insumos agropecuários (apresentados na seção 2. vista de modo mais amplo. por exemplo. como todo o conjunto de atividades relacionadas a suprimentos. conceber a logística como o transporte final na distribuição de produtos em grandes centros urbanos. 88 .DISCIPLINA: ADMINISTRAÇÃO RURAL E INFORMÁICA AGRÍCOLA PROFESSORA: KARLA BRITO DOS SANTOS LOGÍSTICA EM AGRONEGÓCIO O termo logística está muito utilizado ultimamente. E mais. Essa mesma lógica aplica-se também a qualquer firma. elas prestam um tipo de serviço que é uma fatia da logística. para disponibilizá-los tempestivamente e reduzir os custos de produção ou de comercialização. (d) os inseticidas devem ser aplicados somente após um nível preestabelecido de infestação de determinada praga.1) têm peso muito elevado na composição dos custos de produção das empresas agropecuárias e aluns deles têm seu preço de transporte mais elevado que seu próprio preço de aquisição. da necessidade de diminuição de custos e de perdas de produtos e da competição entre fornecedores/distribuidores. nos diversos segmentos dentro de toda a cadeia produtiva de qualquer produto. a logística de suprimentos cuida especialmente da forma como os insumos e os serviços fluem até as empresas componentes de cada cadeia produtiva. Assim.

são caracterizados como de semisazonalidade. café e outros) não são tão perecíveis. sem formar estoques excessivos. ao contrário das frutas. a logística procura movimentar somente as quantidades necessárias. porque apresentam picos de alta e de baixa produção. embora sejam obtidos durante todo o ano. baixa umidade relativa do ar. Como exceções.DISCIPLINA: ADMINISTRAÇÃO RURAL E INFORMÁICA AGRÍCOLA PROFESSORA: KARLA BRITO DOS SANTOS Raciocínio semelhante ocorre nas agroindústrias. esses produtos são colhidos uma única vez ao ano em cada região. Salvo raras exceções. que podem ser obtidas durante todo o ano. Por exemplo. Essas condições determinam. que envolve também informações sobre estoques e plano de aplicação de cada produto. que são as pastagens e os produtos agrícolas geralmente sazonais. tem de procurar conduzir o empreendimento para conseguir eficácia e eficiência e. em síntese. ou então períodos de maior facilidade na produção intercalados com períodos que exigem cuidados especiais. milho. uva. Obtida a produção. de acordo com a capacidade de produção do empreendimento. B) A logística das operações de apoio à produção agropecuária A gestão do processo produtivo. armazenagem primária. Os grãos (soja. as frutas (manga. serviços etc. coco. quantidade e época de uso. variando quanto ao grau de perecibilidade de produto a produto. graviola. Os produtos pecuários. 89 . melão. estoques primários. pinha. quanto a suprimento de insumos. como algumas frutas (uva. melancia e outras) e hortaliças (tomate. embalagens apropriadas. dependendo em geral das condições climáticas. os períodos de farturas ou de deficiências de alimentos para os animais. para que a produção flua normalmente. como transporte interno. embalagens. pimentão e outras). é importante relembrar algumas características dos produtos agropecuários e dos produtores rurais. insumos secundários. Outra característica dos produtos agrícolas é a sazonalidade da produção. banana. porque são dependentes das condições climáticas. com conseqüentes correrias de última hora. pêra. maçã. C) A logística de distribuição Para melhor entendimento da importância da logística de distribuição no agronegócio. manuseio. a logística se ocupará da movimentação física dos produtos. podem ser citadas algumas culturas irrigadas nas regiões semi-áridas tropicais. têm de estar disponíveis no momento e nas quantidades certas. dependendo de planejamento e de manejo especiais. pêssego. e podem demorar mais tempo mesmo em armazéns convencionais a temperatura ambiente e ser transportados a granel e exigem. do ponto de vista da logística. entregas. feijão. Então. armazenagem em temperaturas amenas e umidade relativa do ar elevada. Os produtos agropecuários de modo geral são perecíveis. arroz. procurar a racionalização dos processos operacionais para transferência física dos materiais. são sujeitas a períodos de produção mais elevada intercalados com períodos de baixa. estoques finais e controles diversos. caqui e outras) são extremamente perecíveis e necessitam de vários cuidados. Mesmo assim. cada um necessita de tratamento pós-colheita diferenciado. onde matéria- prima. e evitar a falta. como transporte rápido e cuidadoso. Por isso.

