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EXCELENTÍSSIMO SENHOR DESEMBARGADOR PRESIDENTE DO EGRÉGIO

TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO MATO GROSSO - MT.

NERCI, brasileiro, solteiro, inscrito nos quadros da OAB/GO 39.165,


com escritório profissional na Avenida T 15, n° 440, Setor Bueno, Goiânia – GO, vem,
por seus advogados infra-assinados, perante Vossa Excelência, com fundamento nos
artigos 5º, inciso LXIX da Constituição Federal/88 e na lei Nº 12.016/2009, impetrar o
presente
MANDADO DE SEGURANÇA COM PEDIDO DE LIMINAR
em face do ato praticado pelo EXCELENTÍSSIMO SENHOR JUIZ DE
DIREITO DA VARA CRIMINAL DA COMARCA DE PRIMAVERA DO LESTE – MT,
pelos motivos de fato e de direito a seguir expostos:

1. DA TEMPESTIVIDADE E DO CABIMENTO

Conforme documentação anexa, o impetrante tomou ciência da


decisão aos 24 de janeiro de 2018 e impetra a presente medida em 10 de maio de
2018, portanto, dentro do prazo de 120 dias previsto no artigo 23 da Lei n° 12.016/09.

A presente medida é impetrada em face de autoridade coatora, bem


como está instruída documentalmente com toda prova do seu direito líquido e certo.
Portanto cabível, no caso, o presente Mandado de Segurança, nos termos do artigo
1º da Lei n° 12.016/09.

2. DOS FATOS

O impetrante NERCI, foi constituído como advogado do Acusado


DIONE CESAR, dos autos da ação penal de n° 4901-24.2017.811.0037.

Após apresentação da peça processual de Resposta à Acusação, foi


designada pelo MM. Juiz da Comarca de Primavera do Leste-MT, Audiência de
Instrução e Julgamento, para o dia 23 de janeiro de 2018 às 16:00 horas.

Contudo, o causídico justificou que não compareceu à Audiência dos


autos supramencionado por motivo de força maior, em razão de ter que comparecer
em caráter de urgência ao presídio de Caldas Novas-GO, a fim de amparar situação
de risco que um de seus clientes suportava. Deste modo, tendo em vista as
circunstancias mencionadas o mesmo não conseguiu deslocar-se a tempo da cidade
de Caldas Novas – GO até a cidade de Primavera do Leste – MT(aproximadamente
700 km de distância).

Nesse sentido, o MM. Juiz decidiu à oportunidade da audiência por


sancionar o Advogado ao pagamento de 10 (dez) salários mínimos por motivo de
abandono de causa e manteve a decisão mesmo após apresentada justificativa pelo
não comparecimento.

2. DO DIREITO

No presente caso em comento evidencia-se direito liquido e certo do


impetrante, tendo em vista que a autoridade coatora se utilizou de forma desmedida
e arbitraria do disposto no artigo 265 do CPP para aplicar sanção gravosa de aplicação
de multa e declarar o consequente abandono de causa pelo Impetrante.

Ora, de fato, disciplina o artigo 265 do CPP:

Art. 265. O defensor não poderá abandonar o processo senão por motivo imperioso,
comunicado previamente o juiz, sob pena de multa de 10 (dez) a 100 (cem) salários mínimos,
sem prejuízo das demais sanções cabíveis.

Todavia, é uníssono na doutrina e jurisprudência que a simples falta a


um ato processual isolado não é capaz de configurar o abandono da causa e a
determinar a consequente sanção de multa.

Nesse sentido esclarece o doutrinador MENDONÇA (2009, p. 206):


No caput, manteve-se o dever de o defensor não abandonar o acusado, a não ser por motivo
imperioso. O abandono de que está tratando o artigo em estudo é apenas o definitivo, ou
seja, aquele em que o advogado se afasta do processo de maneira permanente. Não se
está a cuidar da hipótese de ausência momentânea do advogado a determinado ato.
(MENDONÇA, Andrey Borges de. Nova reforma do Código de Processo Penal: comentada
artigo por artigo. 2. Ed. Rio de Janeiro: Forense, 2009.)