Cada produto necessita de um tipo de armazenagem específico. • Armazenagem Principalmente devido à sazonalidade da produção agropecuária. elevada umidade relativa do ar e baixa ventilação (suficiente apenas para circulação do ar frio). Em síntese. Local. aos volumes individuais de produção e à organização da produção. De modo geral. a predominância é de produtores rurais dispersos. inclusive em uma mesma região. em qualquer uma das classes citadas. ou efetuar pequenos beneficiamentos ou transformações. de saída de produtos para armazéns menores. açougues. mais especificamente. Segmentos dentro da porteira e. Esses armazéns estão situados em locais estratégicos para concentrar produtos que se destinam a meios de transportes de maiores volumes.2. Organização do segmento agropecuário. Essa classe de armazenagem é geral- mente uma prestação de serviços. como trens de ferro e navios. situado no local da produção. Alguns produtos exigem câmaras frigoríficas. inclusive nos períodos entressafras. pode sair da lavoura diretamente para qualquer das classes seguintes. Tem a finalidade de guardar o produto por espaços de tempo mais curtos. conforme apresentadas na seção 2. quando efetuada em armazéns localizados no município e que se prestam a vários produtores. é a armazenagem dos produtos já em nível da última intermediação antes do consumidor. tanto a produtores quanto a comerciantes. a soja pode sair diretamente da caçamba da colheitadeira para a carreta graneleira e desta para silos localizados nos portos. a armazenagem é imprescindível durante toda a comercialização e durante todo o ano. quando inicia o processo inverso. A armazenagem no setor de agroindústrias pode ser classificada como qualquer uma das classes citadas. dependendo da disponibilidade de transporte. em supermercados. Final.DISCIPLINA: ADMINISTRAÇÃO RURAL E INFORMÁICA AGRÍCOLA PROFESSORA: KARLA BRITO DOS SANTOS Outro fator que muito influencia na logística em agronegócios é o inerente às características dos produtores rurais. e ser destinadas a supermercados (armazenagem final). quanto a sua distribuição espacial. padarias. como. pode-se classificar a armazenagem em: Primária. quando efetuada em nível da produção. quando concentra a produção de vários produtores localizados em municípios vizinhos. por exemplo. Por exemplo. no item 2. Regional. como os derivados do 90 . Ou ainda. que é uma armazenagem regional localizada em terminais ferroviários e portuários. ainda na fazenda. com a finalidade de aguardar a época para comercialização. do tipo de produto e do volume da produção.2. já para distribuidores mais próximos dos consumidores. com objetivo de juntar volumes suficientes para justificar transporte.4. o produto não necessita obrigatoriamente passar por todas elas. com baixas temperaturas. De distribuição. Assim como. ou aguardar a comercialização. Terminal. com pequenos volumes de produção individual e desorganizados representativamente. também. as frutas podem sair do packing house. dependendo do porte e da localização delas.