Ainda, sedimenta a jurisprudência no mesmo raciocínio:

MANDADO DE SEGURANÇA. NÃO COMPARECIMENTO DO ADVOGADO A AUDIENCIA. MULTA. CPP,


ART. 265.- O abandono de causa capaz de justificar a aplicação de multa prevista no art.
265 do CPP demanda que o defensor regularmente constituído reiteradamente deixe de
promover os atos necessários à defesa do acusado, não bastando uma única omissão –
como o não comparecimento à audiência- para caracterizá-lo. (TRF – 2 MS:
201102010035480, Relator: Desembargador Federal MARCELLO FERREIRA DE SOUZA
GRANADO, Data do Julgamento: 21/06/2011, SEGUNDA TURMA ESPECIALIZADA, Data de
Publicação: 01/07/2011) (Grifo nosso)

Assim, tem-se, por óbvio, que o Impetrante em momento algum tinha


a intenção de abandonar a causa, vez que se tratou somente de situação emergencial
e atípica que impossibilitou que o mesmo comparecesse a referida audiência.

Deste modo, não sobrevindo nenhuma outra falta do Impetrante


diante daquele processo, vislumbrasse que fora desarrazoada à medida que declarou
o abandono da causa por parte do Impetrante e consequentemente aplicou-lhe multa
de dez salários mínimos.

Evidenciado assim o direito líquido e certo do Impetrante, vez que a


autoridade coatora contrariou preceitos legais e jurisprudenciais, tem-se a
necessidade do controle jurisdicional do ato, devendo, portanto, ser anulada tal
decisão descomedida.
4 - DA LIMINAR

Dispõe o art. 7º, III da Lei n° 12.016/09, que o juiz poderá suspender
o ato que deu motivo ao pedido, sempre que "houver fundamento relevante e do ato
impugnado puder resultar a ineficácia da medida, caso seja finalmente deferida".

Ora, sobre os efeitos devastadores de decisão injusta, salienta


DIDIER JR:
A entrega da tutela definitiva não se dá com a rapidez esperado pela parte. Entre o
momento em que é solicitada e aquele em que é obtida, transcorrer considerável lapso de
tempo. E isso pode gerar consequências práticas indesejáveis: de um lado, impede que se
usufrua e se disponha do direito reclamado enquanto pendente o processo, o que pode ser
incompatível com a natureza do direito em jogo, colocando-o sob o risco de dano
irreparável ou de difícil reparação.( JR. DIDIER, Fredie; BRAGA, Paula Sarno; OLIVEIRA,
Rafael. CURSO DE PROCESSO CIVIL. V 2. Salvador: Juspodivm, 2007. p. 511-512)

Assim, sendo cristalino o direito liquido e certo do impetrante e


estando anexas nos autos todas as provas necessárias, denota-se imperioso que seja
desde-já sustados os efeitos da decisão proferida pela autoridade coatora, afim de
que o impetrante não mais seja obrigada a suportar os efeitos da decisão injusta.

5.PEDIDOS

Assim, com base no exposto e no artigos 5º, inciso LXIX da


Constituição Federal/88 e na lei Nº 12.016/2009, o impetrante requer:

1. LIMINARMENTE, que seja sustada os efeitos da decisão


interlocutória proferida nos autos do processo nº 4901-
24.2017.811.0037, que aplicou a multa de dez salários mínimos ao
impetrante, sob a inverídica alegação que abandonou a causa,
amparado no art. 7°, III da Lei n° 12.016/09;

2. que se notifique a autoridade coatora do conteúdo da petição inicial,


enviando-lhe a segunda via apresentada com as cópias dos
documentos, a fim de que, no prazo de 10 (dez) dias, preste as
informações que julgar necessárias (art. 7º, I da Lei n° 12.016/09);

3. a intimação do representante do Ministério Público para que opine


no prazo improrrogável de 10 (dez) dias (art. 12 da Lei n° 12.016/09);

4. a confirmação no mérito da liminar pleiteada para que se


consolide, em favor do Impetrante.

Provas pré-constituídas anexas.

Termos em que,
Pede e espera deferimento.

Goiânia, 10 de maio de 2018.

John Lirow Thomas Meira de Sousa Juliana Soares Pereira


OAB/GO no 11.111 OAB/GO no 12.222

Lorrainy Ferreira Silva Marcos Antônio Dias Filho


OAB/GO no 13.333 OAB/GO no 14.444

Mariana Rodrigues Porto


OAB/GO no 15.555