apresenta custos fixos elevados e custos variáveis mais baixos que os 91 . água de coco natural e outras. flores. maiores custos por tonelada transportada e é recomendado para percursos inferiores a 500 km. devido à elevada perecibilidade. hidroviário (fluvial e marítimo).00/tonelada de cana-de-açúcar. cada produto tem seu ponto ótimo de conservação e a armazenagem terá que ser adaptada a essa condição. hortaliças e flores. Portanto. e mais. Essa não é uma decisão tão simples. Frutas. Nesse sentido é sempre bom lembrar que: O armazém não melhora a qualidade do produto. cerca de 80% dos grãos são movimentados pelo transporte rodoviário.00/ tonelada de mandioca e R$ 25. menores distâncias. ou na escolha de onde investir quando existem locais alternativos. por exemplo R$ 0. mandioca e cana-de-açúcar estão associados a transportes rápidos e de curtas distâncias. pêra. requeijões e outros). Isso inclui também cuidados especiais de manutenção das instalações e higienização curativa e preventiva. hortaliças. ferroviário. no máximo conserva suas características existentes imediatamente antes da armazenagem.18/litro de leite. como carnes. carnes e laticínios demandam transportes rápidos e em condições especiais O transporte rodoviário é responsável por aproximadamente 60% do transporte de cargas totais no Brasil. Já os grãos podem ser armazenados bem ventilados. a preços do ano de 2001) e à grande quantidade de água transportada. Essa modalidade de transporte. para fins de pontualidade e de assiduidade ou mesmo para vencer uma concorrência ou ganhos de preços. polpas de frutas. da manutenção da qualidade dos produtos e da velocidade de atendimento ao cliente (comprador). uma falha em qualquer das etapas não poderá ser corrigida na etapa seguinte. Logística de transporte Existem diferentes modalidades de transportes: rodoviário. ao baixo valor específico (pequena quantidade de dinheiro por unidade de produto. Ou seja. carnes. Exemplificando. aeroviário e intermodal. contida nos próprios produtos (próximo de 90% no leite. mas também das características dos produtos. R$ 40. mas com baixa umidade relativa do ar. em armazéns convencionais. Outros produtos necessitam de congelamento. entre outros: Leite in natura. Para qualquer das situações. mariscos. O transporte rodoviário apresenta economia de escala de acordo com a distância. a temperaturas ambientes. queijos. frutas in natura (maçã.DISCIPLINA: ADMINISTRAÇÃO RURAL E INFORMÁICA AGRÍCOLA PROFESSORA: KARLA BRITO DOS SANTOS leite (iogurte. O transporte ferroviário. uva e outras). embora mais cara por tonelada de produto transportada. responsável por aproximadamente 20% do transporte de cargas totais no Brasil e por 16% de cargas agrícolas. Grãos estão associados a transportes de longas distâncias. porque depende não só da minimização de custos. 70% na mandioca e na cana-de-açúcar). O desafio para o administrador é exatamente definir a melhor opção de transportes quando existem alternativas. tem a vantagem de ser rápida e mais flexível na ligação entre o produtor e o consumidor e apresenta custos fixos mais baixos e custos variáveis altos.

.. 756 km Trigo: ..200 km (CAIXETA-FILHO e GAMEIRO.. de forma que o preço e a pressa em atender ao cliente o justifiquem. No Brasil. e só se justifica para longas distâncias e. flores... comparado ao frete rodoviário.. camarão congelado. em função dos investimentos efetuados nas modalidades ferroviária e fluvial.. foi inferior em 36%. mesmo que. em função dos elevados preços de fretes praticados pelo transporte rodoviário e da competitividade com produtos de outros países1 No Brasil. para produtos de perecibilidade muito rápida e de valor específico alto.. a modalidade de transporte hidroviário fluvial transportou em torno de 20% do total de cargas e menos de 3% de cargas agrícolas. em US$/t x km. 2001). para longas distâncias. essa modalidade é pouco tradicional.. não prescinde de outras modalidades de transporte.... São Francisco. como.. apresente valores de fretes 58% mais baixos que o transporte rodoviário e 35% menores que o ferroviário..• porteira". porém perdem em competitividade para outros países em decorrência de custos "pós. caracteriza-se pela movimentação de cargas volumosas de baixo valor agregado (valor específico) e é mais indicado para transporte para longas distâncias. Essa modalidade de transporte apresenta as mesmas desvantagens que o transporte ferroviário. O transporte intermodal é uma combinação de diferentes modalidades de transporte para levar o mesmo produto de um lugar a outro.. 555 km Soja .... com aumento dos transportes de graneis agrícolas vias ferroviário (56%) e fluvial (8%) e de diminuição via rodoviário (35%)... Essa mudança é até mesmo uma necessidade. é mais demorado nas condições das ferrovias brasileiras e é mais caro nos transportes a curtas distâncias.... algumas frutas e outros.. citado por CAIXETA- FILHO e GAMEIRO. a melhor infra-estrutura portuária e a melhoria e ampliação das ferrovias mudarão em muito a matriz de transporte de cargas no Brasil. 1997... há uma tendência. com objetivo de diminuir preços de fretes. O transporte aeroviário apresenta custos fixos e variáveis elevados.... 2001): Farelo de soja:.DISCIPLINA: ADMINISTRAÇÃO RURAL E INFORMÁICA AGRÍCOLA PROFESSORA: KARLA BRITO DOS SANTOS rodoviários e por isso é recomendável para percursos maiores. sobretudo o rodoviário.. menores custos de produção.200 km.... 851 km 1 É bom lembrar que vários produtos da agropecuária têm. o preço de frete ferroviário por unidade.. Para movimentação de grãos a longas distâncias. acima de 1..... 92 . para o início deste século. conclui-se que essa inversão é uma necessidade.. Do exposto. No Brasil.. e as mais conhecidas para cargas agrícolas são as intermodais que utilizam os Rios Tietê/Paraná. de inversão de uso das diferentes modalidades. também de elevados custos fixos e baixos custos variáveis.... Com certeza. Mas tem também suas desvantagens: não prescinde de transporte rodoviário para concentração e distribuição do produto.... no Brasil.... O transporte hidroviário.... sobretudo se forem observadas as distâncias rodoviárias médias percorridas por produtos agropecuários no Brasil (GEIPOT. geralmente entre 500 km e 1...... Araguaia/Tocantins e Madeira e as ferrovias Ferro-norte e Ferroeste... por exemplo. mesmo assim.. inclusive o de transporte..

93 . são adequados a cada tipo de produto..... a adequação dos equipamentos de transporte...... mas são pouco conhecidos os estudos que analisam as quebras de grãos durante as diversas operações de transbordo e as conseqüentes perdas por fermentação e oxidação.. a modalidade de transporte ideal é a que consegue ser de baixo custo. A pontualidade e a assiduidade também são necessárias na análise das alternativas de transporte.... 1. Quanto à qualidade dos produtos.. usam-se contêineres de 20 pés (com medidas internas de 2. Observada a logística de transporte do ponto de vista de modalidades. se o tempo para chegar ao destino for superior ao exigido pelo cliente. no caso de milho e arroz. mas não suficiente. como barcaças..DISCIPLINA: ADMINISTRAÇÃO RURAL E INFORMÁICA AGRÍCOLA PROFESSORA: KARLA BRITO DOS SANTOS Milho:..38 m de largura e 5. superiores até mesmo à recomendação para transporte ferroviário..603 km Arroz:. Há que observar outros aspectos. porque os produtos têm que chegar ao cliente no tempo certo e com assiduidade.... 2 Por exemplo..... é impossível transportar carne em outro tipo de transporte que não seja em contêineres frigorificados..34 m de altura. se não houver freqüência regular de viagens. compreendida de forma mais abrangente). para exportação. não prejudique a qualidade do produto. atritos e tempo até a entrega dos produtos. ou ainda.. em um porto não pode faltar tomada de eletricidade para contêineres frigorificados. contêineres. um transporte ferroviário de menor preço de frete por unidade pode ser preterido e perder essa vantagem para o transporte rodoviário....34 m de altura.653 km Todos esses produtos são movimentados a distâncias superiores aos 500 km máximos recomendados para transportes rodoviários e. conte com infraestrutura de apoio completa e suficiente.05 m de comprimento). são imprescindíveis armazéns bons e adequados e portos e terminais de carga e de embarque suficientes e de custo operacional baixo. Por exemplo. ainda é necessário comentar sobre a infra-estrutura de apoio (que também integra a logística. é muito difundida a viabilidade de frete de grãos de soja pelo transporte intermodal. a pontualidade e a assiduidade.. como: temperatura e umidade do ambiente durante o transporte... 1. 2. bem como também o é transportar grãos em carretas boiadeiras....3 vagões. Em suma.. choques térmicos.... 3 A título de curiosidade.. bem como sobre a qualidade dos produtos. tenha equipamentos inadequados.. Por exemplo.. 2. A escolha do equipamento adequado é necessária.91 m de comprimento) e de 40 pés (com medidas de 2. incluindo todos os detalhes para atender às exigências de cada produto2 Os equipamentos de transporte. de custos e de outras características próprias. carretas graneleiras ou boiadeiras. Quanto à infra-estrutura de apoio. nem sempre o menor preço de transporte é a melhor alternativa. Por exemplo.... Esses fatores não têm sido analisados em profundidade e podem tomar um frete viável financeiramente (em R$/t transportada). pontualidade e assiduidade.. não tenha perdas durante o transporte e atenda ao cliente em quantidade.38 m de largura e 12. mas impossível pelas perdas de características dos produtos.....

DISCIPLINA: ADMINISTRAÇÃO RURAL E INFORMÁICA AGRÍCOLA
PROFESSORA: KARLA BRITO DOS SANTOS

PROJETO DE INVESTIMENTO DE CAPITAL

1 - Conceito

É qualquer atividade produtiva de vida ilimitada, que implique na
mobilização de alguns recursos financeiros na forma de bens de produção em
determinado momento na expectativa de gerar recurso oriundo da produção

1.1 – Viabilidade econômica

Consiste essencialmente em comparar a rentabilidade do projeto
com as alternativas existentes para a empresa

1.2 – Questões práticas para o avaliador do investimento

a) Qual deve ser o horizonte de planejamento da atividade
 No de períodos de acordo com a vida útil dos equipamentos
 Dimensão de cada período – ciclo de cada atividade
Obs. Por convenção, a data de início do primeiro período é
denominado período zero. Este período necessariamente corresponde a um
período unicamente de desembolso
b) Como comparar valores monetários ao longo do tempo
 Fazendo uso de técnicas da matemática financeira

2 – Formação do fluxo de caixa

2.1 – Fluxos de caixa
São valores em unidade monetárias (real) que refletem as entradas
e sidas dos recursos e produtos por unidade de tempo que formam uma
proposta de investimento
Sua formação só é possível se todas as especificações técnicas de
recursos necessários bem como de produtos, forem conhecidas

2.2 – Finalidade
A finalidade dos fluxos de caixa é refletir o fluxo de recurso por
unidade de tempo (dimensão do período)

2.3 – Fluxo de entrada (receita)
Fazem parte do fluxo de entrada:
 Venda de produtos do projeto (principal ou secundário)
 Valor residual de todos os bens de capital, cuja vida útil, ultrapasse o
horizonte do projeto

2.4 – Fluxo de saída

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DISCIPLINA: ADMINISTRAÇÃO RURAL E INFORMÁICA AGRÍCOLA
PROFESSORA: KARLA BRITO DOS SANTOS

Existem dois tipos de fluxo de saída: despesas de investimentos e
despesas operacionais

2.4.1 – Despesas de investimentos
São todos os gastos com bens de capital, inclusive despesas cujo
valor se incorpora aos dos bens de capital na fase de implantação do projeto

2.4.2 – Despesas operacionais
Passada a fase de implantação do projeto as despesas feitas para
seu pleno funcionamento são despesas operacionais
Ex: alimentação de rebanho, medicamentos/vacinas, impostos, etc.

3 – Métodos de avaliação econômica de projetos

Dentre os vários métodos de avaliação de projetos disponíveis,
vamos utilizar o valor presente líquido (VPL) e a taxa interna de retorno (TIR)

3.1 – Método do valor presente líquido (VPL)
Este método, como o nome sugere, trabalha com a diferença,
período a período, entre as entradas e as saídas de caixa (obtendo assim o
fluxo líquido) durante o horizonte do projeto e desconta todos os valores futuros
para o presente (período zero)

n
FL i
VPL  
i 0 (1  k) i

VPL= 0 significa receitas igual à despesas
VPL < 0 o projeto deve ser abandonado
VPL > 0 é o desejado, ou seja, receita maior que despesas

Ao analisar vários projetos, deve ser escolhido aquele de maior VPL

3.2 – Método da taxa interna de retorno (TIR)

É aquela taxa que leva o valor presente líquido a zero (VPL = 0)

n
FL i
TIR    0 sendo k desconhecido
i 0 (1  k) i

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DISCIPLINA: ADMINISTRAÇÃO RURAL E INFORMÁICA AGRÍCOLA
PROFESSORA: KARLA BRITO DOS SANTOS

EXERCÍCIO
Com base no VPL e TIR verificar qual projeto apresenta maior
viabilidade:

PROJETO “A” PROJETO “B” PROJETO “C”
Período Período
FL FL FL
Período
0 -100 0 -100 0 -100
1 60 1 110 1 0
2 45 2 0 2 0
3 11 3 0 3 140

Utilizar k = 5% e k = 10%

Projeto “A” com k = 5%

- 100 60 45 11
VPL   1
 2
  - 100  57,14  40,82  9,50  7,46
1 (1  0,05) (1  0,05) (1  0,05)3

Projeto “A” com k = 10%

- 100 60 45 11
VPL   1
 2
  - 100  54,55  47,19  8,26  0
1 (1  0,1) (1  0,1) (1  0,1)3

Projeto “B” com k = 5%

- 100 110 0 0
VPL   1
 2
  - 100  104,76  4,76
1 (1  0,05) (1  0,05) (1  0,05) 3

Projeto “B” com k = 10%

- 100 110 0 0
VPL   1
 2
  - 100  100  0
1 (1  0,1) (1  0,1) (1  0,1) 3

Projeto “C” com k = 5%

- 100 0 0 140
VPL   1
 2
  - 100  120,93  20,93
1 (1  0,05) (1  0,05) (1  0,05)3

Projeto “C” com k = 10%

- 100 0 0 140
VPL   1
 2
  - 100  105,18  5,18
1 (1  0,1) (1  0,1) (1  0,1) 3

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97 . pois este suporta uma taxa maior que 10%.DISCIPLINA: ADMINISTRAÇÃO RURAL E INFORMÁICA AGRÍCOLA PROFESSORA: KARLA BRITO DOS SANTOS Assim o projeto mais viável é o “C”.

São Paulo: Atlas. Desenvolva sua capacidade de liderança: 24 estratégias para melhorar suas habilidades como líder. 411. SALIM. NORONHA. 1987. Gerência agropecuária. 4. orçamento e viabilidade econômica. Contabilidade básica. JÚLIO. 2003. Idalberto. CHIAVENATO. Luciano M. Administração empreendedora: teoria e prática usando o estudo de casos. BONACINNI. Rio de Janeiro: Elsevier. 4. Helene. Nasajon. MARION. São Paulo: Atlas. 150p.. ZENGER. 272p. A arte da estratégia: pense grande. Cláudio. 2005. 147p. 226p. Projetos agropecuários: administração. Administração: teoria. Luciano A . ANTUNES. 2007. Sandra. MARIANO.H. São Paulo: Atlas. José F. 2001. Rio de Janeiro: Elsevier. A nova empresa rural: como implantar um sistema simples e eficiente de gestão. José C. Fundamentos de agronegócios. Carlos A. Cuiabá: SEBRAE/MT. comece pequeno e cresça rápido. 269p. 98 . 2 ed. 2000. J. Reneu L. ed. ed. RIES. Rio de Janeiro: Sextante. SALIM.DISCIPLINA: ADMINISTRAÇÃO RURAL E INFORMÁICA AGRÍCOLA PROFESSORA: KARLA BRITO DOS SANTOS REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ARAÚJO. Massilon J. FOLKMAN. Rio de Janeiro: Elsevier. 1996. 2008. processo e prática. J. César S. 2004. Guaíba: Agropecuária.